Logo Passei Direto
Buscar
Material
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

CURSO BACHARELADO EM ENFERMAGEM
ANDRESSA SILVA VIANA
DÉBORA CHAVES DA COSTA
JOYCEELÉM BEZERRA PEREIRA
RITA PEREIRA DA SILVA
THAYNAN DE BRITO SALDANHA
ASSISTÊNCIA DO ENFERMEIRO NO ATENDIMENTO AS MULHERES COM PRÉ-NATAL DE ALTO RISCO
BOA VISTA-RR
3
2022
ANDRESSA SILVA VIANA
DÉBORA CHAVES DA COSTA
JOYCEELÉM BEZERRA PEREIRA
RITA PEREIRA DA SILVA
THAYNAN DE BRITO SALDANHA
ASSISTÊNCIA DO ENFERMEIRO NO ATENDIMENTO AS MULHERES COM PRÉ-NATAL DE ALTO RISCO
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Paulista - UNIP, como requisito para obtenção do título de Bacharel em Enfermagem.
Orientadora: Clarice Nascimento da Silva
BOA VISTA-RR
2022
ANDRESSA SILVA VIANA
DÉBORA CHAVES DA COSTA
JOYCEELÉM BEZERRA PEREIRA
RITA PEREIRA DA SILVA
THAYNAN DE BRITO SALDANHA
ASSISTÊNCIA DO ENFERMEIRO NO ATENDIMENTO AS MULHERES COM PRÉ-NATAL DE ALTO RISCO
Trabalho de Conclusão de Curso – TCC, apresentado à UNIP - UNIVERSIDADE PAULISTA, como requisito total para obtenção do título de Bacharel em Enfermagem
BANCA EXAMINADORA
Presidente: Profª. Clarice Nascimento da Silva
Enfermeira graduada pela UFCG, Especialista em Ginecologia e Obstetrícia
20
UNIP - UNIVERSIDADE PAULISTA
CURSO BACHAREL EM ENFERMAGEM
ANDRESSA SILVA VIANA
DÉBORA CHAVES DA COSTA
JOYCEELÉM BEZERRA PEREIRA
RITA PEREIRA DA SILVA
NUBIA BARBOSA DOS SANTOS
THAYNAN DE BRITO SALDANHA
ASSISTÊNCIA DO ENFERMEIRO NO ATENDIMENTO AS MULHERES COM PRÉ-NATAL DE ALTO RISCO
AUTORIZAÇÃO PARA DEPÓSITO 
DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO
Com base no disposto da Lei Federal nº 9.160, de 19/02/1998, AUTORIZO a UNIP - Universidade Paulista de Boa Vista, sem ressarcimento dos direitos autorais, a disponibilizar na rede mundial de computadores e permitir a reprodução por meio eletrônico ou impresso do texto integral e/ou parcial da OBRA acima citada, para fins de leitura e divulgação da produção científica gerada pela Instituição. 
Boa Vista-RR, ______/______/______ 
Declaro que o presente Trabalho de Conclusão de Curso, foi submetido a todas as Normas Regimentais da UNIP - Universidade Paulista de Boa Vista e, nesta data, AUTORIZO o depósito da versão final desta monografia bem como o lançamento da nota atribuída pela Banca Examinadora. 
Boa Vista-RR, ______/______/______ 
_______________________________________________________________ 
Profª Clarice Nascimento da Silva
 
AGRADECIMENTOS
A Deus, pela nossa vida e saúde, por ajudar a ultrapassar todos os obstáculos encontrados ao longo do curso;
A todos os nossos familiares, que sempre estiveram conosco, nos momentos bons, e nos dias difíceis.
A nossa orientadora, por todo apoio, carinho e dedicação;
A Universidade Paulista-UNIP, que abriu as porta para que pudéssemos realizar esse sonho;
A todos os nosso colegas de sala, que estão conosco nessa jornada.
Dedicamos esse trabalho a todos os nossos familiares que estiveram conosco durante essa jornada.
Enfermagem é arte de cuidar incondicionalmente das pessoas, independente de sua classe ou religião, é ter o amor por aqueles que não conhecemos!
(autor desconhecido)
RESUMO
A pesquisa trata-se de um levantamento bibliográfico sobre a forma de atuação dos enfermeiros, quando se deparam com um pré-natal de alto risco e quais tipos de assistência essas gestantes podem receber, ao considerar que esse é um momento delicado para a vida da mãe e da criança. O objetivo da pesquisa é analisar de que forma o enfermeiro pode auxiliar durante a gestação de mulheres com pré-natal de alto risco. a metodologia utilizada para a realização do trabalho foi qualitativa, tendo inicio com um levantamento bibliográfico sobre matérias já publicados e que estavam em acordo com a temática escolhida. Concluiu-se que os enfermeiros são profissionais que estão em constante aproximação com essas pacientes, e que um cuidado humanizado, passará a essas mulheres maior segurança e cuidado para esse momento, que por si já é uma grande realização em suas vidas.
Palavras-chave: Cuidado pré-natal. Gravidez de alto risco; Enfermeiro
ABSTRACT
The research is a bibliographic survey on the way nurses work, when they are associated with high-risk prenatal care and what types of care these pregnant women can receive, considering that this is a delicate moment for the life of the mother and child. The aim of this research is to analyze how nurses can help during pregnancy in women with high-risk prenatal care. the methodology used to perform the work was qualitative, starting with a bibliographic survey on materials already published and that were in agreement with the chosen theme. It was concluded that nurses are professionals who are constantly approaching these patients, and that humanized care will give these women greater security and care for this moment, which in itself is already a great achievement in their lives. 
Keywords: Prenatal care. High-risk pregnancy; Nurse
Sumário
	1 INTRODUÇÃO .............................................................................................
	12
	2 JUSTIFICATIVA ...........................................................................................
	15
	3 OBJETIVOS .................................................................................................
	16
	 3.1 GERAL ..................................................................................................
	16
	 3.2 ESPECÍFICOS ......................................................................................
	16
	4 REFERENCIAL TEÓRICO ...........................................................................
	17
	 4.1 POLÍTICAS PÚBLICAS VOLTADAS A SAÚDE DA MULHER ..............
	17
	 4.2 PRÉ-NATAL DE ALTO RISCO .............................................................
	18
	4.3 ASSISTÊNCIA DO PROFISSIONAL DE ENFERMAGEM NO PRÉ-NATAL DE ALTO RISCO ................................................................................
