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Prefeitura Municipal de Macapá-AP 
 
 
História da fundação de Macapá .......................................................................................................... 1 
Disputas territoriais e conflitos estrangeiros no Amapá ........................................................................ 1 
Principais atividades econômicas do Amapá: séculos XIX e XX. ......................................................... 5 
A Criação do Território Federal do Amapá ........................................................................................... 8 
Manifestações populares e sincretismo cultural no Amapá .................................................................. 9 
Patrimônio histórico de Macapá ......................................................................................................... 11 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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O Instituto Maximize Educação disponibiliza o e-mail professores@maxieduca.com.br para dúvidas 
relacionadas ao conteúdo desta apostila como forma de auxiliá-los nos estudos para um bom 
desempenho na prova. 
As dúvidas serão encaminhadas para os professores responsáveis pela matéria, portanto, ao entrar 
em contato, informe: 
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professor terá até cinco dias úteis para respondê-la. 
Bons estudos! 
Apostila gerada especialmente para: NELMA MESQUITA DE FREITAS 365.822.392-87
 
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Caro(a) candidato(a), antes de iniciar nosso estudo, queremos nos colocar à sua disposição, durante 
todo o prazo do concurso para auxiliá-lo em suas dúvidas e receber suas sugestões. Muito zelo e técnica 
foram empregados na edição desta obra. No entanto, podem ocorrer erros de digitação ou dúvida 
conceitual. Em qualquer situação, solicitamos a comunicação ao nosso serviço de atendimento ao cliente 
para que possamos esclarecê-lo. Entre em contato conosco pelo e-mail: professores@maxieduca.com.br 
 
História da fundação de Macapá1. 
 
Macapá se originou de um destacamento militar fixado no mesmo local das ruínas da antiga Fortaleza 
de Santo Antônio, a partir de 1740. Este destacamento surgiu em razão de constantes pedidos feitos pelo 
governo da Província do Grão Pará e Maranhão (a quem as terras do Amapá estavam juridicamente 
anexadas), João de Abreu Castelo Branco, que desde 1738, sentindo o estado de abandono em que se 
encontrava a Fortaleza, solicitava à Coroa portuguesa providências urgentes. 
Em 1740 veio a resposta do rei português D. João, que não só autorizou o governador do Pará a 
construir um fortim no mesmo local das ruínas da fortaleza de Santo Antônio, como também enviou um 
projeto de construção de um pequeno forte idealizado pelo sargento-mor Manuel de Azevedo Fortes e 
pelo engenheiro-mor do reino, Miguel Luís Alves. Deste forte originou-se Macapá. 
Depois que D. José I assumiu o trono português, o Marquês de Pombal assumiu o ministério real e 
nomeou, em seguida, seu irmão Francisco Xavier de Mendonça Furtado para o comando das Armas da 
Província do Pará, assim como para a presidência da própria província, gozando de plenos poderes para 
promover a fundação e colonização de vilas na Amazônia Setentrional. É nesta época que Macapá assiste 
à chegada dos colonos dos Açores. 
Em 2 de fevereiro de 1758, Mendonça Furtado instala os poderes Legislativo e Judiciário da vila, e em 
4 de fevereiro, dois dias depois, eleva o povoado à categoria de vila. 
A emancipação de Macapá despertou a cobiça de holandeses, ingleses e franceses que ameaçavam 
a todo custo invadir a vila. 
Após intensa campanha Mendonça Furtado vem a falecer, não realizando o sonho de ver Macapá 
fortificada condignamente. A grande fortaleza só foi inaugurada em 19 de março de 1782, 18 anos depois 
de iniciados os trabalhos. 
Erguida a imponente fortaleza, a vila começou a desenvolver-se, sempre gozando das vantagens 
inerentes à sua qualidade de centro militar, até os dias que precederam à proclamação da Independência 
do Brasil. 
Macapá cresceu à sombra desta fortaleza, testemunho do esforço luso-brasileiro na conquista, 
colonização e manutenção da Amazônia e representa a mais vigorosa afirmação do domínio português 
no Território do Amapá. Teve papel relevante no laudo arbitral de Berna, em 1º de dezembro de 1900. 
O topônimo é de origem tupi, com uma variação de macapaba, que quer dizer lugar de muitas bacabas, 
um fruto de palmeira nativa da região. 
 
 
 
A Colonização do Amapá2 
 
As primeiras notícias de europeus passando pela região do Amapá são de navegadores espanhóis. 
Talvez o primeiro tenha sido Francisco de Orellana, no contexto na conquista do Império Inca e seus 
desdobramentos. Orellana deixou os Andes e atravessou a bacia amazônica, chegando no litoral do 
Maranhão, portanto no Oceano Atlântico, em 1542. Em 1560, outra expedição espanhola adentrou a 
Amazônia vinda do oeste, sendo conhecida na posteridade por conta da rebelião comandada por Lopez 
de Aguirre contra o comandante, General Pedro de Ursua. Os membros desse motim se 
 
1 HISTORICO. Macapá. IBGE. <https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/dtbs/amapa/macapa.pdf> 
2 CAVLAK, Iuri. Aspectos da colonização na Guiana Francesa e no Amapá: Visões comparadas e imbricações históricas. Revista de Estudos e Pesquisas 
sobre as Américas. V.10 N.2 2016 ISSN: 1984 - 1639 
História da fundação de Macapá 
 
