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Comunicação e Expressão Escrita Claudineia Alves ◦AULA 2 ◦Níveis de Linguagem TÓPICOS • Linguagem • A língua é a linguagem que usa a palavra como sinal de comunicação • Variação linguística • Transformações da língua • Língua escrita • Os papéis sociais e os níveis de linguagem INTRODUÇÃO Pretendemos aqui identificar os diferentes tipos de variação linguística e descrever as principais fases da evolução histórica do português europeu e brasileiro. É importante saber como se estabelece a norma padrão e também os falares regionais, coloquiais e sociais da língua. Neste sentido, apontaremos alguns critérios que podem ser usados para analisar a variação linguística diastrática (social) e as principais diferenças entre a oralidade e a escrita. Portanto, mostrar que o português, como qualquer língua viva, é dinâmico e está em constante processo de inovação e mudança. LINGUAGEM É todo sistema de sinais convencionados que nos permite realizar atos de comunicação. De acordo com o sistema de sinais que utiliza, a linguagem pode ser: • Verbal — seus sinais são as palavras; • Não-verbal — utiliza outros sinais que não as palavras (sinais empregados por portadores de deficiência auditiva, o conjunto de sinais de trânsito...). A linguagem que mais utilizamos para praticar atos de comunicação é a língua. A língua é a linguagem que usa a palavra como sinal de comunicação: • Sistema de natureza gramatical, pertence a um grupo de indivíduos; • Formado por um conjunto de sinais (palavras) e por um conjunto de regras para sua combinação; • Instituição social de caráter abstrato, exterior aos indivíduos que a utilizam. Caráter social da língua A língua é patrimônio de uma coletividade (por exemplo, a língua portuguesa é patrimônio de toda a comunidade de falantes da língua portuguesa e só a comunidade pode agir sobre ela); Entretanto, cada membro da comunidade pode usar a língua de forma particular, criando, assim, a fala. USOS DIFERENTES FATORES REGIONAIS: Mesmo dentro de uma mesma região, encontram-se variações no uso da língua. FATORES CULTURAIS: O grau de escolarização e a formação cultural do indivíduo determinam usos diferentes da língua. Uma pessoa escolarizada utiliza a língua de maneira diversa da pessoa que não teve acesso à escolarização formal. FATORES CONTEXTUAIS: Um mesmo falante altera o registro de sua fala de acordo com a situação em que se encontra. FATORES NATURAIS: Idade e sexo, por exemplo. VARIAÇÃO LINGUÍSTICA • Histórica; • Diacrônica; • Geográfica; • Social; • Estilística. NÍVEIS DE LINGUAGEM • Nível culto ou formal; • Nível coloquial ou informal; • Nível literário; • Nível técnico; • Nível regional; • Gíria; • Estrangeirismos ou empréstimos. O conceito de erro em língua: Só existe erro em língua nos casos de ortografia. Estes são chamados de desvios da norma culta. TRANSGRESSÕES DA NORMA CULTA Aquele que, em um momento íntimo do discurso, diz: "Ninguém deixou ele falar", não comete propriamente erro; na verdade, transgride a norma culta. CONSIDERAR O MOMENTO DO DISCURSO – ÍNTIMO, NEUTRO OU SOLENE Um repórter, ao cometer uma transgressão em sua fala, transgride tanto quanto um indivíduo que comparece a um banquete trajando bermuda ou quanto um banhista, em uma praia, vestido de fraque e cartola. Momento íntimo: Liberdade da fala. Entre amigos, parentes, namorados, etc. A informalidade prevalece sobre a norma culta: • Eu não vi ela hoje. • Ninguém deixou ele falar. • Deixe eu ver isso! • Eu te amo, sim, mas não abuse! • Não assisti ao filme nem vou assistir a ele. • Sou seu pai, por isso vou perdoá-lo. MOMENTO NEUTRO É o do uso da língua-padrão, que é a língua da Nação. Como forma de respeito, tomam-se por base aqui as normas estabelecidas na gramática, ou seja, a norma culta: • Eu não a vi hoje. • Ninguém o deixou falar. • Deixe-me ver isso! • Eu te amo, sim, mas não abuses! • Não assisti o filme nem vou assisti-lo. • Sou teu pai, por isso vou perdoá-lo Veículos de comunicação de massa (rádio, televisão, jornal, revista, etc.). • Estes veículos usam uma linguagem comum, que está um nível a menos da formal e não transgridem a norma padrão. MOMENTO SOLENE Acessível a poucos — arte poética, caracterizado por construções que buscam a beleza. TRANSFORMAÇÕES DA LÍNGUA Exemplos: ”Olha eu aqui!” (Substituiu: ”Olha-me aqui!”); ”Vamos nos reunir.” (Substituiu ”Vamo-nos reunir.”); ”Não vamos nos dispersar.” (Substituiu ”Não nos vamos dispersar” e ”Não vamos dispersar-nos.”); ”Tenho que sair daqui depressinha.” (Substituiu ”Tenho de sair daqui bem depressa.”); ”O soldado está a postos.” (Substituiu ”O soldado está