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Educação Fiscal na Base Nacional Comum Curricular Módulo 1 Educação Fiscal Conceito Educação Fiscal é uma política pública que conjuga uma série de estratégias com o intuito de fomentar a cidadania fiscal. Cidadania fiscal: exercício de direitos e deveres decorrentes da vida em comunidade. Premissa básica para o exercício da cidadania fiscal: conhecimento da gestão dos recursos públicos, a fim de que a sociedade tenha ferramentas para ajudar no controle da arrecadação e na fiscalização da aplicação desses recursos. Cidadania Fiscal Conceito Direito a ter direito de exercer seus direitos e deveres na vida em sociedade. Cidadania Fiscal Preconceito O Analfabeto Fiscal O pior analfabeto é o analfabeto fiscal. Ele não ouve, não fala, nem participa dos processos que resultam nos bens e serviços públicos que possibilitam a vida em sociedade. Ele não sabe que a escola pública, o atendimento na saúde, a segurança da sua rua, o sistema judiciário e o orçamento secreto que aparece na mídia dependem dos tributos que ele mesmo paga. O analfabeto fiscal é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que sonegar tributos é legítima defesa. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância fiscal, nasce a falta de leitos no hospital, uma educação pública deficiente, a concorrência desleal entre empresas, e o pior de todos os bandidos, a desigualdade social, que impede um país de se desenvolver de forma justa e segura para todos, independente de classe social. Adaptado do Analfabeto Político, de Bertolt Brecht Cidadania Fiscal Conceito Cidadania Fiscal é um conceito que está correlacionado à função social do tributo. Não há saúde, educação, segurança ou manutenção dos direitos básicos sociais sem a existência do tributo. Mesmo alguém que tenha recursos econômicos o suficiente para não depender do Estado no atendimento de saúde, educação ou segurança, precisa do Estado através dos sistemas judiciário e legislativo para resolução de situações de conflito e para regulamentar os assuntos que afetam a coletividade. Ainda que um usuário dos serviços judiciários pague as taxas judiciais de ingresso com uma ação, esse pagamento não cobre os custos de manutenção desse serviço essencial para garantir os direitos individuais e coletivos. Os sistemas judiciário e legislativo são sustentados com recursos dos tributos, bem como toda a oferta dos demais serviços públicos. Então, não há, em toda a sociedade, uma só pessoa que possa dizer que não precisa do Estado, ou que não é beneficiada com os recursos dos tributos. A ideia de que alguns pagam tributos para beneficiar outros não encontra sustentação fática, tanto pelo viés de usufruto dos serviços prestados pelo Estado, quanto pelo viés da arrecadação. Todas as pessoas que consomem alguma coisa são contribuintes de tributos, porque eles estão embutidos no preço do produto. Assim, mesmo alguém que não tem um trabalho regularmente remunerado ou que vive de doações, ao comprar um pão ou um remédio, está contribuindo com o pagamento de tributos, desde que para este produto seja emitida a nota fiscal. Então, preparar para o exercício ativo e qualificado da cidadania fiscal é a bússola, a essência de qualquer ação promovida na Educação Fiscal. É por essa razão que cidadania fiscal é um conceito que só pode ser compreendido na sua relação com a função social do tributo. Cidadania fiscal é um direito/dever de todas as pessoas e compreende todas as iniciativas que buscam qualificar a arrecadação, a aplicação e o controle social dos recursos arrecadados através dos tributos. Tributos e Estado Para compreender a função social dos tributos é preciso conhecer primeiro a noção de Estado e sua relação com a sociedade. O Estado, conforme o conhecemos hoje, surgiu da necessidade de viabilizar a vida em sociedade. Nesse sentido, cada cidadão individualmente abre mão de exercer a plenitude de sua autonomia, concordando em ceder esse poder ao Estado para organizar a vida em sociedade, como uma forma de garantir o bem comum. A ideia de Estado tem uma origem comum, mas a forma como cada Estado se organiza depende da cultura e do contexto