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D O N Q U I J O T E D E L A M A N C H A M I G U E L D E C E R V A N T E S VISÍTANOS PARA MÁS LIBROS: https://www.facebook.com/culturaylibros M I G U E L D E C E R V A N T E S DON QUIJOTE DE LA MANCHA MIGUEL DE CERVANTES DON QUIJOTE DE LA M A N C H A E D IC IÓ N D E L IN S T IT U T O C E R V A N T E S 16 0 5 -2 0 0 5 D IRIG ID A POR F R A N C I S C O R I C O con la colaboración de JO A Q U Í N F O R R A D E L L A S ESTUDIO PRELIM IN A R DE F E R N A N D O L Á Z A R O C A R R E T E R GA LA XIA G U T E N B E R G · C ÍR C U L O DE L E C T O R E S C E N T R O PA R A LA E D IC IÓ N DE LOS C LÁ SICO S ESPAÑOLES Armauirumque Armauirumque L a presente edición va dedicada a ¡a memoria Femando Lázaro Carreter Con la participación de la SOCIEDAD ESTATAL DE CONMEMORACIONES CULTURALES P O R EL C E N T R O P A R A L A E D IC IÓ N D E L O S C L Á S IC O S E S P A Ñ O L E S : F e r n a n d o L á z a r o C a r r e t e r Estudio preliminar F r a n c i s c o R ic o Texto crítico y Dirección J o a q u í n F o r r a d e l l a s Notas G u i l l e r m o S e r e s Adjunto a la Dirección G o n z a l o P o n t ó n Jefe de redacción P a t r i z i a C a m p a n a L a u r a F e r n á n d e z Coordinación general M o n t g r o n y A l b e r o l a · M a r g a r i t a F r e i x a s S i l v i a I r i s o · M a r i b e l M a r t í n e z J u l i á n M o l i n a · G e r a r d o S a l v a d o r P a t r i c i a S a l v a d o r · A g u s t í n S á n c h e z A g u i l a r G e m a V a l l í n ■ Í n g r i d V i n d e l Redacción M o n t s e r r a t A m o r e s · P i l a r B e l t r á n J u a n J o s é G o n z á l e z B u e n o ■ M a r c G r a u J u a n R a m ó n M a y o l · M a r í a N o g u é s V i c e n t e S a n t o l a r i a · O m a r S a n z · X a v i e r T u b a u C r i s t i n a U j a l d ó n ■ G u i l l e m U s a n d i z a g a Ayudantes de redacción C O LA B O RA D O RES E l l e n M . A n d e r s o n J e a n C a n a v a g g i o A n t h o n y C l o s e A n t o n i o D o m í n g u e z O r t i z E d w a r d C . R i l e y S y l v i a R o u b a u d Prólogo J o a q u í n A l v a r e z B a r r i e n t o s C a r m e n B e r n i s J o s é M a r í a C a s a s a y a s A n t o n i o C o n t r e r a s J a i m e F e r n á n d e z , S.J. R i c a r d o G a r c í a C á r c e l J u a n G u t i é r r e z C u a d r a d o B e r n a t H e r n á n d e z M a r i C a r m e n M a r í n P i n a J u l i á n M a r t í n A b a d J o s é M a n u e l M a r t í n M o r á n R a f a e l R a m o s M i g u e l R e q u e n a M a r c o M a r t í n d e R i q u e r A l b e r t o S á n c h e z Documentación J o s é M o n t e r o R e g u e r a Lecturas del «Quijote» L E C T U R A S D E L «Q U IJO T E » Y R E V I S I Ó N D E N O T A S J o h n J . A l l e n · I, 25-26, 29-31 S t e f a n o A r a t a ■ II, i i I g n a c i o A r e l l a n o · I I , 25-27 J u a n B a u t i s t a d e A v a l l e - A r c e · I, 2 1-2 2 J a v i e r B l a s c o · I, 1 1 - 1 4 J e a n C a n a v a g g i o · I I, 30-32 M . S o l e d a d C a r r a s c o U r g o i t i · I I, 54 M a x i m e C h e v a l i e r · II, 45, 47, 49 A n t h o n y C l o s e · I I, 33-35 L o u is C o m b e t · II, 36-39 C r i s t ó b a l C u e v a s · I I , 6-7 G i u s e p p e D i S t e f a n o · I, 4-5 A u r o r a E g i d o ■ II, 22-23 H e i n z - P e t e r E n d r e s s · II, 40-41 J o a q u í n F o r r a d e l l a s · I, 1 C l a u d i o G u i l l e n · I, 7-8 G e o r g e s G ü n t e r t ■ II, 63-65 L u is I g l e s i a s F e i j o o - I, 9 -10 P a b l o J a u r a l d e · I I, 28 M o n i q u e J o l y · II, 44, 46, 57, 69-70 J a c q u e s J o s e t ■ I, 43-46 W i l l a r d F . K i n g · II, 73 R a f a e l L a p e s a · II, 5 I s a í a s L e r n e r ■ II, 59 F r a n c i s c o L ó p e z E s t r a d a · I, 50-52 N a d i n e L y · II, 50 H o w a r d M a n c i n g ■ II, 29 M . C a r m e n M a r í n P i n a ■ I, 2-3 A d r i e n n e L . M a r t i n · I, Versos preliminares y finales J a i m e M o i l ■ I y II, Portada y Preliminares M i c h e l M o n e r ■ I, 37 -4 2 M a r g h e r i t a M o r r e a l e · II, 58 L u ís A n d r é s M u r i l l o · I, 1 5 - 1 7 H a n s - J ö r g N e u s c h ä f e r · I, 3 3 - 3 5 J e a n - M a r c P e l o r s o n · II, 5 1 , 53 H e l e n a P e r c a s d e P o n s e t i ■ II, 42-4 3 S v e t l a n a P i s k u n o v a · II, 24 R a n d o l p h P o p e ■ II, 1 6 - 1 8 A u g u s t i n R e d o n d o ■ II, 1 9 - 2 1 A l f o n s o R e y · II, 55 F r a n c i s c o R i c o · I, 1 E d w a r d C . R i l e y ■ II, 1 M a r t i n d e R i q u e r · II, 60-62 E l i a s L . R i v e r s · II, Prólogo y Dedicatoria J u l i o R o d r í g u e z - L u i s · II, 8 - 1 0 C a r l o s R o m e r o M u ñ o z ■ II, 66-68 S y l v i a R o u b a u d ■ I, 6, 32 P e t e r R u s s e l l · I, 49 M a r i a C a t e r i n a R u t a ■ II, 72 A l b e r t o S á n c h e z · I, 2 3 - 2 4 , 2 7 - 2 8 , 36 R i c a r d o S e n a b r e ■ II, 2 -4 H a r r y S i e b e r · II, 7 1 M a r i o S o c r a t e · I, Prólogo E d u a r d o U r b i n a ■ II, 1 2 - 1 5 D a r i o V i l l a n u e v a · I, 47-48 B r u c e W. W a r d r o p p e r ■ II, 74 E d w i n W i l l i a m s o n · I, 18 - 2 0 D o m i n g o Y n d u r á i n · II, 48, S2, 56 PRESEN TA C IÓ N En 1994, el Instituto Cervantes confió al Centro para la Ed i ción de los Clásicos Españoles* la preparación de un Quijote que pudiera ser ventajosamente manejado por un público tan amplio como el ámbito del propio Instituto. Amén de dar, por primera vez, un texto crítico, establecido según la ecdótica más rigurosa, la edición, pues, había de aclarar ágilmente las dudas e incógnitas que un libro de antaño, y de semejante enverga dura, por fuerza provoca en el lector sin especial formación en la historia, la lengua y la literatura del Siglo de Oro; pero tam bién debía tomar en cuenta las necesidades del estudiante y, por otro lado, prestar algún servicio al estudioso, ofreciéndole, por ejemplo, una primera orientación entre la inmensa biblio grafía que ha ido acumulando la tradición del cervantismo. Tales planteamientos coincidían en sustancia con la concep ción general de la Biblioteca Clásica por mí dirigida, cuyas nor mas de anotación -e n dos estratos: a pie de página y en sección aparte- atienden señaladamente a hacer posible que cada uno de los distintos tipos de usuarios aproveche la edición de acuer do con sus conveniencias peculiares. D e ahí que el Quijote del Instituto Cervantes apareciera, en 1998, incorporado a Biblio teca Clásica, y, gracias al interés de Editorial Crítica, que en- * E l Centro para la Edición de los Clásicos Españoles (www.cece. edu.es) se constituyó el 1 de octubre de 19 91 con el designio de «realizar o favorecer los estudios o proyectos que conduzcan a la publicación de los clá sicos españoles en ediciones de la máxima calidad filológica». Los miembros fundadores fueron Ignacio Arellano, Eugenio Asensio, Alberto Blecua, José M . Blecua, Pedro M . Cátedra, Aurora Egido, Joaquín Forradellas, Luciano García Lorenzo, Luisa López Grijera, Rafael Lapesa, Femando Lázaro C a- rreter (director), José María M icó, Francisco R ico (secretario general), M ar tín de Riquer, Darío Villanueva y Domingo Ynduráin; a ellos se han aña dido posteriormente Antonio Carreira, R o g er Chartier, Luis Alberto de Cuenca, Inés Fernández-Ordóñez, Víctor García de la Concha y Guiller mo Serés. Hasta 1998 estuvoadscrito a la Fundación Duques de Soria, y al año siguiente se convirtió en asociación cultural independiente. XIII http://www.cece XIV FR A N C IS C O RICO tonces la publicaba, acrecentado con materiales no previstos en el plan inicial: en particular, la versión del texto en c d - r o m , con un sistema de búsqueda y análisis que proporciona el más completo vocabulario, concordancia y registro lingüístico de la obra maestra de las letras españolas. Ese Quijote de 1998 ha tenido una fortuna más que próspera, y, saludado por la crítica con abrumadora generosidad, ha co nocido tres ediciones corregidas y a su vez con varias reimpre siones/' E l cuarto centenario de la princeps de E l ingenioso hidal- * Por diversas razones, quiero agradecer también especialmente los ma drugadores comentarios y recensiones de John J . Alien, «A Don Quijote for the N ew Millennium», Cavantes, X IX :2 (1999), pp. 204-214; Mónica M a ria Arango, «El Quijote interactivo», y Juan José García Posada, «Don Qui jote en el ordenador», E l Colombiano (Medellin), suplemento Literario Domi nical, 24 de mayo de 1998; R o ger Charrier, «Les vicissitudes de l’âne volé puis retrouvé», Le Monde, 7 de mayo de 1999, p. v i de Le Monde des livres (y luego en su libro E l juego de las reglas: lecturas, Fondo de Cultura Económi ca, M éxico, 2000, pp. 31-33); Daniel Eisenberg, «Rico, por Cervantes», His panic Review, LX V III (2001), pp. 84-88; Alejandro González Acosta, «Miguel de Cervantes: Don Quijote de la Mancha. Edición: Francisco Rdco», Sábado, suplemento de Unomásuno, M C X IX , 13 de marzo de 1999; Juan Goytisolo, «Sobre duelos y quebrantos», E l País, 14 de agosto de 1998, p. 26; B .W . Ife, «Another sally for the knight», Times Literary Supplement, 9 de octubre de 1998, p. 15 ; Paul Ingendaay, «Der elektrische Reiter», Frankfurter Allgemeine Zeitung, Feuilleton del 19 de septiembre de 1998, p. 33; T . Lathrop, en Bu lletin of Hispanic Studies (Liverpool), L X X V II (2000), pp. 298-299; Fernando Lázaro Carretel', «El Quijote de Francisco Rico», A B C Literario, 12 de junio de 1998, pp. 26-27; François López, «Compte Rendu», Bulletin Hispanique, C I (1999), pp. 621-635; José-Carlos Mainer, «Una enciclopedia quijotesca», E l País, Babelia, 18 de abril de 1998, p. 9; Cory A. Reed, «The Instituto Cer vantes’ Quijote: A Definitive Edition», Bulletin of Hispanic Studies (Glasgow), L X X V II (2000), pp. 350-364; Mariarosa Scaramuzza Vidoni, «El Quijote de Rico», Revista de Libros, X X IV (diciembre de 1998), pp. 23-24; Elisa'oetta Samiati, «L’utilità dei supporti magnetici nello studio di testi letterari: il Don Quijote de la Mancha di M. de Cervantes in versione C D -Rom », Critica del testo, II/3 (1999), pp. 935-950; Florencio Sevilla Arroyo, «Editar a Cervan tes», Voz y Letra, IX :i (1998), pp. 14 1- 15 4 ; Enrique Turpin, «Don Quijote de la Mancha», E l Cieri>o, D L X X IV (enero de 1999); Francisco Umbral, «El Quijote de Rico», 25 de mayo de 1998, p. 64; y María José Vega, «Novela de novelas», Quimera, C L X X III (octubre de 1998), pp. 65-67. En el Anuario bi bliográfico cervantino, a partir de 1998, se encontrará indicación de otras rese ñas y de algunas de las numerosas informaciones, entrevistas, gacetillas, etc., aparecidas en publicaciones de Europa y América. P R E S E N T A C IÓ N XV go (acabado de estampar en los últimos días de 1604, pero ya con la fecha de 1605 en la portada), el apoyo de la Sociedad Es tatal de Conmemoraciones Culturales y la favorable disposición del Círculo de Lectores nos brindan ahora la oportunidad de presentar una nueva edición, notablemente aumentada y pues ta al día, pero siempre dentro del espíritu de la primera. En efecto: los numerosos cambios y revisiones, incrementos y actualizaciones que se han introducido en esta edición del 2005 siguen respondiendo esencialmente a los mismos propó sitos de 1998. Valga, pues, repetirlos al pie de la letra. «Es obvio, en primer lugar, que un Quijote de dimensiones manuales nunca podrá aspirar ni remotamente a ningún género de exhaustividad. Com o se imponía, pues, señalar un objetivo principal al del Instituto Cervantes, se acordó que el grueso de las notas y otros complementos, concentrándose en el plano en que asimismo convergen los múltiples destinatarios del proyec to, tuviera un carácter más informativo que interpretativo y, por ahí, mirara primordialmente a la elucidación del sentido lite ral. (A nuestro propósito, bastará caracterizarlo, con Marcel B a taillon, y «par opposition à d’autres sens non-littéraux», como el núcleo semántico que respetan o deben respetar incluso las exé- gesis críticas diametralmente opuestas.) Por tanto, la parte fun damental de la anotación, al igual que en otra manera el Prólo go, los apéndices o las ilustraciones gráficas, pretende antes de nada resolver los interrogantes que hoy suscitan muchos de los usos léxicos y gramaticales, referencias a cosas y personas, suce sos y costumbres, temas y alusiones de diversa índole, refranes, sentencias... que se encuentran en la novela, brindando al lector los datos imprescindibles para una correcta comprensión del texto en el contexto del autor y de su tiempo. »Sin embargo, el hincapié en el sentido literal no implicaba cerrar el paso a las interpretaciones literarias con categoría de clásicas o más estimadas en los últimos tiempos. La ocasión de dar les entrada ha venido de la mano de otro de los designios cen trales del Instituto Cervantes al fraguar el Quijote que ahora ve la luz: allegar una válida muestra de la situación actual de los es tudios cervantinos acogiendo las contribuciones de un buen número de los más prestigiosos representantes del hispanismo internacional. XVI F R A N C IS C O R IC O »Para alcanzar ese doble objetivo, un equipo de redacción for mado por miembros de número y asociados del Centro para la Edición de los Clásicos Españoles se ha ocupado en el estable cimiento del texto y del aparato crítico, en la elaboración de las notas a pie de página y complementarias y en otros quehaceres anejos; pero esa labor básica ha venido a enriquecerse merced a las aportaciones, por diferentes vías, de arriba de medio cente nar de distinguidos especialistas españoles y extranjeros. »Los más de entre ellos han tenido encomendado un frag mento, capítulo o grupo de capítulos y revisado las corres pondientes notas elaboradas por la redacción, velando por la exactitud y la pertinencia de las noticias o explicaciones ahí ofrecidas (y a veces recomendándonos anotar tal o cual detalle en principio no atendido por nosotros), mientras por otra par te escribían un comentario crítico al segmento en cuestión, para subrayar sus elementos y aspectos más importantes, cada cual desde el punto de vista que libérrimamente juzgaba más oportuno (dentro de una extensión, ella sí, draconianamente li mitada) y todos con la misma voluntad de proponer las exege sis más penetrantes y reveladoras. La suma de esos comentarios, en la sección Lecturas del «Quijote», y junto al admirable ensayo preliminar de Femando Lázaro Carretel·, constituye una anto logía única de la mejor crítica cervantina de nuestros días y, al correr paralela a una anotación asentada en el sentido literal, da, creemos, una óptima idea de la inagotable riqueza del libro y de la multiplicidad de enfoques a que se presta. (Ni que decir se tiene que quizá ningún otro se aviene mejor con un trata miento colectivo de tal estilo: someter el Quijote a una pers pectiva única, por aguda que sea, ¿no implica acaso reducir el alcance de una obra cuyo supremo atractivo está en la capaci dad de responder inagotablemente a las preguntas que en cada época le han dirigido, los talantes, intereses y métodos más di versos y aun contradictorios?) »Junto a los responsables de las Lecturas y de la revisión de nuestras notas, otros eminentes estudiosos nos han favorecidocon su concurso, haciéndose cargo de los varios apartados del Prólogo (y aceptando las cortapisas que suponía su derrotero predominantemente factual), proporcionándonos documenta ción para las notas, apéndices e ilustraciones, asesorándonos a P R E S E N T A C IÓ N XVII propósito de la bibliografía, y en algunos casos participando en más de uno de tales cometidos. U n reconocimiento especial queremos expresar a dos insignes decanos del cervantismo: E d ward C. R iley , quien desde el primer momento nos aconsejó en puntos tan delicados como la segmentación de la obra en las series de capítulos glosadas por cada uno de los autores de las Lec turas·, y Martín de R iquer, que no sólo puso a nuestra disposi ción preciosas informaciones sobre el arnés de don Quijote y la Barcelona de Cervantes, sino que además nos regaló un m on tón de atinadas sugerencias. »Nuestra gratitud, como sea, alcanza a todos los colaborado res, no ya por la calidad de su aportación tangible, sino aun más por el entusiasmo con que acogieron la empresa y nos anima ron a llevarla hasta el cabo. Debemos agradecerles en particular la extrema generosidad con que han tratado el trabajo de la re dacción, por lo regular limitándose a la corrección de erratas y a la introducción de pequeños retoques o de adiciones menu das. (En los casos en que han insertado alguna nota enteramen te nueva o modificado o incrementado de forma significativa la propuesta por la redacción, su firma figura en la nota comple mentaria.) Pero también estamos convencidos de que críticos e investigadores de tanta solvencia no hubieran dejado pasar des lices de alguna cuantía, y por ello mismo nos sentimos confor tados al pensar que cada una de nuestras notas lleva un respal do de máxima autoridad, que, si no le asegura el acierto, cuando menos avala que se mueve en el terreno de lo admisi ble u opinable dentro de nuestros conocimientos.» N o otros principios fundamentales han gobernado la presen te edición, en el cuarto centenario de la princeps. E l texto, aco modado a la ortografía académica de 1999, incorpora nuevas lecciones, y el aparato crítico se enriquece con el cotejo de más ediciones antiguas. E l Prólogo y las notas, tanto complementa rias como a pie de página, se han variado o reformulado de acuerdo con los estudios recientes, propios y ajenos. Las Lectu ras del «Quijote» han sido revisadas por sus autores o, cuando ello no era posible, actualizadas bibliográficamente por la re dacción. Los apéndices y las ilustraciones se acrecen en núme ro y calidad. E l c d - r o m ofrece una versión superior del banco de datos. Los cuerpos tipográficos son ahora mayores, y el for- XVIII F R A N C IS C O R IC O mato viene a coincidir con el que Francisco de Robles eligió para las impresiones de Juan de la Cuesta.11' Pero todas esas in novaciones respecto a nuestra edición anterior no pretenden sino aproximarnos un poco más a las mismas metas de 1998, a sabiendas de que nunca conseguiremos alcanzarlas plenamente ni habrá jamás un Quijote que pueda reputarse «definitivo». Llegado el momento de entregar el nuevo original a la impren ta, recordamos con emoción a los miembros del Centro para la Edición de los Clásicos Españoles que ya no han podido volver a prestamos sus luces: Fernando Lázaro Carreter, nuestro primer director; don Rafael Lapesa, maestro de todos nosotros, y el in olvidable compañero que fue Dom ingo Ynduráin. U n tributo no menos sentido queremos rendir a nuestro correspondiente Edward C . R iley , cervantista impar, que nos guió con el tino y el eficaz fervor que le eran propios. C on cariño traemos tam bién a la memoria a los otros colaboradores de 1998 a quienes la muerte se ha llevado: Stefano Arata, Carmen Bernis, Antonio Domínguez Ortiz, Monique Jo ly y Alberto Sánchez. Obligación harto más grata, pero no menos de justicia, es decir que detrás de los entes y entidades mentados en los primeros pá rrafos con sus denominaciones oficiales están o han estado hom bres y nombres con quienes tenemos contraída una deuda de extraordinario peso. Detrás del Instituto Cervantes, Nicolás Sán chez-Albornoz y Juan Gimeno, y más tarde el marqués de Ta- marón, Femando Rodríguez Lafuente, Jo n Juaristi y César Anto nio Molina. Detrás de la Fundación Duques de Soria, a la que el Centro para la Edición de los Clásicos Españoles estuvo adscrito hasta 1998, Rafael Benjumea, José María Rodríguez Ponga y M a ría Pardo de Santayana. Detrás de Editorial Crítica, que tanto puso en nuestra primera salida, Gonzalo Pontón (el Viejo). Detrás del Círculo de Lectores, Femando Carro y Joan Tarrida. Detrás de la Sociedad Estatal de Conmemoraciones Culturales, Luis Miguel Enciso R ecio y, al cabo, José García Velasco. U n recuerdo es pecial merecen aún la Biblioteca Nacional y la Biblioteca de Cataluña. * Una exposición más detallada de otros criterios y modos de proceder, así como del reparto de tareas, se hallará en las páginas c c c v y ss. P R E S E N T A C IÓ N X IX N o son todos los que están, pero sí quienes mejor pueden re presentarlos a todos. Finalmente, no como director del pro yecto, sino en mi concreto papel de encargado del texto críti co, me urge dejar constancia de que no habría podido seguir todas las pistas que los materiales me apuntaban, dedicándoles un libro aparte, si no hubiera contado con la largueza de la Fundación Juan March y con la amistad de José Luis Yuste. Francisco Rico E S T U D IO P R E L I M I N A R LAS VO CES DEL «QUIJOTE» La mutación fundamental que introduce el Renacimiento en la litera tura de ficción consiste, esencialmente, en la independencia creciente de los personajes. Frente a su subordinación absoluta al autor en la edad anterior, tienden ahora a escapar de tal dominio, afirmándose, cada vez más, dueños de su albedrío. Quizá en La Celestina se observa ya este proceso autonómico; con la oposición inicial de Pármeno a la alcahue ta, el autor primitivo parece dejar el triunfo de ésta a merced de que a Calisto lo persuadan las fuertes razones del criado, lo cual habría des mantelado su plan, autorizado y vigente desde el Pamphilus, que im plicaba la mediación victoriosa de la vieja. Más claramente ocurre en aquel momento de singular penetración psicológica en que Celestina, en ca mino hacia la casa de Melibea después de asegurar a Calisto y a Sem pronio lo infalible de su tercería, duda de sí misma con el largo monó logo del acto V, se confiesa insegura de sus poderes y tiembla ante su compromiso. Otra vez el autor parece dejar a la libre decisión del per sonaje el curso que ha pensado para la acción facultándolo para desba ratar su proyecto. Hubiese bastado con que algún presagio hubiera con firmado los miedos de la ensalmadora —un perro ladrándole o un ave nocturna volando a deshora: ella lo dice- para que hubiese quedado en nada la tragedia prevista. En la narrativa, la emancipación renacentista de las criaturas de fic ción es ya declaradamente visible en el Lazarillo, donde el anónimo autor se propone mostrar el hacerse de una vida que nace y cursa fuera de su mente, para lo cual se subroga en el pregonero de Toledo y le cede la palabra con el fin de que cuente a su modo sus fortunas y adversi dades. Si en el tratado VII resulta perceptible que el autor se burla del maridillo cornudo y contento, ello prueba hasta qué punto lo ha deja do desbarrar por su cuen ta, sin hacerse cómplice de su vergonzosa fe li cidad. E l admirable, el áspero Mateo Alemán da un paso definitivo en esa concesión de autonomía cuando permite que Guzmán obre abierta mente en contra de su propio sentido del lícito obrar, dejándolo hacer libremente: pero, eso sí, manifestando su total desacuerdo con él y pro- XXIII XXIV FE R N A N D O L Á Z A R O C A R R E T E R pillándole una tunda moral en las digresiones cada vez que lo soli vianta la conducta del picaro. Se diría que no es suyo. Algoimportante ha ocurrido, sin duda. Algo tan aparentemente sen cillo, sin embargo, como el descubrimiento por parte del narrador de que el mundo circundante puede ser ámbito de la ficción y de que los vecinos del lector pueden ocuparlo con peripecias interesantes. E l Lazarillo ha revelado que cuanto pasa o puede pasar al lado es capaz de subyugar con más fuerza que las cuitas de azarosos peregrinos, pastores refinados o caballeros andantes por la utopia y la ucronía. Ha sido obra de aquel genial desconocido que ha afrontado el riesgo de introducir la vecindad del lector en el relato e instalar en ella su propia visión de un mundo ya no remoto e improbable, sino abiertamente comprobable. Autor, perso najes y público habitan un mismo tiempo y una misma tierra, compar ten un mismo censo y han de ser otras sus mutuas relaciones. E l riesgo estriba en que la visión personal del escritor no tiene por qué coincidir con la particular del lector; sus respectivos puntos de vista pueden ser discordantes y hasta hostiles, por cuanto ya no los aúna lo consabido y lo coaceptado. De ahí que Lázaro se vele, hable con se gundas intenciones, pero que, osadamente, avise de ellas: quiere que sus cosas se aireen, «pues podría ser que alguno que las lea halle algo que le ayude, y a los que no ahondaren tanto, los deleite». Tal pro puesta de dos lecturas es el signo de la nueva edad, porque el escritor ya no repite siempre enseñanzas inmutables, sino que aventura con riesgo su propio pensamiento. Cervantes va a proclamarlo en las pri meras palabras del prólogo del Quijote, declarando su libro «hijo del entendimiento». Esta nueva actitud del narrador impone un nuevo tipo de lector. Po drá buscar mera recreación en la lectura, pero, inevitablemente, al to parse con cosas que ocurren en sus cercanías, se convierte en coloquian- te activo con el relato y con el autor, dotado de facultades para disentir: «Libertad tienes, desenfrenado eres, materia se te ofrece; corre, destro za, rompe, despedaza como mejor te parezca», dice Mateo Alemán al vulgo que le lea. Cervantes le brinda el libro que llama hijo suyo, acep tando que, pues tiene libre albedrío, puede decir de la historia todo lo bien o lo mal que le parezca. Y una cosa fundamental que tiene que ■someter a su aprobación es el idioma, el cual ha de ser tan reconocible como el mundo que se le muestra. A partir de los estudios de Bajtín, se ha caído en la cuenta de la ín tima relación que existe entre el descubrimiento de lo cotidiano como E S T U D IO P R E L IM IN A R X XV objeto del relato y la irrupción de 1o que él llamó polifonía lingüística. En efecto, la narración mundial, que se había movido en ámbitos y tiempos indefinidos o inaccesiblemente lejanos, podía y hasta debía em plear un idioma muy distante del común y ordinario, fuertemente re- torizado, abismalmente remoto. Pero el Lazarillo se propone contar p e ripecias muy poco maravillosas, que ocurren entre Salamanca y Toledo, en años precisos del reinado de Carlos I, acaecidas a un muchacho me nesteroso que sirve a amos ruines. No es posible narrar sus cuitas y re producir las palabras con los primores y ornamentos que se aprendían en las escuelas de latinidad. A l introducir la verdad de la calle y de los caminos, penetra en el relato la verdad del idioma. Tímidamente aún en el Lazarillo; con decisión en el Guzmán; plena y extensamente con el Quijote. Cuando se asegura que éste funda la novela moderna, esto es esencialmente lo que quiere afirmarse: que Cervantes ha enseñado a acomodar el lenguaje a la realidad del mundo cotidiano. Y algo muy importante: que ensancha el camino abierto por el autor anónimo y por las primeras novelas picarescas; ha respetado, se diría que exhibitorici mente, la libertad de sus criaturas de ficción. Esto último es bien evidente desde el principio, cuando el narrador confiesa ignorar el nombre del hidalgo manchego, aunque ha acudido a informantes que tampoco lo conocen. Sólo por sospechas colige que debe llamarse Quijana, lo cual quizá resulte falso ai final de la no vela, cuando sea el propio hidalgo quien declare ser Alonso Quijano (II, 74, 1330). No cabe mayor alejamien to del personaje. Cuando las exigencias de la narración le obliguen a inventar a Sancho Panza —hablaremos luego de ello-, le atribuirá sin vacilación tal nombre; pero, en el original de Benengeli hallado en el Alcaná toledano, el rótulo que figura junto al retrato del escudero llama a éste Sancho Zancas. Y Cervantes ignoraba el apodo, conjeturando, «a lo que mostraba la pintura» (nótese: él no sabía antes cómo era Sancho), que el mote se debía a que tenía «la barriga grande, el talle corto y las zancas largas» (I, 9, 120). E l hecho de que ambos, el hidalgo y el criado, se salgan de la novela en la Segunda parte, para enterarse de la primera y juzgarla, es muestra preclara de su independencia. R e sulta ostensible el afán de Cervantes por desarraigar de sí los entes de ficción. Hace nacer a su Quijada o Quesada o Quijana, para embarcarlo en seguida en una acción por el mundo de la literatura y del lenguaje. E n loquece leyendo. Y no sólo las aventuras de los caballeros lo vuelven XXVI FE R N A N D O L Á Z A R O C A R R E T E R orate, sino, tanto como ellas, el modo de contarlas, con la mención ex presa de Feliciano de Silva, «porque la claridad de su prosa y aquellas entricadas razones suyas le parecían de perlas» (I, i, 40). Don Qui jote deviene así un héroe novelesco enteramente insólito, inimaginable en época anterior: un enfermo por la mala calidad del idioma consu mido. Antes, fue posible la enajenación mediante contagio por el desvarío de los disparates narrados, y no por la prosa que los narraba. La Igle sia, desde la difusión impresa de los libros, no había cesado de preve nir contra el efecto letal de ciertas lecturas, protegiendo a los fieles con tra ellas mediante condenas y censuras previas. No era difícil atribuir festivamente ese poder infeccioso a ciertas lecturas autorizadas, y un desconocido escribe el Entremés de los romances, cuyo influjo deci sivo en la invención del Quijote probó irrefutablemente don Ramón Menéndez Pidal en 1920. Es bien conocido su asunto: el labrador Bar tolo pierde la razón leyendo el Romancero, abandona su hogar imagi- ~nándose héroe de aquellos poemas y habla con fragmen tos de ellos aco modados a su demencia; confunde a una pareja campesina con Tarfe y Daraja, desafia al imaginario moro y éste le rompe la lanza en las cos tillas. Los trozos de romance que declama coinciden en gran parte con los de don Quijote en su primera salida. Hallado Bartolo por quienes han ido en su busca, lo devuelven a casa y lo acuestan; pero, al mo mento, sufre otro ataque de locura y prorrumpe en nuevos versos que dan fin a la breve pieza, la cual, por su insignificancia, no parecía des tinada a tan importante consecuencia. Aparte de su precedencia cronológica respecto del Quijote (Menén dez Pidal la fecha hacia 1591), su influjo en los orígenes de la novela inmortal es patente: también el hidalgo empieza enajenándose en di versos personajes del Romancero, coincidiendo abundantemente con Bartolo en los pasajes que declama. Se trata, sin duda, de un hecho enigmático. Porque si en el designio primero de Cervantes entraba que el agen te nocivo fueran los libros de caballerías, no se explica que, des de el primer momento, sean otros héroes quienes invaden los sesos del protagonista. Menéndez Pidal atribuye el hecho a que el autor empieza a escribir bajo el influjo del Entremés y que, agotado éste como modelo ar gumentai, rectifica «la conexión de la locura del hidalgo con el R o mancero» - aunque no del todo- y la establece con el Amadís. En esta decisión, habría intervenido, según el maestro, una suerte de arrepen E S T U D IO P R E L IM IN A R XXVII timiento de Cetvantes por haberse burlado cruelmente de los admira bles romances que, como español, debíade amar. Pero si eso hubiera ocurrido de ese modo, sigue careciendo de explicación el que, desde el principio, lo alucinen los libros de caballerías, y que, sin embargo, al ponerse a actuar como caballero se nos presente con una enajenación romancesca. No podemos exigir a don Quijote, tal vez ni a Cetvantes mismo, la precisión en la distinción de géneros que nosotros nos imponemos. La identificación de lo caballeresco con lo romanceril aparece ya en el Entremés de los romances, donde se dice de Bartolo que «de leer el Romancero, / ha dado en ser caballero, /por imitar los romances». No es preciso, pues, suponer con don Ramón que haya dos fases en la elaboración del hidalgo; la inducida por el Romancero, de la que se arrepiente el autor por haberse encarnizado en género tan noble; y otra en la que apela al de caballerías, que Menéndez Pida! llama «bastar do». Los dos géneros andaban tan confundidos en la opinión general, que Covarrubias (s.v. «arma») asegura que los versos «Mis arreos son las armas, mi descanso el pelear» que don Quijote recita ante el ven tero que imagina alcaide (I, 2, 55), los repetía «un caballero andan te». Los hechos fabulosos de la caballería se mezclaban en los roman ceros impresos con los de los paladines épicos; en ellos, junto con los temas de la pérdida de España o de las hazañas del Cid, aparecían las proezas del Marqués de Mantua o la penitencia de Amadís, se gún ocurre, por ejemplo, en el Cancionero de romances de Ambe res. O, como en el Rom ancero historiado (Alcalá, 1572), se ju n taban la traición de Vellido Dolfos con largas metrificaciones que narraban las peripecias del Caballero del Febo (el que escribió uno de los poemas preliminares del Quijote, saludando a su cofrade), y sus andanzas por la Insula Solitaria. Tan personajes del Romancero ca paces de enloquecer son unos como otros y, juntos, volvieron tarumba a don Quijote. De igual modo, son grandes amadores románcenles los pastores. M e néndez Pidal notó que el episodio de Cardenio está directamente ins pirado por un popular romance de Juan del Encina. Podemos añadir que también obedece a parecida motivación la trágica historia de G ri sóstomo, muerto por los desdenes de Marcela. En varios romances, el pastor fenece por amar; recuérdese el que vertió a lo divino San Juan de la Cruz o aquel otro, «Al pie de, un hermoso sauce», del R om an cero historiado, en que un pastor acaba sus días habiendo previsto su XXVIII FE R N A N D O L A Z A R O C A R R E T E R epitafio y su inhumación al pie de un árbol, igual que Grisóstomo, del mismo modo, ha dejado unos papeles con versos de queja elegiaca por el desamor de la pastora que pretendía. Lógicamente, Cervantes no sale del ámbito del Romancero cuando pasa de lo heroico a lo caballeresco o a lo pastoril D e haberse produci do la contrición que postulaba Menéndez Pidal, lo normal es que hu biera reelaborado los capítulos en que imitaba el Entremés. Pero, evi dentemente, los dio por buenos. Y eso conduce a un viejo problema no resuelto y de imposible solución, pero siempre provocativo. Es la sos pecha apuntada por Heinrich M o f en 1905, más tarde asumida o dis cutida por no pocos cervantistas, según la cual el proyecto inicial del autor consistió en un relato breve («la novela ejemplar de un loco», de cía el hispanista germano). Menéndez Pidal desechó tal hipótesis pa- reciéndole que «el primer capítulo, sin olvidar otros pasajes convincen tes, anuncia ya una novela mayor». Eso es así, en efecto, ¿pero quién puede asegurar que todo ese arranque anunciador de un empeño largo, no fue reescrito cuando a Cervantes se le reveló que tenía entre manos algo digno de mayor desarrollo? E l relato inicialmente previsto podría haberse limitado a aprovechar la ocurrencia malograda por el Entremés de los romances que tanta ocasión proporcionaba para escarnecer las lecturas neciamente imaginativas. La novelita podría muy bien acabar con el retorno del caballero a casa con el labrador que lo ha encontrado molido a palos por el mozo de los mercaderes toledanos. Mientras el caballero descansa, el cura y el barbero hacen el escruti nio de su biblioteca. En ella no aparece ninguno de los romanceros que han contribuido a enloquecerlo. Esa ausencia chocaba a Menéndez P i dal, que asegura: «Para Cervantes, los poemitas contenidos en esas colecciones eran como obra de todo el pueblo español y no podían ser causantes de la locura del nobilísimo caballero de la Mancha ni debían estar sujetos al juicio del cura y el barbero». ¿Por qué no, si lo estaba La Galatea misma? Es difícil imaginar que Cervantes tuviera de los romances un concepto crítico-literario tan exactamente coincidente con el de don Ramón. E l licenciado Pero Pérez y Maese Nicolás expur gan los anaqueles del hidalgo en el momento justo en que el Entre més ha terminado su influjo inspirador. Aceptemos la probabilidad de que con ese final coincidiera el del primer proyecto del autor. Es en tonces cuando Cervantes cae en la cuenta de que dispone de un filón incompletamente explotado y de que puede beneficiarlo mucho más si prolonga la demencia romanceril del manchego con la demencia caba- E S T U D IO P R E L IM IN A R X X IX Ueresca, E l capítulo 6, el del examen de la biblioteca, marcaría el arranque de este Quijote ensanchado. De ahí que los censores se apli quen a juzgar principalmente libros de caballerías. Y con un furor que Cervantes acaba de atribuirles. Porque, y esto no parece haber sido no tado, el cura y el barbero, antes de ser aquejados por esa furia, eran bien aficionados a las lecturas de que ahora, inesperadamente, abomi nan. En el capítulo primero se lee que el hidalgo «tuvo muchas veces competencia con el cura de su lugar ... sobre cuál había sido mejor ca ballero: Palmerín de Ingalaterra o Amadís de Gaula; mas maese N i colás, barbero del mesmo pueblo, decía que ninguno llegaba al Caba llero del Febo, y que si alguno se le podía comparar era don Galaor, hermano de Amadís de Gaula» (1, i , 41). Y he aquí que ahora, cin co capítulos más adelante, aquellos expertos en caballerías se revuelven contra éstas, y quienes antes discutían sobre los méritos de Amadís y de su hermano, ahora parecen conocerlos sólo de oídas: «Según he oído decir, este libro [el Amadís] fue el primero de caballerías que se im primió en España» (I, 6, 84), dice el cura; «...también he oído decir que es el mejor de todos los libros que de este género se han compues to», responde el barbero (I, 6, 84). Da la impresión de que si han variado tanto es porque Cervantes ha cambiado de proyecto. No juzga necesario reemplazar los sucesos ro- manceriles de la primera salida, pues, como he dicho, se podía llegar a ser caballero andante a través del Romancero. Pero ahora se aplica con vehemencia al nuevo rumbo recién hallado y son sólo los libros de sus aventuras los que escrutan los censores. Cuando la gran pareja de caballero y escudero Im quedado ya cons tituida, la novela halla camino definitivo hacia su destino inmortal. Pero lo hace, según he dicho antes, transitando por el mundo del len guaje y de la literatura. La búsqueda de altos simbolismos en la in tención de Cervantes ha ocultado este aspecto del Quijote que es el fundamento de todos los demás. E l alcalaíno es un obseso de la pala bra: ya vimos cuánto contribuyó su mal empleo a la demencia del ca ballero. La necesidad de usar un lenguaje actual, que ya habían senti do los autores de los primeros relatos picarescos, es en él agudísima y no sólo en el Quijote, sino en obras como el R inconete o El rufián dichoso. E l rigor con el que asume la propiedad del idioma es paten te, por ejemplo, cuando libra del fuego el Palmerín de Inglaterra, porque, entre sus virtudes, el cura estima «las razones, cortesanas y cla ras, que guardan y miran el decoro del que habla, con mucha propie X X X F E R N A N D O L Á Z A R O C A R R E T E R dad y entendimiento» (I, 6, 89).E l decoro, esto es, la adecuación jus ta del modo de expresarse el personaje a su calidad y carácter, variable según las circunstancias en que habla, y bien diferenciado del de los otros personajes, era una de las dificultades que Cervantes debía afron tar para escribir el libro. Va a ser la única que va a ocuparme, y aun así, limitada a don Quijote y Sancho. ¿Cómo se expresa el caballero en ¡os primeros momentos de su in vención? Los primeros esfuerzos de su demencia ¡os realiza con las pa labras. Cuatro días tardó en hallar nombre a Rocinante; ocho, en pro curárselo a él. No se dice cuántos, pero aún debieron de ser más, para nominar a Dulcinea del Toboso. Y se holgó máximamen te cuando acer tó a acuñar aquella fórmula con que algún gigante vencido por su brazo iría a tributar homenaje a su dama: «Yo, señora, soy el gigante Cara- culiambro, señor de la ínsula Malindrania, a quien venció en singular batalla el jamás como se debe alabado caballero don Quijote de la Man cha...» (I, 1, 47). Esta es la primera vez que oímos su voz directa mente. La segunda, cuando, apenas iniciada su salida, imagina la li teralidad con que será contada: «Apenas había el rubicundo Apolo tendido por la fa z de la ancha y espaciosa tierra las doradas hebras de sus hermosos cabellos...» (I, 2, 5o). Es obviamente una burla de los li bros de caballeros o de pastores que leía (sin excluir su propia GalateaJ. Esa intención burlesca patentiza la intención primaria con que Cer vantes afronta su tarea. Eso es lo que parece querer hacer: parodia, lin güística también, por supuesto, de tales géneros falaces. Tras ese ama necer, continúa exclamando don Quijote: «¡Oh princesa Dulcinea, señora deste cautivo corazón! Mucho agravio me habedes fecho en des pedirme y reprocharme con el riguroso afincamiento de mandarme no parecer ante la vuestra fermosura. Plégaos, señora, de membraros deste vuestro sujeto corazón, que tantas cuitas por vuestro amor padece» (I, 2, 51). Su locución se llena de arcaísmos, al modo caballeresco; el autor advierte ahí, en efecto, que el demente habla «imitando en cuanto podía» el len guaje de sus libros. Llega a la venta que imagina castillo y hace reír a las dos coimas con la insólita vetustez de su saludo. Y él se enfada. Hasta ahora don Quijote existe sólo por su raro idioma. Pero este procedimiento de ca racterizarlo no podía prolongarse mucho; hubiera resultado insoportable para el lector. Y el autor lo alterna luego con otro, en contraste cómico, cuando el hidalgo experimenta el vulgar apremio del hambre y rebaja su lenguaje hasta el chiste ramplón y a los modos más vulgares, para E S T U D IO P R E L IM IN A R X X X I responder a las mozas que le advierten que sólo hay truchuelas: «Como haya muchas truchuelas ... podrán servir de una trucha, porque eso se me da que me den ocho reales en sencillos que en una pieza de a ocho. Cuanto más, que podría ser que fuesen estas truchuelas como la terne ra, que es mejor que la vaca, y el cabrito que el cabrón. Pero, sea lo que fuere, venga luego, que el trabajo y peso de ¡as armas no se puede llevar sin el gobierno de las tripas» (I, 2, 57). Se trata de un juego impensable antes del Quijote; ni el Lazarillo ni el Guzmán ofrecen nada comparable. Cervantes lleva hasta el lí mite aquel propósito suyo, expuesto en el prólogo, de hacer perfecta la imitación; que incluye, obviamente, no sólo la de lugares, acciones y caracteres, sino, sobre todo, la del lenguaje, la de los múltiples lengua jes con que la vida se manifiesta. Don Quijote, a partir de ese primer momento en que el autor le puebla el habla de arcaísmos, empieza a dosificarlos. Se los administra con sabia prudencia y confia la caracteri zación de su parla al énfasis oratorio que se gastan en la orden que pro fesa. Vuelve a la dicción pretérita cuando, al traerlo apaleado el labra dor, ha de manifestar intensamente su insania ante las mujeres de su casa y sus amigos: «Ténganse todos, que vengo malferido, por la cul pa de mi caballo. Llévenme a mi lecho, y llámese, si fuere posible, a la sabia Urganda, que cure y cate de mis feridas» (I, 5, 81). E l autor da una muestra de agudeza psicológica cuando el cura, tratando de aquietarle, le habla en el mismo estilo: «...atienda vuestra merced a su salud por agora, que me parece que debe de estar demasiadamente can sado, si ya no es que está malferido» (I, 7, 96). Luego, ese modo de dirigirse a don Quijote con arcaísmos será repetido por otros personajes. Y aun con mejor instinto idiomático, el propio Cervantes, al narrar en estilo indirecto, esto es, cuando escribe por su cuenta y no reprodu ce lo que dicen o piensan sus personajes, se cuida a veces de evocar cómo lo dicen o piensan, con toques que los definen. A sí cuenta el ataque de don Quijote a los benedictinos: «.. .picó a Rocinante y, la lanza baja, arremetió contra el primero fraile, con tanta furia y denuedo, que si el fraile no se dejara caer de la muía él le hiciera venir al suelo mal de su grado, y aun malferido, si no cayera muerto» (I, 8, 109). Si el narra dor emplea ahí primero antepuesto al nombre por única vez en sus es critos, y ferido, es perceptiblemente para que oigamos el pensamiento del andante mientras arremete. Pero ya antes, al aparecer Sancho, y sin que haya transcrito aún ninguna frase suya, se las ingenia para impo ner al lector en el habla villanesca que se gasta. Su amo le encarga que XXXII FE R N A N D O L A Z A R O C A R R E T E R lleve alforjas: «El dijo que sí llevaría y que ansimesmo pensaba llevar un asno que tenía muy bueno, porque él no estaba duecho a andar mu cho a pie» (I, 7, 100). Pese a las continuas vacilaciones de los tipógra fos de Cuesta, que ansimesmo reproduce exactamente lo que dijo Sancho parece confirmarlo el hecho de que sólo seis líneas más arriba el narrador ha empleado asimesmo. Comoquiera que sea, el raro voca blo duecho por ducho ya era diagnosticado por Covarrubias como «lenguaje antiguo castellano»; nunca más escribió Cervantes duecho en obra suya alguna. Este es el sistema expresivo con que se caracteriza al hidalgo en lo que muy bien pudiera ser el primer proyecto cervantino: arcaísmos api ñados al principio, que luego se entreveran en una elocución de léxico más llano, pero muy retorizada. Cuando don Quijote habla descuida do de su condición de héroe, su idioma pierde tales rasgos y deja paso a una espontaneidad coloquial que puede recaer en la vulgaridad, con trastando cómicamente con el énfasis anterior. Frecuentemente, el na rrador avisa de las circunstancias de ¡a enunciación que van a condicio nar la expresión del personaje: «Con gentil talante y voz reposada les dijo...» (I, 2, 53); «Don Quijote alzó los ojos al cielo y, puesto el pen samiento —a lo que pareció- en su señora Dulcinea, dijo...» (I, 3, 62); «levantó don Quijote la voz y con ademán arrogante dijo...» (1, 4, 73). Este acomodar lo que se dice a la manera como se enuncia, es ya com pletamente moderno. Con todo, tal sistema de conferir verdad al hidalgo no podía mante nerse durante mucho tiempo sin cansar e impedía que la obra se re montara a mayores trascendencias. Por otra parte, al ampliar el pro yecto inicial, una vez extinguido el modelo del Entremés de los romances, de tan limitados alcances, y al introducirse amo y criado en ámbitos más amplios y complejos, las exigencias de su elocución aumen tan. Y Cervantes vuelve a escuchar la variedad de los lenguajes habla dos y escritos para hacerlos resonar en la novela. La polifonía se hace más compléja y en la prosa de su narración y en la heterofonía dife- renciadora del habla de los protagonistas se hacen presentes múltiples estilos orales y escritos de su época, a veces, pero no siempre, reprodu cidos paródicamente. Veamos unos pocos ejemplos significativos. He aquí a don Quijote derrengado en el suelo tras una paliza. San cho lo cree muerto. E l instante es apropiado para un planto funerario en el tonoelegiaco de la novela sentimental: «¡O hflor de la caballería, que con sólo un garrotazo acabaste la carrera de tus tan bien gastados E S T U D IO P R E L IM IN A R XXXIII años! ¡Oh honra de tu linaje...! ... ¡Oh liberal sobre todos los A le jandros...! ... ¡Oh humilde con los soberbios y arrogante con los hu mildes...!» (I, 52, 643). Con esta última invocación, entra, por cierto, contrahecha la palabra de Virgilio que, por boca de Anquises, había anunciado el destino de Roma: «parcere subiectis et debellare superbos» (Eneida, VI, 853). Como vemos, la mera dilatación del relato ha con vertido a Sancho, de simple que era, en poseedor de aptitudes retóricas dignas de un estudiante de latinidad, aunque las emplee en simplezas. Ahora don Quijote se dispone a dar consejos al escudero, antes de que éste marche a Barataría. Su lenguaje ha de ser precisamente el de la doctrina de avisos de buen gobierno. ¿Quién los había dado mejor que fray Antonio de Guevara, consejero del Emperador? Cervantes había captado exactamente su fórmula prosística esencial, consistente —lo he mostrado en otra ocasión— en un exhorto seguido de una expli cación causal, con final bimembre: «Cuando pudiere y debiere tener lu gar la equidad, no cargues todo el rigor de la ley al delincuente, que no es mejor la fama del juez riguroso que la del compasivo» (II, 42, 1061). La misma organización sintáctico-retórica, aprendida en el obispo de Mondoñedo, sigue articulando la carta que, desde Barataría, dirige Sancho al hidalgo. Oigamos otra voz, que cualquier lector puede y podía recordar: el prólogo del Lazarillo. A llí justifica el pregonero su afán de conquistar honra o fama. Dice: «¿Quién piensa que el soldado que es primero del escala tiene más aborrecido el vivir? No, por cierto; mas el deseo de ala banza le hace ponerse al peligro». Oigamos ahora a don Quijote: «¿Quién piensas tú que arrojó a Horacio del puente abajo...? ... ¿Quién abrasó el brazo y la mano a Mudo? ¿Quién impelió a Cur do...? ... Todas estas y otras grandes y diferentes hazañas son, fueron y serán obras de la fama, que los mortales desean» (II, 8, 753-754)· Don Quijote calca, multiplicándolo, el movimiento retórico que el pró logo del Lazarillo había hecho bien conocido. Pero el blanco más constante de esta cetrería cervantina por los esti los coetáneos es