Disputas territoriais e conflitos estrangeiros no Amapá 
 
Apostila gerada especialmente para: NELMA MESQUITA DE FREITAS 365.822.392-87
 
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autodenominaram “marañones”, declarando a separação das terras descobertas do império espanhol 
(REIS, 1985, p. 17). 
Nos anos de 1595/1596 holandeses e ingleses também passaram a assediar com mais afinco a região. 
Primeiramente no litoral das Guianas, como demonstra o relato do navegador inglês Walter Raleigh, o 
primeiro explorador do chamado “El Dorado”, um mito que afirmava a existência de uma cidade formada 
de ouro, refúgio do último imperador inca escapado da conquista espanhola, o “El Hombre Dorado” 
(RALEIGH, 1968). Interessante assinalar que esse relato logo ganhou fama no público leitor europeu do 
século XVII, despertando as mais criativas imaginações sobre o maravilhoso na região amazônica e 
adjacentes. 
Posteriormente, a partir de 1600, ocorre a descida dos holandeses e ingleses para dentro da bacia 
amazônica, chegando à região do Cabo Norte e as ilhas paraense. A época, os franceses estavam 
basicamente mais envolvidos com o acesso à América portuguesa por outros caminhos. Pelo Rio de 
Janeiro, através do projeto da França Antártica (1555-1560), e depois São Luís do Maranhão (única 
capital brasileira fundada por não portugueses) com a França Equinocial (1611-1615). 
Somente diante desse cenário, com destaque para a ocupação francesa em São Luís, é que a 
administração portuguesa resolveu de fato organizar uma força militar para expulsar os invasores e tomar 
posse da região. Entre 1580 e 1640 as coroas espanhola e portuguesa estavam ligadas dinasticamente, 
o que gerou, entre outras coisas, maior agressividade dos Países Baixos para ocupar e pilhar as terras e 
navios ibéricos no extremo norte da América do Sul, forma de incrementar o combate pela sua 
independência frente aos soberanos espanhóis. 
A partir de dezembro de 1615, de acordo com Reis, as tropas luso-brasileiras iniciaram a ofensiva para 
expulsão dos estrangeiros. Partindo de São Luís, já libertada, atingiram o interior do Pará onde iniciaram 
uma sequência de batalhas e escaramuças. Em união com a atividade guerreira, vários religiosos, a 
maioria pertencente à Companhia de Jesus, seguiu com os regimentos militares, objetivando tanto 
pacificar os ameríndios quanto organizar núcleos de agriculturaque pudessem sustentar os soldados 
(REIS (b), 1985, p. 260). 
E assim uma sequência irresistível de vitórias confirmou a posse amazônica para os portugueses. As 
principais batalhas contra os ingleses e holandeses ocorreram em 1616, 1623, 1625, 1629, 1631, 1639 e 
1648. Os holandeses recuaram para o platô das Guianas, os ingleses se retiraram momentaneamente da 
região e os franceses, que haviam perdido o Maranhão, se fixaram em Caiena (REIS (b). 1985. pp. 261-
262). 
Não foram só essas guerras que chacoalharam o vale amazônico naquele período, uma vez que os 
jesuítas, os caboclos que seguiam as expedições e os próprios soldados desenvolveram uma relação de 
guerra e paz com os ameríndios, sobretudo os Tupinambás. 
Seja como for, o reino português se viu na necessidade de organizar juridicamente as conquistas 
recém auferidas, evitando perdê-las novamente para as outras nações colonizadoras europeias. Em 
1626, foi criado o Estado do Maranhão e Grão-Pará, com sede em São Luís, desmembrado do Estado 
do Brasil, com capital em São Salvador da Bahia. Imaginava-se que um Estado autônomo do restante da 
colônia, respondendo diretamente a Lisboa, facilitaria o controle administrativo e agilizaria as trocas de 
mercadorias. 
Repetindo a dificuldade de colonizar com recursos estatais, Portugal optou por retomar a fracassada 
experiência das capitanias hereditárias, implementadas no início do século XVI no litoral. A partir de 1627, 
o governador do Estado do Maranhão e Grão-Pará, Francisco Coelho, desde São Luís, nomeou uma 
nova leva de capitães hereditários: Feliciano Coelho de Souza, Capitania de Caeté, Antônio de Souza 
Macedo, Capitania do Marajó, Gaspar de Souza Freitas, a Capitania do Xingu, enquanto a Capitania de 
Gurupá ficou sendo da coroa. Para nosso interesse, assinala-se que a Capitania do Cabo Norte coube 
ao sertanista e desbravador Bento Maciel Parente (REIS (b). 1985, p. 267). 
Interessante destacar, já naquele momento da história, o relativo atraso da região amapaense e 
entorno em relação ao restante da colônia. A chegada dos portugueses havia se dado em 1500. A 
organização da primeira Capitania havia ocorrido em 1504 (Fernando de Noronha), seguindo a tradição 
das ilhas da Madeira e Cabo Verde. O primeiro governo geral havia se instalado na Bahia em 1549. 
Portanto, a ocupação da Amazônia ocorria 127 anos após o desembarque de Pedro Alvares Cabral. 
A colonização efetiva do Amapá, então mais conhecido como Cabo Norte, se daria na importante fase 
da história portuguesa sob o ministério de Sebastião José de Carvalho e Melo, o famoso Marquês de 
Pombal. Até então, esse pedaço da capitania do Maranhão e Grão-Pará caracterizava-se por uma 
população esparsa, formada basicamente por ameríndios livres e aqueles reduzidos nas missões 
jesuíticas. Há relatos de que um soldado e sua esposa, por volta de 1738, viviam numa humilde instalação 
militar onde seria erguida Macapá. 
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O ano de 1750, além da ascensão de Pombal ao ministério do Rei D. José I, foi o do Tratado de Madri, 
que estabeleceu entre Portugal e Espanha o conceito de uti possidetis, franqueando a legalização da 
posse de territórios contestados para aquela nação que possuísse seus súditos efetivamente habitando 
as terras em disputa. O Amapá, quase todo o Pará e a região amazônica seriam espanhóis caso fosse 
levado em conta o Tratado de Tordesilhas de 1493. Com esse novo arranjo diplomático, as terras do norte 
amazônico tiveram reconhecidas seu pertencimento ao império português. 
Com efeito, no intuito de reforma do Estado e de modernização de Portugal, Pombal cuidou com afinco 
da região amazônica. Em 1751, criou a “Capitania do Grão-Pará e Maranhão”, não somente invertendo a 
ordem dos nomes senão transferindo a capital de São Luís para Belém, indicando o influxo da política 
lusa. Nomeou para essa nova capitania com sua nova sede uma pessoa de inteira confiança, seu irmão 
Francisco Xavier de Mendonça Furtado. Desfez a doação da capitania do Cabo Norte para Bento Maciel 
Parente, passado para seu filho homônimo e depois para seu neto Vital Parente, que não haviam ocupado 
nem desenvolvido a região, e reabsorveu essa capitania para o Estado, iniciando de imediato o processo 
efetivo de colonização. 
Deveras complexas as relações que se estabeleceram a partir de então. Mendonça Furtado, em carta 
de 1751 para Pombal, relatou que o Cabo Norte era formado de “boas terras cercadas de maus vizinhos”. 
Afirmou a necessidade premente de importar colonos, destacar mão de obra, impulsionar plantações e 
extração de riquezas ao mesmo tempo que se queixou da falta absoluta de recursos estatais (RAVENA, 
1999, p. 63). 
O primeiro passo foi a importação de centenas de colonos da Ilha dos Açores para iniciar a colônia. 
Chegados em Belém, cerca de 400 deles se encontraram numa situação de penúria, na medida em que 
o Estado não tinha condições financeiras nem de alimentá-los e alojá-los no Pará e tampouco enviá-los 
para Macapá, seu destino final (uma minoria de colonos das Ilhas Canárias também estavam juntos). Em 
janeiro de 1752, finalmente foi embarcada a primeira leva dos imigrantes que iriam fundar o primeiro 
povoado amapaense: 
 
um primeiro grupo de 86 moradores transportados se estabeleceu sem nenhuma infraestrutura. Não 
havia remédios nem “cirurgião” (médico) para acompanhá-los e o Governador preocupava-se por tratar-
se de um grupo composto em sua maioria de mulheres, crianças e velhos (RAVENA, 1999, p. 64). 
 
