Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Unidade de Aprendizagem 4:
Gêneros Literários
RECOMENDAÇÕES DE ESTUDO
Ao final desta unidade de aprendizagem espera-se que você consiga
[EM13LP50] analisar relações intertextuais e interdiscursivas entre obras de
diferentes autores e gêneros literários de um mesmo momento histórico e de
momentos históricos diversos, explorando os modos como a literatura e as
1
Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25
Es
te 
ma
ter
ial
 é 
de
 us
o e
xcl
us
ivo
 de
 RO
DR
IG
O D
E A
RA
UJ
O C
HI
NA
ID
E D
A S
ILV
A ,
 CP
F 1
22
.40
6.2
27
-25
artes em geral se constituem, dialogam e se retroalimentam; [EM13LP52]
analisar obras significativas das literaturas brasileiras e de outros países e
povos, em especial a portuguesa, a indígena, a africana e a latino-americana,
com base em ferramentas da crítica literária (estrutura da composição, estilo,
aspectos discursivos) ou outros critérios relacionados a diferentes matrizes
culturais, considerando o contexto de produção (visões de mundo, diálogos
com outros textos, inserções em movimentos estéticos e culturais etc.) e o
modo como dialogam com o presente.
Nesta aula você desenvolverá as seguintes competências:
● Repertório Cultural
● Trabalho e projeto de vida
● Campo artístico-literário
Após o seu estudo, assista aos vídeos recomendados no repertório
cultural, além de realizar a atividade e responder ao exercício.
Esta unidade dispõe de video aulas, não deixe de assisti-las.
1. Sobre os Gêneros Literários
2
Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25
Es
te 
ma
ter
ial
 é 
de
 us
o e
xcl
us
ivo
 de
 RO
DR
IG
O D
E A
RA
UJ
O C
HI
NA
ID
E D
A S
ILV
A ,
 CP
F 1
22
.40
6.2
27
-25
O adjetivo Lírico deriva de Lira, instrumento de força expressiva já
empregado pelos gregos. Essa associação entre música e lirismo é feita desde
as primeiras épocas da cultura artística ocidental, chegando até nossos dias.
A Subjetividade lírica é estruturada com ideias, sentimentos, noções,
recordações, desejos, profundos estados de espírito que, em muitos casos,
tocam o indefinível, o inefável e que só podem ser expressos pela
musicalidade, pela metáfora e pela poesia. Por essa razão é que o lirismo
encontrou, durante a evolução histórica, a sua mais perfeita e generalizada
forma de expressão no verso, com sua rima e ritmo próprios.
Devido a razões didáticas, limitamos, a princípio, o gênero lírico à ideia
da projeção do mundo interior do artista. No entanto, podemos encontrar
características líricas quando o artista transfere suas emoções para um
personagem ou para o espaço físico.
2. Poesia e Cultura
3
Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25
Es
te 
ma
ter
ial
 é 
de
 us
o e
xcl
us
ivo
 de
 RO
DR
IG
O D
E A
RA
UJ
O C
HI
NA
ID
E D
A S
ILV
A ,
 CP
F 1
22
.40
6.2
27
-25
Os filósofos gregos Platão e Aristóteles foram os primeiros a pensar a
respeito dos gêneros literários. E suas observações se desdobraram a partir
do Teatro grego, que se originou dos rituais de homenagem aos deuses
gregos, pois aquela civilização acreditava no Olimpo e que os deuses o
habitassem com defeitos e qualidades tal qual ocorria com os humanos as
possuíam e não queriam correr o risco de despertar sua fúria. Daí os rituais de
adoração e culto, sobretudo, ao deus Baco. Os primeiros grandes
dramaturgos gregos foram Sófocles, autor da tragédia grega, Édipo e
Eurípedes, autor da tragédia Medeia.
Os dramaturgos também produziam comédias, mas esta era
considerada um gênero menor da dramaturgia. As tragédias deram origem a
uma ideia de personagem que nos acompanha até hoje: a ideia do herói
trágico. Aquele que não é completamente bom, nem conscientemente mau. E
que sofre com a perseguição dos deuses. Platão e, sobretudo, Aristóteles
estudaram essas tragédias e perceberam características próprias de cada
texto. O conjunto dessas características, quando presentes em uma
determinada obra, era o que caracteriza os gêneros literários.
4
Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25
Es
te 
ma
ter
ial
 é 
de
 us
o e
xcl
us
ivo
 de
 RO
DR
IG
O D
E A
RA
UJ
O C
HI
NA
ID
E D
A S
ILV
A ,
 CP
F 1
22
.40
6.2
27
-25
3. O Gênero Dramático
O gênero dramático, que tem sua manifestação mais viva no trágico e
no cômico, procura representar o conflito dos homens e seu mundo. Ora
representa heróis, seus feitos e a fatalidade que os conduz à queda; ora
personalidades medíocres, tolas, mesquinhas, ambiciosas, cômicas ou
ridículas: a miséria humana e suas manifestações no mundo real.
Atualmente, o gênero envolve dois aspectos: de um lado, como
fenômeno literário, temos o texto, a linguagem; do outro, as técnicas de
representação, o espetáculo.
No Drama, as personagens aparecem dotadas de características
marcantes, representando realidades humanas concretas. O texto é, então,
representativo, onde o diálogo é fundamental. O Drama é a representação da
ação movida por um dinamismo de tensão.
5
Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25
Es
te 
ma
ter
ial
 é 
de
 us
o e
xcl
us
ivo
 de
 RO
DR
IG
O D
E A
RA
UJ
O C
HI
NA
ID
E D
A S
ILV
A ,
 CP
F 1
22
.40
6.2
27
-25
DIVISÕES DENTRO DO GÊNERO DRAMÁTICO
O gênero dramático, modernamente, teatral ou de representação, como
já mencionamos, é formado por subgêneros, divisões de acordo com a
predominância de suas características. Essas divisões formam as categorias
dramáticas:
● Tragédia: É a obra cujo conflito tem desfecho trágico, funesto, e
que produz piedade e terror. A tragédia purga as paixões.
● Comédia: É uma obra que tem como objetivo alegrar, fazer rir,
criticar. Explora o ridículo do homem com suas limitações, o
cômico. Tem caráter lúdico e corrige os costumes pelo riso.
● Tragicomédia: É a mistura das duas espécies - é a morte da
pureza dos gêneros; é o casamento do mais elevado sublime da
tragédia com o mais imprevisível grotesco da comédia.
4. O Gênero Épico
O gênero épico caracteriza-se pelo aspecto narrativo e pela vinculação
a fatos históricos ou a realizações humanas, reveladas pelo artista como
observador que transfigura a realidade na obra literária. Entre as grandes
obras épicas do ocidente estão: A Ilíada e Odisseia, de Homero; a Eneida, de
Virgílio; O Paraíso perdido, de John Milton; A divina comédia (discute a ideia
de céu, inferno e purgatório), de Dante e Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões,
poeta português.
