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Traumato Ortopédico Funcional I Gabriela Souza de Vasconcelos Técnicas fisioterapêuticas para os distúrbios da articulação temporomandibular Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Explicar a estrutura de uma avaliação cinético-funcional apli- cada aos distúrbios ortopédicos e traumatológicos da articulação temporomandibular. Realizar o exame físico e os testes especiais relacionados à articulação temporomandibular. Relacionar a aplicação dos métodos e técnicas fisioterapêuticas com os distúrbios ortopédicos e traumatológicos da articulação temporomandibular. Introdução A articulação temporomandibular (ATM) está vulnerável a alterações funcionais ou patológicas, levando a desarranjos como a disfunção temporomandibular (DTM). As causas da DTM não necessariamente se encontram na ATM e, por isso, é importante que o exame seja abrangente e inclua todo o quadrante superior, como a coluna cervical e os ombros. Dentre todos os profissionais que podem estar envolvidos no tra- tamento da DTM, o fisioterapeuta pode contribuir para amenizar os sintomas da DTM e melhorar a função da ATM, evitando a cirurgia. Neste capítulo, você compreenderá a estrutura de uma avaliação cinético-funcional aplicada aos distúrbios ortopédicos e traumatológi- cos da ATM, aprenderá a realizar o exame físico e os testes clínicos, assim como verá a aplicação de técnicas fisioterapêuticas direcionadas à ATM. Avaliação cinético-funcional da articulação temporomandibular A articulação temporomandibular (ATM) é uma das articulações mais comple- xas do corpo humano, sendo composta pelo osso temporal e pela mandíbula, constituída pelo disco articular e outras estruturas, como tecido retrodiscal (zona bilaminar), membrana sinovial, cartilagem articular, cápsula articular e superfície articular, que é formada pelo côndilo da mandíbula e a fossa mandibular do osso temporal (OKENSON, 2000). A disfunção temporomandibular (DTM) é a alteração mais comum nessa articulação, acometendo 50 a 75% da população, de acordo com Silva et al. (2011). A DTM se caracteriza por uma série de alterações que podem ocorrer na ATM e na região adjacente, tal como queixas de dor orofacial, ruídos articulares, limitações na amplitude de movimento ou desvios durante a função mandibular e uma variedade de danos na mandíbula, sem uma causa estrutural identificada (DWORKIN et al., 1990). A etiologia da DTM está relacionada com hábitos parafuncionais, como roer as unhas, mascar chicletes, morder canetas, bruxismo, que aumentam a atividade muscular e provocam fadiga, espasmo e dor (STECHMAN NETO et al., 2009; DUTTON, 2010; GORRERI et al., 2010; MAGEE, 2010). Diante das características multifatoriais e dos diferentes sintomas associa- dos à DTM, o tratamento envolve dentistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, otorrinolaringologistas e neurologistas. É a partir de uma avaliação detalhada de cada profissional que poderá ser escolhido o melhor tratamento para cada paciente (PARENTE; CERDEIRA, 2013). Em relação à avaliação fisioterapêutica, o exame clínico é considerado o padrão-ouro para os diagnósticos de DTM e deve incluir a avaliação dos músculos da mandíbula, das estruturas articulares de cartilagem e de osso, das estruturas faciais, articulares de tecido mole, incluindo o disco articular e a membrana sinovial, da função articular e mandibular, da função da coluna Técnicas fisioterapêuticas para os distúrbios da articulação temporomandibular2 torácica superior e cervical, da postura e disfunção, de doenças sistêmicas, além das questões psicossociais que podem estar envolvidas. Portanto, para o diagnóstico correto da DTM, a avaliação deve ser abrangente e levar em conta, não só a ATM, mas também as regiões subjacentes, como cervical, torácica e ombros (DUTTON, 2010). O estalido articular é frequente em DTM, mas pode ser uma ocorrência normal ou causado por um dos tipos de desarranjo interno, como deslocamento de disco, hipo- mobilidade adesiva do disco e desvio em sua forma. Além disso, pode ser resultado de hipermobilidade ou de descoordenação muscular. Exame físico e testes clínicos para articulação temporomandibular O exame físico do paciente deve incluir as informações obtidas a partir de sua história, assim como a realização de testes e medidas, como palpação, observação, movimentos ativos, compressão e