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REVISÃO DE PATOLOGIA PROVA 1 INTRODUÇÃO ➢ Didaticamente, a Patologia tem sua história dividida em fases. Estas nada mais são do que a descrição dos conceitos utilizados para explicar a origem dos estados de doença vigentes em um determinado intervalo de tempo e segundo a corrente filosófica predominante. ➢ Patologia é literalmente o estudo (logos) do sofrimento (pathos). Ela envolve a investigação das causas da doença e as alterações associadas em nível de células, tecidos e órgãos, que resultam em sinais e sintomas presentes no paciente. FASE 1- HUMORAL ➢ (Idade Antiga - final da Idade Média) ➢ O mecanismo da origem das doenças era explicado, nessa fase, pelo desequilíbrio de humores. ➢ Os humores eram considerados os líquidos do corpo, em particular, a água, o sangue e a linfa. ➢ Os deuses tinham o poder de controlar esse desequilíbrio, bem como de restituir a normalidade do organismo. ➢ Essa visão mítica de doença foi criada principalmente pela civilização antiga grega. FASE 2 – ORGÂNICA ➢ Nessa época, há o predomínio da observação dos órgãos do corpo, feita principalmente às custas das atividades de necrópsia (estudo do cadáver) ou de autópsia (estudo de si mesmo) ➢ Patologia Morfológica ➢ Doenças e as alterações nos órgãos FASE 3 – TECIDUAL ➢ (séc. XVI-XVIII) ➢ A Fase Tecidual enfatiza a estrutura e a organização dos tecidos. ➢ É nesse período que se iniciam os primeiros estudos sobre as alterações morfológicas teciduais e suas relações com os desequilíbrios funcionais. FASE ETIOLÓGICA ➢ Pasteur (1822-1895) ➢ Ele é considerado um dos três principais fundadores da microbiologia, juntamente com Ferdinand Cohn e Robert Koch ➢ Seus experimentos deram fundamento para a teoria microbiológica da doença FASE 4 – CELULAR ➢ Patologia Celular ➢ Alterações estruturais nas células ➢ Virchow (1821 - 1902) ➢ Várias descobertas significativas: por exemplo: mecanismo do tromboembolismo, cujos fatores são conhecidos até hoje como tríade de Virchow. ➢ primeiro a publicar um trabalho científico sobre leucemia, pelo qual todas as formas de lesão orgânica começam com alterações moleculares ou estruturais das células. ➢ as doenças eram uma mudança na célula. ➢ Com o predomínio da visão morfológica, somada à aplicação do microscópio óptico às pesquisas médicas, segue-se a Fase Celular, período considerado "inicial à Patologia Moderna". ➢ A preocupação com o estudo da célula, principalmente de suas alterações morfológicas e funcionais, é determinante na busca da origem de todo processo mórbido. FASE 5 – ULTRACELULAR ➢ Patologia Ultraestrutural e Molecular ➢ Alterações moleculares e nas subestruturas celulares 5) ➢ (séc. XX) ➢ Fase atual do pensamento conceitual sobre Patologia, envolvendo conceitos sobre biologia molecular e sobre as organelas celulares. ➢ Os avanços bioquímicos e a microscopia eletrônica facilitam o desenvolvimento dessa linha de estudo. PATOLOGIA ➢ Estuda as causas das doenças, os mecanismos que as produzem, as sedes e as alterações morfológicas e funcionais que apresentam ➢ Etiologia: estudo das causas (Endógenas: genéticas resposta imune fatores emocionais. Exógena: biológicos – vírus, bactérias, fungos químicos – cigarro, café físicos – mecânicos, elétricos, radiação). ➢ Patogênese: estudo dos mecanismos ➢ Anatomia Patológica: estudo das alterações morfológicas dos tecidos – lesões ➢ Fisiopatologia: estudo das alterações funcionais dos órgãos afetados SAÚDE- MORTE- DOENÇA ➢ Pode-se definir saúde como um estado de adaptação do organismo ao ambiente físico, psíquico ou social em que vive, de modo que o indivíduo se sente bem (saúde subjetiva) e não apresenta sinais ou alterações orgânicas (saúde objetiva). ➢ doença é um estado de falta de adaptação ao ambiente físico, psíquico ou social, no qual o indivíduo se sente mal (tem sintomas) e/ou apresenta alterações orgânicas evidenciáveis objetivamente (sinais clínicos). MÉTODOS DE ESTUDO EM PATOLOGIA ➢ Estudo Morfológico:- Análise (Macroscópica e Microscópica), - Investigação e Diagnóstico ➢ Origem e tipo de material analisado: - Citológico, Anatomopatológico (Biópsia, Necropsia). EXAME CITOLÓGICO ➢ Diagnóstico: Neoplasias malignas e lesões precursoras; Agentes infecciosos e parasitários ➢ Material: Raspados, Secreções, Líquidos, Punção aspirativa. ➢ Exame Colpocitológico BIÓPSIAS ➢ Diagnóstico e/ou tratamento Biópsias diagnósticas: ➢ Endoscopia ➢ Curetagem ➢ Biópsia por agulha ➢ Biópsia dirigida por aparelhos especiais NECROPSIA ➢ Parcial ➢ Completa TIPOS DE MICROSCOPIA Luz comum: Luz Polarizada: Contraste de Fase: Luz Ultravioleta Fluorescência: Tipos de Microscopia Eletrônica Transmissão: Varredura: CUTURA DE CÉLULAS ➢ Morfometria Computadorizada KS 300, Kontron-Zeiss ➢ Microscópio de luz acoplado a uma câmara de vídeo colorida, ➢ Monitor de vídeo de alta definição ➢ Unidade de Processamento, com placa capturadora de vídeo. PROCESSOS PATOLÓGICOS GERAIS (PPG) ➢ Conceito: Alterações elementares que formam as doenças ou que surgem em decorrência delas. ➢ Causas - Mecanismos - Bases estruturais (macro, microscopia, luz/eletrônica) – Moleculares ➢ Repercussões funcionais Evolução Consequências dos PPG (tecidos, órgãos e sistemas) RESPOSTA CELULARES FRENTE AO ESTRESSE E AOS ESTÍMULOS NOCIVOS ESTÁGIOS DAS LESÕES GRAUS DE LESÃO ➢ sequência de desenvolvimento das alterações bioquímicas e morfológicas nas lesões celular ➢ As células se tornam funcionais após a lesão ➢ Lesão de duração longa leva à lesão irreversível e morte celular. ADAPTAÇÃO DO CRESCIMENTO E DIFERENCIAÇÃO CELULARES ADAPTAÇÕES ➢ As adaptações são alterações reversíveis ➢ Tamanho, Número, Fenótipo, Atividade metabólica ou função celular.Resposta a alterações Podem assumir diferentes formas ➢ Células: Lábeis - constante proliferação Estáveis - quando necessário proliferam Perenes - "perderam" a capacidade de proliferar HIPERTROFIA ➢ Conceito: distúrbio do crescimento celular caracterizado pelo aumento do volume das células do tecido ou órgão que resulta em aumento do órgão Aumento da massa celular como condição de adaptação de determinado estímulo ➢ Tipos de Hipertrofia ➢ Fisiológica Patológica ➢ Condições para ocorrer: - fluxo sangüíneo - oxigênio e nutrientes - integridade morfo- funcional da célula - integridade da inervação - estímulo adequado - limites da capacidade ➢ Mecanismos de Hipertrofia ➢ Cel. Normal (Estímulo físico/químico) ->Cel. Hipertrófica ➢ Depende principalmente da ativação de vias metabólicas que induzem a síntese proteica, mas a hipertrofia não induz via que induzem proliferação cel. Vias distintas hiperplasia x hipertrofia Lesão celular reversível: tumefação celular, alteração gordurosa, bolhas na membrana plasmática e perda das microvilosidades, tumefação das mitocôndrias, dilatação do RE, eosinofilia (devida à diminuição do RNA citoplasmático). • Necrose: aumento da eosinofilia; retração, fragmentação e dissolução nuclear; rompimento da membrana plasmática e das membranas das organelas; abundantes figuras de mielina; extravasamento e digestão enzimática dos conteúdos celulares. • Padrões de necrose tecidual: sob diferentes condições, a necrose tecidual assume padrões específicos: de coagulação ➢ Sensores mecânicos (aumento da carga de trabalho) ➢ Fatores de crescimento (TGF-β; IGF-1) ➢ Agentes vasos ativos (Agonista α-adrenégico, endotelina-1, ANGII) ➢ Morfologia: - aumento