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MONITORIA E 
AVALIAÇÃO DA 
EDUCAÇÃO 
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REFERÊNCIA AOS PRINCIPAIS 
CONCEITOS E SUA APLICAÇÃO 
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1. Conceitos de Monitoria
• A palavra monitoria vem do Século XVI, do Latim “monitor”, que
quer dizer “aquele que lembra, que recomenda, que controla, que
informa o que está certo e o que está errado (admoestar)”. A palavra
está relacionada a outra expressão latina “memini”, que quer dizer
“lembrar, estar consciente, ter em mente”.
• O aparelho que serve para visualizar as informações processadas no
computador também se chama monitor. Esse significado aos poucos
mudou para designar “uma tela a mostrar dados transmitidos
electronicamente.
• Em Moçambique, no sector da Educação, a palavra monitoria é
relativamente nova. Ela não aparece nenhuma vez no primeiro plano
estratégico da Educação, o PEE I 1998-2003. Por quê? Será que não
se fazia monitoria no sector da Educação? Fazia-se! Mas as
actividades a que hoje nos referimos como de monitoria e avaliação
eram chamadas actividades de acompanhamento e balanço.
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• Monitoria é Processo constante de recolha e utilização de
informação estandardizada para verificação do progresso rumo a
objectivos definidos, utilização de recursos e grau de concretização
de resultados e impactos. Implica, normalmente, a verificação
segundo indicadores e objectivos de resultados previamente
acordados.
Em resumo:
• A monitoria é um conjunto de actividades que serve para observar,
lembrar, documentar e visualizar, controlar, recomendar, evidenciar
o que está certo e informar sobre o que está errado.
• A monitoria só faz sentido se for seguida de uma acção em reacção
ao que foi observado, controlado ou recomendado.
• Somente a observação e a recomendação não fazem a monitoria! É
preciso que o ajuste do sistema sempre aconteça, com base nas
conclusões tiradas pela equipa.
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2. Conceito de avaliação
• Avaliação é uma expressão que aparece pela primeira vez na língua
Francesa no Século XVIII e quer dizer “dar um valor”.
• A avaliação é também chamada em Moçambique de balanço.
• Os dois pratos da balança comparam o que foi planificado com o
que foi obtido, dando um valor a cada prato.
• Este balanço pode (e deve) ser feito do nível micro até ao nível
macro. No nível macro, comparamos os objectivos estratégicos
planificados para o médio prazo com os resultados obtidos no
tempo determinado. no nível micro, comparamos as actividades
programadas com a sua realização e efeito.
• Ao fazer esta pergunta – que implica comparar e dar valor – vamos
buscar a resposta nas observações da monitoria.
• Afinal, se fizemos uma boa monitoria, já pudemos observar durante
o ano as prováveis razões para o resultado encontrado. Este, não
deverá ser uma surpresa para quem faz o balanço ou avaliação.
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A avaliação deve perguntar:
• Qual era a situação esperada no fim do período planificado?
Qual é a situação real encontrada?
• O que a monitoria observou durante o processo? Quais foram as
recomendações para a acção?
• As acções recomendadas foram executadas? Resultaram bem?
Por que resultaram bem? Por que não resultaram?
• Qual é a conclusão que tira a avaliação deste processo?
• Avaliação é a verificação sistemática e objectiva de uma
iniciativa em curso ou terminada, a sua concepção,
implementação e resultados. O objectivo é o de determinar a
pertinência e grau de concretização de objectivos, eficiência,
eficácia, impacto e sustentabilidade.
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3. Conceitos de M&A da Educação
• Monitoria da educação é uma análise contínua ou periódica dos
vários estágios da política, plano ou concepção do programa e
implementação educacionais, a nível do sistema ou da escola, para
determinar se as políticas, planos e programas estão a ser
implementados como pretendido.
• A verificação poderia cobrir 1) o contexto em que as políticas são
concebidas e implementadas; 2) o despiste de inputs – aquisição,
alocação e utilização de recursos; 3) os calendários de trabalho e; 4)
outros processos estejam à altura para que os produtos e resultados
sejam realizados (Valdez and Bamberger, 2000).
• Avaliação da educação é um processo sistemático e objectivo de
medição e análise do desempenho de uma política/plano/programa
educacional. Pode ser feita durante a sua concepção, implementação
ou na fase dos dados/resultados com o objectivo de determinar a sua
relevância, eficiência, eficácia, impacto e sustentabilidade dos seus
objectivos (OECD, 1986, Mosha 2002).
