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DIÁLOGOS ENTRE O CURRÍCULO E O PLANEJAMENTO EDUCACIONAL 
 
INDIVIDUALIZADO (PEI) NA ESCOLARIZAÇÃO DE ALUNOS COM 
 
DEFICIÊNCIA INTELECTUAL 
 
 
Érica Costa Vliese Zichtl Campos Márcia 
Denise Pletsch Universidade Federal Rural 
do Rio de Janeiro 
 
Eixo Temático: Práticas pedagógicas inclusivas 
 
Agência Financiadora: OBEDUC/CAPES 
 
1. Introdução 
 
A escolarização de alunos com deficiência intelectual não é um tema novo. Mas, ainda é 
uma evidência em nosso cotidiano escolar a dificuldade para efetivarmos e garantirmos um 
trabalho em que realmente a inclusão destes alunos seja realizada visando e garantindo seu 
pleno desenvolvimento. Para isso, seria necessário romper com práticas tradicionais, 
marcadas pela homogeneidade e pela fragilidade do currículo e do planejamento de atividades 
para esses educandos. 
 
Acreditamos que todo o processo histórico corrobora com esse panorama ao revelar que 
a pessoa com deficiência intelectual, em decorrência de conceitos, classificações, avaliações e 
diagnósticos da própria deficiência passou a ser alvo da construção de um sujeito com poucas 
perspectivas educacionais, colocado e mantido à margem, excluído ou segregado, por desviar-
se do padrão de “normalidade” social (PLETSCH, 2014; GLAT; PLETSCH, 2013). 
 
Diante de tais questões, esta pesquisa abordou aspectos relacionados ao processo de 
escolarização da pessoa com deficiência intelectual, uma vez que compreendemos que, 
assegurar um ensino de qualidade para esses alunos é um dever que envolve a 
responsabilidade e o compromisso de todos. Sendo assim, é papel da escola proporcionar 
condições para que estes educandos desenvolvam suas capacidades a partir do processo de 
ensino e aprendizagem, de forma que este proporcione conhecimento e desenvolvimento. 
 
Ênfase foi dada ao planejamento educacional individualizado (PEI), podendo este ser 
definido como um instrumento de inclusão para promover o desenvolvimento e a futura 
inserção social e laboral de alunos em situação de deficiência. Em outras palavras, é um fator 
imprescindível para redimensionar as práticas entre professores de classe comum e o 
 
 
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professor do atendimento educacional especializado (AEE), por meio do trabalho 
colaborativo entre ambos. 
 
 
2. Objetivos 
 
O presente texto apresentará os resultados de uma pesquisa cujo objetivo geral foi 
analisar a elaboração e a implementação do PEI para alunos com deficiência intelectual, 
incluídos em classe comum, em uma escola da rede municipal de Nova Iguaçu/RJ. 
 
 
3. Métodos 
 
A pesquisa qualitativa, baseada nos pressupostos metodológicos da pesquisa-ação, foi 
adotada como procedimento metodológico. Para tal, realizamos encontros com as docentes 
para refletirmos sobre a proposta do PEI na escolarização de alunos com deficiência 
intelectual. A coleta de dados utilizou como procedimentos a observação participante (com 
registro em diário de campo), análise documental (fichas, relatórios e outros) e entrevistas 
semiestruturadas. 
 
Optamos pela pesquisa-ação por acreditarmos que esta nos permite construir junto com 
os atores e com o contexto o nosso objeto de investigação. Podemos dizer que é uma 
possibilidade de produção de conhecimento sobre o processo de escolarização de alunos com 
deficiência. Neste sentido, Jesus contribui com a ideia acima ao afirmar que: 
 
Para tal, faz-se necessário que a escola, exercitando uma prática 
questionadora e emancipatória, situe suas condições locais nos contextos 
mais amplos e se coloque como instituinte de políticas de educação que 
possibilitem a todos estar em um “lugar de saber” (2008, p. 144). 
 
