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Unidade de Aprendizagem 4: Gêneros Literários RECOMENDAÇÕES DE ESTUDO Ao final desta unidade de aprendizagem espera-se que você consiga [EM13LP50] analisar relações intertextuais e interdiscursivas entre obras de diferentes autores e gêneros literários de um mesmo momento histórico e de momentos históricos diversos, explorando os modos como a literatura e as 1 Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25 Es te ma ter ial é de us o e xcl us ivo de RO DR IG O D E A RA UJ O C HI NA ID E D A S ILV A , CP F 1 22 .40 6.2 27 -25 artes em geral se constituem, dialogam e se retroalimentam; [EM13LP52] analisar obras significativas das literaturas brasileiras e de outros países e povos, em especial a portuguesa, a indígena, a africana e a latino-americana, com base em ferramentas da crítica literária (estrutura da composição, estilo, aspectos discursivos) ou outros critérios relacionados a diferentes matrizes culturais, considerando o contexto de produção (visões de mundo, diálogos com outros textos, inserções em movimentos estéticos e culturais etc.) e o modo como dialogam com o presente. Nesta aula você desenvolverá as seguintes competências: ● Repertório Cultural ● Trabalho e projeto de vida ● Campo artístico-literário Após o seu estudo, assista aos vídeos recomendados no repertório cultural, além de realizar a atividade e responder ao exercício. Esta unidade dispõe de video aulas, não deixe de assisti-las. 1. Sobre os Gêneros Literários 2 Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25 Es te ma ter ial é de us o e xcl us ivo de RO DR IG O D E A RA UJ O C HI NA ID E D A S ILV A , CP F 1 22 .40 6.2 27 -25 O adjetivo Lírico deriva de Lira, instrumento de força expressiva já empregado pelos gregos. Essa associação entre música e lirismo é feita desde as primeiras épocas da cultura artística ocidental, chegando até nossos dias. A Subjetividade lírica é estruturada com ideias, sentimentos, noções, recordações, desejos, profundos estados de espírito que, em muitos casos, tocam o indefinível, o inefável e que só podem ser expressos pela musicalidade, pela metáfora e pela poesia. Por essa razão é que o lirismo encontrou, durante a evolução histórica, a sua mais perfeita e generalizada forma de expressão no verso, com sua rima e ritmo próprios. Devido a razões didáticas, limitamos, a princípio, o gênero lírico à ideia da projeção do mundo interior do artista. No entanto, podemos encontrar características líricas quando o artista transfere suas emoções para um personagem ou para o espaço físico. 2. Poesia e Cultura 3 Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25 Es te ma ter ial é de us o e xcl us ivo de RO DR IG O D E A RA UJ O C HI NA ID E D A S ILV A , CP F 1 22 .40 6.2 27 -25 Os filósofos gregos Platão e Aristóteles foram os primeiros a pensar a respeito dos gêneros literários. E suas observações se desdobraram a partir do Teatro grego, que se originou dos rituais de homenagem aos deuses gregos, pois aquela civilização acreditava no Olimpo e que os deuses o habitassem com defeitos e qualidades tal qual ocorria com os humanos as possuíam e não queriam correr o risco de despertar sua fúria. Daí os rituais de adoração e culto, sobretudo, ao deus Baco. Os primeiros grandes dramaturgos gregos foram Sófocles, autor da tragédia grega, Édipo e Eurípedes, autor da tragédia Medeia. Os dramaturgos também produziam comédias, mas esta era considerada um gênero menor da dramaturgia. As tragédias deram origem a uma ideia de personagem que nos acompanha até hoje: a ideia do herói trágico. Aquele que não é completamente bom, nem conscientemente mau. E que sofre com a perseguição dos deuses. Platão e, sobretudo, Aristóteles estudaram essas tragédias e perceberam características próprias de cada texto. O conjunto dessas características, quando presentes em uma determinada obra, era o que caracteriza os gêneros literários. 4 Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25 Es te ma ter ial é de us o e xcl us ivo de RO DR IG O D E A RA UJ O C HI NA ID E D A S ILV A , CP F 1 22 .40 6.2 27 -25 3. O Gênero Dramático O gênero dramático, que tem sua manifestação mais viva no trágico e no cômico, procura representar o conflito dos homens e seu mundo. Ora representa heróis, seus feitos e a fatalidade que os conduz à queda; ora personalidades medíocres, tolas, mesquinhas, ambiciosas, cômicas ou ridículas: a miséria humana e suas manifestações no mundo real. Atualmente, o gênero envolve dois aspectos: de um lado, como fenômeno literário, temos o texto, a linguagem; do outro, as técnicas de representação, o espetáculo. No Drama, as personagens aparecem dotadas de características marcantes, representando realidades humanas concretas. O texto é, então, representativo, onde o diálogo é fundamental. O Drama é a representação da ação movida por um dinamismo de tensão. 5 Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25 Es te ma ter ial é de us o e xcl us ivo de RO DR IG O D E A RA UJ O C HI NA ID E D A S ILV A , CP F 1 22 .40 6.2 27 -25 DIVISÕES DENTRO DO GÊNERO DRAMÁTICO O gênero dramático, modernamente, teatral ou de representação, como já mencionamos, é formado por subgêneros, divisões de acordo com a predominância de suas características. Essas divisões formam as categorias dramáticas: ● Tragédia: É a obra cujo conflito tem desfecho trágico, funesto, e que produz piedade e terror. A tragédia purga as paixões. ● Comédia: É uma obra que tem como objetivo alegrar, fazer rir, criticar. Explora o ridículo do homem com suas limitações, o cômico. Tem caráter lúdico e corrige os costumes pelo riso. ● Tragicomédia: É a mistura das duas espécies - é a morte da pureza dos gêneros; é o casamento do mais elevado sublime da tragédia com o mais imprevisível grotesco da comédia. 