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FONTES DO DIREITO (AULA 2): → Fontes materiais: correspondem aos elementos da realidade social que contribuem para a elaboração dos conteúdos jurídicos (normas jurídicas). A indicação das fontes materiais do direito depende da perspectiva adotada O estudo das fontes materiais do direito é realizado, principalmente, por sociólogos e cientistas políticos. → Fontes formais: são os locais em que se encontram os dispositivos jurídicos. As fontes formais são o “recipiente” do conteúdo do direito. O conteúdo das fontes formais corresponde à norma jurídica, a qual é obtida por meio da interpretação dos dispositivos jurídicos. As fontes formais podem ser escritas ou orais. Norma jurídica é resultado da interpretação das fontes formais do direito. Juristas constroem dogmática jurídica e tem por objeto dispositivos juridicamente válidos criados pelas autoridades que possuem competência, de acordo com o procedimento previsto Fontes escritas: No direito brasileiro, as fontes escritas oficiais para as espécies normativas do Poder Legislativo e do Poder Executivo são o Diário Oficial da União, o Diário Oficial dos Estados e o Diário Oficial dos Municípios - Lei em sentido amplo (“lato sensu”): todas as normas jurídicas que apresentam 4 requisitos. → são escritas → provêm de decisão das autoridades estatais competentes → observou-se o procedimento fixado em normas superiores → apresentam alto grau de abstração - Leis no sentido estrito ou formal origem como critério de definição: todas as leis no sentido estrito são resultado de decisão majoritária dos membros do Poder Legislativo. 3 categorias de leis no sentido estrito: → lei ordinária → lei complementar → lei delegada Jurisprudência: Jurisprudência como fonte do direito escrita refere-se a decisões do Poder Judiciário: sentenças (1a instância) e acórdãos (Tribunais). Doutrina Trata-se do conjunto da produção intelectual dos juristas que se empenham no conhecimento teórico do direito. Os doutrinadores contribuem para a formação da dogmática jurídica (= ciência do direito em sentido estrito). Fontes não escritas O direito moderno constitui-se, principalmente, a partir de fontes escritas do direito. A preponderância das fontes escritas é uma maneira de reafirmar a centralidade do poder estatal e seu monopólio sobre a produção de normas jurídicas. As fontes do direito escritas conferem maior grau de segurança jurídica e publicidade das normas se comparadas às fontes do direito não escritas. CIENCIA DOGMATICA E ZETETICA (1) e (2) (AULA 4 E 5) O “direito” é ciência? depende. Depende da definição de ciência adotada: se ciência em sentido estrito (“stricto sensu”) ou se ciência em sentido amplo (“lato sensu”) Direito Não é Ciência em sentido estrito: → O direito não se ocupa da descoberta de fatos antes desconhecidos; → O direito não examina o mundo empírico à procura de regularidades naturais, nem pode prever eventos futuros com base em leis da natureza; → O direito não pretende nem pode explicar o mundo empírico por meio de leis sem exceções; → O direito não confirma ou refuta explicações ou justificações por meio testes de verificação. - O Direito como é sim ciência em sentido amplo → como campo do saber: o direito contém conceitos fundamentais e formas próprias de encadear e argumentar. → possui objeto de estudo próprio. → com o direito pretende-se qualificar as ações, (obrigatórias, proibidas e permitidas), não as prever. → consulta de um jurista: interpretação do direito vigente e das circunstâncias específicas do caso concreto. → a descrição do direito vigente pela ciência do direito pretende orientar a ação. Diferentes enfoques para o estudo do direito Enfoque Dogmatico (ensinar, doutrinar) → Propósito: guiar a conduta → Aspecto enfatizado: resposta → Configuração do problema: “o que deve ser” → Linguagem: informativa diretiva → lida com questões finitas → Pontos de partida: inquestionáveis -> dogmas → Premissas Válidas → guiar a conduta e fornecer subsídios para a decisão de conflitos → seus elementos são tidos como ABSOLUTOS (função diretiva explícita) → Dogmas -> fontes formais do direito → inegabilidade dos pontos de partida de séries argumentativas → decidibilidade de conflitos como questão central → guia de conduta para os participantes da comunidade jurídica Enfoque zetetico (procurar, inquirir) → propósito: conhecer → aspecto enfatizado: Pergunta → configuração do problema: “o que é?” → Linguagem: informativa especulativa → Lida com questões infinitas → Pontos de partida: questionáveis -> evidências → Premissa: Verificável, comprovável → conhecer o fenômeno jurídico sem constrangimentos → seus elementos são tidos como dúvidas (função especulativa explícita) → Constatações -> fontes matérias do direito DIREITO, JUSTIÇA E MORAL (AULA 6) Definição do termo “direito”: ambíguo (pluralidade de significados), vago, com alta carga afetiva Justiça -> Fenômeno jurídico -> (valores morais) Problema histórico: Tribunal de Nuremberg, após a 2ª Guerra Mundial, que tinha como propósito apurar os crimes cometidos pelos nazistas de alta patente. Foi instaurado pelos Aliados (EUA, França, Reino Unido, e União Soviética), que por sua vez, indicaram juízes para a condenação. Tribunal “Ad Hoc” ou de exceção? → Princípio do juiz natural Princípio da imparcialidade do julgador (exemplo: Lula e Moro) → Princípio “nullun crimen, nulla poena sine lege praevia”? (não há crime nem pena sem lei prévia). Argumento central da acusação: As atrocidades contra seres humanos e as graves agressões a outros países, cometidas pelos alemães nazistas, certamente são contrárias ao direito. Os responsáveis precisam ser punidos. Argumento central da defesa: Os atos dos alemães nazistas, no exercício de seu ofício, devem ser considerados legítimos porque estavam de acordo com a ordem jurídica vigente. “A lei é a lei”. Sendo justa ou não, a lei deve ser observada porque era este o comportamento dos subordinados que evitava a punição pelos seus superiores. A relação entre direito e moral é útil para a identificação do sistema jurídico: I. visão diz que o sistema jurídico é um departamento do sistema moral. II. visão diz que não há relação entre o sistema jurídico e o moral. III. visão diz que a relação entre o sistema jurídico e o moral é contingente E também para o conteúdo de normas jurídicas: I. visão diz que as normas jurídicas têm conteúdo moral. II. visão diz que não há relação entre normas jurídicas e normas morais. III. visão diz que a relação entre normas jurídicas e a moral é contingente. Natureza das teses e conexões entre direito e moral: Conceitual: versam sobre a caracterização ou definição de certas noções. Valorativa: destinam-se a estabelecer o que deve ou não ser feito. Fática: pretendem descrever o que ocorre na realidade No Jusnaturalismo há uma conexão intrínseca entre direito e moral. No Positivismo, não há JUSNATURALISMO 1 (AULA 7) O que significa? Jus + natural + ismo: direito natural escola de pensamento. Sistema de normas logicamente anteriores e eticamente superiores às normas do Estado. É uma corrente de pensamento que admite a distinção entre direito natural e direito positivo e sustenta a supremacia do direito natural sobre o direito positivo. É um sistema jurídico dualista, porém com superioridade do direito natural. A ideia de direito natural se apresentou como limite ao poder do Estado. Origens das normas do direito natural: • Divindade, lei estabelecida por vontade divina. • Natureza física, lei natural porque comum a todos os seres. • Razão, lei ditada pela razão; o homem a encontra dentro de si JUSNATURALISMO 2 (AULA 8) Características: • Direito natural (natura, sua fonte é a natureza) • Abrangênciauniversal (vale em toda parte) • Imutável (não se altera com o tempo) • Ratio (detectado por meio da razão) • “Bons ou maus” (por si mesmos) • Critério moral (estabelece aquilo que é bom) Inconsistências do Jusnaturalismo: - Contra “direito”, conceituação de direito natural; finalidade do direito natural; função do direito natural. - Contra “natural”, equivocidade no termo “natureza” e imprecisão do rol dos direitos naturais; problema na elaboração de um juízo de valor a partir de um juízo de fato; mito da natureza