	20
	5 METODOLOGIA ...........................................................................................
	27
	6 RESULTADOS E DISCUSSÕES .................................................................
	28
	6.1 CAUSA QUE PODEM LEVAR AO DIAGNÓSTICO DE PRÉ-NATAL DE ALTO RISCO ...................................................................................................
	28
	7 CONSIDERAÇÕES FINAIS .........................................................................
	32
	8 REFERENCIAS ............................................................................................
	32
	
	
	
	
	
	
	
	
1 INTRODUÇÃO
A gestação é um processo físico e natural para a reprodução humana. Todavia, trata-se de uma situação adjacente, na medida em que pode se tornar riscos tanto para a futura mãe, quanto para o bebê. A gestação pode ser definida de alto risco quando existe a possibilidade de um resultado contrário para a mulher ou para a criança bem maior do que o esperado (ERRICO et al, 2017).
Faz-se necessário compreender que o pré-natal além de ser um elemento fundamental durante a gestação, ela inclui a prevenção, a promoção da saúde e o tratamento dos problemas que possam ocorrer durante este período gestacional e após o parto. A aceitação das mulheres ao pré-natal está relacionada com a qualidade da assistência prestada, pelo serviço oferecido e pelos profissionais de saúde, os quais irão trabalhar de todas as maneiras possíveis para a redução dos elevados índices de mortalidade materna e perinatal (NETTINA, 2003).
É competência do Ministério da Saúde estabelecer políticas e normas para oferta do pré-natal com boa qualidade. Além dos equipamentos e instrumental para realização de consultas e exames, deve se levar em conta a capacitação adequada de todas as pessoas que atendem a mulher no seu percurso gestacional.
Numa visão geral, a consulta de pré-natal envolve procedimentos que vão desde escutar as demandas da gestante, até oferecer respostasdiretas e seguras que contribuam para o bem-estar da gestante e do bebê. Este profissional deve oferecer apoio, deve estabelecer uma relação de confiança com a gestante, ajudando a conduzir a experiência da maternidade com mais autonomia.
Existe uma parcela de gestantes que possuem características específicas, ou sofrem algum tipo de agravo que apresenta maiores possibilidades de uma evolução desfavorável, tanto para o feto, como para a mãe. Essa parcela constitui o grupo denominado de alto risco (BRASIL, 2011).
Esta noção de risco constitui um assunto presente e discutido na vida das pessoas que passam por esta situação, as quais passam a possuir referências sobre questões epidemiológicas ou individuais, podendo ser entendida como uma construção histórica e social. Por esta razão os fatores de risco podem não ser percebidos ou compreendidos pelas mulheres que vivenciam uma gestação de risco (CASTIEL, 1999).
Em algumas situações a gestação de risco impõe a necessidade de ajustes na rotina da casa, no cotidiano dos familiares e principalmente desta mulher em face da necessidade de controlar o risco e evitar qualquer situação que traga mais riscos a saúde de ambos (MALDONADO, 1996).
Diante da confirmação da gestação de alto risco, as gestantes passam a se sentir mais vulneráveis, alteram sua vida diária, dentro e fora de casa. É neste momento que elas começam a se sentir sozinhas, desamparadas e inseguras, desconfiando da sua capacidade de gerar uma vida, confrontando há ameaça da perda de seu bebê, acompanhado da ansiedade, estresse e medo, principalmente da morte (SANTOS, 2003).
O autor ainda destaque que estas complicações de pré-natal de alto risco podem alterar profundamente a formação de laços afetivos entre mãe e filho, a sensibilidade desta mulher e seu relacionamento sexual, tudo isto, devido os fatores físicos e emocionais terem sido afetados, incluindo o sexo na gestação e modificações físicas da mulher (SANTOS, 2003).
Durante a gestação de alto risco podem ocorrer restrições do ir e vir, necessidade de hospitalização que limite a gestante as normas hospitalares. Isto acaba deixando a gestante mais ociosa, sem controle sobre si, sobre a gestação ou sobre sua família, gerando estresse adicional e mudança radical em hábitos (SANTOS, 2003).
Para Brasil (2011), podem ser considerados fatores de risco na gravidez as características individuais ou condições sócio-demográficas desfavoráveis, como ter idade menor que 15 anos; a história reprodutiva anterior como casos de abortamento habitual; doenças obstétricas na gravidez atual tendo como exemplos: aloimunização e aminiorrexe prematura e finalizando intercorrências clínicas como: hipertensão arterial, cardiopatias, Diabetes gestacional, Infecção Urinária aguda. Existe uma vasta amplitude em relação ao risco, sendo além do aspecto fisiopatológico.
Santos (2003) relata que a gestação pode evoluir desfavoravelmente para o bebê, podendo o problema clínico está correlacionado, não excluindo também os riscos fetais como as malformações, o que pode causar maior transtorno para a família e para a gestante.
Estes sintomas e a descoberta do pré-natal de alto risco é detectada durante as consultas, de modo que é possível realizar uma avaliação dos riscos das gestantes de modo a identificá-los no contexto de suas vidas e mapear os riscos as que estão expostas (BRASIL 2011).
Diante desta situação dos casos de pré-natal de alto risco, o Ministério da Saúde, em 1998, criou um mecanismo de apoio à implantação dos sistemas estaduais da referência hospitalar a estas gestantes, estimulando e apoiando a organização e consolidação de sistemas na área hospitalar em todos os Estados do país, para atendimento as gestantes que apresentavam alto risco. Estes sistemas buscam resolver a carência de serviços especializados na assistência as gestantes que apresentavam alto risco, além de investir mais na qualificação dos profissionais que atuarão nestas situações (BRASIL 2011).
2 JUSTIFICATIVA
O presente trabalho surgiu pela necessidade de se compreender a função do profissional de enfermagem mediante as situações de pré-natal de alto risco, tendo em vista que se trata de uma situação mais minuciosa, onde podem estar em risco a vida da mãe e do bebê, e diante disto, busca-se compreender como este profissional deve atuar frente a esta situação.
3 OBJETIVOS
	3.1 OBJETIVO GERAL
Analisar de que forma o enfermeiro pode auxiliar durante a gestação de mulheres com pré-natal de alto risco.
	3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS
· Examinar os principais fatores que levam ao pré-natal de alto risco;
· Evidenciar as principais doenças encontradas em gestantes em pré-natal de alto risco;
· Identificar a forma como essas pacientes reagem ao serem informadas com pré-natal de alto risco.
