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FICHAMENTO – A REVOLUÇÃO RUSSA DE LENIN E STALIN IDENTIFICAÇÃO Nome completo do autor da ficha de leitura: Thaís Lysakowski Ness Número do semestre do curso: 2 Curso: Relações Internacionais REFERÊNCIA DA OBRA: CARR, Edward Hallett. A Revolução Russa de Lenin e Stalin (1917-1929). Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1981, p. 18-26, 81-107, 157-166. Palavras-chave relacionadas ao tema: Rússia, Europa, Ocidente, Oriente, comunismo, relações diplomáticas, revolução, relações externas INFORMAÇÕES SOBRE O AUTOR: Edward Hallett Carr nasceu em 1892, em Londres, na Inglaterra. Em 1916, entrou para o Ministério das Relações Exteriores, iniciando carreira diplomática. Deixou de lado a carreira de diplomata para se dedicar à carreira acadêmica, se tornando editor assistente do jornal britânico The Times, e membro de universidades em Oxford e Cambridge. Durante sua vida, se dedicou à Ciência Política e à História, tendo grande interesse no campo das Relações Internacionais. Se especializou na história da Rússia soviética, sendo seus trabalhos de maior contribuição os livros que fazem parte da série “História da Rússia Soviética”, que inclui “A Revolução Bolchevique (1917-1923)”, “Interregnum (1923-1924)”, “Socialismo em um só país (1924-1926)” e “Os fundamentos de uma economia planejada (1926-1929), todos publicados entre as décadas de 1950 e 1970. Veio a falecer em 1982, em decorrência de um câncer. TEMA GERAL E ESTRUTURA DO TEXTO: O livro de Carr, intitulado “A Revolução Russa de Lenin a Stalin” trata sobre a história da Revolução Russa, desde seu início, com a liderança de Lenin, até o governo de Stalin. Ele é dividido em capítulos, e para este trabalho foram estudados os capítulos 2, 9, 10, 11 e 18. Cada um desses capítulos trata sobre um aspecto da revolução e do governo soviético em um certo período de tempo. Os capítulos trabalhados se dividem da seguinte forma: Capítulo 2: intitulado “Os dois mundos”, esse capítulo apresenta a Europa na época da revolução (entre 1917 e início de 1920), que está dentro do contexto da Primeira Guerra Mundial e do pós-guerra. São tratadas questões diplomáticas e militares, acordos feitos entre a Rússia e outros países europeus, formação de exércitos tanto pró revolução quanto contra, e sobre a expectativa e possibilidades de levar a revolução a outros países europeus. Dessa forma, percebe-se a divisão da Europa em dois mundos: os países ocidentais capitalistas e a Rússia socialista. Capítulo 9: tendo como título “A URSS e o Ocidente (1923-27)”, enfatiza a relação da Rússia com outros países europeus. O capítulo traz a dificuldade da URSS de ser reconhecida por outras potências, bem como sua proximidade com a Alemanha e o desentendimentos com a Grã-Bretanha. Este é um período de isolamento para a Rússia, e de baixas expectativas quanto à internacionalização da revolução. Também, é tratado sobre a influência do partido russo em outros partidos comunistas e sindicatos da Europa, e de uma tentativa de se aproximar de outros países, como os colonizados da África e Ásia. Capítulo 10: “A URSS e o Oriente (1923-27)”, nos moldes do capítulo anterior, tem seu foco voltado para as relações da Rússia com os países orientais, com maior ênfase em sua relação com a China, único país oriental que permitia maior abertura às ideologias soviéticas. Capítulo 11: “O início do planejamento” apresenta a questão econômica da Rússia Soviética. São abordadas sua tentativa de um planejamento econômico e a discussão entre uma economia agrária ou industrial. É enfatizada a necessidade que o país sentia de se industrializar para sua autossuficiência e os percalços para seu alcance. Capítulo 18: o último capítulo estudado, intitulado “A URSS e o mundo (1927-29)”, nos dá uma visão geral de como estavam as relações da União Soviética referente ao restante do mundo, em finais da década de 1920, trazendo informações sobre os relacionamentos dentro da Europa, tanto com países, principalmente Alemanha e Grã-Bretanha, como também com partidos esquerdistas. O capítulo também apresenta as relações