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CONCEPÇÃO 2018 
 ANDREW, DANIEL KENDI E JULIANA TOPAZIO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 
 FISIOLOGIA DA REPRODUÇÃO 
HEIXO HHG 
 
MUDANÇAS PUBERAIS 
 
 
 
 
 
3 
RESPOSTA SEXUAL 
Masters e Johnson descreveram o ciclo de resposta sexual completo em, 
subdividindo em 4 fases: 
1) Excitação: duração de minutos a horas. É a estimulação psicológica e/ou 
fisiológica para o ato. Corresponde à lubrificação vaginal na mulher e à ereção 
peniana no homem. Caracteriza-se basicamente por dois fenômenos: 
vasocongestão e miotonia, culminando na formação da plataforma orgásmica. 
2) Platô: excitação contínua; prolonga-se de 30 segundos a vários minutos; 
3) Orgasmo: (orge, do Latim, significa agitação, irritação). É uma descarga de 
imenso prazer, representada no homem pela ejaculação peniana. Segundo 
Wilhelm Reich, é “Tensão que aumenta, atinge o auge, e é descarregada, gerando 
relaxamento corporal”. É a fase de excitação máxima, com grande vasocongestão 
e miotonia rítmica da região pélvica, acompanhada de grande sensação de prazer, 
seguida de relaxamento e involução da resposta (resolução). É o clímax da 
resposta sexual e constitui uma série de contrações rítmicas (3 a 15) da 
plataforma orgástica, com intervalo de 0,8 segundos; 
4) Resolução: Também chamada fase de detumescência, é um estado subjetivo 
de bem-estar que se segue ao orgasmo, no qual predomina o relaxamento 
muscular, a lassidão e certo torpor. Tem duração de minutos a horas. Nos 
homens, caracteriza-se por um período refratário no qual o organismo necessita 
estar em repouso, não aceitando mais estimulação. 
O desejo sexual assemelha-se a um apetite, onde a pessoa procura buscar 
ou a torna receptiva ao sexo. Interferências orgânicas ou emocionais podem 
alterar a percepção do desejo, sendo vivenciado de formas e intensidades 
diferentes no homem e na mulher. 
O desejo é um impulso que o sistema neurológico específico produz por 
meio de sua estimulação. A libido ativa uma cadeia de processos complexos do 
sistema nervoso de forma consciente e inconsciente, resultando numa série de 
sustâncias químicas que envolvem o corpo. Causando percepções particulares e 
suficientes que fazem a pessoa buscar a relação sexual ou pelo menos demostrar-
se receptiva. O centro nervoso cerebral divide-se em dois setores, que estão 
ligados a dois sistemas de neurotransmissores importantes: um que ativa o desejo 
e outro, que inibe. Os neurotransmissores são mensageiros químicos que tem 
como função enviar informação entre células nervosas. Então quando a pessoa 
tem uma lembrança erótica ou sensual ativada por qualquer tipo de estímulo 
sensorial, esses mensageiros são acionados. 
 
4 
No cérebro a região sexual localiza-se no hipotálamo onde estão localizados 
os neurotransmissores que ativam e que inibem o desejo, chamados de centros 
póstero-laterais e centros ventro-mediais respectivamente, agindo de forma 
antagonista. Esses centros estão relacionados aos centros do prazer e da dor. Por 
esse motivo quando o centro do desejo é acionado, ocorre a ativação do centro 
do prazer, proporcionando a pessoa uma sensação prazerosa. Já quando o centro 
da dor é ativado, pode haver uma inibição do desejo pelo centro relacionado. 
As endorfinas são compostos químicos produzidos pelas células cerebrais 
que proporciona um efeito de euforia, bem estar e alívio. Essa substancia é 
liberada no Sistema Nervoso Central (SNC) e vai ao mesmo tempo estimular o 
centro do prazer e inibir o centro da dor. Já quando se estimula o centro da dor, 
a produção de endorfina é bloqueada. Na fase do desejo, também estão 
envolvidos alguns hormônios, estrógeno e testosterona na mulher e no homem 
apenas a testosterona que vão agir nos centros sexuais do hipotálamo. Na mulher 
na carência de testosterona o estímulo sexual pode ser dado pelo Hormônio 
Luteinizante (LH), secretado pela hipófise anterior. 
 
EXCITAÇÃO 
 
Nessa fase o corpo se modifica para a relação sexual é como o corpo 
responde ao desejo. Na mulher a vagina que era um espaço virtual e seco, torna-
se alongada, alargada e lubrificada devido à maior irrigação sanguínea no local e 
por liberação de muco pelas células do epitélio da vagina e pelas glândulas 
vestibulares. Outras transformações importantes ocorrem como o aumento do 
volume uterino e sua elevação na pelve, a contração de fibras musculares, de 
forma crescente e involuntária (miotonia). Os seios apresentam um leve aumento 
e os mamilos enrijecem. Há um aumento da frequência cardíaca e respiratória. 
Os órgãos localizados próximos a região genital, como o ânus, reto, bexiga e 
uretra, sofrem contrações musculares. Órgãos que fazem parte do aparelho 
genital feminino passam por transformações significativas: no clitóris, nos grandes 
e pequenos lábios no útero e na vagina há um aumento e acumulo da circulação 
de sangue, tanto de forma superficial como profunda provocando uma congestão 
vascular; os músculos desses órgãos também irão sofre miotonia. Há um 
avermelhamento e aumento de tamanho dos grandes e pequenos lábios e do 
clitóris. Para deixar a abertura da vagina livre os grandes lábios se comprimem 
havendo uma retração dos mesmos. 
No homem a fase da excitação é delimitada pela a ereção do pênis. Como 
no sexo feminino as mudanças mais importantes no masculino são a congestão 
vascular e a miotonia. Também apresenta alteração nos mamilos com aumento 
de sensibilidade e leve enrijecimento, a pele sofre pequeno rubor, podendo 
 
5 
aparecer manchas avermelhadas. A pressão sanguínea, a frequência cardíaca e a 
respiratória aumentam durante a fase de excitação. Há contração de órgãos 
próximos à região genital masculina. 
 
ORGASMO 
 
O orgasmo, também denominado de êxtase, gozo ou ápice, acontece quando os 
estímulos sexuais alcançam a sua atividade máxima, quando toda tensão sexual é 
liberada. Ocorre o que se denomina de plataforma orgásmica, que é a congestão 
vascular profunda do clitóris, pequenos e grandes lábios do terço inferior da 
vagina. Nessa região acontece uma série de contrações rítmicas e involuntárias. 
No homem é acompanhado da ejaculação onde passa por uma contração 
muscular com expulsão de esperma. A ejaculação se dá em duas partes, a primeira 
quando o líquido seminal é liberado pela próstata, vesícula seminal e canal 
ejaculatório para a uretra; a segunda parte se dá quando a passagem desse líquido 
da uretra até a expulsão pelo orifício uretral localizado na cabeça do pênis. A 
mulher logo após o orgasmo pode ser novamente estimulada e iniciar outro ciclo 
excitatório, essa capacidade de ter múltiplos orgasmos não é vista no homem que 
em seguida a essa fase passa por um período de relaxamento denominado 
resolução. 
 
 
 
 
 
 
 
6 
GAMETOGÊNESE 
A gametogênese é o processo de formação e desenvolvimento das células 
germinativas especializadas (os gametas). Esse processo de formação é chamado 
de espermatogênese no sexo masculino e ovogênese no sexo feminino. 
ESPERMATOGÊNESE 
 É a sequencia de eventos em que as espermatogonias são transformadas em 
espermatozoides maduros. Esse processo de maturação tem inicio na puberdade. 
As espermatogonias fetais começam a aumentar de número na puberdade. 
 As espermatogônias são transformadas em espermatócitos primários nos 
túbulos seminíferos. 
 Cada espermatócito primário sofre uma divisão meiótica, formando dois 
espermatócitos secundários haploides (n). 
 Os espermatócitos secundários sofrem a segunda divisão meiótica, e 
formam 4 espermátides haploides (n). 
 Através da espermiogênese, as espermátidesse transformam gradualmente 
em espermatozoides. Quando completada a espermiogênese, os 
espermatozoides entram no túbulo seminífero. 
Obs: As células de sertoli, que revestem os túbulos seminíferos dão suporte e 
nutrição para as células germinativas. 
 Espermatozóide maduro: Formada por uma cabeça e uma calda. A 
cabeça contém o núcleo haploide. Parte do núcleo é coberto pelo acrossoma, 
organela que contém várias enzimas facilitam a penetração do mesmo na zona 
pelúcida e na corona radiata durante a fecundação. A cauda fornece ao 
espermatozoide a motilidade para o seu transporte até o local de fecundação. 
Nelas estão contidas mitocôndrias que fornecem ATP necessárias para essa 
atividade. 
 
 
 
7 
 
 
 
 
 
 
 
OVOGÊNESE 
 É a sequencia de eventos em que as ovogônias são transformadas em 
ovócitos maduros. Esse processo inicia-se antes do nascimento e é completado 
depois da puberdade. 
 Durante a vida fetal, as ovogônias se proliferam por divisão meiótica. As 
ovogônias crescem pra formar os ovócitos primários. 
O ovócito primário é circundado por células do tecido conjuntivo, formando uma 
única camada de células epiteliais achatadas, formando um folículo primordial. 
Durante a puberdade, o ovócito primário cresce, e as células foliculares epiteliais 
crescem e se tornam cuboides e depois achatadas, formando um folículo primário. 
 O ovócito primário é envolvido por uma camada de material, denominada 
zona pelúcida. 
 OBS: Os ovócitos primários iniciam a primeira divisão meiótica antes do 
nascimento, mas a prófase da meiose não se completa até a adolescência. 
Acredita-se que as células foliculares do ovócito primário secretem o inibidor de 
maturação do ovócito, que estaciona o processo de meiose do ovócito. 
 Após o nascimento não é formado mais nenhum ovócito primário. Os 
ovócitos primários permanecem em repouso nos folículos ovarianos até a 
puberdade. 
 
8 
Com a maturação do folículo, o ovócito primário aumenta de tamanho e antes 
da ovulação completa a primeira divisão meiótica, e da origem a um ovócito 
secundário e ao primeiro corpo polar. 
 O corpo polar é uma célula pequena, não funcional que se degenera 
facilmente. 
 Na ovulação, o núcleo do ovócito secundário inicia a segunda divisão 
meiótica, mas vai até a metáfase da meiose, quando então a divisão é 
interrompida. 
 Se um espermatozoide penetrar no ovócito secundário, a segunda divisão 
meiótica é completada, e então o ovócito é fecundado. O segundo corpo polar 
(célula pequena e não funcional) se degenera, e a maturação do ovócito termina. 
 OBS: Existem cerca de dois milhões de ovócitos primários nos ovários de 
uma menina recém nascida, porém muitos se degeneram na infância, de modo 
que cerca de 40000 permanecem. Desses, apenas cerca de 400 se tornam 
ovócitos secundários e são eliminados na ovulação durante o período 
reprodutivo. O número de ovócitos que serão ovulados é bastante reduzido em 
mulheres que tomam pílulas contraceptivas, já que os hormônios contidos nelas 
impedem a ovulação. 
 
 
 
 
 
 
9 
CICLO MENSTRUAL 
As mulheres passam por ciclos reprodutivos mensais (ciclos sexuais), que se 
iniciam na puberdade. Esses ciclos envolvem a atividade do hipotálamo, da 
adenohipófise, dos ovários, do útero, das tubas uterinas, da vagina e das glândulas 
mamárias. 
 O GnRH é sintetizado por células do hipotálamo e é carreado até o lobo 
anterior da hipófise (adenohipófise). Esse hormônio estimula a liberação de dois 
hormônios produzidos pela adenohipófise, que irão agir no ovário: FSH e LH. 
 FSH: Hormônio folículo estimulante. Estimula o desenvolvimento dos 
folículos ovarianos e a produção de estrogênios pelas células foliculares 
 LH: Hormônio luteinizante. Atua como “disparador”da ovulação, que é a 
liberação do ovócito secundário, e estimula as células foliculares e o corpo luteo 
a produzir progesterona. 
AUTO REGULAÇÃO 
 A regulação do eixo hipotálamo-hipófise-gônada depende dos níveis séricos 
dos seus próprios hormônios. Os esteroides sexuais e a inibina atuam sobre o 
hipotálamo e a adenohipófise inibindo a secreção de GnRH, LH e FSH. Do mesmo 
modo, as gonodotrofinas atuam no hipotálamo reduzindo a secreção de GnRH. 
Essa inibição atua como feedback negativo, ou seja, é inversamente proporcional a 
circulação desses hormônios no organismo. 
DESENVOLVIMENTO FOLICULAR 
 Com o aumento do tamanho do folículo primário, o seu tecido conjuntivo 
se organiza e forma a teca folicular, uma espécie de cápsula. 
 A teca se diferencia em duas camadas: Teca interna (vascularizada e 
glandular) e a teca externa (camada conjuntiva semelhante a uma capsula). 
 O desenvolvimento folicular é induzido pelo FSH, e os estágios finais de 
maturação precisam do LH. Os folículos em crescimento produzem estrogênio, 
hormônio que regula o desenvolvimento dos órgãos reprodutivos. 
OVULAÇÃO 
 
