Prévia do material em texto
AULA 3 GESTÃO DA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS Prof. Edson Roberto Ferreira Bueno 2 CONVERSA INICIAL Esta aula aborda a importância da elaboração do projeto de um sistema de manutenção adequado, assim como os procedimentos apropriados para a correta organização de uma área, indicando os passos para uma organização pertinente e o exemplo de um plano-mestre. Também apresenta algumas das vantagens e desvantagens da terceirização nas atividades de manutenção e finaliza com uma análise sobre o fluxo adequado de um processo de manutenção. TEMA 1 – A IMPORTÂNCIA DO PROJETO DE UM SISTEMA DE MANUTEÇÃO 1.1 Sistema de manutenção O projeto de um sistema de manutenção deve considerar constantemente a dinâmica de mudanças e alterações nos ambientes das empresas. Deve ponderar e ser adaptado com a mesma velocidade das novas exigências da organização empresarial. Um fator considerado como produtivo para a manutenção é conhecido como wrench time, que significa tempo-chave, ou seja, que considera o tempo que o técnico passa com a ferramenta ou o equipamento em mãos durante a intervenção de manutenção (Teles, [S.d.]). Observe o exemplo: se, em uma empresa, o fator de produtividade da equipe de manutenção estiver dimensionado para 35% e um técnico trabalha 8 horas e 48 minutos por dia, isso significa que o tempo que o respectivo técnico passa de fato trabalhando (produzindo) é de 3 horas e 8 minutos por dia. O restante do tempo é desperdiçado em atividades de não valor agregado (NVA), conforme demonstra a Figura 1. 3 Figura 1 – Divisão do tempo para atividades em um sistema de manutenção Para ser eficiente, um sistema de manutenção deve atender a todos os requisitos de forma simples e utilizar poucos recursos. Caso contrário, o excesso de burocracia e a complexidade de processos pode gerar atrasos, além de uma defasagem em relação às necessidades da empresa. A confiabilidade no sistema de manutenção deve ser uma das suas principais propriedades, pois, mesmo considerando a escassez de recursos, o sistema de manutenção deve participar intensamente do processo produtivo de uma organização. Todos os seus componentes, como máquinas, equipamentos, ferramentas e equipe técnica devem apresentar as condições e características ideais para atender às demandas com objetividade, eficiência, sempre focando o atendimento a todos os requisitos. De acordo com Seleme e Seleme (2013), a determinação dos objetivos do sistema de manutenção deve ser direcionada aos objetivos principais da empresa, ou seja, não deve ser considerada como um meio em si, mas como parte de todo o sistema de uma corporação. Atualmente, a sobrevivência das empresas depende de, além de um bom produto, também de processos produtivos bem ajustados em relação à garantia da qualidade e à flexibilidade para a inserção de novas tecnologias e melhorias. A manutenção considera a utilização da tecnologia um dos pilares para a operação de suas atividades. Segundo Slack, Chambers e Johnston (2002), nenhuma tecnologia opera totalmente sem a intervenção humana. Em alguma medida, todas necessitam de 4 intervenção humana em alguma parte do tempo. Essa intervenção pode ser mínima como, por exemplo, as intervenções de manutenção preventiva em refinaria petroquímica ou a ocasional reprogramação de sistema de controle por computador. De forma inversa, a equipe técnica que opera a tecnologia pode ser considerada como o “cérebro” do processo como, por exemplo, o operador trabalhando um torno mecânico de precisão ou o cirurgião usando técnicas cirúrgicas pouco agressivas. Também segundo Slack, Chambers e Johnston (2002), as tecnologias de processo variam em seu grau de automação. A relação entre o esforço tecnológico e o esforço humano que a automação emprega é, algumas vezes, chamada de intensidade de capital (capital intensity) da tecnologia de processo. Takahashi (1993) afirma que o processo de planejamento da manutenção está ligado à utilização da tecnologia e que são necessárias análises dos seguintes itens: Características do produto – Matéria-prima, produtos semiacabados, características físicas, químicas e econômicas dos produtos acabados. Modalidade de produção – Processamento, fabricação e montagem, processamento contínuo, número de turnos. Características do equipamento – Extensão da automação e modernidade do equipamento, velocidade da depreciação estrutural e funcional, grau de depreciação. Condições geográficas – Condições do ambiente empresarial, extensão de concentração ou dispersão. Tamanho da fábrica – Sistemas de abastecimento e fornecimento de energia e água. Composição