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1 IMPORTÂNCIA DA IDENTIFICAÇÃO CORRETA DAS PLAN- TAS MEDICINAIS 2 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empre- sários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade ofere- cendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a partici- pação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber atra- vés do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 3 Sumário NOSSA HISTÓRIA ......................................................................................................... 2 1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 4 2. IDENTIFICAÇÃO BOTÂNICA .............................................................................. 5 3. PLANTA MEDICINAL: ASPECTOS BOTÂNICOS ............................................. 9 4. PARA QUE IDENTIFICAR .................................................................................. 11 5. COMO IDENTIFICAR .......................................................................................... 12 6. APLICAÇÕES DA IDENTIFICAÇÃO BOTÂNICA ........................................... 15 7. IMPORTÂNCIA DA IDENTIFICAÇÃO CORRETA DAS PLANTAS E NOMENCLATURA BOTÂNICA ................................................................................. 19 8. EXEMPLOS DE CONFUSÕES NO USO DE NOMES POPULARES ............... 24 9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................... 38 4 1. INTRODUÇÃO Figura 1: Identificação de plantas medicinais. Fonte: https://criativosdaescola.com.br/plantas-medicinais/ Organização Mundial de Saúde constatou que “recentemente houve um aumento repentino do uso de ervas e outras plantas medicinais”. Estas consti- tuem uma alternativa terapêutica de grande potencial quando comparadas a me- dicamentos sintéticos. O uso de plantas medicinais tem sido favorecido pelo elevado custo dos medicamentos alopáticos e homeopáticos, com conseqüências mínimas quando bem utilizadas. Existem inúmeras espécies vegetais consagradas pelo uso popular, sendo que, no entanto, poucas tiveram comprovação médica ou científica. As plantas medicinais compreendem espécies herbáceas, arbustivas e arbóreas que podem ser encontradas crescendo espontaneamente ou cultivadas, de acordo com a região. A coleta indiscriminada de plantas em seu estado silvestre pode levar à sua extinção, a menos que sejam instalados alguns cultivos. Diversas plantas, não só as medicinais, possuem diferentes nomes “vul- gares” que variam de região para região ou, até mesmo, podemos encontrar um mesmo nome “vulgar” para designar diferentes espécies vegetais. Diante deste 5 fato, faz-se necessário um conhecimento seguro das plantas desejadas, evi- tando a coleta ou o cultivo de espécies parecidas, porém, indesejáveis. Este conhecimento vegetal deve ser de ambas as partes, ou seja, tanto de quem fornece ou produz, como de quem compra, evitando assim a aquisição de plantas “erradas” (de diferentes composições químicas), muitas vezes, mais abundantes, fáceis de serem encontradas e mais baratas. 2. IDENTIFICAÇÃO BOTÂNICA Figura 2: Identificação botânica. Fonte: https://idesam.org/identificacao-botanica/ Cada planta apresenta uma forma diferente e características que as dis- tinguem. A partir destas características o homem descreveu as plantas em ter- mos botânicos, com o principal objetivo de fazer com que cada planta tenha um nome e que esse nome seja igual em todo mundo. Quando uma planta é descrita pela primeira vez, esta descrição deve ser feita em Latim, assim como o nome dado à nova espécie. Esse nome geralmente é composto de duas palavras: a primeira, começando com letra maiúscula, indica gênero, e a segunda, com letra minúscula, indica espécie. A letra logo após o nome da espécie indica o nome da pessoa que descobriu a planta. Ex.: Calendula offi cinalis L. O nome em Latim deve aparecer destacado do restante do texto (subli- nhado, em negrito ou itálico). A taxonomia se ocupa em agrupar as espécies de acordo com seu grau de parentesco. 6 A sistemática procura estabelecer pontos de relacionamento entre os di- versos grupos. Para isso são levados em conta todos os caracteres visuais, ana- tômicos, químicos e as relações com o meio ambiente. Figura 1: Exemplo de nomenclatura das plantas medicinais. Fonte: http://www.rio.rj.gov.br/dlstatic/10112/3424596/4135675/ManualdeCultivoP- PMF2011.pdf A identificação botânica é responsável por grande parte do conhecimento que temos sobre as espécies vegetais. A partir dos dados contidos nela, pode- mos fazer a classificação das espécies e caracterizá-las em determinados gêne- ros e famílias. O reconhecimento botânico permite o estudo das espécies vegetais e a aplicação de forma correta da utilização de plantas, tornando-se de grande im- portância para pesquisas taxonômicas, florísticas, genéticas, além de ser uma aliada, nos estudos da biodiversidade. O estudo botânico sempre foi e ainda é uma atividade importante para a humanidade, pois o conhecimento da flora auxilia os seres humanos, desde a agricultura, com o conhecimento sobre os vegetais que servem como fonte de alimento para o homem e animais e no conhecimento correto de plantas medici- nais, até a atualidade, com a utilização de espécies usadas na recuperação de áreas degradadas, espécies para controle de poluição ou para se realizar inven- tários florestais de forma correta, como, por exemplo, na indústria madeireira. O uso das espécies vegetais tem sido cada vez mais amplo, o que está diretamente relacionado à identificação botânica, a qual permite atingir objetivos de grande relevância em diversos campos. A identificação botânica é feita, muitas vezes, com o auxílio das exsica- tas, que consistem em armazenar a planta prensada e seca, permitindo classifi- 7 car as espécies e caracterizá-las em determinados gêneros e famílias. Esse ar- mazenamento constitui um banco de dados, o herbário, sendo uma documenta- ção de pesquisas botânicas. Em regiões com elevada biodiversidade, a identificação de espécies se torna muito complexa e o único método de fazê-la é com auxílio da literatura e por comparação de materiais já identificados, no entanto, o número de profissi- onais capacitados para tal é ínfimo. Além dos investimentos técnico e financeiro, é importante estimular o in- teresse pela Taxonomia e Sistemática nos cursos de graduação, mostrando a importância dessas áreas como ciência fundamental, capaz de subsidiar as ci- ências aplicadas (MARTINS-DA-SILVA et al., 2003) É de enorme importância, na identificação botânica, conhecer as plantas e seus nomes científicos, pois uma incorreta identificação por nomes vulgares ou vernaculares pode ocasionar alguns problemas, entretanto não existe uma padronização entre as nomenclaturas vernacular e científica. Umaespécie pode receber diversos nomes vernaculares, bem como várias espécies podem ser de- signadas por um único nome vernacular. Os nomes vernaculares provocam mui- tos equívocos e, às vezes, até mesmo erros irreparáveis na denominação das espécies, porém, a nomenclatura científica, expressa em linguagem universal, denomina a mesma planta com um único nome, em qualquer lugar do mundo, oferecendo maior segurança para os usuários (MARTINS-DA-SILVA et al., 2003). Dessa forma, vale ressaltar que não se poderá obter o conhecimento per- feito da flora, sem uma nomenclatura que evite a confusão das espécies (DUCKE, 1949 apud, MARTINS-DA-SILVA, 2003). Geralmente, na identificação, fazem-se exsicatas, termo utilizado para designar o exemplar botânico fixado em cartolina, com cerca de 29cmx42cm, acompanhado de etiqueta colada na parte inferior direita da cartolina, contendo as informações anotadas sobre as plantas durante a coleta (MARTINSDA-SILVA et al., 2003). De forma geral, em estudos de anatomia aplicada à taxonomia, muitas vezes, é necessário utilizar exsicatas, nas quais o registro da espécie é garantido pela produção de exsicatas e pela sua posterior manutenção em her- bários (MEIRA; MARTINS, 2003). 