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UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO 
CENTRO DE EDUCAÇÃO ABERTA E A DISTANCIA 
CURSO DE LICENCIATURA EM GEOGRAFIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
VIVENDO E APRENDENDO GEOGRAFIA, DISCUTIR PARA 
DISCERNIR 
 
 
 
 
 
 
 
Deyvison Correia Souza 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ouro Preto - MG 
2017 
 
 
DEYVISON CORREIA SOUZA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
VIVENDO E APRENDENDO GEOGRAFIA, DISCUTIR PARA 
DISCERNIR 
 
 
 
 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado na Universidade 
Federal de Ouro Preto, como requisito básico para a Conclusão 
do Curso de Licenciatura em Geografia. 
 
 
Orientadora: Profª Dr. Marta Bertin 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ouro Preto- MG 
2017 
 
 
 
VIVENDO E APRENDENDO GEOGRAFIA, DISCUTIR PARA 
DISCERNIR 
 
 
 
 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade 
Federal de Ouro Preto, como requisito para obtenção do título de 
Licenciado em Geografia. 
 
 
 
 
 
DEYVISON CORREIA SOUZA 
 
 
 
 
 
_____________________________________ 
Profª Drª. Marta Bertin 
_____________________________________ 
Profª. Maria Antônia Tavares de Oliveira Endo 
______________________________________ 
Prof. Jacks Richard de Paulo 
 
 
 
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
 
 Agradeço primeiramente a Deus, a minha esposa e minha 
filhinha Manu por me apoiarem neste trabalho. A Dª. Alzira minha 
mãe na fé, que tanto me apoiou e me incentivou nesta busca. Ao 
conhecimento da Geografia, por me abraçar e me tornar uma 
ferramenta de transformação social, á equipe da UFOP que se 
deixaram conduzir pelo espírito de excelência como ferramenta de 
transformação de pessoas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RESUMO 
 
 
Trabalho prático desenvolvido em sala de aula com alunos do 9º ano da 
Educação Básica, sob análise das metodologias e formas de ensino. 
Considerando o projeto pedagógico, a busca pela certificação da eficácia das 
diretrizes Curriculares de Geografia. A partir dos diversos ângulos, em uma 
resignação contextual da prática pedagógica, conhecendo a percepção do 
educando como sendo o objeto de estudo Geográfico à medida que é 
introduzido o conhecimento dos conceitos Geográficos. A partir da dialética, 
traz a experiência do aluno sobre a noção perceptiva das pegadas 
Geográficas. Embora a Geografia se posicione na frente de quem vê em um rol 
demonstrativo que seria tudo que está a frente, ela se volta como um reflexo 
obscuro em uma terminativa de busca. O papel do professor neste trabalho 
direciona e conduz o aluno nesta percepção, instigando-o a se enxergar como 
o Ser do objeto de estudo Geográfico. 
 
Palavras chave: Práticas pedagógicas de ensino, Discurso, Experiência social, 
Pegadas-gegráficas. 
 
 
SUMÁRIO 
 
 
1 – INTRODUÇÃO…………….………………..……………….…................... 07 
2 – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA……...…...……………........………... 08 
2.1 – Da proposição de ensino.......................................................................... 08 
2.2 – Do procedimento metodológico................................................................ 10 
2.2.1 – Planejamento escolar............................................................................ 10 
2.2.2 – CBC - Conteúdo Básico Comum do 9º ano da educação básica: 
Aplicações e implicações.................................................................................. 13 
2.2.3 – Do uso do livro didático......................................................................... 15 
3 – PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS….………..……......…….. 17 
4 – ANÁLISE DOS RESULTADOS………………….…..……...........….... 19 
5 – CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................ 28 
5.1 - Diagnóstico do que se percebeu nas práticas de ensino ......................... 28 
REFERÊNCIAS............................................................................................. 31 
ANEXOS......................................................................................................... 33 
7 
 
 
1 – INTRODUÇÃO 
 
 
Este trabalho tem por finalidade propor a valorização e o resgate das 
práticas socioespaciais, construindo um pensamento que passa, 
progressivamente, do simples ao complexo, substituindo um pensamento, que 
isola e separa, por um pensamento que distingue e une, no âmbito de uma 
abordagem contextualizada, propiciada pelo enfoque globalizado. Impetrando a 
abordagem dos conteúdos geográficos através de sua organização em um eixo 
integrador, do qual serão desdobrados por meio da dialética dos Contextos 
Geofísicos, fatores Climáticos e Geopolíticos do Continente Europeu, aplicado 
em sala de aula, aos alunos do 9º ano da Educação Básica. 
A partir desta abordagem, reconstruir os conceitos de Território, Lugar, 
Paisagem, Rede e Região, unindo os fragmentos de estudo dos anos 
anteriores da Educação Básica, correspondendo à transposição didática. A 
proposta é estimular que o aluno investigue e compreenda o conceito da 
Geografia no seu próprio cerne contextual, e por meio deste processo, auferir a 
percepção do “ser” e “estar” no espaço Geográfico. 
Através do uso do livro didático como ferramenta de introdução dos 
conteúdos abordados, por meio da leitura e interpretação, e a partir desta 
consonância, desenvolver trabalhos de discussão por meio de grupos 
formados, e jogos didáticos, na busca pelo estímulo que o aluno interaja e se 
imponha, expondo a sua capacidade de entender, discutir e de se inserir no ato 
de compreender a interação dos meios no espaço geográfico. Estimulando a 
sua capacidade de perceber e discutir a interação recíproca do homem e 
natureza, da sociedade e o espaço geográfico. 
Com vista ao Projeto Pedagógico de Ensino do ano escolar e o subsídio 
do “Programa Nacional do Livro Didático – PNLD 2017” para os Anos Finais do 
Ensino Fundamental, trazer á tona as dificuldades enfrentadas e o que foi 
possível alcançar nesta propositura de ensino. 
8 
 
