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Introdução ao Estudo do Direito Penal | Introdução www.cenes.com.br | 1 DISCIPLINA INTRODUAÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO PENAL CONTEÚDO Introdução ao Estudo dos Crimes Introdução ao Estudo do Direito Penal | Introdução www.cenes.com.br | 2 A Faculdade Focus se responsabiliza pelos vícios do produto no que concerne à sua edição (apresentação a fim de possibilitar ao consumidor bem manuseá-lo e lê-lo). A instituição, nem os autores, assumem qualquer responsabilidade por eventuais danos ou perdas a pessoa ou bens, decorrentes do uso da presente obra. É proibida a reprodução total ou parcial de qualquer forma ou por qualquer meio, eletrônico ou mecânico, inclusive através de processos xerográficos, fotocópia e gravação, sem permissão por escrito do autor e do editor. 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Diferente do que se imagine crime não é só um fato típico, ilícito e culpável, essa é a forma mais rasa possível de definir o instituto, resumindo um oceano de conteúdo jurídico a uma simples gota d’agua. Esse é o papel da teoria do crime, sintetizar todos esses anos de conhecimento em alguns pontos essenciais, para que possamos compreender toda a estrutura da infração penal. 2 Conceito de infração penal Como falamos anteriormente, o conceito de crime vai muito além do “fato típico, ilícito e culpável”. Como bem destaca Rogério Sanches (2020) “no Brasil, infração penal é gênero, podendo ser dividida em crime (ou delito) e contravenção penal (ou crime anão, delito liliputiano ou crime vagabundo). Adotou-se o sistema dualista ou binário. Essas espécies, no entanto, não guardam entre si distinções de natureza ontológica (do ser), mas apenas axiológica (de valor). Assim, dizemos que no Código Penal brasileiro adotamos uma postura dicotômica, pois, existe uma definição para crime diferente daquela conferida as contravenções penais. Podemos verificar essa diferenciação no art. 1º do Decreto Lei nº 3.914 de 1941 intitulado como a Lei de Introdução ao Código Penal e da Lei das Contravenções Penais, o qual estabelece um conceito para crime e contravenção penal. Art. 1º considera-se crime a infração penal que a lei comina pena de reclusão ou de detenção, quer isoladamente, quer alternativa ou cumulativamente com a pena de multa; contravenção, a infração penal a que a lei comina, isoladamente, pena de prisão simples ou de multa, ou ambas, alternativa ou cumulativamente. Introdução ao Estudo do Direito Penal | Conceito de infração penal www.cenes.com.br | 5Além disso, doutrina moderna, analisa o conceito de crime sob três aspectos distintos, o conceito material, conceito formal e o conceito analítico, da seguinte forma: CONCEITO MATERIAL CONCEITO FORMAL CONCEITO ANALÍTICO Crime é toda violação ou ameaça de lesão à bem jurídico tutelado pelo Estado Crime é toda e qualquer conduta tipificada como ilícita no ordenamento penal Teoria Bipartida: crime é fato típico ilícito + antijurídico. Teoria Tripartida: crime é fato típico + antijurídico + culpável 2.1 Conceito material Para a doutrina, o crime dentro desse conceito é toda violação ou ameaça de lesão à bem jurídico tutelado pelo Estado. Nas palavras de Guilherme Nucci (2019) “o conceito de crime é artificial, ou seja, independe de fatores naturais, constatados por um juízo de percepção sensorial, uma vez que se torna impossível apontar uma conduta, ontologicamente criminosa, noutros termos, inexiste qualquer conduta que se possa dizer que constitua um crime pela própria natureza”. Neste sentido, Cleber Masson (2020) afirma que, considerando o viés material, o conceito de crime parte da premissa que “toda ação ou omissão humana que lesa ou expõe a perigo de lesão bens jurídicos penalmente tutelados. Essa fórmula leva em conta a relevância do mal produzido aos interesses e valores selecionados pelo legislador como merecedores da tutela penal”. Por fim, Rogério Sanches (2020) afirma que “num conceito material, infração penal é comportamento humano causados de relevante e intolerável lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado, passível de sanção penal”. No entanto, embora muito relevante para o estudo do crime, o conceito material quando analisado de forma isolada, sem o auxílio de outros fatores não expressa tanta importância, pois, o crime não se resume a violação de um bem jurídico tutelado pelo Estado, tampouco a existência de uma ameaça ao bem jurídico protegido pelo poder estatal. Introdução ao Estudo do Direito Penal | Conceito de infração penal www.cenes.com.br | 6 2.2 Conceito formal O conceito formal de crime, entende que este é toda e qualquer conduta tipificada no ordenamento penal pátrio com ilícita. Neste aspecto, destaca Rogério Sanches (2020) “sob o enfoque formal, infração penal é aquilo que assim está rotulado em uma norma penal incriminadora, sob ameaça de pena”. Assim, na falta de um artigo no próprio Código Penal definindo o conceito de crime, a Lei de Introdução ao Código Penal caracteriza em seu art. 1º que crime é toda infração penal, cuja lei comina pena de reclusão ou detenção, de forma isolada, alternativa ou cumulativamente com a pena de multa. No entanto, assim como ocorre no conceito material, se analisado de forma isolada o conceito formal é insuficiente. Em consonância, Guilherme Nucci (2019) afirma que “na concepção formal, o crime é exatamente a conduta descrita em lei como tal. Para isso, utiliza-se o critério de existência de um tipo penal incriminador. Existindo, há o delito em tese. Se alguém praticar a conduta prevista no tipo incriminador, ocorre a perfeita adequação entre o modelo de conduta proibida (previsto em lei na forma abstrata) e a conduta real, determinativa do resultado no mundo naturalístico”. O autor destaca ainda que, é plenamente possível e capaz de acontecer um desequilíbrio entre o crime material e o delito formal, à medida que, em determinadas situações, o direito pode não punir algumas condutas que a sociedade considera como reprovável, a sociedade pode não “tratar como crime”, algumas situações tipificadas pelo ordenamento jurídico. O conceito formal, por si só, não versa sobre a tentativa, sobre a legítima defesa, e tampouco estabelece algum requisito ou procedimento distinto para crime, ele simplesmente tipifica no ordenamento jurídico uma conduta como sendo criminosa. Ora, o conceito formal é totalmente válido quando utilizado para tratar sobre a tipicidade da conduta praticada, mas, o crime não é composto unicamente por esse elemento, trata-se da junção de diversos aspectos. 