el oratorio. No son sólo las disertaciones célebres de la Edad de Oro, o de las armas y las letras: otras muchísimas veces, don Quijote perora con la dignidad del profeta o del tribuno, jugando con motivos clásicos. En trance que cree sublime, ante la noche poblada de amenazadores ruidos —serán los batanes—, adopta las fórmulas memo rables del yo nací para y del yo soy aquel que, resonantes desde el Mantuano: «Sancho amigo, has de saber que yo nací por querer del XXXIV FE R N A N D O L A Z A R O C A R R E T E R cielo en esta nuestra edad de hierro para resucitar en ella la de oro, o la dorada, como suele llamarse» (I, 20, 227; se advertirá el cómico pro saísmo). «Yo soy aquel para quien están guardados los peligros, las grandes hazañas, los valerosos hechos» (I, 20, 227). E l noble chorro re tórico está en marcha, y ¿para qué? Para anunciar aquel esperpento a caballo que restaurará la Edad de Oro, la magna utopía - todo lector culto la conocía entonces— que había de restablecer aquel misterioso niño anunciado por Virgilio en su égloga IV. Cuando amanece y se com prueba lo infundado de la preocupación de don Quijote y del terror de Sancho, palpable en sus calzones, éste le repite en son de burla aque llos yo nací, yo soy aquel. E l hidalgo le propina un par de lanzo- nazos; pero, entre tanto, el discurso, engarzado con tan remontados re cursos formales, ha saltado hecho trizas, después de contribuir a la polifonía de la novela. No es posible aquí ir comprobando cómo las más ilustres voces escri tas de la literatura áurea se suman a ese magno coro con dos solistas .que es el Quijote. De todas se aprovecha el hidalgo para dar magni ficencia, ironía, contundencia dialéctica y rigor a su elocuencia. Pero sus réplicas se cargan también de sencillez urbana o campestre, de emoción directa, de vehemencia, de malicia espontánea. Hay muchos don Qui jote, como hay muchos Sanchos, según su palabra. Aunque todos ellos constituyan una sola persona verdadera. E l hidalgo puede dirigirse así a su escudero: «¿De qué temes, cobarde criatura? ¿De qué lloras, cora zón de mantequillas? ¿Quién te persigue, o quién te acosa, ánimo de ratón casero?» (II, 29, 950). Pero también de este modo: «Hijo San cho, no bebas agua; hijo, no la bebas, que te matará» (I, 17, 201). D i rige a Dulcinea los más encendidos, castos y retóricos conceptos; pero, tras contar el picante cuento de la viuda que, desdeñando para la cama a los sabios teólogos del convento, prefirió a un fraile motilón y rollizo, apostillará rijoso, casi obsceno: «Así que, Sancho, por lo que yo quie ro a Dulcinea del Toboso, tanto vale como la más alta princesa de la tierra» (I, 25, 3 11) . Los personajes cambian cien veces de tono y de re tórica como lo hacemos todos los hablantes. Y esto sucede así, de modo continuo, por primera vez en el Quijote. Tampoco cabe ahora entretenerse en explicar cómo funciona en él la heterofonía, que llega a provocar conflictos como el que ocurre cuando un cuadrillero, viendo al hidalgo roto y desastrado, hecho un ecce homo, le pregunta qué le ocurre, llamándolo «buen hombre», como podía preguntárselo a un insignificante lugareño. «¿Usase en esta tie- E S T U D IO P R E L IM IN A R X X X V na hablar desa suerte a los caballeros andantes, majadero?» (I, íy, 195), le contesta don Quijote, herido idiomáticamente en su dignidad. Voy a limitarme a tratar deprisa un solo aspecto de la creación de San cho mediante sus modos expresivos. ¿Cuál es el rasgo más chocante en su hablar? Nadie dudará de que su continuado empleo de refranes. Y ello se ha justificado, como hizo Angel Rosenblat, por dos tipos de causas: de un lado, porque abundaban en la antigua conversación cas tellana; de otro, por la exaltación que de ellos hicieron los humanistas, como manifestación admirable de lo natural. Pero estos dos hechos, que parecen tan evidentes, ni de lejos explican la adicción refranera de San cho, porque son de naturaleza extraliteraria; y es dentro de la literatu ra donde los fenómenos literarios deben obtener su primera explicación. Tratemos de dársela, aunque sea en esquema. Sancho ha de hablar conforme al genus humile que corresponde a su naturaleza. Pero es sumamente difícil reflejar ese estilo en un texto literario, porque su ex cesiva presencia podría causar un abatimiento estético del conjunto. En la literatura española se habían dado al problema cuatro solucio nes principales, y, a veces, combinadas: a) la creación de un idioma ar tificial, el sayagués, para los pastores bobos del teatro; b) las incorrec ciones al hablar, esto es, un lenguaje subestándar; c) el empleo de un lenguaje estándar, bajo pero no desviante, que sea <grosero», esto es, humilde, por la simplicidad, estupidez o vivacidad de lo que se dice: así hablan, en buena parte, los necios o los graciosos de la comedia; y d) el uso de refranes que ya hacen el Ribaldo del Caballero Zifar, a principios del siglo XIV ; varios personajes de los dos Arciprestes, y, por supuesto, las heroínas de Rojas, Delicado y López de Úbeda. Cer vantes apela al tercer procedimiento algunas veces. No sólo Sancho dice necedades: el barbero que reclama por suya la albarda, habla así: «Se ñores, así esta albarda es mía como la muerte que debo a Dios, y así la conozco como si la hubiera parido, y ahí está mi asno en el establo, que no me dejará mentir» (I, 44, 568). Pero son los refranes lo propio del escudero. Aunque Cervantes no renuncia a caracterizar su expresión por faltas de léxico o de prosodia. Recurso cómico que, por cierto, no suscita Sancho, sino Pedro el cabre ro, en el capítulo I,12, a quien el hidalgo corrige cris por eclipse, es- til por estéril, y sarna por Sarra (Sara). Hasta entonces, a Cervantes no se le habían ocurrido los errores prosódicos como recurso cómico; será mucho más tarde, nueve capítulos después, cuando Panza empiece a prevaricar (para decirlo con Amado Alonso). Es una muestra de cómo XXXVI FE R N A N D O L Á Z A R O C A R R E T E R Cetvantes no lo tenía todo decidido al ponerse a escribir, y, mucho me nos, cómo caracterizar al escudero. Y es que éste, como personaje ignorante, era muy difícil de elaborar. Cervantes lo dice por boca de don Quijote, aunque sea a propósito del teatro; asegura, en efecto, el hidalgo: «Decirgracias y escribir donaires es de grandes ingenios: la más discreta figura de la comedia es la del bobo, porque no lo ha de ser el que quiere dar a entender que es sim ple» (II, 3, 712). Un modo de darlo a entender era éste, que Lope de Rueda había explotado hasta la saciedad: hacer hablar disparatada mente a sus personajes más burdos. Cervantes ve que aquel modo de expresarse el cabrero, con las interrupciones doctas del andante, puede trasladarse a Sancho. Pero, como siempre, amenaza la fatiga del lector si se abusa del procedimiento, y habrá de administrarlo prudentemen te, después de un primer aprovechamiento intenso. Será Sancho quien advierta a don Quijote que no insista corrigiéndole, como síntoma del tiento con que se anda el autor: «Una o dos veces ... si mal no me . acuerdo, he suplicado a vuestra merced que no me emiende los vocablos, si es que entiende lo que quiero decir en ellos» (II, 7, 741). Es claro que Cervantes va buscando con ahínco la voz diferente de Sancho en la polifonía quijotesca. La logrará, al fin, y se sentirá orgu lloso de su victoria. Porque, según dice Sansón Carrasco al escudero, al leer la gente la Primera parte de sus aventuras, hay quien «precia más oíros hablar a vos que al más pintado de toda ella» (II, 3, 709). Otras personas, esperando la Segunda parte, exclaman: «Vengan más quijo tadas, embista don Quijote y hable Sancho Panza» (II, 4, 718). E l habla de Sancho: el gran desafío en que ha triunfado Cervantes. Como he recordado, parte esencial de esa palabra son los refranes. Los primeros que aparecen en la novela no los pronuncia él, y son bien comunes. Los dicen el mercader y el narrador mismo. E l tercero es traí do a cuento por la sobrina, y tampoco revela excesivo conocimiento del refranero: «Muchos van por lana y vuelven tresquilados» (I, 7, 98). Sancho no suelta su primer refrán hasta el capítulo 19 y lo enuncia así, nótese bien: «Como dicen, váyase el muerto a la sepultura y el vivo a la hogaza» (I, 19, 225). Ese como dicen remite a un dicho que San cho Ira oído y que cita sin brotarle de caudal propio alguno, es algo aje no a él y traído a la ocasión como un recuerdo. Ello sugiere que Cer vantes aún no está seguro del empleo de refranes para forjar a Sancho. E l procedimiento se le va revelando poco a poco y sin firmeza. Algu no salta en su charla; pero será en el capítulo 25 donde se produce la ES T U D IO P R E L IM IN A R XXXVII primera acumulación de una réplica: «Allá se lo hayan, con su pan se lo coman ... De mis viñas vengo, no sé nada, no soy amigo de saber vi das ajenas, que el que compra y miente, en su bolsa lo siente» (I, 25, 298). Pero este primer chorreo queda inexplicablemente aislado, y Cervantes ya no volverá a él hasta la Segunda parte. E l procedimiento de la acumulación de refranes se había empleado en otros géneros, pero no, según ha notado Louis Combet, en la novela. Menudean en la expresión de Celestina y también en las de Lozana y Justina, pero no los prodigan tanto. Y aun con el precedente del R i baldo y Rampín, eran más propios de gente vieja y, sobre todo, de mu jeres, de «honorables ancianos y reverendas mujeres», como se dice en los anónimos Refranes glosados. A otro propósito, recordó Rodríguez Marín que a las viejas los atribuye el Marqués de Santillana y que so lía llamárseles ensiemplos de la vieja. Me parece que, en efecto, Cer vantes se adueña definitivamente del recurso del chaparrón refraneril como estímulo cómico, cuando lo ha hecho pasar por boca de una mu jer, de Teresa Panza, aunque no fuera vieja; pero tampoco lo eran Lo zana y Justina. E l descubrimiento ocurre en el importantísimo coloquio de Sancho con su mujer, en el capítulo 5 de la Segunda parte. Momento difícil para el novelista, porque ha de hacer hablar a dos analfabetos. Se im pondría que entre ellos fluyera un coloquio toscamente humilis; pero eso hubiera descompensado la ponderada concertación de la obra, tan delicadamente equilibrada por el escritor. Imaginemos lo chocante que resultaría una larga conversación entre dos personajes tan rudos. Para prevenir una estrategia que conjure ese riesgo, Cervantes utiliza una admirable argucia. A l frente del capítulo inserta la siguiente adverten cia: «Llegando a escribir el traductor desta historia este quinto capítu lo, dice que le tiene por apócrifo, porque en él habla Sancho Panza con otro estilo del que se podía prometer de su corto ingenio y dice cosas tan sutiles, que no tiene por posible que él las supiese, pero que no quiso dejar de traducirlo, por cumplir con lo que a su oficio debía» (II, 5, 723). De ese modo, haciendo que el escudero alce, aunque sea apócrifamen te, su calidad expresiva, evitará el insoportable arrusticamiento de los dos aldeanos, y restablecerá el desnivel elocutivo que, mutatis mutan dis, mantienen don Quijote y Sancho. En efecto, a ¡as primeras de cambio, Teresa Panza amonesta a su marido: «Mirad, Sancho ... después que os hicistes miembro de caba llero andante, habláis de tan rodeada manera, que no hay quien os en XXXVIII FE R N A N D O L Á Z A R O C A R R E T E R tienda» (II, 5, 724). E l traductor señala las réplicas de Panza que, por su elevación, le parecen sospechosas de falsedad: «Por este modo de ha blar, y por lo que más abajo dice Sancho, dijo el tradutor desta histo ria que tenía por apócrifo este capítulo» (II, 5, 727); poco más adelan te, avisa: «Todas estas razones que aquí va diciendo Sancho son las segundas por quien dice el tradutor que tiene por apócrifo este capítulo, que exceden a la capacidad de Sancho» (II, 5, 730). Y es que, en efec to, en ausencia de don Quijote, el escudero asume su palabra. Siendo él tan gran prevaricador corrige a Teresa por hablar mal, de igual modo que él solía ser corregido. Y cuando ella le advierte: «Yo no os entien do, marido ... haced lo que quisiéredes y no me quebréis más la cabe za con vuestras arengas y retóricas. Y si estáis revuelto en hacer lo que decís...» (II, 5, 731), Sancho salta: «Resuelto has de decir, mujer ... y no revuelto» (II, 5, 731). A lo que la rústica replica como antes hi ciera su marido al hidalgo: «Yo hablo como Dios es servido y no me meto en más dibujos» (II, 5, 731). \ Pues bien, en esta conversación Teresa suelta refranes en cascada: «Eso no, marido mío ... viva ¡a gallina, aunque sea con su pepita: vi vid vos, y llévese el diablo cuantos gobiernos hay en el mundo ... La mejor salsa del mundo es la hambre ... advertid al refrán que dice: “ A l hijo de tu vecino, limpíale las narices y métele en tu casa” ... mi hija ni yo por el siglo de mi madre que no nos hemos de mudar un paso de nuestra aldea: la mujer honrada, la pierna quebrada, y en casa; y la doncella honesta, el hacer algo es su fiesta» (II, 5, 723-729). La he morragia refranesca de la Panza es incoercible. Su marido ha de ata jarla: «¡Válate Dios, la mujer, y qué de cosas has ensartado unas en otras, sin tener pies ni cabeza! ¿Qué tiene que ver ... los refranes ... con lo que yo digo?» (II, 5, 729). Dos capítulos más adelante, don Quijote pregunta al escudero qué piensa su mujer de la nueva salida; y él contesta: «Teresa dice ... que ate bien mi dedo con vuestra merced, y que hablen cartas y callen barbas, porque quien destaja no baraja,pues más vale un toma que dos te daré. Y yo digo que el consejo de la mujer es poco, y el que no le toma es loco» (II, 7, 741). Esta réplica representa el trasvase definitivo de la ca tarata refraneril de Teresa a Sancho; ella ha dicho una sarta de refra nes; él dice —«y yo digo»- otros refranes: el anudamiento se ha produ cido, y el escudero es ya dueño del artificio. Don Quijote se da cuenta e ironiza: «Decid, Sancho amigo, pasad adelante, que habláis hoy de perlas» (II, 7, 742). En ese hoy de la novela, en ese instante, que está E S T U D IO P R E L IM IN A R X X X IX bien pasada ya ¡a mitad de ella, se ha afianzado, tras tanteos insegu ros, el Sancho ensartador de refranes. Y a Cervantes te urge hacer no tar ai lector su decisión; menos de dos páginas después, don Quijote afirma: «Y advertid, hijo, que vale más buena esperanza que ruin po sesión, y buena queja que mala paga. Hablo de esta manera, Sancho, por daros a entender que también como vos sé yo arrojar refranes como llovidos» (II, 7, 741-742). Esta propiedad del lenguaje de Sancho se hará ya consustancial con su persona: no tengo «otro caudal alguno, sino refranes y más refra nes», declara más adelante (II, 43, 1067); y aún después: «No sé de cir razón sin refrán, ni refrán que no me parezca razón» (II, 71, 1316). Y así ha pasado Panza a la historia de nuestra lengua artística: como portador de «un costal de refranes en el cuerpo», según dictamen del cura (II, 50, 1138), aunque ello no figurara en el proyecto inicial de su creador. A l construir así al escudero, al imponerle un uso del refrán tan distinto del que hacen otros personajes, la voz de Sancho ingresa con un timbre diferenciado y potente en el gran conjunto polifónico del Quijote. Como ha escrito Martín de Riquer, la idea primitiva de Cervantes era que Sancho fuese un tonto. En efecto: fue creado como el comple mento que necesitaba don Quijote, proyectado inicialmente como un loco. E l escudero nace en la mente del autor cuando éste decide rebasar los límites que a su novela sugería la imitación del insustancial Entre més. E l mánchego hace su primera salida sin escudero; ni siquiera se le ocurre llevar con él al «mozo de campo y plaza» que le servía como criado (I, 1, 38), sencillamente porque Bartolo no contaba con seme jante compañía. Y ni siquiera se le ocurre a él procurársela: fue el pri mer ventero quien le aseguró «que eran pocas y raras veces» en que los caballeros andantes «no tenían escuderos» (I, 3, 61). Es al principio del capítulo siguiente, el cuarto, cuando don Quijote decide volver a casa y «recebir a un labrador vecino suyo que era pobre y con hijos, pero muy a propósito para el oficio escuderil de la caballería» (I, 4, 67). Cervantes lo inventa a impulsos de la misma experiencia con que Lope de Vega crea la figura del donaire en la comedia. E l héroe litera rio necesita del «otro al lado», que sea su confidente y cooperador. Sin alguien junto a él con quien hablar, las andanzas de un orate por la Mancha hubieran dado poco juego. Tanto en la comedia áurea como en el relato, hacen falta dos conciencias compenetradas, pero en oposi ción dialéctica, de modo que una rebote en la otra, y permita revelar el XL E S T U D IO P R E L IM IN A R pensamiento del personaje principal, dado que, normalmente, las mi ras del amo han de ser altas, sus hazañas valerosas y sus sentimientos elevados y sutiles. Pero ocurrió que a Cervantes le fue creciendo la f i gura del tonto, hasta hacerse tan importante como la de su señor. Y que éste fue soltando lastre de locura hasta hacerse un tipo humano de má xima trascendencia. Basta observar de qué hablan ambos en sus pri meras jornadas y el crecimiento progresivo del interés de sus temas. La famosa interpretación de don Quijote como héroe del ideal, opues to al rudo materialismo de Sancho, no parece cierta si se entiende corno un proyecto, digamos, filosófico de Cervantes, previo al momento de es cribir su libro. Muchas cosas «sublimes» de la literatura tienen su origen y fundamento en causas hasta cierto punto mecánicas, que el genio del autor dota de sublimidad. Sancho es tosco, gordo, sensato y utilitario para que, a su lado, el caballero deje ver su cuerpo esperpéntico y su alma fantasiosa y acrisolada, una vez que Cervantes ha decidido dar formato grande a su narración. Y es inicialmente tonto, porque sus po cas luces no deben impedir el desvarío del héroe. Sólo a medida que éste vaya mostrando admirable cordura fuera de lo caballeresco, podrá ir en riqueciendo Sancho su personalidad hasta adquirir volumen comparable a la del caballero. A esto debe atribuirse la famosa quijotización de San cho, tan notada por la crítica. Cervantes advierte varias veces, sutil mente, del crecimiento moral solidario de amo y criado, y, en algún mo mento, de manera tan clara como en el capítulo 22 de la Segunda parte, en que Sancho, tras haber escuchado las reflexiones que hace su señor a Basilio sobre el matrimonio, comenta cómo ambos, él y don Quijote, es tán dotados de singular discernimiento. Dice: «Este mi amo, cuando yo hablo cosas de meollo y de sustancia suele decir que podría yo tomar un púlpito en las manos y irme por ese mundo adelante predicando linde zas; y yo digo dél que cuando comienza a enhilar sentencias y a dar consejos, no sólo puede tomar un púlpito en las manos, sino dos en cada dedo, y andarse por esas plazas a ¿qué quieres, boca? ¡Válate el diablo por caballero andante, que tantas cosas sabes ! ... no hay cosa donde no pique y deje de meter su cucharada» (II, 22, 884). Y así, picando en todo, hablando cosas de meollo y de sustancia, acu ñados como cara y cruz de una medalla de oro, don Quijote y Sancho siguen haciendo este milagro secular de reunimos a mujeres y a hombres a escuchar o a leer o a interpretar su propia y libre palabra nuestra. Femando Lázaro Carreter P R Ó L O G O I . V ID A Y L I T E R A T U R A : C E R V A N T E S E N E L «Q U IJO T E » Jean Canavaggio En busca de un perfil perdido Dos caminos suelen ofrecerse a quien intenta acercarse al vivir cervantino. O bien dedicarse a la consulta de documentos y ar chivos, cuyo laconismo deja inevitablemente frustrado al que no se satisface con los pocos datos sacados de actas notariales y apuntes de cuentas, ajenos a la intimidad del escritor; o bien buscar esta intimidad en su obra, a riesgo de ceder a un espe jismo: el testimonio de unas «fábulas mentirosas» que no han tenido nunca como fin el de llenar los vacíos de nuestra infor mación. * Así y todo, tantas experiencias biográficas, intelectuales y li terarias del autor vienen a confluir, de un modo u otro, en las ficciones cervantinas, que el lector del Quijote no puede resis tir al deseo de aventurarse por una senda que le lleva a descu brir una nueva forma de entroncar vida y literatura. Aventura, por cierto, azarosa, y que el propio Cervantes nos induce a em prender con cautela, al disimularse, como lo hace, detrás de unas máscaras, delegando sus poderes en narradores imaginarios al estilo de Cide Hamete Benengeli. N o obstante, a quien sabe leer entre líneas el Quijote se le aparece impregnado del sentir * Puede consultarse el Resumen cronológico de la vida de Cervantes, según lo reconstruimos al final de este Prólogo, junto a la mención de las fuentes documentales en que nos basamos. Citamos el Quijote por el texto de la pre sente edición; las Novelas ejemplares, por la de Jorge García López, Crítica, Barcelona, 2001; Los tratos de Argel, La Numancia y las Poesías sueltas, por la de R . Schevill y A. Bonilla, en Comedias y .entremeses, V y VI, Gráficas R e u nidas, Madrid, 1920 y 1922; las demás citas cervantinas remiten al folio de las primeras ediciones, fácilmente accesibles en los facsímiles publicados (no sin retoques) por la R eal Academia Española. La ortografía de todos los textos se ha modernizado según las normas seguidas en el resto dela edición. X L V XLVI PRÓ LO GO del que lo compuso. U n ejemplo sin más tardar: como se sabe, la historia del ingenioso hidalgo no se amolda al esquema pseudoautobiográfico elegido por M ateo Alemán al concebir su Guzmán de Alfarache, el relato retrospectivo de su propia vida que nos hace el protagonista. Las reservas de Cervantes ante la forma que cobra la confesión del picaro se perfilan en el capítulo 22 de la Primera parte de su novela. Ahí nos sale al encuentro, en una cadena de forzados, el galeote Ginés de Pa samonte, autor de un libro de su vida, y tan bueno, que «mal año para Lazarillo de Tonnes y para todos cuantos de aquel gé nero se han escrito o escribieren» (I, 22, 265-266). Gom o ha mostrado Claudio Guillén, clara denuncia nos ofrece aquí G i nés del doble artificio que caracteriza la narración picaresca: por un lado, prometiendo un libro que «trata verdades, y no mentiras», o sea, sucesos efectivamente ocurridos y no cosas in ventadas que se pretenden sucedidas; y, por otro lado, consi derando este libro como inconcluso, sin que pueda publicar se mientras no se acabe el curso de su propia existencia. Así pues, este encuentro con el galeote abre como un resquicio por donde vienen a filtrarse las preferencias estéticas de C er vantes, como si éste, por medio de su portavoz, nos diera a co nocer algo de la circunstancia en que se fraguó su quehacer de escritor. Ahora bien, no siempre permanece Cervantes entre bastido res. Hay, a lo largo de su obra, textos clave en que parece asu mir su identidad, hablando en primera persona. En primer lu gar, los dos prólogos al Quijote, separados por diez años cabales, igual que las dos partes del mismo; luego, compuestos en el fe cundo crepúsculo de su vida, otros textos liminares, como los respectivos prólogos a las Novelas ejemplares y a las Comedias y entremeses, el prólogo al Persiles o la conmovedora dedicatoria al Conde de Lemos, fragmentos dispersos de un retrato de artista cuya verdad no exige verificación. Varias razones explican el interés que, para nosotros, ofrecen estos fragmentos; pero más que nada, quizá, el ser el retratado un hombre cuya existencia histórica apenas se conoce. Debido al silencio de los archivos, ignoramos, en efecto, casi todo de los años de infancia y ado lescencia de nuestro escritor. Podemos afirmar a ciencia cierta que nació en 1547 en Alcalá de Henares, de padre cirujano; V ID A Y L IT E R A T U R A XLVII pero no se sabe en qué fecha exacta, y la supuesta ascendencia conversa que se le atribuye sigue siendo tema controvertido. Tal vez empezara a estudiar en Sevilla, donde habría visto re presentar a Lope de Rueda; pero su traslado a Madrid no que da documentado. Hace falta esperar al año de 1569 para ver comprobada su presencia en la Villa y Corte, la cual se infiere de su contribución a las Exequias publicadas por su maestro L ó pez de Hoyos con motivo de la muerte de Isabel de Valois, ter cera esposa de Felipe II. M ejor conocimiento tenemos de los años heroicos que m e dian entre 15 7 1 y L580: el contacto de Cervantes con la «vida libre de Italia», primero en R om a, en el séquito del cardenal Acquaviva, luego como soldado, a las órdenes de D iego de U r bina; las heridas recibidas en Lepanto, el 7 de octubre de 15 7 1 , donde, a bordo de La Marquesa, pelea «muy valientemente» y pierde de un arcabuzazo el uso de la mano izquierda; al año si guiente, las acciones militares llevadas con desigual suerte por don Juan de Austria en Corfú, Navarino, Túnez y La Goleta; en 1575, la captura por corsarios turcos, al volver a España en la galera Sol; por fin, los cinco años del cautiverio argelino, do lorosa experiencia marcada por cuatro intentos frustrados de evasión y concluida con un inesperado rescate, conseguido por obra de los padres trinitarios. La falta casi completa de escritos íntimos no nos permite con cretar el cómo y el porqué de estas peripecias: así la partida a Italia, quizás a consecuencia de un misterioso duelo; la vida an- cilar llevada durante unos meses en Rom a; el alistamiento en los tercios; la vuelta proyectada a la madre patria; y en Argel, a pesar de reiteradas tentativas de fuga, la extraña clemencia del rey Hazán. Otro tanto puede decirse de los acontecimientos que siguie ron al regreso de M iguel a Madrid, una vez rescatado. Tras una breve misión desempeñada en Orán, se inicia entonces su ca rrera de escritor: hace representar varias comedias, «sin silbos, gritos ni barahúnda», en tanto que, en 1585, publica La Gala- tea, novela pastoril al estilo de La Diana de Montemayor. Pero no se explica la pérdida casi completa de sus primeras piezas (exceptuando E l trato de Argel y La Numancia, conservadas en copias del siglo x v m ); tampoco se ha aclarado el misterio que XL VIII PRÓ LO G O envuelve el nacimiento de su hija natural, Isabel, habida de Ana Franca de Rojas, esposa de un tabernero; apenas se conocen las circunstancias de su matrimonio, en 1584, en Esquivias, con Catalina de Salazar, dieciocho años menor que él; menos aún las razones exactas de su partida del hogar, en 1587, hacia Se villa («tuve otras cosas en que ocuparme», nos dice en el pró logo a Ocho comedias y ocho entremeses nuevos, £ 3); por no decli nada de los motivos de un silencio de casi veinte años, duran te los cuales Cervantes recorre Andalucía, primero como pro veedor de la Armada Invencible y luego desempeñando varias comisiones para la hacienda pública. Tan sólo adivinamos una vida de dificultades y molestias: en 1590 solicita del rey un oficio en las Indias que le es negado; en 1597, tras haber sido excomulgado, es encarcelado en Sevilla por retrasos y quiebras de sus aseguradores. Hay que esperar a 1604 para verle reaparecer en el campo de las letras, establecido con su familia en Valladolid, adonde Felipe III acaba de trasladar la sede de la corte. Allí, en este mismo año, concluye la Primera parte del Quijote, publicada en diciembre ya con fecha de 1605. Cervantes en primera persona Se comprenderá, entonces, lo que viene a representar, en nues tra búsqueda de la vivencia cervantina, el prólogo con que se abre esta Primera parte; pero no debe engañarnos aquel yo que, de entrada, dirige la palabra al «desocupado lector». E l Cervan tes de carne y hueso, muerto hace casi cinco siglos, nos es in asequible por definición; es una sombra que no podemos al canzar. Quien se descubre al hilo de nuestra lectura es más bien el doble de aquel sujeto desaparecido, un ente nacido de un acto de escritura, establecido como tal por la mirada del lector, y que se deja entrever en las muestras dispersas de un autobio- grafismo episódico. Pero es así como nos abre una perspectiva que contribuye a crear la modernidad del Quijote: el encuentro de nuestra voluntad receptiva de lector con una voluntad pro- yectiva a la que debemos la inserción de este yo cervantino dentro del espacio textual; un espacio al que configura y orde na, comunicándole su presencia y su sabor de vida. V ID A Y L IT E R A T U R A XLIX Com o era de esperar, este primer prólogo ha llamado la aten ción de los cervantistas, preocupados por desentrañar lo que se nos sugiere, al parecer, de la génesis del Quijote mediante una fugaz e incierta alusión a la cárcel en que hubo de ser engen drado el libro, Pero, a decir verdad, no es su contenido infor mativo, sino su misma estructura la que fundamenta el interés y la radical novedad de este texto. En efecto, aunque parece, a primera vista, conformarlo con el género prologal, el yo cer vantino va alterando poco a poco sus protocolos, hasta llegar fi nalmente a subvertirlos: primero, interpelando, tras veinte años de silencio, a aquel «desocupado lector» que se habrá olvidado de sus obras de mocedad; luego, manifestando un aparente des precio por el libro prologado, nuevo «hijo de su entendimien to», por cierto, pero «seco, avellanado, antojadizo»,y del que declara renegar como «padrastro», antes de cambiar repentina mente de tono y asumir su paternidad. Así pues, en el momento en que nos esperábamos la tradicio nal captatio benevolentiae, Cervantes, por no querer «ir con la corriente del uso», deja de pedir la indulgencia del público. A l contrario, con el pretexto de ponderar el trabajo que le dio com poner esta «prefación» que vamos leyendo, decide salir en perso na a las tablas, bosquejando su perfil de escritor: «suspenso, con el papel delante, la pluma en la oreja, el codo en el bufete y la mano en la mejilla, pensando lo que diría...» (I, Prólogo, n ) . En esta circunstancia introduce a un primer alter ego: un su puesto amigo con el cual el prologuista empieza a debatir de lo que habrá de ser el prólogo que se empeña en escribir. Así va surgiendo, ante nuestra mirada cómplice, un «prólogo imposi ble» (para decirlo con frase de Maurice M olho, «la Préface est une anti-préface tenant lieu de préface impossible») o, si se pre fiere, un prólogo del prólogo, que brota de las reticencias de Cervantes ante los adornos del exordio canónico: en especial, unas poesías liminares que se niega a pedir a otros ingenios, fin giendo encargarlas a figuras poéticas o novelescas, así como, también, las inevitables acotaciones eruditas, procedentes de un saber de segunda mano, de las que se burla con evidente satis facción. . A lgo se adivina, en esta insólita determinación, de las tensio nes propias del mundillo literario coetáneo: parece ser la pri L PRÓ LO G O mera indirecta de Cervantes contra un Lope de Vega que ha cía un uso poco discreto de estos adornos, y del que se conser va una carta, nada amena, en la que se refiere a las dificultades que conoció su rival en la búsqueda de plumas dispuestas a en comiar su libro. Pero aquí el partido elegido trasciende lo me ramente anecdótico; está en perfecta concordancia con lo no vedoso del propósito que anima al escritor: componer «una invectiva contra los libros de caballerías, de quien nunca se ( acordó Aristóteles, ni dijo nada San Basilio, ni alcanzó C ice rón», con miras a «deshacer la autoridad y cabida que en el mundo y en el vulgo tienen» sus «fabulosos disparates» (I, Pró logo, L8 -19) . Por si no viéramos hasta dónde nos puede llevar semejante «invectiva» al revestir la forma de una parodia de es tos libros, Cervantes, con la resolución y firmeza de un casi principiante de cincuenta y siete años, pone los puntos sobre las íes, aclarando las finalidades que persigue y el pacto que pretende establecer con sus lectores. A l procurar que, leyen do su historia, «el melancólico se mueva a risa, el risueño la acreciente, el simple no se enfade, el discreto se admire de la in vención, el grave no la desprecie, ni el prudente deje de ala barla», expresa una clara conciencia de su capacidad de inno vación, en tanto que, de entrada, somete su empresa al ju icio del público. A raíz del salto que damos del prólogo a la historia propia mente dicha del hidalgo manchego —una vez salvados los ver sos preliminares—, podría pensarse que el yo cervantino va a esfumarse. Lo que ocurre, en realidad, es que cambian y se di versifican, a la vez, las formas de su intromisión. Cabe obser var, ante todo, que este mismo yo vuelve a aparecer como tal dos veces en el texto. Asoma acto seguido en la primera frase del capítulo primero, cuando el narrador se niega a concretar aquel lugar de la Mancha donde Alonso Quijano pasó su vida antes de salir en busca de aventuras: un lugar, nos dice, «de cuyo nombre no quiero acordarme». E l que expresa esta negativa es un ser fantasmal (y, de creer a Rodríguez Marín, engastado, además, en un verso de roman ce); pero, para nosotros, la pluma que ostenta tiene que ser la del prologuista, en un momento en que no se han introducido, todavía, los varios autores «que deste caso escriben» (I, 1, 39). V ID A Y L IT E R A T U R A LI Más adelante, en el capítulo octavo, se prepara su reaparición: tras suspenderse el combate de don Quijote con el colérico es cudero vizcaíno, se introduce improvisadamente la idea de que el relato es obra de dos autores. Nunca se nos dirá quién es el segundo autor, nacido de la voluntad de parodiar un recurso de los libros de caballerías. Pero es precisamente entonces cuando el yo del capítulo primero vuelve a tomar la palabra, para contamos luego, en el capítulo noveno, cómo halló en Toledo la continuación de las aventuras del héroe, cómo se en teró de que esta narración, más o menos fidedigna, fue com puesta por Cide Hamete Benengeli, y cómo la hizo traducir al castellano por un morisco aljamiado. Por muy borroso que nos resulte, sus andanzas por el Alcaná, su natural inclinación a leer, «aunque sean los papeles rotos de las calles» (I, 9, 118 ), hacen que no se le pueda reducir a una mera persona gramatical: lo relacionamos, de manera espontánea, con la figura del manco de Lepanto. Sólo que su intervención se complementa con la primera mención de Cide Hamete, la más fascinante de las máscaras in ventadas por Cervantes para disimularse y excitar así nuestra curiosidad. Si se admite la etimología propuesta por Bencheneb y Marcilly, el mismo nombre de Cide Hamete Benengeli con lleva, en sus tres segmentos, una notable carga autobiográfica: este ‘señor’ (Cide) ‘que más alaba al Señor’ (Hamete) no sería, a despecho de Sancho, moro aberenjenado, sino, paradójica mente, Ben-engeli; es decir ‘hijo del Evangelio’ y no del Corán, y, como tal, cristiano. D e ahí el que Cide Hamete venga a re clamar para sí la responsabilidad exclusiva de la narración. Pero las circunstancias de su introducción, su marginación con res pecto al relato, así como el juego de encajes al que da lugar, bastan para evidenciar, desde el principio, todo lo que separa a nuestro moro de un narrador omnisciente. Así se entiende mejor cómo, en esta proliferación de voces narrativas, se expande y diluye a la vez el autobiografismo del Quijote: un autobiografismo disperso, fragmentado, que se des cubre al lector en el fluir de la narración, detrás de unas alusio nes no siempre fáciles de entender y apreciar como se deben. Requieren, eso sí, la mirada atenta de un conocedor de la épo ca, pero siempre con el riesgo de referirlas preferentemente a l u PRÓ LO G O unas experiencias singulares, concediéndoles otro valor del que tienen en realidad. Pongamos por caso la boca sin muelas de don Quijote, consecuencia de la aventura de los carneros: ¿será lícito ver en ella una réplica de otra boca monda y desnuda, la del propio Cervantes, tal como se describe en el prólogo a las Novelas ejemplares?* Asimilación, por cierto, peligrosa. En una conexión menos azarosa, otras ocurrencias, esparci das a lo largo de las dos partes de la novela, remiten, de forma más bien velada, a la gravitación del escritor, a su vida privada, a su formación intelectual o a los varios ambientes que llegó a conocer. Esta contaminación del relato por el vivir cervantino puede observarse a veces en dichos que son reveladores, con toda probabilidad, de una actitud personal no siempre de abierta disconformidad, pero sí, al menos, de marcada reserva frente al tono medio de la España filipina. Suele citarse, entre numerosos ejemplos, una conocida frase de Sancho, a veces aducida en el debate sobre la supuesta «raza» de Cervantes: «Dos linajes solos hay en el mundo, como decía una agüela mía, que son el tener y el no tener» (II, 20, 872). También cabe mencionar, más allá de su posible relación con tal o cual fuen te, oral o escrita, varias sentencias de don Q uijote sobre la virtud, que «vale por sí sola lo que la sangre no vale» (II, 42, 1060), o sobre si el juez ha de ser riguroso o compasivo (II, 42, 106 1). Pero en esta reconstrucción problemática de una visión cervantina del mundo -p o r no decir de un «pensamiento»— hay que andar, por cierto, con pies de plomo. La defensa quehace don Quijote de la justicia en sí, a la hora de poner a los galeo tes en libertad, puede leerse a la luz de los abusos cometidos en esta materia por los poderes públicos, indiferentes a la discor dancia entre delitos y penas. Pero el campeón de esta justicia ideal sigue siendo un inadaptado: lo atestigua el que pida a los forzados, en señal de agradecimiento, que vayan a presentarse ante Dulcinea cargados de sus cadenas. Mientras el ingenioso hidalgo queda atrapado en este absurdo, Cervantes se nos des * Compárese «la boca pequeña, los dientes ni menudos ni crecidos, por que no tiene sino seis...» (Novelas ejemplares, Prólogo, p. 16) con «Pues en esta parte de abajo -d ijo Sancho- no tiene vuestra merced más de dos mue las y media; y en la de arriba, ni media, ni ninguna...» (Quijote, I, 18, 216). V ID A Y L IT E R A T U R A LUI liza. Tampoco debe engañarnos el elogio de la libertad que se pone en boca del caballero: para entenderla en su cabal senti do, conviene relacionarla con su contrario —el cautiverio- con el cual forma díptico aquí (II, 58). D icho de otro modo, no hay que tomar estas oraciones al pie de la letra, ni separarlas de sus respectivas contextualizaciones, sino tener en cuenta la po lifonía que las va diseminando entre don Quijote, Sancho, el cura Pero Pérez, Sansón Carrasco o Cide Hamete: uno de los muchos recursos aprovechados por Cervantes en la construc ción de un relato que iba a abrir un nuevo camino en la his toria de la prosa novelesca. La voz del cautivo Llega un momento, sin embargo, en que este entronque entre vida y literatura se vuelve muchísimo más llamativo; más exac tamente en uno de los cuentos interpolados: la historia de R u y Pérez de Viedma, la cual, como es sabido, ocupa en su casi to talidad los capítulos 39 a 4 1 de la Primera parte. Nutrido de la rememoración cervantina del cautiverio, este relato evidencia un autobiografismo ya no disperso, sino compacto; pero no por eso deja de mantener una relación ambigua con las experien cias del autor. Los sucesos que nos refiere el capitán hasta su captura ofrecen, eso sí, un notable parecido con las aventuras del propio Cervantes; pero no menos significativos son los constantes desajustes, reveladores de una minuciosa reelabora ción del material aprovechado. Las mocedades de R u y Pérez de Viedma son tan azarosas como las del escritor; pero quien nos las cuenta no es hijo de cirujano alcalaíno, sino primogénito de un hidalgo leonés. Su partida a Italia corre parejas con la de Miguel, salvo que no es huida y le lleva, en una serie de rodeos, a alistarse en los tercios de Flandes. Luego, tras embarcarse en las galeras de la Santa Liga, a las órdenes del mismo Diego de Urbina, el narrador lle ga a combatir en Lepanto, con tanta valentía como el famoso manco; pero no lo hace como soldado raso, sino en calidad de capitán de infantería; y, en vez de quedar herido, es capturado por los turcos, víctima de su temeridad. LIV PRÓ LO G O Así es como el cautivo llega a presenciar, al año siguiente, la acción intentada por don Juan de Austria contra Navarino; pero, esta vez, la contempla desde el lado enemigo. D e esta manera, está en condiciones de puntualizar «la ocasión que allí se perdió de no coger en el puerto toda el armada turquesca» (I, 39, 498); y, desde el mismo enfoque, puede enjuiciarse la caída de la Goleta, episodio funesto sucedido en agosto de 1574, a consecuencia de la recuperación de Túnez por los tur cos. N o sólo deplora las fuertes pérdidas sufridas, sino que nos da sin rodeos su opinión. Algunos, nos dice, han pretendido que se podía haber conservado la fortaleza, aunque no hubiera sido socorrida: Pero a muchos les pareció, y así me pareció a mí, que fue particular gracia y merced que el cielo hizo a España en permitir que se asola se aquella oficina y capa de maldades, y aquella gomia o esponja y polilla de la infinidad de dineros que allí sin provecho se gastaban, sin servir de otra cosa que de conservar la memoria de haberla ganado la felicísima del invictísimo Carlos Quinto, como si fuera menester para hacerla eterna, como lo es y será, que aquellas piedras la sustentaran (I, 39 . 501). Aquí, sin lugar a dudas, habla Cervantes por boca del capitán: a la hora del balance, y con la altura de miras que se impone, aprueba el abandono de una plaza sin verdadero interés estra tégico y la liquidación, por dolorosa que sea, de una conquista utópica e inútil como fue la del reino de Túnez. D e hecho, así es como razonó Felipe II, al cual, dicho de paso, R u y Pérez de Viedma nunca llega a acusar. Una vez en Argel en tanto que cautivo de rescate, R u y Pé rez de Viedma ve que su destino coincide de nuevo con el de su creador. Igual que él, aunque en distintas circunstancias, queda en poder del rey Hazán; y la visión que nos ofrece de los baños se nos aparece henchida de los recuerdos del escritor: [Yo estaba] encerrado en una prisión o casa que los turcos llaman baño, donde encierran los cautivos cristianos, así los que son del rey como de algunos particulares ... Yo, pues, era uno de los de rescate, que, como se supo que era capitán, puesto que dije mi poca posibi V ID A Y L IT E R A T U R A LV lidad y falta de hacienda, no aprovechó nada para que no me pusie sen en el número de los caballeros y gente de rescate. Pusiéronme una cadena, más por señal de rescate que por guardarme con ella, y así pasaba la vida en aquel baño, con otros muchos caballeros y gen te principal, señalados y tenidos por de rescate. Y aunque la hambre y desnudez pudiera fatigarnos a veces, y aun casi siempre, ninguna cosa nos fatigaba tanto como oír y ver a cada paso las jamás vistas ni oídas crueldades que mi amo usaba con los cristianos (I, 40, 506-507). Cervantes, como queda dicho, no era capitán; pero llevaba car tas de recomendación de don Juan de Austria y del duque de Sessa, las cuales hicieron que los turcos lo considerasen como «persona principal»; de ahí los quinientos escudos de oro que, a pesar de su «falta de hacienda», su amo reclamó como precio de su rescate. Ahora bien, como para desmentir esta identifica ción, el·narrador, en una manera de desdoblamiento, concluye esta evocación de las crueldades del rey incorporando la figura emblemática de un compañero: Sólo libró bien con él un soldado español llamado tal de Saavedra, el cual, con haber hecho cosas que quedarán en la memoria de aquellas gentes por muchos años, y todas por alcanzar libertad, jamás le dio palo, ni se lo mandó dar, ni le dijo mala palabra; y por la menor cosa de muchas que hizo temíamos todos que había de ser empalado, y así lo temió él más de una vez; y si no fuera porque el tiempo no da lu gar, yo dijera ahora algo de lo que este soldado hizo, que fuera par te para entreteneros y admiraros harto mejor que con el cuento de mi historia (I, 40, 507-508). En este deslinde entre historia y poesía, surge, pues, aquel sol dado llamado Saavedra. Este nombre, como se sabe, es el se gundo apellido que Cervantes, al iniciar sus comisiones anda luzas, añade a su patronímico: lo usa en el memorial de 1590, dirigido al Consejo de Indias, pero no lo llevó ninguno de sus antepasados directos; lo tomó, probablemente, de uno de sus pa rientes lejanos, Gonzalo de Cervantes Saavedra, el cual había sido obligado a huir de Córdoba, en 1568, tras un asunto de sangre, y se embarcó en las galeras de donjuán, llegando tal vez a combatir en Lepanto. Este segundo nombre, que se da a tres LVI PRÓ LO G O de los muchos personajes que pueblan las ficciones cervantinas, ha sido interpretado como una conducta de compensación: a falta de poder deshacerse, por razones desconocidas, del patro nímico paterno, M iguel lo habría doblado en el plano social y simbólico. Sea lo que fuere, con el triunfo del Quijote la poste ridad ha consagrado, definitivamente, el doble apellido de C er vantes Saavedra, en un desquite de todoslos fracasos experi mentados por el que lo foijó. Lo que sí viene a compensar la odisea del capitán es la frus tración nacida de las cuatro evasiones fallidas del escritor. En enero de 1576, Cervantes trata en vano de huir por tierra al presidio español de Orán. En septiembre del año siguiente es pera un barco mallorquín, que no acude a la cita prevista. Seis meses después, en marzo de 1578, manda unas cartas al gober nador de Orán por medio de un moro cómplice al que sor prenden a la entrada de dicha ciudad y empalan por orden del rey. Por fin, en octubre de 1579, proyecta armar una fragata de doce bancos y ganar España con sesenta pasajeros, pero es de nunciado por un renegado florentino, manipulado por otro cautivo, el doctor Juan Blanco de Paz. El-mismo anhelo de li bertad anima, en el Quijote, a R u y Pérez de Viedma: ...pensaba en Argel buscar otros medios de alcanzar lo que tanto de seaba, porque jamás me desamparó la esperanza de tener libertad, y cuando en lo que fabricaba, pensaba y ponía por obra no correspondía el suceso a la intención, luego sin abandonarme fingía y buscaba otra esperanza que me sustentase, aunque fuese débil y flaca (I, 40, 506). Pero, al contrario que Cervantes, su primera tentativa va a ser un éxito: quien le permite salir del baño, facilitándole los me dios de su rescate y compartiendo su destino, es la hermosa Z o raida, hija de un rico renegado esclavón. Aquí, por cierto, la odisea del capitán se separa definitiva mente de la de su modelo: como ha mostrado M axime C he valier, se ciñe a una leyenda que desarrolla un motivo tradicio nal, a través de múltiples versiones entre las cuales destaca el cuento de La hija del diablo. Dentro de la remodelación cer vantina resalta, sin la menor duda, el papel concedido por el narrador al padre de Zoraida, cuando, tras haber sido informa V ID A Y L IT E R A T U R A LVII do por su hija de su conversion, ve alejarse, desde la playa de sértica en que ha sido abandonado por sus raptores, el barco que lleva a la pareja. A l dar a esta figura patética el nombre de A gi M orato, Cervantes la ha dotado de una identidad sacada de su propia experiencia, sin dejar, por supuesto, de acomodar a su relato la cronología de los hechos históricos. A gi Morato se llamaba, en efecto, aquel suegro del rey de Fez del que nos habla la Topografía e historia general de Argel (publicada en 16.12 a nombre de Diego de Haedo, aunque quizá compuesta por un compañero de cautiverio de Cervantes). Alcaide de la Pata, A gi Morato había peregrinado a la M eca y, según otro testimonio que conservamos, era tenido «por hombre de buen juicio y de muy buena manera». Por fin, en tanto que chauz (o ‘enviado’) del Turco, desempeñó varias misiones secretas. Com o queda dicho, Cervantes tenía en su poder, cuando fue capturado, car tas de recomendación. ¿Quién sabe si no fue introducido, como posible informador oficioso, en la intimidad de Agi M o rato? Así se nos aclararía la extraña mansedumbre que le mani festó el rey de Argel después de sus tentativas de fuga, al per donarle tres veces la vida. Tal es el trasfondo sobre el cual se recortan los recuerdos per sonales esparcidos en la narración: entre otros detalles, la refe rencia al jardín de Agi Morato, cercano a la puerta de Babazón (I, 40); lo que se nos dice del trato que solían mantener, en A r gel, amos y esclavos (I, 41); el ansia de libertad de los renega dos reconciliados, también llamados «tornadizos» (I, 40); el miedo de los moros a los turcos (I, 41); o el uso de la «lingua franca», «que en toda la Berbería y aun en Constantinopla se halla entre cautivos y moros, que ni es morisca ni castellana ni de otra nación alguna, sino una mezcla de todas las lenguas, con la cual todos nos entendemos» (I, 4 1, 519). Desglosar estas alu siones, en detrimento de su función artística, para componer un cuadro costumbrista de la vida argelina, nos llevaría, desde luego, a cometer un error de perspectiva. Pero otro error sería negarles, en un exceso de hipercriticismo, cualquier valor do cumental. Nuestro conocimiento del cautiverio cervantino se apoya en fuentes que, por varios motivos, reordenan, deforman u