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UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO CENTRO DE EDUCAÇÃO ABERTA E A DISTANCIA CURSO DE LICENCIATURA EM GEOGRAFIA VIVENDO E APRENDENDO GEOGRAFIA, DISCUTIR PARA DISCERNIR Deyvison Correia Souza Ouro Preto - MG 2017 DEYVISON CORREIA SOUZA VIVENDO E APRENDENDO GEOGRAFIA, DISCUTIR PARA DISCERNIR Trabalho de Conclusão de Curso apresentado na Universidade Federal de Ouro Preto, como requisito básico para a Conclusão do Curso de Licenciatura em Geografia. Orientadora: Profª Dr. Marta Bertin Ouro Preto- MG 2017 VIVENDO E APRENDENDO GEOGRAFIA, DISCUTIR PARA DISCERNIR Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Federal de Ouro Preto, como requisito para obtenção do título de Licenciado em Geografia. DEYVISON CORREIA SOUZA _____________________________________ Profª Drª. Marta Bertin _____________________________________ Profª. Maria Antônia Tavares de Oliveira Endo ______________________________________ Prof. Jacks Richard de Paulo AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus, a minha esposa e minha filhinha Manu por me apoiarem neste trabalho. A Dª. Alzira minha mãe na fé, que tanto me apoiou e me incentivou nesta busca. Ao conhecimento da Geografia, por me abraçar e me tornar uma ferramenta de transformação social, á equipe da UFOP que se deixaram conduzir pelo espírito de excelência como ferramenta de transformação de pessoas. RESUMO Trabalho prático desenvolvido em sala de aula com alunos do 9º ano da Educação Básica, sob análise das metodologias e formas de ensino. Considerando o projeto pedagógico, a busca pela certificação da eficácia das diretrizes Curriculares de Geografia. A partir dos diversos ângulos, em uma resignação contextual da prática pedagógica, conhecendo a percepção do educando como sendo o objeto de estudo Geográfico à medida que é introduzido o conhecimento dos conceitos Geográficos. A partir da dialética, traz a experiência do aluno sobre a noção perceptiva das pegadas Geográficas. Embora a Geografia se posicione na frente de quem vê em um rol demonstrativo que seria tudo que está a frente, ela se volta como um reflexo obscuro em uma terminativa de busca. O papel do professor neste trabalho direciona e conduz o aluno nesta percepção, instigando-o a se enxergar como o Ser do objeto de estudo Geográfico. Palavras chave: Práticas pedagógicas de ensino, Discurso, Experiência social, Pegadas-gegráficas. SUMÁRIO 1 – INTRODUÇÃO…………….………………..……………….…................... 07 2 – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA……...…...……………........………... 08 2.1 – Da proposição de ensino.......................................................................... 08 2.2 – Do procedimento metodológico................................................................ 10 2.2.1 – Planejamento escolar............................................................................ 10 2.2.2 – CBC - Conteúdo Básico Comum do 9º ano da educação básica: Aplicações e implicações.................................................................................. 13 2.2.3 – Do uso do livro didático......................................................................... 15 3 – PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS….………..……......…….. 17 4 – ANÁLISE DOS RESULTADOS………………….…..……...........….... 19 5 – CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................ 28 5.1 - Diagnóstico do que se percebeu nas práticas de ensino ......................... 28 REFERÊNCIAS............................................................................................. 31 ANEXOS......................................................................................................... 33 7 1 – INTRODUÇÃO Este trabalho tem por finalidade propor a valorização e o resgate das práticas socioespaciais, construindo um pensamento que passa, progressivamente, do simples ao complexo, substituindo um pensamento, que isola e separa, por um pensamento que distingue e une, no âmbito de uma abordagem contextualizada, propiciada pelo enfoque globalizado. Impetrando a abordagem dos conteúdos geográficos através de sua organização em um eixo integrador, do qual serão desdobrados por meio da dialética dos Contextos Geofísicos, fatores Climáticos e Geopolíticos do Continente Europeu, aplicado em sala de aula, aos alunos do 9º ano da Educação Básica. A partir desta abordagem, reconstruir os conceitos de Território, Lugar, Paisagem, Rede e Região, unindo os fragmentos de estudo dos anos anteriores da Educação Básica, correspondendo à transposição didática. A proposta é estimular que o aluno investigue e compreenda o conceito da Geografia no seu próprio cerne contextual, e por meio deste processo, auferir a percepção do “ser” e “estar” no espaço Geográfico. Através do uso do livro didático como ferramenta de introdução dos conteúdos abordados, por meio da leitura e interpretação, e a partir desta consonância, desenvolver trabalhos de discussão por meio de grupos formados, e jogos didáticos, na busca pelo estímulo que o aluno interaja e se imponha, expondo a sua capacidade de entender, discutir e de se inserir no ato de compreender a interação dos meios no espaço geográfico. Estimulando a sua capacidade de perceber e discutir a interação recíproca do homem e natureza, da sociedade e o espaço geográfico. Com vista ao Projeto Pedagógico de Ensino do ano escolar e o subsídio do “Programa Nacional do Livro Didático – PNLD 2017” para os Anos Finais do Ensino Fundamental, trazer á tona as dificuldades enfrentadas e o que foi possível alcançar nesta propositura de ensino. 