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CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIFACEAR CAMPUS ARAUCÁRIA BACHARELADO EM ENFERMAGEM ELISANDRA KELLEN DA SILVA PEDROSO JULIA ESTHEFANI NASCIMENTO DA LUZ SILVIA LETÍCIA ROMANETCH LEITE SEPSE NEONATAL ARAUCÁRIA 2022 ELISANDRA KELLEN DA SILVA PEDROSO JULIA ESTHEFANI NASCIMENTO DA LUZ SILVIA LETÍCIA ROMANETCH LEITE SEPSE NEONATAL Trabalho apresentado para obtenção de nota parcial na disciplina de Saúde da Mulher, Criança e Adolescente da graduação de Enfermagem, ofertado pela UNIFACEAR. PROFESSOR: MSC. MANUEL RÍOS RAMÍREZ ARAUCÁRIA 2022 1. INTRODUÇÃO Segundo Alves, a taxa de mortalidade infantil é um indicador de desenvolvimento social e qualidade de saúde de um país, segundo dados do IBGE cerca de 44% desta, diz respeito à morte no período neonatal de 0 a 27 dias de vida. As principais causas de morte neonatais, são decorrentes de complicações devido a parto prematuro (35%) e trabalho de parto (24%), bem como atribuídas à sepse (15%) (ANVISA,2010). A sepse é uma disfunção orgânica ocasionada devida um foco de infecção por um patógeno, podendo ser generalizada com risco de choque e óbito. (ALVES:et al;2018) Sendo assim se faz importante o conhecimento sobre a mesma, bem como métodos de prevenção e tratamento, buscando uma melhor assistência e evolução do quadro, contribuindo assim para um índice melhor na taxa de mortalidade infantil. 2. OBJETIVOS 2.1. OBJETIVO GERAL Estudar o que é sepse neonatal precoce e tardia, observando seus fatores de riscos maternos e neonatais, objetivando conhecimentos para um tratamento mais precoce possível com melhores resultados na assistência. 2.2. OBJETIVOS ESPECIFICOS Identificar os fatores de risco das gestantes e durante o trabalho de parto ate o nascimento do RN. Conhecer as manifestações clinica e alterações nos exames laboratoriais. Realizar um tratamento mais efetivo, de acordo com os protocolos institucionais. Orientar sobre a prevenção da sepse para as gestantes. 3. SEPSE NEONATAL 3.1.DEFINIÇÃO A sepse neonatal é um quadro clínico com alterações hemodinâmicas e alterações sistêmicas decorrentes de um patógeno em fluido estéril, sangue ou líquor no primeiro mês de vida. (BARSAM; 2021) Classificada em precoce quando os primeiros sinais aparecem em até 72 horas de vida, e ou tardia quando surgem após 72 horas de vida sendo mais recorrente em recém-nascidos de muito baixo peso que estão internados na UTI neonatal período ou ainda em RNPT’s tardios ou em termo que estejam em internação prolongada. (BARSAM; 2021) 3.2.CRITÉRIOS PARA DEFINIÇÃO DE SEPSE: SIRS: Síndrome da resposta inflamatória sistêmica: presença de 2 ou mais sintomas, sendo 1 deles alteração na temperatura ou nos leucócitos. (BARSAM;2021) RECÉM-NASCIDO TERMOS: ● Temperatura maior que 38,5°C, ou menor que 36°C; ● Taquicardia maior que 180 bpm ou bradicardia menor que 100 bpm; ● Taquipneia maior que 50 ipm na 1° semana ou maior que 40 ipm após a 1°semana; ● Leucocitose maior que 34.000 na 1° semana, ou maior que 19.500 após a 1° semana, ou ainda leucopenia, ou índice neutrofílico maior que 20% ou PCR aumentada. (BARSAM;2021) RECÉM-NASCIDO PRÉ-TERMO: ● Temperatura maior que 38,5°C, ou menor que 36°C; ● Taquicardia ou bradicardia; ● Taquipneia ou necessidade de ventilação pumonar mecanica; ● Leucocitose, leucopenia, índice neutrofílicomaior que 20% ou PCR aumentada. (BARSAM; 2021) SEPSE: Síndrome da resposta inflamatória sistêmica na presença de infecção suspeita ou confirmada. (BARSAM; 2021) CHOQUE SÉPTICO: Sepse com