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Indaial – 2020 Teoria e Técnica em Publicidade e ProPaganda Prof. Luís Augusto Zillmer Cardoso 1a Edição Copyright © UNIASSELVI 2020 Elaboração: Prof. Luís Augusto Zillmer Cardoso Revisão, Diagramação e Produção: Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial. Impresso por: C268t Cardoso, Luís Augusto Zillmer Teoria e técnica em publicidade e propaganda. / Luís Augusto Zillmer Cardoso. – Indaial: UNIASSELVI, 2020. 234 p.; il. ISBN 978-65-5663-038-0 1. Publicidade. - Brasil. 2. Propaganda. – Brasil. Centro Universitário Leonardo Da Vinci. CDD 659.1 III aPresenTação A comunicação é elemento fundamental para os seres humanos. Afinal, em tudo o que fazemos, desde o nascimento até o fim de nossos dias, utilizamos a comunicação. Este costuma ser um dos motivos pelos quais a comunicação torna-se tão atraente para ser estudada. Quando falamos em campanha de comunicação, abrangemos não ape- nas a publicidade e a propaganda, mas as relações públicas e o jornalismo, e tantas outras áreas relacionadas diretamente com a comunicação social. Essa disciplina inicial do curso tem como objetivo apresentar a você os princípios da comunicação social, assim como os conhecimentos essenciais que compõem a sua formação, e também fornecer um panorama geral da atividade e possibilidades de atuação profissional. Para tanto, iniciaremos este livro didático com uma noção geral dos conceitos de comunicação, a comunicação de massa e as áreas de formação dos profissionais, que atualmente divide-se em publicidade e propaganda, relações públicas e jornalismo, e das possibilidades de estudo nos cursos tec- nólogos em comunicação institucional. Trataremos ainda, da relação das atividades de comunicação com as classes sociais, afinal, as campanhas precisam comunicar-se com distintos gru- pos sociais, com gostos, preferências e atitudes de consumo diferenciadas. Fina- lizaremos com uma visão de como a comunicação pode contribuir com o desen- volvimento econômico e social do país. A Unidade 2 destina-se a apresentar os aspectos diretamente relaciona- dos com a atividade publicitária. Assim, começaremos por definir o que é uma agência de propaganda, sua estrutura e serviços fornecidos aos clientes. Abordaremos as possibilidades de atuação dos profissionais em um mercado em constante transformação e destacaremos ainda as noções gerais que fazem com que a publicidade seja reconhecida os aspectos relacionados à prática da publicidade. A Unidade 3 está voltada para os aspectos conceituais e profissionais da atividade de relações públicas. Assim, apresentaremos um panorama da profis- são e das atividades desenvolvidas por esses profissionais. Conheceremos ainda como a comunicação e as organizações precisam interagir com os vários públicos e como relaciona-se com tantas outras discipli- nas que você cursará em sua formação e finalizaremos com uma abordagem de opinião pública e dos veículos de comunicação. IV Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novidades em nosso material. Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo. Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto em questão. Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa continuar seus estudos com um material de qualidade. Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes – ENADE. Bons estudos! Tudo isso para que você tenha um conhecimento geral sobre o curso escolhido e as possibilidades de atuação no mercado de trabalho. Também pre- tendemos, dessa forma, reforçar que a certeza da sua escolha por um curso ade- quado ao seu perfil e seus sonhos. Bons estudos! Prof. Luís Augusto Zillmer Cardoso NOTA V Olá acadêmico! Para melhorar a qualidade dos materiais ofertados a você e dinamizar ainda mais os seus estudos, a Uniasselvi disponibiliza materiais que possuem o código QR Code, que é um código que permite que você acesse um conteúdo interativo relacionado ao tema que você está estudando. Para utilizar essa ferramenta, acesse as lojas de aplicativos e baixe um leitor de QR Code. Depois, é só aproveitar mais essa facilidade para aprimorar seus estudos! UNI VI VII Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma disciplina e com ela um novo conhecimento. Com o objetivo de enriquecer seu conhecimento, construímos, além do livro que está em suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, por meio dela você terá contato com o vídeo da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementares, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de auxiliar seu crescimento. Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo. Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada! LEMBRETE VIII IX UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO À COMUNICAÇÃO ........................................................................1 TÓPICO 1 – COMUNICAÇÃO E COMUNICAÇÃO DE MASSA ..................................................3 1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................................................3 2 SISTEMAS COMPONENTES DO MERCADO ...............................................................................3 3 CONCEITO DE COMUICAÇÃO E PROCESSO DE COMUNICAÇÃO ...................................5 4 COMUNICAÇÃO DE MASSA E CONDIÇÕES PARA A EFICÁCIA DA COMUNICAÇÃO ........................................................................................................................10 RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................17 AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................18 TÓPICO 2 – AS ÁREAS DA COMUNICAÇÃO SOCIAL ...............................................................21 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................21 2 DIFERENÇA ENTRE MARKETING E COMUNICAÇÃO .........................................................21 3 ÁREAS DA COMUNICAÇÃO SOCIAL .........................................................................................25 4 CONCEITOS DE PUBLICIDADE E PROPAGANDA ..................................................................27 RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................35 AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................37 TÓPICO 3 – CLASSES SOCIAIS E COMUNICAÇÃO SOCIAL ...................................................39 1 INTRODUÇÃO.....................................................................................................................................39 2 CONCEITO E CARACTERÍSTICAS DAS CLASSES SOCIAIS .................................................39 3 FORMAS DE MEDIR UMA CLASSE SOCIAL ..............................................................................42 4 CLASSES SOCIAIS E EFETIVIDADE DA COMUNICAÇÃO ...................................................44 RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................50 AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................52 TÓPICO 4 – COMUNICAÇÃO E DESENVOLVIMENTO .............................................................55 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................55 2 PROPAGANDA E SUA INFLUÊNCIA SOBRE AS DECISÕES DOS CONSUMIDORES ..55 3 PROPAGANDA, DESENVOLVIMENTO E ÉTICA .....................................................................58 4 IMPACTO DA PUBLICIDADE NA ECONOMIA E NA SOCIEDADE ....................................60 LEITURA COMPLEMENTAR ...............................................................................................................64 RESUMO DO TÓPICO 4........................................................................................................................67 AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................69 UNIDADE 2 – PRÁTICA DA PUBLICIDADE E DA PROPAGANDA.........................................73 TÓPICO 1 – AGÊNCIA DE PROPAGANDA E SEUS DEPARTAMENTOS ...............................75 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................75 2 DEFINIÇÃO E FUNÇÕES DE UMA AGÊNCIA DE PROPAGANDA ......................................75 3 DEPARTAMENTOS DE UMA AGÊNCIA DE PROPAGANDA ...............................................81 RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................89 AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................91 sumário X TÓPICO 2 – ÁREAS DE ATUAÇÃO NO MERCADO PUBLICITÁRIO ......................................93 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................93 2 O SÍMBOLO DA PUBLICIDADE E AS FUNÇÕES DO PROFISSIONAL ...............................93 3 ÁREAS DE ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL E MERCADO DE TRABALHO .......................98 RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................108 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................109 TÓPICO 3 – NOÇÕES DE ATIVIDADE PUBLICITÁRIA ............................................................111 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................111 2 OS ANÚNCIOS E A NATUREZA DOS FENÔMENOS PUBLICITÁRIOS ............................111 3 PUBLICIDADE E A PSICOLOGIA DE COMPRA DOS CONSUMIDORES ........................116 RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................124 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................126 TÓPICO 4 – NOÇÕES DA PRÁTICA PUBLICITÁRIA .................................................................129 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................129 2 INTRODUÇÃO À COMUNICAÇÃO INTEGRADA DE MARKETING ...............................129 3 MEIOS DE COMUNICAÇÃO E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DAS MÍDIAS .........135 LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................140 RESUMO DO TÓPICO 4......................................................................................................................142 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................144 UNIDADE 3 – A PROFISSÃO E A PRÁTICA DE RELAÇÕES PÚBLICAS ..............................147 TÓPICO 1 – NATUREZA DAS RELAÇÕES PÚBLICAS ...............................................................149 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................149 2 DEFINIÇÃO DE RELAÇÕES PÚBLICAS, PÚBLICOS E ORGANIZAÇÕES ........................149 3 HISTÓRICO DAS ATIVIDADES DE RELAÇÕES PÚBLICAS ...............................................156 RESUMO DO TÓPICO 1......................................................................................................................166 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................168 TÓPICO 2 – ATIVIDADES DO PROFISSIONAL DE RELAÇÕES PÚBLICAS .......................171 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................171 2 EXIGÊNCIAS PARA DESEMPENHAR AS ATIVIDADES DE RELAÇÕES PÚBLICAS NO BRASIL ...................................................................................................................171 3 PERSPECTIVAS PROFISSIONAIS E FUNÇÕES DAS RELAÇÕES PÚBLICAS .................177 RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................184 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................185 TÓPICO 3 – NOÇÕES GERAIS DA PRÁTICA EM RELAÇÕES PÚBLICAS ...........................187 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................187 2 FUNDAMENTOS DO PLANEJAMENTO DE RELAÇÕES PÚBLICAS .................................187 3 PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO DE UM PROGRAMA DE RELAÇÕES PÚBLICAS .......191 RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................202 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................204 TÓPICO 4 – OPINIÃO PÚBLICA E RELAÇÕES PÚBLICAS EM REDE ...................................207 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................207 2 OPINIÃO PÚBLICA COMO FATOR CONDICIONANTE PARA AS AÇÕES DE RELAÇÕES PÚBLICAS .......................................................................................................................207 XI 3 NOVAS POSSIBILIDADES DE RELAÇÕES PÚBLICAS COM O USO DA INTERNET ...210 RESUMO DO TÓPICO 4......................................................................................................................218 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................220 REFERÊNCIAS .......................................................................................................................................222 XII 1UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À COMUNICAÇÃO OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • conceituar os principais termos relacionados à comunicação social; • estabelecer as áreas de formação dos profissionais de comunicação social; • demonstrar a importância das classes sociais para o desempenho das ati- vidades de comunicação; • descrever como as atividades de comunicação social contribuem para o desenvolvimento econômico e social. Esta unidade está dividida em quatro tópicos. No decorrer da unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – COMUNICAÇÃO E COMUNICAÇÃO DE MASSA TÓPICO 2 – AS ÁREAS DA COMUNICAÇÃO SOCIAL TÓPICO 3 – CLASSES SOCIAIS E COMUNICAÇÃO SOCIAL TÓPICO 4 – COMUNICAÇÃO E DESENVOLVIMENTO Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 2 3 TÓPICO 1 UNIDADE 1 COMUNICAÇÃO E COMUNICAÇÃO DE MASSA 1 INTRODUÇÃO Em nosso cotidiano, utilizamos a comunicação para nos expressarmos, atingirmos nossos objetivos e influenciarmos os outros a fazerem o que deseja- mos. Como elemento essencial aos seres humanos, precisamos iniciar pelos con- ceitos de comunicação e processo de comunicação. O tópico inicia com uma contextualização do ambiente de mercado em que se insere a comunicação e do qual ainda fazem parte o mercado, a sociedade e a economia. Na sequência, abordaremos os conceitos de comunicação e de pro- cesso de comunicação. Introduziremos, ainda, uma breve relação entre o ambiente de mercado e o processo de comunicação e tratamos também da definição de comunicação de mas- sa. Encerramos o tópico com as condições para que uma comunicação seja eficaz. Vamos começar? 2 SISTEMAS COMPONENTES DO MERCADO Você já deve ter ouvido a expressão de que a propaganda é a alma do negócio. Embora o ditado popular tenha sua validade, podemos melhorar essa afirmação ao estabelecermos que a propaganda é a arma para o negócio, pois ajuda muito na comercialização de produtos e serviços. Para melhor compreendermos o contexto em que se insere essa afirmação e a correção proposta, precisamos entender inicialmente como se compõe um siste- ma de mercado em uma sociedade e como a comunicação funciona nesse contexto. De acordo com Giorgio (2015), devemos, incialmente, situar o mercado como um sistema antropológico fruto da civilização. Ele está condicionado à his- tória intrínseca do local em que a ação de negociação e comunicação ocorrerá. A sociedade compõe-se como um sistema que abrange as particularida- des e as relações do grupo social desse local. No contexto do mercado e da socie- dade, existe ainda o sistema econômico que envolve a renda e produção para que ocorrem as negociações (GIORGIO, 2015). UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À COMUNICAÇÃO 4 Finalmente, temos um quarto sistema composto pelo universo empresa- rial, em que o uso das ferramentas de marketing e de comunicação são utilizados estão vinculados aos demais sistemas anteriores (mercado, sociedade e econo- mia), explica Giorgio (2015). Podemos visualizar esses quatro sistemas na figura seguinte para melhor compreensão do contexto no qual se encaixam o marketing e a propaganda. Vale lembrar ainda que marketing e propaganda não são sinônimos, como veremos mais adiante no decorrer da disciplina. FIGURA 1 – OS QUATRO SISTEMAS INTEGRANTES DO AMBIENTE DE MERCADO FONTE: O autor Na mesma linha de raciocínio, Martins (2010) relembra que já tentou-se dar um ar científico-arqueológico às origens da propaganda ao afirmar que o ho- mem das cavernas pendurava peles de animais na entrada de sua caverna como forma de informar que trocava o artigo com os outros. Há anos, a imprensa publicou nota que informava haver [...] na China uma casa com uma tabuleta que indicava, aparentemente, ser aquele o endereço de um alfaiate, ou equivalente, lá dos idos de 3.000 a.C. Que tal chamar, agora, ao desconhecido inventor do outdoor de Sinan- tropus Propagandisticus? Sem dúvida, qualquer destas atividades terá sido, em maior ou menor grau, algum tipo de comunicação comercial. Mas ainda não será Propaganda mesmo. Até porque o nome Propa- ganda só viria a ser difundido a partir do Congregatio Propaganda Fide ou Congregação para a Propagação da Fé, organismo que o Vaticano criou, no início do século XVII, para executar as funções bem definidas pelo próprio nome do produto (MARTINS, 2010, p. 19-20). TÓPICO 1 | COMUNICAÇÃO E COMUNICAÇÃO DE MASSA 5 Esse panorama inicial nos mostra o contexto em que ocorrem as relações de troca de objetos em uma sociedade, a economia que estuda essas relações e como o marketing e a propaganda se inserem nele. Assim, podemos partir para as definições básicas de comunicação. 3 CONCEITO DE COMUICAÇÃO E PROCESSO DE COMUNICAÇÃO Como estudado anteriormente, a comunicação integra um subsistema da sociedade. Portanto, por ser tratar de uma característica inerente aos seres huma- nos, precisamos começar por definir o que é comunicação. A comunicação pode ser entendida como um processo de transmissão de ideias entre indivíduos, segundo Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2013). Para eles, a comunicação é um processo não apenas fundamental, mas vital para os seres humanos porque: É fundamental porque toda a sociedade humana – da primitiva à con- temporânea – se baseia na capacidade do homem de transmitir suas intenções, seus desejos, sentimentos, conhecimentos e experiência, de pessoa para pessoa. E é vital porque a habilidade de comunicar-se au- menta as chances de sobrevivência do indivíduo, enquanto sua falta é geralmente considerada uma séria forma de patologia (SANT’ANNA; ROCHA JÚNIOR; GARCIA, 2013, p. 2). Da mesma forma, Lupetti (2012) reforça que a história da comunicação re- monta à da humanidade. Isso porque foi através da linguagem, seja pelos gestos ou pelas primeiras manifestações da linguagem oral, que possibilitou a transmis- são da cultura às outras gerações. Essa evolução da linguagem estabeleceu um ciclo de desenvolvimento humano e da comunicação. Não importa o meio utilizado para se comunicar, afinal, ele serve como um facilitador para a comunicação entre as pessoas. De maneira simples, Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2013) descrevem o processo de comunicação composto por um transmissor, uma mensagem e um receptor. Porém, para que a comunicação ocorra será necessário que os sinais emitidos tenham significado para os envolvidos. UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À COMUNICAÇÃO 6 FIGURA 2 – ELEMENTOS DO PROCESSO DE COMUNICAÇÃO FONTE: Terciotti e Macarenco (2009, p. 3) Como podemos constatar na figura, os elementos-chave do processo de comunicação são os seguintes: emissor, canal de comunicação, receptor, mensa- gem, código, codificação, decodificação, resposta ou feedback, ruído e ambiente. Utilizaremos a sequência de explicações de cada um dos elementos pro- posta por Terciotti e Macarenco (2009) para identificar cada um deles e verificar sua função no processo de comunicação. Vejamos: • Emissor: responsável por transmitir a mensagem codificada ao interlocutor. • Receptor: recebe, decodifica e interpreta a mensagem enviada pelo emissor. • Mensagem: informação transmitida por meio de sinais (signos) pertencentes a um código linguístico ou não. • Código: compõe-se dos sinais (signos) linguísticos ou não que devem ser comuns tanto ao emissor quanto ao receptor, bem como as regras de utilização dos sinais. Por exemplo: a língua portuguesa, com suas expressões e regras de uso. • Codificação: designa a conversão da informação na mensagem, por meio de um código adequado para transmissão através de um canal de comunicação. • Canal de comunicação: corresponde ao meio (oral, escrito, visual ou corporal) através do qual a mensagem é transmitida. • Decodificação: é o processo inverso à codificação, ou seja, corresponde à percep- ção e interpretaçãodo significado da mensagem pelo receptor. TÓPICO 1 | COMUNICAÇÃO E COMUNICAÇÃO DE MASSA 7 • Resposta: representa a reação do receptor à mensagem e faz com que o emissor saiba se a mensagem foi compreendida ou não. Por exemplo: uma curtida em uma postagem de rede social. • Feedback: significa a realimentação do processo de comunicação e o retorno dado pelo receptor. Por exemplo: o compartilhamento de uma postagem em uma rede social. Na figura apresentada anteriormente, existem outros dois elementos que não são elementos essenciais do processo de comunicação, mas que afetam di- retamente a comunicação. De acordo com Terciotti e Macarenco (2009), são eles: • Ambiente: é o contexto no qual as mensagens são transmitidas e recebidas. • Ruído: é tudo aquilo que interfere na comunicação, ocasionando perda de in- formação durante a transmissão da mensagem. Além disso, para que a comunicação alcance seu objetivo de promover ou modificar atitudes, o transmissor deve fazer com que o receptor da mensagem aceite e considere a mensagem transmitida e haja de acordo com ela, explicam Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2013). Nessa mesma perspectiva, Marquioni (2017) entende que a comunicação se estabelece por meio de um processo que deve responder a quatro questões principais: quem, diz o quê, através de que canal e com que efeito. Como nos lembram Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2013), os sinais transmiti- dos pelos códigos somente terão significado se o receptor souber interpretá-los. Você estuda- rá mais sobre isso em outras disciplinas do curso como Teorias da Comunicação e Semiótica. ESTUDOS FU TUROS Para ampliar um pouco mais essa noção do processo de comunicação e sua relação com o ambiente de mercado da propaganda, recorremos aos ensina- mentos de Pinheiro e Gullo (2005). Na figura seguinte visualizamos o processo estrutural de comunicação proposto por eles. UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À COMUNICAÇÃO 8 FIGURA 3 – PROCESSO ESTRUTURAL DE COMUNICAÇÃO FONTE: Adaptado de Pinheiro e Gullo (2005) Como constatamos na Figura 3, para que a comunicação ocorra sempre haverá a necessidade de existência de um emissor de uma mensagem que, através de um canal de comunicação, transmite uma informação a um receptor. Por sua vez, o receptor interpretará a mensagem recebida e dará um feedback ao interlocutor. Notamos que o emissor utiliza um código para compor a mensagem que, obrigatoriamente, precisa ser entendido pelo receptor para sua decodificação (PINHEIRO; GULLO, 2005). No caso de não haver o entendimento da mensagem, seja por qualquer motivo, como uma palavra desconhecida, uma falha no canal utilizado ou uma mensagem sem sentido, dizemos que houve um ruído na mensagem. Ruído é tudo aquilo que interfere no entendimento da comunicação. Esse processo de comunicação entre as pessoas pode ser adaptado ao ambiente de mercado que estudamos na parte inicial do tópico. Porém, precisamos fazer algumas adaptações a determinados elementos para entendermos sua aplicação prática em nosso cotidiano. Essas adaptações seguem a proposta de Pinheiro e Gullo (2005) e mostram que o emissor passa a ser denominado de anunciante. O anunciante investe em comunicação para que seus produtos e serviços sejam vendidos no mercado a uma determinada sociedade e economia. Da mesma forma que o processo estrutural de comunicação, Pinheiro e Gullo (2005) demonstram que a comunicação com o mercado exige que o código da mensagem seja o mesmo utilizado pelo receptor da mensagem para que ele possa fazer a correta interpretação. TÓPICO 1 | COMUNICAÇÃO E COMUNICAÇÃO DE MASSA 9 FONTE: Adaptado de Pinheiro e Gullo (2005) FIGURA 4 – PROCESSO DE COMUNICAÇÃO E SUA RELAÇÃO COM O AMBIENTE DE MERCADO A codificação da mensagem, no entanto, não será feita pelo anunciante. Para isso, ele contrata profissionais de comunicação ou uma agência de propa- ganda para criar uma mensagem atrativa, persuasiva e capaz de estimular o con- sumidor a adquirir o produto ou serviço. Outra adaptação do modelo estrutural de comunicação para o mercado reside na figura do receptor. Ele passa a ser denominado de consumidor, afinal, são os consumidores que assistem às propagandas feitas pelas agências em nome dos anunciantes. A procura pelo produto será a resposta do consumidor à mensagem en- viada pelo anunciante. Isso demonstrará que o consumidor entendeu a mensa- gem, se identificou com ela respondeu conforme o anunciante gostaria (PINHEI- RO; GULLO, 2005). Notamos ainda que o processo de comunicação adaptado ao mercado substituiu o elemento canal pelo termo mídia. Isso se deve ao fato de que as pro- pagandas são transmitidas por veículos de comunicação de massa, denominados de mídia, ressaltam Pinheiro e Gullo (2005). A explicação sobre a adaptação do processo estrutural de comunicação para o ambiente de mercado pode ser melhor compreendida com a visualização da figura seguinte. Ela refaz a esquematização do processo e introduz os elementos alterados. UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À COMUNICAÇÃO 10 Antes de encerrarmos esse tópico, convém ressaltar que o exposto por Gracioso (2002) de que a comunicação é uma rua de mão dupla. Com isso, ele quer nos mostrar que comunicar significa também receber informações. Assim: Em outras palavras, ninguém consegue comunicar-se a não ser que seja capaz de ouvir e interpretar o que diz e pensa seu interlocutor. No caso da comunicação com o mercado, isso é de uma importância capital. O mer- cado está sempre nos dizendo o que espera, precisa ou deseja. Todavia, infelizmente, nem todos conseguem ouvi-lo (GRACIOSO, 2002, p. 21). Outra ressalva importante está na denominação que demos ao termo mí- dia como sendo os veículos de comunicação de massa que levam a mensagem dos anunciantes aos consumidores. É por essa razão que trataremos da comunicação de massa em separado na sequência. 4 COMUNICAÇÃO DE MASSA E CONDIÇÕES PARA A EFICÁCIA DA COMUNICAÇÃO Entre as diversas possibilidades de transmissão de uma comunicação na sociedade, desde os primórdios com as inscrições rupestres nas cavernas, até o uso dos dispositivos móveis, uma área que sempre se destacou como objeto de estudo foi da comunicação de massa. Dispositivos móveis referem-se aos telefones celulares ou tablets. Eles tam- bém podem ser chamados pelo termo mobile. NOTA O interesse pelos estudos da comunicação de massa ganhou relevância principalmente no Século XX. Até hoje o tema é objeto de estudo em todo o mun- do por conta da sua relação com a sociedade e o consumo capitalista. Conforme Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2013), costumamos atribuir à expressão comunicação de massa as mensagens transmitidas pela televisão, pelo rádio, pelo cinema, pelas revistas, pelas histórias em quadrinhos etc. No entanto, eles alertam que não é porque utilizamos esses meios de co- municação que necessariamente ela será considerada de massa. Podemos entender melhor essa diferença a partir da própria explicação feita por eles a esse respeito: TÓPICO 1 | COMUNICAÇÃO E COMUNICAÇÃO DE MASSA 11 A transmissão em rede nacional de uma convenção política é comu- nicação massa; a transmissão, em circuito fechado, das operações de uma linha de montagem industrial, controlada por um engenheiro, não. Um filme de Hollywood é comunicação de massa; um filme do- méstico, sobre as férias da família, não o é, se sua exibição for restrita. Com o advento da internet e a possibilidade de divulgar um determi- nado produto ou marca em um site onde vídeos, fotos, sons e textos são colocados e o usuário seleciona o que quer ver e quando, pensou- -se que a comunicação de massa havia chegado ao fim. No entanto, é possível admitir que esse tipo de comunicação seja considerada de massa (em que há um grupo com alguma característica comum, mas se desconhecem as características de cada indivíduo), pois atinge, in- distintamente, inúmeras pessoas, mesmo que seja dada a cada uma delas a opção de ser objeto ou não dessa comunicação (SANT’ANNA; ROCHAJÚNIOR; GARCIA, 2013, p. 2-3). O que eles querem nos dizer sobre isso, de fato, é que não são os componen- tes técnicos que determinam se uma comunicação se caracteriza como de massa ou não. O que determinará isso será a natureza da audiência, da experiência comunica- dora e do comunicador. Por essa razão, Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2013) entendem o conceito de comunicação de massa como aquela dirigida para uma audiência relativamente grande, heterogênea e anônima e que pode ser caracterizada como pública, rápida e transitória. Embora você estudará os termos de massa e comunicação de massa em ou- tras disciplinas, buscamos apresentar ainda as características básicas da massa para efeito de estudos iniciais e para que você tenha uma noção do significado dos termos. Assim, o termo massa usado por Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2013, p. 3-4) são descritos a partir de quatro componentes sociológicos que caracterizam a massa. São eles: • Primeiro: seus membros podem vir de qualquer profissão e de todas as ca- madas sociais. A massa pode incluir pessoas de diversas posições sociais, de diferentes vocações, de variados níveis culturais e de riqueza. • Segundo: a massa é um grupo anônimo ou, mais exatamente, composto de indivíduos anônimos. • Terceiro: existe pouca interação ou troca de experiência entre os membros da massa, exceto quando fazem parte de um clube de compras e trocam experi- ências sobre o que compram e o uso que fazem dos produtos. Mas isso não invalida o componente de pouca interação entre os membros da massa. • Quarto: a massa é frouxamente organizada e não é capaz de agir de comum acordo e com a unidade que caracteriza a multidão. Mesmo com as possibi- lidades de mobilização em segundos, advindas do uso da internet, é rara a mobilização da massa. UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À COMUNICAÇÃO 12 Segundo Marquioni (2017), a denominação do público como massa torna- se essencial para a compreensão da perspectiva da teoria hipodérmica. Essa teoria trata basicamente do estímulo fornecido pela comunicação e seu efeito/resposta sobre o público. Essa teoria você estudará de maneira mais profunda na disciplina de teo- rias da comunicação. Porém, o que nos interessa a respeito da afirmação de Mar- quioni (2017) é também o seu entendimento de massa como sendo: [...] resultado dessa organização constituída por pessoas anônimas e desconhecidas, desprovidas de tradições ou regras de comportamento comuns, separadas entre si a ponto de serem privadas de estrutura organizativa, tendo, portanto, escassas possibilidades de exercer qual- quer ação ou influência recíproca (MARQUIONI, 2017, p. 27). Agora que sabemos o significado de comunicação de massa, que você ouvi- rá em muitas ocasiões do curso, precisamos também saber quais são as condições para que uma comunicação com a massa ou entre dois interlocutores seja eficaz. Para isso, encontramos em Terciotti e Macarenco (2013, p. 10) quatro con- dições essenciais para a comunicação eficaz. São elas: • Que o emissor e o receptor dominem o mesmo código, ou seja, o mesmo siste- ma linguístico (por exemplo, língua portuguesa). • Que o emissor conheça e utilize o repertório (conjunto de conhecimentos) do receptor. • Que o emissor consiga tornar comum ao receptor sua ideia ou informação para que este a compreenda. • Que o receptor compreenda a mensagem exatamente como o emissor pretendia. Essas condições serão satisfeitas quando você compreender o público que pretenda atingir com a sua comunicação. Essas questões serão abordadas, princi- palmente, na Unidade 2 da disciplina ao tratarmos dos fenômenos publicitários e o papel dos anúncios. Por enquanto, os conceitos essenciais sobre o contexto no qual se insere a comunicação, a própria definição de comunicação, do processo de comunicação e de comunicação de massa encerram por aqui. No próximo tópico, trataremos das principais áreas da comunicação social. Para iniciarmos sua trajetória no mundo da propaganda e da publicidade, que tal começar com o conhecimento da história da publicidade? É isso o que propomos com a leitura do texto a seguir que apresenta outros termos bastante comuns para a profissão e a evolução histórica da atividade publicitária no Brasil. TÓPICO 1 | COMUNICAÇÃO E COMUNICAÇÃO DE MASSA 13 A HISTÓRIA DA PUBLICIDADE Na década de 1970 a Abril Cultural lançou uma excelente Enciclopé- dia Alfabética da qual destacamos duas importantes informações. O que é um “anunciante” e o que é um “anúncio”. Anunciante: “vender sem fazer propaganda, hoje em dia, é como ten- tar pôr em marcha um trem sem locomotiva”. A expressão não é um argumento de publicitários gananciosos, mas uma verdade decorrente do desenvolvimento tecnológico, das relações eco- nômicas de oferta e procura, da concorrência comercial que obrigou os fabri- cantes a anunciarem as qualidades de seus produtos. Nesse contexto, anunciante é toda instituição pública ou privada, empresa ou pessoa que serve de uma agência de publicidade para, através de anúncios promover seus produtos ou serviços mediante o pagamento de honorários previstos por lei. Para isso, o anunciante reserva anualmente uma verba, fixada por um desses quatro métodos: reservar uma porcenta- gem que traz a vantagem de partir de um dado concreto, e a desvantagem de considerar o ano seguinte idêntico ao ano passado, o que jamais acon- tece devido à depreciação da moeda e às flutuações do mercado; reservar uma porcentagem sobre os rendimentos previstos, método mais realista, po- rem igualmente impreciso: via de regra, as variações no volume de vendas são desprezadas, tornando este método o mais usado; determinar a verba de acordo com os objetivos da campanha publicitária, método ideal porque dá certa autonomia à estipulação da verba que passa a atuar como fator de dinamização de um programa de vendas; e verba de investimentos: é uma variante do método anterior, fixando o objetivo nos resultados futuros que serão propiciados pela aplicação da verba; é particularmente empregado no lançamento de novos produtos , abertura de filiais ou manutenção de uma posição no mercado. O investimento em propaganda depende do ramo de negócio: a por- centagem gasta pelas fabricas de bebidas é de aproximadamente 10% das vendas, enquanto a da indústria de petróleo emprega apenas 1%. A exemplo da ANA (Association of National Advertisers), fundou-se no Rio de Janeiro, em 1959, a ABA (Associação Brasileira de Anunciantes) atualmente com sede em São Paulo. É uma sociedade civil sem fins lucrativos, tendo por objetivo congregar todos os anunciantes numa orientação uniforme para as atividades publicitárias, estabelecer um intercâmbio de experiências e informações, fomentar o aprimoramento técnico no assunto, proporcionar um maior rendimento das verbas aplicadas e, concomitantemente, promover a defesa do interesse comum de seus associados. UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À COMUNICAÇÃO 14 Anúncio Qual é a atitude dos consumidores em relação a determinado produto? Quais as necessidades psicológicas ou concretas que esse produto é capaz de satisfazer? De que forma os possíveis compradores costuma adquiri- lo? Essas questões, levantadas durante o planejamento de “marketing” ou análise do mercado – ponto inicial de uma campanha publicitária –, encontram sua resposta definitiva no anúncio, que é o meio de divulgar ou promover produtos, serviços, empresas, pessoas e instituições. Embora seja mais frequente a designação de anúncio para as mensagens impressas, feitas através de jornais e revistas, o termo também é valido para rádio, televisão, cinema e “outdoor” (propaganda ao ar livre). No caso do rádio, os textos publicitários falados são chamados de “spots” e as músicas cantadas, de “jingles”. Na TV o anúncio recebe o nome de comercial e pode ser “ao vivo” (hoje em desuso), gravado em “vídeo tape”, filme ou desenho animado. Nos cinemas sujeitos a limites legais de tempo, aparecem os “filmlets”, enquanto em “outdoor”os anúncios são representa- dos por cartazes, painéis pintados, luminosos de fachada ou ainda grandes conjuntos com luzes em movimento. Há ainda outras formas de anúncio, como a mala direta (carta im- pressa entregue por correio para uma faixa selecionada da população). Uma classificação possível para os anúncios é a seguinte: • Anúncios promocionais de vendas – têm por objetivo oferecer um produto ou serviço descrevendo suas qualidades e criando, na apresentação, um apelo que que envolve a vaidade, o prestígio social, os impulsos sexuais e afetivos do consumidor: • Anúncios institucionais – têm por finalidade estabelecer uma imagem fa- vorável da empresa, instituição ou órgão público que anuncia, seja afas- tando uma possível má impressão, ou seja criando condições para uma melhor integração na comunidade; e • Anúncio testemunhal – tem por objetivo reforçar o poder de persuasão da mensagem, através do depoimento ou testemunho de uma pessoa, identi- fica com um produto, empresa ou instituição. • Embora alguns se destinem a veículos específicos, esses tipos de anúncios podem ser usados em todos os meios de comunicação. A eficácia da comu- nicação publicitária está intrinsecamente ligada à qualidade do anúncio (apelo, título, texto, ilustração, etc.) e ao seu tamanho, tempo ou frequ- ência. Mas depende igualmente de todos os passos anteriores dados na campanha: determinação dos chamados fatos pertinentes; definição dos objetivos; fixação de verba; criação do anúncio propriamente dito; inserção nos veículos de comunicação, ou “media”. TÓPICO 1 | COMUNICAÇÃO E COMUNICAÇÃO DE MASSA 15 Entre os fatos pertinentes, estão os hábitos do consumidor, as carac- terísticas do mercado a ser atingido, do produto ou serviço a ser anunciado, além da experiência publicitária anterior. Esses dados levam ao estabeleci- mento da motivação correta para a criação de um anúncio eficaz. Pesquisas mostram que o consumidor tende a racionalizar seus motivos de compra: afirma que escolheu determinada marca de automóvel por causa de uma vantajosa proporção gasolina/quilometragem quando as razões podem ser mais sutis como, por exemplo, despertar a invejados amigos ou vizinhos. Daí o largo emprego, nos anúncios, de motivações psicológicas como atração sexual, superação do medo, prestígio social, amor pela família etc. conhecer detalhes da localização e composição do mercado ajuda a escolher o veículo mais apropriado para alcançar os consumidores potenciais, sendo importan- te determinar onde esse veículo circula, com que atenção o público o lê ou vê, se paga para obtê-lo ou se pelo contrário o recebe gratuitamente. Relativamente ao próprio anúncio, distinguem-se três fases, todas refe- ridas a sua meta primordial que é o consumidor: 1) atrair sua atenção e interes- sá-lo; 2) despertar seu desejo pelo produto ou serviço anunciado; e 3) induzi-lo a comprar, preferir ou simplesmente reconhecer e aceitar um determinado pro- duto ou serviço. Em função dos objetivos da campanha, o criador do anúncio conta com uma série de recursos. No caso de um anúncio impresso, ele tem a sua disposição: os títulos (segundo estatísticas americanas, um bom título é res- ponsável por 25% do efeito total), ”slogans”, ilustrações, legendas, as cores, o estilo dos tipos gráficos a serem empregados, a proporção entre texto e espaço em branco, bem como as marcas registradas do anunciante: símbolos (como figuras estilizadas de animais) ou logotipos (a sigla do produtor escri- ta de maneira facilmente reconhecível). Alguns anúncios são essencialmente visuais, como os de moda, nos quais a ilustração mostra ao leitor como é o produto, que tipo de pessoa pode ou deve usá-lo e em qual ambiente ele se integra. O impacto visual de um anúncio serve para atrair a atenção do público visado, informar sobre o pro- duto, e despertar suficiente interesse para a leitura do texto complementar. Depois que a pesquisa publicitária definiu o mercado a ser atingido e os consumidores potências de um produto ou serviço, escolhe-se o veículo mais adequado para a transmissão da mensagem e, em seguida, prepara-se o anúncio em função desse meio. Uma seleção descuidada do veículo publi- citário pode provocar grandes prejuízos. Para uma escolha inteligente dos meios de difusão é preciso conhecer a quantidade de público que se deseja al- cançar, seus hábitos e sua localização; quanto custa o anúncio por comprador potencial (dividindo o custo da mensagem pela circulação do meio escolhido – leitores ou ouvintes efetivos); que prestigio ou influencia tem esse meio. Quando se trata de um produto novo, que requer uma grande publicidade UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À COMUNICAÇÃO 16 nacional, os meios principais não serão os cartazes ou painéis de rua, mas os diários e revistas. Se é mister que o produto seja visto, não será conveniente o uso do rádio, embora um produto ou uma embalagem atraente possam ser objeto de vivas descrições orais. A oportunidade também constitui um fator de importância. Algumas horas de antecedência bastam para inserir um anúncio em jornal ou em rá- dio. As revistas, entretanto, requerem maior espaço de tempo e, nos casos de revistas importantes, são necessárias de quatro a oito semanas para colocar o anúncio, sem mencionar o tempo necessário para sua preparação. FONTE: MEMÓRIA DA PROPAGANDA. A história da Publicidade. [20--]. Disponível em: https://bit.ly/3dr5wXs. Acesso em: 4 de out. 2019. 17 Neste tópico, você aprendeu que: • O mercado é um sistema antropológico fruto da civilização condicionado ao local em que a ação de negociação e comunicação ocorrem. • A sociedade compõe-se como um sistema que abrange as particularidades e as relações do grupo social de um determinado local. • O sistema econômico envolve a renda e a produção para que ocorram as negociações. • O sistema empresarial engloba as ferramentas de marketing e de comunicação. • A comunicação pode ser entendida como um processo de transmissão de ideias entre indivíduos. • A história da comunicação compreende a própria história da existência huma- na, pois foi a comunicação que permitiu a transmissão às demais gerações. • O processo de comunicação é composto por um transmissor, uma mensagem e um receptor, além de um conjunto de sinais com significado comum entre os envolvidos. • O processo de comunicação pode ser entendido como quem diz o quê através de que canal e com que efeito. • Um ruído em um processo de comunicação inclui tudo o que prejudica o en- tendimento da mensagem. • O processo de comunicação entre as pessoas pode ser adaptado à comunicação com o mercado com a diferença de que o anunciante passa a ser o emissor, o consumidor torna-se o receptor e o feedback ocorre com a compra do produto. • A mídia compreende os meios de comunicação de massa. • O termo comunicação de massa não se caracteriza pelo meio de transmissão da mensagem, mas pela natureza da audiência da mensagem. • A comunicação de massa é aquela dirigida para uma audiência relativamente grande, heterogênea e anônima e que pode ser caracterizada como pública, rápida e transitória. • Existem quatro condições essenciais para que uma mensagem seja eficaz: o conheci- mento do código, o uso do mesmo repertório, a capacidade de tornar comum a in- formação e que o receptor compreenda a mensagem transmitida de maneira correta. RESUMO DO TÓPICO 1 18 1 A comunicação de massa teve o seu apogeu na segunda metade do Século XX. No uso popular, o termo evoca imagens de televisão, rádio, cinema, jornais, re- vistas, histórias em quadrinhos etc. Mas a comunicação de massa não é sim- plesmente sinônimo de comunicação por intermédio de rádio, TV ou qualquer outro meio. A partir do contexto apresentado por Sant’Anna; Rocha Júnior e Garcia (2013), avalie as asserções a seguir a respeito da comunicação de massa: I- A comunicação de massa é dirigida para uma audiência relativamente grande, heterogênea e anônima. Ela pode ser caracterizada como pública, rápidae transitória. II- Os quatro componentes sociológicos que identificam a massa são: indiví- duos de todas as profissões e camadas sociais; indivíduos anônimos; existe pouca interação entre eles; a massa é frouxamente organizada. III- Toda comunicação transmitida por um meio de comunicação, tal como rádio, televisão, cinema, jornais, revistas ou histórias em quadrinhos, por exemplo, caracteriza uma comunicação de massa. É CORRETO o que se afirma em: a) ( ) I, apenas. b) ( ) II, apenas. c) ( ) II e III, apenas. d) ( ) I e III, apenas. e) ( ) I e II, apenas. 2 Relacione a segunda coluna de acordo com a primeira: (1) Emissor (2) Receptor (3) Mensagem (4) Canal (5) Resposta ou feedback (6) Ambiente (7) Ruído ( ) Contexto onde ocorre a comunicação. ( ) Aquele que decodifica e interpreta a mensagem. ( ) Interferência que leva à perda de infor- mação na transmissão da mensagem. ( ) Reação do receptor à mensagem do emissor. ( ) Quem codifica a mensagem. ( ) Estrutura organizada de sinais perten- centes a um código. ( ) Meio físico que propaga a mensagem. A alternativa correspondente à sequência CORRETA é: a) ( ) 4, 5, 6, 7, 2, 1, 3. b) ( ) 6, 2, 7, 5, 1, 3, 4. c) ( ) 5, 4, 3, 1, 6, 7, 2. d) ( ) 7, 3, 2, 4, 5, 6, 1. e) ( ) 3, 1, 4, 2, 7, 5, 6. AUTOATIVIDADE 19 3 Considerando o modelo sistêmico do processo de comunicação e adaptan- do-o à comunicação mercadológica, avalie as asserções a seguir: I- O anunciante responde pelo papel de receptor da mensagem e o consumi- dor está na condição de emissor. II- O processo de codificação da mensagem fica sob a responsabilidade de uma agência de propaganda, que usa como meio de comunicação a mídia. III- O feedback da mensagem ocorre pela procura do produto ou lembrança da marca. IV- O consumidor se encarrega da função de receptor da comunicação e faz a decodificação da mensagem. É CORRETO o que se afirma em: a) ( ) I e IV, apenas. b) ( ) II e III, apenas. c) ( ) III e IV, apenas. d) ( ) II, III e IV, apenas. e) ( ) I, II e III, apenas. 4 Para que uma comunicação seja eficaz, é necessário satisfazer a quatro con- dições essenciais. Nesse sentido, avalie as asserções a seguir e a relação pro- posta entre elas. I- O sistema linguístico deve ser dominado tanto pelo emissor como pelo re- ceptor da mensagem. PORQUE II- Ao tornar comum uma mensagem é preciso que o receptor compreenda exatamente da forma pretendida pelo emissor. A respeito dessas asserções, assinale a opção CORRETA: a) ( ) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I. b) ( ) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justi- ficativa da I. c) ( ) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. d) ( ) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. e) ( ) As asserções I e II são proposições falsas. 20 21 TÓPICO 2 AS ÁREAS DA COMUNICAÇÃO SOCIAL UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO Alguns termos utilizados em marketing e comunicação costumam gerar con- fusão ou têm significados e práticas bastante diferentes. É muito comum as pessoas se referirem à propaganda como marketing ou ainda usarem os termos publicidade e propaganda. Por esse motivo, começaremos o tópico apresentando os conceitos essenciais para contextualização do marketing e suas diferenças para a comunicação. Veremos como a comunicação funciona como uma ferramenta tática das ações de marketing. Na sequência, trataremos de apresentar um breve panorama da comunicação social no Brasil e as três principais linhas de formação. Ao final do tópico esclarece- remos as distinções conceituais e práticas entre os termos e ações de publicidade e propaganda. 