benéfica. - O estado natural é inviável, já que as leis naturais, sozinhas, não têm condições de garantir aos homens em sociedade a segurança de sua existência. - Possui função histórica importante, já que no século XVIII e XIX forneceu bases para a racionalização da legislação positiva, mas teve exaurimento da sua função com a ascensão e a ampliação do direito positivo. (síntese do argumento: ”o direito positivo invadiu pouco a pouco todos os campos que eram atribuídos ao direito natural.”). INTRODUÇÃO AO POSITIVISMO JURÍDICO (AULA 9) O que significa? Jus + positivo + ismo Direito+positivo +escola de pensamento Sistema de normas postas pela vontade do soberano (do legislador, da autoridade constituída). É uma corrente de pensamento que não admite a distinção entre direito natural e direito positivo, afirmando que não existe outro direito além do positivo. É um sistema jurídico monista, com exclusividade do direito positivo. Características: • Direito positivo (potestas, sua fonte é a vontade da autoridade constituída) • Abrangência particular (vale apenas em alguns lugares) • Mutável (se altera com o tempo) • Voluntas (detectado por meio de ato de promulgação). • Indiferentes (assumem certa qualificação de bom ou ruim porque foram disciplinados pelo direito positivo. “é justo aquilo que é ordenado, injusto o que é vedado”). • Critério de utilidade (estabelece o que é útil de acordo com o contexto espacial e temporal de cada sociedade) É um complexo de normas que regula a conduta humana, fazendo uso da força em caso de sua violação, além de possuir um poder coativo organizado. → Princípio de efetividade: ”O direito natural não é direito da mesma maneira que o direito positivo, porque lhe falta o atributo da efetividade.” Além disso, é destinado à conservação da sociedade humana, garantindo paz e segurança ás relações por ele reguladas e ao sistema social. (síntese do argumento: “o direito natural não consegue alcançar a finalidade que é atribuída aos sistemas jurídicos positivos, porque não garante nem a paz, nem a segurança.”) Possui função que regula as relações públicas (verticais: súditos-governantes) e das relações privadas (horizontais: entre particulares), com previsão de mecanismos internos ao ordenamento jurídico para preenchimento de lacunas na legislação. Positivismo jurídico como: • Modo de aproximar-se do estudo do direito • Determinada teoria do direito • Ideologia da justiça 3 aspectos, 3 planos distintos: • “Approach” (delimitação do objeto de pesquisa e postura do cientista) • Teoria (afirmações ligadas entre si acerca da realidade) • Ideologia (tomada de posição diante da realidade, expressa em juízos de valor que tendem a exercer alguma influência na realidade.) Direito como fato, com a coação sendo seu elemento central: princípio da efetividade, onde se reconhece o direito em dada sociedade pela observação do grupo de normas que se fazem valer por meio da força, ou cujo conteúdo é a regulamentação do uso da força em dado grupo social. Principal fonte do direito é a legislação, partindo de uma fonte formal, direta e escrita: Constituição + Emendas; leis no sentido estrito; demais espécies normativas. Normas jurídicas como comandos (imperativos), já que orientam o comportamento alheio e prescrevem como as pessoas devem agir. Possui ordenamento jurídico coerente, que se refere à impossibilidade de coexistência no ordenamento jurídico de duas normas contraditórias e também completo, já que contém respostas explícitas ou implícitas para todos os casos. POSITIVISMO JURÍDICO DE HANS KELSEN (AULA 10) Hans Kelsen, nascido na cidade de Praga (Império Austro-húngaro) em 1881 e autor da obra “Teoria Pura do Direito”. Questões fundamentais: • “O direito é ciência?” • “O que é direito?” • “De onde vem o direito?” Principal projeto foi à elaboração de uma teoria pura do direito, para: • Elevar o estudo do direito á posição de ciência jurídica. • Construir uma teoria geral do direito positivo que fosse independente das particularidades da realidade de cada país. O DIREITO É CIÊNCIA? Teoria pura do direito: tentativa de se criar uma ciência propriamente