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Arnuta João Matimbe Francisco/ FCSH/Unizambeze/Tema1/ aula teórica/Economia 1/ 2021 Page 1 
 
 
Universidade Zambeze 
 Faculdade de Ciência Sociais e Humanidades – Beira 
ModuloI: Conceitos Básicos e Principios Fundamentais da Economia 
1.1 Economia como ciência e o problema ecónomico 
1.2 Necessidades e tipos de bens económicos 
1.3 Problemas fundamentais da economia 
1.4 Factores de produção 
1.5 Escassez, escolha e custo de oportunidade 
1.6 Fronteira de Possibilidades de Produção (FPP) 
Economia como Ciência e o Problema Económico 
Vamos começar nossa aula perguntando porque estudar Economia? 
É importante aprender e/ou conhecer as lições básicas de economia, pois toda e qualquer decisão 
que tomamos é em torno da economia. Por exemplo: a escolha da profissão dos sonhos é a 
decisão economica mais importante da sua vida, ou seja, o seu futuro não só depende da sua 
capacidade, mas também da forma como as forças economicas nacionais e regionais afectam os 
salários e outros factores. Os conhecimentos de economia poderão também ajudá-lo a tomar 
decisões certas sobre a compra de uma casa, poupança, etc. Portanto, precisamos estudar 
economia porque vai ajudar a entender como os factores mencionados influenciam ou mudam o 
mundo. 
Origem da Economia 
A economia esta ligada a essência de cada um. Cada pessoa depende dos outros e do 
funcionamento da economia para a maior parte das coisas tais como: vestuário, alimentação, 
Arnuta João Matimbe Francisco/ FCSH/Unizambeze/Tema1/ aula teórica/Economia 1/ 2021 Page 2 
 
informação, etc. Somos incapazes de produzir todos os bens que consumimos como o pão, o 
fósforo, calças, etc. 
Estas questões todas levaram Adam Smith (1776) na sua obra riqueza das nações a discutir estes 
fenómenos que dão origem á teoria económica. Adam Smith considerado pai da economia por 
ter sido o primeiro a explicar ou trazer a teoria económica com recurso ou usando a teoria da 
mão invisivel em que cada individuo esta preocupado com o seu bem estar. 
Adam Smith afirma que , se cada individuo prosseguir com os seus objectivos próprios, se 
consegue no m’aximo um bem estar para todos. Por exemplo, a blusa que a Isabel veste ‘e 
produto do trabalho de muitos trabalhadores que devem unir a sua arte para a produção desse 
bem. No entanto, cada um está apenas preocupado com o seu bem estar e acabam gerando o bem 
estar social. 
Posto isto, o que vem a ser economia? 
Para termos este conceito temos que recorrer a duas grandes questões: necessidades e escassez de 
recursos. 
 Por um lado, as pessoas, comunidades, os Paises têm necessidades ilimitadas. Todos 
temos de comer, vestir, estudar, abrigar, divertir, entre outros; 
 Por outro lado, verificamos que os recursos de que dispomos são escassos, isto é são 
limitados. Não é possivel que cada ser humano, sociedade e País disponha de todos os 
recursos que sriam desejáveis para responder a todas as suas necessidades. 
Assim, a Economia é geralmente definida como uma ciência social que estuda o processo que 
se relaciona com a existência de necessidades ilimitadas confrontadas com a escassez de recursos 
passiveis de uso alternativo. 
 A primeira parte da definição diz-nos que a Economia é uma ciência social porque ela 
usa métodos cientificos para analisar o comportamento do Homem na sociedade; 
 A segunda parte indica que o maior problema da Economia é a escassez de recursos. 
Quer isto dizer que as necessidades humanas excedem de longe os recursos de que a 
sociedade dispõe para a satisfação das suas necessidades. 
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Existem várias definições de Economia vamos tomar como exemplo as seguintes: 
 Economia é o estudo da forma como as sociedades decidem a utilização dos recursos 
escassos passíveis de usos alternativos, para produzir bens e serviços de índole variada e 
para os distribuir entre os indivíduos. (Samuelson e Nordaus) 
 Economia é uma ciência social que estuda os indivíduos e as organizações empenhados 
na produção, troca e consumo de bens e serviços. (Dominic Salvatore) 
 Economia é o estudo da forma pela qual as sociedades administram os seus recursos 
escassos. (Mankiw). 
 Economia é uma ciência social que estuda a forma como os recursos escassos são 
alocados na produção de bens e serviços para a satisfação das necessidades ou desejos 
humanos. (Judas Mendes) 
 A economia estuda como as sociedades administram recursos escassos para produzir 
bens e serviços e distribuí-los entre diferentes indivíduos. (Mochón) 
Nota: Os conceitos acima apresentados, têm em comum a necessidade de adequar recursos 
escassos á crescentes necessidades dos indivíduos e da sociedade. 
A economia divide-se em dois grandes ramos: microeconomia e macroeconomia. 
Microeconomia: ramo da economia que estuda o comportamento individualizado dos agentes 
económicos (consumidores, produtores, empresas) e as relações que se estabelecem entre eles. 
Adam Smith é considerado o fundador da microeconomia. Na sua obra A Riqueza das Nações 
(1776) analisou como o preço de cada bem era determinado, identificou as propriedades notáveis 
da eficiência1 dos mercados e explicou como o interesse próprio dos indivíduos funcionando 
através do mercado concorrencial pode gerar um benefício económico geral. 
Ex1: preço de um bem (Pão); 
Ex2: Como um consumidor gasta o seu rendimento para maximizar a sua satisfação; 
Ex3: a decisão de comprar ou não um determinado bem. 
 
