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Universidade de Brasília Faculdade de Educação Física Trabalho de Conclusão de Curso em Licenciatura ESPORTES DENTRO E FORA DA ESCOLA: UM ESTUDO SOBRE A MOTIVAÇÃO DOS PAIS RAISSA BATISTA LUAEMAR DE OLIVEIRA Brasília - DF Julho 2018 2 RAISSA BATISTA LUAEMAR DE OLIVEIRA ESPORTES DENTRO E FORA DA ESCOLA: UM ESTUDO SOBRE A MOTIVAÇÃO DOS PAIS Brasília - DF Julho 2018 Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial para obtenção do título de Licenciada em Educação Física pela Universidade De Brasília, sob orientação da Professora Dra. Rosana Amaro. 3 RAISSA BATISTA LUAEMAR DE OLIVEIRA ESPORTES DENTRO E FORA DA ESCOLA: UM ESTUDO SOBRE A MOTIVAÇÃO DOS PAIS Brasília, 04 / 07 / 2018 Banca Examinadora: _____________________________________________________________ Profa. Dra. Rosana Amaro (Orientadora) Faculdade de Educação Física - Universidade de Brasília _____________________________________________________________ Prof. Dr. Américo Pierangeli Costa (Membro) Faculdade de Educação Física - Universidade de Brasília ______________________________________________________________ Profa. Ma. Nelma De Toni Donadelli Zonta Melani (Membro suplente) Faculdade de Educação Física - Universidade de Brasília Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial para obtenção do título de Licenciada em Educação Física pela Universidade De Brasília, sob orientação da Professora Dra. Rosana Amaro. 4 RESUMO O presente estudo foi direcionado para a adesão das crianças no ambiente esportivo dentro ou fora da escola e os reais motivos que levaram os pais a buscarem o esporte para elas. Diante disso, o contexto do estudo envolveu o ambiente escolar, as percepções dos pais em relação á Educação Física e o esporte e a maneira que tudo isso influenciou em suas escolhas e motivações. A pesquisa objetivou compreender a motivação dos pais para matricularem e manterem os filhos em atividades esportivas dentro e fora da escola. Foi realizada uma pesquisa descritiva, de abordagem qualitativa com o foco principal nos pais dos alunos que frequentavam as Oficinas Esportivas da Universidade de Brasília. A amostra foi composta por 37 responsáveis, que responderam um questionário online elaborado pela autora do estudo. Com base nos resultados analisados, os pais compreendem a importância do esporte para o filho, percebendo os benefícios físicos, mentais e sociais que o mesmo pode proporcionar. É justamente esse conjunto de fatores que os motivam a buscarem o esporte fora da escola. Além disso, buscam o esporte fora da escola por não considerarem tão satisfatória a oferta da Educação Física Curricular, que mesmo gerando benefícios, estes não são suficientes, sob a percepção dos pais, para tantos ganhos como o esporte por fora é capaz de proporcionar. Palavras-chave: Motivação. Esporte. Escola. Educação Física. Pais. Crianças. 5 LISTA DE GRÁFICO GRÁFICO 1 - Representação gráfica das respostas obtidas em cada período de aplicação do questionário ...................................................................................................................................... 31 GRÁFICO 2 - Questões Bloco 1: Representação gráfica a respeito dos interesses e motivações para a prática esportiva ............................................................................................................................. 37 GRÁFICO 3 - Questões Bloco 2: Representação gráfica a respeito das percepções sobre o Esporte e a Educação Física Curricular ............................................................................................................ 42 GRÁFICO 4 - Questões Bloco 3: Representação gráfica a respeito das percepções dos pais/responsáveis em relação à prática esportiva de seu(s) filho(s) ................................................... 46 6 LISTA DE QUADRO QUADRO 1 - Representação numérica das questões fechadas do Bloco 1 ....................................... 34 QUADRO 2 - Comentários em relação à motivação pela busca do esporte dentro e/ou fora da escola para o(s) filho(s) ................................................................................................................................ 38 QUADRO 3 - Representação numérica das questões fechadas do Bloco 2 ....................................... 40 QUADRO 4 - Comentários em relação à educação física e o esporte praticado dentro ou fora da escola pelo(s) filho(s) ........................................................................................................................ 43 QUADRO 5 - Representação numérica das questões fechadas do bloco 3 ....................................... 44 QUADRO 6 - Comentários gerais em relação às consequências significativas que o esporte trouxe para o(s) filho(s) ................................................................................................................................ 47 7 LISTA DE FIGURAS FIGURA 1 - Esquema sobre Triangulação dos Instrumentos/Dados .................................................. 32 FIGURA 2 – Nuvem de categorização do conjunto de palavras encontradas nos três blocos das perguntas abertas ............................................................................................................................. 48 8 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................................ 9 1.1 MAPA DE PESQUISA ................................................................................................................ 12 2 REFERENCIAL TEÓRICO ........................................................................................................ 13 2.1 A CRIANÇA .......................................................................................................................... 13 2.2 O AMBIENTE ESCOLAR ......................................................................................................... 14 2.3 A EDUCAÇÃO FÍSICA CURRICULAR ......................................................................................... 14 2.4 O ESPORTE ......................................................................................................................... 18 2.5 A PRÁTICA ESPORTIVA E OS ASPECTOS MOTIVACIONAIS ........................................................... 21 2.6 A PSICOLOGIA ESPORTIVA, O ESPORTE E A EDUCAÇÃO FÍSICA .................................................. 22 3 MÉTODOS ................................................................................................................................ 26 3.1 OBJETIVOS DA PESQUISA ...................................................................................................... 26 3.1.1 OBJETIVO GERAL .................................................................................................................. 26 3.1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ....................................................................................................... 26 3.2 TIPOS DE PESQUISA .............................................................................................................. 26 3.3 SUJEITOS DA PESQUISA ......................................................................................................... 27 3.4 CENÁRIO DA PESQUISA.......................................................................................................... 27 3.5 INSTRUMENTOS DA PESQUISA ............................................................................................... 28 3.6 PROCEDIMENTO DA COLETADE DADOS ................................................................................... 28 3.6.1 ETAPAS DE ELABORAÇÃO E APLICAÇÃO DO QUESTIONÁRIO ........................................................ 29 3.6.2 ETAPAS DE APLICAÇÃO DO QUESTIONÁRIO............................................................................... 29 3.7 ANÁLISE DOS DADOS ............................................................................................................. 31 4 RESULTADOS ......................................................................................................................... 33 5 DISCUSSÃO ............................................................................................................................. 49 5.1 CARACTERÍSTICAS ESPORTIVAS E FATORES INFLUENCIADORES PARA A BUSCA DO ESPORTE ......... 49 5.2 A ESCOLA E A EDUCAÇÃO FÍSICA NO PROCESSO DE BUSCA PELO ESPORTE ................................ 52 5.3 COLABORAÇÃO DA PSICOLOGIA ESPORTIVA NO PROCESSO DE BUSCA DO ESPORTE PARA OS FILHOS................... ......................................................................................................................... 54 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................................... 56 7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................................... 61 8 APÊNDICES ............................................................................................................................. 67 9 1 INTRODUÇÃO O presente estudo foi direcionado para a adesão das crianças no ambiente esportivo dentro e/ou fora da escola e os reais motivos que levam os pais a buscarem esse esporte para elas durante esse período da infância. O estudo também teve um foco direcionado para as percepções dos responsáveis sobre aspectos esportivos, aspectos da Educação Física, do ambiente escolar, sobre o que eles compreendem a respeito de todo esse contexto que eles vivenciam diariamente e qual a influência que isso pode trazer para os motivarem a buscar o esporte dentro da escola ou fora dela para os seus filhos. Inicialmente, tratando do ambiente escolar, Barber (2001) afirma que a escola é um grande espaço de interação, socialização e é fundamental no processo de desenvolvimento, educação e formação das crianças e jovens. Com isso, o autor defende a necessidade de implementar atividades de caráter extracurricular, considerando que estas são de extrema importância para o desenvolvimento cognitivo, físico, social e emocional dos alunos. Dessa forma, as atividades extracurriculares podem melhorar o processo de desenvolvimento e formação dos alunos que as praticam. Ou seja, a atividade extracurricular no ambiente escolar pode ser ideal e colaborar para o processo de desenvolvimento total das crianças e adolescentes. A atividade física é importante em todas as fases da vida, desde a infância até as idades mais avançadas. Com isso, a promoção de atividade física entre esse público pode ser uma maneira eficaz de melhorar a saúde e a qualidade de vida. Portanto, a inclusão da prática constante de atividade física na vida das pessoas pode promover a saúde e, consequentemente, os ambientes que oferecem a atividade física também podem ser mais procurados. Mas, e qual é a relação das atividades extracurriculares com a escola e a atividade física? As atividades esportivas extracurriculares aumentam a prática de atividades físicas, e a escola, ambiente que também pode fornecer as práticas extracurriculares, pode separar a oferta do esporte específico da Educação Física Curricular, oferecendo assim as duas opções, uma complementando a outra (OCAMPO, 2009). Ou seja, no ambiente escolar pode haver a oferta do esporte em período contra turno de forma separada da Educação Física no turno regular, e, assim, acrescentar e melhorar o desenvolvimento dos alunos em diversos aspectos. Para entendermos melhor esse contexto, Carbinatto et al. (2010) explicam que as atividades extracurriculares nas escolas vêm crescendo progressivamente, principalmente, 10 devido aos interesses econômicos e familiares. Esses interesses podem estar relacionados também com o desejo de manter as crianças e os jovens inseridos, o maior tempo possível, num ambiente que favoreça o cultivo de valores educativos, morais e de cidadania. Ou seja, a escola é considerada um meio para conservar os alunos em um ambiente que favoreça o seu crescimento. Isto pode ser considerado um motivo para os pais buscarem o esporte dentro da escola. Mas, e qual pode ser considerado o motivo para os pais buscarem o esporte para o filho fora da escola? Espero responder a esse questionamento no decorrer deste estudo. Implantar programas esportivos na escola pode fazer parte da estratégia da Instituição de Ensino. O esporte, em toda a sua dimensão lúdica e de cultura corporal de movimento, é uma prática fundamental em todo o desenvolvimento infantil. Diante disso, o oferecimento do esporte na escola no período de contra turno pode ser uma boa alternativa para os pais pela praticidade. Também pode ser uma boa alternativa para os alunos pelo ambiente familiar com amigos e para a escola pela otimização do uso do espaço. Quando a escola une os interesses dos pais e dos alunos, aos seus objetivos estratégicos pedagógicos ou até mercadológicos, está indo ao caminho de resultados efetivos. Além disso, é importante ressaltar que dentro desse contexto o processo de socialização da criança e o seu desenvolvimento têm importantes significados e devem ser estudados e discutidos. Portanto, a escola, como ambiente coletivo, desenvolve um papel relevante na formação do indivíduo e a família também exerce um papel influenciador no desenvolvimento do indivíduo. Esses dois agentes dividem a formação da criança e participam do processo de construção da sua identidade. Ambas tratam do ser humano em seus aspectos individuais e relações sociais, e, por isso, também precisam ser estudadas e discutidas com o intuito de uma melhor compreensão de seus significados e influências na vida da criança dentro do esporte. Diante de todo o exposto, podemos começar a tentar compreender as reais razões que levam os pais desses alunos a procurarem o esporte tanto na escola quanto fora dela. Tentar compreender o indivíduo e as suas escolhas, o que pode levá-lo à motivação de ir em busca de algo. A importância da atividade física na vida de uma pessoa interfere em suas escolhas para com o filho? A Educação Física Curricular contribui para alguma escolha e/ou motivação dos pais para buscarem o esporte para os seus filhos? O que pode ser observado e analisado em relação às perspectivas e expectativas dos pais sobre o esporte e a Educação Física? De que forma a Psicologia Esportiva pode contribuir nesse contexto? 11 Essas foram algumas questões norteadoras da pesquisa, que ajudaram o processo de investigação do estudo para que tivéssemos, no decorrer da pesquisa, um melhor entendimento dentro desse âmbito que abrange o interesse e a motivação dos pais e as suas buscas pela prática esportiva para os filhos dentro ou fora da escola, juntamente com as suas percepções sobre o esporte e a Educação Física Curricular dos mesmos. Diante disso, a ideia central deste estudo foi tentar entender o indivíduo e suas motivações para a prática do esporte dentro e fora da escola. Estudar o ser humano em diferentes aspectos, juntamente com os seus interesses e motivações dentro desse contexto. Entender os significados do esporte e da Educação Física na vida dos pais e dos filhos e o que isso pode interferir na escolha e motivação para a busca do esporte dentro e fora da escola. 