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III-1 CAPÍTULO III – PROJETO GEOMÉTRICO HORIZONTAL 1. CLASSES DE PROJETO 1.1. Níveis de Serviço O conceito de Nível de Serviço refere-se a uma avaliação qualitativa das condições de operação de uma corrente de tráfego, tal como é percebida por motoristas e passageiros. Indica o conjunto de condições operacionais que ocorrem em uma via, faixa ou interseção, considerando-se os fatores velocidade, tempo de percurso, restrições ou interrupções de trânsito, grau de liberdade de manobra, segurança, conforto, economia e outros. O HCM – “Highway Capacity Manual” estabelece como caráter geral seis níveis de serviços, designados pelas letras A a F, para serem aplicadas nas rodovias, sob diversos regimes de velocidade e volume de tráfego. Apresenta-se a seguir uma breve descrição das características operacionais de cada nível de serviço estabelecido para as rodovias rurais de pista simples. Nas definições que se seguem, os fluxos citados são dados em unidades de carros de passeio equivalentes e correspondem à soma dos dois sentidos. Nível de Serviço A Descreve a condição de fluxo livre em rodovias de boas características técnicas. Há pequena ou nenhuma restrição de manobra devido à presença de outros veículos, e os motoristas podem manter as velocidades que desejarem com pequeno ou nenhum retardamento. As velocidades médias variam de 90 a 93 km/h. Os pelotões encontrados são formados por 2 ou 3 veículos e não provocam restrições ao movimento mais que 30% do tempo de viagem. Em condições ideais, o fluxo máximo é de 420 veículos por hora. Nível de Serviço B Corresponde à condição de fluxo estável, em que os motoristas começam a sofrer restrições pela ação dos demais veículos, mas ainda têm razoável liberdade de escolha de velocidade e faixa de circulação. As velocidades médias variam de 87 a 89 km/h. Há maior pressão dos veículos mais lentos, que provocam restrições que podem atingir 45% do tempo de viagem. Para condições ideais, o fluxo máximo atinge 750 veículos por hora. Nível de Serviço C Situa-se ainda na faixa de fluxo estável, mas as velocidades e as possibilidades de manobra são mais estreitamente condicionadas pelos volumes mais elevados. A participação em pelotões de veículos pode chegar até 60% do tempo de viagem, o que faz exigir mais permanente atenção nas manobras de ultrapassagem. As velocidades médias situam-se entre 79 e 84 km/h. Para condições ideais o fluxo máximo atinge 1.200 veículos por hora. III-2 Nível de Serviço D Condições de fluxo instáveis, em que os motoristas têm pequena liberdade de manobra e dificuldade em manter as velocidades desejadas. A participação em pelotões cresce até 75% do tempo de viagem, reduzindo as oportunidades de ultrapassagem e fazendo com que as correntes opostas comecem a operar independentemente. As velocidades médias adquirem maior amplitude de variação, situando-se entre 72 e 80 km/h. Para condições ideais o fluxo máximo pode chegar a 1.800 veículos por hora. Nível de Serviço E É o nível representativo da capacidade da rodovia. Aumentam muito as condições de instabilidade do fluxo, com as velocidades médias variando no intervalo de 56 a 72 km/h. A participação em pelotões ultrapassa 75% do tempo de viagem. Com o aumento do fluxo, a operação de ultrapassagem vai se tornando praticamente impossível, mantendo-se sem utilização os espaços vazios provocados pelos veículos mais lentos que lideram os pelotões. Em condições ideais o fluxo pode atingir 2.800 veículos por hora. Nível de Serviço F Este