8 Identificação é a determinação de um táxon como idêntico ou semelhante a outro já conhecido. Pode ser feita com auxílio de literatura ou pela própria com- paração de um táxon com outro de identidade conhecida. Táxon é o termo esta- belecido pelo Código Internacional de Nomenclatura Botânica para designar uma unidade taxonômica de qualquer hierarquia (família, gênero, espécie, subespé- cie) (BARROSO et al., 2002). Na identificação botânica de espécies arbóreas, costuma-se utilizar mé- todos, nos quais a classificação das plantas é feita a partir de características vegetativas (ALENCAR, 1998). Dentre esses métodos, costuma-se usar chaves de identificação como fonte de informação, que deve ser feita com extrema cautela, já que a separação de um item, muitas vezes, é feita com base na separação de dois gêneros espe- cíficos e não da família como um todo (SOUZA; LORENZI, 2008). Qualquer que seja o uso que se deseja dar a uma espécie arbórea, a necessidade de conhecê-la da forma mais ampla possível é imprescindível. A reunião de informações ecológicas e a distribuição geográfica são fundamentais para o conhecimento do comportamento das espécies botânicas. Por outro lado, a identificação de árvores, mediante reconhecimento imediato, proporciona, com maior agilidade, resultados de florística e fitossociologia tão necessários ao co- nhecimento e à conservação dessas espécies em seus habitats naturais. A di- versidade florística do território brasileiro impõe grandes dificuldades na distin- ção e denominação de seus componentes (SANTOS et al., 1998). Segundo Teixeira (2009), o que se deve considerar como dificuldade na identificação botânica são as divergências taxonômicas acerca de gêneros, a escassez de trabalhos anatômicos e a dificuldade de identificação das espécies em estado vegetativo, havendo, por esses motivos, a necessidade da verificação de caracteres anatômicos das plantas. A identificação taxonômica é restringida e limitada pela dificuldade de se encontrar material reprodutivo ou flores nas espécies arbóreas, além da falta de informações sobre a verdadeira identidade das árvores, quando jovens, e o difícil acesso em campo (CURY, 2002). 9 3. PLANTA MEDICINAL: ASPECTOS BOTÂNICOS Figura 3: Planta Medicinal. Fonte: https://blog.tabacariadamata.com.br/plantas-medicinais-indigenas/ Segundo a RDC 10 a definição de planta medicinal é: “espécie vegetal, cultivada ou não, utilizada com propósitos terapêuticos”. As plantas medicinais são importantes fontes de substâncias chamadas xenobióticas que visam uma melhoria das condições de saúde do indivíduo que busca tratamento. Estas substâncias tanto trazem benefícios como podem trazer algum desconforto, to- xicidade ou interação com outros medicamentos, conforme trataremos em capí- tulo específico. Uma grande variedade de plantas medicinais é utilizada pelos povos tradicionais em todo o mundo. Parte destas possui estudos científicos, inclusive as que são objeto deste trabalho. Calcula-se que existam cerca de 500 mil espécies de plantas em todo o mundo, cerca de 30% deste total com poten- cial terapêutico. A diversidade de espécies e famílias botânicas é um fator complicador na correta identificação das plantas medicinais. Devido ao regionalismo, uma mesma espécie pode apresentar uma variedade de nomes populares, por exem- plo, a, erva medicinal que no Norte/Nordeste é chamada de chá-de-pedestre, no Sul/Sudeste é conhecida como erva-cidreira-de-rama. Também pode ocorrer que um mesmo nome popular indique plantas me- dicinais diferentes em regiões distintas, como no caso da espinheira-santa, nome popular que normalmente se refere ao gênero Maytenus ( ou a ), em algumas regiões são confundidas com outras espécies e famílias como a da família das leguminosas, devido à semelhança morfológicas de suas folhas. 10 Figura 4: Plantas diferentes com mesmo nome. Fonte: http://www.univas.edu.br/mpcas/egresso/publica- cao/2016102022681842740937.pdf Estas características populares e regionais levam o terapeuta e o assis- tente a um viés que compromete a perfeita identificação da espécie vegetal. A tradição popular permitia além da identificação correta da planta conhecer seus efeitos medicinais e tóxicos o que garantia o uso seguro daquela espécie. Porém a mobilidade das populações permitiu modificações em indicações e até mesmo ampliação do conhecimento sobre algumas espécies, no decorrer das últimas décadas, isto devido o aumento do contato de populações tradicionais com as demais. Entretanto, o conhecimento específico, e prático foi diminuído. As alte- rações dos usos atuais em relação aos originais, principalmente a sua amplia- ção, pode ser creditada à influência de pessoas que atualmente difundem o uso de plantas medicinais, e não têm formação calcada na tradicionalidade (VEN- DRUSCOLO , 2005). Atualmente devemos dar preferência à nomenclatura cien- tífica ao se tratar de plantas medicinais. A nomenclatura botânica é constituída de dois nomes latinizados, o pri- meiro se refere ao gênero e o segundo à espécie. Além disto, é importante co- nhecer o conceito de família botânica, onde se agrupa os gêneros e espécies mais aparentados entre si. As famílias botânicas são categorias de plantas, clas- sificadas de acordo com uma origem filogenética comum, e onde observa carac- terísticas marcantes e distintas de outras famílias. Recebem o nome do gênero 11 mais representativo acrescido da terminação “aceae”. É comum o uso da forma extra-oficial no português da terminação “áceas” para denominar uma família, apesar de que devemos evitá-lo. Utilizando estes três níveis de nomenclatura, família, gênero e espécie, ficará mais fácil buscar informações nos meios oficiais e de pesquisa. Plantas são usinas químicas capazes de produzir uma infinidade de substâncias para a sua defesa e proteção. Estas substâncias são denominadas metabólitos secundários e não estão diretamente relacionados aos mecanismos vegetativos da planta, como crescimento e nutrição. Podem ter origem em diver- sos mecanismos vegetais, e atuar como hormônios vegetais, substâncias antio- xidantes e mesmo ligadas à defesa contra fungos, bactérias e vírus. Estes mes- mos agressores atacam animais e plantas podendo ser utilizados como auxilia- res no combate de agentes infecciosos. Outras vezes substâncias vegetais po- dem atuar em mecanismos tão complexos como as contrações cardíacas e mus- culares. Em outras auxiliam as defesas orgânicas, como no caso de alguns gli- cosídeos. Moléculas vegetais que atuam em tecido animal são importantes e devem serpesquisadas com atenção. A sazonalidade é um importante fator que deve ser observado para a ob- tenção de drogas vegetais, uma mesma planta poderá ter diferentes níveis e concentrações de seus metabólitos secundários durante as estações do ano. A idade e os diferentes órgãos da planta também são importantes na quantificação e na proporção destes metabólitos em sua constituição. Tecidos vegetais mais novos geralmente são maiores produtores de princípios ativos, devido à sua alta taxa metabólica (GOBBO-NETO e LOPES, 2007). 