4. O Gênero Épico O gênero épico caracteriza-se pelo aspecto narrativo e pela vinculação a fatos históricos ou a realizações humanas, reveladas pelo artista como observador que transfigura a realidade na obra literária. Entre as grandes obras épicas do ocidente estão: A Ilíada e Odisseia, de Homero; a Eneida, de Virgílio; O Paraíso perdido, de John Milton; A divina comédia (discute a ideia de céu, inferno e purgatório), de Dante e Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões, poeta português. 6 Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25 Es te ma ter ial é de us o e xcl us ivo de RO DR IG O D E A RA UJ O C HI NA ID E D A S ILV A , CP F 1 22 .40 6.2 27 -25 Na Literatura Brasileira Moderna, podemos citar como exemplos de poemas épicos: "Morte e Vida Severina" - João Cabral de Melo Neto. "O Romanceiro da Inconfidência" - Cecília Meireles. "I - Juca Pirama" - Gonçalves Dias. "Os Timbiras" - Gonçalves Dias "O Caçador de Esmeraldas" - Olavo Bilac. 5. Gênero Narrativo ou Ficcional A ficção é um dos gêneros literários ou de imaginação criadora (ao lado dos gêneros dramático e lírico). A Literatura de imaginação ou de criação é a interpretação da vida por um artista, através da palavra. A essência da ficção é, pois, a narrativa é a sua espinha dorsal, correspondendo ao velho instinto humano de contar e ouvir histórias, uma das mais rudimentares e populares formas de entretenimento. A ficção distingue-se da história e da biografia, por estas serem narrativas de fatos reais. A ficção é produto da imaginação criadora, embora, como toda a arte, suas raízes mergulhem na experiência humana. 7 Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25 Es te ma ter ial é de us o e xcl us ivo de RO DR IG O D E A RAUJ O C HI NA ID E D A S ILV A , CP F 1 22 .40 6.2 27 -25 6. Outros Gêneros Narrativos Nem sempre é possível classificar um determinado texto ou obra dentro de uma determinada modalidade de narrativa. Didaticamente, podemos caracterizar: • O Romance • A Novela • O Conto • A Crônica Romance é a narrativa que pretende nos dar uma visão do mundo mediante o conflito de personagens; aborda os assuntos mais variados. Assim, podem ser históricos, psicológicos, experimentais, científicos, policiais, etc. Podemos tomar como exemplo: D. Casmurro, de Machado de Assis, São Bernardo, de Graciliano Ramos, O Cortiço, de Aluísio Azevedo, Corpo Vivo, de Adonias Filho, etc. Há romances que são classificados como verdadeiras epopeias em prosa. Entre eles estão: Os Sertões, de Euclides da Cunha e Grande sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. Novela é a modalidade narrativa que se caracteriza pela sucessividade dos episódios, muitas vezes das personagens e dos cenários. O tempo e o espaço conjugam-se dentro dessa estrutura. Como exemplo de novelas, podemos citar: Noite, de Érico Veríssimo; A vida Real, de Fernando Sabino; A Morte e A Morte de Quincas Berro D’água, de Jorge Amado, etc. Conto é uma narrativa que objetiva a solução de um conflito, tomado perto de seu desfecho. 8 Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25 Es te ma ter ial é de us o e xcl us ivo de RO DR IG O D E A RA UJ O C HI NA ID E D A S ILV A , CP F 1 22 .40 6.2 27 -25 Eis alguns exemplos de contos: O Alienista, de Machado de Assis; O Peru de Natal, de Mário de Andrade; O Negrinho do Pastoreio, de Simões Lopes Neto. Crônica: Um tipo de narrativa curta, normalmente publicada em jornais e que leva em conta os fatos do cotidiano, extraídos das notícias veiculadas no próprio jornal em que circulam. O cronista ficcionaliza-a a informação ou a notícia para daí extrair um tom de reflexão, de humor ou algum aspecto curioso relacionado a ela. Eis um tipo de narrativa em prosa muito apreciada pelo leitor brasileiro atual. Alguns escritores se tornaram famosos como cronistas, tais como Rubem Braga, Henrique Pongetti, Paulo Mendes Campos. Para a redação de uma crônica, basta uma pequena ideia, um pequeno número de detalhes e um desfecho original. 9 Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25 Es te ma ter ial é de us o e xcl us ivo de RO DR IG O D E A RA UJ O C HI NA ID E D A S ILV A , CP F 1 22 .40 6.2 27 -25 7. O que é Versificação? Se a linguagem literária faz uso da função poética e da conotação, é no poema que se dá a maior concentração desses elementos, convém conhecer alguns de seus elementos essenciais, tais como o verso e seus recursos musicais. 10 Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25 Es te ma ter ial é de us o e xcl us ivo de RO DR IG O D E A RA UJ O C HI NA ID E D A S ILV A , CP F 1 22 .40 6.2 27 -25 O Verso e seus Recursos Musicais Pode-se conceituar verso como sendo uma sucessão de sílabas, ou fonemas formando uma unidade rítmica e melódica que corresponde, normalmente, a uma linha do poema. A melodia que caracteriza o verso é resultado de alguns recursos poéticos presentes na poesia de todos os tempos. São eles: Métrica: A métrica é a medida dos versos. Divisão silábica A divisão silábica poética obedece a princípios diferentes da divisão silábica gramatical. As vogais átonas são agrupadas numa única sílaba, e a contagem das sílabas deve ser feita até a última tônica. Observe a diferença: Divisão silábica gramatical: “Man | das | te | a | som | bra | de | um | bei | jo |” 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Divisão silábica poética: “Man | das | te a | som | bra | de um | bei | jo” 1 2 3 4 5 6 7 8 Como se observa, na terceira e sexta sílabas, as vogais átonas agruparam-se (elisão) e a última sílaba, por ser átona, foi desprezada. O verso cuja métrica se repete é chamado verso regular, utilizado por poetas de todos os tempos. Só mais recentemente surgiu o verso livre, que não obedece a uma regularidade métrica. 