com o Extremo Oriente, além da aproximação dos EUA com a Rússia. SÍNTESE DE CONTEÚDO: O conjunto de capítulos estudado sintetiza mais de dez anos da história da Rússia Soviética, desde a revolução até finais da década de 1920. Pode-se perceber o longo caminho percorrido pelo país para ser reconhecido e sair do isolamento. Logo de início, o autor expõe o caráter internacional que a revolução possuía, com o intuito de iniciar na Rússia e se difundir pelo continente europeu. Como a revolução ocorreu em um período de guerra (Primeira Guerra Mundial), havia a necessidade de entrar em acordo com outras potências e manter a paz, para que ela atingisse êxito. Dessa forma, a Rússia entrou em acordo com a Alemanha, visto que a última mantinha tropas em território russo. Como consequência, o país revolucionário acabou perdendo territórios, como a Ucrânia. Tendo em vista que o exército que a Rússia possuía era muito pequeno, foi criado o Exército Vermelho, muito maior que o antigo, e que foi treinado por especialistas militares. Em contrapartida, foi criado o Exército Branco, com o intuito de barrar a revolução. Ele tinha o apoio de tropas britânicas, francesas e estadunidenses, que foram enviadas ao território soviético. Mas outros países europeus também mostravam faíscas de revolução, como na Alemanha, na Baviera e na Hungria, o que deixava os soviéticos esperançosos quanto ao crescimento do movimento socialista, ao mesmo passo que enraivecia os países capitalistas ocidentais. Conforme o Exército Vermelho se fortalecia, o Branco encontrava falta de apoio e, tempos depois, acabou se dispersando, exceto em alguns lugares de resistência. Com a esperança soviética de que o capitalismo se enfraquecia, Lenin criou a Internacional Comunista, que reuniu comunistas e simpatizantes de diversos países. Assim, esperava-se que os trabalhadores dos países ocidentais se revoltassem contra o regime capitalista que os tinham levado à guerra – mas a maioria continuou fiel ao sistema, havendo apenas uma minoria comunista. Em 1920, a Internacional Comunista realizou o Segundo Congresso, que reuniu diversos partidos esquerdistas de vários países europeus. Nesse congresso, era feito um apelo aos trabalhadores para que não apoiassem a Polônia, que estava sendo invadida pelos russos, e também se decidiu pelo avanço do Exército Vermelho em territórios poloneses. Porém, apesar das tentativas, a Rússia Soviética não conseguiu gerar uma revolução na Polônia, pois sua população não aprecia interessada – assim como em Thais Realce Thais Realce Thais Realce Thais Realce Thais Realce outros países onde, apesar de os trabalhadores mostrarem simpatia pela revolução russa, não a mostravam para fazer uma no próprio país. Além disso, os soldados do Exército Vermelho pareciam mais satisfeitos em proteger a revolução na Rússia do que levá-la a outros países. Devido à situação que a Rússia viva no inverno de 1920e 1921, com inquietação dos camponeses, decidiu-se por dar prioridade às questões internas do país, deixando a revolução internacional para o futuro. Em início da década de 1920, as relações da Rússia com as potências europeias não eram as melhores. Até então, a Alemanha havia sido o único país de importância que reconheceu o governo soviético – anos mais tarde, em 1924, surgiram outros reconhecimentos, como da Grã Bretanha, da Itália e da França – e, devido a crises políticas na Alemanha, os sovietes tinham esperança de um golpe de estado que levasse o socialismo ao país. O cenário era de protestos britânicos contra os soviéticos e ocupação francesa em território alemão. Em 1925, foi assinado o Tratado de Locarno entre os países Ocidentais e a Alemanha, garantindo suas fronteiras ocidentais e sua entradana Liga das Nações. Isso não foi bem visto pela Rússia, já que os países Ocidentais tentavam trazer para seu lado o único possível aliado dos soviéticos, deixando o país socialista isolado. Mas, apesar de assinado o tratado, a Alemanha não virou as costas para a Rússia. Quanto aos partidos esquerdistas existentes na Europa, todos eram ligados à Internacional Comunista e tinham certa dependência