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o processo de controle dos esfíncteres acompanhar o desfralde com respeito Licenciado para - Tereza Ruiz - Protegido por Eduzz.com 1 2 3 4 5 6 7 apresentação 3 entendendo o desfralde 4 eliminando mitos e incorporando fatos 7 reflexões teóricas 9 sinais maturativos 13 como atuar? 14 nossas tarefas de sempre 16 penico ou redutor? e outros dilemas 19 conclusão 21 maría rozas 23 Licenciado para - Tereza Ruiz - Protegido por Eduzz.com 3 apresentação O que nos fala o verbo acompanhar? De imediato, fala sobre fazer companhia, ir junto, estar ao lado. Numa reflexão mais profunda, nos lembra do nosso lugar em relação a algo ou alguém que trilha seu caminho e o faz em seu próprio ritmo. Assim devemos pensar nosso papel em relação ao desfralde. O trajeto não é nosso, não somos nós que o conduzimos; é da criança, e a nós cabe trilhar junto. É muito importante fazer a reflexão ética de como queremos nos relacionar com nossos filhos e como vamos acompanhá-los em seus processos. É aí que residirá toda a diferença. Neste documento trago informações atualizadas do que ciência fala sobre o controle de esfíncteres, e também o que eu sinto que é mais respeitoso com a criança. Licenciado para - Tereza Ruiz - Protegido por Eduzz.com 4 Diante das perguntas mais nucleares que as famílias me fazem sobre criação e educação, enxergo a resposta sempre a partir de dois lugares: 1. A epistemologiA: o que a ciência diz a respeito 2. A éticA: os valores que nos indicam o caminho desejável Para o desfralde não será diferente. Aqui exploro o que está por trás do desfraldar, contrapondo com atitudes comuns, mas não tão acertadas. 1 entendendo o desfralde Licenciado para - Tereza Ruiz - Protegido por Eduzz.com 5 “Pode ter um preço muito alto que o adulto, independentemente do desejo e interesse da criança, exija que ela faça as suas necessidades no penico ou privada, desde a idade que, na sua opinião, é apropriada e nos momentos que ele determine. Com isso elimina na criança a possibilidade de reconhecer por si mesma o que acontece no seu corpo e de tomar consciência da sua capacidade de controle voluntário de seus esfíncteres no seu nível de maturidade neuromuscular, psicomotora e psicossocial. […] Não é ela e sim o adulto quem controla seus esfíncteres.” JUDIT FALK Y MARIA VINCZE A nossa ansiedade em ver as crianças conquistarem fases é muito grande, por mais que falemos que queremos que façam tudo no tempo delas, que respeitamos, que entendemos... Ao completarem 1 ano, desejamos que caminhe logo; chegam os 2 anos e queremos que desfraldem. Por quê a pressa? Essa ansiedade e a pressão dos grupos (família, escola, amigos, vizinhos) fazem com que muitas crianças não sejam respeitadas. Licenciado para - Tereza Ruiz - Protegido por Eduzz.com 6 Na maioria dos casos, são ainda acompanhados de belos discursos a favor da autonomia da criança, enquanto que, na prática, aproveitamos as férias para tirar as fraldas, ou incentivamos colocando cueca/calcinha por julgarmos que já têm idade para isso. Esse tipo de abordagem, que é a mais comum, revela que normalmente se considera apenas o aspecto fisiológico dessa fase, descartando outras dimensões igualmente importantes. Devemos ter em mente que deixar as fraldas envolve diferentes capacidades: saber controlar a vontade de fazer xixi e cocô, ou seja, ter o controle dos esfíncteres (maturidade fisiológica). escolher interromper o que se está fazendo para ir a um lugar socialmente determinado para evacuar (maturidade psicossocial). Decidir por, sim, deixar as fraldas (vontade). Essa decisão está cheia de poder, de afirmação, de saber que se é um, tomar consciência de estar crescendo e conquistar essa autonomia. O desfralde deve estar cheio de ALEGRIA, não de prêmios, castigos ou sentar em horários determinados esperando o xixi sair. Licenciado para - Tereza Ruiz - Protegido por Eduzz.com 7 2 eliminando mitos e incorporando fatos O desfralde é mais um processo dentro do desenvolvimento da criança carregado de mitos e projeções