Embora no contrato assinado entre os colonos açorianos e o governo português houvesse a assertiva 
da Coroa cuidar da chegada dos mesmos em seu destino de maneira satisfatória, garantias não havia 
que isso fosse cumprido. Não haviam sido construído sequer alojamentos para receber os colonos 
fundadores, uma vez que tiveram que habitar as encostas das pequenas fortificações existentes (LUNA, 
2011, p. 50). 
A empresa instaurada tinha outras características marcantes, na medida em que a necessidade 
vislumbrada por Pombal era de criar “soldados-colonos”. Em outras palavras, gente capaz de produzir 
alimentos e construir infraestrutura pari passu com a defesa do território e o preparo para eventuais 
entreveros armados com os franceses. 
Nas palavras de Rosa Acevedo Marin, se referindo a Macapá (1751) e Mazagão (1765): 
 
Ambos os núcleos foram encarados no plano político de defesa do território, sem estar alheio à 
cobrança de resultados econômicos e, para isso, incentivou-se a formação de estruturas agrárias com 
acesso estável à terra, vínculos mais ou menos permanentes com o mercado, certo direcionamento na 
gestão de atividades agrícolas e utilização de mão de obra escrava, sem esta todavia ser generalizada 
entre as unidades (MARIN, 1999, p. 34). 
 
Os colonos foram proibidos de manter qualquer contato com os franceses, naquele momento em torno 
de 10 mil na vizinha Guiana. Igualmente de evitarem os “vícios da preguiça” e o “desprezo pelo trabalho 
manual”, fatores que se imaginava endêmicos no Brasil colônia (MARIN, 1999, p. 38). 
Se o subsídio às famílias da Ilha dos Açores em Belém havia ficado a cargo do governo, a transferência 
já indicou a participação de uma junta de empresários especializados no manejo de imigrantes, alguns 
deles protagonistas da fundação da Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão, datada de 
1755. Portanto um misto entre capitais estatais e capitais privados que financiaram os primeiros anos em 
solo macapaense, entre viagens, acesso ao mercado, ferramentas, sementes, algumas máquinas e 
construção de moradias. Significa afirmar assim que os colonos estavam em débito tanto com a 
administração pombalina quanto com particulares. Ancorada em documentação da época, afirma a 
autora: 
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Os moradores receberam instruções para dedicar-se ao trabalho agrícola.Por ordem expressa, 
definia-se que os soldados "lavradeiros” – designação para o empregado na lavoura – seriam “louvados 
e licenciados”, obteriam “possessões de terreno, com faculdade ainda para empregar os indianos” das 
aldeias próximas, pagando-lhes “salários”, como “jornaleiros” de Portugal. Encontravam-se em regime de 
disponibilidade compulsória para servir como militares, o que implicava ser objeto de um sistema de 
requisição especial (MARIN, 1999, p. 39). 
Outro imbróglio de saída se deu na questão da mão de obra. Com os demais açorianos chegados em 
1752, cerca de 800, numa sociedade escravista, saltou aos olhos a contradição em relação ao regime de 
trabalho. De acordo com Ravena, Macapá se tornou um laboratório de experiências, na medida em que 
Mendonça Furtado e a administração pombalina demandavam para a região a formação de uma 
economia de subsistência articulada à exportação de excedentes, essa última a grande prova da 
viabilidade do projeto. Implicava o incentivo do trabalho familiar articulado à escravidão negra e indígena. 
Os colonos portugueses reivindicaram a utilização da mão de obra indígena, então aglutinada nas 
reduções jesuítas. Por seu turno, os religiosos, que mantinham uma rotina de trabalho e catequese em 
relação aos gentios, passaram a boicotar os pedidos dos colonos, escondendo, deslocando ou mesmo 
frontalmente se opondo às requisições de força de trabalho. Para a administração em Belém isso se 
tornou um problema, na medida em que os jesuítas eram vistos como aliados, mas que cada vez mais 
agiam como inimigos. E os próprios nativos, ao fim e ao cabo, optavam por permanecer nas reduções: 
 
De certa forma, havia entre os índios aldeados uma certa confiança na tutela missionária em 
comparação à gestão dos colonos, principalmente porque do ponto de vista do parentesco, as práticas 
missionárias eram tolerantes com os diversos elementos de definição de parentesco da cultura indígena. 
No sistema de rodízio de trabalho, geralmente o índio permanecia por certo tempo no aldeamento 
missionário junto a sua família (RAVENA, 1999, p. 65). 
 
Assim, embora Mendonça Furtado respeitasse o trabalho catequético, pendia para a retirada da tutela 
religiosa e a liberação da mão de obra indígena para a economia mercantil. Frente ao boicote jesuíta, foi 
proclamada a lei de “liberdade” dos índios, editada em 1757, e a instalação do chamado “Diretório”, 
conjunto de 95 artigos que versavam sobre a inserção do indígena na sociedade portuguesa, o 
despojamento de seus costumes e a participação na circulação de mercadorias e na vida política (LUNA, 
2011, p. 37). Nesse contexto ocorreu a expulsão dos jesuítas do Amapá e da Guiana Francesa, por conta 
de um endurecimento da administração dos Estados europeus frente as práticas que tendiam a prejudicar 
a atividade econômica dos colonos e impor óbices a própria administração colonial. O zelo com que a 
Companhia de Jesus organizava a catequese em muitos momentos se chocava com a exploração da 
mão de obra nativa que os colonos brancos implementavam. 
Naquele período de experimentos, desinteligências e improvisos, os habitantes de Macapá viviam da 
pesca, da caça e da tentativa de agricultar o arroz. Anos depois, a experiência se mostrou auspiciosa, 
pois em 1758 o povoado de Macapá recebeu uma progressão jurídica, transformado em Vila. Para 1759 
há notícias da exportação de vários produtos para Belém, como milho, arroz, melancia, banana e frangos. 
Em 1761, foram enviados para a capital do Grão-Pará 722 alqueires de arroz, 113 arrobas de algodão, 
10 arrobas de tabaco e 17 potes de azeite. O Cabo Norte sinalizou para a superação do problema da mão 
de obra e para a consolidação do modelo de colonização idealizada por Pombal e Mendonça Furtado 
(RAVENA, 1999, pp. 94, 95). 
Todavia, a condição obrigatória de soldado-camponês fez pesar a balança para outro lado a partir de 
então. Em 1764, iniciou-se a construção da Fortaleza de São José de Macapá, obra que consumiria a 
energia de milhares de colonos e escravos índios e negros, desviando os esforços de produção de 
alimentos para a instalação de guerra. 
Nos registros da época, tem-se notícias de fome, desabastecimento e dificuldades acentuadas na 
manutenção da população macapaense. Porém, há que se levar em conta que o lugar havia se tornado 
um canteiro de obras em torno da fortaleza. Um censo de 1765 apontou para a existência de 802 colonos 
e 5 mil trabalhadores compulsórios e escravos, divididos respectivamente entre 2.598 índios e 2.394 
negros (MARIN, 1999, pp. 43,44). 
A decadência da vila de Macapá foi notória a partir de então, resultando no abandono da presença 
estatal portuguesa. A necessidade de controlar o imenso Grão Pará, num contexto de recursos escassos, 
conjugado ao fracasso da experiência na vila de Macapá levaram os portugueses a esvaziarem 
momentaneamente sua presença no Cabo Norte. Nesse vácuo, os franceses expandiram sua Guiana, 
ocupando no início do século XIX a região entre Oiapoque e Calçoene, projetando-se cerca de 300 km 
mais perto de Macapá e cercando a bacia amazônica. A maior composição territorial de sua história. 
 