8 2 – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1 – Da proposição de ensino do estudo do meio: teoria e prática Entende-se, e este é o objetivo deste trabalho, que a realização dos Estudos do Meio, em todos os níveis de ensino, mas particularmente na educação básica, pode tornar mais significativo o processo ensino- aprendizagem e proporcionar aos seus atores o desenvolvimento de um olhar crítico e investigativo sobre a aparente naturalidade do viver social. Trata-se de verificar a pertinência e a relevância dos diversos conhecimentos selecionados para serem ensinados no currículo escolar e, ao mesmo tempo, lançar-se à possibilidade da produção de novos conhecimentos, a elaboração contínua do currículo escolar. (LOPES, PONTUSCHKA, 2009, p.173) Conforme o entendimento, na fala dos autores Lopes e Pontuschka (2009), a Teoria do Meio visa explorar o objeto de estudo em contato direto com a realidade do seu campo espacial. Embora seja uma interpretação do contato corpo a corpo como uma visita técnica, por exemplo, este trabalho visa explorar a sensação do aluno de estar a viver os fatos por meio da percepção da espacialidade geográfica em seu cotidiano. A partir desta percepção, estimulá-lo a se impor e de expor a sua capacidade de entender e discutir a sua compreensão dos meios no espaço geográfico. Segundo Vygotsky (Vygotsky, 1978 apud Vygotsky, 1993, p. 5, tradução nossa), a implicação importante é a de que o aprendizado humano é de natureza social e é parte de um processo em que a criança desenvolve seu intelecto dentro da intelectualidade daqueles que a cercam. Nesta percepção, entende-se, que o desenvolvimento do indivíduo se dá pela forma que ele está inserido socialmente nos meios dentro do espaço geográfico. Observa-se, esta análise em Halbwachs (1990, p. 51), conforme a fala do autor: Diríamos voluntariamente que cada memória individual é um ponto de vista sobre a memória coletiva, que este ponto de vista muda conforme o lugarque ali eu ocupo, e que este mesmo lugar muda segundo as relações que mantenho com outros meios. Não é de admirar que, do instrumento comum, explicar essa diversidade voltamos sempre a uma combinação de influências que são, todas, de natureza social. Percebe-se na obra de Freire (1983), a de que a dicotomia do desenvolvimento intelecto social paira na observação de Halbwaschs, sobre a 9 memória coletiva. Assim, pode-se compreender que, a partir do pensamento de Halbwachs (1990) as memórias são formadas por grupos sociais, com base naquilo que o indivíduo lembra no sentido literal e físico e que a partir desta junção grupal são constituídas as definições culturais. A partir desta lógica entende-se, que a criticidade discursiva de Freire (1974) na sua fórmula teórica da Pedagogia do Oprimido, o determinismo memorável dos grupos sociais, que determinam o que é “memorável”, e também como será lembrado. Isto explica como as memórias sociais e individual se interligam. Quanto mais fortes são os grupos, mais agregadoras são as memórias. Dessa forma, o que está em jogo não é como as pessoas lembram, mas sim em que contexto isto ocorre. Os grupos aos quais convivemos é que estruturam nossa memória. O grupo é importante, fundamental é o processo de sociabilização que vem através da linguagem que possibilita contar a história. Conforme Saviani (1989), conclui-se, que a função própria da educação, consiste em reproduzir a sociedade naquilo que ela se insere. Quando se coloca o ponto de vista que a Geografia é o próprio meio de natureza social do “Ser” que está inserido e do “Meio” que o insere, os fatos que se explicam são as consoantes desta relação que podem ser as diversas conjugações de tempo e formas, que na priori são os objetos de estudos Geográficos. Nestes moldes de pensamento é possível trazer á tona os Estudos dos Meios, uma vez que, a experiência de cada um, seria uma interpretação do trabalho de campo da coisa vivida. Na expressão do título deste trabalho “Vivendo e Aprendendo Geografia, Discutir para Discernir”, é possível ter uma ideia mais nítida, o quanto a Geografia é espacialmente Globalizada. Todos os aspectos de abordagem no ensino da Geografia basta um pouco de reflexão para perceber o quanto ela está intimamente ligada no cotidiano das pessoas, nas decisões, e formas de viver. Embora seja um pouco complexo entender a palavra Geografia em uma definição propriamente dita por causa da sua amplitude de abordagem, e, até mesmo pelo fato de ser uma área do saber que está sempre em constante expansão por estudar as coisas do meio que se modificam, e o ser humano modificado por tais coisas que se modificam em um processo de reciprocidade, elas são facilmente compreendidas por se tratar de fatos apalpável de notoriedade espacial. 10 Na expressão das palavras: População, Natureza e Economia; palavras chaves para a introdução da Geografia; é possível através da linguagem de expressão discursiva introduzir a experiência social. Esta observação é reforçada por Santos (1978, p. 10): O geógrafo deveria se preocupar com a análise dos mecanismos ou dos processos, pois são estes que captam a essência complexa que funda o meio geográfico. Segundo Freire (2002, p.15), conhecer é tarefa de sujeitos, não de objetos. E é como sujeito e somente enquanto sujeito, que o homem pode realmente conhecer. Freire (2002) reforça sobre o conceito de conhecer, e que este paira sobre o sujeito e não sobre o objeto. Consoante a esta fala, é possível perceber a importância de compreender a educação pelos olhos do aluno, a forma como ele se enxerga dentro do objeto de estudo. O ensino de Geografia em sala de aula deve buscar o desenvolvimento da intelectualidade de “ver” a realidade a partir de sua espacialidade, os fatos se justificam pelas regras de relações sociais que exigem que se tenha consciência espacial. Portanto necessário é, que o sujeito entenda que ele é parte integrante da realidade e que, por meio de sua ação, influencia e é influenciado. 