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UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO 
LUANA KAROLINA CARDOSO DOS SANTOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: 
experiências vivenciadas após os 40 anos de idade 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SINOP 
2022 
Roberto Arruda
Nota
E AGORA, DEPOIS DOS 40? INTINERÁRIOS FORMATIVOS DE ALUNOS DA EJA
 
LUANA KAROLINA CARDOSO DOS SANTOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: 
experiências vivenciadas após os 40 anos de idade 
 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso 
apresentado à Banca Examinadora do 
Curso de Licenciatura em Letras, da 
Universidade do Estado de Mato Grosso – 
UNEMAT, Campus Universitário de Sinop, 
como requisito para a obtenção do título de 
Licenciada em Letras. 
 
 
Orientador: 
Prof. Dr. José Luiz Muller 
 
 
 
SINOP 
2022 
 
LUANA KAROLINA CARDOSO DOS SANTOS 
 
EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: 
experiências vivenciadas após os 40 anos de idade 
 
Trabalho de Conclusão de Curso 
apresentado à Banca Examinadora do 
Curso de Licenciatura em Letras, da 
Universidade do Estado de Mato Grosso – 
UNEMAT, Campus Universitário de Sinop, 
como requisito para a obtenção do título de 
Licenciada em Letras. 
 
 
 
BANCA EXAMINADORA 
 
 
 
_____________________________________ 
Orientador 
Dr. José Luiz Muller 
UNEMAT – Campus Universitário de Sinop 
 
 
_____________________________________ 
Avaliador 
Dr. Marion Machado Cunha 
UNEMAT – Campus Universitário de Sinop 
 
 
_____________________________________ 
Avaliador 
Dr. Roberto Alves de Arruda 
UNEMAT – Campus Universitário de Sinop 
 
 
_____________________________________ 
Coordenadora Banca de TCC 
Ma. Irene Carrillo Romero Beber 
UNEMAT – Campus Universitário de Sinop 
 
 
SINOP 
_____ de ______________ de 2022. 
 
DEDICATÓRIA 
 
Dedico este trabalho, primeiramente, à Deus por ser essencial em minha vida e autor 
dos meus caminhos. 
À minha mãe que, com força e garra, criou-me sozinha, mostrando-me o caminho certo 
e sendo meu exemplo em tudo, sei o quanto ela se orgulha desta vitória. 
À minha sogra que sempre me apoiou em todas as fases desta trajetória, bem como 
nunca mediu esforços para que tudo isso fosse possível. 
Ao meu esposo que foi paciente e me apoiou durante esta jornada. 
Ao Curso de Letras da Unemat – Campus de Sinop-MT, que desempenhou papel 
fundamental em minha formação. 
E, por fim, dedico às pessoas com quem dividi experiências nesses espaços ао longo 
destes anos de curso. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
Agradeço, primeiramente, a Deus por me guiar em todos os momentos da minha vida e 
por proporcionar-me saúde, fé e coragem. 
Agradeço a minha mãe por sempre me apoiar, incentivar e contribuir com a minha 
educação. 
Agradeço a todos os meus professores da universidade que foram verdadeiros mestres 
durante toda esta trajetória acadêmica, a aos da vida escolar que me conduziram até aqui. 
Agradeço ao meu professor e orientador Prof. Dr. José Luiz Muller pelas orientações, 
por acreditar em mim e por sua grande disposição em ajudar-me em todos os aspectos, pois sei 
que sem seu apoio nada disso seria possível. 
Agradeço a professora da disciplina de TCC II, Sra. Irene Carrillo Romero Beber, pela 
ajuda no decorrer da escrita deste trabalho. 
Agradeço aos avaliadores Prof. Dr. Marion Machado Cunha e Prof. Dr. Roberto Alves 
de Arruda, que prontamente aceitaram fazer parte da banca avaliadora deste trabalho. 
Agradeço aos amigos de curso pelo incentivo e aos que não são do curso, mas que 
sempre demonstraram interesse em saber como estava sendo minha caminhada. 
Agradeço ao curso de Letras da Unemat – Campus de Sinop-MT por proporcionar 
interação entre os acadêmicos ao promover eventos importantes para a minha formação e pela 
disponibilização de materiais necessários para as pesquisas. 
Enfim, quero agradecer a todos aqueles e aquelas que, de alguma forma, contribuíram 
com esta conquista. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
“É ótimo celebrar o sucesso, mas mais importante ainda, 
é assimilar as lições trazidas pelos erros que cometemos”. 
Bill Gates 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RESUMO 
 
Neste estudo, busquei investigar/identificar as experiências vivenciadas por alunos com mais 
de 40 anos de idade da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Escola Estadual Profª Edeli 
Mantovani da cidade de Sinop – MT, objetivando refletir sobre tais experiências. Para tanto, 
respaldada em autores como Souza (2007, apud PACHECO et al., 2013), Soares (1996, apud 
PACHECO et al., 2013), Xavier, Ribeiro e Noronha (1994, apud SANTOS e SANTOS), 
Stephanou e Bastos (2005, apud SANTOS e SANTOS), Aranha (1996, apud SANTOS e 
SANTOS), Alves e Belisário (1992, apud SANTOS e SANTOS), Lopes (2000, apud SANTOS 
e SANTOS), Paiva (1983, apud SANTOS e SANTOS), e outros, objetivei, primeiramente, 
entender alguns conceitos em torno da EJA e como esta modalidade de ensino surgiu. Em 
seguida, apoiada nos procedimentos metodológicos apregoados pelos autores: Bauer, Gaskell 
e Allum (2002), Gil (2002), Creswell (2007), Manzini (1990/1991, apud MANZINI, 2004), 
Manzini (2003, apud MANZINI, 2004), Marconi e Lakatos (1996, apud NASCIMENTO, 2008) 
e Triviños (1987, apud MANZINI, 2004), utilizei de uma abordagem qualitativa, tendo como 
instrumento de coleta de dados: entrevistas semiestruturadas. Com isso, foi possível identificar 
e refletir não somente sobre as experiências vivenciadas por alunos com mais de 40 anos de 
idade da EJA, como também sobre as dificuldades enfrentadas para se manterem em sala de 
aula. 
 
Palavras-chave: Educação de Jovens e Adultos. Experiências. Dificuldades. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ABSTRACT 
 
In this study, I sought to investigate/identify the experiences lived by students over 40 years of 
age of Youth and Adult Education (EJA) at the State School Profª Edeli Mantovani in the city 
of Sinop - MT, aiming to reflect on such experiences. Therefore, supported by authors such as 
Souza (2007, apud PACHECO et al., 2013), Soares (1996, apud PACHECO et al., 2013), 
Xavier, Ribeiro and Noronha (1994, apud SANTOS and SANTOS), Stephanou and Bastos 
(2005, apud SANTOS and SANTOS), Aranha (1996, apud SANTOS and SANTOS), Alves and 
Belisário (1992, apud SANTOS and SANTOS), Lopes (2000, apud SANTOS and SANTOS), 
Paiva (1983, apud SANTOS and SANTOS) , and others, I aimed, firstly, to understand some 
concepts around EJA and how this teaching modality emerged. Then, supported by the 
methodological procedures proclaimed by the authors: Bauer, Gaskell and Allum (2002), Gil 
(2002), Creswell (2007), Manzini (1990/1991, apud MANZINI, 2004), Manzini (2003, apud 
MANZINI, 2004 ), Marconi and Lakatos (1996, apud NASCIMENTO, 2008) and Triviños 
(1987, apud MANZINI, 2004), I used a qualitative approach, with the instrument of data 
collection: semi-structured interviews. With this, it was possible to identify and reflect not only 
on the experiences of students over 40 years of age in EJA, but also on the difficulties faced to 
remain in the classroom. 
 
Keywords: Youth and Adult Education. Experiences. Difficulties. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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No corpo do texto, foram utilizadas 86 referências com apud.
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SUMÁRIO 
 
1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 10 
2. DO CENÁRIO, SUJEITOS E DO MÉTODO ................................................................. 12 
2.1 Tipo de Pesquisa ...............................................................................................................12 
2.1.1 Entrevista Semiestruturada .............................................................................................. 13 
2.2 A Escola e os Sujeitos da Pesquisa .................................................................................. 14 
2.2.1 A Escola ........................................................................................................................... 14 
2.2.2 Os sujeitos........................................................................................................................ 15 
2.3 Instrumentos e Procedimentos para a coleta de dados ................................................. 15 
3. PRESSUPOSTOS TEÓRICOS DA EJA .......................................................................... 17 
3.1 A EJA ................................................................................................................................. 17 
3.2 Percurso histórico da EJA no Brasil ............................................................................... 17 
3.3 Contribuições de Paulo Freire para a EJA .................................................................... 25 
3.4 A EJA nos dias atuais ....................................................................................................... 27 
4. VIVÊNCIAS NA EJA APÓS OS 40 ANOS ..................................................................... 30 
4.1 Caracterização da coleta de dados .................................................................................. 30 
4.2 Dados sobre os sujeitos com mais de 40 anos ................................................................. 30 
4.3 Análise dos dados .............................................................................................................. 38 
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................. 41 
REFERÊNCIAS...................................................................................................................... 42 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
10 
1. INTRODUÇÃO 
 
De acordo com o CEE/MT (Conselho Estadual de Educação), a Educação de Jovens e 
Adultos – EJA é uma modalidade de ensino voltada para pessoas que não tiveram acesso a 
escola na idade apropriada por algum motivo, ou que não tiveram continuidade nos estudos nas 
etapas de Ensino Fundamental e Ensino Médio. Trata-se de uma modalidade de ensino ofertada 
de forma presencial e à distância. Além disso, vale ressaltar que a EJA foi instituída legalmente 
no Brasil como modalidade de ensino, Fundamental e Médio, a partir da aprovação da Lei de 
Diretrizes e Bases da Educação Nacional, nº 9394/96, destinando-se, como descrito 
anteriormente, àqueles que não estudaram na idade escolar própria e visando suprir a demanda 
de jovens e adultos analfabetos, a baixa taxa de escolaridade e o atraso escolar. 
É fato que, cada vez mais, a presença de pessoas com mais de 40 anos de idade na 
Educação para Jovens e Adultos (EJA) vem crescendo consideravelmente. E levando em 
consideração as responsabilidades e afazeres da vida adulta, é de causar admiração a força de 
vontade dessas pessoas que se sujeitam à Educação de Jovens e Adultos no século XXI. Em 
vista disso, respaldada em autores como Souza (2007, apud PACHECO et al., 2013), Soares 
(1996, apud PACHECO et al., 2013), Xavier, Ribeiro e Noronha (1994, apud SANTOS e 
SANTOS), Stephanou e Bastos (2005, apud SANTOS e SANTOS), Aranha (1996, apud 
SANTOS e SANTOS), Alves e Belisário (1992, apud SANTOS e SANTOS), Lopes (2000, 
apud SANTOS e SANTOS), Paiva (1983, apud SANTOS e SANTOS), e outros, objetivei, 
primeiramente, entender alguns conceitos em torno da EJA e como esta modalidade de ensino 
surgiu. Em seguida, apoiada nos procedimentos metodológicos apregoados pelos autores: 
Bauer, Gaskell e Allum (2002), Gil (2002), Creswell (2007), Manzini (1990/1991, apud 
MANZINI, 2004), Manzini (2003, apud MANZINI, 2004), Marconi e Lakatos (1996, apud 
NASCIMENTO, 2008) e Triviños (1987, apud MANZINI, 2004), utilizei de uma abordagem 
qualitativa, tendo como instrumento de coleta de dados entrevistas semiestruturadas. Por fim, 
buscou investigar/identificar as experiências vivenciadas por estes alunos com mais de 40 anos 
de idade dentro do contexto EJA. Dessa maneira, a pesquisa se justifica por permitir que se faça 
uma reflexão sobre tais experiências, de modo a atribuir novos olhares a estes alunos. 
Para tanto, primeiro busquei contextualizar e compreender o percurso histórico da EJA 
no Brasil. Na sequência, realizei as entrevistas semiestruturadas com alunos com mais de 40 
anos de idade da EJA da Escola Estadual Profª Edeli Mantovani da cidade de Sinop – MT. Para 
uma melhor estruturação do texto, o estudo foi organizado em 5 capítulos. No primeiro capítulo, 
intitulado “Introdução”, apresento um resumo ampliado do trabalho, bem como a proposta da 
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pesquisa. No segundo capítulo, intitulado “Do Cenário, Sujeitos e do Método”, exponho, por 
meio de subtópicos, o percurso metodológico que percorri para desenvolver esta pesquisa. No 
terceiro capítulo, intitulado “Pressupostos Teóricos da EJA”, esboço, também por meio de 
subtópicos, o conceito, o percurso histórico, as perspectivas e as leis que regem a EJA, bem 
como um pouco sobre como esta modalidade de ensino se encontra atualmente em alguns 
aspectos. No quarto capítulo, intitulado “Vivências Na Eja Após Os 40 Anos”, elenco os dados 
coletados e exponho a análise realizada. Por fim, no quinto capítulo, intitulado “Considerações 
Finais”, apresento algumas considerações finais acerca da pesquisa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
12 
2. DO CENÁRIO, SUJEITOS E DO MÉTODO 
 
Neste capítulo, apresento o percurso metodológico que percorri para desenvolver esta 
pesquisa. Inicialmente, apresento a natureza da pesquisa que segue pressupostos de cunho 
qualitativo vistos em Bauer, Gaskell e Allum (2002). Em seguida esboço a escola na qual a 
pesquisa é realizada e os sujeitos da pesquisa. E por fim, exponho os instrumentos utilizados 
para obter os dados, que são: documentos orientadores e entrevistas semiestruturadas com 10 
(dez) alunos que estudam na modalidade de ensino EJA, ofertada no período noturno pela 
Escola Estadual Prof.ª Edeli Mantovani em Sinop – MT, que possuem mais de 40 anos de idade. 
 
