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Sistemas de Composição Tipográfica 
Luiz Maresca Neto 
Sistemas de Composição Tipográfica 
Mecânicos, Fotoquímicos e Digitais 
Sistemas mecânicos 
A criação da tipografia 
 
Inicialmente, os tipos mais rudimentares 
foram inventados pelos chineses; entretanto, 
foi o alemão Johannes Gutenberg, no século 
XV, que desenvolveu tipos móveis em metal e 
aperfeiçoou a prensa tipográfica. O conceito 
básico se dá pela reutilização desses tipos para 
compor os mais variados textos. Tal 
característica permitiu a revolução que deu 
início à comunicação em massa e constituiu a 
base da imprensa por mais de cinco séculos. 
A tipografia é um processo de 
impressão em massa no qual 
se usam tipos móveis — 
formas de metal em relevo de 
letras e símbolos (caracteres 
móveis, gravuras, clichês etc.) 
para dar ordem estrutural e 
forma à comunicação escrita. 
Por analogia e consequência, 
tipografia também passou a 
ser um modo de se referir à 
gráfica que usa uma prensa de 
tipos móveis. 
Como os livros da época eram manuscritos 
idealizados por monges e escribas, demoravam 
muito a ser publicados e tornavam-se inacessíveis 
para muitas pessoas. A descoberta de Johannes 
foi marcante, pois levou ao aperfeiçoamento da 
produção de livros, revolucionando toda a Europa. 
 
 
 
 
 
Após um determinado tempo, Pedro Schoffer 
entra para a sociedade com Gutemberg e 
Johann Fust, na chamada Fábrica de Livros. Foi 
ele quem descobriu como fabricar a prensa e os 
tipos móveis através do chumbo com o 
antimônio. Obviamente que em toda essa 
sociedade, o mérito principal seria de Johannes 
claro que não apenas pela criação mas também 
pelo seu esplendido aperfeiçoamento. Uma 
curiosidade são as fontes serifadas, que se 
caracterizam pela presença de arremates nas 
partes superiores e inferiores das letras, para 
Gutenberg, foi uma ajuda bem útil, pois esses 
arremates foram criados para a tinta não 
escorrer quando se imprimia. 
 
“Considerada por muitos como a invenção do 
milênio, a tipografia já nascera em conflito. Ao 
perceberem a sua arte manual ser substituída 
por oficinas tipográficas, os monges copistas 
começaram a enxergá-la como uma ameaça 
demoníaca.” 
A tipografia é uma área de profissão um tanto quanto restrita, mas 
absorveu diversos grupos de ofício de diversas especialidades, desde 
a fabricação do papel ao fundidor de caracteres, passando 
pelo compositor, impressor, encadernador, mais tarde o fotogravador, 
dentre outros. Com o advento e o crescente desenvolvimento da 
Revolução Industrial, a tipografia como arte divulgadora de progresso 
já não correspondia às necessidades de um mundo em revolução de 
ideias e costumes. O livro era indispensável como instrumento de 
acompanhamento e formação, no qual essa técnica praticamente 
artesanal já não mais conseguia acompanhar a agilidade na invenção 
e construção de máquinas que massificavam ainda mais o ofício e o 
produto. 
O Processo de Impressão 
A fabricação dos tipos metálicos é uma cadeia de várias 
operações de mecânica e precisão, sendo um processo lento 
e difícil que se desenvolve através de três fases distintas. 
 