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Tratado de Madri3 
 
A partilha das colônias pertencentes à Espanha e Portugal na América do sul gerou polêmicas que 
acabaram em altercações e motins durante boa parte da história colonial. 
O Tratado de Tordesilhas – oficialmente demarcador das fronteiras entre Espanha e Portugal – nunca 
conseguiu ser totalmente respeitado, sendo portanto substituído pelo Tratado de Madrid, assinado na 
capital espanhola a 13 de janeiro de 1750, entre os reis de Portugal e da Espanha. 
Este tratado tornou-se responsável por determinar os limites entre as duas colônias sul-americanas, 
acabando definitivamente com as contendas. 
O Tratado de Madrid foi preparado cuidadosamente a partir do Mapa das Cortes, favorecendo as 
colônias portuguesas em prejuízo aos direitos dos espanhóis. Os diplomatas portugueses eram muito 
espertos e basearam-se no princípio do Uti Possidetis – direito de posse – para definir como se daria a 
divisão territorial, trabalhando também para a vitória portuguesa. Pelo Uti Possidetis a terra deveria ser 
ocupada por aqueles já se encontravam estabelecidos nela, com residência fixa e trabalho nas 
redondezas. Desta forma os portugueses se firmaram no grande território que hoje forma o Brasil. 
O Tratado de Madrid estabeleceu que o limite da fronteira entre os domínios espanhóis e portugueses 
se daria a partir do ponto mediano entre a embocadura do Rio Madeira e a foz do Rio Mamoré, sempre 
seguindo em linha reta até visualizar a margem do Rio Javari. Surgia uma linha imaginária que 
futuramente geraria muitas discórdias. 
Por este tratado Portugal foi obrigado a ceder a Colônia do Sacramento ao estuário da Prata, mas em 
compensação recebeu os atuais estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, o atual Mato Grosso do 
Sul, a gigantesca área que ficava no alto Paraguai e mais algumas extensões de terras abandonadas, 
também adquiridas através de negociações. 
O tratado estabeleceu que a paz sempre reinaria entre as colônias, até quando as capitais das 
províncias se encontrassem em guerra; a Capital brasileira foi transferida de Salvador para o Rio de 
Janeiro; a posse da Amazônia foi cedida para Portugal e o Rio Uruguai foi escolhido como fronteira entre 
o Brasil e a Argentina. 
O Tratado de Madrid foi importante para o Brasil porque definiu aproximadamente o contorno 
geográfico do Brasil hoje. 
 
Questão do Amapá (Tratado de Utrechet)4 
 
O problema em relação à fronteira entre o território do Brasil e a Guiana Francesa se arrastava por 
séculos. A França não reconhecia o rio Oiapoque como limite entre a Guiana e o Amapá, reivindicando 
para si parte do território no Amapá, ao sul do rio. Contudo, o Tratado de Utrecht, assinado em 1713, pela 
França e por Portugal, estabelecia o Oiapoquecomo fronteira entre os dois reinos na América do Sul. 
Desta maneira, o Brasil, como “herdeiro do Império Português”, alegava que tinha direito sobre as terras 
ao sul do rio. Esta disputa territorial ficou conhecida como “Questão do Amapá”. 
A situação se agravou a partir de 1895, quando tropas francesas invadiram o território brasileiro até ao 
rio Araguari, apropriando-se de aproximadamente 260 mil km². A questão necessitou de uma arbitragem 
internacional na Suíça. O Brasil enviou o Barão de Rio Branco para resolver o problema, já que ele 
também havia liderado a comitiva que venceu uma questão territorial com a Argentina. A equipe brasileira 
foi bem preparada, enquanto a França enviou diplomatas com pouco conhecimento, já que estava mais 
interessada na colonização da África. Desta maneira, no dia 1 de dezembro de 1900, o tribunal na Suíça 
expediu a decisão favorável ao Brasil. Como resultado, o país incorporou 260 mil km² ao seu território. 
 
 
 
O ciclo da borracha5 
 
O período constituiu uma parte importante da história econômica e social do Brasil, estando 
relacionado com a extração e comercialização da borracha. 
 
3 SANTANA, I. M. Tratado de Madri de 1750. InfoEscola. Disponível em: < http://www.infoescola.com/historia/tratado-de-madrid-de-1750/>. 
4 GERAL NOTÍCIAS. Questão do Amapá: Brasil vence disputa por limites com a França. Geral Notícias. Disponível em: < http://www.geralnoticias.com/questao-
do-amapa-brasil-vence-disputa-por-limites-com-a-franca/>. 
5 PORTAL SÃO FRANCISCO. Ciclo da Borracha. Portal São Francisco. Disponível em: < http://www.portalsaofrancisco.com.br/historia-do-brasil/ciclo-da-
borracha> 
Principais atividades econômicas do Amapá: séculos XIX e XX 
 
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Este ciclo teve o seu centro na região amazônica, proporcionando grande expansão da colonização, 
atraindo riqueza e causando transformações culturais e sociais, além de dar grande impulso às cidades 
de Manaus, Porto Velho e Belém, até hoje maiores centros e capitais de seus Estados, Amazonas, 
Rondônia e Pará, respectivamente. No mesmo período foi criado o Território Federal do Acre, atual Estado 
do Acre, cuja área foi adquirida da Bolívia por meio de uma compra por 2 milhões de libras esterlinas em 
1903. 
O ciclo da borracha viveu seu auge entre 1879 a 1912, tendo depois experimentado uma sobrevida 
entre 1942 e 1945 durante a II Guerra Mundial (1939-1945). 
 
Linhas Gerais 
 
Região da Amazônia, palco do ciclo da borracha. É visível parte do Brasil e da Bolívia, além dos rios 
Madeira, Mamoré e Guaporé, perto dos quais construiu-se a Estrada de Ferro Madeira Mamoré. 
A primeira fábrica de produtos de borracha (ligas elásticas e suspensórios) surgiu na França, em Paris, 
no ano de 1803. 
Contudo, o material ainda apresentava algumas desvantagens: à temperatura ambiente, a goma 
mostrava-se pegajosa. Com o aumento da temperatura, a goma ficava ainda mais mole e pegajosa, ao 
passo que a diminuição da temperatura era acompanhada do endurecimento e rigidez da borracha. 
Foram os índios centro-americanos os primeiros a descobrir e fazer uso das propriedades singulares 
da borracha natural. Entretanto, foi na floresta amazônica que de fato se desenvolveu a atividade da 
extração da borracha, a partir da seringa ou seringueira (Hevea brasiliensis), uma árvore que pertence à 
família das Euphorbiaceae, também conhecida como árvore da fortuna. 
 