2 DIFERENÇA ENTRE MARKETING E COMUNICAÇÃO Quantas vezes você ou algum conhecido seu já se referiu a um comercial de uma determinada como sendo o marketing dela? Esse equívoco é bastante comum e gera muita confusão entre as pessoas, principalmente porque a comunicação é uma ferramenta do marketing. Porém, o conceito de marketing é mais amplo e envolve muito mais do que a comunicação da empresa com seus consumidores. O marketing está acima da comu- nicação entre as práticas empresariais, enquanto a comunicação está subordinada à estratégia de marketing. Para melhor compreensão dessas diferenças de termos, precisamos retomar a ideia inicial de que o mercado é um sistema fruto da civilização e que a sociedade é outro sistema que interage com o mercado por conta das relações de trocas de mer- cadorias entre as pessoas. Ainda nesse ambiente, a economia aparece como um sistema que estuda es- sas relações de troca e o marketing e a comunicação funcionam como elementos do sistema empresarial. Esses conceitos foram trabalhados na parte inicial da disciplina. UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À COMUNICAÇÃO 22 Assim, temos que as empresas são organismos socioeconômicos capazes de ofertarem produtos e serviços com a finalidade de satisfazer as necessidades e desejos das pessoas em uma determinada sociedade (PINHEIRO; GULLO, 2005). Dessa forma, as empresas criam riqueza e atendem aos interesses da so- ciedade. Para isso, as organizações precisam ser bem administradas. A função da administração em uma empresa, segundo Pinheiro e Gullo (2005), consiste em harmonizar os recursos, pessoas e informação. Na estrutura de uma organização, algumas funções e processos são essen- ciais para garantir o seu funcionamento. Entre eles estão a produção, responsável pela manufatura dos produtos; os recursos humanos, composto pelas pessoas envolvidas; as finanças, que garantem o fluxo de entrada e saída de dinheiro; e o marketing (PINHEIRO; GULLO, 2005). FIGURA 5 – ESTRUTURA DA EMPRESA E AS PRINCIPAIS FUNÇÕES ORGANIZACIONAIS FONTE: Adaptado de Pinheiro e Gullo (2005) TÓPICO 2 | AS ÁREAS DA COMUNICAÇÃO SOCIAL 23 Das quatro funções apresentadas, e das quais não estabelecemos a sua res- ponsabilidade, foi justamente a de marketing. Isso foi propositalmente feito porque temos interesse em saber o que significado de marketing e suas atribuições em uma organização. A Associação Americana de Marketing (AMA) define marketing como “o processo de planejamento e execução de conceitos, precificação, promoção e distri- buição de bens, ideias e serviços para criar trocar que satisfaçam os objetivos dos indivíduos e das empresas” (LUPETTI, 2012, p. 7). Na prática, isso compreende o estudo de mercado para produzir bens e ser- viços que sejam de interesse dos consumidores, para que as pessoas comprem, e as- sim a organização obtenha lucro e consiga manter-se no mercado por mais tempo. Nesse sentido, as empresas precisam fabricar um produto, que pode ser um bem físico ou um serviço; estabelecer um preço adequado ao que as pessoas se dispõem a pagar por ele; abrir um canal de distribuição para disponibilizar o produto ao público e promover a sua existência para que as pessoas saibam de sua existência e se interessem pela sua aquisição. Para operacionalizar o marketing, segundo Pinheiro e Gullo (2005, p. 20), será necessário: • Pesquisar continuamente as necessidades e os desejos dos consumidores. • Planejar e implantar de forma integrada os componentes de marketing: produ- to, preço, distribuição e comunicação. • Alcançar uma lucratividade que propicie a taxa de retorno sobre os investimen- tos objetividade pela empresa, através da satisfação desejada pelo consumidor. Para isso, o marketing se utiliza de quatro ferramentas que foram uma das mais importantes contribuições de Jerome McCarthy para o marketing. Essas quatro ferramentas recebem o nome de mix de marketing e são produto, preço, praça e promoção (CORRÊA, 2004). Dentro do mix de marketing, tradicionalmente denominados de quatro Ps do marketing, o produto especifica as características do bem ou serviço; o preço determina o valor nominal, descontos e formas de pagamento; a praça refere-se aos locais de distribuição e venda; e a promoção se dá pela divulgaçãopara o pú- blico consumidor. A figura seguinte demonstra os quatro Os e suas atribuições. UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À COMUNICAÇÃO 24 FIGURA 6 – COMPONENTES DE MARKETING FONTE: Adaptado de Pinheiro e Gullo (2005) Podemos notar que o termo promoção, utilizado nos quatro Ps do marke- ting, tem o sentido de amplo de divulgar, propagar uma ideia, publicar uma informação e comunicar-se com o consumidor (CORRÊA, 2004). Ele difere da ação de promoção de desconto no preço, como veremos adiante. No contexto do marketing, o P da promoção também pode receber o nome de comunicação mer- cadológica de marketing, cuja expressão refere-se a: O processo de comunicação mercadológica é uma cadeia que envolve os diversos públicos: a empresa comunica-se com os revendedores, público final e demais públicos; estes comunicam-se entre si e com a empresa. Vale ressaltar que para cada público a empresa desenvolve tipos, formas, mensagens, linguagens e canais de comunicação completamente diferen- tes, conforme os objetivos que pretende atingir e as razões de compra e os benefícios que cada público espera obter. Devemos, ainda, lembrar que a comunicação não age isolada; todo o mix de marketing age em conjunto, em ações coordenadas que auxiliarão e interferirão no resultado da co- municação, passando o conceito e o estilo do produto, caracterizando sua qualidade e direcionamento para os diversos públicos e interferindo na sedimentação de sua imagem; assim, agem o próprio produto, seu preço e os canais de distribuição (COSTA; CRESCITELLI, 2007, p. 53). Portanto, podemos perceber que a comunicação mercadológica é uma fer- ramenta estratégica de marketing. A comunicação contribui, junto com o produto, seu preço e suas formas de distribuição, para que a empresa atinja os resultados TÓPICO 2 | AS ÁREAS DA COMUNICAÇÃO SOCIAL 25 de vendas e lucratividade. Agora que já sabemos a diferença entre marketing e comunicação, descobriremos as razões de usarmos o complemento social e quais são as possíveis áreas de formação de um profissional de comunicação. Tudo isso será abordado na sequência do tópico. 3 ÁREAS DA COMUNICAÇÃO SOCIAL Ao escolher o seu curso, você deve ter notado a existência de uma varie- dade de cursos de Comunicação Social no Brasil. Aqui mesmo, na UNIASSELVI, oferecemos o curso de Comunicação Social – Publicidade e Propaganda e também o de Comunicação Social – Relações Públicas. Para entendermos melhor as razões disso, começaremos por definir o que é a comunicação social e por que, se a comunicação só existe entre as pessoas, ela recebe o complemento de social. A Comunicação Social é uma área do conhecimento humano responsável por pesquisar a comunicação humana e suas relações entre as pessoas na socieda- de. Por isso, chamamos de Comunicação Social, por buscar entender as relações de comunicação na sociedade. No Brasil, os cursos superiores de Comunicação Social são regidos pelo Ministério da Educação (MEC) através das diretrizes curriculares por ele estabe- lecidas e para todas as habilitações possíveis de formação na área de comunicação. Através do Parecer CNE/CES n° 492/2001, o MEC estabelece o perfil dos formandos em cada uma das habilitações, as competências e habilidades esperada dos acadêmicos, os conteúdos curriculares básicos e específicos, os estágios e ativi- dades complementares e as formas de avaliação dos cursos. Acadêmico, você pode acessar o Parecer do Conselho Nacional de Educação para ler o detalhamento das diretrizes para os cursos de Comunicação Social. O documento está disponível em: http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/CES0492.pdf. DICAS UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À COMUNICAÇÃO 26 O acadêmico que se forma em Comunicação Social é denominado comuni- cólogo. Ele fica apto a produzir, editar e transmitir informações nas mais diferentes linguagens e mídias, usando as técnicas estudadas e em acordo com o código de ética da profissão. De acordo com Felippe (2019), a profissão de comunicador social sofreu grandes transformações com a evolução tecnológica e advento da internet e mídias sociais. Isso abre novas oportunidades e desafios para os futuros profissionais. Os cursos de Comunicação Social são estruturados por diferentes habilita- ções, cujas finalidades descrevemos na sequência baseados nas diretrizes do Minis- tério da Educação: • Publicidade e Propaganda: é uma atividade profissional dedicada à difusão pú- blica de ideias, produtos ou serviços. O objetivo é levar ao conhecimento público as informações de produtos ou serviços para que eles sejam consumidos ou ain- da para formar a imagem institucional da marca. O profissional atua com pes- quisas de mercado, definição de estratégias de comunicação, criação e produção de peças e campanhas publicitárias e planejamento de ações de comunicação. • Relações Públicas: consiste em uma variedade de funções a serem exercidas para as organizações, públicas ou privadas, sempre com vistas à manutenção do equilíbrio entre elas e os públicos com os quais interagem. O profissional desenvolve pesquisas de opinião, auditorias de imagem e estabelece programas de comunicação. • Jornalismo: tem como finalidade a observação e descrição de fatos (reportar as informações) e consiste em lidar com notificas, dados factuais e divulgação de informações. O profissional coleta, redige, edita e publica as informações. • Radialismo: gera produtos audiovisuais que compreendem roteiros ou ori- ginais para realização dos mais variados projetos. Os profissionais adaptam originais, respondem pela direção, realização e transmissão dos programas au- diovisuais, editam e finalizam os programas analógicos ou digitais. • Cinema (Cinema e Televisão): abrange a produção cinematográfica em suas especialidades, como direção de vídeo, de arte, de fotografia, roteirização, ani- mação, montagem e finalização de audiovisuais. Os profissionais trabalham com técnicas audiovisuais em cinema ou televisão. • Editoração: compreende o domínio dos processos de edição de texto, das es- truturas de linguagem e para as competências visual e multimídia. Os profis- sionais trabalham com produção de materiais didáticos, compilações de textos, críticos e criação de histórias. Além dos cursos de graduação, o MEC possibilita que as instituições ofe- reçam os cursos superiores de tecnologia, chamados de tecnólogos. Nessa moda- lidade existem diversos cursos relacionados à comunicação e ao marketing, tais como nos informa o MEC (2016): TÓPICO 2 | AS ÁREAS DA COMUNICAÇÃO SOCIAL 27 • Marketing. • Jogos digitais. • Comunicação assistiva. • Design de animação. • Design de produto. • Design gráfico. • Fotografia. • Produção audiovisual. • Produção fonográfica. • Produção multimídia. • Produção publicitária. Todas as habilitações incluem um conjunto de disciplinas básicas e espe- cíficas, tais como teoria da comunicação, semiótica, redação, produção de áudio e vídeo, fotografia, design gráfico, psicologia, marketing, pesquisa de mercado, comportamento do consumidor e outras tantas. As primeiras escolas profissionalizantes para o estudo da comunicação surgiram no Brasil em 1967 com a criação da Associação Brasileira de Comunica- ção Empresarial (ABERJE). Foi uma associação criada e voltada mais para o perfil dos profissionais de relações públicas. Como nos lembra Torquato (2002), os primeiros cursos superiores de Co- municação Social no Brasil surgiram na década de 1970 para as habilitações de jornalismo e relações públicas. Na década de 1980, foram criados os primeiros cursos superiores de publicidade e propaganda. Assim, temos um panorama geral da comunicação social e suas habilita- ções, afinal, você precisa conhecer a sua futura área de atuação para reforçar que fez a escolha certa para o seu futuro profissional. Mesmo com toda essa noção sobre a comunicação social e habilitações dos cursos, você ainda deve estar se questionando por que a área de propaganda vem sempre com os termos publicidade e propaganda associados.Para fazermos esse esclarecimento, causador de muita polêmica e confu- são no uso dos termos, finalizaremos o tópico com os conceitos de publicidade e propaganda e estabeleceremos as diferenças entre eles e o uso dado em nosso curso. 4 CONCEITOS DE PUBLICIDADE E PROPAGANDA No início deste livro, afirmamos que a propaganda é uma arma para o negócio. Isso se deve ao fato de que ela apoia as vendas através da divulgação das informações dos produtos e serviços de uma empresa para o público desejado pela organização. UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À COMUNICAÇÃO 28 No entanto, Pinheiro e Gullo (2005) reforçam que a propaganda ajuda nas vendas. Porém, ela não deve ser vista como a única responsável pela comerciali- zação dos produtos e serviços. O objetivo principal da propaganda consiste em criar a imagem da marca e do produto. Assim: Na terminologia da comunicação, quando nos expressamos que uma propaganda não vendeu, queremos dizer que esta não passou a ideia do que queríamos para o produto, ou seja, que o nosso público-alvo não entendeu a mensagem que se pretendia para a marca, que não fo- ram passados os seus atributos e seu benefício básico não foi valoriza- do, e, não propriamente, que ela não vendeu o produto. O seu objetivo básico é passar a mensagem correta de acordo com seu conteúdo ne- cessário, para se criar a imagem ou continuar mantendo sua imagem, sua aceitação, sua preferência e sua presença na mente do consumidor (PINHEIRO; GULLO, 2005, p. 46). Isso reforça que a comunicação é apenas uma ferramenta do marketing e que, para ser vendido, um produto depende das demais ferramentas mercadoló- gicas do marketing, como produto, preço e praça. Com relação à promoção, as ações de divulgação dos produtos e serviços geralmente precisam convencer e promover uma ideia. Nesse sentido, as pessoas costumam referir-se à propaganda como sinônimo de publicidade e vice-versa. Mas serão mesmo? Segundo Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2013, p. 59), as diferenças en- tre termos começam nas origens das palavras. Conforme eles, temos: • Publicidade: deriva do termo latim publicus (público) e designa a qualidade do que é público. Significa o ato de vulgarizar, de tornar público um fato ou uma ideia. • Propaganda: também deriva do latim propagare e foi usado amplamente pela Igreja Católica para propagar a fé católica. O termo propagare deriva de pangere, cujo significado está em enterrar, mergulhar, plantar. A propaganda pode ser definida como a propagação de princípios e teorias. Dos dois conceitos, Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2013, p. 60) con- cluem que: • A publicidade é um meio de tornar conhecido um produto, um serviço ou uma marca. • Seu objetivo é despertar, nos consumidores, o desejo pela coisa anunciada, ou des- tacar aspectos que diferenciam o produto de seus concorrentes, ou o aumento de seu valor junto ao target (público-alvo). • Ela faz isso abertamente, sem encobrir o nome e as intenções do anunciante. • Os anúncios são matéria paga. Para eles, a publicidade é uma técnica de comunicação de massa, carac- terizada por ser paga, com a finalidade de informar o consumidor e motivá-lo a adquirir o produto ou serviço. Ela serve para informar o público com economia, velocidade e volume maiores do que outros meios. TÓPICO 2 | AS ÁREAS DA COMUNICAÇÃO SOCIAL 29 Mas nem sempre a publicidade é suficiente para convencer alguém a con- sumir um produto ou aderir a uma ideia. Muitas vezes, será necessário plantar essa ideia na cabeça da pessoa para que ele seja convencido daquilo que se afirma no anúncio, ou seja, é preciso mudar sua opinião. Nesse sentido, em uma visão mais ampla para as distinções de publicidade e propaganda, Rizzo (2003) recorda que os norte-americanos identificam os anúncios pagos como advertising e as divulgações com o termo publicity. “A parte técnica da comunicação pode ser chamada de publicidade, atenden- do a um caráter comercial, sendo parte de um conjunto de meios que a empresa adota para levar o produto, ou o serviço ao consumidor e, ainda, um meio de comu- nicar-se com a massa”, explica Rizzo (2003, p. 63). A fim de deixar ainda mais claras as distinções entre publicidade e propa- ganda, Rizzo (2003) apresenta as características diferenciadoras entre os termos. Re- lacionamos essas características no quadro seguinte para que possamos compará-los. Essa é a maneira utilizada no mercado de trabalho pelos profissionais da atualidade. QUADRO 1 – CARACTERÍSTICAS DA PROPAGANDA E DA PUBLICIDADE FONTE: Adaptado de Rizzo (2003, p. 64-65) PROPAGANDA PUBLICIDADE · Informar e persuadir. · Ser paga. · Ter a presença ostensiva do patrocinador. · Haver controle do anunciante sobre a mensagem. · O anunciante ser o emissor da mensagem. · A mensagem ter menor credibilidade. · Informar. · Ser gratuita. · Não haver, explicitamente, o patrocinador. · O produtor da matéria não tem controle sobre ela. · O próprio veículo é o emissor. · Há uma maior credibilidade sobre a matéria. Verifica-se, a partir das características apresentadas qual ferramenta, propaganda ou publicidade, poderá ser utilizada pelos profissionais de marketing em casos distintos. As organizações querem estar pre- sentes nas mídias e buscam publicidade de boa qualidade para tal fornecendo, frequentemente, material na forma de comunicados à im- prensa, entrevistas coletivas e fotografias (RIZZO, 2003, p. 67). Para exemplificar essa distinção, que também é amplamente difundida e aceita entre os profissionais de marketing, podemos recorrer ao seguinte exem- plo. Um banco investe para transmitir um anúncio em uma determinada emisso- ra de televisão através da propaganda. Quando esse mesmo banco patrocina um time de futebol e os jogadores dão uma entrevista coletiva à imprensa, usando bonés ou camisetas com a marca do ban- co e são registrados nas fotos dos jornais e imagens de televisão, ocorre a publicidade. Como nos lembra Gobe et al. (2004), a propaganda é toda forma de comuni- cação paga em que o patrocinador (aquele que paga) pode ser identificado, enquanto a publicidade é toda forma de comunicação não paga e obtida de maneira indireta. UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À COMUNICAÇÃO 30 Na mesma linha de raciocínio, Limeira (2004, p. 302) define a publicidade como “a divulgação de informações sobre as atividades da empresa e seus produ- tos por intermédio da imprensa, para o público-alvo, sem custo adicional”. Por propaganda, Limeira (2004) tem o mesmo entendimento de que se tra- tar de uma forma impessoal de mensagem dirigida a um público-alvo, paga por um patrocinador identificado, veiculado em meio de comunicação de massa, que visa criar imagem ou estimular o consumo. Assim, costumamos adotar essa diferença entre os termos publicidade e propaganda e que serão úteis no decorrer do seu curso e de toda a sua vida profis- sional. Com essa distinção, encerramos o segundo tópico da unidade. Mas ainda temos assuntos a tratar logo a seguir! A polêmica entre as diferenças sobre o uso dos termos publicidade e propa- ganda vem de longa data. Para aprofundar o debate e tornar ainda mais evidente as diferenças e as razões pelas quais isso ocorre no Brasil, recomendamos a leitura seguinte. Vale a reflexão! É PUBLICIDADE OU PROPAGANDA? A maioria das pessoas não sabe definir publicidade – incluindo os donos de agência, os publicitários, os estudantes de publicidade, muitos pro- fessores de comunicação, editores de livros, tradutores, gerentes e diretores de marketing, anunciantes e jornalistas. E confundem publicidade e propaganda, como se fossem sinônimos. Pois não o são! Mesmo! “Publicidade é a criação e a veiculação de mensagens de vendas efi- cientes, para públicos selecionados”, bem define o renomado professor Don Schultz, da North Western University, dos Estados Unidos. Propaganda é a criação e a propagação de mensagens doutrinárias, ideológicas, políticas, cívicas ou religiosas. No mundo todo, publicidade é a comunicação para a geração de ne- gócios e propagandaé a comunicação voltada às ideias, política e à religião. Só não é assim no Brasil. Publicidade é publicittá na Itália, publicidad na Espanha e outros países de língua espanhola, é publicitè na França e em países que usam este idioma. É publicidade em Portugal, Angola, Macau e outros países de língua portuguesa. TÓPICO 2 | AS ÁREAS DA COMUNICAÇÃO SOCIAL 31 Publicidade é reklama, na Alemanha, na Rússia, na Finlândia, Norue- ga e em outros países de nórdicos, germânicos, eslavos ou da antiga União Soviética -- onde propaganda só é usada para a política, ideologia ou religião. Quando trata de política, ideologia ou religião, em todos os países, é propaganda. Nos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Austrália e outros paí- ses de língua inglesa é advertising para comércio e propaganda para política, ideias e religião. Advertising deriva de advert, que significa advertência, que é como eram chamados os anúncios dos senhores de escravos, que anunciavam as fugas e recompensas pela captura dos mesmos, antes da Gerra Civil norte- -americana. Funcionava tanto, que virou sinônimo da atividade: Advertising. No Brasil de antes de abolição da escravatura, estes mesmos anúncios se chamavam reclames. Só que no Brasil a palavra caiu em desuso, pelo seu duplo sentido -- porque parece chato alguém reclamar que você vá preferir comprar na loja dele. Não existe uma explicação definitiva, sobre como se consolidou esta con- fusão no Brasil, onde se adotou o uso da palavra propaganda como sinônimo (equivocado) de publicidade. Talvez -- e muito provavelmente -- a “culpa” seja dos próprios publicitários, nos tempos da Segunda Guerra Mundial, quando aqui chegaram as grandes agências norte-americanas, junto com as primeiras grandes marcas multinacionais e a propaganda antinazista, propaganda comu- nista, nazista e fascista, propaganda pró-aliados e propaganda pró-América... Provavelmente, o termo propaganda, muito usado naqueles tempos, tenha caído no gosto dos brasileiros e, convenhamos, soa melhor e mais fácil do que advertising. Desde a década de 1940, proliferaram as “agências de propaganda” no Brasil, popularizando o uso inadequado e equivocado da palavra, ao mes- mo tempo em que outros preferiram “agência de publicidade”. O governo criou um Departamento de Imprensa e Propaganda, que era uma terminologia correta para as funções dele. Era o famoso DIP, de Ge- túlio Vargas (que trabalhou tão bem que até hoje a imagem de Getúlio é cul- tuada como “o pai dos pobres”, quando, na verdade era um ditador). Na Constituição do Brasil, este equívoco se legalizou, com as leis que regem a atividade em nosso país. E o governo, inclusive, através do Ministé- rio da Educação, normatizou os cursos de publicidade e propaganda. UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À COMUNICAÇÃO 32 Eu me formei na Universidade Católica do Paraná, fiz mestrado nos Estados Unidos, dei aulas na Universidade Federal do Paraná e no UnicenP (hoje Universidade Positivo). Raras aulas assisti ou dei sobre a verdadeira propaganda. Quem assistiu àlguma? No meu mestrado, assisti a algumas, com documentários sobre a propa- ganda nazista e comunista, mas foi muito, muito pouco. Todo o foco do ensino está na publicidade, na comunicação comercial, que vende. Estou equivocado? Quem assistiu a documentários ou leu sobre Joseph Goebbels, o mes- tre da Propaganda Nazista, em aulas, numa faculdade brasileira? Poucos. Pois todos deveriam, porque há muito que aprender com ele – sobre o que fazer e o que não fazer. Foi ele que disse: “uma mentira repetida mil vezes vira verda- de”. Propaganda parece tão relacionado com mentira, não parece? Basta assis- tirmos à propaganda dos governos e a eleitoral, para perceber isso facilmente. Quem leu Mein Kampf, de Adolf Hitler, que tem um capítulo muito bem elaborado sobre a propaganda? Deveriam ler. Não para se tornarem na- zistas, é claro. Mas para aprender mais. E sobre a propaganda comunista russa, chinesa e cubana? Há muitos livros a respeito. Mas quem leu? Mas vamos voltar ao tema: publicidade x propaganda. Em qualquer outro país do mundo (exceto no Brasil), se você usar o termo propaganda estará transmitindo a informação de que trabalha com política ou religião. Com a velocidade da informação, a internet e a globalização, logo os brasileiros haverão de convir que não faz sentido continuar usando propa- ganda como sinônimo de publicidade, que é advertising. Eu, pelo menos, já me policio o tempo todo -- e não uso. Todos deveríamos fazer o mesmo, para acabar com esta confusão. Tenho certeza, também, que as editoras e os tradutores do inglês para o português no Brasil também têm culpa, nesta questão, pois muitas vezes tradu- zem de forma errada. Diversos autores, como Philip Kotler, David Ogilvy, Joe Cappo, Al Ries, John Caples, Claude Hopkins, Kevin Roberts e muitos outros tiveram sua obra mutilada e prejudicada, por traduções equivocadas de adver- tising. “Gestão de Marcas em Mercados B2B”, do Philip Kotler, não só usa cor- retamente a palavra publicidade (e nunca propaganda), como define advertising como publicidade. O livro tem como co-autor o professor Waldemar Proertsch. TÓPICO 2 | AS ÁREAS DA COMUNICAÇÃO SOCIAL 33 Publicity, amigos, também não é publicidade. É relações públicas, ou assessoria de imprensa. Publicist é assessor de imprensa, ou promotor de per- sonalidades e eventos. Não é publicitário! Aliás, alguém aí vai se formar ou se formou como propagandista? Propagandistas são vendedores ambulantes, de medicamentos e de produtos de higiene e beleza, como os da Avon e da Natura, por exemplo. Ou como os camelôs das ruas e esquinas do mundo. A Abap, hoje, graças a um trabalho do Flávio Corrêa, o Faveco, se cha- ma Associação Brasileira das Agências de Publicidade. Era de propaganda, e mudou, porque era e é errado! Como é que se chama o Conar? É Código de Auto-Regulamentação Publicitária. Mas, sim, ainda existem vários Sindicatos de Agências de Propaganda... assim como agências de propaganda e marke- ting (o que é outro equívoco, pois marketing é uma atividade totalmente di- recionada à produção, distribuição e ao comércio, com lucro, onde entra a comunicação, como veremos mais adiante, nada tem a ver com política -- por isso, Marketing Político é outra invenção boba e exclusiva do Brasil, pois é simplesmente e nada mais do que propaganda). O que ocasiona este uso indevido dos termos? Creio que é a desinformação. Assim como os estudantes não sabiam sobre o que escrevi nas linhas acima, jornalistas (os especializados), escrito- res, editores, tradutores, anunciantes, profissionais de marketing e publicitá- rios também não sabiam, ou não se importavam com isso. Muitos continuam não se importando. Talvez, até, julguem irrelevante. Ou polêmico. Ou que não valha a pena discutir e corrigir esta distorção. Sem importância, podem dizer. Mas não é! Pelo menos eu creio que é importante. Basta, um dia, vocês terem que enviar um relatório para a matriz em Londres, ou para um cliente multinacional, em Nova York. Paris, Roma, Tó- quio, Pequim, Moscou ou Buenos Aires e escreverem: “Nossos investimentos em propaganda serão de...” Acabaram de perder o emprego, babies... O mundo não se restringe ao Brasil. Faz tempo. Faço e repito sempre estas colocações para que os mais jovens passem a utilizar as palavras corretas, para a comunicação comercial e para a ideológica. Quanto mais de nós, publici- tários, usarmos a palavra publicidade, ao invés de propaganda, mais depressa corrigiremos este equívoco histórico e único dos publicitários brasileiros. Pesquisem na Amazon que materiais vocês encontrarão em advertising e em propaganda. Em janeiro de 2013, propaganda tinha 9.246 livros à venda (vejam lá qual é o assunto...) e advertising tinha 65.736 livros (confiram!). UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À COMUNICAÇÃO 34 Com a globalização e a internet, não tem jeito. Mais de 70% das co- municações comerciais mundiais na web são em inglês. As maiores agências e grupos de comunicaçãoestão nos Estados Unidos e Reino Unido, com al- gumas exceções na França e Japão. Então, não podemos continuar errados. FONTE: WERBITZKI, J. J. É publicidade ou propaganda? 2017. Disponível em: https://bit.ly/3ai1zCq. Acesso em: 5 out. 2019. 35 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você aprendeu que: • O marketing compreende uma função empresarial que estuda as relações de troca entre os consumidores em um determinado mercado. • Uma organização é um organismo socioeconômico voltado para a satisfação das necessidades das necessidades e desejos das pessoas através da produção de bens e serviços. • O marketing é o processo de planejamento e execução de conceitos, precifi- cação, promoção e distribuição de bens, deias e serviços para criar trocas que satisfaçam os objetivos individuais e das empresas. • A prática do marketing exige a pesquisa de mercado, o planejamento da oferta em atributos de produto, preço, praça e promoção para o alcance dos objetivos empresariais. • O mix de marketing refere-se às quatro ferramentas de execução do marketing, composto por produto, preço, praça e promoção ou quatro Ps. • O produto especifica as características do bem ou serviço. • O preço determina o valor nominal, descontos e formas de pagamento. • A praça refere-se aos locais de distribuição e venda. • A promoção se dá pela divulgação para o público consumidor. • O P da promoção tem o sentido de divulgação das informações sobre o produto. • A Comunicação Social é uma área do conhecimento humano responsável por pesquisar a comunicação humana e suas relações entre as pessoas na sociedade. • Os cursos de Comunicação Social são regidos pelo Ministério da Educação (MEC). • O profissional formado em Comunicação Social recebe o título de comunicólo- go e pode se formar em habilitações específicas. • As principais habilitações dos cursos de Comunicação Social estabelecidas pelo MEC são de publicidade e propaganda, relações públicas, jornalismo, radica- lismo, cinema e televisão e editoração. 36 • A função da propaganda é apoiar as vendas e não pode ser responsabilizada uni- camente por elas, pois depende de outros elementos como produto, preço e praça. • O termo publicidade deriva do latim publicus e designa a qualidade do que é público. • O termo propaganda deriva do latim propagare e tem o significado de plantar uma ideia. • A publicidade é uma técnica de comunicação de massa, caracterizada por ser paga, com a finalidade de informar o consumidor e motivá-lo a adquirir o pro- duto ou serviço. • A propaganda é toda forma de comunicação paga em que o patrocinador (aquele que paga) pode ser identificado, enquanto a publicidade é toda forma de comunicação não paga e obtida de maneira indireta. 37 1 (ENADE, 2012) A publicidade transmite informação persuasiva a um públi- co-alvo com a intenção de atuar sobre as suas atitudes, para induzi-lo a um comportamento favorável ao anunciante. Portanto, os objetivos publicitá- rios são situados no âmbito da comunicação e não devem ser confundidos com os objetivos comerciais ou de marketing. À publicidade não se pode atribuir objetivos em termos de cifras ou volumes de vendas, participação de mercado ou nível de benefícios. Esses são o resultado de toda a ação co- mercial, produtiva e financeira da empresa. FONTE: GARCÍA UCEDA, M. Las claves de La publicidad. Madrid: ESIC, 2001 (adaptado). Com base no texto anterior, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas: I- A publicidade busca persuadir o público-alvo para que assuma o compor- tamento favorável ao anunciante. PORQUE II- O volume de vendas de uma empresa depende das suas ações organizacio- nais nas áreas comercial, produtiva e financeira. Acerca dessas asserções, assinale a opção CORRETA: a) ( ) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I. b) ( ) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma jus- tificativa da I. c) ( ) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. d) ( ) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. e) ( ) As asserções I e II são proposições falsas. 2 Com relação à definição de publicidade, conforme Rizzo (2003), pode-se considerar correto o exposto na seguinte alternativa: a) ( ) Deriva do latim, propagare, cujo significado consiste em reproduzir por meio de mergulhia. b) ( ) Caracteriza-se por ser paga e haver um controle maior sobre a mensagem. c) ( ) Designa as divulgações feitas sobre produtos e serviços, sem custos nos veículos de comunicação. d) ( ) O anunciante sempre será o emissor da mensagem na publicidade. e) ( ) É o ato de compartilhar informações com a finalidade de persuadir ou obter entendimento. AUTOATIVIDADE 38 3 A comunicação social, para efeitos de estudo, está dividida em áreas ou habi- litações. Essas habilitações são as técnicas que demarcam os conhecimentos e habilidades necessárias à execução das atividades. A habilitação da comuni- cação social que possui como objetivo o equilíbrio da identidade e da imagem de uma organização e que trabalha diretamente com a opinião pública é: a) ( ) Comunicação Social – Jornalismo. b) ( ) Comunicação Social – Publicidade. c) ( ) Comunicação Social – Relações Públicas. d) ( ) Comunicação Social – Propaganda. e) ( ) Comunicação Social – Design. 4 A comunicação social é uma ciência social aplicada, cujo objeto tradicional de estudo são os meios de comunicação de massa ou mass media. A comu- nicação social contempla um conjunto de atividades divididas por habili- tações. O bacharel em comunicação social, independente de habilitação, é reconhecido como comunicólogo. A partir desse conceito, preencha as lacu- nas com as expressões corretas que dão sentido às afirmativas a seguir: O ____________________ é uma atividade profissional que consiste em li- dar com a divulgação de informações, _________________________ e no- tícias, enquanto o profissional de ______________________ oferta uma ___________________________ a serem exercidas para as diversas organiza- ções, sempre com vistas à ______________________________ entre estas e os públicos com os quais interagem. Por fim, a _____________________________ ________ é uma atividade dedicada à difusão pública de ideias, produtos ou serviços, cujo objetivo é ________________________ para o consumo de pro- dutos e serviços. A alternativa correspondente à sequência CORRETA é: a) ( ) Jornalismo, dados factuais, relações públicas, variedade de funções, imagem institucional, publicidade e propaganda, informar e persuadir. b) ( ) Comunicólogo, marketing, persuadir, planejamento, jornalismo, dados factuais, dissuasão, catequizar. c) ( ) Marketing, variedade de funções, dados factuais, jornalismo, informar e persuadir, ação específica, publicidade e propaganda. d) ( ) Publicidade e propaganda, comunicólogo, persuadir, relações públicas, imagem institucional, ação específica, catequizar. e) ( ) Imagem institucional, jornalismo, ação específica, planejamento, dissu- asão, venda de produtos, propaganda. 39 TÓPICO 3 CLASSES SOCIAIS E COMUNICAÇÃO SOCIAL UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO Toda sociedade está estruturada em grupos de pessoas que compartilham necessidades, desejos e também estilos de vida. Além daquilo que é essencial à vida, as pessoas consomem produtos e serviços pelo seu valor simbólico (status). Por essa razão, estudaremos, neste tópico, a relação existente entre as ati- vidades de comunicação social com a divisão da sociedade em classes sociais. Aprenderemos os conceitos e componentes que dividem as camadas de pessoas em classes em uma sociedade. Estudaremos ainda no tópico a função da atividade de comunicação so- cial para as classes sociais. Finalizaremos com destaque nas características que impactam a efetividade da comunicação para as classes sociais. 2 CONCEITO E CARACTERÍSTICAS DAS CLASSES SOCIAIS Você já deve ter percebido em seucotidiano que existe uma infinidade de pro- dutos e serviços a nossa disposição. Alguns apresentam características mais luxuosas, componentes avançados e marcas que transmitem status, prestígio ou exclusividade. Por outro lado, existem produtos e serviços que atendem à mesma neces- sidade e que são mais baratos, com menos luxo ou componentes e com marcas mais comuns entre as pessoas justamente pela facilidade de acesso. Se usarmos como exemplo para isso um carro, temos os veículos deno- minados de populares que costumam ter motores menos potentes e mais econô- micos, com acabamento menos sofisticado e menos opcionais, tais como direção hidráulica, GPS e computador e bordo. Em contraste, temos os carros de luxo ou denominados de alto padrão. Eles se diferenciam por seus motores potentes e esportividade, seus preços são bem mais elevados e possuem muitos itens opcionais e uma marca diferenciada. Tudo isso garante uma exclusividade ou remete ao seu proprietário um símbolo de diferenciação na sociedade pela posse daquele carro específico. Afi- nal, são poucas as pessoas que podem ter acesso e renda a um carro daqueles. 40 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À COMUNICAÇÃO Isso nos mostra como as empresas buscam atender a necessidades e dese- jos específicos das pessoas através dos produtos e serviços oferecidos. Em parale- lo, utilizam todas as ferramentas de comunicação social para fortalecer a imagem diferenciadora da marca ou do produto. Por essa razão, o profissional de comunicação social precisa compreen- der como se compõem as classes sociais e quais as formas de classificá-las. Isso porque a classe social a que pertencemos molda nossas opiniões, preferências, gostos, estilos de vida e hábitos de consumo. Uma classe social pode ser entendida como uma forma estruturada na qual as pessoas assumem posições específicas em uma sociedade. Essa estrutura influencia fortemente o comportamento das pessoas e o consumo, como nos di- zem Samara e Morsch (2005, p. 66): As classes sociais são divisões ordenadas e relativamente permanentes de uma sociedade cujos membros possuem valores, interesses e com- portamentos similares. Segundo o sociólogo Lloyd Warner, a pesqui- sa sobre a vida social das tribos e das civilizações do mundo mostra claramente que alguma forma de categorização está presente, sendo uma necessidade para o nosso tipo de sociedade (Rocha e Christensen, 1999). As classes sociais tendem a surgir naturalmente, como um fenô- meno sociológico no qual grupos relativamente distintos e homogêne- os, em função de seus valores, atitudes e estilos de vida, dividem-se hierarquicamente. As atitudes, os valores individuais e os estilos de vida – elementos enfatizados nesta definição – são influências funda- mentais que determinam o comportamento do consumidor. Nesse sentido, Karsaklian (2014) nos informa das principais características das classes sociais: • Grandes agregações: as classes são compostas por grupos sociais secundários, nos quais a comunicação entre os membros não é direta nem completa. Dessa forma, os comportamentos de compra e de influência são exercidos muito mais simbolicamente que na troca interpessoal. • Hierarquizadas: as classes comportam uma noção de superioridade ou de in- ferioridade umas em relação às outras. Assim, as pessoas expressam a classe social através dos objetos que consomem e como se informam. • Evolutivas: nas classes sociais existe sempre a possibilidade de mobilidade, em que indivíduos de classes inferiores buscam alcançar e se estabelecer nas classes superiores e demonstram isso pelos objetos consumidos. • Multidimensionais: as classes sociais não podem ser reduzidas às categorias profissionais, nível de instrução ou renda que possuem porque isso não revela a identidade de seus membros. • Relativamente homogêneas: os comportamentos dos indivíduos de uma clas- se sociais costumam ser parecidos por conta da semelhança de valores de que compartilham. Isso permite que as empresas e as comunicações sejam direcio- nadas a públicos com características e preferências semelhantes. TÓPICO 3 | CLASSES SOCIAIS E COMUNICAÇÃO SOCIAL 41 Essas características levam Samara e Morsch (2005) a estabelecer as variá- veis a serem consideradas para a categorização de um indivíduo em uma deter- minada classe social. Segundo eles, as variáveis a serem observadas são: • Escolaridade. • Ocupação. • Área de residência. • Tipo de residência. • Fonte de riqueza. A clareza sobre a classe social das pessoas está relacionada aos seus com- portamentos e hábitos de consumo, aos valores nos quais acredita e principal- mente na relação que mantém com o dinheiro disponível. Podemos evidenciar isso pelo fato de que a demanda das pessoas por bens e serviços depende da possibilidade e da disponibilidade para comprar. Como nos lembra Solomon (2011), algumas compras tendem a ser estáveis, en- quanto outras podem ser adiadas. Além disso, as pessoas têm atitudes diferentes em relação ao dinheiro do qual dispõem. Conforme Solomon (2011), algumas pessoas tendem a ser mais mesquinhas e não gostam de gastar dinheiro; já outros são perdulários e conso- mem até acima do que podem. Assim: O dinheiro tem uma série de significados psicológicos complexos; pode ser equiparado com sucesso ou fracasso, aceitação social, segurança, amor, liberdade e até mesmo atração sexual. Existem terapeutas espe- cializados no tratamento de distúrbios relacionados ao dinheiro e eles afirmam que algumas pessoas chegam a sentir culpa em relação ao seu sucesso e fazem deliberadamente maus investimentos para diminuir essa sensação! Outras condições clínicas incluem a atefobia (medo de ficar ar- ruinado), harpaxofobia (medo de ser vítima de ladrõesO, peniafobia (medo da pobreza) e aurofobia (medo de ouro) (SOLOMON, 2011, p. 485). Nesse contexto, podemos perceber que a renda não se enquadra como o úni- co critério possível para determinação dos indivíduos de uma determinada classe. Mas, então, como poderemos estabelecer a classe social a que uma pessoa pertence? É isso que descobriremos na sequência, porque existem basicamente duas maneiras de se definir a classe social de alguém. Também veremos as formas de se fazer classificação e que no Brasil existe um critério específico para uso em marketing e comunicação. 42 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À COMUNICAÇÃO 3 FORMAS DE MEDIR UMA CLASSE SOCIAL Para se medir a classe social de alguém, podemos utilizar vários métodos e recursos. No entanto, encontramos na literatura direcionada aos estudos da comu- nicação basicamente duas maneiras se fazer isso: pela forma objetiva ou subjetiva. De acordo Karsaklian (2014) e também com Samara e Morsch (2005), as principais abordagens são denominadas de subjetiva quando utilizam a consci- ência de pertinência dos membros; e objetiva quando feita com base em indica- dores externos e observáveis. Isso significa dizer que no método subjetivo, também chamado de auto- definição ou consciência de pertinência, a própria pessoa atribui a classe social que acredita pertencer. Como não há outro elemento para se validar a classe, esse critério se torna subjetivo (KARSAKLIAN, 2014). Assim, mesmo que o cidadão não pertença àquela classe que ele mesmo acredita, não há outra maneira de medir a sua classe sócia. Por esse motivo, essa abordagem é chamada de subjetiva, pois a pessoa usa sua consciência para defi- nir que pertence a determinada classe. Por outro lado, quando usamos a abordagem objetiva, devemos recorrer a indicadores que permitam estabelecer a que classe social pertencem vários mem- bros de uma sociedade. Esses critérios são previamente estabelecidos e observá- veis para confirmação. Você sabia que existe uma diretriz proposta pela Associação Brasileira de Em- presas de Pesquisa (ABEP) para classificação e padronização socioeconômica no Brasil? Essas diretrizes são denominadas de Critério Brasil de Classificação Econômica e servem como uma forma de medir o poder de compra da população, levandoem consideração aspectos da estrutura física da residência, bens de consumo e escolaridade. O aspecto econômico possui menor peso na determinação da classe social proposta pelo Critério Brasil. Saiba mais no documento disponível no site da ABEP em: http://www.abep.org/ criterio-brasil. DICAS TÓPICO 3 | CLASSES SOCIAIS E COMUNICAÇÃO SOCIAL 43 Conforme Karsaklian (2014, p. 121), as duas abordagens possuem limita- ções pelos seguintes motivos apresentados: Nos países onde a igualdade entre as pessoas é valorizada, o método de autodefinição acaba em uma hipertrofia da classe média. O método da reputação, de outro modo, é lento, caro, depende da qualificação e da objetividade dos entrevistadores e não pode ser aplicado a grupos restritos. Por essas razões, os métodos subjetivos são pouco utilizados em marketing, exceto para fins de verificação. Na prática, temos que somente usamos a abordagem objetiva para definir a classe social das pessoas. Por essa razão, no Brasil, costuma-se utilizar o Critério Brasil de Classificação Econômica, cuja metodologia é adotada em pesquisas de campo junto às pessoas. Dessa forma, todas as pessoas são questionadas a respeito dos elementos que compõem as variáveis para determinação da classe social do indivíduo. Esse processo de- manda investimentos significativos em dinheiro, tempo e uma metodologia adequada. Com o uso do método subjetivo, que não possui elementos observáveis para confirmação da classe social a que a pessoa autodeclara pertencer, isso não ocorre e pode ser feito com grupos menores de pessoas. Porém, a credibilidade e confiança das informações se tornam questionáveis. Como toda a comunicação social deve ser feita a partir de informações confiáveis, os profissionais privilegiam apenas o uso da abordagem objetiva ou de reputação, cujas informações são padronizadas a todas as pessoas e podem ser confirmadas por observação. Antes de estabelecermos as possíveis classes sociais existentes em uma sociedade, devemos recordar que foi Karl Marx um dos primeiros autores a utili- zar os critérios subjetivos (de consciência de classe) e objetivos (propriedade dos meios de produção) para definir as classes sociais. Essa afirmação está baseada em Karsaklian (2014), que também nos lem- bra que Marx identificava e analisava apenas três classes na sociedade: os operá- rios assalariados; os capitalistas; e os proprietários. Porém: A dificuldade de classificar as inúmeras categorias intermediárias e a evolução das estruturas econômicas tornaram essa abordagem um pou- co ultrapassada e pouco operacional. Os empresários preferiam abor- dagens fundamentadas em critérios socioeconômicos, principalmente aquelas desenvolvidas sob a influência de Max Weber pela Sociologia americana. É possível agrupar essas abordagens em torno de dois polos, se elas se apoiam sobre um único critério ou, ao contrário, sobre um grupo de indicadores (KARSAKLIAN, 2014, p. 121). 44 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À COMUNICAÇÃO Atualmente, conforme estudamos anteriormente, as classes sociais são determinadas de acordo com Index of Status Characteristics (ISC) ou Índice de Ca- racterísticas de Status. Esse índice é composto por uma combinação de atividade profissional, fonte de renda, tipo de habitação e zona da residência. De acordo com esse índice, amplamente utilizado para medição objetiva das classes sociais em pesquisas de mercado e de comunicação, temos a seguinte estrutura de estratificação social, conforme nos mostra Karsaklian (2014). QUADRO 2 – ESTRUTURA DE CLASSES SOCIAIS SEGUNDO O CRITÉRIO OBJETIVO Classe Social Características básicas Alta-superior (Upper-Upper) Composta por famílias com riqueza herdada de duas ou mais gerações, que valorizam a abundância e a reputação familiar e refletem a excelência de sua educação e respon- sabilidade comunitária. Alta-inferior (Lower-Upper) Considerados os novos ricos e cuja fonte de riqueza está na primeira geração. Podem ser tão ou mais ricos do que a classe alta-superior, mas não costumam ser aceitos por ela pela ausência de tradição na aristocracia. Média-superior (Upper-Middle) A fonte de renda deriva de salários, lucros e honorários profissionais e possuem forte impulso em favor do sucesso profissional. Tendem a copiar o comportamento das clas- ses sociais mais ricas em seus estilos de vida. Média-inferior (Lower-Middle) Costumam ser funcionários de serviços de escritórios, pe- quenas empresas, bancários, corretores de seguros, agricul- tores e que usam sua renda em busca de respeitabilidade. Baixa-superior (Upper-Lower) Formada por operários especializados, trabalhadores de industriais, balconistas e sem muita preocupação com a respeitabilidade. Baixa-inferior (Lower-lower) São trabalhadores não especializados, faxineiros, porteiros ou desempregados. Em muitos casos estão associados à delinquência juvenil. FONTE: Adaptado de Karsaklian (2014) Como isso tudo interfere na sua futura prática profissional em marketing ou comunicação social? A resposta para essa questão ficará mais evidente na se- quência do tópico ao tratarmos de como profissionais de marketing e de comuni- cação podem utilizar essas informações. 