 
 
O corpo em alto relevo da letra é gravado na extremidade de uma punção de aço, 
utilizando as ferramentas de precisão e lapidação dos ourives, obtendo assim o 
chamado patriz. Para a impressão da icônica Bíblia de 42 linhas de Gutenberg, por 
exemplo, foram necessárias 296 punções para obter todos os glifos (letras, números, 
ligaduras, abreviações) usados na composição da obra. 
I fase: gravar punções 
Em seguida, os patrizes são utilizados numa forte pancada da punção sobre uma 
barra retangular de cobre, obtendo-se assim formas negativas destes, as 
chamadas matrizes. Após este procedimento, as matrizes ficavam deformadas nas 
extremidades, sendo necessário retificá-las. 
II fase: matrizes 
As matrizes de cobre ao serem inseridas num aparelho, também da invenção 
de Gutenberg, tornam-se moldes. A partir destes, uma réplica exata em alto relevo da 
forma original é obtida, permitindo a fundição de milhares de caracteres de 
imprensa. Só para a impressão da citada B-42, Gutenberg fundiu cerca de dois 
milhões de tipos. 
III fase: fundição 
Localizada em Belo Horizonte (MG), a 
Tipografia Matias foi fundada em 1958 
pelo sr. Leôncio Mathias de Almeida 
(1915–2012) e atualmente é dirigida por 
Ademir Mathias de Almeida, filho mais 
velho de Leôncio. Ao contrário das demais 
empresas do setor gráfico, a família 
Matias se manteve fiel aos tipos móveis 
tornando-se hoje uma das referências 
nacionais na prática da técnica ancestral. 
Referências 
Gráfica Fidalga (@graficafidalga) 
https://www.elo7.com.br/graficafidalga
https://www.elo7.com.br/graficafidalga
https://www.elo7.com.br/graficafidalga
https://www.elo7.com.br/graficafidalga
“ Se pararmos para pensar sobre o aspecto da produção gráfica, 
percebemos que, por muito tempo, houve estagnação, nenhuma 
evolução técnica, nenhuma novidade. 
Enquanto meios como televisão e rádio evoluíam, a produção 
gráfica mantinha-se inalterada. Entretanto, depois da era da 
informatização da pré-impressão, veio o grande salto.” 
 
Klaus Murrins – Pancrom Indústria Gráfica 
 
 
 
Depois da impressão tipográfica 
Até então tudo era diagramado e composto através de tipos metálicos... 
1945 - 1985 
Houveram no século XIX grandes avanços tecnológicos para a 
humanidade, como a litografia e a fotografia. Depois da Segunda 
Guerra Mundial, viu-se a expansão de sistemas de impressão e 
composição. Em 1945, tivemos um marco na expansão das artes 
gráficas, o sistema de impressão offset surgiu gerando mudanças 
no modo de conceber materiais impressos. Nesse panorama, a 
composição de texto no conceito industrial foi a última a 
alcançar um estágio evolutivo. 
 
Linotipo 
A Linotipia é um processo de impressão feito através de um tipo 
de máquina de composição de tipos de chumbo, chamada 
Linótipo (ou Linotype), inventada em 1884 em Baltimore, nos 
Estados Unidos, pelo alemão Ottmar Mergenthaler. O invento 
fora de suma importância por significar um novo e imprescin- 
dível progresso na história das artes gráficas, vencendo a 
lentidão da composição dos textos executada na tipografia 
tradicional. 
“Em geral, as novas tecnologias condenam o 
sistema velho ao desaparecimento.” 
Sistemas Fotoquímicos 
Fotocomposição 
Fotocomposição é a composição tipográfica feita por 
projeção de caracteres sobre papel (ou película de 
filme) fotossensível. 
Esta tecnologia foi introduzida em 1944, mas só foi 
implementada nos primeiros anos da década de 50. 
As duas primeiras fotocompositoras foram o 
aparelho francês Photon e o Fotosetter da empresa 
Intertype. 
 
Para as máquinas 
fotocompositoras mais 
evoluídas, os typeface 
masters eram uma película 
transparente. Uma luz 
focada projetava uma 
imagem destes caracteres 
sobre papel fotográfico. 
Um sistema óptico ajustava 
o tamanho, escalando a 
fonte ao corpo pretendido. 
Cold Type? 
 