12 1.1 Mapa da Pesquisa Mapa da Pesquisa “Esportes dentro da escola: Um estudo sobre a motivação dos pais”Fonte: Elaborado pela autora Oliveira (2018) ESPORTES DENTRO E FORA DA ESCOLA: UM ESTUDO SOBRE A MOTIVAÇÃO DOS PAIS Problema Qual a motivação dos pais para matricular e manter os filhos em atividades esportivas dentro e fora da escola? Questões de pesquisa 1 Quais as motivações e expectativas dos pais em matricularem os filhos em esportes. 2 De que maneira a Psicologia Esportiva pode colaborar nas escolhas dos pais e desenvolvimentos dos filhos nas atividades esportivas. 3 O que pode ser identificado e explorado em relação ao esporte e a Educação Física Curricular dos filhos. Metodologia Pesquisa descritiva, de abordagem qualitativa. Instrumentos Questionário online elaborado pela autora do estudo. Referências Triviños (1987), Minayo (2001). Referencial Teórico Miranda (2009) e Balbinotti et al. (2011) apontam sobre a importância e influência que o esporte traz na vida das pessoas, levando em consideração pontos relacionados aos interesses dos pais no esporte para o filho. Filho (2007) e Osvaldo (2002) enfatizam sobre a prática esportiva na escola e o desenvolvimento dos alunos e Rubio (2000) destaca a influência da personalidade, dos fatores sociais e comportamentais nesse processo de desenvolvimento, direcionando o contexto para o ramo da Psicologia do Esporte. Objetivos Específicos 1. Identificar os interesses dos pais e alunos para a prática esportiva escolar. 2. Entender o indivíduo e suas motivações para a prática do esporte fora da escola. 3. Compreender as percepções dos pais sobre o esporte e a educação física curricular .s filhos. Objetivo Geral Compreender a motivação dos pais ao matricularem e manterem os filhos em atividades esportivas dentro e fora da escola. 13 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 A criança Nesta etapa, é importante abordamos todos os aspectos que envolvem e fazem parte do estudo. Inicialmente, trataremos sobre a criança e o seu processo de desenvolvimento. Inclusive, sobre o seu processo de desenvolvimento através do esporte. Pode-se dizer que um período fundamental de desenvolvimento físico, cognitivo, afetivo e social é o período da infância, onde as experiências ajudam na formação de características e aptidão que ajudarão em outros ciclos futuros (KREBS, 1998). No momento de iniciação no esporte, o lazer se torna fundamental fazendo com que a criança sinta prazer na atividade. Um ponto importante é que a motivação para que a criança pratique o esporte na infância pode ser resultado do lúdico existente no esporte, se tornando, portanto, um fator favorecedor. Carvalho (1987) enfatiza a importância de experiências esportivas nessa fase, buscando o prazer e, ao mesmo tempo, proporcionando aos envolvidos o significado de sua ação, de forma que favoreça a atitude ativa da criança em diversos processos. O autor afirma ainda que esses processos são capazes de desenvolver na criança a autonomia, espontaneidade e a criatividade, proporcionando o conhecimento do seu corpo, suas capacidades e necessidades. Também podemos destacar nas crianças a possibilidade de uma maior socialização através da iniciação esportiva coletiva. O ambiente social da prática é importante entre os agentes de socialização das crianças, como a estrutura, a família, os professores, enfim, agentes que afetam direta ou indiretamente na qualidade da experiência das crianças. Diante disso, diversos fatores são relevantes para o processo de desenvolvimento da criança, como o próprio estímulo que elas recebem de tudo e todos que estão no ambiente que freqüentam e que fazem parte de seu cotidiano, como a escola, o esporte, clubes, projetos, família, entre outros. Por isso, todo o contexto que engloba a criança se torna essencial em seu processo de desenvolvimento geral. 14 2.2 O ambiente escolar Paes (2005) afirma que as escolas têm objetivos comuns de oferecer oportunidades para o desenvolvimento individual dos alunos. Afirma ainda que os pais consideram benéfica a prática de esportes para a saúde e favorável ao rendimento escolar. Soler (2003) também diz que a escola pode proporcionar atividades extracurriculares e que estas podem ajudar no desenvolvimento dos alunos. Inclusive, algumas características da prática esportiva oferecida em período extracurricular na escola podem contribuir para o crescimento dos alunos, preparando-os para as adversidades que a vida impõe dentro ou fora da escola. A competitividade é um exemplo disso, é necessária em situações de convivências diárias, podendo ser iniciada já no ambiente escolar e em algumas práticas esportivas. Com isso, as atividades extracurriculares oferecidas pelas escolas podem ter caráter educacional e trazer benefícios para os envolvidos. Somado a isso, a escola é um ambiente de construção de conhecimentos diversos, inclusive, relacionado à promoção da saúde sob a perspectiva do desenvolvimento de um estilo de vida ativo. É um ambiente que podemos desenvolver a cultura corporal e o gosto por um estilo de vida ativo, cujos professores, pais e outros participantes deste cenário podem construir e definir estratégias de intervenção para todos os envolvidos Já no ramo esportivo, a escola se torna um ambiente promotor do desenvolvimento de habilidades motoras fundamentais, visto que ela pode ser um ambiente propagador de atividades motoras em todas as etapas de desenvolvimento da criança e do adolescente, ou seja, desde as séries Iniciais do Ensino Infantil e Fundamental até as séries do Ensino Médio. Portanto, a escola desempenha um papel fundamental como agente transformador capaz de agregar outros seguimentos sociais para aliar à promoção da saúde, como a família, a religião, religião, sistemas de saúde, entre outros. 2.3 A Educação Física Curricular A Educação Física Escolar é um componente curricular obrigatório nos níveis da Educação Básica. Ela é caracterizada pelo ensino de conceitos, atitudes, valores, e conhecimento do movimento humano em diversas dimensões como biodinâmica, comportamental e sociocultural. Tais dimensões fundamentam a Educação Física na 15 perspectiva do movimento, inclusão, qualidade de vida, saúde, educação, diversidade, entre outras coisas. É uma disciplina ligada a o movimento humano, à aptidão física e à saúde, desenvolvendo a competência física da criança de modo que elas possam se movimentar de forma segura e eficaz. Dessa forma, ela se torna essencial para o pleno desenvolvimento da criança. Somado a isso, ela também se torna essencial para a participação, por toda a vida, na atividade física. Portanto, a Educação Física no ambiente escolar tem fundamental importância na vida dos alunos, principalmente pela escola ser um local educativo com capacidade de influenciar os alunos em diversos sentidos, como em hábitos e atitudes, cooperação, tolerância, solidariedade, inclusão, respeito, entre outras coisas que são essenciais à formação de um aluno. Estes aspectos podem ser ensinados através de uma Educação Física bem orientada e comprometida com a comunidade escolar. Segundo o documento norteador da proposta curricular da Educação Física Escolar, PCN - Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 2001), a Educação Física é uma área de conhecimento que integra o aluno na cultura sobre o movimento humano, considerando a formação do cidadão que a produz, a reproduz e a transforma preparando-o para desfrutar dos jogos, esportes, danças, lutas e ginásticas, com a intenção da melhoria da qualidade de vida e em benefício do exercício crítico da cidadania. A Educação Física é considerada singular, sendo a única promotora das várias linguagens do movimento humano e da saúde através do ensino de estilo de vida saudável em conjunto com o desenvolvimento dos aspectos motores, cognitivos, afetivose sociais. Além de refletir a cultura social em que está inserida, por meio dos hábitos, valores e práticas que são representadas socialmente através das atividades físicas e esportivas. Como componente curricular, a Educação Física contribui para a formação dos alunos do entendimento de conhecimentos da aprendizagem de competências motoras e o hábito da prática regular de atividades físicas, integrando conhecimentos gerais sobre temáticas sociais, políticas, econômicas, tecnológicas e ambientais por meio da aprendizagem. Porém, a Educação Física como disciplina curricular deve procurar aproximar-se das recomendações para a prática das atividades físicas, onde as crianças, adolescentes e jovens devem praticar ao menos 60 minutos de atividade física por dia com uma intensidade de moderada à vigorosa (MARQUES, 2010). É muito importante a aproximação da carga horária da Educação Física 16 com essas recomendações, pois diversos jovens não conseguem praticar atividade física de forma suficiente para beneficiar a saúde em sua totalidade, e, com isso, a escola se torna o único espaço de práticas para essas atividades (HALLAL et al., 2012). Portanto, a prática de atividade física, mesmo que contraturno, deve ser sempre potencializada e orientada por profissionais de Educação Física. Estudos têm mostrado que para além de todos os benefícios à saúde física e mental a prática regular de atividade física tem efeitos positivos na cognição, concentração e desempenho escolar, contribuindo também na memória e nas funções cerebrais (CHADDOCK et al, 2012; EVELANDSAYERS et al, 2009). Com isso, o tempo de aulas de Educação Física pode potencializar o desenvolvimento cognitivo e o escolar dos alunos (CARLSON et al, 2008; RASBERRY et al, 2011). Tratando das diversas características e habilidades que ela é capaz de proporcionar, podemos dizer que ela colabora para o conhecimento sobre o movimento corporal, desenvolvendo competências e habilidades motoras que permitirão que o indivíduo obtenha a capacidade de autonomia para escolher e organizar a própria atividade física. Além disso, ela também estimula hábitos para um estilo de vida ativo e saudável, a participação efetiva da família, a integração social, promove a formação da cultura esportiva e de lazer, a cultura da paz e respeito, reflete sobre valores e princípios, estimula o raciocínio, a vivência de conflitos, enfim, diversos hábitos, conceitos, atitudes e valores que irão ajudar no processo de desenvolvimento do indivíduo. Somado a isso, a partir do processo de ensino-aprendizagem e ao acesso à educação formal o aluno inicia o processo de inter-relação dos valores e princípios apresentados pelo professor na escola e na família. São essas vivências que irão auxiliar e estruturar a formação do aluno, individual e coletivamente. Nesse contexto e com funções favoráveis para a formação de hábitos saudáveis, a Educação Física vem assumindo um papel de suma importância e de grande impacto na população infanto-juvenil, cujo apresenta índices altos de doenças. Ela vem possibilitando ainda o desenvolvimento do raciocínio, memória, criatividade, habilidades de conviver, conhecer e fazer, domínio corporal, promovendo concentração, expressão, equilíbrio corporal, estimulando capacidades cognitivas, reeducando a postura, monitorando a obesidade, a frequência cardíaca, preparando o aluno para a vitória e derrota, estimulando autonomia, melhorando a autoestima, colaborando com a inclusão, integração entre toda a comunidade escolar, cooperação, enfim, ela transcende as atividades corporais e desenvolve diversas 17 competências associadas às dimensões social, cultural, afetiva, cognitiva, psicomotora e biológica. Valentini e Toigo (2010) afirmam que as habilidades motoras são essenciais para o desenvolvimento infantil e algumas conseqüências negativas têm sido provocadas pelo atraso nos desenvolvimentos dessas habilidades, como o aumento do sobrepeso e da obesidade infantil. Sendo assim, se faz necessário que os gestores educacionais assegurem as condições de ofertas da Educação Física Escolar de forma a atender às necessidades integrais dos alunos através do desenvolvimento de competências nas variadas dimensões do ser humano (MORIN, 2000). A Educação Física escolar é o principal componente curricular que aborda a promoção da saúde sob a perspectiva do desenvolvimento de um estilo de vida ativo, incentivando os alunos a prática de atividades físicas, analisando e refletindo sobre o corpo, seus significado e os movimentos, a fim de conhecer seus limites e possibilidades. É capaz também de promover experiências no desenvolvimento de habilidades, atitudes e hábitos auxiliadores a um estilo de vida fisicamente ativo e redução de várias doenças crônicas degenerativas, como a obesidade, hipertensão, diabete, entre outras. Portanto, a Educação Física se torna um importante componente curricular para o desenvolvimento do ser humano em seus diversos patamares e cabe à ela disseminar os seus diversos conteúdos, como relacionar aspectos do esporte com os jogos e compreender as suas relações no âmbito escolar ou fora dela; compreender as diferenças existentes entre o esporte de rendimento, de lazer e promotor da saúde; entre outros. Ainda tratando da Educação Física, podemos dizer que ela é capaz de proporcionar um maior número de experiências motoras e psicossociais às crianças (BATISTELLA, 2001), contribuindo para desenvolvimento da capacidade de percepção e abstração do real, estimulando estruturas mentais na formação do raciocínio para o aluno poder pensar com clareza, desenvolver sua criatividade e raciocínio lógico, estimular sua concentração, desenvolver a comunicação e expressão, potencializar habilidades específicas, desenvolver a autoestima, a autoconfiança e o companheirismo, entre outras coisas. E, tudo isso, para melhorar também o desempenho escolar. A Educação Física escolar é responsável pelo desenvolvimento motor das crianças, porém o desenvolvimento cognitivo, afetivo e motor estão relacionados entre si, e, assim, entendendo o desenvolvimento motor da criança, podemos compreender também todo o seu 18 progresso desde o nascimento até a vida adulta (GALLAHUE, 2005). Essa grande área pode contribuir elevando os níveis de atividade física dos jovens promovendo a melhoria do estado de saúde até a vida adulta, podendo, inclusive, produzir mudanças comportamentais (CORBIN, 2002; SILVERMAN, 2005). Ela compartilha ainda conhecimentos e proporciona desenvolvimento de valores e princípios e contribui para a promoção da cultura do movimento. Diante disso, a participação em programas da Educação Física escolar contribui para o desenvolvimento da autoestima em crianças (GRUBER, 1986). Em relação ao professor de Educação Física, ele tem uma proximidade direta com o aluno, exercendo o papel de educador e agente renovador e transformador da comunidade que está inserido (MEDINA, 1990). A criança, portanto, irá se desenvolver a partir da construção feita através das experiências vividas. Ainda sobre o professor de Educação Física, bem como o treinador, ambos devem identificar os estilos, motivos e as habilidades de seus alunos. E, a partir disso, estimular e fortalecer os aspectos positivos de cada um para uma melhor condição física, desempenho ou outras utilidades e benefícios. Lembrando que a participação regular em exercícios físicos pode ser sugerida para fins psicológicos e fisiológicos. Alguns benefícios psicológicos são a redução da ansiedade e o bem-estar psicológico. Finalizando essa dimensão do nosso estudo, a Educação Física como atividade educativa deve levar em consideração a formação da personalidade do aluno. Deve ainda levar em consideração o desenvolvimento pessoal e a questão social. Tudo isso, trabalhando de forma integrada com o corpo e com o movimento humano. E,a partir disso, essa disciplina curricular pode ser o grande centro de promoção e motivação da prática dos esportes para o resto da vida de cada indivíduo. 