6
Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25
Es
te 
ma
ter
ial
 é 
de
 us
o e
xcl
us
ivo
 de
 RO
DR
IG
O D
E A
RA
UJ
O C
HI
NA
ID
E D
A S
ILV
A ,
 CP
F 1
22
.40
6.2
27
-25
Na Literatura Brasileira Moderna, podemos citar como exemplos de
poemas épicos:
"Morte e Vida Severina" - João Cabral de Melo Neto.
"O Romanceiro da Inconfidência" - Cecília Meireles.
"I - Juca Pirama" - Gonçalves Dias.
"Os Timbiras" - Gonçalves Dias
"O Caçador de Esmeraldas" - Olavo Bilac.
5. Gênero Narrativo ou Ficcional
A ficção é um dos gêneros literários ou de imaginação criadora (ao lado
dos gêneros dramático e lírico). A Literatura de imaginação ou de criação é a
interpretação da vida por um artista, através da palavra.
A essência da ficção é, pois, a narrativa é a sua espinha dorsal,
correspondendo ao velho instinto humano de contar e ouvir histórias, uma das
mais rudimentares e populares formas de entretenimento.
A ficção distingue-se da história e da biografia, por estas serem
narrativas de fatos reais. A ficção é produto da imaginação criadora, embora,
como toda a arte, suas raízes mergulhem na experiência humana.
7
Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25
Es
te 
ma
ter
ial
 é 
de
 us
o e
xcl
us
ivo
 de
 RO
DR
IG
O D
E A
RAUJ
O C
HI
NA
ID
E D
A S
ILV
A ,
 CP
F 1
22
.40
6.2
27
-25
6. Outros Gêneros Narrativos
Nem sempre é possível classificar um determinado texto ou obra dentro
de uma determinada modalidade de narrativa. Didaticamente, podemos
caracterizar:
• O Romance • A Novela
• O Conto • A Crônica
Romance é a narrativa que pretende nos dar uma visão do mundo
mediante o conflito de personagens; aborda os assuntos mais variados. Assim,
podem ser históricos, psicológicos, experimentais, científicos, policiais, etc.
Podemos tomar como exemplo: D. Casmurro, de Machado de Assis, São
Bernardo, de Graciliano Ramos, O Cortiço, de Aluísio Azevedo, Corpo Vivo, de
Adonias Filho, etc.
Há romances que são classificados como verdadeiras epopeias em
prosa. Entre eles estão: Os Sertões, de Euclides da Cunha e Grande sertão:
Veredas, de Guimarães Rosa.
Novela é a modalidade narrativa que se caracteriza pela sucessividade
dos episódios, muitas vezes das personagens e dos cenários. O tempo e o
espaço conjugam-se dentro dessa estrutura.
Como exemplo de novelas, podemos citar: Noite, de Érico Veríssimo; A
vida Real, de Fernando Sabino; A Morte e A Morte de Quincas Berro D’água,
de Jorge Amado, etc.
Conto é uma narrativa que objetiva a solução de um conflito, tomado
perto de seu desfecho.
8
Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25
Es
te 
ma
ter
ial
 é 
de
 us
o e
xcl
us
ivo
 de
 RO
DR
IG
O D
E A
RA
UJ
O C
HI
NA
ID
E D
A S
ILV
A ,
 CP
F 1
22
.40
6.2
27
-25
Eis alguns exemplos de contos: O Alienista, de Machado de Assis; O Peru
de Natal, de Mário de Andrade; O Negrinho do Pastoreio, de Simões Lopes
Neto.
Crônica: Um tipo de narrativa curta, normalmente publicada em jornais
e que leva em conta os fatos do cotidiano, extraídos das notícias veiculadas
no próprio jornal em que circulam. O cronista ficcionaliza-a a informação ou a
notícia para daí extrair um tom de reflexão, de humor ou algum aspecto
curioso relacionado a ela.
Eis um tipo de narrativa em prosa muito apreciada pelo leitor brasileiro
atual. Alguns escritores se tornaram famosos como cronistas, tais como
Rubem Braga, Henrique Pongetti, Paulo Mendes Campos. Para a redação de
uma crônica, basta uma pequena ideia, um pequeno número de detalhes e um
desfecho original.
9
Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25
Es
te 
ma
ter
ial
 é 
de
 us
o e
xcl
us
ivo
 de
 RO
DR
IG
O D
E A
RA
UJ
O C
HI
NA
ID
E D
A S
ILV
A ,
 CP
F 1
22
.40
6.2
27
-25
7. O que é Versificação?
Se a linguagem literária faz uso da função poética e da conotação, é no
poema que se dá a maior concentração desses elementos, convém conhecer
alguns de seus elementos essenciais, tais como o verso e seus recursos
musicais.
10
Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25
Es
te 
ma
ter
ial
 é 
de
 us
o e
xcl
us
ivo
 de
 RO
DR
IG
O D
E A
RA
UJ
O C
HI
NA
ID
E D
A S
ILV
A ,
 CP
F 1
22
.40
6.2
27
-25
O Verso e seus Recursos Musicais
Pode-se conceituar verso como sendo uma sucessão de sílabas, ou
fonemas formando uma unidade rítmica e melódica que corresponde,
normalmente, a uma linha do poema. A melodia que caracteriza o verso é
resultado de alguns recursos poéticos presentes na poesia de todos os tempos.
São eles:
Métrica:
A métrica é a medida dos versos.
Divisão silábica
A divisão silábica poética obedece a princípios diferentes da divisão
silábica gramatical. As vogais átonas são agrupadas numa única sílaba, e a
contagem das sílabas deve ser feita até a última tônica. Observe a diferença:
Divisão silábica gramatical:
“Man | das | te | a | som | bra | de | um | bei | jo |”
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Divisão silábica poética:
“Man | das | te a | som | bra | de um | bei | jo”
1 2 3 4 5 6 7 8
Como se observa, na terceira e sexta sílabas, as vogais átonas
agruparam-se (elisão) e a última sílaba, por ser átona, foi desprezada. O verso
cuja métrica se repete é chamado verso regular, utilizado por poetas de todos
os tempos. Só mais recentemente surgiu o verso livre, que não obedece a uma
regularidade métrica.