4. PARA QUE IDENTIFICAR A identificação botânica se faz necessário para a obtenção de diferentes informações sobre espécies que possuem diferentes características e particula- ridades individuais. A identificação científica correta das espécies é essencial para o desenvolvimento das ciências básica (desenvolvimento de teorias) e apli- cada (aplicação de teorias às necessidades humanas). 12 É importante lembrar que os inventários florestais, baseados em nomes vernaculares (populares), provocam muita confusão; essas denominações va- riam bastante de uma região para outra e, em muitos casos, dentro de uma mesma região, dependendo de quem as utiliza. Porém, a nomenclatura cientí- fica, expressa em linguagem universal, denomina a mesma planta, com um único nome, em qualquer lugar do Planeta; oferecendo, dessa forma, maior segurança para os usuários. Por essa razão, a nomenclatura científica permite o diálogo entre cientis- tas de diferentes países e regiões, promovendo acesso às informações neces- sárias para o desenvolvimento de pesquisa, não só na botânica, mas em diver- sas áreas do conhecimento (Da – Silva, 2002). 5. COMO IDENTIFICAR Identificação é a determinação de um táxon, como idêntico ou seme- lhante a outro já existente, utilizando-se a comparação com material de herbário devidamente identificado, as chaves dicotômicas de identificação e a literatura específica. Durante o processo de identificação, podem ser encontrados táxons novos para a ciência, os quais devem ser descritos de acordo com as normas preconizadas pelo Código Internacional de Nomenclatura Botânica (CINB). A identificação por chaves dicotômicas é muito complexo e exige grande conheci- mento sobre a morfologia vegetal, sugerimos então a comparação com material de herbário, onde pode-se ter o auxilio do Museu Botânico Municipal de Curitiba - MBM. No herbário, o processo de identificação mais comum é por meio de com- paração; neste processo a amostra recém coletada é comparada com outra an- teriormente coletada e identificada. Se todas as características assemelharem- se pode se determinar o nome da amostra. É bom deixar bem claro que, classificação é a ordenação das plantas em níveis hierárquicos, de acordo com as características apresentadas, de modo que cada nível reúna as características do superior. Por exemplo, as espécies 13 de um determinado gênero devem apresentar as características ou traços parti- culares desse gênero; os gêneros de uma determinada família devem apresentar as características ou traços particulares dessa família e assim por diante. Quando se denomina uma planta já descrita, está ocorrendo determina- ção das características comuns a outra já catalogada, está se fazendo uma iden- tificação, enquanto que, quando se procura localizar uma planta ainda não co- nhecida, dentro de um sistema de classificação, está ocorrendo classificação (Da – Silva, 2002). Com a elaboração de um acervo de material botânico e da disponibiliza- ção desse material é possível criar um valor pedagógico, tanto no herbário do Laboratório de Botânica, quanto futuramente na criação de uma área na internet no site do UniFOA permitindo acesso ao público, tanto para a comunidade aca- dêmica, como para a população em geral que pretenda realizar pesquisas nesse âmbito ou apenas visualizar o acervo. O trabalho de identificação botânica é feito em três etapas: - Primeira etapa: coleta de amostras de espécies, armazenamento e prensagem, e identificação; - Segunda etapa: quantificação das espécies e medição de diâmetro das árvores identificadas (DAP - Diâmetro à Altura do Peito = 1,30m) e mapeamento; - Terceira etapa: cortes histológicos das folhas das espécies. Coleta e Identificação Essa etapa inicial do trabalho consistiu em coletar os ramos das espécies vegetais presentes no Campus UniFOA - Três Poços, além de flores e/ou frutos, utilizando uma tesoura de poda. Cada amostra recebeu um número de controle para facilitar a identificação. Para a determinação das famílias das plantas foi utilizada chave de iden- tificação (GUIMARÃES, 1999), que possui desenhos ilustrativos da morfologia, destacando os caracteres que são analisados e interpretados. A análise dos ca- racteres de ordem geral começa com a comparação deles com a composição do índice das chaves. Verificam-se as características das folhas, formato do limbo e disposição das folhas no caule, presença de órgãos reprodutivos e presença de frutos. 14 A identificação deve ser feita logo após a coleta, com base nas caracte- rísticas gerais da planta, de acordo com Vidal e Vidal (2003). Para as folhas, foram analisadas diversas características, tais como: consistência, superfície, forma, filotaxia, que é a disposição das folhas no caule. Na presença de flor, foram observados e anotados os dados de nomenclatura floral, bem como as características morfológicas do cálice e da corola. E para os frutos, foi feita a classificação quanto ao tipo, ou seja, secos ou carnosos. Armazenamento e Prensagem As amostras, após serem coletadas, foram dispostas entre uma camada de jornal e papelão, colocadas na prensa com tamanho de 60x40cm e levadas para a estufa até ficarem secas. Figura 5: Material utilizado no Laboratório de Botânica: Prensa Fonte: http://editora.unifoa.edu.br/downloads/Identificacao_botanica.pdf Figura 6: Material utilizado no Laboratório de Botânica: Estufa http://editora.unifoa.edu.br/downloads/Identificacao_botanica.pdf 15 Fonte: http://editora.unifoa.edu.br/downloads/Identificacao_botanica.pdf 6. APLICAÇÕES DA IDENTIFICAÇÃO BOTÂNICA A identificação é de suma importância por suas aplicações em diferentes áreas, como nos setores de plantas medicinais, recuperação de áreas degrada- das e biomas, biomonitoramento, bioindicadores, indústria madeireira, entre ou- tras. Fitoterapia Desde os tempos mais remotos as plantas são utilizadas pelo homem como alimento e no tratamento de várias doenças. Os relatos dos estudos liga- dos às plantas medicinais confundem-se com a própria história dos antepassa- dos humanos. (NETO; CAETANO, 2005). Pode-se considerar, como planta medicinal, toda planta que possui, em sua composição, substâncias químicas, biologicamente sintetizadas (a partir de nutrientes, água e luz), administrada pelo homem sob qualquer forma e por al- guma via, exercendo algum tipo de ação farmacológica (FETROW; ÁVILA, 1999). As plantas podem ser classificadas de acordo com sua ordem de impor- tância, iniciando-se pelas plantas empregadas diretamente na terapêutica, se- guidas daquelas que constituem matéria-prima para manipulação e, por último, as empregadas na indústria para obtenção de princípios ativos ou como precur- sores em semissíntese (FOGLIO et al., 2006). Nessa perspectiva, as plantas medicinais têm sido utilizadas tradicional- mente para o tratamento de várias enfermidades. Sua aplicação é vasta e abrange desde o combate ao câncer, até os micro-organismos patogênicos, ca- pazes de produzir doenças infecciosas aos seus hospedeiros. Além de seu uso na medicina popular com finalidades terapêuticas, têm contribuído, ao longo dos anos, para a obtenção de vários fármacos, até hoje, amplamente utilizados na clínica, como a emetina, usada