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PLANEJAMENTO FINANCEIRO E ORÇAMENTO PESSOAL 3 PLANEJAMENTO FINANCEIRO E ORÇAMENTO PESSOAL FINANÇAS PESSOAIS Orçamento e Fluxo de Caixa Na gestão financeira e constituição de patrimônio, dois exercícios são fundamentais para que qualquer indivíduo possa maximizar seus resultados, sejam eles ter equilíbrio financeiro ou constituir patrimônio. O primeiro exercício consiste na elaboração de um orçamento pessoal ou familiar, onde o objetivo principal é estabelecer um fluxo de caixa que permita o cumprimento dos compromissos mensais ou, ainda melhor que isso, estabelecer um fluxo superavitário que permita a geração de poupança. O outro exercício consiste na construção de um balanço patrimonial, cujo objetivo é demonstrar as posições patrimoniais do indivíduo. O orçamento pessoal engloba dois tipos de informação, as entradas de recursos, ou seja, os rendimentos, salários e outras receitas auferidas e as saídas de recursos, gastos diversos, aplicações ou custos em geral. Um bom orçamento deve estabelecer metas e objetivos para que as entradas de recursos sejam maiores que as saídas. Pra isso é importante que exista um planejamento onde serão definidas necessidades e prioridades onde o indivíduo possa estabelecer os seus hábitos de consumo dentro da renda disponível. Alguns passos importantes para elaboração de um orçamento consistente: 1. Criar uma planilha mapeando todas as entradas e saídas de recursos dos últimos doze meses. Pra isso podem ser usados como fonte de informação extratos bancários, canhotos de cheques, extratos dos cartões de crédito. O ideal é que a planilha já seja criada separando as diferentes categorias de gastos, fixos, variáveis, obrigatórios, facultativos, etc. 2. Fazer um levantamento dos gastos futuros (12 meses), considerando também despesas sazonais, como férias e outros. Nesse ponto já é possível identificar gastos que poderão ser reduzidos ou eliminados. 3. Orçar despesas imprevistas, é importante reservar uma parte dos recursos para eventos inesperados. 4. Estimar custos que podem ser sofrer alteração em virtude de algum reajuste, como por exemplo o aluguel que costuma ser reajustado pelo IGPM 5. Após determinar os valores mensais por categoria, calcular os custos como um percentual da receita líquida. 6. Projetar também as receitas mensais estimadas para os próximos 12 meses. 7. Determinar o total de despesas e em quais meses irão ocorrer despesas maiores, como impostos, seguros ou outras despesas com recorrência anual. PLANEJAMENTO FINANCEIRO E ORÇAMENTO PESSOAL | EA BANKING SHOOL 4 8. Projetar o orçamento completo para os próximos 12 meses ajustando eventuais desencaixes para que as obrigações de cada mês possam cumpridas. 9. No decorrer dos meses, fazer o comparativo entre as despesas reais e as projetadas, fazendo os ajustes necessários para cumprimento dos objetivos propostos 10. Fazer uma análise contínua do que pode ser otimizados nas diferentes categorias de despesas sobre as quais é possível ter algum controle e, se possível, por que não, pensar em alternativas que permitam criar novas fontes de receitas e ampliar o poder de poupança. Informações que costumam fazer parte de um orçamento: Entradas Saídas Salário Aplicações mensais (Investimentos, Previdência) Receitas de alugueis Custos fixos obrigatórios - Despesas de moradia (aluguel, financiamento, água, luz, etc) - Despesas com veículo (prestação, seguro, estacionamento, combustíveis, manutenção) - Impostos - Seguros Dividendos Custos fixos facultativos - Internet, Serviços de streaming, telefone, etc - Academia/clube Receitas de juros Custos variáveis obrigatórios- Alimentação Reembolso de impostos Custos variáveis facultativos - Lazer - Férias Outras receitas Fluxo de caixa líquido = Entradas – Saídas O orçamento doméstico se refere nada mais é do que uma previsão de entradas e saídas de um indivíduo ou família durante um determinado período. Já o fluxo de caixa relaciona as movimentações financeiras (entradas e saídas) por seus valores reais e na data em que efetivamente ocorrem. Se o orçamento se concretizar, o fluxo de caixa será composto pelas mesmas informações, porém organizadas por data e com detalhamento maior. Importante também planejar um orçamento que permita reservar uma parcela das receitas para poupança e investimentos. PLANEJAMENTO FINANCEIRO E ORÇAMENTO PESSOAL | EA BANKING SHOOL 5 Exemplo de Orçamento PLANEJAMENTO FINANCEIRO E ORÇAMENTO PESSOAL | EA BANKING SHOOL 6 As contas do Balanço Patrimonial Pessoal O balanço patrimonial é uma demonstração contábil destinada a evidenciar, quantitativa e qualitativamente, a posição patrimonial e financeira de uma empresa em determinada data. Podendo também ser utilizado para verificar as posições patrimoniais e financeiras de uma família ou indivíduo. No balanço patrimonial, as contas deverão ser classificadas conforme os elementos patrimoniais registrados e agrupados de modo a facilitar o conhecimento e análise da situação financeira. O balanço patrimonial pessoal pode ser considerado também uma fotografia da situação patrimonial da pessoa em determinado momento. Ele aponta o que foi feito com a renda percebida ao longo da vida e indica se os recursos foram utilizados de forma construtiva, visando formar um patrimônio. Considerando que essa situação sofre alterações ao longo do tempo, é preciso refazer esse balanço periodicamente (pelo menos uma vez por ano). A época de entrega da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF) é ideal para analisar a evolução patrimonial do ano de referência, já que, no formulário, são reportados os ativos (bens e direitos) e os passivos (dívidas e obrigações). A soma de todos os ativos (valor atual de mercado), descontadas as dívidas (saldo devedor), resultará no patrimônio líquido do indivíduo, que é a riqueza formada até aquela data. Ativos Todos os bens e direitos, como imóveis, veículos, investimentos, dinheiro guardado, direitos a receber de terceiros, seja por serviços prestados, seja por devolução de empréstimos são considerados ativos. É importante registrar o valor de mercado dos bens, isto é, o valor que o mercado estaria disposto a pagar por aquele bem. No caso de investimentos, considerar o valor líquido, após pagamento de taxas e impostos. Ao elaborar o balanço patrimonial, é interessante distinguir os ativos de uso pessoal, (que geram despesas), e os ativos que geram renda. O imóvel residencial, a casa de campo ou de praia e os veículos da família são considerados ativos de uso pessoal. Proporcionam conforto, bem-estar, entretanto, são fontes de despesa. Aplicações financeiras e imóveis adquiridos para locação ou venda futura são exemplos de ativos que geram renda. Essa parte do patrimônio será fundamental para gerar renda complementar na aposentadoria, por exemplo. Passivos São as dívidas contraídas, tanto de curto como de longo prazo. Dívidas de curto prazo São consideradas dívidas de curto prazo as parcelas de empréstimos vincendos em até 1 ano, tais como crédito rotativo (limite do cheque especial e cartão de crédito), crédito consignado, empréstimo pessoal, crediários etc. PLANEJAMENTO FINANCEIRO E ORÇAMENTO PESSOAL | EA BANKING SHOOL 7 Dívidas de longo prazo Parcelas vincendas em prazo superior a um ano, tais como financiamento imobiliário, financiamento de automóvel e empréstimos em geral. Patrimônio líquido O Patrimônio Líquido, resultante do total de ativos menos o total dos passivos, indica a riqueza de uma pessoa, sendo um dos mais importantes indicadores