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Trauma Abdominal 1 🥼 Trauma Abdominal Type Aula Gravada Date Especialidade Trauma Apostila Aula MED2022 Reviewed Área Cirurgia Geral Abordagem Inicial FAST: indicado, segundo o ATLS, em casos de (1) trauma abdominal fechado + instabilidade hemodinâmica ou (2) trauma abdominal penetrante + sem indicação de laparotomia imediata → é pedido sempre no contexto do politrauma por ser disponível e barato na sala de emergência; sendo uma extensão do exame físico, entrando na letra C. @March 9, 2023 Trauma Abdominal 2 Laparotomia Imediata: indicado se (1) trauma abdominal contuso + FAST positivo ou lavado peritoneal positivo + instabilidade hemodinâmica; (2) trauma abdominal penetrante + instabilidade hemodinâmica; (3) FAF com trajetória transperitoneal; (4) evisceração; (5) sangramento TGI após FAB; (6) peritonite; (7) pneumoperitôneo ou retroperitôneo ou ruptura de hemidiafragma. Lavado Peritoneal Diagnóstico: cada vez menos usado → feito com pulsão periumbilical → tem alta sensibilidade, mas muito invasivo → pelo ATLS, tem as mesmas indicações do FAST → positivo se aspiração de 10 mL de sangue ou aspiração de conteúdo entérico/bilioso → não fidedigno para estruturas retroperitoneais. Tomografia: exige estabilidade hemodinâmica → não avalia bem vísceras ocas e nem diafragma → excelente para vísceras parenquimatosas → TC de corpo inteiro deve ser feito se (1) acidente automobilístico > 60 km/h ou óbito na cena; (2) capotamento; (3) atropelamento; (4) ejeção do veículo; (5) paciente preso nas ferragens; (6) queda > 3m de altura; (7) mecanismo desconhecido, mas supostamente de alta energia. Trauma Abdominal Contuso Iniciar com ABCDE → história do evento abordando mecanismo, velocidade do veículo, outras vítimas, óbito na cena, acionamento de airbags e uso de cinto de segurança → o órgão abdominal mais lesado nos traumas contusos é o baço. Se sinal do cinto de segurança, pensar em lesão de mesentério e delgado → pode haver fratura transversal de vértebras, chamado de fratura de Chance. Lesão do tanque é caracterizado por lesão de pâncreas em crianças → também válido para lesão de bicicletas. Se estável hemodinamicamente, deve-se avaliar confiabilidade do exame físico → se confiável, realizar FAST → se positivo, indicar TC e tratamento específico do órgão → se negativo, pode realizar alta assim que recuperar neurológico ou considerar TC, dependendo do mecanismo de trauma. Se exame físico não confiável, partir para TC → se positiva, tratamento órgão específico → se negativo, considerar alta. Trauma Abdominal 3 Se instável hemodinamicamente, não tem TC, vai direto para FAST → se positivo, indica laparotomia → se negativo, avaliar outros focos de sangramento (tórax, pelve, ossos longos) → se identificar outro foco, tratar de acordo com a lesão e indicar TC para tratamento órgão específico → se não identificar outro foco, realizar ressucitação volêmica e TC assim que estável. Trauma Abdominal 4 Se hematoma no retroperitôneo → na zona I, explorar cirurgicamente sempre (pois presença de grandes vasos como aorta) → na zona II, explorar cirurgicamente se hematoma em expansão (presença dos rins e adrenais) → na zona III, não explorar cirurgicamente num primeiro momento (pois associado a trauma de pelve. Tratamento Não Operatório de Lesões Parenquimatosas: pode ser realizado quando apresenta TC com contraste na admissão + estabilidade hemodinamicamente + vaga de UTI por 24-48h + hospital com disponibilidade de CC, equipe e banco de sangue 24h + repouso absoluto por 24-48h + exame físico e Hb seriados. Ferimento por Arma Branca O órgão mais acometido se FAB na parede anterior é o fígado. Se FAB em flanco ou dorso, são estruturas retroperitoneais → rins, grandes vasos, duodeno, pâncreas e cólon. Se instabilidade hemodinâmica, peritonite, evisceração, sangramento franco pela SNG ou toque retal, ou empalamento → deve ir para laparotomia imediata. 💡 Exploração digital é apenas indicada em casos de FAB anterior → nunca explorar digitalmente se flanco, cervical, etc. Trauma Abdominal 5 Se trauma em parede anterior, pode ser realizado (1) exploração digital do ferimento E-FAST ou (2) laparoscopia direta (obesos ou exame físico duvidoso; estável hemodinamicamente). Se exploração digital sem penetração da cavidade → realizar sutura/cuidados a ferida e alta → analgesia, antitetânica e antibiótico. Se exploração com penetração da cavidade → realizar laparoscopia (se estável) ou laparotomia → algumas literaturas indicam observação clínica, na qual se evoluir com (1) peritonite ou instabilidade, deve partir para laparotomia; (2) leucocitose em ascensão ou queda