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AULAS 10 E 11 - IED PRIVADO II

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AULAS 10 E 11 – O ESTUDO DO ATO ILÍCITO 
Realize a leitura do texto “Ilícito civil, esse desconhecido...”, de Felipe Peixoto Braga Netto, tendo por guia o roteiro a seguir.
a. Relacione ilícito e juridicidade de acordo com as teorias apresentadas pelo autor.
De acordo com o Felipe Peixoto Braga Netto, existem três vertentes no que tange à relação entre ilícito e juridicidade. A corrente defendida por doutrinadores como Caio Mário da Silva Pereira e Vicente Ráo sustenta que o ilícito não pode ser considerado jurídico (o ilícito fora do/externo ao ordenamento jurídico). A corrente defendida por Kelsen sustenta justamente o oposto da anterior, uma vez que considera que para ser considerada jurídica, uma norma precisa, obrigatoriamente, estar vinculada a um ilícito e a uma sanção para o caso de descumprimento da norma. A terceira postura, adotada por Marco Bernardes de Mello e Pontes de Miranda, consiste em um equilíbrio entre as duas anteriores, uma vez que o ilícito é contemplado pelo ordenamento jurídico, mas o ilícito não é condição determinante para uma norma ser considerada jurídica. 
A análise de lícito/ilícito, na contemporaneidade, contém uma carga valorativa que é feita dentro do próprio ordenamento jurídico. Não significa, desse modo, que um ilícito seja menos jurídico ou mais jurídico que o lícito pois ambos estão no ordenamento, apresentando a mesma estrutura de incidência. A distinção, portanto, é valorativa e tal juízo de valor é fixado pelo ordenamento (ações que em dado momento são lícitas podem se tornar ilícitas e vice-versa). 
b. Analise a importância da culpa enquanto elemento do ilícito.
O ato ilícito apresenta relação com a culpa, entretanto, esta não é uma relação de necessidade, uma vez que a doutrina contemporânea, no seu caráter majoritário, sustenta a possibilidade da existência do ilícito sem culpa. 
Art. 186 – CC: Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. 
A ideia de ilicitude, fundada no art. 186, se encontra vinculada a culpa lato senso (tanto do dolo – intencional, quanto da culpa em sentido estrito – desprovida de intencionalidade). A culpa em sentido estrito se relaciona a uma negligência (não perceber a potencial ilicitude proveniente de uma ação) ou imprudência (assumir o risco – tal como na ocasião de dirigir em uma velocidade muito acima da permitida). 
Art. 187 – CC: Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes. 
O art. 187 do Código Civil discorre sobre o ilícito no que tange ao abuso de direito. Passa-se a pensar em uma noção de ilicitude não necessariamente vinculada à noção de culpabilidade e, por conseguinte, à noção de responsabilidade (há quem discorde e afirme que o abuso de direito envolva culpa). 
c. Analise a relação entre ilícito civil e responsabilidade civil.
De acordo com o art. 927 do Código Civil, que dialoga com os arts. 186 e 187 do referido código, o ilícito civil indenizante gera como consequência a responsabilidade civil do dever de indenizar, isto é, reparar o dano. Quando falamos de ato ilícito, uma das possíveis consequências (e talvez a mais comum) é o dever de indenizar, todavia, não é o única. Ademais, podem existir atos lícitos que gerem o dever de indenizar: os chamados atos-fatos indenizativos (vide um indivíduo que, para escapar de uma bomba, invade um domicílio – estado de necessidade).
Art. 927 – CC: Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.
d. Discorra sobre as categorias eficaciais do ilícito.
De acordo com Braga Neto, são quatro as categorias eficaciais do ilícito: 
1. Ilícito indenizante: 
Todo ilícito cujo efeito é de indenizar, ou seja, de reparar o dano causado. Por exemplo, um indivíduo que comete homicídio deve arcar com as despesas financeiras do funeral da vítima (art. 927 CC).
2. Ilícito caducificante: 
Todo ilícito cujo efeito é a perda de um direito. Por exemplo, um pai que castiga demasiadamente o filho fisicamente pode perder o poder familiar sobre este (art. 1638 CC); 
3. Ilícito invalidante: 
Todo ilícito cujo efeito é a invalidade e todos os efeitos dele decorrente são invalidados. Por exemplo, um contrato assinado mediante coação deve ser invalidado (a coação é condição de invalidação pois a vontade não pode ser viciada – art. 151 CC) 
4. Ilícito autorizante: 
Todo ilícito cujo efeito é uma autorização. Por exemplo, um testador pode revogar o testamento caso o testamentário atente contra a sua vida (art. 557 CC). A retirada do sobrenome do cônjuge e a revogação de uma doação também são hipóteses de concessão de direito a outrem em virtude da ocorrência de um ato ilícito autorizante. 
