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A assistência à saúde nos EUA H EA LT H CA RE M A N AG EM EN T FO R EX EC U TI V ES - H CA 53 2 - 1 .1 Must University/2018 A assistência à saúde nos EUA • 2/13 Objetivos de Aprendizagem • Compreender o panorama da assistência à saúde nos EUA; • Identificar como o governo oferece acesso à saúde da população; • Entender a estrutura dos planos de saúde. A assistência à saúde nos EUA Conteúdo organizado por Tamara Martins Vanini do livro Essentials of Managed Health Care, Sixth Edition de Peter R. Kongstvedt, 2012. https://player.vimeo.com/video/735874106 A assistência à saúde nos EUA • 3/13 Introdução O sistema de saúde nos Estados Unidos evolui continuamente. Sobre esse tema, sabe-se que a mudança é a única constante. Desde a aprovação da Lei de Proteção e Cuidado ao Paciente (ACA – Affordable Care Act), o sistema de saúde americano enfrenta uma mudança mais significativa do que em qualquer outra época desde a aprovação do Medicare e do Medicaid durante a década de 1960. A assistência à saúde nos EUA: Medicare e Medicaid Nos EUA, operam sistemas de saúde exclusivamente públicos, outros mistos e privados. Em relação aos sistemas públicos, os dois maiores são o Medicaid e o Medicare. Assim, aos idosos é proposto o Medicare, um sistema de seguro social criado em 1965, bancado pelo governo federal, que oferece assistência à saúde da população acima de 65 anos, bem como para pessoas abaixo de 65 anos com alguma deficiência e aqueles de qualquer idade com insuficiência renal crônica. O Medicare inclui seguro hospitalar, seguro médico e cobertura de determinados medicamentos. Com relação ao Medicaid, o foco de atenção à saúde está voltado para pessoas e famílias de baixa renda. Trata-se de um seguro administrado pelo Estado que deve prestar assistência à saúde de cidadãos americanos ou cidadãos com visto permanente de residência nos EUA, o qual inclui adultos de baixa renda, seus filhos e portadores de deficiência. Unidade 1 - Tema 1 HEALTHCARE —MANAGEMENT FOR EXECUTIVE https://player.vimeo.com/video/735874272 A assistência privativa Em relação à assistência à saúde nos EUA, pode-se entender que muitos cidadãos que não se enquadram nas condições do Medicare e Medicaid fazem uso de planos de saúde particulares. Assim, uma vez que há diversos planos ofertados, estes se distinguem com relação à forma como são feitos os atendimentos, os valores de franquia, a coparticipação e as coberturas. Em geral, o plano de saúde é ofertado pelas empresas nas quais os cidadãos trabalham. Contudo, ainda há a opção de o cidadão contratar diretamente um plano privado, o que deve envolver um custo mais elevado. As empresas oferecem como benefício um plano de saúde aos seus funcionários, contudo é importante ressaltar que elas pré-selecionam planos com uma ou mais empresas de seguro-saúde. Nesse contexto, o funcionário poderá escolher entre os planos que elas contrataram. Algumas empresas podem oferecer variações de um plano do mesmo tipo mudando apenas valores de cobertura, e outras empresas podem oferecer vários tipos de planos e coberturas (alguns dos quais podem ser de seguradoras diferentes). Assim, como parte dos benefícios aos funcionários, as empresas em geral devem pagar uma parte do plano; e o funcionário, a outra parte, ou, em determinados casos, a empresa pode pagar todo o plano. No box seguinte é possível entender melhor a assistência privativa através dos tipos de planos: A assistência à saúde nos EUA • 5/13 Organização de manutenção da saúde (HMO – Health Maintenance Organization): Refere-se a um tipo de cobertura que inclui acesso a um clínico geral, atendimento de emergência, especialização e hospitalização quando necessário. Além disso, para a “HMO”, o paciente deve passar primeiramente por consulta com um médico clínico denominado “primary care physician” (médico de atenção primária), para então ser encaminhado para um médico especialista. Em HMO, há uma pequena contribuição de pagamento para cada consulta. Organização Provedora Exclusiva (EPO – Exclusive Provider Organization): A EPO usa uma rede conveniada de médicos, hospitais e fornecedores de médicos especializados. Neste caso, o paciente pode ir direto ao especialista conveniado, sem passar antes por um clínico geral. Organização Provedora Preferida (PPO – Preferred Provider Organization): Trata-se de uma organização de cuidados gerenciados de médicos, hospitais e outros profissionais de saúde que atuam com uma seguradora ou um administrador terceirizado para fornecer cuidados de saúde a preços reduzidos aos clientes. Na PPO, o paciente pode marcar uma consulta com um especialista diretamente, razão pela qual não precisará passar por um médico clínico geral antes. Na PPO, o paciente deverá pagar uma pequena quantia em atendimentos realizados por médicos “in-network” (aqueles dentro da cobertura do plano) ou pagar um valor maior nos atendimentos de médicos “out-of-network” (aqueles fora da cobertura do plano). Point Of Service (POS): Combina características da Organização de Manutenção de Saúde (HMO – Health Maintenance Organization) e a Organização Provedora Preferida (PPO – Preferred Provider Organization). O POS oferece uma favorável combinação de benefícios e o paciente consulta um clínico geral que o encaminha para especialistas conveniados. A assistência à saúde nos EUA • 6/13 Além disso, para maior compreensão de como funcionam os planos de saúde nos EUA, é fundamental ter conhecimento sobre: plano “premium”, “deductible”, “co-pay”, “co-insurance” e “out-of-pocket maximum”: • Premium: refere-se ao valor mensal que o cidadão segurado paga pela contratação do plano. Nos casos de planos empresariais, ele todo ou parte dele será pago pela empresa. • Deductible: trata-se de um valor de franquia de seguro. Neste caso, para que a seguradora comece a cobrir total ou parcialmente as despesas, o segurado precisará pagar o valor total dessa franquia com serviços de saúde. Por exemplo: para uma franquia de U$ 3.000,00, o segurado deverá arcar com despesas de saúde até esse valor ao longo do ano e, ao atingir o valor da franquia, a seguradora deverá arcar com os demais custos. • Co-pay: o “co-pay” representa a quantidade fixa que se paga por consultas médicas. Por exemplo: valor de U$ 30,00 por consulta. • Co-insurance: neste caso, depois que se paga o valor da franquia, o seguro normalmente não vai pagar todas as demais despesas; ou seja, o segurado será responsável por arcar com uma porcentagem dessas demais despesas. Assim, “co-insurance” refere-se