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Princípios dos processos de fabricação utilizando metais e polímeros Prof.Gustavo Simão Rodrigues Descrição Os princípios dos processos de fabricação utilizando metais e polímeros, os efeitos da temperatura em metais como agente de transformação, a resistência mecânica e temperatura como agentes de transformação de metais, a temperatura como agente de transformação em polímeros e os processos de fabricação por adição de material (polímeros). Propósito Frente ao elevado avanço tecnológico e à escassez de matérias primas, é importante para um engenheiro mecânico compreender como os polímeros estão substituindo parcialmente os metais. Para isso, é necessário compreender a fabricação dos mais variados tipos de peças metálicas ou poliméricas, e como a quantidade de processos existentes para atender à demanda exigida pela sociedade sofreu uma grande evolução nos últimos anos. Preparação Antes de iniciar o estudo deste conteúdo, tenha em mãos uma calculadora ou use a calculadora de seu smartphone/computador. Objetivos Módulo 1 Temperatura em metais como agente de transformação Analisar os efeitos da temperatura na fabricação de metais. Módulo 2 Resistência mecânica e temperatura como agente de transformação Analisar os efeitos da temperatura e resistência mecânica na fabricação de metais. Módulo 3 Temperatura em polímeros como agente de transformação Analisar os efeitos da temperatura na fabricação de polímeros. Módulo 4 Processo de fabricação por adição de material (polímeros) Aplicar os métodos de adição de material para a fabricação. Introdução 1 - Temperatura em metais como agente de transformação Ao �nal deste módulo, você será capaz de analisar os efeitos da temperatura na fabricação de metais. Vamos começar! Os efeitos da temperatura na fabricação de metais Neste vídeo, você conhecerá os efeitos da temperatura na fabricação de metais. Processos de fabricação Grandezas de transformação As duas principais grandezas de transformação para a fabricação de peças e produtos são a temperatura e a resistência mecânica. Em uma aplicação, temos que conhecer qual a resistência mecânica em determinada temperatura e como essa resistência se altera com a mudança da temperatura do ambiente ao seu redor. Para contextualizar o que foi dito, vamos observar a imagem seguinte: Metal e polímeros: análise qualitativa de resistência e temperatura para confecção de peças Calandra manual Durante o processo de fabricação de metais e polímeros, quando há uma situação em que a tensão de trabalho é menor do que a tensão de ruptura , obtemos a denominada conformação mecânica. Suas principais operações são: forjamento, laminação, conformação de chapas, trefilação, extrusão etc. Nesse processo, a tensão de trabalho é maior que a tensão de escoamento do material, e a deformação plástica é o meio pelo qual se dá à matéria-prima a forma desejada para peça ou produto final. Em outra classificação do processo de fabricação, em que a tensão de trabalho é maior que a tensão de ruptura ( ), ocorre a remoção de material da matéria-prima para dar a forma desejada à peça fabricada. A esse processo, dá-se o nome de usinagem. As principais operações desse processo são: torneamento, faceamento, sangramento, fresamento, brochamento, mandrilamento, roscamento etc. Exemplo de Fresadora Quando a temperatura de trabalho é maior que a temperatura de fusão do material, ele se funde, e isso pode ser por conta do uso de resistência elétrica, cuja temperatura é maior que a temperatura ambiente. Operações desse tipo, com a remoção de material sob a forma de cavaco, podem ser exemplificadas como eletroerosão, plasma e laser. Já os processos nos quais ocorre a fusão da matéria-prima, porém sem remoção de material, são, por exemplo, o lingotamento e a fundição. Colocação do metal fundido em um molde A sinterização é um processo em que a temperatura de trabalho é inferior à de fusão, porém valores altos de pressão são combinados à temperatura (σtrabaho < σruptura ) σtrabaho > σruptura porém valores altos de pressão são combinados à temperatura. Eletroerosão Fabricação por eletroerosão No processo de fabricação por eletroerosão, do inglês EDM (Electrical Discharge Machining), a remoção de material ocorre por conta de descargas elétricas, ressaltando-se que não há contato entre a peça e a ferramenta, que pode ser eletrodo ou fio. A aplicação desse processo se dá na fabricação de peças cuja matéria-prima possua alta dureza, valor da temperatura de fusão bem definida e dificuldade de aplicação de métodos convencionais de usinagem. Fabricação por Eletroerosão As superfícies geradas por eletroerosão possuem excelente acabamento superficial e sem apresentar alterações microestruturais. Entretanto, pode-se citar como desvantagens do processo a baixa taxa de remoção de material e a dificuldade de descartar os fluidos empregados no processo. Esses fluidos atuam como dielétricos, que são isolantes elétricos e, por isso, dificultam a passagem de correntes elétricas, podendo ser tanto o óleo mineral quanto o querosene. Este último ainda apresenta a desvantagem adicional de ser inflamável e exalar um odor característico, prejudicial à saúde do ser humano e ao meio ambiente. Pode-se classificar o processo de eletroerosão por dois métodos: penetração e a fio, como ilustrados na imagem a seguir. Eletroerosão por penetração e a fio A eletroerosão por penetração possui como ferramenta um eletrodo por onde passam cargas elétricas que atuam na superfície da matéria-prima a ser trabalhada, como o eletrodo de grafite mostrado na imagem adiante. Eletrodo de grafite A matéria-prima encontra-se submersa em um fluido dielétrico, que também tem a função de refrigerar o processo de eletroerosão. Pode-se citar que a eletroerosão por penetração é empregada para a produção de formas geométricas em moldes de injeção e também na gravação de logotipos, dentre outras aplicações. Já na eletroerosão a fio, um fio de latão carregado eletricamente é empregado para cortar a peça, atravessando-a inicialmente furada, que se encontra submersa no fluido dielétrico. Máquina EDM corte com fio (de uma engrenagem). A remoção de material ocorre em função das descargas elétricas entre o fio e a peça, à medida que o fio a percorre com deslocamentos constantes. Matrizes de extrusão, por exemplo, são fabricadas dessa maneira. A imagem a seguir mostra, esquematicamente, um equipamento utilizado na confecção de peças por eletroerosão. Esse equipamento nada mais é que um controle de Comando Numérico Computadorizado (CNC), que realiza todo deslocamento em X e Y, no caso de eletroerosão a fio e por furação, e também no eixo Z, na eletroerosão por penetração. Ainda na imagem, é mostrada a distância mínima entre a peça e o eletrodo (ferramenta), para a qual é produzida a centelha. Essa distância é denominada gap (“folga”, do inglês) e está diretamente relacionada à da intensidade da corrente empregada. O tamanho do gap determina a rugosidade superficial da peça, de modo que, com um gap grande, o tempo d i é id d é i P l d l i de usinagem é menor, entretanto a rugosidade é maior. Por outro lado, um gap menor resulta em maior tempo de usinagem e também em menor valor de rugosidade superficial. Esquema de equipamento utilizado na confecção de peças por Eletroerosão A seguir, observe na imagem o esquema de equipamento utilizado na confecção de peças por eletroerosão: Esquema de equipamento utilizado na confecção de peças por Eletroerosão Condições operacionais de processamento O modo como o eletrodo está polarizado (positivo ou negativo) influencia na velocidade de descarga elétrica, afetando a qualidade superficial da peça e gerando maior desgaste no eletrodo. Via de regra, um eletrodo positivo causa uma velocidade de usinagem menor, entretanto evita o desgaste excessivo do eletrodo. A potência elétrica depende tanto da tensão quanto da corrente elétrica, que nada mais é que a quantidadede elétrons usada na eletroerosão. Dessa forma, controlar a potência de abertura do arco pode reduzir o desgaste do eletrodo. Já a temperatura pouco influencia o processo, uma vez que a dissipação de calor é rápida e a peça está o tempo todo submersa no fluido dielétrico. Além do mais, não há atrito, forças ou tensões, uma vez que não há nenhum contato entre o eletrodo e a peça. Uma limitação da eletroerosão consiste na necessidade de os materiais serem condutores elétricos. Caso não sejam, não é possível executar a operação. Laser Conceito e especi�cações do laser Laser significa “amplificação da luz por emissão estimulada de radiação” (do inglês, light amplification by stimulated emission of radiation). Trata-se de uma alta concentração de ondas eletromagnéticas, o que lhe confere um grande alcance, podendo chegar a milhares de quilômetros, além de altíssima potência, capaz de cortar