4 CLASSES SOCIAIS E EFETIVIDADE DA COMUNICAÇÃO De acordo com o que estudamos até o momento sobre as classes sociais, os interesses e estilos de vida, necessidades e desejos de compra, são fortemente influenciados pela estrutura social em que se enquadram as pessoas. TÓPICO 3 | CLASSES SOCIAIS E COMUNICAÇÃO SOCIAL 45 Portanto, cabe aos profissionais de marketing e de comunicação identifi- carem as classes sociais dos consumidores a fim de que possam identificar suas preferências, gostos, estilos de vida e hábitos de consumo. A partir dessas informações, os profissionais podem sugerir o desenvol- vimento de produtos conforme as necessidades de cada tipo de público, a preços adequados à renda, em lojas com o perfil do público e, principalmente, utilizando elementos nas mensagens publicitárias afeitas a esse público. Apesar de a classe social ser um importante elemento nas estratégias de marketing e de comunicação, com direcionamentos específicos a cada grupo de consumidores, Solomon (2011) nos alerta que muitos profissionais ainda fracas- sam em utilizar essas informações. Isso se deve a: • Desconhecer a incoerência do status. • Desconhecer a mobilidade entre gerações. • Desconhecer a classe social subjetiva. • Desconhecer as aspirações de mudança de classe dos consumidores. • Desconhecer o status social das mulheres que trabalham. Diante disso, Solomon (2011, p. 509) nos ensina: Na prática, todos os grupos fazem distinções entre seus membros em termos de superioridade relativa, poder e acesso a recursos. Essa estrati- ficação social cria uma hierarquia de status em que alguns bens são pre- feridos a outros e são usados para categorizar a classe social de quem os possui. Embora a renda seja um importante indicador de classe social, a relação está longe de ser perfeita. A classe social também é determi- nada por fatores como lugar de residência, interesses culturais e visão de mundo. Como a distribuição de renda está mudando no mundo in- terior, está ficando mais difícil distinguir entre membros de classes so- ciais – muitos tem sido chamado de classe de massa (pessoas com renda suficiente para comprar itens de luxo, pelo menos em pequena escala). Para ilustrar tudo isso de que estamos tratando, recorreremos a uma si- tuação hipotética de duas pessoas rendas próximas, mas com gostos e estilos de vida e preferências bastante diferentes. Podemos exemplificar com o caso de um herdeiro de uma fortuna e um pedreiro. Nos parece evidente a diferença de renda entre eles, não é mesmo? Mas para termos certeza de que a renda não é única variável que os diferencia e os coloca em classes sociais diferentes, vamos nos aprofundar em outros aspectos. Será que os gostos, preferências e hábitos de compra deles são semelhantes? Será mais provável que o herdeiro da grandefortuna frequente teatros, restaurantes finos e caros, cinemas, exposições de arte e tenha preferência por música erudita ou mais clássica. 46 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À COMUNICAÇÃO Já o pedreiro, por sua vez, deverá ter preferência por músicas mais popula- res, participe mais de encontros familiares e com amigos em ambientes mais sim- ples, e não seja assíduo frequentador de cinema, teatro ou restaurantes mais finos. Viu como não é apenas a renda de nos diferencia entre classes sociais? O mesmo acontece com as nossas referências e líderes formadores de opinião. Can- tores, artistas e personagens nos aproximam mais de uma ou outra classe social. É nesse contexto que as atividades de comunicação se inserem e deve ter especial atenção para que consigam atingir esse público e sejam convincentes. Ou será que todo mundo gostaria e entenderia em ver um cantor popular como Luan Santana em todos os comerciais? Todos somos impactados e influenciados de alguma maneira pelas men- sagens transmitidas pela propaganda, diz Limeira (2008). Afinal, como já estu- damos inicialmente, a função da propaganda consiste em nos persuadir e mudar nossas crenças, atitudes e intenções. Perceba como isso se relaciona diretamente com a questão das classes sociais: A propaganda vincula ao produto ou à marca um conjunto de ima- gens que possuem significado cultural e social. Em outras palavras, ela constrói para os produtos ou as marcas um sentido (razão de ser) e um significado (representar algo) que são compartilhados pela socie- dade. Assim, os produtos de consumo são símbolos, porque são meios de auto-expressão (expressar para os outros quem eu sou, o que penso e o que desejo), distinção pessoal (construir identidade, estabelecendo diferenças em relação a outras pessoas) e integração social (ser igual, pertencer à comunidade, fazer parte do grupo de referência) (LIMEIRA, 2008, s.p., grifos do original). Podemos perceber, nesse trecho, a referência aos termos propaganda e imagem da marca. Isso porque nossa atitude como consumidores em relação à propaganda está condicionada à avaliação favorável ou desfavorável em relação ao produto ou serviço. Da mesma forma, nossas atitudes como consumidores também se mani- festam pela imagem de marca relativa ao produto. Dessa maneira, essa imagem pode ser positiva ou negativa de acordo com as experiências anteriores feitas com o produto ou composta pela propaganda. É por essa razão que Limeira (2008), nos ensina quais são os fatores que impactam a efetividade da comunicação, em especial a propaganda, com os di- versos públicos possíveis. São eles: • Fonte: está relacionada ao emissor da mensagem, sua credibilidade e sua atra- tividade. Como exemplo podemos citar o garoto propaganda daquela famosa marca de esponja de aço. Perceba como ele se identifica com o público, transmite credibilidade e é atrativo por conta de sua simpatia e até mesmo sua suposta timidez no anúncio. TÓPICO 1 | COMUNICAÇÃO E COMUNICAÇÃO DE MASSA 47 • Conteúdo e a forma da mensagem: está relacionado ao uso do texto e os apelos da mensagem e as metáforas utilizadas para dizer algo que deve ser óbvio. Por exemplo, quando uma marca de cerveja diz que desce redonda, a metáfora é de que ela cai bem e não pesa no estômago da pessoa que a utiliza. A analogia fica óbvia a quem vê a mensagem. • Características da mídia: refere-se ao meio utilizado e suas características. Como você aprenderá em disciplinas específicas, cada meio de comunicação possui de- terminadas características e destina-se mais a determinados públicos. Nesse caso, devemos pensar a mensagem adequada ao meio. Pense em como seria difícil con- tar a história do famoso comercial do primeiro sutiã para o meio rádio. Esse é um exemplo de uma história que só consegue ser transmitida pela televisão. • Fatores contextuais: considera as características pessoais do público, tais como a personalidade, os valores, as opiniões, interesses e experiências de vida. Isso está intimamente ligado à classe social da pessoa. Podemos ilustrar essa situ- ação com o comercial de uma marca de carros que usava como personagens pôneis para desqualificar a força dos motores dos veículos concorrentes e for- talecer a imagem de força e poder dos interesses dos consumidores. • Características do receptor ou audiência: diz respeito à capacidade do consu- midor ou da audiência em entender e tirar suas próprias conclusões a respeito do produto e ainda com sua motivação e envolvimento com o produto ou ser- viço anunciado. Isso explica, por exemplo, as razões pelas quais muitos cremes dentais utilizam como apelo de que nove entre dez dentistas recomendam uti- lizar determinada marca de creme dental. Assim o consumidor conclui que se os dentistas recomendam, é porque deve realmente ser bom aquele produto. Para que a comunicação seja eficiente e consiga nos persuadir como con- sumidores, ela precisa reunir as quatro condições citadas anteriormente e assim cumprir com o modelo de resposta do consumidor. Esse modelo de resposta consiste no termo AIDA (Atenção, Interesse, De- sejo e Ação) – o termo é composto pelas iniciais das palavras. Por esse modelo, a resposta do consumidor inicia ao prestar atenção ao anúncio; em seguida, ele poderá se interessar pela mensagem; seguindo pelo desejo de possuir o produto e, finalmente, sair para comprar o produto (LIMEIRA, 2008). Podemos observar, na figura seguinte, como esse modelo contribui para uma atitude e resposta favorável de compra a partir da sua exposição à propa- ganda e à comunicação em geral. 48 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À COMUNICAÇÃO FIGURA 7 – MODELO BÁSICO DE RESOPSTA À PROPAGANDA FONTE: Adaptado de Limeira (2008) Ainda conforme Limeira (2008), a comunicação e a propaganda nos aju- dam a dar um sentido as nossas vidas ou ampliar os seus significados através dos objetos que consumimos e que expressam os nossos comportamentos, estilos de vida, autoconceito e identidade. Essas questões serão aprofundadas em disciplinas específicas, tais como pesquisa em comunicação e comportamento do consumidor. O importante é sa- bermos as características das classes sociais e como elas impactam na comunica- ção com seus integrantes. Como tratamos das diferenças de classes sociais e das formas de medir a posição social das pessoas, que tal você tentar descobrir a classe social a que pertence? Leia com atenção o texto a seguir e faça o teste recomendado ao final. Tenho certeza de que você vai se surpreender com o resultado! SABE QUAL É A SUA CLASSE SOCIAL? Responda ao questionário montado por GaúchaZH e descubra em que faixa da população está No Brasil, classe social é um conceito difícil de dar conta. O quão longe estamos da pobreza e da riqueza? O que significa pertencer à classe média? A resposta a estas perguntas não é fácil — nem mesmo o próprio governo coloca um ponto final definitivo para isso. Se você buscar notícias sobre o assunto, notará que análises sobre classes sociais não partem do governo federal nem do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mas da análise de consultorias privadas que aplicam a metodologia que julgarem a mais adequada. TÓPICO 1 | COMUNICAÇÃO E COMUNICAÇÃO DE MASSA 49 Isso ocorre porque não há uma definição oficial de classe social, explica o Departamento de Pesquisa da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. Ou seja, o Planalto não diz que, por ganhar determinado salário ou possuir duas tevês em casa, você pertence a algum grupo da população. Para elaborar políticas públicas, o governo federal cruza dados levantados pelo IBGE com uma metodologia consolidada, o Critério Brasil. Da parte do IBGE, são levantados apenas dados brutos, sem interpretação. Ou seja, o órgão aponta dados primários, como a média salarial em cada Estado ou no Brasil, sem dividir os habitantes por classes. Exemplo: a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua de 2017 (Pnad) mostra que a média salarial por pessoano Rio Grande do Sul é de R$ 2.440 — mais do que a média nacional, de R$ 2.112. A saída encontrada é aplicar o Critério Brasil, metodologia criada em 1997 pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep), também adotada por prestigiadas consultorias de economia de todo o Brasil. A técnica é um questionário que pergunta informações como quantos banheiros ou motos a pessoa tem em casa, se a residência fica em rua pavimentada e se tem água encanada. — Os pesquisadores são livres para estudar as classes sociais de diferentes formas, por um viés mais sociológico ou econômico, que são diferentes, mas têm pontos em comum. Classe média é algo vago, fica no meio, mas no meio do quê? Até onde vão as pontas? Há quem não queira ter uma casa e prefira viver de aluguel e viajar. A parte econômica não diz tudo — avalia Rafael Osório, técnico de planejamento e pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão vinculado ao Ministério do Planejamento. Com base no Critério Brasil e nos dados levantados pelo IBGE na Pnad Contínua 2017, GaúchaZH elaborou uma calculadora para você ter uma ideia sobre a qual classe social pertence. O resultado pode surpreender. O site para realização do cálculo para identificar a sua classe social encontra-se aqui: https://gauchazh.clicrbs.com.br/comportamento/noticia/2018/09/sabe-qual-e- a-sua-classe-social-cjlpua5sy010s01pxmvx1f8yr.html. FONTE: HARTMANN, M. Sabe qual é a sua classe social? 2018. Disponível em: https://bit. ly/2y3Zj3n. Acesso em: 4 out. 2019. 50 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você aprendeu que: • No mercado existem produtos com características diferenciadas destinados a cada público com diferentes necessidades e desejos. • Os profissionais de comunicação precisam conhecer os anseios do público a fim de se comunicar efetivamente com ele. • A classe social é uma forma estruturada na qual as pessoas assumem posições específicas em uma sociedade. • As principais características das classes sociais são: grandes agregações, hierar- quizadas, evolutivas, multidimensionais e relativamente homogêneas. • A categorização das pessoas em classes sociais utiliza como critérios principais a escolaridade, ocupação, área de residência, tipo de residência e fonte de riqueza. • A classe social a que a pessoa influencia na sua relação com o dinheiro e nas suas tendências de compras. • A renda não é o único critério utilizado para se medir a classe social a que uma pessoa pertence. • As principais abordagens para classificação em classes sociais são a subjetiva e objetiva. • A abordagem subjetiva utiliza a consciência de pertinência dos membros a uma determinada classe social. • A abordagem objetiva é feita com base em indicadores externos e observáveis. • As duas abordagens para definição da classe social apresentam vantagens e desvantagens. • No Brasil, costuma-se utilizar o Critério Brasil de Classificação Econômica para enquadrar as pessoas em classes sociais. • Os profissionais de comunicação e de marketing privilegiam a abordagem ob- jetiva de classes sociais para classificação das pessoas. • A primeira hierarquização de classes sociais foi feita por Karl Marx, que divi- dia a sociedade em operários assalariados, capitalistas e proprietários. 51 • Atualmente, utiliza-se o Índice de Características de Status composto por uma combinação de atividade profissional, fonte de renda, tipo de habitação e zona de residência. • Pelo critério objetivo, a estrutura de classes sociais são: alta-superior, alta-infe- rior, média-superior, média-inferior, baixa-superior e baixa-inferior. • O comportamento das pessoas é fortemente influenciado pela classe social a que pertencem. • Toda comunicação exige o conhecimento prévio da classe social a que pertence o público para poder usar referências, estilos de vida, gostos e preferências dele. • Os elementos utilizados que impactam a efetividade da propaganda com os diversos públicos e classes sociais são: a fonte, o conteúdo da mensagem, as características da mídia e os fatores contextuais. 52 1 Praticamente toda a sociedade possui alguma forma de estrutura de classes so- ciais e todas as pessoas que a compõem possuem uma posição específica dentro dessa sociedade (SAMARA; MORSCH, 2005). Nesse contexto, avalie as asser- ções a seguir e marque V (verdadeiro) ou F (falso) para cada uma delas. a) ( ) O comportamento de compra das pessoas, com frequência, é fortemente influenciado pela classe social à qual elas pertencem ou desejam pertencer. b) ( ) As classes sociais tendem a surgir naturalmente, como um fenômeno so- ciológico no qual grupos relativamente distintos e homogêneos, em função de seus valores, atitudes e estilos de vida, dividem-se hierarquicamente. c) ( ) As duas maneiras de se medir uma classe social são pela forma subje- tiva, que se baseia em indicadores externos e observáveis, ou pela forma objetiva, que se baseia na consciência de pertinência dos membros. d) ( ) As características da propaganda que impactam a sua efetividade sobre as classes sociais são: a fonte, o conteúdo, as características da mídia e os fatores contextuais. A alternativa correspondente à sequência CORRETA é: a) ( ) V, F, V, F. b) ( ) F, V, F, V. c) ( ) F, F, V, F. d) ( ) V, V, V, F. e) ( ) V, V, F, V. 2 O conhecimento da classe social a que pertence o público-alvo é essencial para o profissional de comunicação. Isso se justifica pelo conhecimento dos gostos, preferências, hábitos de consumo e estilos de vida. Nesse sentido, analise as asserções a seguir e a relação proposta entre elas. I- No método de autodefinição, o pesquisador contenta-se em pedir ao indiví- duo que indique a classe social a que acredita pertencer. PORQUE II- Por esse método subjetivo, utiliza-se como critérios para definição de es- colaridade, ocupação, tipo de moradia, área de moradia e fonte de riqueza para fazer a classificação social. Acerca dessas asserções, assinale a opção CORRETA. AUTOATIVIDADE 53 a) ( ) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I. b) ( ) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justi- ficativa da I. c) ( ) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. d) ( ) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. e) ( ) As asserções I e II são proposições falsas. 3 (ENADE, 2006) A Vigilância Epidemiológica e o Departamento de Serviços Municipais de Saúde detectaram que uma doença tropical se espalhou rapi- damente na região Norte do país. A área rural, incluídas as localidades onde não há energia elétrica, foi a mais atingida. Considerando essa situação hipotética, o veículo de comunicação mais ade- quado para alertar rapidamente o maior número de pessoas sobre os cuida- dos e a prevenção relativos à doença mencionada é: a) ( ) O rádio. b) ( ) O jornal. c) ( ) A televisão. d) ( ) A revista. e) ( ) O folheto. 4 Uma pequena agência de publicidade conseguiu como cliente uma rede de lojas de vestuário de produtos de qualidade, com estilo de tipos “esportivo” e “casual”, direcionados para o uso diário e com uma complementação de linha do tipo “esporte fino”. O público-alvo tem o seguinte perfil: sexo mas- culino, solteiro, atuando principalmente em profissões liberais, idade entre 25 e 35 anos, instrução de nível superior completo e pertencente às classes C+, B- e B. Como planejamento, optou por anúncios de página inteira em revistas masculinas, pequenas peças gráficas – como flyers e folders – que serão distri- buídas em boates e bares da moda próximos aos pontos de vendas do clien- te por promotoras, inserções de peças digitais em sites esportivos, e utilizou como conceito básico da campanha a identificação com ícones masculinos de Hollywood como Humphrey Bogart, Burt Lancaster e Paul Newman. FONTE: Adaptado de <https://bit.ly/2y1j5wo>. Acesso em: 12 out. 2019. Identifique se existem equívocosno planejamento de comunicação acima e os corrija ou, caso considere que não há nenhum erro, justifique a razão de considerar o planejamento correto. a) ( ) A ação não contém erros e está adequada ao público e aos objetivos. b) ( ) O equívoco reside no uso de peças digitais inadequadas ao perfil do público. c) ( ) O equívoco está em utilizar personagens desconhecidos para a classe social. d) ( ) A classe social objetivada pela marca é inadequada para a campanha publicitária. e) ( ) O erro está em distribuir o material publicitário em boates e bares da moda. 54 55 TÓPICO 4 COMUNICAÇÃO E DESENVOLVIMENTO UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO A distinção das pessoas em classes não está associada a uma questão da pro- paganda como ferramenta de preconceito ou divisão da sociedade. Pelo contrário, a publicidade também oferece uma série de benefícios à economia e à sociedade. Nesse sentido, iniciaremos o tópico com uma breve explanação do con- texto em que se insere a comunicação e sua relação com as atividades econômicas e sociais. Seguiremos demonstrando a relevância desses impactos na sociedade. O tópico prossegue com uma abordagem um pouco mais profunda sobre o impacto positivo para a economia das empresas derivados da publicidade. En- cerraremos o tópico demonstrando os efeitos da publicidade na economia con- temporânea. 2 PROPAGANDA E SUA INFLUÊNCIA SOBRE AS DECISÕES DOS CONSUMIDORES Apesar da distinção entre classes e comunicações dirigidas a cada uma delas, a comunicação social não serve como meio de exclusão e divisão social. A questão das classes funciona como forma de aumentar as chances de efetivação da mensagem com os públicos. A comunicação social representa bem mais do que isso, principalmente pelos seus efeitos econômicos e sociais. Nesse sentido, existe uma linha de estu- dos e pesquisa denominada de comunicação e desenvolvimento. Essa área do conhecimento busca entender as relações entre a comunica- ção e economia. Um dos principais pesquisadores brasileiros dessa corrente de pensamento foi o jornalista José Marques de Melo (1943-2018), responsável por estudos de mídia e cultura. Todavia, para entendermos como se dá essa relação entre comunicação, economia e desenvolvimento, precisamos recorrer aos princípios apontados por Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2013) para explicar o atual estágio da comuni- cação mercadológica. 56 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À COMUNICAÇÃO Segundo eles, o primeiro elemento foi o aperfeiçoamento dos meios fí- sicos de comunicação. Já o segundo foi o aumento da produção industrial pelo aperfeiçoamento tecnológico. Embora sejam elementos distintos, ambos estão in- timamente interligados. Com relação ao aperfeiçoamento dos meios de comunicação, Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2013) descrevem como ponto de partida a expansão da empresa. Nesse sentido, as empresas de comunicação deixaram de ser meros vei- culadores de notícias para se tornarem indústrias de comunicação profissionais. O segundo fator (aumento da produção) decorre da própria revolução in- dustrial, com o aperfeiçoamento das técnicas de produção, tecnologias, máquinas e transportes. Estes transformaram as empresas em fontes de produção, geração de riqueza e melhoria social. Revela-se a propaganda, desse modo, como um símbolo de abundân- cia de produtos e serviços que o progresso tecnológico colocava dia- riamente à disposição de todas as classes. Torna-se parte integrante do processo de desenvolvimento econômico de um país. Sustenta o crescimento com a procura incessante de novos consumidores para produtos cada vez mais sofisticados. Dissemina a ideia de status con- ferida pela aquisição de objetos ligados ao conforto e lazer. Conside- rada durante muito tempo simples auxiliar de vendedores que, por ela, poderiam atingir o consumidor potencial, não-identificável, a propaganda, pela evolução de suas técnicas, adquiriu nova dimensão, sendo capaz de influenciar hábitos de uma população em seu conjunto (SANT’ANNA; ROCHA JÚNIOR; GARCIA, 2013, p. 7). Nessa linha de raciocínio, Sampaio (1999) entende que os efeitos da propagan- da sobre os consumidores são difíceis de serem mensurados, pois ela age sobre pes- soas, dentro de um ambiente complexo, no qual interagem diversas forças e pressões. Nesta entrevista disponível no canal dos Grandes Nomes da Propaganda, você pode verificar os dados realizados pela Associação Brasileira das Agências de Publicidade a contribuição do setor para o crescimento do mercado, o desenvolvimento dos esportes e das causas sociais. Confira aqui: https://www.youtube.com/watch?v=W-im4_dhRRA. DICAS TÓPICO 4 | COMUNICAÇÃO E DESENVOLVIMENTO 57 Porém, Sampaio (1999) reforça que a propaganda age sobre os consumidores ao informar, argumentar, comparar produtos e serviços, de forma lógica e racional ou emocional e subjetiva, que influenciam nas decisões de compras das pessoas. Para isso, o autor recomenda que a propaganda seja feita com base nos princípios básicos: criatividade, emoção e interesse, pertinência e compreensão. Dessa forma, Sampaio (1999, p. 37) nos ensina como a propaganda deve ser feita para impactar o consumidor e a sociedade: A propaganda precisa agir, como vimos, sobre os centros sensoriais, emocionais e lógicos do consumidor – nesta ordem. Em um primeiro mo- mento, a propaganda é uma sensação que se aceita ou se rejeita. Em um segundo momento, é uma mensagem que emociona ou não e – finalmen- te –, em um terceiro momento, a propaganda persuade, convence pela lógica (objetiva ou mesmo subjetiva), ou não atinge o efeito desejado. O esquema ilustrado na figura seguinte resume esse processo. FIGURA 8 – FORMAS DE ATUAÇÃO DA PROPAGANDA SOBRE O CONSUMIDOR FONTE: Adaptado de Sampaio (1999) Acreditamos que isso demonstra a íntima relação existente entre os fato- res de desenvolvimento da comunicação e da produção industrial que formam a base para partirmos para demonstrar como a propaganda contribui para o desen- volvimento econômico e social. 58 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À COMUNICAÇÃO 3 PROPAGANDA, DESENVOLVIMENTO E ÉTICA Quando inserimos a propaganda no contexto nacional, podemos eviden- ciar da melhor forma a contribuição econômica e social da comunicação para o país. Estima-se que os investimentos em comunicação no Brasil impactam em cerca de R$ 350 bilhões na economia. Devemos lembrar que o Brasil ainda é um país em desenvolvimento, ex- portador de commodities, com um Produto Interno Bruto (PIB) em torno de 6,8 trilhões por ano e com crescimento anual de cerca de 1% (IBGE, 2019). Como nos lembram Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia, 2013, p. 13): Com estabilidade econômica mais recente (desde a implantação do Pla- no Real, em 1994), mas com um longo histórico de altos e baixos na economia, o Brasil acompanha a economia internacional e, apesar de al- guns quadros recessivos mundiais, apresenta um crescimento lento mas positivo, com desenvolvimento em vários setores. Mais recentemente, com a crescente demanda global por alternativas energéticas, o país vê a produção de álcool combustível e biodiesel despontar em importantes regiões de produção agrícola. Commodities são produtos utilizados como matéria-prima para a fabricação de outros produtos. As commodities mais comuns são petróleo, minérios em geral, algodão etc. NOTA Como consequência dessa mudança econômica, os brasileiros passaram a adquirir mais bens, como eletrodomésticos, computadores, telefones móveis, e também uma variedade de serviços como supermercados, restaurantes, lavande- rias, academias etc. Assim: Na atual fase da evolução social do Brasil, poucas atividades podem dar uma contribuição mais decisiva para a ampliação do mercado interno e a proposição de novos modelos de vida, para difundir o conhecimento necessário à produção agropecuária, promover reformas sociais e reno- var estruturas arcaicas, para desenvolver a alfabetização e a tecnologia, retificar e atualizar a imagem do país, para ampliar nossa participaçãonos mercados mundiais e desenvolver o sentimento de empatia nacional sem o qual nenhuma nação pode vencer suas barreiras sociais, políticas e econômicas (SANT’ANNA; ROCHA JÚNIOR; GARCIA, 2013, p. 21). Isso significa que o Brasil possui um potencial para desenvolver o mer- cado de consumo em todos os setores. Para tanto, a comunicação social serve de instrumento para informar, persuadir, mudar valores e crenças e estimular o consumo e a distribuição de riquezas. TÓPICO 4 | COMUNICAÇÃO E DESENVOLVIMENTO 59 Embora isso possa ser motivo de crítica para alguns, por ser elemento do sistema capitalista de incentivo ao consumo e até de comprar coisas desnecessárias, a comunicação funciona exatamente como forma de ressaltar a soberania do consumi- dor na tomada de decisão daquilo que deve ou não comprar ou deixar de comprar. Isso até pode levar a uma discussão ética do papel da propaganda. Porém, os profissionais de comunicação também estão sujeitos aos códigos de ética profissio- nais e as legislações de defesa do consumidor contra abusos e enganos. As atividades de comunicação, sejam em jornalismo, relações públicas, publi- cidade e propaganda, design, editoração e cinema, também devem manter um senso de responsabilidade social com a comunidade. Como nos dizem Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2013), os profissionais não podem ficar alheios a essas discussões éticas. O que se exige da categoria é conhe- cimento de ordem profissional que os qualifique para estimar os limites da responsa- bilidade social de suas atividades. Essa responsabilidade divide espaço com toda a cadeia produtiva envolvida nas atividades de comunicação, tais como dinheiro, risco e estratégia. Também envol- ve, por outro lado, os consumidores que também exigem respeito e responsabilidade. Essas questões envolvem a ética, caracterizada como um conjunto de valores morais e princípios que norteiam a conduta humana na sociedade. A ética serve para que haja um equilíbrio e bom funcionamento social, incluindo aí as atividades de comunicação social. Foi pensando nessas questões que os próprios profissionais de publicidade to- maram a iniciativa de criar, em 1980, o Conselho de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar). O órgão funciona na modalidade de organização não-governamental (ONG). O órgão atende a denúncias de consumidores, dos associados à entidade ou ainda da própria diretoria e serve como órgão soberano na fiscalização, julgamento e deliberação no que se relaciona à obediência e cumprimento no Código de Ética do Conar. O Conar é composto por profissionais, entidades de classe e também consu- midores representantes da sociedade civil. De acordo com o Conar (2019), são precei- tos básicos da ética em publicidade: • Todo anúncio deve ser honesto e verdadeiro e respeitar às leis do país. • Deve ser preparado com o devido senso de responsabilidade social, evitando acen- tuar diferenciações sociais. • Deve ter presente a responsabilidade da cadeia de produção junto ao consumidor. • Deve respeitar o princípio da leal concorrência. • Deve respeitar a atividade publicitária e não desmerecer a confiança do público nos serviços que a publicidade presta. 60 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À COMUNICAÇÃO Além do Conar, existe uma série de outras entidades e órgãos de fiscali- zação das atividades de comunicação social. Você aprenderá mais sobre eles na disciplina de ética e legislação e aprofundará as principais questões éticas que envolvem a profissão. Você pode fazer o download de toda a legislação do Conar, acompanhar os casos em julgamento e as decisões tomadas, bem como obter informações das legislações correlatas, no próprio site do Conar. Tudo isso fica aqui nesse link: http://www.conar.org.br/. DICAS Nos casos de descumprimento das normas propostas pela entidade, o infrator fica sujeito a advertência; recomendação de alteração ou correção do anúncio; recomendação aos veículos de comunicação no sentido de que sustem a divulgação do anúncio ou ainda a divulgação da posição do Conar com relação ao anunciante, à agência e ao veículo, em face do não acatamento das medidas e providências preconizadas pelo órgão fiscalizador. Como podemos constar, cabe à comunicação incentivar o conhecimento, a informação clara e precisa sobre os produtos e serviços e, principalmente, fomen- tar o consumo consciente. Tudo isso para que ela possa trazer, de fato, benefícios à economia e à sociedade. 4 IMPACTO DA PUBLICIDADE NA ECONOMIA E NA SOCIEDADE Ao longo deste tópico temos verificado como as atividades de comunicação contribuem para o crescimento econômico de uma sociedade. Como consequência disso, ela ajuda na geração e distribuição de riquezas para toda a sociedade tam- bém, além de bem-estar social. Como nos lembra Sampaio (1999), o uso específico da propaganda depende do setor da economia que a utiliza, da empresa ou instituição, do modo como se organiza e administra, do momento em que se encontra e leva o efeito do esforço publicitário e dos objetivos a serem alcançados pela comunicação mercadológica. Sampaio (1999) também nos mostra que cada setor da economia usa a co- municação de forma mais rotineira e comum, de acordo com o tipo de atividade e negócios das empresas que nele operam. Assim, Sampaio (1999) nos descreve os principais setores beneficiados pela comunicação: TÓPICO 4 | COMUNICAÇÃO E DESENVOLVIMENTO 61 • Bens de consumo: geralmente é destinada ao consumidor final com o objetivo de difundir e impor marcas, motivar seu consumo e manter imagens adequadas entre os consumidores. Esse costuma ser o segmento econômico que faz maior e melhor uso da propaganda. • Bens industriais e de business-to-business: devido à própria limitação e especifici- dade dos públicos que atinge (outras empresas e instituições), e também pelo mé- todo de seleção e compra dos produtos, a propaganda assume papel diversificado e com uma função mais informativa, de exposição e comparação de características, de divulgação de preços e condições de venda. • Serviços: segue uma escala semelhante ao do caso dos bens de consumo e busines- s-to-business, variando seu emprego em função do público a ser atingido e das ca- racterísticas do serviço ofertado. O uso da propaganda nesse setor costuma ser de formação de imagem, de informação das características dos serviços e divulgadora de vantagens, preços e condições de uso. • Bens culturais e de informação: redes de televisão, emissoras de rádio, jornais, revistas, livros, discos, espetáculos diversos, cinema e muitos outros produtos/ser- viços culturais, de entretenimento, lazer e informação fazem uso constante da pro- paganda. Ela serve como canal de informação e exposição de características, como motivador de consumo e para oferta de situações especiais. • Varejo: depois dos bens de consumo, o varejo costuma ser o segundo maior usu- ário da propaganda. Ela é vista como essencial para gerar negócios através das ofertas de bens para consumo imediato da população. Em geral, os anúncios apre- sentam as condições de preços, informação de vantagens e disponibilidade, moti- vação de consumo e coisas semelhantes. • Pequeno comércio, indústria e serviços: a propaganda nesse setor representa uma ferramenta eficaz de geração e expansão de negócios, quando utilizada com bom senso e persistência. Usa menos recursos técnicos e mídia reduzida para destacar vantagens, ofertas e motivações de consumo. • Intermediários: representam os canais de intermediação entre os fabricantes e os consumidores ou entre os fabricantes e os varejistas. Costumam fazer uso lucrativo da propaganda para informar sobre disponibilidade de estoque, ofertas de preços e condições, motivação de compra imediata ou divulgação de novidades. • Serviços públicos: são empresas estatais ou privadas que usam constantemente a propaganda para informar e manter os consumidores atualizados sobre as carac- terísticas de boa utilização dos serviços que prestam. • Governo: são os governos federal,estaduais e municipais que possuem o direito e o dever de usar a propaganda para manter os cidadãos bem informados daquilo que fazem com os recursos públicos. Também usam a propaganda para campa- nhas educativas, de motivação cívica, de informação sobre alterações na legislação e modo de vida, sobre consumo de bens e serviços público e para o correto cum- primento de leis e regulamentos e ainda para incluir a participação comunitária em suas atividades. • Associações: as entidades de classe ou associações de produtores de setores espe- cíficos da economia costumam juntar seus sócios para anunciarem em conjunto como forma de incrementar suas atividades. 62 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À COMUNICAÇÃO • Cadeias de consumo: são as empresas que se ligam umas às outras para que pos- sam funcionar e tenham sucesso no mercado, como a cadeia de moda ou de tu- rismo. Nessa cadeia de consumo a propaganda cumpre a função de auxiliar na formação do conceito, da atitude do consumidor e divulgar padrões uso dos pro- dutos ou serviços ofertados. A cada R$ 1 investido em publicidade gera um retorno na economia da ordem de R$ 10,70. É isso o que aponta um estudo da Associação Brasileira das Agências de Pu- blicidade e seu impacto na economia brasileira. A íntegra do material pode ser obtida aqui nesse link: https://bit.ly/2QHrUCf. INTERESSA NTE Em contrapartida, encontramos em Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2013), os efeitos da publicidade na economia das empresas. Nesse sentido, eles nos apontam os seguintes: • A publicidade contribui para a criação de mercados quando um produto ou servi- ço é novo ou para ingressar em um novo segmento de mercado. • A publicidade ajuda na ampliação de mercados já existentes, alcançando novas faixas de consumidores (verticalmente) ou o campo de uso do produto (horizontalmente). • A publicidade auxilia na ação reguladora do mercado ao permitir que as empresas tenham certa preferência dos consumidores por conta de sua marca e atributos dos produtos e serviços oferecidos ao mercado. • A publicidade também funciona para reduzir custos ao permitir o ganho de escala (volume) na comunicação do produto. Quanto mais produtos a empresa vende, menor costuma ser o preço de fabricação e essa redução é repassada ao consumi- dor com preços mais baixos e facilidade de aquisição. • A publicidade também favorece uma ação sobre os preços a fim de atrair os consu- midores para as compras dos produtos e serviços. • A publicidade também tem efeito regulador de estoques, acelerando as vendas dos produtos estocados, facilitando a distribuição dos produtos e reduzindo os custos de manutenção dos produtos em estoque para as empresas. • A publicidade ainda ajuda na melhoria da qualidade, destacando as características de qualidade de um produto ou serviço em relação a de seus concorrentes. TÓPICO 4 | COMUNICAÇÃO E DESENVOLVIMENTO 63 Em 2018, somente as ferramentas de busca e de publicidade do Google ajudaram a movimentar R$ 41 bilhões em atividade econômica no Brasil. É isso o que revela a matéria da revista PropMark disponível neste link: https://propmark.com.br/digital/ google-divulga-relatorio-de-impacto-economico-no-brasil/. INTERESSA NTE Através das técnicas desenvolvidas e aperfeiçoadas constantemente pela co- municação social, a fim de persuadir as pessoas, ela consegue induzir grandes mas- sas consumidoras a aceitar novos produtos que satisfaçam suas necessidades. Conforme Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2013), a propaganda é uma ati- vidade que aumenta a produtividade, difunde uma mensagem com economia e alto poder de penetração na sociedade e é um fenômeno econômico e social capaz de mudar comportamentos e hábitos de consumo. Nesse sentido, os autores nos mostram que a publicidade serve para difundir as informações e exerce influência na formação dos indivíduos, nos seus gostos, pre- ferências e suas opiniões. Afinal, a comunicação é um processo social de transmissão de ideias a fim de convencer. Para cumprir com suas funções, Sampaio (1999) entende que os resultados da propaganda dependem dos objetivos definidos, das tarefas a serem cumpridas, dos recursos financeiros empregados e da contratação de profissionais e empresas especializadas em comunicação. É justamente por esse motivo que você está aqui conosco: para se profissio- nalizar, aperfeiçoar técnicas e obter conhecimento para executar boas campanhas de comunicação. Na próxima unidade aprenderemos as noções da prática publicitária. Como estudamos no tópico, a comunicação contribui para o desenvolvimen- to de uma sociedade de diversas formas. Por essa razão, existe uma linha de estudos e pesquisa denominada de comunicação para o desenvolvimento. O artigo seguinte demonstra a relação entre comunicação e desenvolvimento e os princípios de estudo. Boa leitura! 64 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À COMUNICAÇÃO LEITURA COMPLEMENTAR O QUE É A ‘COMUNICAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO’? Patrícia Mota Paula A voz dos sem voz começa, felizmente, a ser ouvida na definição dos Pla- nos de Desenvolvimento das Nações Unidas. Qualquer tentativa de resposta implica abordar as várias “Décadas do De- senvolvimento”, representativas da evolução teórico-prática da comunicação nos projetos desenvolvimentistas aplicados nos Países em Vias de Desenvolvimento. Um puzzle que merece ser desmontado... A Primeira Década do Desenvolvimento (1960) é um período de grande optimismo, caraterizado pelo crescimento económico – através da industrializa- ção (em detrimento da agricultura), da urbanização e da ocidentalização – e pelo investimento intensivo de capital em tecnologia e sua transferência para o Sul. Um processo, à partida simples, designado por “Tendência Pró-Inovação”. Porém, ra- pidamente se concluiu que as debilidades do Terceiro Mundo eram muito mais profundas e abrangentes do que se supunha: os destinatários não possuíam for- mação nem informação que lhes permitisse optar de entre um leque infindável de alternativas. Mais, a pressão das metas de desenvolvimento económico, a dimen- são e a dispersão do público-alvo implicavam campanhas agressivas... pelo que os mass-media eram tidos como essenciais na aceleração do processo de modernização. No entanto, a resistência das populações a estas mudanças radicais impôs a adopção da “Tendência Pró-Persuasão”, alicerçada numa comunicação indutora, a cargo dos agentes das Nações Unidas, e cujo objetivo já não era a mera transferência de tecnologia, mas sim, a formação técnica dos destinatários no terreno visando influenciá-los rumo à adopção das inovações tecnológicas ocidentais. De referir que a maioria destes “programas de extensão” basearam-se no “Modelo de Difusão de Inovações” de Everett Rogers, considerado o pai da ‘Comunicação para o De- senvolvimento’. Modernização e Desenvolvimento eram praticamente sinónimos. Pressupunha-se que a adopção de inovações tecnológicas implicava uma evolução automática dos indivíduos: de tradicionais para modernos. Consequência: a mo- dernização desenraizou muitas pessoas e comunidades das suas histórias, culturas, objetivos e ritmos de vida. Daí o falhanço do paradigma desenvolvimentista supra- referido que ignorava a essência e a compatibilidade dos materiais de comunicação. TÓPICO 4 | COMUNICAÇÃO E DESENVOLVIMENTO 65 A década de 1970 ficou marcada pelo aparecimento formal do termo ‘Co- municação para o Desenvolvimento’ (NORA QUEBRAL, 1972) e, em consequência do processo de independência de dezenas de nações africanas e asiáticas, exigia-se uma Nova Ordem Mundial da Informação e da Comunicação (NOMIC) que alme- java: distribuição internacional equitativa dos recursos de comunicação, media co- munitários em áreas rurais, políticas nacionais em prol da preservação da identida- de cultural e valorização de formas não comerciais de comunicação e informação. Visando um “Desenvolvimento Rural Integrado”, em 1973, Robert Mc- Namara, então Presidente do Banco Mundial, propôs a “Política de Novas Orien- tações",alicerçada numa abordagem conjunta e multidisciplinar dos constrangi- mentos ao Desenvolvimento e numa mudança de foco: de objetivos económicos para a satisfação das necessidades básicas das populações: comida, água potável, abrigo, educação básica e segurança. Uma reorientação estratégica que permitiu a conceptualização da Comunicação como um alicerce imprescindível aos projetos e atividades desenvolvimentistas, designada por: Comunicação de Suporte ao Desenvolvimento. Um modelo desenvolvimentista também ele falhado. Por quê? A comunicação de massas era entendida como um processo linear de mensagens unidirecionais e impessoais que poucas oportunidades de resposta concediam ao receptor. Supunha-se que a exposição aos media, per si, gerava consciencializa- ção e mudança. O tripé “comunicação, desenvolvimento, empowerment” não era percepcionado como interdependente e impulsionador de progresso. Infelizmente, a Terceira Década do Desenvolvimento (1980) também não apresentou grandes avanços, caracterizando-se por: 1. Recessão global na maio- ria dos países industrializados, 2. Sérias dificuldades económicas nos PVD (pro- blemas na balança de pagamentos, dificuldades para liquidar os empréstimos concedidos e drásticas descidas dos preços para exportação), 3. Imposição de Po- líticas de Ajustamento Estrutural pelas agências doadoras aos países devedores visando reanimar as suas economias paralisadas, 4. Implementação de um mo- delo económico neoliberal: redução do papel do Estado, dependência crescente dos mercados e redução significativa dos gastos estatais no sector dos serviços, 5. Aumento da pobreza entre os carenciados/marginalizados e consequente depre- dação dos recursos naturais, 6. Crescentes desigualdades de género e diferenças globais ao nível das prioridades femininas etc. Contudo, é exatamente no âmbito deste cenário desolador que uma comunicação popular/alternativa/libertadora/ transformadora/emancipadora e alicerçada no povo como protagonista começou a ganhar algum terreno... muito por mérito do “Relatório MacBride” (UNESCO, 1980) que já enfatizava a importância dos media locais e propunha a resolução de problemas estruturais graves (inexplicavelmente atuais): concentração dos me- dia em grandes grupos económicos, verticalidade do processo comunicacional, comercialização excessiva da informação, desigualdades na circulação da infor- mação proveniente e com destino aos PVD. 66 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À COMUNICAÇÃO Desde meados da década de 1990, temos assistido a uma proposta de de- senvolvimento – e consequentemente de ‘Comunicação para o Desenvolvimen- to’ – orientada para as seguintes premissas: maior preocupação com os direitos e liberdades humanas, reforço das estratégias de empowerment local (de que são exemplo as Rádios Comunitárias), resgate e valorização de experiências e conhe- cimentos tradicionais, combate à infoexclusão e promoção da educação não for- mal das populações periféricas. Hoje, a ‘Comunicação para o Desenvolvimento’ remete-nos para um novo paradigma de comunicação e de desenvolvimento si- nónimo de conteúdos feitos à medida/centrados nos verdadeiros problemas das pessoas. Finalmente percebeu-se que a natureza de cada intervenção desenvolvi- mentista deve ser equacionada segundo o contexto geográfico, histórico, cultural, político-partidário, religioso e econômico-financeiro de cada país, de cada região, de cada comunidade. A voz dos sem voz começa, felizmente, a ser ouvida na definição dos Planos de Desenvolvimento das Nações Unidas e a isto chama-se: cidadania participativa/inclusiva (o maior trunfo da civilização humana). FONTE: PAULA, P. M. O que é a “Comunicação para o Desenvolvimento”? 2014. Disponível em: https://bit.ly/2WCSJeB. Acesso em: 5 out. 2019. 67 RESUMO DO TÓPICO 4 Neste tópico, você aprendeu que: • Existe uma área do conhecimento dedicada a estudar a relação entre comuni- cação e economia (desenvolvimento econômico e social). • O atual estágio da comunicação deriva do aperfeiçoamento dos meios físicas de comunicação e capacidade de produção industrial através do avanço tecnológico. • As empresas de comunicação deixaram de ser meros veiculadores de notícias para se tornarem indústrias de comunicação profissionais. • A propaganda age sobre os consumidores ao informar, argumentar, comparar produtos e serviços, de forma lógica e racional ou emocional e subjetiva, que influenciam nas decisões de compras das pessoas. • Os investimentos em comunicação no Brasil representam cerca de R$ 350 bi- lhões da economia anual brasileira. • O Brasil é um país em desenvolvimento e que adquiriu a estabilidade econô- mica somente na década de 1990, propiciando acesso a bens de consumo e serviços. • A comunicação social serve de instrumento para informar, persuadir, mudar valores e crenças e estimular o consumo e a distribuição de riquezas. • A comunicação funciona exatamente como forma de ressaltar a soberania do consumi- dor na tomada de decisão daquilo que deve ou não comprar ou deixar de comprar. • As atividades de comunicação social também se sujeitam a um código de ético e ao senso de responsabilidade social. • A ética corresponde a um conjunto de valores morais e princípios que norteiam a conduta humana na sociedade. • O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) foi criado em 1980 com a finalidade de fiscalizar a atividade publicitária no Brasil. • O órgão atende a denúncias de consumidores, dos associados à entidade ou ainda da própria diretoria e serve como órgão soberano na fiscalização, julga- mento e deliberação no que se relaciona à obediência e cumprimento no Códi- go de Ética do Conar. • Além do Conar existe uma série de outras entidades e órgãos de fiscalização das atividades de comunicação social. 68 • O uso específico da propaganda depende do setor da economia que a utiliza, da empresa ou instituição, do modo como se organiza e administra, do mo- mento em que se encontra e leva o efeito do esforço publicitário e dos objetivos a serem alcançados pela comunicação mercadológica. • A publicidade contribui para o desenvolvimento de vários setores da econo- mia, como bens de consumo, bens industriais, serviços, bens culturais e de in- formação, varejo, pequeno comércio, indústria e serviços, intermediários, ser- viços públicos, governo, associações e cadeias de consumo. • A propaganda é uma atividade que aumenta a produtividade, difunde uma men- sagem com economia e alto poder de penetração na sociedade e é um fenômeno econômico e social capaz de mudar comportamentos e hábitos de consumo. • Os resultados da propaganda dependem dos objetivos definidos, das tarefas a serem cumpridas, dos recursos financeiros empregados e da contratação de profissionais e empresas especializadas em comunicação. Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo. CHAMADA 69 AUTOATIVIDADE 1 Enumere a coluna da direita de acordo com a função da publicidade descri- ta na coluna da esquerda: (1) Função na economia (2) Função na sociedade ( ) Função de persuasão, capaz de induzir grandes massas a aceitar e a consumir novos produtos. ( ) Função social de transmitir ideias. ( ) É uma força que aumenta a produtividade, difunde uma mensagem com economia e alto poder de penetração. ( ) Tem influência na formação dos indivíduos, seus gostos, suas preferências e suas opiniões. A alternativa correspondente à sequência CORRETA é: a) ( ) 1, 2, 1, 2. b) ( ) 1, 2, 2, 2. c) ( ) 2, 1, 1, 1. d) ( ) 2, 1, 2, 1. e) ( ) 2, 2, 1, 1. 