Prévia do material em texto
Especialidades Clínicas e Cirúrgicas I Protozoários e Vermes na Dermatologia · LEISHMANIOSE: - Existem mais de 20 espécies de Leishmania. - Protozoário flagelado. - Vetor: mosquitos flebotomíneos. - 4 principais clínicas: cutâneas (Europa), mucocutânea (Américas), cutâneas difusa (América) e visceral (fígado, baço). - Reservatório: cães, roedores. - Leishmaniose tegumentar americana - mucocutânea. - L. chagasi (visceral) e L. braziliensis (mucocutânea), L. guyanensis (cutânea) e L. amazonensis (cutânea difusa). · LEISHMANIOSE TEGUMENTAR AMERICANA: - 14,7 casos/100.000 habitantes. - Úlcera de Bauru. CICLO DE VIDA: - Parasita intracelular obrigatório. - No mosquito: forma promastigota, flagelada, extracelular. - No hospedeiro humano: promastigota é fagocitado por macrófagos, muda para forma amastigota e se reproduz por bipartição. Forma amastgota: sem flagelos, se reproduz por bipartição, parasita intracelular origatório. - A clínica vai depender: Espécie de Leishmania. Resposta celular do hospedeiro (predominantemente Th1 por IL-2; INF gama ou Th2 por IL-4 e IL-10). Volume de parasitas inoculados. Resposta Th1 – melhor, já que é celular e consegue atingir o patógeno, faz com que a doença se dissemine menos. Resposta Th2 - não é tão eficiente, o anticorpo não consegue atingir o patógeno, maior disseminação. Pacientes com resposta predominante Th2 são chamados de anérgicos. LEISHMANIOSE TEGUMENTAR AMERICANA LOCALIZADA: - Meses ou anos após a inoculação. - L. guyanensis. - Pápula no local da picada do mosquito, com crescimento lento para uma placa ou nódulo de caráter ulceratvo ou verrucoso. - Face, pescoço e membros (áreas expostas). - Solitárias ou múltiplas: padrão esporotricoide. - Linfonodomegalia. - Lesões que podem ter resolução espontânea ou permanecer por anos. - Úlcera arredondada, infiltrada, de bordas emolduradas (bem delimitadas e elevadas), fundo eritematoso com granulações grosseiras. - Indolor. LEISHMANIOSE TEGUMENTAR AMERICANA DISSEMINADA: - 2% dos casos. - L. braziliensis e L. amazonensis. - Múltiplas pápulas difusas pelo corpo. - Disseminação do parasita por via hemática ou linfática. - Algumas lesões com caraterísticas clássicas. - 30% de acometimento de mucosas. - Sintomas sistêmicos: febre, emagrecimento, astenia, anorexia e dor muscular. LEISHMANIOSE TEGUMENTAR AMERICANA MUCOCUTÂNEA: - Pele e mucosas ou só mucosas. Em geral, secundário ao quadro cutâneo (85%). - Mucosa nasal é a mais acometida. - Orofaringe, lábios e língua. - Raramente anogenital ou ocular. - L. braziliensis. - Indolor. - Lesões mucosas de caráter destrutivo. - Tumoração friável, eritematosa, ulcerativa, infiltrada. - Perfuração de tecidos e cartilagem; mutilação. - “Nariz de tapir”. · LEISHMANIOSE VISCERAL CALAZAR: - Fígado, baço e medula óssea. - L. donovani e L. chagasi. - Febre, emagrecimento, tosse, linfadenopatia, hepatoesplenomegalia. - Enterite, pneumonite, nefrite, sangramento de mucosas. - Lesões cutâneas específicas ou inespecíficas (hiperpigmentação, xerose, púrpura) ou compatível com os órgãos acometidos (epistaxe, icterícia, varizes vasculares). Eritema – aperta e some, é derivado da vasodilatação. Púrpura - aperta e não some, é derivado do extravasamento de hemácias. LEISHMANIOSE E HIV: - A coinfecção altera a evolução natural da Leishmaniose, em especial a visceral. - Apresentação atípica, má resposta terapêutica e aumento da mortalidade. - Ativação imunológica pelo protozoário acelera a evolução do HIV e o estado de imunossupressão auxilia na multiplicação do parasita. LABORATÓRIO INTRADERMORREAÇÂO DE MONTENEGRO (IDRM): - Resposta de imunidade celular tardia. - Negativa de 4 a 6 semanas após o surgimento da lesão. - Depois sensibilidade de 90%. - Injeção intradérmica de solução de promastigotas mortos. - Positivo se em 48-72h formar pápula >5mm. - Positiva na cutânea e mucocutânea, negativa na visceral (anérgica). - Pode ser positivo anos depois da cura. O teste avalia a resposta de Th1, na Th2 é negativo pois é resposta anérgica. EXAME PARASITOLÓGICO: - Exame direto (quanto mais antiga a lesão, menor a sensibilidade). - Biópsia com cultura. - PCR. TRATAMENTO LEISHMANIOSE: - Antimonial pentavalente (antimoniato de meglumina) IM ou EV. - Calcular por peso do paciente. - Efeitos colaterais comuns: mialgia, febre e náusea. - Efeitos colaterais graves: distúrbio de repolarização. - Avaliação cardiológica prévia, ECG semanais. - Início do tratamento: piora das lesões devido a antígenos liberados por parasitas mortos. - Atenção para lesões em orofaringe – insuficiência respiratória aguda. - Outras: anfotericina B, petamidina. · DOENÇA DE CHAGAS: - Trypanossoma cruzi. - Inoculação do protozoário na pele pelas fezes do barbeiro, após coçadura ou por mucosas. - Desde 2007, testagem em