ocultan, a veces, los hechos ocurridos, y conviene manejar las con precaución: así, la relación firmada por Diego de Hae- LVIII PRÓ LO G O do no se puede separar de su requisitoria contra la ciudad y sus piratas, lanzada con el fin de sacar a la opinion española de su indiferencia y estimular la obra de las órdenes redentoras; las actas notariales referentes al caso se centran en las gestiones em prendidas por la familia del escritor para conseguir su rescate; en cuanto a las deposiciones de amigos y compañeros, fueron reunidas a petición del propio Cervantes en las dos informa ciones de 1578 y 1580 como respuesta a los alegatos infaman tes de sus enemigos. A diferencia de estos testimonios, el cuen to del cautivo nos restituye de modo insustituible, envuelta en el ropaje de una «fábula mentirosa», la forma en que el futuro autor del Quijote interiorizó una experiencia excepcional. E l rostro del escritor Este autobiografismo decantado por un propósito artístico, una constante voluntad de estilo, viene a cobrar nuevo interés en cuanto nos descubre la otra cara del manco de Lepanto: ya no el cautivo de los baños argelinos, protagonista de un episodio concluso y rememorado por un alter ego de papel, sino el «raro inventor» que se insinúa en su propia creación, en una recons trucción que Ëega a confundirse con el mismo proceso narra tivo. Aquel Cervantes creador, que asomó por primera vez en el prólogo a la Primera parte, reaparece en el capítulo sexto de la misma, aprovechando el forzoso descanso de don Quijote al volver de su primera salida. E l motivo de su intromisión no es otro que el famoso escrutinio de la biblioteca del hidalgo. U n escrutinio en el cual, dicho sea con perdón de don M iguel de Unamuno, no sólo se trata de libros, sino también de vida, ya que en las lecturas de don Quijote y en los juicios críticos que éstas merecen, algo se trasluce de las preferencias estéticas del escritor. Entre los libros examinados figura La Galatea, cuya presencia en la biblioteca suscita, por boca del cura, la conmovida reme moración del autor: Muchos años ha que es grande amigo mío ese Cervantes, y sé que es más versado en desdichas que en versos. Su libro tiene algo de bue V I D A Y L IT E R A T U R A LIX na invención: propone algo, y no concluye nada; es menester espe rar la segunda parte que promete: quizá con la emienda alcanzará del todo la misericordia que ahora se le niega (I, 6, 94). En el momento en que escribe esta frase, Cervantes está a pun to de corresponder a la espera del cura: no con la segunda par te de su Galatea, nunca publicada, aunque sí prometida hasta en la dedicatoria del Persiles, sino con otra obra que alcanzaría «del todo» algo más que la «misericordia» que se negó a su primera novela. Pero no por eso va a convertirse en mero plumífero. Aun cuando nos descubra su interés por las cuestiones de poé tica - lo ha aclarado Edward C . R ile y en un libro fundamen tal-, nunca lo hace con el dogmatismo del preceptista. Su m e ditación sobre las formas y los fines de la literatura, diseminada entre sus portavoces, en los capítulos 47 a 50 de la Primera par te, desarrolla dialécticamente el debate entre teoría y praxis no velesca, en el contraste de pareceres al que da lugar la crítica de los libros de caballerías. Y en cuanto a la condena de las come dias al uso, expresada conjuntamente por el canónigo y el cura, no sólo se articula con el recuerdo nostálgico del «arte antiguo», cultivado en otros tiempos por el autor de La Numancia; tam bién traduce el rencor experimentado ante el triunfo de un ri val más joven y más afortunado: aquel Fénix de los Ingenios que quiso «acomodarse al gusto de los representantes» adaptán dose a las exigenciasférreas de una producción masiva y con virtiendo el teatro en «mercadería vendible». En junio de 1605, a los pocos meses de publicarse la Prime ra parte del Quijote, Andrea de Cervantes, comprometida a pe sar suyo en la muerte de un joven calavera, Gaspar de Ezpele- ta, depone ante el juez Villarroel. Traza entonces un alusivo perfil de su hermano: «un hombre que escribe e trata negocios, e por su buena habilidad tiene amigos». Menos confidencial, por cierto, y harto distinto es el retrato que, siete años más tar de, el escritor nos ofrece de sí mismo, en el prólogo a sus N o velas ejemplares: Este, digo, que es el rostro del autor de L a Galatea y de D on Quijote de la Mancha ... llámase comúnmente Miguel de Cervantes Saavedra. Fue soldado muchos años, y cinco y medio cautivo, donde aprendió LX PRÓ LO G O a tener paciencia en las adversidades. Perdió en la batalla naval de Le panto la mano izquierda de un arcabuzazo... (Prólogo, p. 17). Aquí, con trazo vigoroso, fija las pocas imágenes que, todavía hoy, lo designan en la memoria colectiva: el combatiente de Lepanto, el cautivo de Argel, el autor del Quijote. Esta última estampa, que vimos surgir con motivo del escrutinio, es la que campea en las obras consecutivas al éxito de la Primera parte, aquellas que salen a la luz durante los diez años que median en tre este éxito y la muerte del «raro inventor». Diez años que transcurren en Madrid, después del regreso de la corte, duran te los cuales Cervantes se reintegra al mundo de las letras. En tonces asiste con Lope de Vega a la Academia Selvaje, a la vez que ingresa, por motivos que no debieron de ser exclusiva mente religiosos, en la Hermandad de los Esclavos del Santísi mo Sacramento y en la Orden Terciaria Franciscana. Entonces empieza su período más fecundo, hasta tal punto que, para nosotros, su vivir acaba confundiéndose con su quehacer lite rario. En 16 13 se editan las Novelas; al año siguiente el Viaje del Parnaso, sarta de alabanzas de poetas amigos, engastada en una odisea imaginaria cuyo alegorismo se compagina -otra vez— con un fino sentido autobiográfico; en 16 15 las Ocho comedias y ocho entremeses nuevos, dados a la imprenta tras padecer la indi ferencia de empresarios y cómicos; en 16 16 se redactan los úl timos capítulos de Los trabajos de Persiles y Sigismunda, «historia septentrional» con tono y traza de novela bizantina, concluida cuando el que la compuso tenía ya «el pie en el estribo» de la muerte, y que se publicará como libro postumo. Pero, un año antes, había salido a la luz la Segunda parte del Quijote, donde el yo cervantino, mal disimulado detrás de sus dobles, se deja de nuevo captar. La reaparición de este yo, en el prólogo de 16 15 , no se pro duce en circunstancias idénticas a las que originaron el exordio de la Primera parte. Cervantes, esta vez, no tiene por qué asu mir ante los lectores la novedad de su empresa. En cambio, sí la reivindica frente a un nuevo interlocutor: el misterioso A ve llaneda que, un año antes, había publicado una segunda parte espuria, conocida hoy como el Quijote apócrifo. Por cierto, no faltaban antecedentes: sin remontarnos a La Celestina, el Laza- V ID A Y L IT E R A T U R A LXI rillo de Tonnes había suscitado toda una descendencia, en tanto que Gaspar Gil Polo prolongaba La Diana de Montemayor con una Diana enamorada que no es indigna del modelo. En años más recientes, Mateo Luján había dado a luz una Segunda parte del Guzmán de Alfarache, mientras Mateo Alemán trabajaba to davía en la suya. Pero Avellaneda, amén de esconderse detrás de una máscara, había acumulado calumnias y afrentas para su predecesor. En un prólogo «menos cacareado y agresor de sus lectores» -según é l- que el de la Primera parte, disparaba sin piedad los ataques ad hominem, burlándose de los achaques de su víctima, acusándole de tener «más lengua que manos» y con cluyendo con esta agria advertencia: «Conténtese con su Galatea y comedias en prosa, que eso son las más de sus Novelas: no nos canse» (Avellaneda, Don Quijote de la Mancha, Prólogo, p. 12). N o vamos a detenernos en este triste episodio. Pero sí recal car el tono inconfundible de la respuesta, en un ajuste de cuen tas del que brota el prólogo de 16 15 . Sabe Cervantes con qué impaciencia la está esperando el «lector ilustre o quier plebeyo», con quien mantiene un trato preferente. Ahora bien, mejor le conviene burlar esta esperanza: Pues en verdad que no te he de dar este contento, que, puesto que los agravios despiertan la cólera en los más humildes pechos, en el mío ha de padecer excepción esta regla. Quisieras tú que lo diera del asno, del mentecato y del atrevido, pero no me pasa por el pensa miento: castigúele su pecado, con su pan se lo coma y allá se lo haya (II, Prólogo, 673). ¿Supo Cervantes quién se ocultaba tras el nombre de Avella neda? Si hemos de creer a Martín de Riquer, éste no sería sino Jerónim o de Pasamonte, el soldado-escritor que, diez años an tes, le inspiró el personaje del galeote Ginés. Pero aquí poco le importa ese oscuro compañero de milicia al que sólo reprocha expresamente una cosa, sus insultos personales: Lo que no he podido dejar de sentir es que me note de viejo y de manco, como si hubiera sido en mi mano haber detenido el tiempo ... o si mi manquedad hubiera nacido en alguna taberna, sino en la más alta ocasión que vieron los siglos pasados, los presentes, ni espe- LXII PRÓ LO G O ran ver los venideros. Si mis heridas no resplandecen en los ojos de quien las mira, son estimadas a lo menos en la estimación de los que saben dónde se cobraron: que el soldado más bien parece muerto en la batalla que libre en la fuga (II, Prólogo, 673). Aquí es donde la creación literaria se resorbe en la experiencia viva: la indignación del prologuista acaba por subvertir el dis curso prologal. La respuesta no carece de garbo; pero respira, más que nada, la melancolía del superviviente de un tiempo ca ducado. Enmarcado por dos textos de notable sabor autobiográfico —por un lado, la aprobación del licenciado Márquez Torres, donde se inserta una anécdota protagonizada por M iguel (y, po siblemente, dictada por él); y, por otro lado, la irónica dedica toria al conde de Lemos—, el prólogo al segundo Quijote acaba devolviendo a Avellaneda a su oscuridad. En cuanto a la conti nuación espuria, Cervantes va a incorporarla a su modo en su propia obra. Examinar esta mise en abîme nos apartaría de nues tro cometido. Pero, al contemplar a don Quijote con el falso Quijote entre manos, poniéndose a hojearlo «sin responder pala bra» (II, 59, L214), ¿cómo no pensar en su padre o padrastro quien, en la misma circunstancia, tuvo tal vez idéntica reacción? Los disfraces del «raro inventor» Pero no nos equivoquemos: la contaminación del relato por el vivir y el crear cervantinos no se encierra en los moldes de esta polémica, convertida, hoy en día, en pasto de eruditos. En dos momentos claves por no decir nada de otros muchos, el «raro inventor» vuelve a asomar la oreja, aunque escondido detrás de sus portavoces. Primero, al confrontar a sus héroes con la his toria de sus hazañas. M ejor dicho, con la noticia, comunicada por Sancho a su amo, de que dicha historia «andaba ya en li bros ... con nombre del Ingenioso hidalgo don Quijote de la Man cha» (II, 2, 703). El asombro del escudero, encantado de saber, por el bachiller Sansón Carrasco, que sus hechos están imbri cados con los de su señor, corre parejas con la inquietud del ca ballero, a quien el mismo Sansón revela que la epopeya ideal V ID A Y L IT E R A T U R A LXIII de sus hazañas no es más que una crónica, compuesta por un moro mentiroso y traducida al «vulgar castellano, para univer sal entretenimiento de las gentes» (II, 3, 705). E l «ridículo ra zonamiento» -divertido coloquio- que, sobre el particular, reú ne a los tres interlocutores es, por cierto, un hábil recurso literario:a través de su vaivén entre el perfil con que soñaba y el que le es impuesto, el ingenioso hidalgo afirma con pertina cia su independencia, reivindicando obstinadamente la imagen que quiere dejar de sí mismo. Pero también Cervantes se vale de este recurso, haciéndose eco de los juicios emitidos sobre el Quijote de 1605: disimulado detrás de sus tres portavoces, les da alternadamente la palabra, sin acreditar a ninguno como depo sitario de su propia opinión. Este procedimiento, entre otras consecuencias, le permite dar cuenta del éxito de su libro sin pecar de presumido. Primero, encarga al bachiller que mencio ne, con tonillo de burla, los doce mil ejemplares que, «el día de hoy», andan ya impresos, llegando a profetizar, en una paradó jica premonición, «que no ha de haber nación ni lengua don de no se traduzga» (II, 3, 706). Más adelante, hace que el mis mo don Quijote venga a comunicar la noticia a don Diego de Miranda, acrecentando la cifra y anticipando el acontecimien to, en un alarde de ingenua vanagloria: ...y, así, por mis valerosas, muchas y cristianas hazañas, he merecido andar ya en estampa en casi todas o las más naciones del mundo: treinta mil volúmenes se han impreso de mi historia, y lleva camino de imprimirse treinta mil veces de millares, si el cielo no lo reme dia (II, 16, 821). Otra de las máscaras elegidas por el yo cervantino es, por su puesto, Cide Hamete Benengeli. Desde la perspectiva que nos corresponde, tan sólo queremos aludir aquí a su intervención más significativa, cuando, al principio del capítulo 44 de la Se gunda parte, el «moro mentiroso» vuelve a abordar la cuestión de las novelas interpoladas, planteada inicialmente por Sansón Carrasco. Parece ser que la presencia de estos cuentos en el primer Quijote, si no dio lugar a una polémica, al menos susci tó opiniones contrarias, referidas aquí de modo explícito: LXIV PRÓ LO GO Dicen que en el propio original desta historia se lee que llegando Cide Hamete a escribir este capítulo no le tradujo su intérprete como él le había escrito, que fue un modo de queja que tuvo el moro de sí mismo por haber tomado entre manos una historia tan seca y tan limitada como esta de don Quijote, por parecerle que siempre había de hablar dél y de Sancho, sin osar estenderse a otras digresiones y episodios más graves y más entretenidos; y decía que el ir siempre atenido el entendimiento, la mano y la pluma a escribir de un solo sujeto y hablar por las bocas de pocas personas era un trabajo in comportable, cuyo fruto no redundaba en el de su autor, y que por huir deste inconveniente había usado en la primera parte del artificio de algunas novelas, como fueron la del Curioso impertinente y la del Capitán cautivo, que están como separadas de la historia, puesto que las demás que allí se cuentan son casos sucedidos al mismo don Qui jote, que no podían dejar de escribirse (II, 44, 1069-1070). Com o se echa de ver, la referencia despectiva a la «historia ... de don Quijote» es casi la misma que hemos encontrado en el pró logo a la Primera parte. Pero el yo del prólogo se sustituye aquí por todo un juego de encajes: mediante un doble giro imperso nal -«dicen que ... se lee»-, nos enteramos de una infidelidad cometida por el supuesto traductor de la historia compuesta por un supuesto Cide Hamete. Esta distancia permite a Cervantes introducir con evidente ironía el tema que le preocupa: También pensó, como él dice, que muchos, llevados de la atención que piden las hazañas de don Quijote, no la darían a las novelas, y pa sarían por ellas o con priesa o con enfado, sin advertir la gala y artifi cio que en sí contienen, el cual se mostrara bien al descubierto, cuan do por sí solas, sin arrimarse a las locuras de don Quijote ni a las sandeces de Sancho, salieran a luz. Y , así, en esta segunda parte no quiso ingerir novelas sueltas ni pegadizas, sino algunos episodios que lo pareciesen, nacidos de los mesmos sucesos que la verdad ofrece, y aun éstos limitadamente y con solas las palabras que bastan a declarar los; y pues se contiene y cierra en los estrechos límites de la narración, teniendo habilidad, suficiencia y entendimiento para tratar del uni verso todo, pide no se desprecie su trabajo, y se le den alabanzas, no por lo que escribe, sino por lo que ha dejado de escribir (II, 44, 1070). V ID A Y L IT E R A T U R A LXV Nada más ambiguo que esta aparente autocrítica. Tras recordar el procedimiento intercalado!· que usó en la Primera parte, re emplazado, en la Segunda, por una trabazón más íntima que supone una mayor colaboración del lector, Cervantes, con la soltura que le concede el artificio aquí elegido, desarrolla todo un proceso reflexivo que concluye con una clara autodefensa: la nueva relación establecida, en el segundo Quijote, entre fá bula y episodios, no debe entenderse como corrección o en mienda; tampoco es mera concesión al gusto del público. En plena conformidad con la nueva lógica interna que rige la aventura, se impone como concertada y permanente tensión entre lo que se escribe y lo que se ha dejado de escribir. Una especie de pacto ¿Quién será, a fin de cuentas, aquel yo al que hemos acosado, en un ímprobo esfuerzo por desalojarlo de las páginas del Qui jote? N o el Cervantes de carne y hueso, que muere a los pocos meses de publicar su gran libro, tras dictar en su lecho de ago nía la dedicatoria del Persiles. Más bien la proyección de un in dividuo cuya obra, aunque exprese los deseos y los sueños del que la engendró, desborda su aventura personal al vivir con vida propia, cargándose, al correr de los siglos, con sentidos nuevos. Después de referir la muerte del ingenioso hidalgo, Cide Hamete, en una última advertencia a Avellaneda, da la palabra a su pluma; ésta, entonces, se despide del lector reivin dicando su bien: «Para mí sola nació don Quijote, y yo para él: él supo obrar y yo escribir, solos los dos somos para en uno...» (II, 74, 1336). Prueba indiscutible, como observa José Manuel Martín Morán, de que, «tras los dos autores que hasta entonces han venido narrando las gestas de don Quijote, se esconden otros tantos desdoblamientos de un narrador incógnito que, sin gran esfuerzo por nuestra parte, podemos identificar con el propio Cervantes». ¿En qué estriba, entonces, la fascinación que ejerce, sobre nosotros, aquel narrador escondido? Probablemente en que el autobiografismo del Quijote, aun cuando no llegue a iluminar del todo un perfil perdido, nos permite, eso sí, reconocer en- LXVI PRÓ LO G O tre miles la voz de este incognito: una voz apta para suscitar, de entrada, nuestra complicidad, antes de fundirse en una com pleja polifonía que, si bien la disfraza, la difracta y hasta la obli tera a veces, nunca la anula. Así es como esta voz establece, desde el principio, una manera de pacto que nunca se rompe ni disuelve; un pacto que no se limita a alimentar el encanto de nuestra lectura, sino que, entre otros muchos recursos, ha con tribuido a sellar el acta de nacimiento de la novela moderna. N O T A B IB L IO G R Á F IC A Los principales repertorios bibliográficos y obras de consulta dedicados a Cervantes se hallarán relacionados al principio de la bibliografía incluida en el volumen complementario de la presente edición. i . Lo que sabemos de la vida de Cervantes es fruto de investigaciones su cesivas, realizadas desde el primer tercio del siglo x v m . Una contribución inicial, m uy importante, fue la de los primeros biógrafos del manco de Le panto: Gregorio Mayans y Sisear, Vida de Miguel de Cervantes Saavedra, Bri- ga-Real, 1737 ; Juan Antonio Pellicer y Saforcada, Vida de Miguel de Cer vantes Saavedra, Gabriel de Sancha, Madrid, 1800; Martín Fernández de Navarrete, Vida de Miguel de Cervantes Saavedra escrita e ilustrada con varias no ticias y documentos inéditos..., Imprenta Real, Madrid, 18 19 . Pero la aporta ción documental más significativa ha sido la de varioseruditos de principios del siglo X X . Entre éstos destacan particularmente Cristóbal Pérez Pastor, Documentos cervantinos hasta ahora inéditos, Imprenta de Fortanet, Madrid, 1899-1902, 2 vols.; Pedro Torres Lanzas, «Información de Miguel de Cer vantes de lo que ha servido a S.M . y de lo que ha hecho estando captivo en Argel...», Revista de Archivos, Bibliotecas y Museos, 3a serie, V (1905), pp. 345- 397 (reed. José Esteban, Madrid, 1981); Francisco Rodríguez Marín, Nue vos documentos cervantinos, R eal Academia Española, Madrid, 19 14 (incluido en sus Estudios cervantinos, Atlas, Madrid, 1947, pp. 175-350). Los docu mentos publicados por ellos proceden o bien de los archivos públicos (Si mancas, Sevilla, Madrid) o bien de los parroquiales y notariales. Se refieren, en su mayoría, al cautiverio de Cervantes, a las comisiones que desempeñó durante su estancia en Andalucía, y a sucesos particulares de su vida exter na, tales como el asunto Ezpeleta, ocurrido en Valladolid en 1605. En cam bio, muy escasos son los que arrojan alguna luz sobre su carrera de escritor, por no decir nada de su personalidad. Otro tanto puede decirse del material descubierto y publicado por Luis Astrana Marín en su monumental biografía. Lo que se echa de menos, sin la menor duda, es una presentación me tódica y comentada de estos documentos. Esta fue esbozada hace ya años por James Fitzmaurice Kelly, Cervantes Saavedra. A Memoir, O xford U ni- V ID A Y L IT E R A T U R A LXVII versity Press, 19 13 (obra ampliada y traducida luego al castellano: Miguel de Cervantes Saavedra. Reseña documentada de su vida, Oxford University Press, 19 17). Las recopilaciones más recientes son las que debemos a Krzysztof Sliwa, Documentos de Miguel de Cervantes Saavedra, Eunsa, Pam plona, 1999, y Documentos cervantinos. Nueva recopilación, lista e Indices, P e ter Lang, N ueva Y ork , 2000. Carecemos asimismo de una biografía crítica digna de este nombre; la mayoría de las Vidas de Cervantes son, en efecto, relatos novelados, entre los cuales el más ameno sigue siendo el de Francisco Navarro y Ledesma, E l in genioso hidalgo Miguel de Cervantes Saavedra. Sucesos de su vida..., Imprenta Alemana, Madrid, 1905 (reed. Espasa-Calpe, Colección Austral 401, B ue nos Aires, 1944). La ya mencionada obra de Luis Astrana Marín, Vida ejem plar y heroica de Miguel de Cervantes Saavedra, Imprenta de Reus, Madrid, 1948-1958, 7 vols., es muy discutible en su método y adolece de varios pre juicios, pero reúne una suma considerable de informaciones, a veces inédi tas, y constituye por ello una referencia insustituible. Existe un índice de este libro, que se ha publicado en microfilm: Phyllis S. Emerson, Index of Astrana Marin's «Vida ejemplar y heroica de Miguel de Cervantes», with a Chro nology of Cervantes’ Life, Erasmus Press, Lexington, 1978. Es de desear que se publique en España en forma de libro. Entre las biografías posteriores que aspiran a mayor rigor, las más recientes son: Jean Canavaggio, Cervantes. En busca del p efil perdido, trad, española en Espasa-Calpe, Madrid, 1987 (ed. re visada, 1997), y Antonio R e y Hazas y Florencio Sevilla, Vida de Cervantes, Alianza, Madrid, 1995. Para un bosquejo de las cuestiones metodológicas planteadas por esta labor, nos permitimos remitir a jean Canavaggio, «Cer vantes en su vivir: ¿un arte nuevo para una nueva biografía?», Miguel de Cer vantes: la invención poética de la novela moderna, en Anthropos, X C V III-X C IX (junio-agosto de 1989), pp. 41-48. Aportaciones recientes sobre la familia de Cervantes son el artículo de Krzysztof Sliwa y Daniel Eisenberg «El licenciado Juan de Cervantes, abue lo de M iguel de Cervantes Saavedra», Cervantes, X V II (1997), pp. 10 6 -114 ; los de Sliwa «La supuesta hidalguía de Rodrigo de Cervantes, padre del au tor del Quijote», Volver a Ceivantes. Actas del I V Congreso Internacional de la Asociación de Cervantistas, Universität de les liles Balears, Palma de Mallorca, 2001, pp. 13 1- 13 8 , «La dualidad de Leonor de Cortinas, madre de Miguel de Cervantes Saavedra», Actas del X III Congreso de la Asociación Internacional de Hispanistas, Castalia, Madrid, 2000, I, pp. 758-763, e «Hija y nieta de M i guel de Cervantes Saavedra, Isabel de Cervantes y Saavedra e Isabel Sanz», Actas del VIII Coloquio Internacional de la Asociación de Ceivantistas, Ediciones Dulcinea del Toboso, E l Toboso, 1999, pp. 267-274; el de Eisenberg «El convenio de separación de Cervantes y su mujer Catalina», Anales Ceivanti- nos, X X X V (1999), pp. 143-149 ; y el de Manuel Andrino «Luis de Molina, yerno de Cervantes», Gazeta de los Notarios, X C II (agosto-septiembre de 1997) . PP· 8-10. H e aquí, por otra parte, los episodios biográficos que, en los últimos treinta años, mayor interés han suscitado: LXVIII PRÓ LO GO - La actuación de Cervantes en Lepanto, el 7 de octubre de 15 7 1 (Ma rio Penna, «II “ lugar del esquife” . Appunti cervantini», Annali della Facoltà di Lettere e Filosofía délia Universitá degli Studi di Perugia, II, 1964-1965, pp. 213-288). - La captura de la galera Sol, en 1575, por corsarios argelinos (Juan Bau tista de Avalle-Arce, «La captura de Cervantes», Boletín de la Real Academia Española, X LV III, 1968, pp. 237-280; reed, en Nuevos deslindes cervantinos, Ariel, Barcelona, 1975, pp. 277-333). - E l cautiverio de Cervantes en Argel, entre 1575 y 1580 (Emilio Sola y José F. de la Peña, Cervantes y la Berbería, Fondo de Cultura Económica, M é- xico-Madrid, 1995; Alberto Sánchez, «Revisión del cautiverio cervantino en Argel», Cervantes, X V II, 1997, pp. 7-24; María Antonia Garcés, Cervantes in Algiers. A Captive’s Tale, Vanderbilt University Press, Nashville, 2002). - Las relaciones entre Cervantes y Lope de Vega a partir de 1604 (Nico lás Marín López, «Belardo furioso: una carta de Lope mal leída», Anales Cer vantinos, X II, 1973, pp. 3-37; reed, en Estudios literarios sobre el Siglo de Oro, Universidad de Granada, 1988, pp. 317-358). - E l posible viaje de 16 10 a Barcelona, con motivo de la partida del con de de Lemos a Nápoles (Martín de Riquer, Cervantes en Barcelona, Sirmio, Barcelona, 1989; ahora en Para leer a Cervantes, El Acantilado, Barcelona, 2003, pp. 283-387). - La identidad del misterioso Avellaneda, autor del Quijote apócrifo de 16 14 (Martín de Riquer, Cervantes, Passamonte y Avellaneda, Sirmio, Barce lona, 1988; reed. en Para leer a Cervantes, El Acantilado, Barcelona, 2003, pp. 387-535; y Alfonso Martín Jiménez, E l «Quijote» de Cervantes y el «Qui jote» de Pasamonte, una imitación recíproca, Centro de Estudios Cervantinos, Alcalá de Henares, 2001). - La supuesta carta de Cervantes a su protector, el cardenal Sandoval y Rojas, fechada en 26 de marzo de 16 16 , la cual resulta ser una falsificación del siglo X IX , obra probable de Adolfo de Castro (Antonio Rodríguez-M o- ñino, «La carta de Cervantes al cardenal Sandoval y Rojas», Nueva Revista de Filología Hispánica, X V I, 1962, pp. 81-89). A fin de cuentas, poco se puede añadir, hoy en día, al ponderado «Estado actual de los estudios biográficos» establecido por Alberto Sánchez hace más de veinte años (en J.B . de Avalle-Arce y E .C . R iley, Suma cervantina, Ta mesis, Londres, 1973, pp. 3-24) y, para decirlo con palabras de Américo Castro todavía válidas, «la biografía de Cervantes está tan escasa de noticias como llena de sinuosidades» (Cervantes y los casticismos españoles, Alfaguara, Madrid, 1967, ρ. 169η). 2. Ofrecemos a continuación las fuentes bibliográficas que amplían las cues tiones tratadas en el presente capítulo. Otras se encontrarán en el listado de las obras de referencia citadas con más frecuencia en el Resumen cronológico de la vida de Cervantes que figura como apéndice a continuación de este Pró logo. V ID A Y L IT E R A T U R A LXIX Acerca de la posibilidad de rastrear datos biográficos en las obras de C er vantes véasenuestro Cervantes, Espasa-Calpe, Madrid, 2003+, pp. 17-22, así como «Hacia la nueva biografía de M iguel de Cervantes», en Cervantes en tre vida y creación, Centro de Estudios Cervantinos, Alcalá de Henares, 2000, pp. 17 -3 1 . La disconformidad de Cervantes con respecto a la técnica narrativa del Guzmán de Alfarache es analizada por Claudio Guillén en «Luis Sánchez, Ginés de Pasamonte y los inventores del género picaresco», reed. en E l pri mer Siglo de Oro. Estudios sobre géneros y modelos, Crítica, Barcelona, 1988, pp. 19 7 -2 11 . Remitim os a los estudios de Américo Castro, especialmente Cetvantes y los casticismos españoles, Alfaguara, Madrid,. 1966, para la hipótesis sobre la su puesta ascendencia conversa atribuida a Cervantes. Am én de que el autor del Quijote no adujo nunca pruebas de su limpieza de sangre, no debe ex cluirse que tuviera a conversos entre sus antepasados: recuérdese que Juan de Cervantes, su abuelo paterno, casó con una Torreblanca, perteneciente a una familia de médicos cordobeses. Pero otra cosa es hacer de esta ascen dencia una clave explicativa de su «diferencia» y de su creación, como pre tende, por ejemplo, Rosa Rossi en su controvertido Ascoltare Cervantes. Sag- gio biográfico, Editori Riuniti, R om a, 1987 (trad, española, Cetvantes. Un ensayo biográfico, Ambito, Valladolid, 1988). Sobre la presencia del yo cervantino en su obra, véase nuestro «Cervan tes en primera persona», en Cervantes entre vida y creación, cit., pp. 65-72, y, con mayor amplitud de miras, M ichel Moner, Ceivantès conteur. Ecrits et pa roles, Bibliothèque de la Casa de Velázquez, Madrid, 1989. La alusión, en el prólogo de la Primera parte del Quijote, a la cárcel en la que se engendró la obra fue entendida denotativamente por Hartzenbusch, a mediados del siglo pasado, quien creyó que se ubicaba en Argamasilla de Alba y allí transportó todo el material de imprenta requerido para su edi ción del Quijote. Otros han propuesto identificarla con la de Castro del R ío , donde Cervantes estuvo preso en 1592, o, más plausiblemente, con la Cár cel R eal de Sevilla, donde permaneció varios meses en 1597-1598. Pero no debe excluirse un uso metafórico de esta palabra, acorde con la tradición cancioneril. Cualquiera que sea su significado, cabe observar que el Quijote de 1605 se dice engendrado, o sea, concebido, y no escrito, en dicha cárcel. La apreciación de Maurice M olho acerca del prólogo de la Primera par te del Quijote se encuentra en «Texte/paratexte: Don Quichotte», en M. M o ner, ed., Le livre et l ’édition dans le monde hispanique (x v f-x x " siècles). Pratiques et discours paratextuels, Université Stendhal, Grenoble, 1992, pp. 99-100. De los estudios dedicados a los exordios que encabezan sendas partes de la no vela, merece destacarse Américo Castro, «Los prólogos al Quijote», en Hacia Cervantes, Taurus, Madrid, 19673, pp. 262-301, así como Mario Socrate, Prologhi al «Don Chisciotte», Marsilio, Venecia, 1974. Sobre la carta de Lope de Vega y su recta interpretación, véase Nicolás Marín, «Belardo furioso. Una carta de Lope mal leída», en sus Estudios literarios sobre el Siglo de Oro, ed. A. de la Granja, Universidad de Granada, 1988, pp. 317-358 . LXX PRÓ LO GO N o nos incumbe traer a colación los numerosos estudios dedicados a los narradores ficticios del Quijote. Baste señalar, entre las contribuciones más sugestivas, las páginas que les dedica José Manuel Martín M orán en E l «Quijote» en ciernes, D ell’Orso, Turin, 1990, pp. 107-19 7 . En relación a la etimología del nombre de Cide Hamete Benengeli, véase S. Bencheneb y Ch. Marcilly, «Qui était Cide Hamete Benengeli?», Mélanges offerts à Jean Sarrailh, Editions Hispaniques, Paris, 1966, I, pp. 97-116 . En torno a la reconstrucción del ideario de Cervantes a partir de sus obras, hay que recordar la labor en 1925 de Américo Castro, quien operó, con E l pensamiento de Cervantes, algo parecido a una revolución copemica- na en los estudios cervantinos. M edio siglo más tarde, en el prólogo a la nueva edición de esta obra, publicada en 1972, concedía que, «después de todo, algo se dice en ella de Cervantes y del Quijote». Pero se mostraba más que reservado ante un libro que hubiera querido rehacer y que a su ju icio ordenaba de modo arbitrario un ideario cervantino abstracto, desprendi do de la «textura literaria» de las obras aprovechadas como material de in vestigación (A. Castro, E l pensamiento de Cervantes, Noguer, Barcelona, 1972, pp. 7-8). La retórica de algunos discursos de don Quijote y su posible reflejo de ideas cervantinas es analizada por Anthony Close, «Don Q uixote’s sophistry and wisdom», Bulletin of Hispanic Studies, LV (1978), pp. 10 4 - in . Entre los numerosos trabajos dedicados a la historia de R u y Pérez de Vied ma (Quijote, I, 39-41), véase, sobre su trasfondo histórico, el artículo pionero (aunque en varios aspectos discutible) de Jaime Oliver Asín, «La hija de Agi Morato en la obra de Cervantes», Boletín de la Real Academia Española, X X V II (1947-1948), pp. 245-339. Desde un enfoque más amplio, merece leerse el rico y sugestivo estudio de Francisco Márquez Villanueva, «Leandra, Zoraida y sus fuentes francoitalianas», en Personajes y temas del «Quijote», Madrid, Tau rus, 1975, pp. 92-146. Acerca de las apreciaciones de R u y Pérez de Viedma sobre «un soldado es pañol ... tal de Saavedra» (Quijote, I, 40, 507), compañero suyo, nótense las coincidencias con el autor de la Topografía e historia general de Argel, publicada en Madrid en 16 12 , a nombre de Diego de Haedo, y reeditada moderna mente (Bibliófilos Españoles, Madrid, 1929, 3 vols.). Esta obra fundamental ha sido atribuida, con buenos argumentos, al doctor Antonio Sosa, compa ñero de cautiverio del manco de Lepanto. Véase George Camamis, Estudios sobre el cautiverio en el Siglo de Oro, Gredos, Madrid, 1977; Emilio Sola, «Mi guel de Cervantes, Antonio de Sosa y Africa», en Actas del 1 Encuentro de la Asociación de Cervantistas, Anthropos, Barcelona, 1990; Mohamed Mounir Sa~ lah, E l Doctor Sosa y la «Topografía e Historia General de Argel», U A B, Barcelo na, 1991. Posición distinta es la de Daniel Eisenberg, «Cervantes, autor de la Topografía e historia general de Argel publicada por Diego de Haedo», Cervantes, X V I (1996), pp. 32-53. El Diálogo de los mártires de Argel, incluido en la Topo grafíay ha sido editado a nombre del doctor Sosa por E. Sola y J.M . Parreño (Madrid, 1990). En opinión de Sosa, «del cautiverio y hazañas de Miguel de Cervantes pudiera hacerse particular historia» (f. 185 de la edición original y V ID A Y L IT E R A T U R A LXXI p. 165 del tomo III de la reedición de 1929). Y a anteriormente a este inten to de atribución se había sugerido que, entre las fuentes utilizadas en la ela boración de esta obra, tal vez figurasen informes debidos a Cervantes, cuyo segundo intento de evasión se relata aquí con todo detalle. Para un balance de conjunto del papel desempeñado por Cervantes durante estos acontecimien tos, véase el citado libro de E. Sola y José F. de la Peña Cervantes y la Berbería. La interpretación referida a los motivos, en el plano social y simbólico, por los cuales Cervantes adopta el apellido de Saavedra procede de Louis Combet, Cervantès ou les incertitudes du désir, une approche psychostructureïïe de l ’oeuvre de Cervantes, Presses Universitaires de Lyon, 1980, pp. $53-558; pue de verse también María Antonia Garcés, «Los avatares de un nombre: Saa vedra y Cervantes», Revísta de Literatura, LX V (2003), pp. 351-374 . Entre los personajes de ficción cervantinos, reciben el nombre de Saavedra, además del ya mencionado «soldado español ... tal de Saavedra», uno de los cauti vos de E l trato de Argel y el protagonista de E l gallardo español. Las aportaciones de M áxime Chevalier acerca de los motivos tradiciona les en la historia del cautivo se encuentran en «El Cautivo entre cuento y novela»,Nueva Revista de Filología Hispánica, X X X II (1983), pp. 403-4 11. La figura de Agi Morato, chauz (o ‘enviado’) del Turco, queda reflejada en las «Respuestas de Juan Pexón, Mercader de Valencia, a lo preguntado por el Duque de Gandía» (abril-mayo de 1573), Simancas E ° 487, citado en Jean Canavaggio, «Agi Morato entre historia y ficción», Crítica Hispánica, X I, 1-2 (1989), pp. 17-22. Véase también E. Sola y José F. de la Peña, Cer vantes y la Berbería, cit., pp. 218-275. Sobre la figura histórica de Agi M ora to téngase en cuenta, además del estudio citado de Maxime Chevalier, otro trabajo nuestro, «Le “ vrai” visage d’Agi Morato», Hommage à Louis Urrutia, Les Langues Néo-latines, C C X X X IX (1980), pp. 23-38. La opinion de Miguel de Unamuno, que matizamos, sobre el escrutinio de la biblioteca se encuentra en Vida de Don Quijote y Sancho, ed. Alberto Sánchez, Cátedra, Madrid, 1988, p. 192. Acerca de la poética cervantina, véase Edward C. R iley, Cervantes’ Theory of the Novel, Oxford University Press, 1962 (trad, española, Teoría de la novela en Cernantes, Taurus, Madrid, 1966). E l comentario más sugestivo de los capítulos 47 a 50 del Quijote sigue sien do el de Alban K. Forcione, en Ceivantes, Aristotle and the «Persiles», Prince ton University Press, 1970, pp. 9 1-130 . En cuanto a la implicación de Cervantes en la muerte de Gaspar Gómez de Ezpeleta, véase nuestro Cervantes, pp. 249-254. Se conservan las declara ciones tomadas por el juez en el manuscrito núm. 1 de la colección de la Real Academia Española, publicado por Ram ón León Máinez e incluido más tarde por Cristóbal Pérez Pastor en sus Documentos cervantinos hasta aho ra inéditos, cit., II, pp. 454-537. Véase el resumen que da Luis Astrana M a rín de este documento en su Vida ejemplar y heroica de Miguel de Ceivantes Saavedra, Instituto Editorial Reus, Madrid, V I, I o, 1956, pp. 93-105. Heri do de muerte a las puertas de la casa del escritor, el 27 de junio de 1605, a consecuencia de una expedición amorosa nocturna, Gaspar de Ezpeleta fue LXXII PRÓ LO GO transportado a ella y expiró a los dos días. En el proceso incoado a raíz de este misterioso asunto, quedó Cervantes implicado con los suyos, viniendo sus hermanas y su hija a ser blanco de malintencionadas declaraciones. Véase Jean Canavaggio, «Nueva aproximación al proceso Ezpeleta», Actas del Ho menaje de los Cervantistas a José María Casasayas, Argamasilla de Alba, no viembre de 1995; también en Cetvantes, X V II (1997), pp. 25-45. En relación con la combinación de alegoría y autobiografismo en el Viaje del Parnaso, véase Jean Canavaggio, «La dimensión autobiográfica del Viaje del Parnaso», en Cetvantes entre vida y creación, cit., pp. 73-83. La cita de la continuación de Avellaneda se ha tomado de la edición de Martin de Riquer, Segundo tomo del ingenioso hidalgo don Quijote de la Mancha, Espasa-Calpe, Madrid, 1972, I, p. 12 . Sobre la identificación de Avellaneda con Pasamonte, véase el ya citado estudio de Martín de Riquer, Cetvantes, Passamonte y Avellaneda. Esta hipótesis ha sido discutida por Edward C . R i ley, «¿Cómo era Pasamonte?», Actas del III Congreso Internacional de la Asocia ción de Cetvantistas, Universität de les liles Balears, Palma de Mallorca, 1998, pp. 85-96; la han defendido con nuevos argumentos Alfonso Jiménez M ar tínez, E l «Quijote» de Cervantes y el «Quijote» de Pasamonte. Una imitación recí proca, Alcalá de Henares, Centro de Estudios Cervantinos, 2001, y Helena Percas de Ponseti, «Un misterio dilucidado: Pasamonte fue Avellaneda», Cer vantes, X X II [1] (2002), pp. 127-154 . Las apreciaciones de José Manuel Martín M orán acerca de los desdobla mientos del narrador identificables con el propio Cervantes se encuentran en E l Quijote en ciernes, cit., p, 167. 2. C E R V A N T E S : P E N S A M IE N T O , P E R S O N A L ID A D , C U L T U R A Anthony Close Son evidentes los riesgos que comporta el intento de esbozar, en pocas páginas, nada más y nada menos que una imagen de la personalidad, el pensamiento y la cultura de M iguel de C er vantes. En primer lugar, tal designio se enfrenta con el mismo tipo de tropiezos que dificultan la labor de los biógrafos de Cervantes: las numerosas etapas oscuras en su currículum, que nos impiden conocer con suficiente detalle sus estudios, lectu ras y relaciones literarias; la falta de testimonios íntimos y di rectos de su ideario y personalidad. ¡Ojalá tuviéramos un co pioso epistolario cervantino, como el dirigido por Lope de Vega al duque de Sessa, o algún tratado político o moral, como los que manaron de la pluma de Quevedo! Nuestro empeño, además, puede parecer temerario si se tiene en cuenta la idea de la ambigüedad de Cervantes como aspecto ineludible de su profundidad, convertida en tópico desde la publicación en 1925 de E l pensamiento de Cervantes de Américo Castro. En otro capítulo del presente prólogo me ocupo del impacto funda mental del citado libro sobre la crítica cervantina posterior. Las reacciones divergentes que suscitó, junto con el hecho de que la teoría literaria moderna haya puesto de moda el insistir ma chaconamente en lo escurridizo del yo del autor literario, no han hecho más que reforzar el tópico. Sin embargo, si queremos comprender históricamente a C er vantes y su época, nos conviene abandonar semejantes preven ciones, pues uno y otra se habrían extrañado de nuestra actitud de perplejidad reverencial ante el Quijote y su autor. E l juicio de Sansón Carrasco sobre la Primera parte es tajante al respecto: «es tan clara, que no hay cosa que dificultar en ella: los niños la manosean, los mozos la leen, los hombres la entienden y los viejos la celebran» (II, 3, 7 1 1 ) . Además, en aquellos tiempos, los hombres solían dar por sentada la relación directa entre el L X X III LXXIV PRÓ LO GO yo de un autor (sus experiencias, opiniones, etc.) y la máscara o personalidad ficticia que asumía dentro de su obra, y no com partían los escrúpulos que hoy en día nos impiden saltar de ésta a aquél. Innumerables textos del Siglo de Oro fueron com puestos, en todo o en parte, con un propósito autorevelador: la novela pastoril en conjunto, la Vida de Marcos de Obregón de V i cente Espinel, La Dorotea de Lope de Vega... Los escritos cer vantinos no deben sustraerse de la lista; Suárez de Figueroa, en un pasaje de E l pasajero (1617), y pensando sin duda en la his toria del capitán cautivo (Quijote, I, 39-42), ironiza incluso so bre el hábito de Cervantes de convertir sus vivencias en mate ria de ficción. D e todas las obras cervantinas, el Quijote es la que más claramente deja constancia de haber sido compuesta con espíritu de compromiso personal: la Primera parte es un apa sionado credo estético, cuyas implicaciones rebasan con mucho el marco caballeresco; la Segunda constituye un homenaje lú- dico pero sentido al triunfo popular de los dos héroes, y, por extensión, a la genialidad de su concepción. Incurriríamos, pues, en un anacronismo perverso si renunciáramos a ver al hombre tras su obra, ya que está instalado de modo manifiesto dentro de eËa. Empecemos con la cultura literaria de don M iguel, tema que fue tratado por Marcelino Menéndez Pelayo en una conferen cia magistral de 1905, y posteriormente por Am érico Castro, Marcel Bataillon, Armando Cotarelo, Arturo Marasso, Agustín G. de Amezúa y M ayo, Edward C . R iley , Alban Forcione, Francisco Márquez Villanueva, M axim e Chevalier y, de un modo u otro, por cuantos han investigado las deudas de Cer vantes con el pensamiento «ilustrado» del siglo x v i , condena do a la clandestinidad por la ortodoxia predominante. A pesar de no haber cursado estudios universitarios, circunstancia que explica el habérsele puesto en vida la etiqueta de ingenio lego (es decir, persona sin conocimiento de las lenguas y disciplinas doctas), Cervantes fue alumno destacado del Estudio de la V i lla de Madrid, regentadopor el maestro López de Hoyos, quien, en un libro compuesto para conmemorar la muerte y exequias de la tercera esposa de Felipe II, lo califica de «nues tro caro y amado discípulo». Desconocemos el programa de es tudios preuniversitarios que se impartían en esa institución o en otras escuelas a las que Cervantes asistiera antes. Pero cabría su poner que no difería mucho de la ratio studiorum de los jesuítas, cuya escuela sevillana es calurosamente elogiada en el Coloquio de los perros. E l programa incluía el estudio intensivo de la gra mática latina, prolongado durante años, junto al examen de autores y textos: las cartas de Cicerón, las comedias de Teren- cio, las églogas de Virgilio, las Epistolae ex Ponto y los Tristia de Ovidio, fragmentos de Séneca y de Salustio. E l último año. se dedicaba a la enseñanza de la composición latina, la poética y la retórica, basada en el De copia y De conscribendis epistolis de Erasmo, el Ars poetica de Horacio, las oraciones y las Tusculanae disputationes de Cicerón, la Retorica ad Herennium y partes de la Institutio oratoria de Quintiliano. E l aprendizaje de Cervantes en las lenguas clásicas no sería desaprovechado posteriormente: se manifiesta en el sesgo académico de su teoría literaria y en su gusto por el estilo característico de los prosistas más destacados de la segunda mitad del siglo x v i , con la tendencia a reprodu cir la ampulosidad, sonoridad y simetría de la oratoria cicero niana. Tal estilo es típico sobre todo de La Galatea y de la Pri mera parte del Quijote (discurso de las armas y las letras, de la Edad de Oro, etc.). Aunque tanto Menéndez Pelayo como Marasso adjudican a Cervantes un dominio razonable del latín, hay que añadir que también estaría familiarizado con las tra ducciones de los textos antiguos que más directamente influye ron sobre su obra: la Eneida, recordada con frecuencia en el Quijote y traducida por Hernández de Velasco; la Odisea y la Historia etiópica de Heliodoro, modelos del Persiles, en las tra ducciones, respectivamente, de Gonzalo Pérez y Femando de Mena; las sátiras de Luciano (de las que existían numerosas ver siones latinas), el Asno de oro de Apuleyo (fue muy leída la tra ducción de Diego López de Cortegana) y las fábulas de Esopo (cuya primera edición vernácula data de 1488), que han dejado su huella en el Coloquio de los perros. Si pasamos de la Antigüedad al Renacim iento, se enturbia, por las razones aludidas, el panorama de la formación intelec tual y literaria de nuestro autor. Destrozando la imagen de un Cervantes inconscientemente genial e intelectualmente vulgar, que había sido trazada por Menéndez Pelayo en su Historia de las ideas estéticas en España, Américo Castro, en el libro ya cita- P E N S A M IE N T O , P E R S O N A L ID A D , C U L T U R A LXXV IX X V I PR Ó LO G O do, le atribuye cualidades muy distintas: una inteligencia olím picamente superior, un vaivén ambiguo entre la afirmación trascendental y la negación materialista, la cautelosa disimula ción de su escepticismo bajo una capa de hipocresía, una pro funda familiaridad con las corrientes más avanzadas e ilustradas del humanismo europeo. C on estos materiales, según Castro, Cervantes forja un sistema ético que, plasmado en forma no velesca más bien que teórica, rivaliza en belleza y originalidad con el de Montaigne y demuestra el mismo sesgo racionalista y secular. Los elementos constitutivos del sistema se hallan tanto en los escritos menores como en los mayores y conforman un mosaico coherente e inteligentemente pensado. E l cervantismo posterior a 1925, embelesado por esa visión audaz e innovado ra del pensamiento cervantino y atraído por la manera en que se anticipaba al relativismo, agnosticismo y liberalismo del siglo X X , aceptó, y sigue aceptando, algunas de las tesis principales de Castro; fundamentalmente, las relativas al perspectivismo de Cervantes y a su hábito de reflexión crítica y consciente sobre todos los aspectos de su arte. N o obstante, ha rechazado la ten dencia a convertirlo en precursor del racionalismo europeo del siglo X V I I , con la consiguiente secularización y ampliación in verosímil de sus horizontes intelectuales. Hasta fechas relativamente recientes, los estudios que han se guido los derroteros de E l pensamiento de Cetvantes, intentando vincular el ideario cervantino con tradiciones contrarias a las de la España postridentina, se han centrado sobre todo en la he rencia intelectual y espiritual de Erasmo de Rotterdam (1469?