contra diarreia, e a vincristina,usada para com- bater a leucemia. A cada momento, são relacionadas, na literatura, novas molé- culas, algumas de relevante ação farmacológica, como a forscolina, usada no tratamento de infecções urinárias; o taxol, usado contra o câncer e; a artemisi- nina, potente antimalárico (FOGLIO et al., 2006). http://editora.unifoa.edu.br/downloads/Identificacao_botanica.pdf 16 A produção de determinados metabólitos secundários pode ser restrita de certas plantas, caracterizada por uma enorme diversidade química e de impor- tância relevante nos mecanismos de defesa das plantas contra seus predadores. O interesse científico por essas substâncias tem aumentado devido à busca por novos medicamentos oriundos de plantas (FETROW; ÁVILA, 1999). Além do interesse por novos medicamentos, as plantas medicinais tam- bém são de grande importância para a indústria cosmética, sendo utilizadas como matérias-primas de diversos produtos, além das indústrias alimentícias (MOURA et al., 2013). Alguns fatores têm contribuído para o aumento da utilização de plantas medicinais, entre eles, a crise econômica, o alto custo de medicamentos indus- trializados, o difícil acesso da população à assistência médica e farmacêutica e, principalmente, a resistência de micro-organismo às drogas sintéticas (SIMÕES et al., 2002). Muitas plantas são utilizadas, no Brasil, na forma de extrato bruto, infu- sões ou emplastos (aplicações de plantas curativas quentes, misturadas a um espessante qualquer, para conservar o calor e facilitar a aplicação), para o tra- tamento de infecções comuns, sem qualquer evidência científica de seus bene- fícios ou malefícios para o homem. Assim, os estudos científicos são realizados para confirmarem a eficácia e segurança do uso terapêutico de determinadas plantas medicinais ou acusar sua toxicidade (BURT, 2004). É importante registrar também que o conhecimento sobre as plantas tem acompanhado a evolução do homem através dos tempos (CUNHA, 2011). A pro- cura da sobrevivência levou os seres humanos a buscar plantas que lhe pudes- sem ser úteis, tanto para o sustento, com posterior cultivo, o que levou ao surgi- mento da agricultura, como também para cura de doenças, e até as que pudes- sem ser prejudiciais, como as plantas tóxicas. Essa busca pelo sustento fez com que o homem descobrisse espécies medicinais e tóxicas, criando assim uma classificação popular desse grupo de seres vivos (CUNHA, 2011; NETO; CAE- TANO, 2005). Assim, há muitos séculos, o ser humano tem empregado plantas como fonte de medicamentos para os males que o assolam, sendo bastante difícil ser encontrada uma civilização da antiguidade que não tenha se utilizado do grande poder de cura de diversas plantas (DI STASI, 2007). 17 Um dos relatos mais antigos da utilização das plantas para a cultura de doenças é a obra do imperador chinês Cho-Chin-Kei, chamado de “Hipócrates chinês”, considerado um dos mais destacados na farmacognosia da China an- tiga, que, em seus estudos, faz diversos relatos das aplicações de plantas, como o ginseng (Panax ginseng), na cura de muitos males (NETO; CAETANO, 2005). Além de utilizarem as plantas medicinais para a fabricação de substâncias medicamentosas, os egípcios também usavam, para a confecção de perfumes, gomas e embalsamamento dos faraós (FERREIRA et al., 1998). Cerca de 1.200 a.C., a Achillea millefolium (erva-do-soldado), planta na- tiva do norte da Europa e Ásia, já era utilizada durante a guerra de Troia para conter hemorragias e curar feridas causadas durante os combates dos soldados (CUNHA, 2011). Algumas substâncias encontradas em plantas medicinais são utilizadas pelo homem a mais de 3.000 anos, como é o caso dos alcaloides. Há relatos da utilização deles, como o ópio extraído de Papaver somniferum (papoula), por volta de 1.400 a 1.200 a.C., na região do Mediterrâneo. O ópio é depressor do sistema nervoso central, usado antigamente como analgésico (NETO; CAE- TANO, 2005). A partir do século XX, com o grande desenvolvimento dos processos in- dustriais de fabricação e sintetização de muitos medicamentos, o uso de plantas medicinais deixou de ser prioridade, sendo desprezado pelas grandes corpora- ções farmacêuticas, devido à necessidade de maior controle sobre todas as eta- pas de industrialização, o que nem sempre acontece com os fitoterápicos, cuja matéria-prima está sujeita a contaminações, mudanças inesperadas do clima e do solo, podendo comprometer toda produção (CRUZ; NOZAKI; BATISTA, 2000). Porém, no final da década de 1970, a fitoterapia voltou a se tornar impor- tante, já que muitos compostos sintetizados já atingem valores elevados no mer- cado, além do que seu uso contínuo pode provocar uma maior resistência a mi- cro-organismos patogênicos (DUARTE, 2006). A história do uso de plantas medicinais tem mostrado que elas fazem parte da evolução humana e foram os primeiros recursos terapêuticos utilizados pelos povos. Além da comprovação da ação terapêutica de várias plantas utili- zadas popularmente, a fitoterapia representa parte importante da cultura de um 18 povo, por se tratar de um saber utilizado e difundido pelas populações, ao longo de várias gerações, assim resultando em um fator de grande importância para a manutenção das condições de saúde das pessoas (TOMAZZONI; NEGRELLE; CENA, 2006). O uso e o conhecimento de plantas medicinais simbolizam, em muitos casos, o único recurso terapêutico de muitas comunidades, tribos e grupos étni- cos, sendo essa forma de tratamento tão antiga quanto a espécie humana, pois existem relatos do uso de plantas medicinais na Mesopotâmia, no período de 2600 a. C. (OLIVEIRA et al., 2006). As plantas medicinais são de grande importância para a manutenção da saúde das pessoas, pois além dos efeitos terapêuticos comprovados, os fitote- rápicos representam parte da cultura de um povo (TOMAZZONI et al., 2006). Fitoterápicos são medicamentos cujos componentes ativos são exclusi- vamente derivados de plantas ou derivados vegetais (extratos, sucos, óleos, etc.). O uso de fitoterápicos com finalidade profilática, curativa, paliativa ou para diagnóstico foi reconhecido pela Organização Mundial de Saúde, em 1978, re- comendando-se mundialmente a difusão dos conhecimentos necessários para o uso da fitoterapia (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2001). O desenvolvimento de fitoterápicos inicia-se por pesquisas científicas, que precisam de levantamento bibliográfico e ensaios práticos que buscam por resultados sobre os aspectos fitoquímicos e avaliação das atividades biológicas do vegetal em questão (MIGUEL; MIGUEL, 1999). Estimula-se o uso de medicamentos fitoterápicos para a prevenção, cura ou minimização dos sintomas de enfermidades, com custo mais acessível à po- pulação e serviços de saúde, quando comparada aos medicamentos sintéticos, que, por sua vez, são mais caros, devido a patentes e tecnologias usadas no processo de fabricação (TOLEDO et al., 2003). Contudo, a fitoterapia ainda passa por dificuldades relacionadas à identi- ficação botânica, visto os inúmeros nomes vulgares encontrados, muitas vezes, para apenas uma única espécie, ou várias espécies com o mesmo nome vulgar, causando confusão e dificultando sua aplicação. Daí a imensa importância da identificação botânica feita de forma correta. 