disfunção cardiovascular. (BARSAM; 2021) 4. PATOGÊNESE A disseminação transplacentária da infecção ocorre na transmissão de certos vírus, protozoários, treponemas e algumas bactérias, que podem alcançar o feto por via placentária, entretanto a maioria ocorre no momento do parto. (TESINI; 2020) O líquido amniótico contaminado por mecônio ou vérnix caseoso, promove o crescimento de estreptococos do grupo B e E.Coli, portanto alguns microorganismos na cavidade vaginal, são capazes de se proliferar rapidamente após RPM, estes alcançam a circulação do feto por aspiração ou deglutição do líquido amniótico contaminado, causando bacteremia. (TESINI; 2020) 5. FATORES DE RISCO Alguns fatores perinatais e obstétricos aumentam o risco, em especial da sepse neonatal precoce, são eles: ● Ruptura prematura das membranas (RPM), que ocorre entre 18h ou mais antes do parto; ● Corioamnionite materna, que se manifesta como febre materna, um pouco antes ou durante o parto com leucocitose materna, taquicardia, sensibilidade uterina e/ou líquido amniótico fétido; ● Colonização por Estreptococos do grupo B; ● Parto prematuro. (TESINI; 2020) Já no caso de sepse neonatal tardia os fatores mais importantes são: ● Parto prematuro; ● Uso prolongado de cateter intravascular; ● Doenças associadas; ● Exposição aos antibióticos; ● Hospitalização prolongada; ● Equipamentos ou soluções IV ou enterais contaminados. (TESINI; 2020) 6. QUADRO CLÍNICO Os sinais clínicos encontrados em caso de sepse neonatal incluem: ● Febre; ● hipotermia; ● Hipotonia e convulsões; ● Irritabilidade e letargia; ● Dificuldade respiratória; ● Palidez cutânea; ● Sintomas gastrintestinais; ● Ictérica idiopática; ● Sinais de sangramento; ● Taquicardia. (BARBOSA; 2022) 7. DIAGNÓSTICO Os RNS podem apresentar sinais e sintomas inespecíficos de infecção. Poucos podem ser esses sinais e sintomas, podendo variar de apneia isolada à taquicardia. Com isso, há a possibilidade de complicações, como insuficiência respiratória, choque, insuficiência renal e disfunção hepática (SHANE AL, et al., 2017). Para ser realizado um diagnostico precoce, são avaliados os fatores de risco maternos, neonatais e as manifestações clinica do RN com alterações em exames laboratoriais. O diagnóstico deve ser realizado a partir da coleta da hemocultura, mais muitas vezes esse exame demora alguns dias para sair o resultado, então médico solicita outros exames como hemograma, que para facilitar o diagnostico é usando o Escore de Rodwell, que com um escore ≥ 3 oferece sensibilidade de 96% e especificidade de 78%, e um escore de 0, 1 ou 2 fornece valor preditivo negativo de 99%, mais não se usa o só escore para o diagnostico, pois pode não ser diagnosticado todos os casos. A Proteína C reativa (PCR), exame para acompanhamento do quadro clinico, com melhora nos valores em 24 a 48 horas após inicio do tratamento, com hemocultura negativa pode finalizar o tratamento. A PCR é um excelente exame de monitorização da resposta ao tratamento e possíveis complicações decorrentes da falha medicamentosa (MEMAR MY, et al., 2017). A urocultura que na sepse precoce, deve ser coletado somente em RN com sintomas clínicos e com diagnostico de malformação no sistema urinário no pré- natal, esses exames devem ser realizada após 18 horas do parto ou conforme protocolo da instituição, pois antes dessas horas pode vir alterado devido ao estresse do parto. Em RNS intubados pode ser realizado aspiração traqueal logo após a intubação para coleta de cultura, após resultado de hemocultura se positivo e RN com sintomas, deve ser realizado coleta do Líquor, sendo a punção lombar que é o exame mais rápido para diagnostico de meningite, se caso não for possível de realizar coleta deve utilizar antibióticos com doses para tratamento de meningites. 