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Prévia do material em texto

EXCELENTÍSSIMO JUÍZO DE DIREITO DO JUIZADO ESPECIAL DE DEFESA DO CONSUMIDOR DA COMARCA DE SALVADOR/BA.
JEFFERSON DE ARAUJO FERREIRA, brasileiro, casado, servidor público estadual, e-mail jaraujoti@gmail.com, inscrito(a) no CPF sob no 929.071.995-87, portador(a) do RG 639648649, residente e domiciliado(a) na Rua Embira, N° 149, Condomínio Platno T, bairro Patamares, CEP 41680-113, cidade de Salvador/BA, por seu advogado legalmente constituído, com fundamento no Art. 6°, V e VI do CDC vem propor
AÇÃO ANULATÓRIA DE NEGÓCIO JURÍDICO C/C REPETIÇÃO DO INDÉBITO
e pedido de tutela de urgência
em face de BANCO MASTER S/A, pessoa jurídica de direito privado inscrita no CNPJ sob n° 33.923.798/0001-00, com sede na PR Botafogo, n° 228, Sal 1702, Botafogo, Rio de Janeiro/RJ, CEP: 22.250-906, pelas razões de fato e de direito a seguir exposta:
DOS FATOS
O Autor, na data de 04/12/2019, sem solicitar desbloqueio de cartão de crédito, imaginou que estava contratando com a CREDCESTA um empréstimo consignado no valor de R$ 27.262,28, para pagamento em 36 prestações descontadas mediante consignação em seus vencimentos de servidor público.
Toda a contratação se deu por ligação telefônica, sendo que a Ré não enviou nenhum contrato para o Autor, bem como não lhe informou de forma prévia e adequada as reais características do produto financeiro, além de não prestar as informações na forma no Art. 52 do CDC e 54-B do CDC.
O montante do empréstimo foi creditado na conta do Autor no dia 05/12/2019, no valor de R$ 27.262,28.
Na data de 02/02/2019 o demandante foi surpreendido com o recebimento de uma fatura com a marca CREDCESTA, onde não constava os termos do contrato firmado por telefone, a exemplo da quantidade e data de vencimento das parcelas do empréstimo, com se vê:
DANILO CRUZ ADVOCACIA
Avenida Tancredo Neves, 1485, bairro Caminho das árvores, CEP 41820-021, cidade de Salvador/BA Contato: (71) 9873-13958 / E-mail: danilo@danilocruz.adv.br
 (
Assinado eletronicamente por: DANILO JESUS DA CRUZ;
Código de validação do documento: 81d698f0 a ser validado no sítio do PROJUDI - TJBA.
)
A fatura apenas discrimina o montante do empréstimo que foi creditado na conta do Autor, no valor de R$ 27.262,28, e as demais informações foram lançadas de forma unilateral e sem qualquer anuência do demandante, desconfigurando totalmente o que foi avençado no contrato verbal.
Outra surpresa do Autor quando recebeu a fatura foi a cobrança de juros de mais de 10%, senão vejamos:
Esses juros foram lançados à revelia da informação que a própria fatura traz em seu bojo, que indica que os juros incidentes seriam de 4,72%, senão vejamos:
DANILO CRUZ ADVOCACIA
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Outro detalhe, que também consta na primeira fatura, é a indicação de que o “cedente”, ou seja, a empresa fornecedora do empréstimo, seria uma empresa denominada “Adminstração Cartão Credcesta”, cujo CNPJ seria o de nº 33923798000100, senão vejamos:
Ao consultarmos o CNPJ, identificamos que o real nome da empresa é Banco Master, como se depreende do cartão:
Ocorre que na formalização do contrato foram sonegadas informações fundamentais para a tomada de decisão do Autor. O fornecedor do crédito não se identificou como Banco Master, mas como CREDCESTA, o que impediu o demandante de realizar a pesquisa prévia sobre a idoneidade da empresa com quem estava tratando.
DANILO CRUZ ADVOCACIA
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O Autor sempre imaginou que estava negociando com a EBAL, uma vez que o CREDCESTA é uma marca registrada por essa empresa, como se vê da consulta ao INPI, senão vejamos:
Como se vê, a marca CREDCESTA, até a presente data, ainda é da EBAL, o que causou espanto ao Autor quando passou a ser cobrado pelo Banco Master, que não consta em qualquer registro oficial público como detentor da marca.