- 1536), es decir, en la aspiración a armonizar el cristianismo con los estudios humanísticos y el Sermón de la Montaña con la moral socrática y estoica, para llevar a cabo de acuerdo con es tos ideales una reforma radical de la vida cristiana en todas sus esferas: eclesiástica, política, laica, pedagógica. Los conocidos ataques satíricos de Erasmo al materialismo de la Iglesia de R om a y a su obsesión por el simbolismo externo del culto fue ron aspecto integrante de este programa. Los aludidos estudios incluyen los trabajos de Marcel Bataillon, Francisco Márquez Villanueva y Alban Forcione. Todos estos críticos, a pesar de su admiración declarada por E l pensamiento de Cervantes, reac cionan en parte contra él esforzándose por ofrecer versiones más matizadas y precisas de las deudas intelectuales y literarias de Cervantes o bien por reducir su inconformismo a dimen siones proporcionadas al contexto ideológico circundante. C on todo, incluso esas aplicaciones moderadas de las leccio nes de Castro incurren en interpretaciones que pecan por ex ceso de sutileza. Ello se debe a que en el Siglo de Oro español estaba rigurosamente censurado todo lo que suponía una ame naza para los ritos, dogmas e instituciones de la Iglesia católica y, además, los residuos de pensamiento erasmista que pueden tal vez hallarse en los escritos de Cervantes y sus coetáneos co bran un sentido muy distinto al que tenían medio siglo antes por estar encuadrados en un contexto ideológico postridentino. Acaso por estos motivos la tendencia a liberalizar el pensa miento cervantino ha tomado en años recientes, aproximada mente desde 1980, caminos distintos: los críticos han abando nado la cantera erasmista, quizá agotada, para explotar otras, incluidas las teorías de Bajtín sobre el diálogo novelístico, su naturaleza polifónica y su relación con el espíritu subversivo del mundo al revés carnavalesco. C on las observaciones anteriores, no tengo el propósito de hacer de Cervantes un pacato partidario de la Contrarreforma, ni dar a entender que aceptase sin reservas el régimen político de la época en que le tocó vivir. M i objetivo es, sencillamen te, sugerirle al lector que la grandeza esencial de Cervantes —su tolerancia y humanidad, su capacidad para cuestionar nuestras certezas e identificar rasgos perennes de la psicología humana, su incomparable estilo- no quedaría explicada en el fondo, ni a mi entender aumentaría en un ápice, si de repente descubrié ramos milagrosamente que tenía ascendencia judía, aborrecía el régimen de Lerma y el Santo Oficio y poseía una biblioteca atestada de ediciones de Erasmo, Montaigne, Giordano Bruno, Pomponazzi, etc. Creer lo contrario es en cierta medida repe tir el error de los críticos esotéricos del siglo x ix , como Díaz de Benjumea, que presentaban a Cervantes como precursor del republicanismo librepensador. ¿Cuáles eran, pues, las lecturas de Cervantes? C on la caute la que exige cuestión tan controvertida, ofreceré una lista de sus libros de cabecera o de los que ayudaron de manera deci siva a moldear su pensamiento y arte: toda la lírica española, P E N S A M IE N T O , P E R S O N A L ID A D , C U L T U R A LXXVII LXXVIII PRÓ LO GO desde la época de los cancioneros hasta comienzos del siglo X V I I , con Garcilaso de la Vega a la cabeza; varios líricos italia nos, como Petrarca, Bem bo, Tansillo,a quienes cita en sus obras; La Celestina (1499) de Fernando de R ojas y sus imita ciones; el Lazarillo de Tomes (1554); el Guzmán de Alfarache (1599, 1604) de Mateo Alemán; entre los poemas heroicos, La Araucana de Alonso de Ercilla (1569) y el Orlando furioso de Ariosto (1516 ); Rodríguez de M ontalvo, Amadís de Gaula (1508); Joan Martorell, Tirante el Blanco (traducción castellana de 15 1 1 ) ; Jorge de M ontemayor, La Diana (hacia 1559); Gas par G il Polo, Diana enamorada (1564); el teatro español de su tiempo, en especial el de Lope de Vega; los novelliert italianos y, sobre todo, Boccaccio (mediados del siglo x iv ) y Bandello (mediados del x v i) ; el Galateo español de Gracián Dantisco (popularísimo libro de etiqueta, publicado hacia 1586); la B i blia; los Diálogos de Amor de León Hebreo (tres traducciones españolas en el siglo x v i) ; las obras de Antonio de Guevara, incluidas las Epístolas familiares (1539); la Philosophia antigua po ética de Alonso López Pinciano (1596); libros didácticos o de misceláneas, como la Historia natural de Plinio, la Silva de varia lección, de Pero M ejía (1540), y tal vez la Miscelánea de Luis Z a pata (hacia 1590) en alguna versión manuscrita; libros de his toria y biografías, como los citados por el canónigo de Toledo en el Quijote (I, 49). Entre los nombres de autores, conviene destacar dos, ya que Cervantes parece distanciarse de ellos: Lope de Vega y Mateo Alemán. La enemistad literaria entre Cervantes y Lope por un lado, y entre Cervantes y Alemán por otro, ha sido comentada a menudo, y a mi ver exagerada. E l ejemplo de Lope no soló induce a Cervantes a plegarse a las normas de la comedia nueva en sus Ocho comedias -pese a la censura severa a los desmanes artísticos del lopismo puesta en boca del cura (Quijote, I, 48)—, sino que le brinda una fuente fecunda de situaciones y personajes para sus novelas románti cas, que pudieran calificarse, modificando ligeramente una fra se de Avellaneda, de «comedias de capa y espada en prosa» (en el prólogo a la continuación espuria del Quijote se lee: «Con téntese con su Galatea y comedias en prosa, que eso son las más de sus novelas»). Para poner de relieve la importancia de la deuda de Cervantes con Alemán, basta apuntar que todas las obras cervantinas famosas del decenio 16 0 0 -16 10 —la Pri mera parte del Quijote, Rinconete y Cortadillo, el Coloquio de los perros, E l celoso extremeño, E l licenciado Vidriera, La ilustre frego na, La gitanilla— mantienen una especie de dialéctica soterrada con la obra maestra de Alemán, inspirándose en ella al tiem po que atenúan su didactismo y los aspectos groseros de su comicidad. Asi que la formación de Cervantes consistiría en una educa ción humanística a nivel preuniversitario, a la cual se vendría a añadir un autodidactismo gracias al cual adquirió un cono cimiento íntimo de la literatura española e italiana: poesía, ficción, teatro, historia, preceptiva literaria, obras didácticas. Convendría hacer aquí dos matizaciones. La primera viene al hilo de lo expuesto por Angel Rosenblat en La lengua de Cer vantes, donde sostiene que el estilo del Quijote presenta una ar moniosa síntesis de lo culto y lo popular que afirma su propia individualidad jugando burlonamente con los elementos trilla dos o fosilizados de la lengua, sea cual sea su nivel de proce dencia. La observación es certera en la medida en que el autor del Quijote acoge en su libro, con indulgencia irónica, un am plio abanico de registros y sociolectos que desborda el marco de lo estrictamente literario: la germanía, chistes y cuentecillos, los lugares comunes del habla cotidiana, satirizados por Q ue- vedo en su Cuento de cuentos, el lenguaje notarial, comercial, li túrgico, términos del juego, juramentos e imprecaciones, el re franero, fórmulas epistolares, el lenguaje rústico. Esta actitud corresponde a la tendencia, fundamental en el Quijote, y anun ciada desde su primera página, a contraponer a las quimeras exaltadas del protagonista, de inspiración arcaizante y libresca, un nivel de vida prosaico, casero y actual. Corresponde asimis mo al empeño constante de Cervantes como creador: escribir literatura de entretenimiento asequible a todos, sin menoscabo de las reglas del arte y las exigencias del buen gusto: «Procurad también que, leyendo vuestra historia, el melancólico se mue va a risa, el risueño la acreciente, el simple no se enfade, el dis creto se admire de la invención, el grave no la desprecie, ni el prudente deje de alabarla» (Quijote, I, Prólogo, 19). Por lo tan to, la cultura de Cervantes —y concretamente, la que cristaliza en su obra maestra- no se limita a las manifestaciones literarias, P E N S A M IE N T O , P E R S O N A L ID A D , C U L T U R A LXXIX LXXX PRÓ LO GO sino que incluye también las orales y folclóricas, además de todo tipo de prácticas sociales y usos cotidianos. Por su des lumbrante poder de asimilación y de síntesis, el Quijote puede equipararse con la obra de Shakespeare. La segunda matización consiste en observar que saber cuáles fueron los libros leídos por Cervantes nos importa mucho m e nos que saber cómo los leyó y qué partido sacó de sus lectu ras. En un notable ensayo, Am érico Castro llamó la atención sobre la «literariedad» de la obra maestra de Cervantes, es de cir, el hecho de que casi todos sus personajes se muestren ob sesionados con la palabra escrita, creándola, consumiéndola, criticándola y, como el protagonista, convírtiéndola en núcleo de sus vivencias. Y a lo habríamos adivinado si no lo hubiera confesado el mismo Cervantes: «como yo soy aficionado a leer aunque sean los papeles rotos de las calles, llevado desta mi na tural inclinación tomé un cartapacio de los que el muchacho vendía y vile con carácteres que conocí ser arábigos» (Quijote, I, 9, i i 8). Aquí, en el momento de fingir el descubrimiento del manuscrito de Cide Hamete Benengeli, Cervantes nos hace partícipes de su intimidad y aclara el porqué del rasgo principal de su «ingenioso» hidalgo, cuya ingeniosidad se ma nifiesta precisamente en su prodigiosa capacidad para articular, entretejer y, de modo involuntario, parodiar registros y con textos literarios. Tras la manía del héroe entrevemos la de su creador, para quien la literatura es una forma de vida, no me ramente un ameno accesorio de ella; su misma conciencia de lo manido de los tópicos que maneja el hidalgo, sacados de las más variadas fuentes, no le impide sumarse a este delirante eclecticismo y deleitarse en el elegante pero absurdo derroche de citas y tropos. A propósito de la descripción quimérica de los dos ejércitos —en realidad, dos manadas de ovejas- exclama Cervantes: «¡Válame Dios, y cuántas provincias dijo, cuántas naciones nombró, dándole a cada una con maravillosa preste za los atributos que le pertenecían...!» (Quijote, I, 18, 210). La «maravillosa presteza» que aquí se aplaude, con una mezcla de ironía y admiración, no está motivada solamente por las remi niscencias caballerescas, sino por el recuerdo de pasajes de la litada (rapsodia III), la Eneida (canto VII), Juan de M ena y tal vez Luis Zapata, de los que se nos brinda un espléndido pasti P E N S A M IE N T O , P E R S O N A L ID A D , C U L T U R A LXXXI che. La literariedad del Quijote, con la actitud de autocrítica y de autorreflexión que supone, es tal vez el rasgo que más lo acerca a nuestra época; es una novela que, además de criticar otro género literario, incorpora a su propio entramado ficticio los problemas planteados por dicha crítica —la «verdad de la historia» o la verosimilitud, entre otros- junto con el proceso de su composición y recepción. Volvamos a la espinosa tarea de precisar las particularidades del pensamiento de Cervantes. Para tratarla, conviene tomar La Galatea como punto de partida, ya que en este libro C er vantes desarrolla una serie de ideas destinadas a fundamentarsu pensamiento ético en general. Com o las demás novelas pasto riles españolas, ésta versa sobre el tema del amor y, en especial, sobre la cuestión de la licitud del amor cortés —la relación amorosa del cortesano con su dama—, que se remonta hasta La Celestina y los cancioneros del siglo x v , pasando por la lírica de Garcilaso y La Diana de M ontemayor. Puesto que tal códi go pretendía emanciparse del yugo matrimonial, constituía, de entrada, una flagrante infracción contra la moral cristiana y las convenciones sociales y, por consiguiente, suscitaba una pre visible condena dirigida a la literatura y las prácticas sociales que lo glorificaban. M ontem ayor y sus sucesores, valiéndose de las doctrinas neoplatónicas que circulaban en las cortes y academias italianas, intentaron distinguir el buen amor de su contrario: en aquél, la sensualidad quedaría sublimada en la contemplación de la belleza espiritual de la amada, reflejo de la de Dios. Cervantes, mediante el discurso de Tirsi en el libro cuarto de La Galatea, da un fundamento ortodoxo a este sue ño idealizado, fundiendo la concepción neoplatónica del amor con la teología cristiana, que afirma la santidad del matrimo nio y la bondad de los instintos naturales, siempre que éstos es tén sujetos al precepto religioso y a la razón. Desde La Gala- tea hasta el Persiles y Sigismunda, Cervantes se mantiene fiel a la visión idealizada del buen amor como servicio puro y ardien te de la amada, servicio que, sin desacato a su honestidad y li bre albedrío, aspira al matrimonio. Este ideal fundamenta su concepción de la relación entre los sexos en la medida en que no sólo los amantes nobles (Elicio y Galatea, etc.), sino tam bién los degradados o paródicos (don Quijote y Dulcinea, LXXXII PRÓ LO G O etc.), están ideados en función del mismo. Además - y es esto lo que importa subrayar— demuestra la creencia de Cervantes en el potencial noble del ser humano si se ajusta a la provi dencia divina, la razón, la naturaleza bien concertada, la expe riencia y los usos sociales, excluidos aquellos que contravienen las normas anteriores. «Si estos preceptos y estas reglas sigues, Sancho», le dice don Q uijote al futuro gobernador, «serán luengos tus días, tu fama será eterna, tus premios colmados, tu felicidad indecible, ca sarás tus hijos como quisieres, títulos tendrán ellos y tus nie tos, vivirás en paz y beneplácito de las gentes» (II, 42, 10 6 1- 1062). H ay algo de hipérbole en esta promesa y, no obstante, da fe de una actitud bien distinta al pesimismo de un Gracián. N o quiero decir con ello que Cervantes profese un optimis mo ingenuo: ni su propia experiencia de la vida ni su religión se lo habrían permitido. U n aspecto fundamental de su con cepto de la condición humana es el reconocimiento de los es tragos causados por el pecado original. En el Coloquio de los perros, la obra en que más claramente se acusa la influencia del Guzmán de Alfarache, lo expresa en tonos amargos que re cuerdan los pasajes donde el picaro pondera la bestialidad y malicia de sus prójimos. En el Persiles impera la visión de la vida como peregrinación dolorosa a través de un mar insegu ro en busca de bienes forjados por el engaño. Las Ocho come dias, si bien con una tonalidad más risueña, complementan esta actitud presentando la mente humana como una especie de cueva de Montesinos donde acechan monstruos engendra dos por el sueño de la razón. N o obstante, si Cervantes suele burlarse de esos monstruos en vez de tratarlos como motivo de tragedia, ello se debe a que suelen presentársele bajo el as pecto de imprudencia, irracionalidad o ignorancia en que el ser humano incurre por ceguera propia. Esta actitud suya obedece sin duda al racionalismo, o gusto por la armonía y la proporción, del que hace alarde en numerosos pasajes de su obra, como éste, extraído del capítulo sexto del Viaje del Par naso (vv. 49-58, f. 47v): P E N S A M IE N T O , P E R S O N A L ID A D , C U L T U R A LXXXIII Palpable vi, mas no sé si lo escriba, que a las cosas que tienen de imposibles siempre mi pluma se ha mostrado esquiva; las que tienen vislumbre de posibles, de dulces, de süaves y de ciertas, explican mis borrones apacibles. Nunca a disparidad abre las puertas mi corto ingenio, y hállalas contino de par en par la consonancia abiertas. Pero dicha postura obedece también a un impulso a la vez com plementario y contrario al anterior, que lleva a Cervantes a compartir hasta cierto punto, y por ende a comprender, las fan tasías extravagantes de su personaje más famoso. E l pasaje si guiente, en el primer capítulo del mismo poema (w . 94-102, f. 3), es esencial para la comprensión de la mentalidad cervanti na; fundamento del retrato que de sí mismo ofrece en el Viaje, está destinado a explicar por qué, a pesar de todos los inconve nientes de la empresa, ha decidido viajar al monte Parnaso en busca de la gracia poética que no quiso darle el cielo: El poeta más cuerdo se gobierna por su antojo baldío y regalado, de trazas lleno y de ignorancia eterna. Absorto en sus quimeras, y admirado de sus mismas acciones, no procura llegar a rico, como a honroso estado. Vayan, pues, los leyentes con lectura, cual dice el vulgo mal limado y bronco, que yo soy un poeta desta hechura. Claro está, el yo de Cervantes, tal como se presenta en el Viaje del Parnaso, es un personaje ficticio, que no puede identificarse sin más ni más con el autor de carne y hueso. En cuanto al pa saje citado, debemos descartar como broma la manera irónica en que rebaja su propio talento poético. Sin embargo, el ensi mismamiento, el impulso fantaseador y la vanagloria son rasgos tan insistentes de este yo, y concuerdan con un tipo de persona LXXXIV PRÓ LO G O je tan recurrente en las obras de Cervantes, que no puedo me nos de inferir que se basan en el conocimiento de sí mismo. E l vai vén entre los dos móviles que acabo de ejemplificar, el racional y el quijotesco, es una de las constantes de su creación literaria. Llegado al jardín de Apolo en el monte Parnaso, adonde ha acompañado a los buenos poetas de España, Cervantes sufre una decepción humillante. Mientras a los demás poetas se les asignan asientos correspondientes a sus méritos, él es el único a quien dejan en pie. Cervantes reclama indignado ante Apolo (IV, w . 70-87, ff. 29-29V ), el cual le contesta serenamente: Vienen las malas suertes atrasadas, y toman tan de lejos la corriente, que son temidas, pero no excusadas. El bien les viene a algunos de repente, a otros poco a poco y sin pensallo, y el mal no guarda estilo diferente. El bien que está adquirido, conservallo ' con maña, diligencia, y con cordura es no menor virtud que el granjeallo. Tú mismo te has forjado tu ventura, y yo te he visto alguna vez con ella; pero en el imprudente poco dura; mas si quieres salir de tu querella alegre, y no confuso, y consolado, dobla tu capa y siéntate sobre ella; que tal vez suele un venturoso estado, cuando le niega sin razón la suerte, honrar más merecido que alcanzado. E l providencialismo manifestado en este pasaje, intrínseco a la actitud vital de Cervantes, comporta la premisa de que los alti bajos de la fortuna, por arbitrarios que parezcan a primera vis ta, están diseñados para poner a prueba el temple moral de los mortales y desembocan, a la larga, en el castigo de los culpables y el triunfo de los virtuosos. Por lo tanto, don Quijote y A po lo están conformes en que «cada uno es artífice de su ventura» (Quijote, II, 66, 1276). Corolario de esta sabia sumisión al des tino es la percepción de una oscilación constante entre el bien y el mal en el orden cósmico —«che per tal variar natura è be lla» (el refrán italiano remata el bello soneto del libro V de La Galatea: «Si el áspero furor del mar airado,..», ff. 247V -248)—, la cual exige que el hombre reaccione con ecuanimidad ante la buena o malasuerte, y renuncie a afanarse por parar los golpes de la fortuna por medios materiales, error del protagonista de E l celoso extremeño. Cervantes cree, igual que Calderón, que el hombre vence a la fortuna venciéndose a sí mismo. E l provi- dencialismo cervantino incluye, además, una actitud racionalis ta que halla la virtud en un término medio entre el exceso y la deficiencia, fijado asimismo por la naturaleza. E l pastor Damón, puesto a juzgar cuál de las desgracias lamentadas por cuatro pas tores es más digna de compasión, niega su voto al pastor Orompo, que llora la muerte de su pastora. Damón se funda en que «la causa es que no cabe en razón natural que las cosas que están imposibilitadas de alcanzarse puedan por largo tiempo apremiar la voluntad a quererlas ni fatigar al deseo por alcan zarlas» (La Galatea, libro III, ff. 16 2 -16 2 V ). Y añade, con ecos de Garcilaso, que si bien el no llorar la pérdida de un ser ama do sería inhumano y bestial, el entregarse indefinidamente al dolor supondría carecer de juicio, puesto que el discurso del tiempo cura esta dolencia, la razón la mitiga, y las nuevas oca siones tienen mucha parte para borrarla de la memoria. La mis ma fe en la prudente moderación se demuestra en la yuxtapo sición de don Quijote con Sancho: la temeridad y abstinencia delirantes por un lado, y la glotonería, cobardía y pereza por otro, se ironizan mutuamente y apuntan al valor de la aurea me diocritas. Dada esta exaltación de la prudencia aristotélica, hay algo de paradójico en la fascinación cervantina por los chiflados y marginados de la fauna humana. E l racionalismo ético de Cervantes, junto con su repudio ins tintivo de la injusticia y la crueldad, le llevan a condenar la bar barie del precepto que reza: «la mancha del honor sólo con san gre del que ofendió se lava», y, en general, todo tipo de venganza impulsiva. A diferencia de la mayor parte de los dra maturgos y novelistas españoles del siglo x v n , Cervantes, al tratar el tema del adulterio, hace que los maridos ultrajados aca ben perdonando a sus esposas y reconociendo que ellos mismos cargan con parte de la culpa. E l padre de Leocadia, la heroína P E N S A M IE N T O , P E R S O N A L ID A D , C U L T U R A LXXXV LXXXVI PRÓ LO GO de La fuerza de la sangre, violada brutalmente en la primera es cena de la novela, muestra el mismo tipo de comprensión, ab solviéndola noblemente de toda culpa: «La verdadera deshonra está en el pecado, y la verdadera honra en la virtud; con el di cho, con el deseo y con la obra se ofende a Dios, y pues tú ni en dicho, ni en pensamiento, ni en hecho, le has ofendido, ten te por honrada, que yo por tal te tendré, sin que jamás te mire sino como verdadero padre tuyo» (Novelas ejemplares, f. 130V). Pero el que Cervantes reconozca que la opinión social es a me nudo injusta, y lo sienta tan de veras que remata su Coloquio de los perros con esta amarga reflexión, no debe tomarse como in dicio de que mirase con altivo desprecio la honra mundana. La única perspectiva desde la que cabía tal objetividad era la vida monástica, por la que ni él ni la mayor parte de sus personajes muestran vocación. Sus reservas respecto a los preceptos del código del honor relativos al adulterio están compuestas, en partes casi iguales, por escrúpulos cristianos («No matarás») y por pragmatismo mundano. Este pragmatismo incluye la idea de que el deshonor equivale a la muerte social (Quijote, II, 3), la insistencia en la necesidad de evitar el escándalo («más lasti ma una onza de deshonra pública que una arroba de infamia se creta», dice el padre de Leocadia), la concepción paternalista del papel social de la mujer, para quien la virtud se limita, en la práctica, a la obediencia y la castidad. Es cierto que este pater- nalismo está atenuado en parte por las exigencias de la fábula romántica que llevan a Cervantes, igual que a Lope, a pintar con indulgencia a heroínas atractivas (Marcela, Dorotea, etc.) que reclaman su derecho a decidir su destino matrimonial. En fin, el pensamiento de Cervantes sobre el honor es inteligente y humanitario, pero concorde con las premisas comunes de su tiempo; las obligaciones del caballero honrado expuestas por don Quijote ante la sobrina constituirían, para el lector coetá neo, una doctrina sumamente equilibrada (Quijote, II, 6). E l mismo pragmatismo se observa en el ámbito político y so cial. Rafael Lapesa señaló ya que las actitudes de Cervantes pa san de un período de inconformismo e irreverencia, que com prende la década 1595-1605 y se refleja en escritos como el soneto burlesco al túmulo ornamental erigido en la catedral de Sevilla para conmemorar la muerte de Felipe II, a otro de ma- yor conformismo, marcado por la creciente devoción de los años postreros. Américo Castro interpretó este cambio como un acto de renuncia a la marginación social: el rebelde que es cribiera el primer Quijote anunciaba, con las melosas declara ciones de ejemplaridad del prólogo a las Novelas ejemplares, que se proponía alinearse con el orden establecido y escribir litera tura acorde con sus valores. Pese a la simplificación de esta te sis, no hay duda de que el autor del segundo Quijote se nos di rige con un acento más moderado y benigno del que adoptó en la Primera parte, donde dividía el mundo -sobre todo el li terario- entre los buenos y los malos y manifestaba sus discre pancias con una agresividad a veces teñida de malicia personal. Aunque, en comparación1 con la Primera parte, la Segunda está en principio mucho más orientada hacia la realidad social y pinta a numerosos personajes (Roque Guinart, el morisco R icote, los duques...) que parecen surgir de un tupido contex to histórico, la manera en que Cervantes los presenta suele es camotear este contexto, ya sea por el escenario estilizado, tea tral, indeterminado o evasionista en que los coloca, ya porque su punto de mira está centrado en el caso o idiosincrasia indi vidual, más bien que en el problema colectivo. Creo que la fal ta de precisión es deliberada. Si comparamos a Cervantes con Alemán y Quevedo, observamos en el primero una actitud de abstencionismo político que se manifiesta en la negativa a de clararse sobre temas polémicos y a meterse con las clases go bernantes. Así, en el Coloquio de los perros, la obra que ofrece la versión más completa -y a que no la más clara y explícita- de su ideario social, las críticas asestadas a distintos grupos van casi siempre acompañadas de comentarios destinados a suavizar y moderar su impacto. Además, las denuncias más severas apun tan a grupos parasitarios o marginados cuya maldad está a la vis ta y constituye un escándalo para cualquier ciudadano honrado y prudente: la plaga de buhoneros, titereros, mendigos («gente vagamunda, inútil y sin provecho; esponjas del vino y gorgo jos del pan»), los gitanos, los moriscos, las brujas. En cuanto a las clases superiores, Cervantes mantiene un discreto silencio, con una excepción: el Ayuntamiento de Sevilla. E l motivo de este silencio se manifiesta hacia el final del coloquio: «Mira, Berganza, nadie se ha de meter donde no le llaman, ni ha de P E N S A M IE N T O , P E R S O N A L ID A D , C U L T U R A LXXXVII LXXXVIH PRÓ LO G O querer usar del oficio que por ningún caso le toca. Y has de considerar que nunca el consejo del pobre, por bueno que sea, fue admitido, ni el pobre humilde ha de tener presunción de aconsejar a los grandes y a los que piensan que se lo saben todo» (.Novelas ejemplares, f. 273v). N o obstante, lo que el Coloquio cervantino pierde en especificidad, lo gana en universalidad y en potencial inquietante. Mediante esta parábola Cervantes da a entender que el mal social no consiste meramente en una se rie de abusos o cabezas de turco que el satírico, encaramado en su púlpito, deba fustigar con desdén objetivo; los amos dege nerados de Berganza ejemplifican impulsosviciosos que el pe rro, personificación del Hombre, lleva dentro de sí mismo. Este enfoque es característico de Cervantes. Todas sus ficciones ma yores -e l Coloquio, el Quijote, el Persiles- son odiseas cuyos es collos, sirenas, naufragios y encantadores cumplen el fin ejem plar de llevar a los protagonistas al descubrimiento de la verdad, que tiene una dimensión personal: el conocimiento de uno mismo, el temor de Dios, la superación del engaño mediante el uso de la razón. ' Para conocer la personalidad de Cervantes disponemos de una serie de preciosos autorretratos: los prólogos y un dilatado poema en tercetos, el Viaje del Parnaso, mezcla de fantasía mi tológica, de alegoría y de sátira. Los prólogos contienen im portantes declaraciones sobre sus principios y motivaciones ar tísticas; el Viaje del Parnaso, entre otras cosas, recapacita sobre una de esas motivaciones, la pesadumbre producida por su fal ta de éxito como poeta dramático y por no haber obtenido los premios y el prestigio correspondientes a su valía. E l prólogo al Persiles, escrito cuando estaba en su lecho de muerte y que Sánchez Ferlosio, según confesión propia, no po día leer sin lágrimas, deja constancia de la importancia capital que para Cervantes tenían la risa y la amistad. La primacía que les otorgaba se infiere del hecho de que les rinda tributo al final del texto, que es, efectivamente, su epitafio literario: «¡Adiós, gracias; adiós, donaires; adiós, regocijados amigos, que yo me voy muriendo, y deseando veros presto contentos en la otra vida!» (Persiles y Sigismunda, I, f. 4v). La imagen que de sí mismo proyecta en este y otros prólogos -alegre, chistoso, de condición apacible, aficionado a charlar con sus amigos— es en parte una estrategia retórica para ganarse la simpatía del lector, y, en el Quijote, atenuar el impacto de la sátira. N o obstante, creo que el recurso retórico y la personalidad subyacente son una y la misma cosa, puesto que los pasajes de los prólogos en que Cervantes se retrata de tal manera corresponden a un tipo de escena reiterado en sus obras de ficción. La misma insisten cia en el tema me hace sospechar otra vez que la literatura es prolongación de la vida. Tomemos un ejemplo concreto: el encuentro pintado en el prólogo al Persiles, que sin grandes modificaciones pudiera incorporarse al capítulo que describe el encuentro de don Quijote con los dos licenciados, camino de las bodas de Camacho (II, 19). La escena está pintada con hu mor magistral: el estudiante montado en su borrica, jadeando y dando voces, y con un cuello precariamente sujeto con dos cintas, logra por fin alcanzar al pequeño grupo de jinetes que se dirige a Madrid; nada más enterarse de que uno de ellos es el famoso M iguel de Cervantes, se precipita para darle un abra zo, haciendo volar su cojín por un lado y su portamanteo por otro; Cervantes, correspondiendo al abrazo, le destroza el cue llo de una vez por todas. La torpe e ingenua manifestación de entusiasmo por parte de este admirador de Cervantes no resta valor al brío y elegancia del saludo: «¡Sí, sí, éste es el manco sano, el famoso todo, el escritor alegre, y, finalmente, el rego cijo de las Musas!» (I, Prólogo, f. 4v). N o me parece creíble que Cervantes, ya en su lecho de muerte y habiendo recibido la ex tremaunción, inventase este incidente. Ocurriría así como lo cuenta, y sirve de testimonio de la profunda satisfacción que le producía su renombre, debido sobre todo al éxito del Quijote. Cervantes apreciaba y necesitaba la amistad; dentro del Quijo te, ella y la risa están íntimamente vinculadas; gracias a esa obra, se había ganado la amistad de toda España. A juzgar por la frecuencia y el orgullo con que recuerda L e panto y el cautiverio, y por el silencio en que deja sumido el desempeño de los cargos de alcabalero y de requisidor de pro visiones en Andalucía, la posteridad acierta al suponer que el primer período fue, para él, un episodio glorioso, y el segun do, una fuente de decepción. Compárese el laconismo de esta referencia a sus experiencias andaluzas: «tuve otras cosas en que ocuparme, dejé la pluma y las comedias, y entró luego el mons- P E N S A M IE N T O , P E R S O N A L ID A D , C U L T U R A LX X XIX x c PRÓ LO G O truo de naturaleza, el gran Lope de Vega, y alzóse con la m o narquía cómica» (prólogo a las Ocho comedias, I, £ 3) con el tono triunfante de su alusión, en el prólogo a las Novelas ejem plares, a sus proezas militares y logros literarios. En este pasaje (Novelas ejemplares, Prólogo, f. 4), imagina que el elogio es una inscripción compuesta por un amigo para acompañar un retra to de Cervantes hecho por Juan de Jáuregui: Este digo que es el rostro del autor de La Galatea y de Don Quijote de la Mancha, y del que hizo el Viaje del Parnaso ... y otras obras que andan por ahí descarriadas, y, quizá, sin el nombre de su dueño. Llá mase comúnmente Miguel de Cervantes Saavedra. Fue soldado mu chos años, y cinco y medio cautivo, donde aprendió à tener pacien cia en las adversidades. Perdió en la batalla naval'de Lepanto la mano izquierda de un arcabuzazo, herida que, aunque parece fea, él la tie ne por hermosa, por haberla cobrado en la más memorable y alta ocasión que vieron los pasados siglos, ni esperan ver los venideros, militando debajo de las vencedoras banderas del hijo del rayo de la guerra Cario Quinto, de felice memoria. La modestia no es, por cierto, una de las virtudes de don M i guel. Pero este defecto suyo, que él mismo confiesa mediante su alegoría de la Vanagloria en el capítulo sexto del Viaje del Parnaso (w . 64-231), está redimido por el hecho de que él nun ca se toma demasiado en serio a sí mismo. Además, el heroís mo y demás virtudes que se adjudica en el citado pasaje están corroborados por testimonios independientes. E l orgullo de Cervantes, y su exceso de preocupación por su imagen pública, deben tenerse en cuenta para comprender el estado de ánimo en que escribió el primer Quijote. M uy reve lador a este respecto es el prólogo a las Ocho comedias (16 1$), es crito para explicar por qué Cervantes, ya autor célebre y, años atrás, dramaturgo popular, tuvo que recurrir a la imprenta para que el público pudiera conocer estas piezas y disfrutar de ellas. Según él, esta situación extraordinaria tiene una explicación m uy sencilla: la corta estima en que los autores, o sea, directo res de compañías de actores, le tienen como dramaturgo. «En esta sazón me dijo un librero que él me las compraría [las co medias], si un autor de título no le hubiera dicho que de mi prosa se podía esperar mucho, pero que del verso, nada; y, si va a decir la verdad, cierto que me dio pesadumbre el oírlo» (Ocho comedias, Prólogo, f. 3v). Cervantes no nos dice cuánto tiempo había durado esta pesadumbre. Pero lo podemos adivinar le yendo entre líneas un pasaje anterior del mismo prólogo: «Al gunos años ha que volví yo a mi antigua ociosidad, y pensan do que aún duraban los siglos donde corrían mis alabanzas, volví a componer algunas comedias; pero no hallé pájaros en los nidos de antaño; quiero decir que no hallé autor que me las pidiese, puesto que sabían que las tenía» (f. 3v). Es decir, su rencor databa de la época -postreros años del x v i - en que se retiró de su cargo de funcionario de Hacienda y reanudó su ca rrera literaria, esperando, como era natural, escribir comedias para los teatros públicos. La decepción que sufrió, sumada a otras más notorias, le heriría profundamente, sobre todo por motivos personales: la envidia y la pérdida de dinero («entró luego el monstruo de la naturaleza, el gran Lope de Vega, y al zóse con la monarquía cómica»), la vanidad herida («pensando que aún duraban los siglos en que corrían mis alabanzas») y la impresión de que la literatura de entretenimiento en conjunto estaba echada a perder por el oportunismo comercial, interesa do solamente enhalagar los gustos chabacanos del populacho. H e aquí el motivo de la agresividad del primer Quijote, en comparación con los escritos posteriores de nuestro apacible es critor. Afortunadamente para nosotros, los autores de com e dias contribuyeron a que Cervantes cambiara de rumbo, es de cir, consiguieron que renunciara a sus ambiciones teatrales y se dedicara principalmente a la ficción en prosa. E l género de fic ción al que se sentía naturalmente atraído era el de las novelas de aventuras, de tipo romántico, como los episodios intercalados en el Quijote y el Persiles. Pero las circunstancias decepcionantes a las que he hecho referencia le hicieron suponer que todo in tento en el campo novelístico resultaría vano dado que el público se aficionaba al mismo tipo de chabacanerías -e n este caso, la lec tura de libros de caballerías— que habían frustrado sus ambiciones teatrales. Era inútil proseguir, pues, mientras no se hubiera lle vado a cabo una operación masiva de purga. Es por esta razón por la que Cervantes equipara los desmanes artísticos del géne ro caballeresco con los de la comedia nueva (Quijote, I, 47-48), P E N S A M IE N T O , P E R S O N A L ID A D , C U L T U R A XCI X C II PRÓ LO GO arremetiendo contra ellos - y contra un amplio abanico de aberra ciones literarias- con furia quijotesca. C on estas reflexiones sobre los móviles que inspiraron la composición del Quijote no subestimo la seriedad de los prin cipios literarios de Cervantes. Sólo quisiera hacer ver que este dios literario era un ser humano, sometido al mismo tipo de flaquezas, ambiciones y decepciones que los demás. Además, fue un gran hombre, que al final de su vida fue capaz de hacer balance de sus logros y fracasos, reconocer objetivamente sus flaquezas y asumir su destino con irónica serenidad. N O T A B I B L I O G R Á F I C A La primera edición de E l pensamiento de Cetvantes de Américo Castro fue pu blicada entre los anejos de la Revista Española de Filología y ha sido reimpre sa por Crítica, Barcelona, 1987. La mencionada conferencia de Marcelino Menéndez Pelayo, «Cultura literaria de M iguel de Cervantes y elaboración del Quijote», se encuentra en la Edición Nacional de las Obras Completas de Menéndez Pelayo; Estudios y discursos de crítica histórica y literaria, CSIC , San tander, 19 41, I, pp. 323-356. Los otros estudios aludidos son los siguientes: Agustín G. de Amezúa y Mayó, Cetvantes, creador de la novela corta española, C SIC , Madrid, 1956, 2 vols, (véase I, pp. 41-56); Marcel Bataillon, «El eras- mismo de Cervantes», en Erasmo y España, Colegio de M exico, 1966, pp. 777-801 (incluido en Erasmo y el erasmïsmo, Crítica, Barcelona, 1977); «Re laciones literarias», en Suma cervantina, ed. J .B . Avalle-Arce y E .C . R iley, Ta mesis, Londres, 1973, pp. 2 15-232 ; Maxime Chevalier, «Cinco proposicio nes sobre el Quijote», Nueva Revista de Filología Hispánica, X X X V III (1990), pp. 837-848; Armando Cotarelo Valledor, Cetvantes lector, Publicaciones del Instituto de España, Madrid, 1943; Alban Forcione, Cervantes and the Huma nist Vision, Princeton University Press, 1982; Arturo Marasso, Cetvantes, Aca demia Argentina de Letras, Buenos Aires, 1947; Francisco Márquez Villa nueva, Fuentes literarias cervantinas, Taurus, Madrid, 1973; Personajes y temas del «Quijote», Taurus, Madrid, 1975; Edward C. R iley, Teoría de la novela en Cervantes, Taurus, Madrid, 1966. Para más detalles sobre los estudiosos del movimiento de oposición inte lectual en el siglo x v i frente a la ortodoxia reinante, véase mi artículo «La crítica del Quijote desde 1925 hasta ahora», en Cetvantes, Centro de Estudios Cervantinos, Alcalá de Henares, 1995, pp. 3 11- 3 3 3 y, en especial, la p. 325. Por supuesto, cualquier estudio sistemático de las fuentes de Cervantes comporta la investigación de su cultura literaria; véase, dentro de esta línea, el valioso libro de Aurora Egido Cervantes y las puertas del sueño. Estudios so bre «La Galatea», el «Quijote» y el «Persiles», PPU, Barcelona, 1994. P E N S A M IE N T O , P E R S O N A L ID A D , C U L T U R A XCIII La calificación de «ingenio lego» dirigida a Cervantes proviene de Tomás Tamayo de Vargas, que así le llamó en su Junta de libros, la mayor que ha fis to España, hasta el año de 1624. E l mismo Cervantes se aplica este calificativo en su Viaje del Parnaso, V I, v. 174, f. 50. Angel Rosenblat trata de la actitud de Cervantes ante la lengua en La len gua del «Quijote», Credos, Madrid, 19 7 1, cap. 1. En cuanto a los estudios de Américo Castro y a la peculiar visión racio nalista y europeizadora de E l pensamiento de Cervantes, debe tenerse en cuen ta que él mismo reaccionó contra estas primeras apreciaciones con la tesis que sobre «la realidad histórica de España» fue exponiendo en libros y ar tículos a partir de 1948. Desde esa fecha, Castro interpreta el Quijote como la máxima expresión del sistema de valores que los conversos o marranos es pañoles, entre los que Castro cuenta a Cervantes, elaboraron como res puesta a su angustiosa situación social. Véase, por ejemplo, Cervantes y los casticismos españoles, Alfaguara, Madrid-Barcelona, 1966-1967, y mi artículo «La crítica del Quijote desde 1925 hasta ahora», cit., p. 326. Acerca de las nuevas lecturas que recibe en nuestros días el Quijote, véase el artículo de Carroll B . Johnson «Cómo se lee hoy el Quijote», en la ya citada antología Cervantes, pp. 335-348 (y, sobre todo, p. 342). Menciono a Bajtín sobre el particular porque el interés por su teoría novelística es punto de con tacto entre los cervantistas europeos y sus colegas norteamericanos. En Esta dos Unidos el esfuerzo por definir y contextualizar la disidencia ideológica de Cervantes y los elementos modernos de su pensamiento es industria en pleno auge, no restringida a la doctrina bajtiniana. E l lector interesado puede com probarlo con un repaso somero de la revista norteamericana Cervantes. Los ex ponentes destacados incluyen a Carroll Johnson, George Mariscal, James If- fland, Antonio Gómez Moriana, N . Spadaccini y, en España, a Jenaro Talens. Para las conflictivas relaciones entre Cervantes y Lope de Vega, véase J o aquín de Entrambasaguas, Estudios sobre Lope de Vega, CSIC , Madrid, 19672, I, pp. 108 y ss.; en cuanto a Mateo Alemán, el citado artículo de Marcel B a taillon «Relaciones literarias», pp. 226 y ss. E l aludido ensayo de Américo Castro sobre la «literariedad» del Quijote es «La palabra escrita y el Quijote», en Hacia Cervantes, Taurus, Madrid, i9602, pp. 292-324. En cuanto al soneto de Cervantes al túmulo ornamental erigido en la ca tedral de Sevilla para conmemorar la muerte de Felipe II (que empieza con el verso «Voto a Dios que me espanta esta grandeza»), calificado de «honra principal de mis escritos» en el capítulo IV del Viaje del Parnaso, véase la edi ción de las Poesías sueltas de R odolfo Schevill y Adolfo Bonilla, incluida en el tomo sexto y último de las Ocho comedias, Gráficas Reunidas, Madrid, 19 15 -19 22 , pp. 73-74. Sobre la primera etapa de inconformismo cervanti no y la posterior resignación del escritor, véase el aludido ensayo de Rafael Lapesa «Sobre La española inglesa y el Persiles», en De la Edad Media a nues tros días, Gredos, Madrid, 1967, pp. 242-263. Américo Castro entendió la postrera adecuación cervantina al orden so cial establecido como un intento de impedir su propia margination: véase XCIV PRÓ LO GO «La ejemplaridad de las novelas cervantinas», en Hada Cavantes, cit., pp. 353-374- En lo referente al abstencionismo político de Cervantes, véase mi artícu lo «Algunas reflexiones sobre la sátira en Cervantes», Nueva Repista de Filo logía Hispánica, X X X V I I I (1990), pp. 4 9 3-5 11. M e aproximo también al autorretrato de la personalidad cervantina en un artículo, «A Poets Vanity: Thoughts on the Friendly Ethos o f Cervantine Satire», publicado en la revista Cervantes,X I I I (1993), pp. 31-63. Armauirumque Armauirumque 3. LA ESPAÑA DEL «QUIJOTE» Antonio Domínguez Ortiz E l descrédito de un concepto meramente político de la histo ria ha multiplicado los apelativos y las divisiones basadas en re ferencias culturales («el siglo del Barroco», «la España de la Ilus tración», etc.). Por ello se habla hoy corrientemente de «la España del Quijote», título adoptado, entre otras obras dedica das a la cultura de nuestro Siglo de Oro, por los dos volúme nes de la gran historia de España que patrocinó Menéndez P i dal. La España del Quijote y la España de Cervantes son expresiones sustancialmente idénticas, pues si bien la composi ción de la inmortal novela coincide con la década final de la vida del escritor, no es menos cierto que en ella vertió las ex periencias de toda una vida. E l Quijote apareció a comienzos del siglo X V I I , durante el reinando Felipe III, pero Cervantes fue un hombre del x v i : su «circunstancia» fue la España de Fe lipe II, aunque viviera lo suficiente para contemplar el tránsito de un siglo a otro, de un reinado a otro, con todos los cambios que comportaba ese tránsito. D ecir que los años situados a ca ballo del 1600 fueron de transición parece una banalidad; en el curso de la historia todas las épocas son de transición, porque el devenir humano es una mezcla de continuidad y cambio; pero hay épocas en las que las transformaciones se aceleran y los contemporáneos experimentan la sensación de cambio, ya sea para bien, como lo percibió Feijoo al pisar, ya anciano, los um brales del reinado de Fernando VI, ya para mal, y entonces sur ge la nostalgia del «viejo buen tiempo». Ambos sentimientos se mezclaban en el sentir de los españo les en aquellas fechas; en 1598, al recibirse la nueva del falleci miento del solitario del Escorial, España experimentó la sen sación de alivio de toda persona liberada de una tensión insoportable; las suntuosas exequias, las ampulosas oraciones fú nebres no podían desvanecer los sentimientos penosos que se habían acumulado en los últimos años del reinado del viejo xcv X C V I PRÓ LO GO monarca: las guerras incesantes, las demandas de hombres y di nero, el carácter poco accesible de un soberano que dirigía el mundo más bien a través de papeles que de contactos humanos habían engendrado en Castilla un temor reverencial y un mal solapado disgusto entre sus súbditos, que, al conocer su desapa rición, se sintieron a la vez apesadumbrados y ligeros, como los escolares tras la ausencia del severo dómine. Por desgracia, el caudal de confianza que se otorgaba a cada nuevo soberano se agotó pronto, al comprobar la inoperancia del tercer Felipe, su total entrega a don Francisco Gómez de Sandoval, marqués de Denia, pronto decorado con el título de duque de Lerma, la in moralidad y avidez del favorito y de la cohorte de familiares y amigos que lo acompañaba. Y si éstas eran las encontradas sen saciones de la generalidad del pueblo, más críticos aun eran los miembros de la alta administración imperial (generales, emba jadores, consejeros de Estado), que temían que la nueva políti ca internacional, tachada de pacifista y abandonista, resultara fa tal para el prestigio del mayor imperio del mundo, prestigio conquistado al precio de tantos sacrificios. Estos temores eran exagerados. E l nuevo equipo gobernante se hizo cargo de la necesidad de aliviar el peso que soportaba España, en especial Castilla; circunstancias favorables, como la desaparición de Isabel de Inglaterra y de Enrique IV de Fran cia, y la coincidencia con un equipo gobernante en Holanda inclinado también a una paz o, al menos, a una tregua (firma da en 1609) dieron la impresión de que iba a cesar el estrépito de las armas. Los hechos demostraron que, en el fondo, la po lítica del gabinete de Madrid permanecía inmutable. Quería la paz, pero no a cualquier precio; no al precio del triunfo del protestantismo sobre el catolicismo y la humillación de la casa de Austria; por eso, cuando la rama austríaca de los Habsburgo se vio acosada, el hermano mayor, o sea, la rama española, en tró con todo su poder, con el oro de América y los soldados de los tercios, nuevamente en liza. En lo sustancial, pues, no hubo cambio en la política de Es paña. Pero ¿qué era España? Hay palabras que usamos conti nuamente y que nos ponen en un aprieto si tratamos de defi nirlas. ¿Era entonces España una nación, un estado, un ámbito cultural o meramente una evocación de la antigua Hispania, sin LA E S P A Ñ A DEL «Q U IJO T E » XCVII contenido sustancial? Las controversias nacionalistas de hoy han agudizado el problema; se cuestiona que los Reyes Católicos fundaran un verdadero Estado, que los habitantes de la Penín sula se sintieran solidarios, miembros de una entidad superior a la de su pueblo, comarca o región y, aunque en estas afirmacio nes hay mucho de exageración y prejuicio, no puede negarse que el concepto España estaba entonces lleno de ambigüedad. D e un lado, lo desbordaba una entidad más vasta, el Imperio, o, como entonces se decía, la Monarquía; de otro, se descompo nía en una serie de unidades diversas y mal engarzadas: Castilla de una parte y los reinos integrantes de la Corona de Aragón de otra tenían sus leyes, instituciones, monedas, fronteras aduane ras, como también las tenía Navarra y, a mayor abundamiento, Portugal, reunido en 1580 a este vasto conglomerado. Y dentro de cada una de estas partes, la autoridad real tenía más o menos fuerza, mayores o menores atribuciones. Especialísima era la si tuación de Canarias y más aun la de las tres provincias vascon gadas, a pesar de que en muchos aspectos se consideraban in cluidas dentro de la Corona de Castilla. N o era ésta una situación peculiar de España. En su postuma e inacabada historia de Francia, Braudel ha hecho notar lo mis mo respecto a la Francia del Antiguo Régim en, con no pocas resonancias y supervivencias en la Francia actual, que tan largo tiempo se ha tenido como modelo de homogeneidad. Esas va riedades, esas ambigüedades, esa herencia de un pasado medie val, que aún tenía mucha vigencia, exigía de los gobernantes un conocimiento muy detallado de las peculiaridades de cada rei no, de cada provincia, y un tacto exquisito para no herir sus ceptibilidades, porque el privilegio no era la excepción sino la norma. Es poco exacto dividir la España del siglo xvx en paí ses forales y no forales, porque fueros y privilegios tenían to dos. La diferencia consistía en que en unos se trataba de una realidad viva, con la que había que contar, mientras que en Castilla, después del fracaso de las Comunidades, la balanza del poder se había desequilibrado de modo irreversible en favor del poder real y, entonces, la solemne jura de los privilegios de una ciudad de un reino, como hizo Felipe II al entrar en Sevi lla el año 1570, era una mera ceremonia que no le comprome tía a riada, mientras que la jura de los fueros de Aragón sí tenía xcvm PRÓ LO G O un hondo significado; tan hondo y tan anclado en el corazón de los aragoneses que, aun después de los gravísimos sucesos de 15 9 1, el monarca sólo se atrevió a introducir leves modifica ciones en un sistema ya totalmente anquilosado. La diversidad de los pueblos que componían España se ma nifestaba también de modo espontáneo en las naciones o bandos que se formaban en las universidades, en los colegios, en cier tas órdenes religiosas y que no eran formaciones sólidas, ins titucionales, sino agrupaciones ocasionales que delataban afini dades y preferencias; así ocurría que con la nación vasca se agrupaban otras gentes del norte, y con la andaluza, los extre meños y murcianos, y en los castellanos puros se decantaban a veces los manchegos de un lado y los campesinos, o sea, los de la Tierra de Campos, por otro. N o llegaron estos bandos a te ner la virulencia que en América tuvieron las divisiones entrepeninsulares y criollos, que preocuparon seriamente a las auto ridades de las órdenes religiosas y obligaron a establecer la al