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PROF. MENDEL São só contas de vidro Os índios ficaram deslumbrados com as contas de vidro que os portugueses lhes davam. Por quê? Por causa da beleza dessas contas de vidro? Pouco provável. Para encontrar coisas belas, tudo o que os nativos tinham de fazer era olhar ao redor: as árvores, os pássaros, as flores. Mas as contas de vidro representavam duas coisas. Em primeiro lugar, eram novidade, coisa desconhecida por ali. Em segundo lugar, eram novidade, de uma tecnologia que os índios não dominavam e que, por isso, admiravam. Mais de cinco séculos se passaram e continuamos dominados pela mesma reverência à tecnologia. Exemplo: o automóvel tem absoluta prioridade em relação aos pedestres, mesmo em situações em que estes são vários e em que o veículo transporta uma única pessoa. Muitos brasileiros ficam assombrados ao saber que em Brasília os motoristas respeitam a faixa de segurança. Em outras cidades, faixa de segurança é mero detalhe, pouco importante diante da potência que é o automóvel. Isso também explica a quantidade de acidentes de trânsito que temos; a sensação de poder de que goza o motorista muitas vezes perturba sua capacidade de discernimento. O verdadeiro progresso traz junto consigo os mecanismos de controle para esses excessos. Na Europa e nos Estados Unidos, os motoristas, em geral (claro que há numerosas exceções), dirigem com cautela, pela simples razão de que podem responder no tribunal por qualquer problema, até mesmo psicológico, que venham a causar a outras pessoas. A noção de espaço público lá está muito presente. No Brasil é diferente. Se o espaço é público, isso não significa que é de todos, que todos têm de cuidar dele; não, se o espaço é público, ele não é de ninguém. Nos cinemas brasileiros, celulares tocam com frequência e às vezes seus proprietários mantêm longas conversas, em voz alta, durante a exibição do filme. Os outros espectadores que se lixem. Existe aí um motivo adicional, além do desrespeito ao local coletivo. O telefone, no Brasil, ainda guarda a aura de um passado em que era privilégio de poucos. Conseguir uma linha era missão quase impossível. Quem tinha telefone tinha poder, e esta imagem, de certo modo, persiste. Infelizmente, porque poucos meios de comunicação são tão invasivos. Cartas e e- mails ficam pacientemente à nossa espera. O telefone, não. O telefone soa insistentemente, e temos de atender, não importa o que estejamos fazendo no momento – almoçando, tomando banho, fazendo amor. E quem liga também não dá bola para esses detalhes. A elementar pergunta – “Você pode falar? ” – raramente é feita. Ligação telefônica desloca para um segundo plano qualquer outra coisa. Digamos que você esteja sendo atendido por um funcionário no banco. Se tocar o telefone, você e todos os outros que estão esperando terão de se conformar: o funcionário atenderá à chamada, não raro longa. O celular é ótima coisa. Pessoas que, por falta de telefone, ficavam em verdadeiro estado de marginalização social, agora podem se comunicar facilmente. Existe hoje uma verdadeira cultura do celular, mas ela, infelizmente, ainda não inclui a noção de respeito ao outro. Chegaremos lá, claro, se não mediante leis, como fazem os países mais adiantados, então pela evolução natural da arte do convívio. As pessoas aprendem. E um dia descobrem que as brilhantes contas de vidro são só isto: contas de vidro. 01) Como assunto principal que motiva o autor a realizar a discussão apresentada pode-se apontar: A) O comportamento da sociedade atual em relação à tecnologia. B) Os meios necessários para que o equilíbrio entre o tradicional e o novo seja alcançado. C) O deslumbramento dos índios com aquilo que era até então desconhecido, apresentado pelos portugueses. D) A relação entre beleza natural, elemento integrante da realidade indígena, e a imposição da cultura europeia. 02) De acordo com as ideias trazidas ao texto, pode- se afirmar em relação ao título apresentado que A) o termo “só” produz um efeito de sentido quantitativo em relação às “contas de vidro”. B) é possível identificar uma orientação argumentativa através do emprego do termo “só”. C) a caracterização do objeto “contas” demonstra a intenção de ressaltar sua relevância no discurso. D) a substituição da locução adjetiva empregada por adjetivo correspondente atribuiria maior ênfase ao objeto que determina. 