1 Utilização dos recursos económicos que produz o nível máximo de satisfação possível, sendo dados os factores de 
produção e a melhor tecnologia. 
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Macroeconomia: ramo da economia que estuda a economia como um todo. 
Deve-se John Mayard Keynes a versão mais moderna da macroeconomia; na sua nova teoria ele 
desenvolveu uma análise dos ciclos económicos, com períodos alternados de desemprego e 
elevada inflação. Actualmente a macroeconomia examina uma grande variedade de assuntos, tais 
como a determinação do investimento e do consumo globais, como os bancos centrais fazem a 
gestão da moeda e das taxas de juro, a taxa de câmbio, PIB, nível geral de preço. 
Objecto da Ciência Económica 
A Economia estuda como os Homens alocam (distribuem) seus recursos escassos para atender as 
necessidades sempre crescentes. Também estuda como as sociedades se organizam para realizar 
a produção e como os produtos criados são repartidos ou distribuídos entre os membros da 
sociedade. 
Portanto, a ciência económica tem como objecto os problemas relacionados com o 
comportamento do Homem e da sociedade no que respeita á: produção, distribuição, troca e 
consumo de bens económicos e de serviços. 
Assim, podemos concluir que a razão essencial da existência da teoria económica é a escassez. 
Não havendo escassez de recursos não faria sentido o estudo da ciência económica. Portanto, é 
devido a escassez que vamos decidir a produção, distribuição, troca e consumo de bens e 
serviços, por isso de forma resumida a escassez é o objecto da ciência económica. 
 