2 A propaganda, tal como é hoje entendida e sentida nos seus efeitos, teve sua origem em dois acontecimentos que se interligam: o aperfeiçoamento dos meios físicos de comunicação e o aumento da produção industrial pelo aperfeiçoamento tecnológico (SANT’ANNA; ROCHA JR; GARCIA, 2013). Nesse sentido, na atualfase da evolução social do Brasil, são muitas as con- tribuições da propaganda para o mercado. Entre as possibilidades apresen- tadas, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) A redução do mercado interno. b) ( ) Consolidação da imagem do país. c) ( ) Ampliação da participação brasileira nos mercados mundiais. d) ( ) Manutenção do status quo das elites dominantes no país. e) ( ) Manutenção das estruturas arcaicas da sociedade. 3 (ENADE, 2009) Leia o texto: O Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária nasceu de uma ameaça ao setor: no final dos anos 70, o governo federal pensava em sancionar uma lei, criando uma espécie de censura prévia à propaganda. Se a lei fosse im- plantada, nenhum anúncio poderia ser veiculado sem que antes recebesse um ca- rimbo “De Acordo” ou algo parecido. 70 A criação do departamento para controle da publicidade exigiria a con- tratação de algumas centenas de funcionários. As implicações burocráticas seriam inimagináveis, ainda assim desprezíveis diante do retrocesso que tal controle re- presentaria para um país que reconquistava a duras penas seu direito à liberdade de expressão. Diante dessa ameaça, uma resposta inspirada: autorregulamentação, sintetizada num Código, que teria a função de zelar pela liberdade de expres- são comercial e defender os interesses das partes envolvidas no mercado pu- blicitário, inclusive os do consumidor. A ideia brotou naturalmente a partir do modelo inglês e ganhou força pelas mãos de alguns dos maiores nomes da publicidade brasileira. FONTE: <www.conar.org.br>. Acesso em: 21 fev. 2020. Com base no texto, é correto afirmar que: a) ( ) A autorregulamentação possibilitou o controle completo da área pelos profissionais, possibilitando a total liberdade de ações. b) ( ) Com a criação desse código, não há no Brasil nenhum tipo de restrição quanto à veiculação de propagandas. c) ( ) O Código garante a liberdade de regulação na área, mas exige a defesa de todas as partes envolvidas (publicitários, clientes e consumidores). d) ( ) O Código surgiu em substituição uma legislação restritiva de liberdade implantada durante o período de ditadura militar. e) ( ) Para regular o Código, foi criada a associação de classe denominada Conar, que atua na defesa de seus preceitos e regulamentos. 4 (ENADE, 2009) Consumir é tornar mais inteligível um mundo onde o só- lido se evapora. Por isso, além de ser útil para a expansão do mercado e a reprodução da força de trabalho, para nos distinguirmos dos demais e nos comunicarmos com eles, o consumo é um processo em que os desejos se transformam em demandas e em atos socialmente regulados. FONTE: CANCLINI, N. G. Consumidores e cidadãos: conflitos multiculturais da globalização. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1996. p. 59 (adaptado). O funk e o rap, em especial, vivem um momento fértil na relação com as marcas. Artistas que transformam vídeos da internet em hits, aproximam-se de marcas, ou demonstram um olhar para negócios, têm gerado, com alguma frequência, cases de sucesso envolvendo música, publicidade e cultura urbana. Apesar das parcerias com artistas já consolidados, a inclusão de novos nomes e movimentos em suas estratégias é um exercício de muitas marcas, e várias cenas e movimentos aparecem, sobretudo, da conexão do marketing com as ruas. Em um tempo em que marcas e pessoas buscam trocas mais verdadeiras, a cultura urbana amplia sua relevância não só como palco de novas ideias, novos códigos e novos comportamentos, mas de autenticidade em estado bruto. FONTE: <https://bit.ly/2Ug3PEz>. Acesso em: 25 jul. 2018 (adaptado). http://www.conar.org.br 71 Com base nos textos apresentados e nas relações entre cultura, consumo e identidade, avalie as afirmações a seguir. I- A associação a diferentes culturas, como a urbana, é uma estratégia das empresas cujo objetivo é atingir um público para o qual o consumo cultural é uma forma de expressão identitária. II- O consumo como elemento de distinção social e política é um fenômeno que deve ser considerado na estratégia mercadológica de marcas de bens de consumo. III- A construção de uma relação duradoura com o consumidor exige das mar- cas o atendimento não apenas de suas demandas materiais, mas também de suas necessidades simbólicas. É correto o que se afirma em: a) ( ) I, apenas. b) ( ) II, apenas. c) ( ) I e III, apenas. d) ( ) II e III, apenas. e) ( ) I, II e III. 72 73 UNIDADE 2 PRÁTICA DA PUBLICIDADE E DA PROPAGANDA OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • apresentar a definição e as áreas de uma agência de propaganda; • relacionar os ramos de atuação dos profissionais de publicidade; • identificar a natureza dos fenômenos publicitários; • descrever as noções da prática publicitária. Esta unidade está dividida em quatro tópicos. No decorrer da unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – AGÊNCIA DE PROPAGANDA E SEUS DEPARTAMENTOS TÓPICO 2 – ÁREAS DE ATUAÇÃO NO MERCADO PUBLICITÁRIO TÓPICO 3 – NATUREZA DOS FENÔMENOS PUBLICITÁRIOS TÓPICO 4 – NOÇÕES DA PRÁTICA PUBLICITÁRIA Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADACHAMADA 74 75 TÓPICO 1 AGÊNCIA DE PROPAGANDA E SEUS DEPARTAMENTOS UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO O panorama da comunicação na sociedade e na atividade publicitária nos conduz necessariamente ao conhecimento da prática da atividade publicitária. Ini- cialmente, definiremos o que é uma agência de propaganda e um breve histórico e sua evolução no mercado. Na sequência, apresentaremos os principais serviços prestados que podem ser oferecidos ao mercado por uma agência ao mercado e as funções exercidas pelas agências e seus profissionais na elaboração de uma campanha publicitária. O tópico encerra com uma descrição dos departamentos mais comuns encon- trados em uma agência de propaganda com a caracterização das atividades inerentes a cada um deles e do perfil do profissional em que atua em cada um deles. 2 DEFINIÇÃO E FUNÇÕES DE UMA AGÊNCIA DE PROPAGANDA É comum ingressarmos na faculdade e termos muito bem a noção do como funcionam as coisas no mercado de trabalho da profissão que escolhemos. Não seria diferente na comunicação social, não é mesmo? Apesar disso, você já deve ter ouvido falar que um profissional publicitário trabalha em uma agência de propaganda, assim como também deve ter uma noção de que as agências são como empresas prestadoras de serviços de comunicação aos anunciantes. Mas como são estruturadas as agências? Quais os produtos e serviços que ela pode oferecer ao mercado? Essas respostas podem ser obtidas através de uma visita a uma agência, mas em nosso modelo de ensino a distância isso fica um pou- co mais difícil. Em cursos da modalidade presencial os alunos costumam realizar as cha- madas visitas técnicas em empresas para conhecer o seu funcionamento. Mas isso não significa que eles também não estudem essa parte na teoria, assim como você está fazendo nesse momento. UNIDADE 2 | PRÁTICA DA PUBLICIDADE 76 Se você tiver oportunidade de conhecer uma agência de propaganda seria muito bom para reforçar a sua opção profissional e conhecer na prática os conceitos estudados nesse tópico. Se tiver alguma na sua cidade, tente agendar uma visita, pois elas costumam receber muito bem acadêmicos em início de formação ou recém-formados. IMPORTANT E Para começar, precisamos definir o que é uma agência de propaganda. De acordo com a Lei Federal n° 4680/65, regulamentada pelo Decreto n° 57.690/66, uma agência consiste em uma pessoa jurídica (empresa) especializada na arte e técnica publicitárias. Ainda de acordo com a lei, as agências são compostas por especialistas que estudam, concebem, executam e distribuem propaganda aos veículos de co- municação conforme aprovadospelos clientes-anunciantes. Toda atividade desenvolvida por uma agência de propaganda visa pro- mover a venda de produtos ou serviços, difundir ideias ou informar o público a respeito de organizações ou instituições colocadas a serviço deste mesmo públi- co, complementar a Lei n° 4680/65. Em outras palavras, uma agência é uma empresa especializada em produ- zir campanhas publicitárias ao reunir profissionais especializados que possuem experiência e conhecimento técnico com a finalidade de divulgar marcas, produ- tos ou serviços. Como ressalta Sampaio (2003, p. 58): Empresa independente do anunciante, do veículo, do fornecedor e da produtora, a agência de propaganda tem a necessária liberdade de esco- lher em quais veículos deve transmitir as mensagens publicitárias a serem produzidas pelos fornecedores/produtoras mais indicados para melhor atender às necessidades de comunicação de seus clientes. Por trabalhar para diversos anunciantes, a agência pode simultaneamente desenvolver tecnologia e adquirir experiência em diversos ramos de negócios e merca- dos. Ao mesmo tempo, tem condições de manter um diversificado corpo de profissionais, empregando o talento e a experiência de cada um, de acordo com a tarefa publicitária que precisa ser realizada. Apesar de ser uma empresa especializada na criação e execução de cam- panhas, os anunciantes não são obrigados a utilizar uma agência. No entanto, como nos lembra Martins (2010), são raras as empresas de médio ou de grande porte que não usam os serviços de uma agência. Essa situação costuma ser diferente em empresas de pequeno porte ou micro- empreendedores individuais, os quais preferem fazer por conta própria ou com auxílio dos veículos de comunicação, a produção dos seus anúncios e materiais de comunicação. TÓPICO 1 | AGÊNCIA DE PROPAGANDA E SEUS DEPARTAMENTOS 77 A produção independente ou por conta própria da empresa anunciante nem sempre se revela a mais barata ou a mais eficiente para a finalidade de divul- gar e estimular a compra dos produtos e serviços, justamente pela falta de técnica publicitária (MARTINS, 2010). Ainda de acordo com Martins (2010), as agências exercem um papel fun- damental no processo de comunicação dos anunciantes com o mercado consumi- dor. Na condição de prestadora de serviços especializados, ela buscará atender aos objetivos de comunicação da melhor forma. Ao ser contratada, as agências buscam estudar o comportamento do con- sumidor do anunciante, seu perfil socioeconômico e comportamental e tantas ou- tras variáveis, antes de estabelecer o que dizer no anúncio e a forma como isso será dito ao público-alvo. Depois de estabelecidos esses parâmetros iniciais, a agência cria as ideias e as peças que farão parte da campanha do anunciante. Nesse caso, nos informa Martins (2010), ela busca o serviço de produtoras ou outros fornecedores, tais como gráficas, estúdios fotográficos, produtoras de áudio ou vídeo, ilustradores e todos os demais que forem necessários. Quando tudo isso estiver pronto, a agência estabelece os meios de comu- nicação que serão contratados para veicular, ou seja, transmitir as mensagens criadas para o público-alvo com a frequência e intensidade necessárias para que eles sejam atingidos e estimulados à compra (MARTINS, 2010). Tudo isso exige o conhecimento e o uso de conhecimentos e técnicas. As agências de hoje surgiram como uma evolução dos corretores de anúncios. Con- forme Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2010), as primeiras agências surgiram no início do Século IXI na Inglaterra, França Alemanha e Estados Unidos. No Brasil, a primeira agência foi a Eclética, fundada em 1914. No início de suas atividades, as agências eram especializadas em buscar anunciantes para os jornais impressos, cuja mídia era a mais comum e massifi- cada na época. Algumas agências compravam grandes quantidades de espaços nos jornais e revendiam aos anunciantes em pequenas proporções junto com a produção dos anúncios (SANT’ANNA; ROCHA JÚNIOR; GARCIA, 2010). No entanto, as agências logo perceberam que precisavam ajudar seus clientes anunciantes de forma mais eficiente, fazendo com o que os anúncios fos- sem mais eficazes aumentassem os resultados de vendas em produtos e serviços e aumentassem a verba investida em publicidade. UNIDADE 2 | PRÁTICA DA PUBLICIDADE 78 Assim foi que essas agências primeiras agências, aproveitando uma experiência então nascente, foram se encarregando de redigir e ilus- trar os anúncios, contribuindo, dessa forma, para os primórdios do desenvolvimento da técnica publicitária. Hoje em dia, a agência de pu- blicidade é uma empresa independente, sem filiação legal ou econô- mica com o anunciante, que se dedica ao planejamento, à produção e à distribuição da publicidade de qualquer empresa que demande tais serviços. Existem algumas derivações quanto a isso, como as agências de propriedade da própria empresa anunciante, chamadas house-agen- cies, surgidas quase sempre em função de uma demanda de velocida- de (caso típico do varejo) ou de uma especialização muito sofisticada (caso de áreas muito técnicas). Nesses casos, até podem ser justifica- das. Porém, muitas vezes, elas surgiram motivadas pela empresa para “trocar de bolso” as comissões de agência, e aí quase sempre os resul- tados efetivos ser muito ruins, em termos de qualidade de comunica- ção (SANT’ANNA; ROCHA JÚNIOR; GARCIA, 2010, p. 300). Como a atividade publicitária não é regulamentada, ou seja, não existe uma legislação exigindo formação específica na área para atuação profissional no mercado, qualquer pessoa pode abrir uma agência de propaganda. Para isso, basta abrir uma empresa e registrar o negócio. No entanto, Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2010) nos atentam que o negó- cio publicitário repousa sobre a qualidade dos serviços prestados. O que eles querem nos dizer com isso é que o que diferencia as agências profissionais de propaganda é o seu talento e capacidade em dar resultados aos seus clientes anunciantes. Ainda em Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2010), com base no relatório da Comissão nº1 da Associação Brasileira das Agências de Propaganda (ABAP) encontramos as principais características de uma agência: • É uma instituição realizadora de negócios e com finalidades empresariais. • É uma empresa especializada na prestação de serviços de comunicação social, detentora de conhecimentos e técnicas para obtenção da eficácia da propaganda. • É uma empresa que abriga profissionais de talento individual para suprir a diversidade de serviços abrangidos pela atividade de comunicação. • É uma organização dirigida por empresários, regidas por práticas éticas e com finalidades de lucro como qualquer outra organização. Esse mesmo relatório destaca três condições para o reconhecimento de uma agência de propaganda como tal: que os produtos anunciados ofereçam os benefícios neles implícitos; que os serviços sejam valorizados e remunerados adequadamente e que suas atividades sejam planejadas de forma coerente com os anseios da sociedade a fim de transmitir seu papel econômico, tecnológico e social (SANT’ANNA; ROCHA JÚNIOR; GARCIA, 2010). TÓPICO 1 | AGÊNCIA DE PROPAGANDA E SEUS DEPARTAMENTOS 79 A partir disso, podemos estabelecer as principais funções de uma agência de propaganda. De acordo com Sampaio (2003), entre elas estão o planejamento da comunicação publicitária de seus clientes, a criação das mensagens mais in- dicadas, a produção física dessas mensagens, o estudo e a planificação das me- lhores alternativas de uso dos veículos, o encaminhamento para veiculação e a aferição dos resultados da campanha ou peças publicitárias. Mas, a maior função da agência é, sem dúvida, a criação das melhores alternativas de propaganda para cada problema de cada cliente. Ape- sar de todas as outras tarefas realizadas pela agência serem igualmente imprescindíveis e importantes, é na criação que reside a maior dificul- dade de trabalho e é dela que saem as soluçõesefetivas de comunica- ção que obterão maior ou menor sucesso. Até certo ponto, as demais tarefas da agência de propaganda podem ser realizadas sem maiores prejuízos pelos próprios clientes, desde que estejam aparelhados para tal. Quanto à criação, a prática do mercado indica que (com exceções pouco expressivas) o anunciante não tem como se estruturar para criar a melhor propaganda para si mesmo (SAMPAIO, 2003, p. 59). Isso está relacionado ao fato de que a propaganda, para se destacar entre to- das as formas de comunicação e informações recebidas por nós diariamente, precisa ser criativa, diferente e envolvente. Para isso, somente profissionais capacitados e habilitados são capazes de fazer. Mais do que capacitação técnica e formação profissional, Sampaio (2003) entende que é necessário talento às pessoas envolvidas com a comunicação. Sendo assim, as boas campanhas publicitárias reúnem habilidades técnicas e talento para trazer resultados aos anunciantes. Além de apresentar resultado para os clientes anunciantes, as agências de publicidade são empresas como quaisquer outras que também sobrevivem da lucra- tividade para sua manutenção e crescimento. Nesse sentido, elas precisam ter profis- sionais capacitados e talentos. Em complemento a esse raciocínio, Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2010, p. 302) acrescentam a existência de duas tendências na forma de atuação e estruturação das agências na atualidade a fim de sua manutenção e crescimento no mercado. São elas: • As agências de comunicação integrada: aquelas que se propõem a desenvolver um planejamento estratégico que consiga contemplar as principais ferramentas e comunicação com o mercado, de forma orquestrada, harmoniosa, gerando sinergias entre elas; quase sempre são grandes organizações, que se propõem a gerar planejamentos sofisticados aos seus clientes, e formas de implementação e controle das mais desenvolvidas. • As agências especializadas: por ferramentas (propaganda, promoção, mer- chandising, marketing de relacionamento, web etc.), ou por segmento (marke- ting esportivo, cultural, saúde etc.); são agências que procuram ter um conhe- cimento dos mais aprofundados sobre características muito específicas desses mercados, propondo-se a atuar como uma verdadeira consultoria para seus clientes. UNIDADE 2 | PRÁTICA DA PUBLICIDADE 80 Entre esses dois modelos, existe uma centena de combinações possíveis resultantes deles, ou seja, agências com visões mais generalistas ou grandes con- glomerados de empresas especializadas que se complementam para prestar ser- viços aos clientes. Além disso, existem grandes grupos empresariais abrindo agências no país, adquirindo aquelas aqui existentes através de fusões ou associações ou man- tendo operações nas mais diversas áreas de atuação de comunicação e marke- ting. Essas multinacionais da comunicação existem pela seguinte razão, explicam Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2010, p. 303): Esses megagrupos são proprietários de algumas das principais redes de agências do mundo, várias delas concorrentes entre si. Essas redes conquistaram contas importantes (por exemplo, na área automobi- lística, alimentícia, de saúde etc.) e sustentam operações próprias ou associadas com agências locais onde as marcas estejam presentes de maneira global (isso é denominado alinhamento de conta). A gran- de vantagem proporcionada para a comunicação é a possibilidade de troca de experiências das mais diversificadas situações mundiais. Em sentido inverso, porém nessa mesma tendência de expansão, algumas das principais agências brasileiras estão estendendo suas operações não só para as principais regiões do país, mas para fora dele, aprovei- tando-se da reconhecida qualidade brasileira na propaganda (não só na criação, mas em toda a operação). Você pode ver um exemplo de uma grande agência brasileira que começou suas atividades como uma parceira de uma agência europeia. Hoje, no entanto, depois de passar muitos anos atuando sob direção nacional, ela expandiu suas operações para o exterior e acabou fechando uma fusão com uma das grandes agências de propaganda americana. A palestra completa contando toda essa história está disponível aqui nesse link: https://www.youtube.com/watch?v=pWiaj8kvFTw&t=77s. DICAS Mais do que agências de comunicação integrada ou especializadas, existem outras várias possibilidades de estruturação de uma agência de comunicação. Muitas são especializadas em marcas e design, outras em planejamento de marketing, con- sultorias especializadas em comunicação, estúdios de criação, produção ou tantas outras possibilidades. Como nos lembram Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2010), não há limites para empreender na área de comunicação. O espírito empreendedor, a busca por atender a necessidades específicas do mercado e o talento individual de cada um leva a possibilidades de modelos de agência de publicidade em um país em desenvolvi- mento como o Brasil. TÓPICO 1 | AGÊNCIA DE PROPAGANDA E SEUS DEPARTAMENTOS 81 O sucesso de uma empresa de comunicação, sejam agências tradicionais como as descritas aqui ou em qualquer outro formato, reside em garantir eficiência na comunicação dos seus clientes e acompanhando nas suas atividades para sugerir e desenvolver campanhas com resultados. Mas, para que isso seja possível, as agências precisam manter uma estrutura interna ou organização de atividades que lhes permitam agir de maneira estratégica e alinhada com as necessidades dos clientes. É isso o que conheceremos na sequência do tópico. 3 DEPARTAMENTOS DE UMA AGÊNCIA DE PROPAGANDA Conforme estudamos até o momento, as agências são empresas como quaisquer outras. Sendo assim, elas também possuem departamentos, cargos e funções a serem desempenhadas pelas pessoas internamente. Martins (2010) nos mostra que, como qualquer empresa, uma agência possui um departamento administrativo, um departamento comercial e um de- partamento operacional que faz as coisas acontecerem de fato para seus clientes. O departamento administrativo confere com os demais departamentos administrativos de qualquer outra empresa, ou seja, ele é responsável por deter- minar os rumos da organização, planejar e administrar as operações e controlar os resultados ao longo do período. Como em todas as empresas, Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2010) en- tendem que as agências devem ser regidas por quatro grandes princípios: divisão de serviços (diretor de arte, arte-finalista, assistente de mídia etc.), hierarquia, competência e controle. A divisão dos serviços compreende a estrutura dos grupos de operações (administrativa, comercial, financeira, técnica) e todas as suas subdivisões, com suas respectivas funções e profissionais qualificados para exercê-las. A hierarquia deve estabelecer a quem as pessoas individualmente respon- derão por suas atividades. Pode ser a um único líder ou vários deles. Em geral, as agências possuem líderes setoriais, mas as relações internas costumam ter menos níveis hierárquicos e serem mais flexíveis. A competência diz respeito às aptidões e talentos necessários para ocupar cada uma das funções. Como não existe legislação que obrigue que os funcioná- rios tenham formação específica, nos parece claro que quanto mais conhecimen- to, técnico e formação ele tiver, melhor será para ocupar determinado cargo ou desempenhar melhor uma determinada função. UNIDADE 2 | PRÁTICA DA PUBLICIDADE 82 O último grande princípio consiste no controle, que deve abranger o con- trole pessoal e de execução dos trabalhos. Afinal, a agência tem horários de fun- cionamento, precisa ser produtiva e eficiente naquilo que produz para dar lucro aos seus donos e entregar as campanhas dentro dos prazos combinados e exigi- dos pelos clientes. São esses princípios que conduzirão as agências à eficiência e produtivi- dade organizacional, capacitando-a a produzir mais e melhor, com a racionaliza- ção dos métodos de trabalho e sem aumento de esforço ou tempo (SANT’ANNA;ROCHA JÚNIOR; GARCIA, 2010). Assim, toda agência deve estar estruturada de modo a assegurar o cum- primento de suas finalidades sociais e econômicos, cujos objetivos estão relacio- nados na sequência conforme Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2010, p. 309): • Em níveis gerenciais, orientar processos de gestão e de decisão. • Em níveis técnico-operacionais, definir e informar sobre os procedimentos. • Descrever a organização, canais de comunicação, níveis hierárquicos, princípios administrativos e divisão funcional do trabalho. A fim de alcançar esses objetivos, as estruturas organizacionais das agên- cias diferem das demais empresas pela forma como compõem seus departamen- tos. Conforme o modelo em vigor tradicionalmente encontrado no mercado, as agências dividem-se em: atendimento, planejamento, criação, mídia e produção. A figura seguinte ressalta a estrutura organizacional de uma agência. FIGURA 1 – ESTRUTURA DE UMA AGÊNCIA DE PUBLICIDADE TRADICIONAL FONTE: O autor Nesse quadro funcional, encontramos atividades fim (que lidam direta- mente com a propaganda) e atividades meio (que dão suporte à atividade fim). A fim de esclarecer as características e funções desempenhadas em cada área, usamos as descrições apresentadas por Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2010), Sampaio (2003) e Martins (2010). Assim, temos: • Atendimento: são os profissionais que mantêm as relações entre os anunciantes. Ele representa a agência ao prospectar, captar e coordenar os trabalhos dos clien- tes e responde pelas demandas dos clientes dentro da agência ao encaminhar as solicitações de trabalhos, discussão dos seus problemas, pedidos de alterações, cobranças de prazos e valores cobrados. O atendimento funciona como um coor- TÓPICO 1 | AGÊNCIA DE PROPAGANDA E SEUS DEPARTAMENTOS 83 denador geral da campanha do cliente e como um diplomata da agência ao de- fender as ideias e soluções apresentadas pela agência para o cliente. O perfil mais comum a esses profissionais de atendimento são liderança e organização, visão estratégica e competência tática de controle e ainda capacidade de negociação para relacionamento com diversos perfis profissionais dos clientes. • Planejamento: é a área do pensamento estratégico das campanhas em produ- ção nas agências. Seus profissionais costumam realizar ou encomendar pes- quisas de mercado e elaborar efetivamente o plano de comunicação, ou seja, o que deverá ser feito e quais objetivos precisam ser atendidos. A área de plane- jamento contribui para a geração de insights ou possíveis ideias a serem apro- veitadas pela criação das campanhas. Geralmente as pessoas que atuam no planejamento costumam ter uma visão estratégica e integrada da comunicação mercadológica e de marketing, precisam ter boa redação, capacidade de análi- se e organização. • Criação: costuma ser a área mais visível e de interesse nas agências por sua responsabilidade em ter ideias, criatividade e inspiração para as mensagens. Apesar disso, a prática cotidiana em um departamento de criação ser de prazos apertados, muita pressão para ter boas ideias com tempos e recursos limitados, seguindo as políticas de comunicação dos clientes, do segmento ou da pró- pria legislação publicitária ou do país. As ideias precisam ser criativas, dife- renciadas e adequadas ao público-alvo da campanha, bem como ser exequível para os meios de comunicação planejados para a campanha. Os profissionais de comunicação precisam ter um amplo conhecimento geral, serem criativos e inovadores, dominarem as técnicas de criação e estarem informados sobre o mercado e o consumidor da campanha. • Mídia: os profissionais de mídia são caracterizados por planejarem as mídias a serem utilizadas em uma campanha publicitária, pela seleção dos veículos, por negociarem a compra dos espaços publicitários e as inserções a serem feitas no período da campanha e controlarem sua veiculação e a fatura dos espaços ad- quiridos. São profissionais que também precisam ter uma visão estratégica, co- nhecimento do comportamento do consumidor e das características dos meios e veículos de mídia e com grande capacidade de negociação e de rentabilizar os investimentos permitidos pelos clientes das agências. • Produção: os produtores costumam ser facilitadores dos processos de seleção e contratação de fotógrafos, produtoras de áudio e vídeo ou internet, gráficas, modelos e atores ou animadores e tantos outros profissionais terceirizados ca- pazes de serem aproveitados em uma produção. Eles também negociam va- lores, solicitam orçamentos e comparam qualidade e preços praticados pelos eventuais fornecedores de serviços para que as criações e peças elaboradas saiam exatamente como o planejado e com a qualidade exigida. São profissio- nais que precisam ter domínio de técnicas, bom relacionamento interpessoal, capacidade de negociação, criatividade e bom trânsito com todos os demais colegas de trabalho internos da agência. Mas não são apenas esses os profissionais envolvidos em uma campanha ou agência publicitária. Existem ainda outros que atuam dentro de determinados departamentos, como é o caso de designers e redatores que atuam dentro do de- partamento de criação. UNIDADE 2 | PRÁTICA DA PUBLICIDADE 84 Ainda de acordo com as descrições apresentadas por Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2010), Sampaio (2003) e Martins (2010), podemos destacar as funções desses profissionais na criação e produção de uma campanha ou peça publicitária. Vamos lá! • Diretor de criação: costuma ser o profissional mais experiente e afinado com o perfil dos clientes e dos mercados. O diretor de criação é um profissional que lidera seus subordinados para que eles tenham as melhores ideias e deem o melhor de si ao criar e elaborar uma campanha ou peça publicitária. Ele orienta a criação, sugere melhorias e pode até mesmo determinar a linha criativa ou tendências de criação em uma agência do ponto de vista estético e conceitual. • Redator e diretor de arte: são profissionais com habilidades em escrita e também em estética e design e que são, de fato, os criativos das campanhas. São eles que têm as ideias para uma campanha, concebem os layouts, escrevem os textos (títulos, textos e slogans), criam marcas e conceitos e costumam ser os profissionais mais requisitados no mercado publicitário em geral. São profissionais que precisam ter amplo repertório ou conhecimento cultural geral e específico, domínio de técnicas de software gráfico e de língua portuguesa e com sensibilidade suficiente para diferenciar as ideias adequadas daquelas não adequadas a um determinado objetivo de comunicação definido pelo atendimento e planejamento da campanha. Entre as outras atividades que dão suporte aos departamentos básicos de uma agência, Martins (2010) relaciona algumas possibilidades que podem existir de acordo com a estrutura e o perfil da organização. São elas: • Produção gráfica: é a área que trabalha com fotos, ilustrações, fotolitos e gráficas responsável pela finalização das peças e artes criadas pelo diretor de arte e o redator. • Promoção de vendas: costuma ser uma divisão da agência que trabalha com ações promocionais, tais como merchandising e promoção de vendas no ponto de venda dos produtos, cujos temas estudaremos mais à frente. A título de curiosidade, es- sas são aquelas ações de degustação, brindes, concursos, sorteios etc. • Pesquisa de mercado: algumas agências podem ter um departamento interno de pesquisa de mercado para fazer levantamentos sobre gostos, preferências e hábitos de consumo das pessoas em relação aos produtos e serviços de seus anunciantes. • Produção eletrônica: são os profissionais que coordenam a produção dos comer- ciais de televisão, rádio ou até mesmo cinema. Essa área também costuma ser de- nominada de RTV (Rádio e Televisão) ou ainda RTVC (Rádio, Televisão e Cinema). Além dessas, Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2010) também entendem como funções complementares ou atividades-meio as seguintes áreas:• Tráfego: compreende um profissional que controla o fluxo e o andamento dos tra- balhos internos nas agências, cobrando prazos, determinando prioridades e ana- lisando os custos de produção envolvidos em cada etapa e campanha global. No atual estágio de informatização das agências, no entanto, esse profissional tem sido substituído pelos sistemas informatizados e integrados de gestão de uma agência de propaganda que controla as contas, Jobs, PIT, OS ou PS. Calma! Essas siglas que- TÓPICO 1 | AGÊNCIA DE PROPAGANDA E SEUS DEPARTAMENTOS 85 rem dizer, respectivamente: conta é o nome dado ao cliente atendido pela agência; assim como job compreende uma encomenda específica de um trabalho por um cliente; o PIT caracteriza o Pedido Interno de Trabalho feito pelo atendimento às demais áreas envolvidas; a OS significa Ordem de Serviço e PS é o Pedido de Ser- viço, que compreendem a mesma coisa que o PIT ou pedido interno. • Arquivo e documentação artística: são as pessoas responsáveis por manterem atualizados os arquivos de campanhas elaboradas e executadas pelas agências e que podem ser úteis no futuro tanto para a agência quanto para os seus clientes. Hoje essa função também costuma ser feito pelos próprios sistemas de gestão inte- grada das agências ou ainda pelo profissional de tráfego. • Serviços de Informações de Marketing (SIM): consiste em uma base de dados acessível a todos os interessados da agência contendo informações úteis aos líderes dos setores. • Serviços de contabilidade: pode ser terceirizado ou interno, mas fica responsável por manter o cadastro das operações, verificação de contas, pagamentos, controles financeiros e contábeis, pagamento de impostos e tributos e também das comis- sões a serem pagas ou recebidas pela agência. • Orçamentos e previsões de custo: pode ser feito em alguns casos pelos diretores, contabilidade ou até mesmo pelo atendimento e estabelece os valores a serem co- brados nas campanhas ou peças publicitárias de cada anunciante, incluindo as re- munerações da agência, custos com serviços terceirizados, orçamentos e comissões a serem pagas ou recebidas pela agência também. • Outras funções de gestão: como qualquer outra empresa, podem ser contratados pro- fissionais especializados na prestação de serviços de advocacia, contabilidade, gestão e que ficam responsáveis por contribuírem para a gestão empresarial da agência. Cada uma dessas áreas pode ser formada por uma ou mais pessoas, depen- dendo do tamanho e estrutura da agência de publicidade. A estrutura mínima, no entanto, inclui atendimento/planejamento, criação e mídia, informa Sampaio (2003). FIGURA 2 – ESTRUTURA E FLUXOGRAMA DE TRABLHO EM UMA AGÊNCIA FONTE: <https://bit.ly/2UfPMz0>. Acesso em: 21 fev. 2020. UNIDADE 2 | PRÁTICA DA PUBLICIDADE 86 Da mesma forma, não existe um indicador que determine o que é uma pequena, média ou grande agência. Assim, Sampaio (2003, p. 63-64) nos mostra que podemos encontrar no mercado basicamente os três tipos: • A agência pequena normalmente tem uma Direção-Geral e quatro departa- mentos básicos: Atendimento/Planejamento, Criação/Produção, Mídia e Admi- nistração/Finanças. • A agência média normalmente tem os mesmos quatro departamentos básicos sob a Direção-Geral, mas conta com mais quatro subdepartamentos: Pesquisa (ligada ao Atendimento/Planejamento), Estúdio e Produção (subordinados à Criação) e Tráfego (em linha com a Administração). • A agência grande, normalmente, funciona com as quatro grandes áreas bási- cas subordinadas à Presidência ou Gerência-Geral do escritório (quando existe mais uma unidade operacional) subdivididas nos diversos departamentos das áreas básicas mais departamentos ou núcleos de Relações Públicas, Promoção e Merchadising, Assessoria de Imprensa etc. Por fim, mas não menos importante, Sampaio (2003, p. 65) ressalta: Existem, porém, alguns casos intermediários que têm funcionado a con- tento. O anunciante organiza uma agência muito pequena, com poucos profissionais de alto nível e contrata os serviços de bureaux de criação e mídia, que são agências especializadas na prestação de serviços de cria- ção de propaganda e de estudos e planejamento de mídia, desenvol- vendo trabalhos para anunciantes diretos, house-agencies e – até mesmo – outras agências que não contam com essas áreas bem estruturadas. Agora que conhecemos a estrutura básica de uma agência de propaganda, podemos entender como funcionam as atividades diárias ou a rotina de trabalho interno. Nesse sentido. Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2010, p. 311-313) enu- meram as seguintes etapas: 1. As primeiras informações, os objetivos e metas, o conhecimento dos fatos a serem divulgados são levados à agência pelo atendimento, que é o elo formal entre a agência e o cliente. É quem faz o briefing (síntese dos dados colhidos), que, com o relatório de visitas, é registrado internamente (onde existe, é enca- minhado ao tráfego) para que seja aberto o job. 2. O tráfego é o profissional que efetua a distribuição do trabalho, coordena o seu andamento e fixa prazos em que cada uma das fases deve estar concluída. Nas agências com sistemas automatizados de gestão, parte desse processo é efetua- do pelos softwares de controle, e a outra parte, ou pelo tráfego, ou pelo próprio atendimento, que executa também a função, neste caso. 3. A primeira etapa é a do planejamento e são completadas as informações colhi- das no cliente com outros dados levantados em pesquisas. O planejador sin- tetiza, analisa, interpreta, cruza as informações, tira as conclusões, esquemati- za os trabalhos, define as estratégias a serem adotadas. Em situações bastante simples de trabalho, o atendimento dialoga com o planejamento e encaminha diretamente para as áreas envolvidas [...]. TÓPICO 1 | AGÊNCIA DE PROPAGANDA E SEUS DEPARTAMENTOS 87 4. A estratégia de criação é desenvolvida com o pessoal da criação; em alguns ca- sos, há uma dupla dedicada à conta e atua diretamente. Escolhido o conceito da campanha, os criativos envolvidos – que tradicionalmente formam duplas de criação entre diretor de arte e redator, porém podem ser agrupados segundo o perfil da agência, às vezes com muitos profissionais atuando em times – se re- únem para desenvolver o processo criativo, geralmente o chamado brainstorm, ou tempestade cerebral, quando – por um período – todos os participantes de- vem expressar toda e qualquer ideia relacionada, sem nenhuma preocupação de exiquibilidade, para posterior filtro [...]. 5. A estratégia de mídia, com o pessoal do departamento correspondente [...]. No departamento de mídia, processa-se a seleção de meios, escolha de veículos que serão utilizados, faz-se a programação, o descritivo de mídia e elabora-se o orçamento de veiculação. 6. Para uma apresentação bastante completa, o departamento de produção faz as tomadas de preços, gerando previsões do custo de criação e finalização das peças propostas. 7. Por fim, todo esse material de planejamento (incluindo as soluções e sugestões dentro do campo do marketing e da comunicação), criação (layouts, textos, sinopses etc.), planos de mídia e orçamentos, é reunido e forma o plano de co- municação, que é apresentado ao cliente pelo atendimento. 8. Em caso de receba ressalvas que mereçam ser revistas, o atendimento retorna ao ponto do processo que precisa ser refeito. Se aprovado, inicia-se a produção final da campanha. A figura seguinte sintetiza o processo produtivo de uma campanha publi- citária em uma agência, conforme descrito anteriormente. FIGURA 3 – FLUXO DE TRABALHO DE UMA AGÊNCIA PARA PRODUÇÃO DE UMA CAMPANHA FONTE: O autor UNIDADE 2 | PRÁTICA DA PUBLICIDADE 88 Agora temos o panorama da organização e funcionamento de uma agência de propaganda. Esse conhecimento será útil em todas as etapas do seu curso e servirá de base para todas as demais disciplinas do curso. Esse estudo também contribui para que você possa ter uma visão geral e per- mite que você se identifique, inicialmente,mais com um ou outra área da agência. No entanto, é comum no decorrer do curso você descobrir outras áreas de interesse das atuais. Fique atento a isso enquanto você estiver na faculdade e verifique quais são as suas aptidões em relação a cada uma das áreas descritas. Caso você não se veja atuando em qualquer uma delas, não se preocupe. No tópico seguinte conheceremos as possibilidades e campos de atuação dos profissionais de comunicação social. 89 RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tópico, você aprendeu que: • A agência consiste em uma pessoa jurídica (empresa) especializada na arte e técnica publicitárias. • As agências são compostas por especialistas que estudam, concebem, execu- tam e distribuem propaganda aos veículos de comunicação conforme aprova- dos pelos clientes-anunciantes. • Toda atividade desenvolvida por uma agência de propaganda visa promover a venda de produtos ou serviços, difundir ideias ou informar o público a respeito de organizações ou instituições colocadas a serviço deste mesmo público. • Os anunciantes não são obrigados a contratar uma agência, mas são raros os casos em que médias e grandes empresas não contratam os serviços de uma agência especializada. • A produção independente ou por conta própria da empresa anunciante nem sempre se revela a mais barata ou a mais eficiente. • As agências da atualidade são uma evolução natural dos corretores de anún- cios surgidos com a imprensa escrita no início do Século XIX. • As principais funções desempenhadas por uma agência são o planejamento, a criação, a produção e veiculação das campanhas publicitárias. • Existem dois modelos básicos de agência: as agências de comunicação integra- da que se propõem a desenvolver um planejamento estratégico para os anun- ciantes e as agências especializadas, segmentadas por área de atuação. • O sucesso de uma empresa de comunicação, sejam agências tradicionais como as descritas aqui ou em qualquer outro formato, reside em garantir eficiência na comunicação dos seus clientes e acompanhando nas suas atividades para sugerir e desenvolver campanhas com resultados. • Como uma empresa como outra qualquer, as agências possuem uma área ad- ministrativa. • A área de atendimento faz o elo entre o anunciante e a agência. • O planejamento responde pela geração de insights e complementação das in- formações colhidas pelo atendimento. 90 • A criação é o departamento responsável pelas ideias, textos e imagens das pe- ças de uma campanha publicitária. • Os profissionais de mídia são responsáveis por planejarem as mídias e por es- colherem os meios a serem utilizados e negociarem a compra dos espaços pu- blicitários. • A produção responde pela facilitação da execução das peças com a seleção e contratação de fornecedores de serviços. • Os departamentos de apoio de uma agência são a produção gráfica, a promo- ção de vendas, a pesquisa de mercado e a produção eletrônica. • Outras áreas podem contribuir para o desenvolvimento de uma campanha, tais como tráfego, arquivo e documentação artística, serviços de informações de marketing, orçamentos e previsões de custo e outras funções de gestão. • O fluxo de trabalho de uma agência começa pelo atendimento, passa para o planejamento, criação e mídia e, finalmente, pela produção final. 91 AUTOATIVIDADE 1 De acordo com a Lei Federal n° 4.680/65, a agência de propaganda é pessoa jurídica especializada na arte e técnica publicitária que, através de espe- cialistas, estuda, concebe, executa e distribui propaganda aos veículos de divulgação, por ordem e conta de clientes-anunciantes, com o objetivo de promover a venda de produtos e serviços, difundir ideias, ou informar o público a respeito de organização ou instituições colocadas a serviço deste mesmo público. Com base na definição apresentada, classifique V para as sentenças VERDADEIRAS e F para as FALSAS a respeito dos departamen- tos de uma agência de propaganda e depois assinale a alternativa corres- pondente à sequência correta: a) ( ) Atendimento é o responsável pela comunicação cliente-agência e agência- -cliente. É o profissional de atendimento que apresenta peças e campanhas, planejamentos etc. b) ( ) Criação é a área composta pela dupla de criação, formada pelo diretor de arte, que é responsável pela parte visual das peças publicitárias e pelo redator, responsável pela criação dos textos, cuja dupla é coordenada pelo diretor de criação. Deste departamento saem as ideias para os anúncios. c) ( ) Planejamento é o departamento dividido em produção gráfica e produ- ção eletrônica (RTVC) e nele são feitos todos os contatos com os fornecedo- res gráficos e produtoras de áudio e vídeo. d) ( ) Mídia elabora o planejamento de modo a atingir melhor cobertura e frequência com o mínimo de gastos para o público-alvo esperado pela cam- panha do cliente. A alternativa correspondente à sequência correta é: a) ( ) F, V, V, V. b) ( ) V, F, V, F. c) ( ) F, F, V, F. d) ( ) V, V, F, V. e) ( ) V, V, V, V. 2 (ENADE, 2009) Uma agência de publicidade é uma empresa que vende so- luções de comunicação para seus clientes. Um único publicitário não terá condições profissionais de executar todas as tarefas envolvidas no processo de comunicação com igual desenvoltura. Para que as soluções de comuni- cação geradas por uma agência tenham efetividade, as atividades profissio- nais dos publicitários são tradicionalmente diferenciadas. Como é denomi- nada a atividade exercida pelos publicitários que pode ser definida como a que estabelece as funções específicas relacionadas com a veiculação da campanha e de que forma ela vai ocupar seu espaço para ser percebida pelo público-alvo? 92 a) ( ) Atendimento. b) ( ) Direção de criação. c) ( ) Produção. d) ( ) Mídia. e) ( ) Tráfego. 3 As agências são empresas especializadas na criação e execução de campa- nhas, embora não exista legislação que obrigue aos anunciantes a contrata- rem agências para suas campanhas publicitárias. Apesar disso, são poucas as empresas que evitam contratar os serviços especializados de agências e seus profissionais. Nesse sentido, analise as asserções a seguir e a relação proposta entre elas. I- A produção de campanhas de forma independente e por conta própria dos anunciantes sempre são mais baratas e eficientes para divulgação de produtos e serviços. PORQUE II- As agências exercem um papel fundamental no processo de comunicação dos anunciantes com o mercado consumidor por conta de seu conheci- mento e técnicas aplicadas. Acerca dessas asserções, assinale a opção CORRETA: a) ( ) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I. b) ( ) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma jus- tificativa da I. c) ( ) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. d) ( ) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. e) ( ) As asserções I e II são proposições falsas. 4 O departamento de comunicação costuma ser o de maior visibilidade e de interesse dos profissionais por fornecer a parte tangível das campanhas, ou seja, a mensagem criativa e os anúncios veiculados nas mídias para os consumidores. No departamento de criação é comum encontrarmos os se- guintes profissionais trabalhando em conjunto: a) ( ) Redator e diretor de arte. b) ( ) Tráfego e produtor gráfico. c) ( ) Atendimento e planejamento. d) ( ) Mídia e orçamentos e previsões de custo. e) ( ) Atendimento e diretor de criação. 93 TÓPICO 2 ÁREAS DE ATUAÇÃO NO MERCADO PUBLICITÁRIO UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Em nossos estudos sobre a introdução à publicidade e propaganda, nos concentramos em estudar os conceitos e a estrutura e organização de uma agên- cia de propaganda com seus respectivos departamentos e funções. Complementaremos esses estudos com uma apresentação do símbolo da profissão, o galo, e a razão pela qual ele representa a atividade publicitária. Se- guiremos com uma breve apresentaçãodas funções publicidade desenvolvidas pelos profissionais. O tópico segue com uma apresentação das possibilidades de atuação dos profissionais formados em Comunicação Social, não apenas em agências de pro- paganda, mas também em vários outros ramos e atividades fornecedoras de ser- viços para a propaganda. Encerraremos com panorama do mercado publicitário e as exigências dos novos comunicólogos para ingressar nesse mercado. Dessa forma, pretendemos prepará-lo para a sua nova profissão e ajudá-lo a conquistar seu espaço no mer- cado de trabalho. 