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II Seminário de Atualidades em Proteção Florestal Controle de Incêndios, Pragas, Doenças e Plantas Invasoras em Áreas Florestais 06 a 09 de Junho de 2005 – Blumenau - SC AJUSTAMENTO DA LEGISLAÇÃO FITOSSANITÁRIA BRASILEIRA À NORMA INTERNACIONAL DE MEDIDA FITOSSANITÁRIA–NIMF Nº 15/FAO Renato Moreira de Faria 1& Sílvio Luiz Rodrigues Testasecca 2 1 Engenheiro Florestal, Especialista em Biossegurança; Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; rmfaria@agricultura.gov.br. 2Engenheiro Agrônomo; Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; silviotestasecca@agricultura.gov.br. Resumo O presente estudo aborda a adequação da legislação fitossanitária brasileira à Norma Internacional de Medida Fitossanitária nº 15 da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (NIMF nº 15-FAO) relativamente ao controle de trânsito de pragas florestais através de embalagens e “pallets” de madeira acondicionadoras das mais diversas mercadorias exportadas por empresas brasileiras e por empresas estrangeiras com filiais em operação no Brasil. Sabidamente os navios sempre foram meios de disseminação de vários organismos no planeta. Foi esse o meio de introdução em muitos países de várias espécies exóticas consideradas pragas como os ratos (Rattus rattus, Rattus norvegigus), camundongos (Mus musculus), e as baratas (Periplaneta americana e Blatella germanica). Especificamente as pragas florestais - como as vespas-de-madeira (Sirex noctilio), broca-do-eucalipto (Phoracantha semipunctata) e o besouro chinês (Anoplophora glabripennis) - tem significado tão importante para a economia florestal internacional que provocou a criação de legislação específica para o controle sanitário nos pontos de entrada/saída dos países membros da OMC. As condições sanitárias de embalagens de madeira bruta utilizadas em produtos para exportação requer, dos exportadores e dos tratadores de madeira brasileiros, uma maior atenção aos aspectos fitossanitários a partir da adoção por parte desses países da NIMF nº15-FAO. Essa norma regulamenta os cuidados que se devem adotar para garantir a ausência completa de vestígios de pragas quarentenárias vivas em qualquer uma de suas fases de desenvolvimento nas embalagens de madeira bruta utilizadas no acondicionamento de mercadorias de qualquer espécie destinadas ao trânsito internacional. A partir de datas específicas definidas pelos diversos países que decidiram adotá-la, todos os produtos embalados em madeiras brutas a eles destinados deverão atender às exigências sanitárias e, ao mesmo tempo, em caráter de reciprocidade, passam a atendê-la em suas exportações àqueles países que também a adotarem. Em função da adoção desse instrumento de ordem sanitária pelos mais importantes parceiros comerciais do Brasil, e visando atender aspectos específicos que não estavam contemplados na legislação vigente, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) editou legislação pertinente a partir do ano de 2002. Cumprindo com suas responsabilidades pertinentes a inspeção de produtos de origem vegetal, à vigilância fitossanitária, às doenças e pragas dos vegetais e à fiscalização do trânsito internacional e interestadual de vegetais, parte de vegetais, seus produtos e subprodutos, o Ministério editou a Instrução Normativa SDA no 12/2003 e a Instrução Normativa Conjunta MAPA/IBAMA/ANVISA nº 1/2003. Mais recentemente o Organismo Nacional de Proteção Fitossanitária (ONPF) brasileiro, que é o Departamento de Sanidade Vegetal do MAPA, publicou emergencialmente a Instrução Normativa SDA nº 4/2004 e colocou sob Consulta Pública, através da Portaria SDA nº 10/2005, a proposta de Instrução Normativa que regulará em caráter permanente os aspectos relativos ao ajustamento da legislação fitossanitária brasileira às normas de biossegurança da NIMF nº 15-FAO, ou seja, a sua internalização. Palavras chave: Madeira, Embalagem, Fitossanidade, Biossegurança, Praga. Abstract The present study consider the adequacy of Brazilian plant sanitary legislation to the International Standards for Phytosanitary Measures no. 15 of Food and Agriculture Organization of United Nations (ISPM #15-FAO) related to the forest pests transit control through wood packaging material used by either Brazilian or foreign companies to transport distinct goods. It is well known that merchant ships have been acting as dispersion agents of several exotic species such as rodents (Rattus rattus, Rattus norvegigus, Mus musculus) and cockroach (Periplaneta americana and Blatella germanica) have been introduced in several countries. Focusing on species of agricultural interest, such as wood wasps (Sirex noctilio), eucalyptus longhorned borers (Phoracantha semipunctata) and the Asian longhorned beetle (Anoplophora glabripennis), the countries government has created a specific legislation and implemented a sanitary control on the possible entrance/departure routes in the WTO members country (ports, airports and dry frontiers). The Brazilian wood packaging producers must have a bigger attention with the sanitary conditions imposed by the countries who adopted the ISPM #15-FAO model. ____________________________________________________________________________________________________ Promoção: II Seminário de Atualidades em Proteção Florestal Controle de Incêndios, Pragas, Doenças e Plantas Invasoras em Áreas Florestais 06 a 09 de Junho de 2005 – Blumenau - SC That standard designate the procedures to guarantee the complete absence of quarantine pests associated with wood packaging material in use in international trade and guarantee the reciprocity between countries about preventing the spread of pests. Because that, Brazilian Ministry of Agriculture, Cattle Raising and Food Supply has modifying the current legislation since 2022, complying with its responsibility with “vegetable products inspection; … program and promotion of phytosanitary surveillance and control; … plant sanitary prevention and protection; … international and interstate movement inspection of plant, its parts, products