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Copyright © Rafaela Perver, 2022
Todos os direitos reservados
A Conselheira do CEO
1ª Edição
 
Capa: HB Design Editorial
Diagramação: HB Design Editorial
Revisão: Lidiane Mastello
Todos os direitos reservados a Rafaela Perver. É proibida a reprodução de
parte ou totalidade da obra sem a autorização prévia da autora. A violação
dos direitos autorais é crime, estabelecido na lei nº 9.610/98, punido pelo
artigo 184 do código penal.
Todos os personagens desta obra são fictícios e qualquer semelhança com
pessoas vivas ou mortas terá sido mera coincidência.
Texto revisado conforme o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.
(Decreto Legislativo nº 54, de 1995).
 
 
Dedico a todas aquelas e aqueles que adoram um romance clichezinho
de CEO, com hot de perder o fôlego. E para assim que finalizar a leitura,
entrar em desalento, porque nunca terá um chefe gostosão, rico e que foda
bem. Triste, eu sei, mas vamos fingir que é real...
 
Carter Bastos, tem seus próprios dramas particulares e um coração
quebrado. Mas, agora, está de volta ao Brasil para tentar salvar a ELW,
empresa da família, que se encontra envolta a um escândalo de racismo e
prestes a entrar em falência.
O CEO, então contrata uma conselheira obstinada, para ajudá-lo. Mas ele
não esperava que ela fosse linda e Irresistível.
Noely Sartori é uma mulher inteligente, determinada, que não se deixa
abater. Ela se vê diante do seu maior desafio profissional quando é
contratada como conselheira na ELW e tem três meses para ajudar a salvar
a empresa.
Mas, será que ela conseguirá fazer o seu trabalho, resistir as investidas do
CEO sexy e temperamental e sair com seu coração inteiro?
 
ALERTA DE GATILHOS PARA DEPRESSÃO E SUICÍDIO!
 
Assim que eu atravesso a porta giratória da Elektra Web, eu sorrio, o
mais puro e delicioso sorriso de triunfo. 
— Acabei de sair do RH. Consegui o emprego! — grito pelo
telefone, chamando a atenção de duas mulheres que passavam na rua.
— Meu Deus! AAAAA! — minha prima também berra do outro
lado, feliz pela minha conquista. — Não posso acreditar! Puta merda, eu
sabia, você é a melhor do mundo!
— Darla, não exagera.
— Noely, você se formou em Harvard, é a melhor do mundo sim!
Eu não consegui nem passar no cursinho técnico de cabeleireira do Senac.
Mas falando sério, como a nova conselheira particular da Elektra Web se
sente? 
— Confiante, corajosa e ansiosa para tornar a ELW a maior do
Brasil, novamente.
— Adoro isso em você, sabe que é a melhor. Porém, no seu lugar, eu
estaria morrendo de medo, essa empresa está quase em falência, ainda mais
depois das últimas polêmicas do dono. Você leu as notícias dos últimos dois
meses, né?
— Eu li, terei muito trabalho pela frente. Pelo menos mudou o CEO,
parece que é o filho do dono da empresa, já que seu pai pediu demissão do
executivo, e ainda vendeu a empresa para ele.
— Isso eu não li nos portais de notícias, conte-me mais, adoro
fofoca.
Entro no meu carro, para continuarmos fofocando.
— Foi a mulher do RH que me contou, pensa que língua solta. Ela
disse que o novo CEO foi anunciado há uma semana, e que ele chegou
demitindo todo mundo, para contratar novos profissionais competentes.
Logo, vai sair tudo nos jornais, já que a empresa agora está nos holofotes da
mídia, por conta de toda a polêmica de racismo e do desvio de dinheiro.
— Por isso você conseguiu a vaga de conselheira. Nossa, que barra.
Tem certeza de que está pronta para entrar embaixo desse telhado quase
desabando?
— Estou, sem dúvidas. Sabe que não é a primeira empresa que pego
para reerguer. No meu último emprego, entre cinco conselheiros, eu me
destacava em tudo.
— Por isso foi demitida, aquele bando de invejosos incompetentes,
armaram para te mandar embora. Sua inteligência e habilidades
incomodavam.
— Relaxa, sabe que eu já queria a demissão mesmo. O salário era
muito pouco e não queriam aumentar um tostão, pois teriam que aumentar
igualmente o de todos.
— Agora você vai ganhar mais, sendo só UMA conselheira, de uma
empresa de cinco andares. Já te vejo sobrecarregada, é muita coisa para um
ser humano só.
— E qual a diferença do meu último emprego? Eu fazia quase tudo
sozinha naquela droga, e tendo que dividir meu mérito com cinco pessoas.
Eu, hein, estou mais do que confiante, poderei mostrar todo o meu
potencial, sem medo de estar diminuindo os outros por ser... boa no que
faço.
— A MELHOR! — ela grita. — A MELHOR!
Sorrio de orelha a orelha.
— Precisamos comemorar, se arrume bem gostosa esta noite, pois
vamos para um barzinho com nossos amigos. Já vou avisar aqui no grupo.
— Adorei, mais tarde eu passo na sua casa para te pegar. Agora
estou perto do serviço da minha mãe, vou passar lá para dar um beijo nela e
contar da novidade.
— Nossa, a tia vai pular de alegria. Você é o maior orgulho dela.
Beijão. Logo nos vemos.
— Beijão.
Desligo o telefone e respiro fundo, sem parar de sorrir. Adoro
desafios novos, adoro testar os limites do que sou capaz. Olho para o prédio
luxuoso da ELW. Não vejo a hora de começar na segunda-feira, vou tentar
ser o mais normal possível, para não pensarem que eu sou metida e melhor
do que ninguém. Ganhei tanto esse julgamento no último serviço, só por
fazer o que era para ser feito.
Mas tudo bem, eu aprendi a lição. É isso...
— Senhora?
— Ai meu Deus! — solto um grito dentro do carro, devido ao rapaz
que apareceu de repente, batendo no meu vidro. — A senhora tem alguma
moeda para me dar? — ele pede do outro lado.
— Só um minuto... — respondo, após abrir uma greta do vidro.
Pego a bolsa, à procura de qualquer moeda, só para o rapaz ir
embora. Mas acabo dando falta da minha carteira. Não é possível que não
esteja aqui!
Entro em desespero, viro a bolsa no banco dos passageiros, fazendo
a maior bagunça para encontrá-la, mas não a encontro. Só posso ter
esquecido no RH. Acho umas moedas, dou para o rapaz e desço do carro,
correndo para dentro da empresa. Lembro-me de ter tirado os documentos
para a Flávia. Deve estar na sua sala, não tem outro lugar que eu tenha
tirado. 
Informo na recepção o que aconteceu e a recepcionista me libera
para subir. Eu pego o elevador e chego até o andar da sala dela, bato à porta
e espero abrir. Não demora e em vez de ser ela, sou surpreendida por um
homem que puxa a maçaneta e me deixa de olhos arregalados, sem acreditar
que pode existir uma coisa tão perfeita dessa.
Ele é muito alto, porte médio, barba rente, cabelo de playboyzinho e
olhar acinzentado bem escuro. Meu Jesus!
— Olá — ele fala, fechando o seu paletó e se afastando para que eu
entre.
Que “olá” mais grave e sexy.
— Olá...
— Ah, Noely! Imaginei que voltaria para pegar a sua carteira.
Estávamos falando de você agora há pouco.
Eu entro educada, pedindo licença a eles.
— Já me deixe apresentá-los. Sr. Carter, essa é a Srta. Noely Sartori
é a sua conselheira de administração. E Srta. Noely, esse é o nosso novo
CEO, o Sr. Carter Bastos.
Ele me observa, analítico.
— Prazer, Srta. Noely.
— O prazer é todo meu em conhecê-lo. Obrigada pela oportunidade,
espero alcançar todas as expectativas que a empresa espera de mim. Darei o
meu melhor — falo, sem segurar a maldita língua.
— Veremos na prática, gostei muito do seu currículo. Uma
diplomada de Harvard é valiosa.
— Obrigada, é gratificante ouvir isso.
— Para ser mais gratificante, preciso urgente que comece a ocupar a
sua vaga amanhã.
— Amanhã?! — exclamo tão de repente, que não percebi o meu tom
de voz alto.
— Sr. Carter, eu já disse para ela começar na segunda.
— Pois eu quero que a Srta. Noely comece o quanto antes. Caso não
tenha visto nos jornais, o que é improvável, deve saber que essa empresa se
encontra prestes a falir. 
E isso muda o fato de eu ser obrigada a começar a trabalhar no
sábado?
Reprimo os lábios, segurando-me para não responder. 
— Tudo bem, começarei amanhã.
— Acaba de alcançar uma expectativa da empresa — ele diz, com
as mãos nos bolsos.
Não sei se o seu tom foi debochado ou ele é assim mesmo, mas
sorrio fraco, tentando não fuzilar o meu novo chefe para nãoser despedida
em menos de uma hora de contratação. O que tem de beleza, tem de
exigência.
O que custava me deixar começar na segunda? 
Tudo bem, entendo que a empresa esteja praticamente no fundo do
poço e que ele possa estar desesperado, querendo soluções o quanto antes,
por isso, eu vou relevar e ser profissional.
O sr. Carter se despede de nós e vai embora com o seu perfume
marcante, de homem poderoso. Eu faço o mesmo ao pegar a minha carteira
e ir embora da sala da Flávia. Antes de ir, ela me pediu milhares de
desculpas, só que está tudo certo. Isso não é o fim do mundo. Preciso
também de emprego, tenho um carro e uma casa financiada para pagar. E
por mais que eu seja formada em Harvard, isso ainda não muda a realidade
que eu e minha mãe vivemos. Quero dar o melhor para ela. É a minha
prioridade.
Quando chego em casa, aviso a minha prima que não vou mais ao
barzinho com ela e os nossos amigos, pois amanhã vou precisar acordar
cedo para trabalhar. Também, explico o motivo, que é o Sr. Carter. Ela fica
puta da vida, sem acreditar que vou começar a “escravidão” em pleno
sábado, vou nem detalhar os nomes que ela chamou meu novo chefe. Só
torço para que ele não seja o pior do mundo.
— Filha? 
Minha mãe chega em casa e me encontra sentada no sofá, com o
notebook no colo. Estava lendo mais notícias sobre a ELW, principalmente
sobre o Sr. Carter Bastos. Ele tem 36 anos, já foi casado e morou por vinte
anos nos Estados Unidos. Faz dois meses que voltou para o Brasil, e para
ficar e assumir a empresa ao lado do irmão mais novo, o Sr. Breno Bastos.
Agora, sobre o seu pai, o Barreto Bastos, é um desgraçado com D
maiúsculo. Além de desviar dinheiro da própria empresa e atrasar salários
por meses, ele foi acusado de racismo pela secretária. Ela relata e prova, por
áudios gravados, que ele a chamava de preta incompetente, também exigia
que a moça alisasse os cabelos e usasse bases mais claras no rosto.
Que absurdo! Que esse homem não apareça na minha frente, pois
sou capaz de matar esse racista nojento na base do salto. E pior, acha que
ele está preso? Merda nenhuma. Esses ricos privilegiados se safam com
facilidade, só basta ter dinheiro.
Eu conto para a minha mãe que consegui o emprego na ELW e
relato desse histórico do ex-dono da empresa. Ela também fica chocada e
revoltada por esse cara não estar preso, pagando pelos seus crimes. Brasil,
né? Por outro lado, ela fica feliz por mim.
— Sei que adora um desafio, e esse é um desafio dos grandes. Estou
orgulhosa de você, filha — ela me abraça —, mas tenho uma dúvida, será
que esse filho dele não é igual ao pai? Já fico receosa e preocupada por
você.
— Não sei dizer, se for, não temerei pedir demissão, não se
preocupe.
— Quero só o seu bem, isso inclui a saúde mental no ambiente de
trabalho.
Sorrio e pulo no seu colo.
— Mãe, relaxa. Precisamos desse serviço, vou dar o melhor de mim.
Ela assente e permanece quieta, alisando o meu cabelo. É tão
gostoso o carinho que fecho os olhos.
— Filha... preciso te dizer uma coisa.
— O que, mãe? 
— É sobre o seu irmão.
Então abro os olhos e me emburro.
— Não quero saber de nada relacionado a eles, ao meu pai e ao meu
irmão, já te disse mãe!
— Noely, fica calma e me escuta.
— Escutar o quê? Eu odeio esses dois, sabe o quão mal foram
conosco?
— Nicolas é o meu filho, o meu menino... eu sofro.
— Ah, e imagino que seu “menino” veio te procurar? O que foi?
Lembrou agora que tem uma mãe, a qual abandonou ao lado do nosso pai
milionário, para viver igual playboy, enquanto eu e a senhora passávamos
necessidades, sem um alimento sequer em casa? Vivemos um inferno, mãe,
como pode esquecer de todo esse sofrimento? 
— Eu não esqueci, filha. Eu só...
— Ótimo, pois eu vou lembrá-la toda vez que vier falar do Nicolas e
do meu pai. Eles nos deixaram passando fome! E só não fomos viver igual
mendigas na rua, porque a tia Ana e tio Tales permitiram que morássemos
de favor com eles. Principalmente a senhora, enquanto eu estudava igual a
uma condenada em Massachusetts, para manter a minha bolsa em Harvard,
que conquistei com muito estudo e dedicação, sem a ajuda do papai rico.
— É o meu orgulho, filha. Também fiz meus sacrifícios para você
sempre estar estudando, nunca deixei que abandonasse o seu futuro. Eu
faria tudo de novo, sairia mil vezes naquele sol quente para vender salgado
e te ajudar a ser diferente da sua mãe.
— Nunca quis ser diferente de você, só queria nos dar o melhor. A
senhora é o meu orgulho, sempre farei de tudo para recompensar os
sacrifícios que fez por mim. Essa casa ainda não é o bastante, quero você
longe de serviços braçais. Entendeu, mãe? E por esses motivos, por tudo
que passamos e construímos sozinhas, não aceitarei qualquer aproximação
do Nicolas, nem do meu pai. Não volte a falar desses infelizes comigo. Não
são mais a nossa família.
— Tudo bem, querida... tem razão, desculpe-me.
Tento não chorar e beijo a sua testa, chamando-a para jantarmos,
pois quero dormir cedo. Amanhã começa o início da minha nova vida
profissional, preciso estar descansada e focada.
Olho para a minha maquiagem concluída, a roupa justa, os saltos
scarpin da Prada e respiro meu perfume caríssimo da Dior, que quase custou
um rim. Para trabalhar nessas empresas de milionários preciso sempre estar
vestida à altura. Aprendi isso da pior forma possível, depois de ser
humilhada por mulheres metidas, que te olham dos pés à cabeça, e com
aquela cara de nojo insuportável.
Depois de pronta e após tomar o meu maravilhoso café da manhã,
despeço-me da minha mãe com a sua bênção e vou para o meu primeiro dia
na ELW.
Minha sala fica no mesmo andar que a sala do CEO e do Co-CEO,
provavelmente é o irmão do Sr. Carter. 
— Olá, bom dia, deve ser a Srta. Noely — a secretária bonita e
vulgar me cumprimenta.
Fico meio chocada. Como ela pode se vestir desse jeito, com uma
saia tão curta e uma blusa tão decotada num ambiente de trabalho? 
— Olá, como é o seu nome?
— Sou a Beatriz, a secretária do Sr. Carter e do Sr. Breno, acho que
também da senhorita. 
— Ah, sim... está há quanto tempo na empresa?
— Desde o primeiro dia que o Sr. Carter assumiu o cargo de CEO.
— Hum... — Analiso-a e ela é bem sorridente. — Ok. Pode me
passar todos os documentos, planilhas, contratos, etc? Quero impressos.
— Não é mais fácil analisar pelo computador? Te mando pelo e-
mail.
— Eu quero impresso, gosto de sentir o papel nas mãos.
— Tudo bem, srta. Noely, vou imprimir tudo e em meia hora levo na
sua sala.
Assinto, agradecendo-a e voltando para o meu cubículo de sala. Pelo
menos eu tenho uma sacada com vista bonita para o centro.
Aguardo a Beatriz, que em meia hora me traz uma penca de papéis,
ainda diz que tem mais. Já vi que levarei uma semana e meia para entender
a logística da empresa.
Bom, que então comece o desafio. 
Passo umas três horas lendo os documentos da administração, ou
melhor, da má administração. Estou sem acreditar no tanto de dinheiro que
a Elektra Web ganhou no ano passado. E como não pagavam os seus
funcionários? O criminoso sem escrúpulos desviava sem pena. Não era para
a ELW estar desse jeito hoje em dia, na verdade, se tivesse uma boa gestão,
seria a empresa número um de desenvolvimento de softwares no Brasil.
Vou escrevendo tudo no computador, organizando as finanças desde
o primeiro ano de inauguração da empresa... até ser interrompida por
alguém, que entra na sala e para na frente da minha mesa.
Ergo a cabeça e quase perco o ar com o homem alto e forte na
minha frente. Ele é sufocante, sem dúvidas. 
— Posso saber o que está fazendo?
— Bom dia, Sr. Carter... eu... — Um pouco tonta, olho para os
milhares de papéis sobre a minha mesa, tem outros milhares caídos no chão.
— Estou lendo e entendendo o passado da ELW.
— Não foi para isso que contratei a senhorita.
— Mas esse é o meu trabalho, devo analisar vírgula por vírgula,
antes de ajudá-lo em qualquer decisão administrativa.
— E analisou?
Como o olhar desse homem é intimidador, arrepiante.
— Estou analisando, como pode ver.
— É, estou vendo, tem até a plantada empresa. — Ele pega o papel
que estava bem próximo do meu braço. — Agora, quero saber, no que isso
me ajuda?
— No caso, me ajuda... — murmuro, erguendo-me da cadeira e
olhando-o, sorridente, como uma boa funcionária. — Mas então, no que eu
posso ajudar o senhor, pelo menos nesse momento?
— Venha até a minha sala, tenho algumas estratégias que preciso
discutir.
— Sim, senhor...
Pego o meu tablet e o acompanho para o outro lado. Ao entrar na
sala, fico admirada com o ambiente enorme e luxuoso, muito melhor do que
o meu cubículo.
— Eu dei um prazo de três meses para reerguermos a ELW.
— Eu vi que muitas empresas importantes desfizeram contratos e
processaram a ELW. Há muitas dívidas... ainda não somei tudo, mas...
— Eu não quero discutir o óbvio, Noely. Necessito de planos que
deem certo.
— Desculpe-me, senhor, mas eu preciso fazer isso, afinal, cheguei
hoje, tenho que pesquisar as coisas, buscar informações detalhadas. Não sou
Jesus para fazer milagres. — Quando eu vejo, já soltei.
Merda!
Coro de vergonha.
Ele se encosta na mesa, com a sua beleza insuportável. Ele sim tem
pose de salvador da pátria.
Pigarreio, recompondo-me.
— O que eu quis dizer, é que acabei de chegar, deixe-me primeiro
entender os passos administrativos da última gestão, para em seguida,
instruí-lo no futuro, juntamente com os seus funcionários, afinal, a intenção
de ambos aqui é reerguer a Elektra Web, torná-la respeitosa e de confiança
para o mercado, novamente.
— Eu te darei um prazo até segunda para estudar tudo o que precisa
sobre a empresa. Quero soluções, Srta. Noely, a começar pelas dívidas que
meu... o último gestor deixou. Não há um investidor sequer no nosso
quadro, todos foram embora. 
Ele suspira, preocupado, e, aparentemente, até desesperado.
— Eu tenho uma única estratégia no momento, até analisar tudo e
pensar com cuidado.
— Qual?
— Ela é óbvia e acho que o senhor já está fazendo isso, mas tem o
meu ponto a analisar. Vi que a empresa tem cerca de cento e quarenta
funcionários. Reduza o salário de alguns, pelo menos por esses três meses
que deu. Todos sabem da situação da ELW, não será uma redução
permanente, isso, também garante que não se revoltem e peçam demissão.
Ele se ergue, pensativo, vindo até mim com as mãos nos bolsos.
Aquela sensação de estar sufocada volta, ele é terrivelmente
másculo. Parece que saiu da capa de uma revista com o título “os homens
mais bonitos do mundo”.
— Vamos apostar nessa estratégia.
— Assim? — Arregalo os olhos. — Não vai fazer nenhuma reunião
para discutir com seus...
— Eu decido as coisas sozinho, não será necessário discutir com
nenhum outro grupo, apenas informarei aos responsáveis dos setores. Se
forem contra, despeço e coloco outro no lugar.
Calo a boca e engulo em seco, assentindo.
— Ok... — Desvio dos seus olhos.
— Acho que nos daremos muito bem, Srta. Noely. — Ele sorri, e eu
volto a fitá-lo.
— Talvez sim, o senhor é bem objetivo com as coisas.
— Eu tenho um prazo de três meses, preciso ser.
— E posso perguntar o motivo? Já perguntando...
— Pretendo me aposentar e curtir a vida, isso responde?
— A-Aposentar com trinta anos?
— Olha, andou pesquisando sobre mim?
Mordo o lábio, envergonhada.
Que droga, ele foi rápido nessa.
— Eu li a sua idade em algum daqueles papéis. 
— Hum..., mas não tem uma semana que estou na empresa.
— Ah, eu... enfim, o senhor vai se aposentar.
Ele volta a sorrir, bem diferente do chefe que invadiu a minha sala
agora há pouco.
— Eu tenho uma outra vida fora do Brasil, só estou aqui para evitar
a falência dos negócios da minha família, por mais que eu não ligue se isso
acontecer. 
— Então, não está nem aí para a empresa? 
— Eu estou, esse prazo foi o que dei para mim.
— Entendi, tenho três meses para também garantir o meu emprego,
assim como o de outras cento e quarenta pessoas. Adoro desafios difíceis,
Sr. Carter.
— Adora? 
— Sim... — Dou dois passos para trás, desviando pela segunda vez
dos seus olhos. — Vou voltar ao meu trabalho, tenho muito o que analisar.
Com licença, senhor.
— Até segunda-feira, Srta. Noely.
Ele me observa, até eu fechar a porta e paralisar atrás dela.
Deus do céu, qual foi a última vez que um ser humano me deixou
tão desconcertada? 
No fim, até que ele não é um chefe ruim. Só preciso me acostumar
com esse jeito intimidante dele, principalmente, me acostumar com a sua
beleza. Creio que daqui a pouco ficará tudo normal. 
Depois de sair da sala do meu chefe, não o vi mais. Continuei
trabalhando no meu cubículo, até dar a hora de ir embora. Já desço no
térreo, juntamente com umas cinquenta pessoas, doidas para chegarem em
suas casas.
Eu vou direto para o barzinho que combinei com a Darla. 
Ela já estava à minha espera, tomando uma cerveja gelada.
— Até que enfim, prima! — exclamo e sento-me na cadeira,
jogando a bolsa do outro lado.
— Eu que tenho que dizer até que enfim. Que tipo de empresa é essa
que te contrata em um dia e no outro já exige que você comece a trabalhar
igual condenada?
— Nem me diga. Mas tudo bem, foi importante eu ir hoje, tive uma
boa introdução sobre o passado administrativo deles.
— Em pleno sábado? Sacanagem, viu.
— Fiquei irritada com isso também.
— Mas e aí, disse por mensagem que o seu chefe era um gato.
Ela vira metade da cerveja no meu copo. Está toda sorridente.
— Eu não disse que ele era um gato, só bonito e bem exigente. 
— Pesquisei a rede social dele, é um gostoso com G maiúsculo. Não
sei como vai aguentar trabalhar com um homem desse.
— No meu último emprego também tinha homens bonitos, de terno
e gravata. Já estou acostumada.
— Não me acostumaria nunca. Você é sortuda.
— Sortuda? Tenho três meses para reerguer aquela empresa do
fundo do poço, junto com o Sr. Carter. 
— E por que desse prazo?
— Nem eu entendi direito, só sei que existe esse prazo.
— Nossa, é muito trabalho, não quero te desanimar, mas é difícil
apagar todas essas polêmicas da empresa em menos de três meses, ainda a
reerguer.
— Espero que consiga, já botei esse objetivo na minha mente.
Bebo da minha cerveja, extasiada com o sabor geladinho, delicioso.
— Acho que esse Carter, o novo CEO, não está ligando muito se a
empresa feche as portas ou não.
— Não, ele está se importando sim, pois foi bem exigente comigo...
ou talvez esteja certa, não sei.
— Pelo que me contou agorinha, ele pode ter assumido a empresa
por pressão da família.
— É difícil dizer, eu comecei hoje e não conheço a vida pessoal
desse homem. Espero descobrir algumas coisas enquanto trabalho lá.
— E se descobrir, vai contar para a sua querida prima, pois eu sou
curiosa.
— E pra quem mais eu contaria? — Pisco e sorrimos.
Aproveitamos mais um pouco da noite no bar, eu nem tanto, só bebo
um copinho de cerveja mesmo, em seguida, deixo a Darla na sua casa e vou
para a minha, para voltar a trabalhar em cima daqueles papéis.
No domingo, também fico debruçada no computador, estudando
estratégias para apresentar ao Sr. Carter. Contudo, vou esperá-lo colocar em
prática o que propus ontem. Darei três semanas para analisar se a empresa
terá algum retorno significativo. 
— Bom dia, filha, vai sair sem tomar o café?
— Acordei mais cedo e já tomei, já vou. Te amo. — Beijo o rosto da
minha mãe, despedindo-me com rapidez.
Estou ansiosa. Hoje quero andar pelos setores e conhecer mais dos
funcionários, isso, depois de ver o meu chefe.
Entro no carro e dirijo até ELW. Chego, passo o crachá e subo para
o último andar. Não encontro ninguém, nem mesmo a secretária. Fico no
meu escritório, estudando um pouco do financeiro. Quando ouço vozes,
saio da sala e dou de cara com um homem alto, moreno e de olhos claros.
Ele está vindo na minha direção.
— Olá, bom dia. — Ele sorri, observando-me atentamente.
— Bom dia...
— Deve ser a nova conselheira da empresa. Eu sou o Breno, irmão
do Carter.
— Eu sou a Noely. Prazer, Sr. Breno.
— O prazer é todo meu em conhecê-la, seja bem-vinda, espero que
nos ajude muito com os seus conhecimentos, principalmente, para
aconselhar o meu irmão. 
— Eu farei o possível para fazer o meu trabalho.— Não tenho dúvidas disso...
O sr. Breno continua me olhando atentamente, como se eu fosse um
bicho diferente, que ele nunca viu na vida.
Fico incomodada, pois ele tem o mesmo grau de beleza do Sr.
Carter. A diferença é só na altura e no corpo menos musculoso, de resto, são
gêmeos, saíram da mesma capa de revista.
— Srta. Noely, na minha sala.
Falando nele, eu olho por cima dos ombros do Sr. Breno e o vejo
entrando na sua sala, após me chamar em voz alta.
— Com licença, senhor. — Afasto-me e vou rapidamente para a sala
do CEO.
— Bom dia, Sr. Carter — digo, ao fechar a porta do escritório.
— Bom dia, estudou tudo o que precisava estudar?
Ele se afasta da mesa e vai até o aparador do canto, servindo-se de
álcool logo cedo. Parece bem nervoso.
Respiro fundo, sentindo o cheiro do seu perfume e do condicionador
que passou nos cabelos.
— Sim, o senhor vai colocar em ação o primeiro plano, de reduzir o
salário dos funcionários por três meses?
— Meu irmão fará o serviço de comunicar essa informação a eles.
— Ok... Está tudo bem com o senhor? — pergunto de repente,
surpreendida por ele estar virando o terceiro copo de bebida.
— O que mais tem para mim, Noely? — Muda de assunto, indo até
a sua mesa e sentando-se.
— Estava pensando no senhor fazer parceria com desenvolvedores
de jogos, que estão começando e tem algum servidor na boca do povo, pode
dar certo.
— Não podemos fazer isso, já viu a planilha do financeiro?
Precisamos de clientes fixos.
— Desculpa, mas acho bem difícil uma grande empresa querer os
serviços da ELW no momento, pois não vão querer se vincular a... — Então
fecho a boca, vendo que falei demais.
— Vincular ao quê? 
Ele faz questão de olhar bem no fundo dos meus olhos.
É melhor ser realista.
— Às polêmicas que aconteceram. A Elektra Web foi "cancelada"
pela internet. O caso ganhou muita repercussão.
E ganhou mesmo, pela ex-secretária que sofreu um racismo horrível,
em pleno século 21. Ela jogou na internet as gravações do Sr. Barreto — o
ex CEO racista — e teve milhares de acessos, comentários de pessoas
indignadas, pedindo justiça, para que esse criminoso fosse preso para
sempre. É tudo muito grave, sem falar no desvio de dinheiro que ele fez,
usando laranjas. A polícia está investigando, enquanto o desgraçado segue
em liberdade, após pagar uma quantia para ser solto.
Eu olho para o Sr. Carter, caindo em si, que o ex CEO é o seu pai,
que ele e a sua família podem estar sofrendo com tudo isso. Ou não. E se
eles estiverem do mesmo lado, dando assistência ao pai?
Meu Deus, como eu pude tocar logo nesse assunto?
— É por isso dos três meses! — Ele se ergue, ainda mais nervoso.
— Eu sei que a falência será inevitável, está sendo. As pessoas,
principalmente os nossos clientes, não foram capazes de separar o que
aconteceu.
— Eu tenho outra estratégia.
— Diga?
— Que tal abaixar drasticamente os valores dos serviços da ELW e
fechar com clientes pequenos?
— Eu pensei nisso há alguns dias, vamos arriscar tudo, até alguma
coisa dar certo. 
Assinto, desviando dos seus olhos.
— Vou voltar para a minha sala, se precisar de mim, pode me
chamar.
Na verdade, eu vou respirar um ar livre pelos setores.
Ele não diz nada, nem um “tudo bem”. 
Não estendo mais nenhum assunto e saio ligeira da presença desse
homem.
Ele está bem estranho, comparado a sábado. Alguma coisa deve ter
acontecido. Eu é que não me arrisco a saber, prefiro ficar na minha, fazendo
o meu trabalho. E que trabalho, viu?! Um dos mais difíceis que já enfrentei.
Espero que as duas estratégias deem certo.
Durante a primeira semana, vou analisando o desempenho da
empresa. Boa parte dos funcionários não aceitaram bem a redução salarial,
mas foi explicado os motivos e o prazo de três meses. Foi o Sr. Breno,
irmão do Sr. Carter, que fez o discurso no refeitório. 
Ele foi incrível, deixou claro as dificuldades que a ELW está
passando, desde as últimas polêmicas graves.
Por mais que a empresa, nem os funcionários tenham culpa do que
aconteceu, infelizmente, isso afetou a todos e agora, correm risco de
falência. O Sr. Breno é cirúrgico nas palavras, pude sentir a sua
sensibilidade, assim como a boa maioria presente. Desde esse dia, desde
que o parabenizei pelo discurso e desde que ele me chamou para
almoçarmos juntos, ISSO TODOS OS DIAS, nos aproximamos mais.
Viramos bons colegas de trabalho. Diferente do Sr. Carter, que só fala o
necessário do trabalho comigo, assim como eu.
E isso é o certo, é melhor eu não ter intimidade com o CEO, sendo
eu a conselheira dele. Quero que tudo dê certo, que a empresa se recupere e
que comece a ter um saldo positivo no mercado, por mais que isso possa
demorar alguns anos. Infelizmente, não há solução imediata em alguns
meses, ou há, o que é uma raridade, ainda mais para o grau de polêmica que
a Elektra Web se encontra.
— Posso saber o que a Srta. Noely está pensando?
Levo um susto ao ouvir a voz do Sr. Breno tão próxima a mim.
Estou em pé, na varanda da sacada, que divide o hall da secretária e das
salas. Vim tomar um cafezinho. A vista daqui é linda, se tornou um dos
meus lugares preferidos.
— Só estou tomando um café.
Fito-o e, ele sorri fraco, observando-me com as mãos nos bolsos.
— Estou te vendo todas as tardes aqui.
— Eu terminei de deliberar alguns investimentos, para apresentar ao
Sr. Carter. Aí vim tomar um café e aguardá-lo chegar.
— Hum... acho que o nosso CEO não volta hoje. 
— Sério? Aconteceu alguma coisa?
— Algo a ver com a ex-mulher dele, não sei direito, meu irmão é
bem misterioso com a sua vida pessoal.
— Entendi, o senhor também é. Acho que todos somos.
— Minha vida pessoal não tem muito segredo, nem mistérios. Eu
sou bem normal. Incluindo a rotina.
— Parando para analisar, a minha é bem normal também. Eu
acordo, vou trabalhar, chego em casa, durmo e no outro dia vou trabalhar de
novo. É assim todos os dias. — Dou de ombros.
— Temos muitas coisas em comum, incluindo gostos alimentares.
— Não mesmo, você gosta de frutos do mar, e eu detesto. Não gosta
de doces e eu amo.
Ele começa a rir.
— Pensa pelo lado bom, eu te dou todas as minhas sobremesas
quando vamos almoçar juntos.
É a minha vez de rir.
— Isso é maravilhoso!
O Sr. Breno desvia de mim e olha as horas no relógio de pulso.
— Tenho um plano. Que tal sair mais cedo, se arrumar e eu passar
às 20h na sua casa, para aproveitarmos a noite juntos?
Arregalo os olhos.
Ele está me chamando para sair? Tipo um encontro?
M-MEU DEUS!
— Senhor... eu...
— Hoje é sexta-feira, Noely, duvido que tenha outro bom plano.
— Não tenho.
— Então perfeito, passo às 20h na sua casa. — Ele pisca.
E após se retirar, seguro-me na barra da sacada.
Céus, ele está a fim de mim? Será?
Ele é o nível de homem que nunca dá nem bola para uma mulher
como eu. Sei disso, porque tenho 29 anos e jamais fiquei com um cara
como esse.
Arrumo as minhas coisas e saio rápido da empresa. 
Chego em casa já pedindo socorro para a minha prima. Ligo a
videochamada para ela ver as condições do meu closet.
— Não tenho o que vestir!
— É claro que tem! Ficou louca? Veste aquele seu vestido
vermelho, que é bem tubinho e decotado. Nunca usou.
— Não, esse é vulgar demais. O que o Sr. Breno vai pensar de mim?
Que estou igual a uma oferecida!
Darla revira os olhos do outro lado.
— Não revira os olhos ou furo eles com os dedos. Ajude-me, sua
vaca!
— Veste o vermelho e fim de história, você fica elegante e uma puta
gostosa com ele. 
— Não dá, é muito desconfortável, não estou acostumada a usar
essas coisas.
— E você comprou esse vestido pra quê? Larga de cu doce e veste
logo. Não vai ficar vulgar coisa nenhuma. Por si só você é uma mulher
muito elegante. Também, escolhe uma calcinha bem fio-dental, vai que rola
um clima gostosinho e vocês transam.
Respiro fundo, olhando para a peça estendida na cama.
— Não sou de transar no primeiro encontro.
— Afinal, você só teve três em toda a sua vida, pois não demonstra
interesse em nenhum homem.
— Será que estou demonstrando muito interesse no Sr. Breno? —
Esbugalho os olhos.
— É natural e importantedemonstrarmos interesse, ainda mais
quando se é solteira e está na seca há anos. 
— Vai ver se estou na esquina, Darla. E não gosto de ser fácil
demais.
— Noely, eu vou te matar se você não for com o vestido vermelho
no encontro e no fim da noite, não sentar na rola grossa desse homem!
Veste logo o vestido, vagabunda!
— Vagabunda é você, sua piranha sem amor.
— Piranha não ama, querida, a gente fode. Vou te ligar daqui vinte
minutos, e se você não estiver maquiada e dentro desse vestido, apareço aí
para te meter um murro na cara.
Darla desliga a chamada.
Que cadela sem piedade.
Mesmo nervosa e insegura, eu termino a maquiagem, visto o
bendito vestido, os saltos e de frente para o espelho, eu solto os meus
cabelos loiros — devido ao babyliss, eles caem em cascata, deixando tudo
ainda mais sexy.
Minha nossa, como fiquei bonita. Minha pele ganhou destaque,
minhas curvas ficaram mais empinadas e meus peitos ficaram lá em cima.
Estou muito gostosa, muito mesmo. Fiquei até com tesão do Sr. Breno me
olhar assim... ou o Sr. Carter.
Arregalo os olhos.
Não! Meu pai santo, não!
O Sr. Carter? Só posso estar louca. Aquele homem nem nunca olhou
para mim de outro jeito, não como o Sr. Breno olha. Sem falar, que o Sr.
Carter é bonito demais. Ele me lembra até o Superman de óculos. E sei que
eu não faço o tipo do Superman. Estou naquela empresa para ser o seu
conselho administrativo.
Tirando-me dos meus pensamentos, Darla volta a ligar pelo vídeo e
quando me vê com a roupa que queria, fica toda satisfeita, chega a dar
pulinhos. Já a minha mãe, fica chocada, diz que estou muito sexy e que vou
roubar a atenção de todos os homens esta noite.
Estou nervosa, mas disposta a ser meio “fácil” para o Sr. Breno.
Quero descomplicar as minhas inseguranças e deixar rolar o encontro.
Afinal, pela semana que o conheci, vi que é um cara bacana.
Assim que recebo a sua mensagem, de que chegou, despeço-me da
minha mãe e saio de casa, abrindo o portão e dando de cara com o carro
luxuoso dele.
— Uau, Srta. Noely... — Ele para no meio da calçada, olhando-me
dos pés à cabeça. — É a mulher mais bonita que já vi na vida.
Ruboresço.
— Não vale mentir.
— Eu não minto.
Ele chega perto de mim, tirando-me o fôlego com a sua beleza alta e
forte. Sem falar nesse perfume masculino, que aflora toda a minha libido.
Esse é quente demais.
— Sempre é muito cheirosa, mas esta noite, seu cheiro é ainda mais
de enlouquecer.
Sorrio, aceitando a mão que me estende, cavalheiro.
— O seu perfume também é... não sei.
— Não sabe?
— Cheiroso demais, deixa-me confusa.
Ele ri e me leva até a porta do carro, fecha e dá a volta para
igualmente entrar.
— Que interessante, o meu perfume lhe deixar confusa.
— É embaraçoso, meu Deus, você está me fazendo ficar com
vergonha.
— Acho que gosto de te deixar com vergonha. — Ele dá sua
piscadinha costumeira e pisa com calma no acelerador.
Em meia hora chegamos ao local, uma balada bem "gourmetizada",
onde só tem ricos da elite.
Nós nos acomodamos em uma mesa bem privada do segundo andar.
— Eu estava precisando espairecer a mente um pouco — Breno
confessa, após o garçom recolher os nossos pedidos. — Mas vai ser difícil
fazer isso com você, dona Noely.
— Por quê?
— Porque desde que pisou os pés na porta dessa boate, nem um cara
deixou de te olhar. Isso me fez ficar um pouco nervoso.
— Nervoso? Sinto muito por isso, é porque eles são inconvenientes,
né?
— Não, o problema sou eu, é que às vezes eu posso ser possessivo
com o que ainda não é meu.
Perco a voz e toda a autonomia do meu corpo. Se eu estivesse
tomando algo, com certeza teria cuspido a um metro de distância.
Vou fingir que não entendi, pois não é possível que eu tenha
entendido o que o Sr. Breno disse.
Nossos drinks chegam rápidos, o que me faz ter algo para não
engolir em seco. Bebemos e conversamos sobre muitas coisas divertidas.
Na verdade, ele que torna tudo uma piada, tirou-me milhares de risadas.
Doeu até o estômago.
— É muito bom rir, eu estava precisando.
Já estamos no nosso terceiro drink, soltos, íntimos e engraçados.
— Eu nunca ri tanto na minha vida, fico feliz pelo senhor também
estar se divertindo.
— Noely, chame-me só de Breno, não estamos no escritório.
Assinto, dando de ombros. Obviamente vou chamá-lo de Sr. Breno
de novo, é impossível parar, já me acostumei.
— E eu precisava mesmo dessa noite, não anda fácil as coisas na
minha família.
Noto que ele está tentando desabafar.
— Devo imaginar, devido às polêmicas. Não deve ter afetado só a
empresa.
— Éramos uma família normal, até tudo vir à tona e desmoronar
sobre as nossas cabeças.
— Se refere ao seu pai?
— É claro que me refiro a ele, não sabíamos de nada,
principalmente, a minha mãe. Achávamos que a empresa estava falindo
devido a qualquer outro motivo do mercado, menos por desvio de dinheiro.
Já que o meu pai era o diretor executivo. Ele e a minha mãe têm 50% da
ELW. Ela ficou arrasada com a traição e está até hoje, mesmo depois de um
mês desse acontecimento.
“Não anda sendo fácil para mim, nem para o Carter. Ele teve que
deixar a sua vida às pressas nos Estados Unidos, para tentar recuperar o
nosso patrimônio. E isso é só o resumo.”
— Não sei nem o que dizer, me coloco no lugar de vocês. A pior dor
deve estar sendo a da traição. Eu tenho um caso quase igual, mas é com o
meu pai abandonando a minha mãe e eu, depois de ficar milionário com
criptomoedas.
— Ele abandonou vocês?
— Sim, meu irmão fez o mesmo ao completar 18 anos. Foi atrás do
nosso pai. Agora vivem pela Europa, esbanjando, com carros, mansões e
lanchas. Já a gente, sofreu as minguas, passando fome e quase sendo
despejadas, pois não tínhamos dinheiro para sequer comer, imagina pagar
um aluguel? Se não fosse o meu tio e a minha tia, não sei o que seria de
nós. 
— Que história chocante. Sério, mas que cara filho da mãe.
Abandonou a mulher e a filha depois de ficar rico — ele murmura
revoltado. 
Porém, antes que dissesse mais alguma coisa, seu telefone toca e ele
verifica quem é.
— É a minha mãe, preciso atender.
Balanço a cabeça e beberico da minha bebida.
O Sr. Breno se ergue, afastando-se para conversar a sós. Em dois
minutos retorna, estranho, e me chama para acompanhá-lo.
— Está tudo bem? Por que estamos saindo correndo da balada? 
— Desculpe-me, Noely. Droga! 
Ele para do lado de fora, passando a mão pelos cabelos e na barba,
enquanto aguardamos o seu carro. O Sr. Breno está nervoso, tremendo.
— Sr. Breno? Está me deixando assustada.
— Foi a cuidadora que me ligou pelo celular da minha mãe,
avisando que ela passou mal, seu coração acelerou e ela desmaiou sozinha
no banheiro.
Coloco a mão na boca, assustada pela notícia.
— Meu Deus, espero que esteja tudo bem.
— Preciso saber agora. Vou ter que te levar para o condomínio, não
vou conseguir te deixar na sua casa.
— Eu posso ir embora de Uber.
— Não! Eu quem te peguei na sua porta e eu quem vou te deixar no
mesmo lugar!
— Tudo bem, fique calmo.
O carro chega e entramos rápido, a caminho da casa da mãe dele.
Até que eu penso no Sr. Carter.
— Seu irmão já sabe?
— A cuidadora também o avisou.
— Certo.
Volto a ficar em silêncio, apenas acompanhando o seu desespero
para chegar o quanto antes ao destino. Até furou os sinais de trânsito.
Seguro-me no cinto de segurança, rezando para que nada de ruim aconteça
conosco. E graças a Deus, para o meu alívio, chegamos intactos ao tal
condomínio de luxo. 
Ele dirige até a casa certa, ao parar, joga o carro na calçada e desce,
correndo para dentro.
Eu paro no degrau da entrada, sem fôlego para tantas emoções.
Respiro fundo e entro, caminhando devagar para a sala. Estou sozinha no
lugar, provavelmente, a mãe deles deve estar no quarto lá em cima. Uma
empregada aparece perguntando quem eu sou e explico que estou
acompanhando o Sr. Breno. Ela verifica a veracidade, depois volta,
pedindo-me para ficar à vontade, enquanto aguardo-o.
Espero por uns vinte minutos, até ouvir duas vozes conhecidas e
exaltadas. Olho para cima e o Sr. Breno e o Sr. Carter descem os degraus da
escada, discutindo superalto.
— Não tem a porra do direito de tomar essa decisão, Carter!
— Ela é a minha mãe também! Precisamos tirá-la desse país, fechar
aquela droga de empresa e viver as nossas vidas!
— Essa é a SUA vontade! E a da nossa mãe? Ela deu a vida pela
ELW. Sabe o quanto aquela empresa é importante e se não soubesse, não
teria atendido o seu pedido de voltar para o Brasil e tomar a frente do cargo
executivo!
— Eu vim e atendi o pedido pelo bem da saúde dela! E pra quê?
Para no final vê-la se afundando em uma depressão por causa do nosso pai?
— Ela não vai morar à força nos EUA! Não insista! Eu não vou
deixar!
Eles se encaram, com os punhos fechados.
Ergo-me, chocada com a situação em que me meti, e com os meus
dois chefes!
— Vou convencê-la em três meses a desistir e vir comigo, será a
decisão da nossa mãe, assim não terá como questioná-la.
— Ela jamais aceitaria ser sustentada por nenhum de nós, ainda
mais desistir dos seus negócios. Isso vai passar, Carter, ela vai superar essa
merda toda que está acontecendo.
— Como se você estivesse superando?
— Não superei, assim como você, só estamos fingindo ser fortes
para não desabarmos com a realidade. 
Irritado, o Sr. Carter vira a cabeça e então me vê, interrompendo a
discussão.
Engulo em seco, constrangida.
— O que a Noely faz aqui? — ele solta a pergunta de repente,
fazendo o Sr. Breno também me olhar.
— Estávamos jantando, antes de eu receber a notícia.
— Você e a Noely?
— Como colegas de trabalho? — O Sr. Breno sorri, e o Sr. Carter o
empurra, vindo nervoso na minha direção.
Eu arregalo os olhos, pois ele me analisa dos pés à cabeça, quase me
fazendo cair para trás.
— Você vem comigo agora mesmo!
— O Sr. Breno, ele...
— Agora mesmo, dona Noely!
 O Sr. Breno assente, sem dizer nada.
Eu fico sem entender o que está acontecendo, mas pego a minha
bolsa e sigo o Sr. Carter para fora da mansão.
— O que está acontecendo?
— Eu estou te salvando, tem muito que beijar os meus pés.
— O quê? — Paro no mesmo instante.
— O que, o quê, Noely?
Ele também para, no quarto degrau da escada de chão e me olha,
não evitando percorrer as íris de cima para baixo no meu corpo.
Eu coro as bochechas. 
Puta merda, que vergonha.
— Você não costuma ir vestida assim para o escritório, ou sou eu
que não presto muita atenção em você? 
— Claro que não! Isso não é roupa de se trabalhar... 
— Gostei muito, sinta-se à vontade para ir todos os dias vestida
assim.
— O quê? Está lou... — Fecho a boca, lembrando que estou de
frente para o meu novo chefe.
Ele sorri maldoso, sem disfarçar que está adorando o
entretenimento.
— Ia me chamar de louco?
— Jamais, eu sou muito educada.
Desço a escada e passo por ele, contando os segundos para ir
embora e esquecer esse fracasso de noite.
— O senhor vai me levar para casa? — pergunto, mudando de
assunto.
— É claro, estou te livrando de cair numa armadilha.
— Se refere ao Sr. Breno?
— Sim, você não merece tanto desgosto.
Ele chega perto de mim e para na minha frente, causando-me
arrepios com os seus olhos misteriosos e esse aroma de perfume forte.
— Por que diz isso, referente ao seu irmão?
— Não o quero iludindo mais uma, ainda mais você, minha
conselheira. Não aceito distrações, Noely.
— Pode me detalhar os motivos? — Chego a cruzar os braços.
— Quem sabe ele mesmo não poderia te detalhar os motivos? Não
me meto na vida dele, assim como ele não se mete na minha. A regra é
básica e a respeitamos. 
— Acabou de se meter — falo tão no automático que a minha ficha
cai só depois que eu fecho a bendita boca.
— Eu me meti porque a senhorita é a minha conselheira. Eu a
contratei para estar ao meu lado, e temos muito trabalho. Por isso, sem
distrações na empresa — ele repete, depois vira as costas e começa a
caminhar para o seu carro chique, do outro lado da rua. 
Rolos os olhos e sigo-o a passos ligeiros.
— Como se a secretária e as suas roupas vulgares não fossem uma
distração.
— Eu ouvi algo? — O Sr. Carter vira tão inesperado, que eu bato
sem querer nas suas costas e tropeço nos meus próprios saltos.
Por pouco não caio no chão, se ele não tivesse me segurado e me
salvado com as suas mãos grossas.
— Meu Deus! — Aperto a camisa dele, com os meus batimentos
acelerados.
— Tudo bem, você se machucou? 
Olho para esse homem e perco o fôlego com a aproximação do
nosso rosto, tão perto que sinto a sua respiração quente.
— Não, o senhor que parou de repente.
— Agora a culpa é minha? 
— Eu não disse isso...
Desvio dos seus olhos e tento me afastar, mas ele não solta a minha
cintura.
— Realmente, ficou muito bem nesse vestido, Noely. — Ele
escorrega as mãos da minha cintura e me solta devagar.
Ele está analisando muito o meu vestido.
Céus, eu preciso de um buraco para me enfiar dentro.
— A minha prima, que me obrigou a vesti-lo, não faz parte do meu
estilo. Mas, obrigada, Sr. Carter.
— Faço questão que torne esse o seu novo estilo.
Que descarado, não acredito nisso.
Ele dá a volta e entra no carro. 
Eu também entro, fecho a porta e coloco o cinto de segurança.
— Já está tudo bem com a sua mãe? — pergunto.
— Ela está de repouso, foi apenas uma queda de pressão. A
cuidadora achou que era outro ataque cardíaco, pois ano passado aconteceu
uma situação parecida — explica, enquanto dirige.
— Sinto muito, espero que fique tudo bem com ela, de verdade. 
— Vai ficar. Vou aguentar tudo isso enquanto posso.
Fico alguns minutos quieta, mas não aguento.
— E se em três meses der tudo certo?
— Eu nomeio outro chefe executivo e vou embora com a mente
totalmente limpa, mas se não der, fecho aquela empresa e levo a minha mãe
comigo para os Estados Unidos, ela querendo isso ou não, será para o seu
próprio bem.
Abaixo a cabeça, apertando os meus dedos.
— Eu cheguei “ontem” e já me meti na vida pessoal do meu chefe,
peço desculpas por qualquer coisa.
— Realmente, se a minha conselheira não tivesse tentado se
envolver com o meu irmão, não teria se metido em toda essa situação e eu
não estaria levando-a para a sua casa.
Sério que esse homem foi tão grosso desse jeito?
Quer saber, nesse momento, ele não está sendo o meu chefe, pois
não estou no trabalho.
— Incrível como é um ser delicado.
— Eu não fui?
— É claro que não foi, não o obriguei a me levar embora, afinal, eu
estava com o seu irmão, e estava tudo ótimo. Ele é sempre muito bem-
educado e um cavalheiro.
Olho de canto e noto-o segurando-se para não revirar os olhos
— Ainda vai me agradecer por essa noite, pode anotar na sua
agenda.
— Não me arrependi de nada até agora, está enganado.
— Eu não disse que seria um arrependimento imediato.
— Não vai ser.
— Quer apostar?
— Não.
— Disse não, é porque está começando a perceber a verdade.
— Sr. Carter, com todo o respeito, o senhor é irritante!
— Oras, é um prazer receber tal título.
— Sinta-se consagrado e benzido — resmungo, olhando para a
janela.
— Sabe, Noely, gostei muito de você — ele confessa tão inesperado
que perco a fala. — É profissional, centrada, inteligente e adoravelmente
divertida de se irritar. Contratei a conselheira perfeita.
— Isso só pode ser deboche.
— Não, é sério, sinto-a como a minha dupla para reerguer ou
afundar a ELW. Somos Jack e Rose dirigindo o Titanic. 
Sem aguentar, começo a rir.
— Só espero que o Titanic não afunde, farei o possível para isso não
acontecer. Quero que dê tudo certo, Sr. Carter. Veremos até o final desse
mês se as nossas estratégias ajudaram ou pioraram a situação da empresa.
— Estou contando com o melhor... — ele fala baixinho, mas no
fundo, acho que não conta muito com isso.
Mas eu conto, eu confio no meu potencial. Esse Titanic não vai
bater em nenhum iceberg.
Em alguns minutos o Sr. Carter chega à minha casa. Acabo
percebendo que nunca disse o meu endereço para ele. Como sabia?
— Como sabia o meu endereço?
— A secretária deixa tudo salvo no Google Maps.
— Ah, entendi... agora faz sentido. Obrigada, Sr. Carter e também,
sinto muito pelo transtorno.
— Está perdoada.
Arqueio a sobrancelha, para não revirar os olhos.
Eu, perdoada? Eu só disse um sinto muito. 
Desço do carrodizendo “até amanhã" e caminho rápido para dentro
de casa. É quando consigo voltar a respirar normal, graças a Deus.
Que noite!
Preciso ligar imediatamente para a minha prima e desabafar sobre
tudo que aconteceu. Nem ela vai acreditar.
Sem esperar por um temporal açoitando a minha janela pela
madrugada, eu durmo muito mal. Não consegui pregar os olhos direito,
morrendo de medo daquele barulhão, parecia o fim do mundo. E olha que
nem estava com cara de que ia chover. Curitiba é uma caixinha de
surpresas.
— Hummm, não te vi chegando ontem, filha, mas ouvi você
conversando no telefone.
— Eu cheguei cedo, estava conversando com a Darla, fui desligar o
telefone meia-noite — explico, sentando-me à mesa para tomar meu café
antes de ir trabalhar.
— E como foi o encontro?
— Não foi bem um encontro, saímos como bons colegas de
trabalho, só isso. — Dou de ombros.
— Mas gostou dele?
Penso no Sr. Breno, sem saber se gostei ou não. Mas é um cara
bacana, não me arrependi de termos saído, como o Sr. Carter espera que eu
me arrependa.
— Não sei dizer, faz uma semana que comecei na empresa, o
conheci há poucos dias. Vamos ver o que vai rolar daqui para frente.
— Vai que você desencalha, já está na hora.
— Mãe!
Dona Ana ri, dando um beijo no topo da minha cabeça. Nem
respondo esta senhora, minha mãe, pois sou muito educada.
Termino o café e vou igual um zumbi para a ELW. 
Daria tudo para estar na minha deliciosa caminha.
— Srta. Noely, que cara é essa? — Beatriz, a secretária, questiona,
depois de eu tirar os óculos escuros.
— Sono, minha querida, é uma tortura trabalhar no sábado. Mas se
depender do nosso chefe, trabalharíamos até no domingo.
— Já colocou isso na caixinha de reclamações da recepção?
Arregalo os olhos para a voz que entoou atrás das minhas costas.
Puta merda.
Respiro fundo e então viro para o Sr. Carter, com um sorriso
contagioso no rosto. Tento não corar, pois esse homem intimida qualquer
alma penada com essa beleza de galã turco.
Não acredito que ele me ouviu.
— Bom dia, Sr. Carter.
— Bom dia, minha adorável conselheira, por mais que não esteja
tendo um “bom dia”, já que é uma tortura trabalhar no sábado.
— É uma opinião pessoal que o senhor não devia ter ouvido, mas
somos profissionais e para mudar de assunto, gostaria de lhe mostrar a
minha análise semanal...
A secretária fica nos olhando, com cara de chocada, pois parece que
estamos sendo um debochado com o outro. Eu não estou sendo por acaso,
foi ele quem começou.
— É claro, na minha sala imediatamente, Srta. Noely.
Ele abre espaço e deixa-me ir na frente.
— Sente-se, por favor — pede, após fechar a porta.
— Não. Serei rápida, pois quero descer para o setor dos
desenvolvedores. Estou observando o comportamento dos superiores.
— Mas eu mandei a senhorita sentar, por isso, sente-se.
Nossa, ele é sempre tão dócil e gentil, né?
Não sei como, mas isso me deixa com vontade de tacar o
grampeador na cabeça dele.
Merda, que pensamento é esse Noely? O Sr. Carter é seu chefe!
— Nunca fique de pé quando for me informar de algo, isso irrita os
meus nervos. E a terapia anda sendo cara demais para eu retroceder.
— Desculpe-me, isso não vai mais acontecer.
— Ótimo.
Ele dá a volta na mesa, puxa a gaveta de baixo e serve-se de uma
bebida alcoólica, ainda me oferece.
Esse homem só vive à base de álcool?
— Aceita?
— Claro que não, já tomei o meu café.
— É um remédio ótimo para suportar a vida.
Fico quieta, esperando que ele finalmente foque a sua atenção em
mim, para me ouvir. Ao fazer isso, eu vou direto no meu Excel e mostro
para ele o progresso de uma semana.
— Não vejo nada de diferente, Noely.
— Como não, Sr. Carter? Comparado ao mês passado, nenhum
cliente pediu para cancelar qualquer contrato.
— Isso é bom? Pois comparado há dois meses, tínhamos o dobro
que esses míseros clientes.
Molho os lábios, segurando-me para manter a postura.
— Não estou fazendo comparativos de dois meses, pois se fosse, eu
teria colocado na tabela.
Ele arqueia a sobrancelha, afrontado pela minha resposta curta e
grossa.
— O que importa é os pontos positivos depois de toda a polêmica,
que aconteceu há um mês e duas semanas. É a partir daí que progressos e
retrocessos devem ser aferidos. E desde que entrei na ELW, as coisas se
mantiveram estabilizadas, afinal, o senhor também ajudou a permanecer
nesse estado, despedindo alguns funcionários e contratando outros dispostos
a fazerem bem-feito o seu trabalho.
O Sr. Carter se ergue, observando-me atentamente.
— Precisamos de mais progressos, Noely, ou milagres rápidos. Mas
é bom estarmos estáveis.
— Estáveis e abertos a novas estratégias para salvar a empresa. 
Ele dá a volta e para bem perto de mim, é necessário eu erguer a
cabeça para encontrar os seus olhos em meio a quase 1,90 de altura. Mas
não faço isso, pois sei que vou olhar para um lugar onde é muito
inapropriado de olhar.
E acabo de pensar nesse lugar... 
— Me dê mais uns dias, vou pensar no seu conselho de
patrocinarmos projetos de desenvolvedores independentes.
— Acho melhor focar nos de jogos, isso está fluindo igual nascente
no mercado de games. É um nicho a se considerar o investimento.
— Primeiro, devemos levar em consideração, que além do
desenvolvimento, o nosso departamento é de administração, com equipes de
marketing, mídia, vendas e de suporte técnico. 
— Eu sei disso, por esse motivo, recomendo fechar alguns
departamentos por enquanto, já que muitos dos clientes que dependiam
desses serviços, desvincularam-se. Devemos rever outro plano de negócio
para a ELW, como investir nos desenvolvedores de games, contudo,
podemos discutir isso no final do mês. Apenas pense, pesquise e estude a
ideia. 
— Estudarei, com mais tempo.
Ergo-me da cadeira, quase colada a ele.
— Eu... também queria te perguntar uma coisa, Sr. Carter.
— Sim? — Ele se escora na mesa, sem desviar dos meus olhos.
— Por que o Sr. Breno não se envolve com a direção da empresa?
Digo, o senhor não o convoca para fazermos reuniões em grupo.
— É da preferência dele não se envolver com a direção, Breno cuida
mais dos projetos finais. Por isso mesmo, quando eu sair da empresa, caso
ela não vá à falência, devemos contratar um novo executivo.
— Certo, mas o senhor o deixa por dentro de tudo?
— Claro que sim. E qual motivo da pergunta, Noely?
— Curiosidade, nas últimas empresas em que trabalhei, havia
muitas reuniões em grupo, conselho de até dez pessoas. Era um sac... —
pigarreio — enfim, estou gostando de poder tratar diretamente as coisas
com o senhor.
— A empresa é 100% nossa, o que significa que só minhas decisões
importam. 
Ele chega mais perto de mim, fico até tonta com o seu perfume e o
seu peitoral largo, coberto pela camisa social branca.
— Mas está bem curiosa sobre o meu irmão, esqueceu do que
conversamos ontem?
— Sem distrações, só que ele não é uma distração, é o meu chefe
também. Foi genuína a minha pergunta.
— Eu sou o seu único chefe, Noely, e espero ter tirado todas as suas
dúvidas genuínas. Agora, está dispensada.
Ajeito a minha saia, jogo o cabelo para trás, abraço o meu tablet e
viro as costas, mas antes de eu abrir a porta, ele me para.
— Assim que sair, peça para a secretária entrar.
Assinto, retirando-me e passando o recado para a Beatriz logo em
seguida. 
Ela segura um sorrisinho no rosto e arruma o seu decote, também os
cabelos.
Franzo o cenho, em seguida, esbugalho os olhos ao entrar no
elevador.
Não, eles não... ah, que nojo!
Eu não posso acreditar nisso, que merda de clichê repugnante! Não
posso pensar, prefiro nem acreditar que meu chefe e a secretária fazem o
que não devem no seu escritório.
Isso é um filme? Um livro? Cadê a merda do profissionalismo desse
homem?
Desço para o setor escolhido e todos me olham, calando-se em meio
aos seus cochichos, como se eu fosse a chefe. Fico até com vergonha.
Converso um pouco com eles, também com o supervisor e volto horas
depois para a minha sala.
Passo, sorrindo forçada para a secretária, que já está sentada atrás da
sua mesa. Não sei, mas o meu santo não bateu com o dela dejeito nenhum.
— Noely? — Ouço a voz do Sr. Breno, e olho para a sala de
reuniões.
Ele está sentado do outro lado da mesa, com o seu notebook aberto e
com alguns papéis do lado.
— Olá, Sr. Breno... não te vi hoje.
— Cheguei mais tarde na empresa. Tudo bem? Queria te pedir
desculpas por ontem.
Ele se levanta e vem até mim, extremamente bonito, com os seus
olhos verdes e porte atlético.
— Não peça, não foi culpa do senhor.
— Mesmo assim, sinto muito. Espero que possamos marcar outra
ocasião juntos, claro, se o Carter não tiver feito a minha caveira para você.
— E por que ele faria a sua caveira?
— Nada... — Sorri estranho. — Somos irmãos, é normal um
implicar com o outro. Sinto muito, de verdade.
— Está tudo bem, eu quem sinto muito pelo que aconteceu, espero
que a sua mãe esteja melhor.
— Ela ficará, depressão é uma doença complicada.
— Mas, tenha fé. Ela vai passar por tudo isso e se recuperar com
sucesso.
— Obrigado, Noely, você é uma mulher incrível.
Sorrio sem graça.
— Também é um bom homem. Vou voltar para o meu serviço, com
licença, Sr. Breno.
— Toda, depois nos vemos.
Eu piso para fora da sala e de repente, dou de cara com o Sr. Carter,
passando no corredor e me olhando.
Ele para e vem até o meio do hall, onde vê o Sr. Breno.
— Precisa de algo, Sr. Carter?
— Sim, pegue a sua bolsa para descermos.
— O-oi?
— Pegue, Noely! — simplesmente manda, todo autoritário.
Eu não tive nem como refutá-lo, pois ele só deu a sua ordem e virou
as costas.
Esse homem é muito bipolar, meu Deus. Acertar o seu humor é
como ganhar na megasena.
Ainda bem que o Sr. Breno não viu essa cena, ele voltou todo
concentrado para a mesa.
Sem escolha, suspiro e imediatamente vou pegar a minha bolsa, para
em seguida, descer o elevador com ele. Na garagem do subsolo, o Sr. Carter
me faz segui-lo até o seu veículo chique.
— Aonde vamos?
— Almoçar — responde e entra no carro.
Para não ficar igual uma idiota, com cara de tacho, eu também entro.
— Assim, de repente, vamos almoçar? O senhor não me convidou.
— E eu tenho que convidar a minha conselheira para almoçar
comigo?
— Mas é claro, não consta no meu contrato de trabalho ser
conselheira submissa, que tem que obedecer ao seu “Sr. Grey” quando ele
ordena.
Ele me olha e noto que falei demais, acho que o “submissa” não era
necessário, nem o “Sr. Grey”. Merda!
Desvio do seu olhar, castigando-me mentalmente por falar igual
uma vitrola velha.
— Adorei saber que anda me fantasiado igual a 50 tons. Se quiser,
posso fazê-la assinar um contrato bem peculiar e depois lhe mostrar o meu
quarto vermelho.
Tento não arregalar os olhos. E sorrio forçada.
— É, e o senhor tem um quarto vermelho?
— Não, mas se desejar, posso fazer um especialmente para a
senhorita.
— Sr. Carter! — repreendo-o, enojada. — Não acredito que o meu
chefe está falando uma coisa dessa comigo.
— Você quem me revelou a sua fantasia — ele refuta, enquanto
dirige.
— Eu não tenho fantasias!
— Não tem? 
— Não mesmo, nem em sonhos.
— Difícil de acreditar, é meio impossível.
Noto que ele está se deliciando com o meu constrangimento. 
Que tipo de chefe é esse que eu consegui? 
— O senhor devia estar falando comigo sobre a empresa.
— E o que temos mais para falar? Só nos resta colocar tudo em ação
e esperar. Além de que é proibido falar de trabalho fora do trabalho.
— É sério? Eu não sabia.
— Sim, criei essa regra agora mesmo, só para você.
Rolo os olhos, pedindo paciência ao bom Jesus.
— Sinto que o senhor deseja que eu peça demissão.
— De jeito nenhum, você é a única que está me deixando de bom
humor para suportar aquele Titanic. — Bufa, virando na rua onde tem um
restaurante de esquina. E é onde ele para.
— Vai dar tudo certo, já disse que estou na ELW para fazer o meu
trabalho. E farei o impossível para o Titanic não afundar.
— Seu otimismo me surpreende. — Ele desce do carro, para desta
vez abrir a porta e agir como um cavalheiro, que espera a sua dama sair do
seu assento.
Eu não disse que era um bipolar? Lá no estacionamento entrou igual
um cavalo, nem sequer abriu a porta para mim.
— Como é “cavaleiro”... — murmuro debochada ao descer, crendo
também que ele não ouviria.
E ele ouve! Maldição.
— Disse algo, Srta. Sartori?
— Que estou faminta...
Ele analisa o meu rosto, deixando-me sufocada com a sua beleza
turca. Será que ele tem ideia de como é bonito? E de como essa beleza
intimida as pobres e meras mulheres sem chances? 
— Mataremos a sua fome. — Pisca e aponta, para eu ir na frente.
Eu vou e escolho a mesa mais próxima do ar-condicionado quente.
Hoje o dia continua frio e chuvoso.
— Está com frio?
— Um pouco.
— Vou pedir um vinho para aquecer.
Ele faz sinal para o garçom bonito, que se aproxima da nossa mesa,
olhando-me. Depois que o Sr. Carter faz o nosso pedido, eu fico seguindo o
garçom com os olhos, só de curiosidade por ele ter me olhado tanto.
— A Globo está perdendo uma ótima atriz.
— O quê? — Fito-o.
— A senhorita estava comendo o garçom pelos olhos, sem nem
sequer disfarçar.
— Eu não seria tão deselegante, só estava curiosa por ele estar me
olhando tanto. Tem algo de errado com o meu cabelo?
O Sr. Carter chega mais perto de mim, fazendo questão de me
escanear. Até fiquei tonta com a aproximação.
— Sim, eles...
— Ah, que horror, é essa chuva, dá tanto frizz!
Passo desesperada as mãos nos fios.
— Eles são muito bonitos.
Paro no mesmo instante.
— O que o senhor disse?
— Se tivesse me deixado terminar de falar, talvez eu repetisse.
Nossa, como ele é “cativante”. Nem respondo mais.
Permaneço quieta e saboreando o vinho que o garçom veio nos
servir. Ele ficou me olhando de novo.
— Você realmente é tão bobinha para não perceber os olhares do
garçom?
— Eu não tenho tempo para ficar reparando nas intenções do
garçom, Sr. Carter, isso não significa que eu seja bobinha, significa que não
tive interesse. Àquela hora só olhei por curiosidade, pois convenhamos, é
um rapaz muito bonito — respondo, alisando a taça e dando outro gole na
bebida.
Noto-o quase me fuzilando.
— Direta e com muita sinceridade.
— Para chegar aonde cheguei, realmente, tive que ser muito sincera
e verdadeira. Às vezes, interpretada como nariz empinado. Mas não ligo, se
você não for direta, obstinada, fica para trás. São poucos os que desejam o
seu sucesso. Agora, para criticar e te fazer desistir, são milhares.
— Incrível como somos tão iguais, é o mesmo pensamento que eu
tenho. Se continuar assim, pode chegar ainda mais longe.
Sorrio, agradecendo-o.
Assim que chega o nosso almoço, tento comer igual um ser humano
normal, por mais que eu queira devorar o prato inteiro, de tão bom que está.
— Estou muito curioso com você, por não ter fantasias.
— Não comece, Sr. Carter.
— Isso é bem incomum, não posso ficar curioso?
— Pode, mas isso é comum, pelo menos para mim. — Dou de
ombros.
— Não sei se acredito, prefiro tirar a prova — sussurra rouco e por
fim chama o garçom para fechar a conta.
Molho os lábios, sem querer levar as coisas para segundas
intenções. Ele não seria capaz de levar, não é? Espero que não, pois eu teria
um desmaio súbito aqui.
Depois que saímos do restaurante e entramos no carro, o Sr. Carter
voltou para a empresa.
— Espero que não tenha odiado a minha companhia, logo que, odeia
acordar cedo para trabalhar no sábado.
Lá vem ele me provocar...
— De forma alguma, uma coisa pode anular a outra. E por mais que
o senhor tenha criado um prazer interno em implicar comigo, até que não é
um chefe ruim.
— É claro que eu não sou, espero que nem tenha pensado nessa
possibilidade. — Ele pisca e descemos no estacionamento.
Como é humilde também, esqueci de citar isso.
— Enfim, obrigada pelo almoço, foi divertido.
— Por nada, já disse que adoro a sua pessoa.
Sorrio fraco e subimos juntos para o nosso andar, onde nos
separamos novamente, cada um para a sua sala.
 