 
2 – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 
 
 
2.1 – Da proposição de ensino do estudo do meio: teoria e prática 
 
Entende-se, e este é o objetivo deste trabalho, que a realização dos 
Estudos do Meio, em todos os níveis de ensino, mas particularmente 
na educação básica, pode tornar mais significativo o processo ensino-
aprendizagem e proporcionar aos seus atores o desenvolvimento de 
um olhar crítico e investigativo sobre a aparente naturalidade do viver 
social. Trata-se de verificar a pertinência e a relevância dos diversos 
conhecimentos selecionados para serem ensinados no currículo 
escolar e, ao mesmo tempo, lançar-se à possibilidade da produção de 
novos conhecimentos, a elaboração contínua do currículo escolar. 
(LOPES, PONTUSCHKA, 2009, p.173) 
 
Conforme o entendimento, na fala dos autores Lopes e Pontuschka 
(2009), a Teoria do Meio visa explorar o objeto de estudo em contato direto 
com a realidade do seu campo espacial. Embora seja uma interpretação do 
contato corpo a corpo como uma visita técnica, por exemplo, este trabalho visa 
explorar a sensação do aluno de estar a viver os fatos por meio da percepção 
da espacialidade geográfica em seu cotidiano. A partir desta percepção, 
estimulá-lo a se impor e de expor a sua capacidade de entender e discutir a 
sua compreensão dos meios no espaço geográfico. 
Segundo Vygotsky (Vygotsky, 1978 apud Vygotsky, 1993, p. 5, tradução 
nossa), a implicação importante é a de que o aprendizado humano é de 
natureza social e é parte de um processo em que a criança desenvolve seu 
intelecto dentro da intelectualidade daqueles que a cercam. Nesta percepção, 
entende-se, que o desenvolvimento do indivíduo se dá pela forma que ele está 
inserido socialmente nos meios dentro do espaço geográfico. 
Observa-se, esta análise em Halbwachs (1990, p. 51), conforme a fala 
do autor: 
 
Diríamos voluntariamente que cada memória individual é um ponto de 
vista sobre a memória coletiva, que este ponto de vista muda 
conforme o lugarque ali eu ocupo, e que este mesmo lugar muda 
segundo as relações que mantenho com outros meios. Não é de 
admirar que, do instrumento comum, explicar essa diversidade 
voltamos sempre a uma combinação de influências que são, todas, 
de natureza social. 
 
 Percebe-se na obra de Freire (1983), a de que a dicotomia do 
desenvolvimento intelecto social paira na observação de Halbwaschs, sobre a 
9 
 
 
memória coletiva. Assim, pode-se compreender que, a partir do pensamento de 
Halbwachs (1990) as memórias são formadas por grupos sociais, com base 
naquilo que o indivíduo lembra no sentido literal e físico e que a partir desta 
junção grupal são constituídas as definições culturais. 
 A partir desta lógica entende-se, que a criticidade discursiva de Freire 
(1974) na sua fórmula teórica da Pedagogia do Oprimido, o determinismo 
memorável dos grupos sociais, que determinam o que é “memorável”, e 
também como será lembrado. Isto explica como as memórias sociais e 
individual se interligam. Quanto mais fortes são os grupos, mais agregadoras 
são as memórias. Dessa forma, o que está em jogo não é como as pessoas 
lembram, mas sim em que contexto isto ocorre. Os grupos aos quais 
convivemos é que estruturam nossa memória. O grupo é importante, 
fundamental é o processo de sociabilização que vem através da linguagem que 
possibilita contar a história. 
 Conforme Saviani (1989), conclui-se, que a função própria da 
educação, consiste em reproduzir a sociedade naquilo que ela se insere. 
Quando se coloca o ponto de vista que a Geografia é o próprio meio de 
natureza social do “Ser” que está inserido e do “Meio” que o insere, os fatos 
que se explicam são as consoantes desta relação que podem ser as diversas 
conjugações de tempo e formas, que na priori são os objetos de estudos 
Geográficos. 
Nestes moldes de pensamento é possível trazer á tona os Estudos dos 
Meios, uma vez que, a experiência de cada um, seria uma interpretação do 
trabalho de campo da coisa vivida. Na expressão do título deste trabalho 
“Vivendo e Aprendendo Geografia, Discutir para Discernir”, é possível ter uma 
ideia mais nítida, o quanto a Geografia é espacialmente Globalizada. 
Todos os aspectos de abordagem no ensino da Geografia basta um 
pouco de reflexão para perceber o quanto ela está intimamente ligada no 
cotidiano das pessoas, nas decisões, e formas de viver. Embora seja um pouco 
complexo entender a palavra Geografia em uma definição propriamente dita 
por causa da sua amplitude de abordagem, e, até mesmo pelo fato de ser uma 
área do saber que está sempre em constante expansão por estudar as coisas 
do meio que se modificam, e o ser humano modificado por tais coisas que se 
modificam em um processo de reciprocidade, elas são facilmente 
compreendidas por se tratar de fatos apalpável de notoriedade espacial. 
10 
 
 
Na expressão das palavras: População, Natureza e Economia; palavras chaves 
para a introdução da Geografia; é possível através da linguagem de expressão 
discursiva introduzir a experiência social. Esta observação é reforçada por 
Santos (1978, p. 10): O geógrafo deveria se preocupar com a análise dos 
mecanismos ou dos processos, pois são estes que captam a essência 
complexa que funda o meio geográfico. Segundo Freire (2002, p.15), conhecer 
é tarefa de sujeitos, não de objetos. E é como sujeito e somente enquanto 
sujeito, que o homem pode realmente conhecer. 
 Freire (2002) reforça sobre o conceito de conhecer, e que este paira 
sobre o sujeito e não sobre o objeto. Consoante a esta fala, é possível 
perceber a importância de compreender a educação pelos olhos do aluno, a 
forma como ele se enxerga dentro do objeto de estudo. O ensino de Geografia 
em sala de aula deve buscar o desenvolvimento da intelectualidade de “ver” a 
realidade a partir de sua espacialidade, os fatos se justificam pelas regras de 
relações sociais que exigem que se tenha consciência espacial. Portanto 
necessário é, que o sujeito entenda que ele é parte integrante da realidade e 
que, por meio de sua ação, influencia e é influenciado. 
 