2 O SÍMBOLO DA PUBLICIDADE E AS FUNÇÕES DO PROFISSIONAL Na condição de estudante de comunicação, talvez uma das coisas que cha- me sua atenção é o fato de as organizações, sejam elas públicas ou privadas, terem uma marca ou um símbolo associado a ela. A marca e o logotipo são elementos produzidos em geral por profissionais de comunicação, principalmente aqueles formados em Publicidade e Propaganda, a fim de representar a empresa e seus produtos e criar uma identidade para ela. Mas ainda não entraremos nesses aspectos sobre a atividade publicitária. O que pretendemos com essa breve introdução é demonstrar que a profissão de comunicólogo também possui uma identidade e um símbolo para sua designação. UNIDADE 2 | PRÁTICA DA PUBLICIDADE 94 A adoção de um símbolo para designar uma determinada profissão não é exclusividade da comunicação social. Ela está presente em muitas outras ativida- des profissionais e ajudam na identificação da área de estudo e criam um sentimen- to de pertencimento daqueles que nela atuam. Como exemplo, você já deve ter observado em muitos hospitais ou aven- tais de médicos um símbolo composto por uma cobra enrolada sobre um cajado rústico. A cobra representa a sabedoria e o cajado o bastão de Asclépio ou Escu- lápio, o deus da Medicina. Entre os administradores, você encontrará a simbologia composta de setas e formas geométricas que remetem às ações de organizar, direcionar, orientar, coordenar e planejar que compõem a essência das atividades do profissional de administração. O mesmo acontece com balança e a figura feminina de olhos vendados que representam a Justiça e a Igualdade para os profissionais de Direito, a letra grega PSI para os psicólogos ou as engrenagens e roldanas para os cursos de en- genharia, como vemos na figura seguinte. FIGURA 4 – PRINCIPAIS SÍMBOLOS DAS PROFISSÕES FONTE: <https://bit.ly/2vO9AA5>. Acesso em: 21 fev. 2020. TÓPICO 2 | ÁREAS DE ATUAÇÃO NO MERCADO PUBLICITÁRIO 95 Nós, profissionais de publicidade e propaganda, também temos nosso símbolo para a atividade profissional. Você saberia dizer qual é o elemento que nos representa? Reflita a respeito do que fazem os publicitários. Anúncios, certo? Pois o que poderia representar um anúncio? Foi pensando dessa forma que os publicitários adotaram o animal galo como símbolo da profissão. Mas por que um galo? Ora, o galo tradicionalmente é o primeiro animal a acordar e anunciar a chegada do dia. Isso remete à atividade publicitária de anunciar as coisas boas. O galo anuncia que o dia está começando, que é preciso acordar cedo e trabalhar, assim como fazem os publicitários diariamente na rotina de suas ati- vidades profissionais. Para serem criativos na hora de anunciarem produtos e serviços, eles também acordam cedo. Assim como o galo, é preciso anunciar antes dos demais, fazer barulho, repetir diversas vezes que o dia está amanhecendo. É assim que a publicidade funciona, anunciando antes dos concorrentes, com muita criatividade e intensi- dade, as coisas disponíveis para nossas vidas. Embora não exista uma versão original para que o galo fosse eleito o sím- bolo da atividade publicitária, Leal (2016) nos conta que: Reza a lenda de que há muitos anos uma agência de São Paulo preci- sou virar a noite fazendo um job, e os publicitários, ainda não acostu- mados com essa rotina, eram acordados com frequência com o som do bicho no terreno vizinho, que não dormira devido ao barulho. Alguns maldosos dizem que, na verdade, é porque os publicitários são escan- dalosos e querem aparecer perante os outros. Contudo, o real motivo é que o galo acorda antes do que os outros animais e dá seu grito para propagar a notícia do nascer do sol. Isso reforça a relação existente entre o animal galo e os publicitários, que preci- sam anunciar tendências, produtos, serviços, ideias, de forma eficiente para que a maio- ria das pessoas tomem conhecimento e isto tudo antes do que qualquer concorrente. FIGURA 5 – GALO COMO SÍMBOLO DO CURSO DE PUBLICIDADE E PROPAGANDA DA UNIASSELVI FONTE: <https://bit.ly/2UzIV2n>. Acesso em: 21 fev. 2020. UNIDADE 2 | PRÁTICA DA PUBLICIDADE 96 Conforme vimos, o galo representa a profissão e está presente no logotipo do curso de Comunicação Social – Publicidade e Propaganda da UNIASSELVI. Diferente de outras profissões, o galo pode ser estilizado de acordo o profissional ou do grupo a que pertence. Não existe, nesse sentido, uma regra rígida em relação ao formato que ele deve ter. Assim, podemos encontrar diversos galos estilizados e muitos deles são inclusive utilizados como troféu em premiações publicitárias ou elementos para representação de cursos e atividades publicitárias. Agora que já sabemos mais sobre a simbologia por trás do galo da publi- cidade, relacionaremos na sequência as atividades desenvolvidas pelos profissio- nais publicitários a fim de demonstrarmos a relação entre o galo e as atividades de comunicação. De acordo com Sampaio (2003, p. 30) são elas: • Divulgação da marca (de produto ou serviço) ou empresa para torná-la mais íntima dos consumidores que já a conhecem ou fazê-la conhecida pelos que não a conheçam. • Promoção da marca ou empresa para seus consumidores, visando aumentar sua presença entre eles ou ressaltando seus aspectos mais competitivos em re- lação ao que existe o mercado e é oferecido pela concorrência. • Criação do mercado para a marca ou empresa através da conquista de consumidores. • Expansão do mercado através da conquista de mais consumidores. • Correção do mercado, quando a imagem da marca ou empresa não estiver sen- do percebida de maneira adequada pelos consumidores ou quando estes não estiverem corretamente informados das características e vantagem do produto ou serviço do anunciante. • Educação do mercado, quando o consumo depender da formação de uma ati- tude ou hábito do consumidor. • Consolidação do mercado, quando o importante for solidificar uma posição conquistada, através da reafirmação das qualidades da marca ou empresa. • Manutenção do mercado, através da constante reafirmação as características e vantagens da marca ou empresa e da ação de resposta aos ataques e esforços da concorrência. • Quanto à propaganda de caráter institucional, seu objetivo final também acaba por ter um sentido promocional, uma vez que os consumidores tendem a dar preferência às empresas mais conhecidas e com melhor imagem. Além destas, também encontramos em Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2010) uma divisão de funções da atividade publicitária dirigida para os varejis- tas (as lojas em que compramos os produtos ou serviços) e aquelas dirigidas às indústrias (fabricantes de produtos). Nesse sentido, as funções da atividade publicitária para o varejo relacio- nadas por Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2010) são: TÓPICO 2 | ÁREAS DE ATUAÇÃO NO MERCADO PUBLICITÁRIO 97 • Estabelecer o conceito da empresa. • Manter e aumentar a frequência de visita à loja. • Estabilizar as vendas através de ofertas especiais, descontos etc. • Aproveitar as ocorrências sazonais como datas comemorativas etc. • Ativar a rotação dos estoques. Com relação às indústrias, Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2010) rela- cionam como funções da publicidade: • Garantir a pronta aceitação dos consumidores aos novos produtos. • Manter e aumentar a venda de produtos já conhecidos. • Efetuar vendas sem necessidade de vendedores. • Criar novos mercados e estabilizaros existentes. • Fixar hábitos e quebrar preconceitos. • Ensinar novos usos e aumentar o consumo per capita. • Levantar pistas, descobrir consumidores difíceis de localizar. • Estimular os vendedores e facilitar-lhes a tarefa da venda. • Reter clientes quando o vendedor muda para um concorrente. • Garantir idoneidade. • Permitir a manutenção do preço. • Ampliar a rede de revendedores. • Criar prestígio e boa vontade. Embora já tenhamos visto mais de uma dezena de funções da publicida- de, ainda poderíamos destacar várias outras. Em síntese, e como estudaremos nos tópicos seguintes da unidade, elas incluem o conhecimento e o convencimen- to do consumidor à compra e ao consumo de marcas, produtos e serviços. Todas as ações de comunicação publicitária são desenvolvidas através dos meios de comunicação (mídia) ou ainda dentro do ponto de venda (lojas, fábricas e prestadores de serviços) a fim de informar, persuadir e estimular os consumidores às compras. É por essa razão que podemos afirmar que a atividade de propaganda é coisa de gente grande e não deve ser vista como um luxo destinado apenas às grandes empresas. Como nos lembra Senna (2003, p. 18): UNIDADE 2 | PRÁTICA DA PUBLICIDADE 98 Uma coisa é certa: em Publicidade feita por pessoas competentes, a margem de erro é muito pequena, não existe caro ou barato. Não está escrito em nenhum lugar que somente grandes negócios podem recor- rer aos benefícios proporcionados por uma Publicidade bem feita. Mas para que isso aconteça, é importante que a Publicidade seja entendida a partir de perspectivas diferentes. Converse com quem acreditou e investiu sob a orientação de profissionais sérios e você vai descobrir como as coisas funcionam. E, realmente, funcionam! Além de um in- vestimento – aliás, é INVESTIMENTO mesmo –, Publicidade passou a ser, hoje em dia, questão de sobrevivência. Claro que para alguns setores mais do que para outros. Porém, de todo jeito, se você já com- partilha dessa opinião, mas se recusa a procurar uma boa agência, siga um conselho de amigo: não faça nada além de se informar o máximo possível sobre sua área. Não tente fazer-se passar por “publicitário” ou “profissional de Marketing”. Se não fazendo nada as coisas não estão tão bem quanto poderiam, fazendo errado a situação pode ficar insustentável. Todo cuidado é pouco. Acreditamos que seja por esse motivo que você está aqui, não é mesmo? Para se tornar um bom profissional, capacitado e requisitado pelo mercado e aju- dar a fazer bons anúncios e campanhas publicitárias que tragam resultados aos anunciantes em vendas. Mas para exercer todas as funções vistas aqui e, mesmo que você não tenha se identificado ainda com uma das áreas de uma agência de propaganda descritas no tópico inicial, conheceremos na sequência outras possibilidades de atuação do profissional e como ingressar no mercado. 3 ÁREAS DE ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL E MERCADO DE TRABALHO É comum encontrarmos em sala de aula muitos alunos que escolheram o curso de Comunicação Social por gostarem de fotografia, filmagem, cinema, redigir textos, serem bons desenhistas com aptidões para as artes ou que simples- mente gostem da comunicação. Nesse contexto, também costumamos constatar que muitos deles ainda não se identificaram com uma atividade em específico para a publicidade, tal como redator, fotógrafo, designer, diretor de arte, mídia ou atendimento e plane- jamento, por exemplo. Se este for o seu caso, nem pense em desistir do curso por conta disso. Existem muitas possibilidades de atuação para os profissionais formados em pro- paganda, relações públicas e mesmo em jornalismo. O seu domínio e interação constante com as redes sociais, por exemplo, podem ser uma boa opção para você fornecer serviços de comunicação direta- mente para os anunciantes ou também como prestador de serviço especializado para uma agência de propaganda. TÓPICO 2 | ÁREAS DE ATUAÇÃO NO MERCADO PUBLICITÁRIO 99 Vejamos outras possibilidades de atuação que talvez possam interessá-lo e que, de alguma forma, você terá contato e conhecimento no decorrer do curso: • Criação e design de marcas (branding). • Design especializado em rótulos, embalagens, logotipos ou para mercados es- pecíficos. • Redator de textos publicitários ou especializado em blogs, publicações seto- riais, mídias sociais etc. • Comportamento e tendências de consumo das pessoas. • Gerenciamento de produtos e marcas. • Análise de mercado e tendências de marketing e vendas. • Consultoria em marketing ou comunicação. • Pesquisa de mercado. • Produção de áudio, vídeo ou foto. • Especialização em mídias sociais ou em influência digital. • Direção de produções cinematográficas ou audiovisuais. • Organização de eventos e ações promocionais para as marcas. • Gerência e análise de mercados (marketing). • Gerência comercial ou liderança de equipes de vendas. • Estúdios criativos de design, branding ou artes gráficas. • Assessoria de comunicação e gestão de comunicação organizacional. • Estúdio de animação, web design ou ilustrações em geral. • Especialização em ações de internet e web marketing. • Composição de trilhas sonoras, jingles, vinhetas ou áudios. • Editor e diretor de vídeos. • Planejamento de campanhas ou de mídias. • Birôs de produção gráfica, gráficas e pequenas impressoras. • Arte-finalista. Branding designa o ato de colocar marcas em produtos ou serviços e esta- belecer as associações necessárias para a sua construção na mente dos consumidores. Jingle é o termo usado para os anúncios de rádio que usam apenas música ou que são totalmente cantados. NOTA UNIDADE 2 | PRÁTICA DA PUBLICIDADE 100 São muitas as possibilidades, além daquelas descritas relativas às ativida- des internas das agências, tais como atendimento, planejamento, criação (redator ou diretor de arte); mídia ou produção em uma empresa de comunicação. O mais importante nisso é que você tenha um olhar criativo e diferenciado para as coisas que faz e produz a fim de torná-las atraentes e estimulantes para os consumidores. Isso fica ainda mais evidente nas palavras de Martins (2010, p. 19): Viu só como é grande a necessidade de comunicação de massa bem executada? Conceito de marketing... segmentação... produto... preço... Propaganda... vendas... mais Propaganda... mais vendas... pelo amor de Deus, mais vendas! São dezenas, centenas, milhares de profissio- nais envolvidos na árdua tarefa de comunicar alguma coisa a milhões de pessoas. E de conhecê-las bem de perto, quase que uma a uma, informando e seduzindo positivamente. É o mais incrível torneio de TIRO AO PÚBLICO-ALVO de que se pode ter notícia. Mas um tiro diferente: um tiro com T de talento e de tesão pelo que se faz, I de in- formação, R de responsabilidade e O de ousadia. Estes são, a meu ver, os atributos mínimos necessários a quem queira mexer com comuni- cação. Pois sem isso não se faz a velha, boa e convincente Propaganda. Observe no anúncio seguinte, em homenagem ao dia do publicitário, como isso está representado no anúncio e consolidado na mente dos anunciantes de que somos os que conhecemos os caminhos criativos para atingir de forma eficiente os consumidores. FIGURA 6 – ANÚNCIO EM HOMENAGEM AO DIA DO PUBLICITÁRIO FONTE: <https://bit.ly/3br6ql2>. Acesso em: 21 fev. 2020. TÓPICO 2 | ÁREAS DE ATUAÇÃO NO MERCADO PUBLICITÁRIO 101 Isso nos leva a identificar o perfil do profissional de publicidade e nas formas como você pode usar isso a seu favor na busca por uma colocação no mercado de propaganda. Afinal, antes de vender os produtos e serviços dos outros, você precisará se vender ao mercado como profissional de comunicação. Sendo assim, Leão (2001) entende que um bom publicitário se forma pela soma de diversos requisitos. Esses requisitos estão descritos na sequência: • Conhecimento técnico: corresponde ao domínio das técnicas relativas às ati- vidades de comunicação e que difere os profissionais dos leigos. Como não é uma ciência exata, mas muito mais técnica, esse conhecimentoestá relacionado à prática, à dinâmica e que exigem sensibilidade, talento, domínio de alguns instrumento. Por isso, é essencial que o publicitário entenda de administração e de negócios. Isso garante credibilidade e ponto de vista embasado em critérios e referências mercadológicas. • Conhecimento profissional: corresponde ao conhecimento do mercado em que você atua, as pessoas que são referência na área de atuação, tanto local como regional, nacional e mundial, e das competências exigidas de um profissional capacitado a atuar nela. Isso inclui a leitura de publicações especializadas em negócios, tendências, características profissionais, acompanhar profissionais e premiações, assistir palestras, fazer cursos, visitar empresas e ter uma ampla noção do ambiente em que se desenvolve a propaganda. • Respeito pelo negócio e pelos pares: consiste em não menosprezar a sua ativi- dade profissional e nem a dos seus colegas de profissão. É saudável questionar orientações de agências, líderes de setores ou colegas e a sua própria conduta, mas que não deve ser feita em público ou de forma desrespeitosa para não caracterizar a falta de ética. Afinal, todos nós dependemos da nossa profissão para nossa so- brevivência e queremos o melhor para ela e, consequentemente, para nós mesmos. Ainda nessa linha de raciocínio, Leão (2001) destaca as características do perfil que compõem um profissional de comunicação e de publicidade: • Curiosidade. • Disciplina. • Sensibilidade. • Flexibilidade. • Versatilidade. • Educação. • Cultura. • Domínio da língua portuguesa. • Respeito pelo seu negócio e o do seu cliente. • Respeito pelos que exercem a atividade. • Humildade. • Noção do valor do seu trabalho. • Habilidade de negociação. UNIDADE 2 | PRÁTICA DA PUBLICIDADE 102 Além disso, precisamos considerar os aspectos referentes ao ingresso no mercado de trabalho destacados por Pimenta (2011). A necessidade de constante qualificação para entrar e se manter em uma área de trabalho e um prazer em gostar do que faz, afinal essa será a sua profissão pelos próximos 35 a 50 anos. Ainda sobre esse tema, Pimenta (2011, p. 38) acrescenta: Creio que não seja demais avisar. O preparo tem de estar acima das eventuais ofertas de emprego. Cidades mais desenvolvidas também acirram a concorrência. A exigência de qualificação é maior, pois os ne- gócios e os contratos firmados pelas agências promovem grande mo- vimentação financeira. É o peso da responsabilidade no momento da contratação. A expectativa do contratante é de que o novo funcionário corresponda, com sua competência, em produção e geração de lucro. Você quer saber quais são as melhores épocas para ingressar no mercado, às demandas das agências e a progressão da carreira de um profissional de publicidade e propaganda? Então acesse link do Guia do Estudante e obtenha essas informações bási- cas: https://bit.ly/2w0kmDt. DICAS Ainda a respeito do perfil geral de um publicitário, Pimenta (2011) comple- menta que você precisa ter iniciativa, jogo de cintura, muita paciência, ser organiza- do e cumprir prazos e trabalhar em equipe, além de conhecimento técnico e prepa- ração para conseguir experiência e conquistar seu espaço no mercado de trabalho. Como já nos referimos em outros momentos nesse tópico, sempre existe também a possibilidade de você empreender na área com a abertura do seu pró- prio negócio. Mas isso exigirá de você capacidade criativa, muitos contatos e uma base de administração (PIMENTA, 2011). De volta a Leão (2001), encontramos uma importante recomendação a um iniciante na área: construa sua reputação e zele por ela. Isso se faz com compe- tência, discrição, seriedade, educação, disponibilidade, paciência, disciplina, bom humor e bom relacionamento. Aproveite desde o início dos seus estudos as possibilidades de criar um networking, ou seja, a sua rede de contatos profissionais. Quanto maior e mais bem qualificados esses relacionamentos, eles podem ajudá-lo no seu ingresso no mercado com indicações. Assim, Pimenta (2011, p. 149-150) recomenda: TÓPICO 2 | ÁREAS DE ATUAÇÃO NO MERCADO PUBLICITÁRIO 103 As oportunidades de conhecer gente nova surgem constantemente. Os eventos relacionados à área reúnem pessoas de interesses e afins. Fes- tivais universitários, premiações profissionais, confraternizações, almo- ços com outros publicitários. São encontros que adicionam pedras ao tabuleiro. Favorecem seu desempenho no jogo do mercado de trabalho. Para obter emprego, prefira mover as peças em vez de jogar os dados. [...] Ter um bom QI (“Quem Indique”) ainda é o meio mais utilizado para efetuar contratações. Normalmente, quando uma vaga de empre- go é aberta na agência, a preocupação em preenchê-la se inicia inter- namente, entre os colegas. “Você conhece alguém?” O networking bem semeado é colhido nesse momento. Para o empregador é uma facilida- de. É possível tirar informações tanto sobre o perfil profissional como o pessoal. Referência boa é qualidade decisiva para ocupar a nova vaga, mas também há outra possibilidade. Pessoas de comportamento com- plicado, que não se entrosam em equipe, são vetadas. O período universitário é um bom momento para você construir sua rede de relacionamento com profissionais da área. Também é nesse período que costu- mam aparecer as vagas de estágio e outras oportunidades para você ingressar no mercado de fato. Aproveite-as! Para saber mais sobre o mercado publicitário na atualidade, o perfil das agên- cias e outros dados do setor, você pode fazer o download do Censo das Agências de Propaganda, organizado pela Operand com apoio da Associação dos Profissionais de Pro- paganda (APP) e da Federação Nacional das Agências de Propaganda (Fenapro), que busca avaliar o andamento do mercado, com seu erros e acertos no ano. O material está dispo- nível aqui neste link: https://www.operand.com.br/pesquisa-censo-agencias/. DICAS Também aproveite a fase universitária para construir seu portfólio, ou seja, a sua pasta de trabalhos para que você possa ter o que mostrar em possíveis oportunidades. Ao longo do curso você aprenderá a construir um portfólio, mas não custa apresentá-lo resumidamente aqui. Mais do que um currículo com seus dados, na área da comunicação você precisa demonstrar seus trabalhos. Isso é feito através do portfólio, com peças pu- blicitárias, textos, fotos, designs etc., a fim de mostrar seu potencial. Os trabalhos de faculdade servem como referência para isso. UNIDADE 2 | PRÁTICA DA PUBLICIDADE 104 Para você aprender a montar seu próprio portfólio, use o Manual do Estagiário escrito pelo publicitário Eugênio Mohallem e que está disponível no site do Clube de Cria- ção de São Paulo: http://www.ccsp.com.br/manualdeestagiario. DICAS Tudo isso vai ajudá-lo a ter mais oportunidades de enfrentar a concor- rência em sua área de trabalho. Quanto mais qualificado você é e quanto mais experiência você puder adquirir, maiores serão as suas chances. Como nos lembra Pimenta (2011), se você não conseguir uma vaga, revise seu perfil. Mas mantenha o foco e a disciplina para conquistar os seus objetivos. Afinal, é o futuro da sua vida profissional que está em jogo a partir de agora. No próximo tópico aprenderemos ainda mais sobre a profissão da pu- blicidade ao aprendermos sobre as noções da prática da publicidade. Isso abrirá ainda mais o seu horizonte em relação à sua futura profissão e as possibilidades de atuação na área. As formas de comunicação têm mudado muito com os avanços tecnoló- gicos, não é mesmo? E elas impactam diretamente o futuro da publicidade. Para você começar a se acostumar com as tendências, recomendamos a leitura do arti- go a seguir. Vale a reflexão. CONHEÇA O FUTURO DA PUBLICIDADE EM 10 TENDÊNCIAS IRRE- VERSÍVEIS Não é preciso ter uma bola de cristal para descobrir que os hábitos dos consumidores mudaram. E isso se deve principalmente aos avanços tec- nológicos! Hoje em dia, podemos assistir aos nossos programas favoritos onde e quandoquisermos, por exemplo. Atentos a esse cenário, os anun- ciantes têm tido que se antecipar, prevendo o futuro da publicidade, para continuar relevantes aos olhos do público. Pense naquelas famosas interrupções pelos comerciais. Pois elas são cada vez mais indesejadas pelas pessoas. Não é à toa que os ad blockers fazem tanto sucesso! Mas por mais que as propagandas invasivas afetem a experi- ência dos usuários nas mídias, a publicidade ainda é fonte de renda da maio- ria dos produtores de conteúdo. TÓPICO 2 | ÁREAS DE ATUAÇÃO NO MERCADO PUBLICITÁRIO 105 E então, como conciliar essas questões para que ninguém saia preju- dicado? A resposta não é simples, mas já podemos notar uma grande mu- dança nessa direção. Neste post, reunimos 10 tendências que ditarão o futuro da publicidade. Pronto para conhecê-las? 1. Mídia programática Tudo bem que comprar mídias de forma automatizada já é uma re- alidade, mas a tendência é que essa prática se torne ainda mais comum da- qui para frente. Com tantas informações dos usuários no ambiente digital, simplesmente não há razão para não as usar para o bem de todos. Assim, as empresas conseguem direcionar seus anúncios para um público qualificado, nas mídias certas, e os consumidores recebem ofertas do seu interesse. 2. Marketing de conteúdo Se você quer atrair pessoas sem qualquer anúncio pago, o marketing de conteúdo é a solução. Pense bem: todos os dias, inúmeras pessoas pes- quisam sobre diversos temas nos mecanismos de busca. Logo, é altamente recomendável que você esteja neles! Com um bom trabalho de SEO, especial- mente em relação às palavras-chave, seu público-alvo conseguirá chegar até você com muito mais facilidade. Ainda sobre essa tendência, é válido salientar que os conteúdos de- vem ser relevantes para essa estratégia funcionar. Afinal, de nada adianta receber centenas de visitas diariamente se a taxa de rejeição é enorme, certo? Ao produzir materiais de qualidade, você conquista uma audiência fiel e seus conteúdos se espalham pela web, espalhando sua marca com eles. 3. Publicidade nativa Reflita por um instante: quando você entra em um portal de notícias ou em qualquer outro site, presta atenção em todos os banners expostos? Se você respondeu que sim, faz parte de uma minoria. É claro que essa é uma estratégia válida, tanto que ainda há muitos sites que se mantêm por meio do Adsense, mas saiba: é possível ter resultados melhores. Muitas vezes, a publicidade nativa é confundida com um conteúdo do próprio site em que o anúncio está. Sabe quando você lê uma matéria e, no final da página, encontra artigos relacionados que levam a outros sites? Esses são exemplos de anúncios nativos. Se você tem muitos conteúdos em seu blog corporativo, essa é uma maneira legal de aumentar o tráfego e con- seguir mais leitores. 4. Anúncios em vídeo UNIDADE 2 | PRÁTICA DA PUBLICIDADE 106 O formato em vídeo é excelente para conseguir a atenção dos usu- ários e aumentar seu engajamento por ser facilmente consumido. E isso é especialmente verdade para a navegação via smartphones, uma vez que não é nada agradável ler um texto imenso em uma tela pequena. Já o vídeo conse- gue informar e entreter por meio dos aparelhos móveis sem problema algum. 5. Foco na mobilidade Por falar em dispositivos móveis, todas as suas ações devem ser pen- sadas também para eles, ok? Para você ter uma ideia, a maior parte dos bra- sileiros usam mais os smartphones que os desktops para acessar a internet. Portanto, ao elaborar ações publicitárias de agora em diante, trate de incluir esses dispositivos em sua campanha para atingir mais pessoas! 6. Realidade virtual Embora sejam muito usados para o entretenimento, os óculos de re- alidade virtual também podem ser de grande utilidade para as empresas, sabia? Imagine, por exemplo, chegar em uma imobiliária e poder conhecer os imóveis, com todos os detalhes, sem precisar se deslocar. Dessa forma, você passa por uma experiência única enquanto economiza um tempo precioso. Sem falar que, para as empresas, a economia é ainda mais vantajosa. 7. Gamificação na prática A gamificação é bastante usada pelas instituições de ensino a distân- cia para incentivar seus alunos a aprenderem de um modo mais divertido. Essa tendência aproveita as mecânicas dos jogos, oferecendo recompensas aos usuários. A boa notícia é que são inúmeras as formas de aplicar a gamifi- cação em seu negócio, das mais simples às mais complexas. Os cartões fide- lidade são ótimos exemplos. Nesse caso, o cliente precisa acumular pontos para receber um benefício no final. 8. TV personalizada O hábito de assistir a conteúdos televisivos não só ainda existe como não há previsão de que esse cenário vai mudar tão cedo. Nesse caso, a única alteração está na maneira como nos relacionamos com esse meio. Com as TVs já bastante integradas à web, a publicidade nessa mídia tomará, aos poucos, outro caminho. No Reino Unido e nos EUA, por exemplo, foram realizados alguns testes de propagandas direcionadas de acordo com o perfil da audiência. O resultado foi bastante positivo. Afinal, se os sites conseguem segmentar seus anúncios, por que seria diferente na televisão? Por essas e outras, em detri- mento das soluções genéricas, a personalização estará cada vez mais presente. TÓPICO 2 | ÁREAS DE ATUAÇÃO NO MERCADO PUBLICITÁRIO 107 9. Pesquisas científicas Com tantos recursos tecnológicos à disposição, a ciência tem se tor- nado uma grande aliada da publicidade. Na prática, os consumidores nem sempre sabem por que escolhem determinada marca. Mas e os neurocientis- tas? Pois eles sim têm pesquisado as razões que levam as pessoas a tomarem certas atitudes. Descobriram, por exemplo, que imagens de pessoas olhando para um produto aumenta o interesse por ele. Contando com esse tipo de dado para a elaboração de campanhas, talvez nem o céu seja mais o limite. 10. Influenciadores de nicho Você já deve ter se deparado com anúncios em que os protagonis- tas são pessoas teoricamente desconhecidas. No entanto, se foram chama- das para estrelar comerciais, isso significa que devem ser relevantes para al- guém, não concorda? E realmente são. As marcas já perceberam que existem influenciadores fora dos grandes holofotes, pessoas que têm muita credibili- dade em determinados segmentos. Pois eles podem ajudar! Antes da era digital, os pequenos (ou mesmo médios) anunciantes nem sempre podiam pagar o cachê de uma celebridade. Após essa transfor- mação, eles passaram a ter a oportunidade de encontrar produtores de con- teúdo que falam com o mesmo público, o que tornou a publicidade menos centralizada e mais voltada para os nichos que trazem retorno às empresas. Percebeu como o futuro da publicidade está sendo desenhado agora? Entendeu a importância de nos adequarmos a essa transformação? É fato: atualmente, quem não se preocupa com as necessidades dos novos consumi- dores e não entrega a melhor experiência possível pode ser afetado de forma extremamente negativa. FONTE: STRIX. Conheça o futuro da publicidade em 10 tendências irreversíveis. 2018. Disponível em: https://bit.ly/3bzLubq. Acesso em: 21 nov. 2019. 108 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você aprendeu que: • As principais áreas profissionais possuem uma identidade para representá-la e isso inclui a propaganda. • O galo é o símbolo da publicidade por ser o animal que acorda cedo e anuncia a chegada do dia. • O galo faz barulho antes dos demais animais e repete seu cacarejo muitas vezes, assim como deve agir um profissional de propaganda com seus anunciantes. • A forma de representação do galo publicitário não possui uma padronização e pode ser estilizada de acordo com os interesses dos profissionais da área. • Existe uma forte ligação do símbolo do galo com as várias funções cumpridas pela propaganda para as marcas, que vão desde a divulgação dos produtos até a criação de mercados e educação do consumidor. • As ações publicitárias podem ser destinadas tanto aos varejistas comoaos fa- bricantes industriais. • São muitas as possibilidades de atuação no mercado de comunicação que pas- sam das tradicionais áreas de atendimento, planejamento, criação e mídia de uma agência de propaganda. • O que caracteriza um bom trabalho de um profissional de comunicação está na sua capacidade criativa e de chamar a atenção dos consumidores para a com- pra de produtos e serviços. • O perfil do profissional de comunicação reúne conhecimento técnico, profissio- nal e respeito pelo negócio e pelos seus colegas de trabalho. • Para ingressar no mercado de trabalho, você precisa ter uma sólida formação e manter-se qualificado com as técnicas e conhecimentos. • Um profissional deve construir sua reputação e zelar por ela. • O período da faculdade é ideal para você conseguir uma rede de contatos pro- fissionais que podem abrir as portas para o seu ingresso no mercado de traba- lho. A isso se dá o nome de networking. • Aproveite os trabalhos realizados na faculdade para incluir no seu portfólio para demonstrar seu potencial e capacidade ao buscar uma vaga na área de atuação escolhida. 109 AUTOATIVIDADE 1 Existe uma forte relação entre o galo, símbolo da atividade publicitária e as funções exercidas pela propaganda no mercado. Nesse sentido, avalie as asserções a seguir a respeito das funções da publicidade. I- A publicidade pode criar mercado para uma marca ou empresa através da conquista de consumidores. II- A publicidade contribui para que os varejistas aumentem suas vendas em datas comemorativas, tais como Natal, Ano Novo, Páscoa, Dia das Mães ou dos Pais. III- A publicidade ajuda as fábricas a construírem a idoneidade de sua marca e criarem prestígio e boa vontade dos consumidores em relação a seus produtos. É correto o que se afirma em: a) ( ) I, apenas. b) ( ) II e III, apenas. c) ( ) III, apenas. d) ( ) I e II, apenas. e) ( ) I, II e III. 2 A atuação profissional na área de propaganda vai além das vagas internas de uma agência de propaganda composta por atendimento, planejamento, cria- ção, mídia e produção. Existem muitas outras possibilidades que os novos profissionais podem buscar para trabalhar ou empreender no segmento. Nes- se sentido, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas. I- Um comunicólogo formado em Publicidade e Propaganda, Relações Pú- blicas ou Jornalismo possui um amplo campo de atuação diretamente em empresas ou como prestador de serviços especializados. PORQUE II- O mais importante é que ele possua um olhar criativo e diferenciado para a comunicação que faz para que ela seja atraente e estimulante para os con- sumidores e conduzi-los para as ações de compra dos produtos e serviços. Acerca dessas asserções, assinale a opção CORRETA: a) ( ) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I. b) ( ) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I. c) ( ) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. d) ( ) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. e) ( ) As asserções I e II são proposições falsas. 110 3 De acordo com Leão (2001), um bom profissional de publicidade e propaganda compõe da soma de diversos requisitos, entre eles os de conhecimento técnico, conhecimento profissional e o respeito pelo negócio e pelos colegas de atividade. Assim, uma das formas de ampliar o conhecimento profissional está descrita na seguinte alternativa: a) ( ) Buscar entender de administração e de negócios. b) ( ) Manter a credibilidade baseada em referências mercadológicas. c) ( ) Leitura de publicações especializadas, palestras, cursos e premiações do setor. d) ( ) Tratar de forma ética e profissional os colegas de profissão. e) ( ) Enfatizar os aspectos negativos da atividade publicitária. 4 Uma forma de conseguir uma vaga em uma atividade profissional consiste em criar e manter uma rede de contatos profissionais, cujos relacionamentos qualificados e em quantidade podem ajudar com indicações para vagas, reforçar indicações e ajudar em novas contratações. O nome dado a esse tipo de relacionamento profissional é: a) ( ) Job. b) ( ) Briefing. c) ( ) Networking. d) ( ) Branding. e) ( ) Jingle. 111 TÓPICO 3 NOÇÕES DE ATIVIDADE PUBLICITÁRIA UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Até aqui abordamos uma breve introdução ao mundo da publicidade e da propaganda e das possibilidades de atuação na área escolhida por você para sua formação e futuro profissional. Mas por que será que a publicidade funciona? Em busca dessa resposta e antes de ingressarmos na prática da atividade pu- blicitária, iniciaremos o tópico com uma breve apresentação da natureza dos fenôme- nos publicitários e de como a propaganda influencia no comportamento das pessoas. Seguiremos no tópico com um tema de fundamental importância para a atividade publicitária, que consiste em entender como e quais razões levam as pessoas a consumir e como acontece o processo de decisão de compras e sua relação com a publicidade. 2 OS ANÚNCIOS E A NATUREZA DOS FENÔMENOS PUBLICITÁRIOS Toda atividade publicitária está baseada na criação de uma mensagem transmitida por um anúncio ou comercial. Essas mensagens precisam ser atraen- tes e persuasivas para estimular as pessoas a comprarem os produtos ou serviços anunciados. Sendo assim, Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2010) entendem que o anúncio é uma das grandes peças do jogo publicitário, cujo propósito está em contribuir para a venda de produtos ou serviços e de criar uma disposição e esti- mular o desejo pela posse dos objetos pelas pessoas. Para cumprir com essas funções, o anúncio deve basear-se na no conhe- cimento da natureza humana a fim de atrair a atenção, o que exige saber como captar a atenção das pessoas. Para ser interessante, é preciso conhecer as reações das pessoas, seus instintos e sentimentos. Ainda nessa linha, Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2010, p. 62) afirmam que: 112 UNIDADE 2 | PRÁTICA DA PUBLICIDADE O publicitário deve ter algo de psicólogo, deve ter uma sólida base técnica, conhecer os princípios da comunicação e saber as limitações impostas pelos diferentes meios de comunicação com seus públicos. O publicitário deverá possuir um amplo conhecimento da estrutura e dos fatores do anúncio para que este seja potente, atrativo e alcance seus objetivos práticos: vender o produto ou serviço anunciado, des- tacar uma marca, persuadir. Bons anúncios podem ter efeito nulo em virtude de uma construção deficiente ou por algum defeito que reduza consideravelmente sua eficiência. Quando usamos o verbo vender, estamos nos referindo à capacidade de estabelecer uma troca entre os anunciantes e os consumidores. Essa troca pode ser por moeda financeira, pela aceitação de uma ideia, pela lembrança de uma marca ou ainda outros objetivos. Como a publicidade representa apenas uma força de comunicação, a ven- da não ocorre somente por causa dela. Outros elementos influenciam e, como estudamos na Unidade 1 sobre marketing, os atributos do produto, das condições de preço e de distribuição também exercem influência na decisão de compra dos consumidores. Assim, podemos afirmar que a publicidade ajuda no posicionamento, ou seja, na formação de uma imagem positiva a respeito das marcas, produtos e ser- viços, e estimula as compras dos consumidores. Para conduzir o consumidor à compra, a comunicação publicitária passa por sucessivos níveis denominados de níveis de comunicação. Esses níveis são descritos com suas respectivas características conforme apresentado por Sant’An- na, Rocha Júnior e Garcia (2010, p. 64-65): • Desconhecimento: é o nível mais baixo de comunicação. Nele estão as pessoas que jamais ouviram falar da empresa e do produto. • Conhecimento: como base mínima, temos que nos esforçar para conseguir a identificação do produto por parte do consumidor. • Compreensão: nesse estado o consumidor não só tem conhecimento dopro- duto ou serviço, mas também conhece a marca e reconhece a embalagem, bem como possui certo conhecimento do que é o produto e para que serve. • Convicção: além dos fatores racionais do produto, a preferência do consumi- dor se dá, também, por motivos emocionais. • Ação: o último nível é aquele em que o consumidor realizou algum movimento premeditado para realizar a compra do produto. Isso quer dizer que a propaganda somente cumprirá sua função quando contribuir para levar o consumidor por um ou mais níveis de comunicação, que podem ir desde o desconhecimento até a ação de compra. TÓPICO 3 | NOÇÕES DE ATIVIDADE PUBLICITÁRIA 113 Uma ferramenta importante para descobrirmos o que os consumidores pensam, conhecem (se é que conhecem) um determinado produto ou serviços, é a pesquisa de mercado. Ela fornece dados capazes de identificarmos em quais dos níveis o consumidor se encontra e o que é necessário fazer para estimular a venda de alguma coisa para ele. Você aprenderá mais sobre o comportamento do consumidor e como reali- zar pesquisas de mercado em uma disciplina específica do curso de comunicação social. Por essa razão, tratamos do tema de forma superficial nesse momento. ESTUDOS FU TUROS Mas se a pesquisa pode fornecer os dados para entendermos como as pessoas agem nos seus hábitos de compra e em que estágio do nível de comunicação, o que pode fazer a propaganda e por que ela funciona? Calma! A resposta pode estar nas palavras de Senna (2003) de que muitas pessoas acreditam que a publicidade é uma mera tentativa de afastar a massa e não exerce qualquer influência sobre elas. Isso porque as pessoas possuem o livre-arbítrio e a liberdade de escolha que determinam o que elas compram ou deixam de comprar. Por outro lado, existe a radical opinião de que a publicidade exerce forte in- fluência sobre as pessoas que chega a ser nociva, como no caso de estímulos ao con- sumo de produtos ou serviços que possam oferecer risco à saúde e à vida humana, tais como cigarros ou bebidas alcoólicas. Então, quem tem razão a respeito do papel da publicidade e as funções do anún- cio? Segundo Senna (2003, p. 34), as duas vertentes de crenças a respeito da atividade publicitária têm certa razão em relação ao tema e isso se justifica na medida em que: Por mais improvável que pareça, a base do argumento publicitário é bas- tante sólida, vem das teorizações aristotélicas sobre o discurso retórico. Mas depende também da habilidade de estruturar esse discurso. Segun- do Aristóteles, todo discurso procede de alguém, dirige-se a alguém e procura convencer em maior ou menor grau. Essa é exatamente a estru- tura da maioria absoluta das peças publicitárias. Temos sempre alguém dizendo alguma coisa (uma bela modelo, um galã de cinema ou página de uma revista) para um público específico (jovens, mulheres, homens de negócios), com o objetivo de gerenciar uma atitude predeterminada (a compra de um produto, a visita de uma concessionária ou um sentimento positivo sobre uma marca). Assim como os interesses – da peça de forma indireta e do anunciante da forma direta – são concretos e fazem parte de um universo frio de consumo, o conteúdo que tenta conduzir a essa atitude acaba, inevitavelmente, prometendo algo a esse público, seja de forma racional (“... os testes comprovam, Omo lava mais branco!”), seja de forma sentimental (“a vida borbulha com Chandon”). 114 UNIDADE 2 | PRÁTICA DA PUBLICIDADE Podemos observar isso em uma campanha vencedora de diversos prê- mios, no início da década de 2000, de um fabricante de sabonetes. Apesar de não mostrar mulheres perfeitas e nem conhecidas do público, a agência Ogilvy & Mather utilizou mulheres comuns para ressaltar a real beleza delas com o uso do produto. É uma forma de trabalhar pela emoção (beleza) e pela razão (mulheres como todas as outras) simultaneamente. Observe na figura seguinte. FIGURA 7 – EXEMPLO DE ANÚNCIO COM APELOS RACIONAIS E EMOCIONAIS FONTE: <https://bit.ly/39r8Hep>. Acesso em: 21 fev. 2020. Dessa forma, toda publicidade busca valorizar a pessoa em detrimento da mensagem (como no caso anterior) ou valorizar a mensagem em detrimento do livre-arbítrio e do bom senso, explica Senna (2003). Ainda de acordo com Senna (2003), a publicidade funciona porque traba- lha no nível da psicologia individual e estabelece relações únicas mesmo quando fala para a multidão absoluta. Além disso, todos consumidores possuem pré-dis- posições básicas para adquirir uma infinidade de produtos. Essas predisposições são acionadas através das mensagens publicitárias. Assim, a publicidade funciona justamente por proporcionar ao consumidor uma sensação de absoluto conforto e também por reforçarem as escolhas certas que fizemos depois das compras. É por isso que Senna (2003, p. 36) complementa: A publicidade assume, assim, duas funções distintas em momentos di- ferentes. Inicialmente, gerando expectativas positivas sobre o produto ou a marca e, depois, confortando, sustentando e renovando atitudes de consumo. Obviamente, mais eficaz será esse processo se maior for o grau de profissionalismo das pessoas envolvidas (elaboradores de discurso persuasivo), melhores forem as características do produto (objeto do discurso) e maior a predisposição das pessoas em adquiri- -lo (receptores desse discurso). Por isso, é preciso procurar cuidadosa- mente as pessoas que entendem e dominam a estruturação complexa de quem fala, o que fala e para quem fala. TÓPICO 3 | NOÇÕES DE ATIVIDADE PUBLICITÁRIA 115 É por essa razão que Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2010) ressaltam que os fenômenos publicitários apresentam simultaneamente características de ordem física, fisiológica, psicológica e econômica. Nesse sentido, temos: • Fenômenos físicos da publicidade: são aqueles relacionados às cores, por exemplo, que transmitem sensações às pessoas. • Fenômenos fisiológicos da publicidade: são aqueles relacionados às músicas que exercem feitos de alegria ou tristeza e emocionam as pessoas. • Fenômenos psicológicos da publicidade: são usados de acordo com a finalida- de do anúncio e determinam o resultado que se espera obter com a mensagem transmitida. • Fenômenos econômicos da publicidade: são aqueles que ultrapassam o pro- gresso da indústria, do comércio, da cultura, da técnica e das artes, e englobam a conjuntura econômica da atualidade. Ainda de acordo com Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2010), há diver- sos exemplos que demonstram como os fenômenos publicitários apresentam relações constantes, uniformes, sempre que se cumprem certas condições. Isso permite afirmar que existem leis publicitárias. Essas leis explicam as razões pelas quais a propaganda influencia as pes- soas. Isso se explica porque a publicidade não se ocupa da conduta individual do ser humano, mas preocupa-se com as ações coletivas que podem ser previstas e determinadas através de pesquisas e observações, ensinam Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2010). Mesmo ao considerar as pessoas imprevisíveis, Sampaio (2003) também entende que existem outros fatores que fazem com que as pessoas tenham com- portamentos comuns devidos ao ambiente cultural em que estamos inseridos. Segundo Sampaio (2003), a propaganda atua sobre os instintos mais fortes dos seres humanos através da informação, da argumentação e da comparação, tanto de forma lógica e racional como de forma subjetiva e emocional. Como Sampaio (2003, p. 38) nos explica: A propaganda mistura apelos lógicos e emocionais, informação e argu- mentação, medo e inveja, fascínio pelo novo e necessidade de segurança. Além de muitos outros elementos, à primeira vista paradoxais e antagô- nicos, que ela junta e combina para atingir seu propósito maior de gerar nos consumidores – pela persuasão – comportamentos que beneficiem o anunciante que a utiliza. A propaganda, dessa forma, age sobre o indiví- duo, a família, os grupos sociais, a comunidade, enfim, a sociedade como um todo, em um processo de grande sinergia,no qual cada anúncio inter- fere em muitos outros, através da dos meios de comunicação. É por essa razão que encontramos ainda em Sampaio (2003), os princípios básicos de funcionamento da propaganda. São eles: 116 UNIDADE 2 | PRÁTICA DA PUBLICIDADE • Criatividade para chamar a atenção dos consumidores. • Emoção e interesse para emocionar e despertar o interesse dos consumidores. • Pertinência para que a mensagem esteja alinhada com as necessidades dos con- sumidores. • Compreensão clara da mensagem para que os consumidores possam sentir e entendê-la. Tudo isso nos mostra como a propaganda atua sobre as nossas sensações, emoções e raciocínio lógico. Essas características e formas de atuação da propa- ganda nos levam a buscar entender a relação entre publicidade e a psicologia dos consumidores, na sequência no tópico. 