11 Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25 Es te ma ter ial é de us o e xcl us ivo de RO DR IG O D E A RA UJ O C HI NA ID E D A S ILV A , CP F 1 22 .40 6.2 27 -25 Unidade de Aprendizagem 5: Vanguardas Europeias na Arte RECOMENDAÇÕES DE ESTUDO Ao final desta unidade de aprendizagem espera-se que você consiga [EM13LP50] analisar relações intertextuais e interdiscursivas entre obras de 1 Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25 Es te ma ter ial é de us o e xcl us ivo de RO DR IG O D E A RA UJ O C HI NA ID E D A S ILV A , CP F 1 22 .40 6.2 27 -25 diferentes autores e gêneros literários de um mesmo momento histórico e de momentos históricos diversos, explorando os modos como a literatura e as artes em geral se constituem, dialogam e se retroalimentam; [EM13LP52] analisar obras significativas das literaturas brasileiras e de outros países e povos, em especial a portuguesa, a indígena, a africana e a latino-americana, com base em ferramentas da crítica literária (estrutura da composição, estilo, aspectos discursivos) ou outros critérios relacionados a diferentes matrizes culturais, considerando o contexto de produção (visões de mundo, diálogos com outros textos, inserções em movimentos estéticos e culturais etc.) e o modo como dialogam com o presente. Nesta aula você desenvolverá as seguintes competências: ● Repertório Cultural ● Trabalho e projeto de vida ● Campo artístico-literário ● Apresentar os padrões estéticos e algumas obras das vanguardas europeias e do Modernismo no Brasil. ● ● Identificar as características literárias, estéticas e temáticas que marcaram as manifestações das Vanguardas e as transformações do Modernismo. Após o seu estudo, assista aos vídeos recomendados no repertório cultural, além de realizar a atividade e responder ao exercício. Esta unidade será ministrada em uma aula remota em dia e horário agendados previamente. 2 Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25 Es te ma ter ial é de us o e xcl us ivo de RO DR IG O D E A RA UJ O C HI NA ID E D A S ILV A , CP F 1 22 .40 6.2 27 -25 1. Leia o Texto a Seguir: AS FLORES – CRÔNICA DE LEON ELIACHAR (1922-1987) Iracema recebia flores, sem cartão. Colocava tudo nas jarras, vasos, copos, mesas, janelas, banheiro e até na cozinha. Quando o marido lhe perguntava por que tantas flores, todos os dias, ela sorria: — Deixe de brincadeira, Epitácio. Ele não percebia bem o que ela queria dizer, até que um dia: — Epitácio, acho bom você parar de comprar tanta flor, já não tenho mais onde colocar. Foi aí que ele compreendeu tudo: — O quê? Você quer insinuar que não sabia que não sou eu quem mandou essas flores? Foi o diabo, ela não sabia explicar quem mandava, ele não conseguia convencê-la de que não era ele. — Um de nós dois está mentindo — gritou, furioso. — Então é você — rebateu ela. No dia seguinte, de manhã, ele decidiu não sair, para desvendar o mistério. Assim que as flores chegassem, a pessoa que as trouxesse seria interpelada. Mas não veio ninguém: — Já são duas horas da tarde e as flores não chegaram, Epitácio. É muita coincidência. Vai me dizer que não era você. Ele não tinha por onde escapar. Insinuou muito de leve que a mulher devia ter conhecido alguém na sua ausência. Ela chegou a chorar e se trancou 3 Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25 Es te ma ter ial é de us o e xcl us ivo de RO DR IG O D E A RA UJ O C HI NA ID E D A S ILV A , CP F 1 22 .40 6.2 27 -25 no quarto. A discussãoentrou pela noite até o dia seguinte. Epitácio saiu cedo, sem mesmo tomar café. Bateu a porta com força e levou o mistério para o trabalho. Meia hora depois, a mulher saiu e foi ao florista. — Como vai, Dona Iracema? A senhora ontem não veio, heim? Aconteceu alguma coisa? À noite, Epitácio viu as flores e não disse uma palavra, mas a mulher não parou: — Seu cínico. Basta você sair para as flores aparecerem e ainda tem coragem de dizer que não foi você. Nessa noite ele teve insônia. 2. Poesia e Cultura LIXO/LUXO – POETA AUGUSTO DE CAMPOS (1931) Observe a imagem a seguir. Ela é um exemplo de poesia concreta. Uma poesia em que a forma do texto é parte fundamental para a compreensão da ideia poética. O título desse poema de Augusto de Campos, publicado em 1965, é “LIXO”. Pode parecer apenas a palavra LIXO, mas observe mais atentamente. Do que se compõe a palavra em destaque? De dezenas de repetições de escrita da palavra “LUXO”. Outros poetas importantes se valeram dessa forma de poesia, entre eles Haroldo de Campos e Décio Pignatari. 4 Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25 Es te ma ter ial é de us o e xcl us ivo de RO DR IG O D E A RA UJ O C HI NA ID E D A S ILV A , CP F 1 22 .40 6.2 27 -25 INTERPRETANDO O TEXTO Em sua opinião, porque o poeta formaria a palavra “LIXO” com a escrita da palavra “LUXO”? Uma crítica à desigualdade social num país onde poucos têm tudo e vivem no luxo e muitos vivem mesmo do lixo ou no lixo? Uma crítica à sociedade em que só se valoriza o que é caro mesmo que não tem qualidade, inclusive em matéria de arte? Justifique sua resposta. _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ ______________________ 3. Vanguardas Europeias 5 Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25 Es te ma ter ial é de us o e xcl us ivo de RO DR IG O D E A RA UJ O C HI NA ID E D A S ILV A , CP F 1 22 .40 6.2 27 -25 A palavra “vanguarda” vem do francês e significa: “Estar à frente de seu tempo”. Pode-se afirmar que o começo do século XX constituiu-se no plano cultural e ideológico, em uma verdadeira Renascença, que foi um período do século XV na Europa em que algumas das maiores obras de arte já criadas pela humanidade foram produzidas. A efervescência social na Europa do pré e do pós Primeira Guerra Mundial, motivou o surgimento de novas ideias culturais que procuravam catalisar um estado de espírito e um status quo social diferente, novo, através de formas artísticas ambíguas, desafiantes, renovadoras, algumas vezes pessimistas, outras vezes esperançosas. Eram os centros onde se reuniam os artistas