2.1 Tipo de Pesquisa 
 
Primeiramente, é relevante apresentar alguns conceitos acerca do que é “pesquisa” e 
porque fazê-la. Nesse sentido, Gil (2002) afirma que pesquisa é um “procedimento racional e 
sistemático” que objetiva responder os problemas propostos. Segundo o autor, a pesquisa é 
realizada quando não há informações suficientes para responder um determinado problema, ou 
então quando a informação existente não está devidamente organizada, impossibilitando sua 
relação ao problema. Gil (2002) afirma ainda que a pesquisa é desenvolvida sob a “utilização 
cuidadosa de métodos, técnicas e outros procedimentos científicos”, e que é necessário um 
processo de várias fases que vai desde a formulação do problema até a apresentação satisfatória 
dos resultados. 
De acordo com Gil (2002), a pesquisa, assim como toda atividade racional e sistemática 
exige um planejamento das ações desenvolvidas ao longo de seu processo. Sendo assim, o 
planejamento é concebido como a primeira fase da pesquisa que engloba também “a formulaçãodo problema, a especificação de seus objetivos, a construção de hipóteses, a operacionalização 
dos conceitos, etc”. Tal planejamento constitui-se na elaboração de um projeto que esboça as 
ações a serem desenvolvidas, seus objetivos, sua justificativa, sua modalidade e, ainda, seus os 
procedimentos de coleta e análise de dados. Tal projeto interessa não apenas ao pesquisador e 
sua equipe, mas também a muitos outros agentes, como por exemplo quem contrata os serviços 
de pesquisa. 
Conforme Gil (2002), é possível classificar as pesquisas em três grandes grupos: 
exploratórias, descritivas e explicativas, e ainda, de acordo com Creswell (2007), a natureza de 
uma pesquisa pode ser “quantitativa, qualitativa e de métodos mistos”. Neste trabalho, a 
pesquisa desenvolvida é a exploratória, uma vez que, segundo Gil (2002), esta proporciona 
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Nota
De qual segmentos são esses estudantes?
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Nota
Explicar a opção pelos alunos com mais de 40 anos de idade.
Roberto Arruda
Nota
Está em fase de publicação um artigo nosso, resultado de um pesquisa/curso desenvolvidos na escola neste semestre letivo. 
13 
“maior familiaridade com o problema”; possui planejamento flexível; envolve pesquisa 
bibliográfica, entrevistas com pessoas experientes no problema pesquisado e análise de 
exemplos, a fim de estimular a compreensão. 
E como mencionado anteriormente, esta pesquisa constitui-se no âmbito qualitativo. 
Assim, neste campo, de acordo com Bauer, Gaskell e Allum (2002), é possível evitar números 
e levar em consideração as realidades sociais, uma vez que este tipo de pesquisa visa atribuir 
poder ou dar voz aos entrevistados, “em vez de trata-los como objetos”. Para tanto, neste 
trabalho foram realizadas entrevistas semiestruturadas, que visam a liberdade de expressão do 
entrevistado e a alternância do foco pelo entrevistador, além de permitirem que a questão 
original seja retomada quando o entrevistador percebe desvios que fogem do assunto, conforme 
destaca Gil (2002). 
 
2.1.1 Entrevista Semiestruturada 
 
A entrevista é uma interação entre duas ou mais pessoas, onde a conversa tem um 
propósito definido. Sendo assim, os dados coletados nesse tipo de entrevista são considerados 
de natureza social e isso precisa ser levado em consideração na hora de interpretar os resultados, 
conforme destaca Marconi e Lakatos (1996, apud NASCIMENTO, 2008). Para Triviños (1987, 
apud MANZINI, 2004) a entrevista semiestruturada é focada em questionamentos básicos que 
se apoiam em teorias/hipóteses relacionadas ao tema da pesquisa. De tais questionamentos 
surgem então, segundo o autor, novas hipóteses oriundas das respostas dos entrevistados. 
Triviños (1987, apud MANZINI, 2004) afirma ainda que este tipo de entrevista mantém a 
presença consciente e atuante do investigador-entrevistador no processo de coleta de dados, 
além de favorecer a “descrição dos fenômenos sociais”, sua explicação e sua total compreensão. 
Sendo assim, este foi o tipo de entrevista aplicado neste trabalho, num processo de coleta de 
dados face a face, visto que este possibilita uma interação maior na hora da coleta. 
Além disso, de acordo com Manzini (1990/1991, apud MANZINI, 2004), na entrevista 
semiestruturada é criado um roteiro com perguntas principais e com algumas outras questões 
que podem vir à tona dependendo das circunstâncias momentâneas à entrevista, o que auxilia 
também na organização do processo. Neste tipo de entrevista, conforme o autor, é possível obter 
informações de forma mais espontânea e as respostas tendem a não seguir um padrão. Mas 
Manzini (2003, apud MANZINI, 2004) salienta que alguns cuidados devem ser tomados pelo 
pesquisador na hora de formular as questões, como por exemplo: “cuidados quanto à 
linguagem, quanto à forma das perguntas e quanto à sequência das perguntas nos roteiros”. 
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2.2 A Escola e os Sujeitos da Pesquisa 
 
2.2.1 A Escola 
 
A Escola Estadual Professora Edeli Mantovani localiza-se à Rua Carlos Eduardo, no 
bairro Jardim São Paulo I, no município de Sinop - MT. Esta região é considerada periférica 
com relação à outras regiões da cidade, porém, ao longo da realização das entrevistas, pude 
perceber que a escola é muito bem estruturada, desde a infraestrutura até a qualidade de ensino 
ofertada. A escola demonstrou-se compromissada em oferecer um ensino de qualidade, 
preocupando-se em melhorar o ambiente escolar, promovendo eventos interativos como 
interclasse, gincanas e até festas comemorativas que visam melhorar o nível de entusiasmo e 
interesse dos alunos em aprender. 
A escola possui os três turnos em funcionamento, sendo o noturno ofertado para a 
educação de jovens e adultos – EJA (ensino fundamental e médio), além do ensino médio – 
regular. A comunidade escolar é diversa com relação à diversos fatores, são eles: raça, classe 
social, nacionalidade, idade, etc; além disso, a maioria trabalha e é composta por mulheres, 
jovens que passaram pelo ensino regular, donas de casa, entre outros, ou seja, trata-se de uma 
instituição acolhedora que possui capacidade para atender mais de 2.000 alunos distribuídos 
nos três turnos. Em relação à infraestrutura, a escola é construída em alvenaria, possui um amplo 
terreno que comporta em média 30 salas grandes, incluindo sala dos professores, sala da 
diretoria, sala da coordenação e sala de planejamento. Além disso, a escola é de 2 andares, conta 
com 1 quadra poliesportiva com arquibancada, 1 refeitório amplo no andar térreo com mesas e 
bancos para uma melhor acomodação, banheiros femininos e masculinos no andar térreo e no 
segundo piso, todos com água encanada, espelhos e lavatórios. 
As salas de aula, além de amplas, estão em um bom estado de conservação, a iluminação 
é boa, o quadro está bom para uso, as mesas e cadeiras também. A maioria das salas de aula é 
equipada com 2 ar condicionados em pleno funcionamento e todas contam com 1 quadro 
branco, 1 cesto de lixo, algumas tomadas elétricas, lâmpadas, câmeras de monitoramento, 
mesas e cadeiras para os alunos, mesa e cadeira para o professor e algumas possuem até 
televisão para uso em função do ensino/aprendizagem. A escola possui também uma área de 
lazer pequena, com alguns bancos, plantas e árvores, possui estacionamento, portões gradeados 
que permanecem fechados durante as aulas, janelas blindex fumê, etc. Enfim, como dito 
anteriormente, a escola possui uma estrutura exemplar com relação a outras escolas públicas 
estaduais do mesmo município. 
 
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Nota
Citar que a escola tem um site muito interativo e com publicação de atividades, os projetos desenvolvidos e o resultado das pesquisas realizadas como os alunos. A última foi sobre o retorno das aulas pós COVID.
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Nota
Citar, que dentre os projetos de ensino desenvolvidos está em fase de implantação o projeto do Rádio Comunitário. Os equipamentos já foram adquiridos e reservado o espaço para funcionamento. 
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2.2.2 Os sujeitos 
 
Quanto aos sujeitos pesquisados, conto com 10 (dez) alunos do 1º e 2º segmento da 
modalidade de ensino EJA, a qual é ofertada no período noturno pela Escola Estadual Prof.ª 
Edeli Mantovani em Sinop – MT, que possuem mais de 40 anos de idade. A seguir, apresento 
algumas características dos participantes, identificando-os cuidadosamente como 
“Entrevistado(a) 1, Entrevistado(a) 2, Entrevistado(a) 3 e assim sucessivamente”, tendo em 
vista que é indispensável a proteção dos participantes, evitando assim possíveis danos e 
prejuízos para ambas as partes. 
A Entrevistada 1 é do sexo feminino, possui 47 anos de idade e é casada. No momento,a participante se encontra afastada de suas atividades laborais e, por isso, está recebendo um 
salário mínimo de Auxílio Doença do INSS. Mas, segundo ela, ainda assim a sua renda mensal 
familiar gira em torno de R$ 8.000,00. A Entrevistada 2 também é do sexo feminino, possui 53 
anos de idade, é casada e trabalha apenas no período da manhã no setor de limpeza de um 
mercado. Sua renda mensal familiar é em torno de R$ 2.500,00. A Entrevistada 3 também é do 
sexo feminino, possui 51 anos de idade, é casada e trabalha como secretária. Sua renda mensal 
familiar gira em torno de R$ 6.000,00. A Entrevistada 4 também é do sexo feminino, tem 59 
anos de idade, é casada, não trabalha fora e apresenta renda mensal familiar de R$ 3.000,00, 
representados pela aposentadoria de seu esposo. 
A Entrevistada 5 também é do sexo feminino, possui 46 anos de idade, é casada, trabalha 
como salgadeira em um supermercado da cidade e sua renda mensal familiar gira em torno de 
R$ 5.500,00. A Entrevistada 6 também é do sexo feminino, possui 51 anos de idade, é casada, 
não trabalha fora e sua renda mensal familiar é de R$ 2.500,00. A Entrevistada 7 também é do 
sexo feminino, tem 91 anos de idade, é viúva, aposentada e apresenta uma renda mensal de R$ 
1.212,00. O Entrevistado 8 é do sexo masculino, tem 60 anos de idade, é solteiro, trabalha como 
pedreiro e apresenta uma renda mensal de R$ 2.500,00. O Entrevistado 9 é do sexo masculino, 
tem 44 anos de idade, é casado e apresenta uma renda mensal familiar de R$ 4.000,00. Por fim, 
o Entrevistado 10 também é do sexo masculino, tem 47 anos de idade, é solteiro, prestador de 
serviços gerais autônomo e apresenta uma renda mensal de R$ 7.000,00. 
 