A fotocomposição foi designada “composição a frio” (Cold Type), por 
oposição à linotipia, chamada “composição a quente” (Hot Type). 
Louis Marius Moyroud e Rene Alphonse Higonnet foram os primeiros a 
desenvolver uma máquina de fotocomposição funcional. 
Antes da difusão e popularização de fontes através da sua digitalização, veio 
a etapa da fotocomposição. Para esta tecnologia, Adrian Frutiger foi um 
especialista de transição acelerando a passagem dos desenhos do caractere 
de metal para os suportes fotográficos. 
Em menos de 20 anos, a fotocomposição fez desaparecer 
quase todos os tipos de metal. Para salvarem o seu futuro, 
os compositores manuais e os operadores de Linotipos e 
Monotipos começaram a aprender a operar os aparelhos 
fotocompositores. 
Decalcocomposição 
Baseada na transferência de letras autoadesivas por meio de fricção 
sob um suporte plano de papel, essa técnica teve o auge de sua 
utilização nos anos de 1960 e 1970, quandoda implementação do 
sistema de impressão off-set no parque gráfico brasileiro. 
Alguns fatores colaboraram para o sucesso desse produto no 
mercado. Primeiro, a dificuldade de adaptação dos equipamentos de 
fotocomposição às regras básicas de espacejamento óptico e 
mecânico da composição a quente. Outro fator foi a agilidade de 
produção de títulos dentro das próprias agências, estúdios gráficos ou 
mesmo gráficas, que necessitavam da economia de tempo que esse 
processo possibilitava. 
A LetraSet (marca) 
talvez tenha sido a 
mais importante 
produtora de letras 
transferíveis para 
montagem de textos, 
produzindo caracteres 
e ícones de grande 
valor artístico, além 
de ter gerado 
modernidade para o 
design tipográfico da 
época. 
Datilocomposição 
A datilocomposição é baseada no princípio da datilografia, em que o texto é 
obtido mediante impressão por matrizes do tipo esfera ou as conhecidas 
margaridas, ambas em alto-relevo. 
 
Foi uma das formas de composição mais utilizadas em pequenas e médias 
gráficas e editoras nas décadas de 1980 e 1990 por ter um custo 
relativamente baixo. 
Os equipamentos foram representados inicialmente pelas Composers IBM, 
com matrizes esféricas, que depois foram substituídas pelas Formas 
Composers, com matrizes tipo margarida. Nestas últimas máquinas já 
existiam softwares de editoração eletrônica. 
Um dos destaques do aparecimento dessas máquinas foi a impressão em 
suportes translúcidos, substituindo a necessidade de fotolitos, acarretando 
economia de custo final. 
 
Sistema MCS de fotocomposição 
Configurado basicamente em programas de diagramação, em cinco módulos 
básicos, o sistema MCS era composto por um controlador, um vídeo, um 
teclado, uma unidade de disco e uma fotocomponedora — todos ligados em 
linha e funcionando simultaneamente. O MCS admite, ainda, módulos 
secundários, como telas de visualização da página (preview), unidades de 
disco rígido, composição para dimensionar o sistema tanto em volume de 
produção quanto em flexibilidade. 
 
Possuia variação de corpo das letras, de meio em meio ponto, de 4 a 118 
pontos ingleses. A largura das linhas poderia chegar a 65 paicas, 
apresentando como recurso a possibilidade de imagens invertidas ou 
negativadas e de cópias diretas nas matrizes de offset. A resolução que a 
máquina trabalhava era de 1.300 linhas por polegada e o resultado era de 
altíssima definição. 
 
Paste-up 
 
O sistema de fotocomposição trouxe ao mercado uma nova forma de 
trabalho em artes gráficas... A montagem de páginas pela colagem dos 
elementos em pranchas de papel, ou em outro suporte, que, depois de 
preparadas, eram fotografadas e retocadas para obtenção de fotolitos, 
esta operação era denominada paste-up (ou ‘pestape’). 
 