and sub products” (Article 41 of Agriculture and Livestock Sanity Secretariat Internal Regiment). MAPA has published the Instrução Normativa SDA no 12/2003 and the Instrução Normativa Conjunta MAPA/IBAMA/ANVISA nº 1/2003, and recently, MAPA’s Plant Protection Department (the Brazilian National Plant Protection Organization - NPPO) published emergency the Instrução Normativa SDA nº 4/2004 putting under Public Consultancy, through the Portaria SDA nº 10/2005, a proposal of permanent Regulation agreement NIMF #15- FAO and from the biosafety point of view. Keywords: Wood, Packs or pallets, Plant health, Biosafety, Pest. INTRODUÇÃO O surgimento de pragas florestais exóticas em plantios no interior dos países tem ocorrido em decorrência da entrada pelas suas fronteiras de madeiras atacadas em seus locais de origem. Madeira sem valor comercial, como sobras de beneficiamento ou atacadas por insetos, são geralmente aproveitadas como embalagens, não passam por tratamento sanitário prévio e acabam por transformar-se em vetores de pragas pelos países por onde transitam. Embora tratamentos sanitários de madeiras sejam de conhecimento amplo das empresas do segmento florestal, seus custos, em alguns casos ainda são a justificativa para não serem empregados na confecção de embalagens, sendo, então, utilizados os processos de secagem adequada somente para produtos de maior valor agregado (Santos, 2002). Diante desse quadro, levando-se em consideração os casos já ocorridos de introdução involuntária de algumas pragas economicamente importantes, e, principalmente, considerando-se a perspectiva de introdução de novas pragas mais violentas já espalhadas pelo mundo, é que a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação editou Norma Internacional de Medida Fitossanitária nº 15 (NIMF nº 15-FAO) em março de2002, normatizando tratamentos sanitários de embalagens de madeira para prevenir, minimizar e/ou eliminar os riscos introdução ou dispersão de pragas quarentenárias relacionadas com embalagens de madeira (incluídas as de estiva) que podem comprometer a saúde das populações florestais dos países. Esta Norma, como as demais da FAO, foi elaborada como parte do programa mundial de políticas e assistência técnica em matéria de quarentena vegetal que é conduzida pela Organização e oferecida aos países contratantes da Convenção Internacional de Proteção Fitossanitária (CIFP), aos membros da FAO e aos interessados em harmonizar as medidas fitossanitárias no âmbito internacional, com o propósito de facilitar o comércio e evitar o uso de medidas injustificadas como obstáculos ao comércio. Essas “NIMF” são normas, diretrizes e recomendações reconhecidas como base para as medidas fitossanitárias que se aplicam aos membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) em virtude do acordo sobre a Aplicação de Medidas de Saúde Animal e Fitossanitárias e estão sujeitas a revisão periódica e emendas (FAO, 2002). São distribuídas às seguintes Organizações Nacionais de Proteção Fitossanitária (ONPF): - Comissão de Proteção Fitossanitária para a Ásia e o Pacífico; - Comissão de Proteção Fitossanitária para o Caribe; - Comitê Regional de Sanidade Vegetal para o Cone Sul (COSAVE, cujo Brasil é membro); - Comunidade Andina; - Conselho Fitossanitário Interafricano; - Organismo Internacional Regional de Sanidade Agropecuária; - Organização de Proteção Fitossanitária para o Pacífico; - Organização Européia e Mediterrânea de Proteção de Plantas; - Organização Norte-americana de Proteção de Plantas. No caso específico do Brasil, compete ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), através do Departamento de Sanidade Vegetal, entre outras ações, “a inspeção de produtos de origem vegetal; ... programação e promoção da execução das atividades de vigilância fitossanitária; ... profilaxia e combate às doenças e pragas dos vegetais; ... fiscalização do trânsito internacional e interestadual de vegetais, parte de vegetais, seus produtos e subprodutos” (Art.41 do Regimento Interno da Secretaria de Defesa Agropecuária). Estas ações ____________________________________________________________________________________________________ Promoção: II Seminário de Atualidades em Proteção Florestal Controle de Incêndios, Pragas, Doenças e Plantas Invasoras em Áreas Florestais 06 a 09 de Junho de 2005 – Blumenau - SC são reforçadas pela responsabilidade do Ministério junto ao Conselho Técnico Nacional de Biossegurança - CTNBio 1 e abarcam mais globalmente a questão de liberação no meio ambiente de organismos que oferecem maiores riscos às plantas nativas e à biodiversidade (Faria, 2002 e 2003). Especial atenção está sendo dada ao crescimento substancial do comércio internacional nos últimos anos e medidas mitigadoras estão sendo implementadas por diversos países contra vetores de pragas que se instalam em madeiras úmidas ou mal secas (Faria, 2005). REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Desde a sua origem, a agricultura tem sido acompanhada pelo processo de transporte de plantas e animais de um lugar para outro (Vilela; Zucchi; Cantor, 2000) e está relatada em toda a história das civilizações. O transporte é, então, responsável pela introdução de novas espécies, feita de forma involuntária ou deliberada, tanto para satisfazer um prazer sentimental de pessoas que migram, como para aumentar a produtividade agrícola-pastoril das regiões onde se estabelecem. Tornam-se muito freqüentes interferências como a introdução de sementes e esporos ou mesmo de animais pequenos, como roedores e insetos (ovos e larvas) sem cuidados para com as influências destes sobre o ambiente receptor (Schüür, 2000). Até início do Século XX não havia maiores preocupações com as conseqüências de tais atos, por não haver, de acordo com Ehrlich e Ehrlich (1992), como há presentemente, o conhecimento das possíveis ameaças à biodiversidade do planeta nem o impacto que essas introduções podem acarretar sobre as espécies nos ecossistemas onde são introduzidos, ou nos ecossistemas vizinhos para onde podem escapar (DIAMOND, 1984; PIMM, GILPIN, 1989 e WRI, 1992 in Fontes et al., 2001). Por ignorância ou relapso, muitas vezes a introdução deliberada foi responsável por introduções paralelas involuntárias, fato que ainda ocorre nos dias de hoje e que podem afetar o equilíbrio pedológico, alterando a fertilidade e estabilidade do solo. Insetos que se desenvolvem sem a presença de predadores naturais transformam-se em pragas extremamente agressivas por se tornarem competidores mais robustos e mais bem armados que seus homólogos autóctones que são eliminados (Fontes et al., 2001; Schüür, 2000). 