do peso e volume - aumento das organelas - aumento do material genético ampliação - redundância gênica duplicação – poliploidia ➢ Evolução e Consequências: dependeda intensidade, duração e da célula - multiplicação = Hiperplasia - degeneração / necrose – reversíveis HIPERPLASIA ➢ Conceito: distúrbio do crescimento celular caracterizado pelo aumento da população (número) das células do tecido ou órgão que resulta em aumento do tamanho do órgão A hiperplasia é um estímulo que pode ser externo ou interno que sinaliza para a célula alvo iniciar ou aumentar sua proliferação ➢ Tipos de Hiperplasia ➢ Fisiológica- Compensatória Hormonal ➢ Patológica -Excesso de hormônios ou fatores de crescimento atuando em células alvo ➢ Hiperplasia Compensatória: ➢ Hiperplasia Patológica ➢ Estímulos hormonais desregulados, mas cessa quando é cessada a ação hormonal ➢ Por ser desregulada, favorece um ambiente ideal para a proliferação de canceres ➢ Hiperplasia de Próstata Hipertrofia de Bexiga ➢ Mecanismos de Hiperplasia ➢ Ação de agentes que estimulam fatores que induzem a proliferação de células quiescentes (cél que não estão replicando mas ao estimulam começam a replicar) ➢ Fatores envolvido: Hormônios e sinalizadores peptídeos (VEGF, GH),Hormônios esteroides (Testosterona e progesterona), Ação viral (papiloma vírus) ➢ Morfologia: - aumento do peso e volume - aumento do número de células pólipos / papilas - aumento do material genético ➢ Evolução e Consequência: depende da intensidade, duração e da célula - aumento da função = Síndromes - podem evoluir para Displasia ou Neoplasia - degeneração / necrose - reversíveis ou irreversíveis ATROFIA ➢ Conceito: distúrbio do crescimento celular caracterizado pela diminuição do número e/ou volume das células do tecido ou órgão Não significa que as células estão mortas ou inviáveis e sim com suas funções diminuídas ➢ Patogênese: desequilíbrio entre síntese (renovação) proteica e degradação (morte) das proteínas nas células ➢ Tipos de Atrofia ➢ Fisiológica- Desenvolvimento normal (útero pós gravídico; notocorda e ducto tireoglosso – desenvolvimento Fetal) ➢ Patológica - Depende da causa Local ou generalizada ➢ Atrofia Patológica ➢ Redução de carga de trabalho (atrofia de desuso), Perda da inervação (atrofia por desnervação), Diminuição do suprimento sanguíneo, Nutrição inadequada, Perda de estimulçao endócrina, Pressão (compressão tecidual) ➢ Morfologia: - diminuição do peso e volume - aumento do estroma fibroadiposo - alteração da cor = lipofuscina - processos degenerativos ➢ Mecanismo da Atrofia ➢ Diminui síntese de proteínas devido atividade metabólica reduzida – via ubiquitina- proteossoma (desuso e def. de nutrientes ativam a via) ➢ Em alguns casos, acompanhada de autofagia (com aumento do número de vacúolos autofágicos) ➢ lipofuscina (pigmento da senilidade – atrofia parda): vacúolos autofágicos resistentes à digestão e persistem como corpúsculos residuais METAPLASIA ➢ Conceito: Alteração do crescimento celular reversível, em que um tipo de célula diferenciada (epitelial ou mesenquimal) é substituída por outro tipo celular (derivada do mesmo folheto embrionário) Representa substituição adaptativa de células Sensíveis ao estresse , mas capazes de suportar o ambiente hostil ➢ A metaplasia epitelial mais comum é a colunar para escamosa ➢ Trato respiratório em resposta à irritação crônica ➢ Fumantes habituias ➢ Cálculos nos ductos excretores das gl. Salivares, pâncreas ou ductos biliares ➢ Deficiência de Vit. A – trato respiratórios ➢ Metaplasia do tipo escamoso para colunar: esôfago de Barrett (substituição por cél. semelhantes à do intestino ➢ Metaplasia do tecido conjuntivo: Formação de cartilagem, osso ou tecido adiposo (tecidos mesenquimais) em tecidos que não contém estes elementos ➢ Mecanismo de Metaplasia ➢ Etiologia- alterações do meio (agressão repetida): agentes físicos (mecânico, temperatura), agentes químicos, agentes biológicos (inflamações crônicas) VISÃO GERAL DA LESÃO CELULAR E MORTE CELULARES LESÃO CELULAR (REVERSÍVEL E IRREVERSÍVEL) ➢ Mecanismo de lesão celular: reversível e irreversível. ➢ A resposta celular ao estímulo nocivo depende do tipo de lesão, sua duração e sua gravidade. ➢ As consequências da lesão celular dependem do tipo, estado e adaptabilidade da célula lesada (estado nutricional e hormonal celular e suas necessidades são importantes). ➢ A lesão celular é resultante de diferentes mecanismos bioquímicos que agem em vários componentes celulares essenciais ➢ Depleção de ATP. ➢ Danos mitocondriais ➢ Influxo de cálcio e perda da homeostase do cálcio ➢ Acúmulo de Radicais Livres ➢ Defeitos da permeabilidade da membrana ➢ Danos ao DNA e às proteínas ➢ Tumefação celular: • Primeira manifestação • Alteração morfológica mais evidente à macroscopia – causa palidez, aumento do turgor e do peso • Microscopia: citoplasma claros – aumento da eosinofilia NECROSE ➢ CONCEITO: Morte de uma célula, tecido ou órgão permanecendo o organismo (como um todo) vivo havendo uma reação dos tecidos vizinhos O aspecto morfológico resulta da desnaturação de proteínas intracelulares e da digestão enzimática das células lesadas letalmente – perda da integridade da membrana ➢ Necrose Classificação ➢ a - Necrose coagulativa ➢ b - Necrose liquefativa ➢ c - Necrose caseosa ➢ d - Necrose gordurosa ➢ e - Necrose fibrinóide ➢ f - Necrose por esfacelo ➢ g - Necrose purulenta ➢ A necrose de coagulação refere- se às alterações visíveis em uma célula moribu nda quando visualizada sob microscopia ópti ca. ➢ Em.geral, os contornos da célula e do tecid o são preservados. ➢ A necrose de coagulação caracteriza- se por eosinofilia citoplasmática e núcleo muito escuro à coloração ou frag mentado. ➢ No tecido, a necrose de coagulação most ra-se como uma área rosada ou avermelhada; com o tempo, os macrófagos consomem as células necróticas e o tecido é substituído por tecido cicatricial colagenoso descorado. ➢ A necrose gordurosa decorre com maior frequência da liberação extracelular de enzimas lipolíticas no tecido adiposo. ➢ A necrose gangrenosa não é um padrão específico de morte celular, mas o termo ainda é usado comumente na prática clínica. ➢ Em geral, é aplicado a um membro, comumente a perna, que tenha perdido seu suprimento sanguíneo e que sofreu necrose de coagulação, envolvendo várias camadas de tecido. ➢ Quando uma infecção bacteriana se superpõe, a necrose de coagulação é modificada pela ação liquefativa das bactérias e dos leucócitos atraídos (resultando na chamada gangrena úmida). ➢ A necrose caseosa é uma lesão característica da tuberculose. Os granulomas tuberculosos contêm micobactérias mortas engolfadas por macrófagos necróticos; persistem como frag mentos eosinofílicos grosseiros semelhantes a queijo cremoso. ➢ A necrose gordurosa decorre com maior freq üência da liberação extracelular de enzimas li políticas no tecido adiposo. ➢ Necrose gordurosa Liberação de lipases pancreáticas ativadas nas substâncias do pâncreas e na cavidade peritoneal ➢ emergência abdominal: pancreatite aguda ISQUEMIA E REPERFUSÃO ➢ Hipóxia x isquemia ➢ Restauração do fluxo sanguíneo para tecidos isquêmicos pode promover a restauração das células, se estas foram lesadas de modo reversível. ➢ No entanto, quando o fluxo sanguíneo é restaurado para as células que estavam isquêmicas, mas não mortas, a lesão é paradoxalmente exacerbada e prossegue em ritmo