para provocar toda a mudança na arte vigente. E, continuando um hábito cultural secular, muitos artistas e intelectuais brasileiros viajavam para a Europa, por conta própria ou gozando do benefício de bolsas de estudo. Entre esses estavam jovens como Oswald de Andrade (poeta), Anita Malfatti (pintora), Ismael Néry (músico) e Graça Aranha (intelectual e escritor). Retornando ao Brasil, esses jovens começam a divulgar as novas ideias, entusiasmando outros, no sentido de promover, por aqui, o mesmo trabalho de renovação. O que importava para os modernistas brasileiros era uma nova leitura da realidade brasileira, uma busca da expressão nacional. As perguntas que se faziam eram simples: Quem somos nós? O que o Brasil tem de diferente? Movidos pela busca de respostas para essas questões e imbuídos do espírito reformador trazido da Europa, os modernistas brasileiros, também irritados com uma elite parnasiana que dominava as artes, decidem fazer a Semana de Arte Moderna, no Teatro Municipal de São Paulo, em fevereiro de 1922. 6 Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25 Es te ma ter ial é de us o e xcl us ivo de RO DR IG O D E A RA UJ O C HI NA ID E D A S ILV A , CP F 1 22 .40 6.2 27 -25 Cubismo: Em 1907, o pintor espanhol Pablo Picasso surpreende o mundo artístico com a tela Les Demoiselles d'Avignon. Disse ele: “Eu não planto uma mulher, eu pinto um quadro... não vejo a natureza como ela é; ela é como a vejo." Está lançado o movimento cubista, cuja proposta era talhar um objeto em facetas, em pedaços geométricos. Na literatura, o Cubismo manifestou-se da seguinte forma: ● Poesia antidiscursiva; ● Ausência de métrica e de pontuação; ● Destaque para a anedota e a sátira. ● As palavras seguindo ou imitando as formas físicas de pessoas, objetos, paisagens e contribuindo em grande parte o sentido do poema, assim como aconteceu no Brasil, a partir dos anos 1945, com a poesia concreta. Por exemplo, no poema cubista “O punhal”, que compara a paixão a um punhal cravado no peito do apaixonado, as palavras são organizadas para formarem a imagem de um punhal. Chama-se a esse tipo de poema de “caligrama” ou de “ideogramas” e é o que agora é conhecido como “poesia visual”. O cubismo nasceu na França no início do século XIX, tendo sua máxima representação na pintura, mas também influenciou todos os ramos da cultura. 7 Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25 Es te ma ter ial é de us o e xcl us ivo de RO DR IG O D E A RA UJ O C HI NA ID E D A S ILV A , CP F 1 22 .40 6.2 27 -25 Futurismo A velocidade do automóvel, das locomotivas elétricas e dos aeroplanos tem forçosamente de operar uma sensível mudança na visão do mundo dos artistas. Esse é um dos argumentos de uma série de mais de trinta manifestos que o italiano Filippo Marinetti (1876-1944) publicou, na Europa, a partir de 1909. Eis alguns princípios do Futurismo. 1º momento (pensamento fascista) É a exaltação de todos os atos agressivos; ●Defesa das ideias que matam; ●Apologia do preconceito racial e do estupro; ●Glória à guerra - única higiene do mundo. 2º momento (literatura) ●Destruição da sintaxe (frase), com os substantivos dispostos ao acaso; ●Uso insistente de verbos no infinitivo; ●Supressão do adjetivo; 8 Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25 Es te ma ter ial é de us o e xcl us ivo de RO DR IG O D E A RA UJ O C HI NA ID E D A S ILV A , CP F 1 22 .40 6.2 27 -25 Dadaísmo O movimento artístico mais contestador surgido na Europa e com claros reflexos no Brasil foi o Dadaísmo, criado em 1916, em Paris, por um grupo de refugiados alemães liderados por Tristan Tzara (1896 - 1963), poeta judeu-romeno-francês. "Encontrei o nome casualmente ao meter uma espátula num volume fechado, do Petit Larousse e lendo, logo ao abrir o livro, a primeira palavra que me saltou à vista foi DADÁ," Assim Tristan Tzara batizou o movimento. O que quer dizer dadá? Nada. Algumas propostas dadaístas: ●Liberdade total de criação; ●Criação de uma linguagem totalmente nova; ●Ausência de nexo; No Brasil, o Dadaísmo manifestou-se em várias obras dos modernistas, sem contudo dominá-las integralmente. 9 Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25 Es te ma ter ial é de us o e xcl us ivo de RO DR IG O D E A RA UJ O C HI NA ID E D A S ILV A , CP F 1 22 .40 6.2 27 -25 Surrealismo O psiquiatra e poeta francês André Breton (1896-1966) foi o iniciador e o líder do movimento surrealista, mas o poeta francês Guillaume ApoIlinaire (1880-1918) foi quem inventou o vocábulo surreal para explicar o cômico da sua peça teatral Les Manelles de Tirésias. “... para caracterizar o teatro, usei um neologismo - Surrealismo -. Quando o homem quisimitar a ação de andar, criou a roda, que não se assemelha a uma perna." Desse modo, sem saber, ele inventou o Surrealismo. Esse movimento foi resultado do Dadaísmo, do Cubismo e do Futurismo e aconteceu mais na pintura (o pintor espanhol Salvador Dali (1904-1987) foi seu grande representante), no cinema (o espanhol Luis Bunuel em O Cão Andaluz e em O Discreto Charme da Burguesia) e na literatura com inúmeros escritores em todo o mundo. Algumas propostas do Surrealismo: ● Expressar o mundo dos sonhos, do subconsciente e do inconsciente; ● Dizer os estados de alma cheios de alucinação e até de loucura; ● Exprimir tudo com ilogicidade; ● Deixar fluir o pensamento e a imaginação. 10 Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25 Es te ma ter ial é de us o e xcl us ivo de RO DR IG O D E A RA UJ O C HI NA ID E D A S ILV A , CP F 1 22 .40 6.2 27 -25 Impressionismo: O impressionismo foi um movimento artístico surgido na pintura no final do século XIX, na França. O movimento tem como característica romper os laços com o passado, várias obras de Manet são inspiradas na tradição, porém serviu de inspiração para os novos artistas. O movimento foi um marco na arte moderna. Os autores impressionistas não mais se preocupavam com os ensinamentos do Realismo ou da academia, e mesmo se mantinham alguns aspectos do realismo, não se comprometem com denúncia social. Reproduziam paisagens urbanas e suburbanas. O Impressionismo é memorialista; é o registro de impressões que o exterior causa no interior do artista. Tudo o que o artista vive, sente, entende, vê, ouve, intui é decodificado por suas emoções e é posto na tela de forma, muitas vezes “embaçada”, “turva”, “enevoada”. 