O Primeiro Ciclo – 1879/1912 
 
Durante os primeiros quatro séculos e meio do descobrimento, como não foram encontradas riquezas 
de ouro ou minerais preciosos na Amazônia, as populações da hiléia brasileira viviam praticamente em 
isolamento, porque nem a coroa portuguesa e, posteriormente, nem o império brasileiro conseguiram 
concretizar ações governamentais que incentivassem o progresso na região. Vivendo do extrativismo 
vegetal, a economia regional se desenvolveu por ciclos (Drogas do Sertão), acompanhando o interesse 
do mercado nos diversos recursos naturais da região. Para extração da borracha neste período, acontece 
uma migração de nordestinos, principalmente do Ceará, pois o estado sofria as consequências das secas 
do final do século XIX. 
 
Borracha, lucro certo 
 
O desenvolvimento tecnológico e a Revolução Industrial, na Europa, foram o estopim que fizeram da 
borracha natural, até então um produto exclusivo da Amazônia, um produto muito procurado e valorizado, 
gerando lucros e dividendos a quem quer que se aventurasse neste comércio. 
Desde o início da segunda metade do século XIX, a borracha passou a exercer forte atração sobre 
empreendedores visionários. A atividade extrativista do látex na Amazônia revelou-se de imediato muito 
lucrativa. A borracha natural logo conquistou um lugar de destaque nas indústrias da Europa e da América 
do Norte, alcançando elevado preço. Isto fez com que diversas pessoas viessem ao Brasil na intenção 
de conhecer a seringueira e os métodos e processos de extração, a fim de tentar também lucrar de alguma 
forma com esta riqueza. 
A partir da extração da borracha surgiram várias cidades e povoados, depois também transformados 
em cidades. Belém e Manaus, que já existiam, passaram então por importante transformação e 
urbanização. Manaus foi a primeira cidade brasileira a ser urbanizada e a segunda a possuir energia 
elétrica – a primeira foi Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro. 
 
Madeira-mamoré 
 
A ferrovia Madeira-Mamoré, também conhecida como Ferrovia do Diabo por ter causado a morte de 
cerca de seis mil trabalhadores (comenta a lenda que foi um trabalhador morto para cada dormente fixado 
nos trilhos), foi encampada pelo megaempresário estadunidense Percival Farquhar. A construção da 
ferrovia iniciou-se em 1907 durante o governo de Affonso Penna e foi um dos episódios mais significativos 
da história da ocupação da Amazônia, revelando a clara tentativa de integrá-la ao mercado mundial 
através da comercialização da borracha. 
Apostila gerada especialmente para: NELMA MESQUITA DE FREITAS 365.822.392-87
 
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Em 30 de abril de 1912 foi inaugurado o último trecho da estrada de ferro Madeira-Mamoré. Tal ocasião 
registra a chegada do primeiro comboio à cidade de Guajará-Mirim, fundada nessa mesma data. 
Mas o destino da ferrovia que foi construída com o propósito principal de escoar a borracha e outros 
produtos da região amazônica, tanto da Bolívia quanto do Brasil, para os portos do Atlântico, e que 
dizimara milhares de vidas, foi o pior possível. 
Primeiro, porque o preço do látex caiu vertiginosamente no mercado mundial, inviabilizando o comércio 
da borracha da Amazônia. Depois, devido ao fato de que o transporte de outros produtos que poderia ser 
feito pela Madeira-Mamoré foi deslocado para outras duas estradas de ferro (uma delas construída no 
Chile e outra na Argentina) e para o Canal do Panamá, que entrou em atividade em 15 de Agosto de 
1914. 
 
Alie-se a esta conjuntura o fator natureza: a própria floresta amazônica, com seu alto índice de 
precipitação pluviométrica, se encarregou de destruir trechos inteiros dos trilhos, aterros e pontes, 
tomando de volta para si grande parte do trajeto que o homem insistira em abrir para construir a Madeira-
Mamoré. 
A ferrovia foi desativada parcialmente na década de 1930 e totalmente em 1972, ano em que foi 
inaugurada a Rodovia Transamazônica (BR-230). Atualmente, de um total de 364 quilômetros de 
extensão, restam apenas 7 quilômetros ativos, que são utilizados para fins turísticos. 
A população rondoniense luta para que a tão sonhada revitalização da EFMM saia do papel, mas até 
à data 1º de dezembro de 2006 a obra ainda nem havia começado. A falta de interesse dos órgãos 
públicos, em especial das prefeituras, e a burocracia impedem o projeto. 
 
O Segundo Ciclo – 1942/1945 
 
A Amazônia viveria outra vez o ciclo da borracha durante a Segunda Guerra Mundial, embora por 
pouco tempo.Como forças japonesas dominaram militarmente o Pacífico Sul nos primeiros meses de 
1942 e invadiram também a Malásia, o controle dos seringais passou a estar nas mãos dos nipônicos, o 
que culminou na queda de 97% da produção da borracha asiática. 
Isto resultaria na implantação de mais alguns elementos, inclusive de infraestrutura, apenas em Belém, 
desta vez por parte dos Estados Unidos. A exemplo disso, temos o Banco de Crédito da Borracha, atual 
Banco da Amazônia; o Grande Hotel, luxuoso hotel construído em Belém em apenas 3 anos, onde hoje 
é o Hilton Hotel; o aeroporto de Belém; a base aérea de Belém; entre outros. 
 