 
No instante em que abro a porta do meu escritório, eu dou de cara
com a Valentina, sentada bem em cima da mesa, com as pernas cruzadas.
— Oi, amor, saudades da sua esposa?
Eu trinco o maxilar e bato a porta.
— O que fazno Brasil?
— Eu vim cobrar o que você me deve.
— Estou resolvendo as coisas com o seu pai.
Valentina desce da mesa.
— Eu quero os meus quatro milhões, chega de me enganar! 
— Eu já disse que não tenho essa quantia no momento, já leu as
notícias do Brasil sobre a ELW? O que o meu pai fez com a empresa e com
a nossa família? Estamos quase falidos!
Ela respira fundo, vindo calma até mim.
— Se não tivesse pedido o divórcio, você, o seu irmão e nem a sua
mãe estariam nessa situação sozinhos.
— Acabou, Valentina! Não envolva o nosso divórcio nisso. Sempre
arruma um pretexto.
— Só quero recuperar o nosso casamento feliz. Volte para mim,
Carter, eu perdoo esse dinheiro que me deve e ajudo a sua família, essa
empresa.
— Não quero que se meta mais na minha vida. Eu vou te pagar essa
merda, seu pai me deu um prazo! E se a empresa não se reerguer, vou
vendê-la para te pagar tudo o que devo.
Valentina puxa o meu braço e mesmo sob a minha negação, ela
segura o meu rosto.
— Larga de ser um teimoso, está falido e em desgraça também. E
tudo que precisa fazer para voltar a ser o poderoso de antes, é reatar o nosso
casamento. Eu posso te dar tudo o que quiser.
— Menos o meu filho!
Empurro-a para longe de mim.
— Eu já disse que foi um acidente!
— Nunca vou acreditar em você!
— Carter, não diga isso, perdoe-me, já faz seis meses, podemos
recomeçar de novo. O que preciso fazer para reconquistá-lo?
— Nada, eu já estou com outra pessoa — respondo e vou até a
porta, abri-la. — Agora vai embora, Valentina, o que tivermos para resolver,
será intermediado pelo seu pai.
Ela arregala os olhos e avança como louca até mim.
— Está mentindo, você jamais viveria sem mim. Ficamos sete anos
juntos!
— E acabou, por sua causa! 
— Eu já te pedi perdão centenas de vezes! E não acredito que possa
estar com outra mulher, você me ama!
Do outro lado, a secretária nos assiste, juntamente com a Noely, que
chega a virar de costas, fingindo que não está vendo ou ouvindo nada. Ela
deve ter se atentado ao escândalo da Valentina e saído para conferir o que
estava acontecendo.
— Chega de me perseguir, volte para Nova York e viva a sua vida.
— Não, minha vida é você!
— Chega!
Eu mesmo saio da sala, irritado com toda a situação infernal.
— Quem é ela?! Não acredito em você, seu mentiroso!
— Beatriz, retire-se por um minuto — ordeno para a minha
secretária. Noely também tenta sair pelo elevador, mas paro-a. — Menos
você, Noely.
Ela engole em seco e paralisa no mesmo lugar.
— Quero lhe apresentar, alguém, Valentina — chego perto da minha
conselheira —, essa é Noely.
— Quem? — Valentina começa a tremer e olha a Noely de cima a
baixo. — É verdade? Como pode, Carter?
— Sr. Carter? — Noely sussurra, sem entender nada.
Não tenho tempo de explicar, apenas de agir para me livrar da
Valentina.
— Eu pude e você também pode, siga a sua vida com alguém que te
mereça de verdade, pois eu, você não merece mais.
— Você sofreu, chorou por mim, dizia que me amava! Só foi eu
perder um bendito filho para me abandonar!
— Você não perdeu, você o tirou à força, pois ele destruiria o seu
corpo. Não foi o que falou? É uma egoísta, que só pensa em si própria! Vai
embora daqui.
— Essa desgraçada também vai perder qualquer filho que venha de
você! — Ela encara a Noely. — E podia ter me trocado por algo melhor,
não por essa loira burra.
— O quê? — Noely não aguenta e dá um passo feroz. — Quem
você pensa que é para me chamar de burra? 
Eu seguro o braço da Noely, puto comigo mesmo por tê-la colocado
nessa posição constrangedora.
— Eu sou alguém melhor que você, sua pobretona.
— Já mandei você ir embora, Valentina, ou chamo os seguranças
para expulsá-la à força.
— Vai pagar por isso, Carter! Eu vou destruir a sua vida! — ela
esbraveja alucinada e vira as costas, indo finalmente embora, para me dar
paz, ou me deixar com outro problema, pois a Noely vira a cabeça e fita os
meus olhos, brava comigo.
Acho que nem “brava” é a palavra correta.
— Desculpe-me por isso. — Solto o seu braço, passando a mão
atrás da nuca.
— Olha, Sr. Carter, eu não sei nem o que dizer! Será que é difícil eu
ter uma ótima relação de chefe e funcionária, sem o senhor me colocar na
sua vida pessoal?
— Está brava?
— O senhor ainda pergunta?! — exclama, de um jeito que eu nunca
imaginei vê-la, já que é sempre tão prestativa, dócil e calminha. — E burra
é a cretina da sua ex! Ou o senhor, por ter se relacionado com uma criatura
tão doida como essa!
— Noely... — pigarreio, mas vejo que ela já perdeu as estribeiras de
tudo.
— E eu sou a conselheira do senhor, não se esqueça de que estou
aqui para fazer o meu trabalho! Por isso, também faça o seu papel de ser o
meu chefe!
— É claro. Eu posso falar?
— Se for pedir desculpas, eu o desculpo e decreto que essa situação
nunca aconteceu, agora, com licença.
Sem me deixar me pronunciar, ela passa do meu lado, trombando de
propósito no meu braço e afastando-se firmemente, com seus saltos fazendo
um barulho forte no piso.
Puta que pariu, meus olhos não desviam das suas curvas e a minha
boca não se fecha, chocado e boquiaberto com essa mulher.
Eu mereci? Eu mereci!
Que droga, sinto muito pela Noely, foi muito errado o que eu fiz,
ainda mais como o seu chefe.
Eu vou para a minha sala, mas fico andando de um lado para o
outro, pensando na desgraça que está a minha vida. E isso é tudo culpa do
meu pai! Eu juro que se o visse na minha frente, eu... eu não sei nem o que
faria!
Penso na Noely, em comprar flores e chocolates para me desculpar,
mas ela não parece ser uma mulher comum, que se encanta por esses gestos
clichês. Bem diferente da Valentina, que ficaria feliz com qualquer mimo
que recebesse.
Do que será que ela gosta? Mal a conheço direito, só tem duas
semanas na empresa. Duas semanas e já mostrou ser uma pessoa bem
cativante e profissional, por mais que no início, pensasse que ela apenas me
daria uma foda maravilhosa, para me desestressar da vida e dessa empresa à
beira do precipício, logo que, para mim, conselheira nunca foi uma
profissão com tanta credibilidade, que pudesse mudar as minhas opiniões
do executivo. Talvez tenha me enganado bonito. 
Vivendo e aprendendo.
— Senhor, mandou me chamar? — Beatriz aparece rapidamente.
— Sim, você tem vinte minutos para descobrir do que a Srta. Noely
gosta.
— C-como?
— Você entendeu, Beatriz.
Ela assente e retira-se.
Volto ao trabalho, com planos de sair mais cedo para encher a cara.
Beber sempre é a solução, está no meu dicionário pessoal.
Enquanto eu termino de averiguar dois relatórios, Beatriz volta.
— Então? — indago.
— Ela não sabe.
— Como assim?
— Bom, eu perguntei e a Srta. Noely deu de ombros, disse que não
sabia... e que...
— Sim?
— Que tudo que ela gostaria no momento era só de ir embora. Isso
foi bem em sussurro, parecia estressada. Pedi licença e a deixei sozinha.
— Ela é sempre transparente — resmungo. — Pensarei em algo...
obrigado, pode se retirar, Beatriz.
Minha secretária sai.
Eu arrumo as minhas coisas e só passo na sala da Noely para dizer
que está liberada para ir embora, mas não aguento vê-la tão séria e estendo
o assunto, após pigarrear.
— Gostaria de recompensá-la por aquele constrangimento.
— Já conversamos, Sr. Carter — diz, erguendo-se da cadeira e
pegando a sua bolsa. — Estou ansiosa para semana que vem, para saber dos
rendimentos ou retrocessos da ELW. Será importante, ando monitorando
semanalmente todos os relatórios do financeiro.
— Eu não estava falando da empresa, já está dispensada do trabalho.
— Chego perto dela, após ela quase parar na minha frente. — Gostaria de
recompensá-la por aquele constrangimento com a minha ex-esposa, dê
alguma resposta, Noely. Não agi certo com você.
Ela molha os lábios, lendo a minha alma com os seus grandes olhos
castanhos. Seus traços são tão delicados e rejuvenescidos, qualquer um dá
uns vinte anos para essa mulher.
— Está tudo bem, o senhor não precisa se preocupar com isso, acho
que tem problemas mais importantes para se martirizar.
— Eu estava com planos de sair e beber, que tal ir comigo?Logo
que já confessei que gosto muito da companhia da minha conselheira.
— Se eu for, o senhor para de implicar comigo?
— Não, e vou passar às 19h na sua casa.
— Sr. Carter!
— Já não combinamos tudo?
— Eu levarei a minha prima, pois tinha planos de ir num barzinho
com ela.
— É claro, levarei o Breno também, para fazer a sua alegria, já que
o adora tanto.
Noely rola os olhos.
— O senhor poderia ser um chefe normal — fala e vem até mim.
— Igual um velho rabugento que maltrata os seus funcionários?
— Nem tanto, não exagera.
Desta vez seguro a porta para sairmos juntos. Também entramos no
elevador.
— Não me imagino um CEO fixo da Elektra Web, talvez seja isso
que me torne o melhor chefe, sinto-me provisório até a hora certa.
— Está fazendo muitos planos, quem sabe nem seja isso que o
destino tenha preparado para o senhor? Ele gosta de pregar peças em nós.
— Tomara que não, espero que esse destino esteja bem de acordo
com os meus planos. 
Ela não fala mais nada. E no estacionamento, despedi-me,
confirmando o horário que vou passar para pegá-la.
Entro no carro e saio da empresa ligando imediatamente para a
Darla e avisando que os nossos planos mudaram. Quando conto, ela se
mostra perplexa.
— Eu não acredito nisso, o seu chefe gostosão chamou a gente para
sair? Ai, socorro, eu não tenho roupa à altura dessa noite.
— Não estou nada contente.
— E posso saber por quê?
— Porque não estou gostando de ter tanta intimidade com o meu
chefe. Acho que já me meti muito na vida do Sr. Carter, sendo que entrei há
pouco tempo na empresa.
— Você mesma disse que ele só vai ficar três meses como CEO,
acho que não tem nada a ver ser amiga dele e ter uma boa relação nesse
meio tempo. Isso é ótimo.
— Eu nunca tive isso com nenhum outro chefe! Eles sempre
deixaram claro o meu lugar e... não sei. Na verdade, eu não te contei o que
aconteceu hoje.
— Pois me conte, eu sou curiosa e preciso de todos os fatos para
julgar certo o babado.
— Acho melhor te contar pessoalmente, que tal arrumar suas coisas
e eu passar aí para te pegar? Podemos ir para a minha casa, nos arrumamos
lá.
— Perfeito, dá tempo de colocarmos a fofoca em dia. Vou te esperar,
gatinha.
— Ok, já estou perto.
Desligo o telefone e respiro fundo, pensando sem parar naquela cena
e nas palavras daquele idiota.
Como assim, o Sr. Carter devia ter arrumado “coisa” melhor do que
ela? E como essa cara de cascavel pode me chamar de burra? Queria ter
esfregado o meu diploma de burra na cara dela. 
Olha, estou tão estressada! Que ódio!
Bufo, dirigindo o mais rápido possível para pegar a minha prima.
Chego e ainda fico aguardando-a. Assim que ela sai de casa com a sua
mochila e entra no carro, eu começo a desabafar.
E graças a Deus, estava precisando fazer isso. 
— Que perua, vagabunda, cara de dragão atingida por soda! Como
você pode ouvir isso e não fazer nada? — Darla questiona contra mim.
— Você entendeu a parte onde o Sr. Carter fez tudo isso no
improviso? Eu não conseguia nem me mexer direito, tentando entender o
que estava acontecendo. Depois, compreendi que essa tal de Valentina era a
ex-esposa dele.
— Entendo e também fico com dó do seu pobre chefe, pelo que
disse, ele teve um bom motivo para fingir que você era a atual dele, pelo
menos, para se livrar dessa vaca. Ela teve coragem de tirar o próprio filho
para não estragar o corpinho de naja!
— Quando parei para raciocinar isso, também fiquei com mais raiva
dela. Só que é difícil julgar, prefiro ficar na minha. É a vida pessoal do meu
chefe, não tenho nada a ver, só quero trabalhar como uma funcionária
normal.
— Está certa, o que não tira o mérito dele ter se doído na
consciência e ter te convidado para sair. Mostra que é um homem que se
importa. Por isso, fica tranquila, Noely, o interessante é ficar bem gostosa
esta noite. Afinal, o tal Breno, irmão dele, também vai, né? Tem que focar
em sentar nesse homem.
Rolo os olhos, rindo e não querendo estender as malícias da minha
prima. Antes que ela comece a dizer que preciso transar, que estou
encalhada e que vou morrer cheia de teias de aranha entre as pernas. Ela é
desse nível para pior.
Ao entardecer, eu e Darla começamos a nos arrumar juntas. Até a
minha mãe vem nos ajudar. Tomamos banho, passamos cremes, fazemos o
cabelo, a maquiagem, e por último, fica só a minha roupa. Darla berra
comigo que eu vou com o vestido que ELA quer, enquanto eu quero ir com
o vestido que EU quero. No fim da discussão, onde almofadas voaram para
todos os cantos, a vagabunda conseguiu me fazer entrar no vestido que ela
queria. É super curto e decotado.
Como ela pode ter esse bendito poder de me controlar?
— Tem que parar de cobrir esses peitos enormes e bonitos. Tem
mulheres que pagam vinte mil para ter o que Deus te deu de graça. Tipo eu,
com as minhas azeitonas, e estou me referindo só ao caroço — ela lamenta,
enquanto esperamos pelo Sr. Carter na sala.
Eu insisti que poderia ir com o meu carro, só que ele apenas repetiu
que estava a caminho e encerrou a chamada.
Como sempre, um perfeito cavalheiro com bipolaridade.
Aguardamos e ele chega vinte minutos depois. Despedimo-nos da
minha mãe, saímos de casa e entramos no seu carro, cumprimentando-o.
Vamos no banco de trás, num silêncio constrangedor, até chegar no
barzinho luxuoso e dar de cara com o Sr. Breno. Ele estava nos aguardando.
— Olá, bem-vindas ao meu humilde estabelecimento — brinca,
super receptivo.
— Esse lugar é do senhor?
— Senhor não, dona Noely, e sim, esse é um dos barzinhos que
tenho pela cidade.
— Nossa, que incrível. 
— Não mais incrível que a presença de vossas damas. — Ele olha
para Darla, e lembro-me de apresentá-la.
— Essa é Darla, minha prima.
— Prazer, Srta. Darla... sou Breno — diz e beija a sua mão.
— O prazer é todo meu...
Olho de relance para o Sr. Carter e pego-o observando o meu
vestido.
Chego a engolir em seco, quase tendo um AVC.
Ele estava me olhando!
O Sr. Carter sobe a visão para os meus olhos e sorri.
Minhas bochechas ardem, fico desfalecida de vergonha, ao mesmo
tempo que curiosa para ler os pensamentos do meu chefe.
O que será que ele pensou?
— Como sempre, deslumbrante, Noely... — Breno sussurra, ao fazer
a mesma inspeção em mim, como o seu irmão. — Por favor, sentem-se e
fiquem à vontade.
— Obrigada.
Sento-me quase ao lado do Sr. Carter. Ele se acomodou na ponta da
mesa, Darla também ficou ao meu lado e o Sr. Breno na nossa frente. O
espaço não é tão pequeno, mas deixa todos bem próximos.
— Aqui é tão agradável — comento, admirando a decoração rústica
do barzinho.
— Vocês têm que provar os drinks da casa.
— Eu só quero um whisky — Sr. Carter informa.
Já eu e a minha prima aceitamos qualquer drink sugestionado pelo
Sr. Breno. A bebida ajuda a nos soltar, principalmente a Darla, que puxa
assunto do nada com eles. E adivinha o tema? Eu.
— Temos muito orgulho dela, é aquela prima que deu certo e que a
minha mãe usava de exemplo nos sermões.
Eles sorriem.
— Não é qualquer um que consegue entrar em uma Havard da vida
— Sr. Breno brinca. — Ou uma Oxford. — Ele pisca para o irmão. —
Temos algo bem em comum, Darla, meus pais também usavam o meu
irmão de exemplo.
— Não foi culpa sua não querer entrar numa faculdade. — Sr.
Carter dá de ombros. 
— Nem a minha — Darla completa. — Alguns pais têm muito isso
de idealizar o futuro do filho, o que ele vai fazer, qual faculdade vai entrar e
em qual curso brilhante vai se formar.
— Por isso eu fui o filho rebelde.
— Eu também fui, ou sou. — Darla ri para o Sr. Breno. 
Eles parecem até iguais mesmo, inclusive na energia e no jeito.
— Por que está tão quieta? — Um sussurro próximo a mim faz o
meu corpo se arrepiar.
Olho para ele.
— Não sei... não estou normal?
— Nem um pouco, você costuma falar mais.
— Talvez eu esteja na minha, pensativa.
— Pensando em fantasias?
— Sr. Carter! — Não aguento e sorrio. — Nem comece.
— Pelo menos tirei um sorriso de você. Está gostando do seu drink?
— Sim, é bem docinho.
Sem ter mais o que conversarmos, observamos a minha prima e o
Sr. Breno, que ainda conversam divertidossobre a faculdade. O assunto está
rendendo para eles. No entanto, logo mudamos o tema do grupo, e pedimos
mais bebidas.
À noite rende, Darla e o Breno nos fazem rir o tempo inteiro, chega
a nos provocar dor no estômago.
— Ainda está cedo, vocês não querem ir na baladinha que fica aqui
na esquina? — Breno questiona. — Hoje é sábado gente, vale o
divertimento.
— Eu topo! — Darla exclama animadíssima. 
Ela ama beber e dançar.
Eu olho para o Sr. Carter e ele compartilha do mesmo desânimo que
o meu. Não sei por que estou assim hoje.
— Depois a gente vai — digo.
— Nossa, como vocês são dois velhos. — Breno revira os olhos. —
Darla, quer ir comigo?
— É claro!
Ela pega a sua bolsa e os dois saem, sem olhar para trás.
— Dançar parece ser algo que você também gosta — Sr. Carter
comenta, após ficarmos sozinhos.
— Eu gosto, mas quero ficar aqui, bebendo. — Ergo o meu copo
azul e pisco.
— Isso inclui, bebendo comigo. — É a vez de ele piscar. — Sei que
preferiria não retomar o assunto desta tarde, mas te devo desculpas. Agi no
impulso, para fazer a minha ex-esposa ir embora e não me procurar mais.
— Eu entendi, espero que saiba que não gostei dela.
— É compreensível. Só queria que ela entendesse que o nosso
casamento acabou para sempre, que não tem chance de reatarmos. E teve
razão, Noely.
— Razão do quê?
— De me chamar de burro, esqueceu?
Eu quase cuspo o último gole que dei na minha bebida.
— Meu Deus, eu havia esquecido que te ofendi.
— Bonito da sua parte.
— O senhor mereceu, e é passado, já foi. Só quero fazer o meu
trabalho na ELW.
— Ah, nem comece com trabalho, é proibida de falar! — Ele se
ergue. — Melhor darmos um pulinho nessa balada e ver se vale a pena,
vem, dona Noely.
— Não é melhor ficarmos bem aqui? Estou morta de preguiça,
trabalhei muito estressada essa tarde.
— Que pena, vem logo ou te arrasto pelos cabelos.
— O senhor é sempre tão gentleman — murmuro, erguendo-me
com o meu vestido quase na altura das coxas.
Puxo rapidamente o tecido para baixo e ajeito o decote.
— Adoraria que fosse trabalhar todos os dias assim.
Encaro-o, vermelha de vergonha.
— O senhor e todos os homens da empresa. Mas só a sua secretária
já está um ótimo colírio para os seus olhos e para a sua satisfação.
— O que quis dizer com isso?
Ele chega mais perto de mim, com a sua altura de um gigante e
peitoral atlético, intimidando-me.
— O senhor entendeu, preciso repetir? — Enfrento as suas íris
nubladas, dando uma resposta à altura, que ele com certeza daria.
— Noely, Noely... — Ele tenta chegar mais perto de mim.
Eu até bato as costas contra umas plantas.
 
 
Ela é imprensada pelo meu corpo imponente e dez vezes mais alto.
Não evito o prazer interno de provocá-la, além de implicar. Seu perfume
adocicado me deixa obstinado.
Noely também me enfrenta, sem desviar os olhos. 
— Sim, adoraria que repetisse.
— Não vou. — Ela tenta passar por mim, mas não deixo.
— Não vai?
— O senhor poderia me dar licença?
— Depois retornaremos a esse assunto, para eu entender melhor.
— Não duvido que volte... — ouço-a murmurar, no momento em
que abro espaço para a mesma sair.
— Disse algo?
— Sim, acho que quero dançar. — Sorri cinicamente e começa a
caminhar para fora do barzinho.
Fico na minha, pois realmente terei o momento perfeito para
retornar ao assunto.
Vamos juntos pela calçada, até a balada, que pago para entrarmos. A
música está insuportavelmente alta, isso me emburra igual um velho da
terceira idade.
Odeio ficar no meio de um monte de gente barulhenta e suada.
— Que cara é essa, Sr. Carter?
Noely se vira de frente para mim.
— A cara de quem quer ir embora desse inferno. Odiei ter vindo.
— Não me diga? Mas agora que estamos aqui, vamos tentar nos
divertir um pouco, fingir que os problemas não existem até a manhã
seguinte. Igual dois adolescentes. Vem... — Ela puxa a minha mão e nos
leva para o meio da pista e das pessoas.
— Não era você que estava desanimada? — pergunto, bem colado
ao seu ouvido.
— Sim, mas de repente me animei.
Ela então dança no ritmo da música. 
Noto-a alterada por causa do álcool.
Fixo-me na Noely, encantado pelas suas curvas perfeitas, os seus
quadris rebolando sensuais, os seios balançando. É magnífica, linda da
cabeça aos pés. Parece que todos os dias novos detalhes me chamam a
atenção nessa mulher.
Puxo-a pelos quadris e danço com ela, no mesmo ritmo da música. 
Ela sorri, divertindo-se. 
Sinto o calor do seu corpo, o aroma do seu perfume. Minhas mãos
estão possessivas no seu corpo.
— Eu amo essa música! — exclama, com os seus lábios vermelhos,
bem pertinho dos meus.
Que merda, se eu beijar a Noely, não vou querer mais parar... 
Ela olha para mim, sem desfazer o sorriso.
É a minha vez de chegar bem perto da sua boca e saber se ela deseja
o mesmo que eu.
— Não cansou ainda não?
— Não...
Como eu imaginava, pego-a desprevenida e ela fita de novo os meus
lábios, a seguir, os meus olhos. Até para de dançar, um pouco tonta com as
suas mãos no meu peitoral firme. Parece que caiu na real de algo, deve ser
aqueles seus pensamentos de que eu sou o seu chefe, de que está há pouco
tempo na empresa e que isso não é certo. O que não me importo, pois só
tenho mais dois meses e algumas semanas na ELW. 
— Acho melhor achar a min... minha. — Ela fica confusa, pois
aperto a sua cintura contra o meu corpo.
Em seguida, a única coisa que sentimos é o roçar da minha barba e o
calor das nossas bocas, provando um a maciez do outro.
Que delícia é o seu gosto.
Pego-a por trás da sua nuca, intensificando o nosso beijo. 
Ela retribui com sede de mais, penetrando a língua e inclinando a
cabeça. Minhas mãos percorrem as suas costas, quase alcançando a sua
bunda, que me controlo para não apertar e pressioná-la contra o meu
volume excitado. Afasto os dedos da nuca e vou para os seus cabelos
macios, que agarro com força, sendo a minha vez de penetrar ainda mais
desejoso a língua na sua boca, como se eu estivesse fazendo sexo.
Noely perde o fôlego. 
Afasto a sua cabeça, percorrendo a ponta do nariz no seu pescoço,
conforme também beijo a sua pele.
— Sr. Carter... — ela geme baixinho, segurando-se na minha
camisa.
— Noely! 
De repente, escutamos a voz da sua prima no meio da barulheira.
Não quero largá-la, mas Noely me afasta ligeiramente, arregalando os
olhos.
A tal Darla chega perto de nós.
— Eu não vi nada...
— C-Claro que não viu... Eu-eu preciso ir embora! — Noely tropeça
ao dar passos bambos para trás.
— Agora? Mas acabamos de chegar!
— Eu posso te levar.
— Não! — ela esbraveja contra mim, sem nem conseguir encarar os
meus olhos direito. — Vou pegar um Uber... um táxi, qualquer coisa.
— Noely, está tudo bem? 
Darla me olha e eu suspiro, fazendo sinal para ela de que vou levar
as duas em casa. Mas Breno também chega, oferecendo-se para levar as
meninas. E só para se livrar de mim, Noely aceita na mesma hora, o que me
irrita e me faz morder o maxilar.
Só foi a porra de um beijo, isso é o fim do mundo para ela? Foi
inevitável, já aconteceu.
Breno sai com elas, deixando-me para trás.
E quer saber? Já estou aqui e não vou terminar a minha noite assim.
Perto do bar, flerto com uma morena de cabelos compridos, indo direto ao
que desejo. Ela me beija, mas nada tão incrível ou marcante... depois vamos
para qualquer motel e fodemos até de madrugada.
Saio mais do que satisfeito, só querendo a minha cama e uma boa
noite de sono.
— Bom dia, acordou cedo em pleno domingo? — Breno invade o
meu quarto.
Estou terminando de colocar o relógio de pulso.
— Nunca sabe bater na porta?
— Você faz o mesmo e eu não fico chorando.
— O que quer aqui?
— Beijou a Noely ontem? — Ele é direto, após encostar na coluna e
dar uma mordida na pera verde que mastiga.
— Nem lembro, bebi demais.
— Ah, Carter, vai mentir para mentiroso?
— E você, andou beijando a prima dela?
— Não, mas eu bem que queria. Gostei muito da moça, tem a
mesma vibe que a minha. Além de ser bem bonita.
— Recomendo avisá-la antes, que você odeia relacionamentos
sérios e que mulheres são só um brinquedinho descartável nas suas mãos.Não é isso que sempre diz? E pelo que eu vi, a tal Darla pode cair
inocentemente nos seus encantos.
— Igual a Noely está caindo nos seus?
— Ela é minha conselheira.
— Eu sei e toda a empresa também sabe, estou falando do beijo que
deram ontem. Eu vi de camarote a cena. 
— A gente havia bebido e rolou. — Dou de ombros. — De qualquer
forma, terminei a minha noite com uma morena que nem lembro mais o
nome.
— Mas queria ter terminado entre as pernas da sua conselheira.
— Breno, vai à merda, vai! Não nos metemos na vida um do outro.
— Não estou me metendo, apenas curioso. Noely é muito bonita,
como sei que chegou primeiro, não fui malicioso e nem dei em cima dela.
Está vendo como mudei? Vive só me crucificando como cafajeste.
— Acabou? — Passo por ele, revirando os olhos.
— Só mais uma coisa, a mamãe saiu do quarto e está lá na sala.
— Como assim? — Paro no mesmo lugar.
— Até eu fiquei admirado, nas últimas semanas ela não queria nem
se levantar da cama, ou sequer pentear os cabelos.
— Vou vê-la. 
Ando rápido até as escadas e lá embaixo, vejo a minha mãe sentada
na poltrona, alisando a sua cachorrinha de raça.
— Mãe?
Noto que ela vestiu uma roupa bonita, também penteou os cabelos.
Isso é mais do que incrível.
— Filho! Oi, meu amor.
Ela se levanta fraca e eu chego perto, para dar um beijo terno na sua
testa.
— Como está se sentido hoje?
— Melhor, eu quis passar o domingo com os meus filhos.
— Estou feliz por vê-la fora daquele quarto.
— Eu também estou, mãe. 
Breno se aproxima de nós e faz o mesmo gesto que o meu, de beijá-
la na testa.
— Meus meninos... É tão bom ter vocês junto comigo. Isso está me
dando muita força para me recuperar. — Ela toca nos nossos rostos.
— A senhora também está nos dando muita força. Por isso, a
queremos forte todos os dias.
— Obrigada, meninos.
Ajudamos a voltá-la para a poltrona. 
— Dona Kamila se alimentou muito bem esta manhã — a
cuidadora, que estava atrás da poltrona, informa.
— Que bom, vejo-a mais viçosa e ainda mais bonita.
— Além de cheirosa e toda poderosa com os cabelos soltos. —
Breno pisca galanteador.
— Vocês não venham me iludir.
— Não tem como te iludir, mamãe, apenas falar a verdade. A
senhora não criou mentirosos. — Breno se senta ao meu lado.
— Não criei mesmo. São dois orgulhos na minha vida. Veja como os
meus filhos são lindos... — Ela aperta a mão da cuidadora, admirando-nos.
Olho para o meu irmão e tento manter o meu rosto neutro. Nossa
mãe não sabe que eu vou ficar só três meses à frente da empresa — e que o
tempo já está passando —, também, que devo quatro milhões para a minha
ex-esposa, o que significa, que estou quase em falência, junto com a família
e os nossos negócios.
Preciso deixá-la se recuperar, não dá para empurrar essa enxurrada
de más notícias, posso agravar o seu quadro de depressão e não saberia
conviver com essa culpa. 
 