das finanças pessoais, e o monitoramento de sua evolução evidencia se estamos construindo ou destruindo riqueza. Se boa parte ou toda a renda é dispendida em consumo, não haverá crescimento patrimonial. O ideal é que parte da renda seja destinada à expansão do patrimônio. Exemplo de Balanço Patrimonial Pessoal Depois de compreendermos os conceitos de orçamento doméstico, que relaciona receitas e despesase balanço patrimonial, que relaciona os ativos, passivos e patrimônio líquido, vamos analisar um exemplo que engloba ambas as ferramentas: PLANEJAMENTO FINANCEIRO E ORÇAMENTO PESSOAL | EA BANKING SHOOL 8 Considere as informações financeiras sobre uma família composta pelo casal Adriano e Taís e sua filha Giovana: Telefones (Gasto mensal) R$ 150,00 Restaurantes (Gasto mensal) R$ 1.000,00 Salário Líquido Mensal Taís R$ 5.000,00 Imóvel Residencial R$ 300.000,00 Saldo Aplicação CDB (Liquidez diária) R$ 150.000,00 Parcela Mensal Financiamento Imobiliário R$ 2.500,00 Saldo Acumulado VGBL R$ 50.000,00 Seguro Automóveis (Mês) R$ 400,00 Combustível (Gasto mensal) R$ 800,00 IPVA (Gasto mensal) R$ 400,00 Condomínio (Gasto mensal) R$ 500,00 Supermercado (Gasto mensal) R$ 2.000,00 Contas Mensais (Água, Energia, Telefone, Gás) R$ 500,00 Saldo Devedor Fin. Imobiliário R$ 100.000,00 Mensalidade Faculdade Taís R$ 500,00 Parcela Carro Adriano R$ 2.000,00 Estacionamento (Gasto mensal) R$ 200,00 Manutenção (Gasto mensal) R$ 300,00 Saldo Devedor Carro Adriano Parcelas Restantes: 10) R$ 25.000,00 Outras Despesas Pessoais R$ 1.000,00 IPTU (Gasto mensal) R$ 200,00 Internet/Serviços de Streaming R$ 200,00 Saldo Aplicação Ações R$ 50.000,00 Aporte Mensal VGBL R$ 1.000,00 Carro Adriano R$ 95.000,00 Carro Taís R$ 80.000,00 Mensalidade Escola Giovana R$ 1.500,00 Planos de Saúde (Gasto mensal) R$ 1.500,00 Cálculo do orçamento doméstico e o patrimônio líquido da família. Primeiro passo é classificar todos os lançamentos conforme devem ser alocados no orçamento e balanço: PLANEJAMENTO FINANCEIRO E ORÇAMENTO PESSOAL | EA BANKING SHOOL 9 • Orçamento Doméstico: agrupa as entradas e saídas de caixa que ocorrem com recorrência. Exemplo: Salários, supermercado, manutenção automóveis, etc. • Balanço Patrimonial: separa os ativos, ou seja, bens que podem ser transformados em dinheiro, e passivos, itens para os quais será preciso despender de recursos financeiros para quitação. A diferença entre ativos e passivos resulta no patrimônio líquido. Reagrupamento dos lançamentos conforme classificação Orçamento/Balanço: RUBRICA VALOR CLASSIFICAÇÃO DEMONSTRATIVO Telefones (Gasto mensal) R$ 150,00 Saída Orçamento Restaurantes (Gasto mensal) R$ 1.000,00 Saída Orçamento Salário Líquido Mensal Taís R$ 5.000,00 Entrada Orçamento Imóvel Residencial R$ 300.000,00 Ativo Balanço Saldo Aplicação CDB (Liquidez diária) R$ 150.000,00 Ativo Balanço Parcela Mensal Financiamento Imobiliário R$ 2.500,00 Saída Orçamento Saldo Acumulado VGBL R$ 50.000,00 Ativo Balanço Seguro Automóveis (Mês) R$ 400,00 Saída Orçamento Combustível (Gasto mensal) R$ 800,00 Saída Orçamento IPVA (Gasto mensal) R$ 400,00 Saída Orçamento Condomínio (Gasto mensal) R$ 500,00 Saída Orçamento Supermercado (Gasto mensal) R$ 2.000,00 Saída Orçamento Contas Mensais (Água, Energia, Telefone, Gás) R$ 500,00 Saída Orçamento Saldo Devedor Fin. Imobiliário R$ 100.000,00 Passivo Balanço Mensalidade Faculdade Taís R$ 500,00 Saída Orçamento Parcela Carro Adriano R$ 2.000,00 Saída Orçamento Estacionamento (Gasto mensal) R$ 200,00 Saída Orçamento Manutenção (Gasto mensal) R$ 300,00 Saída Orçamento Saldo Devedor Carro Adriano (Parcelas Restantes: 10) R$ 25.000,00 Passivo Balanço Outras Despesas Pessoais R$ 1.000,00 Saída Orçamento IPTU (Gasto mensal) R$ 200,00 Saída Orçamento Internet/Serviços de Streaming R$ 200,00 Saída Orçamento Saldo Aplicação Ações R$ 50.000,00 Ativo Balanço Aporte Mensal VGBL R$ 1.000,00 Saída Orçamento Carro Adriano R$ 95.000,00 Ativo Balanço Carro Taís R$ 80.000,00 Ativo Balanço Mensalidade Escola Giovana R$ 1.500,00 Saída Orçamento Planos de Saúde (Gasto mensal) R$ 1.500,00 Saída Orçamento PLANEJAMENTO FINANCEIRO E ORÇAMENTO PESSOAL | EA BANKING SHOOL 10 Organizando os itens do orçamento: RUBRICA VALOR CLASSIFICAÇÃO DEMONSTRATIVO Salário Líquido Mensal Adriano e Taís R$ 25.000,00 Entrada Orçamento Total de Entradas R$ 25.000,00 Telefones (Gasto mensal) R$ 150,00 Saída Orçamento Restaurantes (Gasto mensal) R$ 1.000,00 Saída Orçamento Parcela Mensal Financiamento Imobiliário R$ 3.500,00 Saída Orçamento Seguro Automóveis (Mês) R$ 400,00 Saída Orçamento Combustível (Gasto mensal) R$ 800,00 Saída Orçamento IPVA (Gasto mensal) R$ 400,00 Saída Orçamento Condomínio (Gasto mensal) R$ 500,00 Saída Orçamento Supermercado (Gasto mensal) R$ 2.000,00 Saída Orçamento Contas Mensais (Água, Energia, Telefone, Gás) R$ 500,00 Saída Orçamento Mensalidade Faculdade Taís R$ 500,00 Saída Orçamento Parcela Carro Adriano R$ 2.000,00 Saída Orçamento Estacionamento (Gasto mensal) R$ 200,00 Saída Orçamento Manutenção (Gasto mensal) R$ 300,00 Saída Orçamento Outras Despesas Pessoais R$ 1.000,00 Saída Orçamento IPTU (Gasto mensal) R$ 200,00 Saída Orçamento Internet/Serviços de Streaming R$ 200,00 Saída Orçamento Aporte Mensal VGBL R$ 1.000,00 Saída Orçamento Mensalidade Escola Giovana R$ 1.500,00 Saída Orçamento Planos de Saúde (Gasto mensal) R$ 1.500,00 Saída Orçamento Total de Saídas R$ 17.650,00 Saldo (Entradas – Saídas) R$ 8.350,00 O saldo de R$ 8.350,00 evidencia que a família possui um orçamento superavitário, valor este que pode ser poupado e investido mensalmente. Se o resultado encontrado tivesse sido negativo, a família possuiria um orçamento deficitário. Nesse caso, precisa utilizar partes dos PLANEJAMENTO FINANCEIRO E ORÇAMENTO PESSOAL | EA BANKING SHOOL 11 Organizando as contas do Balanço Patrimonial: Ativo Circulante Passivo Circulante Saldo Aplicação CDB (Liquidez diária) R$ 150.000,00 Saldo Devedor Carro Adriano R$ 25.000,00 Saldo Aplicação Ações R$ 50.000,00 Exigível a Longo Prazo Total Ativo Circulante R$ 200.000,00 Saldo Devedor Fin. Imobiliário R$ 100.000,00 Ativo Permanente Total Passivo (Exigível) R$ 125.000,00 Imóvel Residencial R$ 300.000,00 Patrimônio Líquido (A – P) R$ 600.000,00 Carro Adriano R$ 95.000,00 PASSIVO TOTAL + PATRIMÔNIO LÍQUIDO R$ 725.000,00 Carro Taís R$ 80.000,00 Saldo Acumulado VGBL R$ 50.000,00 Total Ativo Permanente R$ 525.000,00 ATIVO TOTAL R$ 725.000,00 Ativos de uso e não uso Através da análise do Balanço Patrimonial, é possível classificar também os ativos segundo a sua utilização: • Ativos de uso: são aqueles que com os quais a família ou indivíduo pode contar. Ex: Aplicações financeiras de baixo risco e alta liquidez, automóveis utilizados no dia-a-dia, o imóvel que a família mora, etc. • Ativos de não uso: são ativos de menor liquidez ou sem previsão de utilização no curto prazo. Ex: Plano de previdência privada destinada a complemento de renda na aposentadoria, um terreno não gerador de renda, etc. Principais indicadores de análise de Balanço Patrimonial e Orçamento Familiar Ainda mais importante que fazer o controle e organização para construção de um Balanço ou Orçamento, é análise dos dados para que o Planejador Financeiro possa fazer recomendações com propriedade. Entre diversos indicadores existentes alguns possuem maior relevância: • Índices de Liquidez (Liquidez Corrente) • Cobertura de Despesas Mensais • Endividamento • Poupança PLANEJAMENTO FINANCEIRO E ORÇAMENTO PESSOAL | EA BANKING SHOOL 12 Liquidez Corrente (LC) LC = AC/PC Indicador utilizado para mensurar a