de Hb > 3, realizar TC ou laparoscopia; (2) estabilidade após 12h de observação pode receber alta. Se trauma em dorso ou flanco, sempre realizar TC de abdome e pelve com triplo contraste (EV, VO e retal) → se normal, recebe alta (considerar observação por 24h se > 65 anos, uso de anticoagulante ou antiagregante, comorbidades ou outras lesões associadas) → se alterada, tratar com o tipo de lesão. Se trauma em retroperitôneo → na zona I, indicar exploração cirúrgica (provável lesão vascular) → na zona II, explorar cirurgicamente se lesão renal com hemorragia ativa ou hematoma em expansão → zona III, explorar cirurgicamente (provável lesão vascular de ilíaca). Ferimento por Arma de Fogo Trauma de alta energia → quanto maior energia da arma, maior seu potencial de destruição tecidual → lesão ocorre em todo o trajeto do projétil. O órgão mais acometido é o delgado. A maioria dos FAF são abordados por laparotomia. Se trauma abdominal por FAF, são indicações absolutas de laparotomia se → instabilidade hemodinâmica, peritonite, evisceração, sangramento franco pela SNG ou no toque retal. Se sem indicações absolutas de laparotomia → se inconsciente, alcoolizado ou exame físico não confiável, levá-lo para laparoscopia (se estável), laparotomia ou E-FAST → se exame físico confiável, avaliar se houve penetração na cavidade com TC ou E-FAST. Trauma Abdominal 6 Se houve penetração → laparotomia se lesões não passíveis de tratamento não operatório ou a critério do cirurgião → tratamento não operatório se lesões únicas de vísceras sólidas e de baixo grau, com exame físico e Hb seriados e internação em UTI. Se não há evidências claras de penetração → observar por pelo menos 24h com exames seriados → alta se persistir completamente assintomático. Trauma de Pelve Grave pela alta energia cinética. Sangra muito → cabe toda a volemia de um adulto → maior parte é venoso. Mecanismo → compressão lateral: automobilísticos; maioria; lesões na bexiga e/ou uretra; hemorragia e lesões associadas raramente são fatais → compressão anteroposterior: causado por quedas de altas alturas; ruptura do anel pélvico, plexo venoso posterior e ramos arteriais da ilíaca interina; a hemorragia pode ser grave e fatal → cisalhamento vertical: ocorre desarticulação sacro ilíaca, cursando com ruptura das ilíacas; sangramento arterial; hemorragia grave (quedas). Fratura em Livro Aberto: pode realizar sondagem vesical, desde que não tenha lesão geniturinária (uretrorragia ou hematoma escrotal). Se identificado trauma de pelve, considerar estabilização pélvica (lençol, cinta, etc). Se estável após estabilização, realizar TC de abdominal e pelve → se aparecer blush, realizar arteriografia (cateterizar ramo sangrante e parar sangramento) e depois avaliação ortopédica para avaliar fixação da pelve → se sem blush, pode ir direto com o ortopedista. Se instável, realizar FAST → se positivo, indicar laparotomia + tamponamento pré-peritoneal + fixação da pelve → se negativo, realizar apenas tamponamento pré-peritoneal + fixação da pelve → se persistir com instabilidade, realizar arteriografia. 💡 REBOA: balão endovascular para oclusão da aorta, passado pela femoral → impede o fluxo arterial na área lesada → indicado para sangramentos que não consegue comprimir, como tórax, abdomee pelve em pacientes instáveis. Trauma Abdominal 7 Lesões Associada: bexiga (maioria extraperitoneal; por fragmentos ósseos; cistografia ou cistoTC; se extraperitoneal, realizar SVD por 14 dias; se intraperitoneal, precisa de abordagem cirúrgica com sutura em 2 planos com fio absorvível); uretra (associado a trauma de uretra membranosa; fratura em livro aberto a esgarça; cursa com uretrorragia, hematoma perineal e escrotal, próstata elevada ao toque, abaulamento suprapúbico; se suspeita, realizar uretrocistografia retrógrada; se sem alterações, realizar sondagem vesical cautelosa; se extravasamento de contrastes, avaliação da urologia e cistostomia). Trauma Hepático Principal lesão no trauma penetrante e segundo no trauma contuso. Maioria dos contusos, são leves. Diagnóstico: TC de abdome com contraste. São 6 graus de lesão → até o quarto, pode realizar tratamento não operatório ou conservador, com exames seriados a cada 6h → qualquer sinal de instabilidade hemodinâmica indica laparotomia exploradora. Grau I: hematoma subcapsular < 10% da superfície do fígado OU laceração < 1cm. Grau II: hematoma subcapsular de 10-50% da superfície do órgão OU laceração de 1-3cm. Grau III: hematoma subcapsular > 50% OU hematoma intraparenquimatoso > 10cm OU laceração > 3cm ou sangramento ativo de parênquima → tratamento: arteriografia com embolização ou TNO. Grau IV: laceração de