e formação dos recursos humanos – Nível de conhecimento técnico, níveis de gerenciamento, relações humanas. Extensão da subcontratação – Facilidade ou dificuldade no uso da capacidade de subcontratação. TEMA 2 – PROCEDIMENTOS PARA PLANEJAMENTO DE UM SISTEMA DE MANUTENÇÃO 2.1 Implantação de um sistema de manutenção Um sistema de manutenção planejada tem como objetivo estabelecer e manter as condições ótimas do processo e dos equipamentos, devendo ao mesmo tempo ser eficiente e eficaz no custo. Em um programa de desenvolvimento de total productive maintenance (TPM), a manutenção planejada 5 é a atividade que constrói e melhora continuamente o sistema de manutenção industrial. Uma questão importante para o departamento de manutenção é como planejar e implementar sistematicamente as várias intervenções e atividades de manutenção planejadas, no decorrer do tempo. A assertividade e o sucesso da área de manutenção dependem de uma boa estruturação do programa de manutenção. Considerando essa necessidade, foi elaborado um processo contendo seis etapas de planejamento da manutenção. A elaboração dessas etapas provém da aplicação e da experiência prática de muitas empresas que implantaram a TPM e que hoje possuem um alto padrão de manutenção. Os detalhes dessas etapas podem ser observados na Figura 2. Figura 2 – Implantação de um sistema de manutenção planejada Fonte: Adaptado de Silveira, S.d. As vantagens de uma abordagem sistemática detalhada passo a passo é que os resultados mais importantes e concretos se acumulam com o tempo, enquanto as atividades são desdobradas. As intervenções podem ser monitoradas, analisadas e reforçadas como parte integral do programa. O sucesso dessas atividades depende de uma equipe técnica para analisa-las e informar claramente o que deve ser feito em cada passo e, dessa forma, utilizar completamente as vantagens dos procedimentos. O Quadro 1 demonstra um exemplo de plano-mestre de manutenção para a execução das atividades em seis etapas. 6 Quadro 1 – Exemplo de plano-mestre para execução de atividades de manutenção em seis etapas Etapa Atividade Procedimento 1 Avalie o equipamento e entenda a situação 1. Prepare ou atualize os relatórios diários dos equipamentos. 2. Avalie os equipamentos, estabeleça os critérios de avaliação, priorize e selecione os equipamentos que farão parte da manutenção planejada. 3. Defina e entenda os tipos de falhas encontradas. 4. Entenda a situação: quantas vezes o equipamento quebra, o motivo para isso, a sua frequência, a severidade das falhas e o impacto das pequenas paradas. Alguns indicadores que podem e devem ser definidos aqui são o MTBF, o MTTR; os custos de manutenção; as taxas de manutenção, a disponibilidade etc. 5. Estabeleça os objetivos e as metas da manutenção (indicadores e métodos de avaliações dos resultados). 2 Inverta a deterioração e corrija as deficiências 1. Estabeleça as condições básicas, inverta a deterioração e extermine o que causa a deterioração acelerada (se apoie na manutenção autônoma). 2. Conduza atividades focadas na melhoria para corrigir os pontos fracos e estender o tempo de vida dos equipamentos.3. Tome medidas para prevenir falhas idênticas ou parecidas. 4. Introduza as melhorias para reduzir as falhas de processo. 3 Construa um sistema de gerenciamento de informação 1. Crie um sistema de gerenciamento de informações para controle de falhas. 2. Crie um sistema de gerenciamento de manutenção do equipamento (histórico da máquina, planejamento de manutenção, planejamento de inspeção etc.). 3. Crie um sistema de gerenciamento de custos da manutenção. 4. Crie sistemas para controlar as peças de reserva, os desenhos, a informação técnica etc. 4 Construa um sistema de manutenção periódica 1. Prepare-se para a manutenção periódica (controle de unidades de reserva, peças de reserva, instrumentos de mensuração, lubrificantes, desenhos, informação técnica etc.). 2. Prepare um diagrama de fluxo do sistema de manutenção periódica. 3. Selecione o equipamento e os componentes a serem mantidos e formule um plano de manutenção. 4. Prepare ou atualize padrões (padrões de materiais, de trabalho, de inspeção de aceitação etc.). 5. Melhore a eficácia da manutenção de parada e fortaleça o controle de trabalho subcontratado. 5 Construa um sistema de manutenção preditiva 1. Introduza os diagnósticos do equipamento (treine os diagnosticadores, compre equipamentos de diagnóstico etc.). 2. Prepare um diagrama de fluxo do sistema de manutenção preditiva. 3. Selecione o equipamento e os componentes para a manutenção preditiva e a estenda gradualmente. 4. Desenvolva o equipamento e a tecnologia diagnóstica. 