social e político de cada país. Estados democráticos se organizam de forma diferente quando comparados com Estados autoritários. No mesmo sentido segue a interpretação do Estado com relação ao seu papel na economia e no desenvolvimento social. Em alguns países, o Estado é compreendido sob a ótica do Estado social, isto é, o Estado compromete-se com o desenvolvimento social e econômico dos seus cidadãos como prioridade. Esse modelo é conhecido como Estado de bem-estar social. Simplificadamente pode-se dizer que o argumento dos defensores de um Estado social está baseado na compreensão de que o Estado deve atuar ativamente na redução das desigualdades sociais e econômicas para garantir um desenvolvimento harmônico para o conjunto da sociedade. Em outros países, o compromisso é com o Estado liberal, em que o Estado atua de forma a propiciar as condições para que a economia se desenvolva, atendendo apenas a necessidades básicas de serviços públicos aos cidadãos. Esse modelo é conhecido como Estado “mínimo”, porque deixa ao mercado o papel de ofertar serviços à população, garantindo apenas o básico. O argumento dos defensores de um Estado liberal é que cabe ao Estado criar as condições para o desenvolvimento econômico e que cada indivíduo deve, por seu próprio esforço e mérito, inserir-se na vida produtiva do país e buscar seu progresso social e econômico. Tributos e Estado Independente do modelo de Estado adotado, o que há em comum entre todos eles é que não existe Estado sem o financiamento das suas funções pela sociedade. Nesse sentido, pode-se dizer que o sistema tributário de um país é a “espinha dorsal” que garante e sustenta o modelo de Estado definido por uma sociedade, na medida em que define o seu financiamento por meio dos tributos. São os tributos que determinam a possibilidade da oferta de uma maior ou menor prestação de serviços e a proteção social do Estado ao conjunto da coletividade. O sistema tributário é orientado em cada país pelo seu ordenamento jurídico. No Brasil, a Constituição Federal é a principal norma jurídica que embasa e determina os limites de todas as demais normas no país. A atual Constituição brasileira foi elaborada em 1988, no contexto de ampla mobilização dos movimentos sociais, engajados na luta pela abertura democrática que se intensificou no final dos anos 70 e resultou no fim do regime militar nos anos 80. Esse contexto político propiciou a construção de um texto constitucional que, pela sua clara opção por um modelo de Estado social, foi denominado de Constituição Cidadã. Cidadania Fiscal Impostos e Tributos • Impostos Os impostos são devidos independentemente de contraprestação por parte do Estado, como por exemplo o Imposto de Renda (IR), o Imposto sobre Circulação e Mercadorias (ICMS) e o Imposto sobre Serviços (ISS), podendo estes serem de competência da União (IR), dos Estados (ICMS) ou dos Municípios (ISS). • Tributos Os tributos possuem uma abrangência maior, compreendendo os impostos, taxas (cobradas pela prestação de um serviço público – por exemplo, o licenciamento de veículo e a coleta de lixo), contribuições (de melhoria e contribuições sociais – por exemplo a CSLL/COFINS e a contribuição de iluminação pública) e empréstimo compulsório. Quem inventou tratar de Educação Fiscal? O primeiro programa de educação fiscal foi promovido pela administração tributária norte-americana, chamado Understanding Taxes, em 1954. Na Europa, a proposta da educação fiscal foi difundida pelos trabalhadores das administrações tributárias alemã, belga e francesa em congressos e publicações especializadas que surgem com a função de, no período pós Segunda Guerra Mundial, auxiliar na coesão social e na compreensão da necessidade de recursos para o desenvolvimento social, construindo a legitimidadee a aceitação do recolhimento de tributos pela disseminação da informação sobre a função social do tributo. Educação Fiscal no Brasil Operação Bandeirante – 1969 Dona Formiga e Mestre Tatu- 1970/72 Contribuinte do Futuro- 1977 Reuniões do Confaz- Estados- anos 80 e 90 Convênio de Cooperação Técnica entre a União, os estados e o Distrito Federal – 1996 Portaria nº 35/1998 -Grupo de