 
2.2 – Do procedimento metodológico 
 
2.2.1 – Planejamento escolar 
 
O planejamento é fundamental na prática docente, com duas bases 
fundamentais: A metodologia aplicada e a proposição do que se propõe 
alcançar. A metodologia não pode fugir da realidade e da capacidade de 
realização dos envolvidos, tanto nos aspectos estruturais, materiais e 
econômicos. A propositura a ser alcançada terá mais êxito ao ponto que, 
quanto mais viável for, levando em conta a linguagem e aspectos, 
considerando a realidade cultural, social e econômica. Portanto a metodologia 
deverá ser sincronizada sem marasmo em um consenso de bem estar entre a 
comunidade, a gestão escolar, funcionários, Alunos, pais e professores que 
compõem o Colegiado. 
 Para Libâneo (1994, p. 241), 
 
11 
 
 
O plano é um guia de orientação, pois nele são estabelecidas as 
diretrizes e os meios de realização do trabalho docente. Sua função é 
orientar a prática partindo da exigência da própria prática. O plano 
deve ter uma ordem seqüencial, progressiva. Para alcançar os 
objetivos, são necessários vários passos, de modo que a ação 
docente obedeça a uma seqüência lógica. Por objetividade 
entendemos a correspondência do plano com a realidade que se vai 
aplicar. Não adianta fazer previsões fora das possibilidades humanas 
e materiais da escola, fora das possibilidades dos alunos. Deve haver 
coerência entre os objetivos gerais, objetivos específicos, os 
conteúdos, métodos e avaliação. Coerência é relação que deve existir 
entre as idéias e a prática. O plano deve ter flexibilidade no decorrer 
do ano letivo, o professor está sempre organizando e reorganizando o 
seu trabalho. Como já dissemos o plano é um guia e não uma 
decisão inflexível. 
 
Segundo Libâneo (1994, p.221): O Planejamento é um processo de 
racionalização, organização e coordenação da ação docente, articulando a 
atividade escolar e a problemática do contexto social. 
Nas práticas na realização de quaisquer projetos ou trabalhos, 
percebem-se o quanto fica inviável sem um planejamento adequado, sem ele, 
o que se propõe a fazer, é construído em falhas, prejuízos e transtornos, em 
relação às práticas docentes dentro das escolas acontece o mesmo. Nas 
práticas de Estágio percebeu-se, o quanto o planejamento é uma ferramenta 
tão importante para a administração escolar, ele está previsto no calendário do 
ano letivo; na semana do início de cada semestre. No segundo semestre, 
considerando-se os resultados das avaliações assim como o ritmo das aulas do 
primeiro semestre, é feito o replanejamento, mantendo a sincronia da 
objetividade do educador, tendo como base alcançar a proposição de ensino 
do CBC - Conceito Básico Curricular. 
Neste sentindo, Passini (2010, p. 60) aponta, 
 
O plano de aula é o detalhamento do plano de ensino específico para 
uma aula. Ele pode ser um documento escrito, no qual estão contidos 
os objetivos, os recursos, os procedimentos, a dinâmica e a 
avaliação. O plano de aula é quase um documento particular do 
professor, no qual ele coloca a ordem das ações que pretende adotar 
na aula, com detalhes sobre os recursos a serem utilizados, em cada 
etapa do processo, as atividades possíveis etc. 
 
Conforme as orientações, o planejamento é comparado a um 
documento, considerando a sua relevância. Como objeto de introdução das 
formas que se dará a metodologia, por meio da organização antecipada, é 
possível corrigir possíveis equívocos, a partir da análise de revista subjetiva do 
que se propõe realizar. Segundo Vasconcellos (1995, p. 27), 
12 
 
 
Existem no contexto atual, três grandes linhas de planejamento: a 
gestão da qualidade total que implica numa forma diferente de ver a 
empresa em relação ao resto da sociedade, onde é necessário 
manter um equilíbrio e uma troca de contribuições e recompensas, o 
estratégico na qual todasas pessoas de uma organização, de todos 
os níveis ou setores se empenham vigorosamente nas atividades de 
controle da qualidade por toda a organização, através de métodos e 
técnicas específicas, interpretando-se, pela definição e a missão da 
organização, e o participativo que envolve a participação de todas as 
pessoas para solucionar problemas comuns nos setores das 
atividades humanas e sociais, que na prática seria o processo de 
organização do trabalho coletivo da unidade escolar. 
 
Através destas linhas, é possível criar três concepções para o 
planejamento escolar. São eles: O Planejamento Tradicional: feito sem o 
critério de formalização, cabendo ao professor a competência de desenvolver 
apenas as tarefas em sala de aula, o Planejamento Instrumental: com perfil 
tecnicista de educação, com foco para solucionar problemas, como a falta de 
produtividade da educação com uma ação planificadora de preenchimento de 
planilhas e o Planejamento Participativo que, Segundo Vasconcelos (1995, 
p.31), 
 
Esta foi a nova forma encontrada por educadores que se 
preocupavam com o planejamento da educação, ou seja, foram 
buscar a construção, a participação, o diálogo, o poder coletivo local, 
a formação de consciência crítica, a partir da reflexão sobre a prática 
da mudança. 
 
O professor que não se atém a um Planejamento Participativo e busca o 
caminho mais fácil, por muitas das vezes perde a oportunidade de fazer uma 
“venda casada” de um ensino de qualidade. Porém, ao introduzir todos os 
recursos possíveis, poderá não alcançar êxito no seu trabalho, considerando 
que dentro da sala de aula existem alunos que podem estar com tais recursos 
a serem aplicados, fora da sua espacialidade social, cultural e econômica. 
Mesmo que haja necessidade que o aluno venha conhecer tais recursos, 
dificilmente ele se manifestaria, ficando oprimido, acuado na sala e perdendo a 
oportunidade de aprender o que realmente importa os conceitos Geográficos. 
Se a intenção é alcançar a estabilidade de coerência do corpo de 
ensino, o caminho mais viável seria a do discurso em que todos aprendem com 
todos. E o aluno acuado, por vezes se manifestará expondo a sua experiência 
frente ao assunto abordado. Dificilmente não teriam o que compartilhar, 
levando em conta que a Geografia é o estudo dos Meios em que o Ser está 
13 
 
 
inserido, e do Espaço que o insere ao que se extrai; a consonância destas 
relações. 
 