O Autor não desconhece que o Governo da Bahia vendeu as cotas sociais da EBAL, dona do CREDCESTA, no ano de 2018, no entanto, o noticiado foi que a empresa que ganhou o leilão e arrematou as cotas sociais por 15 milhões teria sido a NGV
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EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES, cujo CNPJ é o 29.334.799/0001-34, senão
vejamos:
Não obstante ter arrematado as cotas sociais da EBAL, a referida empresa não formalizou a sua entrada no capital social, como se vê da consulta ao CNPJ da EBAL, senão vejamos:
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Como se nota, não existe no quadro social da EBAL participação societária do Banco Master, muito menos da empresa NGV, que comprou a EBAL em leilão.
O motivo, provavelmente, é o fato da EBAL ter uma dívida milionária com a Receita Federal:
A referida dívida colacionada acima gerou o arrolamento da marca CREDCESTA junto ao INPI, como se vê:
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Hoje, a marca CREDCESTA, oficialmente, é de propriedade da EBAL, que tem uma dívida milionária com a Receita Federal, e teve a marca arrolada para garantia da dívida tributária.
Não obstante este fato, outra empresa tem se apresentado publicamente como detentora e gestora da marca CREDCESTA, a empresa PKL ONE , inscrita no CNPJ sob n° 27.490.629/0001-13:
A referida empresa, inclusive, é a detentora do domínio do site www.credcesta.com.br, senão vejamos:
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Fonte da informação: https://registro.br/tecnologia/ferramentas/whois/?search=credcesta.com.br
Além disso, a mesma tem firmado sucessivos convênios com municípios do Estado da Bahia, todos tendo como objeto o cartão CREDCESTA, senão vejamos um exemplo do município de Valença:
Não se tem conhecimento público de como a operação do cartão e da marca estão sendo ostensivamente geridas pelo Banco Máxima - atual banco Master-, o que é um absurdo, uma vez que há indícios de que a conduta é uma manobra para não pagar os impostos devidos pela EBAL à Receita Federal.
É importante destacar que, se tivesse conhecimento prévio de que o real fornecedor do crédito era o Banco Máxima, atual Banco Master, o Autor jamais teria firmado qualquer contrato. Isso porque o referido banco tem um histórico duvidoso, tendo sido acusado de envolvimento com o criminoso Alberto Youssef, conforme reportagens da mídia, senão vejamos:
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Fonte:	http://www.mpf.mp.br/sp/sala-de-imprensa/noticias-sp/denunciados-pelo-
mpf-ex-gestores-do-banco-maxima-viram-reus-por-crimes-financeiros
Fonte:	https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/juiz-poe-no-banco-dos- reus-ex-gestores-do-banco-maxima-por-gestao-fraudulenta/
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Fonte:	https://veja.abril.com.br/politica/fundos-de-pensao-de-servidores-publicos- aplicaram-r-23-milhoes-em-empresa-de-doleiro/
Excelência, o Autor foi vítima de uma operação fraudulenta perpetrada pelo Banco Réu, que não detém a marca CREDCESTA, não detém qualquer quota social da EBAL e não se identificou com a sua realnatureza jurídica de banco na comunicação com o Autor, mascarando a sua real identidade, induzindo o demandante a erro, viciando o ato de consentimento no fechamento do contrato.
Não bastasse a omissão dolosa por parte do Réu sobre a sua real identidade no momento que contactou o Autor - talvez para ocultar o seu passado de suposto envolvimento em fraudes e crimes financeiros - ainda têm a omissão de dados fundamentais da operação financeira, uma vez que comunica o empréstimo como uma operação de consignado comum, quando, em verdade, é um saque de cartão de crédito consignado, cujos juros são astronômicos e o mecanismo de cálculo transforma a dívida em algo impagável.
Desde a contratação até a presente data, o Autor já realizou o pagamento do montante total de R$ 40.324,46 (Quarenta Mil Trezentos e Vinte e Quatro Reais e Quarenta e Seis Centavos) – entre descontos consignados e boletos pagos diretamente ao Réu -, além do pagamento da anuidade do cartão, mesmo sem desbloquear, no entanto, ainda lhe é exigida uma suposta dívida de R$ 22.256,15, conforme comprovantes anexos.