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4. Outros conceitos conexos
1) Medição é um processo de utilização de instrumentos apropriados
para colectar informação e dados sobre um atributo.
• Os instrumentos de medição podem apoiar uma colecta quantitativa
(altura, peso, um resultado, progresso feito na implementação de um
projecto, etc.) e uma colecta de informação qualitativa (opiniões ou
razões para um resultado ).
2) Os indicadores facilitam a tomada de decisão, por isso, são
imprescindíveis em qualquer programa de Monitoria e avaliação. são
acordados mediante medidas qualitativas e quantitativas que serão
utilizadas na avaliação do progresso da política, plano e programa.
são cruciais para o sucesso de qualquer estratégia política, plano ou
programa.
• Características dos indicadores: verificáveis, Relevantes,
Informativos, Aceitáveis e Vantajosos.
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3) Os padrões são um ponto de referência através do qual se pode
fazer um julgamento sobre a eficiência e a eficácia/desempenho de
um indivíduo, instituição e sistema, baseado na informação e
colecta de dados sobre cada indicador ou vá
• Os padrões podem ser absolutos (fixos – 50 porcento é muitas
vezes considerado como média) ou relativos (flexíveis).
4) Garantia de qualidade é um sistema de verificações e equilíbrios
no processo da implementação da política, plano e programa, para
assegurar que o sistema esteja constantemente consciente das
expectativas e exista um esforço concertado para a sua realização.
• As avaliações não produzem desempenho. Elas podem, contudo,
servir o propósito de mobilizar incentivos, engajamento, poder e
capacidade em recursos humanos e financeiros que produz
desempenho.
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5. Diferenças entre Monitoria e Avaliação
Dimensão Monitoria Avaliação
Finalidade verificar se a implementação de uma
intervenção de desenvolvimento está no
caminho certo e servir como base para a
avaliação.
determinar a relevância e o alcance
dos objectivos, a eficiência,
eficácia, o impacto e a
sustentabilidade do
desenvolvimento.
Frequência é realizada como um processo contínuo
com frequentes ciclos de reflexão (como
um filme)
é realizada em determinados
momentos e a reflexão abrange
intervalos de tempo mais longos
(fotografia de grande dimensão).
Âmbito focalizar-se em certos aspectos da
intervenção (o uso de fundos, as
actividades, os produtos e a utilização dos
produtos). A sua referência é o plano
operacional.
âmbito mais abrangente. Ela
debruça-se sobre questões mais
estratégicas
Responsabili
dade
pessoal ou atores responsáveis pela
implementação.
gestores seniores
Pessoal indivíduos e organizações directamente
ligadas à intervenção de desenvolvimento.
em cooperação com avaliadores
externos ou completamente
externalizada. 10
6. Complementaridade entre M&A
•Os dois processos se complementam, tendo em vista
que um oferece informações para que o outro se
realize, ou seja, a monitora serve de base de dados
para que o processo de avaliação se efective.
Portanto, ambos devem estar presentes no momento
do planeamento do projecto/intervenção.
•Ambos são processos de reflexão que têm em vista a
aprendizagem através da experiência.
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Importância:
•A M&A podem contribuir para o desenvolvimento das
intervenções, possibilitando momentos de reflexão sobre
o que está sendo realizado.
•O acompanhamento sistemático e organizado das
informações pode transmitir conhecimentos importantes
para todos os envolvidos no processo, que poderão
auxiliar nas diferentes etapas do processo de
implementação das intervenções.
•Com os dados colectados os gestores podem tomar
decisões, a equipede desenvolvimento poderá alterar os
planos e ajustar as configurações do
projecto/intervenção para que os resultados
determinados nos objectivos da intervenção possam ser
alcançados.
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7. Propósito da avaliação
•A avaliação pode servir para muitos propósitos: Avaliar
mérito ou importância; Melhorar o programa
organizacional; Supervisão e concordância;
Desenvolvimento do conhecimento; e Avaliação
cumulativa.
1) A avaliação do Mérito ou Importância:
•O mérito diz respeito à qualidade da
política/plano/programas em termos do seu
desempenho. (notas, construções, etc.)