6 Avalie o sistema de manutenção planejada 1. Avalie o sistema de manutenção planejada (MP); 2. Avalie as melhorias na confiabilidade: número de falhas e pequenas paradas, MTBF, frequência de falhas etc. 3. Avalie a melhoria na manutenibilidade: taxa de manutenção periódica, taxa de manutenção preditiva, MTTR etc. 4. Avalie a economia nos custos: a redução nos pedidos de manutenção, a melhora na distribuição de recursos para manutenção. Fonte: Adaptado de Silveira, S.d. TEMA 3 – A ORGANIZAÇÃO DA ÁREA DE MANUTENÇÃO 3.1 Tipos de sistemas de manutenção No passado, a área de manutenção era considerada apenas um setor secundário de uma empresa, sendo muitas vezes organizada e planejada depois de certo tempo de produção, quando os equipamentos começavam a apresentar 7 falhas ou quebras. Por isso, ainda encontramos, em muitos organogramas de empresas, a área de manutenção normalmente subordinada à gerência de produção, não sendo considerada como área estratégica. Na atualidade, percebemos que a área de manutenção tem ganhado um espaço mais bem definido na organização da empresa, além de ser considerada área estratégica. Isso se deve a muitos fatores relativos a novas tecnologias, à concorrência ou à sobrevivência da empresa no mercado. A organização da manutenção hoje é considerada tão relevante quanto a área de produção e as outras áreas de engenharia de uma empresa. Segundo Seleme e Seleme (2013), o projeto de um sistema de manutenção de uma empresa pode ser definido e organizado como manutenção centralizada ou manutenção descentralizada ou a combinação das duas, originando a manutenção híbrida, conforme indica a Figura 3. Figura 3 – Tipos de organização do setor de manutenção Fonte: Adaptado de Seleme; Seleme, 2013. De acordo com Seleme e Seleme (2013): O grau de centralização ou descentralização depende do modelo da organização e dos produtos elaborados, bem como do porte da empresa. Organizações muito grandes, com diversos locais de trabalho, necessitam de uma manutenção descentralizada. No entanto há organizações em que o sistema produtivo gera um produto em um sistema contínuo de fornecimento. Como por exemplo uma siderúrgica onde, além de diversos serviços necessita de um único centro de manutenção. Normalmente, a centralização é mais aplicada nas empresas de pequeno e médio porte, nas quais seus funcionários atendem a diversas necessidades de manutenção (Nepomuceno, 1989, p. 28). A decisão de organizar a manutenção de uma forma híbrida, centralizada ou descentralizada depende da filosofia adotada pela organização e traduz o esforço exigido pela necessidade de manutenção, tais como o tamanho da planta, 8 as habilidades dos funcionários, a quantidade de máquinas e equipamentos, entre outros detalhes. Também de acordo com Seleme e Seleme (2013), a centralização da manutenção apresenta as seguintes vantagens e desvantagens: Vantagens: Fornece mais flexibilidade e melhora a utilização de recurso, tais como funcionários altamente qualificados e equipamentos especiais, portanto resulta em mais eficiência. Permite e supervisão da linha de forma mais eficiente. Permite a formação de profissionais com melhores resultados. Permite a aquisição de equipamentos modernos Desvantagens: Tarefas que exigem habilidades especiais consomem mais tempo de deslocamento da função organização. Supervisão de tarefas que necessitam de conhecimentos especiais se torna mais difícil e, com tal, menor é o controle da manutenção. Menos desenvolvimento de funcionários em diferentes tecnologias. Maiores custos de transporte em razão da distância dos locais dos trabalhos de manutenção. Em uma organização que utiliza a manutenção descentralizada, os serviços são atribuídos a áreas ou unidades específicas, escolha que implica uma redução da flexibilidade do sistema de manutenção. A quantidade de habilidades disponíveis torna-se reduzida e a utilização de recursos humanos geralmente é menos eficiente do que na manutenção descentralizada. Em alguns casos, o ideal é uma solução que combine a centralização com a descentralização. O tipo de organização híbrido é chamado também de sistema em cascata. Esse sistema organiza a manutenção em áreas, considerando a capacidade de cada uma e nunca atribuindo tarefas excessivas a uma mesma área, além de procurar encaminhar as necessidades especiais para uma unidade centralizada. Dessa forma, as vantagens dos dois sistemas podem ser aproveitadas. TEMA 4 – A TERCEIRIZAÇÃO DA MANUTENÇÃO 4.1 Procedimentos para a terceirização Muitos dispositivos e equipamentos industriais exigem alto investimento de pessoal e equipamentos para a execução