materiais de alta dureza, como o aço. Ondas de frequências por luz comum e por laser Fresa a laser O laser é gerado por meio de descarga elétrica em um meio composto por uma mistura de gases, normalmente hélio e neônio. A energia elétrica produzida pela descarga faz com que os elétrons desses gases emitam fótons (partículas de energia contidas nas ondas eletromagnéticas), os quais se chocam com outros elétrons e provocam a emissão de mais fótons, criando uma reação em cadeia. O resultado é uma luz monocromática concentrada de grande potência composta por fótons em forma de um feixe fino. O laser tem diversas aplicações, como: Na medicina (cirurgias, quimioterapia, radioterapia). Em aplicações tecnológicas, como sistemas de telemetria (medição de objetos muito distantes). Na telecomunicações (produções de antenas e componentes de emissão e recepção de ondas eletromagnéticas). O laser também pode ser obtido por meio de outros elementos da natureza como, por exemplo, gás carbônico (CO2), neodímio (Nd) e argônio (Ar), além de diodo de alta potência. As características de cada um estão descritas no quadro a seguir. Tipo de laser Características CO2 Pode chegar a 0,2 mm de profundidade; tem alta potência. Diodo Pode chegar a 2 mm de profundidade; a potência pode variar de baixa a média. Neodímio Pode chegar a 5 mm de profundidade; a potência pode variar de baixa a média. Argônio A profundidade pode ser variável entre 0,005 e 0,8 mm; a potência pode ser regulada como muito baixa. Quadro - Tipos de laser e suas respectivas características. Valdemir Martins Lira, 2016, p. 44. Plasma Em sistemas de fabricação de peças precisas ou em alguns processos como soldagem, usinagem, tratamento térmico, prototipagem rápida. Especificamente na indústria, o laser de dióxido de carbono tem sido muito utilizado, pois possibilita um processo rápido de corte e solda de materiais. Características do plasma O plasma, também conhecido como quarto estado físico da matéria, pode ser definido como um gás ionizado, no qual, ao contrário do estado gasoso em que o elétron orbita ao redor do núcleo do átomo, os elétrons, os íons e os átomos neutros estão livres. Exemplificação de moléculas do gás hidrogênio sendo ionizados para gerar plasma. O plasma é formado quando uma substância no estado gasoso é aquecida a um valor tão elevado de temperatura, que a agitação molecular térmica supera a energia de ligação que mantém os elétrons girando em torno do seu núcleo.O estado da matéria é fortemente dependente da temperatura, como podemos ver na imagem adiante. Estados da matéria O plasma corresponde a 99,99% da matéria divisível no Universo, em função da alta energia cinética de suas partículas. Erosão, deposição de filmes finos, proteção de superfícies por tratamentos especiais, endurecimento de superfícies e implantação iônica são alguns dos resultados das reações físicas e químicas que ocorrem nas superfícies sólidas em contato com o plasma. Atenção! As técnicas de fabricação utilizam o plasma, pois os íons podem ser acelerados na direção do material ou de peças devido à aplicação de um campo elétrico negativo. Tal estratégia foi inicialmente utilizada no processamento de pós micrométricos, como silício, cromo, manganês, vanádio, platina, entre outros, pois são geradas grandes quantidades desses minérios durante a mineração. Outra aplicação é na realização de transformações metalúrgicas no estado (ligas ferrosas), tratamentos termoquímicos (nitretação, cementação, carboração em substituição a processos convencionais de galvanoplastia), em metais refratários (nióbio, molibdênio, boretação) e em equipamentos, como corte de peças via CNC, tocha de plasma no lingotamento contínuo de aços e forno por indução assistido por tocha de plasma. Especificamente, o processo de tratamento de superfícies por plasma é utilizado na indústria automotiva, aeroespacial (nitretação e sinterização por plasma de aços para turbinas) e setores de produção de energia, como o elétrico, o nuclear (nitretação e sinterização por plasma de aços para rotores hidráulicos) e o petroquímico. Moldagem em areia, fundição de precisão e por molde permanente Fundição O processo de fabricação por fundição consiste em fundir o metal, ou seja, mudar a fase do metal de estado sólido para líquido, e introduzir o metal líquido em um molde para que, ao solidificar, tome a forma da cavidade interna do molde. A imagem a seguir mostra o fluxograma básico para a produção de uma peça fundida. Fluxograma - Produção de uma peça fundida. As etapas básicas de um processo de fundição geralmente se dividem em: projeto e confecção do modelo, confecção do molde e dos machos, derramamento do metal líquido, desmoldagem e acabamento. Metal fundido sendo colocado em molde Em muitos contextos fabris, a fundição pode ser considerada um processo de fabricação de peças metálicas, que representa o caminho mais curto entre a matéria-prima metálica líquida e a peça semiacabada, já em condições de uso, para utilização imediata. Para estabelecer o processo de fabricação de uma peça fundida, parte-se do desenho técnico da peça a ser produzida ou até mesmo de uma réplica. A partir disso, realiza-se o projeto que define todo o processo de fabricação na fundição. Veja agora os principais processos de fabricação por fundição: Moldagem em areia Fundição de precisão Moldes permanentes por gravidade Fundição sob pressão Fundição centrífuga Todas as técnicas supracitadas são usadas na fundição dos metais. O que define qual o melhor processo a ser utilizado é o tamanho da peça e sua geometria, além do tipo de liga a ser fundida, da quantidade de peças a ser produzida e da qualidade superficial desejada da peça. Como todo processo produtivo, deve-se levar também em consideração a viabilidade técnico-econômica. Moldagem em areia A fundição em moldes de areia é considerada o método de fundição mais tradicional existente. Esse processo consiste em assentar o modelo na areia para obter a forma da peça a ser fundida no molde. O processo de moldagem em areia é composto por uma vasta gama de métodos e, entre eles, podemos citar moldagem em areia com argila, ligantes químicos, shell molding e cold box (CHIAVERINI, 1985). Todos esses métodos devem apresentar resistência su�ciente para suportar o peso do metal líquido. Também devem suportar a ação erosiva do metal líquido no momento do vazamento, além de gerar a menor quantidade possível de gás, de modo a evitar erosão do molde e contaminação do metal, ou então devem facilitar a fuga de gases gerados para a atmosfera. (CHIAVERINI,1985) ç g Fundição contínua A moldagem em areia verde é o processo mais comumente empregado em fundições. Consiste em compactar, manualmente ou utilizando máquinas de moldar, uma mistura refratária plástica (chamada areia de fundição), composta essencialmente de areia silicosa, argila e água, sobre o modelo colocado ou montado na caixa de moldar. Confeccionada a cavidade do molde, o metal é imediatamente vazado no seu interior. Fundição de precisãoou cera perdida Esse processo é uma adaptação relativamente recente do processo de cera perdida, utilizado desde a Antiguidade na produção de joias e utensílios domésticos. Ele apresenta como grande vantagem a liberdade de formas, o excelente acabamento e a estreita tolerância dimensional (SOARES, 2000). Conforme Martinez et al. (2002), o processo de fundição por cera perdida ou microfusão tem recursos que permitem, em um “curto” espaço de tempo, a fabricação de grande quantidade de peças. Etapas do processo de fundição de precisão. O formato pode variar, desde o mais simples até o mais complexo, com espessuras de paredes reduzidas, alta qualidade superficial e tolerâncias dimensionais estreitas. Além de apresentar possibilidades de uso de ligas alternativas. Também possibilita a eliminação de uma série de operações de usinagem, soldagem e encaixes, entretanto requer controles rígidos em todas as etapas e pode ser ajustado para atender às solicitações do cliente. O processo de fundição de precisão tende a compatibilizar a obtenção de peças com bom acabamento superficial e um mínimo de operações posteriores ao vazamento da peça. As principais vantagens são (MARTINEZ et al., 2002): Vantagem 1 Redução da usinagem, em que o corte dos gastos é bastante expressivo. Vantagem 2 Redução de gastos com acabamento superficial da peça. Vantagem 3 Transformação de um conjunto de peças (unidas anteriormente por meio de soldas, rebites, encaixes etc.) numa única peça fundida. O processo possui algumas desvantagens também, como investimento relativamente alto, manuseio de produtos químicos à base de polímeros e/ou resinas, geração de resíduos cerâmicos, ou seja, o material do molde usado não pode ser reutilizado, restrito a peças de pequeno porte. Molde para metal fundido O modelo deve ter a geometria exata requerida pela peça final, mas