acelerado. ➢ Resultado: tecidos reperfundidos continuam a perder células, além daquelas que foram lesadas irreversivelmente no fim da isquemia. ➢ Esse processo é clinicamente importante porque contribui para danos no tecido em infartos do miocárdio e cerebrais e em seguida a terapiaspara restaurar o fluxo sanguíneo APOPTOSE ➢ processo ativo de auto-destruição ➢ comandada pelo genoma ➢ diminuição das funções celulares ➢ condensação e fragmentação de porções celulares ➢ fagocitose pelas células vizinhas/macrófagos ➢ Morfologia apoptose fisiológica: Retração celular, Condensação da cromatina, Formação de bolhas citoplasmáticas e corpos apoptóticos, Fagocitose. ➢ Via intrínseca da apoptose: Aumento de permeabilidade mitocondrial e liberação de moléculas apoptóticas (indutoras de morte) dentro do citoplasma ➢ Bcl-2: proteína antiapoptótica – viabilidade cel.: mantém integridade da membranas ➢ Perda de sinal de sobrevivência, lesão no DNA ativam Bax e Bak (pró-apoptóticas), extravasando citocromo –C = ativação das caspases e apoptose ➢ Via extrínseca da apoptose (iniciada por receptores de morte da membrana) ➢ TNF: domínio de morte (entrega de sinais de apoptose: ativam cascatas inflamatórias): TNFR1 e Fas ➢ Fases: Iniciação: Interação entre receptores e indutores da apoptose, Ativação das caspases iniciadoras (clivagem do citoesqueleto), Caspases iniciadoras ativam as executoras. ➢ Fases: Execução: Ativação de caspases executoras : regulada pelos genes Bcl-2 ; Fase irreversível após iniciada - Caspases ativam proteases - Degradação de proteínas do envelope nuclear e fragmentação do DNA. ➢ Apoptose Ocorrência - condições fisiológicas - condições patológicas ➢ A. Embriogênese - metamorfose ➢ B. Pós-natal - sistema genital - inflamações – neoplasias ➢ Membranas Interdigitais •Mãos •Pés ➢ - fendas branquiais e notocorda ➢ Apoptose Hepatite virótica AUTOFAGIA ➢ Célula digere seu próprio conteúdo ➢ Mecanismo de sobrevivência em período de privação de nutrientes – recicla conteúdos digeridos ➢ Regulada por genes autofágicos (Atgs) ➢ Sugere: autofagia desencadeia a morte celular – distinto da necrose e apoptose – não conhecido os mecanismos ainda ➢ tem sido invocada como mecanismo de perda celular em várias doenças, incluindo as doenças degenerativas dos sistemas nervoso e muscular ➢ em muitos distúrbios, as células lesadas contêm abundantes vacúolos autofágicos. ➢ Autofagia. O estresse celular, como privação de nutrientes, ativa os genes da autofagia que criam vacúolos nos quais as organelas celulares são sequestradas e então degradadas, após a fusão das vesículas com lisossomos. Os materiais digeridos são reciclados para fornecer nutrientes para a célula. ACÚMULOS INTRACELULARES ➢ Duas categorias: (1)Constituinte celular normal, como água, lipídios, proteína se carboidratos – se acumulam em excesso (2)Substância anormal, seja exógeno, como mineral ou produtos de agentes infecciosos, ou endógeno, como um produto da síntese ou metabolismo anormal ➢ Anormalidades: ➢ 1. Substância endógena normal é produzida a uma taxa normal ou aumentada, mas a taxa de metabolismo é inadequada para removê-la Ex: degeneração gordurosa no fígado – esteatose ➢ 2. Substância endógena anormal - produto de gene mutado, acumula devido à defeito no dobramento e transporte de proteínas e inabilidade de degradar a proteína anormal ➢ 3. Substância endógena normal, acumula-se devido à defeitos herdados, em enzimas que são necessárias para o metabolismo de substâncias ➢ 4. Substância exógena anormal é depositada e se acumula porque a célula não possui maquinaria enzimática para degradar a substância e nem a habilidade de transportá- la para outros locais ➢ Degenerações ➢ Conceito: Processo patológico reversível caracterizado por alterações morfológicas funcionais decorrentes da incapacidade celular em manter sua homeostasia, resultando em alterações físico-químicas e no acúmulo de substâncias no interior (citoplasma) das células ➢ Determinantes: Redução da fosforilação oxidativa com consequente depleção do armazenamento de energia na forma de ATP e tumefação celular causada por alterações da concentração de íons e influxos de água ➢ Tipos: Tumefação celular (degeneração hidrópica), Degeneração gordurosa (esteatose) ➢ Morfologia Quadro macroscópico - aumento do peso e volume - diminuição da consistência - diminuição da coloração (pálido) ➢ Acúmulos intracelulares: Esteatose ➢ Esteatose: Etiologia ➢ Morfologia: Quadro macroscópico ➢ aumento do peso e volume - cápsula distendida - bordos arredondados ➢ Morfologia: Quadro microscópico ➢ Morfologia: Quadro macroscópico ➢ Coloração amarelada - Vasos em "fenda" ➢ Diminuição da consistência - Aspecto "untuoso" ao tato COLESTEROL E ÉSTERES DE COLESTEROL ➢ Acúmulos focais de macrófagos cheios de colesterol na lâmina própria da vesícula (Este termo refere-se aos acúmulos focais de macrófagos cheios de colesterol na lâmina própria da vesícula biliar - mecanismo de acúmulo é ignorado) ➢ aterosclerose: Acúmulo ou alteração do estado físico-químico de lipídios, dos grupos não triacilgliceróis no citoplasma especialmente de macrófagos -> Placas ateromatosas ➢ Gotículas de reabsorção de proteínas no epitélio tubular renal Doenças que cursam com proteinúria DEGENERAÇÃO HIALINA ➢ Conceito:Alteração da constituição físico- química dos elementos protéicos, resultando em acúmulo no interior do citoplasma, caracterizado à microscopia de luz, por material vítreo, amorfo, hialino e brilhante ➢ Grego hyalos = vidro ➢ Glomerulonefrite no Lupus eritematoso sistêmico As setas apontam lesões “wire loop” – espessamento do capilar glomerular causado por maciço depósito subendotelial de imunocomplexos DEGENERAÇÃO POR ACÚMULO DE GLICOGÊNIO ➢ Conceito: Acúmulo ou alteração do estado físico-químico de glicogênio, tendo por causa básica deficiência enzimática (glicogenoses) que atuam no seu processo de degradação ➢ Acúmulos intracelulares: Pigmentos ➢ Exógenos -> carbono (poeira de carvão) Tatuagem Sem resposta inflamatória ➢ Endógenos -> Lipofuscina Melanina Hemossiderina Bilirrubina lipofuscina CALCIFICAÇÕES PATOLÓGICAS ➢ Conceito: depósitos nos tecidos “não-ósseos” de compostos formados por Cálcio e Fósforo, sob a forma de hidroxiapatita Ca10(PO4)(HO)2], fosfato amorfo ou pirofosfato ➢ Classificação: - Distrófica (discrásica) = Ca x P normal, lesão prévia - Metastática = Ca x P alterado, sem lesão prévia - Calcifilaxia = Ca x P alterado + lesão prévia ➢ Distrófica -> Áreas de necrose Presente em ateromas Valvas cardíacas envelhecidas Patogenia: Formação de mineral fosfato de cálcio cristalino ➢ Metastática -> Hipercalcemia em tecidos normais Acentua a distrófica Patogenia: aumento do PTH; destruição do tec. Ósseo; distúrbios da vit. D; insuficiência renal ENVELHECIMENTO CELULAR ➢ Conceito: Resultado do declínio progressivo da função e viabilidade celulares causado por anomalias genéticas e acúmulo de danos moleculares e celulares devido aos efeitos da exposição a influências exógenas. INFLAMAÇÃO AGUDA E CRÔNICA DEFINIÇÃO ➢ Resposta a infecções; ➢ Resposta a lesões teciduais; ➢ Resposta protetora essencial à sobrevivência, que envolve células do hospedeiro, vasos sanguíneos, proteínas e outros mediadores e destinada a eliminar a causa inicial da lesão celular, bem como as células e tecidos necróticos que resultam da lesão original e iniciar o processo de reparo. SEQUÊNCIA DE EVENTOS