2.2.2 – CBC - Conteúdo Básico Comum do 9º ano da Educação Básica: 
Aplicações e implicações 
 
O CBC propõe estabelecer os conhecimentos, as habilidades e 
competências a serem adquiridos pelos alunos na educação básica, 
bem como as metas a serem alcançadas pelo professor a cada ano, 
são condição indispensável para o sucesso de todo sistema escolar 
que pretenda oferecer serviços educacionais de qualidade à 
população. A definição dos conteúdos básicos comuns (CBC) para os 
anos finais do ensino fundamental e para o ensino médio constitui um 
passo importante no sentido de tornar a rede estadual de ensino de 
Minas num sistema de alto desempenho. Os CBCs não esgotam 
todos os conteúdos a serem abordados na escola, mas expressam os 
aspectos fundamentais de cada disciplina, que não podem deixar de 
ser ensinados e que o aluno não pode deixar de aprender. Ao mesmo 
tempo, estão indicadas as habilidades e competência que ele não 
pode deixar de adquirir e desenvolver. 
(GUIMARÃES, 2006, p.9). 
 
A proposição de ensino conforme instituída pelo Estado faz jus a uma 
série de fatores coordenados, visando à promoção humana. Considerando que 
o Estado democrático de direito no berço da política de bem estar social, 
assegura uma educação de qualidade nos primordiais para uma sociedade 
igualitária. Considera-se, que o governo que zela pelo seu povo com insumos 
de qualidade é como uma mente que conduz seu corpo aos melhores dos 
manjares, deixando-o preparado e mais resistente ás intempéries e ou a falta 
de alimentos, considerando que ambos são recíprocos, corpo e mente. 
 O Projeto da Proposta Curricular de Geografia criado em Outubro de 
2006, no que concerne ao CBC - Conceito Básico Comum foi aceito e instituído 
pela Secretaria de Educação do Estado de Minas Gerais como proposições a 
serem alcançadas a partir do ano de 2007. 
A este respeito Rezende; Ribeiro; Durso (2006, p.16-17) esclarecem 
que, 
 
Da mesma forma que existem várias razões que justificam a presença 
da Geografia nos currículos escolares do Ensino Fundamental, são 
muitas as formas de definir os critérios para a seleção dos conteúdos. 
Dando ênfase que esses critérios não são excludentes e que levem 
em conta todos eles: científico, tecnológico, cultural e pedagógico. O 
critério científico possibilita compreender a realidade do mundo em 
que vivemos, numa pluralidade de abordagens para o entendimento 
do espaço geográfico. Essas abordagens são a crítica, que se refere 
14 
 
 
à compreensão e explicação do processo de produção do espaço 
geográfico sem se restringir às determinações econômicas. 
 
 Conforme as orientações e considerações, a proposta não é excluir, mas 
somar o que o ensino tem de melhor para oferecer. Depois de uma longa 
busca constante por profissionais altamente capacitados, o que se deu foi uma 
projeção de ensino com vista á eficiência e eficácia dos processos. 
 A partir das três conjunturas dos aspectos de abordagem, quer queira no 
âmbito da sociedade, das ciências tecnológica ou ambiental, a Geografia se 
explica. Na fala de Santos (1988, p. 21) podemos perceber esta observação, 
 
[...] partir da consciência da época em que vivemos. Isto significa 
saber o que o mundo é e como ele se define e funciona, de modo a 
reconhecer o lugar de cada país no conjunto do planeta e o de cada 
pessoa no conjunto da sociedade humana. É desse modo que se 
podem formar cidadãos conscientes, capazes de atuarem no 
presente e de ajudar a construir o futuro. 
 
 O contexto Cultural e socioambiental busca a conscientização do 
cuidado com os recursos naturais. Transmitindo um conhecimento de como 
sustentabilizar os meios de relação e de sobrevivência. Conforme as 
orientações contidas no CBCs de Geografia (REZENDE, RIBEIRO e DURSO, 
2006, p.16), o contexto cultural e socioambiental: 
 
Incorpora a explicação perceptiva, subjetiva e contextualizada da 
diversidade cultural dos espaços geográficos, identificados na 
tradição, etnia, religião, linguagem, costumes, crenças, gênero e 
valores, e problematiza as graves questões decorrentes das relações 
contraditórias e conflituosas entre sociedade e natureza, sociedade e 
espaço, do presente. 
 
 O Projeto Curricular de Geografia integraliza as ciências Geográficas em 
prol do ensino das formas que estas relações são possíveis por meio do 
equilíbrio e sustentabilidade, (REZENDE, RIBEIRO e DURSO, 2006, p. 17), 
enfatiza ainda que: 
 
Ao buscar compreender as intrincadas relações entre 
desenvolvimento econômico, equidade social e sustentabilidade 
ambiental, a Geografia propõe a valoração econômica ambiental 
como instrumento na gestão de recursos ambientais, inserindo o meio 
ambiente nas estratégias de desenvolvimento econômico. Por meio 
da rede da educação patrimonial e ambiental, leva à construção de 
sociedades sustentáveis. Portanto, é responsabilidade dos 
educadores fomentar a construção de novos conhecimentos, 
mentalidades e comportamentos comprometidos com esse objetivo. 
No critério pedagógico, os conteúdos escolares são também vistos 
15 
 
 
como conceitos, procedimentos e atitudes recortados da cultura 
humana e re-significados sob a ótica do desenvolvimento de 
competências e da lógica da recursividade. 
 
 Refletindo sobre todas as orientações contidas no material de Diretrizes 
Curriculares, é possível perceber certo cuidado de seleção, organização e 
informação. Instigando a uma estratégia de busca na resolução de problemas 
com vista ao domínio de sistemas simbólicos e práticassociais, incorporando 
as formas e os saberes culturais. 
 Todos estes conceitos contidos nos CBCs são reunidos em um manual 
que conduz o professor no caminho do ensino, denominado livro didático, 
orienta passo a passo o que deverá ser introduzido para que finalmente se 
alcance a propositura do projeto pedagógico. Conforme o capítulo a seguir, 
será possível entender um pouco mais sobre os livros didáticos. 
 