nível reflete uma situação de colapso do fluxo. Qualquer restrição encontrada pode resultar em formação de filas de veículos com baixa velocidade, que podem se manter por períodos mais ou menos longos, reduzindo os fluxos a valores inferiores à capacidade. Em casos extremos, chega-se a engarrafamentos com velocidade e fluxo nulos. As velocidades médias são sempre inferiores aos limites do nível E, e a participação em pelotões pode chegar a 100% do tempo de viagem. Os volumes de tráfego que podem ser acomodados nos diversos níveis de serviço são chamados de “Volumes de Serviço”. Quando um nível de serviço é identificado como aplicável ao projeto, o volume de serviço correspondente logicamente torna-se o volume de serviço projetado, o que significa que caso o fluxo de tráfego na rodovia exceda aquele valor, as condições operacionais ficarão situadas abaixo do nível de serviço projetado para a rodovia. As figuras apresentadas a seguir podem dar uma idéia satisfatória dos aspectos mencionados na caracterização de cada um dos níveis de serviço definidos. III-3 III-4 1.2. Classes de Projeto A diversidade de características técnicas que uma rodovia pode ter demandaria um conjunto de padrões de projeto específico para cada via, devidamente ajustado às peculiaridades de cada situação. A impossibilidade prática de atender a essa concepção, aliada à conveniência de uma certa uniformização e padronização de características técnicas, recomendam o agrupamento das rodovias em classes de projeto. O estabelecimento das classes de projeto relacionadas a seguir resultou da experiência acumulada durante o processo de desenvolvimento da malha implantada e traduz o consenso que se formou no País quanto ao atendimento de forma economicamente viável e com condições adequadas de segurança à demanda crescente do tráfego. Classe 0 Via Expressa: rodovia do mais elevado padrão técnico, com pista dupla e controle total de acesso. O enquadramento de uma rodovia nessa classe decorrerá de decisão administrativa dos órgãos competentes, fundamentando-se, entre outros, nos seguintes critérios: - quando os volumes de tráfego forem elevados e o tráfego do décimo ano de abertura implicar, para uma rodovia de pista simples, em: a) nível de serviço inferior ao nível C, no caso de terreno plano ou levemente ondulado, o que ocorre quando o Volume Médio Diário se situa acima de 5.500 veículos, para o caso de região plana com excelentes condições de visibilidade, ou acima de 1.900 veículos por dia, se tratar de região levemente ondulada com más condições de visibilidade; b) nível de serviço inferior ao nível D em caso de terreno fortemente ondulado ou montanhoso, o que ocorre quando o Volume Médio Diário fica acima de 2.600 veículos, para o caso de região fortemente ondulada com excelentes condições de visibilidade, ou acima de 1.000 veículos por dia, para o caso de região montanhosa com más condições de visibilidade; - quando a função absolutamente preponderante da rodovia for a de atender à demanda do tráfego de passagem pela região atravessada (função mobilidade), em detrimento do atendimento ao tráfego local e às propriedades lindeiras (função acessibilidade), que por hipótese serão atendidos por outras vias; - quando a interferência recíproca entre atividades humanas nas propriedades lindeiras ou áreas vizinhas à faixa de domínio (pedestres, paradas de ônibus, tráfego local, etc.) e o fluxo de tráfego direto causar atritos indesejáveis sob aspectos operacionais e de segurança; - quando a rodovia constituir trecho ou parte