em uma escala um pouco maior que o original, para compensar a contração volumétrica tanto do material usado para fabricar o modelo (cera, plástico) quanto da solidificação do metal. Moldes permanentes por gravidade A fundição por molde permanente é um processo de fundição de metal que emprega moldes reutilizáveis (moldes permanentes), geralmente feitos de metal. O processo mais comum usa a gravidade para encher o molde, mas a pressão de gás ou o vácuo também são usados. Metais de fundição comuns são ligas de alumínio, magnésio e cobre. Outros materiais incluem estanho, zinco e ligas de chumbo, e ferro e aço também são fundidos em moldes de grafite. Esse processo de fundição é bastante popular porque é capaz de produzir peças que são mais complexas do que as peças produzidas por fundição em areia. Comentário Outro grande motivo para a escolha desse processo é que os moldes produzidos são reutilizáveis, tornando o processo de médio custo (embora o custo de montagem e ferramental seja alto), além de entregar peças que apresentam propriedades mecânicas uniformes. q p p p A utilização de moldes permanentes permite a obtenção de um acabamento superficial mais fino do que a fundição em areia, além de fornecer peças com uma melhor ductilidade do que as produzidas por fundição sob pressão. As vantagens de fundir usando o processo de fundição por molde permanente incluem: O fato de o molde utilizado no processo poder ser reaproveitado. O processo é capaz de produzir formas e designs mais complexos do que a fundição em areia. A peça fundida tem um bom acabamento superficial (como fundida). O acabamento da superfície fornecido aqui é melhor do que as peças e componentes fundidos em areia. A fundição por gravidade permite um controle mais preciso sobre os atributos dimensionais do que os processos de fundição em areia. O processo de fundição é altamente repetível e adequado para execuções de produção de alto volume, sendo passível de automatização. As peças fundidas em molde permanente apresentam boas propriedades mecânicas, baixo encolhimento e baixa porosidade do gás. Já as desvantagens da fundição por molde permanente são: A seguir, observe a ilustração do processo de fundição por gravidade em molde permanente. As peças têm uma estrutura granulada homogênea e o processo gera pouco refugo. Alto custo de usinagem e longo tempo de preparação. Processo geralmente limitado a fundições com instalações de menor capacidade. Devido ao alto custo de ferramental envolvido, um alto volume de produção é necessário para tornar este processo uma opção de fabricação economicamente viável. Quanto mais alta for a temperatura de vazamento do metal fundido, menor será a vida útil do molde. Fundição sob pressão, centrífuga e contínua Fundição sob pressão A fundição sob pressão é empregada na fabricação de diversos tipos de peças. As principais vantagens deste processo são: Fabricação de peças complexas Alta velocidade de produção Peças com seções reduzidas Como aspectos negativos, pode-se citar que a combinação de um tempo de ciclo reduzido e as elevadas temperaturas envolvidas levam ao surgimento dos danos por fadiga térmica das matrizes. Com a produção de centenas de peças, começam a surgir trincas em regiões críticas da matriz, que crescem à medida que a produção aumenta, até alcançarem condições que inviabilizam o seu uso, culminando no seu fim de vida. Processo de fundição sob pressão câmara quente Fundição centrífuga O processo consiste em vazar metal líquido em um molde que possui de movimento de rotação, fazendo com que a força centrífuga gere uma pressão acima da força da gravidade, forçando o metal líquido contra as paredes do molde, onde solidifica. Um dos exemplos mais comuns de utilização desse processo corresponde à fabricação de tubos de ferro fundido para linhas de suprimento de água. Fabricação de tubo de ferro fundido por fundição centrífuga A fundição centrífuga deve ser usada quando: As peças são simétricas e podem girar em torno de um eixo. As propriedades da peça fundida estática são inadequadas. É necessária uma estrutura de grãos uniforme. É necessário manter a integridade dimensional. Deseja-se fabricar tubos, luvas, buchas e anéis. Fundição contínua O processo de fundição contínua, também chamado de lingotamento contínuo, é um importante processo de ligação entre a produção de aço e a laminação. Já em 1856, Henry Bessemer sugeriu um método de fundição contínua, mas apenas durante as décadas de 1930 e 1940 a fundição contínua tornou-se um método de produção comum para metais não ferrosos e, posteriormente, a partir da década de 1960 para aços. Em meados da década de 1980, o lingotamento contínuo tornou-se o maior método de lingotamento, superando a rota de lingotamento de aço convencional. Comentário As principais vantagens são a melhoria da qualidade do aço, melhor rendimento e economia de energia e mão de obra. Atualmente, cerca de 95% da produção mundial de aço é feita por fundição contínua e um grande número de qualidades de aço são fundidas em uma grande variedade de dimensões. O princípio do método de fundição contínua é simples. O aço líquido em uma concha é transferido para a máquina de fundição. Quando a operação de fundição começa, o bico no fundo da panela é aberto e o aço flui em uma taxa controlada para o distribuidor e do distribuidor através de um bico de entrada submerso para um ou vários moldes. Os moldes são geralmente de cobre resfriados a água. Processo de fundição contínua ou lingotamento contínuo A primeira solidificação ocorre na interface metal/molde. A espessura da casca solidificada aumenta progressivamente quando é retirada pela máquina. Na saída do molde, a casca deve ser espessa o suficiente para suportar a poça de líquido. Abaixo do molde, a casca é resfriada por pulverização de água. O resfriamento do molde é denominado resfriamento primário e o resfriamento por spray, resfriamento secundário. Na extremidade da máquina, o fio é cortado e transferido para um laminador. Sinterização Metalurgia do pó ou sinterização O processo de sinterização,também conhecido por “metalurgia do pó”, é um processo que visa à manufatura de peças metálicas ferrosas e não ferrosas. O processo usa pós metálicos, que são confinados em ferramental apropriado com posterior aquecimento (sinterização), sob condições controladas a temperaturas abaixo do ponto de fusão do metal-base para promover ligação metalúrgica entre as partículas. Pós metálicos Como exemplos de produtos obtidos, citam-se: mancais autolubrificantes; ligas metálicas-cerâmicas (cermet: uma fase cerâmica, outra metálica); eixos com excêntricos; pinhões em pontas de eixo; pistões, entre outros. Peças com superfície endurecida por carbonatação A vantagem de peças fabricadas por metalurgia do pó, em comparação, por exemplo, às fundidas ou aos produtos forjados, reside no fato de que as peças são obtidas, em muitos casos, com dimensões finais sem acabamento mecânico, mesmo com uma geometria com relativa complexidade, pois não há geração de cavacos. Tais cavacos em uma usinagem convencional podem representar até 50% do peso original da peça bruta e, na metalurgia do pó, a peça sinterizada normal utiliza mais de 97% de sua matéria original. Outro aspecto importante é o custo significativamente mais baixo em comparação a outros tipos de produção. Sequência de etapas da sinterização para a fabricação de ferramentas de metal duro Ainda como vantagens, podemos citar: perdas mínimas de matéria-prima; ajuste fácil dos valores de peso d d t d l d j d i ã í i d j d f à d de cada componente do aglomerado, ou seja, da composição química desejada, o que confere à massa de pó aglomerada as propriedades físicas e mecânicas desejadas, podendo-se ainda controlar a densidade e eliminar pesos mortos indesejáveis no produto final; processo produtivo de fácil automação. Contudo, o limitante desse processo está no peso final das peças, pois a maioria das peças sinterizadas pesa menos de 2,5kg, embora haja peças com até 15kg. Na imagem a seguir, é mostrado um exemplo da sequência de etapas da sinterização para a fabricação de ferramentas de metal duro. Processo completo de sinterização de uma pastilha, por metalurgia do pó, desde a formação compressão dos pós em um molde (etapa 1), à pastilha sinterizada (etapa 4) Confira o detalhamento de cada etapa, a seguir: Etapa 1 A scheelita (CaWO4), que é um mineral com alto teor de tungstênio, sofre os processos de moagem, lavagem e aquecimento a altas temperaturas, produzindo tungstênio puro (W); Etapa 2 Consiste em misturar o tungstênio puro ao carbono (C) em altas temperaturas (aproximadamente 1700°C), produzindo o carboneto de tungstênio (WC), que é facilmente dissolvido no cobalto (Co), que é um elemento ligante; Etapa 3 Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Módulo 1 - Vem que eu te explico! Aspectos