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FACULDADE CATÓLICA DE FEIRA DE SANTANA CURSO DE LICENCIATURA EM FILOSOFIA PROJETO DE EXTENSÃO CAMINHOS DA PAZ: PELA HARMONIA ENTRE HOMENS E MULHERES DOCENTES: Consuelo Penelu Bitencourt e Wagner Alves Reis ANÁLISE CRÍTICA DE TEXTOS E FILMES DISCENTE: Lucas Torres Brandão Torres SEMESTRE LETIVO: 2ª DATA: 13 / 12 / 2022 Fatherhood (Original). Paternidade (versão brasileira). Paul Weitz. Estados Unidos. Netflix. 2021. mp4. 110 min. Disponível em: < https://www.netflix.com> Em meio ao caos e sem muita esperança, a Netflix produziu e distribuiu o filme Paternidade, que estreou na plataforma em 19 de junho de 2021. Embora longe das férias, o que parece uma estratégia sensata de pós-comunicação, a produção apresenta um episódio repleto de lições e reflexões sobre a paternidade, especialmente a do homem negro e seu impacto na formação da mulher negra. Primeiro, o filme acompanha Matt Loglin (Kevin Hart) e sua esposa Liz (Deborah Ayolinde) nos últimos dias de gravidez da primeira filha do casal. Pouco depois do nascimento de Tracy (Melody Hurd), a esposa do herói sofre uma grave embolia pulmonar e morre no hospital. Diante do choque, Matt se vê apoiado por sua família e Liz, mas com a missão de criar sua filha sem nenhuma experiência anterior como pai. É assim que ao longo da produção vemos o personagem principal lidar com inúmeras dificuldades. Por um lado, as pressões familiares o levam a deixar Los Angeles para retornar à sua cidade natal, onde ambas as famílias podem fornecer o suporte necessário para a educação de Maddy e, por outro lado, a dificuldade de equilibrar uma carreira requer atenção constante. Tudo isso enquanto cuida das necessidades básicas de uma filha sem saber como lidar com a realidade de criar uma. Nesse caso, há desafios em entender o significado de cada choro, como lidar com a troca de fraldas e como adequar o ambiente doméstico às necessidades da criança. Curiosamente, esta fase da história apresenta uma cena interessante onde Matt procura um grupo de pais para impedir que uma de suas filhas chore incessantemente, onde diz "pais" em inglês, incluindo pai e mãe. No entanto, ao chegar ao local, o protagonista se depara com um grupo de mulheres discutindo tranquilamente os assuntos cotidianos, e não há nenhum homem na sala, exceto ele. Primeiro, Matt lida com a recusa dos participantes em aceitá-lo como membro, embora a placa da conferência diga "PAIS", significando pais e mães, não apenas mães. Basicamente, entende-se que somente as mães podem ocupar esses encontros e espaços, se preocupar e assumir a responsabilidade pelo cuidado de seus filhos. O diálogo da protagonista com as personagens desperta uma reflexão mais ampla não só sobre direitos, mas também sobre obrigações parentais nestes mesmos moldes. A segunda parte do filme mostra Maddy um pouco mais velha, mas ainda na infância. Nesse momento, conhecemos sua personalidade, seus interesses, seus gostos e, principalmente, sua relação com o pai. Desde que ela prepara o café da manhã para ele até ele se erguer e organizar a casa estabelece-se entre eles uma relação de convivência marcada principalmente pela amizade e companheirismo. Olhamos nessas cenas Matt vestindo a camisa da paternidade contra as expectativas da família. Além de envolver Maddy e suas amigas em um jogo de póquer onde elas apostam em biscoitos e disputam jogos amistosos, a personagem principal vai além ao permitir que a filha tome suas próprias decisões, participe de todas as etapas e esteja por dentro de todos os grandes eventos e acontecimento na vida familiar. Mas Paternidade também tem acertos flagrantes. Um dos mais recompensadores é o quanto ele permite que todos os seus personagens sejam maduros, adultos mesmo - incluindo o próprio Matt, das decisões cotidianas que ele toma na criação de sua filha à maneira como lida com os atritos causados por sua posição de pai solteiro, passando pela forma como navega o seu ambiente de trabalho. Esta não é, ainda bem, mais uma história de um homem bobão e mimado "aprendendo" a ser pai. É simplesmente a história de um pai enfrentando os dilemas que muitos outros enfrentam. E Hart, é preciso dizer, encarna esse papel com brilhantismo. Desde a angustiante cena, no início do filme, em que Matt recebe a notificação da morte de sua esposa, ele aborda o desafio diante de si com sensibilidade medida, nunca ultrapassando o tom do humor ou do drama,