2.4 O esporte O esporte é um fenômeno de grande influência na sociedade. Pode ser grande formador de atletas, promove a melhoria da saúde física e mental, entre outras características. O esporte é um grande fenômeno social que está a cada dia se expandindo mais e mais pelo mundo em suas variadas dimensões, buscando atender tanto a performance, quanto a educação e o lazer. Ele tem, portanto, um caráter transformador, sendo capaz de produzir satisfação e prazer na sociedade. 19 Podemos encontrar alguns ramos do esporte, entre eles está o esporte recreativo ou esporte-participação, que tem como finalidade o bem-estar dos seus participantes (TUBINO, 2001a). O autor ainda acredita que esse tipo de esporte está ligado ao chamado esporte popular, ligado ao tempo livre e lazer, sendo praticado por diversão, descontração e relacionamento social e pessoal. Outro ramo do esporte é o esporte educativo, cujo busca desenvolver e potencializar os valores da criança, fazendo parte de uma atividade cultural que possibilita a formação através do esporte, respeitando os estágios de desenvolvimento humano (SÁNCHEZ, 1999). O autor considera que o professor de Educação Física pode otimizar a função educativa desse ramo do esporte, fazendo uso de programas e métodos capazes de atingir os objetivos planejados. Tubino (2001b) considera que esse tipo de esporte é um caminho para o desenvolvimento pleno da cidadania no futuro das pessoas. O terceiro ramo do esporte é o chamado de esporte competitivo ou de rendimento, cuja prática tem por finalidade alcançar a vitória, fazendo que essa dimensão tenha um grande impacto social visto que é um ramo que envolve investimento financeiro e organizações complexas (TUBINO, 2001c). O autor afirma ainda que no esporte escolar são realizadas competições que reproduzem esse tipo de esporte em suas características totais. O esporte, portanto, não é por si só saudável ou educativo, ele é aquilo que se fizer dele (KORSAKAS, 2002). Contudo, o esporte proporciona um grande contexto educativo, servindo de instrumento para o desenvolvimento de atitudes necessárias para o convívio social da criança. O autor afirma ainda que a prática permanece ligada a concepção sobre educação e esporte que o adulto tem sobre a criança. O esporte no ambiente escolar está vinculado com a integração social, desenvolvimento psicomotor e atividades educativas, onde a escola se torna um ambiente educativo e orientador de preparação para o convívio em sociedade e para a prática formal de esportes e atividades físicas. O esporte traz consequências significativas para a vida das crianças, seus amigos, família e comunidade (COLEMAN, 1985). Para a maioria delas, a participação é por volta dos 12 anos e o período até essa idade tem importantes consequências em sua autoestima e desenvolvimento social. Diante disso, a experiência esportiva que as crianças têm nessa fase pode ter efeitos sobre a personalidade e o desenvolvimento psicológico delas por toda a vida. 20 Algumas pesquisas realizadas apontam que a maioria das crianças participa de esportes para divertir-se e algumas outras razões para a participação em esportes é fazer coisas na qual elas são boas, ficar em forma, melhorar suas habilidades, fazer novas amizades, estar com seus amigos, competir, entre outras coisas (GOULD & HORN, 1984). Através do esporte conseguimos realizar, portanto, atividade física. Essa, por sua vez, diminui os níveis de estresse dos indivíduos e de seu cotidiano, além disso, fortalece amizades, aumenta a autoestima, desenvolve o crescimento pessoal (BALBINOTTI et al., 2011). A atividade física é capaz de influenciar o comportamento de crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos de diversas maneiras. Às vezes, os indivíduos se espelham em seus ídolos, criam e modificam padrões e comportamentos através do estilo e esporte de seu respectivo ídolo. Ou seja, comportamentos podem ser modificados e moldados a todo instante (MIRANDA, 2009). É importante destacar que também podemos desenvolver através do esporte processos que contribuem para o convívio social dos jovens, como por exemplo, através das regras que devem ser obedecidas. Diante desse processo, pode haver uma internalização que se o jovem for capaz de generalizar para outras situações, contribuirá para o seu convívio social. Ainda sobre a prática esportiva podemos dizer que ela também leva o jovem a conhecer-se melhor. Ao desenvolvê-la, ele estará confrontando-se com seus limites, aprendendo a lidar com fracassos, e ainda afirma as suas potencialidades. E nesse sentido, o esporte também contribui para o desenvolvimento da autoestima e da autoeficácia do aluno. Ou seja, por meio do esporte pode ser desenvolvidas habilidades da psicologia que ajudam o jovem no processo de amadurecimento, convívio social, enfim, em seu desenvolvimento integral. Nas crianças, o ambiente esportivo pode desenvolver algumas competências como a cooperação, disciplina, liderança, autoconfiança, competitividade, entre outros (STRYER, TOFLER & LAPCHICK, 1998). Esses autores afirmam ainda que a prática de esportes pode auxiliar no desenvolvimento da autoestima positiva, do autoconceito, do humor, da depressão, saúde mental, raciocínio e memória, mantendo, dessa forma, o nosso corpo saudável e a nossa mente e psicológico também. As crianças e adolescentes participam das atividades esportivas por diversos fatores, entre eles o aprendizado de novas habilidades; diversão; desejo de pertencer a um grupo ou formar amizades; emoções e excitação, entre outros. Estudos indicam que, de cada dez crianças que iniciam uma temporada esportiva, de três a quatro desistem no período de um 21 ano, e os principais fatores que levam a essa desistência são a falha em aprender novas habilidades; falta de diversão; falha em pertencer a um grupo ou formar amizades; falta de emoções e de excitação; fracasso, entre outros (WEINBERG; GOULD, 2008). Vale ressaltar ainda que desde a infância, a atividade física regular contribui para a melhoria da densidade óssea, resistência muscular, capacidade aeróbia, saúde cardiovascular e mental (STRONG et al, 2005). Ou seja, para as crianças e jovens é importante o desenvolvimento de habilidades psicomotoras e a atividade física é essencial para a aquisição da mesma, além de proporcionar o desenvolvimento intelectual e, assim, favorecer um melhor desenvolvimento escolar e convívio social. Ou seja, a sua prática pode melhorar significativamente a qualidade de vida em diversos aspectos já citados, e, inclusive, no convívio no ambiente de trabalho e familiar. 2.5 A prática esportiva e os aspectos motivacionais Inúmeros benefícios físicos e psicológicos estão associados à prática esportiva, como o bem-estar (BIDDLE, 2000), menor ansiedade (TAYLOR, 1998) e maior autoestima (FOZ, 2000; MILLER E LEVY, 1996). Diante disso, pode-se afirmar que a atividade física e o esporte causam um efeito positivo no âmbito psicológico para o bem-estar das crianças e adolescentes. Ter em mente os motivos que levaram a criança a iniciar a prática esportiva é relevante para traçar estratégias visando a permanência e continuidade no esporte. Assim, a família se torna essencial nesse processo visto que, muitas vezes, compete a ela a decisão e auxílio sobre a entrada e permanência do filho no esporte. Diante disso, a família também fica responsável de iniciar as aprendizagens e hábitos saudáveis na valorização de diversos costumes desde a alimentação até a prática de exercícios físicos (MARQUES, 2000). Porém, mesmo com esse grande papel incentivador, a prática esportiva é o resultado de um conjunto de fatores, onde a família não deve ser uma influência determinantee sim uma influência facilitadora. O autor acredita ainda que os pais também procuram o esporte buscando o alto rendimento para alcançar a melhora econômica e social, na expectativa do bom desempenho da criança. A determinação dos pais é o fator mais importante no momento da prática esportiva da criança (BELLÓ, 1999). O autor enfatiza que a modalidade esportiva escolhida depende de várias condições, entre elas o horário, as instalações, possibilidades econômicas, gostos, moda 22 atual, mídia, amizades, e, nem sempre, no momento de decisão, o desejo e o gosto da criança são considerados. Outros pais buscam o esporte visando uma forma de educação, onde a criança poderá exercitar o físico e a mente. Alguns autores acreditam que os pais têm expectativas e necessidades diferentes sobre o motivo de buscar o esporte para a criança. As crianças relatam como motivos para iniciar a prática esportiva a alegria, a aprendizagem de habilidades diversas, conquista de novas amizades, sensações boas e obtenção de forma física. Já a permanência na mesma envolve razões como a necessidade de diversão, gosto pelo esporte e capacidade de interação social. Marques e Kuroda (2000) acreditam que os pais são grandes influenciadores na opção de escolha do esporte para os filhos por motivos educacionais, saúde e ascensão social. Há ainda casos que a criança precisa do exercício físico para algum tratamento e prevenção ou até mesmo porque o responsável o considera saudável para a vida do filho em sua totalidade (PERSONNE, 2001). Ainda sobre a busca pelo esporte, Becker (2000) afirma que essa busca ocorre para preencher o tempo livre da criança, onde os pais colocam seus filhos porque não tem outros locais para deixá-los, fazendo deste local um “depósito de criança”. Ou seja, temos vários posicionamentos a respeito da relação da família com a busca pelo esporte para os filhos. 2.6 A Psicologia Esportiva, o Esporte e a Educação Física A psicologia pode ser definida como “ciência que estuda o comportamento e os processos mentais” e pode significar o “estudo da mente ou da alma” (DAVIDOFF, 2001). Pisani (1989) diz que a maioria dos psicólogos nos tempos atuais concorda em adotar o significado da “ciência do comportamento” para a psicologia. Portanto, a psicologia estuda o comportamento humano e seus processos mentais, e, assim, estuda o que motiva e sustenta o ser humano em seus diversos processos mentais como a emoção, a aprendizagem, a inteligência, a sensação, entre outras. Dentro da ciência em do comportamento temos a psicologia esportiva, que estuda as causas e efeitos dos fenômenos psíquicos desenvolvidos no ser humano antes, no decorrer e após as atividades esportivas (THOMAS, 1983). Diante disso, o educador físico e o psicólogo têm uma relação em comum com o trabalho deles que objetiva na autocompreensão do 23 aluno/atleta como ser no mundo. Ou seja, a importância de ambas as áreas vai além do aspecto físico, abrangendo, portanto, o ser humano em sua totalidade de corpo, mente e mundo. Como profissional consciente, o Educador Físico saberá a necessidade da aplicação da psicologia nas diversas ramificações desta ciência, cujo é interligada com as demais ciências afins. O professor também assume um papel de formador de personalidade de seus alunos no processo de ensino-aprendizagem, sendo o mediador na formação intelectual, afetiva e social dos alunos, e, proporcionando também, a inter-relação de encontro e confronto entre o aluno e o ambiente que ele se encontra (RUBIO, 2001). Rebustini e Machado (2012) apontam que, com isso, a personalidade pode ser baseada e formada no processo relacional que também podem se formar nas relações dentro da escola e em outros ambientes de convívio. Ou seja, a Psicologia no âmbito escolar também pode contribuir para desenvolver e melhorar as relações de professores, alunos, pais e todos que fazem parte desse convívio diário. Dessa forma, a Psicologia envolve os processos educativos e contribui em todo o contexto educacional, proporcionando reflexão e preparando estratégias que podem ajudar nas dificuldades enfrentadas. A Psicologia pode ajudar, através do esporte, no desenvolvimento do indivíduo, e em toda a sua preparação psicológica, que está presente na progressão das habilidades psíquicas e da personalidade com o aperfeiçoamento da vontade, do auto-equilíbrio, auto- aperfeiçoamento e da auto-educação. Com isso, todo esse trabalho psicológico pode ter atuação em reabilitação esportiva, prevenção de lesões e pode ser divido também em áreas educacionais, de intervenção e de pesquisa (BRANDÃO, 2000). Weinberg e Gould (2008), dizem que uma das áreas de atuação mais importantes da psicologia do esporte é o esporte infanto-juvenil. O maior grupo da população de praticantes esportivos é composto por jovens e crianças. É nessa faixa etária que o envolvimento com o exercício e o esporte se inicia, desde as aulas e educação física na escola até as atividades esportivas extraescolares. Passando também pelas escolinhas de iniciação esportiva, jogos recreativos e participação em equipes de competição. Os estudos científicos do comportamento humano, dentro do contexto esportivo e de exercício e nos ambientes de atividade física, consistem na psicologia do exercício e do esporte (GILL; WILLIAMS, 2008). O tipo de comportamento de cada um depende dos 24 significados atribuídos pelo indivíduo e os fatores que são considerados em peso para a formação desses significados são a qualidade e a intensidade das necessidades pessoais. Aprofundando, portanto, o ramo da Psicologia do Esporte, Rubio (2000) afirma que esta pode ser subdividida em três áreas de especialização: aprendizagem e controle motor, desenvolvimento motor e Psicologia do Esporte. Aprendizagem e controle motor estão ligadas aos processos de cognição e percepção, envolvendo o desempenho e a psicologia experimental da