à porcentagem fixa que o segurado paga sobre o custo do tratamento médico depois de atingido o valor da franquia (deductible). • Out-of-pocket maximum: refere-se à quantia máxima que o segurado deverá pagar em um determinado ano. Podemos incluir os valores máximos a serem pagos no “deductible”, “co-pay” e “co-insurance”. Trata-se do limite que o segurado vai gastar dentro de sua franquia. Em resumo Ao longo dos estudos deste primeiro tema, foi possível observar que o sistema de saúde americano é bastante complexo, razão pela qual é importante que as distinções entre os diferentes tipos de assistência à saúde sejam compreendidas. A assistência à saúde nos EUA • 7/13 Por fim, pode-se concluir que diversas mudanças na assistência à saúde ocorreram ao longo dos anos até a atualidade e que, certamente, os princípios básicos dos cuidados de saúde continuarão a evoluir no ritmo das exigências e necessidades da população, do mercado e de acordo com regulamentações do governo. Aplicação prática Para maior aprofundamento no tema, vamos abordar na prática o contexto geral da saúde nos EUA. Observa-se que os planos públicos são direcionados a uma população específica. Nesse sentido, a população que não se enquadra nas características para assistência à saúde pelo Medicare e Medicaid, por exemplo, procura por empresas privadas para contratação de planos desaúde. É possível relacionar, no entanto, a grande influência da economia à busca da população pela assistência à saúde. Nesse contexto, em momentos em que as condições econômicas melhoram, as pessoas têm mais renda disponível (e, consequentemente, acesso à cobertura de seguro), que pode ser usada para obter os serviços de saúde. Entretanto, em momentos de crise econômica, poderá haver uma redução de renda disponível, diminuindo gastos investidos em saúde pela população. Além disso, como visto anteriormente, nos EUA a maioria dos seguros de saúde para pessoas com menos de 65 anos é fornecida pelos seus empregadores. Por essa razão, nos momentos de crise e desemprego, as pessoas que perderam seus empregos acabam perdendo também o próprio plano de saúde e o de sua família. Tal situação deve abalar fortemente as organizações em cuidados de saúde. A assistência à saúde nos EUA • 8/13 Saiba Mais O Affordable Care Act (ACA) influenciou grandemente a cobertura de seguro de saúde nos Estados Unidos. Estudos têm demonstrado que o ACA reduziu a desigualdade relacionada à cobertura de seguro de saúde, particularmente, como resultado da expansão da cobertura do Medicaid. Saiba mais sobre o assunto por meio do artigo “The Affordable Care Act Reduced Income Inequality In The US”, disponível no link: https://www.healthaffairs.org/doi/ epdf/10.1377/hlthaff.2019.00931. Para aprofundar seus estudos sobre o tema, leia os capítulos 1 e 2 do livro “Essentials of Managed Health Care, de Peter R. Kongstved. https://www.healthaffairs.org/doi/epdf/10.1377/hlthaff.2019.00931 A assistência à saúde nos EUA • 8/13 Para aprofundar seus estudos sobre o tema, leia os capítulos 1 e 2 do livro “Essentials of Managed Health Care, de Peter R. Kongstved.Na ponta da língua https://player.vimeo.com/video/735874492 Referências Bibliográficas Kongstvedt, P.R. (2012). Essentials of managed health care. Burlington: Jones and Bartlett Learning, 6. ed. Ledlow, G.R., Corry, A.P. & CWIEK, M.A. (2007). Optimizeyour healthcare supply chain performance. Chicago: Health Administration Press. White, K.R. & Griffith, J.R. (2015). The well-managed healthcare organization. Chicago: Health Administration Pressed. A assistência à saúde nos EUA • 13/13 Você pode acessar o livro base deste tema na Biblioteca Lirn: Essentials of Managed Health Care, Sixth Edition Peter R. Kongstvedt Jones and Bartlett Learning © 2012 Im ag en s: Sh utt er st oc k Gestão da assistência à saúde H EA LT H CA RE M A N AG EM EN T FO R EX EC U TI V ES - H CA 53 2 - 1 .2 Must University/2018 Gestão da assistência à saúde • 2/14 Objetivos de Aprendizagem • Compreender a importância e a particularidade dos gestores dos planos de assistência à saúde; • Identificar a importância dos conselhos administrativos; • Entender os principais “gestores-chaves”. Gestão da assistência à saúde Conteúdo organizado por Tamara Martins Vanini do livro Essentials of Managed Health Care, Sixth Edition de Peter R. Kongstvedt, 2012. https://player.vimeo.com/video/735874589 Gestão da assistência à saúde • 3/14Introdução No contexto da assistência à saúde, que engloba os planos de saúde nos EUA, em geral, não há padronização da governança de gestão ou estruturas de controle. Para exemplificar essa afirmativa, é possível citar a função, ou mesmo a própria presença, de um conselho de administração que pode variar de um plano de saúde para outro. Além disso, cada plano de saúde constrói sua própria estrutura de gerenciamento para atender às suas necessidades e aos requisitos normativos. A função dos principais executivos ou gestores, bem como dos comitês administrativos, também varia, dependendo, por exemplo, do tipo de organização em questão. Conselho administrativo Muitos dos planos de assistência gerenciada, embora não todos os tipos, têm um conselho de administração. Embora muitos fatores possam influenciar a composição e a função do conselho, este tem a responsabilidade final pela governança da operação. Além disso, dentre as responsabilidades legais do conselho, estão a revisão de relatórios e assinatura de documentos. Os conselhos também são exigidos pelas leis estaduais para a maioria dos tipos de corporações, incluindo companhias de seguros e Organizações de Manutenção da Saúde (HMOs). Nas HMOs e em muitos outros tipos de planos de cuidados gerenciados, o conselho também tem uma responsabilidade especial pela supervisão do programa de gestão da qualidade (QM - quality management) e pela qualidade do atendimento prestado. Por fim, os conselhos podem formar comitês para assumir determinadas funções, tais como: • Comitê executivo - oferecer acesso rápido à tomada de decisões e a discussões confidenciais; • Comitê de remuneração - definir diretrizes gerais de remuneração, incluindo a remuneração do CEO; • Comitê de finanças ou comitê de auditoria - revisar os resultados financeiros, aprovar orçamentos, definir e aprovar gastos, revisar a auditoria anual, etc.; • Comitê de gestão da qualidade (QM). Gestores-chaves – “key managers” Diretor executivo (CEO – chief executive officer) A maioria dos planos de saúde tem pelo menos um gestor principal (“key manager”). A denominação dada