distração articular, teste de mobilidade articular, detecção de sons articulares e testes resistivos, essenciais para o correto diagnóstico (DUTTON, 2010; MAGEE, 2010). História De acordo com Magge (2010), o primeiro passo da avaliação fi sioterapêutica consiste na realização da anamnese, momento em que o fi sioterapeuta co- nhecerá um pouco mais sobre a história do paciente e o motivo principal da consulta. Enquanto aborda a história, o fi sioterapeuta deve observar a boca do paciente para ver se ela se move de forma confortável ao falar ou se os movimentos são cautelosos. Além de promover o diagnóstico correto da DTM, essas questões servem para excluir outras patologias que podem apresentar sintomas semelhantes, como problemas cervicais, sistêmicos, psicogênicos, do ouvido, e/ou dos seios da face. 3Técnicas fisioterapêuticas para os distúrbios da articulação temporomandibular O fisioterapeuta deve questionar como os sintomas iniciaram, a gravidade, o que faz com que eles diminuam e as atividades e posturas do paciente, principalmente aquelas sustentadas por períodos prolongados (sentar, dormir, dirigir, etc) (DUTTON, 2010). Ainda de acordo com Dutton (2010), é fundamental que o fisioterapeuta questione e determine fatores associados a essa queixa — por exemplo, se o início foi por trauma, cirurgia ou se ocorreu de forma gradual, se existem fatores emocionais relacionados, hábitos parafuncionais (morder a bochecha, roer as unhas, morder o lápis, dentes cerrados ou bruxismo), a história orto- dôntica e dentária do paciente, se já ocorreu travamento ou deslocamento da mandíbula, entre outros. Testes e medidas Observação O fi sioterapeuta deve observar atentamente a cabeça, a face e o pescoço para verifi car a presença de assimetrias, como edema ou achatamento da bochecha, a presença de qualquer postura cervical anormal, desvio da mandíbula, secura incomum dos lábios, mudanças na posição dos olhos e sinais de estresse tecidual, como o desenvolvimento excessivo dos músculos masseter e mentual, ou hipertrofi a no lábio inferior (DUTTON, 2010). Os dentes devem ser examinados em sua simetria e detalhes como cavidades, padrões de desgaste e dentes restaurados ou ausentes, pois isso pode ser sinal destrutivo de hábitos parafuncionais, e a perda de dentes pode causar ruptura nas interfaces funcionais e não funcionais dos dentes (DUTTON, 2010). A língua também deve ser examinada em relação a cor e aspecto (MAGEE, 2010). A posição de repouso da ATM é muito importante para favorecer o relaxamento da musculatura e deve ser levada em consideração tanto na avaliação quanto no tratamento. Para encontrá-la, o fisioterapeuta deverá colocar suavemente o dedo mínimo com a porção palmar voltada Técnicas fisioterapêuticas para os distúrbios da articulação temporomandibular4 anteriormente para dentro do meato auditivo externo, enquanto o paciente está com a boca aberta, e solicitar que ele a feche lentamente. Na posição de repouso, as cabeças das mandíbulas podem ser sentidas com o toque suave do dedo, e o espaço entre os incisivos superiores e inferiores deve ser de 2 a 4 mm (DUTTON, 2010). Amplitude de movimento A amplitude de movimento da ATM, da coluna cervical, das articulações craniovertebrais e dos ombros é avaliada com amplitude de movimento ativo e, em seguida, com pressão excessiva passiva, para avaliar a sensação de fi nal do movimento, de acordo com Dutton (2010). Entre os movimentos da ATM, que devem ser suaves, sem ruídos e dor, o fisioterapeuta deve observar a aberturae o fechamento da boca, a protusão, a retrusão e os desvios das mandíbulas, além dos movimentos da língua, verificando a amplitude e a qualidade do movimento (DUTTON, 2010; MAGEE, 2010). Palpação De acordo com Dutton (2010), a palpação da ATM pode ser usada para avaliar a sensibilidade, os padrões da dor referida, a temperatura da pele, o tônus muscular, o edema, a umidade da pele e a localização de pontos-gatilho. O autor ainda enfatiza que a palpação deve ser bilateral e simultaneamente nas regiões lateral e posterior da ATM, começando com um toque suave e uma leve pressão, pois os músculos da face podem estar muito sensíveis se estiverem em espasmo. Testes musculares Os principais músculos envolvidos nas DTMs são o temporal, o masseter, os peterigóideo medial e lateral, os supra e infra-hióideos e os músculos da 5Técnicas fisioterapêuticas para os distúrbios