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GUSTAVO ANDRÉ LEITIS ESTRATÉGIA DE RELACIONAMENTO COM CLIENTES ORIENTADOR: Prof. PhD José Antonio Andreasi Fantin Curitiba - Pr Julho / 2018 GUSTAVO ANDRÉ LEITIS ESTRATÉGIA DE RELACIONAMENTO COM CLIENTES Trabalho apresentado ao curso MBA Executivo em Gestão Estratégica e Econômica de Mercado, Pós-Graduação lato sensu, Nível de Especialização. Programa FGV Management. ORIENTADOR: Prof. PhD José Antonio Andreasi Fantin Curitiba - Pr Julho / 2018 FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS PROGAMA FGV MANAGEMENT MBA EXECUTIVO EM GESTÃO ESTRATÉGICA E ECONÔMICA DE MERCADO O Trabalho de Conclusão de Curso Estratégia de Relacionamento com Clientes Elaborado por Gustavo André Leitis e aprovado pela Coordenação Acadêmica do curso de MBA Executivo em Gestão Estratégica e Econômica de Mercado, foi aceito como requisito parcial para a obtenção do certificado do curso de pós-graduação, nível de especialização do Programa FGV Management. Curitiba, 02 de Julho de 2018 ____________________________________ Professor Marcelo Gomes de Almeida Prado Coordenador Acadêmico ____________________________________ Professor PhD José Antonio Andreasi Fantin Professor Orientador TERMO DE COMPROMISSO O aluno Gustavo André Leitis, abaixo assinado, do curso de MBA Executivo em Gestão Estratégica e Econômica de Mercado, Turma 1/2016 do Programa FGV Management, realizado nas dependências da ISAE FGV Inst ituto Superior de Administração e Economia, no período de 13/05/2016 a 20/05/2018, declara que o conteúdo do Trabalho de Conclusão de Curso intitulado Est ratégia de Relacionamento com Clientes, é autêntico, original e de sua autoria exclusiva. Curitiba, 02 de Julho de 2018 ___________________________________ Gustavo André Leitis Dedico este trabalho à minha esposa, pelo amor, carinho e companheirismo que tenho desfrutado desde o primeiro momento que a conheci. Dedico também aos meus pais, porque sem eles eu não estaria aqui. RESUMO Este estudo tem como principal objetivo discorrer a respeito da estratégia de relacionamento com os clientes, mostrando o quão está difícil conquistar e manter um cliente nos dias de hoje, visto o panorama mercadológico atual estar imensamente mais complexo, onde a concorrência está cada vez mais acirrada e os consumidores estão muito mais exigentes e seletivos em relação às ofertas de mercado. Diante deste cenário agressivo, faz mais que necessário o uso inteligente de toda estratégia de relacionamento com os clientes, visando principalmente obter vantagem competitiva em relação aos concorrentes diretos e indiretos. As vantagens competitivas podem vir através do melhor entendimento e conhecimento mais profundo dos clientes com a utilização de toda a informação disponível no mercado consumidor que atualmente está disponível a praticamente todas as organizações. Entender o cliente e ver o que ele vê é sim um diferencial ímpar perante os concorrentes. Portanto, este trabalho objetiva de forma geral discorrer sobre este ambiente de relacionamento com os clientes de forma mais aprofundada, utilizando-se para isto o Marketing 1to1 e os quatro R’s do Marketing de Relacionamento que nada mais é que: Relacionamento, Retenção, Referências e Recuperação. Palavras-chave: lealdade, necessidade, retenção e posicionamento de marca. ABSTRACT This study has as main objective to discuss the strategy of relationship with customers, showing how difficult it is to conquer and maintain a client nowadays, since the current market landscape is immensely more complex, where competition is more and more intense and consumers are much more demanding and selective in relation to market offerings. Given this aggressive scenario, it makes more than necessary the intelligent use of any customer relationship strategy, mainly aiming to obtain a competitive advantage over direct and indirect competitors. Competitive advantages can come from better understanding and deeper knowledge of customers with the use of all the information available in the consumer market that is currently available to virtually every organization. Understanding the customer and seeing what he sees is a unique differential to competitors. Therefore, this work aims in general to discuss this environment of relationship with customers in a more thorough way, using for this the Marketing 1to1 and the four R's of Relationship Marketing that nothing else is that: Relationship, Retention, References and Recovery. Keywords: loyalty, needs, retention and brand positioning. SUMÁRIO INTRODUÇÃO ........................................................................................................................... 8 1 - MARKETING 1TO1 ............................................................................................................ 10 1.1 - COMO MUDAR PARA O MARKETING 1TO1.......................................................................................... 11 1.2 - O FOCO EM CLIENTES ...................................................................................................................... 12 1.3 – PREMISSAS PARA O MARKETING 1TO1 .............................................................................................. 14 1.4 – CRM PARA O MARKETING 1TO1 ...................................................................................................... 15 2 - OS 4 R’S DO MARKETING ............................................................................................... 17 2.1 – MARKETING DE RELACIONAMENTO .................................................................................................. 17 2.2 – 4 R’S NO MARKETING DE RELACIONAMENTO ..................................................................................... 18 3 – FOCO DO CLIENTE .......................................................................................................... 21 3.1 – O QUE É VALOR PARA O CLIENTE ...................................................................................................... 22 3.2 – PROPOSTA DE VALOR ..................................................................................................................... 24 4 – FIDELIZAÇÃO E LEALDADE DE UM CLIENTE ............................................................. 26 5 – POSICIONAMENTO DE MARCA ..................................................................................... 29 5.1 – O QUE É POSICIONAMENTO DE MARCA ............................................................................................. 29 5.2 – COMO CONSTRUIR UM POSICIONAMENTO DE MARCA ......................................................................... 30 5.3 – PRINCIPAIS ESTRATÉGIAS PARA UM BOM POSICIONAMENTO .................................................................. 31 CONCLUSÃO .......................................................................................................................... 34 REFERÊNCIAS ........................................................................................................................ 38 8 INTRODUÇÃO O mundo hoje está amplamente globalizado, a concorrência está cada vez mais acirrada, ampliada e ainda por cima é global, visto avanços tecnológicos que reduziram significativamente o tempo e as distâncias. Novos produtos são lançados em um ritmo espantoso e tornam-se mundialmentedisponíveis em um curto espaço de tempo. Os meios de comunicação se proliferem. Novos canais e formatos de distribuição continuam a aparecer. Os concorrentes estão por toda a parte e estão famintos. Tendo isto mente, sabe- se que a relação entre as empresas e os clientes vem passando por mudanças significativas ao longo dos últimos tempos. Antigamente o foco era o produto. Hoje o foco das empresas deve estar no foco do cliente. Voltamos à época em que devemos reter ao máximo os bons e especiais clientes, pois é muito caro recuperar um destes. Devemos voltar ao relacionamento no qual o cliente deve ser tratado de forma individual, um de cada vez. Isto se faz necessário, pois assim podemos identificar as necessidades dos nossos clientes e tratá-las de forma personalizada. Diante dos avanços tecnológicos observados, da globalização e da competitividade, é perceptível novos comportamentos e hábitos das pessoas em geral. Há uma maior variedade de bens e serviço. Neste contexto temos um cliente bem mais informado e melhor preparado que deseja, anseia por excelência na qualidade de um produto/serviço e ainda por cima com desempenho superior se comparado aos similares do mercado, priorizando também excelência e exclusividade no atendimento. Este nos últimos tempos teve aumento substancial no seu poder de compra. Posto isto, pode-se dizer que atualmente há a necessidade de se fazer uma releitura no modo de como tratar um cliente