10 
 Por volta da metade do ciclo, o folículo ovariano sob influencia do LH e FSH 
sofre um surto de crescimento. A ovulação acontece devido a um pico de LH, 
induzido pelo alto nível de estrogênios . 
 O ovócito secundário é expelido. Ele é envolvido pela zona pelúcida e pela 
corona radiata. 
CORPO LÚTEO 
 Logo após a ovulação as paredes do folículo e da teca ficam enrugadas, e 
sob a influencia do LH elas se desenvolvem e formam uma estrutura glândular: o 
corpo lúteo. 
 O corpo lúteo secreta progesterona e estrogênios, fazendo com que o 
endométrio se prepare para a implantação do blastocisto. 
 Se o ovócito é fecundado: O corpo lúteo aumenta de tamanho e forma o 
corpo lúteo gravídico, aumentando a sua produção hormonal. Na gravidez, a 
degeneração do corpo lúteo é impedida pelo HCG, hormônio secretado pelo 
sinciciotrofoblasto do blastocisto. Ele permanece funcionalmente ativo durante as 
primeiras 20 semanas da gestação, onde a placenta assume a produção de 
estrogênio e progesterona necessários para manter a gestação. 
 Se o ovócito não for fecundado: O corpo lúteo involui e degenera 10 a 12 
dias após a ovulação. Posteriormente ele é transformado em uma cicatriz branca 
no ovário. 
O ciclo menstrual médio é de 28 dias, sendo o primeiro dia do ciclo o dia 
que se inicia o fluxo menstrual. 
FASES: Embora seja dividido em 3 fases, o ciclo menstrual é um processo 
continuo; cada fase passa gradualmente para a fase seguinte. 
Fase menstrual: a camada funcional da parede uterina desintegra-se e é 
expelida com o fluxo menstrual (sangramento mensal) que dura de 4 a 5 dias, o 
sangue esta misturado a pequenos fragmentos de tecido endometrial, e após a 
menstruação o endométrio tona-se delgado. 
Fase proliferativa (folicular, estrogênica): dura +-9 dias, coincide com 
o crescimento dos folículos ovariano e é controlada pelo estrogênio secretado 
por estes folículos. O endométrio aumenta de 2 a 3x sua espessura e conteúdo 
de água nessa fase de reparo e restauração. Em seu início, o epitélio superficial 
 
11 
reconstrói-se e recobre o endométrio, as glândulas aumentam de número e 
comprimento e as artérias espiraladas se alongam. 
Fase lútea (secretora, pregestacional): dura 14 dias, coincide com a 
formação, o crescimento e o funcionamento do corpo lúteo. A progesterona 
produzida pelo corpo lúteo estimula o epitélio glandular a secretar um material 
rico em glicogênio. As glândulas tornam-se amplas, tortuosas e saculares, e o 
endométrio espessa-se devido a progesterona e do estrogênio do corpo lúteo e 
tbm pelo aumento de fluido no tec. conjuntivo. As artérias espiraladas crescem 
dentro da camada compacta superficial e se tornam muito enroscadas. A rede 
venosa torna-se complexa e grandeslacunas venosas se desenvolvem (há 
anastomoses arteriovenosas). 
Se a fecundação não ocorre: o corpo lúteo degenera, os níveis de 
estrogênio e progesterona caem e o endométrio secretor entra na fase 
isquêmica, ocorre a menstruação. 
Fase isquêmica: ocorre quando o ovócito não é fecundado, a isquemia 
ocorre quando as artérias espiraladas se contraem, dando ao endométrio 
aspecto pálido, resultante da diminuição da secreção de hormônios pelo corpo 
lúteo em degeneração, principalmente progesterona. Além de parada de 
secreção glandular, perda de fluido instersticial e acentuada retração do 
endométrio. Por fim as artérias espiraladas se contraem por períodos maiores, 
acarretando estase venosa e necrose isquêmica (morte) nos tecidos superficiais, 
segue-se a ruptura da parede dos vasos lesados e o sangue penetra no tec. 
conjuntivo adjacente, formando pequenos lagos de sangue que se rompem na 
superfície endometrial resultando em sangramento para a luz uterina e pela 
vagina. Há perda de 20 a 80 ml de sangue, e finalmente após 3 a 5 dias toda a 
camada compacta e a maior parte da camada esponjosa são eliminadas, o 
remanescente destas permanecem e são regeneradas durante a fase proliferativa 
seguinte. 
Se há fecundação: ocorre a clivagem do zigoto e a blastogenêse (formação do 
blastocisto que é implantado no endométrio no 6 dia da fase lútea, que 
prossegue, mas não há menstruação) 
Fase de gravidez: com a gestação os ciclos menstruais cessam e o 
endométrio passa para uma fase gravídica. Com o termino da gravidez, os ciclos 
ovarianos e menstruais ressurgem após um período variável (de 6 a 10 semanas 
se a mulher não está amamentando). 
 
 
12 
CONTRACEPÇÃO 
 
 
 
 
13 
 
 
 
 
14 
TESTES DE GRAVIDEZ 
EXAMES PARA DIAGNÓSTICO 
O exame de farmácia(qualitativo), que pode ser comprado por cerca de 10 
reais, mede a quantidade de hormônio beta HCG na urina, podendo ser feito a 
partir do 1º dia de atraso da menstruação. É um exame rápido e que dá o 
resultado em poucos minutos sendo extremamente confiável. A limitação deve-
se pelo fato de que em alguns casos podem acontecer resultados errados, 
principalmente se o teste for feito muito cedo, o que dificulta a identificação do 
hormônio. 
O exame de sangue (quantitativo) feito em laboratório custa entre 20 e 40 
reais e é o mais indicado para confirmar a gravidez. Para realizá-lo, não é 
necessário ter uma prescrição médica nem estar de jejum, mas alguns 
laboratórios pedem que as mulheres façam um jejum de 4 horas antes de fazer a 
coleta do sangue. 
O resultado do exame sai poucas horas após a coleta e para ser totalmente 
confiável, ele deve ser feito pelo menos 1 semana após a relação íntima sem 
preservativo, mesmo que a menstruação ainda não esteja atrasada. 
 
β -HCG 
O hormônio HCG é exclusivo da gestação em grandes quantidades, 
produzido pelas células trofoblasticas que darão origem a placenta, este se 
divide em subunidade α e β, a unidade α está presente em outros 
hormônios sendo que a dosagem deste pode acarretar em interpretações 
errôneas, já a subunidade β é exclusivo do HCG, por esses fins é utilizado 
somente o exame β-HCG. 
Este exame, assim como qualquer outro, apresenta falhas: 
β-HCG Falso Positivo 
A morte fetal ocorrida logo após implantação do embrião no útero. Nessa 
situação, o BhCG pode ser positivo, mas, como houve abortamento, não haverá 
desenvolvimento de gravidez. Abortos que ocorrem tão cedo podem passar 
despercebidos, pois o embrião ainda é microscópico. 
Algumas mulheres que fazem tratamento para engravidar, por sua vez, 
podem usar medicamentos à base de hCG. Nesses casos, o BhCG detectado 
nos exames pode ser apenas resquício do medicamento administrado dias antes. 
 
15 
Em geral, após 2 semanas de interrupção, esse BhCG já terá sido eliminado, não 
mais interferindo nos testes de gravidez. 
Outros medicamentos não causam Beta hCG falso positivo, 
incluindo anticoncepcionais, pilula do dia seguinte, antidepressivos, antibióticos, 
clomifeno ou qualquer outro hormônio. 
Muito raramente, pacientes que tiveram recentemente mononucleose podem 
apresentar BhCG falso positivo (com valores baixos). 
Em mulheres mais velhas, próximas da menopausa, a hipófise, glândula presente 
no cérebro, pode começar a secretar pequenas quantidades de hCG, o 
suficiente para manter os valores pouco acima de 25 mIU/ml. 
Alguns tumores são produtores de gonadotrofina coriônica humana, como na 
doença trofoblástica gestacional, que engloba as seguintes patologias: 
• Mola hidatiforme (parcial ou completa). 
• Mola invasiva. 
• Coriocarcinoma. 
• Tumor trofoblástico de sítio placentário. 
Essas doenças produzem tumores provenientes de anormal proliferação 
das células do trofoblasto. A produção de hCG desses tumores 
trofoblásticos pode ser bem grande, frequentemente acima de 100.000 e, 
em alguns casos, ultrapassando os 500.000 mIU/ml. 
β-HCG Falso Negativo 
A principal causa de BhCG falso negativo é exame feito muito 
precocemente. Algumas mulheres ficam ansiosas por terem tido relações 
sexuais desprotegidas e acabam fazendo o teste de gravidez poucos dias 
depois, antes mesmo de qualquer atraso menstrual. Não adianta fazer o 
exame tão cedo, pois, se você estiver grávida, é possível que o embrião 
ainda nem tenha chegado ao útero. Se o embrião ainda não se implantou no 
útero, não há como haver hCG no sangue da mãe. Não se pode excluir 
totalmente uma gravidez se o resultado negativo tiver sido obtido com 
menos de 1 semana de atraso da menstruação. No entanto, um resultado 
negativo com mais de 2 semanas de atraso menstrual torna a hipótese de 
gravidez muito pouco provável. 
 
16 
Função 
A função da hCG é manter o corpo lúteo no ovário durante o primeiro 
trimestre da gestação. Garante a manutenção da gestação, inibindo a 
menstruação e a ausência de uma nova ovulação. 
 
SINAIS POSSIBILIDADE, PROBABILIDADE E 
CERTEZA 
Sinais de Presunção de Gravidez: Quando eu acho que aquela mulher 
está grávida. 
Sinais de Presunção: 
• Amenorréia; 
Amenorréia: O atraso menstrual é o sinal de presunção mais precoce sendo 
caracterizado após 5 semanas da DUM. Com 4 semanas a mulher, que tem 
ciclo menstrual regular, espera uma nova menstruação. Neste caso, o 
sangramento não vindo, ela contabiliza como atraso menstrual os dias que se 
seguem. 
• Manifestações Clínicas (naúseas e vômitos, tontura, salivação 
excessiva, mudança de apetite, aumento da frequência urinária e 
sonolência). 
Náuseas seguidas ou não de vômitos, são frequentes no primeiro trimestre 
de gravidez o que, em alguns casos causam perda de peso na gestante e 
oferece risco de anemia e desnutrição. 
O aumento da frequência é urinária é característico do primeiro trimestre 
porque neste período o útero ainda se encontra na cavidade pélvica, 
repousando sobre a bexiga urinária. Com o crescimento do órgão, este 
comprime a bexiga fazendo com que qualquer quantidade retida de urina 
promova reflexo de micção. 
• Modificações Anatômicas (aumento do volume das mamas, 
Aparecimento da Rede Haller, aumento do volume das mamas, 
tubérculos de montgomery, saída de colostro das mamas, 
hipersensibilidade dos mamilos, coloração violácea vulvar, cianose 
vaginal e cervical, aumento do volume abdominal, Sinal de Halban) 
O sinal de halban é um sinal de presunção caracterizado pela presença de 
lanugem na região próxima ao couro cabeludo e mais raramente na face. 
 
17 
Com 16 semanas há o aparecimento da Rede de Haller. Este sinal é formado 
pelo aumento da circulação venosa formando uma rede visível sob a pele 
transparente das mamas. 
Sinalde Hunter e Tubérculos de Montgomery 
 
Com 20 semanas há o aparecimento do Sinal de Hunter. Esse sinal é caracterizado 
por uma hiperpigmentação da aureola primária e o aparecimento da auréola 
secundária com limites imprecisos. 
Os tubérculos de montgomery são glândulas sebáceas, de número entre 4 a 28 
por mamilo, que tem a função de lubrificar o mamilo e atrair o recém-nascido 
para amamentação após o parto, pois exala um odor característico que estimula 
o recém-nascido para procurar o peito. Tal fato explica a importância da mãe 
oferecer o peito ao recém-nascido. 
Linha Nigra: A linha Nigra é o nome dado ao processo de hiperpigmentação da 
linha alba localizada no abdômen da gestante. 
 
Cloasma Gravídico: Cloasma gravídico ou máscara gravídica são 
manchas provocadas pelo aumento da produção de melanina circundando parte 
da testa, ao redor do nariz, bochecha e lábio superior. 
 
18 
 
São fatores determinantes para o aparecimento do cloasma: 
1. Exposição à luz solar e artificial; 
2. Uso de alguns medicamentos; 
3. Fatores hereditários. 
Nem todas as mulheres terão cloasmas. Aquelas que apresentarem as 
manchas, terão o desaparecimento do cloasma pouco tempo após o parto. 
 Sinais de Probabilidade de Gravidez 
Com 8 semanas da DUM, começam a aparecer os sinais de probabilidade. São 
sinais de que aquela mulher tem chances prováveis gravidez. 
Aqui, as alterações anatômicas evidenciadas a partir da quinta semana da DUM 
como de presunção, intensificam-se, e, a partir da oitava semana passam a ser 
caracterizados como sinais de Probabilidades. 
Sinal de Jacquemier ou Chedwick – Devido ao aumento da 
vascularização, as paredes vaginais se tornam aumentadas e há aumento da 
coloração violácea, arroxeada. 
Sinal de Kluge – Também evidenciado pelo aumento da vascularização, a 
vulva tem a sua coloração violácea e aumento de volume maximizados. 
Sinal de Osiander – Na palpação bimanual podemos verificar a presença de 
pulsação da artéria vaginal. 
Sinal de Hegar – Na palpação bimanual podemos verificar o amolecimento 
da cérvice uterina, região entre o corpo uterino e colo. Temos a nítida 
impressão que o corpo uterino se separou do colo. 
 
 
19 
Sinal de Nobile-Budin – Na palpação bimanual, não conseguimos acessar o 
espaço situado entre o colo uterino e as paredes vaginais denominado de 
Fundo de Saco de Douglas. Com o crescimento uterino, esse espaço 
desaparece. 
 
Sinal de Piskacek – No local de implantação do óvulo há um crescimento 
inicial mais rápido do que no restante do útero provocando uma assimetria 
no formato desse útero. 
 