2.3 Instrumentos e Procedimentos para a coleta de dados 
 
Neste tópico abordo os instrumentos e os procedimentos realizados para a coleta de 
dados da pesquisa. A coleta de dados ocorreu por meio de pesquisa em documentos orientadores 
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Nota
70% (7) dos sujeitos da pesquisa são do sexo feminino. Por que não dizer que são mulheres? 30% (3) são homens
16 
e entrevistas semiestruturadas. Tais documentos foram escolhidos de acordo com os assuntos 
abordados sobre a EJA e, a partir disso, elaborei o segundo instrumento de coleta de dados, ou 
seja, o questionário para as entrevistas. 
O roteiro da entrevista foi dividido em duas partes, são elas: Apresentação, ou seja, me 
apresentei como entrevistadora para o entrevistado, expus o tema da pesquisa e os objetivos e 
solicitei autorização para gravar a entrevista, visando posterior transcrição e análise; por fim, a 
entrevista em si, onde busquei sempre atribuir poder à voz dos entrevistados, dando abertura à 
alternância do foco nos momentos necessários. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
17 
3. PRESSUPOSTOS TEÓRICOS DA EJA 
 
Neste capítulo, apresento quatro pontos que colaboram com o contexto deste trabalho: 
3.1 A Eja – onde abordo o conceito, perspectivas e leis que regem a EJA, 3.2 Percurso histórico 
da EJA no Brasil – onde explico como a ideia da EJA surgiu, desde o Brasil Império até a sua 
real efetivação, 3.3 Contribuições de Paulo Freire para a EJA – onde apresento o teórico Paulo 
Freire e suas contribuições tão significativas não só para a EJA, como também para a educação 
de um modo geral e, por fim, 3.4 A EJA nos dias atuais – onde exponho um pouco sobre como 
a EJA se encontra atualmente em alguns aspectos. 
 
3.1 A EJA 
 
De acordo com o CEE/MT (Conselho Estadual de Educação), a Educação de Jovens e 
Adultos – EJA é uma modalidade de ensino amparada pela lei; é voltada para pessoas que não 
tiveram acesso à escola na idade apropriada por algum motivo, ou que não tiveram continuidade 
nos estudos nas etapas de Ensino Fundamental e Ensino Médio. Além disso, o CEE/MT afirma 
que as funções da EJA são: reparadora, uma vez que deve oferecer a oportunidade de jovens e 
adultos frequentarem a escola, recuperando assim o direito à escolarização na idade certa e 
possibilitando-lhes o acesso aos direitos civis; equalizadora, pois deve possibilitar maiores 
oportunidades para a recuperação da trajetória escolar, oportunizando igualdade social; e 
qualificadora, ou seja, possibilitar a construção de sujeitos autônomos que terão capacidade de 
buscar formação ao longo da vida. 
A partir da aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, nº 9394/96 
(BRASIL, 1996), a EJA foi instituída legalmente no Brasil como modalidade de ensino, 
Fundamental e Médio, destinando-se, como descrito anteriormente, àqueles que não estudaram 
na idade escolar própria e visando suprir a demanda de jovens e adultos analfabetos, a baixa 
taxa de escolaridade e o atraso escolar, sendo que tais pontos compunham altos índices da 
realidade educacional do país. 
 