dos adultos, acompanhado de muito palpite e pouco embasamento científico. É importante ter claro que mitos são esses, de forma a nos atentar e não acabar caindo neles. Junto desse esforço, devemos nos abrir a outras formas de olhar para o desfralde, que são mais pertinentes e respeitosas, mas socialmente pouco incentivadas. Licenciado para - Tereza Ruiz - Protegido por Eduzz.com 8 mitos para descartar Que o desfralde deve acontecer com 2 ou 3 anos no máximo. Que a criança que sabe reter xixi e cocô já pode deixar as fraldas. Que é uma questão de hábito, e que sentar a criança a cada certo tempo no penico a ajudará a aprender. Que quanto antes deixarem as fraldas melhor. Que quanto antes deixarem as fraldas melhores pais somos. Que se trata de um processo linear e que não podemos deixar que retrocedam. Fatos para incorporar Não há datas para começar. Não precisamos conscientizar. Não precisamos estimular. Devemos respeitar sua vontade. Licenciado para - Tereza Ruiz - Protegido por Eduzz.com 9 reflexões teóricas podemos ensinar, treinar ou dirigir o desfralde? O controle de esfíncteres é um processo maturativo. O que isso significa? Que não pode ser treinado e que não é necessariamente positivo conseguir controlar os esfíncteres antes. Como já dito, existe uma capacidade fisiológica, psicossocial e uma vontade para que a criança fale SIM a tudo isso. 3 Licenciado para - Tereza Ruiz - Protegido por Eduzz.com 10 Fisiologia No processo fisiológico, que corresponde ao controle dos esfíncteres, a criança capta, registra e discrimina as sensações de partes específicas de seu corpo, identificando-as como desconfortáveis. Isso acontece aos poucos: pode ser que sinta o xixi saindo, mas que não reconheça seu desconforto. Nas estatísticas, localizamos o controle de esfíncteres entre os 2 e os 5 anos de idade, podendo acontecer antes ou depois. maturidade psicossocial e vontade Ao mesmo tempo, existe o momento da decisão, que aparece por maturidade psicossocial, na qual a criança: escolhe por si mesma fazer como os outros. é capaz de deixar a satisfação imediata para depois. Para realizar isso, precisa se sentir emocionalmente segura para ir até outro lugar e depositar algo que, no começo, pode sentir que são partes de seu corpo, partes de si mesma. Licenciado para - Tereza Ruiz - Protegido por Eduzz.com 11 Finalmente, a criança escolhe evacuar em um lugar diferente do que ela fez até agora (fralda) porque sente que pode e decide fazer como os outros, interrompendo por iniciativa própria sua atividade (que traz satisfação imediata) e, assim, interpretando as normas culturais de onde está vivendo. consciência de si Como podemos observar, estamos falando de muito mais do que contrair e relaxar um músculo; trata-se de um processo muito mais complexo. Se desde que nascemos estamos numa contínua construção da nossa consciência egoica, a fase do desfralde é uma das mais delicadas. Sabemos de alguns prejuízos em crianças que são treinadas para desfraldar: perdem o contato com seus genitais como órgãos que oferecem o prazer de satisfazer necessidades básicas de evacuação. Fazem força para o xixi sair. contraem durante mais tempo por medo de deixar escapar. Essas tensões permanecem no corpo sem ser percebidas, como um modo de estar no mundo. Os estudos reconhecem disfunções posteriores em diferentes aspectos (genitais, sexuais e de Licenciado para - Tereza Ruiz - Protegido por Eduzz.com 12 autoconsciência de gênero), pelo uso de métodos coercitivos para treinar o controle de esfíncteres. Esse processo maturativo está intimamente relacionado ao conhecimento de si mesmo, o que começa a acontecer por volta dos 2 anos. É nessa idade que a criança começa a falar frases com relação a si mesma: eu, meu,de mim. O que isso nos revela? Que a criança começa a entender quem ela é. A partir desse ponto, poderá e começará a construir quem ela é para si mesma e para os outros. Justamente nesse ponto do crescimento acontecem muitos desfraldes orientados por adultos. Como a criança vai se sentir? O que fala esse processo