2.3 Conceito analítico Diante da insuficiência dos conceitos material e formal na definição da conduta Introdução ao Estudo do Direito Penal | Conceito de infração penal www.cenes.com.br | 7 criminosa, faz-se necessário apresentar uma terceira corrente, o conceito analítico de crime. Essa nova definição é amplamente aceita na doutrina e diferente dos outros vieses, analisa o crime sobre diversos aspectos estruturais. O pensamento analítico surge através dos estudos do jurista Giovanni Carmignani em 1833, embora existam vestígios dessa corrente antes disso, nos estudos de Tibério Deciano em 1551 e de Bohemero em 1732. “Essa construção levou ao sistema bipartido do conceito clássico de crime, dividido em aspectos objetivo e subjetivo, que perdurou até o surgimento do conhecido sistema clássico Liszt-Beling” (BITENCOURT, 2020). O sistema clássico, sustentado na teoria bipartida, entende o crime como sendo todo fato típico ilícito ou antijurídico. No entanto, foi só em 1906, com as pesquisas desenvolvidas por Beling que o estudo analítico foi complementado com a inserção de um terceiro elemento, a tipicidade. É neste momento que surge a teoria tripartida do crime, amplamente aceita pela doutrina finalista, essa corrente considera como crime todo fato típico, antijurídico e culpável. De acordo com Guilherme Nucci (2019) para a teoria finalista “tem-se o crime como uma conduta típica, ilícita e culpável, vale dizer, uma ação ou omissão ajustada a um modelo legal de conduta proibida (tipicidade, onde estão contidos os elementos subjetivos dolo e culpa), contrária ao direito (antijuridicidade) e sujeita a um juízo de reprovação social incidente sobre o fato e seu autor, desde que existam imputabilidade, consciência potencial de ilicitude e exigibilidade e possibilidade de agir conforme o direito (culpabilidade)”. Introdução ao Estudo do Direito Penal | Classificação doutrinária dos crimes www.cenes.com.br | 8 Por obvio, os elementos fato típico, antijurídico e culpável não se resumem a breves explicações, cada elemento se desdobra em diversos aspectos e, para caracterizar determinada conduta como criminosa, todos os aspectos relacionados devem estar presentes na ação, caso contrário a conduta estará revestida de alguma causa excludente de tipicidade, ilicitude ou culpabilidade. No decorrer da unidade, veremos melhor cada um desses elementos. 3 Classificação doutrinária dos crimes No entanto, antes de esmiuçarmos essa teoria, gostaria de chamar a sua atenção para um tema que desdobra do conceito analítico de crime, que é a sua classificação legal e doutrinária, ou seja, como o crime está disposto no ordenamento jurídico atual, classificado como crimes contra a vida, contra a dignidade sexual e contra a honra, por exemplo, e como a doutrina classifica a conduta. Nas palavras de Guilherme Nucci (2019) “a classificação dos crimes possui o objetivo de apontar, por conta de um método, como alguns crimes se agrupam em certas pastas, com as mesmas características, daí resultando uma solução prática para o operador do direito”. Assim, conforme destaca, Rogério Sanches (2020) “a classificação doutrinária é aquela atribuída pelos estudiosos tendo em consideração as características das infrações penais. Ao contrário do que recai sobre infração específica, determinada rotulação doutrinária abarca diversas infrações”. Teoria bipartida Crime Fato típico Ilícito ou antijurídico Teoria tripartida Crime Fato típico Antijurídico Culpavel Introdução ao Estudo do Direito Penal | Classificação doutrinária dos crimes www.cenes.com.br | 9 Contudo, a doutrina enumera diversas categorias para enquadrar as figuras típicas, cada autor relaciona em suas obras aquelas que consideraessencial, pois, é praticamente impossível abordar todas as espécies. Nesta unidade faremos exatamente a mesma coisa, em que pese existam diversas classificações, trataremos apenas das principais. 3.1 Crimes comuns Os crimes comuns são aqueles praticados por qualquer pessoa, eles não exigem nenhuma condição especial do sujeito ativo. Nas palavras de Rogério Sanches (2020) “crime comum é aquele que pode ser praticado por qualquer pessoa, isto é, em que a lei não exige qualidade especial do sujeito ativo”. Assim, podemos citar como um exemplo de crime comum o homicídio, não se exige nenhuma condição especial do sujeito ativo, qualquer pessoa pode matar outra. Inclusive, no caso do homicídio existe uma situação especial, pois, ao mesmo tempo que qualquer pessoa pode cometer o crime, qualquer um pode ser vítima do homicídio, esse fenômeno é chamado de bicomum, cujos sujeitos ativo e passivo podem ser qualquer pessoa. 3.2 Crimes próprios Já os crimes próprios, dentro da classificação doutrinária, são aqueles em que se exige uma pessoa específica colocada no tipo penal para poder praticar o crime. De acordo com Rogério Sanches (2020) “no crime próprio, o tipo penal exige que o agente ostente certas características. Como exemplos, temos os crimes funcionais, como peculato e corrupção passiva, que só podem ser praticados por funcionários públicos no exercício de suas funções; o infanticídio, que somente a mãe pode praticar etc.”. No entanto, o crime de infanticídio ostenta uma condição especial, o crime, assim como ocorre no homicídio, recebe uma classificação diferente. Além de exigir uma condição especial do sujeito ativo, o crime de infanticídio exige uma condição especial da vítima, ou seja, é considerado um crime bipróprio, pois, tanto o sujeito ativo quanto o sujeito passivo devem ostentar determinadas características. Disposto no art. 123 Introdução ao Estudo do Direito Penal | Classificação doutrinária dos crimes www.cenes.com.br | 10 do Código Penal, só poderá incorrer na prática do crime de infanticídio a mãe que a age sob a influência do estado puerperal e mata o próprio filho recém-nascido, durante o parto ou logo após. Neste caso, os sujeitos ativos e passivo devem, necessariamente, ser a mãe puérpera e o filho recém-nascido. Seguindo esse mesmo raciocínio, o crime de peculato é outro exemplo de crime próprio, pois, para que seja classificado como tal, a conduta deve ser praticada por um funcionário público. Contudo, neste caso, existe uma peculiaridade quanto ao concurso de pessoas, em regra, o crime é próprio e deve ser praticado por uma pessoa na condição de funcionário público, porém, excepcionalmente, admite o concurso de pessoas, desde que a qualidade de funcionário público, elementar do tipo, seja de conhecimento do particular coautor ou partícipe, nos termos do art. 30 do Código Penal. Art. 30 - Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo quando elementares do crime. 