de energia na eletroerosão Módulo 1 - Vem que eu te explico! A formação do plasma na indústria Todos Ocorre a mistura do carboneto de tungstênio (WC) com o ligante cobalto (Co) e com cera em pó. Essa mistura é prensada formando um aglomerado (briquete) com a temperatura por volta de 900°C, resultando em um endurecimento do aglomerado com dureza semelhante ao grafite existente no lápis; Etapa 4 A temperatura é elevada para cerca de 1300°C a 1600°C, e o ligante (cobalto) se funde assim como parte dos carbetos (entre 10% a 50%). Nessa etapa, a peça pode ser retificada e ocorre a eliminação de 50% da porosidade. Introdução - Video Introdução Módulo 1 - Video Os efeitos da temperatura na fabricação de metais Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 O plasma também é conhecido como quarto estado físico da matéria. Essa denominação deve-se pelo fato de diferir em relação ao estado gasoso porque: A ao contrário do estado gasoso em que o próton orbita ao redor do núcleo do átomo, no plasma os elétrons, os íons e os átomos neutros estão unidos. B ao contrário do estado gasoso em que o elétron orbita ao redor do núcleo do átomo, no plasma não há elétrons, somente os átomos neutros estão presentes. C ao contrário do estado gasoso em que o elétron orbita ao redor do núcleo do átomo, no plasma não há átomos neutros, somente os elétrons estão presentes. D ao contrário do estado gasoso em que o elétron orbita ao redor do núcleo do átomo, no plasma os elétrons, os íons ou os átomos neutros estão livres. E Ao contrário do estado gasoso, os íons e os átomos neutros estão livres. Parabéns! A alternativa E está correta. O plasma define-se como um gás ionizado e também é considerado como o quarto estado físico da matéria. Além disso, no plasma, os elétrons, os íons e os átomos neutros estão livres, ao contrário do estado gasoso, em que o elétron orbita ao redor do núcleo do átomo. Questão 2 Sobre o processo de fundição por moldes permanentes por gravidade, pode-se afirmar: A A principal desvantagem da fundição em molde permanente é o fato de o molde utilizado no processo não poder ser reaproveitado. B O processo é capaz de produzir formas e designs mais simples do que a fundição em areia. C A peça fundida tem um acabamento superficial que deixa a desejar, sendo os componentes fundidos em areia apresentando melhor acabamento superficial. D A fundição por gravidade possibilita controlar, de forma mais precisa, sobre os atributos dimensionais do que os processos de fundição em areia. E O próprio processo de fundição não é repetível, sendo dessa forma inadequado para execuções de produção de alto volume. Parabéns! A alternativa D está correta. A fundição por gravidade nos permite um controle preciso do fluxo de metal fundido que está entrando no molde, e a taxa de entrada, permitindo manipular o metal que adentra ao molde e obter características desejadas para aplicações específicas. 2 - Resistência mecânica e temperatura como agente de transformação Ao �nal deste módulo, você será capaz de analisar os efeitos da temperatura e resistência mecânica na fabricação de metais. Vamos começar! Os efeitos da temperatura e resistência mecânica na fabricação de metais Conheça um pouco sobre a temperatura na fabricação de metais. Processos de fabricação por conformação mecânica e remoção de material Processos de remoção de material Quando o material é submetido à ação de tensões externas, ele sofre deformação. Essas tensões podem resultar em dois efeitos no material: deformação plástica e ruptura. Deformação plástica Quando a tensão de trabalho é menor que a tensão de ruptura , havendo ação da temperatura ou não, as operações de processos de fabricação que podem ser citadas são: laminação, estampagem, forjamento, extrusão e trefilação. Nesses casos, não ocorre remoção de material, ou seja, o material é conformado dentro de um molde ou matriz. Ruptura Já nos processos em que ocorre a remoção de material, a resistência mecânica envolvida está na região de ruptura, ou seja, a tensão de trabalho é maior que a tensão de ruptura e as operações de processos de fabricação que podem ser relacionadas são: torneamento, fresamento, aplainamento, mandrilamento, brunimento, retificação, roscamento, alargamento furação, serramento; além dos processos não convencionais como: jato d'água, jato abrasivo e fluxo abrasivo. Na ruptura, esses processos podem ser classificados em: Corte, que utiliza ferramentas monocortantes ou multicortantes, por exemplo, torneamento e fresamento, respectivamente. Ab i ili i i b i l ifi ã b i j (σtrabaho < σruptura ) (σtrabaho > σruptural ) Abrasivo, que utiliza materiais abrasivos, como por exemplo, retificação, brunimento e jateamento. Fluxograma - Fabricação por conformação mecânica e remoção de material. LIRA, V. M., 2016, p. 68. Esses processos em que ocorre a remoção de material possuem a vantagem de serem relativamente mais precisos que os processos de conformação e fundição, e podem produzir peças com geometrias complexas quesejam difíceis de serem obtidas por outros processos. Também são adequados para serem empregados em operações posteriores aos tratamentos térmicos, de modo a corrigir as distorções causadas por eles; podem gerar superfícies com padrões especiais de acabamento; e para lotes pequenos é mais econômico produzir as peças por usinagem. Entretanto, como desvantagens podemos citar o maior gasto de matéria-prima, trabalho, tempo e energia, além de propiciar uma piora nas propriedades mecânicas da peça. Comentário Diferentemente das peças que são fabricadas pela família de processos de fabricação com remoção de material, os processos de fabricação em que não ocorre remoção de material geralmente necessitam de operações complementares para a obtenção da peça final. Isso se dá devido ao fato de os processos de conformação mecânica não conseguirem produzir de forma viável técnico-economicamente a peça em sua totalidade. A seguir, são apresentadas as técnicas de fabricação que utilizam a deformação plástica com presença ou não de temperatura de trabalho acima da temperatura ambiente. Forjamento Operação de conformação mecânica O forjamento é uma operação de conformação mecânica em que a forma da peça é obtida por meio de esforços compressivos entre duas matrizes por ação de prensa ou de martelo de forja. (σtrabaho < σruptura ) Conformação de forja O forjamento pode ser realizado no material nas seguintes situações de temperatura: a quente , a morno , ou a frio ) e praticamente todos os materiais metálicos podem ser forjados, desde que a liga possua conformabilidade suficiente para sofrer as deformaçőes do processo. Forja industrial Aplicações que demandam elevada resistência mecânica, tenacidade, ductilidade e resistência à fluência necessitam de aço, titânio ou alumínio de alta resistência. Em temperaturas elevadas, utiliza-se aços inox austeníticos, titânio ou superligas. A seguir, tem-se algumas temperaturas de forjamento para diferentes materiais: Material Temperatura De Até Aço 1.000°C 1.050°C Ligas de alumínio 360°C 520°C Ligas de cobre 700°C 800°C (Ttrabalho > Trecristalização ) (Tencruamento < Ttrabalho < Trecristalização) (Ttrabalho < Tencruamento Tabela- Temperaturas de forjamento para diferentes materiais Gustavo Simão Rodrigues O processo de forjamento tem como vantagens: melhoria da microestrutura, aumento da resistência mecânica e acabamento superficial superior quando comparado ao processo de fundição. Possui como desvantagem a grande quantidade de refugo produzido pelas rebarbas. A imagem a seguir representa um pivô de automóvel fabricado por forjamento. Pivô de automóvel forjado a quente A imagem a seguir apresenta a montagem de um forjamento de peça a partir do blank. Forjamento de peça a partir do blank Confira a seguir o passo a passo de como ocorre a montagem de um forjamento de peça a partir do blank. Etapa 1 Inicialmente, tem-se a matéria-prima, denominada de blank. Etapa 2 Extrusão O blank é cortado e posteriormente aquecido. A temperatura deve estar adequada para facilitar a deformação. O blank representa a porção de material que será moldada no forjamento pela ferramenta de molde. Em seguida, tem-se a pré-forma da peça, na qual concentrou-se material em maior volume para formar o corpo da peça. Etapa 3 Essa fase representa a primeira etapa do forjamento da peça. Etapa 4 Em seguida, o forjamento completo da peça. Etapa 5 Na última etapa de forjamento, é realizada a rebarbação e acabamento da peça. Etapa 6 Nas operações de usinagem, são feitos os furos e demais melhorias superficiais, que podem ser realizados em mais de uma operação e acabamento, como a limpeza e o tratamento. Processo de extrusão do blank A imagem seguinte representa um equipamento, uma ferramenta (matriz) e um produto (perfilado) do processo de extrusão para a fabricação de peças de longa, delgada e reta. Processo