3.2 Percurso histórico da EJA no Brasil 
 
Educar jovens e adultos, principalmente no que diz respeito à alfabetização, se faz 
necessário desde a colonização do Brasil, quando, de acordo com Souza (2007, apud 
PACHECO et al., 2013), os jesuítas acreditavam que não seria possível promover a conversão 
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Nota
Talvez aqui introduzir a discussão que a EJA está relacionada ao campo do trabalho. 
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e catequização dos indígenas sem que eles fossem alfabetizados. Conforme Soares (1996, apud 
PACHECO et al., 2013), através da catequização os colonizadores puderam adentrar o país. 
Dessa forma, podemos observar que a Educação de Jovens e Adultos não é recente, ou seja, ela 
se faz presente desde o Brasil/colônia. 
De acordo com Soares (1996, apud PACHECO et al., 2013), a expulsão dos jesuítas no 
século XVIII fez com que o ensino estabelecido até então ficasse desorganizado, e com isso, a 
responsabilidade de legislar sobre o ensino no Brasil recaiu sobre o Estado. Mais tarde, na época 
do Império, novas ações sobre a educação de adultos ocorreram, como por exemplo a abertura 
de escolas noturnas que possuíam baixa qualidade, e os cursos, normalmente, eram de curta 
duração. De acordo com Xavier, Ribeiro e Noronha (1994, apud SANTOS e SANTOS), o 
método de ensino Lancaster e Bell aplicado na Inglaterra, que consistia em suprir a escassez de 
professores, atribuindo aos alunos que estavam mais adiantados, a tarefa de transmitir aos 
colegas o conhecimento adquirido através de um professor, foi adotado pelo Decreto de 15 de 
outubro de 1824, ou seja, já no século XIX. Claro que a preocupação em elevar o nível de 
ensino dos cidadãos do império era maior que do restante da população, mas, mesmo para esta 
parte privilegiada, atuavam pessoas despreparadas, demonstrando assim a insuficiência de 
professores. 
Segundo Xavier, Ribeiro e Noronha (1994, apud SANTOS e SANTOS), em 1834, o 
Ato Adicional Diogo Feijó incumbiu a responsabilidade da educação básica às províncias. O 
ensino se dava de forma desigual para diferentes grupos e em diferentes tempos, com exceção 
do Colégio D. Pedro II, o qual, estando sob responsabilidade do poder central, deveria servir de 
modelo às escolas provinciais. Xavier, Ribeiro e Noronha (1994, apud SANTOS e SANTOS) 
afirmam ainda que, em 1854, o Regimento de 1854, um dos inúmeros projetos apresentados ao 
Parlamento Nacional, foi transformado em lei, através da qual a obrigatoriedade do ensino 
primário foi estabelecida. Além disso, este regimento reforçava o princípio da gratuidade do 
ensino primário, abdicava o acesso de escravos ao ensino público e previa a criação de classes 
especiais para adultos. 
Era explícita a intenção das elites dirigentes em não permitir o aumento de ideários 
progressistas, utilizando assim, a instrução popular comoinstrumento de controle social e 
demonstrando falso interesse na educação do povo. Com isso, a elite garantia o domínio 
contínuo da situação política e econômica do país, além de abolir possíveis revoltas que 
poderiam atrapalhar seus ideais repressivos. A última reforma do ensino imperial, conforme 
Stephanou e Bastos (2005, apud SANTOS e SANTOS), acompanhou as discussões em torno 
da reforma constitucional, concretizada em 1881 na Lei Saraiva. Essa lei, de 9 de janeiro de 
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1881 que instituiu, pela primeira vez, o Título de Eleitor, impossibilitou o direito de voto ao 
analfabeto e adotou eleições diretas. 
Embora fosse inspirada em sistemas políticos democráticos, a Lei Saraiva, além de 
colocar a alfabetização como requisito único para a prática da cidadania, também implantou a 
seleção pela renda, criando assim a concepção de que o analfabeto era um cidadão leigo e 
incapaz. Ou seja, se o analfabetismo já era um meio pelo qual a elite dominava os menos 
instruídos, a questão da renda veio reforçar esse ar de superioridade. Isso porque, além de já 
não possuir a instrução necessária para uma visão crítica e clara da sociedade, a partir da Lei 
Saraiva, boa parte da sociedade ficou ainda mais em desvantagem, afinal, desfavorecida no que 
tange a renda e a educação, não teria a capacidade de lutar por seus direitos, muito menos ter 
noção deles. 
Segundo Xavier, Ribeiro e Noronha (1994, apud SANTOS e SANTOS), a partir da 
República, para justificar o veto ao voto do analfabeto, começaram a circular discursos que o 
relacionavam à dependência e incompetência, resultando assim no desenvolvimento do 
preconceito e da discriminação social em relação a esta classe. Ou seja, neste período no Brasil, 
momento em que o país entraria no Período Republicano, ostentava-se uma taxa vergonhosa de 
excluídos da escola e o analfabetismo passava a significar incompetência e incapacidade. Mas, 
ainda de acordo com os autores, a Constituição Republicana de 1891 colocou fim no critério 
eleitoral de renda, mantendo somente a restrição do voto ao analfabeto. Porém, a reafirmação 
da limitação ao direito de voto ainda não trouxe maior interesse do poder público na expansão 
do sistema educacional. 
Conforme aponta Aranha (1996, apud SANTOS e SANTOS), após a Primeira Guerra 
Mundial (1914 – 1918) o operariado organizou sindicatos sob influência do anarquismo 
(ideologia política que se opõe a todo tipo de hierarquia e dominação) e com isso, entre 1917 e 
1920 uma onda de greves surgiu para pressionar o governo, a fim de obter leis que protegessem 
seus interesses. Em 1922, influenciado pelas greves e pela Revolução Russa de 1917, o Partido 
Comunista do Brasil foi fundado e a década de 20 foi marcada por vários movimentos de 
contestação. Contudo, de acordo com Soares (1996, apud PACHECO et al., 2013), é a partir da 
década de 1930 que muitas coisas começam a mudar, pelo menos com relação à educação básica 
de adultos que começa a ganhar melhor lugar na história da educação no Brasil. Nesse período, 
grandes transformações ocorreram no país, como o crescimento da industrialização e a reunião 
da população nos centros urbanos. A oferta de ensino era gratuita e cada vez mais estendia-se 
e acolhia classes sociais mais diversas. O governo federal começou então a projetar diretrizes 
educacionais para todo o país, o que acabou estimulando o crescimento da educação elementar. 
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De acordo com Alves e Belisário (1992, apud SANTOS e SANTOS), na década de 30, 
a ideia de preparar sujeitos para exercer a cidadania veio nutrir a educação. Nessa época o país 
buscou a formação de um estado moderno nacional, constituindo leis trabalhistas, normatizando 
sindicatos, expandindo o sistema educativo, tudo isso sob a ditadura de Vargas. Segundo Paiva 
(1983), em 1938 foi criado o Instituto Nacional de Estados Pedagógicos - INEP, permitindo 
assim a instituição do Fundo Nacional do Ensino Primário em 1942, o qual deveria incluir o 
Ensino Supletivo para adultos e adolescentes. Segundo Stephanou e Bastos (2005, apud 
SANTOS e SANTOS), o método de desanalfabetização, desenvolvido por Abner de Brito, que 
propunha alfabetizar em sete lições, surgiu entre as várias mobilizações da época. 
Stephanou e Bastos (2005, apud SANTOS e SANTOS) salientam ainda que, nas 
décadas de 30 e 40, Paschoal Lemme (um dos mais importantes e conceituados educadores 
brasileiros) tentou pela primeira vez organizar o Ensino Supletivo, enquanto isso, surgiram 
experiências extraoficiais na alfabetização de adultos. Neste mesmo período, com a emergência 
das classes populares urbanas insatisfeitas com suas condições de vida e trabalho, o populismo 
surge. Porém, o governo populista revela-se ambíguo uma vez que, ao mesmo tempo em que 
reconhece os desejos populares e age de forma sensível às pressões, reproduz uma política de 
massa, visando manipular e guiar tais desejos da população. O populismo fixou-se 
profundamente, durante a redemocratização, nos partidos dominantes, nos órgãos públicos, nos 
sindicatos, sendo todos estes criados por Getúlio Vargas (líder da Revolução de 1930). 
Já a década de 1940 proporcionou muitas mudanças na educação de adultos como por 
exemplo o lançamento da CEAA (Campanha de Educação de Adolescentes e Adultos), fazendo 
com que a preocupação com a elaboração de materiais didáticos para adultos surgisse, tendo 
em vista que esta Campanha buscava, a priori, uma ação extensa que previa a alfabetização em 
um curto espaço de tempo, ou seja, em três meses, para só depois partir para uma etapa de ação, 
voltada para a capacitação profissional e para o desenvolvimento comunitário. Além disso, 
neste mesmo período, houve iniciativas políticas e pedagógicas, como o surgimento das 
primeiras obras dedicadas ao ensino supletivo (SOARES, 1996, apud PACHECO et al., 2013). 
Segundo Soares (1996, apud PACHECO et al., 2013), em meados da década de 1940, 
com o fim da ditadura de Vargas, uma grande revolução no campo da política começou a surgir 
no país e momentos de grandes crises assolaram a sociedade. Nesse contexto, a situação dos 
adultos analfabetos recebeu diversas críticas, até mesmo receberam a culpa por estarem nessa 
condição e, assim, causarem entrave no processo de desenvolvimento do país. Sendo assim, 
passou-se a buscar uma educação para todos, visando o desenvolvimento do país, e isso fez 
com que a educação de adultos ganhasse destaque na sociedade. 
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De acordo com Xavier, Ribeiro e Noronha (1994, apud SANTOS e SANTOS), em 1945, 
com o fim da Segunda Guerra Mundial, foi criada a Organização das Nações Unidas para a 
Educação, a Ciência e a Cultura - UNESCO, a qual disseminou e possibilitou, a nível mundial, 
uma educação que visando a paz dos povos e uma educação para adultos visando contribuir 
com o desenvolvimento das nações. Além disso, a Unesco possuía uma concepção funcional 
do processo educativo e defendia a educação como instrumento de integração social, sem visão 
crítica. Sua criação e suas ações posteriores contribuíram determinantemente para a discussão 
eimplantação de ações referentes ao analfabetismo, à EJA e às desigualdades sociais no mundo. 
Em 1946, um ano após o fim da Segunda Guerra Mundial, Lopes (2000, apud SANTOS 
e SANTOS) afirma que foi criada a primeira Lei Orgânica do Ensino Primário para tratar da 
construção de material pedagógico apropriado, porém, a campanha não obteve êxito devido ao 
apelo para o compromisso voluntário e a falta de acervo de experiências que servissem de apoio 
às ações governamentais. De acordo com Paiva (1983, apud SANTOS e SANTOS), em 1947 
houve a criação do Serviço Nacional da Educação de Adultos – SNEA que objetivava orientar 
e coordenar os trabalhos do Ensino Supletivo. Além disso, o SNEA conseguiu gerar várias 
ações que permitiram a realização da Primeira Campanha Nacional de Educação de 
Adolescentes e Adultos – CEAA. 
Segundo Paiva (1983, apud SANTOS e SANTOS), a CEAA, a qual atendia aos apelos 
da UNESCO e, partindo da ideia de redemocratização do país, buscava alcançar os objetivos 
de preparar mão-de-obra, visto que o país vivia um processo crescente de industrialização e 
urbanização, teve seu período de culminância entre 1947 e 1953. Tendo em vista que, no final 
desta década e início da década de 50, mais da metade dos brasileiros maiores de 18 anos eram 
analfabetos, a CEAA buscava mudar para melhor as estatísticas brasileiras em relação ao 
analfabetismo. Porém, a partir de 1954 seu declínio começou e em julho de 1958 foi realizado, 
no Rio de Janeiro, o Segundo Congresso Nacional de Adultos, onde o fracasso do programa foi 
reconhecido oficialmente, principalmente por seu caráter eleitoreiro. 
A Campanha Nacional de Educação Rural – CNER, que tinha por objetivo levar a 
educação de base aos brasileiros analfabetos das zonas rurais, foi implementada em 1952, 
conforme destaca Beisiegel (1982, apud SANTOS e SANTOS). De acordo com Zeitoune 
(2017), junto ao lançamento da campanha, foi realizado o Primeiro Congresso de Educação de 
Adultos que apresentou como slogan a seguinte frase: “ser brasileiro é ser alfabetizado”, 
destacando a importância da alfabetização e da educação de adultos para a democracia e para o 
exercício da cidadania. Já no final da década de 1950, é realizada a Campanha Nacional de 
Erradicação do Analfabetismo (CNEA) que marca uma nova fase nas questões relacionadas à 
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educação de adultos. A equipe organizadora desta Campanha compreendia que a ação 
alfabetizadora não era suficiente, sendo assim, eles acreditavam que era preciso priorizar a 
educação de crianças e jovens, para os quais a educação ainda poderia proporcionar alteração 
em suas condições de vida. Ainda no final dos anos 1950 e no início dos anos 1960, o educador 
Paulo Freire surge com uma proposta de alfabetização conscientizadora no cenário nacional, 
proposta esta que serviria como um instrumento de libertação das classes oprimidas (SOARES, 
1996, apud PACHECO et al., 2013). 
Segundo Aranha (1996, apud SANTOS e SANTOS), em 1961, a Lei de Diretrizes e 
Bases - LDB. A Lei nº 4.024, promulgada em 20 de dezembro de 1961, já se expandia, porém, 
como aguardava aprovação desde o ano de 1948, quando é publicada já se encontra 
ultrapassada, mesmo sendo uma proposta avançada na época da apresentação de seu esboço 
que foi apresentado pelo ministro Clemente Mariani, o qual se baseou em um trabalho confiado 
a educadores, sob a orientação de Lourenço Filho (educador e pedagogista brasileiro conhecido, 
sobretudo, por sua participação no movimento dos pioneiros da Escola Nova). O fato é que ao 
longo dos debates e do confronto de interesses, a proposta envelheceu. A LDB de 1961 apregoa 
que a educação nacional se inspira nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade 
humana e tem por objetivo “o preparo do indivíduo e da sociedade para o domínio dos recursos 
científicos e tecnológicos que lhes permitam utilizar as possibilidades e vencer as dificuldades 
do meio” ... “condenação a qualquer tratamento desigual por motivo de convicção filosófica, 
política ou religiosa, bem como a quaisquer preconceitos de classe ou de raça” (BRASIL, 1961). 
De acordo com Beisiegel (1982, apud SANTOS e SANTOS), em 1961 também surgiu 
o Movimento de Educação de Base - MEB, liderado pela Conferência Nacional de Bispos do 
Brasil - CNBB, o qual o governo federal passou a patrocinar, visando a criação de uma educação 
de base, que deveria ser veiculada por meio de emissoras católicas, conveniadas ao MEC e a 
outras instituições federais, nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país. Em meio às 
grandes manifestações populares, dentre as quais havia a luta pela ampliação da escola pública, 
inicia-se a “Campanha De Pé no Chão Também se Aprende a Ler”, desenvolvida pela Secretaria 
de Educação de Natal - RN. Tal campanha objetivava estender as oportunidades educacionais 
para toda a população que ali residia. A construção de acampamentos escolares abertos, onde 
se alfabetizava crianças e adultos das classes populares, foi necessária, pois, com a implantação 
de um programa de tal proporção, surgiram dificuldades financeiras e institucionais. 
Paralelo a tudo isso, surgiram também bibliotecas, centros de formação de professores, 
círculo de leitura, praças de cultura e esportes, por isso, a União Nacional dos Estudantes - 
UNE, recorrendo ao Centro Popular de Cultura - CPC, buscava produzir manifestações 
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artísticas populares como: cinema, teatro, música, etc, visando assim a formação política e 
cultural da população por meio de discussões acerca dos problemas nacionais. Segundo Xavier, 
Ribeiro e Noronha (1994, apud SANTOS e SANTOS), Paulo Freire desempenhou, nessas 
experiências de cultura popular, papel importante dentro de uma concepção de educação como 
prática da liberdade. Paiva (1983, apud SANTOS e SANTOS) salienta que o Governo de João 
Goulart se preocupava com a educação e com a cultura do país, o que o levou à criação do 
Conselho Federal de educação – CFE em 12 de fevereiro de 1962 e à aprovação do Plano 
Nacional de Educação – PNE, em setembro do mesmo ano. 
Em 1963, Paulo Freire (educador e filósofo brasileiro) apresenta o Plano Nacional de 
Alfabetização (PNA), onde ele propunha uma alfabetização que levasse em consideração o 
contexto de cada comunidade. Porém, João Goulart, presidente do Brasil naquele momento, 
passa por um golpe político liderado pelos militares brasileiros, e Paulo Freire acaba sendo 
exilado por causa de suas ideias consideradas revolucionárias pelo novo governo. Paralelo a 
isso, o PNA acaba sendo extinto pelo golpe civil e militar de 1964, sendo substituído pela 
Cruzada ABC. Mas a partir de 1967, diante do grave problema do analfabetismo no Brasil e 
das pressões externas, o governo militar lança o MOBRAL (Movimento Brasileiro de 
Alfabetização). Esse movimento, que perdura por toda a atuação dos militares, vincula sua 
estrutura ao Departamento Nacional de Educação e é extinto com o fim da ditadura em 1985. 
Em seguida, são implantados a Fundação Educar e o Plano Nacional de Alfabetização e 
Cidadania, ambos extintos antes de alcançarem as metas esperadas (SOUZA, 2007, apud 
PACHECO et al., 2013). 
Conforme Stephanou e Bastos (2005, apud SANTOS e SANTOS), a partir de 1968, uma 
acordo entre o Estado e a burguesia é realizado, onde fica acordado que o Estado manteria a 
ordem a qualquer custo, assumindo os interesses dos empresários como se fosse os de toda a 
nação, enquanto que a burguesia abriria mão dos controles políticos tradicionais e de alguns 
instrumentos como aliberdade de imprensa, o pluripartidarismo, o habeas-corpus. Já em março 
de 1990, com o Governo Collor, a Fundação Educar foi dissipada. Entre os anos 1992 e 1994, 
no Governo de Itamar Franco, a necessidade de examinar as diretrizes de uma política 
educacional para jovens e adultos já era culminante. 
De acordo com Soares (1996, apud PACHECO et al., 2013),), a partir de 1995, surgiu 
no cenário da EJA no Brasil o Programa Alfabetização Solidária que buscava parcerias com 
pessoas físicas e jurídicas, porém, este programa recebeu muitas críticas dos estudiosos da 
educação que o viam como uma tentativa de passar a responsabilidade que era do setor público 
para o privado. Conforme Stephanou e Bastos (2005, apud SANTOS e SANTOS), em 20 de 
24 
dezembro de 1996, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDBEN nº 9.394 é 
aprovada, a qual ajuda a reforçar a ideia de educação de segunda classe para pessoas jovens e 
adultas, separando assim a educação básica da educação profissional, exclusivamente no ensino 
médio. 
A LDB de 1996 marcou a história da Educação de Jovens e Adultos, pois, além de 
comparada a LDB de 1961 e de 1971, compreendia o público de jovens e adultos de forma 
especial e objetiva, ou seja, não tratava esta modalidade como um ensino supletivo. Sendo 
assim, a partir de então, o ensino para adultos passou a receber amparo legal, respaldando-se na 
lei educacional mais importante do país. Segundo Lopes (2000, apud SANTOS e SANTOS), 
em 1996 também foi lançado o PAS – Programa de Alfabetização Solidária. Em dezembro do 
mesmo ano, o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização 
do Magistério - FUNDEF foi aprovado e como os alunos da EJA não foram considerados na 
contagem do censo geral das matrículas que podiam fazer jus aos recursos do Fundo, esta 
modalidade de ensino foi excluída, o que demonstrava que a EJA continuava a ocupando um 
lugar secundário no interior das políticas educacionais do Ensino Fundamental. 
De acordo com Soares (1996, apud PACHECO et al., 2013), mais tarde, em janeiro de 
2003, o MEC anunciou que uma das prioridades do novo governo seria a alfabetização de 
jovens e adultos. Com isso, a Secretaria Extraordinária de Erradicação do Analfabetismo foi 
criada e sua meta era colocar um fim no analfabetismo durante o mandato de quatro anos do 
governo Lula. Portanto, para cumprir essa meta, foi lançado o Programa Brasil Alfabetizado, 
por meio do qual houve a participação do MEC juntamente com órgãos públicos Estaduais e 
Municipais, instituições de ensino superior e organizações sem fins lucrativos. Este programa 
apostava na mobilização da sociedade de forma voluntária para resolver o problema do 
analfabetismo. Nessa perspectiva, o MEC (Ministério de Educação e Cultura) permitia que o 
quadro de alfabetizadores fosse composto por qualquer cidadão com nível médio completo, 
desde que cadastrado junto à prefeitura ou secretaria estadual de educação, onde receberia 
formação adequada. 
Apesar do governo parecer preocupado com a Educação de Jovens e Adultos, ainda era 
notável o descaso em torno desta modalidade de ensino, uma vez que o incentivo financeiro 
dado aos alfabetizadores para exercerem a função, mesmo não sendo professores de fato, fazia 
com que a educação se tornasse de péssima qualidade e improdutiva. Além disso, o fato de que 
qualquer pessoa, que havia concluído o Ensino Médio, poderia instruir uma classe que, em tese, 
não precisava de uma “formação específica”, já permitia prever danos para a educação e seus 
25 
objetivos, uma vez que o método Lancaster e Bell, o qual foi adotado em 1824, ainda no Brasil 
império, estava sendo repetido, ou seja, a educação sofria retrocesso. 
Portanto, podemos observar que dos anos 1930 para cá a Educação de Jovens e Adultos 
passou por um processo de amadurecimento que transformou a visão que dela tínhamos até 
alguns anos atrás. Mas é importante salientar que as iniciativas do governo sempre olharam de 
forma superficial para os sujeitos da educação, são eles, educadores e educandos. Sendo assim, 
é notório que ainda há muito que se caminhar para se alcançar uma educação que valorize as 
experiências trazidas na bagagem de seus sujeitos. 
 