11 Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25 Es te ma ter ial é de us o e xcl us ivo de RO DR IG O D E A RA UJ O C HI NA ID E D A S ILV A , CP F 1 22 .40 6.2 27 -25 Expressionismo De acordo com a professora de Artes, Laura Aidar, o Expressionismo, surgido na Alemanha, a partir de 1905, possui uma visão trágica do ser humano, muito por conta do contexto histórico da Primeira Guerra Mundial. Como o próprio nome sugere, busca ser uma expressão dos sentimentos e das emoções. Assim, os artistas exageram e distorcem os temas em seu processo de catarse, revelando, sobretudo, o lado pessimista da vida. Esta escola utilizou a arte enquanto forma de refletir a angústia existencialista do indivíduo alienado, fruto da sociedade moderna, industrializada. Dessa forma, podemos destacar como importantes características desse movimento: ● contraste e intensidade cromática; ● valorização do universo psicológico, sobretudo de sentimentos densos, como a angústia e solidão; ● dinamismo e vigor; ● técnica abrupta e "violenta" na pintura, com grossas camadas de tinta; ● valorização de temas sombrios, trágicos. 12 Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25 Es te ma ter ial é de us o e xcl us ivo de RO DR IG O D E A RA UJ O C HI NA ID E D A S ILV A , CP F 1 22 .40 6.2 27 -25 Antecedentes da Semana de Arte Moderna de 1922 Antes de 1922, houve acontecimentos artísticos (exposição de pinturas; publicação de livros e de jornais) que continham linhas das vanguardas europeias, que mostravam uma cor e um jeito brasileiro de manifestar-se, que contestavam a elite parnasiana dominante e refletiam uma situação social, (especialmente em São Paulo e no Rio de Janeiro) característica de um país em mudança, industrializando-se e abrigando milhares de imigrantes europeus. Esses acontecimentos, paulatinamente, criaram um quadro propício para a eclosão do pensamento modernista, ocorrido na Semana de Arte Moderna de 1922. A Semana de Arte Moderna reuniu poetas, pintores, escultores, músicos e intelectuais que apresentaram sua arte modernista nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, nos salões e escadarias do Teatro Municipal de São Paulo. Participaram da Semana: ● Música: Heitor Villa-Lobos, Guiomar Novaes e Ernani Braga. ● Literatura: Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Ronald de Carvalho, Menotti DeI Picchia, Guilherme de Almeida,entre outros. ● Pintura: Anita Malfatti, Di Cavalcanti. ● Escultura: Victor Brecheret. 13 Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25 Es te ma ter ial é de us o e xcl us ivo de RO DR IG O D E A RA UJ O C HI NA ID E D A S ILV A , CP F 1 22 .40 6.2 27 -25 Houve, nos três dias da Semana de Arte Moderna, conferências, recitais, exposição de pinturas e esculturas. Um dos momentos mais marcantes aconteceu quando Ronald de Carvalho declamou o poema “Os Sapos”, do poeta pernambucano Manuel Bandeira. Esse poema é uma violenta ironia aos poetas parnasianos que ainda dominavam o gosto do público. A reação se deu através de vaias e gritos. O poema delimita o fim de uma época cultural. Fases do Modernismo Brasileiro 1ª FASE (1922-1930) Características: Influência das vanguardas européias (cubismo, futurismo, dadaísmo, surrealismo), pesquisa estética, destruição da linguagem tradicional, uso da língua popular, paródia, piada, liberdade total de temas, nacionalismo de cunho primitivista, tentativa de formação da literatura brasileira e do emprego da brasilidade nas artes. Mário de Andrade (1893 - 1945) Grande nome da Cultura Nacional, articulador da Semana de Arte Moderna. Poeta, pesquisador, fundador, ao lado de Gustavo Capanema, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN. ●Macunaíma - O herói sem nenhum caráter (a miscigenação e as contradições que formam a brasilidade, usando lendas amazônicas e folclore). Oswald de Andrade (1890 - 1954) 14 Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25 Es te ma ter ial é de us o e xcl us ivo de RO DR IG O D E A RA UJ O C HI NA ID E D A S ILV A , CP F 1 22 .40 6.2 27 -25 ●Serafim Ponte Grande (romance experimental). ●Memórias Sentimentais de João Miramar (romance experimental). ●O Rei da Vela (teatro). Oswald de Andrade foi o mais revolucionário . Foi ele quem trouxe o futurismo italiano para o Brasil; poeta da paródia, da piada e da língua popular. Manuel Bandeira (1886 - 1968) ●A cinza das Horas. ●Carnaval. ●Libertinagem. ●Estrela da Manhã. Foi o poeta do verso livre e branco, do cotidiano, do prosaico, da liberdade de temas, da ternura. Tematizou a própria tuberculose, a morte, o desejo insatisfeito. Poemas mais representativos: “Profundamente", “Vou-me embora pra Pasárgada”, “Irene”, “Pneumotórax", “Balada das Três Mulheres do Sabonete Araxá”, “Evocação do Recife”. MENOTTI DEL PICCHIA (1892 – 1988) ●Juca Mulato 15 Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25 Es te ma ter ial é de us o e xcl us ivo de RO DR IG O D E A RA UJ O C HI NA ID E D A S ILV A , CP F 1 22 .40 6.2 27 -25 CASSIANO RICARDO (1895 - 1974) ●Martin Cererê RAUL BOPP (1898 - 1984) ●Cobra Norato 2.ª FASE (1930 – 1945) Características: A poesia dessa fase modernista abandona a língua popular e a brasilidade da 1ª fase para preocupar-se em dizer os desconcertos do homem e do mundo, portanto, uma poesia de temática universal. Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) ●Alguma Poesia ●Sentimento do Mundo ●A Rosa do Povo ●Claro Enigma ●Lição de Coisas A ideia de gauche, a solidão, a interrogação sobre a existência, a perda, os desconcertos do mundo, a guerra, o humor, o cotidiano, o presente, a vida, o fazer poético são os temas frequentes de Drummond. Poemas principais: “Poema de Sete Faces”, “José”, “Quadrilha”, “No meio do caminho”, “A Flor e a Náusea”, “Confidências de um Itabirano”, “Procura da Poesia”, “Consolo na Prata”. 16 Este material é de uso exclusivo de RODRIGODE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25 Es te ma ter ial é de us o e xcl us ivo de RO DR IG O D E A RA UJ O C HI NA ID E D A S ILV A , CP F 1 22 .40 6.2 27 -25 Cecília Meireles (1901 – 1964) ●Vaga Música ●Mar Absoluto ●Romanceiro da Inconfidência Mario Quintana (1906-1994) ●Sapato Florido ●O Aprendiz de Feiticeiro ●Nova Antologia Poética O humor, a musicalidade, a infância, a velhice, a morte, o cotidiano, o haicai, o soneto são uma constante na obra de Mário Quintana. JORGE DE LIMA (1895 - 1953) ●Túnica Inconsútil ● Invenção de Orfeu MURILO MENDES (1901 - 1975) ●Contemplação de Ouro Preto ●O tempo e a Eternidade (em parceria com Jorge de Lima). ●Poeta de mil faces, surrealista e católico. 17 Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25 Es te ma ter ial é de us o e xcl us ivo de RO DR IG O D E A RA UJ O C HI NA ID E D A S ILV A , CP F 1 22 .40 6.2 27 -25 Vinícius de Moraes (1913 - 1980) ●Ariana, a Mulher ●Orfeu da Conceição (drama) ●Antologia Poética Uma fase de misticismo e outra de denúncia social não desfazem a ideia do poeta do amor e do erotismo. 18 Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25 Es te ma ter ial é de us o e xcl us ivo de RO DR IG O D E A RA UJ O C HI NA ID E D A S ILV A , CP F 1 22 .40 6.2 27 -25 Unidade de Aprendizagem 6: Estilos de Época: Literatura de Informação e o Barroco RECOMENDAÇÕES DE ESTUDO Ao final desta unidade de aprendizagem espera-se que você consiga [EM13LP50] analisar relações intertextuais e interdiscursivas entre obras de 1 Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25 Es te ma ter ial é de us o e xcl us ivo de RO DR IG O D E A RA UJ O C HI NA ID E D A S ILV A , CP F 1 22 .40 6.2 27 -25 diferentes autores e gêneros literários de um mesmo momento histórico e de momentos históricos diversos, explorando os modos como a literatura e as artes em geral se constituem, dialogam e se retroalimentam; [EM13LP52] analisar obras significativas das literaturas brasileiras e de outros países e povos, em especial a portuguesa, a indígena, a africana e a latino-americana, com base em ferramentas da crítica literária (estrutura da composição, estilo, aspectos discursivos) ou outros critérios relacionados a diferentes matrizes culturais, considerando o contexto de produção (visões de mundo, diálogos com outros textos, inserções em movimentos estéticos e culturais etc.) e o modo como dialogam com o presente. Objetivos: ● Reconhecer a Literatura de Informação. ● Identificar as características do Barroco. Após o seu estudo, assista aos vídeos recomendados no repertório cultural, além de realizar a atividade e responder ao exercício. Esta unidade será ministrada em uma aula remota em dia e horário agendados previamente. 1. O que são Estilos de Época? 2 Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25 Es te ma ter ial é de us o e xcl us ivo de RO DR IG O D E A RA UJ O C HI NA ID E D A S ILV A , CP F 1 22 .40 6.2 27 -25 Quando estudamos a produção literária de uma certa época, percebemos que, apesar das diferenças individuais existentes entre os autores, alguns modos de organizar a linguagem e de representar a realidade são comuns à maioria deles. Essas semelhanças permitem-nos agrupá-los num estilo de época (também chamado de estética, período ou movimento literário), possibilitando-nos compreender o comportamento literário predominante num certo período de tempo. Por sua vez, ao comparar as obras de autores de diversas épocas, notamos muitas diferenças entre elas, não só quanto à linguagem, mas também quanto ao modo de encarar a vida. Isso se dá porque a literatura é um processo contínuo que se desenvolve acompanhando de perto as mudanças que ocorrem na sociedade. Por isso, para se compreender bem um estilo literário, deve-se estudar não só as obras, mas também a situação histórico-social em que elas foram escritas. O homem muda através dos tempos e com ele mudam, também, as formas de expressão artística. Observe a diferença de assunto e de linguagem destes dois textos: POEMA O QUE É SIMPATIA – CASIMIRO DE ABREU O poeta do romantismo brasileiro, Casimiro de Abreu (1839-1860) viveu apenas vinte e um anos, mas produziu uma obra suficientemente relevante para marcar seu nome na Literatura brasileira do século XIX. A idealização do amor, da mulher, da vida e da própria morte nesse poeta que produziu obras bucólicas, quase ingênuas como a também clássica Meus oito anos: “ah, que saudade que eu tenho da aurora da minha vida, da minha infância querida...” Esse estilo dominou toda uma geração de poetas e ficou conhecido como 3 Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25 Es te ma ter ial é de us o e xcl us ivo de RO DR IG O D E A RA UJ O C HI NA ID E D A S ILV A , CP F 1 22 .40 6.2 27 -25 segunda geração do romantismo brasileiro, a geração mal do século: uma geração em que os poetas morriam muito jovens, vítimas da tuberculose, muitos deles, sem ter vivenciado o amor, a não ser nas fantasias e nos poemas. O QUE É SIMPATIA CASIMIRO DE ABREU Simpatia – é o sentimento Que nasce num só momento, Sincero, no coração; São dois olhares acesos Bem juntos, unidos, presos Numa mágica atração. Simpatia – são dois galhos Banhados de bons orvalhos Nas mangueiras do jardim; Bem longe às vezes nascidos, Mas que se juntam crescidos E que se abraçam por fim. São duas almas bem gêmeas Que riem no mesmo riso, 4 Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25 Es te ma ter ial é de us o e xcl us ivo de RO DR IG O D E A RA UJ O C HI NA ID E D A S ILV A , CP F 1 22 .40 6.2 27 -25 Que choram nos mesmos ais; São vozes de dois amantes, Duas liras semelhantes, Ou dois poemas iguais. Simpatia – meu anjinho, É o canto de passarinho, É o doce aroma da flor; São nuvens dum céu d’agosto É o que m’inspira teu rosto... –Simpatia – é quase amor! POEMA NO MEIO DO CAMINHO, DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE Esse é seguramente um dos cinco poemas mais conhecidos de Carlos Drummond de Andrade. É um poema de 1929, início do século XX. Que traz várias características da modernidade literária: quebra com a formalidade, desprezo pela métrica e pela rima, temas considerados banais e pouco nobres como a “pedra”, a repetição enfadonha do verso e a quebra com as regras da norma culta da linguagem como no caso do verbo “ter” em lugar do verbo “haver” como recomendava a gramática clássica da época. O poeta, se fosse seguir a regra deveria ter escrito: “havia uma pedra no meio do caminho” e ainda assim o poema teria sido considerado um escândalo literário. 5 Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25 Es te ma ter ial é de us o e xcl us ivo de RO DR IG O D E A RA UJ O C HI NA ID E D A S ILV A , CP F 1 22 .40 6.2 27 -25 Em cada período da literatura, chamado de estilo de época ou movimento literário, existem obras e autores que apresentam certas afinidades entre si, isto é, pode haver semelhanças entre suas obras quanto à linguagem, aos temas, à forma de ver e sentir o mundo. São essas afinidades que fazem um movimento literário ser diferente de outro. NO MEIO DO CAMINHO CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE No meio do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho tinha uma pedra no meio do caminho tinha uma pedra. Nunca me esquecerei desse acontecimento na vida de minhas retinas tão fatigadas. Nunca me esquecerei que no meio do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho no meio do caminho tinha uma pedra. 6 Este material é de uso exclusivode RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25 Es te ma ter ial é de us o e xcl us ivo de RO DR IG O D E A RA UJ O C HI NA ID E D A S ILV A , CP F 1 22 .40 6.2 27 -25 2. Literatura de Informação (Século XVI) No primeiro século, após o "descobrimento" do Brasil, tudo o que os viajantes, aventureiros e escrivães escreveram sobre o Brasil se enquadra no que se convencionou denominar literatura de Informação. Isso porque não havia uma literatura brasileira, mas textos que descreviam esta terra e que comentavam sobre ela. A fauna, a flora, o índio e seus costumes, as viagens, o diferente, o novo, o exótico faziam parte desses relatos, frequentemente sem valor artístico, porém interessantes do ponto de vista histórico e relevantes, se forem considerados como as primeiras narrativas sobre o Brasil. AUTORES E OBRAS PERO VAZ DE CAMINHA (1437 -1500) Escrivão da armada de Pedro Álvares Cabral, celebrizou-se pela Carta a El-rei Dom Manuel, comunicando o "descobrimento" do Brasil e narrando sobre o que aqui encontrou: “Esta terra, Senhor, parece-me que, da ponta que mais contra o Sul vimos, até a outra ponta que contra o Norte vem, de que nós deste porto houvemos vista, será tamanha que haverá nela bem vinte ou vinte e cinco léguas de costa. Traz ao longo do mar em algumas partes grandes barreiras, 7 Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25 Es te ma ter ial é de us o e xcl us ivo de RO DR IG O D E A RA UJ O C HI NA ID E D A S ILV A , CP F 1 22 .40 6.2 27 -25 umas vermelhas, e outras brancas; e a terra de cima toda chã e muito cheia de grandes arvoredos. De ponta a ponta é toda praia... “ PADRE MANUEL DA NÓBREGA (1517 -1570) Fundou a cidade de São Paulo e construiu, na costa brasileira, vários colégios. Escreveu cartas e relatos de valor histórico. Merece especial destaque: “Diálogos sobre a Conversão dos Gentios”, em que aborda as possibilidades de conversão dos índios ao catolicismo. PADRE JOSÉ DE ANCHIETA (1534 -1597) Anchieta só trabalhou com catequese. Redigiu a primeira gramática da língua nativa, A Arte da Gramática da Língua mais usada na Costa do Brasil; escreveu poemas de louvor a Nossa Senhora, fez peças teatrais (autos), segundo o modelo medieval, entre as quais se destaca Na Festa de São Lourenço. Vale ressaltar, em sua obra, a forte moral católica ligada aos costumes dos índios, a dicotomia do bem e do mal, o anjo e o diabo. 8 Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25 Es te ma ter ial é de us o e xcl us ivo de RO DR IG O D E A RA UJ O C HI NA ID E D A S ILV A , CP F 1 22 .40 6.2 27 -25 3. Estilo Barroco Após o saque de Roma em 1527, realizado pela Espanha, as ricas cidades italianas entraram em decadência e, com elas, o Renascimento. Concomitantemente, aconteceu a Reforma de Martinho Lutero, cujas ideias contrapunham o “status quo” católico dominante e a igreja iniciou o movimento de Contrarreforma, na tentativa de reconquistar seu domínio. Esses acontecimentos, evidentemente, provocaram mudanças no homem que se tornou inseguro, angustiado e interiormente caótico. A arte perdeu a harmonia e passou a manifestar-se insegura, medrosa, oscilando entre a religiosidade apregoada pela Contrarreforma e a vivência humanista, antes ditada pelo Renascimento. O homem valorizou a si, porém descobriu-se pequeno, frágil e fugaz. Surgiram, então, questionamentos: Quem eu sou? O que é certo e justo? Remanescente do Renascimento, Hamlet, de Shakespeare, tem dúvida: “Ser ou ser?” e Michelangelo cria o Juízo Final na Capela Sistina, com imagens confusas e desesperadas. Era o Barroco se manifestando. 