jurídica. Para isso, é necessário excluir deste conhecimento tudo o que não pertence ao seu objeto de estudo, isto é, tudo aquilo que não se possa, rigorosamente, determinar como direito. Ou seja, o isolamento do direito de todas influências externas, com delimitação do objeto da ciência jurídica, que possui como objeto de conhecimento apenas o que é propriamente jurídico: as normas jurídicas. Teoria do direito puro: ERRADA, Não se afirma que o direito é puro, isto é, livre de interferências dos outros subsistemas sociais (política, economia, moral etc.). O projeto da “Teoria Pura do Direito” apenas pretende isolar o que é próprio do direito e evitar sincretismo metodológico O QUE É O DIREITO? Como fenômeno social: O direito não é puro, já que se mistura com os outros subsistemas sociais. É campo da disputa política e afirmação de valores. Como objeto da ciência jurídica: → Direito como técnica social específica (motivação indireta é o estímulo ao comportamento desejado, isto é, em conformidade com direito, por meio da previsão de sanção) → Direito como ordem coercitiva (direito como complexo de normas que regula a conduta humana, fazendo-se valer, no caso de violação, pelo uso da força, além da existência de um poder coativo organizado) → Direito como ordem diversa da ordem natural (natureza com princípio de causalidade, e direito como princípio de imputação) POSITIVISMO JURÍDICO DE HERBERT HART (AULA 11) Herbert L. A. Hart, nascido na cidade de Yorkshire em 1907, e autor da obra “O conceito de Direito” Questões fundamentais: “O direito é ciência?” “O que é direito?” “De onde vem o direito?” O DIREITO É CIÊNCIA? Direito como sistema complexo de regras primárias (com sanção) e regras secundárias (sem sanção), com eixo central para explicar o que é o direito: regra de reconhecimento (uma regra social) -> tem um dever, reiteração de um comportamento com, cobrança ou pressão social, exemplo: regra social da gentileza → aspecto externo: comportamento regular e uniforme → presença da “crítica”: os desvios são vistos como faltas ou lapsos reprováveis e as ameaças de desvio despertam as exigências de observância do padrão. → legitimidade da “crítica”: a ocorrência do desvio é tida como uma “boa razão” para uma reação de desaprovação. → aspecto interno: atitude crítica e reflexiva dos sujeitos em relação a certos tipos de comportamentos enquanto padrões comuns. PÓS-POSITIVISMO JURÍDICO DO RONALD DWORKIN (AULA 13) Dworkin, regras são aplicáveis segundo um modelo de tudo-ou-nada, pois se os fatos estipulados por uma regra estão dados, então, ou a regra é válida, situação na qual a resposta que ela fornece precisa ser aceita, ou não é válida, circunstância na qual ela não contribui em nada para a decisão. O que é direito? Para Ronald Dworkin o sistema jurídico é o conjunto de regras e princípios. As normas são utilizadas para resolução de conflitos jurídicos, não são consideradas jurídicas pela regra de reconhecimento e desempenham um papel relevante nos casos difíceis. As regras jurídicas têm validade, caso haja conflito entrenormas, uma será afastada. A regra jurídica é aplicada aos casos concretos. Os princípios morais têm peso; em casos concretos, vale aquele que tiver mais peso. Os princípios são aplicados com peso variável, de uma decisão particular para cada caso concreto. Os casos difíceis, para Ronald, são situações em que não há uma regra jurídica específica para a resolução e casos em que a aplicação da regra jurídica geraria uma decisão injusta ou imoral, mesmo que o caso seja claro. Nesses casos, os princípios morais têm papel relevante na aplicação do direito. O direito é uma prática social interpretativa, os juízes não criam livremente o direito aplicável e, sim, interpretam o sentido jurídico já existente, encontrando a resposta ao caso analisado. As decisões tomadas integram a história institucional. • Teia inconsútil (sem costura): Diante de casos difíceis é necessário compreender a força das decisões baseadas em argumentos de princípios. Deve decidir sobre os casos sem criar fendas ou interromper o fio argumentativo. o Ronald Dworkin é autor ligado