a esse gestor – CEO, diretor executivo, gerente geral ou gerente de plano – dependerá do tipo de plano, sua organização legal, sua linha de negócios, sua complexidade, se ele é independente ou um satélite de outra operação etc. https://player.vimeo.com/video/735874764 Gestão da assistência à saúde • 5/14 Em um plano de saúde autônomo, esse indivíduo é o CEO, com autoridades e responsabilidades significativas. Na maioria dos casos, como o de um plano de saúde que é o subsidiário de uma empresa maior, esse “gestor-chave” será muitas vezes chamado de diretor executivo. O diretor executivo é responsável pelas operações administrativas gerais e pelos assuntos públicos. Além disso, ele também é normalmente responsável por todos os aspectos operacionais do plano. Contudo, nos casos das organizações subsidiárias de empresas maiores, algumas vezes o reporte deve acontecer em uma estrutura hierárquica regional; ou seja, nesses casos o reporte não se restringiria aos gestores locais. Entretanto, ainda são poucas as empresas que apresentam essa característica, com base na qual uma de suas áreas responde verticalmente aos gestores regionais, em vez de todas as operações serem coordenadas em nível local por um único gestor. Por fim, em planos autônomos, como HMO tradicional, o CEO é responsável por todas as áreas. Os demais diretores e principais gestores se reportam ao CEO, que por sua vez se reporta ao conselho (ou a um gestor regional no caso de empresas nacionais que têm subsidiárias de HMO relativamente autônomas). Gestão da assistência à saúde • 6/14 Diretor médico/diretor médico chefe (medical director/chief medical officer) Praticamente todos os planos de cuidados gerenciados têm um “diretor médico” ou um “diretor médico chefe”. Esse diretor pode ser um gestor em tempo integral ou um médico da comunidade que atua algumas horas por semana de acordo com as necessidades do plano. Em planos menores ou independentes ou “IDSs” (integrated delivery systems), o diretor médico se reporta ao CEO. Em empresas regionais ou nacionais, esse profissional pode se reportar a um diretor executivo. O “diretor médico chefe” geralmente é responsável pela gestão da qualidade (QM), gestão de utilização (UM – utilization management) e políticas médicas. Apenas os menores planos ou “IDSs” de atendimento gerenciado têm apenas um diretor médico para executar todas essas responsabilidades. Os planos locais ou regionais menores geralmente têm um diretor médico e vários diretores médicos associados; por sua vez, nos grandes planos locais ou regionais, um diretor médico sênior se responsabiliza por muitos outros diretores médicos (esses últimos sãoresponsáveis por funções específicas, como a gestão de utilização, gestão da qualidade, gerenciamento de doenças, etc.). Saiba Mais Conceito importante: Integrated delivery system (IDS): de acordo com Kongstvedt (2012, [s.p.], tradução nossa), “IDS representa um sistema organizado de prestadores de cuidados de saúde que abrange uma ampla gama de serviços de saúde. Embora não haja uma definição clara de IDS, este deve ser capaz de acessar o mercado em uma base ampla, otimizar custos e resultados clínicos, gerenciar uma gama completa de acordos financeiros para fornecer um conjunto de benefícios definidos para uma população definida, alinhar os incentivos financeiros dos participantes (incluindo os médicos) e operar sob uma estrutura de gestão coesa”. Gestão da assistência à saúde • 7/14 Diretor financeiro/diretor financeiro chefe (finance director/chief financial officer) É comum ter um diretor financeiro ou diretor financeiro chefe (CFO) tanto em planos independentes como em grandes operações. Esse gestor é geralmente responsável pela supervisão de todas as operações financeiras e contábeis, pelos relatórios fiscais e pela preparação do orçamento. Em planos pequenos ou independentes, esta posição profissional reporta ao CEO. Em planos maiores, pode reportar verticalmente, por exemplo, a um gestor regional. Diretor de marketing Cabe ao diretor de marketing a responsabilidade de comercializar o plano. No escopo de sua função pode-se incluir supervisão de representantes de marketing, estratégia de mercado, publicidade e relações com clientes. Nos casos de planos pequenos ou independentes, o diretor de marketing reporta ao CEO. Em planos maiores, pode reportar verticalmente a um gestor regional, por exemplo. Diretor de operações O diretor de operações está presente, em geral, em planos maiores. Cabe ao diretor de operações monitorar todo o funcionamento operacional, ou seja, desenvolver o planejamento estratégico e econômico-financeiro, planejar o investimento empresarial, monitorar e implementar políticas, processos e procedimentos da organização, analisar e aprimorar o projeto de negócios. Em pequenos planos, a função de tecnologia da informação (TI) também pode ser supervisionada pelo diretor de operações. Diretor de TI (tecnologia da informação)/diretor de tecnologia (chief information officer) Este gestor é responsável por todos os sistemas de TI, como hardwares e softwares dos computadores e, frequentemente, por outros sistemas de suporte de tecnologia, como as telecomunicações. Gestão da assistência à saúde • 8/14 Em resumo Pode-se dizer que, com a consolidação do mercado da indústria de saúde gerenciada, as funções de controle de gestão e governança que eram rotineiras em planos de saúde independentes agora se tornaram mais verticais em muitas dessas organizações, reunindo-se não no nível local, mas sim no nível de funcionários regionais ou corporativos. Por fim, no contexto apresentado, é possível compreender que as funções dos principais executivos, gestores ou comitês se diferem de um plano para outro. Por essa razão, não há padronização da governança de gestão ou estruturas de controle. Aplicação prática Para aprofundamento do tema, é preciso ressaltar que, na prática, os planos de saúde devem atender aos desejos e às expectativas de seus clientes (indivíduos, empregadores ou sindicatos). Além disso, cabe aos gestores a responsabilidade de responder aos reguladores estaduais e federais. Leis e regulamentos estaduais podem exigir certas estruturas de governança. Nesse contexto, é muito mais provável que o controle de gestão em empresas americanas de assistência à saúde seja exercido em nível nacional ou regional do que em nível local. Por fim, não existe exatamente uma padronização da governança e da gestão para todos os planos de saúde, desde que eles trabalhem uma estrutura necessária e adequada aos serviços que