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A atuação do psicopedagogo - 
Clínica
Larissa Leslie Sena Fiuza Bispo
Introdução
Sandra, após alguns anos atuando como psicopedagoga escolar, e com alguns atendimentos em parceria em
consultório, decidiu abrir a sua própria clínica de atendimento psicopedagógico. Fez uma ampla divulgação nas
redes sociais, com escolas e empresas, a fim de apresentar o seu trabalho e seu espaço de atendimento,
preparado para receber crianças, adolescentes e adultos.
No seu primeiro atendimento agendado, recebeu os pais de uma criança de 8 anos, em idade escolar. Os pais se
queixavam, junto a relatos da escola, que a criança vinha apresentando algumas dificuldades na aprendizagem
da escrita e da leitura, assim como dificuldades em realizar atividades motoras, como amarrar cadarço do tênis e
distinguir entre a direita e a esquerda.
Assim, nesse contexto, quais as atividades realizadas pelo profissional? Como está pautada sua atuação?
Neste tema, encontraremos reflexões para essas indagações e discutiremos sobre aspectos da Psicopedagogia
Clínica. Preparados para novos conhecimentos? Sucesso!
Ao final desta aula, você será capaz de:
• reconhecer a Psicopedagogia Clínica como área de atuação, identificando suas principais características.
Psicopedagogia Clínica
A Psicopedagogia Clínica deriva da ideia de um acompanhamento da aprendizagem no espaço clínico. Você sabe
como isso ocorre?
Já aprendemos que o psicopedagogo é o profissional habilitado para proporcionar ações relacionadas ao
desenvolvimento da aprendizagem humana, e que sua atuação pode ser de modo institucional ou clínico.
Sendo assim, a Psicopedagogia Clínica trata de compreender o motivo da não aprendizagem do sujeito sobre
determinado aspecto, assim como investigar ações para que ele possa reconhecer-se como sujeito ativo da
aprendizagem e ser capaz de desenvolvê-la (BASTOS, 2015; WEISS, 2012).
•
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Figura 1 - Psicopedagogo em atendimento clínico
Fonte: Monkey Business Images, Shutterstock, 2018.
Na concepção de Bastos (2015, p. 31):
Na clínica psicopedagógica cada paciente é singular, possui um estilo próprio de aprender ou de não
aprender, estabelece transferência com o psicopedagogo que necessita se tornar uma referência
imprescindível para despertar seu desejo de aprender.
Nesse contexto, é importante refletirmos sobre o ato de não aprender e seus fatores, uma vez que este é o
aspecto principal da investigação e, a partir dos sintomas apresentados, o profissional buscará o diagnóstico e
outras ações para retomar o desenvolvimento da aprendizagem, principalmente, quando esse sujeito se encontra
em idade escolar.
Desse modo, a aprendizagem desse indivíduo pode ser esquematizada da seguinte forma:
Figura 2 - Esquema aprendizagem escolar
Fonte: Elaborada pela autora, baseada em WEISS, 2012.
A não aprendizagem na escola, não mais importante do que outros espaços, mas pela sua posição e importância
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A não aprendizagem na escola, não mais importante do que outros espaços, mas pela sua posição e importância
na vida dos sujeitos, é uma das possíveis causas do fracasso escolar e do desencadeamento de dificuldades de
aprendizagem que podem prosseguir até a fase adulta (WEISS, 2012), no ensino superior, no próprio contexto de
trabalho ou até mesmo nas atividades rotineiras do dia a dia.
Para autora Weiss (2012), o fracasso escolar corresponde a uma resposta insuficiente do estudante a uma
exigência ou demanda da escola, e essa situação pode ser analisada por diferentes perspectivas: a da sociedade,
mais ampla por envolver a cultura, as relações político-sociais e condições econômicas vigentes, permeando e
influenciando as demais; a da escola, que vai desde a falta de estrutura, percorrendo a motivação e valorização
do professor, até a inserção científica e tecnológica na escola; e a do próprio estudante, que são as condições
internas, ou seja, a subjetividade.
Assim, quando o atendimento clínico é demandado, faz-se necessário que o psicopedagogo tenha um olhar e uma
escuta sensível para esse contexto de diagnóstico, auxílio, acompanhamento e ações, que envolverá os pais, os
responsáveis, o próprio sujeito e a instituição de ensino.
Diagnóstico e intervenção
Pensar o trabalho psicopedagógico na clínica é perceber a prática como uma investigação e um trabalho mútuo
entre as variáveis que circundam o sujeito, buscando compreender como o sujeito assume a posição de
aprendente e as suas dificuldades.