3.3 Contribuições de Paulo Freire para a EJA 
 
Ao longo dos anos, a Educação de Jovens e Adultos no Brasil veio ganhando destaque 
nas políticas educacionais e, nesse percurso, recebeu uma diversidade de metodologias, porém 
nenhuma tão significativa como a do teórico Paulo Freire. Por isso, quando se fala na EJA, o 
nome do educador Paulo Freire é com certeza um dos primeiros que vem à tona. O final da 
década de 1950 e o início da década de 1960 foram marcados por algumas importantes 
contribuições de Paulo Freire que, com suas propostas inovadoras, as quais levavam em 
consideração a realidade vivida pelos educandos, começa a adquirir grande importância em 
meio aos educadores daquela época, conforme aponta Marques (2009, apud PACHECO et al., 
2013). 
Paulo Freire nasceu em 19 de setembro de 1921 na cidade de Recife. Em situações 
precárias, foi alfabetizado por sua mãe no quintal da sua casa. Em sua adolescência interessou-
se pela Língua Portuguesa, mas com 22 anos de idade começou a estudar Direito. Em 1947 
começou a dirigir o departamento de educação e cultura do Sesi, onde conheceu a alfabetização 
de jovens e adultos, da qual também foi aluno. Além disso, Paulo Freire foi professor dessa 
modalidade de ensino e tais experiências permitiram que ele analisasse os métodos utilizados e 
desenvolvesse o seu tão famoso método, o que tornou sua influência na EJA extremamente rica 
e positiva (FREIRE, 1989, apud SANTOS e SANTOS). 
De acordo com Cardoso e Passos (2016) Paulo Freire foi “o mais célebre educador 
brasileiro, com atuação e reconhecimento internacionais, conhecido principalmente pelo 
método de alfabetização de adultos que leva seu nome”. Para ele, é necessário vencer primeiro 
o analfabetismo político para em seguida “ler o seu mundo a partir da sua experiência, de sua 
cultura, de sua história”. Além disso, Freire (apud Cardoso e Passos, 2016) defendia que a 
libertação dos oprimidos viria através da busca pelo conhecimento e do reconhecimento da 
26 
necessidade de lutar por ela, ou seja, ele via na educação a necessidade de uma prática da 
liberdade. Cardoso e Passos (2016) apontam também que Paulo Freire era “defensor do saber 
popular e da conscientização para a participação”, inspirou muitos movimentos sociais que 
lutaram em busca da igualdade social. 
Segundo Brandão (2003, apud SANTOS e SANTOS), o método de alfabetização de 
adultos desenvolvido por Paulo Freire é apenas a fase inicial de um longo processo dentro de 
um Sistema de Educação. Na verdade, o autor afirma que a proposta de Freire não é um 
“método”, pois, método é algo que já vem pronto e o que Freire propõe trata-se de uma teoria 
da EJA que promete promover o ensino-aprendizagem de forma diferenciada, possibilitando 
aos estudantes a ressignificação das palavras dentro do seu mundo. A proposta de Paulo Freire, 
instrumento de mediação da educação, respeita a cultura da sociedade em que o educando está 
inserido, como também os seus conhecimentos prévios. A ideia é que, se a aprendizagem se 
construir distante da realidade de cada um dos alunos, não faz sentido algum que eles dominem 
a leitura e a escrita, uma vez que não poderão fazer a leitura do seu mundo, afinal, a 
alfabetização não consiste em apenas leitura e escrita, mas também na necessidade do educando 
aprender a fazer a sua leitura de mundo e desenvolver seu senso crítico. Desta forma, a proposta 
preza pela participação ativa do educando no seu processo de aprendizagem e pela consciência 
de que sua participação é importante para a descoberta de novos conhecimentos, podendo assim 
se sentir inserido na sociedade em que vive e deseja modificar (FAUNDEZ, 2002, apud 
SANTOS e SANTOS).A primeira fase da proposta, desenvolvida por Paulo Freire, enfatiza que o educador 
deve descobrir o universo vocabular do grupo a ser trabalhado, por meio de encontros informais, 
onde são coletadas as palavras com valor significativo para os educandos e mais utilizadas pela 
classe. Tais palavras, Freire chama de “palavras geradoras”. A segunda fase faz referência a 
seleção das palavras dentro do universo vocabular, obedecendo três critérios, são eles: riqueza 
silábica, dificuldades fonéticas e conteúdo prático da palavra. A terceira fase faz referência a 
criação de situações reais, ou seja, da realidade local, características de cada grupo. Tratam-se 
de situações que devem ser discutidas afim de abrir caminhos para a análise crítica de problemas 
locais, regionais e nacionais (FREIRE, 1980, apud SANTOS e SANTOS). 
A quarta fase refere-se à elaboração de fichas indicadoras, que devem ser criadas 
juntamente com os educandos, que ajudam a gerar debates e trocas de ideias entre o professor 
e os educandos. Debates esses que contribuem com a troca de experiências, permitindo que o 
educando exponha seus conhecimentos prévios e adquira outros, desenvolvendo assim um 
raciocínio crítico do mundo a sua volta. A quinta fase consiste na criação de fichas nas quais 
27 
devem aparecer as famílias fonéticas correspondentes às palavras geradoras. Nesta fase, o 
educador tem que chamar a atenção dos alunos para a formação das palavras, para que assim, 
eles possam perceber que os pedaços que formam as palavras geradoras serão os mesmos que 
formam uma outra palavra qualquer, podendo desta maneira, perceber que cada palavra é 
formada por letras e que a junção dessas forma uma frase (FREIRE, 1980, apud SANTOS e 
SANTOS). 
A partir do exposto e tendo em vista o que afirmam Xavier, Ribeiro e Noronha (1994, 
apud SANTOS e SANTOS), podemos concluir que de fato Paulo Freire desempenhou papel 
importante dentro de uma concepção de educação como prática da liberdade. Freire, por meio 
da sua metodologia, transformava a visão do analfabeto como um sujeito sem cultura, trazendo 
discussões acerca do que é cultura, fazendo com que os sujeitos reconhecessem seus papeis 
importantes na produção de cultura, e inserindo a alfabetização como mais um instrumento para 
a leitura do mundo. 
 
3.4 A EJA nos dias atuais 
 
Tendo em vista a organização inicial da EJA, é possível observar que atualmente 
algumas coisas mudaram, seja para melhorar a qualidade do ensino, como também para garantir 
o acesso de todos os que se enquadram nesta modalidade. Quanto à organização curricular, o 
CEE/MT apregoa que na proposta pedagógica da EJA deve-se garantir o entendimento de 
currículo como experiências escolares que se desmembram em torno do conhecimento, partindo 
da pluralidade sociocultural dos estudantes e escolhendo uma abordagem didático-pedagógica 
disciplinar, pluridisciplinar, interdisciplinar ou transdisciplinar, além de dever contemplar 
conhecimentos curriculares que considerem as habilidades e competências propostas nas DCNs 
e BNCC para o Ensino Fundamental e Médio, aplicando uma metodologia adequada à 
modalidade e apresentando formas de avaliação compatíveis e formas de certificação. 
Já a organização, esta deverá “atender, obrigatoriamente, aos princípios e às diretrizes 
que norteiam a educação nacional, em especial às Diretrizes Nacionais, Curriculares e 
Operacionais e às normas do CEE/MT”, podendo dar-se por disciplina, por módulo, por fase, 
por ano e/ou por áreas do conhecimento. Além disso, o CEE/MT afirma que a oferta da EJA se 
constitui como direito público subjetivo, ou seja, está na lista de direitos que devem ser 
garantidos aos cidadãos pelo Estado, através do governo. 
Quanto à carga horária, o CEE/MT estabelece que os cursos da EJA sejam estruturados, 
observando-se, no mínimo: No Ensino Fundamental: 1.600 (um mil e seiscentas) horas 
Roberto Arruda
Nota
Ver: 
FREIRE, P. Ação cultural para a liberdade e outros escritos. 8. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1987.

________. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. São Paulo: Cortez, 1989.
Roberto Arruda
Realce
Roberto Arruda
Nota
A base diz sobre dois indicadores. De leitura e escrita e o domínio da matemática. É preciso que o estudante acompanhe os indicadores de qualidade da prova Brasil e da Prova Ana.
28 
distribuídas em dois anos para o Primeiro Segmento (que corresponde aos anos iniciais); 1.600 
(um mil e seiscentas) horas distribuídas em dois anos para o Segundo Segmento (que 
corresponde aos anos finais); No Ensino Médio: 1.200 (um mil e duzentas) horas distribuídas 
em um ano e meio. Quanto ao posicionamento do estudante em qualquer fase do Segmento, 
este poderá se dar por meio de promoção, transferência ou avaliação que possibilite aferir os 
conhecimentos da Base Nacional Comum Curricular. Já o reposicionamento, este deverá ser 
mediante avaliação de conhecimentos significativos previstos na fase, conforme constar no 
Projeto Político Pedagógico – PPP da escola. 
Quanto à idade mínima para ingresso na EJA, o CEE/MT considera 15 (quinze) anos 
completos para o Ensino Fundamental e 18 (dezoito) anos completos para o Ensino Médio, no 
ato da matrícula, a qualquer momento do ano letivo. Quanto ao período, os cursos deverão ser 
ofertados nos períodos diurno e noturno, garantindo assim amplo acesso e continuidade dos 
jovens e adultos. Além disso, o CEE/MT direciona à Secretaria de Estado de Educação – 
Seduc/MT e Secretarias Municipais de Educação a responsabilidade da chamada pública “para 
efeito de recenseamento e inserção da demanda na Educação de Jovens e Adultos”. 
Quanto à aprendizagem que deve ser desenvolvida na EJA, o CEE/MT estabelece que, 
ao elaborarem o PPP, as unidades escolares que ofertam esta modalidade de ensino devem visar 
garantir: no Ensino Fundamental - o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, obtendo 
basicamente o pleno domínio da escrita, interpretação e produção textual, do letramento e 
cálculo, a compreensão das relações sociais, incluindo sistema político, economia, tecnologia, 
artes, valorização da cultura local, regional e nacional, além do fortalecimento de atitudes 
conscientes voltadas para o meio ambiente, objetivando formar uma sociedade sustentável; no 
Ensino Médio, além da consolidação e do aprofundamento de alguns aspectos exigidos no 
ensino fundamental, deve-se garantir também: uma preparação básica para a cidadania e para o 
mercado de trabalho, o desenvolvimento do estudante como ser humano pertencente à uma 
sociedade democrática, ética e estética, o desenvolvimento intelectual autônomo e pensamento 
crítico e a compreensão científica e tecnológica dos fundamentos presentes na sociedade 
contemporânea. 
Quanto à avaliação da aprendizagem dos estudantes, o CEE/MT impõe que esta deverá 
ser contínua, processual e abrangente, contendo auto avaliação e avaliação em grupo 
presenciais. Já quanto aos “exames de Educação de Jovens e Adultos, estes são de 
responsabilidade exclusiva da Secretaria de Estado de Educação – Seduc/MT e/ou em regime 
de colaboração com as Secretarias Municipais de Educação”. Além disso, o CEE/MT declara 
que os exames devem ser realizados para conclusão do Ensino Fundamental e Ensino Médio, 
29 
na modalidade EJA, onde existem existem critérios bem definidos, de modo a reconhecer os 
conhecimentos adquiridos em outros espaços sociais, sendo que tais exames, quando 
autorizados e ofertados, devem tomar por base os mesmos conhecimentos e conteúdos previstos 
nos currículos do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. 
Em suma, o CEE/MT define que a EJA deverá pôr em pauta o respeito às condições 
sociais e econômicas, à identidade étnica e aos conhecimentos dos estudantes, visando o 
exercício da cidadania e do trabalho. Portanto, embora não haja um método de ensino exclusivo 
para a EJA e nem profissionais com formação específica em EJA, é notória apreocupação com 
esta modalidade de ensino por parte dos órgãos públicos. Além disso, o CEE/MT confirma que 
a EJA possui três funções: REPARADORA – uma vez que os jovens e adultos podem 
frequentar a escola tendo suas especificidades socioculturais atendidas e recuperar o direito à 
escolarização na idade própria que lhes foi negado; EQUALIZADORA – uma vez que 
possibilita “maiores oportunidades de se restabelecer a trajetória escolar, oportunizando 
equidade à inserção social”; QUALIFICADORA – uma vez que possibilita “a construção de 
sujeitos autônomos, com condições de buscar formação ao longo da vida”. 
Vale ressaltar que, de acordo com Cardoso e Passos (2016), a atual política de Educação 
de Jovens e Adultos é fruto das reivindicações de grupos e movimentos sociais de educação 
popular e constrói-se diante das exigências legais definidas pela Constituição Federal de 1988. 
Ademais, a EJA é, atualmente, não só uma oportunidade de escolarização, como também uma 
oportunidade de inclusão e resgate da cidadania que “esforça-se em prol da igualdade de acesso 
à educação como bem social”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
30 
4. VIVÊNCIAS NA EJA APÓS OS 40 ANOS 
 