Método da Ciência Económica 
Método de uma ciência é a forma sistemática e consequente de se alcançar o conhecimento. A 
economia é uma ciência social porque usa métodos científicos para analisar problemas que 
envolvem o Homem sob ponto de vista da adequação dos recursos escassos para satisfazer as 
necessidades ilimitadas. Diz-se ainda que a economia é uma ciência de observação pois não é 
passível detestes laboratoriais, como acontece com a Biologia e a Fisica por exemplo. 
Todas as ciências descrevem factos, estudam relações da forma mais rigorosa e neutra possível. 
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A metodologia empregue em economia, tal como noutras ciências, assenta em princípios ou 
métodos de reconhecimento mediante os quais a realidade pode ser objectivamente apreendida: 
 Observação: é a base dos sistemas metodológicos e é constituído pelo conjunto de 
operações mediante as quais os factos reais são descritos e classificados a partir da 
observação sistemática da realidade. 
 Indução: significa generalizar a experiência do particular para o geral. Consiste no 
levantamento de hipóteses sobre o comportamento da realidade de modo a que se possam 
elaborar princípios ou teorias ou ainda modelos explicativos dessa realidade. Exemplo: 
O pato número 10 é branco; 
O pato número 11 é branco; 
O pato número 12 é branco; 
Logo, todos os patos são brancos. 
 Dedução: parte do geral para o particular. Também se pode chegar a resultados 
semelhantes pela dedução. Partindo do conhecimento de determinados aspectos da 
realidade levantam-se hipóteses sobre o comportamento de outros aspectos ainda 
desconhecidos. Se as deduções puderem ser provadas posteriormente pela experiência 
passam a ser reais. Exemplo: 
Todo o Homem é mamífero; 
O António é Homem; 
Logo, o António é mamífero. 
Depois de aplicados os métodos acima referidos seguem-se os passos seguintes: 
 A formulação de hipóteses ou modelos explicativos da realidade; 
 A validação ou experimentação da realidade pelo permanente confronto com a realidade; 
 Se houver novas observações a registar, segue-se a reelaboração das hipóteses ou a 
confirmação e formulação das leis. 
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Os modelos económicos e os problemas metodológicos 
Uma das maiores dificuldades que os economistas e outros estudiosos das ciências sociais 
enfrentam é a complexidade do mundo real. Para responder a esta dificuldade, os economistas 
constroem modelos que não são mais do que uma simplificação da realidade. 
Os modelos económicos procuram mostrar as relações que existem entre vários fenómenos e 
permitem fazer previsões futuras de determinadas situações que interessam a economia. Já é do 
nosso conhecimento que a economia não é uma ciência exacta, pois tem falta de precisão e não é 
testável em laboratório. O seu estudo baseia-se em tendências de comportamento o que torna o 
assunto ainda mais complexo. Deste modo, os economistas são obrigados a simplificar a 
realidade porque no mundo real tudo acontece em simultâneo: existem milhões de agentes 
económicos a tomarem diferentes decisões, os preços dos produtos variam ao mesmo tempo em 
todas direcções, as actividades económicas multiplicam-se, etc. 
Ao simplificar esta realidade, experiência mostra que os economistas enfrentam alguns 
problemas metodológicos, a saber: 
 Ceteris (ou coeteris) paribus: é uma expressão latina que significa tudo resto se manem 
constante. Uma das formas de se chegar as leis económicas é através de observações 
controladas, quando se admite que todos os aspectos da observação se mantém 
constantes, excepto aquele(s) aspecto(s) cuja investigação se mostra relevante. 
 Exemplo: em economia as quantidades procuradas de um bem X dependem principalmente do 
seu preço e expressa-se do seguinte modo, para admitir que tudo resto se mantém constante: 
QDX=f(PX) 
Neste caso tudo resto representa outras variáveis que igualmente influenciam a procura do bem 
X (o rendimento do consumidor, preço de outros bens, gostos e preferências, etc.) 
Torna-se problema porque muitos economistas se esquecem de enunciar o princípio. 
 Subjectividade: as vezes o ponto de vista dos economistas tende a distorcer a realidade. 
 Sofisma ou falácia significa que muitas vezes o que parece não é. Existem dois tipos 
mais frequentes de falácias: 
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1. Sofisma ou falácia de post hoc: dizer que o acontecimento A que se verificou 
antes do acontecimento B é que provocou o acontecimento B é falacioso porque 
pode não corresponder a verdade. O facto de B ter acontecido depois de A pode 
não ter sido causado por A. Pode não existir nenhuma relação de causa-efeito 
entre os dois acontecimentos. 
Exemplo: estava doente por isso tive negativa. 
As relações entre os factos devem ser cuidadosamente analisadas e convenientemente 
justificadas para que se tornem leis económicas. 
2. Sofisma ou falácia de composição ou agregação: o que é verdadeiro para uma 
das partes não o é necessariamente para o todo. As generalizações devem ser 
comprovadas. 
Exemplo: se um agricultor tiver uma boa colheita, o seu rendimento aumentará, se todos os 
agricultores tiverem uma boa colheita o rendimento diminuirá. 
A economia e a sua relação com outras ciências 
 Matemática, Estatística e Econometria: os economistas expressam as suas teorias e 
princípios através de modelos. Para o efeito, usam determinados dados que lhes permitem 
expressar aquilo que eles podem observar da realidade, recorrendo a instrumentos de 
analise usados em métodos quantitativos. Por exemplo: em elação a matemática usam 
funções, representações gráficas, números índices, valores nominais e reais, entre outros; 
na estatística socorrem-se das series temporais; também socorrem-se da econometria, 
uma ciência que resulta da conjugação da economia, matemática e estatística, usam as 
regressões. 
 Direito: as relações que se estabelecem entre os agentes económicos no processo da 
actividade produtiva são reguladas pelo Direito, na base de princípios éticos e de justiça. 
 Política: a relação entre a organização política e a organização económica das sociedades 
ao longo do tempo é de forte interdependência uma vez que a boa governação deve ter 
sempre em vista a melhor satisfação das necessidades e o bem estar da sociedade. 
 
