Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

O Sistema Sensorial consiste em dois órgãos 
principais, sendo: os olhos e as orelhas 
internas. Lembrando que ambos os órgãos são 
derivados de vesículas encefálicas. 
OLHOS 
 
O aparelho visual tem origem de diversos 
tecidos embrionários: 
-Ectoderma 
-Neuroectoderma: diencéfalo (ectoderme agora 
com características de células neurais) 
-Células da crista neural 
-Mesoderma 
 
ESTABELECENDO O CAMPO VISUAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Qual a região do embrião de 3° semana 
que será importante para o 
desenvolvimento dos olhos? 
O campo visual está presente na região cranial 
do disco trilaminar, próximo à placa precordal. 
Assim, as células epiblásticas do campo visual 
são determinadas a constituírem parte dos 
olhos por um fator de transcrição denominado 
RAX. 
- A não-expressão correta desse gene leva a 
não-formação dos olhos, denominada 
anoftalmia. 
 
 
O campo visual no início do desenvolvimento é 
único. Durante o desenvolvimento, 
especificamente na 4° semana (quando o tubo 
neural completa seu fechamento), tem-se uma 
linha mediana, que converge com o fechamento 
do tubo neural. Sabe-se que essa linha mediana 
tem uma alta expressão de sonic hedhog (Shh). 
 
 Logo, o sonic hedhog será responsável 
por separar/dividir o campo visual e 
determinar a formação dos dois olhos. 
Quando há erros na expressão de Shh e mais 
fatores envolvidos tem-se o fenômeno de 
ciclopia. 
 
 Desenvolvimento do Sistema Sensorial 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Desenvolvimento dos Olhos 
A primeira evidência do olho humano surge no 
22° dia de gestação pós-fecundação através do 
aparecimento do sulco(invaginação) óptico na 
região do diencéfalo “presuntivo”. 
*presuntivo”: onde será a região do 
diencéfalo, uma vez que no 22° não houve 
ainda a formação das vesículas 
secundárias. 
 
 
A invaginação é uma perspectiva da região 
interna. A perspectiva de uma região externa 
ao observador é uma evaginação do sulco 
óptico. 
A evaginação do sulco óptico irá formar a 
vesícula óptica, dos dois lados. 
 
 
A vesícula óptica será importante para a 
determinação de dois componentes do sistema 
visual: a lente do cristalino e o cálice óptico. 
 É importante notarmos a interação 
entre os tecidos. 
 
 
Nota-se a presença do tecido neural/nervoso e 
a formação do prosencéfalo e sua consequente 
divisão em diencéfalo e telencéfalo. 
Há um revestimento de ectoderma de 
superfície, que circunda toda a região externa 
do embrião. O ectoderma de superfície será 
muito importante para a determinação da lente 
do olho ( do cristalino). 
 
Esse contato da vesícula óptica com o 
ectoderma torna propícia uma sinalização 
gênica importante: onde serão formados o 
placode do cristalino. Esse placode/ placódio 
é uma área ectodérmica espessa, com 
capacidade para formar neurônios. 
 
Não será o caso do cristalino, tendo em vista 
que o cristalino não emite neurônios e é 
composto por proteínas da lente que vão 
auxiliar na passagem da luz através da lente. 
 
 
A segunda indução (contato) da vesícula 
óptica com o ectoderma de superfície é para a 
formação do cálice óptico (advindo de um 
dobramento específico da vesícula óptica). 
 
 
FORMAÇÃO DAS LENTES (CRISTALINO) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Em lâminas de cabeça de fetos de ratos ou 
camundongos (corte frontal) é comum que 
consigamos ver o desenvolvimento do 
cristalino e do cálice óptico. Veja esta lâmina. 
 
Um gene muito importante para a 
determinação do cristalino será a indução de 
Pax-6 pelas células da ectoderme de 
revestimento. 
 
Mutações no gene Pax-6 
https://embryology.med.unsw.edu.au/emb
ryology/index.php/File:Pax6_eye_phenotyp
es.jpg 
 
Esse Pax-6 é induzido nas células da ectodeme 
de revestimento e vai em contato a vesícula 
óptica para formar o cristalino. 
 