4 REFERENCIAL TEÓRICO
4.1 POLÍTICAS PÚBLICAS VOLTADAS À SAÚDE DA MULHER
Diante do panorama das políticas públicas de saúde no Brasil, a saúde da mulher só foi motivo de preocupação no século XX, ainda assim, sendo limitadas às ações referentes à gravidez e ao parto. A possibilidade da ampliação de ações que consideram todos os ciclos da saúde da mulher, começou a ocorrer a partir de 1984, com a implantação do Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PAISM) (SOUZA; HORTA, 2012).
Este programa passou a incorporar como princípios e diretrizes, a hierarquização, descentralização e regionalização dos serviços, assim como a equidade e a integralidade da assistência à saúde da mulher. Com a aprovação da Constituição Federal de 1988 e das Leis Orgânicas da Saúde, fundamentadas na premissa da saúde como direito de todos e dever do Estado e nos princípios da universalidade, equidade e integralidade, reafirmaram a necessidade de funcionalidade desse programa (SOUZA; HORTA, 2012).
Diante desta situação, somente no ano de 2003 teve início o processo de construção da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM), em parceira com diversos setores da sociedade, culminando com seu lançamento no ano 2004. A PNAISM, incorporou a promoção da saúde e a integralidade como princípios norteadores e buscou consolidar avanços em diversas áreas voltadas à saúde da mulher (BRASIL, 2011). Um dos objetivos deste programa é oferecer maior ênfase no compromisso com a implementação de ações voltadas à saúde da mulher, estimulando seus direitos e reduzindo os agravos por causas evitáveis (FREITAS et al, 2009).
Dentre as diretrizes da PNAISM preconizam que o SUS deve ser direcionado para a atenção integral à saúde da mulher, contemplando a promoção da saúde deste público, suas necessidades de saúde, controle das patologias mais prevalentes e a garantia do direito à saúde. Além de recomendar que a elaboração, execução e avaliação das políticas de saúde da mulher sejam norteadas pela perspectiva de gênero, raça e etnia, ampliando assim o enfoque e rompendo as fronteiras da saúde sexual e reprodutiva, para alcançar todos os aspectos necessários para se entender as necessidades da saúde da mulher (BRASIL, 2011).
Mediante as novas políticas implantadas, pode-se perceber os avanços nos caminhos da universalidade, equidade e integralidade referentes à saúde da mulher. Esta que era considerada como objeto das políticas públicas de saúde somente em sua fase reprodutora, passa a ser vista de forma integral, com ações dirigidas para o atendimento de necessidades específicas. Todavia, ainda existem muitos preconceitos a serem derrubados, muitos desafios a serem superados.
Para Freitas et al, (2009) a efetividade das políticas públicas para as mulheres somente será realizada se houver a institucionalização e articulação dos estados, municípios e as diversas instâncias governamentais, de maneira que supere os limites dos programas e projetos dos papéis e passe a transformar em ações mais eficazes. Percebe-se que ainda prevalece a necessidade de considerar a diversidade das mulheres e reconhecer suas necessidades específicas, e promover o fim da desigualdade de gênero, enfatizando a autonomia da mulher, o que irá contribuirpara a efetivação da cidadania feminina que ainda sofre violações.
4.2 PRÉ-NATAL DE ALTO RISCO
A gestação de alto risco é definida como aquela em que a vida da mãe ou do feto tem grandes chances de complicações comparadas as de baixo risco. No Brasil, consideram condições para gestação de alto risco o desvio de crescimento intrauterino, número de fetos e volume do líquido amniótico; entrar em trabalho de parto prematuro e gravidez prolongada; exposição a fatores teratogênicos; obesidade; diabetes gestacional; pré-eclâmpsia e eclampsia; amniorrexe prematura; hemorragias na gestação; aloimunização; óbito fetal; doenças infectocontagiosas durante a gestação (BRASIL, 2012).
De acordo com Ministério da Saúde (BRASIL, 2012) o intuito da assistência ao pré-natal de alto risco é interferir no curso de uma gestação que possui maior chance de ter um resultado desfavorável, de maneira a diminuir o risco ao qual estão expostos a gestante e o feto, ou reduzir suas possíveis consequências adversas.
Importante considerar que de acordo com Brasil (2016), são considerados fatores de risco indicativos de encaminhamento ao pré-natal de alto risco, os fatores relacionados às condições prévias como cardiopatia; Pneumopatias graves (incluindo asma brônquica não controlada); Nefropatias graves (como insuficiência renal crônica e em casos de transplantados); Endocrinopatias (especialmente diabetes mellitus, hipotireoidismo e hipertireoidismo); Doenças hematológicas (inclusive doença falciforme e talassemia).; Doenças neurológicas (como epilepsia) ;Doenças psiquiátricas que necessitam de acompanhamento (psicoses, depressão grave etc.); Doenças autoimunes (lúpus eritematoso sistêmico, outras colagenoses); Alterações genéticas maternas; Antecedente de trombose venosa profunda ou embolia pulmonar; Ginecopatias (malformação uterina, tumores anexiais e outras); Portadoras de doenças infecciosas como hepatites, toxoplasmose, infecção pelo HIV, sífilis terciária (USG com malformação fetal) e outras ISTs (condiloma); Hanseníase; Tuberculose; Anemia grave (hemoglobina < 8); Isoimunização Rh e qualquer patologia clínica que necessite de acompanhamento especializado (BRASIL, 2016).
Existem os fatores relacionados a história reprodutiva anterior, os quis podem ser a morte intrauterina ou perinatal em gestação anterior, principalmente se for de causa desconhecida; Abortamento habitual (duas ou mais perdas precoces consecutivas); Esterilidade/infertilidade; História prévia de doença hipertensiva da gestação, com mau resultado obstétrico e/ou perinatal (interrupção prematura da gestação, morte fetal intrauterina, síndrome HELLP, eclâmpsia, internação da mãe em UTI) (BRASIL, 2016).