A busca por esse processo recíproco de indagações e respostas inicia-se com o diagnóstico. Vale salientar que,
embora a atitude investigadora inicie a prática clínica, ela permeia de modo global a intervenção do
psicopedagogo, ora acompanhando a evolução do sujeito, ora retornando e reavaliando.
Nas palavras de Bossa (2007, p. 97-98):
Poderia dizer que o trabalho clínico, da forma que o concebo na psicopedagogia, acontece em dois
momentos especiais: a fase diagnóstica (com os testes a servir de pistas para o saber) e a fase de
intervenção. Inicialmente a ênfase é a investigação, a partir do momento em que o profissional
procura o sentido da problemática do sujeito que é lhe encaminhado. Num segundo momento, a
medida é a intervenção. Entretanto, vale reiterar, o profissional não abandona a sua atitude de
investigação ainda quando a prioridade seja a intervenção. Ele possui, nesse momento, dados sobre o
sujeito que lhe permitem definir a forma mais apropriada de conduzir os trabalhos. [...]
Para o processo de diagnóstico e intervenção do psicopedagogo não há um caminho a ser seguido e nem uma
padronização do processo, pois, cada indivíduo possui sua especificidade e, em cada caso, há diferenças, cabendo
ao profissional analisá-lo e traçar a sua estratégia de trabalho a partir das suas fundamentações, conhecimentos,
afinidades teóricas e práticas, experiências, sensibilidade e ética.
FIQUE ATENTO
A importância do diagnóstico e do estudo das possíveis causas da não aprendizagem não se dá
pela questão de rotular o que o estudante possui, mas, essencialmente, para captar a forma
individual de aprender e de produzir novos significados pelo estudante (WEISS, 2012).
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O diagnóstico psicopedagógico é composto por vários momentos e com dimensões diferentes em cada caso.
Normalmente, ele começa a acontecer no primeiro contato com algo que remete ao sujeito. Por exemplo, em
casos de sujeitos em fase escolar, normalmente, o primeiro contato do psicopedagogo é com a família. Esse
momento já corresponde a um movimento interno de conhecimento da necessidade de mudança e de ajuda para
os problemas.
Dessa forma, a maneira de acolhimento do psicopedagogo fará diferença na continuidade do processo, além de
ser um momento de implicitamente perceber a expectativa dos pais, seus anseios, as emoções ou, até mesmo,
uma conversa de aproximação sobre o porquê de estar procurando o serviço psicopedagógico.
Figura 3 - Prova piagetiana: balança
Fonte: Monkey Business Images, Shutterstock, 2018.
Passando o primeiro contato com a pessoa requisitante, dar-se-á início ao processo diagnóstico. Como já
ressaltado anteriormente, cada profissional utiliza meios e estratégias diferentes para alcance das suas
finalidades.
Weiss (2012) apresenta um quadro sobre as etapas de realização do diagnóstico, confrontando com a sua
sugestão de sequência diagnóstica, a conhecer:
EXEMPLO
Pedro, 9 anos, foi atendido pelo serviço de atendimento psicopedagógico, apresentando
problemas de leitura, escrita e matemática. A avaliação diagnóstica ocorreu ao longo de 8
sessões com duração de 60 minutos, utilizando instrumentos como Hora do Jogo Diagnóstica,
Provas Piagetianas e entrevistas com os pais. Para o fortalecimento do vínculo paciente
/terapeuta, ao término da aplicação das provas, atividades lúdicas, como brincadeiras, jogos,
quebra-cabeça, leitura de histórias e desenho livre, foram desenvolvidas. (BATISTA et al.,
2015).
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Figura 4 - Sequência diagnóstica
Fonte: WEISS, 2012, p. 44.
Veremos, a seguir, como se caracterizam alguns desses momentos apresentados, coma finalidade de conhecer e
motivar o estudo mais profundo e a pesquisa de cada perspectiva dos autores.
· Contrato e enquadramento
Weiss (2012) nos apresenta que o contrato e enquadramento tratam-se de uma conversa com os pais ou com o
paciente, com o objetivo de esclarecer sobre as funções do atendimento e do profissional, previsão de sessões,
horários, local e honorário, contato interdisciplinar com outros profissionais e com a escola.
· Entrevista Familiar Exploratória Situacional (EFES)
Corresponde a uma entrevista que reúne os pais e o paciente no mesmo momento, com o objetivo de
compreender a queixa na dimensão familiar e escolar a partir do diálogo e da construção de confiança através da
conversa (WEISS, 2012).