O cristalino é formado através de células da 
ectoderme que tem uma capacidade (induzida 
através de Pax-6) de formar inicialmente a 
vesícula do cristalino. Depois, essa vesícula do 
cristalino se desprende da região do 
ectoderma, dando origem à lente formada. 
 
FORMAÇÃO DAS FIBRAS DAS LENTES 
Uma vez que a vesícula do cristalino é 
desprendida da região do ectoderma, ela 
começa a sofrer extensas diferenciações 
celulares, onde proteínas cristalinas 
(compreendem três tipos: alfa, beta e gama) 
permitem o clareamento das lentes e a 
transmissão eficiente da luz através da lente. 
Alguns problemas podem surgir desta 
diferenciação das proteínas cristalinas, tópico 
que compreende a catarata congênita, por 
exemplo. 
https://embryology.med.unsw.edu.au/embryology/Slides/Embryo_Stages/Stage22/08/Stage22-08.html
https://embryology.med.unsw.edu.au/embryology/index.php/File:Pax6_eye_phenotypes.jpg
https://embryology.med.unsw.edu.au/embryology/index.php/File:Pax6_eye_phenotypes.jpg
https://embryology.med.unsw.edu.au/embryology/index.php/File:Pax6_eye_phenotypes.jpg
 
 
Catarata Congênita: cristalino opaco, branco-
acinzentado, causando cegueira. Em alguns 
casos, infecção pelo vírus da rubéola. Na 
catarata congênita, o cristalino não produz 
corretamente as proteínas cristalinas. 
 
 
O ectoderma de superfície é induzido para se 
tornar o placode óptico por sinais do(a): 
 vesícula óptica 
FORMAÇÃO DA CÓRNEA 
 Indução do cristalino sobre o ectoderma de 
superfície. 
Na região anterior do olho, sabe-se que a 
córnea é compreendida por uma região mais 
externa em relação ao cristalino. 
 
 
Nota-se então a importância da comunicação 
entre os tecidos, que gera uma comunicação 
gênica que contribui para a formação da 
córnea. 
 
 
A indução do cristalino sobre as células 
ectodérmicas irá disparar a formação da 
córnea. Além disso, células da crista neural, 
assim como as células de ectoderma de 
superfície também ajudam no desenvolvimento 
da córnea. 
 Dessa forma, há a formação de uma via 
transparente livre de distorção óptica; luz pode 
penetrar o olho e ter sua incidência sobre uma 
região específica da retina, que será necessária 
para a formação das imagens. 
- É importante compreender a interação do 
cristalino e da córnea no processo de formação 
de imagens no fundo do olho. 
 
DERIVADOS DO CÁLICE ÓPTICO 
O dobramento da vesícula óptica em um 
cálice óptico. 
Com o desenvolvimento, esse cálice óptico dará 
origem a duas paredes. Logo, as duas paredes 
do cálice óptico originam as duas camadas da 
retina, sendo: a retina neural e o epitélio 
pigmentoso ou retina pigmentosa. 
 
Na retina neural há propriedades de formação 
de tecido nervoso (neurônios) e é onde estão 
os receptores de luminosidade (cones e 
bastonetes), neurônios e células ganglionares. 
Já o epitélio pigmentoso será necessário para 
absorver a luz incidida nos fotorreceptores. 
Contém melanina. 
 
DERIVADOS DO CÁLICE ÓPTICO: 
Retina neural e Epitélio pigmentoso 
Com o desenvolvimento, a camada de retina 
neural emite prolongamentos. Ou seja, os 
neurônios localizados nessa região de retina 
neural emitem prolongamentos que vão formar 
o nervo óptico. 
 
O nervo óptico tem contato com o encéfalo. 
 
Entre as camadas de retina neural e epitélio 
(retina) pigmentoso há um espaço 
denominado espaço intra-retinal. 
 
 
Corte histológico mostrando o espaço intra-
retinal: 
https://embryology.med.unsw.edu.au/embryol
ogy/Slides/Embryo_Stages/Stage22/08-
eye/Stage22-08-eye.html 
 
O espaço intra-retinal diminui na 7° semana, 
mas as 2 camadas de retina não se fundem 
firmemente, isto é, não há proteínas de adesão 
que juntam firmemente as duas camadas. Em 
traumas, é comum o deslocamento de retina 
(separação mecânica das 2 camadas). 
 