1 “Biossegurança é o conjunto de ações voltadas para a prevenção, minimização ou eliminação de riscos inerentes às atividades de pesquisa, produção, ensino, desenvolvimento tecnológico e prestação de serviços, riscos que podem comprometer a saúde do homem, dos animais, do meio ambiente ou a qualidade dos trabalhos desenvolvidos” (Comissão de Biossegurança da Fundação Oswaldo Cruz - FIOCRUZ). Wallner (1996) observa que os danos relacionados à inobservância de normas de biossegurança vão de perdas econômicas a conseqüências ambientais desastrosas como desflorestamento, simplificação do ecossistema, destruição da vida selvagem e de habitats ripários e aumento dos riscos de incêndio, impactos ambientais indesejáveis, como mudanças na composição da flora, além de perturbar as atividades recreacionais, depreciar o valor de imóveis rurais e/ou residenciais e afetar a saúde humana. Especificamente com relação à introdução de pragas florestais via embalagens de madeira, não se diferencia o Brasil do que ocorre em vários outros países, visto que são materiais fabricados com madeira de baixa qualidade, ou de sobras de madeira recém abatidas, de alto risco para a introdução de pragas, visto conterem ainda um elevado teor de umidade e, uma vez infestada, ao se transformar em embalagem assume a condição de vetor de pragas que atacarão as árvores vivas no local de destino, onde não ocorrem inimigos naturais que controlem a sua proliferação e, segundo Lelis (2000), causam prejuízos econômicos ao depreciarem a madeira produzida por populações infestadas. Já a madeira seca está livre do ataque devido à exigência dessas brocas e dos fungos de uma alta umidade na madeira para se desenvolverem. A disseminação da vespa da madeira, que tem causado danos às árvores e prejuízos às exportações de madeira de vários países, mostra a grande importância das medidas quarentenárias, que procuram impedir a entrada de pragas e doenças em regiões onde não ocorrem (Iede et al., 1993; Vilela, Zucchi, Cantor, 2000). Presentemente, a praga florestal que mais preocupa as autoridades brasileiras é o Besouro-Chinês Anoplophora glabripennis (Coleoptera: Cerambycidae), que ainda não ocorre no Brasil, embora já seja praga importante nos estados norte- americanos de Nova Iorque e Illinois, onde foi constatado em 1996, que segundo o USDA até 1998 já havia consumido mais de cinco milhões de dólares. Além das práticas de monitoramento para detecção precoce da presença de pragas, medidas quarentenárias são obrigatórias para o controle ____________________________________________________________________________________________________ Promoção: II Seminário de Atualidades em Proteção Florestal Controle de Incêndios, Pragas, Doenças e Plantas Invasoras em Áreas Florestais 06 a 09 de Junho de 2005 – Blumenau - SC fitossanitário e impedimento da introdução de novas pragas de importância econômica e requer permanente controle para evitar suadisseminação. Em função disso, as autoridades sanitárias do MAPA em conjunto coma as autoridades alfandegárias do Ministério da Fazenda (MF) estabeleceram a partir de 1999 medidas quarentenárias e de proibição de importação de madeiras de áreas atacadas por pragas florestais que representassem risco para o setor florestal brasileiro, através das Portarias Interministeriais MAPA/MF nº 499/1999 e 146/2000. Esses instrumentos legais preconizavam a adoção de medidas fitossanitárias rigorosas para as pragas quarentenárias do tipo A-2. A partir de 2004, com a adoção de medidas emergenciais, através da Instrução Normativa SDA nº 4, o Brasil assumiu o compromisso de reciprocidade de tratamento das condições fitossanitárias das embalagens previsto pela OMC e passou a credenciar empresas de tratamento quarentenário e fitossanitário de embalagens de madeira para confecção de embalagens de produtos de exportação. Assim, o país passou a importar mercadorias acondicionadas em embalagens certificadas oriundas daqueles países que internalizaram a NIMF nº 15 em sua legislação fitossanitária (quadro 1) sem a necessidade vistoria “in loco”, bem como passou a exportar mercadorias nas mesmas condições para estes países. Quadro 1 - Países que adotaram a NIMF nº 15 - FAO. Table 1 - Countries adopt the ISPM #15 - FAO. PAÍSES DA UNIÃO EUROPÉIA (*) Passarão a exigir o cumprimento da norma a partir de 1.º de março de 2005. PAÍSES DA NAPPO: Estados Unidos Concluíram a sua legislação quanto aos procedimentos a serem adotados para a certificação fitossanitária de embalagens e suportes de madeira utilizados no acondicionamento de mercadorias, de qualquer natureza, para a exportação. A legislação relativa às importações, segundo notificação recente, estará sendo exigida a partir de 16 de setembro de 2005. Canadá Passará a exigir o cumprimento das recomendações contidas na NIMF n.° 15, da FAO, a partir de 16 de setembro de 2005. México Passará a exigir o cumprimento das recomendações contidas na NIMF n.° 15, da FAO, a partir de 16 de setembro de 2005. África do Sul Segundo notificação, em exigência a partir de 1.° de março de 2005 Austrália Segundo notificação, em plena exigência Áustria Segundo notificação, em plena exigência. China Informações recentes indicam que a China passará a exigir o cumprimento da norma a partir de 1.º de janeiro de 2006. Colômbia Notificou à OMC. Definirá níveis de exigências até setembro de 2005 Coréia do Sul Passará a exigir o cumprimento da Norma, a partir de junho de 2005 Costa Rica Em plena exigência Filipinas Exigência parcial, sem exigência da marca, a parti de 1° de janeiro de 2005. Plena exigência, a partir de 1.