 
Desde a noite anterior de sábado, só soube me lamentar e surtar com
o beijo que o Sr. Carter me deu. Darla berrou centenas de vezes que estou
louca, que só foi um beijo e que amanhã no trabalho é só fingir que nada
aconteceu. É claro que eu vou fingir, só que... 
Eu caio na cama, olhando para o teto, sem parar de pensar em como
foi bom aquele beijo, em como me deixou molhada e tão excitada... pelo
meu chefe!
Droga!
Aperto o travesseiro na cara. 
— Isso não vai mais acontecer, nego-me a ter qualquer outra relação
com ele, a não ser sobre a empresa. 
— Para, Noely, no fundo você está doida para provar da rola do seu
CEO.
— Darla! — Chuto-a da cama. — Antes não era para sentar na do
Sr. Breno?
— Não, ontem eu pude analisar melhor, o Breno não faz o seu tipo...
ele faz mais o meu. — A ordinária sorri maliciosa e leva outro chute.
— Cachorra, safada, não vale nada.
— Pelo menos eu transo. Diferente de você, que está sem ninguém
há mais de três anos. 
— E qual o problema? Eu só não achei o cara certo. Já que nos
meus quatro últimos sexos, ganhei experiências horríveis. Nunca tive um
orgasmo bom, eles nunca pensaram no meu prazer, tanto que no fim, eu
sempre tinha que me estimular para chegar lá.
— Tá, e depois de quatro transas ruins, resolveu se privar de todos
os homens?
— Eu só não tive mais interesse pela merda de uma rola, sendo que
um vibrador pode me dar mais prazer que eles. E sempre dá.
— Você é uma mulher frustrada sexualmente aos 29 anos.
— Não te perguntei nada.
— Mas também não informei. — Ela mostra a língua. — E precisa
tentar de novo, você só teve o azar de algumas experiências ruins.
— Quatro vezes e você chama isso de azar?
— Uai, eu também tive diversas transas ruins, mas na hora H, eu
ensino os bonitos a como me darem prazer. Você só precisa de um sexo
bom para voltar a desejar rolas com mais afinco.
— Na hora certa isso acontece, até lá, supro-me com o meu arsenal
de vibradores.
— Que decadência. — Ela rola os olhos. — Espero que se consuma
de tesão pelo seu chefe gostoso. Vai ficar todos os dias molhadinha por ele.
— Vai jogar macumba para outra, rapariga. — Eu dou um tapa na
Darla. — Não sinto nada pelo Sr. Carter... e aquele beijo só aconteceu
porque eu estava bêbada, fora das minhas capacidades mentais.
— Tá, vai mentindo para você mesma, enquanto usa o seu vibrador
essa noite, pensando no beijo e no pau do Sr. Carter te penetrando.
— Vagabunda! 
Ela corre do chinelo que jogo nas suas costas. E sem tempo para
pensar no meu chefe, já saio da cama e pego a chave do carro para levar a
minha prima até a sua casa.
Está tarde, ela passou o domingo inteiro comigo e a minha mãe. É
hora de devolver a galinha para o seu galinheiro.
Só que na volta, venho pensando de novo naquele homem. E em
casa, enquanto janto, nem presto atenção no que a minha mãe conta sobre
uma novela mexicana... mais tarde, após tomar banho, vestir a minha
camisola e deitar na cama, todos esses pensamentos se intensificam, mil
vezes pior.
Só penso no maldito beijo e naquele maldito homem bonito,
implicante e de olhar irresistível. Sem falar na sua pegada firme...
Chega, eu vou dormir! 
Coloco os meus fones de ouvido, desligo a luz do abajur e viro para
o lado.
Só acordo na manhã seguinte.
Péssima!
Para tentar ficar melhor, arrumo-me com um vestido preto, terninho
vermelho e por fim, o scarpin da mesma cor. Pelo menos, estilosa e sexy eu
sou. No quesito moda eu sempre sou elogiada, isso não nego e nem tento
ser humilde. Sou viciada em roupas e sapatos, toda semana tenho algo novo
no closet. Meu triste defeito.
Tomo o meu café e chego cedo na ELW, já indo direto me trancar no
meu escritório.
Preciso de foco no trabalho, tenho uma empresa para tirar do fundo
do poço e isso, num curto tempo estipulado.
— Srta. Noely? 
Minutos depois a secretária bate à porta.
— Sim?
— O Sr. Carter pediu que a senhorita comparecesse à sua sala em
cinco minutos, é muito importante.
— Tem certeza? — pigarreio incomodada com a ideia de vê-lo.
Ela assente, e respiro fundo, preparando-me.
— Obrigada, já vou...
E vou... andando lentamente, até parar na frente da sua porta, girar a
maçaneta e entrar.
Ele está sentado e me olha, enquanto bate os dedos na mesa.
— Bom dia, Sr. Carter.
— Dois grandes clientes acabaram de cancelar os seus contratos
conosco! — ele simplesmente esbraveja, nervoso.
— Agora?
— Neste exato momento.
— Marque uma reunião com eles, vamos tentar convencê-los a ficar.
Não podemos perder um cliente sequer, imagina dois!
Começo a entrar em desespero também. 
— Não há conversa, foi a decisão definitiva dos superiores das
marcas.
Ele se ergue cada vez mais irritado, passando as mãos no rosto.
— Estamos perdendo praticamente 200 mil por mês! — exclamo,
sentindo-me muito mal. 
— Vou declarar falência da empresa em breve.
— Mas a gente não arriscou todos os potenciais que podem dar
certo!
— Não temos investidores, nem dinheiro para investir nas suas
propostas, Noely. E os projetos novos que estamos pegando esses dias, não
estão cobrindo nem as dívidas da Elektra. Mês que vem até teremos como
pagar os funcionários, já no outro, só se um milagre acontecer.
— Vamos pensar, Sr.Carter, pesquisar todos os passos que podemos
dar essa semana e que traga muito retorno para a empresa.
— Nenhuma marca grande vai querer fechar conosco, não para se
interligar com todas as polêmicas, principalmente de racismo. É a era do
cancelamento.
Eu fico calada, inquieta.
Não é possível que tudo comece a desmoronar de vez!
— Até pensei na possibilidade de vender 50% das ações da ELW,
sendo agora 25% minha, 25% do meu irmão e o restante da minha mãe.
Breno estaria de acordo, mas ela não concordaria de jeito nenhum.
— Não seja drástico, ainda dá tempo de arriscarmos em novos
clientes e numa estratégia para entrarmos no mundo dos games. Dá tempo,
Sr. Carter, me deu três meses para isso.
— Eu não dei esse prazo para você.
— Mas é como se tivesse dado.
Ele para perto da mesa, com as mãos nos bolsos da calça.
— Vamos conseguir, o senhor vai ver — digo e vou até o aparador
do outro lado, preparar um café meio doce para ele. Vai fazê-lo se acalmar. 
O Sr. Carter me observa chegar perto dele com a xícara.
— Um café? Surpreendente — sussurra.
— Não é todo dia que sirvo cafezinho para o meu chefe, não se
acostume.
Ele sorri e pega a xícara com o pires.
— Não tenho dúvidas de que contratei a conselheira certa.
Dou de ombros e me afasto, ainda sem conseguir manter muito
contato visual com ele.
— Vou voltar ao trabalho, com licença.
Ele apenas assente, e eu retorno para a minha sala, a fim de
mergulhar em todas as possibilidades para salvar a ELW.
Após o almoço, fico nos outros andares, para pesquisar os
funcionários e conversar com os superiores. No fim do expediente, sem
mais cruzar com o meu chefe, eu vou embora, martirizando o quão péssimo
foi o trabalho hoje.
Ao virar na rua de casa, percebo um carro diferente, e bem luxuoso,
estacionado em frente à garagem. 
Era só o que me faltava, será que a pessoa não sabe ler a placa no
portão? "Proibido Estacionar”.
Eu entro em casa, revoltada.
— Mãe, alguém estacionou na frente do portão e tive que colocar o
carro do outro lado da... — De repente, cesso abruptamente as minhas
palavras e paro no meio da sala, sem acreditar em quem vejo sentado à
mesa de jantar.
Eu aperto os punhos e olho para a minha mãe.
— Oi, Noely... — diz, levantando-se.
— O que ele faz aqui, mãe? — brado furiosa contra ela.
— Ele queria nos ver, filha, Nicolas insistiu muito.
— Pois diga para ele que o quero fora da nossa casa!
— Noely, por favor. — Ele vem até mim, e me afasto.
— Não ouse se dirigir a mim, Nicolas. Estávamos e estamos muito
bem sem você aparecer nas nossas vidas!
— Eu sinto muito, irmã, estou aqui para pedir perdão para mamãe e
para você.
Eu coloco a mão na cintura e começo a rir.
— Ah, só pode ser piada, depois de tantos anos a sua consciência
resolveu doer e decidiu procurar a sua família materna, a qual abandonou
em miséria? Espero que a mamãe tenha contado tudo o que passamos
quando se foi. Não é, mãe? — Olho enfurecida para ela. — Especialmente a
parte onde não tínhamos o que comer e de quando fomos despejadas na rua!
— Filha, Nicolas também é o meu filho, assim como você, ele
nasceu de mim, é meu sangue.
— E isso justifica de ele ter nos abandonado para morar com o
nosso pai rico? Você sofreu, mãe, todas as noites chorando pelo Nicolas e
rezando para Deus mudar os nossos destinos. Trabalhava igual uma escrava
no sol quente, vendendo salgado! Agora, não venha dizer para eu passar
uma borracha nesse sofrimento e perdoar o seu filhinho ingrato!
Nicolas abaixa a cabeça.
— Eu sinto muito de verdade, Noely, sei que nada do que eu disser
vai...
— Não, não vai, seu desgraçado! Eu quero que você suma da nossa
casa, com as suas roupas de playboyzinho e o seu carrinho de luxo,
comprado pelo papaizinho rico!
— Noely, não faça isso, ele é o meu filho! — Minha mãe chora,
após parar do lado dele e segurar o seu braço.
Meu coração dói, como se eu tivesse levado um soco em cima do
peito.
— Então eu saio!
Pego a minha bolsa e viro as costas, correndo para fora de casa. Até
bato a porta com força.
Meus olhos se embaçam, entro no carro e saio acelerando sem nem
ter para onde ir. Choro, revoltada, magoada e com ódio.
Como a minha mãe pode fazer isso? Esquecer de tudo que sofremos
e na primeira oportunidade perdoá-lo?
Pego o meu celular e tento ligar para a minha prima, mas passo com
tanta velocidade num quebra-molas, que meu celular voa para baixo do
banco. 
— Alô? 
Consigo pegar o telefone entre os pés e ouvir a sua voz.
— Darla, eu preciso de você, por favor...
— Noely? Aconteceu alguma coisa? — Percebo ser outra voz
diferente, masculina.
E arregalo os olhos, após afastar o celular e ler o nome do Sr. Carter.
Desligo na mesma hora, sem acreditar que liguei errado.
Ele volta a chamar, com o seu nome discado na frente.
Droga, o que eu fiz?
Não atendo e ele insiste mais duas vezes.
Sem mais escolha, sou vencida pela sua insistência e atendo.
— Oi...
— Noely, está com voz de choro, aconteceu alguma coisa? 
Eu paro com o carro em qualquer encostamento e respiro fundo,
para controlar as lágrimas.
— Desculpa, Sr. Carter, liguei errado. Está tudo bem.
— Azar o seu por ter ligado errado, e pela sua voz embargada, não
está nada bem. 
Resmungo algo, sem evitar que ele me escute fungando o nariz.
— Onde está?
— No carro...
— Quer desabafar, sair um pouco para espairecer a mente?
— O senhor já tem problemas demais, eu vou ligar para a minha
prima e ver onde ela está.
— Meus problemas não vão piorar se eu parar algumas horas para
ajudar a minha conselheira. Estou chegando em casa, vou te mandar a
localização do condomínio. 
— Na sua casa? Não, eu não devia me envolver na vida pessoal do
meu chefe.
— Se esse é o problema, a partir de agora teremos uma nova regra,
depois do expediente somos amigos. Então, abra a localização no seu
celular e venha até a casa do seu amigo. 
Insisto que é melhor eu não ir, só que ele ameaça vir aonde eu
estiver. Por fim, sem muita escolha, eu aceito e sigo até a sua casa.
Na entrada do condomínio sou liberada pelo porteiro. E ao parar
com o carro na calçada, vejo-o aguardando-me em pé. Desço do carro e
caminho devagar até ele.
— Noely, tudo bem?
Assinto.
— O senhor não devia ter se preocupado.
— Seus olhos vermelhos te entregam. Sei que ligou errado, mas o
azar foi seu, é claro que me importaria. Que tipo de pessoa você acha que
eu sou?
Dou de ombros. Se eu for detalhar características bipolares dele,
ficaremos umas duas horas aqui.
— Por mais que eu te conheça há pouco tempo, o senhor está se
mostrando uma pessoa boa. Bem diferente dos meus antigos chefes.
— Obrigado por isso, tenho minhas qualidades. Agora, entra, está
meio frio e pedi chocolate quente pra você.
Ele abre a porta e espera eu entrar. Entro envergonhada.
— Por favor, acompanhe-me...
O Sr. Carter me leva para outro cômodo, que fica entre o jardim
aberto. É um grande escritório ou quarto, com teto de vidro, parede de
quina, mesa de trabalho, sofás espaçosos, prateleiras e até uma cama de
casal. Se observar o canto da parede, tem vista para o jardim e a sua
pequena cascata de água. Há outro andar em cima, pois tem uma escada. É
um espaço aconchegante, lindo. Fiquei deslumbrada.
— Estou encantada por esse lugar.
— Era o meu quarto, quando eu morava com os meus pais. Minha
mãe deu uma reforma nele e deixou mais sofisticado para um adulto.
Porém, prefiro ficar hospedado no interior da mansão. Não sei, aqui não
tem mais a mesma graça de antes. 
— Como assim? Esse lugar é perfeito, te dá toda a privacidade do
mundo.
Sento-me no sofá, olhando para cada detalhe.
— Não combina muito com um adulto prático, cheio de
responsabilidades. — Ele se senta ao meu lado e me entrega uma caneca de
chocolate quente.
— O senhor não quer?
— Não, prefiro beber uma cerveja — diz, erguendo a sua caneca
com líquido espumoso. 
— Que fofo da sua parte pelo menos me acompanhar na caneca. —
Rio.
— É difícil ser um gentleman, querida conselheira, mas tento.
Olho para ele, depois para o teto de vidro e o céu estrelado.
— O que te fez sair sem rumo, Noely?
— Meu irmão...— Encaro o Sr. Carter. — Fazia oito anos que não o
via e de repente, abro a porta de casa e dou de cara com ele, se fingindo de
bom moço e dizendo um sinto muito, como se nada nunca tivesse
acontecido. Acho que nunca vou perdoá-lo, nem mesmo o meu pai. Os dois
foram muito ruins comigo e a minha mãe. Só que eu saí mais furiosa e
revoltada de casa, porquê... — Bufo.
— Por quê?
— Porque a minha mãe defendeu o seu filho coitadinho, sem
colocar na balança o que passamos nesses anos todos, após ele nos
abandonar e ir atrás do nosso pai rico. Por fim, os dois nos abandonaram.
Meu pai ficou rico com criptomoedas. Ele adorava se meter em roubadas
para enriquecer. Perdi as contas de quantas vezes investia o nosso dinheiro
com aqueles golpes de pirâmides. Até que isso das moedas deu certo. Ele
conseguiu o que tanto almejava.
— E depois virou as costas para a esposa e os filhos.
— Sim, foi o que ele fez. Deixou a gente na miséria, com o maior
sofrimento de abandono. E não se passaram nem seis meses e o meu irmão
fez o mesmo, nos abandonou e foi atrás do nosso pai. Era de se esperar essa
segunda facada nas costas, ele não prestava, gostava só de curtir a vida.
Nem imagina o tanto que sofremos.
— Eu imagino... não foi fácil descobrir as sujeiras do meu pai. Hoje
ele não está mais aqui... só ficou as lembranças de um lar feliz, a qual nos
criou.
— Sinto muito.
— Não, eu quem sinto pela sua história, Noely. Ninguém merece ser
abandonado, como você e sua mãe foram.
— Não mesmo... — Meus olhos ardem. — Sofremos tanto, fomos
despejadas na rua, pois não tínhamos dinheiro para comer, imagina para
pegar o aluguel. Se não fosse os meus tios nos acolhendo e nos colocando
dentro da casa deles, não sei que rumo teríamos tomado. Minha mãe foi
guerreira, lutou muito para que eu estudasse e me formasse, também meus
tios têm seus méritos. 
— Você mereceu seu diploma, assim como merece tudo de melhor
daqui para frente, já que batalhou para chegar aonde chegou. É uma mulher
incrível.
— O senhor diz isso sem ao menos me conhecer direito.
— Pelo que relatou, eu já te conheci o suficiente, não acha?
Minhas bochechas coram ao lembrar imediatamente do beijo e
desvio dos seus olhos, retornando ao assunto.
— Eu amo a minha mãe, mas ela preferiu aceitar o sinto muito do
seu filhinho.
— Não pode culpá-la, por mais que o seu irmão as tenha
abandonado, ele ainda é filho dela e ela é mãe. É complicado.
— Complicado que seja, isso me enfurece, não consigo aceitar que
ela esqueça do nosso sofrimento.
— Ela não esqueceu, Noely, ela só é mãe, de vocês dois. Nada vai
fazer voltar ao passado e mudar o que o seu pai e o seu irmão fizeram. Não
é questão de controlar o seu perdão e obrigá-la a rejeitar um filho, só porque
você não esqueceu. Isso é pessoal da sua mãe, por mais que te magoe.
— Mas me magoa, não é justo ele voltar agora, pedir perdão e a
gente sorrir, perdoar e abraçá-lo, como se o passado não existisse.
— Sabe que é possível. Depois de todos esses anos, a sua mãe pode
ter perdoado o filho e só o deseja por perto. Além de que, a consciência dele
pode ter realmente pesado e ele tenha mudado.
Fico quieta, nervosa, pensando nas suas palavras, mesmo assim, não
consigo aceitar.
— Isso é problema dele. Não vou aceitar...
— Tudo bem, só não desconta esses sentimentos na sua mãe.
Igualmente, não a culpe pelo passado, e por perdoar e aceitar o seu irmão. O
coração de ambas é diferente.
Suspiro, dando um longo gole no meu chocolate quente.
— A gente só quer o bem de quem amamos, Noely — ele sussurra,
encostado com a cabeça no encosto do sofá e olhando para o céu. — A
minha mãe precisava de mim e abandonei toda a minha vida em Nova York,
sem pensar duas vezes... e aqui estou eu, sem muita escolha. Ainda tenho
consciência de que vou magoá-la profundamente. Tudo por causa daquela
empresa, ela não sabe que estamos falindo cada dia mais. E que eu pretendo
fechar a ELW daqui três meses.
— E está a poupando do sofrimento? Isso pode ser bem errado.
— Não me importo, o que importa é que ela fique bem e se cure
dessa depressão. Já com a empresa, nem o Breno se importa muito. Ele é
sócio de um monte de bares e tem a sua própria independência financeira. 
— Eu acho que vamos recuperar a ELW sim.
Ele me olha.
— Dizem que a fé move montanhas, e isso você parece ter de sobra.
Só um milagre salvaria a ELW.
— Já eu chamo de esforço, de tentar arriscar todas as possibilidades
que temos. Tipo, arriscar no...
— Não comece, você já sabe da regra. Nada de falar de trabalho
fora da empresa.
Eu rolo os olhos.
— Essa regra é criação sua.
— E a obedeça.
— Mas quem começou a falar da...
— Shhh, fica quietinha e contempla esse céu.
Eu rolo os olhos pela segunda vez.
— Acho melhor eu ir embora, enfrentar a minha realidade.
— Eu não mandei você ir, continue sentada no mesmo lugar.
— Ah, caso tenha esquecido, disse que depois do expediente não era
o meu chefe, então não manda em mim.
— Você não leu as cláusulas, onde dizia que eu não era o seu chefe,
mas a senhorita subordinada ainda me devia submissão?
— Sr. Carter, vai ver se eu estou na esquina! — exclamo,
levantando-me, mas ele me puxa e quase me faz cair no seu colo.
Perco o ar, pois no mesmo segundo ele aproxima o seu rosto bonito
do meu. Está com um sorriso provocador, arrepiante.
— Vai ficar para o jantar, dona conselheira, ainda não esfriou a
cabeça o suficiente. — Sinto o calor da sua boca contra os meus lábios,
enquanto fala lentamente as suas palavras.
— Esfriei sim... — sussurro, tendo certeza de que ele pode ouvir o
meu coração descompensado.
— Não acredito, preciso tirar a prova.
Ele toca no meu rosto, subindo o dedo indicador até o meu cabelo
perto da orelha, onde pega uma mecha loira e cheira com delicadeza,
fazendo-me prender a respiração.
Eu não aguento, não suporto mais respirar esse perfume da Noely.
Precisava sentir o seu aroma adocicado ainda mais de perto. E ao fazer isso,
meu corpo estremeceu, desejando-a obstinado.
Sinto a sua respiração quase inexistente e quando chego mais perto
do seu rosto, ela suspira, olhando para a minha boca e soltando o ar que
prendia.
Então, simplesmente a beijo de novo, sem intenção de parar. Meus
lábios provam dos seus, molhados e insaciáveis.
Ela tenta relutar contra, mas o desejo fala mais alto e quando a
penetro a língua, retribui com a mesma sede de me provar. Fico excitado.
Mergulho os dedos no seu cabelo e a puxo com força para mim, querendo
mais do que posso demonstrar. Até que toco por dentro das suas coxas
macias e ela me empurra, levantando-se rapidamente e cambaleando para
trás.
— Não! Está louco?!
Eu respiro fundo, muito louco mesmo... E que se dane!
Ela pega a chave do carro e quase foge, mas a agarro pela cintura e a
prenso contra a porta e o meu corpo mais alto e mais forte.
— Onde pensa que vai?
Ela arfa, com os seus seios subindo e descendo espetaculares dentro
do decote do vestido. Ela é tão linda, delicada.
— Eu não devia ter vindo aqui.
— Mas já está aqui, Noely e acabamos de nos beijar.
— Você me beijou!
— É? E cometi algum crime? Está correndo para me denunciar na
polícia?
— O-o... 
— “O-o” o quê? Vai vir com aquilo de eu ser o seu chefe e ser
errado e blá, blá, blá? — Passo a ponta do nariz no canto do seu rosto,
fazendo-a estremecer nos meus braços. — Estou lindamente desimpedido e
você também, ou tem alguém?
— Eu não tenho ninguém...
— Pois bem, voltarei de onde paramos.
E volto mesmo, mil vezes com mais vontade dessa mulher. Beijo-a
voraz, pressionando o seu corpo para ela sentir o meu volume excitado.
Noely segura na minha camisa, gemendo na minha boca que devora
a sua língua. E de novo, ela tenta me empurrar para longe. 
— Sr. Carter... por favor.
— Eu quero você me chamando assim, enquanto geme, suplicando
para que eu não pare... — resmungo bem ao pé do seu ouvido, para ela não
ter dúvidas do que quero e do que posso proporcionar.
Pego de novo nos seus cabelos, agora, levando-a até o sofá cama.
Empurro-a deitada, subo em cima do seu corpo e não paro de beijá-la. Ela
não reluta,mas está muito nervosa. O que me dá sagacidade de tocá-la é o
seu aperto nos meus quadris, como que se almejasse roçar em mim. Dou o
que desejo, erguendo o seu vestido e roçando.
— O senhor não devia... — Arfa, pois, roço de novo e levo a mão
entre as suas coxas quentes.
Eu vou mostrar o que não posso...
Noely estreita a boca, segurando-se para não gemer alto, conforme
eu escorrego os dedos para a sua deliciosa intimidade. E quando a toco por
cima da calcinha úmida, ela se contrai e meu pau lateja dentro da calça. Eu
a masturbo por cima do tecido fino, sentindo os seus lábios da vagina
divididos.
Ela não aguenta e geme baixinho, excitada demais para lembrar até
do próprio nome. Afasto com rapidez os braços e tiro a camisa.
Volto antes mesmo dela se recuperar.
— Você quer isso? — questiono, mordiscando a sua orelha e
descendo a sua mão pelo meu abdômen, até a minha ereção pulsante.
Ela não responde, mas me aperta.
Fecho os olhos, com tanto tesão que posso entrar nela de uma vez.
— Eu... — Abro os olhos, e ela me fita. — Tive quatro experiências
horríveis... onde... não pensaram em mim.
— Como não pensariam em você? — indago e volto a masturbá-la.
Agora afasto a sua calcinha e sinto a sua boceta tão lubrificada para
me receber.
— Eles... — ela se contorce — ... só pensavam no seu próprio
prazer...
Não é difícil de entendê-los, Noely é muito bonita, além de gostosa
e pode provocar ejaculações precoces num piscar dos olhos. Mas também,
não justifica não fazerem uma mulher dessas gozar, até mesmo com os
dedos.
— Achou esses homens em Chernobyl?
— Acho que sim, eu sou péssima para escolher os caras certos...
Ela fecha os olhos, espreme as coxas em mim e aperta o meu pau
sem a minha intervenção.
Puta merda, preciso penetrá-la, mas antes, garantir que tenha um
primeiro orgasmo com meus dedos entrando e saindo do canal apertado da
sua vagina. Encontro seu ponto G em segundos.
— Péssima, até me encontrar, dona conselheira...
Dedilho-a com uma determinação de dar inveja. Dou todo o prazer e
satisfação para essa mulher, para ela desejar o melhor que ainda está por vir.
Só não devoro os seus peitos, porque está preso nessa gaiola de vestido.
Ela se contorce embaixo de mim, chamando-me por “senhor”.
Acelero os dedos, até o seu abdômen se contrair, suas coxas se apertarem e
da sua boca sair um gemido alto, enquanto expele o seu gozo quente. 
Afasto-me de novo, tirando os sapatos, a calça e a cueca. Liberei
meu pênis e ele saltou mais ereto do que um poste. Olho faminto para a
Noely, distribuída no sofá, com a roupa na altura da barriga e a sua mão
entre as suas pernas apertadas, tentando controlar a pulsação.
Confesso que nunca imaginei ver a minha conselheira assim, é uma
cena digna de Oscar. Ela é linda, excitante. Que loira excepcional.
Noely olha para mim, ou diretamente para o meu pau e abre a boca,
erguendo o tronco e arregalando os olhos, após ter certeza do que viu.
Adoraria saber o que se passa na sua cabeça. Deve ser algo sobre eu
ser o seu chefe e isso não ser certo, ou, ela pode estar criando fantasias
comigo a penetrando.
Volto sobre o seu corpo, ansioso para rasgar esse vestido, porém,
sou mais controlado e faço-a tirar sozinha. E a visão que recebo, é de uma
divindade, de seios grandes, mamilos eretos e empinados. Como ela pode
esconder esses monumentos com essas roupas sociais? 
Ela tenta se afastar mais para cima, devido ao meu olhar nublado,
louco para consumi-la.
Não falo nada. Não tenho nem palavras para falar, só quero provar
desses peitos. Abocanho um de cada, mamando seus bicos duros. É uma
sensação indescritível, deliciosa. Noely gosta, já que aperta a minha cabeça,
e esfrega a minha cara neles. Luto para me demorar nas chupadas, só que
preciso gozar logo. Afasto a sua calcinha minúscula, tirando-a. Visto a
camisinha e me posiciono entre as suas pernas ansiosas.
Noely agarra os meus cabelos e me beija.
— Eu quero tanto... — digo, esfregando a glande na sua entrada
melada.
— Sr. Carter... 
Não aguento os seus gemidos com o meu nome e finalmente a
penetro na entrada, bem devagar, para sentir cada centímetro se
acomodando como se estivesse em casa.
Ela arqueia as costas, contorcendo-se no sofá. Seus cabelos loiros já
estão todos desgrenhados. Assim que se acostuma comigo, eu entro e saio
com vontade, arfando a cada investida prazerosa.
Pareço um tarado. Como foder é gostoso.
Seus seios balançam e roçam no meu peitoral. Ela sente a mesma
satisfação. Perco até a delicadeza, arremetendo e gemendo sem parar. 
Qual foi a última vez que senti tanto tesão em transar assim?
— Aaahhhhh!
Eu tento chegar ao meu limite, mas a minha fome continua ainda
intacta, assim como a minha vontade de ter Noely cavalgando sobre o meu
colo. Como eu queria. É tudo tão bom, insaciável... não tenho nem mais
autonomia dos meus próprios pensamentos. Até que a faço explodir de
novo, junto comigo. Dou só mais duas arremetidas e ela se treme, sem
forças. Abraço o seu corpo, respirando e inspirando, para voltar a nos
satisfazer... foi muito pouco, eu quero mais...
Após esgotá-la com quatro orgasmos, eu dou só mais um de brinde,
empenhando-me em me lambuzar com os seus peitos perfeitos. Dessa noite
ela não vai poder reclamar que não gozou, deixei marcas nesses peitos para
uma semana. Só fiquei na vontade de prová-la num oral.
— Eu... preciso... de ar... — Noely mal tem condições de abrir os
olhos.
— É só respirar, vou te dar uma trégua. — Beijo a sua boca e me
afasto.
Ergo-me, tiro a camisinha, dou um nó no preservativo e vou até o
banheiro, jogar no lixo, também me limpar. Volto e a encontro meio
sentada, tentando organizar os seus cabelos bagunçados, que só a deixam
mais sensual.
Eu chego por trás do sofá e pego meio forte nos seus fios macios.
Ela solta um gemidinho doloroso, sem esperar por isso...
— Sr. Carter, para...
— Noely, você é uma mulher maravilhosa.
Ela toca na minha barba e inclina o rosto.
— Isso não pode mais acontecer. E não aconteceu.
— É claro que não, se é o que quer. — Sorrio irônico, tendo certeza
de que vou infernizá-la com mais afinco.
Achei a minha nova diversão, provocar a minha conselheira.
Eu beijo o seu pescoço cheiroso e largo os seus cabelos, vendo que a
arrepiei todinha.
Ela se veste, dando-me uns segundos para admirar a sua bunda
gostosa. Como não vai mais acontecer nada, se eu ainda não dei uns belos
tapas nesse traseiro e não chupei essa boceta? 
Também visto as minhas roupas, pelo menos a cueca e a calça.
Ela vira, encontra os meus olhos e desvia.
— Nos vemos amanhã na empresa.
— Sim, é onde trabalhamos. Quer uma água, um vinho?
— Eu... — ela pigarreia. — Não, já vou embora.
— Tá bom. — Apenas a observo, dando um gole na água fresca que
acabei de servir para mim.
— Tchau...
— Tchau — repito e sento-me no sofá.
Noely parece bufar e vira as costas, indo embora. Mas antes, paro-a
no meio do caminho, de propósito.
— Ei, se você quiser ir pelo jardim, já sai do outro lado da casa —
informo e sem nem me olhar de novo, ela apenas continua a andar rápido,
até fechar a porta.
Se a irritei? Provavelmente devo ter provocado essa proeza. Mas se
ela quer assim, como se nada tivesse acontecido, por mim... igualmente não
muda nada, acho que fica até mais gostoso. Tudo profissional, como a
etiqueta manda. 
Sorrio, espreguiçando-me relaxado.
 
 
Eu saio aos tropeços da mansão da família dele, entro no carro e
pareço mais desnorteada do que quando sai de casa. Não acredito que
transei com o meu chefe! E foi o melhor sexo da minha vida!
Isso não pode ser real, isso até parece coisa de filme.
Meu celular toca e eu atendo.
— Noely, onde você está? A sua mãe ligou quase chorando para os
meus pais, dizendo que você havia sumido. Eu tive que descer lá no
apartamento deles para saber o que estava acontecendo, pois, comigo a
bonita não se encontrava.
— Eu estou bem...
Muito bem, ainda mais depois de ter sido fodida pelo seu chefe
maravilhoso.
Droga de mente!
— Tem certeza?
Penso em confessar que fiz sexo com o Sr. Carter, mas resolvo não
fazer issoe conto só do meu irmão, de tudo que aconteceu e que eu só
precisava esfriar a cabeça... não daquele jeito, de pernas abertas para o
meu... merda, merda! 
— Eu já estou indo para casa, preciso de um banho e de comer
algo. Te ligo para conversarmos com mais calma, tá?
— Ok, e saiba que estou do seu lado nessa história do Nicolas ter
voltado. Não concordo, depois de todos esses anos, mas logo nos falamos,
prima. Vou ficar esperando o seu retorno.
— Tá bom.
— Estou aqui para qualquer hora. Beijão, te amo.
Respondo com outro te amo e desligo, acelerando o carro para
chegar o quanto antes em casa. 
Quando chego, dou de cara com a minha mãe no sofá. 
Ela apenas me olha e não fala nada. 
Respiro fundo e vou para o meu quarto, sem também querer
conversar sobre o Nicolas. Não agora, eu só quero tomar um banho e poder
comer alguma coisa. Minha mente só sabe pensar no Sr. Carter, no nosso
momento junto e em como senti prazer. Nunca gozei tanto, minhas pernas
ainda estão fracas.
Sou uma safada, queria tanto ter pegado no seu... naquele... 
— Céus! Para, Noely!
Como aquele pau coube dentro de mim? E o melhor, ele sabe muito
bem como usá-lo sem machucar uma mulher. Ser penetrada por um pau
enorme fazia parte da minha má experiência no exterior. O cara não pensou
em mim, apenas no prazer dele em quase me esfolar. 
Chega desses pensamentos!
Eu tiro a roupa e corro para o chuveiro, a fim de relaxar o corpo e
cair na cama, pois antes de resolver qualquer problema, necessito de uma
boa noite de sono. Só que antes, vou retornar a chamada da Darla, já que
fiquei a devendo.
No dia seguinte, levanto-me e saio pronta do quarto, porém, não
encontro a minha mãe em casa. Ela só deixou o meu café sobre a mesa e
saiu. Imagino que tenha ido até os meus tios. Mais tarde conversamos.
Na empresa, tranco-me na minha sala, mais preocupada com os
problemas da ELW do que com qualquer outra coisa. Tenho esperanças de
que o mês que vem possamos nos recuperar, é recente tudo o que
aconteceu. 
Passo realmente o dia dentro do escritório, até o meu almoço eu pedi
para a secretária trazer. E como cheguei, vou embora, aliviada por não ter
dado de cara com o Sr. Carter.
Em casa, vou direto para o meu quarto e depois de pronta, já com o
pijama, a minha mãe aparece com uma bandeja de comida.
— Oi, filha... trouxe o seu jantar.
Ela coloca sobre a cama.
— Não precisava, eu já estava indo até a cozinha...
— Esse é especial, eu fiz tudo o que você gosta. Olha, tem até bacon
— ela aponta para a bandeja —, fui na feira para comprar acerola, é o seu
suco preferido. 
Sorrio fraco, assentindo.
— Obrigada, mãe.
Vou até a cama e me sento para comer.
Ela fica me olhando.
— Queria te pedir desculpas por ontem... quer dizer algo?
— Não vou dizer que está tudo bem, mas entendo que o Nicolas é
também o seu filho e o direito de perdoá-lo é todo seu. Só não me cobre o
mesmo, nem me force a ter qualquer relação com o irmão que abandonou a
nossa mãe e que depois de anos apareceu de novo, como se nada tivesse
acontecido. Eu não sou como a senhora, eu não esqueço as cicatrizes do
passado... elas ainda doem na minha pele — termino de dizer, abaixo a
cabeça e volto para a minha refeição.
— Obrigada por me entender. E sinto muito por magoá-la. Não
esqueci do passado, nem de tudo que fez para mudar as nossas vidas. Se
não fosse você, não estaríamos morando numa casa tão boa como essa, nem
comendo do bom e do melhor. É o meu orgulho, sei que fez o que fez por
mim, pelo nosso bem. E saiba, que agora, nada do que o seu irmão fizer ou
disser, vai fazer voltar os anos que perdemos juntos. Eu o perdoei, mas
nunca será a mesma coisa... acho que entende isso.
Não consigo respondê-la, devido aos olhos marejados e a garganta
embargada. Minha mãe vem até mim e beija a minha testa.
— Eu te amo, filha. Termine o jantar e descanse.
— Também te amo, mãe... — digo baixinho, antes dela sair e fechar
a porta.
No outro dia na empresa, também faço a mesma coisa de ontem,
chego cedo e já me enfio na minha sala. Mas antes das 10h eu desço para
observar como estão as coisas. Igualmente para pensar.
Eu queria falar com o Sr. Carter, mas estou fugindo do
constrangimento. Quem sabe amanhã eu não converse?
— Beatriz, eu disse que poderia deixar os relatórios para depois.
Daqui a pouco eu vou embora — digo, após escutá-la abrir e fechar a porta.
Ela não responde, então ergo a cabeça e dou de cara com o meu
novo pesadelo. 
Ele está com as mãos nos bolsos, olhando-me com a sua pose
atlética, de chefão gostoso. E essa calça social só faz marcar mais esse
homem.
— Boa tarde, Sr. Carter — sussurro e desvio dos seus olhos
penetrantes.
— Boa tarde, dona conselheira.
Sr. Carter chega mais perto.
— Tive uma leve impressão de que estava fugindo de mim o dia
todo, ah, e desde ontem. 
Que droga de homem...
— Eu? Fugindo? Claro que não — minto com a maior cara de
sonsa. — Falta praticamente duas semanas para o mês acabar, só estou
focada em garantir que a empresa se estabilize. O senhor também não está?
— Sim, é o desejo de todos, todavia, alguns relatórios não me
deixaram ter tantas esperanças. Você sabe o destino da empresa.
— Eu aceitei esse emprego já sabendo de tudo que enfrentaria.
Ele para ao lado da mesa.
— Eu pensei na sua ideia de patrocinarmos um grande
desenvolvedor de jogos, que criou alguma ideia independente, visionária,
mas que também precise de um bom patrocinador para ganhar dinheiro em
cima do projeto.
— Pensou?
— Sim, inclusive, mandei dois responsáveis procurarem essa pessoa
certa.
— Espero que achem. Por enquanto, é bom ir aceitando alguns
projetos, por mais que seja de clientes pequenos.
— A conta precisa fechar — ele resmunga e se inclina para mais
perto do meu rosto.
Eu seguro a respiração e tento não me intimidar, mas é difícil. Seus
olhos e principalmente os seus lábios, são hipnotizantes.
— Como você está, em relação ao seu irmão e a sua mãe?
— Eu... estou bem, digo em relação à minha mãe, pois...
De repente, o Sr. Carter estende a mão grossa para mais perto do
meu rosto.
— Desculpa, tem uma pequena rebarba de folha no seu cabelo —
fala, soprando o seu hálito quente e tirando o pedacinho de papel.
Assim que ele tira, afasto-me e fico de pé, toda arrepiada. Não sei
nem como tive forças de me levantar.
— O senhor faz essas coisas de propósito, só para... — Bufo e não
termino.
— Só para? — Vejo-o sério, mas sinto que por dentro está
entortando um sorrisinho cínico.
— Me provocar!
— Não foi de propósito, eu tinha culpa dessa rebarba estar no seu
cabelo?
Céus, como ele é cínico mesmo. 
— Deixasse no mesmo lugar, sairia sozinho.
— Por que é assim? 
Ele dá mais um passo.
— Assim, centrada, profissional e dedicada ao que me formei? —
Afasto-me de novo. 
— Não, bonita demais, viciante e com gosto de tutti-frutti?
Ele me aperta de costas para a parede, em seguida toma a minha
cintura num puxão forte.
— O senhor está doido!
Tento empurrá-lo, mas ele nem se mexe.
— Desculpa, é que tinha mais rebarbas em você... bem aqui... —
Aponta para a ponta do meu cabelo.
Não vejo nada, e quando ergo a cabeça, ele me beija.
Sou tão pega de surpresa que nem me movo. Só sinto os seus lábios
provarem-se sedentos dos meus. Não resisto a dança da sua boca molhada e
toco no seu rosto másculo, permitindo que mergulhe a língua na minha.
Rendo-me em transe. 
Ele me beija como se nunca tivesse beijado outra mulher na vida. E
sei que é mentira, ele já deve ter beijado outras centenas por aí, mas essa é a
minha impressão, de tão dedicado e faminto que ele se mostra ao me
devorar.
— Senhor... — Sem fôlego, distancio a sua cabeça, porém, ele desce
os beijos urgentes pelo meu pescoço.
Arrepio-me excitada.
Isso é tão errado, ainda mais na empresa.
— É o meu chefe, pare! 
Empurro-o.
Consigo fazê-lo parar de provocar umidade onde não se deve.
— Eu só estava tirando a rebar...
Não aguento e dou um tapa de leve no braço dele. 
— Não tem vergonha nessa cara? Eu sou a sua funcionária e
estamos num ambiente de trabalho, onde estava me...
— Beijando?
— Parede completar as minhas frases. — Tento passar por esse
homem enorme, mas ele não sai da minha frente. — Sr. Carter, sai da minha
frente, por favor!
— Está brava? Sinto muito.
Fuzilo a sua cara padrão de sério, "profissional", que na verdade,
esconde a sua tamanha cinidez.
Como ninguém vê o mesmo que eu vejo?
— Quer saber? Eu vou embora para casa.
Pego a minha bolsa e começo a colocar todas as minhas coisas
dentro.
— Faltam vinte minutos para terminar o expediente.
— É? Agradeço por avisar — respondo, tão cínica quanto ele.
— Noely, Noely...
— O senhor que começou tudo isso, só estou agindo na mesma
altura. 
Desta vez ele fica quieto e vai para o outro lado. 
Mas não quieto o suficiente...
— Estava pensando, a sua mesa deveria ficar na minha sala, não
acha? Afinal, a conselheira precisa estar bem mais perto do executivo.
Será que eu sou obrigada a responder esse absurdo? Senhor Pai.
— Aqui está ótimo. Estou perto o suficiente e longe o mais
suficiente ainda para fazer o meu trabalho. E para o bem de todos, ou o meu
bem apenas, é muito melhor assim.
Agora eu vejo em evidência o sorriso provocador brotar nos seus
lábios.
— Mas pensarei nisso. Boa noite, Noely.
Quando ele finalmente fecha a porta da sala, eu rezo, oro e até faço
promessa de jejum para isso não acontecer. Não posso levar só para o lado
provocativo, vindo dele, eu não duvido de mais nada.
Eu saio da sala da Noely ainda com o gostinho da sua boca
saborosa. E com desejo de devorá-la.
Seria o meu sonho fodê-la em cima daquela mesa. Ela é bem
certinha com as coisas, profissional e exata demais. É aí que está o meu
prazer de vê-la fora dessa bolha.
— Eu te vi saindo da sala da conselheira? — Breno questiona,
debochado, após eu invadir a sua sala também.
Ele está com os pés erguidos em cima da mesa.
— Fui tratar de negócios.
— Acha que me engana?
— Breno, vê se vai encher o saco de outro. O que queria falar
comigo hoje cedo?
— Nosso pai tentou entrar em contato comigo — revela sem rodeios
e aperta o celular na mão.
Eu tenho a mesma reação de apertar os punhos.
— O que esse desgraçado queria?
— Eu não respondi, mas ele disse que se sentia culpado por tudo
que fez, e que se pudesse voltar no tempo e mudar as coisas para não perder
a esposa e nem os filhos, ele voltaria e mudaria. Já sabe, é o mesmo
discurso de arrependido.
— É um mentiroso, manipulador, não pode atender nenhuma ligação
dele. Nosso pai tem que se virar com a polícia e os seus advogados. O que
ele está fazendo, é tentando nos conquistar para depor a seu favor. O que
não vamos fazer.
— Eu sei que é isso, tanto, que o deixei falando sozinho e desliguei.
Mas achei necessário te avisar, para não termos segredos.
— Obrigado, fez mais do que certo.
— E mudando de assunto, que história é essa da Valentina estar no
Brasil?
— Já está sabendo? — resmungo.
— Eu fiquei sabendo hoje, o que ela queria?
— Tínhamos uns assuntos pendentes, uma hora dessa já deve estar
em NY, graças a Deus.
— Achei que estava resolvendo as coisas com o pai dela.
— E estou. Valentina que anda tentando reatar o nosso casamento.
Ela está igual um diabo na minha vida. 
— Pois então... — ele pigarreia. — Queria te avisar que ela ainda
continua no Brasil e hoje foi almoçar com a nossa mãe.
— O quê?! — exclamo sem acreditar. — E como você me fala isso
só agora?!
— E mudaria algo se eu tivesse dito um minuto antes?
— Que inferno, Breno!
— Respira fundo ou vai surtar.
Sem responder ao meu irmão, eu saio da sua sala, pegando o meu
celular e discando imediatamente para aquela mulher.
Ela atende no segundo toque.
— Me ligando? Está com saudades da sua esposa?
— Por que você ainda não foi embora do Brasil?
— Porque eu não quis, estou de férias. Inclusive, fui visitar a minha
sogra hoje, ela ficou tão feliz. Tinha que ver.
— A gente acabou, Valentina, não quero você mais próxima à minha
mãe, nem a mim!
— Não é porque você terminou o nosso casamento, que vou fingir
que a sua mãe não existe. Ela é muito querida por mim, inclusive, a dona
Kamila confessou o quanto ficou triste com a nossa separação.
— E disse para ela sobre a parte que ficou grávida, não me contou e
ainda abortou o meu filho? E que eu só descobri dois meses depois, após
escutar escondido a sua conversa com a sua irmã falsa? 
— Isso é passado, eu já te pedi perdão...
— Não me importa mais o seu perdão, e vai embora, Valentina.
Você não tem mais nada para fazer aqui no Brasil.
— Carter, não...
Desligo na cara dela.
Eu só quero paz na minha vida, como ela não entende que entre nós
não há mais nada?
Escuto um barulho de salto atrás das minhas costas.
Noely então passa por mim, andando rápido.
— Já vai? — pergunto e cesso os seus passos, chegando mais perto.
— Sim, boa noite!
— Espere, vamos tomar um café? — Paro-a de novo.
Ela vira a cabeça e me olha.
— Melhor não.
— Por favor, só quero desabafar — peço, realmente precisando da
minha conselheira.
Ela suspira, pensando na minha proposta.
— Devo pedir “por favor”, de novo?
— Tudo bem, tem uma panificadora aqui perto.
— Perfeito, vamos.
Descemos juntos. 
— Os funcionários que estavam saindo, nos viram — ela murmura,
incomodada.
— E qual o problema?
— Vão pensar o que não devem.
— Noely, na situação que a empresa se encontra, algo assim é
insignificante.
— Ainda acho bom evitarmos boatos.
— Você que sabe, não me importo.
Chegamos de carro ao local. A panificadora fica perto, apenas a
duas ruas da empresa. Nós nos acomodamos na varanda confortável de fora.
Ela pede um cappuccino cremoso, bolinhos e eu um café bem forte.
— Ouviu a minha conversa no corredor? — questiono, e ela aperta
os lábios.
— Foi inevitável, o senhor estava bem na passagem para o hall da
secretária.
— Isso foi muito feio, dona conselheira.
— O que, ficar tampando o meu caminho?
— Ser respondona. — Ela se segura para não fuzilar minha cara. —
Era a minha ex no telefone... deve ter percebido. Ela não me deixa em paz.
— Foi muito sério o que a sua esposa fez, sinto muito.
— Ex-esposa, Noely, ex-esposa — repito, nervoso.
— Sim, ex-esposa...
— Desculpa, Valentina tem o dom de me estressar. Aquela mulher
não entende de jeito nenhum que o nosso casamento acabou, e por culpa
dela. 
— Ela não está aceitando o fim do relacionamento, já que foi você
que terminou.
Assinto.
— Valentina devia ter o mínimo de noção para entender a gravidade
do que fez, para assim, aceitar os meus motivos de ter pedido o divórcio.
— Se continuar “esfregando” na cara dela o que a mesma fez, isso
pode acontecer. É complicado um término, ainda bem que nunca vivi
nenhum. — Ela dá de ombros.
Na mesma hora a garçonete chega com os nossos pedidos.
— Nunca se relacionou com ninguém em toda a sua vida? —
indago, após a moça ir embora. 
— Não tive tempo, ou nunca encontrei esse alguém que importasse
o meu dia a dia. — Observo o rosto bonito dela, enquanto fala e enquanto
beberica do seu capuccino. Faço o mesmo com o meu café. — Nem na
faculdade, minha vida sempre foram os estudos e agora o trabalho.
— Então precisa experimentar essa experiência estressante e até
boa.
— De um término?
— De estar numa relação, do início ao fim.
— Quando chegar a hora certa eu vivo... — diz e muda o seu olhar
para a paisagem.
Imagino-a com alguém, beijando-o com esses lábios viciantes, dele
provando da sua pele macia, tocando na sua intimidade e assistindo o quão
excitante é os seus olhos se fechando, a sua jogada de cabeça para trás e a
sua boca gemendo e se contorcendo de prazer, ao chamá-lo pelo nome,
igual ela chama pelo meu... droga, o pensamento me faz mexer o maxilar e
até desaparecer com o meu estresse por causa da minha ex. Não gostei
dessa imaginação, nem um pouco.
Acabo mudando de assunto e tocando nas nossas experiências
estudantis. É incrível como a conversa flui, ainda mais da parte dela, que
conta de Harvard com entusiasmo. É o orgulho de Noely, e também posso
dizer que me sinto orgulhoso por ela ter esse currículo para poucos. É uma
mulher muito inteligente, cheia de ideias e estratégias. O orgulho é triplo
por saber que a tenhoao meu lado.
— Sr. Carter, o meu carro está na empresa.
Após terminarmos o café e sairmos da panificadora, resolvo levar a
Noely para casa. 
— Eu sei.
— E por que está indo reto?
— Porque eu vou te deixar na sua casa e amanhã passo lá de novo
para te buscar.
— Isso é jogo sujo.
— É assim que chama o meu inocente cavalheirismo?
— “Inocente” onde? O seu histórico nega o contrário. 
— Noely, relaxa, por que faz um evento sobre mim? Só estou sendo
um chefe incrível, diga se seus chefes anteriores eram assim?
— Não, eles eram velhos, barrigudos e não ficavam me provocando,
nem me beijando e...
Paro no semáforo e faço questão de fitar os seus olhos.
— E?
Quase gemo de satisfação por ver a sua carinha vermelha de
vergonha. 
— E sabe o que fizemos.
— Não sei.
Não evito levar a minha mão até a sua perna e tocar na sua coxa
nua.
Ela paralisa, segurando o fôlego.
— Eu vou abrir a porta desse carro e sair correndo — fala,
desesperada e tenta afastar os meus dedos.
Dou uma leve aprofundada entre as suas coxas e tiro a mão. 
O sorriso de satisfação me toma
Paro na frente da sua casa e Noely tenta abrir a porta e sair correndo.
Parece que está fugindo de um sequestrador.
— Abra a porta, Sr. Carter!
— Do que tem medo? 
— De começar a me agarrar? — debocha.
— Não acho uma justificativa certa, acho que você tem medo de não
resistir.
Ela sorri em linha reta, controlando as suas lindas mãozinhas para
não me estrangular.
— É claro que tenho medo, eu perdi nas suas duas últimas
provocações. E espero que se sinta culpado por esses ataques à sua
conselheira recém-contratada. Isso pode atrapalhar a nossa relação no
trabalho, e eu tenho um objetivo com a empresa...
Antes que começasse o seu discurso entediante, avancei de novo
com os dedos entre as suas coxas e com a boca quase colada aos seus lábios
irresistíveis.
Noely se cala e se espreme contra o banco, respirando
descompensada, também lutando para fechar as pernas.
— Eu sabia — diz fraca.
— Eu não resisti... sinto muito.
 
 
Como ele é sonso... e como pode me seduzir e me provocar dessa
forma? É difícil, quase impossível resistir a esse homem. 
E esse foi o “sinto muito” mais mentiroso que já recebi.
— É mentiroso — sussurro contra os seus lábios, lutando desta vez
para a sua mão quente não alcançar o seu destino entre as minhas pernas.
— Talvez eu esteja sendo.
Ele me beija. Não carinhoso, nem violento, mas é feroz, excitante. O
Sr. Carter faz sexo com a sua língua dentro da minha boca. 
Eu gemo, sem mais resistir a sua mão que finalmente chega aonde
desejava. 
— Você me faz te querer de todas as formas — resmunga.
Aperto os seus bíceps fortes, após ele esfregar a minha boceta.
Neste exato momento, cega pelo tesão, tudo o que eu quero é o meu
chefe dentro de mim. 
Ele me beija e me masturba.
Eu não paro de gemer.
— Está gostoso os meus dedos assim? — fala na maior cara de pau.
Ele é muito safado, também muito bom com os dedos grossos e
habilidosos. 
Não consigo nem o responder, quero só gozar.
— Você não vai gemer meu nome? — Ele aperta os meus peitos e
morde a minha boca. — Ou só geme com o meu pau dentro de você?
Aperto os olhos, sem acreditar em como as suas palavras estão me
fazendo pulsar ainda mais. 
Solto um longo suspiro, acompanhado de um grunhido alto, então
gozo nos seus dedos.
— Sr. Carter... — Agarro os cabelos dele com a mesma intensidade
que o meu orgasmo.
Ele afasta a mão e eu pressiono as minhas pernas, sentindo-as
tremerem, fracas. Penso que não tenho forças nem para sair andando desse
carro. Respiro e inspiro, olhando para ele, que está me observando a todo
momento, e com um sorriso prazeroso nos lábios.
— É muito bom te ver gozar, sabia?
Eu aliso os cabelos dele, apreciando os seus olhos se fecharem e
abrirem com mais tesão. Queria tocá-lo, comprovar que está duro por mim,
que eu fiz esse homem lindo de morrer, ficar ereto. Só que não vou entrar
no seu jogo.
— Amanhã, o senhor vai passar aqui e me pegar para irmos para a
empresa — falo ofegante, quase o beijando, mas o afasto.
Não sei se o frustrei, agora, que ele voltou a me puxar e a me beijar
com vontade, ele voltou.
Só parou de me beijar após perdermos o fôlego.
— Conselheira, Conselheira... — resmunga, apertando a minha
coxa.
— Eu preciso ir. — Volto a empurrá-lo.
Ele me larga e retorna para o seu lugar.
Eu abro a porta, ainda buscando recuperar as minhas forças e a
minha dignidade.
— Até amanhã... com o seu sabor tutti-frutti.
Deus do céu, socorro.
— Boa noite — digo e saio igual fugitiva do seu carro.
Só consigo respirar de novo depois de abrir o portão e entrar dentro
de casa. Mas ainda, pela janela, assisti ao Sr. Carter sair com o seu carro, o
seu cheiro, o seu beijo safado e o seu dom... de me fazer gozar como
nenhum outro conseguiu em toda a minha vida sexual. Ah, esqueci da parte
de me provocar.
Juro, essa situação parece coisa de filme. Nem quando eu deito a
cabeça no travesseiro consigo acreditar no que está acontecendo comigo e
com o meu chefe. Não sei se aproveito ou surto.
Com o passar dos dias, ou melhor, das duas semanas mais tensas de
toda a empresa... tivemos o veredito do relatório mensal e do balanço
financeiro. O demonstrativo contábil não foi dos melhores, mas, também,
não foi o pior em três meses. 
— Ficamos estáveis! — Suspiro e caio na cadeira, após sentir um
alívio enorme.
— Isso é muito bom — o Sr. Breno fala, sentado na cadeira ao meu
lado.
Ele está analisando os papéis, junto com o Sr. Carter.
— Não dá para comemorar, entretanto, dá para sentir um nó se
desfazendo da garganta.
— Pelo menos na empresa... — Sr. Carter sussurra e olha para o seu
irmão.
Eu fico quieta, sem sequer encará-lo. 
Uma semana antes estávamos bem, com ele me provocando e quase
me levando a fazer sexo na sua mesa — isso nunca aconteceu —, mas na
quinta-feira passada ele teve que fazer uma viagem de emergência e ficou
três dias fora da empresa. Porém, assim que voltou, estava muito diferente,
mais sério, mais preocupado e mais estressado. Ele até fica me olhando
daquele jeito desejoso, só que não me toca. E após essa viagem, hoje foi o
único dia que entrei na sua sala, juntamente com o Sr. Breno. 
Talvez eu tenha achado ótimo ele ter parado de me provocar... e de
me dar orgasmos. É o certo, temos que ser profissionais, éticos.
— Alexandre conseguiu achar um desenvolvedor de jogo que está
com o seu projeto em ascensão e fazendo muito sucesso. A ideia dele é
ótima, só o desenvolvimento do game que não é de muita qualidade, precisa
de muito investimento e ainda mais marketing — Breno comenta. — E aí,
vamos arriscar as moedinhas que nos resta?
Ele nos olha.
Eu aperto o meu tablet, sem ter o que pensar.
— Minha resposta é: não temos outra saída mais rápida para evitar a
falência da ELW. Ou enfrentamos os riscos ou sabemos o final — eu digo.
— Pode ser um tiro no pé, contudo, como disse a Srta. Noely, não
temos outra saída mais rápida. Ofereça nosso contrato a ele, Breno, e
explique cada vírgula, para não haver dúvidas futuras.
— Cuidarei disso pessoalmente, não se preocupe.
O Sr. Breno se levanta da cadeira e eu também, pronta para ir
embora.
— Você quer me acompanhar, Noely? — Breno pergunta,
relacionado à reunião com o programador de jogo.
Eu olho para ele.
— Eu posso?
— Sim, daqui meia hora na sala de reuniões, já que o Carter não
quer se dar o trabalho.
O Sr. Carter dá de ombros.
— Eu li e reli a proposta do jogo dele, mas não entendo nada desse
mundo dos games, isso é da sua área, já que toda noite gosta de ficar
pregado na frente da televisão, jogando videogame.
— Você é entediante, Carter. Mas deixa comigo, eu cuido do nosso
garoto de ouro. Já vejo o nosso novo investimento dando certo, afinal, tem
que dar.
Sorrio, feliz pelas esperanças do Breno. Eu cultivo as mesmas.
— Bom, com licença... — digo e viro as costas, saindo da sala do
Sr. Carter, sem fitar os seus olhos, ou sequer me render a inclinar a cabeça.
Breno vem atrás. Ele me alcança no hall.
— Está tudo bem, Noely? 
— Tudo sim.
— Anda diferente esses dias.— Ah, eu estou normal, é o Sr. Carter que está estranho... —
Aproveito a deixa e toco no assunto.
— Está mesmo, o questionei e ele apenas disse “problemas meus”.
— Será que tem a ver com a viagem que ele fez na semana passada?
Breno não assente, nem nega.
— Talvez, mas o meu irmão é reservado com a sua vida particular,
igualmente, não sou de questioná-lo ou de ele me questionar.
— Entendo — pigarreio, indo pegar um café para mim. — Espero
que ele resolva esses problemas... além da empresa.
— Sim. E vamos focar no nosso tesouro. Vou aguardá-la na sala de
reuniões, logo ele chega e a secretaria o leva até nós.
— Ok.
Fico ainda um pouquinho na varanda da sacada do hall da secretária.
Aqui é tão bonito e sossegado, tornou-se meu espaço preferido para
almoçar, tomar café, refletir e até trabalhar. 
Porém dá o horário e vou para a sala de reuniões. O desenvolvedor
do jogo também chega e me deixa bem fixada nele. Fico no meu canto, só
observando o quanto o cara é bonito, inteligente e bem articulado.
Alexandre e o Breno estão o entrevistando. Ele fez advocacia, passou na
OAB, mas não advogou, disse que seu ramo sempre foram os games e se
puder viver disso, ele vai viver. Seu nome é Ravi. Gostei muito dele, é
superdivertido, tirou muitos risos de nós. Só que no fim, pensamos que ele
não ia aceitar as cláusulas do contrato, no entanto, ele aceitou. E que bom! 
— O projeto final ficará incrível — comento, após acompanhar o
Ravi até a recepção da secretária.
Breno vem ao lado.
— São muitas ideias, e agora com um investidor por trás de tudo,
sinto que todas elas sairão completamente do papel e da minha cabeça. —
Ele sorri, olhando-me sem parar.
— Espero que confie no comprometimento da ELW, queremos o
sucesso de todos. — Estendo a mão, e ele aperta, ainda fixo em mim.
— Tenho certeza de que confiarei. Obrigado, Srta. Noely.
Breno também aperta a dele e depois de nos despedir, Alexandre o
acompanha até lá embaixo.
— Espero que esteja sendo um alvo certeiro — falo, querendo
respirar 100% aliviada.
— Minhas expectativas estão lá no topo.
— As minhas também, não vou descansar enquanto não ver a
Elektra Web reerguida.
— Somos dois.
Eu viro o corpo e dou de cara com o Sr. Carter saindo da sua sala.
— Bom, hora do almoço, quer me acompanhar, Noely? — Breno
pergunta.
— Obrigada, eu marquei de almoçar com outra pessoa. — Olho as
horas no relógio, ao retornar, o Sr. Carter para ao nosso lado, no balcão.
— Humm, curioso... quem é essa outra pessoa? — Breno brinca.
E ele nos olha de canto, após pegar algo com a secretária.
— Um amigo dos tempos da faculdade... vou pegar a minha bolsa,
com licença.
Eu saio, fazendo barulho com os saltos, foi até de propósito. 
Volto para entrar no elevador, e antes que as portas se fechassem, o
Sr. Carter apareceu, entrando também. 
Permaneço quieta, bem no canto. 
Descemos sozinhos até o estacionamento e quando as portas se
abrem, ele para no meio dela, fitando-me.
— Algum problema, Sr. Carter?
— Gostaria de chamá-la para almoçarmos juntos.
— Não posso, desculpa, já marquei de almoçar com outra pessoa.
— É namorado? — ele pergunta sem rodeios, e com um tom de voz
estranho, mas autoritário.
— Não... é um amigo do tempo da faculdade.
— Que ótimo, então serão dois amigos para compartilhar da sua
companhia. Por favor... — Ele abre espaço para eu passar.
Franzo o cenho.
— O senhor vai?
— É claro que sim, obrigado pelo convite.
Eu não o convidei! 
Como o Sr. Carter pode ser tão cara de pau? De repente, aparece
assim, se auto convidando para almoçar, sendo que desde que voltou de
viagem, nem sequer falar direito comigo falou.
Respiro bem fundo e passo por ele, indo até o meu carro. Ele ainda
vem atrás e entra junto. É então que as lembranças daquele momento na
frente da minha casa me vêm à mente, arrepiando-me.
Se ele quer vir, que venha...
Continuo quieta, dirigindo até o restaurante que marquei com o
Klaus.
— Está tão calada.
— O senhor também — respondo, após estacionar o carro. — E
estranho — não evito resmungar.
— Estranho?
Ele ouviu.
— Sim, o tempo está esfriando — digo, cínica, saindo para a
calçada.
— É, parece que vai chover.
Arrumo o meu vestido, caminhando com ele para dentro do
restaurante.
Klaus estava à minha espera e ficou surpreso ao ver o Sr. Carter
chegando ao meu lado. Ele olhou o homem de cima a baixo, admirado e
safado. Ele é gay e acabou de noivar.
Apresento o meu chefe para ele, assim como vice-versa.
Sentamos todos juntos.
— Bom saber que a Noely tem uma boa relação com o seu chefe —
Klaus fala, enquanto me olha diabólico. — Isso deixa o trabalho muito
melhor.
Ainda bem que ele não é amigo da minha prima, pois com certeza
fofocaria as coisas para a Darla.
— Sim... temos uma relação boa.
— Eu diria amigos, Noely se tornou o meu melhor acerto na
empresa.
Olho para o Sr. Carter, tentando não me demorar nas suas íris
penetrantes.
Eles continuam conversando sobre mim, até eu mudar de assunto e
começar a perguntar da vida do Klaus, da sua profissão, das suas
realizações e de como está indo as suas férias no Brasil. Ele é filho de pai
americano e mãe brasileira, por isso sabe falar tão bem o nosso português.
Conforme conversa vai, conversa vem, a gente não vê as horas
passarem. Nem mesmo o Sr. Carter, que começou a ter muito assunto com o
Klaus. Por termos que voltar para a empresa, despeço-me do meu velho
amigo, e com um abraço bem apertado, dizendo que nas minhas férias
também vou para Cambridge. 
No fim do almoço, volto a ficar a sós com o meu chefe dentro do
carro.
— Seu amigo é muito extrovertido.
— Ele é, fazia anos que não o via pessoalmente. Estava com
saudades.
— Hum... matou a saudade. E a cada dia mais conheço um pouco da
sua vida.
Só a dele que eu não conheço, não que eu queira conhecer também.
Não me importo. 
— Minha vida não é muito interessante.
— Mas você é interessante.
Tento não o encarar, nem o responder. Acho que nem resposta tenho
para isso.
Chegamos à empresa.
— Noely, espera...
Eu paro do outro lado, esperando o Sr. Carter.
— Sim?
Inesperadamente, ele cola o seu corpo bem perto do meu. Não tenho
tempo de me mover ou raciocinar direito os nossos movimentos.
— Sabia que não paro de querer você? — confessa, segurando a
minha cintura e me pressionando ainda mais.
— Estamos no meio do estacionamento... — Tento empurrar o seu
peitoral enorme.
— É uma tortura ficar olhando a minha conselheira rebolar para
baixo e para cima na minha frente.
— É por isso que me quer tanto? — pergunto. — Só desejo...
— Você não quer o mesmo? Não me deseja?
Ele aperta a minha bunda.
— Tem uma semana que não me perturba, nem me provoca, e agora,
chega assim, Sr. Carter? O que está pensando? — Reluto para resistir à sua
boca quente, que lambe o meu pescoço.
— Então sentiu falta das minhas provocações?
— Não! 
— É claro que sentiu... — Ele segura os meus cabelos, sem muita
força. — Pois eu senti.
— Não me importo — resmungo contra a sua boca, desejando o
beijar. — Algum funcionário vai nos ver, solte-me. 
— Sou obrigado a fazer esse sacrifício... — diz, soltando-me e
deixando-me com as pernas bambas.
E antes que eu pudesse correr, ele me segurou de novo.
— Esse seu perfume mata qualquer um.
— Sr. Carter, eu vou te chutar! Vão nos ver!
Ele sorri, parece que duvidando das minhas capacidades.
— Estava sentindo muita falta desse seu olhar de querer cortar o
meu pescoço.
O safado me dá um beijo rápido e vira as costas, indo para o
elevador. Ainda segura a porta, esperando-me.
Penso mil vezes em ir com ele ou escolher as escadas. Como eu sou
sedentária, acabo indo com ele, e bem distante, quase me enfiando dentro
da parede de metal.
Tentei dar um tempo para resolver os meus problemas, mas não tive
sucesso, apenas mais estresse. Voltei para Nova York depois do Naldo me
cobrar de novo os quatro milhões que devo para Valentina. Consegui
transferir para ela um milhão de dólares. Estou quase zerado, ela realmente
quer me tirar tudo o que tenho. Já não basta ter tirado o meu filho. Isso
parte o meu coração. Sempre foio meu sonho ser pai. Jamais conseguiria
perdoá-la pelo que fez, pois nem sequer conversar comigo a Valentina
conversou. Ela foi lá, abortou e fim. Só sua estética importava. Que tipo de
casamento era esse?
Entro na minha sala, ainda excitado pela Noely. Ela é tão preciosa,
interessante, quase enlouqueci essa semana por ficar só a vendo rebolar
com as suas saias justas na minha frente e eu não poder nem pegar essa
deusa de jeito. Tudo isso para não descontar as minhas frustrações. Não
quero ser um cara assim.
Mesmo com a cabeça perturbada, tento passar o restante da tarde
mergulhado no trabalho. Breno apareceu e contou como foi a reunião com o
nosso patrocinador e que essa semana já vai correr atrás de adiantar os
projetos do jogo. Estamos arriscando tudo o que temos, espero que no final
consigamos levantar o dobro. 
Durante o dia, fico cansado de ficar sozinho na minha sala, e antes
do expediente acabar, eu vou atrás da Noely. Quero tanto essa loira. Não
acredito que transamos só uma vez e que não foi nada. Só me deixou com
mais vontade. Foi como uma degustação. Não acabou com o meu desejo.
— Boa tarde... 
Ela me vê e já se ergue da sua cadeira, correndo para o outro lado.
— Posso saber o que o senhor quer na minha sala?
— Você? — Sorrio, já sem vontade de fazer joguinhos que
escondam as minhas intenções libertinas.
— Eu não.
— Estamos sozinhos. O Breno saiu antes das 15h e a secretária eu
dispensei há dez minutos.
— E eu não mereço ser dispensada mais cedo também? — Ela me
observa brava, cruzando os braços.
— Você merece mais do que isso, conselheira.
Chego perto dessa preciosidade e desta vez ela não corre. 
Noely toca no meio do meu peitoral, com a palma da sua mão
aberta, para me afastar.
— Não tente me agarrar.
— Que tal um jantar antes?
— Também não vamos para cama, Sr. Carter! 
— Não comece com o mesmo mimimi.
— Não é mimimi, é o meu chefe!
— Que quer te foder! — Não aguento e a empurro no sofá ao lado.
Noely cai sentada e tenta fugir de novo de mim, mas coloco o joelho
entre as suas coxas e meio que deito sobre o seu corpo, quase não cabendo
no sofazinho.
— Seu safado — ela resmunga pela primeira vez os seus
pensamentos. — Eu não sou igual à sua secretária que o senhor vive
comendo na sua sala!
— Mas não se imagina sendo ela? Bora colocar mais emoções nessa
sua vida.
— Você me sol...
Avanço e beijo a sua boca, calando-a.
Ela perde todos os argumentos. Aprofundo a língua, saboreando do
seu gosto único. 
Que mulher gostosa, foi um custo me afastar dela.
Não consigo separar os nossos lábios, nem a Noely, que nega tanto a
verdade do seu corpo, do seu desejo. Ela me quer, ou melhor, quer ser bem
fodida de novo. E nada agora vai nos impedir.
Enfio a mão entre o seu decote, deslizando pela sua barriga. Paro na
sua virilha. 
Ela tenta fechar as pernas, mas o meu joelho não deixa.
— Você quer, não quer?
Afasto a minha cabeça. Estamos ofegantes. 
Ela me olha meio zonza e sem ar.
— O senhor mesmo me induz a querer — fala, surpreendendo-me
ao tocar na minha ereção evidente na calça social.
— Não tive culpa, meus instintos sempre falam mais alto.
Esfrego o dedão por cima da sua calcinha úmida. Sinto a sua boceta
latejar e se contrair. Que excitação deliciosa. 
Ela geme sem parar.
— Preciso de você cavalgando em mim.
Sento-me no sofá e puxo Noely para encaixar as suas coxas grossas
no meu colo. Ela se acomoda, sem mais evitar o desejo que sente. Até
chega a roçar no meu volume duro. 
Gememos juntos.
— Você é perfeita...
Começo a abrir o seu terninho azul, tiro-o, jogo no chão e puxo o
seu vestido de alça para baixo. Como está sem sutiã, seus seios pulam
eretos na minha direção. Pego-os, levando-os até a boca e dando uma
lambida em cada mamilo. Parto para mamá-los, antes de penetrá-la.
Demoro o quanto aguento, acho que causo dor com as minhas chupadas
famintas.
Noely não para de roçar em mim. Ela acaba abrindo a minha calça e
sentindo toda a minha protuberância quente, envergada na cueca.
Paro de mamá-la e pego a camisinha dentro do bolso.
— Já entrou desejando fazer sexo — sussurra em afirmação, tirando
o meu pau da cueca e alisando-o.
Arfo e dou um tapa carinhoso na sua bunda.
— Desde aquela noite, eu desejo a todo momento transar com você. 
Dou a camisinha para ela me revestir.
— E se não quer se molhar, é bom colocar o guarda-chuva. —
Sorrio arteiro e dou uma mordida na sua boca.
Noely balança a cabeça e me empurra para trás. Ela fica olhando o
meu pau, hipnotizada com a visão. Encontro-me mais ereto com essa sua
cara de safada-santa. Ela não demora e me veste com o látex apertado.
Afasto a sua calcinha e posiciono a sua bunda bem na ponta da
cabeça.
Noely começa a sentar devagarinho. Sinto o meu membro se
sufocando à medida que ela engole cada centímetro. Grunho e fecho os
olhos, para gravar toda a sensação na mente. 
— Sr. Carter... — ela geme, chegando até o limite das bolas.
Ficamos uns segundos assim, parados, só apreciando o meu pau
dentro do seu canal latejante. Mas puxo-a para mim, beijo a sua boca e a
estimulo a cavalgar. Ela faz, Noely quica e cavalga esbelta. Seus cabelos
médios, caídos em ondas pelos ombros nus é sem igual. Como é feminina,
delicada. Que mulher maravilhosa. Tudo me enche de mais tesão. Estou no
céu.
— Mais rápido — sussurro.
Ela acelera, quicando e gemendo de prazer cada vez mais ligeira. 
Assisto à sua boceta lubrificada descer e subir até a glande. 
Minhas mãos apalpam o seu corpo, loucas, sem saber onde pararem.
 
