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Redação sobre o tema A distopia "Fahrenheit 451", do escritor Ray Bradbury, apresenta uma sociedade em que os livros são substituídos por televisores e, assim, a cultura fica à margem desse panorama negativo, posto que o acesso ao conhecimento é limitado. Essa nefasta escassez de estímulo aos livros está presente no Brasil atual, uma vez que a literacia familiar, apesar de ser crucial à formação do senso crítico do cidadão, não é valorizada. Com efeito, a inércia do Estado e a carestia de incentivo midiático aprofundam a falta de importância pelo conhecimento. Nesse contexto, a inação do aparato governamental em fornecer subsídios para aprimorar o hábito de ler no âmbito doméstico propicia o desapego à literatura. Acerca disso, o ensaísta literário Aldous Huxley, em seu livro "Admirável Mundo Novo", disserta sobre uma comunidade alienada na qual o governo vigente, uma vez autoritário, impede o acesso às obras literárias, visto que os personagens não podiam ter seu intelecto aprimorado para confrontar os pilares do poder estatal. Nesse viés, o Estado brasileiro, embora seja democrático, apresenta a mesma forma de governar tematizada pelo autor, haja vista que não busca ampliar, mediante a literacia, o aprendizado da população para que ela possa executar, de modo constante, a sua experiência com os exemplares para repassar à classe jovem. Isso fortalece a ideia de que o brasileiro não tem senso para criticar as mazelas que devastam o país — homofobia, machismo, idolatria excessiva — já que a leitura de mundo está em profundo desuso. Infere-se, por fim, que, enquanto o descaso estatal persistir, a nação estará protagonizando a narrativa de "Admirável Mundo Novo". Ademais, o baixo impulso dos meios de comunicação ao letramento na família deixa esse costume à margem da comunidade. Nesse sentido, para o filósofo Walter Benjamin, a arte pode, por meio das informações, ser difundida, para fortalecer o modo de pensar e agir de uma pessoa. Todavia, a seara midiática brasileira confronta o postulado filosófico, tendo em vista que não expõe à disposição da comunidade obras intelectuais que foram fundamentais para a construção de ideologias, como o livro "O Segundo Sexo" da filósofa Simone de Beauvoir, que influenciou a formação do movimento feminista. Nessa lógica, ao passo que a disseminação da arte e da cultura não ocorre, a autonomia da pessoa é prejudicada, porque os grupos familiares estão desprovidos de literacia, o que acarreta um nocivo retrocesso no coletivo: a dificuldade em aprender ao longo da vida. Por conseguinte, o entendimento acerca da linguagem é apagado do país e os livros são vistos como um mecanismo não representativo, um revés que acontece porque não há, por parte da mídia, conteúdos objetivos sobre como estimular a experiência com o ensino. Desse modo, em razão da péssima conduta midiática, o tema em pauta torna-se permeado por desafios. É imperioso, pois, que o Legislativo incentive a literacia pessoal, além de difundir, com o apoio midiático, a arte e o saber, para que a leitura seja valorizada e, com isso, a visão de mundo do povo faça-se desenvolvida. Isso ocorrerá por intermédio de um planejamento cultural que será chamado de "Livros São Vidas", demonstrando a relevância deles na organização social, e esta ação há de ser adaptada à realidade de cada município, com o fito de enaltecer a literacia nas famílias. Dessa forma, episódios nocivos retratados por Bradbury e Huxley não irão estabelecer semelhanças com o panorama nacional hodierno.