03) Assinale a alteração proposta para o trecho selecionado cuja correção gramatical é preservada caso o termo destacado já tivesse sido introduzido no texto anteriormente sendo um referente para o termo anafórico. A) “[...] o veículo transporta uma única pessoa.” (1º§) / o veículo lha transporta. B) “[...] os motoristas respeitam a faixa de segurança.” (1º§) / os motoristas as respeitam. C) “Mas as contas de vidro representavam duas coisas.” (1º§) / Mas as contas de vidro representavam- nas. D) “[...] de uma tecnologia que os índios não dominavam [...]” (1º§) / de uma que os índios não lhe dominavam. 04) Considerando o estudo da crase, sabe-se que o emprego do acento grave para indicá-la pode ser obrigatório, facultativo ou inadequado. A adequação presente em “reverência à tecnologia” (1º§) apresenta a mesma justificativa vista em: A) A cada dia excluem-se às afetividades. B) Tal situação traz insegurança à classe menos favorecida. C) Neste caso, à presença de mulheres cria problemas legais. D) As ações foram planejadas para que fossem executadas à noite. 05) Em relação ao exemplo dado pelo autor no 1º§ envolvendo o automóvel, pode-se afirmar que A) comprova a importância da tecnologia e sua superioridade. B) se trata de um recurso argumentativo classificado como evidência de prova. C) indica a utilização do raciocínio lógico como meio de apresentar argumentos textuais. D) tem por objetivo desmistificar a ideia de que o automóvel é o meio de locomoção mais utilizado pelas pessoas atualmente. 06) De acordo com o contexto, a manutenção do objeto discursivo “espaço público” é feita através de: I. todos. (2º§) II. ninguém. (2º§) III. local coletivo. (2º§) IV. ele (em “ele não é de ninguém”). (2º§) Estão corretas apenas as alternativas A) III e IV B) I, II e III C) I, II e IV D) II, III e IV 07) Tendo em vista as relações de sintaxe estabelecidas nas orações a seguir, relacione adequadamente as colunas, considerando os termos destacados. 1. Objeto indireto. 2. Sujeito simples. 3. Adjunto adverbial. 4. Predicativo do sujeito. (__) “[...] que os portugueses lhes davam.” (1º§) (__) “A noção de espaço público lá está muito presente.” (2º§ (__) “Cartas e e-mails ficam pacientemente à nossa espera.” (2º§) (__) “Em primeiro lugar, eram novidade, coisa desconhecida por ali.” (1º§) A sequência está correta em A) 1, 2, 3, 4 B) 2, 4, 3, 1 C) 3, 1, 2, 4 D) 4, 3, 1, 2 08) As orações substantivas exercem as mesmas funções, no período, dos termos vistos na análise sintática das orações. Analisando sintaticamente o período: “E um dia descobrem que as brilhantes contas de vidro são só isto: contas de vidro.” (3º§) pode-se identificar o mesmo tipo de oração substantiva vista em: A) Nunca duvidei de suas palavras. B) Ainda não verifiquei os relatórios que foram entregues ontem. C) O professor permitiu que vários alunos fizessem nova avaliação. D) Minha sensação era de que os alunos haviam compreendido todo o exposto. 09) Em “Se o espaço é público, isso não significa que é de todos, que todos têm de cuidar dele; não, se o espaço é público, ele não é de ninguém.” (2º§), o autor expõe seu ponto de vista acerca do espaço público A) através de uma oposição de ideias. B) empregando linguagem conotativa, valorizando seus argumentos. C) a partir de uma condição para que o espaço seja considerado público. D) utilizando negações expressas de formas diferentes, mas que possuem o mesmo significado. 10) Assinale a alteração para a frase: “Existe aí um motivo adicional, além do desrespeito ao local coletivo.” (3º§) cuja correção linguística pode ser observada: A) Existe aí motivos adicionais, além do desrespeito ao local coletivo. B) Haveriamaí motivos adicionais, além do desrespeito ao local coletivo. C) Deve haver aí motivos adicionais, além do desrespeito ao local coletivo. D) Devem haver aí motivos adicionais, além do desrespeito ao local coletivo. Gasto com cigarro é quase igual ao do arroz com feijão Por ter um peso relevante nos hábitos de consumo, qualquer movimento no preço do cigarro mexe com a inflação no país. As campanhas de conscientização sobre os males causados pelo cigarro diminuíram o consumo, mas o peso dos gastos com o produto ainda é alto no bolso das famílias brasileiras. O cigarro leva uma fatia de 1,08% do orçamento mensal das famílias, participação