capacidade de pagamento no curto prazo e é calculado a partir do quociente entre Ativo Circulante (AC) e Passivo Circulante (PC). Quanto maior a liquidez corrente, mais recursos de curto prazo a família tem para fazer frente às dívidas de curto prazo. Ou seja, um índice elevado de liquidez corrente reduz o risco de solvência, de não possuir recursos para pagar dívidas. O problema disso é que, um volume elevado em ativos de alta liquidez, também compromete a rentabilidade da carteira de investimentos, já que estes aspectos costumam ter uma relação inversa. Índice de Cobertura de DespesasMensais Cobertura de Despesas Mensais = Ativo Circulante/Despesas Mensais Este índice mede a proporção das despesas mensais que podem ser cobertas com ativos circulantes. É uma análise bastante importante, pois se a renda da família for interrompida por algum motivo de forma repentina (Exemplo: demissão), são os ativos circulantes que serão usados para honrar as despesas mensais, enquanto renda não for reestabelecida. Este índice informa por quantos meses a família teria recursos para cobrir suas despesas. Exemplo: Gustavo foi demitido e recebeu R$ 22.000,00 de rescisão. Tem despesas mensais de R$ 7.500,00 e recursos na poupança no valor de R$ 10.000,00. Quantos meses ele consegue sobreviver mantendo o padrão de vida atual? Índice de cobertura = (22.000+10.000)/7.500 = 4,27 meses. Gustavo consegue manter o padrão de vida por 4 meses. Esse é o tempo que ele tem para se recolocar no mercado de trabalho e voltar a gerar renda. Assim que possível, o fundo de reserva deve ser recomposto. Índice de Endividamento Endividamento = PE/AT Este índice é calculado através do quociente entre o Passivo Exigível (PE), que é formado pelo total de dívidas da família (Passivos Circulantes + Exigíveis de Longo Prazo) e o Ativo Total. Índice de Poupança Poupança = Saldo Positivo do Orçamento Doméstico/Total de Receitas O índice de poupança é obtido através da divisão entre o saldo positivo do orçamento doméstico (disponível para investimento) e o total de receitas. Este índice pode ser calculado com relação às receitas brutas (sem incidência de impostos) ou receitas líquidas (já deduzidos impostos e descontos). Pensando-se em planejamento financeiro familiar. O formato mais adequado é levar em consideração as receitas líquidas, pois é o valor que realmente estará à disposição da família mensalmente. PLANEJAMENTO FINANCEIRO E ORÇAMENTO PESSOAL | EA BANKING SHOOL 13 IPS INDIVIDUAL O IPS (Investment Policy Statement) ou Política de Investimentos é o documento que norteia o processo de decisões de investimento. Pra isso os seguintes aspectos devem ser observados: • Objetivos e restrições devem ser considerados quando estão sendo formuladas decisões de investimento que beneficiarão o cliente de uma forma mais eficiente • O processo é dinâmico e permite mudanças de acordo com as circunstâncias, possibilitando um processo de decisão de investimento aderente ao cenário • Uma política de investimentos deve ser bem escrita, pois representa os objetivos de longo prazo do cliente e o impacto disso em sua vida • Mesmo que aconteçam mudanças nas condições de mercado ou gestores de investimento, gestores futuros devem ser capazes de tomar decisões conforme as metas e os objetivos do indivíduo O IPS também beneficia os gestores, pois ela serve como documento que estabelece formalmente o entendimento e o acordo com seus clientes. As etapas do processo de formulação de uma política de investimentos Etapa 1: Planejamento Tem por objetivos: • Determinar e avaliar os objetivos de risco e retorno do cliente • Determinar as restrições/limitações da carteira • Definir a estratégia de investimento mais apropriada, baseada nos objetivos, restrições e perspectivas de mercado Etapa 2: Execução Nesta fase, o planejador de investimentos deverá determinar a alocação adequada de ativos para alcançar os objetivos do investidor. Essa etapa engloba a alocação de ativos e seleção de papéis. Etapa 3: Realimentação É a etapa de acompanhamento do que foi executado, onde ocorrem ajustes periódicos dadas as mudanças nas circunstâncias do investidor que costumam acontecer com o passar do tempo. Modificações e ajustes na carteira devem ser feitas sempre que necessário para garantir a manutenção de objetivos e restrições originalmente estabelecidos. PLANEJAMENTO FINANCEIRO E ORÇAMENTO PESSOAL | EA BANKING SHOOL 14 Definição do Perfil Situacional (ou Financeiro) do Investidor Para definição de objetivos de risco/retorno, a determinação do perfil do cliente é fundamental. Esse processo envolve a classificação do cliente de acordo com seu ciclo de vida, circunstâncias econômicas e características específicas de cada indivíduo. Outro ponto importante é determinar a experiência passada do cliente com investimentos, pois muitas vezes é necessário estabelecer um processo educacional a respeito das opções de investimento disponíveis. Os pontos iniciais para definição de perfil do cliente são a fonte de riqueza, a medida de riqueza e o ciclo de vida. Fontes de Riqueza Trata-se de como e quando os recursos dos clientes foram obtidos. Esse é um ponto importante, pois certamente vai influenciar na disposição do investidor para assumir risco. As duas fontes mais comuns são: Riqueza criada por atividades empreendedoras: indica que o investidor tem maior conhecimento e experiência com decisões de risco. Possivelmente também terá mais disposição a correr riscos nos investimentos. Riqueza obtida por meio de herança, algum evento único ou poupança acumulada ao longo da vida laboral: pode indicar que são pessoas menos familiarizadas com atividades de risco e por isso tendem a ser mais conservadoras. Medidas de Riqueza Nessa definição o principal fator a ser considerado é a percepção que o indivíduo tem em relação ao seu nível de riqueza, a forma como o indivíduo percebe seu patrimônio é mais relevante o tamanho absoluto do patrimônio. Geralmente existe uma correlação positiva entre a percepção do tamanho da carteira e o nível de tolerância ao risco. Se o investidor vê seu patrimônio como pequeno, tenderá a correr menos riscos. Estágio de Vida do Investidor Aqui, geralmente, temos uma relação inversa entre a idade e a tolerância ao risco do investidor. Os estágios ou ciclos de vida podem ser divididos em quatro fases: Fase da Fundação da Riqueza Nessa fase os indivíduos procuram acumular riquezas por meio do trabalho e poupança, buscando educação ou iniciando um negócio. Nessa fase, normalmente os recursos são mais escassos para investir, mas são as circunstâncias de cada um que vão determinar suas decisões. PLANEJAMENTO FINANCEIRO E ORÇAMENTO PESSOAL | EA BANKING SHOOL 15 Fase de Acumulação da Riqueza Nessa fase o indivíduo já deu início na carreira profissional e é o momento onde se inicia um acúmulo mais robusto de recursos. Também é uma fase em que o investidor pode correr mais riscos por ser jovem. Fase de Manutenção da Riqueza Nessa fase a conservação do capital, os investidores ainda dispõem de um horizonte de tempo relativamente longo, e por isso podem tolerar ainda algum risco, porém recomenda-se que as carteiras passem a ser mais conservadoras do que na fase anterior, principalmente quando a aposentadoria se aproxima. Aplicações geradoras de renda e formação de caixa também são uma boa estratégia de alocação. Fase de Distribuição da Riqueza Distribuição ou Transferência de capital é o momento no qual o investidor já não deve correr muitos riscos, pois possivelmente já estará utilizando parte dos recursos