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Necessidades e tipos de bens económicos 
Qualquer ser humano enfrenta situações de fome, sede, calor ou frio. Você não é uma excepção e 
no seu dia-a-dia já se apercebeu que se trata de situações absolutamente normais. Trata-se de 
necessidades. 
Necessidade é um estado de carência, de falta ou de insatisfação, requerendo o uso de um bem 
ou serviço para a sua satisfação. 
Podemos classificar as necessidades nas seguintes categorias: 
Quanto a sua importância: 
 Primárias ou fundamentais: tem carácter prioritário e inadiável (necessidades biológicas, 
necessidades com alimentação, saúde, habitação e vestuário); 
 Secundárias ou suplementares: a importância é relativa, mas a sua prioridade é secundária 
(cultura, moda, viagens de lazer, etc.). 
Quanto ao seu custo: 
 Económicas: a sua satisfação exige um pagamento pois pressupõe um custo na produção 
de bens e serviços (necessidade de alimentos); 
 Não económicas: a sua satisfação não exige qualquer pagamento. Necessidade de respirar 
e de afecto por exemplo. 
Quanto ao número de pessoas envolvidas: 
 Individuais: dizem respeito a um indivíduo como tal; comer, vestir são exemplos. 
 Colectivas: são necessidades sentidas por um conjunto significativo de pessoas (ou por 
uma comunidade). Necessidade de segurança, justiça, estradas e pontes, etc. 
Bens 
Refere-se a tudo aquilo que pode satisfazer as nossas necessidades. Em geral osbens dividem-se 
em dois grandes grupos: 
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1. Bens livres, que são aqueles que existem em quantidades ilimitadas na natureza (como o 
ar e a luz do sol, por exemplo); 
2. Bens económicos, aqueles que são produzidos com recursos escassos (como o pão, 
refrigerante, vestuário, o livro, etc.) 
Interessa-nos aqui como estudantes de economia analisar os bens económicos. 
Classificação dos bens económicos 
Quanto a sua natureza 
 Bens materiais: são fisicamente palpáveis (bicicleta, autocarro, etc); 
 Bens imateriais ou serviços: são aqueles que não tem existência física ou não são 
palpáveis (corte de cabelo, consulta medica, transporte, turismo, etc). 
Quanto a sua função 
 Bens de produção, indirectos ou de capital: produzidos pelo homem para serem utilizados 
na produção de outros bens (equipamentos e máquinas); 
 Bens de consumo ou directos: satisfazem directamente as necessidades (calçado). 
Quanto a duração 
 Bens duradouros: podem ser consumidos durante um tempo maior e não precisam ser 
renovados com frequência. Automóveis (veículos no geral), electrodomésticos e 
aparelhos electrónicos são exemplos deste grupo. 
 Bens não duradouros: devem ser renovados frequentemente, esgotam-se ou desgastam-se 
rapidamente. Isso inclui alimentos e bebidas, vestuário, etc. 
Quanto ao destino 
 Bens finais: aqueles que se destinam ao consumo final, isto é, a satisfação das 
necessidades de consumo na sua forma final (pão); 
 Bens intermediários: estão sujeitos a novas transformações antes de atingirem a categoria 
de bens finais. Exemplo algodão que é transformado em tecido. 
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Quanto as relações recíprocas entre os bens 
 Bens substitutos: aqueles que satisfazem a mesma necessidade. Exemplo sumo e refresco. 
 Bens complementares: aqueles que se usam em simultâneo para satisfazer a mesma 
necessidade. Exemplo pão e manteiga. 
Quanto ao número de utilizadores 
 Bens públicos: satisfazem necessidades colectivas de uma comunidade. São exemplos 
disso, as escolas, hospitais, estradas e pontes. 