Ao total, foram entrevistados 03 (três) homens e 07 (sete) mulheres com idades que 
variam de 44 a 91 anos, tendo como objetivo identificar as experiências vivenciadas por alunos 
com mais de 40 anos de idade na EJA. Sendo assim, neste capítulo exponho os dados coletados 
e a análise dos mesmos, cujo objeto surgiu por meio das entrevistas e dos diálogos com textos 
e autores que explanam sobre o tema. 
 
4.1 Caracterização da coleta de dados 
 
A presente pesquisa foi realizada com 10 (dez) alunos, devidamente já caracterizados 
anteriormente, de 03 (três) turmas diferentes de 1º e 2º segmento da EJA da Escola Estadual 
Profª Edeli Mantovani. O procedimento metodológico utilizado foi a pesquisa de campo, onde 
os dados puderam ser coletados por meio de entrevistas semiestruturadas presenciais, as quais 
foram gravadas com o consentimento dos participantes para posterior transcrição e análise. 
Dessa forma, todos os colaboradores da pesquisa assinaram a um Termo de Consentimento 
Livre e Esclarecido (TCLE), onde ficaram claros: o objetivo da pesquisa, a não obrigatoriedade 
em participar da mesma, a garantia de que os dados dos participantes não seriam divulgados e 
nem utilizados para outros fim que não fosse para esta pesquisa. 
As entrevistas foram realizadas na própria escola em que os participantes estudam, sob 
autorização prévia da instituição. O professor de Língua Portuguesa dos entrevistados foi muito 
atencioso e disposto a colaborar com as entrevistas, permitindo que eles saíssem durante as suas 
aulas para tal. Durante as conversas com eles, procurei observar e refletir sobre as experiências 
vivenciadas no processo de aprendizagem na EJA. 
 
4.2 Dados sobre os sujeitos com mais de 40 anos 
 
As perguntas realizadas durante as entrevistas foram as seguintes: Qual a sua idade? 
Frequentou a escola quando criança? Se sim, até que série (durante quanto tempo)? Quantos 
anos você tinha quando parou de estudar, caso já tenha estudado antes? Qual a sua renda 
familiar mensal? Por qual motivo você precisou parar de estudar e o que fez você retornar à 
escola? Quais são as dificuldades enfrentadas por você para se manter em sala de aula? O que 
você mais sente necessidade de aprender? O que mais atrapalha seus estudos na escola e/ou em 
casa? A forma como seus professores trabalham ajuda você a aprender? Quando o professor 
Roberto Arruda
Realce
Roberto Arruda
Nota
ok
Roberto Arruda
Realce
31 
ensina, o que ajuda e o que atrapalha você a estudar? De um modo geral, quais as experiências 
vivenciadas por você na EJA? Por fim, descreva em breves palavras um pouco da sua vida 
escolar, trabalho, atividades que exerce e vida em família. 
Diante disso, em resposta às perguntas, a Entrevistada 1 alegou que estudou até o 4º ano 
do ensino fundamental quando tinha entre 7 a 15 anos de idade, e quanto ao motivo pelo qual 
precisou parar de estudar, a mesma informou: “porque eu morava no sítio, aí antigamente não 
ia ônibus, a gente tinha escolinha no sítio, mas era só até ali”, ou seja, a escola do sítio não 
ofertava níveis mais elevados de escolaridade. Quanto ao motivo pelo qual voltou a estudar, a 
participante contou que, pelo fato de se encontrar recebendo o Auxílio Doença do INSS, decidiu 
ocupar melhor o tempo livre com os estudos. Quanto as dificuldades enfrentadas para se manter 
em sala de aula, a entrevistada afirmou que: 
 
Olha, em primeiro lugar muita dor que eu sinto, tomo muito remédio 
controlado, remédio que eu tomo pra dor é muito forte, me mantém muito 
sonolenta e quem toma esse tipo de medicação que nem eu, a gente prefere 
mais paz né, tenho depressão, assim barulho não combina, e eu acho assim 
que misturar a gente que é mais de idade com os jovens [...] eles não deixa a 
gente focar [...] tira toda a atenção. 
 
Quanto ao que mais sente necessidade de aprender, a entrevistada alegou que: 
 
já que eu tô vindo, tô levando a sério né, porque não é fácil você sair de casa 
né, as vezes sentindo dor, e você vim por vim, não, tô levando a sério [...] que 
que eu tô tendo mais dificuldade, uma que é por causa da medicação que eu 
tomo e outra é que merece foco, e a gente não consegue focar, é matemática. 
 
Por isso, tem se dedicado mais a ela. Com relação ao que atrapalha seus estudos, seja em casa 
ou na escola, a mesma afirmou que na escola é onde se sente mais prejudicada, uma vez que os 
adolescentes acabam tirando seu foco. Quanto à forma como os professores trabalham, ela 
contou que eles ajudam muito e além disso, são dedicados e atenciosos, porém, quanto ao que 
atrapalha quando o professor está ensinando, mais uma vez ela afirmou ser os adolescentes. Por 
fim, quando questionada sobre as experiências vivenciadas na EJA, ela disse que tem 
vivenciado muitas experiências boas e que os estudos têm a ajudado muito em sua saúde. 
A Entrevistada 2 contou que nunca frequentou a escola, pois morava na roça. Como sua 
vida e a de sua família era muito difícil, ela começou a trabalhar muito cedo e acabou se casando 
aos 15 anos de idade, quando seu marido a tirou da casa de seus pais para tentar dar a ela uma 
vida melhor. Quanto ao motivo pelo qual a participante decidiu começar a estudar, a mesma 
alegou que “eu fiz a matrícula pra mim e minha filha, pra incentivar ela estudar, eu fiz a 
matricula minha e dela por isso eu tô estudando, eu tô estudando aqui desde antes de começar 
Roberto Arruda
Realce
Roberto Arruda
Realce
Roberto Arruda
Nota
De fato, e isso é uma organização pedagógica. Na pesquisa também observamos o mesmo fenômeno. 
32 
a pandemia”. Contudo, a entrevistada afirmou que estudar na mesma sala que os adolescentes 
tem sido muito difícil, uma vez que ela deixa seu esposo doente em casa e vem para a escola 
porque quer aprender, mas os adolescentes que, segundo ela não querem nada com nada, vêm 
para a escola por causa do lanche, da educação física e para atrapalhar a aula, já que os 
professores precisam fica chamando a atenção. Ademais, o fato de ainda não ter o preparo 
necessário para resolver todas as atividades e para conseguir colocar no papel o que gostaria, 
tendo em vista que ela ainda confunde algumas letras, também tem sido um grande desafio. 
Quanto ao que mais sente necessidade de aprender, a entrevistada declarou que sente 
necessidade de aprender a ler e a escrever de forma definitiva, mas que tem sido difícil estudar 
esse ano na sala de aula em que está por conta do nível divergente, tendo em vista que, segundo 
ela, ali os outros colegas estão mais avançados, enquanto que ela ainda precisa conhecer todas 
as letras do alfabeto. Ela disse, inclusive, que até realizou uma prova de nivelamento ofertada 
pela escola no final do ano de 2021, mas, ao iniciar o ano letivo, constatouque estava em uma 
sala totalmente desconfortável para ela no que tange ao nível de conhecimento. Com relação ao 
que atrapalha seus estudos, seja em casa ou na escola, a mesma afirmou que, embora seu marido 
não a apoie nos estudos, nada a atrapalha e, por isso, faz todas as tarefas que consegue sem 
problemas nenhum. 
Quanto à forma como os professores trabalham, ela contou que eles são muito 
atenciosos, porém, quando ela não entende o que o professor explicou, isso a atrapalha a fazer 
as atividades. Quanto as experiências vivenciadas na EJA, a entrevistada disse que levará para 
a vida toda as amizades que a escola lhe proporcionou e ainda proporciona, além do fato de que 
está gostando de estudar, pois, devagar está aprendendo e melhorando sua escrita. Por fim, 
quando pedido para descrever um pouco sobre sua vida de uma modo geral, a participante expôs 
que sua vida familiar é tranquila e que, embora todos falem que ela está perdendo tempo com 
os estudos, eles não a impedem de continuar. Ela contou ainda que às vezes dá vontade de não 
ir à aula, mas logo passa, pois se lembra de que agora não precisa mais colocar sua digital no 
lugar da assinatura, como por exemplo em seu RG que agora possui sua própria assinatura. 
A Entrevistada 3 contou que frequentou a escola até o 2º ano do ensino fundamental e 
parou de estudar quando tinha 08 anos de idade porque “nós mudamo do mato grosso do sul 
pra cá e aonde nós fomo morar não tinha escola”. Aos 15 anos de idade, ela retomou os estudos 
e estudou por 02 anos, tendo que parar novamente por falta de escola. Quanto ao motivo pelo 
qual ela decidiu voltar a estudar atualmente, desta vez na EJA, a participante contou que “a 
vontade de crescer na vida né [...] eu quero fazer cursos né, eu queria fazer um curso e fui pra 
fazer no senai que é cursos muito bom lá, mas aí tem que ter estudo, aí eu resolvi fazer, tô aqui 
33 
estudando”. Quanto as dificuldades enfrentadas para se manter em sala de aula, a entrevistada 
afirmou que os adolescentes com quem divide a sala de aula a atrapalham em seus estudos, 
mesmo chamando-lhes a atenção, além do mais, segundo ela, devido a sua idade, não consegue 
aprender na velocidade deles. 
Quanto ao que mais sente necessidade de aprender, a entrevistada alegou que “acho o 
português né, necessário pra mim. eu acho bonito a pessoa falar certo”. Com relação ao que 
atrapalha seus estudos, seja em casa ou na escola, a mesma afirmou ser: 
 
a conversa, eu opinei pra vim fazer aqui todos os dias o EJA, que é todos os 
dias na sala a sala, porque eu fui verificar outros lugares que é uma vez na 
semana, pra mim não dá, eu aprendo muito pouco, tenho certeza, porque 
quando eu chego em casa, se eu tô fazendo uma tarefa chega os filhos: ô 
mamãe isso, onde tá aquilo, ah já me desconcentrei entendeu?, então 
conversa pra mim. 
 