Ela berra o meu nome, contrai o abdômen e para abruptamente de
cavalgar, para se segurar firme nos meus ombros.
Eu pego no meu pau, pincelando a sua entrada. Entro e saio com a
cabeça grossa, gemendo murmúrios.
Ela me olha, ofegante, gostando das esfregadas que dou na sua
entradinha molhada.
— É muito gostoso te fazer gozar.
Ela alisa o meu peitoral por baixo da camisa, já nem aí para nada.
Assim que eu gosto.
— Depois eu vou me arrepender tanto — revela, ainda ofegante do
seu esforço. — Estou sendo uma sem-vergonha com o meu chefe, que vejo
todos os dias. E ele sendo mais ainda.
Sorrio e acaricio a sua bunda.
— E se eu não fosse o seu chefe?
Ela para uns segundos para pensar, aproveito também para
massagear os seus peitos.
— Acho que seríamos só um caso de sexo.
— Podemos ser?
— Não sei. — Ela dá de ombros e tenta se erguer do meu colo,
porém, seguro o seu rosto, querendo beijá-la até morrermos sem ar.
Não morremos, mas que o beijo me deixa mais excitado, ele deixa. 
— Para... — Noely afasta a língua da minha boca, por fim,
levantando-se bamba das pernas.
Também me ergo, impedindo-a de fugir.
— Só estamos começando.
Provoco tanto essa mulher, que ela acaba de costas, rendida de
joelhos no sofá e com a bunda empinada para mim, enquanto invisto feroz
por trás, batendo no seu traseiro e pressionando o seu pescoço. A sala é
preenchida por nossos gemidos e o barulho de sexo.
— Preciso respirar... — Noely desaba em cima de mim.
Passo as mãos no seu rosto, ajudando-a a afastar os fios de cabelo,
que grudaram no seu suor.
Estamos nus, deitados sobre o tapete.
— Depois de ter todos esses bons orgasmos, ainda vai se arrepender
do seu chefe?
Ela sorri, olhando-me e respirando fundo.
— É claro que eu vou.
— Então não te satisfiz direito.
— É claro que satisfez. Nunca imaginei que sexo pudesse ser tão
maravilhoso... para mim.
— Mas é claro que é bom, com a pessoa certa, que pense em você
— digo e aliso as suas costas.
— A maioria dos homens só pensam neles, eles gozam e a parceira
tanto faz. Sempre foi assim comigo.
— Onde achou esses caras que você transava, Chernobyl?
Ela ri de novo, dando um tapinha de leve no meu peito.
— Quer insinuar que tenho dedo podre para escolher homem?
— Não, você não escolheu, parece que eles escolheram você.
— Assim como o senhor?
Olho para ela, que não desvia de mim.
— Não sei explicar, não te escolhi assim. Eu olhei para você, meu
pau também, ambos concordaram e aqui estamos.
— Sr. Carter! — E de novo, ela me dá um tapa. — É muito safado,
meu Deus!
— Larga de ser falsa,você só estava se fazendo de difícil para
resistir às minhas investidas.
— Eu não estava resistindo, eu sou racional, não é certo sair
transando com o meu...
— Tá bom, já entendi essa parte. E você estava resistindo sim.
— Você é o chefe mais insuportável que eu tive.
— E bonito? E que te deu os melhores orgasmos da sua vida?
Ela rola os olhos.
— Não vou acrescentar elogios ao seu ego.
Noely ergue o tronco e puxa o seu vestido, que está em cima do
sofá.
Ela se veste, enquanto a observo ser tão bonita. Até seus cabelos são
lindos.
— Cadê a minha... parte de baixo? — murmura, procurando entre o
sofá e o chão.
Também me visto, segurando o sorriso nos lábios.
Noely me olha.
— Onde está?
— Se refere a sua calcinha? 
— Exatamente.
— Deve estar em algum lugar da sala.
Ela chega perto de mim e tenta tocar nos bolsos da minha calça, mas
agarro os seus quadris e abraço a sua cintura.
— Você iria tocar numa área muito delicada — sussurro e acaricio o
seu rosto, já doido para beijá-la.
Ela me fita, inspirando forte.
É tão bom ter essa mulher no poder dos meus braços. Estou
gostando muito dela.
— Minha calcinha está com você.
— Não é mais sua...
Beijo essa deusa, penetrando a minha língua e saboreando a
sensação dos seus lábios macios. É a mesma coisa que provar o doce mais
gostoso do mundo, é uma explosão de sensações.
Só separamos a nossa boca após ficarmos sem fôlego nenhum.
Ainda dou um último selinho e aperto o seu corpo no meu.
— Noely, você está me deixando louco.
Ela desliza as mãos pelo meu peitoral.
— Isso é culpa do senhor... não fui eu quem comecei essas
provocações indecentes.
Ela me empurra de vez. Veste os seus sapatos, pega a sua bolsa e
antes de ir, a minha conselheira irresistível me dá o seu último olhar e sai.
Noely, Noely...
Igualmente pego as minhas coisas e vou para casa.
 
 
 
Eu olho para o nome da Valentina na tela do meu celular e penso mil
vezes em atender, e não atendo.
— Que cara é essa? 
Breno entra no meu quarto, trazendo cerveja gelada.
— Valentina não me deixa em paz.
— Você transou com ela durante a sua viagem?
— Não por falta de tentativas daquela mulher. Não sinto um pingo
de tesão.
— Sei que me esconde alguma coisa relacionada à sua ex, pois se
não tivesse algo, você não estaria ainda se envolvendo, tipo viajando atrás
do pai dela.
— Estou devendo quatro milhões para a Valentina, só fui para Nova
York para finalizar a venda de algumas coisas e pagá-la. Seu pai está
intervindo entre nós. 
— Porra, Carter, quatro milhões? Como assim?
— No começo do nosso casamento a Valentina patrocinou a minha
empresa de música, até que em dois anos nada começou a dar certo e eu a
fechei. 
— Mas fechou, deixando dívidas para o casal?
— Não, eu fechei a empresa sem nenhuma dívida. Ela está cobrando
o que investiu para me ajudar.
— Depois de tantos anos? Essa mulher quer acabar com a sua vida
mesmo. 
— Não vou deixar que isso aconteça, essa louca não vai me deixar
sem um centavo. Já pensei nisso a semana inteira.
— E o que pensa em fazer?
— Eu vou ameaçá-la com um processo, em troca de me deixar em
paz.
— É uma boa, mas ela pode pagar para ver se você tem coragem.
Será uma guerra.
— Valentina está pedindo isso.
Bufo e dou um gole na minha cerveja.
— Mudando de assunto, o que está rolando entre você e a nossa
conselheira?
Breno cruza as pernas e me olha malicioso.
— Estamos nos conhecendo.
Lembro-me dela toda gostosa com a sua nudez e minhas mãos
coçam de saudades de tocá-la.
— Melhor dizendo, fodendo. Voltei na empresa após o expediente e
ouvi gemidos bem altos, e sabe de onde? Da sala da Noely... — Ele sorri.
— E o senhor CEO não estava na dele.
— Já tentou cuidar da sua vida hoje?
Breno continua sorrindo igual idiota.
— Eu quero só ver onde você vai chegar com essa mulher, não me
surpreenderia se daqui uma semana a pedisse em casamento.
— Breno, vai à merda, vai.
— Você é intenso, aceita isso.
— Pelo menos eu não sou amante de duas mulheres casadas.
— Porra, cadê a lei de um não se meter na vida do outro?
Reviro os olhos.
— Você é podre. Só sabe brincar com os sentimentos das mulheres,
e ainda ia arrastar a Noely para a sua falta de vergonha.
— Que nada, ela não me interessou tanto assim, talvez só uma ou
duas fodas e já me cansaria. Não gosto de mulheres muito certinhas.
— Afinal, seu foco é as casadas.
Breno então me taca uma tampa de cerveja.
— Fala mais alto para a nossa mãe ouvir.
Fico rindo da cara desse miserável sem escrúpulos. Ademais, vou
tomar um banho, jantar e descansar. 
Só que antes de dormir, mando mensagem para a Noely.
“Boa noite, conselheira.”
Ela não demora para visualizar e me responder.
“Boa noite, Sr. Carter. Quer alguma coisa?”
“Queria muitas coisas, mas está muito longe”.
“Não comece com as suas provocações”.
Eu sorrio para o celular e as suas palavras, seguidas de uma
figurinha revirando os olhos.
“Afinal, você viria com aquilo de eu ser o seu chefe.”
“Ainda bem que sabe”.
"Diga-me, qual chefe te fez gozar tanto como eu fiz hoje?”.
Desta vez a Noely demora para digitar, mas responde.
“Eu não tive chefes safados, que transavam comigo na minha sala”.
“Safado é? Você ainda não viu nada...”
Não deixo barato e respondo-a cada vez mais cafajeste. Acabamos
trocando mensagens quentes, que me fizeram ficar duro e com mais
saudades de sentir o meu pau dentro da Noely. 
Durmo com um riso nos lábios, e ansioso para revê-la amanhã.
— Bom dia, filhos — minha mãe diz, após sentar à mesa com a
gente.
Ela está bem corada e disposta. 
Eu e o Breno também reparamos em como se vestiu bonita hoje.
— Mão, onde vai vestida assim? — Breno pergunta.
— Para a empresa com vocês.
— O quê? — falamos juntos, um olhando para o outro.
— Sim, eu estou bem melhor da depressão. Minha psiquiatra
recomendou que eu fizesse algo útil para me deixar mais ativa. Não posso
ficar só em casa, presa e assistindo televisão. E nada melhor do que
começar a ficar por dentro da nossa empresa, não acham?
— Mãe... a-ach... — até gaguejo, nervoso. — Acho melhor não,
você anda tendo algumas recaídas, não está 100% para entrar na ELW...
— Carter tem razão, é melhor continuar afastada, pelo menos por
mais um mês.
— Eu estou ótima, meus filhos. Acho que nunca me senti tão bem
como nessas últimas semanas. Por isso, sinto-me mais do que pronta para
saber como anda a performance da empresa, já que não me contam nada, e
sei que fizeram isso pelo bem da minha saúde, só que agora melhorei.
Fico ainda mais nervoso, sinto o meu rosto queimar e meus
músculos se enrijecerem. Breno está igual, ele não para de me fitar.
Não adianta discutirmos, passaríamos horas nesta mesa, tentando
fazer a nossa mãe mudar de ideia. Ela é irredutível, quando coloca algo na
cabeça, não tem santo que a faça tirar. E por conta disso, somos obrigados a
levá-la conosco.
— Ela não pode saber de nada... — resmungo para o Breno, assim
que entramos na recepção. 
Nossa mãe está à nossa frente, olhando para tudo e para todos.
— Mas ela vai pedir o relatório de gestão... 
— Inventa que o relatório vai demorar um ou dois dias para ficar
pronto... 
Ele assente e entramos no elevador, só que antes de subirmos para o
último andar do executivo, ela faz questão de passar nos três primeiros
setores, o que toma vinte e cinco minutos do meu tempo.
— A empresa não mudou muito, que saudades eu estava. — Nossa
mãe sorri, e nossos corações se apertam.
No último andar, Breno a apresenta para a secretária, enquanto a
Noely surge, após as portas do elevador se abrirem.
Eu até olho para o relógio de pulso, estranhando o seu atraso de uma
hora.
Será que aconteceu alguma coisa? Noely costuma ser mais pontual
que todos nós juntos.
— Ah, mãe, e essa é a nossa conselheira — Breno não perde tempo
e já a apresenta.
Elas se olham.
Noely se aproxima rapidamente, estendendo a mão. Ela parece
embaraçada, com os olhos vermelhos.
— Olá, bem-vinda à empresa.
Minha mãe a observa.
— Obrigada. E estava em algum lugar para chegar nesse horário no
seu serviço?
Passo a mão na barba. Esqueci de como a minha mãe pode serexigente com seus funcionários. E quando digo exigente, é meio que no
extremo.
— Na verdade, ela foi tomar café com um cliente nosso, a pedido
meu — digo.
— A conselheira faz isso? Não seria o serviço para outra pessoa?
— Faz parte do meu trabalho, senhora...
— Kamila — completa. 
— Mas então, conheceu tudo?
— Não... — Ela olha para a porta principal, do outro lado do hall.
Era a sala do nosso pai e a dela. Os dois trabalhavam juntos. Agora
se tornou a minha sala, enquanto eu for o CEO da Elektra Web.
— Mãe, não precisa se forçar a isso, não merece sofrer com
recordações.
— Eu já disse que estou bem, entrar num lugar cheio de recordações
pode me mostrar o quanto eu fui forte para suportar tantas coisas.
— Eu vou com você. — Breno a acompanha.
Eu olho para a Noely e retiro-me rápido para a sua sala.
Ela vem atrás, e quando entra, fecho a porta e chego perto do seu
corpo, pressionando-a com delicadeza contra a parede.
— Está tudo bem com você? Chegou uma hora mais tarde.
Noely abaixa a cabeça.
— É algo pessoal, desculpa.
— Eu quero ser o seu amigo, pode contar.
— Não importa, acho que agora tem problemas maiores. Sua mãe
está aqui...
Respiro forte.
— Ela está melhorando e quer voltar a se informar sobre os
relatórios da empresa.
— Isso não é bom?
— Não, Noely! — Afasto-me. — Vou modificar os últimos
relatórios para mostrá-la.
— O quê? Isso é errado!
— Estou pensando no bem da minha mãe.
— Que bem? É melhor ser sincero e contar tudo que está
acontecendo, do que surpreendê-la com o pior mais tarde.
— Diz isso porque não foi você que viu a sua mãe quase morrer em
cima de uma cama, sem forças para sequer segurar um garfo!
Noely desvia de mim, com as mãos na cintura.
— Tudo bem, desculpa. Sua vida pessoal não é da minha conta, nem
o que vai deixar de fazer ou não. Por favor, se não tiver mais nada para
resolver comigo, retire-se, eu preciso trabalhar.
Ela vai até a sua mesa e coloca as suas coisas em cima.
É assim que ela faz, após eu ter sido diferente, depois de eu ter a
acolhido e a aconselhado sobre o seu irmão?
Eu trinco o maxilar, com vontade de colocar essa mulher de quatro e
dar uns tapas bem dados na sua bunda. Mas controlo-me e saio batendo a
porta.
 
 
Se ele gostou ou não, não irei me preocupar. Sua vida pessoal não
me diz respeito. Minha cabeça já está a mil por ter discutido essa manhã
com o meu irmão. Não consigo aceitar a aproximação dele, acho que jamais
vou.
E chega desses pensamentos!
Eu ligo o notebook e começo a trabalhar, ou quase, pois meia hora
depois a secretária aparece, comunicando o pedido do Sr. Breno, para eu ir
até a sua sala. Termino de finalizar o meu arquivo e vou.
— Sr. Breno, mandou me chamar? — Abro a porta e dou de cara
com ele e a sua mãe.
— Sim. Vem, Noely... minha mãe gostaria de te conhecer melhor e
entender como está a empresa.
Penso no Sr. Carter e olho quase apavorada para o Breno. 
Ele também parece bem nervoso com a situação.
— Por favor, Srta. Noely, sente-se aqui. — Ela apalpa o assento ao
seu lado.
Engulo em seco e me aproximo. 
A Sra. Kamila não sorri ou demonstra qualquer tipo de sentimento.
Contudo, sento-me ao seu lado e ouço tudo o que quer saber, enquanto
penso nas melhores respostas. E quando é a minha vez de responder, o
Breno me ajuda. Só que não dá para fugir um pouco da verdade, sinto
muito.
— A ELW não está estabilizada, como era no seu auge anterior, mas
estamos trabalhando para reerguer os gráficos.
Ele fica ainda mais nervoso.
— Eu imaginava que a empresa não estaria em seu melhor momento
no mercado, isso é óbvio. Mas ainda quero todos os relatórios, entendeu,
Breno?
— Só mais um dia e terá todos esses relatórios.
Eu cerro os olhos para o Breno, e ele desvia incomodado. Não
acredito que também vai fazer o mesmo que o seu irmão. Enganar a sua
mãe! Se fosse eu, contaria tudo. Talvez seja porque eu não consiga esconder
nada de ninguém, gosto da minha consciência limpa.
— Vou conversar um pouco com os meus conhecidos mais velhos
do quarto setor.
— Mãe eu vou com voc...
— Não precisa, filho.
— Precisa sim.
— Não mesmo, deixe-me supervisionar a minha empresa, como eu
fazia antes... já volto.
Dona Kamila sai da sala, e o Breno liga imediatamente para alguém
do quarto setor, avisando da mãe e de que não é para passar nenhuma
informação sobre a empresa ou será demitido, em seguida, bate o telefone.
— Porra! E desculpa o palavrão, Noely.
— Tudo bem...
Ele me olha.
— Pare de me encarar com esses olhos de advertência.
— A consciência está pesando? — murmuro.
É a vez dele me fuzilar.
— Só essa bendita consciência já está boa. E é o melhor a se fazer,
pelo bem da minha mãe. Não aguentaria perdê-la, como perdi o meu pai.
Carter pode ser muito mais forte, escondendo os seus reais sentimentos,
mas eu não consigo. Entende, Noely?
Chego perto dele, com o coração partido.
— Eu entendo, Breno. Quando o meu pai e o meu irmão se foram,
me restou apenas a minha mãe, e perdê-la seria o meu fim, foi a única
pessoa que restou na minha vida. — Meus olhos ardem, e por eu estar
sensível, devido à discussão com o Nicolas hoje cedo, acabo chorando.
— Noely, o que foi? Não queria te fazer chorar — Breno se
desespera e ergue o meu rosto. — Não chora ou eu choro também.
— Calma, estou bem... só um pouco emotiva e sensível com alguns
problemas. Eu quem peço desculpas.
— Não peça, vem cá, quero que saiba que eu sou o seu amigo. —
Ele me abraça e antes que pudéssemos nos afastar, alguém abre a porta.
Eu largo o Breno, recompondo-me ao ver o Sr. Carter.
Noto-o apertando a maçaneta com força. Ele olha para mim e para o
seu irmão com o mesmo olhar de um lutador de UFC.
— Quer algo?
— Eu quero a Noely na minha sala agora mesmo! — Então bate a
porta e nos deixa com um silêncio constrangedor.
— Acho que ele não gostou muito de nos ver. É melhor ir lá,
conselheira e boa sorte. — Breno sorri, ainda dá uma piscadinha.
Meu Deus!
Eu passo a mão no meu vestido, pensando mil vezes em ir até esse
homem. Mas não tenho outra escolha. 
— Sr. Carter? — Nem bato mais, simplesmente entro.
Ele está escorado na mesa, como que se me esperando.
— Você vai pegar as suas coisas e ficar na minha sala!
— O quê?
— Preciso repetir duas vezes? — indaga, estúpido.
— Eu estou muito bem na minha sala, fazendo o meu trabalho em
paz!
— Está me contestando, Srta. Noely?
— Quando eu cheguei aqui, eu recebi uma sala e é nela que eu vou
ficar!
— Eu sou o seu chefe e estou te dando uma ordem, se não quiser me
obedecer, eu coloco outra no seu lugar!
Como ele ousa? Esse cretino, desgraçado do inferno. Filho da... não,
dona Kamila não merece isso. 
— É, coloca? Quero ver qualquer conselheiro ou conselheira com
meu autoconhecimento e formação, aceitar trabalhar nessa empresa, com as
atuais polêmicas!
Ele quase voa em mim, mas não coloca um dedo no meu corpo.
— Não me tire do controle!
— Não tenho culpa do que está acontecendo! Quero ficar quieta no
meu canto!
— É tarde! Muito tarde!
— Por quê? Diga! — Fico cara a cara com ele.
Porém, o Sr. Carter não responde.
— Bendito momento em que fui te contratar. Retire-se daqui,
Noely! Vai lá fazer o seu “trabalho”, agarrada com o meu irmão! Ótimo
exemplo.
Mas que...
— Seu descarado, cretino, cafajeste! — Meto o dedo no peito dele.
— Ótimo exemplo de chefe é o seu, de ficar me seduzindo e me
provocando em menos de um mês de serviço na empresa! Eu nunca fui
assim, você foi! Respeite-me!
Ele fica sem mais o que dizer.
Não aguento olhar na cara desse homem e é a minha vez de virar as
costas e sair com rompante.
Fico tão furiosa e com ódio, que acabo descontando nas coisas em
cima da minha mesa.
Que raiva, eu que me arrependo de ter aceitado esse emprego
infernal! Posso conseguir trabalho em qualquer outra empresa que eu
quiser! Não sou obrigada a suportar esse chefe irritante! Tomara que a ELW
se reerga e ele vá embora mesmo!
Ainda brava e fora de mim, eu volto ao trabalho contando as horas
para ir embora. Nego-me a ver a cara do Sr. Carter, nego-me a escutar a sua
voz, ou seria capaz de tacar o meu salto nomeio da sua testa!
Para a minha tortura, as horas passam vagarosamente, minuto por
minuto. Só tenho alívio quando vejo 17h no relógio. E vou embora, sem
esbarrar com ninguém. 
 — Filha, aconteceu alguma coisa?
Em casa, a minha mãe estranha o meu tamanho estresse para ajudá-
la a picar a carne e os legumes para a nossa sopa.
— Não.
— Não? Faz uma hora que chegou do trabalho e está com essa cara
de que mataria alguém. 
Eu mataria mesmo, aquele chefe infeliz.
— São coisas do serviço, não se preocupe — respondo e num
movimento brusco, acabo cortando o meu dedo sem querer. — Ai, droga!
— Noely!
A minha mãe arregala os olhos e corre para me ajudar a estancar o
sangramento. 
— Está doendo, mãe! Que inferno!
— Ficar brava não vai aliviar a dor, sente-se aqui.
Sento-me na cadeira e ela corre para pegar a caixinha de sapatos,
cheia de remédios, esparadrapos e não sei mais o quê.
— Ai, mãe, isso dói, isso dói!
— Claro que dói, mas preciso desinfectar, fica quieta, filha.
Bufo igual uma criança, reclamando e por pouco não chorando,
enquanto a minha mãe termina de fazer o curativo. Cheguei a virar o rosto
para não ver.
— Nem foi um corte tão profundo e você fazendo esse drama todo.
— Ela sorri para a minha cara de quem acabou de ter um parto.
— Doeu. Eu sou sensível.
— Sempre foi, levava um arranhãozinho na escola e as
coordenadoras me ligavam para te buscar, porque você fazia um drama
digno de novela, dizendo que iria morrer, pois os bichos estavam entrando
no seu machucado.
Ergo-me, de braços cruzados.
— Mãe, você para!
— Já parei. — Ela beija a minha testa. — E sai daqui, filha, já
ajudou muito, eu termino o nosso jantar.
Assinto e retiro-me para a sala, com o meu dedo todo dolorido. Ligo
a TV e fico entretida, vendo novela. Até a campainha tocar. 
— Quem será? — grito alto.
— Não sei, eu não estava esperando ninguém. Vai lá ver — ela grita
de volta da cozinha.
Estranhando quem possa ser, levanto-me, vou até a porta, abro-a e
dá pequena varanda eu paro em choque, vendo o Sr. Carter de social,
segurando um buquê de rosas vermelhas na frente do meu portão.
O que ele faz aqui, e uma hora dessa?
Recupero-me do choque e vou até esse homem e toda a sua beleza
majestosa, de tirar o fôlego.
— Boa noite, Noely...
Abro o portão e cruzo os braços, não consigo nem encarar os olhos
bonitos dele.
— Boa noite.
— Desculpa aparecer assim sem avisar... — pigarreia. — Eu... bem,
queria te dar isso. — Ele me estende o lindo buquê. 
Não consigo pegá-las, e não é por mal, é que o meu dedo está
doendo.
Ele vê que não movo um músculo.
— Ainda está querendo cortar o meu pescoço? Sinto muito pelo que
eu disse hoje cedo na empresa. Depois me arrependi. Não queria te ofender
ou te desrespeitar, não sei o que aconteceu... acho que foi a presença da
minha mãe, ela me deixou muito nervoso. Por favor, aceite as flores e o
meu pedido de desculpas.
Engulo em seco e ergo o meu dedo todo enfaixado.
— Eu não vou conseguir pegá-las.
— O que é isso? Você se feriu? — Ele arregala os olhos e chega tão
perto de mim, que eu quase caio sem forças, tive que me segurar no portão.
— Está tudo bem, Sr. Carter, foi um acidente doméstico.
— Noely, quem é? — Minha mãe aparece do lado de fora,
perguntando.
Ela nos olha da varanda e se aproxima curiosa.
— Ah, mãe... esse é o meu... chefe — explico, e na mesma hora a
dona Alice passa por mim, abrindo um sorriso para ele.
— Você é o chefe da minha Noely? Prazer em conhecê-lo, eu sou a
Alice, mãe dela.
— Prazer, dona Alice, eu sou o Carter.
Molho os lábios, constrangida com a minha mãe olhando para o
buquê e para nós.
— Aconteceu alguma coisa?
Carter sorri todo galanteador.
— Nada grave, mas trouxe essas flores para a sua Noely, como
retratação de algo que eu disse esta manhã e ela não gostou. Gostaria que a
sua filha aceitasse o meu pedido de desculpas, pois perdê-la da nossa
empresa seria como perder uma coluna de sustentação.
— Nossa que gesto mais bonito, filha, aceita, anda. — Minha mãe
bate no meu braço e eu reviro os olhos.
Como ele pode jogar encantos na minha própria mãe? Ele é um
falso, ainda bipolar.
— Aceito... — falo entre os lábios, quase inaudível.
— Não ouvimos, querida.
— Aceito! — desta vez exclamo bem alto.
— Ai, que bom. — Ela pega as rosas dele. — Deve ser por isso que
a Noely chegou tão estressada do trabalho hoje, até se cortou me ajudando
na cozinha.
Ele olha para mim
— Por favor, Carter, não quer entrar para jantar conosco? Está
praticamente pronto.
— Seria um imenso pra...
— Não! — esbravejo. — O Sr. Carter deve ter outro compromisso,
mãe.
— Eu tenho? — Ele faz questão de me indagar diretamente, com
essa cara irritante de provocador.
— É, o senhor tem? 
— Imagino que tenha... — resmungo.
— Não, não tenho. Seria um imenso prazer aceitar o seu convite,
Sra. Alice.
— Que bom, Carter. Entre e se acomode, venha... traga-o, Noely.
Minha mãe volta para dentro com o buquê. E ele passa por mim,
confundindo os meus neurônios com o seu perfume extremamente
cheiroso. 
— Você é um... 
— Um o quê? — Ele para ao lado do meu carro, enquanto eu fecho
o portãozinho.
Quando eu viro, esse homem dá um passo sem avisar. 
— Realmente, estou arrependido pelo que eu disse, você é diferente,
eu não tenho o direito de te desrespeitar e sinto que fiz isso, além de ter
descontado a minha raiva em você. E agora, sinto-me mais culpado por ter
machucado o seu dedo.
— Não foi culpa sua, eu que me descuidei — respondo, olhando
para o meu ferimento. — E está tudo bem, já aceitei o seu pedido de
desculpas. Só não devia ter aceitado o convite da minha mãe.
— E por que não? — Ele toca no meu queixo e ergue o meu rosto
para fitá-lo. — Por que eu sou o seu chefe? — Sorri debochado.
Fuzilo a cara dele.
— Por que isso é se intrometer demais na minha vida pessoal, seu
engraçadinho.
— Mas fora do trabalho somos amigos, não somos? — Ele acaricia
a minha boca e o afasto rapidamente.
— Eu até concordaria, se não tivéssemos ficado bem íntimos em
pouco menos de um mês. Por isso, não quero mais amizade com você, que
pode me seduzir e me levar para cama sem menor remorso. 
— Como se você também tivesse tido algum — resmunga,
seguindo-me para dentro de casa.
— Eu tive — minto, pois não tive a merda de remorso nenhum.
Nem me reconheço mais.
— Eu também, remorso de hoje não ter repetido aquele expediente
de novo...
Que safado, descarado! 
— Dá para respeitar a presença da minha mãe?
— E eu não estou? 
Ele senta no sofá, observando-me dos pés à cabeça. Fico
constrangida pelo meu short curto e a blusa de alça, sem sutiã. É o meu
pijama, afinal, estou na minha casa e não estava esperando visita
indesejada...
Sento-me rapidamente, fuzilando o seu olhar malicioso.
— Costuma atender a porta sempre assim? Preciso te visitar mais
vezes.
— Não tem vergonha?
— Quando é você, eu faço questão de não ter.
Ouço a minha mãe arrumar a mesa do outro lado. Sei que ela está
atenta aos nossos cochichos. Depois, não saberei nem como explicar essa
situação. Ela já deve estar insinuando o que não deve. E que vergonha, eu
sou uma pessoa tão... discreta. Nunca trouxe nenhum homem para dentro de
casa, nem mesmo os pretendentes a algo sério, quanto mais o meu chefe
descarado.
— Mudando de assunto, a sua mãe vai frequentar a empresa com
mais frequência? — pergunto.
Ele coça a barba.
— Se depender de mim, não. Não é hora ainda, ela está se fingindo
de forte. Não se recuperou completamente.
— Ou talvez seja bom... — Seguro-me para não me meter.
— Eu sei o que vai dizer.
— Logo que sabe, devia me ouvir, antes que as coisas piorem.
— E o que recomenda, que eu diga para ela que a empresa pode não
ter mais jeito? E que em menos de dois meses eu estou metendo o pé?
Suspiro.
— Essa decisão é da sua consciência.
— Venham jantar — minha mãe chama. — E por favor, Carter, não
repare a nossa comidinha simples.
Ele se ergue.
— Que isso, dona Alice, deve estar saboroso. Já me sinto em casa.
Reviro os olhos para a sua piscadinha. Também me levanto e o
acompanho até a mesa do jantar.
Sentamos e jantamosjuntos, comendo e conversando. Na verdade, a
minha mãe que enche o Sr. Carter de informações sobre a minha infância,
adolescência e a faculdade, depois que fui embora estudar.
Ele faz questão de ouvir tudo e ainda fazer perguntas.
— Não é verdade, filha?
— Sim... — Eu vou apenas concordando e comendo a minha sopa.
— Quero que venha sempre nos visitar. — Dou uma cotovelada na
minha mãe.
O que ela está pensando?
No fim do jantar, após tanta conversa, ele decide ir embora.
Estamos em pé na sala.
— Venha sempre...
— Eu venho com maior gosto, dona Alice, a senhora tem mãos de
fadas para cozinhar. E adorei conhecê-la.
— Como é gentil, também foi um prazer conhecê-lo. — Ela dá um
abraço nele. — E Noely, leve o seu chefe até o portão.
Quieta, eu saio com ele para fora de casa.
— Minha mãe parece que gostou muito de você... ou melhor, caiu
nos seus encantos.
— E quem não cairia?
— Não foi nem um pouco convencido.
Ele sorri.
Paramos atrás do muro, olhando um para o outro.
— Desde que cheguei ao Brasil, só agora pude ter momentos tão
leves assim, sem pensar muito nos problemas.
— Fico feliz por isso, imagino o quanto teve que enfrentar pela sua
família.
— Não imagina, esses dias não andam sendo fáceis. Mas vamos
mudar de assunto...
Ele estende a sua mão até a minha cintura e me puxa forte.
— Para! A minha mãe pode sair aqui fora e nos ver... — sussurro,
mas nem forças para afastá-lo eu tenho.
— Estou num momento da minha vida que não ligo para nada.
Ele pega no meu rosto e então me beija, como sempre faz,
saboreando-me com a sua língua hábil, como se estivesse sedento,
insaciável. É sempre o melhor beijo de todos, é marcante, delicioso.
Eu toco nos seus cabelos, agarrando os fios castanhos com posse.
Ele aperta a minha bunda e sobe os dedos por dentro da minha
blusa, até chegar ao meu peito nu e acariciar o mamilo duro.
Eu arfo na sua boca.
— E-estamos em plena rua...
— Eu quero tanto você, Noely, todos os dias...
Carter me prensa no muro, para ficarmos mais escondidos embaixo
da árvore. 
— Para... 
Ele continua apalpando o meu peito e roçando o seu volume na
minha pélvis. 
Já estou toda melada e latejando.
— Carter!
Ele então para e me olha.
— Você me chamou do quê?
— Oi? — Pisco sem entender.
— Cadê o “senhor”?
— Eu não chamei?
— Não, cadê o “Sr. Carter”?
E pela milésima vez eu reviro os olhos.
— Chega disso, vai embora seu provocador sem escrúpulos. —
Empurro-o. 
Só que antes de se afastar, ele me rouba outro beijo feroz, desta vez,
explorando todo o meu corpo com gosto, até a minha intimidade que já está
quase molhando o short, só para ter a comprovação que estou excitada.
— Eu vou me aliviar pensando nessa sua nudez maravilhosa, e em
como é saborear cada pedaço de você... é perfeita. — Após sussurrar sexy,
ele se afasta. — Boa noite, conselheira, contando as horas para amanhã. 
Continuo parada, criando forças nas pernas para entrar. 
Esse homem vai me matar.
Ele espera, e só vai embora depois que eu entro em casa.
 
Saio da casa da Noely com um sorriso de orelha a orelha, e com o
seu perfume impregnado no meu corpo. Já o meu pau pulsa dentro da calça,
suplicando para que eu volte e nos satisfaça à noite inteira.
O que essa mulher está fazendo comigo? 
Quase fiquei louco quando a vi abraçada com o Breno, pensei que
aquele desgraçado havia mentido e estava investindo na minha conselheira.
Ela é só minha e ponto final.
No meio do caminho, recebo uma ligação com o nome do pai da
Valentina. Atendo e ele berra imediatamente.
— O que está pensando, Carter?! Como ousa ameaçar a minha
filha?
Faz umas duas horas que liguei para a minha ex e a ameacei de
processo, caso ela não parasse de ficar me cobrando, pois tudo o que eu dei
foi mais do que o suficiente. No entanto, ela não gostou muito. Começou a
chorar e a me ameaçar.
— Quero que ela pare de ficar me cobrando.
— Ainda acha errado de ela te cobrar? Você lhe deve, seja homem e
cumpra a sua dívida!
— Eu já dei tudo o que eu tinha para dar; casa, carro, tudo! Se vocês
não pararem de me ligar, vou gastar o restante do meu dinheiro com
advogados, pois vou processar a sua filha por aborto, sem consentimento do
marido! E ela sabe que a lei nos Estados Unidos não é igual a daqui do
Brasil. 
— Não teria coragem... ela não fez isso.
— Ela fez, e eu tenho testemunhas. Continuem me importunando
que vão pagar para ver.
Desligo na cara dele e dou um soco no volante.
Eu só quero paz na minha vida, que desgraça!
Nos dias seguintes, fico mais interessado no trabalho e no nosso
novo investimento. Nossa equipe está a todo vapor para melhorar o jogo.
Breno até tirou do bolso dele para contratar mais profissionais. De tudo,
estamos ótimos, só não gostei mesmo é da Noely, bem amiguinha do tal
Ravi. Logo eu a pego de jeito nesta sala. Já a Valentina, não me ligou mais,
nem o seu pai. E a minha mãe está tirando férias num spa, por isso não veio
mais à empresa. 
Graças a Deus eu tive a paz que gostaria. Espero que dure... Ou não.
— Beatriz, onde está a minha conselheira? — pergunto irritado pelo
telefone.
— Ela está com o Sr. Ravi e o Sr. Breno. Gostaria que eu a
chamasse?
— Imediatamente, diga que ordeno a sua presença!
— Ok, vou avisá-la...
Espero, e depois de dez minutos a Noely aparece com a sua ilustre
carinha inocente, de quem não tem culpa de estar infernizando os meus dias
com a sua existência.
— Aconteceu algo grave? — Ela fecha a porta, e eu me ergo, com
os punhos fechados, dentro dos bolsos.
— Posso saber onde a minha conselheira estava?
Ela sorri e chega mais perto com o seu vestido justo e esses saltos
que a deixam mais sensual. Que mulher bonita, que tortura.
— Trabalhando, Sr. Carter? Por quê?
— Pois senti a sua falta a manhã toda.
— Mas almoçamos juntos. — Franze o cenho.
Eu pigarreio.
— Senti falta de você na minha sala...
— Estou aqui. — Ela morde o lábio.
Pego-a pela cintura, sem resistir mais.
— Não estava o suficiente.
Noely alisa a minha gravata.
— Qual o motivo de estar tão nervosinho assim? — sussurra. —
Ontem quase destruímos esse escritório, era para estar mais calmo, não?
— Acho que ando possessivo com você, te quero a cada segundo
comigo. E não estou suportando aquele tal Ravi. Por que anda dando tanta
atenção para ele?
— Está com ciúmes?
Aperto-a.
— Eu vou encher essa sua bunda de beliscões.
— Carter, entenda que eu só estou ajudando o...
— Sr. Carter — corrijo, pois faço questão de que ela me chame
assim, deixa tudo mais sensual.
— Você está perdendo o “senhor”, depois de ficar me seduzindo
igual tarado. Sinto-me já uma submissa do meu chefe. E voltando, eu só
estou ajudando o Breno, a pedido dele.
— Você não é necessária no meio da equipe, é a minha conselheira.
— Eu sou conselheira da ELW — responde, tentando afastar a
minha mão de entre as suas pernas. — Não começa.
— Vai ser rapidinho.
— Nem pensar! Você quer me deixar numa cadeira de rodas.
Ontem fodemos nessa sala, anteontem fomos para um motel, e no
final de semana passado a fiz ficar na minha casa, para transarmos noite e
dia. É incontrolável, desejo Noely com extrema luxúria.
— Controle-se.
Ela toca na minha barba, e eu beijo os seus ombros nus.
— Com você é impossível de me controlar. O que está fazendo
comigo, dona Noely?
— Sempre vou lembrar que foi você quem começou a me seduzir,
eu era uma simples e inocente funcionária. Era não, eu sou.
Sorrio, acariciando os seus cabelos loiros.
— E eu não me arrependo de nada, faria tudo de novo e duas vezes
pior.
— Não duvido que faria.
Nós nos olhamos, até eu chegar perto da sua boca e beijá-la com
ternura, sem pensar no amanhã. Ela retribui da mesma forma, lenta, doce e
entregue ao nosso momento.
Fico com calor, com vontade de ir além, mas Noely para, de novo.
— Preciso voltar ao trabalho, Sr. Carter.
— Eu vou com você, para ficar de olho naquele cara.
— Ele é o nosso investimento, não fique com essas implicâncias.
— Eu não estou — resmungo. — Também é necessário a minha
supervisão nesse projeto.
— Jura? O senhor não tinha duas reuniões agora, às 15h40?
Eu franzo o cenho e olhoas horas.
— Falta dez minutos, dá tempo.
— Carter voc...
Sem deixar que ela me contrarie, arrasto a Noely junto comigo para
a sala ao lado. Entro e cumprimento a todos com um aperto de mão firme.
Sento-me ao lado dela, após tirar o Breno do seu lugar.
Eles nos olham quietos e explicam o que estavam conversando,
sobre o projeto de marketing do jogo. Meto-me no meio, mas para encher
esse Ravi de perguntas. Noely muitas vezes me cutuca, pela minha forma
autoritária de estar falando. E quando deu os meus dez minutos, ela fez
questão de questionar se já não era a minha hora. Belisquei a sua coxa por
baixo da mesa e tive que ser obrigado a deixar a minha conselheira com a
rodinha de homens.
Tudo bem, eu vou relevar, pois não sou ciumento nem possessivo...
merda...
No final do dia, com tudo resolvido, eu paro no portal da porta dela,
com as mãos nos bolsos.
— Quais os seus planos para essa noite? — pergunto, e ela me olha,
após pegar a bolsa e a chave do carro.
— Chegar em casa, tomar um banho, jantar e descansar. — Pisca.
— E quais os seus planos para amanhã?
Ela franze o cenho.
— Trabalhar? 
— Jura que vai trabalhar amanhã? 
E de novo ela junta as sobrancelhas, num semblante de confusão. 
— Carter, é claro, Breno precisa da minha ajuda com o balanço dos
gastos para o marketing. Ele me pediu isso. E é o meu emprego, de segunda
a sábado.
— Tá, mas logo amanhã? Não está esquecendo de nada?
Noely dá uns passos até mim, já fico sem fôlego com a sua beleza
escultural. Que mulher, meus amigos, que mulher!
— Se você não for claro, eu não vou entender onde quer chegar.
Reviro os olhos.
Isso deve ser o mal dela, só vive com a mente 100% no trabalho.
Ainda mais nessas últimas semanas, que só sabia falar desse Ravi e das suas
expectativas para o jogo. Eu também tenho as minhas, óbvio que quero que
seja um sucesso, é nossa aposta de milhões para a ELW não falir em dois
meses, tem que ser. Porém, ando equilibrado, para não me frustrar com o
resultado final. Diferente dela e do Breno.
— Não vou falar, só vamos para a sua casa, pegar algumas peças de
roupas.
— Por quê?
Dou um beijo nessa boquinha linda e afasto-me, para a madame da
bunda maravilhosa passar.
— Durante o caminho você vai pensando.
— Fala, ou não movo um músculo daqui. — Ela cruza os braços.
Sério, como a Noely não pode estar lembrando da data mais
inesquecível da sua vida?
— Então fique aí, eu vou na frente. Já avisei para a sua mãe preparar
um café da tarde delicioso.
— Anda conversando com a minha mãe?
Eu saio na frente e ela vem me questionando atrás.
— É claro, a gente vive trocando figurinhas de bom dia. Dona Alice
é uma fofa.
— Eu não acredito nisso, pare agora mesmo de iludir a minha mãe!
A gente passa pela secretária e ela abaixa a cabeça, fingindo que não
está nos vendo ou ouvindo. Não é segredo para ela e nem para alguns outros
funcionários, sobre o meu caso com a Noely.
— Posso saber por que empregou o verbo transitivo direto “iludir” à
minha pessoa?
As portas do elevador se fecham.
— Porque sim! — responde.
— Porque sim, é a minha mão te masturbando. — Meto os dedos
rapidamente por baixo do seu vestido e aperto a polpa da sua bunda.
Com a mesma velocidade, ela me dá um tapa no braço.
— Para de ser um chefe safado, tarado e libertino!
— Eu sou apenas com você.
— Ah, não é mais com a sua secretária?
— Já está sendo ciumenta?
— Sr. Carter Bastos, vai para o inferno! 
As portas se abrem e ela sai andando brava pelo pátio da recepção.
— Desculpa, não quis insinuar que sente ciúmes de mim. Agora me
mandar para o inferno? É muito desacato com o seu chefe maravilhoso.
Noely me fuzila e só volta a falar algo quando estamos no
estacionamento de fora. Só tem o seu carro aqui.
— O silêncio é sempre a melhor solução para homens como você.
Eu pisco safado e entro no carro, após ela destrancar as portas.
— Vai mesmo comigo para casa? O que está pensando?
— Você que devia estar pensando no amanhã. Precisamos sair agora
à noite, para chegar lá às 00h.
— Chegar aonde? O que tem amanhã!
— Vai dirigir ou quer que eu faça isso?
Ela respira fundo, liga o carro e sai do estacionamento. 
Com certeza está brava. 
Durante o caminho eu coloco uma música bem calma para
ouvirmos.
— Em que parte da minha vida eu comecei a te dar tantas liberdades
desse jeito?
— Depende, a liberdade de te satisfazer nua?
— A liberdade de entrar na minha vida pessoal, como agora, indo
para a minha casa?
— Não sei, acho que eu tenho o dom de hipnotizar as mulheres,
você deve estar assim por mim.
— Eu? Você que está, não larga um segundo do meu pé. Aonde eu
vou na empresa, o Sr. CEO vai atrás.
Sorrio, observando-a dirigir tão devagar. 
Sei lá, acho que comecei a gostar da Noely. Ela é bem diferente da
minha ex-mulher, sempre está ao meu lado, todos os dias. Valentina nunca
estava disponível, era eu que sempre a procurava e insistia para qualquer
momento juntos. 
— Não posso mais cuidar da minha conselheira? — questiono e
toco na sua coxa exposta.
Noely imediatamente paralisa, arrepiando os pelos.
— Sua não, da empresa.
Ela tenta afastar a minha mão, enquanto acelera para virar logo na
rua da sua casa.
Após estacionar, não permito que abra a porta e tente correr de mim.
— Lembrou, dona Noely? 
Seguro o seu queixo e a aproximo do meu rosto. Mapeio cada traço
dos seus lábios... deixo-a tonta com o meu carinho.
— Não... — sussurra, piscando lenta e confusa.
— Que dia é amanhã?
— 22 de... — Então ela arregala os olhos. — 22 de setembro! É o
meu aniversário!
— Até que enfim, se não pensasse tanto no seu chefe nu, talvez já
teria lembrado mais cedo.
— Engraçadinho!
— Sou é?
Surpreendo-a, ao roubar um beijo safado, que não pode desviar.
— Carter... — Arfa na minha boca, e eu a mordo, descendo os
beijos pelo seu pescoço. — Minha mãe pode nos ver...
— E acha que ela é inocente para não ter desconfiado ainda da
gente? E não entendo o seu comportamento, somos livres, solteiros.
Noely alisa a minha barba e fita os meus olhos.
— Mas não quero que a minha mãe se iluda com o futuro, ela é
assim.
— Se refere a você? Acha que eu estou te iludindo, Noely?
— Não sei. Eu te conheço há pouco tempo, e isso que aconteceu foi
muito intenso, rápido. Talvez seja passageiro, só coisa de desejo. Espero
que entenda.
— Sabe de uma coisa? Em poucas semanas nos conhecendo eu tive
mais emoção do que em oito anos de casamento. E talvez, sejamos intensos
demais para dar certo. — Beijo a sua testa e afasto-me para sair do carro.
 