acumulados para sustento na aposentadoria. As carteiras normalmente já possuem diversos instrumentos de caixa e geração de renda em detrimento a ativos de crescimento. Definição do Perfil Psicológico do Investidor Os investidores podem ser classificados em quatro categorias de acordo com seu comportamento nos investimentos: Cuidadosos • Avessos ao risco, desejam alto grau de segurança • Não gostam de tomar suas próprias decisões nos investimentos e ao mesmo tempo podem resistir à ajuda profissional • Podem perder boas oportunidades de investimento por não conseguirem tomar decisões • Tendem a fazer uma análise cuidadosa e demorada de suas aplicações Metódicos • Pesquisam mercados, indústrias e empresas com potencial e utilizam relatórios de analistas para pesquisa de investimentos • Não desenvolvem relação afetiva com seus investimentos, são mais racionais • Tendem a ser conservadores Individualistas • Fazem pesquisase são confiantes em suas próprias habilidades • Questionam análises e recomendações profissionais • Tomam decisões de forma independente • Tendem a ser menos conservadores Espontâneos PLANEJAMENTO FINANCEIRO E ORÇAMENTO PESSOAL | EA BANKING SHOOL 16 • Ajustam suas carteiras com frequência, procurando constantemente por novas oportunidades • Admitem falta de conhecimento em investimentos e tendem a questionar conselhos profissionais • A performance costuma ser prejudicada por taxas e custos de comissão devido aos ajustes constantes • Retorno é o foco deste investidor, mesmo que isso represente mais risco Podemos traçar diferentes perfis de investidor para alocação de ativos: Investidor Conservador: é aquele que não está disposto a correr riscos e a aplicar dinheiro em investimento com grande oscilação ou que possam ameaçar o capital investido. Investidor Moderado: está disposto a correr um risco um pouco mais elevado para obter uma rentabilidade maior, porém se restringe a aplicar apenas uma parte dos recursos em ativos que apresentam oscilação mais acentuada e por consequência mais risco. Investidor Agressivo: está disposto a correr riscos para conseguir a máxima rentabilidade, mesmo que isso represente investir a maior parte de recursos em investimentos que apresentam grande oscilação, destinando uma parcela mínima para ativos de baixo risco. API (Análise de Perfil do Investidor) O processo decisório e de avaliação de investimentos engloba variáveis fundamentalistas de finanças, assim como fatores psicológicos, experiências pessoais, preferências e características individuais. Por essa razão o uso de questionário para auxílio na identificação dessas variáveis é fundamental. Esse tipo de questionário deve ser usado como um primeiro passo, pois o resultado serve como ponto de partida na determinação dos objetivos e restrições. Capacidade de Poupança A formação de poupança e o controle dos gastos fatores relevantes na elaboração de um planejamento financeiro pessoal e devem ser priorizados tanto pelo planejador financeiro quanto pelo seu cliente. Por isso é importante definir um % de capacidade de poupança resultante de um superávit no orçamento doméstico. Ex: Adriano recebe R$ 10.000,00 de salário e poupa R$ 2.000,00 por mês, seu poder de poupança é de 20%. Fundo de Emergência Eventos, esperados ou não, requerem um planejamento de liquidez. A determinação do valor adequado pode ser feita através de uma análise do orçamento doméstico. Costuma-se recomendar que a reserva de emergência tenha um total acumulado correspondente a um montante entre 3 e 12 meses dos custos mensais de uma pessoa. Esse valor além de alocado em ativos de alta liquidez também deve ser direcionado a ativos de baixo risco. PLANEJAMENTO FINANCEIRO E ORÇAMENTO PESSOAL | EA BANKING SHOOL 17 Objetivos a serem estabelecidos em Política de Investimentos Objetivos de Retorno Importante trazer para o cliente a diferença entre retorno requerido (necessários para alcance dos objetivos de longo prazo) e retorno desejado (associado a objetivos e metas secundárias). As carteiras podem também apresentar características específicas conforme os objetivos do cliente que podem ser: • Preservação de capital • Geração de renda • Crescimento de patrimônio • Especulativo Objetivos de Risco Capacidade de Assumir Riscos: esse fator determina quanto de volatilidade que uma carteira de investimentos pode assumir. Importante estabelecer que aqui é tratado o conceito de capacidade em assumir riscos e não tolerância a riscos. Para medir essa capacidade é importante determinar: • Os objetivos de curto prazo e longo prazo do investidor • Prazos e importância dos objetivos do investidor • A volatilidade máxima que a carteira pode ter antes de os objetivos principais serem alcançados Disposição de Assumir Riscos: é subjetiva e é determinada pelo perfil psicológico do investidor. Exemplos de situações referentes à tolerância a risco, agregando tanto a capacidade como a disposição: Baixa tolerância ao risco • Metas de curto prazo • Necessidades de liquidez de curto prazo • Proximidade da aposentadoria • Grande parte da renda destinada a pagamentos de despesas • Alterações de mercado causam ansiedade e desconforto PLANEJAMENTO FINANCEIRO E ORÇAMENTO PESSOAL | EA BANKING SHOOL 18 Alta tolerância ao risco • Metas de longo prazo • Reserva suficiente para casos de emergência • Carreira em crescimento/início de carreira • Menor comprometimento da renda • Tranquilidade frente às mudanças de mercado Restrições a serem explicitadas na Política de Investimentos Existem cinco principais restrições para a política de investimentos individuais: • Horizonte de tempo • Liquidez • Aspectos legais e regulamentação • Impostos • Circunstâncias únicas Horizonte de tempo Os objetivos devem ser separados de acordo com o horizonte de tempo: • Até 03 anos – curto prazo • De 03 a 10 anos – médio prazo • Acima de 10 anos – longo prazo Os horizontes de tempo são períodos nos quais uma carteira é dividida e exige-se certa geração de recursos para atender importantes objetivos do investidor nesse período. Liquidez As restrições de liquidez de uma carteira são associadas à capacidade de atender às necessidades diárias do investidor, assim como aquelas inesperadas. Regulamentação As restrições regulamentares e legais que se aplicam aos indivíduos são principalmente associadas aos impostos e transferência de patrimônio. As restrições específicas variam muito de cada jurisdição e tipicamente requerem aconselhamento legal. Impostos A tributação é uma questão global e deve ser levada em conta na formulação de Políticas de Investimentos. Os impostos são limitações na carteira de um indivíduo, porque afetam o retorno do investimento. Por isso é importante se ter um bom planejamento tributário buscando a elisão fiscal. PLANEJAMENTO FINANCEIRO E ORÇAMENTO PESSOAL | EA BANKING SHOOL 19 Circunstâncias específicas Essa categoria engloba todas as demais situações não cobertas pelas outras categorias. Informações variadas ou requisitos que devem ser considerados quanto o futuro de despesas ordinárias ou investimentos indesejados devem aparecer nessa seção do IPS. O PROCESSO DE PLANEJAMENTO FINANCEIRO DO PROFISSIONAL CFP Um bom planejamento financeiro é o que permitirá a um indivíduo ou a uma família a realização dos seus objetivos, sejam de curto, de médio ou de longo prazo. Muitas vezes se observam pessoas que têm uma renda alta, mas mesmo assim não conseguem ter organização financeira, resultando em endividamento ou mesmo em situações onde não se tem o mínimo de reservas, nem para uma eventual emergência. No nosso