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TRANSPOSONS GENÉTICA II Histórico: · experimentos iniciais sobre mutação: Morgan (com Drosophila) - segregação dos cromossomos, descrição de mutantes, distância de ligação, etc · ideal de experimentos com a mosca: ciclo de vida curto e de fácil manutenção · ~ 1920: início de estudo de outros organismos modelo, como o milho (Zea mays) · vantagens do uso do milho: fácil cultivo, planta monóica, com flores facilmente diferenciáveis, já que as flores masculinas são distais, há uma facilidade na manipulação dos cruzamentos e possui cromossomos grandes · Barbara McClintock ⇒ base genética da coloração dos grãos · uma das variedades estudadas foi o milho cálico: variegação na cor da aleurona (camada externa do endosperma das sementes) · ao cruzar uma planta com grãos roxos (CC- ou seja, dois alelos dominantes) com uma de grãos “brancos” (c- um alelo recessivo), originava-se uma planta com espiga variegada (mesmo que havia 2 alelos dominantes para a cor roxa) · em seus estudos anteriores, ela verificou que os genes para a expressão da antocianina (pigmento roxo) estava no cms 9, o qual possuía uma espécie de nó (uma constrição secundária) na parte distal do braço p · nas plantas sem pigmentação dos grãos, havia uma quebra frequente do braço do cromossomo 9 · com a quebra, seria perdido o alelo dominante; as células filha dessa célula inicial que sofreu uma quebra, também teriam o fenótipo recessivo · Outros genes marcadores do cms 9: · Wx (wax): produção de cera · Sh: configura um fenótipo rugoso nos grãos · C: coloração · Ds: não é um gene marcador, mas sim uma região do cromossomo em que frequentemente há a quebra ⇒ fator de dissociação · qnd havia a quebra, todos os genes eram perdidos em bloco, configurando o fenótipo variegado no grão (uma região sem cor, sem cera · em alguns casos, havia a perda de cor, porém não havia quebra do cromossomo · nesses casos, o fator de dissociação tinha se movimentado para dentro do gene C, inativando-o · fator Ds não atuaria sozinho, ficando em conjunto com um fator ativador (Ac), que realizaria a transposição do Ds para outras regiões · Haveria, então, 4 estados para os genes de coloração: 1. wild type:com coloração 2. gene com Ds inserido dentro de sua região: ausência de coloração (gene inativado) 3. gene com Ds inserido dentro dele, porém com a presença do fator Ac em alguma região relativamente próxima: fenótipo variegado, já que o fator Ds poderia ser translocado para outra região, revertendo o fenótipo descolorido 4. gene com Ac inserido dentro de sua região: fenótipo variegado · Agora entramos realmente na matéria atual, saindo do histórico · Transposons: sequências discretas que são capazes de se transportarem para outros locais no genoma · Diferentes tipos, divididos em classes: · Classe 1: presentes apenas em eucariotos. São os retrotransposons. · Mecanismo: transposon é transcrito em RNA, o qual é retrotranscrito (ou seja, RNA → DNA) em um DNA complementar e inserido em outro local do genoma. · transposon não sai do local, mas há sua amplificação e inserção do mesmo em outros locais · Classe 2: presentes em eucariotos e procariotos; são mais simples e com mecanismos menos complexos. · Mecanismo: Elemento transponível é excisado de uma região e inserido em outra parte do genoma. · transposon não é amplificado; basicamente sofre uma clivagem e é reinserido em outro local · Categorizados “vulgarmente” em transposons de cópia e cola, replicativos e retrotransposons Transposons em Procariotos Tipos: 1. “Corta e Cola” a. IS (insertion sequences): são as formas mais simples de transposon bacteriano · codifica a enzima necessária para a transposição ⇒ transponase, sendo que a ORF está flanqueada por repetições invertidas nos extremos · podem se inserir tanto no cromossomo como em plasmídeos · Mecanismo: · sequência alvo é clivada pela transposase, gerando extremos coesivos → transposon (IS) é inserido → polimerase e ligase fazem a polimerização do DNA e a ligação das regiões · identificação do transposons: sempre estarão flanqueados por uma repetição direta da sequência alvo (originada pela DNApol) nas extremidades e também pelas repetições invertidas · sequência alvo não é aleatório, cada transposon apresenta uma especificidade à uma sequência de nucleotídeos b. Transposons compostos: incluem genes extras (não associados com a transposição em si) entre duas sequências de inserção (geralmente genes de resistência a antibióticos) · basicamente são 2 IS com um gene extra no meio; podem se movimentar pelo genoma de 2 formas: (I) em bloco, levando os genes extras para outras partes do genoma/plasmídeo; (II) independente, levando apenas o próprio IS · tamanhos variados · Quanto à orientação dos IS: · as duas podem estar na mesma orientação (Ex: Tn9) · as duas podem estar em orientações opostas *(Ex: Tn5, Tn10) * um IS codificado em uma das fitas e o outro na fita complementar (as orientações de