Trabalho Educação Tributária , inicialmente sem a educação, que entra em 1999. Portaria Interministerial nº 413, de 31 de dezembro de 2002, quando o Ministério da Fazenda e o Ministério da Educação criaram o Programa Nacional de Educação Fiscal. Conselho Nacional de Política Fazendária – Confaz, através do ATO COTEPE/ICMS 37/19, de 29 de julho de 2019, é criado o GT-66. Por que eu deveria me interessar por este tema? Moro neste planeta Bens coletivos e solidariedade social e intergeracional Lidero algum processo Responsabilidade social Trabalho na área da educação Responsabilidade por opção Como eu participo? Educadores e lideranças Servidores Públicos Sociedade Processos de informação e formação cidadã Contribuo para gerar cidadania fiscal? Fomento a deseducação fiscal? Onde aprendo sobre Educação Fiscal no mundo? União Europeia Inglaterra Onde aprendo sobre Educação Fiscal no Brasil? 11.400.000 resultados Estado Brasileiro: Constituição Federal Constituição Federal Leis Decretos Outras normas legais Constituição dos Estados Modelo de Estado no Brasil Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: I - a soberania; II - a cidadania; III - a dignidade da pessoa humana; IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; V - o pluralismo político. Objetivos fundamentais do Brasil Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I - construir uma sociedade livre, justa e solidária; II - garantir o desenvolvimento nacional; III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação Modelo de Estado no Brasil O primeiro artigo da nossa Constituição Federal nos coloca como um Estado Democrático de Direito. Isso significa que a relação entre Estado e sociedade ocorre em um ambiente democrático em que o exercício dos poderes públicos deve respeitar a garantia dos direitos dos indivíduos e, consequentemente, o Estado deve se sujeitar ao controle social. Nesse sentido, o arcabouço legal do país deve refletir em alguma medida essa opção. Evidências dessa afirmação encontram-se, por exemplo: no art. 5º, que considera qualquer cidadão como parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural; no art. 10, que prevê a participação dos trabalhadores e empregadores nos colegiados dos órgãos públicos em que seus interesses profissionais ou previdenciários sejam objeto de discussão e deliberação; no art. 196, que trata da saúde e coloca como diretriz a participação da comunidade; no art. 204, no que se refere às ações da assistência social, em que está garantida a participação da população, por meio de organizações representativas, na formulação das políticas e no controle das ações em todos os níveis. Outra evidência da opção por um Estado Social está no artigo 3º, em que são indicados os objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I - construir uma sociedade livre, justa e solidária; II - garantir o desenvolvimento nacional; III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Para garantir o atingimento desses objetivos é preciso uma fonte de financiamento, que são os tributos, e é por essa razão que se afirma que os tributos têm uma função social. Um passeio pelo artigo 5º da CF/88 XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional; XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado; LXXIV - o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos; LXXVI - são gratuitos para os reconhecidamente pobres, na forma da lei: a) o registro civil de nascimento; b) a certidão de óbito; LXXVII - são gratuitas as ações de habeas corpus e habeas data, e, na forma da lei, os atos necessários ao exercício da cidadania. Um passeio pelo artigo 5º da CF/88 Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição; Um passeio pela CF/88 Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Função social do tributo e os direitos e deveres fundamentais Direito a ter direito de exercer seus direitos e deveres na vida em sociedade. Cidadania: da Constituição para BNCC Educação Fiscal e a impossibilidade de ficar na caixinha: a onipresença como um fundamento da cidadania maior Organização da Educação Fiscal no Brasil Na administração pública brasileira, o processo de Educação Fiscal se