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Introdução ao Estudo do Direito Penal | 
Introdução 
www.cenes.com.br | 1 
 
 
 
 
 
DISCIPLINA 
INTRODUAÇÃO AO ESTUDO DO 
DIREITO PENAL 
 
CONTEÚDO 
Introdução ao Estudo dos Crimes 
Introdução ao Estudo do Direito Penal | 
Introdução 
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Introdução ao Estudo do Direito Penal | 
Introdução 
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Sumário 
Sumário ------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 3 
1 Introdução --------------------------------------------------------------------------------------------------- 4 
2 Conceito de infração penal ------------------------------------------------------------------------------ 4 
2.1 Conceito material -------------------------------------------------------------------------------------------------------- 5 
2.2 Conceito formal ---------------------------------------------------------------------------------------------------------- 6 
2.3 Conceito analítico -------------------------------------------------------------------------------------------------------- 6 
3 Classificação doutrinária dos crimes ----------------------------------------------------------------- 8 
3.1 Crimes comuns ----------------------------------------------------------------------------------------------------------- 9 
3.2 Crimes próprios ----------------------------------------------------------------------------------------------------------- 9 
3.3 Crimes de mão própria ----------------------------------------------------------------------------------------------- 10 
3.4 Crimes materiais ------------------------------------------------------------------------------------------------------- 11 
3.5 Crimes formais ---------------------------------------------------------------------------------------------------------- 12 
3.6 Crimes de mera conduta --------------------------------------------------------------------------------------------- 12 
3.7 Crimes instantâneos, instantâneos com efeitos permanentes e permanentes ----------------------- 13 
3.8 Crimes unissubsistentes e plurissubsistentes ------------------------------------------------------------------ 14 
3.9 Crimes unissubjetivos e plurissubjetivos ------------------------------------------------------------------------ 14 
4 Teoria analítica do crime ------------------------------------------------------------------------------- 15 
5 Fato típico -------------------------------------------------------------------------------------------------- 16 
5.1 Conduta ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 17 
5.1.1 Condutas comissivas e omissivas -------------------------------------------------------------------------------------------- 17 
5.1.2 Voluntariedade ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 19 
5.1.3 Consciência ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ 20 
5.1.4 Dolo e culpa ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 21 
5.1.5 Crimes preterdolosos ----------------------------------------------------------------------------------------------------------- 23 
5.1.6 Erro de tipo ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ 23 
6 Nexo de causalidade ------------------------------------------------------------------------------------- 26 
6.1 Teoria hipotética da eliminação ----------------------------------------------------------------------------------- 27 
7 Tipicidade --------------------------------------------------------------------------------------------------- 30 
8 Conclusão --------------------------------------------------------------------------------------------------- 31 
9 Referências Bibliográficas ------------------------------------------------------------------------------ 31 
 
 
Introdução ao Estudo do Direito Penal | 
Introdução 
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1 Introdução 
O conceito de infração penal ou de crime, propriamente dito, é muito mais complexo 
do que se parece à primeira vista. Diferente do que se imagine crime não é só um fato 
típico, ilícito e culpável, essa é a forma mais rasa possível de definir o instituto, 
resumindo um oceano de conteúdo jurídico a uma simples gota d’agua. Esse é o papel 
da teoria do crime, sintetizar todos esses anos de conhecimento em alguns pontos 
essenciais, para que possamos compreender toda a estrutura da infração penal. 
 
2 Conceito de infração penal 
Como falamos anteriormente, o conceito de crime vai muito além do “fato típico, ilícito 
e culpável”. Como bem destaca Rogério Sanches (2020) “no Brasil, infração penal é 
gênero, podendo ser dividida em crime (ou delito) e contravenção penal (ou crime 
anão, delito liliputiano ou crime vagabundo). Adotou-se o sistema dualista ou binário. 
Essas espécies, no entanto, não guardam entre si distinções de natureza ontológica 
(do ser), mas apenas axiológica (de valor). 
 
Assim, dizemos que no Código Penal brasileiro adotamos uma postura dicotômica, 
pois, existe uma definição para crime diferente daquela conferida as contravenções 
penais. Podemos verificar essa diferenciação no art. 1º do Decreto Lei nº 3.914 de 1941 
intitulado como a Lei de Introdução ao Código Penal e da Lei das Contravenções 
Penais, o qual estabelece um conceito para crime e contravenção penal. 
 
Art. 1º considera-se crime a infração penal que a lei comina pena de reclusão ou 
de detenção, quer isoladamente, quer alternativa ou cumulativamente com a 
pena de multa; contravenção, a infração penal a que a lei comina, isoladamente, 
pena de prisão simples ou de multa, ou ambas, alternativa ou cumulativamente. 
 
 
 
 
Introdução ao Estudo do Direito Penal | 
Conceito de infração penal 
www.cenes.com.br | 5Além disso, doutrina moderna, analisa o conceito de crime sob três aspectos distintos, 
o conceito material, conceito formal e o conceito analítico, da seguinte forma: 
 
CONCEITO MATERIAL CONCEITO FORMAL CONCEITO ANALÍTICO 
Crime é toda violação ou 
ameaça de lesão à bem 
jurídico tutelado pelo 
Estado 
Crime é toda e qualquer 
conduta tipificada como 
ilícita no ordenamento 
penal 
Teoria Bipartida: crime é 
fato típico ilícito + 
antijurídico. 
Teoria Tripartida: crime é 
fato típico + antijurídico + 
culpável 
 
 
2.1 Conceito material 
Para a doutrina, o crime dentro desse conceito é toda violação ou ameaça de lesão à 
bem jurídico tutelado pelo Estado. Nas palavras de Guilherme Nucci (2019) “o conceito 
de crime é artificial, ou seja, independe de fatores naturais, constatados por um juízo 
de percepção sensorial, uma vez que se torna impossível apontar uma conduta, 
ontologicamente criminosa, noutros termos, inexiste qualquer conduta que se possa 
dizer que constitua um crime pela própria natureza”. 
 
Neste sentido, Cleber Masson (2020) afirma que, considerando o viés material, o 
conceito de crime parte da premissa que “toda ação ou omissão humana que lesa ou 
expõe a perigo de lesão bens jurídicos penalmente tutelados. Essa fórmula leva em 
conta a relevância do mal produzido aos interesses e valores selecionados pelo 
legislador como merecedores da tutela penal”. 
 
Por fim, Rogério Sanches (2020) afirma que “num conceito material, infração penal é 
comportamento humano causados de relevante e intolerável lesão ou perigo de lesão 
ao bem jurídico tutelado, passível de sanção penal”. No entanto, embora muito 
relevante para o estudo do crime, o conceito material quando analisado de forma 
isolada, sem o auxílio de outros fatores não expressa tanta importância, pois, o crime 
não se resume a violação de um bem jurídico tutelado pelo Estado, tampouco a 
existência de uma ameaça ao bem jurídico protegido pelo poder estatal. 
Introdução ao Estudo do Direito Penal | 
Conceito de infração penal 
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2.2 Conceito formal 
O conceito formal de crime, entende que este é toda e qualquer conduta tipificada no 
ordenamento penal pátrio com ilícita. Neste aspecto, destaca Rogério Sanches (2020) 
“sob o enfoque formal, infração penal é aquilo que assim está rotulado em uma norma 
penal incriminadora, sob ameaça de pena”. 
 