11
Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25
Es
te 
ma
ter
ial
 é 
de
 us
o e
xcl
us
ivo
 de
 RO
DR
IG
O D
E A
RA
UJ
O C
HI
NA
ID
E D
A S
ILV
A ,
 CP
F 1
22
.40
6.2
27
-25
Unidade de Aprendizagem 5:
Vanguardas Europeias
na Arte
RECOMENDAÇÕES DE ESTUDO
Ao final desta unidade de aprendizagem espera-se que você consiga
[EM13LP50] analisar relações intertextuais e interdiscursivas entre obras de
1
Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25
Es
te 
ma
ter
ial
 é 
de
 us
o e
xcl
us
ivo
 de
 RO
DR
IG
O D
E A
RA
UJ
O C
HI
NA
ID
E D
A S
ILV
A ,
 CP
F 1
22
.40
6.2
27
-25
diferentes autores e gêneros literários de um mesmo momento histórico e de
momentos históricos diversos, explorando os modos como a literatura e as
artes em geral se constituem, dialogam e se retroalimentam; [EM13LP52]
analisar obras significativas das literaturas brasileiras e de outros países e
povos, em especial a portuguesa, a indígena, a africana e a latino-americana,
com base em ferramentas da crítica literária (estrutura da composição, estilo,
aspectos discursivos) ou outros critérios relacionados a diferentes matrizes
culturais, considerando o contexto de produção (visões de mundo, diálogos
com outros textos, inserções em movimentos estéticos e culturais etc.) e o
modo como dialogam com o presente.
Nesta aula você desenvolverá as seguintes competências:
● Repertório Cultural
● Trabalho e projeto de vida
● Campo artístico-literário
● Apresentar os padrões estéticos e algumas obras das vanguardas
europeias e do Modernismo no Brasil.
●
● Identificar as características literárias, estéticas e temáticas que
marcaram as manifestações das Vanguardas e as
transformações do Modernismo.
Após o seu estudo, assista aos vídeos recomendados no repertório
cultural, além de realizar a atividade e responder ao exercício.
Esta unidade será ministrada em uma aula remota em dia e horário
agendados previamente.
2
Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25
Es
te 
ma
ter
ial
 é 
de
 us
o e
xcl
us
ivo
 de
 RO
DR
IG
O D
E A
RA
UJ
O C
HI
NA
ID
E D
A S
ILV
A ,
 CP
F 1
22
.40
6.2
27
-25
1. Leia o Texto a Seguir:
AS FLORES – CRÔNICA DE LEON ELIACHAR (1922-1987)
Iracema recebia flores, sem cartão. Colocava tudo nas jarras, vasos,
copos, mesas, janelas, banheiro e até na cozinha. Quando o marido lhe
perguntava por que tantas flores, todos os dias, ela sorria:
— Deixe de brincadeira, Epitácio.
Ele não percebia bem o que ela queria dizer, até que um dia:
— Epitácio, acho bom você parar de comprar tanta flor, já não tenho
mais onde colocar.
Foi aí que ele compreendeu tudo:
— O quê? Você quer insinuar que não sabia que não sou eu quem
mandou essas flores?
Foi o diabo, ela não sabia explicar quem mandava, ele não conseguia
convencê-la de que não era ele.
— Um de nós dois está mentindo — gritou, furioso.
— Então é você — rebateu ela.
No dia seguinte, de manhã, ele decidiu não sair, para desvendar o
mistério. Assim que as flores chegassem, a pessoa que as trouxesse seria
interpelada. Mas não veio ninguém:
— Já são duas horas da tarde e as flores não chegaram, Epitácio. É
muita coincidência.
Vai me dizer que não era você.
Ele não tinha por onde escapar. Insinuou muito de leve que a mulher
devia ter conhecido alguém na sua ausência. Ela chegou a chorar e se trancou
3
Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25
Es
te 
ma
ter
ial
 é 
de
 us
o e
xcl
us
ivo
 de
 RO
DR
IG
O D
E A
RA
UJ
O C
HI
NA
ID
E D
A S
ILV
A ,
 CP
F 1
22
.40
6.2
27
-25
no quarto. A discussãoentrou pela noite até o dia seguinte. Epitácio saiu cedo,
sem mesmo tomar café. Bateu a porta com força e levou o mistério para o
trabalho.
Meia hora depois, a mulher saiu e foi ao florista.
— Como vai, Dona Iracema? A senhora ontem não veio, heim?
Aconteceu alguma coisa?
À noite, Epitácio viu as flores e não disse uma palavra, mas a mulher
não parou:
— Seu cínico. Basta você sair para as flores aparecerem e ainda tem
coragem de dizer que não foi você.
Nessa noite ele teve insônia.
2. Poesia e Cultura
LIXO/LUXO – POETA AUGUSTO DE CAMPOS (1931)
Observe a imagem a seguir. Ela é um exemplo de poesia concreta. Uma poesia
em que a forma do texto é parte fundamental para a compreensão da ideia
poética. O título desse poema de Augusto de Campos, publicado em 1965, é
“LIXO”. Pode parecer apenas a palavra LIXO, mas observe mais atentamente.
Do que se compõe a palavra em destaque? De dezenas de repetições de
escrita da palavra “LUXO”. Outros poetas importantes se valeram dessa forma
de poesia, entre eles Haroldo de Campos e Décio Pignatari.
4
Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25
Es
te 
ma
ter
ial
 é 
de
 us
o e
xcl
us
ivo
 de
 RO
DR
IG
O D
E A
RA
UJ
O C
HI
NA
ID
E D
A S
ILV
A ,
 CP
F 1
22
.40
6.2
27
-25
INTERPRETANDO O TEXTO
Em sua opinião, porque o poeta formaria a palavra “LIXO” com a escrita da
palavra “LUXO”? Uma crítica à desigualdade social num país onde poucos têm
tudo e vivem no luxo e muitos vivem mesmo do lixo ou no lixo? Uma crítica à
sociedade em que só se valoriza o que é caro mesmo que não tem qualidade,
inclusive em matéria de arte? Justifique sua resposta.
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
______________________
3. Vanguardas Europeias
5
Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25
Es
te 
ma
ter
ial
 é 
de
 us
o e
xcl
us
ivo
 de
 RO
DR
IG
O D
E A
RA
UJ
O C
HI
NA
ID
E D
A S
ILV
A ,
 CP
F 1
22
.40
6.2
27
-25
A palavra “vanguarda” vem do francês e significa: “Estar à frente de seu
tempo”. Pode-se afirmar que o começo do século XX constituiu-se no plano
cultural e ideológico, em uma verdadeira Renascença, que foi um período do
século XV na Europa em que algumas das maiores obras de arte já criadas
pela humanidade foram produzidas.
A efervescência social na Europa do pré e do pós Primeira Guerra
Mundial, motivou o surgimento de novas ideias culturais que procuravam
catalisar um estado de espírito e um status quo social diferente, novo, através
de formas artísticas ambíguas, desafiantes, renovadoras, algumas vezes
pessimistas, outras vezes esperançosas.
Eram os centros onde se reuniam os artistas para provocar toda a
mudança na arte vigente. E, continuando um hábito cultural secular, muitos
artistas e intelectuais brasileiros viajavam para a Europa, por conta própria ou
gozando do benefício de bolsas de estudo. Entre esses estavam jovens como
Oswald de Andrade (poeta), Anita Malfatti (pintora), Ismael Néry (músico) e
Graça Aranha (intelectual e escritor).