de extrusão para a fabricação de peças de longa, delgada e reta As seções transversais das peças extrudadas perfilados podem ser redondas sólida, retangular, com formas T, L, e em forma de tubos, dentre outras, como mostrado a seguir. Seções transversais de peças forjadas A extrusão do blank é feita pressionando-o em um molde, de aço-liga ou metal duro, utilizando uma prensa (hidráulica ou mecânica), e as pressões estão em torno de 35MPa-700MPa (5076psi-101.525psi). Processo de extrusão do Blank em um molde A extrusão produz forças de compressão e de cisalhamento no material que geram uma deformidade muito alta, porém sem ocasionar a ruptura do metal. Isso produz uma peça final com alta resistência a cargas radiais. As principais vantagens do processo de extrusão é não necessitar de processo de usinagem secundário, e a gama de variedade de seções transversais que pode ser obtida é muito extensa. O processo de extrusão pode ser a quente ou a frio. Para ambos os casos, tem-se as seguintes variáveis: temperatura do tarugo, velocidade de deslocamento do pistão e tipo de lubrificante utilizado. Atenção! Geralmente, a extrusão quente é realizada sob temperaturas de cerca de 50% a 75% da temperatura de fusão do metal. Para reduzir o atrito entre o metal extrudado e a matriz, em função das altas pressões e temperaturas, utiliza-se lubrificantes, como o grafite, óleo e pó de vidro. A extrusão a frio é realizada à temperatura ambiente ou a temperaturas ligeiramente elevadas, porém abaixo da temperatura de recuperação do material. As grandezas do processo de extrusão estão relacionadas com a resistência do material, o atrito do material nas paredes da matriz, a temperatura e a velocidade de extrusão. Especificamente para o cálculo da grandeza força de extrusão, pode-se estimar seu valor pela seguinte fórmula: Rotacione a tela. Em que e são as áreas inicial e final do extrudado, e os valores da constante de extrusão são dados na imagem a seguir, em MPa, para diferentes materiais e temperaturas, em . Gráfico- Temperatura versus constante de extrusão (K) Gustavo Simão Rodrigues Para calcular a força de extrusão para extrudar um tarugo de aço com diâmetro inicial de e diâmetro final de na temperatura de , tem-se que: F = A0 ⋅ K ⋅ ln( A0 A1 ) A0 Af (K) ∘C 30mm 20mm 1000∘C p , q Rotacione a tela. Tre�lação Processo de tre�lação O processo de trefilação consiste na redução da seção transversal de um tubo, um fio ou uma barra forçando o material a passar pela ferramenta por meio de uma força trativa. A ferramenta possui um canal de forma convergente e é chamada de fieira ou trefila. Processo de Trefilação As trefiladoras de tambor podem ser classificadas em três grupos: Trefiladora simples, com um tambor e utilizada para arames grossos; Trefiladora dupla, utilizada para arames médios; Trefiladora múltipla, também chamada de trefiladora contínua, empregada para arames médios a finos. Na imagem a seguir, confira um exemplo de uma trefiladora múltipla (trefilação industrial). F = π ⋅ 302 4 ⋅ 50 ⋅ ln( π⋅302 4 π⋅202 4 ) = 28646 N Ângulo de abordagem O ângulo de abordagem, , da fieira é um parâmetro bastante importante para a trefilação, pois em função desse ângulo, a energia necessária para a trefilação muda, bem como limites de conformação são definidos. Ângulo de abordagem para trefilação Compõem a energia total de trefilação, as seguintes parcelas: Resultante do atrito entre o material e a fieira, que diminui com o aumento do ângulo de abordagem. Parcela de energia que é traduzida como as deformações cisalhantes sofrida pelo material por conta da mudança de direção nas proximidades da fieira, além da energia necessária para a deformação homogênea, mas que não contribui para a mudança dimensional da peça trefilada. Essa parcela de energia aumenta com o aumento do ângulo de abordagem. α Et Energia de Atrito, Ea Energia Redundante, Er Referente ao trabalho interno de deformação do material, que é independente do ângulo de abordagem. Graficamente, pode-seanalisar todas as parcelas da energia de trefilação, conforme mostrado na imagem: Energia de trefilação em função do ângulo Como observado, a curva da energia total de trefilação, possui um valor mínimo que corresponde à mínima energia necessária para a trefilação. Associado a esse valor mínimo da energia total de trefilação, tem-se um ângulo de abordagem ótimo, , em radianos. Esse ângulo pode ser estimado como: Rotacione a tela. Em que: é o coeficiente de atrito entre o material e a fieira é o diâmetro inicial da barra é o diâmetro final da barra À medida que o ângulo de abordagem aumenta, além da energia de trefilação que também aumenta, observa-se que a partir de determinado ângulo crítico, , ocorre a formação de uma zona morta na matriz. Essa zona morta caracteriza-se por uma região do material que permanece estagnado na parede da fieira formando uma falsa matriz. Pode-se estimar o ângulo crítico, , como: Energia de Deformação Plástica, Epl α Et α∗ α∗ = √ 3 2 ⋅ μ ⋅ ln( Di Df ) μ Di Df αcr1 αcr1 Rotacione a tela. Aumentando ainda mais o ângulo de abordagem, acima do ângulo crítico responsável pela ocorrência da falsa matriz, observa-se um novo ângulo crítico a partir do qual ocorre um descascamento do material e o núcleo do material é separado da parte externa. Nesse caso o diâmetro final, , não sofre qualquer deformação e o processo não é de conformação mecânica. Esse ângulo crítico, a partir do qual observa-se o descascamento , pode ser estimado por: Rotacione a tela. Laminação Processo de laminação É um processo de conformação mecânica em que o metal é forçado a passar através de um par de rolos, como mostrado na imagem seguinte. Processo de laminação O processo pode ser desenvolvido contínuamente ou em etapas, com um ou mais pares de cilindros de laminação. Além disso, o processo pode ser realizado a frio ou a quente. Durante a laminação, surgem tensões de compressão entre os rolos e a matéria-prima, sendo indicado realizar tratamento térmico de αcr1 = √ 3 2 ⋅ ln( Di Df ) Df αcr 2 αcr2 = Di Df recozimento, de modo a promover um alívio de tensões internas provenientes da laminação. A laminação é realizada posteriormente ao processo de lingotamento, mais especificamente na laminação a quente. No processo de laminação plana, como mostrado na imagem seguinte, o volume do material permanece constante e a mudança de largura da chapa pode ser considerada desprezível. A redução da espessura resulta no aumento do comprimento da chapa laminada. Esse aumento de comprimento implica em uma velocidade no produto laminado maior que a velocidade da matéria-prima antes de passar nos cilindros. Processo de laminação plana Outra grandeza a ser considerada é a tensão de compressão (eixo x e y). Essa tensão cresce até a região de laminação e depois volta a cair. Para tanto, observa-se o comportamento dos esforços e em função do ângulo de ataque . A força de compressão nos rolos laminadores é dada pela seguinte fórmula: Rotacione a tela. Em que é a largura da chapa, em mm; é a tensão média de escoamento para o estado plano de deformação (kgf/mm²); é o arco de contato, determinado pela seguinte expressão: é a redução de espessura da chapa: é o raio do cilindro. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Módulo 2 - Vem que eu te explico! FN FL (α) Fc Fc = b ⋅ 1, 2 ⋅ σme ⋅ Ac b σme Ac Ac = √R ⋅ Δh; Δh h0 − h1; R Aspectos da temperatura na conformação mecânica Módulo 2 - Vem que eu te explico! A importância da formação da rebarba no forjamento Todos Introdução - Video Introdução Módulo 1 - Video Os efeitos da temperatura na fabricação de metais Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Todos Introdução Módulo 1 Módulo 2 Módulo 3 Módulo 4 Questão 1 A força de extrusão para extrudar um tarugo de cobre com diâmetro inicial de e diâmetro final de na temperatura de é 28mm 22mm 900∘C A 5489N B 6521N C 7344N D 8283N E 9496N Parabéns! A alternativa D está correta. A força de extrusão é dada por: Pelo gráfico, o valor de K para o Cobre na temperatura de vale Gráfico- Temperatura versus constante de trefilação (K) Gustavo Simão Rodrigues Dessa forma: Questão 2 Um laminador possui cilindros com diâmetro de e largura de e reduz a espessura de uma chapa de aço, com tensão média de escoamento , de para . Qual é a força de compressão nos rolos laminadores? 