e para isto o melhor a se fazer é utilizar o Marketing 1to1, também conhecido por Marketing Individualizado/Personalizado, no caso Marketing de Relacionamento. Neste caso é tratar o cliente individualmente, algo como fazer um produto/serviço sob medida (VAVRA, 1993, p. 47). Atualmente as pessoas não querem mais somente produtos/serviços, mas sim excelência no atendimento, benefícios, status e exclusividade, e isto só será possível utilizando da melhor forma possível as estratégias do marketing de relacionamento. Para isso, a tarefa primordial de uma organização é satisfazer o consumidor, atendendo suas necessidades com cuidado e atenção, levando em conta seu bem-estar em longo prazo, 9 respeitando as exigências e limitações impostas pela sociedade e atendendo as necessidades de sobrevivência e continuidade da organização. Nesse contexto entra o Marketing de Relacionamento que visa construir uma relação duradoura de longo prazo com o cliente baseada em confiança, colaboração, compromisso, parceria, investimentos e benefícios mútuos, resultando na otimização do retorno para a empresa e seus clientes. Esse tipo de Marketing envolve cultivar o tipo certo de relacionamento com o grupo certo. Aqui surge a fidelização/retenção dos clientes que é dada por meio de ações integradas, sistemáticas e contínuas de comunicação e promoção, gerando frequência e repetição de compra por parte dos clientes e recompensando-os por isso. Portanto, o estabelecimento de relacionamento com os clientes é, hoje, um compromisso que precisa ser assumido por todos dentro da organização (Régis, Mckenna). Para dar mais força ao Marketing de Relacionamento tem-se que ter em mente que hoje não basta excelência em know-how de produto e eficiência de produção para manter a sobrevivência de uma organização no longo prazo, uma vez que as necessidades dos clientes não precisam ser sempre atendidas através de uma única categoria de produto. Lembrando que as necessidades são permanentes, e produtos não, portanto, deve-se dar total atenção permanente às necessidades e aos clientes para não cair na miopia do Marketing. Enfim, este estudo fará uma análise sobre as estratégias de relacionamento com os clientes, abordando os quatro R’s do Marketing de Relacionamento, Marketing 1to1, retenção de clientes, lealdade, necessidades dos clientes e suas preferências. 10 1 - MARKETING 1to1 Atualmente concentrar-se no cliente é a única saída. Por isso relacionar-se com os clientes de forma individual, um de cada vez se faz necessário. Isso nada mais é que o Marketing 1to1. O objetivo maior desse ramo do marketing é satisfazer as necessidades do cliente, formando a base para uma relação duradoura, sedimentada na conquista da confiança e da lealdade à marca, produto ou serviço, através da humanização do contato com o cliente. Devemos conhecer muito bem cada um de nossos clientes, identificando exatamente suas necessidades e tratar eles de forma personalizada. Isso é tratar clientes diferentes de forma diferente, visto que os clientes são diferentes entre si. Ignorar esse fato ou não saber quais são essas diferenças, não elimina e não faz com que os clientes se tornem todos iguais. O dito comumente utilizado “O cliente sempre tem razão” atualmente é falso, pois há clientes que seguramente dão lucro, porém outros que seguramente dão prejuízo. Como ambos podem sempre ter razão? Por isso, esse dito deve ser mudado para “Alguns clientes (os bons) sempre tem razão, mesmo que não tenham”. Esses clientes bons são os de maior valor potencial para uma organização. Para esses clientes deve-se desenvolver uma relação personalizada, tal que seja cada vez mais conveniente para esse cliente fazer negócio conosco e que seja cada vez mais inconveniente para esse mudar para um concorrente. Lembrando que para recuperar um cliente é muito mais custoso que mantê-lo. Aqui a fidelização/lealdade traz conveniência para o cliente. O cliente fiel é mais barato, fato esse verdadeiro e isso também vale para o cliente, pois para esse também é mais barato manter-se fiel à empresa, visto sempre existir o custo de troca. Mas nesse contexto é importante ressaltar que o ser humano é infiel por natureza, pelo menos como consumidor e esse fato é muito relevante ao quesito fidelização. Sempre haverá o desejo do consumidor de experimentar novos produtos e serviços, independente do grau de satisfação desse. Portanto, somente a satisfação não traz fidelidade, necessariamente. Clientes satisfeitos podem mudar caso não haja custo nesse processo. O que garante mesmo a fidelidade é a inconveniência da mudança. Vale comentar que mesmo os clientes não satisfeitos, não necessariamente mudam de fornecedor, pois esse processo dependerá do custo dessa transação. 11 Agora, quando o grau de insatisfação do cliente é maior que o custo dessa mudança, o cliente vai mudar e recuperá-lo depois será uma tarefa quase impossível, ou pelo menos será muito custosa. Tem-se que ter em mente no quesito fidelização que a maioria das empresas perde 50% dos seus clientes a cada 5 anos e 70% desse número é em função do mau relacionamento da organização com o cliente. Por isso, cabe através do Marketing de Relacionamento definir quem você irá manter como cliente e quem não vai querer. Focar no Marketing 1to1 é voltar a fazer negócios como nossos antepassados. Porém, é de conhecimento geral que hoje é praticamente impossível conhecer cada um dos clientes, seus hábitos e necessidades sem o auxílio da tecnologia. O fato positivo é que o custo para se ter essa tecnologia vem se tornando muito mais acessível a todos nos últimos tempos, o que torna possível para a grande maioria das organizações. Mas o mais importante que ter essa tecnologia e seu custo é que as organizações devem mudar e revolucionar o jeito que fazem seus negócios. Para isso é preciso mudar também a forma de avaliar o sucesso dessa organização. 1.1 - Como mudar para o Marketing 1to1 Pensa-se que mudar o foco de uma empresa para o 1to1 é custoso, complicado e necessita-se de um esforço muito grande da organização. Porém, deve-se ter em mente que esse tipo de Marketing não deve ser feito para todos os clientes. Deve-se lembrar que o 1to1 é somente para os melhores clientes. São aqueles de melhor valor e maior potencial. Para os demais clientes, deve-se continuar com o Marketing convencionale para os piores, deve-se simplesmente atendê-los, sem deixar que sua imagem se prejudique nesse processo. Outro fato é que essa cultura deve ser aplicada aos poucos na organização. A medida que vai sendo assimilada, pela empresa e os resultados sendo comprovados, avança-se lentamente e gradualmente para os demais clientes citados acima. Deve-se ter em mente que o Marketing 1to1 é formado por quatro etapas, que são: Identificação: o Onde se distingue individual e detalhadamente cada cliente, através dos critérios estabelecidos no portfólio de clientes. Consegue-se assim otimizar recursos na etapa de prospecção e mesmo na etapa de 12 renovação de contratos. As ações de marketing podem, neste caso, ser melhor direcionadas e mais eficazes; Diferenciação: o Onde identifica os clientes primeiramente quanto ao seu valor agregado e em seguida por suas necessidades. É uma etapa delicada onde você deve estar muito bem preparado para qualificar corretamente cada oportunidade e enquadrá-lo através dos critérios estabelecidos, da forma mais assertiva possível. Inclusive, tendo o discernimento de projetar clientes com forte potencial de crescimento em uma linha definida de tempo; Interação: o Onde deve-se interagir constantemente com a sua base de clientes de forma a cativar os seus alvos. De fato, os clientes gostam de ser lembrados. E sem dúvida uma base de clientes bem relacionada caminha para o princípio da fidelização; Personalização: o Onde se consegue reter e personalizar clientes que apresentem níveis estabelecidos e desejáveis de valor agregado. É onde também se atingem níveis maiores de LTV - Life Time Value ou Valor Vitalício de Clientes. Aumentar o índice de retenção, significa obter uma receita contínua de cada cliente. Lembrando que praticamente todos os clientes são importantes, porém é preciso entender e compreender suas diferenciações com base na participação de cada um para o negócio. Fidelizar um cliente, significa mantê-lo fiel aos produtos ou serviços de uma empresa de forma positiva para ambos os lados da relação cliente-fornecedor. Mais ainda, é importante que o negócio conheça muito bem os clientes a serem fidelizados e trabalhem constantemente com esse objetivo. Normalmente são os clientes mais assediados pela concorrência. 1.2 - O foco em clientes As empresas que são focadas em clientes devem sair da personalização em massa e criar produtos e serviços de forma a melhor satisfazer as necessidades específicas de cada um dos seus clientes. 