Por fim, os fatores relacionados à gravidez atua, que podem ser restrição do crescimento intrauterino; Polidrâmnio ou oligodrâmnio; Gemelaridade; Malformações fetais ou arritmia fetal; Evidência laboratorial de proteinúria; Diabetes mellitus gestacional; Desnutrição materna severa; Obesidade mórbida ou baixo peso (nestes casos, deve-se encaminhar a gestante para avaliação nutricional); NIC III; Alta suspeita clínica de câncer de mama ou mamografia com Bi-RADS III ou mais; Distúrbios hipertensivos da gestação (hipertensão crônica preexistente, hipertensão gestacional ou transitória); Infecção urinária de repetição ou dois ou mais episódios de pielonefrite (toda gestante com pielonefrite deve ser inicialmente encaminhada ao hospital de referência para avaliação); Anemia grave ou não responsiva a 30-60 dias de tratamento com sulfato ferroso; Portadoras de doenças infecciosas como hepatites, toxoplasmose, infecção pelo HIV, sífilis terciária (USG com malformação fetal) e outras IST (infecções sexualmente transmissíveis, como o condiloma), quando não há suporte na unidade básica; Infecções como a rubéola e a citomegalovirose adquiridas na gestação atual; Adolescentes com fatores de risco psicossocial(BRASIL, 2016).
A equipe de saúde deve estar preparada para enfrentar quaisquer fatores que possam afetar adversamente a gravidez, sejam eles clínicos, obstétricos, ou socioeconômico emocional. Para tanto, a gestante deverá ser sempre informada do andamento de sua gestação e instruída quanto aos comportamentos e atitudes que deve tomar para melhorar sua saúde, assim como para sua família, companheiro e pessoas de convivência próxima (ANTUNES, 2014).
A experiência da gestação de alto risco se caracteriza por um processo complexo, dinâmico e diversificado, individual e social, que se estende ao companheiro, família e sociedade. Esta situação envolve adaptações e transformações físicas, sociais, econômicas, psicológicas, espirituais e culturais, vinculadas aos significados existenciais do ser humano, que repercutem em todo o contexto familiar.
No ponto de vista epidemiológico, estatísticas apontam que 90% das gestações iniciam e evoluem sem intercorrências ou complicações. Todavia aproximadamente 10% delas apresentam problemas no início ou no seu decurso (ANTUNES, 2014).
4.3 ASSISTÊNCIA DO PROFISSIONAL DE ENFERMAGEM NO PRÉ-NATAL DE ALTO RISCO
O foco central da enfermagem é o cuidado as pessoas que buscam para cuidados básicos. Diante disto, seus aspectos humanísticos e científicos do cuidado são executados através do processo de enfermagem. Neste viés, o processo de enfermagem é o método científico de identificar e resolver problemas sendo composto pelas seguintes etapas: levantamento de dados, diagnósticos, planejamento de intervenções e avaliação.
Diante das atividades relacionadas à assistência ao pré-natal, estudos demonstrados por pesquisadoras relatam que a Consulta de Enfermagem tem sofrido transformações em sua concepção, metodologia e, principalmente, a inserção nos serviços de saúde, transitando para o prestígio e aceitação do profissional enfermeiro no seu fazer e assistir.
Desta forma, a consulta de enfermagem proporciona orientação de medidas favoráveis que visam à abordagem apropriada às necessidades peculiares das mulheres com quem interagem nas consultas. É pertinente lembrar que os contatos frequentes nas consultas entre enfermeiros e gestantes possibilitam melhor monitoramento do bem-estar da gestante, o desenvolvimento do feto e a detecção precoce de quaisquer problemas.
Voltando na história, consulta com o profissional de enfermagem já constava como proposta governamental desde o ano de 1978, porém na prática, observam-se limitações para aplicação desta proposta. Essas dificuldades partiam principalmente pela falta de recursos humanos e materiais, além da ideia de que a saúde da mulher só importava quando esta era reprodutiva, e isto acabava acarretando sérios obstáculos à implementação de ações de enfermagem embasadas por princípios de qualidade, nos diversos serviços de atenção à mulher, ocasionando sobrecarga de atividades refletidos em estabelecendo uma relação carinhosa e de ações terapêuticas (CASTIEL, 1999).
Em suma, o atendimento pelo profissional de enfermagem no pré-natal de alto risco parte do pressuposto de identificar as causas que levam a esta situação, bem como encaminhar a gestante para realização dos exames necessários. Todos esses procedimentos se fazem necessários para garantir da gestante e do bebê, isto deveria ser o objetivo e a razão de qualquer serviço de saúde, conduzindo as diretrizes no sentido de atender às necessidades e expectativas de qualquer pessoa que procure.
Assim, entendido o processo de assistência, ressalta-se a responsabilidade dos serviços de saúde, tendo em vista agir prontamente para eliminar ou minimizar os pontos estranguladores que, via de regra obstrui a qualidade do trabalho e, consequentemente, da atenção à saúde da mulher.
Progianti et al (2003) destaca que o profissional de enfermagem, através do seu saber e fazer são agentes principais para implementação dessas ações que promovam a assistência à mulher, sendo esta parte integrante do processo da humanização da assistência, mesmo sendo mulheres, gestantes que apresentam alto risco.
Em relação a gestante que apresenta alto risco o enfermeiro deveapoiar esta mulher com a finalidade de amenizar seus sentimentos que geram conflitos, sofrimento, e que dificultam em manter o equilíbrio familiar e uma evolução gestacional desejável.
Deve-se conhecer cada mulher de forma individual discutindo suas crenças, pois é através dela que a gestante que apresenta alto risco encontra forças para conseguir prosseguir com a gestação, realizando adaptação física e emocional à gravidez. É importante viabilizar discussões sobre temas que possam intervir de forma direta e indireta sobre a sua saúde física e mental, elevando sua atenção para além do campo biomédico (SANTOS 2003).
Esses riscos, em sua maioria, relacionam-se as doenças preexistentes ou ocorrentes da gravidez por causas motivos que podem ser orgânicas, biológicas, químicas e ocupacionais, ou também pode se atribuir as condições sociais desfavoráveis. Pesquisas mostram que no Brasil, os maiores índices de gestações de alto risco estão ligados a quadros de hipertensão arterial, infecções e diabetes gestacional (ERRICO et al, 2017).
O enfermeiro desempenha um papel de extrema importância para que ocorra um pré-natal de qualidade, devendo, portanto a equipe de enfermagem estar apta a realizar uma assistência humanizada, baseada na atenção às queixas da paciente, executando e prescrevendo cuidados, orientações de qualidade durante o atendimento, a fim de assegurar uma gestação sem intercorrências ou minimizando os agravos/desconfortos que podem surgir no decorrer da gestação (ROCHA; ANDRADE, 2017).
A assistência durante o pré-natal permite a avaliação de possíveis fatores de risco e a identificação de problemas e agravos, impedindo assim um resultado desfavorável à ocasião do ciclo gravídico. É importante destacar que uma gestação de alto risco pode se configurar a qualquer momento, sendo necessário haver uma reclassificação quanto ao grau de risco que cada gestante tem em sua consulta de pré-natal e também durante o trabalho de parto (LIMA et al., 2019).