ofertam, além de responder apropriadamente às exigências governamentais. Gestão da assistência à saúde • 9/14 Saiba Mais Para aprofundar seus estudos sobre o assunto do tema, leia o Capítulo 3 do livro Essentials of Managed Health Care, de Peter R. Kongstvedt. Saiba mais sobre os gestores-chave dos planos de saúde e organizações por meio do link: https://www.indeed.com/career- advice/finding-a-job/ceo-vs-cfo-vs-coo. Acesso em: 16 de agosto de 2022. Na ponta da língua https://player.vimeo.com/video/735875086 https://www.indeed.com/career-advice/finding-a-job/ceo-vs-cfo-vs-coo Referências Bibliográficas Kongstvedt, P.R. (2012). Essentials of managed health care. Burlington: Jones and Bartlett Learning, 6. ed. Ledlow, G.R., Corry, A.P. & CWIEK, M.A. (2007). Optimizeyour healthcare supply chain performance. Chicago: Health Administration Press. White, K.R. & Griffith, J.R. (2015). The well-managed healthcare organization. Chicago: Health Administration Pressed. Gestão da assistência à saúde • 14/14 Im ag en s: Sh utt er st oc k Você pode acessar o livro base deste tema na Biblioteca Lirn: Essentials of Managed Health Care, Sixth Edition Peter R. Kongstvedt Jones and Bartlett Learning © 2012 Redes de fornecedores H EA LT H CA RE M A N AG EM EN T FO R EX EC U TI V ES - H CA 53 2 - 1 .3 Must University/2018 Redes de fornecedores • 2/14 Objetivos de Aprendizagem • Entender a importância da rede de fornecedores na assistência à saúde americana; • Identificar a função de alguns profissionais pertencentes à rede de fornecedores; • Compreender qual rede de fornecedores não segue um padrão entre os planos de saúde. Redes de fornecedores Conteúdo organizado por Tamara Martins Vanini do livro Essentials of Managed Health Care, Sixth Edition de Peter R. Kongstvedt, 2012. https://player.vimeo.com/video/735875205 Introdução A base para o funcionamento de qualquer plano de saúde gerenciado envolve a rede de provedores, que é composta por médicos contratados, hospitais e sistemas de saúde, profissionais não médicos, serviços e instalações auxiliares e terapêuticas, além de qualquer outro provedor de cuidados de atenção à saúde. Gestão de contratos É possível entender que uma típica organização de assistência à saúde de portes médio ou grande pode ter diversos contratos de provedores. Se engloba diferentes tipos de modelos de assistência, como HMO, POS e PPO, a organização pode ter contratos diferentes para cada produto ou um contrato principal com diferentes anexos para cada produto. É importante ressaltar que, embora os contratos possam mudar ao longo do tempo, as versões anteriores devem ser mantidas para evitar eventuais casos de litígios, resguardando, assim, à organização o contrato vigente em um determinado período. Além disso, entre outras mudanças comuns que um pagador deve acompanhar nos contratos estão as de endereço ou de informações de contato do provedor, as de registros de médicos que estejam ingressando ou deixando uma clínica etc. Por fim, informações de credenciamento, como o status do licenciamento, a certificação do conselho e outros, devem ser rastreadas e gerenciadas de acordo com os padrões de credenciamento estabelecidos para esse tipo específico de plano. Sistemas de gerenciamento de contratos Atualmente, para o gerenciamento de contratos, muitos pagadores utilizam um software chamado de “sistema de gerenciamento de contratos” (CMS - contract management system). Um recurso de CMS é frequentemente incluído no principal sistema de tecnologia da informação (IT - Information technology) da organização. Terceirização e manutenção de rede Em geral, era muito comum que todos os planos de saúde executassem funções de recrutamento, contratação e manutenção de rede usando seu próprio pessoal. Embora ainda não seja uma prática comum, a terceirização vem aumentando lentamente nos últimos anos, fato que tem ocorrido como tentativa de reduzir custos, uma vez que eram administrados gastos crescentespor conta da taxa de sinistralidade médica na Lei de Proteção e Cuidado ao Paciente (ACA), o que levou os pagadores a olharem alternativas diversas para a redução de custos, entre as quais se inclui a terceirização. ALTHCARE MANAGEMENT ^^FOR EXECUTIVE Unidade 1 - Tema 3 https://player.vimeo.com/video/735875467 Redes de fornecedores • 5/14 Médicos e outros profissionais Médicos de atenção primária (PCPs - primary care physicians) e médicos de cuidados especializados (SCPs - specialty care physicians) A maioria das organizações de cuidados gerenciados divide a rede de médicos em PCPs, que são os médicos de atenção primária (ou de cuidados primários), e SCPs, que são os médicos responsáveis por cuidados especializados. Em praticamente todos os sistemas, os médicos especializados em prática familiar, medicina interna e pediatria são considerados PCPs. Para HMOs tradicionais, a distinção entre a designação de PCP e a designação de SCP é muito importante no que diz respeito à maneira pela qual os serviços de especialidade são autorizados e pagos. Em uma HMO tradicional o PCP atua como o coordenador de cuidados e deve autorizar qualquer visita a um especialista, ou seja, o acesso aos cuidados de saúde deve começar a partir do PCP para que, posteriormente, esse profissional encaminhe o paciente a um médico especialista, SCP. Contudo, muitos planos fornecem acesso aberto, ou seja, não exigem que um paciente receba autorização de seu PCP para consultar um especialista. Redes de fornecedores • 6/14 Médicos de hospitais (HBP – hospital-based physician) Em geral os HBPs se enquadram em uma das cinco especialidades: radiologia; anestesiologia; patologia; emergência; e o médico especializado no tratamento de pacientes hospitalizados (denominado “hospitalist”). Não médicos (NPCs – nonphysician clinicians) Entre os profissionais não médicos (NPCs) estão: médicos assistentes (PAs – physician assistants) e enfermeiros clínicos (NPs – nurse practitioners). Dentro do escopo dos NPs, podemos citar diferentes focos de atuação e treinamento, como os enfermeiros de prática avançada com registro/licença (APRNs – advanced practice registered nurses), enfermeiros obstétricos (NMs – nurse-midwives), enfermeiros anestesistas (NAs – nurse anesthetists) e enfermeiros clínicos especialistas (CNSs – clinical nurse specialists). Além disso, dentro do contexto dos NPCs, pode-se incluir profissionais como: psicólogos e farmacêuticos. Atualmente nos EUA, há uma crescente expansão desses profissionais atuantes na atenção primária. Assim, em alguns estados americanos, os NPs podem