3 PUBLICIDADE E A PSICOLOGIA DE COMPRA DOS CONSUMIDORES Com tantas funções desempenhadas pela publicidade para os anunciantes, o mercado e os consumidores, nesse momento você deve estar se questionando: afinal, por que a publicidade funciona e quais seus efeitos sobre os consumidores? De acordo com Sampaio (2003), essa é uma das questões mais difíceis de serem respondidas em relação à propaganda, e a razão disso reside no fato de ela lidar com pessoas, são bastante imprevisíveis em um ambiente como o mercado em que agem diversas forças e pressões. É por essa razão que, cada vez mais, os profissionais envolvidos com a publicidade têm se preocupado em entender como e quais razões levam as pes- soas a consumirem. Essa é uma área de estudos denominada comportamento do consumidor, cuja disciplina você terá em seu curso. Mas uma coisa é certa: a publicidade atua tanto sobre indivíduos isolados ou sobre massas de consumidores, provocando neles emoções capazes de impul- sioná-los com tanta força que os movem para satisfação de suas necessidades, explicam Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2010). Isso está ligado à psicologia humana, cuja área de conhecimento mantém estreita relação com a publicidade e a propaganda, e seus conhecimentos básicos se tornam fundamentais para o desenvolvimento de uma boa campanha publicitária. Como não é objetivo dessa disciplina nos aprofundarmos nesses conceitos da psicologia humana, Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2010) defendem a ne- cessidade de os publicitários conhecerem os consumidores, uma vez que ela visa a três objetivos: • Promover uma ideia na mente dos consumidores. • Despertar o desejo pelo objeto do anúncio. • Estimular o consumidor à compra do objeto. TÓPICO 3 | NOÇÕES DE ATIVIDADE PUBLICITÁRIA 117 Para alcançar esses três objetivos e cumprir com todas as suas funções já estudadas nos tópicos anteriores, os anúncios publicitários precisam interessar, persuadir, convencer e levar à ação e influenciar no comportamento de compra dos consumidores. Para conseguir influenciar, Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2010, p. 80) re- forçam a necessidade conhecer os consumidores, cujo conhecimento deve abranger: • A natureza humana: as necessidades básicas, os desejos e paixões que fazem agir o ente humano. • Seus hábitos e motivos de compra. Como é impossível ao profissional conhecer individualmente cada um dos consumidores a serem atingidos por um anúncio, cabe a ele conhecer um padrão comum de comportamento do público-alvo visado pela campanha (SANT’AN- NA; ROCHA JÚNIOR; GARCIA, 2010). Você já imaginou se o publicitário responsável por um comercial da Coca- -Cola tivesse que conhecer a fundo cada um dos consumidores? Como ele conseguiria, se a marca tem alcance mundial, com consumidores de diversas etnias, culturas, gostos individuais? É por isso que precisamos estabelecer um padrão médio de comportamento do público desejado. INTERESSA NTE A forma de fazer isso, encontramos nas palavras de Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2010, p. 80) reproduzidas na sequência: Enquanto o vendedor pensa e age em termos de indivíduos, o publicitá- rio tem de fazê-lo em termos de grupo ou, de modo mais abrangente, de massa. Ele precisa discernir na massa o indivíduo típico, o denominador comum, aquele que expressa em si a média das necessidades, desejos, gostos etc., da maioria. Para esse conhecimento, contamos com a pesquisa. O conhecimento do mercado, a análise de reações, hábitos e motivos de compra do consumidor típico, seus hábitos de leitura e audição de rádio, o conhecimento real do produto em relação aos concorrentes são as bases do planejamento publicitário, buscando-se entender um consumidor típico para, a partir dele, entender o todo. E saber comunicar-se com ele. Esse conhecimento dará uma base a você, futuro publicitário, para que possa ter um conhecimento da natureza humana e possa utilizar as palavras (a comunicação), as necessidades e desejos das pessoas e a psicologia (impulsos e estímulos) para o uso das técnicas mais eficazes de persuasão e estímulo dos con- sumidores às compras. 118 UNIDADE 2 | PRÁTICA DA PUBLICIDADE Tudo isso parte das necessidades biológicas das pessoas, ou seja, seus ins- tintos mais básicos por comida, sexo, ar, repouso, autodefesa e tantos outros. São eles que movem as pessoas a uma ação para satisfação dessas necessidades, ex- plicam Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2010). Quando há um desequilíbrio entre o estado em que a pessoa se encontra e o como ele gostaria de estar, há uma necessidade a ser satisfeita. Quando isso acontece, o ser humano encontra motivos para agir (motivação) para restabelecer o equilíbrio vital (SANT’ANNA; ROCHA JÚNIOR; GARCIA, 2010). Imagine, por exemplo, que você está com sede. Ela representa a neces- sidade por haver um desequilíbrio entre a quantidade de água que seu corpo precisa para se manter e que naquele momento está faltando. Para reestabelecer esse equilíbrio vital, você tende a se mover em busca de algum tipo de líquido que possa satisfazer a sua necessidade de manter o corpo hidratado e matar a sua sede. O objeto capaz de suprir essa necessidade poderia ser simplesmente um copo de água, mas talvez você seja estimulado a consumir algo a mais, como refrigerante para satisfazer ao seu desejo. Dessa forma, Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2010) concluem que, para existir excitação e receptividade a um estímulo externo (como a propaganda), é essencial que inicialmente exista uma necessidade a ser satisfeita. Eles ainda nos explicam que, apesar de serem as necessidades que movem a conduta humana, ou seja, o básico que precisamos para viver, são os desejos que verdadeiramente nos colocam em ação. Não basta água, é preciso um refrige- rante que represente alegria. Assim: A atividade humana tem, pois, como força remota, as necessidades, e como motivo atual, imediato, os desejos. Assim, para o anúncio pro- vocar uma reação, ou seja, para levar o leitor ou ouvinte a comprar o produto anunciado, é preciso que faça um apelo a uma necessidade (despertando com isso um desejo) ou excite um desejo já manifesto no consciente. Desse modo, para vender um batom, pode-se apelar para a necessidade de atração sexual, por meio do desejo de ser bela ou, mais diretamente, do desejo de atrair seu companheiro. Ou pode-se apelar para um padrão estético diferenciado entre as mulheres, muito mais relacionado ao status do que à sexualidade (SANT’ANNA; ROCHA JÚNIOR; GARCIA, 2010). Isso nos mostra como a publicidade pode influenciar nas decisões de com- pra dos consumidores. Embora você estude o tema na disciplina de Comporta- mento do Consumidor e Pesquisa em Comunicação, é essencial conhecermos as etapas do processo de compras. TÓPICO 3 | NOÇÕES DE ATIVIDADE PUBLICITÁRIA 119 Um dos modelos mais utilizados em marketing e comunicação para de- finir o processo de decisão de compra dos consumidores compreende o modelo de cinco estágios. As cinco etapas estão demonstradas na figura seguinte e serão explicadas na sequência. FIGURA 8 – MODELO DAS CINCO ETAPAS DO PROCESSO DE COMPRA DO CONSUMIDOR FONTE: Adaptadode Kotler e Keller (2006, p. 189) De acordo com Kotler e Keller (2006), esse modelo considera que os consu- midores passam por cinco fases: reconhecimento do problema, busca de informa- ções, avaliação de alternativas, decisão de compra e comportamento pós-compra. Esse processo inicia antes do reconhecimento ou podem até mesmo pular ou mudar a sequência de passos. No entanto, esse modelo nos oferece uma boa re- ferência capaz de captar a gama de considerações que surgem quando os consumi- dores se deparam com uma oportunidade de compra, dizem Kotler e Keller (2006). É assim que a publicidade precisa trabalhar, oferecendo estímulos em cada uma dessas etapas de compra, informando e apresentando características racionais ou emocionais dos produtos e serviços, e movendo os consumidores à decisão e ação de compra. Essa mesma sequência de passos de compra das pessoas é apresentada por Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2010) a respeito da relação entre a psicolo- gia e a publicidade. Nesse sentido, os autores destacam que cabe à publicidade: • Tornar o grupo ou massa de consumidores conscientes da necessidade, quan- do ela não é manifesta. • Despertar-lhes o desejo, ou reforçá-lo, mostrando-lhes o objeto que pode satis- fazê-lo. • Salientar a capacidade do objeto em satisfazer o desejo, demonstrando que a satisfação excede, e bem, o sacrifício da compra. 120 UNIDADE 2 | PRÁTICA DA PUBLICIDADE Além disso, Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2010, p. 83) ressaltam: Compramos em termos de desejo e não em termos racionais. Compra- mos aquilo que nos agrada e não o que nos é apenas útil. Não compra- mos o que realmente precisamos, mas o que desejamos – isto é, o que as nossas forças afetivas impulsionam a comprar. Os produtos valem não por suas qualidades intrínsecas, mas pelo prestígio ou satisfação que conferem. É sobretudo esses prestígios (valor psicológico, ou sub- jetivo) dos objetos que a publicidade deve salientar e vender, porque ele é que dá ao consumidor a verdadeira satisfação. Não se deve, po- rém, iludir os consumidores. O valor subjetivo de um produto tem de ser fundamentado em qualidades reais. É como no exemplo do batom, citado anteriormente, em que os aspectos possíveis de serem abordados pela publicidade referem-se à beleza e o poder de atração conferido pelo produto ou ainda ao status e prestígio que a marca e o produto dão a quem o possui. Associado ao modelo das cinco etapas do processo de compra dos con- sumidores, na publicidade também costumamos adotar outros esquemas que contribuem para compreender como as pessoas agem ao receberem estímulos publicitários para o ato da compra. Um dos mais conhecidos e tradicionalmente utilizados compreende o acrônimo AIDA. De acordo com Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2010), esse modelo baseia-se no pressuposto de que, antes de convencer, é preciso atrair a atenção e o interesse do consumidor. Isso ocorre através da conscientização do consumidor, que passa pelas quatro etapas propostas e sucessivas do modelo citado: Atenção, Interesse, De- sejo e Ação (AIDA). Somente assim será possível concretizar a venda, ensinam Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2010). Em outras palavras, para que os consumidores se sintam motivados à compra, inicialmente precisamos chamar a sua atenção para a existência do pro- duto. Na sequência, necessitamos despertar neles o interesse pelos benefícios que o produto ou serviço oferecem a eles. Em seguida, os anúncios precisam despertar o desejo pela posse do objeto para que os consumidores se sintam que realmente precisam daquilo. Quando isso acontece, estaremos conduzindo as pessoas à ação de compra do objeto anunciado. Além dos estados de consciência descritos, outro modelo bastante usual na publicidade consiste no estímulo e resposta. Isso está relacionado diretamente com as teorias da psicologia do behaviorismo, que você estudará mais a fundo em disciplina específica, como já mencionado. TÓPICO 3 | NOÇÕES DE ATIVIDADE PUBLICITÁRIA 121 No entanto, para um breve panorama, a proposta do estímulo resposta leva em consideração a teoria behaviorista de que o comportamento humano é condicionado por respostas das pessoas a determinados estímulos recebidos. Assim, o modelo de estímulo resposta considera dois fatores: as necessi- dades ou impulsos instintivos (internos) e a disposição e intenção no momento de receber um estímulo (externos). Se a pessoa necessita de algo, um anúncio oferece o estímulo para impulsioná-lo à compra. Para Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2010), esse modelo costuma fun- cionar bem quando usado com habilidade e no momento oportuno. Para eles, é através da excitação das necessidades fundamentais que a publicidade costuma fazer agir os consumidores. Outra possibilidade de reside na proposta da necessidade e solução. Esse esquema entende que as pessoas se movem por conta de suas necessidades e, aos anúncios, cabe ressaltar essas necessidades e apresentar as soluções através de es- tímulos a pontos sensíveis dos consumidores em relação à situação ou ao produto (SANT’ANNA; ROCHA JÚNIOR; GARCIA, 2010). Um exemplo disso está no caso dos comerciais de lava roupas. Eles re- forçam os aspectos da sujeira e das dificuldades em tirar manchas ao manter as roupas limpas e a publicidade demonstra como o produto é a solução para esse problema, de forma rápida, fácil e econômica. Para influenciar o comportamento das pessoas e levar à ação de compra, os publicitários utilizam esses modelos associados à psicologia dos consumido- res. O resultado dessa combinação está nos três fatores de influência utilizados pela publicidade descritos por Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2010, p. 84-86): • Sugestão: significa uma ideia ou um plano de ação que o indivíduo aceita in- condicionalmente. É a faculdade de aceitarmos uma ideia exterior sem exame, sem submeter a uma crítica, sem termos um fundamento racional. Ela atua pelo sentido afetivo da mente, não pelo conteúdo racional. Algumas pessoas são mais sugestionáveis que outras; e um mesmo indivíduo pode ser mais su- gestionável em certos momentos ou em certas condições. A sugestão atua por prestígio quando emana de pessoas de conceito. • Imitação: fazemos uma infinidade de coisa em nossa vida, exclusivamente por- que vemos os outros fazerem. Nossas crenças, nossos hábitos, nossas atitudes são, em grande parte, ditados pelo que os outros fazem. Imitar é uma tendência inata do ser humano, como a sugestão, da qual é o aspecto ativo. A moda é a ex- pressão máxima da imitação. Há certas modas que dominam uma cidade, um país e até o mundo inteiro, em determinada época, para depois decrescerem de intensidade e cederem lugar a outra moda [...]. E se o indivíduo isolado possui instinto de imitação, o fenômeno atinge mais força nas coletividades. O homem no seio da coletividade sente-se irresistivelmente atraído a imitar as atitudes dos demais membros do grupo. 122 UNIDADE 2 | PRÁTICA DA PUBLICIDADE • Empatia: é o aspecto coletivo ou sentimental da sugestão-imitação. É a capa- cidade de nos identificarmos espiritualmente com outras pessoas, experimen- tar os mesmos sentimentos que elas experimentam, ou viver mentalmente si- tuações que desejaríamos experimentar. Quando outras pessoas ao redor de nós manifestam certos sentimentos, parece natural que sintamos da mesma maneira. Esse sentir com os outros constitui simpatia. Para simpatizarmos in- teiramente com outras pessoas, precisamos usar de imaginação, temos de nos colocar em seu lugar e encarar as coisas de seu ponto de vista. E, para que nossa simpatia seja eficaz, precisamos mais do que sentimento de companheirismo: precisamos saber como lidar com a situação que influi em nossos amigos; pre- cisamos de experiência na conduta cooperadora. Empatia significa mais “sentir o que se passa no íntimo”, “sentir dentro” da pessoa a coisa, sentir com o indi- víduo ou coisa [...]. Identificamo-nos com a pessoa. O sentimento de empatia frequentemente semanifesta no comportamento externo. FIGURA 9 – EXEMPLOS DOS FATORES DE INFLUÊNCIA NA PUBLICIDADE FONTE: <https://bit.ly/3bFW4Om>, <https://bit.ly/3awtSgt> e <https://bit.ly/39pDFU9>. Acesso em: 21 fev. 2020. Em complemento a tudo o que estudamos até o momento da relação entre psicologia do consumidor e publicidade, Sampaio (2003) acrescenta que a pu- blicidade utiliza um conjunto relativamente frequente de abordagens formais e retóricas para cumprir com sua função. Segundo Sampaio (2003), a abordagem formal é aquela relacionada com a maneira da mensagem ser apresentada e desenvolvida. Em geral, ela costuma utilizar fórmulas já consagradas pelo uso rotineiro para anúncios de todas as áreas. Já a abordagem retórica pode ser racional ou emocional e depende da ca- tegoria ou objetivo da mensagem publicitária, da novidade e interesse do público, da empresa, produto, ou serviço e das características do público (SAMPAIO, 2003). TÓPICO 3 | NOÇÕES DE ATIVIDADE PUBLICITÁRIA 123 Em ambos os casos, porém, a propaganda precisa ocorrer de forma rápida, eficiente e eficaz para estimular o consumidor à ação de compra. Sem esquecer, é claro, que o anúncio precisa atrair a atenção do consumidor para conduzir-lhe até a ação de compra, relembra Sampaio (2003). Essa base teórica sobre a relação do comportamento do consumidor com as atividades publicitárias nos ajudará a compreender as noções da prática diária da profissão. Esse será o tema a ser abordado no tópico seguinte. 124 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você aprendeu que: • O anúncio é a principal peça publicitária e tem o propósito de contribuir para a venda e de criar uma disposição e estimular o desejo dos consumidores. • O anúncio deve basear-se no conhecimento da natureza humana para ser atrativo. • Para cumprir com sua função, o anúncio passa por cinco níveis de comunica- ção: desconhecimento, conhecimento, compreensão, convicção e ação. • A pesquisa de mercado é uma ferramenta capaz de fornecer subsídios para a criação publicitária e o conhecimento da natureza humana. • Toda publicidade busca valorizar a pessoa em detrimento da mensagem (como no caso anterior) ou valorizar a mensagem em detrimento do livre-arbítrio e do bom senso. • A publicidade funciona porque trabalha no nível da psicologia individual e estabelece relações únicas mesmo quando fala para a multidão absoluta. • Os fenômenos publicitários decorrem da associação de características de or- dem física, fisiológica, psicológica e econômica. • A publicidade não se ocupa da conduta individual do ser humano, mas preo- cupa-se com as ações coletivas que podem ser previstas e determinadas através de pesquisas e observações. • Os anúncios publicitários precisam interessar, persuadir, convencer e levar à ação e influenciar no comportamento de compra dos consumidores. • Quando há um desequilíbrio entre o estado em que a pessoa se encontra e o como ele gostaria de estar, há uma necessidade a ser satisfeita. • Para existir excitação e receptividade a um estímulo externo (como a propagan- da), é essencial que inicialmente exista uma necessidade a ser satisfeita. • O modelo das cinco etapas do processo de compra considera o reconhecimento do problema, a busca de informações, a avaliação de alternativas, a decisão de compra e o comportamento pós-compra. • O modelo AIDA (Atenção, Interesse, Desejo e Ação) baseia-se no pressuposto de que, antes de convencer, é preciso atrair a atenção e o interesse do consumidor. 125 • O modelo estímulo resposta baseia na teoria behaviorista do comportamento humano, de que as pessoas respondem a determinados estímulos recebidos. • Um terceiro modelo consiste na apresentação de uma necessidade e a solução para ela. • A combinação de psicologia e publicidade resulta em três fatores de influência utilizados pela publicidade: sugestão, imitação e empatia. 126 1 Relacione os fatores psicológicos de influência na massa expressos nas colunas com suas respectivas características: (1) Sugestão (2) Imitação (3) Empatia ( ) É uma tendência inata ao ser humano de fazer as coisas exclusivamente porque as outras pessoas fazem. ( ) É a faculdade de aceitarmos uma ideia exterior sem exame, sem submeter a uma crítica, sem termos um funda- mento racional. ( ) É a capacidade de nos identificarmos espiritualmente com outras pessoas, experimentar os mesmos sentimentos ou viver mentalmente situações que desejaríamos experi- mentar. A alternativa correspondente à sequência correta é: a) ( ) 3, 1, 2. b) ( ) 1, 3, 2. c) ( ) 2, 1, 3. d) ( ) 1, 2, 3. e) ( ) 2, 3, 1. 2 Com relação à natureza dos fenômenos publicitários, podemos dizer que todos os consumidores possuem predisposições básicas para a aquisição de inúmeros produtos. Essas predisposições são acionadas por mensagens que mostram a solução para os problemas das pessoas (SENNA, 2003). Nesse sentido, analise a relação proposta entre as asserções a seguir: I- A Publicidade assume, assim, duas funções distintas em momentos diferen- tes. Inicialmente, gerando expectativas positivas sobre o produto ou marca e, depois, confortando, sustentando e renovando atitudes de consumo. PORQUE II- Obviamente, mais eficaz será esse processo se maior for o grau de profis- sionalismo das pessoas envolvidas (elaboradores do discurso persuasivo), melhores forem as características do produto (objeto do discurso) e maior a predisposição das pessoas em adquiri-lo (receptores desse discurso). Acerca dessas asserções, assinale a opção CORRETA: a) ( ) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I. b) ( ) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma jus- tificativa da I. c) ( ) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. d) ( ) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. e) ( ) As asserções I e II são proposições falsas. AUTOATIVIDADE 127 3 De acordo com Sant’Anna; Rocha Júnior e Garcia (2010), a publicidade é uma das várias forças de comunicação que, atuando isoladamente ou em combinação, leva o consumidor através de sucessivos níveis que podemos denominar de nível de comunicação. Avalie os níveis de comunicação a se- guir, colocando-os na ordem crescente, e depois marque a alternativa cor- respondente à sequência correta: ( ) Conhecimento: como base mínima temos que nos esforçar para conseguir a identificação do produto. ( ) Ação: é o nível em que os consumidores realizam algum movimento pre- meditado para realizar a compra do produto. ( ) Convicção: além dos fatores racionais do produto, a preferência do consu- midor se dá, também, por motivos emocionais. ( ) Compreensão: além de conhecer, há o reconhecimento da marca e emba- lagem e da utilidade do produto. ( ) Desconhecimento: é o nível mais baixo de comunicação. A alternativa correspondente à sequência correta é: a) ( ) 3, 4, 5, 2, 1. b) ( ) 2, 5, 4, 3, 1. c) ( ) 5, 4, 3, 2, 1. d) ( ) 1, 2, 5, 3, 4. e) ( ) 4, 3, 2, 5, 1. 4 De acordo com Senna (2003), todos os consumidores possuem predisposições básicas para a aquisição de inúmeros produtos e, estas, são acionadas por mensagens que mostram a solução para os problemas das pessoas. A partir dessa afirmação, avalie as asserções a seguir: I- A publicidade possui duas funções distintas, sendo a primeira de gerar expectativas sobre o produto ou a marca e a segunda de confortar, sustentar e renovar as atitudes de consumo. II- As características de ordem econômica dos fenômenos publicitários dizem respeito aos efeitos e sensações provocadas no consumidor e que alteram sua pré-disposição para a compra. III- Ao anúncio compete: tornar a massa consciente da necessidade, quando ela não é manifesta; despertar o desejo, ou reforçá-lo, mostrando o objeto que pode satisfazê-lo; saliente a capacidade do objeto em satisfazer o desejo, demonstrando que a satisfação excede o sacrifício da compra. É correto o que se afirma em: a)( ) I, apenas. b) ( ) I e II, apenas. c) ( ) II e III, apenas. d) ( ) I e III, apenas. e) ( ) III, apenas. 128 129 TÓPICO 4 NOÇÕES DA PRÁTICA PUBLICITÁRIA UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Mais do que anúncios em meios de comunicação de massa, os publicitá- rios também podem desenvolver ações que estimulam os consumidores através de descontos em preço e em ações que possam envolvê-los no clima da compra. Por essa razão, veremos na etapa inicial do tópico que as atividades de comunicação em sentido amplo do marketing incluem as ações de promoção de vendas, merchandising, relações públicas, venda pessoal e que recebem o nome de Comunicação Integrada de Marketing (CIM). Na sequência, conheceremos as principais mídias de massa e as diferen- ças entre meios e veículos de comunicação. Finalizaremos com uma breve apre- sentação das características de cada meio de comunicação de massa. 2 INTRODUÇÃO À COMUNICAÇÃO INTEGRADA DE MARKETING Na Unidade 1 da nossa disciplina, explicamos a diferença entre marketing e comunicação e que, nesse momento, já deve estar bem mais claro para você. Mas será que você já ouviu falar no termo marketing promocional ou mix promocional? Para entendermos os significados desses termos, cujas funções são equi- valentes, precisamos relembrar que o marketing se desenvolve através das ações em quatro variáveis: Produto, Preço, Praça e Promoção ou simplesmente quatro Ps do marketing (mix de marketing). Quando nos referimos ao P da Promoção estamos tratando das atividades de comunicação que são exigidas por uma estratégia de marketing com a finali- dade de divulgar e tornar pública uma informação a respeito de um produto ou serviço, promovendo-o junto aos seus consumidores. Nesse sentido, entre os atributos do P da promoção ou marketing promo- cional, também chamado de composto promocional, existe uma série de ferra- mentas de comunicação possíveis de serem utilizadas para a divulgação, incenti- vo e estímulos para que os consumidores comprem. 130 UNIDADE 2 | PRÁTICA DA PUBLICIDADE É por essa razão que Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2010, p. 47) defi- nem o marketing promocional como a “atividade do marketing aplicada a produ- tos, serviços ou marcas, visando, por meio da interação junto ao seu público-alvo, alcançar os objetivos estratégicos de construção de marca, vendas e fidelização”. Nesse contexto, entre as técnicas possíveis de serem utilizadas pelo marke- ting promocional, Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2010, p. 48) relacionam: • Promoções com distribuição gratuita de prêmios, por meio de concursos, de sorteios, de vales-brindes ou de operações semelhantes. • Ações constituídas de ofertas, descontos, liquidações, trocas, coleções, amos- tras grátis, brindes, vendas condicionadas com quaisquer itens acoplados a produtos, prêmios. • Ações de demonstração, degustação e amostragem. • Atividades de marketing de incentivo: concursos de vendas e programas de incentivo à produtividade e desenvolvimento de produtos e serviços para efe- tivação dos programas de incentivo. • Eventos de qualquer natureza, incluindo os de lançamento de produtos, corpo- rativos, sociais, culturais e esportivos. • Produtos, equipamentos e serviços para realização de eventos de todos os esportes. • Organização e implementação de feiras, exposições, convenções, seminários, reuniões, encontros, fóruns, simpósios, congressos, cursos, festivais, gincanas, desfiles, festejos, efemérides, certames, shows, patrocínios, copas, circuitos. • As atividades de in store marketing em geral. • Cuponagens, material de literatura e promocional de ponto de venda. • Projetos de embalagens, marcas, logotipos, logomarcas, símbolos, programa- ção visual e demais peças que envolvem os produtos. • Identidade visual corporativa. • Ações de merchandising e materiais de PDV. • Atividades de coordenação de assessoria de imprensa e relações públicas. • Atividades de marketing de relacionamento, incluindo gerenciamento e coor- denação de marketing direto, DBM, CRM, telemarketing, call e contact center. • Programas de marketing esportivo, cultural e social. • Coordenação e gerenciamento de diversos tipos de pesquisa. • Trabalhos de endomarketing. • Internet e sua utilização na área. • Criação de brindes, gimmicks, produtos interativos/virtuais. • Recursos humanos e tecnológicas especializados. TÓPICO 4 | NOÇÕES DA PRÁTICA PUBLICITÁRIA 131 PDV refere-se ao termo ponto de venda. Os termos DBM (Data Base Marketing), CRM (Customer Relationship Management), Call Center (central de atendimento) e Contact Center (centro de contatos) referem-se às ati- vidades de atendimento e relacionamento com o consumidor. NOTA Aqui destacamos que essas atividades todas são técnicas, ou seja, formas de usar as principais ferramentas de comunicação mercadológica, marketing pro- mocional ou o mix de comunicação de marketing. Sendo assim, precisamos então relacionar as principais ferramentas do marketing promocional ou comunicação mercadológica de marketing. Segundo Limeira (2004), são elas: • Propaganda: é a forma paga e não pessoal de comunicação de marketing, com um patrocinador identificado, dirigida a um público definido e veiculada por mídia de massa, segmentada ou dirigida, visando criar imagem para a marca com base em seu posicionamento, e estimular a aquisição do produto. • Promoção de vendas: a oferta de incentivos imediatos, de curto prazo, como brindes, descontos, prêmios e bonificações, por um patrocinador identificado, com ou sem o apoio da propaganda, para estimular a experimentação, aquisi- ção ou repetição de compra do produto. • Venda pessoal: é a forma de comunicação persuasiva e interativa realizada por meio de contato pessoal, face a face, entre o representante da empresa e o clien- te, visando eliminar as objeções deste e realizar a venda do produto. • Marketing direto: o conjunto de atividades de comunicação impessoal e di- reta, sem intermediários, entre a empresa e o cliente, via correio, fax, telefone, internet ou outros meios diretos de comunicação, visando obter uma resposta imediata do cliente e, por fim, a venda do produto. • Relações públicas: atividades de comunicação com os públicos direta ou indi- retamente interessados nas atividades da empresa, os chamados stakeholders, visando criar atitude favorável em relação à marca e às atividades da empresa com maior credibilidade do que as ações de propaganda. • Publicidade: informações sobre as atividades da empresa e seus produtos, di- vulgadas por meio da imprensa, para o público-alvo, sem custo adicional. • Assessoria de imprensa: relacionamento com órgãos e representantes da im- prensa, que são formadores de opinião, visando criar atitude favorável em re- lação à marca do produto e à empresa. • Promoção de eventos: atividade de comunicação por meio da realização ou pa- trocínio de eventos como feiras, exposições, congressos, palestras, seminários, espetáculos, concursos e torneios culturais ou esportivos, visando divulgar e criar imagem da organização. 132 UNIDADE 2 | PRÁTICA DA PUBLICIDADE • Merchandising ou comunicação no ponto de venda: as atividades de comu- nicação e exposição do produto no ponto de venda, como cartazes, folhetos e displays, que visam chamar a atenção, facilitar o acesso do consumidor ao produto e estimular as vendas imediatas. • Atendimento ao cliente: comunicação interativa, iniciada, em geral, pelo clien- te, com o propósito de responder dúvidas e perguntas, esclarecer sobre a ma- neira de consumir e resolver problemas decorrentes do uso do produto. • Comunicação pela internet: conjunto de atividades de comunicação interativa com os clientes, canais de vendas e parceiros que se utiliza da rede mundial Inter- net, como e-mails, páginas na web, redes sociais e anúncios na forma de banners. • Embalagem: além de ser o recipiente ou envoltório para o produto, com design e material diferenciada, é um meio de comunicação de suas características e de seus benefícios,contribuindo para a formação da imagem da organização. Além da publicidade e da propaganda, que já estudamos na Unidade 1 a respeito das diferenças e forma de uso delas, existem outras três que são tipica- mente elaboradas e desenvolvidas por agências de comunicação. A primeira delas consiste na ação de merchandising, cujo conceito refere- -se às ações realizadas dentro dos pontos de venda, com o intuito de envolver o consumidor na compra e melhorar a exposição do produto ou serviço. Você encontrará o merchandising dividido em duas categorias: industrial e promocional. No caso do merchandising industrial, as ações consistem em ter o pro- duto certo, na quantidade certa, no momento certo, no lugar certo, pelo preço certo e com a apresentação certa (SANT´ANNA; ROCHA JÚNIOR; GARCIA, 2010). Nesse caso, o merchandising industrial estuda a forma de comercializa- ção do produto no local de venda e sua relação com as necessidades dos consumi- dores. Suas ações buscam estimular a compra de produtos através da exposição e do envolvimento do consumidor na compra. Por exemplo, as ações de informação no ponto de venda através de carta- zes para informar ao consumidor para que serve determinado produto ou ainda aquele aroma de pão fresquinho para relembrar ao consumidor de que ele precisa comprar o produto. Já o merchandising promocional, segundo Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2010), são as ações de comunicação realizadas no ponto de venda para facilitar a identificação, a localização, a seleção e que podem estar associados às atividades promocionais. Assim, as ações de merchandising promocional são aquelas faixas de gôn- dola ou cartazes dispostos na fachada da gôndola cuja finalidade está em eviden- ciar a existência, a identificação, a localização e a escolha do consumidor por um determinado produto. TÓPICO 4 | NOÇÕES DA PRÁTICA PUBLICITÁRIA 133 Outra forma bastante comum de merchandising são as ilhas de produtos ou exposições em massa, ou seja, quando os produtos são retirados das pratelei- ras e ficam expostos nos corredores como forma de ressaltar uma promoção de vendas do produto. O próprio fato de o produto estar em uma prateleira abaixo, acima ou na altura dos olhos é uma forma de merchandising, pois isso facilita a visualização, identificação e preferência do consumidor pelo produto. Muitas vezes, as ações de merchandising estão associadas a ações promo- cionais, nas quais, além da melhor exposição do produto, são oferecidos estímu- los na percepção de preço para que os consumidores comprem o produto. Nesse sentido, Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2010) entendem que a promoção de vendas é uma arte sutil de levar o consumidor a levar, no ato da compra, a marca anunciada. Enquanto a publicidade leva o consumidor ao pro- duto, a promoção traz o produto ao consumidor. As técnicas de promoção de vendas podem ser dirigidas tanto aos consu- midores finais dentro, em um supermercado, por exemplo, como para os lojistas ou vendedores e ainda para os funcionários internos de uma empresa. As marcas podem incentivar as lojas e os vendedores através de ações promocionais oferecendo a eles brindes, sorteios, concursos ou cupons a cada vez que eles vendem o produto da marca e, assim, o fabricante induz o lojista a oferecer o produto ao consumidor final. Quando as atividades de promoção de vendas são voltadas para o público interno da própria organização, por exemplo através de concurso, descontos nos preços para funcionários em produtos comprados na própria fábrica, também está incentivando a compra de seus produtos. Como nos lembram Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2010), o objetivo geral e comum a todas as atividades de promoção de vendas consiste na manu- tenção e ampliação do consumo, de forma sistemática e ordenada, para conseguir uma atitude favorável dos consumidores. Você pode observar na figura seguinte, como as atividades de promoção de vendas e merchandising costumam ser conjugadas em lojas de departamen- tos, supermercados, shoppings centers para estimular o consumo e a preferência dos consumidores por determinadas marcas. Observe quantos desses itens você encontra diariamente em seu cotidia- no, como displays de chão que demonstram os produtos que estão com descontos promocionais (leve dois e pague um, por exemplo), próximos a painéis com o nome da marca ou em ilhas expositoras dos produtos. 134 UNIDADE 2 | PRÁTICA DA PUBLICIDADE Em outros casos, entre os corredores, ao contornar as prateleiras, você tam- bém encontra produtos ali expostos, chamados de pontas de gôndola, usados para evidenciar e fortalecer a necessidade de compra daquele produto pelo consumidor. Outra forma de associação das atividades promocionais e de merchandi- sing está naquele tradicional cafezinho, servido gratuitamente por uma simpática promotora de vendas, e que na sequência está exposto uma saia pallet exibindo os produtos para que você aproveite e leve. FIGURA 10 – EXEMPLOS DE AÇÕES PROMOCIONAIS E DE MERCHANDISING NO PONTO DE VENDA FONTE: <https://bit.ly/2JsW2ND>. Acesso em: 21 fev. 2020. Por fim, mas não menos importante, temos as atividades de relações pú- blicas também comuns de serem elaboradas e desenvolvidas pelas agências de propaganda através de seus próprios profissionais ou por empresas e profissio- nais terceirizados. De acordo com Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2010, p. 49): O termo é empregado atualmente em vários sentidos, vindo daí suas múltiplas conceituações. Pode representar as relações de um indiví- duo ou instituição com determinados grupos ou clientes e pode ser aplicado aos processos pelos quais as empresas estabelecem relações com o público em geral ou com parcelas do público. TÓPICO 4 | NOÇÕES DA PRÁTICA PUBLICITÁRIA 135 Estudaremos mais profundamente os princípios e as noções das ativida- des de relações públicas na Unidade 3 da disciplina. No entanto, destacamos as principais funções e atividades desenvolvidas pelos profissionais conforme des- tacam Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2010, p. 50): • Relacionamento com a imprensa, procurando organizar e promover notícias de interesse da empresa, da melhor forma possível, junto aos veículos de co- municação. • Comunicação com o público interno, permitindo que o chamado “principal consumidor de uma organização” seja impactado com informações sobre to- dos os acontecimentos que envolvem a corporação e seu relacionamento com o mercado. • Apoio às ações de comunicação publicitária, mediante eventos com públicos específicos, permitindo que a marca seja mais bem recebida e entendida junto a perfis distintos de consumidores. • Promoção de políticas públicas, com ações que promovam ideias ou conceitos, privados ou públicos, junto a autoridades governamentais. Quando utilizadas em conjunto, com diferentes técnicas e ações, mas com o resultado único de estimular as vendas e consolidar a imagem da marca en- tre os consumidores, denominamos esse processo de Comunicação Integrada de Marketing (CIM). De acordo com Limeira (2004), o conceito de Comunicação Integrada de Marketing (CIM) resulta do reconhecimento de que os objetivos da comunicação somente poderão ser eficazmente alcançados se todos os elementos do programa de comunicação forem coordenados e integrados, de modo a criarem uma po- sição, mensagem ou imagens únicas, diferenciadas e consistentes na mente do consumidor-alvo do produto. Fica evidente, dessa forma, que a Comunicação Integrada de Marketing equi- vale ao uso das ferramentas de marketing promocional ou da união das várias ferra- mentas do mix promocional. Em geral, todas essas ferramentas utilizam um meio de comunicação, cujo conceito e características conheceremos na sequência do tópico. 3 MEIOS DE COMUNICAÇÃO E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DAS MÍDIAS O profissional de comunicação social trabalha em geral com a mídia de massa. O termo mídia já definimos na Unidade 1 ao explicarmos o processo de comunicação e que consiste, basicamente,nos vários meios de comunicação exis- tentes em uma sociedade. Importante ressaltar que o termo mídia significa o meio (de comunica- ção). Ele é utilizado para transmitir uma mensagem, ou seja, um meio de levar uma informação do emissor ao receptor de forma adequada e inteligível. 136 UNIDADE 2 | PRÁTICA DA PUBLICIDADE O profissional de mídia em uma agência de propaganda reside no planeja- mento de um plano de mídia que atenda aos objetivos e estratégias de marketing e objetivos de comunicação e permita a adequação dos veículos de comunicação, explicam Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2010). Assim, o gerenciamento das atividades de mídia relacionados por Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2010) envolvem: • Definição clara do objetivo e das estratégias de comunicação. • Seleção dos meios e veículos. • Montagem do plano de mídia. • Negociação de campanhas. • Avaliação dos projetos em execução e novas oportunidades de mídia, que pos- sam surgir e ser ainda mais adequado. Assim, temos: A missão da área de mídia é otimizar os investimentos de comunicação, assegurando o contato com o maior número possível de potenciais con- sumidores (ou públicos de interesse, dependente do objetivo traçado). E, para que isso ocorra, busca construir soluções estratégicas com a melhor relação custo-benefício, nas fases de planejamento, negociação e compras de mídia (SANT’ANNA; ROCHA JÚNIOR; GARCIA, 2010, p. 203). Em dois momentos, desde que começamos a tratar sobre mídia, usamos os ter- mos meio e veículos de comunicação. Qual é a razão disso? O motivo é que existe uma diferença entre meio e veículo e, para esclarecer a você, recorremos a Sampaio (2003). Segundo ele, um veículo de propaganda é qualquer meio de comunicação que leve uma mensagem publicitária do anunciante aos consumidores. Existem veículos de grande audiência e outros com audiência muito dirigida a um deter- minado público. Mas, espera aí... se um veículo é qualquer meio, então um meio é qualquer veículo? Apesar da sua dúvida ter certa coerência, a resposta é não. O meio é um canal de comunicação usado para transmitir uma mensagem. Assim temos como principais meios de comunicação de massa o jornal, a televisão, o rádio e a internet, por exemplo. Outros meios de comunicação são o telefone, o cinema, as cartas enviadas através de mala direta que são dirigidas a público de menor tamanho. Por outro lado, um veículo de comunicação é qualquer meio que leve essa mensagem. Um veículo é o responsável e detentor de um meio de comunicação de massa. Por exemplo, a Rede Globo é um veículo de comunicação que possui o direito de usar o meio televisão para o público. TÓPICO 4 | NOÇÕES DA PRÁTICA PUBLICITÁRIA 137 Da mesma forma, usamos com frequência o rádio que é um meio de co- municação. Já a emissora que você ouve corresponde ao veículo de comunicação. A internet é um meio, enquanto um site é um veículo de comunicação. Agora ficou mais clara a diferença, não é mesmo? Todo e qualquer veículo pode ser útil para cumprir um determinado obje- tivo de comunicação em uma campanha. Sua eficiência depende do público a ser alcançado e com que intensidade se pretende fazer chegar essa mensagem a ele. Assim, Sampaio (2003, p. 92-95) nos ensina: O importante é ter em mente que cada meio de comunicação e, dentro dele, cada veículo, é único, tem uma audiência própria e serve para uma finalidade específica de mídia. Evidentemente, de acordo com os objetivos e recursos de cada anunciante, um veículo ou conjunto deles pode ser mais indicado de que outros semelhantes. O fundamental é usar bom senso, discernimento e ter uma atitude aberta e não-precon- ceituosa na hora de selecionar os veículos a serem utilizados, de forma a não permitir que posturas e preferências de caráter pessoal influam no processo decisório, uma vez que, geralmente, o público-alvo da propaganda é diferente das pessoas que decidem por ela. Na mesma linha de raciocínio e complementando a ideia apresentada, Sant’Anna, Rocha Júnior e Garcia (2010) defendem a necessidade de que os pro- fissionais de comunicação conheçam as características de cada, com suas vanta- gens e desvantagens, para que possam planejar com o melhor resultado possível, os meios e veículos a serem utilizados por uma ação promocional. Apesar de que você estudará uma disciplina específica de mídia, com as características de cada meio, antecipamos de forma resumida uma figura que sintetiza essas informações. 138 UNIDADE 2 | PRÁTICA DA PUBLICIDADE QUADRO 1 – CARACTERÍSTICAS DAS PRINCIPAIS MÍDIAS USADAS PARA O PÚBLICO EM GERAL FONTE: O autor MEIOS VANTAGENS DESVANTAGENS OPORTUNIDADES AMEAÇAS Televisão Som e imagem. Dinamismo e emoção. Flexibilidade geográfica. Adequação editorial ao horário. Cobertura de massa. Dispersão e baixa seletividade. Inflexibilidade operacional. Tempo padronizado para veiculação. Pequenas e seletivas audiências. Transmissões comerciais e eventos. Publicidade virtual, 3D e digital. Variação da audiência. Alteração da programação. Antecedência da reserva de espaço. Competição e qualidade editorial. Rádio Som, imagem e emoção. Voz comunitária. Flexibilidade comercial e agilidade. Força dos comu- nicadores. Cobertura geográfica. Controle da veiculação. Fragmentação de audiência. Frequência e rotatividade. Transmissões especiais de comerciais. Rádios digitais. Som ambiente, em veículos e locais e públicos. Baixa renovação da audiência. Semelhança de pro- gramação. Interesses econômi- cos diversos. Emissoras e trans- missões piratas. Rádios web. Jornal Envolvimento racional. Fidelidade de leitura. Flexibilidade comercial. Encartes, cores e inserções especiais. Cobertura localizada. Problemas de impressão. Circulação reduzida e restrita. Qualidade de reprodução de imagens. Ampliação, circulação e segmentação. Suplementos comerciais especiais. Reprodução e evolução tecnológica. Comunicação dirigida e personalizada. Alto custo individual. Competição por conteúdo. Instantaneidade da comunicação. Custo de matéria- prima. Competição por conteúdo. Queda na circulação. Revista Cobertura geo- gráfica nacional e segmentação. Qualidade gráfi- ca e impressão. Possibilidades de regionalização. Encartes, cores, inserções espe- ciais. Inflexibilidade operacional. Periodicidade e prazos. Desconhecimento editorial. Lenta cobertura do universo do leitor. Cadernos e suplementos especiais. Coberturas regionais. Adequação ao público e ambientação editorial. Ações promocionais. Competição por conteúdo. Velocidade da informação. Custo relativo. Custo de matéria- prima. Queda na circulação e número de veículos. Internet Mídia mais nova do mer- cado. Engloba recur- sos dos meios eletrônicos e tradicionais. Vantagem com- petitiva para as empresas. Cautela nos investimentos por parte dos empresários. Difícil segmentação. Mensuração de retorno do investimento. Canais exclusivos e conteúdos para capta- ção de informações e fidelização de clientes. Conteúdo exclusivo e dirigido. Segmentação do pú- blico. Baixo custo de pro- dução. Exclusão digital. Atualização dos sistemas e dispositivos para conexão e softwares. Filtros eletrônicos. Poluição visual e formatos invasivos. Baixa segurança. TÓPICO 4 | NOÇÕES DA PRÁTICA PUBLICITÁRIA 139 Além dos meios descritos e apresentados até o momento, não podemos nos esquecer da internet como um meio de comunicação, cujas características são a crescente possibilidade de interação, baixo custo, facilidade de acesso e potencial de consumidores a serem atingidos. Ainda com relação à mídia, Sampaio (2003) nos mostra que, além das mí- dias básicas, existe a mídia exterior e a mídia extensiva. Alguns exemplos de mídia exterior são as traseiras ou laterais de ônibus, táxis e aviões com anúncios publici- tários; balões e faixas rebocadas por aviões com mensagens publicitárias; painéis e placas e estádiose ginásios esportivos e muitas outras. Com relação à mídia extensiva, são aquelas que são fixadas em locais com grande circulação de público, tais como estações de ônibus, metrô ou trem, vídeos em aeroportos, salas de espera ou painéis internos em ginásios e eventos, rádio interna em lojas e supermercados e outros. Assim, esperamos ter conseguido demonstrar um panorama das atividades e funções de um profissional de comunicação social habilitado para as atividades de publicidade e propaganda. Mas, para sua formação, também é importante co- nhecer as atividades dos profissionais de relações públicas, cujo tema será aborda- do na Unidade 3 da disciplina. Apesar de demonstrarmos como a comunicação atua através de um con- junto de ferramentas de comunicação, as novas mídias ainda apresentam potencial para explorar seu uso na publicidade. Leia o artigo a seguir com as tendências para o futuro da sua profissão e fique antenado. 140 UNIDADE 2 | PRÁTICA DA PUBLICIDADE LEITURA COMPLEMENTAR AS DIREÇÕES QUE APONTAM O FUTURO DA PUBLICIDADE Márcio Figueira Apesar de tantas abordagens sobre tecnologias como Inteligência Artifi- cial e Realidade Virtual, questões humanas e propósitos sociais se tornam cada vez mais essenciais. As mudanças na sociedade, que tem se mostrado mais engajada e conec- tada, reflete no comportamento do consumidor e nas tendências para a publici- dade. No último SXSW, a perspectiva humana das tecnologias foi um assunto muito abordado. Mesmo em meio a tantas discussões sobre Inteligência Artificial e realidade virtual e aumentada, o grande foco foram as questões humanas e a necessidade das marcas se voltarem a propósitos sociais. Um ponto destacado foi como as pessoas não querem mais só comprar algo de qualidade e com um preço justo, mas também estão procurando ver seus valores e suas crenças sociais refletidas no que estão adquirindo. A mídia programática pode ver nisso uma oportunidade. As marcas po- dem vir até nós, não só para dissociar anúncios publicitários de fake news e conte- údo negativo, mas também para associá-los a causas específicas. Na DynAdmic já fazemos isso com alguns clientes, que além de trabalharmos com uma “blacklist” de palavras a serem evitadas, também recebemos uma lista de temas sociais a que querem estar próximos. E, ao que tudo indica, isso só irá crescer. Como estava acompanhando clientes do mercado de beleza quando fui ao SXSW, assisti também algumas palestras desse segmento, e uma delas me cha- mou a atenção: a que falava sobre um aplicativo que conta com consultoras de beleza para atendimento 24/7. Além disso, o app ainda permite que o usuário possa apontar a câmera para a fotografia de alguma celebridade, por exemplo, e saber exatamente quais produtos foram usados ali, com tonalidade e marca exata. Mas o que mais me impressionou nesse aplicativo foi o fato de que foi feito em colaboração por vários concorrentes, que se uniram para investir nisso. O resultado, como era de se esperar, é excelente: o app é sempre atualizado e funciona muito bem. Colaboração, aliás, parece ter sido uma palavra muito presente na maioria das palestras. Percebeu-se que a união de pensamentos e expertises é uma solução mais inteligente que se apoiar em só uma mente brilhante. No Brasil, no entanto, parecemos estar longe de trabalharmos de forma colaborativa – mesmo quando isso pode melhorar tanto a experiência do consumidor. Ainda somos muito com- petitivos, e tudo bem, mas um ponto importante que o SXSW me apontou foi: até que ponto devemos ser? TÓPICO 4 | NOÇÕES DA PRÁTICA PUBLICITÁRIA 141 Outra discussão que me chamou a atenção, como country manager de uma private Market place de mídia programática, foram, em primeiro lugar, a previsão de que as compras via mobile se tornarão ainda maiores. E, se as compras nessa plataforma aumentarem, a tendência é aumentar também o investimento em pu- blicidade nesses canais. Além disso, uma informação que foi muito disseminada é a de que idade e gênero foram consideradas distinções que estão perdendo a relevância para a pu- blicidade, o que pode ser analisado como outra vantagem para a mídia programáti- ca. Agora é preciso ir muito além dessas duas características, direcionando os anún- cios a pessoas cujos interesses do momento correspondem ao produto oferecido. FONTE: FIGUEIRA, M. As direções que apontam o futuro da publicidade. 