2.2 – Do procedimento metodológico 2.2.1 – Planejamento escolar O planejamento é fundamental na prática docente, com duas bases fundamentais: A metodologia aplicada e a proposição do que se propõe alcançar. A metodologia não pode fugir da realidade e da capacidade de realização dos envolvidos, tanto nos aspectos estruturais, materiais e econômicos. A propositura a ser alcançada terá mais êxito ao ponto que, quanto mais viável for, levando em conta a linguagem e aspectos, considerando a realidade cultural, social e econômica. Portanto a metodologia deverá ser sincronizada sem marasmo em um consenso de bem estar entre a comunidade, a gestão escolar, funcionários, Alunos, pais e professores que compõem o Colegiado. Para Libâneo (1994, p. 241), 11 O plano é um guia de orientação, pois nele são estabelecidas as diretrizes e os meios de realização do trabalho docente. Sua função é orientar a prática partindo da exigência da própria prática. O plano deve ter uma ordem seqüencial, progressiva. Para alcançar os objetivos, são necessários vários passos, de modo que a ação docente obedeça a uma seqüência lógica. Por objetividade entendemos a correspondência do plano com a realidade que se vai aplicar. Não adianta fazer previsões fora das possibilidades humanas e materiais da escola, fora das possibilidades dos alunos. Deve haver coerência entre os objetivos gerais, objetivos específicos, os conteúdos, métodos e avaliação. Coerência é relação que deve existir entre as idéias e a prática. O plano deve ter flexibilidade no decorrer do ano letivo, o professor está sempre organizando e reorganizando o seu trabalho. Como já dissemos o plano é um guia e não uma decisão inflexível. Segundo Libâneo (1994, p.221): O Planejamento é um processo de racionalização, organização e coordenação da ação docente, articulando a atividade escolar e a problemática do contexto social. Nas práticas na realização de quaisquer projetos ou trabalhos, percebem-se o quanto fica inviável sem um planejamento adequado, sem ele, o que se propõe a fazer, é construído em falhas, prejuízos e transtornos, em relação às práticas docentes dentro das escolas acontece o mesmo. Nas práticas de Estágio percebeu-se, o quanto o planejamento é uma ferramenta tão importante para a administração escolar, ele está previsto no calendário do ano letivo; na semana do início de cada semestre. No segundo semestre, considerando-se os resultados das avaliações assim como o ritmo das aulas do primeiro semestre, é feito o replanejamento, mantendo a sincronia da objetividade do educador, tendo como base alcançar a proposição de ensino do CBC - Conceito Básico Curricular. Neste sentindo, Passini (2010, p. 60) aponta, O plano de aula é o detalhamento do plano de ensino específico para uma aula. Ele pode ser um documento escrito, no qual estão contidos os objetivos, os recursos, os procedimentos, a dinâmica e a avaliação. O plano de aula é quase um documento particular do professor, no qual ele coloca a ordem das ações que pretende adotar na aula, com detalhes sobre os recursos a serem utilizados, em cada etapa do processo, as atividades possíveis etc. Conforme as orientações, o planejamento é comparado a um documento, considerando a sua relevância. Como objeto de introdução das formas que se dará a metodologia, por meio da organização antecipada, é possível corrigir possíveis equívocos, a partir da análise de revista subjetiva do que se propõe realizar. Segundo Vasconcellos (1995, p. 27), 12 Existem no contexto atual, três grandes linhas de planejamento: a gestão da qualidade total que implica numa forma diferente de ver a empresa em relação ao resto da sociedade, onde é necessário manter um equilíbrio e uma troca de contribuições e recompensas, o estratégico na qual todasas pessoas de uma organização, de todos os níveis ou setores se empenham vigorosamente nas atividades de controle da qualidade por toda a organização, através de métodos e técnicas específicas, interpretando-se, pela definição e a missão da organização, e o participativo que envolve a participação de todas as pessoas para solucionar problemas comuns nos setores das atividades humanas e sociais, que na prática seria o processo de organização do trabalho coletivo da unidade escolar. Através destas linhas, é possível criar três concepções para o planejamento escolar. São eles: O Planejamento Tradicional: feito sem o critério de formalização, cabendo ao professor a competência de desenvolver apenas as tarefas em sala de aula, o Planejamento Instrumental: com perfil tecnicista de educação, com foco para solucionar problemas, como a falta de produtividade da educação com uma ação planificadora de preenchimento de planilhas e o Planejamento Participativo que, Segundo Vasconcelos (1995, p.31), Esta foi a nova forma encontrada por educadores que se preocupavam com o planejamento da educação, ou seja, foram buscar a construção, a participação, o diálogo, o poder coletivo local, a formação de consciência crítica, a partir da reflexão sobre a prática da mudança. O professor que não se atém a um Planejamento Participativo e busca o caminho mais fácil, por muitas das vezes perde a oportunidade de fazer uma “venda casada” de um ensino de qualidade. Porém, ao introduzir todos os recursos possíveis, poderá não alcançar êxito no seu trabalho, considerando que dentro da sala de aula existem alunos que podem estar com tais recursos a serem aplicados, fora da sua espacialidade social, cultural e econômica. Mesmo que haja necessidade que o aluno venha conhecer tais recursos, dificilmente ele se manifestaria, ficando oprimido, acuado na sala e perdendo a oportunidade de aprender o que realmente importa os conceitos Geográficos. Se a intenção é alcançar a estabilidade de coerência do corpo de ensino, o caminho mais viável seria a do discurso em que todos aprendem com todos. E o aluno acuado, por vezes se manifestará expondo a sua experiência frente ao assunto abordado. Dificilmente não teriam o que compartilhar, levando em conta que a Geografia é o estudo dos Meios em que o Ser está 13 inserido, e do Espaço que o insere ao que se extrai; a consonância destas relações. 