 Bens privados: satisfazem necessidades de um individuo ou de uma família (computador, 
televisor, etc). 
Problemas Fundamentais da Economia 
Uma vez que a economia estuda como se combinam recursos escassos para produzir bens e 
serviços que satisfaçam as necessidades humanas e como estes serão distribuídos, surgem 
imediatamente as seguintes questões: 
1. O que produzir 
Quais bens serão priorizados e em que quantidade, dado que a escassez de recursos impossibilita 
produzir tudo o que a sociedade deseja; 
2. Como produzir 
Qual é a técnica a ser utilizada, que quantidade de cada factor de produção será necessária para 
evitar desperdício; 
3. Quando produzir 
É preciso escolher o melhor momento para produzir; 
4. Onde produzir 
Produzir perto dos consumidores (mercado) ou junto da matéria-prima; avaliar os custos de 
transporte do produto final e da matéria-prima para melhor escolher a localização da fábrica. 
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5. Para quem produzir 
É preciso conhecer bem o consumidor, isto é, quem irá adquirir e consumir os bens e serviços 
produzidos. 
Nota: toda e qualquer sociedade depara-se com estas questões sendo que a diferença reside na 
forma que cada sociedade responde as mesmas. Algumas recorreram ao socialismo, outros ao 
sistema capitalista, etc. 
 Sistema Socialista: quando o Governo toma a maioria das decisões económicas. Sendo 
aqueles que estão no topo da hierarquia que dão directivas económicas aos que estão nos 
escalões inferiores. 
 Sistema Capitalista (mercado): quando as decisões são tomadas nos mercados, onde os 
indivíduos ou as empresas ajustam voluntariamente a troca de bens e serviços, 
normalmente através de pagamentos em dinheiro. 
Actualmente a maior parte das sociedades funciona numa economia mista em que temos os dois 
sistemas a funcionar em simultâneo. Ou seja, a maior parte das decisões são tomadas pelo 
mercado mas o Estado existe para controlar este mercado através de leis e outros instrumentos 
dispositivos legais de que o Estado dispõe. 
Salientar ainda que as questões fundamentais da economia mais frequentes são o que produzir, 
como produzir e para quem produzir. Contudo alguns autores acrescentam mais duas questões 
quando e onde produzir. 
Factores de Produção 
São meios escassos passíveis de uso alternativo, de que a sociedade se serve para produzir os 
bens e serviços necessários á satisfação das nossas necessidades. 
Tipos de factores de produção: 
 Terra ou recurso naturais 
 Inclui tudo o que a natureza oferece ao processo produtivo (subsolo, fauna, florestas, rios e 
mares). (remunerado por renda de terra) 
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 Trabalho 
Refere-se a habilidade física (do padeiro, camponês, carpinteiro, etc) administrativa e intelectual 
(do professor, médio, dos gestores, etc), dedicados as actividades produtivas. (remunerado por 
salários) 
 Capital 
Refere-se ao equipamento físico usado no processo de produção, como máquinas, ferramentas, 
instalações físicas (fabricas, galpões, currais, escritórios, etc). (remunerado por Juros) 
 Capacidade Empresarial 
Refere-se a aquele que organiza o trabalho, terra e capital, ou seja, os empreendedores têm novas 
ideias sobre o que e como produzir, tomam decisões de negócios e assumem os riscos 
provenientes dessas decisões. (remunerado por lucros) 
Estes factores de produção são usados para criação ou produção de bens e serviços que por sua 
vez vão satisfazer as necessidades ilimitadas da sociedade. 
 