É sério o que ele disse?
Demoro um minuto a mais para sair do carro. Tento controlar as
batidas aceleradas do meu coração. Respiro e inspiro, então saio, antes de
ter um piripaque.
— Arrume algumas peças de roupas, vamos voltar só amanhã à
tarde.
— Para onde? Carter, isso não...
— Confie e venha comigo. 
Não respondo, ainda continuo sem muita reação.
— Vou deixar você pensar direito, enquanto tomo um cafezinho
com a minha querida dona Alice.
Ele dá a sua piscadinha provocadora e entra, chamando pela minha
mãe. Ela aparece com um sorriso de orelha a orelha.
Eu coloco a mão no coração.
O que está acontecendo comigo? Ao mesmo tempo que eu quero
tanto, eu não quero. E nunca fui assim, tão complicada com as minhas
decisões. Acho que estou com medo.
Dentro de casa, Carter volta a insistir no seu pedido de eu arrumar
as minhas coisas para sairmos agora à noite. Até a minha mãe insiste
também, já que amanhã é o meu aniversário e eu devia aproveitar o meu dia
especial. Decido aceitar, aparentemente, sem muita escolha. 
No meu quarto, enquanto eu pego as coisas, ligo para a Darla e lhe
conto sobre a proposta. Ela já sabe do meu rolo com o meu chefe gostosão.
No dia que lhe contei tudo quase surtou, sem acreditar. 
— Você tem que ir, qual o seu problema, Noely?
— Não sei, essa situação está me deixando louca.
— Na verdade, você parece insegura, com medo, não é? Eu te
conheço.
Bufo e me sento na cama.
— Será que deixo acontecer e vejo onde podemos parar?
— Pronto, tirou a resposta da minha boca. Deixa acontecer.
Aproveite esses momentos, beijae transa muito. Já tem 29 anos, amanhã
nos 30 e quando menos piscar, estará nos 40, satisfeita consigo mesma por
ter vivido coisas maravilhosas, isso inclui o sexo com o seu chefe gostoso.
— Não sei se está certa... e não acredito que farei 30 anos. Não tive
tempo de levar o choque da notícia.
— Ainda está na flor da idade, minha querida. Por isso, tem que
aproveitar todos os dias, como se fossem os últimos, antes de ficar uma
velhinha gagá, ranzinza e dependente dos outros.
Eu bato na madeira.
— Está repreendido. E obrigada, sua vagabunda, te amo.
— Por nada, vadia safada. Também te amo. Avisa quando chegar da
escapadinha com o seu CEO tarado. Beijão.
Finalizo a chamada, sorrindo para a melhor prima do mundo.
Ela tem razão, estou sendo uma tola de não aproveitar o que anda
acontecendo... claro, aproveitar com consciência.
Vou deixar acontecer, seja lá o que aconteça.
— Pronta? — Carter se levanta do sofá.
— Acho que sim. — Dou de ombros.
— Que vocês se divirtam e se conheçam ainda melhor...
— Mãe... — chamo a sua atenção, e ela sorri.
— Não se preocupe, dona Alice, sua filha se divertirá o tempo todo.
É a minha vez de chamar a atenção desse safado.
— Boa viagem, queridos.
Ela fica acenando, despedindo-se de nós, até entrarmos no carro e
irmos embora. — Para onde vamos?
— Um lugar que vai gostar muito — diz, liga o rádio e segue
viagem.
É realmente uma viagem, ele dirige por cerca de duas horas.
— Já estamos chegando? Fala que sim, minha bunda já está doendo.
— Que dozinho, quando chegarmos eu cuido de você,
principalmente dessa bun...
— Carter...
— Sr. Carter.
— Neste momento não está sendo o meu chefe para chamá-lo de
senhor.
— Oras, quando foi que esse milagre aconteceu e você aprendeu a
lição? 
Nem o respondo.
— Veja, para a sua alegria, chegamos.
Ele vira numa rua de chão e segue pela estrada de pedras.
Como está escuro, não consigo ver nada.
— Isso é um hotel?
— Chalé romântico.
Arregalo os olhos.
— Romântico?
— Só nós dois.
Ele dirige mais um pouco e para na frente de um desses chalés. É
bem isolado dos outros.
— Eu já tinha recebido a chave. Agora, vamos aproveitar.
Descemos.
Eu ando travada e cheia de dores. Pareço uma velha sedentária. Já
Carter, aparenta estar novinho em folha.
— Que carinha é essa, dona Noely?
Ele vem até mim e acaricia o meu braço. Fico toda derretida com o
seu toque.
— Sou uma velha sedentária, prestes a fazer trinta anos.
— Não se preocupe, velhinha, já disse que vou cuidar da senhora.
Gargalho, dando um tapinha nele.
A gente então entra no interior chique do chalé. E eu fico de queixo
no chão.
— Que lugar lindo! Meu Deus! É muito luxo!
— É perfeito. Amanhã conheceremos os arredores da pousada. Vai
se apaixonar ainda mais.
Viro-me para ele e toco no seu peitoral.
— Não sei o que diz...
— Não é para dizer nada, apenas aproveitar. Entendeu?
Assinto, e ele chega mais perto com a sua boca.
— A intenção é te fazer gozar muito.
— E você é muito bom em fazer isso. — Subo os dedos para o seu
pescoço, a nuca e os cabelos, onde puxo com força. 
Ele também aperta a minha cintura.
— Conselheira, Conselheira... não acha que já está dolorida o
suficiente? 
— Se você colaborar com o meu sedentarismo, pode começar agora
mesmo a dar amostras das suas intenções de me fazer gozar muito... 
Carter joga as nossas mochilas no chão, me pega no colo e me beija
com muita vontade. Envolvo as pernas na sua cintura e rebolo contra o seu
volume.
— Noely — ele geme.
Sua língua é devorada pela minha, seus cabelos ainda mais puxados.
— Quero muito você... 
Ele me leva até a cama e me joga no colchão, subindo em cima de
mim como uma fera faminta. Meu pescoço é preso pela sua mão, minhas
pernas se abrem e ele me toca.
Nós nos beijamos, loucos de tesão.
Enquanto eu gemo, tento tirar nossas roupas. Carter faz questão de
parar para me ajudar a ficar nua. Faço o mesmo com ele e toda a sua
perfeição de corpo atlético. É o próprio corpo do Chris Evans, e não estou
louca.
— É gostosa como um paraíso vivo — resmunga, roçando o seu
pênis grosso na minha coxa.
Por pouco não tenho uma parada cardíaca, mas com esse homem me
olhando e massageando o seu comprimento grosso, longo e de cabeça
vermelha. A cena é obscena demais para ser esquecida. Será marcada
eternamente na minha mente.
— E você só pode estar na minha cabeça e isso ser um sonho.
— Não é um sonho, me toca, Noely.
Desço a mão e toco no seu mastro bem-dotado, como se eu estivesse
pegando numa relíquia preciosa. Ele pulsa na minha palma, crescendo mais
centímetros. Minha intimidade lateja e tento trazê-lo para esfregar na minha
entrada necessitada de ser fodida. Carter se inclina para morder as auréolas
do meu peito. Solto um palavrão, pela dor horrível, mas excitante.
Ele lambe a minha barriga, desde os vales dos seios, até a testa da
boceta. Sinto a sua respiração pesada. Os seus dedos separam o meu clitóris
e por fim, a sua língua me provar gostoso, numa única línguada.
Gemo alto, sem me importar com nada, a não ser, em ter o melhor
prazer da minha vida. E ele faz isso como ninguém, ao começar a me
proporcionar uma oral perfeita.
Carter enfia o dedo, brincando com o meu grelo em meio às
chupadas que inicia.
— Ahhh! — Rebolo na sua cara.
Ele é tudo o que eu quero, é o homem que desejo com luxúria. Seu
toque, sua pegada... sua boca, não existe igual. Nenhum outro foi capaz de
me dar isso. Nenhum!
Sua língua demora em mim, chupando-me, lambendo-me e
estimulando o meu ponto G. Quando explodo, é numa intensidade de soltar
gritos, contorcer o corpo e por pouco não desmaiar de prazer.
— Que sabor maravilhoso — fala rouco, voltando com a sua língua
áspera pela mesma trilha que desceu.
Não tenho forças de abrir os olhos.
Eu luto para normalizar o meu coração e a minha respiração
ofegante. Mais e mais tremores acontecem. Carter também não permite que
eu feche as pernas e as controlem.
— Seu melzinho — diz e esfrega-me com a cabeça do seu pau
melado. — Quero te foder de quatro.
Ele nem pede, simplesmente me vira e encaixa a minha bunda na
sua pélvis, sem penetrar.
Respiro e inspiro, enquanto as suas mãos massageiam os meus
peitos.
— Você quer me matar. — Roço a bunda ainda mais forte nele.
— Só de orgasmos, minha princesa gostosa. Se empina para mim —
ele pede, e eu faço, apoiando-me no colchão.
Carter se posiciona atrás, e a minha boceta já palpita, ansiosa por
ele. É então que a sua mão bruta agarra os meus cabelos, puxa o meu corpo
e me penetra de uma vez. 
Abro a boca e solto um gemido estridente. Perco as forças,
escorregando de cara no travesseiro, mesmo assim, ele arremete fundo, sem
parar. Ergo-me de novo, sem saber de onde tirei tanto vigor. 
— Ohh, Noely...
Nossos suspiros, gemidos, arfadas e grunhidos saem um atrás do
outro, conforme ele investe nas arremetidas. 
Eu olho para o lado e assisto pelo reflexo do vidro da janela o Carter
metendo sem pena em mim. Seu pau entrando e saindo, pele com pele. Eu
fecho os olhos e sorrio, rebolando mais forte nele.
Puta merda, que delícia! Não quero que isso nunca mais acabe.
 
Ver a Noely gemendo o meu nome, enquanto é fodida por minhas
arremetidas ferozes, não tem satisfação igual. Meu prazer é fazê-la gozar e
se sentir com os pés fora da terra. E faço isso, cada vez mais louco por essa
mulher.
Breno tem razão, eu sou intenso, nunca soube ser homem de várias.
Quando gosto de alguém, só tenho olhos para aquela pessoa. Eu sou assim,
por isso vivi oito anos dando chances para um casamento falido, sem
paixão, sem intensidade, tentando amar por dois e achando que com o
tempo a minha ex fosse mudar e ser recíproca. 
— Carter... 
Eu coloco a Noely sobre o meu corpo e a abraço. 
Estamos grudentos de suor, ofegantes.
Queria dar mais prazer a ela, mas a nossa viagem até aqui foi longa
e cansativa. 
— Não dorme — sussurro, erguendo o seu rosto e observando os
seus olhos pesados, quase se fechando.
Ela está extremamente fraca e trêmula, acabamos de gozar juntos.
— Vou pedir para o chalé nos trazer o jantar, enquanto tomamos
banho.
— Estou tão sonolenta,como aguentar esse pique todo? — pergunta
e repousa o rosto sobre o meu.
Sorrio e beijo o canto da sua boca.
— Você me provocou a transarmos, esqueceu?
— Mas eu pedi para você colaborar com o meu sedentarismo. Tem
todo esse porte atlético, que malha todos os dias. Já eu, se pisei três vezes
na academia esse ano, foi muito.
— Está na hora de voltar, para aguentar o nosso sexo diário, porque
necessito de te foder em todas as posições existentes daquele bendito Kama
sutra. — Aperto a sua bunda, beijando com mais vontade a sua boca.
Em seguida, peço o nosso jantar e a pego de surpresa no colo, para
irmos tomar um banho quente.
Demoramos o tempo necessário para a comida chegar. E depois de
comermos, caímos exaustos na cama, sem forças até para pensar.
Pela manhã, diferente de como fomos dormir, eu acordo 100%
recarregado e animado para o dia que aguarda a Noely. Ela também acorda
mais descansada e se arruma para ir até a sua surpresa, que é um café da
manhã do lado de uma cachoeira linda. Ontem, antes de virmos, eu avisei
aos funcionários dos meus planos e eles deixaram o lugar lindo, com
balões, flores e almofadas pelo chão. Está mais do que perfeito. 
Ela fica boquiaberta.
— Feliz aniversário... — Abraço-a por trás, beijando o topo da sua
cabeça.
— Carter, por que fez isso? Que coisa linda.
— Porque é o seu aniversário, senhora sedentária.
— Ah, obrigada, engraçadinho — diz e se vira emocionada,
entrelaçando os braços no meu pescoço. — Eu nunca recebi algo assim, de
ninguém... não sei nem o que falar.
— Pois não fale, só aproveita, você merece.
Beijo-a e a levo para saborear do seu delicioso café da manhã. E
isso, é só o começo.
Mais tarde, caminhamos a pé pelos pontos turísticos, andamos de
pedalinho no enorme lago principal e fomos ver os bichos. Depois do
almoço, ainda cavalgamos pelos campos verdes, fizemos piquenique e por
fim, ao entardecer, a deixei nua, para entrarmos na mesma cachoeira da
parte da manhã.
— E se alguém nos ver? Estamos sem roupa.
— Não se preocupe, isso não vai acontecer. Vem, entra.
Ela entra devagar e eu a apoio no meu corpo, fitando os seus olhos.
— Gostou do seu dia?
— Muito... — Ela alisa o meu abdômen. — Foi o melhor dia da
minha vida, amei nosso passeio, obrigada.
— Não agradeça, ainda foi pouco.
— Pouco onde? Está sendo incrível, mais incrível do que eu
imaginava. Pois pensei que ficaríamos o dia todo transando na cama.
Não aguento e rio.
— Eu sou um homem diferenciado, sei dar prazer para as mulheres,
além de sexo. Está comprovado. — Inclino a cabeça e mordisco a sua
orelha. — E comprovado que eu quero você...
Noely suspira, e se eu não estivesse segurando as suas costas, ela
teria mergulhado sem querer.
— Perdeu as forças? — sussurro, acariciando a sua bocetinha por
baixo da água.
Ela geme.
— O-o que quer dizer comigo ser sua?
— Que eu quero algo sério.
— Como assim?
— Você entendeu, Noely. Não sou de ficar brincando com os
sentimentos dos outros, e não estou te iludindo por sexo.
— Eu nunca pensei nisso, só acho que somos um rolo, provocado
pelo senhor meu chefe tarado e irresistível. E que eu estou deixando
acontecer.
— Mas isso é um fato, eu ser irresistível...
Ela abre a boca, sem saber se ri ou se arfa, com os meus dedos por
baixo das suas pernas, massageando o seu clitóris.
— Não é... fato... coisa nenhuma.
— Quer namorar comigo? — Faço a pergunta tão de repente, que
ela paralisa.
— Não está muito cedo? Nos conhecemos há um mês e devi... de...
— Ela perde a fala, pois, começo a dedilhar com mais força a sua boceta
lubrificada. Isso a faz perder a capacidade de raciocínio. Meto o dedo com
gosto. — Ahhh, Carter...
— Não há tempo a perder, princesa.
E não mesmo, satisfaço a Noely dentro da água, masturbando-a,
depois penetrando-a. Até eu perco o raciocínio quando estou dentro desse
monumento loiro, sentindo o seu canal me sufocar. 
Ela me fita, com uma cara de prazer que me deixa com mais tesão.
Beijo-a, sussurrando que não quero que isso acabe.
Não posso perder essa mulher, nunca quis algo, como a quero na
minha vida.
À noite, jantamos dentro da jacuzzi e transamos de novo, com
direito à luz de velas e espumante. É perfeito, nem eu, em toda a minha vida
sem graça, tive momentos assim, com alguém que valesse a pena.
Esgotados, resolvemos passar a madrugada no chalé. E no dia
seguinte, arrumamos as nossas coisas e pegamos estrada para voltarmos
para a cidade. 
— Foi tão bom fugir dos problemas por um dia — sussurro.
Noely ficou o tempo inteiro calada, meditando a vista pela janela.
Ela me olha, assentindo.
— Agora tenho trinta anos, que pesadelo.
— É por isso que está tão quieta?
— Também. Estou pensando na vida, acho que não vivi o
suficiente. 
— Não é hora de se lamentar, pelo menos não viveu 8 anos num
casamento frustrado e sem reciprocidade. 
— Sinto muito. É bem mais comum a situação contrária, do cara ser
um babaca e da mulher sempre se doar mais pelos dois. Você é um homem
bem diferente. E ela, uma vaca que não te valorizou.
— Tem razão. Mas e você, dona Noely, vai valorizar o meu pedido
de namoro, feito sob as estrelas? Até agora não me deu nenhuma resposta.
Ela desvia de mim.
— Não estávamos falando sobre isso...
— Então é uma vaca?
— Carter! — Ela dá um tapa leve no meu braço. — Na hora certa eu
vou te dar essa resposta, no momento temos que focar em outra questão,
que envolve possivelmente a Elektra Web falir ou ser salva em um mês e
três semanas.
Calo-me, feito um velho rabugento. Não custava nada ela me dar um
sim?
— Vai ficar com essa cara?
— Tá, vamos fazer do seu jeito... — resmungo.
Ela dá de ombros. 
Eu ligo o rádio bem alto, com o meu mau humor evidente. Minha
cara só muda após chegarmos, descermos e a Noely me empurrar na porta
do carro e me beijar com uma ferocidade de leoa. Sou pego de surpresa, já
que na maioria das vezes sou eu que estou nesse papel. E que pegada ela
tem.
— Assim me apaixono, conselheira...
Ela me afasta, com o seu braço nos dando distância. Para completar,
ou melhor, para me seduzir, Noely morde o lábio inferior.
Seu beijo também me arrancou sangue dos lábios.
— Nunca pensei que escondesse uma fêmea feroz por trás desse
rostinho de santa e sainha de secretária, que vai na igreja de segunda a
domingo.
Para acelerar o meu pobre coraçãozinho, ela sorri. Linda,
maravilhosa.
— É culpa sua eu estar assim. E obrigada por ontem e por tudo que
vivemos. Foi mágico, perfeito.
— Não será a primeira nem a última vez. — Pego a sua mão e beijo
os seus dedos pequenos. — Posso te dar o mundo... eu...
— Carter, para... — Ela não aguenta a risada.
Agarro a sua cintura e dou um último beijo, para nos despedir.
— Quero que descanse, mal consegue andar... — É a minha vez de
sorrir, malicioso. — Ficou muito bem satisfeita. 
— Você não existe, eu não sou tão sortuda de ganhar na loteria um
homem que fode tão bem assim.
— Todos têm o seu dia de sorte uma vez na vida.
Beijo-a novamente, sem saber quando nos despedir.
É difícil nos largar, também separar a nossa boca, mas conseguimos,
com a Noely correndo quase em tropeços para trás do portão.
— Chega, você precisa ir.
— Já vou morrer de saudades, até amanhã... minha conselheira.
 
 
Ainda, para comemorar o meu aniversário, que foi ontem, a minha
prima, os meus tios e a minha mãe me pegaram de surpresa. Foi à noite, eu
saí do quarto e quando pisei na sala começaram a cantar parabéns. Eles
prepararam uma festinha, com muito doce, refrigerante, salgadinhos e bolo.
Foi maravilhoso, chorei toda feliz.
Mas no dia seguinte, para estragar a minha alegria, o meu irmão
apareceu. 
Parece que tudo desaba num simples estalar dos dedos. 
— Por favor, Noely, não vim brigar ou discutir.
— Como tem coragem de me procurar? Não quero falar com você!
— Chega disso. — Ele alcança o meu braço e me puxa. Olho nos
seus olhos, e antes que eu possa berrar algo, Nicolas deixa uma lágrima
escorrer. — Já te pedi perdão centenas de vezes, e sei que nunca vai me
perdoar, mas por favor, apenas me escute... É só que te peço, suplico.
Engulo em seco, puxandoo meu braço e me recompondo.
— Dez minutos e nada mais.
Ele assente e o levo para o restaurante do outro lado da empresa.
Sentamos à mesa, tensos e estranhos. Na verdade, eu sinto dor, por
olhar para o meu irmão mais novo, com seus 25 anos e saber que perdemos
tantos momentos juntos. Que ele escolheu abandonar a mim e a nossa mãe,
para ir atrás do nosso pai, que fez o mesmo conosco, após enriquecer.
— Diga, Nicolas.
— Nosso pai faleceu.
— O quê? — questiono, sem piscar os olhos.
— Nosso pai faleceu anteontem na Espanha, após lutar quatro anos
contra um câncer de estômago.
Fico sem ter o que falar, na verdade, eu tenho muito o que dizer,
mas não consigo.
Abaixo a cabeça.
— Não precisa dizer nada, eu só precisava te informar...
— Ele morreu bem no dia do meu aniversário? — sussurro, com os
olhos ardendo. — Por que não me disse? Ou ele nem faria questão que eu
soubesse da sua própria morte?
— Nosso pai chorou por você, pela nossa mãe, em dor,
arrependimento...
— É tarde, Nicolas! Não quero saber, eu já sofri tanto sem ele, sem
vocês, remoendo o que fizeram com a gente e como seria se estivessem até
hoje conosco, como uma família. E agora, ele se foi, sem ter tido coragem
de voltar para o Brasil pelo menos para olhar na nossa cara e pedir um
miserável perdão! Nem sequer uma ligação! Igual a você!
— Eu não conseguia...
— Por que, como você não conseguia ligar para a sua mãe e para a
sua irmã?!
— Porque eu estive preso por seis anos.
Calo-me, paralisada.
— Realmente, fui um desgraçado, ingrato, hipócrita, traidor e curti
por três anos a minha vida de playboy... até ser preso por culpa do nosso
pai. Tive muito tempo para pensar no que fiz com vocês, para me
arrepender e jurar morte para o homem que carregava o mesmo sangue nas
nossas veias. Ele nunca ficou milionário com criptomoedas, Noely, foi
traficante de drogas. Recebeu uma proposta ainda maior para traficar na
Espanha. Foi por isso que abandonou a nossa família, foi por isso que
aquele merda saiu sem olhar para trás. Só que eu não sabia de nada disso.
Fugi com ele, tentado, ganancioso. Jurei que voltaria para o Brasil em
menos de dois anos. Contudo, fui descobrindo a verdade e me enroscando
junto. Fui obrigado a me envolver para salvar a vida dele centenas de vezes,
mas ele não fez o mesmo por mim. Fomos pegos traficando cocaína. Nosso
pai conseguiu fugir do local, já eu, levei um tiro e não consegui. A polícia
me pegou, porém, em nenhum momento citei o nome dele ou sequer pensei
em entregá-lo. Agora ele? — Nicolas sorri com ódio. — Em seis anos,
chuta quantas vezes foi me visitar naquela prisão? E se tentou sequer me
libertar?
— Não pensou nem em nos ligar? — Choro, sem mais conseguir
controlar a ardência nos olhos. 
— Não podia, não tinha coragem. A nossa mãe moveria mundos e
rios para ir para Espanha me tirar da cadeia. Ela sofreria mil vezes pior,
Noely, você sofreria. Escolhi deixar vocês em paz, não poderia ser mais
egoísta. Era melhor assim. Mereci tudo isso.
Limpo os olhos, sentindo-me muito mal.
— Eu só queria te contar a verdade. Depois que sai da cadeia eu
demorei um mês para procurar o nosso pai. E quando o vi, ele estava quase
morto em cima de uma cama de hospital, chorando e se lamentando
sozinho, sem ter um filho ou uma esposa para estar ali ao seu lado, dando-
lhe amor e cuidados. Esse foi o seu triste fim. Também o perdoei, para viver
a minha vida em paz.
— Não sei dizer se ele mereceu, não sei.
— Acredito que houve arrependimento, pois naquela noite, desde
que me sentei ao seu lado na maca, ele só soube chorar o seu nome, o meu e
o da nossa mãe, pedindo-nos perdão, mas era tarde, não era, Noely? 
Ergo-me da cadeira, tonta e cada vez mais em lágrimas.
— Sim, era muito tarde.
— Espero que não fique tarde para me perdoar, eu só quero viver
com a mente e o coração em paz. Quero ainda poder casar e ter você como
a minha madrinha, como tia dos meus filhos... como a minha irmã.
Nicolas vem até mim e acaricia o meu rosto.
— Você e a mamãe são tudo o que eu tenho, sinto muito pelo
passado. Só me dê uma chance de ser diferente.
— Nada vai ser como antes, mas agora que sei toda a verdade,
igualmente quero viver com o meu coração em paz, por isso tem o meu
perdão sincero. 
Ele se emociona.
— Obrigado, Noely. E feliz aniversário atrasado. — Ele tira algo do
bolso e me entrega.
É uma caixinha pequena.
— Abre, por favor.
Eu abro, para chorar novamente. 
— É o colarzinho que eu tinha quando era criança. Nunca mais o vi.
— Eu levei comigo algo seu e algo da nossa mãe. Dela, foi o
perfume... só para não esquecer do seu cheiro, e de você foi o colar que não
tirava do pescoço. Tive que furtar enquanto dormia.
Balanço a cabeça.
— Procurei igual louca por ele.
— Sempre esteve comigo... e agora está com a dona de novo. Acho
que não deve ser chamado de presente. — Ele dá de ombros.
Sorrio.
— Agradeço, vou considerar um presente, carregado de um bom
significado. 
— Obrigado, Noely.
A gente se despede assim, com os olhos cheios de emoções. E
mesmo tonta com tudo o que soube, eu volto rápido para empresa. Tento
ainda consertar a minha maquiagem no elevador.
— Noely, atrasada?
Breno me pega de surpresa, após eu entrar de fininho na minha sala.
Aproveitei que a secretária não estava.
— Eu? Talvez sim, depende.
Ele cruza os braços, com um sorrisinho malicioso, idêntico ao do
seu irmão.
— Devo dizer isso ao nosso CEO?
— Não, ele vai querer fazer muitas perguntas. Que tal manter
segredo?
— Vai ser impossível, Carter já veio te procurar mil vezes na sua
sala, também tentou te ligar, mas a conselheira não o atendia.
— Eu esqueci de carregar o meu celular essa noite, está 0%.
— É bom ir vê-lo, ele acabou de fazer a secretária te procurar em
todos os andares.
— Hum... bem-feito, bom que ela vê como é andar com aqueles
saltos de um metro.
— Ciúmes da secretária? Sempre desconfiei. — O pestinha repete o
seu sorrisinho safado.
— Sr. Breno, o senhor também não tem muito trabalho com o nosso
patrocinado? Lembro-me de que faltam duas semanas para a divulgação do
jogo.
— Você é sempre estraga prazeres, já vou. Ah, antes, gostaria de
saber como foi o momento dos pombinhos no chalé.
— Breno! — Arregalo os olhos e imediatamente viro as costas.
— Já devo chamá-la de cunhada? — ele questiona bem alto, antes
de eu virar no corredor do hall e parar na frente da porta do Carter.
Entro sem pensar muito e encontro-o conversando no telefone.
Tento fechar a porta para ir embora e não o atrapalhar, mas ele insiste com a
mão para que eu permaneça. Após finalizar a chamada, Carter se ergue e
vem muito sério até mim.
— Está atrasada e ainda não atendeu nenhuma das minhas
chamadas, quer matar o meu pobre coração de saudade? Você não tem dó
de mim? — Ele pega na minha cintura, prendendo o meu corpo com as suas
mãos másculas e pesadas.
Suspiro, feito uma manteiga derretida.
— Sinto muito pelo atraso, e por estar com o telefone descarregado.
Carter analisa o meu rosto, principalmente os meus olhos.
— Aconteceu alguma coisa? 
— Sim, mas depois conversamos.
— Não, conte-me agora, eu quero saber de tudo.
— Acho melhor n... — Interrompendo-me, ele me puxa com ele
para sentar na cadeira. 
Fico em cima do seu colo.
— Carter, estamos na emp...
Ele me impede de me levantar e de falar, colocando a mão na minha
boca.
— Acho melhor começar a me contar tudo, ou ficaremos o dia todo
assim. E por mim, está ótimo sentir o seu traseiro contra o meu pau. Ele já
se sente em casa.
Afasto a sua mão e esfrego-me de propósito nele.
— Seu sem-vergonha desalmado.
— E você maldosa, por ainda rebolar em mim. Não desfoque do que
me interessa, diga, Noely, seus olhos estão inchados e vermelhos, andou
chorando por quê? 
Respiro fundo, então começo a contar sobre a conversa com o meu
irmão. As lágrimas são inevitáveis ao reviver cada palavra dita por ele.
Carter aperta a minha mão, apenas me ouvindo. Termino, olhando
fixamente para o chão.
— Eu sinto muito por tudo que aconteceu, e acho que acredito no
seu irmão.
— Meu coração também acredita, tanto queo perdoei. Saber da
morte do meu pai e de tudo que o Nicolas viveu na Espanha, acabou
comigo. 
— Imagino que a sua mãe já saiba... 
Ele limpa as minhas lágrimas com carinho.
— Com certeza ela sabe, isso está sendo pior, imaginar que o
Nicolas lhe disse tudo primeiro.
— Noely, foi melhor assim, para você ouvir a verdade diretamente
do seu irmão. Só entenda a sua mãe, não deve ter sido fácil saber que o seu
filho ficou seis anos preso.
— É claro que a entendo, esse meu pensamento foi egoísta e idiota,
né? — Balanço a cabeça. — Vou tentar ficar bem, prometo. Temos muito
trabalho hoje.
— Ei, espera. — Carter segura o meu rosto e beija-me. — Estarei
sempre aqui para você, saiba disso. 
— Eu também estarei para você... obrigada.
É a minha vez de beijá-lo, com uma forma de paixão que nunca
senti com ninguém antes. Meu coração sempre acelera, meu corpo se
arrepia e sinto como se tivesse milhares de asinhas batendo dentro do meu
estômago.
Será isso?
Estou apaixonada mesmo? 
Sozinha na minha sala, e sem conseguir focar na tela do
computador, eu ligo para a minha prima e desabafo com ela. Darla fica o
tempo inteiro quieta, apenas me ouvindo
— Desculpa por estar te incomodando, sei que está no trabalho.
— Fica tranquila, a cliente que ia fazer luzes hoje pela manhã,
remarcou. Minha vontade era de abandonar tudo aqui e ir até você, abraçá-
la bem forte. É chocante tudo o que disse sobre o Nicolas e o seu pai,
espero que esteja bem.
— Serei mentirosa se dizer que estou. Fiquei até sem cabeça para o
serviço.
— Eu também estou chocada. Nicolas ficou seis anos preso, seu pai
faleceu, e nesse tempo todo ninguém sabia a verdade de nada.
— Eu o perdoei, Darla, meu coração sentiu de fazer isso e fiz.
— Fez certo, foi o melhor para viver livre do passado, sem guardar
esses rancores. Já estava te fazendo muito mal. Nicolas teve tempo para se
arrepender, seu pai, infelizmente, teve só em morte. Agora, é hora de todos
seguirem em frente, para construírem suas vidas.
— Obrigada, prima, você e o Carter estão sendo muito importantes
com seus conselhos hoje. Sinto-me realmente pronta para deixar para trás
tudo que aconteceu no passado.
— Isso aí, te amo. Você merece ser feliz com o seu CEO gostosão.
— Darla...
— Darla o quê? Esse homem já está caidinho aos seus pés, assim
como você. Reage, Noely.
— Aquela viagem com ele foi romântica do começo ao fim... e
Carter me pediu em namoro.
— O QUÊ? AAAAAHHH NÃO ACREDITO! — Darla grita do
outro lado. — Aceitou, né?
— Não dei nenhuma resposta.
— Como assim, sua vagabunda? Noely, larga de ser difícil e namore
uma vez na sua vida. Ainda mais com um chefe que parece mais um
príncipe! Ele é uma raridade em meio a tantos homens babacas e sem
caráter.
— Não acha que é muito cedo?
— Em alguns momentos, como esse, nunca é cedo demais. Dê uma
chance, diga sim e desencalhe, pelo amor de Deus.
— Não estou encalhada, sua vaca.
— Não vem discutir comigo, sempre estarei certa. E depois
conversamos mais, a chefona chegou. Qualquer coisa me liga, beijão.
— Beijão, bom trabalho.
Desligo o celular e volto para o silêncio entediante da minha sala,
diferente da minha cabeça, tão barulhenta e conturbada. 
— Srta. Noely?
Breno aparece, dando duas batidas à porta.
— Sim?
— Atrapalho?
— De forma alguma, precisa de algo?
— Não, eu só vim te informar de que começamos a divulgação do
jogo nas redes sociais. E que está indo muito bem.
— Sério? 
Pego o meu celular e abro as contas, chocando-me com tantas
curtidas e visualizações.
— Já era um jogo famosinho. Os gamers estão dando o que falar no
Twitter. 
— Isso é bom, muito bom! — Ergo-me da cadeira, toda feliz. —
Acha que já pode dar uma data de lançamento?
— Não mesmo, há muitas coisas para se fazer ainda. Por enquanto,
podemos seguir divulgando aos poucos.
— Sim, para deixar os jogadores ansiosos. Tem que ser um sucesso,
Breno! Isso é a única salvação para ELW, infelizmente.
— Vai ser, pode anotar.
Sorrimos, animados.
— Sei que vai almoçar com o Carter, mas estava pensando em sair
nós quatro; eu, ele, você e o Ravi. Nosso grande tesouro está na empresa
hoje. O difícil é só convencer o meu irmão.
— Não se preocupe, tenho certeza de que ele vai. — Após dizer
isso, e após ir atrás do Carter, eu tenho a minha grande resposta.
— Não — ele simplesmente responde.
— Por que não? É importante fazer o Ravi se sentir acolhido por
todos, inclusive por você, que nem dá bola para ele, apenas para o seu
projeto.
— Ele já se sente bem acolhido, estamos gastando rios de dinheiro.
Afinal, é esse seu projeto que nos importa.
— Carter! — Cruzo os braços, e ele bufa.
— Eu só vou porque você está aceitando dormir comigo hoje.
— O quê? Eu não aceitei nada.
— Não aceitou?
Reviro os olhos.
— Está bem, Sr. Manipulador. Farei o seu joguinho.
— Não estou jogando, só quero cuidar da minha conselheira. 
Ele chega mais perto e acaricia o meu braço.
Só seu toque me estremece.
— Já pensou no meu pedido? — sussurra, arrepiando-me. — Não
aguento mais esperar pela sua resposta.
— Talvez mais tarde eu diga — sussurro de volta e o afasto. —
Vamos, Sr. Carter, estou faminta.
Viro o corpo e sinto um tapa ardido na minha bunda.
Gemo de dor, sem conseguir dar mais um passo, ou sequer xingá-lo.
— Espero ansiosamente por mais tarde.
Noely fica brava pelo tapa e desconta de uma forma que me deixa
100% mais puto. Ao chegarmos ao restaurante, ela se senta de propósito ao
lado do Ravi e do Breno. Sem ter como eu trocar de lugar, não escondo o
meu descontentamento.
Que inferno, vontade de botar uma aliança bem grande nesse dedo
dela. E que merda de novo, desde quando eu fui tão possessivo desse jeito?
— Estamos tão ansiosos para o jogo ficar pronto, Ravi — Noely
fala, sorrindo sem parar.
Qual o motivo desse sorrisinho para ele?
— Eu vi que a divulgação de hoje deu muito engajamento na
internet.
— Sim, ficou entre os mais falados no Twitter — Breno acrescenta.
— Você viu, Carter?
Assinto, sem ter visto nada, aliás, nem olho para eles, estou cortando
concentrado o meu bife, para não acabar quebrando o prato com a minha
força. 
Eles continuam destrinchando seus assuntos, entusiasmados. Se abro
a boca, é só para concordar ou negar algo que me perguntam. 
E dou graças a Deus quando o almoço acaba e podemos ir embora. 
Volto a ficar a sós com a Noely no carro. E já sei que ela vai soltar
os cachorros pra cima de mim.
— Por que ficou com aquela cara fechada o tempo todo?
— É a única cara que eu tenho.
— Carter, você tem que pelo menos fingir que gosta do Ravi.
— Eu nunca disse que não gostava do cara, não gosto é dos seus
risinhos frouxos para ele. Qual o motivo de dar tanta atenção?
— Para ele continuar animado e feliz com o nosso trabalho em
equipe!
— Ravi não é problema seu, e sim do Breno! 
— Estou fazendo o máximo para ajudar a reerguer a ELW. Eu dei a
ideia da empresa investir no mundo dos games, agora, quero estar dando
todo apoio ao seu irmão, ao Ravi e aos colaboradores, para chegarmos ao
sucesso! Não vê que eu sou importante nesse projeto, Carter? Ou só a droga
do meu corpo e do sexo te importam em mim? E o restante foda-se?!
Eu jogo rápido o carro no acostamento e olho desesperado na cara
da Noely.
— Não é verdade! Eu nunca insinuei algo assim! Você é importante
para toda a empresa, é importante para mim! Nunca mais diga isso, Noely,
nunca mais!
— Mas é o que me fez pensar.
— Tire o inferno desses pensamentos imediatamente da cabeça. E se
estou sendo um babaca, desculpe-me. E se quer saber, é culpa sua eu estar
com vontade de socar aquele Ravi e qualquer outro homem que você dê
atenção, além de mim! Estou virando a droga de um possessivo, ciumento.
Estou louco por você, e numa intensidade que pode levar ao literal dessa
palavra!
Noely respira forte, segurando-se na porta. 
Eu passo a mão no cabelo. Preciso me acalmar, não sou assim de
jeito nenhum.
— É isso, é ciúmes?
— De tudo o que eu disse, só isso te importou?
— Está apaixonado por mim?
Noely se inclina exasperada e toca na minha barba.
É a minha vez de perder o fôlego. Meucoração começa a acelerar
com uma força de doer a caixa torácica. 
É isso? Eu estou apaixonado pela Noely?
— Se paixão for o desejo de querer te colocar dentro de um cofre e
te fazer só minha, para nenhum outro olhar ou tocar, então estou.
— Hummm... Acho que isso é mais obsessão.
Sorrio e beijo-a, até perdemos a consciência de como se respira.
— Carter... eu aceito namorar com você — ela ofega nos meus
lábios.
Eu vou ao céu e atravesso até as galáxias na velocidade da luz.
— Nunca fui tão realizado como agora.
— Mas o meu “sim” é por uma condição; desde que se controle e
seja educado com o Ravi e com qualquer outro homem no nosso círculo de
trabalho.
— Então, fora do expediente eu posso quebrar a cara deles? —
resmungo a pergunta.
Noely ouve e me fuzila pelos seus lindos olhos cor mel.
— Nem fora do expediente. Também, nada de contato indecente
dentro da empresa, se comporte, Sr. Carter.
— Protesto veementemente! Nosso contato pode valer em nossas
salas, afinal, quem daquele andar não sabe sobre nós e os nossos pegas? 
Ela continua a me encarar, e sem falar um A, essa mulher consegue
fechar a minha boca.
Volto a dirigir, descontente e tendo certeza de que sempre vou
contra as regras. Pelo menos ela disse um sim... nisso eu saí ganhando.
Durante a tarde, sem ter muita coisa para fazer, fico fora da empresa
para resolver as minhas questões financeiras. Só não esperava que os
bancos fossem me prender a tarde toda. E quando penso em voltar para
casa, lembro-me da Noely. Ligo para ela e fico aliviado de saber que ainda
está na ELW. Peço para me esperar na calçada. 
Hoje eu vou cuidar da minha namorada com todo o amor e carinho.
E como “namorada” soa tão mais gostoso, ainda mais acompanhado do
pronome possessivo “minha”. 
Sequestro a Noely e realizo tudo que prometi a mim mesmo,
enquanto dirigia para casa. 
Eu realmente nasci para isso, para ser de uma mulher só. Gosto de
reciprocidade, de saber que posso ter um único alguém aquecendo todas as
minhas noites. E no auge dos meus 36 anos, não há tempo a perder. É
preciso viver, e quero viver como se não houvesse o amanhã.
Pedi para a empregada deixar o quarto externo pronto, com flores,
velas e o nosso jantar, acompanhado de vinho. Noely ficou surpresa com o
que encontrou. As coisas estão românticas do jeito que eu queria. Coloco
algo bacana na TV e jantamos juntinhos no sofá. 
Como pode ser tão perfeito estar assim com alguém? 
Faço piadas com o que vejo na televisão e ela me presenteia com a
sua deliciosa gargalhada. Pede para que eu pare de beijá-la, de cutucá-la, de
fazer cosquinhas, para assistirmos ao filme, mas o que passa na TV não me
interessa, nem prende tanta a minha atenção como ela. Gosto disso, de
provocá-la e depois de deixá-la brava, encher a sua boca de beijos quentes. 
Mais tarde, tomamos banho e transamos no chuveiro. Não faltam
carícias, massagens e nem beijos. Noely fica mais do que relaxada nos
meus braços.
No quarto, ela veste uma camisa minha e deitamos.
— Você ficou muito sexy com essa camisa.
— Humm... fiquei? — Ela apoia a cabeça no meu peito, bocejando.
— Confesso que prefiro você sem.
— É claro que prefere — sussurra, cansada, fazendo carinho no meu
abdômen.
— Durma, sei que seus olhos estão pesados.
— Antes, obrigada, está sendo incrível comigo... não estou me
sentindo tão sozinha com o fardo dos meus pensamentos. Aliás, nem
lembrei muito do que aconteceu hoje.
— E continue sem lembrar, para poder dormir bem — digo e faço
cafuné nos seus cabelos sedosos.
Noely acaba não resistindo e caindo no sono.
Eu também não aguento e durmo.
Com o passar dos dias e com a equipe correndo cada vez mais
rápido para adiantar o jogo, é finalmente divulgada a data de lançamento
para o final do mês que vem. O único problema, é que esse mesmo mês não
teremos dinheiro suficiente no fundo de reserva da empresa, não para pagar
os funcionários. Ou declaramos falência agora, ou pegamos um
empréstimo.
Essas coisas estão me matando, minha vontade era de abandonar
tudo e viver a minha vida. Mas por causa da minha mãe e do que o meu pai
fez com ela, conosco e com a empresa, ainda não desisti. Além da Noely,
que está nos dando esperanças de dias melhores. Ela já me ajudou muito, se
não fosse pela minha conselheira, eu teria fechado a empresa semanas
antes.
— Precisamos contar para a nossa mãe, ela está bem melhor, vai
aguentar as más notícias.
— Não acho uma boa ideia, ela só está no começo da recuperação,
por mais que possa parecer 100%, não está!
— Carter, chega de poupá-la, já estou ficando puto com você! Não
aguento mais fingir! Ela precisa saber da realidade da ELW!
— É o que prefere, fazê-la recair novamente na depressão?
— Nossa mãe não vai recair, isso não é nem metade do que ela
aguentou ao saber do que o nosso pai fez!
— Carter... Breno... — Noely se coloca entre nós. — Por favor,
vocês precisam conversar com calma.
— Eu já estou cansado de tentar conversar com esse cabeça dura,
Noely! Até você me dá razão, que o certo é manter a nossa mãe lúcida de
tudo que acontece na empresa DELA. 
— Noely não está do seu lado! — falo nervoso contra ele e encaro-
a.
Mas ela respira fundo e nega, traindo-me.
— Não gostaria de me meter na vida pessoal de vocês, mas
concordo com o Breno. Nunca será o certo esconder a verdade. Além disso,
pensa na esperança do jogo, ela precisa saber.
— Não aceito que esteja contra mim, Noely e a favor de ver a minha
mãe quase vegetando numa cama de novo!
— Eu não disse isso, nem estou contra você!
— É o que estão querendo! E essa merda de jogo pode ser o
empurrão que faltava para rolarmos de vez do penhasco! Não somos uma
empresa produtora de games, não é para isso que a minha mãe fundou a
ELW!
Ela dá um passo para trás.
Breno fica boquiaberto.
— O que está acontecendo com você? Noely só está tentando nos
ajudar, não fala assim com ela, seu merda! A ideia que nos deu, o impulso
para o projeto de patrocinarmos o jogo, todos os créditos é dela! E se não
fosse essa ideia, por você já teríamos fechado a empresa e aí sim matado de
vez a nossa mãe! 
Fora de mim, eu passo a mão no cabelo e fecho os punhos. 
Noely me olha decepcionada e triste. Levo um soco no estômago.
— Não vou me meter na vida pessoal dos meus chefes, só estou
tentando fazer o meu trabalho... desculpa qualquer coisa, com licença,
senhores — ela sussurra e se retira da sala.
Até abro a boca para tentar pará-la, mas não consigo, meu peito dói,
frustrado comigo mesmo.
— Por que disse isso para Noely, caralho? Eu não te entendo,
Carter!
— Eu não sei, estou farto dessa empresa, desses problemas! Vocês
criam expectativas sem mesmo pensar que pode dar tudo errado e não sair
como esperavam!
— Você permitiu isso, você levou para frente a ideia da Noely,
sabendo dos riscos, pois igualmente sabe que é a nossa única salvação, não
temos escolha! Agora, age igual um babaca, só porque a sua namorada foi
contra você em algo que ela e eu estamos certos. Nossa mãe deve saber da
verdade imediatamente!
— Se ousar contar, eu nunca mais olho na sua cara!
— Sabe de uma coisa que não faz sentido, e se declarasse falência
agora mesmo da ELW, ela também não saberia? Não te entendo de jeito
nenhum, é um hipócrita! Não tem como poupar a nossa mãe de nenhum
ângulo! Chega disso, Carter. Eu que estou cansado de tentar entrar em
acordo com você. Por mim, acabou! 
Ele vira as costas e sai batendo a porta com força.
Dou um soco na mesa e tudo começa a ser despejado em cima de
mim; a culpa, a frustração e a consciência pesada por ter magoado a Noely
com as minhas palavras idiotas. É claro que ela está nos ajudando muito e
dando esperança a todos.
Que merda!
Não sei o que fazer mais, não aguento ficar esperando e esperando e
nada se resolve, estou tão cansado. Só queria viver a minha vida do jeito
que eu quero. Nada disso é a minha escolha.
Entro furiosa na minha sala, segurando a vontade de voltar até o
Carter e socar a cara dele. No entanto, esse sentimento nem é o pior. Estou
fazendo de tudo para ajudá-lo a salvar a empresa e é assimque retribui?
Será que não pode ter um pingo de esperança até o lançamento do jogo,
para aí sim vir com os seus julgamentos negativos para cima de mim?
Ele agiu igual um idiota! E eu também não tinha nada de me meter
no assunto familiar deles, não é da minha conta!
— Noely? — Breno aparece cinco minutos depois. — Está tudo
bem?
— Claro que não!
— Carter foi muito babaca com você, sinto muito.
— Não entendo como o seu irmão pode ser tão sem fé desse jeito.
Eu sei que o nosso projeto pode dar muito certo ou pode dar muito errado,
mas precisamos ser otimistas, ver o lado positivo das coisas e tentar fazer
dar certo! Igualmente, sei que a Elektra Web não é uma produtora de jogos,
acha que se a empresa não estivesse prestes a falir, eu teria dado uma ideia
dessa? Jamais! Aconselharia o nosso CEO de outras formas, porém, essa é
uma boa estratégia para a ELW voltar ao mercado. Sem falar que a decisão
final de levar para frente a minha ideia, foi dele!
— Fique calma, Noely, sabe que estou do seu lado. A divulgação do
jogo está sendo um sucesso entre os gamers, semana passada ficamos entre
os mais falados do mundo no Twitter. Carter não é cego para não ver essas
coisas. E ele só ficou furioso porque você concordou comigo sobre a nossa
mãe. Foi tudo culpa minha o que aconteceu.
— Fiquei chateada, Breno... dele me tratar daquele jeito. Não quero
ver o seu irmão tão cedo.
— Do jeito que o conheço, ele já deve estar com a consciência
pesada e mais tarde vai aparecer na sua casa com um buquê de rosas
enormes, pedindo perdão de joelhos. 
— Vou fazê-lo enfiar naquele lugar — resmungo e sento-me na
minha cadeira.
— Já decidi que vou contar toda a verdade para a minha mãe,
mesmo que o Carter discorde com unhas e dentes.
— Tem certeza de que quer comprar uma guerra com o seu irmão?
— questiono baixinho, preocupada com ambos. — Fico com medo da sua
mãe não aceitar bem tudo isso.
— É um risco que precisamos correr, não aguento mais esconder a
verdade dela. Todos os dias questiona sobre como está a empresa, e antes de
mentir, ainda olho para o Carter, buscando um único olhar que permita dizer
a realidade entre essas paredes, porém, ele mente ainda melhor do que eu.
— Carter só tem medo da mãe de vocês piorar.
— Eu também tenho, Noely, acha que não sinto vontade de ir até o
meu pai e matá-lo com as minhas próprias mãos? Ele destruiu a nossa
família e por pouco quase enterrou a nossa mãe. Quero que o julgamento
daquele desgraçado chegue logo e que ele apodreça na cadeia. Faço questão
de assistir à sentença.
— Deus está vendo tudo. Seu pai vai pagar caro pelo que fez.
— É claro que vai. — Breno respira fundo. — Vou sair um pouco
para comer algo, depois volto com a cabeça mais fria.
Assinto e ele se retira quieto.
Tento voltar a atenção para os meus afazeres, só que é impossível.
Acho que agora eu toparia beber um copo daquele whisky que o Carter tem
na sua sala.
Não paro de pensar nele. Foi tão arrogante comigo. Na verdade, faz
uns dois dias que esse homem está diferente.
Será que a Valentina voltou a perturbá-lo? Se fosse, ele teria me
dito, é sempre muito sincero comigo.
Chega, acho que preciso fazer igual o Breno e dar uma andada.
Talvez um café no refeitório possa me ajudar. E é o que eu faço.
Pelo caminho, encontro o Ravi e ele desce junto comigo.
Conversamos sobre o seu jogo e sobre como estamos ansiosos para o
lançamento oficial.
— Não vejo a hora, os gráficos estão perfeitos, parece tudo real. A
empresa abraçou mesmo o meu trabalho.
— Você é genial, sei que vai ser um sucesso.
Ele sorri.
— Obrigado por tudo, Srta. Noely, está sendo muito importante para
nós.
Pelo menos alguém, além do Breno, reconhece o meu esforço...
— Não agradeça, só estou fazendo o meu trabalho...
Papeamos e tomamos um cafezinho por alguns minutos. Ravi é uma
pessoa muito bacana e divertida. Se deixar, eu fico por horas jogando
conversa fora com ele. Mas subimos para o executivo. E assim que as
portas do elevador se abrem, dou de cara com o Carter.
Até levo um choque.
Ele primeiro olha para o Ravi, depois para mim. E ao tentar sair do
elevador, acabo raspando sem querer no seu braço forte e, antes que as
portas possam se fechar de novo, dou uma última encarada nos seus olhos
bravos, cheios de ciúmes.
Não faço questão da sua cara feia, era para eu estar com essa cara.
Carter se vai.
Eu viro as costas e volto para o meu trabalho, durante a manhã toda.
Não sei onde aquele homem foi, ou se retornou para empresa, só sei
que ele também não fez questão de me procurar, não que eu quisesse. Fui
até almoçar sozinha. E o restante da tarde, fiquei me correndo de ódio.
— O Sr. Carter voltou para a empresa? — pergunto para a
secretária.
— Sim... mas ele... — Beatriz pigarreia. — Ele está muito nervoso
hoje, perguntou o tempo todo se a senhorita estava na sua sala.
— Humm... perguntou?
— Não gosto de fofoca, entretanto, sou a secretária e vejo tudo, sei
que vocês estão namorando e que aconteceu algo.
— Acho que a empresa toda sabe.
— Então, aconteceu algo?
— Nada importante, não se preocupe. — Dou um sorrisinho
forçado. — E vou embora, já está dando o horário do expediente.
— Antes, o Sr. Carter quer que a senhorita vá até a sala dele... — ela
sussurra e se desvia de mim. 
— Eu, ir até ele? — debocho. — É ele que devia vir até mim, e de
joelhos! Boa noite, Beatriz! Até amanhã!
Saio pisando forte e sem olhar para trás.
Carter que tome vergonha e engula o seu orgulho para falar comigo.
Eu não fiz nada, minha consciência está limpa.
— Filha, chegou cedo. — Minha mãe fica surpresa ao me ver
abrindo a porta da sala. 
— Sim, cheguei.
— Cadê o Carter? Vocês sempre estão juntos.
— Eu não sei onde ele está mãe — resmungo, tirando os saltos.
— Espera, vocês brigaram?
— Ele falou umas coisas que eu não gostei e agiu de um modo
muito arrogante. Não quero comentar sobre isso, vou para o meu quarto
tomar um banho.
— Tá bom, se não quer falar sobre o ocorrido, não vou insistir. E
vou sair... O jantar já está pronto para você, é só esquentar.
— Vai lá... espera, aonde a senhora vai? 
Paro no meio do caminho, atrás do sofá e coloco a mão na cintura.
Então olho atentamente para ela; vestidinho justo, cabelos loiros soltos,
maquiagem bem-feita, salto alto e até passou o seu melhor perfume, sinto o
cheiro daqui.
— Eu? 
— Mãe, você está conhecendo alguém e não está me contando?
Ela cora as bochechas, praticamente se entregando.
— Talvez, ainda estamos nos conhecendo.
— Como assim? Isso é sério? 
— Na hora certa eu apresento vocês, preciso ir. Boa noite, filha.
— Mãe...
Ela vira as costas e vai embora sem me ouvir.
Que bonito, né? Como ela pode estar conhecendo alguém e só me
contar agora? E só porque a peguei no pulo. Por isso ficou surpresa de me
ver mais cedo em casa, queria sair sem ser vista arrumada.
Não perco tempo e depois de tomar banho, já ligo para a Darla e
fofoco tudo com ela. Ficamos quase uma hora no telefone, aproveitei para
jantar e até lavar a louça.
— Vou precisar desligar, a campainha está tocando.
— Uma hora dessa?
— Minha mãe não é, pois levou a chave de casa.
Eu vou até a janela, afasto a cortina e descubro quem é o ser
humano.
— Não acredito — murmuro, mas com o coração prestes a dar um
piripaque.
— Quem é, Noely?
— O Carter...
— Humm, visitinha íntima, não vou te atrapalhar, beijinhos.
Darla desliga o telefone.
Eu olho para o meu pijama decente demais. Não, eu vou trocar e
vestir um mais provocante, só para ele sofrer e eu me vingar por hoje cedo.
Faço isso com gosto, ainda dou uma bagunçada sexy no cabelo e borrifo o
meu perfume mais caro. Pronta, eu saio. 
Ele ainda está na frente do portão, esperando-me com um buquê de
rosas vermelhas — Breno tinha razão.
Ao me ver, Carter demonstra inquietude. 
— Boa noite, minha Noely...
— O que faz aqui?
Cruzo os braços, mas porque comecei a morrer de frio com o meu
baby-doll curto e fino. Devia pelo menos ter vestido uma blusa.
— Eu vim para conversarmos.
— Já estamos conversando.
— Eu trouxe flores... e meu pedido de desculpas por hoje.
— Hum...— É as minhas mais sinceras desculpas.
— Hum...
— Sei que está magoada comigo, agi igual a um idiota, mas não
quero ficar longe de você. Não suporto estarmos brigados, isso quase me
matou hoje. E está matando.
— Ah, te matou muito, né? Tanto, que você não foi atrás de mim,
depois de tudo o que disse. Só veio agora!
— Eu não estava bem, precisava de um tempo.
— Hum...
— Merda, Noely, deixe-me entrar, você também está morrendo de
frio.
— Você vai entrar, mas não tente encostar um dedo em mim!
Sem escolha, pois estou congelando mesmo, eu abro o portão e
entramos para o quentinho de casa.
— Obrig... — Carter de repente me olha e perde a fala, após me
analisar dos pés à cabeça, na claridade da luz.
— Por nada.
Volto a cruzar os braços, só para empinar mais os peitos. Meus bicos
estão bem eretos e evidentes pelo tecido. 
Ele coça a barba, com os músculos já tensos.
— Não vai aceitar as minhas flores?
— Não, saiba que isso de mandar flores, depois de fazer uma
cagada, é a coisa mais clichê e broxante que existe, por isso, vai voltar com
elas!
— Está tão brava assim comigo? — Ele joga o buquê com força no
sofá. — Estou aqui te pedindo desculpas, quer que eu ajoelhe? Eu ajoelho,
Noely! — Carter faz, ele se ajoelha na minha frente. E de novo, Breno
estava certo. — Eu posso fazer qualquer coisa para você me desculpar pelo
que eu disse. Não consigo ficar um segundo longe da minha conselheira.
Droga de homem... meus batimentos voltam a acelerar.
— Não gostei de como falou comigo, de como foi um arrogante.
Tudo o que disse ficou martelando na minha cabeça o dia todo. Ensaiei
milhares de respostas para te dar, saiba disso. 
— Eu tenho consciência de tudo o que vai me dizer. Não foi a minha
intenção te magoar com aquelas palavras, acho que fiquei bravo por você
ter concordado com o Breno e apenas... falei sem pensar. 
— Levanta, Carter... — mando.
Fico sem estruturas para esse homem enorme, ajoelhado aos meus
pés e com essa cara de cachorro arrependido.
Ele levanta-se.
— Não quero te decepcionar, Noely, não sei o que está acontecendo
comigo essa semana. Sinto-me sufocado com aquela empresa e sem poder
viver a minha vida do jeito que eu quero. Eu não sou assim, um CEO de
terno e gravata, não conhece o meu outro lado. Também, sabe que dei um
prazo de três meses para mim e a ELW... e esse prazo está chegando ao
fim. 
— Não, falta só um mês — respondo já triste. — Espera o
lançamento do jogo, tenha pelo menos a certeza de que tudo pode ser um
fracasso ou um grande sucesso, para aí sim tomar qualquer decisão. Por
favor. — Meus olhos ardem.
Carter dá um passo e toca delicadamente no meu rosto. 
Fecho os olhos, sentindo a textura dos seus dedos na minha pele.
— Não sei o que fazer... encontro-me perdido, mas não tanto como
hoje, quando ficamos separados e sem nos falar. Você já está sendo muito
importante para mim, muito mesmo.
Olho para ele e acaricio a sua barba macia.
— Você também já está sendo muito importante para mim, para o
meu coração. Não queria que estivesse se sentindo sufocado ou perdido,
porém, igualmente entendo o seu lado, estar ali na empresa não foi a sua
escolha. E acho que devia contar para a sua mãe, de forma sincera, pois eu
sei que isso é outra coisa que está te enlouquecendo. 
— Eu tenho medo de contar e ela ficar triste por minha causa, não
aguentaria ver de novo aquele olhar de decepção e de dor no seu rosto, após
saber de tudo o que o meu pai fez. Esse dia foi o pior das nossas vidas. Ela
ainda tentou ser forte, contudo, recaiu em pouco tempo. Eu e o Breno
pensamos que iríamos perdê-la — ele abaixa a cabeça e suspira,
emocionado —, não posso suportar ver isso se repetindo novamente.
— Carter... — Abraço-o. — Sinto muito por tudo o que passaram,
vocês também foram fortes por ela. Não foi fácil. Saiba que estou do seu
lado. Desejo o seu bem e a felicidade da sua família
— Você já está me ajudando... você é o meu bem. — Ele ergue o
meu rosto e beija os meus lábios com ternura.
Sinto a minha alma se esvaindo do corpo e se fundindo com a dele.
Nossa boca, nosso corpo, nossa intensidade, tudo é tão leve que se encaixa
com perfeição.
Ele está se tornando mais do que importante para mim.
Mesmo quando o nosso fôlego acaba, eu não consigo afastar os
nossos lábios. A sua textura, o seu sabor, Noely é única. 
Ela é minha. 
— Passou esse perfume de propósito...
Agarro os seus cabelos e a pressiono em mim, já doido por esse seu
cheiro gostoso.
— É o meu cheiro de sempre, e eu disse que estava proibido de
tocar em mim.
Ela se afasta com a sua camisola minúscula e transparente.
— Vai ser assim? — resmungo.
— Vai ser assim sim.
Sento-me no sofá, olhando para o corredor da casa.
— Minha sogrinha não está?
— Não. Acredita que ela está saindo com alguém? E eu só descobri
hoje, porque a peguei no pulo.
— Ela tem mesmo que conhecer, não acha? 
Noely se senta ao meu lado e os meus olhos vão instantaneamente
para as suas coxas grossas. Imagino-a de pernas abertas no meu colo,
cavalgando sagaz, com esses cabelos loiros desgrenhados pelos ombros.
— Claro que ela tem que conhecer alguém, minha mãe é linda,
ninguém dá para ela mais de 40 anos. Só acho que a bonitinha devia avisar
a sua filha com antecedência, e principalmente, me apresentar ao tal cara.
— E você me apresentou para a sua mãe?
Noely me fuzila. 
Fico morrendo de vontade de beijar essa boca de novo.
— Só para refrescar a sua mente, Sr. Carter, foi você que me seduziu
sem a menor vergonha na cara e se introduziu na minha vida sem ser
convidado. Ah, e encantou a minha mãe com essa carinha bonitinha e esse
jeitinho manipulador. Agora, ela só sabe falar de você e de suas qualidades
o tempo todo.
Não aguento e caio na gargalhada. É tão bom estar rindo e o motivo
ser ela.
— Mas, eu só tenho qualidades mesmo, minha namorada — falo as
duas últimas palavras bem perto da sua orelha.
Ela não consegue esconder os arrepios. Os bicos dos seus seios
ficam mais rígidos e mais evidentes.
— Preciso me retratar com você...
— De joelhos? — Ela me olha de outra forma, com os seus olhos
brilhando de excitação. — De joelhos? — questiona de novo e deposita a
mão por cima do meu volume na calça. — Igual um cachorrinho bem
mandado? — Aperta o meu pau.
Eu gemo e me coloco com agilidade de joelhos, diante dela e das
suas pernas.
Noely se inclina e puxa o meu cabelo, enquanto abre as coxas e me
dá a visão da sua calcinha preta.
— Não me toca — ordena, antes que eu avançasse com os meus
dedos ansiosos e a minha boca faminta.
Meus olhos se nublam de tesão. 
Ela testa o quanto de poder tem sobre mim.
— Vamos para o meu quarto...
Noely se ergue e sai rebolando na minha frente, exibindo a imagem
da sua bunda encaixada sensualmente na calcinha fio dental.
Coloco a mão na cintura, contando até dez, para me controlar, antes
que eu corra até ela, rasgue essa merda de camisola e a jogue em qualquer
parede. 
Vou para o seu quarto, entro e recebo ordens para sentar na cama.
— Acha que eu posso aguentar por quanto tempo, antes de tomar
posse de você e do seu corpo?
— Você não vai, porque hoje é a minha vez de me vingar.
Ela vai até o seu closet e volta com um lenço grande.
— Quer dizer que a minha conselheira tem mesmo fantasias de
cinquenta tons de cinza com o seu chefe? — Sorrio.
— Só se você estiver no papel da Anastasia e eu do Sr. Grey, te
chicoteando.
Ela gosta de ser a dominadora então?
Noely coloca o lenço nos meus olhos e dá uma última passada de
mão no meu volume duro.
Sacanagem comigo. Ela quer me ver surtar daqui a pouco.
Agora, não consigo ver nada, apenas ouvir.
— O que quer aprontar?
— Eu quero tudo...
Ela para na minha frente, ergue a minha mão e coloca em cima dos
seus seios nus.
Minha respiração fica pesada.
Deslizo pelo seu corpo e, com desejo, puxo-a para mim, entretanto,
Noely me repreende.
— Não, primeiro eu quero que sinta o meu corpo, bem devagar.
Assim...
Ela coloca novamente a minha mão sobre os seus seios e eu os
massageio forte. É uma delícia sentir os seus mamilos duros, entre os meus
dedos ansiosos.Quero chupá-los.
Noely geme, e lendo os meus pensamentos, ela coloca um bico na
minha boca. Começo a mamá-la às cegas, intercalando entre os dois
maravilhosos peitos. Meus instintos também ficam mais afiados, consigo
prestar mais atenção nas reações da sua pele, das arfadas e dos gemidos
reprimidos nos seus lábios.
— Carter...
Eu desço o dedo para a sua bocetinha nua, toco-a e percebo o seu
clitóris latejante por mim, cada vez mais lubrificada com a sua gosminha
quente.
— A brincadeira acabou.
Tiro a venda, agarro de novo a Noely e a jogo na cama, para poder
fodê-la com a boca.
Ela não tem tempo de gritar, nem de me impedir, pois só teve forças
para gemer. 
— Ahhh!
Meto a língua sem pena e dedilho a sua boceta sem parar.
Noely se contorce no colchão, puxa os meus cabelos, grita, xinga,
ela fica louca de prazer.
Com a língua no seu clitóris, faço círculos com a ponta, lambo,
mamo. E antes que possa gozar, eu paro, tiro a minha roupa, fico nu e
deslizo a ereção pelas suas pernas. 
Ela arqueia as costas, puxando os lençóis.
— Por favor...
— Por favor, o quê?
— Não para. Me faça gozar.
Beijo os seus seios, subo pelo busto, o pescoço e por fim saboreio os
seus lábios, enquanto me posiciono para penetrá-la.
— Carter... 
Ela arqueia as costas, ao sentir a pontinha da cabeça na sua entrada
encharcada.
— Senhor... — corrijo, esfregando a glande latejante no seu clitóris.
Noely me xinga, antes de me chamar de senhor. Ela está
desesperada para ser preenchida. É uma tortura prazerosa, mas que eu
também não aguento. Afundo-me nela, em perfeito contato.
O encaixe, a conexão, é mais do que maravilhoso. O balanço do seu
corpo, as arfadas e os gemidos quentes. Os apertos das suas coxas no meu
quadril, as minhas arremetidas insaciáveis, indo e vindo. Estou no meu
paraíso. 
Na minha Noely...
— Você tem que parar de ser a mulher mais perfeita do mundo.
Ela sorri, sem conseguir resistir ao meu charme.
— E você, parar de ser um bipolar insuportável.
— Eu não sou um bipolar.
— Às vezes é. Também, é muito irritante.
— Está tirando esses defeitos da sua cabecinha fértil.
— Ah, claro, estou. — Ela me olha e toca no meu pau quase
adormecido. — Ainda não descontei tudo o que me fez. Você trapaceou.
— Disse isso enquanto eu te fazia gozar? Só cheguei ao veredito
mais rápido.
— Aguarde, que ainda terá o seu...
— Se eu tiver o meu, com você de quatro e eu te fodendo, será
maravilhoso.
Viro rapidamente a Noely no colchão e começo a fazer cosquinhas
na sua barriga.
— Carter, para! — Ela ri e tenta parar as minhas mãos hábeis.
— Agora quer que eu pare? Quando eu parei de te chupar, não me
pediu isso.
— PARA, CARTER, PARA! 
Noely ri de perder o fôlego e de quase cair da cama.
E ela só consegue me fazer parar depois de apertar as minhas bolas,
subir em cima de mim e roçar a sua boceta gulosa no meu pau. 
— Hmmm, boceta gostosa.
Dou um tapão no seu traseiro, endurecendo-me de novo.
— Ai, cachorro. Só assim para domar esse chefe safado.
— Eu que te domei, conselheira. O dono do troféu sou eu.
— Domou a sua cara. — Ela roça o clitóris mais forte em mim.
Gemo, puxando-a para roçar cada vez mais gostoso, até o tesão nos
cegar e o prazer se fazer presente.
Como eu pude encontrar a mulher da minha vida 36 anos depois?
Sinto-me tão completo, tão satisfeito. Hoje eu vi isso de vez, depois
de ficarmos a tarde toda longe um do outro. Não é só corpo e desejo de
luxúria, todos os dias se torna algo mais especial com a Noely.
 