Um pré-natal ideal deve ter no mínimo seis consultas, devendo iniciar no primeiro trimestre, duas no segundo e três no terceiro trimestre de gestação. Os intervalos entre consultas devem ser de quatro semanas até que complete 36 semanas. Após os intervalos são de 15 dias. Em casos de gestantes faltosas a equipe de enfermagem juntamente com os agentes comunitários de saúde, deve realizar busca ativa dessas gestantes (ROCHA; ANDRADE, 2017).
Na atenção pré-natal de alto risco (PNAR) o Ministério da Saúde preconiza o atendimento da gestante por equipe multidisciplinar, que inclui o profissional enfermeiro. Dentre as ações do enfermeiro destaca-se a consulta de enfermagem que permite identificar os problemas reais e potenciais da gestante e, consequentemente, elaborar o planejamento das ações de cuidado necessárias. A consulta é o momento onde se reafirma a singularidade da mulher e inicia-se o processo de compartilhamento das responsabilidades com a pactuação das metas (LIMA et al., 2019). A consulta de enfermagem é uma atividade independente, realizada privativamente pelo enfermeiro e objetiva proporcionar condições para a promoção da saúde da gestante.
O principal papel do enfermeiro nessas atividades é: orientar as mulheres e suas famílias sobre a importância do pré-natal, da amamentação e da alimentação; desenvolver atividades educativas, em grupos e individuais visando unir as gestantes trazendo-as para perto do enfermeiro, assim como a família e a comunidade; identificar as gestantes com algum sinal de alerta como identificadas de alto risco e encaminhá-las para consultas médicas o mais rápido possível; realizar consultas de pré-natal, solicitar exames conforme protocolo local de pré natal; realizar exames físicos como testes das mamas e coleta de citopatológico do colo do útero (caso necessário); e fazer com que a gestante crie um vínculo de confiança, para que o processo da assistência se dê de forma transparente (CARPES; BIFF; STUMM, 2019).
A consulta de enfermagem é importante, pois permite um contato direto com o paciente, permitindo uma melhor compreensão da patologia ou situação de saúde que o acomete, assim podendo desenvolver uma assistência de enfermagem adequada. A consulta juntamente com a promoção de um ambiente de segurança e confiança durante os cuidados de preconcepção, pré-natal, intraparto e pós-natal, contribuem para a melhoria da saúde e bem-estar da mãe e do feto (JORGE; SILVA; MAKUCH, 2020).
A gestante de risco deve ser encaminhada ao serviço de referência, tendo o cuidado garantido no estabelecimento de origem no momento do encaminhamento até o final da gestação, com o trânsito facilitado entre os serviços de saúde, assegurando atendimento adequado em tempo conveniente. A avaliação de risco deve ocorrer individualmente durante a anamnese, com reavaliação do risco gestacional em todas as consultas do pré-natal (MEDEIROS et al., 2019).
A periodicidade das consultas é determinada pela equipe responsável, de acordo com as necessidades e prioridades de cada gestante. A equipe de saúde, que realiza o acompanhamento da gestação de alto risco, deve considerar: avaliação clínica, avaliação obstétrica, repercussões entre as condições clínicas da gestante e a gravidez, determinação da via de parto, aspectos emocionais e psicossociais. Os principais cuidados realizados no pré-natal estão direcionados ao exame físico, sendo eles, peso materno, pressão arterial (PA), altura uterina (AU) e ausculta dos batimentos cardíacos fetais (BCF) (MEDEIROS et al., 2019).
Assistir as mulheres com maior risco gestacional é permitir compreender e apreender, a partir de experiências individuais e coletivas, a vivência de eventos patológicos ou não aos quais se encontram expostas, e que podem gerar vulnerabilidades a serem consideradas na boa assistência pré-natal. A assistência de enfermagem precisa estar direcionada a amparar e focar o cuidado de forma a contribuir para a segurança, a tranquilidade e o enfrentamento da gestante quanto à situação em que ela se encontra (FERREIRA et al., 2019).
O acesso à unidade de saúde é essencial para o acolhimento na atenção primária, onde a gestante deve receber um atendimento humanizado. O enfermeiro é o profissional que está à frente da coordenação e é responsável por gerenciar todo e qualquer atendimento. É importante que o registro nos prontuários das pacientes seja cuidadosamente gerenciado pelos profissionais, visto que o mesmo indica as ações realizadas e permite a continuidade da assistência ofertada, comprovando o atendimento prestado, a ausência de informações dos exames solicitados e registro dos resultados podem ser avaliados como imprudência, negligência ou imperícia (COSTA et al., 2016).
O acompanhamento durante o pré-natal é de grande valia, sendo importante que a gestante participe desse programa de apoio, principalmente porque as intervenções dos profissionais da saúde durante esse período, em promoção da saúde materna, podem prevenir riscos e, principalmente, garantir suporte para o fortalecimento físico, nutricional e emocional para a mulher grávida (FERREIRA et al., 2019).
A equipe de enfermagem que presta assistência a estas gestantes de risco deve estar preparada para diminuir os riscos e as possíveis complicações para mulher e feto. Para isso é fundamental que os profissionais tenham conhecimento também dos direitos da gestante durante a internação e o trabalho de parto. A mulher tem direito a ser escutada, ter o esclarecimento de suas dúvidas e expressar-se livremente, o que pressupõe que a equipe de enfermagem deve ser treinada para atender e não ignorar estas necessidades (SANTOS et al., 2016).
O enfermeiro não necessita apenas de sua competência técnica, mas também da escuta qualificada, ouvindo as queixas, preocupações e angústias da gestante, criando, assim, uma relação mais próxima com a mesma, sua família e comunidade (FERREIRA et al., 2019).
O papel do enfermeiro consiste em realizar avaliação psicossocial e nutricional, educação em saúde, aconselhamento perinatal, apoio na gestão doserviço e tomada de decisões. Dentre as ações de educação em saúde, destacam-se as orientações sobre as alterações fisiológicas da gravidez, o uso dos métodos não farmacológicos para o alívio da dor durante o parto, crescimento e desenvolvimento fetal e amamentação (SANTOS et al., 2016).
No estudo realizado por Medeiros et al. (2019) acredita-se que a realização de grupos de gestantes pode ser um meio valioso de orientação, pois o enfermeiro, ao elaborar atividades em grupo, consegue atingir um número importante de mulheres, sendo esta estratégia educativa benéfica para a saúde da gestante, contribuindo positivamente para a eficácia do prénatal.