ao partido russo. Era esperado que esses partidos atendessem com obediência as decisões tomadas em Moscou, tendo em vista que a URSS era o único caso de revolução bem sucedida, e as revoluções nos outros países demorava a acontecer. A possibilidade de revoluções ficava cada vez mais distante, pois a Europa havia se recuperado do caos econômico deixado pela guerra, e a prosperidade voltava a reinar. Com a chegada de Stalin ao poder, foi criada a Liga contra o Imperialismo, que reunia diversos países africanos, asiáticos, da América Latina e do Oriente Médio, a fim de protestar contra o domínio imperialista. Também, houveram tentativas de aproximar os comunistas britânicos e russos, criando-se uma comissão sindical anglo-russa, para estimular a cooperação entre os sindicatos dos dois países. Porém, muitas divergências foram encontradas, não havendo, assim, o sucesso da comissão. Pela percepção soviética, os líderes sindicalistas britânicos estavam ao lado da burguesia, e não ao dos trabalhadores, e influenciavam os últimos a se voltarem contra os líderes. Não demorou muito para que a Grã-Bretanha rompesse relações diplomáticas com a URSS. Nesse mesmo período de relações turbulentas com os países europeus, a Rússia também buscava uma proximidade com países orientais, vendo aqueles coloniais ou semicoloniais como possíveis aliados. O Japão, próximo aos países ocidentais, não lhe deu abertura, mas a China se mostrou um aliado possível. Porém, o país reconheceu que não possuía os meios para se tornar comunista ou aderir ao regime soviético, mas se mostrou aberto ao apoio russo para sua unificação e independência total. Houve um tempo de cooperação entre a URSS e a China, enquanto Sun Yat-sen estava no comando do partido Kuomintang. Porém, com a morte Thais Realce Thais Realce Thais Realce Thais Realce Thais Realce Thais Realce Thais Realce Thais Realce Thais Realce Thais Realce Thais Realce Thais Realce Thais Realce Thais Realce Thais Realce Thais Realce Thais Realce de Yat-sen, o partido recebeu novo líder, e as coisas começaram a mudar. Em 1925, houve um ataque britânico a uma manifestação na china, deixando mortos e gerando uma grande greve, que culminou na criação de um sindicato, com a ajuda do partido comunista chinês, que atraiu diversos membros. A Rússia, como aliada da China, viu suas relações com a Grã-Bretanha ficarem ainda mais tensas. Esse episódio gerou também a criação de um ala de direita no partido Kuomintang – instigada pela libertação nacional, mas não por movimentos sociais. Haviam pontos de discordância entre os russos e os chineses, pois a China queria soberania na Mongólia, país que faz fronteira com ambos, e também sobre a ferrovia construída pela Rússia em território chinês, que era administrada por uma junta que reunia chineses e soviéticos, mas tinha como gerente geral um soviético. As discordâncias continuaram levando o líder do partido Kuomintang a expulsar seus conselheiros soviéticos. Ainda, ele se mostrou contra o comunismo, não pretendendo acabar com o capitalismo em terras chinesas. Devido às forças nacionalistas chinesas cada vez mais fortes, a Grã-Bretanha decidiu entrar num acordo com o país. Com esse acordo, o líder chinês aproveitou para se “livrar” dos soviéticos e massacrou comunistas e trabalhadores militantes, destruindo o partido comunista chinês e os sindicatos. Isso, somada a invasão chinesa na embaixada soviética, levou ao rompimento das relações diplomática entre China e Rússia. Partidos comunistas surgiram em outros países orientais, mas não duraram muito tempo. As relações russas com o Japão continuaram distantes assim como com os países europeus. A década de 1920 também foi, para a Rússia Soviética, um momento de planejamento econômico. O país era quase inteiramente agrário, visto como um país atrasado frente ao desenvolvimento tecnológico pelos qual passavam o restante dos países. Portanto, havia pressa em se industrializar, principalmente para tornar a URSS um país autossuficiente, o que era visto como uma grande necessidade dado o isolamento no qual o país vivia. Havia, por um lado, os adeptos a um plano