Retornando ao Brasil, esses jovens começam a divulgar as novas ideias,
entusiasmando outros, no sentido de promover, por aqui, o mesmo trabalho de
renovação.
O que importava para os modernistas brasileiros era uma nova leitura
da realidade brasileira, uma busca da expressão nacional. As perguntas que
se faziam eram simples:
Quem somos nós? O que o Brasil tem de diferente? Movidos pela busca
de respostas para essas questões e imbuídos do espírito reformador trazido da
Europa, os modernistas brasileiros, também irritados com uma elite
parnasiana que dominava as artes, decidem fazer a Semana de Arte Moderna,
no Teatro Municipal de São Paulo, em fevereiro de 1922.
6
Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25
Es
te 
ma
ter
ial
 é 
de
 us
o e
xcl
us
ivo
 de
 RO
DR
IG
O D
E A
RA
UJ
O C
HI
NA
ID
E D
A S
ILV
A ,
 CP
F 1
22
.40
6.2
27
-25
Cubismo:
Em 1907, o pintor espanhol Pablo Picasso surpreende o mundo artístico
com a tela Les Demoiselles d'Avignon. Disse ele: “Eu não planto uma mulher,
eu pinto um quadro... não vejo a natureza como ela é; ela é como a vejo." Está
lançado o movimento cubista, cuja proposta era talhar um objeto em facetas,
em pedaços geométricos.
Na literatura, o Cubismo manifestou-se da seguinte forma:
● Poesia antidiscursiva;
● Ausência de métrica e de pontuação;
● Destaque para a anedota e a sátira.
● As palavras seguindo ou imitando as formas físicas de
pessoas, objetos, paisagens e contribuindo em grande parte o
sentido do poema, assim como aconteceu no Brasil, a partir dos
anos 1945, com a poesia concreta. Por exemplo, no poema cubista
“O punhal”, que compara a paixão a um punhal cravado no peito do
apaixonado, as palavras são organizadas para formarem a imagem
de um punhal.
Chama-se a esse tipo de poema de “caligrama” ou de “ideogramas” e é
o que agora é conhecido como “poesia visual”. O cubismo nasceu na França
no início do século XIX, tendo sua máxima representação na pintura, mas
também influenciou todos os ramos da cultura.
7
Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25
Es
te 
ma
ter
ial
 é 
de
 us
o e
xcl
us
ivo
 de
 RO
DR
IG
O D
E A
RA
UJ
O C
HI
NA
ID
E D
A S
ILV
A ,
 CP
F 1
22
.40
6.2
27
-25
Futurismo
A velocidade do automóvel, das locomotivas elétricas e dos aeroplanos
tem forçosamente de operar uma sensível mudança na visão do mundo dos
artistas.
Esse é um dos argumentos de uma série de mais de trinta manifestos
que o italiano Filippo Marinetti (1876-1944) publicou, na Europa, a partir de
1909. Eis alguns princípios do Futurismo.
1º momento (pensamento fascista)
É a exaltação de todos os atos agressivos;
●Defesa das ideias que matam;
●Apologia do preconceito racial e do estupro;
●Glória à guerra - única higiene do mundo.
2º momento (literatura)
●Destruição da sintaxe (frase), com os substantivos dispostos ao
acaso;
●Uso insistente de verbos no infinitivo;
●Supressão do adjetivo;
8
Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25
Es
te 
ma
ter
ial
 é 
de
 us
o e
xcl
us
ivo
 de
 RO
DR
IG
O D
E A
RA
UJ
O C
HI
NA
ID
E D
A S
ILV
A ,
 CP
F 1
22
.40
6.2
27
-25
Dadaísmo
O movimento artístico mais contestador surgido na Europa e com
claros reflexos no Brasil foi o Dadaísmo, criado em 1916, em Paris, por um
grupo de refugiados alemães liderados por Tristan Tzara (1896 - 1963), poeta
judeu-romeno-francês.
"Encontrei o nome casualmente ao meter uma espátula num volume
fechado, do Petit Larousse e lendo, logo ao abrir o livro, a primeira palavra
que me saltou à vista foi DADÁ," Assim Tristan Tzara batizou o movimento.
O que quer dizer dadá? Nada.
Algumas propostas dadaístas:
●Liberdade total de criação;
●Criação de uma linguagem totalmente nova;
●Ausência de nexo;
No Brasil, o Dadaísmo manifestou-se em várias obras dos
modernistas, sem contudo dominá-las integralmente.
9
Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25
Es
te 
ma
ter
ial
 é 
de
 us
o e
xcl
us
ivo
 de
 RO
DR
IG
O D
E A
RA
UJ
O C
HI
NA
ID
E D
A S
ILV
A ,
 CP
F 1
22
.40
6.2
27
-25
Surrealismo
O psiquiatra e poeta francês André Breton (1896-1966) foi o iniciador e o
líder do movimento surrealista, mas o poeta francês Guillaume ApoIlinaire
(1880-1918) foi quem inventou o vocábulo surreal para explicar o cômico da
sua peça teatral Les Manelles de Tirésias. “... para caracterizar o teatro, usei
um neologismo - Surrealismo -. Quando o homem quisimitar a ação de andar,
criou a roda, que não se assemelha a uma perna." Desse modo, sem saber, ele
inventou o Surrealismo.
Esse movimento foi resultado do Dadaísmo, do Cubismo e do Futurismo
e aconteceu mais na pintura (o pintor espanhol Salvador Dali (1904-1987) foi
seu grande representante), no cinema (o espanhol Luis Bunuel em O Cão
Andaluz e em O Discreto Charme da Burguesia) e na literatura com inúmeros
escritores em todo o mundo.
Algumas propostas do Surrealismo:
● Expressar o mundo dos sonhos, do subconsciente e do
inconsciente;
● Dizer os estados de alma cheios de alucinação e até de
loucura;
● Exprimir tudo com ilogicidade;
● Deixar fluir o pensamento e a imaginação.
10
Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25
Es
te 
ma
ter
ial
 é 
de
 us
o e
xcl
us
ivo
 de
 RO
DR
IG
O D
E A
RA
UJ
O C
HI
NA
ID
E D
A S
ILV
A ,
 CP
F 1
22
.40
6.2
27
-25
Impressionismo:
O impressionismo foi um movimento artístico surgido na pintura no final
do século XIX, na França. O movimento tem como característica romper os
laços com o passado, várias obras de Manet são inspiradas na tradição,
porém serviu de inspiração para os novos artistas.
O movimento foi um marco na arte moderna. Os autores impressionistas
não mais se preocupavam com os ensinamentos do Realismo ou da academia,
e mesmo se mantinham alguns aspectos do realismo, não se comprometem
com denúncia social. Reproduziam paisagens urbanas e suburbanas.