Aumento do Volume Uterino – O útero se torna palpável com 12 
semanas. 
Positividade da fração beta do HCG no soro materno a partir do 
oitavo dia após a fertilização. 
A positividade da fração beta do HCG no soro materno pode aparecer em 
prova para tentar confundir o candidato, apesar de constar positividade, não 
quer dizer que é positividade de gravidez. Lembrando que a mulher precisa 
ter no máximo 15 dias de atraso menstrual e o resultado do TIG ser superior 
a 25mUI/ml. 
 
 
 
20 
DIAGNÓSTICO DE CERTEZA DE GRAVIDEZ 
O diagnóstico de certeza de gravidez é tardio quando somente é feito através 
do exame clínico. Somente após a ausculta dos batimentos cardíacos fetais ou 
percepção de movimentos cardíacos poderemos diagnosticar a gravidez. 
Como sinais de Certeza, temos: 
Ausculta de Batimentos cardiofetais 
Como auscultamos? 
• Com 20 semanas utilizando o Estetoscópio de Pinard – Considerada 
normal de 120 a 160 batimentos por minuto. 
 
• Com 12 semanas utilizando o Sonar Doppler. 
 
Importante: Atraso menstrual superior a 12 semanas eu dispenso a Teste 
Imunológico de Gravidez e devemos tentar fazer a ausculta dos batimentos 
cardio fetais com o sonar doppler. Se por acaso, a Unidade de Saúde não 
dispor do aparelho, o profissional deverá oferecer o TIG. No entanto se o 
atraso é superior a 20 semanas, deverá ser feita a ausculta pelo estetoscópio 
de pinard. Na ausência de sons cardíacos, oferecer TIG. 
A Percepção de movimentos cardíacos fetais podem ser detectados 
com 18 a 20 semanas de gestação. 
 
21 
Sinal de Puzos – Com 14 semanas podemos detectar o sinal de puzos 
caracterizando certeza de gravidez. Durante o exame bimanual, faremos um 
discreto impulso no útero, através do fundo-de-saco anterior, que deslocará 
o feto no líquido aminótico para longe do dedo do examinador. A tendência 
do retorno do feto faz com que ele seja novamente palpável. É o que nos 
chamamos de rechaço fetal ou sinal de puzos. 
 
Exame Ultrassonográfico Transvaginal 
 
 
No exame ultrassonográfico terei os seguintes sinais de certeza de gravidez: 
• Visualização de saco gestacional com 4 a 5 semanas gestacionais; 
• Percepção de atividade cardíaca do embrião a partir da 6 semana de 
gravidez. 
O exame ultrassonográfico deverá ser feito por via transvaginal uma vez que 
o útero, no terceiro trimestre de gestação, encontra-se na cavidade pélvica. 
O diagnóstico de gravidez não é a principal exame do ultrassom transvaginal 
mas também, segundo o Ministério da Saúde (2012): 
• Estimar corretamente a idade gestacional, pois cerca de 11 a 40% das 
idades gestacionais estimadas pela DUM estão incorretas; 
• Detecção precoce de gestações múltiplas; 
• Verificação do tipo de placenta; 
• Detecção precoce de malformações fetais. 
 
22 
ADAPTAÇÃO DO ORGANISMO 
MATERNO NA GRAVIDEZ 
POSTURA E DEAMBULAÇÃO 
 
O centro de gravidade se desvia para adiante, devido a pelve evadida pelo 
feto que se apoia a parede abdominal, e as mamas dilatadas e grandes que irão 
pesar no tórax. Como compensação, todo o corpo se joga pra trás. Para manter 
o equilíbrio, a gestante empina o ventre, surgindo a lordose da coluna lombar. 
A grávida ao andar lembra, com seus passos oscilantes e curtos, o andar dos 
gansos (marcha anserina). 
Grandes modificações no metabolismo de energia e no acúmulo de gordura 
são percebidos durante a gestação. A deposição de gordura acontece, 
principalmente, durante a primeira metade da gestação e alcança seu máximo com 
30 semanas. 
Nos últimos meses há aumento na resistência de insulina. Níveis elevados 
de lactogênio placentário humano (hpl|), progesterona, cortisol e prolactina estão 
diretamente ligados a esse processo. O efeito diabetogênico do hpl resulta na 
mobilização de lipídeos na forma de AGL (ácidos graxos livres) que irão servir 
como fonte de energia para a gestante, poupando a glicose e os aminoácidos para 
o feto. A glicose é transferida pelo feto por difusão facilitada. Com isso, na 
gravidez, há um aumento do metabolismo de lipídeos (lipólise) e a consequente 
formação de corpos cetônicos. 
A concentração dos aminoácidos está reduzida na gravidez. Apesar dos 
valores absolutos de proteínas aumentarem durante a gestação, através da 
hemodiluição plasmáticas as suas concentrações são diminuídas. As 
concentrações de albumina sofrem redução nítida, enquanto a queda das 
gamaglobulinas é menor. 
Uma das principais alterações na gravidez é a retenção de líquido intra e 
extra celular, responsável pelo aumento do volume plasmático. Tal alteração 
interfere diretamente em modificações importantes, como o aumento do débito 
cardíaco e do fluxo plasmático renal. A maior secreção de aldosterona pelas 
glândulas supra-renais gera a retenção de sódio, e consequentemente a retenção 
de liquido. 
A renina produzida pelas células justaglomerulares, converterá 
angiotensinogênio em angiotensina I, que será convertida em angiotensina II 
através da ECA (Enzima convertedora de angiotensina). A angiotensina II atuaráno córtex da suprarrenal liberando o hormônio aldosterona, que é responsável 
 
23 
pelo aumento da reabsorção de sódio, preservando a homeostase materna. Tal 
situação hormonal é denominada hiperaldosteronismo da gravidez. 
Do mesmo modo há a redução acentuada da pressão coloidosmótica, 
gerada pela queda da concentração de albumina no plasma, gerando um aumento 
na taxa de filtração glomerular renal na gravidez, contribuindo para o edema 
periférico. 
Fatores responsáveis pela retenção de líquido: Retenção de sódio, 
diminuição da sede, redução da pressão coloidosmotica. 
Consequências da retenção de liquido: Redução na produção de 
hemoglobina, ematocritos, albumina, aumento do debito cardíaco, edema. 
SISTEMA CARDIOVASCULAR 
 
 O início da gravidez é caracterizado pela diminuição da resistência periférica, 
devido ao aumento do óxido nítrico secretado pelo endotélio. O aumento da 
frequência cardíaca contribui para a elevação do débito cardíaco (débito cardíaco 
= frequência cardíaca x volume sistólico). Em contrapartida, há a diminuição da 
pressão arterial devido a diminuição da resistência periférica. 
 A pressão venosa aumenta nos membros inferiores devido a compressão 
que o útero causa na veia cava inferior e nas veias da pelve. Tal fato ocorre com 
maior frequência quando a gestante esta de pé, aprisionando o sangue nas coxas 
e nas pernas, tendo a tendência de lipotimia ortostática, edema nos membros 
inferiores. 
SISTEMA SANGUÍNEO 
 
 A alteração do volume plasmático causa diluição na maioria dos fatores 
circulantes. Assim, os índices hematológicos que dependem do volume plasmático 
tendem a decrescer: hemácias, hematócritos e concentração de hemoglobina. 
 A concentração de hemoglobina se reduz de 13,3g/dl para 11g/dl. Essa 
anemia fisiológica da gravidez é frequentemente confundida com a anemia devido 
a deficiência de ferro. A gestante requer maior quantidade de ferro para suprir as 
suas necessidades e a do feto, e com isso há o aumento da absorção desse 
elemento no intestino. 
 
 
 
 
24 
DA PRIMEIRA SEMANA AO 
NASCIMENTO 
 
1° semana 
✓ Fecundação (ovócito secundário na prófase I da meiose 
envolto por folículo de Graaf + espermatozoide = ovoide 
oótide zigoto) 
✓ Clivagem 
✓ Formação do Blastocisto
 
2° semana 
✓ Término da nidação 
✓ Placentação 
✓ Disco embrionário bilaminar 
 
 
 
25 
 
3° semana 
✓ Gastrulação  disco trilaminar 
✓ Neurulação 
✓ Vilosidade coriônica terciária 
✓ Celoma 
✓ Coração primitivo 
✓ Botão pulmonar 
 
 
4° semana 
✓ Dobramentos 
✓ Início do período embrionário 
✓ Arcos branquiais 
 
26 
✓ Sistema cardiovascular rudimentar 
✓ Fechamento dos neuroporos 
✓ 4,5 mm 
✓ Esôfago, traqueia e bronquíolo primário 
✓ US visualiza: saco gestacional e vesícula vitelínica 
Avalia: idade gestacional, corionicidade, vitalidade e 
localização (tópica ou ectópica) 
 
 
 
 
5° semana 
✓ Início do desenvolvimento das gônodas 
✓ Brotos das mãos e dos pés 
✓ Crescimento acelerado da cabeça 
✓ Bronquíolo secundário 
 
 
 
 
27 
 
 
6° semana 
✓ Movimentos bruscos, reflexos ao toque 
✓ Raios digitais 
✓ Aurícola 
✓ 11mm 
✓ Formação dos condutos aéreos e lobos 
✓ Período Pseudoglândular 
 
 
 
7° semana 
✓ Placas das mãos 
✓ Ondas cerebrais 
✓ Separação do trato geniturinário do gastrointestinal 
✓ Coração com 4 câmaras 
✓ Hérnia umbilical 
 
28 
 
 
 
8° semana 
✓ Mãos bem formadas e pés em forma de leque 
✓ 30 mm 
✓ Fusão epitelial das pálpebras 
 
 
9° semana 
✓ Período fetal 
✓ Sem cauda 
✓ Formação da urina 
 
29 
10°- 14° semana 
✓ 65 mm 
✓ Centros primários de ossificação 
✓ Intestino volta ao abdome 
✓ Pescoço bem definido 
✓ Reconhecimento da genitália externa 
 
 
16° - 17° semana 
✓ Padrão dos cabelos 
✓ Ossos visíveis no US 
✓ Olhos e orelhas bem posicionados 
✓ 155 mm 
✓ Verniz caseosa 
✓ Início do período cânular 
 
 
 
30 
 
20° - 24° semana 
✓ Mãe percebe os movimentos do Bebê (18-22) 
✓ 220 mm 
✓ Sobrancelhas e cabelo 
✓ Lanugo 
✓ Gordura parda (pescoço e área perineal) 
✓ Começa o ganho de peso 
✓ Pisca por sobressalto 
✓ Secreção de sulfactantes por pneumócito tipo II 
✓ Capilares alveolares 
 
 
26° - 30° semana 
✓ SNC amadurecido (°C e FR) 
✓ Pálpebras abertas 
 
31 
✓ Unhas visíveis 
✓ - Rugas 
✓ Período sacular 
✓ Início da alveolação 
✓ Eritropoiese passa a ser na medula 
✓ Hematopoiese no baço 
✓ 28 semanas o pré-termo já sobrevive 
 
 
32° - 38° semana 
✓ Reflexo pupilar dos olhos à luz 
✓ Pele rosa e lisa 
✓ 8% de gordura amarela 
✓ CA = CC 
✓ Ganho de 14g por dia 
✓ Crescimento desacelera 
✓ Período alveolar 
✓ Bronquíolo terminal 
✓ Superfície pleural 
 
Pré-termo : até 37 semanas incompletas 
Termo : 37 – 42 semanas 
 
32 
Pós termo : mais de 42 semanas 
 
 meses lunares 
 
CÁLCULOS E FÓRMULAS 
CALCULAR A IDADE GESTACIONAL QUANDO A DUM É CONHECIDA. 
Quando a DUM é conhecida: Basta somar os dias no intervalo entre a DUM 
e a consulta e dividir o resultado por sete. Teremos o resultado por 
semanas, o resto serão os dias. 
A DATA PROVÁVEL DO PARTO = 40 semanas a partir da DUM. 
REGRA DE NAGELE – Vamos somar 7 dias na DUM e subtrair 3 meses. 
Se a DUM ocorreu entre janeiro a março em vez de subtrair iremos somar 9 
meses. 
 
