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Craque NetoCraque Neto

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Em 10 de janeiro de 1776, o folheto Senso comum chega às livrarias da 
Filadélfia. Em meio às agitações políticas do inverno de 1776, as cinquenta 
páginas desse folheto divulgado como anônimo teriam uma importância muito 
grande, fundamental como elemento de propaganda. Suas afirmações foram 
espalhadas pelas colônias com grande velocidade. Como o próprio nome diz, 
Paine sistematizou um sentimento que era crescente entre os colonos, um 
senso comum e “bom”; deu forma escrita à revolta e corpo às ideias esparsas e 
aos protestos contra a Inglaterra. Diz o autor: 
 
A Inglaterra é, apesar de tudo, a pátria-mãe, dizem alguns. Sendo 
assim, mais vergonhosa resulta sua conduta, porque nem sequer os 
animais devoram suas crias nem fazem os selvagens guerra a suas 
famílias; de modo que esse fato volta-se ainda mais para a 
condenação da Inglaterra [...] Europa é a nossa pátria-mãe, não a 
Inglaterra. Com efeito, este novo continente foi asilo dos amantes 
perseguidos da liberdade civil e religiosa de qualquer parte da Europa 
[...] a mesma tirania que obrigou aos primeiros imigrantes a deixar o 
país segue perseguindo seus descendentes. 
 
Firmemente republicano, Paine ataca não só o abuso da monarquia sobre as 
colônias, mas também a própria monarquia como instituição. A necessidade de 
uma constituição é ressaltada no folheto. Na visão de Paine, um corpo de leis 
elaborado nas colônias seria o mais lógico e conveniente para a vida dos 
colonos. Era a hora da separação: 
 
A Europa está separada em muitos reinos para que possa viver muito 
tempo em paz, e onde quer que estoure uma guerra entre a Inglaterra 
e qualquer potência estrangeira, o comércio da colônia sofre ruínas, 
por causa de sua conexão com a Grã-Bretanha... 
 
Tudo o que é justo ou razoável advoga em favor da separação. O 
sangue dos que caíram e a voz chorosa da natureza exclamam: Já é 
hora de separar-nos! Inclusive a distância que o Todo-Poderoso 
colocou entre a Inglaterra e as colônias constitui uma prova firme e 
natural de que a autoridade daquela sobre estas nunca entrou nos 
desígnios do Céu... 
 
O próprio autor manifestou-se surpreso com o sucesso do seu folheto. Mais 
tarde, porém, mais vaidoso, afirmava numa carta que “a importância daquele 
panfleto foi tanta que, se não tivesse sido publicado, e no momento exato em 
que foi, o Congresso não teria se reunido ali onde se reuniu”. 
A obra deu à política da América um rumo que lhe permitiu enfrentar a questão.

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