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REDES SOCIAIS E ENSINO DE LÍNGUAS O QUE TEMOS A APRENDER? Organização: Júlio Araújo Vilson Leffa Conectando os autores na rede Pg. 09 “Entre esses ambientes, atualmente, as redes sociais se mostram mais fecundas para o florescimento de investigações sobre linguagem e tecnologia, pois sorvem e reinterpretam uma infinidade de esferas de atividades humanas.” “Podemos dizer que as redes sociais são ecológicas na medida em que, no âmbito daquilo que elas podem absorver, estabelecem e expandem nichos que se mostram como ambientes adequados para a realização de uma diversidade de pbráticas discursivas.” Pg. 10 “Por outro lado, vê-se também que o virtual funciona como um espelho da sociedade, aparentemente replicando a realidade como a conhecemos em toda a sua extensão, tanto na violência quanto na solidariedade.” CAPITULO I DISCURSO MEDIADO POR COMPUTADOR NAS REDES SOCIAIS RECUERO (2011) Pg. 17 “Nos últimos anos, o desenvolvimento e a difusão de sites de rede social (Boyd e Ellison, 2007), como o Twitter e o Facebook, no cotidiano das pessoas inaugurou uma nova forma de espaço público, onde discursos emergem, se difundem e são legitimados.” Pg. 18 “Além desses conjuntos de transformações nas próprias formas de interação, os sites de redes social também tornaram essas comunicações registradas e capazes de ser buscadas, gerando grandes conjuntos de dados até então inexistentes.” Pg. 19 “É nesse espaço público mediado que conversações coletivas também mediadas vão emergir. Essas conversações têm aspectos diferenciados, tais como a escrita oralizada (Herrihg, 2001); a unidade temporal elástica, ou seja, um acontecimento no qual os participantes dividem a unidade temporal, embora não necessariamente a copresença; a migração entre as diversas plataformas e a consequente multimodalidade; a representação da presença dos agentes; e, finalmente, o barramento da fronteira entre publico e o privado também na conversação (Recuero, 2012) “O termo “discurso” aqui é definido como uma forma de representação e produção ideológica que compreende “o domínio geral de todas as afirmações, algumas vezes como grupo individualizado de afirmações, outras vezes, como uma pratica regulada que reflete um número de afirmações” (Foucault, 1999: 80).” Pg. 19-20 “Nessa perspectiva, o discurso não está apenas no enunciado e em sua construção, ele está sistematicamente imbricado como um conjunto ideológico que se reflete no corpo de pessoas e ausências de elementos de fala dos usuários. Pg. 20 “No âmbito da mediação por computador, muitas das materialidades das falas dos atores podem desvelar ideologias presentes e legitimadas pelas interações na sociedade. As trocas linguísticas nos espaços públicos mediados também são reflexões das relações de poder simbólico.” “Para Bourdieu (1991), no poder simbólico não há “reconhecimento da violência exercida através dele”. Com isso, ele caracteriza também a violência simbólica como uma violência silenciosa: suas vitimas não se reconhecem como vítimas porque falham em identificar a própria violência como tal (Bourdieu, 1989).” “Desta maneira, as falas expressam também relações de poder, legitimadas pela linguagem, como forma de exercício do poder simbólico (Bourdieu, 1989).” “O discurso reconstrói no ciberespaço as estruturas de dominação, legitimando a ideologia de dominação da sociedade, particularmente as estruturas de violência simbólica.” Pg. 31 “A linguagem atua de forma a legitimar a violência de classe, de gênero (uma vez que a empregada é mulher) e de raça (negra).” CAPÍTULO II TRÊS CONCEPÇÕES PARA O ESTUDO DE REDES SOCIAIS BUZATO (2008) Pg. 33 “A polissemia da palavra “rede” se revela, atualmente, em discursos variados e, por vezes, desconexos, acerca do que chamamos de “realidade”.” Pg. 34 “Um conceito cientifico corresponde à soma de todos os enunciados verdadeiros sobre um objeto, do ponto de vista de uma comunidade cientifica (Dalberg, 1978). Pg. 35 “Existe uma relação inequívoca entre redes técnicas e poder, traduzida em disputas, por parte dos grupos de interesses, sobre a organização dos fluxos materiais e não materiais que tornarão certos atores econômicos centrais ou periféricos, de saída, da chegada, de passagem ou isolados.” Pg. 36-37 “Por geralmente exercerem uma função inegavelmente importante no estabelecimento e rompimento de solidariedades sociais em diversas escalas de atividade hoje, as RSO representam um cenário em que a atuação dos estudos da linguagem se faz necessária.” Pg. 37 “De alguma maneira, as RSO