Detalhe do corte histológico evidenciando as 
camadas da retina (neural e pigmentosa). 
 
DERIVADOS DO CÁLICE ÓPTICO: ÍRIS 
Outro derivado da porção mais anterior do 
cálice óptico há a íris. A írisé um tecido 
muscular presente na região anterior do cálice 
óptico. 
As pontas do cálice óptico em ambos os lados 
do cristalino originam o anel pigmentado de 
tecido muscular, a íris. 
 As células da crista neural estão 
envolvidas na formação de diversas 
estruturas da cabeça. 
 
 
https://embryology.med.unsw.edu.au/embryology/Slides/Embryo_Stages/Stage22/08-eye/Stage22-08-eye.html
https://embryology.med.unsw.edu.au/embryology/Slides/Embryo_Stages/Stage22/08-eye/Stage22-08-eye.html
https://embryology.med.unsw.edu.au/embryology/Slides/Embryo_Stages/Stage22/08-eye/Stage22-08-eye.html
https://embryology.med.unsw.edu.au/embryology/index.php/Sensory_-_Vision_Development#/media/File:Stage_22_image_154.jpg
 
 
A íris é então compreendida por um anel 
pigmentado, onde se tem a cor dos olhos e 
também os músculos dilatadores da pupila. 
 A íris também modula a quantidade e 
característica da luz que incide sobre 
a retina. Logo, percebe-se que há todo 
um aparato especializado em transmitir 
a luz corretamente para a retina. 
 Íris: músculos dilatadores da pupila (se 
desenvolvem da crista neural). 
 Cor definitiva dos olhos: a partir dos 6 
meses de idade. 
 
PROCESSO OU CORPO CILIAR 
Um pouco abaixo da íris, na mesma região 
terminal do cálice óptico será desenvolvido o 
processo ou corpo ciliar. 
Esse processo ou corpo ciliar é contínuo com a 
retina pigmentar e neural na porção anterior 
do olho, uma vez que na porção posterior há a 
continuidade da retina pigmentar com a retina 
neural. 
 
 
O processo/corpo ciliar é conectado à lente 
por conjuntos radiais de fibras. 
 Modula o formato da lente ao focar raios 
luminosos. 
Pode-se dizer então que esse processo ciliar 
ajuda a conectar a lente do olho modulando 
essa lente para focar os raios luminosos. 
 
 
O processo ciliar é também responsável pela 
secreção do humor vítreo ou humor aquoso, 
que corresponde à deposição de líquido dentro 
do olho. 
 
 
As células derivadas da crista neural 
constituem um componente significativo de 
qual tecido do olho? Córnea (v) 
 
 
Formação do Aparelho Auditivo 
 
Na aula de desenvolvimento de cabeça e 
pescoço, vimos a formação da orelha exterma. 
A orelha externa é responsável pela captação 
do som (principalmente o pavilhão auditivo e o 
conduto externo-auditivo); a orelha média 
responsável pela condução do som através dos 
ossículos específicos da audição, visto na aula 
de Sistema Faríngeo. 
Já a orelha interna é responsável pela 
conversão do som em impulsos nervosos 
através da cóclea e também pelo equilíbrio, 
através do labirinto. Essa vesícula óptica que 
irá se desenvolver em cóclea e o aparato 
vestibular (que é o labirinto) será o foco desta 
aula. 
Vimos que a orelha externa obteve sua 
formação através dos arcos faríngeos e do 1° 
sulco faríngeo. 
 
 
Já a orelha interna (foco da aula) é formada 
pela cóclea e aparato vestibular (labirinto) e 
tem sua formação a partir dos placodes óticos. 
O placode ótico é uma área ectodérmica 
espessa que tem capacidade de formar 
neurônios. 
 
 
A formação do aparelho auditivo começa em 
uma região mais posterior ao encéfalo (não 
será na região do diencéfalo, como no caso do 
placode óptico). Será na região do 
rombencéfalo, que dará origem ao placode 
ótico. 
 