O Impressionismo é memorialista; é o registro de impressões que o
exterior causa no interior do artista. Tudo o que o artista vive, sente, entende,
vê, ouve, intui é decodificado por suas emoções e é posto na tela de forma,
muitas vezes “embaçada”, “turva”, “enevoada”.
11
Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25
Es
te 
ma
ter
ial
 é 
de
 us
o e
xcl
us
ivo
 de
 RO
DR
IG
O D
E A
RA
UJ
O C
HI
NA
ID
E D
A S
ILV
A ,
 CP
F 1
22
.40
6.2
27
-25
Expressionismo
De acordo com a professora de Artes, Laura Aidar, o Expressionismo,
surgido na Alemanha, a partir de 1905, possui uma visão trágica do ser
humano, muito por conta do contexto histórico da Primeira Guerra Mundial.
Como o próprio nome sugere, busca ser uma expressão dos sentimentos e das
emoções. Assim, os artistas exageram e distorcem os temas em seu processo
de catarse, revelando, sobretudo, o lado pessimista da vida.
Esta escola utilizou a arte enquanto forma de refletir a angústia
existencialista do indivíduo alienado, fruto da sociedade moderna,
industrializada. Dessa forma, podemos destacar como importantes
características desse movimento:
● contraste e intensidade cromática;
● valorização do universo psicológico, sobretudo de sentimentos
densos, como a angústia e solidão;
● dinamismo e vigor;
● técnica abrupta e "violenta" na pintura, com grossas camadas de
tinta;
● valorização de temas sombrios, trágicos.
12
Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25
Es
te 
ma
ter
ial
 é 
de
 us
o e
xcl
us
ivo
 de
 RO
DR
IG
O D
E A
RA
UJ
O C
HI
NA
ID
E D
A S
ILV
A ,
 CP
F 1
22
.40
6.2
27
-25
Antecedentes da Semana de Arte Moderna de 1922
Antes de 1922, houve acontecimentos artísticos (exposição de pinturas;
publicação de livros e de jornais) que continham linhas das vanguardas
europeias, que mostravam uma cor e um jeito brasileiro de manifestar-se,
que contestavam a elite parnasiana dominante e refletiam uma situação
social, (especialmente em São Paulo e no Rio de Janeiro) característica de
um país em mudança, industrializando-se e abrigando milhares de imigrantes
europeus.
Esses acontecimentos, paulatinamente, criaram um quadro propício
para a eclosão do pensamento modernista, ocorrido na Semana de Arte
Moderna de 1922.
A Semana de Arte Moderna reuniu poetas, pintores, escultores, músicos
e intelectuais que apresentaram sua arte modernista nos dias 13, 15 e 17 de
fevereiro de 1922, nos salões e escadarias do Teatro Municipal de São Paulo.
Participaram da Semana:
● Música: Heitor Villa-Lobos, Guiomar Novaes e Ernani Braga.
● Literatura: Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Ronald de
Carvalho, Menotti DeI Picchia, Guilherme de Almeida,entre outros.
● Pintura: Anita Malfatti, Di Cavalcanti.
● Escultura: Victor Brecheret.
13
Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25
Es
te 
ma
ter
ial
 é 
de
 us
o e
xcl
us
ivo
 de
 RO
DR
IG
O D
E A
RA
UJ
O C
HI
NA
ID
E D
A S
ILV
A ,
 CP
F 1
22
.40
6.2
27
-25
Houve, nos três dias da Semana de Arte Moderna, conferências, recitais,
exposição de pinturas e esculturas. Um dos momentos mais marcantes
aconteceu quando Ronald de Carvalho declamou o poema “Os Sapos”, do
poeta pernambucano Manuel Bandeira. Esse poema é uma violenta ironia aos
poetas parnasianos que ainda dominavam o gosto do público. A reação se
deu através de vaias e gritos. O poema delimita o fim de uma época cultural.
Fases do Modernismo Brasileiro
1ª FASE (1922-1930)
Características: Influência das vanguardas européias (cubismo,
futurismo, dadaísmo, surrealismo), pesquisa estética, destruição da linguagem
tradicional, uso da língua popular, paródia, piada, liberdade total de temas,
nacionalismo de cunho primitivista, tentativa de formação da literatura
brasileira e do emprego da brasilidade nas artes.
Mário de Andrade (1893 - 1945)
Grande nome da Cultura Nacional, articulador da Semana de Arte Moderna.
Poeta, pesquisador, fundador, ao lado de Gustavo Capanema, do Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN.
●Macunaíma - O herói sem nenhum caráter (a miscigenação e as
contradições que formam a brasilidade, usando lendas amazônicas e
folclore).
Oswald de Andrade (1890 - 1954)
14
Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25
Es
te 
ma
ter
ial
 é 
de
 us
o e
xcl
us
ivo
 de
 RO
DR
IG
O D
E A
RA
UJ
O C
HI
NA
ID
E D
A S
ILV
A ,
 CP
F 1
22
.40
6.2
27
-25
●Serafim Ponte Grande (romance experimental).
●Memórias Sentimentais de João Miramar (romance
experimental).
●O Rei da Vela (teatro).
Oswald de Andrade foi o mais revolucionário . Foi ele quem trouxe o
futurismo italiano para o Brasil; poeta da paródia, da piada e da língua
popular.
Manuel Bandeira (1886 - 1968)
●A cinza das Horas.
●Carnaval.
●Libertinagem.
●Estrela da Manhã.
Foi o poeta do verso livre e branco, do cotidiano, do prosaico, da
liberdade de temas, da ternura. Tematizou a própria tuberculose, a
morte, o desejo insatisfeito.
Poemas mais representativos: “Profundamente", “Vou-me
embora pra Pasárgada”, “Irene”, “Pneumotórax", “Balada das Três
Mulheres do Sabonete Araxá”, “Evocação do Recife”.
MENOTTI DEL PICCHIA (1892 – 1988)
●Juca Mulato
15
Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25
Es
te 
ma
ter
ial
 é 
de
 us
o e
xcl
us
ivo
 de
 RO
DR
IG
O D
E A
RA
UJ
O C
HI
NA
ID
E D
A S
ILV
A ,
 CP
F 1
22
.40
6.2
27
-25
CASSIANO RICARDO (1895 - 1974)
●Martin Cererê
RAUL BOPP (1898 - 1984)
●Cobra Norato
2.ª FASE (1930 – 1945)
Características: A poesia dessa fase modernista abandona a língua
popular e a brasilidade da 1ª fase para preocupar-se em dizer os desconcertos
do homem e do mundo, portanto, uma poesia de temática universal.
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)
●Alguma Poesia
●Sentimento do Mundo
●A Rosa do Povo
●Claro Enigma
●Lição de Coisas
A ideia de gauche, a solidão, a interrogação sobre a existência, a perda,
os desconcertos do mundo, a guerra, o humor, o cotidiano, o presente, a vida,
o fazer poético são os temas frequentes de Drummond. Poemas principais:
“Poema de Sete Faces”, “José”, “Quadrilha”, “No meio do caminho”, “A Flor e a
Náusea”, “Confidências de um Itabirano”, “Procura da Poesia”, “Consolo na
Prata”.