Observa-se que, em um mesmo ato ilícito, podem existir diversas consequências. Um pai, por exemplo, que castiga demasiadamente o filho, além de perder o poder familiar sobre este, apresenta o dever de indenizar (arcar com os custos de um eventual tratamento médico). Destarte, tem-se um ato ilícito caducificante e indenizante simultaneamente. 
Em geral, para o Direito Civil, a responsabilização para o causador do dano independe do grau de culpa. Tanto faz, desse modo, colidir o veículo em outro veículo por espontânea vontade ou por distração. 
Art. 944 – CC: A indenização mede-se pela extensão do dano. 
O art. 927 do Código Civil discorre sobre a indenização, só que no Direito de Obrigações, tal indenização é a última solução. Mesmo diante de uma ilicitude de descumprimento, tenta-se, primeiramente, a tutela específica da obrigação (tentar que a finalidade pretendida seja cumprida). Quando compramos um produto, não estamos pensando em uma indenização no caso da não entrega desse produto mas tão somente em recebê-lo. 
A noção de ilicitude – conforme o art. 186 do Código Civil – pressupõe uma conduta que viola um direito e causa um dano a outrem (ainda que exclusivamente moral). Essa parte “exclusivamente moral”, atualmente, no caso de uma nova redação do Código Civil, talvez nem fosse incluída (tendo em vista que a própria constituição prevê a possibilidade de dano moral). Todavia, essa discussão é irrelevante. 
É importante ressaltar que um indivíduo pode causar um dano sem violar um direito, uma vez que o nosso Código Civil fez questão de separar “violar um direito” e “causar dano a outrem”. No caso de uma luta de mma, há o consentimento de ambas partes para o sofrimento de lesões corporais; ou no caso de um indivíduo que age em legítima defesa. 
É possível, também, alguém violar um direito sem causar um dano. Se Maurício adquirir um livro, sem urgência para leitura, que era para ser entregue daqui a dois dias, mas este é entregue daqui a quatro dias. Houve, nitidamente, uma violação de direito, entretanto, não se pode afirmar a existência de um dano. 
O art. 188 do referido código traz as chamadas “excludentes de ilicitude”. 
Art. 188 – CC: Não constituem atos ilícitos:
I - os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um direito reconhecido;
II - a deterioração ou destruição da coisa alheia, ou a lesão a pessoa, a fim de remover perigo iminente.
Parágrafo único. No caso do inciso II, o ato será legítimo somente quando as circunstâncias o tornarem absolutamente necessário, não excedendo os limites do indispensável para a remoção do perigo.
O efeito da incidência deste artigo trata-se de uma pré-exclusão de juridicidade, uma vez que impede a juridicização de condutas que seriam juridicizadas conforme os arts. 186 e 187. 
A legítima defesa pressupõe uma ação para evitar a lesão de um bem jurídico de si ou de outrem. A tenta matar B só que B mata A; ou A tenta matar C e B mata A, protegendo C. 
O estado de necessidade pode envolver um dano à pessoa ou ao patrimônio (no caso do arrombamento de uma porta para se proteger de uma pessoa que está pretendendo matar outrem). Incide, nesse caso, o art. 188e não o art. 186. 
e. Indique como a superação do modelo oitocentista de legislação influencia no estudo e abordagem do ilícito civil. 
A superação do modelo oitocentista representou um grande avanço para o estudo do ilícito civil pela ciência jurídica. Em primeira análise, compreende-se que o ato ilícito indenizante é só uma das categorias de ilícito civil quando se considera a eficácia como parâmetro de classificação, existindo, destarte, os ilícitos caducificantes, invalidantes e autorizantes. Em segundo plano, é possível constatar uma flexibilização no que concerne à dicotomia entre público e privado (lógico que esses ramos têm suas próprias regras e estas são importantes, mas, atualmente, essa dicotomia não faz muito sentido) Ademais, passa-se a compreender, na visão pós-positivista contemporânea, os princípios, além das regras, como normas jurídicas. Dessa forma, se reconhece a violação de princípios - como o da imagem de uma pessoa - como um ato ilícito e que se encontra passível de uma sanção (como o dever de indenizar). Embora os princípios tenham aparecido de forma mais explícita, deve-se tomar cuidado com os excessos. Se já existe uma regra que resolve um problema, é preciso buscar a resolução nesta regra, evitando, assim, “decisões elásticas” dos juízes. O juiz deve realizar um procedimento hermenêutico para encaixar princípios no caso concreto, detendo, portanto, maior responsabilidade para se chegar a uma decisão. 
Para a próxima aula: responder a 2ª questão da atividade.

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