 
 
A base para o profissional de paste-up, o pestapista, era um diagrama 
produzido por profissionais altamente especializados que calculavam e 
traçavam reservas de espaços para orientar os procedimentos de colagens 
que compunham as páginas de anúncios, jornais, revistas e outros produtos 
gráficos. 
Nessa fase, começa uma especialização do profissional gráfico, envolvendo 
conhecimentos de seleção de cores, obtenção de matrizes etc. Cabe dizer que 
o ‘pestape’ deu origem ao processo de decoração de carros e fachadas com 
adesivos, comuns na impressão digital atual. 
Diário do Povo (1991) 
Sistemas Digitais 
Softwares 
A história da composição e impressão digital é bastante curta se comparada à 
história dos outros tipos de sistemas mais antigos. O sistema digital surgiu no 
final do século 20 e foi evoluindo, tornando possível a composição e 
impressão rápida e de qualidade, sendo atualmente os métodos mais 
comuns. 
Como vimos, antes da computação gráfica, os processos de composição e 
impressão eram totalmente manuais e analógicos, com base em reprodução 
de fotografias, retoques manuais, uso de fotolitos, tintas, solventes e 
produtos químicos. 
 
 
1985 
Aldus PageMaker ou Adobe PageMaker, foi um marco na história dos 
aplicativos de desktop publishing, e até meados da década de 1990, dominou 
o mercado no campo da produção gráfica, de material publicitário e 
jornalístico. Em virtude desse sucesso, a empresa Aldus produtora deste 
software foi incorporada pela Adobe Systems. 
 
As impressoras digitais começaram a ser usadas em 1993. A ideia 
de uma impressora digital começou com o desenvolvimento dos 
computadores, que tornaram possível uma nova maneira de 
imprimir. 
Diferente dos outros métodos de impressão, as impressoras 
digitais podiam imprimir uma imagem diferente em cada folha, 
ao passo que os outros tipos de impressão envolviam chapas 
que eram usadas continuamente, sem a possibilidade de alterar 
o conteúdo das impressões de um impresso a outro de maneira 
rápida. 
Ao longo dos anos, alguns estilos foram predominantes... 
1- Góticas – 1450 
O primeiro tipo de impressão em livros no Norte da Europa 
(Johann Gutenberg). As suas formas são baseadas nos estilos 
caligráficos que se utilizavam para reproduzir livros. As 
Góticas foram utilizadas quase durante 500 anos mas 
atualmente são utilizadas pontualmente devido a sua 
complexidade estética e leitura. 
2 – Romanas Antigas – 1475 
São fontes baseadas nas inscrições das ruínas Romanas, 
foram-se desenvolvendo e espalhando ao longo de 200 anos 
até darem origem às de Transição. As Romanas antigas são 
fontes com as serifas arredondadas. 
3 – Romanas Transicionais – 1750 
Uma evolução das Romanas antigas, e foram possíveis devido 
à possibilidade de fundir tipos. São letras serifadas sempre 
que existam hastes, tanto na versão de caixa-alta como em 
caixa-baixa. A sua principal característica é na junção da haste 
com a serifa fazer um angulo arredondado. A diferença de 
espessura entre hastes também é pouco acentuada. 
4 – Cursivas – 1500 
Fonte que tem origem na escrita caligráfica italiana, e 
aproxima-se das fontes que se baseiam na escrita manual. 
5 – Latinas - 1775 
São fontes que descendem das Romanas, e por isso se 
confundem algumas das vezes. Há um maior contraste entre 
as hastes, e a sua principal característica é a sua terminação 
da haste bruscamente em angulo recto na junção da serifa. 
6 – Egípcias - 1825 
Fontes com serifas retangulares bastante evidentes, 
geralmente da mesma espessura que as hastes. Letras 
baseadas no estilo das inscrições egípcias (hieróglifos), que 
eram esculpidos em pedra. 
7 – Grotescas - 1900 
As fontes pertencentes às grotescas não apresentam serifas, 
são chamadas letras de bastão e são das fontes onde é mais 
provavel encontrar bold, italic, light e regular. 
8 – Fantasia 
São fontes que não se conseguem enquadras nas famílias 
acima referidas, e que têm características confundidas, 
misturadas e ornamentadas. 
 
 
 
 
 
 
Obrigado!