° de junho de 2005. Formosa (Taiwan) Em plena exigência Holanda Exigência a partir do 1.º semestre de 2005 Índia Em plena exigência Jamaica Em processo de regulamentação. Malásia Em exigência, para importação e exportação. Nigéria Em plena exigência Nova Zelândia Em plena exigência Peru Notificou a OMC Suíça Com notificação junto à OMC Turquia Em exigência, a partir de 1.° de janeiro de 2005. PAÍSES DO MERCOSUL/COSAVE Argentina Legislação de certificação para exportação em vigor. Legislação de certificação para importação em consulta interna. Chile Notificou a OMC. Passará a exigir a partir de 1.° de junho de 2005. Paraguai Legislação em elaboração e/ou consulta interna Uruguai Legislação em elaboração e/ou consulta interna (*)Alemanha, Áustria, Bélgica, Chipre, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Irlanda, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Países Baixos, Polônia, Portugal, Reino Unido, República Checa e Suécia. Fonte – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil do Brasil, 2005. ____________________________________________________________________________________________________ Promoção: II Seminário de Atualidades em Proteção Florestal Controle de Incêndios, Pragas, Doenças e Plantas Invasoras em Áreas Florestais 06 a 09 de Junho de 2005 – Blumenau - SC Para aqueles países que ainda não internalizaram a medida da FAO, a prevenção e o combate à ocorrência de pragas e doenças existentes e o impedimento da entrada de novos vetores nas barreiras sanitárias estrategicamente dispostas nos pontos de fronteira com os países vizinhos e nos portos e aeroportos internacionais, a inspeção “in loco” cumpre essa finalidade. O material ao chegar no porto, aeroporto ou correio, é inspecionado por um inspetor da Superintendência Federal de Agricultura (SFA), que examina as suas condições sanitárias assim como a documentação. Quando as condições não correspondem às exigências legais ou o material apresenta-se visivelmente contaminado por pragas e/ou doenças, a SFA procede a sua destruição ou prescreve quarentena de pós-entrada. No caso específico das embalagens de madeiras brutas, há a obrigatoriedade legal de suas vistorias prévias antes da liberação alfandegária de qualquer classe de mercadoria que nelas vêm acondicionadas. Quaisquer embalagens de madeiras e suas complementares2 utilizadas para acondicionamento de qualquer mercadoria, inclusive de outras peças de madeira processada/tratada são vistoriadas. Caso ocorra qualquer ocorrência fitossanitária com a embalagem e complementares há duas seqüências de procedimentos que deverão ser tomadas. Uma é a queima ou incineração compulsória (Figura 1) de toda a embalagem de madeira das mercadorias importadas ou que tenham transitado pelo Japão, Coréia, China (inclusive Hong Kong) e Estados Unidos da América, países onde o Anoplophora glabripennis já se instalou como praga. Outra é a fumigação por um período superior a 24 horas das embalagens de madeira provenientes de outros países e que apresentem partes de casca ou perfurações ou galerias que indiquem a possível presença de brocas. Os custos operacionais de ambas operações correm por conta do interessado. Figura 1 - Destruição pelo autor de embalagens de madeira originárias de país abrangido pela Portaria. Figure 1 - Interministerial nº 499/99. / Wood packaging destruction by the author. Fonte - Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil, 2000. 1 Travas, grades, estrados, peação e escoras de fixação de cargas em contendores (“containers”) e em porões de navios, caminhões e aeronaves. ____________________________________________________________________________________________________ Promoção: II Seminário de Atualidades em Proteção Florestal Controle de Incêndios, Pragas, Doenças e Plantas Invasoras em Áreas Florestais 06 a 09 de Junho de 2005 – Blumenau - SC MATERIAL E MÉTODOS A partir do ano de 2002, quando foi editada a NIMF nº 15-FAO, de significado tão importante para a economia florestal internacional, e, que provocou a adoção de legislação específica para o controle sanitário nos pontos de entrada/saída dos países membros da OMC, o Organismo Nacional de Proteção Fitossanitário – ONPF brasileiro, que é o Departamento de Sanidade Vegetal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, procurou dotar o país das condições requeridas de produção fitossanitária de embalagens de madeira bruta utilizadas em produtos para exportação. Esforço conjunto entre o governo, os exportadores e os produtores/tratadores de madeira brasileiros, foi desenvolvido no sentido de dar uma maior atenção aos aspectos fitossanitários para atendimento das exigências por parte dos países, principalmente, europeus e norte-americanos, maiores compradores de produtos brasileiros. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) editou legislação pertinente a partir do ano de 2002. Cumprindo com suas responsabilidades relativas à inspeção de produtos de origem vegetal, à vigilância fitossanitária,às doenças e pragas dos vegetais e à fiscalização do trânsito internacional e interestadual de vegetais, parte de vegetais, seus produtos e subprodutos, o Ministério editou a Instrução Normativa Conjunta MAPA/IBAMA/ANVISA nº 1/2003 e as Instruções Normativas SDA nº 12/2003 e nº 4/2004, que regulamentam os cuidados que se devem adotar para garantir a ausência completa de vestígios de pragas quarentenárias vivas em qualquer uma de suas fases de desenvolvimento nas embalagens de madeira bruta utilizadas no acondicionamento de mercadorias de qualquer espécie destinadas ao trânsito internacional. O ONPF brasileiro publicou emergencialmente a Instrução Normativa SDA nº 4/2004 que estabelece as normas para credenciamento de empresas prestadoras de serviços quarentenários e fitossanitários no Brasil (Quadro 2) e colocou sob Consulta Pública, através da Portaria SDA nº 10/2005, projeto de Instrução Normativa que regulará em caráter permanente os aspectos relativos ao ajustamento da legislação fitossanitária