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Manual de Licenciatura do curso de Licenciatura em contabilidade e Auditoria Microeconomia 2022 ENSINO ONLINE. ENSINO COM FUTURO Manual de Licenciatura do Curso de Licenciatura em Contabilidade e Auditoria Microeconomia 1º ANO : Microecomia CÓDIGO ISCED21-ECOCFE008 TOTAL HORAS/ 2 SEMESTRE 125 CRÉDITOS (SNATCA) 5 NÚMERO DE TEMAS 9 UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia i Direitos de autor (copyright) Este manual é propriedade do Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED), e contêm reservados todos os direitos. É proibida a duplicação ou reprodução parcial ou total deste manual, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (electrónicos, mecânico, gravação, fotocópia ou outros), sem permissão expressa de entidade editora (Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED). A não observância do acima estipuladoo infractor é passível a aplicação de processos judiciais em vigor no País. Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED) Direcção Académica Rua Dr. Almeida Lacerda, No 212 Ponta - Gêa Beira - Moçambique Telefone: +258 23 323501 Cel: +258 82 3055839 Fax: 23323501 UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia ii E-mail:isced@isced.ac.mz Website:www.isced.ac.mz Agradecimentos O Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED) e o autor do presente manual agradecem a colaboração dos seguintes indivíduos e instituições na elaboração deste manual: Pela Coordenação Pelo design Direcção Académica do ISCED Direcção de Qualidade e Avaliação do ISCED Financiamento e Logística Pela Revisão Instituto Africano de Promoção da Educação a Distancia (IAPED) Victor Nuvunga, Licenciado em Economia e Gestão pela Universidade Católica de Moçambique. Pós Graduado em Ensino a Distância e eLearning pela UCP. Elaborado Por: Monteiro José Monteiro, Economista mailto:isced@isced.ac.mz http://www.isced.ac.mz/ http://www.isced.ac.mz/ UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia iii Visão geral 1 Benvindo à Disciplina/Módulo de Microeconomia ........................................................... 1 Objectivos do Módulo ....................................................................................................... 1 Quem deveria estudar este módulo .................................................................................. 1 Como está estruturado este módulo ................................................................................. 2 Ícones de actividade .......................................................................................................... 3 Habilidades de estudo ....................................................................................................... 3 Precisa de apoio? ............................................................................................................... 5 Tarefas (avaliação e auto-avaliação) ................................................................................. 6 Avaliação ............................................................................................................................ 7 TEMA – I: A MICROECONOMIA. 9 UNIDADE Temática 1.1. Considerações Gerais à Disciplina e seu objecto. ....................... 9 Introdução ......................................................................................................................... 9 Sumário ............................................................................................................................ 13 Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ...................................................................................... 14 Exercícios de AVALIAÇÃO ................................................................................................. 15 TEMA – II: O MODELO DA PROCURA E OFERTA. 15 UNIDADE Temática 2.1.Introdução, Oferta e Demanda ................................................. 15 Introdução ....................................................................................................................... 15 Sumário ............................................................................................................................ 25 Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ...................................................................................... 25 Exercícios de AVALIAÇÃO ................................................................................................. 29 TEMA – III: TEORIA DO CONSUMIDOR. 29 UNIDADE Temática 3.1.Introdução, Comportamento do Consumidor ........................... 29 Introdução ....................................................................................................................... 29 Sumário ............................................................................................................................ 38 Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ...................................................................................... 38 Exercícios de AVALIAÇÃO ................................................................................................. 44 UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia iv TEMA-IV: ESTRUTURA DE MERCADO 44 UNIDADE Temática 4.1. Introdução a Mercados ............................................................. 44 Introdução ....................................................................................................................... 44 Sumário .................................................................................................................. 47 Exercício de Autoavaliação ..................................................................................... 47 Exercício de Avaliação ............................................................................................ 47 TEMA – V: PRODUÇÃO 51 UNIDADE Temática 5.1. Introdução a Produção ............................................................. 51 Introdução ....................................................................................................................... 51 Sumário ............................................................................................................................ 57 Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ...................................................................................... 57 Exercícios de AVALIAÇÃO ................................................................................................. 64 UNIDADE Temática 5.2. Custos de Produção................................................................... 64 Introdução ....................................................................................................................... 64 Sumário ............................................................................................................................ 70 Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ...................................................................................... 71 Exercícios de AVALIAÇÃO ................................................................................................. 86 TEMA – VI: MAXIMIZAÇÃO DE LUCROS E OFERTA COMPETITIVA 92 UNIDADE Temática 7.1.Introdução, Maximização de Lucros e Oferta Competitiva ....... 92 Introdução ....................................................................................................................... 92 TEMA – VII: MERCADO PARA FACTORES DE PRODUÇÃO 108 UNIDADE Temática 8.1.Introdução, Mercado para Factores de Produção. .................. 108 Introdução..................................................................................................................... 108 Sumário .......................................................................................................................... 113 TEMA – VIII: EXTRENALIDADES E BENS PÚBLICOS 113 UNIDADE Temática 9.1.Introdução, Extrenalidades e Bens Públicos. ........................... 113 Introdução ..................................................................................................................... 113 Sumário .......................................................................................................................... 121 Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO .................................................................................... 121 UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia v Exercícios de AVALIAÇÃO ............................................................................................... 137 Referências Bibliograficas .............................................................................................. 140 Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO .................................................................................... 141 Exercícios de AVALIAÇÃO ............................................................................................... 149 UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 2 0 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 1 Visão geral Benvindo à Disciplina/Módulo de Microeconomia Objectivos do Módulo Ao terminar o estudo deste módulo de Microeconomia deverá ser capaz de: Apresentar a estrutura básica dos mercados, destacando seus objectivos, Interpretar o papel das unidades económicas básicas no funcionamento do sistema económico; dominar os conceitos fundamentais da economia; resolver os problemas económicos mais gerais e específicos; e apresentar argumentos económicos de forma clara e lógica. ▪ Entender os conceitos básicos sobre a oferta e procura de bens e serviços; Objectivos Específicos ▪ Perceber a diferença entre a análise positiva da análise normativa; ▪ Conhecer as forças económicas que explicam as razões da alteração dos preços dos bens e serviços; Quem deveria estudar este módulo Este Módulo foi concebido para estudantes do 2º ano do curso de licenciatura em Contabilidade e Auditoria do ISCED e outros como Gestão de Recursos Humanos, Administração, etc. Poderá ocorrer, contudo, que haja leitores que queiram se actualizar e consolidar seus conhecimentos nessa disciplina, esses serão bem-vindos, não sendo necessário para tal se inscrever. Mas poderá adquirir o manual. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 2 0 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 2 Como está estruturado este módulo Este módulo de Microeconomia, para estudantes do 2º ano do curso de licenciatura em Contabilidade e Auditoria, à semelhança dos restantes do ISCED, está estruturado como se segue: Páginas introdutórias ▪ Um índice completo. ▪ Uma visão geral detalhada dos conteúdos do módulo, resumindo os aspectos-chave que você precisa conhecer para melhor estudar. Recomendamos vivamente que leia esta secção com atenção antes de começar o seu estudo, como componente de habilidades de estudos. Conteúdo desta Disciplina / módulo Este módulo está estruturado em Temas. Cada tema, por sua vez comporta certo número de unidades temáticas ou simplesmente unidades. Cada unidade temática se caracteriza por conter uma introdução, objectivos, conteúdos. No final de cada unidade temática ou do próprio tema, são incorporados antes o sumário, exercícios de auto-avaliação, só depois é que aparecem os exercícios de avaliação. Os exercícios de avaliação têm as seguintes características: Puros exercícios teóricos/Práticos, Problemas não resolvidos e actividades práticas,incluído alguns estudos de caso. Outros recursos A equipa dos académicos e pedagogos do ISCED, pensando em si, num cantinho, recôndito deste nosso vasto Moçambique e cheio de dúvidas e limitações no seu processo de aprendizagem, apresenta uma lista de recursos didácticos adicionais ao seu módulo para você explorar. Para tal o ISCED disponibiliza na biblioteca do seu centro de recursos mais material de estudos relacionado com o seu curso como: Livros e/ou módulos,CD, CD-ROOM, DVD. Para além deste material físico ou electrónico disponível na biblioteca, pode ter acesso a Plataforma digital moodle para alargar mais ainda as possibilidades dos seus estudos. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 2 0 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 3 Auto-avaliação e Tarefas de avaliação Tarefas de auto-avaliação para este módulo encontram-seno final de cada unidade temática e de cada tema. As tarefas dos exercícios de auto-avaliação apresentam duas características: primeiro apresentam exercícios resolvidos com detalhes. Segundo, exercícios que mostram apenas respostas. Tarefas de avaliação devem ser semelhantes às de auto-avaliação mas sem mostrar os passos e devem obedecer o grau crescente de dificuldades do processo de aprendizagem, umas a seguir a outras. Parte das tarefas de avaliação será objecto dos trabalhos de campo a serem entregues aos tutores/docentes para efeitos de correcção e subsequentemente nota. Também constará do exame do fim do módulo. Pelo que, caro estudante, fazer todos os exercícios de avaliação é uma grande vantagem. Comentários e sugestões Use este espaço para dar sugestões valiosas, sobre determinados aspectos, quer de natureza científica, quer de natureza didácticoPedagógica, etc., sobre como deveriam ser ou estar apresentadas. Pode ser que graças as suas observações que, em gozo de confiança, classificamo-las de úteis e o próximo módulo venha a ser melhorado, caso necessário. Ícones de actividade Ao longo deste manual irá encontrar uma série de ícones nas margens das folhas. Estes ícones servem para identificar diferentes partes do processo de aprendizagem. Podem indicar uma parcela específica de texto, uma nova actividade ou tarefa, uma mudança de actividade, etc. Habilidades de estudo O principal objectivo deste campo é o de ensinar aprender a aprender. Aprender aprende-se. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 2 0 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 4 Durante a formação e desenvolvimento de competências, para facilitar a aprendizagem e alcançar melhores resultados, implicará empenho, dedicação e disciplina no estudo. Isto é, os bons resultados apenas se conseguem com estratégias eficientes e eficazes. Por isso é importante saber como, onde e quando estudar. Apresentamos algumas sugestões com as quais esperamos que caro estudante possa rentabilizar o tempo dedicado aos estudos, procedendo como se segue: 1º Praticar a leitura. Aprender a Distância exige alto domínio de leitura. 2º Fazer leitura diagonal aos conteúdos (leitura corrida). 3º Voltar a fazer leitura, desta vez para a compreensão e assimilação crítica dos conteúdos (ESTUDAR). 4º Fazer seminário (debate em grupos), para comprovar se a sua aprendizagem confere ou não com a dos colegas e com o padrão. 5º Fazer TC (Trabalho de Campo), algumas actividades práticas ou as de estudo de caso, se existirem. IMPORTANTE: Em observância ao triângulo modo-espaço-tempo, respectivamentecomo, onde e quando estudar, como foi referido no início deste item, antes de organizar os seus momentos de estudo reflicta sobre o ambiente de estudo que seria ideal para si: Estudo melhor em casa/biblioteca/café/outro lugar? Estudo melhor à noite/de manhã/de tarde/fins-de-semana/ao longo da semana? Estudo melhor com música/num sítio sossegado/num sítio barulhento!? Preciso de intervalo em cada 30 minutos, em cada hora, etc.É impossível estudar numa noite tudo o que devia ter sido estudado durante um determinado período de tempo; Deve estudar cada ponto da matéria em profundidade e passar só ao seguinte quando achar que já domina bem o anterior. Privilegia-se saber bem (com profundidade) o pouco que puder ler e estudar, que saber tudo superficialmente! Mas a melhor opção é juntar o útil ao agradável: Saber com profundidade todos conteúdos de cada tema, no módulo. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 2 0 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 5 Dica importante: não recomendamos estudar seguidamente por tempo superior a uma hora. Estudar por tempo de uma hora intercalado por 10 (dez) a 15 (quinze) minutos de descanso (chamase descanso à mudança de actividades). Ou seja que durante o intervalo não se continuar a tratar dos mesmos assuntos das actividades obrigatórias. Uma longa exposição aos estudos ou ao trabalho intelectual obrigatório, pode conduzir ao efeito contrário: baixar o rendimento da aprendizagem. Por que o estudante acumula um elevado volume de trabalho, em termos de estudos, em pouco tempo, criando interferência entre os conhecimentos, perde sequência lógica, por fim ao perceber que estuda tanto mas não aprende, cai em insegurança, depressão e desespero, por se achar injustamente incapaz! Não estude na última da hora; quando se trate de fazer alguma avaliação. Aprenda a ser estudante de facto (aquele que estuda sistematicamente), não estudar apenas para responder a questões de alguma avaliação, mas sim estude para a vida, sobre tudo, estude pensando na sua utilidade como futuro profissional, na área em que está a se formar. Organize na sua agenda um horário onde define a que horas e que matérias deve estudar durante a semana; Face ao tempo livre que resta, deve decidir como o utilizar produtivamente, decidindo quanto tempo será dedicado ao estudo e a outras actividades. É importante identificar as ideias principais de um texto, pois será uma necessidade para o estudo das diversas matérias que compõem o curso: A colocação de notas nas margens pode ajudar a estruturar a matéria de modo que seja mais fácil identificar as partes que está a estudar e Pode escrever conclusões, exemplos, vantagens, definições, datas, nomes, pode também utilizar a margem para colocar comentários seus relacionados com o que está a ler; a melhor altura para sublinhar é imediatamente a seguir à compreensão do texto e não depois de uma primeira leitura; Utilizar o dicionário sempre que surja um conceito cujo significado não conhece ou não lhe é familiar; UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 2 0 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 6 Precisa de apoio? Caro estudante, temos a certeza que por uma ou por outra razão, o material de estudos impresso, lhe pode suscitar algumas dúvidas como falta de clareza, alguns erros de concordância, prováveis erros ortográficos, falta de clareza, fraca visibilidade, páginas trocadas ou invertidas,etc.). Nestes casos, contacte os serviços de atendimento e apoio ao estudante do seu Centro de Recursos (CR), via telefone, sms, E-mail, se tiver tempo, escreva mesmo uma carta participando a preocupação. Uma das atribuições dos Gestores dos CR e seus assistentes (Pedagógico e Administrativo), é a de monitorar e garantir a sua aprendizagem com qualidade e sucesso. Dai a relevância da comunicação no Ensino a Distância (EAD), onde o recurso as TIC se torna incontornável: entre estudantes, estudante – Tutor, estudante – CR, etc. As sessões presenciais são um momento em que você caro estudante, tem a oportunidade de interagir fisicamente com staff do seu CR, com tutores ou com parte da equipa central do ISCED indigitada para acompanhar as sua sessões presenciais. Neste período pode apresentar dúvidas, tratar assuntos de natureza pedagógica e/ou administrativas. O estudo em grupo, que está estimado para ocupar cerca de 30% do tempo de estudos a distância, é de extrema importância, na medida em que permite-lhe situar, em termos do grau de aprendizagem com relação aos outros colegas. Desta maneira ficara a saber se precisa de apoio ou precisa de apoiar aos colegas. Desenvolver hábito de debater assuntos relacionados com os conteúdos programáticos, constantes nos diferentes temas e unidade temática, no módulo. Tarefas (avaliação e auto-avaliação) O estudante deve realizar todas as tarefas (exercícios, actividades e auto avaliação), contudo nem todas deverão ser entregues, mas é importante que sejam realizadas. As tarefas devem ser entregues duas semanas antes das sessões presenciais seguintes. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 2 0 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 7 Para cada tarefa serão estabelecidos prazos de entrega, e o não cumprimento dos prazos de entrega, implica a não classificação do estudante. Tenha sempre presente que a nota dos trabalhos de campo conta e é decisiva para ser admitido ao exame final da disciplina/módulo. Os trabalhos devem ser entregues ao Centro de Recursos (CR) e os mesmos devem ser dirigidos ao tutor/docente. Podem ser utilizadas diferentes fontes e materiais de pesquisa, contudo os mesmos devem ser devidamente referenciados, respeitando os direitos do autor. O plágio1 é uma violação do direito intelectual do(s) autor(es). Uma transcrição à letra de mais de 8 (oito) palavras do testo de um autor, sem o citar é considerada plágio. A honestidade, humildade científica e o respeito pelos direitos autoriais devem caracterizar a realização dos trabalhos e seu autor (estudante do ISCED). Avaliação Muitos perguntam: Como é possível avaliar estudantes à distância, estando eles fisicamente separados e muito distantes do docente/tutor!? Nós dissemos: Sim é muito possível, talvez seja uma avaliação mais fiável e consistente. Você será avaliado durante os estudos à distância que contam com um mínimo de 90% do total de tempo que precisa de estudar os conteúdos do seu módulo. Quando o tempo de contacto presencial conta com um máximo de 10% do total de tempo do módulo. A avaliação do estudante consta detalhada do regulamento de avaliação. Os trabalhos de campo por si realizados, durante estudos e aprendizagem no campo, pesam 25% e servem para a nota de frequência para ir aos exames. Os exames são realizados no final da cadeira da disciplina ou modulo e decorrem durante as sessões presenciais. Os exames pesam no 1 Plágio - copiar ou assinar parcial ou totalmente uma obra literária, propriedade intelectual de outras pessoas, sem prévia autorização. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 2 0 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 8 mínimo 75%, o que adicionado aos 25% da média de frequência, determinam a nota final com a qual o estudante conclui a cadeira. A nota de 10 (dez) valores é a nota mínima de conclusão da cadeira. Nesta cadeira o estudante deverá realizar pelo menos 2 (dois) trabalhos e 1 (um) (exame). Algumas actividades práticas, relatórios e reflexões serão utilizados como ferramentas de avaliação formativa. Durante a realização das avaliações, os estudantes devem ter em consideração a apresentação, a coerência textual, o grau de cientificidade, a forma de conclusão dos assuntos, as recomendações, a identificação das referências bibliográficas utilizadas, o respeito pelos direitos do autor, entre outros. Os objectivos e critérios de avaliação constam do Regulamento de Avaliação. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 9 TEMA – I: A MICROECONOMIA. UNIDADE Temática 1.1. Introdução a Economia, Considerações Gerais à Disciplina e seu objecto. UNIDADE Temática 1.2. EXERCÍCIOS deste tema UNIDADE Temática 1.1. Considerações Gerais à Disciplina e seu objecto. Introdução:O objectivo dos dois primeiros capítulos é apresentar e familiarizar os estudantes com os conceitos de microeconomia: o Capítulo 1 trata do tema geral da economia, enquanto que o Capítulo 2 desenvolve a análise de oferta e demanda. O uso de exemplos no Capítulo 1 propicia aos alunos uma maior compreensão de conceitos econômicos abstratos. A Questão para Revisão (2) ilustra a diferença entre análise positiva e normativa e pode incentivar discussões bastante produtivas em estudo colectivo. Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: ▪ Entender: os conceitos básicos sobre a oferta e procura de bens e serviços; ▪ Perceber: a diferença entre a análise positiva da análise normativa; Objectivos ▪ Conhecer: as forças económicas que explicam as razões da alteração dos Específicos preços dos bens e serviços; A Economia subdivide-se em dois grandes ramos, a microeconomia e a macroeconomia. Na Macroeconomia, se considera a evolução dos chamados grandes agregados econômicos – PIB, inflação, desemprego, exportações etc. Por outro lado, a microeconomia lida com o comportamento e decisões de pequenas unidades produtivas, das pessoas e famílias, definido de forma restrita como sendo a otimização das escolhas, feita por cada indivíduo, para alcançar seus objetivos, supostamente muito claros e indubitáveis para cada um. A palavra Microeconomia trata das escolhas dos indivíduos quanto à afectação dos recursos escassos que têm disponíveis, a afectação das coisas. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 10 Assim, estuda os fundamentos das escolhas económicas de cada indivíduo e a sua evolução com a alteração dos preços das coisas. Além de considerar os indivíduos, a Microeconomia pode ainda considerar um certo nível de agregação. No entanto a agregação é sempre de coisas idênticas (homogéneas). Por exemplo, pode considerar em conjunto os consumidores de laranjas e em conjunto os vendedores de laranjas, sendo que, apesar de haver muitas variedades de laranjas, para um certo grau de abstracção são todas idênticas. Oposto à Microeconomia que se debruça sobre as escolhas individuais, existe a Macroeconomia que estuda realidades agregadas ao nível dos países. A “Economia Industrial” que estuda realidades ao nível da “indústria” (que genericamente são conjuntos de empresas que usam tecnologias idênticas e/ou produzem bens idênticos) é a disciplina intermédia entre estas duas. A Microeconomia, por questões de sistematização, está dividida em diversas “especialidades”. Ciência normativa versus positiva Quando o Homem procura conhecimento tem sempre dois objectivos em mente: ou quer satisfazer a sua curiosidade (perspectiva positiva) ou quer melhorar a sua situação e o meio que o rodeia (perspectiva normativa). Na perspectiva positiva (positivismo), como o Homem procura o conhecimento apenas para satisfazer a sua curiosidade, não questiona se a coisa conhecida é boa ou má. Por exemplo, na procura dos constituintes da matéria, o “facto” de todos os materiais serem formados por moléculas que resultam da combinação de átomos elementares, não é bem nem é mal, nem interessa ser alterado no sentido de haver um melhoramento. Na perspectiva normativa (prática), como o Homem procura o conhecimento para melhorar a sua situação e o meio que o rodeia, tem que fazer um juízo de valor quanto ao que é melhor e o que é pior e em que sentido será o melhoramento. Por exemplo, o mesmo conhecimento da “lei” de que todos os materiais são formados por moléculas permite projectar alterações da estrutura molecular que melhorarem as UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 11 características dos materiais, tornando-os mais duráveis, mais baratos, mais úteis, mais leves, menos nocivos para o meio ambiente, etc. A dificuldade da perspectiva positiva do conhecimento é que, ao não haver objectivos práticos, é difícil justificar em termos económicos o seu financiamento. Por exemplo, é conhecida de todos a discussão em torno da necessidade do Estado subsidiar o Custo dos Combustíveis, da farinha de trigo, a Cultura, a Educação, etc. A dificuldade da perspectiva normativa é que não existe uma classificação absoluta do que é bom e do que é mau, não sendo possível, sem erro, dizer em que sentido é melhorar. Por exemplo, nos anos de 1970 o governo da R. P. da China, observando que certas aves comiam arroz, decidiu que essas fossem exterminadas. Acontece que a matança induziu umapraga de insectos que destruiu as colheitas. Neste caso adoptou-se uma direcção errada ao não ter sido tomado em conta que juntamente com o arroz, as aves comiam insectos nocivospara as colheitas. Também acontecem erros na previsão da importância económica do conhecimento.Desta forma, muito do que se pensava que iria ter muita utilidade, não serviu para nada e,pelo contrário, muito do que foi descoberto com espírito positivo veio a ter muita utilidade. Por exemplo, na “conquista espacial” foram aplicados muitos recursos e não serviu, emtermos económicos, para quase nada. Por outro lado, a investigação física/matemática doRenascimento que até era proibida porque, entre outras razões, não servia para nada, tornousefundamental no desenvolvimento das Engenharias. Definição de teoria Sendo que o título deste texto inclui a palavra teoria, torna-se obrigatório explicar o que isso é. Em termos de linguagem, a palavra teoria está sempre ligada à tentativa de explicar algum fenómeno observável. Por exemplo, observa-se que quando uma empresa aumenta os preços dos seus produtos, então há UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 12 uma diminuição da quantidade vendida. Assim, uma teoria parte de uma hipótese explicativa para o fenómeno em estudo. Em termos superficiais (com pouca capacidade de explicar) pode-se dizer que “é uma lei da natureza que quanto maior o preço, menor será a quantidade vendida”. Em termos intermédio, enfatiza-se que “uma parte dos compradores conhece os preços de outras empresas e opta pela que tiver menor preço”. Em termos profundos pode-se dizer que “o agente económico maximiza uma função de utilidade que inclui todos os bens disponíveis no mercado que é crescente e côncava com as quantidades, estando sujeito a uma restrição orçamental”. Como as hipóteses explicativas têm mesmo que explicar os fenómenos em estudo, há necessidade de conhecer as implicações das nossas hipóteses para podermos compará-las com a realidade empírica. Quando a ligação entre as hipóteses, que também se denominam por axiomas, princípios ou assunções da teoria, e os resultados com relevância empírica são muito difíceis de obter, dizemos que estamos perante um teorema da teoria. Quando a ligação são apenas difíceis de obter, dizemos que estamos perante um lema da teoria. Quando a ligação são fáceis de obter (directas), dizemos que estamos perante uma propriedade da teoria. O desenvolvimento da ciência é no sentido de cada vez termos teorias baseadas em axiomas mais “profundos”, em menor número e que abarquem maior número de fenómenos observáveis. Desta forma, as teorias serão mais “generalizáveis”. Resumindo, uma teoria é um conjunto definidor de axiomas e das suas implicações, i.e. as propriedades, lemas e teoremas. 1. Frequentemente, diz-se que uma boa teoria é aquela que, em princípio, poderia ser refutada por meio de uma análise empírica. Explique por que uma teoria que não possa ser avaliada empiricamente não é uma boa teoria. QUESTÕES PARA REVISÃO UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 13 A avaliação de uma teoria envolve dois passos: primeiro, é necessárioexaminar a razoabilidade das hipóteses adotadas; segundo, deve-se testar as previsões da teoria comparando-as com os fatos. Se uma teoria não pode ser testada, ela não pode ser aceita ou rejeitada. Logo, ela contribui muito pouco para nossa compreensão da realidade. 2. Qual dentre as seguintes afirmações envolve análise positiva e qual envolve análise normativa? Quais são as diferenças entre os dois tipos de análise? a. O racionamento de gasolina (que fixa para cada indivíduo uma quantidade máxima de gasolina a ser comprada anualmente) é uma política insatisfatória do governo pois interfere no funcionamento do sistema de mercado competitivo. b. O racionamento de gasolina é uma política que piora a situação de um certo número de pessoas e melhora a de outras; o número das pessoas cuja situação piora é maior do que o número daquelas cuja situação melhora. A análise positiva descreve como o mundo é. A análise normativa descreve como o mundo deveria ser. A análise econômica nos diz que uma restrição na oferta deve mudar o equilíbrio de mercado. A afirmação (a) combina os dois tipos de análise. Primeiro, a afirmação (a) apresenta o argumento positivo segundo o qual o racionamento de gasolina “interfere no funcionamento do sistema de mercado competitivo”. Em seguida, é apresentada uma afirmação normativa (ou seja, que envolve um juízo de valor) segundo a qual o racionamento de gasolina é uma “política social ineficiente”. Dessa forma, a afirmação (a) representa uma conclusão derivada da análise positiva da política. A afirmação (b) é positiva porque descreve o efeito do racionamento de gasolina sem fazer qualquer juízo de valor acerca da desejabilidade da política. Sumário UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 14 Nesta Unidade temática estudamos e discutimos fundamentalmente os aspectos introdutórios da Microeconomia, o objecto, a diferença entre análise positiva e normativa. A microeconomia trata das decisões tomadas por unidades económicas individuais – consumidores, trabalhadores, investidores, proprietários dos recursos, e da interacção entre os consumidores e empresas para formar os mercados e os sectores. Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO 1. a. Cadeias de fast food, como o McDonald’s, Burger King e Wendy’s, actuam em todos os EUA. Logo, o mercado de fast food é um mercado nacional. Esta afirmação é falsa. Geralmente, as pessoas consomem fast food nos locais onde vivem e não percorrem longas distâncias dentro do país somente para adquirir uma refeição mais barata. Dado que há poucas oportunidades para arbitragem entre restaurantes de fast food distantes entre si, é provável que haja múltiplos mercados de fast food no país. b. Em geral, as pessoas compram roupas nas cidades onde vivem. Logo, pode- se dizer que o mercado de vestuário de Atlanta, por exemplo, é diferente do mercado de Los Angeles. Esta afirmação é verdadeira. Dado que as pessoas realmente tendem a comprar roupas nas cidades onde vivem, elas interagem apenas com os vendedores nas respectivas cidades não sendo, portanto, influenciadas pelo preço do vestuário nas lojas localizadas em outras cidades. Logo, há poucas oportunidades de arbitragem. Apenas em alguns poucos casos, é possível o surgimento de boas oportunidades de arbitragem entre mercados distantes, como no caso do mercado de jeans na ex-URSS. c. Alguns consumidores preferem fortemente Pepsi e outros preferem fortemente Coca-Cola. Logo, não existe um único mercado de refrigerantes do tipo "cola". Esta afirmação é falsa. Apesar da existência de preferências muito fortes por determinadas marcas de refrigerante, as semelhanças entre as várias marcas são suficientes para caracterizar um único mercado. Há consumidores que não têm uma clara preferência por UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 15 determinada marca de refrigerante, e outros que, mesmo apresentando alguma preferência, são influenciados pelos preços ao tomar suas decisões de consumo. Conseqüentemente, os preços dos refrigerantes "colas" não devem divergir significativamente, em especial no caso da Coca-Cola e Pepsi. Exercícios de AVALIAÇÃO 1. Qual é a diferença que existe entre a microeconomia e a macroeconomia? E qual é o objecto de estudo da microeconomia? 2. Quais são os passos para validar uma teoria? 3. Quais são as diferenças que existem entre a análise positiva da normativa? TEMA – II: O MODELO DA PROCURA E OFERTA. UNIDADE Temática 2.1.Introdução, oferta e Demanda UNIDADE Temática 2.2. Teoria da Oferta e da Demanda Unidade Temática 2.3. EXERCÍCIOS deste tema UNIDADE Temática 2.1.Introdução, Oferta e Demanda Introdução: Este capítulo apresenta uma revisão dos conceitos básicos sobre a oferta e a demanda. O tempo a ser gasto nesse capítulo depende do grau de profundidade da revisão que os alunos necessitam. O capítulo se diferencia da maioria dos livros-texto de microeconomia em nível UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 16 intermediário no que se refere ao tratamento dos conceitos básicos de oferta e demanda, que são discutidos e ilustrados através da análise de alguns dos principais mercados mundiais (trigo, gasolina e automóveis). As aplicações da teoria a situações reais contribuem de forma significativa para a compreensão dos conceitos teóricos. Os estudantes tem tido algumas dificuldades para compreender a análise de oferta e demanda. Uma das principais fontes de confusão refere-se à distinção entre movimentos ao longo da curva de demanda e deslocamentos da demanda. É importante discutir a hipótese de ceteris paribus, enfatizando que, ao representar uma função de demanda (através de um gráfico ou de uma equação), todas as demais variáveis são supostas constantes. Os movimentos ao longo da curva de demanda ocorrem apenas devido a mudanças no preço. Quando as demais variáveis mudam, a função de demanda se desloca. Pode ser útil discutir um exemplo em que a função de demanda dependa diretamente de outras variáveis além do preço do bem, tais como a renda e o preço de outros bens, de modo a mostrar aos estudantes que essas outras variáveis efectivamente afectam a função de demanda, estando "escondidas" no intercepto da função de demanda linear. Esse capítulo apresenta os conceitos de elasticidade-preço, elasticidaderenda e elasticidade cruzada; entretanto, pode-se postergar a discussão da elasticidade-renda e cruzada até o Capítulo 4, quando o tema da elasticidade da demanda será retomado. O conceito de elasticidade apresenta muitas dificuldades para os estudantes; por isso, é útil explicitar claramente as razões pelas quais uma empresa poderia estar interessada em estimar uma elasticidade. Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: ▪ Aprofundar: os conhecimentos sobre a hipótese ceteris paribus; ▪ Perceber: a teoria sobre a oferta e demanda de bens e serviços; ▪ Distinguir: os movimentos ao longo da curva de demanda e deslocamentos da Objectivos demanda; Específicos ▪ Perceber: os aspectos quantitativos da curva da demanda; ▪ Familiarizar-se: com os conceitos de elasticidade. 2.2. A Teoria da Oferta e Demanda (Procura) A teoria da oferta e da demanda demonstra como as preferências dos consumidores determinam a demanda ou procura dos bens, enquanto UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 17 que, os custos das empresas são a base da oferta. Do equilíbrio entre a oferta e a demanda resulta o preço e a quantidade transaccionada de cada bem. 2.2.1. Função da Demanda ou Curva da Demanda A curva da demanda informa-nos a quantidade que os consumidoresdesejam comprar à medida que muda o preço unitário. A relação existente entre o preço de um bem e a quantidade comprada desse bem é designada função da procura ou curva da procura, e representase analiticamente por: Qd = Qd(P) e graficamente por: Preço P2 P1 Q1 = Q2 Quantidade de sorvete Note que a curva de demanda nessa figura (D1 e D2) é descendente, mostrando que os consumidores, geralmente estão dispostos a comprar quantidades maiores se o preço está mais baixo. Por exemplo, um preço mais baixo pode estimular consumidores que já tenham adquirido tal mercadoria a consumir quantidades maiores. Além disso, pode permitir que outros consumidores, que antes não compravam este bem, se tornem aptos e comecem a compra-lo. A Lei da Demanda, que se sustenta na figura acima, diz que regra geral, o preço e a quantidade demandada num determinado mercado estão inversamente relacionados, ou seja, quanto mais alto for o preço de um produto, menos pessoas estarão dispostas ou poderão comprá-lo (mantendo-se o resto constante). Quando o preço de um bem aumenta/sobe, o poder de compra geral D1 D2 https://pt.wikipedia.org/wiki/Poder_de_compra UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 18 diminui (por exemplo, se o preço da gasolina duplica os consumidores UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 19 ficam com menos rendimento e diminuem o consumo de gasolina e de outros bens. Este fenómeno é denominado de efeito rendimento), e os consumidores mudam para bens mais baratos (efeito substituição, por exemplo, quando aumenta o preço da carne de vaca os consumidores tendem a comprar mais carne de frango). 2.2.1.1. Determinantes/Factores que influenciam a Curva da Demanda • Rendimento médio. Com o aumento do rendimento médio os indivíduos tendem a comprar mais de quase tudo, mesmo que os preços não se alterem; • Dimensão do mercado. Medida pela população influência de forma nítida a curva da procura. Mais indivíduos conduzem a um maior consumo; • Preços de bens relacionados. A procura de um dado bem tende a diminuir (aumentar) quando diminui (aumenta) o preço de bens substitutos; • Preferências. As preferências (gostos) dos consumidores representam uma variedade de influências culturais e históricas e afectam a curva da procura; e • Influências específicas. A procura de determinados bens é influenciada por factores específicos como seja a venda de chapéus de chuva em dias chuvosos. 2.2.2. Função Oferta A curva da oferta informa-nos a quantidade de mercadoria que os produtores estão dispostos a vender a determinado preço, mantendose constantes quaisquer factores que possam afectar a quantidade ofertada, e representa-se analiticamente por: Qs = QS(P), e graficamente: UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 20 Expressão que é denominada função de oferta do bem x; a sua representação gráfica, mostrada a seguir, é denominada de curva do bem x. Px A oferta do bem x é uma curva ascendente da esquerda para a direita, mostrando que, quanto maior o preço, maior será a quantidade que os produtores desejarão oferecer no mercado. Assume-se que os produtores maximizam o lucro, o que significa que tentam produzir a quantidade que lhes irá dar o maior lucro possível. A oferta é tipicamente representada como uma relação diretamente proporcional entre preço e quantidade (mantendo-se o resto constante). Quanto maior for o preço pelo qual uma mercadoria pode ser vendida, mais produtores estarão dispostos a fornecê-la. O preço alto incentiva a produção. Em oposição, para um preço abaixo do equilíbrio, há uma falta de bens ofertados em comparação com a quantidade demandada pelo mercado. Isso faz com que o preço suba. 2.2.2.1. Determinantes/ Factores que influenciam a curva da oferta • Tecnologia. O progresso tecnológico consiste nas alterações que diminuem a quantidade dos factores necessários para a mesma quantidade de produto; Qx UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 21 • Preço dos factores de produção. Quando o preço dos factores de produção diminui e o custo de produção é menor, a oferta aumenta; • Preços de bens relacionados.A oferta de um dado bem tende a aumentar (diminuir) quando diminui (aumenta) o preço de bens substitutos; • Política do governo. Os impostos e as políticas salariais podem fazer aumentar o custo dos factores de produção levando à contracção da oferta; • Influências específicas. A oferta de determinados bens é influenciada por factores específicos como seja o clima na agricultura. 2.2.3. O equlibrio da Oferta e da Demanda O equilíbrio de mercado ocorre no preço em que a quantidade procurada é igual à quantidade oferecida. Num mercado concorrencial, este equilíbrio resulta da intersecção das curvas da oferta e da procura e nele não há tendência para o preço descer ou subir. O preço de equilíbrio é também designado por preço de fecho do mercado. Isto significa que todas as ordens de compra foram satisfeitas e a produção toda vendida, ou seja fecharam-se as posições de compra e de venda. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 22 1. Suponha que um clima excepcionalmente quente ocasione um deslocamento para a direita da curva de demanda de sorvete. Por que o preço de equilíbrio do sorvete aumentaria? Suponha que a curva de oferta se mantenha inalterada. O clima excepcionalmente quente causa um deslocamento para a direita da curva de demanda, gerando, no curto prazo, um excesso de demanda ao preço vigente. Os consumidores competirão entre si pelo sorvete, pressionando o preço para cima. O preço do sorvete aumentará até que a quantidade demandada e a quantidade ofertada sejam iguais. QUESTÕES PARA REVISÃO UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 23 Preço P2 P1 Q1 = Q2 Quantidade de sorvete Figura 2.1 2. Utilize as curvas de oferta e demanda para ilustrar de que forma cada um dos seguintes eventos afetaria o preço e a quantidade de manteiga comprada e vendida: a. Um aumento no preço da margarina. A maioria das pessoas considera a manteiga e a margarina bens substitutos. Um aumento no preço da margarina causará um aumento no consumo de manteiga, deslocando a curva de demanda de manteiga para a direita, de D1 para D2 na Figura 2.2.a. Esse deslocamento da demanda causará o aumento do preço de equilíbrio de P1 para P2 e da quantidade de equilíbrio de Q1 para Q2. Preço P2 P1 Q1 Q2 Figura 2.2.a D1 D2 S D1 D2 UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 24 Quantidade de manteiga UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 25 b. Um aumento no preço do leite. O leite é o principal ingrediente na fabricação da manteiga. Um aumento no preço do leite elevará o custo de produção da manteiga, deslocando a curva de oferta de manteiga para a esquerda, de S1 para S2 na Figura 2.2.b. Isso resultará em um preço de equilíbrio mais alto, P2, de modo a cobrir os custos mais elevados de produção, e a uma menor quantidade de equilíbrio, Q2. Preço P2 P1 Q2 Q1 Quantidade de manteiga Figura 2.2.b Observação: Dado que a manteiga é produzida a partir da gordura extraída do leite, a manteiga e o leite são, na verdade, produtos complementares. Levando em consideração tal relação, a resposta a essa questãoserá diferente. De fato, à medida que o preço do leite aumenta, a quantidade ofertada também aumenta. O aumento na quantidade ofertada de leite implica maior oferta de gordura para a produção de manteiga e, portanto, um deslocamento da curva de oferta de manteiga para a direita. Conseqüentemente, o preço da manteiga cai. c. Uma redução nos níveis de renda média. Suponha que a manteiga seja um bem normal. Uma redução no nível de renda média causa um S2 S1 D UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 26 deslocamento da curva de demanda de manteiga de D1 para D2, causando a redução no preço de equilíbrio de P1 para P2, e na quantidade de equilíbrio de Q1 para Q2. Veja a Figura 2.2.c. Price P1 P2 Q2 Q1 Quantity of Butter Figura 2.2.c 3. Explique por que, no caso de muitas mercadorias, a elasticidadepreço de longo prazo da oferta é maior do que a elasticidade de curto prazo. A elasticidade da oferta é a variação percentual na quantidade ofertada dividida pela variação percentual no preço. Um aumento no preço leva à elevação da quantidade ofertada pelas empresas. Em certos mercados, algumas empresas são capazes de reagir rapidamente, e com custos baixos, a mudanças no preço; outras empresas, porém, não conseguem reagir com a mesma rapidez, devido a restrições de capacidade produtiva no curto prazo. As empresas com restrição de capacidade no curto prazo apresentam elasticidade da oferta mais baixa que as demais; entretanto, no longo prazo, todas as empresas conseguem aumentar sua produção, de modo que a elasticidade agregada de longo prazo tende a ser maior que n curto prazo. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 27 4. Suponha que o governo regulamente os preços da carne bovina e do frango, tornando-os mais baixos do que seus respectivos níveis de equilíbrio de mercado. Explique por que ocorreria escassez dessas mercadorias e quais os fatores que determinarão a magnitude dessa escassez. O que deverá ocorrer com o preço da carne de porco? Explique resumidamente. Quando o preço de um bem é fixado abaixo do nível de equilíbrio, a quantidade que as empresas estão dispostas a ofertar é menor do que a quantidade que os consumidores desejam adquirir. A magnitude do excesso de demanda depende das elasticidades relativas da demanda e da oferta. Se, por exemplo, ambas a oferta e a demanda são elásticas, a escassez é maior do que no caso de ambas serem inelásticas. Dentre os fatores que determinam tais elasticidades e, portanto, influenciam o excesso de demanda, cabe destacar a disposição dos consumidores a comer menos carne e a capacidade dos agricultores de mudar a quantidade produzida. O racionamento é comum em situações caracterizadas por excesso de demanda, nas quais alguns consumidores não conseguem adquirir as quantidades desejadas. Os consumidores com demanda insatisfeita tentarão adquirir produtos substitutos, aumentando a demanda e os preços de tais produtos. Assim, face à fixação dos preços da carne bovina e do frango abaixo do nível de equilíbrio, o preço da carne de porco deve aumentar. Sumário Nesta Unidade temática estudamos e discutimos fundamentalmente os aspectos relacionados com a oferta e demanda de bens e serviços, os determinantes do movimento da curva da oferta e procra e a elasticidade. A análise da oferta e demanda é uma ferramenta básica da microeconomia. Em mercados competitivos, as curvas da oferta e da demanda nos informam a quantidade que deverá ser produzida pelas UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 28 empresas e a quantidade que será demandada pelos consumidores em função do preço. Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO 1. O leite torna-se mais barato e seu consumo aumenta. Paralelamente, o consumidor diminui sua demanda de chá. Leite e chá são bens: a) Complementares. b) Substitutos. c) Independentes. d) Inferiores. e) De Giffen. 2. Para fazer distinção entre oferta e quantidade ofertada, sabemos que: a) A oferta refere-se a alterações no preço do bem; e a quantidade ofertada, a alterações nas demais variáveis que afectam a oferta. b) A oferta refere-se a variações a longo prazo; e a quantidade ofertada, a mudança de curto prazo. c) A quantidade ofertada só varia em função de mudanças no preço do próprio bem, enquanto a oferta varia quando ocorrerem mudanças nas demais variáveis que afectam a oferta do bem. d) Não há diferença entre alterações na oferta e na quantidade ofertada. e) Nenhuma das alternativas está correcta. 3. Assinale a alternativa correta, coeteris paribus: a) Um aumento da oferta diminui o preço e aumenta a quantidade demandada do bem. b) Uma diminuição da demanda aumenta o preço e diminui a quantidade ofertada e demandada do bem. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 29 c) Um aumento da demanda aumenta o preço e diminui a oferta d) Um aumento da demanda aumenta o preço, a quantidade demandada e a oferta do bem. e) Todas as respostas anteriores estão erradas. 4. O aumento do poder aquisitivo, basicamente determinado pelo crescimento da renda disponível da colectividade, poderá provocar a expansão da procura de determinado produto. Evidentemente, o preço de equilíbrio: a) Deslocar-se-á da posição de equilíbrio inicial para um nível mais alto, se não houver possibilidade da expansão da oferta do produto. b) Cairá do ponto inicial para uma posição mais baixa, se a oferta do produto permanecer inalterada. c) Permanecerá inalterado, pois as variações de quantidades procuradas se realizam ao longo da curva inicialmente definida. d) Permanecerá inalterado, pois as variações de quantidades ofertadas se realizam ao longo da curva inicialmente definida. e) Nenhuma das alternativas está correcta. 5. O preço de equilíbrio para uma mercadoria é determinado: a) Pela demanda de mercado dessa mercadoria. b) Pela oferta de mercado dessa mercadoria. c) Pelo balanceamento das forças de demanda e oferta da mercadoria. d) Pelos custos de produção. e) Nenhuma das alternativas está correcta. 6. Uma mercadoria que é demandada em quantidades maiores, quando a renda do consumidor cai, é um: a) Bem normal. b) Bem inferior. c) Bem complementar. d) Bem substituto. e) Nenhuma das alternativas está correcta. 7. Assinale a alternativa correta: a) A curva de procura mostra como variam as compras dos consumidores quando variam os preços. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 30 b) Quando varia o preço de um bem, coeteris paribus, varia a demanda. c) A demanda depende basicamente do preço de mercado. As outras variáveis são menos importantes e supostas constantes. d) A quantidade demandada varia inversamente ao preço do bem, coeteris paribus. 8. O equilíbrio de mercado de um bem é determinado: a) Pelos preços dos factores utilizados na produção do bem. b) Pela demanda de mercado do produto. c) Pela oferta de mercado do produto. d) Pelas quantidades de factores utilizados na produção do bem. e) Pelo ponto de intersecção das curvas de demanda e da oferta do produto. 9. Num dado mercado, a oferta e a procura de um produto são dadas, respectivamente, pelas seguintes equações: Qs = 48 + 10P Qd = 300 – 8P onde Qs, Qd e P representam, na ordem, a quantidade ofertada, a quantidade procurada e o preço do produto. A quantidade transaccionada nesse mercado, quando ele estiver em equilíbrio, será: a) 2 unidades. b) 188 unidades. c) 252 unidades. d) 14 unidades. e) 100 unidades. 10. Uma curva de procuraexprime-se por p = 10 – 0,2q onde p representa o preço e q a quantidade. O mercado encontra-se em equilíbrio ao preço p = 2. O preço varia para p = 2,04, e, tudo o mais mantido constante, a quantidade equilibra-se em q = 39,8. A elasticidade-preço da demanda ao preço inicial de mercado é: a) 0,02 b) 0,05 c) – 0,48 d) – 0,25 e) 0,25 UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 31 11. Aponte a alternativa correta: a) Quando o preço aumenta, a receita total aumenta, se a demanda for elástica, coeteris paribus. b) Quando o preço aumenta, a receita total diminui, se a demanda for inelástica, coeteris paribus. c) Quedas de preço de um bem redundarão em quedas da receita dos produtores desse bem, se a demanda for elástica, coeteris paribus d) Quedas de preço de um bem redundarão em aumentos de receita dos produtores desse bem, se a demanda for inelástica, coeteris paribus. e) Todas as alternativas anteriores são falsas. 12. Se a curva de procura for de um tipo em que a redução de 10% no preço provoca um aumento de 5% na quantidade de mercadoria que o público adquire, nessa região da curva, a procura em relação ao preço será: a) Elástica. b) Unitariamente elástica. c) Infinitamente elástica. d) Inelástica, embora não perfeitamente. e) Totalmente inelástica ou anelástica. 13. A elasticidade-renda da demanda é o quociente das variações percentuais entre: a) Renda e preço. b) Renda e quantidade demandada. c) Quantidade e preço. d) Quantidade e renda. e) Quantidade e preço de um bem complementar. 14. Se uma empresa quer aumentar seu facturamento e a demanda do produto é elástica, ela deve: Resposta: diminuir seu preço. Se a demanda do produto é elástica, a quantidade demandada tem variação percentual de magnitude maior que a variação percentual do preço. Dessa forma, a receita total seguirá o sentido da quantidade, pois esta influirá mais na mudança da receita quando houver mudança do preço. Assim, se o preço cair, a quantidade demandada aumentará (em percentual maior que o preço) e a receita total aumentará. A resposta a não é correta, pois um aumento de preço levaria a uma queda da quantidade demandada e da receita total. Exercícios de AVALIAÇÃO UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 32 1. enuncie a lei da oferta e da demanda. 2. Utilize as curvas de oferta e demanda para ilustrar de que forma cada um dos seguintes eventos afectaria o preço e a quantidade de manteiga comprada e vendida: a. Um aumento no preço da margarina. b. Um aumento no preço do leite. c. Uma redução nos níveis de renda média. 3. Uma curva de procura exprime-se por p = 10 – 0,2q onde p representa o preço e q a quantidade. O mercado encontra-se em equilíbrio ao preço p = 2. O preço varia para p = 2,04, e, tudo o mais mantido constante, a quantidade equilibra-se em q = 39,8. Qual é a elasticidade-preço da demanda ao preço inicial de mercado? TEMA – III: TEORIA DO CONSUMIDOR. UNIDADE Temática 3.1.Introdução, Comportamento do Consumidor UNIDADE Temática 3.2. Escolha óptima: a maximização do bem-estar UNIDADE Temática 3.3. EXERCÍCIOS deste tema UNIDADE Temática 3.1.Introdução, Comportamento do Consumidor Introdução: O Capítulo 3 fornece a base a partir da qual será derivada a curva de demanda no Capítulo 4. Para que os estudantes sejam capazes de entender a teoria da demanda, eles devem dominar os conceitos de curvas de indiferença, taxa marginal de substituição, linha do orçamento, e escolha óptima do consumidor. É possível discutir as escolhas do consumidor sem aprofundar-se nos detalhes da teoria da utilidade. Para muitos estudantes, as funções de utilidade são um conceito mais abstrato do que as relações de preferência. A explicação do conceito de utilidade flui naturalmente a partir da discussão das curvas de indiferença. Apesar de tratar-se de um conceito abstrato, é possível transmitir a essência desse conceito em tempo UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 33 relativamente curto. Para tanto, pode-se partir da observação de que o objetivo dos consumidores é maximizar sua utilidade sujeito a uma restrição orçamentária. Quando um consumidor vai a uma loja, escolhe a cesta de produtos preferida dentre aquelas que pode adquirir. A partir disso, pode-se derivar a curva de demanda. É importante ressaltar que, para o consumidor, o que importa é a ordenação relativa entre as várias possíveis cestas de produtos, e não o valor absoluto da utilidade, que não tem qualquer significado. Por fim, outro conceito fundamental é a taxa à qual os consumidores estão dispostos a trocar mercadorias (a taxa marginal de substituição), que depende da satisfação relativa derivada do consumo de cada mercadoria. Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: ▪ Entender e aprofundar: os conhecimentos sobre a teoria da demanda; ▪ Perceber: os conceitos de curva de indiferenças; Objectivos ▪ Familiarizar-se com os conceitos da taxa marginal de substituição; linha do Específicos orçamento e escolha óptima do consumidor. 3.2. Escolha óptima: a maximização do bem-estar As necessidades dos seres humanos são insaciáveis, uma vez que nem todas podem ser satisfeitas inteiramente. Adicionalmente, a plena satisfação do consumidor é bloqueada por seu limitado poder de compra. Na realidade, a maioria das pessoas deseja muitas coisas que não pode adquirir. Assim, os consumidores devem escolher entre bens que necessitam ter e os que podem ficar fora de seu plano de consumo. Todavia, o consumidor realiza um esforço bastante grande no sentido de maximizar seu bem-estar, e é esse comportamento que a teoria econômica procura explicar, definindo a escolha óptima do consumidor, ou seja, a escolha que permita a execução de um plano de consumo, que leve ao mais alto nível de bem-estar ou de satisfação (ou ainda utilidade), compatível com o orçamento disponível para gastos. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 34 Para explicar o mecanismo desse comportamento, a teoria económica sustenta-se em conceitos e hipóteses da Teoria Ordinal do Comportamento do Consumidor, tais como: os conceitos de tabela de indiferença, curva de Indiferença, taxa marginal de substituição e restrição orçamentária. Em uma Tabela de Indiferença estão colocadas infinitas combinações possíveis entre dois bens, igualmente desejáveis ao consumidor, porque todas elas lhe propiciam a mesma satisfação, de tal forma que, para ele, é indiferente a escolha de qualquer uma. O facto de se considerar apenas dois bens deriva da hipótese da existência de um consumidor que possui um plano de consumo constituído por apenas dois bens, que tenham entre si certo grau de substutibilidade. É uma hipótese bastante simplificadora, porém conveniente para maior facilidade de compreensão do mecanismo de ajuste. Tomemos um exemplo numérico para facilitar a percepção do conceito de tabela de indiferença. A figura abaixo apresenta uma lista de combinações dos bens X e Y, todas desejadas pelo consumidor. Tabela de indiferença As combinações entre os bens são: 10 unidades de X e 0 de Y; 7 unidades de X e 1 de Y e assim sucessivamente. A disposição das quantidades de X e Y está de tal forma que o consumidor não manifesta preferência por nenhuma das combinações. É indiferente a todas elas porque todas são igualmente desejáveis; sente-se igualmente bem ao escolher qualquer uma das combinações existentes. Todavia, percebe-se claramente que, embora todas as X Y 10 0 7 1 5 4 4 4 UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 35 combinaçõespossam ser indiferentes ao consumidor, a participação dos bens X e Y em cada uma delas é indiferente. Na primeira combinação existem 10 unidades de X e nenhuma de Y; na segunda combinação já existem 7 unidades de X e uma unidade de Y. Todavia, para o consumidor, ambas as combinações são indiferentes. Como ajustar os desejos do consumidor e as quantidades dos bens? Vejamos: se a combinação 7 unidades de X e 1 unidade de Y é indiferente à combinação 10 unidades de X e zero de Y, é porque para o consumidor a perda de 3 unidades de X é perfeitamente compensada em termos subjetivos de bem-estar pelo ganho de uma unidade de Y. Assim, ao passar de uma combinação para outra, seu nível de bem-estar não muda, embora seu patrimônio se modifique em termos das quantidades possuídas de cada um dos bens. Vê-se, assim, que só é possível manter o nível de bem-estar constante quando houver uma perfeita compensação entre a quantidade do bem que se reduz e a quantidade do bem que aumenta na nova combinação. Em outras palavras, para que se mantenha o nível de bem-estar constante, é necessário que haja uma perfeita compensação subjetiva de satisfação, provocada pela redução da participação de X e o ganho subjetivo de satisfação decorrente do aumento da participação de X, e o ganho subjetivo de satisfação decorrentes do aumento da participação de Y na nova combinação. A necessidade de compensação entre perdas e ganhos subjetivos de satisfação, quando as combinações entre os bens são modificadas, leva a outro conceito importante da Teoria Ordinal do Consumidor: o conceito de Taxa Marginal de Substituição entre os bens. Pode-se definir como a taxa marginal de substituição2 (TMS) entre os bens, a variação necessária da quantidade de um deles, que compense a variação da quantidade do outro, para que o nível de bem-estar mantenha-se constante. Vê-se, assim, que a taxa marginal de substituição vai sempre relacionar duas variações, uma delas 2 Vide: Salvatore, (1981, p. 94). UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 36 representando um decréscimo da participação de um dos bens e a outra representando um acréscimo da participação de outro bem. Podemos representar a TMS da seguinte forma: TMS = -X / +Y onde: -X: decréscimo da participação de X na combinação. +Y: acréscimo da participação de Y na combinação. Isso significa que a TMS é decrescente. De facto, esse comportamento pode ser visto na figura abaixo. Tabela de comportamento da TMS Bem X - X Bem Y +Y TMS = -X +Y 10 0 3 1 - 3 7 1 2 1 - 2 5 2 1 1 - 1 4 4 Uma curva de indiferença é a representação gráfica de uma tabela de indiferença. Utilizando, entretanto, uma linguagem mais técnica, podemos definir a curva de indiferença como uma linha em que todos os pontos representam combinações de dois bens que proporcionam ao consumidor o mesmo nível de satisfação, bem-estar ou ainda utilidade. Admitindo que o plano de consumo do consumidor seja representado por diversas curvas de indiferença, identificando sua escala de preferências, passa-se ao conceito de mapa de indiferença como nos mostra a figura abaixo, isto é, um conjunto de curvas de indiferença, representando cada uma um dado nível de bem estar ou de utilidade usufruído pelo consumidor. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 37 Y X A escolha óptima do consumidor será aquela que permite que ele maximize seu bem-estar ou de satisfação, respeitadas as limitações do orçamento disponível para gastos. A teoria microeconomica considera que, quando o consumidor realiza sua escolha óptima e, conseqüentemente, adquire quantidades dos bens que lhe proporcionam satisfação máxima, dentro dos limites do orçamento, está em equilíbrio, e é o chamado Equilíbrio do Consumidor. Para a determinação desse equilíbrio, é necessário que se introduza na análise, além da parte subjectiva Satisfação, bem-estar, utilidade Também a parte objectiva, isto é, os preços das mercadorias e o orçamento que o consumidor dispõe para gastos. O instrumento teórico, passível de representação gráfica, e que permite sintetizar as informações sobre o orçamento do consumidor e sobre o preço dos bens, é denominado linha de preços, linha de orçamento ou ainda restrição orçamentária o que pode ser observado na figura baixo. Restrição Orçamentária U1 U0 UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 38 Q1 Q2 Podemos definir linha de preços como uma linha que representa as quantidades dos bens que o consumidor pode comprar, combinadamente, gastando toda a sua renda, dados os preços e dada a renda disponível para consumo num dado momento. Graficamente, é possível representar o equilíbrio do consumidor lançando mão das ferramentas já descritas anteriormente: as Curvas de Indiferença e a Restrição Orçamentária. 1. O que significa o termo transitividade de preferências? A transitividade de preferências significa que, se alguém prefere A em relação a B, e B em relação a C, então essa pessoa prefere A em relação a C. 2. Suponha que um determinado conjunto de curvas de indiferença não possua inclinação negativa. O que você pode dizer a respeito de quão desejáveis são essas duas mercadorias? Uma das principais hipóteses da teoria das preferências é que quantidades maiores dos bens são preferidas a quantidades menores. Logo, se a quantidade consumida de um bem diminui, os consumidores devem obter um menor nível de satisfação. Esse resultado implica necessariamente curvas de indiferença negativamente inclinadas. No entanto, se uma mercadoria é indesejável, o consumidor estará em melhor situação ao consumir quantidades menores da mercadoria; por exemplo, menos lixo tóxico é preferível em relação a mais lixo. Quando uma mercadoria é indesejável, as curvas de QUESTÕES PARA REVISÃO UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 39 indiferença que mostram o dilema entre aquela mercadoria e a mercadoria desejável apresentam inclinações positivas. Na Figura 3.2 abaixo, a curva de indiferença U2 é preferida à curva de indiferença U1. Bem Y Lixo tóxico Figura 3.2 3. Explique a razão pela qual duas curvas de indiferença não podem se interceptar. A resposta pode ser apresentada mais facilmente com a ajuda de um gráfico como o da Figura 3.3, que mostra duas curvas de indiferença se interceptando no ponto A. A partir da definição de uma curva de indiferença, sabemos que um consumidor obtém o mesmo nível de utilidade em qualquer ponto sobre uma determinada curva. Nesse caso, o consumidor é indiferente entre as cestas A e B, pois ambas estão localizadas sobre a curva de indiferença U1. Analogamente, o consumidor é indiferente entre as cestas A e C porque ambas estão localizadas sobre a curva de indiferença U2. A propriedade de transitividade das preferências implica que tal consumidor também devera ser indiferente entre C e B. No entanto, de acordo com o gráfico, C está situada acima de B, de modo que C deve ser preferida a B. Assim, UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 40 está provado que duas curvas de indiferença não podem se interceptar. Bem Y Bem X Figura 3.3 4. Explique por que a taxa marginal de substituição de uma pessoa entre duas mercadorias deve ser igual à razão entre os preços das mercadorias para que o consumidor possa obter satisfação máxima. A TMS representaa taxa à qual o consumidor está disposto a trocar uma mercadoria por outra de modo a manter seu nível de satisfação inalterado. A razão entre os preços representa a troca que o mercado está disposto a realizar entre as duas mercadorias. A tangência de uma curva de indiferença com a linha do orçamento representa o ponto no qual as duas taxas são iguais e consumidor obtém satisfação máxima. Se a TMS entre duas mercadorias não fosse igual à razão entre os preços, o consumidor poderia trocar uma mercadoria pela outra aos preços de mercado, de modo a obter níveis de satisfação mais elevados. Esse processo continuaria até que o nível de satisfação mais alto possível fosse atingido. 5. Explique por que os consumidores provavelmente estariam em piores condições de satisfação quando um produto que eles consomem fosse racionado. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 41 Se a quantidade máxima de uma mercadoria for fixada por lei em nível inferior à quantidade desejada, nada garante que o mais alto nível de satisfação possível possa ser alcançado. De fato, o consumidor não será capaz de obter maiores quantidades da mercadoria racionada através da redução do consumo de outras mercadorias. O consumidor só conseguirá maximizar sua utilidade sem restrição no caso em que a quantidade máxima for fixada em nível acima do desejado. (Observação: o racionamento pode causar maior nível de bem-estar social, por razões de eqüidade ou justiça entre os consumidores.) 7. Descreva o princípio da igualdade marginal. Explique por que esse princípio não se mantém se uma utilidade marginal crescente estiver associada ao consumo de uma ou ambas as mercadorias. De acordo com o princípio da igualdade marginal, para que o grau máximo de satisfação seja obtido é necessário que a razão entre utilidade marginal e preço seja igual para todas as mercadorias. A linha de raciocínio é a mesma apresentada na Questão para Revisão No. 5. Parte-se do fato de que a utilidade é maximizada quando o orçamento é alocado de modo a igualar, para todas as mercadorias, a utilidade marginal por dólar gasto. Se a utilidade marginal é crescente, o consumidor maximiza sua satisfação consumindo quantidades cada vez maiores da mercadoria. Isso significa que, supondo preços constantes, o consumidor acabaria gastando toda sua renda com uma única mercadoria. Teríamos, então, uma solução de canto, na qual o princípio da igualdade marginal não pode valer. 8. Qual é a diferença entre utilidade ordinal e utilidade cardinal? Explique por que a suposição de utilidade cardinal não se faz necessária para a ordenação das preferências do consumidor. A utilidade ordinal implica um ordenamento das alternativas que não leva em consideração a intensidade das preferências. Essa abordagem permite, por exemplo, afirmar que a primeira escolha do consumidor é preferida à segunda escolha, mas não especifica quão UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 42 preferível é a primeira opção. A utilidade cardinal implica que a intensidade das preferências pode ser quantificada. Uma classificação ordinal é suficiente para ordenar as escolhas do consumidor de acordo com suas preferências. Não é necessário saber quão intensamente um consumidor prefere a cesta A à cesta B; é suficiente saber que A é preferida a B. Sumário Nesta Unidade temática estudamos e discutimos fundamentalmente as percepções sobre o comportamento do consumidor. A maximização da utilidade, sujeita à restrição orçamentária é o objectivo de qualquer consumidor racional, que estão disposto a trocar mercadorias, sempre que a satisfação derivada do consumo dos mesmos aumentar o seu bem-estar. Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO 1. Neste capítulo, não foram consideradas mudanças nas preferências do consumidor por diversas mercadorias. Todavia, em determinadas situações, as preferências devem se modificar à medida que ocorre o consumo. Discuta por que e como as preferências poderiam se alterar ao longo do tempo tendo por referência o consumo das seguintes mercadorias: a. Cigarros A hipótese de preferências constantes é razoável se as escolhas do consumidor são independentes no tempo. Mas essa hipótese não é válida nas situações em que o consumo do bem envolve a criação de hábitos ou vícios, como no caso dos cigarros: o consumo de cigarros em um período influencia seu consumo nos períodos seguintes. b. Jantar pela primeira vez em um restaurante de culinária típica Jantar pela primeira vez em um restaurante diferente não envolve nenhum vício do ponto de vista físico, mas, UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 43 ao propiciar ao consumidor maiores informações sobre o restaurante em questão, influencia suas escolhas nos períodos subseqüentes. O consumidor pode gostar de jantar sempre em restaurantes diferentes, que ainda não conheça, ou então pode estar cansado de fazê-lo. Em ambos os casos, as preferências mudam à medida que ocorre o consumo. 2. Desenhe as curvas de indiferença para as seguintes preferências de um consumidor por duas mercadorias: hambúrguer e cerveja. a. Alex gosta de cerveja, porém detesta hambúrgueres. Ele sempre prefere consumir mais cerveja, não importando quantos hambúrgueres possa ter. Para Alex, os hambúrgueres são um “mal.” As suas curvas de indiferença apresentam inclinação positiva em vez de negativas. Para Alex, U1 é preferida a U2 e U2 é preferida a U3. Veja a figura 3.2a. Se os hambúrgueres fossem um bem neutro, as curvas de indiferença seriam verticais e a utilidade cresceria à medida que nos movêssemos para a direita e mais cerveja fosse consumida. b. Betty mostra-se indiferente entre cestas que contenham três cervejas ou dois hambúrgueres. Suas preferências não se alteram à medida que consome maior quantidade de qualquer uma das duas mercadorias. Dado que Betty é indiferente entre três cervejas e dois hambúrgueres, existe uma curva de indiferença ligando esses dois pontos. As curvas de indiferença de Betty são um conjunto de linhas paralelas com inclinação de Veja a figura 3.2b. c. Chris come um hambúrguer e em seguida toma uma cerveja. Ele nunca consumirá uma unidade adicional de um item sem que consuma também uma unidade adicional do outro. Para Chris, hambúrgueres e cerveja são complementos perfeitos, ou seja, ele sempre deseja consumir as duas mercadorias em proporções fixas. As curvas de indiferença apresentam formato de L, com os ângulos do 23. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 44 L ao longo de uma linha de 45 graus a partir da origem. Veja a figura 3.2c. Hambúrgueres Cerveja Figura 3.2.a Hambúrgueres 9 8 7 3 6 9 Cerveja Figura 3.2.b d. Doreen gosta muito de cerveja, porém é alérgica a carne. Toda vez que come um hambúrguer, fica com urticária. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 45 Para Doreen, os hambúrgueres não são um “bem”, mas um “mal,” de modo que sua utilidade não aumenta ao mover-se para cima e para a direita, e sim para baixo e para a direita. Para Doreen, U1 é preferida a U2 e U2 é preferida a U3. Veja a figura 3.2d. Hambúrgueres 3 2 1 1 2 3 Cerveja Figura 3.2.c Hambúrgueres Cerveja Figura 3.2.d UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 46 3. Suponha que Bill considere manteiga e margarina como substitutos perfeitos. a. Desenhe umconjunto de curvas de indiferença que descreva as preferências de Bill por manteiga e margarina. Manteiga 20 15 10 5 5 10 15 20 Margarina Figura 3.5.a b. Será que tais curvas de indiferença seriam convexas? Por quê? A convexidade implica que qualquer segmento de reta ligando dois pontos da curva deve estar situado acima da curva, ou seja, a curva é “arqueada para dentro”. Dado que o consumidor considera a manteiga e a margarina como substitutos perfeitos, a utilidade marginal não é decrescente, e as curvas de indiferença resultantes são linhas retas. Curvas de indiferença retas não são estritamente convexas. c. Se a manteiga custasse $2 e a margarina apenas $1, e Bill tivesse um orçamento de $20 por mês, qual seria a cesta de mercado que Bill escolheria? Você poderia demonstrar isso graficamente? Sejam Y a renda de Bill, PB o preço da manteiga, B a quantidade de manteiga, PM o preço da margarina e M a UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 47 quantidade de margarina. A restrição orçamentária é, portanto, dada por: Y = PB B + PM M. Inserindo nessa equação os valores dados de Y, PB, e PM,, obtemos a representação específica da restrição orçamentária de Bill: 20 = 2B + 1M, ou B = 10 - 0.5M. Tendo em vista que Bill é indiferente entre manteiga e margarina, e o preço da manteiga é maior que o preço da margarina, Bill comprará apenas margarina. Trata-se de uma solução de canto, pois a escolha ótima ocorre sobre um dos eixos. Na Figura 3.5.c, a cesta que maximiza a utilidade de Bill é o ponto A. Manteiga 20 15 10 5 5 10 15 20 Margarina Figura 3.5.c Exercícios de AVALIAÇÃO 1. O que significa o termo transitividade de preferências? 2. Explique a razão pela qual duas curvas de indiferença não podem se interceptar. 3. Suponha que Bill considere manteiga e margarina como substitutos perfeitos. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 48 a. Desenhe um conjunto de curvas de indiferença que descreva as preferências de Bill por manteiga e margarina. b. Será que tais curvas de indiferença seriam convexas? Por quê? 4. A utilidade que Jane obtém por meio do consumo de alimento A e vestuário V é dada por: u(A,V) = AV. a. Desenhe a curva de indiferença associada a um nível de utilidade igual a 12 e a curva de indiferença associada a um nível de utilidade igual a 24. Essas curvas de indiferença são convexas? b. Qual será a escolha de alimento e vestuário capaz de maximizar sua utilidade? (Dica: resolva a questão graficamente.) c. Qual será a taxa marginal de substituição de alimento por vestuário quando a utilidade for maximizada? TEMA-IV: ESTRUTURA DE MERCADO UNIDADE Temática 4.1. Introdução a Mercados Introdução: O comportamento de ofertantes e demandantes no mercado não é uniforme. Em decorrência da própria dinâmica da economia capitalista, o poder dos diferentes agentes económicos é também diferenciado. Veremos a seguir as características básicas dos principais tipos de mercado. Ao finalizar esta Unidade você deverá ser capaz de: ▪ Conhecer os diferentes tipos de mercardos; UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 49 Objectivos específicos ▪ ▪ Classificar as formas de mercado. Identificar as falhas de mercado 1. Concorrência perfeita ▪ Grande número de consumidores e ofertantes, tornando o mercado pulverizado de tal forma que nenhum comprador ou vendedor tenha condições de influenciar os preços ou o comportamento dos demais agentes; ▪ Perfeito conhecimento do mercado, a começar pelo preço, por parte dos que o integram; ▪ Perfeita mobilidade de recursos; ▪ Ausência de entraves ao ingresso de novas empresas; ▪ Homogeneidade de produtos. 2. Concorrência monopolística: ▪ Grande número de empresas; ▪ Fracas barreiras quanto ao ingresso e saída do mercado; ▪ Pouca diferenciação dos produtos. Cada concorrente estabelece um produto único e ligeiramente diferenciado pela marca, embalagem, publicidade. A diferença é subjectiva. 3. Oligopólio ▪ ▪ ▪ Pequeno número de empresas controla a quase totalidade do mercado; Forte bloqueio à entrada de concorrentes; Concorrência pela diferenciação de produtos; ▪ Tendência à concentração de capitais através de fusões; ▪ Tendência à formação de cartéis e à rigidez de preços. 4. Monopólio ▪ Existência de uma única empresa produtora de bens e serviços para os UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 50 5. Monopsônio ▪ Uma única empresa compradora de determinado produto; ▪ Preço determinado pelo comprador. 6. Oligopsônio ▪ Poucas empresas compradoras; ▪ Preço do produto determinado pelos demandantes; ▪ Grande dificuldade de entrada no mercado para novos compradores. O mercado também cria algumas imperfeições que impedem o que se poderia chamar de seu comportamento “natural”. Essas imperfeições estão relacionadas ao poder de mercado e formas de atingi-lo ou mantê-lo. É o caso do truste, dumping e cartel. ▪ O truste é o tipo de estrutura em que várias empresas, já detendo a maior parte do mercado, combinam-se ou fundem-se para quais, no curto prazo, não existem próximos; Barreiras tecnológicas substitutos ▪ legais, e económicas ao ingresso de concorrentes no mercado; ▪ Dimensões do mercado estabelecidas pela empresa viam determinação prévia do volume de produção e dos preços desejáveis; ▪ O lucro total da empresa é máximo para cada nível de produção e preço por ela estabelecido. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 51 assegurar esse controle, estabelecendo preços elevados que lhes garantam altas margens de lucro. ▪ O dumping se caracteriza pela venda de produtos a preços mais baixos que os custos, com a finalidade de eliminar concorrentes e conquistar fatias maiores de mercado. ▪ Cartel é um grupo de empresas independentes que formalizam um acordo para sua actuação coordenada, com vistas a interesses comuns. O tipo mais comum de cartel é o de empresas que produzem artigos semelhantes, de forma a constituir um monopólio de mercado. Sumário Forma Barreiras de Entrada para Vendedores Quantidade de Vendedores Barreiras de Entrada para Compradores Quantidade de Compradores Competição perfeita Não há Muitos Não há Muitas Monopólio Existe Um Não há Muitas Competição Monopolística Não há Muitos Não há Muitas Oligopólio Existe Poucos Não há Muitas Monopsônio Não há Muitos Existem Um Exercício de Autoavaliação 1. Caracterize, em uma tabela, as diferentes estruturas de mercado 2. Explique o que é dumping e cartel. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 52 Exercício de Avaliação 1. Caracterize, em uma tabela, as diferentes estruturas de mercado 2. Explique o que é dumping e cartel. 1. Caracterize, em uma tabela, as diferentes estruturas de mercado 2. Explique o que é dumping e cartel. Assinale a alternativa correta. 1. O monopólio é uma situação de mercado em que: a) Existem poucos vendedores de uma mercadoria para a qual não há substitutos próximos; b) Existem muitos vendedores de uma mercadoria para a qual não há substitutos próximos; c) Existe apenas um vendedor de uma mercadoria para a qual há substitutos próximos; d) Existe apenas um vendedor de uma mercadoria para a qual não há substitutos próximos; 2. Estrutura de mercado em que existem muitas empresasvendendo produtos diferenciados que são substitutos próximos entre si: a) Monopólio; b) Concorrência monopolística c) Concorrência perfeita; d) Oligopólio; e) Nenhuma das alternativas anteriores. 3. Em um mercado de concorrência perfeita: a) Existe um número tão grande de compradores e de vendedores, sendo cada um deles tão pequeno em relação ao mercado, que nenhum deles consegue, isoladamente, afetar o preço de mercado; b) Os produtos colocados pelas empresas no mercado são homogêneos (idênticos) sendo, portanto, perfeitos substitutos entre si; c) Existe livre entrada e saída das empresas; d) Existe transparência de mercado; e) Todas as alternativas anteriores estão corretas. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 53 4. A concorrência monopolística é uma estrutura mercadológica em que há: a) Muitas empresas vendendo um produto homogêneo; b) Poucas empresas vendendo um produto diferenciado; c) Poucas empresas vendendo um produto homogêneo; d) Muitas empresas vendendo um produto diferenciado; e) Nenhuma das alternativas anteriores. 5. Para que um monopólio exista é preciso que existam obstáculos ao ingresso de firmas concorrentes no mercado. Dentre tais obstáculos podemos destacar: a) O controlo sobre o fornecimento de matérias-primas; b) A proteção de patentes; c) A concessão, por parte do governo, de um direito exclusivo para a empresa operar; d) Somente as alternativas a e b estão corretas; e) As alternativas a, b e c estão corretas. 7. A existência de muitos compradores e um só vendedor é uma situação que define um: a) Monopólio; b) Concorrência monopolística c) Concorrência perfeita; d) Oligopólio; e) Nenhuma das alternativas anteriores. 8. Assinale qual das alternativas abaixo não é uma característica de um monopólio: a) O produto fabricado pela empresa monopolista não tem substituto próximo; b) A existência de obstáculos à entrada de novas firmas na indústria; c) A transparência de mercado; d) A proteção de patentes; e) Todas as alternativas anteriores. 9. Oligopólio: UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 54 a) É uma estrutura mercadológica em que o número de firmas existentes no mercado é grande, mas produtos vendidos são diferenciados; b) É uma estrutura mercadológica em que um pequeno número de empresas controla a oferta de um bem; c) É uma estrutura de mercado em que muitas empresas vendem um produto homogêneo; d) É uma estrutura mercadológica em que um grande número de empresas controla a oferta de produtos diferenciados; e) Nenhuma das alternativas anteriores. II) Identifique se cada uma das afirmativas abaixo é falsa ou verdadeira: a) A concorrência perfeita é uma estrutura de mercado que descreve o funcionamento real de uma economia. b) O monopólio é uma situação de mercado em que existem poucos produtores de um bem. c) O monopólio é uma situação de mercado em que existe um só produtor de um bem que não tenha substituto próximo. d) Pode haver concorrência perfeita mesmo que os produtos oferecidos pelas várias empresas existentes no mercado sejam diferenciados. e) A existência de um grande número de compradores e vendedores é uma condição necessária, mas não suficiente, para caracterizar um mercado de concorrência perfeita. f) O monopólio natural decorre da posse de patentes, que dá ao monopolista o direito único de produzir uma determinada mercadoria. g) A estrutura de mercado denominada “concorrência monopolística” identifica grande número de UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 55 situações de mercado encontrados na realidade, ficando em uma situação intermediária entre a concorrência perfeita e o monopólio. h) Uma das principais características de um mercado oligopolista consiste na facilidade de ingresso de novas empresas no mercado. i) Os oligopólios podem ser puros ou diferenciados. Exemplos de oligopólios diferenciados podem ser encontrados nas indústrias de cimento e de alumínio. j) Uma das características do monopólio é a existência, no mercado, de produtos capazes de substituir aquele que é produzido pela empresa monopolista. TEMA – V: PRODUÇÃO UNIDADE Temática 5.1.Introdução, Produção UNIDADE Temática 5.2. Custos de Produção UNIDADE Temática 5.3. Teoria de Produção e Custo – Tratamento Algebrico UNIDADE Temática 5.1. Introdução a Produção Introdução: O Capítulo 5 é o primeiro de uma série de três capítulos que apresentam a teoria básica da oferta. Antes de prosseguir com a matéria, pode ser interessante apresentar uma revisão, ou resumo, da derivação da demanda, além de uma discussão geral sobre a teoria da oferta competitiva. A revisão pode ser útil para os estudantes devido às semelhanças entre as teorias da demanda e da oferta. Frequentemente, os estudantes consideram a teoria da oferta mais fácil UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 56 de entender do que a demanda, por ser menos abstrata e, também, por abordar conceitos relativamente familiares. Face às semelhanças entre as duas teorias, ao estudar a oferta os estudantes estarão se capacitando a entender melhor também a teoria da demanda. Neste capítulo, é importante discutir cuidadosamente as definições dos conceitos apresentados, pois estes formarão a base da análise a ser desenvolvida nos dois capítulos seguintes. Se, por um lado, o conceito de função de produção não é difícil, por outro lado, sua representação matemática e gráfica pode causar alguma confusão. Quanto mais exemplos forem discutidos, melhor. Ao descrever e desenhar uma função de produção com a produção no eixo vertical e um insumo no eixo horizontal, deve-se ressaltar que a função de produção é a equação relativa ao limite do conjunto de produção, e portanto equivale ao nível de produção mais alto possível para qualquer nível de insumos. Ao longo de toda a discussão da teoria da oferta, supõe-se que a condição de eficiência técnica seja satisfeita. Pode-se abrir uma discussão sobre a importância dos aumentos de produtividade e o conceito de curvas de aprendizado. Os Exemplos 1 e 2 do texto fornecem óptimo material para discussão. O gráfico da função de produção conduz naturalmente à discussão sobre produto marginal e rendimentos decrescentes. É importante enfatizar que os rendimentos decrescentes existem pelo fato de alguns factores serem fixos por definição, e que a ocorrência de rendimentos decrescentes não implica rendimentos negativos. Caso o tema da utilidade marginal não tenha sido discutido, este é o momento de certificar-se de que os estudantes compreendem a diferença entre valores médios e marginais. Um exemplo que consegue atrair a atenção dos alunos é a relação entre notas de provas médias e marginais; caso a última nota obtida por um aluno seja maior que a nota média até aquele momento, a nota média deverá aumentar. Apesar das isoquantas serem definidas na primeira secção do capítulo, uma discussão mais detalhada é apresentada apenas na última secção. A discussão das isoquantas pode se aproveitar do conhecimento dos estudantes relativo às curvas de indiferença, observando-se que, assim como no caso das curvas de indiferença, as isoquantas são uma representação em duas dimensões de uma função de produção com três dimensões. Alguns conceitos chave na última seção do capítulo são a taxa marginal de substituição técnica e os rendimentos de escala. É importante a apresentação do maior número possível de exemplos que UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 57 ilustrem tais conceitos. Os Exemplos6.3 e 6.4 contribuem para que os estudantes compreendam a relevância prática da TMST e dos rendimentos de escala. Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: ▪ Aprofundar: os conhecimentos sobre a teoria da oferta competitiva; ▪ Perceber: o conceito da função de produção; Objectivos Específicos ▪ Entender: os conceitos sobre a produtividade marginal e produtividade média; ▪ Obter: conhecimento sobreos rendimentos descrescentes e rendimentos de escala; ▪ Familiarizar-se: com os conceitos de isoquanta e sua aplicabilidade. 1. O que é uma função de produção? Em que uma função de produção a longo prazo difere de uma função de produção a curto prazo? A função de produção representa a forma pela qual os insumos são transformados em produtos por uma empresa. Em geral, considera-se o caso de uma empresa que produz apenas um tipo de produto e agregam-se todos os insumos ou fatores de produção em algumas categorias, tais como: trabalho, capital, e matériasprimas. No curto prazo, um ou mais fatores de QUESTÕES PARA REVISÃO UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 58 produção são fixos. Com o passar do tempo, a empresa torna-se capaz de alterar os níveis de todos os insumos. No longo prazo, todos os insumos são variáveis. 2. Por que o produto marginal do trabalho tende a apresentar uma elevação seguida de uma diminuição a curto prazo? À medida que unidades adicionais de trabalho são adicionadas a uma quantidade fixa de capital, o produto marginal do trabalho aumenta, atinge um máximo e, em seguida, diminui. O aumento inicial do produto marginal do trabalho se deve ao fato de que os primeiros trabalhadores contratados pela empresa podem se especializar nas tarefas em que são mais produtivos. Inevitavelmente, dada uma quantidade fixa de capital, a contratação de trabalhadores além de certo nível torna o ambiente de trabalho excessivamente congestionado e causa a redução da produtividade dos trabalhadores adicionais. 3. Para um único insumo, rendimentos decrescentes de escala e rendimentos constantes de escala não são inconsistentes. Discuta. Em qualquer processo produtivo, é possível observar, para algum nível de insumo, a ocorrência de rendimentos decrescentes para um único fator de produção. Este fenômeno é tão difuso que os economistas lhe deram o nome de "lei da produtividade marginal decrescente". Por definição, o produto marginal de um insumo é a produção adicional obtida através do emprego de uma unidade adicional do insumo, supondo constantes as quantidades dos demais insumos. A produção adicional, ou rendimento, de um único insumo diminui justamente pelo fato de todos os demais insumos serem fixos. Por exemplo, mantendo-se constante o nível de capital, cada unidade adicional de trabalho dispõe de menos capital com o qual trabalhar. Os rendimentos de escala, por sua vez, são aumentos proporcionais em todos os insumos. Ainda que cada fator isoladamente apresente rendimentos decrescentes, a produção pode aumentar em proporção igual, maior ou UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 59 menor que o aumento nos insumos. A diferença entre os dois conceitos refere-se ao fato de que, no caso dos rendimentos de escala, aumentam-se as quantidades de todos os insumos na mesma proporção, não sendo mantido fixo nenhum insumo. 4. Você é um empregador interessado em preencher uma posição vaga em uma linha de montagem. Você estaria mais preocupado com o produto médio ou com o produto marginal do trabalho em relação à última pessoa contratada? Caso observe que seu produto médio está começando a diminuir, você deveria contratar mais funcionários? O que tal situação significaria em termos de produto marginal do último funcionário contratado? Ao preencher uma posição vaga, você deveria estar preocupado com o produto marginal do último funcionário contratado, que mede o efeito dessa contratação sobre a produção total e, portanto, permite calcular e comparar a receita gerada pela contratação e com o seu custo. O ponto a partir do qual o produto médio começa a diminuir é o ponto onde o produto médio é igual ao produto marginal. Apesar do aumento do número de trabalhadores causar a redução do produto médio, o produto total continua a aumentar, de modo que a contratação de um empregado adicional pode ser vantajosa. Quando o produto médio está diminuindo, o produto marginal do último funcionário contratado é menor que o produto médio dos trabalhadores contratados anteriormente. 5. Defrontando-se com condições que mudam constantemente, por que uma empresa teria algum interesse em manter algum insumo fixo? o que determina se um insumo é fixo ou variável? O fato de um insumo ser fixo ou variável depende do horizonte temporal de interesse: todos os insumos são fixos no curtíssimo prazo e variáveis no longo prazo. Conforme afirma o texto: “Todos os insumos fixos no curto prazo correspondem aos resultados de decisões UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 60 anteriores de longo prazo, baseadas em estimativas das empresas daquilo que poderiam produzir e vender com lucro". Alguns insumos são fixos no curto prazo, independente da vontade da empresa, simplesmente porque mudar o nível das variáveis requer tempo. Por exemplo, a empresa pode estar legalmente presa a um edifício por um contrato de aluguel, alguns empregados podem ter contratos que precisam ser cumpridos, ou a construção de uma nova instalação pode levar alguns meses. Lembre que o curto prazo não é definido em termos de um número específico de meses ou anos, mas em termos do período de tempo durante o qual a quantidade de alguns insumos não pode ser modificada por razões como as apontadas acima. 6. De que forma a curvatura de uma isoquanta se relaciona com a taxa marginal de substituição técnica? A isoquanta apresenta todas as combinações dos dois insumos que podem produzir o mesmo nível de produção. A curvatura da isoquanta é medida por sua inclinação em cada ponto, que representa a taxa à qual os dois insumos podem ser substituídos mantendo-se a produção constante. Esta taxa é chamada de taxa marginal de substituição técnica. Ao longo de uma isoquanta convexa típica, a taxa marginal de substituição técnica diminui à medida que nos movemos para baixo. 