2.2.2 – CBC - Conteúdo Básico Comum do 9º ano da Educação Básica: Aplicações e implicações O CBC propõe estabelecer os conhecimentos, as habilidades e competências a serem adquiridos pelos alunos na educação básica, bem como as metas a serem alcançadas pelo professor a cada ano, são condição indispensável para o sucesso de todo sistema escolar que pretenda oferecer serviços educacionais de qualidade à população. A definição dos conteúdos básicos comuns (CBC) para os anos finais do ensino fundamental e para o ensino médio constitui um passo importante no sentido de tornar a rede estadual de ensino de Minas num sistema de alto desempenho. Os CBCs não esgotam todos os conteúdos a serem abordados na escola, mas expressam os aspectos fundamentais de cada disciplina, que não podem deixar de ser ensinados e que o aluno não pode deixar de aprender. Ao mesmo tempo, estão indicadas as habilidades e competência que ele não pode deixar de adquirir e desenvolver. (GUIMARÃES, 2006, p.9). A proposição de ensino conforme instituída pelo Estado faz jus a uma série de fatores coordenados, visando à promoção humana. Considerando que o Estado democrático de direito no berço da política de bem estar social, assegura uma educação de qualidade nos primordiais para uma sociedade igualitária. Considera-se, que o governo que zela pelo seu povo com insumos de qualidade é como uma mente que conduz seu corpo aos melhores dos manjares, deixando-o preparado e mais resistente ás intempéries e ou a falta de alimentos, considerando que ambos são recíprocos, corpo e mente. O Projeto da Proposta Curricular de Geografia criado em Outubro de 2006, no que concerne ao CBC - Conceito Básico Comum foi aceito e instituído pela Secretaria de Educação do Estado de Minas Gerais como proposições a serem alcançadas a partir do ano de 2007. A este respeito Rezende; Ribeiro; Durso (2006, p.16-17) esclarecem que, Da mesma forma que existem várias razões que justificam a presença da Geografia nos currículos escolares do Ensino Fundamental, são muitas as formas de definir os critérios para a seleção dos conteúdos. Dando ênfase que esses critérios não são excludentes e que levem em conta todos eles: científico, tecnológico, cultural e pedagógico. O critério científico possibilita compreender a realidade do mundo em que vivemos, numa pluralidade de abordagens para o entendimento do espaço geográfico. Essas abordagens são a crítica, que se refere 14 à compreensão e explicação do processo de produção do espaço geográfico sem se restringir às determinações econômicas. Conforme as orientações e considerações, a proposta não é excluir, mas somar o que o ensino tem de melhor para oferecer. Depois de uma longa busca constante por profissionais altamente capacitados, o que se deu foi uma projeção de ensino com vista á eficiência e eficácia dos processos. A partir das três conjunturas dos aspectos de abordagem, quer queira no âmbito da sociedade, das ciências tecnológica ou ambiental, a Geografia se explica. Na fala de Santos (1988, p. 21) podemos perceber esta observação, [...] partir da consciência da época em que vivemos. Isto significa saber o que o mundo é e como ele se define e funciona, de modo a reconhecer o lugar de cada país no conjunto do planeta e o de cada pessoa no conjunto da sociedade humana. É desse modo que se podem formar cidadãos conscientes, capazes de atuarem no presente e de ajudar a construir o futuro. O contexto Cultural e socioambiental busca a conscientização do cuidado com os recursos naturais. Transmitindo um conhecimento de como sustentabilizar os meios de relação e de sobrevivência. Conforme as orientações contidas no CBCs de Geografia (REZENDE, RIBEIRO e DURSO, 2006, p.16), o contexto cultural e socioambiental: Incorpora a explicação perceptiva, subjetiva e contextualizada da diversidade cultural dos espaços geográficos, identificados na tradição, etnia, religião, linguagem, costumes, crenças, gênero e valores, e problematiza as graves questões decorrentes das relações contraditórias e conflituosas entre sociedade e natureza, sociedade e espaço, do presente. O Projeto Curricular de Geografia integraliza as ciências Geográficas em prol do ensino das formas que estas relações são possíveis por meio do equilíbrio e sustentabilidade, (REZENDE, RIBEIRO e DURSO, 2006, p. 17), enfatiza ainda que: Ao buscar compreender as intrincadas relações entre desenvolvimento econômico, equidade social e sustentabilidade ambiental, a Geografia propõe a valoração econômica ambiental como instrumento na gestão de recursos ambientais, inserindo o meio ambiente nas estratégias de desenvolvimento econômico. Por meio da rede da educação patrimonial e ambiental, leva à construção de sociedades sustentáveis. Portanto, é responsabilidade dos educadores fomentar a construção de novos conhecimentos, mentalidades e comportamentos comprometidos com esse objetivo. No critério pedagógico, os conteúdos escolares são também vistos 15 como conceitos, procedimentos e atitudes recortados da cultura humana e re-significados sob a ótica do desenvolvimento de competências e da lógica da recursividade. Refletindo sobre todas as orientações contidas no material de Diretrizes Curriculares, é possível perceber certo cuidado de seleção, organização e informação. Instigando a uma estratégia de busca na resolução de problemas com vista ao domínio de sistemas simbólicos e práticassociais, incorporando as formas e os saberes culturais. Todos estes conceitos contidos nos CBCs são reunidos em um manual que conduz o professor no caminho do ensino, denominado livro didático, orienta passo a passo o que deverá ser introduzido para que finalmente se alcance a propositura do projeto pedagógico. Conforme o capítulo a seguir, será possível entender um pouco mais sobre os livros didáticos. 