DA REAÇÃO INFLAMATÓRIA Acúmulo de pigmentos: pigmentos indigeríveis, como carbono, lipofuscina (produto de degradação da peroxidação lipídica), ferro (geralmente devido a sobrecarga, como na hemossiderose). Calcificações patológicas :Calcificação distrófica: deposição de cálcio em áreas de lesão celular e necrose; Calcificação metastática: deposição de cálcio em tecidos normais, causada por hipercalcemia (geralmentecomo consequência de excesso de paratormônio). Resulta da combinação de lesões celulares que se acumulam (p. ex., por radicais livres), redução da capacidade de divisão (senescência replicativa) e redução da habilidade de reparar o DNA lesado. • Acúmulo de lesões ao DNA: defeitos no mecanismo de reparo de DNA; inversamente, o reparo do DNA pode ser ativado pela restrição calórica conhecida por prolongar o envelhecimento em organismos-modelo. • Senescência replicativa: capacidade reduzida de divisão celular devida ao encurtamento progressivo das extremidades cromossômicas (telômeros). • Outros fatores: acúmulo progressivo de lesões metabólicas; prováveis papéis dos fatores de crescimento que promovem envelhecimento em organismos-modelo. CONSEQUÊNCIAS NOCIVAS CAUSAS ➢ Infecções ➢ Necrose dos tecidos ➢ Corpos estranhos ➢ Reações imunes NFLAMAÇÃO – RECONHECIMENTO DE MO E CÉLULAS DANIFICADAS INFLAMAÇÃO AGUDA ➢ Inflamação aguda é uma resposta rápida que leva leucócitos e proteínas plasmáticas para os locais da lesão. Uma vez lá, os leucócitos removem os invasores e iniciam o processo de digerir e se livrar dos tecidos necróticos. ➢ Alterações vasculares: alterações do calibre vascular que resultam em aumento do fluxo sanguíneo (vasodilatação) e alterações nas paredes vasculares que permitem que as proteínas plasmáticas deixem a circulação (aumento da permeabilidade vascular); ➢ Eventos celulares: emigração dos leucócitos da microcirculação e seu acúmulo no foco da lesão (recrutamento e ativação celular), tornando-os aptos para eliminar o agente agressor. Os principais leucócitos na inflamação aguda são os neutrófilos (leucócitos polimorfonucleares). REAÇÕES DOS VASOS SANGUÍNEOS alterações no fluxo e no calibre ➢ A vasodilatação é induzida pela ação de vários mediadores, sobretudo a histamina, nos músculos vasculares lisos; ➢ Aumento de permeabilidade da microvasculatura e extravasamento de fluido; ➢ Estase – congestão vascular; receptores celulares para microrganismos TLRs – cél. Epiteliais, CDs,macrófagos e leucócitos Sensores de dano celular Inflamassomo – IL-1 Proteínas circulatórias Lectina ligante de manose - Complemento A inflamação é uma resposta protetora do hospedeiro a invasores estranhos e tecidos necróticos, porém ela mesma pode causar lesão tecidual. Os principais componentes da inflamação são a reação vascular e a resposta celular; ambas são ativadas por mediadores derivados das proteínas plasmáticas e de várias células. As etapas da resposta inflamatória podem ser lembradas como os cinco erres: (1) reconhecimento do agente lesivo, (2) recrutamento dos leucócitos, (3) remoção do agente, (4) regulação (controle) da resposta e (5) resolução (reparo). O resultado da inflamação aguda é a eliminação do estímulo nocivo, seguida do declínio da reação e o reparo do tecido lesado ou lesão persistente que resulta em inflamação crônica. ➢ Acúmulo de leucócitos (neutrófilos) no endotélio vascular e sua migração para o tecido intersticial. permeabilidade vascular aumentada RECRUTAMENTO DE LEUCÓCITOS PARA OS LOCAIS DE INFLAMAÇÃO DESTRUIÇÃO INTRACELULAR DE MO ➢ A morte dos microrganismos é realizada pelas espécies reativas de oxigênio (ERO, também chamadas de intermediários reativos de oxigênio) e espécies reativas de nitrogênio, principalmente aquelas derivadas do óxido nítrico (NO). Estes, tanto quanto as enzimas lisossômicas, destroem os resíduos fagocitados. ➢ EROS ➢ NO ➢ Enzimas lisossômicas MEDIADORES DA INFLAMAÇÃO A vasodilatação é induzida por mediadores químicos como a histamina (descrita mais adiante) e é a causa de eritema e estase do fluxo sanguíneo. O aumento da permeabilidade vascular é induzido pela histamina, cininas e outros mediadores que produzem aberturas entre as células endoteliais; por lesão endotelial direta ou induzida por leucócito e pelo aumento da passagem de líquidos através do endotélio; o aumento da permeabilidade vascular permite a entrada de leucócitos e proteínas plasmáticas nos locais da infecção ou da lesão do tecido; o líquido que extravasa dos vasos sanguíneos resulta em edema. Os leucócitos são recrutados do sangue para o tecido extravascular, onde estão localizados os patógenos infecciosos ou tecidos lesados, e são ativados para executar suas funções. O recrutamento dos leucócitos é um processo de múltiplas etapa, consistindo em aderência transitória e rolagem no endotélio (mediadas por selectinas), aderência firme ao endotélio (mediada por integrinas) e migração por entre os espaços interendoteliais. Várias citocinas promovem expressão de selectinas e ligantes de integrina no endotélio (TNF, IL-1), aumentam a afinidade das integrinas por seus ligantes (quimiocinas) e promovem a migração direcional dos leucócitos (também quimiocinas); muitas dessas citocinas são produzidas pelos macrófagos do tecido e outras células que respondem aos patógenos ou tecidos lesados. Os neutrófilos predominam no infiltrado inflamatório inicial e são depois substituídos pelos macrófagos. Histamina e Serotonina ➢ Aminas Vasoativas: Histamina e Serotonina ➢ A histamina causa dilatação das arteríolas e aumenta a permeabilidade das vênulas Metabólitos do Ácido Araquidônico Citocinas TNF e IL-1 Quimiocinas ➢ Quimioatraentes para tipos específicos de leucócitos; Sistema Complemento Outros ➢ Fator de Ativação Plaquetária (PAF); ➢ Produtos da Coagulação; ➢ Cininas; ➢ Neuropeptídeos PADRÕES MORFOLÓGICOS. inflamação serosa ➢ A inflamação serosa é caracterizada pelo extravasamento de um fluido aquoso, relativamente pobre em proteína que, dependendo do local da lesão, se origina do soro sanguíneo ou das secreções de células mesoteliais que revestem as cavidades peritoneal, pleural e pericárdica. exsudato fibrinoso ➢ Exsudato fibrinoso: contém grandes quantida des de fibrina em decorrência de ativação d a coagulação. ocorre como consequência de lesões mais graves, resultando em maior permeabilidade vascular que permite a moléculas grandes (como o fibrinogênio) atravessarem a barreira endotelial. inflamação purulenta – supurativa – Abscesso ➢ São caracterizadas pela presença de grande quantidade de exsudato purulento (ou pus) consistindo em neutrófilos, células necróticas e líquido de edema ➢ Exsudato ou derrame purulento: com frequ ência, associado a infecções bacterianas piogênicas e contém grandes quantidades de neutrófilos (leucócitos polimorfonucleares) Aminas vasoativas: histamina, serotonina: seus principais efeitos são a vasodilatação e o aumento da permeabilidade vascular. Metabólitos do ácido araquidônico — prostaglandinas e leucotrienos: existem em várias formas e estão envolvidos nas reações vasculares, na quimiotaxia dos leucócitos e outras reações da inflamação; são antagonizados pelas lipoxinas. Citocinas: proteínas produzidas por muitos tipos celulares, geralmente atuam em curto alcance; medeiam múltiplos efeitos, principalmente no recrutamento e migração dos leucócitos; as principais na inflamação aguda são TNF, IL-1, IL-6 