cumprem, para os estudos da linguagem, papel semelhante ao cumprido, a partir dos anos 1990, pelos primeiros hipertextos.” Pg. 38 “Na concepção de redes socias, a ideia está atrelada ao paradigma sistêmico nas ciências naturais,” “Redes socias são ferramentas de modelagem para o funcionamento estrutural de um conjunto social a partir de interações locais.” Pg. 39 “Apesar de partilharem com as redes técnicas o principio de integração do quantitativo e qualitativo, no caso das redes sociais, quantidade e qualidade se relacionam a partir de um raciocínio topológico-funcional.” “Mais do que isso, a automatização teria sido não um pressuposto ontológico, mas manobra analítica herdada de uma sociologia sujeita a limitações empíricas que hoje, supostamente, estariam superadas ou, ao menos, bastante enfraquecidas (Latour et al., 2012) Pg. 40 “A segunda semelhança entre redes técnicas e sociais, que, ao mesmo tempo, as distingue das redes monádicas, está em que ambas pressupõem autores atomizados.” Pg. 41 “Mônadas são, para Leibniz (20090, “átonos da natureza” ou elementos das coisas” “A essência de um mônada não é substancia, mas atividade, algo que confronta diretamente nossa tendência (preconceituosa, na visão tardiana) a pensar o desconhecido como homogêneo e a supor que os resultados dos processos sociais sejam sempre mais complexos do que suas condições de partida.” Pg. 45 “Qualquer cidadão hoje pode navegar de perfil em perfil por RSO variadas, angariando atributos/conexões de outros atores, a partir de quem são os outros como amigos, o que assistem, seus posts, o que compram, o que leem, o que ouvem, o que assistem etc.” Pg. 47 “É especialmente instigante pensar nas possibilidades dessa tecnologia quando consideramos dispositivos móveis, que nos acompanhem em nossa circulação – como já é o caso dos smartphones- e que partilham nossos percursos espaçotemporais, nossas construções e representações de contexto, e, especialmente, nossas decisões e expectativas na interação com outros seres humanos.” Pg. 5O “Para dar corpo a esta discussão, afirmo: conceitualmente, não há gêneros digitais, nem esfera digital.” Pg. 52 “À luz dessa perspectiva, não existem esfera digital nem gêneros digitais, pois a web não é capaz de fornecer uma distância concreta de gêneros que atendam às demandas de um suposto discurso digital.” “Na perspectiva bakhtiniana, os gêneros não digitais, mas discursivos. Contudo, no contexto da efervescência das praticas de linguagem nos ambientes digitais, e razoável admitir que eles passaram por um processo de conectividade, o que é diferente da mera digitalidade dos gêneros.” Pg. 63 “As redes sociais digitais são um lugar propicio para a celebração da cultura do remix, na qual as misturas são experimentadas e replicadas em diferentes níveis e padrões, muitas vezes de maneira viral.” Pg. 65 “A primeira grande comunidade a reunir pessoas de interesses diversos foi o Orkut, extinto em setembro de 2014, pois a maioria de seus participantes migrou para o Facebook, doravante FB.” Pg. 66 “O FB tornou-se objeto de pesquisa em várias áreas e, a cada dia, aparecem mais estudos sobra essa fascinante rede social.” Pg. 80 “O comportamento dos usuários no bioma virtual FB espelha suas atividades diárias na sociedade por meio de manifestações públicas ou privadas.” “Alguns jovens passaram a usar menos o FB depois que seus pais entraram na rede,mas mesmo assim o FB continua sendo a rede social mais usada no mundo.” PORTO, Ana Paula Teixeira. Redes sociais como instrumento para formação de leitores literários: uma possibilidade? Revista Língua & Literatura, v. 18, n. 31, p. 51 a 71, ago. 2016. FICHAMENTO Pág.: 51 “(...) as escolas brasileiras apresentam diversas dificuldades na formação de leitores, apesar de a leitura ser considerada um ponto-chave da formação do aluno na Educação Básica.” “No entanto, as competências leitoras estão, em geral e especialmente as de alunos de escolas públicas, em nível aquém daquele que se considera ideal e comprovam um hábito não consolidado de leitura (tanto de livros em geral quanto os de literatura).” Pág.: 52 “Segundo a pesquisa do PISA, o Brasil apresenta diferença de desempenho entre estudantes de classes sociais altas e baixas, assinalando que alunos da rede pública apresentam maiores dificuldades que os de escolas privadas.” Pág.: 53 “Essa prerrogativa de que a leitura e a escrita podem ser feitas até o terceiro ano do Ensino Fundamental atesta um dado importante que se soma a outras pré-concepções inerentes a nossos processos educacionais. A primeira: a leitura não é uma atividade a ser privilegiada de fato na prática mesmo que se dissemine um discurso legal – como os apresentados na LDBEN e nos PCNs – que a reforce e assinale como eixo básico da composição curricular. A segunda: saber ler está atrelado a condições sociais e possibilidades de ascender. Quanto mais se lê bem e com criticidade, maiores serão as chances de um desenvolvimento promissor do sujeito, inclusive social, o que daria condições de questionamentos e repulsas a muitas ações, projetos, imposições e políticas.” “Ainda observamos que a deficiência em ler é consequência da fragilidade dos processos de leitura que historicamente vêm sendo explorados nas instituições educacionais. E nesse contexto, vários fatores explicam por que há falhas. Um deles está ligado às bibliotecas escolares.” Pág.: 54 “A precariedade de acervo de leitura em bibliotecas, as instalações físicas, a gestão desses espaços, bem como a funcionalidade enquanto instituição promotora de leitura e não apenas como depositário de obras, são indicadores importantes para se pensar em possibilidades que as bibliotecas podem trazer para desenvolvimento da habilidade de leitura.” “Professores que não leem têm maiores dificuldades em valorizar a leitura e em promovê-la com entusiasmo, despertando nos alunos o prazer da leitura. Essa possibilidade de alinha a de práticas mediadoras de leitura, compreendidas como as metodologias de trabalho com a leitura nas escolas.” Pág.: 55 Pág.: 55 “Em referência à leitura que os docentes realizam, em outro artigo escrito em conjunto com Luana Porto, salientamos a necessidade de os professores serem leitores: Deveria, então, ser alterada a ótica dessa formação e o professor ser formado primeiramente para ser um leitor e depois para ser um mediador de leitura na escola. Além disso, deveriam ser implantadas políticas de leitura em todos os cursos de formação de professores para que todos, independentemente e sua área de atuação, tivessem possibilidades de se tornarem leitores. (PORTO; PORTO, 2015, p. 7) “(...) é possível detectar a gradativa perda de atenção dada ao texto literário pelas orientações legais, incluindo a LDB que sequer contempla o termo ‘literatura’”. “Ainda quanto à atenção dispensada por alunos à leitura de um modo geral, constata-se que ela, quando realizada, é muito praticada através da internet, com leitura de textos publicados em revistas e jornais digitais, blogs, redes sociais, etc. Tem-se uma multiplicidade de plataformas digitais à disposição do público leitor, nas quais se incluem sites especializados na publicação de textos literários.” Pág.: 56 “Apesar da fertilidade de meios de acesso ao texto literário, observa-se o prestígio da literatura ainda é um desafio entre os estudantes.” “No entanto, isso não se traduz no uso dessas ferramentas para ampliação da competência leitora que, independente da ampliação de possibilidade de acesso a textos (literários e não literários), continua sendo uma meta a ser alcançada nas escolas.” “Em um contexto em que as escolas recebem alunos “nativos digitais”, familiarizados com a cibercultura e usuários assíduos e proficientes de tecnologias da informação e comunicação (TICs), existe a necessidade de as aulas e profissionais, especialmente os professores, dominarem e explorarem TICs como ferramentas para qualificação do processo de ensino-aprendizagem, utilizando-as para atrair os discentes e tornar as práticas educativas mais coerentes com o contexto.” Pág.: 57 “Nesse universo tecnológico digital, as redes sociais estão incluídas. Elas podem ser concebidas como uma série de participantes autônomos que unem recursos e ideias em torno de interesses comuns, independente de proximidade geográfica ou filiações institucionais, conforme explica Pierre Levy (1999, apud SOUZA & BORGES, 2009). Nessa perspectiva, constituem espaços para interação e compartilhamento de informações na rede, podendo haver uma maior facilidade de publicação, menor rigor lingüístico e amplo número de participantes que têm o mesmo poder de comunicação.” “Relacionando essas considerações à possibilidade de uso das redes sociais como instrumento para a formação de leitores, duas ponderações são muito importantes. A primeira é de que alunos e professores, atores na rede, devem interagir com o objetivo também de construir laços, pois estes são fundamentais para que, durante o processo de interação na rede, acompanhem e participem das atividades propostas. Outro ponto está relacionado ao cuidado com o que se posta, já que, se houver uma má