Quanto à forma como os professores trabalham, ela contou que eles são bons, explicam 
bem e reexplicam caso seja necessário. Quanto ao que atrapalha ou ajuda quando o professor 
está ensinando, a participante declarou que o que a atrapalha é ter que copiar algo enquanto o 
professor explica, pois não consegue prestar atenção em duas coisas ao mesmo tempo, e o que 
ajuda é o silêncio. Quanto as experiências vivenciadas na EJA, a entrevistada disse que estudar 
com os adolescentes é a maior delas, pois ela jamais imaginava estudar em uma sala assim um 
dia. Por fim, quando pedido para descrever um pouco sobre sua vida de uma modo geral, ela 
contou que sua vida escolar e familiar é boa, pois sua família a apoia e a incentiva. 
A Entrevistada 4 declarou que nunca frequentou a escola, pois, além de morar na roça, 
seus pais sempre diziam que somente os filhos homens deveriam estudar, tanto é que todos os 
seus irmãos estudaram. Quanto ao motivo pelo qual a participante decidiu começar a estudar, a 
mesma alegou que “vim estudar porque pra mim e pra ele (marido), ele não tem estudo, então 
ele pegou e falou assim, não agora você vai estudar pra tomar conta né, precisar de ir no 
banco, fazer alguma cobrança, alguma coisa, assim pra encaminhar né, pegar dinheiro”. 
Quanto as dificuldades enfrentadas para se manter em sala de aula, a entrevistada afirmou que 
desenvolver a leitura integralmente tem sido muito difícil. Quanto ao que mais sente 
necessidade de aprender, a entrevistada declarou ser a leitura de forma definitiva. Com relação 
ao que atrapalha seus estudos, seja em casa ou na escola, a mesma afirmou que não há nada que 
a atrapalha. Quanto à forma como os professores trabalham, ela contou que da forma como eles 
explicam a ajuda muito. Quanto as experiências vivenciadas na EJA, a entrevistada disse que 
sua maior experiência será aprender a ler por meio da EJA, para que assim possa ler a Bíblia e 
os nomes das ruas para não se perder mais. Por fim, quando pedido para descrever um pouco 
34 
sobre sua vida de uma modo geral, a participante expôs que mora com seu esposo apenas e que 
ele a apoia nos estudos. Ademais, a participante afirmou que sua vida, de uma modo geral, é 
tranquila. 
A Entrevistada 5 contou que nunca frequentou a escola por falta de oportunidade. 
Quanto ao motivo pelo qual ela decidiu começar a estudar porque “quando meu filho tinha sete 
anos, eu precisava de ajudar ele na escola e ele né [...] então foi muito difícil eu não saber pra 
mim poder passar pra ele né, pra tá ajudando”, além disso a mesma alegou que o interesse e a 
necessidade de estudar surgiram quando ela tinha 29 anos. Sendo assim, estudou por 2 anos e 
precisou parar por causa dos filhos pequenos que precisavam de seus cuidados, mas conseguiu 
repassar o pouco que aprendeu aos seus filhos. Quanto as dificuldades enfrentadas para se 
manter em sala de aula, a entrevistada afirmou ser “um pouco a canseira né, porque a gente 
chega muito cansado, porque meu serviço é puxado, eu levanto todo dia 10 pras cinco né [...] 
então a canseira é grande, mas não vou desistir jamais, né”. Quanto ao que mais sente 
necessidade de aprender, a entrevistada declarou ser a leitura e a escrita de forma definitiva, 
inclusive foi por este motivo que decidiu retornar à escola, uma vez que, em seu trabalho, ela 
precisa escrever receitas, mas não consegue. 
Com relação ao que atrapalha seus estudos, seja em casa ou na escola, a mesma afirmou 
que em casa não tem tempo de estudar e, na sala de aula, como os adolescentes fazem as 
atividades com mais facilidade ou às vezes nem fazem, eles acabam a atrapalhando com as 
conversas paralelas. Quanto à forma como os professores trabalham, ela contou que da forma 
como eles explicam a ajuda a aprender. Quanto ao que ajuda ou atrapalha quando o professor 
ensina, a entrevistada declarou que o que ajuda é a forma como o professor ensina, e o que 
atrapalha é a dificuldade que ela tem para aprender. Quanto as experiências vivenciadas na EJA, 
a entrevistada disse que gosta muito de estudar e que os professores a ajudam bastante, além do 
mais, disse que não quer desistir e que irá indicar a EJA para todos que precisam estudar após 
certa idade. Por fim, quando pedido para descrever um pouco sobre sua vida de uma modo 
geral, a participante expôs que trabalha como salgadeira o dia todo, inclusive almoça no serviço, 
por isso sua vida pessoal é bem corrida e não dispõe de tempo para estudar em casa. Ademais, 
ela contou que mora somente com seu esposo e que ele e seus filhos a apoiam e a incentivam 
nos estudos. 
A Entrevistada 6 contou que frequentou a escola até o 2º ano do ensino fundamental e 
parou quando tinha 13 anos de idade porque “na época nós viemo embora pra cá, e quando nós 
chegou aqui a escola era muito longe, e a gente tinha que trabalhar né, daí a gente desistiu de 
estudar”. Ela conta ainda que há 5 anos atrás iniciou seus estudos na CEJA, porém precisou 
Roberto Arruda
Realce
35 
parar porque engravidou aos 43 anos de idade e sua gestação era de risco. No entanto, 
atualmente,ela conta que decidiu retornar à escola pois “olha eu tô pensando na verdade no 
meu futuro né, porque eu pretendo fazer uma faculdade né, aí tipo assim, o que eu quero fazer, 
eu dependo da escola entendeu?. Quanto as dificuldades enfrentadas para se manter em sala de 
aula, a entrevistada afirmou ser a bagunça dos adolescentes na sala de aula e os seus filhos 
pequenos que precisa deixar em casa para vir à aula. Quanto ao que mais sente necessidade de 
aprender, a entrevistada declarou ser a matemática. Com relação ao que atrapalha seus estudos, 
seja em casa ou na escola, a mesma afirmou que em casa não consegue fazer as tarefas escolares 
por causa dos filhos pequenos e na escola o que mais a atrapalha são os adolescentes. 
Quanto à forma como os professores trabalham, ela contou que tal forma a ajuda a 
aprender. Quanto ao que ajuda ou atrapalha quando o professor ensina, a entrevistada declarou 
que o que ajuda é o fato de os professores serem excelentes ao darem aula e o que atrapalha é 
a dificuldade que ela tem para entender as explicações. Quanto as experiências vivenciadas na 
EJA, a entrevistada disse que a maior experiência é a oportunidade de aprendizado que está 
recebendo nesta idade, sendo que, segundo ela, enquanto a “molecada de hoje em dia não estuda 
porque não quer” ela está ali porque não teve oportunidade quando tinha a idade deles. Por fim, 
quando pedido para descrever um pouco sobre sua vida de uma modo geral, a participante expôs 
que mora apenas com o marido e os dois filhos menores, trabalha como doméstica meio 
período, cuida da casa e dos filhos, estuda no período noturno. Ademais, ela contou que seu 
marido não a incentiva nos estudos, mas não a proíbe de estudar. 
A Entrevistada 7 contou que nunca frequentou a escola pois morava na roça. Quanto ao 
motivo pelo qual ela decidiu começar a estudar, a mesma alegou que deseja aprender a ler e a 
escrever de forma definitiva. Quanto as dificuldades enfrentadas para se manter em sala de aula, 
a entrevistada afirmou não enfrentar nenhuma que a impeça de continuar. Quanto ao que mais 
sente necessidade de aprender, a entrevistada declarou ser a leitura e a escrita de forma 
definitiva. Com relação ao que atrapalha seus estudos, seja em casa ou na escola, a mesma 
afirmou que não há nada que a atrapalhe. Quanto à forma como os professores trabalham, ela 
contou que tal forma a “ajuda demais”. Quanto ao que ajuda ou atrapalha quando o professor 
ensina, a entrevistada declarou que nada a ajuda ou a atrapalha. Quanto as experiências 
vivenciadas na EJA, a entrevistada disse que a maior experiência é o estudo em si. Por fim, 
quando pedido para descrever um pouco sobre sua vida de uma modo geral, a participante expôs 
que é aposentada, mora sozinha e adora estudar e apresentar a EJA para as vizinhas e as amigas. 
Roberto Arruda
Realce
Roberto Arruda
Realce
36 
O Entrevistado 8 contou que frequentou a escola por menos de um ano pois morava em 
roça e vivia se mudando. Quanto ao motivo pelo qual decidiu começar a estudar, o mesmo 
alegou que: 
 
ah eu me sentia assim, depois que eu já tava lá no Pará, eu já tinha 
estudado lá um ano já, um ano e meio [...] aí parei, dei um tempo [...] 
aí depois que eu comecei pegar o gosto da coisa que é bom né, é muito 
bom, a gente que não sabe de nada, é tipo assim uma pessoa que é cego 
neh, sabe de nada, olha assim uma coisa e só fica olhando, tipo vendo 
uma figura, é ruim demais né eu acho que a pessoa é tipo um cego. 
 
Quanto as dificuldades enfrentadas para se manter em sala de aula, o entrevistado 
afirmou ser o fato de alguns professores chegarem na sala de aula sem nenhuma preocupação 
com a aprendizagem deles, além do fato de haver os adolescentes que estão mais avançados e, 
por isso, conseguem resolver as atividades com facilidade para posteriormente atrapalharem a 
aula. Quanto a este último fato, ele acrescentou ainda que se houvesse uma sala designada 
apenas para os mais velhos, seria muito mais aproveitador, pois cada um estaria ali focado 
unicamente em seu objetivo. Quanto ao que mais sente necessidade de aprender, o entrevistado 
declarou ser a leitura e a escrita de forma definitiva. Com relação ao que atrapalha seus estudos, 
seja em casa ou na escola, o mesmo afirmou que em casa não tem tempo de estudar e, na sala 
de aula, os adolescentes o atrapalham com a bagunça. 
Quanto à forma como os professores trabalham, ele contou que a forma como alguns 
explicam o ajuda a aprender, enquanto que a de outros não. Quanto ao que ajuda ou atrapalha 
quando o professor ensina, o entrevistado declarou que o que ajuda é quando ele consegue 
entender o que o professor explica, e o que atrapalha é quando ele não consegue aprender. 
Quanto as experiências vivenciadas na EJA, o entrevistado disse que tem sido uma experiência 
muito boa aprender aquilo que não sabia. Por fim, quando pedido para descrever um pouco 
sobre sua vida de uma modo geral, o participante expôs que mora sozinho, trabalha como 
pedreiro o dia todo, inclusive, por causa disso, almoça no serviço, portanto, quando chega da 
escola as 23:00 ainda vai cozinhar o que irá comer no dia seguinte. 
O Entrevistado 9 contou que frequentou a escola quando tinha 13 anos de idade por mais 
ou menos 01 ano, mas acabou desistindo, principalmente, porque “tinha um professor que não 
tinha paciência, ele só chamava de burro e dizia não sei o que você tá fazendo na escola, aí 
peguei e desisti”. Além disso, o entrevistado declarou que morava em serraria, o que também o 
impedia de estudar, frisando ainda que, atualmente, é mais fácil acessar a escola e mesmo assim 
muitos não dão valor. Quanto ao motivo pelo qual ele decidiu voltar a estudar, o mesmo alegou 
37 
que “ás vezes tem muita oportunidade, aí a gente que não tem estudo, aí não tem né, na empresa 
que eu trabalhei lá em Cláudia, no tempo o tanto que os patrão gostava de mim, queriam 
colocar eu como gerente, só que eu não tinha estudo”. Portanto, viu a necessidade de estar se 
qualificando. Quanto as dificuldades enfrentadas para se manter em sala de aula, o entrevistado 
afirmou não enfrentar dificuldades. Quanto ao que mais sente necessidade de aprender, o 
mesmo declarou ser a leitura e a escrita de forma definitiva. 
Com relação ao que atrapalha seus estudos, seja em casa ou na escola, ele afirmou que 
nada o atrapalha. Quanto à forma como os professores trabalham, ele contou todos os 
professores explicam muito bem. Quanto ao que ajuda ou atrapalha quando o professor ensina, 
o entrevistado declarou que o que ajuda é o fato de todos estarem concentrados e em silêncio. 
Quanto as experiências vivenciadas na EJA, o mesmo disse que vê a EJA como uma 
vantagem/benefício para pessoas como ele que tem idade igual ou maior. Por fim, quando 
pedido para descrever um pouco sobre sua vida de uma modo geral, o participante expôs que 
trabalha o dia todo e estuda à noite, além disso, mora com sua esposa e três filhas que o apoiam 
e o incentivam nos estudos. 
O Entrevistado 10 contou que frequentou por mais ou menos 01 ano quando tinha 10 
anos de idade. Na ocasião, precisou parar de estudar porque se mudou para o Mato Grosso e na 
roça onde foi morar não tinha escola perto. Ele frisou ainda a questão de não ter tido 
oportunidade de estudar quando estava na idade ideal, enquanto que hoje em dia os jovens têm, 
porém não a valorizam. Quanto ao motivo pelo qual ele decidiu voltar a estudar, o mesmo 
alegou que “interessei de estudar, pra incentivar a menina ficar firme na escola, porque tem 
vez que ela não ia pra escola [...] e porque aí eu posso montar uma empresinha pra mim”. 
Quanto as dificuldades enfrentadas para se manter em sala de aula, o entrevistado afirmou ser 
os desenhos da aula de artes, a disciplina de educação física e os adolescentes com quem divide 
a sala de aula que fazem muita bagunça e não respeitam ninguém. Quanto ao que mais sente 
necessidade de aprender,ele contou que aprendeu a ler sozinho por meio da Bíblia, então na 
escola sente mais necessidade de aprender matemática, aprimorar sua interpretação textual e 
desenvolver a escrita. 
Com relação ao que atrapalha seus estudos, seja em casa ou na escola, o mesmo afirmou 
que em casa não tem tempo de estudar por causa do trabalho e, na sala de aula, o que mais o 
atrapalha são os adolescentes. Quanto à forma como os professores trabalham, ele contou que 
da forma como eles explicam o ajuda a aprender. Quanto ao que ajuda ou atrapalha quando o 
professor ensina, o entrevistado declarou que o que ajuda é quando aparecem estagiárias na sala 
de aula que, segundo ele, dão mais atenção a eles, e quanto ao que atrapalha, ele afirmou ser os 
38 
adolescentes. Quanto as experiências vivenciadas na EJA, o participante disse que gosta muito 
de estudar e que depois que começou não pensou mais em parar, além disso, disse que o estudo 
tem lhe proporcionado muitas oportunidades. Por fim, quando pedido para descrever um pouco 
sobre sua vida de uma modo geral, o mesmo expôs que é autônomo, cria duas filhas sozinho, 
pois a mãe delas morreu, estuda à noite e não deseja interromper seus estudos. 
 