Com os problemas da ELW na mesma para o mês subsequente, fico
ansioso e inquieto, por mais que tenhamos fechado alguns contratos bons
essa semana, não cobre nem metade das dívidas mensais. Não escondo da
Noely, nem de ninguém as minhas preocupações, o meu nervosismo. Sei
que há o lançamento do jogo, mas não consigo depositar todas as minhas
esperanças nisso. 
Para piorar, hoje o Breno resolveu tomar a sua decisão sozinho,
sobre a nossa mãe. Não sei como agir, estou tão furioso.
— Carter.
Eu desço os degraus da escada, olhando para o meu irmão no final
dos degraus. Aperto os punhos, para não voar no seu pescoço.
— Ela já sabe de tudo, foi melhor assim.
Passo por ele, trombando bruto no seu ombro e indo até o escritório,
onde ela já estava me aguardando.
Respiro fundo e abro a porta.
— Mãe...
Ela tira os óculos, coça as têmporas e me olha.
— Quando ia me falar a verdade sobre a empresa?
— Foi para o seu próprio bem, você já está convivendo com tantas
decepções, eu não queria te encher com mais.
— Acredite, saber que a ELW está prestes a falir é algo bem de
menos, e era esperado, sendo que o seu pai já havia desviado tudo o que
tínhamos.
— Eu só quis te poupar, mãe. Não pediu que eu viesse dos EUA
para cuidar de você e da Elektra? 
— Não estou brava, filho, sei que foi para o meu bem. Só devia ter
me contado antes, sendo que eu fui até lá e pedi essas informações para
você.
— Agora sabe.
— Eu sei, é? Não tem algo a mais que está me escondendo, sobre a
sua conselheira?
— Breno te contou?
— Ele explicou do patrocínio do tal jogo.
— E o que pensa disso tudo?
— Que não temos escolha, pode ser a nossa salvação ou a última pá
de terra que falta para nos enterrar. Não temos mais dinheiro, Carter. A
renda para nos sustentar vinha tudo da ELW. Pensar na situação que
chegamos e tudo por minha culpa...
— Mãe! 
Eu corro até ela, após vê-la ficar fraca. Pego o protetor de bebida da
mesa e abano perto do seu rosto.
— Eu falei para o Breno, eu avisei aquele... 
— Eu estou bem, querido, acho que foi a pressão.
Pelo telefone, eu chamo a Mari, a cuidadora da minha mãe.
— Precisa ficar realmente bem. Nada é sua culpa. Não se preocupe
também com dinheiro, sabe que eu e o Breno somos mais do que ricos para
sustentá-la num castelo até o último dia da sua vida. Nada vai te faltar.
— Mas não sei se eu vou viver muito...
— Para de falar isso. Não aceito que seja pessimista.
Minha mãe olha para mim e chora.
— Seu pai teve motivos para fazer o que fez, nos deixar sem
dinheiro, sem dignidade.
— Não existem motivos para o mau-caráter dele, para roubar a
própria empresa, destruir a nossa família e ainda ser um preconceituoso
nojento. Chega disso, pelo amor de Deus. Não quero que tenha nenhuma
recaída.
— É culpa minha...
— Para, mãe!
Mari chega rápido e me ajuda a acalmá-la e levá-la para o quarto de
descanso ao lado.
— Ela vai ficar melhor, Sr. Carter, deve ter se agitado com a
conversa de vocês, já dei um calmante — Mari informa, após eu puxá-la
para conversarmos a sós no corredor.
Eu sabia, eu disse para o Breno que devíamos poupá-la, que ela
ainda não estava bem, por mais que aparentasse, ela não está nem um
pouco. Entretanto, algo no meio disso tudo me deixou com uma pulga atrás
da orelha.
— Mari, seja sincera comigo, a minha mãe te disse algo sobre o meu
pai?
— Como assim? — Ela arregala um pouco os olhos.
— Não sei, ela te disse algo, que nunca disse para mim e para o meu
irmão?
— Não, senhor. Eu evito esse assunto, para a recuperação da Sra.
Kamila.
— Ela estava muito estranha, se auto culpando o tempo todo.
— Amanhã o psiquiatra vem para a consulta em casa, se o senhor
quiser participar e depois conversar com ele sobre isso.
— Pode ser bom. Obrigado. Vou trabalhar. Qualquer coisa me ligue.
— Sim, senhor.
Saio de casa ainda mais preocupado com a minha mãe. Já não
bastava as preocupações do dia a dia com a ELW. Estou com o sangue
fervendo de vontade de encontrar o Breno e jogar na cara dele tudo o que
aconteceu. Eu avisei, eu disse que a nossa mãe não estava recuperada.
— Carter, está tudo bem? — Noely entra na minha sala e me
encontra virando dois copos de whisky. — — Só soube que chegou porque
a secretária avisou... — Ela para perto de mim e acaricia o meu braço.
Seu toque parece deixar tudo mais fácil, mais simples.
Viro-me e a beijo com vontade, querendo esquecer todos os meus
problemas.
— O que foi? — sussurra.
— Você me acalma, sabia?
Ela sorri.
— Eu ou o whisky? E para o senhor estar bebendo uma hora dessa
da manhã é porque aconteceu alguma coisa.
— Breno contou a verdadepara a minha mãe e ela passou mal.
Noely paralisa.
— Eu disse que ela ainda não estava bem, que não devíamos fazer
isso. Merda, minha vontade é de quebrar a cara dele!
— Sinto muito, Carter. E violência não leva a nada, vocês devem
permanecer unidos, tanto pela sua mãe, como pela empresa.
— Eu sei. E quer saber? Talvez tenha sido o certo, se isso não a
afetar tão profundamente. Há tantas coisas que escondo da minha mãe. O
motivo de eu ter me separado, os meus planos de dar a vaga do executivo
para o outro, de eu ter quase falido, e principalmente, o filho que a
Valentina me tirou. 
— Vai ter a hora certa de você revelar tudo isso, fique calmo e foque
agora só no que importa, na empresa e na sua mãe. 
Ela segura o meu rosto e toca na minha barba com carinho.
— E estou aqui, ao seu lado, para o que precisar, saiba disso.
— Eu também estou, minha conselheira.
Damos outro beijo e nos separamos, pois o dia hoje está cheio. Só
que antes de sentar na cadeira e fingir concentração no trabalho, eu chamo o
Breno para conversarmos. Faço questão, com todas as letras, de deixá-lo
ciente sobre o que aconteceu hoje com a nossa mãe, de que eu estava certo
o tempo todo.
Ele apenas ouve, não discute, não responde, até eu terminar de falar.
— Eu esperava por isso, mas ela vai se fortalecer de novo, Carter. O
que mamãe passou há dois meses não tem nem comparação.
— Mas agora foi diferente, ela se acusou de ser culpada várias
vezes. 
— Como assim? 
— Ela se auto culpou por tudo que aconteceu, precisei chamar a
Mari e sedá-la com calmante.
Breno se mostra preocupado, pois até senta e olha para o chão.
— É só uma recaída...
— De toda forma, é ruim, ela devia estar se recuperando, não
recaindo. E não vou aceitar perdê-la para essa bendita depressão.
— Não só você, também não vou aceitar. Eu só quero o nosso
melhor, o melhor dela. Somos o que restou de uma família. Não vou saber
viver sem vocês, Carter.
— Ficaremos juntos, prometo.
Ele se ergue e me abraça forte. 
Retribuo com o mesmo aperto e afeto.
Noely tem razão, nesse momento, devemos nos unir.
Breno dá umas batidas no meu ombro e pede licença. Adiante, o
meu dia começa em meio a tantos problemas.
Cumpro toda a agenda da manhã, até me ver entediado no meu
escritório. Decido ir atrás da minha conselheira, vulgo namorada.
Eu só não contava que a encontraria aos sorrisos com o Ravi, e bem
no meio do corredor do quarto andar.
— Sr. Carter — um funcionário me cumprimenta, e eu sorrio
educado, para esconder a minha verdadeira face de um animal prestes a
arrancar a cabeça de um guaxinim, que está devorando a minha fêmea com
os olhos.
— Humrum... — pigarreio, e os dois me olham.
Noely fica tão surpresa por me ver, que não esconde a sua cara de
espanto.
— Carter, digo... Sr. Carter — ela se embaraça. 
O Ravi também me cumprimenta acuado. 
— O que o senhor faz aqui?
Ela ainda tem a coragem de me perguntar isso?
— Estou dando uma volta pelo setor, espero não ter atrapalhado
vocês.
— De forma alguma, Sr. Carter — ele responde. — Encontrei a
Srta. Noely pelo corredor e começamos a conversar sobre o projeto.
— Hum... vocês sempre têm algo para conversar.
— Sim, Srta. Noely está sendo de grande importância para nós.
Seguro-me para não o responder, apenas assinto com a cabeça, peço
licença e passo pelos dois amiguinhos, com os punhos fechados.
Não demora nem dois minutos e a Noely vem atrás de mim.
— Você nem disfarça — sussurra, ao caminhar ao meu lado.
— O quê? A minha vontade de te empurrar em alguma sala vazia e
estapear o seu traseiro?
— Não, o seu ciúme bobo.
Olho para ela e noto um sorrisinho brotar nos seus lábios.
— Depois vai ver onde essa boca vai estar sorrindo.
Vejo que não tem ninguém atrás de nós e dou um beliscão forte na
sua bunda.
Ela geme de dor.
— Ai! — Noely me dá um tapa discreto. 
— Sinto-me mais do que vingado.
— Você que vai ver o seu depois.
— Não vejo a hora.
Mais tarde, antes mesmo do expediente acabar, convenço a Noely a
ir embora comigo.
— Você contou para a sua mãe sobre nós?
— Sobre o nosso namoro não, mas estou querendo fazer isso esta
noite.
— Carter, e se ela não gostar de mim? Você disse que a sua ex era a
queridinha da sua mãe.
— Valentina está no passado, ninguém mais toca no nome dessa
mulher, já você, se tornou o meu presente, estamos juntos, Noely, é
importante que a minha mãe comece a se acostumar conosco. 
— Só estou nervosa com isso.
— Não tem porquê ficar nervosa.
Eu paro no semáforo e dou um beijo nos seus lábios ansiosos.
— Será que a sua mãe está melhor, após as revelações de hoje?
— Mari, a cuidadora dela, deixou-me atualizado a tarde toda. Disse
que a minha mãe se estabilizou e não ficou tocando nesses assuntos. Passou
o dia muito tranquila.
— Que bom, espero também que ela não se “estranhe” comigo.
— Isso não vai acontecer. Fique calma e sinta-se da família, pois do
meu coraçãozinho já é.
Noely sorri, balançando a cabeça.
Em casa, guardo o carro, entrelaço a mão na da Noely e entramos
juntos. Esperava encontrar a minha mãe na sala, e encontrei, ela estava com
a feição mais corada e também mais disposta.
— Carter, boa noite, filho...
Ela olha para a Noely, reconhecendo-a da empresa. Minha mãe é
difícil de esquecer as pessoas, ela guarda nomes e feições com facilidade.
Tem uma mente fotográfica.
— Mãe, eu sei que já a conhece, mas não da forma que vou
apresentar. Essa é Noely, a minha namorada e conselheira da ELW.
— Namorada? — questiona, olhando-a dos pés à cabeça. 
— Prazer, Sra. Kamila.
— Prazer, Noely. — As duas apertam as mãos. — É você então, que
está revolucionando a minha empresa?
— Na verdade, eu tive uma ideia e apresentei ao Carter. Ele
concordou e resolveu colocar em prática, junto com o Breno.
— Esperamos que seja um sucesso — ela diz.
— Sim, esperamos muito que seja. 
— Já estou sabendo do verdadeiro gráfico da empresa. — Minha
mãe me olha. — É necessário que aconteça um milagre mesmo, para que
nos salve da falência. 
— Não vamos falar sobre os negócios. Você está melhor?
— Estou. — Ela assente, e sentamos no sofá. — O que estou
achando diferente, é o Carter começar um novo relacionamento. Você está
feliz, filho?
— Mas é claro, eu também não esperava que fosse ficar sério com
alguém, não tão cedo. Isso, até a dona Noely aparecer na minha vida,
cruzando o meu caminho. Ela é uma mulher maravilhosa. 
— Desejo que seja mais do que isso, você merece alguém especial.
Noely aperta a minha mão.
— Acho que posso ter encontrado esse especial. — Pisco.
Nós três conversamos mais um pouco. E aproveito que a minha mãe
pede licença para ver o jantar e levo a minha dama cheirosa para o jardim
de fora.
— Não sei se a sua mãe está indo muito com a minha cara...
Pego a Noely por trás e paramos no meio da passarela, de frente
para o meu quarto separado da casa.
— O importante é eu ir com a sua cara e o seu delicioso corpo —
sussurro, depositando beijos nas suas costas nuas.
— O senhor não perde tempo em ser safado, né?
— Jamais, minha princesa, jamais.
— Não paro de pensar no que disse, sobre já ter encontrado esse
alguém especial.
— É claro que é você.
Ela se vira, entrelaçando os braços no meu pescoço. Nossos olhos
não se desviam. Sempre compartilhamos de uma conexão tão intensa.
— Ou acha que tem outro alguém especial? Cuidado, a sua resposta
pode te custar um traseiro beliscado.
— Não sei, com essa beleza turca sua, é capaz de você ter uma fila
de mulheres aos teus pés.
— É isso o que acha? — Eu aperto a sua bunda e mordo os seus
lábios. — Que eu tenho uma beleza turca?
Noely ri.
— Não vou alimentar o seu ego desumilde. E sei que as funcionárias
vivem cochichando a seu respeito pelos corredores. Meus ouvidos ouvem
tudo.
— Depois quer acusar a minha inocente pessoa de ser ciumenta.
— Inocente onde? Você olha terrível para o Ravi, parece querer
esganar o pobre coitado.
— Ah, e você não percebe a forma que ele te olha? Ainda veste
esses vestidos justos, com decote e fenda nas coxas. E fica indo nos setores
cheios de homens, para eles ficarem te comendo com os olhos,desejando o
que é só meu!
Ela revira os olhos.
— Eu não tenho dono, queridinho.
— Eu sou o seu dono. — Puxo-a possessivo para mim.
— Só se for nos seus sonhos. — Noely escorrega a mão pelo meu
abdômen, alisa o meu pau e beija a minha boca com mais posse do que eu.
Puta merda, ela é a perfeição dos meus sonhos. Melhor, da minha
realidade. Isso tudo é real.
Antes que eu acabe fodendo a minha mulher no jardim, voltamos
para dentro. Breno também chega e temos mais assunto para conversar.
Nunca vi uma pessoa que adora falar sobre tudo. Jantamos, cuidamos da
nossa mãe e mais tarde, a minha Noely não escapa de mim, o quarto
externo fica pequeno para tanto tesão.
— Carter, não vamos transar...
Ela tenta correr da minha fome selvagem. Pego os seus cabelos por
trás e esfrego a minha ereção na sua bunda arrebitada.
— Você não ia ficar aqui para cuidar de mim? Não tem mais
palavra?
— Cuidar é bem diferente de trepar no pau do meu chefe.
Sorrio. Ela sabe que fico mais louco quando fala essas coisas. 
— Pois o seu chefe quer te comer com força.
Passo a mão por baixo do seu vestido, sentindo a sua bocetinha
encharcada.
Noely geme e luta para me afastar.
Permito que ela se afaste, só para ver o que vai fazer. Pois eu, tiro
toda a minha roupa e fico completamente nu na sua frente.
Aliso o meu pau, masturbando-me com a sua cara desejosa,
assistindo-me.
— Ajoelha e me faça uma oral, anda, Noely, seu chefe está
ordenando.
Ela se aproxima, amarra o cabelo, se ajoelha e toca na minha base
latejante, dando a primeira lambida na glande pré-ejaculada.
Seguro a sua cabeça, arfando, conforme dá as suas pinceladas de
língua. Quando ela resolve me engolir... caralho, eu até xingo alto. Não sei
onde vai parar a minha alma, porém, no meu corpo ela não permanece
mais. 
Noely me engole, numa garganta profunda e faminta. Ela lambe,
contorce, chupa e engole, sem parar.
Pense em coisas broxantes, pense em coisas broxantes! — repito
mil vezes, igual um mantra.
Entro em guerra interna, para não gozar com o melhor boquete que
já recebi em todas as reencarnações.
Olho para baixo e ela me encara, como se estivesse incorporada
numa devassa, isso, lambendo e chupando toda a extensão do meu pau. Faz
até barulhos de sucção.
Não dá, tento aguentar por longos minutos de oral, mas chego ao
meu limite e explodo jatos quentes dentro da sua boca. 
Noely não consegue engolir tudo e o esperma escorre pelo seu
pescoço, descendo pelo decote dos seios. Seu vestido fica melado.
Seguro-me na parede, destruído por essa mulher.
Ela se levanta, ofegante e avança em mim. 
Não tenho tempo nem de me recuperar direito.
— Quer acabar comigo? — sussurro.
— Não é você que gosta de dizer que a noite só está começando?
Pois se prepare, Sr. Carter... — Noely me empurra contra o sofá, subindo
em cima de mim. — Eu vou acabar com a sua sanidade...
Como prometido, eu acabo com a raça do Carter. Deixo-o aos
pedaços de tanto foder. Parece até que fiquei incorporada. Acho que agora
posso dizer que tive a minha vingança.
No outro dia, ele me larga bem cedinho em casa. E adivinha quem
chega cedo também? A minha mãe! 
Eu pego a bandida no flagra.
— Isso é hora da senhora chegar em casa? — advirto e cruzo os
braços.
— Isso é hora da mocinha chegar em casa?
— Eu fiz a pergunta primeiro.
Minha mãe dá de ombros e começa a tirar o colar e os brincos.
— Quero saber a história toda, quem é esse homem, onde o
conheceu e quando vai me apresentar?
— Você é curiosa, né?
— Mãe! — repreendo-a.
— Quando começou a namorar o Carter não me disse nada, ele
quem disse.
— Ok, a senhora tem um ponto aí. Mas não estou aqui para falar de
mim, e sim de você, anda, diga quem é ele.
— Seu nome é Jonathan, é um advogado aposentado, que conheci
pelo Facebook. Estávamos conversando há uns três meses, até que nas
últimas semanas resolvemos nos conhecer pessoalmente. Pronto, está
satisfeita, dona Noely?
— Não, quero conhecer esse tal Jonathan. Vê se merece a minha
mãe de verdade.
— Eu não me meti na sua relação com o Carter, isso não vale.
— A senhora anda muito serelepe. E outra coisa, fique sabendo que
estou muito feliz por você estar conhecendo alguém, depois de tanto tempo.
Merece curtir um pouco, ainda está na flor da idade.
Ela sorri.
— Obrigada, filha. Posso te confessar uma coisa? Saber da morte do
seu pai e tudo que o Nicolas passou na Espanha, mudou o meu jeito de ver a
vida. Na realidade, eu quero viver a minha vida. Sinto-me em paz. Estou
pronta para ser feliz.
— Isso aí. Sempre há tempo de ser feliz. Te amo.
Abraço-a apertado, sentindo um cheiro diferente na sua blusa.
— Hummm... à noite foi boa, está com cheiro de perfume
masculino...
— Noely! 
Minha mãe fica vermelha igual a um pimentão.
Mordo o lábio e dou uma piscadinha. Em seguida, vou tomar um
banho, me arrumar, comer algo e ir para a empresa.
— Bom dia, Srta. Noely...
— Bom dia, Beatriz.
Passo pela recepção e estranho o olhar nervoso da secretária.
— A senhorita não vai para a sua sala? — ela pergunta, levantando-
se e vindo estranhamente até mim.
Essa garota nunca fez isso.
— Estou indo, por que da pergunta? 
— O Sr. Carter está com a ex-mulher dele no escritório — de
repente, ela jorra as palavras.
— O quê? — resmungo, sem controlar a minha cara de incômodo.
— O que essa mulher faz aqui?
— Não sei, mas ela chegou meia hora antes de todo mundo, subiu e
ficou aguardando o Sr. Carter, ainda, sentada na cadeira dele — acrescenta.
— Não vou com a cara dela...
— Pois somos duas. 
Imaginei que a doida não ia deixá-lo em paz, Carter estava muito
enganado em achar que as ameaças iriam funcionar.
— Você não vai até lá? — Beatriz questiona.
— Eu não, isso não é problema meu.
— Mas essa Valentina é oferecida, devia marcar território.
— Beatriz, o que pensa que eu sou? Estamos num local de trabalho.
O Sr. Carter também é o meu chefe...
— E namorado.
Respiro fundo, controlando-me para não perder a pose profissional.
— Isso não me interessa. Já você, imprimiu os relatórios que te pedi
ontem à tarde?
— Ah... não, esqueci. Desculpa. Vou providenciar em dez minutos.
Assinto e antes que eu desse meio passo, a porta do Carter se abre
do outro lado. Valentina sai, desfilando sobre os seus saltos grã-finos, com
roupas justas e provocantes.
Ela é muito bonita... toda plastificada — minha mente pensa.
A vaca me vê e faz questão de caminhar até mim. Ao parar,
inspeciona-me dos pés à cabeça, com cara de nojo.
— Hello, conselheira. Em breve me chamará de chefa... ou
chefinha.... — Ela gargalha alto e volta a caminhar/desfilar em direção ao
elevador.
Beatriz olha confusa para mim, sem entender nada.
Eu aperto a minha bolsa e vou até a sala do Carter. Entro e o vejo
sentado na sua cadeira, acariciando as têmporas. Fecho a porta e ele ergue a
cabeça.
— O que a sua ex queria com você? — Tento parecer “normal” com
a pergunta, todavia, por dentro, estou pronta para matar aquela infeliz.
Carter não responde.
— Ela passou por mim, dizendo que em breve estarei a chamando
de chefa ou “chefinha”.
— Valentina está por dentro da má situação da empresa, após a
minha mãe desabafar com ela. Infelizmente, a família da minha ex é muito
querida pela minha mãe. E estão todos no Brasil, novamente.
— Não só a família — resmungo, sem me segurar. — E o que quer
dizer com isso?
— Esta manhã, Valentina e o seu pai se ofereceram para comprar
50% das ações da ELW. 
Meu coração para, até sento-me para digerir.
— E você aceitou?
— Minha mãe acabou de me ligar, dizendo que é a nossa salvação, o
nosso milagre, que Valentina e a sua família estão mais do que dispostos a
ajudá-la a reerguer o patrimônio dos Bastos.
— E o jogo? Por que vocês não esperam o lançamento? Não vão
precisar sacrificar a empresa, vendendo metade, e para a sua ex e a família
dela!
Ele não responde.
— Você vai aceitar isso? Carter, pelo amor, espera o lançamento,
tenha um pouco de esperança no nosso projeto, ele pode render milhões de
reais!
— Mas talvez... não seja tão garantido, Noely, pode dar tudo errado
e nos falir de vez.
— É o que estáachando desde o começo? E por que aceitou seguir
adiante com a minha ideia, se agora não bota fé nela? Na verdade, você
nunca botou fé!
— Não fique nervosa.
— Não estou nervosa!
Ergo-me brava da cadeira.
— Estou só te pedindo para esperar o lançamento do jogo, não
faltam nem cinco semanas! Convença também a sua mãe, ontem ela estava
mais do que conformada com o projeto.
— Não é bem assim... ontem ela só tinha essa alternativa. E a minha
mãe é dona de toda a Elektra.
— Claro, e você está mais do que de acordo com isso, pois se sente
infeliz atrás dessa mesa do executivo. Essa não é a sua vida. O que for
melhor para a sua mãe e a empresa, vai concordar, já que mata dois coelhos
com uma cajadada só! 
— Noely!
Ele vem até mim e o impeço de me tocar. 
— Só peço para ter a merda da esperança no nosso projeto!
— Eu não estou tendo?! — ele esbraveja de volta. 
— Não, o que está claro é que vai aceitar a oferta da sua ex! E nem
percebeu que a Valentina está fazendo tudo isso para ficar perto da sua vida
de novo!
— A minha ex-mulher é problema então?
Ele avança cara a cara comigo.
— Não seja cínico, é a sua falta de confiança em tudo que estou
fazendo!
— Eu não vou ficar para sempre nessa empresa, Noely! Nem sei se
quero ficar no Brasil! Só estou aqui porque a minha mãe precisa de mim!
Levo um choque de realidade.
Meus olhos ardem, ao pensar que... que ele fosse ficar. Pois tudo o
que eu estou fazendo, os três meses, fosse... fosse não só salvar a ELW, mas
fazê-lo permanecer como CEO.
Sem falar nada, sem querer mais discutir, eu tento virar as costas e
ele tenta me segurar.
— Não me deixe péssimo de novo, não estamos brigando. Eu... —
Ele respira fundo. — Não suporto ficar brigado com você. 
Não respondo, afasto a sua mão e saio afetada da sua sala.
Nada muda o fato de que ele não tem confiança no projeto que eu o
Breno estamos nos doando com unhas e dentes, nem que ele está
interessado realmente em salvar a empresa, não por ele, e sim pela sua mãe,
pois se tudo der certo, pode colocar tranquilamente outra pessoa como
chefe do executivo... e ir embora.
Eu fecho a porta do meu escritório, sem evitar as lágrimas. 
Que droga, eu nem devia estar chorando! Já sabia de tudo isso, sabia
que, se também desse errado, ele iria embora do mesmo jeito, e levaria a
sua mãe. Só que agora, me afeta diferente, de uma forma que até dói o
coração. Carter não pertence ao Brasil, ele vai embora em breve. É tudo
“por enquanto” ...
Breno bate à minha porta uma hora depois. Eu sei que é ele, pois me
mandou mensagem pedindo para entrar. 
Abro e volto para a minha cadeira.
Ele entra quieto, apenas me observando. Até que pigarreia.
— Carter me disse tudo...
— Hum...
— Fiquei preocupado com você.
— Estou ótima, não vê? — resmungo.
— Preciso te dizer que não estou de acordo em vendermos 50% da
empresa, não até o lançamento do jogo. Tenho certeza de que seremos um
sucesso.
— Mas o seu irmão não tem essa mesma certeza, ele não confia na
gente... em mim. Quer saber? Carter nem se importa mais com o rumo que
a ELW tome.
— Acho que ele se importa sim.
— Pela sua mãe, você quis dizer?
— É, por ela — Breno reafirma. — Ele nunca quis fazer parte da
empresa, só voltou dos EUA depois de tudo que aconteceu, e a pedido da
nossa mãe debilitada. Precisávamos de um CEO, precisávamos nos
reerguer. 
Abaixo a cabeça.
— O que foi, Noely?
— Ele vai querer vender a metade para a sua ex e dar a ela o
executivo, tenho certeza. É o mais fácil, é a certeza de que tudo vai dar
certo e que a sua mãe ficará mais tranquila.
— Eu não sei o que o Carter pensa em fazer.
— Vou terminar com ele...
— Quê?
Breno ergue os olhos para mim.
— Você vai terminar o que nem começaram direito? Noely, não leve
ao literal, não se estiver com ciúmes da Valentina.
— Eu não estou com ciúmes daquela mulher! — exclamo furiosa.
— É isso o que estão pensando? 
— Bom, é a ex-mulher do seu namorado, e ela está, obviamente,
tentando de tudo para se aproximar e infernizar a vida dele, de novo. A
louca só achou brechas.
— Isso é claro, e o Carter parece que não está vendo. Ou está, ou
não liga, já que vai embora de qualquer forma!
— Então é esse o motivo de querer terminar o namoro de vocês?
— Só não quero me decepcionar no final, sinto ser tudo passageiro.
— Não pense assim. Está brava com ele, um pouco magoada,
decepcionada. Se acalmem e conversem melhor. 
— Eu não sei...
— Vai dar tudo certo, Noely. Pode contar comigo para o que
precisar. Estamos do mesmo lado.
— Obrigada, Breno.
Ele pede licença e me deixa sozinha, com os meus sentimentos
conturbados.
 
 
 
