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Semiologia dos animais domésticos Enxame físico geral ou de rotina - O exame físico é uma porção muito importante do atendimento do animal, é por meio dele que consegue-se fazer uma avaliação mais detalhada, utilizando a visão, a inspeção, a palpação, a ausculta dos movimentos do animal. O que o animal está apresentando? Qual o motivo da ida do paciente ao hospital veterinário? Observar o animal desde o momento que ele entra no consultório. - Em casos de emergência ou em pacientes agressivos o enxame físico pode ser menos detalhado - É interessante manter sempre uma sequência durante o enxame para evitar que algum ponto importante seja esquecido durante a avaliação Observação do paciente - É o que dá para se avaliar apenas olhando o paciente Avaliar nível de consciência - Animal normal: atento ao ambiente, alerta. Se estiver alterado, o animal pode estar hiperativo ou com atividade diminuída (estados semicomatoso ou de coma). Avaliar postura e locomoção - A postura do animal é normal? Observar o sentar (repouso), o caminhar (movimento). Avaliação da marcha do animal, se há impotência de algum membro, se há claudicação. Avaliar condição física ou corporal - Se a estrutura corpórea é normal, se o animal é caquético ou acima do peso. Pelame - O pelo está normal? Não é normal ter áreas de alopecia. - Avaliar a pele e a presença de ectoparasitas. Avaliar formato abdominal - É um abdome normal? É penduloso? Há aumento de volume? Avaliar características respiratórias - Eupneia: respiração completa normal - Dispneia: dificuldade respiratória que pode ocorrer na inspiração, na expiração ou nas duas fases, o animal tem uma respiração angustiante, com muita dificuldade, assim, a avaliação física deve ser rápida para que o animal possa ser colocado no oxigênio o mais breve possível. - Avaliar presença de secreçõesoculares, nasais, penianas, vaginais. Inspeção - É de fato avaliar as respostas do animal aos estímulos. - Podem ser feitos estalos, bater palma, para observar reação de resposta do animal. Nível de consciência - O animal pode estar com excitabilidade alterada. Vai se avaliar as reações do animal aos estímulos externos - É uma avaliação subjetiva, pois depende das características do comportamento do animal - O nível de consciência pode estar aumentado, diminuído ou ausente. O normal é que ele esteja alerta, se tiver aumentado o animal pode estar muito eufórico e se tiver diminuído ele estará apático Excitado: animal agitado Apático: animal mais quieto e imóvel, tem um pequeno gral de reação Coma: estado de insensibilidade, não tem nenhuma reação Postura e locomoção - É importante avaliar o animal em repouso e durante a locomoção. - Observar se o animal consegue ficar em estação. Por vezes, o animal permanece em decúbito lateral devido a traumatismos muito fortes - Animais com algumas alterações podem mudar de comportamento. Por ex.: animais dóceis, por motivos de dor, podem ficar bastante agressivos. - Posturas anormais indicam: algia(dor) localizada e ou comprometimento do sistema nervoso. Animal na posição quadrupedal e cifose, além de arqueamento da coluna e coluna baixa. Animal com região cervical elevada – pode indicar incomodo ao respirar, o animal adota essa postura para facilitar a respiração. Postura de cachorro sentado - devido a paralisia espástica dos membros posteriores, comuns em quadros de lesões medulares por fraturas vertebrais. Postura de foca – ocorre em pacientes com paralisias flácidas dos membros posteriores. Postura de cavalete – indicativo em pacientes com tétano. Condição física ou corporal - Se o animal é obeso, magro, ou caquético Obeso - Avaliar se o animal está obeso (origem endógena, exógena ou mista). Obesidade sobrecarrega as articulações e dificulta a marcha do animal, consequentemente. Muito comum em pequenos animais. Caquético – animal que tem cerca de 30-50% de diminuição da massa corporal e pode ser fatal. - Quando não conseguimos sentir as costelas ou o cóccix, o animal é obeso. Não consegue-se definir o que é tórax e o que é abdômen. - Quando o animal está acima do peso, mas consegue- se sentir as costelas ainda, ele é apenas gordo. - Em cães muito peludos, deve fazer a palpação da região sacral para avaliação do índice nutricional - Pode-se oferecer petiscos ou água no momento da consulta para avaliar ingestão alimentar do animal Avaliação geral da pele - Pelame: se o pelo está brilhoso e sem alopecias (áreas de queda). É possível ver em alguns casos a presença de ectoparasitas - A pele reflete o estado clínico geral do animal. Além de conseguirmos avaliar o manejo e estado nutricional do paciente por meio da pele e pelo do animal. - A pele fornece ainda informações