9 Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25 Es te ma ter ial é de us o e xcl us ivo de RO DR IG O D E A RA UJ O C HI NA ID E D A S ILV A , CP F 1 22 .40 6.2 27 -25 Uma das esculturas dos profetas barroco esculpidos por Aleijadinho no século XVII na cidade de Ouro Preto, Minas Gerais. Aleijadinho (Francisco Lisboa conhecido como Aleijadinho nasceu no dia 29 de agosto de 1730 Foi escultor, entalhador e arquiteto na época colonial). No Brasil católico do século XVII, o Barroco – movimento que se iniciou desde meados do século XVI, na Europa, que foi um resultado da Contrarreforma, manifestou-se em todas as artes, em decorrência da educação dada pelos jesuítas. Historicamente, o centro do Brasil era a Bahia (Salvador). CARACTERÍSTICAS DO BARROCO ● Culto do Contraste O Barroco sempre opunha, na prosa e no verso, matéria e espírito, bem e mal, Deus e diabo, céu e terra, pureza e pecado, alegria e tristeza, vida e morte, juventude e velhice, claridade e escuridão. ● Consciência da Transitoriedade da Vida Mantinha a consciência constante do efêmero, do passageiro, da morte, da degeneração física e moral. ● Valorização do homem O homem barroco abandona a visão Teocêntrica, que colocava Deus no centro do mundo e adota visão antropocêntrica, ou seja, passa a ser o próprio homem o centro de suas inquietações; 10 Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25 Es te ma ter ial é de us o e xcl us ivo de RO DR IG O D E A RA UJ O C HI NA ID E D A S ILV A , CP F 1 22 .40 6.2 27 -25 ● Impressões Sensoriais Constantes Eram empregados vocábulos que transmitem sensações táteis, auditivas, olfativas e, sobretudo, visuais. ● Presença Insistente de Antíteses e Paradoxos Antítese: Trata-se de uma figura de pensamento que consiste no emprego de vocábulos, expressões ou frases de sentidos contrários. LEIA O SONETO DE GREGÓRIO DE MATOS, POETA BRASILEIRO Esse poema é bastante apropriado para demonstrar a ironia e o conflito religioso do homem barroco. A JESUS CRISTO NOSSO SENHOR GREGÓRIO DE MATOS (1636-1696) Pequei, Senhor; mas não porque hei pecado, Da vossa alta clemência me despido; Porque, quanto mais tenho delinquido, Vos tenho a perdoar mais empenhado. Se basta a vos irar tanto pecado, A abrandar-vos sobeja um só gemido: Que a mesma culpa, que vos há ofendido, Vos tem para o perdão lisonjeado. 11 Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25 Es te ma ter ial é de us o e xcl us ivo de RO DR IG O D E A RA UJ O C HI NA ID E D A S ILV A , CP F 1 22 .40 6.2 27 -25 Se uma ovelha perdida e já cobrada Glória tal e prazer tão repentino Vos deu, como afirmais na sacra história, Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada, Cobrai-a; e não queirais, pastor divino, Perder na vossa ovelha a vossa glória. DOIS GRANDES AUTORES DO BARROCO BRASILEIRO ● GREGÓRIO DE MATOS GUERRA (1623 – 1696) Gregório de Matos, “o Boca do Inferno”, como os jesuítas o apelidaram, nasceu em Salvador (BA) e era filho de família rica e católica. Aos quatorze anos foi estudar leis em Coimbra. Jurista e boêmio, retornou ao Brasil, mas retornou imediatamente a Portugal e foi nomeado juiz de um bairro de Lisboa. Como poeta, Gregório de Matos fez sátiras à vida na Colônia, poemas líricos-amorosos e, na última fase, poemas religiosos. ● PADRE ANTÓNIO VIEIRA Padre Vieira nasceu em Portugal e veio para Salvador aos seis anos de idade. Famoso pela inteligência privilegiada e pelo talento para a oratória, 12 Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25 Es te ma ter ial é de us o e xcl us ivo de RO DR IG O D E A RA UJ O C HI NA ID E D A S ILV A , CP F 1 22 .40 6.2 27 -25 logo correspondeu e tornou-se o maior orador religioso da língua portuguesa. Foi professor de teologia; trabalhou na Corte de Dom João VI (1614), como diplomata e defendeu os índios, os negros e os judeus. Da vasta obra do Padre Antônio Vieira, constituída de sermões e cartas, destacam- se algumas pregações: Sermão da Sexagésima(sobre a arte de falar em público); Sermão de Santo Antônio ou dos Peixes. LEIA UM DOS SERMÕES DE ANTÓNIO VIEIRA AMAR OU SER AMADO? PADRE ANTÓNIO VIEIRA Que é o que mais deseja e mais estima o amor: ver-se conhecido ou ver-se pago? É certo que o amor não pode ser pago, sem ser primeiro conhecido; mas pode ser conhecido, sem ser pago. E considerando divididos estes dois termos, não há dúvida que quanto mais estima o amor e melhor lhe está ver-se conhecido que pago. Porque o que o amor mais pretende, é obrigar; o conhecimento obriga, a paga desempenha. Logo muito melhor lhe está ao amor ver-se conhecido que pago; porque o conhecimento aperta as obrigações, a pagar e o desempenho desata-as. 13 Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25 Es te ma ter ial é de us o e xcl us ivo de RO DR IG O D E A RA UJ O C HI NA ID E D A S ILV A , CP F 1 22 .40 6.2 27 -25 O conhecimento é satisfação do amor próprio; a paga é satisfação do amor alheio. Na satisfação do que o amor recebe, pode ser o afecto [grafia de Portugal] interessado; na satisfação do que comunica, não pode ser senão liberal. Logo, mais deve estimular o amor que segura no conhecimento a satisfação da sua liberalidade, que ver duvidosa na paga a fidalguia do seu desinteresse. O mais seguro crédito de quem ama, é a confissão da dívida no amado; mas como há-de confessar a dívida, quem a não conhece? Mais lhe importa logo ao amor o conhecimento que a paga; porque a sua maior riqueza é ter sempre endividado a quem ama. Quando o amor deixa de ser credor, só então é pobre. Finalmente, ser tão grande o amor que se não possa pagar, é a maior glória de quem ama: se esta grandeza se conhece, é glória manifesta; se não se conhece, fica escurecida, e não é glória. Logo, muito mais estima o amor, e muito mais deseja e muito mais lhe convém a glória de conhecido, que a satisfação de pagamento. Padre António Vieira, in "Sermões Escolhidos (Sermão do Mandato)" 14 Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25 Es te ma ter ial é de us o e xcl us ivo de RO DR IG O D E A RA UJ O C HI NA ID E D A S ILV A , CP F 1 22 .40 6.2 27 -25