3.3 Crimes de mão própria Ainda no que tange à classificação do sujeito ativo, os crimes também podem ser de mão própria, classificação esta que requer, não uma pessoa específica, mas sim, uma que seja imprescindível para a prática delitiva. Isto é, além de exigir uma condição especial do sujeito ativo, os tipos penais classificados como de mão própria exigem que a pessoa qualificada pratique o núcleo da figura delitiva. Nas palavras de Guilherme Nucci (2019) “no universo dos crimes próprios encontram- se, ainda, os crimes de mão própria, que exigem sujeito ativo qualificado, devendo este cometer direta e pessoalmente a conduta típica”. Assim, é possível considerar Introdução ao Estudo do Direito Penal | Classificação doutrinária dos crimes www.cenes.com.br | 11 como um exemplo de crime de mão própria o falso testemunho ou falsa perícia (art. 342, CP), que só pode ser praticado pela testemunha que, ao se apresentar perante o magistrado, falta com a verdade nas suas declarações. Nesses crimes, com relação ao concurso de agentes, a doutrina não é pacífica, há quem diga que os crimes de mão própria não admitem coautoria e nem participação, dado que a conduta típica deve ser realizada por um agente que possua as características específicas para tanto. Por outro lado, doutrinadores como Rogério Sanches e Guilherme Nucci, os quais defendem que, embora a conduta tenha que ser praticada por um agente específico, é possível que um terceiro instigue ou induza essa pessoa qualificada a cometer o ato criminoso, ao passo que esse terceiro responderia como partícipe. Desta forma, os crimes de mão própria admitem “apenas a participação, refutando a coautoria porque, se apenas o agente referido no tipo penal pode cometê-lo, torna-se possível, no âmbito do concurso de agentes, apenas que alguém instigue, induza ou auxilie outrem a fazê-lo, não que o faça em conjunto” (CUNHA, 2020). 3.4 Crimes materiais São aqueles cuja conduta tipificada exige um resultado naturalístico, o delito só se consuma com a produção de um resultado que modifique o mundo exterior, a ação e a consumação do crime ocorrem em momentos diferentes. De acordo com Bitencourt (2020) “O crime material ou de resultado descreve a conduta cujo resultado integra o próprio tipo penal, isto é, para a sua consumação é indispensável a produção de um resultado separado do comportamento que o precede. O fato típico se compõe da conduta humana e da modificação do mundo exterior por ela operada”. Assim, podemos entender por resultado naturalístico o efeito que se apresenta quando a ação produzida pelo sujeito se manifesta no mundo jurídico. Um exemplo prático para facilitar o entendimento é a previsão do crime de homicídio no Código Penal, o crime só se consuma com a morte da pessoa. O objeto jurídico do tipo penal é a vida do ser humano e quando o objeto é lesionado ocorre o crime, neste caso, o resultado naturalístico se produz com a morte da vítima, a lesão ao bem jurídico é externalizada através do resultado morte. Introdução ao Estudo do Direito Penal | Classificação doutrinária dos crimes www.cenes.com.br | 12 3.5 Crimes formais São aqueles que compreendem ação ou omissão e resultado naturalístico colocado no tipo. Isso quer dizer que não compreendem o resultado naturalístico em si, e, embora se faça presente, não é uma exigência. Nas palavras de Rogério Sanches (2020) “no crime formal (ou de consumação antecipada), o resultado naturalístico é previsto, mas é dispensável, pois a consumação ocorre com a conduta. O resultado jurídico consumação do delito ocorre em concomitância com o comportamento do agente”. Contudo, não confunda consumação com exaurimento da conduta, por exemplo, no caso da extorsão mediante sequestro (art. 159, CP), o crime se consuma quando o agente realiza a ameaça e restringe a liberdade da vítima, a obtenção da vantagem é um mero exaurimento do tipo penal, ou seja, o agente responderá pelo crime na modalidade consumada independente de receber ou não a vantagem exigida. Outro exemplo, é o crime de assédio sexual que, para se consumar não é necessário obter a vantagem ou o favorecimento sexual exigido, basta que a vítima seja constrangida, a obtenção do resultado pretendido é mero exaurimento da conduta. 3.6 Crimes de mera conduta Os crimes de mera conduta são aqueles que se consumam com a simples prática da ação, os tipos penais não exigem a produção de qualquer resultado naturalístico. Seguindo o entendimento de Rogério Sanches (2020) “o crime de mera conduta, por sua vez, é aquele que apenas descreve a conduta delituosa, sem mencionar qualquer resultado naturalístico, que, obviamente, é dispensável. Pune-se o agente pela simples atividade, como, por exemplo, no porte ilegal de arma e na violação de domicílio”. Muitas vezes os crimes formais são confundidoscom os de mera conduta, pois, uma parcela na doutrina considera seus conceitos semelhantes. No entanto, a diferença primordial, se não uma das únicas, é com relação ao resultado naturalístico. No crime formal o resultado naturalístico é previsto pelo tipo penal, mas, por uma faculdade do legislador a consumação é antecipada, de modo que a produção do resultado é o mero exaurimento da conduta. Já, nos crimes de mera conduta, o resultado naturalístico é imprevisto e sequer cogitado no tipo penal, logo, assim como no Introdução ao Estudo do Direito Penal | Classificação doutrinária dos crimes www.cenes.com.br | 13 primeiro, a consumação ocorre com a simples prática da conduta. Assim, para contextualizar a situação descrita acima, podemos citar como exemplo o crime de ato obsceno, tipificado no art. 233 do Código Penal, com a seguinte descrição: é crime “praticar ato obsceno em lugar público, ou aberto ou exposto ao público”. Note que, para incorrer no delito não é necessário que o sujeito pratique ato obsceno em lugar público, ou aberto ou exposto ao público para satisfazer a lascívia, não há a previsão de qualquer resultado naturalístico e a simples prática da conduta é suficiente para ensejar a punição do indivíduo. 3.7 Crimes instantâneos, instantâneos com efeitos permanentes e permanentes Com relação a classificação dos crimes em virtude do momento em que se consumam, estes podem ser divididos em instantâneos, instantâneos com efeitos permanentes e crimes permanentes. Os crimes instantâneos são aqueles que se esgotam com a ocorrência do resultado, eles não se prolongam no tempo. Como destaca Bitencourt (2020), a instantaneidade do crime não está associada com a rapidez que o crime for cometido, mas sim que “uma vez realizados os seus elementos nada mais se poderá fazer para impedir sua ocorrência”. Além disso, no caso de o agente continuar se beneficiando por um tempo com o resultado obtido na conduta, não altera a classificação do crime. Em contrapartida, nos crimes instantâneos com efeitos permanentes, a consumação ocorre em um determinado momento, mas os efeitos da consumação continuam existindo ao longo do tempo, como é o caso do crime de bigamia, ao contrair um novo matrimonio o indivíduo casado incorre na prática da conduta delituosa, o ato se consuma na celebração do casamento, com o consentimento formal dos nubentes, mas, o crime continua produzindo efeitos enquanto o sujeito permanecer casado com duas ou mais pessoas, por isso instantâneo com efeitos permanentes. Por fim, consideram-se crimes permanentes aqueles cuja consumação se prolonga no tempo, veja que não são apenas os efeitos que são permanentes como na espécie Introdução ao Estudo do Direito Penal | Classificação doutrinária dos crimes www.cenes.com.br | 14 anterior, neste caso a própria consumação perdura pelo tempo que o agente pratica a conduta. Nas palavras de Rogério Sanches (2020), “crime permanente é aquele em que a execução se protrai no tempo por determinação do sujeito ativo. É a modalidade de crime em que a ofensa ao bem jurídico se dá de maneira constante e cessa de acordo com a vontade do agente”. É possível citar como um exemplo de crime permanente o sequestro e cárcere privado (art. 148, CP), que se consuma quando a vítima tem sua liberdade cerceada e permanece nesse estado até que ela tenha sua liberdade devolvida. 