compreensão, há chances de a interação ser deslocada para caminhos não almejados. Isso quer dizer que, para o professor que mediará as atividades de leitura literária, há necessidade de uma atenção especial ao que é publicado para que os alunos entendam de forma adequada.” Pág.: 58 Pág.: 58 “Apesar de possíveis dificuldades que isso possa inicialmente trazer, acreditamos na relevância de uso das redes sociais como instrumentos de aprendizagem e ensino.” “Acreditamos que a leitura na escola deve vir pautada em práticas que se integram a leitura à realidade, o que também sinaliza para importância de trazer textos de autores jovens e não de apenas de autores clássicos, consagrados pela crítica acadêmica.” “(...) podemos incluir as redes sociais, que devem fazer parte do cotidiano formativo do aluno, pois a escola e o ensino que oferece não devem estar alicerçados em modelos educacionais antigos que não dão conta da realidade que se tem atualmente e que desconsideram a presença cada vez mais significativa de tecnologias diversas no cotidiano dos brasileiros. Reforçamos essa perspectiva ao pontuar que a exploração das possibilidades de interação entre literatura, mídias e artes, através de objetos de aprendizagem, pode se constituir como um interessante caminho na busca pelo desenvolvimento do hábito e da habilidade da leitura (MELO; BERTAGNOLLI, 2012, p. 4).” Pág.: 59 “(...) surge a possibilidade de exploração das mídias sociais como ferramentas adequadas ao processo de formar leitores, o que possibilita uma aproximação do mundo real da maioria dos alunos ao mundo da escola e do processo formativo desses alunos.” “As trocas e a o uso de diferentes formas de informação viabilizadas pelas mídias sociais fazem parte da proposta de formação de leitor de literatura, a qual elege o Facebook como ferramenta tecnológica da rede para esse processo. Compartilhamos a ideia de que o Facebook traz algumas possibilidades, como: “facilidade de conversação, auxílio na diminuição das relações hierárquicas de poder entre professor e alunos, melhora do nível de relacionamento, suporte à interação entre alunos, rompendo com o discurso limitado tipo aluno-professor” (ALLEGRETTI et al, 2012, p. 54). “O Facebook então é visto como dispositivo tecnológico defácil acesso que viabiliza a conexão do ensino escolar ao universo tecnológico do qual o aluno faz parte.” Pág.: 60 “Kleiman (2002, p. 25), que acentua que o professor deve procurar meios para interessar o aluno na leitura de livros e que nesse processo uma medida adequada é a de tornar ‘a atividade de leitura o mais atraente possível”. Ao professor cabe então motivar, a partir de provocações, questionamentos o interesse do aluno pelo objeto de leitura e pelo que esta pode proporcionar;” “O texto deve ser objeto central da discussão a partir do qual todas as discussões são promovidas e intensificadas à medida que o processo de leitura avança; então, a leitura integral torna-se necessária (sem privilegiar apenas fragmentos) e a literatura como referência central de leitura.” “O Facebook é a ferramenta usada para discussão do texto e, portanto, meio de interação do professor com os alunos e destes com o texto literário; além disso, é recurso que aproxima o cotidiano do aluno ao cotidiano de aprendizagem, trazendo outras possibilidades de aprendizagem e ensino.” Pág.: 67 “As opções diversificadas de acesso e a valorização de uma obra recente da literatura brasileira também aparecem como potencialidades dessa mediação. Não é comum encontrarmos possibilidades práticas de exploração de contos publicados recentemente em manuais didáticos, por exemplo, pois a maioria das abordagens de literatura encontradas nessas fontes restringe-se ao século XX.” “Ainda é possível apontar nessa proposta de mediação a fuga de perspectivas tradicionais: não se tem uma lista de exercícios objetivos como aqueles voltados para vestibular ou ENEM; não se busca a classificação do conto a uma escola literária; não se privilegia a leitura do conto para estudo da língua, por exemplo, ou seja, não se explora o uso utilitário da literatura.” Pág.: 67 “Há ainda nessa proposta um esforço de variar as atividades que fomentam a leitura do conto e a interação do aluno com a literatura a partir de um enfoque que visa à discussão dos significados do conto, da estrutura deste, do diálogo do conto com a sociedade brasileira atual.” “(...)salientamos o estímulo ao prazer da leitura do texto literário, com oportunidade de conhecer escritores da atualidade, e não ênfase na leitura literária como atividade enfadonha