20cm 120cm 350MPa 50mm 45mm A 9568kN B 10255kN C 11269kN D 12314kN E 13877kN Parabéns! A alternativa C está correta. A força de compressão nos rolos é dada por: Onde: Dessa forma, e 3 - Temperatura em polímeros como agente de transformação Ao �nal deste módulo, você será capaz de analisar os efeitos da temperatura na fabricação de polímeros. Vamos começar! Os processos de fabricação de materiais poliméricos Neste vídeo, você conhecerá um pouco sobre os processos de fabricação de materiais poliméricos. Processamento do polímero Polímero O polímero é processado sob ação da temperatura de trabalho que se encontra acima da temperatura de fusão do material , como mostrado na imagem a seguir. Para promover o amolecimento do polímero, normalmente utiliza-se resistência elétrica. Processamento do polímero Os processos originários desse método são a extrusão, a injeção, a termoformagem, a rotomoldagem, entre outros. Tais processos permitem obter produtos para várias aplicações, como nas indústrias automobilística, eletrodoméstica, eletrônica, entre outras. Extrusão de termoplástico O processo de extrusão é muito utilizado entre os processos de fabricação de termoplásticos. Tipos de processos de extrusão, para obter diferentes produtos. Além disso, a extrusão é base para muitos processos nos quais se utilizam polímeros na fabricação de produtos e é empregada tanto para a obtenção de produtos quando para o preparo de blendas, do inglês (Ttrabalho > Tfusão ) blend, que significa mistura, e é uma composição de dois ou mais materiais para processos subsequentes. Esquematicamente, a extrusão é mostrada na imagem adiante. Máquina de moldagem por injeção Os principais componentes de uma máquina extrusora são: Funil Tem a função de alimentar continuamente a extrusora com diferentes matérias-primas, que são grânulos de plástico, como mostrado a seguir, e pode ter um misturador para auxiliar o escoamento do material. Parafuso (rosca) Tem a função de puxar, transportar, fundir, amolecer, plastificar e homogeneizar o plástico. O formato geométrico mais comum é o de três zonas, como mostrado na imagem adiante, pois pode processar a maioria dos termoplásticos. O formato dos filetes do parafuso deve proporcionar o avanço constante e sem pulsação, resultando em uma peça fundida e homogênea, térmica e mecanicamente. Devido à forma geométrica da rosca, ao movimento rotacional e ao pouco espaço entre as paredes internas do cilindro, ocorre o cisalhamento sobre o material. Rosca utilizada em uma extrusora para polímeros A rosca em si proporciona cerca de 80% da energia térmica e mecânica necessária para transformar os polímeros. Logo, a plastificação do polímero se dá por trabalho mecânico, pois para fundir ou amolecer via mantas elétricas ou outro mecanismo de condução de calor seriam necessários tempos muitos longos. Sistema de aquecimento São utilizadas resistências em tiras e serpentinas de líquidos. Já para materiais termicamente sensíveis, podem ser utilizados parafusos aquecidos. Motor e caixa de redução Normalmente deve ser dimensionado com 30% acima da potência requerida e um variador de velocidade mecânico ou elétrico Caixa de redução Normalmente, a rotação do motor elétrico é de 1750rpm e as caixas têm entre 20rpm e 200rpm, ou seja, reduções de até 1:8. Esquema completo de uma extrusora mono rosca para polímero Injeção de termoplástico As peças fabricadas via moldagempor injeção têm outras formas geométricas comparativamente à extrusão, como ocas e recipientes com geometrias mais complexas, como as exemplificadas nas imagens a seguir. Peças fabricadas via moldagem por injeção Peça fabricada via moldagem por injeção O processo de injeção é um método de produção em massa e, por sua simplicidade e reprodutibilidade de processamento, requer poucas operações de acabamentos e pode ser totalmente automatizado, resultando em uma alta produtividade. Em linhas gerais, são produzidas peças com diferentes tamanhos e complexidade variável que podem ser moldadas com insertos metálicos e com massas que variam de 5g a 85kg, além de relativo baixo custo de mão de obra. Entre as diversas técnicas envolvendo o processo de injeção, temos: injeção convencional; a gás; com água; microinjeção e nanoinjeção; por compressão; por transferência; de espumas estruturais; de peças com superfícies microestruturadas; de peças com paredes muito finas; coinjeção; com decoração direta no molde; de peças com núcleos fundidos, entre outras. Comentário Vamos focar no processamento de injeção convencional, uma vez que é o processo mais utilizado dentre os listados. A máquina injetora de rosca recíproca ou rosca-pistão é um sistema capaz de homogeneizar os grãos e injetar o polímero fundido. Para tal, um parafuso, semelhante ao das extrusoras, é utilizado para plastificar o material alimentado no funil. Para peças com peso e dimensões relativamente altas, utiliza-se um acumulador para prover maior pressão de injeção. Para que o material plastificado e dosado no cilindro (parafuso canhão) seja injetado, a rosca deve girar por ação de uma transmissão mecânica e avançar com alta pressão, funcionando como um êmbolo. Esse componente é envolvido por mantas elétricas para aumentar a temperatura do parafuso canhão e, por conseguinte, aquecer o polímero. Um molde é montado na unidade de fixação da máquina e tem a finalidade de moldar a massa polimérica controlada e auxiliar no resfriamento do produto. Para a extração do produto, a máquina é provida de um mecanismo capaz de executar a ejeção da peça acabada e pode ser provida de válvula para moldes que tenham formatos restritivos quanto à extração de peças. Processamento de injeção convencional A maioria das máquinas atualmente possui essa configuração, em diferentes níveis de sofisticação, tamanhos e aplicações. Suas principais vantagens são boa plastificação e homogeneidade do polímero na temperatura de plastificação; boa plastificação de polímeros de alta viscosidade; e bom aproveitamento de material recuperado. Para que seja injetado no interior da cavidade do molde, o plástico é aquecido até a temperatura de fusão. É fundamental que o material tenha as propriedades de baixa viscosidade e alta fluidez. Nessa conjuntura, o material injetado escorre na saída do bico, podendo causar seu entupimento, requerendo atenção especial para retirar o material que está no bico. Para tal, utiliza-se um bastão de bronze, de modo a não danificar o molde e, além disso, o bico é aquecido por meio de um maçarico. Comentário Pode-se elencar as seguintes atividades que compõem o ciclo de transformação de termoplásticos: toda umidade deve ser removida antes de inserir a resina no funil; as etapas seguintes são transporte, aquecimento (e consequente fusão) da resina, homogeneização do fundido, seguida da injeção na cavidade interna do molde; por fim, a peça moldada é ejetada. Após retirar os canais de alimentação das peças, eles podem ser reaproveitados e retornar ao processo após serem moídos. Termoformagem g Termoformagem pode ser definido como um processo no qual folhas planas e filmes são empregados para moldar termoplásticos, e as características típicas das peças são possuir abertura e espessuras finas. A alimentação da máquina é feita por um rolo de filmes de termoplásticos que é aquecido até amolecer. Em seguida, o rolo é puxado e posicionado na região do molde, onde é aplicada uma pressão contra as paredes do molde para que ocorra formagem. Depois, o molde é fechado, moldando a região e permanecendo por poucos segundos com o material contra o molde para que ocorra a efetiva moldagem. Na fase subsequente, acontece o resfriamento em pouquíssimo tempo e o molde é aberto ocorrendo novo deslocamento para que seja efetuado o corte Processo de termoformagem Esse processo é repetido muitas vezes continuamente. Como se pode observar, a temperatura faz parte de praticamente todo o processo de termoformagem, logo, a termoformagem não é indicada para material termofixo, uma vez que o calor pode ocasionar a cura desse material. Muitos termoplásticos podem ser termoformados, como ABS (130°C-180°C), PET (120°C-170°C), PS, PP e PVC (100°C-155°C). Tais materiais apresentam grande ponto de fusão, elevada resistência ao amolecimento e elevada resistência térmica. Atenção! O plástico ABS é uma resina termoplástica derivada do petróleo. ABS deriva da forma inglesa: Acrylonitrile Butadiene Styrene, que é um copolímero composto pela combinação de acrilonitrila, butadieno e estireno. PET, como é conhecido o polímero polietileno tereftalato, chegou para revolucionar o mundo dos tecidos e embalagens. É um polímero da família dos poliésteres que se tornou muito popular ao ser usado para fabricar as garrafas de refrigerantes (bebidas carbonatadas). O poliestireno ou PS é uma resina termoplástica dura, amorfa e transparente polimerizada mediante o estireno (vinil benzeno). Polipropileno ou polipropeno (PP) é um polímero termoplástico pertencente ao grupo das poliolefinas, produzido a partir da polimerização por adição do monômero propileno. Pode ser identificado em materiais por meio do símbolo triangular de reciclável, com um número "5" por dentro e as letras "PP" por baixo. Símbolo triangular de reciclável O policloreto de vinila (PVC) é um dos polímeros sintéticos de plástico mais produzido no mundo, com uma vasta gama de aplicações, principalmente na construção civil. Nesse