aprendizagem do comportamento; O desenvolvimento motor estabelece os vínculos entre a Psicologia do desenvolvimento e sua relação com o esporte e o desempenho motor; A Psicologia do Esporte destaca o comportamento social no esporte e na atividade física; ou seja, a influência da personalidade, dos fatores sociais e das diferenças individuais do comportamento no contexto esportivo, alcançando ainda, a educação e o treinamento em suas especificidades. Além disso, algumas necessidades nas personalidades são universais, como a auto expressão (o indivíduo tem a possibilidade de se expressar e o ambiente torna-se significativo para ele), a auto realização (o indivíduo que atinge seus objetivos preestabelecidos, com o máximo de rendimento e o mínimo de investimento de energia), a necessidade pessoal de trabalhar direito (fazer bem as coisas que são consideradas mais importantes), necessidade gregária e necessidade social (espírito de equipe, em relação ao grupo que cada indivíduo se identifica, considerado importante) e a afetividade (valor humano que apresenta diversas dimensões, como amor, respeito, apoio, gratidão, atribuindo significados aos eventos, coisas e pessoas) (MESSIAS, 1997). Ainda sobre essa grande área e tratando-se particularmente dos motivos, pode-se dizer que ele é um fator interno que integra o comportamento humano (WEINBERG & GOULD, 1995). Os autores afirmam ainda que diversos fatores motivam os indivíduos em seu cotidiano e cada motivo depende da percepção do mundo de cada sujeito. Por um lado a motivação depende da personalidade e experiências de cada um, por outro lado depende dos incentivos de um determinado momento, como exemplo os fatores ambientais. Portanto, motivo é um estímulo (interno ou externo) que leva o indivíduo à ação. Diante disso, a personalidade, as necessidades e os valores de cada indivíduo podem determinar a intensidade do motivo e ponto de controle do comportamento humano é o conhecimentoda motivação. Há a predominância de alguns motivos sobre outro, cujo também direciona o comportamento 25 humano. Simplificando, o motivo direciona e completa o comportamento do ser humano, que pode ser motivado por vários fatores. Ainda sobre a motivação, podemos citar a motivação intrínseca, dirigida pelo próprio interesse do ser, e a motivação extrínseca, que não é considerada resultado do próprio interesse, e sim por fatores externos. A motivação é, portanto, um processo constituído por três etapas que levam em consideração as bases biológicas, aspectos sociais e experiência pessoal (VILLWOCK & VALENTINI, 2007). Retomando sobre o foco dos estudos da psicologia do exercício e do esporte, estes envolvem, portanto, as diferentes dimensões psicológicas da conduta humana, que são: afetiva, cognitiva, motivadora ou sensório-motora (BECKER, 2000). As pesquisas sobre os benefícios psicológicos da atividade física apontam que as pessoas que se exercitam regularmente tendem a ter mais humor, maior autoestima e melhor percepção de sua imagem corporal. E, com base em todas essas informações e a partir de todos os conceitos abordados até o momento, investigaremos os motivos das escolhas dos indivíduos dentro do contexto em estudo. 26 3 MÉTODOS É importante que todos os processos da pesquisa estejam bem organizados para que se tenha êxito em todas as etapas. Dessa forma, salientaremos aqui todos os procedimentos e caminhos utilizados para se realizar este estudo, para se chegar ao fim proposto pela pesquisa. Os problemas de pesquisa deste estudo estão relacionados à motivação dos pais para matricular e manter os filhos em atividades esportivas dentro ou fora da escola. Quais as motivações e expectativas dos pais em matricularem os filhos em esportes? De que maneira a Psicologia Esportiva pode colaborar nas escolhas dos pais e desenvolvimentos dos filhos nas atividades esportivas? O que pode ser identificado e explorado em relação ao esporte e a educação física curricular dos filhos? Esperamos que a pesquisa contribua a cerca desses questionamentos, trazendo conhecimentos para essa grande área. 3.1 Objetivos da pesquisa 3.1.1 Objetivo Geral Este estudo tem como objetivo geral compreender a motivação dos pais para matricularem e manterem os filhos em atividades esportivas dentro e fora da escola. 3.1.2 Objetivos Específicos A pesquisa tem como objetivos específicos, 1. Identificar os interesses dos pais e alunos para a prática esportiva escolar; 2. Entender o indivíduo e suas motivações para a prática do esporte fora da escola; 3. Compreender as percepções dos pais sobre o esporte e a educação física curricular. 3.2 Tipo de pesquisa Foi realizada uma pesquisa descritiva, de abordagem qualitativa. Triviños (1987) afirma que a pesquisa de caráter descritivo tem o intuito de exigir do pesquisador informações do que se deseja pesquisar, descrevendo os fatos e os fenômenos de determinada realidade. Em outras palavras, este tipo de pesquisa é fundamentada em estudo, análise, registro e interpretação dos fatos de uma realidade sem a interferência do pesquisador. 27 A pesquisa qualitativa tem como princípio a compreensão de algum fenômeno social, buscando explicar e compreender o motivo das coisas e das relações sociais, sem quantificar os valores. Este tipo de pesquisa trabalha com o universo de significados, motivos, valores, crenças e atitudes, com um aprofundamento das relações e seus fenômenos e está fortemente presente em áreas como a Psicologia e a Educação (MINAYO, 2001). Entre as suas diversas características estão a objetivação do fenômeno; as ações de descrever, compreender, explicar; caráter interativo dos objetivos dos pesquisadores; seus dados empíricos; grandes observâncias de aspectos diferentes; entre outros. 3.3 Sujeitos da pesquisa A pesquisa teve como foco principal os pais dos alunos que freqüentavam as Oficinas Esportivas da Universidade de Brasília. A amostra deste projeto foi composta por 37 responsáveis. Os pais responderam de forma espontânea o questionário aplicado durante a etapa de coleta de dados. 3.4 Cenário da pesquisa A pesquisa foi realizada com os responsáveis de alunos que participavam das Oficinas Esportivas da Universidade de Brasília. As Oficinas Esportivas é um projeto de extensão orientado pelo professor da Faculdade de Educação Física, Luiz Cezar e que conta com a participação de alunos do Curso de Educação Física da Universidade. Atualmente, a professora da Faculdade de Educação Física, Rosana Amaro, também assume a coordenação em conjunto com o professor Luiz Cezar. O Projeto tem como objetivo principal desenvolver habilidades psicomotoras e criar o hábito de exercícios físicos em crianças. As atividades do projeto são oferecidas todas às terças e quintas, pela tarde, no horário das 14h00 às 16h00, no Centro Olímpico da Universidade de Brasília – L4 Norte, DF. As crianças de toda a comunidade podem participar do projeto e tem entre 5 e 10 anos. As aulas são gratuitas e são trabalhadas com as crianças diversas atividades, de modo que haja um crescimento no incentivo e na prática de atividade física e de exercícios na vida de cada uma. No período da pesquisa, havia 62 crianças matriculadas nas atividades das Oficinas Esportivas. 28 As aulas são ministradas pelos estudantes de Educação Física da UnB, cujos são capacitados para atuarem neste âmbito, recebendo orientações, elaborando planejamentos e participando de reuniões entre professores, coordenadores e outros estudantes. Toda a rotina de aulas é monitorada pelos professores que estão à frente do Projeto. 3.5 Instrumentos de pesquisa Para o levantamento de dados foi utilizado um questionário online, elaborado pela autora do estudo, validado por dois professores da Faculdade de Educação Física, da Universidade de Brasília, e por um grupo de colegas do curso. A elaboração do questionário foi voltada a questões mistas, ou seja, questões abertas e fechadas, cujos entrevistados pudessem responder de forma livre e espontânea as questões abertas, e, obrigatoriamente, as questões fechadas. O intuito da aplicação do questionário foi levantar opiniões, interesses, informações a respeito do problema de pesquisa. No conjunto de questões fechadas pré-estabelecidas havia um item aberto ao final para que o informante pudesse escrever informações adicionais, caso quisesse, a respeito do tema que estava sendo discutido na pesquisa. O roteiro completo do questionário aplicado encontra-se nos apêndices deste projeto. A aplicação do questionário teve alguns cuidados como o total sigilo de informações que pudessem comprometer a identificação de qualquer entrevistado, a ciência do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE (apêndice “x”) de todos os respondentes e o esclarecimento e disposição da autora em qualquer momento durante a aplicação do questionário para sanar quaisquer dúvidas que pudesse surgir no decorrer da pesquisa. 3.6 Procedimentos da coleta de dados O primeiro contato com os pais foi mediante um e-mail informativo da pesquisadora. Foi enviado após ter acesso aos e-mails dos responsáveis, fornecido pelos coordenadores do Projeto das Oficinas Esportivas. Todas as coletas foram realizadas pela própria pesquisadora, juntamente com a ajuda de uma aluna estagiária do Projeto das Oficinas Esportivas que se voluntariou para enviar o link do questionário via WhatsApp, tendo em vista que a mesma já estava inserida no grupo fechado entre responsáveis e professores participantes do Projeto das Oficinas Esportivas. Antes do início do preenchimento do questionário, era feita a explicação dos objetivos dos estudos, de modo que os pais soubessem do que se tratava a pesquisa. 29 A etapa de elaboração e aplicação do instrumento da pesquisa demandou um preparo das questõesa serem abordadas no questionário, de forma que fossem simples e abrangessem todo o tema que seria investigado. Demandou um trabalho em conjunto entre a pesquisadora e os professores coordenadores do projeto das Oficinas Esportivas, para que a pesquisadora pudesse obter informações do Projeto, acesso aos e-mails dos responsáveis e ao mesmo tempo pudesse enriquecer o Projeto com os resultados da Pesquisa. Logo, a pesquisa poderia trazer resultados e informações que poderiam ser úteis para o crescimento e futuras propostas ou intervenção no Projeto das Oficinas Esportivas. 3.6.1 Etapas de elaboração e aplicação do questionário O questionário foi organizado em três blocos: uma breve explicação da pesquisa e de seu objetivo; Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE; Questões da pesquisa. De um lado, as questões formuladas estavam direcionadas para o interesse e a motivação dos responsáveis em buscar a prática esportiva fora da escola para os seus filhos. De outro lado, as questões foram direcionadas para as percepções dos responsáveis sobre o Esporte e sobre a Educação Física. A tentativa de abordar essas vertentes de forma que não ficasse exaustivo e ao mesmo tempo trouxesse informações válidas para a pesquisa foi o ponto crucial para que muitos responsáveis pudessem colaborar de forma efetiva na pesquisa. Depois de formulado, o questionário foi testado e validado por meio da aplicação em uma determinada população. Alguns alunos e professores escolhidos pela proximidade com o tema e o projeto responderam o questionário e ajudaram no processo de validação do mesmo. Todo o questionário foi respondido online e sem a presença do entrevistador. Dessa forma, o entrevistado pôde responder no momento mais oportuno, levando o tempo que achasse necessário, d e forma espontânea e sem haver nenhum tipo de influência por parte do entrevistador. Durante a coleta de dados a autora do estudo assegurou aos entrevistados a preservação dos dados, a confidencialidade e o anonimato dos indivíduos, ou seja, houve a privacidade de informações que pudessem expor qualquer indivíduo que estivesse participando da pesquisa. 30 3.6.2 Etapas de aplicação do questionário A aplicação do questionário foi realizada três vezes durante o período de 1 mês, com um intervalo entre as aplicações de, aproximadamente, 15 dias. Essas 3 aplicações foram realizadas com o intuito de uma maior adesão de pais para responder o questionário online, de forma que aqueles que ainda não tivessem respondido pudessem ter a oportunidade de responder. A forma de envio do questionário foi através de 2 plataformas virtuais, o e-mail e o WhatsApp. A escolha pela aplicação do questionário via WhastApp foi para termos uma maior adesão, visto que muitos responsáveis faziam parte de um grupo no WhastApp, com o intuito da maior interação entre professores e responsáveis e também para a divulgação de informações importantes. 1º dia de coleta (aplicação do questionário através de envios dos emails e envio do link do questionário via WhatsApp): 30/10/2017 O e-mail foi enviado para 42 responsáveis e o link foi enviado no grupo do WhastApp. Desse total, obtivemos 25 respostas do questionário online. Desse período até a próxima chamada do questionário obtivemos 2 respostas em dias aleatórios, somando um total de 27 respostas até o dia exato do segundo envio de e-mails. 2º dia de coleta (aplicação do questionário através de envios dos emails e envio do link do questionário via WhatsApp): 13/11/2017 (via e-mail) e 14/11/2017 (via WhatsApp). O e-mail foi enviado para os responsáveis que ainda não haviam respondido e o link foi enviado no grupo do WhastApp. Obtivemos 4 respostas do questionário online. 3º dia de coleta (aplicação do questionário através de envios dos emails e envio do link do questionário via WhatsApp): 22/11/2017 (via WhatsApp) e 23/11/17 (Via e- mail). O e-mail foi enviado para os responsáveis que ainda não haviam respondido as chamadas anteriores e o link foi enviado no grupo do WhastApp. Obtivemos 7 respostas do questionário online. 31 Gráfico 1 – Representação gráfica das respostas obtidas em cada período de aplicação do questionário Coleta de dados 1ª Aplicação 2ª Aplicação 3ª Aplicação 7 pessoas 4 pessoas 64% 17% 9% 27 pessoas 3.7 Análise dos dados A Análise e interpretação dos dados foram feitas a partir da análise direta das respostas dos indivíduos, juntamente com o embasamento teórico que a pesquisa proporciona. Dessa forma, foi possível analisar, compreender e interpretar o material coletado na pesquisa, na tentativa de explorar as respostas que os indivíduos compartilharam de suas realidades e suas relações. E, a partir disso, buscamos responder ao questionamento inicial da pesquisa, com o intuito de atingir os objetivos propostos. Pode-se dizer que essa fase do estudo apoiou-se em algumas etapas do processo de análise citado por Creswell (2007) que estabelece a análise em 1. organizar e preparar os dados para análise; 2. conduzir e explorar os dados, 3. aprofundar no entendimento dos dados e organizá-los 4. descrever informações detalhadas, 5. fazer representação e, por último, 6. fazer a interpretação dos dados. Fonte: Elaborado pela autora Oliveira (2018) 32 Figura 1: Esquema sobre Triangulação dos Instrumentos/Dados Análise das questões fechadas do Bloco 1 “A respeito dos interesses e motivações para a....” (questões 1, 2, 3, 4 e 5) . Análise da questão aberta do Bloco 1 “Acrescente comentários que considere relevantes em relação à motivação...”