8. TRATAMENTO O tratamento deve começar com antibióticos após coleta de culturas, na sepse precoce é utilizado Penicilina Cristalina ou Ampicilina e Gentamicina, na sepse tardia o antibiótico deve serde acordo com a flora bacteriana, no inicio do tratamento é usado Oxacilina e Amicacina, no caso de meningite pode ser substituído a Amicacina por Cefotaxina, mais indicado o tratamento de acordo com resultado de culturas. Pela inespecificidade clínica e demora de confirmação laboratorial por cultura, a terapia empírica é a mais comumente utilizada para o tratamento da sepse neonatal. Os tratamentos antimicrobianos empíricos propostos são baseados na distinção entre sepse precoce e tardia. Quando o resultado da cultura estiver disponível e o patógeno e sua sensibilidade forem relatados, deve-se adaptar imediatamente o antimicrobiano (GKENTZI D e DIMITRIOU G, 2019). O tempo de tratamento varia de acordo com o resultado da Hemocultura, se negativa são 7 a 10 dias de antibióticos, Hemocultura positiva de 10 a 14 dias e no caso de meningite 14 a 21 dias. 9. PREVENÇÃO Realização de pré-natal adequado; Profilaxia materna adequada no pré-natal, se exames alterado como ITU; Profilaxia materna com antibióticos em casos de TPP, Corioamnionite, RPM e GBS+; Higienização das mãos antes e depois de qualquer procedimento; Inicio imediato do aleitamento materno; Treinamento dos profissionais; Diminuir tempo de uso de procedimentos invasivos; Restrição de familiares em contato com o RN. 10. CONCLUSÃO O estudo deve como objetivo o conhecimento sobre sepse neonatal, a diferença entre a precoce e tardia, não sendo fácil realizar o diagnostico, necessitado de exames laboratoriais com resultados mais rápidos para mais cedo ocorre o tratamento. A sepse precoce é causado por fatores na gestação, durante o trabalho de parto e no momento do parto, que com a assistência adequada pode prevenir esses casos, a tardia é considerado depois de 48 horas pós parto que também pode ser prevenindo com a higienização corretadas das mãos, orientações aos pais e familiares, uso adequado de antibióticos. Que esses conhecimentos e métodos podem melhorar a assistência ao paciente e uma boa evolução no tratamento evitando complicações como as meningites, contribuindo assim para um índice melhor na taxa de mortalidade infantil. REFERÊNCIAS Alves,J. B.; et al. SEPSE NEONATAL: MORTALIDADE EM MUNÍCIPIO DO SUL DO BRASIL,2000 A 2013. Revista Paul. Pediatr.36 (02). 2018 Barbosa, J.S; et al. Biomarcadores não tradicionais de lesão renal aguda em recém-nascidos prematuros com sepse: diagnóstico precoce. Artigos de revisão. BRAZ. J. Nephrol. 44 (1). 2022 Barsam, F.J.B.G; et al. PROTOCOLO CLÍNICO: ABORDAGEM DA SEPSE NEONATAL TARDIA. Universidade Federal do Triângulo Mineiro Hospital das Clínicas. PRT.DMED.006. EBSERH. 2021 GKENTZI D, DIMITRIOU G. Antimicrobial Stewardship in the Neonatal Intensive Care Unit: An Update. Current Pediatric Reviews, 2019; 15(1):47-52. MEMAR MY, et al. Immunologic biomarkers for diagnostic of Early-Onset Neonatal Sepsis. The Journal of Maternal-Fetal and Neonatal Medicine, 2019; 32(1):143-153. Tesini, Brenda L. SEPSE NEONATAL. MD, University of Rochester School of Medicine and Dentistry. manual MDS. 2020 SHANE AL, et al. Neonatal sepsis. The Lancet, 2017; 390(10104): 1770-1780.