13 Quando o foco está no cliente, cada cliente é único. Com isso toda a comunicação é individual e bidirecional. Nesse ponto é certo dizer que o diálogo entre as partes é mais que fundamental, onde pode-se conhecer mais a fundo as necessidades particulares de cada um dos clientes, tendo como principal objetivo desenvolver produtos e serviços personalizados. O índice de sucesso da empresa deve ser mudado de simplesmente computar venda de produtos e serviços e sim medir a retenção e desenvolvimento dos melhores clientes. É claro que não se pode dizer que empresas voltadas para o cliente não devem medir a participação de mercado e não devem ter iniciativas de comunicação em massa. Além desses pontos, essas organizações também devem trabalhar com o desenvolvimento e retenção de clientes, dos melhores, e isso deve ser medido e acompanhado pela direção da empresa. No Marketing 1to1 o Share of Customer é mais importante que o Market Share, pois geralmente quando se busca participação de mercado, isso será feito a qualquer custo e tem de ser feito atendendo uma necessidade específica de um grande número de clientes, ou seja, com um único produto satisfazer essa necessidade. A chance de dar errado é grande, pois para os clientes há um grande número de opções e a luta pela participação de mercado é intensa e a principal arma é a redução de preços. Com isso a corrosão das margens é inevitável. Quando se busca a participação no cliente, o objetivo é identificar nos clientes de maior valor e potencial outras necessidades, relacionadas ou não à necessidade básica que os levou a buscar os nossos produtos e serviços. O que ajuda muito nesses casos é ter o foco no foco do cliente tendo o auxílio do diálogo direto com o mesmo. Ampliando o número de necessidades, menor será a pressão sobre as margens e menor será a conveniência de o cliente mudar de fornecedor. No mundo 1to1, a única vantagem competitiva real é a informação que temos do cliente e que os concorrentes não têm, informação essa que deve vir através do diálogo oriundo de todo o tempo de relação existente com o cliente. Tem-se aqui como diálogo, o contato pessoal, através do telefone, e-mail ou web site. Todos os detalhes e informações devem ser guardadas, pois o cliente lembra e sabe de tudo dessa relação, e isso deve também valer para a organização. Isso é importante, pois lembrar do que o cliente diz é simplesmente nunca fazer com que esse diga a mesma coisa mais de uma vez. Isso é degradante para uma relação. 14 Os interesses dos clientes devem ser sempre preservados. Devemos incentivar e valorizar os clientes a dar-nos a informação sobre si e sua vida. Em contrapartida, devemos sempre mostrar valor nessa entrega e que vale a pena continuar fiel à organização. Como disse Frank Welch, CEO da GE: “Nós temos duas fontes de vantagens competitivas: a capacidade de aprender mais sobre nossos clientes, mais rápido que nossos concorrentes e a capacidade de transformar esses conhecimentos em ações, mais rápido que nossos concorrentes” 1.3 – Premissas para o Marketing 1to1 Devemos proteger ao máximo nossos melhores clientes. Para isso devemos saber quais são os principais clientes. São aqueles que não podemos de forma alguma parar de fazer negócios, que não podemos nos dar ao luxo de perder. Temos que fazer uma análise mais profunda do que a organização está fazendo atualmente para que isso não aconteça. De outro ponto, devemos conhecer quais são os piores clientes. O quanto de dinheiro estou desperdiçando com eles. Essas são reflexões de partida para a utilização do 1to1 em uma determinada organização. Com os nossos melhores clientes devemos praticar o que chamamos de relação de aprendizado que é feito através de reclamações, sugestões e retroalimentações. Toda essa informação faz com que nossas ações sejam conduzidas pelas necessidades dos clientes gerando a fidelidade conveniente. A coleta de informações dos clientes, conforme já citado anteriormente é fundamental. Porém, deve-se deixar bem claro os objetivos da empresa e como essa irá utilizar toda essa informação. Por isso é mais que fundamental uma política de privacidade. Portanto, como dicas pode-se citar: Ter um objetivo claro do porquê das informações; Não pedir coisas que já estão no banco de dados; Usar a forma de contato preferida pelo cliente; Ser sensível ao tempo disponibilizado pelo cliente; Assegurar-se que o cliente veja valor nessa troca de informações; Incentivar o diálogo através dos diversos canais e; Proteger a privacidade do cliente. 15 Não podemos esquecer de ter o cuidado de não deixar o cliente constrangido em meio a tantas perguntas. É essencial saber coletar e trabalhar estes dados de uma forma bastante profissional, ou seja, deve-se limitar a consultar as informações que realmente são relevantes. 1.4 – CRM para o Marketing 1to1 As informações ajudam a conhecer melhor o cliente e colocam uma empresa em posição de destaque, o que poderá ser feito por meio de um banco de dados, o qual permitirá ter: Acessibilidade: o Habilidade para identificar cada cliente e assim atingir ele individualmente; Mensuração: o Saber se cada consumidor fez ou não uma compra, exatamente o que comprou, e, como, onde e quando foi feitaa compra (e seu histórico de compra); Flexibilidade: o Oportunidade de atrair diferentes clientes, de diferentes maneiras e em ocasiões diferentes; Contabilização: o Obtenção de quadros precisos da rentabilidade bruta de qualquer evento de marketing e dados qualitativos mostrando os tipos de clientes que participaram de cada evento específico (VAVRA, 1993, p. 50). Um desses bancos de dados que se tem para reunir informações sobre clientes é o CRM - Customer Relationship Management que "é a integração entre o Marketing e a tecnologia da Informação para prover a empresa de meios mais eficazes e integrados para atender, reconhecer e cuidar do cliente em tempo real e transformar estes dados em informações que, disseminadas pela organização, permitem que o cliente seja "conhecido" e cuidado por todos. Além de estar preparado para atender no primeiro toque, é preciso responder o e-mail ou o fax assim que chega à empresa, e incorporar todos os dados de contato no banco de dados de marketing para gerar uma comunicação continuada e com pertinência por qualquer meio (telefone, mala direta, e-mail e pessoal)" (BRETZKE). 16 Em outras palavras, o CRM é a junção do antigo banco de dados com informações cadastrais mais informações de vendas mais contas a pagar mais web site mais tudo aquilo que estava no cérebro do vendedor mais todos os contatos do Call Center. Essas informações agora estão todas interligadas, o que resulta em um melhor serviço ao cliente e resulta também num sistema de feedback que indica oportunidades e ameaças em tempo real. A filosofia do CRM pode ser traduzida como: "esqueça o produto, pense no cliente". Com ele, a empresa consegue entender melhor os clientes, oferecer-lhes mais apoio, servi- los melhor e, em última análise, ganhar novos clientes. E isso é fundamental porque, no final das contas, nossos melhores vendedores acabam sendo os próprios clientes, pois podem mostrar aos outros como estão sendo ajudados por nossos produtos. (GASET,2001). Centralizar todos os dados dos clientes, em um banco de dados permite, conhecer o perfil completo de um cliente e ajuda até a constatar as ameaças e oportunidades que vieram em uma reclamação desse por problemas encontrados no seu produto/serviço. Com essas informações, também é possível acompanhar a atuação do concorrente no mercado e qual o tipo de produto/serviço está fazendo e qual sua aceitação no mercado. Até mesmo é possível saber o que o cliente está precisando ou fazendo no mercado. É possível afirmar que o CRM e toda essa tecnologia de informação, que está assistida pela Internet, está ajudando as organizações a entender melhor o cliente de forma mais eficaz do que nunca antes na história da humanidade. Portanto, ter o conhecimento sobre hábitos, costumes e preferências do cliente através dos bancos de dados permite as organizações surpreender os clientes e que isso permita estar sempre presentes no seu dia a dia. Que esses bancos de dados permitam, por exemplo, até oferecer ou mesmo realizar a sua compra diária, uma vez que disponibilizamos das informações para tal, o que torna a relação empresa-cliente mais personalizada, próxima e formal. 