 
 
33 
ANEXOS FETAIS 
Placenta 
 
O ovo humano, fecundado numa das duas trompas que ligam o útero aos 
ovários, chega ao útero cinco dias depois, já amplamente modificado e com o 
nome de biastocisto. 
O blastocisto tem a forma de uma esfera oca, constituída por dois tipos de 
células. Um deles – o trofoblasto – dá origem à placenta; a partir do outro, 
desenvolve-se o embrião. Ao chegar ao útero, o blastocisto adere à parede 
uterina e vai escavando até penetrar por completo no endométrio (camada 
interna da cavidade uterina). A penetração se faz por destruição de células do 
endométrio, pela ação de enzimas produzidas pelo trofoblasto. 
O blastocisto cresce depressa e adquire aparência enrugada. Os 
enrugamentos são pequenos prolongamentos, chamados VILOS, compostos por 
tecido conjuntivo. São utilizados pelo blastocisto para penetrar a parede uterina. 
As vilosidades, quando a placenta se desenvolver, constituirão o tecido de 
arcabouço da placenta. 
Normalmente, a penetração das vilosidades é detida pelo miométrio, a 
parede muscular do útero. Enquanto isso, no endométrio, que é a camada interna 
 
34 
do útero, forma-se uma cavidade, dentro da qual o blastocisto se desenvolve 
rapidamente. O trofoblasto se torna liso na parte que acompanha a curvatura da 
cavidade. Mas na parte que adere ao miométrio, continua cheio de vilos, como 
uma esponja do mar. 
No interior da cavidade que se formou na parede do útero, já vão se 
desenvolvendo o embrião e minúsculos vasos sanguíneos, que acabam por fazer 
contato com o córion frondoso, por dentro de um tubo que dará origem ao 
cordão umbilical. A partir do momento em que os vasos do embrião alcançam o 
córion, na altura do 14° dia de gestação, estabelece-se a circulação placentária, 
pois logo em seguida o córion frondoso passa a chamar-se placenta. 
Funções da placenta 
Quando completamente desenvolvida, a placenta adere intimamente à 
dec(dua basal, que é uma camada de endométrio modificado em que a placenta 
se apóia. Os vasos sanguíneos da mãe penetram tortuosamente pela decídua e 
desembocam nos espaços inlervilosos da placenta. 
Os espaçosintervilosos são intervalos entre estruturas vasculares muito 
ramificadas. Cada uma dessas formações contém no interior de seus ramos vasos 
sangüíneos do feto. Esses vasos, por sua vez, são ramificações da veia e das duas 
artérias que passam por dentro do cordão umbilical. 
Os vilos absorvem oxigênio e substâncias nutritivas provenientes do 
organismo da mãe, levadas a eles pelos vasos maternos que desembocam nos 
espaços intervilosos. Por outro lado, os vasos maternos colhem nos espaços 
intervilosos substâncias excretadas pelo feto através do sangue fetal que chega à 
região. 
Desse modo, a placenta faz as vezes de pulmões e de rins do feto. De 
pulmões porque o supre de oxigênio e recolhe gás carbônico. E de rins por que 
de nada adianta o feto eliminar seus resíduos pela urina. 
Dentro da bolsa d’água (ou saco amniótico) o feto efetivamente excreta 
urina, mas deglute a urina com líquido amniótico. Nesse círculo vicioso ele logo 
se intoxicaria, se não fosse a placenta. Ao passarem para o sangue fetal, os 
resíduos são remetidos pelo cordão umbilical até a placenta, que, finalmente, irá 
despejá-los no sangue materno. 
O sangue da mãe não circula pelo feto, nem o do feto circula pelas veias 
da mãe. A passagem de elementos de um para outro se faz por meios indiretos, 
 
35 
através de tecidos permeáveis, por diferenças de pressão osmótica. Embora os 
mecanismos ainda sejam parcialmente desconhecidos, ocorre, nessa 
transferência de elementos, algo semelhante ao que se dá nos alvéolos 
pulmonares. 
Além dessa importante função nutritiva, excretora e respiratória do feto, a 
placenta constitui uma admirável glândula de secreção endócrina. Ela produz, 
por exemplo, a gonadotrofina coriônica (a partir do décimo dia), que alimenta o 
corpo lúteo durante a gravidez. 
A manutenção do corpo lúteo assegura por sua vez a produção contínua de 
estrógeno e progesterona, dois hormônios essenciais para as modificações qie se 
operam na mulher durante o período da gravidez. 
Depois de uns sessenta dias, a própria placenta está produzindo estrógeno 
e progesterona. Em torno do sétimo mês, a placenta é uma almofada redonda 
com cerca de 20 centímetros de diâmetro e espessura de 2 ou 3 centímetros na 
parte central. E, além de produzir algumas substâncias, a placenta armazena outras 
(glicogênio, por exemplo), para distribuição oportuna. 
Através de processos seletivos, a placenta recolhe do sangue da mãe 
substâncias requeridas pelo desenvolvimento fetal. Anticorpos, por exemplo, com 
moléculas 80 vezes maiores que as de polipeptídeos (cadeias de aminoácidos que 
formam as proteínas) passam pela placenta, enquanto os polipeptídeos não 
passam. 
Proteção materna 
Em geral, vírus e bactérias também não conseguem transpor a barreira 
placentária, embora se tenha comprovado que os vírus causadores da varicela, da 
varíola, do sarampo e da rubéola conseguem de algum modo chegar ao sangue 
fetal. 
Também conseguem passar algumas drogas de efeitos indesejáveis, como os 
anestésicos utilizados para atenuar as dores do parto. Da mesma forma, também 
passam para a circulação do feto, em poucas horas, os antibióticos ministrados 
por via oral. 
A fisiologia da placenta ainda encerra muitos mistérios para os 
pesquisadores. E as dificuldades de estudo são aumentadas pela impossibilidade 
 
36 
de se observar a placenta humana ao vivo. Além disso, a placenta é diferente em 
cada espécie de mamíferos, o que impossibilita o estudo por analogia. 
Líquido Amniótico 
É o fluido que preenche a bolsa amniótica e no qual o embrião fica imerso 
durante a gestação. No início da gravidez ele tem aspecto transparente e à medida 
que ela evolui fica mais espesso e esbranquiçado (leitoso). Envolvendo o bebê, 
o líquido amniótico o protege de choques e movimentos bruscos, não deixa 
o cordão umbilical sofrer compressões e mantém a temperatura adequada 
dentro do útero. Além disso, torna menor a energia gasta com os movimentos 
fetais, tem importantes propriedades bacteriostáticas e ajuda na alimentação do 
bebê. 
O exame do líquido amniótico através da amniocentese (retirada por 
punção de certa porção do líquido amniótico para análise em laboratório) pode 
produzir informações sobre doenças e alterações genéticas e cromossômicas 
do feto. Quando se fala que "a bolsa rompeu”, significa que o líquido 
amniótico está sendo expulso e isso marca o início do parto. 
Como é produzido 
A bolsa amniótica normalmente forma-se a partir da segunda semana de 
gestação e é ela que coleciona em seu interior o líquido amniótico. Durante os 
primeiros quatro meses da gravidez, o líquido amniótico é produzido pela 
placenta e pelas membranas que envolvem a bolsa. Depois disso, é formado 
também pelas excreções dos rins do bebê, que eliminam sódio e concentram 
a ureia, modificando assim a sua composição química. O líquido 
amniótico deglutido pelo feto é reabsorvido no intestino dele e chega até os rins, 
onde é filtrado e novamente excretado para a bolsa amniótica. O aumento 
do líquido amniótico durante a gestação não é somente devido à excreção 
urinária, mas também depende da pele, da placenta, do trato gastrointestinal, 
do sistema respiratório e do cordão umbilical. 
Quantidade ideal 
 
37 
O líquido amniótico é continuamente produzido e reabsorvido pelo 
organismo durante a gestação. A quantidade total de líquido amniótico aumenta 
com o decorrer da gravidez e deve chegar a seu máximo de 800 a 1.000 ml nas 
34ª a 36ª semanas de gestação. Depois desse tempo, o volume vai diminuindo aos 
poucos, até o final da gravidez. 
A avaliação da quantidade do líquido amniótico por meio 
da ultrassonografia tornou-se um importante método de acompanhar a vitalidade 
e o desenvolvimento anatômico fetal e é, hoje em dia, um exame de rotina no 
acompanhamento pré-natal. Quando esse líquido está em menor ou maior 
quantidade do que deveria (oligodrâmnio ou polihidrâmnio, respectivamente) 
indica problemas para a mãe e para o bebê e requer correção. 
Oliodromnia 
Nem sempre é possível reconhecer as causas da diminuição do volume do líquido 
amniótico, mas alguns fatores intervenientes nesse processo são sabidos: 
• Desidratação materna, com diminuição geral dos líquidos do corpo da 
grávida. 
• Ruptura parcial da bolsa amniótica, com perda de líquido 
amniótico pela vagina. 
• Problemas na placenta, que pode não estar produzindo sangue e nutrientes 
em quantidade adequada, fazendo com que bebês pequenos produzam uma 
menor quantidade de urina. 
• Malformações interferindo na produção de urina pelo bebê. 
• Síndrome da transfusão feto-fetal: no caso de gravidez de gêmeos pode 
acontecer que um bebê receba menos sangue e nutrientes que o outro, 
ficando com menos líquido amniótico. Normalmente, cada um dos gêmeos 
tem a sua própria bolsa. 
• Medicamentos: alguns remédios podem causar uma diminuição do líquido 
amniótico. 
Se a quantidade de líquido estiver muito baixa e a gravidez estiver no seu terceiro 
trimestre, o médico pode optar por antecipar o parto, mas geralmente ele apenas 
 
38 
acompanhará mais de perto a gravidez para se certificar que não esteja havendo 
sofrimento fetal, até que o parto se dê espontaneamente. 
Polidrâmio 
Geralmente uma quantidade maior que 2.000 ml de líquido no último trimestre 
da gravidez, comumente associado com: 
• Diabetes mellitus da mãe. 
• Gravidez múltipla (de gêmeos). 
• Transtornos cromossômicos do feto. 
• Anormalidades congênitas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
39 
GESTAÇÃO GEMELAR 
Os gêmeos idênticos são chamados de monozigóticos (por resultarem da 
fertilização de apenas um óvulo) e os gêmeos diferentessão conhecidos como 
dizigóticos (resultam da fertilização de dois óvulos por dois espermatozóides 
distintos). 
No caso de gemelaridade dizigótica teremos invariavelmente duas placentas, 
duas bolsas e dois fetos. Já nas gestações gemelares monozigóticas poderemos 
ter: uma placenta, uma bolsa ou; uma placenta, duas bolsas ou; duas placentas, 
duas bolsas 
 
RISCOS 
PARTO PREMATURO 
O parto prematuro é um risco comum na gravidez gemelar, sendo frequente que 
o parto ocorra antes da 37ª semana. Isso acontece devido ao maior risco de 
sobredistensão das fibras musculares uterinas, promovendo um aumento na 
 
40 
incidência de trabalho de parto prematuro, ou devido às chances aumentadas de 
ruptura prematura das membranas ovulares, por culpa da movimentação fetal 
exacerbada. 
HIPERTENSÃO ARTERIAL GESTACIONAL 
A hipertensão arterial gestacional é mais comum em gestações múltiplas, sendo 
importante que a gestante faça um acompanhamento médico adequado e 
mantenha uma alimentação saudável. A aferição da pressão arterial deve ser 
realizada de maneira mandatória em todas as consultas de pré-natal, sendo que, 
caso a pressão arterial aumente, um tratamento deverá ser instituído de maneira 
precoce para evitar maiores complicações. 
PRÉ-ECLÂMPSIA 
Quando comparada às gestações únicas, a pré-eclâmpsia é três vezes mais comum 
na gestação de gêmeos e nove vezes mais comum na gestação de trigêmeos. A 
pré-eclâmpsia é um processo hipertensivo que ocorre durante a gravidez, 
caracterizado pelo aumento dos níveis pressóricos e perda de proteína na urina. 
Os principais sinais de alerta para esse tipo de alteração são: edema de mãos e 
pés, ganho de peso exacerbado em um curto intervalo de tempo, cefaléia, 
turvação visual ou dor na região do estômago. 
DIABETES GESTACIONAL 
A diabetes gestacional acontece devido a um aumento na produção placentária 
de hormônios que atuam contra a ação da insulina, dificultando a absorção da 
glicose sanguínea. Como a massa placentária é maior durante a gestação gemelar, 
a incidência de diabetes gestacional tende a aumentar em gestações múltiplas. A 
gestante deve controlar os níveis de açúcar no sangue por meio de uma 
alimentação saudável e prática de exercícios físicos leves. É recomendado que a 
gestante gemelar realize um acompanhamento nutricional com uma Nutricionista. 
DESCOLAMENTO PLACENTÁRIO 
Devido à sobredistensão do volume uterino e ao risco aumentado de hipertensão 
gestacional, a incidência de descolamento placentário tende a ser maior em 
gestações múltiplas. O descolamento da placenta pode promover uma alteração 
no fluxo de sangue que nutre os bebês, aumentando o risco de sofrimento fetal 
agudo. O quadro clínico do descolamento placentário é caracterizado pelo 
 
41 
aumento da tonicidade da musculatura uterina e dor abdominal aguda. Ele pode 
ou não vir acompanhado por sangramento vaginal. 
 
 
SANGRAMENTOS E 
ABORTO 
CAUSAS DO SANGRAMENTO NO 1° TRIMESTRE 
Diagnóstico História Exame físico Ultrassonografia 
Lesões da vulva, 
vagina, colo 
uterino 
Sangramento 
vermelho-vivo (se 
recente), em 
pequena/média 
intensidade, sem dor 
importante. 
Visualização da lesão ao 
exame da vulva ou 
especular. 
Não acrescenta ao 
diagnóstico. Caso não 
tenha sido realizada 
pode ser indicada 
para confirmar o bem-
estar fetal. 
Implantação do 
ovo no útero. 
Sangramento em 
pequena quantidade, 
sem cólica ou cólica 
leve. 
Normal Sem achados de 
gravidez (esse 
sangramento ocorre 
com 4-5 semanas). 
Beta-HCG compatível 
 
42 
com tempo de 
gestação. 
Ameaça de 
abortamento 
Sangramento leve a 
intenso, vermelho-vivo 
ou escuro se antigo, 
cólica moderada a 
intensa. 
Visualização de 
sangramento através do 
colo pelo exame 
especular. Útero 
compatível com tempo 
de gestação, colo 
fechado. 
Gestação dentro do 
útero com embrião e 
bcf presentes. Pode 
ter área de 
descolamento do 
saco gestacional ou 
não. 
Abortamento 
incompleto 
Sangramento leve a 
intenso, vermelho-vivo 
ou escuro se antigo, 
cólica moderada a 
intensa. 
Visualização de 
sangramento ou partes 
da gravidez através do 
colo pelo exame 
especular. Útero menor 
que o esperado, colo 
fechado. 
Gestação dentro do 
útero inviável: saco 
gestacional irregular, 
restos ovulares, 
embrião sem bcf. 
Abortamento em 
curso (inevitável) 
Sangramento 
moderado a intenso, 
Visualização de 
sangramento ou partes 
da gravidez através do 
colo pelo exame 
Gestação dentro do 
útero inviável: saco 
gestacional irregular, 
 
43 
vermelho-vivo cólica 
moderada a intensa. 
especular. Útero menor 
que o esperado, colo 
aberto. 
restos ovulares, 
embrião sem bcf. 
Abortamento 
completo 
Sangramento leve a 
moderado, escuro, 
cólica leve ou 
moderada (podem 
estar em fase de 
melhora). 
Visualização ou não de 
sangramento através do 
colo pelo exame 
especular. Útero menor 
que o esperado, colo 
fechado. 
Sem sinais de 
gestação, ou imagem 
sugestiva de sangue 
no útero. 
Gravidez 
ectópica 
Sangramento leve a 
moderado, escuro, 
cólica/dor moderada a 
intensa. 
Visualização ou não de 
sangramento através do 
colo pelo exame 
especular. Útero menor 
que o esperado, colo 
fechado. Dor à palpação 
da região dos ovários, 
pode ser percebida uma 
massa. 
Massa anexial, saco 
gestacional com ou 
sem embrião fora do 
útero. Quando não há 
sinais de gestação no 
útero e o tempo de 
gravidez for > que 5 
semanas. Líquido no 
abdome (sangue). 
 