3.8 Crimes unissubsistentes e plurissubsistentes Com relação à quantidade de condutas dentro da manobra criminal, os crimes podem ser classificados como unissubsistente ou plurissubsistente. Nos crimes unissubsistentes a conduta criminosa se perfaz com um único ato, ou seja, não admitem a tentativa, é o caso do crime de ameaça ou dos crimes contra a honra. Por outro lado, os crimes plurissubsistentes envolvem vários atos, que serão reunidos para que se possa então falar na prática delitiva, um exemplo de crime plurissubsistente é o homicídio, que pode ser fracionado em diversos atos, exigindo que todos sejam realizados para que o tipo penal se consume. 3.9 Crimes unissubjetivos e plurissubjetivos Esta classificação diz respeito à quantidade de pessoas que participam na manobra criminosa. Com relação à quantidade de agentes, os crimes são classificados em unissubjetivos e plurissubjetivos. Os crimes unissubjetivos, também chamados de crimes de concurso eventual, são aqueles em que o agente pode ou não se juntar com outras pessoas para a prática do crime, é a regra que vige no ordenamento jurídico atualmente (ex.: homicídio). Em contrapartida, os crimes plurissubjetivos, são aqueles de concurso obrigatório, o tipo penal exige, para a sua configuração, a participação de um determinado número de pessoas. É possível citar como um exemplo dessa classificação os crimes de rixa, associação criminosa e rixa. Introdução ao Estudo do Direito Penal | Teoria analítica do crime www.cenes.com.br | 15 4 Teoria analítica do crime Retomando nossos estudos a respeito da teoria analítica e seus elementos no estudo da conduta criminosa. Verificamos que a teoria analítica do crime se subdivide em outras duas espécies: a teoria bipartida, que considera o crime como sendo um fato típico e antijurídico; teoria tripartida, que define a conduta criminosa como um fato típico, antijurídico e culpável. No primeiro caso, a culpabilidade existe tão-somente para que se possa verificar se são preenchidos os pressupostos para aplicação da pena. Lembrando que todo o fato típico é antijurídico, exceto se, de alguma forma, for autorizado pelas normas penais permissivas. Assim, seguindo a teoria finalista, posição adotada pelo ordenamento jurídico atual, que considera o crime fato típico, antijurídico e culpável. Isto é, se determinado fato é considerado típico e antijurídico, considere-o como crime cometido, no entanto, se o sujeito age abarcado por uma causa excludente dessa ilicitude, ele é absolvido e a • Comuns • Prórpios • De mão Própria Sujeito • Materiais • Formais • De mera conduta Consumação • Instantâneos • Instantâneos c/ efeitos permanentes • Permanentes Momento • Plurissubsistentes • Unissubsistentes Quantidade de Condutas • Unissubjetivos • Plurissubjetivos Quantidade de Agentes Introdução ao Estudo do Direito Penal | Fato típico www.cenes.com.br | 16 conduta não será considerada criminosa, portanto, para que um fato seja considerado típico é necessário que alguns elementos estejam presentes: Conduta Nexo de causalidade Resultado jurídico (e naturalístico nos crimes materiais) Tipicidade Além disso, no caso da culpabilidade se o sujeito, embora tenha um comportamento típico, será isento de pena. Imputabilidade Potencial consciência da ilicitude Exigibilidade de conduta 5 Fato típico O fato típico diz respeito ao modelo de conduta descrito como criminoso em um tipo penal. De acordo com Rogério Sanches (2020) o elemento do fato típico “pode ser conceituado como ação ou omissão humana, antissocial que, norteada pelo princípio da intervenção mínima, consiste numa conduta produtora de um resultado que se Fato típico Conduta Nexo causal Resultado Tipicidade Antijurídico Excludente Culpável Imputável Potencial consciencia de ilicitude Exigibilidade de conduta Introdução ao Estudo do Direito Penal | Fato típico www.cenes.com.br | 17 subsume ao modelo de conduta proibida pelo Direito Penal, seja crime ou contravenção penal. Do seu conceito extraímos seus elementos: conduta, nexo causal, resultado e tipicidade”. 5.1 Conduta Para explicar a conduta nós adotamos a teoria finalista de Hans Welzel, que afirma ser conduta toda ação ou omissão humana voluntária e consciente, dolosa ou culposa, objetivando um fim. No mesmo sentido, Guilherme Nucci (2019) defende que o conceito de conduta, seguindo o prisma finalista, “condutaé a ação ou omissão, voluntária e consciente, implicando um comando de movimentação ou inércia do corpo humano, voltado a uma finalidade”. Até existem outras teorias que tratam sobre o conceito de conduta na ação criminosa, como as teorias: a) causalista: considera a ação típica um processo interno da vontade, é o meio pelo qual o indivíduo manifesta suas intenções; b) social: define a conduta como sendo um comportamento voluntário, consciente e socialmente relevante; c) funcional: onde a conduta representa uma manifestação da personalidade do agente; d) significativa: que considera a conduta como sendo uma expressão simbólica da atividade humana. No entanto, abordaremos nesta unidade apenas o modelo finalista, adotado pelo direito brasileiro. 