e quimiocinas. ERO, espécies reativas do oxigênio: papel na destruição microbiana e lesão tecidual. • Óxido nítrico: vasodilatação, destruição microbiana. Enzimas lisossômicas: papel na destruição microbiana, lesão tecidual. Proteínas do complemento: a ativação do sistema complemento por micróbios ou anticorpos leva à geração de vários produtos de degradação que são responsáveis pela quimiotaxia dos leucócitos, opsonização e fagocitose de micróbios e outras partículas e destruição celular. Proteínas da coagulação: a ativação do fator XII desencadeia acoagulação, as cininas e as cascatas do complemento e ativa o sistema fibrinolítico. Cininas: produzidas por clivagem proteolítica dos precursores, modulam a reação vascular e a dor. ➢ Inflamação supurativa: exsudato purulento co m necrose liquefativa importante (acúmulo d e pus). ➢ Os abscessos são coleções localizadas de pus que podem ser causadas por organismos piogênicos contidos dentro de um tecido ou por infecções secundárias de focos necróticos – úlcera ➢ Uma úlcera é um defeito local ou escavação da superfície de um órgão ou tecido que é produzida por necrose das células e desprendimento (esfacelamento) do tecido inflamatório necrótico. RESULTADOS ➢ Resolução: Sob condições ideais, o estado infl amatório sofre resolução por meio da elimina ção da fonte lesiva e do restabelecimento de estrutura e função teciduais normais. O infl uxo de leucócitos é interrompido, fragmentos celulares e teciduais são removidos, vasos sangüíneos, epitélio e MEC são reparados. ➢ Abscesso: Quando tecido destruído por produ tos de neutrófilos é isolado, forma- se um abscesso, contendo células teciduais m ortas e neutrófilos (pus). ➢ Cicatriz: Lesão tecidual irreversível pode result ar na substituição de tecido normal por uma cicatriz. ➢ Linfadenite: Linfonodos que drenam a área le sada podem aumentar de tamanho devido à quantidade crescente de folículos corticais e fagócitos sinusais. ➢ falência da resolução: A persistência da reaç ão inflamatória pode resultar em resposta ag uda prolongada ou, com maior frequência, em inflamação crônica. INFLAMAÇÃO CRÔNICA ➢ A inflamação crônica pode dever-se a uma falha em eliminar por completo a agressão patológica, ou pode decorrer de uma resposta imunológica a um antígeno estranho. Os eventos que conduzem à inflamação crônica assemelham-se aos da inflamação aguda e incluem desencadeadores lesivos, ativação da cascata do completo e da cascata da coagulação, recrutamento de células inflamatórias e graus variáveis de fibrose. ➢ A inflamação crônica é a inflamação de duração prolongada (semanas a meses ou anos) na qual inflamação ativa, destruição tecidual e reparação por fibrose ocorrem simultaneamente. Lesão tecidual e tentativas de reparo coexistem ➢ Início insidioso Resposta de baixo grau e latente, sem nenhuma manifestação prévia de uma reação aguda. CAUSAS DA INFLAMAÇÃO CRÔNICA ➢ Infecções persistentes por microrganismos que são difíceis de eliminar. ➢ Estimula reação imunológica hipersensibilidade do tipo tardia - Reação granulomatosa ➢ I – imediata - anfilaxia II – IgM e IgG – autoanticorpos - anemia hemolítica autoimune III – Imunocomplexos – LES, Glomerulonefrite pós estreptocócica IV – tardia – TB – granuloma ➢ Doenças de hipersensibilidade: ativação excessiva ou inapropriada do sistema imunológico. ➢ inapropriadamente deflagradas contra os antígenos que normalmente são inofensivos - > Fibrose. ➢ Exposição prolongada a agentes potencialmente tóxicos, tanto exógenos quanto endógenos CARACTERÍSTICAS MORFOLÓGICAS Inflamação aguda CÉLULAS E MEDIADORES DA INFLAMAÇÃO CRÔNICA ➢ Macrófagos: células dominantes na maioria das reações inflamatórias crônicas. ➢ Em 48h podem ser as células predominates ➢ são células teciduais (meses – anos) ➢ As células circulantes são os monócitos (1 dia de vida ➢ - Fígado: células de Kupffer; - Baço e linfonodos: histiócitos sinusais; -SNC: micróglia - Pulmões: macrófagos alveolares; Sistema fagocitário mononuclear ➢ Macrófagos: destroem invasores estranhos e ativam especialmente os linfócitos T ➢ Os macrófagos são fagócitos profissionais ➢ Ativados por: - Endotoxinas; - Sinais derivados de células T (IFN-γ); - Cristais/partículas ➢ Não são microbicidas Reparo tecidual - Fatores de crescimento – angiogênese; - Fibroblastos - síntese de colágeno ➢ aumento da habilidade de eliminar organismos e secretar citocinas que estimulam a inflamação ➢ Vias de ativação dos macrófagos. Diferentes estímulos ativam monócitos/macrófagos a se desenvolverem em populações funcionalmente distintas. Macrófagos classicamente ativados são induzidos por produtos microbianos e por citocinas, particularmente IFN-g, e são microbicidas e envolvidos em inflamações potencialmente prejudiciais. Os macrófagos ativados alternativamente são induzidos por IL-4 e IL-13, produzidas por células TH2 (uma subpopulação de célula T auxiliadora) e outros leucócitos, e são importantes no reparo tecidual e fibrose. IFN-g, interferon g; IL-4, IL- 13, interleucinas 4 e 13. ➢ Será que ativação de M1 precede ativação de M2? ➢ Os macrófagos secretam mediadores da inflamação, tais como as citocinas (TNF, IL-1) - essenciais para a iniciação e a propagação das reações inflamatórias ➢ Ativação de macrófagos pelos produtos da ativação de linfócitos T ➢ Ação microbicida; Promoção da inflamação ➢ Reparo tecidual – fibrose; Ação anti- inflamatória FUNÇÃO DOS LINFÓCITOS ➢ Embora a função principal dos L seja mediar a imunidade adaptativa, que fornece defesa contra patógenos infecciosos, essas células estão frequentemente presentes na inflamação crônica. ➢ inflamação tende a ser persistente e grave ➢ inflamação granulomatosa ➢ MO: ativam LT e LB Imunidade adaptativa ➢ Quando uma APC age as células T se diferenciam... ➢ recrutamento de neutrófilos (e monócitos) Defesa contra bactérias. ➢ IFN-γ que ativa os macrófagos – via clássica Defesa contra bactérias ➢ IL-4, a IL-5 e a IL-13, que recrutam e ativam os eosinófilos – asma, helmintos via alternativa da ativação dos macrófagos INTERAÇÕES MACRÓFAGO-LINFÓCITO ➢ L Th1 e Th17 liberam IFN e Il-17 – recruta macrófagos e monócitos ➢ aumento da habilidade de eliminar organismos e secretar citocinas que estimulam a inflamação ➢ Interações macrófago-linfócito na inflamação crônica. Linfócitos e macrófagos ativados estimulam-se entre si e ambos liberam mediadores inflamatórios que influenciam outras células. INF-g, interferon g; IL-1, interleucina 1; TNF, fator de necrose tumoral. ➢ Eosinófilos ➢ Os eosinófilos são abundantes nas reações imunológicas mediadas por IgE e em infecções parasitárias. ➢ Os eosinófilos têm grânulos contendo a proteína básica principal, uma proteína altamente catiônica que é tóxica para parasitas, mas também causa lise das células epiteliais dos mamíferos ( asma). ➢ Mastócitos: ➢ amplamente distribuídos nos tecidos conjuntivos e participam de ambas as reações inflamatórias, aguda e crônica ➢ reações alérgicas aos alimentos, veneno de insetos ou fármacos INFLAMAÇÃO GRANULOMATOSA ➢ Inflamação crônica caracterizada por coleções de macrófagos ativos, frequentemente com linfócitos T, e, algumas vezes, associada à necrose central. ➢ tentativa celular de conter um agente agressor difícil de eliminar. ➢ Células epitelioides = macrófagos com citoplasma abundante ➢ Células gigantes = multinucleadas = fusão de macrófagos ➢ Granuloma tuberculoso típico exibindo