da articulação temporomandibular expressão facial. Se a DTM estiver relacionada com alguma alteração muscular, os testes musculares servirão para identifi car qual ou quais músculos estão acometidos (DUTTON, 2010). Testes de carga articular Dutton (2010) sugere que dois testes podem ser utilizados para avaliar a carga seletiva da ATM: carga dinâmica e a compressão articular. No teste de carga dinâmica, o paciente deve morder um cilindro de algodão ou um depressor de língua em um dos lados, o que irá gerar sobrecarga contralateral. Já no teste de compressão articular, o paciente fi ca em supino e o fi sioterapeuta, que está em pé na cabeceira da maca, coloca os dedos sob cada lado mandíbula e comprime posterior e inferiormente a articulação, gerando sobrecarga bilateral. Testes neurológicos para o nervo trigêmeo Alguns testes podem ser realizados para identifi car alterações neurológicas do nervo trigêmeo, como teste de sensibilidade e de refl exo (MAGEE, 2010): Sensibilidade: o teste deve ser feito bilateralmente e consiste na mas- sagem ou no toque da pele, próxima à linha média da testa, e da face com algodão, papel, tecido. Reflexo: o reflexo mandibular é usado para testar a função do nervo trigêmeo. Lesões superiores à ponte podem produzir hiper-reflexia, enquanto lesões inferiores podem produzir hiporreflexia ou arreflexia. O paciente deve relaxar a boca e abri-la na posição de repouso; então, o fisioterapeuta coloca um polegar sobre a mandíbula e dá uma panca- dinha leve no polegar com a extremidade pontiaguda de um martelo de reflexo. A resposta normal esperada é que a boca feche. Testes especiais Ainda não existem testes especiais para o diagnóstico da DTM, como existem para as articulações do joelho, quadril, ombro, cotovelo, entre outras (DUT- TON, 2010; MAGEE, 2010). A avaliação e o diagnóstico mais adequados da DTM contemplam todos os aspectos que já foram citados anteriormente, além de questionários, que podem ser úteis em complementar os achados clínicos (CHAVES; OLIVEIRA; GROSSI, 2008). Técnicas fisioterapêuticas para os distúrbios da articulação temporomandibular6 Questionários Dois questionários podem ser facilmente empregados na avaliação do paciente com suspeita de DTM, o Índice de Helkimo ou de Disfunção Clínica Cra- niomandibular (IDCCM) e o Questionário ou Índice de Limitação Funcional Mandibular (MFIQ) (CHAVES; OLIVEIRA; GROSSI, 2008). O Índice de Helkimo apresenta eficiência no diagnóstico de DTM e pode ser utilizado para avaliar o grau de DTM dos participantes. Esse questionário é composto por perguntas que podem ser pontuadas como 0, 1 e 5. A partir da soma desses valores podemos classificar o paciente com Índice de disfunção da ATM suave, moderado, severo e nenhuma disfunção (Figura 1). Figura 1. Índice de Helkimo. Fonte: Chaves, Oliveira e Grossi (2008, documento on-line). O MFIQ, composto por 17 perguntas, pode ser utilizado para avaliar a severidade da limitação funcional da ATM (Figura 2). 7Técnicas fisioterapêuticas para os distúrbios da articulação temporomandibular Figura 2. Questionário ou Índice de Limitação Funcional Mandibular. Fonte: Chaves, Oliveira e Grossi (2008, documento on-line). No link a seguir, você pode saber mais sobre a avaliação diagnóstica da DTM por meio de exames de imagens. https://qrgo.page.link/iiFTj Intervenção fisioterapêutica para as disfunções da articulação temporomandibular Para o melhor tratamento da DTM, faz-se necessário o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar — embora o papel do fi sioterapeuta seja de grande importância, outras terapias podem ser complementares ao tratamento fi sioterapêutico. Além da fi sioterapia, o tratamento conservador envolve a combinação de procedimentos como orientações, terapias com placas oclusais e farmacoterapia (GARCIA; OLIVEIRA, 2011; KISNER; COLBY, 2016). Técnicas fisioterapêuticas para os distúrbios da articulação temporomandibular8 A atuação da fisioterapia voltada para o tratamento da DTM é a fisioterapia orofacial ou bucomaxilofacial, que pode servir tanto para prevenir uma cirurgia quanto para reabilitar no pós-operatório. O tratamento fisioterapêutico tem como foco reduzir as dores orofaciais, da cabeça e da cervical e a inflama- ção, melhorar a amplitude dos movimentos, a função da ATM e favorecer o reposicionamento da mandíbula em relação ao crânio, reeducar a postura e fortalecer os