 
2.2.3 – O uso do livro didático 
 
Os estudos históricos mostram que os livros didáticos escolares 
assumem, múltiplas funções e entre eles há quatro essenciais, que podem 
variar consideravelmente segundo o ambiente sociocultural, a época, as 
disciplinas, os níveis de ensino, os métodos e as formas de utilização. 
Estas afirmações estão na fala de Choppin (2004, p. 553), um grande 
pesquisador de livro didático no mundo, segundo o mesmo, estas funções são: 
 
1. Função referencial: Também chamada de curricular ou 
programática, desde que existam programas de ensino: o livro 
didático é então apenas a fiel tradição do programa ou, quando se 
exerce o livre jogo da concorrência, uma de suas possíveis 
interpretações. Mas, em todo o caso, ele constitui o suporte 
privilegiado dos conteúdos educativos, o depositário dos 
conhecimentos, técnicas ou habilidades, que um grupo social acredita 
que seja necessário transmitir ás novas gerações; 
2. Função instrumental: o livro didático põe em prática métodos de 
aprendizagem, propõe exercícios ou atividades que, segundo o 
contexto, visam a facilitar a memorização dos conhecimentos, 
favorecer a aquisição de competências disciplinares ou transversais, 
a apropriação de habilidades, de métodos de análise ou de resolução 
de problemas, etc; 
3. Função ideológica e cultural: É a função mais antiga. A partir do 
século XIX, com a constituição dos estados nacionais e com o 
desenvolvimento, nesse contexto, dos principais sistemas educativos, 
o livro didático se afirmou como um dos vetores essenciais da língua, 
da cultura e dos valores das classes dirigentes. Instrumento 
privilegiado de construção de identidade, geralmente ele é 
reconhecido, assim como a moeda e a bandeira, como um símbolo da 
16 
 
 
soberania nacional e, nesse sentido, assume um importante papel 
político. Essa função, que tende a aculturar - e, em certos casos, a 
doutrinar - as jovens gerações, pode se exercer de maneira explícita, 
até mesmo sistemática e ostensiva, ou, ainda de maneira 
dissimulada, sub-reptícia, implícita, mas não menos eficaz; 
4. Função documental: acredita-se que o livro didático pode fornecer, 
sem que sua leitura seja dirigida, um conjunto de documentos, 
textuais ou icônicos, cuja observação ou confrontação desenvolverá o 
espírito crítico do aluno. 
 
Conforme o entendimento, o livro didático é como uma bússola para 
conduzir o professor à linha de chegada. Porém, em se tratando do ensino de 
Geografia em que o aspecto de ensino é mais discursivo e de debate sobre 
assuntos da atualidade, em que muitas das vezes são inevitáveis, é necessário 
ponderar que um projeto de ensino tem escopo a ser seguido, para o sucesso 
do corpo de ensino. 
Conforme o entendimento, na teoria, o ensino possui cinco passos 
fundamentais que se inicia a partir do que se propõe a ensinar (Proposição), 
sendo, portanto um direcionamento para as diretrizes básicas curriculares. 
Após a projeção (Projeto) é formulado o processo (Metodologia) para se 
alcançar o ensino. Informado sobre a direção (Diretrizes), o caminho a ser 
seguido e alcançado, é preciso que o professor organize o que será conduzido 
por meio destes, sendo feito, portanto, um (Planejamento) das formas, e os 
meios como, a metodologia que se conduzirá. 
17 
 
 
3 – PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 
 
 
Por meio de 6 aulas de Geografia em sala de aula, para alunos do 9° 
ano do Ensino Fundamental, foi proposto dialogar sobre o sentido e a definição 
da Geografia, motivando a reflexão de sua importância no contexto do 
conhecimento e contribuições afins e, a avaliação (feedback), do que se 
aprendeu sobre a aula aplicada: 
- 1ª, 2ª e 3ª Aulas – Leitura do livro didático e discussão, abrangendo o 
contexto da reciprocidade entre o homem e a natureza, as relações e ocupação 
humana, os recursos que sobrevivem, os recursos e a sobrevivência humana, 
a dinâmica populacional. “Contexto Geofísico, fatores Climáticos e Geopolíticos 
do Continente Europeu”. 
Atividade impressa e discussão de feedback. 
- 4ª Aula – Por meio do uso do Globo Terrestre, transmitir o conhecimento de 
como estudar o Mundo e repassar a noção de como as relações humanas e 
físicas acontecem. Com foco para o Continente Europeu; “As relações internas 
para com os países vizinhos e outros Continentes, aspectos positivos e 
negativos destas relações no âmbito da Globalização”. 
- 5ª Aula – Aplicação da aula de forma lúdica por meio do jogo a batalha 
Geográfica com vista à discussão através da organização de grupos formados, 
do contexto abordado nas aulas anteriores. 
- 6ª Aula – Feedback e considerações finais discursiva. 
- Palavras chave de conteúdo didático: População, natureza, economia. 
Abordagem: Continente Europeu. 
Conceitos de abordagem: 
Geografia Física: Relevo, Hidrografia, Clima, Meio Ambiente. 
Geografia Humana: Demografia, Línguas, Religião, Cultura. 
Geopolítica:Política, Economia, reflexos social, União Européia, Globalização. 
Aplicação prática: 
Leitura: Livro didático. 
18 
 
 
Apresentação: Globo terrestre. 
Interpretação: Discurso 
Trabalho de Grupo: Jogo da batalha naval, representando quatro grupos que 
disputarão entre si a sobrevivência de seus navios por meio de acertos de 
perguntas sobre o continente Europeu. O grupo que houver melhor 
desempenho na atividade lúdico proposta, será a vencedora. Cada grupo 
receberá uma caixa de bombom surpresa no final da aula como brinde. 
Feedback: avaliação individual por meio de atividade impressa. 
Finalização: Discurso e considerações. 
19 
 