2.2.3 – O uso do livro didático Os estudos históricos mostram que os livros didáticos escolares assumem, múltiplas funções e entre eles há quatro essenciais, que podem variar consideravelmente segundo o ambiente sociocultural, a época, as disciplinas, os níveis de ensino, os métodos e as formas de utilização. Estas afirmações estão na fala de Choppin (2004, p. 553), um grande pesquisador de livro didático no mundo, segundo o mesmo, estas funções são: 1. Função referencial: Também chamada de curricular ou programática, desde que existam programas de ensino: o livro didático é então apenas a fiel tradição do programa ou, quando se exerce o livre jogo da concorrência, uma de suas possíveis interpretações. Mas, em todo o caso, ele constitui o suporte privilegiado dos conteúdos educativos, o depositário dos conhecimentos, técnicas ou habilidades, que um grupo social acredita que seja necessário transmitir ás novas gerações; 2. Função instrumental: o livro didático põe em prática métodos de aprendizagem, propõe exercícios ou atividades que, segundo o contexto, visam a facilitar a memorização dos conhecimentos, favorecer a aquisição de competências disciplinares ou transversais, a apropriação de habilidades, de métodos de análise ou de resolução de problemas, etc; 3. Função ideológica e cultural: É a função mais antiga. A partir do século XIX, com a constituição dos estados nacionais e com o desenvolvimento, nesse contexto, dos principais sistemas educativos, o livro didático se afirmou como um dos vetores essenciais da língua, da cultura e dos valores das classes dirigentes. Instrumento privilegiado de construção de identidade, geralmente ele é reconhecido, assim como a moeda e a bandeira, como um símbolo da 16 soberania nacional e, nesse sentido, assume um importante papel político. Essa função, que tende a aculturar - e, em certos casos, a doutrinar - as jovens gerações, pode se exercer de maneira explícita, até mesmo sistemática e ostensiva, ou, ainda de maneira dissimulada, sub-reptícia, implícita, mas não menos eficaz; 4. Função documental: acredita-se que o livro didático pode fornecer, sem que sua leitura seja dirigida, um conjunto de documentos, textuais ou icônicos, cuja observação ou confrontação desenvolverá o espírito crítico do aluno. Conforme o entendimento, o livro didático é como uma bússola para conduzir o professor à linha de chegada. Porém, em se tratando do ensino de Geografia em que o aspecto de ensino é mais discursivo e de debate sobre assuntos da atualidade, em que muitas das vezes são inevitáveis, é necessário ponderar que um projeto de ensino tem escopo a ser seguido, para o sucesso do corpo de ensino. Conforme o entendimento, na teoria, o ensino possui cinco passos fundamentais que se inicia a partir do que se propõe a ensinar (Proposição), sendo, portanto um direcionamento para as diretrizes básicas curriculares. Após a projeção (Projeto) é formulado o processo (Metodologia) para se alcançar o ensino. Informado sobre a direção (Diretrizes), o caminho a ser seguido e alcançado, é preciso que o professor organize o que será conduzido por meio destes, sendo feito, portanto, um (Planejamento) das formas, e os meios como, a metodologia que se conduzirá. 17 3 – PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Por meio de 6 aulas de Geografia em sala de aula, para alunos do 9° ano do Ensino Fundamental, foi proposto dialogar sobre o sentido e a definição da Geografia, motivando a reflexão de sua importância no contexto do conhecimento e contribuições afins e, a avaliação (feedback), do que se aprendeu sobre a aula aplicada: - 1ª, 2ª e 3ª Aulas – Leitura do livro didático e discussão, abrangendo o contexto da reciprocidade entre o homem e a natureza, as relações e ocupação humana, os recursos que sobrevivem, os recursos e a sobrevivência humana, a dinâmica populacional. “Contexto Geofísico, fatores Climáticos e Geopolíticos do Continente Europeu”. Atividade impressa e discussão de feedback. - 4ª Aula – Por meio do uso do Globo Terrestre, transmitir o conhecimento de como estudar o Mundo e repassar a noção de como as relações humanas e físicas acontecem. Com foco para o Continente Europeu; “As relações internas para com os países vizinhos e outros Continentes, aspectos positivos e negativos destas relações no âmbito da Globalização”. - 5ª Aula – Aplicação da aula de forma lúdica por meio do jogo a batalha Geográfica com vista à discussão através da organização de grupos formados, do contexto abordado nas aulas anteriores. - 6ª Aula – Feedback e considerações finais discursiva. - Palavras chave de conteúdo didático: População, natureza, economia. Abordagem: Continente Europeu. Conceitos de abordagem: Geografia Física: Relevo, Hidrografia, Clima, Meio Ambiente. Geografia Humana: Demografia, Línguas, Religião, Cultura. Geopolítica:Política, Economia, reflexos social, União Européia, Globalização. Aplicação prática: Leitura: Livro didático. 18 Apresentação: Globo terrestre. Interpretação: Discurso Trabalho de Grupo: Jogo da batalha naval, representando quatro grupos que disputarão entre si a sobrevivência de seus navios por meio de acertos de perguntas sobre o continente Europeu. O grupo que houver melhor desempenho na atividade lúdico proposta, será a vencedora. Cada grupo receberá uma caixa de bombom surpresa no final da aula como brinde. Feedback: avaliação individual por meio de atividade impressa. Finalização: Discurso e considerações. 