ternativa, o sea, un turno en la provisión de cargos; algo de eso hubo aquí en los capítulos benedictinos, mas, por lo regular, las peleas de las naciones, como en la Universidad de Salamanca, sólo traducían afinidades innatas sin contenido político. E l caso de los portugueses es distinto: no tuvieron reparo en usar am pliamente el castellano y en llamarse españoles mientras España fue concebida como un ámbito cultural (en el sentido amplio, antropológico, de esta palabra). Pero al transformarse, en [580, en una entidad política, este sentimiento de pertenencia, de in tegración, fue sustituido por un rechazo total, expresado con más violencia en las clases populares que en las altas, y más en el bajo y medio clero que en las altas jerarquías. Es fácil distinguir las raíces históricas de esta diversidad ,de planteamientos: cuando la gran crisis del siglo x v i i puso a prueba el entramado íntimo de la Monarquía, aquellas regiones con un pasado aún vivo de autogobierno reaccionaron de for ma m uy distinta a aquellas otras englobadas en el complejo cas tellano; es lógico que no fuera igual el comportamiento de A n dalucía, que tenía una acusada personalidad cultural pero nunca fue una entidad política como Navarra o Cataluña. Ahora bien: mientras Portugal rechazó la integración plena, en las demás partes de aquel conjunto sí fue posible la integración gracias a LA E S P A Ñ A D EL «Q U IJO T E » XCIX la herencia medieval de las fidelidades múltiples, tan alejadas de los nacionalismos excluyentes, y que hacía posible que una per sona conjugara un apego intenso a su pueblo, a su patria chica (era muy intenso el patriotismo local), con el sentimiento de pertenecer a una región, a una nación, a un imperio y, por en cima de todo, al orbe cristiano. La verdadera frontera, más bien un foso profundo, era la que separaba esta comunidad cristiana del Islam y de la infidelidad. Dentro de la Cristiandad, la multiplicidad de fronteras estaba atenuada por ese sentimiento de pertenecer a una patria co mún; sentimiento quebrantado por la disidencia religiosa que marcó un hito en las relaciones de los pueblos europeos. R a zones religiosas, políticas y humanas se mezclaban en dosis va riables en los sentimientos de los viajeros extranjeros en Espa ña y en los españoles, tan numerosos, que salían fuera del recinto de su patria. A l alejarse de España, aquellas diferencias regionales se difiiminaban; el viajero no se declaraba extreme ño o aragonés, sino español. Percibía en los países extraños una gradación, unas sensaciones diversas de alejamiento o cercanía: el país más cercano, Italia, por razones evidentes. Cervantes, como tantos de sus compatriotas, se sentía allí como en su casa. Sus elogios a las ciudades italianas revelan el afecto de quien ha bla de cosa propia. ¡Qué diferencia con aquella Berbería, tan cercana y tan lejana! N o se puede comprender bien la España renacentista ni barroca sin tener en cuenta estos influjos italia nizantes que se infiltraban en la vida española por mil caminos y de mil maneras. Más notable es la fidelidad a la Monarquía hispana de países muy diversos del nuestro, como Flandes y el Franco Condado. Fidelidad al Príncipe-Símbolo, a una entidad supranacional en la que cabían muchas personalidades nacionales bajo la égida de un Poder moderador, de un árbitro imparcial al que se deno minaba R e y de España sin desmenuzar la multitud de títulos jurídicos que encerraba este nombre. Los tratadistas podían po lemizar sobre el alcance y significado de esa titularidad; el pue blo sabía de qué se trataba. Y porque en esta fase aún incom pleta del Estado era la Monarquía la figura jurídica que lo representaba y el motor de aquel múltiple organismo es por lo que el carácter personal de los reyes tuvo tanta importancia. c PRÓ LO GO D e un reinado a otro las leyes cambiaban poco, pero su aplica ción cambiaba mucho; de ahí que una división de la historia moderna de España por reinados, aunque tenga cierto olor ran cio, a conceptos pasados de moda, no deja de tener efectividad. E l talante personal de Felipe II dejó una profunda huella; por ejemplo, él fue responsable del ensoberbecimiento del tribunal de la Inquisición hasta límites increíbles; los gobernantes del si glo xv ix tuvieron que aplicarse, con paciencia, a limar las ga rras de aquel monstruo que se había hecho temible no sólo a los herejes, sino a todos los organismos e instituciones. Unidad y variedad eran también las características de la so ciedad española de la época. Ciertamente, el panorama social de Galicia tenía numerosas peculiaridades, aun más acentuadas en el caso de Vasconia. En los países de la Corona de Aragón los gremios tenían un vigor institucional del que carecían los castellanos, y había un estrato situado a medio camino entre la nobleza y la burguesía comerciante, los ciutadans honráis, que no tenía equivalente en otros países peninsulares. E l clero patri monial, con visos de mayorazgos sacerdotales, estaba mucho más arraigado en el norte que en el sur, y así podríamos ir señalan do una serie de diferencias, no incompatibles, sin embargo, con una sustancial unidad. Unidad basada en la herencia ideológica del medievo y reforzada por el interés de sus beneficiarios para que no se alterase de forma esencial. D e hecho, sólo fue de molida, y no por completo, en el siglo x ix . Ese modelo de sociedad era m uy simple en teoría y muy complejo en la realidad. La teoría se asentaba, como es bien co nocido, en el reconocimiento de dos clases privilegiadas, la no bleza y el clero, y un tercer estado que solía llamarse general o llano. A veces se usaban otras denominaciones, como estado de los buenos hombres pecheros, porque el distintivo común de los privilegiados, aparte de otras preeminencias, era no pagar pe chos, o sea, impuestos directos, personales, símbolo de sumisión y servidumbre. Este concepto estamental de la sociedad era, por decirlo así, el oficial y reconocido; aparece a través de toda la legislación, de la literatura jurídica, de los arbitrios, memo riales y producciones de tipo político, tan abundantes en aque lla época; por ejemplo, en el llamado Gran Memorial que don Gaspar de Guzmán dirigió a Felipe IV a comienzos de su pri- LA E S P A Ñ A D E L «Q U IJO T E » CI vanza, en el que, para dar una información al joven rey del pueblo que tenía que regir utiliza el esquema estamental. Y , por supuesto, aparece constantemente en la amena literatura, por que era el molde en que se configuraba la realidad social; el Quijote usa constantemente estos conceptos: nobles, plebeyos, señores, vasallos... Las insuficiencias del esquema estamental eran, sin embargo, notorias, y de ahí que hallemos también una multitud de ex presiones y conceptos para designar las solidaridades y los en frentamientos que latían en el seno de aquella sociedad que, en teoría, parecía inmóvil, hecha de una pieza. Además de la dua lidad fundamental, hombre-mujer, tema eterno, argumento y raíz de innumerables disquisiciones, hallamos también expresa das y, a veces, largamente comentadas y debatidas, otras oposi ciones y conjunciones, individuo y linaje, campo y ciudad, ar mas y letras y, como tema recurrente —verdadero bajo continuo de aquella sinfonía inacabable—, la distinción que, en muchos aspectos, aparecía como fundamental: ricos y pobres. De esta manera, la simplicidad de la división tripartita se complicaba y el paisaje social se enriquecía con infinitos matices; riqueza re lacionada con el carácter de transición que tenía la época en que se foijó el Quijote. Confieso que tengo cierta prevención contra el concepto de transición en la historia, porque cierta escuela histórica ha abu sado de él para intentar persuadirnos de que lostiempos m o dernos carecen de sustantividad, de que no son más que una transición entre el feudalismo y el capitalismo. Por fortuna, esta deformación de realidades evidentes se halla en franco retroce so, pero antes de continuar quiero hacer constar que no niego que haya épocas de transición: en el curso histórico todo es transición, porque en toda edad hay una combinación de ele mentos heredados y otros que van surgiendo del inagotable manantial de la creatividad humana. Pero así como en ese cur so hay remansos, tramos tranquilos que pueden dar una idea engañosa de inmovilidad, hay otros turbulentos, en los que aparecen rápidos y cascadas; épocas en que los antagonismos se exacerban y pueden desembocar en situaciones críticas, revo lucionarias, tomando la palabra revolución en un sentido amplio, no necesariamente violento. CII P R Ó LO G O La época en que vivió y escribió Cervantes sin duda fue crí tica, aunque los cambios se espaciaron lo suficiente como para no dar la sensación de estar ante una época revolucionaria. Aquellos hombres se daban cuenta, por ejemplo, de que la mo neda perdía valor adquisitivo; el ritmo de inflación era muy modesto; un uno o dos por ciento anual, que hoy haría las de licias de cualquier ministro de Economía, pero que, por el efecto acumulativo, acababa por hacer insuficientes sueldos y dotacio nes que veinte o treinta años antes se consideraban suficientes; de ahí las frecuentes peticiones de aumento de salarios, de re ducciones del número de misas a que obligaba la fundación de una capellanía, de quejas de los que vivían de rentas fijas, etc. Causa importante, aunque no única, de esta inflación era la gran cantidad de plata americana que se acuñaba en las Casas de M o neda y cuya abundancia disminuía su valor; pero los contempo ráneos reaccionaban como nosotros y, en vez de hablar de pér dida del valor de la moneda, se referían obsesivamente a la «carestía general». Era éste uno de los factores del choque entre dos sistemas eco nómicos, con repercusiones de todo género, incluso morales: la economía dineraria sustituía parcialmente a la economía cerra da, con gran proporción de autoconsumo y de pagos en espe cie. La economía urbana era de preferencia monetaria y la rural se atenía más a los moldes tradicionales, pero hay que tener cui dado ante engañosas simplificaciones. E l triunfo de don Dinero sobre los valores tradicionales era algo que estaba en la atmósfe ra y lo mismo se expresaba en tratados magistrales que en frases proverbiales: «Dineros son calidad»; «Dos linajes solos hay en el mundo ... que son el tener y el no tener» (Quijote, II, 20, 872), etc. La misma relación entre don Quijote y Sancho expresa esta ambigüedad: Sancho aspiraba a una relación laboral, un salario, idea rechazada con indignación por don Quijote, que sólo con cebía entre caballero y escudero una relación vasallática, pre miada con mercedes (véanse los primeros capítulos de la Se gunda parte del Quijote, esenciales para el conocimiento de este y otros aspectos de la sociedad española coetánea). Otro aspecto de la transición, cambio o ruptura, según la im portancia que se dé a las transformaciones operadas en aquella época, es el relativo al significado político-institucional en gran LA E S P A Ñ A D E L «Q U IJO T E » cm parte como reacción a los cambios que se producían en una Europa convertida en un hervidero de pasiones. Para el con junto europeo ya hace tiempo que se acuñó el concepto, hoy muy discutido, de Contrarreforma, identificable con el T ri- dentinismo. Para la evolución en el interior de España, el his toriador catalán Juan R egla introdujo el concepto de viraje f i l i pino, que durante algún tiempo fue ampliamente adoptado. En esencia, su tesis era la siguiente: a un Carlos V moderado y ecu ménico, empeñado en resolver las diferencias de la Cristiandad por medio de un concilio general, sucedió un Felipe II que, tras unos años de vacilación, dio un giro brusco hacia la inco municación y la intolerancia, en gran medida como reacción contra la situación de la frontera pirenaica, a través de la cual se filtraban predicantes calvinistas del sur de Francia. Este viraje culminaría en 1570 con medidas entre las que R eglá destacaba tres: impermeabilización de la frontera pirenaica, rigor antimo risco que provocaría la revuelta de los granadinos, y actitud in transigente frente a los flamencos, origen de las interminables guerras de Flandes. Com o se apresuraron a manifestar Ernesto Belenguer y otros historiadores, tal modo de interpretar las cosas era unilateral y limitado. E l paso del irenismo carolino inicial hacia posturas más duras comenzó en cuanto el Emperador se dio cuenta de que el conflicto iniciado en Alemania no era sólo religioso sino político y que amenazaba su sistema europeo y los intereses de su linaje. D e ahí sus medidas de rigor y sus admoniciones a Fe lipe II, ya desde su retiro de Yuste, para que los brotes de lu- teranismo que surgían en Castilla fueran sofocados de manera implacable. Medidas que su hijo adoptó con diligencia; ya des de comienzos de su reinado hallamos un apoyo total al Santo Oficio, los grandes autos de fe de Valladolid y Sevilla, la perse cución al arzobispo Carranza, los primeros índices de libros prohibidos, el famoso decreto prohibiendo estudiar en univer sidades extranjeras, la ratificación del estatuto de limpieza de sangre de la catedral de Toledo; pruebas de que ya antes de 1560 reinaban en España los «tiempos recios» que tanta amargura causaron a varios de los más destacados representantes de nues tra espiritualidad: Carranza, Luis de León, Teresa de Jesús, Arias Montano, los primeros jesuítas, objeto de sospechas cuan- CIV PRÓ LO G O do no de persecución declarada. Cervantes, por lo tanto, no presenció el tránsito; las huellas erasmianas détectables en su obra las recibió a través de una difusa tradición, no de viven cias personales. E l lenguaje críptico que suele ser la respuesta a un clima intelectual enrarecido impide saber con seguridad si ciertas frases, como la famosa «con la iglesia hemos dado, San cho» (II, 9, 759), tenían un doble sentido o pecamos por exce so de suspicacia al atribuírselo. En todo caso, hay que hacer constar que la Inquisición sólo borró en el Quijote una corta frase relativa al valor de las buenas obras y dejó indemnes pá rrafos de indudable Sabor anticlerical, como la pintura del «re ligioso grave» que amonestó al caballero y al escudero por sus locuras (II, 31). En el ámbito politico-social es importante destacar también la contraposición entre los dos reinados: en el de Carlos V aún te nían los magnates suficiente fuerza e independencia para opo nerse con éxito a las propuestas del emperador en las Cortes de Toledo de 1538. Frente a Felipe II aparecen totalmente someti dos; su máxima aspiración eía ser admitidos en el estrecho círcu lo que rodeaba al monarca y formar parte de su servidumbre: or ganizar su casa, vestirle la catnisa, servirle los platos, acompañarlo en sus cacerías, autorizar Ju corte, serían las máximas aspiraciones de los hijos y nietos de quienes, no mucho tiempo antes, habían hecho temblar a los reyes. Paso decisivo en el afianzamiento de un poder real absolüto dei que los Reyes Católicos habían dise ñado las piezas maestras sin poder perfilar los detalles. La contaminación de los valores estamentales por los dinera- rios produjo una terminología, no oficial pero m uy extendida, para designar a los que, siñ tener privilegios legales, tenían una situación real de privilegio; eran los poderosos, las personas princi pales, casi siempre nuevos ricos, encumbrados por los tratos, por la usura, que aunque prohibida, era frecuentísima, sobre todo en el ámbito rural; eran los que especulaban con los gra nos, acumulándolos en las épocas de baratura y vendiéndolos en las de escasez a precios m úy superiores a la tasa.U na tasa de granos esporádica en la Edad M edia que en el siglo x v i se hizo general sin grandes resultados. I.a Corona favoreció indirecta mente la ambición de estos parvenus con las ventas de cargos, de tierras, de oficios, de pueblos, títulos y señoríos. Aparente LA E S P A Ñ A D EL «Q U IJO T E » CV mente, el edificio estamental no se vino abajo, porque lo que pretendían estos intrusos no era derribarlo sino instalarse có modamente en él. Los que no tenían dinero para comprar señoríos o altos car gos y los que querían subir peldaños en la escala social por m e dios más honrosos utilizaban otros procedimientos que la sabi duría popular resumía en esta frase: «Iglesia, Mar o Casa Real». E l ascenso por los cauces eclesiásticos era el más fácil, porque la Iglesia admitía a todos y en ella podían hacerse carreras magní ficas. Antes hemos mencionado a fray Luis de Granada; este hijo de un emigrante gallego a quien la miseria obligó a buscar nueva patria en tierras andaluzas, llegó a ser, gracias a su profe sión monástica, escritor cimero y figura de ámbito internacio nal, amigo y consejero de altos personajes, incluyendo el pro pio rey de España. E l segundo término, Mar, es ambiguo: lo mismo puede in dicar la alta mercadería, que incluía tanto a los cargadores a In dias, en primer lugar, como a los armadores de buques, m er cantes o de guerra (las naos bien construidas servían para ambas cosas) y a los altos cargos de las flotas y galeones. La gran for tuna de don Alvaro de Bazán provenía a la vez de sus hazañas navales y de sus actividades mercantiles. En el norte, muchos marinos cántabros y vascos se enriquecieron con la arriesgada profesión del corso marítimo, admitida y regulada por las leyes. E l tercer término, Casa Real, puede indicar a los que de sempeñaban oficios palatinos: el mayordomo mayor, el caballe rizo mayor, los gentiles hombres y otros miembros de la servi dumbre regia tenían buenos sueldos y facilidades para obtener hábitos de órdenes militares y otras prebendas. Pero en la se lección de estas personas se hilaba delgado. N o era un medio para introducirse en la nobleza, sino un cauce para los que ya la disfrutaban. La verdadera vía de promoción era la del alto funcionariado: secretarios reales, magistrados, consejeros. Aquí sí podían deslizarse y trepar individuos de dudoso origen, como Antonio Pérez, como aquel Mateo Vázquez de Leca, ministro de la mayor intimidad de Felipe II, sobre cuyo origen gravitan pesadas incógnitas. E l desarrollo de la burocracia estatal estaba en todo su apo geo en la época cervantina, y en la obra del Príncipe de los In- CVI PRÓ LO GO genios hay multitud de alusiones a esta realidad. A pesar del es truendo de las incesantes guerras, declinaba en España la voca ción militar y se multiplicaban las vocaciones hacia la carrera de las letras. Nuestro Siglo de Oro provenía de una sociedad vio lenta, militar, fruto de unas condiciones especiales: el perma nente estado de guerra en la frontera granadina, los bandos ur banos, la ausencia de una fuerza de orden público, todo se conjuraba para que cada señor tuviera necesidad de poseer una fortaleza, una armería y una hueste. Después de la pacificación interna operada por los R eyes Católicos la situación cambió de modo radical; todavía en la época de Carlos V, los tutores de sus hermanas Juana y María cuidaban de elegir como residencia lu gares bien fortificados, pero con Felipe II tales precauciones es taban de más: en Castilla no se movía una mosca; los señores abandonaban sus castillos o los mantenían sólo como lugares residenciales. También fueron desapareciendo paulatinamente las milicias privadas de los señores y aquellos contingentes en paro forzoso integraron, en buena parte, las huestes que conquistaron el N uevo M undo y los tercios que combatieron en todos los campos de batalla de Europa. Era un medio de ganarse la vida, de enriquecerse si había suerte y también de correr mundo y vivir aventuras. Los caballeros aventureros, con frecuencia segun dones de casas hidalgas que se enrolaban voluntariamente, fue ron numerosos en el siglo x v i ; algunos iban movidos por no bles ideales, respondiendo al tipo del «caballero andante». Todo este mundo estaba en crisis al finalizar el siglo x v i y por eso Felipe II instituyó una M ilicia General, porque la na ción que fuera de sus fronteras ostentaba la primacía militar, en su propio territorio estaba casi indefensa, como lo demostró el vergonzoso episodio de la toma y saqueo de Cádiz por los in gleses en 1596. Y a antes, con motivo de la sublevación de los moriscos granadinos y, en 1580, la invasión de Portugal, hubo que traer tropas profesionales de Italia. En adelante, la situación no hizo sino empeorar; la nación que había sido semillero de soldados ya apenas producía vocaciones militares; la sociedad seguía siendo violenta pero no guerrera y una de las causas que continuamente se aducían era «ser tan cortos los premios de las armas en comparación con las letras». La contienda entre las ar L A E S P A Ñ A D E I «Q U IJO T E » CVII mas y las letras, que en el Quijote aparece desarrollada en dos ocasiones, era un tema clásico; ya Quintiliano, entre los ejerci cios escritos que proponía a sus alumnos, incluía éste: «¿A quién se debe conceder la preeminencia, a los juristas o a los milita res?». Porque no hay que imaginarse que por letras se entendía la bella literatura; ésta no salió nunca de la indigencia eco nómica ni constituía una profesión. Las letras eran los estudios superiores, universitarios, centrados en el conocimiento utrius- que iuris, el derecho canónico y el derecho civil. E l primero abría la puerta a las prelacias, el segundo, a la magistratura, los tribunales, los consejos, el gobierno de la Monarquía. Forma ban los togados, los garnachas, un enorme grupo de presión, m uy corporativista, con sus raíces bien afincadas en los colegios mayores. La inexistencia de una separación de poderes permi tió que una casta de juristas sin especial preparación para los aspectos técnicos del gobierno llegara casi a copar los altos puestos, con gran disgusto de la clase militar* a la que se iden tificaba, sin mucha razón, con la clase noble. En teoría, las ar mas disponían de más premios que las letras, porque les perte necían importantes corregimientos y la totalidad de los hábitos y encomiendas de las órdenes militares. En la práctica, la alta burocracia cobraba puntualmente sus sueldos, tenía muchas po sibilidades de enriquecimiento y ascenso social y fue acaparan do las prebendas de las órdenes. Todavía en los tiempos en que escribía Cervantes no se había llegado a los abusos de la época de Olivares, cuando los hábitos se dieron a mercaderes enri quecidos y las más sustanciosas encomiendas se atribuían a los burócratas, a sus mujeres y a sus hijos. N o se había llegado a ta les extremos, pero ya se barruntaban. En la segunda mitad del siglo X V I I , en vez de enviar tropas en apoyo de Austria, Espa ña recibía tropas austríacas para combatir en las fronteras de Portugal y Francia. Otra dualidad digna de mención es la que se establecía entre individuo y linaje. U n consejo m uy sensato da don Quijote a Sancho sobre este punto: «Jamás te pongas a disputar de lina jes» (II, 43, 1065). Era una obsesión general, alimentada por las informaciones de nobleza y limpieza de sangre, necesarias para obtener cargos honrosos, a veces para ingresar en una cofradía e incluso en algunos gremios. Las rencillas, las enemistades, los CVHI PR Ó LO G O sobornos a que daban lugar eran conocidos y lamentados, aun que no se les pusiera remedio. Es m uy clara la contradicción con la idea, m uy extendida, de que el Renacim iento ensalzó las virtudes individuales, el principio de que «cada uno es hijo de sus obras» (Quijote, I, 4, 70) y no pueden serle imputables los méritos o deméritosde su parentela. Lo cierto es que en este punto, como en otros, se había producido una simbiosis de ele mentos de origen diverso, una síntesis en la que se fundían ideas caballerescas de raíz pagana y otras procedentes del cristianismo medieval. Ante Dios, el hombre sólo es responsable de sus obras, pero la idea de premiar o castigar a un hombre en sus des cendientes «hasta la cuarta generación» también la aceptó el cristianismo a través de la Biblia. La solidaridad familiar expre sada en los bandos medievales no se disipó en la Edad M oder na, sino que tomó otras formas y el ansia innata de inmortali dad también tomó dos direcciones: la prolongación de la vida en un mundo mejor, en el paraíso, y la pervivenda a través de la fama, de la memoria de los hombres. Dos direcciones entre las que se tendieron numerosos puentes, consiguiendo fundirlas en una sola. Su representación tangible, el monumento funera rio rara vez individual; por lo común, panteón familiar que re cogía la cadena generacional. Los sufragios colectivos quedaban asegurados por medio de la institución de capellanías, mandas, memorias y otras instituciones que destinaban a los muertos una parte importante de la renta total de que gozaban los vivos. La devoción a las ánimas del Purgatorio, que por entonces ex perimentó extraordinario auge, respondía a esta misma idea de solidaridad entre la sociedad de los muertos y la de los vivos. Las disposiciones testamentarias reforzaban este sentimiento de colaboración y corresponsabilidad. La fundación del panteón escurialense, la obsesión de Felipe II por las reliquias, detalles como la real cédula de Felipe IV eximiendo de retenciones y descuentos los juros consagrados al culto de las ánimas del Pur gatorio subrayan el enorme papel que en la mentalidad colec tiva desempeñaron estas ideas. Una visión global de la sociedad española resultaría incom pleta sin dedicar, al menos, unas alusiones a los elementos que con ella coexistían sin fundirse, como cuerpos extraños, ya por razones étnicas, religiosas o de otro orden. E l interés actual LA E S P A Ñ A DEL « Q U IJO T E » CIX por los marginados se explica no sólo por el considerable volumen de algunas de estas minorías y los conflictos a que dieron lugar, sino porque a través de ellas y del trato que recibieron es po sible adentrarse en el estudio de los comportamientos y m en talidades de la sociedad dominante. Los criterios que regían la integración o exclusión de individuos y grupos no eran econó micos; los pobres no eran marginados, sino un estrato muy am plio y muy respetado, con lugar propio en la Res publica Chris tiana. La pobreza era un valor, no un oprobio, y lo mismo los que la elegían voluntariamente que los que caían en ella por azares de la adversa fortuna tenían derecho a una solidaridad fraternal expresada en multitud de donaciones e instituciones benéficas. Eran muy dadivosos los españoles de la época y no sólo los naturales sino muchos extranjeros se beneficiaban de su generosidad. Los abusos, la infinidad de falsos pobres pro dujo disputas (Vives, Medina, Pérez de Herrera) acerca de las medidas que sería prudente adoptar en relación con el proble ma de la mendicidad. Discusiones teóricas que tropezaban en la práctica con la dificultad de distinguir el inválido, el parado, el desgraciado, del truhán y del vagabundo. Había una grada ción muy matizada que comenzaba con el pobre vergonzante, persona de buena familia que había caído en la indigencia y a la que había que socorrer a domicilio, de forma que no se las timara su honor, y terminaba en el transeúnte anónimo al que no rara vez se hallaba en la calle muerto de hambre y frío una noche invernal. A los primeros dedicaban los prelados sumas importantes y trato decoroso. Los últimos sólo tenían a su dis posición alguna casilla a la entrada del pueblo que se decoraba con el título de hospital aunque no contuviera alimentos ni medicinas. Tampoco deshonraba ni excluía de la comunidad la depen dencia personal en sus variadas formas: señor-vasallo, am o- criado, maestro-aprendiz, etc. Formas de dependencia que no tienen equivalente exacto en la actualidad. La servidumbre no era un estigma, aunque revistiera formas que hoy nos parecen hu millantes, como los castigos corporales. El lacayo Tosilos refie re a Sancho con toda naturalidad que el duque su señor había mandado que le dieran cien palos por una falta en el servicio (II, 66). La servidumbre doméstica con frecuencia generaba ex PRÓ LO GO afecto mutuo; los rasgos de fidelidad que a veces descubren los documentos nos sorprenden; Rodríguez Marín, en su intro ducción a Rinconete y Cortadillo, cuenta su estupefacción ante el testamento de una pobre criada que en el preámbulo enco mendaba su alma a Dios y su cuerpo a la tierra «con licencia del señor marqués mi amo». E l aprendizaje tenía aspectos, detalla damente descritos en los contratos, que mezclaban rasgos fami liares y laborales. La auténtica marginación tenía aspectos m uy variados. En unos casos era irremisible, en otros no. E l no creyente, el no católico, estaba fuera de la comunidad; se toleraba en los ex tranjeros defendidos por tratados internacionales. La conver sión los integraba plenamente, sin que quedaran máculas de su anterior condición. Las prostitutas podían redimirse y lavar sus culpas; pero no los homosexuales: perseguidos en la época de Cervantes con ensañamiento, no pocos acabaron en la hogue ra. Tampoco el bautismo, por más sincero que fuera, restituía su honor a los musulmanes y judíos. Esa fue la tragedia de los conversos. La esclavitud también dejaba secuelas. España era entonces el único país de la Europa occidental con elevado nú mero de esclavos; sus fuentes, la trata de negros y las luchas contra turcos y berberiscos. Eran frecuentes los casos de manu misión, pero, como ocurría en la antigua R om a, el liberto su fría limitaciones y restricciones no menos duras por el hecho· de no ser legales. Había también oficios viles, que no hay que con fundir con los oficios mecánicos. Estos últimos eran todos los que necesitaban un esfuerzo fí sico, un trabajo manual, que llevaba aparejada cierta descalifi cación; por eso, aquellos artífices que tenían interés en procla mar la ingenuidad de su arte, se esforzaban por dejar bien claro que ellos ejecutaban sólo la labor magistral, dejando a sus ayu dantes los aspectos materiales de su tarea; los farmacéuticos te nían mancebos que pulverizaban, calentaban y mezclaban los ingredientes, los pintores se valían de su sirviente para preparar los lienzos y los colores (el caso de Juan Pareja respecto a V e lázquez), etc. Pero si bien las actividades mecánicas se reputa ban incompatibles con la hidalguía, no descalificaban al artesa no, que tenía su puesto señalado en la escala social y en los cortejos se agrupaba tras la enseña de su gremio. En cambio, la LA E S P A Ñ A DEL « Q U IJO T E » CXI profesión vil envilecía a quien la practicaba, por ejemplo el m a tarife, el pregonero, el verdugo. Los precedentes clásicos in cluían en esta reprobación a cuantos se ganaban la vida divir tiendo al público, como los comediantes, aunque la práctica atenuase mucho este ju icio tan severo. Fue un argumento m uy usado en las polémicas sobre la licitud del teatro. Y de los picaros ¿qué diríamos? La picaresca no estaba legal mente definida; sus contornos eran tan vagos que resulta difícil indicar si estaba dentro de los límites tolerables o se situaba fue ra del sistema admitido. Cervantes, que conocía a la perfección aquel ambiente, no lo incluyó en el Quijote, y la razón es cla ra: la picaresca era un fenómeno urbano, crecía en los bajos fondos de ciudades cosmopolitas, mal gobernadas, con una po licía deficiente. N o tenía lugar en el Quijote, cuyo escenario es puramente rural. Estas someras pinceladas están lejos de agotar la inmensa ri queza y variedad dela sociedad hispana en torno al año 1600. A su vez, esa infinita complejidad explica el carácter suscepti ble, puntilloso y pleitista de hombres que querían dejar bien definido su puesto y aventajarlo lo más posible por medio de una complicada simbología en la que entraban los tratamientos, las cortesías, el vestido y otros rasgos externos. N O T A B I B L I O G R Á F I C A i . Cervantes no indicó la fecha en que su héroe realizó sus extraordinarias aventuras, pero es evidente que protagonista y autor eran contemporá neos; por lo tanto, la España del Quijote es la de finales del siglo x v i y co mienzos del x v i i , época de enorme densidad histórica que ha suscitado abundantes investigaciones y copiosa historiografía. Como reacción a la herencia positivista del pasado siglo que primaba la historia político-insti- tucional, la de épocas más recientes y más inclinada al estudio de los he chos culturales y sociales sustituye con frecuencia el marco secular («el si glo XVII») o dinástico («el siglo de Luis XIV») por la referencia a una figura cultural destacada («la época de Velázquez», «de Goya», etc.). Resulta cu rioso comprobar que, en este aspecto, Cervantes ha sido fagocitado por su criatura, pues no se suele hablar de «la época de Cervantes», sino de «la época» o «el tiempo del Quijote». Este es el título de un artículo del hispa nista Pierre Vilar, incluido luego en su volumen Crecimiento y desarrollo (Ariel, Barcelona, 1964), en el que se dice: «Ese libro eterno [el Quijote] si- CXII PRÓ LO G O gue siendo un libro español de 1605 que no cobra su sentido más que en el corazón de la historia». Seleccionar unas cuantas obras que introduzcan al lector en el ambiente de la España del Quijote es tarea hartó difícil. Mencionaremos en primer lu gar a los grandes comentaristas (Clemencín, Rodríguez Marín) y al biógra fo singular pero inevitable,(Astrana Marín). Luego, obras de conjunto como los dos volúmenes coordinados por J.M . Jover que en el conjunto de la gran Historia de España de Menéndez Pidal llevan el título E l siglo del «Quijote» (1580-1680) (Espasa-Calpe, Madrid, 1986). Contienen mucha y buena infor mación sobre los hechos culturales y sociales. E l título no es afortunado en cuanto a su delimitación temporal: más allá de 1640 España cayó en una de presión material y moral que no se corresponde con la atmósfera del Quijo te, obra de extraordinaria vitalidad y alegría. Puesto que el ambiente del.Quijote es rural, pueden constituir una útil in troducción obras como .Las crisis agrarias en la España moderna de Gonzalo AneS (Taurus, Madrid, 1970) o La pida rural Castellana en tiempos de Felipe II de N oël Salomon (Planeta, Barcelona, 1973), más centrada en el tiempo y en el espacio, pues se basa en las respuestas de seiscientos municipios del ar zobispado dé Toledo a un cuestionario muy detallado ordenado por el mo narca en 1575. Más concreto aun es el libro de Jerónim o López Salazar Es tructuras agrarias y sociedad rural, Instituto de Estudios Manchegos, Ciudad Real, 1986. De mucha ayuda al lector del Quijote serán también las obras de José A n tonio Maravall, de las que sólo citaré dos: Utopía y contrautopía en el «Quijo te» (Pico Sacro, Santia'gó, 1976) y La literatura picaresca desde la historia social (Taurus, Madrid, 1986), más general que su título, verdadero testamento li terario de su autor. De carácter más ideológico son las varias aproximacio nes de Américo Castro al Quijote y al pensamiento cervantino en general; trabajos m uy afectados por la evolución de su pensamiento pero, en todo caso, con intuiciones certeras. Puntos de vista originales hay también en va rias obras de Francisco Márquez Villanueva, por ejemplo los trabajos reco gidos en Personajes y tentas del «Quijote» (Taurus, Madrid, 1975). U n aspecto del Quijote que no puede soslayarse es el de la caballería, cuya máxima expresión la ostentaban los caballeros de las órdenes militares; acer ca de ellas destacaremos como la mejor y más reciente obra de síntesis la de Elena Postigo, Honor y privilegio en la Corona de Castilla (Valladolid, 1988). Sobre otros temas también relacionados con la nobleza, me permito remi tir a mi obra La sociedad española del siglo x v n (CSIC, Madrid, 1963, 2 vols.; ed. facsímil por la Universidad de Granada, 1992), muy necesitada ya de una puesta al día. Estas sucintas indicaciones generales pueden ampliarse en lo específica mente cervantino con el útil y sugestiva artículo de Agustín Redondo «Acercamiento al Quijote desde una perspectiva histórico-social», en An thony Close y otros, Cetvantes, Centro de Estudios Cervantinos, Alcalá de Henares, 1995, pp. 257-293; la monografía· de Javier Salazar R incón E l mun do social del «Quijote», Gredos, Madrid, 1986; y los perspicaces ensayos de L A E S P A Ñ A D EL « Q U IJO T E » CXIII Alberto Sánchez, «La sociedad española en el Quijote», Anthropos, suple mento XV II (1989), pp. 267-274; Je an Canavaggio, «La España del Quijote», ínsula, DXXXVIII (octubre de 1991), pp. 7-8, y Francisco R ico , «La ejecu toria de Alonso Quijano», Príncipe de Viana, anejo XVIII (2000), pp. 26 1- 268. Ahí se hallará a su vez la bibliografía sobre otros puntos más concretos. 2. D oy a continuación unas pocas indicaciones relativas a cuestiones de de talle rozadas en mi texto. Así, en el libró sobre Fray Luis de Granada, del pa dre Alvaro Huerga (BAC, Madrid, 1988), hay detalles y datos impresionan tes del rechazo popular a la unidad política del Estado español. N o poco tuvo que padecer en aquellos años el gran prosista, que en el asunto de la sucesión al reino fue instrumento de Felipe II, y como provincial de los do minicos en Portugal tuvo que tragar muchos sapos, (véase, por ejemplo, la p. 42 del libro citado). Com o hice notar en otras ocasiones, resulta simbólico que las solemnísi mas honras fúnebres de Felipe II en. la catedral de Sevilla resultaran inte rrumpidas por un conflicto de precedencia entre el Tribunal de la Inquisi ción y la Audiencia. De aquel sonado escándalo fue testigo Cervantes, que quizá recitó públicamente su soneto «Al túmulo de Felipe II». Acerca de los consejos de don Gaspar de Guzmán dirigidos a Felipe IV, véase J.H . Elliott y J.F . de la Peña, Memoriales y cartas del Conde Duque de Olivares, I, Alfaguara, Madrid, 1978. Sobre la tesis de R eglá y sus contradictores, véase mi opúsculo Notas para una periodización del reinado de Felipe II, Universidad de Valladolid, Cátedra Felipe II, núm. 4. E l relato de los orígenes del poderoso secretario de Felipe II, Mateo Váz quez Leca, parece una novela de .aventuras, pero es más probable que fue ra, simplemente, el fruto de los amores de un. canónigo sevillano con su criada (véase A.W . Lovett, Philip I I and Mateo Vázquez de Leca, Ginebra, 1977)· En cuanto a las ganancias que podían obtenerse al ejercitar las armas, re cuérdese, como ilustración, que todas las ciudades donde residía guarnición debían tener corregidor de capa y espada. Com o necesitaba además el aseso- ramiento de un letrado para juzgar las causas, resultaban más costosos. Por ello, el Consejo de Hacienda decía en 1628 que no se debía permitir que a Cáceres se le vendieran sus lugares, pues sólo podría mantener un corregi dor letrado, necesitándolo caballero por ser ciudad llena de nobleza y ban dos (Simancas,. C JH , leg. 643). 3. Se indican en lo sucesivo, por orden alfabético, otras referencias biblio gráficas de interés para el conocimiento de. la España de finales del siglo x v i y principios del x v n : Bartolomé Beni 1 l i España del Siglo de Oro, C rí tica, Barcelona, 1990; Fernando Díaz-Plaja. La Vida cotidiana en la España del Siglo de Oro, Edaf, Madrid, 1994; J.H . EUiott. -La España imperial, 1469-1716, Vicens-Vives, Barcelona, 1998; J .H . Elliott, ed., Poder y sociedad en la Espa ña de los Austrias, Crítica, Barcelona, 1982; Henry Kamen, La España impe- CXIVPRÓ LO GO rial, Anaya, Madrid, 19 9 1; Jerónimo López Salazar, Estructuras agrarias y so ciedad rural en la Mancha (ss. xvi-xvii), C SIC , Madrid, 1986; Pedro Luis Lo renzo Cadarso, Los conflictos populares en Castilla (siglos xvi-xvii), Siglo X X I, Madrid, 1996; John Lynch, Los Austrias (1516-ιγοο), Crítica, Barcelona, 2000; Jordi Nadal, España en su cénit (1516-1598), Crítica, Barcelona, 2001; M . Rodríguez Salgado, Un imperio en transición. Carlos V, Felipe I I y su mun do, Crítica, Barcelona, 1992; Joseph Pérez, La España de Felipe II, Crítica, Barcelona, 2000; Luis Antonio R ib o t García, coord., La monarquía de Feli pe I I a debate, Sociedad Estatal para la Acción Cultural Exterior, Madrid, 1999; Teófilo F. Ruiz, Historia social de España, 1400-1600, Crítica, Barcelo na, 2002; I.A .A . Thompson, Guerra y decadencia. Gobierno y administración en la España de los Austrias, 1560-1620, Crítica, Barcelona, 19 8 1; Francisco T o más y Valiente, Gobierno e instituciones en la España del Antiguo Régimen, Alianza, Madrid, 1999; Bartolomé Y un , Marte contra Minerva. E l precio del imperio español, c. 1450-1600, Crítica, Barcelona, 2004. 4. LOS LIBRO S DE CABALLERÍAS Sylvia Roubaud «Libros de caballerías: los que tratan de hazañas de caballeros andantes, ficciones gustosas y artificiosas de mucho entreteni miento y poco provecho, como los libros de Amadís, de don Galaor, del Caballero del Febo y de los demás.» Así reza la bre ve definición —elogiosa y despectiva a un tiem po- que de la li teratura caballeresca española propone Sebastián de Covarru- bias en su Tesoro de la lengua castellana de 16 1 1 . Publicada entre la Primera y la Segunda parte del Quijote, sus pocas líneas ex presan bien el ambivalente modo de sentir del público de aque llos años frente al género caballeresco; y bien concuerdan, en lo esencial, con las muchas páginas de la historia del ingenioso hidalgo que versan sobre los libros de caballerías: esas páginas en que, puestos a discutir de sus lecturas, los personajes cer vantinos se lanzan a enjuiciar a la caballeresca prodigándole al ternadamente alabanzas y críticas, encomios y vituperios, apro baciones benevolentes y desdeñosas condenas; y que culminan con los dos capítulos (I, 47 y 48) donde cura y canónigo discu rren amplia y detalladamente de los méritos y las tachas del gé nero, mientras el autor va tomando nota de las observaciones de ambos con sonriente neutralidad. Una neutralidad que, al revés de la simple y concisa frase del Tesoro, tiene más vueltas de lo que parece, pues no impide que, por detrás de sus personajes, Cervantes, lector atento y buen conocedor de la narrativa caballeresca, exprese con típica am bigüedad sus propias y complejas opiniones con respecto a ella. Ora le muestra innegable afición, ensalzando liberalmente sus libros de caballerías predilectos; ora se burla oblicuamente de ella o la ataca frontalmente, manifestándole marcada hostilidad. Buen ejemplo de lo último son las flechas que le dispara tanto al principio como al final de la biografía de Alonso Quijano. La burla encubierta viene primero en aquellos altisonantes sonetos preliminares que, con afectada solemnidad, celebran el adveni- cxv CXVI PRÓ LO GO miento del heroico manchego por boca de cuatro conocidas fi guras de la caballería literaria, tres hispánicas -Am adís de Gau la, Belianís de Grecia y el Caballero del Feb o- y una italiana, el Orlando furioso de Ariosto. La hostilidad aparece en las cé lebres advertencias que enmarcan, a modo de aviso preliminar y de proclama retrospectiva, las dos partes del Quijote: en el prólogo de 1605, la declaración del bien entendido amigo por boca de quien Cervantes nos informa de que su obra es toda ella «una invectiva contra los libros de caballerías», pues «no mira a más que a deshacer la autoridad y cabida que en el mun do y en el vulgo tienen» sus «fabulosos disparates» (I, Prólogo, 18 -19 ); y en el capítulo conclusivo de 16 15 , las postreras pa labras del apócrifo autor Cide Hamete Benengeli, allí donde afirma que no ha sido otro su deseo «que poner en aborre cimiento de los hombres las fingidas y disparatadas historias de los libros de caballerías, que por las de mi verdadero don Q ui jo te van ya tropezando y han de caer del todo sin duda algu na» (II, 74, 1337). Hace mucho ya que se ha cumplido esta orgullosa profecía cervantina. Relegados al olvido, los representantes de la consi derable producción caballeresca del Siglo de Oro español -des contando aqueUos que con el tiempo se perdieron sin dejar más recuerdo que su nom bre- hoy día yacen sepultados en las sec ciones de «libros raros» de unas pocas bibliotecas europeas, donde se conservan silenciosamente en contado número de ejemplares, carcomidos por las polillas y envueltos en espesa capa de polvo. Verdad es que los ataques de Cervantes no fue ron la causa directa de su desvalorización, que se había inicia do bastante antes de la publicación del Quijote y sólo mucho después acabaría por provocar el derrumbe definitivo del géne ro; pero sí influyeron decisivamente sobre el destino ulterior de éste, contribuyendo a desacreditarlo de modo irremediable, so bre todo a partir del siglo x ix , cuando, junto con el culto a la obra cervantina, nació y se afianzó la convicción de que las opi niones expresadas en ella eran punto menos que verdades in controvertibles. Fruto de esta actitud es el estado de abandono en que están todavía, salvo raras excepciones, los libros de ca ballerías. Sólo se acuerdan de ellos, fuera de algunos aficiona dos dispersos por el mundo, los manuales de historia de la lite- LOS L IB R O S DE C A B A L L E R ÍA S CXVII ratura; allí reaparece periódicamente la caballeresca, no releída por cierto ni reexaminada, sino despachada en un corto capí tulo que, por lo general, suele repetir sin mayores novedades los antiguos dictámenes enunciados a su respecto en el Quijote y acatados deferentemente por los eruditos decimonónicos. Entre ellos Clemencín, que se obligó a escudriñar con escru puloso empeño cuantas ficciones caballerescas le salían al paso en las páginas del Quijote y a consultar otras muchas que C er vantes no menciona; Gayangos, que se dedicó a inventariar y clasificar la totalidad de la producción caballeresca sin dejar por ello de censurarla sarcásticamente; y más tarde, Menéndez Pe- layo, a quien le bastó con leer unas pocas obras y con hojear condescendientemente parte de las restantes para aprobar la ri gurosa sentencia pronunciada por el canónigo cuando declara que los libros de caballerías «son en el estilo duros; en las haza ñas, increíbles; en los amores, lascivos; en las cortesías, malmi rados; largos en las batallas, necios en las razones, disparatados en los viajes, y, finalmente, ajenos de todo discreto artificio y por esto dignos de ser desterrados de la república cristiana, como a gente inútil» (I, 47, 601). Aún no se han apagado los ecos de tan enérgica condena. Por comodidad, por rutina, la crítica y el público la siguen hacien do suya. N o siempre le han prestado suficiente atención a la simpatía que el canónigo, en otro momento de su plática con el cura, muestra tener por la caballeresca, «largo y espacioso campo» (I, 47, 601) abierto a todo aquel que sepa escribir «con apacibilidad de estilo y con ingeniosa invención» (I, 47, 602). N i siempre han tomado verdadera conciencia del papel que desempeñan los libros de caballerías en el Quijote, donde no sólo son tema de discusión literaria entre los personajes, sino también fuente de inspiración vital para el protagonista, y, so bre todo, fundamento de la reflexión de Cervantes sobre las dos caras del mundo en que se mueve Alonso Quijano: intre pidez guerrera, andanzas heroicas, amores ideales y hermosas ilusiones por un lado, y por el otro, prudencia burguesa, vida sedentaria, sentido práctico y férrea realidad. Sólo enépoca reciente —en los últimos veinte o treinta años— empezaron los libros de caballerías a salir del largo con finamiento al que se los había condenado. Salida lenta y pro- CXVIII PRÓ LO G O gresiva. U n pequeño núcleo de investigadores volvió inespe radamente a interesarse por ellos y se dio a estudiarlos con el fin de levantar nuevo mapa del género rehabilitándolo hasta donde fuera posible. Lo mismo hicieron varios lectores de fama, entre ellos M ario Vargas Llosa, quien se lanzó a la de fensa de la narrativa caballeresca, señalando el lugar central que ocupa en el Quijote y arguyendo que de ella, de su venerable materia y su continuada renovación, procede la novela m o derna. También se fueron reeditando, además de dos o tres obras mencionadas por Cervantes, unas cuantas más que no habían vuelto a salir a luz desde el Siglo de Oro. Pero pese a todos estos esfuerzos no se han disipado hasta ahora los prejui cios ni la indiferencia casi general de que suelen ser víctimas los libros de caballerías. Considerados como curiosidades ar queológicas de difícil acceso y fastidioso contenido, desestima dos y desatendidos, siguen gozando de escasa difusión. Apenas sobreviven en la memoria del público de hoy los títulos de aquellos que tienen la suerte providencial de figurar, aunque sea a poca honra, en el Quijote. Actualmente, la literatura caballeresca española es una térra in cógnita de la que los lectores desertaron para emigrar a otras re giones literarias, un verdadero continente cuyas múltiples pro vincias están por redescubrir y explorar nuevamente. Tan desprestigiada se halla, que nos cuesta imaginar la prodigiosa v i talidad con la que sus representantes fueron multiplicándose durante más de tres siglos: desde fines del siglo x m , cuando surgen en España, junto con traducciones de los romans france ses, las primeras muestras de la novelística peninsular —el Caba llero Zifar y el Amadís prim itivo-, hasta principios del x v i i , en que se publican la últimas creaciones cabaherescas hispánicas, el Policisne de Boecia castellano y el Clarisol de Bretanha portugués. E