até 3 segmentos hepáticos (acometimento de 25- 75%) → tratamento pode ser arteriografia ou embolização ou TNO. Grau V: laceração > 75% ou > 3 segmentos OU lesão vascular (VCI, vasos hepáticos) → tratamento: maioria cirúrgico; endovascular apenas se serviço de referência. Grau VI: avulsão hepática → alta chance de óbito na cena → tratamento: transplante hepático de emergência. Manobra de Pringle: clampeamento do hilo hepático → para controle de sangramento → se parou, indica sangramento da artéria hepática ou de um de Trauma Abdominal 8 seus ramos → se não parou, indica sangramento de cava retrohepática, com alta mortalidade. Trauma Esplênico Principal lesado no trauma contuso. Relacionado com fratura de arcos costais à esquerda. Órgão não essencial → tratamento cirúrgico na maioria das vezes. Diagnóstico: TC de abdome com contrate. Graus de Lesões: Grau I: hematoma subcapsular < 10% OU laceração < 1cm → tratamento conservador. Grau II: hematoma subcapsular de 10-50% da superfície do órgão OU laceração de 1-3cm → tratamento conservador. Grau III: hematoma roto ou em expansão OU laceração de vasos trabeculares → tratamento conservador ou arteriografia com embolização (serviço de referência). Grau IV: sangramento ativo OU laceração com desvascularização → tratamento com arteriografia ou esplenectomia. Grau V: avulsão esplénica → tratamento com esplenectomia. Ao realizar esplenectomia, deve ser feita vacinação contra encapsulados → hemófilos, estreptococo e neisseria → 14 dias após procedimento. Trauma Renal Relacionado com trauma contuso; com ou sem fratura de arcos costais. Pode se manifestar com hematúria → intensidade da hematúria não tem correlação com a gravidade da lesão renal. Diagnóstico: TC de abdome com contrates. Graus de Lesão: (1) hematoma subcapsular, (2) laceração <1cm, (3) laceração > 1cm, (4) laceração estendendo-se ao sistema coletor, (5) avulsão renal. Trauma Abdominal 9 Até grau 3, pode ser feito TNO → repouso, antibioticoprofilaxia e nova TC em 1 mês. No grau 4, realizar angioembolização. NO grau 5, realizar nefrectomia. Controle de Danos Não deixar o paciente morrer é o objetivo → pacientes traumatizados graves não toleram procedimentos prolongados. Fase 0: pré-cirurgia; quem é o paciente → hemodinâmica: PAS < 90; T < 35 → acidose: pH < 7,2; lactato >5 → coagulopatia → fatores anatômicos e previsão de cirurgia > 60 min → necessidade de transfusão maciça. Se qualquer critério positivo, indicar cirurgia de controle de danos. Fase 1: damage control → deve ser realizado em até 1 hora → rápido controle da hemorragia → controle da contaminação (alça fechada se necessário) → lavagem abundante da cavidade → fechamento temporário (peritoneostomia) → evitar a tríade letal (acidose, coagulopatia, hipotermia). Fase 2: ressuscitação em UTI → SIRS intensa em 48-72h → cuidado com a síndrome compartimental abdominal. Fase 3: reabordagem cirúrgica → reparo definitivo das lesões → em 24-48h → remover compressas, lavar cavidade → restabelecer trânsito intestinal. Fase 4: fechamento abdominal → se possível, após primeira abordagem → caso contrário, curativo à vácuo com revisão a cada 3 dias, com aproximação Trauma Abdominal 10 de bordas. Síndrome Compartimental Abdominal Hipertensão intra-abdominal → se grau 3 ou 4 associado a lesão orgânica, temos uma síndrome compartimental abdominal. Normal: 5-7 mmHg. Grau I: 12-15 mmHg Grau II: 16-20 mmHg Grau III: 21-25 mmHg Grau IV: > 25 mmHg Ocorre em pacientes críticos → politraumas: ressuscitação volêmica agressiva → queimados: ressuscitação volêmica agressiva + choque distributivo + edema de alças → pós-operatório de cirurgia abdominal: muita manipulação de alça → sepse: choque distributivo + ressuscitação volêmica → pancreatite grave: mesmo motivos da sepse. Pode cursar com alterações cardiovasculares → diminuição do DC, diminuição do retorno venoso e aumento da resistência vascular periférica → evolui com hipotensão. Pode cursar com alterações respiratórias → aumento da pressão intratorácica e redução da complacência pulmonar → evolui com dificuldade de ventilar. Pode cursar com comprometimento renal → vasoconstrição renal e compressão da veia renal → evolui com diminuição do débito urinário. Cálculo da PIA: sonda vesical de demora com 3 vias → uma via no coletor, outra numa coluna de água e outra para injetar soro → injetar 25mL e verificar quanto que sobe da coluna de água. Manejo: estabilização hemodinâmica e ventilatória; supinar paciente; controle de fluidos; melhorar analgesia e sedação; drenagem de coleções se necessário; drenagem nasogástrica se necessário; considerar descompressão (grau IV) se sem melhora, com peritoneostomia.