Saber que deixei a Noely chateada comigo, de novo, me fez ficar
maluco de ódio. Sinto-me num impasse, a proposta da Valentina é perfeita
para reerguer a ELW e eu tomar um rumo na minha vida, já que a empresa
estaria salva e a minha mãe estaria estável com tudo isso. Só que agora, há a
Noely, esse projeto incerto e o nosso relacionamento.
O que era tão fácil de decidir, parece que ficou mil vezes mais
difícil.
— Conversei com ela, está bem magoada com você. Até eu estaria.
Não concordo em vendermos 50% da nossa empresa para a família Baudin.
Não neste momento.
— Sabe que esse é o melhor negócio, ninguém compraria uma
empresa falida e com reputação manchada. Não vê isso, Breno? Não
dependemos desse prédio, de estar atrás de algum cargo. Podemos sustentar
a nossa mãe até o último dia da vida dela. Temos nossos investimentos
pessoais.
— Ela nunca concordaria em ser sustentada, é por isso que te pediu
para tomar conta de tudo, caso contrário, ela já teria vendido a Elektra. E
concordo em discutirmos isso depois de comercializarmos o jogo. Se nada
der certo, feche o contrato de venda.
— Até lá, como vamos pagar as dívidas da empresa, os salários dos
funcionários?
— Atrasamos algumas semanas, ou fazemos um empréstimo.
Eu me ergo nervoso da cadeira.
— As coisas não são tão simples assim, já esteve à frente alguma
responsabilidade na vida?
— Não vamos discutir, Carter, você sabe o que eu e a Noely
queremos de você, tenha um pouco de paciência e confiança. Pense nisso.
Ela também está aqui para te ajudar, é a sua conselheira. 
Não respondo e o Breno desiste de continuar conversando.
— Mais tarde eu volto...
Ele se retira e eu fico inquieto na minha sala, andando de um lado
para o outro, sem parar de pensar nessa situação toda, principalmente na
Noely. Eu sei o que eu quero, por mim, eu vendia essa empresa agora
mesmo, só que por ela... pela minha Noely, eu não sei de mais nada. Essa
mulher já mudou completamente a minha vida.
Vou para a reunião com os advogados da empresa e encontro a
Noely sentada à mesa, ao lado do Breno. Conversamos sobre o caso do meu
pai e sobre eles estarem representando e defendendo a empresa daqui dois
dias. É um assunto cansativo, que me traz revolta e tudo mais de ruim.
Quero distância do homem que um dia tive como exemplo. Ele traiu a todos
nós, não faço questão nem de estar no seu julgamento.
Após a reunião e antes que a Noely saia primeiro do que todos, peço
para que me aguarde. Ela espera, para ficarmos a sós.
E sozinhos, ela não me olha nem na cara. 
Que droga, isso foi como uma facada no meu peito.
— Você vai ficar assim comigo?
— Estou como o meu papel de conselheira manda. Você mesmo
pediu que eu estivesse nessa reunião, há uma semana.
— Não estou falando disso.
Noely ergue a cabeça e me encara, tão profunda, tão diferente.
— Não quero insistir no que conversamos.
— E quer ficar indiferente comigo?
— Carter... eu estou igual! — exclama brava. — O que quer mais? 
— Vamos almoçar juntos, para...
— Não, eu já combinei de almoçar com o Ravi.
Ela cruza os braços.
Enfureço-me.
— Eu vou junto!
— Você não foi convidado, nem está sendo!
— Eu não pedi convite, eu disse que vou!
— Você vai para o infer... — Ela range os dentes e controla a boca.
— Termina? Está brava comigo!
— Imagina, eu estou um amorzinho para o meu querido chefe.
— Eu vou nesse almoço!
— Não te interessa ir, pois nem do nosso projeto e do seu
patrocinado, faz questão alguma. Nunca fez!
Euaperto os punhos.
— Com licença, senhor...
Noely arrebita a sua maldita bunda e sai rebolando da sala de
reuniões.
Eu dou um soco na mesa, louco com essa mulher!
Isso não vai ficar assim. Não vai!
Passo voando por ela e paro na frente do balcão da secretária.
— Beatriz, pegue a sua bolsa, vamos sair para almoçar.
Ela arregala os olhos.
— E-eu e o senhor? 
— Não, a outra ao seu lado.
A garota ainda olha.
— É você Beatriz, venha logo! — ordeno e vou até o elevador
esperá-la, enquanto fito os olhos de labaredas da Noely, que me olha
paralisada no meio da recepção, até as portas de metal se fecharem, comigo
e a secretária dentro.
No estacionamento, aguardo a Noely aparecer com o pateta do Ravi,
para segui-los atrás, com o carro.
— Eu já entendi tudo — Beatriz sussurra.
— Guarde para você... — resmungo.
— Quando o senhor está brigado com ela, fica bem mal-humorado.
Está me usando para causar ciúmes.
— Agradeço as ponderações, mas não as pedi — resmungo de novo.
— Devo encomendar flores e chocolate para ela, mais tarde?
— Para a Noely mandar eu enfiar as flores num lugar onde já
imagina? 
— Ah, é... ela é incrível mesmo. Tem o senhor na palma das mãos.
— Beatriz, mais um piu e eu faço a alegria da Noely, te demitindo!
— Tá, não está mais aqui quem falou. — Ela insinua um zíper na
boca e permanece quieta.
Ao chegarmos ao local, espero os dois entrarem, para eu então sair
do carro, entrar no restaurante e sentar com a Beatriz numa mesa bem ao
lado deles, de propósito. 
Quando a Noely me vê, ela leva um susto, esbarra na própria taça e
a despedaça no chão. 
Seguro-me para não me levantar e correr para ver se machucou-se
com os cacos, porém, luto para ser indiferente, mesmo louco de
preocupação.
— Ela vai matar o senhor depois... sei que a Srta. Noely não gosta
muito de mim.
— Sabemos perfeitamente o porquê.
— Eu não tive culpa. — Ela dá de ombros. — Eu e o senhor
estávamos livres e desimpedidos. Agora, respeito o seu relacionamento,
pela Srta. Noely. Eu sei o que é ser traída, magoada... não desejo isso para
nenhuma mulher. É triste demais quando um homem te fere assim —
Beatriz diz, mas os meus olhos não se desviam dos castanhos da minha
conselheira furiosa. O Ravi também parece todo tagarela com ela. Idiota! —
[...] Porque você sonha uma vida com ele, o ama, pensa que esse amor
também é recíproco, mas no final, recebe como reciprocidade a decepção de
uma dolorosa traição.
Fito a minha secretária, percebendo que ela está desabafando.
— Você foi traída?
— Sim, foi há três meses, peguei o meu ex-namorado na nossa
cama, com a minha própria “amiga”. Foi uma traição em dobro.
— Sinto muito por isso.
— Ainda dói, entretanto, estou tentando viver a vida. 
— É uma mulher forte, espero que supere e encontre uma pessoa
que te respeite e te dê o verdadeiro valor.
— Só se eu fizer um robô, porque esse tipo de homem é escasso.
Ah, e a Srta. Noely não para de nos olhar. 
Também olho, a cada cinco segundos vigio a minha mulher. 
Ela abre vários sorrisos gratuitos para o Ravi. Perco até a droga da
fome. 
No fim do almoço, é a Noely quem paga a conta dos dois. E antes
deles irem embora, ela se ergue da cadeira, diz algo ao pateta e sai em
direção ao toalete.
Cego de nervoso e com os nervos à flor da pele, igualmente me
levanto sem dar explicações a Beatriz e vou rapidamente em direção a ela.
Entro no feminino, vendo a minha perfeição diante do espelho, organizando
os cabelos loiros, que caem em camadas até o meio das suas costas. 
Ela é perfeita, tem curvas esculturais. O meu coração até perde o
rumo. 
Noely me vê pelo reflexo e vira mais brava do que qualquer leoa
selvagem.
— Seu infeliz! O que pensa? Some da minha reta!
— Estou bem à sua esquerda, não se preocupe.
— Cafajeste, eu te detesto!
Noely anda rápido, tendo uma má ideia ao pensar que passaria por
mim.
Seguro-a pelos braços.
— Não me toque, Carter! Vai lá dar atenção para a sua secretária,
que você fodia no seu escritório!
Ela tenta me socar no peito, mas prendo-a no canto da porta e da
parede.
— Desgraçado, infeliz, filho da mãe! Solte-me!
Coloco o joelho entre as suas coxas e seguro firme os seus punhos.
— Ainda bem que formou a sua frase no passado. 
— É, quem não garante que ainda não come? — ela cospe as
palavras, olhando no meu olho.
— Noely! — rosno, prensando os nossos corpos. — A única que eu
como, fodo e que consegue fazer a porra do meu pau subir, é você! Não
ouse insinuar merda nenhuma, pois estamos num relacionamento!
— Eu quero que você vá para o inferno com esse relacionamento,
neste exato momento!
— É, você quer? Repete de novo!
Mordo a sua boca.
Ela continua lutando para me afastar. 
— Vai para o inferno!
Beijo os seus lábios, recebendo uma mordida mais dolorosa e com
gosto de sangue. Fico irritado. 
— Não tente, tire a mão de mim, eu vou gritar!
Meto a mão embaixo da sua saia, sentindo primeiro a textura da sua
virilha quente, em seguida, esfrego o dedo na sua boceta.
— Carter! Vai para o...
Beijo de novo a sua boca, à força e obstinado à domá-la.
Esfrego mais rápido a sua bocetinha molhada.
Noely geme e meu pau se aperta na boxer, enrijecido, latejante por
ela. Abaixo as suas mãos e também esfrego os seus dedos em mim, faço-a
sentir o quanto a desejo, o quanto me deixa louco!
Ouço, novamente, um gemido escapar dos seus lábios. Não paro
nem por um segundo de massageá-la. Afasto a calcinha para o lado e o seu
grelinho palpita com os meus dedos indo e vindo, num formato de V. 
— Hummm... — Ela se contorce, estremecida com o meu toque.
— Fala de novo, Noely? — provoco, enfiando os dois dedos dentro
do seu canal apertado, até chegar no ponto G do seu prazer.
Ela abre a boca, apoia a cabeça na porta e vai ao céu. 
Aumento os movimentos, para que Noely perca toda a autonomia
dos pensamentos. 
— Carter... ohh!
Ela não aguenta, seus gemidos se tornam cada vez mais altos. Solto
os seus punhos, só para poder apoiá-la com mais firmeza, pois agora, não
consegue nem sustentar o próprio corpo em pé.
— Me manda para o inferno... — Lambo a sua boca e soco mais três
dedos, sem pena.
— Aaahh!
É quando acelero que a Noely treme dos pés à cabeça. Ela por
pouco não berra, contraindo o ventre e jorrando o seu sumo quente na
minha mão. 
Que gostoso sentir o seu gozo, estimulado por mim. E só eu posso
fazer isso. Noely é minha!
Beijo-a, para abafar os ruídos de uma mulher que acabou de
alcançar a completa satisfação do prazer. Ainda bem que já a estava
segurando, ou ela teria escorregado para o chão.
Ela finca as unhas em mim, ofegante e tremendo sem forças.
Ergo os dedos da sua boceta melada e lambo o seu gosto.
— A minha sobremesa, querida.
— Seu... seu... — gagueja, sem ar para formar as palavras.
Roço o meu pau duro nela. Minhas bolas estão doendo, precisava
me aliviar.
— Não... — Noely se recupera aos poucos e volta a lutar, para me
afastar.
— Eu preciso de você... — Roço de novo.
— Isso não é problema meu.
Agarro os seus cabelos, desde a raiz e só não consegui jogá-la em
cima da pia, para fodermos, porque alguém tentou abrir a porta. 
Noely então cria autonomia e alisa a minha ereção latejante. Ela
sente cada centímetro do meu comprimento enrijecido. E surpreende-me, ao
sorrir maldosa. 
Ela fez de propósito, só para me provocar.
— Eu vou te comer com tanta força, Noely, vai ficar com essa
maldita boceta ardendo.
— Disse isso para a sua secretária também?
Empurro-a com raiva, sendo parado, após baterem de novo à porta,
agora, forçando a maçaneta.
Foda-se!
Abro a calça e exponho o meu pau duro.
Ela arregala os olhos.
— Carter, estão querendo entrar no banheiro!
Sem dar ouvidos a sua reluta, finalmente a empurro sobre a pia, com
as pernas abertas e impedidas de se fecharem, devido ao meu corpo no
meio.
— Não, não podemos! — Ela bate no meu peitoral.
Afasto a sua calcinha e esfrego o meu pau na sua entrada,
movimentando o seu clitóris, com a glande inchada e lubrificada.
Noely não aguenta, ela aperta a minha camisa e arfa de prazer.
Começo a forçar a penetração, e já na primeira tentativa o meu pênisdesliza de uma vez para o seu doce lar.
Minha nossa, que delícia...
É a minha vez de fechar os olhos e gemer gostoso.
Suas paredes latejam, apertando-me e soltando.
— Eu não disse que ia comer você?
— Seu infeliz.... ooohhh...
Dou a primeira arremetida, seguida da segunda, da terceira e não
paro mais.
Noely reprime os gemidos altos, indo pra trás e pra frente.
Seguro os seus cabelos com posse, só para mostrar quem está no
controle da sua satisfação. E enquanto a fodo com força, também aperto os
seus peitos e beijo a sua boca arfante.
— Carter! — Ela se treme toda e chama mais alto pelo meu nome.
Jogo a sua cabeça para trás, estocando feito um cão no cio. Invisto
sem pena.
Meu pau lateja, no seu limite de explodir. Dou mais duas estocadas
e Noely contrai toda a musculatura da vagina.
Ela abre a boca, fecha os olhos, aperta as unhas no meu ombro e
libera o seu orgasmo. Relaxo e igualmente gozo dentro dela, despejando
todo o meu líquido quente.
Grunhimos juntos.
— OI, TEM ALGUÉM? — De novo batem na bendita porta.
Noely me empurra com uma força que não sei de onde ela tirou.
— Você é um sem-vergonha!
— Um sem-vergonha só seu, querida — digo e fecho a calça.
Ela respira fundo, ajeita a saia para baixo, os cabelos desalinhados,
limpa a boca manchada de batom e se impõem, olho a olho comigo.
— Vai para o inferno, Carter! — esbraveja, por fim, virando as
costas, abrindo a porta e saindo a passos rápidos da minha presença.
Apertos os punhos e também saio. As duas mulheres que tentavam
entrar na toalete, ficaram horrorizadas ao me verem.
Vou até Beatriz e ordeno para irmos embora. 
De volta à empresa, e mesmo que eu tenha fodido, ainda trabalho
estressado. Noely também se prende na sua sala e ficamos sem nos ver o
restante do dia. É uma tortura, tanto por ficar longe dela e por ter que tomar
uma decisão logo. 
Não aguento e vou mais cedo para casa, para conversar com a minha
mãe. 
— Carter, está tudo bem?
Eu viro uns três copos seguidos de Rum Zacapa, só para aquecer o
corpo.
Ela para no meio da sala, observando-me.
— Queria conversar sobre a oferta da Valentina.
— E precisa beber desse jeito?
Bufo e sento-me no sofá.
— Desculpa, mãe, hoje estou um pouco estressado.
Meu estresse tem nome, sobrenome e um perfume que impregna até
na alma. Desde o nosso último contato, que não paro de cheirar o meu
paletó. Saí da empresa sentindo falta de vê-la, de beijá-la... 
— E qual o motivo de tanto estresse, filho?
— Tem a ver com a oferta da minha ex-mulher. Breno não concorda
de vendermos as ações agora. Ele quer esperar o lançamento do jogo. A
nossa conselheira e ele, acham que pode ser tudo um sucesso e render
milhões de reais.
— Quis dizer a Noely, a sua namorada? Imaginei que ela fosse se
incomodar com a sua ex-mulher. 
— Isso não tem nada a ver, mãe. Entendeu o que eu quis dizer.
— Eu entendi e você também entendeu o que eu quis dizer? Não
devia ter se relacionado com uma colega de trabalho.
— Na empresa a Noely é só a minha conselheira. E recapitulando,
ela tem certeza de que o projeto vai dar certo, que não é necessário
vendermos a ELW.
— E você, o que acha?
— Na verdade, eu quero saber o que a senhora acha. Só estou à
frente de tudo isso por você, mãe. 
— Mas queria que você assumisse definitivamente os negócios da
família, como o seu pai. — Desvio dos olhos dela. — Não quer isso, filho?
— Eu... não sei.
Meu coração manda eu dizer a verdade, só que eu volto a encarar os
seus azuis, o seu olhar adoentado e não consigo.
— Eu queria que a senhora ficasse bem e conseguisse administrar a
sua empresa.
Ele acaricia a minha mão.
— Não tenho forças para ser aquela mulher de antes. Eu não sei
nem se vou viver muito, querido.
— Não diga isso!
— Eu não quero mais viver...
— Mãe!
Puxo-a para mais perto de mim e seguro o seu rosto. Meus olhos
ardem.
— Por que diz essas coisas horríveis? Você tem muitos motivos para
viver, tem eu, o Breno, estamos aqui para a senhora. Não podemos perdê-la.
— Eu amo vocês, não sei o que anda acontecendo comigo, só estou
cansada.
— Fiquei devendo de vir à sua consulta com o psiquiatra, gostaria
de ter conversado com ele.
— Está tudo bem.
— Não está, mãe. Você não pode ficar dizendo essas coisas, não
aceito!
— Sinto muito. E tome a decisão certa que achar sobre a empresa. A
oferta da Valentina pode nos salvar, assim como o projeto da Noely, o que é
mais incerto. — Ela muda de assunto, repentinamente.
Estranho o seu comportamento, pois até o seu olhar mudou de novo.
Desisto de discutir esses assuntos de negócio com ela. Espero o
Breno chegar para podermos conversar no escritório.
— Nossa mãe está muito estranha, estou preocupado, vive dizendo
que quer morrer. — A última palavra sai como um gatilho, que me dói.
— Esta manhã ela veio cedinho no meu quarto e falou a mesma
coisa. Conversamos e achei que tivesse parado de falar essa bobagem.
— Estou preocupado de verdade.
— Também. Acho que a nossa mãe esconde alguma coisa que a
atormenta.
— Eu tive essa mesma impressão, após ela se culpar pelo nosso pai.
Até desconfiei que a Mari soubesse de algo que a nossa mãe a tivesse
revelado sem querer.
— Gostaria de saber o que é. Vou tentar conversar com ela para
descobrir aos poucos.
Assinto.
— E o nosso projeto? — questiona.
— Estou pensando em esperar esse lançamento. Amanhã
conversarei com a Noely para vermos a melhor alternativa para segurar as
dívidas. E vou ligar para o pai da Valentina, para pedir um prazo de um
mês, antes de eu tomar qualquer decisão.
— Certo, acho melhor fazer isso. Tenho certeza de que
conseguiremos ganhar milhões de reais em cima desse jogo.
— Eu torço para que sim, veremos... vou descansar, com licença.
Deixo o Breno no escritório e vou para o meu quarto, relaxar um
pouco a cabeça. Porém, não aguento os meus próprios pensamentos e
mando mensagem para a Noely... a minha Noely...
Eu a queria aqui comigo, com o seu toque, o seu beijo, a sua voz, o
seu tudo. Não aguento mais...
“Estou com saudades”.
Leio a mensagem do Carter, com o coração indo às alturas e
voltando.
Ele não tem vergonha na cara mesmo?
“Não estou nem um pouco”.
Respondo de volta à mensagem, por mais que eu esteja mentindo.
“Sei que está mentindo. Você queria o mesmo, que eu estivesse aí,
provando dos seus lábios, do seu corpo... te dando prazer do jeito que só o
seu homem sabe dar”.
Fecho os olhos, nervosa com as sensações que ele causou abaixo do
meu ventre.
Seu homem... ele é meu.
“Se você pedisse, eu ia agora mesmo atrás de você”.
Ele manda outra mensagem provocante. E o diabo sobre o meu
ombro esquerdo pede para eu deixar que venha, enquanto o outro anjinho
do lado direito, diz que eu sou mais forte e posso resistir.
“Não quero nem olhar na sua cara, Carter”.
“Tudo bem, finjo que acredito. Vou te deixar em paz, amanhã
conversamos. Dorme com os anjos, minha conselheira perfeita. Dormirei
pensando em você...”
Sem respondê-lo, desligo o telefone e me sento na cama, com a mão
sobre os meus batimentos acelerados.
Ele causa tantas coisas em mim. Estou com medo de tudo isso ser
passageiro, de nos ferir. Só consigo pensar que ele quer ir embora do Brasil,
que aqui não é a sua vida. E eu? Será que ele não pensa dessa forma, em
como eu fico? 
Chega, antes que eu surte...
No dia seguinte, sendo sábado, acordo arrastada para sobreviver a
mais um dia de trabalho.
— Bom dia, mã... — Cruzo o corredor e dou de cara com quem eu
mais temia.
Ele não desiste mesmo! Que homem insuportável!
O safado está sentado à mesa, tomando café ao lado da minha mãe.
— Bom dia, filha. Carter está aqui.
— É, eu já vi... — murmuro, fuzilando os olhos dele.
Será que ele não cansa de ser bonito? Essas roupas sociais só
complementam mais a sua beleza de CEO, que mexe com o meu pobre
coração.
Carter desenha um sorriso de lado. E a minha mãe, já arruma um
jeito de sair para a cozinha e nós deixar a sós. Que bandida, cúmplice desse
homem!
— Bom dia, Noely. Está tão bonita com esse vestido sexy.
Sento-me de frente para ele.
— Posso saber o que faz na minha casa uma hora dessa?— Vim te ver. 
— Não gosto de visitas surpresas.
— Não entendo o porquê de estar maltratando o seu namorado
assim.
— Havia até esquecido que tínhamos um relacionamento. Eu não
terminei com você?
— Não vai conseguir me tirar do sério. — Ele sorri de novo.
— Você não tem é vergonha na cara!
— Desde quando trata o seu chefe assim?
— Não estamos na empresa, estou falando com o meu namo...
— Namo... o quê? Enfim, assumindo.
— Já te mandei para o inferno?
Sirvo-me do café e corto um pedaço de bolo, e com tanta força, que
quase trinco o prato.
— Entendo que tenha motivos para ficar brava comigo, mas estou
aqui, tentando a nossa reconciliação, novamente. 
— Humm...
— Já confessei que não consigo ficar brigado com você. E nem
quero. 
— Humm...
Ela me olha, sem paciência, por mais que tenta fingir que não.
— Então vamos falar do que te interessa. Eu vou esperar o
lançamento do jogo, antes de tomar qualquer decisão, sobre a proposta de
vender 50% da empresa. Todavia, precisamos pensar em outra alternativa
para cobrir as dívidas.
— Faça um empréstimo, iremos ressarcir o valor em dois meses —
falo, com absoluta certeza.
— Que seja, confio em você.
Abaixo a cabeça, mexida com o seu olhar.
Termino o meu café, calada. 
Carter me espera, até eu estar pronta para irmos.
— Você vai no meu carro.
— Não, obrigada, eu tenho o meu.
— Não perguntei se você tinha o seu, apenas informei que você vai
no MEU carro.
Eu paro no meio da varanda, encarando-o e me segurando para não
voar com a bolsa na sua cara.
— Não vou com você! — Cruzo os braços.
— Noely, estou tentando fazer a nossa reconciliação, caso não tenha
percebido. Para de complicar o que é tão fácil de se resolver. O que quer
que eu faça? Se você me pedir o mundo, eu te dou.
Por que ele diz essas coisas? Deixa as minhas pernas moles.
— Eu só quero ir com o meu carro.
— Menos isso.
Ele chega mais perto de mim e tenta me tocar.
— Carter...
— Eu vou te infernizar até voltar ao normal comigo. — Ele toca no
meu braço, desestabilizando todo o meu corpo
Até que puxa a chave da minha mão.
— CARTER!
Ele vira rapidamente as costas, passa pelo portão e entra no seu
carro.
Que droga! Esse homem realmente consegue me infernizar. 
Confesso que até gosto disso, mas ele não está merecendo uma
reconciliação rápida. Para ser sincera, precisamos conversar seriamente
sobre nós.
Vou até o carro dele e sem escolha, entro.
E quer saber? Não digo nada, não discuto, nem mando esse homem
para o inferno. Crio uma paz comigo mesma, que eu nem sabia que era
possível. 
— Quero ainda conversar sobre nós...
Carter me olha na mesma hora, sério e concentrado. Acabamos de
parar no estacionamento da empresa.
Suspiro, querendo ser sincera, já não aguento mais.
— Tudo o que aconteceu me fez pensar muito, também criar
inseguranças sobre mim e você.
— Quais, Noely? Desde que te pedi em namoro, nunca quis deixar
nenhuma insegurança. O que sinto é muito verdadeiro.
— Mas e quando for embora? Como eu fico?
Ele abre a boca, caindo em si, ou não.
— Eu...
— Não pensou nessa parte, né? É realmente intenso, e vive essa
intensidade sem pensar no amanhã. Por isso, se for para eu entrar de cabeça
nesse relacionamento, sabendo que no final posso me decepcionar, não
quero mais.
Carter rapidamente segura o meu rosto, está exasperado, nervoso.
— Estou vivendo tantas coisas, que... não sei, estou só vivendo.
Você mexeu comigo, Noely. Se tornou importante para mim.
— Então precisa parar e pensar, sempre deixou claro que deu três
meses para você e para a empresa. E independentemente do rumo que as
coisas tomassem no Brasil, não importava, pois iria embora para os EUA de
qualquer forma. E pelas minhas contas, falta pouco para isso acontecer.
Pela primeira vez, deixo o Carter acuado, sem saber o que dizer. Ele
caiu na real, talvez, esteja pensando que foi rápido demais comigo, que eu
não me encaixo no seu futuro. 
— Não quero discutir ou brigar, só pense em tudo isso, antes de ser
tão intenso comigo. — Acaricio a mão dele, que não saiu por um minuto do
meu rosto. — Pois estou me apaixonando cada dia mais por você, pela
forma que me trata, pelo jeito que é. E não é justo me ferir no final.
— Não quero te ferir...
Olho para ele, querendo-o com toda a certeza na minha vida. Só que
respiro fundo, afasto o seu toque e saio do carro.
Carter não vem atrás de mim, ele fica para trás.
Trabalhamos o dia todo assim, afastados. Nem nas minhas reuniões
ele participa. No fim do expediente é a minha prima Darla que vem me
buscar com o seu carro novo, para podermos sair juntas. Também vou
embora sem falar com ele...
— Estava com tanta saudade, ficamos essas semanas muito
distantes.
— Também estava — digo, sorrindo fraco.
— Credo, que carinha é essa, Noely?
— Quando chegarmos no barzinho eu te conto tudo. Preciso de uma
bebida primeiro.
Darla assente, mudando de assunto até chegarmos lá e sentarmos em
alguma mesa ao ar livre da varanda de assoalho. Pedimos um drink para
começar à noite.
É quando vou bebendo que consigo desabafar com ela.
— Cara, que situação vocês estão. Mas tem certeza de que ele quer
ir embora para os EUA?
— Ele sempre deixou claro isso, desde o início, a vida dele é lá. Só
que nos envolvemos tão intensamente, tão...
— Apaixonadamente — Darla completa, rindo. — E acho que esse
sentimento está se tornando mais do que paixão.
Dou de ombros e tomo a minha Piña Colada.
— Vocês deram muito certo juntos, até parece que nasceram um
para o outro. Porém, concordo com você, que se for para ambos se ferirem
no final, é melhor não continuar se envolvendo.
— Só de ouvir isso o meu coração dói. Eu gosto tanto daquele
homem. Ele parece um príncipe, super atencioso, carinhoso, preocupado e
que demonstra os seus sentimentos. Ah, e que sabe dar inúmeros orgasmos
para uma mulher. Diga-me, quantos homens tem assim na terra?
— Para, já estou com inveja de você, sua vaca exibida. 
Rio e taco uma azeitona nela.
— Não sei mesmo o que fazer.
— Sabe sim, sua vontade era de estar agora transando com o seu
CEO gostoso e não na companhia da sua prima mulher, reclamando das
suas frustrações.
— Bom, isso é verdade, você não tem os dotes que eu gosto.
— Noely, sua safada! E se eu tivesse, garanto que era ainda mais
cadelinha por mim.
— Só nos seus sonhos.
A gente gargalha e brindamos nossos drinks.
Não sei o que acontece, mas eu e a Darla apenas vamos bebendo,
conversando e rindo, sem pensar no amanhã. Não vemos nem as horas
passarem.
— Darla, não podemos dirigir.
Ela ri, eu também.
— Vamos ter que abandonar o carro e ir de Uber.
— Isso significa que dá pra pedir outra bebida — eu comento e já
chamo o garçom para fazer nossos pedidos.
Bebemos mais drinks, igual duas inconsequentes. Mas quando
decidimos ir embora, quase tropeçarmos pelo caminho. Não paramos de rir
por um minuto.
— Liga pro Carter.
— Ele não é o nosso Uber.
Sorrimos, já nem consigo fixar os olhos direito na minha prima.
— Não estamos num momento bom.
— Então chama o Uber, o Samu, qualquer coisa. Estou vendo tudo
girar. O que tinha naqueles drinks?
— A gente que bebeu demais.
Darla ri mais ainda e se senta no meio-fio.
Pego o meu celular e noto duas chamadas perdidas na tela de
notificação. É do Carter.
— Ele ligou para mim.
— Retorna logo para o nosso Uber, vulgo, o seu namorado. 
— Não posso...
— Eu posso, larga de cu doce. — Darla arranca o celular da minha
mão e consegue apertar em cima do nome dele.
— Darla!
— Oi? É o Sr. Carter, né? Não é a sua namorada não, é a prima dela,
a Darla, lembra de mim?
Encosto-me no carro, com tudo girando de novo.
— Isso... pode vim buscar a Noely... e eu? — Ela ri. — Bebemos um
pouquinho... Noely está bem pior... ela não queria que te ligasse...
— Darla!
— Shhh...
Ela termina de passar a nossa localização para ele, desliga o telefone
e tenta se levantar do meio-fio, mas acaba tropeçando e caindo de bunda na
rua. 
Não aguento e gargalho alto da sua cara.
— Que merda, aí minha bunda.
Puxo-a para o meu lado e ficamos abraçadas, ombro a ombro, até o
Carter chegar.
— Vocês estão bêbadas?— Olá, Sr. Carter, só um pouquinho...
Ele suspira, optando pelo silêncio, em seguida, nos ajuda a entrar no
seu carro.
Não encaro os olhos dele, encosto a cabeça no banco e fico olhando
para a janela.
Só que o meu coração volta a acelerar, desesperado pelo seu
perfume, pela sua presença... por ele estar aqui, novamente comigo...
cuidando de mim.
Quando a Darla me ligou, quase tive um ataque cardíaco. Peguei a
localização e fui imediatamente atrás delas. Só fiquei aliviado depois de
colocá-las no carro e levá-las para casa.
Durante o caminho, Noely mal olhou para mim. Não parei de pensar
no que ela me disse essa manhã. Na real, não paro de pensar nela. Essa
mulher já é dona do meu corpo e dos meus pensamentos.
— Obrigada mesmo, Sr. Carter — Darla agradece, bem bêbada. —
Preciso ir ao banheiro... — Então corre, prestes a vomitar.
— E você, está bem?
— Sim. — Noely assente, jogando-se no sofá. — Obrigada por nos
trazer em casa... Darla vai ficar bem.
— Cadê a sua mãe?
— Ela deve ter saído com o novo namorado...
Olho para a minha perdição loira no sofá. Noely pisca os olhos
pesados, quase os fechando.
— É melhor ir para cama.
— Já vou, pode ir embora também. Fez muito pela gente.
Continuo parado no mesmo lugar, observando-a fechar os olhos.
Por que essas duas resolveram encher a cara?
— Noely? — murmuro.
Ela continua com as pálpebras fechadas.
Vou atrás da Darla e já a encontro deitada no quarto de hóspedes.
Coloco a mão na cintura, suspirando, adiante, volto para pegar a
Noely no colo e levá-la para a sua cama.
— Carter... está aqui? — sussurra a pergunta, após eu a deitar e tirar
os seus saltos.
Em meio ao escuro, toco no seu rosto, fazendo carinho.
— Estou, minha princesa.
— Você vai embora?
— Se quiser, eu fico...
— Eu não quero que vá... — fala baixinho, puxando a minha mão.
— Então não vou, por você eu fico... — respondo, afetado pelas
minhas próprias palavras.
Tiro os sapatos e me deito ao seu lado.
Noely me abraça forte, entrelaçando as pernas nas minhas. 
Perco o fôlego. Sinto-me completo agora, como se eu tivesse
encontrado o meu lar. Aliso as costas dela e olho para o teto escuro,
sabendo que não vou a lugar nenhum sem a minha conselheira... ela faz
parte de mim, é a mulher certa para a minha vida.
— Te amo, minha Noely... 
Beijo a sua testa e fecho os olhos, não demorando para me render ao
profundo cansaço. 
Desperto só na manhã seguinte, ainda com a Noely nos meus
braços. 
Ela igualmente acorda, piscando sem parar contra a claridade do
quarto.
— Carter... — resmunga e mergulha a cabeça no meu peito,
entrelaçando mais as suas pernas nuas.
Olho para baixo e suspiro com a imagem do seu vestido amontoado
na altura da cintura. Sua bunda e a calcinha minúscula estão à mostra. 
Aí é demais para o meu coração e para a droga do meu membro, que
já acordou ereto.
— Noely, acordada?
Ela resmunga algo de novo.
— Deve estar com uma ressaca ótima.
Ergo o seu queixo e ela força abrir os olhos para me encarar.
— Linda como sempre... — sussurro.
— Estou horrível.
— Um bom banho ajuda. Vem, eu te enfio embaixo do chuveiro.
— Isso inclui você tirar a minha roupa? — fala rouca e sem
perceber que a sua pergunta me levou a pensamentos muito indecentes.
— Incluía eu te levar só até o banheiro, mas se quiser, faço o
restante do trabalho árduo de tirar a sua roupa e te dar banho com todo amor
do mundo, sem economizar nas passadas de mãos. — Pisco.
Ela ergue a cabeça, fuzilando-me com cara de ressaca.
— Dispenso a sua safadeza.
— Você que se ofereceu, e estou aqui para servir a minha princesa.
Noely se senta na beirada da cama, sem nem se importar com o
vestido erguido e a imagem que estou tendo, deste traseiro enfiado nesse
minúsculo fio-dental.
Puta merda, latejo, com as bolas doloridas.
Confiro que a porta está fechada e com muita dificuldade, dou a
volta na cama e paro na frente da Noely.
Ela olha para onde não devia, paralisada ao me analisar.
— Assim fica difícil de ajudar — murmuro.
— N-não preciso de ajuda — diz e ergue-se rápido demais.
Ainda bem que estava na sua frente, para segurá-la.
— Devagar ou vai se machucar. 
— Nunca mais vou beber uma gota de álcool.
Sorrio e a levo para o banheiro.
No interior minúsculo, ela tenta atravessar para o boxe e acaba
roçando a bunda em mim. É instantâneo, gememos juntos.
Isso é uma tortura, estar com ela assim e não poder nos aliviar.
— Fica parada — sussurro, atrás das suas costas, bem no pé do seu
ouvido.
Ouço a minha Noely suspirar. 
Então abro o zíper da lateral da sua roupa, deslizo as mãos para o
seu quadril e finalmente tiro o vestido pela sua cabeça.
Fico mais rígido e com mais dor. Droga.
A única peça que restou no seu corpo, foi a sua calcinha vermelha.
Noely tampa os seios e vira para mim. 
Nós nos fitamos com desejo, com vontade de acabar com essa
tensão sexual do inferno.
— Obrigada... — Ela toca no meu peitoral, descendo a sua mão
para...
— Noely! 
Agarro com rapidez o seu braço e a tomo para mim.
— Eu quero você, Carter...
— Não está bem.
— Você também me quer.
Ela deixa os seios desnudos e tenta me beijar e me tocar de novo.
— Não é possível que esteja bêbada até agora!
Empurro-a para dentro do boxe.
— Não estou, eu quero você.
— Estamos na sua casa, com a sua mãe e a sua prima aqui do lado,
ouvindo tudo.
— Isso jamais seria um problema para o Sr. Carter me foder.
— Não me provoque, não me enlouqueça!
— Para! Não! AAH!
Ligo o chuveiro gelado em cima da sua cabeça.
Noely me bate, tenta afastar as minhas mãos, mas é sem sucesso.
Querendo ou não, ela recebe o banho frio.
— Eu te odeio! — exclama, desta vez, bem acordada.
Nem dou atenção para essa leoa enraivecida. E antes de sairmos do
banheiro, tiro as minhas roupas molhadas também.
— Não me olha, vira pra lá.
Viro-me e pelo espelho, assisto a Noely se enrolar na toalha.
Meus músculos estão tensos por segurar os próprios impulsos.
Mereço um prêmio por isso.
No quarto, essa atentada se troca na minha frente, agora, sem pedir
para que eu me vire. Seco o meu corpo e também visto as mesmas roupas
molhadas.
— Ainda vou terminar o que começou.
— Não vai, porque eu não quero mais você — ela diz. 
— Mas eu quero, e em todas as posições que possa imaginar.
Chego mais perto.
— Noely, olha para mim — ela olha —, antes de eu sair por aquela
porta e ir embora com o meu coração quebrado, por ainda estarmos mal
resolvidos, eu quero que saiba, novamente, que é especial para mim e que a
quero na minha vida.
— Só que a sua vida não é aqui... não é?
Molhos os lábios, sem desviar das suas íris profundas.
— Para ser sincero, eu nunca me senti tão em casa quando estou
com você, é como se eu tivesse um lar, depois de tantos anos.
Ela se emociona.
— Não diga essas coisas, por favor. Vamos esperar a empresa se
estabilizar, para decidirmos o que fazer com esses sentimentos.
— Sabe que não vamos conseguir ficar um longe do outro. 
— A gente tenta.
— Não, é impossível, peça-me para arrancar um membro do corpo,
mas não para tentar ficar longe de você, Noely! Estou dando o espaço
necessário esses dias para nos resolvermos. Que droga, vamos viver isso
que sentimos sem pensar no amanhã, apenas viver!
Ela nega com a cabeça, machucando mais os nossos corações.
Eu abaixo o cenho, assentindo. 
— Que seja.
Viro as costas, abandonando o quarto.
 
Saio da casa da Noely dilacerado. Não sei nem mais o que fazer, ou
como agir. Também não entendo o motivo desse aperto no peito, dessa
vontade de jogar o carro em qualquer acostamento e chorar.
É então que recebo uma ligação no celular. Atendo e é o meu irmão.
— Carter, onde está? — ele berra desesperado. — Por favor, eu
preciso de você, venha logo, a nossa mãe teve uma convulsão! Estamos
chegando ao hospital de ambulância.
Meu peito volta a doer, mil vezes pior. Deixo o telefone cair. Sem
conseguir responder ao Breno, meus olhos se embaçam e o choro vem,
engasgado em meio à dor.
Não posso aceitar que tudo isso esteja se repetindo, de novo!
Não sei nem como consigo chegar ao hospital, mas chego alguns
minutos depois. 
Limpo o rostoe corro para dentro da recepção. Tento descobrir onde
a minha mãe está, até falo alto com a recepcionista. E antes que eu
enlouqueça, as portas do elevador se abrem e o Breno aparece do outro
lado.
— O que houve? — Paro desesperado na sua frente. — Breno, diga
algo!
— O médico acabou de informar que ela teve uma overdose por
medicamentos, seguida de uma parada respiratória e cardíaca. Não
deixaram que eu ficasse lá, mas estão tentando fazer o possível para
reanimá-la. 
— Meu Deus, isso não pode estar acontecendo! Não pode!
Apoio-me na parede.
— Acho que a nossa mãe tentou se matar. 
— Não quero acreditar nisso.
— Eu tenho certeza, e a culpa é minha. 
— O que está dizendo?
— Ontem à noite eu fui conversar com ela e em meio à emoção, a
própria confessou tudo.
— Confessou o quê?!
Breno me olha, com os olhos vermelhos.
— Ela teve um caso por 20 anos com o nosso tio falecido.
— O tio Isaías?
— Sim, e enquanto era casada com o nosso pai. E ele só soube disso
há pouco tempo, após nos tornar adultos, por isso, desviou milhões da
empresa, para na hora certa, abandonar a todos e ir embora para o exterior.
Ele só não contava com a secretária, que gravaria seus maus-tratos,
incluindo o preconceito e também denunciaria os seus crimes de desvio.
— Que merda, Breno. As coisas só pioram na nossa vida. E como
ela te relatou essa traição?
— Foi natural, confessou em meio às lágrimas, culpando-se por
tudo que aconteceu, dizia sem parar que era responsável por destruir a nossa
família. Eu a acalentei a todo momento, garantindo que isso não importava
mais, que não íamos julgá-la, pelo contrário, a amamos. Mas acho que essa
manhã ela não aguentou e tentou se...
— Não...
Puxo o meu irmão para o meu ombro.
— Ela vai voltar para nós, você vai ver... acredite nisso.
Enquanto o abraçava, o médico apareceu, chamando pela família
Bastos e pedindo para acompanhá-lo para um lugar mais reservado no
terceiro andar. Fomos juntos, e após estarmos frente a frente, no primeiro
suspiro que saiu da boca do médico, acompanhado da sua cabeça baixa, foi
como sentir uma facada no coração.
— Tentamos fazer de tudo pela mãe de vocês, mas, infelizmente,
após três paradas cardíacas, ela não resistiu e veio a óbito... — A partir da
última palavra o meu cérebro começa a emitir um som insuportável. Não
ouço mais nada.
— Não, isso não é verdade, diz que não é!
Breno me segura e eu choro, caindo de joelhos perto da janela. 
A dor, o desespero, as lembranças, tudo vem igual a uma avalanche,
machucando mais.
Breno me abraça com força, desabando da mesma forma.
— Que carinha é essa, filha?
— Ela está bem estranha, aconteceu alguma coisa com você e o
Carter? — Darla questiona.
Estamos à mesa, tomando o nosso café da manhã.
— Ele saiu tão cedo que nem o vi.
— Está tudo bem... só estou sentindo o dia triste, pesado — digo.
— Deve ser o tempo que está frio e nublado — minha mãe
responde.
Darla me observa, tendo certeza de que aconteceu alguma coisa
comigo e o Carter, de novo. Por isso, quando estamos sozinhas, ela entra no
assunto.
— Vocês brigaram?
— Não, continuamos só na mesma, sem nos resolver. Ele quer que
fiquemos juntos, sem pensar no amanhã.
— Já você, pensa muito no futuro.
— É claro que penso, não quero me iludir com expectativas. Não é
justo que eu encontre uma pessoa que realmente valha a pena, para no final,
sofrer igual uma condenada. Já sou uma mulher de 30 anos, e que nunca
nem namorou. É justo que eu seja feliz com um homem que me queira.
— Nesse caso eu também te entendo, é tudo muito complicado.
Espero que vocês se resolvam, pois são o meu casal preferido. Carter te
merece, assim como o merece. Torço para que fiquem juntos. 
— Obrigada, Darla.
Sorrio fraco, ainda muito estranha com tudo isso. Sinto um aperto
no peito, uma sensação tão ruim. 
Preciso ficar bem...
Para afastar esse mal sentimento, topo um cineminha na sala, com a
Darla e com a minha mãe. Maratonamos uns três filmes e comemos muitas
besteiras. No fim da tarde, buscamos o carro da minha prima no barzinho.
Ela me deixa em casa e vai embora, já que amanhã começa a nossa rotina
de trabalho. 
— Vou tomar um banho e dormir mais cedo, não estou me sentindo
muito bem — aviso para a minha mãe.
— Vai lá, filha, vou preparar um chá para te ajudar a relaxar o
corpo.
— Obrigada, mãe.
Antes que eu virasse no corredor, o meu celular toca, com o nome
do Breno na tela de notificações. Atendo.
— Breno?
— Oi, Noely...
Noto a voz dele estranha.
— Oi, tudo bem?
— Carter precisa muito de você, por favor, vem aqui em casa.
Meu coração acelera.
— O que houve, aconteceu alguma coisa? 
Ele não responde, a linha fica muda.
— Breno, está aí?
— A nossa mãe faleceu... — ele fala, tão de repente, que eu me
seguro no aparador.
— O quê? Meu Deus, como assim?
— Ela se suicidou, overdose de medicamentos.
Eu choro e a minha mãe corre até mim, questionando também o que
houve.
— Eu sinto muito, Breno, sinto muito mesmo. O que eu puder fazer
para ajudá-los, farei.
— Só não abandone o Carter... ele precisa muito de você.
— Não se preocupe, vou me arrumar e chego aí em vinte minutos.
— Tá bom, vou esperá-la.
Após desligar, olho para a minha mãe e a abraço com força. Em
seguida, conto em lágrimas o que aconteceu. Ela me conforta e me ajuda a
me arrumar, para irmos juntas dar apoio ao Carter e ao Breno. 
Nesse momento, eles precisam de todo amparo do mundo. Não
consigo nem imaginar a dor que estão sentindo.
Depois de nos arrumarmos, seguimos para a casa deles. 
Chegamos e fomos recebidas por uma funcionária cabisbaixa. Olho
para ela e para o Breno, em pé na sala. A primeira coisa que faço é correr
para abraçá-lo e acalentá-lo com palavras. Ele limpa os olhos molhados e
diz que o Carter está no quarto externo, precisando também de mim.
Apenas balanço a cabeça, dou outro abraço nele e deixo a minha mãe
responsável pelo Breno, para ir até o homem que tem o meu coração nas
mãos. E neste exato momento, esse mesmo coração está sofrendo, sentindo
a sua tristeza e a sua dor.
— Carter? — Entro no quarto, vendo-o sentado no chão, atrás do
sofá. 
Apenas a luz do abajur o ilumina, em meio à escuridão do ambiente.
Ele me fita, com os olhos vidrados e marejados.
Não falo nada, vou rapidamente até ele, sento-me ao seu lado e
puxo-o para o meu colo.
— Noely... — Como uma criança sensível, ele se encolhe nos meus
braços, chorando de soluçar.
Também choro, sem suportar tamanha tristeza.
— Eu estou aqui para você, meu amor. — Beijo os seus cabelos. —
Não está sozinho... sua dor é a minha dor.
Sem conseguir se expressar, ele apenas me puxa para o seu abraço
forte.
Que dor! Por que tudo isso teve que acontecer assim?
Que Deus dê muita força para o Carter e para o Breno, porque não é
justo o que estão passando. Não é justo tanto sofrimento.
Eu e a minha mãe permanecemos à noite e madrugada toda com
eles, até na manhã seguinte. Só fomos em casa tomar banho e trocar de
roupa, depois seguimos para o velório na capela do cemitério. 
Breno já havia corrido atrás de tudo no domingo, e por escolha dele
e do Carter, optaram por uma cerimônia rápida e menos dolorosa, já que no
velório, só havia eu, minha mãe e os dois. É uma tristeza saber que eles
nunca tiveram outros familiares por perto, ainda mais nesse momento, que
necessitavam de amparo. 
Quando o corpo chegou, eu tentei ser forte, mas a cena deles, ao
lado do caixão da mãe, acariciando o seu rosto, chorando e dizendo que a
amavam e que a perdoavam, foi de despedaçar o coração. Ambos apenas se
abraçavam forte, amparando um ao outro.
É tão revoltante saber que após tantas lutas, a depressão foi a
ganhadora de mais uma trágica história. Nunca é justo para o nosso lado,
perguntamos por que, de como ela foi capaz, até entender que as suas
angústias eram maiores que a vontade de viver, e que, para aliviar tanto
sofrimento, decidiu-se por calar o grito que não gritava e cessar a dor
incurável. Só ela entendia os motivos...
No enterro, Carter sentou-se no banco mais distante, sem aceitar ver
a mãe descer a cova fria e escura. Nãosaí por um minuto do seu lado, nem
o julguei por isso. Até que ele me olhou abalado e pediu para irmos embora.
Concordei e fomos, quietos, em silêncio.
Em casa, ele passa o dia todo sem querer conversar. Nem o Breno.
Eles se isolam, um no quarto e outro no escritório. Peço para a minha mãe ir
para casa descansar, pois mesmo compreendendo o luto deles, não vou
deixá-los sozinhos. Quero que se alimentem, tomem banho e possam ficar
bem fisicamente. Estarei aqui, para ajudá-los no que for necessário. Isso
inclui a empresa. Já disse para o Breno que vou cuidar de tudo, até terem
cabeça para outros problemas. 
E é o que eu faço.
Fico a semana toda responsável pela ELW. Mas sempre pela manhã
e após o expediente, se torna obrigatório eu visitar o Carter e o Breno, para
ver como estão, por mais que eles estejam sempre tristes e solitários.
Principalmente o Carter, que mal conversa comigo. Ele sequer permitiu que
eu passasse a noite ao seu lado. Isso está acabando com o meu psicológico,
mando mensagem para saber como está e só me responde uma vez, depois
de me deixar horas no vácuo. Choro de saudades, de angústia, aflição. Não
queria que ele estivesse assim comigo, eu só estou me importando, afinal,
ainda não somos namorados? Não entendo o que está acontecendo.
— Bom dia, Srta. Noely — a funcionária diz, após eu entrar na sala.
— Bom dia, Lola, o Breno e o Carter já tomaram o café da manhã?
Ela alisa a saia do seu vestido azul, parece nervosa, meio estranha.
— Apenas o Sr. Breno... ele também disse, para que quando
chegasse, fosse até o seu escritório.
— Agora?
— Sim...
— Ok, vou lá.
Sem fazer muitas perguntas, eu vou até a sala dele.
— Breno?
Entro no escritório e ele sorri fraco para mim.
— Oi, Noely, bom dia.
— Bom dia, tudo bem?
— Tentando viver. Vem aqui...
Aproximo-me e o abraço.
— Pelo menos não está com tantas olheiras. — Sorrio, alisando o
seu rosto com carinho. 
— Te devo os créditos, você anda cuidando muito bem de nós.
— Eu disse que faria de tudo para ajudá-los, fico feliz por ver algum
resultado positivo.
— Você é incrível, acho que não te merecemos. Ou é o que ele
pensa...
— Ele, o Carter? Ainda não o vi.
— Já que entramos no assunto, preciso te dizer uma coisa. Por favor,
sente-se, vai ser melhor.
Franzo o cenho para o seu olhar cabisbaixo e sento-me.
— Já estou nervosa, aconteceu alguma coisa?
— Eu e o Carter brigamos ontem, por sua causa.
— Por minha causa? Mas por quê? Eu fiz algo de errado?
— Não, isso não é culpa sua. — Breno suspira e pega na minha
mão. — Carter foi embora, Noely...
Abro a boca, sem entender.
— Como assim?
— Foi por isso que brigamos. Carter resolveu de um dia para o
outro voltar para NY. 
Pisco várias vezes, paralisada e com uma dor insuportável no peito.
— Ele foi embora? Isso foi hoje?
— Sim, esta manhã. 
— Não, não pode ser, ele me diria, ele não iria “simplesmente”
embora.
— Os funcionários o viram saindo cedo com uma mala. — Breno
respira fundo, para controlar a ardência nos olhos.
Eu não aguento e choro.
— Sinto muito, Noely. Por isso discutimos, eu perguntei sobre você,
o questionei sobre como você ficaria; gritei, berrei de fúria, mas não houve
respostas. Não sei o que está acontecendo com o meu irmão. O que o levou
a ir embora. Eu não sei, por favor, nos desculpe, não é justo, por tudo que
fez e está fazendo por nós.
Aperto os olhos, deixando as lágrimas caírem.
— Não fique assim...
Breno se coloca de joelhos diante de mim, consolando-me.
— P-por quê? Não é justo ele fazer isso com o meu coração! Eu
amo aquele homem! Eu o amo!
— Eu vou cuidar de você. — Ele toca no meu rosto, limpando as
minhas bochechas molhadas. — Vamos reerguer juntos a ELW. Temos um
ao outro.
Abraço o Breno, sem conseguir descrever o tamanho da minha dor.
Como o Carter pôde ir embora assim? Como ele não pensou em
mim?
Eu sabia, eu iria sofrer, iria me machucar, eu tinha certeza de que o
final seria esse. Meu coração está em pedaços.
 
 
Eu olho as mensagens no celular, aguardando um motivo, um por
que, mas ele não responde, ou sequer visualiza.
Encolho-me na cama e choro, sem entender.
O que eu fiz?
Por que ele se foi?
O motivo era o seu luto?
Ele queria um tempo sozinho?
Mas e EU?
Eu não importava?
Ele também não sentia essa paixão, esse... amor?
O que eu fiz?
Ou eu não fiz nada o suficiente para ajudá-lo a se sentir confortável
e ter confiança em mim?
Por que teve que ser assim?
Por que o Carter fez isso comigo?
Conosco?
Eu só queria respostas...
Eu tento viver, sem pensar muito, sem buscar respostas.
Eu tenho que viver.
Preciso tentar.
A empresa e o Breno precisam de mim.
Não posso entrar nas nossas conversas a cada dez minutos.
Não posso desabar escondida no banheiro.
Não posso deixar os olhos embaçarem ao volante.
Não posso perder madrugadas de sono.
Preciso ficar bem.
Preciso erguer a cabeça.
Preciso focar.
Falta pouco para o nosso projeto. E é isso que importa.
Mais um dia... e esse é diferente. 
Respiro fundo e encaro o meu reflexo no espelho, admirando como
estou bonita, de cabelos soltos e caídos em ondas, a maquiagem pesada para
à noite, o vestido longo, vermelho, com fenda e decote nas costas, os saltos
pretos e por fim, as joias me dando mais beleza e poder. 
Hoje eu quis me sentir bem, eu quis ficar à altura do meu novo
cargo.
Eu mereço! Foram semanas de luta, tanto emocional, quanto
profissional. Tive que ser forte, por mim. 
— Uau, Noely. — Nicolas, meu irmão, assobia, após parar ao lado
do portal da porta. — Está de enlouquecer.
Sorrio para ele, feliz por estar aqui. Independentemente do passado,
estamos tentando cada dia mais nos reaproximar como irmãos.
— Obrigada. E cadê a nossa mãe?
— Está lá na sala com o namorado. Estão todos te aguardando.
— Acho que já estou pronta. Vamos?
Ele concorda e voltamos para junto da nossa mãe, o namorado dela,
a Darla e a noiva do Nicolas. 
Quando a minha família me vê, são elogios atrás de elogios, seguido
de palavras de apoio. Fico tão feliz.
Hoje é o dia do evento de lançamento do jogo. Foi uma correria para
tudo ficar perfeito. Esperamos muito por isso.
Ao chegarmos ao local, somos acomodados numa mesa VIP. Fico
um tempo com a minha família, bebendo e degustando dos petiscos, até o
Breno aparecer e me “sequestrar”.
— Não poderia estar mais bonita. — Ele sorri, enquanto
caminhamos entre os convidados, incluindo os funcionários da ELW. 
Tem até a impressa.
— Você também está bonito, amei o terno com as cores do game.
— Você também pensou nisso, ao escolher esse vestido vermelho.
— É claro. — Pisco. — E o que está achando do evento?
— Um sucesso! Temos muitos convidados de peso, incluindo
influencers e gameplays. Reservamos uma sala com computadores para eles
iniciarem as lives às 20h30, após o anúncio de lançamento.
— Você levou a sério mesmo o que eu disse, sobre fazer isso, né? 
Fico boquiaberta.
— Todos gostaram e acharam genial a sua ideia. Não é à toa que se
tornou a nossa nova CEO.
— Ah, Breno, obrigada por tudo.
— Eu quem sempre devo agradecer, Noely. Se não fosse por você,
eu teria desistido de tudo. Não aguentaria tantas responsabilidades sozinho.
— Eu fiz o que estava ao meu alcance, ainda assim, sinto que não
foi o suficiente... não para ele. — Suspiro, cabisbaixa.
— Para. Não vou aceitar que fique triste em plena sexta-feira do
nosso lançamento. Por isso, ergue essa cabeça e aproveite à noite com muita
bebida, música e se quiser, pode mais tarde dar uma jogadinha. Tá bom,
dona CEO?
Sorrio.
— Não se preocupe, farei isso.
Abraço-o com carinho, em seguida, andamos pelo local,
cumprimentando os convidados. Breno me leva para o espaço onde colocou
20 computadores. Está bem decorado, com os posters do jogo. Ficou
melhor do que eu imaginava.
Quando dá o horário de abrir o evento, eu volto para a minha mesa.
Breno faz um discurso de iniciação impecável, cheio de piadas divertidas.
Ravi, o desenvolvedor principal do jogo, é chamado para explicar o game
de vida real, que mistura zumbis, magia e um mundo bem apocalipse. É
incrível ouvi-lo explicar a sua criação, enquantopassa os slides. 
Tudo ocorre como planejamos, exceto, na parte onde eu sou
chamada para subir no palco. Fico tão surpresa. Breno me apresenta como a
nova CEO da Elektra Web, dando-me os créditos por tudo isso estar
acontecendo. Recebo uma chuva de aplausos, que me deixam emocionada.
Porém, o que me faz chorar, assim como o restante dos convidados
presentes, é quando ele toca no assunto da morte da mãe, a fundadora da
ELW. E na importância de agora, uma mulher continuar à frente da
empresa, com ideias e projetos seguindo a tecnologia da nova década.
Todos ovacionam o seu discurso emocionante. No fim, ele agradece e pede
para os convidados curtirem o evento.
— Nossa, foi emocionante. — Darla me abraça. — Parabéns,
Noely. Você e o Breno foram incríveis.
— Obrigada...
— Parabéns... — minha mãe, o Nicolas e os seus acompanhantes
também me parabenizam.
Volto a sentar-me com eles. 
— Como está se sentindo? — minha prima sussurra.
Sorrio fraco, sem querer esconder a verdade.
— Estranha, não sei, estou feliz pelo lançamento e ansiosa para os
próximos dias, só que... — Respiro fundo. 
— Falta algo... — ela conclui, e meu coração dói.
Darla aperta a minha mão. Adiante, não falamos mais nada, apenas
aproveitamos o que o evento tem a nos oferecer; bebidas, petiscos e muita
música.
Ao final da noite, cansada e um pouquinho bêbada, resolvo
comunicar ao Breno que já vou. Ele concorda, me dá um beijo na testa e diz
para eu ficar amanhã de olho nas redes sociais, pois tem certeza de que o
lançamento de hoje foi um grande sucesso.
Também acredito que foi, convidamos muitos gameplays para o
evento, e eles têm milhares de seguidores. Igualmente despeço-me do meu
irmão, da sua noiva e da minha mãe, com o seu namorado. Só eu e a Darla
que vamos embora juntas.
— Estou amando a sua mãe feliz com o novo namorado. Ela merece
muito.
— Também estou. Ele é um cara superdivertido. Espero que faça a
minha mãe muito feliz, já que parece gostar bastante dela.
— Sim, parece. Não se preocupe, eu e os meus pais ficaremos de
olho na dona Alice. Torcemos pela felicidade de todos, incluindo a sua.
Dou de ombro, após abrir o portão de casa.
— Essa palavra “felicidade” não faz mais sentido para mim.
— Claro que faz, Noely.
— Não faz, porque esse sentimento não existe. Ele o levou junto.
Darla me abraça.
— Queria poder tirar essa tristeza de você, sinto muito.
— Com o tempo melhora... 
Retribuo o seu carinho, despeço-me dela e entro em casa, para curtir
a minha maravilhosa solidão. 
Durante a madrugada, sem sono e cansada de ficar rolando na cama,
eu vou para a cozinha, tomar um copo de água fria. Despretensiosa, olho as
horas no celular e levo um susto ao ver o nome do Carter, junto da
notificação da sua mensagem.
Não, não é possível que seja ele!
Com os batimentos descompensados, eu clico em cima do seu nome
e embaixo das minhas centenas de mensagens, tem finalmente uma
resposta.
“Eu preciso te ver... por favor.”
Seguro-me na bancada, olhando para as suas seis palavras e sem
esperar, recebo outro texto.
“Estou na empresa.”
Não respondo, sequer toco no meu próprio celular.
Não, não acredito! Ele está no Brasil! E, simplesmente, quer me ver,
depois de ter ido embora sem me dar qualquer justificativa? Não, não
quero. Estou tão magoada, tão machucada. Só queria ajudá-lo com o seu
luto, estar ao seu lado, dando apoio e carinho. Se pelo menos tivesse sido
sincero comigo, eu teria respeitado qualquer tempo que pedisse.
Mas sentia que seria assim, que terminaríamos dessa forma. E se ele
tiver voltado dos EUA por minha causa, não vou aceitar. 
Meu Deus, meu peito se aperta e dói. O que eu faço?
Eu só precisava dar um basta nisso, colocar um ponto final nessa
história, para sofrer tudo o que eu tivesse para sofrer por esse homem e
seguir adiante com a minha vida. 
Antes de eu tomar qualquer decisão, ligo para o Breno e peço
perdão por estar atrapalhando o seu momento feliz, após o nosso
lançamento. Ele diz que não atrapalho, pergunta preocupado o que houve e
então digo, sobre a mensagem do Carter.
— Poxa, Noely, ele não me avisou que havia voltado... — Breno
suspira, após me ouvir. — Como você está?
— Péssima, eu não sei o que fazer, se eu vou até ele ou não.
— Sinto muito, nós três sofremos. Não queria que tivesse sido
assim, que o Carter tivesse ido embora. Ele teve os seus motivos.
— E por que ele fez isso? Que motivos?
— Para sofrer sozinho... meu irmão sempre foi assim. Todo o
sofrimento no casamento dele, sobre a Valentina ter sido uma péssima
esposa, que não dava amor, que abortou o seu filho, Carter guardou tudo só
para ele. Também, em relação ao meu pai, foi a mesma coisa.
— E o que eu faço, Breno?
— Ele deve estar desesperado para te ver, mas com medo. Faça o
que o seu coração manda, Noely.
— Ele manda eu olhar nos olhos do Carter, antes de tomar qualquer
decisão definitiva.
— Então que seja, faça isso, para tomar a sua decisão. Se quiser,
posso acompanhá-la.
— Não, não quero te atrapalhar mais, já fez muito por mim, me
ouvindo e me aconselhando. Aproveita a sua noite, amanhã conversamos.
Ele me dá suas últimas palavras de carinho e desligamos a chamada.
Respiro fundo, me arrumo e saio de casa. Dirijo com os dedos
apertando o volante com força, conforme penso no Carter e no nosso
encontro. Esses pensamentos me fazem chegar em quinze minutos na
empresa. São 01h40. O local só tem a luz da recepção ligada, o restante está
apagado.
Saio do carro, agarrada ao meu kit de defesa pessoal. Entro na ELW
pela porta da frente, já aberta e com os alarmes desativados. Só vou ter
certeza de que está aqui, quando o vir de verdade. Paro no meio do hall,
cessando o barulho da minha sandália. Olho para os lados, ouvindo passos.
Meu coração acelera, conforme se aproxima. Então olho para o lado e para
ele, que acaba de parar a uns cinco metros de mim.
É ele...
A dor retorna mil vezes pior. É insuportável. Meus olhos ardem ao
encará-lo. Sinto vontade de virar as costas e correr. Não pensei que seria tão
difícil esse reencontro.
Ele continua parado. Tomo coragem de me aproximar, para ter
certeza de que estou de frente para o homem que me fez chorar e sofrer esse
tempo todo.
Carter desvia de mim e abaixa a cabeça.
Observo o seu rosto mais magro, o cabelo mal cortado, a barba
maior e sem fazer há dias. Ainda assim, está lindo como sempre. Ele
também veste um terno preto, com uma camisa branca toda amassada.
Suspiro e as lágrimas descem.
Ele continua com a cabeça baixa.
Carter olha para mim e de repente, ajoelha-se na minha frente.
— Eu te amo, Noely... eu não sei mais viver sem você. — Chora e
abraça as minhas pernas.
Aperto os olhos e toco tremula nos seus cabelos macios.
— Eu não fui embora, eu não consegui pegar aquele avião, sabendo
que a mulher da minha vida estaria tão longe de mim. Eu não consegui...
— Onde esteve? — finalmente consigo perguntar algo, mesmo com
a voz embargada.
— Eu só fui para longe... voltei há dois dias e li as suas mensagens,
só que eu não tive coragem de responder... fui covarde.
— E por que não tentou?
— Eu tentei... eu te segui na empresa, na volta de casa, tentando
achar um momento de te enfrentar, de ouvir a sua voz, de encarar os seus
olhos. Em todas as vezes eu desisti. Só que hoje, depois de te ver sair linda
para o evento, não aguentei mais. Não importa o que faça comigo...
conosco, eu precisava te olhar, te abraçar, te sentir e dizer que te amo.
Ele me abraça mais forte, com a cabeça contra a minha barriga.
Fico estática, sem ter o que dizer.
— Acredite em mim, eu só fui para longe, sem internet, sem
contato. Precisava ficar assim. Queria fugir de tudo...
Olho para ele, ainda sem saber o que fazer, só sei chorar e acariciar
os seus cabelos.
Até que afasto o seu rosto e faço-o me encarar. Limpo as suas
bochechas molhadas, tendo certeza de que preciso desabafar a verdade.
— Estou decepcionada, magoada. Eu só queria cuidar de você,
acalentar a sua dor..., mas foi embora, me deixou sem explicações.
— Sinto muito por te afastar e te fazer sofrer esse tempo todo, porfavor, me perdoe. Não posso te perder, você é a única coisa que me faz
querer continuar vivendo. Não tenho mais nada, Noely... só você.
 