praticar a assistência primária de forma independente, ou seja, sem envolvimento médico, enquanto outros estados exigem a prática dos NPs em colaboração com médicos ou, em alguns estados, sob supervisão do médico. Provedores/fornecedores de saúde mental Há uma grande variedade de profissionais que fornecem serviços de saúde mental e dependência química. Muitos praticam de forma independente e podem estar sob um contrato direto com um pagador, enquanto outros prestam serviços como funcionários de uma organização que tem o contrato com o plano de saúde. Dentre os profissionais de assistência à saúde mental estão os médicos psiquiatras, além dos não médicos citados a seguir, de acordo com Kongstvedt (2012, [s.p.], tradução nossa): • Psicólogo: tem doutorado em psicologia (PhD, PsyD ou EdD) de um programa de doutorado credenciado e 2 anos de experiência profissional supervisionada; Redes de fornecedores • 7/14 • Assistente social clínico licenciado (LCSW – licensed clinical social worker): um conselheiro com um mestrado em trabalho social de um programa de pós-graduação credenciado; • Conselheiro profissional licenciado (LPC – licensed professional counselor): um conselheiro com um mestrado em psicologia, em aconselhamento ou em um campo relacionado; • Conselheiro de abuso de álcool e drogas com certificação: conselheiro com treinamento clínico específico em abuso de álcool e drogas e aconselhamento individual e em grupo; • Enfermeiro psiquiátrico ou enfermeiro psicoterapeuta: enfermeiro com especialização em enfermagem psiquiátrica e de saúde mental; em muitos estados dos EUA, ele também pode prescrever medicamentos psiquiátricos; • Terapeuta conjugal e familiar: conselheiro com mestrado e treinamento especial em terapia conjugal e familiar. Outros profissionais Outros tipos de profissionais também são normalmente encontrados na rede de um plano de saúde, embora exista considerável variação de plano para plano e de estado para estado. Assim, podemos citar profissionais como: podólogos, dentistas, ortodontistas, cirurgiões bucais, optometristas, quiropraxistas, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, nutricionistas, acupunturistas, fonoaudiólogos, terapeutas respiratórios e prestadores de cuidados de saúde a domicílio. Em resumo Dentro do contexto de cuidados de saúde gerenciados, a existência de uma rede de provedores é fundamental. Os planos de saúde gerenciados, como os PPOs e os HMOs, dependem de suas redes para oferecer assistência médica aos seus assinantes. Nesse sentido, pode-se dizer que mesmo os planos HMOs dependem em certa medida de uma rede de médicos e hospitais privados. Por fim, as redes estão sujeitas a termos regulamentares importantes, bem como às exigências do mercado. Aplicação prática Em termos práticos, ao longo do desenvolvimento deste tema foi possível conhecer alguns profissionais envolvidos na assistência à saúde nos EUA. Nesse sentido, é crucial ressaltar que as características da atuação desses profissionais, bem como a presença de alguns deles em planos de saúde, podem variar de acordo com necessidades, diretrizes e exigências relacionadas aos planos. Além disso, com relação à atuação dos não médicos (NPCs), estados americanos apresentam exigências específicas a atribuições, deveres e direitos que devem variar de um estado para o outro. NPCs bem qualificados são geralmente considerados muito importantes na atenção gerenciada, pois são capazes de oferecer excelentes cuidados primários, além de outros serviços de manutenção da saúde e de promoção da saúde. Assim, os NPCs tendem a passar mais tempo com os pacientes e geralmente são muito bem aceitos pela maioria deles. Nesse sentido, no contexto atual, esses profissionais têm sido vistos com “bons olhos”, uma vez que a manutenção e a promoção de saúde são aspectos fundamentais para amenizar a instalação de doenças e agravos, além de reduzir os custos com saúde. Redes de fornecedores • 9/14 Saiba Mais Para aprofundar seus estudos no contexto da assistência à saúde nos EUA, não deixe de acessar o site da Kaiser Family Foundation (KFF). No link específico a seguir, você pode acessar informações de provedores e uso de serviços de saúde. Além disso, você terá acesso a dados sobre hospitais, lares de idosos, centros de saúde comunitários, centros de saúde rurais, médicos, prestadores de serviços não médicos e serviços de saúde nos EUA. “Providers and Service Use”. Disponível em: <https://www.kff.org/state- category/providers-service-use/>. Na ponta da língua https://www.kff.org/state-category/providers-service-use/ https://www.kff.org/state-category/providers-service-use/ https://player.vimeo.com/video/735875761 Referências Bibliográficas Kongstvedt, P.R. (2012). Essentials of managed health care. Burlington: Jones and Bartlett Learning, 6. ed. Ledlow, G.R., Corry, A.P. & CWIEK, M.A. (2007). Optimizeyour healthcare supply chain performance. Chicago: Health Administration Press. White, K.R. & Griffith, J.R. (2015). The well-managed healthcare organization. Chicago: Health Administration Pressed. Redes de fornecedores • 14/14 Im ag en s: Sh utt er st oc k Você pode acessar o livro base deste tema na Biblioteca Lirn: Essentials of Managed Health Care, Sixth Edition Peter R. Kongstvedt Jones and Bartlett Learning © 2012H EA LT H CA RE M A N AG EM EN T FO R EX EC U TI V ES - H CA 53 2 - 1 .4 Pagamento de fornecedores Must University/2018 Pagamento de fornecedores • 2/14 Objetivos de Aprendizagem • Entender como são realizados os pagamentos aos fornecedores na assistência à saúde; • Compreender quais variáveis implicam diferenças de pagamentos aos provedores. Pagamento de fornecedores Conteúdo organizado por Tamara Martins Vanini do livro Essentials of Managed Health Care, Sixth Edition de Peter R. Kongstvedt, 2012. https://player.vimeo.com/video/735875862 Introdução Quando se fala em pagamento, em qualquer área de atuação, os pagadores desejam controlar quanto pagam aos provedores, e os provedores, por sua vez, querem receber o máximo de pagamento possível. Na área da saúde não é diferente. Pagamento versus reembolso Segundo Kongstvedt (2012), o termo comumente usado para pagamento de provedor é “reembolso”, mas o autor afirma tratar-se de um uso incorreto da palavra. O reembolso é aplicado a todos da mesma maneira. Ou seja, para as despesas reembolsáveis de viagem de um vice-presidente ou as de um representante de vendas, os reembolsos serão feitos igualmente. Assim, o reembolso implica justiça e equidade. Contudo, com relação ao pagamento, pode-se