Assim, na falta de um artigo no próprio Código Penal definindo o conceito de crime, 
a Lei de Introdução ao Código Penal caracteriza em seu art. 1º que crime é toda 
infração penal, cuja lei comina pena de reclusão ou detenção, de forma isolada, 
alternativa ou cumulativamente com a pena de multa. No entanto, assim como ocorre 
no conceito material, se analisado de forma isolada o conceito formal é insuficiente. 
 
Em consonância, Guilherme Nucci (2019) afirma que “na concepção formal, o crime é 
exatamente a conduta descrita em lei como tal. Para isso, utiliza-se o critério de 
existência de um tipo penal incriminador. Existindo, há o delito em tese. Se alguém 
praticar a conduta prevista no tipo incriminador, ocorre a perfeita adequação entre o 
modelo de conduta proibida (previsto em lei na forma abstrata) e a conduta real, 
determinativa do resultado no mundo naturalístico”. O autor destaca ainda que, é 
plenamente possível e capaz de acontecer um desequilíbrio entre o crime material e 
o delito formal, à medida que, em determinadas situações, o direito pode não punir 
algumas condutas que a sociedade considera como reprovável, a sociedade pode não 
“tratar como crime”, algumas situações tipificadas pelo ordenamento jurídico. 
 
O conceito formal, por si só, não versa sobre a tentativa, sobre a legítima defesa, e 
tampouco estabelece algum requisito ou procedimento distinto para crime, ele 
simplesmente tipifica no ordenamento jurídico uma conduta como sendo criminosa. 
Ora, o conceito formal é totalmente válido quando utilizado para tratar sobre a 
tipicidade da conduta praticada, mas, o crime não é composto unicamente por esse 
elemento, trata-se da junção de diversos aspectos. 
 
2.3 Conceito analítico 
Diante da insuficiência dos conceitos material e formal na definição da conduta 
Introdução ao Estudo do Direito Penal | 
Conceito de infração penal 
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criminosa, faz-se necessário apresentar uma terceira corrente, o conceito analítico de 
crime. Essa nova definição é amplamente aceita na doutrina e diferente dos outros 
vieses, analisa o crime sobre diversos aspectos estruturais. 
 
O pensamento analítico surge através dos estudos do jurista Giovanni Carmignani em 
1833, embora existam vestígios dessa corrente antes disso, nos estudos de Tibério 
Deciano em 1551 e de Bohemero em 1732. “Essa construção levou ao sistema 
bipartido do conceito clássico de crime, dividido em aspectos objetivo e subjetivo, que 
perdurou até o surgimento do conhecido sistema clássico Liszt-Beling” (BITENCOURT, 
2020). O sistema clássico, sustentado na teoria bipartida, entende o crime como sendo 
todo fato típico ilícito ou antijurídico. 
 
No entanto, foi só em 1906, com as pesquisas desenvolvidas por Beling que o estudo 
analítico foi complementado com a inserção de um terceiro elemento, a tipicidade. É 
neste momento que surge a teoria tripartida do crime, amplamente aceita pela 
doutrina finalista, essa corrente considera como crime todo fato típico, antijurídico e 
culpável. 
 
De acordo com Guilherme Nucci (2019) para a teoria finalista “tem-se o crime como 
uma conduta típica, ilícita e culpável, vale dizer, uma ação ou omissão ajustada a um 
modelo legal de conduta proibida (tipicidade, onde estão contidos os elementos 
subjetivos dolo e culpa), contrária ao direito (antijuridicidade) e sujeita a um juízo de 
reprovação social incidente sobre o fato e seu autor, desde que existam 
imputabilidade, consciência potencial de ilicitude e exigibilidade e possibilidade de 
agir conforme o direito (culpabilidade)”. 
 
Introdução ao Estudo do Direito Penal | 
Classificação doutrinária dos crimes 
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Por obvio, os elementos fato típico, antijurídico e culpável não se resumem a breves 
explicações, cada elemento se desdobra em diversos aspectos e, para caracterizar 
determinada conduta como criminosa, todos os aspectos relacionados devem estar 
presentes na ação, caso contrário a conduta estará revestida de alguma causa 
excludente de tipicidade, ilicitude ou culpabilidade. No decorrer da unidade, veremos 
melhor cada um desses elementos. 
 
3 Classificação doutrinária dos crimes 
No entanto, antes de esmiuçarmos essa teoria, gostaria de chamar a sua atenção para 
um tema que desdobra do conceito analítico de crime, que é a sua classificação legal 
e doutrinária, ou seja, como o crime está disposto no ordenamento jurídico atual, 
classificado como crimes contra a vida, contra a dignidade sexual e contra a honra, 
por exemplo, e como a doutrina classifica a conduta. 
 
Nas palavras de Guilherme Nucci (2019) “a classificação dos crimes possui o objetivo 
de apontar, por conta de um método, como alguns crimes se agrupam em certas 
pastas, com as mesmas características, daí resultando uma solução prática para o 
operador do direito”. Assim, conforme destaca, Rogério Sanches (2020) “a classificação 
doutrinária é aquela atribuída pelos estudiosos tendo em consideração as 
características das infrações penais. Ao contrário do que recai sobre infração 
específica, determinada rotulação doutrinária abarca diversas infrações”. 
 
Teoria 
bipartida
Crime
Fato típico
Ilícito ou 
antijurídico
Teoria 
tripartida
Crime
Fato típico Antijurídico Culpavel
Introdução ao Estudo do Direito Penal | 
Classificação doutrinária dos crimes 
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Contudo, a doutrina enumera diversas categorias para enquadrar as figuras típicas, 
cada autor relaciona em suas obras aquelas que consideraessencial, pois, é 
praticamente impossível abordar todas as espécies. Nesta unidade faremos 
exatamente a mesma coisa, em que pese existam diversas classificações, trataremos 
apenas das principais. 
 
3.1 Crimes comuns 
Os crimes comuns são aqueles praticados por qualquer pessoa, eles não exigem 
nenhuma condição especial do sujeito ativo. Nas palavras de Rogério Sanches (2020) 
“crime comum é aquele que pode ser praticado por qualquer pessoa, isto é, em que 
a lei não exige qualidade especial do sujeito ativo”. 
 
Assim, podemos citar como um exemplo de crime comum o homicídio, não se exige 
nenhuma condição especial do sujeito ativo, qualquer pessoa pode matar outra. 
Inclusive, no caso do homicídio existe uma situação especial, pois, ao mesmo tempo 
que qualquer pessoa pode cometer o crime, qualquer um pode ser vítima do 
homicídio, esse fenômeno é chamado de bicomum, cujos sujeitos ativo e passivo 
podem ser qualquer pessoa. 
 
3.2 Crimes próprios 
Já os crimes próprios, dentro da classificação doutrinária, são aqueles em que se exige 
uma pessoa específica colocada no tipo penal para poder praticar o crime. De acordo 
com Rogério Sanches (2020) “no crime próprio, o tipo penal exige que o agente 
ostente certas características. Como exemplos, temos os crimes funcionais, como 
peculato e corrupção passiva, que só podem ser praticados por funcionários públicos 
no exercício de suas funções; o infanticídio, que somente a mãe pode praticar etc.”. 
 