. Análise das questões fechadas do Bloco 3 “A respeito das percepções dos pais...” (questões 10, 11 e 12), fazendo ligações com a análise das questões do Bloco 2 (6, 7, 8 e 9). Análise da questão aberta do Bloco 3 “Acrescente comentários gerais...”. Análise das questões fechadas do Bloco 2 “A respeito das percepções sobre o esporte...” (questões 6, 7, 8 e 9). Análise da questão aberta do Bloco 2 “Acrescente comentários que considere relevantes em relação à Educação Física...”. Identificar os interesses dos pais e alunos para a prática esportiva escolar Entender o indivíduo e suas motivações para a prática do esporte fora da escola Compreender as percepções dos pais sobre o esporte e a educação física curricular Fonte: Elaborado pela autora Oliveira (2018) 33 4 RESULTADOS Após a coleta foi iniciado o processo de análise dos dados, que envolve organizar e tratar os dados para, a partir daí, buscar significados nos resultados obtidos. Portanto, os dados foram organizados, tratados e analisados mediante as respostas obtidas no questionário online aplicado. Obtivemos 38 respondentes em toda a pesquisa, e, a partir daí, conseguimos 38 respostas das perguntas fechadas e 26 das perguntas abertas. E, com isso, adquirimos respostas fundamentais para o processo de análise. Todas as perguntas do questionário foram divididas em 3 “grandes blocos”, sendo que em cada bloco o interesse das perguntas era voltado para um foco diferente, mas sempre coerente com os objetivos do estudo. É importante ressaltar que as respostas de todas as perguntas fechadas foram obrigatórias, porém as respostas das perguntas abertas não foram obrigatórias e os responsáveis só respondiam se quisessem acrescentar algum comentário em relação ao tópico que estava sendo investigado. Com isso, deixamos todos os responsáveis bem à vontade para acrescentarem ou não as informações que achassem necessário. Dessa forma, o bloco 1 (um) foi todo voltado à tópicos sobre os interesses e as motivações para a prática esportiva. No bloco 2 (dois) o foco foi direcionado para as percepções sobre o esporte e a Educação Física Curricular. E, por último, o bloco 3 (três) foiconduzido para as percepções dos responsáveis em relação à prática esportiva de seus filhos. De forma geral, cada bloco complementava o outro, e, com isso, fomos em busca de pontos de análises para conectarmos aos objetivos do estudo. É importante ressaltar que a ideia de separarmos o questionário em blocos com tópicos diferentes (mas complementares) surgiu para que o questionário como um todo não ficasse exaustivo para os entrevistados. A separação em blocos também pôde facilitar o isolamento de pontos específicos para cada assunto abordado, trazendo, posteriormente, uma organização melhor e, consequentemente, uma análise mais direcionada. A seguir, apresentaremos os resultados obtidos em cada Bloco (um, dois e três) de modo específico. Primeiramente, foi realizada uma análise individual dos blocos para visualizarmos melhor as respostas encontradas. Posteriormente, analisaremos o conjunto como um todo, o que as respostas de todos os blocos puderam acrescentar na pesquisa. Sendo assim, o primeiro quadro ilustrativo traz uma visão mais ampla e geral do questionário no “Bloco 1”. Selecionamos todas as respostas registradas em cada tópico do questionário de modo separado para visualizarmos melhor o quantitativo em cada opção de resposta. 34 Quadro 1 – Representação numérica das questões fechadas do Bloco 1 “A respeito dos interesses e motivações para a prática esportiva” Questões Concordo totalmente Concordo parcialmente Não concordo nem discordo Discordo parcialmente Discordo totalmente 1. A escola oferece o esporte para o seu filho 11 29% 11 29% 4 10% 5 13% 7 18% 2. A criança teve uma parte ou escolha na decisão de iniciar a prática esportiva fora da escola 25 66% 7 18% 0 0% 3 8% 3 8% 3. A procura pela prática esportiva fora da escola foi realizada para ocupar o tempo do filho durante o dia 9 24% 18 47% 5 13% 4 10% 2 5% 4. A prática esportiva fora da escola facilitou a rotina dos pais 10 26% 14 37% 5 13% 4 10% 5 13% 5. A busca pela prática esportiva fora da escola foi motivada devido aos benefícios que as atividades físicas proporcionam ao indivíduo em sua totalidade 31 81% 6 16% 0 0% 1 3% 0 0% Fonte: Elaborado pela autora do estudo Oliveira (2018) No bloco 1 realizamos 5 perguntas fechadas, com 5 possibilidades de respostas. Entre as opções havia o “Concordo totalmente”, “concordo parcialmente”, “não concordo nem discordo”, “discordo parcialmente”, “discordo totalmente”. Usamos a escala tipo likert (McCLELLAND, 1976) com o intuito de chegarmos o mais próximo possível às resposta que o pai mais se identifica na situação real de sua vida. O Quadro 1 corresponde ao quantitativo de respostas de cada questão, juntamente com as porcentagens referentes a este quantitativo. Na questão 1 -“A escola oferece o esporte para o seu filho”- deste bloco obtivemos 11 responsáveis que “concordam totalmente”, 11 que concordam parcialmente, nenhum responsável optou pelo “não concordo nem discordo”, 5 responsáveis discordam parcialmente e 7 discordam totalmente. Essas respostas podem nos mostrar que a maioria dos pais, concorda com a questão citada. Ou seja, na escola do filho há a oferta do esporte. 35 Na questão 2 deste bloco -“A criança teve uma parte ou escolha na decisão de iniciar a prática esportiva fora da escola”-, 25 pais optaram pelo “concordo totalmente”, 7 pelo “concordo parcialmente”, mais uma vez nenhum responsável escolheu a alternativa “não concordo nem discordo”, 3 pais optaram pelo “discordo parcialmente” e 3 pelo “discordo totalmente”. Semelhante à questão anterior, a maioria dos pais concorda quando afirmamos que a criança teve uma parte na escolha ou na decisão de iniciar a prática esportiva fora da escola. Ao final do estudo, esperamos conseguir responder o questionamento sobre os reais motivos de essas escolhas partirem também das crianças. Ainda nessa questão, houve um quantitativo muito menor para os responsáveis que discordaram dessa afirmação, ou seja, isso reforça que a maioria das crianças influencia na escolha de iniciar o esporte fora da escola. Na questão 3 -“A respeito da procura pela prática esportiva fora da escola foi realizada para ocupar o tempo do(a) filho(a) durante o dia”- obtivemos apenas 9 pais que concordaram totalmente com essa questão e 18 concordaram parcialmente. Dessa vez, a maioria não concordou totalmente com essa afirmação. Ou seja, nem todos os pais buscam a prática esportiva apenas para ocupar o tempo do filho. 2 pais discordaram totalmente de tal afirmação, 4 discordaram parcialmente e 5 foram neutros, optando por não concordarem nem discordarem da questão exposta. Essas respostas nos trazem uma divisão de interesses. Seguimos em busca da compreensão desses reais interesses pela busca da prática esportiva. Na questão 4 -“a prática esportiva fora da escola facilitou a rotina dos pais”- 10 responsáveis concordaram totalmente, 14 concordaram parcialmente, 5 não concordaram nem discordaram, 4 discordaram parcialmente e 5 discordaram totalmente. Com essas respostas podemos perceber que muitos pais tem a sua rotina relativamente facilitada por esse momento da prática esportiva dos filhos. No encaminhar das respostas vamos tentar obter uma melhor compreensão a respeito dos motivos dessa facilidade. Também tivemos discordância entre eles para tal fato, ou seja, para alguns pais a prática esportiva fora da escola não facilitou tanto assim a rotina deles. A última questão deste bloco, questão 5 -“A busca pela prática esportiva fora da escola foi motivada devido aos benefícios que as atividades físicas proporcionam ao indivíduo em sua totalidade”- foi uma questão com a resposta quase unânime de pais que concordam totalmente com essa afirmação. Dentre os respondentes, 31 concordam totalmente, 6 concordam parcialmente, apenas 1 discorda parcialmente, nenhum optou pelo “não concordo 36 e discordo” e nenhum responsável discorda totalmente. Ou seja, quase 100% deles parecem conhecer os benefícios que a prática esportiva proporciona para os seus filhos e se preocupam em buscar esses benefícios para eles. Mais especificamente, 81% dos pais afirmam que os diversos benefícios que a prática esportiva traz para o indivíduo são motivos para a busca pela prática esportiva fora da escola. Portanto, é um quantitativo significativo. Diante de todos esses quantitativos, podemos perceber que os pais tem consciência de que a prática esportiva está fazendo bem aos filhos e que o próprio filho também tem parte na escolha dessa busca pela prática esportiva fora da escola. E, ainda, possuem a oferta dentro da escola. Já em relação à busca do esporte para ocupar o tempo do filho e isso como um meio facilitador na rotina dos pais, as resposta ficaram, em sua maioria, no “concordo parcialmente”. Isso pode nos mostrar que os pais concordam com tal afirmação, mas não concordam absolutamente, ou seja, talvez o esporte do filho fora da escola pode não facilitar tanto assim a rotina dos pais e, ainda, a prática não foi utilizada totalmente para ocupar o tempo do filho. Portanto, a busca voltou-se mais pelos benefícios que a prática esportiva proporciona em sua totalidade. 37 Gráfico 2 – Questões Bloco 1: Representação gráfica a respeito dos interesses e motivações para a prática esportiva. 0 5 10 15 20 25 30 35 Questão 1 Questão 2 Questão 3 Questão 4 Questão 5 Discordo totalmente Discordo parcialmente Não concordo nem discordo Concordo parcialmente Concordo totalmente Fonte: Elaborado pela autora do estudo Oliveira (2018) O gráfico 2 nos proporciona uma visualização melhor das respostas obtidas em cada questão. Conseguimos perceber visualmente as diferenças de quantitativo em cada questão, conforme foi descrito de formadetalhada anteriormente. As questões do gráfico 2 seguem a mesma ordem mostrada no Quadro 1. Ou seja, temos a questão 1: “a escola oferece o esporte para o seu filho”; questão 2: “a criança teve uma parte ou escolha na decisão de iniciar a prática esportiva fora da escola”; questão 3: “a procura pela prática esportiva fora da escola foi realizada para ocupar o tempo do filho durante o dia”; questão 4: “a prática esportiva fora da escola facilitou a rotina dos pais” e 5: “a busca pela prática esportiva fora da escola foi motivada devido ao s benefícios que as atividades físicas proporcionam ao indivíduo em sua totalidade”. 38 Quadro 2 – Comentários em relação à motivação pela busca do esporte dentro e/ou fora da escola para o(s) filho(s). Responsável Discurso 2 “Prezo muito a formação de caráter e sei que o esporte seja qual modalidade for contribui para essa formação, além dos ótimos benefícios que trazem para a vida e corpo e espírito”. 3 “Estimulo a prática esportiva pra que eles cresçam e tenham isso na rotina. Considerando tão importante quanto uma alimentação balanceada”. 4 “Ter contato com o ambiente de uma universidade”. 8 “Importância de fazer atividade física desde criança, importância de movimentar o corpo para a saúde integral: físico, emocional. Importância de estar com outras crianças”. 9 “Responsabilidade, ludicidade, convivência, sociabilidade”. 11 “A prática esportiva deixa a criança mais disposta, relaxada, é uma interação com outras crianças, minha filha adora e "relaxada e disposta" são palavras dela em um momento quando foi buscá-la nas Oficinas Esportivas”. 12 “Nesses tempos de muita tecnologia, as crianças preferem ficar em casa nos eletrônicos. Uma atividade esportiva fora e/ou dentro da escola e importantíssimo”. 13 “Além dos benefícios físicos da prática esportiva, o que se buscou foi a socialização das crianças, em razão do grupo”. 14 “A escola deveria oferecer diariamente atividades esportivas do interesse das crianças. Fora da escola, faltam atividades de baixo custo. Deveriam ser oferecidas com baixo custo na própria escola em contra turno. As crianças estão ficando sedentárias. E, infelizes, 5 horas sentadas nas escolas”. 16 “Benefícios físicos e sociais”. 19 “Ele fica sempre empolgado para ir e quando volta da oficina também”. 24 “O esporte e muito importante para formação do indivíduo. Ocupa a mente das crianças com práticas saudáveis Passei minha infância e juventude envolvida com esporte Intercalasse Final de semana era na quadra e não na televisão”. 34 “Consideramos o esporte essencial na vida das crianças, mas a escola deles oferece apenas 1 aula no ensino fundamental e consideramos pouco”. Fonte: Elaborado pela autora do estudo Oliveira (2018) 39 O quadro 2 contém todas as respostas obtidas na única questão aberta do Bloco 1 “A respeito dos interesses e motivações para a prática esportiva”. Essa questão não foi obrigatória, e, com isso, obtivemos apenas 13 respostas. Porém, todas as respostas obtidas acrescentaram, de forma espontânea, as respostas fechadas. Como mostrado no Quadro 2, obtivemos algumas afirmações dos pais sobre a importância do esporte. Muitos afirmaram que o esporte contribui para a formação do caráter, além dos benefícios para a vida, corpo e espírito. O destaque também citado por eles é a importância da socialização das crianças através do esporte. De modo geral, eles percebem sobre a importância de movimentar o corpo para a saúde integral, física, emocional e social das crianças. Também podemos observar nas falas dos pais que o esporte trouxe mais disposição, interação e relaxamento nas crianças. E que a importância dessa prática se faz presente na vida delas para aliviar um pouco a permanência nos jogos eletrônicos, visto que muitas crianças sofrem com o sedentarismo. Sinalizam a importância de a criança ter contato com diferentes ambientes, com a ludicidade e a conquista de valores e responsabilidades. Por último, é importante dar ressaltar as falas que dizem respeito à oferta de atividade esportiva a baixo custo na própria escola. Muitos pais podem não ter condições financeiras para conseguir colocar o filho em alguma atividade esportiva com elevadas taxas de pagamento, e, com isso, a procura não se torna efetiva. Seria interessante, portanto, essa oferta dentro da escola a baixo custo para que mais alunos consigam fazer parte dos programas esportivos de forma eficaz. É importante também enfatizarmos as falas dos pais que consideram pouca a oferta do esporte dentro da escola. Eles ainda sugerem a opção de oferta diária para a obtenção dos benefícios que o esporte pode proporcionar ao indivíduo. Considera ainda que o esporte é importante para a formação do indivíduo, ocupando, inclusive, a mente com práticas saudáveis. Todos esses pontos encontrados nas afirmações dos pais nos ajuda a refletir e traçar considerações sobre alguns motivos que podem direcionar as escolhas dos pais para irem em busca do esporte para os filhos. 