19 4 – ANÁLISE DOS RESULTADOS Este trabalho foi realizado na Escola Estadual Padre Camargos, situada na cidade de Contagem-MG. No turno da tarde, com alunos do 9º ano do Ensino Fundamental, sob a ótica do professor titular de Geografia que se prontificou a colaborar e ceder as suas aulas para a prática do Estágio Supervisionado III, por ora, atuando ainda como Supervisor no que concerne a prática com as suas devidas aplicações e implicações. Após os procedimentos documentais de apresentação e de acolhimento em comum acordo de contrato social de cooperação, houve um período de observação pelo Estagiário, da prática de ensino do professor titular de Geografia, em que se teve a oportunidade para conhecer os alunos e obter o entrosamento com todas as classes em que o Professor leciona. Sentado em uma cadeira próximo a porta, com a carteira virada para a turma, por ora, fazendo a chamada de presença, passando a escrita das questões na lousa e participando dos discursos elencados pelo professor, como a causa indígena (naquela semana houve visita de um grupo indígena na escola) e do Racismo no Brasil, com a proximidade da data em que se comemora a proclamação da lei Áurea. O professor ficou bastante entusiasmado por poder somar as experiências de situações vividas aos debates e poder assim esclarecer mais abertamente com afirmatividade. Após algumas aulas de observação ficou exaurida a possibilidade de estranhamento entre o estagiário e a turma em que se daria a prática de Estágio. Sempre que se referia ao Estagiário o professor titular o chamava de professor, possibilitando transmitir com segurança assertiva o proposto na prática de Estágio. Em comum acordo entre o Estagiário e o professor titular, ficou acordado que, além do Estágio prático, seria feito uma análise da proposição do ensino e o que realmente se alcançou após a aplicação de aula, incluindo aspectos comportamentais da relação professore aluno durante os procedimentos práticos. Com a proposta de usar os dados como material de defesa Monográfico e TCC - Trabalho de Conclusão de Curso. 20 1º dia de aula prática: Introdução de Conteúdo - Domínios Naturais da Europa Usou-se, o livro didático escolhido pelo professor titular, para a referida Escola em que se dá o trabalho. O planejamento feito pelo Estagiário foi pautado no Continente Europeu, respeitando assim, a transposição didática e o período de aplicação, estando sincronizado com o Projeto Pedagógico de Ensino. Antes que se começasse a leitura do livro, fez-se uma abordagem da importância dos continentes como parte dos estudos Geográficos, elencando que tais estudos, proporcionam um conhecimento histórico das políticas, organização social, econômicas e físicas do Planeta Terra. Evitando assim, a ocupação da mente com indagações do porque estudar e para que sirva o aplicado, o que poderia prejudicar a memorização do discurso ouvido. Após escrever no centro da lousa, conteúdo de Geografia e, em uma parte no canto, especificar a página do livro, foi perguntado à classe quem gostaria de acompanhar a leitura. No canto próximo á porta, foi escrito o nome dos alunos em sequência que prosseguiriam a leitura (Figura 1). 21 Figura 1 – Leitura: Domínios naturais da Europa Fonte: Aula prática de Geografia em sala de aula Boa parte dos alunos se propôs a participar da leitura e, todos contribuíram prestando atenção na aula. A leitura de algo que se propõem a conhecer pode ser uma aula atrativa, considerando que o silêncio e a atenção se fazem necessária, são recursos que além de despertar a atenção dos alunos, promove a participação efetiva de todos, garantindo, assim, eficácia no processo do ensino e aprendizagem. Como reflexo foi possível repassar o conhecimento nesta aula dos países que compõem o Continente Europeu, Europa Ocidental e oriental, situação Geográfica, Dimensão Territorial, Hidrografia, Clima, relevo, Vegetação e aspectos fronteiriços. O tempo passou muito rápido, porém, a proposição do que foi planejado para aquele dia foi alcançado com sucesso, sem perda de tempo. Embora o discurso não tenha sido possível, ele poderia ser resgatado em um momento oportuno específico para um debate, a especificidade ocasionaria um resultado mais preciso. Levando em conta que um planejamento apropriado e com os recursos necessários em mãos à possibilidade de um melhor resultado da prática pedagógica de ensino. 2º dia de aula prática (duas aulas juntas): Atividade com Mapas Para a segunda aula foram separados um globo terrestre e um mapa grande para auxiliar na apresentação elucidativa do que foi lido na aula 22 anterior. A proposta seria expor e permitir um contato visual com os domínios e aspectos Geopolíticos do Continente Europeu, e por meio destes, transmitir um conhecimento mais acurado dos símbolos e suas representações (Figura 2). Figura 2 – Trabalhando com mapas e globo terrestre em sala de aula. Fonte: Aula prática de Geografia em sala de aula. Ao abrir o mapa em um local que pudesse facilitar a visão de todos os alunos, o estagiário iniciou o discurso com algumas perguntas básicas para que pudesse conhecer o nível de alfabetização cartográfica. Iniciando com a pergunta do que viria a ser e para que serviria o título em um mapa, prosseguindo pela escala, orientação, legenda e projeção. Após a sondagem constatou-se que alguns alunos apresentavam analfabetismo cartográfico, ao ponto que, teve-se a oportunidade para explicar cada um dos símbolos representativos. Nesta aula os alunos puderam ver e conhecer os aspectos Geofísicos da Europa como, os oceanos e mares, os canais e estreitos, as penínsulas e ilhas, a proporção de tamanho dos países em comparação e os que são intercontinentais, o tamanho do continente europeu e aspectos da placa tectônica Eurasiática. O Estagiário buscou-se explicar através do mapa, como funciona as influências climáticas latitudinais e longitudinais, correntes marítimas, relevos, rede hidrográfica, proporção vegetativa, Europa Ocidental e Oriental. Aproveitou para discursar sobre as áreas limítrofes com zonas conflituosas de guerras, fazendo uma breve introdução para a próxima aula sobre a crise demográfica e ponderou ainda sobre algumas observações como as facilidades e dificuldades de acesso comercial. 