sobre ela mesma? Como ele dialoga com os sentimentos e descobertas dessa fase? É uma etapa muito importante na construção da personalidade. Sentir-se aceita, com a possibilidade de descobrir por si mesma o processo, criará uma base sólida para que a criança construa um autoconceito saudável. Licenciado para - Tereza Ruiz - Protegido por Eduzz.com 13 sinais maturativos Existem sinais que podem nos ajudar a acompanhar com mais consciência. Tratam-se de marcos do desenvolvimento motor, emocional e psicossocial da criança que guardam relação direta com o processo do desfralde: locomover-se com segurança saber se sentar e levantar poder ficar sentada conseguir se sentar no penico ou privada Reconhecer a vontade saber reter ter VoNtADe de não usar as fraldas ter boa relação com o adulto saber tirar as roupas Querer manifestar seu eU 4 Licenciado para - Tereza Ruiz - Protegido por Eduzz.com 14 como atuar? Se percebo em meu filho os sinais maturativos necessários para considerar a possibilidade de desfralde (não como acontecimento induzido, mas como conquista autônoma), posso pensar agora em como deve ser minha atuação enquanto cuidador e adulto de confiança. 5 Licenciado para - Tereza Ruiz - Protegido por Eduzz.com 15 o que podemos fazer: Mostrar-se atento: observar a criança que temos diante de nós, escutar o que ela tem para expressar. Preparar o ambiente para ela ter acesso ao penico ou redutor quando estiver pronta. Ser compreensivo e paciente: é um PROCESSO, não uma linha reta. Acompanhar o processo fazendo a criança sentir que é querida e aceita tal e como ela é. Não devemos fazer: Castigar nem premiar. Reforçar com palavras positivas ou comparar com outras crianças. Treinar colocando a criança no penico ou privada. (Estar sentado no penico com um adulto que espera algo acontecer só fará a criança forçar o esfíncter.) Entreter a criança para que fique mais tempo sentada no penico ou privada. (Ler histórias, por exemplo, só irá distraí-la. Se a criança não tem vontade, não deveria se manter sentada esperando.) Escolher um dia para começar: essa escolha é parte fundamental do processo, e é uma decisão da criança. Se ela se sente pronta e está acompanhada por um adulto no qual confia, ela mostrará esse interesse chegado seu momento. Licenciado para - Tereza Ruiz - Protegido por Eduzz.com 16 nossas tarefas de sempre Neste capítulo continuo explorando nosso papel enquanto adultos e cuidadores, mas ampliando a reflexão. Falo de abordagens e atitudes que auxiliam no lidar com o desfralde, mas também para outros processos da criança. Estão divididos em quatro domínios: consciência cooperação paciência circunstâncias motivadoras 6 Licenciado para - Tereza Ruiz - Protegido por Eduzz.com 17 consciência • Na troca de fralda, desde o nascimento falamos o que acontece no corpo do bebê e avisamos o que vamos fazer ao manipulá-lo, pedindo licença e explicando nossos movimentos. • Informamos quando nós usamos o banheiro e para quê, com naturalidade. • Não tomamos decisões por eles sobre quando precisam usar o banheiro ou quando é um bom momento para começar o desfralde. • Nos alegramos pelas conquistas sem festejar ou premiar. A alegria compartilhada é diferente de bater palmas e falar “muito bem!”; é nos conectar e sentir junto o momento de felicidade que traz qualquer conquista. • Permitimos que a criança integre no seu ritmo as sensações e experiências de seu corpo. cooperação • Estamos atentos aos sinais para apoiar a vontade da criança. • Facilitamos o processo quando a criança está pronta e mostra vontade, estando junto, observando o que precisa. • Nossa presença é importante para satisfazer a necessidade de compreender o que está acontecendo, sobre a biologia do corpo, a higiene. Licenciado para - Tereza Ruiz - Protegido por Eduzz.com 18 paciência • Aguardamos até que surja a iniciativa por parte da criança. E se não surgir? Paciência. • Se a criança está interessada, oferecemos a possibilidade de se sentar no penico. • Podem passar semanas ou meses entre uma tentativa e outra. • Não