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Anna lillian canuto bittencourt • Definição (FIGO): é um sangramento excessivo que torna a paciente sintomática (visão turva, vertigem, síncope) e/ou resulta em sinais de hipovolemia (hipotensão, taquicardia ou oligúria); • Definição (ACOG): é um sangramento acima de 1.000mL ou hemorragia acompanhada de sinais e sintomas de hipovolemia nas primeiras 24 horas após o parto, incluindo o sangramento intraparto, independente da via de parto; • Classificação da hemorragia pós-parto (HPP): - Primária/ precoce/ imediata (mais comum): quando ocorre nas primeiras 24h pós-parto; - Secundária/ tardia: quando acontece entre 24h e 12 semanas de pós-parto. • É diagnosticada em 4-8% de todos os partos vaginais; • A HPP é responsável por cerca de 25% de todas as mortes maternas registradas no planeta; • O risco de óbito materno depende não somente da quantidade de sangue perdida, mas também do estado prévio de saúde da mulher; • Principais fatores de risco para HPP: - Fatores de risco para atonia uterina (segundo período de parto prolongado, parto instrumentado, sobredistensão uterina – macrossomia, gestação múltipla, polidrâmnio -, uso de medicações e corioamnionite); - Obesidade; - Alta paridade; - Parto rápido; - Miométrio mal perfundido (hipotensão); - Anestesia geral, que leva ao relaxamento uterino; - Histórico pessoal de atonia prévia. • A maioria das mulheres com HPP não apresenta fatores de risco. • As alterações fisiológicas durante a gestação, como aumento no volume plasmático e no número de glóbulos vermelhos, ocorrem em antecipação à perda sanguínea no parto; • Após a separação da placenta, a hemostasia do sítio placentário ocorre através de vasoespasmo local e formação de trombos nos vasos uterinos; • Os fatores mais importante para a hemostasia são a contração e a retração do miométrio, comprimindo grande parte dos vasos; • As principais causas de HPP são: 1. Atonia uterina – incapacidade do útero contrair-se adequadamente; 2. Lacerações do canal de parto; 3. Retenção de fragmentos placentários; 4. Mais raramente, distúrbios de coagulação. Hemorragia pós-parto IDEIAS GERAIS ETIOLOGIA Anna lillian canuto bittencourt • A atonia uterina é a causa de 70% dos casos de HPP primária; - Quando o miométrio é incapaz de contrair- se efetivamente, não há constrição das artérias espiraladas do útero, havendo sangramento profuso pela decídua, o que leva rapidamente a choque hipovolêmico. • Os efeitos da hemorragia na mulher dependerão de: - Volume de sangue prévio à gestação; - Aumento do volume de sangue durante a gestação; - Grau de anemia após o parto. • O diagnóstico de HPP é clínico e óbvio, exceto nos casos de acúmulo de sangue na cavidade uterina ou em casos de rotura uterina com hemorragia intraperitoneal; • Sinais e sintomas de acordo com a perda sanguínea no pós-parto: • O índice de choque (IC) é um parâmetro clínico que reflete o estado hemodinâmico da paciente, podendo ser útil para prever a necessidade de transfusão maciça. - Valores maiores ou iguais a 0,9 em puérperas com HPP sugerem perda sanguínea significativa; - Valores maiores ou iguais a 1, com FC maior que a PAS, sinalizam a necessidade de abordagem agressiva do quadro hemorrágico. • A ocitocina após o parto é a principal ação de prevenção da hemorragia pós-parto; • O uso de ocitocina pode reduzir em mais de 50% dos casos de HPP; • OMS recomenda a adoção de conduta ativa no momento da dequitação com o uso de 10UI de ocitocina, via IM, logo após a expulsão fetal; • Além da administração de ocitocina, a conduta ativa consiste em clampeamento umbilical oportuno, tração controlada do cordão, massagem uterina e contato pele a pele precoce. Conduta inicial • Massagem uterina bimanual (manobra de Hamilton): uma das mãos fica na porção posterior do útero, enquanto a outra é posicionada fechada pelo canal vaginal (anteriormente ao colo uterino), de modo que as duas paredes uterinas sejam comprimidas; - É realizada enquanto ainda está sendo feito os uterotônicos; DIAGNÓSTICO PREVENÇÃO CONDUTA Anna lillian canuto bittencourt - Principal manobra nos casos de atonia uterina. • Sondagem vesical de demora, para controle do débito urinário que deve permanecer