A educação em saúde no pré-natal permite a preparação da mulher para a gestação e o parto, porém as mulheres ainda enfrentam dificuldades quanto ao acesso ao pré-natal, à escassez de profissionais para compor a equipe multidisciplinar e carência de estrutura institucional (SANTOS et al., 2016).
A educação em saúde na gestação de alto risco é fundamental, e a enfermagem, sendo a profissão voltada para o cuidado, deve repassar conhecimento científico, de maneira informal, para que as gestantes possam compreender e realizar reflexões sobre o que foi discutido, desenvolvendo uma gestação saudável e tranquila (JÚNIOR et al., 2017).
O enfermeiro deve transmitir as orientações de forma compreensiva, adequada às reais necessidades de cada gestante, oferecendo subsídio para a adoção de novos hábitos e condutas de saúde, o que possibilita o autocuidado, desde que as gestantes sejam participativas e não apenas receptoras de informações (SANTOS et al., 2016).
Os profissionais de saúde devem desempenhar uma assistência de qualidade e satisfatória, respeitando as pessoas em seus aspectos econômicos, culturais, espirituais e biopsicossociais, estimulando-as a procurarem o serviço de saúde (JÚNIOR et al., 2017).
O profissional de enfermagem deve, portanto estar capacitado para exercer seu papel de forma efetiva, de maneira evidente e clara, retirando dúvidas e promovendo ações de forma integral como a explicação de alterações fisiológicas e psicológicas que as mulheres passam ter neste momento de sua vida. E ainda, torna-se importante o trabalho em equipe, com compartilhamento substantivo das ações e efetiva negociação, com a gestante, de seu cuidado (LIMA et al., 2019).
Desse modo, a enfermagem, por estar diretamente e integralmente assistindo essas mulheres, tem um papel fundamental na garantia do seu bem-estar, que está integrado no diálogo, na confiança e no conforto. O apoio emocional, o estímulo à verbalização e à expressão dos sentimentos e vivências e a promoção da educação em saúde possibilitará a elas a vivência do processo de adoecimento de forma mais tranquila e confiante (FERREIRA et al., 2019).
5 METODOLOGIA
O presente trabalho trata de um levantamento bibliográfico sobre a atuação do enfermeiro no atendimento as gestantes de gravidez de alto risco. De acordo com Marconi e Lakatos (2007) a pesquisa bibliográfica ou de fontes secundárias, abrange todo tipo de bibliografia já tornada pública em relação ao tema de estudo.
Diante deste contexto, a revisão literária ou pesquisa bibliográfica torna-se o principal tipo de pesquisa, pois, de acordo com Gonsalves (2007, p. 68) é aquela que exige do pesquisador um encontro mais direto com o que deseja analisar. É a pesquisa que se faz levantamento do material já elaborado sobre o tema pesquisado.
Quando tratamos dos critérios de inclusão, foram utilizadas teses, artigos científicos, revistas, informativos e cadernos de atenção básica. Para este trabalho, não foram utilizados materiais acadêmicos incompletos ou sem referências, bem como, qualquer outro conteúdo que esteja fora da temática proposta.
A coleta dos dados foi por meio das bases já existentes no Scielo, Google Acadêmico, revistas e periódicos que tratam a respeito da referida temática.
6 RESULTADOS E DISCUSSÕES
6.1 CAUSAS QUE PODEM LEVAR AO DIAGNOSTICO DE PRÉ-NATAL DE ALTO RISCO
Para se ter resultados da pesquisa, faz-se necessário discutir os fatores de alto risco que predispõem para a gestação, como é o caso da pré-eclâmpsia; o parto cesariano; a idade avançada da gestante; transplante hepático; tromboembolismo venoso; doença falciforme; doenças endócrinas, como é o caso da diabetes; e o estado nutricional materno.
Com relação ao transplante hepático (TH), Parolin (2009) explicam que esse tipo de transplante trata-se do tratamento de eleição para insuficiência hepática avançada, quando as demais alternativas terapêuticas foram esgotadas. O TH, além de tratar a doença hepática de base, resgata vários aspectos que englobam o amplo conceito de qualidade de vida, incluindo a recuperação da atividade sexual e reprodutiva, frequentemente comprometidas nessa população. O retorno da fertilidade após TH bem sucedido é evidenciado pelo crescente número de gestações relatadas por diversos centros de transplantes.
Ressalta-se que as alterações na função sexual e reprodutiva são comuns nas candidatas a TH e incluem irregularidades menstruais, amenorréia secundária, redução da libido e infertilidade. A mais frequente delas é a amenorréia secundária, que pode atingir até 50% das pacientes com cirrose (MONKEN et al., 2010).
No que se refere ao tromboembolismo venoso, Andrade; Gagliardo; Péret (2009), dizem que a gestação é sabidamente um estado de hipercoagulabilidade, ou seja, a produção de fibrinogênio está aumentada, assim como os níveis dos fatores de coagulação II, VII, VIII e X, e a atividade fibrinolítica está diminuída.
Além disso, ocorre a redução da velocidade do fluxo venoso em aproximadamente 50% nas pernas, principalmente entre a 25ª e a 29ª semana de gestação até a 6ª semanas após o parto, quando a taxa de fluxo volta à normalidade. Além disso, a obstrução mecânica causada pelo útero diminuiria a capacidade e o fluxo venosos.
Nesse sentido, o tromboembolismo venoso aparece como uma das principais causas de morbimortalidade materna no mundo ocidental, de modo que, os eventos tromboembólicos incluem trombose venosa profunda (TVP) na perna, panturrilha ou pelve, e a mais séria complicação, frequentemente causa de morte: embolia pulmonar. Além da morbidade imediatamente ligada à TVP, existe uma morbidade duradoura associada à síndrome pós-trombótica, como riscos de tromboses recorrentes e ulcerações (MONKEN et al., 2010).
A mulher acometida pelo tromboembolismo durante a gestação está mais sujeita a complicações na gravidez (ANDRADE; GAGLIARDO; PÉRET, 2009). Ainda utilizando-se de algumas dessas complicações pode-se observar a doença falciforme (DF), que por sua vez, é caracterizada pela presença do genótipo Hb (αα/ βS βs), traduzindo-se na presença predominante de hemoglobina S na circulação sanguínea. Atinge, no Brasil, cerca de 0,1% a 0,3% da população afrodescendente. Várias são as complicações ocasionadas pela doença, algumas são de urgência como as crises álgicas, crises vaso-oclusivas e hemolíticas.