7. Uma empresa poderia ter uma função de produção que exibisse rendimentos crescentes de escala, rendimentos constantes de escala, e rendimentos decrescentes de escala, à medida que sua produção fosse aumentando? Discuta. A maioria das empresas tem funções de produção que apresentam, inicialmente, rendimentos crescentes, em seguida, rendimentos constantes, e por fim rendimentos decrescentes de escala. Para níveis de produção baixos, um aumento proporcional em todos os insumos pode causar um aumento mais do que proporcional na produção, dadas as maiores possibilidades de especialização de cada insumo. Por exemplo, ao passarmos de uma situação com uma UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 61 pessoa a um computador para outra, com duas pessoas e dois computadores, cada pessoa pode se especializar, realizando as tarefas nas quais é mais produtiva, de modo que a produção deve aumentar mais do que o dobro. À medida que a empresa cresce, as oportunidades de especialização diminuem, de modo que a duplicação dos insumos leva à duplicação da produção. No caso de rendimentos constantes de escala, a empresa simplesmente replica aquilo que já fazia. A partir de certo nível de produção, a empresa será tão grande que a duplicação dos insumos causará umaumento menos do que proporcional na produção. Isso pode ocorrer, por exemplo, devido a deseconomias na administração. 8. Dê um exemplo de processo produtivo no qual o curto prazo envolva um período de um dia a uma semana e o longo prazo envolva qualquer período com duração superior a uma semana. Qualquer pequeno negócio onde a variação de um insumo exija mais do que uma semana poderia servir de exemplo. O processo de contratação de novos empregados requer a divulgação de um anúncio, a realização de entrevistas com os candidatos e a negociação dos termos do contrato, o que pode levar de um dia (no caso da contratação ser feita através de uma agência de empregos) a uma semana ou mais (que é o caso mais comum). A mudança para um local de trabalho mais amplo, associada à expansão da empresa, também exigiria mais do que uma semana. Sumário Nesta Unidade temática estudamos e discutimos fundamentalmente os aspectos relacionados à teoria de produção, focando a produtividade marginal e média, a alteração dos factores de produção em período curto e em período longo, produtividade eficiência técnica, zona de eficiência técnica e estágios de produção. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 62 Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO 1. Suponha que um fabricante de cadeiras esteja produzindo a curto prazo, situação em que o equipamento é fixo. O fabricante sabe que, à medida que o número de funcionários utilizados no processo produtivo eleva-se de 1 para 7, o número de cadeiras produzidas varia da seguinte forma: 10, 17, 22, 25, 26, 25, 23. a. Calcule o produto marginal e o produto médio do trabalho para esta função de produção. Q O produto médio do trabalho, PMeL, é igual a L . O produto marginal do trabalho, PMgL, é igual a , isto é, a variação na produção dividida pela variação no insumo trabalho. Para esse processo produtivo, temos: L Q PMeL PMgL 0 0 1 10 10 10 2 17 8 1/2 7 3 22 7 1/3 5 4 25 6 1/4 3 5 26 5 1/5 1 6 25 4 1/6 -1 7 23 3 2/7 -2 b. Esta função de produção apresenta rendimentos decrescentes de escala para o trabalho? Explique. Esse processo produtivo apresenta rendimentos decrescentes to trabalho. O produto marginal do trabalho, que é a produção adicional produzida por cada trabalhador adicional, diminui à medida que mais UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 63 trabalhadores são contratados, e torna-se negativa para o sexto ou sétimo trabalhadores. c. Explique, de forma intuitiva, qual poderia ser a razão de o produto marginal do trabalho se tornar negativo. O produto marginal do trabalho negativo para L> 5 pode ocorrer devido ao congestionamento na fábrica de cadeiras. Dado que um número maior de trabalhadores estaria usando a mesma quantidade de capital, seria possível que os trabalhadores se atrapalhassem mutuamente, diminuindo a eficiência e o nível de produção da empresa. 2. Preencha os espaços em branco na tabela a seguir. Quantidade do Insumo Variável Produção Total Produto Marginal do Insumo Variável Produto Médio do Insumo Variável 1 150 2 200 3 200 4 760 5 150 6 150 UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 64 0 0 Quantidade do Produção Produto Marginal Produto Médio Insumo Variável Total do Insumo Variável do Insumo Variável 0 0 1 150 150 150 2 400 250 200 3 600 200 200 4 760 160 190 5 910 150 182 6 900 -10 150 3. Um administrador de campanha política precisa decidir se veiculará propagandas na televisão ou enviará correspondências para potenciais eleitores, durante uma campanha de reeleição. Descreva a função de produção para os votos da campanha. De que modo informações a respeito desta função (por exemplo, o formato das isoquantas) poderiam ajudar o administrador da campanha a planejar sua estratégia? O administrador da campanha está interessado na produção de votos. A função de produção relevante utiliza dois insumos, propaganda na televisão e mala direta. O uso desses insumos requer o conhecimento das possibilidades de substituição entre eles. Se os insumos são substitutos perfeitos, as isoquantas resultantes são linhas retas, e o administrador da campanha deve usar apenas o insumo relativamente mais barato. Se os insumos não são substitutos perfeitos, as isoquantas apresentam formato convexo e o administrador da campanha deve usar uma combinação dos dois insumos. 4. Uma empresa tem um processo produzido no qual os insumos de produção são perfeitamente substituíveis a longo prazo. Você poderia dizer se sua taxa marginal de substituição técnica é alta ou baixa, ou seria necessário dispor de mais informações para poder responder? Discuta. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 65 A taxa marginal de substituição técnica, TMST, é o valor absoluto da inclinação da isoquanta. Se os insumos são substitutos perfeitos, as isoquantas são lineares. Para calcular a inclinação de uma isoquanta, e portanto a TMST, é necessário saber a taxa à qual um insumo pode ser substituído pelo outro. 5. O produto marginal do trabalho é sabidamente superior ao produto médio do trabalho para um determinado nível de emprego. O produto médio estaria aumentando ou diminuindo? Explique. Se o produto marginal do trabalho, PMgL, é maior do que o produto médio do trabalho, PMeL, cada unidade adicional de trabalho é mais produtiva que a média das unidades previamente empregadas. Logo, a adição da última unidade aumenta a média geral. Se o PMgL é maior do que o PMeL, então o PMeL é crescente. Se o PMgL é menor que o PMeL, então a última unidade diminui a média. O PMeL atinge um máximo no ponto onde a produtividade da última unidade é igual à média das unidades previamente empregadas (isto é, quando PMgL = PMeL). 6. O produto marginal do trabalho na produção de chips para computadores é de 50 chips por hora. A taxa marginal de substituição técnica de horas de trabalho por horas de maquinário é de 1/4. Qual é o produto marginal do capital? A taxa marginal de substituição técnica é definida como a razão dos produtos marginais. Nesta questão, conhecemos o produto marginal do trabalho e a taxa marginal de substituição técnica. Logo, para determinar o produto marginal do capital, deve-se substituir os valores do produto marginal do trabalho e da taxa marginal de substituição técnica na seguinte fórmula: PMgL TMST, ou 50 1 , ou PMgK PMgK 4 PMgK = 200 chips de computador por hora. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 66 L) 7. As funções de produção relacionadas a seguir apresentam rendimentos decrescentes, constantes ou crescentes de escala? a. Q = 0,5KL Os rendimentos de escala referem-se à relação entre o nível de produção e aumentos proporcionais em todos os insumos. Esse conceito pode ser representado da seguinte forma, onde representa um aumento proporcional nos insumos: F( K, L) > F(K, L) implica rendimentos crescentes de escala; F( K, L) = F(K, L) implica rendimentos constantes de escala; e < F(K, L) implica rendimentos decrescentes de escala. Logo, podemos substituir K por K e L por L, e comparar o resultado com um aumento proporcional em Q. Q* = 0,5( K)( = (0,5KL) 2 = Q Esta função de produção apresenta crescentes de escala. rendimentos b. Q = 2K + 3L Q* = 2( K) + 3( L) = (2K + 3L) = Q = Q. Esta função de produção apresenta constantes de escala. rendimentos 8. A função de produção da empresa fabricante de computadores pessoais DISK, Inc.,é expressa por Q = 10K0,5L0,5, em que Q é o número de computadores produzidos diariamente, K é o número de horas de máquina, e L é o número de horas do insumo trabalho. Um concorrente da DISK, a empresa FLOPPY, Inc., está utilizando a função de produção: Q = 10K0,6L0,4. a. Se ambas as empresas utilizam quantidades iguais de capital e trabalho, qual das duas produz mais? Sejam Q a produção da DISK, Inc., Q2 a produção da FLOPPY, Inc., e X as quantidades iguais de capital e trabalho das duas empresas. Logo, a partir de suas funções de produção, F( K, L) 2> Q UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 67 Q = 10X0,5X0,5 = 10X(0,5 + 0,5) = 10X e Q2 = 10X0,6X0,4 = 10X(0,6 + 0,4) = 10X. Dado que Q = Q2, ambas as empresas geram o mesmo nível de produção com os mesmos insumos. Observe que se as duas empresas utilizassem a mesma quantidade de capital e a mesma quantidade de trabalho, mas as quantidades de capital e trabalho fossem diferentes, o nível de produção das duas empresas não seria igual. De fato, se K>L, então Q2>Q. b. Suponha que o capital esteja limitado a 9 horas de máquina, porém o trabalho seja ilimitado. Em qual das duas empresas seria maior o produto marginal do trabalho? Explique. Com o capital limitado a 9 unidades, as funções de produção se tornam Q = 30L0,5 e Q2 = 37,37L0,4. Para determinar a função de produção com o maior produto marginal do trabalho, considere a seguinte tabela: L Q PMgL Q PMgL Empresa 1 Empresa 1 Empresa 2 Empresa 2 0 0,0 0,00 1 30,00 30,00 37,37 37,37 2 42,43 12,43 49,31 11,94 3 51,96 9,53 58,00 8,69 4 60,00 8,04 65,07 7,07 Para cada unidade de trabalho acima de 1, o produto marginal do trabalho é maior para a primeira empresa, DISK, Inc. 9. No Exemplo 6.3, o trigo é produzido em conformidade com a função de produção: Q = 100(K0,8L0,2 ). UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 68 Q Q Q Q Q Q Q Q a. Iniciando com insumo capital igual a 4 e insumo trabalho igual a 49, mostre que o produto marginal do trabalho e o produto marginal do capital são ambos declinantes. Com trabalho fixo e capital variável: K = 4 = (100)(40,8 )(490,2 ) = 660,21 K = 5 = (100)(50,8 )(490,2 ) = 789,25 PMgK = 129,04 K = 6 = (100)(60,8 )(490,2 ) = 913,19 PMgK = 123,94 K = 7 = (100)(70,8 )(490,2 ) = 1,033,04 PMgK = 119,85, Com capital fixo e trabalho variável: L = 49 = (100)(40,8 )(490,2 ) = 660,21 L = 50 = (100)(40,8 )(500,2 ) = 662,89 PMgL = 2,68 L = 51 = (100)(40,8 )(510,2 ) = 665,52 PMgL = 2,63 L = 52 = (100)(40,8 )(520,2 ) = 668,11 PMgL = 2,59. Observe que os produtos marginais de ambos o capital e o trabalho são decrescentes à medida que o insumo variável aumenta. b. Esta função de produção exibe rendimentos de escala crescentes, decrescentes ou constantes? A ocorrência de rendimentos de escala constantes (crescentes/decrescentes) implica que aumentos proporcionais nos insumos levam a aumentos da produção em proporção igual (maior/menor). Se as quantidades de trabalho e capital aumentassem na mesma proporção ( ) para a função de produção sob análise, a produção aumentaria na mesma proporção: = 100( K)0,8 ( L)0,2, or = 100K0,8 L0,2 (0,8 + 0,2) = Q Logo, esta função de produção apresenta rendimentos constantes de escala. Q Q UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 69 Exercícios de AVALIAÇÃO 1. O que é uma função de produção? Em que uma função de produção a longo prazo difere de uma função de produção a curto prazo? 2. Por que o produto marginal do trabalho tende a apresentar uma elevação seguida de uma diminuição a curto prazo? 3. Para um único insumo, rendimentos decrescentes de escala e rendimentos constantes de escala não são inconsistentes. Discuta. 4. Suponha que um fabricante de cadeiras esteja produzindo a curto prazo, situação em que o equipamento é fixo. O fabricante sabe que, à medida que o número de funcionários utilizados no processo produtivo eleva-se de 1 para 7, o número de cadeiras produzidas varia da seguinte forma: 10, 17, 22, 25, 26, 25, 23. a. Calcule o produto marginal e o produto médio do trabalho para esta função de produção. b. Esta função de produção apresenta rendimentos decrescentes de escala para o trabalho? Explique. c. Explique, de forma intuitiva, qual poderia ser a razão de o produto marginal do trabalho se tornar negativo. 5. As funções de produção relacionadas a seguir apresentam rendimentos decrescentes, constantes ou crescentes de escala? a. Q = 0,5KL b. Q = 2K + 3L UNIDADE Temática 5.2. Custos de Produção UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 70 Introdução: Os principais tópicos desse capítulo são: • a diferença entre custos contábeis e custos econômicos de produção, • as definições de custo total, custo médio e custo marginal no curto e no longo prazo, • a representação gráfica do custo total, médio e marginal, e • a minimização de custos, apresentada graficamente ao longo do capítulo e matematicamente no apêndice. O primeiro tópico acima, relativo à distinção entre custos contábeis e econômicos, é importante para deixar claro para os estudantes que uma situação com lucro (econômico) zero pode ser um equilíbrio de longo prazo. O problema de minimização de custos permite entender o processo de escolha, por parte da empresa, dos insumos a serem utilizados na produção de determinada quantidade de produto. Além desses tópicos, o capítulo permite discutir a idéia de utilização dos insumos até o ponto em que o preço iguala a receita do produto marginal do insumo. O capítulo também contém três secções relacionadas a tópicos especiais (produção com dois insumos, mudanças dinâmicas nos custos, e estimação do custo), que podem ser descartadas, caso desejado. A noção de custo de oportunidade constitui a base conceptual desse capítulo. A maioria dos estudantes costuma pensar nos custos no sentido estritamente contábil; é necessário, portanto, que eles passem a entender a diferença entre custo contábil, custo econômico e custo de oportunidade. O conceito de custo de oportunidade do capital pode apresentar dificuldades para os estudantes, que podem não entender a razão pela qual a taxa de locação do capital deve ser considerada explicitamente pelos economistas. A este respeito, é importante distinguir entre o preço de aquisição dos equipamentos e o custo de oportunidade de usar tal equipamento. O custo de oportunidade do tempo de um indivíduo também pode causar alguma confusão para os estudantes. Após a discussão sobre custo de oportunidade, o capítulo avança em duas direções; na primeira, apresentam-se os diferentes tipos de custo e as curvas de custo; na segunda, analisa-se o problema da minimização UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 71 de custos. Ambos os caminhos convergem para a discussão sobre custo médio de longo prazo. A realização de exercícios numéricos baseados em tabelas de custos pode ser útil para esclarecer as diferenças entre os vários tipos de custos para alguns estudantes. É importante frisar que cada empresa possui um único conjunto de curvas de custo, baseadas na sua função de produção específica e na conseqüente função de custo total. Discuta a importância dos rendimentos de escala, em particular da ocorrência de rendimentos decrescentes, na determinação do formato das curvas de custo. Os fatos de que o custo médio tenda apresentar formato em "U" no curto prazo e o custo marginal intercepta as curvas de custo médio e custo variávelmédio nos respectivos pontos de mínimo deveriam estar claros para os estudantes. Após a discussão das curvas de custo, pode-se aplicar os conceitos apresentados na escolha do nível de produção que maximiza o lucro e na derivação da curva de oferta da empresa (e da indústria). O problema de minimização de custos permite responder um tipo de pergunta diferente, relativo à quantidade de insumos necessário para a produção de determinado nível de produto. Os estudantes terão a oportunidade de saber que a condição necessária para a minimização de custos, segundo a qual a razão dos produtos marginais deve ser igual à razão dos preços dos insumos, é muito semelhante à condição necessária para a maximização de lucros. Uma vez que os conceitos de custo a curto prazo e minimização de custos estejam claros, os estudantes estarão em condições de entender a derivação do custo médio de longo prazo. No que diz respeito a esse último tópico, ressalvar-se-á, que as empresas operam ao longo das curvas de custo a curto prazo para cada nível do fator fixo e que os custos a longo prazo não existem separadamente dos custos a curto prazo. O Exercício (6) ilustra a relação entre custo a longo prazo e minimização de custos, ressaltando a importância do caminho de expansão. Mostra-se-á a relação entre o formato da curva de custo a longo prazo e os rendimentos de escala. Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 72 ▪ Entender: os conceitos básicos sobre a teoria de custos; ▪ Perceber: a diferença entre custos contábeis e custos econômicos de produção; Objectivos ▪ Entender: a diferença entre custo contábil, custo econômico e custo de Específicos oportunidade; ▪ Familiarizar-se:com as definições de custo total, custo médio e custo marginal no curto e no longo prazo; 1. Uma empresa paga anualmente a seu contador honorário no valor de $10.000. Este custo é explícito ou implícito? Os custos explícitos são pagamentos efetivos, que incluem, portanto, todos os custos que envolvam uma transação monetária. Um custo implícito é um custo econômico que não envolve necessariamente uma transação monetária, apesar de estar associado ao uso de recursos pela empresa. Quando a empresa paga a seu contador $10.000 como honorários anuais, ocorre uma transação monetária: o contador oferece seu tempo em troca de dinheiro. Logo, os honorários anuais são custos explícitos. 2. A proprietária de uma pequena loja de varejo cuida pessoalmente do trabalho contábil. De que forma você mediria o custo de oportunidade desse trabalho? Os custos de oportunidade são calculados a partir da comparação entre o uso corrente do recurso e seus usos alternativos. O custo de oportunidade do trabalho QUESTÕES PARA REVISÃO UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 73 contábil é o tempo que deixa de ser gasto em outras atividades, como a administração de um negócio ou a realização de atividades de lazer. O custo econômico do trabalho contábil é dado pelo maior valor monetário que poderia ser obtido através de outras atividades. 3. Suponha que um fabricante de cadeiras descubra que a taxa marginal de substituição técnica de capital por trabalho em seu processo produtivo seja substancialmente maior do que a razão entre a taxa de locação das máquinas e o custo do trabalho na linha de montagem. De que forma você acha que ele deveria alterar sua utilização de capital e trabalho para que possa minimizar seu custo de produção? Para minimizar o custo, o fabricante deveria usar uma combinação de capital e trabalho tal que a taxa de substituição de capital por trabalho no seu processo produtivo seja igual à taxa de troca entre capital e trabalho nos mercados externos. O fabricante estaria em melhor situação se aumentasse o uso de capital e reduzisse o uso de trabalho. Ao substituir um pouco de trabalho por capital, a taxa marginal de substituição técnica, TMST, diminuiria; o fabricante deveria continuar a substituir trabalho por capital até o ponto em que a TMST fosse igual à razão entre a taxa de locação do capital e o salário pago aos trabalhadores. 4. Por que as linhas de isocusto são retas? A linha de isocusto representa todas as possíveis combinações de trabalho e capital que podem ser adquiridas a um custo total constante. A inclinação da linha de isocusto é a razão entre os preços dos insumos trabalho e capital. Se os preços dos insumos são fixos, a razão desses preços é fixa e a linha de isocusto é reta. A linha de isocusto não é reta apenas no caso em que a razão dos preços dos insumos varia com as quantidades utilizadas. 5. Se o custo marginal de produção estiver aumentando, o custo variável médio estará aumentando ou diminuindo? Explique. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 74 Um custo marginal crescente é compatível com um custo variável médio crescente ou decrescente. Se o custo marginal for menor (maior) que o custo variável médio, cada unidade adicional de produção estará adicionando ao custo total menos (mais) que as unidades anteriores, o que implica que o CVMe está diminuindo (aumentando). Logo, é necessário saber se o custo marginal é maior ou menor que o custo variável médio para determinar se o CVMe é crescente ou decrescente. 6. Se o custo marginal de produção for maior do que o custo variável médio, o custo variável médio estará aumentando ou diminuindo? Explique. Para que o custo variável médio seja crescente (decrescente), cada unidade adicional de produção deve adicionar ao custo variável mais (menos) que as unidades anteriores, na média; ou seja, o custo marginal deve ser maior (menor) do que o custo variável médio. Assim, se custo o marginal é maior do que o custo variável médio, este deve estar aumentando. 7. Se as curvas de custo médio da empresa apresentam formato em U, por que sua curva de custo variável médio atinge seu nível mínimo em um nível de produção mais baixo do que a curva de custo médio total? O custo total é igual ao custo fixo mais o custo variável. O custo total médio é igual ao custo fixo médio mais o custo variável médio. Num gráfico, a diferença entre as curvas de custo total médio e custo variável médio, ambas em formato de U, é o custo fixo médio. Se o custo fixo for positivo, o custo variável médio mínimo deve ser menor do que o custo total médio mínimo. Além disso, dado que o custo fixo médio diminui continuamente à medida que aumenta a produção, o custo total médio deve continuar a diminuir mesmo após o custo variável médio ter atingido seu ponto de mínimo, pois a redução no custo fixo médio é inicialmente maior do que o aumento no custo variável médio. A partir de um certo nível de produção, a redução no custo fixo médio tornase menor do que o aumento no custo UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 75 variável médio, de modo que o custo total médio passa a aumentar. 8. Se uma empresa estiver apresentando rendimentos crescentes de escala até um determinado nível de produção, e depois tiver rendimentos constantes de escala, o que você poderia dizer a respeito do formato da curva de custo médio de longo prazo dessa empresa? Quando a empresa apresenta rendimentos crescentes de escala, a sua curva de custo médio de longo prazo apresenta inclinação negativa. Quando a empresa apresenta rendimentos constantes de escala, a sua curva de custo médio de longo prazo é horizontal. Se a empresa apresenta inicialmente rendimentos crescentes de escala, e depois rendimentos constantes de escala, a sua curva de custo médio de longo prazo inicialmentecai, e depois se torna horizontal. 9. De que forma uma variação no preço de um dos insumos pode alterar o caminho de expansão da empresa a longo prazo? O caminho de expansão descreve a combinação de insumos que a empresa deve escolher para obter cada nível de produção com o mínimo custo. Tal combinação depende da razão entre os preços dos insumos: se o preço de um insumo muda, a razão de preços também muda. Por exemplo, se o preço de um insumo aumenta, menor quantidade do insumo deve ser comprada para manter o custo total constante, e o intercepto da linha de isocusto no eixo do insumo em questão se move na direção da origem. Além disso, a inclinação da linha de isocusto, dada pela razão de preços, muda, e a empresa substitui parte do insumo que se tornou relativamente mais caro pelo insumo mais barato. Logo, o caminho de expansão se inclina na direção do eixo do insumo relativamente mais barato. 10. Faça uma distinção entre economias de escala e economias de escopo. Por que um desses fenômenos pode estar presente sem o outro? As economias de escala se referem à produção de um bem e ocorrem quando aumentos proporcionais nas UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 76 quantidades de todos os insumos levam a um aumento mais do que proporcional na produção. As economias de escopo se referem à produção de mais de um bem e ocorrem quando o custo da produção conjunta dos bens é menor do que a soma dos custos de produzir cada bem separadamente. Não há relação direta entre rendimentos crescentes de escala e economias de escopo, de modo que a produção pode apresentar uma característica independentemente da outra. Veja o Exercício (13) para um caso com rendimentos constantes de escala e economias de escopo. Sumário Nesta Unidade temática estudamos e discutimos fundamentalmente os aspectos relacionados aos custos dos factores de produção e os conceitos básicos, a função de custo e o caso de produção com um único factor variável, custos com mais de um factor variável, as medidas de custo unitário de curto e longo prazos. Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO 1. Suponha que uma empresa fabricante de computadores tenha os custos marginais de produção constantes a $1.000 por computador produzido. Entretanto, os custos fixos de produção são iguais a $10.000. a. Calcule as curvas de custo variável médio e de custo total médio para essa empresa. O custo variável de produção de uma unidade adicional, o custo marginal, é constante e igual a $1.000: CV = $1000Q, CV $1000Q e CVMe $1000 O custo fixo médio é Q Q $10.000 Q. O custo total médio é dado pela soma do custo UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 77 variável médio e do custo fixo médio: $10.000 CTMe $1.000 . Q b. Caso fosse do interesse da empresa minimizar o custo total médio de produção, ela preferiria que tal produção fosse muito grande ou muito pequena? Explique. A empresa preferiria a maior produção possível, pois o custo total médio diminui à medida que aumenta Q. Se Q se tornasse infinitamente grande, o CTMe seria igual a $1.000. 2. Se uma empresa contratar um trabalhador atualmente desempregado, o custo de oportunidade da utilização do serviço do trabalhador é zero. Isso é verdade? Discuta. Do ponto de vista do trabalhador, o custo de oportunidade de seu tempo corresponde ao período de tempo que ele deixa de gastar com outras atividades, incluindo atividades pessoais ou de lazer. O custo de oportunidade de empregar uma mãe desempregada com filhos pequenos é certamente diferente de zero! A dificuldade de atribuir um valor monetário ao tempo de que um indivíduo desempregado deixará de gozar ao ser empregado não deveria nos levar à conclusão de que seu custo de oportunidade é zero. Do ponto de vista da empresa, o custo de oportunidade de empregar o trabalhador não é zero; a empresa poderia, por exemplo, adquirir outra máquina em vez de empregar o trabalhador. 3.a. Suponha que uma empresa deva pagar uma taxa anual de franquia, que corresponda uma quantia fixa, independente da empresa realizar qualquer produção. Como esta taxa afetaria os custos fixos, marginais e variáveis da empresa? O custo total, CT, é igual ao custo fixo, CF, mais o custo variável, CV. Os custos fixos não variam com a quantidade produzida. Dado que a taxa de franquia, FF, é um valor fixo, os custos fixos da empresa aumentam no valor da UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 78 taxa. Logo, o custo médio, dado por , e o custo Q CF fixo médio, dado por , aumentam no valor da taxa Q média de franquia FF . Observe que a taxa de franquia Q não afeta o custo variável médio. Além disso, tendo em vista que o custo marginal é a variação no custo total associada à produção de uma unidade adicional e que a taxa de franquia é constante, o custo marginal não se altera. b. Agora suponha que seja cobrado um imposto proporcional ao número de unidades produzidas. Novamente, como tal imposto afetaria os custos fixos, marginais e variáveis da empresa? Seja t o imposto por unidade. Quando um imposto é cobrado sobre cada unidade produzida, o custo variável aumenta em tQ. O custo variável médio aumenta em t, e dado que o custo fixo é constante, o custo total médio também aumenta em t. Além disso, dado que o custo total aumenta em t para cada unidade adicional, o custo marginal também aumenta em t. 4. Um artigo recente publicado na Business Week afirmava o seguinte: Durante a recente queda nas vendas de automóveis, a GM, a Ford, e a Chrysler decidiram que era mais econômico vender automóveis para as locadoras com prejuízo do que despedir funcionários. Isto porque é caro fechar e abrir fábricas, em parte porque a negociação sindical atual prevê a obrigatoriedade das empresas pagarem salários a muitos trabalhadores, mesmo que estes não estejam trabalhando. CF CV UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 79 Quando o artigo menciona a venda de carros com prejuízos, está se referindo ao lucro contábil ou econômico? Explique brevemente como eles se distinguem neste caso. Quando o artigo menciona a venda de carros com prejuízos, está se referindo ao lucro contábil. O artigo afirma que o preço obtido na venda dos automóveis para as locadoras era menor do que seu custo contábil. O lucro econômico seria a diferença entre o preço e o custo de oportunidade dos automóveis. Tal custo de oportunidade representa o valor de mercado de todos os insumos utilizados na produção dos automóveis. O artigo menciona que as empresas automobilísticas devem pagar a seus trabalhadores mesmo que estes não estejam trabalhando (e, portanto, produzindo automóveis). Isso implica que os salários pagos a tais trabalhadores são custos "irreversíveis" e, conseqüentemente, não entram no custo de oportunidade da produção. Por outro lado, os salários são incluídos nos custos contábeis, que devem, portanto, ser maiores do que o custo de oportunidade. Logo, o lucro contábil deve ser menor do que o lucro econômico. 