adequada da manutenção. Independentemente do tamanho das instalações, uma empresa não comporta e não consegue manter equipe técnica, as máquinas e os dispositivos ocupados durante todo o tempo e isso pode gerar um alto número de horas ociosas, causando um forte impacto no custo dos seus produtos. Nessa situação, 9 a instalação deverá contratar serviços externos com nível de atendimento satisfatório e a um custo razoável, principalmente porque devem ser executados por equipes altamente especializadas, constituídas por pessoal habilitado, treinado e qualificado (Nepomuceno, 1989, p. 33). Uma das vantagens de terceirizar a manutenção pode ser verificada pela melhoria da qualidade de manutenção do equipamento, pois, ao terceirizar, a empresa contratante tem a garantia de que a empresa contratada destinará as atividades de manutenção para mão de obra qualificada para a realização do serviço. É bastante comum a contratação de empresas externas, no caso de execução de ensaios, testes não destrutivos e serviços especiais. Existem empresas e grupos que realizam única e exclusivamente esses tipos de serviço; e, além disso, uma instalação industrial raramente apresenta porte a ponto de justificar o investimento em pessoal e intrumentos especiais para execução de trabalhos que ocuparão tanto o pessoal quanto os equipamentos. As mesmas considerações valem para vários empreendimentos que prestam serviços ao parque industrial mediante contratos. Existem empresas especializadas na conservação de caldeiras e turbinas, na manutenção de equipamentos químicos e petroquímicos e no levantamento de níveis de ruídos evibrações, com objetivo de atenuar esses problemas. Nesse nível de gestão, devem ser consideradas as fontes para a construção das competências necessárias à realização da manutenção. As principais opções disponíveis são o desenvolvimento da manutenção in house e a terceirização da manutenção, ou mesmo uma combinação de ambas. Os critérios para a seleção de fontes para a aquisição e atualização das competências de manutenção incluem considerações estratégicas, fatores tecnológicos e econômicos. A seguir, são apresentados alguns critérios que podem ser empregados para a escolha entre manutenção in house e manutenção terceirizada: Disponibilidade e confiabilidade da fonte de manutenção em uma base de longo prazo; Capacidade da fonte para alcançar os objetivos fixados para a manutenção por parte da organização e sua capacidade de realizar as tarefas de manutenção; Custos a curto e longo prazos; 10 Sigilo organizacional; Impacto de longo prazo sobre a experiência pessoal de manutenção; Acordos especiais com organismos ou regulamentos que estabelecem determinadas especificações para a manutenção e as emissões ambientais. Segundo Seleme e Seleme (2013), as tarefas de manutenção podem ser terceirizadas quando: O trabalho de manutenção exige a habilidade de especialistas que estão facilmente disponíveis no mercado em regime de concorrência, como por exemplo, no caso de reparos em aparelhos e sistemas de ar-condicionado, sistemas de incêndio, manutenção de computadores; O custo da intervenção é menor que contratar uma equipe própria. De acordo com Queiroz (2014): A contratação de serviços terceirizados na indústria brasileira se tornou um elo da estrutura produtiva e fator determinante para a competitividade do setor. Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 69,7% das empresas industriais – de transformação, extrativas e construção civil – utilizam serviços terceirizados e 84% das companhias que terceirizam pretendem manter ou ampliar a utilização do recurso nos próximos anos. A Sondagem Industrial Especial – Terceirização ouviu 2.330 empresas do setor, incluindo pequenas, médias e grandes, que contrataram serviços de terceiros nos últimos três anos. A terceirização na organização produtiva do Brasil e nas cadeias globais de valor é tema do documento Terceirização: o imperativo da mudança, realizado pela CNI. Muitas empresas estão, cada vez mais, utilizando a prática de terceirização, subcontratando serviços como transporte, limpeza, processamento de dados, alimentação e manutenção. Delegando esses serviços para especialistas externos, a empresa se permite concentrar-se naquilo que a faz ser competitiva no mercado. Porém, segundo Slack (2002), existem riscos estratégicos ao se subcontratar atividades de outras empresas. Confiança demasiada em terceirização pode esvaziar a empresa, deixando-a sem capacitações internas que possam ser exploradas em seu mercado. 