músculos envolvidos (PARENTE; CERDEIRA, 2013). Entre as opções de técnicas que podem ser utilizadas pelo fisioterapeuta para alcançar esses objetivos, estão a terapia manual (massagem, mobilizações articulares, liberação miofacial), a cinesioterapia e eletrotermofototerapia (PARENTE; CERDEIRA, 2013; KISNER; COLBY, 2016). Terapia manual, crioterapia e TENS Para alívio da dor, podem ser usadas técnicas de terapia manual (Figura 3), como massagem, liberação de pontos-gatilhos, crioterapia (Figura 4) e correntes analgésicas, como a TENS. O fi sioterapeuta deverá sugerir que o paciente coma alimentos macios e evite itens que exijam abertura excessiva da mandíbula ou movimentos fi rmes de morder e mastigar (KISNER; COLBY, 2016). Figura 3. Exemplo de liberação da musculatura da face envolvida na abertura e no fechamento da mandíbula. Fonte: Caram (2018, documento on-line). 9Técnicas fisioterapêuticas para os distúrbios da articulação temporomandibular Figura 4. Aplicação de gelo na região da ATM. Fonte: Mendes (2019, documento on-line). Cinesioterapia Para esse tipo de tratamento, a fi sioterapia se utiliza de técnicas que incluem manobras de relaxamento e reeducação postural que promovem melhora sig- nifi cativa dos sintomas, principalmente os dolorosos. Além disso, de acordo com Kisner e Colby (2017), a cinesioterapia é importante no tratamento das disfunções da ATM para o desenvolvimento e manutenção do conforto articular e muscular, diminuição dos estalos articulares, aumento da resistência muscular e estabilização das ATMs. A seguir, veja algumas opções de tratamento por meio da cinesioterapia (KISNER; COLBY, 2016). Relaxamento muscular facial e propriocepção e controle da língua Coloque a ponta da língua no palato duro atrás dos dentes da frente e desenhe pequenos círculos ou letras no palato. Coloque a ponta da língua no palato duro e sopre o ar para vibrar a língua, emitindo um som “r r r r”. Encha as bochechas com ar (boca fechada) e deixe o ar sair em um sopro. Técnicas fisioterapêuticas para os distúrbios da articulação temporomandibular10 Faça um som de “clique” com a língua no céu da boca. Ao fazer isso, a mandíbula se abre rapidamente e retorna com os dentes ligeiramente afastados — geralmente, a língua repousa sobre o palato duro, atrás dos dentes da frente. Essa é a posição de repouso da mandíbula e também é o primeiro passo ensinado nos exercícios de relaxamento. Controle dos músculos da mandíbula Ensine o reconhecimento da posição de repouso da mandíbula, em que os lábios estão fechados, os dentes levemente separados e a língua descan- sando levemente no palato duro, atrás dos dentesda frente. O paciente deve inspirar e expirar lentamente pelo nariz, usando respiração diafragmática. Ensine o controle ao abrir e fechar a mandíbula na primeira metade da ADM. Com a língua no céu da boca, o paciente abre a boca, tentando manter o queixo na linha média. Use um espelho para reforço visual. Ensine o paciente a palpar levemente o polo lateral de cada côndilo da mandíbula bilateralmente e a tentar manter a simetria entre o movimento dos dois lados ao abrir e fechar a boca. Se a mandíbula se desviar ao abrir ou fechar, peça ao paciente que pratique um desvio lateral para o lado oposto. O movimento lateral não deve ser excessivo ou causar dor. Técnicas de alongamento Se houver uma abertura restrita da mandíbula, determine se é de tecidos hipo- móveis ou de um menisco deslocado. O alongamento passivo e a mobilização articular são usados para esticar os tecidos tensos. A distração articular pode ser usada para reposicionar um menisco que está bloqueando a abertura. Alongamento passivo: usado para aumentar a abertura da mandíbula. Comece colocando depressores de língua em camadas entre os incisivos centrais. Autoalongamento: realizado colocando cada polegar sob os dentes superiores e os dedos indicador ou médio sobre os inferiores e empur- rando os dentes para abrir. Mobilização articular: o paciente deve estar na posição supino ou sen- tado, com a cabeça apoiada e estabilizada. Utilize luvas para realizar as mobilizações articulares. ■ Distração unilateral: use a mão oposta ao lado em que você está trabalhando. Coloque o polegar na boca do paciente nos molares 11Técnicas fisioterapêuticas para os distúrbios da articulação temporomandibular traseiros; os dedos estão do lado de fora e enrolados na mandíbula. A força está