entender que existem poucas implicações de justiça ou equidade. Pagamento é o que se recebe quando se pagam salários, e nem todos são pagos da mesma forma (é o que vem acontecendo nos cuidados de saúde). Nesse contexto, é possível citar exemplos de pagamentos diferenciados pelo mesmo serviço ou procedimento: o Medicaid, por exemplo, paga menos que o Medicare e, por sua vez, este paga menos que os pagadores privados. No caso dos médicos, os especialistas em atendimento médico (SCPs) recebem mais do que médicos de cuidados primários (PCPs); além disso, grandes grupos médicos geralmente exigem taxas de pagamento mais altas do que as permitidas por médicos independentes. Pagamento de fornecedores • 4/14 Pagamento dos médicos Segundo Kongstvedt (2012), existem muitas metodologias diferentes usadas para pagar os médicos. O uso de diferentes modelos de pagamento varia com base em vários fatores, incluindo tipo de organização pagadora, localização geográfica, tipo de especialidade, estrutura organizacional médica e leis e regulamentos estaduais e federais. Sobre o pagamento dos médicos, políticas de pagamento direcionam como eles vão receber. Podemos citar como exemplo a política do pagador típico, que é pagar a um segundo cirurgião que assiste a uma cirurgia apenas metade da taxa paga ao cirurgião principal. Em geral, o efeito da precificação e do pagamento sobre a atuação do médico e sobre o uso de serviços é complexo e está sujeito a outras questões econômicas e organizacionais. https://player.vimeo.com/video/735876054 Pagamento de fornecedores • 4/14 Pagamento de hospitais, sistemas de saúde e instalações de procedimentos ambulatoriais Hospitais, sistemas de saúde e instalações de procedimentos ambulatoriais referem- se a instalações físicas nas quais os cuidados são prestados, não aos médicos que prestam esses cuidados. Ainda cabe salientar duas questões relacionadas ao tema: i) o mix de pagadores hospitalares e seu impacto nos custos; e ii) a inflação de preços de hospitais para pagadores comerciais, uma vez que, assim como muitos setores da saúde, a inflação dos custos do hospital tem continuamente superado a inflação geral. Hospitais obtêm receitas de muitas fontes diferentes, conforme se pode observar na figura a seguir (2015: Receita conforme mix de pagamento), que apresenta a distribuição do mix de diferentes pagadores em um hospital americano em 2015. É possível verificar na ilustração que o hospital recebe receita de várias fontes, como o Medicare, Medicaid, Organizações de Manutenção de Saúde (HMOs), Organizações de Provedores Preferenciais (ou PPOs) e outras seguradoras privadas. Da mesma forma, o hospital obtém receita diretamente de pacientes que se enquadram no pagamento por conta própria. Pagamento de fornecedores • 5/14 Figura 1.1 – 2015: Receita conforme mix de pagamento Fonte: Dabney (2016, [s.p]). Nem todos os os pagadores pagam o mesmo valor. Em geral, outros pagadores pagam mais do que o Medicare e o Medicaid, uma vez que estes dois não pagam o custo total dos atendimentos de assistência à saúde, ao contrário de outros pagadores. Pagamento de fornecedores • 6/14 Pagamento por desempenho (P4P – pay for performance) O P4P refere-se a métodos de pagamento usados para incentivar provedores. Ou seja, trata-se do uso de incentivos para encorajar e reforçar melhoria na prática médica, garantindo implementação da qualidade e dos resultados clínicos. Além disso, baseia-se na incorporação de incentivos financeiros com objetivo de alcançar melhorias imediatas e de longo prazo no desempenho médico. Os programas P4P se concentram principalmente no desempenho clínico, em especial na adesão à prática clínica baseada em evidências e na segurança do paciente, podendo incluir também um componente relacionado à gestão de utilização, como a taxa de prescrição de medicamentos genéricos. Além disso, podem incluir medidas de desempenho não clínicas, como registros eletrônicos de saúde, satisfação do paciente, dentre outros. Pagamento de serviços auxiliares Os serviços auxiliares podem ser divididos em duas categorias principais e em uma secundária: a primeira das principais corresponde aos serviços de diagnóstico (tais como os laboratoriais, de imagiologia, os estudos cardíacos, etc.); a segunda das principais refere-se aos serviços terapêuticos (como fisioterapia ou terapia ocupacional); por sua vez, a categoria denominada secundária refere-se aos serviços de transporte (entre os quais estão ambulância e transporte médico agendado). Para as três categorias, as metodologias de pagamento são semelhantes; no entanto, o pagamento aplicado aos tipos de serviço pode sofrer distinção. Cabe ressaltar que o uso de serviços auxiliares é quase sempre solicitado por um médico, e não simplesmente procurado por um paciente. Em outras palavras, os médicos geralmente controlam o uso de serviços auxiliares. Ao contrário dos serviços médicos, os serviços auxiliares são tipicamente limitados a um pequeno subconjunto de provedores, o que permite uma maior alavancagem na negociação dos termos de pagamento e serviço. Pagamento de fornecedores • 7/14 Em resumo Por fim, para encerrar este tema, é importante ressaltar que diferentes metodologias de pagamento devem alinhar metas e incentivos financeiros do plano de saúde e a remuneração dos provedores de rede que prestam o atendimento na atenção à saúde. No próximo tema, será tratado um aspecto importante e muito relacionado ao pagamento dos fornecedores: a gestão da utilização. Aplicação prática Na parte prática, conforme explanado ao longo deste tema, qualquer metodologia de pagamento só poderá ser eficaz em conjunto com outras funções de atendimento gerenciado: gestão de utilização, gestão de qualidade, contratação de rede e muitas outras atividades de um plano de saúde gerenciado. Assim, as políticas de pagamento por si só não farão com que os custos diminuam ou até mudem se não forem acompanhadas pelo gerenciamento ativo do sistema de prestação de cuidados de saúde. Além disso, com relação ao pagamento aos hospitais, pode-se dizer que estas instituições analisam suas fontes pagadoras e, mediante um estudo de custos, avaliam as margens financeiras de seus serviços. Ou seja, os hospitais analisam se ganham dinheiro ou perdem dinheiro para seus serviços em relação a cada um de seus pagadores. Dessa forma, pode-se dizer que hospitais e sistemas de saúde olham para o pagamento como qualquer outro negócio. Pagamento de fornecedores • 8/14 Saiba Mais Para aprofundar seus estudos sobre o tema, leia o Capítulo 5 