 
4 – ANÁLISE DOS RESULTADOS 
 
 
Este trabalho foi realizado na Escola Estadual Padre Camargos, situada 
na cidade de Contagem-MG. No turno da tarde, com alunos do 9º ano do 
Ensino Fundamental, sob a ótica do professor titular de Geografia que se 
prontificou a colaborar e ceder as suas aulas para a prática do Estágio 
Supervisionado III, por ora, atuando ainda como Supervisor no que concerne 
a prática com as suas devidas aplicações e implicações. 
Após os procedimentos documentais de apresentação e de acolhimento 
em comum acordo de contrato social de cooperação, houve um período de 
observação pelo Estagiário, da prática de ensino do professor titular de 
Geografia, em que se teve a oportunidade para conhecer os alunos e obter o 
entrosamento com todas as classes em que o Professor leciona. 
Sentado em uma cadeira próximo a porta, com a carteira virada para a 
turma, por ora, fazendo a chamada de presença, passando a escrita das 
questões na lousa e participando dos discursos elencados pelo professor, 
como a causa indígena (naquela semana houve visita de um grupo indígena 
na escola) e do Racismo no Brasil, com a proximidade da data em que se 
comemora a proclamação da lei Áurea. O professor ficou bastante 
entusiasmado por poder somar as experiências de situações vividas aos 
debates e poder assim esclarecer mais abertamente com afirmatividade. 
Após algumas aulas de observação ficou exaurida a possibilidade de 
estranhamento entre o estagiário e a turma em que se daria a prática de 
Estágio. Sempre que se referia ao Estagiário o professor titular o chamava de 
professor, possibilitando transmitir com segurança assertiva o proposto na 
prática de Estágio. 
Em comum acordo entre o Estagiário e o professor titular, ficou acordado 
que, além do Estágio prático, seria feito uma análise da proposição do ensino 
e o que realmente se alcançou após a aplicação de aula, incluindo aspectos 
comportamentais da relação professore aluno durante os procedimentos 
práticos. Com a proposta de usar os dados como material de defesa 
Monográfico e TCC - Trabalho de Conclusão de Curso. 
20 
 
 
1º dia de aula prática: Introdução de Conteúdo - Domínios Naturais da Europa 
 
Usou-se, o livro didático escolhido pelo professor titular, para a referida 
Escola em que se dá o trabalho. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 O planejamento feito pelo Estagiário foi pautado no Continente Europeu, 
respeitando assim, a transposição didática e o período de aplicação, estando 
sincronizado com o Projeto Pedagógico de Ensino. 
 Antes que se começasse a leitura do livro, fez-se uma abordagem da 
importância dos continentes como parte dos estudos Geográficos, elencando 
que tais estudos, proporcionam um conhecimento histórico das políticas, 
organização social, econômicas e físicas do Planeta Terra. Evitando assim, a 
ocupação da mente com indagações do porque estudar e para que sirva o 
aplicado, o que poderia prejudicar a memorização do discurso ouvido. 
 Após escrever no centro da lousa, conteúdo de Geografia e, em uma 
parte no canto, especificar a página do livro, foi perguntado à classe quem 
gostaria de acompanhar a leitura. No canto próximo á porta, foi escrito o nome 
dos alunos em sequência que prosseguiriam a leitura (Figura 1). 
21 
 
 
Figura 1 – Leitura: Domínios naturais da Europa 
 
Fonte: Aula prática de Geografia em sala de aula 
 
 
 Boa parte dos alunos se propôs a participar da leitura e, todos 
contribuíram prestando atenção na aula. 
 A leitura de algo que se propõem a conhecer pode ser uma aula atrativa, 
considerando que o silêncio e a atenção se fazem necessária, são recursos 
que além de despertar a atenção dos alunos, promove a participação efetiva de 
todos, garantindo, assim, eficácia no processo do ensino e aprendizagem. 
Como reflexo foi possível repassar o conhecimento nesta aula dos países que 
compõem o Continente Europeu, Europa Ocidental e oriental, situação 
Geográfica, Dimensão Territorial, Hidrografia, Clima, relevo, Vegetação e 
aspectos fronteiriços. 
 O tempo passou muito rápido, porém, a proposição do que foi planejado 
para aquele dia foi alcançado com sucesso, sem perda de tempo. Embora o 
discurso não tenha sido possível, ele poderia ser resgatado em um momento 
oportuno específico para um debate, a especificidade ocasionaria um resultado 
mais preciso. Levando em conta que um planejamento apropriado e com os 
recursos necessários em mãos à possibilidade de um melhor resultado da 
prática pedagógica de ensino. 
 
2º dia de aula prática (duas aulas juntas): Atividade com Mapas 
 
 Para a segunda aula foram separados um globo terrestre e um mapa 
grande para auxiliar na apresentação elucidativa do que foi lido na aula 
22 
 
 
anterior. A proposta seria expor e permitir um contato visual com os domínios e 
aspectos Geopolíticos do Continente Europeu, e por meio destes, transmitir um 
conhecimento mais acurado dos símbolos e suas representações (Figura 2). 
 
Figura 2 – Trabalhando com mapas e globo terrestre em sala de aula. 
 
Fonte: Aula prática de Geografia em sala de aula. 
 
 
 Ao abrir o mapa em um local que pudesse facilitar a visão de todos os 
alunos, o estagiário iniciou o discurso com algumas perguntas básicas para 
que pudesse conhecer o nível de alfabetização cartográfica. Iniciando com a 
pergunta do que viria a ser e para que serviria o título em um mapa, 
prosseguindo pela escala, orientação, legenda e projeção. Após a sondagem 
constatou-se que alguns alunos apresentavam analfabetismo cartográfico, ao 
ponto que, teve-se a oportunidade para explicar cada um dos símbolos 
representativos. 
 Nesta aula os alunos puderam ver e conhecer os aspectos Geofísicos da 
Europa como, os oceanos e mares, os canais e estreitos, as penínsulas e ilhas, 
a proporção de tamanho dos países em comparação e os que são 
intercontinentais, o tamanho do continente europeu e aspectos da placa 
tectônica Eurasiática. 
 O Estagiário buscou-se explicar através do mapa, como funciona as 
influências climáticas latitudinais e longitudinais, correntes marítimas, relevos, 
rede hidrográfica, proporção vegetativa, Europa Ocidental e Oriental. 
Aproveitou para discursar sobre as áreas limítrofes com zonas conflituosas de 
guerras, fazendo uma breve introdução para a próxima aula sobre a crise 
demográfica e ponderou ainda sobre algumas observações como as facilidades 
e dificuldades de acesso comercial. 
23 
 
 
 Durante o discurso os alunos ficaram atentos e silenciosos como se 
estivessem assistindo a um filme. Quando se aproximava do término da aula o 
Estagiário distribuiu uma atividade para casa (ver anexo), solicitando que os 
alunos coletassem observações pessoais e respondessem algumas perguntas 
relativas do seu núcleo de convivência como, sensação térmica, recursos 
hídricos e tipo de vegetação do entorno, entre outras. O professor titular que 
também assistia à aula havia gostado muito da ideia e acrescentou que esta 
atividade valeria três pontos, considerando o esforço de cada um. 
 