 
 
44 
TIPOS DE ABORTO 
• Completo 
• Incompleto 
• Infectado 
• Retido 
• Habitual 
• Espontâneo 
• Iminente 
• Inevitável 
• Provocado 
FATORES DE RISCO 
 • Idade: o risco de aborto aumenta com o avançar da idade materna, chegando a 40% 
aos 40 anos e 80% aos 45 anos; 
 • Antecedente de aborto espontâneo: aumenta após duas ou mais perdas; 
 • Tabagismo: o consumo de mais de 10 cigarros por dia aumenta em cerca de 1,5 a 3 
vezes a chance de abortar. O tabagismo paterno também pode ser prejudicial. Dessa 
forma, os casais devem ser encorajados a abandonar o hábito; 
 • Consumo de álcool e drogas; 
 • Uso de anti-inflamatórios não hormonais: pode aumentar o risco de abortar se 
usados próximos à concepção. O uso de acetaminofeno, no entanto, constitui opção 
segura; 
 • Cafeína: alguns estudos mostram associação entre alto consumo de cafeína (mais que 
quatro xícaras de café expresso por dia) e abortamento, mas os dados ainda são um 
pouco controversos; 
• Extremos de peso: IMC < 18,5 ou > 25 
 
LEGISLAÇÃO 
O Código Penal Brasileiro só permite o aborto no Brasil nas seguintes situações: 
Artigo 128: Não se pune o aborto provocado por médico: 
 
45 
 I. Se não há outro meio de salvar a vida da gestante; 
 II. Se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido do consentimento da 
gestante ou, quando incapaz, de seu responsável legal. 
No caso de abortamento após violência sexual, o procedimento só é permitido 
com o prévio consentimento da gestante ou de seu representante legal, caso seja 
menor ou incapaz. Não há necessidade de sentença condenatória ou de autorização 
judicial. De acordo com o Decreto-Lei n° 2848, de 7 de setembro de 1940, art. 128, 
inciso II, do Código Penal, o aborto é permitido quando a gravidez resulta de estupro 
ou outra forma de violência sexual. 
O Código Penal não exige qualquer documento para a prática do aborto, a não 
ser o consentimentoda mulher. A mulher não tem o dever legal de notificar o fato à 
polícia. Deve-se orientá-la a tomar as providências policiais e judiciais cabíveis, mas caso 
ela não o faça, não lhe deve ser negado o abortamento. O objetivo do serviço de saúde 
é garantir o direito à saúde, e seus procedimentos não devem ser confundidos com os 
procedimentos reservados à polícia ou à justiça. Se o médico for induzido ao erro pela 
gestante ou por terceiros quanto à ocorrência de violência sexual, ele não responderá 
pelo crime (art. 20, parágrafo 1º do Código Penal). A Portaria nº 1.508, de 
01/09/2005, dispõe que o Procedimento de Justificação e Autorização da Interrupção 
da Gravidez é composto de quatro fases: 
(1) relato da gestante perante dois profissionais da saúde; 
(2) parecer técnico do médico após anamnese, exame físico e exames subsidiários; 
(3) assinatura da gestante ou de seu representante legal; 
 (4) termo de consentimento livre e esclarecido 
Apesar da não obrigatoriedade do Boletim de Ocorrência, existe alguma 
discussão quanto a isso no Poder Executivo, sendo recomendado, portanto, que se 
apresente tal documento. Além disso, deve o médico valer-se dos elementos a respeito 
do estupro, quais sejam: declaração da mulher, anamnese e exame físico, atestados, 
laudo do IML, se houver, laudo ultrassonográfico comparativo com a data de 
ocorrência, entre outros. 
 
 
 
46 
PROTOCOLO DE ATENDIMENTO 
Acolher e orientar  não julgar  montar um roteiro de conversa  informar e 
orientar  analisar os sintomas  fazer exames comprobatórios  notificar se 
possível (SINAM)  escolher o método melhor que alivie a dor  acompanhar 
recuperação  Agendar retorno  orientar quanto a rotina de higiene  
abstinência sexual de 15 dias  montar planejamento reprofutivo. 
 
PRÉ-NATAL 
1° trimestre: 1 consulta 
2° trimestre: 2 consultas 
3° trimestre: 3 consultas 
Puerpério: 1 consulta até 45 dias após o parto 
VACINAS 
Caso a gestante apresente documentação com esquema de vacinação incompleto, 
é suficiente completar o esquema já iniciado. 
1. Em caso de gravidez e na profilaxia do tétano após alguns tipos de ferimento o 
intervalo para reforço, previsto a cada dez anos, deve-se reduzir para cinco anos 
(ver em profilaxia do tétano pós-ferimento). 
 - Reforços a cada 10 anos da 3ª dose por toda a vida. 
 - O intervalo entre a 1ª e a 2ª doses é de 60 dias (mínimo de 30 dias), entre a 
segunda e a terceira dose o intervalo ideal é de 180 dias (seis meses) ou três 
doses com intervalo de dois meses entre elas (mínimo de 4 semanas). 
 - Para prevenção do tétano neonatal é importante que a gestante receba pelo 
menos 2 doses de vacina dupla adulto. 
 - A partir de novembro/2014 
 
47 
 – a gestante deve receber uma dose da vacina dTpa (tríplice bacteriana acelular) 
a cada gravidez a partir da 27ª semana de gravidez 
 – Avaliar individualmente cada caso. 
 2. O intervalo mínimo entre a segunda e a terceira dose é de dois meses desde 
que o intervalo de tempo decorrido entre a primeira e terceira dose seja, no 
mínimo, de quatro meses. 
- Não devemos apressar o esquema vacinal da Hepatite B utilizando intervalos 
mínimos no agendamento. 
 - Utilizar os intervalos mínimos nas gestantes em que falta completar o esquema 
vacinal, porque elas já receberam e comprovaram a aplicação da vacina 
anteriormente. 
 3. Disponível na rede pública nos meses de outono/inverno. 
4. Deve ser realizada a partir da 27ª semana de gestação até, preferencialmente, 
a 36ª semana de gestação. 
 
EXAMES PRECONIZADOS 
✓ Anti-HIV 
✓ VDRL , se necessário FTA-ABS 
✓ Hemograma completo 
✓ Glicemia de jejum 
 
48 
✓ Tipagem sanguínea 
✓ Coombs indireto 
✓ Toxoplasmose 
✓ Hepatite B (anti- HBC) 
✓ Urocultura 
✓ Urina tipo 1 
✓ CMV 
✓ Dosagem do TSH 
 ENTRE 5ª E A 8ª SEMANA DE GESTAÇÃO 
Ultrassonografia intravaginal 
Visualizar o embrião e o saco gestacional, calcular o tempo de gravidez e a 
data provável do parto. Normalmente, se realizado após a sexta semana, possibilita 
ainda ouvir os batimentos cardíacos do embrião. 
ENTRE A 11ª E A 14ª SEMANA DE GESTAÇÃO 
Ultrassonografia da transluscência nucal 
O principal objetivo desse exame é a medicação da espessura de um fluido entre a 
pela e a gordura da nuca do bebê. O resultado aponta uma menor ou maior chance de 
haver anomalias, sendo a principal delas a Síndrome de Down. Nesse mesmo exame, 
verifica-se uma eventual ausência do osso nasal, que pode ser também um indício de 
alteração cromossômica. Outras finalidades são: medir o bebê, atestar sua vitalidade 
pela ausculta dos batimentos cardíacos e observar o ducto venoso, um vaso que pode 
dar aos médicos sinais de possíveis problemas cardíacos. Se o exame apontar a 
possibilidade de alguma alteração cromossômica no feto, o médico deverá solicitar 
exames complementares. 
ENTRE A 20ª E A 22ª SEMANA DE GESTAÇÃO 
Ultrassonografia morfológica 
Além de medir o feto e estimar seu peso, esse exame analisa os órgãos do bebê, que, 
a essa altura, já se encontram formados. Na maioria dos casos, é possível visualizar o 
sexo da criança. Se o aparelho usado for de tecnologia 3D ou 4D, consegue-se até 
mesmo observar seus traços faciais. 
ENTRE A 24ª E A 28ª SEMANA DE GESTAÇÃO 
Triagem de diabetes gestacional 
Verificar se a paciente desenvolveu diabetes gestacional, uma doença que requer 
 
49 
cuidados especiais e possível antecipação do parto. O exame é conhecido como curva 
de tolerância glicêmica ou teste oral de tolerância à glicose. No laboratório, a gestante 
bebe um copo de glicose e depois é submetida a algumas coletas de sangue para 
análise. 
ENTRE A 34ª E A 37ª SEMANA DE GESTAÇÃO 
Triagem de estreptococo beta-hemolítico 
Trata-se da análise laboratorial de uma amostra de secreção vaginal e outra do reto 
para rastreio de uma eventual infecção causada pela bactéria estreptococo do grupo 
B, que pode ser passada para o bebê durante o nascimento e provocar até a morte do 
recém-nascido. O tratamento, para os casos positivos, consiste na administração de 
antibióticos para a gestante no dia do parto. 
Ultrassonografia do terceiro semestre 
Esse exame é importante para acompanhar o tamanho, o peso e a posição do feto. Ele 
também avalia a maturidade da placenta e a quantidade de líquido aminiótico. Pode 
ser realizado com tecnologia Doppler, um recurso que facilita a detecção de problemas 
na gestação. O número de ultrassonografias no último trimestre de gravidez depende 
das necessidades de cada paciente e da conduta particular do médico, portanto, esse 
exame poderá ocorrer mais de uma vez. 
 
IPED APAE 
Primeira Fase: são coletadas gotas de sangue dos dedos da mão da 
gestante, esta coleta é feita em papel filtro no próprio IPED ou em qualquer 
unidade de saúde pública do Estado. A partir daí são realizados 15 exames 
que detectam as seguintes doenças: Toxoplasmose, Rubéola, Doenças 
da Inclusão Citomegálica, Sífilis, Síndrome da Imunodeficiência Adquirida 
(AIDS), Doença de Chagas, Hepatite B e C, Vírus Linfotrópico 
Humano (HTLV), Hipotireoidismo e Anemia Falciforme e outras 
Hemoglobinopatias. 
 
Segunda Fase: a coleta é feita com o mesmo procedimento realizado na 
Primeira Fase e deve ser efetuada a partir da 28ª semana de gestação. 
Nesta fase são feitos os exames para detectar as seguintes patologias: 
Toxoplasmose, Sífilis e Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS). 
 
50 
VITALIDADE FETAL 
Avaliar movimentos fetais a partir da 20° semana: 
Após se alimentar, deitar em decúbito lateral e esquerdo e contar até 5 
movimentos no período de 30 min. 
Cardiotocografia: normal = 120-160 bpmPBF (perfil biofísico fetal): reatividade fetal, tônus e volume do líquido amniótico 
Doppler: dinâmica da circulação feto placentária, velocidade do fluxo sanguíneo. 
SUPLEMENTAÇÃO 
ÁCIDO FÓLICO 
O folato é necessário para numerosas funções do corpo. Entre elas: a síntese e 
reparação do DNA, divisão e crescimento celular, produção de novas proteínas, 
formação de hemácias. O folato é importante para a saúde cardiovascular e do 
sistema nervoso. 
Bom para as gestantes, o folato é especialmente importante para o 
desenvolvimento fetal e formação do tubo neural. A suplementação deve começar 
pelo menos um mês antes da gravidez e é essencial durante o 1º trimestre, 
principalmente durante as 8 primeiras semanas, após a concepção. Isto porque é 
neste período que ocorre o desenvolvimento do sistema nervoso e tubo neural 
do feto. 
Aliado do cérebro: Além de ser essencial para o desenvolvimento do sistema 
nervoso do feto, o folato é fundamental para a função cerebral adequada e 
desempenha um papel importante na capacidade cognitiva e na saúde mental e 
emocional. Segundo estudos realizados pelo Institute for Functional Medicine, na 
Flórida, mais de 40% dos casos de depressão são causados pela falta de folato no 
organismo. Ele age como cofator na produção de serotonina, um 
neurotransmissor que garante o bom humor. 
 
SULFATO FERROSO 
 
O consumo de ferro é elevado, sobretudo pelo volume sanguíneo 
aumentado durante a gestação como forma de preparar a mãe para as perdas 
sanguíneas decorrentes do parto. No parto normal a perda é estimada 
em 500ml e na cesárea em 1000ml. Estes valores podem ser bem maiores em 
caso de complicações hemorrágicas. Também é importante para o , 
 
51 
este necessita de maiores quantidades de ferro para a formação do seu corpo, 
principalmente do sistema nervoso central. 
A ausência de menstruação durante a gestação também tem como objetivo 
reduzir a perda sanguínea materna. Além disso, o aleitamento 
materno também consome ferro. A suplementação deve ser mantida mesmo no 
pós-parto para evitar o desenvolvimento de anemia materna. 
A suplementação mesmo em gestantes que não tem anemia tem o 
objetivo de formar reserva de ferro. Os estoques de ferro são fundamentais 
para a reconstituição do volume de sangue circulante na mulher no período pós-
parto. 
Vit. B6 Reduz os enjôos 
 
ORIENTAÇÕES 
Restrição: 
Frutos do mar, carnes cruas, café, bebida alcóolica, cigarros e exercícios de 
exaustão, deitar de barriga pra cima. 
Importante: 
Alimentação balanceada, 
Exercícios físicos  (3 a 5 vezes na semana, carga leve, duração de 15 minutos, 
FC de exercício = FC repouso + 60% [ FC máxima – FC repouso ]), 
sapatos confortáveis, beber bastante água, dormir bem. 
PAISM 
 
52 
Diante da representatividade dos problemas relacionados á saúde da 
mulher no Brasil, tais como mortalidade materna, aborto, gravidez indesejada e 
doenças sexualmente transmissíveis (DST), o Ministério da Saúde decide lançar, 
em 1983, o Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM). 
 
O PAISM enquanto política de saúde surge como resposta aos problemas de 
saúde e às necessidades da população feminina (MATTOS, 2001). Representou a 
primeira iniciativa do Ministério da Saúde de incluir o planejamento familiar nas 
ações de atenção à saúde da mulher. 
 
Nas diretrizes do PAISM, no tocante ao planejamento familiar, é possível 
identificar os seguintes destaques (BRASIL, 1984): 
-Oportunidade de acesso às informações. 
-Abandono de qualquer espécie de ação coercitiva. 
-Relação constante e integral com o sistema único de saúde (SUS). 
 
O PAISM rompeu com a lógica do exagerado intervencionismo sobre o corpo 
da mulher, considerando-as sujeitos de transformação de suas realidades, com 
direitos e deveres. Nesse sentido, destaca o caráter de autonomia, condizente 
com os ideais feministas, que defendiam o lema “nosso corpo nos pertence” 
(ÁVILA e CORREIA, 1989). 
 
Na política do PAISM, o planejamento familiar ganha destaque nas questões 
referentes à acessibilidade da população aos meios reversíveis de contracepção. 
Foi disponibilizado grande número de métodos contraceptivos e desenvolvida, a 
nível nacional, a capacitação de profissionais de saúde para promover assistência 
qualificada durante o planejamento familiar. 
PHPN 
O Programa de Humanização no Pré-natal e Nascimento, instituído pelo 
Ministério da Saúde, através da Portaria/GM nº 569, de 01/06/2000, e 
baseado nas análises das necessidades de atenção específica à gestante, ao 
recém-nascido e à mulher no período pós-parto, busca: 
- concentrar esforços no sentido de reduzir as altas taxas de morbi-
mortalidade materna e perinatal; 
 
53 
- adotar medidas que assegurem a melhoria do acesso, da cobertura e 
da qualidade do acompanhamento pré-natal, da assistência ao parto, 
puerpério e neonatal; e 
- ampliar as ações já adotadas pelo Ministério da Saúde na área de 
atenção à gestante, como os investimentos nas redes estaduais de assistência 
à gestação de alto risco, o incremento do custeio de procedimentos 
específicos e outras ações, como o Projeto de Capacitação de Parteiras 
Tradicionais, do financiamento de cursos de especialização em enfermagem 
obstetrícia e a realização de investimentos nas unidades hospitalares 
integrantes destas redes. 
O Programa de Humanização no Pré-natal e Nascimento está estruturado 
nos seguintes princípios: 
- Toda gestante tem o direito ao acesso a atendimento digno e de qualidade 
no decorrer da gestação, parto e puerpério; 
- Toda gestante tem direito de conhecer e ter assegurado o acesso à 
maternidade em que será atendida no momento do parto; 
- Toda gestante tem direito à assistência ao parto e ao puerpério e que seja 
realizada de forma humanizada e segura, de acordo com os princípios gerais 
e condições estabelecidas pelo conhecimento médico: e 
- Todo recém-nascido tem direito à assistência neonatal de forma 
humanizada e segura. 
 REDE CEGONHA 
É uma estratégia do Ministério da Saúde que visa implementar uma rede de 
cuidados para assegurar às mulheres o direito ao planejamento reprodutivo e a 
atenção humanizada à gravidez, ao parto e ao puerpério, bem como assegurar 
às crianças o direito ao nascimento seguro e ao crescimento e desenvolvimento 
saudáveis. 
Esta estratégia tem a finalidade de estruturar e organizar a atenção à saúde 
materno-infantil no País e será implantada, gradativamente, em todo o território 
nacional, iniciando sua implantação respeitando o critério epidemiológico, taxa 
de mortalidade infantil e razão mortalidade materna e densidade populacional. 
 
 
54 
São quatro os componentes da Rede Cegonha: 
 
I - Pré-natal; 
II - Parto e nascimento; 
III - Puerpério e atenção integral à saúde da criança; e 
IV - Sistema logístico (transporte sanitário e regulação). 
 
ISOIMUNIZAÇÃO 
O sistema Rh é de grande importância clínica, pois seus anticorpos estão 
envolvidos em destruição eritrocitária imunomediada. O antígeno D é o mais 
imunogênico do sistema Rh, por isso, a grande maioria das pessoas produzem 
anticorpos anti-D após o primeiro contato, levando à isoimunização. A 
isoimunização é decorrente da exposição do indivíduo a antígenos não próprios, 
levando a formação de anticorpos. Este fenômeno pode ocorrer durante a 
gestação quando os fetos produzem antígenos paternos que podem chegar à 
circulação materna. Os anticorpos Rh anti-D (RhD) correspondem à principal 
causa de Doença Hemolítica Perinatal, conhecida como Eritroblastose Fetal 
(DHPN). A DHPN pode ser evitada com uso da profilaxia com imunoglobulina 
anti-D. Apesardos avanços nessa área, a isoimunização continua a ser um 
problema de saúde pública. 
 
Normalmente, os sistemas sanguíneos materno e fetal não se misturam, mas 
pode ocorrer uma hemorragia materno-fetal transplacentária. Essa hemorragia 
ocorre na maioria das vezes durante o parto, mas pode ocorrer espontaneamente 
durante a gravidez, principalmente do terceiro trimestre ou após procedimentos 
invasivos ou abortos. 
 
55 
A resposta imunitária primária decorrente da exposição materna ao sangue 
Rh-D positivo do feto leva a uma resposta imune lenta com formação de 
anticorpos IgM, que podem não ser detectáveis por pelo menos quatro semanas 
e, devido ao seu tamanho, não são capazes de atravessar a barreira placentária. 
A exposição subseqüente ao antígeno leva a uma resposta secundária que é 
mais rápida e produz anticorpos IgG, que podem ser detectados 48 4 horas após 
exposição e são pequenos o suficiente para atravessar a placenta e levar à 
hemólise das hemácias fetais. 
O grau de hemólise das hemácias fetais vai depender da quantidade de 
anticorpos maternos produzidos. Os efeitos da destruição de hemácias podem 
ser mínimos e não demonstrados ou pode ser notada uma hiperbilirrubinemia no 
recém-nascido. Os fetos acometidos mais severamente podem apresentar anemia 
leve à moderada no útero, exigindo transfusões sanguíneas após o nascimento. 
O aumento das destruições de células vermelhas e a anemia fetal 
subseqüente podem exceder a capacidade da medula óssea de produzir novas 
células vermelhas. Quando a medula não for mais capaz de produzir quantidades 
suficientes de novas células, a hematopoiese é estimulada em outros sítios, como 
fígado e baço. A hipóxia fetal é resultado da anemia grave. 
A diminuição da produção de albumina pelo fígado leva a uma diminuição da 
pressão oncótica, o que permite saída de fluido para o espaço extravascular, 
levando a edema generalizado com ascite, derrame pleural e pericárdico e edema 
de placenta. Além da hidropsia, os fetos podem apresentar insuficiência cardíaca, 
óbito intra-útero ou neonatal e parto prematuro, kernicterus etc. O kernicterus 
é decorrente de uma icterícia grave no neonato, o que pode causar danos 
irreversíveis ao sistema nervoso central. 
No inicio da gravidez recomenda-se a identificação do tipo sanguíneo 
materno para o sistema ABO e RhD, além disso, uma triagem para anticorpos 
anti-eritrocitários irregulares é realizada 
. O diagnóstico de isoimunização Rh é feito baseado na detecção de 
anticorpos anti-D no soro materno. O teste de Coombs indireto é o teste de 
escolha para fins diagnósticos, pois é o mais preciso para determinar a titulação 
de anticorpos. 
Deve-se fazer o teste paterno para o tipo RhD, se positivo, a zigosidade 
deve ser avaliada. Pais homozigotos sempre passam o antígeno RhD para sua 
prole, enquanto os heterozigotos têm uma chance de passar de 50%. É preciso 
ter certeza da paternidade. 
Na ausência de anticorpos no início da gestação, nova pesquisa de 
anticorpos antieritrocitários deve ser feita na 28ª semana de gestação em todas 
 
56 
as mulheres grávidas Rh negativas. Não há confirmação de eficácia para a triagem 
de anticorpos na 28ª semana, porém esta é feita em muitos países. A incidência 
de isoimunização antecedendo o parto é de 1 a 2%, sendo que em 90% dos casos 
ocorre após a 28ª semana. Esses casos de isoimunização materna não colocam o 
feto em risco de doença hemolítica grave na gravidez atual, portanto, não há 
necessidade de tratamento nessa gestação. 
A imunoglobulina anti-D é derivada a partir do plasma humano (13, 23), 
contém elevado título de anticorpo contra antígeno Rh de células vermelhas do 
sangue e é eficaz na prevenção da isoimunização Rh . 
O processo de purificação inativa eficazmente o vírus do HIV, enquanto os 
vírus da hepatite B e C são mais resistentes. A imunoglobulina pode ser 
administrada por via intramuscular e intravenosa. A duração de ação da 
imunoglobulina é mesma, independente da via de administração. Após a 
administração intravenosa, os títulos de anticorpos são mais altos na primeira 
semana, mas após três meses se assemelha à administração intramuscular. 
Os altos níveis circulantes podem oferecer benefício quando se conhece o 
momento da hemorragia feto-materna (pósparto, hemorragia no terceiro 
semestre), mas não na profilaxia até a 28ª semana. Após a administração um painel 
de anticorpo positivo é encontrado na mulher, mas os títulos de anticorpos são 
baixos e fracamente reagentes. A imunoglobulina anti-D atravessa a placenta e se 
liga às células vermelhas fetais, sem causar hemólise, icterícia ou anemia. 
Todas as gestantes devem ser submetidas a uma avaliação de anticorpos na 
primeira visita do pré-natal. As gestantes RhD positivas não possuem risco para 
desenvolver isoimunização por isso não precisam de profilaxia (13). No entanto, 
as grávidas RHD negativas que não tiverem evidência de isoimunização anti-D, 
devem receber uma dose de 250µg de imunoglobulina Rh administrada no 
intramuscular na 28ª semana de gestação 
 
 
 
 
 
57 
IST’S 
Dados do Programa Nacional de DST/AIDS do Ministério da Saúde (MS) 
sobre a prevalência de algumas DSTs em populações selecionadas de seis capitais 
brasileiras indicaram que, entre 3.303 gestantes, a prevalência de infecção por 
clamídia foi de 9,4%, de sífilis, 1,6% e de infecção gonocócica, 1,5%. Entre as DSTs 
virais, a maior prevalência corresponde ao papilomavírus humano (HPV), com 
40,4%. O mesmo estudo indicou uma prevalência de 0,5% tanto para o vírus da 
imunodeficiência humana (HIV) quanto para o vírus da hepatite B (HBV) e de 
22,7% para o vírus herpes simples tipo 2 (HSV-2). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
58 
SÍFILIS NA GESTAÇÃO 
A sífilis é uma doença infecciosa considerada sistêmica desde o início, de 
evolução crônica, sujeita a surtos de agudização e períodos de latência quando 
não tratada, podendo ser transmitida por via sexual, transfusão sanguínea e ainda 
indiretamente por formas incomuns, como objetos contaminados e tatuagens 
(sífilis adquirida) ou vertical (sífilis congênita). 
 A sífilis na gestante pode ser causa de aborto, prematuridade, morte 
neonatal ou desenvolvimento da doença nos conceptos (sífilis congênita precoce 
e tardia). A gravidade da sífilis congênita deve-se ao fato de a infecção 
transplacentária ser maciça. Agente etiológico e transmissão A transmissão 
vertical do espiroqueta Treponema pallidum, por via transplacentária, pode 
ocorrer em qualquer momento da gestação. 
Contudo, os casos de recém-nascidos assintomáticos estão mais 
relacionados à transmissão no terceiro trimestre. Quanto mais antiga for a 
doença materna, menor o risco de transmissão para o feto. A sífilis congênita 
pode ser transmitida por uma gestante portadora de sífilis anterior à gravidez ou 
pela infecção contraída durante a mesma. 
A cada gravidez sucessiva não tratada, a chance de transmissão vai se 
reduzindo, contudo, o risco pode não ser eliminado por completo, persistindo a 
cada gestação. Quanto à transmissão sexual, as lesões da sífilis primária e algumas 
da fase secundária são ricas em treponema e altamente infectantes, embora, na 
secundária, já existam anticorpos circulantes em altos títulos. 
Assim, a taxa de transmissão é maior nos estágios iniciais da doença quando 
o número de espiroquetas na circulação é maior, atingindo 70%-100% nas fases 
primária e secundária. Por outro lado, na fase latente recente, decresce para 40% 
e, na latente tardia, para 10%. 
Epidemiologia segundo dados oficiais do MS, acredita-se que, entre os três 
milhões de mulheres quedão à luz no País por ano, 1,6% sejam portadoras de 
sífilis no momento do parto. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 
a taxa de transmissão vertical seja de 25%, o que comprova que a sífilis na gestação 
é um dos grandes desafios da saúde pública atual. 
 