processo, os materiais podem ser incorporados em uma coextrusão para melhorar as propriedades de barreira em recipientes para o acondicionamento de alimentos. Rotomoldagem Rotomoldagem A rotomoldagem, também conhecida como moldagem rotacional, é um processo de baixa pressão e alta temperatura utilizada para produzir peças ocas inteiriças. Assim como outros processos de transformação do plástico, a rotomoldagem também surgiu de outras tecnologias. O principio básico de formação de uma camada na superfície interna de um molde rotacional data de muitos séculos, mas o processo só ganhou reconhecimento como método de moldagem para plástico a partir dos anos 1940. Na Suíça, por volta do ano de 1600, a formação de objetos ocos, como ovos, seguiram o desenvolvimento dos ovos de chocolate. Uma patente britânica, datada de 1855 (antes da existência dos plásticos, que datam de 1862), cita uma máquina de rotomoldagem contendo dois eixos girando através de um par de engrenagens cônicas. Ela se refere a um molde dividido contendo um tubo de ventilação para expulsão dos gases, água para o resfriamento do molde e o uso de um material fluido ou semifluido para produzir a peça oca. Em termos de volume de fabricação, a rotomoldagem é um processo de fabricação de médio volume, aproximadamente duzentas unidades por semana a partir de uma única ferramenta. Atenção! Devido à natureza da ferramenta rotativa, podem ser fabricados produtos com espessuras de paredes diferentes, ao contrário de artigos produzidos por outros processos, utilizando a mesma forma. As aplicações incluem carcaça grande e recipientes de transporte, tanques de combustíveis, brinquedos (como de playground), manequins, lixeiras e caixa d’água, sendo todas peças ocas. A versatilidade do processo permite a fabricação de produtos que variam de pequenas seringas de orelha de plastisol a grandes vasos de 22 mil galões em polietileno. Os produtos descritos anteriormente têm as seguintescaracterísticas em comum: sem linha de solda; sem pontos de tensões ou com pontos de tensões muito reduzidos e reduzidas pressões internas no molde (até 4psi-27,6kPa). Máquinas de rotomoldagem Os principais tipos de máquinas de rotomoldagem são: carrossel shuttle Rock and Roll e clamshell Apesar Os principais tipos de máquinas de rotomoldagem são: carrossel, shuttle, Rock and Roll e clamshell. Apesar de máquinas diferentes, todas desempenham as mesmas funções: aquecer e resfriar um molde que é rotacionado biaxialmente para produção de peças ocas. Máquinas de rotomoldagem tipo carrossel Os primeiros tipos de máquinas de rotomoldagem carrossel possuíam três braços, e cada braço possuía um tipo de estação (aquecimento, resfriamento e carregamento/serviço). Atualmente, algumas dessas máquinas possuem mais de três braços, com algumas das estações repetidas para aumentar a produtividade. Máquina de rotomoldagem carrossel com três braços O investimento inicial dessa máquina é maior, já que necessita de mais moldes, além do valor da máquina ser maior também. Entretanto, esse investimento é justificado quando a escala de produção é grande. Máquinas de rotomoldagem tipo shuttle Essas máquinas foram desenvolvidas para reduzir a área utilizada no chão de fábrica. Existem vários modelos desse tipo de máquina, e nas máquinas com apenas um braço, o molde é montado sobre um carrinho que desliza sobre um trilho da estação de carregamento/resfriamento para dentro do forno e vice- versa, como mostrado na imagem. Rotomoldagem tipo Shuttle Máquinas de rotomoldagem tipo Rock and Roll As máquinas tipo Rock and Roll são as mais antigas de rotomoldagem. A máquina possui um balanço (rock) de aproximadamente 35°, enquanto o tambor gira 360° (roll), dando origem ao nome da máquina. Máquina tipo Rock and Roll Máquinas de rotomoldagem tipo clamshell As máquinas de rotomoldagem tipo clamshell, do inglês “concha de marisco”, possuem a característica de que tanto a estação de aquecimento quanto a estação de resfriamento são na mesma câmara, como mostrado na imagem a seguir. Máquina de rotomoldagem tipo clamshell Para essas máquinas, a área utilizada é menor que uma máquina tipo shuttle de tamanho equivalente. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Módulo 3 - Vem que eu te explico! O material termo�xo e termoplástico Módulo 3 - Vem que eu te explico! O processo de coextrusão Todos Introdução - Video Introdução Módulo 1 - Video Os efeitos da temperatura na fabricação de metais Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Todos Introdução Módulo 1 Módulo 2 Módulo 3 Módulo 4 Questão 1 O polímero é processado sob ação da temperatura de trabalho que se encontra acima de qual temperatura do material? A Temperatura de solidificação B Temperatura de liquefação C Temperatura de condensação D Temperatura de fusão E Temperatura de ionização Parabéns! A alternativa D está correta. Para conseguir conformar o polímero, é necessário que ele esteja fundido, ou seja, a temperatura de trabalho tem que estar acima da temperatura de fusão. Questão 2 Embalagens plásticas para alimentos, como da imagem a seguir, são tipicamente fabricadas por: A extrusão de plástico. B injeção de termoplástico. C termoformagem. 4 - Processo de fabricação por adição de material (polímeros) Ao �nal deste módulo, você será capaz de aplicar os métodos de adição de material para a fabricação. D rotomoldagem. E trefilação. Parabéns! A alternativa C está correta. Termoformagem define-se como o processo que possibilita os materiais serem incorporados em uma coextrusão, com a finalidade de aprimorar as propriedades de barreira em recipientes para o acondicionamento de alimentos. Vamos começar! Os processos de fabricação por adição de material Neste vídeo, você conhecerá um pouco sobre os processos de fabricação por adição de material. Técnica de construção de peças por adição de material A técnica de construir peças por adição de materiais é relativamente nova, datada do final dos anos 1980. Tal técnica é conhecida como prototipagem rápida e objetiva construir peças que são consideradas protótipos para estudos dos produtos finais, barateando custos durante a fase de desenvolvimento do produto. Utilizavam-se basicamente duas formas para fundir ou mudar o estado físico do material: laser ou resistência elétrica. Atualmente, existem várias estratégias para construir um protótipo por adição de materiais, as quais serão descritas a seguir. No fluxograma de processo de adição, ainda encaixa-se o processo de junção de dois materiais por fusão via adição de material. Tal processo é conhecido como soldagem e existem várias técnicas para desenvolvê-lo, que serão descritas em um dos itens subsequentes. Fluxograma de processo de adição e junção de dois materiais por fusão Estereolitogra�a O processo de estereolitografia é um dos primeiros processos classificados como de TPR (técnica da prototipagem rápida). Nesse processo, as peças prototipadas são obtidas por meio de polímeros líquidos em temperatura ambiente, que solidificam quando expostos à radiação ultravioleta. Impressão 3D utilizando processo estreolitografia O modelo é fabricado sobre uma plataforma que é mergulhada décimos de milímetro abaixo da superfície do polímero líquido, dentro do reservatório que armazena a resina líquida. Por meio do direcionamento de lentes óticas, a luz ultravioleta, gerada a partir de um canhão de raios laser, é direcionada sobre o material líquido, que se solidifica pelo processo de polimerização. As regiões da peça em que a luz não incide permanecem em estado líquido. Em seguida, a luz solidifica uma segunda camada acima da primeira, e esse processo é repetido sucessivamente até que o protótipo esteja completo. No final do processo, o protótipo é removido e lavado. Uma cura adicional do protótipo em um forno de luz ultravioleta finaliza o processo. Essa etapa final dura por volta de 1 hora. A imagem a seguir mostra o processo. Esquema de impressão a laser Modelagem de deposição fundida (FDM) Outra técnica da prototipagem rápida bastante utilizada é a modelagem de deposição fundida, conhecida em inglês como Fused Deposition Modeling (FDM). Esse processo consiste na extrusão de filamentos de plásticos aquecidos. É um dos métodos mais comuns de impressão 3D. Uma máquina FDM é composta por um cabeçote que se desloca no plano horizontal (plano xy) ao passo que a plataforma, onde a peça é construída, desloca-se no sentido vertical (eixo z), conforme ilustrado adiante. O cabeçote possui dois orifícios de saída, sendo um para o material de construção do protótipo e outro para o material utilizado como suporte para a fabricação de superfícies suspensas. Máquina de modelagem de deposição fundida Ao movimentar-se no plano xy, o cabeçote empurra o fio para as guias rotativas no interior do dispositivo extrusor onde o material é aquecido, extrudado e depositado para formar uma camada