40 Quadro 3 – Representação numérica das questões fechadas do Bloco 2 “A respeito das percepções sobre o esporte e a Educação Física Curricular” Questões Concordo totalmente Concordo parcialmente Não concordo nem discordo Discordo parcialmente Discordo totalmente 6. O esporte fora da escola supre o que a Educação Física Escolar não pode proporcionar ao filho 15 39% 14 37% 4 10% 3 8% 2 5% 7. A Educação Física Escolar do filho é suficiente para obtenção de benefícios na saúde física e mental do filho 2 5% 13 34% 6 16% 10 26% 7 18% 8. A partir das aulas de Educação Física Escolar a proximidade do filho com o esporte aumentou 8 21% 15 39% 8 21% 4 10% 3 8% 9. A Educação Física Escolar foi um incentivo para a busca do esporte fora da escola 10 26% 10 26% 8 21% 3 8% 7 18% Fonte: Elaborado pela autora do estudo Oliveira (2018) Entramos, portanto, no Bloco 2 do questionário. Esse bloco é voltado para as percepções dos pais sobre o esporte e a Educação Física Curricular de seus filhos. Portanto, no quadro 3 temos as informações detalhadas das respostas contabilizadas em cada tópico do bloco. A questão 6 do bloco 2 afirma que o esporte fora da escola supre o que a Educação Física Escolar não pode proporcionar ao filho. Diante disso, 15 pais concordaram totalmente com a sentença exposta e 14 concordaram parcialmente. Paralelo a esse quantitativo, apenas 2 pais discordaram totalmente da afirmação e 3 discordaram parcialmente. Por fim, apenas 4 pais optaram pelo “não concordo nem discordo”. A porcentagem dos pais que concordaram, tanot totalmente quanto parcialmente, foram quase iguais, 39% e 37%, respectivamente. Ou seja, a maioria dos responsáveis acham que o esporte fora da escola consegue suprir o que a Educação Física não proporciona por completo para o seu filho. 41 Na questão 7 -“A Educação Física Escolar do filho é suficiente para obtenção de benefícios em sua saúde física e mental”- os pais conseguiram obter mais divergências no quantitativo das respostas em comparação às perguntas realizadas até o momento. Um total de 13 responsáveis concorda parcialmente com essa afirmação. Apenas 2 concordam totalmente. 7 discordam totalmente e 10 parcialmente. 6 responsáveis não concordam nem discordam com a questão selecionada. Podemos perceber então que mesmo tendo uma divisão um pouco mais homogênea no quantitativo das respostas em relação às questões anteriores, a maioria dos pais concorda, de certa forma, com o tópico. Ou seja, eles acham que a Educação Física é suficiente para os benefícios que ela proporciona na saúde física e mental do filho. Na questão 8 -“A partir das aulas de Educação Física Escolar a proximidade do filho com o esporte aumentou”- os pais,em sua maioria, concordaram parcialmente. 15 deles, mais especificamente. 8 concordaram totalmente e 8 também não concordaram nem discordaram. 4 discordaram parcialmente e 3 totalmente. Ou seja, esse tópico ficou bem dividido. 21% dos pais acham que a aula de EF aproximou o filho do esporte e apenas 8% opinam totalmente ao contrário. Ainda assim, a maioria acha que provavelmente a EF pode ter sido alvo de aproximação do filho com o esporte. Na questão 9 -“A Educação Física Escolar foi um incentivo para a busca do esporte fora da escola”-, tivemos o mesmo quantitativo de pais que concordam totalmente e parcialmente com a afirmação. 3 responsáveis discordam parcialmente, 7 discordam totalmente e 8 não concordam nem discordam. Podemos analisar também que 26% dos pais afirmam que EF incentivou a busca pelo esporte fora da escola e 18% opinam ao contrário dessa afirmação, ou seja, para esses 18% o incentivo para a busca do esporte fora da escola foi outro. Muitos ainda ficam um pouco indecisos e não sabem muito se realmente a EF foi um incentivo para a busca do esporte fora da escola. Ou seja, pode ser que a EF tenha incentivado, mas pode ser que também não tenha. 42 Gráfico 3 – Questões Bloco 2: Representação gráfica a respeito das percepções sobre o Esporte e a Educação Física curricular 0 2 4 6 8 10 12 14 16 Questão 1 Questão 2 Questão 3 Questão 4 Discordo totalmente Discordo parcialmente Não concordo nem discordo Concordo parcialmente Concordo totalmente Fonte: Elaborado pela autora do estudo Oliveira (2018) O gráfico 3 traz uma melhor visualização de todas as respostas do Bloco 2 – A respeito das percepções sobre o Esporte e a Educação Física Curricular. Percebemos que a maioria dos pais concordam parcialmente em todas as 4 questões tratadas neste bloco. As respostas dessas questões, mesmo que a maioria dos responsáveis tenha respondido “concordo parcialmente”, houve uma divisão de respostas nos outros questionamentos, tornando o equilíbrio das respostas não tão visível como nos outros blocos. Se olharmos atentamente, iremos identificar que a maioria dos responsáveis respondeu “concordo parcialmente” para os questionamentos, mas, por outro lado, também obtivemos um número considerável de respostas para as outras 4 categorias (discordo totalmente, discordo parcialmente, não concordo nem discordo, concordo totalmente). Sendo assim, podemos perceber que as discordâncias que não encontramos tanto nas respostas dos outros blocos estão bem presentes neste bloco. Com isso, podemos perceber que as idéias dos responsáveis a respeito do Esporte e da Educação Física Curricular de seus filhos podem se divergir com a de outros responsáveis em algum momento. Eles podem ter pensamentos e visões bem diferentes de características e significados do que está sendo abordado neste bloco. Em contrapartida, temos muitos responsáveis 43 que pensam de forma parecida e concordam com diversas características sobre o que está sendo abordado nas questões expostas. Quadro 4 – Comentários em relação à Educação Física e o esporte praticado dentro ou fora da escola pelo(s) filho(s). Entrevistados Discurso 3 “A prática esportiva escolar é insuficiente para quaisquer resultados, já que acontece apenas 1 vez por semana”. 4 “A educação física escolar não é satisfatória”. 8 “Desde q meu filho iniciou atividade física fora da escola (porque na escola não tem), melhorou muito a disposição física dele”. 11 “Acho que a educação física teria que ser realizada em locais que oferece condições”. 13 “A prática esportiva fora da escola tem reforçado a autoestima dos meus filhos”. 14 “Educação física deve ser diária nas escolas. Aprendizado é movimento”. 19 “Meu filho ainda não pratica esporte na escola, está na educação infantil”. 34 “Consideramos a quantidade de aulas de educação física na escola insuficiente para estimular uma criança a tornar o esporte um hábito”. Fonte: Elaborado pela autora do estudo Oliveira (2018) O quadro 4 aborda todas as respostas adquiridas na pergunta aberta do Bloco 2. Tivemos apenas 8 respondentes da questão abeta deste bloco. Entre as respostas dos indivíduos podemos perceber que há uma insatisfação em relação à oferta da Educação Física na escola. Eles afirmam que ela é insuficiente para obter resultados, visto que são poucas aulas por semana. Inclusive, não se mostram satisfeitos, pois a oferta do esporte é apenas uma vez por semana para alguns, e, isso, faz com que o esporte não seja um hábito para a criança. Com isso, a Educação Física precisa de melhores condições. Retomando à falas que fizeram parte do bloco 1 deste estudo, também conseguimos identificar no bloco 2 falas que a oferta da Educação Física deveria ser diária na escola. Ou seja, há um reforço de que a oferta da Educação Física na escola é considerada pequena. 44 Alguns pais afirmam que não tem o esporte na escola. Isso dificulta ainda mais o processo de benefícios com a prática esportiva. Contudo, eles tem consciência de que o esporte fora da escola aumentou a disposição física do filho. Inclusive, com o esporte fora da escola, a autoestima, o aprendizado e o movimento forma reforçados. Quadro 5 – Representação numérica das questões fechadas do Bloco 3 “A respeito das percepções dos pais/responsáveis em relação à prática esportiva de seu(s) filho(s)”. Questões Concordo totalmente Concordo parcialmente Não concordo nem discordo Discordo parcialmente Discordo totalmente 10. Houve alguma mudança visível (física, motora, social) no filho após iniciar a atividade esportiva fora da escola 19 50% 9 24% 5 13% 3 8% 2 5% 11. O esporte está trazendo efeitos positivos sobre o bem-estar do filho 24 63% 12 31% 2 5% 0 0% 0 0% 12. A participação no esporte melhora a autoestima do filho? 26 68% 9 24% 3 8% 0 0% 0 0% Fonte: Elaborado pela autora do estudo Oliveira (2018) Entramos no último bloco do questionário online, o bloco 3. Este bloco trata a respeito das percepções dos pais em relação à prática esportiva de seus filhos. O quadro 5 corresponde ao quantitativo das respostas de cada questão do Bloco 3 A questão 10 -"Houve alguma mudança visível (física, motora, social) em seu filho após iniciar a atividade esportiva fora da escola?”- é uma questão de extrema importância, assim como as outras, pois nos permite visualizar através das percepções dos pais se o esporte realmente fez ou está fazendo diferença na vida dos filhos. O intuito dessa questão é também tentarmos compreender se os pais conseguem observar e perceber essas diferenças, se elas são positivas ou não. Pode haver mudanças evidentes ou não, assim como pode não haver mudanças. Conseguiremos analisar melhor essa questão em algumas respostas da pergunta aberta, cujo complementa os tópicos da pergunta fechada. 45 Sendo assim, 19 pais concordam totalmente com o tópico em questão e 9 concordam parcialmente. 2 discordam totalmente e 3 discordam parcialmente. No meio termo ficaram 5 pais. Conseguimos deduzir que a maioria dos pais assume que o filho obteve alguma mudança visível após iniciar a prática esportiva. Talvez esses benefícios possam ser uma grande motivação para que os pais mantenham os filhos no esporte fora da escola. Quando tal ação começa a trazer resultados positivos a motivação em manter aquela ação pode aumentar. Na questão 11 -“O esporte está trazendo efeitos positivos sobre o bem-estar do seu filho?”- quase 100% dos pais concordam totalmente ou parcialmente com a afirmação. 24 pais concordam totalmente e 12 parcialmente. Apenas 2 pais não concordam nem discordam. Ou seja, a maioria reconhece que o esporte praticado pelo filho fora da escola faz bem para ele, trazendo aspectos positivos para o seu bem-estar. A última questão do bloco 3, questão12, -“A participação no esporte melhora a auto- estima de seu filho?”- também teve a maioria de pais que concordam com tal afirmação. 26 deles concordam totalmente e 9 concordam parcialmente. Nenhum responsável discordou e apenas 3 não concordaram nem discordaram. Portanto, podemos perceber que grande parte dos pais reconhecem que a auto-estima do filho melhora com a prática esportiva. 46 Gráfico 4 – Questões Bloco 3: Representação Gráfica a respeito das percepções dos pais/responsáveis em relação à prática esportiva de seu(s) filho(s). 0 5 10 15 20 25 30 Questão 1 Questão 2 Questão 3 Discordo totalmente Discordo parcialmente Não concordo nem discordo Concordo parcialmente Concordo totalmente Fonte: Elaborado pela autora do estudo Oliveira (2018) O gráfico 4 nos proporciona uma visualização melhor das respostas obtidas nas questões fechadas do Bloco 3 “A respeito das percepções dos pais/responsáveis em relação à prática esportiva de seus filhos”. As questões do gráfico 4 seguem a mesma ordem mostrada no Quadro 5, porém, nos proporcionando uma melhor visualização das diferenças das concordâncias ou não em cada questão. Ficou em evidência que a grande parte dos responsáveis concordaram totalmente com as três questões deste bloco. Ou seja, quando foi questionado se a participação no esporte melhora a auto-estima do filho, se houve alguma mudança física, motora, social no filho após o início da prática, e se o esporte está trazendo efeitos positivos para o bem-estar do filho, as respostas dos responsáveis são, em sua maioria, positivas, eles concordam com tais afirmações. 47 Quadro 6 – Comentários gerais em relação às conseqüências significativas que o esporte trouxe para o(s) filho(s). Entrevistados Discurso 8 “Meu filho é tímido, e em grupo ele tende a ficar na dele, nas atividades físicas da unb (oficina de esportes), ele tem se soltado e descontraído nas atividades em grupo”. 11 “Minha filha pode equilibrar o peso, no controle da ansiedade, coordenação motora, além de vários outros benefícios para a saúde”. 14 “São apenas duas aulas por semana, gostaria que fossem mais. Mas ele chega bem melhor em casa nos dias que pratica o esporte fora da escola. Na escola é muito pouco tempo”. 19 “A oficina esportiva tem sido importante para a socialização e para o desenvolvimento motor, em especial para gastar energia”. 24 “Nossa como minha filha tem melhorado. Está vendo que é capaz e isso está me motivando a colocá-la em outras atividades”. 34 “Meus filhos fazem natação desde bebês e achamos que evoluíram nesse esporte, mas como é uma vez por semana não achamos suficiente”. Fonte: Elaborado pela autora do estudo Oliveira (2018) O quadro 6 aborda todas as respostas adquiridas na pergunta aberta do Bloco 3, que diz respeito às conseqüências significativas que o esporte trouxe para os filhos. Obtivemos apenas 6 respondentes. É importante lembrar que as perguntas abertas do estudo não foram obrigatórias, podendo o responsável escolher se queria responder ou não. Dentre as respostas, conseguimos perceber que os pais percebem que com a prática esportiva o filho melhora a timidez, o peso corporal, a coordenação motora, controla a ansiedade, enfim, diversos benefícios para a saúde. Eles consideram que o tempo de aula ainda é curto, mas que o filho chega melhor em casa. Acrescentam que a prática auxilia na socialização, no desenvolvimento motor, no gasto de energia do filho e na percepção da própria capacidade. E, isso tudo, motiva o pai a colocar o filho em outra modalidade. Portanto, percebemos que a prática esportiva tem ajudado e trazido muitas conseqüências positivas em diversos âmbitos para os filhos. 48 Figura 2: Nuvem de categorização do conjunto de palavras encontradas nos três Blocos das perguntas abertas Fonte: Elaborado pela autora Oliveira (2018) Para finalizar, a figura 2 traz uma espécie de categorização das respostas mais encontradas nas falas dos pais nas perguntas abertas dos três blocos do questionário. É uma nuvem de palavras que indica os principais termos relacionados aos benefícios que a prática esportiva traz para os filhos sob a perspectiva dos pais e sobre a percepção deles em relação à Educação Física dos filhos. A proposta dessa categorização simples foi apresentar algumas características das falas dos pais de forma breve e gerar, através da figura, uma melhor visualização. 