configura com as características de uma política pública: é uma iniciativa de caráter permanente e tem previsão legal desde o ano de 1998, mas foi organizado no ano de 2002 , através da Portaria Interministerial MF/MEC 413 (BRASIL, 2002). O principal produto dessa política são os programas de Educação Fiscal, previstos na legislação para os três níveis de governo: federal, estadual e municipal. O Programa Nacional de Educação Fiscal (PNEF) foi responsável por estabelecer as diretrizes gerais para os programas estaduais de Educação Fiscal e para os programas municipais de Educação Fiscal até junho de 2019, quando o Decreto nº 9.759, de 11 de abril de 2019, extinguiu, a partir de 30 de junho de 2019, conselhos e órgãos colegiados do governo federal. A partir dessa data, através de uma mobilização de todos os Estados, foi criado, no Conselho Nacional de Política Fazendária – Confaz, através do ATO COTEPE/ICMS 37/19, de 29 de julho de 2019, o Grupo de Trabalho 66 - Educação Fiscal, com as seguintes atribuições: Art.1º Fica criado o Grupo de Trabalho "GT66 – Educação Fiscal", com o objetivo de: I - definir a política do Programa Nacional de Educação Fiscal – PNEF: missão, objetivos, valores, e condução estratégica; II - planejar, executar, acompanhar e avaliar as ações do PNEF;III - manter sistemática de monitoramento e avaliação das ações do PNEF, realizadas conjuntas ou separadamente entre os partícipes; IV – prospectar recursos para alocação no PNEF; V - acompanhar e consolidar as ações dos Grupos de Educação Fiscal Estaduais - GEFEs-e dos Grupos de Educação Fiscal Municipais - GEFMs; VI - realizar a divulgação do PNEF em âmbito nacional; VII - definir política própria de funcionamento do GT-Educação Fiscal; VIII - atuar como integrador e articulador de experiências das esferas federal, estadual e municipal no âmbito governamental e não- governamental; IX - manter atualizado o arcabouço normativo do PNEF; e X - sinalizar e recomendar substituições nas ações e no material institucional quando incompatível com os objetivos e diretrizes do PNEF. Organização da Educação Fiscal no Brasil Organização da Educação Fiscal no Brasil Cada um dos três níveis de governo – federal, estadual e municipal – organiza seus programas, a partir de objetivos comuns, da forma que melhor atende às características e necessidades locais. Todos os Estados brasileiros constituíram, de forma voluntária, programas estaduais de Educação Fiscal. A adesão dos municípios também é voluntária, depende de iniciativa do gestor público ou de grupos organizados que levem a ideia ao gestor. Importante, porém, é observar as políticas de atuação definidas no Grupo Nacional: a) Incentivo à participação de representantes das três esferas governamentais; b) Execução de ações de forma descentralizada, mensurada, monitorada e alinhada com o plano nacional; c) Desvinculação de logomarcas e mensagens que caracterizem determinada gestão governamental; d) Ênfase à comunicação mobilizadora e à formação dos profissionais das instituições participantes, visando ao estabelecimento de vínculos de corresponsabilidade; e) Todo o material educativo produzido pelo GT-66 Educação Fiscal é de sua propriedade e deverá seguir as linhas de referências nacionais; f) Incentivo à socialização das experiências dos Estados, sendo vedada a comercialização de quaisquer projetos e recursos didáticos/educativos; g) Todos os públicos deverão ser estimulados ao exercício da cidadania fiscal; h) Campanhas de premiação deverão ter caráter educativo; i) O financiamento das ações deve ocorrer preferencialmente por intermédio de recursos orçamentários públicos. Embora tenha as características de uma política pública nas suas diretrizes, em contextos democráticos, como é o caso do Brasil, são registradas iniciativas de disseminação das ideias e desenvolvimento de ações de Educação Fiscal no âmbito de entidades civis, universidades, organismos não governamentais, etc. Muitas dessas iniciativas são realizadas através da formalização de parcerias entre os programas de Educação Fiscal e outras entidades. Um bom exemplo dessas parcerias é o Prêmio Nacional de Educação Fiscal, organizado pela