de um conjunto de rodovias para as quais se tomou a decisão de manter características uniformes e que, de um modo geral, atende às condições que justificam o enquadramento na categoria de vias expressas. III-5 Classe I Essa categoria é dividida em vias de Classe I-A (pista dupla) e Classe I-B (pista simples). - Classe I-A Rodovia com duas pistas e controle parcial de acesso, com as seguintes características: a) Caso de Rodovia Arterial com grande demanda de tráfego, em condições semelhantes às descritas para a Classe 0, mas que permite maior tolerância no que diz respeito às interferências causadas por acessos mais freqüentes;b) Os volumes de tráfego atendidos são das mesmas faixas da Classe 0, mas sofrendo alguma redução por interferência mais freqüente de acessos. - Classe I-B Rodovia em pista simples, de elevado padrão, suportando volumes de tráfego projetados para 10 anos após a abertura ao tráfego, dentro dos seguintes limites: a) Limite Inferior – Volume de 1.400 veículos por dia ou Volume Horário de Projeto de 200 veículos, o que corresponde ao nível C em região montanhosa com excelentes condições de visibilidade, e nível B em região plana com más condições de visibilidade; b) Limites Superiores – Ficar enquadrada no nível C para regiões planas e levemente onduladas (abaixo de 5.500 veículos por dia para região plana com excelentes condições de visibilidade, ou abaixo de 1.900 veículos por dia para região levemente ondulada, com más condições de visibilidade); ou ficar enquadrada no nível D para regiões montanhosas ou fortemente onduladas (abaixo de 2.600 veículos por dia, para o caso de região fortemente ondulada com excelentes condições de visibilidade, ou abaixo de 1.000 veículos por dia para região montanhosa com más condições de visibilidade). Acima dessas condições é requerido o enquadramento na Classe I-A. Classe II Rodovia de pista simples, suportando volumes médios diários de tráfego, conforme projetados para o 10º ano após a abertura ao tráfego, compreendidos entre 700 e 1.400 veículos. Classe III Rodovia de pista simples, suportando volumes médios diários de tráfego, conforme projetados para o 10º ano após a abertura ao tráfego, compreendidos entre 300 e 700 veículos. Classe IV Rodovia de pista simples, com características técnicas suficientes para atendimento, a custo mínimo, do tráfego previsto no seu ano de abertura. Geralmente não é III-6 pavimentada e faz parte do sistema local, compreendendo as estradas vicinais e eventualmente rodovias pioneiras. Em função do tráfego previsto, são definidas duas subclasses: - Classe IV-A – Tráfego Médio Diário de 50 a 200 veículos no ano de abertura; - Classe IV-B – Tráfego Médio Diário inferior a 50 veículos no ano de abertura. 2. VELOCIDADE DIRETRIZ É a velocidade selecionada para fins de projeto da via e que condiciona suas principais características, tais como: curvatura, superelevação e distância de visibilidade, das quais depende a operação segura e confortável dos veículos. Representa a maior velocidade com que pode ser percorrido um trecho rodoviário cuja superfície de rolamento apresenta características normais de rugosidade e ondulações, com segurança e em condições aceitáveis de conforto, mesmo com o pavimento molhado, quando o veículo estiver submetido apenas às limitações impostas pelas características geométricas, sem influência do tráfego. Um dos principais fatores que governam a adoção de valores para a velocidade diretriz é o custo de construção resultante. Velocidades diretrizes elevadas requerem características