maior que 30ml/h; • Cateterização de 02 acessos venosos calibrosos, para infundir 2-3l de SF 0,9% ou RL; • Reserva de hemoderivados, que são sugeridos após infusão de pelo menos 1,5l e que não houve melhora clínica; • Uterotônicos: 1. Ocitocina (TTO DE 1°LINHA): 05U em bolus IV ou 10-20U em 500ml de SF0,9% a 30 gotas/min; 2. Ergometrina: 0,2mg IM, para promover contração uterina generalizada e tetânica; 3. Misoprostol: 400 microgramas via oral ou via retal, sendo o retal mais utilizado na prática. • Ácido tranexâmico: 1g EV em 10-20min, que é uma droga antifibrinolítica sendo eficaz na prevenção e tratamento de hemorragias. Atonia uterina Após realizar as condutas iniciais e excluir outras causas para o sangramento, pode ser feito o tratamento cirúrgico para atonia uterina: 1. Revisão do canal de parto: • Consiste na inspeção do colo uterino e a vagina; • Após detectada, deve tratar a laceração. 2. Suturas de B-Lynch: • A sutura irá comprimir o útero, com resultado semelhante ao obtido pela compressão uterina bimanual; • Consiste na sutura uterina com fio absorvível (catgut cromado ou vicryl); • É muito utilizada nos casos de atonia não responsiva aos uterotônicos em cesarianas; • Vantagens: preservação da fertilidade e evita a histerectomia. Anna lillian canuto bittencourt 3. Ligadura das artérias uterinas: • É o procedimento inicial de escolha quando se decide fazer laparotomia. 4. Histerectomia: • É a última opção nos casos de HPP; • Deve ser realizada a histerectomia subtotal, por ter uma técnica mais rápida, simples e segura, além de ser associada a uma menor perda de sangue; • A histerectomia total é indicada nos casos de placenta prévia, acretismo ou rotura do segmento inferior. Lacerações do trajeto • As lacerações no trajeto são a segunda maior causa de HPP precoce; • A presença de sangramento persistente COM ÚTERO CONTRAÍDO deve levantar a suspeita de lesões traumáticas; - Principalmente no períneo, vagina e/ou colo uterino. • Principais causas: - Episiotomia extensa; - Feto macrossômico; - Manobra de Kristeller intempestiva e/ou inadequada; - Parto pélvico operatório com fórcipe. • Devem ser feitas as condutas iniciais descritas anteriormente; • A cicatriz uterina deve ser explorada manualmente em caso de parto vaginal subsequente à cesariana para possível diagnóstico de deiscência da cicatriz ou rotura uterina pós-parto. Anna lillian canuto bittencourt Retenção placentária • A retenção da placenta ou de restos placentários causa hemorragia devido à dificuldade de contração miometrial; • Ocorrem perdas sanguíneas contínuas, que varia em volume; • Ao exame físico: útero discretamente aumentado e canal cervical dilatado; • O diagnóstico pode ser confirmado por USG; • A prevenção deste quadro consiste na revisão sistemática e rotineira da placenta, imediatamente após a dequitação; • Conduta: 1. Infusão de ocitócitos para estímulo da contração miometrial; 2. Remoção da placenta ou dos restos placentários, após anestesia, com a manobra de Credé (processo utilizado para o descolamento da placenta) ou curagem (extração manual da placenta) ou curetagem uterina. Anna lillian canuto bittencourt Inversão uterina • Consiste na invaginação do fundo uterino,em forma de dedo de luva, que pode alcançar o segmento inferior, ultrapassá-lo, chegar à vagina (inversão parcial) e surgir fora da vulva (inversão total); • É uma complicação rara e que se deve à má assistência ao secundamento; • Clinicamente, apresenta-se como dor aguda e hemorragia precoce que leva ao choque em minutos; - Choque de origem neurogênica. • O primeiro sinal de inversão é o fundo uterino deprimido; • Tratamento: 1. Dois acessos venosos, um para hidratação e outro para hemotransfusão; 2. Correção manual imediata da inversão uterina, de preferência com anestesia geral. • Durante a manobra, devem ser empregados uterolíticos (betamiméticos ou sulfato de magnésio) com o objetivo de facilitar a reposição do órgão na pelve; • Após o sucesso da manobra, suspende-se o uterolítico e administra-se ocitocina em altas doses para manter o útero em sua posição. MEDCURSO. Obstetrícia: Fórcipe, sofrimento fetal agudo e crônico, puerpério. Vol 5. 2019. ZUGAIB. Zugaib Tratado de Obstetrícia. 2020. REFERÊNCIAS