uma área de necrose central cercada por várias células gigantes multinucleadas, células epitelioides e linfócitos. ➢ Granulomas imunes: - Induz resposta imunológica mediada por célula T; - Difícil eliminar o agente iniciador; ➢ L 2 – ativa outras células T IFN-γ: ativa macrófagos ➢ M. tuberculosis, Treponema pallidum ou fungos Doença de Crohn ➢ Granulomas de corpos estranhos: formados por corpos estranhos relativamente inertes ➢ Talco: abuso de droga EV; ➢ Suturas grandes o suficiente para impedir a fagocitose por um único macrófago e não estimular nenhuma resposta inflamatória ou imunológica. ➢ As células epitelioides e as células gigantes são depositadas na superfície do corpo estranho.EFEITOS SISTÊMICOS DA INFLAMAÇÃO ➢ Febre: elevação da T 1°C a 4°C; ➢ Inflamação associada a uma infecção; ➢ Pirógenos – produtos bacterianos LPS; ➢ Ativam COX que convertem AA em prostaglandinas – hipotálamo PGE2 – estimula NT que desregulam os mecanismos de controle da temperatura. ➢ AINES – inibem a COX. ➢ Proteínas da fase aguda; ➢ Sintetizada no fígado – estimulado pela IL-6 ➢ [ ] aumenta na inflamação; ➢ Proteína C-reativa (CRP) - estimulada pela IL-6 ➢ Fibrinogênio - estimulado pela IL-6 - VHS ➢ Proteína amiloide sérica A – estimulada IL-1 ou TNF ➢ Leucocitose e desvio à esquerda Diferencial: Leucemia e reação leucemóide ➢ Infecções bacterianas: neutrofilia Infecções virais: linfocitose - Mononucleose infecciosa - Caxumba – Sarampo ➢ Nas infecções bacterianas graves (sepse), a grande quantidade de bactérias e de seus produtos no sangue estimula a produção de citocinas, com destaque para TNF e IL-1; ➢ Coagulação intravascular disseminada; ➢ Choque hipotensivo ➢ Perturbações metabólicas - resistência à insulina e hiperglicemia ➢ Tríade do choque séptico RENOVAÇÃO, REGENERAÇÕES E REPARO DE TECIDOS ➢ Reparo Tecidual: cura; Restauração da estrutura e da função dos tecidos após a lesão; A resposta inflamatória à MO ou em tecidos lesados serve para eliminar esses riscos e também ativa o processo de reparo. ➢ O reparo de tecidos lesados ocorre por meio de dois tipos de reação: - Regeneração: através da proliferação de células não lesadas e da maturação das células-tronco teciduais; - Cicatrização: deposição de tecido conjuntivo. REPARO TECIDUAL ➢ A regeneração de tecidos é orientada pela proliferação de células não lesadas (residuais) e substituição a partir de células-tronco. ➢ A proliferação celular ocorre quando células quiescentes entram no ciclo celular. O ciclo celular é estreitamente regulado por ativadores e inibidores, e contém pontos de controle intrínsecos que evitam a replicação de células anormais. Resposta prolongada do hospedeiro a estímulos persistentes. Causada por microrganismos que resistem à eliminação, por respostas imunes a antígenos próprios ou ambientais e por algumas substâncias tóxicas (p. ex., sílica); fundamenta muitas doenças importantes do ponto de vista médico. Caracterizadas por inflamação persistente, lesão tecidual, tentativas de reparo por cicatrização e resposta imune. Infiltrado celular constituído por macrófagos ativados, linfócitos e plasmócitos, frequentemente com fibrose proeminente. Mediada por citocinas produzidas pelos macrófagos e linfócitos (principalmente linfócitos T); as interações bidirecionais entre essas células tendem a amplificar e prolongar a reação inflamatória. Febre: citocinas (TNF, IL-1) estimulam a produção de prostaglandinas no hipotálamo. Produção de proteínas de fase aguda:proteína C reativa,outras; síntese estimulada por citocinas (IL-6, outras) atuando nas células hepáticas. Leucocitose: citocinas (CSFs) estimulam a produção de leucócitos a partir de precursores na medula óssea. Em algumas infecções graves, choque séptico; queda da pressão sanguínea, coagulação intravascular disseminada, anormalidades metabólicas; induzidas por altos níveis de TNF ➢ Os tecidos são divididos em lábeis, estáveis e permanentes, de acordo com a capacidade proliferativa de suas células. ➢ Os tecidos que se dividem continuamente (lábeis) contêm células maduras capazes de se dividir e células-tronco que se diferenciam para substituir as células perdidas. ➢ As células-tronco de embriões (células ES) são pluripotentes; os tecidos adultos, particularmente a medula óssea, contêm células-tronco adultas capazes de regenerar múltiplas linhagens celulares. ➢ As células-tronco pluripotentes induzidas (células iPS) são obtidas através da introdução de genes característicos de células ES em células maduras. As células iPS adquirem muitas características de células- tronco. REGENERAÇÃO ➢ É o retorno dos tecidos ao estado normal através da substituição dos componentes danificados. ➢ Proliferação de células que sobrevivem à lesão e conservam a capacidade de se proliferar - epitélios de rápida divisão ➢ Os mamíferos têm capacidade limitada de regenerar tecidos e órgãos, e apenas alguns componentes da maioria dos tecidos conseguem recuperar-se plenamente CICATRIZAÇÃO ➢ É a deposição de tecido conjuntivo. ➢ Se os tecidos lesados não conseguirem se restituir ou a lesão for severa, o reparo ocorre pela deposição de tecido conjuntivo (fibroso). ➢ formação de cicatrizes ➢ Embora a cicatriz fibrosa não seja normal, fornece estabilidade estrutural suficiente para que o tecido lesado possa funcionar. ➢ Fibrose: extensa deposição de como consequência da inflamação crônica. ➢ No miocárdio, após necrose isquêmica extensa (infarto); ➢ Se a fibrose se desenvolver em um espaço tecidual ocupado por exsudato inflamatório, é chamada de organização (como ocorre no caso da pneumonia em organização) PROLIFERAÇÃO CELULAR: MECANISMOS E SINAIS DE CONTROLE ➢ Vários tipos de células proliferam durante o reparo tecidual ➢ Células remanescente do tecido lesado: que tenta restaurar a estrutura normal; ➢ A forma de reparo dos tecidos é determinada, em parte, por sua capacidade de proliferação intrínseca. ➢ Células endoteliais vasculares: para criar novos vasos que forneçam os nutrientes necessários ao processo de reparo; contribuem para o reparo tecitual Regeneração e cicatrização Proliferação de várias céçulas , interação entre as células e a matriz extracelular (mec) A MEC consiste em matriz intersticial entre as células, formada por colágeno e várias glicoproteínas, e membranas basais abaixo dos epitélios e circundando os vasos, composta de colágeno não fibrilar e laminina. • A MEC tem várias funções importantes: Fornece suporte mecânico aos tecidos; esse é o papel dos colágenos e da elastina. Funciona como substrato para o crescimento celular e a formação de microambientes teciduais. Regula a proliferação e a diferenciação celulares; os proteoglicanos se ligam a fatores de crescimento e os exibem em altas concentrações; a fibronectina e a laminina estimulam as células através dos receptores de integrinas. • A regeneração tecidual requer MEC intacta e, se houver lesão à MEC, o reparo é feito apenas por formação de cicatriz. ➢ Fibroblastos: células que originam o tecido fibroso que forma a cicatriz para preencher os defeitos que não podem ser corrigidos por meio da regeneração. ➢ 3 tipos de tecidos ➢ Tecidos lábeis ou instáveis: Células que se dividem continuamente e são substituídas pela maturação de células-tronco e pela proliferação de células maduras; ➢ Células sanguíneas ➢ Epitélios de superfície (pele, cavidade oral, vagina) ➢ Epitélios cuboides dos ductos que drenam