físicas e geométricas mais amplas, principalmente no que tange às curvas verticais e horizontais e acostamentos. Velocidades Diretrizes (km/h) Classe de Projeto Relevo Plano Ondulado Montanhoso Classe 0 120 100 80 Classe I 100 80 60 Classe II 100 70 50 Classe III 80 60 40 Classe IV 80 - 60 60 - 40 40 - 30 3. SUPERELEVAÇÃO É a inclinação transversal imposta à pista de rolamento, ao longo das curvas de concordância horizontal, par compensar o efeito da força centrífuga nos veículos. A figura a seguir apresenta as forças atuantes sobre um veículo quando este percorre uma curva horizontal a uma velocidade constante. Do equilíbrio dessas forças na direção paralela à pista tem-se: P . v 2 . cos = P . sen + P . cos . f g . R III-7 Dividindo-se toda a expressão por P. cos , tem-se: v 2 = tg + f g . R Considerando o valor da aceleração da gravidade igual a 9,81 m/s 2 e que a velocidade entrará na fórmula em km/h, tem-se: V 2 tg = - f 127 . R Os valores máximos para o coeficiente de atrito transversal entre os pneus e a pista são tabelados em função da velocidade diretriz. Valores Máximos Admissíveis do Coeficiente de Atrito Transversal V (km/h) 30 40 50 60 70 80 90 100 120 f 0,20 0,18 0,16 0,15 0,15 0,14 0,14 0,13 0,11 III-8 Para cada Velocidade Diretriz considerada existe um valor de raio para o qual a aceleração centrífuga é tão pequena que pode ser desprezada, tratando-se o trecho como se fosse em tangente, seja porque o valor teoricamente já seria muito pequeno, seja por questões de aparência, ou por condições relativas à mudança no sentido de declividade transversal da pista. Valores de R acima dos quais a superelevação é dispensável V (km/h) 30 40 50 60 70 80 90 > 110 R (m) 450 800 1.250 1.800 2.450 3.200 4.050 5.000 Valores Máximos O valor máximo admissível para a superelevação é condicionado, principalmente, pela grande possibilidade do fluxo de tráfego operar a velocidades bem abaixo da velocidade diretriz, devido à freqüência de veículos comerciais, condições de rampa, interseções em nível e congestionamento. emáx = 10% para rodovias Classe 0 e I (regiões planas e onduladas) emáx = 8% para rodovias Classe I (região montanhosa), II, III e IV Valores Mínimos Para facilitar a drenagem das águas pluviais, a seção transversal dos trechos em tangente apresenta um abaulamento transversal, cuja declividade depende do tipo de pavimento. Pela mesma razão, adota-se o valor dessa declividade como mínimo. TIPO DE PAVIMENTO tg mín Concreto de Cimento Portland 1,5% Concreto betuminoso bem acabado 2,0% Tratamento Superficial 2,5% Não Pavimentado 3,0% 4. RAIO MÍNIMO São os menores raios das curvas que podem ser percorridas com a velocidade diretriz e à taxa máxima de superelevação, em condições aceitáveis de segurança e conforto. Convém observar que deverá ser sempre objetivada a utilização de valores superiores aos mínimos, que se aplicam essencialmente em condições limites. V 2 Rmín = 127.(emáx + fmáx) Onde: III-9 V – velocidade diretriz (km/h) emáx – máxima taxa de superelevação adotada (m/m) fmáx – máximo coeficiente de atrito transversal admissível entre o pneu e o pavimento (adimensional) Raios Mínimos (m) Classe Região Plana Ondulada Montanhosa 0 540 345 210 I 345 210 115 II 375 170 80 III 230 125 50 IV 125 50 25 5. CONCEITOS GERAIS PARA O TRAÇADO Trechos excessivamente longos em tangente, convenientes para ferrovias, são indesejáveis em rodovias. Para rodovias de elevado padrão, o traçado deverá ser uma seqüência de poucas curvas de raios amplos do que de longas tangentes “quebradas” por