49 5 DISCUSSÃO Para refletirmos melhor a respeito do assunto abordado neste estudo, serão discutidos conceitos e relações sobre o esporte, a escola, a Educação Física, o papel e influências dos pais, das crianças, com uma atenção especial nas possibilidades e escolhas dos envolvidos para buscar o que se pretende alcançar, através do esporte dentro ou fora da escola. Diante disso, para direcionar melhor a análise e discussão da pesquisa é necessário dialogar entre os achados bibliográficos e os achados do estudo e é importante também retomar aos objetivos do estudo, que são: 1) Identificar os interesses dos pais e alunos para a prática esportiva escolar; 2) Entender o indivíduo e suas motivações para a prática do esporte fora da escola; 3) Compreender as percepções dos pais sobre o esporte e a educação física curricular. Contudo, os blocos das questões do questionário online foram em busca de respostas em relação aos interesses e motivações para a prática esportiva, das percepções sobre o esporte e a Educação Física Curricular e das percepções dos responsáveis em relação à prática esportiva de seus filhos. 5.1 Características esportivas e fatores influenciadores para a busca do esporte O esporte pode ser, portanto, um instrumento para a busca de autonomia dos indivíduos, para o desenvolvimento da educação, alcance da saúde e autoestima, entre outras coisas. Ele pode ocupar o lugar de mediador das relações professor, família e criança, buscando facilitar essas relações, aproximando a família do contexto da criança e auxiliando em suas necessidades. Portanto, o esporte pode ser instrumento de socialização, de educação e saúde. Diante das respostas analisadas podemos perceber que alguns responsáveis enfatizam diversos pontos importantes a respeito do esporte, como a contribuição que ele proporciona para a formação do caráter, os benefícios para a vida, corpo e espírito, a importância de movimentar o corpo para a saúde integral do ser humano, inclusive a saúde física e emocional, a importância da socialização, enfim, tudo isso faz parte dos motivos que os pais relatam para buscar a prática esportiva para os filhos. 50 Ainda sobre esses motivos citados pelos pais, podemos encontrar respostas que relacionam esses motivos com os benefícios adquiridos com a prática, como a conquista de valores, de responsabilidade, acesso ao lúdico, ao relaxamento, acesso à atividades que proporcionam uma melhor convivência, alívio do contato freqüente com as tecnologias, ocupação da mente com práticas saudáveis, enfim, características que enfatizam como é fundamental e importante a prática de atividade física para o ser humano. Para reiterar essas colocações, alguns autores afirmam que o ambiente esportivo pode realmente desenvolver nas crianças diversas competências, entre elas a cooperação, disciplina, liderança, autoconfiança e a competitividade, entre outros (STRYER, TOFLER e LAPCHICK, 1998). Diante das questões a respeito dos interesses e motivações para a prática esportiva percebemos que a maioria dos pais concorda que a busca pelo esporte fora da escola é realizada devido aos benefícios que as atividades físicas proporcionam em sua totalidade ao indivíduo. A partir disso, podemos associar esses motivos com o pensamento de autores que dizem que a atividade física contribui, desde a infância, para a melhoria da densidade óssea, resistência muscular, capacidadeaeróbia, saúde cardiovascular e mental (STRONG et al, 2005). A atividade física é capaz de influenciar o comportamento de crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos de diversas maneiras. Às vezes, os indivíduos se espelham em seus ídolos, criam e modificam padrões e comportamentos através do estilo e esporte de seu respectivo ídolo. Ou seja, comportamentos podem ser modificados e moldados a todo instante (MIRANDA, 2009). Esse fator pode ajudar o entendimento sobre as percepções dos pais em relação às mudanças dos filhos após a prática esportiva realizada. Muitos percebem mudanças físicas e sociais da criança através do esporte. Mudanças que os motivam a manter os filhos na prática fora da escola. Becker (2000) afirma que essa busca ocorre para preencher o tempo livre da criança, onde os pais colocam seus filhos porque não tem outros locais para deixá-los, fazendo deste local um “depósito de criança” ou uma via de “escape”. O autor enfatiza que a modalidade esportiva escolhida depende de várias condições, entre elas o horário, as instalações, possibilidades econômicas, gostos, moda atual, mídia, amizades, e, nem sempre, no momento de decisão, o desejo e o gosto da criança são considerados. Outros pais buscam o esporte visando uma forma de educação, onde a criança poderá exercitar o físico e a mente. Alguns autores acreditam que os pais têm expectativas e necessidades diferentes sobre o motivo de 51 buscar o esporte para a criança. As crianças relatam como motivos para iniciar a prática esportiva a alegria, a aprendizagem de habilidades diversas, conquista de novas amizades, sensações boas e obtenção de forma física. Já a permanência na mesma envolve razões como a necessidade de diversão, gosto pelo esporte e capacidade de interação social. Indo ao encontro desses pensamentos, muitos pais optam por buscar o esporte para o filho para ocupar o tempo que o filho tem durante o dia. Poucos pais discordam dessa hipótese, e, com isso, enfatizamos que o tempo ocioso do filho pode ser aproveitado de uma melhor forma através da pela busca do esporte. Outra questão é a parte que essa prática esportiva fora da escola pode facilitar a rotina dos pais. A maioria concorda parcialmente com essa afirmação, mas muitas vezes podemos encontrar situações que são discordantes dessa questão, onde os pais precisam apertar um pouco a rotina para conseguir conciliar tudo em relação a levar e buscar o filho para o esporte, porém, não é o caso dos pais entrevistados nesse estudo. As crianças, de acordo com as respostas analisadas, também fazem parte do processo de escolha para iniciar a busca pelo esporte. Ou seja, elas também fizeram parte do motivo pela decisão em praticar o esporte fora da escola e, assim, percebemos, que ela tem grande influencia no processo de escolha em suas famílias. Por outro lado, Marques e Kuroda (2000) acreditam que os pais são grandes influenciadores na opção de escolha do esporte para os filhos por motivos educacionais, saúde e ascensão social e Belló (1999) enfatiza que a determinação dos pais é o fator mais importante no momento da prática esportiva da criança. Diante disso, a família pode colaborar ou não no processo de busca e permanência do esporte para o filho. Ela pode se tornar facilitadora ao compreender que é responsável pelo desenvolvimento inicial de habilidades motoras e hábitos saudáveis das crianças, mas também pode se tornar um meio complicador quando colocam muita expectativa em resultados sempre positivos no rendimento do filho, gerando ansiedade, angústias e frustrações, fazendo que ele abandone a prática (RÚBIO et al, 2000). De qualquer forma, é importante o responsável ouvir a criança, unir o útil ao agradável, optar por buscar um esporte que ela goste ou queira fazer, e assim, mantê-la ativa e saudável em diversos aspectos. Levar em consideração os motivos que levaram a criança a iniciar a prática esportiva é relevante para traçar estratégias visando a permanência e continuidade no esporte. Assim, a família se torna essencial nesse processo visto que, muitas vezes, compete a ela a decisão e auxílio sobre a entrada e permanência do filho no esporte. 52 Diante disso, a família também fica responsável de iniciar as aprendizagens e hábitos saudáveis na valorização de diversos costumes desde a alimentação até a prática de exercícios físicos (MARQUES, 2000). Passando também pelas escolinhas de iniciação esportiva, jogos recreativos e participação em equipes de competição. Algumas pesquisas realizadas apontam que a maioria das crianças participa de esportes para divertir-se e algumas outras razões para a participação em esportes é fazer coisas na qual elas são boas, ficar em forma, melhorar suas habilidades, fazer novas amizades, estar com seus amigos, competir, entre outras coisas (GOULD e HORN, 1984). Retomando o pensamento de Filho (2007), cujo afirma que as escolas têm objetivos comuns de oferecer oportunidades para o desenvolvimento individual dos alunos. O autor afirma ainda que os pais consideram benéfica a prática de esportes para a saúde e favorável ao rendimento escolar. Osvaldo (2002) também diz que a escola pode proporcionar atividades extracurriculares e que estas podem ajudar no desenvolvimento dos alunos. Inclusive, algumas características da prática esportiva oferecida em período extracurricular na escola podem contribuir para o crescimento dos alunos, preparando-os para as adversidades que a vida impõe dentro ou fora da escola. 5.2 A Escola e a Educação Física no processo de busca pelo esporte Ter o conhecimento de algumas características específicas poderá ajudar o pai na busca do esporte para o seu filho, entre elas ter o conhecimento sobre o local da prática, os horários, os profissionais que estão envolvidos e os objetivos propostos pela instituição da iniciação esportiva, entre outras. A Educação Física como disciplina curricular deve procurar aproximar-se das recomendações para a prática das atividades físicas, onde as crianças, adolescentes e jovens devem praticar ao menos 60 minutos de atividade física por dia com uma intensidade de moderada à vigorosa (MARQUES, 2010). É muito importante a aproximação da carga horária da Educação Física com essas recomendações, pois diversos jovens não conseguem praticar atividade física de forma suficiente para beneficiar a saúde em sua totalidade, e, com isso, a escola se torna o único espaço de práticas para essas atividades (HALLAL et al., 2012). Mas, não é isso que acontece de acordo com as respostas de alguns pais, que dizem que a prática esportiva escolar é insuficiente para se obter evoluções, resultados que almejam (apenas 1 vez 53 por semana) e para tornar o esporte um hábito. Outros dizem que a Educação Física escolar não é satisfatória e precisa de locais com condições de ofertar a prática esportiva. Portanto, os pais consideram pouca a oferta da atividade física na escola do filho e dizem que a escola deveria oferecer diariamente atividades esportivas de interesses das crianças. Afirma ainda que faltam atividades de baixo custo fora da escola, e, isso, pode ser um fator não motivador para a permanência do filho no esporte fora da escola. Apontam que a escola deveria oferecer atividades no contra turno de baixo custo para, inclusive, diminuir o sedentarismo das crianças. Diante disso, podemos perceber que a procura pelo esporte fora da escola pode ser devido a não oferta do esporte dentro da escola e a baixo custo. Enfim, em relação as percepções dos pais sobre o esporte e a Educação Física Curricular de seus filhos conseguimos encontrar questões com variados posicionamentos. O que ficou mais perceptível é que eles têm consciência de que a Educação Física ajuda o filho em diversos sentidos, porém, não é suficiente para ganhos totais como o esporte fora da escola pode proporcionar. Poucos paisdiscordam quando se trata da proximidade do filho com o esporte através das aulas de Educação Física. Inclusive, na Educação Física o esporte é considero um dos conteúdos curriculares. Porém, como já citado, o esporte praticado e traz resultados positivos tanto fisicamente quanto mentalmente. Inclusive, pais, em sua maioria, concordam parcialmente quando falamos que a Educação Física proporciona ao filho benefícios na saúde física e mental e que ela é suficiente para obtenção dessas particularidades. Com isso, o esporte praticado nas aulas de Educação Física poderá contribuir elevando os níveis de atividade física dos jovens promovendo a melhoria do estado de saúde até a vida adulta, podendo, inclusive, produzir mudanças comportamentais (CORBIN, 2002; SILVERMAN, 2005). Essas idéias também vão de acordo com as idéias de Batistella (2001), que diz que a Educação Física é capaz de proporcionar um maior número de experiências motoras e psicossociais às crianças, contribuindo, assim, para desenvolvimento da capacidade de percepção, estimulando estruturas mentais na formação do raciocínio, da sua criatividade, concentração e potencializando habilidades específicas. A maioria dos pais concorda que a Educação Física pode ser um meio de incentivo para a busca do esporte fora da escola, porém, muito também não concordam com tal afirmação. Diante disso, podemos refletir e entender que a Educação Física Curricular não é um dos motivos e incentivos principais que levam os pais a buscarem o esporte fora da escola, 54 mas pode ser um meio de aproximação do filho com o esporte. Conseqüentemente, o interesse pela busca esportiva poderá aumentar. 5.3 Colaboração da Psicologia Esportiva no processo de busca do esporte para os filhos A Psicologia e a Educação Física podem dialogar por se tratarem do ser humano nos aspectos individuais e coletivos (RÚBIO, 2001). Portanto, pode haver uma aproximação entre elas quando há manifestações de prática de atividade física implícita nas relações humanas e o confronto de opiniões, necessidades e adaptações ao mundo compartilhado e não compartilhado por eles. Weinberg e Gould (2008), dizem que uma das áreas de atuação mais importantes da psicologia do esporte é o esporte infanto-juvenil. O maior grupo da população de praticantes esportivos é composto por jovens e crianças e é nessa faixa etária que o envolvimento com o exercício e o esporte se inicia, desde as aulas e educação física na escola até as atividades esportivas contraturno. Muitas escolas oferecem o esporte em período contra turno e em algumas respostas podemos observar que alguns pais afirmam que a escola do filho oferece o esporte. Entretanto, também temos a opção de não oferta. No estudo, nenhum pai discordou da afirmação que diz que o esporte está ajudando na autoestima do filho, e, mais uma vez, tais estudos e pensamentos são confirmados. Portanto, podemos perceber que quase todos os pais reconhecem que a auto-estima do filho melhora com a prática esportiva. Diante disso, a participação em programas da Educação Física escolar contribui para o desenvolvimento da autoestima em crianças (GRUBER, 1986). O esporte é um fenômeno de grande influência na sociedade. Pode ser grande formador de atletas, promove a melhoria da saúde física e mental, entre outras características. A atividade física regular diminui os níveis de estresse dos indivíduos e de seu cotidiano, além disso, fortalece amizades, aumenta a autoestima, desenvolve o crescimento pessoal (BALBINOTTI et al., 2011). Rubio (2000) enfatiza sobre a influência da personalidade, fatores sociais e comportamentais no processo de desenvolvimento, direcionando, portanto, o contexto para o ramo da Psicologia do Esporte. Nenhum pai discordou da afirmação que diz que o esporte trouxe efeitos positivos para o bem estar do filho. Ou seja, a prática esportiva vem ajudando os filhos nesse âmbito. Alguns pais relataram que a prática esportiva fora da escola ajudou na timidez e descontração 55 dos filhos. Relatos que os filhos ficam mais dispostos durante o dia e chegam melhor em casa e muitos dos benefícios são perceptíveis, como o equilíbrio do peso, controle da ansiedade, melhora da coordenação motora. Toda essa percepção dos pais com a melhora dos filhos em variados aspectos os motiva a colocá-los em outras atividades. Indo ao encontro dessas afirmações e percepções, pode-se dizer que inúmeros benefícios físicos e psicológicos estão associados à prática esportiva, como o bem-estar (BIDDLE, 2000), menor ansiedade (TAYLOR, 2000) e maior autoestima (FOZ, 2000; MILLER E LEVY, 1996). Afirmam ainda que a prática esportiva pode auxiliar no desenvolvimento da autoestima positiva e do autoconceito (STRYER, TOFLER e LAPCHICK, 1998). 