3º Dia de aula prática: Discurso sobre o conceito da Geografia 
 
 Neste dia, pôs se em prática a proposição de aula que teria como 
escopo as observações feitas pelos alunos. O Estagiário usou o discurso para 
tentar “vender” a ideia de que a Geografia é indissociável da pessoa humana. 
O objetivo incluía instigar todos os alunos a discutirem e exporem suas 
experiências a partir da coleta feita, além de colocarem o ponto de vista 
pessoal, frente aos assuntos elencados. 
 Embora a Geografia se posicione na frente de quem vê em um rol 
demonstrativo que seria tudo que está a frente, ela se volta como um reflexo 
obscuro em uma terminativa de busca, e o papel do professor é sincronizar o 
aluno nesta percepção, instigado-o a se enxergar como o Ser do objeto de 
estudo Geográfico.. 
 Posicionado de frente para a classe foi perguntado pra cada aluno quais 
foram as suas observações coletadas na ordem a seguir: 
- O Lugar onde você mora, têm característica Urbana ou Rural? 
- Caso seja Rural, quais são as vantagens e desvantagens encontradas em 
relação a área urbana? 
- Caso seja Urbana, quais são as vantagens e desvantagens encontradas em 
relação à área Rural? 
- O Espaço é muito ou pouco transformado pela ação do homem? 
- Nos arredores é possível perceber alguma vegetação natural? 
- A sensação térmica em relação a outros lugares é muito quente ou muito fria? 
- O trajeto entre a escola e a sua moradia é plano ou montanhoso? 
- O clima é abafado ou ameno? 
24 
 
 
- A água consumida é extraída pela empresa de abastecimento de qual 
afluente? 
- As frutas, legumes e verduras consumidas são compradas ou cultivadas em 
casa? 
- Qual a coordenada deste lugar em relação á escola, considerando a frente da 
escola como leste (Ex. Leste, Oeste, Norte, Sul ou entre meios, Nordeste, 
Noroeste, etc..)? 
- Qual o meio de transportes utilizado para a locomoção entre o trajeto de casa 
e da escola? 
- Qual a principal atividade econômica que existe na sua Cidade? 
- Caso ela não existisse como seria a sua cidade? 
- Qual o recurso tecnológico que mais ocupa o seu dia a dia? 
- O que Você entende por Geografia? 
 
 Esta pesquisa foi focada em três considerações básicas; na leitura, 
identificação e interpretação a partir da observação do espaço geográfico, 
considerando a proporcionalidade da relação homem e natureza. 
 Todos os alunos participaram da aula e interagiram bem com o discurso 
elencado. A pergunta final sobre o que se entende por Geografia, foi subjetiva 
considerando a concepção das perguntas anteriores. À medida que se 
perguntava o que o aluno havia respondido, acrescentavam-se outras 
perguntas como, o horário que foi feito a coleta, se o tempo estava aberto ou 
nublado, se o aluno tinha horta em casa, se a água que saía da torneira era 
com muito ou pouco cloro, entreoutras, para considerar os diversos fatores 
que poderiam ter influenciado na coleta. 
 
4º Dia de aula prática – Dinâmica populacional 
 
 Nesta aula, com o auxílio dos alunos realizaram-se as leituras, e através 
dela, foi possível conhecer a dinâmica populacional da Europa, e a partir de 
quais fatores se desenharam o perfil populacional atual. Também foi possível 
conhecer as etnias, aspectos culturais próprios e modificações no âmbito da 
Globalização. Aproveitou-se para discutir sobre a crise demográfica em 
decorrência da Guerra na Síria e repassar o conhecimento das implicações que 
surgem das migrações. Os maléficos e benéficos do que se pode extrair na 
25 
 
 
busca constante por melhores condições de vida. Os impactos ambientais e 
sociais ocorridos a partir das modificações demográficas. 
 
5º Dia de aula prática - Economia do Continente Europeu, aspectos e 
implicitações da Globalização. 
 
 As leituras prosseguiram na aula seguinte, com a abordagem dos 
aspectos econômicos do Continente Europeu. Correlacionando as 
transformações internas que culminaram para o desenvolvimento industrial em 
escala Global. Como a economia do mundo se modernizou a partir do parque 
industrial Europeu. Não deixando de expor o contraste entre as nações 
capitalistas e os antigos blocos Comunistas. Que a maioria destes países do 
antigo bloco ainda possui um nível considerado de pobreza e 
subdesenvolvimento. 
 A União Europeia sob a ótica da moeda única, também foi um assunto 
levantado, embora houvesse uma super valorização na sua criação em 1999 
com a fusão de várias empresas estimuladas pelos baixos juros de 
investimentos, anos mais tardes começaram a surgir problemas que 
influenciaram o mercado no mundo todo, neste sentido buscou-se explorar esta 
questão, fazendo uma explicação breve de como se comporta o mercado de 
capitais e como estes comportamentos influenciam profundamente a economia 
em todo o mundo (Figura 3). 
 
Figura 3 – Globalização 
 
Fonte: Aula prática de Geografia em sala de aula 
 
26 
 
 
6º Dia de aula prática: Atividade lúdica em grupo 
 
Nesta aula ocorreu o planejamento e a execução de uma brincadeira 
denominada a batalha naval. A classe foi dividida e cada fileira correspondia a 
um grupo. Como havia cinco filas de carteira, consideraram cinco navios 
distintos em disputa. A brincadeira aconteceu a partir da resposta sobre 
perguntas surpresas que foram feitas oralmente. 
Os alunos se interagiram entre seus integrantes de grupo, discutiram 
entre si até que houvesse um consenso da resposta que consideraram 
corretas, considerando o tempo de espera, um minuto para cada pergunta. O 
tema das perguntas abordou o contexto geral do que foi aplicado por meio do 
estudo sobre o Continente Europeu. Os cincos navios representaram os 
grupos dentro de um quadro-verdade, divido horizontalmente de Um a Quatro 
e verticalmente de A a J, 
O primeiro grupo sabia que sua localização era representada pelas 
coordenadas A1, A2, A3, A4, B1, B2, B3 e B4, o segundo grupo pelas 
coordenadas C1, C2, C3, C4, D1, D2, D3 e D4, e assim sucessivamente 
conforme exemplo da Figura 4: 
 