ao Common Law, ou seja, os precedentes judiciais são a principal fonte formal do direito. → Romance em cadeia: O direito é uma obra coletiva escrita por muitos autores. → Interpretação construtiva: que visa à construção da melhor versão do objeto que se analisa, em 3 etapas: 1. o Tentativa de identificação do direito 2. o Busca de um significado para o direito 3. bussca da melhor interpretação Ronald Dworkin é um pós-positivista, para ele o sistema jurídico é um departamento do sistema moral e a relação entre as normas jurídicas e a moral é contingente, pode ou não ocorrer. REALISMO JURÍDICO DE ALF ROSS (12) Para Alf Ross, no direito, a validade jurídica não é uma categoria independente, é uma dimensão da realidade. O direito vigente são as normas jurídicas aplicadas pelos juízes (regras do jogo). Alf Ross entende que não é possível saber se as regras realmente regem o jogo, bem como os comportamentos não são suficientes para entender o que constitui a regra e o que é mero hábito. O direito vigente são as normas jurídicas que funcionam como diretrizes (atuação dos juízes). Tipos de normas: • Normas de conduta: prescreve uma linha de ação e prevê uma sanção ao descumprimento. • Normas de competência: criam a competência (autoridade) e estabelecem o procedimento para elaboração de normas de conduta. O direito vigente é objeto de pesquisa, com uma linguagem prescritiva, tem o discurso diretivo. Para Alf Ross não há relação entre o sistema jurídico e o sistema moral, a relação entre as normas jurídicas e a moral é contingente, pode ou não ocorrer. NÃO POSITIVISMO JURÍDICO DE ROBERT ALEXY (14) Idealmente, o direito é a correção moral (segurança jurídica e justiça) que estabelece um limite “extremo” à validade jurídica. A facticidade do direito é a produção formalmente adequada e a eficácia social. De onde vem o direito? No discurso teórico geral, está direcionado à observância e à contemplação da ordem natural. No discurso prático geral, ocupa-se da ação e da deliberação; pretende estabelecer o que é proibido, obrigatório e permitido; estabelece uma pretensão de correção moral. Nos casos claros, o aplicador decide apenas com base no material autoritativo ou institucional preestabelecido. Já nos casos difíceis (penumbra), o aplicador emprega valorações adicionais, além de material institucional. Para Robert Alexy, a dogmática jurídica é uma disciplina multidimensional com 3 dimensões: A.Descritiva-empírica: B.Lógica-analítica: C.Normativa-prática Por fim, Alexy é não positivista, para ele o sistema jurídico é um departamento do sistema moral e a relação entre as normas jurídicas e a moral é contingente, pode ou não ocorrer. CIENCIA DOGMATICA DO DIREITO E NORMA JURÍDICA (I) (AULA 15) Enquanto a dogmática (ensinar, doutrinar) acentua o aspecto resposta de uma investigação cumprindo uma função informativa e diretiva. A Zetética (procurar) acentua o aspecto pergunta de uma investigação cumprindo sua função informativa especulativa. Zetetica: conhecer o fenômeno jurídico sem constrangimentos Dogmática: guiar a conduta e fornecer subsídios para a decisão de conflitos, guia de conduta para os participantes da comunidade jurídica, decidibilidade de conflitos como questão central Dogmática e tecnologia: a ciência do direito enquanto ciência pratica é dogmática, porque se baseia no principio da aceitação sem discussão dos pontos de partida (dogma) Compreensão zetetica da dogmática jurídica: jurídica reconhece, interpreta e aplica o direito. Orienta o jurista a entender o objeto estudo: o direito colocado como um conjunto de normais, instituições e decisões que sistematiza, interpreta e direciona possíveis conflitos que ocorrem em sociedade. Modelos De Ciência Dogmática Do Direito: Dogmática analítica: tem como objetivo principal a identificação do que é direito, ponto de partida para decidir os conflitos que utilizam da técnica do direito para aplicar uma norma jurídica válida em um caso concreto. Encarna a ciência do direito pela perspectiva da norma e sua inserção no ordenamento jurídico, sendo a validade sua principal categoria. Norma juridica para a dogmática