4.2 Terceirização da terceirização A terceirização da terceirização é definida como um processo em que a empresa contratada necessita de uma terceira empresa para realizar a intervenção ou pelo menos parte dela, para obter o sucesso no serviço. 11 Normalmente esse processo de subcontratação é necessário quando ocorre a quebra de algum equipamento específico, a falta de ferramentas para um determinado serviço, tratamentos de acabamento. Em princípio, parece um processo simples, mas que pode gerar grandes problemas, pois a partir do momento em que é decidido praticar a terceirização da terceirização a empresa contratada inicialmente passa a dividir a responsabilidade do serviço para o qual foi contratada com uma ou mais empresas, sendo interessante, nessa situação, a elaboração de uma matriz de responsabilidades muito bem detalhada e registrada junto ao contrato de serviço. TEMA 5 – FLUXO DE UM PROCESSO DE MANUTENÇÃO 5.1 A importância de um fluxograma bem elaborado Quando se fala em processo, em uma empresa ou organização industrial, se podem verificar vários fluxos de dados, informações, de uma situação básica e corriqueira, com soluções locais, até situações complexas, com soluções apenas de cunho internacional. Por exemplo, o fluxo de implantação de um projeto para a gestão da manutenção pode considerar as informações sobre o projeto de produto/serviço, sobre o planejamento e o controle de qualidade que trataram da identificação e depois do controle das características do produto, além das informações mais específicas das atividades e/ou serviços, para tentar prevenir as ocorrências de falhas. Inclusive, considera a utilização de cartas de controle de processo para tentar detectar a tendência de um processo quando este está saindo de controle, de forma que a ação de intervenção possa ser realizada no momento certo, antes que as falhas ocorram. Todos os métodos de projeto de fluxo de processo podem auxiliar na eliminação e no tratamento de pontos de falhas potenciais na produção e em prol dos ativos da empresa. 5.2 Exemplo prático de um fluxograma de manutenção Considerado fundamental para qualquer tipo de manutenção industrial, o fluxograma é uma ferramenta que mapeia os processos de intervenções dos equipamentos, indicando, além das etapas de operações, as respectivas datas e frequências junto de localizações e códigos de identificações. É uma 12 representação visual com símbolos gráficos que descrevem os passos de um processo. Contendo informações de fácil entendimento para o que deve ser feito em cada etapa, nos equipamentos, o fluxograma de manutenção estabelece rotas indicando a periodicidade e as atividades pertinentes. Em seguida, mostra o momento da execução durante o respectivo período de manutenção, sendo comum também indicar possíveis anomalias. Caso isso ocorra, o processo segue como uma manutenção planejada, em que: são geradas notas, que se transformarão em ordem, que depois se transformará em um novo plano de trabalho. A Figura 4 mostra uma carta de fluxograma de processo para a manutenção de automóveis que pode ser adaptada a qualquer situação de manutenção, em uma empresa. As etapas de um processo são especialmente sujeitas a falhas e as etapas que são críticas para o sucesso do serviço devem ser controladas com maior intensidade. As atividades de maior criticidade e responsabilidade são realizadas pelo pessoal mais especializado para a respectiva operação. O técnico responsável pela operação analisa o processo e discute cada etapa gradual e individualmente. 13 Figura 4 – Fluxograma de manutenção de um veículo Fonte: Adaptado de Slack; Chambers; Johnston, 2002. 14 REFERÊNCIAS NEPOMUCENO, L. X. Técnicas de manutenção preditiva. São Paulo: Blucher, 1989. QUEIROZ, G. Terceirização é estratégica para eficiência e competitividade da indústria. Agência CNI de Notícias, 13 ago. 2014. Disponível em: <http://www.portaldaindustria.com.br/agenciacni/noticias/2014/08/terceirizacao- e-estrategica-para-eficiencia-e-competitividade-da-industria-1/>. Acesso em: 27 out. 2018. SELEME, R.; SELEME, R. B. Automação da produção: uma abordagem gerencial. Curitiba: InterSaberes, 2013. SILVEIRA C. B. Os 6 passos para implantar a manutenção planejada. Citisystems, Sorocaba, [S.d.]. Disponível em: <https://www.citisystems.com.br/passos-implantar-manutencao-planejada/>. Acesso em: 27 out. 2018. SLACK N.; CHAMBERS S.; JOHNSTON, R. Administração da produção. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2002. TAKAHASHI, Y. TPM/MPT: manutenção produtiva total. São Paulo: Iman, 1993. TELES, J. 10 grandes desperdícios na manutenção. Engeteles, Brasília. Disponível em: <https://engeteles.com.br/10-grandes-desperdicios-na- manutencao/?>. Acesso em: 27 out. 2018.