de material. Ao final de cada camada de material, a plataforma se desloca para baixo, com uma distância igual à espessura de camada (geralmente de 0,25mm) para que o cabeçote inicie a extrusão de novos filamentos para construir uma nova camada sobre a anterior, repetindo esse procedimento até formar totalmente a peça 3D, como ilustrado a seguir. Partes muito finas ou suspensas do modelo necessitam de um suporte para que ocorra a deposição de material (não é possível depositar o material no ar). Para tal, é utilizado um material de suporte, diferente do material da peça, que pode ser quebrado ou dissolvido em solução à base de água após a fabricação do protótipo. O processo de FDM permite a fabricação de peças coloridas, entretanto as opções de cores são poucas. Pelo processo de FDM, podem ser produzidas ainda peças em plástico ABS, policarbonatos, elastômeros e cera, como ilustrado.Exemplo de processo de impressão 3D por FDM. As principais vantagens do processo FDM são: Já as desvantagens do processo FDM são: Facilidade de dimensionar a peça dentro da área de construção, que pode ser ampliada com trilhos mais longos. Aceita uma ampla gama de filamentos de diversos tipos de material. Acessível: tanto a máquina FDM quanto o custo de produção são relativamente baratos quando comparados com outros processos. Facilidade de remoção após a impressão, já que a peça pode ser facilmente removida com uma espátula. Necessidade de pós processamento pois a espessura do filamento extrudado possui uma Sinterização seletiva a laser (SLS) O processo de sinterização seletiva a laser, do inglês Selective Laser Sintering (SLS), é um processo metalúrgico em que o calor por um feixe de raios laser funde pós metálicos ou não metálicos. Processo de sinterização a laser seletivo (SLS) A criação de protótipos por essa técnica tem como princípio básico a sobreposição de camadas de pó que são fundidas para a fabricação do protótipo. A fonte de informações para esse processo são as fatias de um modelo sólido representado em sistema CAD (projeto auxiliado por computador, do inglês Computer Aided Design) que, sobrepostas, construirão o protótipo. A imagem mostra o esquema do processo SLS. Necessidade de pós-processamento, pois a espessura do filamento extrudado possui uma espessura fixa de acordo com o bico, dificultando a obtenção de impressões detalhadas. Deformação, que ocorre quando os materiais extrudados começam a esfriar durante a solidificação e diferentes partes do objeto diminuem, fazendo com que ele perca a forma. Ineficiente com produção em massa, já que o tempo de produção é grande bem como o consumo de energia. Além do mais, a necessidade de pós-processamento consome ainda mais tempo. Esquema do processo SLS No processo SLS, uma fina camada de pó termofundível é espalhada por um rolo sobre uma superfície. Um feixe de laser funde uma porção de pó abrangida pelo seu foco, uma nova camada de pó é depositada e esta é novamente fundida até que a peça esteja completa. O raio laser é gerado no tubo, e o conjunto de lentes ópticas e os espelhos direcionam o foco do raio para a área de trabalho. Um recipiente armazena o material em pó não sinterizado, enquanto um rolo percorre toda a sua extensão horizontal espalhando o pó a ser sinterizado no outro recipiente. A velocidade de deslocamento do feixe do laser e sua potência influenciam o processo de sinterização. A redução da velocidade caracteriza o fornecimento de maior energia ao material, fazendo com que ele seja aquecido mais profundamente do que o desejado, provocando, por exemplo, empenamento da peça. Inversamente, uma velocidade maior que o necessário prejudica a fusão e aderência completa do pó à camada anterior, causando alterações nas propriedades mecânicas do objeto fabricado. Materiais utilizados na prototipagem rápida pelo processo de sinterização seletiva são variados, como polímeros, cerâmicas e metais. Produto construído pelo processo de sinterização a laser Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Módulo 4 - Vem que eu te explico! A importância da prototipagem rápida na indústria Módulo 4 - Vem que eu te explico! O cuidado para posicionar a peça na máquina FDM Todos Introdução - Video Introdução Módulo 1 - Video Os efeitos da temperatura na fabricação de metais Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Todos Introdução Módulo 1 Módulo 2 Módulo 3 Módulo 4 Questão 1 Em qual processo as peças prototipadas são obtidas por meio de polímeros líquidos em temperatura ambiente, que solidificam quando expostos à radiação ultravioleta? A Rotomoldagem B Termoformagem C Estereolitografia D Modelagem de deposição fundida E Sinterização seletiva a laser Parabéns! A alternativa C está correta. Esse modelo permite fabricar produtos poliméricos sobre uma plataforma que se encontra mergulhada um pouco abaixo da superfície do polímero líquido (décimo de milímetros). Daí, lentes ópticas são movimentadas para movimentar o feixe de luz ultravioleta sobre o polímero líquido, e assim, o polímero que recebe a radiação ultravioleta se degrada e se solidifica. Questão 2 Marque a alternativa que indica uma desvantagem do processo de modelagem de deposição fundida, ou Fused Deposition Modeling (FDM): A Fácil de dimensionar a peça dentro da área de construção, que pode ser ampliada com trilhos mais longos. B Aceita uma ampla gama de filamentos de diversos tipos de material. C Acessível: tanto a máquina FDM quanto o custo de produção são relativamente baratos quando comparados com outros processos. D Deformação, que ocorre quando os materiais extrudados começam a esfriar durante a solidificação e diferentes partes do objeto diminuem, fazendo com que ele perca a forma. Considerações �nais O conteúdo que estudamos teve por objetivo a apresentação e o estudo dos princípios dos processos de fabricação utilizando metais e polímeros, pontuando as principais características dos processos de fabricação, em relação à temperatura e à resistência mecânica. Foram apresentados os processos de fabricação de metais que utilizam o efeito da temperatura como agente de transformação, como eletroerosão, laser, plasma, fundição e sinterização. Em seguida, apresentamos os processos de fabricação de metais que utilizam tanto o efeito da temperatura quanto o efeito da resistência mecânica como agentes de transformação, como o forjamento, a extrusão, a trefilacão e a laminação. Estudamos os principais processos de fabricação de polímeros, que utilizam a temperatura como agente de transformação, como a extrusão de plástico, a injeção, a termoformagem e a rotomoldagem. Finalmente, foram apresentados os processos de fabricação por adição de material, como a estereolitografia, a modelagem de deposição fundida e a sinterização seletiva a laser. Com isso, é possível observar que tão importante como fabricar um produto é controlar o processo de fabricação. Para que se tenha uma produção eficiente, é fundamental especificar corretamente todas as etapas necessárias do processo e controlar de maneira correta a produção, reduzindo desperdícios, economizando recursos e tempo e aumentando a qualidade dos produtos fabricados. E Fácil remoção após a impressão, já que a peça pode ser facilmente removido com uma espátula. Parabéns! A alternativa D está correta. Durante o resfriamento, os materiais começam a se contrair, diminuindo seu volume. Isso causa deformação. Essa deformação, chamada de deformação de solidificação, faz com que esse material extrudado perca a sua forma geométrica, o que é uma grande desvantagem do processo FDM, uma vez que os limites de tolerância não são garantidos. Podcast Ouça agora um podcast com o professor Gustavo Simão, abordando os principais pontos dos processos de fabricação utilizando metais e polímeros. Referências BRASIL, A. N.; MARTINEZ, C. B.; NASCIMENTO FILHO, J. Projeto e construção de um modelo de turbina Pelton em escala reduzida. 2º Encontro Nacional do Colégio de Engenharia Mecânica da Ordem dos Engenheiros, João Pessoa, 2002, p. 1-10. CAMACHO, A. L. D.; MOARES, C. A. M.; MODOLO, R. C. E. Caracterização térmica e microestrutural de casca cerâmica gerada no processo de fundição de precisão 1. Consultado na internet em: abr. 2022 CHIAVERINI, V. Tratamento Térmicos das Ligas Ferrosas. Associação Brasileira de Metalurgia e Materiais, 1985. KIMINAMI, C. S.; DE CASTRO, W. B.; DE OLIVEIRA, M. F. 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Tese (Doutorado) - Curso de Automação Industrial, Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Curitiba, 2019. Consultado na Internet em: 06 abr. 2022. Explore + Para se aprofundar sobre o assunto visto, leia o artigo Manufatura Aditiva: o papel da soldagem nesta janela de oportunidade, de Eduardo André Alberti, Leandro João da Silva, Ana Sofia C. M. d'Oliveira, disponível no portal Scielo. Baixar conteúdo javascript:CriaPDF()