curvas de pequeno desenvolvimento circular. Além de reduzir a sensação de monotonia para o motorista, esse padrão de traçado ajusta-se mais favoravelmente à conformação básica das linhas da natureza, podendo reduzir os rasgos causados pela terraplenagem na paisagem. No caso de ângulos centrais pequenos, iguais ou inferiores a 5º, para evitar a aparência de quebra do alinhamento, os raios deverão ser suficientemente grandes para proporcionar os desenvolvimentos circulares mínimos, obtidos pela fórmula a seguir: D > 30 (10 – AC) (D em metros e AC em graus) Não é necessária curva horizontal para AC < 0º15’; entretanto, deverão ser evitados, tanto quanto possível, traçados que incluam curvas com ângulos centrais tão pequenos. No final de longas tangentes ou trechos com curvaturas suaves, ou ainda onde se seguir imediatamente um trecho com velocidade diretriz inferior, as curvas horizontais a serem introduzidas deverão ser coerentes com a maior velocidade precedente, de preferência bem acima do mínimo necessário, e proporcionandouma sucessão de curvas com raios gradualmente decrescentes, para orientar o motorista. Considerações de aparência da rodovia e de dirigibilidade recomendam que, tanto quanto possível, as curvas circulares sejam dotadas de curvas de transição, mesmo naqueles casos onde, pelos critérios usuais, estas seriam dispensáveis. É indesejável, sob aspectos operacionais e de aparência, a existência de duas curvas sucessivas no mesmo sentido, quando entre elas existir um curto trecho em tangente. III-10 De preferência, serão substituídas por uma única curva longa ou, pelo menos, a tangente intermediária deverá ser substituída por um arco circular, constituindo-se, então, numa curva composta, evitando-se uma grande diferença de curvatura entre raios. Não sendo possível adotar essas medidas, a extensão T da tangente intermediária que reduz esse problema deverá ser superior ao percurso de aproximadamente 15 segundos percorrido à velocidade diretriz V, ou seja: T > 4 V (T em metros e V em km/h) Curvas sucessivas em sentidos opostos, dotadas de curvas de transição, poderão ter suas extremidades coincidentes ou separadas por extensões curtas em tangente. Entretanto, no caso de curvas reversas sem espiral, o comprimento mínimo da tangente intermediária deverá permitir a transição da superelevação. A princípio, uma estrada sinuosa tem prejudicada a sua segurança e o seu desempenho. 6. CONCORDÂNCIA HORIZONTAL COM CURVA CIRCULAR SIMPLES (R>600M) O traçado de uma estrada em planta é constituído por retas concordadas por curvas, que comporão o futuro eixo da estrada. PI – Ponto de Interseção PC – Ponto de Curva PT – Ponto de Tangente d – Deflexão Os elementos de uma curva circular adotados nos projetos são: R – Raio da Curva AC – Ângulo Central T – Comprimento das Tangentes D – Desenvolvimento Circular G – Grau da Curva dm – Deflexão por Metro Por serem ângulos de lados perpendiculares, o Ângulo Central é igual à Deflexão. III-11 a) Grau da Curva É o ângulo central correspondente a uma determinada corda “c”. c G = 2.arcsen 2R R > 600 m c = 20 m 100 < R < 600 m c = 10 m R < 100 m c = 5 m b) Deflexão por Metro É o ângulo formado pela tangente à curva num determinado ponto e a corda de 1 m de comprimento. É utilizada para locação, por deflexão, dos pontos intermediários de uma curva. G dm = 2c III-12 c) Tangentes AC T = R.tg 2 d) Desenvolvimento Circular . AC D = . R 180º Exercício: Calcular os elementos das curvas e o estaqueamento, sendo dados: R1 = 780,00 m AC1 = 34º 20’ = 34,33º R2 = 950,00 m AC2 = 28º 12’ = 28,20º Est PI1 = 45 + 18,00 Est PI2 = 373 + 7,00 Solução: R1 e R2 maiores que 600 m c = 20 m 20 20 G1 = 2.arcsen = 1,469º G2 = 2.arcsen = 1,206º 2 x 780,00 2 x 950,00 1,469 1,206 dm1 = = 0,036º = 2,20’ dm2 = = 0,030º = 1,81’ 2 x 20 2 x 20 III-13 34,33º 28,20º T1 = 780,00 x tg = 240,93 m T2 = 950,00 x tg = 238,62 m 2 2 . 