· Entrevista Operatória Centrada na Aprendizagem (EOCA)
Proposta pautada em uma entrevista mais dinâmica e concreta com o sujeito, a partir de pedidos, envolvendo a
construção de algo através de diversos materiais (como folhas coloridas, lápis, cola, tesoura, livros, revistas etc.),
pertinentes à idade e à escolaridade (OLIVIER, 2011).
· Hora do jogo
FIQUE ATENTO
O psicopedagogo deve atuar em parceria com os profissionais da escola, principalmente, no
processo de diagnóstico para compreensão da queixa. No tratamento, é essencial orientar a
escola quanto às orientações e recomendações importantes para o desenvolvimento de uma
aprendizagem significativa e uma avaliação adaptada e coerente com a sua eficiência cognitiva.
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· Hora do jogo
Técnica que consiste em construir um caixa com diversos jogos e materiais que possibilitem perceber as
habilidades, percepção, interação, processos acomodativos e assimilativos, dentre outros aspectos do sujeito
(WEISS, 2012).
Seguro do diagnóstico do sujeito, dar-se-á andamento ao tratamento, que muitas vezes ocorre de modo
multidisciplinar.
O tratamento psicopedagógico consistirá em usos de jogos diversos, brinquedos, atividades motoras, contação
de histórias, entre outros recursos lúdicos, previamente analisados e pensados para cada especificidade, capazes
de criar potencialidades e motivação para a aprendizagem.
Fechamento
Vimos as características essenciais do trabalho no âmbito clínico. O psicopedagogo clínico tem como atividade
central a investigação dos problemas de aprendizagem, diagnóstico e tratamento psicopedagógico, a partir de
várias técnicas que possam propiciar uma pesquisa sobre o sujeito diante o meio no qual está inserido.
Compreendemos, também, que não há um roteiro padronizado ou preestabelecido da atuação clínica, mas vários
fundamentos e concepções, as quais farão parte das escolhas e identificação do profissional que, em maioria,
utiliza-se de entrevistas, anamnese, jogos diversos e provas operatórias para diagnóstico e, em seguida, de
metodologias pautadas na ludicidade para tratamento e alcance do seu principal objetivo: garantia da
aprendizagem significativa.
Referências
BASTOS, A. B. B. I. : diagnóstico e intervenção. São Paulo: Edições Loyola,Psicopedagogia clínica e institucional
2015.
BATISTA et al. Avaliação psicopedagógica de criança com alterações no desenvolvimento: relato de experiência. 
., São Paulo, v. 32 n. 99, Rev. psicopedag 2015. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?
script=sci_arttext&pid=S0103-84862015000300006>. Acesso em: 03/01/2019.
BOSSA, N. A. : contribuições a partir da prática. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2007.A psicopedagogia no Brasil
DÍAS, F. . Salvador: EDUFBA, 2011.O processo de aprendizagem e seus transtornos
MAMEDE-NEVES, M. A. C. Jovens em jogo no espaço psicopedagógico. , São Paulo, v. 34, n. 105,Rev. psicopedag.
2017. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-
84862017000300002>. Acesso em: 03/01/2019.
OLIVIER, L. : teoria e prática na aplicação em clínicas e escolas. 3. ed. Rio dePsicopedagogia e arteterapia
SAIBA MAIS
Para pensar sobre as tecnologias e jogos digitais relacionados à Psicopedagogia na juventude,
leia o artigo de Maria Apparecida C. Mamede-Jovens em Jogo no Espaço Psicopedagógico 
Neves, publicado na Revista Psicopedagogia.
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84862015000300006
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84862015000300006
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84862015000300006
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84862017000300002
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84862017000300002
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84862017000300002
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84862017000300002>. Acesso em: 03/01/2019.
OLIVIER, L. : teoria e prática na aplicação em clínicas e escolas. 3. ed. Rio dePsicopedagogia e arteterapia
Janeiro: Wak Ed., 2011.
WEISS, M. L. L. : uma visão diagnóstica dos problemas de aprendizagem escolar. 14. ed.Psicopedagogia Clínica
Rio de Janeiro: Lamparina, 2012.
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84862017000300002
	Introdução
	Psicopedagogia Clínica
	Psicopedagogo em atendimento clínico
	Esquema aprendizagem escolar
	Diagnóstico e intervenção
	Prova piagetiana: balança
	Sequência diagnóstica
	Fechamento
	Referências

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