e obrigatória.” Pág.: 68 “É preciso salientar que os contextos digitais devem ser considerados quando da formação de professores não apenas como estratégia de informatização desses cursos, mas especialmente pela necessidade de os professores estarem realmente capacitados para dialogar com os discentes “nativos digitais”. Ainda há necessidade de as instituições educacionais, tanto escolares quanto universitárias, estarem conectadas com as tecnologias digitais de informação e comunicação e disporem de recursos humanos e materiais para dar conta dessa realidade, para que professores especialmente não sejam os analfabetos digitais em uma era em que a cibercultura movimenta ações, projetos e conquistas.” ROJO, Roxane. (Org.) Escola conectad@: os multiletramentos e as TICs. São Paulo: Parábola, 2013. Livro organizado pela professora livre-docente do Departamento de Linguística Aplicada da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) Roxane Rojo é produzido por alunos-orientandos (mestrandos e doutorandos) por meio de artigos os quais retratam os multiletramentos no mundo digital e com a preocupação dos citados estudantes com a posição das escolas de desconhecerem ainda as várias possibilidades de uso dos meios digitais no espaço escolar. Na apresentação do livro, Rojo diz que é “preciso que a instituição escolar prepare a população para um funcionamento da sociedade cada vez mais digital e também para buscar no ciberespaço um lugar para se encontrar, de maneira critica, com diferenças e identidades múltiplas.” (ROJO, 2013, p.7) Uma das mais importantes discussões neste material fala sobre as práticas de leitura e escrita nas quais os papéis do autor ou mesmo do texto são destituídas e ressiginificadas como uma descrição do mundo da web 2.0. Perante uma atualidade a qual possui novas práticas de letramento onde cabe a escola acessar a esta ordem e reconsiderar suas práticas. Percebemos que a grande colaboração foi causar à escola uma reflexão quanto ao seu real significado em relação as suas práticas quanto à leitura e a escrita. Questiona-se em relação a quais materiais tem sido indicados como norteadores de leitura a tais jovens inundados na cultura digital e de que forma os professores tem se portado em relação as culturas jovens atuais divergentes das que foram protagonistas. Os alunos da contemporaneidade utilizam as plataformas e gêneros digitais com finalidades direcionadas a aquelas não-estabelecidas no meio acadêmico, como é relatado por Rojo (2013) quando ressalta que o novo alunado encaminha ao meio escolar práticas de letramento não—valorizados e/ou não utilizados na instituição escolar e não reconhecidas pela escola, dentro desta concepção a professora ainda afirma que de acordo com tais mudanças faz-se necessário “novas competências e capacidades de tratamento de texto e informação.’ (ROJO, 2013.) Para as pesquisadores Lima e Grande (2013, p. 57), responsáveis pelo capítulo intitulado “Diferentes formas de ser mulher na hipermídia”, os alunos tem usado os meios digitais mais fora do que dentro da sala de aula, ou seja, “o que se pode contatar é que os alunos não deixam de ter contato com esses saberes que se apresentam nas novas mídias: o que ocorre é que eles usam mais os meios digitais fora do ambiente escolar e para uma gama de diferentes propósitos”. Em outro capítulo/artigo do livro, as pesquisadores Azzari e Custódio (p. 82) é questionado o porquê da não valorização da literatura cultural juvenil no espaço digital e da sua não utilização. Devido a tal questionamento em relação a seletiva escolha de textos pela escola, as pesquisadoras apontam uma saída chamada de “pedagogia de multiletramentos” que visa subsidiar o perfil e o interesse dos jovens leitores. A fim de estabelecer uma nova visão do professor no sentido de “enxergar o aluno como nativo digital que é: um construtor- -colaborador das criações conjugadas na era das linguagens líquidas. (2013, p. 74) No último artigo/capítulo do livro, Azzari e Lopes (2013) afirmam que “uma educação linguística que dê conta dos novos letramentos implica uma ‘reconfiguração de valores’ em relação a uma pedagógica convencional (...), a fim de atender às necessidades do alunado pertencente à sociedade contemporânea (...) Advogamos uma pedagogia de multiletramentos.” (2013, p. 195). Finalizando o livro de forma a deixar reflexões acerca da forma didática e de quais materiais deveriam ser utilizados em sala de aula a fim de atualizar-se de modo a apreciar e provocar o aprendizado do aluno de uma maneira efetiva e completa.