2018. Disponível em: https://www.mundodomarketing.com.br/artigos/marcio-figueira/37791/as-direcoes-que- apontam-o-futuro-da-publicidade.html. Acesso em: 21 nov. 2019. 142 RESUMO DO TÓPICO 4 Neste tópico, você aprendeu que: • O P da promoção de marketing tem a finalidade de divulgar e tornar pública uma informação a respeito de um produto ou serviço. • O marketing promocional é toda atividade aplicada a produtos que visa a construção da marca, a venda e a fidelização do consumidor. • As principais ferramentas de comunicação promocional ou marketing de pro- moção são: propaganda, promoção de vendas, venda pessoal, marketing direto, relações públicas, publicidade, assessoria de imprensa, promoção de eventos, merchandising, atendimento ao cliente, comunicação pela internet e embalagem. • O merchadising refere-se às ações realizadas dentro dos pontos de venda, com o intuito de envolver o consumidor na compra e melhorar a exposição do produ- to ou serviço. • O merchandising pode ser industrial ou promocional. • A promoção de vendas é uma arte sutil de levar o consumidor a levar, no ato da compra, a marca anunciada. Enquanto a publicidade leva o consumidor ao produto, a promoção traz o produto ao consumidor. • As técnicas de promoção de vendas podem ser dirigidas aos consumidores finais, revendedores e público interno da empresa. • O objetivo geral e comum a todas as atividades de promoção de vendas consis- te na manutenção e ampliação do consumo, de forma sistemática e ordenada, para conseguir uma atitude favorável dos consumidores. • As relações públicas são atividades dirigidas a públicos diversos para constru- ção e manutenção do relacionamento institucional. • O conceito de Comunicação Integrada de Marketing (CIM) resulta do reconhe- cimento de que os objetivos da comunicação somente poderão ser eficazmente alcançados se todos os elementos do programa de comunicação forem coorde- nados e integrados, de modo a criarem uma posição, mensagem ou imagens únicas, diferenciadas e consistentes na mente do consumidor-alvo do produto. • O profissional de mídia em uma agência de propaganda reside no planejamen- to de um plano de mídia que atenda aos objetivos e estratégias de marketing e objetivos de comunicação e permita a adequação dos veículos de comunicação. 143 • Veículo de propaganda é qualquer meio de comunicação que leve uma mensa- gem publicitária do anunciante aos consumidores. • O meio é um canal de comunicação usado para transmitir uma mensagem. • Todo e qualquer veículo pode ser útil para cumprir um determinado objetivo de comunicação em uma campanha. • A internet é um meio de comunicação que oferece interação, baixo custo, faci- lidade de acesso e potencial de consumidores a serem atingidos. • A mídia pode ainda ser dividida em mídia exterior e mídia extensiva. Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo. CHAMADA 144 1 A promoção de vendas e o merchandising são ferramentas de comunicação com o mercado comprador trabalhadas também pelos profissionais de co- municação. A respeito das funções dessas ferramentas, assinale a alternati- va CORRETA: a) ( ) O merchandising prepara a venda prévia na mente do consumidor, en- quanto a promoção de vendas informa sobre a existência de um produto em um programa de televisão (novela, filme, auditório, apresentação etc.). b) ( ) A promoção de vendas leva o consumidor até o produto e está ligada ao desenvolvimento da venda imediata,enquanto o merchandising busca valorizar e enriquecer o produto no ponto de venda. c) ( ) A promoção de vendas leva o produto até o consumidor e estimula a compra imediata por meio de incentivos adicionais, enquanto o merchan- dising visa identificar, controlar, ambientar e promover marcas e produtos no ponto de venda. d) ( ) O merchandising é adequado para atingir diversos objetivos na comu- nicação, como informar, lembrar ou persuadir, enquanto a promoção de vendas leva o consumidor até o produto. e) ( ) A promoção de vendas está relacionada com a gratuidade de uma co- municação e o merchandising diz respeito à inclusão de um determinado produto ou marca em um programa e quando a atenção do consumidor está totalmente voltada ao filme, novela ou programa de auditório e das personalidades relacionadas a ele. 2 Um banco nacional patrocinador da seleção brasileira se instalou em uma sala denominada war room, em uma agência de publicidade, unindo esforços e ex- pertises entre as agências de publicidade, de marketing digital e de inovação, para monitorar o que estava sendo dito sobre a sua marca e a seleção de fu- tebol. O objetivo desse monitoramento foi criar estratégias e conteúdos para possibilitar a tomada de decisões o mais rápido possível. Sobre essa dinâmica de mercado, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas. I- Empresas especializadas em publicidade deverão unir-se cada vez mais para produzir resultados eficazes para seus clientes. PORQUE II- As novas mídias requerem atuação imediata e qualquer dissonância no discurso da marca pode levar a um problema sério de imagem. AUTOATIVIDADE 145 A respeito dessas asserções, assinale a opção CORRETA: a) ( ) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I. b) ( ) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma jus- tificativa correta da I. c) ( ) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. d) ( ) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. e) ( ) As asserções I e II são proposições falsas. 3 Analise as sentenças a seguir e classifique V para as VERDADEIRAS e F para as FALSAS a respeito da Comunicação Integrada de Marketing e suas ferramentas. ( ) A Comunicação Integrada de Marketing (CIM) sustenta que os dois veto- res – formas e meios de comunicação – precisam estar coerente dentro da mesma estratégia geral de comunicação, e devidamente sintonizados para alcançar os mesmos objetivos. ( ) As ações promocionais são ferramentas mercadológicas que permitem a criação de valor para clientes, auxiliam nas decisões de compra e reduzem esforços e consumo de tempo no momento da escolha de produtos no ponto de venda. ( ) O marketing direto é uma ferramenta da comunicação mercadológica que utiliza a comunicação direta e criteriosa, porém impessoal entre cliente e empresa, com o objetivo de obter uma resposta favorável e imediata. ( ) As promoções de vendas são muito mais lentas na geração de vendas do que a propaganda. Assinale a alternativa correspondente à sequência CORRETA: a) ( ) V, V, V, F. b) ( ) F, V, V, F. c) ( ) V, F, F, V. d) ( ) F, V, F, V. e) ( ) V, F, V, F. 4 (ENADE, 2009) A interação direta e pessoal com clientes atuais ou poten- ciais, a qual permite a criação e o aprofundamento de um relacionamento com o cliente e tem resposta direta do entendimento e da avaliação do con- sumidor são características de qual ferramenta promocional? a) ( ) Merchandising. b) ( ) Promoção de vendas. c) ( ) Relações públicas. d) ( ) Segmentação. e) ( ) Venda pessoal. 146 147 UNIDADE 3 A PROFISSÃO E A PRÁTICA DE RELAÇÕES PÚBLICAS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • definir a natureza das atividades de relações públicas; • descrever as atividades do profissional de relações públicas; • identificar as formas de interação entre as organizações e a sociedade; • relacionar as atividades de relações públicas com a opinião pública. Esta unidade está dividida em quatro tópicos. No decorrer da unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – NATUREZA DAS RELAÇÕES PÚBLICAS TÓPICO 2 – ATIVIDADES DO PROFISSIONAL DE RELAÇÕES PÚBLICAS TÓPICO 3 – NOÇÕES GERAIS DA PRÁTICA EM RELAÇÕES PÚBLICAS TÓPICO 4 – OPINIÃO PÚBLICA E RELAÇÕES PÚBLICAS EM REDE Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 148 149 TÓPICO 1 NATUREZA DAS RELAÇÕES PÚBLICAS UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO As atividades de relações públicas soam bastante amplas no mercado de comunicação e que unem praticamente um pouco de cada habilitação de comu- nicação social. Por essa razão, costuma ser difícil de entender exatamente o que faz o profissional dessa área. Em função disso, iniciaremos o tópico com a apresentação do conceito de relações públicas e de suas funções para as organizações. Nesse sentido, discu- tiremos a própria dificuldade de definir a atividade, já que existem mais de 600 definições a respeito. Também conheceremos a relação entre comunicação de massa e as rela- ções públicas e as áreas abrangidas pelas atividades em uma organização e sua função. Na sequência, estudaremos o histórico das atividades de relações públi- cas e sua contribuição para a sociedade. 2 DEFINIÇÃO DE RELAÇÕES PÚBLICAS, PÚBLICOS E ORGANIZAÇÕES Na Unidade 1, aprendemos que as habilitações da Comunicação Social se dividem em: publicidade e propaganda; relações públicas e jornalismo. Também aprendemos que as relações públicas compõem as ferramentas de comunicação com o mercado na Unidade 2. Quando nos referimos ao profissional de publicidade e propaganda, nós o tratamos como publicitário. Logo nos vêm à mente a imagem de um especialista em ideias, criatividade e que produz comerciais para vender produtos ou servi- ços ou fortalecer as marcas. O mesmo ocorre quando nos referimos ao profissional de jornalismo, sen- do tratado como jornalista. Também visualizamos a imagem de alguém idôneo e responsável pela produção de notícias, seja para meios impressos ou audiovi- suais, a fim de informar os públicos de fatos e acontecimentos do cotidiano e de interpretá-los para a sociedade. UNIDADE 3 | A PROFISSÃO E A PRÁTICA DE RELAÇÕES PÚBLICAS 150 Mas quando fazemos menção ao profissional de relações públicas, ou RP, como geralmente ele é tratado no mercado, não temos em mente o que ele faz exatamente. Logo, nos perguntamos: o que faz um relações públicas e com o quê exatamente ele trabalha? Em busca de respostas para essa questão, precisamos inicialmente estabelecer uma definição da área de relações públicas. A nossa dificuldade em imaginarmos o trabalho de relações públicas pode estar associada à própria designação da atividade. Isso porque não existe uma definição única e estima-se que sejam mais de 600 conceitos diferentes abordados pelos mais diversos autores na literatura especializada. Por essa razão, encontramos em Pinho (2003, p. 9) a definição ba- seada na Lei n° 5.377/67, que reconhece e regulamenta a profissão de Relações Públicas no Brasil: As relações públicas distinguem-se da publicidade e das vendas, ferra- mentas que procuram definir uma necessidade e encorajar as pessoas a encontrar a solução certa, a qual é dada pelo uso de determinado produto, serviço ou marca. Enquanto a publicidade diz: “Compre isto”, as relações públicas podem afirmar: “Nós somos uma empre- sa responsável”. Assim, a Associação Brasileira de Relações Públicas (ABRP) entende por relações públicas: o esforço deliberado, planifica- do, coeso e contínuo da alta administração, para estabelecer e manter uma compreensão mútua entre uma organização pública ou privada, e seu pessoal, assim como entre essa organização e todos os grupos aos quais está ligada, direta ou indiretamente.Ainda em Pinho (2003), encontramos também uma variação do concei- to da atividade estabelecida pelo Conselho Regional de Relações Públicas (Con- rerp), de São Paulo, segundo a qual as relações públicas possuem um caráter permanente que parte do pressuposto de que a boa vontade da opinião pública é fundamental para qualquer organização. Conforme essa mesma definição e Pinho (2003), os objetivos de relações públicas são: • Conhecer e a analisar as atitudes das organizações. • Recomendar às instituições meios e modos pelos quais ela possa satisfazer as expectativas da opinião pública. • Informar a opinião pública sobre a satisfação de suas necessidades por parte da organização. • Promover a imagem da organização e de seus produtos ou serviços junto à opinião pública. Agora parece que as coisas começam a ficar mais claras, não é mesmo? Começamos a perceber nesses diferentes conceitos que as relações públicas são uma forma de a organização administrar seus contatos e relacionamentos com os diversos públicos com os quais interage. TÓPICO 1 | NATUREZA DAS RELAÇÕES PÚBLICAS 151 Em função disso e de forma a simplificar o entendimento e a conceituação da atividade de relações públicas, adotaremos a definição oferecida por Cesca (2012, s.p.), de que “todas elas são unânimes em salientar que o objetivo principal dessa atividade é manter a compreensão mútua entre as partes – empresa e seus públicos”. De fato, podemos explicar que todas as atividades desempenhadas pelos profissionais de relações públicas são uma constante para que a sociedade possa entender e dialogar com a organização, seja ela pública ou privada. Segundo Cesca (2012), para alcançar esse propósito, as organizações pre- cisam realizar pesquisas de opinião junto ao público de seu interesse para adotar, tanto quanto possível, uma linha de conduta e comportamento e manter contato e diálogo para obter a cooperação desses públicos. As relações públicas são uma função de liderança e gestão que ajuda a atingir os objetivos, definir a filosofia e facilitar a transformação da orga- nização. Os profissionais das relações públicas se comunicam com todos os públicos internos e externos relevantes para desenvolver relações po- sitivas e criar coerência entre as metas da organização e as expectativas da sociedade. Esses profissionais desenvolvem, executam e avaliam os programas da organização que promovem o intercâmbio da influência e o entendimento entre as partes e os públicos de uma organização (LATTI- MORE et al., 2011, p. 23). Agora sim temos uma descrição conceitual da atividade de relações públicas. Esses profissionais usam a comunicação como ferramenta estratégica, dirigida e inte- grada em busca de resultados concretos para a imagem e reputação da organização (VOLTOLINI, 2006). Isso se justifica à medida em que observamos as dificuldades como seres hu- manos em estabelecer e manter relacionamentos interpessoais. Essa mesma dificulda- de encontramos também na relação das empresas com seus variados públicos. Por essa razão, Voltolini (2006) encontra fortes razões para transformar a ativi- dade de relações públicas em um trabalho empenhado de contribuir, através de políti- cas de comunicação, para a excelência dos relacionamentos buscados pelos indivíduos. Quando falamos em variados públicos de uma organização, precisamos enten- der a organização como parte integrante de uma sociedade que se relaciona e tem inte- resse em determinados grupos ou mesmo que esses grupos atuem e tenham interesse na organização. Isso fica mais evidente ao observamos a figura seguinte, na qual encontramos os principais públicos com os quais uma organização se relaciona. São eles: colaborado- res, acionistas, consumidores, fornecedores, governos, mídia, sindicatos e associações, revendedores, igrejas, instituições, formadores de opinião, instituições de ensino, orga- nizações não governamentais, famílias e a sociedade como um todo. UNIDADE 3 | A PROFISSÃO E A PRÁTICA DE RELAÇÕES PÚBLICAS 152 FIGURA 1 – PÚBLICOS DE INTERESSE NAS RELAÇÕES PÚBLICAS FONTE: O autor De acordo com Lattimore et al. (2011), todos esses grupos são chamados de públicos e geralmente são definidos em termos de relações organizacionais. Os públicos também podem ser pessoas importantes para a organização através de associações intencionais ou involuntárias. Muitas vezes as organizações têm interesse em se relacionar com um deter- minado grupo da sociedade para obter uma imagem ou proatividade dele em relação a ela. Por exemplo, as empresas de cigarro podem se interessar em manter relacionamento com governantes para demonstrar a eles a importância econômica da sua atividade e evitar que sejam estabelecidas políticas públicas contra o uso do seu produto. Nessa situa- ção, a associação é intencional. Em outros casos, são os grupos que estabelecem contato com a organização. Por exemplo, no caso de uma organização não governamental que busque impedir que a organização utilize determinadas matérias-primas por conta dos prejuízos ambientais. Nesse caso, a associação do público com a organização é involun- tária, não partiu da empresa. IMPORTANT E TÓPICO 1 | NATUREZA DAS RELAÇÕES PÚBLICAS 153 Cada um dos grupos sociais ou públicos pode influenciar de forma po- sitiva ou negativa uma organização. Afinal, as pessoas formam suas opiniões e moldam seus comportamentos de acordo com a quantidade de informações que possui ou recebe a respeito de um determinado assunto. Como nos explicam Lat- timore et al. (2011, p. 25): À medida que a cidadania como um todo toma conhecimento do tema, os indivíduos começam a expressar sua opinião, falam com outros sobre o tema e conciliam suas opiniões com atitudes, valores e pertencimento a grupos que vêm de longa data. Portanto, não surpreende que os pro- fissionais de relações públicas monitorem a formação e as mudanças de opinião pública sobre muitos temas, pois isso é do seu interesse. Mais além, o estudo das relações públicas sempre incluiu a investigação da opinião pública, dos processos de mudança de atitude e da psicologia social. Se quiserem manter a reputação de uma organização, os profis- sionais de relações públicas precisarão entender que a formação da opi- nião pública é um processo dinâmico, em que cada um dos principais interesses compete para enquadrar o tema de uma determinada forma na mídia. Mais além, esses profissionais influenciam a opinião pública ajudando as organizações a atrair e mobilizar os públicos de interesse. Agora que compreendemos a definição da atividade e dos públicos com os quais as organizações se relacionam, podemos constatar como o profissional de relações públicas utiliza a comunicação para influenciá-los em uma opinião favorável à organização. Antes, porém, precisamos entender o conceito de organização e sua fun- ção na sociedade e relação com os indivíduos. Para Kunsch (2003), as organiza- ções são as principais responsáveis pela satisfação de nossas necessidades e dese- jos, tais como alimentação, saúde, vestuário, transporte, salário, lazer, segurança e habitação e tantas outras. Nesse sentido, a origem e a evolução das organizações em nossa sociedade baseiam-se na própria evolução do homem como ser social, que depende de seus se- melhantes para satisfazer suas necessidades e complementar-se, explica Kunsch (2003). Assim, podemos definir uma organização pela denotação comum do ter- mo para representar “as mais diversas modalidades de agrupamentos de pessoas que se associam intencionalmente para trabalhar, desempenhar funções e atingir objetivos comuns com o objetivo de satisfazer alguma necessidade da sociedade” (KUNSCH, 2003, p. 25). As organizações podem ser classificadas de acordo com vários critérios, sendo o de forma de propriedade o mais comum. Nesse sentido, temos as organi- zações do primeiro setor (setor público e órgãos governamentais); setor secundário (setor privado – empresas comerciais e industriais) ou do terceiro setor (organiza-ções não governamentais e outras que não visam ao lucro), explica Kunsch (2003). UNIDADE 3 | A PROFISSÃO E A PRÁTICA DE RELAÇÕES PÚBLICAS 154 Como as organizações fazem parte da sociedade, reúnem pessoas e inte- ragem com os demais elementos sociais, há uma interdependência entre todos esses elementos (pessoas, organizações e sociedade). Como as organizações precisam alcançar determinados objetivos e fazer com que as pessoas trabalhem em um único sentido, elas precisam se estruturar para viabilizar a coordenação das atividades, a gestão das pessoas e o seu desem- penho, diz Kunsch (2003). É nesse contexto que se encaixa a comunicação nas organizações e as re- lações públicas. Isso porque a comunicação é o elemento vital do processamento das informações e funções administrativas. Como nos explica Kunsch (2003), a comunicação ocorre dentro da orga- nização e a comunicação entre ela o ambiente em que se insere a definem a de- terminam as condições de sua existência e a direção do seu movimento. Ainda segundo Kunsch (2003, p. 69-70): A dinâmica segundo a qual se coordenam recursos humanos, materiais e financeiros para atingir objetivos definidos desenvolve-se por meio da interligação de todos os elementos integrantes de uma organização, que são informados e informam ininterruptamente, para a própria sobrevi- vência da organização. Assim, o sistema comunicacional é fundamental para o processamento das funções administrativas internas e do relacio- namento das organizações com o meio externo. Esse é o primeiro aspec- to a ser considerado quando se fala em comunicação nas organizações. Como já estudamos no Tópico 1 da Unidade 1 da disciplina, a comuni- cação ocorre através de um processo que se adapta e funciona também para as organizações em relação ao seu público externo e também interno. Diante disso, Gutierrez Fortes (2003, p. 19-20) entende que as relações pú- blicas buscam responder a uma série de questionamentos, tais como: • Porque os empregados não reagem aos estímulos persuasivos praticados pelas organizações. • Que condições devem ser oferecidas aos fornecedores para garantir os insumos necessários à produção e à prestação de serviços, independentemente dos as- pectos econômicos envolvidos na transação. • Que tipo de apelo precisa ser dirigido ao consumidor para que ele alerte a or- ganização sobre suas tendências e seus hábitos de consumo, o que permite à empresa antecipar-se e acolher os novos anseios de sua clientela. • Que motivos seriam suficientes para asseverar uma cobertura jornalística po- sitiva às promoções da empresa, tendo a mídia como parceira na conquista de um conceito público sólido. • Que outros grupos se voltariam à companhia para apoiar as suas iniciativas ou iniciar um controle rigoroso – que pode ser altamente prejudicial ao organismo – grupos estes que dividiriam a atenção dos executivos, não focando conve- nientemente os esforços empresariais em nenhuma delas. TÓPICO 1 | NATUREZA DAS RELAÇÕES PÚBLICAS 155 Em complemento a essas questões, Gutierrez Fortes (2003) nos lembra que o comportamento coletivo das pessoas costuma ser influenciado pela mídia. E isso reforça como o profissional de relações públicas também interage com a massa na formação de sua opinião. Assim, Kunsch (2003) nos mostra que as organizações também utilizam meios para viabilizar essa comunicação com seus públicos interno e externo. Os principais meios e suas características apresentadas por Kunsch (2003, p. 87) são: • Meios orais: podem ser divididos em diretos e indiretos. Os diretos são: conversa, diálogo, entrevistas, reuniões, palestras, encontros com o presidente face a face; os indiretos: telefone, intercomunicadores automáticos, rádios, alto-falantes etc. • Meios escritos: dizem respeito a todo material informativo impresso, a saber: instruções e ordens, cartas, circulares, quadro de avisos, volantes, panfletos, boletins, manuais, relatórios, jornais e revistas. • Meios pictográficos: são representados por mapas, diagramas, pinturas, foto- grafias, desenhos, ideografias, entre outros. • Meios escrito-pictográficos: se valem da palavra escrita e da ilustração. São os cartazes, gráficos, diplomas e filmes com legenda. • Meios simbólicos: são insígnias, bandeiras, luzes, flâmulas, sirenes, sinos e outros sinais que se classificam tanto como visuais quanto auditivos. • Meios audiovisuais: são constituídos principalmente por vídeos institucionais, de treinamentos e outros, telejornais, televisão corporativa, clipes eletrônicos, documentários, filmes etc. • Meios telemáticos: decorrem do avanço das novas tecnologias da comunica- ção e recebem esse nome porque a informação é trabalhada e passada com o uso combinado da informática (computador) e dos meios de telecomunicação. Por exemplo: celulares, comunicadores instantâneos, redes sociais, correio ele- trônico (e-mail) etc. Com base nesses conceitos, podemos identificar o contexto em que atua o profissional de relações públicas em uma organização e a abrangência de sua atividade. Como destaca Kunsch (2003, p. 90-91): UNIDADE 3 | A PROFISSÃO E A PRÁTICA DE RELAÇÕES PÚBLICAS 156 Nesse sentido, a comunicação organizacional deve constituir-se num setor estratégico, agregando valores e facilitando, por meio das rela- ções públicas, os processos interativos e as mediações. Relações pú- blicas, como área profissional, se aplicam em qualquer tipo de organi- zação. Tradicionalmente estavam centradas no âmbito empresarial e governamental. O mesmo acontecia com a literatura disponível e com a formação universitária, em que a ênfase se voltava mais para esses segmentos. Nas últimas décadas o panorama mudou. Com o fortaleci- mento da sociedade civil, a valorização do terceiro setor, o crescimen- to do número de organizações não-governamentais (ONGs), além da existência de inúmeras outras entidades com ou sem fins lucrativos, as possibilidades aumentaram muito. Dessa forma, é bastante amplo o campo a ser explorado pelas relações públicas e, consequentemente, são bem vastas as exigências que lhe são postas. Dependendo do tipo, dos objetivos, da finalidade e da política da organização, é que se vai traçar um plano adequado a cada uma, o que requer, além do mais, um bom cabedal de conhecimento teórico e científico do executivo ou profissional responsável pela condução das atividades. Agora sim as coisas ficaram mais claras a respeito da atividade de relações públicas e do desempenho do profissional, não é mesmo? Antes de prosseguir- mos na identificação do perfil do profissional e de suas possibilidades de trabalho e as formas de desempenhar suas atividades, estudaremos a origem e a evolução das relações públicas na sociedade na sequência do tópico. 3 HISTÓRICO DAS ATIVIDADES DE RELAÇÕES PÚBLICAS A origem das atividades de relações públicas nas organizações, e, por con- sequência, em nossa sociedade não possui uma data exata. No entanto, como nos reforça Cesca (2012), as primeiras evidências de sua origem constam do ano de 1873. Foi naquele ano que o empresário norte-americano William D. Vander- bilt declarou uma frase que se tornou célebre: “o público que vá para o diabo”. Ainda de acordo com Cesca (2012), ainda assim há divergência sobre a referida frase, pois existem versões que dão conta de que teria sido o filho do empresário, William Henry, que a teria dito em 1882. Tanto em Voltolini (2006) como em Cesca (2012), encontramos o emprego do termo relações públicas pela primeira vez no ano de 1807 pelo então presiden- te norte-americano Thomas Jefferson ao escrever uma mensagem ao Congresso com o objetivo de demonstrar a necessidade de o povo receber prestação de con- tas de seu governo. As primeiras publicações em jornais através de veiculações gratuitas de anúncios em colunas de notícias para retribuir favores de anunciantes são data- das do início do século XIX. Jornalistas e escritores passaram a desempenhar a atividade como uma pré-concepção da atual assessoriade imprensa e da promo- ção de eventos especiais (CESCA, 2012). TÓPICO 1 | NATUREZA DAS RELAÇÕES PÚBLICAS 157 Mas foi no Século XX que as atividades de relações públicas tiveram ori- gem como uma filosofia de trabalho e uma função administrativa responsável por utilizar um conjunto de técnicas de comunicação em favor da organização. De acordo com Cesca (2012, s/p.): [...] o final do Século XIX viu a ascensão dos robber barons (magnatas la- drões), industriais cujo apego ao dinheiro era tão exagerado que tinham como princípio “dane-se o público”. Os excessos desses homens de ne- gócio eram abominados por um grupo de escritores conhecidos como muckrakers (pessoas que investigam a denunciam a corrupção política e administrativa). Para se contrapor às atitudes desses escritores e de uma imprensa investigativa crescente, algumas empresas contrataram publici- tários para suavizar a opinião pública e lançar uma luz mais benigna às suas atividades. Aos poucos, as agências governamentais americanas e britânicas começaram a contatar especialistas em publicidade, frequente- mente chamados de “diretores de informação”. Historicamente, um dos personagens que mais se beneficiaram das relações públicas foi o mag- nata americano John Davison Rockfeller (1839-1937). Como enfrentava dificuldades da opinião pública e do governo, a ponto de não poder sair à rua sem seguranças, ele contratou o jornalista Ivy Lee para assessorá-lo. Este trabalhou muito para mudar a imagem de seu cliente: dispensou os guarda-costas; fez um trabalho de esclarecimento com a imprensa, com respostas para todas as críticas recebidas; criou formas práticas de rever- ter para o povo parte daquilo que Rockfeller dele recebia, como a criação da Fundação Rockfeller que distribuía bolsas de estudo, criava centros de pesquisas, construía hospitais e museus em benefício da população. Assim, um homem odiado pela opinião pública consciente de seu país, graças a essa campanha pioneira, foi transformado em herói. Segundo Voltolini (2006), a atividade de relações públicas chegou ao Bra- sil no ano de 1911 com a criação do Serviço de Informação e Divulgação do Mi- nistério da Agricultura. Já no ano de 1914 foi criado o Departamento de Relações Públicas da The São Paulo Tramway Light and Power Co. Sua atribuição era ex- clusiva à geração de informações de caráter público. Como responsável por esse departamento foi designado o engenhei- ro Eduardo Pinheiro Lobo, que exerceu a função por 19 anos. Por essa razão, ele é considerado o patrono das Relações Públicas no Brasil, conforme a Lei n° 7.197/1984 (VOLTOLINI, 2006). Outro caso emblemático a respeito da origem das relações públicas ocor- reu nos Estados Unidos através do austríaco Edward L. Bernays (1891-1995). Ele escreveu o primeiro livro e lecionou o primeiro curso universitário da área de comunicação. Além disso, Cesca (2012) nos informa que ele teve como clientes Thomas Edison, Henry Ford e Eleonor Roosevelt, o presidente norte-americano Eisenhower e recusou-se a trabalhar para Adolf Hitler. As relações públicas também se desenvolveram muito durante o período entre guerras (1914-1918) e com a crise econômica de 1930 nos Estados Unidos. Em ambos os casos, as atividades de relações públicas foram utilizadas para mi- nimizar o impacto das dificuldades enfrentadas pelas organizações e as pessoas em geral (CESCA, 2012). UNIDADE 3 | A PROFISSÃO E A PRÁTICA DE RELAÇÕES PÚBLICAS 158 Mas o uso das atividades de relações públicas não se deu somente para o enfrentamento de situações difíceis. Muitas empresas passaram a contar com a assessoria de relações públicas para divulgar informações a respeito de seu de- sempenho econômico e social. Assim surgiu o primeiro curso de relações públicas nos Estados Unidos, em Boston, em 1947. Ela oferecia cursos de formação em nível médio e também em nível superior, diz Cesca (2012). Na mesma época, no Brasil, as atividades também se desenvolveram com a criação do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) em 1939. Sua função compreendia o cinema e teatro, divulgação, imprensa, radiodifusão e turismo (VOLTOLINI, 2006). As relações públicas espalharam-se pelo mundo a partir de então. Segun- do Cesca (2012), na França chegou a ser criada a primeira associação de relações públicas, em 1949, com o lema: “uma empresa comercial deve ser aberta e clara como uma casa de vidro para que todos a vejam. Aqueles que dirigem negócios têm o dever de esclarecer a opinião pública sobre as suas verdades”. Assim, foram criados departamentos de relações públicas na Companhia Siderúrgica Nacional no Brasil (1951), o serviço oficial de Relações Públicas Ex- teriores na França (1960), a Associação Germânica de Relações Públicas (1950), a Associazione Italiana de Relazione Pubbliche na Itália (1954) e em muitos outros países europeus também. No Brasil foi criada a Associação Brasileira de Relações Públicas em 1954 e instituído o primeiro curso de Relações Públicas em 1967 na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, com duração de quatro anos (CESCA, 2012; VOLTOLINI, 2006). O Conselho Federal de Relações Públicas (CONFERP) ensina que a nomen- clatura relações públicas (sem hífen) designa a atividade, enquanto as relações-públicas (com hífen) denominam o profissional que exerce a atividade. As relações públicas podem ser abreviadas por RP (relações públicas); PR (public relations) ou RRPP (relacionista). IMPORTANT E O código de ética profissional de relações públicas foi instituído em 1985 através da Resolução Normativa n° 02 do CONFERP. Mas foi em 2002 que se estabeleceram as funções e atividades privativas dos profissionais de relações pú- blicas através da Resolução Normativa n° 43 (VOLTOLINI, 2006). TÓPICO 1 | NATUREZA DAS RELAÇÕES PÚBLICAS 159 Assim como vimos em publicidade e propaganda, de que o símbolo profis- sional é o galo, para os profissionais de relações públicas passaram a adotar o golfinho rotador como mascote da profissão e a safira azul como pedra do anel profissional. Conforme Voltolini (2006), a escolha do golfinho se deu em função da facilidade com que este animal se adapta aos diferentes ambientes e também por serem a espécie mais comunicativa e sociável. FIGURA 2 – GOLFINHO ROTADOR COMO SÍMBOLO PROFISSIONAL DE RELAÇÕES PÚBLICAS FONTE: <https://bit.ly/39ugyYL>. Acesso em: 7 dez. 2019. Tudo isso nos fornece a base para entendermos a natureza da atividade de relações públicas, o contexto em que ela se insere e seu histórico e evolução na so- ciedade. A partir disso, teremos condições de estabelecer o perfil do profissional e as possibilidades de atuação no mercado. Esse será o tema do próximo tópico. Conforme estudamos, a história das relações públicas mostra como essa atividade contribui para a formação de uma imagem e atitude positiva em rela- ção à organização ou pessoas. Nesse sentido, o texto a seguir descreve um caso recente de uso das relações públicas para que você possa ter uma melhor compre- ensão do desempenho do profissional de comunicação na área. CASO TYLENOL: UM (BOM) EXEMPLO DE RP Mário de Moraes No Brasil, atualmente, os empresários mais esclarecidos já estão dando do devido valor ao setor de Relações Públicas de suas empresas. Eles não desconhecem que, em situações críticas, quando tudo parece conspirar contra a imagem de suas companhias, é a turma de RP que é chamada para apagar o incêndio. Países mais adiantados nesse setor, como os Estados Unidos, há muito entenderam esse conceito. E existem inúmeros exemplos que de- UNIDADE 3 | A PROFISSÃO E A PRÁTICA DE RELAÇÕES PÚBLICAS 160 monstram como é importante a atuação dos profissionais de RP, quando chamados a resolver situações aparentemente catastróficas. Como no famoso “caso Tylenol”, considerado um dos melho- res exemplos nesse sentido. Através de uma acertada e rápida política de marketing, com ênfase em estratégias de RP, foi possível, naquela ocasião, superar uma situação calamitosa.O caso Tudo teve início no dia 29 de setembro de 1982, agravando-se no dia seguinte, quando circularam por todos os Estados Unidos alarmante notícias de que três pessoas (esse número, mais tarde, subiria para sete), que moravam num subúrbio de Chicago, tinha morrido envenenadas com cianeto, após a ingestão de cápsulas do produto Tylenol Extra-Forte. Na ocasião, esse medicamento, em forma de cápsulas e comprimi- dos, representava 35% do mercado norte-americano de analgésicos para adultos vendidos em balcão, com vendas anuais de US$ 450 milhões, con- tribuindo com mais de 15% dos lucros da empresa fabricante. Isto num mercado cujo total de vendas alcançava US$ 1,3 bilhões. Quase imediatamente o produto Tylenol passou, de forma muito nega- tiva, às principais manchetes dos jornais e dos noticiários de rádio e televisão. Apanhada de surpresa, a direção da McNeil Consumer Products Com- pany, subsidiária da Johnson & Johnson e fabricante do Tylenol, reuniu-se com os mais altos executivos desta empresa para tomarem as primeiras e urgentes providências. As explicações iniciais, dadas à imprensa, foram de que o produto tinha sido criminosamente adulterado, a Johnson & Johnson, no caso, pas- sando de culpada a vítima. No dia 2 de outubro, porém, repórteres mais atilados divulgavam que o cianeto era usado como agente analítico para testar o Tylenol, nos estágios de matéria-prima e no produto final, o que poderia botar abaixo aquela informação, principalmente porque a direção da J&J afirmara que o cianeto não entrava na fabricação do seu analgésico. Ficava, portanto, uma dúvida junto ao público consumidor: as mor- tes por envenenamento teriam sido motivadas pela contaminação de ciane- to, quando da produção do Tylenol? Chegara, portanto, a hora de uma grande decisão: abrir totalmente as portas da empresa para os jornalistas que como abelhas num vespeiro, rondava os gabinetes dos principais executivos da Johnson & Johnson, ou TÓPICO 1 | NATUREZA DAS RELAÇÕES PÚBLICAS 161 tentar livrar-se do problema através de imaginosos artifícios? Aqui damos a palavra a Lawrence G. Foster, na época vice-presidente de RP da J&J: “A primeira decisão de RP, tomada imediatamente e com apoio total da dire- ção da empresa, foi cooperar inteiramente com os veículos de comunicação. A imprensa foi autorizada a alertar o público sobre o perigo. Mais tarde verificou-se que nenhuma reunião havia sido convocada para tomar essa importante decisão. Os envenenamentos pediam ação imediata para prote- ger o consumidor e não houve a menor hesitação da empresa em se manter transparente e à disposição da imprensa”. Logo após o início da crise alguém sugerira que a Johnson & John- son deveria simplesmente tirar o corpo fora e jogar toda a culpa do sucedi- do em cima de sua subsidiária, a pouco poderosa McNeil Consumer Procuts Company, que teria menos a perder. Essa sugestão foi logo afastada pela direção de J&J, não só por não ser ética, como porque, se o fizessem, natu- ralmente levariam à ruína a McNeil. A poderosa Johnson & Johnson, com uma firme tradição de credibilidade junto ao público, é que devia assumir todos os ônus do problema. A vítima era a J&J Era preciso, logo de cara, explicar à imprensa que os componentes do cianeto, causador dos envenenamentos, só eram utilizados nos laborató- rios da McNeil para realização de testes, mas não na produção do Tylenol. E esclarecer que a fabricação do analgésico era feita em edifícios separados dos laboratórios. Essa explicação foi dada, sendo muito bem aceita pelos jornalistas que cobriam o assunto. Isto ficou comprovado, por exemplo, quando Jam Ritter, repórter do Chicago Sun Times, especialista em consumo de merca- dorias, o primeiro a telefonar para a direção da J&J pedindo explicações (a J&J recebeu cerca de 2.500 telefonemas da imprensa, durante a crise) escre- veu: “Era óbvio, quase desde o início que a J&J era vítima”. E comprovando a confiança que a Johnson & Johnson merecia, o setor de Relações Públicas da empresa catalogou mais de 125 mil recortes de jornais, com notícias sobre o caso Tylenol, todos eles favoráveis. Desde logo a direção da Johnson & Johnson compreendeu que era necessário colocar especialistas à frente do problema, formando um comitê de estratégia de RP, com sete membros, comandados pelo presidente da empresa, James E. Burke. Nesse comitê foi incluído um executivo de RP e um representante da Burson Marsteller (uma das maiores empresas de RP dos Estados Unidos), detentora da conta do Tylenol. UNIDADE 3 | A PROFISSÃO E A PRÁTICA DE RELAÇÕES PÚBLICAS 162 Esse grupo, durante todo o período da crise, reunia-se duas vezes por dia, quando estudava e procurava resolver todos os problemas que iam surgindo. E nisso levaram seis semanas, até que tudo foi esclarecido e as coisas foram voltando ao normal. A principal preocupação, desde logo, foi quanto à segurança de 100 milhões de americanos consumidores de Tylenol, embora o problema, aparentemente, estivesse circunscrito ao Estado Illinois, principalmente aos arredores de Chicago. Era preciso não esquecer, também, que qualquer ati- tude a ser tomada, precisava levar em conta os milhões de consumidores dos demais produtos da Johnson & Johnson (tampões, remédios, produtos para bebês, artigos de primeiros socorros, contraceptivos) e as futuras con- sequências junto ao mercado. Igualmente não podiam ser deixados de lado os seus 38 mil acionistas e 77 mil empregados, que poderiam ser afetados. Durante o período mais crucial da crise, a cotação das ações da com- panhia caiu sete pontos e a participação do Tylenol no mercado de analgé- sicos despencou rapidamente 87 por cento. Alguns especialistas, como Jerry Della Femina, presidente do con- selho da Della Femina, Travisano & Parterns Inc., uma agência de publi- cidade de Nova Iorque, chegaram mesmo a declarar que o Tylenol estava acabado. A primeira sugestão foi a de retirar o Tylenol apenas das áreas mais afetadas pelas mortes dos consumidores. Mas o comitê resolveu recolher todo o produto existente no mercado norte-americano, totalizando 31 milhões de vidros do analgésico, com um prejuízo de US$ 50 milhões. Nesse momento a participação do Tylenol no mercado estava em torno de sete por cento. A retirada do produto não foi aceita por todos. A polícia de Chicago e o FBI, que vinham desenvolvendo uma ampla investigação, com a parti- cipação de 150 agentes, checando e examinando o produto nas prateleiras à procura de provas de sua adulteração, ou com a esperança de agarrar os criminosos em flagrante, foram contrários àquela medida, uma vez que achavam que, dessa forma, dificilmente pegariam os culpados. A Food and Drug Administration – FDA, entidade que controla todos os medicamentos nos Estados Unidos, também ficou temerosa de que a retirada do Tylenol pudesse aumentar o pânico. Para a J&J, porém, a segurança do público estava em primeiro lugar. TÓPICO 1 | NATUREZA DAS RELAÇÕES PÚBLICAS 163 Investindo em propaganda No dia 1º de outubro, logo no início da crise, a J&J decidiu retirar toda a propaganda do Tylenol da televisão, do rádio e da mídia impressa. Mais tarde, no entanto, raciocinando melhor, o seu comitê de estratégia de RP, com o apoio da presidência da Johnson & Johnson, resolveu investir fundo na divulgação da verdade dos fatos e na defesa de seu produto, nisso empregando cerca de US$ 100 milhões nas mais diversas mídias. Nessa intensa ofensiva, o presidente da J&J, James E. Burke, não se furtou, inclusive, a aparecer nos principais programas nacionais de te- levisão, como o Phil Donahue Show, e permitiu que as equipes de Mike Wallace e do famoso 60 Minutes filmassem uma reunião do comitê (alguns diretores da J&J foram contrários a essa abertura, considerando-a exagera- da, mas o presidente Burke ganhou a parada, com o apoio de experts no assunto, como a turma da Burson Marsteller). Enquanto os técnicos da J&J preparavam uma nova e mais segura embalagem para o Tylenol, capazde evitar futuras adulterações, o presi- dente da J&J aparecia numa teleconferência (cujo custo foi de US$ 400 mil) exibida pela TV em 30 cidades americanas e vista por milhões de pesso- as. Nessa entrevista, James E. Burke falava na reintrodução das cápsulas e comprimidos de Tylenol no mercado, agora com total segurança, através de uma embalagem triplamente selada. Para Lawrence G. Foster, vice-presidente de RP da J&J a transmis- são da teleconferência, realizada no dia 19 de dezembro, “foi mais positiva do que eu pensava”. Mike Wallace, um jornalista dos mais polêmicos, capaz de emba- raçar, com suas maliciosas perguntas, os mais astutos empresários, cum- primentou o presidente da J&J, após o seu programa declarando: “Há ape- nas algumas semanas, especialistas em negócios estavam teorizando que o Tylenol havia acabado. Hoje eles vêem os homens que dirigem a J&J usa- rem os fatos, a imprensa e muito dinheiro de um jeito que confunde os agoureiros. Em lugar de se fechar, a J&J se aproximou e tem controlado a situação para que não haja suspeitas sobre o desastre”. Quanto aos veículos de comunicação, Mr. Foster comentou: “Nunca vi a imprensa cobrir um caso com tanta compreensão. Acho que houve uma empatia. A coisa mais importante foi que eles observaram que aqui temos um negócio responsável”. E mais adiante: “Não se pode separar o lado humano da imprensa do seu lado de consumidor. Os repórteres não foram pegos só profissio- nalmente, mas também como pessoas. E foi assim que eles responderam”. UNIDADE 3 | A PROFISSÃO E A PRÁTICA DE RELAÇÕES PÚBLICAS 164 A volta por cima Assim que a nova embalagem das cápsulas e comprimidos de Tyle- nol ficou pronta e os produtos foram novamente colocados no mercado, verificou-se que os seus consumidores respondiam muito favoravelmente à sua reintrodução. Isto, segundo a direção de RP da J&J, devido a três fatores primordiais: • Ficara provado que os envenenamentos tinham atingido um produto inocente; • O Tylenol era o produto preferido dos americanos no mercado de anal- gésicos; • A J&J agira com muita responsabilidade durante toda a crise. Uma pesquisa, realizada pela Young and Rubican, duas semanas após as mortes iniciais, havia demonstrado que 93% do público americano acreditavam que aquele tipo de problema podia ocorrer com qualquer pro- duto em cápsula, e que o fabricante não devia ser acusado por isso. Além disso, a Johnson & Johnson utilizou a crise como uma nova oportunidade de marketing, sendo a primeira indústria do ramo, depois da retirada do produto do mercado, a responder aos anseios populares por embalagem mais resistentes à adulteração e às novas regulamentações da Food and Drug Administration. Em pouco tempo, o novo Tylenol recuperava 65 por cento de suas vendas anteriores à crise. Logo após a volta triunfal do analgésico, em nova embalagem, Mr. Foster, através de um release, agradecia à imprensa: “Tenho a oportunida- de de agradecê-los pela cobertura justa e equilibrada, desde o início, que deram a este caso”. E a direção de RP da J&J fez questão (talvez para um trabalho fu- turo) de anotar todos os nomes e endereços dos jornalistas que contata- ram a empresa durante o caso Tylenol, colocando-os num arquivo especial. “Tudo o que foi feito focaliza o lado bom das relações públicas e da res- ponsabilidade social”, declarou Mr. Foster, acrescentando: “É bom traba- lhar numa organização que reconhece o valor das relações públicas e cuja direção é altamente respeitada pelo senso de responsabilidade diante da comunidade”. Finalmente, James H. Dowling, presidente da Burson-Marsteller, que foi um dos poucos, de fora da J&J, a ser convidado a participar das reuniões de estratégia, disse que a grande lição a extrair desse caso “é saber que se pode superar as más notícias, e que é possível vencer uma crise e erguer-se novamente”. TÓPICO 1 | NATUREZA DAS RELAÇÕES PÚBLICAS 165 E completou: “O que se deve aprender do caso Tylenol é que sem- pre vale a pena tomar a decisão correta em prol de uma causa justa, porque, mais cedo ou mais tarde, será preciso agir assim, já que o público vai cobrar uma atitude digna da empresa”. A despeito de uma sobretaxa de 27 por cento por ação, como resul- tado da retirada do Tylenol do mercado, a Johnson & Johnson terminou o ano de 1982 com uma renda liquida de US$ 5.76 bilhões, contra US$ 2.51 por ação e vendas de US$ 5,4 bilhões em 1981. FONTE: MORAES, M. de. Caso Tylenol: um (bom) exemplo de RP. 2016. Disponível em: http://www.uel.br/ceca/portalrp/?p=64. Acesso em: 6 dez. 2019. 166 RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tópico, você aprendeu que: • Existem mais de 600 definições em uso para estabelecer a atividade de relações públicas. • A Associação Brasileira de Relações Públicas (ABRP) entende por relações públi- cas o esforço deliberado, planificado, coeso e contínuo da alta administração, para estabelecer e manter uma compreensão mútua entre a organização e os públicos. • As relações públicas possuem um caráter permanente que parte do pressu- posto de que a boa vontade da opinião pública é fundamental para qualquer organização. • Apesar das diferentes conceituações, todas elas são unânimes em destacar que o objetivo principal dessa atividade é manter a compreensão mútua entre as partes – empresa e seus públicos. • A atividade de relações públicas contribui através de políticas de comunicação para a excelência dos relacionamentos buscados pelos indivíduos. • Todos os grupos de pessoas com os quais a empresa se relaciona são denomi- nados de públicos. • As organizações são as principais responsáveis pela satisfação de nossas neces- sidades e desejos e são compostas por pessoas com objetivos em comuns. • A comunicação ocorre dentro da organização e a comunicação entre ela o am- biente em que se insere a definem a determinam as condições de sua existência e a direção do seu movimento. • O comportamento coletivo das pessoas costuma ser influenciado pela mídia. E isso reforça como o profissional de relações públicas também interage com a massa na formação de sua opinião. • Os principais meios utilizados pelas relações públicas são: orais, escritos, picto- gráficos, simbólicos, audiovisuais e telemáticos. • Não existe uma data precisa da origem das relações públicas, mas acredita-se que tenha sido por volta de 1873 com a indiferença em relação ao público. • A primeira vez que o termo relações públicas foi utilizado ocorreu em 1807 pelo presidente norte-americano Thomas Jefferson. 