A Batalha da Borracha 
 
Com o alistamento de nordestinos, Getúlio Vargas minimizou o problema da seca do nordeste e ao 
mesmo tempo deu novo ânimo na colonização da Amazônia. 
Na ânsia de encontrar um caminho que resolvesse esse impasse e, mesmo, para suprir as Forças 
Aliadas da borracha então necessária para o material bélico, o governo brasileiro fez um acordo com o 
governo dos Estados Unidos (Acordos de Washington), que desencadeou uma operação em larga escala 
de extração de látex na Amazônia – operação que ficou conhecida como a Batalha da Borracha. 
Como os seringais estavam abandonados e não mais de 35 mil trabalhadores permaneciam na região, 
o grande desafio de Getúlio Vargas, então presidente do Brasil, era aumentar a produção anual de látex 
de 18 mil para 45 mil toneladas, como previa o acordo. Para isso seria necessária a força braçal de 100 
mil homens. 
O alistamento compulsório em 1943 era feito pelo Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores 
para a Amazônia (SEMTA), com sede no nordeste, em Fortaleza, criado pelo então Estado Novo. A 
escolha do nordeste como sede deveu-se essencialmente como resposta a uma seca devastadora na 
região e à crise sem precedentes que os camponeses da região enfrentavam. 
Além do SEMTA, foram criados pelo governo nesta época, visando a dar suporte à Batalha da 
borracha, a Superintendência para o Abastecimento do Vale da Amazônia (Sava), o Serviço Especial de 
Saúde Pública (Sesp) e o Serviço de Navegação da Amazônia e de Administração do Porto do Pará 
(Snapp). Criou-se ainda a instituição chamada Banco de Crédito da Borracha, que seria transformada, 
em 1950, no Banco de Crédito da Amazônia. 
O órgão internacional Rubber Development Corporation (RDC), financiado com capital dos industriais 
estadunidenses, custeava as despesas do deslocamento dos migrantes (conhecidos à época como 
brabos). O governo dos Estados Unidos pagava ao governo brasileiro cem dólares por cada trabalhador 
entregue na Amazônia. 
Apostila gerada especialmente para: NELMA MESQUITA DE FREITAS 365.822.392-87
 
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O governo dos Estados Unidos pagava ao governo brasileiro cem dólares por cada trabalhador 
entregue na Amazônia. 
Milhares de trabalhadores de várias regiões do Brasil foram compulsoriamente levados à escravidão 
por dívida e à morte por doenças para as quais não possuíam imunidade. Só do nordeste foram para a 
Amazônia 54 mil trabalhadores, sendo 30 mil deles apenas do Ceará. Esses novos seringueiros 
receberam a alcunha de Soldados da Borracha, numa alusão clara de que o papel do seringueiro em 
suprir as fábricas nos EUA com borracha era tão importante quanto o de combater o regime nazista com 
armas. 
Manaus tinha, em 1849, cinco mil habitantes, e, em meio século, cresceu para 70 mil. Novamente a 
região experimentou a sensação de riqueza e de pujança. O dinheiro voltou a circular em Manaus, em 
Belém, em cidades e povoados vizinhos e a economia regional fortaleceu-se. 
 
 
 
A criação do Território Federal do Amapá6 
 
Vamos voltar para o século passado no ano de 1940. No contexto histórico, o mundo vivia em plena 
Segunda Guerra Mundial e apesar do Brasil não estar explicitamente em guerra (em batalha dentro de 
seu território), sofria diversas intervenções por fazer parte das potências dos aliados, grupo de países 
liderado pelos Estados Unidos, Inglaterra e China. O país na época vivia o modelo de Estado Novo de 
Getúlio Vargas e começou a ser usado pelos americanos como base estratégica naval e terrestre, já que 
o país havia assinado a Carta do Atlântico (Documento que previa apoio automático com qualquer nação 
do continente americano que fosse atacada por uma potência extracontinental). 
O Amapá que até então pertencia ao estado do Pará foi desmembrado e elevado à categoria de 
Território Federal visando fatores estratégicos, econômicos, políticos e principalmente militares. “O que a 
gente percebe é que havia uma estratégia de ocupação do Norte do Brasil. As áreas eram amplas demais 
para serem administradas por um único chefe de estado. A criação do Território foi uma estratégia de 
administração, ocupação litorânea e territorial do Amapá visando à lógica da Segunda Guerra”, explicou 
o professor de história, José Farias. 
Devido a esses fatores que em 13 de setembro de 1943 foi criado pelo presidente Getúlio Vargas por 
meio do Decreto-lei n° 5.812 o Território Federal do Amapá. O território possuía três municípios: Macapá, 
Mazagão e Amapá, este último foi decretado capital. Três meses depois da criação, no dia 17 de 
novembro de 1943, Janary Gentil Nunes é nomeado governador do território. Mas, ao chegar em terras 
amapaenses em 1944, o governador intitula o município de Macapá como capital do território. “O 
município de Amapá nunca chegou a comportar na prática a capital. Janary instalou a sede de governo 
no prédio onde hoje funciona o Museu Joaquim Caetano da Silva, aliás essa é a terceira obra mais antiga 
do Amapá”, contou o professor. 
A construção inaugurada em 15 de novembro de 1895 servia antes de sede da intendência municipal 
de Macapá. De acordo com historiadores amapaenses, dentro do prédio foram tomadas grandes 
decisões, como por exemplo, a criação de municípios, construção de escolas, divisão da arrecadação 
pública e resolução de outros problemas, inclusive a instalação da Base Aérea no município do Amapá 
em 1945. O lugar localizado a 15 quilômetros da cidade de Amapá abrigou um aeroporto na cidade para 
abastecer aviões norte-americanos que iriam combater as tropas do eixo, na Segunda Guerra Mundial. 
Com a instituição do Território Federal do Amapá foram criadas diretrizes políticas e administrativas, 
infraestruturas e incentivos para o desenvolvimento de atividades econômicas, principalmente voltadas 
ao setor do extrativismo mineral. Com a descoberta de ricas jazidas de manganês na Serra do Navio, em 
1945 a instalação da Icomi no território revolucionou da economia local. 
 
 
 
 
 
6 LIMA, CÁSSIA. 13 de setembro: uma história que se perde com a modernidade. SeleNafes.com. Disponível em: < http://selesnafes.com/2014/09/13-de-
setembro-uma-historia-que-se-perde-com-a-modernidade/> . 
A Criação do Território Federal do Amapá 
 
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Marabaixo, Boi-Bumbá, Festas Religiosas...as riquezas do folclore amapaense. 
 
Assim como em todas as cidades da Amazônia, no Amapá o folclore é forte e possui diversas 
influências: indígenas ou africanas e até religiosas. Boi-Bumbá, Marabaixo e a Festa de São Tião são 
algumas das festas que fazem parte da cultura amapaense. 
Ao longo do ano, são realizados eventos na capital do Estado e no interior que valorizam e ajudam a 
preservar as tradições do folclore local. Conheça agora as Principais manifestações realizadas no Amapá. 
 
Boi-Bumbá. 
 
O Boi-Bumbá é uma tradição muito comum no Norte do Brasil, especialmente nos Estados da 
Amazônia. 
As pessoas vestem fantasias e dançam para contar a história do boi que ressuscita graças à 
intervenção do pajé, feiticeiro dos índios. 
A festa conta a história de uma mulher grávida que tem o desejo de comer a carne do boi preferido do 
patrão do marido dela. 
O marido, para satisfazer a vontade da esposa, mata o animal, mas o dono descobre. 
Inconformadocom a morte do seu boi preferido, o patrão ordena ao peão que dê um jeito de trazer de 
volta o animal vivo. 
O homem então pede ajuda ao pajé. Quando a mágica acontece, todos dançam alegremente em volta 
do boi. 
 
