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Alcance e Preensão ➼ Atividades do MS: ▪ Alcance (pré-shaping - moldagem ou pré-formação da mão em relação ao formato do objeto) ▪ Preensão (compressão e liberação - fechamento e abertura da mão); ▪ Manipulação; ▪ Deslocamento; ▪ Apontamento. Alcance - Reaching O paciente cortical possui uma disfunção em ambas situações, pois, devido a essa lesão, a calibração é perdida pela lesão neuronal e pelas decorrências dela, como os sintomas de aumento de tônus, diminuição de força e perda - parcial ou total - de propriocepção. ▪ Coordenação olho-mão: o alcance é preciso ser constantemente “calibrado” pelo olho em relação a distância e a posição do objeto; ▪ Predição do “time-to-contact” da atividade: no alvo parado/estacionário, a predição de tempo de contato é mais simples; mas em atividades mais complexas, com o alvo e a mão em movimento, há uma maior demanda para o SNC - emprego de cerebelo e das atividades corticais de alta ordem. Assim, a chance de errar o alvo (por exemplo, uma bola) é maior, pois deve-se fazer uma calibração da sua posição e velocidade com a posição e velocidade do efetor (por exemplo, um bastão). ➼ Espaços do Alcance ▪ Extra-Pessoal: apontamento ou uso de objetos, pois está longe; ▪ Peri-Pessoal: espaço próximo até onde se alcança com a mão; ▪ Pessoal: no espaço do corpo, como levar a mão na perna ou cabeça. Movimento Voluntário Planejando um movimento… 1) Seleção da sequência apropriada de eventos motores - sequenciamento do ato; 2) Determinação da sua precisão temporal - sequenciamento das ativações corticais e do corpo e o tempo que isso deve ser ativado; É necessário que haja uma exatidão entre a ativação das sequências no córtex com o tempo, ocorrendo uma informação sensorial (visão, propriocepção) que é utilizada simultaneamente, no decorrer do desenvolvimento da tarefa, para avaliar a ação em curso e desencadear a próxima ação - correção sensorial, por meio de feedback/modelos de Forward. → Modelos de Preparação ▪ Feedforward - Antecipação: pré ativação (tônus, postura e tempo de tarefa) para acertar o tempo de tarefa; ▪ Inverso ou Feedback - Correção Sensorial: corrige ao longo da tarefa para ser assertivo com ela e atingir corretamente o alvo. Então, ao longo do movimento há uma adaptação por meio de componentes sensoriais, principalmente alteração do tônus. → Circuitos Neurais para os programas motores de alcançar e agarrar - sinergias de movimento de MMSS: os dois são comumente lesados, pois estão no território de irrigação da artéria cerebral média, onde se localiza o sulco central, córtex motor primário (M1), córtex pré-motor (dorsal e ventral) e córtex sensitivo primário). ▪ Alcance (Reaching) - Via Dorsal: arca pré-motora dorsal (PMd) Começa no córtex visual (importante para a coordenação olho–mão) → passando pela via Parietal-posterior → Parietal do córtex sensitivo → Córtex pré -motor, onde se desenvolvem → Córtex motor primário → pela via Córtico Espinhal (na medula) → Execução do movimento. ▪ Preensão Manual (Grasping) - Via Ventral: arca pré-motora ventral (PMv) Região Infratemporal - onde é feita a detecção das características do objeto para ser formado o pré-shaping (formulação da mão em relação ao tamanho ou forma do objeto) → Pré-motora ventral. Pacientes com lesões focais que comprometem apenas a região ventral, são denominados de “Apráxicos” (apraxia motora): não há lesão do neurônio motor primário (com força grau 4 para 5, tônus normal e sem déficit proprioceptivo), mas ocorre alteração do planejamento da ação, em que o paciente não sabe o que fazer com o objeto. Pacientes com lesões focais que comprometem apenas a região dorsal não alcançam (reaching) o objeto. Área Pré-Motora: planejamento; Área Motora Primária: execução. Nas áreas de Grasping e Reaching ficam os neurônios espelhos, que “observam uma ação e repetem” - tendo o aprendizado do movimento. O uso de ferramentas tem um grau de liberdade maior do que um objeto durante a preensão, pois há um pré-shaping (pré-formação da mão durante a preensão) para a mão de acordo com o objeto utilizado. → Características do Controle Motor - Movimento Voluntário: ▪ Transformações sensório-motoras ocorrendo no tempo - atualização “online” de movimento: constantemente há atualização das transformações durante a tarefa e sequência de ações; ▪ Tarefa Específica - Task-Oriented: desenvolvimento da trajetória; ▪ Guiado pelo alvo (Goal-Directed) e pela intenção do movimento (desired goal); ▪ Intenção de movimento (ato final). Há um orquestramento de sequência de movimentos em um tempo, guiado pelo alvo e intenção (o alvo final). Por exemplo: no contato inicial da marcha, o alvo é o chão e o órgão efetor do movimento é o pé. Modelo Esquemático do processo de Object-Directed Action Input sensorial (córtex visual) → Intenção da ação (verificando todas as características do alvo) → Pré-shaping (determinando como vamos segurar o objeto – pré ativação da musculatura da mão → Execução da tarefa (finalização da tarefa) O input visual, o reconhecimento e planejamento vem antes da ação da tarefa. Para tudo isso acontecer, é preciso ter adequado: tônus, ADM, força, sensibilidade proprioceptiva, sensorial… Input visual + reconhecimento e planejamento = Feedforward (Antecipação); Execução de tarefa = Feedback (Correção e controle) Modelo esquemático das regiões cerebrais envolvidas no Object-Directed Action: • Pré motor e motor = Execução de movimento • Parietal posterior e pré-motora = reconhecimento e planejamento • Visual e ínfero-temporal = input visual (recepção do estímulo visual). → Parâmetros Para o Movimento 1) Programa Motor: força, direção e trajetória do movimento; Cinemática (características espaciais do movimento) + Dinâmica (força necessária para mover as articulações entre si) 2) Posicionamento Final (alvo) Os neurônios de M1 (Córtex Motor Primário) codificam: - força, direção e trajetória do movimento; - posição final (alvo) ▪ Cinemática: exige coordenação dos ângulos articulares com um grau de força (torque) específico para aquela trajetória, e o tempo e a trajetória em si (eixos x, y ou z) - Gráfico: alcance em MS em AVC. Observando o deslocamento do punho do paciente durante as tarefas. 1° Pico de aceleração – tarefa de esticar o braço para alcançar o alvo 2° pico de aceleração – tarefa de levar o alvo de cima da mesa e transporta para boca e bebe. 1. Paciente saudável, demonstrando o alcance ao objeto, bebe a água e volta com o objeto no alvo novamente. Aqui há 2 unidades de movimento durante a tarefa. 2. Mesma tarefa realizada por um paciente que sofreu AVC leve, com funcionalidade boa (score de 63), mas que mesmo assim apresenta maior dificuldade de movimento, menor velocidade e maiores picos de movimento (fazendo mais picos de movimento durante as tarefas, enquanto o outro fazia apenas 1 pico em cada tarefa). Aqui há 6 unidades de movimento. Se o paciente alcança pouco com o punho e mão, ele terá que deslocar mais o ombro para compensar o encurtamento de distância. 3. Paciente grave a moderado (socre 42) com perda de cinética ao realizar o mesmo movimento - maior lentidão, menor precisão e movimentos fragmentados - e 15 unidades durante a tarefa. → Sinergia - movimento de ombro somado/consequente ao movimento de alcance de cotovelo: músculos flexores de ombro x extensores de cotovelo; ▪ Flexão de Cotovelo a 90° = Flexão de Ombro em 0° (repouso); ▪ Para alcance de objeto: Extensão de Cotovelo a 0° + Flexão de Ombro em 45°. O movimento EscapuloUmeral é na proporção de 1:2: a cada 60° de abdução e flexão de ombro, a escápula faz 30° de abdução (afastamento da escápula da porção vertebral) = 90°. Na região paravertebral está a musculatura intrinseca e extrinseca da coluna, que é antigravitacional (de sustentação) e sofre com o aumento tônico. Devido a isso (hipertonia de paravertebrais), a escápula fica encarcerada, perdendo a ADM na abdução e flexão de ombro. A posição do alvo para o alcance determina a diagonal de movimento:Normalmente, os pacientes “encarceram” a escápula por uma hipertonia da musculatura paravertebral (musculatura antigravitacional – bastante comprometida pelo tônus). Como tratamento, é utilizado o método de movimentos diagonais para assim trabalhar o ombro, com a flexão de ombro + adução + rotação externa ou interna (dependendo da posição do alvo; se ele estiver em um nível mais alto, parte da rotação neutra para a externa, associada a uma supinação; se ele estiver mais baixo, rotação interna). Esse é um exercício para ganhar força e, assim, ter um diálogo entre os flexores e os extensores. Pode-se combinar isotônicas, para criar resistência e ganhar força de abdutores de ombro (como deltóide e trapézio), utilizando a inibição recíproca entre agonista e antagonista (PNF), ou seja, flexores e extensores. Assim, a fisioterapeuta empurra de volta, reposicionando-o, e continua fazendo uma resistência ao movimento do paciente. ➼ Terapia de restrição e indução do movimento - TRIM: o membro superior saudável é prendido (6-8 horas diárias, por pelo menos 10 dias), obrigando o paciente a usar o membro parético. É preciso que ele tenha de 5 a 10 graus de extensão articular de punho e dedos. Complicações do Ombro ADM pode estar restrita por: ▪ Hipotonia de manguito e imobilidade de glenoumeral e escápula - FASE AGUDA: pela ausência de movimentação articular, a liberação de líquido sinovial na articulação se cessa, gerando aderência capsular por falta de movimento; ▪ Hipertonia do Músculo Interescapular - FASE CRÔNICA: esse aumento do ônus de bíceps e paravertebrais leva a falta de movimento. O resultado disso é a “Síndrome do Ombro Doloroso”, ou “Síndrome Ombro-Mão” ou “Síndrome Complexa Regional do Ombro” em pacientes hemiparéticos. ↪ Causa: imobilidade prolongada devido a plegia; ↪ Prevenção: mobilização passiva, ativo assistida de GU e escápula; posicionamento adequado de MMSS, como a tipóia de Neoprene, que causa uma coaptação do úmero na GU; FES para músculos fracos, como supraespinhoso, deltóide médio e anterior; TENS para músculo hipertônico. A síndrome ombro-mão é um agravamento da sd. do ombro doloroso - começa com dor e limitação de movimento (retração capsular) e para uma imobilidade prolongada → passamos a ter um problema vascular também, devido à falta de retorno venoso, tendo arroxeamento da mão. Tendo também ativação do SNA, levando ao aumento de sudorese, diminuição de temperatura, queda de pelos... Ou seja, todas as alterações vasculares dadas pelo SNA – Isso são fatores complicantes da lesão cortical (hemiplegia)