17 2 - OS 4 R’s DO MARKETING 2.1 – Marketing de Relacionamento Conforme (MADRUGA, 2004) citou que Marketing de Relacionamento já era aplicado no passado nas mercearias de bairros, nas quais as compras eram feitas e anotadas nas cadernetas, para pagamentos futuros. Utilizava-se o crediário, sem precisar o comprovante de renda. Tudo isso era possível porque o proprietário do estabelecimento conhecia muito bem os seus clientes, pelo nome, sobrenome e quantos filhos tinha. Este fato mostra que o Marketing de Relacionamento já acontecia nessa época, porém de uma forma muito embrionária. A fidelidade dos clientes nesses casos era uma certeza de que todo mês o cliente vinha fazer as compras da casa. Com a mudança da economia global, esses estabelecimentos começaram a enfraquecer, e esse tipo de relacionamento deixou de existir aos poucos. O Marketing de Relacionamento é considerado a evolução do Marketing com a soma de outras formas de conhecimento que afinal de contas, foram complementares. Um dos exemplos é a Qualidade Total que emprestou ao Marketing de Relacionamento a sua preocupação com a gestão pela qualidade que deve permear toda a organização e atingir todos os níveis hierárquicos como forma de atender aos requisitos do cliente com processos de trabalho e indicadores de produção bem definidos. (MADRUGA 2004, p. 35). Conforme (MADRUGA, 2004) o Marketing de Relacionamento é um processo contínuo no qual o cliente, tenta ser compreendido nas suas necessidades e passam a ser criado valor individualizado e relacionamentos duradouros. O relacionamento está além da simples venda ou repetição da compra pelo mesmo produto no mesmo estabelecimento. Sabe-se que manter um cliente no portfólio da empresa é menos oneroso, e apresenta sinais de estabilidade para a empresa. Para que o Marketing de Relacionamento tenha êxito na implantação dentro das empresas, (MADRUGA, 2004) apresentou seis funções essências do processo, que são: 1. Elaboração conjunta de nova visão e cultura empresarial voltada para os clientes onde a empresa deseja e age de forma integrada na busca da excelência no relacionamento interno e externo; 2. Construção de objetivos do Marketing de Relacionamento conectados à visão e sempre de natureza límpida. Os objetivos são entendidos, negociados e acompanhados por toda a organização; 18 3. Estabelecimento das estratégias do Marketing de Relacionamento voltadas para a criação de valores em conjunto com os clientes. As trocas relacionais de sucesso e as estratégias são inúmeras, claras e focadas; 4. Implementação de ações táticas com o foco no relacionamento colaborativo com clientes. Elas são apoiadas por uma infra-estrutura que traz segurança e precisão para os funcionários que estão na linha de frente com o cliente; 5. Obtenção de benefícios mútuos, isto é, empresas e clientes tiram proveito da cooperação ocorrida em vários momentos de contato. A empresa entende melhor as necessidades do cliente, que se prontifica a fornecer informações valiosas a seu respeito, produtos e serviços; 6. Direção da ação, capacitação e envolvimento dos colaboradores da empresa para relacionamento superiores. A maior contribuição para gerar diferenciais competitivos no contato com o cliente sempre é dada pelos colaboradores, desde que treinados e encorajados e motivados. (MADRUGA 2004, p. 22). Como pode ser visto pelos seis pontos demonstrados por (MADRUGA, 2004), o relacionamento é uma maneira sofisticada de interagir com o cliente. Que por sua vez permite a empresa satisfazer as necessidades dos clientes, agregando valores aos produtos e serviços. As empresas devem entender que clientes são ativos a longo prazo, que tem maior chance de ter sucesso. Isso quer dizer que esse cliente voltará a comprar novamente. "A atividade central no Marketing de Relacionamento é o planejamento e implementação de campanhas de comunicação. Cada campanha consiste em um conjunto de ações e que está associada à estratégia de interação e, portanto, ao tipo dos clientes. Pode-se iniciar um contato com um anúncio de resposta direta numa mídia de massa, ou com uma ação de telemarketing, mala direta, ou ainda com a visita do vendedor" (BRETZKE). 2.2 – 4 R’s no Marketing de Relacionamento Conforme (BARNES, 2002) defendeu que existem outros quatro conceitos que devem ser considerados tão seriamente quanto os 4 P’s ou o Mix de Marketing. Estes conceitos representam uma visão mais atualizada do Marketing de Relacionamento. Os 4 R’s se referem ao relacionamento, retenção, referência e recuperação. Com essa nova abordagem permite-se estabelecer um Marketing mais efetivo. Esta visão requerque a empresa entenda que o sucesso acontece no longo prazo. 19 A Retenção significa manter os clientes que a empresa deseja através de um trabalho diferenciado que exceda as expectativas deles. A retenção custa bem menos que a aquisição de novos clientes. O foco deve estar na retenção voluntária através de ações de retenção de clientes, não baseadas na falta de alternativa ou porque estão presos a um programa de premiação. A estratégia de programas de premiação são muito pobres e contribuem pouco para o sucesso no relacionamento de longo prazo. Muitas vezes tal estratégia resulta no oposto do esperado. Assim que um cliente em um relacionamento tem a chance de abandonar a empresa, ele irá quebrar a continuidade do relacionamento e transferir seus negócios para outra empresa. Portanto, retenção é resultado de um conjunto de ações continuadas e monitoradas as quais os clientes percebem mais valor que o obtido em um relacionamento alternativo. (BARNES, 2002) O Relacionamento existe quando o cliente voluntariamente dispõe a trabalhar com a empresa por um período longo de tempo e continua entusiasmado por causa da maneira como é tratado. Construir relacionamentos significa estar próximo dos clientes em uma tentativa de entender e servi-los bem, podendo ir além das suas expectativas. A natureza do relacionamento requer confiança e os elementos que alimentam a confiança, tais como: comprometimento, comunicação e entendimento. E por esta razão, é necessário atribuir o mesmo caráter de prioridade a que atribuímos a outros aspectos do negócio. (BARNES, 2002) A Referência diz respeito ao poderoso efeito da propagação de uma satisfação resultante de um trabalho bem feito com um cliente específico. Lembre-se que a impressão deixada por cliente satisfeito, levará outros a se tornarem clientes. Quando os clientes estão completamente satisfeitos com um serviço ou produto, eles estarão mais propensos a disseminar a notícia. As pessoas têm a tendência de realizar algo que foi altamente recomendada por aqueles que elas confiam, amigos ou familiares. Os clientes irão voltar como também irão trazer amigos e influenciar muito outros. (BARNES, 2002) A Recuperação de um cliente que recebeu um tratamento fraco deve ser parte da administração de uma carteira de clientes. Obviamente que falhas acontecem e sempre existirá a necessidade de recuperar clientes. Este é um aspecto dos negócios, porque nenhuma empresa é impecável. O imprevisível irá destruir o que foi de melhor feito e planejado. Entretanto, erros podem se tornar oportunidades de impressionar o cliente e recuperar a lealdade dele. O fato não é só de recuperar o cliente, mas mostrar para ele que é importante dentro do contexto da empresa. Esse restabelecimento possibilita a lealdade 20 ao comprometimento do cliente. Também apresentam ao futuro cliente o empenho da empresa com a sua satisfação. (BARNES, 2002) (BARNES, 2002) apresenta um dos fatores importantes a destacar é que os funcionários estejam treinados para esses imprevistos e tenham autonomia para resolver o problema no momento que aconteceu, a hora da verdade no momento presente é fator decisivo para o encantamento. Caso isso não ocorra o cliente se frustrará, porque terá que passar por diversos níveis dentro da empresa e esperar retornos e feedback através do sistema burocrático, antes que o problema seja resolvido. (BARNES, 2002) evidencia que o Marketing Relacionamento tem que proporcionar emoções ao cliente tem dentro da empresa, gerando uma satisfação e fidelidade, essa experiência que cliente tem muitas vezes não está nas técnicas, nem inclusa no planejamento. Os autores (BARNES, 2002) e (MADRUGA, 2004) possuem pontos em comum em sobre Marketing de Relacionamento que por sua vez deve ser aplicado com uma visão de ter ativos a longo prazo, mas sabendo-se que esses relacionamentos devem ser sempre monitorados e revistos constantemente. 