16
Este material é de uso exclusivo de RODRIGODE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25
Es
te 
ma
ter
ial
 é 
de
 us
o e
xcl
us
ivo
 de
 RO
DR
IG
O D
E A
RA
UJ
O C
HI
NA
ID
E D
A S
ILV
A ,
 CP
F 1
22
.40
6.2
27
-25
Cecília Meireles (1901 – 1964)
●Vaga Música
●Mar Absoluto
●Romanceiro da Inconfidência
Mario Quintana (1906-1994)
●Sapato Florido
●O Aprendiz de Feiticeiro
●Nova Antologia Poética
O humor, a musicalidade, a infância, a velhice, a morte, o cotidiano, o haicai, o
soneto são uma constante na obra de Mário Quintana.
JORGE DE LIMA (1895 - 1953)
●Túnica Inconsútil
● Invenção de Orfeu
MURILO MENDES (1901 - 1975)
●Contemplação de Ouro Preto
●O tempo e a Eternidade
(em parceria com Jorge de Lima).
●Poeta de mil faces, surrealista e católico.
17
Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25
Es
te 
ma
ter
ial
 é 
de
 us
o e
xcl
us
ivo
 de
 RO
DR
IG
O D
E A
RA
UJ
O C
HI
NA
ID
E D
A S
ILV
A ,
 CP
F 1
22
.40
6.2
27
-25
Vinícius de Moraes (1913 - 1980)
●Ariana, a Mulher
●Orfeu da Conceição (drama)
●Antologia Poética
Uma fase de misticismo e outra de denúncia social não desfazem a
ideia do poeta do amor e do erotismo.
18
Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25
Es
te 
ma
ter
ial
 é 
de
 us
o e
xcl
us
ivo
 de
 RO
DR
IG
O D
E A
RA
UJ
O C
HI
NA
ID
E D
A S
ILV
A ,
 CP
F 1
22
.40
6.2
27
-25
Unidade de Aprendizagem 6:
Estilos de Época: Literatura de
Informação e o Barroco
RECOMENDAÇÕES DE ESTUDO
Ao final desta unidade de aprendizagem espera-se que você consiga
[EM13LP50] analisar relações intertextuais e interdiscursivas entre obras de
1
Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25
Es
te 
ma
ter
ial
 é 
de
 us
o e
xcl
us
ivo
 de
 RO
DR
IG
O D
E A
RA
UJ
O C
HI
NA
ID
E D
A S
ILV
A ,
 CP
F 1
22
.40
6.2
27
-25
diferentes autores e gêneros literários de um mesmo momento histórico e de
momentos históricos diversos, explorando os modos como a literatura e as
artes em geral se constituem, dialogam e se retroalimentam; [EM13LP52]
analisar obras significativas das literaturas brasileiras e de outros países e
povos, em especial a portuguesa, a indígena, a africana e a latino-americana,
com base em ferramentas da crítica literária (estrutura da composição, estilo,
aspectos discursivos) ou outros critérios relacionados a diferentes matrizes
culturais, considerando o contexto de produção (visões de mundo, diálogos
com outros textos, inserções em movimentos estéticos e culturais etc.) e o
modo como dialogam com o presente.
Objetivos:
● Reconhecer a Literatura de Informação.
● Identificar as características do Barroco.
Após o seu estudo, assista aos vídeos recomendados no repertório
cultural, além de realizar a atividade e responder ao exercício.
Esta unidade será ministrada em uma aula remota em dia e horário
agendados previamente.
1. O que são Estilos de Época?
2
Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25
Es
te 
ma
ter
ial
 é 
de
 us
o e
xcl
us
ivo
 de
 RO
DR
IG
O D
E A
RA
UJ
O C
HI
NA
ID
E D
A S
ILV
A ,
 CP
F 1
22
.40
6.2
27
-25
Quando estudamos a produção literária de uma certa época,
percebemos que, apesar das diferenças individuais existentes entre os
autores, alguns modos de organizar a linguagem e de representar a realidade
são comuns à maioria deles. Essas semelhanças permitem-nos agrupá-los num
estilo de época (também chamado de estética, período ou movimento
literário), possibilitando-nos compreender o comportamento literário
predominante num certo período de tempo.
Por sua vez, ao comparar as obras de autores de diversas épocas,
notamos muitas diferenças entre elas, não só quanto à linguagem, mas
também quanto ao modo de encarar a vida. Isso se dá porque a literatura é
um processo contínuo que se desenvolve acompanhando de perto as
mudanças que ocorrem na sociedade. Por isso, para se compreender bem um
estilo literário, deve-se estudar não só as obras, mas também a situação
histórico-social em que elas foram escritas.
O homem muda através dos tempos e com ele mudam, também, as
formas de expressão artística. Observe a diferença de assunto e de linguagem
destes dois textos:
POEMA O QUE É SIMPATIA – CASIMIRO DE ABREU
O poeta do romantismo brasileiro, Casimiro de Abreu (1839-1860) viveu
apenas vinte e um anos, mas produziu uma obra suficientemente relevante
para marcar seu nome na Literatura brasileira do século XIX. A idealização do
amor, da mulher, da vida e da própria morte nesse poeta que produziu obras
bucólicas, quase ingênuas como a também clássica Meus oito anos: “ah, que
saudade que eu tenho da aurora da minha vida, da minha infância querida...”
Esse estilo dominou toda uma geração de poetas e ficou conhecido como
3
Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25
Es
te 
ma
ter
ial
 é 
de
 us
o e
xcl
us
ivo
 de
 RO
DR
IG
O D
E A
RA
UJ
O C
HI
NA
ID
E D
A S
ILV
A ,
 CP
F 1
22
.40
6.2
27
-25
segunda geração do romantismo brasileiro, a geração mal do século: uma
geração em que os poetas morriam muito jovens, vítimas da tuberculose,
muitos deles, sem ter vivenciado o amor, a não ser nas fantasias e nos
poemas.
O QUE É SIMPATIA
CASIMIRO DE ABREU
Simpatia – é o sentimento
Que nasce num só momento,
Sincero, no coração;
São dois olhares acesos
Bem juntos, unidos, presos
Numa mágica atração.
Simpatia – são dois galhos
Banhados de bons orvalhos
Nas mangueiras do jardim;
Bem longe às vezes nascidos,
Mas que se juntam crescidos
E que se abraçam por fim.