sobre o grau de hidratação do animal por meio da avaliação do turgor cutâneo (prega cutânea na região dorsal cervical). - As lesões de pele podem ser focais ou sistêmicas. - Avaliação das mucosas, se estão hidratadas ou desidratada - Quando o globo ocular está muito profundo, também é um indício de desidratação. (enoftalmia) - As mucosas devem estar bem lubrificadas. Percentual de desidratação - A partir das percentagens de desidratação, o cálculo de reposição hídrica é realizado. (Fluidoterapia) - O quadro de desidratação gravíssimo é raramente reversível. Animal apresenta dessensibilidade, ausência de resposta a estímulos, além de hipotermia.. Avaliação da frequência respiratória e cardíaca - Cães de pequeno porte possuem metabolismo mais acelerado, e, consequentemente, FC e FR mais aceleradas. - Filhotes também apresentam FR e FC mais elevadas quando comparado com animais adultos. - Gestantes também tem elevação de FC. - Animais obesos podem apresentar frequência cardíaca diminuída. - Os gatos possuem fisiologia celular muito acelerada, por isso a alta FC e FR nesses animais. - Animais de maior porte possuem um metabolismo mais lento. - FR avalia-se observando a expansão da caixa torácica. - Animais de maior porte possuem FR mais branda. Avaliação do órgão reprodutor externo - Em pacientes machos que apresentam prolapso uretral (eversão da uretra), o médico veterinário deve expor a glande do animal, avaliar a uretra. - A avaliação é feita a olho nú, já que as estruturas são visíveis. - Nas fêmeas deve-se avaliar vulva, palpar a região afim de investigar aumentos de volume. Nos machos deve-se observar a estrutura peniana exposta. Avaliação do Tempo de Perfusão Capilar – TPC - Essa avaliação é realizada na mucosa oral e auxilia na avaliação da volemia do animal (volume sanguíneo) por meio do tempo de preenchimento da região que será pressionada. Animais normais – TPC 1 a 2 s. Alterações do TPC podem ocorrer por desidratação, diminuição no débito cardíaco. Animal desidratado– TPC 2 a 4 s. Animal severamente desidratado – 5 a 8 s. Avaliação das mucosas - Avaliar alterações nas mucosas, diversas patologias podem influencias na coloração das mucosas. - O local de avaliação deve ter uma boa avaliação. O normal é que as mucosas sejam úmidas e brilhantes, além de serem rosas claras como na imagem ao lado A mucosa ocular também pode ser avaliada como na imagem. Pode haver alterações locais como na conjuntivite, por exemplo, onde a conjuntiva fica mais avermelhada. Mucosa anêmica - de coloração branco porcelana. - Animais anêmicos encontram-se apáticos, cansam facilmente, podem apresentar FC elevada a fim de fornecer um aporte sanguíneo maior aos órgãos essenciais. - Anemia é sinal clínico – não é doença, não é diagnóstico! - A anemia deve ser investigada para descobrir a etiologia (que sim será a doença). Pode ocorrer em fêmeas com piometra, pacientescom neoplasia. - Tem que haver avaliação do hematócrito por meio do hemograma Mucosa Congesta – muito avermelhada - É a mucosa mais avermelhada, característica de um processo inflamatório devido a dilatação dos vasos Hiperemia difusa (espalhada) é característica intoxicação Hiperemia ramiforme é quando é possível ver os vasos mais dilatados e com o volume maior, comum nos casos de dispneia Mucosa cianótica – azulada ou arroxeada - Pode ser visto também na pele, porém só ocorre nos casos mais graves - Há o aumento da hemoglobina reduzida do sangue, que é aquela que não carrega oxigênio nela - Ocorre devido uma alteração na hematose, podendo ser causado por um problema circulatória, colapso de traqueia, obstruções das vias respiratórias ou até por alterações hemodinâmicas Mucosa ictérica - amarelada - Ocorre devido ao aumento da bilirrubina sérica nos tecidos, trazendo uma coloração amarela - As principais causas dessa alteração são doenças hepáticas, hemolíticas e até mesmo obstruções dos ductos biliares Ocorrência de corrimentos - A presença de corrimentos pode ser vaginal, ocular e entre outros. É avaliado a presença e o tipo de corrimento - Transparente, seroso (transparente, porém mais denso), catarral, purulento, sanguinolento Avaliação dos linfonodos - Demostra a ocorrência de processo inflamatório ou infeccioso ou na região se for em apenas um linfonodo, ou de forma sistêmica se acometer vários linfonodos ao mesmo tempo 1- Submandibular: caudal ao ramo da mandíbula. Sempre se palpa os dois lados para fazer a comparação, mas vale lembrar que os dois lados. Fácil de palpar 2- Pre-escapular: anterior a escápula. Fácil de palpar 3- Poplíteo: fica por trás da articulação do joelho (fibulo-timo-patelar). Fácil de palpar 4- Inguinal: só consegue palpar quando está bem aumentado, por estar em uma região de gordura