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Frente a essa situação, tendo em vista a omissão dolosa de informações essenciais praticadas pelo Réu, bem como o flagrante descumprimento de direitos básicos do consumidor, não restou ao Autor outra alternativa para ter resguardado o seu direito senão promovendo a presente ação para anular o contrato, nos termos que segue:
DO DIREITO
DA RELAÇÃO DE CONSUMO
De início, cumpre salientar que o Código de Defesa do Consumidor consagrou a Teoria Finalista para caracterização da condição de consumidor. Por tal teoria, todo aquele, pessoa física ou jurídica, que adquire produto ou serviço como usuário final fático e econômico, deve ser considerado consumidor.
O Autor é o destinatário final fático e econômico, eis que não há lucratividade para o mesmo na utilização dos serviços contratados. Assim, a relação jurídica travada entre Autor e Réu tem natureza consumerista, na qual aquele figura como consumidor nos termos do art. 2º do CDC, enquanto este se apresenta como fornecedor nos moldes do art. 3º do CDC.
Desta forma, atrai-se para a presente lide todo arcabouço protetivo ao consumidor, em especial a inversão do ônus da prova ope legis (art. 14, § 3º, CDC) em razão dos danos oriundos de falhas na prestação do serviço, sem prejuízo da inversão ope judicis (art. 6º, VIII, CDC).
DA NULIDADE DO NEGÓCIO JURÍDICO - VÍCIO POR ERRO E DOLO
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O direito à anulação de negócio jurídico tem previsão no artigo 171 do código civil, que prescreve o seguinte:
Art. 171. Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o negócio jurídico:
I - por incapacidade relativa do agente;
II - por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude contra credores.
No caso em tela, o vício do contrato existe já em seu nascedouro, no momento em que o Réu não revela ao Autor a sua real identidade, utilizando a nomenclatura de CREDCESTA quando, em verdade, é um banco denominado Máxima, atual banco Master.
A omissão na transmissão da informação real e correta ao consumidor sobre a identidade do fornecedor e gestor do serviço financeiro fere direito básico e fundamental do mesmo, um direito que tem previsão no Art. 6º inciso III do CDC.
Ao suprimir do consumidor, de forma dolosa, a informação de que o crédito era oferecido e gerido pelo Banco Máxima – atual banco Master, o réu vicia o consentimento do demandante, anulando, assim, o contrato firmado, pela existência de erro e dolo.
Sendo que o banco Réu já foi acusado de envolvimento com fraudes financeiras e participação em golpes praticados por criminosos do colarinho branco - a exemplo do famoso doleiro da lava jato Alberto Youssef -, a omissão de seu nome e marca própria na comunicação com o Autor retirou do mesmo o direito a realizar a pesquisa sobre o passado tenebroso da empresa e ter a oportunidade prévia de não firmar contrato com a mesma.
É importante destacar que o Autor jamais consentiu em firmar qualquer contrato com o banco Réu, até porque, não teve conhecimento prévio de que o mesmo era o real
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fornecedor do crédito. Se soubesse previamente da identidade do banco, jamais teria aceitado qualquer produto financeiro.
Outrossim, o contrato também é nulo porque o produto financeiro entregue não foi aquele que o Autor demonstrou intenção em contratar, sendo que a intenção era a contratação de um empréstimo consignado comum, com pagamento em 36 parcelas fixas. No entanto, foi entregue um saque de cartão de crédito, que não possui parcelas fixas, mas sim descontos do valor mínimo da fatura, mensalmente, nos vencimentos do Autor.
Ao ser descontado somente a parcela mínima do saque do cartão, o demandante fica com uma dívida impagável, e sem data para quitação, o que se assemelha a empréstimos de agiotas.
Portanto, seja pela falta de informação da real identidade de quem ofertou e faz a gestão do produto financeiro, ou seja pela falta de clareza e informação prévia das características do produto entregue, temos que é nulo o contrato objeto da presente ação, devendo ser aplicado os efeitos do Art. 182 do CC, que prescreve o seguinte:
Art. 182. Anulado o negócio jurídico, restituir-se-ão as partes ao estado em que antes dele se achavam, e, não sendo possível restituí-las, serão indenizadas com o equivalente.
