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ANTICONCEPÇÃO Critérios de elegibilidade da OMS: Índice de Pearl: Demonstra a confiabilidade de um método. Sendo: N° de falhas/100 mulheres/ano Eficaz se < 1. O melhor Pearl é do Implanon, pois o dele é de 0,05. Métodos comportamentais: Tabelinha: Abstinência sexual periódica. O Pearl desse método é de 24. Um ciclo de 28 dias, levamos em consideração que a ovulação será no meio do ciclo, no dia 14, logo, a mulher pega 3 dias antes e 3 dias depois da ovulação e fica em abstinência sexual. Temperatura basal: Utilizam-se as variações da temperatura corporal para identificar a ovulação. Logo após a ovulação, a progesterona liberada pelo corpo lúteo causa elevação da temperatura corporal em 1 grau. Método de Billings (muco cervical): O Pearl desse método é de 29. A mulher coloca dois dedos dentro da vagina e retira ou analisa a presença dele na calcinha ou no papel para ver a viscosidade do muco cervical, se ele for viscoso, tipo clara de ovo, é característico do período da ovulação e onde não se deve ter relação, pois é o período que a mulher está fértil. Coito interrompido: O Pearl desse método é de 27, porém é difícil de mensurar, pois existem homens que conseguem tirar muito antes e outros não. O líquido pré-seminal que vem antes da ejaculação já é cheio de espermatozoides. Métodos de barreira: Camisinha: Existe uma diferença bizarra entre o uso ideal e o uso ideal. Pois no ideal o Pearl seria 2, já no real é de 18. Existe tanta diferença, pois no momento da colocação e no momento que retira a camisinha, ele é feito de qualquer jeito. Diafragma + espermicida: Pearl de 16. Nonoxinol 9 Uso repetitivo lesa mucosa vaginal e aumenta chance de transmitir ISTs. E o diafragma só pode ser retirado após 6 horas. Antes de ter relação à mulher coloca o diafragma, que tem que ser do tamanho certo para ocluir o colo do útero (podendo ser colocado com aplicador ou não). Aproximadamente 15 minutos antes da ejaculação, deve- se colocar o espermicida dentro (ele vem em formato de óvulo). DIU de cobre: Pearl de 0,6. Como funciona: ele cria um ambiente hostil para subida do espermatozoide, tendo uma reação inflamatória dentro do endométrio a qual impede que o espermatozoide suba. Acontece a fecundação do óvulo com espermatozoide, mas como tem um corpo estranho dentro do útero, não acontece a nidação do ovo fecundado no endométrio, logo, ele não é abortivo como falam. Inserção: sem anestesia, com anestesia ou com sedação. Muitos estudos mostram que fazer sem anestesia e com anestesia de colo dá na mesma, sendo apenas a sedação um diferencial. A paciente vai sentir uma cólica leve a moderada de forma rápida. Chance de expulsão: 5%. Em até 21 dias esse DIU pode sair do lugar, por isso é recomendado que se faça um USG de controle 1 mês após a inserção. Após isso, fazer com 6 meses e posteriormente anualmente. O DIU falha quando sai do lugar! Contraindicações: dismenorreia e sangramento intenso, logo, mulheres que já tenham esses sintomas, não devem colocar o DIU de cobre. Gravidez, cervicite purulenta, DIP no último mês ou mais de 2 episódios de DIP no último ano, tuberculose pélvica, sangramento de causa desconhecida, CA de colo, endométrio ou ovário, alterações anatômicas como útero bicorno, didelfo, etc, doença de Von Willebrand, discrasias sanguíneas, trombocitopenia, AIDs com CD4 < 200 e Doença de Wilson (mulher não metaboliza o cobre). DIP x DIU: Sempre antes de colocar DIU, o ideal é que se faça um exame clínico ginecológico e especular para ver se a paciente tem alguma característica de cervicite ou de infecção por Gonococo, Clamídia, Gardnerella, ou qualquer coisa que possa causar DIP, para assim primeiro tratar a infecção e depois colocar o DIU. Os dados nos mostram que colocar DIU aumentam as chances de ter DIP no primeiro mês após inserção, entretanto se faz exame especular e trata a paciente, não aumenta. Apenas se tem algum tipo de corrimento ou alguma característica de possível infecção e que não foi tratada antes de colocar. Actinomyces israelii: bactéria específica de quem coloca DIU de cobre. Dá uma doença chamada de Actinomicose, dando um corrimento semelhante ao da Vaginose bacteriana. Tratado com Azitromicina e Amoxicilina. DIU de cobre X DIU de prata com cobre, o que muda? NADA, apenas o preço e a duração. Enquanto um custa 98,00, o outro custa 600 e enquanto um dura 5 anos o outro dura 10 anos. Métodos hormonais: ***Não existe método só de estrogênio, até porque não é ele o responsável pela anticoncepção e sim a progesterona! Progesterona: Ação: ela inibe o