167 • Somente no Século XX as relações públicas ganharam aspecto de filosofia de trabalho e uma função administrativa responsável por utilizar um conjunto de técnicas de comunicação em favor da organização. • A atividade de relações públicas chegou ao Brasil no ano de 1911 com a criação do Serviço de Informação e Divulgação do Ministério da Agricultura. • No Brasil foi criada a Associação Brasileira de Relações Públicas em 1954 e instituído o primeiro curso de Relações Públicas em 1967 na Escola de Comu- nicações e Artes da Universidade de São Paulo. • O golfinho rotador representa a profissão de relações públicas e a safira azul é a pedra do anel profissional. 168 1 (ENADE, 2009) É função das relações públicas em uma organização: a) ( ) Buscar o equilíbrio administrativo-financeiro. b) ( ) Elaborar e gerir o planejamento de comunicação. c) ( ) Fazer a gestão do público interno. d) ( ) Implantar o planejamento estratégico da empresa. e) ( ) Prestar contas aos acionistas. 2 Como as relações públicas atuam sobre as massas para formar a opinião pública favorável à organização, as atividades demandam o uso de diversos meios de comunicação para alcançar esse objetivo. Nesse sentido, analise as afirmações a seguir a respeito das características dos meios utilizados pelas relações públicas. I- Os meios simbólicos são constituídos por vídeos institucionais, treinamen- tos, telejornais, televisão corporativa, documentários ou filmes. II- Os meios telemáticossão aqueles que usam as novas tecnologias da comu- nicação, como por exemplo as mídias sociais, celulares e e-mails. III- Os meios pictográficos são representados por mapas, diagramas, pinturas, fotografias, desenhos, ideografias e outros. É correto o que se afirma em: a) ( ) II, apenas. b) ( ) I e III, apenas. c) ( ) II e III, apenas. d) ( ) III, apenas. e) ( ) I, II e III. 3 As atividades de relações públicas ocorrem nas organizações para criar uma imagem e atitude positiva dos variados públicos através da formação de uma opinião pública favorável a ela. Assim, as relações públicas tanto po- dem ser executadas em organizações públicas ou privadas. Nesse sentido, avalie as asserções a seguir a respeito das organizações e a relação proposta entre elas. I- As organizações são as principais responsáveis pela satisfação das necessi- dades e desejos das pessoas em uma sociedade. PORQUE II- As organizações são compostas por pessoas que se associam intencional- mente para trabalhar, desempenhar funções e atingir objetivos comuns ao atender às necessidades e desejos das pessoas em uma sociedade. AUTOATIVIDADE 169 A respeito dessas asserções, assinale a opção CORRETA: a) ( ) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I. b) ( ) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma jus- tificativa da I. c) ( ) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. d) ( ) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. e) ( ) As asserções I e II são proposições falsas. 4 (ENADE, 2009) Leia a figura que representa formas de relacionamento da organização com seus públicos: É CORRETO afirmar que essa figura: a) ( ) Expressa a classificação do público externo de uma determinada empresa. b) ( ) Representa a comunicação organizacional das instituições públicas. c) ( ) Representa o foco do trabalho de relacionamento com a mídia. d) ( ) Representa o relacionamento das empresas com seus públicos-alvo. e) ( ) Representa o relacionamento das organizações com seus públicos. 170 171 TÓPICO 2 ATIVIDADES DO PROFISSIONAL DE RELAÇÕES PÚBLICAS UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Assim como demonstramos na Unidade 2 da disciplina, as possibilidades de atuação, o perfil profissional desejado pelo mercado e as atividades desen- volvidas pelos publicitários, aqui destacaremos esses mesmos elementos para as relações públicas. Começaremos o tópico com uma descrição do campo profissional de relações públicas, as exigências para atuar nesta área da comunicação social e também relacio- naremos as principais atividades e funções desempenhadas pelo profissional. Na sequência do tópico trataremos do perfil do relações-públicas deseja- do pelo mercado e também as possibilidades de atuação profissional. Demons- traremos ainda que as novas tecnologias e as mídias digitais sociais oferecem amplas oportunidades para atuação profissional. Vamos descobrir? 2 EXIGÊNCIAS PARA DESEMPENHAR AS ATIVIDADES DE RELAÇÕES PÚBLICAS NO BRASIL Ao ingressarmos no ensino superior, sempre nos vem à mente as possi- bilidades de atuação profissional na área e de se trabalhar com aquilo que gosta- mos, além da oportunidade de crescimento profissional e salarial também. Com relações públicas não seria diferente, não é mesmo? Da mesma for- ma como as outras habilitações em comunicação social, os profissionais de rela- ções públicas também possuem áreas de atuação profissional e oportunidades de estabelecerem e crescerem em sua profissão. Nesse sentido, Dreyer (2017) nos diz que o campo de trabalho de relações públicas é mais um entre tantos outros existentes em nossa sociedade. Também nos atenta que as atividades de comunicação organizacional e relações públicas são distintas entre si, mas que se são complementares e interdependentes também. 172 UNIDADE 3 | A PROFISSÃO E A PRÁTICA DE RELAÇÕES PÚBLICAS Ou seja, o profissional de relações públicas pode atuar também como res- ponsável pela comunicação nas organizações, mas não se limita apenas a isso. Existem muitas outras possibilidades de atuação. No entanto, se você optar por trabalhar na comunicação organizacional, será praticamente impossível desempenhar suas atividades sem prever o uso das relações públicas para a construção da imagem e reputação da instituição. Isso nos mostra como o profissional de relações públicas utiliza as habilidades de comunicação com eficácia. Nesse sentido, Lattimore et al. (2011, p. 24) complementa: Em muitos aspectos, o coração do trabalho com relações públicas – pelo menos para cargos de nível inicial – é a capacidade de escrever, formatar e produzir materiais para todas as mídias. Os profissionais de relações públicas também devem possuir habilidades para falar em público, liderança de grupo e mesmo de planejamento. Sendo assim, uma grande parte do trabalho de relações públicas no dia a dia é iden- tificar mensagens centrais e escolher a melhor combinação de canais de comunicação para direcioná-los a públicos-alvo. As atividades de relações públicas existem em todas as organizações. No entanto, Cesca (2012) nos alerta que nem sempre elas são desempenhadas por um profissional com formação específica na área e até recebem cargos com nomencla- turas diferentes, tais como gerente, diretor, coordenador de relações públicas ou relações institucionais. O Conferp (2016) reforça que a atividade de relações públicas é discipli- na pela Lei n° 5.377/67, e regulamentada pelo Decreto n° 63.283/68. Isso implica dizer que o exercício profissional é privativo aos bacharéis de relações públicas, registrados no sistema Conferp. Se você escolheu a carreira de relações públicas dentro da área do conhecimento de comunicação social, você começou do jeito certo. Afinal, a sua escolha em fazer um curso superior lhe garante a prerrogativa do exercício profissional. Além de ampliar seu conhecimento e se preparar melhor para enfrentar e vencer no mercado, você ainda amplia as possibilidades de atuação profissional a partir do registro no Conferp para o exercício profissional em relações públicas. Parabéns pela sua iniciativa! IMPORTANT E TÓPICO 2 | ATIVIDADES DO PROFISSIONAL 173 A partir do exposto na legislação, o Conferp (2016, p. 10) sistematiza as atividades específicas e privativas dos profissionais de relações públicas. São elas: • Planejar, implantar e gerenciar as comunicações institucional, corporativa, em- presarial, organizacional, estratégica, dirigida e integrada nas organizações, programas de interesse comunitário e fomente à informação para a opinião pública. • Lecionar as disciplinas de teoria e técnicas de relações públicas. • Esclarecer aos grupos de autoridades e opinião pública os interesses da orga- nização. • Medias os relacionamentos estratégicos com os diversos públicos por meios de canais de comunicação. • Desenvolver e diagnosticar pesquisas e auditorias de opinião e de imagem. • Intermediar as relações governamentais, visando a manutenção de uma ima- gem positiva. Enfatizar o reconhecimento dos negócios da organização, sejam eles ativi- dades, produtos ou serviços, junto aos públicos de interesse. Mas não basta apenas se formar no curso superior e sair trabalhando por aí como relações públicas. O exercício legal da profissão exige que o bacharel de relações públicas solicite o seu registro profissional no Conrerp de sua região. Somente de posse com o número da carteira de identidade profissional é que você poderá se intitular, assinar a desempenhar as atividades de relações públicas de forma legal. O exercício ilegal da profissão prevê multas e sanções disciplinares (CONFERP, 2016). Também são passíveis de multas e punições disciplinares os profissionais registrados que atuarem com má fé, falta de ética ou lisura. Segundo o Conferp (2016), nesses casos, o relações públicas incorre na suspensão do exercício profis- sional ou mesmo no cancelamento do registro. Para saber se você precisa do registroprofissional do Conrerp ou não para exercer suas atividades, fique atento ao fluxograma proposto pelo Conferp (2016) a seguir. Ele mostra os caminhos e exigências para o exercício profissional dentro da legalidade e da ética. 174 UNIDADE 3 | A PROFISSÃO E A PRÁTICA DE RELAÇÕES PÚBLICAS FIGURA 3 – FLUXOGRAMA PARA O EXERCÍCIO LEGAL DA PROFISSÃO DE RELAÇÕES PÚBLICAS FONTE: Adaptado de Conferp (2016) Constatamos no fluxograma apresentado que se a essência da organiza- ção consiste em fazer comunicação, será preciso possuir um registro de pessoa jurídica junto ao Conrerp. Caso contrário, a empresa poderá ou não possuir de- partamento profissional de comunicação. Se for o caso de possuir este departamento, então será necessário ter um profissional registrado que se responsabilize tecnicamente pelas atividades de relações públicas. Em caso negativo, não será necessário possuir o registro de pessoa jurídica junto ao Conrerp. Ainda de acordo com o Conferp (2016, p. 12), existem duas modalidades de registro para pessoas físicas. São elas: • Registro provisório: destinado aos graduados em Relações Públicas que ainda não possuem o diploma em mãos. • Registro definitivo: quando o formado já possui o diploma de Bacharel em Relações Públicas. Conforme destaca no fluxograma anterior, a pessoa jurídica (empresa) tam- bém deve estar registrada no Conrerp. Esse registro deve ser solicitado em todos os locais onde a empresa atua, seja como sede, filial ou representação (CONFERP, 2016). TÓPICO 2 | ATIVIDADES DO PROFISSIONAL 175 Além disso, será indispensável que a organização esteja atenta às fun- ções desempenhadas por seus colaboradores, alerta o Conferp (2016). Para que a organização possua um relações públicas, ele precisa estar registrado junto ao Conrerp de sua região. Como estamos nos referindo ao Conferp e Conrerp, para ficar claro tam- bém para você a diferença e os locais para obtenção do registro, precisamos ini- cialmente estabelecer o Sistema Conferp como uma autarquia federal composto pelo Conselho Federal e sete Conselhos Regionais. Essa autarquia responsável pela regulamentação da atividade profissio- nal de relações públicas nasceu em 1969 e foi efetiva em 1971. O principal objetivo do sistema consiste em coordenar, fiscalizar e disciplinar o exercício profissional de relações públicas no Brasil. A figura seguinte apresenta a estrutura do Conselho Federal de Relações Públicas (Conferp), subordinado ao Ministério do Trabalho, e os Conselhos Re- gionais de Relações Públicas (Conrerp) distribuídos em todo o Brasil. Cada conselho regional possui uma abrangência sobre os Estados da Fe- deração, conforme a atuação dos profissionais e organizações especializadas. Portanto, não importa em qual cidade brasileira você more ou venha a atuar, você estará sob a coordenação, fiscalização e disciplina de um dos conselhos regionais. Para se filiar ao Conferp/Conrerp de sua região, você precisa pagar uma anui- dade para manutenção do Conselho Federal de Relações Públicas (Conferp). O valor é obrigatório a todos os profissionais registrados que não comprovarem aposentadoria. O pagamento da anuidade ocorre sempre nos meses de março. A inadimplência junto ao Conferp prevê a inscrição do nome do associado em dívida ativa na Justiça Federal, cor- rendo o risco de perder bens ou ter sua conta bloqueada (CONFERP, 2016). IMPORTANT E 176 UNIDADE 3 | A PROFISSÃO E A PRÁTICA DE RELAÇÕES PÚBLICAS FIGURA 4 – ESTRUTURA DO CONFERP E CONRERP EM TODO O BRASIL FONTE: <https://bit.ly/39ugyYL>. Acesso em: 7 dez. 2019. Observamos, nesse contexto, como o exercício profissional de relações pú- blicas difere dos profissionais de publicidade e propaganda, cuja atividade não é regulamentada, e qualquer pessoa pode intitular-se e exercer a profissão. O registro exigido pelo Conrerp é bastante parecido com aquele feito pelos advogados, médicos ou engenheiros junto aos seus respectivos conselhos. NOTA TÓPICO 2 | ATIVIDADES DO PROFISSIONAL 177 Agora que já conhecemos as atividades e exigências previstas em lei a respeito das relações públicas, podemos conhecer as várias funções desempenhas pelos profissionais e o perfil desejado dos profissionais e possibilidades de atua- ção na área. O tema será abordado na sequência do tópico. 3 PERSPECTIVAS PROFISSIONAIS E FUNÇÕES DAS RELAÇÕES PÚBLICAS Apesar de termos descrito as atividades da profissão de relações públicas, conforme previsto pelo Conferp, existem muitas outras possibilidades de funções rotineiras no desempenho da profissão junto às organizações. Isso, claro, depende do tamanho do departamento de relações públicas ou da organização em que se assessora. Em grandes corporações de abrangência mundial, Lattimore et al. (2011) informa que essa estrutura pode abrigar mais de 400 profissionais. Por outro lado, em empresas prestadoras de serviços, esse nú- mero pode ser apenas um ou dois profissionais. Assim: A função de relações públicas nas grandes corporações muitas vezes é dirigida por um vice-presidente que ajuda a desenvolver políticas gerais como membro da administração superior. Grandes organizações também costumam incluir vários outros gerentes de relações públicas em níveis da empresa como um todo e de divisão, e podem empregar vários espe- cialistas na área, como redatores, pesquisadores e representantes para a mídia. Porém, em uma organização pequena, uma pessoa pode dar conta de todas essas responsabilidades. Firmas de assessoria em relações públi- cas podem ter especialistas em uma determinada área de trabalho, como serviços de saúde ou financeiros, bem como especialistas funcionais para lidar com mudanças de cultura corporativa ou coordenar o conteúdo da intranet (LATTIMORE et al., 2011. p. 28). Nesse sentido, Cesca (2012, s.p.) nos mostra as principais atividades de- senvolvidas pelos profissionais de relações públicas: • Gerenciar a comunicação interna e externa de forma integrada. • Realizar pesquisas de opinião, de imagem, de clima e de perfil organizacionais. • Fazer planejamento de programas e campanhas institucionais. • Redigir correspondências, mensagens e discursos. • Produzir boletim, jornal, newsletter e revista de empresa. • Elaborar jornal mural e quadro de avisos. • Produzir relatório público anual, relatório social e livro da empresa. • Criar folheto, folder, panfleto, flyer, volante institucionais. • Redigir press-release, teaser de texto e teaser em fases institucionais. • Produzir material de integração para funcionários. • Implantar caixa de sugestões física e eletrônica. • Elaborar vídeo institucional. • Produzir conteúdo e monitorar as mídias sociais. • Supervisionar conteúdo do site. 178 UNIDADE 3 | A PROFISSÃO E A PRÁTICA DE RELAÇÕES PÚBLICAS • Estrutura programas de visitas. • Organizar e dirigir cerimonial. • Sistematizar concursos institucionais. • Organizar todo tipo de evento empresarial. • Fazer assessoria de imprensa. • Organizar entrevistas/coletivas e contatos com a direção da empresa/organização. • Fazer media training. • Realizar assessoria de imagem. • Fazer clipagem de notícias. • Implantar/supervisionar/coordenar sistema de atendimento ao consumidor (SAC). • Implantar/supervisionar/coordenar ações de responsabilidade social/ambiental. • Criar estratégias para prevenção/administração de crises. • Padronizar toda a papelaria da empresa/organização. • Padronizar fachas de identificação da empresa/organização. • Fazer a memória da empresa/organização (guardar sua história para as futuras gerações). • Avaliar, com técnicas de pesquisa e análise, os resultados dos trabalhos desen- volvidos. • Representar a empresa/organização. • Ser porta-voz da empresa/organização. • Ser ombudsman/ouvidor. • Newsletter é o termo utilizado para designar um boletim informativo de distribuição regular a um grupo de pessoas. • Flyer é um folheto de propaganda distribuído ao público. • Press-release é um comunicado de imprensa feito por uma organização com objetivo de divulgaruma notícia. • Teaser é uma técnica utilizada em comunicação para criar expectativa no público-alvo da mensagem. NOTA Outras atividades relacionadas por Lattimore et al (2011) são: • Programação: analisar problemas e oportunidades e definir metas e públicos a se- rem atingidos, além de recomendar e planejar atividades. • Relações: desenvolver e coletar informações da administração, de colegas em suas organizações e de fontes externas para fortalecer os vínculos de sua organização com os vários públicos. • Redação e edição: parte essencial da atividade profissional de relações públicas está na redação e edição de textos, relatórios, notas à imprensa, folhetos, discur- sos, roteiros, artigos especializados, informações sobre produtos e material técnico, publicações de funcionários, boletins e informes aos acionistas e balanços sociais. TÓPICO 2 | ATIVIDADES DO PROFISSIONAL 179 • Informações: compartilhar informações com os editores certos em jornais, rádio e TV, e publicações gerais e específicas, para conquistar seu interesse na publicação de notícias e reportagens sobre a organização. • Produção: planejar e supervisionar a elaboração de várias publicações, relatórios especiais, filmes e programas multimídia. • Eventos especiais: coordenar e assessorar em entrevistas coletivas, exposições em convenções e apresentações especiais, comemorações de novas instalações e ani- versários, concursos e programas de premiação, visitas e reuniões especiais, entre outros eventos. • Fala: encontrar as plataformas adequadas para se comunicar com o público e pre- parar discursos e entrevistas nelas. • Pesquisa e avaliação: encaminhar pesquisas sobre temas importantes, organiza- ções, públicos, concorrência, oportunidades, ameaças e assim por diante. Além das atividades relacionadas, Cesca (2012) acrescenta a possibilidade de se tornar professor de disciplinas da área ou atuar como empreendedor, criando uma empresa própria para a prestação de serviços terceirizados em relações públicas. Devido a essas características, de abrangência de atividades aliada à cons- tante mudança de nomes para os cargos de relações públicas, Cesca (2012) enten- de que o campo de atuação profissional ainda está aberto. Ainda nessa linha de raciocínio, Voltolini (2006) destaca outras possibili- dades de atuação do profissional de relações públicas: • Assessoria de imagem. • Assessoria de imprensa. • Atenção ao cliente. • Carreira acadêmica. • Comunicação comunitária. • Comunicação eletrônica. • Comunicação interna ou organizacional. • Pesquisas de opinião. São muitas as possibilidades para você atuar no mercado, não é mesmo? A constante mudança tecnológica e dos mercados e organizações, e seus impactos e reflexos em nossas vidas, sempre oferecerão oportunidades de trabalho na área. Mas, antes de ingressar no mercado, é importante conhecermos o perfil do profissional desejados e esperado pelas organizações e assessorados por um rela- ções-públicas. Assim, encontramos em Cesca (2012, s.p.) as principais características: 180 UNIDADE 3 | A PROFISSÃO E A PRÁTICA DE RELAÇÕES PÚBLICAS • Dinamismo. • Facilidade de relacionamento. • Cultura generalista. • Conhecimento das transformações mundiais e da organização onde for atuar. • Conhecimento de planejamento estratégico. • Pensamento globalizado e ação localizada. • Domínio de idiomas. • Habilidade em redação. • Conhecimento de estratégias de negócios. • Boa cultura geral. • Facilidade de rápida adaptação a mudanças. Nunca é demais reforçar a exigência prevista em lei pelo Conselho Regional dos Profissionais de Relações Públicas (Conrerp) de possuir formação acadêmica na área para atuar como relações públicas em uma organização. IMPORTANT E Mesmo com todas as oportunidades e possibilidades de atuação profis- sional apresentadas, talvez você ainda esteja se questionando: mas onde posso trabalhar como relações públicas? A resposta vem de Cesca (2012): • Qualquer tipo de organização (empresas públicas, privadas, de economia mista e do terceiro setor). • Em empresa própria, como empreendedor, prestando serviço terceirizado. • Como professor das várias disciplinas em faculdades/cursos de relações públicas e em outros nos quais se lecionem as disciplinas da área. Mas isso não para por aí. A atividade de relações públicas também tem sofrido mudanças com a evolução das novas tecnologias de informação e comu- nicação (TIC). É por essa razão que Dreyer (2017, s.p.) designa a atividade como relações públicas contemporâneas: As tecnologias de comunicação e informação são um caminho sem volta e a tendência é que, cada vez mais, novas plataformas de relacio- namento sejam criadas. É nesse ambiente que se encontra uma diver- sidade de públicos, sendo a interação e o diálogo quase que naturais. Além disso, a relação entre as TICs e a atividade de relações públicas é fundamental para comprovar que o ambiente digital contribuiu para que as relações públicas possam ampliar, redefinir e segmentar as for- mas de contato com os públicos. TÓPICO 2 | ATIVIDADES DO PROFISSIONAL 181 Nesse sentido, ao profissional cabe estabelecer a convergência de mídias, ou seja, fazer interagir as novas e as antigas mídias. Assim, a convergência caracteriza-se pelo fluxo de conteúdos através de múltiplas plataformas de mídia para atender ao comportamento migratório dos públicos dos meios de comunicação (DREYER, 2017). Ainda de acordo com Dreyer (2017), as novas possibilidades de interação proporcionadas pelas novas tecnologias nos levam à reflexão sobre a atividade de relações públicas a partir da web semântica, os algoritmos, os aplicativos, a com- putação em nuvem, a conectividade constante e mobilidade contínua e a internet das coisas, por exemplo. Assim, o campo de atuação na era digital para as relações públicas se amplia devido a três condições da contemporaneidade digital relacionadas por Dreyer (2017) na sequência: • Centralidade: caracteriza-se pela possibilidade de diálogo com os públicos através da interação proporcionada pelas novas mídias e redes sociais. • Transversalidade: consiste na capacidade de planejar as ações de comunicação nas organizações em tempos de m´dias sociais digitais. • Resiliência: consiste na capacidade de as organizações se anteciparem e se adaptarem a rupturas, eventos e a lidar com as mudanças e reconstruir seus valores e estruturas a partir desses movimentos. Isso nos mostra que se você gosta das atividades de marketing digital e mídias sociais, você também pode fazer dessa sua preferência a sua forma de trabalho em relações públicas. Afinal, são muitos os públicos a serem atingidos e os relacionamentos a serem mantidos que sempre cabe mais um profissional para essa crescente área na comunicação como um todo. Para finalizar esse tópico, devemos ainda ressaltar que as relações públicas também oferecem uma contribuição à sociedade, assim como ocorre com as demais profissões. Nesse sentido, nos valemos das palavras de Voltolini (2006, p. 88-89): As considerações que se colocam deixam claro o importante papel a ser desempenhado pelos profissionais de relações públicas. Principalmente nos permitem compreender que a segmentação de públicos não implica na ausência de relacionamentos. Ao contrário, reforça-os ainda mais atra- vés de suas características comuns. Todavia, para que isso de fato acon- teça, é mister aceitarmos que as relações públicas podem e devem contri- buir com técnicas que tanto persigam os objetivos gerais das organizações, quanto gerem ferramentas específicas para públicos segmentados. Tudo isso é possível através de um amplo conceito de comunicação integrada, sempre atento a absorver no processo a participação de todos os setores que se fazem presentes na estrutura e no cotidiano das organizações [...]. A propósito, não podemos ignorar que o macrocontexto da Comunicação Social – tendo por tripé o jornalismo, a publicidade/propaganda e as rela- ções públicas – pressupõe uniformidade eintegração. Não há, pois, como imaginarmos resultados eficientes para uma comunicação planejada senão por meio de ações sincronizadas. No que diz respeito às relações públicas, a sincronia de ações tem sempre por propósito a conduções dos públicos – e da sociedade de um modo geral – a estágios que contribuam concretamen- te para a consolidação da integridade e do progresso humanos. 182 UNIDADE 3 | A PROFISSÃO E A PRÁTICA DE RELAÇÕES PÚBLICAS Mas colocar tudo isso em prática e como é o dia a dia de um relações pú- blicas? A resposta a essas questões encontraremos no próximo tópico a respeito dos públicos, processos e técnicas utilizadas pelos comunicólogos formados na área. Até daqui a pouco! Como o tópico dedicou-se a demonstrar as potencialidades de atuação profissional na área de relações públicas, nada mais justo que um texto que possa complementar a nossa visão a respeito do perfil profissional exigido na atualida- de. Fique atento e adapta-se a ele. O MERCADO DEMANDA UM PROFISSIONAL DE COMUNICAÇÃO POLIVALENTE Recentemente li no Facebook um artigo do RP Guilherme Alf – “A im- portância do mindset de um RP!”, onde conceitua a profissão com um olhar macro e estratégico. Distancia a diversificação ocorrida com o passar dos tem- pos e até oficializada por alguns “renomados”, despindo-a de “firulas e ações múltiplas”. Seu foco de ação é, acima de tudo, estratégico. Isto me fez lembrar a história das Relações Públicas e como o mercado foi obrigado pelas suas prioridades a se afastar de sua plataforma de doutrinas e finalidades. Em 30 de janeiro de 1914, o engenheiro Eduardo Lobo foi nomeado pela Light São Paulo para ser o primeiro gerente de relações públicas da em- presa. Se inicia a trajetória histórica das Relações Públicas no Brasil. Qua- renta e sete anos depois, o publicitário José Rolim Valença e o administra- dor de empresas José Carlos Fonseca Ferreira fundaram a AAB Assessoria Administrativa do Brasil, agência de Relações Públicas, que duas décadas depois foi adquirida pelo Grupo Ogilvy & Mather. A AAB foi o berço dos profissionais de RP mais reconhecidos do Brasil. Dentre eles, a bibliotecária Vera Giangrande, o advogado Carlos Eduardo Mestieri e os jornalistas An- tonio De Salvo, João Alberto Ianhez, dentre outros. Em 1979, José Carlos e Rolim inauguraram as AAB RS e Brasília das quais me tornei sócia. Convivi, de perto ou de longe, com estes mestres por quase duas décadas. Estudei seus casos, li seus livros e trabalhei com alguns deles. Embora suas formações de origem, todos se tornaram oficialmente re- lações públicas, pois foram beneficiados pelo provisionamento e se registraram no Sistema Conferp. E fizeram escola no Brasil. A escola do planejamento, das auditorias de opinião, das ações estratégicas, dos grandes eventos e das coali- zões e alianças corporativas. Esta escola, da qual me orgulho de ter pertencido com um grupo de profissionais da geração seguinte, como o jornalista Celso Barata, as RPs Sandra Martinelli, Gisela Heitzman, Elisa Prado, Suzel Figuei- redo e os publicitários Rogério Ruschell e Luiz Marcio Caldas Junior, dentre outros, era uma agência sem “firulas e ações múltiplas”. Ações 100% voltadas para a administração da comunicação, construção positiva da imagem e do re- lacionamento dos clientes -empresas e organizações – que atendíamos. TÓPICO 2 | ATIVIDADES DO PROFISSIONAL 183 O cenário, a partir desta década, evoluiu para uma descentralização da comunicação empresarial e, apenas para constatar, surgiram várias co- municações com seus segmentos táticos: Comunicação Interna, Publicitária, Política, de Marketing, Corporativa, Institucional, Pública etc. Os players buscaram se adaptar às mudanças provocadas pelo contexto histórico da regulamentação e desregulamentação das profissões; ao impacto social, político e econômico da globalização na sociedade brasileira; ao recuo do emprego na indústria da mídia que ocasionou uma dispensa em massa de jornalistas, e, finalmente, ao avanço inexorável da tecnologia que está atin- gindo a formação dos profissionais em todos os níveis. A comunicação vem sendo vista como um investimento imprescin- dível nas organizações. Sua demanda tem crescido muito no mercado. Prin- cipalmente a demanda pela visão de conjunto, visão própria do generalista ou da comunicação integrada. O conjunto de habilitações nos vários setores alcançados pela comunicação. A volta do comunicólogo, aquele profissio- nal “versado” em todas as habilitações da Comunicação Social e que sabe buscar o momento em que uma campanha publicitária institucional ou pro- mocional é importante, ou um trabalho de relações com a mídia ou comuni- cação interna é a prioridade. Ou ainda, quando todos juntos são necessários. Agora tenho notado movimentos de valorização das relações pú- blicas, principalmente pelos profissionais mais jovens, mas já com alguma bagagem e experiência. Isto quer dizer que estão amadurecendo num am- biente tão favorável quanto o nosso era. Isto quer dizer que estão entenden- do a profissão que praticam. E sua importância. Por isto, este é o momen- to apropriado para os profissionais das principais habilitações do campo da Comunicação Social apararem várias arestas, “sem firulas e múltiplas ações” e entenderem que o mercado deseja o profissional multidisciplinar, mais preparado para atender suas necessidades, independente desta ou da- quela habilitação ou especialidade de origem. Engenheiro, administrador de empresas, bibliotecária, jornalista, publicitário, advogado e relações pú- blicas já provaram que a demanda atual do mercado é a de um profissional estratégico e polivalente para gerenciar a comunicação das organizações. FONTE: ARANHA, L. O mercado demanda um profissional de comunicação polivalente. 2016. Disponível em: http://www.aberje.com.br/colunas/o-mercado-demanda-um- profissional-de-comunicacao-polivalente/. Acesso em: 6 dez. 2019. 184 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você aprendeu que: • O campo de trabalho de relações públicas é mais um entre tantos outros exis- tentes em nossa sociedade. • Há uma diferença entre as atividades de comunicação organizacional e rela- ções públicas, sendo que elas são complementares e interdependentes entre si. • As atividades de relações públicas existem em todas as organizações, mas nem sempre com essa nomenclatura. • A atividade de relações públicas é regulamentada por lei e exige formação es- pecífica na área para atuação no mercado. • As principais atividades desenvolvidas por um relações-públicas são o plane- jamento, implantação e gerenciamento das comunicações institucional, corpo- rativa, empresarial e organizacional. • O exercício legal da profissão exige que o bacharel de relações públicas solicite o seu registro profissional no Conrerp de sua região. • Existem duas modalidades de registro profissional para pessoas físicas: o regis- tro provisório e o registro definitivo. • O Conferp é a autarquia responsável pela regulamentação da atividade profis- sional de relações públicas seu objetivo é coordenar, fiscalizar e disciplinar o exercício profissional de relações públicas no Brasil. • Além das várias atividades, que podem ser sintetizadas em programação, rela- ções, redação e edição, informações, produção, eventos especiais, fala, pesquisa e avaliação, há ainda a possibilidade de lecionar na carreira acadêmica ou em- preender na área. • As novas tecnologias de informação e comunicação oferecem muitas oportuni- dades para as relações públicas através da segmentação dos públicos e uso das mídias para comunicação direta com eles. 185 AUTOATIVIDADE 1 (ENADE, 2009) O relacionamento com a mídia é uma das principais preo- cupações dos profissionais nas assessorias de comunicação, pois a mídia se tornou uma das maneiras mais eficazes para uma organização se colocar frente aos seus públicos e com eles interagir. As interações das organizações com a sociedade hoje em dia acontecem por meio dessas teias comunica- tivasdo que por meio do trabalho que essas organizações desenvolvem. Considerando-se essas informações, leia as afirmativas a seguir: I- O clipping é a prova cabal do trabalho de uma assessoria para informar ou influenciar a opinião pública e é o principal instrumento para medir o retorno de ações para avaliar a relação custo-benefício. II- A relação com a mídia, em uma situação de crise empresarial, torna-se tensa e perigosa, e os especialistas aconselham abordar o tema de forma geral, omitindo detalhes que poderão ser usados em outras notícias. III- A mídia corporativa está preocupada em ocupar a agenda midiática com o ponto de vista setorial, isto é, difundir a perspectiva do segmento a que pertence, de modo a interferir na moldagem da esfera pública. É CORRETO somente o que se afirma em: a) ( ) I e II. b) ( ) II e III. c) ( ) III. d) ( ) III e I. e) ( ) I. 2 Nem todas as habilitações em comunicação social são regulamentadas por lei, o que implica em dizer que em determinadas áreas não é necessário possuir formação específica para atuação profissional. No caso das rela- ções públicas, apesar de estarem presentes no cotidiano de qualquer orga- nização, nem sempre se atribui à atividade a nomenclatura certa. Porém, as relações públicas são atividades específicas e privativas dos profissionais formados na área e cuja principal diferença para as demais áreas da comu- nicação consiste em: a) ( ) Conhecimento técnico para obtenção de resultados sobre a opinião pública. b) ( ) Dinamismo, facilidade de relacionamento e noções de planejamento es- tratégico. c) ( ) Registro profissional no conselho regional da sua região para atuação profissional. d) ( ) Habilidade em redação e conhecimento de estratégias de negócios. e) ( ) Empreender para prestação de serviços ou compor departamentos de comunicação em grandes corporações. 186 3 São muitas as atividades desempenhadas em relações públicas para alcan- çar o objetivo de manter a compreensão mútua entre as organizações e seus públicos. A respeito das atividades a realizadas no cotidiano do profissio- nal, analise as afirmações a seguir. I- A redação e edição de mensagens caracteriza-se como parte essencial da atividade de relações públicas com a finalidade de transmitir informações aos diversos públicos da organização. II- A produção de conteúdo e monitoramento das mídias sociais devem ficar ao encargo de um profissional de publicidade e propaganda ou jornalis- mo, uma vez que essa função está relacionada à venda de produtos ou da imagem da instituição. III- O planejamento de programas e campanhas institucionais, tais como ações com os colaboradores e a comunidade, integram as atividades de relações públicas para formação da imagem e de uma atitude positiva à organização. É correto o que se afirma em: a) ( ) I e III, apenas. b) ( ) II e III, apenas. c) ( ) II, apenas. d) ( ) III, apenas. e) ( ) I, II e III. 4 (ENADE, 2009) A expectativa de uma organização no relacionamento com seus empregados é de uma relação baseada na dedicação, lealdade e com- prometimento. PORQUE O grau de dependência que uma organização tem com seus empregados não é essencial. Considerando essas afirmativas, é CORRETO afirmar que: a) ( ) A primeira é falsa e a segunda é verdadeira. b) ( ) As duas são falsas. c) ( ) A primeira é verdadeira e a segunda é falsa. d) ( ) As duas são verdadeiras e a segunda é uma justificativa correta da primeira. e) ( ) As duas são verdadeiras, mas a segunda não justifica a primeira. 187 TÓPICO 3 NOÇÕES GERAIS DA PRÁTICA EM RELAÇÕES PÚBLICAS UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Depois de concebermos o conceito, os objetivos e as funções das relações públicas e de identificarmos os campos de atuação e o perfil do profissional, pre- cisamos aprender algumas noções a respeito da prática das relações públicas. Por esse motivo começaremos o tópico com uma abordagem da atuação das relações públicas nas organizações e relacionaremos as etapas do processo de relações públicos. Aprenderemos a identificar os grupos de interesse para efetivar as ações. Na sequência, estudaremos as formas de se fazer um planejamento em relações públicas e estabelecer planos, projetos e programas de relações públicas. Encerraremos o tópico com uma visão dos veículos de comunicação e as formas de controle e avaliação de resultados. 2 FUNDAMENTOS DO PLANEJAMENTO DE RELAÇÕES PÚBLICAS Quando começamos um curso superior, logo queremos saber da parte prática para colocarmos a mão na massa. Mas por trás de toda prática existe uma teoria que embasa a ação, assim como toda ação embasa uma teoria. Agora que já conhecemos o básico das relações públicas, podemos apren- der os fundamentos do planejamento de relações públicas. Todos esses temas, é claro, serão objeto de estudo aprofundado e em teorias em disciplinas específicas no decorrer do curso. Para começar, portanto, precisamos entender a verdadeira função de rela- ções públicas para uma organização e sua diferença para o marketing. As relações públicas contribuem para as ações de marketing e, portanto, são ações distintas de marketing. De acordo com Kunsch (2003), as relações públicas trabalham a imagem institucional e corporativa das organizações. Como síntese das diferenças para o marketing Kunsch (2003, p. 95) lista as funções básicas de relações públicas: UNIDADE 3 | A PROFISSÃO E A PRÁTICA DE RELAÇÕES PÚBLICAS 188 • Identificam os públicos, suas reações, percepções e pensam em estratégias co- municacionais de relacionamentos de acordo com as demandas sociais e o am- biente organizacional. • Supervisionam e coordenam programas de comunicação com públicos – grupos de pessoas que se auto-organizam quando uma organização os afeta ou vice-versa. • Preveem e gerenciam conflitos e crises que porventura passam as organizações e podem despontar dentro de muitas categorias: empregados, consumidores, governos, sindicatos, grupos de pressão etc. Por outro lado, o marketing possui um caráter estratégico e administra- tivo que visa atingir o mercado e estimula a venda a partir da identificação das necessidades e desejos das pessoas. Sendo assim, Kunsch (2003, p. 95-96) entende que o marketing: • Baseia-se em modelos de competitividade para atingir objetivos econômicos. • Objetiva persuadir o público-alvo e satisfazer os clientes/consumidores. • Identifica e cria mercados para os produtos e serviços das organizações. • Coordena e supervisiona os programas de comunicação mercadológica ou de marketing para criar e manter os produtos e serviços. Feita essa distinção, Kunsch (2003) ressalta que as relações públicas cons- tituem um subsistema organizacional – para recordar reveja a Figura 1 da Unida- de 1. Sendo assim, elas não podem ser consideradas isoladamente. Além disso, as ações de relações públicas visam contribuir para agregar valor e ajudar as organizações a cumprirem sua missão e alcançar seus objetivos. Nessa linha de raciocínio, Kunsch (2003) entende que as relações públicas cum- prem as seguintes funções: • Função administrativa: refere-se à capacidade de manter as pessoas informa- das e estabelecer a cooperação entre a organização e seus públicos. • Função estratégica: diz respeito à capacidade de ajudar as organizações a se posicionarem perante a sociedade e demonstrarem sua razão de existir e abrir canais de comunicação entre a organização e os públicos. • Função mediadora: está relacionado à capacidade de as relações públicas via- bilizarem o diálogo entre a organização e seu universo de públicos através da comunicação. • Função política: compreende a capacidade de administrar os conflitos de po- der, as controvérsias, confrontações, crises e conflitos sociais que ocorrem no ambiente do qual as organizações fazem parte. Nessa perspectiva, as relações públicas são suporte às ações de recursos humanos, através da comunicação e de atividades de endomarketing, e também contribuem para o marketing na formação de uma imagem e reputação positivasda organização (KUNSCH, 2003). TÓPICO 3 | NOÇÕES GERAIS DA PRÁTICA 189 Na atualidade, as relações públicas cumprem também a função social de apresentar à sociedade os resultados da organização com o seu compromisso so- cial. Por compromisso social Kunsch (2003) entende como sendo diferente da fi- lantropia, como nos mostra o quadro seguinte. FONTE: Adaptado de Kunsch (2003) QUADRO 1 – DIFERENÇAS ENTRE FILANTROPIA E COMPROMISSO SOCIAL Filantropia Compromisso social Motivação humanitária Sentimento de responsabilidade Participação reativa Participação proativa Doador Ações integradas A ação é por opção pessoal do diri- gente Incorporada na cultura da empresa, a ação envolve todos os colaboradores Resultados: gratificação pessoal Resultados: preestabelecidos Sem preocupação em associar ima- gem da empresa e ação social Transparência na atuação e busca por multiplicar iniciativas Sem preocupação em relacionar-se com o Estado Complementa-se a ação do Estado, numa relação de parceria e controle Esse compromisso social das organizações revela-se através da respon- sabilidade social, definida como uma obrigação da parte da organização com a sociedade. Ou seja, é uma forma de organização retribuir à sociedade tudo aquilo de que desfrutam (KUNSCH, 2003). Um instrumento utilizado pelas relações públicas para demonstrar à so- ciedade o cumprimento da responsabilidade é chamado de balanço social. De acordo com Kunsch (2003), ele apresenta indicadores sociais e o montante de in- vestimentos em ações para benefício dos públicos. Como ferramenta de apoio à comunicação integrada, cujo tema aborda- mos ao final da Unidade 2, as relações públicas também devem estar alinhadas às demais ações estratégicas e táticas de comunicação. Assim, Kunsch (2003) destaca que as relações públicas podem ser usadas em ações de: • Comunicação administrativa: é aquela que ocorre dentro das organizações no âm- bito das funções administrativas, tais como ofícios, circulares, comunicados etc. • Comunicação interna: visa a informar o público interno sobre ações das organi- zações e perpassa todos os setores da organização para permitir seu pleno funcio- namento. Se dá através de jornais internos, painéis, mural de avisos, intranet etc. • Comunicação mercadológica: objetiva a divulgação publicitária de produtos e ser- viços oferecidos pela organização e está vinculada ao marketing. Ocorre por meio de press releases, eventos, endomarketing, comunicação corporativa, relações com a comunidade etc. • Comunicação institucional: é a responsável direta pela construção e formatação de uma imagem e identidade corporativas fortes e positivas de uma organização e ocorre de várias formas. UNIDADE 3 | A PROFISSÃO E A PRÁTICA DE RELAÇÕES PÚBLICAS 190 A figura seguinte demonstra como as relações públicas se integram em todas as modalidades da comunicação organizacional e interagem com todas as ferramentas e formas. FIGURA 5 – COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL INTEGRADA FONTE: Adaptado de Kunsch (2003) A implantação das ações de relações públicas requer o estabelecimento de um processo. Ou seja, é preciso estabelecer uma sequência contínua de ações e passos a serem cumpridos para que se alcance os objetivos de comunicação de- sejados. Nesse sentido, Gutierrez Fortes (2003, p. 40) nos diz: TÓPICO 3 | NOÇÕES GERAIS DA PRÁTICA 191 Isso significa que as Relações Públicas não podem ser deixadas ao aca- so. Não são atividades que acontecem por si sós, mas como decorrência de esforços deliberados, contínuos e estrategicamente insertos em con- textos amplos e relevantemente decisivos para os resultados conceitu- ais, para as políticas de responsabilidade social e de lucratividade do empreendimento. A natureza e o papel de Relações Públicas é alterar uma situação presente, talvez desfavorável, para um posicionamento futuro mais coeso com a direção dada ao objeto social que se pretende modificar. Com um processo, empregado metódica e sistematicamen- te, o profissional tem o instrumental necessário para efetivar diálogos duradouros com os diversos grupos de interessados na organização. É nesse sentido que as relações públicas atuam para cumprir com sua meta-fim de desenvolvimento da instituição, dos grupos sociais e da comunidade com a finalidade de estabelecer e manter a compreensão mútua entre a organi- zação e os públicos, complementa Gutierrez Fortes (2003) ao relacionar as ações com o conceito de RP. O processo de relações públicas proporciona uma sistemática de trabalho e compreende as seguintes etapas, relacionadas por Gutierrez Fortes (2003, p. 47): • 1ª fase – Determinação do grupo e sua identificação como público. • 2ª fase – Apreciação do comportamento do público. • 3ª fase – Levantamento das condições internas. • 4ª fase – Revisão e ajustamento da política administrativa. • 5ª fase – Amplo programa de informações. • 6ª fase – Controle e avaliação dos resultados. Para direcionar a efetividade das ações de relações públicas, Gutierrez Fortes (2003) entende que esse processo deve estar integrado ao desenvolvimento das funções básicas: pesquisa, assessoramento, coordenação, planejamento, exe- cução, controle e avaliação. Tudo isso inicia com um planejamento das ações de relações públicas. A importância do planejamento, as suas características e abrangência, serão estu- dados na sequência do tópico para que possamos visualizar como colocar em prática as relações públicas. 3 PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO DE UM PROGRAMA DE RELAÇÕES PÚBLICAS Por ser uma ferramenta de comunicação de caráter estratégico, as relações públicas exigem que suas ações sejam planejadas. Além de ser uma forma inte- ligente de começar algo, o planejamento estabelece o que deve ocorrer e em que momento, caracterizando o processo estudado na seção anterior do tópico. Para Kunsch (2003), o planejamento vai além do que fazer, de que modo e com que recursos. É uma atividade que exige conhecimentos, criatividade, análi- se conjunturais e ambientais, além de aplicativos instrumentais técnicos. UNIDADE 3 | A PROFISSÃO E A PRÁTICA DE RELAÇÕES PÚBLICAS 192 O planejamento costuma ser dividido em três categorias amplas: estraté- gico, tático e operacional. De acordo com Lattimore et al. (2011), os planos estra- tégicos são de longo prazo e geralmente feito em instâncias superiores da organi- zação e envolvem objetivos e políticas. Já os planos táticos incluem decisões específicas sobre o que será feito em cada nível da organização para concretizar os planos estratégicos (LATTIMORE et al., 2011). Além disso, Kunsch (2003) inclui os planos operacionais que corres- ponde à execução das ações. Esses níveis de planejamento e suas características são visualizados na figura a seguir. Com isso em mente, Lattimore et al. (2011) nos ensina que o planejamento é composto por elementos. Os elementos iniciais são as metas, estabelecidas com base no propósito, na missão, no objetivo e nas estratégias organizacionais. Como resultado do planejamento de relações públicas, surgem as cam- panhas formuladas para se alcançar os objetivos únicos. Quando são de objetivo único, esses planos táticos e operacionais são denominados por Lattimore et al. (2011) de planos de uso único. Quando os objetivos são constantes e determinam uma resposta padroni- zada, Lattimore et al. (2011) denominam os planos de relações permanente. Nesse caso, eles são compostos de políticas, procedimentos padrão e métodos e de re- gras, como podemos observar na figura a seguir. FIGURA 6 – NÍVEIS E CARACTERÍSTICAS DE PLANEJAMENTO FONTE: Adaptado de Kunsch (2003) TÓPICO 3 | NOÇÕES GERAIS DA PRÁTICA 193 FIGURA 7 – HIERARQUIA DOS PLANOS DE RELAÇÕES PÚBLICAS FONTE: Lattimore et al (2011, p. 125) Esses conceitos e procedimentos são aplicáveis às relações públicas a fim de que as organizações possam se posicionar perante a sociedade. Nesse sentido, Kunsch (2003, p. 245-246) estabelece quatro princípios a serem seguidos: • A organização deve ter consciência da