21 3 – FOCO DO CLIENTE Atualmente, as empresas estão utilizando um conceito relativamente novo quando o tema é cliente, criado na década de 90, e que veio a quebrar o antigo paradigma de que deveríamos atender a todo mundo, sem distinção, afinal não somos todos iguais, pois temos necessidades diferentes. Por isso, conforme já citado anteriormente, devemos focar nos clientes lucrativos, ou seja, atender bem os clientes que trazem margens lucrativas para a empresa. Com isso podemos perceber como é vital para uma empresa identificar o seu público-alvo e satisfazê-lo de maneira certa. Mas como o mundo está cada dia mais dinâmico, a velocidade da informação e a precisão de praticidade, os clientes estão correndo atrás das empresas que mais lhe agradam e satisfazem suas necessidades de consumo. Com isso surge o temo “Foco do Cliente” onde o conceito é: o cliente selecionará o fornecedor que mais se “adequar” as suas pretensões, necessidades e estilo de vida. Usando esse conceito, as empresas devem executar pesquisas para entregar exatamente o que o seu público-alvo precisa. Para isso deve-se: Ouvir o seu cliente, criando canais de acesso para facilitar a comunicação, como e-mail ou central de suporte; Pesquisar o setor no qual se atua, identificando vontades de grandes massas e satisfazendo individualmente cada um de seus clientes; Planejar o resultado com as informações colhidas pelos processos de pesquisas, ter visão para criar, satisfazer e inovar; Analisar a concorrência e sempre fazer o possível para obter um destaque, um diferencial sob seus produtos ou serviços; Ter em mente que a fidelização não existe, visto que provavelmente nenhum cliente utilizara seus produtos ou serviços para sempre, pois na mente humana a mudança é uma constante, como um processo natural. O que se deve tentar fazer é prolongar a estada do cliente em sua empresa com um bom atendimento e um excelente produto. Portanto, para conseguir ir além da visão atual do cliente, é necessário antecipar-se às suas demandas. A antecipação é uma vantagem competitiva e o valor percebido pelo cliente também o é. 22 Para compreender adequadamente o cliente, é necessária uma mudança de posição. Quando falamos em foco NO cliente, a posição que nos vem à mente é estarmos "frente a frente" com o cliente. E quando olhamos para um cliente nós o vemos, mas o que ele vê e espera está do lado oposto; nas nossas costas. Portanto, para ter a mesma perspectiva do cliente é necessário virarmos 180 graus, posicionando-nos ao lado do cliente. E esta é a "grande virada"... Se a empresa vislumbrar a "mesma paisagem" do cliente, considerando que tenha competências que ele não tem, estará em condições de sugerir alternativas muito mais interessantes para o resultado esperado do que aquelas que já foram escolhidas por ele. E esta é a perspectiva do foco DO cliente. A empresa que se coloca ao lado do cliente (giro de 180 graus) passa a analisar a perspectiva DO cliente. E com essa nova perspectiva a empresa consegue fugir da comodidade danosa do foco induzido pelo cliente, colocando à disposição do cliente suas múltiplas competências, permitindo que eles tenham acesso ao que nem imaginavam precisar e que pode superar a sua expectativa e melhorar o seu resultado. É esta visão que "revela a paisagem que os olhos e sentidos do cliente registram e que compõe a base sutil que está delineando as suas verdadeiras necessidades muito antes delas estarem prontas para serem verbalizadas por ele mesmo." É um dos mais inteligentes e eficazes processos para anteciparmos o que é importante para o cliente, trazendo à sua vista, de maneira inusitada, o que ele sempre quis e não soube pedir. 3.1 – O que é Valor para o Cliente Antes de falar em Foco do Cliente, é preciso identificar o que é Valor para o Cliente. O conceito de valor, que está baseadoem percepção e na capacidade de satisfazer as necessidades a partir do ponto de vista do cliente. De uma forma mais pragmática, o valor percebido pelo cliente inclui diversos aspectos, tanto extrínsecos quanto intrínsecos. Valores extrínsecos são tangíveis, visíveis e que podem ser quantificados, como por exemplo, os próprios produtos, máquinas, tecnologias, etc. Em contrapartida são variáveis, podem se modificar rapidamente (o produto que era bom até pouco tempo atrás não é mais... como rapidamente os tablets substituíram os netbooks). Já os valores intrínsecos são intangíveis e perenes, incluindo-se nesta classe a ética e o relacionamento. Somente com clientes escolhidos é possível criar um ambiente em que o valor pode estar presente e gerar resultado. 23 O valor do cliente também pode ser definido como o grau de benefício obtido como resultado da utilização e das experiências vividas com um produto. É a percepção do cliente e das demais partes interessadas sobre o grau de atendimento de suas necessidades, considerando-se as características e atributos do produto, seu preço, a facilidade de aquisição, de manutenção e de uso, ao longo de todo o seu ciclo de vida. As organizações buscam criar e entregar valor para todas as partes interessadas. Isto requer um balanceamento do valor na percepção dos clientes, dos acionistas, da força de trabalho e da sociedade. Kotler e Keller (2006, p. 140) conceituam que o valor percebido pelo cliente é “a diferença entre a avaliação que o cliente potencial faz de todos os benefícios e custos relativos a um produto ou serviço e as alternativas percebidas”. Por benefícios, denominados como valor total para o cliente, consideram-se todos os valores esperados por ele em relação a um determinado produto ou serviço, como os benefícios econômicos, funcionais e psicológicos esperados. Já por custos relativos, denominados como custo total para o cliente, consideram-se todos os custos esperados pelo consumidor em relação ao processo de avaliação, obtenção, uso e descarte de determinados produtos ou serviços, nos quais se incluem custos monetários, de tempo e de energia física e psíquicos. Essa concepção, portanto, possibilita compreender muitas das preferências do consumidor por um determinado produto ou serviço. A proposta de valor de uma organização para o cliente, segundo Kotler e Keller (2006, p. 141), “consiste em todo um conjunto de benefícios que a empresa promete entregar” estando além do posicionamento central da oferta. Para Las Casas (2008), a oferta de valor pelas organizações não pode acontecer apenas com a identificação do que os clientes querem e com a adaptação das atividades de marketing em relação à comercialização. “Nesta nova economia, as empresas precisam fazer os consumidores participar da criação de valor” (LAS CASAS, 2008, p. 21). Las Casas (2008) propõe que as organizações busquem obter interatividade com clientes para conseguir conhecê-los adequadamente e a partir disso desenvolver suas propostas. De acordo com Lovelock e Wright (2006), “as empresas criam valor oferecendo os tipos de serviços que os clientes necessitam, apresentando acuradamente suas capacidades e realizando-as de maneira agradável e conveniente por um preço justo”. Complementando esta ideia Churchill e Peter (2010) dizem que as empresas podem oferecer valor superior aos clientes, provendo melhores serviços, criando marcas significativas ou estabelecendo preços mais baixos que os concorrentes. 24 Empresas que estão voltadas para clientes estão sempre em busca de melhorar seu desempenho no seu mercado de atuação para desenvolver uma vantagem competitiva diante da concorrência. O cliente quase sempre vai de fornecedores que tem menos valor para aqueles que trazem e entregam mais valor. Portanto, a essência da estratégia empresarial se torna fornecer valor para o cliente. Em um ambiente tecnológico altamente dinâmico, produtos vêm e vão, mas os clientes permanecem. Projetando sistemas que focalizem o cliente, as empresas serão capazes de identificar antecipadamente as mudanças de necessidades e reagir a elas com produtos e serviços sempre inovadores. 3.2 – Proposta de Valor A proposição de valor é definida com os pacotes de produtos e serviços que criam valor para um segmento de clientes específico. A proposição de valor é a razão pela qual os clientes escolhem uma empresa em detrimento de outra. Ela resolve um problema ou satisfaz uma necessidade do cliente. Cada proposição de valor é composta de um conjunto selecionado de produtos e/ou serviços que atende às exigências de um segmento de clientes específico. Nesse sentido, a proposição de valor é uma agregação, ou pacote, de benefícios que uma empresa oferece aos clientes. Algumas proposições de valor podem ser inovadoras representando uma oferta nova ou diferenciada. Outras podem ser semelhantes às ofertas existentes no mercado, mas com características e atributos adicionais. A proposta de valor é construída com base na identificação dos pilares da organização, apontando como ela deve ser percebida pelo mercado. É uma promessa do valor a ser entregue, por isso, é a principal razão que indica porque um cliente deveria comprar o seu produto e não o dos seus concorrentes. Em poucas palavras, a proposta de valor: Explica como o seu produto resolve os problemas dos clientes ou melhora a sua situação, ou seja, oferece relevância; Oferece benefícios específicos (valor quantificado); Proporciona diferenciação única, indicando ao cliente ideal porque ele deveria comprar algo no seu e-commerce e não no seu concorrente. A proposta de valor deve dizer de forma clara e imediata os benefícios do seu produto. Além de ser a primeira informação que um cliente recebe, deve ser bem acessível à esse a qualquer hora. Isso é para melhorar o seu valor no ciclo de vida do cliente. 