pico do LH, logo, não tem ovulação e não tem gravidez. Estrogênio: Benefícios: dá para programar quando vai sangrar, além disso, é possível emendar uma cartela na outra para impedir o sangramento também. Outro benefício é em relação à pele, pois ele aumenta SHBG (ptn carreadora de testosterona), logo, quanto mais alta a SHBG, mais baixa será a testosterona. Exemplos: Diane 35 (é a melhor), Tamisa 20. Sangramento regular. Exclusivos de progesterona: 1. SIU-LNG (Mirena ou Kyleena) 2. Injeção trimestral (Depo-provera ou acetato de medroxiprogesterona) 3. Pílulas (Desogestrel e Drospirenona) 4. Implante subdérmico (Implanon) SIU-LNG (Mirena e Kyleena): O Pearl desse método é de 0,2. Ação: a progesterona liberada continuamente no útero, causa atrofia do endométrio e causa espessamento do muco cervical, impedindo que o espermatozoide suba. Mirena é o único método que não é anovulatório, 85% continua ovulando. O Mirena é quase o dobro da dose, entretanto ainda assim é mais benéfico que o Kyleena. Mirena é um pouco mais espesso que o Kyleena, mas ainda sim é melhor. O motivo: além de ser indicado para contracepção, ele também trata endometriose, com dor pélvica crônica, sangramento menstrual excessivo – Adenomiose, miomatose uterina. Enquanto o Kyleena é meramente contraceptivo, assim como o DIU de cobre, entretanto o de cobre dura 10 anos e este dura 5 anos. A validade deles é de 5 anos, porém nos EUA é de 8 anos. Nos EUA o Mirena vale 8 anos para contracepção, entretanto para tratar patologias ginecológicas a validade é de 5 anos. Benefícios Mirena: 80% tem sangramento favorável com diminuição do volume menstrual. Reduz 107 ml por ciclo menstrual, logo, tem chance muito grande dele cessar esse sangramento. Ele dá 73% de chance de amenorreia no futuro – após 6 meses da inserção. ***Lembrando que só tem problema da mulher ficar em amenorreia se ela não usa nenhum tipo de hormônio e tem SOP, por exemplo, pois aumenta risco de CA de endométrio e ter hiperplasia endometrial, entretanto se ela usa Mirena, o endométrio vai ser atrófico, não faz hiperplasia e não tem risco de CA de endométrio no futuro. Malefícios do Mirena: o principal e único problema do Mirena é a formação de cistos funcionais no anexo, pois como a mulher continua ovulando, ela pode formar cistos no ovário. Na grande maioria das vezes eles regridem completamente e rapidamente. E ele também só não é bom para mulher que tem queixa de hirsutismo e acne. Após a retirada do DIU, o retorno à fertilidade é imediato. Contraindicações do Mirena: é a mesma do DIU de cobre (exceto dismenorreia, sangramento excessivo e Doença de Wilson), CA mama (se história ou diagnóstico), história de cirrose grave, lúpus com anticorpo antifosfolipide positivo. Injeção trimestral (Depo-provera ou acetato de medroxiprogesterona): Método ótimo, com Pearl de 0,3, falha menos que pílula. Efeito colateral mais comum: ganho de peso. É o único método no mercado que dá ganho de peso, correspondendo a 20% das pacientes e numa faixa de 4 kg. Ele atua em receptores glicocorticoides do corpo, por isso aumenta edema. Padrão de sangramento: não tem como saber, mas 60% ficam em amenorreia e 40% tem fluxo irregular. Após3 meses dá para regularizar esse padrão de sangramento. Pílulas (Desogestrel e Drospirenona): Quase não tem contraindicação, podendo ser usadas nas pacientes que amamentam naquelas que tiveram trombose, nas que tem enxaqueca com áurea, só não pode naquelas com história de CA de mama e com cirrose grave. O grande problema é o padrão de sangramento, onde 60% param e os outros 40% ficam com ciclo irregular. Foi visto que a Drospirenona tem um padrão de sangramento melhor. Ela tem 4 pílulas inativas no final, a qual corresponde a pausa de 4 dias que teoricamente é para sangrar. O Desogestrel tem 28 comprimidos e não tem pausa entre as cartelas, emendando uma na outra. Tem ação antimineralocorticoides, logo, tira o edema da paciente. Implante subdérmico (Implanon - Etonogestrel): Pearl mais eficaz do mundo, com 0,03. Inserção: faz com bloqueio no braço, super-rápido. Problema: padrão de sangramento. Dá em torno de 15% de amenorreia. 