 
Durante a 4° semana de desenvolvimento 
embrionário pós-fecundação, o placode ótico 
se invagina (nota-se aquela região mais 
espessa nos dois lados do rombencéfalo) 
formando a fosseta ótica ou sulco ótico e 
posteriormente esse sulco se inagina 
completamente, se destaca da ectoderme de 
superfície e forma a vesícula ótica. 
 
 
FORMAÇÃO DA VESÍCULA ÓTICA 
A vesícula ótica se diferencia, ou seja, apresenta 
células que se delaminam da vesícula ótica, 
formando neurônios jovens para dar origem 
ao gânglio estatoacústico. 
 
 
FORMAÇÃO DO GÂNGLIO VESTIBULO-
COCLEAR (ESTATOACÚSTICO) 
 
 
Neuroblastos da vesícula ótica delaminam e 
formam o gânglio vestibulococlear (nervo 
craniano VIII- relacionado com audição e 
equilíbrio). 
 
DESENVOLVIMENTO DA ORELHA INTERNA 
 
 
A vesícula ótica vai sofrendo modificações, se 
divide, formando uma face vestibular dorsal 
(ou superior) e uma face coclear ventral (ou 
inferior). Isto é, a partir da vesícula ótica 
haverá a formação de cóclea e aparato 
vestibular, que vão se moldando. A vesícula 
ótica vai passando por diferenciações até que 
se formem essas duas estruturas. 
 
FACE INFERIOR DA VESÍCULA ÓTICA: 
DUCTO COCLEAR 
 
Na 5° semana, a face inferior começa a se 
alongar e enrolar, formando o ducto coclear, 
primórdio da cóclea. 
É valido ressaltar que as demais regiões da 
orelha também estão se desenvolvendo em 
conjunto. 
 
FACE SUPERIOR DA VESÍCULA ÓTICA: 
CANAIS SEMICIRCULARES E UTRÍCULO 
Na 5° semana, na face superior, discos 
achatados começam a se desenvolver, 
formando os ductos dos canais semicirculares 
anterior, posterior e lateral. Essa estrutura 
estará muito relacionada com o equilíbrio 
(labirinto). 
 
LABIRINTO E CÓCLEA FORMADOS 
O ouvido interno (ou orelha interna) atinge o 
tamanho e a forma do adulto na metade do 
período fetal (20-22 semanas). 
 
ORELHA MÉDIA 
(derivados dos arcos, bolsas e sulcos 
faríngeos) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
As cartilagens do primeiro arco faríngeo 
formam bigorna e martelo. A cartilagem do 
segundo arco faríngeo forma o estribo. 
Origem dos ossículos: mesênquima da crista 
neural. 
A primeira bolsa faríngea forma a tuba 
auditiva e o primeiro sulco faríngeo forma a 
parte externa da membrana timpânica. 
 
 
 
Em resumo, a vesícula ótica é responsável pela 
transformação em impulsos nervosos captados 
pelo pavilhão auditivo, passado pelos ossículos 
da audição na orelha média e depois 
transformado em impulsos elétricos através da 
orelha interna, uma continuidade existente na 
região da cóclea que apresenta estereocílios. 
Esses recebem a vibração e a transporta 
através de neurônios específicos ligados ao 
nervo craniano 8. 
 
ORELHA EXTERNA 
(CANAL AUDITIVO E PAVILHÃO 
AURICULAR) 
 
De onde vem as protuberâncias que vão 
moldar as orelhas em um determinado 
formato? 
Essas protuberâncias/ proeminências são 
derivadas do primeiro e segundo arcos 
faríngeos. 
O primeiro arco faríngeo é responsável por 
regiões específicas da orelha, vistas na imagem 
abaixo. 
Primeiro arco faríngeo: concha simba, hélice 
e trágus (ponta da orelha). 
Segundo arco faríngeo: antitrágus, anti-hélice 
e concha. 
 
 
O pavilhão auricular se forma a partir de 6 
saliências que surgem na 5° semana a partir 
do 1° e 2° arcos faríngeos.

Mais conteúdos dessa disciplina