Federação Brasileira de Fiscais Estaduais − Febrafite e outros parceiros, bem como as ações de Educação Fiscal desenvolvidas pelo Instituto Justiça Fiscal. http://www.febrafite.org.br/ https://ijf.org.br/atividades/ Organização da Educação Fiscal no Brasil O principal instrumento da política é o Programa Nacional de Educação Fiscal, que estabelece as diretrizes gerais da Educação Fiscal no Brasil. São objetivos do Programa Nacional de Educação Fiscal: • Sensibilizar o cidadão para a função socioeconômica do tributo • Levar conhecimentos aos cidadãos sobre administração pública • Incentivar o acompanhamento pela sociedade da aplicação dos recursos públicos • Criar condições para uma relação harmoniosa entre o Estado e o cidadão. A estratégia de disseminação de ideias da Educação Fiscal é realizada principalmente pela formação de professores das redes pública e privada e conselheiros de políticas públicas nos temas da Educação Fiscal, mas também participam dos processos de formação outros públicos e a sociedade em geral. Organização da Educação Fiscal no Brasil Programa Nacional de Educação Fiscal Programas Estaduais de Educação Fiscal Programas Municipais de Educação Fiscal Sociedade Civil Quem participa da Educação Fiscal? Quando o município tem um programa de Educação Fiscal implantado e com ações em andamento, qualquer cidadão pode participar dessas ações. Nesse sentido, está inserida numa perspectiva de cidadania fiscal ativa qualquer pessoa que se informa sobre o funcionamento da gestão pública, utiliza os espaços de participação popular, fiscaliza a arrecadação e a aplicação dos recursos, dissemina para outras pessoas que essa conduta é um direito e um dever de todos para que possamos construir uma sociedade em que todos se responsabilizem pelos resultados. Os programas de Educação Fiscal, nesse contexto, são importantes porque estimulam as condições para aflorar e fortalecer a cidadania fiscal. Antes da implementação e na fase inicial de um programa municipal de Educação Fiscal, os profissionais da área da educação e da administração fazendária municipal têm o papel relevante de propor e organizar ações que fomentem a cidadania fiscal. Em quase todos os municípios em que há um programa municipal de Educação Fiscal implantado, temos professores trabalhando a conscientização fiscal com seus alunos em sala de aula e servidores da fazenda municipal e estadual apoiando essas iniciativas. A ideia de trabalhar os temas da Educação Fiscal em sala de aula está relacionada à compreensão da função social dos tributos desde a formação inicial do cidadão. Um aluno consegue compreender melhor a função social do tributo se é informado que o salário dos seus professores, a conta de luz e água da escola, a compra de móveis, a merenda escolar e o conserto de eventuais estragos no ambiente escolar são pagos com recursos dos tributos. Ao compreender como são financiados os serviços públicos, esse aluno pode disseminar na sua família e na sua comunidade esse conhecimento. Ao saber que cada um contribui para que os serviços públicos sejam colocados à disposição da população, uma consequência natural é aumentar o cuidado no acesso e uso dos espaços e serviços públicos. Em escolas em que a Educação Fiscal inicia dentro do projeto pedagógico e em várias turmas ao mesmo tempo, há registros de redução das despesas de manutenção em curto prazo No mesmo sentido está a formação dos professores e servidores públicos na temática de Educação Fiscal. Esses profissionais, ao compreenderem que é o cidadão que paga o seu trabalho como professor ou servidor público, ressignificam seu papel na comunidade e na escola. Alguns municípios e Estados desenvolvem seus materiais pedagógicos. Fontes de consulta BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988. García-Verdugo, A. M., García, M. L. V., Lobo, M. L. D., Muñío, C. R., & Paramio, M. F. C. (2005). La educación fiscal en España. Documentos-Instituto de Estudios Fiscales, (29), 1-34. Brasil. Conselho Nacional de Política Fazendária. Grupo de Trabalho 66. Plano Nacional de Educação Fiscal – 2020-2023. Educação Fiscal na Base Nacional Comum Curricular Encerramento do Módulo 1