25 A proposta de valor pode ser por: Menor Custo Total: Preços competitivos, qualidade consistente, facilidade, velocidade de compra e variedade; Liderança de Produto: Produtos inovadores, a melhor qualidade, clientes de vanguarda e preços elevados; Soluções Completas aos Clientes: Relacionamentos duradouros, confiança, customização e pacotes completos; Aprisionamento: Criação de padrões de fácil uso, alto custo de mudança e plataforma estável. Criar valor é estratégico e faz parte do intangível da organização. A criação de valor para as organizações se dá por meio da transformação do conhecimento tácito em explícito. O conhecimento tácito é aquele intrínseco ao ser humano, de difícil transmissão e o conhecimento explícito é o que está mais visível, de fácil recuperação. Para criar valor é essencial um ambiente organizacional com políticas de gestão de pessoas que permitam a participação e o compartilhamento dos conhecimentos, valorização do potencial dos colaboradores, complementariedade de competências, espírito de equipe e alinhamento das competências dos colaboradores às competências essenciais para a consecução das estratégias. O segredo para o sucesso está em oportunizar um clima organizacional favorável à criação de valor alinhada a uma gestão orientada por processos que permita a geração deste valor, transformando o intangível em tangível. A geração de valor viabiliza a entrega de produtos e serviços inovadores desenvolvidos para satisfazer necessidades e expectativas dos clientes e mercado. Na perspectiva dos clientes, o produto gerado pelo processo tem seu valor percebido pelo cliente. A criação e geração de valor é o diferencial competitivo das organizações da Era do Conhecimento. 26 4 – FIDELIZAÇÃO E LEALDADE DE UM CLIENTE Quanto mais alto o valor percebido pelo cliente, mais satisfeito ele ficará e maior será a possibilidade que se torne leal à marca. Com isso, maior seráa probabilidade de a empresa estabelecer uma relação de longo prazo com esse cliente. A geração de lealdade e o relacionamento com o cliente são considerados fatores decisivos para a alavancagem de vantagem competitiva e sucesso de uma empresa. A entrega de um alto valor para o consumidor poderá garantir sua retenção, fidelização e lealdade. Entretanto, alguns autores acreditam que o mundo está muito competitivo para a lealdade. Discordando desta ideia, Kotler e Keller (2012), afirmam que o principal objetivo das empresas deve ser aumentar a propensão de recompra dos consumidores. Quanto maior o envolvimento de um cliente com a empresa, maior probabilidade de que ele se mantenha fiel a ela. Nesse sentido, Sheth, Mittal e Newman (2001) afirmam que a lealdade do cliente é um compromisso do mesmo com certa marca/empresa, com base em uma forte atitude favorável, manifestado na recompra consistente. Contudo, se a empresa contratada desapontar o cliente ou se um concorrente passar a oferecer um valor superior, existe o risco de deserção do cliente. É mais lucrativo manter bons clientes do que constantemente ter de atrair e desenvolver novos clientes para substituir os que saem. A proporção financeira desse processo é de cinco vezes mais custoso atrair um novo cliente que manter um. A empresa que busca se diferenciar de seus concorrentes precisa encontrar maneiras de desenvolver um relacionamento de longo prazo, o que inclui um processo de pós-venda para se certificar que o cliente está satisfeito com o produto adquirido. A gestão do relacionamento com o cliente permite à empresa descobrir quem são seus clientes, como se comportam e do que precisam ou desejam. Também possibilita que ela responda de forma apropriada, coerente e rápida a diferentes oportunidades de atraí-los e retê-los. O impacto da retenção focaliza o relacionamento experimentado entre o cliente e a empresa, baseado nas ações de ambos para estabelecer, desenvolver e manter um relacionamento de alta qualidade (RUST, ZEITHAML e LEMON, 2001). Nessa relação, encontram-se os funcionários que podem ser fortes aliados ou acabar afastando clientes. Os resultados da compra com base no relacionamento bem-sucedido, segundo Sheth, Mittal e Newman (2001), são a lealdade ao fornecedor, o aumento do volume e do valor das compras, a disposição de pagar mais (os clientes começam a perceber uma 27 superioridade substancial nas ofertas da empresa e se mostram dispostos a pagar um preço maior pelos seus produtos), a comunicação boca a boca proativa e a boa vontade do cliente. Então, um alto índice de retenção de clientes pode criar uma enorme vantagem competitiva, pois eleva o moral dos funcionários, gera vantagens inesperadas em termos de produtividade e crescimento e até reduz custos de capital, mas isso só poderá acontecer se a empresa fornecer um valor superior para seus clientes (REICHHELD, 1996). A medida que as empresas se tornam mais orientadas para o cliente, elas colhem ganhos impressionantes e conquistam notável vantagem competitiva no mercado, levando-as a um desempenho empresarial mais alto, na forma de aumento da lucratividade e de um crescimento de receita. Dessa forma, Churchill e Peter (2010) definem vantagem competitiva como a capacidade de uma empresa ter um desempenho melhor que o dos concorrentes na oferta de algo que o mercado valorize. Estabelecer uma vantagem competitiva sustentável significa construir uma barreira ao redor de sua posição no mercado, que dificulte o contato dos concorrentes com os seus clientes (LEVY e WEITZ, 2000). Portanto, uma organização que oferecer, por mais tempo possível, um produto ou serviço que tenha mais valor sobre os concorrentes, vai ter uma maior vantagem competitiva. De acordo com Reichheld, 2006, existe uma armadilha quando o assunto é satisfação. Na indústria automobilística por exemplo, de 85% a 95% que se dizem satisfeitos com seus veículos, apenas 30 a 40% retornam para a marca atual, ou seja, a satisfação é um ingrediente da lealdade, A satisfação é um começo de uma sequência de atividades que pode levar a lealdade. A lealdade é um estágio quase raro, que alguns consumidores atingem e não trocam de forma alguma, suas marcas fornecedoras, porém não deve ser confundida com a falta de opção. Vale aqui comentar que hoje o foco está mudando de fidelidade para lealdade. A lealdade é opção, escolha, atitude e DNA. É um estado de espírito, um conjunto de atitudes, crenças, desejos, etc. A empresa beneficia-se do comportamento leal dos clientes – consequência do estado de espírito deles. Também é um estado de espírito relativo, portanto, um mesmo cliente poder ser leal a várias empresas ao mesmo tempo. Vide que a fidelidade é o cliente optar por sua marca entre todas as outras com uma habitual frequência. Já lealdade não há necessariamente que haja a compra de fato, contudo, o cliente é espontaneamente um advogado, um defensor da marca. Para a fidelidade do cliente, é necessária a busca constante por programas de fidelidade, seja ele através de pontos ou recompensa. A fidelidade está mais ligada a traição, mas como nos 28 negócios, as pessoas são livres para fazerem suas escolhas, não existe traição em ir buscar uma outra alternativa para comprar. Contudo, se ela estiver embasada no conceito de bom atendimento, a empresa que possui uma missão que eleva seu status ou por outros elementos que não estejam ligados a preço ou programas, ela já se torna lealdade. A lealdade não consta nos números de vendas, ou na frequência que o cliente vai a sua loja. Esta informação só pode ser descoberta quando perguntada ao seu público-alvo. Fred Reichheld, criador do Net Promoter Score ®, argumenta que os consumidores dão notas 9 ou 10 entre 0 e 10, apenas para as marcas, produtos, ou serviços que eles defendem e acreditam que suas vidas melhoraram ao criarem um vínculo de relacionamento com a marca em questão. O NPS consegue mensurar não apenas o número de promotores que sua empresa possui, mas também o número de consumidores leais a ela. A lealdade é mais profunda, pois o cliente considera outros fatores além da qualidade do produto e preço. Normalmente, ele é cliente porque acredita na missão da empresa e gosta da forma que é atendido. É quase uma relação de amizade com a empresa ou com alguém que está lá dentro. Por isso a importância do trabalho em equipe. Enquanto a fidelidade oferece picos de crescimento, a lealdade estabiliza a empresa. Porém, não existe lealdade sem antes vir o conhecimento e a relação direta. Por isso que, antes de querer clientes leais, é preciso obter clientes fiéis. Mas também não se pode esquecer que, para isso, deve-se satisfazer o cliente fiel muito além do que apenas na economia ou com programas de fidelização, pois isso o fará fiel ao programa e não a empresa. Oferecer mais do que está anunciado poderá proporcionar lealdade. Por outro lado, os clientes irão visitar ou conhecer sua empresa independente de qualquer coisa. É preciso estar preparado para entregar tudo o que ele busca. Você poderá ter um cliente leal sem passar pela fase de fidelização. O comportamento do consumidor demonstra uma diversidade e por isso é difícil cravar o que vem antes entre lealdade e fidelidade. Existem variáveis que fazem o cliente se tornar fiel antes de leal e o contrário também é verdadeiro. Mas, considerando a desconfiança do consumidor, é possível afirmar que a fidelidade do cliente pode ser mais recorrente, visto que esta é embasada em artifícios que movimentam o cliente em direção a sua empresa. 