São duas almas bem gêmeas
Que riem no mesmo riso,
4
Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25
Es
te 
ma
ter
ial
 é 
de
 us
o e
xcl
us
ivo
 de
 RO
DR
IG
O D
E A
RA
UJ
O C
HI
NA
ID
E D
A S
ILV
A ,
 CP
F 1
22
.40
6.2
27
-25
Que choram nos mesmos ais;
São vozes de dois amantes,
Duas liras semelhantes,
Ou dois poemas iguais.
Simpatia – meu anjinho,
É o canto de passarinho,
É o doce aroma da flor;
São nuvens dum céu d’agosto
É o que m’inspira teu rosto...
–Simpatia – é quase amor!
POEMA NO MEIO DO CAMINHO, DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
Esse é seguramente um dos cinco poemas mais conhecidos de Carlos
Drummond de Andrade. É um poema de 1929, início do século XX. Que traz
várias características da modernidade literária: quebra com a formalidade,
desprezo pela métrica e pela rima, temas considerados banais e pouco nobres
como a “pedra”, a repetição enfadonha do verso e a quebra com as regras da
norma culta da linguagem como no caso do verbo “ter” em lugar do verbo
“haver” como recomendava a gramática clássica da época. O poeta, se fosse
seguir a regra deveria ter escrito: “havia uma pedra no meio do caminho” e
ainda assim o poema teria sido considerado um escândalo literário.
5
Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25
Es
te 
ma
ter
ial
 é 
de
 us
o e
xcl
us
ivo
 de
 RO
DR
IG
O D
E A
RA
UJ
O C
HI
NA
ID
E D
A S
ILV
A ,
 CP
F 1
22
.40
6.2
27
-25
Em cada período da literatura, chamado de estilo de época ou
movimento literário, existem obras e autores que apresentam certas
afinidades entre si, isto é, pode haver semelhanças entre suas obras quanto à
linguagem, aos temas, à forma de ver e sentir o mundo. São essas afinidades
que fazem um movimento literário ser diferente de outro.
NO MEIO DO CAMINHO
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
6
Este material é de uso exclusivode RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25
Es
te 
ma
ter
ial
 é 
de
 us
o e
xcl
us
ivo
 de
 RO
DR
IG
O D
E A
RA
UJ
O C
HI
NA
ID
E D
A S
ILV
A ,
 CP
F 1
22
.40
6.2
27
-25
2. Literatura de Informação
(Século XVI)
No primeiro século, após o "descobrimento" do Brasil, tudo o que os
viajantes, aventureiros e escrivães escreveram sobre o Brasil se enquadra no
que se convencionou denominar literatura de Informação. Isso porque não
havia uma literatura brasileira, mas textos que descreviam esta terra e que
comentavam sobre ela. A fauna, a flora, o índio e seus costumes, as viagens, o
diferente, o novo, o exótico faziam parte desses relatos, frequentemente sem
valor artístico, porém interessantes do ponto de vista histórico e relevantes, se
forem considerados como as primeiras narrativas sobre o Brasil.
AUTORES E OBRAS
PERO VAZ DE CAMINHA (1437 -1500)
Escrivão da armada de Pedro Álvares Cabral, celebrizou-se pela Carta a
El-rei Dom Manuel, comunicando o "descobrimento" do Brasil e narrando
sobre o que aqui encontrou:
“Esta terra, Senhor, parece-me que, da ponta que mais contra o Sul
vimos, até a outra ponta que contra o Norte vem, de que nós deste porto
houvemos vista, será tamanha que haverá nela bem vinte ou vinte e cinco
léguas de costa. Traz ao longo do mar em algumas partes grandes barreiras,
7
Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25
Es
te 
ma
ter
ial
 é 
de
 us
o e
xcl
us
ivo
 de
 RO
DR
IG
O D
E A
RA
UJ
O C
HI
NA
ID
E D
A S
ILV
A ,
 CP
F 1
22
.40
6.2
27
-25
umas vermelhas, e outras brancas; e a terra de cima toda chã e muito cheia
de grandes arvoredos. De ponta a ponta é toda praia... “
PADRE MANUEL DA NÓBREGA (1517 -1570)
Fundou a cidade de São Paulo e construiu, na costa brasileira, vários
colégios. Escreveu cartas e relatos de valor histórico. Merece especial
destaque: “Diálogos sobre a Conversão dos Gentios”, em que aborda as
possibilidades de conversão dos índios ao catolicismo.
PADRE JOSÉ DE ANCHIETA (1534 -1597)
Anchieta só trabalhou com catequese. Redigiu a primeira gramática da
língua nativa, A Arte da Gramática da Língua mais usada na Costa do Brasil;
escreveu poemas de louvor a Nossa Senhora, fez peças teatrais (autos),
segundo o modelo medieval, entre as quais se destaca Na Festa de São
Lourenço. Vale ressaltar, em sua obra, a forte moral católica ligada aos
costumes dos índios, a dicotomia do bem e do mal, o anjo e o diabo.
8
Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25
Es
te 
ma
ter
ial
 é 
de
 us
o e
xcl
us
ivo
 de
 RO
DR
IG
O D
E A
RA
UJ
O C
HI
NA
ID
E D
A S
ILV
A ,
 CP
F 1
22
.40
6.2
27
-25
3. Estilo Barroco
Após o saque de Roma em 1527, realizado pela Espanha, as ricas
cidades italianas entraram em decadência e, com elas, o Renascimento.
Concomitantemente, aconteceu a Reforma de Martinho Lutero, cujas ideias
contrapunham o “status quo” católico dominante e a igreja iniciou o
movimento de Contrarreforma, na tentativa de reconquistar seu domínio.
Esses acontecimentos, evidentemente, provocaram mudanças no
homem que se tornou inseguro, angustiado e interiormente caótico. A arte
perdeu a harmonia e passou a manifestar-se insegura, medrosa, oscilando
entre a religiosidade apregoada pela Contrarreforma e a vivência humanista,
antes ditada pelo Renascimento. O homem valorizou a si, porém descobriu-se
pequeno, frágil e fugaz. Surgiram, então, questionamentos: Quem eu sou? O
que é certo e justo? Remanescente do Renascimento, Hamlet, de Shakespeare,
tem dúvida: “Ser ou ser?” e Michelangelo cria o Juízo Final na Capela Sistina,
com imagens confusas e desesperadas. Era o Barroco se manifestando.
9
Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25
Es
te 
ma
ter
ial
 é 
de
 us
o e
xcl
us
ivo
 de
 RO
DR
IG
O D
E A
RA
UJ
O C
HI
NA
ID
E D
A S
ILV
A ,
 CP
F 1
22
.40
6.2
27
-25
Uma das esculturas dos profetas barroco esculpidos por Aleijadinho no
século XVII na cidade de Ouro Preto, Minas Gerais. Aleijadinho (Francisco
Lisboa conhecido como Aleijadinho nasceu no dia 29 de agosto de 1730 Foi
escultor, entalhador e arquiteto na época colonial).