l género comprende, entre obras impresas y textos manuscri tos, no menos y tal vez más de setenta títulos, si incluimos en él -com o solían hacerlo los lectores del Siglo de Oro, un Juan de Valdés o bien el mismo Cervantes— no sólo las narraciones castellanas, sino también las forasteras que se habían traducido al castellano: las de procedencia francesa, ya artúricas, ya caro- lingias; las de nacionalidad valenciana como el Tirant lo Blanc; las de origen portugués como el Palmerín de Inglaterra, o bien LOS L IB E O S DE C A B A L L E R ÍA S CXIX italiano como el Espejo de caballerías, inspirado en parte por el Orlando ¡nnamorato de Boiardo. Igualmente impresionante es la enorme difusión que alcanza ron muchos de estos setenta libros, reeditados algunos de ellos varias veces, no solamente a lo largo del Siglo de Oro, sino in cluso después de 1650 : cerca de veinte ediciones totaliza el Amadís de Gaula durante el siglo x v i , y unas sesenta y seis el conjunto de sus continuaciones; doce el Palmerín de Oliva, once el Caballero de la Cruz; diez Las sergas de Esplandián, siete y seis respectivamente el Amadís de Grecia y el Caballero del Febo, cuya última reimpresión data de 1 6 1 7 ; y nada menos que nue ve entre 1500 y 1590 y otras tantas entre l ó o o y L705 la Histo ria del emperador Carlomagno y los Doce Pares de Francia (cuya lon gevidad, dicho sea de paso, muestra cuán infundada es la idea de que Cervantes logró, según se lo proponía, acabar brusca y definitivamente con la boga de los libros de caballerías; en 1653 Gracián todavía hostiga ásperamente en el Criticón a aquellos que leen estos «trastos viejos»). Verdad es que el ritmo al que fueron saliendo todas estas ediciones, muy acelerado antes de L 550, se hizo bastante más lento después de esta fecha, amino rándose aún más a partir de 1600, disminución que indica a las claras el debilitamiento progresivo sufrido por el género en los decenios posteriores al nacimiento de Cervantes. Pero ello no quita que globalmente las cifras editoriales resulten Nevadísi mas, viniendo a ser la caballeresca el sector más importante en cantidad de toda la literatura del Siglo de Oro. Y uno de los más importantes en cuanto a número y a va riedad de lectores. Tanto en España misma como en las colo nias americanas de la monarquía española, la larga y abigarrada lista de los aficionados a libros de caballerías se nos presenta como un desfile de todos los estamentos de la sociedad. A la delantera están los reyes y reinas: Pedro IV de Aragón, el C e remonioso, que en L361 le reclama a su capellán el «librum militi SifFar»; Isabel la Católica, en cuyo inventario de bienes fi guran versiones hispánicas de las principales narraciones artúri- cas francesas, un Merlin, una Ystoria de Lanzarote, una Demanda del Santo Grial; Carlos V , que gusta del Belianís de Grecia y, en compañía de la Emperatriz, suele hacerse leer alguna obra ca balleresca a la hora de la siesta. En pos de las figuras regias v ie- c x x PRÓ LO G O nen los santos y santas: Teresa de Ávila e Ignacio de Loyola, encandilados ambos en su juventud por las aventuras de la ca- ballería libresca; los grandes señores y los hombres de letras, un Diego Hurtado de Mendoza, un Fernando de Rojas, que en sus bibliotecas disponen de respetable cantidad de libros de ca ballerías; la gente menuda, a quien también deleita la materia de estos libros y que, de una forma u otra, consigue acceder a ella; oscuros oficiales como aquel enfermero del hospital de Santiago de Compostela que a su muerte, en 1543, posee un ejemplar del Amadís, o aquel pregonero valenciano que en 1558 lega a sus herederos un Caballero de la Cruz y un Valerian de Hungría; artesanos y aprendices desocupados como los que alrededor de 1550 se reúnen los domingos en las gradas de la catedral de Sevilla para atender a la lectura en voz alta de algún episodio caballeresco escogido; estudiantes modestos, como ese hijo de labradores de Cuenca que hacia 1579 se acuerda de Las sergas de Esplandián; curanderos de pueblo, como el morisco aragonés R om án Ram írez, en cuyo proceso inquisitorial de los años 1590 se declara capaz de recitar de memoria todo el Cia rían de Landaniso y el Florambel de Lucea. Y , por fin, surgidos de todas estas capas sociales, las altas y las bajas, los conquistadores y los primeros colonos emigrados a América, quienes se lleva ron a Ultramar las muestras más antiguas del género caballeres co, dejando al cuidado de sus descendientes la adquisición de las más recientes. D e esa adquisición son testimonio las nóminas de encargos enviadas desde M éxico o Lima a los impresores pe ninsulares a lo largo de los siglos x v i y x v u . Y de la difusión ultramarina de los libros de caballerías quedan indiscutibles huellas en la toponimia americana del norte y del sur: la Cali fornia debe su nombre al del imaginario reino de las Amazonas evocado en Las sergas de Esplandián, y la Patagonia el suyo al de una tribu de salvajes monstruosos descritos en el Primaleón. A la luz de estos datos y noticias es difícil seguir creyendo, como hicieron algunos, que los libros de caballerías fueron ante todo lectura de la aristocracia, que en ellos hallaba representa dos sus refinamientos amorosos, sus acciones heroicas y sus ocupaciones cortesanas. N o cabe duda, eso sí, de que en la li teratura caballeresca renacentista, nacida a la sombra y al arri mo de la antigua narrativa medieval, se ofrece la expresión nos I O S L IB E O S DE C Á B Á l l E R Í A S CXXI tálgica y la celebración casi exclusiva de un mundo nobiliario arcaico, habitado por figuras masculinas y femeninas de en cumbradísima posición social -emperadores, reyes, príncipes, infantas, duques, condes y algún que otro caballero o escudero de menorcuantía-, en cuyas vidas sólo hay lugar para las haza ñas guerreras y las intrigas sentimentales, y a cuyo lado apenas si se perfilan, de tarde en tarde, las siluetas borrosas de un mer cader o un rústico de plebeya extracción. Pero también es ob vio que la pintura de ese mundo, lleno de ferocidad y cortesía, de peligros y prodigios, de amantes desdichados y parejas feli ces, consiguió granjearse el favor de una multitud de lectores: no solamente miembros de la nobleza y la hidalguía sino bur gueses acomodados, campesinos opulentos, humildes jornaleros (y venteros socarrones como el que alberga a don Quijote y Sancho). N o una minoría más o menos selecta, sino un públi co amplio, numeroso y variado, precisamente aquel que des cribe el ingenioso hidalgo cuando le declara al canónigo que los libros de caballerías «impresos con licencia de los reyes y con aprobación de aquellos a quien se remitieron ... con gusto ge neral son leídos y celebrados de los grandes y de los chicos, de los pobres y de los ricos, de los letrados e ignorantes, de los ple beyos y caballeros..., finalmente, de todo género de personas de cualquier estado y condición que sean» (I, 50, 622). N o muy diferente del de España fue el público que en el res to de Europa se dejó cautivar por la abundante inventiva de los autores caballerescos españoles. Là mayor parte de las ficciones hispánicas, tanto las castellanas como las catalanas y portugue sas, pasaron unas tras otras a Italia y a Francia, a Inglaterra y a Alemania, donde sus traducciones tuvieron lectores y se fueron reeditando hasta bien entrado el siglo x v m . Las traducciones más tempranas se realizaron en Francia, patrocinadas por Fran cisco I, quien, tal vez por haber tenido noticia del Amadís mientras estuvo preso en Madrid después de la batalla de Pavía, encargó hacia 1530 que se vertiera al francés junto con los de más «Amadises». Y entre los lectores más tardíos descuellan, en Inglaterra y en Alemania, dos ingenios ilustres: el doctor Jo h n son, que en sus años mozos dio con el Felixmarte de Hircania en la biblioteca de un amigo y en 1776, ya viejo, se compró un Palmerín de Inglaterra en italiano; y Goethe, que en carta de 1805 CXXII PRÓ LO G O a Schiller se muestra impresionado por «tan hermosa y exce lente obra» como el Amadís de Gaula y lamenta no haberla co nocido hasta entonces «si no es a través de la parodia que de ella se ha escrito». Ahora bien: ¿de qué tipo de obras se compone esta produc ción caballeresca, tan enorme en cantidad como dilatada en el tiempo? Puede decirse, simplificando mucho, que de dos sec tores novelísticos diferentes en cuanto a origen y naturaleza. E l uno comprende las viejas narraciones francesas —los romans— es critas en verso a fines del siglo x n y prosificadas en el siglo si guiente, que a su vez se subdividen en tres categorías: las de tema «clásico», cuyo fondo enlaza con las fábulas heredadas de la A n tigüedad y en particular con los legendarios sucesos de la fun dación y destrucción de Troya; las de ambiente artúrico, en el que evolucionan, en torno a la mítica figura del rey Artús de Gran Bretaña, las parejas simétricas formadas por Lanzarote y Ginebra y por Tristán e Iseo; y en tercer lugar, los relatos de asunto carolingio como el ya citado Carlomagno y los Doce Pa res o el Enrique f i de Oliva, a los que hay que añadir breves 110- velitas de amor y aventuras como son, por ejemplo, las histo rias de Clamades y Clarmonda o de Pierres de Provenza y la linda Magalona. Parte de este material, considerado por muchos como histórico, había penetrado en España en época muy tem prana, ya a mediados del siglo x m , incorporándose primero a las crónicas, en especial a la Grande e general estoria de Alfonso el Sabio, y expandiéndose más tarde por toda la Península a tra vés de adaptaciones en catalán, portugués y castellano, que, re tocadas y modernizadas, se dieron a la imprenta a fines del si glo X V y en los dos primeros decenios del x v i : en 1490 salía a la luz la Crónica troyana, y algo después, los libros artúricos (la Tragedia de Lançalot catalana en 1496, el Baladro del sabio Merlin en 1498, el Tristán de Leonís en 15 0 1 , el Tablante de Ricamon- te en 15 13 , y la Demanda del Santo Grial en 15 15 ) . Igual suce dió con los relatos más breves que, además de publicarse por separado o juntándose varios de ellos en un solo volumen, se fueron imprimiendo en forma de pliegos sueltos de amplísima difusión. A l lado de esta multitud de textos forasteros —«exóticos» los llamaba Menéndez Pelayo- están las obras «indígenas», o sea las LOS L IB R O S DE C A B A L L E R ÍA S CXXIII de aquellos autores peninsulares que, a partir de fines del siglo X I I I , se lanzaron a componer libros de caballerías por cuenta propia y siguieron elaborando ficciones nuevas hasta comien zos del X V I I : el Caballero Zifar, escrito posiblemente antes de 1300 y editado en 15 12 ; el Tirant lo Blanc, redactado hacia 1460 e impreso treinta años más tarde; el Amadís de Gaula, objeto de varias refundiciones sucesivas a lo largo de los siglos x iv y x v , que salió finalmente a luz, en la versión de Garci Rodríguez de M ontalvo, en los albores del x v i , y el resto de los «Amadises» entre 15 10 y 1549; el Palmerín de Oliva, impreso en 1 5 1 1 , cuya media docena de continuadores, los «Palmerines», se distribu yen entre Castilla y Portugal, siendo de procedencia lusitana, además del Palmerín de Inglaterra, los dos últimos miembros de la serie, el Don Duardos de Bretanha y el Clarisol, fechado en 1602. A estas obras se suman cantidad de otras menos conoci das o, por mejor decir, más olvidadas, que es imposible enu merar de forma exhaustiva; valgan como muestras y por hacer sonar el nombre de algunas, el Floriseo, el Polindo, el Félix Mag no, la familia de los cinco «Clarianes», libros publicados todos antes de 1550, y, posteriores a esa fecha, Florando de Inglaterra, Leandro el Bel, Febo el troyano, Rosián de Castilla y, por fin, las cuatro partes del Caballero del Febo. Entre los libros «exóticos» y los «indígenas» hay estrecha re lación, pues los escritores hispánicos mantuvieron con extraor dinario conservadurismo la tradición narrativa instaurada por sus predecesores franceses. Desde la eclosión del género hasta su extinción perduró en la Península la influencia de los romans medievales, que transmitieron a la primitiva novelística espa ñola, en particular al Amadís, su contenido y su forma, pasan do éstos luego del Amadís a toda la novelística posterior. En ese contenido predominaban, asociados el uno con el otro, dos elementos básicos: militia et amor, según escribiera lacónica mente, acordándose de un verso de Ovidio, el anónimo autor de un tratado de retórica en latín compuesto alrededor de 1220. Militia, o sea ‘caballería’ (que así solían interpretar la palabra la tina aquellos que en la Edad M edia la traducían a una lengua vernácula), vale decir las actividades militares propias de los ca balleros: por un lado, las guerras, los retos, los combates singu lares a ultranzá, emprendidos por necesidad u obligación; y, CXXIV PRÓ LO GO por otro, las competiciones organizadas por gusto y ostenta ción, pasos de armas, justas y torneos, merced a los cuales la aristocracia feudal se ofrecía a sí misma, en la vida real como en los libros, la confirmación de su arrojo y gallardía. Amor, el ‘amor cortés’ o ‘amor fino’ (fin amors lo habían denominado los trovadores provenzales del sur de Francia, imitados después por los poetas catalanes, gallego-portugueses y castellanos de los si glos X III y x iv ) , aquella relación amorosa en que el caballero prendado de una dama noble se le entrega por entero, some tiéndose a su voluntad, dedicándose a servirla y obligándose a observar estrictas reglas de conducta erótica -discreción abso luta, paciencia ilimitada, rigurosafidelidad-; turbado cuando ve a su señora, suplicante cuando le habla, triste al alejarse de ella, dolorido si la descontenta, pero deslumbrado si obtiene sus fa vores y logra hacerla suya en apasionada unión de cuerpo y alma. Otro tópico fundamental de la narrativa ultrapirenaica fue el que sus personajes se movieran dentro de un marco geo gráfico de fantasía, una Europa y un mundo asiático poblados de islas y comarcas imaginarias donde a cada paso podían apa recer castillos fantásticos, surgir seres monstruosos y temibles gigantes, y verificarse toda suerte de prodigios funestos o bené ficos. En cuanto a la forma y composición de sus relatos, los auto res de los romans habían ido elaborando y afinando progresiva mente una técnica narrativa compleja, inspirada en aquella de la digressio o digresión ornamental, que recomendaban, aplicán dola a la oratoria, los tratados de retórica medievales. Traslada da al ámbito de las obras de ficción, la utilización sistemática de esta técnica digresiva había quedado magistralmente ejemplifi cada en el monumental Lanzarote en prosa de los años 1200; consistía en ir desviando la narración de un episodio a otro nuevo y de éste a muchos más, dejándolos todos momentá neamente inconclusos hasta darles remate uno tras otro en im bricada e ininterrumpida sucesión de aventuras de toda índole, cuyos hilos entrelazados se han podido comparar con los de una inmensa tapicería al estilo medieval: un intrincado laberin to de historias varias, por el que Dante profesara una honda ad miración en su De vulgari eloquentia, allí donde elogia los «bellí simos meandros artúricos», y que, siglos más tarde, aún había LOS L IB R O S DE C A B A L L E R ÍA S CXXV de alabar a su manera el canónigo del Quijote al evocar «una tela de varios y hermosos lizos tejida, que después de acabada tal perfección y hermosura muestre, que consiga el fin mejor que se pretende en los escritos» (I, 47, 602). A l transmitirse a los autores peninsulares, todos estos ingre dientes o, mejor dicho, componentes de los antiguos romans franceses estaban ya algo desgastados por el uso. C on el tiem po habían ido perdiendo parte de su eficacia, llegando a trans formarse la técnica del «entrelazamiento» en mero recurso formal destinado a prolongar indefinidamente, merced a la multiplicación mecánica de combates, amoríos e incidentes fa bulosos, la biografía del protagonista. Pero no por ello dejaron los escritores hispánicos de conservar e imitar el material fran cés, basándose en él para componer sus ficciones. En el Amadís es manifiesta la impronta de dos grandes modelos, el Tristán en prosa y el Lanzarote, cuyo prestigio se había impuesto a toda Europa; como la historia de Tristán, «los cuatro libros del vale roso y virtuoso caballero Amadís de Gaula, fijo del rey Perión y de la reina Elisera», comienzan con una evocación de los pa dres del héroe y sus amores; y como Lanzarote, el héroe espa ñol es un príncipe que desconoce sus orígenes y se cría lejos de su familia en la corte de un rey de Gran Bretaña, llegando a convertirse, gracias a sus dotes excepcionales, en «el mejor ca ballero del mundo». También perdura en el texto amadisiano, incluso en la versión modernizada por Montalvo a fines del si glo X V , el empleo de un léxico arcaico que permite situar la ac ción, supuestamente desarrollada «no muchos años después de la pasión de nuestro Salvador Jesucristo», en una época venera ble y atribuirles a los personajes la indumentaria, las armas y a veces hasta el lenguaje propios de sus antecesores artúricos del siglo X III , anacronismo obstinadamente cultivado por los auto res de libros caballerescos posteriores al Amadís y sabrosamente parodiado a lo largo del Quijote. Sin embargo, después de 1530, las narraciones hispánicas fue ron suplantando poco a poco a las viejas traducciones de los ro mans medievales y sólo algunos novelistas siguieron inspirándo se directamente en el antiguo material de procedencia francesa; poco corriente es el caso del leído autor portugués del Memo rial das proezas da segunda Távola Redonda, Ferreira de Vascon CXXVI PRÓ LO G O celos, quien, al empezar su relato, rememora con emoción la grandiosa muerte del rey Artús tal como la cuentan los últimos capítulos de la Demanda del Santo Grial Del Amadís y sus pri meras continuaciones, como también del Palmerín de Oliva y las suyas, es, en realidad, de donde deriva en su mayor parte la ca balleresca española. U n género que, con puntillosa fidelidad a su propio pasado literario, preservó incansablemente, en pleno Renacim iento, el recuerdo de modos de vivir, hablar y pensar caídos en desuso, de costumbres y jerarquías sociales desapare cidas, encerrando ese recuerdo en un molde narrativo hereda do de la Edad Media; pero que al mismo tiempo supo reno varse, evitando con típico optimismo renacentista los desastres sentimentales y los trágicos desenlaces que solían ensombrecer a las ficciones medievales. E l libro de caballerías peninsular ex cluye el amor adúltero -aquel que había unido a Lanzarote con Ginebra, esposa de Artús, y a Tristán con Iseo, mujer del rey M arco- y sólo admite los amores ilícitos con tal de que los san tifique, como en el caso de Amadís y su dama Oriana, un ma trimonio secreto, confirmado después de algún tiempo por bo das públicas y solemnes. También ignora aquellos epílogos patéticos de las narraciones francesas, en que perecen los aman tes y se derrumba, en torno a ellos, el mundo heroico que los rodeaba; superados los peligros y sinsabores de la juventud, sus protagonistas viven felices sin envejecer y a veces sin morir si quiera, gozando de inusitada longevidad, mientras su descen dencia, hijos, nietos y demás allegados, perpetúa interminable mente su historia. Así es como, a pesar de su apego a la tradición, los escrito res hispánicos se esforzaron por adaptar sus obras a los tiempos en que vivían y, con prudencia pero con clara conciencia de lo que les exigía su quehacer literario, fueron introduciendo en ellas elementos originales. Si cada autor reproduce la sustancia, la trama, el tono y el esquema constitutivo de los arquetipos novelísticos de los que su obra es, en cierto modo, la repeti ción, también inventa variantes o elabora motivos novedosos que dan a su relato una fisonomía y una andadura propias. Se mejantes variaciones se deben, por lo general, a que los escri tores rivalizan entre sí, proponiendo monstruos más espantosos que el Endriago vencido por Amadís, combates más impresio- LOS LIB R O S D E C A B A L L E R ÍA S CXXVII nantes, torneos más complicados, amores más contrariados, vestimenta más lujosa, edificios de arquitectura más extrava gante, en continua amplificación de los motivos desarrollados ya por sus predecesores. Muestra característica de este fenóme no es la forma en que va evolucionando, a partir del Amadís, la atribución a dos autores sucesivos, un redactor antiguo y un traductor moderno, del libro que se está leyendo, desdobla miento iniciado por Montalvo y tan sutilmente aprovechado después por Cervantes en su creación de Cide Hamete Benen- geli: en el Caballero de la Cruz (152 1) los autores son un cro nista moro y un cautivo cristiano capaz de verter al castellano el texto árabe; en el Amadís de Grecia (1530) coexisten dos res ponsables cuyos prólogos se oponen y contradicen; en el Pal- merín de Inglaterra (1547) Francisco de Moraes finge que la bio grafía de su protagonista no es sino un extracto, vertido al portugués, de las viejas crónicas de Gran Bretaña conservadas en la biblioteca de un erudito parisino; y en el Felixmarte de Hir- cania (1556) aparecen nada menos que cuatro personajes: el griego Philosio, cuyo texto, supuestamente traducido al latín por Plutarco y retraducido por Petrarca al idioma toscano, pasa finalmente al castellano en la versión del oscuro M elchor Ortega. A l margen deestas variaciones, que a buen seguro eran per ceptibles para los lectores del Siglo de Oro más sensitivos y más familiarizados con la caballeresca, como podía serlo un C er vantes, también hay notables diferencias de fondo y estilo en tre cada uno de los representantes del género. Compuestos por individuos de condición y cultura m uy diversas -nobles pala ciegos, hidalgos provincianos, profesores de universidad, juris consultos, oscuros medicastros y mujeres letradas-, los libros de caballerías reflejan la personalidad de sus autores, sus gustos li terarios, sus aficiones científicas y a veces hasta sus experiencias personales. El Clarimundo del docto historiador lusitano Joao de Barros conmemora los míticos orígenes y las gloriosas figuras de la dinastía real portuguesa; el segundo de los «Clarianes», obra de un cierto «maestre Alvaro», físico del Conde de Orgaz, va encabezado por un prólogo pedantesco donde, a base de ci tas aristotélicas, se encarecen las distancias que median entre las nueve esferas celestiales; en el Florindo del piadoso Fernando CXXVIII PRÓ LO GO Basurto se describen las riñas de los tahúres y se censura la pa sión del juego; el Amadís de Grecia y el Florisel de Niquea, del prolífico regidor de Ciudad R odrigo, Feliciano de Silva, de cuyo estilo enrevesado se burló tan sarcásticamente Cervantes, contienen largos episodios pastoriles; en el proemio del Crista- lian de España, doña Beatriz Bernal contrasta la «femínea debi lidad» de su sexo con la bravura combativa de sus personajes masculinos; en el Valerián de Hungría, el notario Dionís C le mente multiplica las arengas y debates de corte jurídico para compensar su escaso interés por las armas y la guerra; y en el Belianís de Grecia, el cultísimo licenciado Jerónim o Fernández pretende ambiciosamente entroncar con los poemas homéri cos, ofreciendo de paso una guía turística de las cuatro partes del mundo. R eflejo de épocas pretéritas y representación de los tiempos presentes, la caballeresca española sin duda debió su asombroso éxito precisamente a esta variedad de enfoques, a esta mezcla de rutina e invención, que le permitió conservar intactas sus es tructuras a lo largo de toda su trayectoria y, al mismo tiempo, diversificar su temática poniéndola al día y ajustándola en par te a la realidad contemporánea. En los libros de caballerías los hombres y las mujeres del Siglo de Oro pudieron contemplar, como en un espejo lejano, la imagen de un mundo muy dife rente y a la vez bastante próximo de aquel en que vivían: un mundo más primitivo, más heroico, más incómodo, pero que, por haber perdido su vigencia, les parecía más atrayente que la conflictiva edad en que les había tocado nacer. Mundo ilusorio y ficticio por cierto, pero que les daba la posibilidad de evadir se del suyo sin desprenderse totalmente de él. Ese refugiarse en la ficción caballeresca para escapar de la mediocridad y las tri bulaciones del vivir cotidiano accediendo a otra forma de vida más noble y mejor, bien lo conoce don Quijote y bien se lo describe al canónigo cuando, después de largo alegato en de fensa de los libros de caballerías, termina diciendo: «No quiero alargarme más en esto, pues dello se puede colegir que cual quiera parte que se lea de cualquiera historia de caballero an dante ha de causar gusto y maravilla a cualquiera que la leyere. Y vuestra merced créame, y ... lea estos libros, y verá cómo le destierran la melancolía que tuviere y le mejoran la condición, LOS LIB R O S D E C A B A L L E R ÍA S CXXIX si acaso la tiene mala. D e mí sé decir que después que soy ca ballero andante soy valiente, comedido, liberal, bien criado, generoso, cortés, atrevido, blando, paciente, sufridor de traba jos, de prisiones, de encantos; y ... pienso, por el valor de mi brazo ... en pocos días verme rey de algún reino, adonde pue da mostrar el agradecimiento y liberalidad que mi pecho en cierra» (I, 50, 625-626). «Cualquiera historia de caballero andante ha de causar gusto y maravilla a cualquiera que la leyera»: en la perentoria afirma ción de don Quijote se percibe el eco tenue de lo que pudo representar quizá para Cervantes, en algún momento de su vida, la lectura de los libros de caballerías. En algún momento de su vida que nos es imposible ubicar en el tiempo, pues ig noramos cuándo los leyó, si a lo largo de su vida o en sus años mozos (según hicieran, arrepintiéndose de ello en su edad ma dura, Pero López de Ayala y Juan de Valdés). Tampoco sabe rnos a ciencia cierta cuáles y cuántos de ellos juntó en su bi blioteca, suponiendo que los coleccionara y su colección se pareciera a la de Alonso Quijano. Es evidente en todo caso que en el momento de escribir la historia del ingenioso hidalgo dis taba mucho de compartir el ciego entusiasmo de éste por el gé nero caballeresco, pero sí lo tenía m uy presente en la memo ria, como quien lo frecuentara desde antiguo compenetrándose con su materia y su estilo. N i cuantitativa ni cualitativamente es fácil apreciar lo que pudo ser esta compenetración, que en opinión de la mayoría de los críticos denota por parte de Cervantes un conocimiento ex tensísimo a la vez que minucioso de la producción caballeres ca. En realidad, si se echa la cuenta de los libros de caballerías presentes en el Quijote se comprueba que sólo doce de ellos aparecen en el capítulo del «donoso escrutinio» llevado a cabo por el cura y el barbero en la biblioteca de Alonso Quijano, quedando mencionados otros nueve en el resto de su historia y tal vez aludidos de manera indirecta unos tres o cuatro más: en total, veinticinco títulos, cifra limitada que equivale a una ter cera parte más o menos de los que comprende el género en su conjunto. Pero cantidad respetable, hay que reconocerlo, si se tienen en cuenta las voluminosas dimensiones de cada libro y se admite hipotéticamente la posibilidad de que Cervantes, con c x x x PRÓ LO G O parquedad m uy propia de su ingenio, haya omitido intencio nadamente algunos de los que había leído, seleccionando cui dadosamente aquellos a los que iba concediendo el honor de fi gurar en su obra. Cabe notar, por otro lado, que semejante selección privilegia notablemente la caballeresca peninsular, ya que Cervantes dedica casi exclusiva atención a las narraciones españolas, si bien no las designa expresamente como tales ni di ferencia claramente de las castehanas las obras catalanas o por tuguesas como Tirante el Blanco y Palmerín de Inglaterra, que casi seguramente conoció a través de sus traducciones. Menos caso hace, en cambio, de la narrativa francesa: tan sólo de pasada alude a uno o dos relatos carolingios, y no parece haber leído ni el Merlin ni el Tristán ni la Demanda del Santo Grial, sino úni camente el modesto Tablante de Ricamonte, texto secundario pero en cuyas páginas iniciales pudo hallar una escueta lista de héroes que diestramente utilizó para suplir su ignorancia de la materia, valiéndose también para ello del romance de Lanzaro te y de la vieja leyenda relacionada con la metamorfosis de Artús en cuervo y con su posible resurrección en algún siglo futuro. Bien indica este recuento que la lectura cervantina de la ca balleresca no fue enciclopédica ni ordenada, sino, como es na tural en un escritor - y más en uno tan ajeno a toda ostentación erudita como sabemos que era Cervantes—, lectura libre, ex ploración caprichosa y desenvuelta, puesta al servicio de la crea ción personal. Así lo sugieren las confidencias del canónigo, quien significativamente admite que jamás se ha podido aco modar a leer ningún libro de caballerías del principio al cabo (I, 47), y en otro momento confiesa que ha tenido cierta ten tación de escribir uno, guardando de él todos los puntos que le parecen convenir e imponerse en esta clase de literatura (I, 48). D e hecho, en las lecturas caballerescas de Cervantes se da una mezcla singular de atención escrupulosaa ciertas obras y de desenfadada distracción por lo que respecta a las demás. Ejemplos de lectura cuidadosa y memoriosa son la del Amadís de Gaula y la de Tirante el Blanco. E l Amadís no solamente es el libro de ca ballerías más frecuentemente aludido en el Quijote (donde se le menciona de treinta a cuarenta veces), sino que es evidente que Cervantes lo tenía m uy en la uña: por boca de don Quijote señala que hay en el libro una figura - la de Gasabal, el nebulo- LOS L IB R O S D E C A B A L L E R ÍA S CXXXI so escudero de Galaor- cuyo nombre aparece una vez sola, in dicación tanto más meritoria cuanto que la obra encierra a más de doscientos cincuenta personajes diferentes, siendo, por lo demás, esta densidad de población una característica funda mental de las tierras caballerescas y una de las causas que hoy en día más desalienta al turista-lector que se anima a visitarlas. También en el Tirante, donde los personajes son casi trescien tos, recuerda Cervantes, junto con varios incidentes que le han caído en gracia, a un insignificante caballero, llamado Fonseca, que sólo fugazmente y de manera marginal surge entre las pá ginas de la novela catalana. Cuatro obras más ocupan en el Quijote un lugar preferente: el Palmerín de Inglaterra, puesto sobre las nubes por el cura en el ca pítulo del «escrutinio»; el Caballero del Febo y el Belianís de Grecia, cuyos protagonistas, además de vitorear al ingenioso hidalgo en los sonetos preliminares, vuelven a mencionarse varias veces a lo largo de su historia, pareciéndole admirables a maese Nicolás el barbero las hazañas del Caballero del Febo y problemáticas a Alonso Quijano las heridas de D on Belianís; y el Carlomagno, re petidamente aludido en las páginas cervantinas, donde ha dejado inolvidable huella uno de sus personajes, el gigante Fierabrás, de tentor del salutífero bálsamo codiciado por Sancho Panza. Por lo que respecta a los demás representantes del género, Cervantes se contenta por lo general con referirse a su título, sin meterse en detalles ni pormenorizar su contenido, o bien se limita a evocar los aparatosos nombres de sus protagonistas; es típico a este res pecto el catálogo que de ellos hace don Quijote, aplicándole a cada uno adjetivos intercambiables que, según advierte acertada mente Clemencín, a cualquier héroe caballeresco pueden con venirle: «Díganme quién más honesto y más valiente que el fa moso Amadís de Gaula. ¿Quién más discreto que Palmerín de Inglaterra? ¿Quién más acomodado y manual que Tirante el Blanco? ¿Quién más galán que Lisuarte de Grecia? ¿Quién más acuchillado ni acuchillador que don Belianís? ¿Quién más intré pido que Perión de Gaula, o quién más acometedor de peligros que Felixmarte de Hircania, o quién más sincero que Esplandián? ¿Quién más arrojado que don Cirongilio de Tracia?» (II, i, 691). Verdad es que en el capítulo del «escrutinio» los juicios emi tidos por el cura a propósito de cada libro examinado son algo CXXXII PRÓ LO G O menos generales y, ya sean elogios, ya sean condenas, concuer- dan mejor con la obra a que se aplican. E l Palmerín de Inglaterra de Francisco de Moraes, gran señor portugués de finísimo in genio y educación cortesana, justifica plenamente lo que dice Pero Pérez del «grande artificio» y «mucha propiedad y enten dimiento» de su autor; y son muchos los lectores del Tirante que han hallado en él, como el buen sacerdote, «un tesoro de contento y una mina de pasatiempos» (I, 6, 90). Sin embargo, para quien ha leído los demás libros de caballerías inspecciona dos por cura y barbero, no siempre son comprensibles ni apro piados los reproches que se le hacen a cada uno. A Clemencín ya le extrañaba que al Olivante de Laura se le calificara de «to nel» a pesar de que no es particularmente voluminoso, exce diéndole en mucho numerosas narraciones de mayor tamaño; tampoco en el Felixmarte de Hircania es más conspicua que en otros textos echados al fuego por el ama «la dureza y sequedad» de estilo que se le achaca, ni más patente en el Caballero de la Cruz la «ignorancia» de la que lo acusa su implacable censor. N o dejan, por otro lado, de ser desconcertantes las confusio nes en que reinciden una y otra vez los personajes cervantinos al comentar ciertos episodios específicos de las obras que su puestamente han leído. N im io error de la dueña Dolorida es atribuirle a Pierres de Provenza el caballo volador en cuyas an cas, dice, se lleva por los aires a la linda Magalona, siendo así que esta montura mágica -prefiguración del Clavileño en el que ca balgan Sancho y su am o- pertenece a la Historia de Clamades y Clarmonda (II, 40). Pero de magna equivocación del ventero Juan Palomeque -¿o negligencia intencional de Cervantes?- es imputarles a Cirolingio de Tracia y a Felixmarte de Hircania dos aventuras que no figuran en absoluto en sus respectivas his torias: la disparatada navegación submarina de uno a horcajadas de una sierpe acuática, y el inverosímil enfrentamiento del otro con un ejército de un millón seiscientos mil soldados a quienes desbarata «como si fueran manadas de ovejas» (I, 32, 408). Se mejantes inexactitudes parecen a primera vista sorprendentes en un escritor que en otras ocasiones saca a relucir los nombres de personajes ínfimos y totalmente subalternos del Amadís o del Ti rante, pero, bien miradas, muestran en realidad cuán poco siste máticas pudieron ser, por fortuna y para bien nuestro, las lectu LOS LIB R O S D E C A B A L L E R ÍA S CXXXTTT ras caballerescas de Cervantes. D e su distante proximidad, por llamarla así, a los libros de caballerías surgió la inimitable postu ra, mezcla de interés, irritación y descuido, que adoptó con re lación a ellos, esa postura en que se aúnan la dedicada atención a mínimos detalles que hoy nos parecen sin importancia; una panorámica pero aguda visión de los más ilustres representantes del género; y un recuerdo a veces inexacto de su contenido, que no se dignó verificar mientras escribía el Quijote o tal vez prefirió modificar inventando deliberadamente episodios de su propia cosecha. Y no sólo episodios apócrifos como aquellos que insertó en el Felixmarte y el Cirongilio, sino también m ini- narraciones caballerescas como las dos que el ingenioso hidalgo se lanza a improvisar compendiando con talento las farragosas ficciones reunidas en su librería: la novelita del caballero del lago ferviente, que en arquetípico viaje al mundo subterráneo penetra en un castillo fantástico habitado por doncellas silencio sas y músicos invisibles (I, 50); y la biografía abreviada del an dante que se enreda en los amores de una infanta desconocida hasta casarse con ella, coleccionando de paso gloriosas victorias, encuentros con enanos y gigantes, y llorosas entrevistas senti mentales con su dama (I, 21). E l que Cervantes haya capacitado a Alonso Quijano para ma nejar con soltura los lugares comunes de la literatura caba lleresca y recomponerlos a su antojo en cualquier momento influye de modo determinante, según todos sabemos, en la his toria de don Quijote. En estos lugares comunes se inspira el de la Triste Figura para tejer la trama de su vida amoldándose al esquema de las biografías heroicas que se le presentan en sus li bros. Pero por lo mismo que son tópicos el ritual de la inves tidura de armas, la elección de un escudero fiel, el amor a una dama de belleza sin par, los combates contra enemigos desco nocidos, las maquinaciones urdidas por encantadores malinten cionados, no se les puede asignar a casi ninguno de ellos, cuan do aparecen en la obra cervantina, una fuente precisa o un precedente seguro en las narraciones leídas por el hidalgo man- chego. Los motivos de la literatura caballeresca reutilizados a cada paso en el Quijote jamás proceden directa y sencillamente de uno de los textos que quiso imitar su cándido protagonista y parodió su escurridizo e irónico autor: siempre son frutode CXXXIV PRÓ LO G O reminiscencias múltiples que Cervantes combina a su manera, elaborando su propia variante del tema y dándole ese sesgo hu morístico que es propio de su ingenio. Bien nos lo indica él mismo al señalar socarronamente, a propósito de la penitencia amorosa de don Quijote en Sierra M orena (I, 25 y 26), que el episodio se remonta a dos modelos juntamente: el retiro me lancólico de Amadís en las soledades de la Peña Pobre y el fu rioso vagar del Orlando de Ariosto por los bosques donde A n gélica y M edoro le han traicionado. La indicación, por cierto, es valiosa en la medida en que deja entrever algo del complejo proceso creativo que, a partir de los libros de caballerías, dio origen a buena parte del Quijote. Y conviene no olvidarla cuando, para determinadas aventuras del ingenioso hidalgo, se buscan antecedentes en la literatura caballeresca. Pero, a decir verdad, en la mayoría de los casos la identificación de semejantes antecedentes resulta sumamente insegura e insatisfactoria. A la célebre carta que don Quijote le envía a Dulcinea del Toboso por mediación de Sancho -«la mejor carta de amores de la literatura española», en opinión de Pedro Salinas— se la puede relacionar con prácticamente cual quiera de las innumerables epístolas amatorias incluidas en los libros caballerescos; al mandato conminatorio que el hidalgo dirige a los mercaderes toledanos para que confiesen, sin ha berla visto, la inigualada hermosura de su dama, se le han en contrado equivalentes en varias obras que Cervantes conocía, entre ellas el Caballero de la Cruz y el Belianís de Grecia; en la grande aventura de la cueva de Montesinos se ha detectado la posible influencia no sólo de diversas cuevas caballerescas -la de Urganda en Las sergas de Esplandián, la de Hércules en el Clarián de Landanís o la de Artidón en el Caballero del Febo- , sino también de una multitud de cavernas e infiernos subterrá neos situados en otras regiones de la literatura, como la Repú blica de Platón, la Eneida de Virgilio, la Divina Comedia de Dan te y el Orlando de Ariosto. Si algo muestran estos ejemplos es que el Quijote es, ante todo, un libro de y sobre libros. En él, los de caballerías han servido, junto con otros muchos, de material de construcción para que Cervantes levantara un edificio nuevo inventando ar quitecturas narrativas que la novelística anterior no había des cubierto. Esta novelística antigua no disponía aún, después de tan larga carrera, de un término específico para designarse a sí misma ni hallaba cabida en los tratados de preceptiva literaria («historias fingidas» son para M ontalvo a fines del siglo x v las narraciones caballerescas, y «fábulas milesias o cuentos dispara tados» las llama López Pinciano a fines del x v i) ; pero, a pesar de ello, seguía triunfando de las continuas censuras de eclesiás ticos y moralistas, y era todavía lo bastante vigorosa como para estampar profundamente su sello en la obra cervantina, dejan do inscritos en ella sus temas y sus formas. Cervantes, sin em bargo, la transfiguró y la hizo otra, ridiculizando con devasta dora ironía lo peor que había en ella y aprovechando lo mejor con magistral eficacia. La historia del ingenioso hidalgo es un ataque feroz a la tradición narrativa que representan los libros de caballerías. Pero, por una paradoja típicamente cervantina, también es la victoria postuma de aquellos escritores medieva les que, en palabras de Juan de Valdés, «escribieron cosas de sus cabezas» y fueron, sin tener quizá clara conciencia de ello, los precursores de la novela. N O T A B I B L I O G R Á F I C A (Con la colaboración de Mari Carmen M arín Pina) D e la especial afición de Cervantes por toda clase de libros, incluidos los de caballerías, y del papel preeminente que desempeñan en su obra se han ocu pado Américo Castro («La palabra escrita y el Quijote», en Hada Cervantes, Taurus, Madrid, 19673, pp. 359-419), M ia Gerhardt (Don Quichotte, ¡a vie et les livres, Noord-Hollandsche Uitgevers Maatschapij, Amsterdam, 1955), Martin de Riquer («El Quijote y los libros», Papeles de Son Armadans, X IV , 1969, pp. 9-24) y Carlos Garcia Gual («Cervantes y el lector de novelas del siglo X VI», en Mélanges de la Bibliothèque Espagnole. Paris, 1976-1977, Minis terio de Asuntos Exteriores, Dirección General de Relaciones Culturales, Madrid, 1978, pp. 13-38). Su conocimiento es tal que, como sugiere A l berto Blecua («Cervantes historiador de la literatura», en Silva. Studia philo- logica in honorem Isaías Lerner, coords. I. Lozano-Renieblas y J .C . Mercado, Castalia, Madrid, 2001, pp. 87-97), Cervantes es el primer historiador de los libros de caballerías, seleccionando los valores de unos y otros. Desde finales del siglo x v , fecha de la refundición del Amadís de Gaula por Garci Rodríguez de Montalvo, hasta 1623, año de la publicación de la Tercera y cuarta parte de Espejo de príncipes y caballeros, el género caballeresco LOS LIB R O S DE C A B A L L E R ÍA S CXXXV CXXXVI PRÓ LO G O gozó de una larga vida con períodos lógicos de esplendor y decadencia (José Manuel Lucía Megías, «El corpus de los libros de caballerías castellanos: ¿una cuestión cerrada?», Tirant lo Blanc [http://parnaseo.uv.es/Tirant/Btdle- ti-4] (2001), p. 1 1) . La cuestión de la fecha del declive del género caballe resco en España es la que ha suscitado mayor controversia. M axime Che valier insiste en que los libros de caballerías gozaron de popularidad hasta bien entrado el siglo x v n («El público de las novelas de caballerías», en Lec tura y lectores en la España del siglo x v i y xvn, Turner, Madrid, 1976, pp. 65- 103), idea que también comparte José Manuel Lucía Megías, a juzgar por las críticas de autores graves del siglo x v n («Los libros de caballerías a la luz de los primeros comentarios del Quijote: De los R íos, Bow le, Pellicer y Cle mencín», Edad de Oro, X X I , 2002, pp. 499-539) y por la difusión de los li bros de caballerías manuscritos («Libros de caballerías manuscritos», Voz y Le tra, V II/2 , 1997, pp. 6 1-125) recientemente descubiertos, mientras Daniel Eisenberg opina que el auge de la literatura caballeresca corresponde a la época imperial de Carlos V , y su decadencia se inicia ya en las primeras dé cadas del reinado de Felipe II, hacia 1560 («Who R ead the Romances o f Chivalry?», en Romances of Chivalry in the Spanish Golden Age, Juan de la Cues ta, Newark, 1982, pp. 89-118; y A Study of «Don Quixote», Juan de la Cuesta, Newark, 1987, pp. 3-44, traducido al español como La interpretación cervan tina del «Quijote», Compañía Literaria, Madrid, 1995); sobre la perduración paralela de libros de caballerías y poesía de cancionero hasta la edad barro ca son importantes las consideraciones de Francisco R ico , «“ U n penacho de penas” . D e algunas invenciones y letras de caballeros», en su libro Texto y contextos, Crítica, Barcelona, 1990, pp. 189-230. Incesantes a partir de fines del siglo x v , las críticas a la caballeresca, a la que moralistas, predicadores y preceptistas literarios de los siglos x v i y x v n seguirían reprochando ásperamente su inmoralidad e inverosimilitud, han sido reproducidas y comentadas por Marcelino Menéndez Pelayo (Orígenes de la novela, CSIC , Madrid, 1962, I, pp. 440-447), Henry Thomas (Spanish and Portuguese Romances of Chivalry, Cambridge University Press, 1920; reimpresión por Kraus, Nueva York, 1969; trad, española, Las novelas de ca ballerías españolas y portuguesas, C SIC , Madrid, 1952, pp. 115 - 13 4 ) , Marcel Bataillon (Erasmo y España, Fondo de Cultura Económica, M éxico-M adrid- Buenos Aires, 19 9 16, pp. 615-622), Edward Glaser («Nuevos datos sobre la crítica de los libros de caballerías en los siglos x v i y xvn » , Anuario de Estu dios Medievales, III, 1966, pp. 393-410), Martín de R iquer («Tirante el Blan co, Don Quijote y los libros de caballerías», separata delprólogo a la edición de Tirante el Blanco de la Asociación de Bibliófilos de Barcelona, 1947-1949, pp. x x v - l x ; y «Cervantes y la caballeresca», en Suma cervantina, ed. J .B . Avalle Arce y E .C . R iley, Tamesis Books, Londres, 1973, pp. 273-292) y, más recientemente, Elisabetta Sarmati (Le critiche ai libri di cavalleria nel Cin quecento spagnolo (con uno sguardo sul Seicento). Un’ analisi testuale, Giardini, Pisa, 1996). Críticas que, sin embargo, no cuajaron en un debate sobre el género como el suscitado en Italia (Susana Gil-Albarellos Pérez Pedrero, «Debates renacentistas en tomo a la materia caballeresca. Estudio compara- http://parnaseo.uv.es/Tirant/Btdle- LOS L IB R O S DE C A B A L L E R ÍA S CXXXVII tivo en Italia y España», Exemplaria, I, 1997, pp- 43-73), aunque muchas de ellas, especialmente las de los humanistas, unidas a la respuesta de los auto res y editores de libros de caballerías en sus prólogos, constituyen una pri mera etapa en el proceso de inserción de la novela en la teoría literaria (Karl Kohut, «Teoría literaria humanística y libros de caballerías», en Libros de ca ballerías (de «Amadis» al «Quijote»), Poética, lectura, representación e identidad, eds. E .B . Carro Carbajal et al., S E M Y R , Salamanca, 2002, pp. 173-18 5 . A l margen de estos vituperios, que quizá contribuyeran en parte al des doro del género, y cuyos tópicos, en todo caso, reelabora Cervantes en el Quijote, son varias las causas que se han venido invocando para explicar el descrédito de la novelística cabaüeresca a fines del siglo x v i: Américo Cas tro consideraba que éste se debía ante todo a la condena pronunciada por el Concilio de Trento en contra de la literatura profana en general (El pensa miento de Cervantes, Noguer, Barcelona-Madrid, 19722, p. 26), hipótesis apoyada por Karl Kohut (Las teorías literarias en España y Portugal durante los siglos X V y XVI, CSIC , Madrid, 1973, pp. 39-41) y complementada por E i- senberg, quien aduce ejemplos de la hostilidad a la caballeresca manifestada por algunos de los censores consultados por el Santo Oficio («An Early C en sor: Alejo Venegas», en Medieval, Renaissance and Folklore Studies in Honor of f .E . Keller, Juan de la Cuesta, Newark, 1980, pp. 229-241). En cambio, Pe ter Russell insiste en que no figura ningún libro de caballerías entre los pro hibidos por los índices tridentinos de 1558 y 1564, como tampoco en los sucesivos índices publicados por la Inquisición española entre 1559 y 1640, sino que recaía en los censores contratados por el Consejo de Castilla la res ponsabilidad del imprimatur concedido o denegado a las obras de ficción («El Concilio de Trento y la literatura profana: reconsideración de una teoría», en Temas de «La Celestina», Ariel, Barcelona, 1978, pp. 441-478). De gran interés resultan en este sentido los cuadernos de anotaciones misceláneas con citas del Amadís de Gaula del humanista Alvar Gómez de Castro (Cha ro M oreno y Carlos Sainz de la Maza, «Alvar Gómez de Castro y el Ama- dís de Gaula», Criticón, LX X V III, 2000, pp. 59-74), autor del opúsculo Pare- çer çerca de prohibifión de libros de poesía y otros, elaborado a finales del decenio de 1570 por encargo de la Inquisición (Peter E . Russell, «Secular Literatu re and the Censors: A Sixteenth-Century Document Re-examined», Bulle tin of Hispanic Studies, L IX , 1982, pp. 219-225). Por otra parte, en las colo nias americanas fueron ineficaces, según Irving Leonard, las ordenanzas reales en virtud de las cuales periódicamente se prohibió la importación o la lectura de obras caballerescas (Los libros del Conquistador, Fondo de Cultura Económica, M éxico, 19792, pp. 92-100 y 160-163). De hecho, los libros de caballerías siguen pasando al N uevo Mundo todavía en el siglo x v n , como revela el inventario del rico surtido de libros, ciento cuatro de ellos de ca ballerías, que el segoviano Pedro Durango lleva a Lima en 1603 (Carlos A l berto González Sánchez, Los mundos del libro. Medios de difusión de la cultura occidental en las Indias de los siglos x v i y x v ii , Universidad de