brasileira às normas de biossegurança da NIMF nº 15/FAO Esses instrumentos contemplaram medidas em caráter de reciprocidade que visam atender a Norma NIMF nº 15-FAO em suas exportações àqueles países que também a adotaram ou estão na eminência de a adotar. Presentemente prevalece a regra ditada pela Instrução Normativa SDA nº 4, de 06/01/2004, que estabelece, para o caso da exportação, para os países que assim o exigirem, a certificação das embalagens e suportes de madeira, em conformidade com a NIMF n° 15-FAO. Tal certificação consiste em avalizar os Certificados de Tratamentos emitidos por empresas prestadoras de serviços de tratamentos quarentenários e fitossanitários, devidamente habilitadas e credenciadas pelo MAPA, nos termos da Instrução Normativa n° 12, de 7 de março de 2003. A relação atualizada dessas empresas encontra-se disponível no portal da Internet do MAPA. Caso não haja a exigência expressa do país importador, os procedimentos de inspeção e fiscalização são os previstos na legislação vigente. No caso da importação de mercadorias (de qualquer natureza) acondicionadas em embalagens e suportes de madeira, apenas para os países que notificaram o Brasil e a OMC sobre as suas medidas de internalização da NIMF n° 15/FAO, a Fiscalização Federal Agropecuária adotará os procedimentos de inspeção e fiscalização definidos nesta Instrução de Serviço. Para países que não procederam tal notificação, valem os procedimentos definidos pela legislação vigente. O Certificado Fitossanitário ou Certificado de Tratamento, emitido ou chancelado pelo ONPF do país exportador, conterá, em campo apropriado, a informação de que a madeira de embalagens e seus suportes foi tratada no país de embarque da partida, mediante a aplicação de medida fitossanitária de controle de pragas associadas à madeira com a discriminação do tratamento, internacionalmente reconhecido, a que o material foi submetido. Tratamentos reconhecidos A propósito do reconhecimento internacional exigido pela Instrução Normativa Emergencial SDA nº 4/2004, sob a égide da Norma Internacional de Medida Fitossanitária n° 15, da FAO, considera as seguintes situações: ____________________________________________________________________________________________________ Promoção: II Seminário de Atualidades em Proteção Florestal Controle de Incêndios, Pragas, Doenças e Plantas Invasoras em Áreas Florestais 06 a 09 de Junho de 2005 – Blumenau - SC Quadro 2 - Requisitos ao credenciamento de empresas de tratamento quarentenário e fitossanitário. Table 2 - Requirements to credential of quarantinery and phytosanitary treatment companies. DOCUMENTAÇÃO E FLUXOGRAMA DE CREDENCIAMENTO 1. Requerimento em duas vias 2. Cadastro no SICAF 3. Declaração de superveniência 4. Certidão de registro da empresa no CREA-SC, onde conste o nome do responsável técnico com registro/visto no CREA/SC 5. Cópia da ART do Responsável Técnico 6. Relação de operadores da área da estufa e de fumigação, com número de registro 7. Cadastro na CIDASC como AQF ou MB 8. Licença Ambiental de Operação da FATMA/SC (específicas se AQF ou MB) 9. Alvará Sanitário 10. Certidão Negativa de Falência e Concordata, expedido pelo Cartório Distribuidor 11. Planta baixa e memorial descritivo da infra-estrutura e equipamentos principalmente das estufas, EPI e EPC corretos, lonas, etc. 12. Relatório / gráfico para estufas de curvas Tempo X Temperatura para 4 temperaturas 13. Plano de trabalho 14. Modelo de aviso de tratamento (para MB) 15. Modelo de certificado de tratamento 16. Plano de emergência 17. PCMSO 18. PPRA 19. Telefone e e-mail do contato e do Responsável Técnico 20. Inspeção na empresa 21. Registro fotográfico dos equipamentos 22. Registro fotográfico das instalações 23. Registro fotográfico dos veículos 24. Registro fotográfico do depósito pré e pós-tratamento 25. Parecer conclusivo ao chefe do SSA/SFA/SC 26. Parecer do Coordenador da CGAA/SDA/MAPA 27. Comunicar a empresa encaminhamento e nº processo via e-mail. 28. Sem pendências publicação no D.O.U. 29. Encaminhar certificado de tratamento à empresa. Fonte – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil, 2004. Medidas de controle fitossanitário de longo prazo São os tratamentos, processos ou a combinação destes, significativamente efetivos no controle de várias pragas. O emprego de medidas dessa natureza geralmente resulta em mudança das características físicas da madeira e produz efeito de longo prazo na redução do risco fitossanitário. Uma medida de longo prazo deve levar em consideração o número de pragas para as quais sejam eficientes e a viabilidade técnica e comercial de sua aplicação. ____________________________________________________________________________________________________ Promoção: A FAO recomenda que as ONPF's, ao aceitarem uma medida de longo prazo para madeira, incluídas as embalagens e seus suportes, deverão fazê-lo sem requerimentos adicionais, salvo com base em resultados de interceptações ou de Análises de Risco de Pragas que diagnostiquem a associação de uma praga quarentenária a materiais dessas madeiras, exigindo, dessa forma, medidas mais rigorosas. Embalagens de madeira e seus suportes que forem submetidos a tratamentos reconhecidos deverão ser sinalizadas com a marca internacional, aprovada pelo Comitê Interino de Medidas Fitossanitárias da FAO - IPPC (figura 2) feita com a utilização de tinta indelével ou outro processo que garanta a persistência da marca. O espaço preenchido por XX-000 deverá conter, nesta seqüência, a sigla do país (BR para Brasil) e a codificação nacional da empresa que realizou o tratamento, que obedece ao disposto na Instrução Normativa n° 12, de 7 de março de 2003. A oficialização e o controle dos códigos é de responsabilidade da Coordenação de Geral de Agrotóxicos e Afins (CGAA/DSV). O espaço II Seminário de Atualidades em Proteção Florestal Controle de Incêndios, Pragas, Doenças e Plantas Invasoras em Áreas Florestais 06 a 09 de Junho de 2005 – Blumenau - SC preenchido por YY deverá conter o tipo de tratamento a que a embalagem foi submetida HT (Tratamento