Escassez, Escolha e Custo de Oportunidade 
A Escassez é o problema fundamental de toda e qualquer sociedade visto que os recursos são 
limitados face as necessidades ilimitadas. Isto é, escassez não significa que o bem seja raro, mas 
apenas que não esta disponível sem restrições. Para alguém obter um bem económico terá de 
produzir ou oferecer outros bens em troca. 
Os recursos são passíveis de uso alternativo, isto é, se uso para uma determinada actividade ou 
produção, já não posso usar o mesmo recurso para outra actividade ou produção. Ex: um terreno 
pode servir para plantar milho, construir uma casa de habitação, escola, entre outros, cabe a nós 
decidir para que finalidade alocar-se-á este recurso da maneira mais eficiente. 
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As escolhas que todos nós fazemos diariamente é que definem como é que nós vivemos hoje e 
como é que viveremos no futuro. Além disso, verifica-se que na prática quando satisfazemos 
uma necessidade deixamos de poder satisfazer outras necessidades usando o mesmo recurso. 
Esta ideia leva-nos ao conceito de Custo de Oportunidade - que é o valor da melhor alternativa 
sacrificada. Não interessa apenas sacrificar, mas aquilo que de melhor deixamos de fazer para 
poder fazer outra coisa. 
Ex: imagine que como estudante da FCSH, Ciências económicas, você dispõe agora de 3500mt 
sobre os quais poderá decidir-se entre comprar um livro de economia ou comprar um celular. 
Dependendo da sua escolha, entre estas possibilidades, o custo de oportunidade será a alternativa 
sacrificada, isto é, será o valor da alternativa que não foi escolhida. 
O Custo de Oportunidade calcula-se com recurso a seguinte fórmula: 
COx,y=|∆Y/∆X| 
Interpretação: para adquirir uma unidade adicional do bemX temos que sacrificar n unidades do 
bemY. 
Em suma, é difícil desagregar estes 3 termos (escassez, escolha e custo deoportunidade) pois 
sem escassez de recursos não haveria necessidade de escolher nem de sacrificar nenhuma 
alternativa. 
Fronteira de possibilidade de produção 
É possível ilustrar a escassez, a escolha e o custo de oportunidade através de um importante 
instrumento muito usado em economia, a que se dá o nome de Fronteira de Possibilidade de 
Produção (FPP) também conhecida por Curva de Possibilidade de Produção (CPP). 
A FPP mostra as várias combinações alternativas de dois bens (bem X e bem Y) que uma 
economia pode produzir admitindo que todos os recursos disponíveis e a melhor tecnologia estão 
a ser utilizados na produção. 
 