23 Durante o discurso os alunos ficaram atentos e silenciosos como se estivessem assistindo a um filme. Quando se aproximava do término da aula o Estagiário distribuiu uma atividade para casa (ver anexo), solicitando que os alunos coletassem observações pessoais e respondessem algumas perguntas relativas do seu núcleo de convivência como, sensação térmica, recursos hídricos e tipo de vegetação do entorno, entre outras. O professor titular que também assistia à aula havia gostado muito da ideia e acrescentou que esta atividade valeria três pontos, considerando o esforço de cada um. 3º Dia de aula prática: Discurso sobre o conceito da Geografia Neste dia, pôs se em prática a proposição de aula que teria como escopo as observações feitas pelos alunos. O Estagiário usou o discurso para tentar “vender” a ideia de que a Geografia é indissociável da pessoa humana. O objetivo incluía instigar todos os alunos a discutirem e exporem suas experiências a partir da coleta feita, além de colocarem o ponto de vista pessoal, frente aos assuntos elencados. Embora a Geografia se posicione na frente de quem vê em um rol demonstrativo que seria tudo que está a frente, ela se volta como um reflexo obscuro em uma terminativa de busca, e o papel do professor é sincronizar o aluno nesta percepção, instigado-o a se enxergar como o Ser do objeto de estudo Geográfico.. Posicionado de frente para a classe foi perguntado pra cada aluno quais foram as suas observações coletadas na ordem a seguir: - O Lugar onde você mora, têm característica Urbana ou Rural? - Caso seja Rural, quais são as vantagens e desvantagens encontradas em relação a área urbana? - Caso seja Urbana, quais são as vantagens e desvantagens encontradas em relação à área Rural? - O Espaço é muito ou pouco transformado pela ação do homem? - Nos arredores é possível perceber alguma vegetação natural? - A sensação térmica em relação a outros lugares é muito quente ou muito fria? - O trajeto entre a escola e a sua moradia é plano ou montanhoso? - O clima é abafado ou ameno? 24 - A água consumida é extraída pela empresa de abastecimento de qual afluente? - As frutas, legumes e verduras consumidas são compradas ou cultivadas em casa? - Qual a coordenada deste lugar em relação á escola, considerando a frente da escola como leste (Ex. Leste, Oeste, Norte, Sul ou entre meios, Nordeste, Noroeste, etc..)? - Qual o meio de transportes utilizado para a locomoção entre o trajeto de casa e da escola? - Qual a principal atividade econômica que existe na sua Cidade? - Caso ela não existisse como seria a sua cidade? - Qual o recurso tecnológico que mais ocupa o seu dia a dia? - O que Você entende por Geografia? Esta pesquisa foi focada em três considerações básicas; na leitura, identificação e interpretação a partir da observação do espaço geográfico, considerando a proporcionalidade da relação homem e natureza. Todos os alunos participaram da aula e interagiram bem com o discurso elencado. A pergunta final sobre o que se entende por Geografia, foi subjetiva considerando a concepção das perguntas anteriores. À medida que se perguntava o que o aluno havia respondido, acrescentavam-se outras perguntas como, o horário que foi feito a coleta, se o tempo estava aberto ou nublado, se o aluno tinha horta em casa, se a água que saía da torneira era com muito ou pouco cloro, entreoutras, para considerar os diversos fatores que poderiam ter influenciado na coleta. 4º Dia de aula prática – Dinâmica populacional Nesta aula, com o auxílio dos alunos realizaram-se as leituras, e através dela, foi possível conhecer a dinâmica populacional da Europa, e a partir de quais fatores se desenharam o perfil populacional atual. Também foi possível conhecer as etnias, aspectos culturais próprios e modificações no âmbito da Globalização. Aproveitou-se para discutir sobre a crise demográfica em decorrência da Guerra na Síria e repassar o conhecimento das implicações que surgem das migrações. Os maléficos e benéficos do que se pode extrair na 25 busca constante por melhores condições de vida. Os impactos ambientais e sociais ocorridos a partir das modificações demográficas. 5º Dia de aula prática - Economia do Continente Europeu, aspectos e implicitações da Globalização. As leituras prosseguiram na aula seguinte, com a abordagem dos aspectos econômicos do Continente Europeu. Correlacionando as transformações internas que culminaram para o desenvolvimento industrial em escala Global. Como a economia do mundo se modernizou a partir do parque industrial Europeu. Não deixando de expor o contraste entre as nações capitalistas e os antigos blocos Comunistas. Que a maioria destes países do antigo bloco ainda possui um nível considerado de pobreza e subdesenvolvimento. A União Europeia sob a ótica da moeda única, também foi um assunto levantado, embora houvesse uma super valorização na sua criação em 1999 com a fusão de várias empresas estimuladas pelos baixos juros de investimentos, anos mais tardes começaram a surgir problemas que influenciaram o mercado no mundo todo, neste sentido buscou-se explorar esta questão, fazendo uma explicação breve de como se comporta o mercado de capitais e como estes comportamentos influenciam profundamente a economia em todo o mundo (Figura 3). Figura 3 – Globalização Fonte: Aula prática de Geografia em sala de aula 26 6º Dia de aula prática: Atividade lúdica em grupo Nesta aula ocorreu o planejamento e a execução de uma brincadeira denominada a batalha naval. A classe foi dividida e cada fileira correspondia a um grupo. Como havia cinco filas de carteira, consideraram cinco navios distintos em disputa. A brincadeira aconteceu a partir da resposta sobre perguntas surpresas que foram feitas oralmente. Os alunos se interagiram entre seus integrantes de grupo, discutiram entre si até que houvesse um consenso da resposta que consideraram corretas, considerando o tempo de espera, um minuto para cada pergunta. O tema das perguntas abordou o contexto geral do que foi aplicado por meio do estudo sobre o Continente Europeu. Os cincos navios representaram os grupos dentro de um quadro-verdade, divido horizontalmente de Um a Quatro e verticalmente de A a J, O primeiro grupo sabia que sua localização era representada pelas coordenadas A1, A2, A3, A4, B1, B2, B3 e B4, o segundo grupo pelas coordenadas C1, C2, C3, C4, D1, D2, D3 e D4, e assim sucessivamente conforme exemplo da Figura 4: Figura 4 – Quadro esboço do jogo a batalha naval Fonte: Aula prática de Geografia em sala de aula Toda vez que era feito uma pergunta, chamava-se