mais de três vezes superior à da batata, por exemplo. Os dados são da metodologia de cálculo da inflação oficial no país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A fatia do orçamento mensal das famílias destinada ao fumo praticamente equivale à da despendida com o tradicional arroz com feijão carioca (1,12% do IPCA), ou a tudo o que se gasta no mês com manicure, cinema e médico juntos (1,1% do IPCA). O gasto dos consumidores com cigarro é ainda 13,5 vezes superior ao do cafezinho, a bebida predileta do brasileiro. Por ter um peso relevante, qualquer movimento no preço do cigarro mexe com a inflação no país, mas Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE, lembra que a influência já foi maior. Há vinte anos, o peso do cigarro na cesta de produtos consumidos pelos brasileiros chegava a 1,4%. Como o item ficou 448,17% mais caro desde então, contra uma alta de 252,08% da inflação oficial, o movimento mostra que as famílias cortaram despesas com o item. [...] O Instituto Nacional de Câncer (Inca) divulgou recentemente que o número de mortes por câncer de pulmão entre homens caiu pela primeira vez, saindo de 18,5 a cada 100 mil, em 2005, para 16,3 por 100 mil em 2014. O resultado seria decorrente de políticas para redução do tabagismo, como proibição de propaganda, aumento de impostos e Lei Antifumo, que proíbe o fumo em locais fechados. “A literatura mostra que o aumento dos impostos é o maior determinante para a redução do tabagismo. E no Brasil o preço do cigarro é ‘zilhões’ de vezes mais barato do que em outros lugares do mundo. Na Irlanda, o maço custa 12 reais. Aqui, 4 reais ou 5 reais. A indústria está desesperada porque seus lucros estão caindo. Infelizmente, a gente ainda não conseguiu convencer o mundo de que essa é uma indústria que deveria fechar”, defendeu a epidemiologista Liz Almeida, gerente da Divisão de Pesquisa Populacional do Inca. [...] O susto com a elevação de preços e a perspectiva de economizar um bom dinheiro acabaram por incentivar muitos fumantes a abandonar o vício. Só em 2016, os cigarros já estão 12,62% mais caros, segundo o IPCA. A especialista em finanças pessoais Carolina Ruhman, fundadora do site Finanças Femininas, conta que economizou 40.000 reais após decidir deixar o vício. Ao completar dez anos sem fumar, ela calculou quanto teria gastado se tivesse mantido o hábito de consumir dois maços por dia. 11) Considerando a leitura do texto, pode-se afirmar que o título apresenta um(a) A) posicionamento tendencioso em relação ao uso do cigarro pela população. B) comparação que incorre em uma contraposição ao explicitado através das informações apresentadas. C) orientação argumentativa em que o hábito de fumar é destacado através da construção linguística apresentada em detrimento de hábitos cotidianos. D) informação comprovada através das informações textuais que indica, através da comparação estabelecida, o grau de relevância do fumo como comportamento social. 12) (5º§) “‘A literatura mostra que o aumento dos impostos é o maior determinante para a redução do tabagismo. E no Brasil o preço do cigarro é ‘zilhões’ de vezes mais barato do que em outros lugares do mundo. Na Irlanda, o maço custa 12 reais. Aqui, 4 reais ou 5 reais. A indústria está desesperada porque seus lucros estão caindo. Infelizmente, a gente ainda não conseguiu convencer o mundo de que essa é uma indústria que deveria fechar’, defendeu a epidemiologista Liz Almeida, gerente da Divisão de Pesquisa Populacional do Inca. [...] (6º§) O susto com a elevação de preços e a perspectiva de economizar um bom dinheiro acabaram por incentivar muitos fumantes a abandonar o vício. Só em 2016, os cigarros já estão 12,62% mais caros, segundo o IPCA.” Considere os comentários acerca de algumas estruturas linguísticas utilizadas no trecho anterior e assinale o que for verdadeiro: A) A forma verbal “acabaram” (6º§) estabelece concordância com a expressão “a elevação de preços”. B) A locução verbal “estão caindo” (5º§) seria corretamente substituída, gramaticalmente, por “caem”. C) Em “é o maior determinante” (5º§), caso a ênfase fosse dada a “impostos”, a forma verbal “é” seria substituída por “são”. D) Se em “já estão 12,62%” (6º§) o percentual fosse substituído por “1%”, a forma verbal “já estão” seria empregada no singular. 