5.1.1 Condutas comissivas e omissivas Analisando o conceito de conduta na prática criminosa, verificamos que o comportamento humano pressupõe uma ação ou uma omissão, no direito, essas práticas também recebem os nomes de conduta comissiva ou omissiva, respectivamente. Os crimes tidos como comissivos, são a maioria no nosso Fato Típico Conduta Nexo causal Resultado Tipicidade Introdução ao Estudo do Direito Penal | Fato típico www.cenes.com.br | 18 ordenamento jurídico e exigem um comportamento ativo do sujeito, um fazer algo. É o que ocorre no crime de homicídio, por exemplo, exige-se que o sujeito ativo haja com o intuito de matar a vítima, que ele mantenha um comportamento positivo, materializando sua vontade e produzindo um resultado. Existem também as condutas chamadas de omissivas, que ao contrário da comissiva, presumem um comportamento negativo, ou seja, um “não fazer” do agente. As condutas omissivas podem ser classificadas em duas espécies, as omissivas próprias e as omissivas impróprias. As condutas omissivas próprias são aquelas descritas nos tipos penais, tipificados expressamente em lei. Conforme destaca Bitencourt (2020) “os crimes omissivos próprios ou puros, enfatizando, consistem numa desobediência a uma norma mandamental, norma esta que determina a prática de uma conduta, que não é realizada. Há, portanto, a omissão de um dever de agir imposto normativamente, quando possível cumpri-lo, sem risco pessoal”. Para que esses crimes se consumem basta que o sujeito se mantenha inerte e deixe de agir como a lei determina. Por outro lado, as condutas omissivas impróprias, também conhecidas como comissivas por omissão, são aquelas que resultam da situação descrita no art. 13, § 2º do CP, o qual estabelece que a omissão deverá ser fator de preocupação quando o sujeito devia e podia agir para evitar o resultado, mas não o fez. Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido. Introdução ao Estudo do Direito Penal | Fato típico www.cenes.com.br | 19 [...]§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem: a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado; c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado. Nas palavras de Bitencourt (2019) nos crimes comissivos por omissão “o agente não tem simplesmente a obrigação de agir, mas a obrigação de agir para evitar um resultado, isto é, deve agir com a finalidade de impedir a ocorrência de determinado evento”. Neste caso, o tipo penal responsabiliza aquele sujeito que tinha o dever se agir ou que, de qualquer modo, assumiu o risco de evitar determinado resultado, mas se mantem inerte, é a figura do garantidor. Assim, as pessoas que assumem a posição de garantidor, nos termos do § 2º do art. 13, e não agem de forma positiva diante de uma ação que poderia ter evitado, serão punidos com o tipo penal correspondente ao resultado que deveria ser evitado, a título de dolo ou culpa, a depender do caso. A título de exemplo, imagine a seguinte situação: o bombeiro que vê uma pessoa se afogando e não fez nada a respeito ou um médico que vê uma pessoa infartando e não age, serão responsabilizados pelo resultado causado a vítima a título de dolo ou culpa, dependendo do caso em concreto, pois, mesmo que não tenha influenciado diretamente na morte da vítima, tinha o dever legal de prestar socorro. 5.1.2 Voluntariedade A conduta criminosa deve partir de um comportamento humano voluntário, o sujeito deve praticar a ação de forma livre e consciente. “Se o comportamento praticado, ainda que previsto em um tipo penal, não for precedido da vontade do seu agente, não haverá conduta, e, consequentemente, desfigurado estará o fato típico (substrato do crime), faltando seu primeiro elemento” (CUNHA, 2020). Assim, entendemos por conduta voluntária aquela que não apresenta mácula física, Introdução ao Estudo do Direito Penal | Fato típico www.cenes.com.br | 20 que o indivíduo age por livre e espontânea vontade, sem a influência de terceiros. Por exemplo, um sujeito com a intenção de tirar a vida de outro, força um outro indivíduo que está passando ao seu lado no momento exato e faz com que esse terceiro segure a arma e acione o gatilho em seu lugar, matando seu desafeto. A situação apresentada é absurdamente exagerada, mas serve para mostrar a diferença entre uma conduta voluntária e uma conduta maculada, o terceiro forçado a atirar não agiu voluntariamente, foi coagido. 5.1.3 Consciência A conduta para configurar um fato típico, além de voluntária deve ser consciente. Todavia, existem situações que a consciência será afastada da conduta, como ocorre, por exemplo, em situações de sonambulismo. A ação realizada pelo sonâmbulo, embora esteja presente a voluntariedade, carece de consciência, o sujeito faz algo porque quer, mas sem a menor intenção. Outra situação, que pode afastar a consciência do indivíduo na prática da conduta criminosa, é quando, influenciado por um terceiro, consciente da prática ilícita, o agente pratica algo que pensa ser lícito e acaba cometendo um crime. Para contextualizar, imagine a seguinte situação: um padeiro com o intuito de tirar a vida de seu desafeto, prepara um bolo recheado com uma substância tóxica que, se manipulada na quantidade adequada pode causar a morte de uma pessoa, e pede para que um entregador leve o doce até a casa de seu desafeto. O entregador, desconhecendo o conteúdo da embalagem e sem saber que a encomenda causaria a morte de uma pessoa, entrega o pedido para o desafeto do padeiro, que vem a óbito logo depois de ingerir o bolo. Note que, o entregador, embora tenha agido de forma voluntária na entrega do pedido, não tinha consciência de que o conteúdo da embalagem poderia causar a morte do destinatário. Introdução ao Estudo do Direito Penal | Fato típico www.cenes.com.br | 21 5.1.4 Dolo e culpa Retomando o conceito de conduta, verificamos que será considerada válida para a prática de uma ação delituosa, toda ação ou omissão humana voluntária e consciente, dolosa ou culposa que objetivando um fim específico. Assim, além dos elementos que trabalhamos a pouco, a ação criminosa deve ser praticada com dolo ou, ao menos, com culpa do agente infrator. Diz o art. 18 do Código Penal em seus incisos I e II que, o crime será doloso quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo e, será culposo quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia. Na sequência veremos melhor cada um desses elementos. 5.1.4.1 Crime doloso O dolo é a vontade livre e desembaraçada da prática delitiva que precede o resultado. Nas palavras de Rogério Sanches (2020) “dolo, portanto, pode ser conceituado como a vontade consciente dirigida a realizar (ou aceitar realizar)a conduta prevista no tipo penal incriminador”. O autor destaca ainda que, “majoritariamente, rotula-se o dolo como um componente subjetivo implícito da conduta, pertencente ao fato típico, formado por dois elementos: o volitivo, isto é, a vontade de praticar a conduta descrita na norma, representado pelos verbos querer e aceitar; e o intelectivo, traduzido na consciência da conduta e do resultado”. Em consonância, Guilherme Nucci (2019) afirma que “no Brasil, o dolo direto envolve tanto o dolo de primeiro quanto o de segundo grau, construindo-se, portanto, duas categorias apenas: dolo direto e dolo eventual”. Isto é, quando determinada pessoa tem a intenção de praticar um crime e assim o faz, o dolo existente na conduta é direto, já, quando o sujeito não pretende o resultado, mas prevê que de alguma forma ele possa acontecer e mesmo assim insiste na ação, o dolo existente na conduta é o eventual. A primeira situação é extremamente