5. Um fabricante de cadeiras contrata sua mão de obra para a linha de montagem por $22 por hora e calcula que o aluguel de suas máquinas seja de $110 por hora. Suponha que uma cadeira possa ser produzida utilizando-se 4 horas entre tempo de trabalho e de máquina, sendo possível qualquer combinação entre os insumos. Se a empresa atualmente estiver utilizando 3 horas de trabalho para cada hora de máquina, ela estará minimizando seus custos de produção? Em caso afirmativo, qual a razão? Em caso negativo, de que forma a empresa poderia melhorar essa situação? Se a empresa podeproduzir uma cadeira utilizando quatro horas de trabalho ou quatro horas de máquina, ou qualquer combinação dos insumos, então a isoquanta é uma linha reta com inclinação de -1 e interceptos em K = 4 e L = 4, conforme mostra a Figura 7.5. A linha de isocusto, CT = 22L + 110K tem inclinação de UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 80 0,2 (com o capital no eixo vertical) e interceptos CT CT em K e L . O ponto de custo mínimo é uma 110 22 solução de canto, onde L = 4 e K = 0. Nesse ponto, o custo total é $88. Capital 4 3 Isoquantapara Q = 1 2 Isocusto(inclinação = -0,20) Solução decanto 1 minimizadorade custo 1 2 3 4 5 Trabalho Figura 7.5 6. Suponha que economia entre em recessão e o custo de mão de obra caia 50%, sendo que se espera que venha a permanecer em tal nível por um longo tempo. Mostre graficamente de que forma essa variação de preço do trabalho em relação ao preço do capital influenciaria o caminho de expansão da empresa. A Figura 7.6 mostra uma família de isoquantas e duas curvas de isocusto. As unidades de capital são medidas no eixo vertical e as unidades de trabalho no eixo horizontal. (Observação: A figura pressupõe que a função de produção que dá origem às isoquantas apresente rendimentos constantes de escala, o que resulta num caminho de expansão linear. Entretanto, os resultados a seguir não dependem dessa hipótese.) Se o preço do trabalho diminui enquanto o preço do capital é constante, a curva de isocusto gira para fora em torno de seu intercepto no eixo UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 81 do capital. O caminho de expansão é o conjunto de pontos nos quais a TMST é igual à razão dos preços; logo, à medida que as curvas de isocusto giram para fora, o caminho de expansão gira na direção do eixo do trabalho. Com a redução do preço relativo do trabalho, a empresa utiliza mais trabalho à medida que a produção aumenta. Capital 4 3 2 1 1 2 3 4 5 Trabalho Figura 7.6 7. Você é responsável pelo controle de custos em um grande distrito de trânsito metropolitano. Um consultor contratado lhe apresenta o seguinte relatório: Nossa pesquisa revelou que o custo de operação de um ônibus a cada viagem é de $30, independentemente do número de passageiros que esteja transportando. Cada ônibus tem capacidade para transportar 50 passageiros. Nas horas de pico, quando os ônibus estão lotados, o custo médio por passageiro é de $0,60. Entretanto, durante as horas fora de pico, a média de passageiros transportados cai para 18 pessoas por viagem e o custo sobe para $1,67 por passageiro. Conseqüentemente, recomendamos uma operação mais intensa nas horas de pico, quando os custos são UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 82 menores, e um número menor de operações nas horas fora de pico, nas quais os custos são mais altos. Você seguiria as recomendações do consultor? Discuta. O consultor não entende a definição de custo médio. O aumento do número de passageiros sempre diminui o custo médio, independente de se tratar de uma hora de pico ou não. Se o número de passageiros cair para 10, os custos aumentarão para $3,00 por passageiro. Além disso, nas horas de pico os ônibus estão lotados. Como seria possível aumentar o número de passageiros? Em vez de seguir as recomendações do consultor, seria melhor incentivar os passageiros a passar a usar os ônibus nas horas fora de pico - através, por exemplo, da cobrança de preços mais elevados nas horas de pico. 8. Uma refinaria de petróleo é composta de diferentes unidades de equipamento de processamento, cada qual com diferentes capacidades de fracionamento do petróleo cru, com alto teor de enxofre, em produtos finais. O processo produtivo dessa refinaria é tal que o custo marginal do processamento de gasolina é constante até um certo ponto, desde que uma unidade de destilação básica esteja sendo alimentada por petróleo cru. Entretanto, à medida que a capacidade desta unidade se esgota, o volume de petróleo cru que pode ser processado no curto prazo se revela limitado. O custo marginal de processamento da gasolina é também constante até um determinado limite de capacidade, quando o petróleo cru passa por uma unidade mais sofisticada de hidrocraqueamento. Elabore o gráfico do custo marginal da produção de gasolina, quando são utilizadas uma unidade de destilação básica e uma unidade de hidrocraqueamento. A produção de gasolina envolve duas etapas: (1) destilação do petróleo cru; e (2) refino do produto destilado, que é transformado em gasolina. Dado que o custo marginal de produção é constante até o limite de capacidade para ambos os processos, as curvas de custo marginal apresentam formato semelhante em L. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 83 Custo Marginal Q1 Q2 Quantidade Figura 7.8 O custo total marginal, CMgT, é a soma dos custos marginais dos dois processos, i.e., CMgT = CMg1 + CMg2, onde CMg1 é o custo marginal da destilação até o limite de capacidade, Q1, e CMg2 é o custo marginal de refino até o limite de capacidade, Q2. O formato da curva de custo total marginal é horizontal até o menor limite de capacidade. Se o limite de capacidade da unidade de destilação for menor que o limite da unidade de hidrocraqueamento, o CMgTserá vertical ao nível de Q1. Se o limite da unidade de hidrocraqueamento for menor que o limite da unidade de destilação, o CMgT será vertical ao nível de Q2. 9. Você é o gerente de uma fábrica que produz motores em grande quantidade por meio de equipes de trabalhadores que utilizam máquinas de montagem. A tecnologia pode ser resumida pela função de produção: Q = 4 KL em que Q é o número de motores por semana, K é o número de máquinas, e L o número de equipes de trabalho. Cada máquina é alugada ao custo r = $12.000 por semana e cada equipe custa w = $3.000 por semana. O custo dos motores é dado pelo custo das equipes e das máquinas mais $2.000 de matérias primas por máquina. Sua fábrica possui 10 máquinas de montagem. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 84 a. Qual é a função de custo de sua fábrica — isto é, quanto custa produzir Qmotores? Quais os custos médio e marginal para produzir Qmotores? Com os custos médios variam com a produção? K é fixo ao nível de 10. A função de produção de curto prazo é, portanto, Q = 40L. Isso implica que, para qualquer nível de produção Q, o número de equipes de Q trabalho contratadas será L . A função de custo 40 total é dada pela soma dos custos de capital, trabalho, e matérias primas: CT(Q) = rK + wL + 2000Q = (12.000)(10) + (3.000)(Q/40) + 2.000 Q = 120.000 + 2.075Q A função de custo médio é dada por: CMe(Q) = CT(Q)/Q = 120.000/Q + 2.075 e a função de custo marginal é: CT(Q) / Q = 2.075 Os custos marginais são constantes e os custos médios são decrescentes (devido ao custo fixo de capital). b. Quantas equipes são necessárias para produzir 80 motores? Qual o custo médio por motor? Q Para produzir Q = 80 motores, são necessárias L ou 40 L=2 equipes de trabalho. O custo médio é dado por CMe(Q) = 120.000/Q + 2.075 ou CMe = 3575. c. Solicitaram a você que fizesse recomendações para o projeto de uma nova fábrica. O que você sugeriria? Em particular, com que relação capital/trabalho (K/L) a nova planta deveria operar? Se custos médios menores fossem o único critério, você sugeriria que a nova fábrica tivesse maior ou menor capacidade que a atual? Agora, abandonamos a hipótese de que Ké fixo. Devemos encontrar a combinação de K e L que minimiza UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 85 K L os custos para qualquer nível de produção Q. A regra de minimização de custo é dada por: PMgK PMgL r w Para calcular o produto marginal do capital, observe que, se aumentarmos K em 1 unidade, Q aumentará em 4L, de modo que PMgK = 4L. Analogamente, observe que, se aumentarmos L em 1 unidade, Q aumentará em 4K, de modo que PMgL = 4K. (Matematicamente, PMgK Q 4L e PMgL Q 4K .) Inserindo essas fórmulas na regra de minimização de custo, obtemos: 4L 4K K w 3.000 1 . r w L r 12.000 4 A nova planta deveria operar com uma razão capital/trabalho de 1/4. A razão capital-trabalho da empresa é atualmente 10/2 ou 5. Para reduzir o custo médio, a empresa deveria utilizar mais trabalho e menos capital para gerar a mesma produção ou contratar mais trabalho e aumentar a produção. *10. A função custo de uma empresa fabricante de computadores, relacionando seu custo médio de produção, CMe, com sua produção acumulada, QA (em milhares de computadores produzidos), e com o tamanho de sua fábrica em termos de milhares de computadores produzidos anualmente, Q, é dada, para uma produção na faixa entre 10.000 e 50.000 computadores, pela equação CMe = 10 - 0,1QA + 0,3Q. a. Existe um efeito de curva de aprendizagem? A curva de aprendizagem descreve a relação entre a produção acumulada e os insumos necessários para produzir uma unidade de produção. O custo médio mede os requisitos de insumo por unidade de produção. Existe um efeito de curva de aprendizagem se o custo médio cai à medida que aumenta a produção acumulada. No caso UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 86 em questão, o custo médio diminui à medida que aumenta a produção acumulada, QA. Logo, existe um efeito de curva de aprendizagem. b. Existem rendimentos crescentes ou decrescentes de escala? Para medir os rendimentos de escala, calcule a elasticidade do custo total, CT, com relação à produção, Q: Q Q Se a elasticidade for maior (menor) que 1, há rendimentos decrescentes (crescentes) de escala, pois o custo total aumenta mais (menos) rápido que a produção. A partir do custo médio, podemos calcular o custo total e o custo marginal: CT = Q(CMe) = 10Q - (0,1)(QA)(Q) + 0,3Q2, logo dCT CMg 10 0,1QA 0,6Q . dQ Dado que o custo marginal é maior do que o custo médio (pois 0,6Q> 0,3Q), a elasticidade, EC, é maior que 1; há rendimentos decrescentes de escala. O processo produtivo apresenta um efeito de curva de aprendizagem e rendimentos decrescentes de escala. c. Ao longo de sua existência, a empresa já produziu um total de 40.000 computadores e estará produzindo 10.000 máquinas este ano. No ano que vem, ela planeja aumentar sua produção para 12.000 computadores. Seu custo médio de produção aumentará ou diminuirá? Explique. Primeiro, calcule o custo médio no ano corrente: CMe1 = 10 - 0,1QA + 0,3Q = 10 - (0,1)(40) + (0,3)(10) = 9. Segundo, calcule o custo médio no ano seguinte: CMe2 = 10 - (0,1)(50) + (0,3)(12) = 8,6. CT CT Q EC CT CT Q CMgCMe UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 87 (Observação: A produção acumulada aumentou de 40.000 para 50.000) O custo médio diminuirá devido ao efeito da aprendizagem. 11. A função de custo total a curto prazo de uma empresa expressa pela equação C=190+53Q, em que C é o custo total e Q é a quantidade total produzida, sendo ambos medidos em dezenas de milhares de unidades. a. Qual é o custo fixo da empresa? Quando Q = 0, C = 190, de modo que o custo fixo é igual a 190 (ou $1.900.000). b. Caso a empresa produzisse 100.000 unidades de produto, qual seria seu custo variável médio? Com 100.000 unidades, Q = 10. O custo total é 53Q = (53)(10) = 530 por unidade (ou $5.300.000 por 10.000 CVT $530 Q 10 unidades). O custo variável médio é $53 por unidade ou $530.000 por 10.000 unidades. c. Qual é o custo marginal por unidade produzida? Com um custo variável médio constante, o custo marginal é igual ao custo variável médio, $53 por unidade (ou $530.000 por 10.000 unidades). d. Qual é seu custo fixo médio? CFT $190 Q 10 Para Q = 10, o custo fixo médio é $19por unidade ou ($190.000 por 10.000 unidades). e. Suponha que a empresa faça um empréstimo e expanda sua fábrica, Seu custo fixo sobe em $50.000, porém seu custo variável cai em $45.000 para cada 10.000 unidades. A despesa de juros (I) também entra na equação. Cada aumento de 1% na taxa de juros eleva os custos em $30.000. Escreva a nova equação de custo UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 88 O custo fixo muda de 190 para 195. O custo total diminui de 53 para 45. O custo fixo também inclui pagamento de juros: 3I. A equação do custo é C = 195 + 45Q + 3I. *12. Suponha que a função de custo total a longo prazo para uma empresa seja expressa pela equação cúbica: CT = a + bQ + cQ2 + dQ3. Mostre (utilizando o cálculo integral) que esta função de custo é consistente com a curva de custo médio com formato em U, pelo menos para alguns valores dos parâmetros a, b, c, d. Para mostrar que a equação de custo cúbica implica uma curva de custo médio com formato de U, utilizamos a álgebra, o cálculo e a teoria econômica para impor restrições sobre os sinais dos parâmetros da equação. Essas técnicas são ilustradas no exemplo abaixo. Primeiro, se a produção é igual a zero, então, CT = a, onde a representa os custos fixos. No curto prazo, os custo fixos são positivos, a >0, porém, no longo prazo, onde todos os insumos são variáveis, a = 0. Logo, impomos a restrição de que a deve ser zero. Em seguida, sabendo que o custo médio deve ser positivo, divide-se CT por Q: CMe = b + cQ + dQ2. Essa equação é simplesmente uma função quadrática, que pode ser representada graficamente em dois formatos básicos: formato de U e formato de U invertido. Estamos interessados no formato de U, ou seja, em uma curva com um ponto de mínimo (custo médio mínimo), em vez do formato de U invertido, com um ponto de máximo. À esquerda do ponto de mínimo, a inclinação deve ser negativa. No ponto de mínimo, a inclinação deve ser zero, e à direita, a inclinação deve ser positiva. A primeira derivada da curva de custo médio com relação a Q deve ser igual a zero no ponto de mínimo. Para uma curva de CMe com formato de U, a segunda derivada da curva de custo médio deve ser positiva. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 89 A primeira derivada é c + 2dQ; a segunda derivada é 2d. Se a segunda derivada deve ser positiva, d >0. Se a primeira derivada deve ser igual a zero, resolvendo para c em função de Q e d obtemos: c = -2dQ. Se d e Q são positivos, c deve ser negativo: c <0. A restrição sobre b baseia-se no fato de, no seu ponto de mínimo, o custo médio dever ser positivo. O ponto de mínimo ocorre quando c + 2dQ = 0. Resolve-se para Q em c função de c e d: Q 0. Em seguida, substitui-se Q 2d por este valor na nossa expressão de custo médio, e simplifica-se a equação: b 0 2d 4d 4d 4d 4d b c2 . Dado que c2>0 e d > 0, b deve ser o que implica 4d positivo. Em resumo, para curvas de custo médio de longo prazo com formato de U, a deve ser zero, b e d devem ser positivos, c deve ser negativo, e 4db > c2. Entretanto, as condições não asseguram que o custo marginal seja positivo. Para assegurar que o custo marginal possua um formato de U e que seu ponto de mínimo seja positivo, utilizando o mesmo procedimento, ou seja, resolvendo para Q no custo marginalmínimo c/ 3d, e substituindo na expressão do custo marginal b + 2cQ + 3dQ2, encontramos que c2 deve ser menor que 3bd. Observe que os valores dos parâmetros que satisfazem essa condição também satisfazem 4db > c2; o contrário, porém, não é verdadeiro. Por exemplo, sejam a = 0, b = 1, c = -1, d = 1. O custo total é Q - Q2+ Q3; o custo médio é 1 - Q + Q2; e o custo CMe b cQ dQ2 b c c d c 2 , ou 2d c2 c2 2c2 c2 c2 CMe b 2d b UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 90 marginal é 1 - 2Q + 3Q2. O custo médio mínimo é Q = 1/2e o custo marginal mínimo é 1/3 (suponha que Q seja medido em dúzias de unidades, de modo que não há produção de unidades fracionadas). Veja a Figura 7.12. Custos 2 1 0.17 0.33 0.50 0.67 0.83 1.00 Quantidade em dúzias Figura 7.12 *13. Uma empresa de computadores produz hardware e software utilizando a mesma fábrica e os mesmos trabalhadores. O custo total da produção de unidades de hardware H e de unidades de software S é expresso pela equação: CT = aH + bS - cHS, na qual a, b, e c são positivos. Esta função de custo total é consistente com a presença de rendimentos crescentes ou decrescentes de escala? E com economias ou deseconomias de escopo? Há dois tipos de economias de escala a se considerar: economias de escala multiproduto e economias de escala específicas a cada produto. Aprendemos na Seção 7.5 que as economias de escala multiproduto para o caso de dois produtos, SH,S, são dadas por CT(H,S) UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 91 SH,S (H)(CMgH ) (S)(CMgS ) onde CMgH é o custo marginal de produção de hardware e CMgS é o custo marginal de produção de software. As economias de escala específicas a cada produto são: SH CT(H,S) CT(0,S) e (H)(CMgH ) CT(H,S) CT(H,0) SS (S)(CMgS ) onde, CT(0,S) implica a não produção de hardware e CT(H,0) implica a não produção de software. Sabe-se que o custo marginal de um insumo é a inclinação do custo total com relação àquele insumo. Sendo CT (a cS)H bS aH (b cH)S , obtém-se CMgH = a - cS e CMgS = b - cH. Inserindo tais expressões nas fórmulas de SH,S, SH, e SS: aH bS cHS SH,S ou aH bS cHS SH,S 1, porque cHS> 0. Além disso, Ha Sb 2cHS SH (aH bS cHS) bS , ou H(a cS) SH H(a cS) (a cS) e similarmente SS (aH bS cHS) aH H a cS S b cH (aH cHS) (a cS) 1 1 UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 92 Há economias de escala multiproduto, SH,S> 1, porém rendimentos de escala específicos a cada produto constantes, SH = SS = 1. Temos economias de escopo se SC> 0, onde (a partir da equação (7.8) no texto): SC CT(H,0) CT(0,S) CT(H,S) , ou, CT(H,S) SC aH bS (aH bS cH S) , ou CT(H,S) cHS SC 0 CT(H,S) Dado que ambos cHS e CT são positivos, ocorrem economias de escopo. Exercícios de AVALIAÇÃO 1. O que são custos explicitos? De exemplo. 2. A proprietária de uma pequena loja de varejo cuida pessoalmente do trabalho contábil. De que forma você mediria o custo de oportunidade desse trabalho? 3. Se o custo marginal de produção estiver aumentando, o custo variável médio estará aumentando ou diminuindo? Explique. 4. Se o custo marginal de produção for maior do que o custo variável médio, o custo variável médio estará aumentando ou diminuindo? Explique. S(b cH) UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 93 L) 5. Se as curvas de custo médio da empresa apresentam formato em U, por que sua curva de custo variável médio atinge seu nível mínimo em um nível de produção mais baixo do que a curva de custo médio total? 6. Se uma empresa estiver apresentando rendimentos crescentes de escala até um determinado nível de produção, e depois tiver rendimentos constantes de escala, o que você poderia dizer a respeito do formato da curva de custo médio de longo prazo dessa empresa? 7. De que forma uma variação no preço de um dos insumos pode alterar o caminho de expansão da empresa a longo prazo? TEORIAS DE PRODUÇÃO E CUSTO —TRATAMENTO ALGÉBRICO 1. Dentre as funções de produção a seguir, quais apresentam rendimentos crescentes, constantes ou decrescentes de escala? a. F(K, L) = K2 L b. F(K, L) = 10K + 5L c. F(K, L) = (KL)0,5 Os rendimentos de escala referem-se à relação existente entre nível de produção e aumentos proporcionais de todos os seus insumos. Representamos esta relação da seguinte forma: F( K, L) > F(K, L) implica rendimentos crescentes de escala; F( K, L) = F(K, L) implica rendimentos constantes de escala; e F( K, < F(K, L) implica rendimentos decrescentes de escala. a. Aplicando estas relações à equação F(K, L) = K2L, EXERCÍCIOS UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 94 L) F( K, = ( K)2 ( = 3K2L = 3F(K, L). que é maior que F(K, L); portanto, essa função de produção apresenta rendimentos crescentes de escala. b. Aplicando a mesma técnica a F(K, L) = 10K + 5L, = 10 K + 5 L = F(K, L). A função de produção apresenta rendimentos constantes de escala. c. Aplicando a mesma técnica a F(K, L) = (KL)0.5, F( K, = ( K L)0.5 = ( 2)0.5 (KL)0.5 = (KL)0.5 = F(K, L). Essa função de produção apresenta rendimentos constantes de escala.. 2. A função de produção de um determinado produto é dada por Q = 100KL. Sendo o custo do capital de $120 por dia e o do trabalho $30 por dia, qual será o custo mínimo de produção para 1000 unidades de produto? A combinação de capital e mão-de-obra minimizadora de custos é aquela onde TMST PMgL w PMgK r dQ O produto marginal da mão-de-obra é 100K . O dL dQ produto marginal do capital é 100L. Portanto, a dK taxa marginal de substituição técnica é 100K K . 100L L Para determinar a razão ótima entre capital e mão- deobra, considere a taxa L) L) F( K, L) . UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 95 marginal UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 96 de substituição técnica igual à razão entre a remuneração da mão-de-obra e a taxa de locação do capital: K 30 , ou L = 4K. L 120 Substitua esse valor de L na função de produção e resolva para o K que gera uma produção de 1.000 unidades: 1.000 = (100)(K)(4K), ou K = 1,58. Como L é igual a 4K, L é igual a 6,32. Com esses níveis para os dois insumos, o custo total é: CT = wL + rK, ou CT = (30)(6,32) + (120)(1,58) = $379,20. Para verificar se K = 1,58 e L = 6,32 são os níveis minimizadores de custo dos insumos, considere pequenas mudanças em K e L. em torno de 1,58 e 6,32. Para K = 1.6 e L = 6.32, o custo total é $381,60, e para K = 1,58 e L = 6,4, o custo total é $381,6, ambos maiores do que $379,20. Logo, concluímos que os níveis calculados de K e L são aqueles que minimizam o custo. 3. Suponha que uma função de produção tenha a expressão F(K, L) = KL2 e que o custo do capital seja $10 e o do trabalho seja $15. Qual será a combinação de trabalho e capital capaz de minimizar o custo de produção para qualquer quantidade de produto? A combinação de capital e trabalho que minimiza o custo satisfaz a condição TMST PMgL w PMgK r dQ O produto marginal do trabalho é 2KL. O produto dL dQ 2 marginal do capital é . dK . UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 97 Para determinar a razão ótima entre capital e trabalho, iguale a taxa marginal de substituição técnica à razão entre os preçosdos insumos: 2KL 2 0.75L. L ou K = Logo, a razão capital-trabalho deve ser de 0,75 para que o custo de produzir qualquer nível de produto seja minimizado. 4. Suponha que o processo de produção de agasalhos esportivos da empresa Polly’s Parkas seja descrito pela função: Q = 10K0,8(L - 40)0,2 em que Q é o número de agasalhos produzidos, K é o número de horasmáquina e L é o número de horas de trabalho. Além de capital e trabalho, $10 de matérias-primas são consumidos na produção de cada agasalho. Conhecemos a função de produção: Q = F(K,L) = 10K.8(L - 40).2 Também sabemos que o custo de produção inclui, além dos custos do capital e do trabalho, $10 de matérias primas por unidade produzida. Logo, a função de custo total é: CT(Q) = wL + rK + 10Q a. Minimizando o custo sujeito à função de produção, derive as demandas de K e L como função do produto (Q), salários (w), e aluguel das máquinas (r). Derive a função de custo total, (custos como função de Q, r, w e da constante referente aos $10 de matéria-prima por unidade produzida). Precisamos encontrar as combinações de K e L que minimizam tal função de custo para qualquer nível de produção Q e preços dos insumos r e w. Para tanto, montamos o Lagrangeano: , UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 98 = wL + rK + 10Q - [10K.8 (L - 40).2 - Q] UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 99 K Derivando com relação a K, L, e , e igualando a zero: .2 .8 .2 (3) 10K (L 40) Q 0. As primeiras duas equações implicam: r 10 (0,8)K 0,2(L 40)0,2 e w 10 0,8(0,2)(L 40) 0,8 ou r 4(L 40) K que pode ser reescrito da seguinte forma: K 4w(L 40) e L 40 rK . r 4w Inserindo as equações acima na equação (3), obtemos soluções para K e L: Q 10 4w 0,8(L 40)0,8(L 40)0,2 e r Q 10K 0,8 rK 0,2 . 4w ou r0,8Q L 30,3w0,8 40 e K 7w,60r,20Q,2 . w (1) r 10 (.8)K (L 40) 0 K .2 (2) .8 .8 w 10 K (.2)(L 40) 0 UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 100 Estes são os valores de K e L que minimizam o custo. Inserindo tais valores na função de custo total, podemos obter a função de custo em função de r,w, e Q: CT(Q) wL rK 10Q wr0,8Q rw0,2Q CT(Q) 30,3w0,8 40w 7,6r0,2 10Q w0,2r0,8Q r0,8w0,2Q CT(Q) 40w 10Q 30,3 7,6 b. Este processo requer trabalhadores qualificados que ganham $32 por hora. O valor do aluguel das máquinas é de $64 por hora. Sendo estes os preços dos fatores, qual é o custo total como função de Q? Esta tecnologia apresenta rendimentos crescentes, decrescentes ou constantes de escala? Dados os valores w = 32 e r = 64, a função de custo total pode ser escrita da seguinte forma: CT(Q)=19,2Q+1280. A função de custo médio é dada por CMe(Q) = 19,2 + 1280/Q. Para determinar o tipo de rendimentos de escala, inicialmente escolha uma combinação de insumos e calcule o nível de produção; em seguida, dobre as quantidades de todos os insumos calcule o novo nível de produção e compare com o nível original. Supondo K=50 e L=60, o nível de produção é Q1= 10(50)0.8(60-40)0.2 = 416.3. Para K=100 e L=120, o nível de produção passa a ser Q2= 10(100)0.8(120-40)0.2 = 956. Dado que Q2/Q1 > 2, a função de produção apresenta rendimentos crescentes de escala. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 101 c. A empresa Polly’s Parkas planeja produzir 2000 unidades por semana. Com o preço dos fatores indicados acima, quantos trabalhadores eles deveriam contratar (considere 40 horas de trabalho semanal) e quantas máquinas deveriam alugar (também considere utilização de 40 horas semanais)? Quais os custos marginal e médio neste nível de produção? Dado Q = 2.000 por semana, podemos calcular as quantidades necessárias dos insumos K e L a partir das fórmulas obtidas no item (a): r0,8Q w0,2Q L 30,3w0,8 40 e K 7,6r0,2 Logo, L = 154,9 horas de trabalho e K = 2.000/8,7 = 229,9 horas de máquina. Supondo uma semana de trabalho de 40 horas, obtemos L = 154,9/40 = 3,87 trabalhadores por semana e K = 229,9/40 = 5,74 máquinas por semana. Polly’s Parkas deveria contratar 4 trabalhadores e alugar 6 máquinas por semana. Sabemos que as funções de custo total e custo médio são dadas por: CT(Q) = 19,2Q + 1280 CMe(Q) = 19,2 + 1280/Q de modo que a função de custo marginal é CMg(Q) = d CT(Q) / d Q = 19,2. O custo marginal é constante e igual a $19,2 por agasalho e o custo médio é 19,2+1280/2000 = $19,84 por agasalho. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 102 TEMA – VI: MAXIMIZAÇÃO DE LUCROS E OFERTA COMPETITIVA UNIDADE Temática 7.1.Introdução, Maximização de Lucros e Oferta Competitiva UNIDADE Temática 7.2. EXERCÍCIOS deste tema UNIDADE Temática 7.1.Introdução, Maximização de Lucros e Oferta Competitiva Introdução: Este capítulo apresenta os incentivos com que se defronta uma empresa maximizadora de lucros e discute a interação entre as empresas em um mercado competitivo. Todas as secções do capítulo são importantes na formação de uma sólida base analítica voltada para o detalhamento do lado da oferta do mercado competitivo. A formação dessa base é crucial para o aproveitamento adequado da Parte III do texto. Apesar do capítulo ser escrito de forma muito clara e de fácil compreensão, os estudantes encontram dificuldades com muitos dos conceitos relacionados à escolha da quantidade ótima de produção pela empresa e à aplicação dos diagramas das curvas de custo apresentados no capítulo anterior. Uma sugestão a ser implementada em sala de aula é a discussão de tabelas semelhantes às utilizadas nos exercícios ao final do capítulo. Através de vários exemplos baseados nesse tipo de tabela, os estudantes podem entender os diferentes conceitos de custo, além da determinação do nível ótimo de produção da empresa. A Secção 7.1 apresenta as três premissas básicas da competição perfeita e a secção 7.2 discute a hipótese da maximização de lucros como o objetivo da empresa. Ambas as seções fornecem elementos importantes para a derivação da curva de oferta da empresa, apresentada nas Secções 7.3 a 7.5. Na Secção 7.3, deriva-se o resultado geral de que a escolha ótima da empresa se dá no ponto em que a receita marginal é igual ao custo marginal. Em seguida, mostra-se que a competição perfeita corresponde a um caso particular dessa regra geral, para o qual o preço é igual à receita marginal o que decorre da hipótese, apresentada na Secção 7.1, de que as firmas são tomadoras de preço. No caso dos estudantes terem estudado cálculo anteriormente, é interessante derivar a regra da igualdade entre receita UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 103 e custo marginal explicitamente, através da derivação da função de lucro com relação a q. Caso os estudantes ainda não tenham estudado cálculo, é recomendável gastar um pouco mais de tempo na análise das tabelas de dados, de modo que fique claro para eles que o lucro é maximizado no ponto em que a receita marginal é igual ao custo marginal. É importante enfatizar que, para a empresa competitiva, a variável de escolha é a quantidade produzida, e não o preço. Com o objetivo de situar o caso da competição perfeita no contexto mais amplo da teoria dos mercados, pode ser interessante apresentar uma breve discussão dos casos de monopólio, oligopólio e competição monopolística antes de discutir as hipóteses da competição perfeita. Tal discussão deveriaabordar apenas as diferenças entre os vários casos no que se refere ao número de empresas na indústria, à existência de barreiras à entrada, à ocorrência de diferenciação de produtos, e ao caráter da interação estratégica entre as empresas em particular, às expectativas de cada empresa com relação à reação das demais empresas a suas escolhas de preços e/ou quantidades. Isso deveria motivar o interesse dos estudantes. As Secções 7.4 e 7.5 analisam em maior detalhe a escolha ótima da empresa e mostram que a curva de oferta da empresa corresponde ao trecho da curva de custo marginal acima da curva de custo variável médio. Alguns estudantes não devem ter dificuldades para entender a significância das condições de segunda ordem; para outros, porém, não estará claro por que a quantidade q0, na Figura 7.3, não é uma escolha ótima, apesar desse ponto satisfazer a condição RMg = CMg. Outros pontos que merecem uma discussão cuidadosa são: 1) a razão pela qual uma empresa permaneceria em atividade apesar de ter prejuízo no curto prazo, e 2) o facto de que maximizar lucros é o mesmo que minimizar prejuízos. A obtenção da curva de oferta de mercado a partir das curvas de oferta das empresas é bastante simples; entretanto, a análise do equilíbrio competitivo de longo prazo apresenta algumas dificuldades para os estudantes. Dentre os conceitos mais complicados, cabe destacar os seguintes: • A razão pela qual a escolha ótima da empresa pode envolver prejuízos no curto prazo mas não no longo prazo. • A razão pela qual a livre entrada e saída da indústria tendem a reduzir o lucro econômico a zero no longo prazo. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 104 • A razão pela qual o preço é igual ao custo médio mínimo no longo prazo. Um exemplo interessante a ser discutido em sala de aula é o de uma indústria em que, inicialmente, existe apenas uma empresa auferindo lucro econômico positivo, e que passa a receber novas empresas até convergir para o ponto de equilíbrio de longo prazo. Discuta as mudanças no preço, quantidade e lucro ao longo desse processo, relacionando tais mudanças às motivações de cada empresa. Este capítulo versa também sobre o excedente do produtor e a renda econômica. Cabe notar que os estudantes frequentemente confundem os conceitos de lucro, excedente do produtor, e renda econômica. Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: Objectivos Distinguir: o monopólio do monopsónio; Aprofundar: os conceitos de receita marginal e elasticidade preço da Específicos demanda; Compreender: quais são as razões que fazem com que o monopólio detenha o poder de mercado; Perceber: quais são os custos sociais derivado do poder do mercado. 1. Por que uma empresa incorrendo em prejuízos optaria por continuar a produzir, em vez de encerrar suas atividades? A empresa incorre em prejuízo quando as receitas são inferiores aos custos totais. No caso das receitas serem maiores do que os custos variáveis, mas inferiores aos custos totais, vale a pena para a empresa produzir no QUESTÕES PARA REVISÃO UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 105 curto prazo, em vez de encerrar suas atividades, mesmo incorrendo em prejuízo. A empresa deve comparar os prejuízos obtidos na situação em que não produz e na situação em que apresenta produção positiva, e então escolher a alternativa que gera a menor perda. No curto prazo, o prejuízo será minimizado se a empresa for capaz de cobrir seus custos variáveis. No longo prazo, todos os custos são variáveis, de modo que a permanência da empresa na indústria depende dos custos totais serem cobertos. 