13) Considere o trecho “Por ter um peso relevante nos hábitos de consumo, qualquer movimento no preço do cigarro mexe com a inflação no país, [...]” (3º§) e assinale a seguir a reescrita em que as correções linguística e semântica foram preservadas. A) “Sendo um fator relevante nos hábitos de consumo, tal movimento no preço do cigarro mexe com a inflação no país.” B) “Todo movimento no preço do cigarro mexe com a inflação no país, diante à um peso relevante nos hábitos de consumo.” C) “Ainda que venha a ter um peso relevante nos hábitos de consumo, qualquer movimento no preço do cigarro mexe com a inflação no país.” D) “Qualquer movimento, no que concerne ao preço do cigarro, mexe com a inflação no país; por ter um peso relevante nos hábitos de consumo.” 14) Em “As campanhas de conscientização sobre os males causados pelo cigarro diminuíram o consumo, mas o peso dos gastos com o produto ainda é alto no bolso das famílias brasileiras.” (1º§) é possível identificar o emprego da conjunção “mas” indicando determinada relação contrastiva. A mesma indicação por tal conjunção só não pode ser vista em: A) Ele sempre caía perto dos espinhos, mas não se machucava. B) Seu trabalho é demasiadamente cansativo, mas sua remuneração não lhe é suficiente. C) Todos os esforços foram empregados nesta causa, mas apenas alguns pontos foram alcançados. D) Depois daquele episódio, eles não apenas voltaram a conversar, mas ainda se tornaram bons amigos. 15) Em determinadas construções, o emprego do acento grave, indicativo de crase, é sinal de exigência da preposição pelo termo regente, como ocorre em “[...] participação mais de três vezes superior à da batata, por exemplo [...]” (1º§). Neste caso, é correto o que se afirma acerca da regência em: A) O termo regente “participação” exige a presença da preposição “a” diante de palavra feminina. B) O termo regido “batata” é antecedido corretamente pela preposição “a” demonstrando coerência e coesão textuais. C) O termo regente “superior” estabelece exigência do emprego da preposição “a” que se associa, neste caso, ao artigo feminino. D) A elipse do substantivo feminino depois da associação entre a preposição “a” e o artigo “a” é fator determinante para o tipo de regência estabelecido nesse caso. 16) Leia o trecho selecionado: “‘A indústria (I) está desesperada porque seus lucros (II) estão caindo. Infelizmente, a gente (III) ainda não conseguiu convencer o mundo (IV) de que essa é uma indústria que deveria fechar’, defendeu a epidemiologista Liz Almeida (V), gerente da Divisão de Pesquisa Populacional do Inca.” (5º§) De acordo com as relações de sintaxe e respectivas funções estabelecidas no trecho pelos termos destacados, assinale a afirmativa correta. A) Entre os termos destacados é possível reconhecer a existência de um sujeito indeterminado. B) Todos os cinco termos destacados possuem a mesma classificação sintática no trecho selecionado. C) Dentre os cinco termos destacados, apenas um deles difere dosdemais em relação à classificação sintática. D) Um dos termos destacados classifica-se como complemento verbal, dois classificam-se como sujeito da oração, e os outros dois como complementos nominais. 17) “O cigarro é um grande exemplo de toda uma indústria, e de suas poderosas marcas, que foram construídas e destruídas pelo poder da opinião pública. Um exemplo que demonstra o poder do consumidor na construção das simbologias das marcas, e que vale a pena ser estudado por todos que possuem interesse nas relações de consumo e de marcas.” É possível afirmar que: A) O consumismo não pode ser modificado a não ser quando manipulada tal mudança pela própria mídia. B) Há uma conclusão contrária ao consumismo e aliada ao poder do consumidor face a fatos referentes à indústria do tabaco. C) A consequência do uso do tabaco funciona como um forte argumento diante da situação real enfrentada pela sociedade. D) O exemplo dado pelo articulista demonstra seu posicionamento diante da liberdade de escolha do consumidor mesmo diante de imposições feitas pela mídia atual. 