No entanto, o crime de infanticídio ostenta uma condição especial, o crime, assim 
como ocorre no homicídio, recebe uma classificação diferente. Além de exigir uma 
condição especial do sujeito ativo, o crime de infanticídio exige uma condição especial 
da vítima, ou seja, é considerado um crime bipróprio, pois, tanto o sujeito ativo quanto 
o sujeito passivo devem ostentar determinadas características. Disposto no art. 123 
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Classificação doutrinária dos crimes 
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do Código Penal, só poderá incorrer na prática do crime de infanticídio a mãe que a 
age sob a influência do estado puerperal e mata o próprio filho recém-nascido, 
durante o parto ou logo após. Neste caso, os sujeitos ativos e passivo devem, 
necessariamente, ser a mãe puérpera e o filho recém-nascido. 
 
Seguindo esse mesmo raciocínio, o crime de peculato é outro exemplo de crime 
próprio, pois, para que seja classificado como tal, a conduta deve ser praticada por 
um funcionário público. Contudo, neste caso, existe uma peculiaridade quanto ao 
concurso de pessoas, em regra, o crime é próprio e deve ser praticado por uma pessoa 
na condição de funcionário público, porém, excepcionalmente, admite o concurso de 
pessoas, desde que a qualidade de funcionário público, elementar do tipo, seja de 
conhecimento do particular coautor ou partícipe, nos termos do art. 30 do Código 
Penal. 
Art. 30 - Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, 
salvo quando elementares do crime. 
 
 
 
3.3 Crimes de mão própria 
Ainda no que tange à classificação do sujeito ativo, os crimes também podem ser de 
mão própria, classificação esta que requer, não uma pessoa específica, mas sim, uma 
que seja imprescindível para a prática delitiva. Isto é, além de exigir uma condição 
especial do sujeito ativo, os tipos penais classificados como de mão própria exigem 
que a pessoa qualificada pratique o núcleo da figura delitiva. 
 
Nas palavras de Guilherme Nucci (2019) “no universo dos crimes próprios encontram-
se, ainda, os crimes de mão própria, que exigem sujeito ativo qualificado, devendo 
este cometer direta e pessoalmente a conduta típica”. Assim, é possível considerar 
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Classificação doutrinária dos crimes 
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como um exemplo de crime de mão própria o falso testemunho ou falsa perícia (art. 
342, CP), que só pode ser praticado pela testemunha que, ao se apresentar perante o 
magistrado, falta com a verdade nas suas declarações. 
 
Nesses crimes, com relação ao concurso de agentes, a doutrina não é pacífica, há 
quem diga que os crimes de mão própria não admitem coautoria e nem participação, 
dado que a conduta típica deve ser realizada por um agente que possua as 
características específicas para tanto. Por outro lado, doutrinadores como Rogério 
Sanches e Guilherme Nucci, os quais defendem que, embora a conduta tenha que ser 
praticada por um agente específico, é possível que um terceiro instigue ou induza essa 
pessoa qualificada a cometer o ato criminoso, ao passo que esse terceiro responderia 
como partícipe. Desta forma, os crimes de mão própria admitem “apenas a 
participação, refutando a coautoria porque, se apenas o agente referido no tipo penal 
pode cometê-lo, torna-se possível, no âmbito do concurso de agentes, apenas que 
alguém instigue, induza ou auxilie outrem a fazê-lo, não que o faça em conjunto” 
(CUNHA, 2020). 
 
3.4 Crimes materiais 
São aqueles cuja conduta tipificada exige um resultado naturalístico, o delito só se 
consuma com a produção de um resultado que modifique o mundo exterior, a ação e 
a consumação do crime ocorrem em momentos diferentes. De acordo com Bitencourt 
(2020) “O crime material ou de resultado descreve a conduta cujo resultado integra o 
próprio tipo penal, isto é, para a sua consumação é indispensável a produção de um 
resultado separado do comportamento que o precede. O fato típico se compõe da 
conduta humana e da modificação do mundo exterior por ela operada”. 
 
Assim, podemos entender por resultado naturalístico o efeito que se apresenta 
quando a ação produzida pelo sujeito se manifesta no mundo jurídico. Um exemplo 
prático para facilitar o entendimento é a previsão do crime de homicídio no Código 
Penal, o crime só se consuma com a morte da pessoa. O objeto jurídico do tipo penal 
é a vida do ser humano e quando o objeto é lesionado ocorre o crime, neste caso, o 
resultado naturalístico se produz com a morte da vítima, a lesão ao bem jurídico é 
externalizada através do resultado morte. 
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Classificação doutrinária dos crimes 
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3.5 Crimes formais 
São aqueles que compreendem ação ou omissão e resultado naturalístico colocado 
no tipo. Isso quer dizer que não compreendem o resultado naturalístico em si, e, 
embora se faça presente, não é uma exigência. Nas palavras de Rogério Sanches 
(2020) “no crime formal (ou de consumação antecipada), o resultado naturalístico é 
previsto, mas é dispensável, pois a consumação ocorre com a conduta. O resultado 
jurídico consumação do delito ocorre em concomitância com o comportamento do 
agente”. 
 
Contudo, não confunda consumação com exaurimento da conduta, por exemplo, no 
caso da extorsão mediante sequestro (art. 159, CP), o crime se consuma quando o 
agente realiza a ameaça e restringe a liberdade da vítima, a obtenção da vantagem é 
um mero exaurimento do tipo penal, ou seja, o agente responderá pelo crime na 
modalidade consumada independente de receber ou não a vantagem exigida. Outro 
exemplo, é o crime de assédio sexual que, para se consumar não é necessário obter a 
vantagem ou o favorecimento sexual exigido, basta que a vítima seja constrangida, a 
obtenção do resultado pretendido é mero exaurimento da conduta. 
 
3.6 Crimes de mera conduta 
Os crimes de mera conduta são aqueles que se consumam com a simples prática da 
ação, os tipos penais não exigem a produção de qualquer resultado naturalístico. 
Seguindo o entendimento de Rogério Sanches (2020) “o crime de mera conduta, por 
sua vez, é aquele que apenas descreve a conduta delituosa, sem mencionar qualquer 
resultado naturalístico, que, obviamente, é dispensável. Pune-se o agente pela simples 
atividade, como, por exemplo, no porte ilegal de arma e na violação de domicílio”. 
 
Muitas vezes os crimes formais são confundidoscom os de mera conduta, pois, uma 
parcela na doutrina considera seus conceitos semelhantes. No entanto, a diferença 
primordial, se não uma das únicas, é com relação ao resultado naturalístico. No crime 
formal o resultado naturalístico é previsto pelo tipo penal, mas, por uma faculdade do 
legislador a consumação é antecipada, de modo que a produção do resultado é o 
mero exaurimento da conduta. Já, nos crimes de mera conduta, o resultado 
naturalístico é imprevisto e sequer cogitado no tipo penal, logo, assim como no 
Introdução ao Estudo do Direito Penal | 
Classificação doutrinária dos crimes 
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primeiro, a consumação ocorre com a simples prática da conduta. 
 
Assim, para contextualizar a situação descrita acima, podemos citar como exemplo o 
crime de ato obsceno, tipificado no art. 233 do Código Penal, com a seguinte 
descrição: é crime “praticar ato obsceno em lugar público, ou aberto ou exposto ao 
público”. Note que, para incorrer no delito não é necessário que o sujeito pratique ato 
obsceno em lugar público, ou aberto ou exposto ao público para satisfazer a lascívia, 
não há a previsão de qualquer resultado naturalístico e a simples prática da conduta 
é suficiente para ensejar a punição do indivíduo. 
 
3.7 Crimes instantâneos, instantâneos com efeitos permanentes e 
permanentes 
Com relação a classificação dos crimes em virtude do momento em que se consumam, 
estes podem ser divididos em instantâneos, instantâneos com efeitos permanentes e 
crimes permanentes. Os crimes instantâneos são aqueles que se esgotam com a 
ocorrência do resultado, eles não se prolongam no tempo. Como destaca Bitencourt 
(2020), a instantaneidade do crime não está associada com a rapidez que o crime for 
cometido, mas sim que “uma vez realizados os seus elementos nada mais se poderá 
fazer para impedir sua ocorrência”. Além disso, no caso de o agente continuar se 
beneficiando por um tempo com o resultado obtido na conduta, não altera a 
classificação do crime. 
 
Em contrapartida, nos crimes instantâneos com efeitos permanentes, a consumação 
ocorre em um determinado momento, mas os efeitos da consumação continuam 
existindo ao longo do tempo, como é o caso do crime de bigamia, ao contrair um 
novo matrimonio o indivíduo casado incorre na prática da conduta delituosa, o ato se 
consuma na celebração do casamento, com o consentimento formal dos nubentes, 
mas, o crime continua produzindo efeitos enquanto o sujeito permanecer casado com 
duas ou mais pessoas, por isso instantâneo com efeitos permanentes. 
 
Por fim, consideram-se crimes permanentes aqueles cuja consumação se prolonga no 
tempo, veja que não são apenas os efeitos que são permanentes como na espécie 
Introdução ao Estudo do Direito Penal | 
Classificação doutrinária dos crimes 
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anterior, neste caso a própria consumação perdura pelo tempo que o agente pratica 
a conduta. Nas palavras de Rogério Sanches (2020), “crime permanente é aquele em 
que a execução se protrai no tempo por determinação do sujeito ativo. É a modalidade 
de crime em que a ofensa ao bem jurídico se dá de maneira constante e cessa de 
acordo com a vontade do agente”. É possível citar como um exemplo de crime 
permanente o sequestro e cárcere privado (art. 148, CP), que se consuma quando a 
vítima tem sua liberdade cerceada e permanece nesse estado até que ela tenha sua 
liberdade devolvida. 
 
3.8 Crimes unissubsistentes e plurissubsistentes 
Com relação à quantidade de condutas dentro da manobra criminal, os crimes podem 
ser classificados como unissubsistente ou plurissubsistente. Nos crimes 
unissubsistentes a conduta criminosa se perfaz com um único ato, ou seja, não 
admitem a tentativa, é o caso do crime de ameaça ou dos crimes contra a honra. Por 
outro lado, os crimes plurissubsistentes envolvem vários atos, que serão reunidos 
para que se possa então falar na prática delitiva, um exemplo de crime 
plurissubsistente é o homicídio, que pode ser fracionado em diversos atos, exigindo 
que todos sejam realizados para que o tipo penal se consume. 
 
3.9 Crimes unissubjetivos e plurissubjetivos 
Esta classificação diz respeito à quantidade de pessoas que participam na manobra 
criminosa. Com relação à quantidade de agentes, os crimes são classificados em 
unissubjetivos e plurissubjetivos. Os crimes unissubjetivos, também chamados de 
crimes de concurso eventual, são aqueles em que o agente pode ou não se juntar com 
outras pessoas para a prática do crime, é a regra que vige no ordenamento jurídico 
atualmente (ex.: homicídio). Em contrapartida, os crimes plurissubjetivos, são aqueles 
de concurso obrigatório, o tipo penal exige, para a sua configuração, a participação 
de um determinado número de pessoas. É possível citar como um exemplo dessa 
classificação os crimes de rixa, associação criminosa e rixa. 
 
Introdução ao Estudo do Direito Penal | 
Teoria analítica do crime 
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4 Teoria analítica do crime 
Retomando nossos estudos a respeito da teoria analítica e seus elementos no estudo 
da conduta criminosa. Verificamos que a teoria analítica do crime se subdivide em 
outras duas espécies: a teoria bipartida, que considera o crime como sendo um fato 
típico e antijurídico; teoria tripartida, que define a conduta criminosa como um fato 
típico, antijurídico e culpável. No primeiro caso, a culpabilidade existe tão-somente 
para que se possa verificar se são preenchidos os pressupostos para aplicação da 
pena. Lembrando que todo o fato típico é antijurídico, exceto se, de alguma forma, 
for autorizado pelas normas penais permissivas. 
 
Assim, seguindo a teoria finalista, posição adotada pelo ordenamento jurídico atual, 
que considera o crime fato típico, antijurídico e culpável. Isto é, se determinado fato é 
considerado típico e antijurídico, considere-o como crime cometido, no entanto, se o 
sujeito age abarcado por uma causa excludente dessa ilicitude, ele é absolvido e a 
• Comuns
• Prórpios
• De mão Própria
Sujeito
• Materiais
• Formais
• De mera conduta
Consumação
• Instantâneos
• Instantâneos c/ efeitos permanentes
• Permanentes
Momento
• Plurissubsistentes
• Unissubsistentes
Quantidade de 
Condutas
• Unissubjetivos
• Plurissubjetivos
Quantidade de Agentes
Introdução ao Estudo do Direito Penal | 
Fato típico 
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conduta não será considerada criminosa, portanto, para que um fato seja considerado 
típico é necessário que alguns elementos estejam presentes: 
 Conduta 
 Nexo de causalidade 
 Resultado jurídico (e naturalístico nos crimes materiais) 
 Tipicidade 
 
Além disso, no caso da culpabilidade se o sujeito, embora tenha um comportamento 
típico, será isento de pena. 
 Imputabilidade 
 Potencial consciência da ilicitude 
 Exigibilidade de conduta 
 
5 Fato típico 
O fato típico diz respeito ao modelo de conduta descrito como criminoso em um tipo 
penal. De acordo com Rogério Sanches (2020) o elemento do fato típico “pode ser 
conceituado como ação ou omissão humana, antissocial que, norteada pelo princípio 
da intervenção mínima, consiste numa conduta produtora de um resultado que se 
Fato típico
Conduta
Nexo causal
Resultado
Tipicidade
Antijurídico Excludente
Culpável
Imputável
Potencial consciencia 
de ilicitude
Exigibilidade de 
conduta
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Fato típico 
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subsume ao modelo de conduta proibida pelo Direito Penal, seja crime ou 
contravenção penal. Do seu conceito extraímos seus elementos: conduta, nexo causal, 
resultado e tipicidade”. 
 
 
5.1 Conduta 
Para explicar a conduta nós adotamos a teoria finalista de Hans Welzel, que afirma ser 
conduta toda ação ou omissão humana voluntária e consciente, dolosa ou culposa, 
objetivando um fim. No mesmo sentido, Guilherme Nucci (2019) defende que o 
conceito de conduta, seguindo o prisma finalista, “condutaé a ação ou omissão, 
voluntária e consciente, implicando um comando de movimentação ou inércia do 
corpo humano, voltado a uma finalidade”. 
 
Até existem outras teorias que tratam sobre o conceito de conduta na ação criminosa, 
como as teorias: a) causalista: considera a ação típica um processo interno da 
vontade, é o meio pelo qual o indivíduo manifesta suas intenções; b) social: define a 
conduta como sendo um comportamento voluntário, consciente e socialmente 
relevante; c) funcional: onde a conduta representa uma manifestação da 
personalidade do agente; d) significativa: que considera a conduta como sendo uma 
expressão simbólica da atividade humana. No entanto, abordaremos nesta unidade 
apenas o modelo finalista, adotado pelo direito brasileiro. 
 