do livro Essentials of Managed Health Care, de Peter R. Kongstvedt.Assista o vídeo “Paying doctors | Health care system | Heatlh & Medicine | Khan Academy” e saiba mais sobre as formas de pagamento aos médicos nos EUA. Disponível em: https:// www.youtube.com/watch?v=4J-dRA3MGc8. Acesso em 16 de agosto de 2022. https://www.youtube.com/watch?v=4J-dRA3MGc8 Pagamento de fornecedores • 9/14 Na ponta da língua Referências Bibliográficas Dabney, J. (2016). LifePoint posted an earnings surprise in 4Q15. Market Realist. Disponível em: <https://bit.ly/2Mccqa2>. Acesso: 10 maio 2018. Kongstvedt, P.R. (2012). Essentials of managed health care. Burlington: Jones and Bartlett Learning, 6. ed. Ledlow, G.R., Corry, A.P. & CWIEK, M.A. (2007). Optimize your healthcare supply chain performance. Chicago: Health Administration Press. White, K.R. & Griffith, J.R. (2015). The well-managed healthcare organization. Chicago: Health Administration Pressed. https://player.vimeo.com/video/735876302 Pagamento de fornecedores • 14/14 Im ag en s: Sh utt er st oc k Você pode acessar o livro base deste tema na Biblioteca Lirn: Essentials of Managed Health Care, Sixth Edition Peter R. Kongstvedt Jones and Bartlett Learning © 2012 H EA LT H CA RE M A N AG EM EN T FO R EX EC U TI V ES - H CA 53 2 - 1 .5 Gestão de utilização Must University/2018 Objetivos de Aprendizagem • Compreender o propósito da gestão da utilização; • Descrever o papel dos médicos e não médicos na gestão do uso dos recursos de saúde; • Entender como as diretrizes de prática clínica são usadas para a gestão de utilização. Gestão de utilização Conteúdo organizado por Tamara Martins Vanini do livro Essentials of Managed Health Care, Sixth Edition de Peter R. Kongstvedt, 2012. Introdução A gestão de utilização (UM – utilization management), também ocasionalmente chamada de gerenciamento de cuidados, abrange as muitas atividades que um pagador ou sistema integrado de entrega (IDS – integrated delivery system) aplica para reduzir ou gerenciar os custos médicos gerais, além de negociar preços. Dessa forma, destacam-se três aspectos principais de foco para a UM: https://player.vimeo.com/video/735876399 Gestão de utilização • 3/14 • O primeiro refere-se às análises e revisões para determinar se um serviço médico deve ou não ser coberto pelo plano de benefícios e sob quais circunstâncias ele deve ser coberto. • O segundo abrange um conjunto de atividades destinadas a facilitar a prestação dos serviços necessários pelo menor custo razoável. • O terceiro corresponde à redução da prática clínica injustificada, estabelecendo parâmetros para uma utilização mais econômica/rentável mediante diretrizes médicas baseadas em evidências. Saiba Mais Conceito importante Gestão de utilização (UM – utilization management): refere-se ao planejamento, à organização, ao direcionamento e ao controle de produtos de saúde de forma econômica, com o objetivo de manter a qualidade do atendimento ao paciente. Entendendo a UM A gestão de utilização (UM) pode ser definida como o planejamento, a organização, a direção e o controle de produtos e serviços de saúde de forma econômica, mantendo a qualidade do atendimento ao paciente e contribuindo para os objetivos da organização. Nesse sentido, o objetivo da UM é garantir que os pacientes recebam os serviços médicos necessários, ao menor custo. Nos cuidados de saúde, um plano de seguros geralmente paga a maior parte da conta, ao passo que o paciente não paga nada ou paga apenas uma pequena parcela das despesas. Nesse contexto, as seguradoras de saúde são as principais compradoras de serviços de saúde e, como todos os compradores, não querem pagar cuidados desnecessários. Gestão de utilização • 4/14 Essas seguradoras incentivam o desenvolvimento de diretrizes de prática clínica e padronização de cuidados para garantir uma gestão de utilização, especificamente para reduzir a provisão de serviços desnecessários. Em teoria, compradores de cuidados de saúde, incluindo o Medicare e o Medicaid, pagam apenas por itens e serviços que são razoavelmente necessários para o diagnóstico e o tratamento de uma doença ou lesão. Em situações nas quais não existem diretrizes de prática clínica, as decisões são tomadas com base nas melhores evidências disponíveis e no consenso profissional. Assim, os compradores de cuidados de saúde assumem um processo rigoroso para determinar se os serviços são apropriados e devem ser reembolsados. https://player.vimeo.com/video/735876603 Gestão de utilização • 4/14 Funções da gestão de utilização A gestão de utilização envolve as três atividades básicas de gerenciamento de qualidade: medição, avaliação e melhoria. A “revisão da utilização” é um termo tipicamente usado para descrever as tarefas de avaliação e medição, ao passo que a UM é um termo amplo que engloba as três atividades. Medição e avaliação O componente de medição e avaliação da análise da utilização da UM tem como objetivos: • garantir que os serviços sejam clinicamente necessários e apropriados; • promover a entrega de serviços na configuração mais econômica. As tendências de utilização podem ser conferidas por meio de uma revisão prospectiva (antes de um paciente receber serviços), por meio de uma revisão simultânea (durante a entrega de serviços), ou por meio de uma revisão retrospectiva (após o paciente receber os serviços). • Revisão prospectiva: refere-se ao método utilizado para determinar a necessidade médica e a adequação dos serviços antes que estes sejam prestados. Julga a adequação de um serviço antes de ser processado para evitar o uso desnecessário dele. Gestão de utilização • 5/14 • Revisão simultânea: avaliação dos serviços de atendimento ao paciente que é concluída enquanto esses serviços estão sendo entregues para garantir cuidados, tratamento e nível de atendimento adequados. • Revisão retrospectiva: método para determinar a necessidade médica e a adequação dos serviços que já foram prestados. Melhoria da utilização Os provedores usam informações coletadas durante revisões simultâneas e retrospectivas para identificar oportunidades de melhoria. Contudo, nem todas as atividades de melhoria de utilização estão focadas na redução de custos. A fase de melhoria da UM está intimamente integrada com outras atividades de gerenciamento de qualidade. Muitas vezes, melhorar a qualidade também reduz os custos. Podemos citar como exemplo uma organização de cuidados de saúde que tenha como objetivo de um projeto de melhoria eliminar o desperdício de um processo, contexto no qual se pode dizer que menos