Sevilla, 1999, pp. 125-136 ). Harry Sieber relaciona el declive del género con cambios so ciales de mayor alcance, como la aparición de un público lector nuevo o las CXXXVIII PRÓ LO G O transformaciones experimentadas por las prácticas militares de los ejércitos («The Rom ance o f Chivalry in Spain. Prom Rodríguez de Montalvo to Cervantes», en Romance: Generic Transformation from Chrétien de Troyes to Cervantes, eds. Kevin Brownlee y Marina Scordilis Brownlee, Published for Dartmouth College by University Press o f N ew England, Hanover y Lon dres, 1985, pp. 203-219). Cambios a los que habría que sumar otros factores apuntados por Carlos Alvar y José Manuel Lucía Megías («Los libros de caba llerías en la época de Felipe II», en Silva. Studia philologica in honorem Isaías Lenier, pp. 25-35) como la Pragmática de 1558, la reforma tridentina del N uevo Rezado, la crisis de 1590, la aparición de una nueva estética y, como también señala Pedro M . Cátedra (Nobleza y lectura en tiempos de Felipe II. La biblioteca de don Alonso Osorio, marqués de Astorga, Junta de Castilla y León, Valladolid, 2002), la normalización de la nueva pedagogía jesuítica. Junto a las censuras y vituperios, se alzan también voces que, si bien cri tican sus defectos, en el fondo aprecian esta forma de ficción, como son las de Juan de Valdés (Elisabetta Sarmati, «Los libros de caballerías en el Diálo go de Ia lengua de Juan de Valdés», en Actas del I V Congreso Internacional de la Asociación Internacional Siglo de Oro, coord. M .aC . García de Enterría y A. Cordón Mesa, Universidad de Alcalá, 1998, II, pp. 1491-1498), Juan Arce de Otálora (Maxime Chevalier, «Arce de Otálora lector y crítico de los amadises», Boletín de la Biblioteca Menéndez Pelayo, L X X III, 1997, pp. 3 5 1- 357), la del desconocido autor de la carta a Pedro M exía (154 5-1551) (Nie ves Baranda, «En defensa del Amadís y otras fábulas. La carta anónima al ca ballero Pero Mexía», Journal of Hispanic Philology, X V , 1991, pp. 221-236), o la del humanista Antonio de Toledo, que a finales del siglo x v n defien de el valor moral y la ejemplaridad del género (Mercedes Cornelias Agui- rrezábal, «Otra posibilidad de salvar los libros de caballerías: la de Antonio de Toledo en su Discurso de las buenas letras humanas», en Actas del Congreso Internacional sobre Humanismo y Renacimiento, coords. J . Matas Caballero et al., Universidad de León, 1998, II, pp. 277-285). N o hace mucho, Daniel Eisenberg recordaba que los libros de caballerías son en su mayoría prácticamente inaccesibles al lector de hoy, al no haber se reeditado desde el Siglo de Oro («El problema del acceso a los libros de caballerías», Insula, D L X X X IV -D L X X X V , agosto-septiembre de 1995, pp. 5-7). En poco tiempo, sin embargo, la realidad empieza a ser otra gracias a las publicaciones del Centro de Estudios Cervantinos, que en la colección Los libros de Rocinante ha editado ya más de doce títulos de libros de caballerías, algunos incluso inéditos, así como más de una treintena de Guías de lectura caballeresca (José Manuel Lucía Megías, «Los libros de caballerías castellanos: textos y contextos», Edad de Oro, X X I, 2002, pp. 9-60), sin olvidar la Anto logía de libros de caballerías (coord. José Manuel Lucía Megías, Centro de Es tudios Cervantinos, Alcalá de Henares, 2001), en la que se demuestra la ri queza y variedad de estos libros, así como el corpus de relatos caballerescos breves editados y estudiados por Nieves Baranda (Historias caballerescas del si glo XVI, Turner, Madrid, 1995, 2 vols.). Gracias a la catalogación sistemáti ca de ejemplares en bibliotecas (José Manuel Lucía Megías, «Catálogo des- LOS LIB R O S DE C A B A L L E R ÍA S CXXXIX criptivo de los libros de libros de caballerías», proyecto del Seminario de F i lología de laUniversidad de Alcalá de Henares; http://www.uah.es/filmr/), a la edición y estudio de textos concretos, se están asentando las bases nece sarias para trazar una historia certera del género caballeresco. E l precario conocimiento que se tiene del género es herencia del pasado. D e la poca estimación que sintieron por la caballeresca los críticos de fines del siglo X I X y principios del x x son buen ejemplo las páginas de Pascual de Gayangos («Discurso preliminar», en Libros de caballerías, Rivadeneyra, Madrid, 1857, BAE 40, pp. i n - L x n ) , Menéndez Pelayo (Orígenes de la no vela, I, pp. 293-466) y Thomas (Spanish and Portuguese Romances of Chivalry, passim), aunque hay que reconocer que estos estudios no dejaron de ser un primer paso hacia la recuperación del género y un punto de referencia para análisis posteriores (Rafael M . Mérida, «Tirant lo Blanch y los libros de ca ballerías: en tomo al “ Discurso preliminar” de Pascual de Gayangos», Cua dernos para Investigación de la Literatura Hispánica, X X , 1995, pp. 153-159)· La nueva valoración tuvo su inicio a partir de la década de los cincuenta, gra cias a los estudios de Justina R u iz de Conde (El amor y el matrimonio secreto en los libros de caballerías, Aguilar, Madrid, 1948) y Pierre Le Gentil («Pour l ’interprétation de 1’Amadís», en Mélanges à la mémoire de J . Sarrailh, Centre de Recherches de l ’Institut d’Etudes Hispaniques, Paris, 1966, II, pp. 47- 54). En fechas más próximas destacan el repertorio bibliográfico de Eisen- berg (Castilian Romances of Chivalry in the Sixteenth Century. A Bibliography, Grant & Cutler, Londres, 1979), el modélico estudio del Amadís realizado por Juan Manuel Cacho Blecua (Amadís: heroísmo mítico cortesano, Cupsa, Madrid, 1979), el enfoque estructural de Federico Curto Herrero (Estructu ra de los libros de caballerías en el siglo xvi, resumen publicado en la Fundación March, Madrid, 1976, Serie Universitaria 12) y el valioso inventario de re ferencias bibliográficas y críticas que ofrecen M .a Carmen Marín Pina y Nieves Baranda («La literatura caballeresca. Estado de la cuestión», Roma nistisches Jahrbuch, X LV , 1994, pp. 271-294, y X LV I, 1995, pp. 314-338), re visado, actualizado y ampliado junto a M .a Carmen Marín Pina (La Biblio grafía de los libros de caballerías españoles, Prensas Universitarias, Zaragoza, 2000), así como el elaborado por Nieves Baranda para los relatos caballeres cos breves («La literatura caballeresca. Estado de la cuestión», Romanistisches Jahrbuch, XLV , 1994, pp. 271-294). El interés por la literatura caballeresca está en auge, como puede comprobarse en la consulta de la base de datos Clarisel (http://clarisel.unizar.es) y en las recientes publicaciones colectivas sobre el género: La caballería antigua para el mundo moderno, monográfico de Insula, D L X X X IV -D L X X X V (1995), coord. Jesús D . Rodríguez Velasco; Voz y Letra, V I I/ 1 y V II/2 (1996), números en los que se recogen las con ferencias pronunciadas en el curso Libros de caballerías, dirigido por Carlos Alvar, Cuenca, 1995; Literatura de caballerías y orígenes de la novela, ed. Rafael Beltrán, Universität de Valéncia, 1998; Estudios sobre narrativa caballeresca es pañola de los siglos XVI y xvil, monográfico de la revista Thesaurus, LIV (-[999); Libros de caballerías: textos y contextos. Edad de Oro, X X I (2002); F e chos antiguos que los cavalleros passaron. Estudios sobre la ficción caballeresca, ed. http://www.uah.es/filmr/ http://clarisel.unizar.es CXL PRÓ LO G O Julián Acebrón, Universität de Lleida, 2001; Libros de caballerías (De «Ama- dís» al «Quijote»), Poética, lectura, representación e identidad, SE M Y R , Sala manca 2002, o en la revista electrónica Tirant (http:/ /parnaseo.uv.es/tirant). Los campos de investigación abiertos son múltiples y muchos los avances realizados, por ejemplo, en el análisis externo del género editorial caballe resco (José Manuel Lucía Megías, Imprenta y libros de caballerías, Ollero & Ram os, Madrid, 2000), en la evolución del género desde sus orígenes artú- ricos y en el análisis de algunos de sus personajes y recursos narrativos (Anna Bognolo, Lafinzione rinnovata. Meraviglioso, corte e avventura nel romanzo ca- valleresco del primo Cinquecento spagnolo, Edizioni E T S , Pisa, 1997; Sylvia Roubaud-Bénichou, Le roman de chevalerie en Espagne. Entre Arthur et Don Quichotte, Honoré Champion Editeur, Paris, 2000), en el descubrimiento del humor (Marie Cort Daniels, The Function of Humor in the Spanish R o mances of Chivalry, Garland, N ueva Y ork , 1992), del realismo de algunos li bros (Javier Guijarro Ceballos, E l «Floriseo» de Fernando Bernal, Editora R e gional de Extremadura, Mérida, 1999) o en las traducciones y adaptaciones de los textos italianos (Javier Gómez-M ontero, Literatura caballeresca en Es paña e Italia (1483-1542): E l “Espejo de caballerías", M ax Niemeyer, Tubinga, 1992), entre otros. E l ingente número de ediciones y reediciones de obras caballerescas que salió a luz en España durante el Siglo de Oro puede apreciarse merced a las estadísticas propuestas por Chevalier («El público de las novelas de caballe rías», pp. 65-66), al catálogo bibliográfico de Eisenberg, del que quedan ex cluidas las novelas catalanas y portuguesas (Bibliografía de los libros de caballe rías castellanos), al corpus propuesto por Lucía Megías («El corpus de los libros de caballerías castellanos: ¿una cuestión cerrada?») y a la lista publica da por Baranda («Compendio bibliográfico sobre la narrativa caballeresca breve», en Evolución narrativa e ideológica de la literatura caballeresca, ed. M .E. Lacarra, Universidad del País Vasco, Bilbao, 19 9 1, pp. 18 3-19 1) . Para un cómputo del número total de ejemplares de los libros de caballerías que cir cularon en España, consúltese a R iq u er («Cervantes y la caballeresca», pp. 285-286). Aunque Chevalier («El público de las novelas de caballerías»), seguido por Eisenberg («Who R ead the Romances o f Chivalry?», pp. 90-100), sostiene que las ficciones caballerescas fueron degustadas principalmente, si no de forma exclusiva, por los miembros de la nobleza y la hidalguía, a quienes ofrecían lecciones de heroísmo y cortesanía propias de su estado, al igual que en la Edad Media (Rafael Ram os, «Lectura y lectores de relatos de ca ballerías en la Castilla medieval», Insula, D C L X X V , marzo de 2003, pp. 24- 27), se han descubierto documentos, escasos pero fehacientes -entre ellos, los aducidos por Sara T . Nalle («Literacy and Culture in Early M odem Cas- tile», Past and Present, C X X V , 1989, pp. 65-96), Philippe Berger (Libro y lec tura en la Valencia del Renacimiento, Valencia, 1987, 2 vols.) y Manuel Peña (El laberinto de los libros. Historia cultural de la Barcelona del Quinientos, Pirá mide, Madrid, 1997)-, que confirman la certera intuición de R iquer según la cual la popularidad de los libros de caballerías se extendió a las capas más http://parnaseo.uv.es/tirant LOS LIB R O S DE C A B A L L E R ÍA S CXLI modestas de la sociedad española aurisecular («Cervantes y la caballeresca», p. 286). Los nuevos datos aportados por la crítica llevan a Chevalier («Lec tura y lectores... veinte años después», Bulletin Hispanique, IC , 1997, pp. 19 - 24) a revisar de nuevo el problema de la recepción del género planteado en su pionero estudio, aunque entiende que la lectura de novelas ante grupos analfabetos sigue siendo materia opinable («Lectura en voz alta y novela de caballerías. A propósito del Quijote, I, 32», Boletín de la Real Academia Espa ñola, L X X IX , 1999, pp. 55-65). Para valorar los hábitos de lectura y la ña mada «lectura coetánea», la crítica reciente atiende a las marcas textuales que puedan desvelar el modo de recepción de los mismos (Anna Bognolo, «So bre el público de los libros de caballerías», en Actas do I V Congresso da Asso- ciaçâo Hispánica de Literatura Medieval,coords. A .A . Nascimento y C. A lm ei da R ibeiro, Cosmos, Lisboa, 1993, pp. 125-129) o a las anotaciones marginales presentes en algunos libros de caballerías (José Manuel Lucía Megías, «Una nueva página en la recepción de los libros de caballerías: las anotaciones marginales», en Libros de caballerías (de «Amadís» al «Quijote»), Poética, lectura, representación e identidad', cit., pp. 201-243). Los distintos aspectos del originalísimo entrelazamiento narrativo propio de las ficciones caballerescas francesas fueron expuestos por Ferdinand Lot (Etudes sur le «Lancelot en prose», Champion, Paris, 1954, pp. 17-28) y Eugè ne Vinaver («La création romanesque», en A la recherche d’une poétique mé diévale, Nizet, Paris, 1970, pp. 128-149); la puesta en práctica de estas téc nicas en los primeros cinco libros de la serie de los Amadises ha sido estudiada por Juan Manuel Cacho Blecua («El entrelazamiento en el Am a dís de Gaula y en Las sergas de Esplandián», en Studia in honorem prof. Martín de Riquer, Quaderns Crema, Barcelona, 1986, I, pp. 235-271). La estructu ra narrativa de los tempranos libros de caballerías españoles en comparación con el modelo del román artúrico ha sido tratada por Anna Bognolo (La fin - zione rinnovata) quien demuestra cómo a partir del mismo se construye un nuevo paradigma caballeresco «omnívoro», integrador de diferentes tradi ciones. Las huellas de los romans franceses de tema artúrico o troyano en el Am a dís han sido detectadas por los estudios fundamentales de Grace Williams («The Amadís Question», Revue Hispanique, X X I, 1909, pp. 1-16 7) y M a ría R osa Lida («El desenlace del Amadís primitivo», Romance Philology, V I, 19 52-19 53, pp. 283-289; reimpreso en Estudios de Literatura española y com parada, EU D EBA , Buenos Aires, 1966, pp. 149-156). R iquer ha señalado el arcaísmo léxico del Amadís («Las armas en el Amadís de Gaula», Boletín de la Real Academia Española, L X , 1980, pp. 331-427 ; reimpreso en Estudios so bre el «Amadís de Gaula», Sirmio, Barcelona, 1987, pp. 55-189), que imitan los libros de caballerías posteriores; su aprovechamiento y parodia en el Quijote quedan ampliamente ejemplificados por Howard Mancing (The Chivalric World of «Don Quijote», University o f Missouri Publications, C o lumbia, 1982, pp. 13 - 2 1 y 2 17 -2 19 ). E l conocimiento que Cervantes de muestra del género caballeresco ha llevado a la crítica a plantear la posesión de estos libros y el tiempo de su lectura, juvenil según Riquer (Nueva Apro CXLII PRÓ LO G O ximación al «Quijote», Teide, Barcelona, i960) y adulta en opinión de E i- senberg (La interpretación cervantina del «Quijote»), N o sabemos si Cervantes, hombre de extensas lecturas, según asegura Armando Cotarelo Valledor (Ceivantes lector, Publicaciones del Instituto de España, Madrid, 1943), po seyó una biblioteca propia; la cuestión ha sido analizada por Eisenberg («Did Cervantes Have a Library?», en Studies in Honor of A . Deyermond, Hispanic Seminary ofM edieval Studies, Madison, 1986, pp. 93-106), quien intenta reconstituir el contenido de la misma a partir de los títulos men cionados o aludidos por Cervantes en sus obras («La biblioteca de Cervan tes», en Stndia in honorem Prof. Martin de Riquer, Quaderns Crema, Barce lona, 1987, II, pp. 271-328) y si en ella figuraba una colección de libros similar a la reunida por su hidalgo (Francisco López Estrada, «La función de la biblioteca en el Quijote», en De libros y bibliotecas. Homenaje a Roclo Caracuel, Universidad de Sevilla, 1994, pp. 193-200; Hernando Cabarcas, E l conjuro de los libros. La biblioteca de (Servantes en la Biblioteca Nacional de Colombia, Biblioteca Nacional de Colombia, 1997), variopinta y extraña a ju icio de Edward Baker (La biblioteca de don Quijote, Marcial Pons, Madrid, 1997) y desfasada en opinión de Trevor J . Dadson («La librería de Cristó bal López (1606): estudio y análisis de una librería madrileña de principios del siglo X V II», en su Libro, lectores y lecturas. Estudios sobre bibliotecas parti culares españolas del Siglo de Oro, Arco/Libros, Madrid, 1998, pp. 283-301). E l «donoso escrutinio» efectuado en el capítulo I, 6 puede entenderse en este sentido como un deseo de actualizarla y acomodarla a los nuevos gus tos estéticos, de manera que, como sugiere Pedro M . Cátedra (Nobleza y lectura en tiempos de Felipe II), la práctica de expurgo o eliminación de libros no sería una mera creación literaria con referentes inquisitoriales o institu cionales, sino también el reflejo de una práctica realizada en bibliotecas coe táneas, como la del marqués de Astorga Alonso Osorio. Uno de los primeros en rastrear las posibles lecturas y fuentes caballerescas cervantinas fue John Bowle, editor del Quijote a fines del siglo x v m , segui do de Diego Clemencín, en su «Comentario» de los años 1833-1839 al Inge nioso hidalgo (José Manuel Lucía Megías, «Los libros de caballerías a la luz de los primeros comentarios del Quijote: D e los R íos, Bowle, Pellicer y C le- mencín»); en época más reciente, y a la zaga de María R osa Lida («Dos hue llas del Esplandián en el Quijote y en el Persiles», Romance Philology, IX , 1955- 1956, pp. 156-162) y de Daniel Eisenberg, («Don Quijote and the Romances o f Chivalry: the N eed for a Reexamination», Hispanic Review, X L I, 1973, pp. 5 11-5 2 3 , después traducido al español y recogido en su libro Romances of Chi- ναΐιγ in the Spanish Golden Age, pp. 13 1- 14 5 ) , la crítica se ha esforzado por hallar antecedentes de algunos episodios del Quijote en los libros de caballe rías mencionados por Cervantes: Eisenberg, en el Espejo de príncipes y caballe ros, por otro nombre Caballero del Febo, de Diego Ortúñez de Calahorra (in troducción a su edición del Espejo, Espasa-Calpe, Madrid, 1975, I, pp. L X i- L X in ) ; Sydney Paul Cravens, en los «Amadises» de Feliciano de Silva («Feliciano de Silva and his Romances o f Chivalry in Don Quijote», Inti, VII, 1978, pp. 28-34); Eduardo Urbina («El caballero anciano en Tristan de Leonis LOS L IB E O S DE C A B A L L E R ÍA S CXLIII y don Quijote, caballero cincuentón», Nueva Revista de Filología Hispánica, X X IX , 1980, pp. 164-172), Mario Martins («O pré-cervantismo em Tristan de Leonis», Boletim de Filología, X X V III, 1983, pp. 33-44) y M .a Luzdivina Cuesta Torre («La estética del plagio en el Quijote», Estudios Humanísticos. F i lología, X IX , 1997, pp. 107-123), en el Tristón de Leonís; Sylvia Roubaud, en el Caballero de la Cruz o Lepolemo, así como en el Belianís de Grecia («Cer vantes y el Caballero de la Cruz», Nueva Revista de Filología Hispánica, X X X V III, 1990, pp. 525-566); Javier Roberto González, («Palomeque, don Quijote, Cervantes: tres lectores de Cirongilio de Tracia de Bernardo Vargas», Letras, X L II-X L III, 2001, pp. 29-50), en el Cirongilio de Tracia; o Judith A . Whitenack («Don Quijote y los libros de caballerías del tipo neo-cruzado», en Ensayos de literatura europea e hispanoamericana, ed. Félix Menchacatorre, U n i versidad del País Vasco, San Sebastián, 1990, pp. 581-586), en los libros del tipo «neo-cruzado», que determinan la evolución de don Quijote de la ca ballería andante a la caballería santa. También se ha de prestar atención, sin embargo, al material caballeresco silenciado, por ejemplo el tipo de la mujer maga estudiada por Judith Whitenack, «Don Quijote y la maga: otra mujer que ‘no parece’», en La mujer y su representación en las literaturas hispánicas, ed. Juan Villegas, 1994, II, pp. 81-96), pues las omisiones de material caballeres co pueden ayudar a explicar los métodos creativos de Cervantes y, como en el caso citado, a explicar la consistencia ética del personaje. Semejantes antecedentes, más que «fuentes» propiamente dichas, son muestras de la entera libertad con que Cervantes hizo suyo el material li bresco que tenía a mano o conservaba en la memoria, conforme expone agudamente FranciscoAyala («Experiencia viva y creación poética. Un pro blema del Quijote», en Experiencia e invención. Ensayos sobre el escritor y su mun do, Taurus, Madrid, i960, pp. 79-103; y «Nota sobre la novelística cervan tina», Revista Hispánica Moderna, X X X I, 1965, pp. 36-45). Por último, que el Quijote constituye a un tiempo un enérgico ataque y un sentido homenaje a los autores caballerescos que precedieron a Cervan tes en la invención de la novela es firme convicción de Mario Vargas Llosa («Presentación» de la traducción española del libro de Edwin Williamson The Halfway House of Fiction. «Don Quixote» and Arthurian Romance, Claren don Press, Oxford, 1984, traducido como EI «Quijote» y los libros de caballe rías, Taurus, Madrid, 19 9 1, pp. 1 1- 17 ) . 5. C E R V A N T E S : T E O R Í A L I T E R A R I A Edward C. Riley H ay escritores, hay críticos y hay escritores-críticos. Cervan tes fue uno de estos últimos. N o escribió ningún tratado o discurso sobre la poesía como Torcuato Tasso, ningún arte poética en verso como el Arte nuevo de hacer comedias de Lope de Vega. C on todo, su obra literaria embebe un sustancioso compendio de teoría y crítica literaria: se encuentra en los diálogos entre los personajes y en las observaciones del narra dor, sobre todo en el Quijote, el Viaje del Parnaso, la comedia del Rufián dichoso y, más al paso, en algunas de las Novelas ejemplares (La gitanilla, E l licenciado Vidriera, La ilustre fregona y E l coloquio de los perros). A éstas deben añadirse las importan tes contribuciones de casi todos los prólogos publicados al frente de sus obras. En cuanto escritor deseoso de expresar sus ideas sobre el arte que practica, Cervantes no se distingue esencialmente de otros de su siglo. Pero se diferencia, si no totalmente, al menos en gran medida, por la manera en que llega a incluir en sus consi deraciones la misma obra que las contiene. E l ejemplo más des tacado de tal autocrítica es, por supuesto, el Quijote. En cierto sentido, toda obra literaria es producto de un proceso autocrí tico, pues no se puede componer sin tener en cuenta ciertos criterios y convenciones. N o es obligado ni necesario, sin em bargo, hacer que éstos se transparenten ni se comenten. La autocrítica que encontramos en el Quijote representa un acto de reflexión en el que vienen a prolongarse las consideraciones so bre la prosa de ficción integradas con toda naturalidad en el asunto principal de la historia narrada. E l Quijote llega como culminación de más de un siglo de ex perimentación -sin paralelo en la Europa de entonces- en el campo novelístico. Cervantes es uno de los más asiduos en la experimentación, según vemos en la variedad de sus escritos. Aún más que cualquiera de sus antecesores, fueran estos auto- C X L IV res de diálogos, novelas picarescas o romances caballerescos, pas toriles o griegos, Cervantes, al escribir el Quijote, se halla prac ticando un género en buena medida nuevo y, de todos modos, falto de un conjunto tradicional de preceptos, es decir, falto de una poética propia. Ocurre así por más que el Siglo de Oro, producto del R e nacimiento con su renovado clasicismo, esté imbuido de cul tura preceptista. Para la novela no había más remedio que apro piarse, en lo posible, el contenido de los abundantes tratados de poesía y retórica. Los grandes principios generales, como las ideas sobre la inspiración, la invención, la unidad, la imitación, etc., se adaptaron sin dificultad. Pero habría que esperar siglos enteros para que la novela se viera tratada como género inde pendiente y no sólo como una variedad de la poesía. E l presti gio de los antiguos lo dominaba todo y, según observa C er vantes a propósito de los libros de caballerías, de éstos «nunca se acordó Aristóteles, ni dijo nada San Basilio, ni alcanzó C ice rón» (I, Prólogo, 18). En los escritos teóricos sobre la prosa de ficción se encuentran poco más que observaciones dispersas so bre los libros de caballerías, los otros romances y las novelle ita lianas. A lo que se sabe, Cervantes había ponderado, como p o cos o ninguno antes que él, los principios y condiciones del arte de novelar. Com o era de esperar, su teoría está arraigada en las poéticas clásicas y contemporáneas, pero rebasa los límites de ambas. N o se puede afirmar con certeza absoluta cuáles son las fuentes principales de sus ideas -aparte de las autoridades primarias como Platón, Aristóteles, Horacio y Cicerón, comunes a to dos-, porque no las cita a la letra, sino que, al parecer, se vale principalmente de la memoria. Sin embargo, no cabe duda de que había leído mucho, tanto autoridades italianas como espa ñolas. De vez en cuando se ve una correspondencia, que pare ce ser algo más que fortuita, con algún pasaje de Torcuato Tas- so, Giraldi Cinthio, Alessandro Piccolomi, Minturno y tal vez Castelvetro, entre los italianos. Entre los españoles, las fuentes más probables parecen ser Alonso López Pinciano, Luis A lfon so de Carvallo y M iguel Sánchez de Lima. H ay otros margina les, españoles e italianos, como Juan Luis Vives, Baldassare Cas- tiglione o Juan Huarte de San Juan. C E R V A N T E S : T E O R ÍA L IT E R A R IA CXLV CXLVI PRÓ LO GO Es muy posible que Cervantes empezara a familiarizarse con la teoría italiana durante los años de su estancia en Italia entre 1570 y 1575. Sin embargo, varios de los tratados que más probable mente conocía son de fechas posteriores. Y aunque el aristotelis- mo no esté ausente de La Galatea, es incomparablemente más acusada su presencia en el Quijote de 1605. Tradicionalmente se ha supuesto que la lectura que hizo Cervantes de la Philosophia antigua poética (1596) del Pinciano fue determinante, pero igual lo pudo ser la de los Discorsi de Tasso (desde el decenio de los ochenta). Es difícil tener alguna seguridad. Cervantes no era de los que citaban los dichos de los preceptistas para hacer alarde de erudición, como Lope de Vega en alguna que otra ocasión. Otra fuente de sus opiniones al respecto fueron tal vez las academias que frecuentó durante los últimos años de su vida, donde pudo tomar parte en las discusiones de crítica y teoría. Finalmente, no debe olvidarse su propia experiencia de escri tor, otro impulso, sin duda, de sus ideas teóricas. Hay una rama de la crítica española del siglo x v i que vuelve a florecer en el Quijote. M e refiero a los comentarios sobre los libros de caballerías, comentarios dispersos, ciertamente, pero que se encuentran no sólo en tratados críticos, sino también en escritos de otro tipo. Desde el comienzo de su renovada popu laridad, inaugurada por el Amadís de Gaula a principios de si glo, los libros en cuestión habían sido blanco de censuras y ju i cios adversos pronunciados por teólogos, humanistas y otros intelectuales. Las opiniones favorables eran m uy pocas. Los li bros fueron reprobados más que nada por lascivos e indecentes y, por ahí, por poner en peligro la virtud de las doncellas afi cionadas a su lectura. Según Juan Luis Vives, un padre podía encerrar con toda precaución a su hija, pero «déjale un Amadís en las manos y deseará peores cosas que quizá en toda la vida». Vives, Erasmo, Juan de Valdés, M alón de Chaide y muchos más expresaron su desaprobación con razones vehementes. N o sólo se censuraba la falta de moralidad; también fueron critica dos estos libros por razones estilísticas: por estar mal cons truidos y peor escritos. Finalmente, sus detractores los conde naban por mentirosos, insensatos e increíbles. A veces, los mismos autores de los libros caballerescos (tales como Oliveros de Castilla, Las sergas de Esplandián y Don Olivante de Laura, por ejemplo) demostraban ser conscientes de esta acu sación, ocasionando una autocrítica adulterada por una ironía poco convincente. Pero valgan por todos estas palabras del Pin- ciano (Philosophia antigua poética, epístola quinta): «Las ficciones que notienen imitación y verisimilitud no son fábulas, sino dis parates, como algunas de las que antiguamente llamaron m ile- sias, agora libros de caballerías, los cuales tienen acaecimientos fuera de toda buena imitación y semejanza a verdad». Todas estas censuras se encuentran en el Quijote puestas en boca de distintos personajes o bien se dejan inferir de la misma historia. La supuesta lascivia se trata más bien por su lado ri dículo, como cosa de risa. ¿Cóm o no acordarse de aquella don- cella «con toda su virginidad a cuestas», que andaba «de monte en monte y de valle en valle» y al fin «se fue tan entera a la se pultura como la madre que la había parido» (I, 9, 117 )? Más di rectos son los reparos críticos a cuenta de los defectos de es tructura o de estilo verbal. Sin duda el más memorable es el que cita las palabras de Feliciano de Silva sobre «la razón de la sin razón que a mi razón se hace» (I, 1 , 40), razones suficientes para enloquecer al hidalgo de una vez. Pero la crítica más sentida y poderosa es, con mucho, la de que los romances caballerescos son extravagantes, increíbles y absurdos. N o es necesario adu cir ejemplos: tal opinión impregna la novela entera y contribu ye en mucho a su comicidad. Las cuestiones teórico-críticas están ensambladas en el Quijo te de tres maneras: directamente (como tema de diálogo o dis curso, como núcleo de la locura del héroe y como móvil de su conducta), y en su aplicación directa o indirecta a la misma no vela de Cervantes. Las grandes discusiones se encuentran fundamentalmente en la Primera parte. Se inician con el escrutinio de la biblioteca de don Quijote, en el que se enjuician obras en su mayoría indi viduales: libros de caballerías, romances pastoriles y obras de poesía, épica y lírica (I, 6). Los juicios se hacen progresivamen te menos severos al repasar estos géneros. Luego vienen las opi niones expresadas por el cura y el ventero, en particular sobre los libros de caballerías que hay en la venta (I, 32). E n tercer lu gar, los diálogos del canónigo de Toledo con el cura sobre los libros caballerescos y las comedias, y del canónigo con don C E R V A N T E S : T E O R IA L IT E R A R IA CXLVII CXLVIII PRÓ LO G O Quijote otra vez sobre aquéllos (I, 47-50). Es aquí donde más se profundiza en los problemas literarios. En la Segunda parte del Quijote el tema reaparece, pero con menor frecuencia y extensión. La discusión más importante es la de don Quijote y Sancho Panza con el bachiller Sansón Ca rrasco (II, 3-4). Con un cambio de dirección extraordinario, se centra ahora en la Primera parte de la propia novela. Más tar de se lee el discurso de don Quijote sobre la poesía (II, 16). Fi nalmente, el tema literario surge con brevedad en pocas oca siones, como por ejemplo al comienzo del capítulo 44, sobre la unidad de la obra. Com o es natural, tales discusiones implican diferentes voces y distintas opiniones según los personajes que dialogan. Hay que tomar en cuenta incluso las de Maritornes y la hija del ven tero, sin olvidar las del mismo don Quijote. Hablan también al propósito el autor en los prólogos, el narrador Cide Hamete Benengeli y sus afines (el «traductor», etc.). C on tantas inter venciones, esperar uniformidad y coherencia en las ideas teóri cas sería demasiado. Diríase que Cervantes tenía preferencia por el diálogo como modo de teorizar. Incluso en el primer prólogo parece que se le ocurre inventar un «amigo» con quien dialogar. Es probable que ello refleje una inclinación o necesi dad temperamental -expresada también con su equívoca iro nía— a ver las distintas caras de las cosas. Por la misma razón, es a menudo difícil fijar con precisión las opiniones personales de Cervantes. Repetidas veces resultan ambiguas o inconclusas. Sería natural identificar la voz de algún personaje discreto, como el canónigo o el cura, con la del pro pio Cervantes, pero en muchas ocasiones resulta dudoso que así deba ser. Ciertos principios (la credibilidad, por ejemplo) se reiteran con bastante insistencia a través de las obras cervanti nas, persisten ciertos puntos de vista y, a veces, el contexto ayuda a determinar la categoría de una afirmación. Indudable mente, Cervantes aceptaba gran parte de la teoría del siglo x v i . Pero al mismo tiempo propone o insinúa razonamientos con trarios o subversivos. Así, coexisten en la obra opiniones aris totélicas y antiaristotélicas, por ejemplo. Más extraordinario que la discusión de cuestiones de crítica literaria es que éstas formen una parte sustancial de la caracte rización del héroe y, por ende, del argumento de la novela. Se trata de un hombre tan obsesionado por los libros de caballe rías, que llega a perder el juicio. E l irreductible y verificable punto de partida de su locura consiste en tomar al pie de la le tra, como historias verídicas, las fabulosas invenciones que na rran. En el centro nuclear del Quijote, así, se encuentra un pro blema de teoría literaria. Este problema puede expresarse de varias maneras: la credibilidad de las obras de imaginación, la relación entre la historia y la ficción (poesía, para emplear la pa labra aristotélica), la relación de la literatura con la vida o los efectos de aquélla en ésta en un caso determinado. A raíz de esta locura, el protagonista se decide a imitar a los fingidos héroes caballerescos, armarse caballero y salir al mun do en busca de aventuras, como si la España de alrededor del año 1600 fuera en realidad el mundo extraordinario represen tado en aquellos libros. Pone manos a la obra siguiendo de ma nera muy deliberada el precepto artístico -enunciado por H o racio y Quintiliano, y muy repetido en el Renacimiento desde Girolamo Vida y Julio César Escalígero— de que es preciso im i tar los grandes modelos ejemplares para alcanzar la perfección en lo que se profesa. D on Quijote recuerda este precepto a Sancho en Sierra Morena, al iniciar su penitencia a imitación de Amadís de Gaula (I, 25). Pero el hecho es que los modelos de don Quijote eran creaciones ficticias tan exageradas, que en el mundo real resultaban imposibles de imitar. Por lo tanto, la imitación quijotesca resulta ser una parodia cómica. A diferen cia de sus héroes, no es un superhombre vencedor de ejércitos enteros, matador de gigantes malévolos, enemigo formidable de encantadores malignos, sino un pobre hidalgo «de apacible condición» que ya va para viejo. Este contraste entre la fantasía literaria y la realidad escueta de la vida salta a los ojos a lo lar go de la narración. La imitación de los modelos como modo de perfecciona miento propio no sólo era bien conocida sino hasta prescrita por la educación humanística (basta leer E l cortesano de Casti- glione). Importaba poco que la figura ejemplar fuese histórica o imaginada; en el siglo x v no pocos caballeros españoles, fran ceses e ingleses se dedicaron a imitar a los héroes de los roman ces. Pero lo que tiene de insólita la ambición imitativa de don C E R V A N T E S : T E O R ÍA L IT E R A R IA CXLIX CL PRÓ LO G O Quijote es que aspira a ser total. N o le satisface sino que el mundo en torno a él se conforme también con el ejemplo lite rario imaginado. Quiere hacer desaparecer la diferencia entre los dos mundos, logrando que el mundo material exterior se absorba en el de la imaginación. Dicho en otras palabras, trata de vivir un romance caballeresco. Com o era inevitable, fracasa y protagoniza, como ya se ha dicho, una parodia cómica. Vale la pena notar que el parodista aquí no es Cervantes directamente, sino don Quijote, por querer convertir la vida vivida en una vida fantástica. En el Quijote un tipo de literatura romántica se compara con la vida real representada mediante las acciones de un «héroe» incapaz de diferenciar uno y otra. En este sentido puede decir se que la novela de Cervantes es, también, una obra de crítica literaria. La cuestión se complicaporque es m uy evidente que la «vida real», por llamarla así, no es sino otra invención de M i guel de Cervantes. Por lo tanto, lo que se compara en realidad es un tipo de literatura ficticia con otro tipo de literatura ficti cia. En términos generales modernos, se comparan el romance con la novela moderna y, en particular, el romance que don Quijote querría que fuera su vida con la novela del Quijote: o sea, dos versiones muy distintas de su historia. La narración fin ge ser una historia verdadera, lo cual es una complicación su plementaria. Repetidas veces se habla de la «verdad» y la «pun tualidad» de la historia, y también de «anales» y «archivos». Sin embargo, tal fingimiento se hace de manera tan obvia y absur da, que se contradice en seguida la historicidad pretendida. Así, al final de la Primera parte el autor pide a sus lectores «que le den el mesmo crédito que suelen dar los discretos a los libros de caballerías, que tan validos andan en el mundo» (I, 52, 647). Ciertamente, todo esto es una especie de juego literario para hacer sonreír al lector discreto. Pero en el fondo, se encuentran aquí los problemas teóricos que surgen de la interacción de la historia verídica con la ficción inventada. Según la teoría del Siglo de Oro la historia y la poesía son los dos polos entre los cuales circulan los relatos de todo tipo. A partir de tales consi deraciones fueron formulándose los nuevos conceptos de la na rrativa que habían de engendrar la novela moderna, a diferen cia de las variedades antiguas de la prosa de ficción. Sólo que casi nadie, ni siquiera los autores de las grandes novelas pica rescas, se preocupó de comentar las novedades que se iban pro duciendo. La gran excepción es Cervantes, y aun él intuyó más por medio de la creación novelesca de lo que expresó como proposición teórica. N o obstante, la teoría literaria impregna el Quijote de una manera u otra desde el concepto más sencillo del héroe enloquecido hasta las consecuencias intrincadas de hacer que unos personajes ficticios se enteren de que tienen una exis tencia literaria. Declara el cura en la venta: Y si me fuera lícito agora y el auditorio lo requiriera, yo dijera cosas acerca de lo que han de tener los libros de caballerías para ser bue nos, que quizá fueran de provecho y aun de gusto para algunos; pero yo espero que vendrá tiempo en que lo pueda comunicar con quien pueda remediallo (I, 32, 409). Es difícil no suponer que esta persona anónima es el mismo Cervantes, ya mencionado anteriormente por el cura como amigo suyo (en I, 6, 94). N o hay duda alguna de que Cervan tes había meditado acerca de los romances de caballerías. E l ca nónigo de Toledo, quizá actuando de sustituto del autor, de dica una parte de su discurso sobre esos libros a la censura de sus defectos, y otra parte a la exposición de sus buenas poten cialidades. Estas se concentran especialmente en la ejemplari- dad y la variedad. En cambio, su mayor defecto, según el ca nónigo y el cura y, sin duda, el propio Cervantes, el rasgo más comentado y puesto en ridículo es su incredibilidad. ¿Qué sa tisfacción estética, pregunta el canónigo, puede recibirse de «un libro o fábula donde un mozo de diez y seis años da una cuchillada a un gigante como una torre y le divide en dos m i tades, como si fuera de alfeñique, y que cuando nos quieren pintar una batalla, después de haber dicho que hay de la parte de los enemigos un millón de competientes, como sea contra ellos el señor del libro, forzosamente, mal que nos pese, habe rnos de entender que el tal caballero alcanzó la vitoria por solo el valor de su fuerte brazo» (I, 47, 599-600)? Compárese con un solo pasaje de Vives: C E R V A N T E S : T E O R IA L IT E R A R IA CLI CLII PRÓ LO G O Cuando se ponen a contar algo, ¿qué placer o qué gusto puede haber adonde tan abiertamente, tan loca y tan descarada mienten? El uno mató él solo veinte hombres y el otro treinta. El otro, traspasado con seiscientas heridas y dejado por muerto, el día siguiente se levanta sano y bueno, y cobradas sus fuerzas, si a Dios place, torna a hacer ar mas con dos gigantes y mátalos, y de allí sale cargado de oro y plata, y joyas y sedas, y tantas otras cosas que apenas las llevaría una carraca de genoveses. ¿Qué locura es tomar placer de estas vanidades? Para quienes se plantean semejantes preguntas, claro está que prevalece el criterio histórico-empírico sobre cualquier placer imaginativo. E l canónigo prosigue con esta descripción de la verosimilitud: Hanse de casar las fábulas mentirosas con el entendimiento de los que las leyeren, escribiéndose de suerte que facilitando los imposibles, allanando las grandezas, suspendiendo los ánimos, admiren, suspen dan, alborocen y entretengan, de modo que anden a un mismo paso la admiración y la alegría juntas (I, 47, 600). Interesa esta notable observación sobre el funcionamiento de la verosimilitud por el énfasis que se pone en lo extraordinario como aceptable y hasta deseable en la narración, una vez que se haya encontrado modo de acomodarlo. N o se trata de huir de lo maravilloso, sino de hacerlo aceptable al lector. La admi ratio se había convertido en un principio artístico importante en la época barroca. Había que reconciliar lo verosímil con lo ma ravilloso, a pesar de la diferencia entre ellos, subrayada por Tas- so y el Pinciano. Así se trasladaba este atributo de la épica a la prosa de ficción. Sin duda, tal reconciliación era del gusto de Cervantes. Su última obra da buena prueba de su predilección por el género del romance, lleno de peripecias y aventuras que admiran y asombran. Por la misma razón, sin duda, se había de dicado a leer tantos libros de caballerías, a pesar de los defectos que con tanta claridad veía en ellos. Entre las voces discrepantes destaca la del mismo don Q uijo te, quien alguna vez tiene razones de bastante fuerza. En su gran diálogo con el canónigo, el ingenioso hidalgo hace hinca C E R V A N T E S : T E O R ÍA L IT E R A R IA CLIII pié en el puro placer que le proporciona leer los romances caba llerescos, cosa que pasa a demostrar, enseguida, de la manera más práctica. Inventa y cuenta en el acto el episodio fantástico del caballero que se zambulle en el lago encantado, magistral parodia de un trozo de libro de caballerías. ¿Cóm o confutar esa demostración con discursos razonables? En efecto, el canónigo de Toledo no sale muy bien de la contienda. D on Quijote hace una mezcla indiscriminada de ejemplos ficticios e históricos en defensa de la literatura caballeresca. A él no le importa un co mino que sus héroes hayan existido o no: todo sería igual a los ojos del imitador (sobre este punto opinaba lo mismo la pre ceptiva). En cambio, el canónigo se esfuerza por distinguir lo fabuloso de la verdad y la media verdad. Pero frente a la certi dumbre quijotesca resulta poco convincente. D e hecho, en pro de las razones de don Quijote, la ejemplaridad no depende de la historicidad ni el placer de la lectura depende de la verosi militud sino para quien se niegue a despojarse de los criterios empiristas. Más aun, es posible sostener que para la posteridad no hay manera infalible de comprobar que una personalidad histórica haya existido más auténticamente que un personaje ficticio (podemos inferir la conclusión aunque don Quijote no la enuncie). E l buen canónigo habla como hombre moderno, razonable, ilustrado, y es difícil no aprobar sus razones. D on Quijote habla como hombre medieval más bien, para no decir como loco. Pero no por ello está desprovisto de intuiciones acertadas. Para Cervantes hay otro gran problema teórico, que no tie ne la trascendencia del de la credibilidad, pero que es todavía suficiente para preocuparle. Es la cuestión de la estructuración de la obra. E l canónigo condena rotundamente los libros por que no llegan a contener «un cuerpo de fábula entero con to dos sus miembros, de maneraque el medio corresponda al principio, y el fin al principio y al medio» (I, 47, 6 o l ) . Por otra parte, la variedad de personajes, de acontecimientos y de temas es uno de los rasgos manifiestos de su receta para el romance ideal. ¿Cóm o armonizar las exigencias neoaristotélicas de uni dad estética con los placeres de la variedad? Era éste uno de los grandes problemas de la teoría literaria, en especial italiana. Se gún el Pinciano, la fábula había de ser a un mismo tiempo «una CLIV PRÓ LO G O y varia» (Philosophia antigua poética, epístola quinta), y para Tas- so lo difícil era conseguir que «la misma variedad se encuentre en una sola acción» (Del poema eroico, III, 79). Es dudoso que Cervantes llegara a solucionarlo a su satisfacción; por lo menos, en sus grandes obras se encuentran por todas partes disculpas y críticas de las digresiones y de la prolijidad. Tras interponer una crítica del Curioso impertinente (II, 3, y de nuevo en II, 44) junto con otra del cuento del Capitán cau tivo, por constituir ambos largas digresiones, el autor se en frenta finalmente al gran problema de definir el «episodio». Lo hace en términos m uy parecidos a los que emplearon Giraldi Cinthio, Minturno, el Pinciano y otros teóricos de la épica. D ice: Y , así, en esta segunda parte no quiso ingerir novelas sueltas ni pe gadizas, sino algunos episodios que lo pareciesen, nacidos de los mes- mos sucesos que la verdad ofrece, y aun éstos limitadamente y con solas las palabras que bastan a declararlos (II, 44, 1070). Quiere decir que los episodios externos serán independientes, como novelas cortas, de extensión limitada y, al mismo tiem po, nacidos de los sucesos del argumento principal. Cierto, la Se gunda parte del Quijote se acerca más a esta fórmula que la Pri mera o el Persiles, pero no se puede decir que Cervantes llegue a sustituir la «escritura desatada» de los romances (la frase es del canónigo) y la nueva forma de novela que va desarrollando en el Quijote. Los romances tenían otro atributo relacionado con la cuestión de la verosimilitud, no tan molesto para Cervantes como lo fan tástico pero capaz todavía de preocuparle de vez en cuando. H ay claras muestras de inquietud y ciertas reservas sobre la idea lización fundamental de los romances (los pastoriles, los griegos y otros, tanto como los caballerescos). Afecta a la caracteriza ción, la cual se distingue por un perfeccionismo, un refina miento y una simplificación psicológica muy distintos de lo que se encuentra en la clásica novela realista. Cervantes nunca llega a rechazar este idealismo literario, que en cambio suele provo car la impaciencia del lector de hoy: llena las páginas de los ro mances pastoriles, a los que siempre fue tan aficionado, e incon- C E R V A N T E S : T E O R ÍA L IT E R A R IA CLV tables páginas suyas desde el primer capítulo de La Galatea has ta el último del Persiles. Pero también este idealismo despierta a Cervantes algunos recelos. Tienen éstos sus raíces en la con ciencia de la exageración inevitable que lo acompaña, o sea, la desviación o distorsión de la verdad, defecto censurado por múltiples autoridades, desde Cicerón hasta Nebrija y otros pos teriores. Se trata de un inextirpable escepticismo frente al elogio hiperbólico. En el caso extremo de la sin par Dulcinea, el elo gio hiperbólico se incorpora a la contradicción irónica para producir la paradoja. Insiste don Quijote que en ella «se vienen a hacer verdaderos todos los imposibles y quiméricos atributos de belleza que los poetas dan a sus damas» (I, 13 , 155). Una afir mación en el prólogo de las Novelas ejemplares esclarece el pen samiento de Cervantes al respecto: «pensar que dicen puntual mente la verdad los tales elogios es disparate, por no tener punto preciso ni determinado las alabanzas ni los vituperios» (f. 4). A pesar de estas y otras muestras de duda, persiste el ro mance en el mismo Quijote en los episodios que cuentan las for tunas de Marcela, Grisóstomo, Cardenio, Dorotea, Basilio, Quiteria, Ana Félix y otros personajes más o menos idealizados, cuyas aventuras tienden a llegar a su conclusión feliz gracias más bien a una casualidad providencial que a una causalidad proba ble o necesaria. Com o lo fantástico, lo idealizado ha de comprenderse en el contexto contemporáneo de la verosimilitud. Com o se sabe, este concepto se basa en la idea de que el poeta debe represen tar las cosas «como pueden o deben ser». Lo que «puede ser» respeta la probabilidad histórica. Por eso el cura y el canónigo de Toledo censuran la fantasía de los romances (lo prodigioso, lo mágico, lo sobrehumano) a menos que se tomen las medidas necesarias para hacerla aceptable. E l otro aspecto, el ideal, res peta lo que «debe ser». Esto es lo que Sansón Carrasco con trapone a la verdad histórica al decir: «El poeta puede contar o cantar las cosas, no como fueron, sino como debían ser; y el historiador las ha de escribir, no como debían ser, sino como fueron, sin añadir ni quitar a la verdad cosa alguna» (II, 3, 708). La omisión aquí de «o como podían ser» pone de relieve la idea que tiene don Quijote de su historia como narrativa idea lizada. CLVI PRÓ LO G O Hay que subrayar la falta habitual de distinción entre lo po sible y lo ideal. Por extraño que nos pueda parecer, el Renaci miento hacía equivalentes lo que «podía» y lo que «debía» ser. (Para Fernando de Herrera, por ejemplo, la poesía representa las cosas «como pueden o deben ser», en las Obras de Garcilaso de la Vega con anotaciones de Fernando de Herrera, Sevilla, 1580, p. 329.) Así es que se aceptaban y se justificaban los héroes y heroínas sin tacha y los desenlaces narrativos tan inesperada mente afortunados (pero no imposibles). Por eso Cervantes po día componer sus romances pastoriles y heroicos, como hemos visto, aunque no sin alguna reserva. A l mismo tiempo, en el acto mismo de componer el Quijote, iba tanteando una idea de la novela, ya no ligada a la poesía épica, como lo estaba el ro mance, sino a la historia. En su nueva novela, que representa la fingida historia de la vida, exterior o interior, de un hombre que quiere vivir un ro mance de caballerías, descubre la interacción misteriosa de esos componentes. En tal incorporación creadora de unos principios críticos, derivados en su mayor parte del clasicismo de la épo ca a la historia de don Quijote, consiste la mayor originalidad de la teoría literaria de Cervantes. N O T A B I B L I O G R Á F I C A (Revisada por José Montero Reguera) i . Preparó el terreno para los estudios modernos sobre la teoría literaria de Cervantes Giuseppe Toffanin, La fine deH’umanesimo, Bocea, M ilán-Turín- Rom a, 1920, llamando la atención sobre los preceptistas italianos del siglo X V I . Otro precursor de tipo muy distinto fue José Ortega y Gasset en las Me ditaciones del «Quijote», Madrid, 19 14 , por varias intuiciones seminales des pués desarrolladas por otros. El verdadero fundador de la investigación de la teoría literaria cervantina es Américo Castro en el primer capítulo de E l pen samiento de Cavantes, Centro de Estudios Históricos, Madrid, 1925 (ed. facs. Crítica, Barcelona, 1987), donde identifica los temas fundamentales y los si túa en el contexto del pensamiento renacentista tanto italiano como español. Jean Canavaggio examina las correspondencias cervantinas con la fuente es pañola más importante en «Alonso López Pinciano y la estética literaria de Cervantes en el Quijote», Anales Cavantinos, VII (1958). Según indica el tí tulo, en mi Teoría de la novela en Cavantes (1962), Taurus, Madrid, 1989, pre C E R V A N T E S : T E O R ÍA L IT E R A R IA CLVII sentó la teoría cervantina a base de numerosos comentarios y de las poéticas españolas e italianas contemporáneas. Alban Forcione ensancha la discusión, demostrando que se entabla un diálogo en la novelística cervantina entre los principios aristotélicosy los procesos creativos del arte. E l artículo de Bruce W . Wardropper, «Don Quixote: Story o History?», Modern Philology, LX III (1965), destaca la importancia de los significados de la palabra historia para la teoría y la práctica de Cervantes. Don Quixote and the Poetics of the Novel, de Félix Martínez Bonati, Cornell University Press, Ithaca y Londres, 1992 (trad, española E l «Quijote» y la poética de la novela, Centro de Estudios C er vantinos, Alcalá de Henares, 1995) propone una interpretación personal de muchas de las cuestiones tratadas por los investigadores arriba citados. 