perguntamos regularmente, nem a sentamos. Perguntar pode ser uma forma de pressão. circunstâncias facilitadoras • Ter os utensílios visíveis, acessíveis e que a criança os conheça (penico, papel higiênico). • Quando acontecer um escape, o adulto será compreensivo e motivador. • Permitimos a colaboração (pegar o papel higiênico, dar a descarga). • Se quer usar calcinha/cueca permitimos a experimentação, lembrando que não é definitivo. Licenciado para - Tereza Ruiz - Protegido por Eduzz.com 19 penico ou redutor? e outros dilemas penico ou redutor? O que for mais confortável, mas atendendo alguns critérios: Que a criança consiga apoiar seus pés no chão ou apoio. Que a roupa seja confortável para tirar e colocar (criança competente). preparar o ambiente para a criança depender o menos possível do adulto (se esse for seu desejo). 7 Licenciado para - Tereza Ruiz - Protegido por Eduzz.com 20 estranheza ao defecar Para algumas crianças, deixar o cocô ir embora pela privada pode ser angustiante, pois podem sentir como se uma parte delas mesmas estivesse indo embora. Temos que lembrar que o processo de individuação está acontecendo muitas vezes ao mesmo tempo. Tenhamos paciência e respeito. o que vai primeiro, xixi ou cocô? Começamos de dia ou à noite? As evidências indicam que parece ser mais fácil começar sentindo a vontade de fazer xixi, pois temos maior sensibilidade, mas como cada processo é diferente, isso não tem tanta relevância. As crianças irão manifestando suas necessidades. Algumas deixam as fraldas do dia e da noite ao mesmo tempo, já outras continuam com a fralda da noite por mais tempo. Quanto tempo dura o processo? Cada criança tem seu próprio ritmo. Entre começar a experimentar e deixar a fralda definitivamente podem passar dias, semanas ou meses. É normal que crianças interrompam e retomem o processo muitos meses depois. Licenciado para - Tereza Ruiz - Protegido por Eduzz.com 21 É provável que surjam outras dúvidas ao longo do processo. Poderemos sempre nos orientar recordando os valores que norteiam nossas ações. A criança merece viver o desfralde com alegria, sendo: Bem tratada escutada compreendida Valorada Todas deveriam viver seu crescimento com a mesma alegria, como uma conquista própria, e não de seus pais ou professores. Sentindo-se apoiada, respeitada e querida tal como é, sem nenhum tipo de dúvida. conclusão Licenciado para - Tereza Ruiz - Protegido por Eduzz.com 22 Na primeira infância existem muitos momentos sensíveis que merecem ser cuidados. Quando adultos vamos descobrir as consequências desses cuidados, que muitas vezes podem se manifestar como carências. A boa notícia é que podemos trabalhar nelas, pois todo ser humano é resiliente, maravilhosamente resiliente. Agora, como mães e pais, temos a oportunidade de acompanhar nossos filhos com consciência, amor e respeito. Não é uma corrida, não tenham pressa. Licenciado para - Tereza Ruiz - Protegido por Eduzz.com 23 Sou Maria Rozas, pedagoga e terapeuta transpessoal, especializada em maternidade e criação consciente. Meu trabalho acompanhando o desenvolvimento pessoal de outros começou antes de ser mãe, cuidando e protegendo a infância em situação de risco, ajudando crianças a sentirem que tinham um lugar no mundo. Depois chegaram os adultos, que sendo crianças que sofreram queriam sarar suas feridas para ter uma vida mais plena e feliz. Ser mãeme ofereceu a oportunidade de entender o quanto existe em comum nesses dois caminhos. Hoje posso me sentar diante de você com um olhar mais completo e ajudar a entender seu filho e você mesma. Ajudá-la se sentir plena e feliz, com você mesma e no relacionamento com seus filhos. Quer vir comigo? maría rozas Licenciado para - Tereza Ruiz - Protegido por Eduzz.com todos os direitos reservados a maria rozas, 2020. produção editorial: júlia yoshino ilustrações em vetor: freepik www.mariarozas.com.br @mariarozas.criarconsciente Licenciado para - Tereza Ruiz - Protegido por Eduzz.com https://bit.ly/3aZGrRA http://www.mariarozas.com.br http://instagram.com/mariarozas.criarconsciente