desperdícios significaria menos custo. A melhoria da utilização também envolve a redução da subutilização dos serviços necessários. Nesse sentido, os pacientes devem receber cuidados considerados apropriados para seu diagnóstico, o seu tipo de doença ou sua condição. Planejamento de alta A maioria dos aspectos da UM é invisível para os consumidores de saúde. Somente ocasionalmente os pacientes são afetados por atividades de revisão prospectiva e revisão simultânea. O aspecto mais visível da UM é o planejamento de alta. Trata-se de um processo pelo qual as necessidades do paciente são atendidas à medida que elas se transferem de um ambiente para outro, como a necessidade de o paciente realizar atendimentos de fisioterapia após a alta hospitalar. Gestão de utilização • 6/14 As atividades de planejamento de alta visam garantir as necessidades clínicas e psicossociais dos pacientes com o objetivo de determinar o tipo de cuidados de que eles precisarão após a alta em um hospital. Profissionais de saúde experientes, como médicos, enfermeiros, assistentes sociais, entre outros, que trabalham com pacientes, em conjunto com prestadores e seguradoras, atuam para coordenar serviços de saúde clinicamente necessários e adequados após a alta. Contudo, o planejamento inadequado da alta poderá prejudicar a qualidade e o custo do atendimento ao paciente. O quadro a seguir apresentaas tarefas envolvidas no planejamento de alta. Quadro 1.1 – Atividades do planejamento de alta Atividade Tarefas Avaliação inicial do paciente • Reunir história (social e médica); • Avaliar a condição médica e as necessidades de tratamento; • Avaliar sistemas de suporte (por exemplo, ambiente doméstico, recursos comunitários, necessidades familiares). Planejamento de cuidados contínuos • Identificar necessidades de cuidados do paciente a curto e longo prazo; • Considerar os recursos humanos, financeiros e materiais disponíveis; • Atualizar planejamento de acordo com a condição do paciente. Plano de implementação • Organizar serviços e suportes de que o paciente necessite após a alta; • Garantir ao paciente e à família informações sobre o plano de tratamento após a alta, os serviços e o suporte. Avaliação • Acompanhar paciente ou família após a alta para avaliar se o plano foi bem-sucedido e garantir que não tenham surgido problemas após a alta que não foram abordados. Fonte: adaptado de Spath (2013, [s.p.]). Gestão de utilização • 7/14 Em resumo, a UM é um componente dos esforços de gerenciamento de qualidade de uma organização em cuidados de saúde. Nesse sentido, todas essas organizações envolvidas são afetadas pelas atividades da UM. A UM aplica os princípios básicos de medição, avaliação e melhoria do desempenho para minimizar custos e usar os recursos de saúde de forma eficaz. Em resumo A melhoria da qualidade e o controle de custos dependem da capacidade que a organização em cuidados de saúde tem de reduzir a subutilização e o uso excessivo de serviços de saúde. Foi possível compreender que as atividades de gerenciamento de uso devem ser realizadas pelas organizações em cuidados de saúde para determinar se estão usando os recursos de forma adequada. Aplicação prática Prezado aluno, vamos entender, na prática, a rotina do planejamento de alta de um paciente: O paciente J. M., de 50 anos, tem cirurgia marcada para tratamento da síndrome do túnel do carpo na mão direita. Para esse caso, o tempo de hospitalização deve ser curto, e será necessário tratamento de fisioterapia após a alta hospitalar. Por essa razão, o planejamento de alta deve começar antes de sua admissão. Uma enfermeira do hospital telefona para o paciente para obter informações sobre sua condição clínica e possíveis necessidades após a alta. Essas informações serão utilizadas para responder perguntas que avaliam as necessidades do paciente, como: • O paciente precisará de serviços de cuidados domiciliares após a alta? • De quais serviços pós-hospitalares ele precisará? Gestão de utilização • 8/14 Com essas informações, antes que o paciente chegue ao hospital, a equipe responsável pela UM já terá uma ideia de suas necessidades de alta. A informação recolhida através dessa avaliação inicial será utilizada para criar um plano para a sua alta, o qual é discutido com o paciente e os familiares em sua admissão. Além disso, cabe à equipe responsável pela UM discutir as necessidades pós-hospitalares do paciente com seu cirurgião, enfermeiros e outros cuidadores, além dos responsáveis pelo plano de saúde. Essa equipe responsável pela UM precisa manter-se informada sobre o status das condições do paciente e dos tratamentos durante toda a internação. Dessa forma será possível providenciar a fisioterapia para ser iniciada depois que o paciente voltar para casa. Por fim, antes de sair do hospital, o paciente e seus familiares recebem informações da enfermagem como: • Uma lista de medicamentos prescritos pelo médico ao paciente (a dosagem e a frequência de uso); • A data da consulta de acompanhamento/retorno; • Instruções de cuidados domiciliários; • Sinais de infecção ou condição de piora a serem observados; • Uma explicação sobre os serviços de fisioterapia que foram organizados; • Um contato, para caso de emergência ou de dúvidas. Gestão de utilização • 9/14 Saiba Mais Para aprofundar seus estudos sobre o tema, leia o Capítulo 7 do livro Essentials of Managed Health Care, de Peter R. Kongstvedt e também o Capítulo 10 do livro Introduction to Healthcare Quality Management, de Patrice Spath. Saiba mais sobre a importância da gestão de utilização nos cuidados em saúde por meio do link: https://www.youtube.com/watch? v=853TVAWYdnQ. Acesso em 16 de agosto de 2022. Na ponta da língua https://player.vimeo.com/video/735876871 https://www.youtube.com/watch?v=853TVAWYdnQ Referências Bibliográficas Kongstvedt, P.R. (2012). Essentials of managed health care. Burlington: Jones and Bartlett Learning, 6. ed. Ledlow, G.R., Corry, A.P. & CWIEK, M.A. (2007). Optimizeyour healthcare supply chain performance. Chicago: Health Administration Press. Spath, P. (2013). Introduction to healthcare quality management. Chicago: Health Administration Press, 2 ed. White, K.R. & Griffith, J.R. (2015). The well-managed healthcare organization. Chicago: Health Administration Pressed. https://www.directtextbook.com/publisher/health-administration-press Gestão de utilização • 14/14 Você pode acessar o livro base deste tema na Biblioteca Lirn: Essentials of Managed Health Care, Sixth Edition Peter R. Kongstvedt Jones and Bartlett Learning © 2012