34,33º . 28,20º D1 = x 780,00 = 467,35 m D2 = x 950,00 = 467,57 m 180º 180º T1 Est PC1 = Est PI1 – = (45 + 18,00) – (12 + 0,93) = 33 + 17,07 20 D1 Est PT1 = Est PC1 + = (33 + 17,07) + (23 + 7,35) = 57 + 4,42 20 x T1 T2 = Est PI2 – Est PI1 – – = (373 + 7,00) – (45 + 18,00) – (12 + 020 20 20 0,93) – (11 + 18,62) = 303 + 9,45 x Est PC2 = Est PT1 + = (57 + 4,42) + (303 + 9,45) = 360 + 13,87 20 D2 Est PT2 = Est PC2 + = (360 + 13,87) + (23 + 7,57) = 384 + 1,44 20 Resposta: Curva R (m) AC G dm T (m) D (m) Est PC Est PT 1 780,00 34º 20’ 1,469º 2,20’ 240,93 467,35 33+ 17,07 57+ 4,42 2 950,00 28º 12’ 1,206º 1,81’ 238,62 467,57 360 + 13,87 384 + 1,44 7. CONCORDÂNCIA HORIZONTAL COM TRANSIÇÃO EM ESPIRAL (R < 600 m) a) Curva de Transição Curva de Transição é um ramo de uma curva especial, interposta entre uma das tangentes e a curva circular, cujo objetivo principal é evitar o surgimento brusco da força centrífuga ao passar o veículo diretamente da trajetória retilínea para a circular. III-14 Para tal, a curva de transição deve apresentar como característica principal uma variação gradativa decrescente do raio de curvatura desde o ponto de contato com a tangente ( = ) até o ponto comum com a curva circular ( = R). É ao longo da curva de transição que são dadas, gradativamente, a superlargura e a superelevação. TE – ponto de passagem da tangente para a espiral EC – ponto de passagem da espiral para o trecho circular CE – ponto de passagem do trecho circular para a espiral ET – ponto de passagem da espiral para a tangente III-15 Uma vez concordadas duas tangentes por um arco de círculo, o propósito de se inserir uma transição de curvatura variável faz com que se torne necessário criar um espaço entre o arco de círculo e as tangentes. Isto pode ser conseguido segundo um dos três métodos abaixo: Método do centro conservado; Método do raio conservado; Método do centro e raio conservados. O método mais empregado é o do raio conservado em razão, principalmente, de permanecer o valor selecionado para o raio estudado. Somente nas situações em que se deseja manter a posição do arco circular na posição estudada, recorre-se ao terceiro método. A curva de transição deve proporcionar um acréscimo gradual e suave da força centrífuga quando o veículo entra na concordância horizontal, e da mesma forma um decréscimo, quando dela sai. Para dedução da expressão que fornece o comprimento de transição, considere-se um veículo percorrendo a curva com velocidade constante. De acordo com a Cinemática, ter-se-á atuando no veículo somente a aceleração normal ou centrífuga. v 2 ac = A aceleração centrífuga varia à medida que o tempo passa e o veículo percorre a curva de transição. Admitiremos que essa variação se dá a uma taxa constante “j”. III-16 d ac d v 2 j = = () d t d t Como à medida que o veículo percorre a curva de transição variam também o tempo e a distância percorrida, pode-se aplicar a Regra da Cadeia. d v 2 d d l j = () x x d d l d t d v 2 v 2 () = – d Como a velocidade é constante, tem-se que: d l = v d t Assim: v 3 d j = – . 