2. A curva de oferta a curto prazo para uma empresa coincide com a curva de custo marginal a curto prazo (acima do ponto de custo variável médio mínimo). Por que sua curva de oferta a longo prazo não coincide com a curva de custo marginal a longo prazo (acima do ponto de custo médio total mínimo)? No curto prazo, uma mudança no preço de mercado induz as empresas a modificar seu nível ótimo de produção. O nível ótimo ocorre no ponto em que o preço é igual ao custo marginal, desde que o custo marginal seja maior do que o custo variável médio. Logo, a curva de oferta de uma empresa corresponde à sua curva de custo marginal, no trecho acima do custo variável médio. (Quando o preço cai abaixo do custo variável médio, a empresa opta por abandonar as atividades). No longo prazo, a empresa ajusta as quantidades de seus insumos de modo a igualar o custo marginal de longo prazo ao preço de mercado. No nível ótimo de produção, a empresa está operando sobre uma curva de custo marginal de curto prazo, num ponto onde o custo marginal de curto prazo é igual ao preço. À medida que o preço de longo prazo muda, a empresa altera gradualmente a combinação de insumos de modo a minimizar seus custos. Logo, a oferta no longo prazo reage às mudanças no preço através de deslocamentos de uma curva de custo marginal de curto prazo para outra. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 106 Observe, ademais, que no longo prazo haverá entrada de novas empresas e a empresa auferirá lucro zero, de modo que qualquer nível de produção para o qual CMg>CMe é inviável. 3. No equilíbrio de longo prazo, todas as empresas de uma indústria auferem lucro econômico zero. Por que tal afirmativa é verdadeira? A teoria da competição perfeita pressupõe explicitamente a ausência de barreiras à entrada ou saída de novos participantes da indústria. Com livre entrada, a ocorrência de lucros econômicos positivos atrai novas empresas para a indústria, o que desloca a curva de oferta para a direita, causando a queda do preço de equilíbrio do mercado e, portanto, a redução dos lucros. A entrada de novas empresas cessará apenas quando os lucros econômicos tiverem sido totalmente eliminados, caracterizando, assim, um equilíbrio em que todas as empresas auferem lucro zero. 4. Qual é a diferença entre lucro econômico e excedente do produtor? O lucro econômico é a diferença entre a receita total e o custo total, enquanto que o excedente do produtor é a diferença entre a receita total e o custo variável total. A diferença entre lucro econômico e excedente do produtor é, portanto, o custo fixo de produção. 5. Por que as empresas entram em uma determinada indústria quando sabem que no longo prazo seu lucro econômico será zero? A obtenção de lucro econômico positivo no curto prazo pode ser suficiente para incentivar a entrada em uma indústria. A ocorrência de lucro econômico zero no longo prazo implica retornos normais para os fatores de produção, incluindo o trabalho e o capital dos proprietários da empresa. Suponha o caso de um pequeno empresário cujo negócio apresenta lucro contábil positivo. Caso o lucro seja igual ao rendimento que o proprietário poderia obter em outra atividade, possivelmente assalariada, ele será indiferente entre permanecer no negócio ou abandonar as atividades. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 107 6. No início do século XX, havia muitos pequenos fabricantes de automóveis nos EUA. No final do século, existem apenas três grandes empresas automobilísticas. Suponha que esta situação não se deva à falta de regulamentação antimonopolística por parte do governo federal. De que forma você explicaria a redução no número de fabricantes de automóveis? (Sugestão: qual seria a estrutura de custos inerente à indústria automobilística?) A indústria automobilística é altamente capital- intensiva. Isso significa que, mesmo na ausência de barreiras à competição no setor, a presença de retornos crescentesde escala pode reduzir o número de empresas no longo prazo. De fato, à medida que as empresas crescem, os retornos crescentes de escala implicam custos menores de produção, permitindo às empresas de grande porte cobrar preços mais baixos e, assim, expulsar do mercado as empresas menores. Se as economias de escala cessarem a partir de certo nível de produção, a configuração de mercado de equilíbrio comportará mais de uma empresa. 7. A indústria X é caracterizada por competição perfeita, de tal forma que cada empresa está auferindo lucro econômico zero. Se o preço de mercado caísse, nenhuma empresa poderia sobreviver. Você concorda ou discorda dessa afirmação? Discuta. A afirmação é falsa. Se o preço caísse abaixo do custo total médio, as empresas continuariam a produzir no curto prazo e cessariam a produção no longo prazo. Se o preço caísse abaixo do custo variável médio, as empresas deixariam de produzir no curto prazo. Logo, caso a redução no preço seja suficientemente pequena, ou seja, menor do que a diferença entre o preço e o custo variável médio, as empresas podem sobreviver. Se a redução no preço for maior do que a diferença entre o preço e o custo variável médio mínimo, as empresas não sobreviverão. Em geral, pode-se esperar que algumas empresas sobrevivam e outras abandonem a indústria, sendo que o número de empresas que saem deve ser o estritamente necessário para que o lucro deixe de ser negativo. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 108 8. O crescimento da demanda de filmes em vídeo também aumenta os salários dos atores e atrizes substancialmente. A curva de oferta a longo prazo para filmes tem inclinação horizontal ou ascendente? Explique. A curva de oferta de longo prazo depende da estrutura de custos da indústria. Se a oferta de atores e atrizes for fixa, o aumento do número de filmes produzidos causará o aumento dos salários. Logo, a indústria apresenta custos crescentes, o que significa que sua curva de oferta de longo prazo deve ser positivamente inclinada.. 9. Verdadeiro ou falso: Uma empresa deveria sempre operar no nível de produção em que o custo médio a longo prazo seja minimizado. Explique. Falso. No longo prazo, sob competição perfeita, as empresas devem produzir no ponto de custo médio mínimo. A curva de custo médio de longo prazo é formada pelos pontos de custo mínimo para cada nível de produção. No curto prazo, porém, é possível que a empresa não esteja produzindo a quantidade ótima de longo prazo. Logo, na presença de algum fator de produção fixo, a empresa não produz necessariamente no ponto de custo médio mínimo. 10. Poderá haver rendimentos constantes de escala em uma indústria com curva de oferta dotada de inclinação ascendente? Explique. Os rendimentos constantes de escala implicam que aumentos proporcionais em todos os insumos geram o mesmo aumento proporcional na produção. Aumentos proporcionais em todos os insumos podem causar a elevação dos preços caso as curvas de oferta dos insumos sejam positivamente inclinadas. Logo, os rendimentos constantes de escala não implicam necessariamente uma curva de oferta horizontal. 11. Quais as suposições necessárias para que um mercado seja considerado perfeitamente competitivo? À luz de tudo o que você aprendeu neste capítulo, por que cada uma de tais suposições se faz necessária? UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 109 As duas principais hipóteses da competição perfeita são: (1) todas as empresas na indústria são tomadoras de preço, e (2) há livre entrada e saída de empresas do mercado. O objetivo deste capítulo é discutir de que forma o equilíbrio competitivo é atingido a partir dessas hipóteses. Vimos, em particular, que no equilíbrio competitivo o preço é igual ao custo marginal. Ambas as hipóteses são necessárias para garantir que tal condição seja satisfeita. No curto prazo, o preço poderia ser maior do que o custo médio, implicando lucros econômicos positivos. Com livre entrada, a ocorrência de lucros econômicos positivos atrai novas empresas para a indústria, o que exerce pressão para baixo sobre o preço, até que este se iguale ao custo marginal e ao custo médio mínimo. 12. Suponha que uma empresa competitiva se defronte com um aumento da demanda (isto é, a curva da demanda desloca-se para cima). Por meio de quais passos um mercado competitivo assegura um aumento no nível de produção? Sua resposta seria modificada caso o governo implementasse um preço-teto? Supondo uma oferta fixa, o aumento na demanda aumenta o preço e os lucros. O aumento no preço induz as empresas presentes na indústria a aumentar sua produção. Além disso, a ocorrência de lucro positivo deve incentivar a entrada de novas empresas na indústria. Se o governo implementasse um preço-teto, o lucro seria menor do que no caso anterior, reduzindo o incentivo à entrada. Com lucro econômico zero, não há entrada de empresas ou deslocamento da curva de oferta. 13. O governo aprova uma lei autorizando um subsídio substancial para cada acre de terra utilizado no plantio de tabaco. De que maneira esse subsídio federal influenciaria a curva de oferta do tabaco a longo prazo? O subsídio à produção de tabaco diminuiria os custos de produção da empresa, causando a entrada de novas empresas na indústria e o deslocamento da curva de oferta da indústria para a direita. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 110 1. A partir dos dados da Tabela 8.2, mostre o que ocorreria com a escolha do nível de produção da empresa caso o preço do produto apresentasse uma redução de $40 para $35. A tabela abaixo mostra as informações de receita e custo da empresa para o caso em que o preço cai de $40 para $35. Q P RT P = 40 CT P = 40 CMg P = 40 RMg P = 40 RT P = 35 RMg P = 35 P = 35 0 40 0 50 -50 0 -50 1 40 40 100 -60 50 40 35 35 -65 2 40 80 128 -48 28 40 70 35 -58 3 40 120 148 -28 20 40 105 35 -43 4 40 160 162 -2 14 40 140 35 -22 5 40 200 180 20 18 40 175 35 -5 6 40 240 200 40 20 40 210 35 10 7 40 280 222 58 22 40 245 35 23 8 40 320 260 60 38 40 280 35 20 9 40 360 305 55 45 40 315 35 10 10 40 400 360 40 55 40 350 35 -10 11 40 440 425 15 65 40 385 35 -40 Ao preço de $40, a empresa deveria produzir oito unidades de produto para maximizar seu lucro essa é a quantidade mais próxima do ponto em que o preço se iguala ao custo marginal. Ao preço de $35, a empresa deveria produzir sete unidades de produto com o objetivo de maximizar seu lucro. Quando o preço cai de $40 para $35, o lucro cai de $60 para $23. 2. Utilizando novamente os dados da Tabela 8.2, descreva o que ocorreria com a escolha do nível de produção da empresa e com seu lucro se o custo fixo da produção fosse aumentado de $50 para $100 e, posteriormente, para $150. Que conclusão geral você EXERCÍCIOS UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 111 RT CT CMg CT poderia tirar dos efeitos dos custos fixos sobre o nível de produção escolhido pela empresa? A tabela abaixo mostra as informações de receita e custo da empresa para os casos com custo fixo igual a FC= 50, 100, e 150. CT CF = 50 CF = 50 CF = 100 CF = 100 CF = 150 CF = 150 0 40 0 50 -50 100 -100 150 -120 1 40 40 100 -60 50 150 -110 200 -160 2 40 80 128 -48 28 178 -98 228 -148 3 40 120 148 -28 20 198 -78 248 -128 4 40 160 162 -2 14 212 -52 262 -102 5 40 200 180 20 18 230 -30 280 -80 6 40 240 200 40 20 250 -10 300 -60 7 40 280 222 58 22 272 8 322 -42 8 40 320 260 60 38 310 10 360 -40 9 40 360 305 55 45 355 5 405 -45 10 40 400 360 40 55 410 -10 460 -6011 40 440 425 15 65 475 -35 525 -85 Em todos os casos acima com custo fixo igual a 50, 100 e 150 , a empresa produzirá 8 unidades, pois essa é a quantidade mais próxima do ponto em que o preço é igual ao custo marginal (excluídos os casos em que o custo marginal é superior ao preço). Os custos fixos não influenciam a quantidade ótima produzida, pois não afetam o custo marginal. 3. Suponha que você seja administrador de uma empresa fabricante de relógios de pulso, operando em um mercado competitivo. Seu custo de produção é expresso pela equação: C = 100 + Q2, em que Q é o nível de produção e C é o custo total. (O custo marginal de produção é 2Q. O custo fixo de produção é de $100.) a. Se o preço dos relógios for $60, quantos relógios você deverá produzir para maximizar o lucro? UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 112 Os lucros são máximos quando o custo marginal é igual à receita marginal. No caso em questão, a receita marginal é igual a $60; tendo em vista que, em um mercado competitivo, o preço é igual à receita marginal: 60 = 2Q, ou Q = 30. b. Qual será o nível de lucro? O lucro é igual à receita total menos o custo total: = (60)(30) - (100 + 302) = $800. c. Qual será o preço mínimo no qual a empresa apresentará uma produção positiva? A empresa deve produzir no curto prazo se as receitas recebidas forem superiores a seus custos variáveis. Lembre que a curva de oferta de curto prazo da empresa é o trecho de sua curva de custo marginal acima do ponto de custo variável médio mínimo. O custo variável médio é CV Q2 dado por: Q . Além disso, o CMg é igual a 2Q. Q Q Logo, o CMg é maior do que o CVMe para qualquer nível de produção acima de 0 e, conseqüentemente, a empresa produz no curto prazo para qualquer preço acima de zero. 4. Utilize a mesma informação do Exercício 1 para responder ao seguinte: a. Determine a curva de oferta a curto prazo da empresa. (Sugestão: você poderia desenhar as curvas de custo apropriadas.) A curva de oferta de curto prazo da empresa corresponde ao trecho de sua curva de custo marginal acima da curva de custo variável médio A tabela abaixo apresenta informações referentes ao custo marginal, custo total, custo variável, custo fixo e custo variável médio da empresa. A empresa poderá produzir 8 ou mais unidades, dependendo do preço de mercado, mas não produzirá no intervalo de 0 a 7 unidades, pois nesse intervalo o CVMe é maior do que o CMg. Quando o CVMe é maior do que o CMg, a empresa minimiza suas perdas deixando de produzir. Q CT CMg CVT CFT CVMe UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 113 0 50 0 50 1 100 50 50 50 50,0 2 128 28 78 50 39,0 3 148 20 98 50 32,7 4 162 14 112 50 28,0 5 180 18 130 50 26,0 6 200 20 150 50 25,0 7 222 22 172 50 24,6 8 260 38 210 50 26,3 9 305 45 255 50 28,3 10 360 55 310 50 31,0 11 425 65 375 50 34,1 b. Se 100 empresas idênticas estiverem atuando no mercado, qual será a expressão da curva de oferta da indústria? Para 100 empresas com estruturas de custo idênticas, a curva de oferta de mercado é a soma horizontal da produção de cada empresa, para cada preço. P 40 Q 800 UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 114 5. Um imposto sobre vendas no valor de $1 por unidade produzida passa a ser arrecadado sobre uma empresa cujo produto é vendido por $5 em uma indústria competitiva. a. De que forma tal imposto influenciará as curvas de custo da empresa? A cobrança de um imposto de $1 sobre determinada empresa deve provocar o deslocamento de todas as curvas de custo em $1 para cima. b. O que ocorrerá com o preço do produto da empresa, com seu nível de produção e com seu lucro a curto prazo? Dado que a empresa é tomadora de preço em um mercado competitivo, a cobrança de um imposto sobre sua produção não afetará o preço cobrado, pois o preço de mercado não se altera. Dado que a curva de oferta de curto prazo da empresa corresponde ao trecho de sua curva de custo marginal acima da curva de custo variável médio e que a curva de custo marginal se desloca para cima (para a esquerda), a empresa estará ofertando menos para cada nível de preço. Os lucros também serão menores para cada nível de produção. c. No longo prazo haverá entrada ou saída de empresas da indústria? Se o imposto incide sobre uma única empresa, tal empresa será obrigada a abandonar a indústria, pois no longo prazo o preço de mercado será inferior a seu custo médio mínimo. 6. Suponha que o custo marginal de uma empresa competitiva para obter um nível de produção q seja expresso pela equação: CMg(q) = 3 + 2q. Se o preço de mercado do produto da empresa for $9, então: a. Qual será o nível de produção escolhido pela empresa? A empresa deve igualar a receita marginal ao custo marginal para maximizar seu lucro. Dado que a empresa opera em um mercado competitivo, o preço de mercado com que se defronta é igual à receita marginal. Logo, a empresa deve escolher um nível de produção tal que o preço de mercado seja igual ao custo marginal: 9 = 3 + 2q, ou q = 3. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 115 b. Qual é o excedente do produtor para essa empresa? O excedente do produtor é dado pela área abaixo do preço de mercado, i.e., $9.00, e acima da curva de custo marginal curve, i.e., 3 + 2q. Tendo em vista que o CMg é linear, o excedente do produtor é um triângulo com base igual a $6 (9 - 3 = 6) e altura igual a 3, que é o nível de produção para o qual P = CMg. Logo, o excedente do produtor é igual a Veja a Figura 8.6.b. Preço 10 9 8 (0,5)(6)(3) = $9. CMg(q) = 3 + 2q P = $9,00 ExPcreoddeuncteer’dso 7 pSroudrpultuosr 6 5 4 3 2 1 1 2 3 4 Quantidade Figura 8.6.b 7. Suponha que o custo variável médio da empresa do Exercício (6) seja expresso pela equação: CVMe(q) = 3 + q. Suponha que o custo fixo da empresa seja de $3. A empresa estará auferindo lucro positivo, negativo ou zero a curto prazo? O lucro é igual à receita total menos o custo total. O custo total é igual ao custo variável total mais o custo fixo total. O custo variável total é dado por (CVMe)(q). Logo, para q = 3, CV = (3 + 3)(3) = $18. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 116 O custo fixo é igual a $3. Logo, o custo total, dado por CV mais CF, é CT = 18 + 3 = $21. A receita total é dada pela multiplicação do preço pela quantidade: RT = ($9)(3) = $27. O lucro, dado pela receita total menos o custo total, é: = $27 - $21 = $6. Logo, a empresa aufere lucro econômico positivo. A solução poderia ser obtida de forma alternativa. Sabemos que o lucro é igual ao excedente do produtor menos o custo fixo; dado que, na questão 6, o excedente do produtor foi calculado em $9, o lucro deve ser igual a 9-3, ou seja, $6. 8. Uma indústria competitiva encontra-se no equilíbrio de longo prazo. Então, um imposto sobre vendas passa a incidir sobre todas as empresas da indústria. O que você esperaria que ocorresse com o preço do produto, com o número de empresas que atuam na indústria e com o nível de produção de cada empresa a longo prazo? A cobrança de um imposto sobre as vendas na indústria causa o deslocamento das curvas de custo marginal de todas as empresas para cima, de modo que a curva de oferta de mercado se desloca para cima e para a esquerda. Esse deslocamento da curva de oferta de mercado causa o aumento do preço de mercado do produto e a redução da quantidade ofertada por cadaempresa. No curto prazo, as empresas continuam a produzir, desde que o preço esteja acima do custo variável médio. No longo prazo, algumas empresas podem sair da indústria se o preço cair abaixo da nova curva de custo médio de longo prazo, que se deslocou para cima em função do imposto. À medida que as empresas abandonam a indústria, a curva de oferta se desloca para cima e para a esquerda, o que resulta em UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 117 um preço mais elevado e em menores quantidades ofertadas. *9. Um imposto de 10% sobre vendas passa a incidir sobre metade das empresas (aquelas que poluem) que atuam em uma indústria competitiva. A receita do imposto arrecadado é paga a cada uma das demais empresas da indústria (aquelas que não poluem) por meio de um subsídio correspondente a 10% do valor de sua produção vendida. a. Supondo que todas as empresas tenham custos médios a longo prazo constantes idênticos antes da implementação da política de subsídio fiscal, o que você espera que ocorra com o preço do produto, com o nível de produção de cada empresa e com o nível total de produção da indústria a curto e longo prazos? (Sugestão: de que forma o preço do produto se relaciona com o insumo da indústria?) O preço de mercado do produto depende da quantidade produzida pela totalidade das empresas na indústria. O efeito imediato da política de subsídio fiscal é a redução das quantidades ofertadas pela empresas poluidoras e o aumento das quantidades das demais empresas. Supondo que, antes da implementação da política de subsídios, a indústria se encontrasse no equilíbrio de longo prazo, o preço seria igual ao custo marginal e ao custo médio mínimo de longo prazo. Após a implementação da política, o preço se encontra abaixo do custo médio mínimo para as empresas poluidoras; conseqüentemente, tais empresas deverão sair da indústria. Por sua vez, as empresas não poluidoras auferem lucros econômicos que incentivam a entrada de novas empresas não poluidoras. Caso a indústria apresenta custos constantes e a redução da quantidade ofertada pelas empresas poluidoras seja exatamente compensada pelo aumento da quantidade ofertada pelas empresas não poluidoras, o preço permanecerá inalterado. b. Tal política pode sempre ser praticada com a receita fiscal se igualando ao valor pago na forma de subsídios? Por quê? Explique. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 118 À medida que as empresas poluidoras deixem a indústria e novas empresas não poluidoras entrem no mercado, as receitas dos impostos cobrados das empresas poluidoras diminuem e as despesas com os subsídios pagos às empresas não poluidoras aumentam. Logo, a política tende a causar um desequilíbrio fiscal. Tal desequilíbrio surge assim que a primeira empresa poluidora sai da indústria e persiste a partir de então. TEMA – VII: MERCADO PARA FACTORES DE PRODUÇÃO UNIDADE Temática 8.1.Introdução, Mercado para Factores de Produção UNIDADE Temática 8.2. EXERCÍCIOS deste tema UNIDADE Temática 8.1.Introdução, Mercado para Factores de Produção. Introdução: Os dois capítulos a seguir examinam os mercados de mão-de-obra e capital. Embora a discussão, neste capítulo, seja aplicável a ambos os tipos de insumos, a maioria dos exemplos refere-se à mão-de-obra como o único insumo variável da produção, com exceção do Exemplo 8.1, que discute “a demanda de combustível para jactos” pelas companhias aéreas. A demanda e a oferta de mão-de-obra são discutidas na primeira secção, e o equilíbrio competitivo do mercado de factores e a renda econômica, na segunda secção. A secção 8.3 explora a estrutura do mercado de factores para o caso onde o comprador UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 119 possui poder de monopsônio, e a secção 8.4 explora o caso do poder de monopólio por parte do vendedor do factor. A derivação da curva de demanda da mão-de-obra da empresa é directa quando a mão-de-obra é o único factor, mas torna-se mais complicada quando há vários fatores variáveis. Você poderia explicar por que a curva da RMgPL se desloca à medida que a empresa substitui um factor por outro na produção em resposta a uma mudança de preços, fazendo a observação de que a curva da RMgPL é desenhada para um nível fixo do outro factor variável. Os preços dos factores mudam à medida que mais factores são demandados, a curva de demanda do mercado não é simplesmente o somatório das curvas de demanda individuais. A elasticidade preço da demanda de factores é maior (1) quando a elasticidade da demanda do produto é mais alta, (2) quando é fácil substituir um factor por outro, e (3) quando a elasticidade da oferta é maior para outros factores. A renda pode ser vista como o consumo de produtos que não sejam o lazer, pois mais renda compra mais produtos. Você também pode supor, implicitamente, que o preço de outros produtos seja $1 e o preço do lazer seja o salário. A curva de oferta de mão-de-obra é derivada mudando o salário e calculando o novo nível de horas trabalhadas. Uma curva de oferta de mão-de-obra individual possui curvatura para trás apenas quando o efeito renda supera o efeito substituição e o lazer é um bem normal. A secção 8.2 mostra a demanda e a oferta de mão-de-obra tanto para os mercados de produto monopolísticos quanto competitivos. Cuidadosamente, explica-se por que a curva da despesa marginal está situada acima da curva de despesa média, para um monopsonista (veja Figura 8.14). Você pode discutir como um monopsonista praticaria a discriminação de preços, isto é, pagaria uma remuneração diferente para cada empregado. Com uma discriminação de preço perfeita, a curva de despesa marginal coincidiria com a curva da despesa média. Embora o monopsônio exista em alguns mercados, o exercício do poder de monopsônio é raro devido ao fator mobilidade. Entretanto, a contratação de atletas pelos proprietários dos times profissionais fornece um bom exemplo. A secção 8.4 discute o caso em que os sindicatos exploram o poder de monopólio por parte do vendedor do factor. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 120 Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: Objectivos Distinguir: o monopólio do monopsónio; Aprofundar: os conceitos de receita marginal e elasticidade preço da Específicos demanda; Compreender: quais são as razões que fazem com que o monopólio detenha o poder de mercado; Perceber: quais são os custos sociais derivado do poder do mercado. 1. Por que quando uma empresa possui poder de monopólio no mercado de produto, sua curva de demanda da mão-de-obra é mais inelástica do que quando ela produz competitivamente? A curva de demanda da mão-de-obra da empresa é determinada pela receita incremental associada à contratação de uma unidade adicional de mão-de-obra, conhecida como receita do produto marginal da mão- deobra: RMgPL = (PMgL)(RMg), a produção adicional (“produto”) que o último trabalhador produz, multiplicada pela receita adicional obtida com a venda do produto. Em um setor competitivo, a curva da receita marginal é perfeitamente elástica e igual ao preço. Para um monopolista, a curva de receita marginal possui inclinação negativa. Isso implica que a receita do produto marginal para o monopolista é mais inelástica do que para a empresa do setor competitivo. 2. Por que uma curva de demanda da mão-de-obra poderia apresentar curvatura para trás? QUESTÕES PARA REVISÃO UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 121 Uma curva de oferta da mão-de-obra comcurvatura para trás pode ocorrer quando o efeito renda de um aumento no salário supera o efeito substituição. As decisões de oferta de mão-de-obra são tomadas por indivíduos que escolhem a combinação mais satisfatória do trabalho com outras atividades (lazer). Com uma renda maior, o indivíduo pode se dar ao luxo de trabalhar menos horas: este é o efeito renda. À medida que o salário aumenta, o valor do tempo dedicado ao lazer (ou seja, o custo de oportunidade do lazer) aumenta, induzindo, assim, o indivíduo a trabalhar mais: este é o efeito substituição. Dado que os dois efeitos atuam em direções opostas, o formato da curva de oferta de mão-de-obra de um indivíduo depende das preferências deste por renda, consumo e lazer. 3. De que forma a demanda de uma empresa fabricante de computadores por programadores de computação poderia ser considerada uma demanda derivada? A demanda de uma empresa fabricante de computadores por insumos, incluindo programadores, depende de quantos computadores ela vende. A demanda da empresa por programadores depende da demanda com a qual ela se defronta no mercado de computadores. À medida que a demanda por computadores se desloca, a demanda por programadores também se desloca. 4. Compare as opções de contratação de trabalhadores por parte de um empregador monopsonístico com as opções de contratação por parte de um empregador competitivo. Qual deles conseguiria contratar um número maior de trabalhadores e qual deles pagaria a remuneração mais alta? Explique. Dado que a decisão de contratar outro trabalhador significa que o monopsonista deve pagar uma remuneração mais alta para todos os trabalhadores, e não apenas para o último contratado, sua curva de despesa marginal está situada acima da curva de oferta de fatores (a curva de despesa média). A demanda de fatores que maximiza os lucros do monopsonista, onde a curva de despesa marginal intercepta a curva de receita UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 122 do produto marginal, será menor do que a escolha de fatores que maximiza os lucros do concorrente, onde a curva de despesa média intercepta a curva de demanda. O monopsonista contratará menos mão-de-obra, e a remuneração paga será menor do que em um mercado competitivo. 5. Os músicos de rock às vezes ganham vários milhões de dólares por ano. Você poderia explicar esse grande rendimento em termos de renda econômica? A renda econômica é a diferença entre os pagamentos feitos por um fator de produção e o valor mínimo que teria de ser despendido para que fosse possível contratar o uso de tal fator. Neste caso, você pode supor que haja um número limitado de músicos de rock de alta qualidade que continuarão a tocar rock independente do que recebam. Isso resulta em uma curva de oferta perfeitamente inelástica, ou algo próximo disso. Dada a grande demanda por rock, a remuneração será muito elevada e haverá muita renda econômica. Se houvesse uma oferta maior de músicos de rock de alta qualidade, ou uma oferta mais elástica, a renda econômica seria menor. 6. O que ocorre com a demanda de um determinado insumo quando aumenta o uso de um insumo complementar? Suponha que dois insumos sejam complementares. Se a demanda de um deles aumenta, a demanda pelo outro também aumentará. O aumento da demanda de um dos insumos afeta a quantidade contratada e o preço pago por ele. Essas duas mudanças afetarão também a RMgP, a quantidade contratada e o preço pago pelo outro insumo. 7. Para um monopsonista, qual é a relação entre a oferta de um insumo e a despesa marginal do mesmo insumo? A decisão de aumentar o número de empregados significa que o monopsonista deve pagar o preço mais elevado a todas as unidades e não somente àquela unidade contratada por último. Portanto, sua curva de UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 123 despesa marginal se situa acima da curva de oferta de fatores (curva de despesa média). A contratação de mais mão-deobra aumentará a despesa marginal, que aumentará a despesa média. Se a despesa média está aumentando, então, a despesa marginal deve ser maior do que a despesa média. 8. Atualmente, a National Football League possui um sistema de recrutamento de jogadores universitários por meio do qual cada jogador é contratado apenas por uma equipe, assinando um contrato com ela, pois, de outra forma, fica impedido de participar dos jogos organizados por essa associação desportiva. O que ocorreria com os salários dos jogadores recém-contratados e dos mais experientes se o sistema vigente de recrutamento fosse abolido, de tal forma que todas as equipes pudessem concorrer para obter seus jogadores universitários? O sistema de recrutamento da National Football League e as cláusulas de exclusividade (que foram um dos pontos discutidos na greve ocorrida entre 1987 e 1988) criam um cartel monopsonista composto pelos proprietários dos times da NFL. Se esse sistema fosse abolido, a concorrência entre os times aumentaria os salários dos jogadores de futebol americano até ponto onde a receita do produto marginal de cada jogador fosse igual ao salário do jogador. 