Marabaixo 
 
A festa é em homenagem ao Divino Espírito Santo e foi criada pelos escravos negros que foram 
trazidos para Macapá no século XVIII para construir a Fortaleza de São José. 
A tradição do Marabaixo foi passada pelos escravos aos seus descendentes que vivem na Vila de 
Curiaú, a 8 km de Macapá, e também aos municípios de Mazagão Velho, em Mazagão, e Macapá, porém, 
apenas na capital amapaense, o Marabaixo sobrevive com grande parte de suas características originais. 
Em Mazagão Velho, por exemplo, ele desapareceu completamente. Na Vila de Curiaú, ainda se dança 
o Marabaixo por ocasião da festa em louvor à Santa Maria, no fim de maio. 
A transformação que a festa sofreu ao longo tempo, deve-se - de acordo com os estudiosos -, a 
variáveis como urbanização, a modernização e a migração rural. 
A festa do Marabaixo começa no domingo de Páscoa e dura meses. O ponto alto da festa, por exemplo, 
acontece no começo de novembro, com o Encontro dos Tambores, em Macapá. 
Durante quatro dias, as pessoas cantam e dançam o marabaixo. Para garantir a energia dos 
dançarinos, é servido uma bebida chamada de gengibirra, que é feita de gengibre ralado, cachaça e 
açúcar. 
 
Datas principais do marabaixo: 
 
Domingo de Páscoa: 
- Começa com uma missa na Igreja de São Benedito, no bairro do Laguinho, no município de Macapá. 
Dança-se o Marabaixo pela manhã e à tarde na casa do festeiro. 
 
Cortação do Mastro: 
- É feita a "Cortação do Mastro" cinco semanas após a Páscoa, no sábado, nos arredores da cidade. 
É deixado nas proximidades da casa do festeiro, como preparação para o dia seguinte. 
 
Domingo do Mastro: 
- Os participantes deslocam-se até o lugar onde está o mastro, dançando, cantando e soltando 
foguetes, com a bandeira do Divino e da Santíssima Trindade. 
Em seguida, apanham o mastro e o levam para a casa do festeiro, onde será guardado. 
 
Manifestações populares e sincretismo cultural no Amapá 
 
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Quarta-feira de Murta: 
- Na primeira Quarta-feira, depois do domingo do mastro, à tarde, os participantes vão "tirar a murta" 
às cercanias da cidade, levando a bandeira vermelha do Espírito Santo e voltam pelo mesmo itinerário, 
guardando a murta para enfeitar o mastro no outro dia. 
 
Quinta-feira da Hora: 
- Pela manhã, depois que cavam e enfeitam o mastro do divino com os galhos da murta e a bandeira 
em sua extremidade, há a "Levantação do Mastro". 
Dançam o Marabaixo até tarde. A partir desta data, durante 18 dias, são rezadas ladainhas em 
homenagem ao Divino Espírito Santo e à Santíssima Trindade, na casa do festeiro, em frente a um altar 
ornado com fitas, velas e ricas e seculares coroas de prata do Espírito Santo. 
À noite, depois da ladainha, é realizada uma festa para os participantes e convidados. 
 
Sábado do Divino Espírito Santo: 
- Nove dias após a Quinta-feira da Hora é realizada uma festa dançante, à noite, para participantes e 
convidadas na casa do festeiro. 
 
Domingo do Divino Espírito Santo: 
- Dança-se o Marabaixo nesse Domingo e as ladainhas continuam sendo revezada durante mais uma 
semana. 
 
Sábado da Trindade: 
- Festa dançante para participantes e convidados na casa do festeiro. 
 
Domingo da Trindade: 
- Há missa pela manhã na Igreja do bairro. 
 
Á tarde há a "quebra da murta". Os participantes saem pelas ruas dançando, cantando e soltando 
foguetes, desta vez empunhando a bandeira da Santíssima Trindade. 
À noite, rezam a última ladainha em louvar à Santíssima. Seguindo-se a realização do baile, que só 
termina na Segunda-feira do Mastro. 
 
Segunda-feira do Mastro: 
- A partir das 6 horas, os participantes cavam um buraco em frente da casa do festeiro, enfeitam o 
segundo mastro de murta, este da Santíssima, e fazem a "Levantação" ao lado do mastro do Divino. 
Após levantado o mastro, inicia-se a dança do Marabaixo até às 12 horas. Só reiniciando no Domingo 
do Senhor. 
 
Domingo do Senhor: 
- Este é o último dia do ciclo anual do Marabaixo. Os participantes dançam até às 18 horas, quando 
param para fazer a "Derrubada do Mastro" (os dois), em seguida recomeçam a dança, até tarde da noite. 
 
Festa de São Tiago: 
 
A festa é realizada entre os dias 16 e 28 de julho, na Vila de Mazagão Velho, situada a 29 km de 
Mazagão, distante a 65 km de Macapá, às margens do Rio Mutuacá. 
A Vila foi fundada em 1770, com objetivo de abrigar 163 famílias de colonos lusos vindos da Mauritânia 
(Costa Africana) em decorrência dos conflitos políticos - religiosos entre Portugueses e Muçulmanos que 
ainda por lá perduravam. 
Através da festa, eles revivem as batalhas em que cristãos e muçulmanos travaram no Continente 
Negro. 
A festa então tem sua origem ligada a lenda que conta o aparecimento de São Tiago como anônimo 
que lutou heroicamente contra os mouros. 
Ela enfoca personagens interessantes como: São Tiago, São Jorge, Rei Caldeira, Atalaia e outros. 
 
 
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IPHAN – Amapá7 
 
O patrimônio cultural tombado pelo Iphan, no Amapá, localiza-se às margens do rio Amazonas, onde 
estão inúmeras ilhas antes do encontro com o Oceano Atlântico. Nessa região, a Fortaleza de São José 
de Macapá foi construída pelos portugueses, no século XVIII, para defender o extremo norte do Brasil da 
cobiça de outros povos europeus. A Superintendência funcionou, durante vários anos, na Casa do 
Comandante, no interior dessa fortificação. Ainda sobre o patrimônio material, na Vila Serra do Navio está 
em andamento a regularização fundiária, enquanto em Mazagão Velho ocorrem pesquisas sobre os bens 
locais. O vasto e diversificado patrimônio arqueológico do Amapá inclui as descobertas em Calçoene e o 
Forte de Cumaú. A Arte Kusiwa, dos indígenas Wajãpi, é protegida pelo Iphan e reconhecida pela Unesco, 
e outros bens imateriais estão sendo estudados por meio do Inventário Nacional de Referências Culturais 
(INRC). 
 
Fortaleza de São José de Macapá 
 
Um dos mais importantes monumentos do Amapá e marco da arquitetura militar da América Latina, a 
Fortaleza de São José de Macapá está inserida na área urbana de Macapá, capital do Estado. Idealizada 
pelos portugueses para defender as terras do extremo norte do Brasil, foi erguida pelos escravos negros 
e indígenas no século XVIII. 
É uma obra de grande dimensão quando comparada a outras fortificações brasileiras e possui fosso e 
caminho coberto. Tombada pelo Iphan em 1950, após sua restauração, no local são desenvolvidos 
projetos culturais e realizados eventos abertos ao público, como as mostras de filmes brasileiros no Cine 
Mairi que funciona no interior da fortificação. 
 