na direção descendente (caudal). ■ Distração unilateral com deslizamento: depois de distrair a mandí- bula, puxe-a na direção anterior (anterior) com um movimento de inclinação. A outra mão pode ser colocada sobre a ATM para palpar a quantidade de movimento. ■ Distração bilateral: se o paciente estiver em decúbito dorsal, fique na cabeceira da mesa de tratamento. Se o paciente estiver sentado, fique na frente dele. Use os dois polegares, colocando-os nos molares de cada lado da mandíbula. Os dedos estão enrolados na mandíbula, e a força dos polegares é igual na direção caudal. ■ Automobilização: coloque rolos dentários de algodão entre os dentes posteriores e faça com que o paciente morda. Isso distrai os côndilos das fossas nas articulações. Redução dos desequilíbrios musculares do quadrante superior Identifi que desequilíbrios de fl exibilidade e força no quadrante superior. Alongue os músculos posturais restritivos, ensine relaxamento e, depois, treine novamente para o controle muscular adequado. Laser O laser tem inúmeros efeitos terapêuticos, tais como: analgésico, anti-infl a- matório, antiedematoso e cicatrizante. Pode ser usado na DTM (Figura 5), tanto em quadros agudos quanto crônicos, no músculo temporal, no côndilo, na região retroauricular, no ângulo da mandíbula e na região do pescoço (PARENTE; CERDEIRA, 2013). Técnicas fisioterapêuticas para os distúrbios da articulação temporomandibular12 Figura 5. Aplicação de laser na ATM. Fonte: Marcin Balcerzak/Shutterstock.com. Os parâmetros do laser são comprimento de onda, energia emitida ao tecido, densidade de energia, área do feixe, tempo de aplicação, potência de pico, potência média (em caso de aplicação pulsada) e densidade de potência. O parâmetro mais importante, e em relação ao qual se encontram maiores divergências sobre valores, é a dose, que é baseada em pesquisas e estimada de acordo com o tecido e ajustada conforme a energia absorvida para cada tecido, tempo de irradiação e tamanho da área afetada (FUKUDA; MALFATTI, 2008). O laser pode ser classificado como de alta potência e de baixa potência. Os comprimentos de onda utilizados estão entre 600 e 1000 nm, os quais são relativamente menos absorvidos e, consequentemente, apresentam uma boa transmissão na pele e nas mucosas (KITCHEN, 2003). No estudo de Machado et al. (2016), por exemplo, o laser de baixa potência foi aplicado em pacientes com DTM (emissão contínua, comprimento de onda de 780 nm, uma potência de 60 mW por 40 s, e uma densidade de energia de 60 ± 1,0 J/cm2) e foi observada diminuição dos sintomas e melhora da função com 12 sessões de tratamento. 13Técnicas fisioterapêuticas para os distúrbios da articulação temporomandibular Ultrassom terapêutico O efeito do ultrassom nos tecidos é o aquecimento profundo, que gera aumento do fl uxo sanguíneo no local com consequente redução do edema e da dor, aumento da permeabilidade da membrana celular e da extensibilidade das fi bras colágenas. Esses efeitos podem ser benéfi cos na DTM, pois ajudarão na regeneração tecidual, no aumento da ADM em decorrência do aumento da extensibilidade do colágeno, na redução do espasmo muscular e no alívio da dor, contribuindo, assim, na resolução de processos infl amatórios crônicos e na cicatrização (PARENTE; CERDEIRA, 2013). O ultrassom pode ser utilizado com frequências de 1 e 3 MHz. A primeira atinge tecidos mais profundos de 3 a 5 cm, enquanto a segunda é mais su- perficial, atingindo tecidos de 1 a 2 cm de profundidade (KITCHEN, 2003; ROCHA; OLIVEIRA, 2010). Em relação à intensidade, pode variar entre 0,1 e 3 W/cm2 (OLSSON et al., 2008). CARAM, C. ATM e DTM: conheça os principais sintomas da disfunção da mandíbula. Instituto Barbosa Odontologia, 2018. Disponível em: http://institutobarbosa.com.br/ post/atm-e-dtm-conheca-os-principais-sintomas-da-disfuncao-da-mandibula/. Acesso em: 11 nov. 2019. CHAVES, T. C.; OLIVEIRA, A. S.; GROSSI, D. B. Principais instrumentos para avaliação da disfunção temporomandibular, parte I: índices e questionários; uma contribuição para a prática clínica e de pesquisa. Fisioterapia e Pesquisa, v. 15, n. 1, p. 92-100, 2008. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S1809- -29502008000100015&lng=en&nrm=iso&tlng=pt. Acesso em: 11 nov. 2019. 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Técnicas fisioterapêuticas para os distúrbios da articulação temporomandibular16