56 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS Diante das respostas obtidas e analisadas na pesquisa, que buscou compreender a motivação dos pais para matricularem e manterem os filhos em atividades esportivas dentro e fora da escola, podemos apontar, de maneira geral, que os pais consideram o esporte importante para a formação do indivíduo em sua totalidade. Procuramos também compreender as percepções dos pais sobre o esporte e a Educação Física Curricular de seus filhos. E, neste sentido, percebemos que mesmo cientes de que a Educação Física contribui para a saúde integral do filho, eles a consideram insuficiente para a obtenção de todos os benefícios que o esporte por fora é capaz de proporcionar. Sendo assim, segundo os pais, o esporte contribuiu para a saúde integral física, emocional e social dos filhos. Ou seja, muito além dos benefícios físicos, como o equilíbrio corporal e a melhora da coordenação motora, os pais também buscam o esporte fora da escola pelos diversos benefícios emocional e social, como a convivência, interação, melhora da auto- estima, da ansiedade e da timidez. A partir das análises, podemos identificar que os pais estão cientes dos benefícios que a prática esportiva proporciona aos filhos. Eles enfatizam diversos pontos importantes que resultam dessa prática, como a contribuição para a formação do caráter, os benefícios para a vida, corpo e espírito, a importância de movimentar o corpo para a saúde integral do ser humano, saúde física e emocional e a grande importância da socialização que o esporte é capaz de proporcionar. Esses aspectos fazem parte dos motivos que envolvem a escolha dos pais em buscarem a prática esportiva para os filhos. Como abordado no estudo, o esporte pode ser um instrumento para a busca de autonomia dos indivíduos, para o desenvolvimento da educação, alcance da saúde e autoestima, entre outras coisas. Ele pode ocupar também o lugar de mediador das relações professor, família e criança, buscando facilitar essas relações, aproximando a família do contexto da criança e auxiliando em suas necessidades. Ou seja, de fato o esporte pode ser instrumento de socialização, de educação e saúde. Ainda relacionando o contexto investigado com os motivos citados pelos pais, podemos encontrar respostas que conectam esses motivos com os benefícios adquiridos com a prática, como a conquista de valores, de responsabilidade, acesso ao lúdico, ao relaxamento, acesso à atividades que proporcionam uma melhor convivência, alívio do contato freqüente com as tecnologias, ocupação da mente com práticas saudáveis, enfim, características citadas e que enfatizam como é fundamental e 57 importante a prática de atividade física para o ser humano. Para reiterar essas colocações, alguns autores afirmam que o ambiente esportivo pode realmente desenvolver nas crianças diversas competências, entre elas a cooperação, disciplina, liderança, autoconfiança e a competitividade (STRYER, TOFLER, LAPCHICK, 1998). Foram encontrados, através da análise direta, pontos importantes a respeito da perspectiva dos pais em relação à prática esportiva do filhodentro e fora da escola e suas relações com a Educação Física Curricular. Primeiramente, é necessário termos consciência de que a Educação Física como disciplina curricular deve procurar aproximar-se das recomendações para a prática das atividades físicas, onde as crianças, adolescentes e jovens devem praticar ao menos 60 minutos de atividade física por dia com uma intensidade de moderada à vigorosa (MARQUES, 2010). É muito importante a aproximação da carga horária da Educação Física com essas recomendações, pois diversos jovens não conseguem praticar atividade física de forma suficiente para beneficiar a saúde em sua totalidade, e, com isso, a escola se torna o único espaço de práticas para essas atividades (HALLAL et al., 2012). Essas idéias também vão de acordo com as idéias de Batistella (2001), que diz que a Educação Física é capaz de proporcionar um maior número de experiências motoras e psicossociais às crianças, contribuindo, assim, para desenvolvimento da capacidade de percepção, estimulando estruturas mentais na formação do raciocínio, da sua criatividade, concentração e potencializando habilidades específicas. Porém, conforme as respostas obtidas e analisadas em nosso estudo, não é dessa forma que acontece no dia a dia escolar dos filhos. E na expectativa de melhorar o desenvolvimento e a saúde do filho em sua totalidade, incluindo aspectos físicos, mentais e sociais, os pais vão em busca do esporte por fora, além da Educação Física Curricular. Ou seja, os responsáveis conseguem perceber que a Educação Física é importante e proporciona ao filho benefícios na saúde física e mental, porém, consideram a quantidade de tempo e aulas insuficientes para proporcionar tudo o que o esporte por fora é capaz de proporcionar. E, com isso, o esporte por fora supre essa insatisfação. Mesmo assim, a Educação Física também pode aproximar o filho do esporte e pode se tornar um incentivo para a criança querer buscar o esporte fora da escola. Com isso, o filho também se torna motivador no processo de escolha do esporte fora da escola. O próprio filho também tem parte na escolha dessa busca pela prática esportiva fora da escola. Sendo assim, é importante o responsável ouvir a criança, unir o útil ao agradável, optar 58 por buscar um esporte que a criança goste ou queira fazer, e assim, mantê-la ativa e saudável em diversos aspectos. Levar em consideração os motivos que levaram a criança a iniciar a prática esportiva é relevante para traçar estratégias visando a permanência e continuidade no esporte. Os pais também concordam que o esporte fora da escola pode ser um meio facilitador na rotina deles e que consegue ocupar o tempo do filho, mas a busca não é exclusiva à esses motivos. Esse fator pode ser um meio colaborador, mas não é um meio que define e explica as escolhas e motivações dos pais. A busca foi mais voltada pelos benefícios que a prática esportiva proporciona em sua totalidade. É importante evidenciarmos que os pais reconhecem que fatores sociais e a auto- estima do filho melhoram com a prática esportiva. Diante disso, associamos essa perspectiva com o que Rubio (2000) enfatiza sobre a influência da personalidade, fatores sociais e comportamentais no processo de desenvolvimento no contexto da Psicologia do Esporte. Ou seja, o esporte trabalha o corpo e a mente e é capaz de proporcionar o bem estar para as crianças. Ainda nessa perspectiva, a participação em programas da Educação Física escolar contribui para o desenvolvimento da autoestima em crianças (GRUBER, 1986) e a atividade física regular diminui os níveis de estresse dos indivíduos, fortalecendo as amizades, aumentando a autoestima, desenvolvendo o crescimento pessoal (BALBINOTTI et al., 2011). Esses fatores também motivam os pais a buscarem o esporte para os filhos. Weinberg e Gould (2008) dizem que uma das áreas de atuação mais importantes da psicologia do esporte é o esporte infanto-juvenil. O maior grupo da população de praticantes esportivos é composto por jovens e crianças e é nessa faixa etária que o envolvimento com o exercício e o esporte se inicia, desde as aulas e Educação Física na escola até as atividades esportivas contraturno. Ou seja, o contexto estudado se relaciona com a psicologia esportiva e o estudo pode se tornar mais enriquecedor fazendo essa interlocução da Educação Física, da prática esportiva e da psicologia. Tratando-se das limitações do estudo, podemos dizer que uma delas foi a não obrigatoriedade de responder as perguntas abertas. A opinião espontânea e consciente dos pais nessas questões são essenciais e enriquecem a análise e o estudo de forma geral, possibilitando respostas detalhadas e aprofundadas das verdadeiras motivações e perspectivas dos pais a respeito do que está sendo investigado. As perguntas fechadas foram extremamente importantes para o estudo, porém, percebemos uma grande diferença na quantidade de 59 respostas obtidas entre as perguntas obrigatórias e não obrigatórias, ou seja, perguntas fechadas e abertas. Por outro lado, talvez o questionário não tivesse tanta adesão se deixássemos todas as questões como obrigatórias, tanto as fechadas quanto as abertas, podendo se tornar exaustivo para os pais. Outra limitação foi o não contato com os pais e crianças. Talvez o estudo ganhasse mais credibilidade e adesão se o pesquisador fosse pessoalmente e conversado com alguns pais sobre todo o estudo e todo o processo. Foi uma pesquisa realizada através de um questionário online e este tem as suas vantagens e desvantagens, assim como todos os outros meios de investigação dentro de um estudo. Entretanto, o meio online para aplicação do questionário foi também considerado um meio facilitador, visto que muitos pais poderiam não ter tempo “livre” para responderem o questionário físico. Ou seja, a aplicação do questionário online também pode ter facilitado a pesquisa e obtido respostas que talvez não conseguíssemos obter se a aplicação fosse presencial. Portanto, esses aspectos podem ser levados em consideração e podem ser aprimorados para futuros estudos de forma a obter sempre o melhor para o ramo das pesquisas e para todos os envolvidos. Por fim, diante de todo o exposto, o estudo conseguiu atingir os objetivos e encontrar pontos relevantes a respeito da motivação dos pais em procurar a prática esportiva para os filhos fora da escola. As análises trouxeram conhecimentos que são enriquecedores para a grande área estudada. Contudo, seria interessante realizar novas pesquisas para obter outros pontos de análises e enriquecer ainda mais os estudos direcionados a esse tema e contexto. Novos questionários e investigações, talvez com um maior número de pais e até mesmo investigações com os filhos, professores e com a gestão escolar para mesclar os pontos motivadores dos pais e filhos, as características da escola, da Educação Física Escolar e das aulas dos professores em questão. Tudo isso para que houvesse uma comparação com os pensamentos dos pais e com o que de fato acontece dentro do ambiente escolar e do ambiente esportivo do filho. Buscando também uma melhor compreensão a respeito dos motivos dos filhos e do que pode ser melhorado no âmbito educacional (ambiente escolar, Educação Física Curricular e esporte) e familiar. 60 Além disso, seria interessante futuros estudos com o foco nos pais que buscam o esporte para o filho em diferentes lugares fora da escola para que houvesse a comparação e o entendimento dos motivos em diferentes perspectivas. Ou até mesmo investigar pais que não buscam o esporte para o filho fora da escola ou que só buscam o esporte para o filho dentro da escola para um estudo comparativo e enriquecedor a respeito do tema abordado. Enfim, podemos direcionar estudos partindo de diferentes situações na tentativa de uma maior compreensão e aplicação de ações com o intuito de melhorardiversos aspectos dessa nossa grande área. É necessário também que todos os profissionais e familiares envolvidos nesse contexto saibam a importância que tem na vida e no desenvolvimento de cada criança em diversos âmbitos. Somado a isso, é essencial que façamos buscas e encontremos caminhos para melhorar todas as relações e ações visando sempre desenvolver efetivamente os aspectos de desenvolvimento de um indivíduo como um todo. Por fim, a partir desta pesquisa, percebemos que algumas áreas de estudos se relacionam, entre elas a Psicologia e a Educação Física. Com isso, podemos estudar de maneira não isolada os aspectos investigativos que essas grandes áreas nos proporcionam, de forma a enriquecer as pesquisas, seus pontos de análise e os conhecimentos. 61 7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMARO, R. Mediação pedagógica online: análise das funções do tutor na Universidade Aberta do Brasil. 2012. 85 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Faculdade de Educação – Universidade de Brasília, Brasília, 2012. AYATS, J.C. 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Porto 36 Alegre: Artmed, 2008. 67 8 APÊNDICES APÊNDICE A - Cronograma de pesquisa 2/2017 Tarefas Meses do ano de 2017/ 2 ° Semestre. Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Reformulação do projeto X X X X X Leitura da bibliografia X X X X X Elaboração do Instrumento de Pesquisa X X Validação do Instrumento de Pesquisa X X Coleta de dados no campo X X Organização dos Dados Coletados X 68 APÊNDICE B - Cronograma de pesquisa 1/2018 Tarefas Meses do ano de 2018/ 1 ° Semestre. Março Abril Maio Junho Julho Organização dos Dados Coletados e revisão do que já foi escrito X Elaboração das análises dos resultados X Elaboração da discussão e conclusão X X Organizar referências e formatação de todo o trabalho X X Ajustes finais e envio do TCC aos membros da banca X Apresentação do TCC X 69 APÊNDICE C – EXPLICAÇÃO E CONVITE PARA RESPONDER A PESQUISA ONLINE 70 APÊNDICE D – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (TCLE) 71 APÊNDICE E – QUESTIONÁRIO ONLINE 72 73 2 REFERENCIAL TEÓRICO A Educação Física Escolar é um componente curricular obrigatório nos níveis da Educação Básica. Ela é caracterizada pelo ensino de conceitos, atitudes, valores, e conhecimento do movimento humano em diversas dimensões como biodinâmica, comportamental ... 3 MÉTODOS 3.1 Objetivos da pesquisa 3.2 Tipo de pesquisa 3.3 Sujeitos da pesquisa 3.4 Cenário da pesquisa 3.5 Instrumentos de pesquisa 3.6 Procedimentos da coleta de dados 3.7 Análise dos dados