19 7. IMPORTÂNCIA DA IDENTIFICAÇÃO CORRETA DAS PLANTAS E NOMENCLATURA BOTÂNICA Algumas questões devem estar bem estabelecidas no trabalho com plan- tas medicinais, começando pelo diagnóstico exato da doença, seguido pela iden- tificação correta da planta a ser utilizada, bem como o conhecimento do seu pre- paro e uso adequados, incluindo-se a verificação do processamento recebido pela planta, prazos de validade, etc., garantindo-se assim a presença do dese- jado princípio ativo. Embora as comunidades identifiquem suas plantas pormeio de nomes reconhecidos na vizinhança (nomes populares), e que devem ser respeitados, estes variam muito de acordo com a região e podem gerar erros quando ocorrem trocas de informações. É freqüente acontecer que plantas diferentes recebam um mesmo nome ou nomes semelhantes, e também a ocorrência de nomes di- ferentes para uma mesma planta. As confusões com relação à identificação de plantas podem trazer proble- mas como: não obtenção dos efeitos desejados, intoxicação por uso de planta errada ou por uso incorreto, erro nos tratos culturais (ou seja, cultivo das plantas de forma inadequada), comércio ou trocas de plantas erradas, podendo levar à perda de credibilidade no uso dessas plantas. Dar nome às “coisas” e classificá-las resulta de uma necessidade cultural que temos de tentar “organizar” a nossa compreensão do mundo. Assim, ele nos fica mais familiar à medida que reconhecemos “coisas” semelhantes àquilo que já conhecíamos. A Sistemática é a ciência que estuda a diversidade biológica e a sua his- tória evolutiva. A Taxonomia é o ramo da Sistemática responsável pela identifi- cação, atribuição de nomes e classificação das espécies. Para a identificação das espécies, os pesquisadores utilizam o nome ci- entífico, que não representa apenas uma “carteira de identificação” universal para um organismo, mas também fornece pistas acerca das relações de um or- ganismo com outro O nome científico é universal, pois é o mesmo em qualquer língua ou país, e é específico, ou seja, para cada espécie existe apenas um nome e vice-versa. 20 Isso permite uma rápida localização das informações em livros ou revistas e si- tes, no mundo todo. A publicação de Species Plantarum pelo naturalista sueco Lineu, em 1758, foi um marco no sistema moderno de classificação biológica, estabele- cendo o sistema binomial (dois nomes) para a designação de espécies, em vez da frase descritiva em latim, usada anteriormente. O nome científico, tanto de plantas como de animais, é composto por dois nomes (binômio), seguidos do nome do autor (geralmente, escrito de forma abre- viada). Por exemplo, Melissa officinalis L. é a erva popularmente conhecida por melissa ou erva-cidreira-verdadeira. O primeiro nome (Melissa) é o gênero, tam- bém chamado de nome genérico, e deve ser iniciado com letra maiúscula. O segundo nome (officinalis) é o epíteto específico, iniciado com letra minúscula. O nome do autor indica quem foi o responsável pela denominação e a classifi- cação da espécie, no caso, L., abreviação de Lineu. A citação do autor em seguida ao binômio não é obrigatória, mas, se for utilizada, deve acompanhar o Código de Nomenclatura Botânica. O nome da espécie (Gênero + epíteto específico) é grafado em latim, e deve ficar em destaque no texto, escrito em itálico, negrito ou sublinhado. Usa- se o latim porque, na época em que as regras foram estabelecidas, ele era a língua dos estudiosos e do intercâmbio científico, como hoje é o inglês. Um autor, ao criar a combinação do nome científico, pode destacar al- guma característica da planta, prestar homenagens pessoais ou fazer referência à localidade de origem ou ocorrência da espécie. Por exemplo, em Sambucus australis, o sabugueiro nativo da região sul do Brasil, Sambucus significa “cor vermelha”, referente ao suco vermelho-escuro dos frutos, e australis significa “austral, meridional, do sul”; no caso do gênero Bauhinia, das patas-de-vaca, prestou-se homenagem aos irmãos Jean e Gaspar Bauhin, botânicos dos sécu- los XVI-XVII. Cada espécie vegetal tem um espécime-tipo, geralmente uma amostra seca da planta, mantida em um herbário ou museu. O espécime-tipo é designado pelo autor que descreve aquela espécie e serve como um referencial para com- paração com outros espécimens, para determinar se estes pertencem ou não à mesma espécie. 21 Os primeiros sistemas de classificação botânica utilizaram algumas pou- cas características das plantas, geralmente morfológicas, como o hábito ou as características de flor, para agrupá-las, resultando em agrupamentos muitas ve- zes artificiais. Hoje, é possível a análise combinada de uma grande quantidade de caracteres (morfológicos, anatômicos e químicos, inclusive os genéticos) e os sistemas de classificação buscam agrupar as espécies de acordo com sua história evolutiva (filogenia). Assim, os sistemas tentam revelar o grau de “pa- rentesco” existente entre as espécies e, portanto, atualmente, podemos consi- derar que a classificação tem até um caráter preditivo, permitindo prognósticos de características. Num sistema de classificação, cada “nível hierárquico” da organização é uma categoria taxonômica ou táxon. Espécie é uma categoria taxonômica e es- pécies assemelhadas ficam agrupadas num gênero; os gêneros parecidos com- põem uma família botânica e várias famílias aparentadas constituem a ordem, e assim por diante. O nome do gênero muitas vezes corresponde ao nome popular, como é o caso da melissa (Melissa), da menta (Mentha) e dos eucaliptos (Eucalyptus). O nome genérico pode ser escrito sozinho quando se refere ao grupo in- teiro de espécies que formam aquele gênero. Eucalyptus é um bom exemplo, pois reúne centenas de espécies que, quaisquer que sejam, têm tantas caracte- rísticas em comum que levam qualquer pessoa a reconhecê-las e a chamálas de eucalipto. Quando se quer fazer referência a uma espécie ou a algumas es- pécies que pertencem a um gênero, sem discriminá-las ou nominá-las, aprovei- tando-se, ainda, o exemplo do Eucalyptus, usa-se escrever, respectivamente: Eucalyptus sp. e Eucalyptus spp. O epíteto específico, no entanto, não tem sentido quando escrito sozinho, por poder ser associado a diferentes nomes genéricos. Por exemplo, o epíteto específico officinalis, que em latim significa “oficial, que se encontra nas farmá- cias por ser medicinal”, pode ser do alecrim (Rosmarinus officinalis), da alfazema (Lavandula officinalis), da calêndula (Calendula officinalis), da melissa (Melissa officinalis) ou da sálvia (Salvia officinalis). Para evitar confusões, o epíteto específico deve sempre vir precedido do seu nome genérico. Em textos onde o binômio for mencionado, permite-se abre- viá-lo a partir da segunda menção, utilizando-se a letra inicial do gênero seguida 22 do epíteto específico, desde que não se deixe margem a dúvidas sobre a espécie em questão. Por exemplo: “em um texto sobre Coffea arabica (café), você pode abreviar como C. arabica, a partir da segunda vez que for citar a espécie”. Devido à semelhança apresentada em várias de suas características, os gêneros Rosmarinus, Lavandula, Melissa, Mentha e Salvia foram classificados como pertencentes à família botânica Lamiaceae. O eucalipto, a rosa e o café pertencem, respectivamente, às famílias Myr- taceae, Rosaceae e Rubiaceae. Regras internacionais de nomenclatura definem as terminações dos nomes de cada categoria taxonômica supragenérica (acima do gênero), tornando possível reconhecer cada categoria pela sua escrita. As- sim, a terminação –aceae refere-se à