pelas coordenadas e esperava que o grupo se manifestasse até no máximo um minuto, caso não respondessem ou errassem a pergunta, era marcado um X no quadrante que foi chamado, considerando um bombardeio. A turma foi bastante participativa com a aula, e todos os alunos procuraram se interagir com o grupo, para que o navio em que estavam não 27 naufragasse. Todas as perguntas foram respondidas corretamente ao que explica terem prestado atenção nas aulas e aprendido com elas. As atividades realizadas individualmente, e, ou em grupo dentro da sala de aula permitiram conduzir os alunos em um processo de sociabilização, e a partir desta prática, lhes auferir certa percepção reflexiva de como a harmonia de uma sociedade depende da cooperação de cada um. Por meio de situações trabalhadas em uma busca de socialização, instigando-os a desenvolverem suas capacidades de organização, individual, em equipe e de adaptação. Foram instigados a abrirem os seus diálogos, e em resposta, foram transponíveis em um comportamento de receptividade no trato humano, possibilitando um amadurecimento nas relações e compreensão em relação ao outro. 28 5 – CONSIDERAÇÕES FINAIS Considerando que cada professor é singular e têm a sua maneira e ritmo de aplicação de aula, conforme a sua forma de enxergar os caminhos da proposição do ensino, ele não pode fugir das regras estabelecidas. E no que diz a uma avaliação contextual deste trabalho, percebe-se, que todas as regras no que diz aos processos e formas no âmbito da aplicação de aula, foram seguidos conforme as orientações propostas contidas nos CBCs e Projeto Pedagógico de Ensino. Por meio da experiência da prática docente, o que se concluiu é que tais regras não foram criadas por mero capricho, ou pela simples avalia, mas que são fundamentais para que o objetivo seja alcançado. A sincronia e o sucesso do corpo pedagógico dependem da organização, eficiência e eficácia do professor. Se o professor fracassar e não contribuir por uma docência de qualidade, além do aluno, o colegiado e o Estado serão prejudicados, fazendo uma analogia à proporção de sua responsabilidade. Embora haja todo um aparato para conduzir o professor, ele deverá conduzir o ensino com o coração, como quem tenha encontrado a essência do saber. 5.1 - Diagnóstico do que se percebeu nas práticas de ensino No período de regência, possibilitou-se enxergar que a realidade da sala de aula vai muito além dos barulhos das inquietações e conversas dos alunos, que estão ali presentes, as manifestações são aspectos sócio culturais, e que a partir desta percepção, é preciso lidar com cada tipo, sendo único e especial com sabedoria psico-pedagógica para vencer as barreiras que culminam a partir da espacialidade individual do aluno. Também percebeu-se que a partir do envolvimento do aluno em um processo de interação com toda a turma, a sua consciência foi instigada a se manifestar do que realmente compreendeu a matéria relacionada ao seu cotidiano, mediante a análise comparativa aos acontecimentos de todos os envolvidos no discurso com o conteúdo que foi elencado. E através desta prática, e por meio do feedback do que se ensinou, uma renovação do 29 conhecimento, atribuindo novos valores que serão formados durante a trajetória de sua vida. A intencionalidade de expor o quanto as pegadas geográficas estão presente nas relações homem e natureza, sociedade e espaço geográfico foi aplicado em uma prática bastante incisiva e os alunos puderam se ater a esta percepção com naturalidade á medida que eram introduzidos o ensino tendo como ferramenta chave, o discurso, e em uma reflexão contextual das práticas docente no âmbito verbal e não verbal em sala de aula, concluiu-se que o diálogo e o discurso são essenciais para se alcançar o êxito no ensino. No que concerne á disciplina de Geografia, é quase impossível fazer o depósito de conteúdo sem que para isto tenha se discutido, as suas proposituras e formas, colocando em exercício à articulação entre a teoria como discurso do meio e a prática como percepção do ser e estar no âmbito do objeto de estudo. Através destes mesmos discursos foi possível sentir-se estimulado em uma noção crítica e reflexiva, certa autonomia do pensar autônomo, instigando a uma dinâmicas de auto formação, sem que para isto tenha quebrado os protocolos padrão de ensino. Levando em conta as oportunidades e experiências adquiridas a partir dos estágios anteriores, por ora ás vezes, a boa intuição ajudava se deixar conduzir. Percebeu-se queno ensino há muitos desafios a serem superados e que existem mais dúvidas do que certezas e que por isto é preciso sempre buscar o conhecimento e a prática constante. Em uma reflexão analítica, foi possível enxergar que a sincronia do corpo de ensino é apoiada em diversas molas e que nem mesmo com uma boa vontade e ótima intuição, uma mola sozinha consegue apoiar todo o corpo. Quando se iniciou o estágio, o campo de ensino havia retornado recentemente de uma greve geral com paralisação no âmbito de todo o Estado. Por meio destes acontecimentos ficaram notório os desafios que tangencia a educação, sobretudo, a educação pública. Concluindo-se, que o ensino em sala de aula possui influências que estão fora dela, tanto no âmbito do corpo pedagógico, quanto da sociedade externa da escola, e a partir destas observações percebeu-se que é preciso ter além de competência técnica, presença participativa e interventiva na construção e formação de uma sociedade justa que implica em uma educação de qualidade. 30 Frente a estes desafios, é preciso transpor os limites que são impostos, por meio de estratégias de responsabilidade e seriedade com o ensino. Em uma análise crítica percebeu-se, que o bom professor não é aquele que muito sabe, mas o que se atém a uma constância de aprendizado, com a humildade, tolerância, preparação e reflexão sem perder o alvo que é ensinar o saber. 31 REFERÊNCIAS CHOPPIN, Alain. 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