Caso este juízo não entenda pela anulação do contrato, o que não se espera, apenas pelo amor ao debate, vejamos a abusividade dos juros praticados pelo Réu.
DA NECESSIDADE DA REVISÃO – JUROS ABUSIVOS
Um dos direitos básicos conferidos pelo Diploma Consumerista é a modificação das cláusulas contratuais que tornem o contrato desproporcional e desvantajoso para o consumidor, como dispõe o art. 6º, V do CDC. Tal garantia permite maior efetividade à prevenção e reparação de danos ao consumidor, outro direito básico expresso no art. 6º, VI do CDC.
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Operacionalizando os direitos básicos expostos, o art. 51, IV e § 1º, III do CDC revelam a abusividade de cláusulas que polarizam a vantagem da relação consumerista em favor do fornecedor, caracterizando a onerosidade excessiva para o consumidor, colocando- o em situação de extrema desvantagem. A solução justa em tais casos é trazer ao contrário o equilíbrio que lhe falta, permitindo que ambas as partes se beneficiem do negócio sem a exploração do consumidor.
O Réu se aproveita da fragilidade de pessoas como o Autor e utiliza de modus operandi de índole duvidosa, para dizer o mínimo. Justamente quando o Autor atravessava seu pior momento financeiro, o Réu oferece uma solução a um custo desproporcional e indecoroso.
Não se necessita grande esforço para comprovar o alegado. Basta observar que a taxa de juros cobrada pelo Réu – de 4,72% a.m - é muito maior do que a taxa de juros média para crédito consignado a servidor público praticada pelo mercado à época da contratação, conforme dados do BACEN.
Destarte, a presente relação contratual deve ser analisada sob o princípio da boa-fé objetiva, estampado no art. 422 do CC, que reflete o dever de lealdade imposto às partes, tanto na conclusão quanto na execução do contrato. Este princípio é muito caro
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também ao Direito do Consumidor, sendo fundamental para a harmonização das partes e para o equilíbrio das relações contratuais consumeristas (art. 4º, III, CDC).
Ressalte-se que o Autor confiou na solidez e honradez da marca CREDCESTA, estabelecendo relação jurídica calcada no princípio da confiança, o qual foi exterminado pela atitude do Réu. Ao se portar da maneira relatada, a conduta do Réu ofende diretamente o princípio da boa-fé objetiva, faltando com o dever anexo de lealdade para com o Autor, imputando-lhe condições contratuais excessivamente onerosas, justamente quando mais necessitava da cooperação e prudência do Réu.
Não se pode deixar de observar também que milita em favor do Autor, consumidor, o princípio da vulnerabilidade, perante o Réu, empresa com vasto recurso financeiro e capilaridade em vários Estados do País. A vantagem econômica, técnica, informacional e operacional do Réu é muito superior às forças do Autor.
Por estas e outras razões, andou bem o constituinte de consagrar a proteção do consumidor como um direito fundamental (art. 5º, XXXII, CRFB/88), ganhando status de norma de eficácia supralegal, conferindo assim maior efetividade a um dos fundamentos primordiais da República, a dignidade da pessoa humana (art. 1º, III, CFRB/88), visto que todos são consumidores!
Por todo o exposto, pugna o Autor para que seja revista a taxa de juros abusiva cobrada pelo Réu, aplicando-se ao contrato em comento a taxa de juros média informada pelo BACEN - 1,4 %a.m. Esta medida é amparada pelo entendimento do Superior Tribunal de Justiça fixado pelo rito de Recursos Repetitivos – tema 27.
DO DIREITO À DEVOLUÇÃO EM DOBRO – APLICAÇÃO DO ART. 42 DO CDC
Reconhecida a nulidade do contrato, temos que resta configurada uma invasão e subtração indevida da propriedade privada do demandante.
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A redução do poder econômico do Autor, em decorrência da conduta dolosa do Réu, é um ato danoso que configura uma cobrança indevida, sendo, portanto, aplicável os termos do parágrafo único do art. 42 do CDC, que prescreve o seguinte:
Art. 42. Na cobrança de débitos, o consumidor inadimplente não será exposto a ridículo, nem será submetido a qualquer tipo de constrangimento ou ameaça.