As complicações da DF na gravidez adquirem importância ainda maior, uma vez que o foco deixa de ser apenas a mulher, sendo deslocado para a relação mãe-feto e para que a gestação seja bem sucedida. Somam-se, a isso, as alterações fisiológicas da gestação que podem ser fatores desencadeantes de descompensação da DF (MONKEN et al., 2010).
Ainda acerca das doenças de alto risco, pode-se citar também as doenças endócrinas, Feitosa et al. (2010) destacam que as gestações livres de intercorrências ou com mínimas complicações são esperadas quando as recomendações de ganho apropriado de peso são seguidas.
O ganho excessivo de peso na gestação resulta em danos para a mãe e para o feto em curto e longo prazo. Este ganho aumenta as taxas de macrossomia e anormalidades metabólicas, predispõe à intolerância a carboidratos, ao parto cesário e à pré-eclâmpsia.
Para Nomura et al. (2012) o estado nutricional e o adequado ganho de peso materno são fatores importantes para o bom resultado da gravidez, bem como para a manutenção da saúde, a longo prazo, da mãe e da criança.A obesidade materna e o ganho de peso acima do recomendado aumentam os riscos para uma série de resultados adversos, tais como: diabetes gestacional, parto prolongado, pré-eclâmpsia, cesárea e depressão.
Levando em consideração a pré-eclâmpsia, Brandão et al. (2012) aborda que as desordens hipertensivas da gestação respondem por parcela significativa das mortes maternas e fetais em todo o mundo.
Particularmente, a Pré-Eclampsia (PE) é uma complicação clínica extremamente temida pelo alto potencial de letalidade e morbidade, complicando 5% a 7% das gestações consideradas de risco habitual, e atingindo incidência de até 20% em gestações consideradas de alto risco. Com base em Souza; Dubiela; Serrão Júnior (2010), o termo hipertensão gestacional aguda, denominada pré-eclampsia (pressão arterial > 140 × 90 mmHg em duas aferições com intervalo de no máximo sete dias), refere-se ao aumento da pressão arterial que se manifesta pela primeira vez durante a gestação, persistindo geralmente até a 12ª semana do puerpério, e pode ou não estar acompanhada de proteinúria.
Sua etiologia é desconhecida e o primeiro sinal clínico se dá pelo aumento da pressão arterial. Entre alguns dos fatores de risco para a hipertensão gestacional pode-se destacar a nuliparidade, SHG em gestação anterior, hipertensão crônica, doença vascular crônica, gestação gemelar, afrodescendência, diabetes, obesidade, doença renal, mola hidatiforme, polidrâmnio, hidropsia fetal, idade materna baixa ou avançada, e ocupações que exijam grande esforço físico. Em meio a tantos fatores de alto risco para a gestação, não pode-se deixar de falar também a respeito da gravidez com idade avançada.
Neste sentido, Gonçalves; Monteiro (2010), discute que a gravidez após a idade de 34 anos é denominada gravidez tardia, sendo considerada fator de risco para a morbidade materna e fetal. O Ministério da Saúde considera fator de risco gestacional preexistente a idade materna maior que 35 anos, o que exige atenção especial durante a realização do pré-natal. A partir dessas definições percebe-se que para alguns autores a idade igual a 35 anos já é considerada fator para gestação de alto risco, enquanto para outros representa o limite.
No pré-natal o enfermeiro pode desenvolver inúmeras ações, dentre elas: a consulta de enfermagem, solicitação de exames de rotina e complementares, prescrição de medicamentos estabelecidos em programas de saúde pública e aprovados pela instituição de saúde, abertura do Sistema de Informação de Saúde (SIS), exame obstétrico, encaminhamentos, preparo para o parto, orientações sobre os cuidados com o recém-nascido, amamentação e vacinação (BRASIL, 2002).
O MS recomenda que o enfermeiro realize a consulta de pré-natal intercalada com o médico (a) (BRASIL, 2012). O enfermeiro também tem competência para auxiliar a mulher no período gestacional, na detecção precoce de intercorrências e para dirimir dúvidas da gestante e da família, de maneira a contribuir na ampliação da qualidade da assistência na gestação. Dessa maneira, o enfermeiro contribui tanto na gestação de baixo risco quanto na de alto risco, seguida do direcionamento da gestante a profissionais obstetras (DUARTE; ALMEIDA, 2014).
A atenção pré-natal e puerperal é importante tanto para a saúde materna quanto para a neonatal. Para tanto, é importante um olhar cuidadoso no que se refere à saúde da gestante, com a compreensão da equipe de saúde sobre a assistência ao pré-natal (BRASIL, 2006).
Essas ações padronizadas permitem a monitoração e acompanhamento de possíveis intercorrências bem como a intervenção precoce. O enfermeiro realiza o pré-natal de baixo risco obstétrico e na assistência, faz a consulta de enfermagem, solicita exames de rotina, orienta e ou realiza tratamento conforme protocolo do serviço; encaminhamentos ao obstetra quando gestação de alto risco, atividades com grupos de gestantes, sala de espera dentre outros (BRASIL, 2005).
Os enfermeiros que realizam o pré-natal e acompanham a gestante até o final no puerpério referem gostar de realizar os procedimentos e se identificam com função pré-natal. Também expressão ser importante o enfermeiro realizar o pré-natal e reforçam ser este o diferencial do enfermeiro o acompanhamento em todo prénatal. (BRASIL, 2004).
Diante destes fatores introdutórios quanto a gestação de alto risco, a assistência no pré-natal, adicionada ao cuidado inclui a qualidade do enfermeiro, que deve ser responsável, competente, humano e dedicado para tratar dessas mulheres. Deve ainda ter a competência para orientar convenientemente as gestantes, reconhecer de forma precoce os problemas que possam surgir e enfrentar de maneira correta, de forma que venha evitar suas consequências (FREITAS, 2007).
Dentro desse contexto, a atenção para à saúde da mulher deve ser organizada de forma que possa atender as reais necessidades das mulheres durante sua gestação, mediante a utilização dos conhecimentos técnico-científicos existentes e dos meios e recursos que estão há disposição para cada situação, garantindo assim a humanização da assistência e dessa forma reduzindo a morbimortalidade materna e infantil (BRASIL, 2006).