Sítio Arqueológico em Calçoene 
 
Pesquisas arqueológicas realizadas no Amapá têm demonstrado que ocupações antigas se deram por 
populações heterogêneas que apresentavam uma diversidade cultural bem marcada, como pode ser 
observado nos megalitos encontrados no município de Calçoene. 
Nessa região, foi encontrado um monumental sítio megalítico - Sítio Arqueológico de Calçoene - 
formado por imensas placas de granito em cuidadosa disposição circular, que parece indicar uma 
preocupação astronômica, um centro de observação. Poços funerários e cerâmicas também localizados 
nessa área apontam para a existência de um grande centro cerimonial onde aconteciam rituais e 
sepultamentos. 
 
Igreja da Vila Serra do Navio 
 
Localizada no município de Água Branca do Amapari, no Amapá, a Vila Serra do Navio foi tombada 
em 2010. Projetada pelo arquiteto brasileiro Oswaldo Arthur Bratke e construída entre o final da década 
de 1950 e início dos anos 1960, para abrigar operários de uma empresa mineradora. 
Bratke criou um projeto de uma cidade completa e autossuficiente,verdadeira ilha no meio da floresta, 
e procurou aliar os conceitos modernistas às construções locais adaptadas ao clima e à cultura local. Era 
uma moderna cidade com infraestrutura de saneamento básico, água tratada, energia elétrica, 
residências confortáveis, escolas, hospital, cinema, áreas esportivas e recreativas, e a igreja. 
 
Arte Kusiwa – Pintura Corporal e Arte Gráfica Wajãpi 
 
Essa arte está vinculada à organização social, com uso adequado da terra indígena e do conhecimento 
tradicional. Para decorar corpos e objetos, os Wajãpi do Amapá utilizam tinta vermelha do urucum, suco 
do jenipapo verde e resinas perfumadas. Eles representam onças, sucuris, jiboias, peixes e borboletas 
nos mais variados padrões gráficos. 
 
7 IPHAN – AMAPÁ. < http://portal.iphan.gov.br/ap> 
Patrimônio histórico de Macapá 
 
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Os indígenas usam composições de padrões Kusiwa nas costas, na face e nos braços. Quando os 
adultos se pintam, os jovens aprendem a fazer composições de kusiwarã no corpo praticando técnicas e 
habilidades como o desenho, entalhe, trançado, tecelagem, etc. O manejo desse universo de padrões 
gráficos reflete a cosmologia do grupo, suas crenças religiosas e práticas xamanísticas. 
 
Questões 
 
01 - Na disputa final pela posse do território que mais tarde comporia o estado do Amapá, em 1899, 
teve grande importância a argumentação apresentada 
(A) Francisco Xavier da Veiga Cabral. 
(B) Candido Mendes Ferreira 
(C) Joaquim Caetano da Silva 
(D) Barão do Rio Branco 
(E) João Severiano Maciel 
 
02 - A criação do território do Amapá ocorreu na década de 
(A) 1930, no governo de Getúlio Vargas. 
(B) 1940, no governo de Getúlio Vargas. 
(C) 1940, no governo do marechal Dutra. 
(D) 1950, no governo do marechal Dutra. 
(E) 1950, no governo de Juscelino Kubitscheck. 
 
03 - Considere as seguintes afirmações sobre a história do Amapá. 
I. A costa do Amapá foi descoberta pelo espanhol Vicente Pinzón. 
II. Pelo Tratado de Tordesilhas apenas metade do atual espaço amapaense era de Portugal. 
III. Durante séculos, ocorreram disputas entre brasileiros e ingleses pela delimitação das fronteiras. 
IV. Em meados do século XVIII, o Marques de Pombal ordenou o povoamento de Macapá com colonos 
açorianos. 
 
Está correto o que consta APENAS em 
(A) I e II 
(B) I e III 
(C) I e IV 
(D) II e III 
(E) III e IV 
 
04 - A criação do Território Federal do Amapá no ano de 1943, atendeu a vários objetivos do governo 
de Getúlio Vargas, dentre os quais, destaca-se 
(A) a desconcentração das atividades industriais que estavam fortemente concentradas no Sul e 
Sudeste. 
(B) a proteção das áreas de fronteiras que apresentavam baixas densidades demográficas. 
(C) a necessidade de redimensionar os estados extensos, como era o caso do Pará. 
(D) as questões geopolíticas provocadas pela posição do Brasil durante a Segunda Guerra Mundial. 
(E) a política expansionista do governo federal frente aos vizinhos Sul-americanos. 
 
05 - Na segunda metade do século XIX, as terras do sul do Amapá foram incorporadas à economia da 
borracha. Alguns fatores responsáveis pela expansão da economia da borracha pelo vale do Amazonas 
estão relacionados a seguir, à exceção de um. Assinale-o. 
(A) O aumento da demanda externa. 
(B) As inovações tecnológicas 
(C) A ocorrência de espécimes gomíferas. 
(D) O crescimento do consumo regional. 
(E) A disponibilidade de mão de obra barata. 
 
Gabarito 
 
01.D / 02.B / 03.C / 04.B / 05.D 
 
 
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Comentários 
 
01. Resposta: D 
Em 1893, Floriano Peixoto escolheu Rio Branco para substituir o barão Aguiar de Andrade, falecido no 
desempenho da missão encarregada de defender os direitos do Brasil aos territórios das Missões. A 
questão, nos últimos dias do Império, fora submetida ao arbitramento do presidente Cleveland, dos EUA, 
como resultado do tratado de 7 de setembro de 1889, concluído com a Argentina. 
 
02. Resposta: B 
Em 13 de setembro de 1943, as terras amapaenses que até então pertenciam ao estado do Pará foram 
transformadas em Território Federal do Amapá por decisão do Governo Federal, na época representado 
pelo presidente Getúlio Vargas. 
 
03. Resposta: C 
II. Pelo Tratado de Tordesilhas apenas metade do atual espaço amapaense era de Portugal. 
Nenhum espaço era de Portugal: todo o espaço era espanhol. 
III. Durante séculos, ocorreram disputas entre brasileiros e espanhóis pela delimitação das fronteiras 
 
04. Resposta: B 
Os problemas a respeito das fronteiras do norte brasileiro sempre foram constantes, mesmo no século 
XX. Getúlio pretendia através do povoamento dessa região assegurar a posição dominante brasileira no 
território. 
 
05. Resposta: D 
A grande demanda do produto derivado do ciclo da borracha sempre foi do mercado externo. Contar 
que o Estado fez parte desse processo por sua própria procura é errado. 
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