9. Qual a razão de os níveis de remuneração e de emprego serem indeterminados quando o sindicato possui poder de monopólio e a empresa detém poder de monopsônio? Quando o único vendedor de um insumo, um monopolista, se defronta com o único comprador do insumo, um monopsonista, o monopolista maximiza seus lucros posicionando a oferta do insumo em um ponto onde a receita marginal seja igual ao custo marginal, enquanto o monopsonista maximiza os seus lucros no ponto onde a despesa marginal seja igual ao custo marginal. Assim sendo, o monopolista cobra um preço acima da receita marginal enquanto o monopsonista oferece um preço abaixo da despesa marginal. O preço efetivo da transação será o UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 124 resultado de negociações e dependerá das forças de barganha relativas das duas partes. Sumário Nesta Unidade temática estudamos e discutimos fundamentalmente os aspectos relacionados aos custos dos factores de produção e os conceitos básicos, a função de custo e o caso de produção com um único factor variável, custos com mais de um factor variável, as medidas de custo unitário de curto e longo prazos. TEMA – VIII: EXTRENALIDADES E BENS PÚBLICOS UNIDADE Temática 9.1.Introdução, Extrenalidades e Bens Públicos UNIDADE Temática 9.2. EXERCÍCIOS deste tema UNIDADE Temática 9.1.Introdução, Extrenalidades e Bens Públicos. Introdução: Este Este capítulo complementa a discussão sobre as falhas de mercado, apresentadas no final do Capítulo 16, abordando as externalidades e os bens públicos. A secção 9.1 define o conceito de externalidade, enfocando tanto as externalidades positivas como as negativas. A secção 9.2 discute os possíveis métodos de correção das falhas de mercado geradas pela presença de externalidades. Essas duas seções fornecem uma visão geral do problema das externalidades que pode ser lida independentemente do resto do capítulo. As duas secções seguintes, 9.3 e 9.4, analisam a relação entre as externalidades e os direitos de propriedade. A secção 9.5 discute a questão dos bens públicos e a secção 9.6 apresenta uma breve discussão do problema da determinação do nível óptimo do bem público. De modo geral, o capítulo proporciona uma visão geral bastante sólida de alguns problemas de grande interesse. Caso o estude deseje se aprofundar nos temas abordados no capítulo, a consulta de algum livro texto na área de economia ambiental ou de economia dos recursos naturais pode ser UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA;20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 125 de grande utilidade. Os exemplos de externalidades associadas à poluição ou ao uso de recursos naturais são abundantes e podem gerar discussões muito interessantes. A este respeito, muitas idéias podem ser obtidas a partir de notícias de jornal. Externalidades podem ser geradas a partir do consumo de vários tipos de bens. Ao discutir essa questão, é importante enfatizar a diferença entre custos sociais e privados, bem como entre o equilíbrio competitivo e o equilíbrio óptimo (eficiente) do ponto de vista social. O conhecimento adquirido pelos estudantes acerca dos conceitos de excedente do consumidor e do produtor pode ser aplicado à análise dos ganhos de bem-estar advindos da mudança para o equilíbrio eficiente. O Exercício (5) apresenta o problema clássico do apicultor e da plantação de maçãs, originalmente analisado por Meade, “External Economies and Diseconomies in a Competitive Situation,” Economic Journal (Março de 1952). Pesquisas empíricas sobre esse tema mostram que os apicultores e os plantadores de maças conseguiram resolver muitos dos problemas apontados pelos economistas; ver, por exemplo, Cheung, “The Fable of the Bees: An Economic Investigation,” Journal of Law and Economics (Abril de 1973). Um dos principais tópicos da literatura na área de direito e economia desde 1969 tem sido a aplicação das idéias de Coase relativas à alocação dos direitos de propriedade. O artigo original sobre esse tema é bastante claro e pode ser lido e compreendido pelos estudantes. Ao discutir a questão, é importante enfatizar os problemas derivados da existência de custos de transação. Para um debate acalorado em sala de aula, podese perguntar aos estudantes se eles concordam com a idéia de dar aos não-fumantes o direito ao ar puro nos locais públicos (veja, a este respeito, o Exercício (4)). Uma discussão mais aprofundada do Teorema de Coase ao nível de graduação pode ser encontrada em Polinsky, Capítulos 3-6, An Introduction to Law & Economics (Little, Brown & Co., 1983). As últimas duas secções analisam a questão dos bens públicos e das escolhas privadas. É importante mostrar aos estudantes as semelhanças e diferenças entre os bens públicos e outras atividades caracterizadas por externalidades. Além disso, tendo em vista que os estudantes tendem a confundir os conceitos de bens não-disputáveis e não-excludentes, é recomendável UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 126 apresentar uma tabela nos moldes da que é reproduzida a seguir, dando exemplos de cada tipo possível de bem: Excludente Não-excludente Disputável Maioria dos bens Ar e Água Não-disputável Engarrafamentos Bens Públicos Outra questão de grande importância refere-se à obtenção da curva de demanda total a partir das demandas individuais. A este respeito, é fundamental que os estudantes compreendam a razão pela qual as curvas de demanda individuais devem ser somadas verticalmente e não horizontalmente. Deve-se enfatizar que, enquanto a soma horizontal nos fornece a quantidade total ofertada ou demandada para cada nível de preço, a soma vertical nos dá a disposição total a pagar por determinada quantidade. O tema da escolha pública é apresentado de forma meramente introdutória, mas pode-se facilmente aprofundar a discussão. Uma extensão lógica desse capítulo seria uma introdução à análise de custo e benefício; aplicações desse tipo de análise podem ser encontradas no livro de Haveman e Margolis (eds.), Public Expenditure and Policy Analysis (Houghton Mifflin, 1983), Parte III, “Empirical Analysis of Policies and Programs”. Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: ▪ Distinguir: o monopólio do monopsónio; ▪ Aprofundar: os conceitos de receita marginal e elasticidade preço da Objectivos demanda; UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 127 Específicos ▪ Compreender: quais são as razões que fazem com que o monopólio detenha o poder de mercado; ▪ Perceber: quais são os custos sociais derivado do poder do mercado. 1. Qual das seguintes frases descreve uma externalidade e qual não o faz? Explique a diferença. a. Uma política de restrição a exportações de café no Brasil faz com que seu preço suba nos EUA, o que, por sua vez, acarreta um aumento no preço do chá. As externalidades levam a ineficiências de mercado porque o preço do produto não reflete o seu real valor social. Uma política de restrição à exportação de café no Brasil faz com que seu preço suba nos EUA porque a oferta fica reduzida. À medida que o preço do café aumenta, os consumidores mudam para o chá, elevando, assim, a demanda de chá e, conseqüentemente, aumentando seu preço. Esses são efeitos de mercado; não são externalidades. b. Uma propaganda feita por meio de letreiros luminosos nas estradas distrai um motorista, que acaba batendo em um poste. Um anúncio luminoso está produzindo informações sobre a disponibilidade de algum produto ou serviço. Entretanto, a forma pela qual ele fornece essa informação pode distrair alguns consumidores, especialmente aqueles que estejam dirigindo próximos aos postes. O anúncio luminoso está criando uma externalidade negativa que interfere na segurança do motorista. Dado que o preço cobrado pela empresa anunciante não engloba a externalidade de distrair o motorista, a quantidade de propaganda desse tipo produzida é excessiva do ponto de vista da sociedade como um todo. QUESTÕES PARA REVISÃO UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 128 2. Compare e confronte os três seguintes mecanismos de tratamento das externalidades decorrentes da poluição, quando forem incertos os custos e os benefícios da redução das emissões de poluentes: (a) imposto sobre emissões de poluentes, (b) quotas para emissões de poluentes, e (c) sistema de permissões transferíveis. Dado que a poluição não está refletida no custo marginal de produção, sua emissão cria uma externalidade. Três mecanismos podem ser adotados para reduzir a poluição: um imposto de emissões, quotas de emissões e um sistema de permissões transferíveis. A escolha entre o imposto e a quota dependerá do custo marginal e do benefício marginal de se reduzir a poluição. Se pequenas reduções no nível de poluição gerarem grandes benefícios e adicionarem pouco ao custo, o custo de não se reduzir a emissão será alto. Nesse caso, o sistema de quotas deveria ser utilizado. Entretanto, se pequenas reduções no nível de poluição gerarem poucos benefícios e adicionarem muito ao custo, o custo de reduzir a emissão será alto. Nesse caso, o sistema de imposto deveria ser utilizado. O sistema de permissões de emissões transferíveis combina as características do imposto e das quotas para a redução da poluição. Sob este sistema, uma quota é estabelecida e os impostos são utilizados para transferir permissões para a empresa que as der mais valor (isto é, uma empresa com custos de redução das emissões altos). Entretanto, o número total de permissões pode ser escolhido incorretamente. Um número excessivamente pequeno de permissões criará um excesso de demanda, aumentando o preço e desviando ineficientemente recursos para os proprietários das permissões. Geralmente, as agências de controle de poluição implementam um dos três mecanismos, medem os resultados, avaliam o sucesso de sua escolha e, depois, estabelecem novos níveis de impostos ou quotas, ou selecionam um novo mecanismo. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 129 3. Em que situações as externalidades passam a exigir intervenção governamental e em quais tal intervençãoprovavelmente seria desnecessária? A eficiência econômica pode ser alcançada sem intervenção governamental quando a externalidade afeta um pequeno número de pessoas e quando os direitos de propriedade estão bem especificados. Quando o número de partes envolvidas é pequeno, o custo de negociação de um acordo entre elas é baixo. Além disso, a quantidade de informação requerida (relativa aos custos e benefícios de cada parte) é pequena. Quando os direitos de propriedade não estão bem especificados, a incerteza relativa aos custos e benefícios aumenta e escolhas eficientes podem não acontecer. Os custos de se entrar em acordo, incluindo o custo relativo à demora na obtenção do acordo, poderiam ser maiores do que o custo da intervenção governamental, incluindo o custo esperado relativo à escolha de um instrumento de política inadequado. 4. Um imposto sobre emissões é pago ao governo; por outro lado, quando um causador de danos é processado e condenado, ele precisa pagar diretamente à parte prejudicada pelos prejuízos causados pelas externalidades. Que diferenças provavelmente ocorreriam no comportamento das vítimas nessas duas diferentes situações? Quando as vítimas podem ser compensadas diretamente pelo dano sofrido, é maior a probalidade de que elas registrem queixa, iniciem um processo judicial e tentem superestimar seus danos. Quando as vítimas não são compensadas pelos danos diretamente, é menos provável que elas reportem as violações sofridas e superestimem seus danos. Em teoria, os impostos de emissões pagos ao governo requerem à empresa poluidora pagar compensação por qualquer dano causado e, conseqüentemente, se mover na direção do nível de produção socialmente ótimo. Um indivíduo prejudicado pelo comportamento de uma empresa poluidora tende a não registrar reclamações se ele não UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 130 acredita que seja possível receber a compensação diretamente. 5. Por que o livre acesso a um recurso de propriedade comum gera um resultado ineficiente? O livre acesso a uma propriedade comum significa que o custo marginal para o usuário é menor do que o custo social. A utilização de um recurso de propriedade comum por uma pessoa ou empresa faz com que as outras pessoas sejam excluídas. Por exemplo, o uso de água por um consumidor restringe o seu uso por outro consumidor. Uma parcela excessivamente grande do recurso é consumido pelo usuário individual porque o custo marginal privado é menor do que o custo marginal social, criando, assim, um resultado ineficiente. 6. Os bens públicos são ao mesmo tempo não-disputáveis e nãoexcludentes. Explique cada um desses termos, mostrando claramente de que maneira eles são diferentes entre si Um bem é não-disputável se, para qualquer nível de produção, o custo marginal de fornecimento do bem para um consumidor adicional for zero (embora o custo de produção de uma unidade adicional possa ser maior do que zero). Um bem é não-excludente se não for possível ou se for muito caro impedir outros consumidores de consumi-lo. Os bens públicos são não- disputáveis e nãoexcludentes. As mercadorias podem ser (1) excludentes e disputáveis, (2) excludentes e não- disputáveis, (3) nãoexcludentes e disputáveis, ou (4) não- excludentes e nãodisputáveis. A maioria das mercadorias discutidas no livro até o momento pertencem ao primeiro grupo. Neste capítulo, nós nos concentramos nas mercadorias pertencentes ao último grupo. Bens não-disputáveis estão associados à produção de um bem ou serviço para mais de um cliente e, em geral, envolvem processos produtivos com custos fixos elevados, tais como os custos de se construir uma estrada ou um farol. (Lembre que o custo fixo depende do período considerado: o custo de se acender a lâmpada no farol pode variar ao longo do UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 131 tempo, mas não varia com o número de consumidores.) Bens não-exclusivos estão associados ao momento da troca, em situações nas quais o custo de cobrar pelo consumo do bem é proibitivo – pois a identificação dos consumidores necessária para a cobrança implicaria custos superiores às receitas. Alguns economistas concentram a análise dos bens públicos na propriedade de não- exclusividade, pois esta característica gera as principais dificuldades para a provisão eficiente dos bens. 7. A televisão estatal é custeada em parte por donativos do setor privado, embora qualquer pessoa que tenha um televisor possa assistir à sua programação sem pagar por isso. Você seria capaz de explicar esse fenômeno, levando em consideração a questão do carona? O problema do carona diz respeito à dificuldade de excluir as pessoas do consumo de uma mercadoria nãoexcludente. Consumidores que não pagam podem pegar carona nas mercadorias fornecidas pelos consumidores que pagam. A televisão estatal é custeada em parte por donativos. Alguns telespectadores contribuem, mas a maioria assiste sem pagar, esperando que outras pessoas se encarreguem de pagar por eles. Para combater esse problema, as emissoras (1) pedem que os consumidores declarem sua verdadeira disposição a pagar; em seguida, (2) pedem que os consumidores façam contribuições no valor declarado, e (3) tentam fazer com que os demais consumidores sintam-se culpados por pegarem carona nos que pagam. 8. Explique por que o resultado preferido pelo votante mediano não precisa necessariamente ser eficiente, do ponto de vista econômico, quando se utiliza a regra da maioria dos votos para determinar o nível de gasto público. O eleitor mediano é o cidadão cujas preferências encontram-se exatamente no meio do espectro de preferências da população: metade do eleitorado apresenta opinião mais favorável ao tema em questão do que o eleitor mediano, enquanto a outra metade apresenta opinião mais desfavorável ao tema. Sob a UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 132 votação pela regra da maioria, na qual o voto de cada eleitor tem peso idêntico, o nível de gastos na provisão de bens públicos preferido pelo eleitor mediano vencerá a eleição contra qualquer alternativa. No entanto, a regra da maioria não é necessariamente eficiente, justamente porque confere pesos iguais às preferências de todos os cidadãos. Um resultado eficiente requer que os montantes que os vários indivíduos estejam dispostos a pagar pelo bem público sejam medidos e agregados. Evidentemente, a regra da maioria não satisfaz tal requisito. Entretanto, conforme vimos nos capítulos anteriores, a regra da maioria é eqüitativa, pois todos os cidadãos são tratados de forma igual. Nos deparamos, uma vez mais, com o dilema entre eqüidade e eficiência. Sumário Nesta Unidade temática estudamos e discutimos fundamentalmente os aspectos relacionados aos custos dos factores de produção e os conceitos básicos, a função de custo e o caso de produção com um único factor variável, custos com mais de um factor variável, as medidas de custo unitário de curto e longo prazos. Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO 1. Diversas empresas se instalaram na região oeste de uma cidade, depois que a parte leste se tornou predominantemente utilizada por residências familiares. Cada uma das empresas fabrica o mesmo produto e seus processos produtivos causam emissões de fumaças poluentes que afetam de forma adversa as pessoas que residem na comunidade a. Por que há uma externalidade criada pelas empresas? UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 133 As fumaças poluentes emitidas pelas empresas entram na função de utilidade dos residentes e estes não possuem qualquercontrole sobre a quantidade dessa fumaça. Podemos supor que a fumaça diminua a utilidade dos residentes (isto é, elas sejam uma externalidade negativa) e reduza os valores das propriedades. b. Você crê que negociações entre as partes possam resolver o problema? Explique. Se os residentes pudessem prever a localização das empresas, os preços das habitações refletiriam a desutilidade da fumaça; a externalidade teria sido internalizada pelo mercado de habitação nos preços das habitações. Se a fumaça poluente não fosse prevista, uma negociação privada poderia resolver o problema da externalidade apenas se o número de partes envolvidas fosse relativamente pequeno (tanto no que se refere às empresas quanto às famílias) e os direitos de propriedade estivessem bem especificados. A negociação privada deveria basear-se na disposição de cada família a pagar pela qualidade do ar, mas é provável que as famílias não revelassem suas verdadeiras preferências. Além disso, complicações adicionais estariam relacionadas ao grau de adaptabilidade da tecnologia de produção da empresa e às relações de emprego entre as empresas e as famílias. É improvável que a negociação privada resolva o problema. c. De que forma a comunidade pode determinar um nível eficiente para a qualidade do ar? A comunidade poderia determinar o nível economicamente eficiente de qualidade do ar agregando as disposições a pagar de cada família e igualando o total ao custo marginal da redução da poluição. Ambos os passos requerem a obtenção de informações fidedignas. 2. Um programador de computação faz lobby contra a legislação de direitos autorais para softwares. Seu argumento é de que todas as pessoas deveriam se beneficiar dos programas inovadores, escritos UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 134 para computadores pessoais, e que a exposição a uma ampla variedade de programas poderia inspirar jovens programadores a criarem softwares ainda mais inovadores. Considerando os benefícios sociais marginais que poderiam ser obtidos por esta proposta, você concordaria com a posição desse profissional? Os softwares constituem um exemplo clássico de bem público. De um lado, os softwares são bens nãodisputáveis, pois podem ser copiados sem custo – de modo que o custo marginal de prover consumidores adicionais é próximo de zero. (Os custos fixos de criação de softwares são elevados, mas os custos variáveis são baixos.) De outro lado, os softwares são bens nãoexcludentes, pois os sistemas de proteção contra cópias piratas apresentam custos muito elevados ou revelam-se inconvenientes para os usuários – de modo que os custos de impedir que os consumidores copiem os programas são proibitivos. Logo, a produção e venda de softwares apresenta os problemas tradicionais na provisão de bens públicos, pois a presença de caronas implica que os mercados são incapazes de prover o nível eficiente do bem. Esse problema poderia ser resolvido pela regulação direta do mercado ou pela garantia dos direitos de propriedade conferida pelo sistema legal aos criadores de softwares – que é a opção implementada na prática. Caso os direitos autorais não fossem protegidos, o mercado de software provavelmente entraria em crise, ou haveria uma redução significativa na quantidade de software desenvolvido e comercializado, o que implicaria a redução dos benefícios sociais marginais. Consequentemente, não concordamos com a argumentação do programador. 3. Suponha que estudos científicos mostrem, a você, as seguintes informações sobre os benefícios e custos das emissões de dióxido de enxofre: Benefícios de reduzir as emissões: BMg=400-10A Custos de reduzir as emissões: CMg=100+20A onde A é a quantidade reduzida em milhões UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 135 de toneladas, e os benefícios e custos são dados em dólares por tonelada. a. Qual é o nível de redução de emissões socialmente eficiente? O nível de redução de emissões socialmente eficiente pode ser encontrado igualando-se o benefício marginal ao custo marginal e resolvendo para A: 400-10A=100+20A A=10. b. Quais são os benefícios marginais e os custos marginais de redução das emissões no nível socialmente eficiente? Coloque A=10 nas funções de benefício e custo marginal: BMg=400-10(10)=300 CMg=100+20(10)=300. c. O que aconteceria com os benefícios sociais líquidos (benefícios menos custos) se você reduzisse 1 milhão de toneladas a mais do que o nível de eficiência? E 1 milhão a menos? Os benefícios sociais líquidos correspondem à área sob a curva de benefício marginal menos a área sob a curva de custo marginal. No nível socialmente eficiente de redução de emissões, os benefícios sociais líquidos são dados pela área a+b+c+d na Figura 18.3.c ou 0,5(400-100)(10)=1500 milhões de dólares. Se você reduzisse 1 milhão de toneladas a mais, os benefícios sociais líquidos seriam dados pela área a+b+c+d-e ou 1500-0,5(320-290)(1)=1500-15=1485 milhões de dólares. Se você reduzisse 1 milhão de toneladas a menos, os benefícios sociais líquidos seriam dados pela área a+c ou 0,5(400-310)(9)+(310-280)(9)+0,5(280-100)(9)=1485 milhões de dólares. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 136 d. Por que é eficiente em termos sociais igualar os benefícios marginais aos custos marginais em vez de reduzir as emissões até os benefícios totais se igualarem aos custos totais? É socialmente eficiente igualar os benefícios marginais aos custos marginais, em vez de igualar os benefícios totais aos custos totais, porque desejamos maximizar o benefício líquido, dado pela diferença entre o benefício total e o custo total. A maximização do benefício líquido implica que, na margem, a última unidade de emissão reduzida deve apresentar um custo igual ao benefício. Se optássemos pelo ponto onde o benefício total é igual ao custo total, obteríamos uma redução excessiva das emissões; tal escolha seria análoga a optar por produzir no ponto em que a receita total é igual ao custo total, ou seja, num ponto e quem o lucro é zero. No caso das reduções de emissões, maiores reduções implicam maiores custos. Dado que os recursos financeiros são escassos, o montante de dinheiro destinado à redução das emissões deve ser tal que o benefício da última unidade de redução seja maior ou igual ao custo a ela associado. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 137 Figura 18.3.c 4. Quatro empresas situadas em diferentes locais ao longo de um determinado rio despejam diversas quantidades de efluentes dentro dele. Esses efluentes prejudicam a qualidade da natação para moradores que habitam rio abaixo. Estas pessoas podem construir piscinas para evitar ter de nadar no rio, mas, por outro lado, as empresas podem instalar filtros capazes de eliminar produtos químicos prejudiciais existentes nos efluentes despejados no rio. Na qualidade de consultor de uma organização de planejamento regional, de que forma você faria uma comparação e diferenciação entre as seguintes opções, para tratar do assunto relativo aos efeitos prejudiciais dos efluentes despejados no rio: a. Imposição de um imposto sobre efluentes para as empresas que estejam localizadas às margens do rio. Primeiro, é necessário conhecer o valor atribuído pelos moradores à natação no rio. Não é fácil obter tal informação, pois os moradores têm incentivo a superestimar esse valor. Supondo que os moradores utilizem o rio apenas para nadar, um limite superior para o valor por eles atribuído ao rio poderia ser obtido a partir dos custos de construção de piscinas – tanto piscinas individuais como piscinaspúblicas. Segundo, é necessário conhecer o custo marginal de reduzir as emissões de poluentes. Caso a tecnologia de redução das emissões seja conhecida, tal informação deveria ser facilmente obtenível. Por outro lado, caso essa tecnologia não seja plenamente conhecida, deve-se usar alguma estimativa com base no conhecimento das empresas. A escolha do instrumento de política depende dos benefícios e custos marginais da redução das emissões. Caso as empresas devam pagar um imposto sobre efluentes, elas reduzirão as emissões até o ponto em que o custo marginal da redução seja igual ao imposto. Caso tal redução não seja suficiente para permitir a natação no rio, o imposto poderia ser aumentado. Uma UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 138 alternativa seria usar a receita do imposto para construir instalações para natação, o que implicaria menor necessidade de redução dos efluentes. Se as empresas forem obrigadas a pagar um imposto sobre efluentes, elas deverão reduzir as emissões até o ponto em que o custo marginal da redução dessas emissões seja igual ao valor do imposto. b. Imposição de quotas iguais para todas as empresas, determinando o nível de efluentes que cada uma delas pode despejar no rio. A imposição de quotas de efluentes será eficiente somente se o formulador de política tiver informação completa acerca dos benefícios e custos marginais da redução das emissões – pois isso lhe permitiria determinar o nível eficiente da quota. Além disso, a quota não incentiva as empresas a promover reduções adicionais das emissões à medida que novas tecnologias de filtragem se tornem disponíveis. c. Implementação de um sistema de permissões transferíveis de despejo de efluentes no rio, segundo o qual a quantidade agregada de poluentes é fixa e todas as empresas receberiam idênticas permissões. A implementação de um sistema de permissões transferíveis requer que o formulador de política seja capaz de determinar o nível eficiente do padrão de emissões. Após a distribuição das permissões e a criação de um mercado para estas, as empresas com custos mais elevados de redução de emissões deverão comprar as permissões das empresas com custos mais baixos. Entretanto, a organização regional não auferirá nenhuma receita, a menos que as permissões tenham sido vendidas no estágio inicial. 5. Pesquisas médicas têm mostrado os efeitos negativos que o cigarro causa aos fumantes passivos. Recentes tendências sociais indicam que há uma crescente intolerância em relação a fumar em locais públicos. Se você fosse um fumante e desejasse continuar com seu hábito a despeito das leis cada vez mais difundidas contra o fumo, descreva o efeito que as seguintes propostas de leis teriam sobre seu UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 139 comportamento pessoal. Em conseqüência desses programas, será que você, na qualidade de fumante individual, estaria sendo beneficiado? A sociedade como um todo estaria sendo beneficiada? Dado que fumar em locais públicos é semelhante a poluir o ar, os programas propostos são semelhantes àqueles examinados no caso da poluição. Uma lei que reduza o conteúdo de alcatrão e nicotina nos cigarros é semelhante a um padrão de emissões, assim como um imposto sobre os cigarros é semelhante a um imposto sobre emissões e um sistema de permissões para fumar é análogo a um sistema de permissões de despejo de efluentes. Todos esses programas impõem aos fumantes a internalização da externalidade associada à fumaça que os nãofumantes inalam “passivamente”; logo, o bem-estar dos fumantes diminui. O bem-estar da sociedade aumentará se os benefícios de um programa específico forem superiores aos custos de implementação do programa. Infelizmente, os benefícios da redução da fumaça imposta pelos fumantes aos não- fumantes são incertos, e a avaliação desses benefícios na prática implica custos não desprezíveis. a. Um projeto de lei propõe a diminuição do conteúdo de alcatrão e de nicotina em todos os cigarros. Provavelmente os fumantes tentarão manter inalterado seu nível de consumo de nicotina, aumentando o consumo de cigarros. É possível que a sociedade não seja beneficiada por esse projeto, caso a quantidade total de nicotina e alcatrão presente no ar não se altere. b. Um projeto de lei propõe que seja cobrado um imposto sobre todos os maços de cigarros vendidos. Os fumantes poderiam passar a fumar charutos ou cachimbos, ou então a confeccionar seus próprios cigarros. A magnitude do efeito do imposto sobre o consumo de cigarro depende da elasticidade da demanda de cigarros. Uma vez mais, não está claro se a sociedade será beneficiada. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 140 c. Um projeto de lei propõe que seja exigido que todos os fumantes sempre tenham consigo uma autorização, emitida pelo governo, para poder fumar. Um sistema de autorizações para fumar transferiria os direitos de propriedade ao ar puro dos fumantes para os não-fumantes. A sociedade não seria necessariamente beneficiada, devido especialmente aos custos elevados de implementação desse sistema. Além disso, o custo da autorização elevaria o preço efetivo dos cigarros, de modo que o efeito sobre a quantidade fumada dependeria da elasticidade da demanda. 6. Um apicultor mora nas proximidades de uma plantação de maças. O dono da plantação se beneficia da presença das abelhas, pois cada colméia possibilita a polinização de um acre de plantação de maças. Entretanto, ele nada paga ao proprietário do apiário pelo serviço prestado pelas abelhas, que se dirigem à sua plantação sem que precise fazem alguma coisa. Não há abelhas suficientes para polinizar toda a plantação de maças, de tal modo que o dono da plantação tem que completar o processo artificialmente, ao custo de $10 por acre. A atividade do apiário tem um custo marginal de CMg = 10 + 2Q, onde Q é o número de colméias. Cada colméia produz $20 de mel. a. Quantas colméias o apicultor estará disposto a manter? O apicultor manterá o número de colméias que lhe proporcione o lucro máximo, dado pela condição de igualdade entre a receita marginal e o custo marginal. Dada uma receita marginal constante igual a $20 (não há nenhum indício de que o apicultor possua algum grau de poder de mercado) e um custo marginal igual a 10 + 2Q: 20 = 10 + 2Q, ou Q = 5. b. Esse seria o número economicamente eficiente de colméias? Caso o número de colméias não seja suficiente para garantir a polinização da plantação de maçãs, o dono da plantação deverá pagar $10 pela polinização artificial de cada acre de seu terreno. Logo, o dono da plantação estaria disposto a pagar até $10 ao apicultor por cada colméia adicional. Isso significa que o benefício social marginal de cada colméia adicional, BSMg, é $30, que é maior do que o benefício privado marginal de $20. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 141 Supondo que o custo privado marginal seja igual ao custo social marginal, podemos igualar BSMg = CMg para determinar o número eficiente de colméias: 30 = 10 + 2Q, ou Q = 10. Logo, a escolha privada do apicultor, Q = 5, não corresponde ao número socialmente eficiente de colméias. c. Quais as modificações que poderiam resultar em maior eficiência da operação? A mudança mais radical que poderia ocorrer, levando a um resultado mais eficiente, seria a fusão das atividades do apicultor e do agricultor, que internalizaria a externalidade positiva da polinização das abelhas. Outra possibilidade seria a assinatura de um contrato entre o apicultor e o agricultor referente a serviços de polinização. 