no seu posto.”). As formas impeço, despeço e desimpeço, dos verbos impedir, despedir e desimpedir: • Transgressões ou "erros" que se tornaram fatos linguísticos, já que só ocorrem hoje porque a maioria viu tais verbos como derivados de pedir, que tem, início, na sua conjugação, com peço. Tanto bastou para se arcaizarem as formas então legítimas, impido, despido e desimpido, que atualmente nenhuma pessoa bem- escolarizada tem coragem de usar. Uma frase correta não é aquela que se contrapõe a uma frase "errada”: É, na verdade, uma frase elaborada conforme as normas gramaticais; Em suma, uma frase de acordo com a norma culta. DIALETOS DO PORTUGUÊS BRASILEIRO Caipira; • Parte do interior do estado de São Paulo e de Goiás, parte do norte do Paraná, parte do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, sul de Minas Gerais e Triângulo Mineiro. Cearense; Baiano; Carioca; • Cidade do Rio de Janeiro. Fluminense; • Estado do Rio de Janeiro. Gaúcho; • Estado do Rio Grande do Sul (exceto Porto Alegre). Mineiro; • Minas Gerais (exceto Belo Horizonte). Nordestino; • Estados do nordeste brasileiro (alguns estados, como Ceará, Pernambuco e Piauí, possuem diferenças linguísticas entre a capital e o interior). Nortista; • Estados da bacia do Amazonas. O estado de Tocantins tem um falar próprio, semelhante ao nordestino. Paranaense; Paulistano; • Cidade de São Paulo. Sertanejo; • Estados de Goiás e Mato Grosso. Sulista; • Estados do Paraná e Santa Catarina. "Manezinho da Ilha”; • Cidade de Florianópolis (próximo ao açoriano). Brasiliense. • Cidade de Brasília. LÍNGUA ESCRITA Mais bem-elaborada que a língua falada, porque é a modalidade que mantém a unidade linguística de um povo e faz o pensamento atravessar o espaço e o tempo. Nenhuma reflexão ou nenhuma análise mais detida será possível sem a língua escrita. Por esta razão, suas transformações se processam lentamente e ocorrem em número consideravelmente menor, quando cotejada com a modalidade falada. A norma linguística deve variar de acordo com a situação em que se desenvolve o discurso. O ambiente sociocultural determina o nível da linguagem a ser empregado. O vocabulário, a sintaxe, a pronúncia e até a entoação variam segundo esse nível. A GÍRIA: A gíria não constitui um flagelo da linguagem; Seu mal maior é sua adoção como forma permanente de comunicação – processo de esquecimento e de desprezo do vocabulário oficial; No momento certo: a gíria é um elemento de linguagem que denota expressividade e revela grande criatividade, desde que, naturalmente, adequada à mensagem, ao meio e ao receptor. A gíria só é admitida na língua falada; Na escrita, apenas na reprodução da fala de determinado meio ou época, com a intenção de documentar o fato, ou em casos especiais de comunicação caracterizados pela linguagem informal, como o diálogo entre amigos, por exemplo. OS PAPÉIS SOCIAIS E OS NÍVEIS DE LINGUAGEM Ao se produzir um texto, um dos papéis sociais certamente se manifestará. • Vivemos em uma sociedade complexa quenos atribui diferentes papéis e ocasionalmente devemos exercê-los simultaneamente. • Esses papéis dizem respeito a funções desempenhadas e a certos sentidos de pertencimento no mundo, como: • Profissão; • Nacionalidade; • Religião; • Classe social; • Biótipo; • Gênero. RELAÇÃO ENTRE INDIVÍDUOS OU GRUPO DE INTERLOCUTORES Fatores: • Maior ou menor proximidade das pessoas nos seus círculos de convivência; • Grau de hierarquia em que se situam no mundo de trabalho; • O modo como seu grupo lingüístico é visto pela ótica social de outros grupos. Essas relações são demonstradas pelos diferentes níveis de linguagem que coexistem na sociedade. REGISTRO E NÍVEIS DE LINGUAGEM São Paulo, 5 de setembro de 2016 Querida Mônica, Tô morrendo de saudade, mas ainda não será desta vez que vou conhecer seu novo refúgio. Não pude deixar o trabalho, pois meu chefe saiu de férias, e sobrou para mim. Aliás, com sempre, né? Para não lhe dar o cano por completo, estou mandando no meu lugar minha grande amiga Marli, que você não conhece, mas que vai adorar, com certeza. Ela é muito legal: bom papo, bem humorada, educada e culta. Excelente companhia. Tenho certeza de que vocês vão curtir muito essas férias juntas. O único risco é você daqui pra frente convidar só a Marli e não me convidar mais... Um beijão, Patrícia São Paulo, 5 de setembro de 2016 Prezada Coordenadora, Apresento-lhe Marli de Azevedo, que desenvolveu sua pesquisa de Mestrado sob minha orientação. Motivos de ordem pessoal a conduziram a optar por residir no interior do estado, razão pela qual decidiu realizar seu doutoramento também do interior. Trata-se de pesquisadora