país, infelizmente, são poucas as famílias/indivíduos que possuem um bom planejamento financeiro, devido à baixa educação financeira que temos. O planejamento financeiro deveria fazer parte da rotina de todos os indivíduos, independente da renda, pois é ferramenta essencial na construção de patrimônio, organização financeira, construção de reservas para emergências e, em última análise, gerador de qualidade de vida para quem o realiza. Se for suficientemente preciso e bem elaborado, ele pode proporcionar uma vida financeira pessoal saudável e equilibrada, ponderando as conquistas de metas de curto e médio prazo com a necessidade poupar recursos para o futuro. Etapas do Processo de Planejamento Financeiro PLANEJAMENTO FINANCEIRO E ORÇAMENTO PESSOAL | EA BANKING SHOOL 20 O profissional CFP deve, obrigatoriamente, seguir as seis etapas abaixo para a construção de um planejamento financeiro junto ao seu cliente: 1. Definir e Estabelecer o Relacionamento com o Cliente Esse é a primeira etapa e nela o profissional CFP irá demonstrar e explicar para o cliente o processo de planejamento financeiro e também as competências do planejador financeiro. Após um primeiro contato, é importante o planejador financeiro entenderse tem as competências para satisfazer as necessidades do cliente, isso porque nem sempre o profissional terá todo o conhecimento necessário para a solução de uma determinada demanda trazida pelo cliente. Nesse sentido, deve o profissional CFP encaminhar para outro profissional, caso não tenha a capacidade mínima. Se identificar que possui a capacidade, deve-se então definir o escopo do relacionamento, ou seja, o objetivo do trabalho, o tempo de duração do mesmo e também as responsabilidades de cada um (planejador e cliente) na execução da demanda. É muito importante que o profissional informe o cliente de forma detalhada e objetiva a respeito do processo de planejamento financeiro que será colocado em prática no atendimento a esse cliente. Definir a forma de remuneração do planejador financeiro Existem diversas formas de remuneração que podem ser cobradas pelos planejadores financeiros: • Tarifas/Mensalidades: refere-se ao serviço de consultoria prestado pelo planejador, calculado geralmente com base em horas trabalhadas. Esse formato de compensação independe do volume investido ou administrado pelo profissional. • Taxas de administração: o planejador pode ser remunerado também por meio do rebate de taxa de administração cobrada por determinado fundo de investimento em que o cliente investiu recursos. • Comissões: o profissional pode também, eventualmente, intermediar a venda de produtos e serviços a seus clientes, tais como Planos de Previdência e Seguros e, portanto, receber comissões por isso. • Taxas de performance: a compensação do profissional pode envolver também taxas de performance, que seriam devidas em função da superação de algum resultado previamente estabelecido. • Composição das anteriores: é possível também ao planejador oferecer ao cliente uma combinação de duas ou mais formas de cobrança. Por exemplo, um valor fixo cobrado mensalmente mais o rebate que receber de um fundo de investimento em que o cliente investir o dinheiro. PLANEJAMENTO FINANCEIRO E ORÇAMENTO PESSOAL | EA BANKING SHOOL 21 Responsabilidades do planejador financeiro, do cliente e de outros assessores São responsabilidades básicas do planejador financeiro: • Proteger os dados e informações do cliente (confidencialidade); • Analisar e respeitar o perfil de risco do cliente nas suas recomendações; • Evitar potenciais conflitos de interesses e quando houver, informar os mesmos ao cliente; • Ser claro, independente, objetivo e colocar sempre na frente os objetivos do cliente; • Fazer estudos e análises de todo o cenário e características antes de apresentar as recomendações ao cliente. • Ser um bom ouvinte e fazer uma investigação profunda para conhecer o cliente • Educar, explicar e explicitar formalmente as características básicas das aplicações, incluindo riscos • Informar o cliente sobre taxas e comissões • Realocar a carteira quando necessário, observando benefícios e custos de tal rebalanceamento • Monitorar constantemente os investimentos São responsabilidades básicas do cliente: • Explicitar dúvidas ao consultor; • Ser claro e honesto em relação à sua situação econômica e patrimonial, incluindo origens de recursos; • Cumprir todas as demandas tributárias; • Arcar com os custos do trabalho do planejador, conforme acordado; • Ser claro honesto com relação ao entendimento e conhecimento dos produtos e cenário econômico; • Tentar seguir ao máximo as estratégias traçadas no planejamento financeiro; • Entender as limitações de resultados de acordo com a situação atual do seu patrimônio. É muito importante que num processo de planejamento financeiro de longo prazo se tenha metas e objetivos, e mais que isso, foco para o atingimento. Evidente que poderão existir alterações nas metas e objetivos e pra isso é muito importante definir um cronograma de reuniões periódicas focadas em monitorar a aderência da estratégia aos objetivos de curto, médio e longo prazo do cliente. PLANEJAMENTO FINANCEIRO E ORÇAMENTO PESSOAL | EA BANKING SHOOL 22 2. Coletar informações necessárias para elaboração de um plano financeiro e que permitam uma visão completa do cliente. Essa é a segunda etapa do planejamento financeiro e tem como objetivo que o planejador consiga ter uma visão completa do cliente nos seguintes temas: • Gestão Financeira; • Gestão de Investimentos; • Gestão de Risco e Seguros; • Planejamento de Aposentadoria; • Planejamento Fiscal; • Planejamento Sucessório. A partir dessa visão geral, deve estar identificado quais os objetivos pessoais e financeiros do cliente, como comprar uma casa em alguns anos, viajar com a família, entre outros. Também nessa etapa serão coletados dados quantitativos/documentos e também qualitativos (perfil de investimento, por exemplo). Assuntos como padrão de vida, desejos, receitas e despesas, e possíveis limitações são mais bem ilustradas nessa fase. A coleta de informações costuma ser feita através de duas ferramentas principais com objetivo de elaborar o perfil do cliente: • Questionário: perguntas, normalmente fechadas, com objetivos de localizar e situar o cliente numa faixa ou classificação específica com relação, por exemplo, a idade, renda e patrimônio. • Entrevistas: costumam trazer perguntas mais abertas, possibilitando ao planejador uma avaliação global e mais qualitativa da situação, com obtenção de opiniões, reações e pontos de vista do cliente. Ao final da coleta de dados é comum o planejador elaborar um elaborar um relatório com objetivos de organizar as informações. Os dados coletados são fundamentais para se definir a situação específica do cliente e iniciar as análises com vistas à elaboração do planejamento financeiro. 