leitura da RNAP são diferentes) · Mecanismo: · transposase funciona como duas subunidades, cada uma delas reconhecendo as repetições invertidas, formam uma alça, o que facilita a clivagem do segmento. Após isso, há o reconhecimento do sítio alvo e a inserção do transposon em loop 2. “Replicativos”: Tn3 like · realizam a amplificação do transposon ⇒ uma cópia permanece no DNA doador enquanto que outra é inserida no DNA recipiente · Transposon Tn3 · repetições invertidas nos extremos, um gene que codifica transposase, um gene que codifica uma resolvase e um gene de resistência a antibiótico · Mecanismo: (exemplo de transferência de um plasmídeo para outro) · transposase reconhece repetições invertidas e as extremidades da sequência alvo → clivagem dos segmentos → uma das fitas invade a outra, formando um cointegrado → síntese DNA → resolvase é transcrita e medeia um processo de recombinação das fitas doadoras e recipientes (já que há homologia na estrutura) e a clivagem, formando dois plasmídeos recombinantes · Esquema alternativo abaixo: Transposons em eucariotos: · Corta e cola: exemplo do milho · Retrotransposon: · Não LTR: non long terminal repeats · LTR · Podem ser categorizados entre autônomos e não autônomos (como fator Ds) 1. Corta e cola a. Fator Ds/Ac em milho · elemento ativador (Ac): transposon autônomo, pois carrega toda a informação necessária para sua transposição · elemento de dissociação (Ds): transposon não autônomo, pois sofreram vários tipos de mutações na transposase, ou seja, não podem realizar a transposição independentemente b. Elemento P em Drosophila · cruzamento de fêmea M com macho P gera prole estéril (disgênica), mas o contrário não ocorria · Elemento P: 3 íntrons e 4 éxons, sendo que em um deles é transcrito uma transposase, permitindo sua movimentação · Possui uma regulação tecido específica: · células somáticas: transcrito possui um íntron, o que gera um stop codon ⇒ transposase expressa erroneamente, sendo inativa · células germinativas: splicing correto faz com que haja apenas éxons no transcrito ⇒ transposase ativa: a atividade de suas 40 cópias no genoma faz com que haja uma estabilidade cromossômica, levando à esterilidade das moscas · Cruzamentos: · Macho e fêmea P: transposase inativa → não há transposição elemento P · Macho P e fêmea M: transposase ativa → há a transposição do elemento P → moscas disgênicas estéreis · Macho M e fêmea P: expressão de transposase inativa · Outros mecanismos de regulação: · piRNA: funcionam como um microRNA, ou seja, reprimem a atividade do elemento P, fazendo com que as moscas não sejam estéreis; caso seja ausente, o elemento P estará com atividade e as moscas serão estéreis 2. Retrotransposon (de classe 1): encontrado em leveduras, plantas e animais · possuem várias semelhanças com retrovírus · Ciclo de vida de um retrovírus: · Genoma dos retrovírus: RNA (ss ou ds) · SARS-Cov 2: · ORF1a: proteases · ORF1b: genes do metabolismo (helicase, RNAP) · Bloco 3: proteína spike (receptor de membrana que se liga à proteína ACE) e outras proteínas complementaresa. LTR · Principal diferença entre retrotransposons e retrovírus: há LTR, genes gag e pol, porém não há gene env, ou seja, não podem ser empacotados e infectados por outras células · Ciclo dos retrotransposons: · Retrotransposon Ty1 ⇒ levedura · 2 genes apenas: transcrevem uma proteína estrutural e uma transcriptase reversa · genoma → transcrição e exportação do RNA para citoplasma → tradução → formação de um complexo ribonucléico → formação de uma estrutura similar a um virióide (VLP) → retro transcrição do RNA em cDNA → importação do cDNA para o núcleo → inserido no genoma b. Não LTR · muito comum em humanos (~50% do genoma), porém a maioria não está ativo · também há transposons LTR (que podem ser autônomos ou não) · Entre os não LTR: · LINEs (long interspersed nuclear elements): autônomos · SINEs (short interspersed nuclear elements): não autônomos · LINEs · Ciclo resumido do L1 · Ciclo mais complexo e completo do L1 · 2 ORFs: uma será transcrita em uma transcriptase reversa e a outra em uma helicase → encontram sítio alvo (rico em T), clivam as extremidades → uso da cauda poliA (que se pareia com sítio alvo rico em T) para facilitar a inserção do transposon → inserção · SINEs · sequências Alu indicadas em verde · Consequências da atividade dos transposons: · Manutenção ao longo da evolução, já que pode prejudicar tanto o hospedeiro Obs.: safe heavens, como regiões de heterocromatina · Vantagens evolutivas: · aumentam a taxa de mutação (o que pode ser prejudicial, já que podem ter efeito deletério) · aumentam a variabilidade genética → maior plasticidade · Como ocorre o aumento da taxa de mutação? · transposons podem funcionar como regiões de homologia entre o DNA, permitindo a recombinação das sequências · Domesticação de proteínas codificadas por transposons: · RAG1 e RAG2 atuam como transposases; permitem a recombinação VDJ da cadeia variável dos anticorpos