4.3 Análise dos dados 
 
Ao total, foram entrevistados 03 (três) homens e 07 (sete) mulheres com idades que 
variam de 44 a 91 anos. Vale ressaltar que, do total de mulheres entrevistadas, três não 
trabalham fora de casa e uma está aposentada, enquanto todos os outros entrevistados, inclusive 
os homens, conciliam os estudos com o trabalho, o que revalida a força de vontade destes, uma 
vez que estudar após os 40 anos de idade e trabalhar fora não é uma tarefa fácil. Nessa 
perspectiva, Tobaldo (2005, apud SÁ, 2014) afirma que “a jornada de trabalho associada a 
jornada de estudo diária pode causar uma sobrecarga estressante nos alunos”, o que configura 
um desafio: conciliar os estudos com o trabalho. Nessa perspectiva, foi possível constatar, 
inclusive, que a maioria não consegue estudar e/ou realizar tarefas escolares em casa, pois não 
possuem tempo, uma vez que, quando não estão trabalhando, estão cuidando dos afazeres 
domésticos, entre outras coisas. 
Quando questionados se estudaram quando crianças, foi possível constatar que a maioria 
frequentou a escola por pelo menos alguns dias, mas quanto aos motivos pelos quais não 
continuaram ou nunca frequentaram, estes foram iguais para todos, ou seja, a falta de escola 
perto de onde moravam e/ou a falta de oportunidade, tendo em vista que desde cedo precisaram 
trabalhar para ajudar a família, foram os principais. Isso nos revela o quanto a facilidade de 
acesso à educação mudou ao longo dos anos, ou seja, atualmente os alunos conseguem acessar 
a educação na idade correta, sem precisar enfrentar problemas como falta de escola e/ou falta 
de transporte. 
No que tange a classe social em que estes alunos se enquadram, verifiquei que, de acordo 
com a renda familiar apresentada que varia de 1 a 6 salários mínimos, alguns se encaixam na 
classe C (de 4 a 10 salários mínimos), outros na classe D (de 2 a 4 salários mínimos) ou E 
(recebe até 2 salários mínimos), cuja caracterização é determinada pelo critério de classificação 
econômica da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) e a Associação Brasileira de Empresas 
de Pesquisa (Abep). É relevante citar ainda que esse critério leva em consideração a renda 
familiar, os bens e o grau de escolaridade de cada cidadão. 
Roberto Arruda
Realce
Categoria trabalho
39 
Quanto as dificuldades enfrentadas para se manter em sala de aula, foi possível atestar 
vários desafios como cansaço, dor, sono, falta de conhecimento para resolver algumas 
atividades, o fato de a maioria dos entrevistados dividirem a sala de aula com adolescentes entre 
15 e 18 anos que os atrapalham no desenvolvimento da aprendizagem, entre outros. No que diz 
respeito aos adolescentes que se encontram inseridos na EJA, Barrios (2016) afirma que há 
pouco tempo atrás o público da EJA era composto por adultos e idosos que buscavam, 
principalmente, a alfabetização. Entretanto, atualmente, os adolescentes estão cada vez mais 
presentes nesta modalidade de ensino e, com isso, a EJA tem precisado reconfigurar suas 
turmas. Barrios (2016) ressalta ainda que a isso alguns estudiosos têm dado o nome de 
“rejuvenescimento da EJA”. 
Sobre este assunto, Brunel (2004, apud BARRIOS, 2016) nos ensina que: 
 
o rejuvenescimento da população que frequenta a EJA é um fato que vem 
progressivamente ocupando a atenção de educadores e pesquisadores na área 
da educação. O número de jovens e adolescentes nesta modalidade de ensino 
cresce a cada ano, modificando o cotidiano escolar e as relações que se 
estabelecem entre os sujeitos que ocupam este espaço (BRUNEL, 2004, apud 
BARRIOS, 2016). 
 
Fernandes (2011, apud BARRIOS, 2016) ressalta também que: 
 
O presente cenário da EJA, com a presença massiva dos adolescentes na 
modalidade, tem chamado a atenção dos especialistas que estudam a 
educação. Segundo a Revista Escola “a presença de adolescentes na Educação 
de Jovens e Adultos (EJA) no Ensino Fundamental é preocupante: quase 20% 
dos matriculados têm de 15 a 17 anos. O número de alunos dessa faixa etária 
na modalidade não tem sofrido grandes variações nos últimos anos, apesar da 
queda no total de matrículas para 28,6%. Dados da Ação Educativa com base 
nos Censos Escolares indicam que, em 2004, eram 558 mil estudantes e, em 
2010, 565 mil.” (FERNANDES, 2011, apud BARRIOS, 2016). 
 
Com isso, é possível afirmar que esta mistura de idades em uma mesma sala de aula pode sim 
interferir em vários aspectos do processo de ensino e aprendizagem. 
São diversos os motivos que trouxeram estes alunos de volta à escola, no entanto, a 
maioria afirmou que entre os principais estão: o desejo de aprender a ler e a escrever 
efetivamente e a preocupação com o futuro. Nesse sentido, foi possível constatar também que 
o que a maioria dos entrevistados mais sente necessidade de aprender é a leitura e a escrita de 
forma definitiva, uma vez que, para eles, esta habilidade configura sua inserção efetiva na 
sociedade. Além disso, eles veem a EJA como uma ferramenta propulsora de oportunidades, o 
que revela que estudar pode ajudar a conseguir um bom trabalho. Nessa perspectiva, Bernardim 
(2008, apud TEODORO e SANTOS, 2020) declara que “a escolaridade é vista como um 
40 
passaporte para o ingresso no mercado de trabalho e para ascensão na carreira, por meio de 
melhores ocupações e renda”, o que pode ser averiguado por meio das falas dos entrevistados. 
Quanto à forma como os professores trabalham, foi possível constatar que os alunos 
estão, em sua maioria, satisfeitos com tamanha atenção e compromisso por parte dos 
professores, uma vez que, eles alegaram receber boas explicações sobre os conteúdos. Mas, 
mais uma vez, quando se trata do que os atrapalha estudar quando o professor ensina, a maioria 
alegou ser os adolescentes que não se interessam pelo aprendizado e acabam atrapalhando o 
andamento das aulas com conversas paralelas. 
Com relação as experiências vivenciadas por estes alunos na EJA, por meio dos dados 
obtidos foi possível observar que eles veem a EJA como uma grande oportunidade, pois, por 
meio dela, eles objetivam terminar os estudos e enxergar um futuro melhor. Ademais, sabendo 
que muitos deles ficaram fora da escola por mais de 20 anos, é possível afirmar que retomar os 
estudos após tanto tempo é, sobretudo, sinônimo de determinação e, levando-se em 
consideração os obstáculos enfrentados para absorver os conteúdos, é importante reconhecer 
que o tempo em que ficaram afastados da escola interfere significativamente no 
desenvolvimento da aprendizagem atual dos mesmos. Portanto, é possível afirmar que são 
muitas as experiências vivenciadas por estes alunos na EJA, como também são muitas as 
dificuldades enfrentadas para se manterem em sala de aula.41 
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
O presente estudo possibilitou identificar não só as experiências vivenciadas por alunos 
com mais de 40 anos de idade da EJA, como também as dificuldades enfrentadas para se 
manterem em sala de aula. Por meio das entrevistas semiestruturadas, pude coletar os dados 
que culminaram no alcance dos resultados. Além do mais, tais resultados obtidos permitiram 
inferir que um nivelamento adequado é necessário, a fim de que cada aluno da EJA seja inserido 
em uma sala de aula cujo nível de conhecimento seja semelhante ao dos demais e, com isso, 
espera-se que muitas das dificuldades enfrentadas sejam reduzidas. 
Ademais, ao refletir sobre todo o processo de realização deste trabalho, posso afirmar 
que o que mais me chamou a atenção foi a força de vontade de continuar os estudos demonstrada 
por todos os entrevistados, o que apregoa que, apesar de todas as dificuldades enfrentadas para 
se manter na escola, a vontade de aprender os motiva. Ao refletir ainda sobre os entrevistados 
e sua permanência na escola, pude constatar que eles continuam sua vida escolar porque 
almejam aprender o que não tiveram oportunidade quando crianças, além disso, buscam 
conhecimento e aceitação para o mercado de trabalho. 
Outro fato relevante a se atentar é que grande parte dos entrevistados são mulheres que 
muitas vezes deixam a família em casa para irem à escola, configurando, assim, uma 
dificuldade, uma vez que, muitas vezes, precisam deixar as tarefas domésticas prontas antes de 
irem para a aula ou precisam realiza-las quando retornarem, após as 23:00. É importante 
ressaltar ainda que, a maioria dessas mulheres, assim como a maioria dos homens entrevistados, 
recebem total apoio e incentivo da família, o que impacta significativamente no 
desenvolvimento da aprendizagem. 
Outrossim, pude compreender que, embora a necessidade de trabalhar tenha sido um 
dos motivos para estes alunos não estudarem na idade certa, por outro lado, o desejo de 
conquistar uma posição no mercado de trabalho é também o motivo que levou a maioria a 
retomar seus estudos. Não posso deixar de mencionar, também, que a EJA passou por 
transformações que a permitiram evoluir, como fora apresentado no capítulo 3 deste trabalho, 
mas, apesar de toda a evolução, ainda há muitas coisas a serem desenvolvidas e moldadas a fim 
de proporcionar melhorias que possam garantir a permanência desses alunos na escola. 
Por fim, é relevante inferir que, no futuro, faz-se necessário um estudo mais aprofundado 
que busque averiguar também as experiências vivenciadas pelos professores e adolescentes da 
EJA, tendo em vista que estes, por meio da exposição de seus pontos de vista, podem contribuir 
com uma outra perspectiva desta temática. 
Roberto Arruda
Realce
42 
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