3. Analisar e avaliar a situação financeira do cliente A atividade de um planejador financeiro é muito abrangente, vai além da orientação sobre investimentos. Para que a orientação multidisciplinar tenha sucesso, é fundamental ouvir o cliente e entender seu contexto. Com base nas informações coletadas, o planejador deve ser capaz de identificar: • Os objetivos financeiros do cliente, por exemplo: gestão financeira, aquisição de imóvel, troca de carro, projeções para a aposentadoria etc. • Os objetivos pessoais (realização de viagens, fazer um MBA no exterior etc.). • Situações específicas, tais como: divórcio, invalidez, doença terminal, filhos com necessidades especiais etc. PLANEJAMENTO FINANCEIRO E ORÇAMENTO PESSOAL | EA BANKING SHOOL 23 Primeiro passo nessa etapa é a determinação da capacidade de correr riscos por parte do cliente. Capacidade de correr riscos é uma medida técnica, calculada a partir do quanto a carteira/cenário suporta de risco. Já a disposição para assumir riscos é uma definição psicológica, a partir de cada investidor e como o mesmo lida com uma eventual perda. Capacidade: Quanto o cliente pode correr de risco Disposição: Quanto o cliente quer correr de risco Importante: Os principais objetivos de acumulação de capital costumam ser: • Patrimônio: envolve algum plano de aquisição em um prazo futuro de um imóvel, títulos, etc. • Geração de Renda: envolve situação onde cliente deseja alguma renda no futuro para ele ou para um herdeiro. Nesse caso o planejador precisa entender qual o percentual da carteira precisa ser alocado para garantir a renda desejada pelo cliente. • Aposentadoria: Envolve situação onde o cliente deseja alguma renda/retorno específico para a sua aposentadoria. Normalmente, é o percentual da carteira que será alocado em títulos com prazo maior. Também é importante avaliar e identificar se o cliente possui exposição a riscos (vida, patrimônio, saúde, responsabilidade, etc). Nesses casos, usualmente, o planejador indica contratação de seguros (de risco ou de acumulação) para mitigar esses riscos. 4. Desenvolver as recomendações de planejamento financeiro e apresentá-las ao cliente Ao apresentar as recomendações, o planejador deve assegurar-se que o clientetem um adequado entendimento: • dos fatores e premissas atuais que foram fundamentais para as recomendações; • dos riscos da estratégia sugerida; • do provável impacto das recomendações sobre a capacidade de o cliente atingir seus objetivos, devendo evitar apresentar sua opinião como um fato. Nessa fase, é importante informar que as recomendações de planejamento financeiro provavelmente serão modificadas, à medida que mudem as condições pessoais, econômicas e outras variáveis do cliente. Antes de apresentar ao cliente, o planejador financeiro precisa desenvolver as estratégias do planejamento financeiro. Com relação específica aos investimentos, a gestão pode ser de dois tipos: PLANEJAMENTO FINANCEIRO E ORÇAMENTO PESSOAL | EA BANKING SHOOL 24 • Ativa: Tem como objetivo performar acima de algum indicador de rentabilidade, por exemplo o CDI ou Ibovespa. Ou seja, essa carteira pretende ter rentabilidade melhor do que a do mercado. • Passiva: Tem como objetivo performar “indexado” a algum indicador de rentabilidade. Se escolhe o índice que se deseja seguir e a rentabilidade deverá estar atrelada a esse índice. Obs.: Alguns autores também tratam de uma terceira forma de gestão, que seria a semiativa, que seria uma forma menos arriscada que a gestão ativa, estando indexado também a um índice, porém, com um peso maior da carteira em setores que se acredita que tenham um forte potencial no futuro. 5. Implementar as recomendações de planejamento financeiro Após apresentar as recomendações, é necessário executar as possíveis alterações na carteira do cliente. Nesse sentido, a responsabilidade pela execução das ordens de compra e venda para reposicionamento da carteira pode ser de responsabilidade do próprio planejador financeiro, como administrador de carteira ou do cliente, sendo o profissional CFP apenas um consultor. A responsabilidade pela implementação do plano poderá ou não estar a cargo do planejador financeiro, conforme acordado na etapa que definiu o relacionamento das partes. Se estiver a cargo do planejador, um cronograma deverá ser definido e os passos da execução detalhados e apresentados ao cliente para conhecimento e aprovação. O envolvimento do cliente também será imprescindível nessa fase, uma vez que quaisquer movimentações financeiras dependerão de autorização do titular. Com base no escopo da contratação, o profissional de planejamento financeiro identifica e orienta em relação a produtos e serviços apropriados que sejam consistentes com as recomendações de planejamento financeiro aceitas pelo cliente e que atendam a seus objetivos, necessidades e prioridades. Caso haja previsão de alocação de parcela do patrimônio em fundos de investimento, diferentes gestores poderão ser avaliados. A expertise na gestão, idoneidade do administrador e gestor, a consistência na entrega dos resultados e histórico de volatilidade são aspectos a serem considerados. Alocação em títulos de crédito privado deve ser feita considerando o risco de crédito do emissor. Se necessário, o planejador deverá auxiliar o cliente na abertura de cadastro junto a instituições fornecedoras de produtos selecionados e a corretoras. 6. Monitorar a situação do cliente Mesmo com a implementação das eventuais mudanças, o trabalho do planejador financeiro ainda não está concluído. Isso porque o último passo seria o monitoramento da situação do cliente, após as alocações. Isso é importante por dois motivos, principalmente: • Os produtos escolhidos podem estar performando abaixo do que era a expectativa inicial e/ou abaixo da necessidade definida anteriormente. • Houve alterações no perfil do cliente ou fatos novos (nascimento de um filho, perda de emprego, etc) que irão impactar no balanceamento atual da carteira. PLANEJAMENTO FINANCEIRO E ORÇAMENTO PESSOAL | EA BANKING SHOOL 25 Via de regra, se aconselha a revisão do planejamento anualmente, mas nada impede que revisões sejam feitas antes desse período, de acordo com fatos e acontecimentos novos que possam surgir na realidade do cliente. Nas reuniões periódicas de monitoramento será identificado se: • As condições do cliente, estabelecidas originalmente, permanecem ou houve alterações importantes de patrimônio, geração de renda, sucessão, saúde, metas, desafios, necessidades e objetivos; • O resultado obtido pela carteira de investimentos é condizente com o esperado; • As condições de mercado para os diversos segmentos (renda fixa, ações, câmbio etc.) mudaram desde a última revisão? Caso positivo, será necessário ajustar o portfólio em razão das novas expectativas de mercado e do cliente. RESPONSABILIDADE FIDUCIÁRIA E CONDUTA PROFISSIONAL Código de conduta ética e responsabilidade profissional da Planejar Aplicabilidade e Cumprimento O Código de Conduta Ética e Responsabilidade Profissional da Planejar estabelece Princípios e Regras aplicáveis a: a) pessoas físicas certificadas para o uso das marcas CFP® (Planejadores CFP®); b) pessoas jurídicas e físicas não certificadas para o uso das marcas que sejam associadas à Planejar (Associados). Tanto os Princípios quanto as Regras contidos neste Código constituem normas de observância obrigatória. O descumprimento de quaisquer destas normas pelos Planejadores CFP® e Associados acarreta a instauração de procedimentos disciplinares para sua apuração, conforme previsto na seção IV deste Código. Termos e Expressões (Seção I) Quando utilizados neste Código e em seu anexo, os termos e expressões abaixo terão o respectivo significado a eles atribuído conforme esta seção: Planejar Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. Associado Qualquer pessoa física ou jurídica associada à Planejar, ainda que não seja certificada como Planejador CFP®. Planejador Qualquer profissional atualmente certificado pela Planejar, sendo-lhe autorizado o uso das marcas CFP®. PLANEJAMENTO FINANCEIRO E ORÇAMENTO PESSOAL | EA BANKING SHOOL 26 Cliente Qualquer pessoa, física ou jurídica, que contrate um Planejador CFP® e associado para lhe prestar serviços