•A importância, por outro lado diz respeito ao valor que o
desempenho traz para o bem-estar social. (habilidades
para a vida, et.)
2) A avaliação do Programa e o Melhoramento
Organizacional: Quando o propósito da avaliação é o
programa e o melhoramento organizacional
(avaliação formativa), fazem-se esforços para dar
feedback atempado para corrigir operações irregulares,
melhorando assim as operações do plano.
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3) A avaliação da Supervisão e Concordância: avaliar em
que medida a implementação da política/plano está
alinhada com as expectativas especificadas dos parceiros
(alunos, empregadores, pais, instituições, governo e
instituições financiadoras).
4) A avaliação do Desenvolvimento do Conhecimento:
envolve esforços para preparar e testar teorias gerais e
propostas sobre processos e mecanismos sociais e dentro
das escolas tal como ocorrem no contexto dos planos
educacionais.
5) Avaliação cumulativa: indica no fim da intervenção se a
política, a intervenção planeada ou o programa foi ou não
eficaz. A sua maior principal preocupação está nos
produtos, outputs e resultados no que respeita à satisfação
dos objectivos desejados, ou o impacto que a política teve
na sociedade.
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8. Paradigmas predominantes na M&A
1) O Paradigma Neo-Clássico: é normalmente descritivo e
expresso puramente em termos económicos, e os seus
procedimentos de avaliação, imagens e formatos concentram-
se maioritariamente em indicadores técnico-económicos a
nível micro.
• Os indicadores educacionais atribuem valor estatístico à
qualidade do ensino, atendendo-se não somente ao
desempenho dos alunos mas também ao contexto económico e
social em que as escolas estão inseridas. Ex. de indicadores
de nível micro: media de alunos por turma, media de horas
dos professores, taxa de rendimento académico, nível
académico dos professores, rácio professor/alunos, taxa de
transição, nível socioeconómico dos alunos, remuneração
media dos professores, etc.
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2) O Paradigma da Dependência: é uma abordagem histórico-
estrutural, que liga o desenvolvimento ao
subdesenvolvimento como dois processos interdependentes.
requer que a avaliação da política da educação se concentre
nos fenómenos a nível macro e avalie os projectos e
programas de educação como instrumentos de domínio dos
países receptores pelo país “doador”, ou mesmo dentro do
processo de globalização como instrumentos de apoio ao
domínio na política, negócio e tecnologia.
3) O Paradigma Ecléctico: alinhado com o pensamento e
crença neo-populista reflectindo principalmente a filosofia de
desenvolvimento dos antigos líderes africanos. O avaliador
da política de educação olha para os fenómenos a nível micro
dentro do contexto de uma análise nacional histórico-
estrutural do desenvolvimento do país em geral e no que
respeita a sectores específicos como a educação. A tarefa da
avaliação e monitorização da política da educação é
apreciar o facto de que há escolas de pensamento
contraditórias na teoria de avaliação da educação. 16
9. Enfoques da avaliação
• O enfoque da avaliação pode ser em qualquer dos seguintes
atributos:
• 1) Visão, Política e Planos: os esforços devem ser
direccionados para descobrir em que medida as políticas e
planos de educação concebidos que procuram atingir a
excelência são pró-activos e olham para o futuro. Para tal, é
necessário examinar o ambiente económico, social, político,
ecológico, legal, demográfico e cultural de forma a gerar
informação que permita aos planificadores identificar problemas
genuínos e questões que afectam o desempenho.
• 2) Processo da Identificação das Necessidades e declaração
do Problema: Quando enfoque está no processo de
identificação das necessidades e declaração do problema
consideram-se os elementos técnicos tais como a compleição
da cobertura, grau de envolvimento, qualidade dos parceiros
envolvidos, qualidade da informação e dos dados que são
recolhidos, etc.
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3) Selecção das necessidades: Quando o enfoque é na selecção
das necessidades deve-se compreender que as necessidades
são naturalmente múltiplas e competem por escassos
recursos (financeiros, tempo, humanos e físicos).
4) Metas e Objectivos: Quando o enfoque está nas metas e
objectivos é preciso saber as metas e etapas importantes ao
longo do caminho para atingir os resultados desejados. os
objectivos bem estabelecidos, por exemplo, devem ser
SMART – específicos, mensuráveis, atingíveis, realistas e
ligados ao tempo. Também se pode desejar avaliar os
objectivos para avaliar a sua relevância, importância e
utilidade, bem como em que medida eles servem como
padrões úteis, que se forem realizados conduzirão à
resolução de problemas identificados.