18) Os elementos da linguagem visual sugerem um(a) A) contraponto ao texto verbal que compõe a charge. B) efetivação da ideia apresentada através do texto verbal. C) argumento no qual se baseia o pedido feito ao interlocutor. D) quebra de paralelismo em relação ao texto verbal, apresentando uma incongruência proposital. Silêncio e barulho Pode parecer paradoxal querer falar sobre silêncio em se tratando de educação ou reeducação para o exercício da cidadania. Para sermos humanamente plenos, é indispensável que tenhamos sido treinados para lidar tanto com o barulho quanto com o silêncio. Se o excesso de ruído embrutece, o silêncio absoluto nos enfraquece. Ambos nos impedem de notar nuances do mundo, absolutamente necessárias para que possamos antever o momento seguinte. Morreremos rápido se não formos capazes de antecipar a chegada de um carro, o estouro de uma boiada ou a queda de uma pedra. Por outro lado, o silêncio é importante para nos humanizar. O aprendiz precisa ser capaz de focar no que vai aprender, e focar sem silêncio é difícil. Mas o aprendiz precisa não ter medo de se isolar do meio, e isso exige treino intensivo. Não se pode ter medo dos fantasmas do nosso mundo interno, que sempre surgem quando o mundo exterior se esvai. O silêncio não é condição natural para os homens e muito menos para outros seres da escala animal. A escuta é um sinalizador da aproximação tanto do bem quanto do mal. É o ouvido que nos alerta de que é bom “dar no pé” depois de nos certificarmos também pelo olhar. O que escutamos é o que nos avisa para dar uma olhada. Mergulhar em um grande silêncio, profundo e longo, nos leva frequentemente ao medo. (...) Quando imposto, vira castigo – recurso, aliás, muito usado em sistemas correcionais em que frequentemente se apela para o isolamento (a solitária nas prisões, o quarto escuro para as crianças). Por outro lado, esse mesmo silêncio é indispensável para adquirir ou fixar novos conhecimentos. Instaurar silêncio em local de estudo não deve ser punição, mas condição para que a aprendizagem ocorra. O silêncio é, pois, um fato ambíguo. Ele é necessário para que se percebam com clareza os ruídos que vêm para ameaçar nossa integridade, mas, sem eles, não podemos nos desenvolver nem emocional nem intelectualmente. (...) 19) Em sua preposição, o texto apresenta a expressão “paradoxal” ao caracterizar o assunto que será abordado no texto. Sobre o uso dessa expressão, pode-se afirmar que A) o enunciado construído demonstra uma aposta na legitimidade de uma aparente incoerência. B) a oposição entre as palavras “silêncio” e “barulho” está vinculada e determinada pela situação comunicativa em que ela se manifesta. C) ocorre uma demonstração de certo receio por parte da autora ao expressar suas ideias conflituosas acerca do silêncio e do barulho. D) ao utilizar anteriormente à expressão “paradoxal”, as palavras “silêncio” e “barulho”, a autora demonstra o emprego de uma lógica semântica progressiva. 20) Considerando os sentidos do texto anterior, pode- se depreender que A) o conceito de silêncio está diretamente relacionado ao exercício efetivo da cidadania. B) a negativa de que o silêncio não é condição natural para o homem pode ser anulada através do treinamento. C) o aprendizado pleno está sujeito à prática do silêncio ainda que tal prática implique em certo enfraquecimento. D) muitas vezes é necessário que o silêncio seja imposto para que o conhecimento seja adquirido e a aprendizagem ocorra de fato. 21) A autora afirma que “o silêncio é um fato ambíguo” (5º§). Tal ambiguidade pode ser constatada a partir da exposição das ideias da autora que antecedem à oração transcrita. Assinale, a seguir, um exemplo em que tal vício de linguagem pode ser constatado. A) Assiste-se bons filmes em São Paulo. B) O professor protestou contra a sua falta de atenção. C) Eu sempre fui o elo de ligação entre meus familiares. D) Afirmou, verdadeiramente, que ama e obedece aos pais. 22) Considerando o fragmento “Ambos nos impedem de notar nuances do mundo, absolutamente necessárias para que possamos antever o momento seguinte.” (2º§), está correta a reelaboração proposta mantendo a mesma relação de sentido e correção gramatical presentes no contexto original: A) Podendo antever o momento seguinte que impede- nos de notar nuances do mundo, absolutamente necessárias. B) Ambos nos impedem de notar nuances do mundo, absolutamente necessárias porque possamos antever o momento seguinte. C) Para que possamos antever o momento seguinte, este nos impede de notar nuances do mundo, absolutamente necessárias. D) Ambos são impedimentos para notar nuances do mundo, absolutamente necessárias quanto mais possamos antever o momento seguinte. 