profissionais de planejamento financeiro. Quando os serviços são prestados a uma pessoa jurídica, o cliente é a própria pessoa jurídica, agindo por meio de seu representante legal. Código O presente Código de Conduta Ética e Responsabilidade Profissional da Planejar. Conflito de interesses Situação ou circunstância em que o Planejador CFP® e associado obtenham ou possam obter, para si ou para terceiros, vantagem indevida e de que resulte, ou possa resultar, prejuízo para seus clientes, ou que impeça ou restrinja sua capacidade de prestar aconselhamento, recomendações ou serviços de forma isenta. Processo de planejamento financeiro pessoal ou processo de planejamento financeiro Compreende a análise de dados dos clientes, tais como objetivos, perfil de tolerância ao risco e avaliação da situação financeira para o correto desenvolvimento e monitoramento de recomendações e/ou alternativas de planejamento financeiro. Remuneração Significa todo e qualquer ganho do Planejador CFP® ou Associado no desenvolvimento de suas atividades junto aos clientes, contemplando todas as fontes e formas, pecuniárias ou não, diretas e indiretas, de remuneração, independentemente da denominação utilizada, que configurem benefício econômico, tais como taxas, comissões, honorários, “rebates”, entre outras. Suitability Análise cuidadosa da situação financeira, experiência e objetivos do cliente, para fins de apresentação de aconselhamento financeiro. Para a definição do perfil do cliente, devem ser analisados, no mínimo, os seguintes aspectos: (I) experiência em matéria de investimentos; (II) horizonte de tempo; (III) objetivos; e (IV) capacidade de tolerância ao risco. Princípios (seção II) Princípio 1: Cliente em primeiro lugar Colocar os interesses do cliente em primeiro lugar e não considerar ganhos ou vantagens pessoais acima dos interesses do cliente. Princípio 2: Integridade Agircom integridade, observando, não apenas o conteúdo, mas também o espírito do Código. A confiança depositada pelos clientes pressupõe atuação honesta, íntegra e transparente. Agindo com integridade, o Planejador CFP® e associado mantêm e aprimoram a imagem pública do uso das marcas CFP® e o compromisso de bem servir. Princípio 3: Objetividade PLANEJAMENTO FINANCEIRO E ORÇAMENTO PESSOAL | EA BANKING SHOOL 27 A objetividade requer honestidade intelectual e imparcialidade na atuação no âmbito do escopo de serviço acordado. As recomendações devem ser feitas de forma pragmática, isenta, transparente e respaldada em princípios técnicos. Princípio 4: Imparcialidade A imparcialidade traduz-se na identificação, informação e administração de possíveis conflitos de interesses envolvidos no processo de planejamento financeiro. O Planejador CFP® e associado devem informar clientes e colegas de forma imparcial sobre seus direitos e deveres, assim como tratá-los como gostariam de ser tratados. Princípio 5: Profissionalismo O profissionalismo exige comportamento digno e respeitoso com clientes, colegas, instituições vinculadas ou concorrentes e órgãos reguladores, sempre em conformidade com a legislação vigente e o Código. O profissionalismo pressupõe o espírito de cooperação e requer que posicionamentos públicos sejam feitos com moderação. Princípio 6: Competência A competência exige atingir e manter um nível adequado de habilidades, capacidades e conhecimentos para o fornecimento de serviços profissionais de planejamento financeiro pessoal. Inclui, também, sabedoria e maturidade para conhecer suas limitações e situações em que a consulta ou o encaminhamento para outro(s) profissional(is) sejam apropriados. A competência requer compromisso constante com a educação continuada. Princípio 7: Confidencialidade Proteger a confidencialidade de todas as informações dos clientes, de forma a permitir acesso apenas às pessoas autorizadas. Um relacionamento de confiança com o cliente só pode ser construído sob o entendimento de que as informações serão tratadas de forma discreta e segura, sem revelações inadequadas. Princípio 8: Diligência Fornecer serviços profissionais de forma diligente. A diligência exige que o Planejador CFP e Associado atendam aos compromissos profissionais com zelo, dedicação e rigor, cuidando e supervisionando adequadamente a execução dos serviços profissionais de acordo com o escopo, condições e prazos acordados com o cliente. Regras (seção III) Regra 1 – O planejador CFP deverá assegurar que suas preferências ou interesses pessoais não afetem de forma adversa os serviços prestados ao cliente. Regra 2 – O planejador CFP não deve omitir a clientes ou terceiros os potenciais benefícios gerados em proveito próprio pelos serviços prestados. Regra 3 – O planejador CFP não deve fornecer, direta ou indiretamente, informações falsas ou enganosas relacionadas às suas qualificações ou serviços. Regra 4 – O planejador CFP não deve incorrer em conduta desonesta, fraudulenta, enganosa ou falsa. PLANEJAMENTO FINANCEIRO E ORÇAMENTO PESSOAL | EA BANKING SHOOL 28 Regra 5 – O planejador CFP deve exercer julgamento prudente ao oferecer e prestar serviços. Regra 6 – O planejador CFP não deve adotar conduta que possa impactar negativamente a imagem das Marcas CFP e da profissão de planejador financeiro. Regra 7 – O planejador CFP deve comunicar todos os fatos relevantes para evitar que clientes ou partes relacionadas sejam induzidos a erros ou enganos. Regra 8 – O planejador CFP deve fazer e/ou implementar recomendações adequadas (suitability) a seu cliente. Regra 9 – O planejador CFP deve acordar com seus clientes os serviços e remuneração a serem fornecidos, necessariamente, antes de implementá-los. Regra 10 – O planejador CFP deve comunicar-se de forma a garantir que o cliente compreenda as recomendações de seu planejamento financeiro e tome decisões conscientes. Regra 11 – O planejador CFP deve segregar o patrimônio do cliente do seu patrimônio individual, de seu empregador ou de quaisquer outros, a menos que tal procedimento seja legalmente previsto e/ou expressamente autorizado por escrito entre as partes. Regra 12 – O planejador CFP não deve tomar dinheiro emprestado do cliente ou emprestar dinheiro ao cliente, exceto se: a) O cliente tiver relação de parentesco até o segundo grau com o Planejador CFP ou, ainda, quando for seu cônjuge ou companheiro; b) O cliente for uma instituição pertencente ao Sistema Financeiro Nacional e o empréstimo não estiver relacionado com os serviços prestados. Regra 13 – O planejador CFP deve respeitar as diretrizes e regras do Guia de Uso das Marcas CFP. Regra 14 – O planejador CFP deve cumprir e respeitar os procedimentos da Planejar, incluindo as obrigações de educação continuada, para manter o direito de uso das Marcas. Regra 15 – O planejador CFP que receber notificação de instauração de processo judicial ou administrativo relacionado à sua atividade profissional deverá notificar a Planejar por carta ou e-mail com Aviso de recebimento (AR) ou protocolo em até 30 dias corridos do recebimento da notificação. Após a conclusão do processo, a Planejar deverá ser informada sobre o resultado. Regra 16 – O planejador CFP deve manter atualizados seus dados cadastrais no sistema da Planejar, em até 30 dias corridos da alteração. Regra 17 – O planejador CFP deve assessorar os clientes apenas naquelas áreas de sua competência. Nas áreas em que não forem competentes, o Planejador CFP deve buscar consultoria e/ou encaminhar os clientes para profissionais qualificados. Regra 18 – O planejador CFP deve realizar análise técnica e imparcial dos produtos e serviços