os órgãos exócrinos (glândulas salivares, pâncreas e trato biliar) ➢ Epitélio colunar do trato gastrointestinal ➢ Epitélio transicional do trato urinário ➢ Esses tecidos podem regenerar-se prontamente após a lesão, contanto que a reserva de células-tronco esteja preservada ➢ Tecidos estáveis: Células com atividade proliferativa mínima - capazes de se dividir em resposta à lesão ➢ Parênquima hepático, renal e pancreático; ➢ Células endoteliais, fibroblastos e células musculares lisas. ➢ A proliferação dessas células é particularmente importante na cura das feridas. ➢ Tecidos permanentes: Considera-se que as células desses tecidos não se proliferem na vida pós-natal. ➢ Neurônios e células do músculo cardíaco. Lesão no cérebro ou no coração é irreversível e resulta em cicatriz, pois os neurônios e miócitos cardíacos não se regeneram. Nos tecidos permanentes, o reparo é caracteristicamenterealizado pela formação de cicatriz. ➢ As fontes mais importantes desses fatores de crescimento são os macrófagos ativados. ➢ A proliferação celular é controlada por sinais promovidos pelos fatores de crescimento e pela matriz extracelular (integrinas). ➢ Todos os fatores de crescimento ativam as vias de sinalização que induzem a produção de proteínas envolvidas na condução de células até o ciclo; ➢ Integrinas: proteínas de adesão que ligam a MEC (fibronectina – proteína de colágeno) com o citoesqueleto de actina ➢ No processo de regeneração, a proliferação das células residuais é complementada pelo desenvolvimento de células maduras a partir de células-tronco. ➢ Em adultos, as células-tronco mais importantes para a regeneração após lesões são as células-tronco teciduais. ➢ Essas células-tronco vivem em nichos especializados, e acredita-se que a lesão desencadeie sinais nesses locais, os quais ativam a proliferação e a diferenciação das células-tronco quiescentes em células maduras que irão repovoar o tecido lesado. REGENERAÇÃO HEPÁTICA ➢ O fígado humano tem uma capacidade notável de se regenerar, conforme demonstrado por seu crescimento após hepatectomia parcial. ➢ Ressecção de até 90% do fígado pode ser corrigida pela proliferação dos hepatócitos residuais. ➢ Ex.: ressecção de um tumor ou no caso de um transplante hepático intervivos. ➢ A regeneração do fígado acontece por meio de dois mecanismos importantes: proliferação dos hepatócitos remanescentes e repovoamento a partir das células progenitoras. Regeneração Hepática por proliferação dos hepatócitos remanescentes ➢ Na primeira fase a IL-6 - produzidas pelas células de Kupffer, agem nos hepatócitos de modo a fazer com que as células parenquimatosas sejam capazes de receber e responder a sinais do fator de crescimento. ➢ Na segunda fase, o fator de cresc. epidérmico (EGF) e o fator de crescimento transformante (TGF-α), estimulam os hepatócitos a entrada no ciclo celular. Como os hepatócitos são células quiescentes, levam várias horas para entrar no ciclo celular, progredir de G0 para G1 e alcançar a fase S de replicação do DNA. ➢ Praticamente todos os hepatócitos replicam- se durante a regeneração hepática após hepatectomia parcial. ➢ No final os hepatócitos retornam à quiescência Regeneração Hepática a partir de células progenitoras ➢ Em situações nas quais a capacidade proliferativa dos hepatócitos é prejudicada, como na lesão ou na inflamação crônica hepática, as células progenitoras do fígado contribuem para o repovoamento. ➢ Células ovais - devido ao formato de seus núcleos REPARO POR DEPOSIÇÃO DE TECIDO CONJUNTIVO ➢ Se o reparo não puder ser alcançado somente pela regeneração, ocorre através da substituição das células lesadas por tecido conjuntivo, levando à formação de uma cicatriz. ➢ Pode ocorrer cicatrização quando a lesão tecidual for grave ou crônica. ➢ A formação de cicatriz é uma resposta que “remenda”, ao invés de restaurar o tecido. ➢ O termo cicatriz é mais frequentemente associado à cura de feridas na pele - descreve a substituição de células parenquimatosas em qualquer tecido por colágeno, como ocorre no coração após infarto do miocárdio. Os tecidos podem ser reparados por regeneração que envolve a restauração completa da forma e da função ou por substituição com tecido conjuntivo e formação de cicatriz. • O reparo pela deposição de tecido conjuntivo envolve angiogênese, migração e proliferação de fibroblastos, síntese de colágeno e remodelamento do tecido conjuntivo. • O reparo por tecido conjuntivo começa com a formação de tecido de granulação e termina com deposição de tecido fibroso. • Múltiplos fatores de crescimento estimulam a proliferação dos tipos celulares envolvidos no reparo. • OTGF-b é um potente agente fibrogênico; a deposição de MEC depende do equilíbrio entre os agentes fibrogênicos, as metaloproteinases (MMPs) que degradam a MEC e os TIMPs. ETAPAS NA FORMAÇÃO DE CICATRIZ ➢ O reparo por meio da deposição de tecido conjuntivo consiste em processos sequenciais que se seguem à lesão dos tecidos e à resposta inflamatória. ➢ 1º: ANGIOGÊNESE Mesmo após se resolver o processo inflamatório agudo na região da lesão - pode haver edema – angiogênese (VEGF) - nutrientes e oxigênio necessários ao processo de reparo. ➢ A angiogênese é o processo de desenvolvimento de novos vasos sanguíneos a partir dos vasos existentes. ➢ Fundamental no reparo de lesão, no desenvolvimento de circulações colaterais nos locais de isquemia e por permitir que tumores aumentem em tamanho. Terapias estão sendo desenvolvidas, tanto para ➢ aumentar o processo (p. ex., melhorar o fluxo sanguíneo para um coração acometido por doença coronariana aterosclerótica) quanto para inibi-lo (inibir o crescimento tumoral) ➢ 2º: FORMAÇÃO DO TECIDO DE GRANULAÇÃO Migração e proliferação de fibroblastos, deposição de tecido conjuntivo frouxo, junto com os vasos e leucócitos entremeados, formam o tecido de granulação. TECIDO DE GRANULAÇÃO ➢ Aparência macroscópica: rósea, macia e granular. ➢ Aparência histológica: ➢ Proliferação de fibroblastos; ➢ Proliferação de capilares (angiogênese); ➢ Mistura de células inflamatórias (macrófagos). Macrófagos ➢ Macrófagos: destroem invasores estranhos e ativam especialmente os linfócitos T. ➢ Os macrófagos são fagócitos profissionais ➢ Ativados por: - Endotoxinas; - Sinais derivados de células T (IFN-γ); - Cristais/partículas ➢ Não são microbicidas Reparo tecidual - Fatores de crescimento – angiogênese; - Fibroblastos - síntese de colágeno ➢ aumento da habilidade de eliminar organismos e secretar citocinas que estimulam a inflamação ➢ Os macrófagos M2 desempenham papel crucial no reparo: ➢ Eliminam os agentes agressores e o tecido morto ➢ Fornecem fatores de crescimento para a proliferação de várias células ➢ Secretam citocinas que estimulam a proliferação de fibroblastos e a síntese e deposição de tecido conjuntivo. ➢ O reparo começa no prazo de 24 horas depois da lesão, através da migração de fibroblastos. ➢ Do 3º ao 5º dia, o tecido de granulação especializado, característico do reparo, já é evidente – os fibroblastos já começam a sintetizar colágeno. Deposição de Tecido Conjuntivo ➢ A deposição de tecido conjuntivo ocorre em duas etapas: (1) migração e proliferação de fibroblastos para o local da lesão e (2) deposição das proteínas da MEC produzidas por essas células. ➢ O fator de crescimento transformante-β (TGF- β) é a citocina mais importante para a síntese e a deposição de proteínas do tecido