7. Há trêsgrupos em uma comunidade. Suas respectivas curvas de demanda por televisão estatal em horas de programação, T, são dadas, respectivamente, por W1 = $150 - T, W2 = $200 - 2T, W3 = $25 0 - T. Suponha que a televisão estatal seja um bem público puro que possa ser produzido com um custo marginal constante igual a $200 por hora. a. Qual seria o número de horas eficiente de transmissão para televisão estatal? O número de horas eficiente de transmissão é dado pela condição de igualdade entre a soma dos benefícios marginais e o custo marginal. Devemos somar verticalmente as curvas de demanda que representam os benefícios marginais para cada indivíduo, obtendo a soma dos benefícios marginais. A Figura 18.6.a mostra as curvas de demanda individuais e a soma resultante. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 142 W3 W2 W1 Logo, a partir da Figura 18.7.a ou da tabela abaixo, vemos que BSMg = CMg ao nível de T = 100 horas de transmissão. Disposição a pagar Temp o Grupo 1 Grupo 2 Grupo 3 Soma Vertical 0 150 200 250 600 50 100 100 200 400 100 50 0 150 200 150 0 0 100 100 200 0 0 50 50 250 0 0 0 0 Disposição a pagar 600 500 400 300 200 CMg 100 50 100 150 200 250 300 Tempo de TV Figura 18.7.a b. Qual o número de horas transmitidas pela televisão estatal que um mercado competitivo privado produziria? Para determinar o número de horas que seria fornecido pelo mercado, devemos agregar as curvas de demanda UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 143 individuais horizontalmente. O número eficiente de UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 144 horas é dado pela condição de igualdade entre o custo privado marginal e o benefício privado marginal. As curvas de demanda para os Grupos 1 e 2 se encontram abaixo de CMg = $200 para todo T > 0. Apenas o Grupo 3 estaria disposto a pagar o valor do custo marginal, $200. A esse preço, seriam fornecidas 50 horas de programação televisiva através de assinatura. Disposição a pagar 300 250 200 CMg 150 100 50 50 100 150 200 250 300 Tempo de TV Figura 18.7.b Quantidade Demandada Preço Grupo 1 Grupo 2 Grupo 3 Soma Horizontal 250 0 0 0 0 200 0 0 50 50 150 0 25 100 125 100 50 50 150 250 50 100 75 200 375 0 150 100 250 500 8. Reconsidere o problema do recurso comum apresentado no Exemplo 18.5. Suponha que a popularidade do lagostim continue a W2 W3 W1 UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 145 aumenta e que sua curva de demanda seja deslocada de C = 0,401 – UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 146 0,0064F para C = 0,50 – 0,0064F. De que forma esse deslocamento da demanda modificaria o atual nível de pesca dos lagostins, o nível eficiente de pesca e o custo social do acesso comum? (Dica: utilize as curvas de custo social marginal e de custo privado apresentadas no exemplo.) As informações relevantes estão apresentadas abaixo: Demanda: C = 0,50 – 0,0064F CSMg: C = -5,645 + 0,6509F. O aumento na demanda implica o deslocamento da curva de demanda por lagostim para cima, passando a interceptar o eixo do preço ao nível de $0,50. A curva de custo privado apresenta inclinação positiva, pois é necessário maior nível de esforço para pescar maiores quantidades. Dado que a curva de custo social também apresenta inclinação positiva, o nível socialmente eficiente de pesca também deve aumentar. O nível socialmente eficiente de pesca pode ser calculado a partir do seguinte sistema de duas equações simultâneas: 0,50 – 0,0064F = -5,645 + 0,6509F, ou F* = 9,35. Para determinar o preço que os consumidores estão dispostos a pagar por tal quantidade, insira o valor de F* na equação do custo social marginal e resolva para C: C = -5,645 + (0,6509)(9,35), ou C = $0,44. Em seguida, calcule o nível de produção efetivo resolvendo as seguintes equações: Demanda: C = 0,50 – 0,0064F CPMg: C = -0,357 + 0,0573F 0,50 – 0,0064F = -0,357 + 0,0573F, ou F** = 13,45. Para determinar o preço que os consumidores estão dispostos a pagar por tal quantidade, insira o valor de F** na equação do custo privado marginal e resolva para C: C = -0,357 + (0,0573)(13,45), ou C = $0,41. Observe que o custo social marginal de produzir 13,45 unidades é UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 147 CSMg = -5,645 +(0,6509)(13,45) = $3,11. Com o aumento na demanda, o custo social é dado pela área de um triângulo com base de 4,1 milhões de libras (13,45 – 9,35) e altura de $2,70 ($3,11 – 0,41), que é $5.535.000 maior do que o custo social associado à demanda original. 9. Georges Bank é uma área de pesca altamente produtiva, situada na costa da Nova Inglaterra, que pode ser dividida em duas zonas em termos de sua população de peixes. A Zona 1 tem uma população maior por milha quadrada, mas está sujeita a rendimentos acentuadamente decrescentes em relação ao esforço de pesca. A quantidade pescada diariamente (em toneladas) na Zona 1 é de F1 = 200(X1) - 2(X1) 2 onde X1 é o número de barcos pesqueiros em atividade na Zona 1. Na Zona 2 há menos peixes por milha quadrada mas ela é maior e os rendimentos decrescentes não são problema. A quantidade pescada diariamente na Zona 2 é F2 = 100(X2 ) - (X2 ) 2 onde X2 é o número de barcos pesqueiros em atividade na Zona 2. A quantidade marginal pescada QMgF em cada zona é expressa pelas equações QMgF 1 = 200 - 4(X1) QMgF 2 = 100 - 2(X2). Atualmente há 100 barcos autorizados pelo governo dos EUA a pescar nessas duas zonas. Os peixes são vendidos a $100 por tonelada. O custo total (capital e operação) por barco é constante e igual a $1.000 por dia. Responda às seguintes perguntas relacionadas a essa situação: a. Se os barcos fossem autorizados a pescar onde quisessem, não havendo qualquer restrição do governo, quantas embarcações estariam pescando em cada uma das zonas? Qual seria o valor bruto da pesca? Na ausência de restrições, os barcos se dividirão naturalmente entre as duas zonas de modo a igualar a quantidade média pescada (QMeF1 e QMeF2) por cada embarcação em cada zona. (Caso a quantidade média UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 148 pescada seja maior em uma das zonas, alguns barcos se deslocarão da zona com menor quantidade pescada para a outra zona, até que as quantidades médias pescadas nas duas zonas sejam iguais.) Devemos resolver o seguinte sistema de equações: QMeF1 = QMeF2 e X1 + X2 = 100 onde QMeF1 200X1 2X12 200 2X1 e X1 QMeF2 100X2 X22 100 X2 X2 Logo, QMeF1 = QMeF2 implica 200 - 2X1 = 100 - X2, 200 - 2(100 - X2) = 100 - X2, ou X2 e 0 . A quantidade total pescada pode ser obtida inserindo-se os valores de X1 e X2 nas equações de pesca: F1 (200) 200 (2) 200 2 13.333 8.889 4.444, e 3 3 F2 (100) 100 100 2 3.333 1.111 2.222 3 3 A quantidade total pescada é F1 + F2 = 6.666. Ao preço de 1 100 20 X 100 3 3 UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 149 $100 por tonelada, o valor da pesca é $666.600. A quantidade média pescada por cada um dos 100 barcos é 66,66 toneladas. O lucro por barco é dado pela diferença entre o custo total e a receita total: = (100)(66,66) – 1.000, ou O lucro total da frota é $566.600. $5.666. b. Se o governo dos EUA estivesse disposto a restringir o númerode barcos, qual o número de embarcações que deveria ser alocado para cada zona? Qual passaria a ser o valor bruto da pesca? Suponha que o número total de barcos permaneça igual a 100. Suponha que o governo deseje maximizar o valor social líquido da pesca, isto é, a diferença entre o benefício social total e o custo social total. Para tanto, o governo deve igualar a quantidade marginal pescada nas duas zonas, sujeito à restrição de que o número de barcos é 100: QMgF1 = QMgF2 e X1 + X2 = 100, QMgF1 = 200 - 4X1 e QMgF2 = 100 - 2X2. Igualando QMgF1 = QMgF2 implica: 200 - 4X1 = 100 - 2X2, ou 200 - 4(100 - X2) = 100 - 2X2, ou X2 = 50 e X1 = 100 - 50 = 50. A quantidade total pescada pode ser obtida inserindo-se os valores de X1 e X2 nas equações de pesca: F1 = (200)(50) - (2)(502) = 10.000 – 5.000 = 5.000 e F2 = (100)(50) - 502 = 5.000 – 2.500 = 2.500. A quantidade total pescada é F1 + F2 = 7.500. Ao preço de mercado de $100 por tonelada, o valor da pesca é = UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 150 $750.000. O lucro total é $650.000. Observe que os UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 151 1 2 2 2 2 . lucros não se distribuem igualmente entre os barcos nas duas zonas. A quantidade média pescada na Zona 1 é 100 toneladas por barco, enquanto que a quantidade média pescada na Zona B é 50 toneladas por barco. Logo, a pesca na Zona 1 resulta em lucros mais elevados para os proprietários individuais dos barcos. c. Caso outros pescadores estejam dispostos a adquirir barcos e aumentar a frota pesqueira atual, será que um governo que estivesse interessado em maximizar o valor líquido da pesca obtida estaria disposto a conceder autorizações para eles? Por que? Em primeiro lugar, devemos calcular o número de barcos em cada zona que maximiza o lucro. O lucro na Zona 1 é A (100)(200X1 2X1 2) 1.000X, ou A 19.000X1 200X 2 . Para determinar a variação no lucro associada a uma mudança em X1, é necessário derivar a função de lucro com relação a X1: d A 19.000 400X1 . dX1 Para determinar o nível de produção que maximiza o lucro, iguale d A a zero e resolva para X1: dX1 19.000 - 400X1 = 0, ou X1 = 47,5. Inserindo X1 na equação de lucro da Zona 1: A (100)((200)(47,5) (2)(47,52)) (1.000)(47,5) $451.250. Para a Zona 2 devemos adotar procedimento análogo. O lucro na Zona 2 é B (100)(100X2 X 2) 1.000X , ou B 9.000X 100X 2 Derivando a função de lucro com relação a X2, obtemos UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 152 d B 9.000 2.000X2 . dX2 Igualando d B a zero e resolvendo para o nível de dX2 produção que maximiza o lucro, obtemos: 9.000 - 200X2 = 0, ou X2 = 45. Inserindo X2 na equação de lucro da Zona 2: B = (100)((100)(45) - 452 ) - (1.000)(45) = $202.500. O lucro total obtido em ambas as zonas é $653.750, com 47,5 barcos na Zona 1 e 45 barcos na Zona 2. Dado que um número de barcos maior do que 92,5 reduz o lucro total, o governo não deveria conceder novas licenças. Exercícios de AVALIAÇÃO 1. Diversas empresas se instalaram na região oeste de uma cidade, depois que a parte leste se tornou predominantemente utilizada por residências familiares. Cada uma das empresas fabrica o mesmo produto e seus processos produtivos causam emissões de fumaças poluentes que afetam de forma adversa as pessoas que residem na comunidade a. Por que há uma externalidade criada pelas empresas? b. Você crê que negociações entre as partes possam resolver o problema? Explique. c. De que forma a comunidade pode determinar um nível eficiente para a qualidade do ar? 2. Um programador de computação faz lobby contra a legislação de direitos autorais para softwares. Seu argumento é de que todas as pessoas deveriam se beneficiar dos programas inovadores, escritos para computadores pessoais, e que a exposição a uma ampla variedade de programas poderia inspirar jovens programadores a criarem softwares ainda mais inovadores. Considerando os benefícios sociais marginais que poderiam ser obtidos por esta proposta, você concordaria com a posição desse profissional? UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 153 3. Suponha que estudos científicos mostrem, a você, as seguintes informações sobre os benefícios e custos das emissões de dióxido de enxofre: Benefícios de reduzir as emissões: BMg=400-10A Custos de reduzir as emissões: CMg=100+20A onde A é a quantidade reduzida em milhões de toneladas, e os benefícios e custos são dados em dólares por tonelada. a. Qual é o nível de redução de emissões socialmente eficiente? b. Quais são os benefícios marginais e os custos marginais de redução das emissões no nível socialmente eficiente? c. O que aconteceria com os benefícios sociais líquidos (benefícios menos custos) se você reduzisse 1 milhão de toneladas a mais do que o nível de eficiência? E 1 milhão a menos? d. Por que é eficiente em termos sociais igualar os benefícios marginais aos custos marginais em vez de reduzir as emissões até os benefícios totais se igualarem aos custos totais? 4. Quatro empresas situadas em diferentes locais ao longo de um determinado rio despejam diversas quantidades de efluentes dentro dele. Esses efluentes prejudicam a qualidade da natação para moradores que habitam rio abaixo. Estas pessoas podem construir piscinas para evitar ter de nadar no rio, mas, por outro lado, as empresas podem instalar filtros capazes de eliminar produtos químicos prejudiciais existentes nos efluentes despejados no rio. Na qualidade de consultor de uma organização de planejamento regional, de que forma você faria uma comparação e diferenciação entre as seguintes opções, para tratar do assunto relativo aos efeitos prejudiciais dos efluentes despejados no rio: a. Imposição de um imposto sobre efluentes para as empresas que estejam localizadas às margens do rio. b. Imposição de quotas iguais para todas as empresas, determinando o nível de efluentes que cada uma delas pode despejar no rio. c. Implementação de um sistema de permissões transferíveis de despejo de efluentes no rio, segundo o qual a quantidade UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 154 agregada de poluentes é fixa e todas as empresas receberiam idênticas permissões. 5. Pesquisas médicas têm mostrado os efeitos negativos que o cigarro causa aos fumantes passivos. Recentes tendências sociais indicam que há uma crescente intolerância em relação a fumar em locais públicos. Se você fosse um fumante e desejasse continuar com seu hábito a despeito das leis cada vez mais difundidas contra o fumo, descreva o efeito que as seguintes propostas de leis teriam sobre seu comportamento pessoal. Em conseqüência desses programas, será que você, na qualidade de fumante individual, estaria sendo beneficiado? A sociedade como um todo estaria sendo beneficiada? a. Um projeto de lei propõe a diminuição do conteúdo de alcatrão e de nicotina em todos os cigarros. b. Um projeto de lei propõe que seja cobrado um imposto sobre todos os maços de cigarros vendidos. c. Um projeto de lei propõe que seja exigido que todos os fumantes sempre tenham consigo uma autorização, emitida pelo governo, para poder fumar. 6. Um apicultor mora nas proximidades de uma plantação de maças. O dono da plantação se beneficia da presença das abelhas, pois cada colméia possibilita a polinização de um acre de plantação de maças. Entretanto, ele nada paga ao proprietário do apiário pelo serviço prestado pelas abelhas, que se dirigem à sua plantação sem que precise fazem alguma coisa. Não há abelhas suficientespara polinizar toda a plantação de maças, de tal modo que o dono da plantação tem que completar o processo artificialmente, ao custo de $10 por acre. A atividade do apiário tem um custo marginal de CMg = 10 + 2Q, onde Q é o número de colméias. Cada colméia produz $20 de mel. a. Quantas colméias o apicultor estará disposto a manter? b. Esse seria o número economicamente eficiente de colméias? c. Quais as modificações que poderiam resultar em maior eficiência da operação? UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 155 Referências Bibliograficas 1. Robert H. Frank e Bem Bernanke (2003) “Princípios de Economia” McGraw-Hill. Lisboa. 2. N. Gregory Mankiw (2001) “Introdução à Economia” Rio de Janeiro: Editora Campus Ltda. 3. João César das Neves (2001) “Introdução à Economia” 6ª Edição. Lisboa – São Paulo: Editorial Verbo. 4. José Paschoal Rossetti (2003) “Introdução à Economia” 20ª Edição. São Paulo: Editora Atlas S.A. 5. Paulo A. Samuelson e William D. Nordhaus (2005) “Principios de Economia” 18ª Edição. Lisboa: McGraw-Hill. 6. Robert S. Pindyck, Daniel L. Rubinfield (2010) “Microeconómia” 7ª Edição, São-Paulo, Editorial Verbos. 7. David Henriques, Teresa Vasconcelos (2011) “Introdução à economia – livro de exercícios”, Lisboa: Editora escolar. 8. Robert H. Frank (2013) “Micronomia e Comportamento”, Porto Alegre: Campus Editora. 9. Hal R. Varien (2006) “Microeconomia e princípios básicos – uma abordagem moderna”, 7ª edição. Rio de Janeiro Editora atlas. 10. Kearl, Pope, Whiting, e Wimmer (May 1979) “A Confusion of Economists,” American Economic Review. 11. CARVALHO L. C. P. Microeconomia introdutória: para cursos de Administração e Contabilidade. São Paulo: Atlas, 2002. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 156 12. DUBOIS, B. Compreender o consumidor. Lisboa: Dom Quixote, 1998. 13. SALVATORE, D. Microeconomia. São Paulo: McGraw-Hill, 1981. 14. Barre, R., 1981, Economie politique, Paris, Puf. 15. Chevalier, J. –M., Introduction a Lanalyse economique 16. Bilas, R., Teoria microeconomica 17. Samuelson, P., Economia, Lisboa, Fundacao Calouste Gulben. Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO 1. Os trabalhadores cujas rendas são inferiores a $10.000 atualmente estão isentos do pagamento de imposto de renda para o governo federal. Suponha que um novo programa governamental passe a garantir a cada trabalhador a quantia de $5.000, esteja tal trabalhador recebendo ou não alguma renda. Para toda a renda auferida até $10.000, o trabalhador passará a pagar um imposto de renda de 50% ao governo. Desenhe a linha do orçamento com que se defronta o trabalhador sob esse novo programa governamental. De que forma o programa tende a influenciar a curva de oferta da mão-de-obra dos trabalhadores? A linha do orçamento para trabalhadores sob este programa é uma linha reta ao nível de $5.000. Observa- se esta linha na figura e na tabela abaixo. Os trabalhadores ganharão $5.000 se trabalharem ou não. Se os trabalhadores trabalharem apenas para receber salário, isto é, caso não haja outros benefícios tais como “sair de casa” ou “ganhar experiência,” não há incentivo ao trabalho sob esse novo programa. Apenas remunerações gerando rendas superiores a $10.000 resultarão em oferta positiva de mão-de-obra. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 157 Renda $10.000 $5.000 Milhares de horas por ano Figura 14.1 Renda Renda Subsídio do Renda líquida de impostos governo total 0 0 5.000 $5.000 $1.000 500 4.500 5.000 2.000 1.000 4.000 5.000 3.000 1.500 3.500 5.000 4.000 2.000 3.000 5.000 5.000 2.500 2.500 5.000 6.000 3.000 2.000 5.000 7.000 3.500 1.500 5.000 8.000 4.000 1.000 5.000 9.000 4.500 500 5.000 10.000 5.000 0 5.000 2. Utilizando seus conhecimentos de receita do produto marginal, explique o seguinte: a. Um famoso jogador de tênis recebe $100.000 para participar de um comercial de TV de 30 segundos. O ator que faz o papel de seu parceiro em uma partida de duplas recebe apenas $500. A receita do produto marginal da mão-de-obra, RMgPL, é igual à receita marginal de uma unidade incremental de produção multiplicada pelo produto marginal de uma unidade incremental de mão-de-obra. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 158 No item 2a, o anunciante está disposto a aumentar suas despesas em publicidade até que um dólar extra investido em propaganda mais o custo extra de produção sejam iguais à receita extra proveniente do aumento das vendas. O famoso jogador de tênis é mais capaz de ajudar a aumentar a receita do que o ator. No equilíbrio, o jogador famoso ajuda a gerar $100.000 em receita. A remuneração do ator é determinada pela oferta e demanda de atores dispostos a jogar tênis com jogadores famosos. b. O presidente de uma empresa do setor de crédito e poupança em dificuldades financeiras recebe salários para não comparecer ao trabalho durante os últimos dois anos de seu contrato. A receita do produto marginal do presidente da empresa em dificuldades financeiras é negativa; portanto, a empresa estará em melhor situação se pagar para o presidente não comparecer. c. Uma aeronave jumbo com capacidade para 400 passageiros tem um preço mais alto do que outro modelo com capacidade para 250 passageiros, embora ambas tenham igual custo de fabricação. A capacidade da maior aeronave de gerar mais receita aumenta seu valor para a companhia aérea e, portanto, a companhia está disposta a pagar mais por ela. 3. As demandas por fatores de produção relacionados a seguir têm apresentado elevação. O que você poderá concluir a respeito das variações das demanda de bens de consumo correlatos? Se elas permanecerem inalteradas, que outras explicações poderia haver para um aumento das demandas derivadas desses itens? a. Chips de memória de computador Em geral, um aumento na demanda de um produto aumenta a demanda pelos insumos usados na sua produção. O contrário não é necessariamente verdadeiro; isto é, um aumento na demanda dos insumos não necessariamente implica um aumento na demanda do produto final. A demanda de um insumo UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 159 pode crescer devido a uma mudança na utilização de outros insumos no processo de produção. À medida que o preço de um insumo aumenta, sua demanda cai e a demanda por insumos substitutos aumenta. Neste caso, o aumento na demanda por computadores pessoais elevará a demanda de chips de memória. Não há substitutos para chips de memória de computador. b. Combustível de jatos para aeronaves de passageiros Com um aumento na demanda de viagens de avião, a demanda de combustível para aeronaves aumentará. Não há substitutos para combustível de aeronaves. c. Papel utilizado para impressão de jornais Se a circulação de jornais aumentar, a demanda por papel para impressão de jornais aumentará. d. Alumínio utilizado em latas de bebida Com um aumento na demanda de bebidas geladas, no verão, a demanda sazonal do alumínio aumenta. Se o vidro ou o plástico tiverem se tornado mais caros, então, isso poderá afetar a demanda de alumínio. Mudanças no mercado de alumínio reciclado podem afetar a demanda de alumínio novo. 4. Suponha que haja dois grupos de trabalhadores, os sindicalizados e os não-sindicalizados. O Congresso aprova uma lei exigindo que todos os trabalhadores se sindicalizem. O que você esperaria que ocorresse com os níveis de remuneração dos antigos trabalhadores nãosindicalizados, bem como dos trabalhadores que já eramoriginalmente sindicalizados? O que você estaria presumindo a respeito do comportamento do sindicato? Em geral, nós esperamos que os trabalhadores nãosindicalizados estejam ganhando menos do que os sindicalizados. Se todos os trabalhadores fossem forçados a se sindicalizar, seria razoável esperar que os nãosindicalizados passassem a receber salários maiores do que antes, enquanto que, para os sindicalizados, os salários poderiam aumentar ou diminuir. Há alguns itens a serem considerados. Em primeiro lugar, sob a nova lei, o sindicato possuiria maior poder de monopólio, dado UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 160 que deixaria de existir a competição por parte dos trabalhadores não-sindicalizados. Isso dá mais poder ao sindicato, o que significa que, em geral, salários mais altos poderão ser negociados. Entretanto, o sindicato passaria a ter mais membros com demandas a serem satisfeitas. Se os salários fossem mantidos em nível elevado, haveria menos emprego e, conseqüentemente, alguns trabalhadores previamente não-sindicalizados poderiam ficar desempregados. O sindicato pode desejar negociar uma parte do salário em troca da garantia de mais empregos. A renda média de todos os trabalhadores aumentará se a demanda de mão-de-obra for inelástica e cairá se a demanda de mão-de-obra for elástica. 5. Suponha que a função de produção de uma empresa seja expressa por Q = 12L - L2, em que L varia de 0 a 6, onde L é o insumo mão-deobra por dia e Q é a produção diária. Derive e desenhe a curva de demanda da mão-de-obra da empresa se o produto for vendido por $10 em um mercado competitivo. Quantos trabalhadores serão contratados pela empresa quando a remuneração for de $30 por dia? E quando for de $60 por dia? (Dica: o produto marginal da mão-de-obra é 12 - 2L.) A demanda de mão-de-obra é indicada pela receita do produto marginal da mão-de-obra, dada pela multiplicação da receita marginal pelo produto marginal do trabalho: RMgPL = (RMg)(PMgL). Em um mercado competitivo, o preço é igual à receita marginal; portanto, RMg = 10. Temos que PMgL = 12 - 2L (a inclinação da função de produção). UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 161 Salário 120 100 80 60 40 20 1.5 3.0 4.5 6.0 Mão de obr Figura 14.5 Portanto, RMgPL = (10)(12 - 2L). A quantidade de mão- deobra capaz de maximizar os lucros da empresa ocorre no ponto em que RMgPL = w. Se w = 30, então, no ponto de ótimo, 30 = 120 - 20L. Resolvendo para L obtemos 4,5 horas por dia. Similarmente, se w = 60, resolvendo para L obtemos 3 horas por dia. 6. O único empregador legal de militares nos EUA é o governo federal. Se o governo utilizar sua posição privilegiada monopsonística, quais critérios utilizará quando estiver determinando o número de soldados que serão recrutados? O que ocorreria se fosse implementado um sistema de recrutamento obrigatório pelo governo? Atuando como um monopsonista na contratação de soldados, o governo federal contrataria soldados até que o valor marginal do último soldado fosse igual à sua remuneração. Há duas implicações do poder de monopsônio do governo: menos soldados são contratados e eles recebem remuneração menor do que seu produto marginal. Quando um sistema de recrutamento obrigatório é implementado, um número ainda menor de soldados é contratado. A remuneração dos soldados voluntários cai, devido ao fato de a remuneração dos soldados contratados por recrutamento obrigatório ser bastante baixa. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 162 7. A demanda por mão-de-obra em um setor industrial é obtida por meio da curva L = 1200 - 10w, onde L é a quantidade de mão-de- obra demandada por dia e w é a remuneração. A curva de oferta é obtida por meio de L = 20w. Qual será a remuneração de equilíbrio e a quantidade de mão-de-obra contratada? Qual será a renda econômica auferida pelos trabalhadores? A remuneração de equilíbrio é determinada no ponto onde a quantidade de mão-de-obra ofertada é igual à quantidade de mão-de-obra demandada: 20w = 1.200 - 10w, ou w = $40. Inserindo esse valor na equação de oferta de mão- deobra ou na equação de demanda de mão-de-obra, obtemos que a quantidade de mão-de-obra de equilíbrio é 800: LS = (20)(40) = 800, e LD = 1.200 - (10)(40) = 800. A renda econômica é o somatório da diferença entre a remuneração de equilíbrio e a remuneração dada pela curva de oferta de mão-de-obra. Aqui, ela está representada pela área acima da curva de oferta de mãode-obra até L = 800 e abaixo da remuneração de equilíbrio. A área desse triângulo é (0,5)(800)($40) = $16.000. Salário 120 100 90 80 70 60 50 40 30 Renda econômica 20 10 LS = 20w w = $40 LD = 1.200 - 10w Mão de obra UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 163 200 400 600 800 1.000 Figura 14.7 8. Este exercício é uma continuação do exercício 7. Suponha, agora, que a única mão-de-obra disponível seja controlada por um sindicato trabalhista monopolístico, disposto a maximizar a renda auferida pelos membros do sindicato. Qual será a quantidade de mão- de-obra contratada e qual sua remuneração? De que forma você poderia comparar esta resposta com a do exercício 7? Comente. (Dica: a curva da receita marginal do sindicato é obtida por meio da equação L = 600 - 5w.) Lembre que o monopolista escolhe seu nível de produção igualando a receita marginal ao custo marginal de ofertar uma unidade a mais de produção, ao contrário da empresa competitiva, que escolhe seu nível de produção igualando o preço ao custo marginal, ou, em outras palavras, produzindo onde a oferta intercepta a demanda. O sindicato trabalhista monopolístico age da mesma forma. Para maximizar a renda, nesse caso, o sindicato escolherá o número de trabalhadores contratados de modo que a receita marginal do sindicato (as remunerações adicionais ganhas) seja igual ao custo extra de induzir o trabalhador a trabalhar. Isso envolve escolher a quantidade de mão-de-obra no ponto onde a curva da receita marginal cruza a curva de oferta da mão- de-obra. Observe que a curva da receita marginal possui o dobro da inclinação da curva de demanda da mão-de- obra. A receita marginal é menor do que a remuneração porque quando mais trabalhadores são contratados, todos os trabalhadores recebem uma remuneração mais baixa. Igualando a curva de receita marginal à curva de oferta de mão-de-obra, obtemos: 600 - 5w = 20w, ou w* = 24. Podemos determinar o número de trabalhadores que estão dispostos a trabalhar, inserindo w* na equação de oferta da mão-de-obra: L* = (20)(24) = 480. UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 164 Portanto, se o sindicato quiser maximizar a renda que os membros do sindicato ganham, deve limitar o número de empregados em 480. Para determinar a remuneração que os membros irão receber, insira L* na equação de demanda da mão- deobra: 480 = 1.200 - 10w, ou w = 72. A renda total que os membros empregados do sindicato receberão é igual a: Renda = (72 - 24)(480) + (0,5)(24)(480) = $28.800. Isso é ilustrado na Figura 14.8. Salário 120 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 LS = 20w LD = 1.200 - 10w Mão de obra 200 400 600 800 1.000 Figura 14.8 Observe que a remuneração é maior e o número de trabalhadores empregados é menor do que no Exercício (7). Exercícios de AVALIAÇÃO 1. Os trabalhadores cujas rendas são inferiores a $10.000 atualmente estão isentos do pagamento de imposto de rendapara o governo federal. Suponha que um novo programa Rentda econômica UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 165 governamental passe a garantir a cada trabalhador a quantia de $5.000, esteja tal trabalhador recebendo ou não alguma renda. Para toda a renda auferida até $10.000, o trabalhador passará a pagar um imposto de renda de 50% ao governo. Desenhe a linha do orçamento com que se defronta o trabalhador sob esse novo programa governamental. De que forma o programa tende a influenciar a curva de oferta da mão-de-obra dos trabalhadores? 2. Utilizando seus conhecimentos de receita do produto marginal, explique o seguinte: a. Um famoso jogador de tênis recebe $100.000 para participar de um comercial de TV de 30 segundos. O ator que faz o papel de seu parceiro em uma partida de duplas recebe apenas $500. b. O presidente de uma empresa do setor de crédito e poupança em dificuldades financeiras recebe salários para não comparecer ao trabalho durante os últimos dois anos de seu contrato. c. Uma aeronave jumbo com capacidade para 400 passageiros tem um preço mais alto do que outro modelo com capacidade para 250 passageiros, embora ambas tenham igual custo de fabricação. 3. As demandas por fatores de produção relacionados a seguir têm apresentado elevação. O que você poderá concluir a respeito das variações das demanda de bens de consumo correlatos? Se elas permanecerem inalteradas, que outras explicações poderia haver para um aumento das demandas derivadas desses itens? a. Chips de memória de computador b. Combustível de jatos para aeronaves de passageiros c. Papel utilizado para impressão de jornais d. Alumínio utilizado em latas de bebida 4. Suponha que haja dois grupos de trabalhadores, os sindicalizados e os não-sindicalizados. O Congresso aprova uma lei exigindo que todos os trabalhadores se sindicalizem. O que você esperaria que ocorresse com os níveis de remuneração dos antigos trabalhadores nãosindicalizados, bem como dos trabalhadores que já eram originalmente sindicalizados? O que você estaria presumindo a respeito do comportamento do sindicato? UnISCED CURSO: CONTABILIDADE E AUDITORIA; 20 Ano Disciplina/Módulo:Microeconomia 166 5. Suponha que a função de produção de uma empresa seja expressa por Q = 12L - L2, em que L varia de 0 a 6, onde L é o insumo mão-deobra por dia e Q é a produção diária. Derive e desenhe a curva de demanda da mão-de-obra da empresa se o produto for vendido por $10 em um mercado competitivo. Quantos trabalhadores serão contratados pela empresa quando a remuneração for de $30 por dia? E quando for de $60 por dia? (Dica: o produto marginal da mão-de- obra é 12 - 2L.)