29 5 – POSICIONAMENTO DE MARCA 5.1 – O que é Posicionamento de Marca Posicionamento de marca é o lugar que uma empresa ocupa na cabeça de seus consumidores. Uma marca bem posicionada no mercado é aquela que tem as suas principais vantagens e características evidenciadase afirmadas na mente do público. Nesse sentido, para que o posicionamento seja relevante, a corporação precisa trabalhar todas as associações que o cliente fará da sua marca, desde a identidade visual até a trilha sonora. Além disso, para que a sua estratégia de posicionamento seja efetiva, todo o conceito deve ser transmitido e estar claro para todos os envolvidos com o seu negócio: colaboradores, fornecedores, concorrentes e, principalmente, os consumidores. Assim, podemos dizer que a empresa que não tem um posicionamento claro e bem definido também não é facilmente reconhecida, o que acaba afetando a sua imagem no mercado, além de prejudicar as vendas. O posicionamento de marca é uma atividade que começa dentro do negócio por meio dos valores, da cultura e do perfil dos colaboradores. Uma vez consolidada na empresa, ela deve ser comunicada e reforçada ao público. Com isso, ela tem o poder de criar fortes elos emocionais com os clientes e aumentar a fidelização. O posicionamento confere às empresas uma imagem dentro da mente do consumidor e isso vai fazer com que as empresas se destaquem perante seus concorrentes. Essa imagem deve ser construída através utilizando-se da comunicação ativa dos atributos, benefícios ou valores que os distingue dos concorrentes, focando é claro público-alvo. Os atributos ou benefícios que ajudam a posicionar corretamente uma marca, tem que ser relevantes para os consumidores, pois se não for assim, não adianta em nada criar uma estratégia de posicionamento de marca. Se a empresa não está oferecendo algum diferencial, os consumidores não vão escolher a sua marca e sim os concorrentes. Uma marca, com base em suas promessas realizadas sobre os seus benefícios distintos, tem que ser capaz de entregar os benefícios para os consumidores de uma forma melhor do que a concorrência. Se não isso não acontecer assim, de nada valerá todo o trabalho investido. 30 O posicionamento de marca é na verdade a chave do sucesso de qualquer negócio, pois está baseado em criar uma imagem e uma identificação, visto que a competição pelo cliente já acontece na mente do consumidor. Se uma marca não tiver clara posição na mente do consumidor, dificilmente terá chance de sobreviver no mercado. 5.2 – Como construir um Posicionamento de Marca Conforme já citado anteriormente, disponibilizar um bom produto ou serviço atualmente não é mais suficiente para manter a sua empresa competitiva e alavancar vendas. O que realmente vai fazer a diferença é a maneira como a sua marca é vista pelos clientes. Além da forma como ela se relaciona com as pessoas. Assim, o posicionamento tem como objetivo esclarecer o significado da marca. Reforçar como ela é exclusiva ou superior às concorrentes e comunicar os motivos pelos quais os consumidores devem escolhê-la também. Isso é criar uma vantagem competitiva perante seus concorrentes. Com isso é possível aumentar os níveis de fidelidade e até criar lealdade nos clientes, potencializar o valor da marca e vender mais. Por isso é importante: Pensar nos valores da Empresa: o Quais são os aspectos intangíveis que a sua empresa não abre mão, como transparência, qualidade e honestidade. Isso será um norte fundamental para construir a “personalidade” da sua Marca. Saber que são meus Stakeholders: o É preciso conversar diretamente com todos os envolvidos no seu negócio (clientes, funcionários e fornecedores). Esse tipo de conhecimento vai ajudar a criar, de fato, uma marca forte e também facilitar a comunicação com cada um dos públicos, visando assim conquistar o reconhecimento no mercado. Valorizar os seus diferenciais: o É importante analisar e mapear tudo que a organização faz que os concorrentes não conseguem copiar. Não precisa ser necessariamente estar atrelado à um produto. Manter um relacionamento próximo com os clientes, oferecendo experiências únicas ou desenvolver uma sistemática própria de trabalho podem ser exemplos de diferenciais que podem e devem também ser valorizados pela organização. 31 Informar quais são os produtos e serviços oferecidos: o Deve ser em definido o portfólio de produtos e serviços da empresa. Parece algo banal, mas muitas organizações não sabem responder com clareza a simples pergunta: “O que fazemos”. Uma arquitetura de marca bem estruturada possibilita auxílio aos consumidores entender bem quais são os produtos e serviços oferecidos. Ajudando-os, assim, a organizá-los em sua mente. Definir sua personalidade e ser consistente: o A marca deve assumir uma personalidade única e que deverá permear todo o negócio. Os valores e a voz da sua marca devem ser mantidos e relembrados a todo momento. É essa consistência que será a grande responsável por fixar o posicionamento na mente dos clientes e colaboradores. 5.3 – Principais estratégias para um bom posicionamento Devemos levar em conta os seguintes pontos para uma boa estratégia de posicionamento de marca. Seguem abaixo: Atributo: o A estratégia é concentrar-se em um atributo, como o tamanho ou a idade da marca. Quanto mais atributos para posicionar, mais complicado será posicionar-se na mente dos consumidores. Benefícios: o Produtos e serviços se posicionam com base no benefício que proporcionam. Qualidade ou preço o Basear a estratégia na relação qualidade-preço. A empresa deve oferecer a maior quantidade de benefícios a um preço razoável. Concorrente o Comparar as vantagens e atributos com as marcas da concorrência. Afirmar que a marca é melhor em algum sentido na relação com o concorrente. Uso ou aplicação 32 o Trata-se de posicionar como os melhores tendo como base o uso ou aplicações específicas. Para uma boa estratégia também é fundamental ter em mente os erros mais frequentes com relação à posicionamento de marca. Um dos erros é o “subposicionamento” ou “sobreposicionamento”, onde o primeiro é não ser capaz de apresentar um benefício principal e fundamental e o segundo é propor um valor de forma muito limitada e estreita, fazendo com que o consumidor pense que a marca não se dirige a eles. Outro ponto importante a ser citado é fazer também um posicionamento confuso onde se apresenta dois ou mais benefícios que não são coerentes entre si ou se contradizem. Gerar ruídos ou ter posicionamentos dúbios também prejudicam a imagem de uma organização. Para uma boa estratégia de posicionamento de marca, é importante saber que um bom aliado desse processo é o conceito de diferenciação, uma vez que as empresas somente vão obter uma posição única e distinta no mercado por meio da escolha de atributos que diferenciem sua oferta em relação aos concorrentes. Lembrando que o conceito diferenciação no final das contas gera valor para o comprador. Assim sendo, para se conseguir uma diferenciação sustentável, é fundamental que a empresa execute de um modo singular uma gama de atividades de valor que influenciam decisivamente os critérios de compra. Quando uma empresa opta pela estratégia de diferenciação, ela procura basicamente diferenciar o seu produto em relação ao mesmo produto oferecido por concorrentes de maneira a atrair uma grande faixa de compradores e com isso lograr alguns pontos na liderança do mercado. Para isso, é importante conhecer que existem três tipos de estratégias de diferenciação que uma empresa pode-se utilizar, como: Diferenciação por produtos: o Possibilidade de se diferenciar pelas características, pelo desempenho e pelo design do produto. Diferenciação pelos serviços: 33 o Quando o produto não pode ser facilmente diferenciado, a chave para o sucesso competitivo frequentemente está na ampliação de serviços que agregam valor e na melhoria da qualidade. Diferenciação pela imagem: o Uma imagem procura transmitir uma ideia de valor do produto que nãopode ser confundida com outro produto. 