a Quente) ou MB (Fumigação com Brometo de Metila). São exemplos de Medidas de Controle Fitossanitário de Longo Prazo os seguintes: a) Tratamento Térmico: submissão de embalagens de madeira e seus suportes a aquecimento progressivo, segundo uma curva de tempo/temperatura, mediante o qual o centro da madeira alcança uma temperatura mínima de 56°C, durante um período mínimo de 30 (trinta) minutos (descrito no Anexo XI da IN SDA n° 12, de 07/03/2003, como Tratamento por Ar Quente Forçado- AQF). O Tratamento Térmico ali descrito é identificado internacionalmente pela inscrição HT. Segundo Santos (2002), o equilíbrio entre a velocidade de evaporação daágua na superfície da madeira, a taxa de movimentação interna (tanto de calor como de umidade) e as reações da madeira durante o processo, tornam a secagem o mais rápida possível e com um nível de perdas ou um padrão de qualidade aceitável para o produto que se pretende. Para se atingir esse objetivo é necessário não só o conhecimento sobre a termodinâmica da secagem como também sobre as características da madeira e sobre o funcionamento do secador (Jankowsky, 1995). b) Tratamento Químico: impregnação de produtos químicos sob pressão e outros tratamentos similares podem ser considerados tratamentos térmicos, desde que cumpram com as especificações de tratamento térmico. BR-000 HT Figura 2 - Marca internacional, aprovada pelo Comitê Interino de Medidas Fitossanitárias da FAO. Figure 2 - International mark approved by FAO International Plant Protection Convention. Fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, 2005. Medidas de controle fitossanitário de curto prazo São as medidas que não resultam em mudanças nas características da madeira e que minimizam o risco de introdução de pragas. Exemplo clássico é a Fumigação com Brometo de Metila, identificado internacionalmente pela inscrição MB, cujo padrão mínimo de aplicação é apresentado no quadro 3, abaixo. Para cada 5°C de queda da temperatura ambiente mínima, abaixo dos 21°C, deverão ser acrescentados 8 g/m³ ao tratamento. A temperatura mínima para realização da fumigação com Brometo de Metila não deve ser inferior a 10°C e o tempo de exposição mínimo não deve ser inferior a 16 horas. ____________________________________________________________________________________________________ Promoção: II Seminário de Atualidades em Proteção Florestal Controle de Incêndios, Pragas, Doenças e Plantas Invasoras em Áreas Florestais 06 a 09 de Junho de 2005 – Blumenau - SC Quadro 3 - Parâmetros de aplicação de Brometo de Metila. Table 3 - Metil Bromide aplication parameters. Registros mínimos de Concentração (gramas) após: Temperatura Dosagem (g/m3) 2,0 h 4,0 h 12,0 h 24,0 h 21º C ou mais 48 g 36 g 31 g 28 g 24 g 16° C ou mais 56 g 42 g 36 g 32 g 28 g 11° C ou mais 64 g 48 g 42 g 36 g 32 g Fonte: FAO/ONU, 2002. Figura 3 - Unidade móvel de fumigação de embalagens de madeira com Brometo de Metila em área segregada de zona portuária primária/secundária. Figure 3 - Fumigation movable unit to wood packaging Metil Bromide treatment inside port primary/ secondary zone. Fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil, 2005. Medidas de controle fitossanitário adicionais Tratamentos tipo fumigação com fosfina atualmente são carentes de dados experimentais que confirmem a eliminação de pragas presentes no momento em que se aplica o tratamento na madeira bruta. Alguns poucos métodos de impregnação de produtos químicos por pressão podem ser eficazes. De qualquer forma, alguns tratamentos que podem ser considerados, a título de informação, são: a) Fumigação com fosfina, fluoreto de sulfurila e sulfeto de carbonila (estes dois últimos não registrados para uso no Brasil); b) Impregnação de produtos químicos sob pressão: uso tradicional no tratamento preservativo de madeira de valor comercial contra agentes xilófagos e, segundo a FAO, passível de uso. A impregnação química pode ser realizada mediante processos por pressão ambiente como imersões sucessivas em tanques abertos com preservativos em alta e baixa temperatura, por pressão gerada por bombas de vácuo, bombas de pressão, bombas de transferência, vácuo duplo ou por substituição da seiva. c) Irradiação gama, raios-x, microondas, raios infravermelhos: tratamentos ainda em fase de regulamentação no Brasil. d) Atmosfera Controlada: processo utilizado para impregnação de produtos químicos. ____________________________________________________________________________________________________ Promoção: Os tratamentos citados e outros, passíveis de utilização no tratamento de embalagens de madeira e seus suportes destinadas ao mercado externo e para cargas importadas pelo país, serão II Seminário de Atualidades em Proteção Florestal Controle de Incêndios, Pragas, Doenças e Plantas Invasoras em Áreas Florestais 06 a 09 de Junho de 2005 – Blumenau - SC reconhecidos e liberados à medida que tiverem seus procedimentos de aplicação registrados junto à Coordenação Geral de Agrotóxicos e Afins, através de alterações da Instrução Normativa SDA n° 12, de 07/03/2003. Isenções Estão isentas das exigências da Instrução Normativa Emergencial (Certificado Fitossanitário ou Certificado e Tratamento) as embalagens constituídas de outro material que não a madeira (plásticos, papelões, fibras, metais, etc.) e de madeira industrializada ou processada que, no processo de fabricação, foram submetidas a calor, colagem e pressão. Também não será exigido o Certificado Fitossanitário ou o Certificado de Tratamento das embalagens de madeira e seus suportes que venham marcados com o símbolo internacional IPPC aprovado pela FAO - HT ou MB - provenientes de países que notificaram ao Brasil ou à OMC sobre a decisão de internalizarem a NIMF n° 15. Inspeção de embalagens de madeira nos portos, aeroportos e postos de fronteira seca Toda embalagem de madeira e seus suportes serão inspecionadas, ao chegar ao país, pela Fiscalização Federal Agropecuária, aplicando-se à mesma o princípio da biossegurança disposto nos arts. 10 e 11 e seus Parágrafos, Capítulo II, do Regulamento de Defesa Sanitária Vegetal - RDSV, aprovado pelo Decreto 24.114, de 12 de abril de 1934, in verbis: “Art. 10 - No caso de se verificar, na inspeção à chegada, que os vegetais ou partes de vegetais estão compreendidos na proibição prevista no artigo 1.