econômico único, para planejar a indústria, e por outro, os adeptos à já existente Nova Política Econômica (NEP), criada por Lenin, e à agricultura, à qual davam grande importância. A discussão entre um modelo de economia e o outro levou alguns anos, mas se chegou à conclusão de que levar a indústria, em especial a indústria pesada, ao país, era indiscutível. Porém, para isso, a Rússia era dependente do Ocidente, tanto para importar o maquinário, como estrangeiros para ensinar a usá-las. Em finais da década de 1920, as relações externas da Rússia eram quase inexistentes, após o rompimento de relações diplomáticas com Grã- Bretanha e China. Apenas a Alemanha mantinha-se ligada. Mas, em 1927, os soviéticos participaram da Conferência Econômica Mundial. No ano seguinte, os EUA se aproximaram, propondo um pacto internacional de renúncia à guerra, ao qual os soviéticos assinaram de bom grado. Os britânicos, por sua vez, com medo de perder mercado – visto o crescimento tecnológico da Alemanha e dos EUA, se reconciliava com a Rússia, apesar de ainda haver tensão entre as duas. A industrialização soviética contou com maquinário e engenheiros Thais Realce Thais Realce Thais Realce Thais Realce Thais Realce norte-americanos, levando a uma abertura industrial e comercial entre Rússia e EUA. A Internacional Comunista estava nesse período ainda mais exigente, com disciplinas ainda mais rígidas aos partidos comunistas. O fascismo e os socialdemocratas eram vistos como parte da burguesia, algo que a Internacional Comunista não tolerava. Com isso, foram feitas diversas intervenções e modificações eram feitas nos partidos de outros países. O movimento comunista declinava cada vez mais nos países ocidentais, atraindo cada vez menos simpatizantes. As relações com a China também não estavam melhores, pois ainda havia tensões sobre a ferrovia russa no território chinês. Os chineses expulsarem os soviéticos do território, contando com o apoio ocidental, mas esses acabaram pendendo seu apoio aos comunistas. Com a recusa de China em negociar a questão da ferrovia, o Exército Vermelho adentrou o território chinês e ocupou duas cidades. Assim, a China começa uma negociação e acaba por aceitar a volta dos soviéticos, e esses mostram ao país asiático sua força militar e diplomática. DESTAQUE DE CITAÇÕES RELEVANTES: “A fundação de uma Internacional Comunista foi mais importante do que qualquer outra decisão de seu primeiro congresso. Foi o anúncio dramático da divisão entre os dois mundos, e em particular da divisão que se havia declarado dentro do movimento internacional dos trabalhadores.” “A promoção da revolução internacional tinha dois aspectos, que se reforçavam mutuamente. Era uma obrigação de todos os marxistas, mas era também uma importante arma defensiva no arsenal do pressionado regime soviético.” “Apesar das garantias, em contrário, o Tratado de Locarno foi visto em Moscou, acertadamente, como uma tentativa de reintegrar a Alemanha no mundo ocidental, livrá-la de seu envolvimento soviético e isolar a URSS como elemento estranho à sociedade das nações. A tentativa não teve êxito total. A Alemanha, ainda sofrendo as humilhações de 1918, tinha consciência de sua posição inferior entre as potências ocidentais e nãoqueria tornar-se exclusivamente dependente delas.” “Só o partido russo havia realizado uma revolução vitoriosa. Havia adquirido o direito e o dever de liderar e instruir os outros partidos, no caminho para a revolução.” “O motivo subjacente e a força propulsora era o desenvolvimento da indústria soviética, era alcançar o Ocidente, tornar a URSS autossuficiente e capaz de enfrenar o mundo capitalista em condições de igualdade” “As decisões da Comintern eram, na realidade, as decisões do partido russo. Podiam ser, e eram, impostas a outros partidos estrangeiros, mas ao custe de alienar um número cada vez maior de trabalhadores nos países em questão.” “A URSS havia-se imposto como uma força militar e diplomática no Extremo Oriente e forjado elos de preocupação comum com as potencias ocidentais. Foi um momento decisivo nas relações exteriores soviéticas.” Thais Realce