fácil de identificar na prática, o problema é com relação ao dolo eventual que, diante de um caso concreto é facilmente confundido com a culpa consciente, vez que são constituídos de elementos próximos. Introdução ao Estudo do Direito Penal | Fato típico www.cenes.com.br | 22 No dolo eventual, o sujeito prevê que o resultado possa ocorrer, o que de fato não quer, mas assume o risco de produzi-lo se eventualmente venha a acontecer, ele não cessa a conduta, pois não se preocupa com a ocorrência do resultado. Como descrito por Rogério Sanches (2020) no dolo eventual “o agente também prevê pluralidade de resultados, dirigindo sua conduta para realizar um determinado evento, mas assumindo o risco de provocar outro (ex: quero ferir, mas aceito matar). O agente não quer o resultado mais grave, mas assume o risco de produzi-lo”. Diferente do que ocorre na culpa consciente, que durante a ação o agente prevê o resultado, mas acredita que será capaz de evitá-lo e não assume o risco de produzi-lo como no dolo eventual. 5.1.4.2 Crime culposo Conforme dispõe o inciso II do art. 18 do Código Penal, o crime culposo é aquele praticado quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia. Diferente do crime doloso que é regra no ordenamento jurídico brasileiro, o sujeito só será responsabilizado pela culpa quando previsto em lei. De acordo com Rogério Sanches (2020) o crime culposo pode ser definido como uma “conduta voluntária que realiza um evento ilícito não querido ou aceito pelo agente, mas que lhe era previsível (culpa inconsciente) ou excepcionalmente previsto (culpa consciente) e que podia ser evitado se empregada a cautela esperada”. O ato culposo será baseado em três elementos distintos, a imprudência, a negligência e a imperícia. No contexto aqui explorado, essas qualidades remetem a situações em que o sujeito age de modo distinto daquilo que seria o adequado, ou seja, quando o indivíduo: deixa de agir com a cautela que é esperada (NEGLIGÊNCIA); age sem a cautela esperada (IMPRUDÊNCIA); age sem ter a devida capacidade técnica e sem ter intenção, consuma o resultado (IMPERÍCIA). Assim, a forma mais comum do crime culposo é a culpa inconsciente que, além de envolver uma conduta involuntária, apresentar um resultado naturalíssimo, mantem o nexo causal entre a conduta e o resultado, o sujeito não é capaz de prever o resultado. Contudo, também é possível que o crime culposo se realize através da culpa consciente, o agente infrator durante a ação até prevê que algo possa sair diferente daquilo que planeja, mas acredita ser capaz de evitar o resultado indesejado, o sujeito Introdução ao Estudo do Direito Penal | Fato típico www.cenes.com.br | 23 não assume o risco das eventuais consequências que poderá causar, ele crê fielmente que poderá evitar a situação, diferente do que ocorre no dolo eventual. Por fim, é necessário fazermos uma ressalva quanto a culpa exclusiva da vítima, o acusado não será penalizado, pois, trata-se de uma circunstância que rompe o nexo causal entre o agente e o resultado. 5.1.5 Crimes preterdolosos Para encerrarmos essa questão de culpa e dolo, nos resta falar sobre os crimes preterdolosos, cuja ação é realizada com dolo no antecedente e culpa no consequente. Como bem destaca Rogério Sanches (2020) “diz-se preterdoloso o crime praticado com dolo em relação ao fato antecedente e culpa no que tange ao resultado agravante, como ocorre na lesão corporal seguida de morte, em que a intenção inicial do agente era a de tão somente atingir a integridade física da vítima, mas, por inobservância das cautelas necessárias, termina por causar a morte”. Neste caso, o sujeito tem o dolo de realizar a ação inicial, mas não prevê um resultado mais gravoso, por exemplo, um sujeito que deseja quebrar a vidraça de uma loja e ao arremessar uma pedra acaba quebrando o vidro e atingindo um idoso que estava sentado em uma poltrona próximo da janela. Note, a intenção inicial do indivíduo era de apenas de quebrar a vidraça, causar um dano, mas além disso, acabou lesionando uma pessoa que estava próxima a janela, causando-lhe lesões corporais. 5.1.6 Erro de tipo Para a teoria finalista considera-se conduta “toda ação ou omissão humana voluntária e consciente, dolosa ou culposa que objetivando um fim específico”. No entanto, ainda que a conduta seja voluntária e consciência, dotada de dolo ou culpa, movida a um fim específico, o sujeito pode estar agindo em erro. O erro de tipo está previsto no art. 20 do Código Penal e, é configurado quando o sujeito age baseado em uma falsa percepção da realidade. Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei. Introdução ao Estudo do Direito Penal | Fato típico www.cenes.com.br | 24 O erro de tipo pode ser classificado em essencial e acidental. De acordo com Rogério Sanches (2020) “no essencial, o erro recai sobre os dados principais do tipo penal, enquanto que no acidental, recai sobre dados secundários. No primeiro, se avisado do erro, o agente para de agir criminosamente; no segundo, o agente corrige os caminhos ou sentido da conduta e continua agindo de forma ilícita”. Além disso, o erro de tipo essencial pode ser dividido em evitável/ inescusável/ vencível e, em inevitável/ invencível/ escusável. Na primeira situação, o erro exclui o dolo, dado que a conduta não é revestida de consciência, mas se mantém a culpa, desde que haja previsão legal, pois, se tivesse uma postura mais cautelosa poderia ter evitado o resultado produzido. Por outro lado, no erro inevitável, a conduta praticada pelo sujeito afasta tanto o dolo quanto a culpa, pois, embora tenha produzido um resultado típico, o sujeito não tem plena consciência da situação – é movido por uma falsa percepção da realidade – e, tampouco previsibilidade do resultado. Diante do erro evitável, a conduta será considerada atípica. Agora, enquanto no erro essencial, a conduta equivocada recai sobre um dos elementos constitutivos do ato, um elemento essencial para a prática delitiva. Já, no erro acidental, os elementos são periféricos, o equívoco recai sobre outros elementos, dado que o indivíduo tinha a intenção de realizar a conduta ilícita, mas erra quanto ao objeto, quanto ao nexo causal, quanto á pessoa, quanto á execução ou, durante a ação o resultado é diverso do pretendido. → ERRO QUANTO AO OBJETO: essa espécie não tem previsão legal, mas é amplamente discutido pela doutrina. Ocorre quando o indivíduo age em erro quanto ao objeto sob o qual recai a conduta criminosa. Nesta situação, o agente responderá pelo objeto efetivamente atingido e não por aquele pretendido. Ex.: um sujeito furta um anel pensando ser de diamantes, mas, na realidade, eram imitações baratas. → ERRO QUANDO AO NEXO CAUSAL: assim como a anterior, oerro sobre o nexo causal não tem previsão legal, sendo abordado apenas pela doutrina. Essa espécie