° e alíneas ou no artigo 2.° e parágrafo, ficarão desde logo sob a vigilância do Serviço de Defesa Sanitária Vegetal em lugar por este indicado. § 1.° - Tais produtos serão reembarcados dentro de 15 dias, ou quando não, após esse prazo, desnaturados ou destruídos. § 2.° - As despesas decorrentes das exigências estabelecidas neste artigo caberão ao interessado, sem que ao mesmo assista direito a qualquer indenização. § 3.° - Tratando de praga ou doença perigosa de fácil alastramento, fará o Serviço de Defesa Sanitária Vegetal a apreensão e a destruição imediata dos produtos condenados. § 4.° - A desnaturação, remoção destruição de produtos condenados será feita pelo Serviço de Defesa Sanitária Vegetal, ou pelas alfândegas, nos portos em que aquele não estiver para tal fim aparelhado. Art. 11 - Os produtos vegetais importados, infectados ou infestados, ou mesmos suspeitos de serem veiculadores de fungos, insetos ou outros parasitos, já existentes e disseminados no país e reputados de importância econômica secundária, poderão ser despachados, uma vez submetidos à desinfecção ou expurgo, ou esterilização, segundo as condições determinadas pelo Ministério da Agricultura. Parágrafo Único. No caso das infecções ou infestações, a que se refere este artigo, terem maior intensidade, ficarão os vegetais ou partes dos vegetais sujeitos ao disposto no artigo 10 e seus parágrafos.” A madeira presente em embalagens e seus suportes é produto vegetal objeto das atividades de inspeção e fiscalização previstas nesta Portaria, portanto, deve vir acompanhada do Certificado Fitossanitário ou do Certificado de Tratamento devido ao alto risco que representa na introdução de pragas quarentenárias. No cumprimento dos arts. 10 e 11 e seus parágrafos do RDSV, a Fiscalização Federal Agropecuária deverá se utilizar do trabalho de empresas prestadoras de serviços de incineração ou outros métodos que assegurem a destruição das embalagens de madeira e seus suportes, devidamente habilitadas e credenciadas nos termos da Instrução Normativan° 12, de 07/03/2003, e licenciadas junto aos órgãos competentes. As mercadorias de que trata a presente Portaria, acompanhadas de DTA (Declaração de Trânsito Aduaneiro), destinadas às Estações Aduaneiras do Interior - EADI ou outras áreas aduaneiras serão submetidas aos mesmos procedimentos das Zonas Primárias, na medida em que as mercadorias para lá encaminhadas ainda não estão desembaraçadas do ponto de vista fiscal e de inspeção pelo MAPA. Amostragem Para fins da inspeção, as embalagens de madeira e seus suportes, acompanhadas de Certificado Fitossanitário ou Certificado de Tratamento, será amostrada em, no mínimo 10% (dez por cento), ou maior, a critério da Fiscalização Federal Agropecuária, nos pontos de ingresso em que se registre um fluxo menor de mercadorias acondicionadas em embalagens de madeira. Nas situações em que as embalagens de madeira e seus suportes, oriundas de países que notificaram a internalização da NIMF n° 15, venham desacompanhadas do Certificado Fitossanitário ou Certificado de Tratamento a totalidade das mesmas (100%) será submetida à inspeção, aplicando-se a ela, no que couber, o disposto nos arts. 10 e 11 e seus parágrafos, do Capítulo II do RDSV. ____________________________________________________________________________________________________ Promoção: II Seminário de Atualidades em Proteção Florestal Controle de Incêndios, Pragas, Doenças e Plantas Invasoras em Áreas Florestais 06 a 09 de Junho de 2005 – Blumenau - SC Termo de compromisso Nos casos em que não seja possível proceder à destruição nas zonas primárias das embalagens de madeira e seus suportes desacompanhadas do Certificado Fitossanitário ou do Certificado de Tratamento, ou quando não for possível à Fiscalização Federal Agropecuária ou à Receita Federal acompanhar as operações de destruição desse material, será emitido o Termo de Compromisso de destruição das embalagens de madeira e seus suportes. Após a destruição pelo interessado, o mesmo enviará o mais rápido possível Declaração ao Posto de Vigilância Agropecuária do Ministério – PVA onde ocorreu o ingresso/egresso da carga embalada em madeira, confirmando a realização dessa operação. Constará do documento a assinatura do responsável pela operação e de duas testemunhas, sendo uma delas indicada pelo Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia - CREA ou, quando se tratar de incineração, pelo órgão ambiental do Estado, o qual verificará as condições adequadas para o trabalho de incineração, de acordo com a legislação vigente (Instrução Normativa n° 12, de 07/03/2003). Após o recebimento da Declaração, o PVA promoverá a baixa no Termo de Compromisso correspondente e, para os casos em que não exista incinerador homologado na região, é importante a discussão com o órgão ambiental do Estado, presente na região ou mais próximo dela, para verificar, de modo emergencial, a melhor forma de incineração do material, de acordo com a legislação vigente. Substituição de embalagens na zona primária Onde houver condições operacionais, desde que incinerada, a substituição nas embalagens e suportes de embalagens pode ser autorizada quando for registrada a presença de insetos vivos suspeitos ou suas marcas, ou casca na madeira de embalagens e seus suportes originais; ou, quando as embalagens e seus suportes não estiverem acompanhados de Certificado Fitossanitário ou Certificado de Tratamento. Tratamento de embalagens na origem Quando a fumigação com Brometo de Metila for o tratamento no país de origem constante do Certificado Fitossanitário ou do Certificado de Tratamento, deverá ser observado o prazo de quinze (15) dias prévios ao embarque, caso contrário as embalagens e suportes de madeira deverão ser incinerados, da mesma forma que se procede quando se verifica a ausência dos Certificados. Determina a