5) Seleccionar Alternativas e Escolher Estratégias:
Quando o enfoque está na selecção de alternativas e na
escolha de estratégias, a avaliação é útil para indicar
possíveis alternativas à luz da informação disponível.
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• 6) Nível da Concepção: A monitorização e avaliação a
nível da concepção concentram-se essencialmente na
adequação dos inputs e seus ajustamentos para produzir
os resultados desejados. Exemplo, ajustar a formação de
professores, com cursos de curta-duração, com um
objectivo claro de melhorar o nível de qualidade dos
graduados.
• 7) Mobilização, Procurement, Pagamento, Utilização e
Controlo dos Recursos: Quando o enfoque está na
mobilização, procurement, pagamento, utilização e
controlo dos recursos é preciso observar que os planos
educacionais dependem de recursos humanos,
financeiros, físicos e de tempo para a sua implementação
eficaz. Por isso, a correcta mobilização dos recursos,
aquisição, pagamento, utilização e controlo devem ser
as áreas principais do enfoque neste estágio para
assegurar a eficiência bem como a total responsabilidade
sobre o seu uso eficaz.
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• 8) Organização e Coordenação da Implementação:
Quando o enfoque está na organização e coordenação da
implementação é preciso ser-se astuto para verificar se foram
estabelecidos os sistemas e estruturas apropriados e se são
eficientes e eficazes para apoiar a implementação da política,
o plano ou o programa. A Coordenação é crucial para
assegurar que haja interacção apropriada entre inputs,
processos e sistemas de apoio de forma a produzir os
produtos, outputs, e resultados.
• 9) Gerir a Implementação: A gestão eficaz preocupa-se
com a criação da equipa e a mobilização de grupos e
comunidades para se envolverem activamente no apoio à
implementação das políticas educacionais, planos e
programas. Os gestores eficazes estão orientados para o
desempenho, são responsáveis, transparentes e sensíveis
ao bom ou mau desempenho. A monitorização e avaliação
neste estágio envolve, portanto, entender se os gestores
estão a conseguir esses objectivos e se não são
responsáveis por um desempenho abaixo do padrão.
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10) Gerir a Monitoria e Avaliação: Quando o enfoque é na
monitoria e avaliação deve-se descobrir em que medida os
sistemas, estruturas e procedimentos para conduzir a avaliação são
justos, fiáveis, válidos e económicos. Também tem a haver com os
necessários 1) recursos humanos existentes para conduzir as
análises; com os 2) recursos financeiros para uma correcta
orçamentação; e com a 3) a capacidade tecnológica para processar,
analisar e armazenar dados.
11) Produto, Output e Resultado: Quando o enfoque está no
produto, output e resultado, é preciso compreender que o propósito
de todas as políticas, planos e programas de educação é a
realizaçãodos objectivos desejáveis de organização individual e da
sociedade. A avaliação do produto, output e do impacto [avaliação
cumulativa] é feita muitas vezes depois das políticas, planos e
programas terem sido implementados durante algum tempo.
Neste momento, o avaliador determina se os objectivos das
políticas, planos e programas foram atingidos e se não, porquê.
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12) Sustentabilidade: Quando o enfoque da avaliação é discernir
sobre a sustentabilidade parte-se da premissa de que é provável que
as políticas educacionais, planos e programas ofereçam apenas uma
pequena fracção dos benefícios e serviços pretendidos durante os
anos iniciais ou de tentativa de apoio. A sustentabilidade é afectada
por muitos factores – técnicos, financeiros, organizacionais e
políticos. A monitoria e a avaliação conduzirão então à rápida
detecção dos factores que impedem a sustentabilidade,
permitindo assim que os políticos, planificadores e gestores
corrijam atempadamente esses problemas no processo.
13) Papel da Gestão de Sistemas de Informação: A informação e os
dados são produtos da monitoria e avaliação. Dada a importância
de obter informação e dados de qualidade em todos os estágios da
política, do processo de planificação, da concepção e
implementação do programa é difícil simplesmente inclui-la como
uma componente em qualquer das áreas de enfoque descritas nas
secções precedentes. Ela serve a todas.
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