85% fica irregular e incomoda muito. Contraindicações: CA de mama e cirrose. Métodos combinados: 90% das pílulas do mercado são combinadas com estrogênio e progesterona, as únicas que não tem é a Drospirenona e o Desogestrel. O que muda em cada pílula combinada é o tipo de progesterona e as ações delas variam muito conforme a pílula usada. O estrogênio de 99% das pílulas é o etinilestradiol, que é o mais potente de todos e é sintético. Posologias: 15, 20, 30, 35 e 50. Ele dá todos os benefícios do estrogênio, como pele boa, sangramento regular, entretanto ele aumenta os efeitos colaterais das pílulas com estrogênio, como cefaleia, náuseas e de todos os riscos. Única pílula no mercado que tem Valerato de Estradiol, que é o Qlaira, que é um estrogênio menos potente que o etinilestradiol e é um estrogênio natural. : Tipos Melhores métodos progesterona que causam amenorreia: 1ª Mirena 2ª Injetável 3ª Pílulas 4ª Implante. De progesterona NADA interfere na libido. ACO Injeção mensal (Mesigyna ou Perlutan). Anel vaginal Adesivo (Evra) Contraindicações: Tabela ao lado, porém sempre se lembrar de: de já teve história de algum evento tromboembólico prévio. Efeitos adversos: Epigastralgia, náuseas, diarreia, mastalgia, cefaleia, dor em membro inferior. Se tiver uma paciente com queixa de Epigastralgia e de cefaleia, fazendo uso de estrogênio, deve-se parar o uso? Não necessariamente, podemos reduzir a dose, por exemplo, ao invés de usar Diane 35, pode-se usar Tamisa 20. Se tiver Enxaqueca e usa qualquer método com etinilestradiol, pode-se mudar ele por um estrogênio natural como o Qlaira. Isso é válido para sem áurea. Risco tromboembólico: Pode prescrever progesterona para quem tem risco tromboembólico? Pode, mas aumenta risco de TVP. Levonogestrel não tem efeito anti- androgênica, logo, tem efeito androgênica leve. É irrisório o risco de trombose da progesterona em relação ao estrogênio. Quanto mais anti-androgênica, maiores os riscos de trombose dessa progesterona. É maior no primeiro ano de pílula o risco de TVP, assim como trocas indiscriminadas entre pílulas. Tipos de progesteronas: Trombogênica (menos trombogênica) Levonorgestrel Trombogênica (mais trombogênica) Desogestrel, Ciproterona e Gestodeno. . A gestação aumenta 8x o risco de a mulher ter TVP, a pílula de 2 a 3x e o puerpério de 20 a 30x Antecedente pessoal de TVP/TEP: Não usar combinados e sim preferir o DIU de cobre (categoria 1), DIU de progesterona e Progesterona isolada (categoria 2, VO, implante, injetável). Pílulas orais combinadas: 99% tem etinilestradiol, que é o estrogênio sintético. 1% valeato de estradiol é natural como são naturais, tem potência inferior, mas são 17-beta-estradiol é natural menores os riscos do estrogênio neles. Pode emendar uma cartela na outra, não tem problema. Quando faz isso, a maioria das mulheres, ficam em amenorreia. O problema disso é que pode ter escape e para regularizar isso dá para fazer uma pausa de 4 a 7 dias, sangra de forma organizada e após isso volta a tomar. Anel vaginal: Pearl 0,3 Nuvaring – etinilestradiol + etonogestrel Fica 3 semanas com o anel dentro da vagina e na 4ª semana retira para sangrar. EA: como não faz passagem hepática, dá menos Epigastralgia, menos mastalgia e outros sintomas. Logo, tem menos efeitos colaterais que as pílulas. Todas as CI do estrogênio, único problema é o valor. Adesivo transdérmico: Pearl 0,3 Evra: etinilestradiol + norelgestromina Troca adesivo a cada 7 dias, com pausa de 7 dias após 3 ciclos. Pode ser colocado em vários locais do corpo. Não pode ser usado em mulher com mais de 90 kg. Problema é o preço também que custa em média 80/90 reais. Informações extras: Anticonvulsivante com Anticoncepcional: Anticoncepcional com Antibiótico: Apenas 2 documentados: Rifampicina e Rifabutina, os quais são usados para TB. Puerpério: Devemos evitar uso de estrogênio no puerpério até 6 meses devido ao efeito tromboembólico do estrogênio, lembrando que a puérpera tem de 20 a 30x mais chance dela ter TVP e quando associa mais o estrogênio, esse risco aumenta quase 100x. Além de diminuir a produção do leite o uso do estrogênio. DIU deve ser colocado até 48 horas após o parto ou 40 dias após, entretanto o risco de expulsão é enorme na prática, todos saem pós-parto imediato, sendo melhor colocar 40 dias após. Laqueadura: Contracepção cirúrgica ou definitiva: Ligamos/cortamos as tubas uterinas Feminina. Ligamos os ductos deferentes, com a vasectomia Masculino. ATENÇÃO - Lei 9263 de 1996 – Lei do Planejamento Familiar: 1ª situação: Idade > 25 anos OU 2 filhos vivos Prazo mínimo de 60 dias entre ela manifestar o desejo e fazer o procedimento. 2ª situação: Risco de vida ou à saúde Mulher Futuro concepto Relatório de 2 médicos Parto ou aborto: Vedada até 42° dia pós-parto ou aborto Mas existem exceções como: cesáreas sucessivas anteriores ou doença de base que oferece risco a saúde. Relatório de 2 médicos. Atenção: Documento escrito e firmado Consentimento do conjugue Incapazes: autorização judicial. NOVA LEI QUE ENTRARÁ EM VIGOR EM MARÇO 2023: