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Universidade Federal de Santa Maria/Cachoeira do Sul Coordenadoria Acadêmica Engenharia de Transportes e Logística Disciplina: Projeto Integrado em Infraestrutura de Transportes - CSETL 4122 Profa. Dra. Thaís Aquino dos Santos Encontros com Obras de Arte Especiais (OAE) Introdução O que são Obras de Arte Especiais? Especificamente, as obras de arte especiais compreendem as estruturas, tais como pontes, viadutos ou túneis, necessárias à plena implantação de uma via e que, pela suas proporções e características peculiares, requerem um projeto específico. Introdução No contexto de obras de infraestrutura de transportes, tanto no âmbito ferroviário quanto no rodoviário, existem normas específicas que regem o projeto dessas estruturas. Introdução Além disso, a engenharia rodoviária possui um manual com todas as diretrizes detalhadas acerca do projeto dessas obras de arte especiais. Publicação 698/1996. Introdução A transição obra de arte especial/rodovia tem sido, sempre, um ponto crítico para a manutenção de um tráfego fluente e confortável. Às deficiências de projeto somam-se defeitos de construção e conservação inadequada; obras estreitas, obras curtas, obras com extremos em balanço muito flexíveis, aterros mal compactados ou em processo de adensamento e drenagem insuficiente ou mal cuidada, são alguns fatores que concorrem para que o usuário sinta, com desconforto e insegurança, a transição obra de arte/rodovia. Introdução Os aterros de aproximação de pontes e viadutos são locais que demandam projeto e construção específicos, pois podem se tornar pontos com problemas de ocorrência de deformações verticais permanentes, que se refletem na via. A tendência de ocorrer deformações permanentes no maciço terroso é, principalmente, motivada pela variação da rigidez vertical da condição de suporte da via sobre o tabuleiro inflexível para o aterro com deformação elástica. Dispositivos de Transição e Contenção Os dispositivos básicos de transição e contenção são as lajes de transição, os encontros e as cortinas e alas. Basicamente, as obras de arte especiais ou têm apoios extremos ou os extremos em balanço; as obras com apoios extremos realizam a transição com a rodovia através de encontros, que são dotados de cortinas, alas e lajes de transição, enquanto que as obras com extremos em balanço fazem a transição através de, apenas, cortinas, alas e lajes de transição. Dispositivos de Transição e Contenção Pontes com Extremos em Balanço As pontes com extremos em balanço são estruturas econômicas, visto que dispensam encontros e permitem, muitas vezes, reduzir vãos e número de apoios. A transição rodovia/obra de arte é, de certa forma, deficiente; esta deficiência é causada, basicamente, pela má compactação dos aterros de acesso, executados após e não antes da construção da ponte e pela excessiva movimentação das extremidades dos balanços. Dispositivos de Transição e Contenção Pontes com Extremos em Balanço A melhoria da compactação e da conservação dos aterros de acesso, a utilização das placas de transição e a limitação das deformações admissíveis nas extremidades dos balanços, praticamente eliminam as restrições às obras com extremos em balanço. Nas pontes com extremos em balanço, a transição rodovia/obra de arte é efetuada apenas com as cortinas, alas e lajes de transição. Dispositivos de Transição e Contenção Lajes de Transição Todas as obras serão providas de lajes de transição, de espessura não menor que 25 cm e de comprimento igual a 4 metros, ligadas à estrutura (cortina) ou ao encontro por meio de articulações de concreto, sem armadura passante, e apoiadas no aterro de acesso. Sua função é a de amenizar diferenças de nível entre o aterro e o tabuleiro da ponte, provocadas por recalques do primeiro. As características do aterro nas proximidades das lajes de transição deverão ser indicadas no projeto em atenção à sua estabilidade. o Memória de cálculo justificativa; o Parâmetros de resistência em função do solo de empréstimo (ensaios geotécnicos); o Análise da estabilidade – FS mínimo de 1,50. Dispositivos de Transição e Contenção Lajes de Transição Laje de transição Dispositivos de Transição e Contenção Cortinas As cortinas são transversinas extremas, dotadas, no lado externo, de um ou dois dentes ao longo de todo o seu comprimento; o dente superior, obrigatório, suporta a laje de transição e o inferior, aconselhável, define melhor a contenção do aterro e as armaduras das cortinas. Dispositivos de Transição e Contenção Alas Alas são estruturas laminares, solidárias às cortinas e com geometria adequada para contenção lateral dos aterros de acesso. As alas deverão ser projetadas de forma que fiquem mergulhadas, pelo menos, 50 cm no terrapleno projetado; sua espessura não deverá ser inferior a 25 cm e, de preferência, deverá confinar toda a laje de transição. Dispositivos de Transição e Contenção Alas a) Em U; b) Em U com alas triangulares. Dispositivos de Transição e Contenção Encontros Encontros são elementos estruturais que possibilitam uma boa transição entre obras de arte especiais e rodovias; ao mesmo tempo em que são os apoios extremos das obras de arte, são elementos de contenção e estabilização dos aterros de acesso. Dispositivos de Transição e Contenção Encontros Dependendo de seu porte, de suas fundações e do tipo de contenção que proporcionam, os encontros podem ser classificados, basicamente, em dois tipos: Encontros Leves; Encontros de Grande Porte. Dispositivos de Transição e Contenção Estabilidade dos Taludes dos Acessos Estruturas com Extremos em Balanço A Figura abaixo indica um caso típico de estrutura com extremos em balanço junto ao aterro. Detalhe do talude – Estrutura em balanço Dispositivos de Transição e Contenção Estabilidade dos Taludes dos Acessos Estruturas com Extremos em Balanço Se o projeto admitir a execução do aterro posteriormente à da estrutura, o vão mínimo a ser previsto entre a face inferior da estrutura e o topo do terrapleno, "h", será determinado de forma a permitir compactação satisfatória naquele trecho; os valores de m e a serão estabelecidos em função da estabilidade do talude do encontro, respeitando-se o coeficiente de segurança mínimo de 1,5; em nenhum caso o valor de m será inferior a 1,5. Dispositivos de Transição e Contenção Estabilidade dos Taludes dos Acessos Estruturas com Extremos em Balanço Na região próxima à extremidade inferior da estrutura, de difícil compactação, deve ser prevista contenção do aterro sob a laje de transição através de um muro que, na forma mais simples, será constituído por enrocamento ancorado inferiormente no aterro bem compactado. Detalhe do talude – Estrutura em balanço Dispositivos de Transição e Contenção Estabilidade dos Taludes dos Acessos Execução do Reaterro O reaterro da região situada entre a obra e a estrada deve ser feito com material selecionado, que confira ao aterro condições satisfatórias de apoio da laje de transição com um recalque mínimo. Poderá ser utilizado solo-cimento em proporções tais que resulte em uma mistura homogênea e que, após compactado devidamente, apresente condições de suporte adequadas. O teor de cimento para o ensaio de compactação pode ser dado pela tabela indicada, conforme o tipo de solo e segundo a classificação AASHTO. Dispositivos de Transição e Contenção Estabilidade dos Taludes dos Acessos Proteção dos taludes O projeto deverá prever, sempre, proteção superficial dos taludes nos trechos da rodovia adjacentes às obras de arte especiais; os comprimentos desses trechos não deverão ser inferiores a três vezes as alturas dos aterros de acesso. Dois tipos de proteção de talude deverão ser considerados: Trecho situado sob a Obra de arte: Neste trecho, não alcançado diretamente pelos raiossolares e onde a vegetação não vinga, a proteção dos taludes poderá ser constituída por placas pré-moldadas de concreto, rejuntadas, ou por alvenaria argamassada. Trechos Laterais: A proteção dos taludes poderá ser efetuada por vegetação adequada. Solos Moles - Encontros de Pontes Nas últimas aulas aprofundamos nosso conhecimento na construção de aterros sobre solos moles. Conceitos, cálculo de recalques, análise de recalques e estabilidade, projeto de engenharia; Métodos construtivos; Instrumentação e Acompanhamento; Esses materiais também podem estar presentes nos encontros com OAEs. Solos Moles - Encontros de Pontes Os aterros de encontros de pontes constituem um caso especial de uma rodovia e merecem um tratamento a parte, por isso são classificados como aterros Classe I. Os aspectos de estabilidade e de recalques foram tratados anteriormente (Aula 7). Esta aula apresenta comentários adicionais sobre a interação aterro – estrutura da ponte. Solos Moles - Encontros de Pontes Sequência construtiva Recomenda-se que os aterros sejam construídos antes da ponte para evitar os efeitos de deslocamento lateral do solo mole e empuxos horizontais nas fundações da ponte ou viaduto. Segundo Tschebotarioff (1973), esse efeito deve ser desprezível quando o fator de segurança (FS) do aterro for igual ou superior a 1,5. Nesses casos, o projeto deve especificar uma instrumentação mínima que permita acompanhar os recalques sob o aterro do encontro. Entretanto, se o FS calculado para o encontro, através de análises de estabilidade for inferior a 1,5, é necessário avaliar o valor dos esforços atuando sobre os elementos de fundação. As instrumentações, nesses casos, devem ser mais completas, incluindo a medição, não só dos recalques do aterro, mas também dos movimentos horizontais próximo às estacas (inclinômetro). Solos Moles - Encontros de Pontes Estabilidade longitudinal O uso de uma berma estabilizadora no sentido longitudinal pode ser prejudicado pela presença da estrutura, ou pela presença de um rio, canal ou rodovia que se deseja atravessar. Nesse caso, o reforço do aterro com geossintéticos na base é uma alternativa técnica e muitas vezes econômica. Placa ou laje de aproximação É recomendável adotar no projeto da estrutura uma placa ou laje de aproximação bi-apoiada para compensar eventuais recalques diferenciais entre a estrutura e o aterro, obtendo-se uma transição suave. Solos Moles - Encontros de Pontes Empuxo lateral nas estacas A construção de um aterro sobre uma camada mole provoca deslocamentos laterais no solo. Uma estaca situada dentro deste campo de deslocamentos sofrerá um carregamento lateral devido aos deslocamentos da massa de solo. Empuxo lateral nas estacas devido aos deslocamentos do aterro sobre solo mole Efeito Tschebotarioff Solos Moles - Encontros de Pontes Empuxo lateral nas estacas Uma tentativa de caracterizar o problema foi apresentada por Tschebotarioff (1973), daí ser comum no Brasil atribuir o nome deste engenheiro ao fenômeno. O assunto também foi objeto de preocupação por De Beer e Wallays (1972) que também propuseram um método de análise. Ambos os métodos adotam simplificações grosseiras, dentro das limitações da época em foram propostos e não consideram adequadamente os fenômenos envolvidos. Por estas razões não devem ser usados em projetos rodoviários. Solos Moles - Encontros de Pontes Empuxo lateral nas estacas – Método rigoroso de análise A forma mais rigorosa de análise envolve os seguintes passos: a) Realizar uma análise numérica de tensões e deformações do aterro sobre o solo mole, por exemplo com o Método dos Elementos ou Diferenças Finitas, obtendo-se o campo de deslocamentos provocados pela construção do aterro. Etapa 1 – Estudo de deformações Solos Moles - Encontros de Pontes Empuxo lateral nas estacas – Método rigoroso de análise b) Obter os deslocamentos que ocorrerão no solo junto ao estaqueamento. Etapa 2 – Deslocamento junto à estaca Solos Moles - Encontros de Pontes Empuxo lateral nas estacas – Método rigoroso de análise c) Simular a aplicação destes deslocamentos no solo ao redor do estaqueamento, o que gera um campo de tensões laterais que deverão ser absorvidas por flexão das estacas. Etapa 3 – Análise pv Solos Moles - Encontros de Pontes Empuxo lateral nas estacas – Método rigoroso de análise d) Analisar a segurança quanto a flexão das estacas. Etapa 4 – Comparação de momentos A simulação do problema pode ser razoável para uma estaca isolada, mas ainda está longe da verdade, com os métodos de análise que se usam atualmente, quando se trata de um estaqueamento tridimensional. Nesse caso, pode-se simular corretamente a primeira linha de estacas, mas o efeito na segunda linha, em geral, é superestimado. Solos Moles - Encontros de Pontes Empuxo lateral nas estacas – Método simplificado de análise Uma avaliação expedita da adequação de uma estaca a um determinado campo de deslocamentos pode ser facilmente realizada pelos métodos propostos por Goh et al (1997) e Chen e Poulos (1997). Ambos são baseados em análises rigorosas, como as descritas anteriormente, que geraram gráficos para aplicação a problemas correntes.