de erro é configurada quando o agente alcança o resultado desejado, mas com um nexo diferente daquele inicialmente proposto. Neste caso o indivíduo responde apenas pela conduta inicialmente pretendida, embora tenha se realizado de forma diversa. Introdução ao Estudo do Direito Penal | Fato típico www.cenes.com.br | 25 Ex.: o sujeito A, com a intenção de matar seu desafeto B envenenado, coloca substâncias tóxicas em seu café causando uma grave convulsão. A, acreditando que o corpo de B já está sem vida, enterra-o no quintal de sua casa, contudo, posteriormente, verifica-se que B não morreu em virtude da substância empregada, mas sim por asfixia. → ERRO QUANTO A PESSOA: encontra previsão no § 3º do art. 20 do Código Penal e, é ocorre quando a conduta criminosa recai sobre pessoa diversa daquela pretendida. Nesse caso, o sujeito responde pela chamada vítima virtual, aquela inicialmente visada. Ex.: o indivíduo A, com a intenção de tirar a vida de sua esposa, pega uma arma e dispara 5 vezes contra a pessoa deitada na cama do quarto do casal, acreditando ser sua mulher. No entanto, quando acende a luz do cômodo, percebe que a pessoa deitada na cama era na realidade seu filho de 5 anos. Neste caso, embora A tenha matado seu filho, responderá como se tivesse cometido o crime contra sua esposa (vítima virtual). → ERRO QUANTO A EXECUÇÃO: também conhecido como aberratio ictus é o erro cometido na execução da conduta, por acidente ou erro no uso dos meios empregados na ação, está disciplinado no art. 73 do Código Penal. Assim como ocorre no erro quanto a pessoa, o indivíduo responde pela vítima inicialmente pretendida (vítima virtual) e não por aquela efetivamente lesionada. Ex.: o sujeito A, com a intenção de tirar a vida de sua esposa, pega uma arma e dispara na sua direção, mas por não saber manusear a arma utilizada acaba atingindo seu filho que estava próximo. → RESULTADO DIVERSO DO PRETENDIDO: também chamado de aberratio criminis, ocorre quando o sujeito, por erro no uso dos meios de execução, atinge um bem jurídico distinto daquele inicialmente pretendido. Neste caso, o agente responde pelo resultado produzido a título de culpa, se previsto, e não por aquele pretendido, exceto se a conduta inicialmente visada, for mais grave do que o resultado produzido. Além disso, se o sujeito, por um erro na execução atinge o resultado pretendido e outro, responderá pelos dois resultados, em concurso formal de crimes. Ex.: com a intenção de quebrar a vidraça de uma loja, A joga uma pedra na direção da vitrine, mas, por erro acaba atingindo uma pessoa que passava na calçada. Introdução ao Estudo do Direito Penal | Nexo de causalidade www.cenes.com.br | 26 6 Nexo de causalidade O nexo de causalidade nada mais é do que o vínculo que liga a conduta praticada ao resultado obtido, é o elo que liga a conduta ao resultado. Nas palavras de Guilherme Nucci (2019), o nexo causal “é o vínculo estabelecido entre a conduta do agente e o resultado por ele gerado, com relevância para formar o fato típico. Portanto, a relação de causalidade tem reflexos diretos, em nosso entender, na tipicidade”. O nexo de causalidade tem o intuito de imputar a determinada pessoa o resultado, que tenha dado causa na prática ação delitiva, conforme dispõe o art. 13 do Código Penal e não a pessoa diversa. O nexo causal é uma espécie de cola que liga a conduta ao sujeito e ao resultado efetivamente produzido. Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido. Superveniência de causa independente § 1º - A superveniência de causa relativamente independente exclui a imputação quando, por si só, produziu o resultado; os fatos anteriores, entretanto, ERRO DE TIPO (ART. 20 CP) - ELEMENTO CONSTITUTIVO DO TIPO Essencial (imprenscindível) Inevitável Afasta dolo/culpa Evitável Exclui dolo, mas responde pela culpa, se prevista Acidental (periférico) - objeto - nexo causal - pessoa - execução (ictus) - resultado diverso do pretendido (criminis)ABERRATIO Introdução ao Estudo do Direito Penal | Nexo de causalidade www.cenes.com.br | 27 imputam-se a quem os praticou. Relevância da omissão § 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem: a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado; c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado. 6.1 Teoria hipotética da eliminação No entanto, para sabermos se uma causa produziu ou não resultado, adotamos a chamada teoria hipotética da eliminação, ou seja, diante de um resultado pergunta- se, caso a conduta seja retirada do contexto, o resultado ocorreria da mesma forma? Geralmente, a resposta é negativa, mas nada é tão obvio quanto parece, o nexo causal pode sofrer a interferência de alguns elementos alheios, chamados de concausas. Conforme destaca Rogério Sanches (2020), quando verificamos que a conduta e o resultado naturalístico são compostos e podem ocorrer por diversos atos, o estudo do nexo causal se torna cada vez mais complexo. “Assim, identificados quais antecedentes podem figurar como causa dentro de uma linha de eventos que se sucedem, nota-se que, no caso concreto, é possível que haja mais de uma causa concorrendo para o resultado (concausas)”. Esses eventos podem ser classificados em concausas absolutamente independentes e concausas relativamente independentes, cada uma com três subespécies. Introdução ao Estudo do Direito Penal | Nexo de causalidade www.cenes.com.br | 28 Na primeira possibilidade, as concausas absolutamente independentes, tanto se ocorrer de forma antecedente, concomitante ou superveniente a ação, não terá nenhuma relação com o resultado atingido, pois, este aconteceria independente da ação praticada, é algo independente, que gera, naturalmente, o rompimento do nexo causal. Diferente do que ocorre nas concausas relativamente independentes, que, embora não sejam determinantes, guardam uma relação com o resultado atingido. Nas palavras de Guilherme Nucci (2019) as concausas relativamente independentes surgem “de alguma forma ligadas às causas geradas pelo agente (por isso, são relativamente independentes), mas possuindo força suficiente para gerar o resultado por si mesmas”. Assim como a anterior, as causas relativamente independentes podem ser classificadas em antecedentes (anterior a ação), concomitantes (junto com a ação) e supervenientes (posterior a ação). Concausas Absolutamente independentes antecedentes concomitantes supervenientes Relativamente independentes antecedentes concomitantes supervenientes Introdução ao Estudo do Direito Penal | Nexo de causalidade www.cenes.com.br | 29 CONCAUSA RELATIVAMENTE INDEPENDENTE ANTECEDENTE Nesta espécie a situação preponderante para a produção do resultado é anterior a causa concorrente na ação. Ex.: A com a intenção de lesionar B desfere um golpe de faca em sua perna, o ferimento por si só não seria capaz de causar a morte