Parágrafo único. O consumidor cobrado em quantia indevida tem direito à repetição do indébito, por valor igual ao dobro do que pagou em excesso, acrescido de correção monetária e juros legais, salvo hipótese de engano justificável.
Portanto, requer a condenação do Réu na devolução em dobro da quantia cobrada indevidamente do demandante, nos termos do dispositivo legal colacionado acima.
DA TUTELA DE URGÊNCIA
O Autor demonstra a probabilidade do direito por meio da verossimilhança de suas alegações, afinal, nos fatos, é demonstrado com documentos públicos que o Réu não é o proprietário da marca CREDCESTA, bem como não se identificou como banco Máxima ou Master na comunicação com o Autor.
É incontroversa a existência de erro e dolo no negócio jurídico, uma vez que o consentimento do demandante restou viciado por omissão de informações por parte do Réu.
Outrossim, o principal do crédito depositado na conta do Autor já foi devolvido, inexistindo, atualmente, qualquer dívida a ser adimplida junto ao demandado.
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Todo o aparato probatório possível de ser trazido pelo Autor foi disponibilizado ao juízo, se desincumbindo com folga do seu ônus probatório.
O perigo de dano no caso em comento é facilmente inteligível. Em meio a uma crise econômica mundial, da qual se visualiza apenas a ponta do iceberg, imputar ao Autor a manutenção de um pagamento de prestação ilegal e tão onerosa o coloca em situação de singular fragilidade financeira, principalmente quando colocado sob a perspectiva da incerteza do alcance das consequências da pandemia.
Sob a perspectiva do risco ao resultado útil do processo, frise-se que pela duração média dos processos neste juizado, ao tempo da cognição exauriente, o Autor, se conseguir, terá suportado a duras penas contrato ilegal e excessivamente oneroso, prejudicando sua própria subsistência e de sua família nesse ínterim. Só a intervenção sumária pode garantir a prevenção do dano anunciado, sendo a missão deste juízo proteger o consumidor que está sendo aviltado por fraudadores.
Ressalte-se que a concessão da tutela ora pretendida em nada põe em risco eventual direito do Réu, principalmente porque o principal do empréstimo já foi pago pelo autor. Além disso, se ao final do processo a tutela for revogada, poderá o demandado utilizar dos meios processuais para perseguir o crédito, incluindo o desconto consignado nos vencimentos do autor.
Destarte, reunidos os requisitos elencados no art. 300 do CPC e 84, §3° do CDC, urge a intervenção do juízo em cognição sumária para conceder tutela antecipada de urgência, determinando que o Réu suspenda os descontos consignados nos vencimentos do Autor até o trânsito em julgado da demanda, sob pena de multa diária de R$ 5.000,00 (Cinco Mil Reais).
DO PEDIDO
Ante a todo o exposto, pede e requer:
1. Que seja concedida a tutela de urgência para determinar ao réu que suspenda os descontos consignados nos vencimentos do Autor, sob pena de multa diária no valor de R$ 5.000,00 por dia.
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2. Que seja citado o Réu para apresentar defesa no prazo de lei, sob pena de revelia.
3. Que seja declarada a nulidade do negócio jurídico, com fundamento no Art. 171 do CC, por erro e dolo, em virtude da infração do dever de informar, condenando o Réu a devolver em dobro (§único do Art. 42 do CDC) o que cobrou e recebeu indevidamente por debito consignado nos vencimentos do autor, descontado o valor efetivamente transferido para a conta do Autor a título de empréstimo.
4. A título de pedido alternativo, caso este juízo não entenda pela nulidade do contrato, requer que seja determinada a revisão do mesmo, reequilibrando a relação jurídica, convertendo o contrato de saque de cartão de crédito em empréstimo consignado a servidor público, fixando a taxa de juros em 1,4% a.m, média do mercado à época do negócio jurídico.
5. Ao final, requer a confirmação da tutela concedida.
6. Pugna pela produção de todos os meios de prova em direito admitido, principalmente a produção de prova documental, testemunhal e depoimento do autor e réu.
Dá-se à causa o valor de R$ 28.466,00 (Vinte e Oito Mil Reais Quatrocentos e Sessenta e Seis Reais).
Nestes termos,
Pede e espera deferimento Salvador, 10 de fevereiro de 2022
DANILO JESUS DA CRUZ OAB/BA 32.861
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