23) De acordo com a estruturação textual e os recursos empregados para a sua construção, pode-se afirmar que dentre os componentes que o constituem está a tese, expressa no texto pela autora em: A) “Se o excesso de ruído embrutece, o silêncio absoluto nos enfraquece.” (2º§) B) “Mergulhar em um grande silêncio, profundo e longo, nos leva frequentemente ao medo.” (4º§) C) “O silêncio não é condição natural para os homens e muito menos para outros seres da escala animal.” (4º§) D) “Para sermos humanamente plenos, é indispensável que tenhamos sido treinados para lidar tanto com o barulho quanto com o silêncio.” (1º§) Oh! Minas Gerais! Oh! Minas Gerais! Quem te conhece Não esquece jamais Oh! Minas Gerais! Tuas terras que são altaneiras O teu céu é do mais puro anil És bonita, ó terra mineira, Esperança do nosso Brasil! Tua lua é a mais prateada Que ilumina o nosso torrão. És formosa, ó terra encantada, És o orgulho da nossa nação! (...) Lavradores de pele tostada, Operários da indústria pesada, Garimpeiros de pedra e de ouro. Mil poetas de doce memória E valentes heróis imortais, Todos eles figuram na história Do Brasil e de Minas Gerais. 24) Em “Todos eles figuram na história” o termo destacado apresenta uma variedade de aposição que A) particulariza a referência genérica de um substantivo, especificando-o. B) reitera, por necessidade discursiva, a identidade de um ser de modo explicativo. C) introduz um dado com que se esclarece a informação já mencionada anteriormente. D) recapitula, resumindo o conteúdo anterior, garantindo a manutenção do valor referencial do enunciado. 25) Dentre os termos destacados a seguir, pode-se afirmar que NÃO ocorre a mesma classificação sintática em relação aos demais em: A) “Quem te conhece” B) “Tua lua é a mais prateada” C) “O teu céu é do mais puro anil” D) “Tuas terras que são altaneiras” Um reino cheio de mistério No dia 21 de setembro comemorou-se o Dia da Árvore, o que deve ter dado trabalho a muito menino do primário, do qual certamente exigiram uma redação sobre o tema: com a alma bocejando, os meninos devem ter dito que a árvore dá sombra, frutos etc. Mas, ao que eu saiba não se comemora o dia da planta, ou melhor, da plantação. E esse dia é importante para a experiênciahumana das crianças e dos adultos. Plantar é criar na natureza. Criação insubstituível por outro tipo qualquer de criação. Esperar que algo amadureça é uma experiência sem-par: como na criação artística em que se conta com o vagaroso trabalho do inconsciente. Só que as plantas são a própria inconsciência. Lembro-me de que no curso primário a professora mandava cada aluno fazer uma redação sobre um naufrágio, um incêndio, o Dia da Árvore. Eu escrevia com a maior má vontade e dificuldade: já então não sabia seguir senão a inspiração. Mas que seja esta a redação que em pequena me obrigavam a fazer. 26) O primeiro e o último parágrafos do texto são análogos quando: A) Criticam o dia da árvore. B) Enaltecem o reino vegetal. C) Criticam uma prática do cotidiano escolar. D) Trazem reminiscências da infância da autora. 27) Assinale o enunciado que faz uso da linguagem conotativa. A) Os alunos escreviam com a alma bocejando. B) No dia 21 de setembro foi comemorado o Dia da Árvore. C) “E esse dia é importante para experiência humana...” (2º§) D) No curso primário o professor mandava cada um fazer uma redação. 28) “As observações referentes às plantas são minuciosas.” Assinale a alternativa em que o termo destacado exerce a mesma função sintática do termo destacado no período anterior. A) Plantei um pé de milho. B) A planta passa por um processo de crescimento. C) Os vegetais foram semeados por moradores da região. D) As plantas não têm necessidade de um objetivo maior. 29) No trecho: “... a professora mandava cada aluno fazer uma redação sobre um naufrágio, um incêndio, o Dia da Árvore.” (4º§), o uso da vírgula se justifica por: A) Indicar supressão de um verbo. B) Separar orações coordenadas sindéticas. C) Separar constituintes sintáticos idênticos. D) Indicar complementos verbais deslocados. 30) Em “Eles me obrigavam a fazer redações e roubaram-me a inspiração”, o pronome oblíquo me exerce, respectivamente, função sintática de: A) Objeto direto e objeto indireto. B) Objeto direto e adjunto adnominal. C) Objeto direto e complemento nominal. D) Objeto indireto e complemento nominal.