categoria família botânica, a terminação – ales refere-se à ordem e assim por diante. Devido à consagração de uso, para algumas poucas famílias botânicas abre-se uma exceção e admite-se o uso de “nomes alternativos”, igualmente aceitos: Apiaceae = Umbelliferae Arecaceae = Palmae Asteraceae = Compositae Brassicaceae = Cruciferae Clusiaceae = Guttiferae Fabaceae = Leguminosae Lamiaceae = Labiatae Poaceae = Gramineae Quanto à especificidade do nome científico, cabe esclarecer que há situ- ações em que se depara com múltiplos nomes científicos para uma determinada planta, gerados pelas situações a seguir descritas. Para esses casos, princípios e regras internacionais de nomenclatura ditam os critérios para se determinar o único nome científico válido: • Nos casosem que se verifica que foram dados nomes científicos dife- rentes para uma mesma espécie, por autores diferentes que estudaram a planta, fica valendo o nome publicado mais antigo que classifique a planta corretamente, ficando os demais nomes como sinônimos (apresentados como “sin.:” neste tra- balho). Exemplo: Plectranthus barbatus Andrews tem como sinônimos os nomes Coleus barbatus (Andrews) Benth. e Coleus forskohlii (Willd.) Briq; 23 • Em decorrência do acúmulo de informações e aumento do conheci- mento, há casos em que as plantas são reclassificadas, com a conseqüente mu- dança de nome. Quando uma espécie muda de gênero, o nome do autor do primeiro nome científico deve ser citado entre parênteses, seguido pelo nome do autor que fez a nova combinação. Exemplo: Vernonia condensata Baker atual- mente é classificada como Vernonanthura condensata (Baker) H. Rob. Híbridos são plantas resultantes do cruzamento de espécies diferentes, do mesmo gênero ou até de gêneros distintos, e podem ter origem natural ou induzida pelo homem. Os híbridos são indicados por um “x” em seu nome. Exem- plo: Mentha x villosa. Espécie é a categoria taxonômica básica, mas, para algumas espécies, podemos reconhecer categorias ainda menores, chamadas de infra-específicas, como, por exemplo, a subespécie (subsp.) e a variedade (var.). Os táxons infra-específicos têm nomes compostos por três palavras: acrescenta-se ao nome da espécie a abreviatura da categoria, seguida do epí- teto infra-específico e da abreviação do nome do autor. Exemplo: a couve-man- teiga e o repolho pertencem à família Brassicaceae (Cruciferae), gênero Bras- sica, sendo que ambas as hortaliças são da espécie Brassica oleracea L., porém são variedades diferentes. A couvemanteiga é Brassica oleracea L. var. acephala DC. e o repolho é Brassica oleracea L. var. capitata L. O cultivar (contração da expressão “cultivated variety”) é uma categoria taxonômica equivalente à variedade, ou até menor, mas dependente da inter- venção humana para a sua perpetuação. O nome pode ser escrito na língua vernácula e é grafado entre aspas e não em itálico, para ressaltá-lo num texto, apresentando ou não a abreviação “cv.” antes de sua indicação. Exemplo: a couve-flor brasileira criada para as condições de verão quente do centro-sul é a Brassica oleracea var. botrytis cv. “Piracicaba precoce” ou apenas, Brassica ole- racea var. botrytis “Piracicaba precoce”. 24 8. EXEMPLOS DE CONFUSÕES NO USO DE NOMES PO- PULARES Os nomes populares, comuns, vulgares ou vernaculares são aqueles de uso local ou regional e são importantes em trabalhos etnobotânicos por fornece- rem informações sobre a utilização popular de uma espécie por uma determi- nada comunidade. No entanto, trabalhos científicos de outras naturezas não de- vem ser embasados nestes nomes. Cada região pode ter suas confusões de nomes populares. Associamos os nomes científicos de cada espécie e suas características aos diversos nomes pelos quais pode ser conhecida popularmente. Exemplo 1: PATA-DE-VACA Diversas espécies do gênero Bauhinia, da família Fabaceae (Legumino- sae), geralmente recebem o nome popular de pata-de-vaca ou unha-de-vaca, devido ao formato de suas folhas. Freqüentemente, observamos a seguinte troca de informação: “O chá das folhas da pata-de-vaca ajuda a controlar a diabete. Mas cuidado, tem que usar as folhas da árvore que dá a flor branca!”. Aparentemente, a informação tenta direcionar para a escolha correta de uma planta, que seria a Bauhinia forficata Link, árvore nativa das bordas da Mata Atlântica que produz flores brancas e pode ser reconhecida pela presença de espinhos na base das folhas. Na cidade de São Paulo, no entanto, a espécie mais freqüente, por ser utilizada na arborização de logradouros, é a Bauhinia variegata L., árvore originária da Índia, que tem uma variedade que produz flores lilases e outra que dá flores brancas, o alvo da confusão dos paulistanos. Apesar das ações hipoglicemiante e antidiabética não terem sido compro- vadas pelos testes realizados pelo Programa de Pesquisas de Plantas Medici- nais da Central de Medicamentos (PPPM-Ceme), Bauhinia forficata é uma planta de uso tradicional. Figura 7: Bauhinia forficata 25 Fonte: https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambi- ente/arquivos/plantas_med_web.pdf Nomes populares: pata-de-vaca; unha-de-vaca; bauínia; capa-bode; casco-de-burro; ceroula-de-homem; pata-de-boi; pata-de-veado; pé-de-boi; unhade-anta; unha-de-boi; unha-de-boi-de-espinho, miroró, etc. Figura 8: Bauhinia variegata L. Fonte: https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambi- ente/arquivos/plantas_med_web.pdf Nomes populares: pata-de-vaca; unha-de-vaca; bauínia; árvore-da-orquí- dia; casco-de-vaca, etc. Exemplo 2: BOLDO Boldos são plantas cujas folhas são popularmente utilizadas para proble- mas hepáticos ou de indigestão. É importante reconhecê-las e conhecer suas propriedades quando se fizer uso delas por períodos prolongados, pois, por exemplo, o boldo-do-chile (Peumus boldus) possui componentes ativos com efei- tos colaterais. Figura 9: Peumus boldus Molina 26 Fonte: https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambi- ente/arquivos/plantas_med_web.pdf Nome científico: Peumus boldus Molina Nomes populares: boldo-do-chile, boldo; boldoverdadeiro. Características principais: Árvore da família Monimiaceae, originária do Chile, que atinge de 12 a 15 metros de altura. Suas folhas são duras, oval-elíp- ticas, de coloração cinzento-esverdeada e salpicadas de pequenas proeminên- cias. Esta planta não é cultivada no Brasil, sendo que as folhas para chá são importadas. Figura 10: Vernonanthura condensata Fonte: https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambi- ente/arquivos/plantas_med_web.pdf Nome científico: Vernonanthura condensata (Baker) H. Rob. (sin.: Verno- nia condensata Baker) Nomes populares: estomalina, boldo-baiano; boldo-japonês; boldo-chi- nês; boldo-goiano; boldode-goiás; alumã; aluman; aloma; luman; árvore-dopin- guço; alcachofra; figatil; heparém; cidreira-damata; macelão; etc. 27 Características principais: Arbusto ou arvoreta de 2 a 5 metros de altura, da família Asteraceae (Compositae). Suas folhas têm textura membranácea, margens serrilhadas e de 5 a 12 cm de comprimento, com sabor amargo seguido de doce quando mastigadas. Originária da África, é freqüentemente cultivada nos quintais. Figura 11: Plectranthus barbatus Andrews Fonte: https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambi- ente/arquivos/plantas_med_web.pdf Nome científico: Plectranthus barbatus Andrews (sin.: Coleus barbatus (Andrews) Benth. e Coleus forskohlii (Willd.) Briq.) Nomes populares: boldo; boldo-peludo; boldo-daterra; falso-boldo; boldo- brasileiro; boldo-do-reino; alum; boldo-nacional; boldo-do-brasil; malva-santa; malva-amarga; sete-dores; boldo-do-jardim; folhade-oxalá, etc. Características principais: Arbusto da família Lamiaceae (Labiatae), de aproximadamente 2 metros de altura. Possui folhas suculentas, pilosas e amargas, de margens denteadas e flores azularro- xeadas, arranjadas em inflorescências. Originária provavelmente da Índia, está presente nos jardins de quase todo o Brasil. Figura 12: Plectranthus neochilus Schltr. https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambiente/arquivos/plantas_med_web.pdf https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambiente/arquivos/plantas_med_web.pdf 28 Fonte: https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambi- ente/arquivos/plantas_med_web.pdf Nome científico: Plectranthus neochilus Schltr. Nomes populares: boldo- rasteiro,boldinho ou boldo-gambá. Características principais: do mesmo gênero do boldo-peludo (Plec- tranthus barbatus), é uma erva rasteira de rápida propagação, com folhas acin- zentadas, suculentas e aromáticas, e flores azuis-arroxeadas. Bastante comum nos jardins, também é usado popularmente para os mesmos fins. Exemplo 3: ERVA-CIDREIRA Ervas-cidreiras são plantas aromáticas, popularmente utilizadas na forma de chá, como calmante e para problemas digestivos. Os usos mencionados são os mais disseminados, mas há diversos outros usos possíveis. Para tanto, deve- se ter conhecimento individualizado das plantas, por se tratarem de espécies de diferentes famílias botânicas, cada qual com propriedades distintas. Figura 13: Cymbopogon citratus Fonte: https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambi- ente/arquivos/plantas_med_web.pdf https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambiente/arquivos/plantas_med_web.pdf https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambiente/arquivos/plantas_med_web.pdf https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambiente/arquivos/plantas_med_web.pdf https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambiente/arquivos/plantas_med_web.pdf 29 Nome científico: Cymbopogon citratus (DC.) Stapf (sin.: Andropogon citra- tus DC.) Nomes populares: capim-limão, capim-cidreira, erva-cidreira, capim- santo, chá-de-estrada, capimcheiroso, capim-cidrilho, capim-de-cheiro, capim- ciri, patchuli, grama-cidreira, capim-marinho, citronela-dejava, cidró, capim-citro- nela, etc. Características principais: da família Poaceae (Gramineae), é um capim originário da Ásia. Forma touceiras, tem rizoma curto e folhas finas e longas. Muito cultivada em quase todos os países das regiões tropicais. Figura 14: Lippia alba. Fonte: https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambi- ente/arquivos/plantas_med_web.pdf Nome científico: Lippia alba (Mill.) N.E. Br. Nomes populares: erva-cidreira, erva-cidreira-falsa, erva-cidreira-brasi- leira, falsa-melissa, erva-cidreirade-arbusto, cidreira-carmelitana, chá-de-tabu- leiro, erva-cidreira-do-campo, chá-de-estrada, alecrim-docampo, cidrão, cidreira, cidrila, cidreira-capim, cidreiracrespa, cidreira-do-campo, cidreira-brava, alecrim- selvagem, salva-limão, salva-brava, sálvia, etc. Características principais: da família Verbenaceae, é originária da Amé- rica do Sul e cresce espontaneamente em quase todo o território brasileiro. É um arbusto, às vezes com ramos pendentes, folhas ásperas e ovaladas, com mar- gens serreadas. Apresenta inflorescências na base das folhas, de cor lilás. Figura 15: Melissa oficinalis L. https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambiente/arquivos/plantas_med_web.pdf https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambiente/arquivos/plantas_med_web.pdf 30 Fonte: https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambi- ente/arquivos/plantas_med_web.pdf Nome científico: Melissa oficinalis L. Nomes populares: melissa, erva-cidreira, cidreira, erva-cidreira-verda- deira, cidrilha, melitéia, chá-dafrança, limonete, citronela-menor, melissa-ro- mana, erva-luísa, salva-do-brasil, chá-de-tabuleiro, etc.. Características principais: da família Lamiaceae (Labiatae), originária da Europa, é freqüentemente cultivada em nossos jardins. É uma erva de 30 cm de altura, com folhas membranáceas, ovaladas, rugosas, de margens serradas. Além dessas “ervas-cidreiras”, mais freqüentemente cultivadas, ocorrem no Estado de São Paulo plantas lenhosas (arbustos ou árvores) que também recebem o nome popular de “erva-cidreira”, além de outros nomes. Apresentam folhas com odor de limão e são utilizadas regionalmente na medicina popular: Erva-cidreira-do-mato – Siparuna brasiliensis (Spreng.) A.DC. (sin.: Sipa- runa apiosyce, Citrosma apiosyce) da família Siparunaceae (anteriormente, Mo- nimiaceae); Erva-cidreira-dos-campos – Siparuna guianensis Aubl. (sin.: Siparuna camporum, Citrosma campora), mais conhecida como capitiú e com diversos usos, principalmente na região Norte; erva-cidreira, cidrão, erva-cidreira-do-mato - Hedyosmum brasiliense Mart. ex Miq. da família Chloranthaceae, tem as folhas utilizadas externamente contra dor de cabeça; Erva-cidreira - Aloysia citriodora Palau, da família Verbenaceae. Exemplo 4: ARNICA https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambiente/arquivos/plantas_med_web.pdf https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambiente/arquivos/plantas_med_web.pdf 31 Várias plantas utilizadas externamente para aliviar traumatismos e contu- sões são chamadas popularmente de arnica. A verdadeira arnica, de origem eu- ropéia, é rara no Brasil, mas outras plantas comuns em quintais e pastos são chamadas também de “arnica” e usadas para o mesmo fim. Figura 16: Arnica montana L. Fonte: https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambi- ente/arquivos/plantas_med_web.pdf Nome científico: Arnica montana L. Nomes populares: arnica e arnica-da- montanha. Características principais: Originária de regiões montanhosas do norte da Europa, a verdadeira arnica é uma planta herbácea de 20 a 60 cm de altura, sem caule, flores amarelas reunidas em capítulos e pertencente à família Asteraceae (Compositae). As partes utilizadas são as flores e o rizoma. Figura 17: Solidago chinensis Meyen https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambiente/arquivos/plantas_med_web.pdf https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambiente/arquivos/plantas_med_web.pdf 32 Fonte: https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambi- ente/arquivos/plantas_med_web.pdf Nome científico: Solidago chinensis Meyen (sin.: Solidago microglossa DC. var. linearifolia (DC.) Baker) Nomes populares: arnica-do-campo, arnica, arnicabrasileira, sapé-ma- cho, erva-lanceta, erva-de-lagarto, espiga-de-ouro, macela-miúda, rabo-de-ro- jão, etc. Características principais: Também pertencente à família Asteraceae (Compositae), é uma erva nativa, encontrada em todo o país, com mais freqüên- cia nas regiões Sul e Sudeste. Tem o hábito sublenhoso e crescimento vigoroso, com até 1,20 m de altura. Suas folhas são lanceoladas, sésseis e ásperas. Apre- senta inflorescências escorpióides, amarelas, vistosas, reunidas na extremidade dos ramos, atrativas às abelhas. Figura 18: Porophyllum ruderale Fonte: https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambi- ente/arquivos/plantas_med_web.pdf