Figura 4 – Quadro esboço do jogo a batalha naval 
 
Fonte: Aula prática de Geografia em sala de aula 
 
Toda vez que era feito uma pergunta, chamava-se pelas coordenadas e 
esperava que o grupo se manifestasse até no máximo um minuto, caso não 
respondessem ou errassem a pergunta, era marcado um X no quadrante que 
foi chamado, considerando um bombardeio. 
A turma foi bastante participativa com a aula, e todos os alunos 
procuraram se interagir com o grupo, para que o navio em que estavam não 
27 
 
 
naufragasse. Todas as perguntas foram respondidas corretamente ao que 
explica terem prestado atenção nas aulas e aprendido com elas. 
As atividades realizadas individualmente, e, ou em grupo dentro da sala 
de aula permitiram conduzir os alunos em um processo de sociabilização, e a 
partir desta prática, lhes auferir certa percepção reflexiva de como a harmonia 
de uma sociedade depende da cooperação de cada um. Por meio de 
situações trabalhadas em uma busca de socialização, instigando-os a 
desenvolverem suas capacidades de organização, individual, em equipe e de 
adaptação. Foram instigados a abrirem os seus diálogos, e em resposta, 
foram transponíveis em um comportamento de receptividade no trato humano, 
possibilitando um amadurecimento nas relações e compreensão em relação 
ao outro. 
28 
 
 
5 – CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
 
Considerando que cada professor é singular e têm a sua maneira e ritmo 
de aplicação de aula, conforme a sua forma de enxergar os caminhos da 
proposição do ensino, ele não pode fugir das regras estabelecidas. E no que 
diz a uma avaliação contextual deste trabalho, percebe-se, que todas as regras 
no que diz aos processos e formas no âmbito da aplicação de aula, foram 
seguidos conforme as orientações propostas contidas nos CBCs e Projeto 
Pedagógico de Ensino. Por meio da experiência da prática docente, o que se 
concluiu é que tais regras não foram criadas por mero capricho, ou pela 
simples avalia, mas que são fundamentais para que o objetivo seja alcançado. 
A sincronia e o sucesso do corpo pedagógico dependem da 
organização, eficiência e eficácia do professor. Se o professor fracassar e não 
contribuir por uma docência de qualidade, além do aluno, o colegiado e o 
Estado serão prejudicados, fazendo uma analogia à proporção de sua 
responsabilidade. Embora haja todo um aparato para conduzir o professor, ele 
deverá conduzir o ensino com o coração, como quem tenha encontrado a 
essência do saber. 
 
5.1 - Diagnóstico do que se percebeu nas práticas de ensino 
 
No período de regência, possibilitou-se enxergar que a realidade da sala 
de aula vai muito além dos barulhos das inquietações e conversas dos alunos, 
que estão ali presentes, as manifestações são aspectos sócio culturais, e que a 
partir desta percepção, é preciso lidar com cada tipo, sendo único e especial 
com sabedoria psico-pedagógica para vencer as barreiras que culminam a 
partir da espacialidade individual do aluno. 
Também percebeu-se que a partir do envolvimento do aluno em um 
processo de interação com toda a turma, a sua consciência foi instigada a se 
manifestar do que realmente compreendeu a matéria relacionada ao seu 
cotidiano, mediante a análise comparativa aos acontecimentos de todos os 
envolvidos no discurso com o conteúdo que foi elencado. E através desta 
prática, e por meio do feedback do que se ensinou, uma renovação do 
29 
 
 
conhecimento, atribuindo novos valores que serão formados durante a 
trajetória de sua vida. 
A intencionalidade de expor o quanto as pegadas geográficas estão 
presente nas relações homem e natureza, sociedade e espaço geográfico foi 
aplicado em uma prática bastante incisiva e os alunos puderam se ater a esta 
percepção com naturalidade á medida que eram introduzidos o ensino tendo 
como ferramenta chave, o discurso, e em uma reflexão contextual das práticas 
docente no âmbito verbal e não verbal em sala de aula, concluiu-se que o 
diálogo e o discurso são essenciais para se alcançar o êxito no ensino. 
No que concerne á disciplina de Geografia, é quase impossível fazer o 
depósito de conteúdo sem que para isto tenha se discutido, as suas 
proposituras e formas, colocando em exercício à articulação entre a teoria 
como discurso do meio e a prática como percepção do ser e estar no âmbito do 
objeto de estudo. 
Através destes mesmos discursos foi possível sentir-se estimulado em 
uma noção crítica e reflexiva, certa autonomia do pensar autônomo, instigando 
a uma dinâmicas de auto formação, sem que para isto tenha quebrado os 
protocolos padrão de ensino. Levando em conta as oportunidades e 
experiências adquiridas a partir dos estágios anteriores, por ora ás vezes, a 
boa intuição ajudava se deixar conduzir. 
Percebeu-se queno ensino há muitos desafios a serem superados e que 
existem mais dúvidas do que certezas e que por isto é preciso sempre buscar o 
conhecimento e a prática constante. 
Em uma reflexão analítica, foi possível enxergar que a sincronia do 
corpo de ensino é apoiada em diversas molas e que nem mesmo com uma boa 
vontade e ótima intuição, uma mola sozinha consegue apoiar todo o corpo. 
Quando se iniciou o estágio, o campo de ensino havia retornado 
recentemente de uma greve geral com paralisação no âmbito de todo o Estado. 
Por meio destes acontecimentos ficaram notório os desafios que tangencia a 
educação, sobretudo, a educação pública. Concluindo-se, que o ensino em 
sala de aula possui influências que estão fora dela, tanto no âmbito do corpo 
pedagógico, quanto da sociedade externa da escola, e a partir destas 
observações percebeu-se que é preciso ter além de competência técnica, 
presença participativa e interventiva na construção e formação de uma 
sociedade justa que implica em uma educação de qualidade. 
30 
 
 
Frente a estes desafios, é preciso transpor os limites que são impostos, 
por meio de estratégias de responsabilidade e seriedade com o ensino. Em 
uma análise crítica percebeu-se, que o bom professor não é aquele que muito 
sabe, mas o que se atém a uma constância de aprendizado, com a humildade, 
tolerância, preparação e reflexão sem perder o alvo que é ensinar o saber. 
31 
 
 
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ANEXOS

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