2. Empleo la palabra romance, en inglés, para diferenciar estas formas narra tivas de la novela de base realista. La distinción es importante en el contex to cervantino. Véase Edward C . R iley, «Cervantes: una cuestión de géne ro», en G. Haley, ed., E l «Quijote» de Cervantes, Taurus, Madrid, 1984 (reimpr. en La rara invención, Crítica, Barcelona, 2001, pp. 185-202). Las obras de los preceptistas italianos que con toda probabilidad conocía Cervantes son las siguientes: de Torcuato Tasso, los Discorsi dell’arte poetica e in particolare sopra il poema eroico (1587) y los Discorsi del poema eroico (1594), que cito por la edición de las Opere, Florencia, 1724, IV; de Giambattista Giraldi Cinthio, el Discorso... intorno al compone dei romanzi, Venecia, 1554 ; de Alessandro Piccolomini, las Annotazzioni... nel libro della poetica d’Aristo- tele, Venecia, 1575; de Antonio Sebastiano Minturno, L ’Arte poetica, Vene cia, 1563, y, finalmente, de Ludovico Castelvetro, la Poetica d ’Aristotele vul- garizzata et sposta, Basilea, 1576. Los textos españoles que nutren la teoría literaria cervantina parecen ser la Philosophia antigua poética (1596) de Alonso López Pinciano (manejo la edición de Alfredo Carballo Picazo, Madrid, 1953, 3 vols.), el Cisne de Apo lo (1602) de Luis Alfonso de Carvallo (del que existe edición moderna de Alberto Porqueras Mayo, Reichenberger, Kassel, 1997), y E l arte poética en romance castellano (1580) de M iguel Sánchez de Lima. Finalmente, como fuentes marginales, tanto españolas como italianas, cabe mencionar los escritos de Juan Luis Vives, Obras completas (traducidas por Lorenzo Riber, Madrid, 1947-1948, 2 vols.), Juan Huarte de San Juan, Examen de ingenios para las sciencias (1575), y Baldassare Castiglione, II libro del Cortegiano (1528). En cuanto a la definición del episodio digresivo y su relación con la tra ma novelesca, vale la pena recordar las palabras, parecidas a las cervantinas, de Giraldi Cinthio, que repara en el placer que producen las digresiones cuando parecen surgir del tema mismo (Dei romanzi, p. 25), mientras que Minturno ve el episodio como algo «fuera de la fábula, pero no tan fuera que le sea extraña» (L ’Arte poetica, p. 18), y el Pinciano declara que «los epi sodios han de estar pegados con el argumento de manera que si nacieran juntos, y se han de despegar de manera que si nunca lo hubieran estado» (.Philosophia, III, p. 173). CL VIII PRÓ LO GO La conciencia de la desmesura de los halagos fruto de una visión idealis ta de los personajes puede verse en el Persiles y Sigismundo cuando el héroe dice a la heroína: «las hipérboles alabanzas, por más que lo sean, han de pa rar en puntos limitados; decir que una mujer es más hermosa que un ángel es encarecimiento de cortesía, pero no de obligación». Pese a que a conti nuación añade: «Sola en ti, dulcísima hermana mía, se quiebran reglas y co bran fuerzas de verdad los encarecimientos que se dan a tu hermosura» (II, 2, f. 6 iv). Otras referencias. Para una valoración global de las aportaciones de R iley de ben releerse ahora los trabajos reunidos en su miscelánea postuma La rara in vención, Crítica, Barcelona, 2001, así como la síntesis de José Montero R e guera «Edward C . R iley o el honor del cervantismo», en J . Robbins y E. Williamson, eds., Cernantes: Essays in Memory of E . C. Riley on the Eve of the Four-Hundredth Centenary of the Publication of Don Quijote, Part I, número es pecial del Bulletin of Spanish Studies, Glasgow, 2004. Algunas de las cuestiones no planteadas o sólo esbozadas por R ile y en su clásico libro sobre la teoría de la novela han sido desarrolladas satisfactoria mente por dos discípulos suyos: Edwin Williamson, E l «Quijote» y los libros de caballerías, Taurus, Madrid, 19 9 1, sobre la aplicación del termino romance a la novelística cervantina, y Anthony J . Close, Cervantes and the Comic Mind of His Age, O xford University Press, 2000, en lo que se refiere a la teoría cervantina de lo cómico. El primer asunto ha dado pie a una nutrida bi bliografía reciente, con contribuciones relevantes de Edward Dudley, The Endless Text: «Don Quixote» and the Hermeneutics, The State University o f N ew York, Albany, 1997; Javier Blasco, Cervantes, raro inventor, Universi dad de Guanajuato, 1998, pp. 145-207; Pedro Javier Pardo Garcia, «El Ro mance como concepto crítico-literario», Hesperia, II (1999), pp. 7 9 -114 ; An thony J . Cascardi, «Romance, Ideology and Iconoclasm in Cervantes», en A .J. Cruz y C .B . Johnson, eds., Ceivantes and His Postmodern Constituencies, Garland, N ueva York, 1999, pp. 22-42. E l agudo trabajo de Wardropper sobre el Quijote como ficción o historia ha generado en los últimos tiempos un interesante conjunto de trabajos que perfilan la cuestión; entre ellos sobresalen los de Domingo Ynduráin, E l des cubrimiento de la literatura en el Renacimiento español, Real Academia Española, Madrid, 1997; Mary M. Gaylord, «Pulling Strings with Maese Pedro’s Pup pets: Fiction and History in Don Quixote», Cervantes, X V III [2] (1998), pp. 1 17 -14 7 ; Anthony J. Close, «¿Cómo se debe remunerar a un escudero, a sa lario o a merced? La cuestión del realismo del Quijote», en I. Lozano R enie blas y J .C . Mercado, coords., Silva. Studia Philologica in honorem Isaías Lerner, Castalia, Madrid, 2001, pp. 153-16 5 ; y Charles Presberg, Adventures in Para dox: «Don Quixote» and the Western Tradition, Pennsylvania State University Press, University Park, 2001. Los trabajos de R iley han supuesto también replantear la cuestión de las lecturas cervantinas: es el caso de Daniel Eisenberg, «La biblioteca de Cer vantes», Studia in honorem Martín de Riquer, Quadems Crema, Barcelona, C E R V A N T E S : T E O R ÍA L IT E R A R IA CLIX 1987, II, pp. 271-328; Edward Baker, La biblioteca de Don Quijote, Marcial Pons, Madrid, 1997; o Alberto Blecua, «Cervantes, historiador de la literatu ra», en Silva. Studia philologica in honorem Isaías Lemer, cit., pp. 87-97. Por último, la relación entre los episodios y digresiones y su inserción en la trama novelesca ha suscitado un abundante discusión en los dos últimos decenios. Aportaciones fundamentales al respecto son las de Alberto Sán chez, «Arquitectura y dignidad moral de la Segunda parte del Quijote», A na les Cervantinos, X V III (1979-1980), pp. 2-23, y «Arquitectura y teoría narra tiva en el Quijote de 1605», Edad de Oro, II (1983), pp. 179-200; José Manuel Martín Morán, E l «Quijote» en ciernes: los descuidos de Cervantes y las fases de elaboración textual, Dell’ Orso, Turin, 1990; Javier Blasco, «“ ...Y los demás que contiene son episodios” (La fábula y los episodios del Quijote)», Casti lla. Estudios de Literatura, X V III (1993), pp. 19-40; Anthony J . Close, «Los episodios del Quijote», en M . Romanos, coord., Para leer a Cervantes. Estu dios de Literatura Española. Siglo de Oro, Eudeba, Buenos Aires, 1999, I, pp. 25-47; David Quint, «Narrative Interface and Narrative Genres in Don Qui jote and the Orlando Furioso», Modern Language Quarterly, LVIII [3] (1997), pp. 241-268, y «Entrelazamientos cervantinos: la Historia del cautivo y su lu gar en Don Quijote», en G. Dopico Black y R . González Echevarría, eds., En un lugar de la Mancha. Estudios ceivantinos en honor de Manuel Duran, A l iñar, Salamanca, 1999, pp. 2 13-228 ;Hans-Jörg Neuschäfer, La ética del «Quijote»: función de las novelas intercaladas, Gredos, Madrid, 1999; yjoachim Küpper, «Die novelas intercaladas in Cervantes’ Quijote», Romanistisches Jahr buch, LII (2001), pp. 387-421. 6. LAS IN TER PR ETA C IO N ES DEL «QUIJOTE» Anthony Close La bibliografía crítica del Quijote es, como el caos primitivo, vasta y pletórica. Y a en el siglo x i x escaseaban los epítetos ne cesarios para ponderar su inmensidad y, desde entonces, se han impreso no pocos millones de palabras sobre el Quijote. E l na rrar la historia de su interpretación desde 1605 hasta nuestros días dentro del breve ámbito de un prólogo es, pues, una tarea que exige por parte del historiador un brutal esfuerzo de selec ción. Solamente voy a tomar en cuenta las interpretaciones que, bien por su amplia repercusión o por su valor representa tivo, constituyen importantes hitos de esa evolución histórica. Además, para dar un enfoque preciso a lo que pudiera fácil mente degenerar en un catálogo de fechas, nombres y títulos, pienso centrarme en una de las constantes de tal historia: el conflicto entre dos actitudes hacia los clásicos. La primera es el tipo de comprensión histórica definido por Schleiermacher, que remite siempre al dominio lingüístico del autor y de sus lectores contemporáneos; la segunda, de índole acomodaticia, trata de adecuar el sentido del texto, a pesar de su infraestruc tura de supuestos arcaicos, a la perspectiva mental del lector moderno. Esta segunda actitud es la postura espontánea del lec tor medio y también la del crítico literario, en cuanto portavoz de los intereses de ese simbólico personaje. Com o suele pasar en los matrimonios, la frecuente tensión entre las dos actitudes oculta una simbiosis latente que se re monta a los orígenes de la hermenéutica -la ciencia de la in terpretación de los textos sagrados—, de la cual se derivan las premisas de la historia literaria moderna. Si bien la exégesis de la primera era del Cristianismo interpreta el Antiguo Testa mento a la luz del N uevo, acomodándolo por medio de un có digo alegórico, aquellos intérpretes, ante la proliferación de versiones heréticas, se vieron obligados a fijar reglas de inter- C L X pretación para acotar el terreno de las lecturas legítimas. La misma alternancia entre flujo liberador y reflujo regulador pue de observarse en la tradición que ahora nos ocupa. Aquí, el yel mo de la acomodación lucha por imponerse a la bacía del histo- ricismo o de la metodología rigurosa, y a la inversa, resultando muchas veces del conflicto el objeto híbrido acuñado humorís ticamente por Sancho Panza. Examinemos un momento clave, a comienzos del siglo x x , en que nace el baciyelmo de la crítica moderna del Quijote. U n mito es una leyenda acerca de los orígenes: su objeto es justificar las prácticas o creencias de un pueblo, hallándoles una génesis divina. D e acuerdo con esto, el comentario de Unamu no, Vida de don Quijote y Sancho (1905), debe considerarse una recreación mítica del Quijote, que lleva la tendencia acomodati cia a sus últimas consecuencias. Para comprender sus premisas, tenemos que echar nuestra mirada atrás, hacia la segunda mitad del siglo x v m , cuando Herder puso en circulación la idea de que cada pueblo tiene un alma histórica, que inspira su peculiar manera de ser y alcanza su más cálida expresión en las grandes obras de arte nacionales. Después de atravesar varias etapas en su desarrollo a lo largo del siglo x i x —Hegel, Carlyle, Taine—, la tradición, casi a punto de agotarse, llega a su culminación iróni ca en el comentario de Unamuno. Aquí, por medio de capri chosas inversiones de las premisas de Cervantes, Unamuno se muestra picaramente consciente de lo idiosincrático de su co mentario al Quijote: por ejemplo, don M iguel toma al pie de la letra la burlesca ficción de que nos las habernos con la crónica verdadera de un caballero heroico; de ahí que trate a Cervantes como a un tonto jovial incapaz de entender el alcance de su crea ción. ¿Interpretación legítima o malabarismos de un prestidigi tador perverso? A juzgar por el prólogo a Del sentimiento trágico de la vida (1913), la segunda alternativa parece la más verosímil. Aquí Unamuno declara en tono desafiante: «¿Qué me importa lo que Cervantes quiso o no quiso poner allí y lo que realmen te puso? Lo vivo es lo que yo allí descubro, pusiéralo o no C er vantes». Para Unamuno, este mensaje vivo se relaciona con una corriente de espiritualidad congénita a la esencia histórica del pueblo español, común a sus grandes santos (San Ignacio, Santa Teresa) y a sus anónimas tradiciones populares. Tal como ha LAS IN T E R P R E T A C IO N E S D EL «Q U IJO T E » CLXI CLXII PRÓ LO G O sido plasmada en el personaje de don Quijote, concuerda con el cristianismo secularizado, lúcidamente irracional, del propio Unamuno, que él ofrece a los lectores españoles como vocación colectiva, capaz de catalizar una futura regeneración de España. E l don Quijote unamunesco, pues, es un héroe mítico, vate de la fe propia de nuestro tiempo. Y a hemos observado que la actitud acomodaticia lleva den tro de sí los gérmenes de su contraria y no se resigna fácil mente a renunciar a sus derechos de legitimidad. Resulta evi dente para todo el que lo lee que el comentario de Unamuno, a pesar de sus caprichos y bufonadas, aspira a imponerse al lec tor como una legítima explicación del sentido del Quijote, y descansa sobre la distinción entre el sentido vivo de un texto clásico correspondiente a sus rasgos perdurables y la efímera capa histórica que tanto preocupa a los especialistas universita rios. Este tipo de distinción la hallamos también en los demás miembros de la llamada generación del 98, mayormente Azo- rín, quien, como Unamuno, se opone vigorosamente al tipo de historia literaria vigente en la época de Menéndez Pelayo (1856 -19 12). Lo que la generación aborrece en esa pedagogía institucional es su cerril sensatez, típica del positivismo de cimonónico, preocupado siempre por el preciso sentido fi lológico y los determinantes históricos del texto literario. Todo ello, los noventayochistas pretenden reemplazarlo por una aproximación íntima y viva a los clásicos, que los haga ase quibles al lector moderno y descubra en ellos señales que apunten a un nuevo ideario colectivo, catalizador de una nue va España. Sin embargo, por razones evidentes, la nueva valoración de los clásicos no podía imponerse eficazmente si no se tomaba en serio el problema metodológico al que Unamuno volvía capri chosamente las espaldas. Esta justificación metodológica la apor tarían dos hombres ilustres: primero, José Ortega y Gasset; des pués, Américo Castro. Consideremos primero las Meditaciones del «Quijote» de Ortega, cuya publicación en 19 14 marca el momento en que el yelmo de la interpretación unamunesca se convierte en baciyelmo. En unas breves y, al parecer, inocentes frases de su prólogo, Ortega efectúa una revolución en la interpretación del Quijote, mediante una distinción entre personaje y estilo: «Conviene, pues, que haciendo un esfuerzo, distraigamos la vista de don Quijote, y vertiéndola sobre el resto de su obra, ganemos en su vasta superficie una noción más amplia y clara del estilo cer vantino». Sugerencia que supone un rechazo tanto de la in terpretación noventayochesca del Quijote, centrada obsesi vamente en la figura del héroe, como de la crítica positivista (Morel-Fatio, Rodríguez Marín), empeñada en ver los textos literarios como mero reflejo o producto de las circunstancias históricas y biográficas en que se engendraron. Para Ortega, como para su contemporáneo Benedetto Croce, dichos textos tienen una estructura regida por leyes propias e internas, de ín dole estética, que corresponden a la intuición creadora del ar tista, su peculiar manera de ver el mundo; «El ser definitivo del mundo no es materia ni esalma, no es cosa alguna determina da, sino una perspectiva». C on esta afirmación, Ortega sienta no sólo las bases de su propia filosofía, sino las del cervantismo moderno. Las palabras reflejan una filosofía postkantiana que da primacía a la mente, no a la materia, y le confiere la función de estructurar a priori nuestro conocimiento de la realidad. Por aquellos mismos años, Ferdinand de Saussure difundía unas en señanzas semejantes en su Curso de lingüística general, enseñanzas que sus sucesores aplicarían al lenguaje literario, a la antropolo gía, a la semiótica en sus diversas ramas. La estilística (Spitzer, Hatzfeld, Casalduero, Rosenblat), muy influyente en la crítica cervantina del siglo x x , sacará de tal fuente sus premisas fun damentales: sobre todo, la concepción del lenguaje como un sistema formal reducible a unos pocos principios dinámicos y simetrías estructurantes. E l pensamien to de Cervantes de Américo Castro (1925), que inaugura el cervantismo moderno, es com plementario de ese movimiento. Pero, junto a esos elementos nuevos, hay otros supuestos en el libro de Ortega que se remontan directamente al Rom anti cismo alemán: la mencionada creencia en el alma de un pue blo; la idealización del arte como síntesis simbólica del pensa miento de toda una época; la convicción a priori acerca de la profundidad enigmática de las obras maestras. Estos supuestos, que no desaparecerán, ni mucho menos, en el transcurso del si glo x x , favorecen la supervivencia de la interpretación mítica LAS IN T E R P R E T A C IO N E S D E L « Q U IJO T E » CLXIII CLXIV PRÓ LO GO del Quijote. Así que, si bien Ortega opone una bacía al yelmo de Unamuno, la oposición dista mucho de ser radical. Para Ortega, el Quijote es un llamamiento a los españoles para que domeñen la sensualidad anárquica inherente a su cultura y reivindiquen su herencia teutónica: la meditación, en un senti do lato del término. En efecto, sin mencionar a Unamuno, Or tega contrasta el vitalismo irracional de aquél con su propia fi losofía de la razón vital. Para Ortega, la alucinación de don Quijote, que toma por gigantes los prosaicos molinos de vien to del campo de Montiel, simboliza el eterno esfuerzo en el que se debate la cultura toda por dar claridad y seguridad al hombre en el caos existencial en que se halla metido. E l error quijotesco, pues, es heroico y ejemplar. Pero no constituye en absoluto una advocación de un racionalismo abstracto, aislado en su torre de marfil. A l enfrentar el plano del mito, propio del género épico, con el plano de la tosca realidad, vinculado con la comedia, Cervantes define la misión de la cultura en el mun do moderno y el tema del género híbrido encargado de expre sar su Weltanschauung: la novela. Esa misión consiste en procla mar un nuevo valor, distinto a las verdades absolutas o a las consabidas tradiciones milenarias: la vida, radicada en el yo de cada ser humano. Tal es el sentido de la aventura del retablo de maese Pedro. D e la misma manera que don Quijote se halla imantado por la ilusión teatral hasta el punto de creer verdade ros los sucesos representados en el retablo, asimismo el lector se halla sutilmente sugestionado por la ilusión novelesca, arrastra do hacia su interior, gracias al truco mediante el cual Cervan tes opone ilusión (el retablo y lo que representa) a realidad (el cuarto del mesón y los espectadores allí reunidos). De esta ma nera, el lector percibe que la alucinación de don Quijote sim boliza el voluntarismo autocreador en que consiste la existen cia humana, obligada a alzar el vuelo del plano cotidiano hacia un «más allá» de ideales subjetivos. Com o veremos, las sucintas páginas dedicadas a la aventura del retablo de maese Pedro son el punto de arranque de dos corrientes de crítica literaria que surgen después de la Guerra C ivil española: el existencialismo y el perspectivismo. Volvamos ahora al punto de partida cronológico de nuestra historia: el siglo x v u . «El Quijote ni fue estimado ni compren dido por los contemporáneos de Cervantes», falla tajantemente Azorín en uno de sus ensayos. Este juicio, aunque esencial mente falso, encierra una verdad a medias. Es falso porque pasa por alto la gran popularidad de que disfrutó el Quijote en la Es paña del siglo X V I I , época en que era casi tan familiar como el Rom ancero para el hombre de la calle. U n ejemplo curioso de esta familiaridad nos lo ofrece la conversión de la lamentación de Sancho por la pérdida del rucio en tópico consagrado que se saca a colación cuando a algún personaje de comedia le so breviene una desgracia semejante. Ahora bien, lo que contri buyó sin duda a la consagración del tópico, aparte de los méri tos del pasaje, tan acorde con el regocijo, típico en aquella época, ante cualquier confusión de lo asnal con lo humano, son las asociaciones más o menos proverbiales que lo envuelven todo: el famoso olvido de Cervantes con respecto a la pérdida y hallazgo del rucio; el tema de la amistad de éste con su amo, con antecedentes en el refranero; la encarnación de Sancho y su asno en figuras carnavalescas que desfilaban por las calles en fiestas públicas, como las organizadas en honor de la Inmacula da Concepción en Utrera y Baeza en 16 18 . E l mencionado juicio de Azorín es inexacto por dos razones más. En primer lugar, resta valor a los enfáticos tributos que a los méritos de Cervantes -invención, ingenio, gracia, elegancia, decoro, discreción— rinden jueces tan calificados como Valdi- vielso, Salas Barbadillo, Tirso de Molina, Quevedo, Tamayo de Vargas, Márquez Torres y Nicolás Antonio. E l juicio de este úl timo es significativo. Para un siglo que estimaba tan altamente el ingenio, no debe considerarse menudo elogio lo siguiente, proferido por su principal bibliógrafo: «ingenii praestantia et amoenitate, unum aut alterum habuit parem, superiorem nemi nem» (‘por la excelencia y amenidad de su ingenio, tuvo algún que otro igual, pero ninguno superior’). En segundo lugar, Azorín exige anacrónicamente que los hombres del siglo x v u , al enjuiciar el Quijote, compartiesen el criterio de profundidad propio de la generación del 98. Todos, sin excepción, incluso tan perspicaz y entusiasta admirador de Cervantes como el fran cés Saint-Evremond, vieron en la novela simplemente una obra de entretenimiento genial, de naturaleza risible y propósito sa tírico. Com o justificación de esta «miopía» masiva, conviene LAS IN T E R P R E T A C IO N E S D EL « Q U IJO T E » CLXV CLXVI PRÓ LO GO añadir que los numerosos juicios que el propio Cervantes emi te sobre su obra no disienten esencialmente de la opinión co mún; el más elocuente de estos juicios, por ser sin duda el que Cervantes querría que tuviese valor de epitafio literario, es la entusiasta salutación proferida por el estudiante a quien Cer vantes y su pequeña comitiva encontraron en el camino de Es- quivias a Madrid: «¡Sí, sí; éste es el manco sano, el famoso todo, el escritor alegre, y, finalmente, el regocijo de las Musas!» (Per- siles y Sigismunda, Prólogo). Salutación repetida con variantes en múltiples ocasiones en la Segunda parte del Quijote, donde Cer vantes recoge fielmente las reacciones de lectores contemporá neos ante su libro, diferenciándolas según sus especies: juvenil, madura, sofisticada, plebeya, regocijada, despectiva... Sin embargo, el ju icio de Azorín llama la atención sobre una curiosa deficiencia en la actitud del siglo x v i i hacia el Quijote. C on algunas excepciones, como el licenciado Márquez Torres, aprobador de la Segunda parte del Quijote, el siglo se muestra extrañamente reacio a otorgar a un autor tan estimado el ran go clásico que lógicamente parece corresponderle y que, en Es paña, les fue conferido a Garcilaso, Góngora, Lope de Vega, Alemán, Fernando de Rojas, Quevedo y Calderón. A falta de tal promoción, la obra de Cervantes nunca consigue la aten ción ponderadaque se presta a estos otros autores. A este res pecto, es relevante comparar la fortuna del Quijote con la de Guzman de Alfarache y La Celestina, dos obras que, como aquél, pertenecen a un género bajo y risible y son excéntricas en re lación con los cánones de la poética clásica. Los factores que llevan a los traductores extranjeros de La Celestina y Guzmán, y a Gracián, en sus fervorosos elogios a ambas obras en su Agu deza y arte de ingenio, a elevarlas al nivel del Parnaso son la gra vedad ejemplar y sentenciosa, de origen libresco, que manifies tan. Cualidades que para Gracián tienen el realce privilegiado de la agudeza. Aunque el Quijote no esté exento, ni mucho menos, de tales propiedades, Cervantes, en el prólogo a la Pri mera parte, casi hace alarde de renegar de las mismas y, en el cuerpo de la obra, tiende a ocultarlas bajo un velo de amena jo vialidad. Así que, a ojos de sus contemporáneos, el Quijote no pone en primer término las cuahdades más indicadas para redi mirle de cierto aire de alegre intrascendencia, y ello a pesar del LAS IN T E R P R E T A C IO N E S D EL « Q U IJO T E » CLXVII general reconocimiento de que Cervantes, «ese ejecutor acérri mo de la expulsión de andantes aventuras» (Tirso de Molina), se propuso un fin provechoso y lo logró con éxito fulminante. A esto se deberá sin duda el que Gracián no mencione nunca el nombre de Cervantes y el que aluda a él de forma tan des pectiva en E l Criticón, en el episodio de la Aduana de las Eda des, destinado a calificar la lectura apropiada para la madurez varonil (El Criticón, II, crisi primera). Por otra parte, algunas de las cualidades más destacadas del Quijote —la famosa urbanidad de Cervantes, el naturalismo de su caracterización, su brillante sátira contra la afectación literaria y los estereotipos y conven ciones novelescos- no coincidían exactamente con los juicios de valor preconcebidos vigentes en la época, al menos en Es paña e Inglaterra. Buen ejemplo al propósito es la versión del Quijote de Avellaneda. Aquí desaparece todo el chispeante hu m or dél estilo narrativo de Cervantes, incluso la ficción acerca de Benengeli, los incansables juegos de palabras, la parodia de diversos registros. Se esfuma el relieve dado a la textura de la vida cotidiana y a la psicología correspondiente. Se eliminan el entorno pastoril o montañoso, imbuido de alusiones literarias y las continuas interferencias entre lo cómico y la evasión ro mántica. Lo más llamativo de estas modificaciones es el notable empobrecimiento de las personalidades de amo y mozo; éste, en manos de Avellaneda, se vuelve el simple gárrulo, tosco, glotón y maloliente de la comedia del siglo x v i , mientras que aquél apenas si sale del molde fijado por Cervantes en los capí tulos iniciales de su novela: el delirante y ensimismado imita dor de literatura caballeresca. E l Quijote goza de mayor prestigio en Francia. En el siglo del bon goût y del academicismo literario, los mencionados méritos del Quijote cundieron como ejemplo práctico, repercutiendo brillantemente en Le roman comique de Paul Scarron, y recibie ron aprobación formal por parte del padre Rapin en sus Réfle xions sur la poétique ci’Aristote (1674). M erecen mención especial los elogios de sti contemporáneo Saint-Evremond, que consi dera el Quijote como el libro más capacitado para enseñarnos a formar «un bon goût sur toutes choses»; partidario de los M o dernos, en la querella de los Antiguos y los Modernos, equipa ra el Quijote con la Aminta de Tasso y los Essais de Montaigne, CLXVIII PRÓ LO G O que pueden rivalizar con cualquier producción de la Antigüe dad. C on estos juicios, pisamos ya los umbrales del siglo x v m . En el siglo x v m Cervantes tuvo mejor suerte; a este siglo se debe el honor de haberle colocado sobre un pedestal, empresa en que tienden a confundirse los elogios a las virtudes del hom bre con los méritos de su obra. Se suele decir que fueron los extranjeros, mayormente los ingleses, quienes enseñaron a los es pañoles a estimar en su justo valor a Cervantes. Aunque no puede negarse que la fervorosa afición a Cervantes manifestada por los ingleses del siglo x v m estimulara en parte el giro de opinión producido en España, éste, a mi juicio, habría surgido espontáneamente de una u otra manera, gracias a una serie de factores característicos de la Ilustración española, que eran fa vorables a Cervantes en la misma medida en que no lo eran para Góngora y Calderón. Estos factores son el espíritu crítico y normativo de la época, acorde con los motivos neoclásicos que inspiran la sátira cervantina del género caballeresco; la ac titud moralizante que lleva a Luzán, en su Poética (1737), a de clarar que «el fin de la Poesía es el mismo de la filosofía moral»; la propensión a mirar con ojos benignos a escritores del Siglo de Oro clásicos y castizos, no contaminados por las tendencias «decadentes» del siglo xv ix , como el culteranismo. Este último motivo lleva a Gregorio Mayans y Sisear, en su Retórica castella na (1757), y a Antonio Capmany, en su Teatro histórico-crítico de la elocuencia española (1786), a citar múltiples trozos de Cer vantes como modelos estilísticos. Las dos obras citadas marcan importantes hitos en el proceso de institucionalización pedagó gica de Cervantes en España. Por lo que hace a las interpreta ciones extranjeras del Quijote, sólo mencionaré de paso dos as pectos: primero, la nueva valoración del figurón (humourist) en Inglaterra, que da pie a la creación de personajes extravagantes pero amables modelados directamente sobre don Quijote; y, en segundo lugar, la elaboración del tipo de humor caprichoso y reflexivo que exhibe Cervantes como narrador del Quijote, in cluido todo el repertorio de trucos tendentes a llamar la aten ción sobre la ilusión ficticia o ironizar acerca de las convencio nes literarias. Todo ello culmina en The Life and Opinions of Tristram Shandy de Laurence Sterne, que, además de ser una novela genial, encierra, de modo implícito, una interpretación LAS IN T E R P R E T A C IO N E S D EL « Q U IJO T E » CLXIX audazmente innovadora del Quijote, que tendrá que esperar hasta el siglo x x para su formulación. Ahora vuelvo la mirada a España, donde tienen lugar los adelantos más significativos. E l libro de Mayans y Sisear Vida de Miguel de Cervantes Saa vedra es un estudio crítico fundamental, que sienta las bases de la investigación metódica de la vida y obra de Cervantes. Fue traducido al inglés y al francés y reeditado varias veces en Es paña. Se trata de una obra de encargo, solicitada por lord John Carteret para servir de prólogo a la esmerada edición del Qui jote, corregida por Pedro Pineda, que imprimió el librero lon dinense Jacob Tonson en 1738 y que Carteret regaló a la reina Carolina para adornar los estantes de su pabellón de Richm ond Park. E l valenciano Mayans, jurisconsulto, latinista, impugna dor de la decadencia lingüística y, en las postrimerías de su vida, editor de una magistral edición de las obras de Juan Luis Vives, ejercía de bibliotecario real en la época en que escribió el libro. Habida cuenta de que éste se compuso en los albores de la in vestigación metódica de la historia literaria, no es de extrañar que contenga una apreciable cantidad de errores o suposiciones inexactas; lo impresionante del libro es la frecuencia con que Mayans da en el blanco, gracias a su conocimiento detallado de los textos cervantinos, que cita copiosamente. En cuanto inter pretación del Quijote, fija las grandes líneas que seguirán los principales sucesores de Mayans en la época neoclásica españo la, y tiene el mérito de ver la obra de Cervantes como un sis tema artístico coherente, cuyos «manifiestos» teóricos, como la discusión entre el canónigo de Toledo y el cura (I, 47-48), con- cuerdan entre sí y con la práctica de Cervantes. Esta idea fe cunda fue desechada en elsiglo x i x , para no ser rehabilitada hasta el tercer decenio del siglo x x . La aproximación de M a yans es fundamentalmente apologética y da por sentada la pre misa que al siglo x v i i español le había resultado tan difícil reconocer: la de que las obras en prosa de Cervantes son de chados de regularidad neoclásica y pueden rivalizar con los m o numentos de la Antigüedad. Así que el Quijote es comparable con la Ilíada: «Si la ira es una especie de furor, yo no diferen cio a Aquiles airado de don Quijote loco. Si la Ilíada es una fá bula heroica escrita en verso, la Novela de don Quijote lo es en prosa, “ que la épica (como dijo el mismo Cervantes) tan bien CLXX PRÓ LO G O puede escribirse en prosa como en verso” » (Vida, p. 158). Por supuesto, Mayans reconoce que este principio formal está de sarrollado en el Quijote bajo un aspecto gracioso, popular y co tidiano, y con la variedad de estilos y asuntos que caracteriza las novelas de Cervantes en general (Vida, pp. 43, 5 1, 156). Las ac titudes reformistas de Mayans y su simpatía hacia los humanis tas españoles del siglo x v i se hacen patentes en su tratamiento del desarrollo de la literatura caballeresca y de los errores que había introducido en la historia, denunciados por hombres como Pedro de Rhúa, Pero M exía y Juan Luis Vives. Para M a yans, estas denuncias y la sátira de Cervantes obedecen al mis mo impulso crítico. Una sección importante del ensayo está dedicada a rebatir, mediante una exposición de las teorías dra máticas de Cervantes, las acusaciones que Avellaneda le había hecho de escribir el Quijote impulsado por la envidia que les te nía a él y a Lope de Vega. He aquí otra oportunidad para in sistir en el neoclasicismo de Cervantes, y además en su sereni dad y magnanimidad, cualidades estéticas y morales que Mayans contrasta repetidamente con los defectos de su detractor. Sobre los cimientos puestos por Mayans, el docto artillero Vicente de los R íos montó el edificio de su Análisis del Quijo te, que sirve de prólogo a la magnífica edición del Quijote pu blicada por la R eal Academia Española en 1780. E l ensayo fue objeto de un caluroso elogio en la Historia de las ideas estéticas de Menéndez Pelayo. En España, al menos hasta mediados del siglo X I X , ninguna otra interpretación del Quijote superaría a ésa en autoridad e influencia. Lo que Vicente de los R íos aña dió a la interpretación de Mayans fue, principalmente, un pe netrante análisis de la dicotomía entre ilusión y realidad en que se funda la acción de la novela. Para D e los R íos, el Quijote con tiene una novela épica, con todas las de la ley, encajada dentro de una novela realista; y esta estructura concéntrica la consigue Cervantes mediante las dos perspectivas sobre la acción, anta gónicas pero perfectamente sincronizadas, que mantiene desde el comienzo hasta el fin. La primera, que es la del protagonista y permanece inmune a la realidad gracias a su locura, le permi te interpretar todo lo que le pasa como una serie de maravillas propias de la épica caballeresca, con sus peripecias, obstáculos y resoluciones correspondientes. La segunda, que es la nuestra, nos hace considerar la primera como ridiculamente extraviada y contraponer a su cadena de lances imaginarios una serie m uy distinta: casual, prosaica, caprichosa y, sobre todo, verosímil. Así que, en el crisol de la verosimilitud psicológica con que ha retratado la manía quijotesca, Cervantes ha fundido dos mun dos artísticos en uno, logrando los efectos maravillosos del gé nero caballeresco sin incidir en su empalagosa inverosimilitud. Nadie se acuerda ya de Vicente de los R íos, pero, en esencia, esta idea suya acerca de la doble perspectiva del Quijote ha so brevivido a todos los cambios de interpretación sucedidos des de su tiempo hasta el nuestro. En el balance arrojado por la interpretación neoclásica del Qui jote hay que tener en cuenta también el debe. Después de los pa negíricos prodigados a Cervantes por sus más destacados intér pretes dieciochescos, entre los que se cuentan los grandes editores del siglo (John Bow le, Juan Antonio Pellicer), tenía for zosamente que llegar una reacción, y ésa se produjo en la gran edición de Diego Clemencín (1833-1839). Henos aquí ante una nueva forma de la dicotomía que definimos al principio de este prólogo. Por extraño que parezca el calificar de neoclásico a un hombre del siglo x ix , las premisas de Clemencín cuadrarían per fectamente en el siglo x v m , y sus mismos reparos al Análisis de Vicente de los R íos se inspiran en la estética neoclásica: una con cepción antihistórica de la pureza de la lengua, y también de las sacrosantas reglas. Estos son los palos que empuña Clemencín para castigar en sus notas a pie de página las supuestas incorrec ciones del Quijote -torpezas gramaticales y estilísticas, inconse cuencias cronológicas y geográficas—, abriendo así un debate y una temática que han permanecido vivos hasta época muy re ciente, y haciendo revivir virulentamente el antiguo tópico de «Cervantes, ingenio lego». D e aquí en adelante, al menos hasta 1925 (año de la publicación de E l pensamiento de Cervantes), la crí tica más autorizada considerará a Cervantes como un genio in consciente. La inmensa autoridad de la edición de Clemencín, que completa y corona los esfuerzos de sus grandes precursores Bow le y Pellicer por documentar las referencias de Cervantes a la literatura caballeresca, contribuye a perpetuar esta opinión. En torno a 1800, la interpretación neoclásica del Quijote se vio minada por el Romanticismo alemán, que tomó la obra LAS IN T E R P R E T A C IO N E S D EL « Q U IJO T E » CLXXI CLXXn PRÓ LO G O como modelo del género que proclamaría como suyo, la no vela, y lo convirtió, además, en una de las piedras angulares de su reconstrucción de la estética y de la historia literaria. Gracias al impacto de esta revolución sobre la historia intelectual pos terior, sus repercusiones en la interpretación del Quijote habían de ser profundas. Para los hombres de aquella generación —Frie drich y August Wilhelm Schlegel, F.W .J. Schelling, L. Tieck, Jean Paul R ich ter-, el Quijote constituía una cima artística tan elevada como las obras de Shakespeare y cumplía el requisito de la novela ideal: el de ser un poema en prosa que «ejecuta fantásticas variaciones sobre la melodía de la vida». Lo admira ban por su rica polifonía de tonos y estilos, las caprichosas pi ruetas de su humor, su actitud agridulce hacia la caballería me dieval, su universalidad mítica; e interpretaban todo eso de acuerdo con su visión del destino histórico del hombre, escin dido entre el espíritu y la naturaleza, y en un proceso de desa rrollo continuo hacia una síntesis. Para ellos, la obra ejemplifi caba la llamada ironía romántica en todas sus manifestaciones: el sentido de la oposición entre lo ideal y lo real; el escepticis mo del artista hacia sus más queridas ilusiones; el lúdico desin terés que demuestra ante su propia creación. Entre estos juicios y los característicos del siglo x v m media una distancia inmen sa. Y a no se califica el Quijote de «épica burlesca» (Vicente de los R íos), ni de «sátira contra el entusiasmo y el extremismo» (lugar común compartido por Voltaire, D ’Alembert, el doctor Johnson, Fielding y el alemán Bertuch, en su traducción del Quijote de 1775). N i mucho menos se lo considera una obra de burda comicidad solamente válida para «entretener la hora de la digestión después del almuerzo», según la caricaturesca frase de Friedrich Schlegel. Ahora se habla de su «exquisita seriedad», se insiste en la ambigua profundidad de su alcance satírico, y, en cuanto obra épica, se le equipara con los grandes poemas de Camöes, Ariosto, Milton, Tasso. La apoteosis de esta nueva in terpretación la marcan las páginas que en su Philosophie der Kunst el filósofo Schelling dedica al género dela novela, cuyos paradigmas principales son el Quijote y Wilhelm Meister de Goethe. Aquí, Schelling desarrolla la idea, fundamental para el siglo X I X , de que mediante el personaje de don Quijote Cer vantes presenta la lucha simbólica entre lo ideal y lo real, adop tando un tono robustamente cómico y realista en la Primera parte del Quijote, y un sofisticado perspectivismo en la Segun da, donde lo ideal se halla atrapado, reflejado y degradado por la sociedad, de manera algo semejante a lo que les ocurre a los compañeros de Ulises con la maga Circe. Una de las grandes ideas innovadoras del Romanticismo re presenta una inversión —y por eso mismo una prolongación— de la premisa fundamental del Siglo de las Luces, que postula que la civilización europea representa una progresiva superación del pensamiento mítico y primitivo. E l romanticismo acepta la premisa, pero saca conclusiones diametralmente opuestas, al considerar como proceso negativo la enajenación a la que se ve sometido el hombre urbano apartado de sus orígenes. Estos -e l mundo gótico, los mitos, la robusta sencillez de la Edad M e dia— se evocan ahora con nostalgia idealizante. Revolucionaria también es la concepción de la naturaleza como un vasto orga nismo, animado por una corriente de energía vital, que al ex teriorizarse en el mundo de las criaturas se ve sometida a con tinuas evoluciones, destinadas a llegar algún día a una síntesis de la naturaleza y el espíritu. Tal concepto de la naturaleza mina la fe neoclásica en la universalidad de las leyes del gusto, y, en cambio, celebra la diversidad cultural. Así, en sus discur sos sobre literatura antigua y moderna (Viena, 18 12), Friedrich Schlegel afirma que el Poema de Mio Cid, por su casticismo de pura cepa, es de más valor para España que toda una bibliote ca, y que el Quijote revive ese espíritu de caballería medieval y retrata en colores imperecederos las costumbres y los valores de la España de Felipe II. A partir de este momento, la crítica decimonónica del Quijote estará marcada por un carácter his- tórico-nacionalista, en contraposición con el espíritu precepti vo del siglo anterior. Sin embargo, como veremos, la oposición entre las dos posturas oculta rasgos de continuidad menos apa rentes. En España, la manifestación más temprana de la aproxima ción romántica ai Quijote exhibe claramente el aludido carácter nacionalista y sirve para rechazar una acusación de antipatrio tismo que se le venía haciendo a Cervantes desde mediados del siglo X V II. Según sus detractores —el más célebre era Lord Byron—, Cervantes «destrozó con una sonrisa» no sólo los libros LAS IN T E R P R E T A C IO N E S D E L « Q U IJO T E » CLXXIII CLXXIV PRÓ LO G O de caballería, sino la caballería en general, y con ella, el pun donor castellano. La necesidad de rechazar esta especie nada li sonjera originó un tipo de aproximación al Quijote que, en Es paña, durante un siglo y medio, gozaría de gran autoridad. Entre sus epónimos figuran Agustín Durán (1849), Juan Valera (1864), Menéndez Pelayo (1905) y Menéndez Pidal (1920). Fue Agustín Durán, en el prólogo a su gran edición del Rom ance ro español en la Biblioteca de Autores Españoles, quien dio con el germen de un alegato de defensa convincente. Según Durán, lejos de acabar con el espíritu guerrero de Castilla, Cervantes limpió un foco de infección que lo iba estragando, a saber, una forma de caballería perniciosa, de origen francés, que se intro dujo en España a raíz de la imposición de la monarquía autori taria por los Reyes Católicos. En efecto, Durán convierte a Cervantes en un liberal patriótico que se rebela contra el afran- cesamiento cultural y un gobierno despótico semejante al in troducido por los Borbones. Y desvirtúa la tradicional acusa ción de que Cervantes «deshizo con una sonrisa la caballería española» añadiéndole las palabras: «y de buena nos libramos». Cuando los tres mencionados sucesores de Durán recogen y desarrollan esa tesis, en sendas conferencias magistrales, ya se ha establecido en España la idealización romántica de la caballería medieval y del carácter de don Quijote. La visión que del Qui jote proyectan los tres críticos es, hasta cierto punto, homogé nea. Todos señalan la sobriedad y el realismo histórico de la épica y el Rom ancero españoles, en contraste con sus exóticos congéneres del norte de Europa; todos dividen la personalidad de don Quijote en dos mitades, una noble y otra ridicula, co rrespondientes a los dos aspectos de la dicotomía entre castizo y extranjero; todos atribuyen a Cervantes una actitud ambivalente hacia la épica medieval, en relación con la cual el Quijote es a la vez canto de cisne y ave fénix, destruyéndola en su aspecto anacrónico y renovándola en una nueva forma -la novela— más adecuada al mundo moderno. La conferencia de Menéndez Pelayo «Cultura literaria de M iguel de Cervantes y elaboración del Quijote» es, como cabía esperar del maestro santanderino, una sinopsis magistral, aún no envejecida, de las conexiones intertextuales en que se sustenta la obra cervantina. Exhibe el casticismo conservador típico de todas sus obras de historia intelectual o literaria, y además un clasicismo latente, que se manifiesta en los epítetos con los que intenta captar los rasgos más típicamente cervantinos: «lo claro y armónico de la composición»; «el buen gusto que rara vez fa lla»; «cierta pureza estética que sobrenada en la descripción de lo más abyecto y trivial»; «cierta grave consoladora y optimista filosofía»; «la olímpica serenidad de su alma, no sabemos si re gocijada o resignada». Para Menéndez Pelayo, todo esto es sín toma de un clasicismo espiritual, no aprendido en los libros, que hace de Cervantes un alma gemela de Luciano, Boccaccio y los erasmistas y humanistas españoles. Y , por encima de todo, descuella esa entrega candorosa a la realidad, propia del artista helénico, que suprime toda afectación de estilo, toda con torsión de la fantasía, y hace que nos preguntemos constante mente: «Entre la naturaleza y Cervantes, ¿quién ha imitado a quién?». Estas palabras resumen la actitud del positivismo deci monónico ante el Quijote, contra la que va a arremeter Am éri- co Castro veinte años después. La conferencia de Menéndez Pidal «Un aspecto en la elabo ración del Quijote» es, en realidad, la comprobación sistemática de una idea de Menéndez Pelayo: la de que el carácter de don Quijote evoluciona mediante un proceso de depuración, a m e dida que Cervantes se va emancipando de la tosca fórmula pa ródica adoptada en los primeros capítulos de la novela. La apor tación de Menéndez Pidal consiste en hallar catalizadores precisos para las etapas de dicho proceso: en especial, el anóni mo Entremés de los romances, supuesto modelo de los capítulos iniciales del Quijote. Aunque la tesis de Menéndez Pidal, por lo que al entremés respecta, ha perdido crédito en años recientes, esta conferencia fue durante mucho tiempo una demostración ejemplar de cómo analizar la relación entre el artista y sus fuen tes. Por otra parte, de esta conferencia, como de la de M enén dez Pelayo, trasciende un espíritu conservador que hace ver el Quijote como paradigma del tradicionalismo de la cultura cas tellana: según esta visión, la novela de Cervantes es un sober bio fruto tardío de corrientes creadoras derivadas de la Edad Media. E l libro de Salvador de Madariaga Guía del lector del «Quijo te» (1926) sirve de colofón a estas dos conferencias, y analiza la LAS IN T E R P R E T A C IO N E S D EL « Q U IJO T E » CLXXV CLXXVI PRÓ LO G O supuesta depuración de la personalidad de don Quijote bajo un aspecto psicológico. E l estereotipo de un Cervantes genialmente irreflexivo, co mún a los críticos más autorizados del período 1860-1925, debe considerarse históricamente como una prolongación de los re paros pedantescos de Clemencín a las «incorrecciones» del