2 d l v 3 d d l = – . j 2 v 3 d ʃ d l = ʃ (– . ) j 2 v 3 lc = j R Na fórmula acima, a velocidade é dada em m/s e o raio em m. Mas em rodovias se trabalha com velocidades em km/h e o raio em m. Para se entrar com esses dados, segundo essa proposta, e admitindo-se que a taxa de variação da velocidade centrífuga com o tempo tem valor entre 0,30 e 0,90 m/s 3 (valores obtidos de experiências realizadas nos Estados Unidos) tem-se: III-17 V 3 lc = (0,024 a 0,071) . R Nessa expressão, V é a velocidade diretriz, dada emkm/h, e o raio R é dado em metros, obtendo-se o comprimento de transição também em metros. No entanto, considerações sobre a implantação da superelevação nas curvas de transição, com segurança e conforto para os veículos, estabelecem valores mínimos a serem observados, e que são função da velocidade diretriz. V (km/h) 30 40 50 60 70 80 90 100 120 lcmín (m) 20 20 30 30 40 40 50 60 70 Para facilidade dos cálculos a serem efetuados, toma-se o valor de lc como múltiplo de 10. Para as curvas com raios muito grandes, torna-se dispensável a utilização de uma curva de transição especial. Nesses casos, só há justificativa de espiral quando forem adotados comprimentos de transição muito grandes. A seguir apresentam-se os raios acima dos quais se podem dispensar as curvas de transição. V (km/h) 30 40 50 60 70 80 90 100 120 R (m) 200 350 500 700 850 1000 1200 1400 1800 b) Elementos de Locação das Curvas Adotando-se o método do raio conservado, apresentam-se, a seguir, as fórmulas para serem utilizadas nos cálculos dos elementos das curvas. Ângulo Total de Transição - c lc c = (radianos) 2R Ângulo Central Restante - = AC – 2.c (graus) Coordenadas em Relação à Tangente do Ponto EC – xc, yc lc . c c 2 c 2 xc = (1– ) yc = lc (1– ) 3 14 10 III-18 Coordenadas em relação à Tangente do Ponto PC’ – p, q p = xc – R (1 – cos c) q = yc – R sen c Tangentes – Ts AC Ts = (R + p) tg + q 2 Desenvolvimento Circular Restante – D . D = . R 180º III-19 Exercício: Calcular os elementos de locação e o estaqueamento das curvas de uma rodovia classe II, que atravessa região ondulada: Ponto de Interseção 1 – est 23 + 16,00 Ponto de Interseção 2 – est 130 + 10,00 Deflexão 1 – 38º à direita Deflexão 2 – 36º 10’ à esquerda Raio 1 – 190,00 m Raio 2 – 310,00 m Respostas: Curva R (m) AC (º) lc (m) c (rad) c (º) (º) xc (m) yc (m) p (m) q (m) Ts (m) D (m) 1 190,00 38º 80,00 0,211 12,06º 13,88º 5,61 79,64 1,42 39,94 105,85 46,03 2 310,00 36º10’ 60,00 0,097 5,54º 25,09º 1,94 59,94 0,49 30,01 131,39 135,75 III-20 Est TE1 = 18 + 10,15 Est TE2 = 123 + 2,94 Est EC1 = 22 + 10,15 Est EC2 = 126 + 2,94 Est CE1 = 24 + 16,18 Est CE2 = 133 + 18,69 Est ET1 = 28 + 16,18 Est ET2 = 136 + 18,69 c) Coordenadas em Relação à Tangente Ponto no Ramo de Transição Ponto E (primeiro ramo de transição) lE = est E – est TE lE 2 E = (radianos) 2 R lc lE . E E 2 E 2 xE = (1 – ) yE = lE (1 – ) 3 14 10 III-21 Ponto E’ (segundo ramo de transição) lE’ = est ET – est E’ lE’ 2 E’ = (radianos) 2 R lc lE’ . E’ E’ 2 E’ 2 xE’ = (1 – ) yE’ = lE’ (1 – ) 3 14 10 Ponto no Trecho Circular Ponto M (antes da metade da curva) D = est M – est EC ( ≤ D/2 ) D . 180º = . R xM = xc + 2 R sen . sen (c + ) 2 2 yM = yc + 2 R sen . cos (c + ) 2 2 Ponto M’ (depois da metade da curva) D = est M – est EC ( > D/2 ) D’ = est CE – est M’ D’ . 180º ’ = . R ’ ’ xM’ = xc + 2 R sen . sen (c + ) 2 2 ’ ’ yM’ = yc + 2 R sen . cos (c + ) 2 2 III-22 Exercício: Com os dados do exercício anterior, calcular as coordenadas em relação à tangente dos pontos situados nas estacas: A - 20 + 0,00; B - 23 + 0,00; C - 131 + 0,00; D - 135 + 0,00. Respostas: xA = 0,29 m yA = 29,85 m xB = 7,92 m yB = 89,21 m xC = 13,09 m yC = 117,49 m xD = 0,52 m yD = 38,68 m