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O período gestacional geralmente, é um dos momentos mais esperados na vida de uma mulher. No entanto, esse processo natural e biológico, pode ser comprometido em virtude de uma eventual gravides de alto risco, o que por sua vez, pode ser identificado no início da assistência pré-natal desde que os profissionais de saúde estejam atentos a todas as etapas da anamnese, exame físico e exame ginecoobstétrico.
Compreender e identificar os principais fatores de risco na gestação faz com que os profissionais de saúde possam desenvolver uma assistência holística frente ao diagnóstico apresentado pela paciente, sendo possível traçar medidas para que a paciente seja totalmente consciente do seu quadro clínico ao longo de todo período gestacional. Por isso, cabe ao enfermeiro intervir diretamente nessas situações, tanto na orientação quanto aos cuidados diretos durante o pré-natal.
Com isso, conclui-se que estudos dessa natureza são pertinentes para que se possa conhecer a amplitude de fatores de risco, como é o caso da pré-eclâmpsia; o parto cesariano; a idade avançada da gestante; transplante hepático; tromboembolismo venoso; doença falciforme; doenças endócrinas e o estado nutricional materno, identificados ao longo do estudo e assim se possa prestar uma assistência mais qualificada visando a saúde tanto da mulher quanto do feto.
8 REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da saúde. Pré-natal e puerpério: atenção qualificada e humanizada. Brasília, 2006
________. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas. Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher: Princípios e Diretrizes. Brasília: Ministério da Saúde, 2011.
_________. Ministério da Saúde. Assistência pré-natal: Manual técnico. 3. ed. Brasília: Secretaria de políticas de Saúde SPS/Ministério da Saúde, 2011.
_________. Ministério da Saúde. Atenção ao pré-natal de baixo risco. Caderno de Atenção Básica, n. 32. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2012, 318 p. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/ publicacoes/cadernos_atencao_basica_32_prenatal. pdf>. Acesso 06/09/2021.
_________. Ministério da Saúde. Protocolos da Atenção Básica: Saúde das Mulheres / Ministério da Saúde, Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa – Brasília: Ministério da Saúde, 2016.
CARPES, F., BOFF, D., & STUMM K. E. (2019). Percepção de acadêmicos de enfermagem acerca do papel do enfermeiro no cuidado pré-natal. Revista Enfermagem Atual In Derme, 79(17), 20-22.
COSTA, L. D., PERONDI, A. R., CAVALHEIRI, J. C., FERREIRA, A. S., TEIXEIRA, G. T., & BORTOLOTI, D. S. (2016). Adequação do pré-natal de alto risco em um hospital de referência. Rev Rene, 17(4),459-465.
CASTIEL, L. D. A medida do possível ... Saúde, risco e tecnobiociência. Rio de Janeiro: FIOCRUZ/ Contra capa, 1999.
ERRICO, L.S.P; et al. The work of nurses in high-riskprenatal care from the perspective of basic human needs. Rev Bras Enferm. 2018;71 em: http://dx.doi.org/10.1590/0034-7167-2017-0328. Acessado em 03/09/2021
FERREIRA, M. A., JUSTO, F. K. M., NICOLAU, M. S., VIEIRA, M. J. C., SOUSA, R. R. G., & LIMA, F. M. S. (2019). Pré-natal e a atuação dos profissionais da enfermagem em prol da saúde da gestante e do recém-nascido. ID on line REVISTA DE PSICOLOGIA, 13 (47), pag 764-772.
FREITAS, G. L. et al.. Discutindo a política de atenção à saúde da mulher no contexto da promoção da saúde. Rev. Eletr. Enf. v. 11, n. 2, p. 424-428, 2009.
FREITAS F., et al. Rotinas em obstetrícia. 5º ed. Porto Alegre: Artmed, 680p, 2007.
JORGE, H. M. F., SILVA, R. M., & MAKUCH, M. Y. (2020). Assistência humanizada no pré-natal de alto risco: percepções de enfermeiros. Rev Rene, 21.
JUNIOR, A. R. F., OLIVEIRA Filho, J. T., RODRIGUES, M. E. N. G., ALBUQUERQUE, R. A. S., SIQUEIRA, D. D. Á., & ROCHA, F. A. A. (2017). O enfermeiro no pré-natal de alto risco: papel profissional. Revista Baiana de Saúde Pública, 41(3), 650-667.
LIMA, K. M. S. G., SANTOS, H. J., PEREIRA, J., BARBOSA, L. P., CABRAL, M. C. A. M., SILVA, P. R., SANTOS, S. M. M., SOUZA, S. J. G. (2019). Assistência de Enfermagem no Pré-Natal de Alto risco. Braz. J. Hea. Rev., 2(4), 3183-3197.
MEDEIROS, F. F., SANTOS, I. D. L., FERRARI, R. A. P., SERAFIM, D., MACIEL, S.M., & CARDELLI, A. A. M. (2019). Acompanhamento pré-natal da gestação de alto risco no serviço público. Rev Bras Enferm, 72 (Suppl 3), 204-11.
LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. A.; Fundamentos de metodologia científica - 5. ed. - São Paulo: Atlas 2003.
MALDONADO, M. T. P. Nós estamos grávidos. 8. ed. São Paulo: Saraiva. 1996.
NETTINA, S. M. Práticas de enfermagem. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. V. 3, 2003.
PROGIANTI, J. M; et al. A participação da enfermeira no processo de desmedicalização do parto. In: Revista de enfermagem UERJ, 2003.
ROCHA, A. C., & ANDRADE, G. S. (2017). Atenção da equipe de enfermagem durante o pré-natal: percepção das gestantes atendidas na rede básica de Itapuranga–GO em diferentes contextos sociais. Revista Enfermagem Contemporânea, 6(1), 30-41.
SANTOS, M. B., Cardoso, S. M. M., Brum, Z. P., Rodrigues, A. P., Machado, N. C. B., & Rocha, L. S. (2016). Qualidade da assistência de enfermagem prestada à gestante de alto risco em âmbito hospitalar. ScientiaTec, 3(2), 25-38.
SANTOS, C. A História de vida de gestantes de alto risco na teoria transcultural de enfermagem de Madeleine Leininger. Tese (Doutorado) - Programa de Pós-Graduação em Enfermagem, Escola de Enfermagem Ana Nery/ Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) /, Rio de Janeiro. 2003.
SOUZA, M.C.M.R.; HORTA, N.C. (Org.). Enfermagem em Saúde Coletiva: teoria e prática. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012.

Mais conteúdos dessa disciplina