5.1.1 Condutas comissivas e omissivas 
Analisando o conceito de conduta na prática criminosa, verificamos que o 
comportamento humano pressupõe uma ação ou uma omissão, no direito, essas 
práticas também recebem os nomes de conduta comissiva ou omissiva, 
respectivamente. Os crimes tidos como comissivos, são a maioria no nosso 
Fato Típico
Conduta Nexo causal Resultado Tipicidade
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Fato típico 
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ordenamento jurídico e exigem um comportamento ativo do sujeito, um fazer algo. É 
o que ocorre no crime de homicídio, por exemplo, exige-se que o sujeito ativo haja 
com o intuito de matar a vítima, que ele mantenha um comportamento positivo, 
materializando sua vontade e produzindo um resultado. 
 
Existem também as condutas chamadas de omissivas, que ao contrário da comissiva, 
presumem um comportamento negativo, ou seja, um “não fazer” do agente. As 
condutas omissivas podem ser classificadas em duas espécies, as omissivas próprias e 
as omissivas impróprias. As condutas omissivas próprias são aquelas descritas nos 
tipos penais, tipificados expressamente em lei. 
 
Conforme destaca Bitencourt (2020) “os crimes omissivos próprios ou puros, 
enfatizando, consistem numa desobediência a uma norma mandamental, norma esta 
que determina a prática de uma conduta, que não é realizada. Há, portanto, a omissão 
de um dever de agir imposto normativamente, quando possível cumpri-lo, sem risco 
pessoal”. Para que esses crimes se consumem basta que o sujeito se mantenha inerte 
e deixe de agir como a lei determina. 
 
 
 
Por outro lado, as condutas omissivas impróprias, também conhecidas como 
comissivas por omissão, são aquelas que resultam da situação descrita no art. 13, § 
2º do CP, o qual estabelece que a omissão deverá ser fator de preocupação quando 
o sujeito devia e podia agir para evitar o resultado, mas não o fez. 
 
Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável 
a quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o 
resultado não teria ocorrido. 
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Fato típico 
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[...]§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir 
para evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem: 
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; 
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado; 
c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado. 
 
Nas palavras de Bitencourt (2019) nos crimes comissivos por omissão “o agente não 
tem simplesmente a obrigação de agir, mas a obrigação de agir para evitar um 
resultado, isto é, deve agir com a finalidade de impedir a ocorrência de determinado 
evento”. Neste caso, o tipo penal responsabiliza aquele sujeito que tinha o dever se 
agir ou que, de qualquer modo, assumiu o risco de evitar determinado resultado, mas 
se mantem inerte, é a figura do garantidor. Assim, as pessoas que assumem a posição 
de garantidor, nos termos do § 2º do art. 13, e não agem de forma positiva diante de 
uma ação que poderia ter evitado, serão punidos com o tipo penal correspondente 
ao resultado que deveria ser evitado, a título de dolo ou culpa, a depender do caso. 
 
A título de exemplo, imagine a seguinte situação: o bombeiro que vê uma pessoa 
se afogando e não fez nada a respeito ou um médico que vê uma pessoa infartando 
e não age, serão responsabilizados pelo resultado causado a vítima a título de dolo 
ou culpa, dependendo do caso em concreto, pois, mesmo que não tenha 
influenciado diretamente na morte da vítima, tinha o dever legal de prestar 
socorro. 
 
5.1.2 Voluntariedade 
A conduta criminosa deve partir de um comportamento humano voluntário, o sujeito 
deve praticar a ação de forma livre e consciente. “Se o comportamento praticado, 
ainda que previsto em um tipo penal, não for precedido da vontade do seu agente, 
não haverá conduta, e, consequentemente, desfigurado estará o fato típico (substrato 
do crime), faltando seu primeiro elemento” (CUNHA, 2020). 
 
Assim, entendemos por conduta voluntária aquela que não apresenta mácula física, 
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Fato típico 
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que o indivíduo age por livre e espontânea vontade, sem a influência de terceiros. Por 
exemplo, um sujeito com a intenção de tirar a vida de outro, força um outro indivíduo 
que está passando ao seu lado no momento exato e faz com que esse terceiro segure 
a arma e acione o gatilho em seu lugar, matando seu desafeto. A situação apresentada 
é absurdamente exagerada, mas serve para mostrar a diferença entre uma conduta 
voluntária e uma conduta maculada, o terceiro forçado a atirar não agiu 
voluntariamente, foi coagido. 
 
 
5.1.3 Consciência 
A conduta para configurar um fato típico, além de voluntária deve ser consciente. 
Todavia, existem situações que a consciência será afastada da conduta, como ocorre, 
por exemplo, em situações de sonambulismo. A ação realizada pelo sonâmbulo, 
embora esteja presente a voluntariedade, carece de consciência, o sujeito faz algo 
porque quer, mas sem a menor intenção. 
 
Outra situação, que pode afastar a consciência do indivíduo na prática da conduta 
criminosa, é quando, influenciado por um terceiro, consciente da prática ilícita, o 
agente pratica algo que pensa ser lícito e acaba cometendo um crime. Para 
contextualizar, imagine a seguinte situação: um padeiro com o intuito de tirar a vida 
de seu desafeto, prepara um bolo recheado com uma substância tóxica que, se 
manipulada na quantidade adequada pode causar a morte de uma pessoa, e pede 
para que um entregador leve o doce até a casa de seu desafeto. O entregador, 
desconhecendo o conteúdo da embalagem e sem saber que a encomenda causaria a 
morte de uma pessoa, entrega o pedido para o desafeto do padeiro, que vem a óbito 
logo depois de ingerir o bolo. Note que, o entregador, embora tenha agido de forma 
voluntária na entrega do pedido, não tinha consciência de que o conteúdo da 
embalagem poderia causar a morte do destinatário. 
 
Introdução ao Estudo do Direito Penal | 
Fato típico 
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5.1.4 Dolo e culpa 
Retomando o conceito de conduta, verificamos que será considerada válida para a 
prática de uma ação delituosa, toda ação ou omissão humana voluntária e consciente, 
dolosa ou culposa que objetivando um fim específico. Assim, além dos elementos que 
trabalhamos a pouco, a ação criminosa deve ser praticada com dolo ou, ao menos, 
com culpa do agente infrator. 
 
Diz o art. 18 do Código Penal em seus incisos I e II que, o crime será doloso quando o 
agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo e, será culposo quando o 
agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia. Na 
sequência veremos melhor cada um desses elementos. 
 
5.1.4.1 Crime doloso 
O dolo é a vontade livre e desembaraçada da prática delitiva que precede o resultado. 
Nas palavras de Rogério Sanches (2020) “dolo, portanto, pode ser conceituado como 
a vontade consciente dirigida a realizar (ou aceitar realizar)a conduta prevista no tipo 
penal incriminador”. O autor destaca ainda que, “majoritariamente, rotula-se o dolo 
como um componente subjetivo implícito da conduta, pertencente ao fato típico, 
formado por dois elementos: o volitivo, isto é, a vontade de praticar a conduta descrita 
na norma, representado pelos verbos querer e aceitar; e o intelectivo, traduzido na 
consciência da conduta e do resultado”. 
 
