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Doenças Infectocontagios Kamila Tessarolo Velame Shirley Pereira de Almeida Kamila Tessarolo Velame Shirley Pereira de Almeida Belo Horizonte Fevereiro de 2017 DOENÇAS INFECTOCONTAGIOS COPYRIGHT © 2017 GRUPO ĂNIMA EDUCAÇÃO Todos os direitos reservados ao: Grupo Ănima Educação Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610/98. Nenhuma parte deste livro, sem prévia autorização por escrito da detentora dos direitos, poderá ser reproduzida ou transmitida, sejam quais forem os meios empregados: eletrônicos, mecânicos, fotográficos, gravações ou quaisquer outros. Edição DTCOM Comunicação e Educação Diretor Rogério Salles Loureiro Gerentes de Operações Denise Elisabeth Himpel Gislene Garcia Nora de Oliveira Coordenadora de Produção Carolina Alcântara de Araújo Lopes Parecerista Renata Lacerda Prata Rocha Ilustração e Capa DTCOM Comunicação e Educação Equipe EaD Conheça a Autora Kamila Tessarolo Velame possui graduação em Enfermagem pela Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória – EMESCAM (2011), Mestrado em Doenças Infecciosas pela Universidade Federal do Espírito Santo – UFES (2017), Especialização em Gestão em Enfermagem pela Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP (2014), Especialização em Docência no Ensino Superior pela Faculdade Lusocapixaba (2016), Especialização em Metodologia do Ensino em Ciências Biológicas. Atuou no Núcleo de Prevenção à Violência – NUPREVI da Secretaria Municipal de Vitória – ES auxiliando na investigação dos casos de violência e implementação do plano piloto da ficha de notificação compulsória de Violência Doméstica, Sexual e/ou outras Violências interpessoais. Atuou como professora de Biologia no pré-vestibular social Atitude no ano de 2016. Tem experiência na área de Doenças infecciosas, principalmente com relação às Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST/ AIDS), adesão ao tratamento antirretroviral e terapia tríplice de alta eficácia. Conheça a Autora Shirley Pereira de Almeida possui graduação em Enfermagem e Obstetrícia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais - PUCMG (1985), Graduação em Odontologia pela PUCMG (1989), Mestrado em Enfermagem pela Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (2006), Especialização em Homeopatia na Odontologia pelo Instituto Homeopático François Lamasson-Ribeirão Preto/SP, Especialização em Saúde da Família pela EEUFMG/NESCON/SMSA-PBH (Escola de Enfermagem/Núcleo Estudos Saúde Coletiva Faculdade Medicina da Univ. Federal Minas Gerais). Exerceu a função de Enfermeira em PSF na Prefeitura Municipal de Belo Horizonte no período de 2000 a 2006, referência técnica na Gerência de Atenção à Saúde (GERASA) no Distrito Sanitário Centro-sul da Prefeitura de Belo Horizonte 2007-2008, enfermeira de apoio às equipes de SF - PBH na APS durante o período de 2009 a 2011. Atuou como coordenadora e docente no curso de especialização em homeopatia da Escola Mineira de Homeopatia (1998-2006), com experiência docente nas seguintes disciplinas: Homeopatia em Odontologia, Filosofia homeopática, terapêutica homeopática. Desde 2006 exerce a função docente no curso de graduação em enfermagem. Trabalhou como professora assistente no Centro Universitário Izabela Hendrix (2006-2009), no Centro Universitário UNA (2009 – 2011), atualmente na Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais (2009 - atual). Coordenou o Estágio Supervisionado do 7º Período de Enfermagem do Centro Universitário UNA (2010 - 2011). Experiência docente nas áreas de Saúde Coletiva, Atenção Primária à Saúde, Estratégia de Saúde da Família, Promoção e Vigilância a Saúde, Metodologia da Pesquisa. Atualmente, ocupa o cargo de Gerente em Unidade Básica de Saúde no Município de Belo Horizonte e como docente na Faculdade de Ciências Médicas - Curso Enfermagem (disciplinas Enfermagem Saúde Coletiva I e II). NÍVEL DE ENSINO Graduação CARGA HORÁRIA 80h Apresentação da disciplina VÍDEO Olá alunos! Sejam bem-vindos à disciplina de Doenças Infectocontagiosas! A situação de saúde no nosso país tem se modificado ao longo dos anos, com surgimento de outros agravos como as doenças crônicas não transmissíveis, as situações de violência e as doenças crônicas degenerativas. No entanto, as doenças infectocontagiosas e transmissíveis, as DICT, ainda representam um importante problema de saúde pública. No contexto histórico das DICT, observamos que algumas dessas doenças, que antes estavam sob controle, sem ocorrência de casos como a Dengue, reapareceram. Também temos outras doenças seculares que ainda persistem no Brasil e no mundo, como a tuberculose e a hanseníase. Outras, emergem no cenário brasileiro, como a AIDS, a Zika e o Chikungunya. Alguns fatores que têm contribuído para a ocorrência das DICT estão sendo destacados, tais como as transformações sociais que ocorreram no nosso país, o processo de urbanização sem controle, e de forma acelerada, as alterações ambientais, os desmatamentos, o processo de imigração e a facilidade de trânsito de pessoas entre os diversos países. Nesse contexto, vamos estudar as doenças e agravos infectocontagiosos e transmissíveis de maior prevalência no cenário epidemiológico nacional, nas perspectivas tanto biológica quanto social. A proposta dessa disciplina é que você seja capaz de caracterizar o que é doença infectocontagiosa, bem como os principais agravos considerados como infectocontagiosos. Além disso, a proposta é que você relacione a terminologia utilizada no contexto das DICT e caracterize o modelo da História Natural das Doenças como https://player.vimeo.com/video/194081694 ferramenta para compreensão da ocorrência dessas doenças. Para isso, vamos discutir sobre o cenário nacional das DICT, considerando a ocorrência de novos agravos e o ressurgimento de alguns agravos, na atualidade. Destacamos, ainda, a importância de compreender o papel do enfermeiro no processo da assistência de enfermagem em DICT, desenvolvendo ações de prevenção e controle, bem como manejando o Sistema de Notificação Compulsória de Doenças. Considerando o cenário nacional, algumas reflexões se fazem necessárias: Quais fatores que tem contribuído para o ressurgimento e ocorrência desses agravos podemos destacar? Em que medida o papel que desempenhamos nos serviços de saúde contribuem, ou tem contribuído, para o controle das DICT? Que desafios devem ser superados? Assim, durante o percurso dessa disciplina, tente refletir sobre essas questões nos diversos momentos de estudo. Essa disciplina conta com oito unidades. E, agora, vamos conhecer o assunto abordado em cada uma delas: Na unidade 1, vamos falar dos fundamentos das doenças infectocontagiosas. Na unidade 2, abordaremos o cenário nacional das doenças infectocontagiosas e a importância da vigilância em saúde. Já na unidade 3, vamos entender melhor as doenças infectocontagiosas víricas e imunopreveníveis e, depois, na unidade 4, as doenças infectocontagiosas bacterianas e imunopreveníveis. Na unidade 5, vamos falar das Infecções Sexualmente Transmissíveis – IST, seguidas das Doenças infectocontagiosas emergentes no cenário nacional atual na unidade 6. Nas unidades finais, vamos abordar as Doenças infectocontagiosas provocadas por protozoários, na unidade 7 e as Doenças infectocontagiosas provocadas por micobactérias, na unidade 8. Pretendemos que, ao final dessa disciplina, você seja capaz de discutir sobre o cenário das DICT, no Brasil, considerando a complexidade desse fenômeno e sua relação com a situação social e econômica do país. Por fim, pretendemos que você compreenda a importância do papel do enfermeiro nesse cenário. Temos uma grande jornada pela frente nessa disciplina. Desejo a vocês que aproveitem bastante, utilizem todos os recursos de aprendizagem para fixaro conteúdo, desenvolvendo as questões de fixação, assistindo as videoaulas, e participando do fórum. Lembre- se que estes recursos irão te auxiliar na compreensão do conteúdo. Agradeço a atenção de vocês e bons estudos! UNIDADE 1............................................................................................. 003 Fundamentos das Doenças Infectocontagiosas .................................................004 Conceitos e terminologia relacionados às doenças infectocontagiosas ......005 A História Natural da Doença e os fatores determinantes - o modelo BEINGS ...........................................................023 O papel do enfermeiro no contexto das doenças infectocontagiosas ............033 UNIDADE 2............................................................................................. 053 Cenário Nacional das Doenças Infectocontagiosas e a Importância da Vigilância em Saúde...................................................................................................054 Cenário Nacional das doenças infectocontagiosas ...........................................055 Doenças emergentes e reemergentes no cenário nacional .............................062 Papel do Ministério da Saúde (MS), das Secretarias Estaduais da Saúde (SES) e das Secretarias Municipais da Saúde (SMS) no controle das doenças infectocontagiosas ...................................................................................070 Legislação relacionada ao controle das doenças infectocontagiosas............075 A Vigilância em saúde das doenças infectocontagiosas ..................................082 O Sistema de Informação Nacional de Agravos de Notificação Compulsória (SINAN) .........................................................................................................................086 UNIDADE 3............................................................................................. 104 Doenças infectocontagiosas víricas e imunopreveníveis .......................................105 Considerações fisiopatológicas, clínicas, laboratoriais e epidemiológicas das doenças imunopreveníveis: rubéola, caxumba, sarampo, varicela, febre amarela e influenza ....................................................................................................106 Ações de Vigilância epidemiológica e principais medidas de prevenção controle da rubéola, caxumba, sarampo, varicela, febre amarela e influenza 119 Sistematização da Assistência de Enfermagem frente a rubéola, caxumba, sarampo, varicela, febre amarela e influenza .......................................................122 UNIDADE 4............................................................................................. 127 Doenças infectocontagiosas bacterianas e imunopreveníveis .........................128 Considerações fisiopatológicas, clínicas, laboratoriais e epidemiológicas das doenças imunopreveníveis: meningites (HiB, meningocócica, pneumococo), coqueluche e tétano ................................129 Vigilância epidemiológica e principais medidas de controle das meningites, da coqueluche e do tétano .......................................................................................142 Sistematização da Assistência de Enfermagem frente as meningites, a coqueluche e o tétano ............................................................................................144 UNIDADE 5............................................................................................. 151 Infecções sexualmente transmissíveis - IST.........................................................152 Considerações fisiopatológicas, clínicas, laboratoriais e epidemiológicas das infecções sexualmente transmissíveis: sífilis, aids, hepatites, HPV ........153 Vigilância epidemiológica e principais medidas de controle da sífilis, aids, hepatites, HPV ...................................................................................................169 Sistematização da Assistência de Enfermagem frente aos casos de sífilis, aids, hepatites e HPV .................................................................................................172 UNIDADE 7............................................................................................. 204 Doenças infectocontagiosas provocadas por protozoários ..............................205 Considerações fisiopatológicas, clínicas, laboratoriais e epidemiológicas das doenças infectocontagiosas provocadas por protozoários: malária, doença de chagas, leishmaniose visceral e tegumentar ....................206 Vigilância epidemiológica e principais medidas de controle da malária, doença de chagas, leishmaniose visceral e tegumentar ....................................225 Sistematização da Assistência de Enfermagem frente aos agravos: malária, doença de chagas, leishmaniose visceral e tegumentar ....................229 UNIDADE 6............................................................................................. 178 Doenças Infectocontagiosas emergentes no cenário nacional atual ..............179 Considerações fisiopatológicas, clínicas, laboratoriais e epidemiológicas das doenças infectocontagiosas provocadas pelo Aedes aegypti: dengue, zika, CKY .......................................................................................................180 Vigilância epidemiológica e principais medidas de controle da Dengue, Zika e Chikungunya ...................................................................................................195 Sistematização da Assistência de Enfermagem frente aos casos de dengue, zika, CKY ..............................................................................198 UNIDADE 8............................................................................................. 235 Doenças Infectocontagiosas provocadas por micobactérias: tuberculose e hanseníase .........................................................................................236 Considerações fisiopatológicas, clínicas, laboratoriais e epidemiológicas das doenças infectocontagiosas provocadas por micobactérias: tuberculose e hanseníase ........................................................................................237 Vigilância epidemiológica e principais medidas de controle da tuberculose e hanseníase ...............................................................................................................249 Sistematização da Assistência de Enfermagem frente aos agravos tuberculose e hanseníase .........................................................................................253 REFERÊNCIAS ....................................................................................... 263 UNIDADE Fundamentos das Doenças Infectocontagiosas • Conceitos e terminologia relacionados às doenças infectocontagiosas • A História Natural da Doença e os fatores determinantes - o modelo BEINGS • O papel do enfermeiro no contexto das doenças infectocontagiosas • Respostas Questões de Fixação DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 005 Conceitos e terminologia relacionados às doenças infectocontagiosas Vamos começar essa unidade, propondo uma reflexão para conectar a sua vida acadêmica e profissional com o conteúdo dessa disciplina. Todos os dias, nos chegam informações, nos noticiários, nas mídias sociais, na internet, sobre as doenças que acometem a população. Também acessamos informações sobre as enfermidades que afligiam a sociedade no passado, seja por curiosidade, em livros e na internet, seja por amigos e familiares. Com essas informações, a comparação é inevitável e podemos fazer uma reflexão que já nos permite compreender alguns conceitos importantes, relacionando ao contexto social e econômico da época, com as doenças que hoje acometem a população. As doenças que ocorriam em décadas anteriores, e que ainda ocorrem atualmente, são as doenças reemergentes. Tambémhá as doenças consideradas emergentes, que são as que tiveram um crescimento em incidência na população. Também há outros conceitos, que vamos ver mais adiante. Ao refletir sobre essas informações de períodos e contextos distintos, podemos estabelecer pontos divergentes e convergentes que podem explicar como se estabeleceu o atual cenário das doenças infectocontagiosas. Considerando os aspectos clínicos, epidemiológicos, socioeconômicos, e o impacto social dessas doenças para as famílias, sociedade e serviços de saúde. Nesse tópico, vamos entender esses conceitos, tanto para explicar a ocorrência das doenças infectocontagiosas quanto para caracterizar os aspectos clínicos e epidemiológicos, principalmente, no contexto da vigilância dessas doenças. As doenças que ocorriam em décadas anteriores, e que ainda ocorrem atualmente, são as doenças reemergentes. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 006 Então, vamos começar entendendo o que são as doenças infectocontagiosas. São doenças causadas por um agente infeccioso ou por toxinas por ele produzidas, que podem ser transmitidos seja diretamente de uma pessoa ou animal infectado, ou indiretamente por meio de um hospedeiro intermediário, de natureza vegetal ou animal, de um vetor ou do meio ambiente inanimado. Esses agentes infecciosos podem ser vírus, bactérias ou parasitas (BRASIL, 2009). Por serem doenças transmitidas de um indivíduo a outro, ou de um animal a um indivíduo, as doenças infectocontagiosas são também denominadas como Doenças Transmissíveis. No nosso estudo vamos adotar o termo Doenças Infectocontagiosas e Transmissíveis, ou seja, DICT. Agora, vamos partir do conceito dado, para analisar o caso a seguir. Acompanhe! DICT e suas terminologias na prática Vamos acompanhar o caso da Senhora M.C.P.S, 37 anos. Ela compareceu à Unidade de Saúde da Família de São José, em 6 de fevereiro de 2017. Foi atendida pelo enfermeiro no acolhimento, apresentando as seguintes queixas: febre, cefaleia, mialgia, artralgia, náusea, diarreia, vômito, anorexia, dor nas panturrilhas e diminuição do volume urinário. Além disso, o enfermeiro observou que ela apresentava hiperemia de conjuntiva, icterícia, fotofobia e tosse seca. O enfermeiro buscou outras informações para caracterizar melhor o quadro. A paciente relatou que esses sintomas começaram subitamente há quatro dias atrás, quando ocorreu uma enchente no córrego próximo à casa em que morava, e que sua residência foi inundada. Nesse momento, ela tentou salvar os objetos pessoais e do domicílio, entrando em contato com essa água que também se misturou com o esgoto próximo. Ela relatou que nesse local existem muitos ratos, sendo motivo de reclamação junto ao Controle de Zoonoses local. Por serem doenças transmitidas de um indivíduo a outro, ou de um animal a um indivíduo, as doenças infectocontagiosas são também denominadas como Doenças Transmissíveis. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 007 Neste caso, o enfermeiro deverá levantar informações clínicas e epidemiológicas, necessárias para que haja suspeição de caso. Identificar as manifestações clínicas e suas características, além das informações referentes ao ambiente e a exposição. Na situação da Sra. M.C.P.S, além dos sintomas apresentados, ela teve exposição à água de esgoto. Os sintomas, a enchente e contato com agua contaminada levam a suspeitar de leptospirose, pois é definido como caso suspeito aquele indivíduo que apresente febre, cefaleia e mialgia além de estar presente o critério de exposição a enchentes, alagamentos, água de esgoto, bem como um dos critérios clínicos que é a icterícia e a possibilidade de insuficiência renal aguda, considerando o relato do baixo volume urinário. Nesse caso, é possível identificar o provável agente infeccioso, o modo de transmissão, o reservatório, o hospedeiro suscetível, o momento em que ocorreu a infecção e as manifestações clínicas da doença, a partir das informações relatadas pela Sra. M.C.P.S e que tem relação com a história natural da doença em questão, que é a Leptospirose. As informações relevantes ao caso foram os sintomas apresentados, a relação que pode ser feita entre o início dos sintomas, bem como as características dos mesmos, e o evento que favoreceu a ocorrência dos sintomas, a possível causa da doença/infecção, a forma de contágio que foi o contato com águas contaminadas, a condição de susceptibilidade da Sra. M.C.P.S para desenvolver a doença. Nesse estudo de caso é possível destacar alguns termos relacionados à compreensão das doenças infectocontagiosas, sendo eles: caso suspeito, infecção, agente infeccioso, contato, hospedeiro, reservatório, transmissão. Observe que, para a compreensão das DICT é fundamental conhecer as terminologias que fazem parte do cenário dessas doenças. Didaticamente podemos agrupar esses termos, considerando aqueles que caracterizam o agente etiológico/infeccioso; o hospedeiro e aspectos clínicos da doença, bem como aqueles relacionados aos aspectos epidemiológicos. Para a compreensão das DICT é fundamental conhecer as terminologias que fazem parte do cenário dessas doenças. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 008 Terminologias Terminologia referente ao agente etiológico Vamos começar com a definição dos termos relacionados ao agente etiológico. Toda terminologia deve vir de uma fonte amplamente aceita e nós adotamos Brasil (2009) e Maletta (2014), que você pode acompanhar a seguir. • Agente etiológico: é um agente infeccioso específico, responsável por provocar uma determinada doença. • Agente infeccioso: microrganismo capaz de provocar uma infecção ou doença. • Infecção: entrada, desenvolvimento, multiplicação de um agente infeccioso no organismo de uma pessoa ou animal, podendo provocar danos com ou sem aparecimento de sintomas clínicos. Melhor dizendo, a infecção é uma competição vital entre um agente etiológico animado e um hospedeiro, ou seja, é a luta pela sobrevivência entre dois seres vivos. • Infecção Inaparente ou subclínica: entrada e multiplicação de um agente infeccioso, porém os danos que ocorrem não provocam sinais e sintomas ou esses não são perceptíveis. • Infectividade: capacidade do agente etiológico se alojar e multiplicar-se no corpo do hospedeiro. • Patogenicidade: capacidade de um agente biológico causar doença em um hospedeiro suscetível. • Poder imunogênico (imunogenicidade): capacidade do agente biológico estimular a resposta imune no hospedeiro; conforme as características desse agente, a imunidade obtida pode ser de curta ou longa duração e de grau elevado ou baixo. O agente etiológico é um agente infeccioso específico, responsável por provocar uma determinada doença. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 009 • Variabilidade: capacidade que o agente etiológico (infeccioso) tem de se adaptar às condições do hospedeiro e ambiente. • Viabilidade: capacidade que o agente etiológico (infeccioso) tem de sobreviver no meio ambiente ou exterior, ou seja, fora de seu hospedeiro. • Virulência: grau de patogenicidade de um agente infeccioso. Terminologia referente ao hospedeiro Quanto às terminologias que caracterizam os aspectos inerentes ao hospedeiro, alguns aspectos clínicos da doença merecem destaque. Vamos continuar com as definições dadas por Brasil (2009) e Maletta (2014). • Contaminação: ato ou momento em que uma pessoa ou objeto se converte em veículo mecânico de disseminação de determinado agente patogênico. • Contato: pessoa ou animal que teve contato com pessoa ou animal infectado, ou com ambiente contaminado, criando a oportunidade de adquirir o agente etiológico. O contato pode ser direto ou indireto. • Diagnóstico clínico: é o conhecimento e descrição de determinada doença com base nos sinais e sintomas clínicos que a caracterizam. • Doença:em latim dolentia significa “sentir ou causar dor, afligir-se, amargurar-se”. É um termo de difícil conceituação, podem ter várias definições, sendo algumas: “doenças como manifestações patológicas que se apresentam em nosso organismo”, “qualquer alteração em um organismo vivo que traga prejuízos ao seu funcionamento parcial ou total, pode apresentar sinais e sintomas. Algumas variações do termo são: doença oligossintomática (quando há presença de uma infecção, mas devido a imunidade preservada, não Quanto às terminologias que caracterizam os aspectos inerentes ao hospedeiro, alguns aspectos clínicos da doença merecem destaque. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 010 ocorre a doença ou ela se apresenta com poucos ou nenhum sintoma); doença sintomática (aquela doença que apresenta com sintomas); assintomática (aquela doença que não apresentou sintomas). • Doença Exantemática: determinadas doenças que apresentam como sintoma a presença de exantema, devendo ser realizado o diagnóstico diferencial entre as diversas doenças que apresentam esse sintoma e que fazem parte do grupo de doenças exantemáticas. Exemplos: Sarampo, Rubéola, Varicela, Escarlatina, Dengue. Para saber mais sobre exantema, acompanhe o conceito a seguir: Conceito de exantema Representa a vasodilatação microcirculatória que se manifesta como mancha avermelhada na pele, de variado aspecto, tamanho e textura. Apresentando-se sob diversas formas como: maculopapular, papulovesicular, petequial ou purpúrico, nodular, podendo ser puntiformes, difusas ou disseminadas. Podem ocorrer em consequência a doenças agudas provocadas por vírus, protozoários, bactérias, ou mesmo por doenças neoplásicas, autoimunes; ou reação a medicamentos. Tendem a desaparecer sob digitopressão. • Doença Imunoprevenível: são as doenças que podem ser prevenidas a partir da administração de imunobiológicos, principalmente as vacinas. Exemplo: sarampo, que tem como principal medida de prevenção a vacina tríplice viral ou tetraviral (SPA). • Hospedeiro: organismo simples ou complexo, incluindo o homem, capaz de ser infectado por um agente específico. • Hospedeiro definitivo: apresenta o parasita em fase de maturidade ou de atividade sexual. Doença Imunoprevenível: são as doenças que podem ser prevenidas a partir da administração de imunobiológicos, principalmente as vacinas. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 011 • Hospedeiro intermediário: apresenta o parasita em fase larvária ou assexuada. • Hospedeiro suscetível: qualquer pessoa ou animal que supostamente não possui resistência suficiente contra um determinado agente patogênico, que o proteja da enfermidade, caso venha a entrar em contato com o agente. • Imunidade: resistência, usualmente associada à presença de anticorpos que têm o efeito de inibir microrganismos específicos ou suas toxinas, responsáveis por doenças infecciosas particulares. Didaticamente, tem-se que a imunidade pode ser humoral (produção linfócitos B) e celular (produção Linfócitos T). Pode-se classificar ainda como ativa (pós-infecção ou vacina) e passiva (congênita e artificial por imunoglobulinas e soro). • Período de incubação: intervalo entre a exposição efetiva do hospedeiro suscetível a um agente biológico e o início dos sinais e sintomas clínicos da doença no mesmo. • Período de latência: intervalo entre a exposição a agentes patológicos e início dos sinais e sintomas da doença. • Período prodrômico: lapso de tempo entre os primeiros sintomas da doença e o início dos sinais ou sintomas, que baseia o estabelecimento do diagnóstico. • Período de transmissibilidade: intervalo de tempo durante o qual uma pessoa ou animal infectado elimina um agente biológico para o meio ambiente ou para o organismo de um vetor hematófago, sendo possível, portanto, a sua transmissão a outro hospedeiro. • Portador: pessoa ou animal que apresenta, ou não, sintomas clinicamente reconhecíveis de determinada doença transmissível, ao ser examinado. Embora não apresente sintomas, pode estar albergando o agente etiológico respectivo. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 012 Para entender melhor esse termo, confira o conceito de Iceberg no recurso a seguir. Conceito de Iceberg Em saúde pública, têm mais importância os portadores assintomáticos que os portadores sãos (ou sadios), potencialmente infectantes, que não estão doentes, porque, a infecção passa despercebida nos primeiros, e esse é o conceito de Iceberg. (JEKEL, KATZ, ELMORE, 2006). Este é um conceito importante, então, vamos entender melhor na ilustração a seguir. FIGURA 1 – Conceito de Iceberg em Doenças Infectocontagiosas Proporção de casos clinicamente discerníveis Proporção de casos não discerníveis clinicamente Óbitos Casos graves Manifestações clínicas moderadas Linha do horizonte clínico Infecção inaparente Fonte: Secretaria Estadual de Saúde de Santa Catarina AUDIODESCRIÇÃO: Na imagem há um gráfico dividido em proporção de casos clinicamente discerníveis e a proporção de casos não discerníveis clinicamente. A infecção inaparente ocupa, em maior parte, a proporção de casos não discerníveis clinicamente. Na proporção dos discerníveis ficam os óbitos, as manifestações clínicas moderadas e os casos graves. • Pródromos: sintomas indicativos do início de uma doença. • Reservatório de agentes infecciosos (Fonte primária de infecção): qualquer ser humano, animal, artrópode, planta, solo, matéria ou uma combinação deles, no qual normalmente vive e se multiplica um agente infeccioso, que depende desse meio para sua sobrevivência, reproduzindo- se de tal modo que pode ser transmitido a um hospedeiro suscetível. Também considerado como hospedeiro. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 013 • Suscetibilidade: resistência insuficiente contra um deter- minado agente patogênico, que o proteja da enfermidade, caso venha a entrar em contato com o agente. • Transmissão: transferência de um agente etiológico animado de uma fonte primária de infecção para um novo hospedeiro. Pode ocorrer de forma direta ou indireta. Vamos entender melhor? E, para entender melhor como se dão as diversas formas de transmissão, confira o recurso a seguir. Modos de Transmissão Podemos fazer algumas distinções relacionadas à transmissão, tais como: Transmissão direta (contágio), que é a transferência do agente etiológico, sem a interferência de veículos. Na Transmissão direta imediata há um contato físico entre a fonte primária de infecção e o novo hospedeiro. Já a Transmissão direta mediata não há contato físico entre a fonte primária de infecção e o novo hospedeiro, a transmissão ocorre por meio das secreções oronasais (gotículas de Flügge). No caso da Transmissão indireta, a transferência do agente etiológico ocorre por meio de veículos animados ou inanimados, para que ela possa ocorrer é necessário que os microrganismos sejam capazes de sobreviver fora do organismo, durante um certo tempo, e que haja um veículo que os leve de um lugar a outro. • Veículo: qualquer ser animado ou inanimado que transporta o agente etiológico/infeccioso. • Vetor: é um ser vivo, no qual se passa, obrigatoriamente, uma fase do desenvolvimento de determinado agente etiológico. Erradicando-se o vetor biológico, desaparece a doença que transmite, nesse caso denomina-se como vetor biológico. O vetor pode ser também mecânico, nesse caso, trata-se do transporte mecânico do agente infeccioso por meio de um inseto terrestre ou voador, seja por contaminação de suas patas ou tromba ou pela passagem em seu trato intestinal, No caso da Transmissão indireta, a transferência do agente etiológico ocorre por meio de veículos animados ou inanimados. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 014 sem multiplicação ou desenvolvimento cíclico do micro- organismo. • Viremia: é a presença de vírus no sanguecirculante em um ser vivo, podendo ser identificado a partir do exame de sangue e verificação no plasma, a presença do vírus, sendo uma das formas mais eficientes de medir o progresso de uma doença viral. • Zooantroponose: infecção transmitida aos animais, a partir de reservatório humano. Como exemplos, podemos citar esquistossomose mansônica, cisticercoses, tuberculose do homem no gado. • Zoonoses: infecção ou doença infecciosa transmissível, sob condições naturais, de homens a animais e vice-versa. Exemplos: raiva, brucelose, leptospirose. Terminologia referente aos aspectos epidemiológicos Agora, vamos entender os termos utilizados para caracterizar os aspectos epidemiológicos da doença, destacamos alguns de suma importância. Esses aspectos são definidos de acordo com Brasil (2009) e Maletta (2014), vamos entender a partir de agora. • Cadeia epidemiológica: é o esquema utilizado para descrever e entender as relações entre os diferentes elementos envolvidos no aparecimento de uma doença transmissível, também denominada como cadeia de infecção. Esse esquema organiza os elos que identificam os pontos principais da sequência contínua da interação entre o agente, o hospedeiro e o meio. • Caso: pessoa ou animal infectado ou doente, apresentando características clínicas, laboratoriais e/ou epidemiológicas específicas. • Caso autóctone: caso contraído pelo enfermo na zona de sua residência. Cadeia epidemiológica: é o esquema utilizado para descrever e entender as relações entre os diferentes elementos envolvidos no aparecimento de uma doença transmissível, também denominada como cadeia de infecção. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 015 • Caso confirmado: pessoa de quem foi isolado e identificado o agente etiológico, ou de quem foram obtidas outras evidências epidemiológicas e/ou laboratoriais da presença do agente etiológico. Vamos entender melhor com o recurso a seguir. Confirmação do caso A confirmação do caso está sempre condicionada à observação dos critérios estabelecidos para definição de caso, que, por sua vez, está relacionada ao objetivo do programa de controle da doença e/ou do sistema de vigilância. A confirmação do caso pode ser por critério clínico, epidemiológico e laboratorial. • Caso esporádico: caso que, segundo informações disponí- veis, não se apresenta epidemiologicamente relacionado a outros já conhecidos. • Caso índice: primeiro, entre vários casos, de natureza similar e epidemiologicamente relacionados. O caso índice é muitas vezes identificado como fonte de contaminação ou infecção. • Caso importado: caso contraído fora da zona onde se fez o diagnóstico. O emprego dessa expressão dá a ideia de que é possível situar, com certeza, a origem da infecção numa zona conhecida. • Caso suspeito: pessoa cuja história clínica, sintomas e possível exposição a uma fonte de infecção sugerem que possa estar ou vir a desenvolver alguma doença infecciosa. • Caso primário: é o primeiro caso que apresentou determinada doença, em situação de surto, sendo responsável como sendo a fonte de origem de casos posteriores. A confirmação do caso está sempre condicionada à observação dos critérios estabelecidos para definição de caso, que, por sua vez, está relacionada ao objetivo do programa de controle da doença e/ou do sistema de vigilância. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 016 • Caso Secundário: é o caso que se segue ao primário, logo após a exposição junto ao caso primário durante o período de contágio desse, que apresenta os sintomas da doença logo após o período de incubação da doença. • Doenças reemergentes: são aquelas doenças que foram controladas, ou erradicadas, mas que foram reintroduzidas, novamente, em determinada área ou região. Um exemplo: dengue, febre amarela. • Doenças emergentes: são as doenças relacionadas a descoberta de agentes desconhecidos ou que expandiram para áreas em que não havia a ocorrência dessa doença (áreas indenes). Podemos entender a partir dos exemplos da Zika e CYK, que não tinham tido ocorrência em território brasileiro. • Epidemiologia: vamos considerar a etimologia da palavra, epi = sobre; demio = povo; logos = estudo. Assim, vemos que epidemiologia é o estudo sobre o que afeta a população. Busca estudar o comportamento das doenças em uma população a partir de variáveis ligadas ao tempo (quando), ao espaço físico ou lugar (onde) e à pessoa (quem). Assim, estuda a frequência, a distribuição e os determinantes dos problemas de saúde em populações humanas, bem como a aplicação desses estudos no controle dos eventos relacionados com saúde. • Epidemia: manifestação, em uma coletividade ou região, de um corpo de casos de alguma enfermidade que excede claramente a incidência prevista. Exemplos: Dengue, Chikungunya, Zika vírus. Quer saber mais? Então, confira o recurso a seguir. Doenças emergentes são as doenças relacionadas a descoberta de agentes desconhecidos ou que expandiram para áreas em que não havia a ocorrência dessa doença (áreas indenes). DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 017 Como saber se é uma epidemia O número de casos, que indica a existência de uma epidemia, varia com o agente infeccioso, o tamanho e as características da população exposta, sua experiência prévia ou falta de exposição à enfermidade e local e época do ano em que ocorre. Assim, a epidemia tem relação com a frequência comum da doença na mesma: região-população-estação do ano. Dependendo do tipo de doença, o aparecimento de um único caso de doença transmissível, que durante um lapso de tempo prolongado não havia afetado uma população ou que invade pela primeira vez uma região, requer notificação imediata e investigação minuciosa de campo; dois casos dessa doença, associados no tempo ou espaço, podem ser evidência suficiente de uma epidemia. Por exemplo, 1 caso de Poliomielite no Brasil, na atualidade, é condição de toda uma gama de investigação e ações de controle. • Endemia: presença contínua de uma enfermidade, ou agente infeccioso, em uma zona geográfica determinada; pode também expressar a prevalência usual de uma doença particular numa zona geográfica. Como por exemplo: malária, febre amarela, doença de chagas. Esse termo possui algumas variações, vamos ver no recurso a seguir? Acompanhe! Variações do termo endemia Outros termos relacionados a endemia são: hiperendemia que significa a transmissão intensa e persistente, atingindo todas as faixas etárias; e holoendemia, um nível elevado de infecção que começa a partir de uma idade precoce e afeta a maior parte da população jovem, como, por exemplo, a malária em algumas regiões do globo. O número de casos, que indica a existência de uma epidemia, varia com o agente infeccioso, o tamanho e as características da população exposta, sua experiência prévia ou falta de exposição à enfermidade e local e época do ano em que ocorre. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 018 • Evento sentinela: é a ocorrência e detecção de doença que poderia ter sido prevenida, de incapacidade ou morte inesperada, que serve como um sinal de alerta, pois é um evento que não deveria acontecer e se acontece, é porque a qualidade da assistência, da terapêutica ou prevenção devem ser questionadas e avaliadas. • Foco de infecção: ponto delimitado de onde se irradia a infecção. • Fonte de infecção: pessoa, animal, objeto ou substância a partir do qual o agente é transmitido para o hospedeiro. • Fonte de infecção primária ou reservatório: é o responsável pela existência de determinado agente etiológico na natureza, sem ele o agente etiológico desaparecerá. • Incidência: número de casos novos de uma doença, ocorridos em uma população particular, durante um período específico de tempo. • Inquérito epidemiológico: levantamento epidemiológico feitopor coleta ocasional de dados, quase sempre por amostragem, que fornece dados sobre a prevalência de casos clínicos ou portadores em determinada comunidade. • Letalidade: mede a gravidade da doença, medida de risco de uma população morrer por determinada doença. • Pandemia: epidemia de uma doença que afeta pessoas em muitos países e continentes. Um exemplo de pandemia foi a ocorrência, em diversos países, do H1N1. • Prevalência: número de casos clínicos ou de portadores existentes em um determinado momento, em uma comunidade, dando uma ideia estática da ocorrência do fenômeno. Pode ser expressa em números absolutos ou em coeficientes. Pandemia é epidemia de uma doença que afeta pessoas em muitos países e continentes. Um exemplo de pandemia foi a ocorrência, em diversos países, do H1N1. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 019 • Surto epidêmico: ocorrência de dois ou mais casos epidemiologicamente relacionados. • Taxa de ataque: taxa de incidência acumulada, usada frequentemente para grupos particulares, observados por períodos limitados de tempo e em condições especiais, como em uma epidemia. As taxas de ataque são usualmente expressas em porcentagem. • Taxa de incidência: medida do risco de uma pessoa em contrair uma doença específica, em determinado local e ano. Considerando os diversos termos apresentados, vamos ler a notícia a seguir, que vai nos conduzir a uma reflexão. Acopanhe! Sarampo está eliminado do Brasil Desde julho de 2015, o Brasil não registra nenhum caso de sarampo. Após um ano sem a doença, a circulação endêmica do vírus do sarampo foi considerada interrompida no país, segundo a presidente do Comitê Internacional de Avaliação e Documentação da Eliminação do Sarampo, Merceline Dalh-Regis. O Brasil tinha tido uma redução drástica na incidência de sarampo entre 1985 até 2000 e ficou sem registrar casos autóctones até março de 2013, quando um novo surto eclodiu em Pernambuco e no Ceará. Houve surtos também em 2014 e 2015, principalmente nesses dois estados. Ele observa, porém, que não se pode baixar a guarda. “O risco de reintrodução existe sempre, por isso é importante que, mesmo com doenças controladas, manter a cobertura vacinal.” Segundo o Ministério da Saúde, a expectativa é que o Brasil receba o certificado de eliminação do sarampo pela OMS até o fim de 2016. Fonte: LENHARO, Mariana. Sarampo está eliminado do Brasil, segundo comitê internacional. G1 Globo, 26 jul. 2016. Disponível em: <http:// g1.globo.com/bemestar/noticia/2016/07/sarampo-esta-eliminado- do-brasil-segundo-comite-internacional.html>. Acesso: 20 abr. 2017. Taxa de incidência é a medida do risco de uma pessoa em contrair uma doença específica, em determinado local e ano. http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2016/07/sarampo-esta-eliminado-do-brasil-segundo-comite-internacional.html http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2016/07/sarampo-esta-eliminado-do-brasil-segundo-comite-internacional.html http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2016/07/sarampo-esta-eliminado-do-brasil-segundo-comite-internacional.html DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 020 Agora, para entender o papel do enfermeiro no combate às DICT imunopreveníveis, vamos destacar um trecho para análise: “Ele observa, porém, que não se pode baixar a guarda. “O risco de reintrodução existe sempre, por isso é importante que, mesmo com doenças controladas, manter a cobertura vacinal”.” Até aqui já caminhamos bastante discutindo sobre o conceito de DICT, bem como sobre os diversos termos utilizados no contexto dessas doenças, conceitos e termos importantes para compreendermos e discutirmos sobre o cenário dessas doenças. E para entender melhor esse contexto, vamos assistir a nossa primeira videoaula. Acompanhe! Videoaula “Conceitos e terminologia relacionados às doenças infectocontagiosas” Autora: Shirley Pereira de Almeida E agora, vamos responder as duas primeiras questões de fixação? QUESTÃO 1 - “No Brasil, em 2015, ocorreram 91 mil casos de Zika, 802 mil de dengue e 39 mil de chikungunya, três doenças provocada por um arbovírus e transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, disse hoje (26) o diretor do Departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch”. Fonte: LEAL, Aline. Brasil vive tríplice epidemia de vírus transmitidos pelo Aedes aegypti. Empresa Brasil de Comunicação, 26 abr. 2016. Disponível em: <http:// agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2016-04/brasil-vive-triplice-epidemia- de-virus-transmitidos-pelo-aedes-aegypti>. Acesso em: 20 abr. 2017. ATIVIDADE DE FIXAÇÃO https://player.vimeo.com/video/194081760 http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2016-04/brasil-vive-triplice-epidemia-de-virus-transmitidos-pelo-aedes-aegypti http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2016-04/brasil-vive-triplice-epidemia-de-virus-transmitidos-pelo-aedes-aegypti http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2016-04/brasil-vive-triplice-epidemia-de-virus-transmitidos-pelo-aedes-aegypti DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 021 Vamos analisar as seguintes afirmações: I - Ocorre uma transmissão direta imediata que é aquela em que há um contato físico entre a fonte primária de infecção e o novo hospedeiro. II - Ocorre uma transmissão direta mediata em que não há contato físico entre a fonte primária de infecção e o novo hospedeiro. III - Ocorre a transmissão indireta a partir da transferência do agente etiológico por meio de veículos. IV - Ocorre uma transmissão a partir da transferência de um agente etiológico de uma fonte primária de infecção para um novo hospedeiro. Considerando os modos de transmissão das doenças citadas acima, podemos dizer que é correto o que se afirma em: a. I, apenas. b. I e IV, apenas. c. II e IV, apenas. d. I, II e IV, apenas. e. III e IV, apenas. O gabarito se encontra no final da unidade. ATIVIDADE DE FIXAÇÃO QUESTÃO 2 - “No Brasil, em 2015, ocorreram 91 mil casos de Zika, 802 mil de dengue e 39 mil de chikungunya, três doenças provocada por um arbovírus e transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, disse hoje (26) o diretor do Departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch. Com relação à dengue, em janeiro e em fevereiro de 2016 o número de casos foi 50% maior que no mesmo período de 2015. A tendência, no entanto, é que as ações de combate ao mosquito, intensificadas em janeiro, reduzam a ocorrência de casos novos das doenças”. ATIVIDADE DE FIXAÇÃO DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 022 Observe as seguintes afirmações: I - O texto acima informa sobre o agente infeccioso das três doenças e o modo de transmissão. II - O texto acima informa que houve uma endemia em 2015 e que está prevista uma epidemia em 2016. III - O texto acima informa sobre o vetor responsável pela ocorrência das três doenças e o hospedeiro suscetível. IV - O texto acima informa sobre dados de prevalência das três doenças e de incidência dessas doenças. Fonte: LEAL, Aline. Brasil vive tríplice epidemia de vírus transmitidos pelo Aedes aegypti. Empresa Brasil de Comunicação, 26 abr. 2016. Disponível em: <http:// agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2016-04/brasil-vive-triplice-epidemia- de-virus-transmitidos-pelo-aedes-aegypti>. Acesso em: 20 abr. 2017. Considerando as informações contidas no texto acima, é correto o que se afirma em: a. Nas opções I, III e IV. b. Nas opções I, II e III. c. Nas opções II e III. d. Nas opções I, II e IV. e. Nas opções I, II, III e IV. O gabarito se encontra no final da unidade. ATIVIDADE DE FIXAÇÃO Os termos relacionados às DICT apresentados no decorrer do tópico são essenciais para compreender o processo envolvido na ocorrência das doenças infectocontagiosas e os fatores envolvidos nesse processo. Esse é o tema do próximo tópico, que apresentará a História Natural da Doença. Nosso propósito é caracterizaro modelo da História Natural das Doenças como ferramenta para a compreensão da ocorrência das doenças infectocontagiosas, que possibilita identificar os elementos que compõe a Tríade Ecológica e a Cadeia Epidemiológica, que são esquemas que representam os elementos envolvidos na ocorrência das doenças. http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2016-04/brasil-vive-triplice-epidemia-de-virus-transmitidos-pelo-aedes-aegypti http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2016-04/brasil-vive-triplice-epidemia-de-virus-transmitidos-pelo-aedes-aegypti http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2016-04/brasil-vive-triplice-epidemia-de-virus-transmitidos-pelo-aedes-aegypti DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 023 A História Natural da Doença e os fatores determinantes - o modelo BEINGS Neste tópico, vamos caracterizar o modelo da História Natural das Doenças (HDN) como ferramenta para a compreensão da ocorrência das doenças infectocontagiosas. Para começar, precisamos entender o que é História Natural da Doença, ou HND, certo? Então, vamos refletir sobre esse termo. Como contamos uma história? Que elementos podem estar envolvidos em uma história? Que cenário, pessoas, objetos? E na HND, o que você pensa a respeito? Pensando nisso, podemos caracterizar a HND como um recurso, ou um modelo que possibilita descrever como as doenças ocorrem. Como toda história, tem um princípio, meio e fim, sendo que esse fim, o desfecho da história, pode ser negativo, se ocorrer a morte, ou positivo, se houver a cura. Sabemos que, ao longo da história, os conceitos de saúde e doença se transformaram, como resultados do contexto, da organização da sociedade, da evolução da ciência e das pesquisas sobre o assunto, surgindo a partir disso, teorias e modelos explicativos do processo saúde-doença, que contribuíram para a compreensão e descrição da HND das diversas doenças que hoje conhecemos. Assim, destacamos como elementos dessa história, o agente etiológico, o hospedeiro, o meio ambiente e todos os fatores de risco relacionados a cada um desses elementos. Conceitualmente, consideramos a História Natural da Doença (HND) um modelo descritivo do curso da doença a partir da inter-relação entre os elementos envolvidos no processo de adoecimento, que são o agente, o hospedeiro e o meio ambiente (TIETZMANN, 2014; BUSATO, 2016). Conceitualmente, consideramos a História Natural da Doença (HND) um modelo descritivo do curso da doença a partir da inter-relação entre os elementos envolvidos no processo de adoecimento, que são o agente, o hospedeiro e o meio ambiente. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 024 A HND surge quando as discussões sobre o processo saúde-doença começam, na busca por teorias e modelos explicativos que ajudem a compreender esses processos. Uma das teorias que se consolidou a partir da década de 1960, a teoria multicausal da doença, descreve o processo saúde-doença como dependente da inter-relação entre diversos elementos que compõem esse processo, ou seja, dependente da relação do homem com o agente infeccioso e o meio ambiente, considerando a variável tempo e outros fatores envolvidos. O modelo explicativo proposto por Leavell e Clark (LEAVELL; CLARK, 1976), denominado como modelo da Tríade Ecológica de Leavell Clark, também considera a multicausalidade das doenças. Esse modelo busca explicar, de maneira mais dinâmica e sistematizada, o desenvolvimento da doença, que depende do constante estado de equilíbrio entre os elementos dessa tríade. Esses elementos são o agente, o hospedeiro e o meio ambiente, incluindo também outro elemento que é o vetor, que pode estar presente na HND de algumas doenças específicas. Esse modelo pode ser representado pelo esquema do fluxograma abaixo. FLUXOGRAMA 1 – Tríade Ecológica Leavell e Clark HOSPEDEIRO AGENTE MEIO AMBIENTE VETOR Fonte: Elaborado por Shirley Pereira de Almeida. O modelo proposto por Leavell e Clark busca explicar, de maneira mais dinâmica e sistematizada, o desenvolvimento da doença, que depende do constante estado de equilíbrio entre os elementos dessa tríade. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 025 Outro modelo explicativo utilizado para descrever como as doenças, principalmente as DICT, acontecem é a partir da compreensão da Cadeia Epidemiológica. Para que uma determinada doença aconteça é necessário que ocorra uma sequência de eventos, de forma cíclica. Essa sequência de eventos recebe o nome de Cadeia Epidemiológica. Ela ocorre a partir do momento em que o hospedeiro elimina um agente etiológico no meio ambiente. O agente atinge e infecta um novo hospedeiro, a partir de um modo de transmissão específico, evolui e é novamente eliminado. Entender esse processo e os eventos envolvidos, é fundamental para que possamos saber o que fazer, onde e como agir, de que maneira podemos interromper essa cadeia para evitar que a doença se dissemine. Assim, apresentamos os eventos que se constituem como elos da Cadeia Epidemiológica, utilizando o esquema apresentado na figura abaixo. FLUXOGRAMA 2 – Cadeia Epidemiológica Fonte de Infecção F.I. Via de Eliminação V.E. Meio de Transmissão M.T. Porta de Entrada P.E. Hospedeiro Suscetível H.S. Fonte: Elaborado por Shirley Pereira de Almeida. Analisando esse esquema representativo da Cadeia Epidemiológica, vamos fazer uma reflexão, considerando as seguintes questões: quem hospeda e transmite o agente infeccioso? Como é denominado DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 026 o momento em que o agente infeccioso sai do hospedeiro? Como se chama o recurso utilizado pelo agente infeccioso para chegar até outro hospedeiro? E como se denomina o momento em que o agente penetra em outro hospedeiro? Bem, vamos entender isso, começando por verificar que quem hospeda e transmite o agente infeccioso é a F.I., Fonte de Infecção. O momento em que o agente infeccioso sai do hospedeiro é denominado V.E., Via de Eliminação. O recurso que o agente infeccioso se utiliza para chegar até outro hospedeiro é o M.T., Meio de Transmissão. E, por fim, o evento em que acontece de o agente penetrar em outro hospedeiro é a P.E., Porta de Entrada. Agora, considerando o modelo da Tríade Ecológica de Leavell e Clark e da Cadeia Epidemiológica, podemos compreender a HND a partir do entendimento do conceito e dos processos envolvidos. Para isso, vamos analisar o esquema a seguir que mostra o ciclo da esquistossomose. FLUXOGRAMA 3 – Ciclo da esquistossomose Pessoa doente Ovos nas fezes Larva ciliada miracídio Larvas cercárias Caramujo planorbídeo (hospedeiro intermediário) Penetração ativa na pele que provoca coceira Nas veias do mesentério, no intestino humano, os vermes adultos copulam, formando ovos Fonte: Elaborado por Shirley Pereira de Almeida. O recurso que o agente infeccioso se utiliza para chegar até outro hospedeiro é o M.T., Meio de Transmissão. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 027 Analisando o fluxograma, é possível identificar os três elementos da Tríade Ecológica de Leavel e Clark e a sequência de eventos da Cadeia Epidemiológica da doença esquistossomose. Podemos relacionar os elementos presentes na Tríade Ecológica e identificar cada um dos eventos dessa cadeia. Vamos lá! Primeiro, identificamos o hospedeiro infectado que é a pessoa doente (F.I.), o hospedeiro definitivo, uma pessoa (H.S.), o hospedeiro intermediário, que é o caramujo planorbídeo, o agente etiológico, que são as larvas cercárias (Schistosoma mansoni), e o meio ambiente (rio, água, mata, solo). O Modo de Transmissão (M.T.) se dá através do contato do homem com águas contaminadas por larvas cercárias, que penetram na pele (P.E.) do indivíduo, que se torna o hospedeiro definitivo (H.S.). É possível verificar que o agente etiológico passa por determinadas fases, desde a eliminação dos ovos de S.Mansoni através das fezes (V.E.) do hospedeiro infectado, no meio ambiente, próximo a margens de rios, até a transformação desses ovos em larva, que infecta o caramujo (hospedeiro intermediário). Essa larva sai do caramujo, na forma cercária, e penetra na pele da pessoa. Assim, o organismo do indivíduo sofre modificações, em razão da deposição de ovos de S. Mansoni nas veias do mesentério e no interior do intestino. Como vimos, é possível contar a história de como acontece a esquistossomose, ou seja, a HND Esquistossomose, utilizando para isso, tanto o modelo da Tríade Ecológica, quanto da Cadeia Epidemiológica. Observamos que no processo da HND, que decorre dessas inter- relações que envolvem o agente, o hospedeiro e o meio ambiente, a partir de um estímulo patológico, uma série de eventos acontece. As consequências ou o desfecho do caso dependerá da capacidade de resposta do indivíduo a esse estímulo, podendo levar a alterações orgânicas reversíveis ou irreversíveis, desde a invalidez, recuperação ou morte, se nenhum tratamento for instituído. É possível contar a história de como acontece a esquistossomose, ou seja, a HND Esquistossomose, utilizando para isso, tanto o modelo da Tríade Ecológica, quanto da Cadeia Epidemiológica. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 028 Assim, é importante destacar outros aspectos presentes na HND, que são as fases e períodos que a compõe, bem como os fatores relacionados aos elementos que a compõem e que estão representados na Tríade Ecológica de Leavell e Clark (1976). Vamos compreender o recurso do Mapa Conceitual da HND, como vemos na figura a seguir, para refletir e discutir sobre o assunto. FIGURA 2 – Mapa Conceitual da HND Fatores relacionados ao agente: morfologia, infectividade, patogenicidade, virulência, imunogenicidade, variabilidade, viabilidade. Fatores relacionado ao hospedeiro: espécie, raça, sexo, idade, estado civil, ocupação, condição clínica, características genéticas, estado imunológico e emocional, suscetibilidade individual. Fatores relacionados ao meio ambiente: clima, topografia, hidrografia, temperatura, ventos, umidade do ar, solo,flora, fauna. Condições socioeconômicas (habitação, comunicação, padrões culturais). HISTÓRIA NATURAL E PREVENÇÃO DE DOENÇAS (*) HORIZONTE CLÍNICO PROMOÇÃO DE SAÚDE PROTEÇÃO ESPECÍFICA DIAGNÓSTICO PRECOCE E TRATAMENTO IMEDIATO LIMITAÇÃO DE INCAPACIDADE REABILITAÇÃO Prevenção Primária Prevenção Secundária PrevençãoTerciária NÍVEIS DE APLICAÇÃO DAS MEDIDAS PREVENTIVAS Período de Patogênese (*) LEAVEL & CLARK, 1976. Período de Pré-Patogênese Inter-relação entre AGENTE, SUSCETÍVEL E AMBIENTE que produzem ESTÍMULO à doença INTERAÇÃO SUSCETÍVEL - ESTÍMULO REAÇÃO Morte Alterações de tecidos Recuperação Defeito, invalidez Sinais e Sintomas} Fonte: Elaborado por Shirley Pereira de Almeida, adaptado de ROUQUAYROL (1999). Ao analisar a figura, percebemos que a HND se desenvolve a partir de duas fases, ou períodos, que são: O Período de Pré-Patogênese (interesse epidemiológico) e o Período de Patogênese (interesse clínico-patológico). (ROUQUAYROL, 1999; BRASIL, 2009; MALETTA, 2014; TIETZMANN, 2014; BUSATO, 2016). Na primeira fase, Pré-Patogênese: identificamos que se trata de um período em que ocorrem as relações entre o agente-hospedeiro suscetível-ambiente, que irá produzir o estímulo para que a doença ocorra. Lembrando que os fatores inerentes a cada um desses elementos, que interagem entre si, podem alterar o curso ou desfecho DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 029 da doença, ou seja, devem ser considerados os fatores de risco relacionados a cada um dos elementos da Tríade Ecológica, HND. Mais adiante discutiremos sobre isso, utilizando o acrônimo BEINGS. Na segunda fase, identificamos como sendo o período de Patogênese, momento em que a doença segue o seu curso e evolução no indivíduo. É o período em que dois elementos que interagem, exclusivamente, o agente e o hospedeiro, com as primeiras ações do agente sobre o hospedeiro, seguindo-se as alterações bioquímicas em nível celular, continuando com as alterações na forma e na função, evoluindo para alterações permanentes, cronicidade, morte ou cura. Nesse momento, devemos considerar os fatores relacionados ou condições pré-existentes do agente e do hospedeiro (local onde a doença se processa progressivamente). As modificações biológicas e alterações clínicas que acontecem no hospedeiro, tais como febre, mialgia, artralgia, cefaleia, e outras tantas próprias de uma doença específica, são de suma importância e interesse dos profissionais de saúde para a tomada de decisões. Ao analisar o Mapa Conceitual da HND, comentamos os fatores de risco relacionados a cada um dos elementos da Tríade Ecológica e presentes na HND. Mas o que são Fatores de Risco? Fatores de Risco são considerados toda e qualquer situação capaz de aumentar a probabilidade de ocorrência de uma doença ou agravo à saúde. Identificar esses fatores e sua relação com a forma que as doenças ocorrem é questão fundamental para definir as estratégias e ações de prevenção das doenças, para interromper o curso da doença ou para evitar prejuízos maiores para os indivíduos (ROUQUAYROL, 1999; BRASIL, 2009; MALETTA, 2014; TIETZMANN, 2014; BUSATO, 2016). Fatores de Risco são considerados toda e qualquer situação capaz de aumentar a probabilidade de ocorrência de uma doença ou agravo à saúde. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 030 Para sintetizar as características de cada um dos fatores de risco e auxiliar na fixação das mesmas, vamos utilizar uma forma de agrupamento a partir do uso do acrônimo BEINGS. Cada letra desse acrônimo representa um agrupamento de fatores. Vamos observar no quadro que segue. QUADRO 1 – Acrônimo BEINGS Modelo BEINGS LETRA FATORES CARACTERÍSTICAS AGRUPADAS B Biológicos e Comportamentais Risco que pode ser influenciado pelo sexo, idade, peso, densidade óssea e vários outros fatores, bem como o comportamento humano. E Entorno (ambientais) Risco influenciado pelo ambiente e suas condições. I Imunológicos Risco influenciado pelas características do sistema imunológico do indivíduo. N Nutricionais A alimentação também se relaciona à incidência de doenças, considerando a carência ou exagero no consumo de alimentos. G Genéticos São os riscos inerente ao organismo biológico, são os mais difíceis de serem alterados, apesar de observarmos os avanços das pesquisas e tecnologias nessa área. S Sociais, espirituais e de serviços de saúde – Políticas Públicas Sabemos que fatores sociais e espirituais têm efeitos sobre a doença e a saúde, apesar de não estar muito clara sua influência. Porém, vale lembrar do termo resiliência, inerente à capacidade do indivíduo em superar situações de adoecimento. No que se refere aos serviços de saúde e políticas públicas, destaca-se a dificuldade de acesso, os erros de diagnósticos e condutas inadequadas, a ineficiência das políticas públicas. Tudo isso pode trazer prejuízos, malefícios para os indivíduos. Essas situações são consideradas iatrogênicas. Fonte: Elaborado por Shirley Pereira de Almeida, adaptado de JEKEL; KATZ; ELMORE, 2006; ROUQUAYROL (1999). Como vimos no quadro, os fatores de risco que favorecem ou não a ocorrência das DICT, estão presentes tanto ao indivíduo quanto no ambiente. Os fatores relacionados ao indivíduo têm relação com sua condição biológica, imunológica, genética, comportamental, sobre seus hábitos, o contexto social no qual está inserido, bem como o acesso que ele tem ou não aos serviços de saúde e as políticas de saúde. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 031 E também, devemos lembrar do modelo de determinação social, que podemos ver no recurso a seguir. Modelo da determinação social O modelo da determinação social do processo saúde-doença é considerado no contexto da formulação doconceito ampliado de saúde. Nele, diversos fatores, tais como os citados no acrônimo BEINGS, são relacionados à situação de doença. No que se refere ao Entorno, podemos destacar várias condições ambientais que podem levar as pessoas a desenvolverem doenças tanto infectocontagiosas quanto outras, como as doenças respiratórias agudas e crônicas, doenças crônicas não transmissíveis, doenças degenerativas. Se nos concentrarmos nas DICT, os fatores ambientais mais relevantes são: as condições climáticas, a temperatura, a hidrografia, o solo, a flora e fauna, situação e tipo de habitação. Ainda considerando o quadro do Acrônimo BEINGS, até aqui tratamos das fases que constituem a HND, os fatores de risco envolvidos com os elementos que a compõe, aspectos fundamentais para tomada de decisões, que irão impedir o curso da doença. Essas decisões são tomadas no sentido de implementar ações específicas como definidas por Leavell e Clark (1979) por níveis de medidas de prevenção, considerando os cinco níveis de aplicação, assim discriminados: • Prevenção Primária (1º Nível: Promoção de Saúde; 2º Nível: Proteção Específica); • Prevenção Secundária (3º Nível: Diagnóstico Precoce e Tratamento Imediato); No que se refere ao Entorno, podemos destacar várias condições ambientais que podem levar as pessoas a desenvolverem doenças tanto infectocontagiosas quanto outras, como as doenças respiratórias agudas e crônicas, doenças crônicas não transmissíveis, doenças degenerativas. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 032 • Prevenção Terciária (4º Nível: Limitação dos danos e incapacidades; 5º Nível: Reabilitação). Fazendo uma análise do Modelo BEINGS, identificamos que um fator de risco importante no cenário da HND não está aparecendo. Você consegue identificar que fator de risco é esse? Observe e analise. Apesar do modelo BEINGS não apresentar o fator de risco relacionado ao agente infeccioso, ou etiológico, foi apresentado no Mapa Conceitual sobre HND, algumas características relacionadas a esse fator que, também, podem contribuir para a ocorrência das DICT, com destaque para as seguintes características: infectividade, a virulência, a patogenicidade, a variabilidade, a viabilidade. Agora, vamos revisar o que discutimos neste tópico? Assista a nossa segunda videoaula. Videoaula “A História Natural da Doença (HND) e os fatores determinantes - o modelo BEINGS” Autora: Shirley Pereira de Almeida E agora, para fixar melhor o conteúdo, responda a mais uma questão de fixação. QUESTÃO 3 - O Modelo explicativo proposto por Leavell e Clark (LEAVELL; CLARK, 1976), denominado como modelo da Tríade Ecológica de Leavell Clark, considera a multicausalidade das doenças. Esse modelo busca explicar, de maneira mais dinâmica e sistematizada, o desenvolvimento das doenças infectocontagiosas a partir da inter-relação entre três elementos, que constituem essa tríade, podendo ser mediada por um quarto elemento. ATIVIDADE DE FIXAÇÃO https://player.vimeo.com/video/194081787 DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 033 Considerando os elementos envolvidos no modelo citado acima, analise as afirmativas abaixo e classifique em (V) para verdadeiras ou (F) para falsas. ( ) Hospedeiro é todo organismo simples ou complexo, incluindo o homem, infectado por um agente específico. ( ) A capacidade de um agente biológico causar doença em um hospedeiro suscetível, dependerá da sua patogenicidade. ( ) Para que a doença infectocontagiosa ocorra, é necessária a presença de um vetor. ( ) Os quatro elementos descritos por Leavell e Clark na Tríade Ecológica são: o hospedeiro, o Modo de Transmissão, o Agente e a Via de Eliminação. Assinale a alternativa que tenha a ordem correta das resposta. f. F, V, F, V. g. V, V, F, V. h. F, V, F, F. i. F, F, F, V. j. V, V, F, F. O gabarito se encontra no final da unidade. ATIVIDADE DE FIXAÇÃO O papel do enfermeiro no contexto das doenças infectocontagiosas Agora que compreendemos a parte mais básica de terminologia e modelos que nos ajudam na compreensão da ocorrência das doenças infectocontagiosas, vamos entender o papel do enfermeiro no contexto das DICT, passando pelo processo de enfermagem e SAE. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 034 Quando analisamos o cenário das DICT, em nosso país, observamos que houve diminuição na incidência e prevalência de algumas doenças, principalmente as imunopreveníveis. Mas também houve o reaparecimento de algumas delas, como o sarampo, rubéola, febre amarela, coqueluche, em função das baixas coberturas vacinais. No entanto, ainda observamos que muitas dessas doenças ainda persistem na nossa sociedade e outras doenças que no passado estavam sobre controle, ressurgiram. Também vemos o surgimento de novas doenças no cenário brasileiro, o que traz grande impacto tanto para os profissionais e serviços de saúde, quanto para as pessoas, famílias e comunidades. Por isso, observamos a importância de os enfermeiros compreenderem as especificidades do processo de trabalho e da assistência necessária para cuidar dos indivíduos que apresentem alguma DICT, em qualquer nível de atenção à saúde, e a importância de instituir ações de prevenção de doença e promoção de saúde, sejam individuais ou coletivas, para o controle dessas doenças. Para tanto, o enfermeiro precisa ter domínio sobre os conhecimentos que irão subsidiar a sua prática profissional, buscando analisar o contexto das DICT e situá-las no contexto epidemiológico nacional. Nesse conjunto de conhecimentos necessários, observamos a necessidade de entender os conceitos básicos e termos utilizados, de relacionar os fatores envolvidos no processo das DICT e reconhecer as influências desses fatores para a ocorrência e evolução dessas doenças, comparar as manifestações clínicas e epidemiológicas, visando diferenciar as DICT e estabelecer o diagnóstico. Além disso, o enfermeiro precisa saber manejar e aplicar os diversos conhecimentos e instrumentos disponíveis para o controle dessas doenças, bem como estar atento e preocupando-se com as mudanças no cenário das DICT, pesquisando sobre o assunto, se atualizando e desenvolvendo competências fundamentais para a prática profissional. O enfermeiro precisa ter domínio sobre os conhecimentos que irão subsidiar a sua prática profissional, buscando analisar o contexto das DICT e situá-las no contexto epidemiológico nacional. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 035 Assim, ao conhecer os passos de uma investigação epidemiológica de casos, seja frente a uma situação de surto ou epidemia, podemos identificar os elementos específicos da Tríade Ecológica de Leavell e Clark e compreender a sequência de eventos que ocorrem na Cadeia Epidemiológica, entendendo-a como uma relação complexa entre seus diversos componentes e nos ajudando a desenvolver a HND. Esse conhecimento é fundamental para a tomada de decisões na realização de intervenções que possam romper com essa cadeia, no caso das DICT, visando impedir que essas doenças se disseminem na população. Na figura a seguir, ilustramos a importância da atualização constante no trabalho do enfermeiro. FIGURA 3 – O enfermeiro precisa estar sempre atualizado Fonte: Thomas Andreas / Shutterstock AUDIODESCRIÇÃO: Uma enfermeira acessando informações variadas em um tablet. Para refletir sobre o papel do enfermeiro frente às DICT, precisamos estabelecer quais conhecimentos o enfermeiro deve conquistar para manejar os instrumentos e ferramentas disponíveis, que contribuem compreender e implementar ações de controle das DICT. Que instrumentos ou ferramentas são essas? DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 036 Bem, para compreender bem isso, temos alguns instrumentos que o enfermeiro pode utilizar: • Inquérito epidemiológico ou investigação epidemiológica, que irá possibilitar a identificaçãodos elementos da Cadeia Epidemiológica e construção da HND; • As fichas SINAN, de notificação de doenças. Esses são instrumentos fundamentais para as ações de vigilância epidemiológica das DICT. Eles são úteis para a assistência aos indivíduos acometidos pelas DICT, considerando as ações de cuidados necessários a esses indivíduos. Podemos ver essas ações na Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), que pode ser desenvolvida em qualquer nível de atenção à saúde, no ambiente hospitalar, nas unidades básicas de saúde, nas instituições públicas quanto na suplementar. Agora, vamos compreender os elementos da SAE e pensar seu uso frente às DICT. Mas primeiro, vamos conceituar o que é SAE e como podemos pensá-la no contexto das DICT. A Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) é uma ação norteadora da prática do enfermeiro, realizada de forma lógica, que permite ao enfermeiro organizar o processo de trabalho de forma autônoma, possibilita fazer julgamentos e tomar decisões. A SAE possibilita realizar uma assistência prestada de forma segura e com qualidade, otimizando recursos, auxilia na avaliação do cuidado prestado, seguindo uma metodologia que norteará as atividades da equipe de Enfermagem (MURTA, 2007; TANURE, PINHEIRO, 2010). Outros instrumentos que possibilitam organizar a assistência de enfermagem, ou seja, a sistematizar a assistência, são: os protocolos e fluxos assistenciais, a escala de atividades dos funcionários e o processo de enfermagem. A Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) é uma ação norteadora da prática do enfermeiro, realizada de forma lógica, que permite ao enfermeiro organizar o processo de trabalho de forma autônoma, possibilita fazer julgamentos e tomar decisões. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 037 Vale lembrar que existem vários protocolos, definidos pelo Ministério da Saúde, direcionados às várias DICT. Eles são importantes para sistematizar as informações, descrevem as doenças, definem condutas de tratamento e controle, as atribuições dos diversos profissionais de saúde envolvidos, e também relacionam os fluxos assistenciais. Quer saber mais? Confira no recurso a seguir. Protocolos e Fluxos assistenciais Sobre Protocolos e Fluxos Assistenciais, acesse o site do Ministério da Saúde. http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/biblioteca Bem, dentre essas ferramentas que contribuem para a prática do enfermeiro, temos o Processo de Enfermagem (PE) que é um método que permite sistematizar a assistência de enfermagem, sendo essa uma atividade inerente ao enfermeiro e definida segundo a Lei do Exercício Profissional, a Lei n. 7.498 de 25/06/86 (HORTA, 1979; MURTA, 2007; TANURE, PINHEIRO, 2010). O PE foi proposto por Wanda Aguiar Horta na década de 1970. De acordo com Horta (1979), o Processo de Enfermagem visa uma assistência que atenda às necessidades humanas básicas do cliente, que foram afetadas no processo saúde-doença. O PE pode ser dividido em seis fases. No quadro a seguir, podemos ver um esquema com as fases do processo de enfermagem. Dentre essas ferramentas que contribuem para a prática do enfermeiro, temos o Processo de Enfermagem (PE) que é um método que permite sistematizar a assistência de enfermagem, sendo essa uma atividade inerente ao enfermeiro e definida segundo a Lei do Exercício Profissional, a Lei n. 7.498 de 25/06/86. http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/biblioteca DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 038 QUADRO 2 – Esquema do PE com suas seis fases ou etapas Histórico de Enfermagem Levantamento de dados e identificação de problemas. Anamnese (entrevista e exame físico) e levantamento dos problemas encontrados. Diagnóstico de Enfermagem Identificação das necessidades humanas que apresentem algum comprometimento. Plano Assistencial A partir dos diagnósticos levantados são definidas as estratégias da assistência a ser prestada ao paciente. Prescrição de Enfermagem Também chamada de plano de cuidados, sistematiza as ações a serem implementadas com o usuário, com o intuito de resolver os problemas encontrados. Evolução de Enfermagem Constitui um registro das modificações que vão ocorrendo com o paciente durante a implementação da prescrição de enfermagem. Prognóstico de Enfermagem Permite avaliar as ações desenvolvidas para determinar se o resultado final foi benéfico ao paciente. Caso não o seja, é o momento de readequar o plano assistencial e as prescrições de enfermagem. Fonte: Elaborado por Shirley Pereira de Almeida, 2017. Como podemos observar no quadro, o PE é constituído por seis fases, ou etapas, interdependentes e sequenciais, que são: 1. Histórico de Enfermagem, HE; 2. Diagnóstico de Enfermagem, DE; 3. Planejamento de Enfermagem, PE; 4. Implementação de Enfermagem, IE; 5. Avaliação de Enfermagem ou Evolução de Enfermagem, EE; 6. Prognóstico de Enfermagem. Agora, para compreender o processo, vamos discutir cada uma das etapas do PE a partir da descrição do que compõe cada uma delas, de acordo com o que Horta (1979) descreve. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 039 1ª Etapa: Histórico de enfermagem (HE) ou Coleta de Dados Essa etapa é constituída por entrevista e exame físico. A entrevista investiga a situação de saúde do cliente ou da comunidade, identificando os hábitos, os problemas de saúde e as necessidades de intervenções. a. Identificação: - nome por extenso; - enfermaria, leito; - registro; - sexo e idade; - estado civil; - filhos e respectivas idades; - procedência; - nacionalidade; - ocupação com detalhes; - grau de instrução; - religião (praticante ou não); - data de admissão; - que via foi admitido (ambulatório ou PS). b. Hábitos: - Meio ambiente: condições de moradia, água, esgoto, lixo, luz; - Cuidado corporal: banhados, unhas, cabelo, raspagem de pelos (tricotomia); - Eliminações: hábitos intestinais e urinários, tabus, menstruação; - Alimentação; - Sono e repouso; - Exercícios e habilidades físicas; - Recreação; - Manutenção da saúde exame médico periódico. c. Problemas de saúde: - o que o paciente acha da sua doença; - que doenças já teve e suas experiências com hospitais; - métodos ou preocupações: do hospital, da cirurgia, algum outro; - fase da doença: grave, crônica ou outra; - resultados dos exames. O exame físico consiste em verificar os seguintes aspectos: • As condições gerais: vestuários, condição mental, expressão facial, locomoção, peso, altura, fumo, etilismo; • Os sinais vitais: frequência e características (pulso, respiração, pressão arterial e temperatura); • A realização de quatro passos: inspeção, palpação, percussão e ausculta, o que requer conhecimento teórico e habilidades técnicas apropriadas para ser realizado. A Etapa de Histórico de Enfermagem ou Coleta de Dados é constituída por entrevista e exame físico. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 040 No recurso a seguir, destacamos informações importantes sobre o Histórico de Enfermagem. Acompanhe! Histórico de Enfermagem Algumas recomendações para realização do Histórico de Enfermagem são: • Deve ser feito com autorização do paciente; • Ter um formulário para registro dos dados de identificação, ou seja, prontuário; • Deve ser realizado pelo enfermeiro quando o paciente for admitido, preferencialmente, ou nas 24h ou 48h seguintes; • Deve ser direcionado objetivamente para as alterações, queixas e condições de risco; • Deve conter assinatura e número COREN do enfermeiro. 2ª Etapa – Diagnóstico de Enfermagem (DE) Nessa etapa, o enfermeiro analisa os dados coletados, avalia o estado de saúde da pessoa através da identificação e avaliação de problemas de saúde presentes ou potenciais. Com base nessas avaliações, o enfermeiro realiza um julgamento clínico e para definir o melhor diagnóstico, a melhor intervenção e os efeitos desta intervenção.Assim, o DE é definido como a identificação das necessidades básicas do ser humano que precisa de atendimento, sendo definido, também pelo enfermeiro, o grau de dependência deste atendimento em natureza e extensão, sendo que o grau de dependência pode ser parcial ou total. Os DE mais utilizados são NANDA e CIPE. Porém, podem ser elaborados de acordo com os protocolos da instituição. o DE é definido como a identificação das necessidades básicas do ser humano que precisa de atendimento, sendo definido, também pelo enfermeiro, o grau de dependência deste atendimento em natureza e extensão DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 041 3ª Etapa – Planejamento de Enfermagem (PE) É o planejamento das intervenções de Enfermagem, da assistência que o paciente deve receber a partir da análise e definição do DE, considerando o exame das alterações, das necessidades afetadas e o grau de dependência. Lembrando que o grau de dependência vai requerer do enfermeiro e da equipe de enfermagem: F A O S E Fazer Ajudar Orientar Supervisionar Encaminhar Assim, o planejamento das intervenções deve ser direcionado a alcançar os resultados esperados, a prevenir, resolver ou controlar as alterações encontradas durante o Diagnóstico. Vamos entender mais sobre os sistemas de classificação da enfermagem no recurso a seguir. Sistemas de Classificação da Enfermagem Em relação aos Sistemas de classificação para prática de enfermagem, considerando as intervenções e resultados, temos no Brasil: NIC (Nursing Interventions Classification); NOC (Nursing Outcomes Classification) e a CIPE (Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem) (BARROS, 2009). 4ª Etapa – Implementação de Enfermagem (IE) Essa etapa, refere-se à concretização do plano de assistência, momento em que as ações e intervenções, planejadas na etapa anterior, são realizadas pela equipe de enfermagem, norteadas por um roteiro assistencial que irá coordenar as ações da equipe de enfermagem na execução dos cuidados para atender as necessidades básicas específicas do cliente. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 042 5ª Etapa – Avaliação – Evolução de Enfermagem (EE) Essa etapa consiste em um processo contínuo e sistematizado de avaliação das mudanças que ocorreram com a pessoa, a família ou comunidade, verificando se os resultados foram atingidos, se as intervenções (IE) foram efetivas e se serão necessárias adaptações ou modificações no planejamento das intervenções. Para registro dessas avaliações são utilizados alguns indicadores como qualificadores de avaliação que são: Ausente ou Presente; Melhorado ou Piorado; Mantido ou Resolvido. Essa é a etapa em que é realizada a evolução de enfermagem, ou seja, momento em que o paciente é avaliado, sendo que a frequência dessa avaliação-evolução do paciente pode ser realizada a cada 24 horas, de forma complementar ou na alta. 6ª Etapa – Prognóstico de Enfermagem O Prognóstico de Enfermagem indicará as condições que a pessoa poderá atingir na alta médica, o que se espera que ela possa atingir, em face das condições e intervenções realizadas, se terá total independência ou se estará dependente de cuidados. Vale ressaltar a importância das Anotações de Enfermagem, ou seja, o registro das respostas do paciente perante o PE e ao cuidado prestado, logo após sua execução, bem como o registro das intercorrências. Para saber mais, podemos seguir o recurso a seguir. A Avaliação é a etapa em que é realizada a evolução de enfermagem, ou seja, momento em que o paciente é avaliado, sendo que a frequência dessa avaliação- evolução do paciente pode ser realizada a cada 24 horas, de forma complementar ou na alta. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 043 SAE e PE Recomendamos a leitura de um artigo que evidencia a importância da padronização do processo de comunicação entre os profissionais da área de enfermagem. É um assunto importante para aprofundar o conteúdo sobre SAE e PE. ANDRADE, Lidiane Lima de; et al. Diagnósticos de enfermagem para clientes hospitalizados em uma clínica de doenças infectocontagiosas. Revista da Escola de Enfermagem da USP, São Paulo, v. 47, n. 2, p. 448-455, Abril, 2013. Disponível em: <www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080- 62342013000200025&lng=en&nrm=iso>. Acesso: 24 abr. 2017. Relembrando, então, as fases do PE temos: Histórico, Diagnóstico, Planejamento (plano assistencial), Implementação (desenvolvimento das ações e intervenções), Evolução (avaliação dos resultados das ações), Prognóstico (prenunciar, fazer uma previsão dos resultados que poderão ser alcançados). Ressaltamos que o PE é dinâmico, que cada uma das etapas está inter-relacionada, influenciando uma a outra. Para a Sistematização da Assistência junto a pessoas com DICT, devemos buscar instituir o PE aliado ao conhecimento das características de cada DICT, em específico. Isso quer dizer, que devemos conhecer a HND das DICT para que no HE busquemos os dados significativos, tanto clínicos, quanto sociodemográficos e epidemiológicos, que permitirão definir o caso, inicialmente, como suspeito de determinada DICT. Isso é importante para identificar os problemas e definir o diagnóstico (DE), relacionado às necessidades do indivíduo, o que possibilita definir o plano de cuidados. Nessa etapa, devemos pensar em planejar tanto as ações de cuidado individual, quanto as coletivas, já que nas DICT, a família e comunidade podem estar sob o risco de adoecerem. Assim, após a implementação do plano, fazer Para a Sistematização da Assistência junto a pessoas com DICT, devemos buscar instituir o PE aliado ao conhecimento das características de cada DICT, em específico. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342013000200025&lng=en&nrm=iso http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342013000200025&lng=en&nrm=iso DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 044 a reavaliação do caso é fundamental para readaptações do plano e estabelecimento de prognósticos. Agora, quer saber mais? Leia o recurso a seguir. Características das doenças infectocontagiosas Sobre as características das diversas doenças infectocontagiosas, bem como possíveis diagnósticos, tratamento e medidas de controle, recomendamos as seguintes referências: BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Guia de vigilância epidemiológica. Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância Epidemiológica. 7. ed. 816 p. – (Série A. Normas e Manuais Técnicos). Brasília: Ministério da Saúde, 2009. Disponível em: < http://bvsms. saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_vigilancia_epidemiologica_7ed.pdf>. Acesso em: 25 abr. 2017. OPAS. Módulos de Princípios de Epidemiologia para o Controle de Enfermidades. Organização Pan-Americana da Saúde. Ministério da Saúde. Módulo 2: Saúde e doença na população / Organização Pan-Americana da Saúde, 48 p.: il. 7 volumes. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde; Ministério da Saúde, 2010. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/modulo_ principios_epidemiologia_2.pdf>. Acesso em: 25 abr. 2017. Agora que chegamos ao final e, para relembrarmos o que discutimos, assista a nossa terceira videoaula, onde vamos compreender os pontos principais sobre o papel do enfermeiro nas DICT e os recursos que podem ser utilizados frente a ocorrência dessas doenças. http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_vigilancia_epidemiologica_7ed.pdf http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_vigilancia_epidemiologica_7ed.pdf http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/modulo_principios_epidemiologia_2.pdf http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/modulo_principios_epidemiologia_2.pdf DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 045 Videoaula “O Papel do enfermeiro no contexto dasdoenças infectocontagiosas” Autora: Shirley Pereira de Almeida Agora, vamos responder as duas últimas questões de fixação. Para isso, fique atento, pois ambas têm o mesmo contexto. QUESTÃO 4 - Para responder as questões 4 e 5 discursivas, leia e analise o texto e o caso clínico apresentados abaixo. Ascaridíase é uma doença parasitária causada pelo Ascaris lumbricoides, um helminto vulgarmente denominado de lombriga, que podem viver por muito tempo dentro do indivíduo sem apresentar qualquer sintoma. Porém, quando se manifestam podem provocar sintomas com grande número de complicações como obstrução intestinal, perfuração intestinal, abscesso hepático. Caso Clínico A Sra. R.P.S procura o Posto de Saúde trazendo seu filho de 2 anos e 9 meses com quadro de diarreia, dor abdominal, perda de peso. Mãe relata que o outro filho também apresentou sintoma semelhante e que colocou verme pelas fezes. A Sra. R.P.S informou que mora na Vila São José, em uma casa de taipa, com 2 quartos, 1 copa-cozinha, o banheiro é do lado de fora da casa, residem na casa 7 pessoas, não há coleta oficial de lixo, que é jogado no lote vago próximo a casa, a água, tanto de beber, quanto para preparo dos alimentos é proveniente de uma cisterna próximo a casa. Relata ainda que próximo a casa tem um córrego, por onde escoa do esgoto das casas da vila. Considerando a doença Ascaridíase e o Caso Clínico, construa a História Natural da Doença, citando os elementos presentes na Tríade Ecológica de Leavell e Clark e da Cadeia Epidemiológica. O gabarito se encontra no final da unidade. ATIVIDADE DE FIXAÇÃO https://player.vimeo.com/video/194081632 DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 046 QUESTÃO 5 - Considerando o caso clínico apresentado, reflita sobre o papel do enfermeiro frente a essa doença. Defina as ações que o enfermeiro deve realizar, e ações de promoção de saúde, de prevenção de doenças, prevendo as complicações individuais e coletivas. O gabarito se encontra no final da unidade. ATIVIDADE DE FIXAÇÃO Chegamos ao final dessa unidade! Estudamos aqui a caracterização das doenças infectocontagiosas, a relação de terminologias utilizadas e entendemos como aplicar o modelo da História Natural das Doenças como ferramenta para compreensão da ocorrência das doenças infectocontagiosas. Também compreendemos a importância de o enfermeiro conhecer os passos de uma investigação epidemiológica, para exercer seu papel na prevenção e controle das DICT. Agora, assista ao vídeo de finalização, para fixar bem o que aprendemos nesta unidade. Bons estudos! Videoaula “Doenças Infectocontagiosas: seus fundamentos, terminologias e modelos explicativos” Autora: Shirley Pereira de Almeida https://player.vimeo.com/video/194081665 DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 047 QUESTÃO 1 - A resposta certa é a letra E. Justificativa: a. Alternativa incorreta. A afirmação I está incorreta, pois as doenças acima apenas acontecem de forma indireta, a partir de um veículo de transmissão, no caso o mosquito Aedes. b. Alternativa incorreta. A afirmação I está incorreta, pois as doenças acima apenas acontecem de forma indireta, a partir de um veículo de transmissão, no caso o mosquito Aedes. Já a IV está correta, porque todo modo de transmissão ocorre a partir da transferência de um atente etiológico de um reservatório ou fonte primária de infecção (pode ser: qualquer ser humano, animal, artrópode, planta, solo, matéria ou uma combinação deles) para um novo hospedeiro, no caso aqui o homem, seja através de um veículo ou não, seja de forma direta ou indireta (BRASIL, 2009; MALETTA, 2014). c. Alternativa incorreta. A afirmativa II está incorreta porque as doenças acima apenas acontecem de forma indireta, a partir de um veículo de transmissão, no caso o mosquito Aedes. Já a IV está correta, porque todo modo de transmissão ocorre a partir da transferência de um atente etiológico de um reservatório ou fonte primária de infecção (pode ser: qualquer ser humano, animal, artrópode, planta, solo, matéria ou uma combinação deles) para um novo hospedeiro, no caso aqui o homem, seja através de um veículo ou não, seja de forma direta ou indireta (BRASIL, 2009; MALETTA, 2014). ATIVIDADES DE FIXAÇÃO RESPOSTAS d. Alternativa incorreta. A I está incorreta, pois as doenças acima apenas acontecem de forma indireta, a partir de um veículo de transmissão, no caso o mosquito Aedes. A afirmativa II está incorreta porque as doenças acima apenas acontecem de forma indireta, a partir de um veículo de transmissão, no caso o mosquito Aedes. Já a IV está correta, porque todo modo de transmissão ocorre a partir da transferência de um atente etiológico de um reservatório ou fonte primária de infecção (pode ser: qualquer ser humano, animal, artrópode, planta, solo, matéria ou uma combinação deles) para um novo hospedeiro, no caso aqui o homem, seja através de um veículo ou não, seja de forma direta ou indireta (BRASIL, 2009; MALETTA, 2014). DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 048 e. Alternativa correta. A III está correta pois as doenças acima ocorrem a partir da transmissão indireta por meio de veículos animados ou inanimados, sendo que o mosquito Aedes é considerado esse veículo. Para que a doença ocorra é necessário que os microrganismos sejam transportados por um veículo que os leve de um lugar a outro. Já a IV está correta, porque todo modo de transmissão ocorre a partir da transferência de um atente etiológico de um reservatório ou fonte primária de infecção (pode ser: qualquer ser humano, animal, artrópode, planta, solo, matéria ou uma combinação deles) para um novo hospedeiro, no caso aqui o homem, seja através de um veículo ou não, seja de forma direta ou indireta (BRASIL, 2009; MALETTA, 2014). QUESTÃO 2 - A resposta certa é a letra A. Justificativa: a. Alternativa correta. A afirmação I é correta, pois o agente infeccioso foi apresentado e é o arbovírus. A III está certa porque o vetor foi denominado que é o mosquito Aedes Aegypti e o hospedeiro suscetível se trata do próprio homem a qual se referem os dados de incidência das doenças citadas. A afirmação IV está correta pois o texto apresenta tanto o número de casos antigos que ocorreram em 2015 quanto o percentual de casos novos (50% maior em relação ao ano de 2015) que ocorreram no período de janeiro e fevereiro de 2016, data da notícia. ATIVIDADES DE FIXAÇÃO RESPOSTAS b. Alternativa incorreta. A afirmação II está incorreta. O número de casos das três doenças foi alto e a ocorrência em 2016 foi maior em 50 %, tanto o número de casos de 2015 quanto de 2016 revelam que se tratou de uma epidemia e que ocorreu no Brasil de forma geral. A afirmação I é correta, pois o agente infeccioso foi apresentado e é o arbovírus. A III está certa porque o vetor foi denominado que é o mosquito Aedes Aegypti e o hospedeiro suscetível se trata do próprio homem a qual se referem os dados de incidência das doenças citadas. A III está correta, pois o vetor foi denominado, é o mosquito Aedes Aegypti e o hospedeiro suscetível se trata do próprio homem a qual se referem os dados de incidência das doenças citadas. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 049 c. Alternativa incorreta. A afirmação II está incorreta. O número de casos das três doenças foi alto e a ocorrência em 2016 foi maior em 50 %, tanto o número de casos de 2015 quanto de 2016 revelam que se tratou de uma epidemia e que ocorreu no Brasil de forma geral. A III está correta, pois o vetor foi denominado, é o mosquito Aedes Aegypti e o hospedeiro suscetível se trata do próprio homem a qual se referem os dados de incidência das doenças citadas. d. Alternativa incorreta. A afirmação I é correta, pois o agente infeccioso foi apresentado e é o arbovírus. A III está certa porque o vetor foi denominado que é o mosquito Aedes Aegypti e o hospedeiro suscetível setrata do próprio homem a qual se referem os dados de incidência das doenças citadas. A afirmação II está incorreta. O número de casos das três doenças foi alto e a ocorrência em 2016 foi maior em 50 %, tanto o número de casos de 2015 quanto de 2016 revelam que se tratou de uma epidemia e que ocorreu no Brasil de forma geral. A afirmação IV está correta pois o texto apresenta tanto o número de casos antigos que ocorreram em 2015 quanto o percentual de casos novos (50% maior em relação ao ano de 2015) que ocorreram no período de janeiro e fevereiro de 2016, data da notícia. ATIVIDADES DE FIXAÇÃO RESPOSTAS e. Alternativa incorreta. A afirmação I é correta, pois o agente infeccioso foi apresentado e é o arbovírus. A III está certa porque o vetor foi denominado que é o mosquito Aedes Aegypti e o hospedeiro suscetível se trata do próprio homem a qual se referem os dados de incidência das doenças citadas. A afirmação II está incorreta. O número de casos das três doenças foi alto e a ocorrência em 2016 foi maior em 50 %, tanto o número de casos de 2015 quanto de 2016 revelam que se tratou de uma epidemia e que ocorreu no Brasil de forma geral. A III está correta, pois o vetor foi denominado, é o mosquito Aedes Aegypti e o hospedeiro suscetível se trata do próprio homem a qual se referem os dados de incidência das doenças citadas. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 050 A afirmação IV está correta pois o texto apresenta tanto o número de casos antigos que ocorreram em 2015 quanto o percentual de casos novos (50% maior em relação ao ano de 2015) que ocorreram no período de janeiro e fevereiro de 2016, data da notícia. ATIVIDADES DE FIXAÇÃO RESPOSTAS QUESTÃO 3 - A resposta certa é a letra C. Justificativa: a. Alternativa incorreta. A quarta afirmativa é falsa pois é vetor e meio ambiente, e não modo de transmissão e via de eliminação. b. Alternativa incorreta. A primeira afirmação é falsa pois existe hospedeiro não infectado ainda, que é o hospedeiro suscetível, e a quarta afirmativa também pois é vetor e meio ambiente, e não modo de transmissão e via de eliminação. c. Alternativa correta. A primeira afirmação está incorreta pois existe hospedeiro não infectado ainda, que é o hospedeiro suscetível. Já a segunda está correta pois conceitualmente patogenicidade é a capacidade de um agente biológico provocar doença em um hospedeiro suscetível. A terceira afirmação está errada pois existem DICT que ocorrem sem presença de vetor. Já a quarta está incorreta porque é vetor e meio ambiente, e não modo de transmissão e via de eliminação. d. Alternativa incorreta. A segunda afirmação é verdadeira pois conceitualmente patogenicidade é a capacidade de um agente biológico provocar doença em um hospedeiro suscetível. Já a quarta afirmação é falsa pois é vetor e meio ambiente, e não modo de transmissão e via de eliminação. e. Alternativa incorreta. A primeira afirmação é falsa pois existe hospedeiro não infectado ainda, que é o hospedeiro suscetível. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 051 QUESTÃO 4 - De acordo com a Tríade Ecológica de Leavell o agente infeccioso é o Ascaris lumbricoides, o hospedeiro suscetível é o homem e o meio ambiente é um fator de risco para a ocorrência da doença devido as condições de saneamento básico precárias. Considerando a Cadeia Epidemiológica a fonte de infecção ou reservatório é o próprio homem, que também é o hospedeiro suscetível, ele elimina os ovos de Ascaris lumbricoides, no meio ambiente, contaminando água e alimentos que se ingeridos por outros hospedeiros suscetíveis (homem), tendo por porta de entrada a via oral, eles se contaminam iniciando outro ciclo da doença. Então, o modo de transmissão da doença é a ingestão de ovos do parasita, provenientes do solo, água ou alimentos contaminados com fezes humanas. Observa-se a partir dos modelos acima, Tríade Ecológica e a cadeia epidemiológica, um dos momentos da História Natural da Doença (HND), caracterizado como Período de Pré-patogênese, momento da inter-relação entre agente, hospedeiro e meio ambiente. Seguindo a HND, observa-se, também, no estudo de caso o Período de Patogênese que se caracteriza a partir das alterações orgânicas ocorridas na criança, com apresentação dos sintomas, sendo esse o momento em que foi realizado as ações de prevenção secundária com o diagnóstico precoce e início do tratamento. ATIVIDADES DE FIXAÇÃO RESPOSTAS QUESTÃO 5 - Dentre as ações preventivas destacamos algumas quais sejam: Ações individuais: realizar o processo de enfermagem iniciando pelo histórico de enfermagem, definindo o diagnóstico, elaborando o plano assistencial. No caso em questão: iniciar hidratação oral, administrar medicações prescritas, dar conforto à criança e suporte à mãe. Após a Implementação das ações assistenciais reavaliar nível de hidratação e definir prognóstico. Ações coletivas: orientar a mãe e toda a família sobre o ciclo da doença, sobre o cuidado com manuseio e higiene dos alimentos, cuidados de higiene pessoal, com eliminação dos dejetos de forma adequada, sobre o uso e tratamento da agua. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 1 052 Dentre as ações de promoção de saúde temos: promover ações educativas em saúde para que a família possa refletir sobre seu processo saúde-doença, identificar as situações que favorecem o adoecimento, ou seja, situações determinantes desse processo e para que sejam capazes de tomar decisões e enfrentar essas situações. Além disso, promover a discussão na comunidade para conquista de melhores condições de saneamento básico e coleta de lixo. Vale lembrar, que as ações de educação em saúde e as melhorias nas condições de saneamento são as principais medidas de controle dessa doença. ATIVIDADES DE FIXAÇÃO RESPOSTAS UNIDADE Cenário Nacional das Doenças Infectocontagiosas e a Importância da Vigilância em Saúde Olá! Depois de estudar os fundamentos das doenças infectocontagiosas na unidade 1, vamos fazer uma reflexão sobre os fatores que contribuem para a ocorrência das doenças infectocontagiosas e transmissíveis, DICT, ao longo da história, e sua permanência nos dias atuais, relacionando o contexto socioeconômico e ambiental, e o impacto para os serviços de saúde. Vamos compreender esse cenário? Acompanhe com atenção e bons estudos! • Cenário Nacional das doenças infectocontagiosas • Doenças emergentes e reemergentes no cenário nacional • Papel do Ministério da Saúde (MS), das Secretarias Estaduais da Saúde (SES) e das Secretarias Municipais da Saúde (SMS) no controle das doenças infectocontagiosas • Legislação relacionada ao controle das doenças infectocontagiosas • A Vigilância em saúde das doenças infectocontagiosas • O Sistema de Informação Nacional de Agravos de Notificação Compulsória (SINAN) • Respostas Questões de Fixação DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 055 Cenário Nacional das doenças infectocontagiosas Neste tópico temos os objetivos de discutir o cenário nacional das doenças infectocontagiosas, destacar as especificidades loco regionais, o impacto da globalização e fluxo de pessoas no contexto das doenças infectocontagiosas e refletir sobre a ocorrência de novos agravos e o ressurgimento de alguns agravos na atualidade. Vamos também refletir sobre situações e fatores que tem contribuído para a ocorrência das DICT. Vamos considerar a história no Brasil, para verificar as mudanças que ocorreram no perfil epidemiológico, em diversas regiões e estados brasileiros. Fazendo essa verificação, podemos constatar a situação de doenças caracterizada por “Situação de Tripla Carga de Doença”, de acordo com Mendes (2010), o que é uma situação diferente da mudança que ocorreu em outros países que se configurou como uma transição epidemiológica. O termo “transição epidemiológica” foiproposto por Omram (2001) e se refere a mudanças ocorridas, de forma linear, nos padrões de morbimortalidade e invalidez, ao longo do tempo, em determinadas populações de diversos países desenvolvidos, estando relacionadas a outras mudanças como as demográficas, sociais e econômicas. Assim, compreendemos que a transição epidemiológica é uma mudança gradual e progressiva na melhora nos níveis de saúde das populações dos países desenvolvidos, principalmente, devido à melhoria das condições sociais, em que se observa a mudança de uma fase epidemiológica de ocorrência de DICT para uma fase de ocorrência preponderante de doenças crônico-degenerativas (FRENK et al, 1991; ARAÚJO, 2012). A transição epidemiológica é uma mudança gradual e progressiva na melhora nos níveis de saúde das populações dos países desenvolvidos, principalmente, devido à melhoria das condições sociais. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 056 No Brasil, em décadas anteriores, as DICT tinham um peso muito maior nos padrões de morbimortalidade. Eram as principais responsáveis por grande parte dos óbitos e das internações. Para podermos compreender isso por meio de dados, em 1950, 35,9 % do total de óbitos foram provocados por doenças infecciosas, em 1960, 25,9 %, em 1970, 15,7 %, e em 1980, 11,4 %. Nas décadas mais recentes, esse número caiu para 5,2% dos óbitos no Brasil, evidenciando um declínio da ocorrência de óbitos por esse grupo de doenças (Monteiro, 2000; BRASIL, 2007, p.118; BRASIL, 2010a; SBI, 2016). No entanto, as doenças infecciosas ainda persistem como problema de saúde pública com impacto importante para determinadas populações e regiões brasileiras. Assim, a situação de doenças é discutida considerando a ocorrência da “Tripla Carga de Doença” (MENDES, 2010) como uma situação em que observamos três grandes grupos de causas de doença. A seguir podemos ver um quadro que mostra como é essa divisão e o predomínio das doenças crônico-degenerativas, muito embora as DICT ainda desempenhem um papel importante (SHRAMM et al, 2004; MENDES, 2010). QUADRO 3 – Grupo de Causas de Doenças 1º GRUPO 2º GRUPO 3º GRUPO Doenças infectocontagiosas, desnutrição e problemas reprodutivos Doenças crônico-degenerativas Causas externas (violências, suicídios, homicídios) Fonte: Elaborado por Shirley Pereira de Almeida, baseado em Mendes (2010). Os dados de um estudo realizado sobre a carga de doença, por grupo de causa, revelam que em 1998, no Brasil, os óbitos por doenças infectocontagiosas (1º grupo), doenças crônico-degenerativas As doenças infecciosas ainda persistem como problema de saúde pública com impacto importante para determinadas populações e regiões brasileiras. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 057 (2º grupo) e violência (3º grupo), por 1000 habitantes, eram, respectivamente, 19,8%, 74,7 % e 5,5 % (SCHRAMM et al, 2004). No estudo de Leite et al (2015) sobre carga de doença no Brasil, com base no ano de 2008, revelaram que 13,2% dos óbitos se referem ao 1º grupo de causas (doenças infecto-parasitárias, condições maternas e perinatais e deficiências nutricionais), 77,2% se referem ao 2º grupo (doenças não transmissíveis) e 9,5% se referem ao 3º grupo (causas externas). Em ambos os estudos, de 1998 e 2008, observamos o predomínio do 2º grupo, porém é importante destacar que as doenças infectocontagiosas têm um grande impacto no cenário brasileiro, devido a incidência e prevalência dessas doenças, bem como considerando que são óbitos de causas que poderiam ter sido evitadas (SCHRAMM et al, 2004, LEITE et al, 2015). Os estudos também revelam as desigualdades regionais. No Quadro a seguir, podemos ver os dados regionais que se referem ao estudo de Leite et al (2015), com base no ano de 2008. QUADRO 4 – Carga de doenças no Brasil Carga de doença por 1.000 habitantes e sua distribuição proporcional por grupos de causas, em ambos os sexos, segundo grandes regiões Grupo causas Região Norte Região Nordeste Região centro-oeste Região Sudeste Região sul Grupo 1 18,3 15,7 12,5 11,4 11,1 Grupo 2 71,5 75,3 75,4 79,5 78,6 Grupo 3 10,2 8,9 12,2 9,2 10,3 Fonte: Elaborado por Shirley Pereira de Almeida, com base no estudo de Leite et al (2015). Vimos que a mortalidade por doenças infecciosas, vem declinando com o passar das décadas. A queda fica ainda mais acentuada, se compararmos os índices do Ministério da Saúde (BRASIL, 2010a): DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 058 • Em 1930, DICT era responsável por 45,7% de todos os óbitos do país. • Em 1980, esse percentual era de 9,3%. • Em 2006, o índice foi de 4,9%. Outros dados também corroboram o declínio das DICT no Brasil, relacionados à taxa de mortalidade, por exemplo. Em 1990, era de 59,3 por 100.000 habitantes, e em 2006, reduziu para 48,8 por 100.000 habitantes. Nos dados de internações por DICT, entre 1980 e 1990, foram cerca de 10% do total de e, no período de 2000 a 2007, ainda se mantinham em torno de 8,4%, sendo que se observa diferenças regionais, com valores mais elevados nas regiões Norte (13,6%) e Nordeste (11,9%). Vários fatores contribuíram para redução da ocorrência das DICT, vamos ver quais são: • Mudanças históricas, socioeconômicas e políticas com o processo de migração urbana e industrialização; • Melhoria de infraestrutura, saneamento básico, habitação, acesso a serviços de saúde; • Transição demográfica, diminuição da taxa de natalidade e fecundidade, aumento da expectativa de vida, envelheci- mento populacional; • Instituição de medidas preventivas, sendo que a principal me- dida foi o advento das vacinas que muito contribuiu para o controle e erradicação de doenças consideradas imunopre- veníveis (MONTEIRO, 2000; BRASIL, 2010a; MENDES, 2010). Quer saber mais sobre medidas preventivas? Acompanhe o recurso a seguir, sobre vacinas. Alguns fatores contribuíram para redução da ocorrência das DICT, e dentre eles estão as mudanças históricas, socioeconômicas e políticas DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 059 Programa Nacional de Imunização Para saber mais sobre o PNI, recomendamos duas referências importantes: BRASIL. Programa Nacional de Imunizações 30 anos. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Série C. Projetos e Programas e Relatórios. Brasília: Ministério da Saúde, 2003. Disponível em: <bvsms. saude.gov.br/bvs/publicacoes/livro_30_anos_pni.pdf>. BRASIL. Programa Nacional de Imunizações (PNI): 40 anos. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Brasília: Ministério da Saúde, 2013. Disponível em: <bvsms. saude.gov.br/bvs/publicacoes/programa_nacional_imunizacoes_pni40.pd>. Apesar do declínio dessas doenças, observamos que, considerando as diferenças regionais, há ainda um grande impacto em alguns estados e municípios brasileiros, revelando um contraste denominado como polarização epidemiológica (BRASIL, 2010a). Isso se deve às variações regionais, considerando que o Brasil é um país de grande extensão territorial, com uma diversidade de cenários, características sociais, econômicas e políticas distintas. A polarização epidemiológica tem sido discutida no contexto dos países em desenvolvimento, como o Brasil. Mas o que significa polarização epidemiológica? Esse é um termo utilizado para caracterizar as mudanças no padrão de adoecimento das populações, que apresentam um perfil epidemiológico heterogêneo e marcante contraste, considerando as diferentes regiões em um mesmo país (FRENK et al, 1991; ARAÚJO, 2012). Esse é um termo utilizado para caracterizar as mudanças no padrão de adoecimento das populações, que apresentam um perfil epidemiológico heterogêneo e marcante contraste, considerando as diferentes regiões em um mesmo país http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/livro_30_anos_pni.pdf http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/livro_30_anos_pni.pdfhttp://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/programa_nacional_imunizacoes_pni40.pd http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/programa_nacional_imunizacoes_pni40.pd DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 060 Observamos que a polarização pode ser discutida a partir de três perspectivas: epidemiológica, geográfica e social. A polarização epidemiológica refere-se às diferenças regionais relacionadas ao perfil epidemiológico como, por exemplo, as diferenças entre a ocorrência de doenças crônicas não transmissíveis versus as DICT, comparando-se as diversas regiões. A polarização geográfica que se refere às discrepâncias entre as regiões brasileiras. Há algumas regiões com padrões de saúde e doença semelhantes ao de países desenvolvidos e outras com padrões semelhantes a países menos desenvolvidos. A polarização social se refere às discrepâncias entre as classes sociais das diversas regiões brasileiras que se manifesta nos indicadores de morbimortalidade nos diferentes grupos populacionais (ARAUJO, 2012). Assim, as DICT ainda são alvo de preocupação, pois muitas dessas doenças, que antes estavam controladas, tiveram um aumento na incidência, e outras tantas que não ocorriam no Brasil, surgiram trazendo grande impacto para a sociedade, para o SUS (Sistema Único de Saúde) e para os serviços e profissionais de saúde. Isso acabou se tornando um desafio, pois frente a essas variações epidemiológicas é necessário que haja investimentos, tanto de infraestrutura de recursos tecnológicos, quanto de recursos humanos, para lidar com esse processo de mudança, bem como a instituição de medidas de prevenção e controle mais efetivas (MONTEIRO, 2000; BRASIL, 2010a). Agora, vamos responder a primeira questão de fixação? Acompanhe! DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 061 QUESTÃO 1 - Dados do Ministério da Saúde referentes a morbimortalidade por grupo de causas e publicados nos Boletins Epidemiológicos ao longo dos anos, revelam uma mudança no perfil epidemiológico, devido ao comportamento das doenças ao longo da história. Considerando o cenário das Doenças Infectocontagiosas e Transmissíveis, no Brasil, e a mudança no perfil epidemiológico, leia as afirmações abaixo: I. Houve uma mudança no perfil epidemiológico com predomínio das DICT nas diversas regiões brasileiras. II. As DICT são ainda alvo de preocupação devido ao aumento significativo de algumas dessas doenças, bem como devido a reemergência e emergência de outras. III. Observa-se que o peso maior nos padrões de morbimortalidade se deve às DICT, sendo as principais responsáveis por grande parte dos óbitos e internações, ao longo da história. IV. A ocorrência das DICT e as variações regionais dessas doenças revelam as discrepâncias sociais existentes nas diversas regiões brasileiras. É correto o que se afirma em: a. II e IV, apenas. b. I e IV, apenas. c. III e IV, apenas. d. I e III, apenas. e. II e III, apenas. O gabarito se encontra no final da unidade. ATIVIDADE DE FIXAÇÃO DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 062 Doenças emergentes e reemergentes no cenário nacional Agora, vamos entender a tendência de ocorrência das DICT na população, em torno dos conceitos de doenças emergentes e reemergentes. Ao tratar desse assunto, é imprescindível falar também sobre doenças com tendência declinante e persistente, vamos lá? A ocorrência de DICT revela um quadro complexo, mas apesar disso, é possível agrupá-las considerando o seu aparecimento ou reaparecimento, de acordo com a distribuição geográfica e variações temporais. De acordo com as tendências das DICT, observamos quatro grupos que são (PAZ, BERCINI, 2009; BRASIL, 2010a; SBI, 2016): • DICT de tendência declinante • DICT com quadro de persistência • DICT emergentes e reemergentes Vamos entender a definição de cada um desses grupos de tendências a partir de alguns exemplos (PAZ, BERCINI, 2009; BRASIL, 2010a; SBI, 2016). Define-se como DICT de tendência declinante aquelas que foram erradicadas ou eliminadas, ou que apresentam tendência decrescente. Como exemplo temos a varíola e poliomielite, já erradicadas em diversas partes do mundo, e o sarampo, que tem apresentado uma redução significativa do número de casos, ao longo do tempo. DICT com quadro de persistência são aquelas que ainda persistem, a despeito das medidas de controle e prevenção, ou por ineficiência delas, mantendo altas taxas de prevalência em diversas regiões. Podem ocorrer em forma de surto, epidemias ou endemias, dependendo das condições ambientais favoráveis na região, A ocorrência de DICT revela um quadro complexo, mas apesar disso, é possível agrupá- las considerando o seu aparecimento ou reaparecimento, de acordo com a distribuição geográfica e variações temporais. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 063 podendo evoluir para casos graves. Vamos citar alguns exemplos: a tuberculose, as hepatites virais (B e C), meningites e leishmanioses. As DICT consideradas reemergentes são aquelas conhecidas e que já tinham sido controladas no passado, mas que reapareceram em função das alterações no comportamento epidemiológico. Pode ocorrer, também, em função da introdução de agente etiológico, já conhecido, em regiões que antes não ocorriam casos, mas onde vivem pessoas suscetíveis. Muitas vezes, as doenças ressurgem em forma de surtos em determinadas regiões. Alguns exemplos dessa tendência são: dengue, cólera, difteria. As DICT consideradas emergentes são aquelas que não ocorriam no território brasileiro em décadas anteriores, e surgiram ou foram identificadas, recentemente. Pode ser devido a mudanças que ocorreram no agente etiológico, ou mesmo em função de outros modos de transmissão, que não ocorriam antes. Alguns exemplos são: Chikungunya (CKY), Zika vírus, aids e influenza H1N1A. Vamos saber mais sobre as doenças e suas tendências de ocorrência? Acompanhe o recurso a seguir. DICT declinante, persistente, emergente, reemergente Para entendermos mais sobre as tendências de ocorrência das DICT e para que possamos refletir sobre essas doenças no cenário brasileiro, ao longo dos anos, sugerimos outras referências a seguir. BUSATO, Ivana Maria Saes. Epidemiologia e processo saúde-doença. Curitiba: InterSaberes, 2016. (Série Princípios da Gestão Hospitalar). Disponível na Biblioteca Virtual – SOL. As DICT consideradas emergentes são aquelas que não ocorriam no território brasileiro em décadas anteriores, e surgiram ou foram identificadas, recentemente. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 064 PAZ, F.A.Z; BERCINI, M.A. Doenças emergentes e reemergentes no contexto da saúde pública. Boletim da Saúde - ESP/RS. Porto Alegre, v. 23, n. 1, p. 9-13, jan./ jun. 2009. Disponível em: < http://www.boletimdasaude. rs.gov.br/conteudo/1441/doen%C3%A7as-emergentes-e-reemergentes- no-contexto-da-sa%C3%BAde-p%C3%BAblica->. Acesso em: 19 abr. 2017. TIETZMANN, Daniela. Epidemiologia. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014. (Coleção bibliografia universitária Pearson). Disponível em: Biblioteca Virtual – SOL. É interessante ressaltar que os mesmos fatores que contribuíram para o declínio das DICT têm sido apontados, também, como responsáveis pela situação de permanência e reaparecimento dessas doenças. De maneira geral, as DICT têm apresentado como evolução, um aumento em função das mudanças sociais e ambientais que ocorrem, principalmente em função das intervenções do homem sobre o ambiente, que podem afetar a suscetibilidade das populações, expondo as pessoas ao risco de contágio pelos agentes infecciosos (PAZ, BERCINI, 2009; OPAS, 2010; SBI, 2016). Assim, diversos autores (PAZ, BERCINI, 2009; OPAS, 2010; SBI, 2016) têm destacado fatores que contribuem para a disseminação, emergência e reemergência das DICT. Destacamos algumas: • Mudanças macroestruturais relacionadas ao desenvolvimento econômico quepodem levar a alterações ambientais, crescimento desordenado das cidades, urbanização sem planejamento de infraestrutura adequado, favelização e aglomerados urbanos, pobreza, miséria, falta de higiene. Tudo isso pode levar a um crescimento de reservatórios potenciais de patógenos. Os mesmos fatores que contribuíram para o declínio das DICT têm sido apontados, também, como responsáveis pela situação de permanência e reaparecimento dessas doenças. http://www.boletimdasaude.rs.gov.br/conteudo/1441/doen%C3%A7as-emergentes-e-reemergentes-no-contexto-da-sa%C3%BAde-p%C3%BAblica- http://www.boletimdasaude.rs.gov.br/conteudo/1441/doen%C3%A7as-emergentes-e-reemergentes-no-contexto-da-sa%C3%BAde-p%C3%BAblica- http://www.boletimdasaude.rs.gov.br/conteudo/1441/doen%C3%A7as-emergentes-e-reemergentes-no-contexto-da-sa%C3%BAde-p%C3%BAblica- DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 065 • Mudanças ambientais em decorrência de construção de grandes obras (hidrelétricas, indústrias e rodovias), que levam ao desmatamento; mudanças climáticas (aquecimento global), secas e inundações. Todas essas situações podem provocar um aumento de exposição das pessoas a vetores ou fontes ambientais que abrigam agentes infecciosos novos ou não comuns, em determinadas regiões. • Trânsito ou migração de pessoas, sejam nacional ou internacionalmente, devido à globalização, ao turismo, com concentrações nos meios de transporte (avião), grandes eventos de massa (copa, olimpíadas). Grande deslocamento de pessoas devido a guerras, conflitos e concentração em campo de refugiados. • Serviços de saúde inadequados, insuficientes ou desestruturados, o que impede o acesso a tratamento e controle e a ações de prevenção, como imunização. Ausência ou insuficiência de medidas de controle sanitário de saúde pública para doenças antes controladas. • Evolução de microrganismos, como mutações virais, aparecimento de agentes infecciosos resistentes aos antibióticos convencionais e aos de nova geração, devido ao uso irracional e indiscriminado de antimicrobianos, sem prescrição médica e indicações precisas como, por exemplo, quando usado para algumas doenças, como no caso da gonorréia e outras infecções bacterianas. • Condições do hospedeiro, que podem levar ao aumento da suscetibilidade, como situação de imunodepressão em função da presença de outras doenças, como aids e neoplasias, desnutrição. Nesse contexto, vale destacar as mudanças macroestruturais que existem no Brasil, principalmente as que contribuem para as DICT, em classes sociais menos favorecidas, consideradas como Doenças Os fatores que contribuem para a disseminação, emergência e reemergência das DICT são as mudanças macroestruturais e ambientais, assim como o trânsito e migração de pessoas, os serviços de saúde inadequados, a evolução dos microorganismos e as condições do hospedeiro. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 066 Negligenciadas, sendo alguns exemplos dessas doenças: a malária, a doença de Chagas, a doença do sono (tripanossomíase humana africana, THA), a leishmaniose visceral (LV), a filariose linfática, o dengue e a esquistossomose, continuam sendo algumas das principais causas de morbidade e mortalidade em todo o mundo (SOUZA, 2010). Na notícia a seguir, podemos ver outras doenças negligenciadas e os fatores que contribuem para sua ocorrência, que têm grande impacto para milhões de pessoas, pois levam à incapacidade ou ao óbito, por doenças que poderiam ser evitadas e controladas, mediante investimentos, adoção de estratégias, dentre outras ações. Doenças Negligenciadas As doenças negligenciadas são aquelas causadas por agentes infecciosos ou parasitas e são consideradas endêmicas em populações de baixa renda. Essas enfermidades também apresentam indicadores inaceitáveis e investimentos reduzidos em pesquisas, produção de medicamentos e em seu controle. As doenças tropicais, como a malária, a doença de Chagas, a doença do sono (tripanossomíase humana africana, THA), a leishmaniose visceral (LV), a filariose linfática, o dengue e a esquistossomose continuam sendo algumas das principais causas de morbidade e mortalidade em todo o mundo. Estas enfermidades, conhecidas como doenças negligenciadas, incapacitam ou matam milhões de pessoas e representam uma necessidade médica importante que permanece não atendida. Embora as doenças tropicais e a tuberculose sejam responsáveis por 11,4% da carga global de doença, apenas 21 (1,3%) dos 1.556 novos medicamentos registrados entre 1975 e 2004, foram desenvolvidos especificamente para essas doenças. Portanto, 1.535 medicamentos foram registrados para outras doenças. As doenças negligenciadas são aquelas causadas por agentes infecciosos ou parasitas e são consideradas endêmicas em populações de baixa renda. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 067 As doenças negligenciadas são um grupo de doenças tropicais endêmicas, especialmente entre as populações pobres da África, Ásia e América Latina. Juntas, causam entre 500 mil e 1 milhão de óbitos anualmente. As medidas preventivas e o tratamento para algumas dessas moléstias são conhecidos, mas não são disponíveis universalmente nas áreas mais pobres do mundo. Em alguns casos, o tratamento é relativamente barato. Em comparação às doenças negligenciadas, as três grandes enfermidades (Aids, tuberculose e malária), geralmente recebem mais recursos, inclusive para pesquisa. As doenças negligenciadas podem também tornar a Aids e a tuberculose mais letais. Leia a notícia completa na Agência Fiocruz de Notícias: <https:// agencia.fiocruz.br/doenças-negligenciadas>. Muitas das situações e fatores destacados como possíveis causas que contribuem para a disseminação das DICT, revelam a responsabilidade dos seres humanos na propagação das DICT e na contribuição para que ocorram as epidemias, em nível macro, micro, coletivo e individual (SBI, 2016). Para combater essas doenças é necessário mobilizar a sociedade, para que haja decisão política, investimento em recursos humanos e tecnológicos. Sem isso, as DICT continuarão ocorrendo e trazendo grandes prejuízos para toda a sociedade (OPAS, 2010; SBI, 2016). Um fator de grande importância relacionado ao reaparecimento de algumas DICT é a baixa cobertura vacinal, principalmente nas doenças que se pode prevenir com imunização. Esse é um fator preocupante para os gestores do SUS e de diversos profissionais da saúde. No recurso a seguir, podemos ler um boletim do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo, que retrata essa situação. Para combater essas doenças é necessário mobilizar a sociedade, para que haja decisão política, investimento em recursos humanos e tecnológicos. https://agencia.fiocruz.br/doenças-negligenciadas https://agencia.fiocruz.br/doenças-negligenciadas DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 068 Alerta Sarampo - Estado de São Paulo A vacina tríplice viral é a medida de prevenção mais segura e eficaz contra o sarampo, protegendo também contra a rubéola e a caxumba. A circulação endêmica do vírus do sarampo permanece em diferentes países do mundo, onde a cobertura vacinal persiste abaixo da taxa necessária (95%) capaz de interromper a cadeia de transmissão, assim mais de 20 milhões de casos de sarampo acontecem a cada ano no mundo. Em 2015, surtos da doença, com milhares de casos e óbitos, foram registrados em diferentes países da África (Sudão, Egito, Camarões, Nigéria) e Ásia (Malásia, Paquistão). No Brasil, foram contabilizados 220 casos de sarampo em 2013 (São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Santa Catarina, Ceará, Pernambuco Paraíba e Distrito Federal); 876 casos em 2014 (Ceará, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo) e 214 casos em 2015 (Ceará, Roraima e São Paulo). O Brasil registrou casos de sarampo entre 2013 e 2015, em Pernambuco e noCeará. Este surto foi considerado encerrado em 24/9/2015. Fonte: SÃO PAULO. Secretaria de Estado da Saúde. Coordenadora de Controle de Doenças. Centro de Vigilância Epidemiológica. Alerta Sarampo - Estado de São Paulo - Atualização Epidemiológica - Dezembro de 2015. Informe Técnico elaborado pela Equipe Técnica da DDTR/CVE/CCD/SES-SP, em 11 de dezembro de 2015, São Paulo, Brasil. Disponível em: <http://portal.saude.sp.gov.br/ resources/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica/areas-de-vigilancia/ doencas-de-transmissao-respiratoria/sindrome-da-rubeola-congenita-src/ doc/2015_sarampo_alerta_dezembro.pdf>. Acesso em: 10 mai. 2017. No Brasil, foram contabilizados 220 casos de sarampo em 2013, 876 casos em 2014 e 214 casos em 2015. As informações que o boletim nos mostra, sobre a ocorrência de sarampo, uma DICT, revelam a situação no Brasil e em outros países, sendo possível identificar que algumas DICT tais como rubéola, caxumba e sarampo, tem como principal medida de controle a imunização. Ressalta-se a semelhança entre elas, quanto ao agente infeccioso, pois se tratam de doenças provocadas por http://portal.saude.sp.gov.br/resources/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica/areas-de-vigilancia/doencas-de-transmissao-respiratoria/sindrome-da-rubeola-congenita-src/doc/2015_sarampo_alerta_dezembro.pdf http://portal.saude.sp.gov.br/resources/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica/areas-de-vigilancia/doencas-de-transmissao-respiratoria/sindrome-da-rubeola-congenita-src/doc/2015_sarampo_alerta_dezembro.pdf http://portal.saude.sp.gov.br/resources/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica/areas-de-vigilancia/doencas-de-transmissao-respiratoria/sindrome-da-rubeola-congenita-src/doc/2015_sarampo_alerta_dezembro.pdf http://portal.saude.sp.gov.br/resources/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica/areas-de-vigilancia/doencas-de-transmissao-respiratoria/sindrome-da-rubeola-congenita-src/doc/2015_sarampo_alerta_dezembro.pdf DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 069 vírus, com transmissão pelo contato direto e são consideradas doenças imunopreveníveis, ou seja, a principal medida de prevenção é a administração da vacina. Porém, considerando a ocorrência de surtos, dessas doenças, há a possibilidade de reemergência do sarampo e caxumba devido, principalmente, à baixa cobertura vacinal, com permanência de população suscetível e a possibilidade de modificação do vírus. Agora, podemos acompanhar a primeira videoaula. Videoaula “Doenças emergentes e reemergentes no Cenário nacional” Autora: Shirley Pereira de Almeida Então, vamos responder mais uma questão de fixação. Acompanhe! QUESTÃO 2 - Relacionado às tendências, observamos quatro grupos que são: DICT de tendência declinante, DICT com quadro de persistência, DICT emergentes e reemergentes. Considerando as tendências das diversas DICT, no Brasil, é correto o que se afirma em: a. A dengue pode ser considerada como doença persistente, no Brasil. b. A ocorrência de sarampo pode ser considerada como doença reemergente. c. A tuberculose no Brasil é considerada como uma doença emergente. d. A doença de chagas de transmissão vetorial é considerada no Brasil como reemergente. O gabarito se encontra no final da unidade. ATIVIDADE DE FIXAÇÃO https://player.vimeo.com/video/194083767 DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 070 Papel do Ministério da Saúde (MS), das Secretarias Estaduais da Saúde (SES) e das Secretarias Municipais da Saúde (SMS) no controle das doenças infectocontagiosas Para compreender as responsabilidades do Ministério da Saúde (MS), das Secretarias Estaduais da Saúde (SES) e das Secretarias Municipais da Saúde (SMS) no controle de doenças infectocontagiosas, Como vimos no tópico anterior, vários fatores têm contribuído para a ocorrência das DICT. Há os fatores relacionados às questões macroestruturais, como as condições de moradia, saneamento básico, infraestrutura urbana e de serviços essenciais como saúde. Para enfrentar as DICT é necessário investir na melhoria da infraestrutura dos serviços de saúde pública, incremento de recursos humanos e capacitação dos profissionais, implementação de políticas de medidas de controle e vigilância, além de mobilização de toda sociedade, considerando que seus comportamentos e hábitos são, também, considerados como fatores que contribuem para a ocorrência das DICT (PAZ, BERCINI, 2009; OPAS, 2010; SBI, 2016). Considerando alguns desafios das DICT no Brasil e a responsabilidade das três esferas de governo frente aos desafios, leia com atenção a notícia no recurso a seguir. Vamos fazer uma análise e, depois, responder algumas questões. Para enfrentar as DICT é necessário investir na melhoria da infraestrutura dos serviços de saúde pública, incremento de recursos humanos e capacitação dos profissionais, implementação de políticas de medidas de controle e vigilância, além de mobilização de toda sociedade. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 071 Doenças do século 19 ainda são desafios para a saúde pública Brasília - O mesmo Sistema Único de Saúde (SUS) que fez mais de 22 mil cirurgias de transplantes de órgão e lida diariamente com doenças relacionadas a um novo estilo de vida imposto pela modernidade do século 21 - corrido e ao mesmo tempo sedentário -, ainda precisa prestar atendimento a pessoas com enfermidades que se expandiram desde o século 19. De acordo com a pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Tânia Araújo Jorge, as chamadas “doenças negligenciadas” têm um determinante social muito forte e suas sequelas alimentam o círculo da pobreza. “Renda, condições de educação, de saneamento e água influenciam bastante na permanência dessas doenças, por isso são consideradas doenças relacionadas à pobreza”, explica Tânia. As doenças negligenciadas consideradas prioritárias pelo governo federal são dengue, doença de Chagas, leishmaniose, malária, esquistossomose, hanseníase e tuberculose. A pesquisadora destaca que outra característica desses males é que, de forma geral, são negligenciados pela indústria farmacêutica global. “Não tem interesse em investimento de pesquisa para geração de vacina, de medicamentos, porque é um mercado pobre, a atividade econômica não dá sustentação para um mercado global” avaliou. Tânia Araújo acrescenta ainda que outro componente que contribui para a permanência dessas doenças na agenda do governo é a omissão da rede pública de saúde na atenção a essas populações. “Muitas vezes você tem o medicamento, mas o serviço de saúde não propicia o acesso às soluções já conhecidas”, diz. A pesquisadora ressaltou que não adianta ter apenas um planejamento do governo federal, “tem que haver ação na ponta. A articulação entre os entes federal, estaduais e municipais é muito importante”. Para ela, as políticas voltadas para a as doenças negligenciadas são tratadas como política de governo e não de Estado, e por isso é muito comum que sejam suspensas a cada troca de governo. Outro componente que contribui para a permanência dessas doenças na agenda do governo é a omissão da rede pública de saúde na atenção a essas populações. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 072 “Esse tema não deve sair da agenda política, ele está muito presente na agenda dos cientistas, mas isso por si só não é o suficiente. Os resultados das pesquisas têm que ser colocado na agenda política do país” frisou Tânia, acrescentando que o investimento em educação é fundamental. Leia a notícia completa no Portal da Empresa Brasil de Comunicação: Fonte: VALCARENGHI, Aline Leal; CHAGAS, Marcos. Doenças do século 19 ainda são desafios para a saúde pública. Agência Brasil. 19/08/2013. Disponível em: <http://www.ebc.com.br/noticias/sau- de/2013/08/doencas-do-seculo-19-ainda-sao-desafios-para-a-saude- -publica>. Acesso em: 10 mai. 2017. Agora, vamos analisar as informações que lemos na notícia, a partirde alguns questionamentos: 1. Que fatores contribuem para a ocorrência das DICT que foram citados na notícia? Os fatores que contribuem para a ocorrência das DICT são: Falta de interesse e investimentos para realização de pesquisas, para produção de novos medicamentos e vacinas; ausência ou pouca efetividade das ações de prevenção e controle dessas doenças, sendo necessário rediscutir sobre essas ações, bem como elaborar uma agenda de propostas de ações mais efetivas para o enfrentamento delas. Isso não significa que não exista uma agenda de propostas, mas que essa agenda deve ser repensada considerando os desafios atuais. Além disso, maior envolvimento e responsabilização de todos para o enfrentamento dessas doenças. Esses fatores apontam para a necessidade de implementação de políticas mais efetivas tanto para a definição de responsabilidades e atribuições quanto para o financiamento e distribuição de recursos, para definição de ações estratégicas de enfrentamento. A necessidade de implementação de políticas mais efetivas tanto para a definição de responsabilidades e atribuições quanto para o financiamento e distribuição de recursos, para definição de ações estratégicas de enfrentamento. http://www.ebc.com.br/noticias/saude/2013/08/doencas-do-seculo-19-ainda-sao-desafios-para-a-saude-publica http://www.ebc.com.br/noticias/saude/2013/08/doencas-do-seculo-19-ainda-sao-desafios-para-a-saude-publica http://www.ebc.com.br/noticias/saude/2013/08/doencas-do-seculo-19-ainda-sao-desafios-para-a-saude-publica DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 073 2. Que atores devem estar envolvidos no cenário das DICT agindo para o controle das mesmas? Existe a necessidade de atores que se comprometam em propor políticas públicas direcionadas a esses desafios, bem como gestores que as levem adiante. Além disso, envolver os profissionais de saúde na realização das ações estratégicas, bem como mobilizar a sociedade através das mídias para uma mudança de comportamento e hábitos. Percebemos aqui, que são vários os atores que devem se envolver no enfrentamento dessas doenças. Na notícia foram citadas várias informações importantes, que se configuram como desafios, relacionadas as DICT consideradas como negligenciadas. No entanto, esses fatores apontados na notícia se aplicam, de forma geral, a diversas DICT. Todo esse cenário requer vontade e decisão política, sendo fundamental que as ações e investimentos necessários para enfrentamento das DICT estejam na agenda política de qualquer governo, de forma articulada com as três esferas de governo (Federal, Estadual, Municipal), envolvendo todos os níveis de atenção à saúde (primária, secundária, terciária) (PAZ, BERCINI, 2009; OPAS, 2010; SBI, 2016). Nesse contexto, se inserem os Sistemas de Vigilância em Saúde e o Sistema de Vigilância Sanitária instituídos, mediante leis e portarias, em todo território nacional. Lembrando que o Sistema de Vigilância em Saúde tem como objetivo a análise permanente da situação de saúde da população, articulando-se num conjunto de ações que se destinam a controlar determinantes, riscos e danos à saúde de populações que vivem em determinados territórios. A Vigilância Sanitária tem por objetivos o controle sanitário da produção e da comercialização de produtos e serviços submetidos à vigilância sanitária, inclusive dos ambientes, dos processos, dos insumos e das tecnologias a eles relacionadas, bem como o controle de portos, aeroportos e fronteiras (BRASIL, 2009). O Sistema de Vigilância em Saúde tem como objetivo a análise permanente da situação de saúde da população, articulando-se num conjunto de ações que se destinam a controlar determinantes, riscos e danos à saúde de populações que vivem em determinados territórios. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 074 Vale ressaltar a descentralização desses sistemas, para cobertura de todo território nacional, visando cumprir com as ações de acordo com o nível de competência para enfrentamento das DICT, e outros agravos. As competências de cada nível de governo (União, Estado e Municípios), do Sistema Único de Saúde (SUS), Sistema de Vigilância em Saúde e Vigilância Sanitária, relacionadas às DICT e outros agravos, estão descritas em diversos documentos, como a Constituição Federal, Leis e Portarias, como veremos a seguir. Agora, vamos responder a quarta questão de fixação. QUESTÃO 3 - “A Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu investimentos para os países afetados por 17 doenças tropicais negligenciadas, uma ação que poderia beneficiar diretamente a saúde e o bem-estar de mais de 1,5 bilhão de pessoas. Ao aumentar o investimento em apenas 0,1% dos gastos domésticos em saúde, governos de países de baixa e média renda podem evitar a ocorrência de doenças como leishmaniose, hanseníase, doença de chagas, dengue, raiva, entre outras. A OMS enfatiza que é necessário investir para superar o impacto das doenças tropicais negligenciadas, destaca algumas ações necessárias para promover a redução e eliminação dessas doenças, que afetam principalmente as populações mais pobres e vulneráveis, como o acesso universal ao setor de saúde e investimentos em água e saneamento. Ressalta, ainda, que a rápida urbanização, a falta de planejamento, as mudanças climáticas e os impactos no meio ambiente são fatores que contribuem para a propagação dessas doenças anteriormente apenas associadas a zonas tropicais, como a dengue, que hoje se encontra em 150 países. ” Fonte: ONU. Fim das doenças tropicais negligenciadas trará ganhos econômicos para os governos, afirma OMS. Publicado em 19/02/2015. Disponível em: <https://nacoesunidas.org/fim-das-doencas-tropicais-negligenciadas-trara- ganhos-economicos-para-os-governos-afirma-oms/>. Acesso em: 15 mai. 2017. ATIVIDADE DE FIXAÇÃO https://nacoesunidas.org/fim-das-doencas-tropicais-negligenciadas-trara-ganhos-economicos-para-os-governos-afirma-oms/ https://nacoesunidas.org/fim-das-doencas-tropicais-negligenciadas-trara-ganhos-economicos-para-os-governos-afirma-oms/ DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 075 Com base no texto acima, considerando o contexto das Doenças Negligenciadas (DN), no Brasil, e as competências da União, Estados e Municípios para o enfrentamento e controle dessas doenças, responda a seguinte questão: Quais ações devem ser empreendidas, no SUS, como medidas de prevenção, tratamento e controle das DN? O gabarito se encontra no final da unidade. ATIVIDADE DE FIXAÇÃO Legislação relacionada ao controle das doenças infectocontagiosas Para discutir a legislação que regulamenta as ações de controle de doenças infectocontagiosas, precisamos compreender as competências dos três níveis de governo, a partir de suas entidades gestoras do SUS. A gestão do SUS é exercida em cada esfera de governo pelos órgãos representativos. No âmbito da União, a gestão é do Ministério da Saúde (MS), nos Estados e Distrito Federal, o gerenciamento é feito pelas Secretárias Estaduais (SES) e nos Municípios, são as Secretarias Municipais de Saúde (SMS), como disposto no inciso I do art. 198 da Constituição Federal (1988) e no art. 9º da Lei 8080 (1990). Além disso, iremos destacar as ações relacionadas ao controle de doenças infectocontagiosas que estão descritas em alguns documentos legais. Inicialmente, vamos partir de um dos principais documentos que regulamentam a saúde no Brasil, que é a Constituição Federal de 1988. Como sabemos, no Capítulo da Saúde, em seu Art. 196 (BRASIL, 1988) tem-se que “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 076 redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”. Ou seja, compete ao Estado garantire instituir políticas que vão promovam a redução do risco de doença, incluindo as DICT. A Constituição Federal de 1988, também institui o Sistema Único de Saúde, SUS, no Art. 200, no qual vemos descritas as competências do SUS: I - controlar e fiscalizar procedimentos, produtos e substâncias de interesse para a saúde e participar da produção de medicamentos, equipamentos, imunobiológicos, hemoderivados e outros insumos; II - executar as ações de vigilância sanitária e epidemiológica, bem como as de saúde do trabalhador; III - ordenar a formação de recursos humanos na área de saúde; IV - participar da formulação da política e da execução das ações de saneamento básico; V - Incrementar em sua área de atuação o desenvolvi- mento científico e tecnológico; VI - fiscalizar e inspecionar alimentos, compreendido o controle de seu teor nutricional, bem como bebidas e águas para consumo humano; VII - participar do controle e fiscalização da produção, transporte, guarda e utilização de substâncias e produtos psicoativos, tóxicos e radioativos (BRASIL, 1988). Considerando os parágrafos do Artigo 200 da Constituição Federal, citados acima, observamos que as diversas competências atribuídas ao SUS estão de acordo com as ações que devem ser realizadas para o controle de diversas doenças, incluindo as DICT. Dentre essas competências destacamos as medidas de Vigilância Sanitária (VISA) e Vigilância Epidemiológica (VE), a produção de produtos de interesse para a saúde, tais como medicamentos e imunobiológicos. No recurso a seguir, vamos saber mais sobre isso. As diversas competências atribuídas ao SUS estão de acordo com as ações que devem ser realizadas para o controle de diversas doenças, incluindo as DICT. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 077 Conceito de VE e VISA Parágrafo 1º Entende-se por vigilância sanitária um conjunto de ações capaz de eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde e de intervir nos problemas sanitários decorrentes do meio ambiente, da produção e circulação de bens e da prestação de serviços de interesse da saúde, abrangendo: I - o controle de bens de consumo que, direta ou indiretamente, se relacionem com a saúde, compreendidas todas as etapas e processos, da produção ao consumo; e II - o controle da prestação de serviços que se relacionam direta ou indiretamente com a saúde. Parágrafo 2º Entende-se por vigilância epidemiológica um conjunto de ações que proporcionam o conhecimento, a detecção ou prevenção de qualquer mudança nos fatores determinantes e condicionantes de saúde individual ou coletiva, com a finalidade de recomendar e adotar as medidas de prevenção e controle das doenças ou agravos. (BRASIL, 1990a). Assim, investir em pesquisas e produção de medicamentos e vacinas para tratamento e prevenção, tanto de doenças emergentes e reemergentes, principalmente, aquelas doenças consideradas negligenciadas; fortalecer as ações de VISA e VE, o que requer implantar serviços e capacitar profissionais para realizar essas ações, é de fundamental importância. Além disso, aumentar a capacidade diagnóstica dos serviços de saúde, a produção de dados estatísticos confiáveis, que permitirá acompanhar o comportamento das doenças e a efetividade das ações de controle e as possíveis falhas (SOUZA, 2010; BARRETO et al, 2011). Além da Constituição Federal, que estabelece as diretrizes e princípios que regem o SUS e define várias competências, há, também, as Leis Orgânicas da Saúde (LOS) 8080 (BRASIL, 1990a) e 8142 (BRASIL, 1990b), publicadas em 1990, complementar à Além da Constituição Federal, que estabelece as diretrizes e princípios que regem o SUS e define várias competências, há, também, as Leis Orgânicas da Saúde. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 078 Constituição Federal de 1988. Elas determinam as atribuições do governo Federal, Estadual e Municipal, responsabilizando os órgãos a eles vinculados (MS, SES, SMS) pelas realizações de diversas ações e atividades no SUS. A Lei 8080, ao tratar sobre o SUS, em seu Título II, Capítulo IV, Seção I, define as competências e as atribuições comuns aos três níveis de governo, destacando-se algumas: definição das instâncias e mecanismos de controle, avaliação e de fiscalização das ações e serviços de saúde; acompanhamento, avaliação e divulgação do nível de saúde da população e das condições ambientais; participação de formulação da política e da execução das ações de saneamento básico e colaboração na proteção e recuperação do meio ambiente; participação na formulação e na execução da política de formação e desenvolvimento de recursos humanos para a saúde; organização e coordenação do sistema de informação de saúde (SIS) (BRASIL, 1990a). A Lei 8080 (BRASIL, 1990a), também define e direciona o atendimento a epidemias no Parágrafo XIII, do artigo 15: “para atendimento de necessidades coletivas, urgentes e transitórias, decorrentes de situações de perigo iminente, de calamidade pública ou de irrupção de epidemias, a autoridade competente da esfera administrativa correspondente poderá requisitar bens e serviços, tanto de pessoas naturais como de jurídicas, sendo-lhes assegurada justa indenização” (BRASIL, 1990a). No que tange às atribuições específicas de cada esfera de governo, a Lei 8080 define no artigo Art. 16 as competências da União (MS), no Art. 17 as do Estado (SES) e no Art. 18 as do Município (SMSA) (BRASIL, 1990a). Quer saber mais? Acompanhe o recurso a seguir. No que tange às atribuições específicas de cada esfera de governo, a Lei 8080 define no artigo Art. 16 as competências da União (MS), no Art. 17 as do Estado (SES) e no Art. 18 as do Município (SMSA) DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 079 Constituição Brasileira e Leis Orgânicas da Saúde Acesse as leis na íntegra, para se aprofundar no conteúdo. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, Seção II, DA SAÚDE, Artigo 196-200. Senado, Brasília: DF. 1988. Disponível em: <http://conselho.saude.gov.br/web_sus20anos/20anossus/legislacao/ constituicaofederal.pdf>. Acesso em: 10 mai. 2017. BRASIL. Lei N. 8080/90, de 19 de setembro de 1990. Brasília: DF. 1990. Disponível em <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8080.htm>. Acesso em: 10 mai. 2017. Agora, vamos destacar algumas das competências estabelecidas na Constituição Federal (1988) e na Lei 8080. Em relação à competência dos entes federados: À União compete a formulação e implementação das políticas de saúde. Ao Estado compete promover a descentralização dos serviços e ações de saúde, acompanhar, controlar e avaliar a rede de serviços do SUS, prestar apoio técnico e financeiro aos Municípios e coordenar e executar, complementarmente, ações e serviços de saúde. Ao Município compete planejar, organizar, controlar, avaliar, gerir e executar as ações que foram definidas pelo MS a partir da instituição das Políticas de Saúde (BRASIL, 1988; BRASIL, 1990). Observe que, a partir dessas Leis, se determina a instituição e consolidação dos Sistemas de Vigilância em Saúde e suas demais vigilâncias (epidemiológica, ambiental, trabalhador) e dos Sistemas de Vigilância Sanitária, em todo território nacional, a partir da constituição das Secretarias Nacionais de Vigilância em Saúde (SVS/MS), e no âmbito dos Estados e Municípios, os serviços de vigilância em saúde e vigilância sanitária (BRASIL, 2016b). Ao Município compete planejar, organizar, controlar, avaliar, gerir e executar as ações que foram definidas pelo MS a partir da instituição das Políticas de Saúde http://conselho.saude.gov.br/web_sus20anos/20anossus/legislacao/constituicaofederal.pdf http://conselho.saude.gov.br/web_sus20anos/20anossus/legislacao/constituicaofederal.pdf https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8080.htm DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 080 Ao longo do tempo, observamosque outras Leis e Portarias foram sendo instituídas de acordo com a necessidade de ampliar o escopo de ações para enfrentar novos desafios, para instituir regulamentações de financiamento e transferência de recursos, dentre outros. Assim, destacamos algumas (BRASIL, 2009; BRASIL, 2010b): • Lei n. 9.782, de 26/01/1999, define o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária e cria a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA; • Portaria n. 1.052/GM/MS, de 08/05/2007, que aprova o Pla- no Diretor de Vigilância Sanitária – PDVISA, contemplando as diretrizes norteadoras necessárias à consolidação e ao fortalecimento do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária; • Portaria n. 1.865/GM/MS, de 10/08/2006, que estabelece a SVS/MS como ponto focal nacional para o RSI junto à Organização Mundial da Saúde; • Decreto n. 6.860, de 27/05/2009, que aprova a Estrutura Regimental do MS, estabelecendo as competências da SVS/MS como gestora do Sistema Nacional de Vigilância em Saúde e como formuladora da Política de Vigilância Sanitária, em articulação com a ANVISA; • Portaria n. 3.252, de 22/12/2009, que aprova as diretrizes para execução e financiamento das ações de Vigilância em Saúde pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios. Vamos entender um pouco mais? Acompanhe o recurso a seguir. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 081 O que é RSI – Regulamento Sanitário Internacional O Regulamento Sanitário Internacional – RSI, aprovado em 2005, é um instrumento jurídico internacional, elaborado para ajudar a proteger os países contra a propagação internacional de doenças, incluindo-se os riscos e emergências de Saúde Pública (SP). Estabelece a necessidade de aperfeiçoamento das capacidades dos serviços de Saúde Pública para detectar, avaliar, monitorar e dar resposta apropriada aos eventos que se possam constituir em emergência de Saúde Pública de importância internacional, oferecendo a máxima proteção em relação à propagação de doenças em escala mundial, mediante o aprimoramento dos instrumentos de prevenção e controle de riscos de SP (BRASIL, 2009; BRASIL, 2010b). Como vimos, diversas Leis, decretos e portarias foram instituídos no Brasil, com objetivo de regulamentar as atividades do sistema nacional, estadual e municipal de vigilância em saúde e sanitária para enfrentamento das situações de doenças e agravos de interesse na saúde pública, dentre essas as DICT. Agora, vamos para a segunda videoaula. Acompanhe! Videoaula “Papel da União, Estados e Municípios no controle das doenças infectoconta- giosas e Legislações pertinentes” Autora: Shirley Pereira de Almeida Diversas Leis, decretos e portarias foram instituídos no Brasil, com objetivo de regulamentar as atividades do sistema nacional, estadual e municipal de vigilância em saúde e sanitária para enfrentamento das situações de doenças e agravos de interesse na saúde pública, dentre essas as DICT. https://player.vimeo.com/video/194083788 DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 082 A Vigilância em saúde das doenças infectocontagiosas Agora, para definir as ações de vigilância em saúde das doenças infectocontagiosas, vamos começar revendo conceitos, certo? O termo Vigilância provém de vigiar que significa: observar atentamen- te, espreitar, velar, estar de sentinela, sendo que a vigilância é o ato de vigiar, além de preocupação, diligência e prevenção (BUENO, 1996). A Vigilância, no campo da saúde, passou por várias discussões em torno do conceito, suas implicações, campos de saberes e possibilidades de atuação e ações, com algumas variações do termo, porém definiu-se o uso do termo Vigilância em Saúde (V.S.), entendendo-a como Uma rearticulação de saberes e práticas sanitárias, um caminho para a consolidação do ideário e princípios do SUS. Apoia-se no conceito positivo do processo saúde-doença e desloca radicalmente o olhar sobre o objeto da saúde pública – da doença para o modo de vida (as condições e estilos de vida) das pessoas. Tem como características: a intervenção sobre problemas de saúde que requerem atenção e acompanhamento contínuos; adoção do conceito de risco; articulação entre ações promocionais, preventivas, curativas e reabilitadoras; atuação intersetorial; ação sobre o território; e intervenção sob a forma de operações (TEIXEIRA, PAIM, VILASBOAS, 1998, p. 18). De acordo com o Ministério da Saúde (BRASIL, 2010b), os objetivos da Vigilância em Saúde são: observar e analisar, continuamente, a situação de saúde da população, articulando-se em um conjunto de ações destinadas a controlar determinantes, riscos e danos à saúde de populações que vivem em determinados territórios, garantindo- se a integralidade da atenção, tanto individual quanto coletivamente, no enfrentamento dos problemas de saúde. O termo Vigilância provém de vigiar que significa: observar atentamente, espreitar, velar, estar de sentinela, sendo que a vigilância é o ato de vigiar, além de preocupação, diligência e prevenção. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 083 O Decreto Presidencial n. 8.901, de 10/11/2016 (BRASIL, 2016b), aprovou a estrutura regimental do Ministério da Saúde, tornando a Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) um dos órgãos de assistência direta e imediata do Ministério da Saúde (BRASIL, 2016b). A partir desse decreto, para cumprir com seus objetivos, a estrutura operacional da SVS passa a ter a seguinte estrutura, conforme apresentado no Organograma a seguir. ORGANOGRAMA 1 – Estrutura da Vigilância em Saúde Vigilância em Saúde Vigilância de doenças transmissíveis Vigilância de doenças e agravos não transmissíveis e promoção da saúde Gestão da Vigilância em Saúde Vigilância, prevenção e controle de DST/aids e hepatites virais Vigilância em saúde ambiental e do trabalhador Fonte: Elaborado por Shirley Pereira de Almeida, adaptado do Decreto 8901 (BRASIL, 2016b). Em relação à Vigilância sanitária, conforme o Decreto presidencial 8901, ela compõe a estrutura do Ministério da Saúde, sendo uma autarquia, denominada como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, ANVISA (BRASIL, 2016b). Aqui ressaltamos que as ações de V.S. devem ser desenvolvidas por todos os níveis de atenção à saúde (primária, secundária, terciária) que compõe as Redes de Atenção à Saúde (RAS), destacando a função da Atenção Primária à Saúde, APS, como articuladora dessa rede. Para cumprir com os objetivos da V.S., os profissionais de saúde inseridos na APS devem ter capacidade e habilidades de atuar no território, sob sua responsabilidade sanitária, utilizando as ferramentas necessárias para o diagnóstico (perfil populacional e epidemiológico, das condições de vida e identificação dos problemas), planejamento e programação das ações de V.S., considerando tanto as ações preventivas quanto de promoção e curativas (BRASIL, 2010b). DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 084 Atualmente, o modelo assistencial proposto para a Atenção Primária à Saúde é a estratégia de Saúde da Família (SF), que tem em sua composição o Agente Comunitário de Saúde (ASC), além de contar com os Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF), e também com a equipe dos Agentes de Combate às Endemias (ACE). Essas equipes são fundamentais nas ações de monitoramento ambiental e controle de endemias e epidemias, desenvolvendo as competências e atribuições específicas de acordo com a função (BRASIL, 2010b). Acompanhe, no recurso a seguir, mas informações sobre isso. Regulamentação e atribuições dos ACE na V.S. A atuação dos Agentes de Combate às Endemias (ACE), na Atenção Primária à Saúde, junto às equipes SF, têm o objetivo de fortalecer as ações de vigilância em saúde. Os critérios e regulamentações em relação a essas equipes estão na Portaria n. 1.007/GM/MS, de 4 de maio de 2010. Agora, para que essas equipes trabalhem articuladas, num conjunto coeso, é necessário queexistam diretrizes claras, certo? Elas estão no documento intitulado: “Diretrizes Nacionais da Vigilância em Saúde” (BRASIL, 2010b), que apresenta as políticas e gestão da V.S., seu conceito e objetivos, seus componentes, além de definir as ações que cada um desses componentes devem executar. Apresenta também as diretrizes e instrumentos para planejamento, programação das ações de V.S., bem como traz algumas orientações quanto a organização do SUS para enfrentar as emergências em saúde pública (SP), definindo, ainda, as responsabilidades dos três níveis de governo frente ao sistema de V.S. e VISA (BRASIL, 2010b). Leia no recurso a seguir, mais informações sobre a Vigilância em Saúde. A atuação dos Agentes de Combate às Endemias (ACE), na Atenção Primária à Saúde, junto às equipes SF, têm o objetivo de fortalecer as ações de vigilância em saúde. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 085 Vigilância em Saúde: ações, responsabilidades, financiamento Para saber mais sobre as responsabilidades da Vigilância em Saúde, além das diretrizes para funcionamento, as fontes de financiamento e recursos para desenvolver as ações de vigilância em saúde busque a referência abaixo. BRASIL. Diretrizes Nacionais da Vigilância em Saúde. Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde. Série F. Comunicação e Educação em Saúde; Série Pactos pela Saúde 2006; v. 13. Brasília: Ministério da Saúde, 2010b. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov. br/bvs/publicacoes/pacto_saude_volume13.pdf>. Acesso em: 10 mai. 2017. Dentre as ações de V.S., estão as ações de enfrentamento as emergências em SP e, para detecção e respostas a essas faz- se necessário que estruturas técnico-operacionais estejam implantadas. Nesse contexto, se inserem os centros de informações estratégicas e respostas em vigilância em saúde (CIEVS), principal estratégia com capacidade de resposta a essas emergências, bem como os sistemas de informações em saúde (SIS), principalmente o SINAN (Sistema de Informação de notificação agravos). Os CIEVS já estão implantados em 24 estados e 22 capitais brasileiras, mas a meta é chegar a todas as unidades federadas e capitais. Os CIEVS e Departamentos de Vigilância Epidemiológica (VE) da união, estados e municípios são o que compõem a rede de V.S., para monitoramento e controle de doenças (BRASIL, 2010b). Agora, vamos responder outra questão de fixação, com atenção! Dentre as ações de V.S., estão as ações de enfrentamento as emergências em SP e, para detecção e respostas a essas faz-se necessário que estruturas técnico- operacionais estejam implantadas. http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/pacto_saude_volume13.pdf http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/pacto_saude_volume13.pdf DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 086 QUESTÃO 4 - A partir do Decreto Presidencial n. 8.901, de 10/11/2016, a estrutura operacional da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), órgão vinculado ao Ministério da Saúde, tem sua estrutura operacional modificada. Considerando a estrutura operacional da SVS, leia as afirmativas abaixo: I. A Vigilância de Doenças Transmissíveis é um dos componentes da estrutura da SVS. II. A Vigilância Sanitária é um dos componentes da estrutura da SVS. III. A Vigilância de Saúde do Trabalhador e em Saúde Ambiental não tem relação com a SVS. IV. O CIEVS, Centros de Informações Estratégicas e Respostas em Vigilância em Saúde, é uma estratégia com capacidade de resposta às emergências em saúde pública. É correto o que se afirma em: a. II, III e IV, apenas. b. I, III e IV, apenas. c. I e IV, apenas. d. I e III, apenas. e. III e IV, apenas. O gabarito se encontra no final da unidade. ATIVIDADE DE FIXAÇÃO O Sistema de Informação Nacional de Agravos de Notificação Compulsória (SINAN) Agora, vamos compreender como funciona o SINAN, Sistema de Informação Nacional de Agravos de Notificação Compulsória. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 087 Todas as atividades realizadas pelos diversos profissionais no SUS geram uma infinidade de dados, que a partir de um processo de análise, podem gerar várias informações. Esses dados, em sua maioria, são registrados nos Sistemas de Informação em Saúde (SIS), vinculados à base de dados do Ministério da Saúde, que são instrumentos padronizados de monitoramento e coleta de dados. Seu propósito é fornecer informações que possibilitem analisar e compreender os problemas de saúde, tomar decisões, implementar ações, avaliar e monitorar seus resultados. Alguns exemplos de SIS são o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), o Sistema de Informações de Nascidos Vivos (SINASC), Sistema de Informação Ambulatorial (SIA) e Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). O SINAN é um sistema de informação para registro e notificação de Doenças de Notificação Compulsória (DNC), ou casos suspeitos das DNC, é obrigatório que a notificação seja feita por qualquer profissional de saúde de instituição pública ou privada. O MS é quem define a relação de DNC, e publica portarias que definem as responsabilidades pelas notificações (BRASIL, 2010b). Várias doenças são consideradas de notificação compulsória, sendo que a lista de DNC, mais atualizada, foi publicada pelo MS em 2016. Para saber mais leia a orientação no recurso a seguir. Para conhecer a relação de Doenças de Notificação Compulsória, leia a Portaria n. 204, de 17 de fevereiro de 2016, que Define a Lista Nacional de Notificação Compulsória de doenças, agravos e eventos de saúde pública nos serviços de saúde públicos e privados em todo o território nacional. Disponível em <https://central3.to.gov.br/arquivo/301116/>. Alguns exemplos de SIS são o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), o Sistema de Informações de Nascidos Vivos (SINASC), Sistema de Informação Ambulatorial (SIA) e Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). https://central3.to.gov.br/arquivo/301116 DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 088 O Ministério da Saúde, a partir da Portaria n. 204, publicada em 17/02/2016, além de definir as doenças, agravos e eventos de saúde pública que devem ser notificados, obrigatoriamente, também define como sendo da obrigatoriedade de todos os profissionais e serviços de saúde e laboratórios do setor público, privado ou social a notificação das doenças e dos casos suspeitos, de acordo com a lista de DNC (BRASIL, 2016a). Nesse contexto, se insere o enfermeiro, que como profissional de saúde, tem a obrigação de notificar as doenças, que constam na lista de DNC, mediante preenchimento da ficha SINAN específica, envio para os serviços de VE, sendo que para algumas doenças, além dessa notificação por escrito é necessário a comunicação por telefone ou outros meios como e-mail, link, dependendo da gravidade e urgência do caso (BRASIL, 2010b). Vale ressaltar a diferenciação de conceitos quanto aos tipos de notificação que são: notificação compulsória, notificação compulsória imediata, notificação compulsória semanal e notificação compulsória negativa. De acordo com a Portaria n. 204 (BRASIL, 2016a), notificação compulsória é a comunicação obrigatória à autoridade de saúde de casos suspeitos ou confirmados de doenças que constam na lista de DNC, por qualquer profissional de saúde, sendo que a notificação pode ser imediata ou semanal. A Notificação compulsória imediata é aquela que deve ser realizada o mais breve possível, nas 24 horas, a partir do conhecimento da suspeita ou confirmação da ocorrência de DNC. A Notificação compulsória semanal é aquela que pode ser realizada em até sete dias, a partir do conhecimento da ocorrência de doença ou agravo. A Notificação compulsória negativa refere-se à notificação de que não ocorreu, naquela semana epidemiológica, nenhum caso de DNC. Na Portaria n. 204 está descrito a obrigatoriedadeda periodicidade de notificação das DNC: em 24 horas, após identificação de caso suspeito, ou em até sete dias. Observa-se que a periodicidade de notificação é de até no máximo uma semana, isso porque o SINAN trabalha com o Notificação compulsória é a comunicação obrigatória à autoridade de saúde de casos suspeitos ou confirmados de doenças que constam na lista de DNC, por qualquer profissional de saúde, sendo que a notificação pode ser imediata ou semanal. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 089 calendário epidemiológico anual, definido pelo Ministério da Saúde e que estabelece uma divisão do ano em semanas epidemiológicas, que se iniciam no domingo e terminam no sábado. Acompanhe o recurso a seguir, com mais informações. Para conhecer o Calendário Epidemiológico de 2017 você pode acessar o link: <http://portalsinan.saude.gov.br/calendario-epidemiologico> Além do que já destacamos sobre o propósito do SIS, dentre eles o SINAN, vale ressaltar a importância do preenchimento e envio da informação de DNC, considerando a manutenção do repasse dos recursos do Componente de Vigilância e Promoção da Saúde, que está condicionada à alimentação regular do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), além do Sistema de Informações de Nascidos Vivos (SINASC) e do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) (BRASIL, 2016c). O fluxo dessas informações, preenchimento e envio das fichas SINAN de forma eletrônica está disponível aos municípios, sendo que compete às Secretarias Municipais de Saúde, a notificação semanal das DNC, mesmo que em caso negativo de ocorrência, pois também existe ficha de notificação negativa no SINAN (BRASIL, 2010b; BRASIL, 2016a). Sobre o SINAN, leia o recurso a seguir, com indicações para mais informações. O fluxo dessas informações, preenchimento e envio das fichas SINAN de forma eletrônica está disponível aos municípios, sendo que compete às Secretarias Municipais de Saúde, a notificação semanal das DNC, mesmo que em caso negativo de ocorrência, pois também existe ficha de notificação negativa no SINAN http://portalsinan.saude.gov.br/calendario-epidemiologico DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 090 Importância e acesso ao SINAN O SINAN é alimentado, principalmente, pela notificação e investigação de casos de doenças e agravos que constam da lista nacional de DNC (Portaria n. 204, de 17 de fevereiro de 2016), mas é facultado a estados e municípios incluir outros problemas de saúde importantes em sua região. Sua utilização efetiva permite a realização do diagnóstico dinâmico da ocorrência de um evento na população, podendo fornecer subsídios para explicações causais dos agravos de notificação compulsória, além de indicar riscos aos quais as pessoas estão sujeitas, contribuindo assim, para a identificação da realidade epidemiológica de determinada área geográfica. Acesse mais informações no site: <http://portalsinan.saude.gov.br/>. Outro site importante: <http://ces.ibge.gov.br/base-de-dados/metadados/ ministerio-da-saude/sistema-de-informacoes-de-agravos-de-notificacao- sinan.html>. Agora, leia o estudo de caso atentamente, para entender como se preenche a ficha SINAN no exemplo que aparece em seguida, certo? Acompanhe! Febre Amarela No dia 26/01/2017 a Sra. Maria Tereza da Cruz, 37 anos, nascida em 15/01/1980, compareceu ao Centro de Saúde Monte Santo, Distrito Oeste, Município de Belo Horizonte, sendo atendida, no acolhimento, pela enfermeira Lucia Maria da Silveira, COREN-MG (Conselho Regional de Enfermagem de Minas Gerais): 30000, com as seguintes queixas: febre alta (39,5ºC) de início repentino, há 5 dias (21/01/2017), diz que está ficando amarelada, sente muita dor de cabeça, dor no corpo, dor abdominal, prostração, está com náusea e vômitos há 2 dias. A enfermeira Lúcia verificou que a Sra. Maria Tereza estava febril (39,6 ºC), ictérica, prostrada, frequência cardíaca: 46 bpm, frequência respiratória: 17 rpm. http://portalsinan.saude.gov.br/ http://ces.ibge.gov.br/base-de-dados/metadados/ministerio-da-saude/sistema-de-informacoes-de-agravos-de-notificacao-sinan.html http://ces.ibge.gov.br/base-de-dados/metadados/ministerio-da-saude/sistema-de-informacoes-de-agravos-de-notificacao-sinan.html http://ces.ibge.gov.br/base-de-dados/metadados/ministerio-da-saude/sistema-de-informacoes-de-agravos-de-notificacao-sinan.html DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 091 A enfermeira perguntou se a Sra. Maria Tereza estava com a vacinação em dia, se tinha tomado vacina contra febre amarela, mas essa informou que não tinha cartão de vacina e que não se lembrava de ter tomado essa vacina. Perguntou, também, se a Sta. Maria Tereza estava grávida ou com suspeita de gravidez, sendo informado que não, pois já havia feito ligadura de trompa há 3 anos, após 4 filhos. A enfermeira Lucia acionou o médico da unidade, que examinou a Sra. Maria Tereza, prescreveu antitérmico e soroterapia e informou que ela seria removida para uma unidade de pronto-atendimento (UPA) para realização de exames e acompanhamento do caso. Foi realizado a prescrição e acionado ambulância para o transporte. Enquanto a Sra. Tereza aguardava, a enfermeira Lúcia colheu outras informações como: Nome da mãe: Joventina da Cruz; Endereço da Sra. Maria Tereza (Rua Manguinhos, n. 85, Bairro Cascalho, Distrito Oeste, Belo Horizonte), Telefone: 31- 34789990, escolaridade: ensino fundamental incompleto. A enfermeira Lúcia perguntou se a Sra. Maria Tereza tinha viajado recentemente, ao que ela respondeu que sim, que viajou para a casa da irmã, durante as férias de janeiro, foi para Ladainha, Minas Gerais no dia 10/01/2017, de ônibus com os dois filhos menores. Informou que quando chegou na casa da irmã, algumas pessoas estavam preocupadas com os casos que estava acontecendo por lá, de macacos e micos que foram encontrados mortos e levados pelos agentes da Zoonoses para serem examinados. A ambulância chegou e a Sra. Maria Tereza foi encaminhada para a UPA. Agora, vamos analisar o estudo de caso, com o exemplo a seguir, que vai mostrar como preencher a ficha SINAN corretamente. Para este exemplo, tenha, em mãos, a lista de DNC e a ficha SINAN específica, que está disponível no site: <http://portalsinan.saude.gov.br/ images/documentos/Agravos/Febre%20Amarela/Febre_Amarela_v5.pdf>. Para acessar instruções de como preencher a ficha SINAN de Febre Amarela, acesse o endereço: <http://portalsinan.saude.gov.br/images/ documentos/Agravos/Febre%20Amarela/Febre_Amarela_v5_instr.pdf>. http://portalsinan.saude.gov.br/images/documentos/Agravos/Febre%20Amarela/Febre_Amarela_v5.pdf http://portalsinan.saude.gov.br/images/documentos/Agravos/Febre%20Amarela/Febre_Amarela_v5.pdf http://portalsinan.saude.gov.br/images/documentos/Agravos/Febre%20Amarela/Febre_Amarela_v5_instr.pdf http://portalsinan.saude.gov.br/images/documentos/Agravos/Febre%20Amarela/Febre_Amarela_v5_instr.pdf DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 092 Confira o exemplo a seguir, que mostra como se preenche a ficha SINAN. | | | | | | | | | Nº República Federativa do Brasil Ministério da Saúde SINAN Dados Complementares do Caso 3231 Data da Investigação O cu pa - çã o A nt ec ed en te s E pi de m io ló gi co s 33 Informar os dados da investigação entomológica (mosquitos) e de epizootias Presença de mosquito Aedes aegypti em área urbana (Observar período de viremia do paciente) Ocorrência de Epizootias (Mortandade de macacos: conhecidos como guariba, bugio, saguis, micos, macaco aranha, macaco prego, guigó, soim, etc.) 39 Sinais e Sintomas Sinais hemorrágicos (hematêmese, melena, epistaxe, gengivorragia, etc.) Sinal de Faget (temperatura alta e freqüência cardíaca lenta) Distúrbios de excreção renal (oligúria e/ou anúria) Dor abdominal D ad os C lín ic os 34 Vacinado Contra Febre Amarela Caso Afirmativo, Data| | | | | 35 | | 37 Município Unidade de Saúde38 Febre Amarela FICHA DE INVESTIGAÇÃO DE FEBRE AMARELA | UF36 1-Sim 2-Não 9-Ignorado Ocupação SISTEMA DE INFORMAÇÃO DE AGRAVOS DE NOTIFICAÇÃO 1- Sim 2- Não 9- Ignorado Isolamento de vírus em mosquitos 1-Sim 2-Não 9-Ignorado A te nd im en to 40 Ocorreu Hospitalização? Data da Internação | | | | | 41 | |1-Sim 2-Não 9-Ignorado | UF42 D ad os d o L ab or at ór io Exames Inespecíficos (anotar o maior valor encontrado, independente da data de coleta)45 Bilirrubina Direta ___________________ mg/dl AST (TGO) _________________ UIBilirrubina Total ___________________ mg/dl ALT (TGP) _________________ UI CASO SUSPEITO: Paciente com febre aguda (de até sete dias), de início súbito, com icterícia, procedente de área de risco para febre amarela ou de locais com ocorrência de epizootias em primatas não-humanos ou isolamento de vírus em vetores, nos últimos 15 dias, sem comprovação de ser vacinado contra febre amarela (apresentação do cartão de vacina). D ad os d e R es id ên ci a N ot ifi ca çã o In di vi du al Unidade de Saúde (ou outra fonte notificadora) Nome do Paciente Tipo de Notificação Município de Notificação Data dos Primeiros Sintomas | | | | 1 5 6 8 7 Data de Nascimento | | | | | 9 2 - Individual D ad os G er ai s Nome da mãe16 11 M - Masculino F - Feminino I - Ignorado | | Número do Cartão SUS | | | | | | | | | | | | | | | 15 1-1ºTrimestre 2-2ºTrimestre 3-3ºTrimestre10 (ou) Idade Sexo 4- Idade gestacional Ignorada 5-Não 6- Não se aplica 9-Ignorado Raça/Cor13Gestante12 14 Escolaridade 1 - Hora 2 - Dia 3 - Mês 4 - Ano 0-Analfabeto 1-1ª a 4ª série incompleta do EF (antigo primário ou 1º grau) 2-4ª série completa do EF (antigo primário ou 1º grau) 3-5ª à 8ª série incompleta do EF (antigo ginásio ou 1º grau) 4-Ensino fundamental completo (antigo ginásio ou 1º grau) 5-Ensino médio incompleto (antigo colegial ou 2º grau ) 6-Ensino médio completo (antigo colegial ou 2º grau ) 7-Educação superior incompleta 8-Educação superior completa 9-Ignorado 10- Não se aplica | UF4 Data da NotificaçãoAgravo/doença | | | | | 32 Código (CID10) FEBRE AMARELA A 9 5.9 | | | | | Código 43 Município Unidade de Saúde44 | | | | | | Código | | | | | | Código | | | | | Código (IBGE) 1-Branca 2-Preta 3-Amarela 4-Parda 5-Indígena 9- Ignorado | | | | | Código (IBGE) | | | | | Código (IBGE) CEP Bairro Complemento (apto., casa, ...) | | | | - | | Ponto de Referência País (se residente fora do Brasil) 23 26 20 28 30Zona29 22 Número 1 - Urbana 2 - Rural 3 - Periurbana 9 - Ignorado (DDD) Telefone 27 Município de Residência | UF17 Distrito19 Geo campo 124 Geo campo 225 | | | | | Código (IBGE) Logradouro (rua, avenida,...) Município de Residência18 | | | | | Código (IBGE) 2121 | | | | | | | | | | Código Sinan NET SVS 09/05/2007 | | | | | | Belo Horizonte 2 6 0 1 2 0 1 7 2 6 0 1 2 0 1 7Monte Santo M G MARIA TEREZA DA CRUZ 1 5 0 1 1 9 8 0 3 7 4 F 5 1 JOVENTINA DA CRUZ M G BELO HORIZONTE OESTE CASCALHO MANGUINHOS 85 3 1 3 4 7 8 9 9 9 0 1 2 6 0 1 2 0 1 7 9 1 1 2 2 9 Campo Essencial 0 DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 093 53 Resultado 54 Resultado 1 - Positivo 56 Resultado Isolamento Viral Material Coletado50 1 - Sim 2 - Não 9-Ignorado 52 Resultado do isolamento In ve st ig ad or Município/Unidade de Saúde | | | | | | Nome Função Assinatura Cód. da Unid. de Saúde D ad os la bo ra to ri ai s Data da Coleta (1ª Amostra) | | | | | 46 | | | | | | Exame Sorológico (IgM) Data da Coleta (2ª Amostra) | | | | | 48 | | Resultado da 1ª amostra47 1 - Reagente 2 - Não Reagente 3 - Inconclusivo 4 - Não Realizado C on cl us ão Classificação Final57 1 - Febre Amarela Silvestre 2 - Febre Amarela Urbana 3 - Descartado (especificar_______________________________) Critério de Confirmação/Descarte58 1 - Laboratorial 2 - Clínico-Epidemiológico | | | | | 70 | | Data do Encerramento Febre Amarela | | | | | | | | 69 | | Data do Óbito | | | | | 51 | | Data da Coleta Local Provável de Infecção Anotar todas as informações consideradas importantes e que não estão na ficha (ex: outros dados clínicos, dados laboratoriais, laudos de outros exames e necrópsia, etc.) Descrever se houve deslocamento para área rural dentro do município de residência ou para outros municípios (no período de 15 dias anteriores ao início de sinais e sintomas) | | | | | 55 | | Data da Coleta Informações complementares e observações Evolução do Caso68 1-Cura 2-Óbito por febre amarela 3- Óbito por outras causas 9-Ignorado Resultado da 2ª amostra49 1 - Reagente 2 - Não Reagente 3 - Inconclusivo 4 - Não Realizado Localidade6564 66 61UF | Bairro País60 Doença Relacionada ao Trabalho 1 - Sim 2 - Não 9 - Ignorado 59 Caso autóctone do municipio de residência 1 - Sim 2 - Não 3 - Indeterminado 67 Atividade desenvolvida no local provável de infecção 1 - Trabalho 2 - Turismo 3 - Lazer 9 - Ignorado Distrito63 SVS 09/05/2007 Data UF MUNICÍPIO País Meio de Transporte 62 Município | | | | | Código (IBGE) 2 - Negativo 3 - Inconclusivo 4 - Não realizado 1 - Positivo 2 - Negativo 3 - Inconclusivo 4 - Não realizado ImunohistoquímicaHistopatologia RT-PCR Sinan NET 4 - Não realizado 1 - Reagente 2 - Não Reagente 3- Inconclusivo 4-Não realizado 1- Compatível 2- Negativo 3- Inconclusivo 4- Não realizado 10/01/2017 MG LADAINHA BRASIL ÔNIBUS OUTROS DADOS CLÍNICOS: ICTERÍCIA, DOR DE CABEÇA, DOR NO CORPO, PROSTRAÇÃO, NÁUSEA E VÔMITO HÁ 2 DIAS; FREQUÊNCIA RESPIRATÓRIA: 17 rpm, FREQUÊNCIA CARDÍACA: 46 bpm, TEMPERATURA AXILAR:39, 6ºC BELO HORIZONTE, CENTRO DE SAÚDE MONTE SANTO LUCIA MARIA DA SILVEIRA, CORENMG: ENFERMEIRA30.000 OUTRAS INFORMAÇÕES EPIDEMIOLOGICAMENTE IMPORTANTES: SRA. MARIA TEREZA INFORMOU QUE QUANDO CHEGOU NA CIADDE DE LADAINHA HAVIA UMA PREOCUPAÇÃO COM A OCORRÊNCIA DE MORTE DE MACACOS E MICOS NA CIDADE, QUE ESTAVAM SENDO RECOLHIDOS PELO SERVIÇO DE ZOONOSES E SENDO ENCAMINHADOS PARA EXAMES. OBSERVAÇÕES IMPORTANTES: - OS CAMPOS 13, 15, 26, 27, 32, APESAR DE NÃO SEREM DE PREENCHIMENTO OBRIGATÓRIO OU ESSENCIAL, PODERIAM TER SIDO PREENCHIDOS PELA UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE. LEMBRANDO QUE UMA FICHA SINAN COM O MAIOR NÚMERO DE INFORMAÇÕES QUALIFICA O ATENDIMENTO, PERMITE ACOMPANHAMENTO DO CASO. - O CAMPO 35, 36, 37 E 38 SÓ SERÃO PREENCHIDOS SE A RESPOSTA DO CAMPO 34 (SE PACIENTE FOI VACINADO CONTRA FEBRE AMARELA) FOR SIM E O PACIENTE SOUBER INFORMAR OS DADOS REFERENTES A ESSES CAMPOS. CASO CONTRÁRIO CONSIDERAR NO CAMPO 34 NÃO OU IGNORADO. - OS CAMPOS 40 A 70 EM SUA MAIORIA SÃO PREENCHIDOS POR OUTROS SERVIÇOS DE SAÚDE COMO HOSPITAIS, UNIDADE DE PRONTO ATENDIMENTO, SERVIÇO DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA. - IMPORTANTE A IDENTIFICAÇÃO DO INVESTIGADOR E ASSINATURA DE QUEM INVESTIGOU. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 094 Legenda Campos Obrigatórios: importância do registro dos dados, pois a ausência do dado impossibilita a inclusão da notificação no SINAN. Campos Essenciais: importância do registro dos dados, pois são dados necessários a investigação do caso ou cálculo do indicador. (0) Quem numera é o Serviço de Vigilância Epidemiológica do Distritoou Município (1) Obrigatório, mas que é disponibilizado pelo SINAN já preenchido, pois é ficha especifica INDIVIDUAL (2) Obrigatório, mas já vem preenchido, pois é ficha SINAN própria de Febre Amarela (3) Essencial (4) Obrigatório (5) Essencial (6) Obrigatório (7) Obrigatório (8) Obrigatório (9) Obrigatório (10) Obrigatório (11) Obrigatório (12) Obrigatório (13) Essencial (14) Essencial (15) – (16) Essencial (17) Obrigatório (18) Obrigatório (19) Essencial (20) Essencial (21) Essencial (22) Essencial (23) Essencial (24) – (25) – (26) Essencial (27) Essencial (28) Essencial (29) Essencial (30) Obrigatório, se pessoa residente fora do país (31) Obrigatório (32) – (33) – (34) Obrigatório (35) Campos 35, 36, 37, 38, serão preenchidos se campo 34 for SIM (36) (37) (38) (39) – (40) Obrigatório. Nesse momento a UBS não tem essa informação, então coloca dígito 9. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 095 Notificando DICT Agora que sabemos como preencher a ficha SINAN, vamos fazer uma análise do Estudo de Caso, considerando a relação de DNC e a importância da notificação de DNC. Acompanhe cada questionamento e sua respectiva resposta. 1. Quais dados e sintomas devem ser considerados para que haja suspeita de um caso de Febre Amarela (FA)? Os sintomas que levam à suspeita de febre amarela são os seguintes: quadro febril, de início súbito, há cinco dias; presença de icterícia; histórico de ter viajado para área com ocorrência de morte de primatas não humanos; paciente não tem comprovação de vacinação contra febre amarela. Esses sintomas são importantes, constam na própria ficha SINAN de FA, e devem estar presentes para definição de ser um caso suspeito. 2. Essa doença está presente na lista de DNC? Essa resposta é fácil, basta verificar a lista de DNC, para entender que a resposta é sim, essa doença está presente na lista. 3. Essa doença requer notificação? Na lista de DNC, observamos que a resposta é sim, ou seja, é uma doença de notificação compulsória ou obrigatória. 4. Em caso afirmativo, quais seriam os órgãos que deverão ser notificados e qual a periodicidade da notificação? Para responder, devemos verificar na lista de DNC a frequência com que essa doença deve ser notificada. Assim, descobrimos que se trata de uma doença de notificação imediata, em até 24 horas, para o MS, SES, SMS, conforme consta na Portaria n. 204, de 17 de fevereiro de 2016. 5. Preencha a ficha SINAN específica Aqui, é só seguir o tutorial que vimos no recurso anterior, com as instruções dadas. É importante o preenchimento correto dos campos, considerando os campos de preenchimento obrigatório, campo chave e campo essencial. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 096 E agora, vamos para a terceira videoaula? Vamos assistir! Videoaula “Vigilância em saúde e o Sistema de Informação Nacional de Agravos de Notificação Compulsória” Autor: Shirley Pereira de Almeida E, por fim, vamos para a última questão de fixação. Responda com atenção! QUESTÃO 5 - “A Secretaria de Saúde de Pernambuco informou, nesta quarta-feira (9), que quatro casos de difteria já foram confirmados no estado neste ano de 2015. Os dados foram divulgados uma semana depois que um adolescente morreu com suspeita da doença no Sertão pernambucano. Os dois irmãos dele também podem ter contraído difteria e estão internados no Recife. Os exames que vão confirmar a presença da bactéria devem ficar prontos em dez dias. Segundo a Secretaria de Saúde, os quatro casos já confirmados foram diagnosticados no início do ano na cidade de Chã Grande, na Zona da Mata Sul do estado. Nenhum deles foi considerado grave ou apresentou risco de morte. Mesmo assim, o número serve de alerta porque aponta para o aumento da incidência da doença no estado. Em 2014 e 2013, apenas um caso era identificado por ano. Já nos cinco anos anteriores (2008 a 2012), nenhum paciente foi diagnosticado com difteria em Pernambuco. E o último óbito confirmado da doença foi em 2003”. Fonte: PORTAL G1. Difteria já atingiu 4 pessoas em PE em 2015 e mais 3 são monitoradas. G1 PERNAMBUCO. Publicado em 09/09/2015. Disponível em: <http://g1.globo.com/pernambuco/noticia/2015/09/difteria-ja-atingiu-4-pessoas- em-pe-em-2015-e-mais-3-sao-monitoradas.html>. Acesso: 11 mai. 2017. Leia a notícia acima, reflita sobre o caso, considerando as ações de vigilância em saúde das DICT e responda: ATIVIDADE DE FIXAÇÃO https://player.vimeo.com/video/194083834 http://g1.globo.com/pernambuco/noticia/2015/09/difteria-ja-atingiu-4-pessoas-em-pe-em-2015-e-mais-3-sao-monitoradas.html http://g1.globo.com/pernambuco/noticia/2015/09/difteria-ja-atingiu-4-pessoas-em-pe-em-2015-e-mais-3-sao-monitoradas.html DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 097 De acordo com a Portaria n. 204, de 17 de fevereiro de 2016, como se classifica a doença citada na notícia? Frente a casos suspeitos, de determinadas DICT, cite algumas ações que os enfermeiros, tanto da unidade hospitalar de internação quanto da unidade básica de saúde de referência dos casos da doença citada, devem realizar para identificação, monitoramento e controle da doença citada na notícia? O gabarito se encontra no final da unidade. ATIVIDADE DE FIXAÇÃO Chegamos ao final dessa unidade! Compreendemos o cenário nacional das doenças infectocontagiosas, as doenças emergentes e reemergentes, o papel do Ministério da Saúde, das Secretarias Estadual da Saúde e das Secretarias Municipais da Saúde no controle das doenças infectocontagiosas, a legislação relacionada ao controle das doenças infectocontagiosas, a vigilância em saúde das doenças infectocontagiosas e o Sistema de Informação Nacional de Agravos de Notificação Compulsória (SINAN). E para relembrar o que discutimos nessa unidade, vamos assistir ao vídeo de finalização. Videoaula “Doenças infectocontagiosas: cenário nacional, órgãos responsáveis e Vigilância em Saúde” Autora: Shirley Pereira de Almeida https://player.vimeo.com/video/194083880 DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 098 QUESTÃO 1 - A resposta certa é a letra A. Justificativa: a. Esta alternativa está correta, pois as afirmativas II e IV estão corretas. A afirmativa II está correta, pois apesar do declínio observado, ao longo da história e em relação as DICT, elas ainda representam preocupação devido ao aumento que se observa de algumas delas, bem como o ressurgimento de outras, que antes estavam sob controle, e o aparecimento de outras DICT no cenário brasileiro. A afirmativa IV está correta, pois há uma relação entre a ocorrência de diversas DICT e as condições sociais da população, que favorecem a sua ocorrência. b. Esta alternativa está incorreta, pois apenas a afirmativa IV é correta, ou seja, há uma relação entre a ocorrência de diversas DICT e as condições sociais da população, que favorecem a sua ocorrência. A afirmativa I está incorreta, pois atualmente os dados revelam um declínio das DICT e predomínio do segundo grupo de causas, que são as doenças crônico-degenerativas. c. Esta alternativa está incorreta, pois apenas a afirmativa IV é correta, ou seja, há uma relação entre a ocorrência de diversas DICT e as condições sociais da população, que favorecem a sua ocorrência. A afirmativa III está incorreta, pois atualmente os dados revelam um declínio das DICT e predomínio do segundo grupo de causas, que são as doenças crônico-degenerativas. ATIVIDADES DE FIXAÇÃO RESPOSTAS d. Esta alternativa está incorreta, pois ambas afirmativas, I e III, estão incorretas. A afirmativa I está incorreta, pois o predomínio é de doenças crônico-degenerativas em todas as regiões brasileiras. A afirmativa III está incorreta, pois atualmente os dados revelam um declínio das DICT e predomínio do segundo grupo de causas, que são as doenças crônico-degenerativas. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 099 e. Esta alternativa está incorreta,pois apenas a afirmativa II é correta. A afirmativa II está correta, pois apesar do declínio observado, ao longo da história e em relação as DICT, elas ainda representam preocupação devido ao aumento que se observa de algumas delas, bem como o ressurgimento de outras, que antes estavam sob controle, e o aparecimento de outras DICT no cenário brasileiro. A afirmativa III está incorreta, pois atualmente os dados revelam um declínio das DICT e predomínio do segundo grupo de causas, que são as doenças crônico-degenerativas. QUESTÃO 2 - A resposta certa é a letra B. Justificativa: a. Esta afirmativa é falsa, pois a tendência de aparecimento, controle e reaparecimento da dengue a caracteriza como reemergente, pois em anos anteriores, o número de casos tinha diminuído como, por exemplo, em 2010, quando ocorreram 74 casos, assim como em 2011, com 3756 casos, de acordo com DATASUS. Na atualidade, a dengue vem ressurgindo em várias regiões brasileiras e aumentando, em 2012 foram 576.758 casos, em 2013 foram 1.438.331 casos, em 2014 diminuiu para 578.308 casos, em 2015 foram 1.587.080 casos e em 2016 foram 1.487.924 casos, com uma incidência de 727,6/100 mil habitantes, segundo Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde. ATIVIDADES DE FIXAÇÃO RESPOSTAS b. Esta afirmativa é verdadeira, pois casos de sarampo tem ocorrido em alguns estados, nos últimos anos, após longo período sem incidência da doença. Dados do DATASUS revelam que em 2013 ocorreram 6 casos confirmados e em 2014 ocorreram 271 casos, sendo 114 casos autóctones do município de residência. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 100 c. Esta afirmativa é falsa, pois no Brasil a tuberculose é considerada como persistente, pois sempre se manteve em diversas regiões brasileiras a despeito das medidas de controle. Segundo o Boletim Epidemiológico, em 2012 foram notificados no Brasil 70.047 casos novos no SINAN, com coeficiente de incidência (CI) de 36,1/100 mil habitantes. Em 2015 foram registrados 4.543 óbitos por tuberculose e em 2016 foram notificados 66.796 casos novos. Comparando com outros países, o Brasil ocupa a 17ª posição em relação ao número de casos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. d. Esta afirmativa é falsa, pois os dados do último inquérito nacional sobre Doença de Chagas de transmissão vetorial, realizado entre 2001 e 2008, revelaram uma prevalência da infecção de apenas 0,01%, demonstrando o êxito no controle da transmissão da doença por via vetorial. O número de casos de Doença de Chagas aguda (só os casos agudos são notificados) revelam que entre o período de 2000 a 2013, 100 casos de transmissão vetorial foram notificados, e 1081 casos de transmissão oral foram notificados. ATIVIDADES DE FIXAÇÃO RESPOSTAS QUESTÃO 3 - Em relação às medidas que devem ser empreendidas no SUS, temos: • Ações de vigilância epidemiológica das DN iniciando por dados atualizados e confiáveis quanto ao perfil dessas doenças, ou seja, ações de monitoramento e controle contínuos, com base nesses dados identificar áreas endêmicas; instituir medidas de controle de vetores e modos de transmissão; avaliar a efetividade das ações empreendidas. • Ações de vigilância sanitária para controle das condições ambientais favoráveis a ocorrência das DN, distribuição e controle de fármacos. • Investir em pesquisas de novos fármacos para tratamento e produção de imunobiológicos para as DN. • Fortalecer as ações de Vigilância Sanitária e Vigilância Epidemiológica, implantando serviços e capacitando profissionais para realizar essas ações. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 101 • Aumentar a capacidade diagnóstica dos serviços de saúde, principalmente na Atenção Primária à Saúde (APS), como porta de entrada, além de tratamento precoce e acompanhamento e notificação dos casos. • Capacitar os profissionais de saúde, sejam da APS quanto em outros níveis de assistência, para diagnóstico, tratamento, monitoramento, medidas de controle, acompanhamento dos casos. • Destinar recursos financeiros e investimentos adequados tanto para a realização de pesquisas quanto para o desenvolvimento das diversas ações. • Instituir ações educativas quanto a essas doenças com divulgação em diversas mídias, envolvendo a sociedade e comunidades, principalmente de áreas endêmicas das DN. • E, principalmente, fazer cumprir as ações que já estão descritas na Constituição Brasileira e nas Leis orgânicas da saúde, que possibilitarão, dentre tantas outras coisas, o controle efetivo das DN. ATIVIDADES DE FIXAÇÃO RESPOSTAS QUESTÃO 4 - A resposta certa é a letra C. Justificativa: a. Esta alternativa está incorreta, pois apenas a afirmativa IV está correta. Os CIEVS foram implantados em diversas capitais e municípios como principal estratégia de enfrentamento às emergências em SP, sendo órgão vinculado à Secretaria de Vigilância em Saúde. A afirmativa II está incorreta, pois a Vigilância Sanitária é uma autarquia vinculada diretamente ao Ministério da Saúde. E a afirmativa III está incorreta, pois tanto a saúde do trabalhador quanto a ambiental compõe uma mesma vigilância vinculada a SVS. b. Esta alternativa está incorreta, pois apenas as afirmativas I e IV estão corretas. A afirmativa I está correta, pois a partir da reformulação estrutural, a vigilância epidemiológica foi dividida em vigilância de doenças e agravos transmissíveis e vigilância de doenças e agravos não transmissíveis. A afirmativa IV está correta, pois os CIEVS foram implantados em diversas capitais e municípios como principal estratégia de enfrentamento as emergências em SP, sendo órgão vinculado a SVS. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 102 c. E a afirmativa III está incorreta, pois tanto a saúde do trabalhador quanto a ambiental compõe uma mesma vigilância vinculada a SVS. d. Esta alternativa está correta, pois ambas afirmativas, I e IV, estão corretas. A afirmativa I está correta, pois a partir da reformulação estrutural, a vigilância epidemiológica foi dividida em vigilância de doenças e agravos transmissíveis e vigilância de doenças e agravos não transmissíveis. E a afirmativa IV está correta, pois os CIEVS foram implantados em diversas capitais e municípios como principal estratégia de enfrentamento as emergências em SP, sendo órgão vinculado a SVS. e. Está alternativa está incorreta, pois apenas a afirmativa I está correta e a afirmativa III está incorreta. A afirmativa I está correta, pois a partir da reformulação estrutural, a vigilância epidemiológica foi dividida em vigilância de doenças e agravos transmissíveis e vigilância de doenças e agravos não transmissíveis. E a afirmativa III está incorreta, pois tanto a saúde do trabalhador quanto a ambiental compõe uma mesma vigilância vinculada a SVS. f. Esta alternativa está incorreta, pois a afirmativa III está incorreta e apenas a afirmativa IV está correta. A afirmativa III está incorreta, pois tanto a saúde do trabalhador quanto a ambiental compõe uma mesma vigilância vinculada a SVS. g. E a afirmativa IV está correta, pois os CIEVS foram implantados em diversas capitais e municípios como principal estratégia de enfrentamento as emergências em SP, sendo órgão vinculado a SVS. ATIVIDADES DE FIXAÇÃO RESPOSTAS QUESTÃO 5 - De acordo Com a Portaria 204, de 17 de fevereiro de 2016, a Difteria é uma doença de notificação compulsória (DNC) imediata para os estados e municípios em que elas ocorrerem. De acordo com essa portaria, bem como a Portaria n. 22, de 10 de fevereiro do mesmo ano, compete a todo profissional de saúde, em qualquer serviço, fazer a notificação de doenças que constam na lista de DNC. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 2 103 Assim, o enfermeiro da unidade de internação deve, além das ações de cuidado que devem ser instituídas nesse nível de assistência, proceder ao preenchimento da ficha denotificação do caso de difteria e repassar a informação imediatamente para o Serviço de Vigilância Epidemiológica do Município para que medidas de controle da doença sejam instituídas. Lembrando que como se trata de uma DICT, é necessário a adoção de medidas de precaução, isolamento e vacinação após alta hospitalar. Em relação ao enfermeiro que atua na Atenção Primária à Saúde (APS), seja em unidade de saúde da família ou unidade básica de saúde, se o primeiro atendimento ocorreu, nesse nível de atenção, devem ser instituídas as seguintes ações: acolher e identificar os sinais e sintomas que levam a suspeita de ser uma DICT, no caso, de ser difteria; acionar o médico da unidade; a partir da avaliação do caso instituir ações de cuidado de enfermagem e prescrição médica; dependendo da gravidade do caso encaminhar para unidade de emergência; manter isolamento respiratório, considerando o modo de transmissão; preencher a ficha de notificação SINAN específica e comunicar imediatamente ao Serviço de Vigilância Epidemiológica do distrito ou município para que ações e medidas de controle sejam instituídas. Outras ações importantes são a identificação de comunicantes (pessoas que tiveram contatos com o caso), avaliação e observação dos mesmos, durante período de 7 dias, para identificação de novos casos; assim como a verificação do estado vacinal de todos, do caso e dos comunicantes, dependendo da situação vacinal realizar a vacinação de bloqueio. ATIVIDADES DE FIXAÇÃO RESPOSTAS UNIDADE • Considerações fisiopatológicas, clínicas, laboratoriais e epidemiológicas das doenças imunopreveníveis: rubéola, caxumba, sarampo, varicela, febre amarela e influenza • Ações de Vigilância epidemiológica e principais medidas de prevenção controle da rubéola, caxumba, sarampo, varicela, febre amarela e influenza • Sistematização da Assistência de Enfermagem frente a rubéola, caxumba, sarampo, varicela, febre amarela e influenza • Respostas Questões de Fixação Doenças infectocontagiosas víricas e imunopreveníveis Houve um tempo em que se pensava que toda criança deveria passar pelas chamadas “doenças da infância”. Mas, depois que se desenvolveu um sistema preventivo, com vacinas e a disponibilidade de recursos nos serviços de saúde, esse pensamento vem se modificando. Nesta unidade, vamos estudar as características e o manejo clínico de algumas doenças imunopreveníveis, para refletir sobre as ações epidemiológicas e de enfrentamento e compreender onde o enfermeiro se encaixa nessas ações. Acompanhe com atenção e bons estudos! DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 3 106 Considerações fisiopatológicas, clínicas, laboratoriais e epidemiológicas das doenças imunopreveníveis: rubéola, caxumba, sarampo, varicela, febre amarela e influenza Para começar a compreender cada uma das doenças que vamos tratar neste tópico, vamos nos basear no Guia de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde (BRASIL, 2014). É desse guia que tiramos as informações nos subtópicos a seguir. Acompanhe! Rubéola a. Características – A Rubéola ou Sarampo alemão (nome popu- larmente conhecido) é uma doença exantemática, ou seja, que causa erupções ou lesões avermelhadas na pele, tem início na face e se espalha pelo corpo após determinado período. b. Agente infeccioso – A Rubéola é causada por um vírus cujo nome científico é Rubella vírus, pertencente ao gênero Ribovírus da família Togaviridae. c. Reservatório – O reservatório do vírus da rubéola é o ser humano. d. Transmissão – Através das vias respiratórias, quando uma pessoa sadia entra em contato com secreções nasofaríngeas de pessoas acometidas pela doença. Essa forma de transmissão é denominada direta, pois ocorre diretamente de pessoa a pessoa. Pode ocorrer também através do contágio indireto, que é quando há necessidade de veículos como: objetos contaminados com DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 3 107 secreções nasofaríngeas, sangue, urina e fezes. Período de transmissibilidade – Em torno de uma semana antes do aparecimento do exantema até 4 a 5 dias depois. e. Sinais e sintomas – Uma pessoa acometida pela Rubéola dissemina o vírus por meio das secreções nasofaríngeas. A pessoa sadia pode contrair o vírus e este, fica alojado no trato respiratório. Após, o vírus se difunde por via linfática e há o estabelecimento da infecção na pele. Na pele, o principal sintoma é o exantema (erupção cutânea que ocorre em doença aguda provocada por vírus). O exantema, muita das vezes, pode ser confundido com petéquias, porém, as causas se diferem em ambos. Enquanto uma é causada por vírus, a outra é decorrente de pequenas hemorragias de vasos sanguíneos. f. Diagnóstico – Feito através de exames laboratoriais e por método diferencial. O método diferencial consiste na diferenciação dos sintomas da rubéola com outras possíveis doenças quem tem sintomas semelhantes (sarampo, escarlatina, dengue). O exame laboratorial de padrão ouro realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é o ELISA para a detecção de IgM e IgG no sangue. É preconizado que o exame seja feito nos primeiros dias até a 4ª semana após o surgimento do exantema. Esse tempo deve ser levado em consideração para verificar se a doença é recente ou mais tardia. O IgM aparece de forma precoce nas infecções e desaparece com o tempo. O IgG aparece mais tarde e são permanentes. São eles que conferem a imunidade da doença. Por isso é tão importante fazer o exame até a 4ª semana, para que haja detecção precoce da doença e as medidas profiláticas sejam tomadas. g. Complicações – A rubéola em gestantes pode levar ao nascimento de crianças com anomalias, como: surdez, microcefalia, cegueira, retardo mental e cardiopatias (Síndrome da Rubéola Congênita). O método diferencial consiste na diferenciação dos sintomas da rubéola com outras possíveis doenças quem tem sintomas semelhantes. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 3 108 h. Medidas preventivas – A rubéola é evitada através da vacina. No Brasil, a vacina utilizada é a tríplice viral (SCR), que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Agora estamos prontos para a primeira videoaula. Acompanhe! Videoaula “Síndrome da Rubéola Congênita” Autora: Kamila Tessarolo Velame Sarampo Vamos compreender como o Sarampo é caracterizado, a partir do Guia de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde (BRASIL, 2014). Acompanhe! a. Características – O Sarampo é uma doença infecciosa aguda, transmissível e extremamente contagiosa, caracterizada por sintomas gerais e pela presença de exantema. b. Agente infeccioso – O agente causador do sarampo é um vírus (vírus do sarampo), que pertence ao gênero Morbillivirus, família Paramyxoviridae. c. Reservatório – O reservatório do vírus do sarampo é o ser humano. d. Transmissão – Ocorre diretamente pessoa a pessoa, através de secreções nasofaríngeas, expelidas ao tossir, espirrar e falar, ou, com menor frequência, por disseminação aérea. Período de transmissibilidade – O período de transmissibilidade é em torno de 4 a 6 dias antes do aparecimento do exantema até 4 dias depois. e. Sinais e sintomas – Por volta de dez dias após o vírus pe- netrar no organismo, aparece febre, acompanhada de tosse A transmissão do samrampo ocorre diretamente de pessoa a pessoa, através de secreções nasofaríngeas, expelidas ao tossir, espirrar e falar, ou, com menor frequência, por disseminação aérea. https://player.vimeo.com/video/194083967 DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 3 109 produtiva, coriza, conjuntivite e fotofobia (sensibilidade à luz). Em poucos dias surgem manchas vermelhas (exante- ma), que se iniciam na face, espalhando-se para o tronco e depois para os braços e pernas. Com o passar dos dias, as manchas se tornam escurecidas e surge uma descamação fina, lembrando farinha. f. Diagnóstico– É feito através da análise dos sinais e sintomas e do exame laboratorial (normalmente a pesquisa de anticorpos IgM, pelo método ELISA). g. Complicações – O sarampo é uma doença que compromete a resistência orgânica do hospedeiro, facilitando a ocorrência de superinfecções virais ou bacterianas, levando a complicações, principalmente em crianças desnutridas de pouca idade, tais como otite média, laringite, laringotraqueobronquite, diarreia, pneumonia e encefalite. h. Medidas preventivas – A vacina é a melhor prevenção. A vacina é a mesma da Rubéola, a tríplice viral (SCR). Influenza A Influenza pode ser caracterizada, de acordo com o Guia de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde (BRASIL, 2014), da seguinte forma: a. Características – Gripe ou Influenza é uma doença aguda e contagiosa, caracterizada por manifestações tais como febre, calafrios, mal-estar em geral, dores musculares e dor de cabeça, além de perturbações do aparelho respiratório, como espirros, coriza e, às vezes, tosse e inflamação na garganta. b. Agente infeccioso – O agente causador da gripe é o vírus da influenza. c. Reservatório – O vírus pode se alojar em humanos e também em alguns animais (aves, suínos, mamíferos marinhos, cavalos). Gripe ou Influenza é uma doença aguda e contagiosa, caracterizada por manifestações tais como febre, calafrios, mal-estar em geral, dores musculares e dor de cabeça, além de perturbações do aparelho respiratório, como espirros, coriza e, às vezes, tosse e inflamação na garganta. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 3 110 d. Transmissão – Doenças das mais contagiosas, a gripe afeta indivíduos de todas as idades, sobretudo nos meses frios. É transmitida pelas pequenas gotas de saliva lançadas com a fala, a tosse ou o espirro. Período de transmissibilidade – Um indivíduo infectado pode transmitir o vírus desde dois dias antes do início dos sintomas até cinco dias após o mesmo. e. Sinais e sintomas – A doença inicia-se com a instalação abrupta de febre alta, em geral acima de 38º C, seguida de dores musculares, dor de garganta, prostração, calafrios, dor de cabeça e tosse seca. f. Diagnóstico – Clínico, baseado nos sinais apresentados pelo doente. Também, por métodos laboratoriais como: Reação em cadeia da polimerase (PCR), imunofluorescência, imuno-cromatográfico. g. Complicações – Em geral, a Influenza tem limitação própria, ou seja, segue o curso definido dentro de um tempo específico e de curta duração. Embora raramente seja grave por si mesma, pode desencadear infecções pulmonares secundárias (as pneumonias são as complicações mais frequentes) e pode até ocasionar a morte, especialmente em anciões ou pessoas debilitadas por outros problemas crônicos de saúde. h. Medidas preventivas – A vacinação é a melhor arma disponível para a prevenção da influenza e suas consequências. A vacina contra o vírus influenza deve ser administrada após os seis meses de idade. O Ministério da Saúde implantou, em 1999, a vacinação contra a gripe no Brasil, com o objetivo de proteger os grupos de maior risco contra as complicações da influenza, ou seja, os idosos e os portadores de doenças crônicas. Em geral, a Influenza tem limitação própria, ou seja, segue o curso definido dentro de um tempo específico e de curta duração. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 3 111 Para conferir proteção adequada, a vacina deve ser administrada a cada ano, já que sua composição também varia anualmente, em função das cepas (tipos de vírus) circulantes. Agora, acompanhe a seguir uma curiosidade sobre a influenza. Influenza vírus Existem três tipos de vírus influenza: A, B e C. O vírus C causa apenas infecções respiratórias brandas, não possui impacto na saúde pública e não está relacionado com epidemias. O vírus influenza A e B são responsáveis por epidemias sazonais, sendo o vírus Influenza A responsável pelas grandes pandemias. Os vírus influenza A são ainda classificados em subtipos de acordo com as proteínas de superfície, hemaglutinina (HÁ ou H) e neuraminidase (NA ou N). Dentro os subtipos de vírus influenza A, os subtipos A (H1N1) e A (H3N2) circulam atualmente em seres humanos. Alguns vírus influenza A de origem aviária também podem infectar humanos causando doença grave, como o do A (H7N9). No Brasil, em 2016, a composição das vacinas que foram utilizadas na campanha continha três cepas do vírus: A/California/7/2009 (H1N1) pdm09; A/Hong Kong/4891/2014 (H3N2); B/Brisbane/60/2008 (Victoria). Em 2016, predominou a circulação do vírus Influenza A (H1N1)pdm09. Para saber mais, acesse o Portal da Saúde no link: <http://portalsaude. saude.gov.br/index.php/descricao-da-doenca-influenza>. Varicela Agora, para definir a Varicela, vamos consultar novamente o Guia de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde (BRASIL, 2014). Acompanhe a seguir as definições. http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/descricao-da-doenca-influenza http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/descricao-da-doenca-influenza DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 3 112 a. Características – É uma doença viral aguda e altamente contagiosa. É caracterizada pelo surgimento de exantema maculopapular, que após algumas horas, torna-se vesicular. Posteriormente, evolui para pústulas e formam crostas em torno de três a quatro dias. A varicela é conhecida popularmente como “catapora”. b. Agente infeccioso – É causada por um vírus, o varicela-zóster. c. Reservatório – O ser humano é o único hospedeiro natural do vírus. d. Transmissão – Ocorre através da mucosa do trato respiratório superior. A transmissão se dá, principalmente, por secreções advindas de espirros, tosses e gotículas de saliva. O vírus pode ser transmitido de forma direta, pessoa a pessoa e de forma indireta (através de objetos contaminados), o que é raro. Outra forma de transmissão é durante a gestação, através da placenta. A infecção confere imunidade permanente. Período de transmissibilidade – Tem início 48h antes do aparecimento das vesículas e vai até a formação de crostas. Em crianças, o período é em torno de seis a oito dias (quatro a seis dias após o surgimento das lesões). e. Sinais e sintomas – É comum ocorrer febre moderada e pruri- do intenso. Em crianças, a doença é benigna, porém, em adul- tos, o quadro clínico é mais grave. Em adultos, pode ocorrer pneumonia. Em gestantes, existe um risco de lesão fetal grave. f. Diagnóstico – É feito através dos sinais e sintomas típicos, com as lesões vermelhas que evoluem com a formação de pequenas bolhas. Uma pista para o diagnóstico é a exposição a uma outra pessoa infectada no período de incubação de 10-21 dias. g. Complicações – A principal complicação da catapora é a in- fecção secundária das lesões. Por esse motivo, deve-se evitar coçá-las. Cicatrizes altas, chamadas quelóides e deprimidas, atróficas, também podem ocorrer na involução da doença. O diagnóstico da Varicela é feito através dos sinais e sintomas típicos, com as lesões vermelhas que evoluem com a formação de pequenas bolhas. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 3 113 h. Medidas preventivas – A forma mais eficaz de se prevenir varicela é através da vacinação. Outra forma de prevenção é evitar ao máximo o contato com pessoas que estejam infecta- das. Quem ainda não teve a doença, ou está no grupo de risco, deve evitar ainda mais o contato com pessoas infectadas. A seguir, acompanhe a notícia sobre vacinação para catapora. Vacina contra catapora compõe o Calendário Nacional de Vacinação Foram investidos R$ 127,3 milhões para a compra de 4,5 milhões de doses por ano, já enviadas aos estados O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a receber a vacina contra a catapora neste mês de setembro. A nova vacina vai compor o Calendário Nacional de Vacinação e será distribuída pelo Ministério da Saúde, por meio do ProgramaNacional de Imunização (PNI). Com ela, o SUS sobe para 25 o número de ofertas de vacinas, 13 delas já disponibilizadas no Calendário. Incluída na tetra viral, a vacina também protegerá contra sarampo, caxumba e rubéola e será ofertada exclusivamente para crianças de 15 meses de idade que já tenham recebido a primeira dose da vacina tríplice viral. Com essa inclusão, o Ministério da Saúde estima uma redução de 80% das hospitalizações por varicela (catapora). Foram investidos R$ 127,3 milhões para a compra de 4,5 milhões de doses por ano, já enviadas aos estados. Com 97% de eficácia, a vacina tetra viral é segura e raramente causa reações alérgicas. A imunização evita complicações, casos graves com internação e possível óbito, além da prevenção, controle e eliminação das doenças sarampo, caxumba e rubéola. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 3 114 A população deve se informar no posto de saúde mais próximo de suas casas para saber se a tetra viral já está disponível. Isso acontece porque alguns municípios ainda estão adequando a sua rotina de atendimento à nova vacina, que pede uma capacitação específica para os profissionais na administração da dose ou ainda pela dificuldade de distribuição em locais de difícil acesso. A previsão é que todas as 34 mil salas de vacinação distribuídas no Brasil estarão ofertando as doses até o final desse mês. Leia a notícia completa no Portal Brasil: <http://www.brasil.gov. br/saude/2013/09/vacina-contra-catapora-compoe-o-calendario- nacional-de-vacinacao>. Febre amarela O Guia de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde (BRASIL, 2014) define a Febre Amarela a partir dos itens que veremos a seguir. Acompanhe! a. Características – A Febre Amarela é uma doença infecciosa febril aguda e de gravidade variável. Possui dois ciclos epidemiológicos distintos de transmissão, silvestre e urbano. b. Agente infeccioso – Arbovírus do gênero Flavivirus, família Flaviviridae. c. Reservatório – Nos dois ciclos epidemiológicos (silvestre e urbano), os vetores (mosquitos) são os reservatórios do vírus. No ciclo urbano da doença, o homem é o único hospedeiro. Na forma silvestre, os primatas são os principais hospedeiros do vírus e o homem é o hospedeiro acidental. d. Transmissão – A transmissão se dá através da picada do mosquito infectado. No ciclo silvestre, o vetor da febre amarela é principalmente o mosquito do gênero Haemagogus. Já no ciclo urbano, o vetor é o Aedes aegypti http://www.brasil.gov.br/saude/2013/09/vacina-contra-catapora-compoe-o-calendario-nacional-de-vacinacao http://www.brasil.gov.br/saude/2013/09/vacina-contra-catapora-compoe-o-calendario-nacional-de-vacinacao http://www.brasil.gov.br/saude/2013/09/vacina-contra-catapora-compoe-o-calendario-nacional-de-vacinacao DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 3 115 (o mesmo da dengue). Além da infecção humana, os macacos podem desenvolver a febre amarela silvestre e ter quantidade de vírus suficiente para infectar os vetores. Não há transmissão de pessoa a pessoa. Período de transmissibilidade – Existem dois ciclos de transmissibilidade da doença: um extrínseco (ocorre no vetor) e um intrínseco (ocorre no ser humano). O período de transmissibilidade no ser humano ocorre de três a cinco dias após o início da doença. No mosquito, o vírus localiza- se nas glândulas salivares das fêmeas, onde se multiplica depois de 8 a 12 dias (período de maturação dos ovos). A partir daí, é capaz de transmitir o vírus até o final de sua vida (de seis a oito semanas). e. Sinais e sintomas – A Febre amarela apresenta um quadro clínico que tem duas fases, o período inicial que é denominado prodrômico e um outro denominado toxêmico. O período prodrômico dura cerca de três dias, é súbito e os principais sintomas são: febre, calafrios, cefaleia, lombalgias, náuseas e vômitos. O período toxêmico ocorre aproximadamente após dois dias da febre cessar. Portanto, nesse período, a febre reaparece com outros sintomas, sendo eles: diarreia, vômitos com aspecto de borra de café, insuficiência hepatorrenal, icterícia e manifestações hemorrágicas. f. Diagnóstico – O diagnóstico das formas leve e moderada da doença é difícil de fazer, pois pode ser facilmente confundido com outras doenças infecciosas. O diagnóstico laboratorial é feito através do isolamento do vírus amarílico e detecção de antígeno em amostras de sangue ou tecido. g. Complicações - A forma grave da doença pode fazer com que ocorra insuficiência hepática e renal, icterícia e manifestações hemorrágicas. A maioria dos infectados Febre amarela apresenta um quadro clínico que tem duas fases, o período inicial que é denominado prodrômico e um outro denominado toxêmico. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 3 116 consegue se recuperar e adquirir imunização permanente contra a febre amarela. É importante ressaltar que na dengue podem aparecer manifestações hemorrágicas também, mas somente na febre amarela o paciente fica ictérico. Essa é uma característica diferencial das duas doenças. h. Medidas preventivas – A vacinação é a melhor prevenção. Além disso, deve-se notificar imediatamente todos os casos, pois permitirá a implementação de estratégias que cessem o surto. Devem ser desenvolvidas ações de educação em saúde para a população, para que haja conscientização e que saibam como ocorre a transmissão da doença. Dessa forma, eliminando os focos do mosquito nas residências e adjacências. Na figura a seguir, podemos ver o ciclo da Febre Amarela. FIGURA 4 – Ciclo Silvestre e Urbano da Febre Amarela Haemagogus Sabethes Aedes aegypti Ci cl o si lv es tre Ci cl o ur ba no Fonte: Ministério da Saúde. Agora, resolva a primeira questão de fixação. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 3 117 QUESTÃO 1 - Está ocorrendo uma epidemia de Febre Amarela em Minas Gerais e no Espírito Santo. Uma mulher, mãe de dois filhos e residente em área de risco, procurou a Unidade Básica de Saúde para se informar com a enfermeira qual seria a melhor forma de prevenção da doença. A enfermeira deverá informar que a melhor medida preventiva é: a. A vacinação contra a Febre Amarela. b. Colocar cortinados em janelas e portas durante o período noturno, porque os vetores só saem à noite para transmitir o vírus. c. A mãe deverá deixar acumular água em vasos de plantas e pneus, pois isso evita a reprodução do vetor. d. Solicitar que os agentes ambientes façam a dedetização na casa dos vizinhos, porque é ali que mora o foco do mosquito e que não os deixem entrar na casa dessa mãe. e. A Enfermeira deve orientar que a melhor medida preventiva é acumular água parada e limpa, pois os vetores se reproduzem em água suja. O gabarito se encontra no final da unidade. ATIVIDADE DE FIXAÇÃO Caxumba Segundo o Guia de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde (BRASIL, 2014) podemos caracterizar a Caxumba a partir das seguintes definições. a. Características – Doença viral aguda, caracterizada pelo aumento do volume de uma ou mais glândulas salivares e, ás vezes, glândulas sublinguais e submandibulares. Também conhecida popularmente como papeira ou parotidite infecciosa. b. Agente infeccioso – Ocasionada por um vírus da família Paramyxoviridae, gênero Paramyxovirus. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 3 118 c. Reservatório – O ser humano é o único hospedeiro do vírus. d. Transmissão – Ocorre através das vias aéreas, através de gotículas, ou por contato direto com saliva de pessoas infectadas. Já a transmissão indireta é menos frequente, mas pode ocorrer pelo contato com objeto contaminados com secreção do nariz e/ou boca. Período de transmissibilidade - Varia entre seis e sete dias antes das manifestações clínicas, até nove dias após o surgimento dos sintomas. e. Sinais e sintomas - Os primeiros sintomas são: febre, calafrios, dores de cabeça, dores musculares e ao mastigarou engolir. Uma das principais características da doença é o aumento das glândulas salivares próximas aos ouvidos. f. Diagnóstico – Na maioria dos casos o diagnóstico é clínico. O diagnóstico laboratorial compreende o isolamento viral ou reação em cadeia da polimerase em tempo real (RT- PCR) de amostras de swab bucal, saliva e líquor, além de sorologia (IgG e IgM). g. Complicações – Nos casos graves, pode causar: surdez e meningite. Após a puberdade, pode causar inflamação e inchaço doloroso dos testículos (orquite) nos homens ou dos ovários (ooforite) nas mulheres e levar à esterilidade. h. Medidas preventivas – A prevenção é realizada com o uso de vacina e que faz parte do Calendário Básico de Vacinação. Em geral, está associada à época de vacinas contra sarampo e rubéola. As três juntas compõem a vacina tríplice viral (SCR). Vamos responder a segunda questão? Após a puberdade, a caxumba pode causar inflamação e inchaço doloroso dos testículos (orquite) nos homens ou dos ovários (ooforite) nas mulheres e levar à esterilidade. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 3 119 QUESTÃO 2 - A vacina SCR, conhecida como tríplice viral é responsável por prevenir quais doenças abaixo. a. Sarna, coqueluche e rubéola. b. Sarampo, cólera e raiva. c. Sífilis, caxumba e rubéola. d. Sarampo, caxumba e rubéola. e. Sarampo, criptococose e rubéola. O gabarito se encontra no final da unidade. ATIVIDADE DE FIXAÇÃO Ações de Vigilância epidemiológica e principais medidas de prevenção controle da rubéola, caxumba, sarampo, varicela, febre amarela e influenza De acordo com a Lei 8.080 de 19 de setembro de 1990: “vigilância epidemiológica é um conjunto de ações que proporcionam o conhecimento, a detecção ou prevenção de qualquer mudança nos fatores determinantes e condicionantes de saúde individual ou coletiva, com a finalidade de recomendar e adotar as medidas de prevenção e controle das doenças ou agravos” (BRASIL, 1990). Qual a importância da vigilância na profissão de enfermagem? Os enfermeiros participam da vigilância? Para tanto, devemos seguir o calendário vacinal, que de acordo com Busato (2016) é a forma mais eficaz de prevenção de doenças víricas imunopreveníveis. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 3 120 Vamos saber mais sobre isso na segunda videoaula. Acompanhe! Videoaula “Calendário vacinal” Autora: Kamila Tessarolo Velame Ações de vigilância epidemiológica De acordo com Tietzmann (2014), o principal objetivo das ações de vigilância epidemiológica é proporcionar orientação técnica de forma permanente para os profissionais da área da saúde. É por meio dela que será decidido sobre a execução de ações de controle de doenças e agravos. Portanto, mantém as informações atualizadas sobre a ocorrência das doenças (fatores condicionantes e determinantes). Dessa forma, é possível implementar políticas e diretrizes voltadas para comunidades específicas, bem como avaliar as necessidades daquela população. Ficha de notificação/investigação A Portaria n. 204, de 17 de fevereiro de 2016 (BRASIL, 2016) instituiu as doenças de notificação, ela: Define a Lista Nacional de Notificação Compulsória de doenças, agravos e eventos de saúde pública nos serviços de saúde públicos e privados em todo o território nacional, nos termos do anexo, e dá outras providências. Segundo Busato (2016) a escolha dessas doenças e agravos específicos de notificação compulsória obedece a critérios como: potencial de disseminação, vulnerabilidade e magnitude. Os dados coletados sobre as doenças de notificação compulsória são incluídos no Sistema Nacional de Agravos de Notificação (SINAN). O principal objetivo das ações de vigilância epidemiológica é proporcionar orientação técnica de forma permanente para os profissionais da área da saúde. https://player.vimeo.com/video/194084005 DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 3 121 Para Monteiro (2015) a notificação é o principal instrumento utilizado pela Vigilância Epidemiológica para iniciar o levantamento de informações necessárias, por meio da investigação dos casos suspeitos ou confirmados da doença de notificação, para a implementação das medidas necessárias ao seu controle e prevenção. O enfermeiro tem papel fundamental neste aspecto e deve conhecer e saber preencher uma ficha de notificação, conforme vimos na unidade 2. Na figura a seguir, ilustramos o papel do enfermeiro nas notificações. FIGURA 5 – Notificação pela ficha SINAN Fonte: Have a nice day Photo, Shutterstock. AUDIODESCRIÇÃO DA FIGURA: Enfermeira com um tablet e uma planilha. Das doenças estudadas nesta unidade, a caxumba é a única que não precisa notificar de forma isolada. A caxumba só deve ser notificada em casos de surtos e epidemias, pois é considerada uma doença benigna e em casos de surtos, deve ser feito o bloqueio vacinal. Os surtos ocorrem em crianças não vacinadas. Agora, vamos responder outra questão de fixação. Acompanhe! A caxumba só deve ser notificada em casos de surtos e epidemias, pois é considerada uma doença benigna e em casos de surtos, deve ser feito o bloqueio vacinal. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 3 122 QUESTÃO 3 - Algumas doenças devem ser notificadas compulsoriamente em um prazo menor que 24h (notificação imediata), quando tem-se casos suspeitos. Outras doenças têm fluxo de notificação semanal. Além dessas opções, existem doenças que não precisam ser notificadas. Dentre elas: a. Sarampo. b. Caxumba. c. Rubéola. d. Febre amarela. e. Casos de Dengue. O gabarito se encontra no final da unidade. ATIVIDADE DE FIXAÇÃO Sistematização da Assistência de Enfermagem frente a rubéola, caxumba, sarampo, varicela, febre amarela e influenza A sistematização da assistência de enfermagem (SAE), de acordo com Souza (2014), é um dos meios que o enfermeiro dispõe para aplicar seus conhecimentos técnicos, científicos e humanos na assistência ao paciente e caracterizar sua prática profissional, colaborando na definição do seu papel. Então, vamos assistir a videoaula três? Acompanhe! Videoaula “O processo de Sistematização de Enfermagem nas Doenças Infectocontagiosas” Autora: Kamila Tessarolo Velame https://player.vimeo.com/video/194084031 DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 3 123 E agora, vamos acompanhar um estudo de caso, para entender os detalhes de um caso de Febre Amarela. Exemplo de SAE – Histórico de Enfermagem T.M., 22 anos, feminino, parda, relação estável, um filho, evangélica, do lar, ensino fundamental completo. Procedente de Teixeira de Freitas, Bahia, reside em São Pedro V, Vitória. Deu entrada no Hospital da Santa Casa de Misericórdia de Vitória (HSCMV), no estado do Espírito Santo, no dia 27/09/2010, com fortes dores abdominais, na região do fígado. Relata que no dia 26/09/2010 sentiu fortes dores na barriga e que a urina estava vermelha. Há quatro meses teve filho por parto normal, sem intercorrências e ainda está amamentando. Nega hipertensão, diabetes, uso de drogas lícitas, ilícitas e alergias. Faz uso de anticoncepcional oral. Mãe hipertensa e pai falecido aos 60 anos, não sabe informar o motivo. Higiene oral realizada 3x/dia e corpórea 2x/dia. Alimenta-se por via oral e relata comer de tudo. Café da manhã: pão, presunto, queijo e suco, no almoço: arroz, feijão, carne, verduras e não tem o hábito de jantar. Ingestão hídrica de aproximadamente 1,5L/dia. Diurese espontânea cerca de 8x/dia e eliminação intestinal 1x/dia. Nunca fez preventivo. Não sabe relatar se cartão vacinal está em dia. EXAME FÍSICO 28/09/2010, 14:10 min - Lúcida, cooperativa, verbalizando sem dificuldade. Pele íntegra, turgor e elasticidade mantidos, ictérica e acianótica. Abertura ocular espontânea, mucosa conjuntival hipocorada (++/4), pupilas isofotorreagentes. Boa acuidade auditiva. Boa higienização oral. Tórax típico, respiração espontânea, eupnéica (FR:18rpm), MVFem ambos os pulmões. Bulhas normofonéticas em 2T, ritmo cardíaco regular, eucárdica (FC:77bpm), normotensa (PA:110/60mmhg). Febril (TAX: 38°C). Abdome atípico, ruídos hidroaéreos presente, som timpânico à percussão e dor a palpação superficial e profunda em quadrante superior direito. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 3 124 Presença de punção venosa periférica em MSD sem sinais flogísticos. MMII sem edemas e varizes. Apresenta hematúria e melena. Após os exames laboratoriais e a identificação dos sintomas, principalmente a questão da icterícia, febre, manifestações hemorrágicas e dor abdominal em quadrante superior direito, foi constatado pelo médico um quadro de febre amarela. A paciente foi notificada. Vamos responder as duas últimas questões de fixação, com atenção. Vamos lá! QUESTÃO 4 - As decisões tomadas na fase de planejamento e organização dos serviços de saúde realizadas pelo enfermeiro, deveriam ser prioridade e baseadas no emprego adequado da epidemiologia. O enfermeiro não deve cometer imperícias, para isso, pele precisa de capacitação contínua. A atualização teórica é essencial para o campo da prática. Sendo assim, quando o enfermeiro estiver em um estado com surto de Influenza, quais as medidas preventivas que ele deverá orientar à população local? O gabarito se encontra no final da unidade. ATIVIDADE DE FIXAÇÃO QUESTÃO 5 - Caracterize a Rubéola, quanto ao agente infeccioso, reservatório, transmissão e período de transmissibilidade, sinais e sintomas, diagnóstico e medidas preventivas. O gabarito se encontra no final da unidade. ATIVIDADE DE FIXAÇÃO Chegamos ao final desta unidade. Vimos como são caracterizados os agravos imunopreveníveis rubéola, caxumba, sarampo, varicela e influenza e entendemos o papel do enfermeiro no manejo e enfrentamento dessas DICT. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 3 125 Acompanhe agora a videoaula de finalização. Continue seus estudos com empenho! Videoaula “Doenças infectocontagiosas: Rubéola, Caxumba, Sarampo, Varicela, Influenza e Febre Amarela” Autora: Kamila Tessarolo Velame QUESTÃO 1 - A resposta certa é a letra A. Justificativa: a. A melhor forma de prevenção da Febre Amarela (urbana e silvestre), é a vacinação. b. Os vetores (Aedes aegypti) tem hábitos diurnos, portanto, essa mãe deverá colocar cortinado de forma permanente (manhã, tarde e noite). c. Jamais deixar água acumulada, pois os vetores se reproduzem justamente nesses locais. d. Não devemos impedir que os agentes ambientais dedetizem nossas casas. Não é só a casa do vizinho que pode ter água parada, a casa dessa mãe também pode ter. e. A reprodução dos vetores se dá através de água parada e limpa. QUESTÃO 2 - A resposta certa é a letra D. Justificativa: a. A vacina não é para a prevenção de sarna e coqueluche. Neste caso, só está correto a Rubéola. b. A vacina não previne cólera e nem raiva. Neste caso, apenas sarampo está correto. c. A vacina não previne sífilis. Neste caso, só estão corretos: caxumba e rubéola. d. Esta alternativa está correta. A SCR (tríplice viral) previne sarampo, caxumba e rubéola. e. A vacina não previne criptococose. Neste caso, apenas sarampo e rubéola estão corretos. ATIVIDADES DE FIXAÇÃO RESPOSTAS https://player.vimeo.com/video/194084067 DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 3 126 QUESTÃO 3 - A resposta certa é a letra B. Justificativa: a. Sarampo é uma doença de notificação compulsória imediata. b. Está é a alternativa correta. A caxumba não é uma doença de notificação compulsória, não existe uma ficha específica para ela. c. Rubéola é uma doença de notificação compulsória imediata. d. Febre amarela é uma doença de notificação compulsória imediata. e. Dengue (casos) é uma doença de notificação compulsória semanal. Dengue (óbitos) é uma doença de notificação compulsória imediata. QUESTÃO 4 - A vacinação é a melhor arma disponível para a prevenção da influenza e suas consequências. A vacina contra influenza deve ser admi- nistrada após 6 meses de idade. Para conferir proteção adequada, a vacina deve ser administrada a cada ano, já que sua composição também varia anu- almente, em função de cepas (tipos de vírus) circulantes. Além da vacinação (proteção individual), temos as medidas adicionais, sendo elas: higiene das mãos com água e sabão após tossir, espirrar, usar o banheiro e antes das refei- ções; evitar tocar olhos, nariz e boca após contato com superfícies; evitar aglo- merações e ambientes fechados; evitar entrar em contato com outras pesso- as susceptíveis e, se possível, utilizar a máscara cirúrgica quando em contato; proteger com lenços (preferencialmente descartáveis a cada uso) a boca e o nariz ao espirrar ou tossir para evitar a disseminação por aerossóis. ATIVIDADES DE FIXAÇÃO RESPOSTAS QUESTÃO 5 - A Rubéola é uma doença viral aguda, caracterizada pela presença de exantema generalizado. O agente causador da rubéola é um vírus, o Rubella vírus. O reservatório do vírus da rubéola é o ser humano. A transmissão ocorre diretamente de pessoa a pessoa, através de secreções nasofaríngeas, expelidas ao tossir, espirrar ou falar. O período de transmissibilidade é em torno de uma semana antes do aparecimento do exantema até 4 ou 5 dias após. Os principais sintomas são febre, falta de apetite, tosse seca, conjuntivite discreta, dor de cabeça e aumento dos gânglios linfáticos. Surge em seguida o exantema maculopapular (manchas vermelhas) que se iniciam na face e se espalha para o pescoço, tronco e extremidades. O diagnóstico é feito através da análise dos sinais e sintomas e do exame laboratorial. A rubéola é evitada através da vacina. UNIDADE • Considerações fisiopatológicas, clínicas, laboratoriais e epidemiológicas das doenças imunopreveníveis: meningites (HiB, meningocócica, pneumococo), coqueluche e tétano • Vigilância epidemiológica e principais medidas de controle das meningites, da coqueluche e do tétano • Sistematização da Assistência de Enfermagem frente as meningites, a coqueluche e o tétano • Respostas Questões de Fixação Doenças infectocontagiosas bacterianas e imunopreveníveis DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 4 129 Considerações fisiopatológicas, clínicas, laboratoriais e epidemiológicas das doenças imunopreveníveis: meningites (HiB, meningocócica, pneumococo), coqueluche e tétano As meningites, coqueluche e tétano são doenças causadas por bactérias. Até agora, nós estudamos as doenças víricas, que são causadas por vírus. Tanto as doenças víricas quanto as bacterianas estudadas aqui, são imunopreveníveis, ou seja, tem como melhor forma de prevenção a vacina. O enfermeiro tem papel fundamental na prevenção dessas doenças, e para entender as características e como agir diante delas, vamos levantar alguns questionamentos: Quais os desafios das doenças causadas por bactérias? Por que a disseminação é mais rápida? O que o enfermeiro pode fazer para contê-las? Acompanhe esta unidade para ampliar seu conhecimento. Bons estudos! DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 4 130 Meningites: HiB, meningocócica e pneumococo O Guia de Vigilância Epidemiológica foi criado em 1998, pela Fundação Nacional de Saúde, para ser um manual de consulta e instrução a todos os profissionais de saúde quanto às doenças e agravos de notificação compulsória. A versão de 2014 é mais completa e atualizada e, por meio dele, conseguimos as informações completas sobre as doenças infectocontagiosas. A meningite bacteriana é classificada por tipos, meningocócica, pneumocócica e Haemophilus Influenzae. Vamos ver, a seguir, a caracterização de cada tipo, de acordo com o Guia de Vigilância Epidemiológica (BRASIL, 2014). Acompanhe. Meningite por Haemophilus Influenzae B a. Definição: A meningite bacteriana é caracterizada pela inflamação das meninges por agentes infecciosos, neste caso, as bactérias. As bactériasliberam toxinas que inflamam as membranas de revestimento cerebral: pia- máter, dura-máter e aracnoide. b. Agente infeccioso: O agente causador é uma bactéria gram negativa (Haemophilus influenzae). Existem vários sorotipos: A, B, C, D e F. Porém, o principal sorotipo causador de meningite é o B. c. Reservatório: O ser humano doente ou portador, principalmente os menores de 5 anos. O Haemophilus influenzae B (HiB) está presente nas vias aéreas superiores. d. Transmissão e período de transmissibilidade: Contato direto com secreções nasofaríngeas (boca-nariz-faringe) do doente ou portador, transmitidas através do espirro e tosse (mais frequentemente). Contato indireto através de objetos recém contaminados com secreções nasofaríngeas. Período de transmissibilidade: persiste enquanto o HiB permanece na nasofaringe do doente. Com administração do antimicrobiano A meningite bacteriana é classificada por tipos, meningocócica, pneumocócica e Haemophilus Influenzae. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 4 131 específico, ele desaparece dentro de até 24/48 horas; caso contrário, permanece por tempo indeterminado. e. Sinais e sintomas: Febre alta, cefaleia (dor de cabeça) intensa, vômitos, náuseas, dor e rigidez na nuca, dor na coluna vertebral; pode haver convulsões e distúrbios de consciência (que varia desde confusão mental até o coma); prostração, dores musculares, podendo ocorrer choque séptico. Vale ressaltar que no recém-nascido e lactente até 9 meses a 1 ano de idade, o quadro clínico não é característico, não estando presentes muitas vezes a rigidez de nuca e sinais meníngeos, devido a composição corpórea e a formação incompleta do sistema esquelético. f. Diagnóstico: A suspeita diagnóstica é feita pelo quadro clínico de meningite e a confirmação se faz pelo exame do líquido céfalo-raquidiano (ou líquor), que é o líquido que corre no espaço subaracnóideo. Outros testes diagnósticos podem ser realizados para o diagnóstico, são eles: ELISA e PCR. g. Complicações: Perda da audição parcial ou total, distúrbio da linguagem, retardo mental, deficiência motora, distúrbios visuais e convulsões. h. Medidas preventivas: Vacinar todas as crianças a partir de 3 meses de idade; Evitar aglomeração em ambientes fechados; Manter os ambientes ensolarados e ventilados; Higiene corporal, do vestuário, dos utensílios e da residência. Além disso, é uma doença de notificação compulsória e de investigação obrigatória. Meningite meningocócica (Doença meningocócica) Outro tipo de meningite bacteriana é a meningocócica, também chamada de doença meningocócica. O Guia de Vigilância Epidemiológica (2014) traz essa doença e todas as informações importantes que o Enfermeiro deve ter conhecimento para adequadas condutas quando estiver de frente a um paciente acometido por meningite meningocócica A suspeita diagnóstica é feita pelo quadro clínico de meningite e a confirmação se faz pelo exame do líquido céfalo- raquidiano (ou líquor), que é o líquido que corre no espaço subaracnóideo. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 4 132 a. Definição: É uma doença altamente contagiosa, caracterizada por febre e bacteremia. Caracteriza-se por uma inflamação nas membranas que revestem o cérebro. Ela se torna mais grave quando atinge a corrente sanguínea, provocando o que chamamos de meningococcemia. b. Agente infeccioso: A doença meningocócica é causada por uma bactéria gram negativa, a Neisseria meningitidis (meningococo). Os sorogrupos mais importantes dessa doença são: A, B, C, W135 e Y. Outro tipo de meningite bacteriana é a pneumocócica. O Guia de Vigilância Epidemiológica (2014) traz esse tipo de meningite, pontuando informações importantes como formas de transmissão e medidas preventivas. O enfermeiro tem papel fundamental na aplicação de medidas preventivas que é realizada principalmente pela vacinação. a. Definição: A meningite pneumocócica é um tipo de meningite grave que pode provocar o desenvolvimento de pneumonia. Portanto, a meningite causada pelo Streptococcus pneumoniae ou pneumococo continua sendo grande causa de preocupação pela sua letalidade e morbidade, principalmente em crianças, quando ela está mais frequentemente associada à morte e sequelas graves na infância. b. Agente infeccioso: O agente causador é uma bactéria gram positiva e capsulada. Existem mais de 90 sorotipos imunolo- gicamente distintos no mundo. A meningite pneumocócica é bastante invasiva e muito grave, pois pode levar à morte. c. Reservatório: O principal reservatório é o homem doente. d. Transmissão e período de transmissibilidade: A transmissão se dá através da disseminação das bactérias através de gotículas (secreções nasofaríngeas), por exemplo, ao falar e tossir. Vale lembrar que na meningite pneumocócica existem pessoas assintomáticas também e que potenciais disseminadoras das bactérias. Este tipo de bactérias está O enfermeiro tem papel fundamental na aplicação de medidas preventivas que é realizada principalmente pela vacinação. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 4 133 presente no trato respiratório, porém, inativas. Algumas pessoas são mais sensíveis a elas, portanto, podendo ativá-las. Período de transmissibilidade: Ocorre durante todo tempo de permanência do pneumococo na região da nasofaringe. Portanto, 24h após a introdução das medicações (antibióticos), o período cessa. e. Sinais e sintomas: Os principais sinais e sintomas não diferem tanto entre os outros tipos de meningite bacteriana, sendo eles: Febre posteriormente, fazer a análise dele. f. Complicações: Perda auditiva, paralisia, hidrocefalia, podendo levar à morte. g. Medidas preventivas: A prevenção, por meio da vacina contra a doença pneumocócica, é a melhor maneira de se proteger contra o pneumococo. Entendeu bem a definição de meningite? Para saber diferenciá- la de outras doenças com sintomas parecidos, como a caxumba, acompanhe a notícia a seguir. Caxumba e meningite têm aumento no número de casos; sintomas são parecidos Em São José do Rio Preto, interior de SP, 18 casos de meningite bac- teriana foram registrados em 10 dias. Em Campinas, também interior paulista, casos de caxumba subiram 10 vezes em relação a 2015. A meningite bacteriana é uma doença grave que pode matar em poucos dias. Em São José do Rio Preto, interior de São Paulo, já são quase 80 casos este ano. Dezoito foram registrados só nos últimos 10 dias. A Doutora Ana Escobar explica qual vacina diminui a circulação da doença. E é preciso ficar atento aos sinais da meningite, como dor de cabeça, febre e mal-estar. Sintomas parecidos com os da caxumba. Em Campinas, no interior paulista, o número de casos A prevenção, por meio da vacina contra a doença pneumocócica, é a melhor maneira de se proteger contra o pneumococo. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 4 134 de caxumba aumentou 10 vezes em relação ao ano passado. A infectologista Rosana Richtmann conta porque os adolescentes e adultos têm mais risco de pegar a doença. Meningite é a inflamação da meninge, membrana que recobre o sistema nervoso central. A meningite é uma doença grave, potencialmente fatal, causada por bactérias, vírus e fungos. A meningite bacteriana é mais grave que a meningite viral e dependendo da bactéria, a chance de morte chega a 25%. A doença pode ainda deixar sequelas, como alteração na visão, comprometimento neurológico e surdez. A meningite viral pode ser causada por vários vírus. Dra. Ana Escobar explica que muitas vezes nem se sabe o vírus que causou a doença e ela é mais leve que a bacteriana e não deixa sequelas. Leia a notícia completa no G1: <http://g1.globo.com/bemestar/ noticia/caxumba-e-meningite-tem-aumento-no-numero-de-casos- sintomas-sao-parecidos.ghtml> Sinais de detecção de meningite Alguns sinais fazem parte da avaliação diagnóstica das meningitesbacterianas. O Guia de Vigilância Epidemiológica (2014) retrata bem esses sinais, orientando o profissional de saúde de como eles devem ser avaliados. Vale ressaltar que esses sinais podem ser positivos em outras patologias: a. Sinal de Kerning: É um teste que verifica a irritação das meninges. Nele, deita-se o paciente e tenta-se fazer a extensão da perna, porém, se positivo, não conseguimos fazer a extensão. O paciente sente muita dor e há uma limitação do movimento. b. Sinal de Brudzinski: É um teste de verificação de irritação meníngea também, porém, ele é feito de outra forma. Com o paciente deitado em decúbito dorsal tenta-se fletir a cabeça A meningite bacteriana é mais grave que a meningite viral e dependendo da bactéria, a chance de morte chega a 25%. http://g1.globo.com/bemestar/noticia/caxumba-e-meningite-tem-aumento-no-numero-de-casos-sintomas-sao-parecidos.ghtml http://g1.globo.com/bemestar/noticia/caxumba-e-meningite-tem-aumento-no-numero-de-casos-sintomas-sao-parecidos.ghtml http://g1.globo.com/bemestar/noticia/caxumba-e-meningite-tem-aumento-no-numero-de-casos-sintomas-sao-parecidos.ghtml DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 4 135 do paciente. O profissional de saúde deve levar o mento (queixo) ao tórax. Quando positivo para meningite, isso não é possível. Além disso, quando isso é feito o paciente faz movimento de flexão das pernas de forma involuntária. c. Sinal de Lasegue: Deve-se fazer a flexão da coxa sobre a bacia. O paciente deverá estar em decúbito dorsal. Ele será positivo caso o paciente sinta dor e incômodo na face posterior do membro. d. Sinal do tripé: O profissional de saúde deverá sentar o paciente em um piso liso e estender as pernas dele. O profissional de saúde não conseguirá segurá-lo por mais de dez segundos. O paciente começará a inclinar-se para trás e a cair. Agora que vimos os sinais de detecção da meningite, podemos entender o fluxograma a seguir que mostra a investigação epidemiológica da doença. Acompanhe. FLUXOGRAMA 4 – Investigação epidemiológica da meningite Suspeita Clínica Notificação Coleta de líquor e sangue Diagnóstico laboratorial Confirmação do caso Medidas de controle Fonte: SOUZA; OLIVEIRA, 2014. A investigação epidemiológica das meningites bacterianas (por Haemophilus influenzae, meningocócica e pneumocócica) é realizada da seguinte maneira: O sinal de Kerning é um teste que verifica a irritação das meninges. Nele, deita-se o paciente e tenta-se fazer a extensão da perna, porém, se positivo, não conseguimos fazer a extensão. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 4 136 1. O profissional da saúde deverá identificar os sinais e sintomas compatíveis com o diagnóstico de meningite bacteriana, ou seja, há uma suspeita clínica do caso. Nessa etapa pode ser aplicado também os testes de Kernig e Brudzinski. 2. Todo caso onde há uma suspeita clínica deverá ser feita a notificação compulsória. 3. Para a confirmação do caso é necessário que os exames laboratoriais sejam realizados: a coleta do líquor através de punção lombar e hemocultura. 4. Nesta etapa, já teremos a confirmação pelo diagnóstico laboratorial e fechamento do caso. 5. Confirma-se o caso e a Secretaria Municipal de Saúde deve ser comunicada quanto a confirmação. 6. As devidas medidas de controle da doença serão aplicadas pela Vigilância Epidemiológica do Município para evitar possíveis surtos e para que os comunicantes do paciente sejam tratados com quimioprofilaxia. Veja no quadro, a seguir, que a taxa de óbito e letalidade reduziram gradativamente ao longo dos anos (2010-2015) para meningite meningocócica, HiB e pneumocócica. Isso ocorreu porque, a partir de 2010, a vacina meningocócica C e a pneumocócica passou a fazer parte do calendário de vacinação da criança. QUADRO 5 – Número de casos e óbitos por meningite entre os anos 2000 e 2015, no Brasil 2010 2011 2012 2013 2014* 2015* Casos Órbitos Incid. Letal. Casos Órbitos Incid. Letal. Casos Órbitos Incid. Letal. Casos Órbitos Incid. Letal. Casos Órbitos Incid. Letal. Casos Órbitos Incid. Letal. Doença Meningocócica 3003 617 1,57 20,5 2840 605 1,48 21,3 2557 554 1,33 21,7 2106 448 1,09 21,3 1617 336 0,83 20,8 1308 280 0,67 21,4 Meningite Tuberculosa 376 72 0,20 19,1 365 75 0,19 20,5 342 45 0,18 13,2 364 70 0,19 19,2 409 72 0,21 17,6 341 56 0,18 16,4 Meningite por Haemophilus 142 20 0,07 14,1 130 28 0,07 21,5 148 20 0,08 13,5 106 10 0,05 9,4 116 20 0,06 17,2 118 20 0,06 16,9 Meningite Pneumacócica 1163 349 0,61 30,0 1219 366 0,63 30,0 1107 296 0,57 26,7 1082 293 0,56 27,1 953 279 0,49 29,3 937 268 0,48 28,6 Meningite por Outras bactérias 3156 397 1,65 12,6 3164 423 1,64 13,4 3149 396 1,62 12,6 2877 395 1,48 13,7 2956 400 1,52 13,5 2815 395 1,45 14,0 Meningite Viral 8319 105 1,36 1,3 8595 90 4,47 1,0 9938 89 5,12 0,9 8813 114 4,54 1,3 8521 90 4,39 1,1 7194 120 3,71 1,7 Meningite por Outras etiologias 798 167 0,42 20,9 715 120 0,37 16,8 736 140 0,38 19,0 787 150 0,41 19,1 775 151 0,40 19,5 798 162 0,41 20,3 Meningite não especificada 3489 302 1,83 8,7 3595 310 1,87 8,6 3689 307 1,90 8,3 3092 322 1,59 10,4 2316 273 1,19 11,8 2472 265 1,27 10,7 *Atualizados em out/2016 Fonte: Ministério da Saúde, 2016. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 4 137 Tétano O tétano pode ser acidental, que é caracterizado pela transmissão ser indireta, através de objetos contaminados ou neonatal, que é caracterizado pela contaminação do coto umbilical do recém- nascido pelo uso de substâncias contraindicadas. O Guia de Vigilância Epidemiológica (2014) consegue descrever com primazia esses dois tipos de tétano que são mais frequentes do que imaginamos. Começaremos falando sobre o Tétano Acidental. Tétano acidental a. Definição: o tétano é uma doença bacteriana e que não se enquadra como doença contagiosa, pois a transmissão ocorre indiretamente. b. Agente infeccioso: O agente causador do tétano acidental é a toxina de uma bactéria gram positiva e de forma bacilar, o Clostridium tetani. c. Reservatório: A bactéria Clostridium tetani é encontrada em objetos perfurocortantes. Geralmente esses objetos estão enferrujados. Essa bactéria é anaeróbia, portanto, sobrevive em lugares inóspitos. d. Transmissão e período de transmissibilidade: A transmissão ocorre de forma indireta através desses objetos contaminados pela bactéria. Período de transmissibilidade: Não existe transmissibilidade entre indivíduos, pois não é uma doença contagiosa. e. Sinais e sintomas: Os sinais e sintomas aparecem em um intervalo de 5 a 10 dias após a infecção. O paciente começa a apresentar sinais característicos, como a rigidez mandibular, que chamamos de trismo. Além disso, como é uma doença bacteriana, ocorre febre, mal-estar geral, dor de Tétano é uma doença bacteriana e que não se enquadra como doença contagiosa, pois a transmissão ocorre indiretamente. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 4 138 cabeça e o “riso sardônico” (o paciente tem dificuldades em movimentar a mandíbula e quando o avaliamos parece que ele está com uma expressão facial de sorriso fixo). f. Diagnóstico: O diagnóstico do tétano acidental é feito através dos sinais e sintomas, ou seja, é exclusivamente diferencial. g. Medidas preventivas: A melhor forma de prevenção é a vacinação. A vacina é a DTP (difteria, tétano e coqueluche). É importante lembrar que a DTP compõe a vacina pentavalente. Outra forma é lavar bem com sabão e água corrente qualquer ferimento, dando atenção especial àqueles causados por objetos perfurocortantes enferrujados. Tétano neonatal O tétano neonatal, ainda de acordo com o Guia de Vigilância Epidemiológica (2014), se diferencia do tétano acidental por ser uma doença contagiosa, ou seja, é transmitida diretamente da gestante para o feto através da via placentária. Por isso é tão importante que toda gestante mantenha o cartão de vacina atualizado. Caracterizaçãodiagnóstica da meningite, coqueluche e tétano Meningites As meningites bacterianas podem ser confirmadas por diagnóstico diferencial e por diagnóstico laboratorial. O Guia de Vigilância Epidemiológica traz a definição de caso suspeito e caso confirmado para as meningites bacterianas que foram estudadas nesta unidade (meningocócica, pneumocócica e por Haemophilus influenzae. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 4 139 a. Caso suspeito: O caso suspeito em crianças menores de um ano e acima de um ano de idade é classificado de acordo com os sinais e sintomas da doença e realizando os testes de Kernig e Brudizinski. Além desses sinais, deve-se avaliar criteriosamente os recém-nascido, investigando se há abaulamento das fontanelas. b. Caso confirmado: É feito através da investigação clínico- laboratorial e epidemiológica, que conclui como sendo um caso de meningite. A epidemiologia diagnóstico laboratorial é positiva na hemocultura e no líquor cefalorraquidiano. Coqueluche Para a Coqueluche, a definição de caso suspeito e caso confirmado é diferente. O Guia de Vigilância Epidemiológica (2014) traz muito bem detalhado essas duas definições. a. Caso suspeito: Pessoas que apresentam idade maior ou igual a 06 meses independentemente do esquema vacinal, que apresente os seguintes sintomas: tosse persistente há mais de 10 dias, com guincho e vômito pós-tosse; e, todo indivíduo, maior ou igual a 06 meses de idade, independentemente do esquema vacinal apresente: tosse característica ou contato com pessoa que já está doente. b. Caso confirmado: É todo caso que atenda a definição de caso suspeito de coqueluche e que tenha confirmação diagnóstica através do isolamento da bactéria. Também, as pessoas sadias que tiveram contato prolongado com pessoas que estavam doentes e que apresentaram sintomas. Caso confirmado é todo caso que atenda a definição de caso suspeito de coqueluche e que tenha confirmação diagnóstica através do isolamento da bactéria. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 4 140 Tétano Caso suspeito e caso confirmado, em relação ao tétano, se diferenciam nos dois tipos de acordo com o Guia de Vigilância Epidemiológica (2014). No tétano acidental, por exemplo, o caso suspeito é feito através dos sinais e sintomas; vejamos a seguir como classificar cada um deles. Tétano acidental a. Caso suspeito: é a pessoa que passa a apresentar: trismo, contratura muscular com ou sem espasmo independente- mente da situação vacinal e história anterior de tétano. b. Caso confirmado: Neste caso, os pacientes apresentam dificuldade em mastigar e deglutir, trismo e riso sardônico. Ocorre em alguns pacientes a rigidez da musculatura dos membros. O caso é dado como confirmado independentemente da situação vacinal do paciente. A lucidez do paciente reforça o diagnóstico. Tétano neonatal a. Caso suspeito: É todo recém-nascido que apresente dificuldade na sucção e em deglutir após 48h de vida ou todo e qualquer óbito de recém-nascido de até 28 dias de idade sem causa definida. b. Caso confirmado: É aquele recém-nascido que apresentou dificuldade em mamar no período de 48h de vida e apresentou dois ou mais dos seguintes sintomas: trismo, hiperflexão dos membros superiores junto ao tórax (posição de boxeador), crises de contraturas musculares, aos estímulos luminosos, ao toque ou ao manuseio, com sinais inflamatórios ou não do coto umbilical. Vamos responder as duas primeiras questões de fixação? No tétano acidental, por exemplo, o caso suspeito é feito através dos sinais e sintomas; DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 4 141 QUESTÃO 1 - A doença meningocócica (DM) é uma infecção bacteriana aguda e altamente transmissível. Sobre ela, leia as afirmativas a seguir e assinale a alternativa correta. a. A taxa de incidência da doença é mais alta em jovens e adultos. b. O principal reservatório da doença é o portador sintomático. c. Todas as meningites bacterianas são causadas pela Neisseria meningitidis. d. A meningococcemia é a forma mais grave da doença meningo- cócica. e. O teste padrão ouro para detecção da meningite é o ELISA. O gabarito se encontra no final da unidade. ATIVIDADE DE FIXAÇÃO QUESTÃO 2 - A respeito do tétano, doença infecciosa aguda e não contagiosa causada pelo Clostridium tetani, assinale a alternativa correta. a. O principal modo de transmissão do tétano neonatal é o contato direto entre os recém-nascidos. b. O diagnóstico do tétano acidental é realizado por exames laboratoriais. c. O período de transmissão do tétano acidental e do tétano neonatal é de aproximadamente 15 dias. d. Os sintomas do tétano acidental manifestam-se de 10 a 15 após a infecção pela bactéria. O sintoma mais comum é a rigidez muscular. e. O agente causador do tétano é um bacilo gram-positivo, anaeróbico e esporulado, o Clostridium tetani. O gabarito se encontra no final da unidade. ATIVIDADE DE FIXAÇÃO Acompanhe agora a primeira videoaula. Nela vamos entender melhor as diferenças entre a meningite bacteriana e a viral. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 4 142 Videoaula “Diferenças entre Meningite Bacteriana e Meningite Viral” Autora: Kamila Tessarolo Velame Vigilância epidemiológica e principais medidas de controle das meningites, da coqueluche e do tétano Meningites bacterianas As meningites (virais, bacterianas, fúngicas), como reforça Monteiro (2015), fazem parte da Lista de Doenças de Notificação Compulsória. Portanto, o serviço de saúde deve notificar os casos suspeitos e fazer a investigação epidemiológica. Todo o processo requer medidas rápidas de controle, sendo a mais eficaz, a vacinação e quimioprofilaxia dos contatos íntimos do paciente. Esta última deverá ser administrada em até 48h, que é o tempo necessário para que ocorra a confirmação diagnóstica do caso. Coqueluche A coqueluche é uma doença que consta na lista de notificação compulsória. Os profissionais de saúde devem notificar. Nesse sentido, todo caso suspeito deverá ser notificado e investigado pelas autoridades competentes. A forma mais eficaz para controle é a vacinação. Todo o processo requer medidas rápidas de controle, sendo a mais eficaz, a vacinação e quimioprofilaxia dos contatos íntimos do paciente. https://player.vimeo.com/video/194084136 DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 4 143 Tétano acidental e tétano neonatal O tétano tanto acidental quanto neonatal faz parte da lista nacional de notificação compulsória, portanto, todo profissional de saúde deve notificar. A notificação do tétano é imediata, então deverá ser feita em 24h. A forma mais eficaz de prevenção é a vacinação. Vamos responder a mais uma questão de fixação? Acompanhe! QUESTÃO 3 - A Coqueluche acomete as vias respiratórias e uma de suas principais características é a tosse persistente. Em relação as três fases da doença podemos afirmar: a. A fase 1 é chamada também de paroxística, nesta fase, o doente tem crises de tosse súbita e incontrolável. b. A fase 2 é chamada de fase da convalescença e dura de 2 a 6 semanas podendo se prolongar por até 3 meses. c. A fase 3 é chamada de fase catarral, essa fase tem duração de 1 ou 2 semanas e as principais manifestações clínicas dessa fase são as respiratórias. d. A fase 1 é chamada de fase da convalescença e essa fase dura de 2 a 6 semanas podendo se prolongar por até 3 meses. e. A fase 2 é chamada de fase paroxística, ela dura entre 2 a 6 semanas e o paciente continua apresentando febre baixa, porém, persistente ao longo do dia. O gabarito se encontra no final da unidade. ATIVIDADE DE FIXAÇÃO Vamos assistir à segunda videoaula? Vamos entender mais sobre as fases da coqueluche. Videoaula “Períodos da Coqueluche” Autora: Kamila Tessarolo Velame https://player.vimeo.com/video/194084170 DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 4 144 Sistematização da Assistência de Enfermagem frenteas meningites, a coqueluche e o tétano As doenças infecciosas precisam de mais atenção por parte dos enfermeiros, pois a sistematização deve ser realizada de forma criteriosa. As doenças infecciosas ocorrem quando existe a infecção, quando o agente causador da doença já está no organismo do ser humano causando os sinais e sintomas. O enfermeiro deve estar atento a alguns cuidados específicos em relação as doenças infecciosas: 1. Controle e prevenção da infecção: o enfermeiro tem papel fundamental na promoção da saúde, impedindo que a população fique doente. No caso das doenças imunopreveníveis a melhor forma de promoção e prevenção é a vacinação. Além disso, quando a infecção já está estabelecida o Enfermeiro é responsável pelo controle para que não ocorra os surtos e pela notificação das doenças; 2. Precauções e isolamento: O enfermeiro deve avaliar o paciente que está com a infecção e verificar em qual precaução ele se enquadra (padrão, contato, gotículas ou aerossóis), a fim de evitar a transmissão da doença. A higiene das mãos é, sem dúvidas, a precaução número um para toda e qualquer infecção; 3. Orientar o paciente sobre o processo infeccioso: O enfermeiro deve conversar com o paciente sobre a doença, por isso é tão importante saber a teoria, para que seja possível o ensino do paciente. O paciente consciente do processo infeccioso visa a melhora do seu quadro clínico (dos sintomas). O enfermeiro deve conversar com o paciente sobre a doença, por isso é tão importante saber a teoria, para que seja possível o ensino do paciente. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 4 145 4. Monitoramento das complicações: O enfermeiro deve evoluir esse paciente diariamente para verificar se há uma melhora ou uma piora no quadro clínico. O Enfermeiro fica 24h ao lado do paciente, avaliando, analisando, planejando ações e implementando essas ações. Vamos assistir a terceira videoaula. Agora é para aprofundar nosso conhecimento sobre Tétano neonatal. Videoaula “Tétano neonatal” Autora: Kamila Tessarolo Velame Agora responda as duas últimas questões de fixação. QUESTÃO 4 - O perfil epidemiológico da coqueluche não mudou no país, pois o grupo mais vulnerável ao adoecimento e mortalidade dessa doença concentra-se nas crianças menores de 1 ano de idade. A maioria dos casos e óbitos é de menores de 6 meses de idade. Em relação à coqueluche disserte sobre as principais medidas preventivas e condutas do enfermeiro frente a um caso. O gabarito se encontra no final da unidade. ATIVIDADE DE FIXAÇÃO QUESTÃO 5 - Aos 3 anos, MA ocupa o leito 3 da Enfermaria Menino Jesus, do Hospital da Santa Casa de Misericórdia de Vitória (HSCMV). Ao verificar o calendário vacinal, a enfermeira constatou que nenhuma vacina de prevenção contra meningite havia sido tomada. Após uma semana de internação, a doença evolui rapidamente. MA teve que ser transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), porque já apresentava perda auditiva e paralisia. ATIVIDADE DE FIXAÇÃO https://player.vimeo.com/video/194084196 DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 4 146 A bactéria Neisseria Meningitidis foi para a corrente sanguínea do paciente e ele acabou desenvolvendo uma meningococcemia. Diante desse caso clínico, qual a medida preventiva deveria ter sido adotada antes da internação e evolução do caso. Cite três sintomas da meningite meningocócica e fale sobre três sinais da doença. O gabarito se encontra no final da unidade. ATIVIDADE DE FIXAÇÃO Nesta unidade, estudamos as doenças infectocontagiosas bacterianas e imunopreveníveis: Meningites bacterianas, coqueluche e tétano. Vimos a importância do enfermeiro em todo processo saúde-doença. O papel do enfermeiro começa na educação em saúde, quando vamos até a comunidade realizar a prevenção e mostrar que essa é a melhor forma de evitar que doenças se estabeleçam no organismo. Depois, se a doença já está estabelecida no organismo, vimos que é papel do enfermeiro realizar as devidas precauções para evitar que ocorra a transmissão da doença. Vamos assistir ao vídeo de finalização da unidade, para retomar o que aprendemos. Continue a estudar para se aprimorar sempre! Videoaula “Considerações adicionais sobre Meningites bacterianas, tétano e coqueluche” Autora: Kamila Tessarolo Velame https://player.vimeo.com/video/194084236 DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 4 147 QUESTÃO 1 - A resposta certa é a letra D. Justificativa: a. A taxa de incidência da meningite meningocócica é maior em crianças, pelo fato delas apresentarem um sistema imunológico não completamente desenvolvido. Esse fato pode ser explicado pela imaturidade do sistema imunológico. b. O principal reservatório da doença meningocócica é o homem doente ou aquele portador assintomático da infecção. c. A meningite meningocócica é causada pela Neisseria meningitidis. As outras meningites como a pneumocócica é causada pelo pneumococo e existe outra causada pelo Haemophilus influenzae. d. A meningococcemia é a forma mais grave da doença meningocócica, pois nessa fase a bactéria já está na corrente sanguínea podendo levar a pessoa ao coma, septicemia e morte. e. A confirmação se faz pelo exame do líquido céfalo-raquidiano (ou líquor), que é o líquido que corre no espaço subaracnóideo. Outros testes diagnósticos podem ser realizados para o diagnóstico, são eles: ELISA e PCR. ATIVIDADES DE FIXAÇÃO RESPOSTAS QUESTÃO 2 - A resposta certa é a letra E. Justificativa: a. O tétano neonatal se dá pela contaminação do coto umbilical e geralmente decorre de cuidados inadequados, como foi citado, o uso de substâncias e instrumentos impróprios contaminados. b. O diagnóstico do tétano acidental é realizado exclusivamente pela clínica, portanto, o diagnóstico do tétano acidental não depende de confirmação laboratorial como dito na alternativa. c. O tétano neonatal e o tétano acidental não são uma doença contagiosa. Por esse motivo não existe período de transmissão (tempo) da doença. O tétano não é contagioso porque a transmissão é indireta, ou seja, através de objetos, poeira. d. Normalmente, os sintomas do tétano acidental manifestam- se de 5 a 10 dias após a infecção pela bactéria Clostridium tetani e o sintoma mais comum é a rigidez mandibular. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 4 148 e. O agente infeccioso causador tanto do tétano acidental e do tétano neonatal é um bacilo gram-positivo, anaeróbico, de forma esporulada e denominada Clostridium tetani. ATIVIDADES DE FIXAÇÃO RESPOSTAS QUESTÃO 3 - A resposta certa é a letra E. Justificativa: a. A fase 1 é chamada de fase catarral, essa fase tem duração de 1 ou 2 semanas. As principais manifestações clínicas dessa fase são as respiratórias. A tosse é leve. b. A fase 2 é chamada de fase paroxística. Essa fase dura entre 2 a 6 semanas. O paciente continua apresentando febre baixa, porém, persistente ao longo do dia. c. A fase 3 é chamada de fase da convalescença. Essa fase dura de 2 a 6 semanas podendo se prolongar por até 3 meses. d. A fase 3 é chamada de fase da convalescença. Essa fase dura de 2 a 6 semanas podendo se prolongar por até 3 meses. e. A fase 2 é chamada de fase paroxística. Essa fase dura entre 2 a 6 semanas. O paciente continua apresentando febre baixa, porém, persistente ao longo do dia. QUESTÃO 4 - A medida preventiva mais importante em relação à Coqueluche é a vacinação de todas as crianças a partir dos 2 meses de idade na rotina da rede básica de saúde, com a vacina pentavalente. O paciente acometido por Coqueluche deverá ficar em quarto isolado dos demais pacientes a fim de evitar o contágio, durante o período de transmissibilidade que ocorre principalmente na fase catarral da doença. O enfermeiro deverá realizar o isolamento respiratório desse paciente, após o início da antibioticoterapia. As pessoas que entrarem no quarto deverão utilizar máscarase a equipe de enfermagem deverá utilizar o avental para manusear o paciente. A oferta de líquidos deverá ser irrestrita e o enfermeiro deverá verificar os sinais vitais. Além disso, a equipe deverá seguir as prescrições médicas e de enfermagem. Não devendo esquecer de fazer a higienização das mãos ao ter contato com esse paciente internado. Além disso, é essencial promover a educação em saúde, orientando as mães de recém-nascidos sobre todos os aspectos epidemiológicos da doença, como o modo de transmissão, principais sinais e sintomas e formas de prevenção. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 4 149 QUESTÃO 5 - A melhor maneira de evitar é prevenindo antes que ocorra o contato da criança ou do adulto com a doença. Hoje, existem vacinas como método preventivo de alta eficácia. Contra a doença meningocócica existem dois tipos de vacina: as conjugadas e as polissacarídeas, sendo essas últimas pertencentes aos sorogrupos A, C, W135 e Y. As vacinas conjugadas contra a meningite meningocócica tem elevada eficácia, principalmente nos menores de um ano e conferem proteção prolongada. A vacina meningocócica C foi incluída no calendário público de vacinação do Brasil em 2010. A meningocócica B só está disponível em clínicas privadas. Quanto aos sintomas da meningite meningocócica pode-se citar: Febre, cefaleia, rigidez de nuca, fotofobia, desorientação, coma, convulsões, petéquias, pressão intracraniana aumentada. Os sinais da meningite são Kernig, Brudznski e Lasegue. O sinal de Kernig é uma limitação na extensão dos membros, quando o joelho é estendido o paciente sente dor. O paciente pode fletir a cabeça ao membro inferior, ficando com o corpo arqueado para frente. O sinal de Brudzinski ocorre quando fletimos a cabeça do paciente. Quando fletimos a cabeça ocorre um movimento involuntário de levantamento das pernas. O sinal de Lasegue é realizado da seguinte forma: o enfermeiro deverá realizar a flexão da coxa sobre a bacia do paciente, caso haja dor e incômodo, ele será tido como sinal positivo para meningite. ATIVIDADES DE FIXAÇÃO RESPOSTAS www.animaeducacao.com.br www.animaeducacao.com.br UNIDADE • Considerações fisiopatológicas, clínicas, laboratoriais e epidemiológicas das infecções sexualmente transmissíveis: sífilis, aids, hepatites, HPV • Vigilância epidemiológica e principais medidas de controle da sífilis, aids, hepatites, HPV • Sistematização da Assistência de Enfermagem frente aos casos de sífilis, aids, hepatites e HPV • Respostas Questões de Fixação Infecções sexualmente transmissíveis - IST Olá! Nessa unidade 5 vamos entender as características das infecções sexualmente transmissíveis e as principais medidas de prevenção. Para isso, vamos nos basear em dados estatísticos, pois vemos que a taxa de incidência de sífilis e aids tem aumentado, principalmente quando nos reportamos aos jovens. Vamos entender o papel do enfermeiro frente a essas doenças e quais as mudanças ocorreram e tem ocorrido no perfil epidemiológico dessas enfermidades. Acompanhe com atenção. Bons estudos! DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 5 153 Considerações fisiopatológicas, clínicas, laboratoriais e epidemiológicas das infecções sexualmente transmissíveis: sífilis, aids, hepatites, HPV Sífilis A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível. Também pode ser chamada de lues, como o original em latim, lues, que significa praga ou pestilência. É uma doença antiga, entre os séculos XVIII e XIX, era bem comum na Europa, mas há registros de sua existência também na Grécia Antiga. Ela pode ser adquirida mais comumente de duas formas: por contato sexual e de forma congênita. Existem casos raros de transmissão por transfusão sanguínea e acidental. O Guia de Vigilância em Saúde (2014) traz as caracterizações tanto da sífilis adquirida por via sexual quanto a sífilis congênita, ou seja, que está presente desde o nascimento. • Características gerais: A sífilis é uma doença infecciosa e tem uma evolução crônica. Ela pode ser dividida em três estágios, sendo eles: primário, secundário e terciário. Acredita-se que os primeiros casos de sífilis no mundo aconteceram na Europa. A doença foi disseminada pelos marinheiros de Colombo. • Agente etiológico: É uma bactéria espiroqueta, o Treponema pallidum. A sífilis é uma doença infecciosa e tem uma evolução crônica. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 5 154 • Reservatório: O reservatório da bactéria é o homem. • Modo de transmissão: A transmissão da sífilis adquirida ocorre principalmente por via sexual, ou seja, o contato direto com as mucosas (oral, genital e anal) é considerado o principal modo de transmissão da doença. • Período de transmissibilidade - Período de incubação: Esse período varia entre 10 a 90 dias e a média é de 21 dias. Ele é o tempo decorrido do período de contágio ao aparecimento dos primeiros sintomas da doença. • Sintomas: Os sintomas variam de acordo com os estágios. Existe também a classificação em relação à evolução da doença, portanto, pode ser sífilis adquirida recente e sífilis adquirida tardia. Na recente, estão incluídas a fase primária, secundária e o período latente. Na tardia, estão incluídas a fase latente, cutânea, óssea, cardiovascular, nervosa, dentre outras formas. Vamos assistir à primeira videoaula que explica esses estágios da doença. Videoaula “Estágios da sífilis” Autora: Kamila Tessarolo Velame • Diagnóstico: O diagnóstico da sífilis é feito por meios laboratoriais, que identificam a sífilis primária. São exames sorológicos conhecidos como testes não treponêmicos ou de reagina plasmática rápida (RPR-CT) e os testes treponêmicos, que incluem o teste de absorção de anticorpo treponêmico fluorescente (FTA-ABS) e o teste de micro-hemaglutinação (MHA-TP). Os testes treponêmicos, como o teste de absorção de anticorpo antitreponêmico A transmissão da sífilis adquirida ocorre principalmente por via sexual, ou seja, o contato direto com as mucosas (oral, genital e anal) é considerado o principal modo de transmissão da doença. https://player.vimeo.com/video/194084305 DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 5 155 fluorescente (FTA-ABS) e o teste de micro-homeaglutinação (MHA-TP) são empregados para verificar se o teste de triagem não representou um resultado falso-positivo. Os resultados positivos são positivos por toda a vida e não são apropriados para determinar a efetividade terapêutica. Os testes não-treponêmicos ou de reagina, como o Veneral Disease Research Laboratory (VDRL) ou o teste da reagina plasmática rápida (RPR-CT), são utilizados para a triagem e o diagnóstico. Após a terapia adequada, espera-se que o resultado do teste diminua quantitativamente até que haja leitura negativa, que ocorre aproximadamente dois anos depois do término da terapia. • Tratamento: O tratamento de todos os estágios da sífilis consiste na administração de antibióticos. A penicilina G benzatina é o medicamento de escolha para a sífilis inicial ou sífilis latente inicial com menos de um ano de duração. Ela é administrada por via intramuscular em uma única sessão. As pessoas acometidas por sífilis latente tardia ou sífilis latente de duração desconhecida devem receber três doses com intervalo de uma semana. Os pacientes alérgicos à penicilina são tratados com doxiciclina. O paciente que recebeu a penicilina deve ser monitorado durantes 30 minutos a fim de verificar uma possível reação alérgica. • Medidas preventivas: A sífilis é uma doença infecciosa que compõe a lista nacional das doenças de notificação compulsória. As medidas preventivas da sífilis são: as práticas sexuais seguras (uso do preservativo nas relações sexuais). O enfermeiro também assume importante papel nas consultas de pré-natal e na realização de preventivo em mulheres. É nessa hora que deverá orientar a pacientee realizar a educação em saúde. Além disso, o enfermeiro deve incentivar a adesão à terapia para melhora do quadro clínico e investigar outras possíveis infecções sexualmente transmissíveis. O enfermeiro deve incentivar a adesão à terapia para melhora do quadro clínico e investigar outras possíveis infecções sexualmente transmissíveis. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 5 156 Vamos aprofundar o assunto, compreendendo sobre a sífilis congênita. Acompanhe no recurso a seguir. Sífilis congênita Quando a gestante tem sífilis, ela pode ser transmitida para o bebê durante a gestação. Essa é a sífilis congênita, que pode causar desde má-formação fetal até surdez e cegueira. O agente etiológico da doença é a bactéria espiroqueta Treponema pallidum, o mesmo agente causador da sífilis adquirida. O Treponema pallidum consegue atravessar a barreira placentária durante a fase gestacional e infectar o feto. Vale ressaltar que a infecção pode ocorrer em qualquer fase da gravidez. Por isso, é tão importante que a gestante faça o tratamento e acompanhamentos adequados durante a gestação. Quanto maior a circulação de treponemas na corrente sanguínea da gestante, maior será a probabilidade de contaminação do feto. Além disso, o principal reservatório da doença também é o mesmo, o homem. Sendo assim, os principais sinais e sintomas da sífilis congênita podem ser: cegueira, surdez, lesões cutâneas, deficiência mental e problemas ósseos. Tais sinais e sintomas podem surgir em até dois anos de vida da criança. Para a detecção precoce de sífilis congênita, deve-se verificar o histórico da mãe durante a gestação, como por exemplo, se ela fez os exames no primeiro e terceiro trimestre de gestação para verificar se é acometida por sífilis adquirida ou não. Em relação à criança, os testes laboratoriais deverão ser realizados após o nascimento. O papel do enfermeiro é fundamental durante todo o processo de gestação, fazendo um pré-natal adequado e completo, solicitando todos os exames, verificando a evolução do feto e promovendo educação em saúde com essa gestante. A criança que nasce com sífilis congênita deverá permanecer em observação por até 10 dias em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal para receber os devidos cuidados. Essas informações estão no manual do Ministério da Saúde, que você pode acessar para compreender mais sobre a doença: Para a detecção precoce de sífilis congênita, deve-se verificar o histórico da mãe durante a gestação, como por exemplo, se ela fez os exames no primeiro e terceiro trimestre de gestação para verificar se é acometida por sífilis adquirida ou não. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 5 157 BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes para o Controle de sífilis Congênita. Séries manuais 24. Brasília: Ministério da Saúde, 2006. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_sifilis_bolso.pdf>. Acesso em: 19 mai. 2017. Agora estamos prontos para responder a primeira questão de fixação. QUESTÃO 1 - A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível que acomete pessoas de várias faixas etárias. A transmissão ocorre por duas vias, e em relação a elas, podemos afirmar que: a. As principais vias de transmissão da sífilis são pelo contato sexual e de forma congênita. b. As principais vias de transmissão da sífilis são pelo contato sexual e por acidente ocupacional. c. As principais vias de transmissão da sífilis são por forma congênita e por transfusão sanguínea. d. As principais vias de transmissão da sífilis são por via sexual e por objetos perfurocortantes contaminados. e. As principais vias de transmissão da sífilis são por transfusão sanguínea e por forma acidental. O gabarito se encontra no final da unidade. ATIVIDADE DE FIXAÇÃO Aids A aids é uma doença bem mais recente que a sífilis, foi identificada como síndrome nos anos 1980. A palavra aids deriva da sigla em inglês (acquired immunodeficiency syndrome) e designa a síndrome da imunodeficiência adquirida, que também é chamada de HIV (human immunodeficiency vírus), vírus da imunodeficiência humana. Assista a segunda videoaula, que vai nos dar um breve histórico da aids. http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_sifilis_bolso.pdf DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 5 158 Videoaula “Breve história da aids” Autora: Kamila Tessarolo Velame A infecção pelo HIV envolve fases, de acordo com o Guia de Vigilância Epidemiológica (2014), com durações variáveis, pois dependem da carga viral e da resposta imunológica do indivíduo. Portanto, a aids é uma doença crônica e que requer tratamento contínuo. • Características gerais: A aids é a fase final de uma doença causada por um vírus, o HIV (vírus da imunodeficiência adquirida). A aids é uma doença crônica, caracterizada pelo aparecimento de doenças oportunistas e incurável, porém, existe tratamento. A partir do momento que a pessoa acometida por aids adere à terapia antirretroviral de forma adequada, ela passa a ter uma taxa de sobrevida semelhante àquela pessoa que não tem a doença. • Agente etiológico: O vírus da imunodeficiência adquirida (HIV). • Reservatório: O homem. • Modo de transmissão: A transmissão ocorre de várias formas, sendo elas: por via sexual, por transmissão vertical (de mãe para filho durante a gestação, parto ou amamentação), por compartilhamento de agulhas contaminadas, por transfusão de sangue contaminado, por acidentes de trabalho (ocupacional). Essas são as principais formas de transmissão da doença. • Período de incubação: Pode variar de 5 a 30 dias. Esse período decorre do tempo em que ocorreu a infecção até o momento em que surgem os sinais e sintomas. O período de transmissibilidade ocorre em todas as fases da doença (aguda, assintomática e sintomática inicial). A partir do momento que a pessoa acometida por aids adere à terapia antirretroviral de forma adequada, ela passa a ter uma taxa de sobrevida semelhante àquela pessoa que não tem a doença. https://player.vimeo.com/video/194084353 DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 5 159 • Sintomas: O estágio inicial é chamado de infecção primária, é um período de intensa replicação viral e disseminação do HIV por todo o organismo. O paciente pode apresentar- se como assintomático ou sintomático (gripe intensa). O segundo estágio é o HIV assintomático, que no exame de contagem de linfócitos CD4 apresentam o valor maior que 500 células/mm³. Nesse período, começa a evolução crônica da doença que pode durar anos, porque o paciente não apresenta sintomas, em virtude de a contagem de linfócitos ainda estar alta. No terceiro estágio (HIV sintomático), o paciente apresenta uma contagem de linfócitos CD4 entre 200 e 499 células/mm³. No quarto estágio, a aids já está estabelecida e diversas doenças oportunistas podem estar presentes. Há um aumento na carga viral e uma diminuição na contagem de linfócitos CD4. Este fato permite que o paciente seja acometido por outras doenças, como a tuberculose. • Diagnóstico: Através de exames laboratoriais específicos: reação de ensaio imunoenzimático (ELISA) – os anticorpos são detectados, dando resultado positivo e marcam o final da janela imunológica; imunofluorescência enzimática para o HIV-1; imunoblot rápido; Western blot – usados na detecção de anticorpos para o HIV e para confirmar o ELISA e testes moleculares. Hoje, o que conhecemos como “teste rápido” e que demora em média 30 minutos para sair o resultado, é o ensaio imunoenzimático. • Tratamento: Existem, atualmente, seis classes da antirretrovirais, são eles: inibidores nucleosídeos da transcriptase reversa, inibidores não nucleosídeos da transcriptase reversa, inibidores de protease, inibidores de fusão, inibidores da integrasse e antagonistas CCR5. A terapia no Brasil é combinada e utiliza-se o medicamento 3 em 1 para facilitar a adesão terapêutica.A terapia no Brasil é combinada e utiliza-se o medicamento 3 em 1 para facilitar a adesão terapêutica. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 5 160 • Complicações: As complicações da aids surgem a partir do momento em que o paciente não adere a terapia de forma satisfatória ou quando o mesmo já tem o vírus circulante há algum tempo, porém, não tem conhecimento disso. Esse paciente vai procurar o serviço de saúde quando já está bem debilitado. Os exames laboratoriais mostrarão que a taxa de linfócitos CD4, que são protetores do sistema imunológico, estará baixa e a carga viral estará alta. Dessa forma, as doenças oportunistas aparecem. • Medidas preventivas: Fazer uso de preservativos durante as relações sexuais; não fazer uso compartilhado de seringas; evitar a transmissão vertical, fazendo com que a gestante se trate durante a gestação e não amamente o neonato; fiscalização da vigilância nos hemocentros; usar equipamento de proteção individual (EPI). SUS oferecerá melhor tratamento do mundo para pacientes com HIV/Aids Cerca de 100 mil pacientes portadores do vírus receberão o tratamento gratuitamente até o final de 2017 A partir do ano que vem (2017), o Ministério da Saúde vai fornecer o medicamento antirretroviral Dolutegravir. O remédio é o mais indicado para o tratamento de HIV/Aids pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e será oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Cerca de 100 mil pacientes portadores do vírus receberão o tratamento. “Estamos ousando oferecer o melhor tratamento do mundo pelo menor preço possível”, destacou o ministro da Saúde, Ricardo Barros, durante a cerimônia de anúncio do novo medicamento. Segundo o ministro, esse é um desafio para todas as áreas da pasta, e não apenas para o combate ao HIV e Aids. As complicações da aids surgem a partir do momento em que o paciente não adere a terapia de forma satisfatória ou quando o mesmo já tem o vírus circulante há algum tempo, porém, não tem conhecimento disso. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 5 161 “Temos a clareza de que é possível fazer mais com os recursos que temos disponíveis. A nossa política é ousar e a marca de nossa gestão é oferecer mais eficiência, possibilitando melhorar o tratamento e a oferta de medicamentos no SUS com menor custo, sem onerar o orçamento”, ressaltou o ministro. A partir da negociação com a indústria farmacêutica GSK, a pasta conseguiu reduzir em 70% o preço do medicamento, de US$ 5,10 para US$ 1,50. Assim, a incorporação do Dolutegravir não altera o orçamento atual do Ministério da Saúde para a aquisição de antirretrovirais, que é de R$ 1,1 bilhão. Mantidas as negociações atuais para todos os tratamentos com antirretrovirais, a estimativa do Ministério da Saúde é de uma economia de R$ 5 milhões. Para a diretora do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, do Ministério da Saúde, Adele Benzaquen, mais importante do que reafir- mar o papel do País na vanguarda da condução da política de comba- te ao HIV e Aids, a incorporação do Dolutegravir reforça o compromis- so maior do Ministério da Saúde de oferecer às pessoas que vivem com HIV e Aids a melhor tecnologia existente de forma sustentável. Leia a notícia completa no Portal Brasil: BRASIL, Ministério da Saúde. Site Portal Brasil. SUS oferecerá melhor tratamento do mundo para pacientes com HIV/Aids. Publicado em: 28/09/2016b. Disponível em: <http://www.brasil.gov.br/ saude/2016/09/sus-oferece-melhor-tratamento-do-mundo-para- pacientes-com-hiv-aids >. Acesso em: 19 mai. 2017. Vamos para a segunda questão de fixação! http://www.brasil.gov.br/saude/2016/09/sus-oferece-melhor-tratamento-do-mundo-para-pacientes-com-hiv-aids http://www.brasil.gov.br/saude/2016/09/sus-oferece-melhor-tratamento-do-mundo-para-pacientes-com-hiv-aids http://www.brasil.gov.br/saude/2016/09/sus-oferece-melhor-tratamento-do-mundo-para-pacientes-com-hiv-aids DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 5 162 QUESTÃO 2 - A aids é uma infecção sexualmente transmissível que tem causado preocupação por conta do índice de incidência crescente em jovens entre 15 e 24 anos. Dentre as medidas de prevenção, podemos citar: a. Fazer uso de preservativo durante as relações sexuais. b. Fazer uso compartilhado de seringas durante o uso de drogas injetáveis. c. A amamentação, caso a gestante esteja em tratamento antirretroviral. d. Fazer uso do equipamento de proteção individual é facultativo. e. Interromper o tratamento antirretroviral em pacientes HIV positivas durante a gestação. O gabarito se encontra no final da unidade. ATIVIDADE DE FIXAÇÃO Hepatites Hepatite é a inflamação do fígado e, de acordo com o Guia de Vigilância Epidemiológica (2009), são: hepatite A, B, C, D e E. As hepatites A e E são transmitidas através da via fecal-oral, ou seja, através de água, alimentos contaminados e fômites. As hepatites B, C e D são consideradas infeções sexualmente transmissíveis, pois a principal via de transmissão é a sexual, porém pode ocorrer transmissão por via sanguínea e vertical. Hepatite B e Hepatite D • Características gerais: As hepatites B e D são doenças virais e infecciosas. Portanto, se diferem quanto aos sintomas e o agente etiológico. O vírus da hepatite D é dependente do vírus da hepatite B, apenas dessa forma ele infecta as pessoas. A hepatite D é conhecida também como Delta. • Agente etiológico: O agente etiológico da hepatite B é o vírus HBV e o agente etiológico da hepatite D é o vírus VHD. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 5 163 • Reservatório: Em ambas (hepatite B e hepatite D) o principal reservatório é o homem. • Modo de transmissão: A forma de transmissão da hepatite B e hepatite D são as mesmas, sendo elas: práticas sexuais inseguras (sem preservativo); da mãe no período gestacional, parto e amamentação para o neonato; compartilhamento de objetos perfurocortantes e de higiene pessoal; transfusão sanguínea. • Período de incubação: O período de incubação da hepatite B é em torno de 30 a 180 dias e a média é de 60 a 90 dias. O período de incubação da hepatite D é em torno de 30 a 180 dias. As duas se diferem quanto ao período de transmissibilidade também, enquanto o da hepatite B ocorre duas semanas antes do aparecimento dos primeiros sintomas, o da hepatite D ocorre uma semana antes do aparecimento dos primeiros sintomas. • Sintomas: Os casos de hepatite B e D podem ser assintomáticos, ou seja, a pessoa possui o vírus, mas não desenvolve nenhuma sinal e sintoma. Porém, na hepatite B, o portador sintomático pode apresentar fraqueza, perda de apetite, dor abdominal, urina escura e icterícia. O portador sintomático da hepatite D pode apresentar perda de apetite, náuseas e icterícia. • Diagnóstico: Através do exame HBsAg (antígeno de superfície do HBV) – pode ser detectado por meio do teste rápido. É o primeiro marcador da infecção, detectável em torno de 30 a 45 dias, e pode permanecer por até 120 dias nos casos de hepatite aguda. Ao persistir além de 6 meses, caracteriza a infecção crônica. - Anti-HBc IgM (anticorpos da classe IgM contra o antígeno do núcleo do HBV) – é um marcador de infecção recente, geralmente surge 30 dias após o aparecimento do HBsAg e é encontrado no soro até 32 semanas após a infecção e, portanto, confirma o diagnóstico de hepatite B aguda. - Anti-HBc Total – é um anticorpo contra Os casos de hepatite B e D podem ser assintomáticos, ou seja, a pessoa possui o vírus, mas não desenvolve nenhuma sinal e sintoma. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 5 164 o antígeno do núcleo do HBV das classes IgM e IgG. - Anti- HBs (anticorpos contra o antígeno de superfície do HBV) – é o único marcador que confere imunidade ao HBV. Está presente no soro após o desaparecimento do HBsAg, sendo indicador de cura e imunidade. Está presente isoladamente em pessoas vacinadas. - HBV-DNA (DNA do HBV) – detecta acarga viral. É utilizado na indicação e acompanhamento de tratamento e identificação de mutações do vírus B. - HBeAg – antígeno da partícula “e” do vírus da hepatite B. - Anti-HBe – anticorpo específico contra o antígeno “e” do vírus da hepatite B. (BRASIL, 2014). Os marcadores para a hepatite D são o Anti-HDV total – determina a presença de anticorpos tanto da classe IgM quanto da classe IgG contra o HDV. - HDV-RNA – é utilizado como marcador de replicação viral tanto na fase aguda como na fase crônica da doença e como controle de tratamento. Pode ser detectado 14 dias após a infecção. • Complicações: Como a hepatite é uma inflamação do fígado, as principais complicações serão: cirrose hepática, ascite, peritonites e hemorragias digestivas. • Tratamento: Não existe tratamento específico para a forma aguda da doença. Os medicamentos não devem ser administrados sem recomendação médica. Orienta-se repouso, dieta pobre em lipídeos e rica em carboidrato e restrição alcoólica. • Medidas preventivas: A hepatite D depende da presença do vírus da hepatite B para se desenvolver no organismo do ser humano. Portanto, a principal medida preventiva é a vacinação. A vacinação contra hepatite B é aplicada ao nascer. Aos dois, quatro e seis meses de idade é aplicada a pentavalente, que também protege contra a hepatite B. Entre 11 e 19 anos são aplicadas 3 doses dependendo da situação vacinal do adolescente. Entre 20 e 59 anos também são aplicadas 3 doses dependendo da situação vacinal. Em relação às gestantes, são aplicadas 3 doses, dependendo da situação A hepatite D depende da presença do vírus da hepatite B para se desenvolver no organismo do ser humano. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 5 165 vacinal delas. Além dessas medidas, inclui-se as práticas sexuais seguras (uso de preservativo) e cuidados com o não compartilhamento dos instrumentos de higiene pessoal. Hepatite C A hepatite C é uma infecção sexualmente transmissível. Segundo o Guia de Vigilância Epidemiológica (2014) as pessoas acometidas podem tanto apresentar sintomas (serem sintomáticas) como não apresentarem sintomas (serem assintomáticas). Porém, ser sintomático ou assintomático dependerá da fase da doença (aguda ou crônica). Portanto, a maioria dos casos são assintomáticos. • Características gerais: É uma doença viral. Ela pode ser aguda (quando a soroconversão ocorreu há menos de seis meses) ou crônica (soroconversão acima de seis meses). Outra alteração que define se ela é aguda ou crônica é a interação das aminotransferases e presença dos marcadores virais. • Agente etiológico: É um vírus, o HCV. • Reservatório: O homem. • Modo de transmissão: A transmissão pode ocorrer por via parenteral e por via sexual. Epidemiologicamente, a transmissão parenteral possui uma importância maior que a sexual. A transmissão parenteral ocorre através de transfusão sanguínea, compartilhamento de objetos perfurocortantes, dentre outros. • Período de incubação: Ocorre em torno de15-150 dias e a média é de 50 dias. O período de transmissibilidade ocorre na semana que antecede o aparecimento dos sintomas e permanece enquanto a pessoa acometida pela doença apresentar RNA-HCV detectável. • Sintomas: A maioria dos casos de hepatite C são assintomáticos, por isso, ter o diagnóstico na fase aguda é A transmissão parenteral ocorre através de transfusão sanguínea, compartilhamento de objetos perfurocortantes, dentre outros. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 5 166 raro. Entretanto, alguns pacientes na fase aguda da doença podem apresentar: mal-estar, náuseas, icterícia, perda de peso e ascite. Quando o quadro se torna crônico, o paciente poderá apresentar: cirrose hepática, insuficiência hepática e câncer no fígado. • Diagnóstico: O principal exame laboratorial para diagnóstico da hepatite C é o anti-HCV. Quando positivo, é solicitado exames complementares, como as dosagens de aminotransferases. • Complicações: As principais complicações quando nos reportamos à hepatite C é a questão do desenvolvimento de cirrose e insuficiência hepática. • Medidas preventivas: Não existe vacina para hepatite C, existe tratamento medicamentoso. Então, as principais medidas preventivas estão relacionadas, principalmente, às práticas sexuais seguras (uso de preservativo) e o não compartilhamento de objetos perfurocortantes. Observem o gráfico a seguir que relaciona os casos de hepatite C no Brasil entre os anos de 2004 e 2014 segundo faixa etária e sexo. Percebe-se que a taxa de incidência é maior nos homens com idade entre 40 e 50 anos. GRÁFICO 1 – Incidência de Hepatite C no Brasil, 2004-2014 4000 3500 3000 2500 2000 1500 1000 500 0 N úm er o de c as os 0 10 20 30 40 50 60 70 80 Idade (anos) Masculino Feminino Fonte: Brasil, 2015. Não existe vacina para hepatite C, existe tratamento medicamentoso. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 5 167 Agora, vamos responder mais um exercício. Acompanhe! QUESTÃO 3 - As hepatites virais podem ser: A, B, C, D e E. Dentre elas, algumas são consideradas infecções sexualmente transmissíveis e outras não, a contaminação ocorre por alimentos e água. As hepatites virais que são transmitidas por via sexual, são: a. Hepatites A, B e D. b. Hepatites B, E e A. c. Hepatites C, E e A. d. Hepatites B, C e D. e. Hepatites B, D e E. O gabarito se encontra no final da unidade. ATIVIDADE DE FIXAÇÃO HPV (Papiloma vírus humano) O papiloma vírus humano (HPV) é uma infecção sexualmente transmissível e altamente contagiosa. Ela caracteriza-se pelo aparecimento de verrugas, ou seja, podem ser únicas ou múltiplas. O Guia de Vigilância Epidemiológica (2014) traz as principais características dessa enfermidade, que geralmente acomete os órgãos genitais. • Características gerais: Caracteriza-se pelo aparecimento de verruga anogenital. Atualmente, existem mais de 200 tipos de vírus HPV e alguns podem resultar em câncer. • Agente etiológico: O papiloma vírus humano (HPV). • Reservatório: O homem. • Modo de transmissão: A transmissão é por via sexual, ou seja, dá-se através do contato direto com mucosas (genital, oral e anal) e pele. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 5 168 • Período de incubação: O período de incubação é em torno de 3 meses. É importante ressaltar que o período de transmissibilidade ocorre enquanto houver a lesão. • Sintomas: Os principais sintomas característicos são as verrugas que surgem na região anogenital, elas são indolores, podem ser únicas ou múltiplas. Outros sintomas que podem aparecer é a irritação local e prurido. • Diagnóstico: O diagnóstico é através da análise das lesões, quando o paciente é sintomático. Porém, também é realizado através da peniscopia, colposcopia e colpocitologia. Além desses, pode ser realizado o teste de detecção do HPV-DNA. • Complicações: A complicação mais frequente é o desenvolvimento de câncer. • Medidas preventivas: As melhores formas de prevenção da doença são por meio da vacinação e das práticas sexuais seguras, tendo em vista que se trata de uma infecção sexualmente transmissível. Agora, assista a terceira videoaula. Vamos lá! Videoaula “Vacina contra Hepatite B e HPV” Autora: Kamila Tessarolo Velame E vamos responder a questão de fixação com empenho! https://player.vimeo.com/video/194084401 DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 5 169 QUESTÃO 4 - O papiloma vírus humano (HPV) é uma infecção sexualmente transmissível. Os principais sintomas característicos do HPV são o aparecimento verrugas que surgem na região anogenital, podendo ser únicas ou múltiplas. Existem medidas que podem prevenir o HPV. Descreva-as. O gabarito se encontra no final da unidade. ATIVIDADE DE FIXAÇÃO Vigilância epidemiológica e principais medidas de controle da sífilis, aids, hepatites, HPV Sífilis A sífilis é uma infecção sexualmente transmissívelde notificação compulsória. Ela pode ser notificada de três formas: sífilis adquirida, sífilis congênita e sífilis em gestantes. De acordo com a Portaria n. 204 de 17 de fevereiro de 2016 (BRASIL, 2016a), a sífilis é uma doença compulsória de notificação semanal. As principais medidas de controle e que evitam a disseminação da doença, ainda de acordo com Souza (2014) são: fazer uso de preservativos nas relações sexuais; atentar para as gestantes e solicitar VDRL no primeiro e no terceiro trimestre da gestação; caso a doença já tenha se instalado, é recomendado que a pessoa siga a terapia medicamentosa de forma correta e se abstenha do contato sexual com parceiros atuais ou anteriores, até que eles sejam tratados. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 5 170 Aids O controle dos dados referente aos novos casos de HIV/aids é feito pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), por meio da notificação compulsória instituída pela Portaria n. 204, de 17 de fevereiro de 2016 (BRASIL, 2016a). Os profissionais de saúde devem fazer a notificação referente aos portadores de HIV e também às pessoas que vivem com aids. As notificações são as seguintes: HIV/aids - infecção pelo vírus da imunodeficiência humana ou síndrome da imunodeficiência adquirida; Infecção pelo HIV em gestante, parturiente ou puérpera e criança exposta ao risco de transmissão vertical do HIV; e, infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) (BRASIL, 2016a). A principal medida preventiva e a melhor forma de evitar a disseminação da doença é fazer uso de preservativos em contatos sexuais. Como o contágio também pode ser feito, por meio de compartilhamento de agulhas contaminadas, instrumentos perfurocortantes contaminados, e falha no uso de EPI obrigatório, evitar a conduta que leva a essas ações também é uma forma de prevenção. Para a criança, a transmissão pode ocorrer durante a gestação, no parto e na amamentação, então, para prevenir, a gestante HIV positiva deverá continuar com a terapia antirretroviral durante a gestação e não poderá amamentar a criança. Hepatites As hepatites virais são doenças de notificação compulsória semanal. Segundo Souza (2014) na hepatite A e a hepatite E, as melhores formas de prevenção e controle da disseminação é lavar bem as mãos antes de qualquer refeição e ao utilizar o banheiro, lavar bem os alimentos (frutas, verduras) e ter cuidado com a água, dar preferência para ingestão de água filtrada. Na hepatite A ainda temos como forma de prevenção a vacinação, que faz parte do calendário vacinal básico. Como o contágio também pode ser feito, por meio de compartilhamento de agulhas contaminadas, instrumentos perfurocortantes contaminados, e falha no uso de EPI obrigatório, evitar a conduta que leva a essas ações também é uma forma de prevenção. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 5 171 As hepatites B, C e D, como são infecções sexualmente transmissíveis, Veronesi e Focaccia (2015) referem que a melhor forma de prevenção e controle da disseminação da doença é o uso de preservativo nas relações sexuais. Além disso, na hepatite B, temos também como forma de prevenção, a vacinação. A primeira dose é dada ao nascer e contém apenas o vírus da hepatite B. Geralmente, o recém-nascido recebe essa vacina ainda na maternidade. Aos 2 meses, 4 meses e 6 meses de idade a criança receberá a Pentavalente, que confere imunidade contra o vírus da hepatite B e outras doenças. HPV O HPV é uma infecção sexualmente transmissível de notificação compulsória. Somente no ano de 2015 ela passou a fazer parte da lista nacional de notificação. Segundo Souza (2014) a melhor forma de prevenção e de evitar a disseminação da doença é a vacinação e o uso de preservativos nas relações sexuais. A vacina ofertada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é a quadrivalente e confere proteção contra quatro tipos de papiloma vírus humano (HPV), são eles: 6, 11, 16 e 18. Os tipos 6 e 11 são os que estão relacionados ao aparecimento das verrugas anogenitais. Já os tipos 16 e 18 estão relacionados aos casos de câncer. As meninas entre 9 e 14 anos serão vacinas contra o HPV com duas doses e o intervalo entre elas deverá ser de seis meses. As mulheres acometidas pelo HIV com idades entre 9 e 26 continuarão a serem vacinadas com três doses, o intervalo entre elas deverá ser de dois e seis meses. A principal mudança ocorrida foi a inclusão dos homens no esquema vacinal e a extensão da faixa etária. Os meninos entre 12 e 13 anos deverão ser vacinados com duas doses da vacina contra o HPV e o intervalo entre as doses deverá ser de seis meses. Os homens acometidos pelo HIV com idades entre 9 e 26 anos também deverão ser vacinados com três doses e o intervalo entre as doses será de dois e seis meses. O HPV é uma infecção sexualmente transmissível de notificação compulsória. Somente no ano de 2015 ela passou a fazer parte da lista nacional de notificação. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 5 172 Sistematização da Assistência de Enfermagem frente aos casos de sífilis, aids, hepatites e HPV A Sistematização da Assistência em Enfermagem referente às infecções sexualmente transmissíveis, como as desta unidade (sífilis, aids, hepatites e HPV) devem ser sigilosas, Reis; Gir (2002) reforçam que o profissional deverá criar um vínculo com o paciente que lhe contará sua história sexual de forma detalhada. O profissional de saúde que atenderá esse paciente deverá respeitar suas individualidades e privacidade. Além disso, Reis; Gir (2002) o profissional de Enfermagem deverá investigar esse paciente em relação ao início dos sintomas e se há alguma lesão que possa caracterizar a doença. Deverá ser realizada uma investigação criteriosa sobre os parceiros sexuais do paciente. No exame físico as possíveis lesões deverão ser examinadas, assim como quaisquer outros sintomas compatíveis para algum tipo de infecção sexualmente transmissível. Esses pacientes, segundo Souza (2014) sofrem por conta do estigma, por isso, os principais achados diagnósticos são: Recusa em seguir a terapêutica de forma satisfatória e adequada; Ansiedade, que está intimamente relacionada ao estigma rodeiam esses pacientes; Déficit de conhecimento sobre a enfermidade, por isso é essencial a criação de vínculos. A partir do momento que o enfermeiro faz uma escuta ativa, todo o processo (prevenção, diagnóstico e tratamento) melhoram. O enfermeiro deve orientar esse paciente e sanar todas as dúvidas que ele tenha em relação à doença, evitando possíveis complicações No exame físico as possíveis lesões deverão ser examinadas, assim como quaisquer outros sintomas compatíveis para algum tipo de infecção sexualmente transmissível. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 5 173 e abandono de tratamento. Reis; Gir (2002) relatam que o processo de Sistematização da Assistência de Enfermagem é contínuo e deve focar o aumento do conhecimento a respeito da doença por parte do paciente, prevenção da disseminação da doença, redução da ansiedade e aumento da adesão ao tratamento. INFOGRÁFICO 1 – Fluxo de dados no sistema de informação de agravos de notificação - SINAN SMS email Regional Sisnet SES MS Sisnet SMS 1. As informações atualizadas do Sinan deverão ser acompanhadas pelo Sistema de Vigilância em Saúde. 2. O envio de dados de notificação deverão ser encaminhados semanalmente das Secretarias Municipais de Saúde (SMS) para as Secretarias Estaduais de Saúde (SES). 3. As Secretariais Estaduais de Saúde (SES) deverão encaminhar as informações e notificações obtidas quinzenalmente para o Sistema de Vigilância em Saúde – Ministério da Saúde. 4. Todos os dados são digitados no SINAN net para os devidos encaminhamentos. Fonte: Brasil, 2007. Para saber mais sobre as infecções sexualmente transmissíveis aqui estudadas, leiam os artigos científicosabaixo: DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 5 174 Situações especiais relacionadas à aids Aids é uma doença que afeta não apenas a saúde física, mas também a psicológica. Indicamos dois artigos que podem te dar uma dimensão maior sobre esse assunto. CARVALHO F.T., PICCININI C.A.. Maternidade em situação de infecção pelo HIV: um estudo sobre os sentimentos de gestantes. Interação em Psicologia. 2006; 10(2): 345-355. Disponível em: <http://revistas.ufpr.br/ psicologia/article/view/7693/5485>. Acesso em: 19 mai. 2017. MELO, Elizabeth Mesquita, et al. Caracterização de pacientes com doenças infecciosas internados em unidade de terapia intensiva. Revista de enfermagem UFPE. 2016; 10(8): 2942-2947. Disponível em: <https:// periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/view/11363>. Acesso em: 19 mai. 2017. ISOLDI, Deyla Moura Ramos; CARVALHO, Francisca Patrícia Barreto de; SIMPSON, Clélia Albino. Análise contextual da assistência de enfermagem à pessoa com HIV/Aids. Revista de Pesquisa: Cuidado é Fundamental Online. 2017; 9 (1): 273-278. Disponível em: <http://www.seer.unirio.br/index.php/ cuidadofundamental/article/view/4119>. Acesso em: 19 mai. 2017. Agora, vamos para o último exercício de fixação. QUESTÃO 5 - MHS, 24 anos, feminino, casada. Procurou a Unidade Básica de Saúde para uma consulta de rotina, pois relata estar com “coceira e caroço” na região genital. Durante a coleta do preventivo, o enfermeiro constatou uma lesão na região genital. Após alguns dias, o resultado confirmou o diagnóstico de HPV. Cite dois diagnósticos e três condutas de enfermagem frente a esse caso. O gabarito se encontra no final da unidade. ATIVIDADE DE FIXAÇÃO http://revistas.ufpr.br/psicologia/article/view/7693/5485 http://revistas.ufpr.br/psicologia/article/view/7693/5485 https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/view/11363 https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/view/11363 http://www.seer.unirio.br/index.php/cuidadofundamental/article/view/4119 http://www.seer.unirio.br/index.php/cuidadofundamental/article/view/4119 DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 5 175 Chegamos ao final desta unidade. Vimos aqui informações sobre as doenças sexualmente transmissíveis, aids, sífilis, hepatites e HPV. Acompanhe a videoaula de finalização para revisar o conteúdo. Bons estudos! Videoaula “Informações sobre sífilis, aids, hepatites e HPV” Autora: Kamila Tessarolo Velame QUESTÃO 1 - A resposta certa é a letra A. Justificativa: a. A sífilis tem duas principais formas de transmissão que podem ser pela via sexual (contato sexual) e por forma congênita (adquirida durante a gestação ou no parto). b. As principais vias de transmissão da sífilis são por contato sexual e por forma congênita. Pode ocorrer transmissão acidental, porém, essa forma de contágio é rara de acontecer. c. As principais vias de transmissão da sífilis são por contato sexual e por forma congênita. Pode ocorrer transmissão por transfusão sanguínea, porém, são casos raros. d. As principais vias de transmissão da sífilis são por contato sexual e por forma congênita. Pode ocorrer transmissão por objetos perfurocortantes (acidental), porém, são casos raros. e. As principais vias de transmissão da sífilis são por contato sexual e por forma congênita. Pode ocorrer transmissão por transfusão sanguínea e de forma acidental, porém, são casos raros. ATIVIDADES DE FIXAÇÃO RESPOSTAS QUESTÃO 2 - A resposta certa é a letra A. Justificativa: a. As medidas preventivas da aids são: Fazer uso de preservativos durante as relações sexuais; não fazer uso compartilhado de seringas; evitar a transmissão vertical, fiscalização da vigilância nos hemocentros; usar equipamento de proteção individual. https://player.vimeo.com/video/194084436 DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 5 176 b. Alternativa incorreta. Compartilhar seringas aumenta as probabilidades de transmissão do vírus HIV. c. Tratar a gestante durante a gestação é um procedimento correto para evitar a transmissão da doença, porém, a criança não deverá ser amamentada, pois, o vírus HIV pode ser transmitido pelo leite materno. d. Uma das formas de transmissão da aids é por acidente de trabalho, ou seja, a melhor forma de prevenir que isso aconteça é fazendo o uso correto dos equipamentos de proteção individual (EPI). e. Toda gestante com aids deverá ser tratada, pois somente dessa forma, o risco de transmissão para o feto diminui. Portanto, a medida preventiva adequada é tratar a gestante durante a gestação. ATIVIDADES DE FIXAÇÃO RESPOSTAS QUESTÃO 3 - A resposta certa é a letra D. Justificativa: a. As hepatites virais transmitidas por via sexual são: B, C e D. A hepatite A é transmitida através de água e alimentos contaminados pelo vírus. b. As hepatites virais transmitidas por via sexual são: B, C e D. As hepatites A e E são transmitidas por via fecal-oral, ou seja, por meio de água e alimentos contaminados. c. As hepatites virais transmitidas por via sexual são: B, C e E. As hepatites virais A e E são transmitidas por via fecal-oral. d. As hepatites virais: B, C e D são as únicas transmitidas por via sexual e consideradas infecções sexualmente transmissíveis. e. A hepatite E não é transmitida por via sexual, e sim, por via fecal oral, ou seja, através de alimentos e água contaminados. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 5 177 QUESTÃO 4 - A melhor forma de prevenção do HPV é por meio da vacinação. A vacina é a quadrivalente que confere proteção contra quatro tipos de papiloma vírus humano (HPV), são eles: 6, 11, 16 e 18. O esquema vacinal ocorre da seguinte forma: as meninas entre 9 e 14 anos devem ser vacinadas contra o HPV com duas doses e o intervalo entre elas deverá ser de seis meses. As mulheres acometidas pelo HIV com idades entre 9 e 26 anos, devem ser vacinadas com três doses, o intervalo entre elas deverá ser de dois e seis meses. Os meninos entre 12 e 13 anos devem ser vacinados com duas doses da vacina contra o HPV e o intervalo entre as doses deverá ser de seis meses. Os homens acometidos pelo HIV com idades entre 9 e 26 anos também devem ser vacinados com três doses e o intervalo entre as doses será de dois e seis meses. Outra medida preventiva é a utilização de preservativo nas relações sexuais. QUESTÃO 5 - A paciente em questão tem déficit de conhecimento a respeito da sua enfermidade e tem lesão presente em região genital. As principais condutas que o enfermeiro deve ter frente a esse caso é: manter o sigilo e a privacidade da paciente, pois se trata de uma infecção sexualmente transmissível e orientá-la sobre o seu parceiro atual. O Enfermeiro deverá notificar essa paciente, pois o papiloma vírus humano (HPV) desde 2015, faz parte da lista nacional de notificação compulsória instituída pelo Ministério da Saúde. Além disso, essa paciente deverá ser orientada em relação ao seu quadro clínico, o Enfermeiro deverá sanar todas as possíveis dúvidas que essa paciente vier a ter e esclarecer como ocorre a transmissão da doença e a deixar ciente que existe tratamento para o papiloma vírus humano (HPV). ATIVIDADES DE FIXAÇÃO RESPOSTAS UNIDADE • Considerações fisiopatológicas, clínicas, laboratoriais e epidemiológicas das doenças infectocontagiosas provocadas pelo Aedes aegypti: dengue, zika, CKY • Vigilância epidemiológica e principais medidas de controle da Dengue, Zika e Chikungunya • Sistematização da Assistência de Enfermagem frente aos casos de dengue, zika, CKY • Respostas Questões de Fixação Doenças Infectocontagiosas emergentes no cenário nacional atual Olá estudante! Nesta unidade, vamos estudar as três doenças emergentes no Brasil, dengue, zika e chikungunya, para compreender qual é o papel do enfermeiro frente a elas e quais as mudanças epidemiológicas que ocorreram desde seu aparecimento. A partir de agora,acompanhe o texto-base com atenção. Bons estudos! DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 6 180 Considerações fisiopatológicas, clínicas, laboratoriais e epidemiológicas das doenças infectocontagiosas provocadas pelo Aedes aegypti: dengue, zika, CKY As doenças emergentes se definem como doenças novas, que eram desconhecidas e que por algum motivo, surgiram no cenário nacional, como define Monteiro (2015). Já as doenças reemergentes são aquelas que existem e, por algum motivo, ressurgem. É importante ressaltar esses conceitos, como são definidos atualmente, pois mudanças podem ocorrer e por isso, é necessário estar sempre atualizando nosso conhecimento. Doenças emergentes São doenças causadas por vírus ou bactérias, que não tinham existência conhecida. É o surgimento de um novo problema de saúde ou um novo agente infeccioso. Como exemplo podemos citar: • HIV/aids, cujo primeiro caso foi diagnosticado em São Paulo pela primeira vez, no ano de 1983. • O cólera, que chegou ao Brasil em 1991. • A dengue, que emergiu em 1982 em Roraima. • Zika vírus e febre chikungunya (CKY), que surgiram recentemente. As doenças emergentes se definem como doenças novas, que eram desconhecidas e que por algum motivo, surgiram no cenário nacional. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 6 181 Com esses exemplos, podemos entender que essas doenças novas não respeitam as fronteiras nacionais. É muito difícil controlar a proliferação de uma doença, e mantê-la em um determinado espaço geográfico. Infecções conhecidas se espalham por novas áreas geográficas, infecções previamente conhecidas aparecem em áreas de modificação ambiental, novas infecções resultantes de alterações ou evolução de microorganismos sempre podem aparecer. Doenças reemergentes Também chamadas de ressurgentes. São aquelas que reaparecem após um período de declínio, ou seja, são doenças que foram controladas, mas voltaram a apresentar uma ameaça à Saúde Pública. Como exemplo, no Brasil temos: A malária que reemergiu, principalmente na Região Amazônica nas últimas duas décadas; A febre amarela que reemergiu em 2000 e agora (2017) um novo surto concentrado na Região Sudeste. Fatores que contribuem para a emergência e a reemergência As doenças infectocontagiosas emergentes e reemergentes, de forma geral, estão associadas a alguns fatores, ou seja, como diz Ujvari (2008), existem fatores que podem contribuir para que tais doenças possam aparecer no cenário nacional. São inúmeros fatores e dentre eles podemos citar alguns, como descritos abaixo. • Modelos de desenvolvimento econômico que acabam por determinar alterações ambientais, migrações e processos de urbanização; • Fatores ambientais como as mudanças climáticas e ações antropológicas como o desmatamento. • Aumento de viagens para outros países (os viajantes) que, por conta disso, acabam disseminando o vírus pelo mundo. Doenças reemergentes também chamadas de ressurgentes, são aquelas que reaparecem após um período de declínio, ou seja, são doenças que foram controladas, mas voltaram a apresentar uma ameaça à Saúde Pública. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 6 182 • O aumento de procedimentos invasivos que pode proporcionar o aumento das infecções, se houver sepsia mal realizada durante ou após o procedimento. • Inadequação dos serviços de saúde, sejam elas relacionadas aos recursos físicos e materiais. Além disso, muitos profissio- nais não se atualizam quanto às doenças infecciosas. • As mutações virais e resistências bacterianas, que estão relacionadas ao processo de evolução dos microorganismos. Vejam que os fatores contribuintes estão relacionados tanto quanto aos agentes e vetores como aos aspectos sociais e individuais. Por exemplo: evolução de agentes patogênicos infecciosos, desenvolvimento de resistência a drogas, resistência de vetores a inseticidas; grandes movimentos populacionais, modificações no comportamento humano, pobreza e desigualdade social. Quais estratégias podem ser utilizadas para combater a emergência e a reemergência? Os fenômenos de emergência e reemergência são explicados por diversos fatores, podendo ser, por exemplo, os fatores ambientais. Ujvari (2011) diz que as estratégias utilizadas no combater da emergência e reemergência são inúmeras e que o enfermeiro tem papel fundamental na maioria delas, como em relação aos aspectos epidemiológicos. • Implementar vigilância sanitária e epidemiológica em nível global; • Aumentar a capacidade de resposta global mediante ao acesso informacional; • Desenvolver novas vacinas e medicamentos; • Mobilização social por meio de campanhas e atividades educativas; • Redução da desigualdade social, consequentemente, da pobreza. Os fatores contribuintes estão relacionados tanto quanto aos agentes e vetores como aos aspectos sociais e individuais. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 6 183 Para que isso seja possível, os profissionais devem estar qualificados para realizar as investigações de campo e monitorar o comportamento das doenças. Além disso, é essencial a implementação de um sistema de informação que permita a tomada de decisão rápida e eficaz. Teoria da transição epidemiológica A teoria da transição epidemiológica são alterações que ocorrem ao longo dos anos e que afetam principalmente, os índices de morbidade e mortalidade da população. A mudança nos índices, segundo Ujvari (2008), tem a ver com as questões demográficas e socioeconômicas. O autor descreve que, no Brasil, essa transição epidemiológica não é linear. As doenças podem surgir e ressurgir sem tempo pré-estabelecido. Por exemplo, no inverno esperamos que os casos de Influenza aumentem, mas no Brasil, não existe essa linearidade, os casos e até mesmo surtos de Influenza podem ocorrer a qualquer momento. Isso ocorre porque, no Brasil, não temos estações do ano bem definidas. Assim, podemos entender que o reconhecimento da transição epidemiológica no Brasil é bastante genérico, mas, mesmo assim, podemos determinar alguns parâmetros para elucidar o cenário atual e a partir deles, conseguimos elaborar estratégias com vistas ao controle de surtos e epidemias. I. Através da permanência de algumas doenças infecciosas; I. Através da alta prevalência de mortalidade por causas externas (acidentes, homicídios, suicídios); I. Por meio da mortalidade ocasionada por doenças não transmissíveis e prevalência. A notícia a seguir mostra uma tentativa de controlar o vetor de uma doença. A teoria da transição epidemiológica são alterações que ocorrem ao longo dos anos e que afetam principalmente, os índices de morbidade e mortalidade da população. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 6 184 Mosquito transgênico reduziu população de Aedes em teste em SP Empresa diz que inseto diminuiu em 82% larvas em bairro de Piracicaba. Cidade no interior paulista deve abrigar nova fábrica que produz inseto. A empresa britânica Oxitec anunciou nesta terça-feira (19) que seu mosquito geneticamente modificado conseguiu reduzir em 82% a quantidade de larvas do mosquito Aedes aegypti espalhadas por um bairro de Piracicaba (SP). A cidade vive um de seus maiores surtos de dengue, mas no bairro de Cecap/Eldorado, em 2015, foram registrados apenas nove casos de dengue após o uso do mosquito modificado - contra 124 notificações antes da ação. O mosquito produzido pela empresa, com o nome comercial de “Aedes do bem”, possui uma alteração genética que torna sua prole estéril. O macho de DNA alterado, quando liberado, busca uma fêmea para fecundá-la e produz um ovo infértil, barrando a oportunidade de machos selvagens se reproduzirem. Leia a notícia completa no portal G1. Disponível pelo link: < http:// g1.globo.com/sp/piracicaba-regiao/noticia/2016/01/mosquito- alterado-reduziu-populacao-de-aedes-em-teste-em-sp.html >. GARCIA, Rafael. Mosquitotransgênico reduziu população de Aedes em teste em SP. Portal G1. Publicado em: 19/01/2016. Disponível em: <http://g1.globo.com/sp/piracicaba-regiao/noticia/2016/01/mos- quito-alterado-reduziu-populacao-de-aedes-em-teste-em-sp.html>. Acesso em: 25 mai. 2017. Assim, para compreender como as doenças emergentes e reemergentes convivem no cenário nacional, vamos entender como funciona a transição epidemiológica. A teoria de transição epidemiológica foi formulada por Abdel Omran (Duarte; Barreto, 2012) e aponta três estágios nas mudanças ocorridas no índice de mortalidade, que ajudam a reconhecer as mudanças epidemiológicas das doenças infectocontagiosas. http://g1.globo.com/sp/piracicaba-regiao/noticia/2016/01/mosquito-alterado-reduziu-populacao-de-aedes-em-teste-em-sp.html http://g1.globo.com/sp/piracicaba-regiao/noticia/2016/01/mosquito-alterado-reduziu-populacao-de-aedes-em-teste-em-sp.html http://g1.globo.com/sp/piracicaba-regiao/noticia/2016/01/mosquito-alterado-reduziu-populacao-de-aedes-em-teste-em-sp.html http://g1.globo.com/sp/piracicaba-regiao/noticia/2016/01/mosquito-alterado-reduziu-populacao-de-aedes-em-teste-em-sp.html http://g1.globo.com/sp/piracicaba-regiao/noticia/2016/01/mosquito-alterado-reduziu-populacao-de-aedes-em-teste-em-sp.html DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 6 185 1. Idade ou período das pandemias e fome: altas taxas de mortalidade e crescimento populacional lento. 2. Período ou idade da queda das pandemias: diminuição nos índices de mortalidade e crescimento populacional. 3. Período de doenças degenerativas e produzidas pelo homem: diminuição progressiva nas taxas de mortalidade. 4. Idade do retardamento das doenças degenerativas: aumento da expectativa de vida. Dengue A Dengue é uma doença reemergente no cenário nacional. Todo ano, esperamos que o surto de dengue seja no verão e, segundo o Guia de Vigilância em Saúde (2014), a dengue requer atenção especial da Saúde Pública. A dengue possui quatro sorotipos e todos os quadro podem levar ao quadro grave já na primeira infecção. • Características gerais – É uma arbovirose, ou seja, transmitida por artrópodes. O vetor principal da dengue é o mosquito Aedes aegypti, porém, pode ser com menor frequência o Aedes albopictus. O material genético do vírus é o RNA, por isso, ele é considerado do gênero Flavivírus. A dengue é uma doença predominantemente urbana, com epidemias no verão. O vetor tem hábito diurno e faz a reprodução em água limpa e parada. Os fatores que podem contribuir para o aumento dos casos de dengue é a urbanização crescente, pois ocorre destruição das matas que é o habitat natural do vetor. • Modo de transmissão – Se dá através da picada do mosquito fêmea Aedes aegypti. O mosquito pica o homem doente adquirindo o vírus e, posteriormente, transmitindo ao homem sadio. Vale ressaltar que na Dengue temos dois ciclos de transmissibilidade, o que ocorre no mosquito (período extrínseco) e o que ocorre no ser humano (período A dengue possui quatro sorotipos e todos os quadro podem levar ao quadro grave já na primeira infecção. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 6 186 intrínseco). O ser humano infectado pelo vírus da dengue pode ser eventualmente picado por um mosquito fêmea. O vírus vai percorrer e infectar de forma sistemática esse mosquito (período extrínseco), que poderá transmitir o vírus para o ser humano sadio. O mosquito, entretanto, permanecerá infectante por 6 a 8 semanas, ou seja, até o final da vida. • Período de transmissibilidade – O homem infecta o mosqui- to durante o período em que o vírus está presente no sangue. • Sintomas – Os principais sintomas são: febre alta (39ºC), dores musculares, dores nas articulações, dores de cabeça, cansaço, enjoos, vômitos, dor retroorbitária, exantema e petéquias. Lembrem-se que o exantema ocorre sob compressão e desaparece, já as petéquias é o sangue que foi extravasado do capilar e não pode retornar. A dengue pode apresentar sintomas leves e moderados, como os citados acima. Porém, nos casos mais graves surgem outras complicações relacionadas às hemorragias. • Diagnóstico – Pode ser diferencial, através dos sinais e sintomas clássicos ou laboratorial. Os exames laboratoriais são ELISA e hematócrito para verificar a hemoconcentração. Além desses, atualmente utiliza-se o NS1, que é o teste rápido para a detecção do antígeno viral da Dengue. O NS1 está indicado somente para os pacientes que estão com no máximo quatro dias do início dos sintomas. A PCR (reação em cadeia da polimerase), a prova do laço e a plaquetopenia são exames prognósticos. • Complicações – O paciente pode apresentar a Febre Hemorrágica da Dengue, onde ocorre o extravasamento do plasma e alterações na permeabilidade capilar, devido a hemoconcentração e consequente perda proteica (albumina). A Febre Hemorrágica da Dengue pode evoluir para a Síndrome do Choque da Dengue, que é mais grave e caracterizado pela perda crítica de volume do plasma. Essa perda crítica faz Os principais sintomas são: febre alta (39ºC), dores musculares, dores nas articulações, dores de cabeça, cansaço, enjoos, vômitos, dor retroorbitária, exantema e petéquias. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 6 187 com que ocorra hipoperfusão de órgãos, acidose metabólica e disfunções na coagulação (hemorragias). • Medidas preventivas - A melhor forma de se evitar a dengue é combater os focos de acúmulo de água, locais propícios para a criação do mosquito transmissor da doença. Ou seja, não acumular água em latas, embalagens, copos plásticos, pneus velhos, vasos de plantas, dentre outros. Além disso, permitir que a vigilância do município visita o seu domicílio para o uso de inseticidas. Promover educação em saúde, notificar os casos (suspeitos e confirmados), realizar a investigação epidemiológica dos casos e preparar a equipe para eventuais surtos e epidemias. Agora, vamos entender como se faz a prova do laço na aplicação prática a seguir. A prova do laço é PREFEITURA DE BELO HORIZONTE, 2016) Passo 1 – Aferir a pressão arterial e calcular o valor médio da seguinte forma: (PAS + PAD)/2. Passo 2 – Insuflar o manguito novamente até a pressão média encontrada no cálculo do passo 1. Mantenha o manguito insuflado por 5 minutos, quando o paciente for adulto e 3 minutos, quando o paciente for uma criança. Passo 3 – Desinsuflar o manguito e desenhe um quadro no braço do paciente de 2,5cm. O quadrado deve ser desenhado no local que tiver concentrações maiores de petéquias. Passo 4 – Contar o número de petéquias no local marcado. Caso o número de petéquias for maior que 20 e o paciente for adulto, a prova do laço será positiva. Caso o número de petéquias for maior que 10 e o paciente for criança, a prova do laço será positiva. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 6 188 Depois de entender como é feita a prova do laço, vamos acompanhar a primeira videoaula, sobre o estadiamento clínico da dengue. Videoaula “Estadiamento da Dengue” Autora: Kamila Tessarolo Velame Pronto para responder os exercícios de fixação? Vamos começar! QUESTÃO 1 - A dengue possui alguns estadiamentos para que os pacientes sejam enquadrados corretamente e recebam o tratamento específico em cada estágio. Em qual estágio os pacientes devem ficar em observação por 24h em leito hospitalar, de acordo com o Protocolo de Belo Horizonte (PBH) de 2016? a. Grupo A. b. Grupo C. c. Grupo B. d. Grupo D. e. Grupo A e B. O gabarito se encontra no final da unidade. ATIVIDADE DE FIXAÇÃO Zika Vírus Zika vírus é uma doença emergente e conforme o Guia de Vigilância em Saúde (BRASIL, 2014) explica, o maior desafio da Saúde Pública é o reconhecimento dessas novas doenças. Isso porque é uma corrida contra o tempo para salvar vidas, desde o surgimento dos primeiros casos e a determinação das formas de transmissão da doença, os sinais e sintomas,as possíveis complicações, métodos diagnósticos eficientes e melhores formas de tratamento e prevenção. https://player.vimeo.com/video/194084504 DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 6 189 • Características gerais – É uma arbovirose aguda (doença transmitida por artrópodes). O vetor principal do Zika vírus é o mosquito Aedes aegypti. Pode ser também o Aedes albopictus. Ele é do gênero Flavivírus (o material genético é o RNA). O período de incubação varia entre 3 a 12 dias após o contágio. • Modo de transmissão – A transmissão do Zika vírus se dá pela picada do vetor que, após se alimentar do sangue de alguém contaminado, poderá transportar o Zika vírus durante toda a sua vida. • Período de transmissibilidade – O homem infecta o mosquito durante o período em que o vírus está presente no sangue. • Sintomas – Observem os principais sinais e sintomas do Zika vírus na figura a seguir. FIGURA 6 – Sintomas do Zika vírus Dor de cabeça: MODERADA Dor articular: MODERADA Dor nos músculos: MODERADA Hipertrofia ganglionar: INTENSA Acometimento Neurológico: Raro Coceira: MODERADA a INTENSA Manhcas vermelhas: Intensas, surgem entre 1º e 2º dia (90% a 100% dos casos) Inchaço nas articulações: Frequente e leve intensidade Conjutivite: Frequente, 50% a 90% dos casos Febre: Afebril ou subfebril 38º C (1 a 2 dias febre leve) Fonte: Brasil, 2017. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 6 190 • Diagnóstico – Laboratorial: baseia-se principalmente na detecção de RNA viral, PCR: detecção do material genético do vírus e sorologia. O período de transmissão é de curta duração. Dessa forma, seria possível a detecção direta do vírus em um período de 4 a 7 dias após do início dos sintomas. Além disso, o diagnóstico diferencial através de sinais e sintomas é contraindicado tendo em vista a dificuldade de diferenciação da dengue e chikungunya. • Complicações – O paciente pode evoluir para sintomas mais severos como: dor abdominal, diarreia, constipação, fotofobia e úlceras na mucosa oral. • Medidas preventivas: • Recomenda-se manter-se vigilante quanto à limpeza da sua casa, cuidando para que vasos de plantas, lixeira, baldes, pneus não sirvam de criadouro para as larvas do mosquito. • Denunciar o acúmulo de lixo e entulho, ou qualquer recipiente que possa abrigar a larva do mosquito. • Utilizar telas em janelas e portas, use roupas compridas, como calças e blusas. • Aplicar repelente no corpo. Além dessas medidas preventivas, o enfermeiro deve realizar a educação em saúde de forma contínua. Como é uma doença de notificação compulsória, ele deverá notificar todos os casos, sejam suspeitos ou confirmados (após a investigação epidemiológica). O enfermeiro é responsável por gerenciar uma equipe, portanto, deverá prepará-la e orientá-la a respeito da doença. Vamos ver uma curiosidade? Acompanhe a seguir! Recomenda-se manter-se vigilante quanto à limpeza da sua casa, cuidando para que vasos de plantas, lixeira, baldes, pneus não sirvam de criadouro para as larvas do mosquito. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 6 191 A relação entre o Zika e a Síndrome de Guillian-Barré O vírus Zika recebeu esse nome ao ser descoberto na floresta de Zika, em 1947, na África. Mas com o atual cenário global de circulação do vírus, e com as consequências mais sérias da doença, principalmente a microcefalia e morte fetal, o Zika Vírus passou a ser estudado também como causador do aumento dos casos de Síndrome de Guillain-Barré (SGB), principalmente nas Américas a partir do ano de 2013. Para saber mais sobre isso, recomendamos a leitura de um artigo científico que faz uma revisão de literatura sobre essa relação: CHAVES FILHO, José Idarlan Gomes; REIS, Isabella de Lara Aires; FRANÇA, Adrieli dos Santos; CORTELA, Denise da Costa Boamorte. Revisão da Literatura: a relação entre Zika vírus e Síndrome de Guillain- Barré. Revista Ciência e Estudos Acadêmicos em Medicina, Mato Grosso, v.1, n.5, jan.-jul. 2016. Disponível em: <http://periodicos.unemat.br/index. php/revistamedicina/article/view/1365/1402>. Acesso em: 19 abr 2017. Agora, assista a segunda videoaula, sobre os casos de microcefalia, associados ao zika víus. Videoaula “Microcefalia associada ao Zika Vírus” Autora: Kamila Tessarolo Velame Chikungunya A chikungunya, CKY, ou também conhecida como febre chikungunya também é uma doença emergente no cenário nacional atual. O Guia de Vigilância em Saúde (2014) nos traz algumas informações importantes a respeito, principalmente a dificuldade em diagnosticá- http://periodicos.unemat.br/index.php/revistamedicina/article/view/1365/1402 http://periodicos.unemat.br/index.php/revistamedicina/article/view/1365/1402 https://player.vimeo.com/video/194084548 DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 6 192 la, pois comumente ela recebe outros diagnósticos de doenças que apresentam sinais e sintomas bem parecidos. Por isso, é importante atentar-se para os sinais e sintomas diferenciais, pois eles farão a diferença na hora do diagnóstico. Na terceira videoaula, vamos conhecer o histórico da doença. Acompanhe! Videoaula “História da Chikungunya” Autora: Kamila Tessarolo Velame Vamos conhecer as características gerais e específicas? Acompanhe! • Características gerais – É uma arbovirose aguda (doença transmitida por artrópodes). O vetor principal da Chikungunya é o mosquito Aedes aegypti. Pode ser também o Aedes albopictus. Ele é do gênero Flavivírus (o material genético é o RNA). Foi detectada em 1952 pela primeira vez em um surto na Tanzânia. O nome vem do idioma africano kimakonde e significa “inclinou-se ou contorceu-se de dor”. Essa expressão faz referência aos acometidos pelo CKY, pois, por sentirem dores musculares, se inclinam para frente. • Modo de transmissão – Transmitido através da picada do mosquito do gênero Aedes, sendo o Aedes aegypti (principal vetor) e o Aedes albopictus, estando eles infectados pelo vírus após terem picado um homem doente. • Período de transmissibilidade –O período de transmissibilidade dura em torno de 5 a 10 dias após o início dos primeiros sintomas. • Sintomas – Febre alta (39ºC) de início rápido, dores intensas nas articulações dos pés e mãos, além de dedos, tornozelos e pulsos, manchas vermelhas na pele. Vale ressaltar que a Transmitido através da picada do mosquito do gênero Aedes, sendo o Aedes aegypti (principal vetor) e o Aedes albopictus. https://player.vimeo.com/video/194084575 DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 6 193 infecção pelo vírus da chikungunya passa despercebido em mais de 30% dos casos. O paciente apresenta-se como sintomático, com fortes dores musculares, mas que em algumas semanas melhoram sem intervenção terapêutica. • Diagnóstico – O vírus só pode ser detectado através de exames laboratoriais. São três os tipos de testes capazes de detectar o chikungunya: sorologia, PCR e isolamento viral. • Complicações – O paciente pode apresentar encefalopatia e dores musculares persistentes por meses. • Medidas preventivas - As pessoas devem reforçar as medidas de eliminação dos criadouros de mosquitos nas suas casas e na vizinhança. Assim como na dengue e no zika vírus, não é possível ter chikungunya mais de uma vez, pois, após ser infectada pelo vírus a pessoa adquire imunidade para o resto da vida. Observem na figura a seguir, a distribuição geográfica do zika vírus, chikungunya e Dengue no mundo. No Brasil, há predominância nos casos de Dengue e poucos casos de zika Vírus e chikungunya. Isso no ano de 2015. Esse cenário foi modificado no final do ano de 2015 e início do ano de 2016. Houve um aumento considerável nos casos de zika vírus e como consequência, aumento nos casos de microcefalia. Os casos de chikungunya também tiveram aumento considerável nos índices de novos casos, porém, como o diagnóstico é difícil, muitas pessoas adquiriram a doença e não foram notificadas.Chamamos essa situação de subnotificação. No mapa a seguir, podemos ver como o zika vírus se espalhou pelo mundo. No Brasil, há predominância nos casos de Dengue e poucos casos de zika Vírus e chikungunya. Isso no ano de 2015. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 6 194 FIGURA 7 – Distribuição geográfica do zika vírus no mundo Locais de transmissão atual ou anterior do vírus chikungunya Fonte: Centers for Disease Control and Prevention, 2017. Agora, temos que responder mais duas questões. Vamos lá! QUESTÃO 2 - A chikungunya ou febre chikungunya é uma arbovirose aguda (doença transmitida por artrópodes). O vetor principal da dengue é o mosquito Aedes aegypti. Pode ser também o Aedes albopictus. Quais os principais sintomas da chikungunya? a. Febre alta (39ºC); Dores musculares; Dores de cabeça; Cansaço; Enjoos e Vômitos. b. Dor de cabeça moderada; manchas vermelhas; conjuntivite; coceira (moderada a intensa). c. Febre alta, calafrios, dor de cabeça, dores musculares, náuseas e vômitos que duram cerca de 3 dias. d. Febre alta (39ºC) de início rápido; dores intensas nas articulações dos pés e mãos, além de dedos, tornozelos e pulsos; manchas vermelhas na pele. e. A doença inicia-se com a instalação abrupta de febre alta, em geral acima de 38ºC, seguida de dores musculares, dor de garganta, prostração, calafrios, dor de cabeça e tosse seca. O gabarito se encontra no final da unidade. ATIVIDADE DE FIXAÇÃO DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 6 195 QUESTÃO 3 - A chikungunya é uma doença viral causada pelo mesmo vetor da dengue e do zika Vírus, portanto, cada doença tem uma história diferente (como surgiu, o porquê do nome, características). Descreva a história da chikungunya no Brasil e no restante do mundo. O gabarito se encontra no final da unidade. ATIVIDADE DE FIXAÇÃO Vigilância epidemiológica e principais medidas de controle da Dengue, Zika e Chikungunya Percebam que estamos diante de uma doença reemergente (Dengue) e duas doenças emergentes (Zika e Chikungunya) no cenário nacional atual. Como o diagnóstico dessas doenças é dificultado pela semelhança dos sinais e sintomas entre elas, o Guia de Vigilância em Saúde (2014) estipulou algumas formas que facilitam a identificação dos casos e os classificam como suspeitos ou confirmados. Dengue Qual a diferença entre um caso suspeito e um confirmado? Veja a seguir: Caso suspeito Os principais sintomas que caracterizam um caso suspeito de Dengue são aquelas pessoas que apresentam após 14 dias da infecção, dois ou mais sintomas a seguir: • Náuseas e vômitos • Exantema DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 6 196 • Mialgias e artralgia • Dor retroorbital • Petéquias ou prova do laço positiva • Cefaleia Caso confirmado É quando o caso suspeito é confirmado por exames laboratoriais: • ELISA • PCR • Isolamento viral • Sorologia para IgM Notificação A notificação de casos de dengue é feita semanalmente e a notificação de óbitos por dengue deverá ser realizada imediatamente em um período menor que 24h. Todo caso suspeito deverá ser notificado para posterior investigação epidemiológica. Para fixar o conteúdo, precisamos responder as questões de fixação. Vamos lá! QUESTÃO 4 - A prova do laço é um método que avalia a fragilidade capilar do paciente acometido por dengue. Por isso, profissionais da saúde, principalmente os enfermeiros deve saber realizá-la. Descreva minuciosamente como deve ser feita a prova do laço. O gabarito se encontra no final da unidade. ATIVIDADE DE FIXAÇÃO Zika vírus Caso suspeito As pessoas apresentam exantema maculopapular acompanhado de dois ou mais sintomas seguintes: DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 6 197 • Febre; • Hiperemia conjuntival (com ou sem prurido); • Poliartralgia; • Edema periarticular. Caso confirmado Caso suspeito que se confirma por algum dos testes a seguir: • Isolamento viral; • PCR; • Sorologia IgM. Notificação A notificação da febre do vírus zika é universal, ou seja, todo serviço de saúde deve notificar os casos a partir da suspeita clínica e ela é imediata, deve ser realizada em um período de 24h. Chikungunya Caso suspeito Febre alta (maior que 39ºC) e artralgia. Tais sintomas não conseguem ser explicados por diferenciação de outras enfermidades. Caso confirmado Caso suspeito, com um dos seguintes exames laboratoriais positivos: • Isolamento viral positivo; • Detecção de RNA viral por RT-PCR; • Sorologia. Notificação Todo caso suspeito deverá ser notificado em um período de até 24h (imediato) para posterior investigação epidemiológica do caso. A notificação da febre do vírus zika é universal, ou seja, todo serviço de saúde deve notificar os casos a partir da suspeita clínica e ela é imediata, deve ser realizada em um período de 24h. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 6 198 Medidas de controle Para estabelecer medidas de controle de doenças emergentes e reemergentes no cenário nacional, como dengue, zika vírus e chikungunya, devemos primeiro pensar em prevenção. As três doenças são causadas pelo mesmo vírus, porém, diferem-se quanto à intensidade dos sintomas. O governo brasileiro lançou uma medida provisória n. 712, de 29 de janeiro de 2016 (BRASIL, 2017) que dispõe sobre as medidas de vigilância em relação a dengue, zika vírus, e chikungunya. De acordo com a norma elaborada pelo governo brasileiro (BRASIL, 2017), as principais medidas de controle são: a) Realização de visitas a imóveis públicos e particulares para eliminação do mosquito e de seus criadouros em área identificada como potencial possuidora de focos transmissores; b) Realização de campanhas educativas e de orien- tação à população; c) Ingresso forçado em imóveis públicos e particulares, no caso de situação de abandono ou de ausência de pessoa que possa permitir o acesso de agente público, regularmente designado e identificado, quando se mostre essencial para a contenção das doenças. Sistematização da Assistência de Enfermagem frente aos casos de dengue, zika, CKY A Sistematização da Assistência de Enfermagem é um instrumento importante no acompanhamento dos casos de dengue, zika e chikungunya. Souza (2014) diz que o enfermeiro precisa O governo brasileiro lançou uma medida provisória n. 712, de 29 de janeiro de 2016 (BRASIL, 2017) que dispõe sobre as medidas de vigilância em relação a dengue, zika vírus, e chikungunya. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 6 199 sistematizar, principalmente quando nos reportamos às doenças infectocontagiosas. Compete ao enfermeiro o impedimento e o cessar dos surtos e epidemias, seja através das atividades educativas, seja através das campanhas de prevenção que envolvem a vacinação. Dengue Condutas de enfermagem O enfermeiro, de acordo com o protocolo para o atendimento aos pacientes com suspeita de dengue (PREFEITURA DE BELO HORIZONTE, 2016) deverá solicitar alguns exames laboratoriais como o NS1, hemograma e plaquetas. Também faz parte de suas funções, orientar o paciente quanto aos medicamentos que ele não poderá fazer uso, como aqueles que contenham ácido acetilsalicílico (AAS) e orientar e prescrever hidratação oral, repouso e retorno para avaliação. Além disso, o enfermeiro deverá avaliar e estadiamento (avaliação e classificação de risco) dos casos suspeitos de dengue que procurarem atendimento na unidade ou hospital. Para que seja possível avaliar a fragilidade capilar, o enfermeiro deverá realizar a prova do laço. Zika Condutas de Enfermagem O enfermeiro deverá notificar todo caso suspeito e confirmado, principalmente no caso de gestantes. Vimos que o vírus Zika pode trazer sérias consequências ao feto (microcefalia), principalmente no primeiro trimestre da gestação. Portanto, Souza (2014) reforça o papel do enfermeiro, este deverá rastrear e identificar todo caso suspeito de zika vírus em gestantes. Além disso, o enfermeirodeverá solicitar exames rotineiros e complementares para a gestante na tentativa de confirmar o caso ou descartar (através da sorologia). Vimos que o vírus Zika pode trazer sérias consequências ao feto (microcefalia), principalmente no primeiro trimestre da gestação. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 6 200 Chikungunya Condutas de Enfermagem O enfermeiro deverá notificar o caso suspeito. Além disso, segundo Souza (2014), deverá orientar o paciente em relação aos sintomas, o agravamento dos sintomas e como se dá a prevenção da doença. O enfermeiro deverá solicitar exames laboratoriais para a confirmação do caso suspeito. Quanto às medicações, o enfermeiro deverá orientar o paciente quanto às contraindicações de certos medicamentos que podem piorar os sintomas e até levar ao óbito e prescrever antitérmicos (dipirona ou paracetamol), caso necessário e seguindo o protocolo de medicamentos preconizados pelo município. O enfermeiro deverá orientar a equipe, principalmente os Agentes Comunitários de Saúde para o acompanhamento dos casos e a realização da busca ativa e promover a educação continuada para a equipe e comunidade. Vamos responder a última questão de fixação? Acompanhe! QUESTÃO 5 - Entre os vírus da dengue, zika e chikungunya existe um que está preocupando os gestores da saúde, porque sendo apontado como causador da microcefalia. Qual é o vírus? a. A doença que causa microcefalia em bebês é o chikungunya. b. A doença que causa microcefalia em bebês é a dengue. c. A doença que pode causar microcefalia em bebês é o zika vírus. d. A doença que causa microcefalia em bebês é a Febre Amarela. e. A doença que causa microcefalia em bebês é o sarampo. O gabarito se encontra no final da unidade. ATIVIDADE DE FIXAÇÃO DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 6 201 Chegamos a o final de mais uma unidade! Vimos aqui como diferenciar as doenças infectocontagiosas provocadas pelo Aedes aegypti: dengue, zika e CKY. Mas também compreendemos o manejo clínico e as ações epidemiológicas e de enfrentamento dessas doenças emergentes. O enfermeiro assume um papel especial no controle de doenças emergentes e reemergentes, pois suas funções e notificações são fundamentais para a investigação do porquê dessas doenças surgirem e ressurgirem no cenário nacional. Dessa forma, o enfermeiro conseguirá adotar estratégias e condutas compatíveis para contribuir na prevenção de surtos e epidemias. Então, vamos assistir à videoaula de finalização, para fixar bem o conteúdo aprendido. Bons estudos! Videoaula “Principais características da Dengue, Chikungunya e Zika Vírus” Autora: Kamila Tessarolo Velame QUESTÃO 1 - A resposta certa é a letra B. Justificativa: a. Tais pacientes devem ter acompanhamento ambulatorial, não necessitam de internação. b. Está correta. Neste estágio tais pacientes devem ter acompanha- mento em unidade hospitalar, ficando 24h em observação. c. Tais pacientes devem ter acompanhamento em unidade básica de saúde (UBS) em leitos de observação. d. Tais pacientes devem ter acompanhamento preferencialmente em Unidade com Terapia Intensiva (UTI). e. Grupo A - Tais pacientes devem ter acompanhamento ambulatorial, não necessitam de internação. Grupo B - Tais pacientes devem ter acompanhamento em unidade básica de saúde (UBS) em leitos de observação. ATIVIDADES DE FIXAÇÃO RESPOSTAS https://player.vimeo.com/video/194084602 DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 6 202 QUESTÃO 2 - A resposta certa é a letra D. Justificativa: a. Esses são os principais sintomas da dengue. b. Esses são os principais sintomas do zika vírus. c. Esses são os sintomas da Febre Amarela. d. Os principais sintomas do chikungunya são exatamente esses. e. Esses sintomas são característicos da Influenza. QUESTÃO 3 - A chikungunya foi identificada pela primeira vez no início de 1952, na Tanzânia. A partir deste ano ocorreram alguns surtos periódicos da doença na Ásia e na África. No Brasil, os primeiros casos confirmados da doença se deu no ano de 2010, porém, foram dois pacientes que haviam viajado para regiões endêmicas da doença, Indonésia e Índia. O vírus circula em alguns países da África e da Ásia e já foi identificado em 16 países. O nome chikungunya tem origem no idioma africano kimakonde, que eram os povos que habitavam o norte de Moçambique e o sul da Tanzânia e significa “aqueles que se dobram”. Essa expressão faz referência aos acometidos pela chikungunya e descrevem a aparência encurvada dos pacientes que se contorcem por conta das fortes dores musculares causadas pelo vírus. ATIVIDADES DE FIXAÇÃO RESPOSTAS QUESTÃO 4 - O primeiro passo a ser realizado é a verificação da pressão arterial do paciente; após, deve-se calcular o valor médio da pressão arterial sistólica e pressão arterial diastólica. Então, soma-se as duas pressões e dividi-as por dois para obter a média. O segundo passo é insuflar novamente o manguito até o valor médio encontrado e manter durante cinco minutos quando o paciente for um adulto e três minutos quando o paciente for uma criança. O terceiro passo é desinsuflar o ar do manguito e desenhar um quadrado com 2,5cm no local de maior concentração de petéquias. Conte o número de petéquias. O quarto passo é verificar o resultado da prova do laço, se o Enfermeiro encontrar 20 ou mais petéquias em adultos e 10 ou mais petéquias em crianças, o resultado será positivo para dengue. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 6 203 QUESTÃO 5 - A resposta certa é a letra C. Justificativa: a. Chikungunya não causa microcefalia em bebês. A maiores complicações são encefalopatia e dores musculares persistentes por meses. b. A maior complicação da dengue é que o paciente pode evoluir para o choque hipovolêmico devido a hemorragias que podem acontecer. c. As maiores complicações do zika vírus é a microcefalia, que se dá através da passagem do vírus pela placenta da mãe. d. As maiores complicações da febre amarela são: insuficiência hepática e renal, icterícia e manifestações hemorrágicas. e. As principais complicações do sarampo são: otite média, larin- gite, laringotraqueobronquite, diarreia, pneumonia e encefalite. ATIVIDADES DE FIXAÇÃO RESPOSTAS UNIDADE • Considerações fisiopatológicas, clínicas, laboratoriais e epidemiológicas das doenças infectocontagiosas provocadas por protozoários: malária, doença de chagas, leishmaniose visceral e tegumentar • Vigilância epidemiológica e principais medidas de controle da malária, doença de chagas, leishmaniose visceral e tegumentar • Sistematização da Assistência de Enfermagem frente aos agravos: malária, doença de chagas, leishmaniose visceral e tegumentar • Respostas Questões de Fixação Doenças infectocontagiosas provocadas por protozoários Olá! Nesta unidade, vamos compreender as características das doenças infectocontagiosas provocadas por protozoários: malária, doença de chagas, leishmaniose visceral e tegumentar. Assim, podemos entender como é sistematizada a atuação do enfermeiro frente a elas e quais as mudanças que ocorrem, principalmente no tratamento para malária. Vamos lá! Acompanhe com atenção! DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 7 206 Considerações fisiopatológicas, clínicas, laboratoriais e epidemiológicas das doenças infectocontagiosas provocadas por protozoários: malária, doença de chagas, leishmaniose visceral e tegumentar Malária A malária é uma doença infectocontagiosa provocada por protozoário. No Brasil, 98% dos casos ocorrem na Região Amazônica, o que contribui para isso é o clima da região e a extensa área de vegetação que são propícias para o desenvolvimento dos vetores, os mosquitos do gênero Anopheles. O Guia de Vigilância Epidemiológica (2014) traz alguns aspectos relacionados a essa doença que são de extrema importância para os profissionais da área da saúde. • Característicasgerais: A malária é uma doença infecciosa causada por um protozoário. Existem mais de 100 tipos, porém, no Brasil, dá-se a importância para três, o Plasmodium falciparum, o Plasmodium vivax e o plasmodium malariae. A malária também é conhecia como Paludismo, febre intermitente (uma das principais DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 7 207 características e que diferencia um tipo de malária da outra), tremedeira ou maleita. • Agente etiológico: É um protozoário esporozoário (ou seja, que não possui estrutura locomotora). Os mais importantes no meio científico são: Plasmodium falciparum, Plasmodium vivax, Plasmodium malariae e Plasmodium ovale. O Plasmodium falciparum e o Plasmodium vivax são os que mais ocorrem no Brasil. O Plasmodium malariae ocorre com menos frequência que os dois primeiros e o Plasmodium ovale não existe no Brasil, apenas em algumas regiões da África. Os casos de Plasmodium ovale que surgem no Brasil são importados. • Vetor: O vetor responsável pela transmissão do Plasmodium são os mosquitos do gênero Anopheles. São conhecidos popularmente como anofelinos e mosquito- prego. No Brasil, as principais espécies transmissoras de Plasmodium são: Anophles darlingi, Anophles aquasalis, Anopheles albirtasis, Anopheles cruzii e Anopheles bellator. No Brasil, os vetores apresentam características peculiares: eles picam próximo e dentro das residências. Além disso, o Anopheles Darling, cria-se, normalmente, em águas de baixo fluxo, profundas, límpidas, sombreadas e com pouco aporte de matéria orgânica e sais. Porém, em situações de locais de alta densidade, ele acaba ocupando vários outros tipos de criadouros. Os vetores são abundantes nos horários crepusculares, ao entardecer e ao amanhecer, mas podem picar durante toda a noite. Reservatório: O homem é considerado o principal reservatório da doença. • Modo de transmissão: A transmissão da malária ocorre através da picada da fêmea do mosquito Anopheles que esteja infectado pelo protozoário Plasmodium. Por que só a fêmea transmite a doença? Somente as fêmeas são hematófogas, pois precisam do sangue para a maturação dos seus ovos. O horário de atividade desses A transmissão da malária ocorre através da picada da fêmea do mosquito Anopheles que esteja infectado pelo protozoário Plasmodium. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 7 208 vetores é noturno. Outras formas de transmissão (que são raras) podem ocorrer: por transfusão sanguínea, pelo compartilhamento de seringas e acidente de trabalho. • Período de transmissibilidade: Para o Plasmodium vivax, o período de transmissibilidade é de algumas horas e para o Plasmodium falciparum, o período ocorre entre 7 e 12 dias. É importante destacar que caso não seja adequadamente tratado, o indivíduo pode ser fonte de infecção por até 1 ano para malária por P. falciparum; até 3 anos para P. vivax; e por mais de 3 anos para P. malariae. Período de incubação: Varia de acordo com a espécie de plasmódio. No Plasmodium falciparum o período de incubação varia de 8 a 12 dias. No Plasmodium vivax, de 13 a 17 dias e no Plasmodium malariae, de 18 a 30 dias. • Sintomas: Os principais sinais e sintomas da malária, de forma geral, são: calafrios, febre alta (41ºC) intermitente, cefaleia intensa e sudorese. O paciente tem a apresentação de sintomas, e depois um período de remissão, com melhora do quadro clínico, que retornar considerando o padrão cíclico da doença. Esses sintomas ocorrem com padrão clínico específico para cada uma das espécies de Plasmodium. Por exemplo, o P. falciparum é conhecido como febre terçã maligna, porque o intervalo da febre é de 48 em 48h. O P. vivax também, porém ele é conhecido como febre terçã benigna. O P. falciparum recebe essa denominação pelo fato de ter a capacidade de desenvolver a malária grave, que tem como sintomas: insuficiência renal aguda, edema pulmonar agudo, hipoglicemia e malária cerebral. O P. malariae é conhecido como febre quartã, porque ocorrem em ciclos de 72 em 72h. Vamos assistir a primeira videoaula, sobre a malária. Acompanhe! Os principais sintomas e sinais das malária são calafrios, febre alta intermitente, cefaleia intensa e sudorese. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 7 209 Videoaula “Ciclo da Malária em humanos e fases dos acessos maláricos” Autora: Kamila Tessarolo Velame • Diagnóstico: O diagnóstico da malária pode ser diferencial (através dos sinais e sintomas) e laboratorial. O diagnóstico laboratorial é feito através dos seguintes exames: gota espessa, esfregaço delgado e testes rápidos que detectam componentes antigênicos de plasmódio. Vale ressaltar que o exame de gota espessa é um método amplamente utilizado no Brasil para o diagnóstico de malária, por possuir algumas vantagens como: baixo custo e de fácil realização (método simples). A técnica utilizada no exame de gota espessa consiste na visualização do parasito através da microscopia óptica, após coloração com corante (azul de metileno e Giemsa), o que permite a diferenciação específica dos parasitos (análise morfológica e estágios de desenvolvimento). • Tratamento: O esquema terapêutico utilizado no tratamento da malária visa atingir ao parasito em pontos-chave de seu ciclo evolutivo, que podem ser em: interrupção da esquizogonia sanguínea, responsável pela patogenia e manifestações clínicas da infecção; destruição de formas latentes do parasito no ciclo tecidual (hipnozoítos) das espécies P. vivax e P. ovale, evitando assim as recaídas tardias; interrupção da transmissão do parasito, pelo uso de drogas que impedem o desenvolvimento de formas sexuadas dos parasitos (gametócitos). Para atingir esses objetivos, diversas drogas são utilizadas, cada uma delas agindo de forma específica para impedir o desenvolvimento do parasito no hospedeiro. As medicações utilizadas são Cloroquina, Primaquina (infantil e adulto), Artemeter, Lumefantrina, Mefloquina e Quinina. https://player.vimeo.com/video/194084662 DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 7 210 • Complicações: Geralmente as infecções por P. vivax e malariae são benignas. O P. falciparum pode evoluir para formas graves, afetando diversos órgãos e podendo levar o paciente aocoma. São sinais graves de malária: hiperpirexia (temperatura >41ºC), convulsão, hiperparasitemia (> 200.000/mm³), vômitos de repetição, hemorragias e hipotensão arterial. • Medidas preventivas: A malária é uma doença de notificação compulsória e pode ser evitada através das orientações à comunidade (educação em saúde) em relação aos criadouros do mosquito Anopheles, como: água de chuva acumulada na base das folhas de algumas bromélias; depósitos de água salgada no chão de regiões litorâneas; pequenas e grandes extensões de água doce acumuladas em valas, terrenos abandonados. O enfermeiro deverá orientar as pessoas que irão viajar para as regiões endêmicas, como a Região Amazônica, quando falamos de Brasil sobre as medidas preventivas a serem adotadas afim de evitar a infecção. Vamos acompanhe a notícia a seguir, que nos dá informações sobre a redução nos casos de malária. Brasil tem o menor número de casos de malária dos últimos 35 anos Para combater e erradicar a doença, o governo lançou a campanha “Elimine a Malária para o Bem”. O levantamento aponta que o País registrou o menor número da doença dos últimos 35 anos, aponta o Ministério da Saúde. Em 2015, foram notificados cerca de 143 mil casos. Em relação ao número de óbitos, foram 26 mortes no ano passado, redução de 89% no comparativo com o ano de 2000. Mas a meta é ir mais adiante. E com o objetivo de combater e erradicar a malária, o Ministério da Saúde lançou a campanha “Elimine a Malária para o Bem”. A malária é uma doença de notificação compulsória e pode ser evitada através das orientações à comunidade em relação aos criadourosdo mosquito Anopheles DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 7 211 O Brasil investirá R$ 12 milhões para ações voltadas para a eliminação da doença nos municípios prioritários. O recurso será utilizado para a compra de insumos, equipamentos e veículos. “O compromisso do Ministério da Saúde, em parceria com o Conass e Conasems, é para a eliminação da malária. Os incentivos financeiros e a ampliação do quantitativo de agentes pelos municípios possibilitam aumentar a força de trabalho para combater a doença em todo o País”, destaca o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Antônio Nardi. Em 2015, o Ministério da Saúde lançou o Plano de Eliminação da Malária no Brasil, com ênfase na malária por Plasmodium falciparum. A medida faz parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) lançados pela Organização das Nações Unidas (ONU) em substituição aos Objetivos do Milênio. A meta é a redução de pelo menos 90% dos casos até 2030 e da eliminação de malária em pelo menos 35 países. O documento fornece a orientação técnica para os municípios, define estratégias diferenciadas para o diagnóstico, tratamento, controle vetorial, educação em saúde e mobilização social. O Plano de Eliminação da Malária no Brasil é uma iniciativa para deter a malária com potencial de maior gravidade. Em 2000, a malária falciparum era responsável por 21% dos casos, caindo para 16% em 2014. Leia a notícia completa no site Portal Brasil: <http://www.brasil. gov.br/saude/2016/04/brasil-tem-o-menor-numero-de-casos-de- malaria-dos-ultimos-35-anos>. BRASIL, Ministério da Saúde. Site Portal Brasil. O Brasil tem o menor número de casos de malária nos últimos 35 anos. Publicado em: 25/04/2016. Disponível em: <http://www.brasil.gov.br/ saude/2016/04/brasil-tem-o-menor-numero-de-casos-de-malaria- dos-ultimos-35-anos>. Acesso em: 26 mai. 2017. http://www.brasil.gov.br/saude/2016/04/brasil-tem-o-menor-numero-de-casos-de-malaria-dos-ultimos-35-anos http://www.brasil.gov.br/saude/2016/04/brasil-tem-o-menor-numero-de-casos-de-malaria-dos-ultimos-35-anos http://www.brasil.gov.br/saude/2016/04/brasil-tem-o-menor-numero-de-casos-de-malaria-dos-ultimos-35-anos http://www.brasil.gov.br/saude/2016/04/brasil-tem-o-menor-numero-de-casos-de-malaria-dos-ultimos-35-anos http://www.brasil.gov.br/saude/2016/04/brasil-tem-o-menor-numero-de-casos-de-malaria-dos-ultimos-35-anos http://www.brasil.gov.br/saude/2016/04/brasil-tem-o-menor-numero-de-casos-de-malaria-dos-ultimos-35-anos DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 7 212 Agora, estamos prontos para a primeira questão de fixação. Vamos resolver! QUESTÃO 1 - A malária é uma doença infecciosa causada por um protozoário. Existem mais de 100 tipos, porém, no Brasil, dá-se a importância para três. A malária também é conhecia como Paludismo. Em relação a Malária os três tipos que existem no Brasil e os principais sintomas da doença são: a. Os três tipos de malária que existem no Brasil são: Plasmodium vivax, Plasmodium ovale e Plasmodium falciparum. Os principais sintomas da malária são: calafrios, febre alta (41ºC), cefaleia intensa e sudorese. b. Os três tipos de malária que existem no Brasil são ocasionadas pelo: Plasmodium malariae, Plasmodium vivax e Plasmodium ovale. Os principais sintomas da malária são: dores musculares intensas, hepatomegalia e febre alta (41ºC). c. Os três tipos de malária que existem no Brasil são ocasionados pelo: Plasmodium vivax, Plasmodium falciparum e Plasmodium malariae. Os principais sintomas da malária são: calafrios, cefaleia intensa, febre alta (41ºC) e sudorese. d. Os três tipos de malária que existem no Brasil são ocasionadas pelo: Plasmodium ovale, Plasmodium falciparum e Plasmodium malariae. Os principais sintomas da malária são: febre moderada (38ºC), sudorese e cefaleia moderada. e. Os três tipos de malária que existem no Brasil são ocasionadas pelo: Plasmodium ovale, Plasmodium falciparum e Plasmodium vivax. Os principais sintomas da malária são: febre moderada (38ºC), sudorese e cefaleia moderada. O gabarito se encontra no final da unidade. ATIVIDADE DE FIXAÇÃO DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 7 213 Doença de Chagas É digno de nota esclarecer que Doença de Chagas se subdivide em fases. De acordo com o Guia de Vigilância Epidemiológica2014), as fases são: aguda e crônica, a diferença entre elas está no tempo de infecção pelo Trypanossoma cruzi. A nível de curiosidade, o parasita recebeu essa denominação em homenagem ao cientista brasileiro Carlos Chagas (o descobridor) e à Oswaldo Cruz. • Características gerais: A Doença de Chagas é uma doença infecciosa causada por um protozoário e tem uma evolução bifásica: aguda e crônica. sendo que essa última pode-se manifestar nas formas indeterminada, cardíaca, digestiva ou cardiodigestiva. No Brasil, a fase que mais predomina na população acometida é a fase crônica. • Agente etiológico: O Trypanossoma cruzi, um protozoário flagelado, ou seja, locomove-se através de flagelos. • Reservatório: Humanos e outros animais podem funcionar como reservatório do parasita, sendo eles: mamíferos, gatos, cães, aves, dentre outros. • Vetor: Triatomíneos hematófagos. São insetos conhecidos também como “barbeiro” ou “chupões”. Eles podem ser encontrados tanto em meio silvestre como no peridomicílio/ intradomicílio, isso dependerá da espécie. A espécie considerada mais importante no Brasil, que transmite a doença, é o Triatoma infestans. • Modo de transmissão: A transmissão ocorre através da introdução do Trypanossoma na corrente sanguínea do ser humano. Os triatomíneos, a partir do momento em que sugam o sangue de animais infectados ou seres humanos, passam a serem portadores do parasita. O parasita é eliminado junto com as fezes do triatoma ou popularmente conhecido como “barbeiro. ” A picada do triatoma ocasiona prurido e facilita a entrada do tripanossomo (que estão nas A doença de Chagas se subdivide na fase aguda e crônica. A diferença entre elas está no tempo de infecção pelo Trypanossoma cruzi. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 7 214 fezes do barbeiro) na corrente sanguínea do indivíduo. Essa entrada do tripanossomo pode ocorrer também através de mucosas dos olhos, da boca e através de lesões recentes na pele. Outras formas podem ocorrer através da: via placentária, transfusão sanguínea, acidentes de trabalho e alimentos contaminados pelo parasita. • Período de transmissibilidade: O paciente acometido por Doença de Chagas pode transmitir o parasita, Trypanossoma cruzi pelo resto da vida. • Período de incubação: O período varia de acordo com a forma de transmissão. Nas formas vetoriais, o período de incubação varia de 4 a 15 dias; transfusional, de 30 a 40 dias; transmissão vertical: pode ocorrer em qualquer momento da gestação ou parto; oral, de 3 a 22 dias; e, transmissão acidental: até 20 dias. • Sintomas: Como foi dito anteriormente a Doenças de Chagas possui duas fases distintas referentes aos sinais e sintomas, são elas: aguda e crônica. Essas fases serão detalhadas no vídeo conteúdo a seguir. Agora, acompanhe a videoaula sobre o Mal de Chagas. Videoaula “Fases da Doença de Chagas” Autora: Kamila Tessarolo Velame • Diagnóstico: O diagnóstico é feito baseado nas duas fases (aguda e crônica) da doença. Na fase aguda, o diagnóstico pode ser realizado através da gota espessa: Duas ou três gotas de sangue são depositadas em 1 cm3 de uma lâmina, as hemácias são lisadas e a lâmina é corada pelo método de Giemsa. A observação é realizada com o auxílio O paciente acometido por Doença de Chagas pode transmitir o parasita, Trypanossoma cruzi pelo resto da vida. https://player.vimeo.com/video/194084689 DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 7 215 da objetiva de imersão, procurando os parasitas por todos os campos da lâmina; e, do esfregaço: É principalmente indicado para o estudomorfológico dos tripanossomas encontrados no exame de sangue fresco e/ou gota espessa para identificação da espécie. Giemsa e Leishman são os corantes utilizados nesta técnica. Além disso, pode-se utilizar a detecção de anticorpos IgM (infecção recente). Na fase crônica, pode ser realizado o exame de detecção de anticorpos IgG, ELISA, hemoaglutinação e imunofluorescência indireta. • Tratamento: O tratamento é feito com o medicamento benzonidazol. Ele é fornecido pelo Ministério da Saúde, gratuitamente, às Secretarias Estaduais de Saúde, e deve ser utilizado em pessoas que tenham a doença aguda assim que ela for identificada. O tratamento tem duração de 60 dias. Para os portadores da doença crônica a indicação desse medicamento é para aqueles pacientes que não apresentam sintomas (forma indeterminada), devendo ser avaliada caso a caso. • Complicações: As complicações da Doença de Chagas decorrem da evolução da doença da fase aguda para a fase crônica. Nas fases crônicas da doença, pode haver destruição da musculatura e sua flacidez provoca aumento desses três órgãos, o que causa problemas como cardite chagásica (aumento do coração), megacólon (aumento do cólon que pode provocar retenção das fezes) e megaesôfago, cujo principal sintoma é a regurgitação dos alimentos ingeridos. Essas lesões são definitivas, irreversíveis. • Medidas preventivas: A Doença de Chagas Aguda é de notificação compulsória imediata (até 24h após a suspeição). Não existe vacina para a prevenção da Doença de Chagas. As melhores medidas preventivas estão relacionadas às condições de habitação, principalmente O tratamento é feito com o medicamento benzonidazol. Ele é fornecido pelo Ministério da Saúde, gratuitamente, às Secretarias Estaduais de Saúde, e deve ser utilizado em pessoas que tenham a doença aguda assim que ela for identificada. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 7 216 quando nos reportamos às casas de pau-a-pique, onde o “barbeiro” gosta de ficar e se reproduzir; à aplicação de inseticidas a fim de combater o inseto que transmite a doença; uso de equipamentos de proteção individual (EPI); uso de telas; boas práticas na manipulação de alimentos, evitando a contaminação pelo Trypanossoma cruzi. No mapa a seguir, as maiores taxas de incidência de Doença de Chagas ocorrem na Região Amazônica. Podemos observar nele, os fatores que contribuem para as altas taxas de incidência: clima da região e a vegetação extensa. Com essas características regionais, a proliferação de insetos, como os Triatomíneos, é facilitada, o que facilita o contágio. FIGURA 8 – Surtos de Doença de Chagas que ocorreram no Brasil entre 2005-2013 Fonte: Brasil, 2015. Com isso, podemos responder mais duas questões de fixação. Vamos lá! DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 7 217 QUESTÃO 2 - A Doença de Chagas é uma doença infecciosa causada por um protozoário e tem uma evolução bifásica: aguda e crônica. No Brasil, a fase que mais predomina na população acometida é a fase crônica. Existem várias formas de prevenir a Doença de Chagas, são elas: a. As melhores medidas preventivas são: lavar bem os alimentos, fazer uso de água tratada, usar repelentes, usar inseticidas e utilizar equipamentos de proteção individual (EPI). b. As melhores medidas preventivas são: lavar bem as mãos antes de se alimentar ou manipular objetos, tratar a água e esgoto, não ficar muito próximo de lagoas ou rios contaminados. c. As melhores formas de prevenção são: evitar o acúmulo de água limpa parada e de lixo; fazer o saneamento básico, colocar cortinados em janelas e telas em portas do domicílio. d. As melhores formas de prevenção são: combate ao vetor com a aplicação de inseticidas, uso de telas, uso de equipamentos de proteção individual e boas práticas de manipulação de alimentos. e. As melhores formas de prevenção são: lavar bem os alimentos, fazer uso de água limpa e tratada, evitar ficar próximo a rios e lagos contaminados, fazer uso de equipamento de proteção individual. O gabarito se encontra no final da unidade. ATIVIDADE DE FIXAÇÃO QUESTÃO 3 - A Doença de Chagas é uma doença infecciosa causada por um protozoário, o Trypanossoma cruzi. O Trypanossoma cruzi infecta o ser humano através de um inseto conhecido como “barbeiro”. Essas são algumas características da Doença de Chagas. Elabore um texto dissertativo descrevendo as fases da Doença de Chagas detalhadamente. O gabarito se encontra no final da unidade. ATIVIDADE DE FIXAÇÃO DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 7 218 7.1.3 Leishmanioses A Leishmaniose pode manifestar-se de duas formas: cutânea, também chamada de Leishmaniose Tegumentar Americana e visceral, a Leishmaniose Visceral. O Guia de Vigilância Epidemiológica (2009) descreve de forma sucinta as leishmanioses. Observe a seguir as duas classificações e suas principais características. Leishmaniose Tegumentar Americana A Leishmaniose Tegumentar é uma doença infecciosa, não contagiosa e que acomete pele e mucosas. De acordo com o Guia de Vigilância Epidemiológica (2014, atualmente se conhece 11 espécies de Leishmania causadoras de doença humana e 8 espécies causadoras de doenças em animais. • Agente etiológico: Seis espécies no Brasil são do subgênero Viannia e um do subgênero Leishmania. As consideradas de maior importância: Leishmania (Viannia) braziliensis, Leishmania (Viannia) guyanensis e Leishmania (Leishmania) amazonensis. Os insetos transmissores dos protozoários Leishmania nas Américas pertencem ao gênero Lutzomya. Esses insetos são conhecidos popularmente como flebotomíneos e mosquito-palha. E as principais espécies transmissoras de Leishmania braziliensis são: Lutzomya intermedia, Lutzomya whitmani e Lutzomya wellcomei. Somente as fêmeas transmitem o protozoário, porque são hematófogas e precisam de sangue para a maturação de seus ovos. O horário de atividade desses insetos é crepuscular e noturno. • Reservatório: O reservatório varia conforme a espécie de Leishmania. Por exemplo, a Leishmania (Leishmania) amazonensis tem como principal hospedeiro natural os marsupiais e roedores. Em geral, o grupo dos mamíferos representam os reservatórios naturais da doença. A Leishmaniose pode manifestar- se de duas formas: cutânea, também chamada de Leishmaniose Tegumentar Americana e visceral, a Leishmaniose Visceral. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 7 219 • Modo de transmissão: A transmissão ocorre através da picada do mosquito fêmea infectada, o Lutzomya, sendo os principais: Lutzomya intermedia, Lutzomya whitmani e Lutzomya wellcomei. • Vetor: Os vetores da LTA são insetos denominados flebotomíneos, pertencentes à ordem Diptera, família Psychodidae, subfamília Phlebotominae, gênero Lutzomyia, conhecidos popularmente, dependendo da localização geográfica, como mosquito palha, tatuquira, birigui, entre outros. No Brasil, as principais espécies envolvidas na transmissão da LTA são L. whitmani, L. intermedia, L. umbratilis, L. wellcomei, L. flaviscutellata, e L. migonei. • Período de incubação: O período de incubação de Leishmaniose Tegumentar é em torno de 60 a 90 dias. Acompanhe o quadro a seguir, com o ciclo biológico da Leishmania. QUADRO 6 – Ciclo biológico da Leishmania no hospedeiro vertebrado e invertebrado Ciclo da Leishmania 1 Existem duas formas evolutivas de parasitas do gênero Leishmania, o promastigota e o amastigota. Promastigota vive no hospedeiro invertebrado ou intermediário e amastigota vive no hospedeiro vertebrado ou definitivo. 2 O vetor inocula o estágio promastigota na pele do indivíduo vertebrado. 3 Os promastigotas inoculados são fagocitados por macrófagos. 4 Os promastigotas se transformam em amastigotas nos macrófagos 5 Ocorre multiplicação dos amastigotas nos macrófagos. 6 Flebotomíneos ingerem os macrófagos com amastigotas durante o repasto sanguíneo. 7Os macrófagos se rompem liberando os amastigotas. 8 Amastigotas se transformam em promastigotas no estômago. 9 Divisão no estômago e migração para probóscide. Fonte: Elaborado por Kamila Tessarolo Velame. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 7 220 • Sintomas: Na Leishmaniose Tegumentar americana existem duas formas clínicas de manifestação: cutânea e mucosa. A forma cutânea pode apresentar as seguintes formas clínicas: cutânea localizada (representa o comprometimento primário da pele e a lesão é geralmente do tipo úlcera); cutânea disseminada (aparecimento de múltiplas lesões papulares distribuídas em vários segmentos do corpo); recidiva cútis (evolução com cicatrização espontânea ou medicamentosa, com reativação localizada na borda da lesão); cutânea difusa (ocorre em pacientes com anergia e deficiência específica na resposta imune celular a antígenos de Leishmania. Inicia de maneira insidiosa, com lesão única e má resposta ao tratamento; evolui de forma lenta, com formação de placas e múltiplas nodulações não ulceradas recobrindo grandes extensões cutâneas). • Forma cutânea: Na pele, a manifestação mais comum é a úlcera. A úlcera caraterística da Leishmaniose apresenta contorno circular, com borda elevada, lembrando a imagem de uma cratera. É pouco exsudativa e o fundo é granuloso, de coloração avermelhada ou amarelada (quando ocorre deposição de fibrina). A maioria dos pacientes raramente referem dor, apenas ardência no local. Forma mucosa – As lesões de mucosas instalam-se preferencialmente nas vias aéreas superiores. Caracterizam- se pela evolução arrastada, tendo como manifestações mais comuns o desconforto, a ardência, a obstrução nasal, a formação de crostas escurecidas e o aumento de secreção. A extensão das lesões não guarda relação com o tempo de evolução, de tal forma que, em poucos meses pode ocorrer destruição total do arcabouço nasal e lábio superior. • Diagnóstico: O diagnóstico laboratorial é realizado através do teste de Montenegro. A intradermorreação idealizada por Montenegro no ano de 1926 constitui o método indireto de diagnóstico, que consiste na injeção intradérmica de 0,1ml Na Leishmaniose Tegumentar americana existem duas formas clínicas de manifestação: cutânea e mucosa. A forma cutânea pode apresentar as seguintes formas clínicas: cutânea localizada, cutânea disseminada, cutânea disseminada e cutânea difusa. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 7 221 do antígeno preparado com promastigotas de cultura e serve para avaliar o grau de sensibilização do hospedeiro contra o parasita. O teste será positivo quando houver reação em um período de 48 a 72h. Há o surgimento de um endurecimento, perceptível à palpação, com diâmetro igual ou superior a 5mm. O resultado do teste positivo quer dizer que o indivíduo já foi sensibilizado, mas não necessariamente que seja portador da doença, pois busca-se visualizar a resposta de hipersensibilidade celular retardada. • Tratamento: As drogas de primeira escolha no tratamento das leishmanioses são os antimoniais pentavalentes. Existem dois tipos de pentavalentes que podem ser utilizados: antimoniato de N-metilglucamina e o estibogluconato de sódio, sendo este último não comercializado no Brasil. Não havendo resposta satisfatória com os antimoniais pentavalentes, as drogas de segunda escolha são: Anfotericina B e o Isotionato de pentamidina. • Complicações: As formas mais graves apresentam disfagia, pneumonia e edema de glote, exceto na forma cutânea onde as complicações são outras como: infecções secundárias das úlceras, lesões da boca e faringe podem causar sialorreia e disfagia, miíase pode surgir como complicação de úlcera. • Medidas preventivas: É uma doença de notificação compulsória nacional. Não existe vacina para a Leishmaniose tegumentar americana. Portanto, as melhores medidas preventivas são: aplicação de inseticidas; planejamento urbano, evitando que núcleos habitacionais se instalem em áreas florestais; sacrifício de cães infectados; telagem em janelas, utilização de mosqueteiros e repelentes. As melhores medidas preventivas são: aplicação de inseticidas; planejamento urbano, evitando que núcleos habitacionais se instalem em áreas florestais; sacrifício de cães infectados; telagem em janelas, utilização de mosqueteiros e repelentes. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 7 222 Leishmaniose Visceral A Leishmaniose Visceral é uma doença infecciosa com alta letalidade. Em décadas passadas, como relatado no Guia de Vigilância Epidemiológica (2014), a Leishmaniose Visceral era considerada uma doença endêmica apenas na área rural, porém, com a urbanização e destruição das matas existentes, ela passou a se expandir para a área urbana. A Leishmaniose Visceral de acordo com a sua evolução clínica é dividida em períodos, sendo eles: período inicial, período de estado e período final. • Agente etiológico: É um protozoário tripanosomatídeos, o Leishmania chagasi. Esse protozoário, especificamente, é um parasita intracelular obrigatório, ou seja, precisa de outro ser para sobreviver (se reproduzir, se alimentar, etc). • Reservatório: Na área urbana o principal reservatório são os cães. Na área rural pode ser mais de um, como por exemplo, as raposas e os marsupiais. • Vetor: Os transmissores da Leishmaniose Visceral são insetos denominados flebotomíneos e conhecidos popularmente como mosquito palha, asa-dura, tatuquiras, birigui, dentre outros. O nome científico da espécie de flebotomíneo mais importante para a transmissão da Leishmaniose Visceral é Lutzomyia longipalpis. • Modo de transmissão: A transmissão ocorre através da picada do mosquito fêmea infectada, o Lutzomya longipalpis e Lutzomya cruzi. • Período de incubação: Varia no cão e no ser humano. No cão, o período de incubação é em média de 3 a 7 meses. No homem, o período de incubação é em média de 2 a 6 meses, podendo chegar anos. • Sintomas: Os sintomas variam de acordo com os períodos da doença. Vejam no vídeo a seguir a caracterização dos períodos da Leishmaniose Visceral. A Leishmaniose Visceral era considerada uma doença endêmica apenas na área rural, porém, com a urbanização e destruição das matas existentes, ela passou a se expandir para a área urbana. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 7 223 Agora, vamos assistir a terceira videoaula, sobre os períodos da leishmaniose visceral. Acompanhe! Videoaula “Períodos da Leishmaniose visceral” Autora: Kamila Tessarolo Velame • Diagnóstico: É feito através de exames sorológicos, parasitológicos e inespecíficos. Os exames sorológicos são o de imunofluorescência e o ELISA. O exame parasitológico é o exame de certeza feito pelo encontro de formas amastigotas do parasito, em material biológico obtido preferencialmente da medula óssea, por ser um procedimento mais seguro. Os exames inespecíficos são: hemograma e dosagem de proteína. • Tratamento: O tratamento é gratuito, está disponível na rede de serviços do Sistema Único de Saúde e baseia-se na utilização de três fármacos, a depender da indicação médica: o antimoniato de N-metil glucamina, a anfotericina B lipossomal e o desoxicolato de anfotericina B. • Complicações: As principais complicações quando nos reportamos à leishmaniose visceral são: otites, bronquites, piodermites, infecção urinária e anemia aguda. • Medidas preventivas: A Leishmaniose visceral é uma doença de notificação compulsória. Não existe vacina como método preventivo. Portanto, as principais formas de prevenção da doença são: uso de repelentes e mosquiteiros; sacrificar a população canina acometida pela doença; implementar medidas visado a redução da proliferação do vetor, como o saneamento ambiental. O diagnóstico da Leishmaniose Visceral é feito através de exames sorológicos, parasitológicos e inespecíficos. Osexames sorológicos são o de imunofluorescência e o ELISA. https://player.vimeo.com/video/194084708 DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 7 224 No gráfico a seguir, podemos ver os dados sistematizados de óbitos. Observem que a taxa se tornou crescente a partir do ano de 2002, com índices variando entre 29 e 43. A taxa aumentou devido aos altos índices de urbanização desenfreada e que ocorreram principalmente na região Norte do país. É uma taxa de óbito alta e justificável também pelo difícil diagnóstico da Leishmaniose visceral. Os pacientes, no período agudo, podem ser assintomáticos, o que dificulta ainda mais o diagnóstico. GRÁFICO 2 – Taxa de óbitos por Leishmaniose Visceral na Região Norte- Brasil entre os anos 2000 e 2015 Região e UF 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 Região Norte 10 7 18 30 40 37 34 29 43 20 36 37 21 29 18 31 Rondônia 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Acre 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Amazonas 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Roraima 0 1 0 0 0 1 0 0 1 0 2 1 2 0 0 1 Pará 7 4 7 11 19 26 23 13 15 10 8 14 2 13 9 14 Amapá 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Tocantins 3 2 11 19 20 10 11 16 27 10 26 22 17 16 9 16 Fonte: Brasil, 2016. Vamos para a questão 3? Acompanhe! QUESTÃO 4 - A Leishmaniose pode manifestar-se de duas formas: cutânea, também chamada de Leishmaniose Tegumentar Americana e visceral, a Leishmaniose Visceral. A Leishmaniose tegumentar apresenta-se de duas formas, cutânea e mucosa. A forma cutânea é caracterizada por: a. As características da forma cutânea são: lesões cutâneas que se instalam preferencialmente nas vias aéreas superiores. Caracterizam-se pela evolução arrastada, ou seja, de forma lenta e gradual. b. As características da forma cutânea são: o desconforto, a ardência, a obstrução nasal, a formação de crostas escurecidas e o aumento de secreção das vias aéreas superiores. ATIVIDADE DE FIXAÇÃO DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 7 225 c. As características da forma cutânea é a úlcera. A úlcera caraterística da Leishmaniose apresenta contorno circular, com borda elevada, lembrando a imagem de uma cratera. d. As características da forma cutânea são: a extensão das lesões não guarda relação com o tempo de evolução, de tal forma que, em poucos meses pode ocorrer destruição total do arcabouço nasal e lábio superior. e. As características da forma cutânea são: lesões muito exsudativa e o fundo da lesão é granuloso, de coloração amarronzada ou amarelada (quando ocorre deposição de fibrina). A lesão é indolor. O gabarito se encontra no final da unidade. ATIVIDADE DE FIXAÇÃO Vigilância epidemiológica e principais medidas de controle da malária, doença de chagas, leishmaniose visceral e tegumentar Malária A Malária é doença infectocontagiosa provocada por protozoário que compõe a lista nacional de notificação compulsória. Portanto, todo caso suspeito ou confirmado da doença deverá obrigatoriamente ser notificado. Portaria n. 204, de 17 de fevereiro de 2016, o caso de malária que ocorrer na região Amazônica deverá ser notificado de forma semanal e o caso de malária que ocorrer na região Extra- amazônica deverá ser notificado de forma imediata, ou seja, menos que 24 horas. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 7 226 Ainda não há vacina para a prevenção da malária. As principais medidas de controle e que evitam a disseminação da doença, de acordo com Souza (2014) são: o uso de equipamento de proteção individual (EPI) em procedimentos laboratoriais; uso de cortinados em janelas e telas em portas; usar roupas compridas, que cubram boa parte do corpo; fazer uso de repelentes à base de DEET (N-N- dietilmetatoluamida) ou de icaridina no corpo. Vale ressaltar que o uso de repelentes deve seguir as instruções médicas (preferencialmente) em relação à faixa etária e frequência de aplicação. Em crianças menores de 2 anos de idade o uso de repelentes é contraindicado. Para as crianças que se encontram na faixa etária entre 2 e 12 anos, as concentrações de DEET deve ser de 10% e a frequência de aplicação deve ser de, no máximo, três vezes ao dia. No fluxograma a seguir, podemos ver como funciona o fluxo de atendimento ao suspeito de malária. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 7 227 FLUXOGRAMA 5 – Fluxo de atendimento ao suspeito de malária Suspeitos de malária Preencher ficha de notificação Colher lâmina para diagnóstico Realização do exame laboratorial Iniciar tratamento imediato Sinais de perigo Investigar febre Encaminhar com urgência para Unidade de Referência Acompanhar tratamento Colher a LVC Alta com recomendações Complementar a ficha de notificação e encaminhá-la com resultado positivo ou negativo Positivo Notificar como LVC Positivo Negativo Negativo *LVC – Lâmina de verificação de cura. Fonte: Brasil, 2006. DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 7 228 Doença de Chagas O controle dos dados referente aos novos casos da doença de Chagas é feito pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), por meio da notificação compulsória instituída pela Portaria n. 204, de 17 de fevereiro de 2016. Os profissionais de saúde devem fazer a notificação compulsória da Doença de Chagas Aguda imediatamente frente a um caso suspeito. Por tratar-se de doença que vem demonstrando novas perspectivas nas formas de transmissão e de apresentação clínica, são de notificação compulsória e imediata todos os casos suspeitos ou confirmados de doença de Chagas aguda, isolados ou agrupados, ocorrido por qualquer forma provável de transmissão. Todo caso suspeito ou confirmado deverá ser notificado. Como ainda não existe vacina contra a doença de Chagas, as melhores medidas de controle e prevenção da doença, de acordo com Souza (2014) estão relacionadas com o combate ao inseto transmissor, sendo elas: cuidado com a conservação das casas de pau-a-pique e sapê, que possuem estruturas ideais para alojamento do inseto conhecido como “barbeiro”; aplicação de inseticidas; utilização de telas em portas. Leishmanioses: Tegumentar e Visceral As leishmanioses (tegumentar americana e visceral) são doenças que compõem a lista nacional notificação compulsória e devem ser feitas semanalmente. Segundo Souza (2014) as melhores medidas de prevenção e controle das leishmanioses, já que não existe vacina para tais, são: no ambiente silvestre – uso de repelentes e roupas de manga comprida, construção de casas distantes das florestas e uso de telas de proteção em janelas, portas e cama; no ambiente rural de colonização antiga: telas nas janelas das casas, uso de repelentes, fechar a casa em horário de atividades do inseto, controle do vetor por inseticida, tratar pessoas doentes e, identificar e sacrificar cães doentes. Como ainda não existe vacina contra a doença de Chagas, as melhores medidas de controle e prevenção da doença, de acordo com Souza (2014) estão relacionadas com o combate ao inseto transmissor DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS unidade 7 229 Sistematização da Assistência de Enfermagem frente aos agravos: malária, doença de chagas, leishmaniose visceral e tegumentar A Sistematização da Assistência em Enfermagem referente às doenças infectocontagiosas provocadas por protozoários, como malária, doença de Chagas, leishmanioses (tegumentar e visceral) devem focar na história pregressa do paciente, principalmente aqueles que são viajantes. A sintomatologia também é importante para que o diagnóstico seja precoce e haja intervenção medicamentosa adequada. De acordo com Souza (2014), as principais ações de enfermagem estão relacionadas às questões educativas. O enfermeiro deverá pôr em prática a promoção em saúde por meio de palestras e campanhas, tanto para a população quanto para a equipe. Caso a pessoa já esteja com malária, os isolamentos e precauções com sangue e fluidos corpóreos deverão ser tomados (utilização