a serem recomendados aos clientes, podendo valer-se da análise de terceiros de reputação comprovada. Regra 19 – O planejador CFP deve manter seus conhecimentos atualizados em todas as áreas que envolvam o processo de planejamento financeiro e cumprir todas as exigências de educação continuada da Planejar. PLANEJAMENTO FINANCEIRO E ORÇAMENTO PESSOAL | EA BANKING SHOOL 29 Regra 20 – O planejador CFP deve conhecer e observar os seguintes documentos da Planejar, disponíveis no site: a) Perfil de competência do planejador financeiro; b) Melhores práticas de planejamento financeiro. Regra 21 – O planejador CFP deve tratar as informações do cliente como confidenciais, exceto se tiver que: a) Responder a processos legais; b) Satisfazer a legislação e regulamentação oficiais vigentes; c) Atender a obrigações para com empregadores ou sócios; d) Defender-se contra acusações de conduta irregular em disputa civil ou criminal; e) Prestar serviços profissionais em nome do cliente com sua autorização por escrito. Regra 22 – O planejador CFP deve agir com prudência para proteger as informações e a propriedade do cliente, incluindo a segurança de informações armazenadas, seja ela de forma física ou eletrônica. Regra 23 – O planejador CFP deve devolver documentos ou qualquer outro bem do cliente mediante sua solicitação, assim que possível, ou em conformidade com os prazos estabelecidos com o cliente. Regra 24 – O planejador CFP deve, sempre que aplicável, documentar, identificar e manter atualizadas as informações do cliente sobre as quais exerça qualquer tipo de supervisão. Regra 25 – O planejador CFP deve supervisionar ou direcionar, de forma prudente e responsável, quaisquer subordinados ou terceiros a quem deleguem responsabilidades por quaisquer serviços para o cliente. Procedimentos Disciplinares (Seção IV) O eventual descumprimento dos Princípios e Regras contidos neste Código será objeto de apuração pela Planejar, seja de ofício ou mediante o recebimento de denúncia, devendo o respectivo procedimento disciplinar ser conduzido de acordo com o estabelecido no documento “Normas Disciplinares e Procedimentos Para Apuração de Descumprimentos às Regras do Código de Conduta Ética e Responsabilidade Profi-ssional da Planejar”, anexoa este Código. Serão assegurados, na condução do procedimento disciplinar, a ampla defesa e o contraditório, sendo observadas também a celeridade, a razoabilidade e a simplifi-cação dos atos (informalidade). Na hipótese de reconhecimento da irregularidade atribuída ao Planejador CFP® e Associado, serão aplicadas as penalidades também previstas no documento “Normas Disciplinares e Procedimentos Para Apuração de Descumprimentos às Regras do Código de Conduta Ética e Responsabilidade Pro-fissional da Planejar”. PLANEJAMENTO FINANCEIRO E ORÇAMENTO PESSOAL | EA BANKING SHOOL 30 Melhores práticas (seção V) Recomenda-se que o planejador CFP: a) Desenvolva mecanismos para formalizar com seu cliente o escopo do trabalho, os custos envolvidos, a remuneração pelos serviços, os prazos acordados e outros itens que as partes julguem necessários; b) Comunique ao cliente qualquer informação que possa afetar sua decisão de contratá-lo; c) Informe ao cliente que a Planejar é o canal oficial para reclamações. PERFIL DE COMPETÊNCIAS DO PLANEJADOR FINANCEIRO A Planejar traduziu e publicou uma brochura denominada “Perfil de Competências do Planejador Financeiro”, elaborada pelo Financial Planning Standards Board (FPSB). O material visa informar ao público e a todos os interessados na atividade de planejamento financeiro pessoal as habilidades, os atributos, as competências e as atitudes esperadas de um planejador financeiro certificado pela Planejar. A figura mostra o Perfil de Competências do Planejador Financeiro, composto por capacidades, habilidades profissionais e conjunto de conhecimentos. Capacidades do planejador financeiro: coleta, análise e síntese O material “Capacidades do Planejador Financeiro” descreve as diversas tarefas que os profissionais de planejamento financeiro devem ser capazes de realizar no decorrer dos trabalhos de planejamento financeiro para clientes, qualquer que seja o tipo, o contexto ou sua localização. O profissional de planejamento financeiro utiliza uma ou mais capacidades, além de habilidades, atitudes, juízos e conhecimento relacionados ao trabalho, para fornecer com competência um planejamento financeiro aos clientes. Cada capacidade descreve determinada tarefa que o profissional de planejamento financeiro certificado executa ao fornecer o planejamento financeiro a um cliente. O FPSB classificou as capacidades do planejador financeiro em três funções: Coleta Durante a coleta, o profissional de planejamento financeiro obtém as informações necessárias para preparar um plano financeiro. Essa fase vai além da simples reunião de informações, incluindo também a identificação de fatos relacionados, por meio de cálculos requeridos e a ordenação das informações do cliente para análise. PLANEJAMENTO FINANCEIRO E ORÇAMENTO PESSOAL | EA BANKING SHOOL 31 Análise Durante a análise, o profissional de planejamento financeiro identifica e considera problemas, faz pesquisa financeira e avalia as informações resultantes para poder formular estratégias para o cliente. Síntese Durante a síntese, o profissional de planejamento financeiro sintetiza as informações para formular e avaliar estratégias para criar um plano financeiro. Habilidades profissionais do planejador financeiro: responsabilidade profissional, prática, comunicação e cognição O FPSB classificou as habilidades profissionais requeridas de um profissional de planejamento financeiro em quatro áreas: Responsabilidade profissional • Demonstrar discernimento ético, honestidade intelectual e imparcialidade; • Reconhecer os limites de sua competência; • Reconhecer o papel de interesse público da profissão. Prática • Cumprir com as leis e os regulamentos do mercado financeiro como também com o Código de Conduta Ética na prática da profissão; • Fazer julgamentos adequados em campos não abordados pela legislação de regulação da prática profissional; • Manter-se atualizado com as mudanças nos ambientes econômicos, políticos e regulatórios; • Aprender continuamente para assegurar a atualização dos conhecimentos e habilidades; • Fazer pesquisas adequadas durante a realização e o desenvolvimento de estratégias; • Exercer autonomia e iniciativa no desempenho das atividades profissionais. Comunicação • Ouvir o cliente; • Estabelecer um bom relacionamento com o cliente e outras pessoas; • Comunicar verbalmente informações e ideias de forma compreensível; • Construir boa comunicação escrita; • Apresentar raciocínios lógicos e persuasivos; • Lidar eficazmente com objeções e reclamações; PLANEJAMENTO FINANCEIRO E ORÇAMENTO PESSOAL | EA BANKING SHOOL 32 Cognição • Aplicar métodos ou fórmulas matemáticas, conforme a necessidade; • Analisar e integrar informações de várias fontes para chegar a soluções; • Usar raciocínio lógico para avaliar pontos fortes e fracos de eventuais linhas de ação; • Tomar decisões fundamentadas perante informações incompletas ou inconsistentes; • Demonstrar capacidade de adaptação de seus pensamentos e comportamentos. A Planejar acredita que o Planejamento financeiro transforma a vida das pessoas e entende que estabelecer o relacionamento com o cliente, entender seus valores, sonhos, objetivos e momento de vida, além de realizar a coleta de todas as informações pertinentes, são imprescindíveis para elaborar um bom planejamento financeiro.