analitica Conceito: instrumento operacional importante para identificar o direito norma jurídica como proposição: conjunto de palavras que possuem um significado no seu todo. Proposição é o conteúdo significativo que o enunciado exprime. Declarativas -> asserções interrogativas -> perguntas imperativas -> comandos exclamativas -> exclamativas *todas são ligadas a comandos* Proposições descritivas: dar informações, transmitir o saber, informar o outro, ocorre o assentimento pela crença. Critério valoração: verdadeiras ou falsas proposições prescritivas: influir/modificar no comportamento alheio, ocorre assentimento pela execução. Critério de valoração: válidas ou inválidas NORMA JURÍDICA (II) E ABORDAGEM PRAGMÁTICA (AULA 16) VISÕES ESPECÍFICAS DE NORMA JURÍDICA Kelsen Estímulo ao comportamento desejado, isto é, em conformidade com o direito, por meio da previsão de SANÇÃO para a adoção da conduta oposta à prevista na norma jurídica. Direito como técnica social específica: MOTIVAÇÃO INDIRETA A criação da norma que pune a disseminação das fake News, feita pelo tse, é a demonstração pratica de como Kelsen, cita que o estimulo ao comportamento de não espalhar noticias falsas, é feito através de uma previsão de sanção caso o individuo adote essa conduta, oposta aquilo que é previsto na norma jurídica Hart ⁃regras primárias: aquelas que exigem que o ser humano faça ou se abstenha de fazer certas ações ⁃ Regras Secundárias: permite que os seres humanos possam criar, extinguir ou modificar as regras antigas (primárias) R. Dworkin: Regras jurídicas (possuem “pedigree”): se duas regras entram em conflito, uma delas deve ser afastada. No caso concreto, Dworkin afirma que na hipótese de existir mais de uma regra em conflito, uma delas deve ser afastada, R. Alexy: Princípios morais (não possuem pedigree): diante do caso concreto, vale aquele que tiver mais peso. são casos que não tem uma regra jurídica específica no ordenamento DINAMICA DAS NORMAS NO SISTEMA JÚRIDICO (AULA 19) RESUMO: As normas jurídicas pertencem ao ordenamento jurídico, sendo a norma jurídica uma unidade e o ordenamento um conjunto “um ordenamento, em relação ao qual a pertinência de uma norma a ele, é importante para identifica-la como norma valida” Ordenamento jurídico pode ser visto em 2 vertentes, jusnaturalista e o positivismo jurídico, que considera o direito positivo como único sistema vigente. A ótica jusnaturalista identifica o sistema jurídico como dualista, abrangendo o direito naturale o direito positivo, onde as normas se relacionam entre si , além disso surgem outras novas através do método de dedução Já do ponto de vista positivista, o sistema jurídico é monista, sendo dinâmico e possuindo diversos conteúdos, o Estado detém o monopólio de produção dos conteúdos das normas e assim. Esse movimento do direito positivo garantiu a institucionalização da mutabilidade do direito. ORDENAMENTO JURÍDICO COMO SISTEMA: O repertorio: conjunto de elementos normativos (normas) e não-normativos (como definições, preâmbulos etc.) + a estrutura: conjunto de regras que determinam as relações entre os elementos Validade: É uma qualidade da norma que indica sua pertinência ao ordenamento jurídico. (uma norma juridica valida pertence ao ordenamento jurídico) Vigência: se refere ao tempo de validade. Eficácia: faz referência à possibilidade de produção concreta de efeitos. Vigor: se refere à sua imperatividade, isto é, à sua força de obrigar os sujeitos, independentemente da verificação de sua vigência ou de sua eficácia. Relacionando com a metáfora da sala de aula, que diz que só compreendemos que é uma sala de aula por causa do contexto que a mesma está inserida, pela existência de um quadro negro na parede, cadeiras e mesas enfileiradas, e entre outros. Sem esses elementos não se pode dizer que é uma sala de aula, sem esse contexto que ela está inserida não se pode concluir o que ela é. E assim que funcionam a identificação das fake News, se não sabemos o contexto que ela está inserida, como por exemplo a época em que está sendo mais propagado esses tipos de informações, que nesse caso seria as eleições, o