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Exemplo: Considere uma economia que produz apenas dois bens (manteiga e enxadas). 
Alternativa Manteiga (X) Enxadas (Y) 
A 0 15 
B 1 14 
C 2 12 
D 3 9 
E 4 5 
F 5 0 
 
 
 No ponto A produz-se apenas o bem Y 
 No ponto B, C e D produz-se combinações alternativas dos bens X e Y. 
 No ponto F produz-se apenas o bem X 
 O ponto G representa um ponto de ineficiência porque temos recursos ociosos, isto é, não 
foram alocados todos os recursos disponíveis na economia. 
 O ponto H é impossível, devido a escassez de recursos. 
Note que, todos os pontos situados ao longo da FPP, são possíveis e eficientes, isto significa que 
estamos a usar todos os recursos disponíveis e a melhor tecnologia. 
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Como estamos em uma situação de pleno emprego da economia, para produzirmos mais 
unidades de manteiga (X) temos que sacrificar unidades de enxadas (Y). Este fenómeno leva-nos 
ao conceito de Custo de oportunidade- valor da melhor alternativa sacrificada. 
 
Exemplo: Calcule o custo de oportunidade de sair do ponto B para o ponto C. (os dados do ponto 
B são os dados iniciais porque é o nosso ponto de partida e os de C os dados finais porque é o 
nosso ponto de chegada) 
COX,Y = │
Δ𝑦
Δ𝑥
│ = │
𝑌1−𝑌0
𝑋1−𝑋0
│=│
12−14
2−1
│=│-2│=2 
Interpretação: para adquirir uma unidade adicional de manteiga temos que sacrificar 2 unidades 
de enxadas. 
 
Deslocações da FPP e movimentos ao longo da curva 
São vários os motivos que levam ao deslocamento da FPP. Este deslocamento pode ser positivo 
(o crescimento económico e os avanços tecnológicos são os principais motivos que levam ao 
deslocamento positivos) ou negativo (em caso de recessão ou contraçao da economia o efeito 
será contrario a FPP ira deslocar-se para esquerda). Vejamos alguns exemplos: 
 Descoberta de um valioso recurso natural (petróleo por exemplo); progressos 
tecnológicos, aumento da força de trabalho, etc; estes factores levam a um deslocamento 
positivo ou para cima da FPP, isto porque com estes recursos podemos aumentar e/ou 
melhorar a nossa produção. 
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 Por outro lado, se o país for atingido por calamidades naturais, pandemias, crise político 
– militar, o resultado pode ser uma deslocação negativa ou para baixo. 
 
 Temos movimentos ao longo da curva quando por exemplo se alteram os gostos e 
preferências dos consumidores, assim se produzimos mais enxadas com a alteração dos 
gostos passamos a produzir mais manteiga por exemplo. 
A lei dos custos de oportunidade crescentes 
Importa referir que teoricamente, a FPP apresenta-se sob três formas: 
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 Linha recta negativamente inclinada, a que correspondem os custos de oportunidade 
constantes; o sacrifício é constante, ou seja, sacrificamos exactamente a mesma 
quantidade para adquirir uma unidade adicional do outro bem. 
 
 Curva convexa em relação a origem, a que correspondem os custos de oportunidade 
decrescentes; sacrificamos cada vez menos unidades de um bem para obter o outro bem. 
 
 Curva côncava em relação a origem, a que correspondem os custos de oportunidade 
crescentes e que espelham melhor a realidade. Sacrificamos cada vez mais unidades de 
um bem para obter o outro. 
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É portanto, nesta curva que espelha a realidade onde se verifica a lei dos Custos de 
Oportunidade Crescentes que diz o seguinte: á medida que vamos sacrificando um bem para 
produzir outro, este bem vai custando cada vez mais unidades do primeiro. Isto é, a medida que 
vamos produzindo unidades adicionais de um bem (bemx), teremos que sacrificar uma 
quantidade cada vez maior do outro bem (bemy).” 
 
Referências Bibliográficas 
DAS NEVES, J. C., Introdução à Economia.6a Edição,(s.l.), Editorial Verbo, 2001. 
FRANCISCO MOCHÓN. Princípios de economia. 1 edicao . pearson education do Brasil. 2008 
MENDES, Judas Tadeu Grassi, Economia Fundamentos e Aplicações. Pearson Prentice Hall, São Paulo. 
3a edição, 2008 
PARKIN, MICHAEL. Economia. 8ª edição. São Paulo: Addison Wesley, 2009. 
SAMUELSON, P. A. e Nordhaus, W. D. Economia. 18a Edição, McGraw Hill. 2005. 
 
 
 
 
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