de B, mas, por ser hemofílico, a vítima vem a óbito, pois, não foi possível estancar o sangramento causada pelo corte em sua perna. Neste caso, A responderá pelo crime de homicídio consumado, pois, o resultado não teria ocorrido sem a ação praticada por ele. CONCAUSA RELATIVAMENTE INDEPENDENTE CONCOMITANTE Nesta espécie a situação preponderante para a produção do resultado ocorre no mesmo momento que a causa concorrente, as duas ações são simultâneas. Ex.: A com a intenção de matar B, prepara uma emboscadaperto de sua casa. Assim, quando está passando pela rua B é surpreendido por A, que dispara em sua direção, em um movimento reflexo A, ao tentar se esquivar do tiro, tropeça e cai batendo a cabeça no meio-fio. B morre em virtude do traumatismo craniano, gerado pela queda. Neste caso, A responderá pelo crime de homicídio consumado, pois, o resultado morte não teria ocorrido sem a ação praticada por ele. CONCAUSA RELATIVAMENTE INDEPENDENTE SUPERVENIENTE Nesta espécie a situação preponderante para a produção do resultado ocorre posteriormente a prática da ação. Previsto no § 1º do art. 13 do Código Penal, esta possibilidade, diferente das outras, pode gerar dois resultados distintos, a causa efetiva que não por si só e a que por si só produziu o resultado. O primeiro ocorre se a causa é plenamente possível, ainda que não prevista. Ex.¹: A com a intenção de matar B, atira 5 vezes em sua direção, mas os disparos não são suficientes para causar sua morte. B é socorrido e levado ao pronto- socorro ainda com vida, mas vem a óbito durante a cirurgia, devido a um erro médico. Neste caso, embora seja uma causa relativamente independente superveniente era plenamente possível, devido as circunstâncias, portanto, A responderá pelo homicídio consumado. Ex.²: Imagine a mesma situação apresentada no exemplo anterior, mas, neste Introdução ao Estudo do Direito Penal | Tipicidade www.cenes.com.br | 30 caso, a cirurgia de B é perfeitamente realizada, possibilitando que a vítima se recupere alguns dias depois, contudo, um dia antes de receber alta, o hospital é invadido por um grupo armado que faz diversas vítimas, dentre elas B, que acaba morrendo. Considerando esta situação, como é algo atípico e foge das normalidades é considerada uma causa relativamente independente superveniente que por si só produz o resultado, devendo o agente responder por seu dolo e não pelo resultado que se realizou posteriormente. Assim, conforme destaca Guilherme Nucci (2019) “a causa relativamente independente tem força para cortar o nexo causal, fazendo com que o agente responda somente pelo que já praticou, desde que se respeitem dois requisitos: a) previsibilidade do agente quanto ao resultado mais grave; b) força da causa superveniente para provocar, sozinha, o resultado”. Isto é, a regra é que o agente responda pelo resultado provocado, exceto, se da situação sobrevier uma causa relativamente superveniente que por si só produziu o resultado. 7 Tipicidade Assim como vários aspectos no mundo do direito, a tipicidade passou por diversas modificações ao longo do tempo e, considerando o entendimento da doutrina moderna, a tipicidade pode ser classificada em duas categorias, a tipicidade forma e a tipicidade material. Como bem destaca Rogério Sanches (2020) “a tipicidade penal deixou de ser mera subsunção do fato à norma, abrigando também juízo de valor, consistente na relevância da lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado. É somente sob essa ótica que se passa a admitir o princípio da insignificância como hipótese de atipicidade (material) da conduta”. Assim, consideramos que a tipicidade formal é aquela que decorre do princípio da legalidade, é através dela que ocorre a adequação típica entre o fato e a norma, ou seja, quando a conduta praticada se adequa a norma contida no ordenamento jurídico. A tipicidade formal estabelece que todos os fatores somados na conduta, devem estar previstos de forma anterior e legalmente no Código, ao passo que, na falta de qualquer um desses elementos o fato será atípico e o sujeito será absolvido. Introdução ao Estudo do Direito Penal | Conclusão www.cenes.com.br | 31 Por outro lado, a tipicidade material, está ligada a reprovação social da conduta praticada pelo sujeito. Os princípios da adequação social e o da insignificância afastam a tipicidade material da conduta, ou seja, toda vez que a conduta praticada pelo sujeito puder aproveitar dos benefícios trazidos pelos princípios da insignificância ou da adequação social, a tipicidade material da ação é afastada, logo, a conduta será atípica e o sujeito absolvido. 8 Conclusão Nesta unidade iniciamos as considerações a respeito da teoria do crime, discorremos sobre o conceito de infração penal e as variações decorrentes das teorias material, formal e analítica, sendo esta última, juntamente com a teoria finalista do direito penal, adotada pelo ordenamento jurídico brasileiro. De acordo com o pensamento analítico finalista, consideramos o crime como sendo, de forma muito sucinta, um fato típico, antijurídico e culpável. No entanto, como vimos no decorrer da unidade, esses três elementos se ramificam em diversos outros aspectos, dando origem a teoria analítica do crime. 9 Referências Bibliográficas BITENCOURT, Cezar Roberto. Parte geral: coleção tratado de direito penal volume 1. 26 ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2020. CUNHA, Rogério Sanches. Manual de direito penal: parte geral (arts. 1° ao 120). 8 ed. rev., ampl. e atual. Salvador: JusPODIVM, 2020. LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de processo penal: volume único. 8 ed. rev., ampl. e atual. Salvador: Ed. JusPodivm, 2020. MASSON, Cleber. Direito Penal: parte geral (arts. 1º a 120). 14 ed. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2020. NUCCI. Guilherme de Souza. Curso de Direito Penal: parte geral: arts. 1º a 120 do Código Penal. 3 ed. Rio de Janeiro: Forense, 2019. Introdução ao Estudo do Direito Penal | Referências Bibliográficas www.cenes.com.br | 32 Sumário 1 Introdução 2 Conceito de infração penal 2.1 Conceito material 2.2 Conceito formal 2.3 Conceito analítico 3 Classificação doutrinária dos crimes 3.1 Crimes comuns 3.2 Crimes próprios 3.3 Crimes de mão própria 3.4 Crimes materiais 3.5 Crimes formais 3.6 Crimes de mera conduta 3.7 Crimes instantâneos, instantâneos com efeitos permanentes e permanentes 3.8 Crimes unissubsistentes e plurissubsistentes 3.9 Crimes unissubjetivos e plurissubjetivos 4 Teoria analítica do crime 5 Fato típico 5.1 Conduta 5.1.1 Condutas comissivas e omissivas 5.1.2 Voluntariedade 5.1.3 Consciência 5.1.4 Dolo e culpa 5.1.4.1 Crime doloso 5.1.4.2 Crime culposo 5.1.5 Crimes preterdolosos 5.1.6 Erro de tipo 6 Nexo de causalidade 6.1 Teoria hipotética da eliminação 7 Tipicidade 8 Conclusão 9 Referências Bibliográficas