No Brasil católico do século XVII, o Barroco – movimento que se iniciou
desde meados do século XVI, na Europa, que foi um resultado da
Contrarreforma, manifestou-se em todas as artes, em decorrência da
educação dada pelos jesuítas. Historicamente, o centro do Brasil era a Bahia
(Salvador).
CARACTERÍSTICAS DO BARROCO
● Culto do Contraste
O Barroco sempre opunha, na prosa e no verso, matéria e espírito, bem
e mal, Deus e diabo, céu e terra, pureza e pecado, alegria e tristeza, vida e
morte, juventude e velhice, claridade e escuridão.
● Consciência da Transitoriedade da Vida
Mantinha a consciência constante do efêmero, do passageiro, da morte,
da degeneração física e moral.
● Valorização do homem
O homem barroco abandona a visão Teocêntrica, que colocava Deus no
centro do mundo e adota visão antropocêntrica, ou seja, passa a ser o próprio
homem o centro de suas inquietações;
10
Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25
Es
te 
ma
ter
ial
 é 
de
 us
o e
xcl
us
ivo
 de
 RO
DR
IG
O D
E A
RA
UJ
O C
HI
NA
ID
E D
A S
ILV
A ,
 CP
F 1
22
.40
6.2
27
-25
● Impressões Sensoriais Constantes
Eram empregados vocábulos que transmitem sensações táteis,
auditivas, olfativas e, sobretudo, visuais.
● Presença Insistente de Antíteses e Paradoxos
Antítese: Trata-se de uma figura de pensamento que consiste no
emprego de vocábulos, expressões ou frases de sentidos contrários.
LEIA O SONETO DE GREGÓRIO DE MATOS, POETA BRASILEIRO
Esse poema é bastante apropriado para demonstrar a ironia e o conflito
religioso do homem barroco.
A JESUS CRISTO NOSSO SENHOR
GREGÓRIO DE MATOS (1636-1696)
Pequei, Senhor; mas não porque hei pecado,
Da vossa alta clemência me despido;
Porque, quanto mais tenho delinquido,
Vos tenho a perdoar mais empenhado.
Se basta a vos irar tanto pecado,
A abrandar-vos sobeja um só gemido:
Que a mesma culpa, que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.
11
Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25
Es
te 
ma
ter
ial
 é 
de
 us
o e
xcl
us
ivo
 de
 RO
DR
IG
O D
E A
RA
UJ
O C
HI
NA
ID
E D
A S
ILV
A ,
 CP
F 1
22
.40
6.2
27
-25
Se uma ovelha perdida e já cobrada
Glória tal e prazer tão repentino
Vos deu, como afirmais na sacra história,
Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada,
Cobrai-a; e não queirais, pastor divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória.
DOIS GRANDES AUTORES DO BARROCO BRASILEIRO
● GREGÓRIO DE MATOS GUERRA (1623 – 1696)
Gregório de Matos, “o Boca do Inferno”, como os jesuítas o apelidaram,
nasceu em Salvador (BA) e era filho de família rica e católica. Aos quatorze
anos foi estudar leis em Coimbra. Jurista e boêmio, retornou ao Brasil, mas
retornou imediatamente a Portugal e foi nomeado juiz de um bairro de Lisboa.
Como poeta, Gregório de Matos fez sátiras à vida na Colônia, poemas
líricos-amorosos e, na última fase, poemas religiosos.
● PADRE ANTÓNIO VIEIRA
Padre Vieira nasceu em Portugal e veio para Salvador aos seis anos de
idade. Famoso pela inteligência privilegiada e pelo talento para a oratória,
12
Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25
Es
te 
ma
ter
ial
 é 
de
 us
o e
xcl
us
ivo
 de
 RO
DR
IG
O D
E A
RA
UJ
O C
HI
NA
ID
E D
A S
ILV
A ,
 CP
F 1
22
.40
6.2
27
-25
logo correspondeu e tornou-se o maior orador religioso da língua portuguesa.
Foi professor de teologia; trabalhou na Corte de Dom João VI (1614), como
diplomata e defendeu os índios, os negros e os judeus. Da vasta obra do Padre
Antônio Vieira, constituída de sermões e cartas, destacam- se algumas
pregações:
Sermão da Sexagésima(sobre a arte de falar em público); Sermão de
Santo Antônio ou dos Peixes.
LEIA UM DOS SERMÕES DE ANTÓNIO VIEIRA
AMAR OU SER AMADO?
PADRE ANTÓNIO VIEIRA
Que é o que mais deseja e mais estima o amor: ver-se conhecido ou
ver-se pago? É certo que o amor não pode ser pago, sem ser primeiro
conhecido; mas pode ser conhecido, sem ser pago.
E considerando divididos estes dois termos, não há dúvida que quanto
mais estima o amor e melhor lhe está ver-se conhecido que pago. Porque o
que o amor mais pretende, é obrigar; o conhecimento obriga, a paga
desempenha. Logo muito melhor lhe está ao amor ver-se conhecido que pago;
porque o conhecimento aperta as obrigações, a pagar e o desempenho
desata-as.
13
Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25
Es
te 
ma
ter
ial
 é 
de
 us
o e
xcl
us
ivo
 de
 RO
DR
IG
O D
E A
RA
UJ
O C
HI
NA
ID
E D
A S
ILV
A ,
 CP
F 1
22
.40
6.2
27
-25
O conhecimento é satisfação do amor próprio; a paga é satisfação do
amor alheio. Na satisfação do que o amor recebe, pode ser o afecto [grafia de
Portugal] interessado; na satisfação do que comunica, não pode ser senão
liberal.
Logo, mais deve estimular o amor que segura no conhecimento a
satisfação da sua liberalidade, que ver duvidosa na paga a fidalguia do seu
desinteresse.
O mais seguro crédito de quem ama, é a confissão da dívida no amado;
mas como há-de confessar a dívida, quem a não conhece? Mais lhe importa
logo ao amor o conhecimento que a paga; porque a sua maior riqueza é ter
sempre endividado a quem ama.
Quando o amor deixa de ser credor, só então é pobre. Finalmente, ser
tão grande o amor que se não possa pagar, é a maior glória de quem ama: se
esta grandeza se conhece, é glória manifesta; se não se conhece, fica
escurecida, e não é glória.
Logo, muito mais estima o amor, e muito mais deseja e muito mais lhe
convém a glória de conhecido, que a satisfação de pagamento.
Padre António Vieira, in "Sermões Escolhidos (Sermão do Mandato)"
14
Este material é de uso exclusivo de RODRIGO DE ARAUJO CHINAIDE DA SILVA , CPF 122.406.227-25
Es
te 
ma
ter
ial
 é 
de
 us
o e
xcl
us
ivo
 de
 RO
DR
IG
O D
E A
RA
UJ
O C
HI
NA
ID
E D
A S
ILV
A ,
 CP
F 1
22
.40
6.2
27
-25

Mais conteúdos dessa disciplina