conjuntivo. (macrófagos M2) ➢ O TGF-β estimula a migração e a proliferação de fibroblastos, o aumento na síntese de colágeno e fibronectina, bem como a redução na degradação da MEC devido à inibição das metaloproteinases. ➢ O TGF-β está envolvido não somente na formação de cicatrizes pós-lesões, mas também no desenvolvimento de fibrose pulmonar, hepática e renal após inflamação crônica. FATORES QUE INFLUENCIAM O REPARO TECIDUAL ➢ Infecção: uma das causas mais importantes de demora no processo de reparo, prolongando a inflamação e aumentando a lesão tecidual local. ➢ Diabetes: compromete o reparo tecidual por muitas razões, e é uma das causas sistêmicas mais importantes de reparo anormal das feridas. ➢ Estado nutricional: a deficiência de proteínas e a carência de vitamina C inibem a síntese de colágeno e retardam o reparo. ➢ Glicocorticoides: efeitos anti-inflamatórios bem documentados, e sua administração pode resultar na fraqueza da cicatriz devido à inibição da produção de TGF-β e à diminuição de fibrose. ➢ Perfusão deficiente: decorrente de arteriosclerose e diabetes- prejudica o reparo. ➢ Tipo e a extensão da lesão tecidual: a completa restauração ocorre apenas em tecidos compostos por células estáveis e lábeis; ➢ Local da lesão: nos locais que desenvolvem exsudatos extensos o reparo pode ocorrer por meio da digestão do exsudato - isso, chama- se resolução. EXEMPLOS CLÍNICOS SELECIONADOS DE REPARO DE TECIDOS E FIBROSE Cura de Feridas Cutâneas ➢ Trata-se de um processo que envolve tanto a regeneração epitelial quanto a formação de cicatriz de tecido conjuntivo. ➢ Com base na natureza e no tamanho da ferida, diz-se que a cura dos ferimentos da pele ocorre por primeira ou segunda intenção. Cura por Primeira Intenção ➢ Quando a lesão envolve apenas a camada epitelial, o principal mecanismo de reparo é a regeneração epitelial - cura por primeira intenção. Ex.: reparo de uma incisão cirúrgica limpa não infectada e aproximada por suturas cirúrgicas. O reparo consiste em três processos conectados: inflamação, proliferação de células epiteliais e outras células, e maturação da cicatriz do tecido conjuntivo. ➢ Há formação de um coágulo sanguíneo na superfície da ferida; ➢ A liberação de VEGF leva ao aumento da permeabilidade do vaso e ao edema. ➢ Em 24h, os neutrófilos podem ser vistos na margem da incisão, migrando rumo ao coágulo de fibrina. ➢ As células basais na borda do corte da epiderme começam a mostrar atividade mitótica acelerada. ➢ Neutrófilos são substituídos pelos macrófagos e o tecido de granulação invade o espaço da incisão - macrófagos promovem angiogênese e deposição de MEC. ➢ Os macrófagos liberam citocinas que atraem fibroblastos - produzem proteínas da MEC e o colágeno torna-se abundante. ➢ A epiderme recupera sua espessura natural e há ceratinização da superfície. Cura por Segunda Intenção ➢ Quando a perda de células ou tecidos é mais extensa, como ocorre em grandes feridas, abscessos, ulcerações e na necrose isquêmica (infarto) de órgãos parenquimatosos, o processo de reparo envolve uma combinação de regeneração e cicatrização. ➢ Reação inflamatória intensa; ➢ Desenvolvimento abundante de tecido de granulação – maior será a cicatriz; ➢ Acúmulo de MEC e formação de uma grande cicatriz, além de uma contração da ferida pela ação de miofibroblastos ➢ Inicialmente: Fibrina Fibronectina Colágeno tipo III; (Depois de 2 semanas é substituída por colágeno tipo I) ➢ O arcabouço do tecido de granulação é convertido em uma cicatriz avascular e pálida, composta de fibroblastos fusiformes, colágeno denso, fragmentos de tecido elástico e outros componentes da MEC. ➢ No fim do 1º mês: a cicatriz consiste em tecido conjuntivo acelular destituído de infiltrado inflamatório e está recoberta por epiderme intacta. ➢ Contração da ferida: feridas de grande superfície - diminuir o espaço entre as margens dérmicas - cura por união secundária - formação, na borda da ferida, de uma rede de miofibroblastos (fibroblastos com de células musculares contráteis) FIBROSE EM ÓRGÃOS PARENQUIMATOSOS ➢ A deposição de colágeno faz parte do processo normal de cura de uma ferida. ➢ Fibrose = quando há deposição excessiva de colágeno e outros componentes da MEC em um tecido. ➢ Fibrose = indica a deposição anormal de colágeno que ocorre em órgãos internos nas doenças crônicas. ➢ Os mecanismos básicos de fibrose são idênticos aos da formação de cicatriz na pele durante o reparo tecidual. ➢ A fibrose é um processo patológico induzido por estímulos lesivos persistentes, como infecções crônicas e reações imunológicas, tipicamente associado à perda tecidual - responsável pela disfunção significativa dos órgãos. ➢ Principal citocina envolvida na fibrose. ➢ Morte celular por necrose ou por apoptose e a produção de espécies reativas de oxigênio são importantes na liberação de TGF-β. ➢ Na maioria dos órgãos, como nos pulmões e rins, os miofibroblastos constituem a principal fonte de colágeno; ➢ Distúrbios fibróticos - doenças crônicas e debilitantes: ➢ Cirrose hepática; ➢ Fibrose pulmonar diopática; ANORMALIDADES NO REPARO DE TECIDOS ➢ A formação inadequada do tecido de granulação ou a formação de uma cicatriz podem levar a dois tipos de complicações: ➢ Deiscência da ferida = ruptura de uma ferida - ocorre com mais frequência após cirurgia de abdome, por causa do aumento de pressão intra-abdominal. Vômitos, tosse ou íleo adinâmico (paralítico) podem produzir estresse mecânico sobre a ferida abdominal ➢ Ulceração = consequência de uma vascularização inadequada durante a cura. Feridas nos membros inferiores de indivíduos com doença vascular periférica aterosclerótica costumam ulcerar. ➢ A formação excessiva dos componentes do processo de reparo pode dar origem a cicatrizes hipertróficas e queloides. ➢ O acúmulo excessivo de colágeno pode produzir uma cicatriz saliente conhecida como cicatriz hipertrófica; se a cicatriz cresce além das margens da ferida original, sem regredir, é chamada de queloide. ➢ Granulação exuberante: formação excessiva de tecido de granulação – carne esponjosa - bloqueia a reepitelização; ➢ A granulação excessiva deve ser removida por cauterização ou por excisão cirúrgica para restaurar a continuidade do epitélio; ➢ Contração no tamanho de uma ferida: parte importante do processo normal de cicatrização; ➢ Um exagero desse processo origina a contratura e resulta em deformidades da ferida e dos tecidos circundantes; ➢ As contraturas são comumente observadas após queimaduras graves e podem comprometer o movimento das articulações. As feridas cutâneas podem ser curadas por união primária (primeira intenção) ou união secundária (segunda intenção); a cura por união secundária envolve cicatrização mais extensa e contração da ferida. • A cura da ferida pode ser alterada por muitas condições, particularmente por infecção e diabetes; o tipo, o volume e a localização da lesão também são fatores importantes na cura. • A excessiva produção de MEC pode causar queloide na pele. • A estimulação persistente de síntese de colágeno nas doenças inflamatórias crônicas leva à fibrose do tecido. Uma ferida com margens bastante próximas resulta na formação de uma pequena cicatriz, e o processo de reparação é denominado “ cicatrização por primeira intenção”. No entanto, uma ferida aberta com perda substancial de tecido resulta em uma cicatriz grande e “cicatrização por segunda intenção”.