59 
De acordo com o MS, dos casos notificados em 2005, quase 80% das mães 
realizaram as seis consultas mínimas de pré-natal preconizadas, sendo que mais 
da metade teve seu diagnóstico ainda na gestação. No entanto, em apenas 13% 
desses casos os parceiros foram tratados. 
Aspectos clínicos Depois de um período de incubação que varia de três a 
90 dias (em média, após 21 dias), ocorre o cancro duro, lesão característica da 
sífilis primária. Na mulher, dificilmente, as lesões são detectadas nessa fase, pois, 
pela localização no interior do trato genital, passam despercebidas. As 
manifestações da fase secundária seguem-se, em geral, ao desaparecimento do 
cancro e acometem a pele e as mucosas, principalmente, na forma de roséolas 
sifilíticas. Entretanto, as lesões cutâneas podem assumir os mais diversos aspectos, 
dificultando em muito o diagnóstico. 
O quadro clínico do recém-nato variará de acordo com a fase da gestação 
em que a infecção tiver ocorrido. Quando a infecção se instalar no último 
trimestre, a criança apresentará maior probabilidade de nascer assintomática. A 
sífilis congênita pode se apresentar com quadro clínico variável: desde rinite 
hemorrágica, erupção eritematopapulosa, placas mucosas, condiloma plano, 
fissuras periorificiais radiadas, pênfigo sifilítico (Figura 4), microadenopatia e 
hepatoesplenomegalia, choro intenso e plaquetopenia, entre outras 
manifestações possíveis na sífilis congênita recente, até ceratite intersticial, tíbia 
em sabre, gomas, hidrartose bilateral de Clutton e ainda outras manifestações 
tardias. 
Estigmas como os dentes de Hutchinson (incisivos menores, cônicos e com 
entalhe semilunar), nódulos de Parrot no crânio, nariz em Doenças sexualmente 
transmissíveis na gestação. O fato do recém-nascido poder nascer sem sinais ou 
sintomas, embora com a infecção, alerta para a importância dos testes sorológicos 
de triagem tanto na gestante como no neonato, independentemente da existência 
de sinais clínicos da infecção. 
A amamentação só é contraindicada nas mães com sífilis caso haja lesões 
cutâneas na área do mamilo. Para o diagnóstico da sífilis, a fase evolutiva da doença 
deve ser considerada para a escolha do exame laboratorial adequado. 
Os exames diretos, que demonstram a presença do treponema, 
são indicados na sífilis primária (cancro), em algumas lesões mucocutâneas do 
secundarismo (placa mucosa, condiloma plano e lesão bolhosa) e na sífilis 
 
60 
congênita recente. Compreendem o exame direto em campo escuro, a pesquisa 
direta com material corado pelos métodos de FontanaTribondeau, método de 
Burri, Giemsa e Levaditi, técnicas inferiores ao campo escuro e, ainda, a 
imunofluorescência direta, altamente específica e com sensibilidade maior que 
90%. As provas sorológicas, de modo geral, são os exames mais utilizados no 
diagnóstico da sífilis. Dividem-se em testes não treponêmicos, importantes 
para diagnóstico e seguimento pós tratamento, dos quais fazem parte o VDRL 
(Venereal Disease Research Laboratory), o RPR (Rapid Plasma Reagin) e 
testes treponêmicos, válidos para confirmação da infecção, que incluem o 
FTA-ABS (Fluorescent Treponemal Antibody Absorption) e TPHA (T. 
pallidum hemagglutination assay) e suas variantes. 
Além destes, o imunoensaio enzimático (EIA) vem se tornando popular nos 
Estados Unidos como exame para rastreamento e poderá substituir os testes não 
treponêmicos para esse fim. É mais específico que o RPR e mais sensível que o 
FTA-ABS para infecções passadas. 
A técnica de PCR é pouco empregada na prática, mas pode ser aplicada, 
sobretudo, nas lesões da sífilis primária, congênita e neurossífilis, com alta 
sensibilidade e especificidade. O Western-blot é outro teste sensível e específico, 
ainda sem aplicação rotineira. 
No Brasil, o MS recomenda a triagem sorológica pré-natal para a sífilis, com 
realização do VDRL na primeira consulta e, sendo negativo no primeiro teste, a 
repetição do mesmo no início do terceiro trimestre e novamente no momento 
do parto. Para as gestantes com sorologia positiva, o controle do tratamento deve 
ser realizado por meio de exames mensais até o parto. 
Também é recomendada a realização da sorologia nas mulheres internadas 
para curetagem pós-aborto. Sempre que possível, resultados com títulos baixos 
de VDRL devem ser confirmados com testes treponêmicos e, na impossibilidade 
de realizá-los, qualquer titulação deve ser encarada como doença ativa e as 
mulheres, tratadas como portadoras de sífilis. 
Na fase primária, o diagnóstico diferencial se dá com cancro mole, herpes 
genital, donovanose e linfogranuloma venéreo. No secundarismo, com 
farmacodermias, doenças exantemáticas não vesiculosas, hanseníase virchowiana 
e colagenoses. Na sífilis terciária, deve-se pensar nas doenças granulomatosas, 
como hanseníase, tuberculose e sarcoidose. 
 
61 
 É preciso atenção às doenças que podem cursar com testes não 
treponêmicos falso-positivos, como colagenoses, hanseníase, infecções crônicas. 
O tratamento da gestante infectada pelo T. pallidum é igual ao de não 
gestantes e de acordo com o preconizado: penicilina benzatina IM na dose de 
2.400.000 UI (1.200.000 UI em cada glúteo), com uma aplicação na sífilis primária, 
duas na sífilis secundária e três na sífilis terciária, com intervalos semanais entre 
as aplicações. Qualquer outro tratamento, ou um tratamento instituído nos 30 
dias que antecedem o parto, é considerado inadequado para a prevenção da sífilis 
congênita. Entretanto, na pratica todas gestantes portadoras de sífilis são tratadas 
como se fosse uma sífilis terciária. 
O tratamento com penicilina somente é considerado eficaz, tanto para a 
mulher quanto para o feto, se administrado com mais de 30 dias antes do parto.6 
Quanto aos parceiros de gestantes portadoras de sífilis, devem ser tratados 
mesmo quando elas apresentam VDRL negativo, com dose única de penicilina 
benzatina 2.400.000 UI IM; sendo o VDRL positivo, em qualquer titulação, o 
tratamento deve ser igual ao da sífilis terciária. 
No caso de alergia à penicilina, a gestante deverá ser dessensibilizada por 
meio da administração oral de penicilina V em diluições gradativamente menores 
e em volumes inversamente maiores, devendo ser realizada em ambiente 
hospitalar para melhor manejo de possíveis reações. A administração da penicilina 
parenteral deverá ser feita somente 30 minutos após o término do processo de 
dessensibilização. 
Em casos de reações, a mesma deverá ser interrompida e tratamento 
alternativo, instituído. O tratamento das gestantes alérgicas com estearato de 
eritromicina poderá levar à cura da gestante, mas não do feto. É feito na dose de 
500mg a cada seis horas, por 15 dias na sífilis primária, secundária e latente 
precoce, ou durante 30 dias na sífilis latente tardia. 
Deve-se ter em mente a possibilidade de falência terapêutica nos casos de 
coinfecção pelo HIV. Quando o tratamento é feito na fase secundária da doença, 
a possibilidade de ocorrência da reação de Jarisch-Herxheimer é maior, devido a 
uma liberação maciça de antígenos treponêmicos mortos na circulação. 
Os sintomas mais comuns são calafrios, febre, dor de cabeça e dores 
musculares, que, em geral, aparecem 4-6 horas após a administração da penicilina 
benzatina. Na gestante, tal reação pode levar à morte fetal, indicando uma 
 
62 
necessidade de acompanhamento rigoroso no tratamento das portadorasde sífilis 
secundária com títulos altos de VDRL. 
O tratamento durante o pré-natal pode resultar em falha em até 14% dos 
casos e ainda há a possibilidade de reinfecção, caso o parceiro não tenha sido 
tratado simultaneamente. Por isso, o seguimento pós-tratamento deve ser 
realizado, segundo o MS, com repetição da sorologia em três, seis, nove, 12 e 18 
meses. Considera-se cura quando há queda de 3- 4 diluições no VDRL em relação 
à titulação inicial no prazo de um ano. 
 
RETARDO DO CRESCIEMENTO INTRA-
UTERINO 
FATORES ETIOLÓGICOS 
A causa mais comum de RCIU (80% a 90% dos casos), passível de ação 
preventiva e terapêutica no futuro, é o déficit de passagem de nutrientes e 
oxigênio através da placenta para o feto. 
Portanto, o transporte e o metabolismo placentário são fundamentais para 
a nutrição e oxigenação do feto, atuando a placenta como um órgão limite entre 
as condições maternas e as necessidades fetais. Existem múltiplos fatores 
etiológicos de restrição de crescimento fetal, envolvendo mecanismos 
complexos, que dificultam a compreensão da sua fisiopatologia. Dentre eles 
destacam-se os maternos, fetais e placentários. 
Fatores maternos: idade, raça, altura, baixo nível socioeconômico e cultural, 
má adaptação cardiovascular, transtornos do estado nutricional, baixo peso pré-
gestacional ou ganho insuficiente de peso durante a gestação, altitude elevada, 
paridade, duração da gestação, tabagismo, abuso de álcool, uso de drogas ilícitas 
ou teratogênicas, cirurgia bariátrica, hemoglobinopatias, anemias, doenças 
hipertensivas, diabetes complicado por vasculopatias, lúpus eritematoso 
sistêmico, doenças renais crônicas, trombofilias, cardiopatias cianóticas, doenças 
intersticiais pulmonares e irradiação. 
 
63 
Fatores fetais: o crescimento fetal é determinado primariamente pelo potencial 
genético, que pode ser bloqueado, modificado ou desviado por um conjunto de 
fatores que atuam sobre o metabolismo fetal e o processo organogenético, 
reduzindo a taxa de utilização de nutrientes por unidade de peso e diminuindo 
permanentemente o número de células. Isso ocorre nas condições genéticas 
como as síndromes de Down, de Edwards, de Patau, de Turner e nas triploidias, 
além das situações de mosaicismos placentários, doenças gênicas como a 
síndrome de Cornelia de Lange. Também estão relacionadas entre as causas fetais 
as infecções como toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus, herpes, sífilis e 
malária. 
Fatores placentários: a insuficiência vascular uteroplacentária diminui o fluxo 
e determina o RCIU por mecanismos como redução da pressão de perfusão, 
aumento da resistência vascular placentária e diminuição da superfície vascular de 
trocas. Pode ocorrer em condições como artéria umbilical única, anormalidade 
uterina (útero bicorno, septado), anormalidade do sítio de implantação (placenta 
prévia), placenta circunvalada, inserção velamentosa de cordão umbilical, tumores 
(corioangioma), síndrome de transfusão fetal, 
 
CLASSIFICAÇÃO 
Tipo I – Simétrico ou intrínseco ou proporcional ou hipoplásico: 
ocorre em 20% dos casos, sendo decorrente de fatores etiológicos que atuam 
no início da gravidez, na fase de hiperplasia celular, reduzindo o número de 
células dos órgãos. Tem evolução crônica e os principais fatores etiológicos são 
as infecções maternas (TORCH), as alterações cromossômicas e as 
malformações congênitas. Os fetos constitucionalmente pequenos também 
apresentam crescimento simétrico, ou seja, são proporcionalmente pequenos, o 
que pode dificultar o diagnóstico diferencial. Geralmente não apresentam 
hipóxia neonatal. 
Tipo II – Assimétrico ou desproporcional: ocorre em 75% dos casos, 
sendo geralmente decorrente de insuficiência placentária. A agressão ocorre 
desde o início do 3.º trimestre da gravidez, na fase de hipertrofia celular, 
determinando déficit no crescimento celular (hipotrofia). Como conseqüência 
observa-se desproporção entre o crescimento do pólo cefálico e do tronco e 
membros. Essa desproporção resulta da redução da circunferência abdominal, 
 
64 
uma vez que o fígado, principal órgão afetado tem seu crescimento prejudicado 
pelo maior consumo de glicogênio, caracterizando os fetos como magros, com 
estatura normal e pólo cefálico proporcionalmente grande. Nessa fase de 
hiperplasia ocorre redução da oferta de nutrientes que determina redistribuição 
dos fluxos sanguíneos para privilegiar órgãos como cérebro, coração e supra-
renais. Podem apresentar hipóxia e hipoglicemia. 
Tipo III – Intermediário ou misto: responde por 5% a 10% dos casos, sendo 
conseqüente a processos de agressão tanto na fase de hiperplasia quanto na de 
hipertrofia do crescimento celular. Os principais fatores etiológicos são 
desnutrição materna e consumo de drogas ilícitas, álcool, fumo e cafeína. O 
diagnóstico clínico do tipo III é difícil, sendo geralmente os RN classificados 
como tipo I ou II. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
65 
 
TERATOGÊNICOS E 
SÍNDROMES GENÉTICAS 
Um agente teratogénico é definido como qualquer substância, organismo, 
agente físico ou estado de deficiência que, estando presente durante a vida 
embrionária ou fetal, produz uma alteração na estrutura ou função da 
descendência. 
 