Instrução Normativa Conjunta SDA/IBAMA/ANVISA n° 01, de 14/02/2003 que fumigações com Brometo de Metila – MB somente serão autorizadas no território nacional em zonas primárias e secundárias dos portos, aeroportos, Estações Aduaneiras do Interior (EADI) e Estações Aduaneiras de Fronteira (EAFI), salvo casos excepcionais autorizados pela autoridade competente. Liberação da mercadoria acondiciona em embalagem de madeira A liberação da mercadoria acondicionada em embalagem de madeira sólida ocorrerá após a sua inspeção e demais procedimentos previstos no Regulamento de Defesa Sanitária Vegetal - RDSV, mediante a Autorização de Despacho. O Termo de Fiscalização é documento de comunicação oficial ao interessado sobre providências a serem adotadas em relação à incineração, por exemplo. Comunicação às ONPF dos países exportadores O ONPF brasileiro comunicará às suas congêneres dos países exportadores as não- conformidades constatadas e as medidas fitossanitárias adotadas em decorrência das exigências do Regulamento de Defesa Sanitária Vegetal - RDSV. CONCLUSÕES Organismo Nacional de Proteção Fitossanitário – ONPF brasileiro, que é o Departamento de Sanidade Vegetal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, vem dotando o país das condições requeridas de produção fitossanitária de embalagens de madeira bruta utilizadas em produtos para exportação. A partir de 2002, quando foi editada a NIMF nº 15- FAO, o Brasil, como signatário da OMC e membro da FAO, tem evoluído na qualificação de suas embalagens de madeira e no controle sanitário nos pontos de entrada/saída internacionais. Esforço conjunto entre o governo, exportadores e empresas da atividade de base florestal tem resultado no crescente aumento do credenciamento de empresas produtoras e tratadoras de embalagens de madeira, entretanto maior número deverá ser efetivado para atender à demanda crescente por parte dos países importadores de produtos brasileiros, notadamente os europeus e norte-americanos. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) após edição de legislação específica a partir do ano de 2002 credenciou mais de uma centena de empresas prestadoras de serviços quarentenários e fitossanitários. Entretanto, caso se confirmem as datas das implementações das exigências ____________________________________________________________________________________________________ Promoção: II Seminário de Atualidades em Proteção Florestal Controle de Incêndios, Pragas, Doenças e Plantas Invasoras em Áreas Florestais 06 a 09 de Junho de 2005 – Blumenau - SC fitossanitárias desses países, prenuncia-se um comprometimento nas exportações brasileiras pelas empresas dependentes de embalagens de madeira bruta utilizadas no acondicionamento de mercadorias de qualquer espécie. Aguarda-se que, com a colocação pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Projeto de Instrução Normativa sob consulta pública, se agilize a regulamentação em caráter permanente dos aspectos relativos ao ajustamento da legislação fitossanitária brasileira às normas de biossegurança da NIMF nº 15-FAO, ou seja, a sua internalização até setembro de 2005, quando devem entrar em vigor as exigências dos maiores parceiros do Brasil no comércio internacional e se complete o processo de ajustamento da Legislação Fitossanitária Brasileira à Norma Internacional e o cumprimento dos prazos de notificação aos organismos internacionais. Enquanto isso não ocorre prevalece a regra ditada em caráter emergencial pela Instrução Normativa SDA nº 4, de 06/01/2004, que regulamenta parte concernente às embalagens de madeira do Regulamento de Defesa Sanitária Vegetal, aprovado pelo Decreto nº 24.114, de 12 de abril de 1934. Continuará o Ministério avalizando os Certificados de Tratamento emitidos por empresas habilitadas e junto a ele credenciadas, e, para países que não exijam o cumprimento dessa Norma, serão mantidos os atuais procedimentos de inspeção e fiscalizaçãode embalagens e suportes de madeira tratados à base de Brometo de Metila e por calor, conforme definidos na legislação vigente. Aquelas empresas já credenciadas continuarão a utilizar em suas embalagens a identificação dos tratamentos, da forma preconizada pela Norma Internacional de Medida Fitossanitária n° 15, da FAO, internalizada emergencialmente através da IN SDA nº 12/2003 e da IN SDA nº 4/2004. A Fiscalização Federal Agropecuária, no caso dos processos de importação de mercadorias acondicionadas em embalagens e suportes de madeira, continuará adotando os procedimentos de inspeção e fiscalização, conforme critérios de amostragem, aplicando-se o disposto nos arts. 10 e 11 e seus parágrafos, do Capítulo II, do Regulamento de Defesa Sanitária Vegetal, aprovado pelo Decreto nº 24.114, de 12 de abril de 1934, constantes dos procedimentos operacionais específicos, apenas para os países que notificaram o Brasil e a OMC sobre as suas medidas de internalização da NIMF n° 15, da FAO, mantendo os procedimentos estabelecidos na legislação vigente para os demais países. Recomenda-se, como forma de otimizar o processo credenciamento e de operação das empresas prestadoras de serviços, a revisão da Legislação do Trânsito Interestadual de Produtos Vegetais e adoção de Sistemas Informatizados para a Emissão on line do Certificado Fitossanitário de Origem (CFO), da Permissão de Trânsito de Vegetais (PTV) e do Certificado Fitossanitário, bem como a instalação de Projetos-Piloto para a Implementação da Nova Legislação. REFERÊNCIAS BISSOLI, B. M. et al. Metodologia de fiscalização fitossanitária de madeiras, estudo de caso: Caterpillar Brasil Ltda. Piracicaba: MAPA, 2002, 25 p. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC nº 19. Brasília: Imprensa Nacional, 2000. BRASIL, Ministério da Agricultura, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente, Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Instrução Normativa Conjunta nº 1. Brasília: Imprensa Nacional, 2003. BRASIL. Presidência da República. Secretaria- Geral. Manual de Redação: regulamentação. 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