Nome científico: Porophyllum ruderale (Jacq.) Cass. https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambiente/arquivos/plantas_med_web.pdf https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambiente/arquivos/plantas_med_web.pdf https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambiente/arquivos/plantas_med_web.pdf https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambiente/arquivos/plantas_med_web.pdf 33 Nomes populares: arnica-do-mato, arnica, arnica-paulista, couve-mari- nho, couvinha, erva-couvinha, ervafresca, couve-cravinho, cravorana, cravo-de- urubu, etc. Características principais: Planta nativa do Brasil, é freqüente na região sudeste e pertence à família Asteraceae (Compositae). É uma erva anual bas- tante ramificada, com até 1,20 m de altura. Possui folhas membranáceas, elípti- cas, de cor cinza-azulada, margem crenada e aromáticas. Exemplo 5: ERVA-DE-SÃO-JOÃO Diversas plantas carregam a cultura do local de origem em seu nome po- pular. Deve-se reconhecer as várias ervas-de-são-joão por serem plantas com origens e principalmente ações e formas de usos diferentes.Figura 19: Pyrostegia venusta Fonte: https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambi- ente/arquivos/plantas_med_web.pdf Nome científico: Pyrostegia venusta (Ker Gawl.) Miers. Nomes populares: cipó-de-são-joão; flor-de-sãojoão. Características principais: trepadeira lenhosa da família Bignoniaceae, de ampla distribuição no Brasil, com exceção do Norte. Nos meses de junho a julho, apresenta vistosas flores alaranjadas, comum em beira de estradas. Figura 20 : Ageratum conyzoides L https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambiente/arquivos/plantas_med_web.pdf https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambiente/arquivos/plantas_med_web.pdf 34 Fonte: https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambi- ente/arquivos/plantas_med_web.pdf Nome científico: Ageratum conyzoides L. Nomes populares: mentrasto; erva-de-são-joão; picão-roxo; catinga-de- bode; erva-de-são-josé; ervade-santa-lúcia; camará-opela; mentraste; catinga- debarão; cacália-menstrasto; cúria; maria-preta, etc. Características principais: Asteraceae (Compositae) originária da América do Sul, especialmente do Brasil, é uma erva anual, comum em hortas, lavouras, pomares, etc. Com odor característico, bem ramificada e pilosa, cresce até um metro e pode apresentar flores roxas, lilases ou brancas. Figura 21: Hypericum perforatum L Fonte: https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambi- ente/arquivos/plantas_med_web.pdf Nome científico: Hypericum perforatum L. https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambiente/arquivos/plantas_med_web.pdf https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambiente/arquivos/plantas_med_web.pdf https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambiente/arquivos/plantas_med_web.pdf https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambiente/arquivos/plantas_med_web.pdf 35 Nomes populares: hipérico, erva-de-são-joão. Características principais: Planta subarbustiva, originária da Europa, ainda de cultivo raro no Brasil. Tem cerca de um metro de altura, flores amarelas e folhas com pontos translúcidos quando vista contra a luz. Atualmente pertence à família Hyperica- ceae, mas já foi classificada como Clusiaceae (Guttiferae). Figura 22: Coronopus didymus (L.) Sm. Fonte: https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambi- ente/arquivos/plantas_med_web.pdf Nome científico: Coronopus didymus (L.) Sm. Nomes populares: mentruz, mastruço, mentruzrasteiro, mastruz-miúdo, mastruço-dos-índios, ervade-santa-maria, erva-formigueira, etc. Características principais: Erva anual, da família Brassicaceae (Crucife- rae), nativa da América do Sul, incluindo o sudeste brasileiro. Possui caule rami- ficado e prostrado, de 20 a 35 cm de comprimento. As folhas são profundamente divididas, de sabor ardido e cheiro de agrião. Seus frutos esféricos são caracte- rísticos. Figura 23: Artemisia vulgaris L. Fonte: https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambi- ente/arquivos/plantas_med_web.pdf Nome científico: Artemisia vulgaris L. Nomes populares: losna-brava; erva-de-são-joão; artemígio; flor-de-são- joão; artemísia-comum; artemísia-verdadeira; artemísia-vulgar; artemigem; arte- mija; artemige; losna; anador; absinto-selvagem; absinto; isopo-santo, etc. https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambiente/arquivos/plantas_med_web.pdf https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambiente/arquivos/plantas_med_web.pdf https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambiente/arquivos/plantas_med_web.pdf https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambiente/arquivos/plantas_med_web.pdf 36 Características principais: Asteraceae (Compositae), disseminada pela Ásia Central, Europa, norte da África e aclimatada no resto do mundo, inclusive no Brasil, com exceção da Amazônia, considerada invasora de terrenos cultiva- dos. Erva anual de até 1,20 m de altura, com folhas profundamente divididas, de cor verde na face de cima e prateada em baixo, sabor amargo e odor caracterís- tico. Exemplo 6: MENTRUZ, MENTRASTO E MASTRUÇO São variações de denominações populares dadas a diversas plantas de ocorrência espontânea, em terrenos cultivados ou baldios. Entre elas, uma bas- tante comum é a Ageratum conyzoides, apresentada como erva-de-são-joão ou mentrasto no exemplo anterior. Nome científico: Chenopodium ambrosioides L. Nomes populares: nas regiões Sul e Sudeste: ervade-santa-mariaou mastruço; no Nordeste: mastruço, mastruz ou mentruz. Outros nomes: menfrei, mentruço, mentrasto, mentrusto, erva-do-formigueiro, erva-formigueira, erva-vo- miqueira, caácica, matacobra, canudo, anserina-vermífuga, erva-das-cobras, erva-das-lombrigas, erva-santa, lombrigueira, ervamata-pulgas, erva-pomba- rota, cravinho-do-campo, erva-ambrósia, ambrósia, ambrisina, cambrósia, am- brósia-do-méxico, apazote, chá-do-méxico, chádos-jesuítas, pacote, quenopó- dio, etc. Características principais: Recentemente reclassificada como Amaran- thaceae (antiga, Chenopodiaceae), é nativa das Américas Central e do Sul, prin- cipalmente México e Antilhas, onde já era utilizada pelos indígenas. Erva anual de até um metro de altura, bastante ramosa, de cheiro forte e característico. Figura 24: Chenopodium ambrosioides L. 37 Fonte: https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambi- ente/arquivos/plantas_med_web.pdf https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambiente/arquivos/plantas_med_web.pdf https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambiente/arquivos/plantas_med_web.pdf 38 9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AROUCHA, E. M. M.; SILVA, R. F.; OLIVEIRA, J. G.; VIANA, A. P.; GONZAGA, M. P. Época de colheita e período de repouso dos frutos de mamão (Carica pa- paya L.) cv Golden na qualidade fisiológica das sementes. Ciência Rural, Santa Maria, v.35, n.3, p. 537-543, 2005. CAVALCANTI, F. J. B.; MACHADO, S. A.; OSOKAWA, R. T.; CUNHA, U. S. Comparação dos valores estimados por amostragem na caracterização da es- trutura de uma área de floresta na Amazônia com as informações registradas no censo florestal. Revista Árvore, n.5, p. 1061-1068, 2011. GUIMARÃES, J. L. Sistemática Vegetal. 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