Em consonância, Guilherme Nucci (2019) afirma que “no Brasil, o dolo direto envolve 
tanto o dolo de primeiro quanto o de segundo grau, construindo-se, portanto, duas 
categorias apenas: dolo direto e dolo eventual”. Isto é, quando determinada pessoa 
tem a intenção de praticar um crime e assim o faz, o dolo existente na conduta é 
direto, já, quando o sujeito não pretende o resultado, mas prevê que de alguma forma 
ele possa acontecer e mesmo assim insiste na ação, o dolo existente na conduta é o 
eventual. A primeira situação é extremamente fácil de identificar na prática, o 
problema é com relação ao dolo eventual que, diante de um caso concreto é 
facilmente confundido com a culpa consciente, vez que são constituídos de elementos 
próximos. 
Introdução ao Estudo do Direito Penal | 
Fato típico 
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No dolo eventual, o sujeito prevê que o resultado possa ocorrer, o que de fato não 
quer, mas assume o risco de produzi-lo se eventualmente venha a acontecer, ele não 
cessa a conduta, pois não se preocupa com a ocorrência do resultado. Como descrito 
por Rogério Sanches (2020) no dolo eventual “o agente também prevê pluralidade de 
resultados, dirigindo sua conduta para realizar um determinado evento, mas 
assumindo o risco de provocar outro (ex: quero ferir, mas aceito matar). O agente não 
quer o resultado mais grave, mas assume o risco de produzi-lo”. Diferente do que 
ocorre na culpa consciente, que durante a ação o agente prevê o resultado, mas 
acredita que será capaz de evitá-lo e não assume o risco de produzi-lo como no dolo 
eventual. 
 
5.1.4.2 Crime culposo 
Conforme dispõe o inciso II do art. 18 do Código Penal, o crime culposo é aquele 
praticado quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou 
imperícia. Diferente do crime doloso que é regra no ordenamento jurídico brasileiro, 
o sujeito só será responsabilizado pela culpa quando previsto em lei. De acordo com 
Rogério Sanches (2020) o crime culposo pode ser definido como uma “conduta 
voluntária que realiza um evento ilícito não querido ou aceito pelo agente, mas que 
lhe era previsível (culpa inconsciente) ou excepcionalmente previsto (culpa consciente) 
e que podia ser evitado se empregada a cautela esperada”. 
 
O ato culposo será baseado em três elementos distintos, a imprudência, a negligência 
e a imperícia. No contexto aqui explorado, essas qualidades remetem a situações em 
que o sujeito age de modo distinto daquilo que seria o adequado, ou seja, quando o 
indivíduo: deixa de agir com a cautela que é esperada (NEGLIGÊNCIA); age sem a 
cautela esperada (IMPRUDÊNCIA); age sem ter a devida capacidade técnica e sem 
ter intenção, consuma o resultado (IMPERÍCIA). 
 
Assim, a forma mais comum do crime culposo é a culpa inconsciente que, além de 
envolver uma conduta involuntária, apresentar um resultado naturalíssimo, mantem o 
nexo causal entre a conduta e o resultado, o sujeito não é capaz de prever o resultado. 
Contudo, também é possível que o crime culposo se realize através da culpa 
consciente, o agente infrator durante a ação até prevê que algo possa sair diferente 
daquilo que planeja, mas acredita ser capaz de evitar o resultado indesejado, o sujeito 
Introdução ao Estudo do Direito Penal | 
Fato típico 
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não assume o risco das eventuais consequências que poderá causar, ele crê fielmente 
que poderá evitar a situação, diferente do que ocorre no dolo eventual. 
 
Por fim, é necessário fazermos uma ressalva quanto a culpa exclusiva da vítima, o 
acusado não será penalizado, pois, trata-se de uma circunstância que rompe o nexo 
causal entre o agente e o resultado. 
 
5.1.5 Crimes preterdolosos 
Para encerrarmos essa questão de culpa e dolo, nos resta falar sobre os crimes 
preterdolosos, cuja ação é realizada com dolo no antecedente e culpa no 
consequente. Como bem destaca Rogério Sanches (2020) “diz-se preterdoloso o crime 
praticado com dolo em relação ao fato antecedente e culpa no que tange ao resultado 
agravante, como ocorre na lesão corporal seguida de morte, em que a intenção inicial 
do agente era a de tão somente atingir a integridade física da vítima, mas, por 
inobservância das cautelas necessárias, termina por causar a morte”. 
 
Neste caso, o sujeito tem o dolo de realizar a ação inicial, mas não prevê um resultado 
mais gravoso, por exemplo, um sujeito que deseja quebrar a vidraça de uma loja e ao 
arremessar uma pedra acaba quebrando o vidro e atingindo um idoso que estava 
sentado em uma poltrona próximo da janela. Note, a intenção inicial do indivíduo era 
de apenas de quebrar a vidraça, causar um dano, mas além disso, acabou lesionando 
uma pessoa que estava próxima a janela, causando-lhe lesões corporais. 
 
5.1.6 Erro de tipo 
Para a teoria finalista considera-se conduta “toda ação ou omissão humana voluntária 
e consciente, dolosa ou culposa que objetivando um fim específico”. No entanto, ainda 
que a conduta seja voluntária e consciência, dotada de dolo ou culpa, movida a um 
fim específico, o sujeito pode estar agindo em erro. O erro de tipo está previsto no 
art. 20 do Código Penal e, é configurado quando o sujeito age baseado em uma falsa 
percepção da realidade. 
Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, 
mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei. 
Introdução ao Estudo do Direito Penal | 
Fato típico 
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O erro de tipo pode ser classificado em essencial e acidental. De acordo com Rogério 
Sanches (2020) “no essencial, o erro recai sobre os dados principais do tipo penal, 
enquanto que no acidental, recai sobre dados secundários. No primeiro, se avisado 
do erro, o agente para de agir criminosamente; no segundo, o agente corrige os 
caminhos ou sentido da conduta e continua agindo de forma ilícita”. 
 
Além disso, o erro de tipo essencial pode ser dividido em evitável/ inescusável/ 
vencível e, em inevitável/ invencível/ escusável. Na primeira situação, o erro exclui o 
dolo, dado que a conduta não é revestida de consciência, mas se mantém a culpa, 
desde que haja previsão legal, pois, se tivesse uma postura mais cautelosa poderia ter 
evitado o resultado produzido. Por outro lado, no erro inevitável, a conduta praticada 
pelo sujeito afasta tanto o dolo quanto a culpa, pois, embora tenha produzido um 
resultado típico, o sujeito não tem plena consciência da situação – é movido por uma 
falsa percepção da realidade – e, tampouco previsibilidade do resultado. Diante do 
erro evitável, a conduta será considerada atípica. 
 
Agora, enquanto no erro essencial, a conduta equivocada recai sobre um dos 
elementos constitutivos do ato, um elemento essencial para a prática delitiva. Já, no 
erro acidental, os elementos são periféricos, o equívoco recai sobre outros elementos, 
dado que o indivíduo tinha a intenção de realizar a conduta ilícita, mas erra quanto ao 
objeto, quanto ao nexo causal, quanto á pessoa, quanto á execução ou, durante a ação 
o resultado é diverso do pretendido. 
→ ERRO QUANTO AO OBJETO: essa espécie não tem previsão legal, mas é 
amplamente discutido pela doutrina. Ocorre quando o indivíduo age em erro 
quanto ao objeto sob o qual recai a conduta criminosa. Nesta situação, o agente 
responderá pelo objeto efetivamente atingido e não por aquele pretendido. 
Ex.: um sujeito furta um anel pensando ser de diamantes, mas, na realidade, 
eram imitações baratas. 
 