Carter parece perdido, desnorteado. Em nenhum momento pensei em tratá-
lo mal ou jogar na sua cara o que passei nessas últimas três semanas, mas aqui, na
hora, diante dos seus olhos, foi inevitável. Assim que se foi, eu fiquei dilacerada,
magoada, me perguntando se o problema era comigo, pois me deixou como se não
tivéssemos um relacionamento. Como se eu não me importasse com a sua dor.
— Levanta-se, Carter.
— Por que está falando fria comigo?
— Só se levanta, vamos para outro lugar. Não quero que te vejam assim na
empresa, está irreconhecível.
— Eu não tenho para onde ir.
— Tudo bem...
Respiro fundo, pela milésima vez e resolvo levá-lo para a minha casa. Nem
questionei de irmos para a sua, já que repetiu duas vezes que não queria ir para lá.
Acho que desde que voltou não pisou os pés na mansão. Nem o Breno, ele está
dormindo num apartamento que alugou perto do centro. 
Ao chegarmos em casa, abro a porta da sala e ele me puxa pela cintura,
para me abraçar forte de novo, como se não quisesse me largar nunca mais. 
Que saudades eu estava dos seus braços, do seu perfume. Mas não consigo
mudar a minha frieza, desfazer a minha mágoa.
— Carter, me solta, por favor.
— Estou com medo de você não me querer mais, de me expulsar da sua
vida.
Sem resistir, eu acaricio a sua barba. Ele parece um menino triste e sem
rumo.
— Não vou fazer isso, eu só quero o seu bem.
— Ficarei, desde que esteja comigo. Não me abandone, Noely.
Mesmo com os olhos embargados, seguro as lágrimas.
— Amanhã conversamos. Quero que se deite e descanse, está com os olhos
fundos, parece cansado e desorientado.
— Estou há dias sem dormir.
— Também sem se alimentar?
Ele assente e o meu coração voltar a sofrer.
— Então se sente à mesa, vou preparar um sanduíche para forrar o seu
estômago vazio. Não pode ficar sem comer nada ou vai adoecer.
— Não quero, eu só quero ficar com você.
— Se quer ficar, sente-se à mesa, não vou deixar que durma de barriga
limpa! — Praticamente mando e sem escolha, ele obedece à minha ordem.
A seguir, faço o seu sanduíche reforçado, também um suco natural.
Carter come tudo, como se realmente estivesse há dias sem se alimentar.
Depois, levo-o para o meu quarto.
— Independente de qualquer coisa, quero que descanse, não vou te
expulsar.
— Sei que não tenho o direito, mas deita aqui comigo, prometo que não
vou te tocar, só quero que fique perto de mim — pede, após eu me afastar da
cama. 
— Não sei se vou me sentir à vontade, eu... eu não estou confortável com
tudo isso.
Ele baixa o cenho.
— Sou culpado por te fazer sofrer, sinto muito. É melhor eu ir embora.
— Não... — Dou um passo grande até ele. — Já disse, quero que
descanse. Pela manhã conversamos.
— Não é justo eu voltar assim e estar aqui. Estou te machucando mais.
— Para. Eu quero que fique, pela sua saúde. E eu posso me deitar do outro
lado, até que durma.
Ele aceita e em meio ao escuro, deito-me, sem nenhum contato, apenas
ouvindo a sua respiração pesada. Temos muito o que conversar, só que agora,
parece que não existe assunto, nada que tenhamos forças para dizer.
— Obrigado, Noely... — sussurra.
— Por nada... — respondo, viro para o outro lado, fecho os olhos e não
aguento a exaustão.
Acordo quatro horas mais tarde, com o sol querendo entrar pelas brechas
da cortina. Sento-me no colchão. E para acreditar que tudo isso é real mesmo, eu
olho para o Carter, repousado no travesseiro. Sua respiração sobe e desce pesada.
Ele dorme profundamente. Demoro alguns segundos, observando-o e pensando
nos nossos momentos juntos, no calor do seu corpo, no toque das suas mãos e na
ferocidade dos nossos beijos inesquecíveis.
Por que o amor doí tanto? É horrível se sentir assim, é uma dor que não
tem ferida externa, que você pode pegar um band-aid, tampar o sangramento e
esperar cicatrizar.
Meus pensamentos tristes são dispersados após o celular do Carter vibrar
sobre a mesinha de canto. Curiosa, inclino um pouco a cabeça e leio o nome da
Valentina na tela de notificações.
Franzo o cenho, com mais curiosidade.
O que essa mulher quer?
Demoro mais um pouco, sentada no colchão e decidindo se pego o telefone
e leio a mensagem. Por fim, aproximo-me da mesinha, clico em cima das
conversas deles e leio o último texto, juntando frase por frase. Meus olhos se
embaçam. Subo mais as conversas e desta vez, as lágrimas se rendem à verdade.
Agora eu sei onde esteve nessas últimas três semanas, Carter. Agora eu
sei...
Embaixo do chuveiro o meu choro se mistura à água quente. Choro tudo o
que tenho para chorar, adiante, arrumo-me para esconder os olhos inchados e
vermelhos. 
Eu já tenho a minha decisão.
Volto para o quarto e o Carter está acordado. Antes de qualquer coisa, peço
para ele cuidar das suas necessidades matinais e tomar o café da manhã.
Ele pergunta o porquê de eu estar estranha, mas permaneço firme e repito
tudo o que o pedi. Também, antes de me retirar, digo que vou esperá-lo à mesa. E
saio, cansada, decepcionada.
Não vou mais chorar, só quero voltar a ser a Noely de antes, que não sofria
99% do seu tempo por causa de homem nenhum.
Espero o Carter e ele aparece para tomarmos o café. Não consigo nem
olhar direito na sua cara. Fico o tempo todo em silêncio, até ele colocar a sua mão
sobre a minha e não me largar, mesmo que eu a puxe com força. 
— Noely... por favor.
— Por favor, o quê? — E de um segundo para o outro a minha decepção,
frustração e tristeza, viram revolta, por tudo o que eu passei.
Droga! Não aguento mais!
— “Por favor” para voltarmos a ser o que éramos antes?
— Eu quero ficar junto de você. É a mulher da minha vida.
— Se me quisesse, se quisesse ficar junto comigo, não teria negado o meu
carinho, o meu amparo e tudo o que eu estava disposta a fazer para cuidar de você!
— Eu não sei o que aconteceu, acredite em mim. Senti-me desorientado,
sem saber o que fazer da vida. E você faz parte dessa vida, não queria te
machucar, só queria fugir, para ficar bem mentalmente e poder tomar as decisões
certas. Eu e o Breno perdemos tudo, Noely; nosso pai, nossa mãe e para mim,
restou só você. É a pessoa que me importa de verdade e que pude ter a certeza de
que amava.
Afasto a minha mão da dele e levanto-me com rompante.
— Então por que foi atrás da sua ex-mulher? Por que esteve esse tempo
todo com ela, enquanto me deixou aqui, sem explicações de nada, nem de como
estava? Eu te mandei centenas de mensagens! — Esbravejo, desmoronando em
prantos. — E hoje cedo eu li as suas conversas com a Valentina. É com ela que
buscou amparo!
— Noely, não é isso! — Ele se coloca desesperado na minha frente. 
— Você agradeceu a Valentina por tudo, pelos dias que ficou na casa dela!
— Deixe-me explicar, a casa a que ela se referiu, era a nossa casa de
campo, aonde íamos com a família, quando passávamos as férias no Brasil. Era o
meu lugar preferido. No divórcio, como sabe, a minha ex-mulher ficou com tudo.
E eu só pedi uns dias, pois eu não tinha para onde ir, não queria ficar longe de
você, mas também não queria ficar aqui, eu não estava bem.
— Mas ela esteve lá, não me engane!
— Por apenas uma semana, juro que não aconteceu nada, nem conversar
eu queria. Meu desejo era de ficar sozinho com a minha cabeça. Valentina até
desistiu e foi embora. Quando voltei para a cidade, agradeci a ela por ter me
deixado ficar na casa. Foi só isso, eu juro.
Ele toca no meu braço. 
Ergo a cabeça e encaro os seus olhos.
— Perdoe-me por tudo, pode me bater, me xingar, mas não me deixe sem
você. Em todos esses dias longe, essa noite foi a primeira vez que consegui dormir
bem.
— Não sei o que fazer, Carter, o que decidir sobre nós. Estou triste,
cansada.
— Eu sei. Estou disposto a mudar a minha vida para ficar no Brasil. Pois
nada no mundo importa, desde que eu a tenha ao meu lado. Foi necessário esse
tempo sozinho, para eu ter a certeza disso. Não vivo mais sem a minha
conselheira. Eu sou feliz com você, Noely. Acrediteem mim. Tudo o que eu mais
quero agora é recomeçar o nosso relacionamento.
— Mas você não vai embora? 
— Eu só vou para algum lugar se você for comigo. 
Nós nos encaramos, ele tenta se aproximar e me tocar no rosto, entretanto,
eu nego com a cabeça e me afasto com dor no coração.
— Preciso pensar, ter o meu tempo. Por favor, deixe-me sozinha.
Vejo os seus olhos arderem. Os meus também, sinto vontade de chorar.
— Tudo bem, não vou insistir. Quando decidir o que fazer comigo, estarei
te esperando. Só saiba que te amo...
Ele me dá o seu olhar triste, sem esconder a lágrima que lhe escapa, então
abaixa a cabeça e simplesmente vai embora.
Olho para o espelho da sala e me observo sozinha, vazia, e choro, eu
desabo, dilacerada e inconformada.
Ah, meu Deus. Que dor, eu amo tanto esse homem...
Minha mãe chega em casa e me encontra no sofá, encolhida e chorando.
Ela corre até mim, ergue o meu rosto e só faz uma pergunta: "o Carter voltou?”.
Eu só assinto e ela me puxa para o seu colo, para que eu pudesse desabar ainda
mais.
Passo o dia recebendo o seu carinho, sem qualquer outra conversa
relacionada a bagunça que está o meu coração, nem sobre o homem responsável
por essa bagunça. E a agradeci por isso, pois eu precisava de silêncio para
organizar os meus pensamentos.
Ao anoitecer, ele me manda um outro sinto muito e um te amo. Não
respondo.
No dia seguinte, me arrumo com mais dignidade e vou trabalhar. Agora,
sou a CEO, tenho um papel ainda mais importante e comprometido. Trabalho até
focada, sem o Carter atribulando à minha mente. Porém, no fim do expediente,
quando me encontro sozinha no carro, escutando música triste, os meus
batimentos ficam mais acelerados e o meu foco volta a ser ele, a nossa conversa e
o fato de eu estar sentindo a sua falta.
Dirijo o mais rápido possível, para me encontrar com a minha prima no
barzinho marcado. 
— Está tudo bem com você?
Eu assinto, cabisbaixa e mexo com o canudinho do meu drink.
— Não está nada! Noely, que merda de cara é essa? — Darla não aguenta e
me fuzila. — Desde que chegou, só deu meias palavras. Levanta esse astral
desleixado, pelo amor de Deus!
— Estou tentando, não está vendo?
— Já te disse, ele merece um pouco desse sofrimento, não digo do luto…
quero dizer sobre você. Não gostei da atitude do Carter. Sabe perfeitamente disso.
— Eu sei, e te ouvi todos os dias repetindo a mesma coisa no meu ouvido.
— E continue ouvindo, não é porque ele voltou da noite para o dia, após
ficar semanas longe, te fazendo sofrer, sem responder uma mensagem sequer, de
preocupação, amor, saudades, que você agora vai perdoá-lo facilmente, igual uma
cadelinha apaixonada, por mais que o ame. É bom ser difícil, para ele dar valor ao
seu amor raro. Entenda que é uma mulher única.
— Concordo perfeitamente com isso. A questão, é que eu não sei até
quando permanecer longe daquele homem, pois eu sofro em dobro, pensando nele
e nos nossos momentos. Também, sei que ele está sofrendo em dobro, por mim e
pelo luto da mãe. Entende isso, Darla?
— É claro que eu entendo, prima, não queria estar no lugar dele, porém, é
importante que mantenha a sua decisão de ficar afastada por enquanto, tanto para
ele te dar mais valor, quanto para você pensar na tortura sexual, quando fizerem a
reconciliação desse amor.
— Darla, você não ajuda!
— Estou ajudando, todo mundo sabe que no final vocês vão ficar juntos. É
explícito que o seu CEO te ama, que ele é um cara incrível, entre milhões. Só
tenha calma… deixe-o sentir mais saudade, estando tão pertinho da sua
conselheira. Ele merece, lembre-se que ele esteve com a ex-mulher.
— Darla!
Ela sorri e vira o seu chope espumoso.
Cesso o bendito assunto, para não enlouquecer mentalmente.
E quer saber? Encho a cara. Bebo sem dó, a fim de ficar alcoolizada para
esquecer os problemas. E é o que eu faço; bebo rio, canto e danço sem culpa. Não
sei nem como cheguei em casa mais tarde. Só sei que eu tive que arcar com a
ressaca no outro dia de trabalho, ainda, tive que buscar o meu carro no bar.
Enquanto eu estava ao volante, o meu celular tocou.
“Queria só te ver, ouvir a sua voz…”
Suspiro para a mensagem do Carter.
Eu mal estacionei na ELW e já cliquei em cima da sua notificação.
Entretanto, não respondo, por mais que eu quisesse muito. Darla tem razão…
deixe-o sofrer.
— Noely! — Breno surge na calçada e vem ligeiro até mim. — Bom dia,
raio de sol. Aceita tomar um café comigo ali na padaria do outro lado da rua?
— É claro, estou numa ressaca terrível.
— Ressaca? Andou se embriagando, dona CEO? Espero que seja em
comemoração, pelo nosso jogo ter sido um grande sucesso.
— Foi sim… — resmungo.
— Você não era mentirosa, viu.
Dou de ombros e caminhamos até a padaria. Nos acomodamos do lado de
fora. Eu peço um capuccino e um doce, o Breno apenas um café.
— Já disse que está lindíssima hoje?
— Isso não vai melhorar o meu péssimo estado, Sr. Bonitinho.
— Poxa, sempre funciona com as mulheres. Elas ainda ficam caidinhas por
mim.
Não aguento e sorrio.
— Não aguento você.
— Aguenta sim, quero ver sempre um sorriso nesses lábios.
— Vai ser difícil… não paro de pensar nele. Darla disse que o Carter
merece esse sofrimento, em relação a mim…
— É, talvez mereça. Não sei dizer, pois ele e eu tivemos poucas alegrias
nesta vida. Tirando a conselheira do CEO, já que foi a nossa única felicidade. Na
verdade, foi o nosso anjo feliz.
E de novo, esse engraçadinho me faz sorrir.
— Vocês vão se resolver, Noely. Os dois se amam, e eu, confio no meu
irmão, sempre foi uma grande inspiração de homem para mim. E ele também
merece uma grande mulher, melhor, uma grande musa inspiradora do lado.
— Breno… — Ele de repente pega o recheio do meu doce e passa no meu
rosto. — Seu atentado!
Não deixo barato e igualmente tento passar nele, todavia, o palhaço agarra
o meu braço e me puxa para mais perto, só para me sujar mais.
Começo a gargalhar, pois vira uma guerra de doce.
— É essa a sua decisão?!
Uma voz estridente surge e dá um soco na nossa mesa, quase a quebrando
no meio. Desvio-me apavorada, para encarar o Carter e seus olhos de furor.
— Esse tempo todo serviu para você escolher o Breno, o meu irmão? Está
apaixonada por ele?
— O quê? Carter, isso não tem nada a ver! — Breno me larga e se levanta
rapidamente, para levar um empurrão forte, que o faz quase cair sobre a cadeira.
Também me ergo, assustada e sem reação.
— Eu estava te esperando, Noely, sofrendo por você!
— Não estou apaixonada pelo seu irmão, pelo amor de Deus!
— Vocês estão o tempo todo juntos, eu devia ter percebido os seus
sentimentos. Mas eu mereço isso, né?! Eu mereço mais essa porra para foder com
o meu coração!
Aproximo-me dele, mas o noto completamente fora de si.
— Agora perdi a mulher que eu amo e o meu irmão!
— Para com isso, porra! — Breno toma força e avança. — Não vou aceitar
que insinue nada em relação a Noely e ao caráter dela! Sabe que essa mulher te
ama!
— Para vocês dois, chega.
Carter passa a mão no rosto, ainda mais perdido e desorientado. Me dói vê-
lo assim. E a dor se torna pior, após ele virar as costas e sair marchando, sem
querer olhar na minha cara.
Não, ele não vai fazer isso, não depois de tudo que passamos.
Sem pensar duas vezes, deixo o Breno no mesmo lugar e corro atrás desse
homem. E antes que entrasse no seu carro, puxei o seu braço.
— Carter, você não ouse virar as costas, não ouse fazer isso comigo!
Ele então para abrupto e me faz bater contra o seu corpo enorme, forte.
Tive que me segurar no seu peitoral, por pouco perdendo o fôlego.
— Eu jamais viraria as costas para você! — Brada, com os olhos
vermelhos. — Pois eu te amo, inferno, eu te amo tanto que não suporto mais,
Noely!
Carter pressiona a minha cintura e segura o meu rosto com posse, com
desespero.
Rendo-me às lágrimas.
— O que eu preciso fazer? Diga, pelo amor de Deus? Acabe com isso,
acabe com o meu sofrimento, eu já tive o que merecia!
— Só me beija — simplesmente sussurro, com os olhos embaçados.
— Noely…
— Agora, Carter, me beija.
Ele respira mais acelerado, enrijece os músculos e olhapara a minha boca,
para avançar e me beijar numa necessidade terminal, como se dependesse dos
meus pulmões para ter oxigênio nos dele. 
Eu não poderia esperar por mais. É desesperador, ansioso, necessitado,
feroz. É uma saudade sem tamanho.
Agarro os seus cabelos, saboreando da sua língua que também me penetra
obstinada. É a minha vez de devorá-lo, de provar que o amo. Parece que só o
nosso beijo importa em todo o mundo.
Tomamos consciência de onde estamos, quando realmente nos falta fôlego.
Eu arquejo, olhando para ele, que está do mesmo jeito. Nossa boca permanece um
centímetro longe da outra, desejando mais.
— Vamos para qualquer outro lugar. Me leve com você — digo.
Ele mal consegue falar, só abre a porta do carro, me faz entrar dentro e dá a
volta, para sair como um louco pelas ruas.
Carter me leva para o novo apartamento onde está morando. E só volto a
quebrar o nosso silêncio, quando ele fecha a porta e para frente a frente comigo. 
Fito os seus olhos cansados, demorando no seu olhar intenso.
— Parece que eu não sei mais o que dizer… — sussurro. — Mas sinto que
queria te bater, por pensar que eu e o Breno estav…
— Nem diga, Noely, ou acabo com a raça daquele bastardo!
— Eu não disse isso, após saber que a sua ex-mulher esteve com você,
depois de me abandonar sem notícias! — É a minha vez de jogar na cara dele.
— Já disse que só pedi a casa para ela! Eu detesto a Valentina, ela é o meu
pior passado! Nunca vou perdoá-la por ter tirado o meu filho! E eu só queria…
eu… — Ele molha os lábios. — Eu só queria sofrer sozinho, me perdoe por isso.
Acabei te fazendo sofrer junto, não tinha o direito.
— Não tinha mesmo...
Ouvir a confirmação da boca da Noely, me magoa e me deixa mais
culpado.
— Mas já foi, eu não quero mais me lamentar, nem sofrer. O amor dói…
ainda quando se soma com a distância e a saudade, fica insuportável.
Ela dá um passo e toca no meu rosto, no meu peitoral. Eu até esqueço
como se respira.
— Isso está mais do que insuportável. Vai me dar uma segunda chance?
Diga, Noely! Pois eu não vou deixar a mulher da minha vida ir embora assim, não
vou permitir! Não vivo mais sem você!
— E fará o que para me impedir?
Xingo baixinho e a prenso na parede, agarrando os seus cabelos desde a
raiz. Ela apenas ofega, sem me rejeitar.
— Eu vou amar o seu corpo, até não existir mais forças para pensar em me
largar, eu vou beijar a sua boca, até viciar e ficar dependente de mim. Eu vou te
levar a inúmeros orgasmos, até suplicar que eu não pare de te satisfazer!
— Você sempre me leva!
Noely puxa a minha camisa e aproxima a nossa testa.
Eu tento beijá-la, mas se esquiva de propósito.
— Eu amo você... — se declara, paralisando-me.
— Repete! — Peço, com o coração acelerado e tomando com mais posse a
sua cintura e os seus fios loiros.
— Não, faça por merecer essas três palavras de novo.
Fico maluco, mil vezes obstinado. E a beijo, mais devorador que o nosso
beijo de agora pouco.
Ela geme com tesão, ergue a perna e escala o meu colo, roçando em mim,
enquanto a seguro. O seu vestido justo já está amontoado na cintura. Sinto o calor
da sua bunda nas minhas mãos, a aperto forte, para marcar.
— Fala, Noely!
— Não, já disse, faça por merecer!
Ela nega e a coloco contra a parede, para roçar novamente. Outro gemido é
inevitável.
Não aguento mais, beijo a sua boca e a levo para o quarto. Nossa excitação
fica tão descontrolada que as roupas são tiradas num piscar de olhos, exceto a sua
lingerie, que desejo rasgar com os dentes.
— Que saudades de você, que abstinência — digo, subindo nu em cima
dela, sem saber quando parar de explorar o seu corpo e beijar o seu pescoço.
Noely se entrelaça em mim, para sentir a minha ereção petrificada forçar a
sua intimidade.
— Você não vai ficar no controle — murmura e me empurra para o outro
lado, então volta, sentando-se em cima de mim e rebolando sobre o meu
comprimento pulsante.
Enlouqueço, conforme faz o maldito vai e vem, sem penetrar, apenas
roçando gostoso. 
— Não é para me tocar — ela adverte, após eu tentar sentir a sua bocetinha
melada.
— Está me deixando maluco, amor.
Ela sorri e me olha com tesão.
— Carter, você disse…
— Amor?
Noely tenta não se emocionar.
— Você é o meu amor, a minha mulher.
— Eu sou sim, é bom que sempre deixe isso claro — fala emocionada, mas
para não perder a postura à frente do nosso prazer, ela pega no meu pau, e começa
a me masturbar sem dó.
Droga, eu me enrijeço mais na sua mão, gemendo com o seu toque macio e
possessivo.
Ela com certeza vai se vingar de mim, está com sangue nos olhos. E eu
mereço.
E já começa com a minha deusa tirando o sutiã e expondo os seus seios
grandes, de mamilos rosados e pontudos. São esbeltos, e meus!
— Não! — Exclama, empurrando-me para trás, para eu não a devorar. 
E nem posso contestar!
Que tortura!
— Noely… — resmungo, desesperado por ela colocar o meu pau por
dentro da sua calcinha, entre os lábios lubrificados e rebolar, indo para trás e para
frente. — Você quer me matar?!
Ela geme muito, massageando os peitos e se mexendo/rebolando.
Sim, ela quer me matar!
Aperto as suas coxas e fecho os olhos, pedindo misericórdia para não
morrer! 
Noely rebola, até eu não aguentar e gozar jatadas fortes de porra na sua
boceta e na calcinha.
Ela se inclina sobre mim, beijando o meu peitoral e subindo para o meu
pescoço. Não suporto, puxo os seus cabelos e rasgo a sua calcinha como um
animal bruto.
— Carter!
— Pelo amor, para de me torturar! 
Também toco nos seus peitos e avanço para mamá-la. Sem resistir, ela se
rende e geme. Começo a chupar, a apertar, a lamber e a morder as auréolas
pontiagudas. É doloroso e prazeroso.
Noely perde a sanidade e se posiciona com a cabecinha pré-ejaculada na
sua entrada latejante.
— Preciso de você dentro de mim, me fodendo.
É isso, agora ela joga terra por cima e tampa a minha cova.
— Noely! — Ranjo os dentes, quando ela se senta de uma vez, engolindo
todo o meu pau.
Suas paredes me sufocam, sinto o comprimento chegar ao útero, 
Ela chora e cavalga com vigor. 
— Ahhhh, Carter! Eu te amo! — Geme de prazer. — Te amo!
Não consigo nem a responder, apoio os seus quadris, estimulando a ir cada
vez mais rápido. Seus gritos também ficam mais altos.
Até ela explodir e eu virar o seu corpo na cama, para continuar metendo
gostoso. 
Estamos exalando sexo, calor, paixão. É indescritível sentir a sua pele,
ouvir os seus gemidos e estar dentro da mulher que eu amo, a satisfazendo e
provando que sou o seu homem, que quero mais do que esse momento. Eu quero
vários!
— P-por que parou? — Pergunta.
— Parei para admirar as suas bochechas vermelhas, os seus cabelos
bagunçados e a sua respiração falha. Você é perfeita, amor.
Noely morde a boca e arranha as minhas costas, movendo-se por baixo de
mim. 
Eu crepito, apreciando as suas contrações.
— Você tem o meu coração, Carter… cuida dele, entendeu?
— Essa é a minha tarefa. E nem vou fazer mais promessas, porque terá
provas do meu amor por você todos os dias. Nunca se esqueça que é a mulher da
minha vida.
E, novamente, faço a minha futura esposa se emocionar. Ela inclina a
cabeça e beija os meus lábios, já penetrando a língua. Está subindo pelas paredes.
— Então é bom o senhor começar a provar desse amor, e imediatamente.
Sorrio com prazer e retorno a missão de satisfazê-la; sem ser lento, sem ser
carinhoso, e sim do jeito faminto que a minha mulher gosta.
Ela sempre vai merecer o melhor de mim…
 
 
 
 
 
Antes que eu fosse para a gravadora, decidi passar numa loja e
comprar flores e chocolates. Pareço uma criança saltitante. Nunca me senti
tão bem comigo mesmo. Graças a ela... 
— Bom dia, Sr. Carter, a Srta. Noely está numa reunião, mas o
senhor pode esperá-la na sua sala — a secretária informa.
— Que reunião? 
— É com os novos desenvolvedores que ela está contratando.
Sorrio, orgulhoso. Noely realmente conseguiu tirar a empresa da
falência. O jogo foi um sucesso, rendeu milhões de reais para a ELW. Ela e
o Breno estavam certos desde o início. Eu errei muito em duvidar, mas
quero que fique nopassado. Não era o meu desejo estar à frente dos
negócios. Foi mais do que merecido a Noely ter se tornado a nova CEO. Ela
é muito esforçada, inteligente e mereceu.
Espero-a na sua sala — onde era a minha.
Ela aparece vinte minutos depois, e bem agitada, mal percebeu a
minha presença, isso, até chegar perto da mesa, erguer o rosto e encontrar
os meus olhos.
— Carter? 
— Antigamente me chamava de Sr. Carter, dona conselheira.
— O que faz aqui? Você não tinha que estar conferindo a decoração
da sua gravadora?
— Sim, minha princesa, mas queria passar na empresa para te dar
um beijo e... — Ergo o buquê — flores.
Ela coloca a mão na cintura, balançando a cabeça e sorrindo.
— Só você mesmo para ser um tremendo romântico.
— Eu sempre fui, amor. E comprei chocolate.
Chego perto dela, primeiro, dando os seus chocolates preferidos.
— Ah, não... — ela faz careta e se afasta, negando — só de sentir o
cheiro já volto a vomitar.
— Mas não eram os seus preferidos?
— São, mas ontem eu comprei quatro caixas. Comi tudo, até passar
mal e vomitar. 
— Você está doente?
Arregalo os olhos, desesperando-me e a sacudindo de leve. 
— Carter, eu estou ótima.
— Se está vomitando, é porque não está bem! — exclamo nervoso.
— Precisamos ir ao médico.
— Calma, é porque comi muito doce ontem. — Ela me empurra
devagar contra a mesa. — Não foi nada demais.
— Espero que não seja nada demais mesmo.
Aproximo-a de mim e a beijo de língua.
Noely geme e acaricia o meu peitoral, escorregando os dedos até o
cinto da minha calça.
— Dona conselheira, o que quer de mim?
Ela sorri e morde os lábios.
De uns dias pra cá está muito faminta por sexo. Só o meu respirar a
excita. Essa manhã acordei recebendo um boquete delicioso. Ainda no
chuveiro ela quis ser penetrada com força. Estou adorando.
— Você sabe o que eu quero de você... — sussurra, apertando o
volume do meu pau.
Melhor do que vê-la subindo pelas paredes, é torturá-la. Se bem que
é eu quem saio sempre torturado.
— Não te satisfiz hoje? 
É a minha vez de apertar a sua bunda.
— Ando insaciável. — Ela alisa o meu membro e morde a minha
boca.
Sorrio e a afasto com delicadeza.
— Estou atrasado para ver o estúdio da gravadora, desculpa.
Como resolvi permanecer no Brasil, vou montar a minha gravadora
aqui mesmo, em solo latino. Estou fazendo o que amo. Sou apaixonado por
música e quero dar reconhecimento a muitos cantores bons. Vou começar
com uma projeção pequena, para ver se dará certo.
Noely bufa.
— Não fica com essa carinha, minha princesa, nós veremos mais
tarde. — Pisco.
— Mais tarde não terei mais tesão.
— Ah é, não terá?
— Não! — Ela pisa firme e dá a volta na mesa. — E pode ir
embora.
— Eu vou, mas te pego depois do expediente.
Ela não me responde mais e começa a mexer no seu computador.
Tudo isso, porque queria uma rapidinha. Mas esta noite a minha conselheira
será mimada com muito carinho e prazer. Só que antes, vou para a
gravadora.
Fico preso a manhã e à tarde toda no estúdio. Estamos terminando a
parte da reforma e da decoração. Não sei nem descrever como estou feliz e
realizado. Ainda tem muitos desafios pela frente, contudo, eu sei que vou
conseguir.
Estou fazendo realmente o que amo. E graças a Noely, que está me
apoiando desde o início.
Arregalo os olhos.
Falando nela, até perdi o horário. Lembro-me de que estou atrasado
para pegá-la na empresa. Noely vai estar furiosa comigo. Merda!
Saio dirigindo igual a um louco para a empresa. Chego, ligo para ela
e aviso que a estou esperando na frente. Noely não fala nada e, em alguns
minutos, ela sai pela porta da frente e entra no carro.
— Desculpa o atraso, fique preso com as...
— Tudo bem. — Suspira, estranha.
— Está tudo bem mesmo?
Ela assente, sem olhar para mim.
— Amor, está muito estranha. É comigo?
— Não é com você... vamos embora, conversamos em casa.
Incomodado com o seu comportamento, eu aperto o volante e sigo
para o nosso destino. 
— Tem certeza de que está tudo bem? — pergunto novamente, após
abrir a porta de casa e entrarmos.
Ela vai até o meio da sala, muito mais estranha. Parece nervosa.
— Carter... — Os olhos dela brilham, emocionados.
Desespero-me e corro até ela.
— Amor, o que houve? O que aconteceu? Está chorando?
— Acho que estou grávida — Noely sussurra e funga o nariz.
— O-o que disse?
Arregalo os olhos, paralisado no mesmo lugar.
— A Darla já tinha brincado sobre isso essa semana, mas estávamos
tão atarefados, eu com a empresa e você com a nova gravadora, que nem
dei atenção para essas “piadinhas”. Mas hoje à tarde, passei muito mal, de
novo, e contei para a Darla e ela reafirmou que meus sintomas eram de
gravidez. Então... comprei o teste...
Deus Amado!
Coloco a mão no peito, sentindo que vou ter um ataque fulminante.
— Carter?! — É a vez de ela arregalar os olhos. — Você está
ficando roxo! Respira! 
Noely rapidamente segura o meu braço e me ajuda a sentar no sofá.
Não consigo falar, me falta ar.
— Pelo amor de Deus, respira e inspira! — Ela pega uma almofada
e começa a me abanar.
Prendo e solto a respiração por uns dois minutos. Até conseguir me
estabilizar.
— Você está grávida? — Minha voz sai com dificuldade.
— E-eu não sei, por isso comprei o teste.
— Mas que sintomas são esses?
— Náuseas, fome, alterações de humor, dor de cólica, seios
sensíveis, dor de cabeça, libido alta, entre outros. Esses foram o que mais
senti.
De umas duas semanas pra cá o humor dela realmente vive
oscilando, sem falar nessa sua libido esfomeada por sexo. Não que eu esteja
reclamando, mas são os sintomas da...
E de novo fico sem ar.
— Grávida!
— Amor, respira, ou você vai ter um ataque cardíaco.
Noely se senta ao meu lado e aperta a minha mão.
— É o meu sonho ser pai! É o meu sonho! — Olho para ela,
segurando-me para não chorar.
— Eu sei... — Ela limpa as lágrimas. — E quero muito estar,
sempre tive o pensamento de ser mãe depois dos 30. Então, ficarei feliz.
— Noely! Eu também! — Abraço-a com força. — Não sei nem
discernir a minha felicidade. Seremos pais! Vamos ter um bebezinho!
— Preciso fazer o teste para termos certeza primeiro.
— Eu tenho certeza. Já estou com pressentimento de pai!
Ela sorri.
— Isso existe agora?
— É claro! E vai logo fazer esse bendito teste, antes que o meu
coração pare.
— É tão bom ver essas reações em você. Eu te amo.
— Eu te amo mais, assim como amo a nossa filha.
Toco na barriga dela, ansioso para vê-la crescer, enorme.
— Até já sabe que é menina?
— Quero que seja uma princesinha, para quando crescer, eu ainda
ter força e idade para quebrar a cara de quem machucar o seu coração.
Ninguém vai fazer a minha filha sofrer.
Noely me beija, acariciando a minha barba.
— Você será o melhor pai do mundo, mas vamos fazer o teste
primeiro.
Assinto, ansioso.
Ela se ergue, pega a caixinha rosa de dentro da bolsa e me chama
para acompanhá-la até o banheiro. Fico esperando do lado de fora, andando
de um lado para o outro. 
Sinto que desta vez é verdade, vou sofrer um ataque cardíaco de
tanta ansiedade para saber se teremos um bebê ou não. 
Ela demora uns dez minutos.
Não aguento mais esperar. Parece que o chão vai abrir uma cratera,
de tanto que eu ando. Até que, de repente, ela abre a porta do banheiro,
chamando-me.
Paro correndo na sua frente e olho para o teste na sua mão.
— O que deu, amor?
Noely não responde.
— Noely, o que...
— Eu estou grávida! 
Não acredito!
Sorrio e jogo-me de joelhos na sua frente, chorando e gritando de
felicidade!
Seremos pais! Teremos um bebê!
Quando paro para meditar no passado, entre o presente e o futuro,
sinto-me gratificada. A Noely de alguns meses atrás jamais poderia
imaginar que hoje, estaria grávida, noiva e realizada, tanto
profissionalmente, como no pessoal. Tudo o que vivi foi muito importante
para a construção do meu futuro, e ao lado do homem que me apaixonei.
Parece coisa de livro... uma conselheira, indo trabalhar numa
empresa e se apaixonando pelo seu chefe bipolar, o CEO. 
— Que sorriso é esse. — Carter alisa a minha barriga, após eu
desabar na cama, graças a ele e a sua determinação em me levar a inúmerosorgasmos.
— Estou feliz...
— Eu também estou feliz...
Ele sobe os beijos pelos meus seios fartos.
Gemo, sensível às suas carícias.
— Em breve nossa bebê vem ao mundo, ela me disse que está louca
para estar nos nossos braços.
Eu sorrio.
— É injusto ela só contar as coisas para você.
— É que o seu ouvido não alcança a sua própria barriga.
Felizmente, a comunicação só fica entre mim e ela. 
Rio do bobo, e Carter me beija na boca. 
Eu mordo os seus lábios, encaixando as pernas nos seus quadris.
— Essa licença maternidade está sendo maravilhosa.
— Podemos organizar o nosso casamento entre esses três meses. O
que acha?
— Por mim, casava amanhã.
— Não mesmo, eu quero me casar de véu e grinalda, na igreja,
diante do padre. Ah, e com direito a noivo chorando no altar. 
— Por você eu choro sem maiores dificuldades, não se preocupe.
— Eu sei que chora. É um homem incrível.
— Errei muito para me tornar esse homem.
— Eu também errei muito para me tornar essa mulher de hoje, mas
foi necessário, para a nossa evolução e o nosso crescimento pessoal.
Também, pense, se tivéssemos mudado algo no nosso passado, talvez
nossos destinos nunca teriam se cruzado. Por isso, não me arrependo de
nada.
— Acho que eu me arrependo.
— Do quê? — sussurro, e ele entrelaça a nossa mão.
— De não ter conhecido a mulher da minha vida e a mãe dos meus
filhos antes.
Emociono-me.
— Você sempre me pega desprevenida com essas declarações. Eu te
amo.
— Eu também te amo, minha gavidinha perfeita.
Nós nos beijamos, apaixonados, entregues. E só tenho a certeza de
que nasci para pertencer a esse lugar, a esses braços, a esse beijo e a esse
amor, que chega a doer na alma, de tão bom e intenso. 
 
“Nosso amor é aquele sentimento forte, único e verdadeiro que,
mesmo com o passar do tempo e com a distância, jamais se desgastará,
pois pertencemos um ao outro, juntos em um só coração.” — desconhecido.
 
 
 
 
Rafaela Perver é uma Sul-mato-grossense que começou sua carreira de
escritora aos onze anos de idade. Suas primeiras histórias eram contos, onde
escrevia em cadernos. Hoje, com vinte anos, já coleciona sete livros
publicados. Seu gênero preferido é o romance erótico. É estudante de Letras
— Português e Inglês — e atualmente vive com a família em Campo
Grande - MS, sua cidade natal.
 
 
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Me tenha (Livro 1 da Série Alencar) 
Me Conquiste (Livro 2 da Série Alencar) 
Homem De Verdade (Livro 1 da Duologia Verdade) 
Amor De Verdade (Livro 1 da Duologia Verdade)
Sereyma (Livro Único) 
HOSS – Série Agiotas Em Chamas (Livro 1)
RAEL – Série Agiotas Em Chamas (Livro 2)
 
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Mesmo entediado, levanto-me da cama e começo a vestir as
minhas roupas. Hoje é quinta-feira, dia de reunião em família, e é fora de
questão algum integrante faltar, caso contrário, a reunião é remarcada para o dia
seguinte. Eu termino de amarrar o cadarço dos sapatos e jogo mil libras para
Ruiva, que se espreguiça na cama, espalhando o dinheiro entre os lençóis e
exibindo a sua nudez deliciosa.
— Tenta ir embora sem ser vista pelos empregados — ordeno,
arrumando o cabelo e a barba.
— Ou pela sua família?
Olho sério para ela.
— Não estou pedindo, isso é uma ordem.
— Sim, senhor — resmunga.
— Até logo mais.
— Ou nunca mais…
Deixo-a com os seus murmúrios e saio do quarto. Caminho até o
elevador do castelo. No segundo andar, entro na nossa enorme sala de reuniões,
com uma mesa de 4 metros e 14 lugares. A decoração nunca muda, sempre
obscura, mas aconchegante, tem duas estátuas gregas nos cantos, quadros nas
paredes, lustres no teto e uma lareira a gás acesa perto da sacada da varanda.
— Até que enfim alguém.
Rael sorri, erguendo o seu copo de bebida na minha direção.
Ele está sentado numa das poltronas, perto da parede de vidro.
— Cadê o restante da nossa família?
— Eu já estou aqui, para a infelicidade de vocês, irmãozinhos. — Vince,
nosso irmão mais novo, aparece do outro lado, entrando na sala e dando-nos o
“prazer” da sua irritante presença. — Hera está vindo logo atrás com o estrume
que chama de homem.
— Eu ouvi, seu estrupício imprestável!
Nossa prima também surge em seguida, acompanhada do seu namorado
e o meu melhor amigo, o Ezequiel, ou Morcego, como chamamos.
— Só falta o tio Argus — digo e aponto para a mesa, fazendo todos se
sentarem nos seus devidos lugares, para aguardá-lo.
— Espero que essa reunião seja rápida, tenho uma festa mais tarde. —
Rael me olha entediado.
— Festa gay de novo? — Vince provoca. — Sem preconceitos, cada um
é responsável pelo que deixar sair ou entrar no seu rabo.
— Eu fui lá cobrar dinheiro, seu filho da puta! — Ele bate na mesa,
segurando-se para não arrancar a arma da cintura.
— Não fique estressadinha, butterfly… acho que toquei num buraco já
aberto.
Rael, então, arranca de vez a arma do coldre e mira na direção da cara
risonha e debochada do nosso irmão.
Eu suspiro, não querendo apartar uma briga, pois, com a minha paciência
escassa, os dois são capazes de levar um tiro no meio da testa, e com uma única
bala. 
— Larguem de ser ridículos! — Hera estapeia irritada o Vince. — E
você, Vince, cala essa boca, seu cagão, medroso.
— Porra, sua cobra naja.
Morcego sorri da feição feroz da Hera, todo apaixonado. Nunca imaginei
ver o nosso administrador assim, que vontade de vomitar! Perdemos um grande
homem, melhor, um grande cretino, parceiro de putarias.
— Guarda essa arma, Rael, não sei como ainda se estressa com as
provocações infantis do Vince.
— Ainda vai perder a língua, esse filho do capeta.
— Somos filhos dos mesmos pais, respeite os falecidos.
— Calado vocês dois, parecem duas maricas!
— Ninguém está falando contigo, Hoss, retorne os seus pensamentos
para a prostituta de luxo que estava fodendo há vinte minutos no seu quarto.Chuto a perna do Rael e quase esmago o seu pé.
Ele e Vince se igualam em serem insuportáveis, provocantes e irritantes.
— Me solta, caralho! 
— O quê? Hoss trouxe uma puta para o castelo? Mas, nosso tio proíbe!
Isso é uma lei! — Vince acusa revoltado. 
Rael me devolve o chute.
— O que está acontecendo aqui? — Finalmente o nosso tio Argus
aparece, fazendo imediatamente todos se recomporem quietos e em silêncio,
como se fossemos anjos.
— Posso começar?
— Não! — Argus corta o Vince e vai autoritário até o seu lugar.
— Espero que seja breve, tio.
— Serei, Rael. O motivo dessa nossa reunião é para brindarmos o
noivado de Hera e Ezequiel.
Sem grandes surpresas, olhamos para a nossa prima e o nosso amigo, que
sorriem um para o outro. Os olhos deles chegam a brilhar quando se fitam,
confesso que estou feliz, principalmente por Hera, já que Morcego é um cara
que conhecemos há muito tempo e que sabemos do seu caráter integro.
— Nossa, que grande surpresa. — Vince finge uma cara ridícula e
exagerada de surpresa. — Estou chocado aqui, acredito que ninguém estava
esperando por esse anúncio, né? Preciso até de uma água com açúcar, levei um
baque.
— Já te mandei a merda hoje? — Hera rola os olhos.
— Só trezentas e trinta e seis vezes? Espera, trezentas e trinta e sete
vezes com essa?
— Vai se foder!
— Rael, pegue duas garrafas de champanhe na cristaleira de vidro para
brindarmos — tio Argus pede, enquanto observa a sua filha e o genro.
— Claro...
— Parabéns, meu amigo. — Levanto-me, indo até Ezequiel para puxá-lo
para um abraço. — Até os putos têm o seu merecido descanso.
Ele ri, batendo nas minhas costas.
— Logo é sua vez.
— Acho que não, eu gosto dessa minha vida solteira, sem arreios no pau.
— Como vocês são fofos e elegantes.
Hera se levanta para receber o meu abraço também.
— Parabéns, prima, espero que seja muito feliz, caso contrário, se esse
merda te fazer sofrer, castraremos ele e empalharemos o seu pênis para te dar de
presente.
— Assino em baixo.
— Eu também.
Vince e Rael fuzilam Morcego, concordando comigo. 
— Poupem-me.
Hera se afasta, ignorando-nos e indo até o Rael para ajudá-lo com as
taças.
— Que porra, acham mesmo que eu vou ter medo de vocês, depois de
enfrentar sozinho o Argus para pedir a sua única filha em casamentos? Com
todo o respeito, Sr. Calatrone.
— Com todo o respeito a família Calatrone, seu cretino — miro o dedo
na direção dele. — Somos a maior família de agiotas de Portugal, teve é sorte de
te deixarmos vivo.
— Muita sorte mesmo, seduziu a nossa priminha inocente e casta de 22
anos.
— Um ser inocente, que há três meses nem sabia o que era malícia.
— Pai, manda os seus queridos sobrinhos se jogarem do penhasco do
castelo, faça um favor à humanidade.
— Melhor brindarmos logo, pois tenho outros assuntos de trabalho para
tratar com o Hoss e o Rael.
— Droga, é hoje que eu não como mulher nenhuma — Rael resmunga,
virando sua bebida de uma vez para servir-se de outra.
Nosso tio se ergue do assento, com o seu semblante sério, fechado e
misterioso. Dificilmente, vemos um sorriso nos seus lábios. Acho que ele nem
sabe o que é sorrir. Está aí algo que coincide e somos bem parecidos, a vida nos
tomou o direito de sorrir.
Erguemo-nos para acompanhá-lo com as taças cheias.
— Hoje é um dia especial, onde oficialmente introduzimos outro
integrante à família Calatrone. Quero dizer que é bem-vindo, Ezequiel, como
sempre foi. Agora como pai, de sogro para genro, eu só te peço que faça a minha
filha muito feliz e que não a machuque, nem a faça sofrer, pois se isso acontecer,
com quem arcará unicamente com as suas consequências será comigo. E juro
que não terei piedade. — Tio Argus, em meio ao seu olhar nublado, até
descontraído, ergue a taça. — Um brinde aos noivos e à família!
Brindamos...
Dos dez mandamentos, o quinto é o que mais acreditamos, que
obedecemos. “Não matarás”. Não costumamos tirar a vida de ninguém com
frequência. Antes de o cliente querer fechar o empréstimo, deixamos a lei
dos Calatrone clara: se não tiver o que penhorar para garantir que quitará
a sua dívida, a sua vida ficará no lugar. E tenha certeza que cobramos. No
nosso negócio, não dá para fazer visitinhas e passar recados. Os devedores
que nos procuram sabem perfeitamente disso, não deviam nem pensar em
vacilar. Mesmo assim, alguns vacilam.
— Está feito?
Rael fecha a porta do carro e entrega-me uma bolsa preta.
— Foi só um dia de atraso.
— Pelo menos, aleijado eu teria deixado esse político filho da puta.
— Já cuidei disso.
— Cuidou?
— Sim, ele pagou, como sempre, é isso o que importa.
Assinto, observando-o dar partida no carro.
— Vou te deixar em casa com esse dinheiro e depois irei resolver
algo sozinho.
— Está acontecendo alguma coisa?
— Nada importante. E nada que você também já não tenha negado
ajuda.
— É aquela porra de roubo? Poupe meu tempo, vai arrumar uma
vadia para enterrar esse pedaço de cotonete que chama de pau.
— Pode ser com aquela mulher da nossa boate Fogo, que você vive
fodendo? Como é o nome dela mesmo? Espera… acho que é Ruiva. Estou
cer… — Antes dele terminar de falar, eu dou um soco na sua perna.
— Ai, caralho!
— Acelera esse carro.
— Não quer dirigir, amor?
— Rael, não me irrita.
Ele ri, ligando o som no último volume e pisando no acelerador.
Em casa, eu subo para o cofre e guardo o dinheiro em espécie.
Durante a semana, Morcego dará um jeito de colocar tudo em nossas
contas. Isso é trabalho dele.
Desço pelo elevador até a sala principal de visitas e encontro tio
Argus conversando em inglês com dois homens. Eles já estão no fim da
conversa, pois apertam as mãos e logo saem, despedindo-se satisfeitos.
— Quanto?
— 800 mil euros.
— Qual a garantia penhorada? Sabe que para um valor tão alto
precisamos nos garantir.
— Eu gosto disso em você, Hoss, sempre atento e cuidadoso.
— Não quero perder mais de dois milhões de novo.
— Não se preocupe, ficou penhorada uma casa no centro de Lisboa,
deixaram a escritura. — Ele ergue a pasta cinza. — Em três semanas, eles
nos pagarão, caso não paguem, sabe como funciona a lei dos Calatrone.
Concordo, nervoso e estressado. Estou assim desde cedo, nada me
fez mudar esse humor.
— O que lhe perturba, sobrinho? Aceita um conhaque?
— Isis quer que eu a veja — enfim, revelo o que está me enlouquecendo,
aceitando o copo que me ofereceu.
— Assume a sua filha.
— Não é minha filha, aquela mulher vivia dando para nossos
inimigos!
— Não a culpe, ela não está mais aqui para se defender. E essa
menina vai crescer abandonada, órfã de mãe e de pai. Por isso, vá até Isis e
diga que irá comprovar a paternidade da criança.
— Não é minha filha, porra! — esbravejo puto, quase chutando o
vaso ao lado do aparador.
Não aceito que seja! Não suporto conviver com essa possibilidade!
— Família sempre foi um tema importante para nós, Hoss.
Desconheço o seu comportamento. A menina é a sua cara, tem os seus
olhos, os seus traços. Veja-a uma vez na vida. Ainda para não haver mais
dúvidas, faça um teste de DNA.
— Vindo daquela mulher, eu não quero nada, nem essa filha, sendo
minha ou não!
Irritado, eu coloco o copo no aparador, viro as costas e retiro-me em
passos duros, sem parar de pensar nessa criança, na morte da Olivia e em
como eu estou enlouquecendo a cada dia mais.
Que porra, isso é culpa? Remorso? É o quê, Deus? Vai mandar mais
alguma coisa para foder a minha cabeça? Então manda, inferno, manda que
eu taco o foda-se!
Viro no corredor do castelo, vendo um monte de caixas empilhadas,
além de vasos de flores e painéis. Abaixo propositalmente a cabeça, sem
crer na bagunça do salão. Passo reto, na intenção de chegar na sala de jogos.
Quando chego na sala, Vince, Morcego e Igor, um dos nossos cobradores,
estão na mesa de bilhar, xingando um ao outro.
— Você mexeu a bola branca! Perdeu a tacada!
— Se refere a do meu saco? Acho que dei uma coçadinha aqui.
— Eu vou enfiar esse taco na sua bunda, Vince! — Igor berra.
— Calma, rapazes, vamos reiniciar a partida — Morcego aconselha,
segurando o riso de prazer por vê-los quase se matando.
Eleestá sentado no sofá. Eu chego perto e acomodo-me ao seu lado.
Sem dizer nada, meu amigo pega uma cerveja gelada do cooler e entrega-
me, observando-me.
— Viu a bagunça no salão? É a Hera organizando a decoração do
nosso casamento.
— Vi e passei reto.
— Está trapaceando, não é possível encaçapar todas assim! — Vince
esbraveja e chama a nossa atenção.
— Se me atrapalhar, eu vou cumprir a minha palavra de enfiar esse
taco no meio da sua bunda. 
— Cadê o Rael? — Morcego questiona.
— Depois de cobrarmos o político, ele me deixou em casa — é só o
que eu digo e viro a minha cerveja.
— Está tudo bem com você?
— “Isis” já explica alguma coisa?
— Bom, explica muita coisa. É sobre a criança?
— Se for para dizer que eu devo procurá-la, melhor não dizer nada.
— Por mais que eu entenda o seu ódio, o seu desgosto pelo passado
com a Olivia, a garotinha não tem culpa, Hoss.
— Ela era uma traíra!
Ezequiel aperta o meu braço.
— Não alimente essa fúria cada dia mais, esse não é você, meu
amigo.
— E quem sou eu? — pergunto cansado. 
— Você é um homem bom, de coração limpo e justo. Às vezes,
explosivo, sem paciência, mas vamos citar só qualidades para levantar esse
seu astral.
Balanço a cabeça para ele, escutando cada vez mais alto a briga
entre Vince e Igor, que estão quase quebrando os tacos um na cabeça do
outro.
— E você é um puto, Ezequiel, que me traiu, fodendo escondido a
minha prima. Não sei como poupamos a sua vida. Perdi um amigo de
puteiro.
— É, perdeu mesmo, não tenho olhos para nenhuma outra mulher.
Hera me pegou de jeito com aqueles cabelos castanhos, pele negra, sorriso
rebelde e um traseiro que… — Dou um soco na costela dele, calando-o. —
Ai, infeliz!
— Desgraçado, foi isso o que você disse para o tio Argus, enquanto
pedia a filhinha protegida dele em noivado?
— Nem louco, antes de enfrentar o Argus, eu demorei quatro
semanas para escrever um discurso convincente e respeitoso. Só os olhos
daquele homem causam tremores, acho que você e o Rael são os únicos que
se igualam a ele.
— Ele vai adorar saber o quanto é brochante.
— Quem é brochante?! O Vince, esse filho da puta? — Igor vem
puto até nós, ao lado de Vince, que está rindo à toa, sem parar.
— O circo abriu cedo — implico, recebendo, como resposta, uma
infantil demonstração de língua.
— Não tente ser debochado, você não está no seu lugar de fala,
maninho.
— Sabe a sua diferença com aqueles tacos de bilhar ali, Vince? É
que eles são mais grossos do que o seu pau! 
— Por acaso, já viu ele? Aceita que é perdedor, meu amigo. Seja
humilde.
Igor bufa, pega uma cerveja do cooler e senta no outro sofá.
— Lembrem-me de nunca mais jogar nada com esse polaco azedo.
— Ou com toda a família Calatrone, eles são tão competitivos que
dá vontade de meter uma bala nas suas testas — Morcego fala, olhando-me
e sabendo que eu o humilho em tudo, sem maiores dificuldades. — Claro,
tirando a minha querida Hera.
— Ah, vai a merda, seu bobão apaixonado. — Vince rola os olhos.
— Deus me livre de um dia ter as minhas bolas amarradas por uma única
boceta assim. 
— Você tem 25 anos, sabe nem o que é foder uma mulher direito.
— Repete isso de novo que eu mando a nossa querida cozinheira
preparar um prato com rodenticida [1]para você!
— Hoss, cala a boca desse animalzinho de estimação.
— Eii, rapazes! — De repente, Hera aparece na enorme porta da
nossa sala de jogos e rouba a nossa total atenção para ela. — Levantem a
bunda desse sofá e venham nos ajudar a descer quinze vasos de arranjos de
flores pela escada. Isso é trabalho braçal demais para três damas. E andem
logo, estarei aguardando! — Depois de passar o seu “recado”, ela vira as
costas e sai desfilando sobre os saltos barulhentos.
Olhamo-nos, com caras de tacho e de entediados.
— Eu não vou!
— Nem eu! — Vince concorda com o Igor e os dois brindam a
cerveja, como se há poucos segundos não quisessem cortar um a cabeça do
outro.
Filhos da puta.
E sobra para quem?
Eu e Morcego, que levanta resmungando palavrões.
Antes de seguirmos para o trabalho, eu e a minha irmã Lupita
paramos numa cafeteria para comermos. Acordamos rapidamente,
arrumando-nos e saindo de casa sem colocar nada no estômago. Isso tudo
por medo de chegarmos atrasadas. Agora veja, são 07h30 ainda, dá para
tomar umas dez xícaras de café quentinho até 08h.
— Estou tão ansiosa para conhecer o castelo onde essa mulher
reside. Ela deve ser podre de rica, milionária.
— E é mesmo, ela escolheu tudo do mais caro e do mais luxuoso
para a decoração do seu casamento. Literalmente, tudo! Não tive
orçamento, não tive aquele sufoco para escolher as coisas baseada no mais
barato. Está sendo maravilhoso. Hoje vamos ter só uma ideia de espaço,
para ver se meu planejamento está perfeito. Na semana que vem, já vou
acionar toda a equipe de montagem.
— Nossa! Ainda bem que pegou esse trabalho bem no meio das
minhas férias, quero ficar por dentro de tudo.
Sorrio, imensamente feliz por ter a minha irmã comigo. Ela é
auxiliar de esteticista, raramente temos tempo de ficar juntas. Desde que
saímos há cinco anos do Brasil e viemos morar em Portugal, é assim, uma
correria para trabalhar e pagar as contas. Graças a Deus que o meu trabalho
como decoradora de casamentos está nos rendendo um ótimo dinheiro,
estou crescendo em minhas redes sociais, sendo reconhecida e recomendada
na cidade. E só tenho a agradecer a Deus por isso.
Eu e Lupita terminamos de comer o café na padaria e seguimos para
a casa da Srta. Hera, reformulando, castelo! Sim, ela mora num castelo
moderno, que saiu de um conto de fadas. Deve ter uns quinze quartos nesse
monumento de pedras. É a terceira vez que eu venho aqui e não consigo
acostumar os meus olhos com tanta beleza — desde os vastos campos
verdes e os jardins bem cuidados.
— Elena, estou suando frio — Lupita diz, devido aos três homens
que estão de vigia no portão. Informando meu nome, eles me liberaram sem
pestanejar.
— Fiquei assim na primeira vez que vim.
— Será que não tem um rei nesse castelo, não? Para ter tantos
homens assim naquele portão enorme, todo preto. Ah! Meu pai amado! —
Ela abre a boca, quando estaciono o carro na fachada luxuosa da frente.
— É sem igual, né? Até difícil de descrever.
— Nunca vi nada tão esplendoroso. 
A porta de entrada deles é aquela gigantesca, que pega lá do topo até
abaixo, foram feitas para passarem girafas e dinossauros, só pode.
Eu e a minha irmã vamos até a escada de chão, subimos chiques,
elegantes, empinadas, devido a sandália de salto, e paramos bem no deck.
— Estou com cara de pobre? — pergunto, limpando o dente com o
dedo para tirar qualquer mancha de batom.
— Eu sempre estou, gente rica não tem essas olheiras em volta dos
olhos. E nem tem mancha de café no vestido.
— Já não te pedi desculpa, Lupita? Foi sem querer.
— Mas, sou ressentida.
Reviro os olhos.
Espirrei café no vestido da minha irmã após ter uma crise de riso
incontrolável na padaria. É meu grande defeito, rir igual uma porca, ainda
cuspideira. Quem me vê até pensa que eu sou o sinônimo de boas maneiras.
Eu aperto a campainha e aguardo o mordomo português abrir a
porta. Ao abrir, ele diz o meu nome e pede educadamente para que
possamos entrar no enorme hall de entrada, com estátuas, vasos de plantas e
quadros. Tudo muito moderno.
— Vou levá-las até o salão principal, a Srta. Hera já as aguarda, por
favor. — Ele aponta a direção do corredor chique para acompanhá-lo.
Lupita vai animada, tropeçando nos saltos. Ela não sabe para onde
olhar, até parece eu na primeira visita a este lugar incrível. É tudo muito
comprido e longe, então leva alguns minutos parar chegarmos no nosso
destino.
— Elena!
Hera me vê e acena sorridente, exibindo a sua beleza de cabelos
cacheados, estrutura alta, pele negra brilhosa e um corpão de dar inveja.
Depois de analisá-la, eu observo o salão de festas do castelo, já com
todos os móveis de decoração que encomendamos esse mês. Agora só vai
faltar na semana que vem a equipe, para organizar as coisas sobre as minhas
ordens e supervisão.
— Bom dia, Srta. Hera.
— Já disse,

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