 
Para Glat e Pletsch (2012), esse tipo de pesquisa possui como importante característica a 
flexibilidade, pois “oferece condições para um diálogo permanente, permitindo a elaboração 
coletiva de soluções de possíveis problemas enfrentados”, principalmente os que fazem 
referência à escolarização de alunos com deficiência intelectual, uma vez que trabalhar na 
diversidade e contemplar a diferença tem sido um desafio dos espaços escolares e dos 
profissionais que lá atuam. 
 
Desta forma, pretendemos com este trabalho, alcançar alguma modificação a partir de 
uma investigação de campo que traga o envolvimento e pertencimento de todos, numa busca 
 
 
 
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por novas práticas pedagógicas que visem o desenvolvimento de alunos com deficiência 
intelectual, tão frequentemente alijados do processo de ensino e aprendizagem. 
 
 
4. Resultados e discussão 
 
Tem-se evidenciado na atualidade a preocupação com o atendimento às pessoas que 
apresentam dificuldades acentuadas em relação à maioria considerada “normal”, através das 
mais diversas ações. A Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva constituem 
algumas delas. O que muda na atual discussão, mesmo que em meio às controvérsias ainda 
muito presentes em nossa sociedade, é o fato de não ser pensado na escolarização de pessoas 
com necessidades educacionais especiais apenas como fato isolado, marginalizado. 
 
E neste panorama o professor se vê frente a um grande desafio no processo de inclusão e 
escolarização do aluno com deficiência intelectual: lidar com uma estrutura escolar que ainda 
não favorece outro meio para que este aluno tenha sua aprendizagem e desenvolvimento 
garantidos que não seja, em sua maior parte, pela forma tradicional. Oliveira nos alerta para a 
necessidade de mudança, pois “prover um ensino inclusivo significa transformar as velhas 
práticas educacionais segregacionistas e permitir o convívio das diferenças” (2013, p. 12). 
 
Neste sentido, apresentamos durante a pesquisa, algumas questões para discussão com 
os professores e que também nortearam nosso trabalho: a) O processo de escolarização dos 
alunos com deficiência intelectual, matriculados no ensino regular, é baseado na aquisição de 
conhecimentos científicos presentes no currículo ofertado aos demais alunos? b) Qual a base 
teórica das práticas pedagógicas destinadas para a escolarização dos alunos com deficiência 
intelectual? c) Como o PEI poderá contribuir para ressignificar o processo de ensino e 
aprendizagem dos alunos com deficiência intelectual e para o desenvolvimento de um 
trabalho colaborativo entre os professores do AEE e do ensino regular? 
 
A partir de então, destacamos como resultados primeiramente as concepções docentes 
acerca das práticas pedagógicas, do conceito de deficiência intelectual e do processo de ensino 
e aprendizagem destinados a esses alunos. Constatamos que a socialização destes era 
reconhecida como a única forma de participarem e serem inseridos na escola, pois para a 
maioria das docentes eles apresentavam uma aprendizagem lenta, com baixas expectativas e 
possibilidades. O aluno e sua deficiência eram responsáveis pela não aprendizagem, 
acentuando uma visão individualizante sobre a incapacidade, revelando as limitações e 
 
 
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fragilidades da própria escola no tocante a sua compreensão sobre deficiência e a 
escolarização destes. 
 
Ainda neste aspecto observamos que, referente aos conteúdos, a escola se distanciava do 
que encontramos na matriz curricular oferecida por esta, pois considerava difícil trabalhá-los 
já que, ao seu entender, exigiam maior capacidade de abstração do pensamento. Notamos que 
a matriz apresentava disciplinas e conteúdos de cunho científico que, quando mediados 
adequadamente, levariam a avançar do aprendizado elementar para o mais elaborado. Mas o 
que percebemos, antes da intervenção com a elaboração do PEI, foi uma prática alicerçada em 
conteúdos que não promoviam o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. A 
prática era focada no conhecimento básico cotidiano, promovendo um esvaziamento do 
conteúdo científico e como consequência, uma não apropriação do conhecimento elaborado. 
 