→ ERRO QUANDO AO NEXO CAUSAL: assim como a anterior, oerro sobre o 
nexo causal não tem previsão legal, sendo abordado apenas pela doutrina. Essa 
espécie de erro é configurada quando o agente alcança o resultado desejado, 
mas com um nexo diferente daquele inicialmente proposto. Neste caso o 
indivíduo responde apenas pela conduta inicialmente pretendida, embora 
tenha se realizado de forma diversa. 
Introdução ao Estudo do Direito Penal | 
Fato típico 
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Ex.: o sujeito A, com a intenção de matar seu desafeto B envenenado, coloca 
substâncias tóxicas em seu café causando uma grave convulsão. A, 
acreditando que o corpo de B já está sem vida, enterra-o no quintal de sua 
casa, contudo, posteriormente, verifica-se que B não morreu em virtude da 
substância empregada, mas sim por asfixia. 
 
→ ERRO QUANTO A PESSOA: encontra previsão no § 3º do art. 20 do Código 
Penal e, é ocorre quando a conduta criminosa recai sobre pessoa diversa 
daquela pretendida. Nesse caso, o sujeito responde pela chamada vítima virtual, 
aquela inicialmente visada. 
Ex.: o indivíduo A, com a intenção de tirar a vida de sua esposa, pega uma 
arma e dispara 5 vezes contra a pessoa deitada na cama do quarto do casal, 
acreditando ser sua mulher. No entanto, quando acende a luz do cômodo, 
percebe que a pessoa deitada na cama era na realidade seu filho de 5 anos. 
Neste caso, embora A tenha matado seu filho, responderá como se tivesse 
cometido o crime contra sua esposa (vítima virtual). 
 
→ ERRO QUANTO A EXECUÇÃO: também conhecido como aberratio ictus é o 
erro cometido na execução da conduta, por acidente ou erro no uso dos meios 
empregados na ação, está disciplinado no art. 73 do Código Penal. Assim como 
ocorre no erro quanto a pessoa, o indivíduo responde pela vítima inicialmente 
pretendida (vítima virtual) e não por aquela efetivamente lesionada. 
Ex.: o sujeito A, com a intenção de tirar a vida de sua esposa, pega uma 
arma e dispara na sua direção, mas por não saber manusear a arma 
utilizada acaba atingindo seu filho que estava próximo. 
 
→ RESULTADO DIVERSO DO PRETENDIDO: também chamado de aberratio 
criminis, ocorre quando o sujeito, por erro no uso dos meios de execução, 
atinge um bem jurídico distinto daquele inicialmente pretendido. Neste caso, o 
agente responde pelo resultado produzido a título de culpa, se previsto, e não 
por aquele pretendido, exceto se a conduta inicialmente visada, for mais grave 
do que o resultado produzido. Além disso, se o sujeito, por um erro na execução 
atinge o resultado pretendido e outro, responderá pelos dois resultados, em 
concurso formal de crimes. 
Ex.: com a intenção de quebrar a vidraça de uma loja, A joga uma pedra na 
direção da vitrine, mas, por erro acaba atingindo uma pessoa que passava 
na calçada. 
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Nexo de causalidade 
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6 Nexo de causalidade 
O nexo de causalidade nada mais é do que o vínculo que liga a conduta praticada ao 
resultado obtido, é o elo que liga a conduta ao resultado. Nas palavras de Guilherme 
Nucci (2019), o nexo causal “é o vínculo estabelecido entre a conduta do agente e o 
resultado por ele gerado, com relevância para formar o fato típico. Portanto, a relação 
de causalidade tem reflexos diretos, em nosso entender, na tipicidade”. 
 
O nexo de causalidade tem o intuito de imputar a determinada pessoa o resultado, 
que tenha dado causa na prática ação delitiva, conforme dispõe o art. 13 do Código 
Penal e não a pessoa diversa. O nexo causal é uma espécie de cola que liga a conduta 
ao sujeito e ao resultado efetivamente produzido. 
Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é 
imputável a quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a 
qual o resultado não teria ocorrido. 
Superveniência de causa independente 
§ 1º - A superveniência de causa relativamente independente exclui a 
imputação quando, por si só, produziu o resultado; os fatos anteriores, entretanto, 
ERRO DE TIPO (ART. 20 CP) - ELEMENTO CONSTITUTIVO DO TIPO
Essencial
(imprenscindível)
Inevitável Afasta dolo/culpa
Evitável
Exclui dolo, mas responde pela culpa, se 
prevista
Acidental
(periférico)
- objeto
- nexo causal
- pessoa
- execução (ictus)
- resultado diverso do pretendido (criminis)ABERRATIO
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Nexo de causalidade 
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imputam-se a quem os praticou. 
Relevância da omissão 
§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir 
para evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem: 
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; 
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado; 
c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado. 
 
6.1 Teoria hipotética da eliminação 
No entanto, para sabermos se uma causa produziu ou não resultado, adotamos a 
chamada teoria hipotética da eliminação, ou seja, diante de um resultado pergunta-
se, caso a conduta seja retirada do contexto, o resultado ocorreria da mesma forma? 
Geralmente, a resposta é negativa, mas nada é tão obvio quanto parece, o nexo causal 
pode sofrer a interferência de alguns elementos alheios, chamados de concausas. 
 
Conforme destaca Rogério Sanches (2020), quando verificamos que a conduta e o 
resultado naturalístico são compostos e podem ocorrer por diversos atos, o estudo 
do nexo causal se torna cada vez mais complexo. “Assim, identificados quais 
antecedentes podem figurar como causa dentro de uma linha de eventos que se 
sucedem, nota-se que, no caso concreto, é possível que haja mais de uma causa 
concorrendo para o resultado (concausas)”. Esses eventos podem ser classificados em 
concausas absolutamente independentes e concausas relativamente independentes, 
cada uma com três subespécies. 
Introdução ao Estudo do Direito Penal | 
Nexo de causalidade 
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Na primeira possibilidade, as concausas absolutamente independentes, tanto se 
ocorrer de forma antecedente, concomitante ou superveniente a ação, não terá 
nenhuma relação com o resultado atingido, pois, este aconteceria independente da 
ação praticada, é algo independente, que gera, naturalmente, o rompimento do nexo 
causal. Diferente do que ocorre nas concausas relativamente independentes, que, 
embora não sejam determinantes, guardam uma relação com o resultado atingido. 
 
 
 
Nas palavras de Guilherme Nucci (2019) as concausas relativamente independentes 
surgem “de alguma forma ligadas às causas geradas pelo agente (por isso, são 
relativamente independentes), mas possuindo força suficiente para gerar o resultado 
por si mesmas”. Assim como a anterior, as causas relativamente independentes podem 
ser classificadas em antecedentes (anterior a ação), concomitantes (junto com a ação) 
e supervenientes (posterior a ação). 
Concausas
Absolutamente 
independentes
antecedentes
concomitantes
supervenientes
Relativamente 
independentes
antecedentes
concomitantes
supervenientes
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Nexo de causalidade 
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CONCAUSA RELATIVAMENTE INDEPENDENTE ANTECEDENTE 
 
Nesta espécie a situação preponderante para a produção do resultado é anterior a 
causa concorrente na ação. 
Ex.: A com a intenção de lesionar B desfere um golpe de faca em sua perna, o 
ferimento por si só não seria capaz de causar a morte de B, mas, por ser 
hemofílico, a vítima vem a óbito, pois, não foi possível estancar o sangramento 
causada pelo corte em sua perna. Neste caso, A responderá pelo crime de 
homicídio consumado, pois, o resultado não teria ocorrido sem a ação praticada 
por ele. 
 