grupo de pessoas que as divulgam e quem querem alcançar, a forma como ela é disseminada, o tipo de conteúdo, não conseguimos identificar se ela é uma notícia falsa ou não. VALIDADE E FUNDAMENTO UNITÁRIO DAS NORMAS E DO SISTEMA JURIDICO (AULA 20) RESUMO: ordenamento jurídico visto sobre uma perspectiva zetética e possui dois principais pontos, a unidade do sistema e o fundamento de validade, as principais teorias zetéticas de validade são de alguns autores. Para Kelsen o ordenamento jurídico é uma construção juridico positiva, ou seja ,é a primeira norma juridica posta, possuindo uma eficácia global ( as normas servem ao parâmetro da obediência e os funcionários estão as aplicando quando desobedecidas), faz parte do sistema dinâmico onde existem normas superiores e inferiores, sua forma de validade é a norma fundamental Como dito, para Kelsen, o fundamento de validade de uma norma é, necessariamente, a validade de uma outra norma. A validade, na sua teoria, não pode ser verificada por meio da investigação de um fato do mundo do ser. A indagação da validade, no seu entender, coloca as normas nas posições de norma inferior e superior. Para Ross, o ordenamento composto de direito vigente que é a atuação dos juízes nas normas jurídicas, que são ditadas pela autoridade competente de acordo com o procedimento previsto, a forma de validade a atuação dos juízes, Como dito, o autor confunde os planos da vigência e da validade, de modo que, para ele, direito vigente é direito válido. Esses fenômenos (atos sociais) que constituem esta contrapartida das normas são, para o autor, as decisões das autoridades. Ele conclui, com base neste pensamento, que é possível afirmar que um ordenamento jurídico válido pode ser definido como aquele que consta da mente do Juiz, porque ele as sente como socialmente obrigatórias e as acata. Para Hart o sistema jurídico composto de regras primárias e secundárias , além de ser composto pela regra do reconhecimento em que há uma convenção social sobre as fontes do direito, sua forma de validade é a regra do reconhecimento, Hebert Hart constrói sua conceituação de norma baseada na noção da obrigação. O autor divide as normas em primárias e secundárias, sendo, neste caso, as normas primárias aquelas que tratam de deveres e obrigações dos indivíduos. As normas secundárias para Hart, são aquelas que outorgam a agentes públicos e privados poderes para modificar, criar, ou abolir as regras. Hart explica que as regras primárias incidem diretamente nas ações humanas, à medida que atribui ações ou omissões às pessoas. Elas têm implicações na realidade social de maneira clara e objetiva. As regras secundárias agem, então, não na ação humana diretamente, mas incidem sobre as regras primárias, agem no mundo deôntico, no mundo não físico do próprio ordenamento. As normas secundárias para Hart dividem-se em três tipos: → regras de mudança: são aquelas que conferem aos agentes determinados o poder de criação de novas regras → regras de adjudicação: são aquelas que descrevem os indivíduos que podem julgar e os procedimentos que devem ser executados em tribunais. → as regras de reconhecimento são de grandíssima importância para a teoria de Hart. com a validade de uma norma dentro do sistema normativo e visa sanar o problema da instabilidade das normas. Faz-se necessário para a existência de tal regra que ele seja amplamente aceita e obedecida. Para Tércio Sampaio o ordenamento é visto sob a ótica pragmática, em que existe uma norma origem e diversas normas subordinadas , além de que ele diz que a norma jurídica é uma forma de comunicação entre emissor e receptor, sua forma de validade é a norma origem do ordenamento jurídico visto sobre uma perspectiva zetética e possui dois principais pontos, a unidade do sistema e o fundamento de validade, as principais teorias zetéticas de validade são de alguns autores. A validade não deve ser condicionante, mas sim finalística, ou seja, é preciso “saber se uma norma vale, finalissimamente, é preciso verificar se os fins foram atingidos conforme os meios prescritos”, reconhecendo a relação íntima entre direito e moral.