 
66 
Possui como princípios básicos: 
 Períodos críticos de desenvolvimento 
 Dosagem da droga ou composto químico 
 Genótipo 
 
SÍNDROMES GENÉTICAS 
Síndrome de Turner 
 Trata-se de uma aneuploidia (45,X) em que o fenótipo da síndrome é 
feminino, com incidência de 1/8000 recém-nascidas. As características sexuais 
secundárias não se desenvolvem em 90% das meninas afetas, tornando-se 
necessária a substituição hormonal. É a anormalidade citogenética mais comum 
observada em seres humanos nascidos vivos e em fetos que são abortados 
espontaneamente, sendo responsável por 18% de todos abortos causados por 
anormalidades cromossômicas. 
 Os sintomas incluem baixa estatura, puberdade tardia, infertilidade, 
malformações cardíacas e certas dificuldades de aprendizagem. 
O tratamento envolve terapia hormonal. Um tratamento de fertilidade pode ser 
necessário para mulheres que desejam engravidar. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
67 
Síndrome de Klinefelter 
 A síndrome de Klinefelter não é hereditária, mas só ocorre como 
resultado de um erro genético aleatório após a concepção. Homens nascidos 
com síndrome de Klinefelter podem ter baixos níveis de testosterona e massa 
muscular, pelos faciais e os pelos corporais reduzidos. 
A maioria dos homens com essa condição produz pouco ou nenhum 
esperma. O tratamento pode incluir reposição de testosterona e tratamento de 
fertilidade. 
 
Síndrome do Triplo X 
A Síndrome do Triplo-X é uma aberração cromossômica numérica que 
atinge 1 em cerca de 800 a 1000 mulheres. As mulheres portadoras dessa 
síndrome apresentam um cromossomo X a mais, totalizando um cariótipo com 
47 cromossomos: 47, XXX. 
Quase todos os erros relacionados à essa síndrome ocorrem durante 
a ovulogênese, pela não disjunção dos cromossomos. Algumas mulheres podem 
apresentar até 4 ou 5 cromossomos X extras. Quanto mais cromossomos X, 
maio o índice de retardo mental nessas mulheres. 
Existem mulheres portadoras dessas aberrações cromossômicas, mas 
desconhecem a doença por não apresentarem os sintomas. 
Os sintomas dessa síndrome envolvem: 
- Menor grau de inteligência 
- Pessoa com características sexuais e comportamentais femininas 
- Mulheres tendem a ser altas 
- Múltiplas peles frouxas no pescoço 
- São férteis 15%-25% 
- Podem entrar na menopausa precocemente 
- Retardamento mental (o grau de retardamentovaria entre as portadoras) 
 
68 
Algumas portadoras são férteis, mas em alguns casos a doença pode causar 
esterilidade. Mulheres portadoras podem dar origem a crianças perfeitamente 
normais. 
As crianças que nascem com essa síndrome não apresentam claramente os 
sintomas logo após o nascimento, mas podem apresentar baixo peso. 
A doença pode ser diagnosticada por estudos do cariótipo, onde é claramente 
visível a presença de três cromossomos sexuais X. 
 
Síndrome de Down 
Síndrome de Down é um distúrbio genético causado quando uma divisão 
celular anormal resulta em material genético extra do cromossomo 21. 
A síndrome de Down provoca uma aparência facial distinta, deficiência 
mental, atrasos no desenvolvimento e pode ser associada a doença cardíaca ou 
da tireoide. 
Programas de intervenção precoce com uma equipe de terapeutas e 
educadores especiais, que podem tratar a situação específica de cada criança, são 
úteis no tratamento da síndrome de Down. 
 Em pais com idade avançada, essa síndrome aumenta sua frequência de 
ocorrência, sobretudo pela qualidade dos gametas. 
MALFORMAÇÕES FETAIS 
 
 
69 
 As malformações fetais ser multicausais, dentre elas, a desnutrição, fatores 
congênitos, patologias e teratógenos, etc. Conceitua-se como sendo defeitos na 
formação de um órgão, parte de um órgão ou de uma região maior do corpo 
durante a gestação e já presentes por ocasião do nascimento. 
 
Podem ser (1) estruturais, quando há alterações anatômicas; (2) funcionais, 
se há alterações de funcionamento sem alterações anatômicas; (3) metabólicas e 
(4) comportamentais. Elas afetam, sobretudo, o sistema cardíaco, a medula 
espinhal ou problemas relacionados com a cabeça, o sistema urinário, o sistema 
digestivo e as estruturas musculoesquelética 
A ultrassonografia continua a ser o grande instrumento de diagnóstico das 
anomalias fetais, capaz de detectar a hidropisia fetal, anomalia do septo cardíaco, 
problemas com a saída do fluxo, hidrocefalia, obstruções do trato urinário, cistos 
renais, obstrução intestinal, anomalias na parede 
abdominal e hérnia diafragmática. 
No caso de lábio leporino ou fenda palatina, uma das 
anomalias congênitas mais comuns, é feita uma ultrassonografia especializada no 
segundo trimestre da gestação. Em alguns casos, a ultrassonografia deve ser 
complementada por uma tomografia computadorizada e medição da 
circunferência craniana. Para detectar alguma falha no desenvolvimento do 
cérebro e da medula espinhal deve ser feito também o teste da alfafetoproteína 
materna na 16ª semana da gestação 
Além da ultrassonografia, existem outros exames 
como ecocardiograma fetal, tomografia fetal e exames que identifiquem 
alterações genéticas como o cariótipo fetal com punção do cordão umbilical. O 
Doppler é utilizado para avaliar fluxos sanguíneos das artérias uterinas, umbilicais 
e outras. 
 
70 
O ultrassom comum calcula as medidas do feto, para saber se ele cresce 
adequadamente, verifica a placenta e o líquido amniótico. O primeiro deles deve 
ser feito por volta da 12ª semana, o segundo por volta da 22ª semana e o terceiro 
no final da gravidez. Realizar mais ultrassonografias do que o recomendado 
normalmente não provoca danos à saúde da mãe ou do bebê, mas só deve ser 
feito em casos especiais de gestações complicadas. 
Modernamente, há exames de líquido amniótico para verificar riscos de anomalias 
do bebê, como Síndrome de Down e malformações do tubo neural. 
 
T – Toxoplasmose; 
O = Outras (Chamydia trachomatis, gonorreia, sífilis e varicela); 
R = Rubéola; 
C = Citomegalovírus; 
H = Herpes simplex. 
 
 
TOXOPLASMOSE 
A toxoplasmose é uma infeção causada pelo protozoário Toxoplasma 
gondii, parasita intracelular obrigatório, que se pode hospedar em vários seres 
vivos, como os humanos, mas que tem como hospedeiros principais os gatos e 
outros felinos. Pode ser encontrado na corrente sanguínea, tecidos ou nas células 
reticuloendoteliais do sistema mononuclear fagocitário. 
A contaminação e passagem do parasita para os humanos faz-se através de 
alimentos contaminados ou em locais onde possam existir fezes de felinos. O 
toxoplasma cruza a membrana placentária infecta o feto, causando no cérebro 
calcificações intracranianas e nos olhos a coriorretinite. Mudanças drásticas 
podem evoluir para deficiência mental, microcefalia, microftalmia e hidrocefalia e 
em alguns casos, o óbito. 
Se a gestante não for imune, para além das medidas de prevenção, a 
toxoplasmose será rastreada a cada três meses durante a gravidez. Como a 
infeção não tem sintomas, o diagnóstico baseia-se no doseamento e evolução das 
imunoglobulinas G e M (IgG e IgM). 
 
71 
A toxoplasmose está associada a uma maior incidência de aborto 
espontâneo, morte fetal, anomalias fetais, restrição do crescimento fetal e parto 
prematuro. 
 
O = Outras (Chamydia trachomatis, gonorreia, sífilis e varicela); 
Dentre essas, a que possui maior relevância é a sífilis, devido aos surtos que 
vem ocorrendo no brasil. Esta será abordada no tópico seguinte. 
 
RUBÉOLA 
A rubéola é uma doença infeciosa benigna, epidémica, febril e eruptiva. É 
provocada por um vírus Paramyxovírus e caracteriza-se por lesões eruptivas de 
aspeto variável, mas que rapidamente se generalizam por todo o corpo, e tem um 
período de incubação que oscila entre os 14 e os 21 dias. 
Confere imunidade permanente e a sua única complicação grave é poder 
provocar malformações congénitas no feto de mães que adoecem com rubéola 
durante os três primeiros meses de gravidez. É o exemplo clássico de teratógeno 
infeccioso, em casos de infecção no 1º trimestre o risco de infecção do 
embrião/feto é de cerca de 20%. 
O vírus possui a capacidade de transpassar a membrana placentária e 
ocasionar a síndrome da rubéola congênita, com defeitos cardíacos e surdez ao 
feto, podendo ser observadas deficiência mental, microftalmia, coriorretinite 
glaucoma e defeitos dentários. Quanto mais no início da gravidez ocorrer a 
infecção da mãe, maior o perigo do embrião ser malformado. O período de maior 
susceptibilidade fetal se da na 4º-5º semanas após a fertilização, pois este período 
inclui períodos organogênicos. 
 
CITOMEGALOVÍRUS 
 A infecção pelo CMV é a infecção viral mais comum do feto humano, a 
maioria das gestações ocasionadas pela mesma resulta em aborto espontâneo, 
principalmente durante o 1º trimestre. Bebês recém nascidos infectados durante 
o início do período fetal geralmente não apresentam sinais clínicos e somente são 
identificados posteriormente. Em fase posterior da gravidez a infecção por CMV 
pode resultar em IUGR, microftalmia, coriorretinite, cegueira, calcificação 
cerebral, retardamento mental, surdez, paralisia cerebral e hepatomegalia. Casos 
assintomáticos, frequentemente são associados a distúrbios de audição, 
neurológicos e neurocomportamentais na infância. 
 
72 
Os sintomas podem ser confundidos com os de outras doenças como uma 
gripe ou uma infeção na garganta, nomeadamente febre, fadiga, gânglios inchados 
ou dores de garganta. 
No recém-nascido, a doença manifesta-se como uma sépsis vírica, 
pneumonite, colite ou hepatite, afeção do sistema retículo endotelial e do sistema 
nervoso central. No caso de crianças e adultos que contraem a doença, não há 
tratamento específico para a rubéola, uma vez que o próprio organismo é capaz 
de combater a doença em questão de dias. O quadro muda totalmente quando a 
doença é adquirida por gestantes. É preciso ter um acompanhamento médico 
adequado para prevenir que a infecção possa acometer o bebê. 
 
De todos os vírus que podemafetar o feto, o citomegalovírus é o que mais 
frequentemente provoca atraso mental e constitui a primeira causa de surdez 
neurosensorial. É causa de microcefalia e paralisia cerebral. 
 Basicamente, a conduta em relação ao tratamento se fortifica no 
monitoramento materno-fetal e amenização dos sintomas maternos através de 
medicamentos, já que não existe nenhum tratamento efetivo na atualidade. 
 
HERPES 
 Foi relatado que a infecção materna por HSV, no início da gravidez, triplica 
a frequência de abortos e a infecção na 20º semana está associada a uma maior 
frequência de prematuros. Geralmente a infecção do feto por HSV ocorre em 
período tardio da gestação, provavelmente com mais frequência durante o parto. 
As anormalidades congênitas observadas em recém-nascidos incluem lesões 
cutâneas e, em alguns casos, microcefalia, microftalmia, espasticidade, displasia da 
retina e retardamento mental. 
A transmissão vertical mãe-filho pode ser intrauterina (5% dos casos), 
no período intraparto – que vai desde o início do trabalho de parto até 
à expulsão da placenta (85% dos casos) ou no pós-parto (10% dos casos). 
 
 
 
 
73 
 INFERTILIDADE 
X 
ESTERELIDADE 
ESTERELIDADE é quando a capacidade natural de gerar filhos é nula, já os 
casais inférteis (infertilidade) têm apenas uma diminuição da chance da 
gravidez. 
 
INFERTILIDADE 
A gravidez tardia é associada a eventos obstétricos adversos, como maiores 
riscos para complicações relacionadas à gravidez e ao parto podem ser atribuídos 
ao aumento da frequência de doenças crônicas e pior condição físico. O risco de 
mortalidade materna se eleva proporcionalmente à idade, especialmente nos 
países em desenvolvimento, devido à deficiência de cuidados adequados. A 
prevalência de diabetes preexistente e gestacional aumenta de três a seis vezes 
em mulheres com mais de 40 anos em comparação com mulheres de 20 a 29 
anos. 
Na mulher, fatores de infertilidade. 
 Teratógenos e radiação  Doenças relacionadas a tireóide Traumas 
Doenças Congênitas Hereditariedade Anomalias Uterinas 
Alterações Muco-cervicais Endometriose Aumento da Prolactina 
Insuficiência Lútea HSC 
 
-Exames femininos 
Fator Anatômico 
Histerossalpingografia Histerossanografia Ultrassom endovaginal 
Videoslaparoscopia Videohisteroscopia 
Fator Hormonal e Ovariano 
 DosagemEstrogênio Prolactina LH e FSHProgesterona 
 Ultrassonografia transvaginal seriada Biopsia endometrial por 
videoscopia 
Fatores Imunológicos 
 
74 
Teste pós coito (SIMS e HUHNER) Fator anticoagulante Lúpico 
Fator V de Leiden Células NK/IgA Antiocardiolipina 
Fatore Endometriose 
Ultrassom Exame de sangue e dosagem do fator CA125 
 
No Homem, Fatores de infertilidade. 
Insuficiência quantitativa decorrente de: 
Carência nutricional Doenças congênitas Alterações Tireoidianas 
Varicocele Criptorquidia HSC Ejaculação retrógrada 
-Exames Masculinos 
Espermograma Teste de aneuploidias Doppler Fluxometria HPV 
do sêmen exame de urina(ejaculação retrógrada) TECE TSH LH 
FSH Testosterona Anti-cardiolipina Avaliação testicular (clínico) 
Doenças infecciosas Biopsia testicular

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