CONCAUSA RELATIVAMENTE INDEPENDENTE CONCOMITANTE 
 
Nesta espécie a situação preponderante para a produção do resultado ocorre no 
mesmo momento que a causa concorrente, as duas ações são simultâneas. 
Ex.: A com a intenção de matar B, prepara uma emboscadaperto de sua casa. 
Assim, quando está passando pela rua B é surpreendido por A, que dispara em 
sua direção, em um movimento reflexo A, ao tentar se esquivar do tiro, tropeça 
e cai batendo a cabeça no meio-fio. B morre em virtude do traumatismo 
craniano, gerado pela queda. Neste caso, A responderá pelo crime de homicídio 
consumado, pois, o resultado morte não teria ocorrido sem a ação praticada 
por ele. 
 
CONCAUSA RELATIVAMENTE INDEPENDENTE SUPERVENIENTE 
 
Nesta espécie a situação preponderante para a produção do resultado ocorre 
posteriormente a prática da ação. Previsto no § 1º do art. 13 do Código Penal, esta 
possibilidade, diferente das outras, pode gerar dois resultados distintos, a causa 
efetiva que não por si só e a que por si só produziu o resultado. O primeiro ocorre 
se a causa é plenamente possível, ainda que não prevista. 
Ex.¹: A com a intenção de matar B, atira 5 vezes em sua direção, mas os disparos 
não são suficientes para causar sua morte. B é socorrido e levado ao pronto-
socorro ainda com vida, mas vem a óbito durante a cirurgia, devido a um erro 
médico. Neste caso, embora seja uma causa relativamente independente 
superveniente era plenamente possível, devido as circunstâncias, portanto, A 
responderá pelo homicídio consumado. 
Ex.²: Imagine a mesma situação apresentada no exemplo anterior, mas, neste 
Introdução ao Estudo do Direito Penal | 
Tipicidade 
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caso, a cirurgia de B é perfeitamente realizada, possibilitando que a vítima se 
recupere alguns dias depois, contudo, um dia antes de receber alta, o hospital 
é invadido por um grupo armado que faz diversas vítimas, dentre elas B, que 
acaba morrendo. Considerando esta situação, como é algo atípico e foge das 
normalidades é considerada uma causa relativamente independente 
superveniente que por si só produz o resultado, devendo o agente responder 
por seu dolo e não pelo resultado que se realizou posteriormente. 
 
Assim, conforme destaca Guilherme Nucci (2019) “a causa relativamente 
independente tem força para cortar o nexo causal, fazendo com que o agente 
responda somente pelo que já praticou, desde que se respeitem dois requisitos: a) 
previsibilidade do agente quanto ao resultado mais grave; b) força da causa 
superveniente para provocar, sozinha, o resultado”. Isto é, a regra é que o agente 
responda pelo resultado provocado, exceto, se da situação sobrevier uma causa 
relativamente superveniente que por si só produziu o resultado. 
 
7 Tipicidade 
Assim como vários aspectos no mundo do direito, a tipicidade passou por diversas 
modificações ao longo do tempo e, considerando o entendimento da doutrina 
moderna, a tipicidade pode ser classificada em duas categorias, a tipicidade forma e 
a tipicidade material. Como bem destaca Rogério Sanches (2020) “a tipicidade penal 
deixou de ser mera subsunção do fato à norma, abrigando também juízo de valor, 
consistente na relevância da lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado. É 
somente sob essa ótica que se passa a admitir o princípio da insignificância como 
hipótese de atipicidade (material) da conduta”. 
 
Assim, consideramos que a tipicidade formal é aquela que decorre do princípio da 
legalidade, é através dela que ocorre a adequação típica entre o fato e a norma, ou 
seja, quando a conduta praticada se adequa a norma contida no ordenamento 
jurídico. A tipicidade formal estabelece que todos os fatores somados na conduta, 
devem estar previstos de forma anterior e legalmente no Código, ao passo que, na 
falta de qualquer um desses elementos o fato será atípico e o sujeito será absolvido. 
 
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Conclusão 
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Por outro lado, a tipicidade material, está ligada a reprovação social da conduta 
praticada pelo sujeito. Os princípios da adequação social e o da insignificância afastam 
a tipicidade material da conduta, ou seja, toda vez que a conduta praticada pelo 
sujeito puder aproveitar dos benefícios trazidos pelos princípios da insignificância ou 
da adequação social, a tipicidade material da ação é afastada, logo, a conduta será 
atípica e o sujeito absolvido. 
 
8 Conclusão 
Nesta unidade iniciamos as considerações a respeito da teoria do crime, discorremos 
sobre o conceito de infração penal e as variações decorrentes das teorias material, 
formal e analítica, sendo esta última, juntamente com a teoria finalista do direito penal, 
adotada pelo ordenamento jurídico brasileiro. 
 
De acordo com o pensamento analítico finalista, consideramos o crime como sendo, 
de forma muito sucinta, um fato típico, antijurídico e culpável. No entanto, como 
vimos no decorrer da unidade, esses três elementos se ramificam em diversos outros 
aspectos, dando origem a teoria analítica do crime. 
 
9 Referências Bibliográficas 
BITENCOURT, Cezar Roberto. Parte geral: coleção tratado de direito penal volume 1. 
26 ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2020. 
CUNHA, Rogério Sanches. Manual de direito penal: parte geral (arts. 1° ao 120). 8 ed. 
rev., ampl. e atual. Salvador: JusPODIVM, 2020. 
LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de processo penal: volume único. 8 ed. rev., ampl. 
e atual. Salvador: Ed. JusPodivm, 2020. 
MASSON, Cleber. Direito Penal: parte geral (arts. 1º a 120). 14 ed. Rio de Janeiro: 
Forense; São Paulo: Método, 2020. 
NUCCI. Guilherme de Souza. Curso de Direito Penal: parte geral: arts. 1º a 120 do 
Código Penal. 3 ed. Rio de Janeiro: Forense, 2019. 
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Referências Bibliográficas 
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	Sumário
	1 Introdução
	2 Conceito de infração penal
	2.1 Conceito material
	2.2 Conceito formal
	2.3 Conceito analítico
	3 Classificação doutrinária dos crimes
	3.1 Crimes comuns
	3.2 Crimes próprios
	3.3 Crimes de mão própria
	3.4 Crimes materiais
	3.5 Crimes formais
	3.6 Crimes de mera conduta
	3.7 Crimes instantâneos, instantâneos com efeitos permanentes e permanentes
	3.8 Crimes unissubsistentes e plurissubsistentes
	3.9 Crimes unissubjetivos e plurissubjetivos
	4 Teoria analítica do crime
	5 Fato típico
	5.1 Conduta
	5.1.1 Condutas comissivas e omissivas
	5.1.2 Voluntariedade
	5.1.3 Consciência
	5.1.4 Dolo e culpa
	5.1.4.1 Crime doloso
	5.1.4.2 Crime culposo
	5.1.5 Crimes preterdolosos
	5.1.6 Erro de tipo
	6 Nexo de causalidade
	6.1 Teoria hipotética da eliminação
	7 Tipicidade
	8 Conclusão
	9 Referências Bibliográficas

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