Reconhecemos que inúmeras foram as contribuições trazidaspela pesquisa para a 
formação das professoras, pois as reuniões realizadas foram muito importantes para 
proporcionar o conhecimento que auxiliou na ressignificação e reflexão sobre a emergência 
em repensar as práticas educacionais, bem como desmistificar a visão de incapacidade do 
aluno com deficiência intelectual que ainda permeia os contextos das escolas, sejam estas 
especiais ou não. Podemos considerar que a metodologia de pesquisa-ação pode se concretizar 
em uma vertente para possibilitar a formação continuada. 
 
 
5. Conclusão 
 
Para atingir uma visão mais clara acerca da complexidade da relação exclusão-inclusão 
 
é preciso “situar-se no fundo do abismo social que marginaliza e exclui” (MARTINS, 2002, p. 
24), conseguindo, assim, identificar e interpretar os significados e as contradições da 
sociedade contemporânea e “compreender os encontros e desencontros que há entre situação 
social e consciência social” (p. 26). E é justamente para a diminuição desses desencontros e 
promoção e compreensão desses encontros que nos propusemos a realizar esta pesquisa, 
salientando a proposta do PEI como uma realidade possível tanto para a ampliação do 
trabalho docente como para a escolarização de alunos com deficiência intelectual. 
 
O planejamento elaborado em parceria entre professor de sala de aula comum e 
professor de sala de recursos multifuncional exigiu um novo posicionamento da escola e 
reflexão das professoras sobre suas práticas. Os alunos não eram mais vistos apenas como 
responsabilidade exclusiva da Educação Especial. Mas muito ainda deve ser feito para que o 
 
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envolvimento atinja a equipe gestora, pedagógica, demais professores e profissionais que 
 
atuam com esses alunos diariamente. 
 
Não há mais como adiarmos essas mudanças. Caso permaneçamos insistindo em visões 
 
baseadas nas dificuldades e na impossibilidade de reestruturação do contexto escolar, 
 
estaremos compactuando com a exclusão desses alunos. Em outras palavras, acreditamos na 
 
importância deste trabalho para os profissionais que atuam com alunos com deficiência 
 
intelectual, nos quais provoca a necessidade de um maior aprofundamento teórico e a quebra 
 
da imagem da incapacidade destes educandos, não sendo mais possível a visão reducionista 
 
que permeia a prática profissional. 
 
Encontramos no PEI, aliado aos pressupostos da perspectiva histórico-cultural, 
 
caminhos para acreditar e apostar nas possibilidades e não aceitar o preestabelecimento de 
 
limites orgânicos do aluno com deficiência intelectual como impedimento. Desta maneira 
 
contribuiremos para que a escola deixe de ser o lócus da “exclusão” e passe a viver as 
 
diferenças de forma plural, produzindo e se transformando na/para a coletividade. 
 
 
6. Referências 
 
GLAT, R.; PLETSCH, M. D. Inclusão escolar de alunos com necessidades especiais. 
Pesquisa em Educação. Educação Inclusiva 2ª ed., Rio de Janeiro: EdUERJ, 2012. 
 
________. PLETSCH, M. D. (orgs) Estratégias educacionais diferenciadas para alunos com 
necessidades especiais. EdUERJ, 2013. 
 
JESUS, D. M. O que nos impulsiona a pensar a pesquisa-ação colaborativa-crítica como 
possibilidade de instituição de práticas educacionais mais inclusivas? In: BAPTISTA, C. R.; 
CAIADO, K. R. M.; JESUS, D. M. (Org.). Educação Especial: diálogos e pluralidade. Porto 
Alegre: Mediação, 2008. 
 
MARTINS, J. de S. A sociedade vista do abismo: novos estudos sobre exclusão, pobreza e 
classes sociais. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002. 
 
OLIVEIRA, A. A. S. Deficiência intelectual e saber escolar: a questão da avaliação da 
aprendizagem. In: MANZINI, E. J. (org). Educação Especial e inclusão: temas atuais-São 
Carlos: Marquezini e Manzini, ABPEE, 2013. 
 
PLETSCH, M. D. Repensando a inclusão escolar: diretrizes políticas, práticas curriculares e 
deficiência intelectual. Editoras NAU & EDUR, Rio de Janeiro, 2014e. 
 
 
 
 
 
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