muito competente, responsável e séria, o que me deixa tranquilo para indicá-la à vaga de orientanda para doutoramento que a senhora oferece. Seu currículo lhe permitirá avaliar a magnitude de sua capacidade. Se julgar necessário, coloco-me à disposição para quaisquer esclarecimentos. Atenciosamente, _________________________ Prof. Dr. Ricardo Albuquerque. Coordenador de Pós-Graduação Universidade Estadual da Capital OS DOIS TEXTOS TRATAM DO MESMO TEMA: APRESENTAM UMA PESSOA 1. Carta escrita por uma jovem dirigida a sua amiga; 2. Carta de recomendação enviada pelo coordenador de pós-graduação de uma instituição à coordenadora de outra instituição, indicando uma candidata à vaga de orientanda. A diversidade de interlocutores e de situações de comunicação determina diferenças no uso da linguagem de cada texto. Deve-se levar em conta • O leitor a quem o texto se dirige; • O assunto sobre o qual versa o texto; • O papel desempenhado pela língua. Essa distinção permite diferenciar linguagem informal de linguagem formal. LINGUAGEM INFORMAL LINGUAGEM FORMAL Poder igual Contato frequente Grande envolvimento afetivo Léxico coloquial (abreviações e gírias) Emprego de apelidos e diminutivos Expressões de afeto e despreocupação com a polidez Uso de expressões que indicam opinião Hierarquia de poder Contato não frequente Pouco envolvimento afetivo Léxico formal (formas não abreviadas e não emprego de gírias) Emprego de títulos Expressões de deferência e preocupação com a polidez Uso de expressões que indicam sugestão LINGUAGEM CULTA Norma culta: Conjunto de variedades linguísticas efetivamente faladas, na vida cotidiana, pelos falantes cultos, sendo assim classificados os cidadãos nascidos e criados em zona urbana e com grau de instrução superior completo (critérios estabelecidos, no início da década de 1970, pelo projeto NURC (Norma Urbana Culta). Variante de maior prestígio, ensinada nas escolas Sintaxe complexa, vocabulário amplo e obediência à gramática normativa e à língua dos escritores clássicos Opõe-se à linguagem coloquial, utilizada pelas pessoas que fazem uso de um nível menos formal, mais cotidiano Pau-Brasil Pronominais Dê-me um cigarro Diz a gramática Do professor e do aluno E do mulato sabido Mas o bom negro e o bom branco Da Nação Brasileira Dizem todos os dias Deixa disso camarada Me dá um cigarro Vício na fala Para dizerem milho dizem mio Para melhor dizem mió Para pior pió Para telha dizem teia Para telhado dizem teiado E vão fazendo telhados Oswald Andrade LINGUAGEM COLOQUIAL OU INFORMAL Limitações vocabulares impossibilitam a comunicação do conhecimento filosófico, científico, artístico, etc. Desenvolve-se livre e indisciplinadamente e se divide em falares típicos regionais e em gírias. O QUE É CERTO OU ERRADO NA LÍNGUA PORTUGUESA? ” É um mito a pretensa possibilidade comunicação igualitária em todos os níveis. Isso é uma idealização. Todas as línguas apresentam variantes: o inglês, o alemão, o francês, etc. Também as línguas antigas tinham variações. O português e outras línguas românicas provêm de uma variedade do latim, o chamado latim vulgar, muito diferente do latim culto. Além disso, as línguas mudam. O português moderno é muito distinto do português clássico. Se fôssemos aceitar a a ideia de estaticidade das línguas, deveríamos dizer que o português inteiro é um erro e, portanto, deveríamos voltar a falar latim”(FIORIN, José Luiz. Atas do I Congresso Nacional da ABRALIN. Excertos) A variação é inerente às línguas, porque as sociedades são divididas em grupos: há os mais jovens e os mais velhos, os que habitam numa região ou noutra, os que têm esta ou aquela profissão, os que são de uma classe social e assim por diante. Aprendemos a distinguir a variação: Quando alguém começa a falar, sabemos se é do interior de São Paulo, gaúcho, carioca ou português. Sabemos que certas expressões pertencem à fala dos mais jovens, que determinadas formas se usam em situação informal, mas não em ocasiões formais. Saber uma língua é conhecer variedades. CONCLUSÃO Aprendemos que a língua portuguesa sofre transformação ao longo do tempo, não sendo estática. Temos vários níveis de linguagem que podem ser usados em situações diferentes. Em resumo, todas as variedades linguísticas têm registros mais formais e menos formais. Portanto, na escrita só é aceita a forma padrão da língua. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABREU, Antonio Suarez. Curso de Redação. São Paulo: Ática, 2008. FIORIN, José; SAVIOLI, Platão. Para entender o texto: leitura e redação. São Paulo: Ática, 2007. GUIMARÂES, Thelma de Carvalho. Comunicação e linguagem: São Paulo: Pearson, 2012.