doação de sangue. - Maior causa de morte por parasita na América Latina. - Reservatório: bovinos, macacos, roedores, tatus, cães, gatos. - No hospedeiro humano, a forma amastigota se multiplica nas células de musculatura (músculo liso cardíaco e TGI e musculatura esquelética). DOENÇA DE CHAGAS FASE AGUDA: - Mais vista em crianças. - Em até 1 semana após a infecção. - Chagoma: eritema, edema e linfonodomegalia regional na área de inoculação. - Se mucosa ocular: edema e eritema indolor – sinal de Romaña. - Febre, astenia, anorexia, edema de face e extremidades. - Erupção maculopapular, hepatoesplenomegalia. - Em média de 2 meses, com resolução espontânea. DOENÇA DE CHAGAS FASE INDETERMINADA: - Parasitemia assintomática. DOENÇA DE CHAGAS FASE CRÔNICA: - Anos após a infecção. - 30% dos pacientes. - Coração: insuficiência cardíaca, arritmias. - Megacólon, megaesôfago. - Diagnóstico: visualização de amastigotas no tecido (raro), PCR, cultura. - Tratamento: benzonidazol (fase aguda), controle de sequelas (crônica). · VERMES NA DERMATOLOGIA: - Nematoides (vermes arredondados) – livre ou parasitas, sem segmentos, 2 sexos, tem boca e trato digestivo. - Platelmintos (vermes achatados) – parasitas, com ou sem segmentos, sem cavidades corporais, hermafroditas. · LARVA MIGRANS: - Bicho de pé. - Penetração acidental na pele de um nematoide intestinal de cães e gatos. - Ancylostoma canium, A. braziliense e Uncinaria stenocephala. - Climas tropicais. - Solo contaminado, andar descalço. - A larva penetra na pele e faz um trajeto epidérmico serpiginoso. - Não consegue penetrar na derme (não produz colagenase). - Prurido, eritema, vesículas e edema em trato sinuoso no local da penetração do verme. - 1 a 2 cm por dia. - Mais comum em MMII e glúteos. - Resolução espontânea em semanas ou meses. TRATAMENTO: - Crioterapia. - Albendazol, ivermectina. Placa eritematosa linear de trajeto serpiginoso com vesículas e crostas melicélicas. · FILARIOSE: - Elefantíase. - Infecção do trato linfoide por um nematoide – Wuchereria bancrofti. - Adquirido via picada de mosquito – Culex, Aedes, Anopheles. - Larvas penetram o sistema linfático. - Amadurecem e se reproduzem por via sexuada nos linfonodos. - Liberam microfilárias na circulação. - Vermes adultos provocam eosinofilia e infiltrado ao redor dos vasos linfáticos. - Com o tempo há lesão das válvulas, cicatrização inadequada e consequentemente obstrução linfática. - A morte dos vermes leva a uma reação intensa com formação de granuloma e necrose. - Principalmente em MMII e genitália. - Episódios de agudização: linfangite e febre, em geral de 5 a 10 ao ano. Entre as crises não há alteração anatômica. - 10 a 15 anos após a infecção temos sequelas da obstrução linfática. - Linfedema. - Pele hiperqueratótica, verrucosa, redundante. - Fissuras, ulcerações. - Infecções secundárias por bactérias ou fungos. DIAGNÓSTICO: - Microfilárias no sangue e na urina. - Biópsia. - Melhor horário para coleta: 22h as 2h – microfilárias entram em atividade nesse horário. - USG: microfilárias sempre em movimento – “dança das filárias”. TRATAMENTO: - Albendazole + ivermectina + dietilcarbazina. No começo, a morte das filárias pode aumentar a reação inflamatória e o edema de membros, levando a uma piorado quadro, antes de realmente aparecer a melhora. · ESQUISTOSSOMOSE: - Platelminto. - Lesmas são hospedeiros intermediários. - Cercarias penetram na pele, causando coceira. - Infecção sistêmica crônica: hepatoesplenomegalia, fibrose hepática, cirrose. DIAGNÓSTICO: - Ovos nas fezes e na urina. TRATAMENTO: - Praziquantel. DERMATITE CERCARIAL: - Irritação pela penetração na pele. - Edema, pápulas e prurido. - Algumas espécies de cercarias tem o humano como hospedeiro acidental, causam mais reação na penetração na pele, porém não progridem para esquistossomose. -Trichobilharzia, Gigantobilharzia, e Ornithobilharzia spp. · CISTICERCOSE: - Taenia solium. - Na forma adulta, provoca teníase, doença intestinal branda. - Quando ingeridas na fase larval (carne de porco mal-cozida), causam cisticercose. - Ingestão de alimentos contaminados por fezes contendo os ovos levam a cisticercose. - Ovos viram larvas (oncosferas) e penetram na circulação através da parede intestinal, se disseminam e formam cistos. - Cistos podem se desenvolver em qualquer tecido. - Subcutâneo, músculo, membranas mucosas. - SNC em 10% dos casos. - Na pele: pápulo nódulos mais palpáveis que visíveis. - RX: nódulos calcificados. DIAGNÓSTICO: - Biópsia. - Testes imunológicos (ELISA). TRATAMENTO: - Cirurgia, praziquantel e albendazol. · P-L-E-C-T: - Mnemônico para doenças verrucosas. Doenças com crescimento exofítico, textura áspera e com reentrâncias. - Paracoccidioidomicose. - Leishmaniose. - Esporotricose. - Cromomicose/Câncer de pele. - Tuberculose cutânea.