34 CONCLUSÃO Atualmente é sabido que o segredo das estratégias de relacionamento com os clientes está em conhecê-los mais profundamente, descobrir suas reais necessidades e direcionar os esforços das organizações para atendê-los de uma forma a superar suas expectativas. Só será possível superar as expectativas dos clientes quando oferecer a eles a oferta certa, para o cliente certo, no momento certo e pelos canais certos. Quando conhecermos os clientes e sabermos quais soluções eles precisam e em que momento, certamente iremos surpreendê-los, criando valor independentemente do tipo de mercado (B2B ou B2C). Dessa maneira, cada vez mais será possível criar oportunidades para que voltem a comprar da nossa empresa. Se formos mais inteligentes ainda, a nossa oferta terá um preço maior que da média de suas compras anteriores, aumentando assim o nosso ticket médio. Com o passar do tempo, sendo surpreendido positivamente sucessivas vezes, o consumidor se tornará fiel ao seu negócio, mantendo um relacionamento de longo prazo e chegando a um ponto em que ele passará a ser leal. Esse é o melhor ponto, pois clientes com lealdade preferem ficar sem seu produto ou serviço a ter de trocar de marca, além de defendê-la de críticas e recomendar para amigos e conhecidos. Além do mais, com todo esse conhecimento sobre os hábitos, preferências e necessidades de seus clientes, fato esse que gera vantagem competitiva, é possível conhecer o perfil ideal dos clientes mais lucrativos. E, com base nesse perfil, é possível desenvolver suas estratégias de negócio. Atualmente no mercado B2B a estratégia de relacionamento é cada vez mais aplicada e utilizada, pois é um ambiente extremamente concorrido e globalmente competitivo. Já o relacionamento e as transações entre organizações geralmente envolvem uma jornada de compra muito mais longa, com abordagens mais técnicas e contatos mais estreitos ao longo do ciclo de vida do cliente. Por isso que hoje é mais que fundamental conhecer profundamente seu cliente no B2B e para isso não basta se ter um cadastro para faturamento e saber o histórico de compras dele. Tem-se que ir além. É necessário entender o potencial de compra desse cliente, bem como sua rentabilidade para com a empresa. Isso permite categorizar os clientes e definir qual a melhor estratégia de relacionamento para cada um deles e com isso o esforço comercial também pode ser medido de acordo com a rentabilidade de cada um. 35 Vale comentar que Marketing de Relacionamento no B2B não necessariamente significa vendas logo no primeiro mês, mas sim é uma construção de uma relação a longo prazo que proporcionará muitas vendas concretas e substanciais no futuro. Por isso esse tipo de Marketing deve ser antes de mais nada um estado de espírito da empresa e dos seus colaboradores. No B2B a estratégia de relacionamento é antes de mais nada, uma relação entre pessoas, portanto conhecer bem quais são os principais contatos no seu cliente é mais que fundamental. E quando se fala em conhecer é saber fatos ligados intrinsicamente a esse, como nome, data do aniversário, e-mail, o que mais gosta de fazer, qual seu lazer, que cargo ocupa e por aí vai. É necessário conhecer e entender bem toda a estrutura e o papel que cada um tem na organização para definir bem a abordagem e o tipo do relacionamento pessoal que será necessário, seja ele decisor, influenciador, especificador ou simplesmente usuário do produto. Logo, o marketing de relacionamento nesse ambiente precisa sempre considerar o lado humano dessa relação que normalmente será muito mais estreita que no B2C. Nesse ambiente, é de conhecimento de todos que o cliente costuma ser muito bem informado e cercado de informações e por isso não se convence facilmente com uma simples publicidade ou com ações promocionais isoladas. Portanto, é fundamental levar em conta a jornada de compra que é muito mais longa e que é uma negociação bem mais profissional. É necessário também ter uma abordagem diferenciada para cada um, visto que alguns vão demandar um detalhamento técnico muito maior enquanto outros vão ser mais voltados para o fator financeiro da relação. Deve-se levar em conta que quando o cliente corporativo está comprando, ele está trabalhando e não está comprando por prazer. Então, quanto mais facilitarmos seu processo de compra, de aquisição de informações, quanto mais dermos agilidade, flexibilidade e disponibilidade para esse cliente, em últimas instâncias estamos permitindo que ele execute seu trabalho melhor e mais rápido. Também é primordial que os clientes corporativos se sintam numa jornada única. Essa jornada já começa no primeiro contato, muito antes de o cliente B2B pensar em fechar negócio com qualquer um. Antes de pensar em vender qualquer produto ou serviço, você deve se tornar numa fonte relevante de dados e informações para o seu público-alvo. Portanto, você estará gerando valor para o potencial cliente desde o primeiro contato, diferenciando-se dos demais concorrentes. Caso esse primeiro contato seja esclarecedor, 36 as chances de que seu potencial cliente siga acompanhando sua empresa e explorando suas soluções são bem maiores. A experiência desse tipo de consumidor não acaba no momento da primeira compra. Para reter e fidelizar o cliente é preciso investir em uma experiência contínua. Por isto, é necessário treinar bem a organização para efetivar uma venda de qualidade e que realmente agregue valor para quem está comprando. Pois, é preciso convencer o cliente de que a empresa possui uma solução mágica e não entregar algo que gere uma frustração enorme para quem compra, comprometendo assim a reputação da organização. Por isso, deve-se prometer somente aquilo que você pode entregar e mostre que sua empresa está alinhada às melhores práticas do mercado. Agilidade, produtividade e eficiência são marcos que ficam registrados na memória do cliente B2B. Deve-se compartilhar melhores práticas de uso e conservação de equipamentos. Deve-se ensinar a construir indicadores de desempenho para mensurar os resultados obtidos com os serviços, mostrando a evolução do mercado e as novas possibilidades de expansão da solução contratada. Desse modo, você estará dando continuidade ao relacionamento, despertando o interesse por novos produtos e serviços sem ser enfático com discursos de venda direta. Quando o consumidor B2B sentir que é hora de investir novamente, ele entrará em contato sem pensar duas vezes. É no pós-venda que você trabalha a fidelização, pois é quando o consumidor B2B está mais aberto à sua comunicação. Elaborando mensagens personalizadas e oferecendo um atendimento de suporte de qualidade, você se manterá gerando valor para o cliente mesmo depois de ele já ter consumido por completo os recursos adquiridos da sua empresa. Utilizando-se da linha de gestão que leva em conta o “Foco DO Cliente” no mercado B2B também é uma maneira de se diferenciar dos outros e ganhar ainda mais vantagens competitivas. Colocar-se ao lado do seu cliente e ter essa visão e auxiliá-lo com suas necessidades é um diferencial muito importante. Manter-se no foco DO cliente nos faz revelar a visão que seus olhos e sentidos registram. Isso servirá como base para antever suas reais necessidades, muito antes delas estarem prontas para serem verbalizadas. Analisar a paisagem que o cliente vislumbra é olhar a partir do que ele vê e ainda não sabe descrever. É o lugar onde está reunido muitas pistas indescritíveis por ele, mas riquíssimas para aqueles que, atentos, olhando para onde o cliente olha, podem antecipar 37 muita coisa importante. Vale comentar que quando se pede ao cliente descrever o que quer, precisa e espera, ele ao falar, filtra, semperceber, aquelas possibilidades de inovação em virtude do fantasma das contrariedades que o perturba e do qual ele quer se proteger. Vender com base no “Foco DO Cliente” é o mais eficaz processo para anteciparmos o que é importante para o cliente, trazendo à sua vista o que sempre quis e não soube pedir. É na verdade gerar Valor, e consequentemente é criar a fidelidade e a lealdade. Valor se cria desde a hora em que se apresenta. Valor não é algo que, um dia, se conclui, se completa. Valor não é o que o cliente diz e sim é o que ele percebe ao longo da história da relação comercial. Enfim, estar sempre atento aos clientes escolhidos é um exercício contínuo que as organizações têm de fazer. É um processo de análise e escuta interminável, onde na verdade se buscam os bons lucros, sustentáveis num longo prazo, como forma de retribuição pelo empenho e coragem em fazê-lo. Isso é o real marketing de relacionamento com os clientes. 38 REFERÊNCIAS ALEX, Douglas. Estratégia de relacionamento com o cliente. 2010. 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